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Numero do processo: 13771.002925/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE
REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO.
Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse
último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado
na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Em procedimento de revisão da DIRPFexercício 2004, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte uma omissão de rendimentos no importe de R$ 15.944,04, oriunda de divergência entre o valor informado na DIRF pelo Comando da Marinha e aquele confessado pelo fiscalizado na declaração já referida, com constituição do lançamento consubstanciado na notificação de lançamento acostada a este caderno processual. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando, em síntese, que a pretensa omissão de rendimentos era não tributável, pois corresponderia ao adicional por tempo de serviço, conforme o art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94. A 1ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1326. 123, de 28 de agosto de 2009 (fls. 27 e seguintes), assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/11/2009. No voluntário, o recorrente repisou as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002925/200871 Acórdão n.º 210202.057 S2C1T2 Fl. 2 3 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/11/2009, e interpôs o recurso voluntário em 09/11/2009, dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. O recorrente defende que o adicional por tempo de serviço não se encontra no âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física, com base no art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94 (que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal), verbis: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: (...) II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. (...) A Lei acima regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias ou o pagamento das horas extraordinárias. Aqui se deve observar que é a lei tributária do imposto de renda da pessoa física que define quais as verbas que transcendem o conceito de remuneração são isentas do IRPF, notadamente constando tais isenções no art. 6º da Lei nº 7.713/88. Assim, por exemplo, no art. 6º, II e XX, da Lei nº 7.713/88 constam as isenções relativas às diárias e à ajuda de custo em decorrência da mudança de sede. As isenções tributárias não são definidas pela Lei nº 8.852/94, como equivocadamente defende o contribuinte. Se assim fosse, por exemplo, o pagamento do décimoterceiro salário seria isento (art. 1º, III, “f”, da Lei nº 8.852/94), o que demonstra o equívoco do raciocínio do recorrente, pois não se conhece quem já tenha defendido a ausência de tributação sobre o décimoterceiro salário (esta verba consta como tributável especificamente no art. 25 da Lei nº 7.713/88). Ainda, o legislador, no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.852/94, tomou o cuidado de alertar que as verbas que transcendem à remuneração, previstas no art. 1º, III, da Lei aqui citada, abrangem adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória, ou seja, alertou que há rendimentos em tal inciso que não tem caráter indenizatório, sendo, assim, tributáveis pelo imposto de renda. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002925/200871 Acórdão n.º 210202.057 S2C1T2 Fl. 3 5 Em relação ao adicional por tempo de serviço dos agentes públicos federais não há qualquer legislação que o isente do imposto de renda da pessoa física. É, pois, tributável. Do entendimento acima não discrepa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode ver no Acórdão nº 10423.174, sessão de 24/04/2008, relatora a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, unânime, que restou assim ementado, verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. A Lei nº. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, portanto as verbas recebidas a título de adicional por tempo de serviço constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à míngua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Por último, a comprovar a mansidão da jurisprudência administrativa em desfavor do recorrente, o CARF fez editar a Súmula CARF nº 68 (A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física), na qual se vê que a Lei nº 8.852 não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13963.002748/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.332
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002748/200876 Acórdão n.º 180201.332 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que considerou procedente o lançamento realizado para a aplicação de multa no valor de R$ 500,00, pela falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 2º trimestre de 2003. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fl. 1, a Contribuinte alegou que estava desobrigada de apresentar a referida declaração, em razão de no período em referência encontrarse enquadrada no Simples Federal. Em sua decisão, após realização de diligência, a Delegacia de Julgamento consignou que a Contribuinte havia sido excluída do regime simplificado, a partir de 01/11/2000, por força de comunicação de exclusão, da qual foi cientificada por intermédio do Edital GAB/DRF/FNS nº 01/2000, juntado aos autos. Registrou também não constar que a empresa tenha se insurgido contra o ato de exclusão do Simples Federal. Deste modo, considerando que no período em referência a Contribuinte não mais se encontrava enquadrada no Simples Federal, e que, portanto, estava obrigada è entrega da DCTF, foi mantida a multa em primeira instância administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2011, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a observação de que o recurso é intempestivo. Este é o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002748/200876 Acórdão n.º 180201.332 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Realmente, não há condição para se conhecer do recurso voluntário. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 19/07/2011, uma terçafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 18/08/2011, quintafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 19/08/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10886.720134/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional Exercício: 2011 Ementa: SIMPLES NACIONAL. APONTAMENTO DE CONDUTA VEDADA PELA EXCLUSIVA ANÁLISE DO CONTRATO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Pela interpretação adequada das disposições do inciso X do Art. 17 da LC 123/2006, é impedida a manutenção na sistemática do Simples Nacional da empresa que efetivamente atue/operacionalize as operações ali apontadas como vedadas. A simples referência existente no contrato social da sociedade a respeito de possibilidade de eventual exercício de atividade apontada como vedada pelo referido dispositivo, não possibilita, por si só, a exclusão da empresa daquele regime especial. O exercício de atividade vedada impõe a necessidade de sua efetiva materialização e comprovação, não podendo, assim, ser simplesmente presumida, da forma como pretendido pela fiscalização.
Numero da decisão: 1301-000.856
Decisão: Os membros da Turma acordam , por unanimidade, dar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Nacional Exercício: 2011 Ementa: SIMPLES NACIONAL. APONTAMENTO DE CONDUTA VEDADA PELA EXCLUSIVA ANÁLISE DO CONTRATO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Pela interpretação adequada das disposições do inciso X do Art. 17 da LC 123/2006, é impedida a manutenção na sistemática do Simples Nacional da empresa que efetivamente atue/operacionalize as operações ali apontadas como vedadas. A simples referência existente no contrato social da sociedade a respeito de possibilidade de eventual exercício de atividade apontada como vedada pelo referido dispositivo, não possibilita, por si só, a exclusão da empresa daquele regime especial. O exercício de atividade vedada impõe a necessidade de sua efetiva materialização e comprovação, não podendo, assim, ser simplesmente presumida, da forma como pretendido pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam , por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório A matéria tratada nos presentes autos referese, em síntese, do indeferimento de sua inclusão na sistemática do chamado SIMPLES NACIONAL, em decorrência da verificação, em seus atos societários, da previsão de realização de atividade incluída no rol de atividades vedadas pela legislação de regência, sendo, segundo se verifica, a indicação de “comércio atacadista de bebidas não especificadas anteriormente” (CNAE 46354/99), nos termos determinados pelo inciso X do Art. 17 da Lei Complementar 123/2006. Nos termos da manifestação de inconformidade apresentada, destaca a contribuinte que a referida atividade tratavase, tão somente, de pretensão de atuação futura, não sendo, a rigor, por ela efetivamente desempenhada, e que, inclusive, pretenderia a sua exclusão como forma a afasta o óbice apontador. Analisando os argumentos apresentados, entretanto, concluiu a r. DRJ de origem no sentido de negar provimento á manifestação de inconformidade, em acórdão que, inclusive, restara assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2011 OBJETIVO SOCIAL. PREVISÃO DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. É vedada a opção pelo Simples Nacional para a pessoa jurídica cujo exercício de atividade impeditiva à referida sistemática esteja prevista no contrato social, ressalvada a produção de prova em contrário pela interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Devidamente intimada da referida decisão, apresenta então a contribuinte o seu Recurso Voluntário, destacando, em rápida síntese, que a referida atividade, além de não ser por ela atualmente efetivamente desenvolvida, a precisão anteriormente apontada não mais se encontraria nas disposições de seus atos societários, já tendo sido excluída conforme alterações então apresentadas. Em rápida síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, dele conheço. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10886.720134/201147 Acórdão n.º 1301000.856 S1C3T1 Fl. 2 3 Conforme apontado nas breves considerações trazidas no relatório, tratase, nos autos, de indeferimento de inclusão da contribuinte na sistemática própria do indigitado SIMPLES NACIONAL, especificamente em decorrência da constatação, em seus atos societários, da previsão de atuação em atividade tida como vedada pela legislação de regência, sendo, nesse caso, o item constante do Art. 17, X da LC 123/2006, que aponta: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) X que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: a) cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; b) bebidas a seguir descritas: 1 – alcoólicas; 2 – refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas; 3 – preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do concentrado; 4 – cervejas sem álcool; Especificamente em relação à atividade desempenhada pela contribuinte, à época da apresentação do requerimento de inclusão no SIMPLES NACIONAL, destacase a indicação das seguintes atividades, como sendo o seu objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA A sociedade terá por objeto COMÉRCIO VAREJISTA DE BEBIDAS; COMÉRCIO ATACADISTA ESPECIALIZADO EM OUTROS PRODUTOS ALIMENTÍCIOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE; COMÉRCIO ATACADISTA DE BEBIDAS NÃO ESPECIFICADAS ANTERIORMENTE, podendo a sociedade se estender ou modificar por deliberação dos sócios. Com base, exclusivamente, na confrontação das disposições contidas no mencionado Contrato Social apresentado pela empresa e as disposições específicas contidas nas disposições do mencionado Art. 17, X da LC 123/2006, entendeu então a d. autoridade de origem concluir pela prática de atividade vedada, impondo, assim, o indeferimento do pedido formulado. A par das considerações apresentadas, ouso discordar das conclusões atingidas pela r. decisão recorrida. Em primeiro lugar, insta destacar que, conforme se verifica das expressas disposições do mencionado art. 17 da LC 123/2006, tratandose ali de expressa limitação ao exercício do direito à inclusão da empresa na sistemática do SIMPLES NACIONAL, verifica se que a sua aplicação, a rigor, demandaria a efetiva configuração da hipótese apresentada, qual seja, o efetivo exercício da atividade tida como vedada. Nesse ponto, cumpre ressaltar que, sendo o dispositivo a previsão de vedação ao exercício do direito legalmente reconhecido, tenho para mim, ao menos a princípio, que a sua interpretação e aplicação deva ser feita com granus salis, exatamente para impedir, na espécie, a efetiva materialização da pretensão, que é o fomento da atividade empresarial, com a Fl. 45DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 redução, em cada caso, dos elevados custos tributários, na linha, inclusive, expressamente prevista no art. 146, II, d e parágrafo único, assim como, também, nas disposições do art. 170, IX, ambos da CF/88. Seguindo tais premissas, penso que a aplicação da vedação apontada, com todas as vênias, não seria admissível por mera “presunção”, devendo, na oportunidade, ser efetivamente materializada, demonstrada e comprovada, o que, nos presentes autos, efetivamente não se verifica. A par dos apontamentos a respeito do entendimento deste Conselheiro em relação à interpretação a ser aplicada ao referido dispositivo, cumpre também ressaltar que, pela leitura do que expressamente apontam as disposições do mencionado Art. 17, X da LC 123/2006, não se conclui, a fortiori, que a previsão genérica no contrato social da contribuinte a respeito da possibilidade de exploração do comércio atacadistas de “bebidas não mencionadas anteriormente”, não levaria, per se, a concluir que a prática, na oportunidade, seria aquela então expressamente apontada no dispositivo vedativo. Aliás, pelo contrário!! Sendo expressas e exclusivas as hipótese indicadas no mencionado Art. 17, X da LC 123/2006 necessária seria, para a admissão da presunção pretendida, que a indicação, à época, fosse então especificamente apontada como sendo aquela vedada, o que, mais uma vez, também não se verifica. Nesses termos, entendendo, na espécie, a necessidade de readequação da interpretação aplicada ao dispositivo sub examine, concluo pela impossibilidade de exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL pela simples aplicação da presunção apontada, concluindo, assim, no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.902111/2006-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. Cancelamento. Desistência
A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento. O CARF não é competente para apreciar pedidos de cancelamento de PERDCOMP.
Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84)
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PERDCOMP. Cancelamento. Desistência A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento. O CARF não é competente para apreciar pedidos de cancelamento de PERDCOMP. Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84) Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PERDCOMP. CANCELAMENTO. DESISTÊNCIA A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento. O CARF não é competente para apreciar pedidos de cancelamento de PERDCOMP. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84) RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 21 11 /2 00 6- 06 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação declarada em PERDCOMP. Histórico Trata o presente processo de PERDCOMP transmitido em 14/08/2003 que informa direito creditório relativo a pagamento a maior ou indevido de estimativa de IRPJ relativa ao mês de março de 2003 (recolhimento em abril de 2003), no valor do crédito original de R$ 42.685,24, e pleiteado de R$ 1.418,00, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2003, no mesmo valor do crédito pleiteado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Belo Horizonte/MG, emitido em 16/06/2008 (fl. 03) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado sob a seguinte justificativa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 42.685,24. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/02) na qual alega, a interessada: O contribuinte fez compensação no valor de R$ 1.418,00 de parte de IRPJ com vencimento em 31/07/2003 com crédito do IRPJ de fato gerador de março de 2003, no valor de R$ 61.988,52 (anexa cópia de DCTF), pago através de DARF, em 30/04/2003, em anexo, no valor de R$ 107.715,93, o que resultou em pagamento a maior de R$ 45.727,41, que foi objeto da DECOMP aqui analisada. O despacho em questão argumenta que o contribuinte não tem crédito de pagamento a maior, em razão de haver utilizado na liquidação de outros débitos seus na DECOMP n°01947.80497.22073.1.3.040386. Seguem os esclarecimentos e a comprovação da existência do crédito. Na DCTF original do primeiro trimestre 2003 o contribuinte informa débito de IRPJ de R$ R$ 107.715,93, vinculando um pagamento de idêntico valor Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.902111/200606 Acórdão n.º 1801001.376 S1TE01 Fl. 3 3 Entretanto, a informação do débito encontravase equivocada, posto que o valor correto do mesmo era de R$ 61.988,52, pelo que anexase cópia da D1PJ do ano base comprovando o valor. Posteriormente, esta DCTF foi objeto de retificações, sendo que esta retificação aponta um débito de R$ 61.988,52. Equivocandose novamente, o contribuinte apresentou DECOMP (n° 01947.80497.22073.1.3.040386) liquidando o débito apresentado na DCTF via compensação indevida, posto que o mesmo foi liquidado por intermédio do DARF do valor de R$ 107.715,93, gerando, inclusive, pagamento a maior (R$ 45.727,41) que aqui se pretende compensar. Portanto o único equivoco ainda não sanado é o cancelamento da DCOMP indevida de n° 01947.80497.22073.1.3.040386, o que geraria o crédito de pagamento a Portanto o único equivoco ainda não sanado é o cancelamento da DCOMP maior de R$ 45.727,41. O contribuinte tentou cancelar tal DECOMP, entretanto, o programa da SRF não permitiu o envio do cancelamento, gerando a seguinte mensagem: "NÃO E PERMITIDO RETIFICAR OU CANCELAR POIS JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA". Neste passo, pede o contribuinte o cancelamento da DECOMP n° 01947.80497.22073.1.3.040386, para que fique caracterizado o crédito do pagamento a maior e requer seja homologada a compensação efetuada. Analisando o pedido a 3a. Turma Julgadora da DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito. Em preliminar observou a impossibilidade de analise do pedido relativo ao cancelamento do PERDCOMP n.° 01947.80497.22073.1.3.040386, que já seria objeto de análise em outro processo, de n º 10680.902108/200684 (fls. 38 e 39). No mérito afirmou que, ainda que fosse confirmada a diferença entre o valor do débito de estimativa de IRPJ de março de 2003 e o respectivo recolhimento, não se poderia homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo, ao argumento de que pagamentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL, ainda que efetuados com erro ou indevidamente, somente seriam passíveis de aproveitamento para dedução do imposto ou contribuição anual devidos ou na composição do saldo negativo do respectivo período de apuração. Notificada da decisão, em 18/06/2010, como demonstra a cópia do AR (fl. 83) apresentou, a interessada, em 15/07/2010, recurso voluntário. Nas razões de defesa, além de reproduzir os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, afirma que deveria haver a reunião dos processos que tratam, respectivamente, do pedido de cancelamento de PERDCOMP e do PERDCOMP veiculados nos presentes autos, a fim de que surja o direito creditório reivindicado. Quanto à compensação de estimativas mensais aduziu que o impedimento legal somente foi veiculado em 2004, com o art. 10 da IN SRF 460, o que constaria, inclusive, do menu “Ajuda” do programa anual do PER/DCOMP. Argumenta, ainda, que a legislação prevê que após o encerramento do período base não se deva cobrar estimativas mensais não pagas, mas, apenas, a multa isolada. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 E acrescenta: “Por último, demonstrarseá que a empresa, seguindo o entendimento de que os pagamentos a maior de estimativa devem compor o saldo negativo, exibiu na sua DIPJ o saldo negativo corretamente....” Demonstra que na apuração anual deduziu antecipações mensais pagas totais de R$ 378.484,53 (composta de recolhimentos por DARF de R$ 200.501,89 e de IRRF de R$ 177.981,35) e PAT (R$ 8.104,31) que, deduzidas do IRPJ devido e adicional (R$ 202.607,80 + R$ 111.071,87), gera um saldo negativo de IRPJ de R$ 72.909,17. E, finaliza: Portanto, nada deve a Recorrente de imposto de renda de estimativa no ano calendário de 2003, motivo pelo qual o débito apontado neste processo deve ser cancelado, ficando desta forma requerido. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente Cumpre assinalar, inicialmente, que o pedido de cancelamento do PER/DCOMP n.° 01947.80497.22073.1.3.040386, não pode ser objeto de apreciação nestes autos pois já se encontra em discussão em sede de outro processo, como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1a. instância processo n º 10680.902108/200684 (fls. 38 e 39). Além disso, este órgão colegiado não tem competência regimental para apreciar tais solicitações que devem ser levadas à DRF de jurisdição da recorrente. Da mesma forma, não se pode apreciar, nestes autos, o pedido de cancelamento do débito declarado em PER/DCOMP. A Declaração de Compensação – DCOMP ou PER/DCOMP– revestese das características de confissão irretratável de dívida. O contribuinte, ao declarar um débito em Declaração de Compensação, assume ser devedor daquela quantia, obrigandose a quitála, mediante compensação ou, caso não haja a homologação, mediante o pagamento do débito não compensado. 1.1 MÉRITO No mérito observase que a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao argumento de que não pode haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.902111/200606 Acórdão n.º 1801001.376 S1TE01 Fl. 4 5 Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de março de 2003, em valor maior que o devido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a Turma Julgadora de 1a. instância, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento de mérito da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade julgadora da DRJ centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela Turma Julgadora de 1a. instância, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oportunidade de aditar suas razões recursais, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para, em preliminares, não conhecer do pedido de cancelamento de PERDCOMP e do pedido de cancelamento de débito declarado em PERDCOMP e, no mérito, reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Turma Julgadora de 1a. instância, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000158/2003-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Não se conhece de embargos cujo apresentação ocorra posteriormente a 5 dias contados da ciência do acórdão, nos termos do § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Numero da decisão: 1802-001.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, por serem intempestivos.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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CORRETORA DE TÍTULOS, VALORES E CÂMBIO (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Não se conhece de embargos cujo apresentação ocorra posteriormente a 5 dias contados da ciência do acórdão, nos termos do § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, por serem intempestivos. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000158/200303 Acórdão n.º 180201.216 S1TE02 Fl. 230 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de omissão constante do Acórdão nº 180500.030, proferido pela antiga Quinta Turma Especial da Primeira Seção do CARF na sessão de 19/03/2009, às fls. 151 a 158. O presente processo tem por objeto lançamento de IRPJ por inobservância do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 Ausente o provimento judicial definitivo, e incontroversa a compensação limitada, correto o lançamento à luz da Súmula n° 3 desse Conselho. Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. A ciência da Contribuinte ocorreu em 04/07/2011, e os Embargos de fls. 199 a 200 foram apresentados em 27/07/2011, juntamente com as contra razões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme carimbo de recebimento às fls. 197. A Embargante alega que apesar de o acórdão ter acolhido o recurso para excluir a multa fiscal, em virtude da decretação da Liquidação Extrajudicial, ele nada falou a respeito da cobrança dos juros, que deveriam ter sido excluídos pela mesma razão invocada para afastar a multa. Este é o Relatório Fl. 463DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000158/200303 Acórdão n.º 180201.216 S1TE02 Fl. 231 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator Não há condição para se conhecer dos Embargos. O prazo para sua apresentação é de 5 dias contados da ciência do acórdão, nos termos do § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, mas a Contribuinte os protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência do acórdão ocorreu em 04/07/2011, e os embargos só foram apresentados em 27/07/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer dos Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 464DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.017727/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO. DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos.
Numero da decisão: 1801-001.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO. DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos.
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DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – fls. 32. O referido ADE é objeto de litígio formalizado no processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 (consulta viabilizada pelo sistema e processo). A exclusão da empresa do regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração de fls. 18, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 3º trimestre de 2004, bem como a emissão de outros 09 (nove) Autos de Infração, para exigência da mesma penalidade, porém relacionadas a períodos diferentes, formalizados nos processos administrativos de nºs 10980.017716/200879, 17717/200813, 17718/200868, 17720/2008 37, 17722/200826, 17725/200860, 17729/200848, 17731/200817 e 17733/200814, todos emitidos em mesma data – 30/10/2008. A impugnação apresentada às fls. 01 a 09 foi julgada em desfavor à empresa pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0630.392/11, fls. 35 a 38, cuja ementa se transcreve a seguir: NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO.OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do Simples são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando a contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DCTF. a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INFRAÇÃO REITERADA. ANALOGIA INDEVIDA COM CRIME CONTINUADO DO DIREITO PENAL A prática de infrações reiteradas (entrega intempestiva de DCTF) pela contribuinte não se aplica a analogia com o crime continuado, instituto do Direito Penal. Irresignada, tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 42 e ss, argumentando, em síntese, que: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017727/200859 Acórdão n.º 180101.097 S1TE01 Fl. 69 3 a) preliminarmente, não entregou as DCTF porque foi excluída de ofício do Simples, matéria que está sendo discutida no processo administrativo nº 10980.003919/2004 54; b) mesmo com o desenquadramento, entende que os seus efeitos só podem surtir após a decisão definitiva, razão pela qual continua a preencher DIPJ no regime do Simples; c) procedeu a entrega das DCTF porque não conseguia obter Certidão Negativa de Débitos (CND), mas entende que as multas não seriam geradas em vista da exclusão estar sendo ainda debatida; d) pleiteia a não obrigatoriedade da entrega das referidas DCTF e, em caso de indeferimento, a reunião dos procedimentos e adequação do valor da multa aplicada, pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) defende a conexão dos processos, ou o sobrestamento do julgamento da presente lide; f) e cita ementas de julgados administrativos e judiciais (STJ) que corroboram o seu entendimento de que não presta serviços – decoração de interiores – vinculados à atividade vedada para permanecer no Simples – arquiteto. Passa a discorrer: em preliminar, sobre a dependência entre os processos que impõe a sua conexão; no mérito, entre outras argumentações, que a infração cometida foi única, devendo gerar uma só penalidade; neste exato sentido, ainda em que se tratando de multa por atraso na entrega de DCTF, o Superior Tribunal de Justiça deliberou no REsp nº 601.351, DJ de 20/09/2004. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. A despeito da turma julgadora a quo defender que a Portaria RFB nº 666/08 nas hipóteses que descreve não engloba a situação em questão, divirjo do entendimento esposado. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art. 102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...] .Art. 108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exigência de penalidade pelo atraso/falta de entrega de DCTF. Assim como a recorrente, concluo que, apesar de se tratar de períodos diversos, as partes são as mesmas e a causa de pedir – desobrigatoriedade na entrega das referidas enquanto não se decidir a questão de exclusão do Simples – lato sensu, da mesma forma é a mesma. Não podemos falar em fato gerador, pois este é pertinente à obrigação principal de pagar os tributos e não concerne às obrigações acessórias. No caso, o fato jurídico que ensejou a exigência da penalidade e as contestações da recorrente contra as autuações são exatamente as mesmas. Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a conexão instaurada no que respeita aos processos de exigência de penalidade, nos termos do artigo 103 do CPC. Em relação à arguição de conexão deste processo ao processo administrativo nº 10980.003919/200454, é flagrante a decorrência existente. As multas ora exigidas nos demais processos, conexos, somente existem em razão da exclusão da recorrente do regime do Simples, matéria ainda sob discussão no âmbito administrativo. Todavia, tratase de continência e não conexão (art. 104 do CPC). A continência se estabelece quando é necessária a reunião de processos para não haver decisões isoladas e conflitantes. Portanto, ainda assim, estes processos devem ser julgados em concomitância àquele, ou pelo menos pela mesma turma julgadora administrativa. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). Oportuno deixar claro à recorrente que as autuações para exigência das referidas penalidades não são dependentes do resultado final do processo de exclusão do Simples, por conta dos atributos, peculiares, do ato administrativo, no caso ADE de exclusão, que permitem a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, auto executoriedade e imperatividade. Se assim não fosse, em muitos casos, a ação do Estado fiscalização seria alcançada pela decadência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017727/200859 Acórdão n.º 180101.097 S1TE01 Fl. 70 5 Embora as autuações para serem realizadas não estejam vinculadas à decisão transitada em julgado, ainda que administrativamente, os deslindes destes litígios dependem necessariamente da decisão final sobre a recorrente ser ou não excluída do Simples. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...] f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; [...] (grifos não pertencem ao original) Indiscutível o cabimento da Portaria e a juntada dos processos no caso de exclusão do Simples e demais processos que vinculem créditos tributários – ainda que oriundos de exigência de penalidade. Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, verifico que o processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 encontrase distribuído para relato, para o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, atuando na 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste órgão colegiado. Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido pela remessa do presente processo para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção/CARF, para o fim de ser julgado concomitantemente aos processos a seguir relacionados: 10980.017716/200879 AI – Multa DCTF – 2º trim/03 fls. 18 10980.017717/200813 AI – Multa DCTF – 1º trim/03 fls. 18 10980.017718/200868 AI – Multa DCTF – 3º trim/03 fls. 18 10980.017720/200837 AI – Multa DCTF – 4º trim/03 fls. 18 10980.017722/200826 AI – Multa DCTF – 1º trim/04 fls. 18 10980.017725/200860 AI – Multa DCTF – 2º trim/04 fls. 18 10980.017729/200848 AI – Multa DCTF – 4º trim/04 fls. 18 10980.017731/200817 AI – Multa DCTF – 1º sem/05 fls. 18 10980.017733/200814 AI – Multa DCTF – 2º sem/05 fls. 18 Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15374.002949/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.142
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por
unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002949/200910 Resolução n.º 2302000.142 S2C3T2 Fl. 2.452 2 Período de apuração: 01/1999 a 12/2004. Data de lavratura do Auto de Infração: 08/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 12/07/2005. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de esta ter deixado de declarar nas GFIP correspondentes os valores correspondentes ao pagamento de segurados contribuintes individuais, rubricas diversas de natureza remuneratória (Auxílio Filhos Excepcionais, Auxílio Material Escolar, Complemento Auxílio Doença e Abonos Indenizatórios), participação nos lucros e resultados pagos em desacordo com a legislação e salário maternidade, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/36. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal a fls. 33/36. Informa a Autoridade Lançadora que a obrigação principal referente aos fatos geradores de que trata o presente Auto de Infração foi constituída mediante a lavratura das seguintes notificações fiscais: a) NFLD DEBCAD 35.576.7678. Contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a titulo de participação nos lucros/resultados (PLACAR) considerados por esta fiscalização como base de cálculo. Período de 01/1995 a 12/2004. b) NFLD DEBCAD 35.576.7686. Contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a titulo de Auxilio Filhos Excepcionais, Auxilio Material Escolar, Complemento Auxilio Doença e Abonos Indenizatórios (Acordos Coletivos de Trabalho) considerados por esta fiscalização como base de cálculo. Período de 01/1995 a 12/2004. c) NFLD DEBCAD 35.576.7694. Contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais. Período de 01/1999 a 12/2004. Irresignado com a autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 430/435, acompanhada dos documentos a fls. 436/2.395. Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002949/200910 Resolução n.º 2302000.142 S2C3T2 Fl. 2.453 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária RJ/SUL baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 2.397. Informação fiscal a fls. 2.398/2.399. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 2.408/2.409. A Delegacia RJSul da Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ lavrou DecisãoNotificação a fls. 2.410/2.419, julgando procedente em parte a autuação, para dela excluir parte dos fatos geradores lançados na NFLD nº 35.576.7694, os quais, em realizado, não se consubstanciavam em fatos geradores de contribuições previdenciárias, mantendose o crédito tributário na forma apresentada nas Tabelas a fls. 2.285/2.286, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/06/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2.421. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2.424/2.434, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que houve decadência parcial das obrigações tributárias; • Que efetuou o pagamento de parte da multa aviada no presente Auto de Infração, referente ao auxílio maternidade relativo ao período de julho/2000 a dezembro/2002, inclusive 13º salário, conforme GPS a fl. 2.443; • Que efetuou o pagamento de parte da multa aviada no presente Auto de Infração, referente aos pagamentos a segurados contribuintes individuais, relativo ao período de julho/2000 a dezembro/2002, conforme GPS a fl. 2.443; • Que as rubricas pagas a título de auxílio material escolar, auxílio filho excepcional, complemento auxílio doença, abono indenizatório e participação nos lucros não possuem natureza salarial e, portanto, não integrariam o conceito de Salário de Contribuição; • Requer a produção de prova pericial para determinar se os pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais, nos exercícios de 2003 e 2004, constavam ou não das GFIP correspondentes; Ao fim, requer a extinção do crédito tributário aviado no presente Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002949/200910 Resolução n.º 2302000.142 S2C3T2 Fl. 2.454 4 Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/06/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. Cumpre destacar, ab initio, que a obrigação principal correspondente aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD nº 35.576.7678 (Participação nos lucros e resultados); NFLD nº 35.576.7686 (Auxílio Filhos Excepcionais, Auxílio Material Escolar, Complemento Auxílio Doença e Abonos Indenizatórios) e NFLD nº 35.576.7694 (segurados contribuintes individuais), todas lavradas na mesma ação fiscal. Os fatos geradores acima mencionados, por se subsumirem, no entendimento da fiscalização, no conceito de Salário de Contribuição deveriam ter sido declarados em GFIP e não o foram, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração. O Recorrente se insurge contra o lançamento referente a tais fatos geradores por considerálos como não possuidores de natureza salarial, logo, não integrantes do conceito legal de Salário de Contribuição, e, por tal motivo, não estaria a empresa obrigada a declarálos nas GFIP. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, se os fatos jurídicos apurados nas NFLD conexas acima apontadas se caracterizam, efetivamente, como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Há que se considerar, também, a questão atinente à decadência eis que, mesmo com a edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, ainda grassa controvérsias sobre a subsunção dos casos concretos à regra estampada no §4º do art. 150 do CTN ou à norma de decadência encartada no art. 173 do mesmo Codex. Nesse contexto, a ratificação integral de tal condição implica a procedência do presente Auto de Infração. De outro canto, qualquer improcedência, mínima que seja, no conjunto de fatos geradores apurados naquela Notificação Fiscal importará alterações nos valores da multa aplicada nesta autuação. Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002949/200910 Resolução n.º 2302000.142 S2C3T2 Fl. 2.455 5 Sendo certo que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação às NFLD acima referidas, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, pautamos pela conversão do julgamento do mérito em diligência, até o Trânsito em Julgado Administrativo dos Processos Administrativos Fiscais acima citados. A diligência deve ser concluída pela juntada de cópia das decisões definitivas, no âmbito administrativo, das Notificações Fiscais aludidas nos parágrafos precedentes. Incluímos outrossim ainda no escopo desta diligência, a solicitação de manifestação conclusiva por parte do órgão fazendário se o recolhimento de R$ 656.692,20 realizado mediante a GPS a fl. 2.443 referese efetivamente ao crédito tributário apurado neste Auto de Infração ou se a outro lançamento tributário que não este. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos dos parágrafos que a este antecedem. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, concedase vista ao Recorrente, para que este, desejando, possa se manifestar no processo, no prazo normativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000668/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ILEGITIMIDADE PARA APRESENTAR DEFESA EM NOME DO ENTE PÚBLICO
Quando constatado que todo o procedimento fiscal, foi realizado na Câmara Municipal, inclusive com a intimação para apresentação de defesa, entendo que acabou-se por induzir o chefe do legislativo a possibilidade dele mesmo apresentar defesa em nome do município.
A Câmara enquanto órgão público não tem legitimidade para responder em juízo pelo ente público municipal, contudo, entendo que pela analise do caso concreto, recusa de apreciar a defesa por ela apresentada, importaria cerceamento do direito de defesa e do contraditório.
Anulada a Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2401-002.422
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A Câmara enquanto órgão público não tem legitimidade para responder em juízo pelo ente público municipal, contudo, entendo que pela analise do caso concreto, recusa de apreciar a defesa por ela apresentada, importaria cerceamento do direito de defesa e do contraditório. Anulada a Decisão de Primeira Instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenco Ferreira Do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000668/201030 Acórdão n.º 240102.422 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob n. 37.267.4046, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, não descontada na época própria, no período de 01/2005 a 12/2006. Conforme consta do relatório fiscal, durante o procedimento foi constatado que os valores de contribuição previdenciária devidos pelos segurados empregados em função das remunerações percebidas constantes da folha de pagamento foram superiores aos efetivamente descontados pela empresa. Esta diferença de valores é a razão da lavratura do presente AI. Importante, destacar que a lavratura da AIOP, deuse em 13/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 25/05/2010. Inconformada, a empresa notificada apresentou impugnação à fls. 52 a 64. Foi emitida notificação ao Chefe do Poder Executivo, quanto a ilegitimidade da Câmara em apresentar defesa, , fls. 188 a 192. Apresentou a Câmara nova impugnação fl. 193 a 199. Foi exarada Decisão, fl. 324 a 326 que determinou o não conhecimento da impugnação, por entender que a Câmara Municipal não possui legitimidade passiva, posto que o município é que é dotado de personalidade jurídica de direito público. Não conformado com o resultado proferido a Câmara apresentou recurso, fl. 320 a 333. Em síntese alega: 1. O recurso é tempestivo. 2. Após ter contra si lavrado auto de infração, apresentou impugnação, conforme relatado pela própria Receita no acordão recorrido. 3. Entanto, a conclusão a que chegou a Receita foi no sentido de não conhecer da impugnação, por entender que a Câmara Municipal não possui personalidade jurídica para tanto. 4. Todavia, argumenta que essa decisão merece ser reformada, considerando que todos os fatos que ensejaram a autuação terem ocorrido no âmbito do poder legislativo, não havendo razão para a recorrida negar ua legitimidade para apresentar defesa obre seus interesses. 5. A própria Receita, não obstante admitir que deu ciência do auto de infração tanto ao poder executivo, quanto ao poder legislativo local, negou a capacidade judiciária desta de apresentar sobre assunto de seu manifesto interesse. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 6. Deve o mérito de sua impugnação ser analisado por manifeste legitimidade passiva, por ser detentora de capacidade judiciária. 7. Os fatos que ensejaram a lavratura d AI, deramse, em sua totalidade na Câmara, o que já impossibilita a apresentação de defesa pelo executivo. 8. A Câmara, não desconhece a limitação legal eu lhe é imposta diante da circunstância de não possuir personalidade jurídica, e sim, personalidade judiciária. Todavia, essa situação deve ser vista caso a caso, conforme orientação do STF, sendo o presente caso uma típica hipótese de exceção. 9. Sendo assim, requer a reforma do acordão que não conheceu da impugnação apresentada pela Câmara Municipal de Ribeirão das Neves, por entendela parte ilegítima e, por consequência, procedase a análise do mérito da impugnação apresentada. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000668/201030 Acórdão n.º 240102.422 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado a fl. 710. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O ponto a ser apreciado em relação ao recurso em questão diz respeito a possibilidade da Câmara Municipal, por meio de seu presidente ou procurador interpor defesa em relação a Ai lavrado no órgão Câmara Municipal. O que nos parece uma questão simples, ao apreciar os termos da Decisão de primeira instância, acaba por merecer uma análise mais pontual de todo o procedimento adotado pela autoridade fiscal, como vista a afastar qualquer espécie de violação aos direitos constitucionais de ampla defesa e contraditório. Para isso, entendo pertinente, relatar o desenvolvimento da ação fiscal realizada no município. 10. A lavratura do AIOP deuse no Município de Ribeirão das Neves – Câmara Municipal, CNPJ 17.580.952/000124, no endereço Av. das Nogueiras, 226. 11. O termo de Início de Procedimento fiscal, foi entregue ao Presidente da Câmara Municipal, conforme podemos verificar na cópia do TIPF, fl. 15. 12. Emissão do Termo de Intimação, fl. 16, em nome do Município de Ribeirão das Neves – Câmara Municipal, CNPJ 17.580.952/000124, no endereço Av. das Nogueiras, 226, concedendo o prazo de 20 dias para apresentação dos documentos, donde novamente extraímos a cientificação na figura do presidente da Câmara. 13. Conforme consta do respectivo termo a documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: AVENIDA DOS NOGUEIRAS, 226, CENTRO, RIBEIRÃO DAS NEVES – MG. 14. Os esclarecimentos solicitados deverão ser feitos por escrito, devidamente assinados, acompanhados, quando for o caso, da respectiva documentação. 15. Às fls. 19 a 27 apresentou o presidente da Câmara, as planilhas requeridas, com relação as remunerações pagas. 16. Foi emitido termo de continuidade do procedimento fiscal, tendo sido novamente a cientificação do procedimento sido dada ao presidente da Câmara. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 17. Foi lavrado o respectivo termo de encerramento, tendo o mesmo sido encaminhado por AR, 18. Conforme descrito no relatório fiscal da infração: o sujeito passivo da obrigação previdenciária é o contribuinte ou a pessoa responsável pelo pagamento de contribuições sociais previdenciárias ou de penalidades pecuniárias, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da legislação. É certo que todo o procedimento acabou por induzir o recorrente a erro, posto que no próprio IPC, encontrase descrito a regras inerentes a interposição de defesa. Ora, se o fisco previdenciário entendesse que a Câmara Municipal não possui personalidade para defenderse, nem mesmo deveria encaminharlhe o Auto de Infração. Não se está com isso, mudando o entendimento acerca da personalidade jurídica do ente público municipal, mas simplesmente garantido ao sujeito passivo o amplo direito de defesa. Notese que o próprio auditor, por inúmeras vezes, no relatório destaca a sujeição passiva do recorrente “o sujeito passivo da obrigação previdenciária é o contribuinte ou a pessoa responsável pelo pagamento de contribuições sociais previdenciárias ou de penalidades pecuniárias, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da legislação.” Ademais, durante muito tempo o próprio INSS e posteriormente a Secretaria da Receita Previdenciária, tiveram dúvidas acerca de como deverseia dar o procedimento nos entes públicos, procedendo a lavratura de NFLD apenas em nome do Município, desconsiderando totalmente a personalidade do ente público. Por outras, o valor da Câmara e da prefeitura em relação as obrigações previdenciárias eram diretamente descontada dos repasses do FPM. Posteriormente, novamente houve alteração da legislação, orientando a lavratura no ente público com a identificação do órgão público fiscalizado, sendo que por diversas vezes apresentou a própria Câmara, defesa as NFLD lavradas. Ademais, entendo que o norte da decisão proferida, foi no sentido, que o ente público não possui capacidade processual, para responder em juízo, o que no entender dessa relatora, não impediria, na maneira como realizado o procedimento no entes públicos, de apreciar sua defesa. O próprio poder judiciário por medida de exceção, acata a possibilidade da Câmara, de ingressar em juízo, conforme podemos identificar a seguir. Segundo os ensinamentos de José dos Santos Carvalho Filho, in Manual de Direito Administrativo, fl.. 17. Como círculo interno de poder, o órgão em si é despersonalizado; apenas integra a pessoa jurídica. (...) Sendo assim, o órgão não pode, como regra geral, ter capacidade processual, ou seja, idoneidade para figurar em qualquer dos pólos de uma relação processual. Faltaria a presença dos pressupostos processual atinente a capacidade de estar em juízo.(...) De algum tempo para cá, todavia, tem evoluído a ideia de conferir capacidade a órgão públicos para certos tipos de litígio. Um desses casos é o de impetração de mandado de segurança por órgãos públicos de natureza constitucional, quando se trata de defesa de sua competência, violada por ato de outro órgão. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13609.000668/201030 Acórdão n.º 240102.422 S2C4T1 Fl. 4 7 Em outra hipótese, já se admitiu mandado de segurança impetrado por Câmara Municipal contra o prefeito para o fim de obrigalo à devida prestação de contas ao Legislativo, tendo sido concedida a segurança.(...) Repitase, porém, que essa excepcional personalidade judiciária ó é aceita em relação ao órgãos mais elevados do Poder Público, de envergadura constitucional, quando defendem suas prerrogativas e competências. Por outro lado, esse tipo de conflito se passa entre órgãos da mesma natureza, como é o caso, (talvez o mais comum) de litígio entre o Executivo e o Legislativo, e como pertencem, à mesma pessoa política, não haveria, mesmo outra alternativa senão admitirlhes, por exceção, a capacidade processual.(...) Mais recentemente, veio a dispor o Código do Consumidor (lei 8.078/1990) que são legitimados para promover a liquidação e execução de indenização “as entidades e órgãos da administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados a defesa dos interesses e direitos protegidos por este Código” Isto posto, entendo que deva ser anulada a decisão de primeira instância, para que se considere válida a defesa apresentada e que por consequência seja a mesma apreciada em suas razões de mérito. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001725/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, deve-se considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. O ganho de capital na alienação de investimento em controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, apurado como a soma algébrica do valor do patrimônio líquido registrado na contabilidade, o ágio ou deságio na aquisição do investimento e a provisão para perdas que tiver sido computada como dedução na determinação do lucro real.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PESSOAS JURÍDICAS NÃO LIGADAS. Nos termos da súmula 47 do CARF, a pessoa jurídica incorporadora somente é responsável pelas multa de ofício, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.141
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo de Assis Guerra que dava provimento integral.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, deve-se considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. O ganho de capital na alienação de investimento em controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, apurado como a soma algébrica do valor do patrimônio líquido registrado na contabilidade, o ágio ou deságio na aquisição do investimento e a provisão para perdas que tiver sido computada como dedução na determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PESSOAS JURÍDICAS NÃO LIGADAS. Nos termos da súmula 47 do CARF, a pessoa jurídica incorporadora somente é responsável pelas multa de ofício, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo de Assis Guerra que dava provimento integral. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, devese considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. O ganho de capital na alienação de investimento em controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, apurado como a soma algébrica do valor do patrimônio líquido registrado na contabilidade, o ágio ou deságio na aquisição do investimento e a provisão para perdas que tiver sido computada como dedução na determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PESSOAS JURÍDICAS NÃO LIGADAS. Nos termos da súmula 47 do CARF, a pessoa jurídica incorporadora somente é responsável pelas multa de ofício, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 25 /2 01 0- 52 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo de Assis Guerra que dava provimento integral. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SANTANDER SEGUROS S.A. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1. DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de autos de infração (fls. 825 a 837), lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL do anocalendário de 2005 relativos à empresa ABN Amro Brasil Dois Participações S.A. (ABN 2), CNPJ 05.515.360/000140, incorporada pela Santander Seguros em 30/09/2009 (fls. 13 a 28). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 801 a 824), informa a fiscalização que a autuação decorreu da falta de oferecimento à tributação do ganho de capital obtido pela ABN 2 na alienação de sua participação societária na Real Seguros S.A., CNPJ 33.164.021/000100. 1.1. Dos fatos Relata a fiscalização que, em 28/04/2005, a ABN 2 firmou contrato (fls. 242 a 294) com a Tokio Marine & Nichido Fire Insurance Co (TMNF), empresa sediada no Japão, CNPJ 05.711.001/000168, tendo por objeto a venda das ações Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 3 representativas de 100% do capital social da Real Seguros, de titularidade da ABN 2. As partes convencionaram que, até a data de fechamento da operação, a Real Seguros transferiria, para a ABN 2, 50% do capital social da Real Vida e Previdência S.A. (Real Vida), CNPJ 04.884.104/000167 (da qual era titular de 100% do capital). O contrato também previa que a obrigação de entregar as ações objeto da venda poderia ser cumprida pela vendedora, afiliada ou pessoa ligada e que as ações poderiam ser entregues à compradora ou afiliada ou pessoa ligada por ela indicada. Acrescenta a fiscalização que, em 28/06/2005, foi firmado um termo aditivo ao contrato supracitado (fls. 304 a 313), pelo qual a ABN 2 e a TMNF convencionaram que a ABN Amro Bank N.V. (ABN NV), empresa sediada na Holanda, controladora da ABN2, CNPJ 05.489.634/000173, seria a vendedora das ações e a Millea Holding Inc (MILLEA), empresa sediada no Japão, controladora da TMNF, seria a compradora, tendo sido efetuada a cessão de direitos da ABN 2 para a ABN NV e da TMNF para a MILLEA. Referido termo aditivo previa a realização das etapas abaixo discriminadas para a transferência das ações objeto da venda. Etapa 1 – cisão parcial da Real Seguros, de modo que os investimentos correspondentes a 100% da Real Capitalização S.A. e 65,10% da Real Vida fossem cindidos e segregados da Real Seguros e incorporados pela ABN 2. Etapa 2 – aumento de capital da Real Vida no valor de R$24.971.875,45, subscrito e integralizado pela Real Seguros, de sorte que, após o aumento de capital, a Real Seguros e a ABN 2 passassem a ser acionistas da Real Vida, cada qual detentora de 50% do seu capital social. Etapa 3 – cisão parcial da ABN 2, de modo que o investimento correspondente a 100% da Real Seguros fosse segregado e destinado a uma nova pessoa jurídica resultante da parcela cindida (ABN 3). Etapa 4 –incorporação da ABN 3 pela Real Seguros, passando a ABN NV a ser a única e direta acionista da Real Seguros, detendo 100% de suas ações. Etapa 5 – aquisição pela ABN 2 da empresa holding brasileira Farag Participações (FARAG), CNPJ 07.081.424/000177, e aumento do capital social no valor de R$9.900,00. Etapa 6 – na data do fechamento, subscrição e integralização pela MILLEA de 10.000 novas ações preferenciais sem direito a voto, conversíveis em 963.736.987 ações ordinárias, emitidas pela FARAG no valor total de R$963.736.987,53. Etapa 7 – na data do fechamento, aquisição pela FARAG de 100% das ações da Real Seguros, de titularidade da ABN NV. Na sequência, conversão, pela MILLEA, das 10.000 ações preferenciais sem direito a voto em 963.736.987 ações ordinárias, tornandose acionista controladora da FARAG. O termo aditivo também estabelecia o valor de R$963.736.987,53 como preço de compra das ações, devendo ser pago à vendedora o preço final de R$960.088.650,66, face à dedução relativa à CPMF. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 4 Relata a fiscalização que, em 07/07/2005, foi fechada a operação de compra e venda, tendo a FARAG recolhido como responsável tributário o IRRF devido pela ABN NV no valor de R$95.747.743,26. Nessa mesma data, foi aprovado o aumento do capital social da ABN 2 em R$674.340.596,00, integralizado pela ABN NV. Acrescenta a fiscalização que, em 31/10/2005, foi aprovada a incorporação da FARAG pela Real Seguros (incorporação reversa). No parágrafo 10 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 808 a 814, verso), a fiscalização sintetiza o conteúdo dos atos societários celebrados a fim de efetivar as etapas acima descritas. 1.2. Do planejamento tributário e de sua inoponibilidade ao Fisco Alega a fiscalização que planejamento tributário pode ser entendido como uma estratégia traçada pelo contribuinte para organizar seus negócios de forma a obter economia quanto ao pagamento de tributos e contribuições. Assevera que a questão fundamental acerca do planejamento tributário consiste em avaliar, diante de uma determinada situação concreta, se os efeitos jurídicos que o contribuinte pretende extrair são ou não oponíveis ao Fisco. Não se trata de questionar integralmente a operação ou seus efeitos, visto que o Fisco não pode proibir o contribuinte de realizar reorganizações societárias. Tratase apenas de inibir parcialmente sua eficácia no que diz respeito aos efeitos tributários. Assim, ao se deparar com figuras clássicas de planejamento tributário, tais como operações estruturadas em sequência, utilização de empresa veículo, incorporação reversa, reorganização societária com geração de ágio, deve a fiscalização analisar se as operações são oponíveis ao Fisco ou não. No presente caso, alega a fiscalização que verificou a utilização de duas empresas veículos: a ABN 3 e a FARAG. Argumenta que as empresas foram constituídas em 17/12/2004 e 29/10/2004, respectivamente, cada uma com capital social de R$100,00, tendo os mesmos acionistas (Texpar Participações Ltda e Pacaembu Serviços e Participações Ltda.) e os mesmos diretores (Roberto Figueiredo Mello e Ricardo Campus Caiubi Ariani). Acrescenta que as empresas não registraram nenhuma atividade empresarial além das operações societárias em que estiveram envolvidas. Sustenta a fiscalização que o único objetivo da ABN 3 foi o de transferir o controle direto das ações da Real Seguros da ABN 2 para a ABN NV, de modo a sujeitar a operação de venda das ações a uma tributação mais benéfica, consistente no ganho de capital auferido por empresa domiciliada no exterior na venda de ativo no Brasil (IR exclusivo na fonte à alíquota de 15%). Caso a venda fosse efetivada pela ABN 2, esta ficaria sujeita a IRPJ (alíquota de 15% mais adicional de 10%) e CSLL (alíquota de 9%). A fiscalização alega que os atos societários que objetivaram transferir a participação societária na Real Seguros da ABN 2 para a ABN NV caracterizamse como abuso de direito, visto que a contribuinte não apresentou motivo extratributário que justificasse tais operações. Argumenta que esses atos também configuram fraude à lei, pois a contribuinte contorna a norma de incidência tributária que determina a tributação pelo IRPJ (15% Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 5 mais adicional de 10%) e pela CSLL (9%) do ganho de capital na alienação de bens e direitos do ativo permanente por pessoa jurídica residente no País para fazer incidir a norma de tributação de IR na fonte (15%) quando a pessoa jurídica vendedora tem domicílio no exterior. Assim, conclui que os atos societários que tiveram a finalidade de transferir a participação na Real Seguros da ABN 2 para a ABN NV são inoponíveis ao Fisco. Quanto à FARAG, alega a fiscalização que o único objetivo dessa empresa foi o de antecipar a amortização do ágio pela ocorrência de incorporação reversa (a empresa controlada Real Seguros incorporou a controladora FARAG em 31/10/2005). Argumenta que, caso a TMNF (ou a MILLEA) adquirisse diretamente a participação na Real Seguros, a amortização do ágio somente poderia ser feita em caso de alienação ou liquidação da participação acionária. Sustenta a fiscalização que, ao se analisar um planejamento tributário, devese apurar a existência de um plano, o que terá por consequência a consideração, para fins tributários, do conjunto das operações como um todo e não de cada etapa isoladamente. No caso em comento, alega a fiscalização que existe o contrato firmado entre a ABN 2 e a TMNF cujo objetivo é a venda de ações representativas de 100% da participação direta na Real Seguros e de 50% da participação indireta na Real Vida. Acrescenta que a materialização desse objetivo foi realizada por um conjunto de etapas definido no termo aditivo ao contrato de compra e venda de ações. No caso, as etapas 1 e 2 tiveram como objetivo separar o ativo a ser vendido, as etapas 3 e 4 tiveram como objetivo tornar a ABN NV, sediada no exterior, dona das ações objeto da venda, a fim de viabilizar um enquadramento tributário menor, as etapas 5, 6 e 7 permitiram o pagamento da operação e o registro de ágio para posterior incorporação e amortização. Por fim, o valor recebido pela ABN NV retorna para a ABN 2 através de aumento de capital social pela acionista ABN NV. Alega a fiscalização que apenas as etapas 1 e 2 tiveram motivação negocial, pois permitiram a segregação do negócio a ser vendido. Sustenta que as demais etapas não agregaram nenhuma vantagem negocial, operacional, societária ou regulatória, mas apenas o benefício de uma tributação menos onerosa. Sustenta a fiscalização que ficou caracterizada a existência de um plano, como uma unidade formada por uma pluralidade de negócios, operações ou etapas. Assevera que a operação efetivamente realizada foi a venda pela ABN 2 de ações representativas de sua participação na Real Seguros, devendo ser considerado, para fins tributários, o negócio global, ou seja, deve ser tributado o ganho de capital da ABN 2, pessoa jurídica domiciliada no Brasil, relativamente a venda de investimento constante de seu ativo permanente. Ante o exposto, a fiscalização apurou o ganho de capital, nos termos do art. 426 do RIR/99: Valor da venda 960.088.650,66 () Valor do PL pelo qual o investimento está registrado na contabilidade da contribuinte 299.177.982,97 () Ágio na aquisição do investimento 2.802.273,46 (=) Ganho de capital 658.108.394,23 1.3. Dos autos de infração Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 6 Diante dos fatos acima descritos, foram lavrados autos de infração para a constituição de créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL nos seguintes valores: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; artigos 247, 248, 251 e parágrafo único, 418 e 426 do RIR/99. 68.779.355,29 Juros de Mora (calculados até 30/11/2010) Art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 36.940.153,69 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.403/96. 51.584.516,46 TOTAL 157.304.025,44 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/2002. 59.229.755,48 Juros de Mora (calculados até 30/11/2010) Art. 28 c/c art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 31.811.235,53 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.403/96. 44.422.316,61 TOTAL 135.463.307,62 2. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada das autuações em 23/12/2010 (fls. 828 e 833), a contribuinte apresentou, em 21/01/2011, a impugnação de fls. 870 a 935, acompanhada dos documentos de fls. 936 a 987, apresentando as alegações sintetizadas a seguir. 2.1. Do planejamento tributário e das opções fiscais Afirma a impugnante que planejamento tributário pode ser definido como o trabalho de interpretação realizado pelo aplicador do direito direcionado a oferecer opções ao contribuinte para a organização de suas atividades com o objetivo de obter uma economia tributária. Com base na doutrina de Marco Aurélio Greco, alega que um planejamento tributário será válido se respeitados: os limites negativos, ou seja, inexistência de ilícitos típicos ou atípicos, e os limites positivos, ou seja, existência de motivo, finalidade, congruência e razoabilidade para a prática dos atos dentro do planejamento estratégico do empreendimento econômico. Ainda segundo o mesmo autor, três conjuntos de condutas não configuram planejamento tributário. São elas: Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 7 condutas repelidas, que englobam as hipóteses que configuram ilícitos; condutas desejadas ou induzidas, que englobam as hipóteses que configurem a utilização do tributo com finalidade extrafiscal; e condutas positivamente autorizadas, denominadas opções fiscais. A impugnante afirma que as opções fiscais, consoante as lições de Marco Aurélio Greco, “são alternativas criadas pelo ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que delas se utilize, conforme a sua conveniência”. Assevera a impugnante que a opção fiscal é uma hipótese de conduta positivamente autorizada pelo ordenamento, que permite ao contribuinte escolher um caminho ou outro, ainda que um deles seja menos oneroso. 2.2. Da cisão da ABN 2 (etapa 3 do aditivo ao contrato de compra e venda) Alega a impugnante que a cisão parcial da ABN 2 foi a melhor opção fiscal, dentre aquelas possíveis (a redução de capital seria a outra opção) para a segregação das ações da Real Seguros dos demais ativos da ABN 2. A impugnante compara a cisão parcial com a redução de capital e conclui que ambas atenderiam ao objetivo pretendido, tendo esta última a desvantagem de produzir efeitos somente 60 dias após a publicação da ata da AGE que aprovou a redução e desde que não haja manifestação de credores opondose à operação. Assevera que, nas duas opções, o resultado fiscal também seria idêntico, ou seja, haveria incidência de IRRF à alíquota de 15% na venda das ações da Real Seguros diretamente pela ABN NV. Sustenta que a cisão da ABN 2, indicada na etapa 3 do aditivo ao contrato de compra e venda foi a melhor opção fiscal vislumbrada para a consecução dos objetivos pretendidos, pois era a forma (i) mais direta, rápida e eficiente de se efetivar a reestruturação societária, apresentando maiores vantagens negociais e procedimentais em relação à redução de capital, produzindo os mesmos efeitos e (ii) em termos societários, permitia transferir por sucessão os direitos e obrigações relativos ao acervo cindido. Acrescenta que a criação da ABN 3 foi indispensável para a absorção da parcela cindida da ABN 2, não podendo ser considerada como empresa veículo. 2.3. Do cumprimento dos limites positivos e negativos do planejamento tributário A impugnante sustenta que a reestruturação societária realizada se caracteriza como legítima opção fiscal e não como planejamento tributário. E, ainda que pudesse ser considerada como planejamento tributário, alega a impugnante que foram cumpridos todos os limites positivos e negativos para que o mesmo seja considerado válido. Em relação aos limites positivos, ou seja, a existência de motivo, finalidade, congruência e razoabilidade para a prática dos atos, afirma a impugnante que a reorganização societária foi necessária para o alcance do objetivo pretendido pelas partes contratantes: a alienação das ações da Real Seguros. Alega que o propósito negocial da reestruturação societária realizada foi a alienação dos segmentos de vida, previdência e seguros que não eram mais economicamente Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 8 interessantes à controladora ABN NV. Acrescenta que, em decorrência dessa alienação, foi possível à ABN NV fazer o aporte de capital na ABN 2, possibilitando a essa empresa investir em outras atividades e operações comerciais, em estrita conformidade com seu estatuto social. A impugnante alega que a ABN 3 não pode ser considerada empresa veículo, pois sua criação foi necessária para a absorção da parcela cindida da ABN 2, conforme previsão contida no art. 229 da Lei nº 6.404/76. Quanto à cessão de direitos e obrigações da ABN 2 e da TMNF para as empresas ABN NV e MILLEA, alega a impugnante que se trata de uma faculdade conferida às partes contratantes pelo art. 286 do Código Civil. No que tange à FARAG, a impugnante argumenta que essa empresa foi adquirida pela ABN 2 em decorrência das tratativas com a parte compradora, que desejava manter em uma empresa holding o ativo adquirido, não podendo ser considerada empresa veículo. E, ainda que se entenda que a criação da FARAG teve por intuito apenas viabilizar a amortização do ágio, o que se admite apenas a título argumentativo, alega a impugnante que essa suposta ilicitude lhe é absolutamente alheia e não pode ser invocada para invalidar a operação de compra e venda das ações da Real Seguros. A impugnante alega que a fiscalização analisou isoladamente as etapas que compuseram a reestruturação societária, priorizando as “fotografias” em detrimento do “filme”. Sustenta que o “filme” da operação reflete seu propósito negocial e que as etapas (“fotografias”) tinham amparo legal e foram realizadas com o intuito final de vender as ações da Real Seguros. Em relação aos limites negativos ao planejamento tributário, afirma a impugnante, citando o entendimento de Marco Aurélio Greco, que existem dois tipos de atos ilícitos que acarretam a invalidade do planejamento tributário: os ilícitos típicos, decorrentes de atos que afrontam diretamente preceitos legais, tais como a sonegação e a fraude, previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64; e os ilícitos atípicos, também denominados patologias do negócio jurídico, que decorrem do descumprimento de condutas permitidas por afetação a princípios do sistema jurídico, tais como a fraude à lei, o abuso de direito e a simulação. Em relação aos ilícitos típicos, alega a requerente que os mesmos não ocorreram no caso em comento, tanto que não foram sequer mencionados pela fiscalização. No que tange aos ilícitos atípicos, a requerente discorda do entendimento da fiscalização de que teria ocorrido abuso de direito e fraude à lei. De acordo com a doutrina de Marco Aurélio Greco, o planejamento tributário se configura como abuso de direito quando a escolha do negócio jurídico menos oneroso tiver como única intenção a economia tributária. Sustenta a impugnante que, no presente caso, não houve abuso de direito na reorganização societária questionada pela fiscalização, tendo em vista (i) a existência de propósito negocial na reorganização societária, (ii) a legalidade da opção fiscal (cisão parcial da ABN 2) para a implementação do objetivo pretendido pelas partes (segregação das atividades da Real Seguros para posterior venda) e (iii) a licitude da cessão dos direitos e obrigações das partes contratantes. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 9 Ainda que tivesse ocorrido abuso de direito no caso em questão, alega a impugnante que a fiscalização não poderia aplicar esse instituto, típico do direito civil, para desqualificar o negócio jurídico praticado no âmbito tributário. Cita o entendimento de Alberto Xavier e de Heleno Torres no sentido de ser inaplicável a teoria do abuso do direito em matéria tributária. No que tange a fraude à lei, alega a impugnante que a fraude à lei pressupõe a existência de uma norma cogente determinante de uma conduta, a qual é contornada pelo contribuinte para afastar a sua aplicação. Sustenta que não houve a prática desse ilícito civil no presente caso, visto que a cisão parcial da ABN 2 foi uma opção fiscal plenamente válida e não um planejamento tributário. Além disso, argumenta que a suposta norma contornada (tributação do ganho de capital pelo IRPJ e pela CSLL) não é uma norma proibitiva, requisito elementar para a configuração da fraude, conforme entendimento de Heleno Torres. A impugnante também cita entendimento de Alberto Xavier no sentido de que a figura da fraude à lei é inaplicável em matéria tributária, pois a norma tributária não impõe nem proíbe a realização de determinado fato. Ressalta ainda que a figura da fraude à lei não pode ser aplicada por analogia ao campo tributário. Sustenta a impugnante que não há que se falar em ilegalidade ou em qualquer patologia do negócio jurídico, visto que não havia qualquer norma que a impedisse de realizar as operações em análise; pelo contrário, havia normas permissivas que regulamentavam os requisitos e formalidades, que foram observados pela impugnante. Ante o exposto, conclui que devem ser cancelados os autos de infração. 2.4. Do erro na apuração do ganho de capital A impugnante alega que houve erro na apuração do ganho de capital, pois a fiscalização considerou o montante de R$960.088.650,66 como valor de venda, sendo que o correto, no seu entender, seria R$674.340.586,00. A impugnante relata que a fiscalização considerou que ocorreu a disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos em 07/07/2005, data da AGE da ABN2 que deliberou pelo aumento de capital social em R$674.340.586,00 (parágrafo 40 do Termo de Verificação Fiscal). Assim, por consequência lógica, argumenta que a fiscalização deveria ter considerado esse montante como valor de venda. Alega a impugnante que houve evidente erro na apuração do IRPJ e da CSLL, impondose o cancelamento integral dos autos de infração face à iliquidez e à incerteza dos lançamentos. 2.5. Da impossibilidade de lançamento de multa na hipótese de responsabilidade por sucessão A título argumentativo, ainda que se considere que houve infração, alega a impugnante que não poderia ser exigida a multa de ofício, pois a infração teria sido cometida por sua incorporada. Sustenta que o art. 132 do CTN estabelece a responsabilidade da incorporadora somente em relação aos tributos devidos até a data da sucessão. Em relação às multas, alega que as mesmas somente podem ser transferidas à incorporadora se Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 10 constituídas antes da sucessão, pois nessa hipótese a multa já integraria o passivo da empresa sucedida. Argumenta que, no presente caso, as multas de ofício foram lançadas em 22/12/2010, posteriormente à incorporação, que ocorreu em 30/09/2009, não podendo portanto ser exigidas. A impugnante também sustenta que, à época dos fatos, a incorporada pertencia a grupo econômico distinto, sendo inaplicável ao caso a Súmula CARF nº 47, que considera cabível a imputação de multa de ofício à sucessora por infração cometida pela sucedida quando as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico ou estiverem sob controle comum. A impugnante requer sejam exoneradas as multas de ofício, visto que foram lançadas após o evento de incorporação, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da incorporada, não se admitindo a transferência dessas penalidades à incorporadora em razão de seu caráter personalíssimo. 2.6. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Ad argumentandum, requer a impugnante o cancelamento da exigência dos juros de mora sobre as multas de ofício por falta de previsão legal. Argumenta que o art. 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança de juros moratórios com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da Lei nº 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre os tributos. Ressalta que multa é penalidade pecuniária, estando excluída do conceito de tributo previsto no art. 3º do CTN, pois tem natureza sancionatória. Ressalta que o art. 113, §1º, do CTN também diferencia tributo de penalidade pecuniária. Assim, a impugnante conclui que a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio da legalidade, previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, devendo ser cancelada sua cobrança. 2.7. Do pedido Ante o exposto, a impugnante requer seja julgada procedente a impugnação, cancelandose integralmente os autos de infração. Caso assim não se entenda, requer ao menos a exoneração das multas de ofício. A decisão recorrida está assim ementada: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, deve se considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de reduzir a tributação incidente sobre a operação. A utilização de empresa veículo para a transferência de um ativo para empresa sujeita a tributação menos onerosa com a finalidade de alienálo em seguida permite sua desconsideração para efeitos tributários. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 11 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ILÍCITOS ATÍPICOS. O abuso de direito e a fraude à lei configuram ilícitos atípicos, cuja ocorrência torna inválido o planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que a contribuinte pretendeu evitar. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. O ganho de capital na alienação de investimento em controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, apurado como a soma algébrica do valor do patrimônio líquido registrado na contabilidade, o ágio ou deságio na aquisição do investimento e a provisão para perdas que tiver sido computada como dedução na determinação do lucro real. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos créditos tributários da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, pelo qual foram lançados créditos tributários do Imposto sobre a renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao anocalendário de 2005. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a autuação decorreu da falta de oferecimento à tributação do ganho de capital obtido pela empresa ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A. – ABN 2 – na alienação da participação acionária que detinha da empresa REAL SEGUROS S.A.. Tendo em vista que a ABN 2 fora incorporada pelo contribuinte em epígrafe (SANTANDER SEGUROS S.A.), o auto de infração fora lavrado em seu nome com base em sua responsabilidade tributária. Irresignado com a autuação fiscal, o contribuinte autuado apresentou impugnação onde alegou a licitude das operações societárias e negociais realizadas pela ABN 2. Ainda segundo ele: houve erro na apuração do ganho de capital; não é possível o lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade por sucessão; e, é ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJSão Paulo I/SP – julgou improcedente o pleito e manteve incólume o lançamento realizado. Vejamos detalhes da matéria em litígio, transcritas do voto condutor do acórdão recorrido: “(...) O caso em análise apresenta a seguinte situação: a ABN 2, empresa domiciliada no Brasil e controlada pela ABN NV (pessoa jurídica sediada na Holanda), era detentora de ações representativas de 100% do capital social da Real Seguros. Esta, por sua vez, detinha 100% das ações da Real Vida e 100% das ações da Real Capitalização. Em 28/04/2005, a ABN 2 celebrou, com a TMNF, Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 242 a 290) tendo por objeto as ações representativas de 100% do capital social da Real Seguros. Esse contrato também previa a reorganização societária da Real Seguros a ser efetivada antes do fechamento da operação de compra e venda, de modo a segregar (i) o negócio de vida e previdência distribuído por meio da Rede de Distribuição, (ii) o negócio de ramos elementares e de corretagem de seguros e (iii) o negócio de capitalização, além de transferir ações representativas de 50% do capital social da Real Vida para a ABN 2 ou pessoa ligada por ela indicada. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 13 Logo, o negócio jurídico pretendido pelas partes era bastante simples: (i) segregar da Real Seguros e transferir para a ABN 2 (ou pessoa ligada por ela indicada) 50% das ações da Real Vida e os ramos de negócios acima discriminados e (ii) em seguida, alienar para a TMNF as ações representativas de 100% do capital da Real Seguros (sendo esta detentora de ações representativas de 50% do capital social da Real Vida). Todavia, para implementar tais objetivos, as partes celebraram, em 28/06/2005, um Aditivo ao Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 304 a 313), no qual estabeleceram que a vendedora seria a ABN NV (empresa sediada na Holanda e controladora da ABN 2) e a compradora seria a MILLEA (empresa sediada no Japão e controladora da TMNF), tendo sido efetuada a cessão de direitos e obrigações da ABN 2 para a ABN NV e da TMNF para a MILLEA. Além disso, convencionaram que o negócio seria efetivado por meio das 7 etapas discriminadas abaixo, envolvendo duas outras empresas: a ABN 3 e a FARAG. Etapa 1 – cisão parcial da Real Seguros, de modo que os investimentos correspondentes a 100% da Real Capitalização S.A. e 65,10% da Real Vida fossem cindidos e segregados da Real Seguros e incorporados pela ABN 2. Etapa 2 – aumento de capital da Real Vida no valor de R$24.971.875,45, subscrito e integralizado pela Real Seguros, de sorte que, após o aumento de capital, a Real Seguros e a ABN 2 passassem a ser acionistas da Real Vida, cada qual detentora de 50% do seu capital social. Etapa 3 – cisão parcial da ABN 2, de modo que o investimento correspondente a 100% da Real Seguros (avaliado em R$299.177.982,00) fosse segregado e destinado a uma nova pessoa jurídica resultante da parcela cindida (ABN 3). Etapa 4 –incorporação da ABN 3 pela Real Seguros (incorporação reversa), passando a ABN NV a ser a única e direta acionista da Real Seguros, detendo 100% de suas ações. Etapa 5 – aquisição pela ABN 2 da empresa holding brasileira Farag Participações (FARAG), CNPJ 07.081.424/000177, e aumento do capital social no valor de R$9.900,00, integralizado pela ABN 2. Etapa 6 – na data do fechamento, aumento de capital na FARAG, mediante a emissão de 10.000 novas ações preferenciais sem direito a voto no valor de R$96.373,698753 cada, conversíveis em 963.736.987 ações ordinárias, subscritas e integralizadas em dinheiro pela MILLEA. Etapa 7 – na data do fechamento, aquisição pela FARAG de 100% das ações da Real Seguros, de titularidade da ABN NV. Na sequência, conversão, pela MILLEA, das 10.000 ações preferenciais sem direito a voto em 963.736.987 ações ordinárias e aquisição de 10.000 ações ordinárias de titularidade da ABN 2, tornandose única acionista da FARAG. Por fim, em 07/07/2005, foi efetuado o aumento de capital social da ABN 2 em R$674.340.586,00, mediante a emissão de 674.340.586 novas ações ordinárias, ao valor nominal unitário de R$1,00, subscritas e integralizadas em dinheiro pela ABN NV. E, em 31/10/2005, a FARAG foi incorporada pela Real Seguros (incorporação reversa), tornandose a MILLEA a controladora desta última. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 14 Assim, foi atingido o objetivo pretendido pelas partes: a ABN 2 (por meio de sua controladora ABN NV) alienou sua participação na Real Seguros (depois da cisão de negócios) para a TMNF (por meio da FARAG, subsidiária integral da MILLEA). A partir da descrição das operações realizadas no caso concreto, fica evidente que se trata de operações estruturadas em sequência, visto que o conjunto de operações tinha um objetivo único, sendo que cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Nesse caso, de acordo com as lições de Marco Aurélio Greco, devese verificar se há motivos autônomos para a realização das etapas. Se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso em comento, as etapas 1 e 2 tiveram motivos autônomos, visto que materializaram a cisão de negócios da Real Seguros prevista no Contrato de Compra e Venda de Ações. Ao final da etapa 2, a Real Seguros era detentora de ações representativas de 50% do capital social da Real Vida, como previsto no contrato. A própria fiscalização entendeu que tais operações tiveram propósito negocial, conforme se verifica no parágrafo 17 do Termo de Verificação Fiscal. As etapas 3 e 4 consistiram na cisão parcial da ABN 2 com a versão de sua participação acionária na Real Seguros para uma nova pessoa jurídica, a ABN 3 (etapa 3). Na seqüência, a Real Seguros incorporou a ABN 3, tornandose a ABN NV sua única acionista (etapa 4). (...)” Grifei Pois bem, pela análise dos fatos acima narrados, formei pleno convencimento de que o fato gerador do ganho de capital já havia ocorrido em 28/04/2005, o seja, estava perfeito e acabado, quando as partes celebraram, em 28/06/2005, o Aditivo ao Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 304 a 313), no qual estabeleceram que a vendedora seria a ABN NV (empresa sediada na Holanda e controladora da ABN 2) e a compradora seria a MILLEA (empresa sediada no Japão e controladora da TMNF). Portanto, a constituição do crédito tributário principal, não merece qualauer reparo, conforme disposto nos art. 113 a 118 do Código tributário Nacional – CTN: “CAPÍTULO II Fato Gerador Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. (...) Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (....) Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 15 Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (...)” Grifei. A interpretação sistemática dos dispositivos acima transcritos, especialmente das sentenças grifadas, autoriza concluir que uma vez celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 242 a 290) sem qualquer condição de natureza suspensiva, não é possível “tornar sem efeito” a ocorrência do fato gerador, mediante posterior aditivo. À toda evidência, quando o ABN2 percebeu que poderia reduzir a incidência tributária na operação, buscou “consertar” a operação mediante o aditivo. Todavia, repito, o fato gerador já havia ocorrido. Caso o ABN2 houvesse realizado a cessão à ABN NV antes da alienação, o grupo poderia ter se beneficiado da tributação pela alíquota menor. Outrossim, peço vênia para transcrever os bem articulados fundamentos das contrarrazões da Fazenda Nacional e adotalos como razões adicionais de decidir, em face das demais alegações recursais. “(...) a) Do negócio principal. Antes de analisar detidamente as operações societárias e os negócios civis realizados entre as empresas do Grupo ABN e as do Grupo MILLEA, devese determinar qual o negócio principal; aquele originalmente firmado e a partir do qual todas as demais operações e acordos foram realizados. Devese delinear, assim, a finalidade buscada com a realização de todas essas ações, o seu propósito negocial. Inicialmente, por propósito negocial, entendese a lógica econômica que leva à prática de determinado negócio ou contrato. Por exemplo, quando uma pessoa adquire um imóvel com base na expectativa de sua rentabilidade futura, essa possível valorização ao longo do tempo é o propósito negocial da compra e venda realizada. No caso ora em análise, o propósito negocial de todas as ações realizadas pela ABN 2, junto com outras empresas do Grupo ABN e do Grupo MILLEA, foi a alienação, por essa empresa, das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA E PREVIDÊNCIA S.A. – REAL VIDA. Com isso, a ABN 2 pretendia liquidar (“monetizar”) ativos do seu patrimônio. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 16 Assim, com base nessa finalidade, a ABN 2 celebrou com a TMNFI, em 28/04/2005, o Contrato de Compra e Venda de Ações, cujo objeto era formado por 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA. De acordo com as informações prestadas pelo Recorrente, por motivos negociais, a ABN 2 não tinha mais interesse em controlar a REAL SEGUROS e parte da REAL VIDA. Ao invés do controle dessas empresas, a ABN 2 preferia vender tais participações acionárias e utilizar a remuneração recebida em outros objetivos empresariais. Tal propósito negocial de todas as ações realizadas é inúmeras vezes citado pelo Recorrente, senão vejamos (fls. 14/15 do recurso): De fato, ao contrário do entendimento da Turma Julgadora, o objetivo pretendido com a reestruturação societária era a venda, de forma célere e eficiente, de um ativo representado pelas ações da Real Seguros S/A, detidas pela ABN 2 à Tókio Marine, sendo necessário, para tal propósito, a segregação dos negócios de (i) vida e previdência distribuído por meio das redes de distribuição, (ii) ramos elementares e corretagem de seguro e (iii) capitalização. (...) De fato, os segmentos de vida e previdência e seguros, representados pelas ações da Real Seguros, não eram mais interessantes, negocial e economicamente à controladora ABN NV, razão pela qual o preço recebido pela venda desse ativo foi, por consequência, reinvestido em sua controlada ABN 2, mediante aporte de capital, possibilitando a esta empresa holding redirecionar as suas atividades em outras operações comerciais, em estrita conformidade com o seu estatuto social. Notase, assim, que o objetivo da alienação das ações da Real Seguros era a monetização desse ativo, como o consequente reinvestimento do valor recebido pela ABN 2 em outros ramos de atividades. Em outras palavras, a reestruturação societária levada a efeito pelas partes gerou apenas um “efeito permutativo” dos ativos. Vale dizer, houve a troca de um investimento detido por uma empresa holding (ações Real Seguros) em contrapartida de um aumento de capital realizado pela sua controladora (ABN NV), que lhe permitiu o cumprimento do seu objeto social: investimentos em outras sociedades. Verificase, portanto, que não houve a retirada de um ativo de uma empresa operacional de forma atípica, como entendeu, equivocadamente, a Turma Julgadora no presente caso. (grifo nosso) Desta feita, é inconteste nos presentes autos que o contrato de compra e venda de 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA, firmado entre a ABN 2 e a TMNFI, é o negócio principal; aquele a partir do qual o termo aditivo fora celebrado, assim como todas as demais operações societárias realizadas pelos Grupos ABN e MILLEA. O propósito negocial de todas as operações societárias e negócios civis realizados se traduzia, assim, na venda pela ABN 2 (com o recebimento do correspondente pagamento) de bens constantes do ativo permanente do seu patrimônio. Independentemente das ações que seriam adotadas, tanto pelo Grupo da empresa vendedora, como aquele da compradora, uma vez celebrada a compra e venda entre a ABN 2 e a TMNFI, a ABN 2 deveria “monetizar” os seus ativos que Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 17 correspondiam a 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA. Por oportuno, com base no negócio principal aqui definido, destacase a validade das etapas 1 e 2 realizadas pela ABN 2 junto com o seu Grupo econômico, pois, é incontroverso nos presentes autos que essas etapas se coadunam com o propósito negocial originalmente firmado. Por meio dessas etapas, a ABN 2 logrou segregar em seu patrimônio os bens que pretendia alienar. Por certo, como já dito, o contrato de compra e venda originalmente celebrado tinha por objeto 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA. Contudo, como a REAL SEGUROS detinha 100% das participações acionárias das empresas REAL VIDA e REAL CAPITALIZAÇÃO S.A., a ABN 2 não podia simplesmente transferir a REAL SEGUROS a TMNFI. A ABN 2 tinha que, previamente, retirar da REAL SEGUROS 100% das ações da REAL CAPITALIZAÇÃO e 50% das ações da REAL VIDA. Assim, tal segregação foi realizada pelas etapas 1 e 2 da reestruturação societária adotada. Por meio dessas operações (cisão parcial do patrimônio da REAL SEGUROS, com a absorção pela ABN 2 de 100% das ações da REAL CAPITALIZAÇÃO e de 65,10% das ações da REAL VIDA, seguida do aumento do capital social da REAL VIDA pela REAL SEGUROS), a ABN 2 logrou destacar dentro do seu próprio patrimônio 100% das ações da REAL SEGUROS, empresa esta que, por sua vez, acabou detendo 50% das ações da REAL VIDA. Assim, o objeto do contrato de compra e venda passou a ser simplesmente 100% das ações da REAL SEGUROS. Dessa forma, demonstrase até aqui o negócio principal que deu origem a todas as operações societárias e negócios civis que aqui serão discutidos. Todas essas ações decorrem do contrato de compra e venda firmado entre a ABN 2 e a TMNFI, o qual procurava materializar a intenção da ABN 2 em alienar (“monetizar”) bens constantes do ativo permanente do seu patrimônio (100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA). Dentre as operações constantes da reestruturação adotada, aquelas das etapas 1 e 2 se coadunam com esse propósito negocial. Elas apresentam relação com a finalidade negocial originalmente estabelecida. Quanto às outras (3 a 7), as quais, por sua vez, decorrem do termo aditivo celebrado, como se verá adiante, não apresentam essa mesma “índole”. b) Do termo aditivo e a sua artificialidade. Como visto no item anterior, o negócio principal que fora firmado entre as empresas dos Grupos ABN e MILLEA se constitui na venda pela ABN 2 a TMNFI de 100% da participação acionária que detinha da REAL SEGUROS e de 50% das ações da REAL VIDA, a fim de alocar o correspondente pagamento em outros objetivos negociais. Para tanto, a ABN 2 teve que segregar esses bens do restante do seu patrimônio. Tal segregação foi materializada pelas etapas 1 e 2 da reestruturação societária adotada. Assim, após a realização dessas etapas 1 e 2, BASTAVA a ABN 2 vender a TMNFI (empresa do Grupo MILLEA) 100% da participação acionária que detinha da REAL SEGURO, receber, como contrapartida, o pagamento Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 18 devido, e utilizar esses recursos como melhor pretendesse (investindo em novas empresas, enviando parte deles a sua controladora no exterior, etc). Pronto! Seguindo somente essas duas primeiras etapas, o contrato de compra e venda teria sido cumprido, ao mesmo tempo que teria observado a sua finalidade prevista no ordenamento jurídico, qual seja: transferir a propriedade de um bem ou direito de uma pessoa para outra em troca de um pagamento. Contudo, não foi isso o que aconteceu. Por razões estranhas ao propósito negocial previamente estabelecido, fora lavrado um termo aditivo a esse contrato de compra e venda. Por motivos que o contribuinte não consegue explicar, fora celebrado um aditivo ao contrato de compra e venda que desvirtuou por completo esse negócio principal. O termo determinou a transferência da propriedade dos bens que seriam alienados, mantendo, contudo, a compra e venda originalmente proposta. De fato, em 28/06/2005, fora assinado um Termo Aditivo ao Contrato de Compra e Venda de Ações entre a ABN 2, a TMNFI, a ABN NV e a MILLEA. Por meio desse termo, fora estabelecido que, em razão do contrato de compra e venda prever a possibilidade tanto da venda como da compra serem cumpridas por pessoas ligadas às partes contratantes, a ABN 2 iria ceder a ABN NV (sua controladora no exterior), a título gratuito, seus direitos e obrigações como vendedora das ações da REAL SEGUROS; assim como a TMNFI iria ceder a MILLEA (sua controladora no exterior), também a título gratuito, seus direitos e obrigações como compradora das ações da REAL SEGUROS. Até aí tudo bem. As partes de um contrato de compra e venda podem ceder seus direitos e obrigações (cessão de crédito e/ou assunção de dívida). A ABN NV poderia promover em nome da ABN 2 mediante o devido instrumento de outorga de poderes, a alienação das ações da REAL SEGUROS. Por outro lado, a MILLEA poderia promover em nome da TMNFI o pagamento e o recebimento do bem alienado. No entanto, o que torna esse termo aditivo sem qualquer lógica negocial, principalmente se comparado àquela do contrato de compra e venda originalmente firmado, é a forma pela qual ele operacionalizou a cessão de direitos e obrigações. Não há qualquer propósito negocial a previsão de que a cessão dos direitos e obrigações da ABN 2 como vendedora a ABN NV se daria pela doação das ações da REAL SEGURO. Com efeito, tal como constatou o Termo de Verificação Fiscal (fl. 806), o termo aditivo previa que: (...) em decorrência da Cisão de Negócios, a ABN NV, será na Data de Fechamento a titular de fato e de direito das Ações Objeto de Venda devidamente autorizadas, totalmente integralizadas e livres e desembaraçadas de quaisquer ônus e gravames (exceto pela opção outorgada a acionistas minoritários em decorrência do desdobramento reverso de ações da Real Seguros aprovado na Assembléia Geral de 18 de abril de 2005) e que, portanto, a; ABN Dois e a TMNF decidiram, de mútuo e comum acordo que a ABN NV será a vendedora da totalidade das Ações Objeto da Venda, em conformidade com as disposições do Contrato de compra e Venda de Ações e do presente Aditivo; (grifo nosso) Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 19 Ora, a cessão dos direitos e obrigações da ABN 2 como vendedora do contrato original em nenhum momento exige a doação dos bens a serem alienados. O direito a receber o pagamento, assim como o dever de entregar a coisa é que podem ser transferidos. E, para que o dever de entregar a coisa possa ser cumprido por pessoa estranha ao seu proprietário original, não é indispensável a doação da coisa alienada, basta um simples instrumento de outorga de poderes para tanto. Vale ressaltar que a doação das ações da REAL SEGUROS pela ABN 2 a ABN NV acaba por extinguir o contrato de compra e venda inicialmente pactuado com a TMNFI. Por certo, não sendo mais seu, a ABN 2 não tem mais o alienar; não há mais o que trocar por pagamento; não há, assim, crédito a ser cedido. Caso a ABN 2 pretendesse doar as ações da REAL SEGUROS a ABN NV, o instrumento a ser assinado não deveria ter sido um termo aditivo ao contrato de compra e venda que previa a cessão dos correspondentes direitos e obrigações. Mas sim, esse contrato de compra e venda deveria ter sido cancelado; as ações da REAL SEGUROS deveriam ser doadas a ABN NV; e, assim, a ABN NV poderia alienálas a quem quisesse. Vêse, assim, o completo descompasso existente entre o negócio principal firmado entre a ABN 2 e a TMNFI e o termo aditivo posteriormente celebrado entre essas empresas e a ABN NV e a MILLEA. A doação prevista nesse termo não apresenta qualquer coerência com a compra e venda original, sequer com a cessão dos correspondentes direitos e obrigações. Desta feita, como já pincelado em uma breve frase, as etapas 3 a 7, as quais visaram materializar a cessão de direitos e obrigações decorrentes do termo aditivo (e a doação das ações da REAL SEGUROS), não apresentam qualquer relação com a compra e venda originalmente estabelecida entre a ABN 2 e a TMNFI. Essas etapas são incompatíveis com o negócio principal que, supostamente, lhes deram ensejo. Da forma como o termo aditivo foi elaborado e concretizado, ele acabou por transferir a propriedade dos bens que seriam alienados, mantendo, contudo, a compra e venda originalmente pactuada. Nesse diapasão, registramse aqui as etapas 3 a 7 da reestruturação societária planejada pelo Grupo ABN, agora em conluio com o Grupo MILLEA: Etapa 3 – a ABN NV cria no Brasil a empresa ABN 3; Etapa 3 – a ABN 2 cinde seu patrimônio e transfere para a ABN 3 100% das ações da REAL SEGUROS (onde se encontram também 50% das ações da REAL VIDA); Etapa 4 – a REAL SEGUROS incorpora a ABN 3 (a ABN NV passa a deter de forma direta a propriedade das ações da REAL SEGUROS); Etapa 5 – a ABN 2 adquire a empresa FARAG; Etapa 6 – a MILLEA subscreve e integraliza R$ 963.736.987,00 no capital social da FARAG, detendo 99,99% de seu capital social; Etapa 7 a ABN NV aliena para a FARAG 100% das ações da REAL SEGUROS, recebendo em troca R$ 963.736.987,00 (pagamento da venda feito a ABN NV); Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 20 Etapa 7 – a ABN 2 aliena a MILLEA o 0,01% da participação acionária que detinha da FARAG; Etapa 7 – a ABN NV aumenta o capital social da ABN 2 em R$ 674.340.586,00 (devolução de parte do pagamento pela ABN NV a ABN 2); Etapa 7 – a REAL SEGUROS incorpora a FARAG. Assim, antes da etapa 3, o ativo do balanço patrimonial da ABN 2 apresentava, dentre outros, os seguintes bens: Ativo 100% das ações da REAL SEGUROS 100% das ações da REAL CAPITALIZAÇÃO 50% das ações da REAL VIDA Após a etapa 7: Ativo Caixa – R$ 674.340.586,00 100% das ações da REAL CAPITALIZAÇÃO 50% das ações da REAL VIDA. Aqui, não se deve olvidar que a ABN NV devolveu a ABN 2 apenas parte do pagamento recebido em face da alienação das ações da REAL SEGUROS. Assim, devese ter em mente que a ABN NV reteve para si algo em torno de R$ 285.748.064,66. Desta feita, pelo exposto, vêse claramente que o termo aditivo celebrado teve como intuito alterar as partes do contrato de compra e venda originalmente celebrado, sendo mantido, contudo, o mesmo objeto: as ações da REAL SEGUROS. No pólo vendedor, a ABN 2 foi substituída pela ABN NV; no pólo comprador, a TMNFI pela MILLEA. Em razão do aditivo, a ABN NV deu as ações da REAL SEGUROS (que pertenciam originalmente a ABN 2) e recebeu em troca o pagamento. Por seu turno, a MILLEA pagou e recebeu as referidas ações. Com isso, vêse, então, que o termo aditivo fora realizado com o intuito de alterar as partes do contrato, dando lugar na verdade a uma segunda compra e venda, sendo mantido, todavia, o mesmo objeto. Aquela inicialmente firmada entre as empresas brasileiras ABN 2 e TMNFI fora substituída pela estabelecida entre as estrangeiras ABN NV e MILLEA, respectivamente. O termo aditivo acabou por extinguir o contrato que lhe servia de substrato, porém, prevendo a alienação do mesmo bem. O adesivo, ao mesmo tempo que extinguiu o principal, manteve a sua vigência. Ora, Nobres Julgadores, tal situação é difícil até de imaginar. Como pode um termo aditivo ser celebrado para inovar a obrigação, mantendo, contudo, a mesma obrigação? Da forma como foi firmado e materializado, o termo aditivo aqui discutido não é nem uma cessão de direitos e obrigações, nem uma novação. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 21 Não é uma cessão de direitos e obrigações porque, se o fosse, a ABN 2 não deveria ter doado a ABN NV as ações da REAL SEGUROS, assim como deveria ter registrado em sua contabilidade o direito de crédito que cedeu. A ABN NV fora incluída no contrato de compra e venda das ações da REAL SEGUROS como uma espécie de “procurador” da ABN 2. Todavia, essa “procuração” em nenhum momento poderia proporcionar a transferência da propriedade dessas ações da “vendedora cedente” para a “vendedora cessionária”. A cessão do direito de crédito não importa a transferência do bem que será alienado. Tal doação é desproporcional, desnecessária e, ao final, acaba por esconder o real alienante. Outrossim, o termo aditivo celebrado também não pode ser considerado como uma novação da compra e venda originalmente pactuada, pois não proporciona a extinção da obrigação novada. Com efeito, para ser considerado como uma novação do negócio principal, o termo aditivo não poderia manter na nova obrigação criada o mesmo objeto da obrigação anterior. Ou seja, a compra e venda estabelecida entre a ABN NV e a MILLEA não poderia ter o mesmo objeto (ações da REAL SEGUROS) daquela pactuada entre a ABN 2 e a TMNFI. De acordo com o código civil brasileiro, com a novação, a obrigação anterior é extinta. No presente caso isso não ocorreu. Em face da confusão estabelecida, o negócio firmado entre as empresas estrangeiras não proporcionou a extinção do negócio celebrado entre as brasileiras, pelo contrário, baseou a sua validade na existência daquele. Sendo assim, para que houvesse novação, os bens a serem alienados pela ABN NV a MILLEA não poderiam ser as ações da REAL SEGUROS, haja vista que elas compunham o objeto da compra e venda pactuada entre a ABN 2 e a TMNFI. Sendo mantida essa coincidência de objetos, não há o ânimo de novar; o conteúdo da primeira obrigação acaba sendo o mesmo da segunda. Vêse, assim, a artificialidade do termo aditivo celebrado. A doação nele prevista não é compatível com o negócio principal. Ao mesmo tempo que essa doação retirou os bens a serem alienados da propriedade do vendedor original, manteve a validade da alienação inicialmente pactuada. Tendo sido celebrada uma cessão de direitos e obrigações decorrentes de um contrato de compra e venda, JAMAIS a REAL SEGUROS poderia ter saído do patrimônio da ABN 2 sem a entrada do correspondente pagamento, mesmo que esse crédito tivesse sido cedido. Mesmo com o termo aditivo, o pagamento, independentemente de sua destinação, deveria ter sido registrado no patrimônio da ABN 2; nunca ir direto para o patrimônio da ABN NV sem qualquer contrapartida na ABN 2. A cessão prevista pelo termo aditivo poderia até ocorrer, porém, o pagamento, ou direito de crédito, JAMAIS poderia ter deixado de ser registrado pela vendedora original. A ABN NV poderia agir como detentora do direito de receber o pagamento decorrente da venda das ações da REAL SEGURO, todavia, esse crédito cedido não poderia deixar de ser registrado na contabilidade da empresa brasileira. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 22 A artificialidade do termo aditivo reside justamente no seu efeito com relação ao contrato principal. JAMAIS um termo aditivo pode transferir a propriedade de um bem que será alienado, mantendo, contudo, a compra e venda originalmente pactuada. Ou ele proporciona a cessão do direito de crédito e/ou a assunção de dívida, ou ele extingue a obrigação com a criação de uma nova, totalmente distinta daquela. Mostrase, assim, que o termo aditivo celebrado é completamente incompatível com o contrato de compra e venda que lhe serviu de substrato. Contudo, mesmo tendo havido essa espécie de doação de um bem pela ABN 2 a sua controladora no exterior (com a extinção do contrato principal de compra e venda), parte da venda desse bem pela ABN NV acabou retornando a própria ABN 2 (proprietária originária do bem alienado). Tal como acordado desde o início das negociações, a ABN 2 acabou por monetizar parte do seu ativo permanente, sendo que, uma parcela do pagamento que lhe seria devido fora retida por sua controladora no exterior. Diante desse cenário, indagase, portanto: essa alteração das partes (e da propriedade dos bens a serem alienados) era necessária à realização do contrato de compra e venda inicialmente estabelecido? Essa cessão de direitos e obrigações era indispensável à segregação e alienação das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA pela ABN 2? Se o pagamento acabou sendo revertido a própria ABN 2, por que esse termo aditivo foi celebrado? Foi com base na ausência de respostas a todas essas perguntas que o lançamento aqui discutido foi realizado, e a decisão de primeira instância manteve a sua validade. Como já ressaltado anteriormente, a segregação dos ativos que seriam alienados fora plenamente formalizada pelas etapas 1 e 2 da reestruturação societária adotada. Com essas operações, a ABN 2 logrou destacar do restante do seu patrimônio 100% das ações da REAL SEGUROS, empresa esta que, por sua vez, acabou detendo 50% das ações da REAL VIDA. Após essas etapas, bastava a ABN 2 alienar a REAL SEGUROS a TMNFI. Daí porque é uníssono nos presentes autos que as etapas 1 e 2 apresentam propósito negocial a sua realização; se coadunam à finalidade do negócio principal celebrado. Elas são condizentes com a finalidade econômica pretendida pela ABN 2 desde o início. Agora, com relação às etapas 3 a 7, ao contrário do que aduz o Recorrente, essas operações não procuraram em nenhum momento a segregação dos ativos da ABN 2 para viabilizar a venda das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA. Como já dito, com as etapas 1 e 2 a venda já poderia ter ocorrido. O termo aditivo celebrado não apresentava, assim, qualquer vínculo com a venda pela ABN 2 das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA. O aditivo não era necessário e indispensável à venda (e à segregação). Ele foi realizado a fim de alterar as partes envolvidas (a propriedade dos bens a serem alienados), mantendose a compra e venda. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 23 As etapas 3 e 7 efetivamente foram indispensáveis à materialização do que fora estipulado pelo termo aditivo. Porém, com relação à venda das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA acordada entre a ABN 2 e a TMNFI, essas etapas não tiveram qualquer influência. Elas acabaram por alterar por completo a compra e venda inicialmente estabelecida. Não se deve esquecer que o que aqui se analisa é a dispensabilidade do termo aditivo (e as suas etapas) com relação à compra e venda inicialmente pactuada entre a ABN 2 e a TMNFI. Assim, as etapas 3 a 7 (decorrentes do termo aditivo) não possuem qualquer relação com a venda pela ABN 2 das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA. Pelo contrário, essas etapas serviram para cancelar essa venda. As etapas 3 a 7 foram indispensáveis à alienação dessas ações pela ABN NV a MILLEA. Com relação ao negócio principal, venda das ações da REAL SEGUROS pela ABN 2 a TMNFI, essas etapas não possuem qualquer ligação, tal operação poderia ter sido perfeitamente realizada após as etapas 1 e 2. O termo aditivo traduz um outro negócio, o qual será doravante esclarecido. No afã de tentar justificar o injustificável, o Recorrente traz alguns pontos para fundamentar o termo aditivo celebrado pelo seu sucedido. Primeiramente, aduz o Recorrente que, em última instância, a ABN NV era a proprietária das ações da REAL SEGUROS. Como a ABN 2 era controlada integralmente pela ABN NV, em última instância essa empresa estrangeira poderia vender qualquer bem do ativo da empresa brasileira de forma direta. Assim, tenta o Recorrente defender que o termo aditivo celebrado nada mais fez do que formalizar uma situação que já existia de fato. Como as ações da REAL SEGUROS já eram da ABN NV, nada mais normal do que essa própria empresa estrangeira alienar algo que é seu. Nobres Conselheiros, tamanha leviandade sequer merece ser rebatida. Contudo, para fins de argumentação, serão tecidos breves apontamentos. Por certo, de acordo com as normas que regem os atos civis no direito brasileiro, via de regra, o patrimônio dos sócios nunca deve se confundir com o patrimônio da sociedade. Uma empresa desenvolve sua atividade e responde suas obrigações com supedâneo no seu próprio patrimônio, não com o dos seus sócios. Da mesma forma, por outro lado, um sócio jamais pode dispor de um bem da sociedade como se fosse seu. A propriedade do bem é vinculada à titularidade do patrimônio a que pertence. Assim, salvo raras exceções previstas expressamente em lei, não há confusão entre os patrimônios. Jamais um sócio poderia alienar um bem de sua sociedade como se fosse seu. No direito civil, tal independência patrimonial decorre do instituto da personalidade jurídica, segundo a qual uma empresa é dotada de poderes para assumir direitos e obrigações em nome próprio, independentemente da personalidade física, ou jurídica, de seus sócios. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 24 Na seara contábil, esse aspecto é destacado pelo princípio da entidade. Conforme essa premissa, direitos e obrigações da pessoa jurídica não podem se confundir com os direitos e obrigações da pessoa física que a constituíram. A empresa pode até assumir uma dívida de um sócio, porém, como contrapartida, surgirá, como ativo, um direito no mesmo valor decorrente do crédito em face desse sócio. A absorção da dívida como se fosse sua, a pessoa jurídica jamais poderá registrar. Vêse, assim, que JAMAIS a ABN NV poderia vender um bem do ativo da ABN 2 de forma direta; ainda que ela seja a controladora integral dessa empresa. JAMAIS a ABN NV poderia vender um bem do ativo da ABN 2 e registrar no seu patrimônio o pagamento recebido. A confusão que se propõe ao imaginário acaba com essa pretensão estapafúrdia. Por essa razão, que, mesmo se considerando proprietária de fato das ações da REAL SEGUROS, a ABN NV orquestrou a aquisição formal para si dessas ações. Lançando mão da ABN 3, a ABN NV trouxe para o seu patrimônio a REAL SEGUROS (por meio da cisão da ABN 2 e da posterior incorporação da ABN 3), preparando, assim, a sua legitimidade para receber o ganho de capital decorrente da alienação dessa empresa. Nesse contexto (da cisão da ABN 2 e da utilização da ABN 3), o Recorrente apresenta a sua segunda tentativa de explicar o inexplicável. Segundo ele, a cisão da ABN 2 (etapa 3) foi a melhor opção fiscal encontrada para a venda das ações da REAL SEGUROS. Essa alegação se perde ante o aqui demonstrado: que as etapas 3 a 7 (advindas do termo aditivo) não apresentam qualquer relação com o negócio principal que levou à pratica de todas as ações aqui discutidas: a venda das ações da REAL SEGUROS pela ABN 2. Assim, a cisão da ABN 2 pode até ter sido a melhor opção fiscal em face do termo aditivo celebrado, da doação nele prevista. Mas, com relação à venda pela ABN 2 das ações da REAL SEGUROS (segregação do ativo e efetiva alienação), essa cisão não possui qualquer relevância. Na verdade, a cisão da ABN 2 impediu que essa empresa vendesse os bens que pertenciam ao seu patrimônio. Por meio dessa cisão, a ABN 2 doou o bem que seria alienado. A celeridade que o Recorrente aduz que a cisão patrimonial apresenta se comparada com a redução de capital, em nada afeta a necessidade de segregação do ativo da ABN 2 de 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA. Como já dito inúmeras vezes, as etapas 1 e 2, por si só, já cumpriram essa função. Por meio do termo aditivo celebrado, a ABN 2 não segregou o seu ativo com vista à alienação das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA; ela apenas doou esses bens do seu ativo para que a sua controladora estrangeira a alienasse em seu próprio nome. Sendo assim, mostrase que o termo aditivo celebrado não apresenta qualquer relação com o negócio principal inicialmente pactuado: venda pela ABN 2 de 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA a fim de utilizar o pagamento para outras finalidades negociais. Na verdade, esse aditivo (e as etapas 3 a 7) fora celebrado de forma eminentemente artificial, pois é plenamente incompatível com a compra e venda inicialmente pactuada. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 25 A artificialidade do termo aditivo celebrado se mostra incontestável quando se nota que ele acabou por transferir a propriedade dos bens que seriam alienados, mantendo, contudo, a compra e venda originalmente pactuada. Com a doação proporcionada pela cessão de direitos e obrigações, as ações da REAL SEGUROS foram doadas a ABN NV. Porém, o negócio pelo qual a ABN 2 trocava essas ações por dinheiro persistiu. Ora, não é para essa finalidade que existe a figura do termo aditivo. Por que um vendedor doaria um bem a ser alienado? E, pior, para depois receber o dinheiro desse pagamento. Qual o propósito negocial dessa operação? Ela sequer é uma doação!!! Ao longo do seu Recurso, o sucessor do contribuinte lança mão de inúmeras páginas a fim de explicar que a reestruturação societária por ele adotada, em especial a partir da etapa 3, decorreu de uma opção fiscal lícita, no intuito de promover a segregação dos bens que seriam alienados, e a própria alienação, da forma mais célere e segura possível. Ora Nobres Julgadores, o que o Recorrente insiste em não dizer é a razão que levou a ABN 2 a fazer todas essas operações. Por que a ABN 2 realizou um termo aditivo que previa a doação de bens objetos de um contrato de compra e venda? O que o lançamento indagou e não recebeu resposta, assim como a decisão de primeira instância ressaltou, é o motivo pelo qual a ABN 2 celebrou esse termo aditivo ao contrato de compra e venda e transferiu as ações da REAL SEGUROS a ABN NV. Que a cisão era a melhor forma de materializar a doação prevista no termo aditivo, isso ninguém discute. O que se quer saber é por que a ABN 2 realizou um termo aditivo que previa a transferência de propriedade do bem a ser alienado? Por que esse termo previa a doação? No presente processo não se está discutindo o consequente (etapas 3 a 7), mas sim o antecedente (termo aditivo). Não se está discutindo a cisão, mas sim a doação. A justificativa da cisão da ABN 2 é o termo aditivo, isso é claro. Contudo, não se sabe o motivo da celebração do termo aditivo. Destarte, quando o Recorrente defende que a cisão da ABN 2 e a criação das empresas ABN 3 e FARAG decorreu da melhor opção fiscal disponível, nada disso afeta o deslinde da presente questão. Ele deve explicar o motivo pelo qual realizou o termo aditivo. Ele deve esclarecer por que foi transferida a propriedade dos bens que seriam alienados, sendo mantida, contudo, a compra e venda originalmente pactuada. Qual foi o propósito negocial desse acordo? Sem explicar esses pontos, temse que a cisão da ABN 2 e a utilização da ABN 3 e da FARAG sequer podem ser consideradas uma opção fiscal. Essas operações não podem constituir uma opção fiscal de um negócio inexistente, sem justificativa para ter ocorrido. c) Do abuso de direito. Demonstrada a total incompatibilidade entre o termo aditivo realizado e o negócio principal, ou seja, a artificialidade desse termo, será esclarecido agora o verdadeiro Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 26 intuito do aditivo. Será comprovado o abuso de direito cometido pelo sucedido do Recorrente. Com efeito, pelo item anterior, fora comprovado que o termo aditivo celebrado não apresenta qualquer relação com a venda pela ABN 2 de 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA. Na verdade o aditivo serviu para transferir a propriedade desses bens, sendo mantida, contudo, a compra e venda originalmente pactuada. Ao contrário do que afirma o Recorrente, esse aditivo não prestou à segregação e alienação desses bens que pertenciam ao ativo permanente da ABN 2. Esse objetivo fora cumprido apenas com as etapas 1 e 2 da reestruturação planejada. E pior. Em que pese o multicitado aditivo prever a doação pela ABN 2 a ABN NV das ações da REAL SEGUROS que seriam alienadas, essa empresa estrangeira acabou por devolver a ABN 2 grande parte do pagamento recebido por essa venda. Ao final, a doação feita pela empresa brasileira acabou sendo compensada por um aporte de capital recebido de sua controladora estrangeira. Ora, se o termo aditivo não apresentava qualquer relação com a venda pretendida, e, ao final, as operações foram realizadas de tal forma como se o aditivo nunca tivesse existido, qual fora, então, a finalidade da mudança de titularidade dos bens que seriam alienados? Se a alteração da propriedade dos bens que seriam alienados não apresentava qualquer relação com a compra e venda inicialmente pactuada, e, ao final, o pagamento dessa venda acabou retornando ao vendedor original, qual foi então a intenção do termo aditivo? Ante a falta de informações plausíveis fornecidas pelo Recorrente, só há uma resposta as essas perguntas: o propósito negocial do termo aditivo celebrado (se assim pode ser chamado) era composto exclusivamente pela ECONOMIA FISCAL INDEVIDA que surgiria com a mudança de titularidade dos bens que seriam alienados (novo contrato estabelecido). Por certo, transferindo os bens que seriam alienados a uma pessoa jurídica no exterior, o ganho de capital não seria mais tributado com a incidência do IRPJ e da CSLL (34%) sobre o lucro líquido da empresa brasileira (original proprietária desses bens), mas sim apenas pelo IRRF (15%) incidente sobre o ganho de capital remetido para o exterior. Tal economia fiscal resta ainda mais clara quando se vê que parte do pagamento recebido pela empresa estrangeira foi devolvido à empresa brasileira (original proprietária dos bens alienados). Ora, se parte do pagamento foi remetido ao original proprietário, é como se os bens tivessem sido alienados por ele. Ao final de todas as etapas realizadas, temse como resultado líquido de todas as operações: a venda pela ABN 2 de 100% das ações da REAL SEGUROS e 50% das ações da REAL VIDA, tendo ela recebido como pagamento o valor pactuado descontada uma tributação de 15%. Como estratégia negocial adotada, parte desse pagamento fora DESVIADO para a sua controladora no exterior com o intuito de reduzir a tributação incidente. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 27 Vêse, assim, que o propósito negocial do termo aditivo realizado era apenas proporcionar a ABN 2 a redução da carga tributária que incidiria sobre o ganho de capital a ser auferido com as ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA. A doação prevista por esse aditivo não visava à cessão de direitos ou obrigações decorrentes do contrato de compra e venda, mas somente reduzir a tributação incidente sobre o ganho de capital. Como, ao final, o pagamento retornou ao original proprietário dos bens alienados, é claro que a cessão de direitos e obrigações pactuadas possuía apenas fins fiscais. Assim, como muito bem demonstrado pelo auto de infração, ao firmar o termo aditivo ao contrato de compra e venda, alterando, assim, as partes daquele acordo (e a propriedade do bem que seria alienado), o Grupo ABN transferiu a titularidade do ganho de capital que seria auferido por uma empresa brasileira para uma empresa estrangeira, sendo que, ao final, parte desse ganho de capital retornou à empresa brasileira. Com a celebração do termo aditivo, a compra e venda estabelecida entre as empresas brasileiras deu lugar a uma nova compra e venda a ser materializada entre as controladoras estrangeiras dessas empresas, porém, com relação ao mesmo bem. Ora, Doutos Conselheiros, demonstrase, dessa forma, que a realização do termo aditivo, em que pese não apresentar nenhum propósito negocial verdadeiro, continha um único e relevante motivo fiscal. Uma economia tributária de 19% sobre o ganho de capital auferido. Ao fazer com que o pagamento transitasse pelo exterior, a ABN 2 obteve uma menor incidência tributária sobre o ganho de capital auferido com a venda das ações da REAL SEGUROS e da REAL VIDA. E, essa descaracterização da função objetiva do negócio realizado configura, por si só, o abuso de direito cometido pela ABN 2. Segundo Paulo de Barros Carvalho, abuso de direito significa: (...) norma produzida por particular, constituída no exercício de competência que excede as atribuições jurídicas que o Direito autoriza ao sujeito, identificandoo como incompetente naquela função, ao mesmo tempo que atribui ao ato caráter de ilicitude (grifo nosso)1. Assim, incorre em abuso de direito aquele cidadão que, dentro de seu dever de observar a lei, comete excessos não admitidos pelo próprio sistema jurídico no qual as leis se encontram. No caso dos presentes autos, a ABN 2, subordinada à legislação tributária e civil, ao celebrar a cessão de direitos e obrigações advindos do contrato de compra e venda com o exclusivo intuito de obter uma indevida economia fiscal, desvirtuou as funções objetivas desse acordo. Ao celebrar um termo aditivo totalmente incompatível com o contrato principal, praticou um negócio eminentemente artificial. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22. ed. São Paulo: Saravia, 2010. p. 596. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 28 Ao celebrar uma cessão de direitos e obrigações com vistas a apenas fazer com que o ganho de capital transitasse pelo exterior, reduzindo, assim, a carga tributária incidente, a ABN 2 não realizou nenhuma cessão de direitos e obrigações. Como o pagamento retornou ao original proprietário dos bens alienados, nenhum direito ou obrigação acabou sendo efetivamente transferido. Apenas a carga tributária sobre o ganho de capital que foi reduzida. Em que pese parte do pagamento ter sido retido pela ABN NV, essa empresa estrangeira se prestou como “laranja” da ABN 2, pois recebeu em seu nome o pagamento recebido pela venda de um bem dessa empresa brasileira. OLHANDO O FILME COMO UM TODO, em especial o retorno do pagamento a ABN 2, vêse que, na realidade, a cessão foi realizada apenas para alterar a carga tributária incidente sobre o ganho de capital decorrente da compra e venda. O direito de receber o pagamento poderia até ter sido cedido de forma gratuita a ABN NV (doação), porém esse crédito cedido não poderia deixar de ser registrado na ABN 2. Mesmo tendo sido realizado o termo aditivo, o contrato de compra e venda originalmente pactuado jamais deixou de existir. Em face de tal desvirtuamento do termo aditivo realizado, o excesso cometido causou redução dos impostos a pagar ao Erário se comparado com o valor devido em razão da operação que realmente fora praticada. Em suma, a ABN 2 realizou um negócio jurídico com finalidade diversa daquela que o ordenamento jurídico assegura!!! Caso o lançamento ora debate seja cancelado, o que se admite apenas por argumentação, podese ter certeza que nenhuma empresa brasileira controlada por empresas estrangeiras alienará mais nenhum bem ou direito do seu patrimônio de forma direta. Antes de alienálos, as empresas brasileiras sempre os transferirão para a propriedade de sua empresa ligada no exterior, a qual poderá lhe devolver o pagamento recebido por meio de aporte de capital, reduzindo com isso a carga tributária incidente sobre o ganho de capital auferido. Destarte, demonstrado o desvirtuamento pela ABN 2 da finalidade do termo aditivo assegurada pelo ordenamento jurídico, comprovado está o abuso de direito cometido por aquele contribuinte. Ao lançar mão de uma cessão de direitos e obrigações para fins exclusivamente fiscais, o abuso é incontestável. III – Da correta apuração do ganho de capital tributado. Insurgese também o Recorrente acerca do ganho de capital tributado pelo lançamento. Segundo ele, o valor correto a sofrer a incidência do IRPJ e da CSLL é o montante correspondente ao aumento do capital social da ABN 2 pela ABN NV (R$ 674.340.586,00), não o total pago pela empresa FARAG. Mais uma vez, as alegações do Recorrente não merecem prosperar. Tal como demonstrado anteriormente, a operação apurada foi a venda pela ABN 2 de bens constantes do ativo permanente do seu patrimônio. O lançamento Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 29 fiscal se pautou na realidade constatada, em que pese as operações e negócios formais celebrados pelo contribuinte. Tendo em vista o negócio principal apurado, e a impossibilidade de um termo aditivo transferir o seu objeto, mantendo, contudo, a existência desse negócio, tem se que, mesmo tendo havido a cessão dos direitos e obrigações, a venda pela ABN 2 de seus ativos nunca deixou de existir. O percurso que o dinheiro fez não interessa. Fato é que ela “monetizou” parte do seu patrimônio. Assim, tendo sido demonstrado que, na verdade, foi a ABN 2 que alienou bens do seu patrimônio, por consequência lógica, portanto, inafastável, temse que o pagamento fora realizado à empresa brasileira, em que pese ter transitado pelo exterior e parte do seu montante ter sido retido por lá. O valor retido pela ABN NV deve ser visto, na realidade, como a parte do pagamento recebido pela ABN 2 e que fora enviado ao exterior a título de distribuição de lucros. Tendo sido demonstrado que foi a ABN 2 que alienou um bem que era seu; que, mesmo com o termo aditivo realizado, a compra e venda inicialmente pactuada nunca deixou de existir; temse que o pagamento por essa venda deve, obrigatoriamente, em um primeiro momento, entrar em seu patrimônio. Depois dessa entrada, o que a ABN 2 fez com os recursos não é do interesse do Fisco. Assim, temse que o lançamento foi correto ao tributar o valor total pago pela empresa FARAG a ABN NV. Na verdade, esse preço foi pago a ABN 2, pois os bens alienados eram seus. O fato de a ABN NV ter enviado somente uma parte desse pagamento a ABN 2 não atesta que o valor do ganho de capital foi reduzido, mas sim que a ABN 2 abriu mão de parte do pagamento recebido em razão da venda das ações da REAL SEGUROS em favor da sua controladora no exterior a título de distribuição de lucros. É como se a ABN 2 tivesse recebido R$ 960.088.650,66 e enviado a ABN NV 285.478.064/66, tendo ficado com o montante de R$ 674.340.586,00. A questão é eminentemente de ponto de vista. Se o esquema for visto da forma como o Recorrente defende, foi a ABN NV que vendeu um ativo da ABN 2 e, em razão dessa venda, enviou à empresa brasileira parte do pagamento dessa venda. Da forma como foi constatado pelo lançamento, a ABN 2 que vendeu um bem de seu próprio ativo e, em razão dessa venda, enviou à sua controladora estrangeira parte do lucro auferido. Em face da incompatibilidade do termo aditivo celebrado e o negócio principal, não há como as ações da REAL SEGUROS saírem do patrimônio da ABN 2 sem a contrapartida referente ao seu pagamento. Como a compra e venda nunca deixou de existir, a sua saída deve ser compensada com o pagamento recebido em troca. Por oportuno, devese atentar para um aspecto importante: não há como “misturar” eventual conclusão favorável quanto à manutenção do lançamento com o saneamento do ganho de capital apurado pelo auto de infração. Com efeito, o abuso de direito apurado pelo lançamento exige que o ganho de capital a ser tributado seja aquele decorrente do pagamento enviado ao exterior, independentemente do montante que foi devolvido à empresa brasileira. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 30 O lançamento apurou que foi desviado o pagamento decorrente da alienação das ações da REAL SEGUROS, e que quem alienou essas ações foi a ABN 2. Ao considerar que o contrato de compra e venda firmado entre a ABN 2 e a TMNFI nunca deixou de existir, mesmo com a celebração do termo aditivo; que, assim, a ABN 2 alienou bens do seu ativo e fez com que o pagamento transitasse pelo exterior a fim de reduzir a carga tributária; temse que o ganho de capital deve ser calculado com base nesse pagamento que foi desviado, não nos recursos que ele efetivamente recebeu. A retenção de parte do pagamento pela ABN NV deve ser vista como um ato de liberalidade da própria ABN 2. (...)” Pertinente também transcrever e adotar os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida no que tange ao questionamento do valor tributado no auto de infração. “(...) Conforme consignado no relatório, a fiscalização calculou o ganho de capital de R$658.108.394,23 da seguinte forma: Valor da venda 960.088.650,66 () Valor do PL pelo qual o investimento está registrado na contabilidade da contribuinte 299.177.982,97 () Ágio na aquisição do investimento 2.802.273,46 (=) Ganho de capital 658.108.394,23 Por sua vez, a impugnante alega que houve erro na apuração do ganho de capital, pois a fiscalização considerou o montante de R$960.088.650,66 como valor de venda, sendo que o correto, no seu entender, seria de R$674.340.586,00, resultando em um ganho de capital de R$327.360.329,57. A impugnante relata que a fiscalização considerou que ocorreu a disponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos em 07/07/2005, data da AGE da ABN2 que deliberou pelo aumento de capital social em R$674.340.586,00 (parágrafo 40 do Termo de Verificação Fiscal). Assim, por consequência lógica, argumenta que a fiscalização deveria ter considerado esse montante como valor de venda. A tributação do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente encontra se prevista no art. 418 do RIR/99: “Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º).” Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 31 No caso de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido, assim dispõe o art. 426 do RIR/99: “Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” A partir da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o procedimento da fiscalização para o cálculo do ganho de capital encontrase em conformidade com o texto legal. No que tange ao valor da venda, o aditivo ao contrato de compra e venda não deixa dúvida de que o preço acordado entre as partes foi de R$960.088.650,66, conforme se verifica às fls. 309: “...Ademais, fica por este ato convencionado que o preço de compra, corrigido e ajustado em conformidade com o Capítulo III do Contrato de Compra e Venda de Ações é de R$963.736.987,53 (novecentos e sessenta e três milhões, setecentos e trinta e seis mil, novecentos e oitenta e sete reais e cinqüenta e três centavos). No entanto, desse preço de compra será deduzida a CPMF, resultando no pagamento do Preço de Compra Final no valor de R$960.088.650,66 (novecentos e sessenta milhões, oitenta e oito mil, seiscentos e cinqüenta reais e sessenta e seis centavos), valor esse que será pago pela FARAG na Data de Fechamento em fundos imediatamente disponíveis.A ABN AMRO N.V. encaminhará à FARAG as instruções para pagamento do Preço de Compra Final com antecedência mínima de 2 (dois) Dias Úteis da Data de Fechamento.” Além disso, foi esse o montante transferido em 07/07/2005 da FARAG para o ABN Amro Real, conforme se verifica nos comprovantes de fls. 776 a 778. Portanto, não assiste razão à impugnante. (...)” Por todo exposto, a exigência do principal deve ser integralmente mantida. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 32 Incidência da multa de oficio A contribuinte requer sejam exoneradas as multas de ofício, visto que foram lançadas após o evento de incorporação, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da incorporada, não se admitindo a transferência dessas penalidades à incorporadora em razão de seu caráter personalíssimo. Aduz a recorrente que não poderia ser exigida a multa de ofício, pois a infração teria sido cometida por sua incorporada. Sustenta que o art. 132 do CTN estabelece a responsabilidade da incorporadora somente em relação aos tributos devidos até a data da sucessão. Em relação às multas, alega que as mesmas somente podem ser transferidas à incorporadora se constituídas antes da sucessão, pois nessa hipótese a multa já integraria o passivo da empresa sucedida. Esclarece que, no presente caso, as multas de ofício foram lançadas em 22/12/2010, posteriormente à incorporação, que ocorreu em 30/09/2009, não podendo portanto ser exigidas. A recorrente também sustenta que, à época dos fatos, a incorporada pertencia a grupo econômico distinto, sendo inaplicável ao caso a Súmula CARF nº 47, que considera cabível a imputação de multa de ofício à sucessora por infração cometida pela sucedida quando as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico ou estiverem sob controle comum. Vejamos, então, o que estabelece a Sumula 47 do CARF: “Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Cabe razão à contribuinte. Nos termos do enunciado da súmula do CARF acima transcrito, , a pessoa jurídica incorporadora somente é responsável pelas multa de ofício, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No presente caso o Santander e a sucedida não tinha qualquer relação à época dos fatos que implicaram na tributação. Portanto, a multa de oficio deve ser excluída da exigência. Incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre o crédito tributário (principal e multa de oficio) No que concerne aos juros de mora sobre a multa de oficio, exigida junto com o tributo, peço vênia para adotar os fundamentos do ilustre conselheiro Leonardo Couto sobre o tema, a seguir transcritos. “ (...) Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 33 aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 34 aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 35 Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 36 A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 37 reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 38 Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano2 (todos os destaques não são do original): 2 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 39 a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagálo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. (...) Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001725/201052 Acórdão n.º 1402001.141 S1C4T2 Fl. 0 40 Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. (...)” É certo que a multa de oficio está sendo exonerada nesta decisão, logo, os juros de mora devem incidir apenas sobre o principal. Porém, na hipótese de esta decisão vir a ser reformada na CSRF, restabelecendose a multa de oficio, a matéria já estará decidida nesta instância. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a incidência da multa de ofício. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10320.001480/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26)
MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. LEGALIDADE.
No lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa no percentual de 75%, por determinação expressa do art. 44, § 1º, I, da Lei nº 9430 de 1996. O art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
Numero da decisão: 2201-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. LEGALIDADE. No lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa no percentual de 75%, por determinação expressa do art. 44, § 1º, I, da Lei nº 9430 de 1996. O art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. LEGALIDADE. No lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa no percentual de 75%, por determinação expressa do art. 44, § 1º, I, da Lei nº 9430 de 1996. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 14 80 /2 00 9- 11 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.118.331,09. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai da leitura de parte do relatório de primeira instância, verbis: III DOS FATOS. É valido enfocar que atividade desenvolvida pelo contribuinte é de Profissional autônomo na área de Operador do Direito, e que determinados valores transitados em sua conta corrente, referem a valores recebidos de procedência indenizatória em processos de terceiros, caso rotineiro nesta atividade. Muitos destas ações, já vem por terceirização de outros profissionais do ramo do Operador do Direito, habito comum nesta atividade profissional, sendo também rotineiro os valores destas ações serem creditados nas contas destes contratados, Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 3 3 ficando este com obrigação de remanejar estes recursos para beneficiados e os seus contratados, detendose apenas com o percentual de seus honorários advocatícios, percentuais indefinido em função de determinadas ações, já virem de terceirização para terceirização, o que acaba a prevalecer o acordo verbal ou escrito, firmado entre os colegas da atividade, que uma vez pactuado entre eles, não pode ultrapassar ao valor inicialmente pactuado entre o dono da ação e seu contratado. Para melhor compreensão deste fato, poderíamos apontar que somente o percentual entre 5% (cinco por cento) a 10% (dez por cento) destes valores depositados na conta do autuado, que figurariam como possível valor de rendimentos tributáveis, pertencendo ao Contribuinte, como recebimentos de Honorários Advocatícios. Quanto aos demais valores, são de propriedades de terceiros, que automaticamente são repassados aos litigantes, aos demais colegas contratados, e demais terceirizadores das ações, ficando ainda parte deste valores, para pagamento das quitações diversas das custas processuais. IV DO DIREITO. No caso, o que se deflui é que a autoridade fiscal presumiu que não houve dolo, para, com base NESTA PRESUNÇÃO, concluir pela inexistência do dolo, e impor, ao Contribuinte a pena de multa de 75 % (setenta e cinco por centos) sobre o valor do tributo devido, após a sua atualização, ficando claro que a recorrente agiu de forma cristalina junto ao Fisco, inclusive com a apresentação de suas declarações de rendimentos Declarações IRPF, ano 2005/2005, fato este que a Autoridade Fiscal não se queixou de qualquer omissão. É claro que na nova sistemática legal, uma mudança no tratamento tributário concernente à movimentação bancaria dos contribuintes de imposto de renda, invertendose a prova, que antes pertencia ao titular da conta bancaria a ter que provar que valores creditados em suas contas correntes bancarias não se referem a receita omitidas, sob pena de sujeitarem a autuação do fisco por acréscimo patrimonial a descoberto. Sucede que as pessoas físicas estão desobrigadas de escrituração contábil, o que por si só, gera um complicador para o contribuinte, o mesmo não possui histórico de seus movimentos bancários registrados em livros que venha a possibilitar uma precisa informação quando solicitada anos posteriores pelo fisco, prendendose somente ao saldo anual consolidado, informações esta prevista no RIR. (...) Percebese, portanto, que a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, pois ela deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Só a certeza da correlação natural entre esses Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 fatos autoriza a inserção da correção lógica entre tais fatos, mediante a via legislativa. (...) Em primeiro lugar, a observação da experiência cotidiana demonstrou que não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos: o fato desconhecido pode ser de outra natureza. Mais adiante, serão citados vários exemplos de fatos de outra natureza. Ademais, a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Para usar uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. São uníssonas, neste sentido, as jurisprudências administrativas e judiciais. Na área administrativa, cabe destacar o Acórdão 10417.494, da 4a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, cuja ementa, publicada no DOU de 13.09.2000, tem a seguinte redação: "IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTO LANÇAMENTO COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITO BANCÁRIO Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento". Esse entendimento foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos, como exemplifica o Acórdão CSRF/0102.741 (DOU de 06.12.2000), sintetizado na seguinte ementa: "IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Os depósitos bancários, embora possam refletir indícios de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, não podendo ser considerados como aplicações no fluxo de entradas' e 'saídas' para apuração de variação patrimonial, cabendo à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os depósitos representam efetivamente gastos suportados pelo contribuinte." Na área Judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Concluise, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. (...) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 4 5 Não havendo a caracterização do dolo na instancia tributaria, e sendo ele necessário para a tipificação do enriquecimento ilícito presumido, não há como subsumir a conduta do agente fiscalizador no que vem estabelecido no Art. 9º. VII da Lei N. 8.429/92. Demonstrando, portanto, a grande incoerência jurídica de se transportar a presunção de deposito bancário (omissão de rendimentos) para a improbidade administrativa, com a inversão da presunção de inocência, como se fosse suficiente para configurar o enriquecimento ilícito, sem a comprovação da aplicação sem a inexistência de ato administrativo comissivo ou omissivo. Outro fato em questão observado, na variação patrimonial do Contribuinte, foram valores agregados na declaração do IRPF, campo de Bens, informado por atualização Imobiliária, pos não foi efetivado desembolso numerários pelo autuado para aumento patrimonial, caracterizandose assim Variação Patrimonial a Descoberto, já que o mesmo não precisaria obter qual proventos ou salários para atingir o resultado declarado. Diante das alegações acima é visível que o agente fiscalizador, não procedeu de forma contemplada em Lei, presumindo o fato que por ele só entendeu e aplicando a penalidade da multa de 75% (setenta e cinco por cento), embasado na sua presunção o que torna claramente fragilizado pelos vários vícios o referido Auto de Infração. V O SIGILO BANCÁRIO. O Sigilo bancário e fiscal, é o direito à intimidade e à privacidade, pode ser conceituado, como um dever imposto às instituições financeiras de não revelar as informações e operações que possuem de seus clientes. Ao passo que o sigilo fiscal é direcionado a autoridade fiscal, a qual possui o dever de manter em sigilo as informações relacionadas ao contribuinte, obtidas no desempenho de suas funções. (...) Observase que todo o procedimento desta fiscalização, deuse pela medida e pratica aplicada, sobre a mais ampla e clara QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO, contrariandose assim a Constituição Federal. VI DA NÃO OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. O STJ, por seu turno, afirma que a atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, censurando o ato da administração que não zele com uma equilibrada proporção entre os meios e os fins. Se todas as atitudes da Recorrente demonstram a intenção de evitar ação danosa, não é legal se presumir que houve prática lesiva à sua conduta. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Segundo o acórdão infra transcrito, a autoridade fiscal não tem poder absoluto para rejeitar o que é usual e sensato, pois, se a prática do ato administrativo de punir pela prática lesiva "está vinculada à aferição de existência de "conduta antijurídica", deve o agente administrativo observar os princípios da "razoabilidade e da proporcionalidade". Ora, neste caso, a prática é idêntica. Nesse sentido já se manifestou, e assentou jurisprudência, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consoante o seguinte acórdão: 2. A atuação da Administração Pública, deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado . A Real intenção do Contribuinte é farta e rica nesta matéria, ao identificarmos que o mesmo procurou de boa fé, expor corretamente o seu movimento patrimonial, transcrevendo corretamente em sua declaração do imposto de renda do exercício de 2005. E valido apontar nesta peça processual que, o referido Auto de Infração em apenas 01 (hum) exercícios, ou seja 2005 exercício 2006, apresenta um percentual acima de 100% (cem por cento) do total de seu patrimônio constituído em vários anos acumulativos, com exercícios fiscais anteriores aos exercícios da referida autuação, ora em contestação, que nunca foi rejeitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, visualizandose um ato, Inconstitucional por se tratar de uma autuação de característica e modalidade Confiscatória. (...) Neste sentido o Agente Fiscalizador, conduziuse de forma incorreta em seu procedimento fiscalizatório, utilizando da fiscalização a tributação com efeito confiscatório, conforme dispositivo, que trata da seção de Limitação ao poder de tributar, de forma que tal proibição constitui VEDAÇÃO ABSOLUTA AO EXERCÍCIO DESSE PODER, sendo citado os referidos princípios, para fins de apreciação e julgamento da matéria. Diante das alegações acima é visível que o agente fiscalizador, não procedeu de forma contemplada em Lei, presumindo o fato que por ele só entendeu e aplicando a penalidade, embasado na Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 5 7 sua conclusão, o que torna claramente fragilizado pelos vários vícios o referido Auto de Infração. VII DO EFEITO CONFISCO PRODUZIDO PELA PENALIDADE IMPOSTA Alem de todos os argumentos supra aduzido que demonstram a inconstitucionalidade da exigência fiscal em tela, a multa de 75% aplicada ao pretenso crédito tributário, representa a utilização da tributação com efeito confiscatório. (...) A matéria, portanto, comporta exame pela Administração, na medida em que a norma constitucional é dirigida não ao contribuinte, mas ao legislador e ao administrador publico, que não podem, respectivamente instituir ou lançar tributos que possam provocar o "efeito confisco", até mesmo em face do principio da razoabilidade, que tem sede no devido processo legal assegurado no inciso LIV do art. 5º da CF, e também no principio da moralidade, conforme estatuído no artigo 37, da Constituição Federal. Assim, não pode o administrador deixar de aplicar princípios constitucionais sob a alegação de que o exame de questões atinentes à constitucionalidade que fugiria ao âmbito de sua competência. Os comandos constitucionais vedam a atuação da Administração fora do âmbito do devido processo legal e do principio da moralidade, de forma que se mantida a autuação o que se admite apenas para argumentar, a multa aplicada há de ser afastada ou, pelo menos, reduzida. E claro o manifesto acima e solicito reavaliação, pelo que já expostos, e contidos nas argumentações acima. VIII DA ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE O PROTENSO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O trabalho fiscal aplica ainda ilegitimamente a taxa SELIC para os pretensos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997. (...) IX DA CONCLUSÃO. Verificase que pelo direito de equidade, há fundamento no pedido de revisão, dos itens informados pelo contribuinte, em razão do seu direito legal. É importante ressaltar que a defesa acima apresentada, fundamentase nos termos do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66 e normas especificas que complementam. (...) X NO MÉRITO E DO PEDIDO. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Diante do exposto requer, o Contribuinte Recorrente, que este dignese em admitir o recebimento da presente impugnação, com a acolhida dos argumentos ora apresentados e mediante do que proposto, no sentido de que os referidos débitos sejam suspensos, até apreciação dos elementos apresentados, para que no mérito lhe seja dado provimento, extinguindo o referido Auto de Infração vergastado para fim de: a) PRELIMINARMENTE, que seja considerado extinto o referido Auto de Infração , Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. "O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento", fato claramente visível nesta auditoria a sua ausência, que poderia caracterizar a compra o aquisições sobre estes depósitos. b) caso não seja colhida a preliminar, que seja então considerado como base de calculo os valores reais dos Honorários Advocatícios, cujo percentual fica estipulado entre 5% (cinco por cento) a 10% (dez por cento) do recebido nas ações de terceiros creditados através de depósitos bancários em suas contas correntes, deduzidos já os valores levado para tributação no seu informe do Imposto de Renda 2005/2006. c) sejam excluídas as multas de ofício por terem efeito confiscatório; d) seja excluída a taxa SELIC dos créditos tributários devidos à Fazenda Nacional; e) seja mantida e preservada a real intenção do contribuinte, já identificado pelo agente fiscalizador no processo de auditoria, sendo desconsiderada a existência de dolo ou fraude que configure crime, com base no art. 83 da Lei n. 9.430/1996, ficando suspenso qualquer possível inquérito ou procedimento criminal, baseado no Artigo acima mencionado, pelo qual o Superior Tribunal Federal, espancou qualquer duvida e se posicionou no sentido de que não haverá processo criminal antes do encerramento do procedimento administrativo que constitua obrigação tributária líquida e certa. A 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 6 9 sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. EXTRATO BANCÁRIO NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Lei complementar 105, de 10/01/2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtêlas, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei nº 9.430, de 1996. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. O princípio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Intimado da decisão de primeira instância em 05/12/2011 (fl. 261), Kleber Kleper Ferro Leite Filho apresenta Recurso Voluntário em 03/01/2012 (fls. 262 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2005. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira questiona a quebra do sigilo bancário e a segunda diz respeito a inobservância aos princípios constitucionais da tipicidade, proporcionalidade, razoabilidade e vedação de confisco. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, impende registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, esse Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) No caso em apreço, constatase que as Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º que também estão claramente presentes nos autos. Com efeito, verificase que o recorrente foi intimado a fornecer seus extratos bancários, no entanto, silenciouse, razão pela qual não restou outra opção a fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Ressaltese que de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, não vislumbro, neste aspecto, nenhum vício no afastamento do sigilo bancário do contribuinte. Em relação à alegação de ofensa aos princípios constitucionais da tipicidade, proporcionalidade, razoabilidade e vedação de confisco, cumpre esclarecer que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias, conseqüentemente, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Citase a Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 7 11 Assim, também quanto a este ponto, não há falar em vício no procedimento fiscal. No mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida do contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Não se pode olvidar que a utilização da figura jurídica da presunção legal para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do art. 212, IV, do referido Código: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei) O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 tem como embasamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O entendimento supra foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional2. Assim, diferentemente do que alega o recorrente, existe base fática e jurídica para a constituição da exigência, pois a presunção legal contida no artigo 42, citado, é de caráter relativo e exige apenas a presença de depósito de origem não comprovada para fins de lançamento do valor como rendimento tributável omitido, sendo, desnecessário comprovar o consumo da renda e/ou sinais exteriores de riqueza. É neste sentido a Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Passando às questões pontuais de mérito alega o suplicante, em apertadíssima síntese, que é operador do direito e que contrata outros advogados para a prestação de serviços jurídicos. Assevera, ainda, que apenas 5 a 10% dos valores movimentados nas contas bancárias representam rendimentos tributários próprios e os demais valores são de propriedades de terceiros, que automaticamente são repassados aos litigantes e aos demais colegas contratados. Pois bem, em que pese o esforço do recorrente no sentido de justificar os recursos aportados em seu movimento bancário, entendo, pois, que por total ausência de prova da origem dos depósitos, não há como acolher a supracitada alegação. Analisando detidamente os autos, verifico que não há sequer um documento comprobatório capaz de corroborar com os argumentos do recorrente. Com efeito, deveria o suplicante, para comprovar suas alegações, vincular os depósitos bancários com os serviços prestados estabelecendo, assim, uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor. Portanto, não é possível aceitar a comprovação de forma genérica, com indicação de uma receita ou de um percentual sobre a movimentação financeira (5 a 10%) a justificar todos os créditos havidos em suas contas bancárias. Ressaltese que o contribuinte movimentou, a título de créditos de origem não comprovada, mais de dois milhões de reais no anocalendário 2005 (R$ 2.138.877,41). Contudo, em sua DIRPF 2005, consigna rendimentos tributáveis totais auferidos de Pessoas Jurídicas no valor de R$ 69.000,00. Frisese que as decisões judiciais trazidas à colação, relativamente a Súmula nº 182 do antigo TRF, ocorreram sob vigência da Lei nº 8021/1990, não sendo mais aplicáveis aos dias atuais. A mudança do estado de direito da matéria se fez através da Lei n° 9.430/1996, que concedeu aos depósitos bancários força jurídica para suportar o lançamento. Afastar esta assertiva dependeria do recorrente que é quem detém, com propriedade, a verdade e as provas dos fatos. Em relação à obrigatoriedade de manter registros contábeis para a comprovação dos depósitos feitos em suas contas, esclareçase que a partir da edição da Lei nº 9.430/1996, o sujeito passivo estava ciente de que deveria manter em seu poder, pelo prazo em que a Secretaria da Receita Federal – SRF pudesse exercer o direito de constituir o crédito 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10320.001480/200911 Acórdão n.º 2201002.027 S2C2T1 Fl. 8 13 tributário pelo lançamento, as informações e os documentos necessários a comprovar a origem dos depósitos feitos em suas contas bancárias. O que não significa manter escrituração contábil tal qual as pessoas jurídicas, mas sim o mínimo de organização que lhe permita informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que circulam pelas suas contas bancárias. Como se vê, fundamenta o recorrente sua defesa, basicamente, em questões de direito, não se manifestando quanto às questões de fato, deixando de apresentar as provas da origem dos recursos dos depósitos em suas contas correntes, sendo que são estas, tão somente, que podem afastar a exigência. Portanto, não se constatando nos autos qualquer prova documental contrária, correta a tributação dos valores como renda omitida. Por fim, a exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. No mesmo sentido, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios, conforme Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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