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4643548 #
Numero do processo: 10120.003422/00-06
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPJ- REDUÇÃO DO IMPOSTO- SUDAM- Correto o cancelamento do auto de infração relacionado com o benefício fiscal na área da SUDAM, quando está provado nos autos que a contribuinte tinha direito à redução do imposto devido, com base no lucro da exploração de seu empreendimento localizado na área da SUDAM, e que motivou a exigência. Recurso de ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 101-96.274
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni

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Recurso de ofício a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pela 4° Turma de Julgamento da DRJ em Brasília — DF. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. L 3r SANDRA MARIA FARONI PRESIDENTE EM EXERCÍCIO E RELATORA FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ, CAIO MARCOS CÂNDIDO e VALMIR SANDRI e ROBERTO WILLIAM GONÇALVES e MARCOS VíNICIUS BARROS OTTONI (Suplentes Convocados). Ausente justificadamente o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR. Processo n° 10120.003422/00-06 Acórdão n° 101-96.274 Recurso n°. : 145.077 (ex officio) Recorrente : 4° Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia RELATÓRIO Contra a empresa Telecomunicações de Goiás S/A - TELEGOIÁS foi formalizado o auto de infração de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) do exercício 1996, ano-calendário 1995. O lançamento foi formalizado pelo auditor nos trabalhos realizados na Malha Fazenda 1996. A infração à legislação tributária apontada no auto de infração diz respeito ao valor declarado na Ficha 29, linha 24, da DIRPJ, no período de maio a dezembro do ano-calendário 1995, como redução do imposto (área de atuação da SUDAM). A autuada impugnou tempestivamente a exigência, dando origem ao litígio. Submetido a julgamento, a 4° Turma da DRJ em Brasília decretou a nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo, interpondo recurso de oficio. Constou do voto condutor que "o auto de infração questionado deveria ter sido lavrado em nome da Brasil Telecon S/A CNPJ N.° 76.535.764/0001- 43 , sucessora, por incorporação, da Telecomunicações de Goiás S/A - Telegoiás, n.° 01.571.256/0001-11, incorporada, uma vez que essa (empresa autuada) na data da lavratura do auto de infração não mais existia no mundo Jurídico", e que "extinta a empresa, essa não mais existe no mundo jurídico, de maneira que não se pode mais lhe atribuir direitos e obrigações". Esta Primeira Câmara deu provimento ao recurso de ofício ponderando que: (a) a impugnação foi remetida para o endereço que era a sede da Telegoiás, e que atualmente pertence à sucessora, Brasil Telecom, embora não seja o de sua sede; (b) a impugnação foi tempestivamente apresentada pela sucessora, em nome da sucedida ( petição em papel timbrado da Brasil Telecom, informando que a Telegoiás fora por ela incorporada e subscrita em nome de incorporada e incorporadora); (c) a incorporadora, que sucedeu a autuada em todos os direitos e obrigações, deu-se por Intimada; (d) Brasil Telecom atendeu as intimações durante r2 Processo n0 10120.003422/00-06 Acórdão n° 101-96.274 o procedimento de diligência a pedido da Delegacia de Julgamento; (e) o sujeito passivo, que na ocasião da ocorrência do fato gerador era a Telegoiás, com a incorporação passou a ser a incorporadora, Brasil Telecom, e o fato de constar seu nome no campo do auto de infração destinado à identificação do sujeito passivo não constitui vício suficiente para macular de nulidade o lançamento. O processo retomou à DRJ em Brasília e a 4 1 Turma de Julgamento julgou improcedente o lançamento, recorrendo de ofício a este Conselho. É o relatório. 3 Processo n° 10120.003422/00-06 Acórdão n° 101-96.274 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portada MF 333/97, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Conheço do recurso. A decisão recorrida deve ser confirmada pelos seus bem lançados fundamentos. De fato, o auto de infração resultou de revisão interna da declaração, se diz respeito ao valor informado a titulo de benefício de redução do imposto na área de atuação da Sudam. Conforme constou da decisão recorrida, antes da lavratura do auto de infração a empresa foi intimada a comprovar as informações relativas ao valor informado como redução do imposto, apresentar balanço e demonstrações e ato legal do reconhecimento do benefício. Todas essas requisições foram atendidas, porém não consta dos autos que a autoridade fiscal tenha examinado a documentação apresentada. As demonstrações, documentos e memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte atestam que ela tinha direito à redução do imposto e confirmam os valores informados na declaração. Dessa forma, comprovado que à época da lavratura do auto de infração a contribuinte possuía o direito ao gozo da redução do imposto, e não demonstrado pela fiscalização que os valores deduzidos estão incorretos, improcedente o lançamento formalizado em decorrência da revisão interna. Nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, DF, em 09 de agosto de 2007 -.' 4 9 -, SANDRA MARIA FARONI 4 Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1

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4648346 #
Numero do processo: 10240.000706/2003-53
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ITR/1999. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na IN-SRF nº 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 1º da IN-SRF nº 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1º, da Lei n.º 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 303-33.543
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Marciel Eder Costa

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A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa à área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1', da Lei n.° 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do UR. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANELIS ; DAUDT RI O Presidenti,C MARCIELL DE CO Relator f Formalizado em: ' ' ' • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Lrz Bartoli, Nanci Gama, Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente) e Tarásio Campeio Borges. Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. DM Processo n° : 10240.00070612003-53 Acórdão tf :30.3-33.543 RELATÓRIO Pela clareza das informações prestadas, adoto o relatório proferido pela DRJ- RECIFE-PE, o qual passo a transcrevê-lo: "Contra o contribuinte acima identificado fbi lavrado o Auto de 10-ação de .fls. 01/09 no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1999, relativo ao imóvel denominado "União de Baixo", localizado no município de Porto Velho - RO, com área total de 3.712,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 1754702-4, no valor de R$31.913,20 (trinta e um mil, noventos e treze reais e vinte centavos), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$76336,3 7 (setenta e seis mil, trezentos e trinta e seis reais e trinta e sete centavos). 2. Foi expedida a intimação de fls. 14, pela qual o contribuinte .foi intimado a apresentar documentos que comprovassem as áreas de preservação permanente e de utilização limitada por ele informadas na DITR/1999.. Ciência em 02/06/2003, conforme AR de fls. 15, 3. Em atendimento, o contribuinte apresentou a carta-resposta de [is. 16 e os documentos delis 17/24. 4, No procedimento de análise e verificação das inlbrmações declaradas na DITR/1999 e dos documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação . fiscal, conforme Termo de Constatação e Verificação de lis. 07, a fiscalização apurou a seguinte infração: - .falta de recolhimento do 1TR, em virtude de glosa dos valores declarados a título de área de preservação permanente e de área de utilização limitada, em decorrência da ausência da documentação coniprobatória prevista na legislação.. 5. Ciência do lançamento em 17/07/2003, confbrme AR de lis. 02- verso. 6.Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 06/08/2003, a impugnação de fis.29/43, arando, em síntese,' I - que o .sentido do disposto no art. 10„s'Ç I', inciso I , a Lei n° 2 • Processo n° : 10240,000706/2003-53 Acórdão Tf : 303-.33,54.3 9.393/1996, é o de evitar a incidência de tributação sobre áreas de uso limitado pelo contribuinte, pois é justo eximir o proprietário quando ele está impossibilitado de usar sua área; II - que o beneficio fiscal previsto no ars`, 10 da Lei n° 9 393/1996 é uma isenção e não hipótese de não-incidência tributária,' lii - que a isenção em tela, bem como os requisitos para sua !tinção, devem estar consignados em lei ordinária proveniente da entidade tributante, conforme art, 176 do CTN, IV - que a Lei n° 9.393/1996, ao definir a isenção do ITR para os imóveis declarados como de preservação permanente e de utilização limitada, não estabeleceu o prazo de seis meses, a contar da data de entrega da DITR, para a piatocolização de requerimento de ADA junto ao Ibama, razão pela qual a Instrução Normativa SRF n° 43/1997 e demais posteriores que ti atam do tema são flagrantemente ilegais; V - que o único requisito legal para a outorga da isenção .1bi devidamente preenchido com a apresentação do ADA, com a certidão de inteiro teor de n° L651, do livro 3- ,D, e COM a cópia do Parecer Técnico n° 006/GAZ/SEDAM (anexas); VI - que as instruções normativas não podem ser entendidas como lei em sentido estrito para fins de trazer requisitas isencionais; VII - que o único requisito previsto em lei para o gozo da isenção era a comprovação, sem qualquer menção de prazo, das áreas de preservação permanente e de utilização limitada através de ADA, sendo que a já citada Medida Provisória n° 2,166-67, que tem aplicação pretérita, eximiu o contribuinte de apresentar prévia comprovação da DITR,. V111 - que a jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes confirma referido entendimento, IX" - que o Governo do Estado de Rondônia editou a Lei Complementar n° 52/1991, criando o "zoneamento sócio- econômico-ecológico", instrumento básico das diretrizes, do planejamento e da orientação política governamentais, necessários ao desenvolvimento harmônico e integrado do Estado nas áreas social, econômica e ecológica; X - que o Imóvel "São Raimundo" locak.Za-se eni - itrea-4e interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, de ac rc o com a 3 Processo nu : 10240,000706/2003-53 Acórdão n u : .303-33.543 referida Lei Complementar,- XI - que o citado imóvel é beneficiário da isenção do 1TR, por estar localizado na zona 4, de restrição ambiental, do zoneaniento sócio- econômico-ecológico do Estado de Rondônia, contai-me requerimento do ADA junto ao Mama, Parecer Técnico da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Governo do Estado de Rondônia, Declaração do Instituto Nacional de colonização e RefOrma Agrária (Mera), certidão da Comarca de Porto Velho enquadrando .50% do imóvel como área de preservação florestal, e certidão de inteiro teor onde se constata a averbação da área como de reserva legal à margem da inscrição da matrícula no registro de imóveis sob o n° 1.651 (documentos em anexo); XII - que as áreas abrangidas pela zona 4 têm o seu desmatamento restrito à auto-sustentaç'ão da comunidade extrativista, confarme disposto no art. 2', inciso IV, da Lei Complementar n° 52/1991, que limita o desmatamento a 5,0 (cinco) ha por unidade produtiva,' VII - que é ilegal a utilização da taxa Selic a título de juros moratórias, citando posicionamento do Superior Tribunal de Justiça; XIV - que, com o advento da Lei n° 9.784/1999, não é mais cabível que se argumente que as alegações de ilegalidade de preceitos normativos não podem ser aventadas na esfera administrativa; XV - que sejam aplicados ao lançamento os juros mensais de 1% ao mês, previstos no art. 161, áç 1°, do CTN; XVI - que a multa de alicio somente é devida se houver dolo ou simulação, citando Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes. Cientificado em 26 de março de 2004 da decisão de fis,113-129, a qual julgou procedente o lançamento, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fis.134-179) em 22 de abril de 2004, onde, em apertada síntese, alegou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por afronta aos princípios do contraditório e ampla defesa e, no mérito, tratar-se de isenção e não hipótese de não- incidência, insurgindo-se também quanto ao arrolamento de bens (fls,175-179) ocorrido de oficio (quando deveria ter sido realizado pelo contribuinte) e que ultrapassou o valor de 30% da exigência fiscal devida pre ,Qsto art, .3.3 do Decreto 70235/72, reiterando, ainda, todos os demais argumentos da impurmço neste já relacionados, , 4 Processo n" : 10240,000706/2003-53 Acórdão IV : 303-33 543 Subiram então os autos a este Colegiado, tendo sido distribuídos, por sorteio, a este Relator, em Sessão realizada no dia 20/06/2006 É o relatório, 5 Processo n° 10240,000706/2003-53 Acórdão n" : 30.3-.33,543 VOTO Conselheiro Mar ciei Eder Costa, Relator Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por ser tempestivo e por tratar de matéria da competência deste Conselho. Consiste a presente lide na glosa procedida pela autoridade fiscal na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural 1999, entendendo a 1" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal pela procedência do lançamento, tendo em vista não ter sido comprovada a área de preservação permanente por Ato Declaratório Ambiental — ADA ou por protocolo de requerimento desse ato no prazo de seis meses contado da data da entrega da DIRT, nem ter sido procedida a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador do referido imposto. O Recorrente questiona a legalidade do lançamento efetuado mediante o auto de infração, argumentando que, considera dispensável a apresentação do ADA para comprovar a área declarada como de preservação permanente, bem como a área de Reserva Legal por averbação na matricula do imóvel. A matéria dos autos ficou delimitada pelo Ilustre Relator da primeira instância da seguinte maneira (fl.] 21): Assim, em que pese o contribuinte instruir os autos com vários documentos, entre eles o Parecer Técnico de lls.69, resta claro que não se discute, no presente processo, a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e de utilização limitada_ O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. Seja pela ausência do ADA ou pela entrega do mesmo em atraso, seja, ainda, pela averbação da área de reserva legal extemporânea, assiste razão ao Contribuinte, Vejamos. A Lei IV 9,393/96 (art.10,§1",i1) e seu Decreto regulador de n" 4,382/2002 (art,10) estabelecem determinadas áreas que não serão consideradas para fins do 1TR: - de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, cujo conceito encontramos nos arts, 2° e .3° da Lei IV 4.771, de 15 de se embrõ-dQ965 - Código Florestal - com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989Tkt. a; 6 Ç-S"-) Processo ri' : 10240,.000706/2003-53 Acórdão n" : 303-3.3.54.3 :.... II - de RESERVA LEGAL, definida no art. 16 do Código Florestal (Lei n°4.771/65) com a redação dada pela Medida Provisória n°2166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1'; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n" 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n" 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n" 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n° 2,166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1", inciso II, alínea " b" ); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1", inciso II, alínea " c" ). A teor do artigo 10, §7" da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2,166-67/2001, cuja aplicação pretérita encontra respaldo no art. 106 do CTN, basta a simples declaração do contribuinte para a isenção do 1TR sobre às áreas acima relacionadas_ Só haverá pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade da referida declaração, „y; 7' 4 declaração para . fim de isenção do 1TR relativa as áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § l', deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso .fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis (destaque nosso) :„..... ,,. ,:.:...:....:...,-: A glosa da fiscalização ocorreu em virtude do contribuinte não ter .... apresentado o ADA no prazo de seis meses contados da data da entrega da DITR. Entretanto, parece de maior importância a efetiva comprovação da área de Preservação Permanente por meio de provas idôneas, do que o simples registro da mesma junto ao órgão ambiental, que nem sequer dispõe de estrutura para fins de fiscalização das quantidades físicas alegadas pelo contribuinte. Ademais, se há que se exigir o referido ADA em obediência ao Princípio da Estrita Legalidade, que se faça a partir da publicação da Lei 10,165/2000, que adotou a utilização do ADA para efeitos de exclusão das áreas de preservação permanente, mas não em relação aos fatos gera 'es de,1.999. , No mesmo rumo que a área de Reserva Permanent restou incontroverso nos autos que a área de Reserva Legal, esulada . em 50°/r(cinqüenta 7 ------ • r---- .,., Processo n" : 10240.000706/2003-53 Acórdão n" ..303-33.54,3 por cento), existia e estava preservada à época do fato gerador do tributo que aqui se discute, ou seja, em 01/01/1999. Tal fato resta evidenciado e efetivamente comprovado pela cópia da matricula de f1.67. A glosa da fiscalização ocorreu em virtude do contribuinte não ter efetuado referida averbação até o momento do fato gerador. Todavia, tem-se corno certo que a manutenção da área de Reserva Legal de 50% da propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal está prevista no art. 16, §5" do Código Florestal, Lei n° 4,771, de 15/09/65, com suas posteriores alterações. Não se pode desconhecer que a condição de "área de reserva legal" não decorre nem da sua averbação no Registro de Imóveis, nem da vontade do contribuinte, mas de texto expresso de lei. Também é fato inconteste que a fita da averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel não desobriga o contribuinte de respeitá-la e, por conseguinte, aproveitar-se das deduções fiscais. Se houve algum descumprimento de norma pelo Recorrente, em relação à questionada averbação na matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis, ou mesmo a obtenção do ADA fora do prazo, trata-se, efetivamente, de procedimento acessório, que não pode implicar, certamente, na imposição de tributo, multas punitivas, etc. Existindo tais áreas, não tendo ficado comprovada qualquer falsa declaração do Contribuinte, há que se promover a apuração do ITR, excluindo-se as mesmas da tributação, independentemente de qualquer procedimento acessório (averbação no Registro de Imóveis, emissão de ADA, etc.). Esta colenda Câmara já manifestou posição, afastando a exigência da apresentação do ADA, no prazo pretendido pelo fisco de seis meses da entrega da DIRT ou a averbação na matrícula do imóvel quando do fato gerador para as áreas de reserva legal, se restou comprovada a efetiva existência de tais áreas, como no caso dos autos. A primeira e a segunda Câmara seguem o mesmo rumo. ITR/1998. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DE ADA, A isenção quanto ao ITR independe de prévia comprovação das áreas declaradas. Não encontra base legal a exigência de requerimento de ADA ao IBAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR. No caso concreto não foi contestada a existência da área de preservação permanente peia fiscalização ou pela decisão recorrida. Houve comprovação documental da existência da área., (..,) (Acórdão 303-33181, Rei. Zenaido (-1-_-oibman, julgado em 25/05/2006, processo n" 10620.001323/2002-47, 3 4- âmara) „ 8 Processo n' : 10240,000706/200.3-5.3 Acórdão n" : 303-33.543 - ITR/1997. NÃO AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL, FALTA DE PROTOCOLO DE. REQUERIMENTO DE ADA, A isenção quanto ao 1TR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. A exigência de requerimento de ADA ao IBAMA corno requisito para o reconhecimento . de isenção do 1TR não encontra base legal. No caso concreto foi demonstrada a existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente através de provas documentais idôneas. Recurso Provido (Acórdão 303-32552, Rel Zenaldo Loibman, julgado em 10/1112005, processo n' 10680.010798/2001-39, .3" Câmara). 1TR EXERCÍCIO 1999. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, A obrigatoriedade de apresentação do ADA corno condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de reserva legal e de preservação permanente, teve vigência apenas a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 17-0 da Lei n" 6.938/81, na redação do art. 1" da Lei n" 10..165/2000. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Constatada a apresentação de laudo técnico que comprova a existência de área de preservação permanente. Efetuada a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, é lícita a redução dessa área da incidência do imposto, visto que a lei não estabeleceu corno condicionante que a averbação seja providenciada até o momento de ocorrência do fato gerador do imposto. RECURSO PROVIDO (Acórdão .301-32384, Rel. José Luiz Novo Rossari, processo n°11075002216/2003-11, 1" Câmara).. GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (ÁREA DE RESERVA LEGAL, ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL E ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO). LANÇAMENTO DECORRENTE. DE, - DIFERENÇAS CONSTATADAS ENTRE DADOS INFORMADOS NA DITR E NO ADA. A rigor não há nenhuma superioridade em termos de credibilidade entre a declaração de ITR (DITR) apresentada pelo contribuinte à SRF e as informações fornecidas pelo mesmo ao IBAMA por ocasião do protocolo do pedido de Ato Declaratório Ambiental. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, inclusive revestidos das formalidades legais, que comprovam serem as utilizações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento corno efetivado pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão n"02-37646, Rei. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, 'ulga b. rei20/06/2006, processo n" I 0855,004782/2003-18, 2" Câm ra). (.,,,..a 9 Ç----VÇ--------------_, çj Processo IV : 10240A00706/2003-53 Acórdão n° : 303-31543 Por tais razões, merecem guarida as alegações do Contribuinte, sendo que pela procedência das questões principais — área de Preservação Permanente, ADA e Reserva Legal —, fica afastada a análise das questões de fundo veiculadas no Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para descartar a exigência da apresentação do ADA, bem como da averbação da área de Reserva Legal, para fins de isenção do 1TR- Imposto Territorial -,Rural Sala das éssões,7 21 „de setembro de 2006. • i " v ,, \ "i'n Y 1 1 .' ) ti ) t 'i; riRCIEL' D á ' '0 TA - Relat r \ 1 , :. 1()

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Numero do processo: 10120.009649/2002-53
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - CAPACIDADE DO AGENTE FISCAL – Não inquina de nulidade o lançamento, por eventuais incorreções apuradas no Mandado de Procedimento Fiscal, porquanto, o Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – ARBITRAMENTO – Caracteriza-se omissão de receitas e procede ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando devidamente comprovado pela fiscalização, o descompasso de receitas escrituradas nos livros fiscais e o efetivamente declarado para efeito de base de cálculo do imposto de renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – PIS/REPIQUE – Em se tratando de contribuições calculadas com base em lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, a exigência para sua cobrança é reflexa e, assim, a decisão de mérito prolatada em relação ao processo principal (IRPJ), constitui prejulgado na decisão relativa às contribuições, devido à relação de causa e efeito que os une. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – MAJORAMENTO DA MULTA- Incabível o agravamento da multa de ofício em 50%, concomitantemente com o arbitramento do lucro procedido pela fiscalização, por não ter o contribuinte exibido à fiscalização os livros comerciais e fiscais solicitados. Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 101-94.360
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para excluir o agravamento da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Valmir Sandri

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Recorrida : 2a. TURMA DA DRJ/BRASíLIA-DF Sessão de : 10 de setembro de 2003 Acórdão n°. : 101-94.360 NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - CAPACIDADE DO AGENTE FISCAL — Não inquina de nulidade o lançamento, por eventuais incorreções apuradas no Mandado de Procedimento Fiscal, porquanto, o Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — ARBITRAMENTO — Caracteriza-se omissão de receitas e procede ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando devidamente comprovado pela fiscalização, o descompasso de receitas escrituradas nos livros fiscais e o efetivamente declarado para efeito de base de cálculo do imposto de renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS/REPIQUE — Em se tratando de contribuições calculadas com base em lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, a exigência para sua cobrança é reflexa e, assim, a decisão de mérito prolatada em relação ao processo principal (IRPJ), constitui prejulgado na decisão relativa às contribuições, devido à relação de causa e efeito que os une. LANÇAMENTO DE OFÍCIO — MAJORAMENTO DA MULTA- Incabível o agravamento da multa de ofício em 50%, concomitantemente com o arbitramento do lucro procedido pela fiscalização, por não ter o contribuinte exibido à fiscalização os livros comerciais e fiscais solicitados. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SANTA CRUZ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.. , Processo n°. : 10120.009649/2002-53 2 Acórdão n°. : 101-94.360 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para excluir o agravamento da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / EDION P1RA9SRIGUES --- PRESIDENTE i ,,o.,------.......—...,— 'ALMI: _• IDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 1 7 ni_rf 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: PAULO ROBERTO CORTEZ, KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, RAUL PIMENTEL, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 3 Acórdão n°. : 101-94.360 Recurso n.: 135311 Recorrente: SANTA CRUZ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. RELATÓRIO Trata o presente recurso do inconformismo da empresa SANTA CRUZ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. — CNPJ n. 02.114.686/0001-77, de decisão da 22. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BRASÍLIA-DF, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento de fls.7101725, referente à exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social, cujos fatos geradores ocorreram nos anos-calendário de 1999 a 2002. O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurada a seguinte irregularidade: 001 — PIS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — PIS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS). Em síntese, exige-se da Recorrente, diferenças entre a contribuição ao PIS devida e a efetivamente recolhida e/ou declarada em DCTF, com fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 1999 a setembro de 2002, apuradas com base nos Livros de Apuração de ICMS, obtido junto ao Fisco Estadual, tendo em vista que a contribuinte não forneceu à fiscalização os livros solicitados A multa de ofício foi majorada em 50%, porque a empresa ignorou e não respondeu o Termo de Início de Ação Fiscal, assim como a várias intimações fiscais. Além de majorada, a multa também foi qualificada, tendo em vista o disposto no inciso I, do art. 2°. da Lei n. 8.137/90 (apresentação de declaração falsa). Intimada da exigência, impugnou o feito às fls. 746/785, alegando, preliminarmente, as mesmas razões do processo principal (Proc. 10120.009650/2002- Processo n°. : 10120.009649/2002-53 4 Acórdão n°. : 101-94.360 88-IRPJ), ou seja, vícios do Mandado de Procedimento Fiscal, por não ter sido prorrogado em tempo hábil, não ter sido fornecido após o primeiro ato de ofício o demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF e ter sido a autuação de períodos de apuração diverso dos fixados no MPF. Entende que, não tendo sido entregue o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, após cada prorrogação, o auto de infração é nulo de pleno direito, porque em desacordo com a Portaria SRF n. 3.007/01. Assevera que os Autuantes lançaram tributos não abraçado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, que só compreendeu o IRPJ (e decorrentes, por força do art. 9°), até porque, em nenhum momento foi emitido MPF-C para inclusão de tal contribuição. Alega também que foi autuada em domicilio fiscal que não o seu, de vez que, tendo alterado seu domicilio fiscal para a cidade do Rio de Janeiro, a fiscalização, por ato arbitrário, alterou de ofício seu domicilio fiscal para a cidade de Goiânia. Desta forma, entende que a DRJ competente para julgamento da sua impugnação é a da cidade do Rio de Janeiro, onde possui domicilio fiscal. No mérito, entende descabida a exasperação da multa de ofício para 225%, ante a impossibilidade de cumprimento da intimação para a apresentação dos livros, porquanto, os mesmos encontravam-se em poder do fisco estadual. Em relação à majoração da multa de 150%, alega que não ocorreu no presente caso a caracterização de crime, pois não houve divergência, sistemática e reiterada, entre as notas fiscais emitidas e as escrituradas nos livros fiscais e contábeis, ou omissão de receitas pela falta de documentos fiscais. Alega equivocado o procedimento da fiscalização em optar pelo levantamento da base de cálculo da contribuição a partir de extratos eletrônicos Processo n°. : 10120.009649/2002-53 5 Acórdão n°. : 101-94.360 supostamente fornecidos pelo fiscal estadual, por afrontar a legislação vigente, uma vez que planilhas eletrônicas não se constituem, por si só, de documentação suficiente para o mister, porquanto, o PIS possui fato gerador e base de cálculo distinto do ICMS. Entende que para o presente caso deve ser aplicado subsidiariamente, no que couber, o critério para apuração do IRPJ e da CSLL, especialmente quando a receita bruta seja desconhecida, ou seja, o artigo 51 da Lei n. 8.981/95, como também, deverá se adotada uma das alternativas enumeradas no art. 535 do RIR199. Ao final, alega que a copia dos supostos livros fiscal acostado aos autos não pode ser atribuída a movimentação da Impugnante, porquanto, a pretensa autenticação ali constante não tem o condão de dar certeza quanto a possíveis adulterações ou montagens, até porque a certificação foi realizada pelos fiscais ! autuantes, parte interessada no processo. Assim, alega, em face de divergência entre uma suposta declaração apresentada ao Estado, a DIPJ apresentada ao fisco federal e punhado de cópias sem autenticação de tabelião, relativa a apuração de ICMS, não é capaz de dar certeza quanto à receita bruta da Impugnante, e que em caso de dúvida, deve o auditor aplicar a norma própria que é o art. 51 da Lei n. 8.981/95. Requer desta forma, a improcedência do lançamento, cancelando o auto de infração. À vista de sua impugnação, a 2'. Turma da DRJ/Brasília-DF, julgou procedente o lançamento (fls. 789/806), transcrevendo o voto proferido do processo matriz (Proc. 10120.009650/2002-88-IRPJ), tendo em vista que no presente processo não há outras razões de ordem jurídica que lhe recomenda tratamento diverso, ementando assim a decisão: DECORRÊNCIA — O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento da contribuição com o qual compartilha o mesmo fundamento de fato e para qual não há outras razões de ordem jurídica que lhe recomenda tratamento diverso. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 6 Acórdão n°. : 101-94.360 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ABRANGÊNCIA. Os períodos e tributos objetos de fiscalização são aqueles que constam do corpo do MPF, mais os determinados como verificações obrigatórias, se constarem. LUCRO ARBITRADO BASE DE CÁLCULO IRPJ — RECEITA BRUTA. Nada obsta tomar como receita bruta conhecida os valores contidos em declarações periódicas de informações, apresentadas pela contribuinte ao Fisco Estadual. APLICAÇÃO DA MULTA MAJORADA EM 50% Declarando a menor seus rendimentos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Esta prática sistemática, adotada durante anos consecutivos, caracteriza a conduta dolosa e premeditada. Tal situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n. 4.502/1964. MULTA AGRAVADA. A recusa injustificada de atendimento à intimação fiscal autoriza a aplicação da multa agravada, nos termos da legislação de regência. Lançamento Procedente. Intimada da decisão de primeira instância, recorre a este E. Conselho de Contribuintes (fls. 819/867), aduzindo as mesmas razões de sua peça impugnatória, ou seja: a) vício na prorrogação do MPF e do não fornecimento, após o primeiro ato de oficio praticado junto à Recorrente, do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF; b) da autuação de períodos de apuração diverso do fixado no MPF; c) da constituição de crédito tributário de contribuição não inclusa no Mandato de Procedimento Fiscal; d) do domicilio fiscal da autuada e da competência para julgamento; e) da exasperação da multa de ofício para 225%; f) da impossibilidade da aplicação da multa agravada de 150%; e g)) do arbitramento do lucro e lançamento com supedâneo em extratos eletrônicos. Processo n°. : 10120.00964912002-53 7 Acórdão n°. : 101-94.360 Requer ao final, seja reformado o acórdão da 2 a . Turma da DRJ/BSB, cancelando, em sua totalidade, os lançamentos objetos do presente recurso. Para a garantia de instância, a Recorrente apresenta cópia do Termo de Arrolamento de Bens efetuado para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, no processo n. 10120.001331/2003-13. É o Relatório. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 8 Acórdão n°. : 101-94.360 VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O Recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento, havendo preliminares a serem analisadas. Conforme se verifica do relatório, preliminarmente a Recorrente elenca uma série de supostas irregularidades nos Mandados de Procedimento Fiscal, quais sejam, vício na prorrogação do MPF e do não fornecimento após o primeiro ato de ofício praticado junto à Recorrente, do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, como também, da autuação ter abrangido períodos de apuração diversos do fixado no MPF, e ainda, de ter havido constituição de crédito tributário de contribuição não inclusa no Mandado de Procedimento Fiscal. Ao que pese os esforços despendidos pela Recorrente para invalidar a ação fiscal, tenho para mim, com a devida vênia, que não ocorreu qualquer irregularidade ali apontada na constituição do crédito tributário, porquanto, o lançamento foi praticado por Auditor Fiscal da Receita Federal, cuja competência é derivada diretamente da lei, cabendo a ela, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, sempre que apurar a ocorrência do fato gerador, deverá determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo da obrigação tributário e, sendo a hipótese, impor a respectiva penalidade caso se verifique a ocorrência de infração à lei, sob pena de responsabilidade funcional, tendo em vista ser ato vinculado e obrigatório. Neste sentido, o Auto de Infração praticado contra a Recorrente está perfeito e acabado, pois contém todos os elementos exigidos para a sua eficácia que consubstanciam a sua essência, como previstos nos artigos 142 do CTN e corolário natural da clausula final do art. 3°. do CTN, quando expressa que a prestação tributária é cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada, formalizado nos termos dos artigos 9°. e 23 do Decreto 70.235/72. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 9 Acórdão n°. : 101-94.360 Assim, eventuais omissões em documentos meramente administrativos, no caso, o MPF, que tem apenas a função de dar ciência ao sujeito passivo da obrigação tributária do início do procedimento administrativo-tributário, tirando-lhe assim a espontaneidade, assim como, atribuir condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria, não tem o condão de invalidar o lançamento formalizado de acordo com a lei. Na hipótese, se ocorreu alguma irregularidade em relação aos MPF, sua conseqüência é apenas de ordem administrativa interna, ou seja, podem suscitar responsabilidade administrativa do servidor por agir em desacordo de ordem da autoridade que lhe é hierarquicamente superior, porém, nunca terá força para retirar-lhe a competência para efetuar o lançamento. Não fosse os argumentos acima despendidos que por si só afastam de plano a nulidade argüida pela Recorrente, o fato é que o Decreto n. 70.235/72, que reg ulamentou o processo administrativo fiscal, somente considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do referido diploma legal. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, não há o que se falar em nulidade de ato por ele lavrado no exercício de suas atribuições. Da mesma forma, não pode prosperar suas assertivas de que a fiscalização agiu de forma arbitrária ao alterar de ofício o seu domicilio fiscal. Isto porque, compulsando os autos verifica-se que a fiscalização despendeu todos os esforços no sentido de intimar a Recorrente a apresentar os livros e documentos relativos a sua escrita contábil e fiscal, tendo inclusive, se deslocado de Goiânia para a cidade do Rio de Janeiro, sem conseguir o seu intento, ante as desculpas evasivas da Recorrente. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 10 Acórdão n°. : 101-94.360 Logo, não restou outra alternativa a fiscalização senão alterar de ofício o seu domicilio fiscal, pois se assim não procedesse, estaria, provavelmente, até a presente data tentando localizar e intimar a Recorrente no seu "novo endereço", ante a sua intenção deliberada em não colaborar com a fiscalização, criando para isso uma série de obstáculos "endereços", conforme comprovado nos autos, justificando, portanto a aplicação do disposto no § 2°., art. 127, do CTN, como também o art. 9°, § 30 ., do Decreto n. 70235/72, que previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade fiscal, inclusive em relação ã competência para julgamento. Com relação à exigência apurada com base no Livro Registro de Apuração do ICMS da Recorrente, obtido junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, por intermédio do Convênio de Cooperação Técnica firmado em 04/11/1998, entre a Secretaria da Receita Federal e o Fisco Estadual, argumenta que a fiscalização não poderia ter se valido deste expediente, por tratar-se de meros extratos eletrônicos, pois não ficou comprovado nos autos, a inexistência dos livros ou a recusa de sua entrega. Neste sentido, cabe observar que a lei deu ao contribuinte o direito de optar pela renda real, para efeito de base de cálculo do imposto de renda devido, desde que preenchido as condições legais, ou seja, mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e cumprir com as obrigações fundamentais à correta apuração do lucro real. Por outro lado, a lei determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, no caso de tributação com base no Lucro Real, ou o livro Caixa, na hipótese do regime de tributação com base no Lucro Presumido (art. 47, III, da Lei n. 8981/95). A verdade é que, conforme já, anteriormente, relatado a Recorrente não teve uma, mas várias oportunidades para apresentar os documentos e Processo n°. : 10120.009649/2002-53 11 Acórdão n°. : 101-94.360 livros contábeis e fiscais solicitados pela fiscalização, não o fazendo em nenhum momento, como também não fez qualquer prova na impugnação e agora, em grau de recurso, de que possuía os referidos livros e documentos. O que se vê nos presentes autos são meras alegações, o que demonstra o acerto da fiscalização em utilizar o Livro de Registro de Apuração do ICMS (fornecido pela Recorrente ao Fisco Estadual), para a apuração da efetiva receita da empresa, não se tratando, portanto, de meros extratos eletrônicos conforme alega. Quanto ao agravamento da penalidade, entende a Recorrente que a caracterização do crime só estaria patente se houvesse divergência, sistemática e reiterada, entre as notas fiscais emitidas e as escrituradas nos livros fiscais e contábeis ou omissão de receita decorrente da falta de emissão de documento fiscal. Ora, a vista de toda a documentação acostada aos autos, não resta qualquer dúvida que a atitude da Recorrente, que por anos a fio, de forma sistemática e reiterada, omitiu, deliberadamente, da administração fazendária, parte substancial de sua receita, com o fito de escusar-se ao pagamento do tributo, efetivamente, devido, atitude esta, caracterizadora do elemento subjetivo da conduta dolosa, prevista no artigo 71, inciso I, da Lei n. 4.502/64, porquanto, sua conduta retrata com consistência, fatos suficientes de modo a possibilitar a identificação da prática do delito de sonegação fiscal. Logo, não merece qualquer reforma a decisão recorrida neste item. Por outro lado, com a devida vênia, entendo que merece uma pequena reforma na bem fundamentada decisão recorrida, mais especificamente em relação à majoração da multa de ofício em 50%, por ter a Recorrente se negado a apresentar os livros e documentos solicitados. Processo n°. : 10120.009649/2002-53 12 Acórdão n°. : 101-94.360 Isto porque, conforme se verifica dos autos, a autoridade lançadora procedeu à exigência do tributo com base em Registro de Apuração do ICMS obtido junto ao Fisco Estadual, tendo em vista não ter sido apresentado pela Recorrente sua escrituração comercial e fiscal, embora tenha sido intimada por diversas vezes a fazê- lo. Desta forma, estamos diante de arbitramento pela falta de apresentação à autoridade fazendária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, capitulado no inciso III, art. 530, do RIR199 (Decreto n. 3.000/99), e não pela falta da Recorrente em prestar esclarecimentos, capitulada no § 2°., art. 44, da Lei 9430/96, que por si só não caracteriza elemento fático para o arbitramento do lucro da empresa. Sendo assim, não se justifica a majoração da multa de ofício em razão de a Recorrente ter se escusado em apresentar os documentos solicitados, pelo simples fato desta escusa não caracterizar infração capitulada no art. 959 do RIR/99 (§ 2°., art. 44, da Lei n. 9.430/96), mas sim, ao disposto no inciso III, art. 530, do RIR/99. Logo, comprovada a inexistência e/ou recusa na apresentação dos livros que amparam a tributação com base no lucro real, cabível tão somente o arbitramento do lucro, em regra, mais gravoso, e não a majoração da multa de ofício para 225% que ultrapassa, inclusive, o valor da obrigação principal. De todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso, para excluir a multa majorada. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 10 de setembro de 2003 _ _ktRS À h -RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10166.011894/2002-02
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CSL - ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA - APURAÇÃO DE SUPERÁVIT - NÃO INCIDÊNCIA - O fato gerador da contribuição social é a ocorrência de resultado positivo antes da provisão para o imposto de renda (lucro contábil apurado com observância da legislação comercial). A forma de apuração do resultado (superávit/déficit) previsto na legislação de regência das EPPF (Lei nº 6.435/77 e L.C. nº 109/2001) é incompatível com a forma prevista na legislação comercial, especialmente com a Lei nº 6.404/76 - Lei das S/A. As EPPF, até o ano-calendário de 2001 encontravam-se fora do campo de incidência da contribuição social sobre o lucro e a partir de 1º/1/2002 estão expressamente isentas (Lei nº 10.426/2002, art. 5º). CSL - ALTERAÇÕES DE ALÍQUOTAS - ALCANCE - A elevação da alíquota da CSL, com o advento da ECR nº 01/94 e da EC nº 10/96, atinge apenas as pessoas jurídicas que já eram contribuintes da CSL na forma prevista na Lei nº 7.689/88. A inclusão das EPPF no rol das instituições a que se refere o §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 - Lei Orgânica da Seguridade Social - não significa estar a fundação sujeita à incidência da CSL, haja vista a impossibilidade de atendimento à legislação comercial. Recurso provido.
Numero da decisão: 108-07.735
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José Carlos Teixeira da Fonseca

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A forma de apuração do resultado (superávit/déficit) previsto na legislação de regência das EPPF (Lei n° 6.435/77 e L.C. n° 109/2001) é incompatível com a forma prevista na legislação comercial, especialmente com a Lei n° 6.404/76 — Lei das S/A. As EPPF, até o ano-calendário de 2001 encontravam-se fora do campo de incidência da contribuição social sobre o lucro e a partir de 1°/1/2002 estão expressamente isentas (Lei n° 10.426/2002, art. 5°). CSL — ALTERAÇÕES DE ALIQUOTAS — ALCANCE — A elevação da aliquota da CSL, com o advento da ECR n° 01/94 e da EC n° 10/96, atinge apenas as pessoas jurídicas que já eram contribuintes da CSL na forma prevista na Lei n° 7.689/88. A inclusão das EPPF no rol das instituições a que se refere o §1° do art. 22 da Lei n° 8.212/91 — Lei Orgânica da Seguridade Social — não significa estar a fundação sujeita à incidência da CSL, haja vista a impossibilidade de atendimento à legislação comercial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por FUNDIÁGUA — FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA DA COMPANHIA DE SANEAMENTO DO DISTRITO FEDERAL. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 tut • bua MÁRIO lb , c) El • ÇRANCO JÚNIOR VI E-P DENT NO EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA a • L 410 sÉ CARLOS TEIXEIRA DA FON CA - LATOR FORMALIZADO EM: 20 MAt 2004 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÕSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, JOSÉ HENRIQUE LONGO, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente Convocado) E KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO. 2 . .‘ Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 Recurso n° : 133.660 Recorrente : FUNDIÁGUA — FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA DA COMPANHIA DE SANEAMENTO DO DISTRITO FEDERAL RELATÓRIO O processo originou-se de auto de infração da contribuição sobre o lucro — CSL (fls. 008/020), referente aos exercícios de 1998 a 2002. Da análise dos autos extrai-se o resumo dos fatos: 1)A fundação autuada é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa e financeira, classificada como Entidade Fechada de Previdência Privada (EFPP), conforme previsto em seu estatuto (fls. 039/063). 2) A pessoa jurídica em questão não recolhe a contribuição social, instituída pela Lei n° 7.689/88 e nem se declara devedora de tal contribuição; 3) A entidade adota o plano contábil padrão estabelecido pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social, com registros em quatro programas, intitulados: "Programa Previdencial", "Programa Assistencial", "Programa Administrativo", e "Programa de Investimentos". 4)A exigência fiscal está assim fundamentada: fift de tj\ 3 ' Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 a) a C.F. em seu art. 195 estabelece que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, mediante recursos oriundos dos orçamentos dos entes federativos e de contribuições sociais; b) as entidades de previdência privada fechada estão expressamente relacionadas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 e estão equiparadas às instituições financeiras por força do art. 17 da Lei n° 4.595/1964; c) a Lei n° 7.689/1988, instituiu a contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social, estabelecendo como contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no país e as que lhe são equiparadas pela legislação tributária; d) a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão do imposto de renda (art. 2° da Lei n° 7.689/1988); e) a Emenda Constitucional de Revisão n° 01/1994 e a Emenda Constitucional n° 16/1996 determinaram a majoração das aliquotas da CSL para as pessoas jurídicas relacionadas no art. 22 da Lei n°8.212/1991; f) aplicam-se à CSL as mesmas normas de apuração e de pagamento para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as aliquotas previstas na legislação em vigor (art. 28 da Lei n°9.430/1996); e g)as EPPF estão isentas apenas do IRPJ (art. 175 do RIR/99). 5) O Fisco apurou o resultado contábil por períodos trimestrais entre 1997 e 2001, a partir do "saldo disponível para constituições", com a dedução das "Reservas Matemáticas" e da "Reserva de Contingência", bem assim a soma das reversões das provisões já constituídas. 4 .1 .. • . ' Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 6) Dos resultados assim apurados foram excluídos os valores referentes à "Receita de Dividendos de Ações" e à "Reavaliação Positiva de Imóveis", para alcançar-se as bases de cálculo, antes das compensações; 7) Destes montantes foram compensadas as bases negativas de períodos anteriores, limitadas a 30%, para obter-se as bases de cálculo da CSL, que são positivas para o 3° trimestre de 1997; o 4° trimestre de 1999; o 2° e o 3° trimestres de 2000 e o 2° e o 4° trimestres de 2001, conforme demonstrativos de fls. 022/026. 8) Para a apuração da contribuição devida foi aplicada a alíquota de 18% para 1997 e de 8% entre 1999 e 2001, com adicional de 4% para 1999 e de 1% entre 2000 e 2001 (demonstrativos de fls. 0161019). O contribuinte interpôs impugnação integral ao lançamento (fls. 553/576), cujos argumentos serão convenientemente abordados quando do relato do recurso voluntário. O Acórdão recorrido (fls. 578/584) declarou o lançamento procedente e está assim resumido: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Período de Apuração: 30/09/1997 a 31/12/2001 Ementa: Entidades de Previdência Abertas e Fechadas Com o advento da Emenda Constitucional de Revisão n° 1, de 1° de março de 1994, e das Emendas Constitucionais n° 10, de 4 de março de 1996, o legislador ao exercer o poder constituinte derivado estabeleceu que todas as pessoas jurídicas mencionadas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, aí compreendidas as entidades de previdência privada abertas e fechadas, são contribuintes da CSLL, de que trata a Lei n° 7.689/88, sendo a base de cálculo o resultado do exercício ou um percentual da receita bruta. Falta de Recolhimento Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis da contribuinte, mediante auto de infração, lavrado nos estritos termos da legislação vigente, em 5 ok4411n _ • • Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 consonância com o entendimento expresso em atos da Secretaria da Receita Federal, cuja discussão quanto a constitucionalidade e/ou legalidade, foge à competência do julgador administrativo (artigo 7° da portaria MF 258/2001)." Inconformado com o decidido, a fundação interpôs o recurso voluntário de fls. 588/609, expondo os argumentos que resume em suas conclusões: a)a recorrente, por determinação legal, está proibida de auferir lucros; b)os superávits eventualmente apurados não são distribuídos a seus participantes ou patrocinadores, sendo que o art. 20 da Lei Complementar n° 109/01 determina o destino a ser dado a eles; c)a base da CSLL, prevista na constituição Federal e na Lei 7.689/88, é o lucro real apurado com observância da legislação comercial, ao passo que as EFPPs têm peculiar sistema contábil instituído pela Secretaria de Previdência Complementar, onde a preocupação primordial é manter o equilíbrio financeiro do fundo, não tendo, assim, nenhuma capacidade contributiva; d) não existe legislação que determine a incidência da CSLL sobre os superávits das entidades sem fins lucrativos; e)trata a hipótese de não incidência tributária em relação às EFPPs; f) a Lei Complementar n° 109/01, hierarquicamente superior à Lei 7.689188, determinou no art 69 que sobre as reservas das EFPPs não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza, exceto imposto de renda; e g)a inclusão das entidades fechadas de previdência privada no rol do § 1° do art. 22 da lei 8.212/91, onde as demais figurantes são empresas ou entidades com fins lucrativos, é fruto de um brutal equívoco que fere a coerência e a harmonia 6 ..• • Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 legislativa, ressaltando que jamais as EFPPs poderiam se equiparar às instituições financeiras como referido no Auto de Infração, até porque estão expressamente proibidas a agir como tanto, consoante determinação do Conselho Monetário Nacional, na Resolução n°2.829, art. 61. Ao final, requer igualdade de tratamento com a Fundação Sistel de Seguridade Social, que obteve provimento em recurso que tratou de matéria análoga (Acórdão n° 101-93.942). Para seguimento do recurso foi apresentada relação de bens e direitos de fls. 561/562, correspondente ao total do ativo permanente da fundação. Este é o Relatório. b" 7 Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início ressalto que a fiscalização agiu de acordo com o entendimento da Receita Federal a respeito do assunto. Tanto assim que o Livro de Perguntas e Respostas do IRPJ/2003 (fls. 24/25) chama a atenção para determinadas hipóteses de incidência da CSL, dentre as • quais as entidades de previdência privada fechada (EPPF), como segue: "1) As associações de poupança e empréstimo, as entidades de previdência privada fechada e as bolsas de mercadorias e de valores estão isentas do imposto de renda, mas são contribuintes da CSLL. As entidades de previdência complementar, a partir de 1°/1/2002 estão isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lei n° 10.426/2002, art.5°). 2) As entidades sujeitas a planificação contábil própria apurarão a CSLL de acordo com essa planificação." (Nota após a resposta n° 029). Penso ser incontestável que: a) . as EPPF não se enquadram no conceito de imunidade conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos (C.F., art. 150, VI, "c"), já que para a concessão do benefício pela fundação é necessário o pagamento da contribuição pelo participante; b) para os anos-calendário autuados (1997/2001) as EPPF não estavam isentas do pagamento da CSL, já que passaram a sê-lo apenas a partir de 8 °‘\ • Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 01/01/2002 (art. 50 da Lei n° 10.426/2002, conversão da M.P. n° 16/2001), embora estivessem isentas do imposto de renda (art. 175 do RIR/99); c) as EPPF estão expressamente relacionadas no § 1° do art. 22 da Lei n°8.212/1991 — Lei Orgânica da Seguridade Social; d) com o advento da Emenda Constitucional de Revisão n° 01/1994 e da Emenda Constitucional n° 16/1996 foi determinada a majoração das alíquotas da CSL para as pessoas jurídicas relacionadas no dispositivo legal citado no item anterior; e) a seguridade social deve ser financiada por toda a sociedade, mediante recursos dos entes federativos e de contribuições sociais previstas no artigo 195 da C.F., inclusive as incidentes sobre o lucro. Com base neste último dispositivo constitucional citado foi editada a Lei n° 7.689/99, que instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas e previu que: 1) a contribuição é destinada ao financiamento da seguridade social (art. 1°); 2) a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2°, caput); 3) o resultado do período-base deve ser apurado com observância da legislação comercial e será ajustado por exclusões e adições (art. 2°, §1°, "c"). Os ajustes de exclusão, adição e compensação sofreram modificações ao longo do tempo, como, por exemplo, pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90, mas o ponto de partida continuou sendo o resultado do período, apurado na forma da legislação comercial, o que significa, com observância dos dispositivos da Lei n° 6.404/76, também conhecida como Lei das S/A. 9 Uk Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 Isto implica na adoção de determinados princípios, tais como finalidade lucrativa (art. 2°); escrituração pelo regime de competência (art. 177, caput) e determinação do resultado com o cômputo das receitas ganhas e das despesas incorridas no período, independentemente da sua realização em moeda (art. 187, §1°, alíneas "a" e "b"). Tais conceitos consagrados na legislação comercial e aqui citados apenas a título de exemplo, se chocam frontalmente com os conceitos emanados da legislação de regência das EPPF (Lei n° 6.435/77 e L.C. n° 109/2001, esta a partir de 30/05/2001): 1)a vedação ao lucro (art. 4°, § 1° da Lei n°6.435/77 e art. 31, § 1° da L.C. n° 109/2001); 2)a possibilidade de existência de cláusulas, nos planos de benefícios, prevendo o resgate das contribuições saldadas dos participantes (art. 42, V da Lei n° 6.435/77); 3) a portabilidade do direito acumulado pelo participante para outro plano ou ainda o resgate da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, descontadas as parcelas do custeio administrativo (art. 14, II e III da L.C. n°109/2001); 4) a determinação expressa para a destinação do resultado superavitário dos planos de benefícios (art. 46 da Lei n° 6.435/77 e art. 20 da L.C. n° 109/2001). De modo geral, pode-se afirmar as EPPF adotam o regime de caixa, já que as receitas correspondem às entradas (principalmente contribuições recebidas dos participantes e patrocinadores) e as despesas correspondem às saídas (principalmente benefícios pagos). .k Processo n o :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 A aquisição e a alienação de bens são registradas respectivamente como despesa e receita destas entidades, ao contrário das sociedades comerciais, que efetuam seus registros diretamente em contas patrimoniais. O superávit/déficit técnico apurado no balanço de encerramento de cada período é destinado exclusivamente à constituição/reversão de reservas. Em havendo resultado positivo a EPPF deverá dar-lhe a destinação prevista pelo art. 20 da L.C. n°109/2001: "Art. 20. O resultado superavitário dos planos de benefícios das entidades fechadas, ao final do exercício, satisfeitas as exigências regulamentares relativas aos mencionados planos, será destinado à constituição de reserva de contingência, para garantia de benefícios, até o limite de vinte e cinco por cento do valor das reservas matemáticas. § 1° Constituída a reserva de contingência, com os valores excedentes será constituída reserva especial para revisão do plano de benefícios. § 2° A não utilização da reserva especial por três exercícios consecutivos determinará a revisão obrigatória do plano de benefícios da entidade. § 3° Se a revisão do plano de benefícios implicar redução de contribuições, deverá ser levada em consideração a proporção existente entre as contribuições dos patrocinadores e dos participantes, inclusive dos assistidos." Como se vê a forma de apuração do resultado nas EPPF é totalmente diferente daquela prevista na legislação comercial, ou seja, os conceitos de superávit e de lucro são bastante distintos. Na prática, são inconciliáveis as legislações de regência das EPPF (Lei n°6.435/77 e L.C. n° 109/2001) e das sociedades comerciais (especialmente a Lei das S/A). , Processo no :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 Considerando que o fato gerador da contribuição é a ocorrência de resultado positivo antes da provisão para o imposto de renda (lucro contábil apurado com observância da legislação comercial) concluo que, nos períodos autuados, as entidades de previdência privada fechada encontravam-se fora do campo de incidência da contribuição social sobre o lucro. A elevação da alíquota da CSL, com o advento da ECR n° 01/94 e da EC n° 10/96, atinge apenas as pessoas jurídicas que já eram contribuintes da CSL na forma prevista na Lei n° 7.689/88. A inclusão das EPPF no rol das instituições a que se refere o §1° do art. 22 da lei n° 8.212/91 — Lei Orgânica da Seguridade Social — não significa estar a fundação sujeita à incidência da CSL, haja vista a impossibilidade de atendimento à legislação comercial. Destaco que o entendimento aqui manifestado vai ao encontro da jurisprudência deste Conselho, como se observa das seguintes ementas: "CSLL - BASE DE CÁLCULO — A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei n.° 7.689/88 e alterações posteriores, não alcança, o superávit obtido pelas entidades de previdência privada fechadas. Somente se poderia cogitar de tomar o superávit da entidade, ajustando-o para resultado comercial, quando descaracterizada a finalidade não lucrativa. CSLL - ALTERAÇÕES DE ALíQUOTAS - As alterações de alíquotas da CSLL, ultimadas pelas Leis n°s 8.114/90 e 8.212/91 e pela Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, bem assim pelas Emendas Constitucionais n.°s 10/96 e 17/97 somente se aplicaram às entidades por elas referidas, que já eram contribuintes da CSLL." (Acórdão n° 107-06.703, de 10/07/2002, relato do Conselheiro Luiz Martins Valero). "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA — O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas 12 S. pc Processo n° :10166.011894/2002-02 Acórdão n° :108-07.735 superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na .lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n°8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados." (Acórdão n° 101- 93.942, de 17/09/2002, relato da Conselheira Sandra Maria Faroni). De todo o exposto, manifesto-me por dar provimento ao recurso. Eis como voto. Sala das Sessões - DF, 17 de março de 2004. José Carlos Teixeira da Fonseca kj U\ik 13 Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10240.001071/2001-40
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, cujo Termo de Preservação de Floresta, firmado entre o IBAMA e o Recorrente antes da ocorrência do fato gerador do ITR/97, tendo sido devidamente averbado à margem da matrícula do imóvel, devem ser excluídas da tributação do imposto. O Termo de Preservação de Floresta era o documento hábil utilizado pelo IBAMA para referida averbação, substutuído posteriormente pelo ADA. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36.056
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como área de preservação permanente 50% da área total do imóvel, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fada Júnior, relator, e Paulo Roberto Cucco Antunes. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Walber José da Silva.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Paulo Affonseca de Barros Faria Junior

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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 10240.001071/2001-40 SESSÃO DE : 15 de abril de 2004 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 RECURSO N° : 127.794 RECORRENTE : ISAAC BENAYON SABBA (ESPÓLIO) RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, cujo Termo de Preservação de Floresta, firmado entre o MAMA e o Recorrente antes da ocorrência do fato gerador do ITR/97, tenha sido devidamente averbado à margem da matrícula do imóvel, devem ser excluídas da tributação do imposto. O Termo de Preservação de Floresta era o documento hábil utilizado pelo IBAMA para referida averbação, 1111 substituído posteriormente pelo ADA. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como área de preservação permanente 50% da área total do imóvel, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fada Júnior, relator, e Paulo Roberto Cucco Antunes. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Walber José da Silva. Brasília-DF, em 15 de abril de 2004 • e 411,7122.0 PAULO R or • rUCCO ANTUNES Presidente • arejei° WALBE' JOSÉ D • SILVA 3 a OV 2004 Relator D• si • • do N Participaram, ainda, do pre ente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES èHIEREGATTO, LUIS ANTONIO FLORA, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, SIMONE CRISTINA BISSOTO e LUIZ MAIDANA RICARDI (Suplente). Ausente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL. int MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 RECORRENTE : ISAAC BENAYON SABBA (ESPÓLIO) RECORRIDA : MU/RECIFE/PE RELATOR(A) : PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR RELATOR DESIG. : WALBER JOSÉ DA SILVA RELATÓRIO Em 05/10/2001 foi lavrado Auto de Infração (fls. 01/06) em face do contribuinte acima identificado, tendo por objeto a cobrança do ITR - Imposto sobre a propriedade Territorial Rural, exercício de 1997, do imóvel denominado Estrela e Outros, cadastrado na SRF sob n° 1753452-6 com área total de 16.356,0 ha, formalizando a exigência de crédito tributário no valor de R$ 327.110,00 de imposto, incluindo-se o acréscimo de multa de oficio de 75% no valor de R$ 245.332,50, estribada no Art. 44, I, da Lei 9.430/96 c/c o Art. 14, § 2°, da Lei 9.393/96 e de juros de mora, com fulcro no Art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96, no montante de R$ 250.435,41, totalizando R$ 822.877,91. Em atendimento de intimação de fls. 13 expedida pela Fiscalização, para que o contribuinte apresentasse documentos que comprovassem as áreas de preservação permanente e as áreas de utilização limitada por ele informadas na DITR de 1997, foram juntados documentos. Analisando e verificando as informações declaradas, o agente fiscal lavrou o Auto de Infração, pela apuração da seguinte infração: falta de recolhimento do ITR, por constatar que o contribuinte não poderia ter excluído da tributação as áreas por ele declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, no O montante de 16.356,0 ha. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 50/59 dos autos, alegando: a) que o imóvel localiza-se em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, de acordo com a Lei Complementar Estadual n° 52/91, do Governo do Estado de Rondônia; b) também pelo Parecer Técnico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental, e declaração do INCRA local (documentos acostados), o citado imóvel está localizado na zona 4, de restrição ambiental e zoneamento sócio-econômico- ecológico do Estado de Rondônia; 2 MFNISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 c) que tais áreas, conforme a Lei Complementar citada e o Decreto regularnentador (Decreto n° 6.316/94) tem seu desmatamento restrito à auto-sustentação da comunidade extrativista, limitando a 5,0 ha por unidade produtiva e, portanto, o imóvel está localizado em área de utilização limitada; d) que a alegação do Fisco de que a apresentação do ADA a destempo acarretaria o não reconhecimento da área de preservação permanente, não pode subsistir; e) que toda extensão da terra a que se refere o Auto de Infração está compreendida dentro da área de declarado interesse O ecológico, conforme por ele demonstrado, não havendo que se falar em tributação pelo ITR; O que a lavratura do Al violou o princípio da legalidade, pois não poderia lançar o ITR com base nas IN/SRF 43 e 67, ambas de 1997, se a própria Lei 9393/96 concedeu o beneficio da não tributação para determinadas áreas; g) que a jurisprudência já firmou entendimento no sentido de que um ato normativo não pode criar novas hipóteses de incidência de tributo; h) que a lavratura do Auto de Infração também violou o princípio da razoabilidade, pois o descumprimento de u'a mera formalidade, qual seja, a apresentação, no prazo, de requerimento do ADA junto ao lhama, exigido por um ato normativo, não pode ter como sanção a tributação de uma área Oque é, comprovadamente, não tributável, ficando clara a desproporcionalidade entre a violação e a sanção aplicada. A DRJ/RECIFE, através de sua l' Turma, pelo Acórdão 3.923, de 14/03/2003; (fls. 64/74), que leio em Sessão, julgou procedente o lançamento, dizendo que a exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável, para efeito de apuração de ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo lhama ou por órgão estadual competente, mediante ADA, ou à comprovação de protocolo de requerimento desse àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. As argüições de afronta aos princípios da legalidade e da razoabilidade não são da competência de julgamento pelas DRJs. Diz a decisão, em trecho a fls. 70, item 17: "Assim, em que pese o contribuinte instruir os Autos com vários documentos, entre eles o Parecer 3 k ., _ I MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 Técnico de fls. 19, resta claro que não se discute, no presente processo, a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação". Aduz, ainda, que as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Dentro do prazo legal, às fls. 77/90, tempestivamente e com arrolamento de bens, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que leio em Sessão, no qual repete, basicamente, argumentos expendidos na impugnação, 0 argumentando que o ADA não é documento hábil para comprovar área de preservação permanente, conforme determina a Lei n° 10.165/2000, em seu art. 17-0, que estabeleceu que o ADA é opcional, não devendo a Receita Federal ater-se a excesso de formalismos, mas acatar a realidade dos fatos. Este processo, conforme informação de fls. 99, foi enviado a este Relator. É o relatório. CO 1 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 VOTO VENCEDOR Como relatado, contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração de ITR do Exercício de 1997, incidente sobre o imóvel ESTRELA E OUTROS, NIRF 1753452-6, com área de 16.356,0ha, localizado no município de Nova Mamoré — RO, em face da glosa das áreas declaradas como de preservação permanente (243,0ha) e de utilização limitada (16.113,0ha) e não comprovadas pela Recorrente. Discordo do entendimento do Ilustre Conselheiro Relator de que a autuação se deveu única e exclusivamente pela falta de apresentação do ADA, tempestivamente entregue junto ao IBAMA. O Ilustre Relator não aceita o ADA como elemento de prova e, por esta razão, considera improcedente o lançamento, sem, contudo, indicar quais são as provas dos autos que comprovam a existência das áreas declaradas isentas pela Recorrente. Inicialmente, cabe aclarar que o Fato Gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR do Exercício de 1997 ocorreu no dia 01 de Janeiro de 1997, conforme preceitua o art. 1°, da Lei n°9.393/96, in verbis: Art. 1° O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - rm, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 10 de janeiro de cada ano. (grifei) OA área de utilização limitada a ser excluída da tributação, declarada pela Recorrente, deveria existir, nos termos da legislação ambiental e fiscal, na data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 01 de janeiro de 1997. Compulsando os autos constata-se que na Certidão de Inteiro Teor do Registro de Imóveis de fls. 21 a 26, referente ao imóvel matriculado sob o n° 1651, Livro 3-D, composto de 246 lotes de terras, com área total de 186.438,0ha, sendo que o "imóvel" objeto da autuação está contido na referida área, constata-se que foram realizadas três averbações antes de 01/01/1997 para registrar Termos de Preservação de Floresta e, em 04/05/2001, foi averbado uma retificação da averbação n°08, datada de 18/08/1992. Em procedimento regular de fiscalização, a Receita Federal solicitou que a Recorrente apresentasse os documentos relacionados na intimação de fls. 13, @\_ MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 dentre eles o ADA do IBAMA ou outro órgão ambiental e a Certidão da Matricula do imóvel. Em atendimento à solicitação, a Recorrente apresentou o ADA, recepcionado pelo IBAMA no dia 16/04/2001, Parecer Técnico da SEDAM e a Certidão de Inteiro Teor do Registro de Imóvel. Evidentemente, o ADA foi apresentado fora do prazo previsto no inciso II, § 4°, do art. 10, da IN SRF n° 43/97, não servindo de prova para as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada. Com relação ao Parecer Técnico n° 006/GAVSEDAM de fls. 19, o mesmo atesta que o imóvel ESTRELA, e outros, encontrava-se, até 06 de junho de 2000, "na Zona 4 da primeira aproximação, a qual destinava-se à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo auto-sustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permitia a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio fisico" Tal Parecer Técnico não tem o condão de reconhecer a integralidade da área do imóvel como sendo de utilização limitada e de preservação permanente e, conseqüentemente, exclui-la da tributação do ITR. Com relação à Certidão de Inteiro Teor de fls. 21, constata-se que no dia 18/08/1992, antes da ocorrência do fato gerador do ITR197, foi averbado, à margem da Matricula do Imóvel n° 1.651, Termo de Preservação de Floresta, firmado entre o IBAMA e o Recorrente, onde este se compromete a preservar 50% (cinqüenta por cento) da área do imóvel ESTRELA e outros. Este Colegiado, por reiteradas vezes, tem decidido que o Orequerimento do ADA não é o único meio de prova da existência de áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. A averbação dessas áreas à margem do registro de imóvel em data igual ou anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR, ou o reconhecimento de tais áreas por autoridade ambiental Estadual, mediante Ato Declaratório, tem sido aceito por este Colegiado como prova da existência das referidas áreas, na data da ocorrência do fato gerador. A averbação Av-08/1651, de 18/08/.1992, levada a cabo na matricula do imóvel, relativa a preservação de florestas, foi realizada com base em TERMO DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA firmado entre o IBAMA e o Recorrente. Portanto, este documento era hábil para a referida averbação da área de preservação florestal, em substituição ao ADA. Face ao exposto e por tudo o mais que do processo consta, acolho o Recurso por tempestivo, e, no mérito dou-lhe provimento parcial para considerar 50% 6 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 da área total do imóvel como sendo de preservação permanente, excluindo-o da tributação do ITR. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2004 t ia i 11 WALBE ' I OSÉ DA ILVA — Relator Designado () CO 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 VOTO VENCIDO O Recurso reune condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Não obstante o claro conteúdo e significado deste principio específico do Direito Administrativo, não se pode ignorar, nos presentes autos, que o próprio contribuinte justificou que a discussão acerca da área de preservação permanente não ficou sem questionamento, mas, ao contrário, foi amplamente I discutida, eis que o contribuinte já havia feito a juntada do ADA - Ato Declaratório Ambiental quando solicitado pela fiscalização. Ademais, suscitou o contribuinte que a apresentação deste documento à fiscalização, por si só, refletiria as reais condições do imóvel em relação à área de preservação permanente, segundo o entendimento então expressado pela legislação vigente à época, mas hoje já superada, nos exatos termos do art. 17-0 da Lei n° 10.165/2000, que estabeleceu que o ADA é opcional. A decisão recorrida diz taxativamente, neste caso, que, apesar de o contribuinte trazer aos Autos vários documentos comprobatórios da correção das informações prestadas na DITR, entre eles o Parecer Técnico de fls. 19, repito o que destaquei na apresentação do Relatório: "...resta claro que não se discute, no presente processo, a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O Que se busca é a comprovacão do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislacão referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação". OEm caso assemelhado, acolhi diversos ensinamentos do Douto Sr. Delegado de Julgamento de Florianópolis, DR. CÍCERO P. P. MARTINS, a quem rendo minhas homenagens, mas tendo, quiçá, a petulância de discordar de suas conclusões, mas o ordenamento de seu raciocínio é brilhante, absorvendo-o em meus votos. Afirma ele em sua decisão: "Aí reside o problema. Como se verá, o lbama não emite, para a hipótese dos autos, Ato Declaratório Ambiental. Ocorreu um conflito conceituai entre a nomenclatura utilizada pelo Ibama e aquela utilizada pela SRF. O ADA é um formulário de declaração, fornecido em branco pelo Ibama, para ser preenchido pelo declarante com as informações que lhe aprouver fornecer, e que serve para entrada de dados em um cadastro do Sistema Nacional de Informações do Meio Ambiente-SINIMA, previsto no inciso VII do Art. 9° da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 A edição de atos administrativos e de natureza tributária e aduaneira ("atos declaratórios") é atualmente disciplinada pela Portaria SRF n°1, de 2 de janeiro de 2001. O nome técnico "ato declaratório", na nomenclatura utilizada pela SRF, refere-se sempre, sem exceção, a um ato administrativo, com os efeitos a ele atribuídos pela legislação em que é baseado, provindo exclusivamente da autoridade administrativa que o expede, em oposição a "declaração", termo empregado em relação ao formulário de informações apresentado por ente privado ou público, em situação de obrigado à sua prestação. Embora a palavra "ato", em linguagem comum possa ter a acepção que lhe atribui o lbama, como poderia ocorrer, hipoteticamente, na expressão "ato de declaração", o emprego de nomen ittris idêntico ("ato declaratório"), mas com função totalmente diferente, a par da decorrente ambigüidade, acabou por causar indesejáveis efeitos tributários, sem previsão legal." Cita diversas portarias do lbama que determinam, ou explicam, o preenchimento dos ADA, bem como atos da SRF que vão procurando buscar nesses ADA embasamento para os seus objetivos. Como se depreende da legislação regulamentadora citada, continua a decisão singular, a SRF mantém o entendimento de que cada um dos imóveis rurais cadastrados, que tenha áreas nas condições que se está apreciando, receberá um ADA emitido pelo Ibama. Mas não foi sempre assim. A 1N/SRF 56/98 dispunha em seu Art. 3° que "O Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 1997 deverá ser entregue até 21 de setembro de 1998". Ora, nessa passagem, a SRF reconhece expressamente que o ADA é uma DECLARAÇÃO e não um ato decl aratório de emissão do lbama, ao estabelecer prazo para sua entrega pelo sujeito passivo, bem na linha de argumentação da impugnante. • Até agora falou-se do presumível equívoco no emprego de terminologia entre dois órgãos que têm atribuições legais distintas. [...] Enquanto permanecesse no âmbito da regulamentação de obrigações acessórias, o possível equívoco teria menor importância. No caso, porém, não é o que ocorre. A disposição constante no Manual para Preenchimento da Declaração do ITR-1997, introduzida no Art. 10, § 40, da IN 43 pela IN 67, ambas de 1997, determinando que "se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo Ibama, a SRF fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido", colide frontalmente com o que dispõe o Art. 2° da Lei 4.771/65 - Código Florestal Brasileiro, a seguir transcrito, com destaque em negrito: Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: [...]. Ora, continua a decisão, a tributação das áreas de preservação permanente, por falta do Cumprimento da obrigação acessória de apresentar uma 9 . • - é MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.794 ACÓRDÃO N° : 302-36.056 declaração ao lhama, basicamente repetitiva da já apresentada seis meses antes à SRF, sob o pretexto explicito ou implícito de forçar o proprietário ou possuidor do imóvel rural a apresentar a declaração correspondente, pode produzir e produzirá, sem dúvida, o perverso efeito de contribuir para a destruição do meio ambiente, visto que não se considerará mais obrigado a preservar a área legalmente de preservação permanente quem a tem tributada de oficio, com juro e multa penal, pelo Estado Brasileiro, ao qual pertencem o lhama e a SRF, como terra aproveitável. Hipóteses diferentes seriam as de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória (1% do ITR apurado) ou de efetiva verificação in loco por parte do lhama ou de órgão conveniado. Nesse último caso, a constatação de declaração errônea ou fraudulenta que resultasse em redução indevida do ITR poderia ser objeto de lançamento suplementar, de oficio. Como visto, não é o Oque ocorre." Após citar longa manifestação do Dr. Antonio Carlos do Prado, Diretor do Departamento de Estudos do Desenvolvimento Sustentado, do Ministério do Meio Ambiente, diz o decisum que a exigência de apresentação do ADA, em relação ao fato gerador do ITR ocorrido em I° de janeiro de 1997, sob pena de revisão de oficio da declaração e lançamento suplementar do ITR, não é prevista em lei, mas apenas em legislação tributária regulamentadora (INS/SRF e Portarias Ibama), e não pode ser entendida de maneira absoluta. Sua interpretação, indispensável, há que ser temperada, tendo-se em conta o que dita o Código Florestal, Lei 4771/65, especialmente no tocante às áreas de preservação permanente. Se o contribuinte não apresenta o ADA, ele pode fazer sua prova através de outro documento hábil. Mesmo que não se acate essas alegações, existem impedimentos de uso dessas áreas por determinações dos Poderes Judiciário e Executivo, devendo as mesmas serem excluídas . da área tida como aproveitável e, em conseqüência, IP desconsideradas para fins de obtenção do Grau de Utilização. Face ao exposto, dou provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2004 - e 2 PAUL AFFONvSECA. DE A- ROS FARIA JÚNIOR Conselheiro to Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10183.000739/93-56
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 11 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. VALOR DA TERRA NUA. Admitido pela Repartição que no caso do Município onde se localiza o imóvel, cujo VTN foi questionado, não houve pesquisa de valores pela FGV e que, atendendo à Resolução do E. Segundo Conselho de Contribuintes, apresentou-se Laudo Técnico de Avaliação que obedece às normas legais e regulamentares, o qual avalia o VTN abaixo do VTNm, é de se empregar esse valor na fixação do tributo. RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-34793
Decisão: Por maioria de votos, rejeitou-se a preliminar de nulidade da notificação, argüida pelo conselheiro Luis Antonio Flora, vencido também o conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do conselheiro relator. Os conselheiros Luis Antonio Flora e Paulo Roberto Cuco Antunes, votaram pela conclusão.
Nome do relator: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR

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RECORRIDA : DRJ/CAMPO GRANDE/MS ITR. VALOR DA TERRA NUA. Admitido pela Repartição que no caso do Município onde se aV localiza o imóvel, cujo VTN foi questionado, não houve pesquisa de valores pela FGV e que, atendendo à Resolução do E. Segundo Conselho de Contribuintes, apresentou-se Laudo Técnico de Avaliação que obedece às normas legais e regulamentares, o qual avalia o VTN abaixo do VTNm, é de se empregar esse valor na fixação do tributo. RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação, argüida pelo Conselheiro Luis Antonio Flora, vencido, também, o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes e Luis Antonio Flora IP votaram pela conclusão. Brasília-DF, em 11 de maio de 2001 HENRIQUWPRADO MEGDA Presidente 9 L3,-----. , PAUL AFFONSECA DE B - OS FARIA JÚNIOR Relator :15 ABR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, as seguintes Conselheiras: ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO e LUCIANA PATO PEÇANHA (Suplente). Ausente o Conselheiro HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA. Um'! MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.858 ACÓRDÃO N° : 302-34.793 RECORRENTE : AGROPECUÁRIA NOVA FRONTEIRA LTDA. RECORRIDA : DRJ/CAMPO GRANDE/MS RELATOR(A) : PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR RELATÓRIO O interessado foi notificado a recolher o ITR, e contribuições cobradas juntamente na Notificação de Lançamento, referente ao exercício de 1992, sobre o imóvel rural "Fazenda Nova Fronteira", situado no Município de Aripuanã/MT, com área total de 24.998,8 ha, sendo totalmente aproveitável tão só 9.830,0 ha (fls. 93 v) utilizando-se no cálculo o VTNm de Cr$ 3.283,79, propriedade cadastrada na SRF sob o n°2341541.0. O julgamento deste Recurso foi convertido duas vezes em diligência pela Colenda Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, pelas Resoluções 201-04.038, de 06/12/94 e 201-04.808, de 07/07/99 considerando decisão da DRF/CUIABÁJMT. Na primeira, é relatado, em síntese, que o Recurso interposto às fls. 24/41, contra decisão de fls. 20/22, apreciando impugnação de fls. 01/05, julgou procedente o lançamento sob o fundamento de ter sido o mesmo efetuado com observância das normas legais. Sustenta, resumidamente, a Recorrente: a) o VTNm/ha aprovado pela IN/SRF 119/92 gerou absurdas distorções, ou seja, aumento do VTN variando de 286,38% a 698,71% para imóveis situados em região de solos férteis e dotados de infra-estrutura, e 19.349,04% para imóveis situados na "inóspita e carente região do extremo norte de Mato Grosso"; b) os contribuintes não cumpridores de suas obrigações cadastrais serão inexplicavelmente favorecidos em função do disposto no subitem 1.1, da Portaria MEFP/MARA n° 1275/91, pois a inflação do período de maio/9I a dezembro/91 foi de 236,982 % e a variação da UFIR no período de janeiro/92 a outubro/92 foi de 742,0 8%, que servirão de base para a atualização do VTN de seus imóveis e c) "o que houve não foi apenas correção do VTN, mas verdadeira majoração de tributo, ferindo, assim, o disposto no art. 97, parágrafo único, do CTN". 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.858 ACÓRDÃO N° : 302-34.793 Solicita, por fim, o reprocessamento da Notificação do Lançamento do ITR192, aplicando-se a correção de 236,98% sobre o VTN constante da tabela publicada através da Portaria MEFP/MARA n° 309/91 ou a adoção do VTN, exarado na Declaração Anual de Informação que na data de emissão da Guia do ITR192 não havia índice ou tabela de VTN aprovada pela SRF visando a atualização do VTN. Leio em Sessão o voto do douto Conselheiro GEBER MOREIRA (fls. 78), que traz interessantes considerações, acolhido à unanimidade, que conclui pela diligência para que a autoridade julgadora informe quais levantamentos periódicos de preços venais foram considerados para fixação do VTNnilha constante 111 da tabela anexa à IN/SRF 119, de 18/11/93, e quais as transações específicas verificadas pela entidade especializada, credenciada pela SRF, em relação ao município referido no processo e respectiva microrregião homogênea, bem como outros parâmetros de que se valeu a Receita para a fixação em causa. À fl. 82 surge informação da Coordenação-Geral do Sistema de Arrecadação e Cobrança, que leio em Sessão, dizendo que a SRF fixa o VTNm tendo por base levantamento de preços médios de vendas de terras de lavoura, campos e pastagens, referencialmente a 31/12/91, feito pela FGV, que utiliza, como pesquisadores locais, os agentes das empresas públicas que praticam a extensão de assistência rural (EMATER) nos milhares de municípios brasileiros os preços fornecidos pela FGV em nível de município. Destaco: "Neste caso específico, como para a Microrregião do Município de Aripuanã/MT não houve pesquisa, a SRF adotou critérios internos, à época considerados devidos mas que podem ter gerado discrepâncias. De qualquer forma, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, dentro do que preceituam as normas legais e a critério da autoridade julgadora, o VTN a ser tributado poderá ser revisto para o imóvel rural que apresente características tais que o excluam da tributação pelo valor adotado para o Município." A segunda Resolução, novamente converteu o julgamento em diligência, considerando a informação que a SRF fixa o VTNm em função de levantamento de preços médios procedido pela FGV, que se utiliza de pesquisadores locais, determinando que a Recorrente traga ao processo Laudo Técnico de Avaliação fornecido por profissional devidamente inscrito no CREA e que satisfaça as disposições do § 40, do art. 3°, da Lei 8.847/94. Em laudo firmado por Engenheiro Florestal, inscrito no CREA e com ART (fls. 96 a 101) é avaliado o VTN/ha para o município de Aripuanã em Cr$ 655,20, considerando o mês de dezembro de 1991, e levando em conta os valores de venda na região e aplicando os fatores de classificação da propriedade, segundo suas características, como a capacidade de uso do solo, a situação do imóvel sob o aspecto da circulação e, especialmente, os aspectos fisicos. Foram respeitadas as normas legais que regem essas avaliações, como o Estatuto da Terra e o Manual Brasileiro 3 .. F. • •, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , SEGUNDA CÂMARA , 1 RECURSO N° : 122.858, ACÓRDÃO N° : 302-34.793 para Levantamento da Capacidade de Uso da Terra. São anexadas, também, Declarações sobre os valores de terras na região para efeitos comerciais de venda, em caráter geral. 4 É o relatório. IIII • 4 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.858 ACÓRDÃO N° : 302-34.793 VOTO O recurso cumpre todas as formalidades processuais e, portanto, merece ser conhecido. Conforme relatado, a recorrente contesta o lançamento do 1TR192 e cobranças que o acompanham, por ser muito elevado. A Coordenação-Geral do Sistema de Arrecadação e Cobrança da SRF informa, em resposta à diligência determinada pelo E. Segundo Conselho de Contribuintes como era feita a determinação do VTNm no Pais e que, no caso do município de Aripuanã, não houve pesquisa, adotando a SRF critérios internos, o que pode ter gerado discrepâncias. Na segunda Resolução do E. Segundo Conselho, face a essa informação supra, foi determinado que o sujeito passivo apresentasse um Laudo Técnico de Avaliação, dentro das normas legais e regulamentares, o que foi feito. Esse Laudo atende aos requisitos exigidos, e avalia o imóvel, levando em consideração todas as características do mesmo, confrontando-as com os valores de mercado, e apontando em que pontos a propriedade em exame possui aspectos próprios que a fazem ter valor comercial inferior aos da região e, conseqüentemente, reduzem o valor tributado, pois deve ser adotado um VTNm de • Cr$ 655,20, conforme o Laudo apresentado. A Autoridade Administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo VTNm - que vier a ser questionado pelo contribuinte, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado (§ 4°, art. 3 0, da Lei 8.847/94), elaborado nos moldes da NBR 8.799 da ABNT, segundo determinação do E. Segundo Conselho. Para ser acatado o laudo de avaliação deve estar acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR 8799/85, demonstrando entre outros requisitos: 1 - a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 2- a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 5 ... _ . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA, , I RECURSO N° : 122.858 ACÓRDÃO N° : 302-34.793 3- a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas. 1 Os documentos trazidos aos autos, especialmente o laudo técnico de fls. 96 a 101, amparam a pretensão do contribuinte. Não se pode olvidar que a própria SRF informou que, no caso desse município, não se fez pesquisa, utilizando-se de critérios internos e admitindo a hipótese de haver ocorrido discrepâncias no valor por ela arbitrado. 1 Face ao exposto, dou provimento ao Recurso. Ill Sala das Sessões, em 11 de maio de 2001 ,-25 ?"----. e- ‘ PAULO FFONSECA DE BAR OS ARIA JÚNIOR — Relator46 , II 6 .. . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.858 ACÓRDÃO N° : 302-34.793 DECLARAÇÃO DE VOTO QUANTO À PRELIMINAR Antes de adentrarmos pelas razões de mérito contidas no Recurso aqui em exame, entendo necessária a abordagem de questão preliminar, que levanto nesta oportunidade, concernente à legalidade do lançamento tributário que aqui se discute, no aspecto da formalidade processual que reveste tal lançamento. 0 Com efeito, pelo que se pode observar a Notificação de Lançamento de fls. 06, trata-se de documento emitido por processo eletrônico, não constando da mesma a indicação do cargo ou função e a matricula do funcionário que a emitiu. O Decreto n° 70.237/72, em seu artigo 11, estabelece: "A ri. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de muro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Parágrafo único - Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." 43 Pelo que se pode concluir, a Notificação de Lançamento objeto do presente litígio, por ter sido emitida por processo eletrônico, estava dispensada de assinatura. Porém, o mesmo não acontecia em relação à imprescindível indicação do cargo ou função e a matrícula do funcionário que a emitiu. Trata-se, em meu entendimento, de documento insubsistente, tornando impraticável o prosseguimento da ação fiscal de que se trata. Ante o exposto, voto no sentido de declarar, de oficio, nulo o lançamento efetuado pela repartição fiscal de origem e, conseqüentemente, todos os atos posteriormente praticados, documentados no processo administrativo que aqui se discute. Sala das Sessões, e 11 de maio de 2001 4.,LUIS I LORA - Conselheiro 7 e- • . - . 4,d MINISTÉRIO DA FAZENDA •.Wt..» TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t t,r, 2' CÂMARA Processo n°: 10183.000739/93-56 I .' Recurso n.°: 122.858 TERMO DE INTIMAÇÃO • Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento • Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda i 'Nacional junto à 2' Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-34.793. Brasília-DF,02-7/00 7o/ MF — mintas Henri e Prado -Meada Presidindo da :..' Câmara • Ciente em: fiej$04 2,u)4-0 i) 0,1 cr—rd-i2 pecuo volte( Leal plocUlodcg dnzencia"bricii 0,410E WS

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Numero do processo: 10183.001970/97-54
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR - NULIDADE POR VÍCIO FORMAL - Segundo o disposto na IN SRF 54/97 é nulo o lançamento cuja Notificação não atende às prescrições consubstanciadas no artigo 11 do Decreto no 70.235/72. Recurso de ofício não provido. (Publicado no D.O.U. nº 154 de 12/08/03).
Numero da decisão: 103-21284
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso "ex officio".
Nome do relator: João Bellini Junior

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MINISTÉRIO DA FAZENDA w .eits--ra- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'Tf? TERCEIRA CÁMAFtA Processo n° :10183.001970/97-54 Recurso n° :132.108 - EX OFFICIO Matéria : IRPJ - Ex(s): 1993 Recorrente : DRJ-CAMPO GRANDE/MS Interessado(a) : TELECOMUNICAÇÕES DE MATO GROSSO SÃ. - TELEMAT Sessão de :12 de junho de 2003 Acórdão n° :103-21.284 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR - NULIDADE POR VÍCIO FORMAL - Segundo o disposto na IN SRF 54/97 é nulo o lançamento cuja Notificação não atende às prescrições consubstanciadas no artigo 11 do Decreto ri ci 70.235/72. Recurso de ofício não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPO GRANDE/MS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4'>atrfl • RODR GU I: ER — ESIDENTE inkimp JOAID BELLINI JÚNIOR RELATOR FORMALIZADO EM: 24 JUL 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, NADJA RODRIGUES ROMERO, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, ALOYSIO JOSÉ P INIO DA SILVA e VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE. 132.108*MSR*24/06/03 . ... e • n" z..* MINISTÉRIO DA FAZENDA,— rr-i ft+ :"i• il --7-4nHe: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10183.001970/97-54 Acórdão n° :103-21.284 Recurso n° : 132.108 Recorrente : DRJ-CAMPO GRANDE/MS RELATÓRIO DRJ-Campo Grande/MS recorre de oficio recorre a este Conselho de sua Decisão DRJ/CGE/MS/DIRCO n° 1.016, de 28/08/1997 (fl(s). 25-7), que não conheceu da impugnação da interessada por declarar de oficio a nulidade do lançamento constante da notificação de lançamento, em obediência ao art. 5 0 da IN/SRF ri° 54, de 13/06/97. Tratava o lançamento de irregularidades que diriam respeito á exclusão a maior do lucro inflacionário do período-base — em que o total do lucro real era diferente da soma de suas parcelas e a isenção SUDENE fora calculada em valor maior que o permitido. Encaminhado o processo ao Setor de Fiscalização para a feitura de novo lançamento (fl(s). 29), este concluiu não existir base tributável, em razão do que não foi realizado novo lançamento (fl(s). 130-2) I), É o relatório. Passo a decidir. k 132.108*MSR*24/06103 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA .L:. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10183.001970/97-54 Acórdão n° :103-21.284 VOTO Conselheiro JOÃO BELLINI JÚNIOR, Relator A matéria objeto deste recurso de oficio cinge-se a verificar se, de fato, como fundamentou a DRJ em sua decisão, a Notificação de Lançamento que formalizou o lançamento não obedeceu aos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto n9 70.235, de 06/03/1.972. Verifico que a Notificação de Lançamento não identifica o nome, cargo e matrícula da autoridade responsável pela notificação (fi(s). 4-7). A este respeito foi editada a IN/SRF 54/97, que determina: "Art. 5°. Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) e do art. 11 do Decreto n2 70.235, de 06 de março de 1972 a notificação de que trata o artigo anterior deverá conter as seguintes informações: 1- sujeito passivo; II - matéria tributável; III - a norma legal infringida; IV- base de cálculo do tributo ou da contribuição devido; V- penalidade aplicável, se for o caso; VI - nome, cargo, matrícula da autoridade responsável pela notificação, dispensada à assinatura; Art. 6°. Na hipótese de impugnação do lançamento, o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ da jurisdição do contribuinte declarará, de oficio, a nulidade do lançamento, cuja notificação houver sido emitida em desacordo com o disposto no art. 5°, ainda que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo." Assim sendo, o titular da DRJ de origem em cancelar a em seu art. C, agiu em conformidade com a norma citada. Este Colegiado entendeu correta a norma veiculada pela Instrução Normativa em apreço: "LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - VÍCIO FORMAL - 1) O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objet de lançamento anterior anulado por vicio formal, extingue-se com o trans1rfis do prazo de 5 (cinco) 132.108*MSR*24/06/03 3 \, L '4+ MINISTÉRIO DA FAZENDA .*_;. o'j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10183.001970/97-54 Acórdão n° : 103-21.284 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão anula tória (art. 711, II, do RIR/80 c/c art. 173, II, do CTN). 2) Constitui vicio formal a falta de indicação na notificação de lançamento do nome, cargo e a matricula da autoridade responsável por ela (Dec. 70.235/72, art. 11, Inciso IV, e seu parágrafo único, c/c IN SRF n° 54/97, arts. 5 e 6). (1° CC — Proc. 10650.001175199-00 — Rec. 129516 — (107-06633) — r C. — Rel. Natanael Martins — DOU 28.08.2002)" "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR — NULIDADE POR VICIO FORMAL — É nula a notificação de lançamento que não atende às prescrições consubstanciadas no artigo 11 do Processo Administrativo Fiscal. Recurso de oficio a que se nega provimento por vicio formal. (1° CC — Ac. 103-20.061 — 3" C — Rel. Neicyr de Almeida — DOU 08.10.1999)" Assim, ressalvada minha convicção pessoal de que a falta do nome, cargo ou matrícula da autoridade responsável pela notificação é simples vicio sanável, do qual não decorre prejuízo aos contribuintes - tese que foi aclamada pela própria Secretaria da Receita Federal, a qual revogou, em 24 de dezembro de 1997, a IN SRF 54/97 (através da IN SRF 94/97) e jamais reeditou seu texto - e considerando que a data da Decisão DRJ é 28/08/97, data em que estava em vigor a malsinada IN 54/97, voto para que seja negado provimento ao presente recurso de ofício. Sala das Sessões - DF, em 12 de junho de 2003 4mi:to BELLINI JÚNIOR 132.108*MSR*24/06/03 4 Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10218.000860/2003-11
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº. 5.172, de 1966 - CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO - Classifica-se como rendimentos omitidos a diferença entre o valor, espontaneamente declarado pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual originais, e o valor apurado pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-21.830
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Nelson Mallmann

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DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n°. 5.172, de 1966 - CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO - Classifica-se como rendimentos omitidos a diferença entre o valor, espontaneamente declarado pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual originais, e o valor apurado pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO NUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de oficio exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ CLÁUDIO DA LUZ ALVES. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ,M9A111,2n4:1"1à1tIrCOTTA CAI~C) PRESIDENTE • tf, ar'ti_ R 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 FORMALIZADO EM: 2 5 SEI 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOISA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO LIAN HADDAD e PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado).?- 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Recurso n°. : 148.933 Recorrente : LUIZ CLÁUDIO DA LUZ ALVES RELATÓRIO LUIZ CLÁUDIO DA LUZ ALVES, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n. ° 253.743.111-15, com domicílio fiscal na cidade de Marabá, Estado do Pará, à Folha 30 - Quadra 5 - Lote 33, Bairro Nova Marabá, jurisdicionado a DRF em Marabá - PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 605/615, prolatada pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 624/649. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 22/12/03, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 530/538), com ciência pessoal em 22/12/03 (fls. 530), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.523.888,14 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a titulo de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICAS: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante do presente. Infração Capitulada nos artigos 1°, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 2°, 3° e §§, e 8°, da lei n°. 7.713, de 1988; artigos 1° ao 4°, da lei n°. 8.134, de 1990 e artigo 21 da lei n°. 9.532, de 1997. 2 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dOs recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante do presente. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n°. 9.481, de 1997; e artigo 21 da Lei n°. 9.532, de 1997. 3 - MULTAS ISOLADAS - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF A TÍTULO DE CARNE-LEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê-leão, apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante do presente. Infração capitulada no art. 8° da Lei n°. 7.713, de 1988 c/c arts. 43 e 44, § 1°, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996. O Auditor-Fiscal da Receita Federal, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 539/571), entre outros, os seguintes aspectos: - que datanálise dos extratos bancários do fiscalizado, nos apresentados pelo mesmo, apuramos omissão de rendimentos nos períodos e totais constantes da planilha abaixo, caracterizados pelos depósitos em contas não comprovadas as suas origens pelo sujeito passivo, eis que, embora regularmente e efetivamente intimado, o mesmo não logrou comprovar a origem de tais depósitos; - que à luz dos extratos bancários do fiscalizado, ressaltamos que procedemos à seleção dos depósitos/ingressos de valores superiores a R$ 1.000,00 para 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 que fossem justificadas as suas origens pelo fiscalizado, tendo em vista a considerável movimentação financeira do mesmo, no ano-calendário em comento para valores superiores a esse patamar, evitando-se, desta forma, fosse onerado o trabalho fiscal com valores insignificantes. Entretanto, expurgamos dos valores e respectivos saldos, a totalidade dos cheques devolvidos debitados na conta do fiscalizado, mesmo aqueles inferiores a R$ 1.000,00, fazendo com que tais valores se apresentassem em seus totais líquidos; - que a luz dos cheques de emissão do fiscalizado nos entregue pelo mesmo através dos petitórios de 13/10/03 e 20/10/03, nos fizemos valer da circularização - procedimento de auditoria - a fim de obtermos evidências, através de competente documentação, da condição de "Instrumento" alegada pelo fiscalizado, muito embora a Lei atribua o ânus da prova àquele; - que vale ressaltarmos que os cheques, ora objetos de circularizações, foram assinados pelo próprio titular da conta, in casu, o próprio fiscalizado, como se percebe a vista dos mesmos; - que das nossas intimações e respostas obtidas a partir dessas, somente nos foi possível considerar aquelas decorrentes de intimações expedidas à Texaco do Brasil S.A. e à ESSO Brasileira de Petróleo Ltda, posto que somente tais circularizados apresentaram documentação que nos demonstrasse a utilização de recursos provenientes da conta bancária do fiscalizado, para fazer face a despesas de terceira pessoa, o que nos motivou, juntamente com o declarado pelo fiscalizado em 17/12/03 e demais informações/declarações obtidas de circularizados, a expurgarmos tais valores da base imponivel para o cálculo do imposto e acréscimos devidos pelo fiscalizado na data dos referidos cheques; - que, com efeito, considerando a não apresentação pelo fiscalizado, assim como pela grande maioria dos circularizados, de documentação que viesse a ilidir a presunção legal de infração fiscal consubstanciada pelo artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 considerando termos ressaltado, em diversas intimações, que o não atendimento a essas ensejaria lançamento de ofício com as informações de que dispuséssemos; - que, quanto aos rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnê-leão, omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas, tem-se que através de representação para1esta Delegacia da Receita Federal, elaborada nos autos de Ação Fiscal levada a efeito pela Equipe Especial de Fiscalização da Coordenação-Geral de Fiscalização desta SRF, nos foram encaminhadas fotocópias de cheques, de emissão do Sr. Valmir Froes Pereira, nominais ao ora fiscalizado os quais perfazem o montante de R$ 99.411,68, num total de 12 cheques; - que instado a se manifestar acerca da origem e destinação dos cheques acima, seja através do Termo de Intimação Fiscal n°. 003 de 06/06/03, seja quando da tomada de suas declarações levadas a Termo em 17/12/03, pelo mesmo foi dito através de seu petitório de 30/06/03; - que, contudo, como ainda expressamente afirmado pelo fiscalizado, o mesmo não dispõe de qualquer documentação que venha a comprovar as operações realizadas pelo mesmo, em nome do Posto Gol Ltda; - que a alegação, puramente alegação, de que os depósitos em conta bancária do fiscalizado, bem como os cheques emitidos a sua ordem decorreriam da, na realidade, "movimentação" da citada Pessoa Jurídica da qual tornou-se titular de "meados" de 1998 - Posto Gol Ltda - não merece ser acolhida, posto que contraria o principio da entidade - um dentre os consagrados princípios basilares da contabilidade -, aprovado pela Resolução CFC n°. 750/93; - que ressaltamos que após análise individualizada de tais cheques verificamos a existência de 3 deles com correspondente depósito em conta bancária do fiscalizado, o que nos fez chegar à conclusão que eventuais rendimentos omitidos por conta 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 desses 3 cheques já estariam sendo tributados por conta da infração apurada no item anterior - 1 - Omissão de rendimentos - depósito bancário; entretanto, quanto aos demais 9 cheques, entendemos pela não correspondência com qualquer depósito efetuado em quaisquer de suas contas bancárias, assim, não se confundem com os rendimentos emitidos demonstrados na infração anterior, o que veio a ser confirmado através do declarado pelo fiscalizado, acima transcrito, no sentido de que, não todos, mas alguns desses cheques eram depositados em sua conta; - que, quanto a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, tem-se que em razão do apurado na infração anterior e com fulcro nos dispositivos legais, torna-se imperioso o lançamento da respectiva multa isolada. Em sua peça impugnatória de fls. 577/598, apresentada, tempestivamente, em 21/01/04, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tomar insubsistente o auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que durante a instrução da Fiscalização realizada sobre o ora autuado foram realizadas diversas intimações tendo o mesmo respondido dentro de suas lembranças, já que o fato gerador se passou no ano-calendário de 1998, no entanto ficou bem evidente em todas as informações prestadas pelo fiscalizado ora autuado, este sempre deixou claro que toda a movimentação financeira realizada em sua conta-corrente através de depósitos bancários foram realizadas em decorrência de operações comerciais na compra e venda de combustível realizadas pelo comerciante Leonardo Dias Mendonça, responsável, à época, pelo Posto Gol Ltda, que, posteriormente de responsabilidade do ora autuado, por sua vez, de forma inadvertida realizava toda a movimentação do referido Posto em sua conta-corrente pessoa física; - que é importante ressaltar, que o ora autuado, através de seu petitório datado em 30/06/03, coloca à disposição do fisco toda sua vida fiscal e patrimonial, para 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 provar que não houve omissão de receita ou renda, em razão daquela movimentação do dinheiro da empresa do empregador, em conta(s) corrente(s) da(s) qual(is) seja titular, tese que impregnará toda sua defesa em todos os níveis de governo e, se necessário, em todos os graus de jurisdição, atitude essa, que vem corroborar que o mesmo não tem qualquer respaldo e ou conhecimento para movimentar tamanhas quantias, e que foi usado e manipulado pelo Sr. Leonardo Dias Mendonça (seu padrão), e outras pessoas ligadas a ele; - que importante frisar, que mesmo depois de ter assumido pseudamente, o comando das transações comerciais a partir de 02/05/03, atitude essa, tomada pela necessidade de conservar emprego, pensando acima de tudo na responsabilidade de sustentar sua família; - que vale esclarecer, que em diversas, o ora autuado, declara em petitórios anteriores que nunca teve acesso aos documentos da "contabilidade", em virtude dos mesmos estarem sempre em poder de seu patrão Sr. Leonardo Dias Mendonça, e que, diversas vezes solicitou ao mesmo tais documentos para serem apresentados aos Sr. Auditores, sendo seus esforços em vão, em virtude do mesmo encontrar-se encarcerado na cidade de Goiânia, fato este veiculado na mídia a nível nacional, e as pessoas ligadas a ele sempre davam respostas evasivas, e sempre postergando prazos posteriores, dizendo também que estavam providenciando, e que iriam resolver junto com o Leonardo Dias Mendonça, tínhamos então, esperança de encontrar o referido acervo, para provar melhor nossa inocência e não participação nos fatos ocorridos, onde, recentemente ficamos sabedor que a referida documentação foram estranhamente extraviada, daí nossa dificuldade de comprovarmos que todas transações comerciais e operações financeiras eram exclusivamente do seu antigo patrão, não tendo qualquer participação no tocante, agindo sempre sob pressão psicológica, fato esse, somente relatado agora, em virtude de termos tomado conhecimento de que não existe qualquer documento do referido acervo; 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 - que o fato é que a utilização de dados da CPMF para fins de constituição de crédito tributário, quando o fato gerador se deu no ano de 1998, é ilegal por ferir o princípio da irretroatividade e anterioridade da lei; - que conforme pode ser constatado através da simples leitura do § 3° do artigo 11 da Lei n°. 9.311, de 1996 comparado a sua nova redação alterada pela Lei n°. 10.174, de 2001, que na redação anterior havia a vedação da utilização das informações prestadas, relativo a movimentação financeira, enquanto que a nova redação do § 3° do artigo 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, alterado pela Lei 10.174, de 2001, dispõe que é facultada, a utilização das informações prestadas sobre CMPF; - que não podendo, portanto, retroagir para o ano-calendário de 1998, onde se deu o fato gerador, sob pena de se estar mudando as "regras do jogo" estando este em andamento, motivo pelo qual deve ser observado no presente caso o princípio constitucional e tributário da irretroatividade e anterioridade da lei; - que está evidente, no presente caso, que o autuado foi manipulado, servindo de instrumento para movimentar recursos de terceiros em suas contas-corrente, já que o mesmo não possui respaldo para movimentar tamanhas quantias, e que a origem de recursos e transações comerciais foram oriundos da compra e venda de combustíveis, portanto, os Srs. Auditores no presente caso agiram pelo simplório e cômodo argumento de não ter sido comprovado satisfatoriamente, com documentação hábil, e optaram autuar tributando na pessoa física como omissão de rendimento, não aplicando o principio da razoabilidade e não interpretando a legislação de maneira mais favorável ao contribuinte; - que em sendo o autuado ora impugnante comprovadamente parte ilegítima para figurar no pólo passivo do procedimento fiscal, deve o presente auto de infração ora impugnado ser julgado totalmente nulo e insubsistente com relação ao autuado, por ser imperativo legal; 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.0008602003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 - que verifica-se que no presente caso foi lavrado o Auto de Infração, onde é exigido o pagamento da multa cobrada isoladamente prevista no inciso III, do § 1° do artigo 44 da Lei n°. 9.430, de 1996, bem como foi lavrado no mês mo Auto de Infração, exigindo o pagamento da multa regulamentar (de ofício), prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430, de 1996, cobrança esta no nosso entender vedada, haja visto, não poder ser aplicado sobre o mesmo tributo, duas multas de 75% cada uma. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que a partir de 01/01/97 a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n°. 8.021, de 1990, com a edição da Lei n°. 9.430, de 1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei n°. 9.481, de 1997, deu suporte a presente autuação, relativamente ao ano-calendário de 1998; - que o legislador estabeleceu, a partir da referida lei, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando a necessidade de demonstrar os sinais exteriores requeridos pela Lei n°. 8.021, de 1990; - que ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos 11 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada; - que o litigante não logrou comprovar com documentação hábil e idônea a origem de tais depósitos bancários. Tampouco, referidos valores foram oferecidos à época própria à tributação, pois conforme documentos acostados ao processo, correspondente à cópia da declaração de rendimentos, fls. 59/63, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual Completa, sem quaisquer rendimentos, repetindo apenas, em quadro próprio, a situação patrimonial em valores iguais aos declarados no ano anterior; - que, portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiu-se de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato gerador descrito no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, correta é a autuação. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. Os depósitos bancários, cujas origens não foram devidamente comprovadas não podem ficar à margem da tributação. Lançamento Procedente." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/09/05, conforme Termo constante às fls. 616/619, o recorrente interpôs, tempestivamente (11/10/05), o recurso voluntário de fls. 621/649, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 reforçado pela consideração de que em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, têm a administração, prazo fatal de anço anos contados da ocorrência do fato gerador para constituir o crédito tributário pelo lançamento. Assim para os fatos ocorridos nos respectivos meses e em se tratando de Imposto de renda pessoa Física - onde a apuração do imposto é mensal - o fisco não deveria inserir, no documento impositivo, os meses anteriores a janeiro de 1999, face absoluta impossibilidade técnico-jurídico. Consta às fls. 622 a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, objetivando o seguimento ao recurso administrativo, sem exigência do prévio depósito de 30% a que alude o art. 10, da Lei n. 09.639, de 1998, que alterou o art. 126, da Lei n° 8.213, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997, combinado com o art. 32 da Lei n°. 10.522, de 2002. É o Relatório. 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Da análise dos autos do processo se verifica, que a motivação inicial para instaurar o procedimento fiscal foi à movimentação financeira de porte elevado, conclusão extraída a partir da análise da arrecadação pertinente a CPMF. Posteriormente, em razão do atendimento, por parte do suplicante, das intimações emitidas pela fiscalização para que apresentasse os extratos bancários e após devidamente recebidos e através da análise destes documentos a autoridade fiscal entendeu que havia omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. O suplicante solicita o provimento ao seu recurso, tanto nas razões preliminares como nas razões de mérito, para tanto apresenta preliminar de decadência do exercício de 1999, e preliminares de nulidades do lançamento baseada nas seguintes teses: ilegalidade da fiscalização por vicio de origem; da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei n°. 10.174, de 2001; da ilegitimidade passiva; e por fim razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Quanto as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: valer-se de dados da CPMF para cobrar imposto de renda da pessoa física; utilização da Lei n°, 10.174, de 2001 e ilegitimidade passiva, não cabe razão ao suplicante pelos motivos que se seguem. O primeiro aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que é público e notório que a fiscalização tem origem em utilização indevida da Receita Federal das informações apresentadas pelos bancos com fulcro no art. 11 da Lei no. 9.311, de 1996 e que correspondiam a CPMF, quando era vedada a sua utilização para qualquer outra finalidade que não fosse para fiscalização deste tributo. O suplicante alega, que o procedimento de lançamento tributário decorreu de informações extraídas dos valores que o recorrente pagou de CPMF. Em outras palavras, a fiscalização teria tomado como base de lançamento os dados da CPMF para cobrar o imposto. Argumento totalmente equivocado e dissociado da verdade dos fatos, já que nada consta em relação a dados da CPMF no Auto de Infração lavrado. A única verdade em tudo isso é que os dados sobre movimentação financeira das contas do suplicante, obtidas com base em informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, foram utilizados pela autoridade lançadora para instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a existência de eventual crédito tributário devido pelo suplicante, conforme se constata no Relatório de Movimentação Financeira - Base CPMF, onde consta, de forma clara que os dados foram obtidos com base nas informações prestadas À Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°. 9.311, de 1996. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Ora, o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. Por outro lado, é de se asseverar, que os dados concernentes a CPMF, repassados pelas instituições financeiras por força do disposto no art. 11, § 2°, da Lei n°. 9.311, de 1996, pelo fato de não conterem discriminação individual dos valores dos débitos e créditos, não são passíveis de utilização como base de lançamento do IRPF. É, antes, um instrumento de informação que permite ao Fisco instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, ou seja, o fato da contribuinte não ter declarado as contas corrente em sua Declaração de Ajuste Anual e apresentar movimentação financeira elevada foram os parâmetros para que fosse selecionado para ser fiscalizado. Foi, somente, para se proceder ao parâmetro de seleção que serviu o Relatório de Movimentação Financeira, e jamais para se proceder a constituição do crédito tributário, como quer fazer crer o suplicante. Vale dizer, que o Relatório de Movimentação Financeira - Base CMPF não serviu de base para proceder ao lançamento tributário. Não restam dúvidas, para mim, que o fato motivador para a seleção do suplicante para ser fiscalizado foi à elevada movimentação financeira (movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados), sem, contudo, declarar à Receita Federal o trânsito de tais importâncias em suas respectivas contas bancárias e que o valor global desta movimentação financeira por estabelecimento bancário foi obtida com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°. 9.311, de 1996. Como da mesma forma, não restam dúvidas, que foi o próprio suplicante quem apresentou os extratos bancários que deram origem à movimentação financeira. • 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Como, também não pairam dúvidas, que foi em razão da requisição pelo suplicante que as instituições bancárias apresentaram os extratos e estes foram repassados para Secretaria da Receita Federal que com base nestes extratos realizou o lançamento do imposto de renda que entendeu devido, tomando-se como rendimentos omitidos os depósitos realizados em conta corrente dos quais o recorrente não logrou a comprovação de que se tratavam de rendimentos isentos, já tributados ou não tributados. Ou seja, procedeu ao lançamento normal, prevista em lei, tendo como base os valores constantes dos extratos bancários (depósitos bancários). Como se vê a discussão sobre o conteúdo do § 3°, do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, se toma inócua, já que o lançamento não foi procedido em cima de informações de dados da CPMF, ou seja, os dados da CPMF não serviram de suporte para o lançamento em questão e sim os valores constantes dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, conforme se contata dos autos do processo. O suplicante insiste em confundir lançamento efetuado com base em dados da CPMF, com lançamento efetuado com base em extratos bancários. Diz a Lei n°. 9.311, de 24 de outubro de 1996: "Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua 17 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." É notório, que a lei cita que as instituições responsáveis pela retenção da CPMF prestarão informações necessárias à identificação dos contribuintes E OS VALORES GLOBAIS DAS RESPECTIVAS OPERAÇÕES. Da mesma forma, a lei cita que sobre estes VALORES GLOBAIS é vedada sua utilização para constituição do crédito tributário. Ora, se o lançamento não foi constituído sobre estes VALORES GLOBAIS anuais (e nem poderia, já que os depósitos devem ser individualizados e o fato gerador deve ser identificado no mês da ocorrência) e sim sobre os depósitos constantes dos extratos bancários da contribuinte, não há que se falar em Lei n°. 9.311, de 1996. É de se ressaltar, que os dados colhidos na arrecadação da CPMF demonstram a existência desses depósitos, entretanto, para o imposto de renda são meras informações. Por isso, é que os dados obtidos pela fiscalização através da CPMF não são passíveis de tributação no imposto de renda. Esses dados são meros indícios e indicam a possibilidade de existência de receitas ou rendimentos auferidos pelos contribuintes. Como se vê, não houve desrespeito a legislação de regência, já que o lançamento não foi efetuado sobre os valores constantes dos relatórios da CPMF e sim lançamento normal sobre valores constantes nos extratos bancários, conforme previsão legal contida no artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996. Entretanto, só por amor à discussão, partindo da premissa que houvesse legislação específica que tornasse possível o lançamento tomando como base os dados da CPMF, ainda assim, falece de razão o recorrente quando alega não poder o fisco imprimir efeitos retroativos à Lei n°. 10.174, de 2001, para obtenção das informações junto às instituições financeiras, visto que em 1998 estava em pleno vigor a Lei n°. 9.311, de 1996, 18 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 que expressamente proibia a sua utilização como forma de cobrar outros tributos especialmente o imposto de renda pessoa física. A Lei Complementar n°. 105, de 2001, estabelece: "Art. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (.-.) § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: I - a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n°. 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV - a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V - a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI - a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 30, 40, 50 , 60, "70I e 9° desta Lei Complementar. (...) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". Por sua vez, a Lei 10.174, de 2001, estabelece: "Art. 100 art. 11 da Lei n°. 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.11 (...). "§ 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores": É sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°. 5.172, de 1966 - CTN, que diz: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Nesta hipótese, a tese do suplicante é de que a Lei n°. 10.174, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, 20 •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei n°. 10.174, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1 0 do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Conforme visto, anteriormente, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentenca proferida pela MM. Juiza Federai Substituta da 16° Vara Crivei Federal em São Paulo - SP, nos autos do Mandado de Segurança n°. 2001.61.00.028247-3, da qual se faz necessário à transcrição do seguinte excerto: "Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n°. 10.174/2001, em ofensa ao art. 144 do CTN, na medida em que a lei a ser aplicada continuará sendo aquela lei material vigente à época do fato gerador,no caso, a lei vigente para o IRPJ em 1998, o que não se confunde com a lei que conferiu mecanismos à apuração do crédito tributário remanescente, esta sim promulgada em 2001, visto que ainda não decorreu o prazo 21 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 decadencial de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito previsto no art. 173, 1, do Código Tributário Nacional, o que dá ensejo ao lançamento de ofício, garantido pelo art. 149, VIII, parágrafo único do CTN." Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta %CIMO% nos autos de Agravo de Instrumento n°. 2001.04.01.045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF188, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n°. 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, § 1 0, do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas." Sentença proferida pela it° Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n°. 2002.04.01.003040-0/PR. da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n°. 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 30 do art. 11 da Lei n°. 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os 22 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer- se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, § 1°). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n°. 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n°. 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n°. 105/01 e pelo Decreto n°. 3.724/01? Recentemente (02/12/03) no julgamento do Recurso Especial n°. 506.232 - PR, cujo recorrente foi a Fazenda Nacional, o E. Superior Tribunal de Justiça confirmou a legitimidade da Lei n°. 10.174, de 2001 e Lei Complementar n°. 105, de 2001, que permitiram a utilização das informações obtidas a partir da arrecadação da CPMF, para a apuração de créditos tributários referentes ao imposto de renda nos seguintes termos: "EMENTA TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n°. 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 30 do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza . procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. lnexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido? Em síntese é de se concluir, novamente, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência 24 •MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. Na situação analisada, somente para fins de argumentação, se poderia dizer que, no máximo, a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art. 11, § 3°, da Lei n°. 9.311, de 1996, com a redação que lhe deu a Lei n°. 10.174, de 2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente sobre aqueles valores globais que cita a lei, já que o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, entrando em vigor a Lei n°. 10.174, de 2001, a fiscalização passa a ser autorizada a utilizar as prerrogativas concedidas pela lei a partir daquela data, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais, ou seja, passa a dispor de um instrumento de fiscalização que anteriormente não possuía, podendo utilizá-lo conforme o interesse público que o ato administrativo pressupõe. Porém, na situação concreta dos autos, a constituição do crédito tributário, obedeceu estritamente o ritual normal de lançamento através de valores constantes em extratos bancários na vigência do artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996. Os valores globais das operações sobre a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras serviram tão-somente como parâmetros para selecionar o suplicante para ser fiscalizado, ou seja, a fiscalização utilizou os dados de que dispunha em virtude da fiscalização do recolhimento da CPMF para dar início à ação fiscal no imposto de renda, intimando a suplicante a esclarecer as discrepâncias constatadas entre os rendimentos declarados e o montante da movimentação bancária, e somente para isso. 25 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Acatar a pretensão do recorrente seria impor uma anistia geral para todos os contribuintes, que mesmo com a quebra de sigilo decretado pelo judiciário não seria possível se efetuar o lançamento do crédito tributário por ventura apurado, já que o mesmo confunde lançamento efetuado com base exclusiva em dados da CPMF, com lançamento com base em extratos bancários. Os dados da CPMF foram utilizados para dar inicio à fiscalização. O lançamento foi efetuado tendo como base os extratos bancários fornecidos pelos bancos em atendimento a requisição da autoridade judiciária. Assim, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que se falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n°. 105 e da Lei n°. 10.174, ambas de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. Quanto a ilegitimidade passiva alegada pelo suplicante, não há muito a se comentar, já que é evidente a inexistência nos autos de provas que a movimentação bancária, cuja titularidade pertence ao suplicante, fosse de fato de outra pessoa. Ou seja, somente seria cabível a alegação de ilegitimidade passiva se ficasse comprovado nos autos o uso das contas bancárias em nome do suplicante por outra pessoa. Como não foi produzida esta prova e, incontestavelmente, as contas bancárias foram movimentadas pelo suplicante entendo correto o lançamento. Quanto a preliminar de decadência relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998, levantada pelo suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação e mensal, fico com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do ano-calendário e em assim sendo, o imposto lançado relativo ao exercício de 1999, não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial 26 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 na data da ciência do auto de infração (22/12/03), de acordo com a regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Como se sabe, a decadência é na verdade a falência do direito de ação para proteger-se de uma lesão suportada; ou seja, ocorrida uma lesão de direito, o lesionado passa a ter interesse processual, no sentido de propor ação, para fazer valer seu direito. No entanto, na expectativa de dar alguma estabilidade às relações, a lei determina que o lesionado dispõe de um prazo para buscar a tutela jurisdicional de seu direito. Esgotado o prazo, o Poder Público não mais estará à disposição do lesionado para promover a reparação de seu direito. A decadência significa, pois, uma reação do ordenamento jurídico contra a inércia do credor lesionado. Inércia que consiste em não tomar atitude que lhe incumbe para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de ação, até que ele se perca - é a fluência do prazo decadencial. Deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou completivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores completivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador completivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito anteriormente, é de se observar que a Lei n°. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9° e 11 da Lei n°. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. Desta forma, após a análise dos autos, tenho para mim, que na data da lavratura do Auto de Infração, não estava extinto o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário relativo ao exercício de 1999, ano-calendário de 1998, já que acompanho a corrente que entende que o lançamento na pessoa física se dá por homologação, cujo marco inicial da contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro do ano-calendário em que ocorreu o fato gerador do imposto de renda questionado, ou seja, o fisco teria prazo legal até 31/12/03, para formalizar o crédito tributário discutido neste exercício. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração 29 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.00086012003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. lnexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nade deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional: 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4° . Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável, como se observa abaixo: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, item 1); II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, item II); III - da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, art. 173, parágrafo único); IV - da data da ocorrência do fato gerador, nos tributos cujo lançamento normalmente é por homologação (CTN, art. 150, § 4°); V - da data em que o fato se tornou acessível para o fisco, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento normal do tributo é por homologação (CTN, art. 149, inciso VII e art. 150, § 4°). Pela regra geral (art. 173, 1), o termo inicial do lustro decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (contribuinte omisso na entrega da declaração de rendimentos). O parágrafo único do artigo 173 do CTN altera o termo inicial do prazo para a data em que o sujeito passivo seja notificado de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É claro que esse parágrafo só tem aplicação quando a 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 notificação da medida preparatória é efetivada dentro do 1° exercício em que a autoridade poderia lançar. Já pelo inciso II do citado artigo 173 se cria uma outra regra, segundo a qual o prazo decadencial começa a contar-se da data da decisão que anula o lançamento anterior, por vício de forma. Assim, em síntese, temos que o lançamento só pode ser efetuado dentro de cinco anos, contados de 1° de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a menos que nesse dia o prazo já esteja fluindo pela notificação de medida preparatória, ou o lançamento tenha sido, ou venha a ser, anulado por vício formal, hipótese em que o prazo fluirá a partir da data de decisão. Se tratar de revisão de lançamento, ela há de se dar dentro do mesmo qüinqüênio, por força da norma inscrita no parágrafo único do artigo 149. É inconteste que o Código Tributário Nacional e a lei ordinária asseguram à Fazenda Nacional o prazo de cinco (cinco) anos para constituir o crédito tributário. Como se vê a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de cinco anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos, da regra geral (art. 173 do CTN), já não mais dependem de uma 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 - Acórdão n°. : 104-21.830 carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. Ora, próprio CTN fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do CTN, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o inicio da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. É o que está expresso no § 4°, do artigo 150, do CTN. Nesta ordem, refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. 34 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. '150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (...) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN". Faz-se necessário lembrar que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. 35 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Assim, não tenho dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. O tributo oriundo de imposto de renda pessoa física, a partir do ano- calendário de 1990, se encaixa na regra do art. 150 do CTN, onde a própria legislação aplicável (Lei n°. 8.134/90) atribui aos contribuintes o dever, quando for o caso, da declaração anual, onde os recolhimentos mensais do imposto constituem meras antecipações por conta da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano-base, quando se completa o suporte fático da incidência tributária. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. Em assim sendo, estava correto, na data da lavratura do auto de infração, a Fazenda Nacional constituir crédito tributário com base em imposto de renda pessoa física, relativo ao ano-calendário de 1998. O prazo qüinqüenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 1998, começou, então, a fluir em 31/12/98, exaurindo-se em 31/12/03, tendo tomado ciência do lançamento, em 22/12/03, conforme consta às fls. 530, não estava, na data da ciência, decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a este exercício. Assim, é de se rejeitar a preliminar de decadência relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998. Quanto à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários o recorrente alega, em síntese, a falta de previsão legal para embasar lançamentos tendo por 36 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 base tributável depósitos bancários, já que no seu entender a movimentação financeira, objeto da análise da autoridade fiscal não lhe pertence e sim da pessoa jurídica Posto Gol Ltda, de responsabilidade de Leonardo Dias Mendonça, bem como entende que a movimentação financeira somente pode ser utilizada para o cômputo da base de cálculo do IR quando aliada a sinais exteriores de riqueza, e no caso em questão, pela inexistência de indícios de acréscimo patrimonial, o fisco não poderia ter utilizado a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência do respectivo fato imponível. Ora, ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei n°. 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°. 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decreto-lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei n°. 8.021, de 1990, ou Decreto-lei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 • Acórdão n°. : 104-21.830 Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n°. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, Insito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o principio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. A Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probalidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lel n°. 9.430. de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 39 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.". Lei n°. 9.481, de 13 de agosto de 1997: "Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente." Lei n°. 10.637, de 30 de dezembro de 2002: "Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: "Art. 42. (...). § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.? 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Instrucão Normativa SRF n°. 246. 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1° Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1° Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2° Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2° Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3° Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1° Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano- ca lendá rio. § 2° Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos? Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 •Acórdão n°. : 104-21.830 investimento mantida junto à instituição financeira, onde se deve observar os seguintes critérios: I - não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II - os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III - nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV - todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V - no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares; VI - quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 VII - os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; II - caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III - na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; IV - na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V - na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano- 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas especificas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII - para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a 44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal "juris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430/96, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos se verifica que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, nada esclareceu de fato, nem ao menos atendeu as intimações. 45 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Não há dúvidas, que a Lei n°. 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 30, § 4°, da Lei n°. 7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n°. 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n°. 9.430, de"1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. 46 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção "juris tantum" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. cristalino a redação da legislação pertinente ao assunto, ou seja, é transparente que o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei n°. 8.021, de 1990. 47 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como também é de se observar que no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: 48 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Faz-se necessário consignar, que o interessado foi devidamente intimado a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados / creditados em sua conta corrente, o que não o fez, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário aqui discutido, valendo-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos. 49 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Nesse sentido, compete ao interessado não só alegar, mas também provar, por meio de documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. Portanto, sem respaldo as alegações do autuado que devidamente intimado a comprovar a origem dos depósitos listados no anexo à intimação não produziu provas no sentido de elidi-la. Como se vê, teve o suplicante, seja na fase fiscalizatória, fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção "juris tantum" acima referida, necessariamente, transmuda-se em presunção "jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pelo contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, ficar argumentando que a prova é do fisco para não cooperar no ato de fiscalização, sem a demonstração do vínculo existente, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário das operações, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Quanto aos rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeito a carnê-leão, resta claro nos autos que os cheques são nominativos ao suplicante, cabendo a ele o ônus da prova em contrário, fato que não fez. Ao fisco cabe comprovar que os cheques são nominativos ao suplicante, o foi o que fez. Assim, é de se manter a tributação. 50 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 Quanto à aplicação das multas de lançamento de ofício, se faz necessário ressaltar que a convergência do fato imponivel à hipótese de incidência descrita em lei deve sempre ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Entendo, que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Seguindo nesta linha de pensamento, é de se observar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Neste contexto, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à aplicação das multas de lançamento de oficio. Quanto ao lançamento da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do camê-leão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada tem a mesma base de cálculo da multa de lançamento de oficio normal. 51 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 A Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 - Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único - Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 50, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - (omissis). § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de e 52 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais anteriormente transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano- calendário, que deixou de recolher o "carnê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de oficio isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o 53 • MINISTÉRIO DA FAZENDA - • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10218.000860/2003-11 Acórdão n°. : 104-21.830 vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. É claro, da análise dos autos, a existência da aplicação das duas penalidades: multa de oficio normal e multa de ofício isolada. É certo que a aplicação concomitante das duas penalidades é ilegal, só pode sobreviver uma, no caso, a multa de ofício aplicada juntamente com o tributo, já que a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio, previstas no artigo 44 da Lei n°. 9.430, de 1996, por incidirem sobre a mesma base de cálculo não é legítima e é ilegal por expressa falta de previsão. A imputabilidade da multa genérica (multa de ofício normal) exclui as referidas multas isoladas, sob pena de se impor dupla penalização sobre o mesmo fato jurídico, não admitido pelo ordenamento jurídico tributário. Assim sendo, é de se excluir da tributação do ano-calendário de 1998 a multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio exigida com o tributo. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada lançada de forma concomitante com a multa de ofício normal. Sala das Sessões - DF, em 17 de agosto de 2006 NliSi#/ee:Neji 54 Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10120.006930/2006-68
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: PROVA ACOSTADA AOS AUTOS APÓS O PRAZO DA IMPUGNAÇÃO – LIMITES DEFINIDOS NO ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/72 – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – PROVA ACOSTADA APÓS O PROCESSO SER COLOCADO EM PAUTA DE JULGAMENTO – IMPOSSIBILIDADE - A prova juntada após o prazo da impugnação deve-se amoldar às exceções informadas no Decreto nº 70.235/72. Entretanto, as exceções legais antes informadas devem ser criteriosamente examinadas quando a prova é juntada após o recurso voluntário ser colocado em pauta de julgamento, sob pena de a autoridade julgadora abdicar de seu poder-dever de determinar o momento do julgamento, porque, como a prova nova deve ser sempre cientificada à parte adversa, a apreciação desta implicará em assenhoreamento da pauta de julgamento pelo recorrente, que poderá trazer fracionadamente o conjunto probatório, procrastinando ao seu alvedrio o deslinde da controvérsia, o que é de todo inadmissível. AUTO DE INFRAÇÃO – POSSIBILIDADE DE LAVRATURA QUANDO A INFRAÇÃO É IDENTIFICADA NA REPARTIÇÃO FISCAL – AUSÊNCIA DE NULIDADE - A legitimidade da lavratura do auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte, encontra-se assentada na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no enunciado da Súmula 1ºCC nº 6. PROCEDIMENTO FISCAL EM PARALELO COM PROCESSO CRIME QUE APURA ILÍCITOS TRIBUTÁRIOS E SOCIETÁRIOS – MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS E OBJETOS DECRETADO POR JUIZ DE 1º GRAU - DIRIGENTE DO RECORRENTE COM FORO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – IMPOSSILIDADE DE A PRERROGATIVA DE FORO DO DIRIGENTE ELIDIR A AÇÃO DO FISCO – INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA - A prerrogativa de foro abrange os membros do Congresso Nacional no tocante aos crimes comuns. Ocorre que, nestes autos, se discute uma infração administrativa tributária, imputada a uma empresa da qual um membro do Congresso Nacional é sócio. Sequer foi imputado qualquer ônus tributário ao parlamentar. Ademais, o presente feito fiscal utilizou documentos obtidos no curso normal de procedimento fiscal, não se assenhoreando de qualquer informação advinda do Mandado de Busca e Apreensão deferido pelo Juízo Federal. O princípio da separação dos poderes tem como consectário lógico e inafastável o princípio da independência entre as instâncias judicial e administrativa. DILIGÊNCIA – PEDIDO SUBSIDIÁRIO CASO A AUTORIDADE JULGADORA CONSIDERE INSUFICIENTE A PROVA JUNTADA PELO RECORRENTE – IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO PLEITO – Cabe ao recorrente comprovar a imprescindibilidade da diligência vindicada e não transferir essa responsabilidade para a autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS – COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DOS BENEFICIÁRIOS E DA CAUSA DAS OPERAÇÕES – A decisão de que se recorreu identificou o beneficiário dos pagamentos, bem como a causa da operação, afastando a tributação do art. 61 da Lei 8.981/95. Decisão correta e que se mantém. IRRF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN- A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS – TRANSFERÊNCIAS DE VALORES ENTRE A MATRIZ E AS FILIAIS – COMPROVAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS COM EXTRATOS BANCÁRIOS DA MATRIZ E DOS ESTABELECIMENTOS ENVOLVIDOS – CÓPIAS DOS CHEQUES NOMINAIS EMITIDOS - MÚTUOS FIRMADOS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS – COMPROVAÇÃO COM OS INSTRUMENTOS DE MÚTUOS, EXTRATOS BANCÁRIOS DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E CÓPIA DOS CHEQUES – Comprovadas com documentação hábil e idônea as transferências entre a matriz e as filiais, bem como os mútuos entre empresas ligadas, deve-se afastar a tributação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. PAGAMENTOS A EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO – REPRESENTANTES COMERCIAIS DO RECORRENTE E FORNECEDORES DE BENS - COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS, INCLUSIVE COM OS CHEQUES EMITIDOS, NOMINAIS E CRUZADOS, ÀS REPRESENTANTES COMERCIAIS – VALORES VULTOSOS – AUSÊNCIA DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM NOME DAS EMPRESAS REPRESENTANTES E DE SEUS SÓCIOS – REPRESENTANTES E SÓCIOS DESTAS NÃO COMPROVAM A RELAÇÃO COMERCIAL COM O RECORRENTE – RECORRENTE NÃO LOGRA COMPROVAR O NEXO CAUSAL ENTRE OS PAGAMENTOS E OS SERVIÇOS E PRODUTOS ADQUIRIDOS – MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 – NOTAS FISCAIS DE SERVIÇO SEM SUPORTE IDEOLÓGICO - MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - Comprovado por diligências in loco nos pretensos domicílios tributários dos representantes comerciais de que estes não existem, aliado à inexistência de movimentação financeira dessas empresas representantes e de seus sócios, à ausência de comprovação do nexo causal entre os pagamentos e os serviços adquiridos, à presença de empresa com objeto social no segmento de construção civil, tudo isso faz robusta prova de que os pagamentos não tiveram causa. Nessa senda, a apresentação de notas fiscais de serviço sem suporte ideológico e a inexistência de fato dos fornecedores justificam a qualificação da multa de ofício lançada. AGRAVAMENTO DA MULTA OFÍCIO – CONTRIBUINTE QUE NÃO ATENDE AS INTIMAÇÕES FISCAIS – CABIMENTO – O contribuinte foi intimado e não atendeu as requisições fiscais. Cabível o agravamento da multa de ofício. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-17.005
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Com relação ao recurso voluntário: i) por maioria de votos, REJEITAR a juntada de documentos no segundo aditamento ao recurso, vencidas as Conselheiras Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Janaina Mesquita Lourenço de Souza. O Conselheiro Gonçalo Bonet Allage vota pelas conclusões; ii) por unanimidade de votos: a) REJEITAR o pedido de diligência feito pelo recorrente e as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo recorrente; b) DESQUALIFICAR a multa de oficio aplicada no lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal; c) ACOLHER a decadência do lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal dos fatos geradores até 3 de novembro de 2001; d) No mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, mantendo-se o lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal relativo aos fatos geradores de 16/05/2002, nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 50.000,00, bem como o lançamento referente a todos os fatos geradores relativos aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: PROVA ACOSTADA AOS AUTOS APÓS O PRAZO DA IMPUGNAÇÃO – LIMITES DEFINIDOS NO ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/72 – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – PROVA ACOSTADA APÓS O PROCESSO SER COLOCADO EM PAUTA DE JULGAMENTO – IMPOSSIBILIDADE - A prova juntada após o prazo da impugnação deve-se amoldar às exceções informadas no Decreto nº 70.235/72. Entretanto, as exceções legais antes informadas devem ser criteriosamente examinadas quando a prova é juntada após o recurso voluntário ser colocado em pauta de julgamento, sob pena de a autoridade julgadora abdicar de seu poder-dever de determinar o momento do julgamento, porque, como a prova nova deve ser sempre cientificada à parte adversa, a apreciação desta implicará em assenhoreamento da pauta de julgamento pelo recorrente, que poderá trazer fracionadamente o conjunto probatório, procrastinando ao seu alvedrio o deslinde da controvérsia, o que é de todo inadmissível. AUTO DE INFRAÇÃO – POSSIBILIDADE DE LAVRATURA QUANDO A INFRAÇÃO É IDENTIFICADA NA REPARTIÇÃO FISCAL – AUSÊNCIA DE NULIDADE - A legitimidade da lavratura do auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte, encontra-se assentada na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no enunciado da Súmula 1ºCC nº 6. PROCEDIMENTO FISCAL EM PARALELO COM PROCESSO CRIME QUE APURA ILÍCITOS TRIBUTÁRIOS E SOCIETÁRIOS – MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS E OBJETOS DECRETADO POR JUIZ DE 1º GRAU - DIRIGENTE DO RECORRENTE COM FORO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – IMPOSSILIDADE DE A PRERROGATIVA DE FORO DO DIRIGENTE ELIDIR A AÇÃO DO FISCO – INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA - A prerrogativa de foro abrange os membros do Congresso Nacional no tocante aos crimes comuns. Ocorre que, nestes autos, se discute uma infração administrativa tributária, imputada a uma empresa da qual um membro do Congresso Nacional é sócio. Sequer foi imputado qualquer ônus tributário ao parlamentar. Ademais, o presente feito fiscal utilizou documentos obtidos no curso normal de procedimento fiscal, não se assenhoreando de qualquer informação advinda do Mandado de Busca e Apreensão deferido pelo Juízo Federal. O princípio da separação dos poderes tem como consectário lógico e inafastável o princípio da independência entre as instâncias judicial e administrativa. DILIGÊNCIA – PEDIDO SUBSIDIÁRIO CASO A AUTORIDADE JULGADORA CONSIDERE INSUFICIENTE A PROVA JUNTADA PELO RECORRENTE – IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO PLEITO – Cabe ao recorrente comprovar a imprescindibilidade da diligência vindicada e não transferir essa responsabilidade para a autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS – COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DOS BENEFICIÁRIOS E DA CAUSA DAS OPERAÇÕES – A decisão de que se recorreu identificou o beneficiário dos pagamentos, bem como a causa da operação, afastando a tributação do art. 61 da Lei 8.981/95. Decisão correta e que se mantém. IRRF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN- A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS – TRANSFERÊNCIAS DE VALORES ENTRE A MATRIZ E AS FILIAIS – COMPROVAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS COM EXTRATOS BANCÁRIOS DA MATRIZ E DOS ESTABELECIMENTOS ENVOLVIDOS – CÓPIAS DOS CHEQUES NOMINAIS EMITIDOS - MÚTUOS FIRMADOS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS – COMPROVAÇÃO COM OS INSTRUMENTOS DE MÚTUOS, EXTRATOS BANCÁRIOS DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E CÓPIA DOS CHEQUES – Comprovadas com documentação hábil e idônea as transferências entre a matriz e as filiais, bem como os mútuos entre empresas ligadas, deve-se afastar a tributação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. PAGAMENTOS A EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO – REPRESENTANTES COMERCIAIS DO RECORRENTE E FORNECEDORES DE BENS - COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS, INCLUSIVE COM OS CHEQUES EMITIDOS, NOMINAIS E CRUZADOS, ÀS REPRESENTANTES COMERCIAIS – VALORES VULTOSOS – AUSÊNCIA DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM NOME DAS EMPRESAS REPRESENTANTES E DE SEUS SÓCIOS – REPRESENTANTES E SÓCIOS DESTAS NÃO COMPROVAM A RELAÇÃO COMERCIAL COM O RECORRENTE – RECORRENTE NÃO LOGRA COMPROVAR O NEXO CAUSAL ENTRE OS PAGAMENTOS E OS SERVIÇOS E PRODUTOS ADQUIRIDOS – MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ART. 61 DA LEI Nº 8.981/95 – NOTAS FISCAIS DE SERVIÇO SEM SUPORTE IDEOLÓGICO - MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - Comprovado por diligências in loco nos pretensos domicílios tributários dos representantes comerciais de que estes não existem, aliado à inexistência de movimentação financeira dessas empresas representantes e de seus sócios, à ausência de comprovação do nexo causal entre os pagamentos e os serviços adquiridos, à presença de empresa com objeto social no segmento de construção civil, tudo isso faz robusta prova de que os pagamentos não tiveram causa. Nessa senda, a apresentação de notas fiscais de serviço sem suporte ideológico e a inexistência de fato dos fornecedores justificam a qualificação da multa de ofício lançada. AGRAVAMENTO DA MULTA OFÍCIO – CONTRIBUINTE QUE NÃO ATENDE AS INTIMAÇÕES FISCAIS – CABIMENTO – O contribuinte foi intimado e não atendeu as requisições fiscais. Cabível o agravamento da multa de ofício. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido parcialmente.

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Entretanto, as exceções legais antes informadas devem ser criteriosamente examinadas quando a prova é juntada após o recurso voluntário ser colocado em pauta de julgamento, sob pena de a autoridade julgadora abdicar de seu poder-dever de determinar o momento do julgamento, porque, como a prova nova deve ser sempre cientificada à parte adversa, a apreciação desta implicará em assenhoreamento da pauta de julgamento pelo recorrente, que poderá trazer fracionadamente o conjunto probatório, procrastinando ao seu alvedrio o deslinde da controvérsia, o que é de todo inadmissível. AUTO DE INFRAÇÃO — POSSIBILIDADE DE LAVRATURA QUANDO A INFRAÇÃO É IDENTIFICADA NA REPARTIÇÃO FISCAL — AUSÊNCIA DE NULIDADE - A legitimidade da lavratura do auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte, encontra-se assentada na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no enunciado da Súmula 1°CC n° 6. PROCEDIMENTO FISCAL EM PARALELO COM PROCESSO CRIME QUE APURA ILÍCITOS TRIBUTÁRIOS E SOCIETÁRIOS — MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS E OBJETOS DECRETADO POR JUIZ DE Processo n° 10120.006930/2006-ó8 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.040 1 0 GRAU - DIRIGENTE DO RECORRENTE COM FORO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — IMPOSSILIDADE DE A PRERROGATIVA DE FORO DO DIRIGENTE ELIDIR A AÇÃO DO FISCO — INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA - A prerrogativa de foro abrange os membros do Congresso Nacional no tocante aos crimes comuns. Ocorre que, nestes autos, se discute uma infração administrativa tributária, imputada a uma empresa da qual um membro do Congresso Nacional é sócio. Sequer foi imputado qualquer ônus tributário ao parlamentar. Ademais, o presente feito fiscal utilizou documentos obtidos no curso normal de procedimento fiscal, não se assenhoreando de qualquer informação advinda do Mandado de Busca e Apreensão deferido pelo Juizo Federal. O principio da separação dos poderes tem como consectário lógico e inafastável o principio da independência entre as instâncias judicial e administrativa. • DILIGÊNCIA — PEDIDO SUBSIDIÁRIO CASO A AUTORIDADE JULGADORA CONSIDERE INSUFICIENTE A PROVA JUNTADA PELO RECORRENTE — IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO PLEITO — Cabe ao recorrente comprovar a imprescindibilidade da diligência vindicada e não transferir essa responsabilidade para a autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: RECURSO DE OFICIO — PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DOS BENEFICIÁRIOS E DA CAUSA DAS OPERAÇÕES — A decisão de que se recorreu identificou o beneficiário dos pagamentos, bem como a causa da operação, afastando a tributação do art. 61 da Lei 8.981/95. Decisão correta e que se mantém. IRRF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN — COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN- A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser -considerado extinto pela decadência. 2 e Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO /036 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.041 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — TRANSFERÊNCIAS DE VALORES ENTRE A MATRIZ E AS FILIAIS — COMPROVAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS COM EXTRATOS BANCÁRIOS DA MATRIZ E DOS ESTABELECIMENTOS ENVOLVIDOS — CÓPIAS DOS CHEQUES NOMINAIS EMITIDOS - MÚTUOS FIRMADOS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS — COMPROVAÇÃO COM OS INSTRUMENTOS DE MÚTUOS, EXTRATOS BANCÁRIOS DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS E CÓPIA DOS CHEQUES — Comprovadas com documentação hábil e idônea as transferências entre a matriz e as filiais, bem como os mútuos entre empresas ligadas, deve-se afastar a tributação do art. 61 da Lei n°8.981/95. PAGAMENTOS A EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO — REPRESENTANTES COMERCIAIS DO RECORRENTE E FORNECEDORES DE BENS - COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS, INCLUSIVE COM OS CHEQUES EMITIDOS, NOMINAIS E CRUZADOS, ÀS REPRESENTANTES COMERCIAIS — VALORES VULTOSOS — AUSÊNCIA DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EM NOME DAS EMPRESAS REPRESENTANTES E DE SEUS SÓCIOS — REPRESENTANTES E SÓCIOS DESTAS NÃO COMPROVAM A RELAÇÃO COMERCIAL COM O RECORRENTE — RECORRENTE NÃO LOGRA COMPROVAR O NEXO CAUSAL ENTRE OS PAGAMENTOS E OS SERVIÇOS E PRODUTOS ADQUIRIDOS — MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 — NOTAS FISCAIS DE SERVIÇO SEM SUPORTE IDEOLÓGICO - MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - Comprovado por diligências in loco nos pretensos domicílios tributários dos representantes comerciais de que estes não existem, aliado à inexistência de movimentação financeira dessas empresas representantes e de seus sócios, à ausência de comprovação do nexo causal entre os pagamentos e os serviços adquiridos, à presença de empresa com objeto social no segmento de construção civil, tudo isso faz robusta prova de que os pagamentos não tiveram causa. Nessa senda, a apresentação de notas fiscais de serviço sem suporte ideológico e a inexistência de fato dos fornecedores justificam a qualificação da multa de oficio lançada. AGRAVAMENTO DA MULTA OFÍCIO — CONTRIBUINTE QUE NÃO ATENDE AS INTIMAÇÕES FISCAIS — CABIMENTO — O contribuinte foi intimado e não atendeu as requisições fiscais. Cabível o agravamento da multa de oficio. Recurso de oficio negado. Recurso voluntário provido parcialmente. \( 3 Processo n°10120.006930/2006-68 CCO1 /CO6 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.042 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos de oficio e voluntário interpostos pela r TURMA/DRJ em BRASÍLIA - DF e C1PA INDUSTRIAL DE PRODUTOS ALIMENTARES LTDA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Com relação ao recurso voluntário: i) por maioria de votos, REJEITAR a juntada de documentos no segundo aditamento ao recurso, vencidas as Conselheiras Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Janaina Mesquita Lourenço de Souza. O Conselheiro Gonçalo Bonet Allage vota pelas conclusões; ii) por unanimidade de votos: a) REJEITAR o pedido de diligência feito pelo recorrente e as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo recorrente; b) DESQUALIFICAR a multa de oficio aplicada no lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal; c) ACOLHER a decadência do lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal dos fatos geradores até 3 de novembro de 2001; d) No mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, mantendo-se o lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal relativo aos fatos geradores de 16/05/2002, nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 50.000,00, bem como o lançamento referente a todos os fatos geradores relativos aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal. AN .1110 ' A ' BEI 13 S REIS Presi ent GIO ANNI CHR1 • 1 A • SC 'POS Re átor 'ORMALIZADO I ' 1. V 2008 • Participaram, do ento, os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Ro erta de Azeredo ' 1 Ira Pagetti, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Jan. ina Mesquita n ro de Souza, Sérgio Galvão Ferreira Garcia (suplente convocado), A • a Paula e oselli richsen (suplente convocada), Gonçalo Bonet Allage (Vice- Presidente da Câmara e Ana Maria Ribeiro dos Reis (Presidente da Câmara). 4 Processo rf 10120.006930/2006-68 CC01/036 Acórdão n.• 106-17.005 F. 33.043 Relatório Em face do contribuinte Cipa-Industrial de Produtos Alimentares Ltda., CNPJ/MF n° 01.851.716/0001-65, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/10/2006, Auto de Infração (fls. 05, 254 a 392 e 409-volumes I a 3), com ciência postal em 03/11/2006. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado: IMPOSTO R$ 29.425.401,23 MULTA DE OFICIO DE 225% R$ 66.207.150,78 Sobre os valores acima incidirão juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito tributário. A autuação imputou ao contribuinte uma longa série de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95. Abaixo, breve excedo do relatório do Acórdão da Turma de Julgamento que demonstra as condutas imputadas ao contribuinte, verbis: • o contribuinte foi intimado e reintimado por diversas vezes (inclusive com prorrogações de prazos) a comprovar transferéncias de numerários e pagamentos de mútuo ocorridos em 2001 e 2002, abrangendo, ao final, aqueles cujos valores superavam a cifra de R$ 30.000,00 e cujos históricos continham a expressão "OUTROS FORNECEDORES"; contudo, não apresentou qualquer documento ou esclarecimento. Não restou outra alternativa senão considerar como não comprovadas as operações em questão, representadas pelos respectivos lançamentos contábeis a crédito nas contas bancárias, caracterizando pagamento sem causa e/ou operação não comprovada e/ou pagamento a beneficiário não identificado. Os valores constam no Anexo 01 (17. 189/212); • o contribuinte foi intimado e reintimado por diversas vezes (com prorrogações de prazo) a comprovar os pagamentos contabilizados e a efetividade das compras e tomadas de serviços junto às empresas Atenan, Ligeirinho, Batista Rabelo, Comerpa, JMP, Hoyt, Prestosul, Korundex e Flash Machine, bem como esclarecimentos e documentos relativos às causas das operações e aos reais beneficiários. Contudo não apresentou qualquer documento ou esclarecimento, não restando outra alternativa senão considerar como não comprovadas as operações em questão, caracterizando pagamento sem causa e/ou operação não comprovada e/ou pagamento a beneficiário não identificado. As notas fiscais respectivas são inidâneas ou ineficazes, sendo que nos casos das empresas JMP e Flash Machine, os proprietários negaram 5 Processo n°10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.005 Fls. 33.044 ter emitido notas fiscais ou ter efetuado operações com o contribuinte. Os valores constam no Anexo 02 (II 213/253). Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A r Turma de Julgamento da DRJ-Brasília (DF), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 8.973 a 9.071. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 03-20.259, de 29 de março de 2007, que foi assim ementado: FISCALIZAÇÃO NO DOMICÍLIO. CRITÉRIO DO AFRF. O art. 904 do RIR/99 trata apenas de uma autorização para que o AFRF possa realizar a vercação de documentos, livros e estoques in loco na empresa, quando tal providência se demonstrar necessária a seu critério. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso 1 do art. 173 do mesmo código. Ausência de decadência. PAGAMENTO SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários e pagamentos de mútuo, muito menos os beneficiários das saídas de numerário. PAGAMENTO SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo não logrou comprovar as operações que deram causa aos pagamentos registrados a título de despesas e custos em sua contabilidade, amparados em notas fiscais inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação, haja vista estar demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas declaradas inidõneas e/ou emitidas por empresas inexistentes, bem assim pela contabilização reiterada de transferências de numerário, suprimentos de caixa e pagamentos de mútuo sem a devida comprovação documentaL MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente às intimações. Agravamento devido. A decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de pagamento de crédito tributário em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), incidindo, então, no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008 (DOU de 07 de janeiro de 2008), o que obrigou o Presidente da Turma de Julgamento a interpor Recurso de Oficio para este Conselho de Contribuintes. Adicionalmente, o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/05/2007 (fls. 9.465-vol. 45). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/06/2007 (fls. 9.468-vol. 46). No voluntário (fls. 9.468 a 9.536 — vol. 46), o recorrente deduz os seguintes argumentos: "04. 4 • Processo n° 10120.006930/2006-68 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.045 I) a ação fiscal foi feita ao arrepio do art. 904, § 1°, do Decreto n°3.000/99, pois foi executada fora do domicílio do sujeito passivo, o que é causa de nulidade da presente autuação; 2) não restou comprovada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que faz incidir na espécie a contagem do prazo decadencial contado na forma do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional - CTN, e, como decorrência lógica, encontra-se fulminado pela decadência o lançamento referente aos fatos geradores anteriores a 03/11/2001, pois o recorrente foi cientificado da autuação em 03/11/2006; 3) o lançamento foi levado a efeito com base na presunção legal do art. 61, caput e § 1°, da Lei n° 8.981/95, sendo descabida a aplicação de multa qualificada, já que nas presunções não existem provas da materialidade ilícita da conduta, e sim indícios da ocorrência de infração para os quais a legislação fiscal autoriza a apuração do crédito tributário; 4) as provas utilizadas neste processo administrativo fiscal tiveram origem em mandado de busca e apreensão determinado por juízo federal singular. Ocorre que o principal dirigente do recorrente, o Deputado Sandro Mabel, tem prerrogativa de foro junto ao Supremo Tribunal Federal - STF, e tal incidente está sendo discutido no âmbito do Pretório Excelso. Apesar de o Relator da causa no STF, Ministro Carlos Brito, ter cassado a liminar que impedia o prosseguimento da fiscalização, deve-se ressaltar que, caso o recorrente tenha sucesso quando da apreciação do mérito, todos os documentos que serviram de supedâneo para o presente lançamento serão considerados como provas obtidas por meio ilícito, inquinando de nulidade o lançamento fiscal; 5) em relação às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2), apesar de a Turma de julgamento ter acatado, no ponto, parte da inconformidade do então impugnante, rejeitou-se parcela substancial da documentação juntada. Reconhece-se que a documentação referida estava um pouco desordenada, dada a escassez de tempo, pois era enorme o número de operações a serem justificadas. Entretanto, agora o recorrente apensa novamente todo a documentação comprobatória das operações (fls. 9.565-vol. 46 a 10.165-vol. 49); 6) "2.4.6. Esclareça-se, com relação às transferências de numerários, que todos os registros contábeis referem-se a operações realizadas entre contas de mesma titularidade, com coincidência de datas e valores, como comprovam os documentos anexados" (fls. 9.499-vol. 46). Ainda, diferentemente do afiançado pela decisão recorrida (que asseverou que "O sujeito passivo alegou que houve suprimento de caixa, o que não é verdade, vez que a conta "numerários cheques", com toda certeza, não é conta "caixa". Tal fato resta claro se analisarmos o código da conta 01.05.01.01.0 1, que é posterior à conta "bancos", cujo número é 01.01.02.01. Em qualquer plano de contas, a conta "caixa" sempre é anterior à conta "bancos" e, por óbvio, não pode ter numeração posterior. Então, a operação não restou comprovada, vez que não houve o suprimento de caixa alegado. O extrato mostra que houve saída de 7 . Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão o.° 106-17.005 Eis. 33.046 numerário por meio de cheque, mas não é possível verificar quem foi o beneficiário do mesmo"), a conta 01.05.01.01.01 (151.0 L 00105)-Numerários Cheques não indica ser suprimento de caixa, pois ela é uma conta do ativo compensado, portanto, está localizada no final do grupo. Os numerários foram destinados às filiais do recorrente; 7) "2.4.7. Já com relação aos registros de operações de mútuos, não há que se falar em operações sem causa e/ou em pagamentos a beneficiários não identificados, vez que a causa são os contratos de mútuos anexados, e os beneficiários são as empresas relacionados nos referidos contratos, pertencentes ao mesmo grupo econômico (Grupo Mabel), como comprovam os documentos também acostados (cópia dos extratos bancários da mutuante e das mutuarias)" (fls. 9.499-vol. 46); 8) em relação aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2), o então impugnante juntou documentação comprobatória de que todas as operações foram pagas, bem como todos os bens e serviços foram efetivamente recebidos das empresas correspondentes. Ainda, comprovou a retenção do IRRF, mediante a apresentação dos DARF respectivos. A autoridade julgadora a quo entendeu que não restou comprovado o recebimento das mercadorias ou a tomada dos serviços de interinediação de vendas (parte final do parágrafo único do art. 82 da Lei n° 9.430/96). Reconhecendo que, na oportunidade da impugnação, talvez não tenha juntado toda a documentação pertinente premido, é certo, pela escassez do tempo e pela quantidade de operações a comprovar, assevera que havia elementos suficientes, no mínimo, para converter o julgamento em diligência, com o fito de ser apurada a efetividade de todas as operações. Entretanto, agora, amparado pelo principio da verdade material, atendendo perfeitamente o contido na norma legal acima informada, junta os seguintes documentos (fls. 10.166-vol. 49 a 14.711-vol. 71): a. notas fiscais provando o recebimento dos bens e as tomadas dos serviços; b. cópias dos cheques, dos extratos bancários e dos recibos emitidos pelas empresas vendedoras/prestadoras, comprovando os pagamentos dos preços dos bens e serviços; c. DARF atestando as retenções do IRRF, contabilizadas em razão de tais operações. 9) em relação à contratada Batista Rabelo Representações, ressalta que o sócio proprietário dessa empresa ratificou em depoimento prestado aos fiscais autuantes que era representante comercial exclusiva dos produtos fabricados pelas empresas do grupo Mabel, cobrando comissões que variavam de 2% a 6% (fls. 9.522— vol. 46); 10) ressalta que todos os atos de inaptidão foram exarados em momento posterior às operações aqui em debate e que não detém atribuição legal de verificar a situação fiscal dos fornecedores das mercadorias e prestadores de serviços, já 8 ' Processo n° I 0120.006930/2006-68 CCOIC06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.047 que, inclusive, todas as empresas se encontravam regulares perante a Receita Federal-RFB, como se pode comprovar pela situação cadastral no sitio da internet da RFB; 11)o contribuinte acosta relatório de comissão que atesta perfeitamente a prestação dos serviços por parte das empresas de representação comercial, "uma vez que registra os números das notas fiscais relativas às operações onde houve a intermediação, o nome dos compradores das mercadorias nas vendas intermediadas, bem assim o percentual e valor da comissão recebida em razão dessas mesmas prestações de serviços" (fls. 14.714—vol. 72 a 30.371-vol. 149); 12)considerando que o contribuinte comprovou os beneficiários e as causas das operações indevidamente tributadas, incabível o exasperamento da multa de oficio. Nos autos, não se demonstrou que o contribuinte tenha agido com dolo ou má-fé. No caso dos pagamentos às empresas pretensamente inexistentes, deve-se ressaltar que estas estavam regulares nos cadastros da Receita Federal. Ainda, não se deve esquecer que a autuação tomou por base uma presunção legal, o que, por si só, desqualifica a pecha de cometimento de crime contra a ordem tributária. Por fim, deve-se ressaltar que todos os livros fiscais do recorrente estão correta e devidamente escriturados, sem qualquer omissão de receitas, e tanto é verdade que a fiscalização apurou as supostas receitas a partir dos valores contabilizados; 13)não há motivo justificador para o agravamento da multa de oficio, já que o contribuinte atendeu as intimações da autoridade autuante. Quando não o fez, ou estava acobertado por medida judicial competente, ou a busca e apreensão de documentos criou dificuldades para o atendimento das intimações; 14)apesar de entender que a documentação fiscal acostada aos autos é suficiente para elidir a autuação, caso este Conselho dê falta de eventuais documentos, ou considere os juntados insuficientes, pugna pela realização de diligência, para que seja investigada a efetividade de todas as operações. Em petição apresentada em 14/05/2008, após o trintidio legal do termo final do prazo recursal (termo final para interposição do Recurso Voluntário findou-se em 05/06/2007), o recorrente trouxe documentos adicionais (fls. 30.380-vol. 149 e fls. 32.293-vol. 159), especificamente cópia dos cheques das operações que lhe foram imputadas como sem causa ou a beneficiário não identificado (transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal, e pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal - fls. 189-vol. 1 a 253-vol. 2). Aqui, pugnou pelo conhecimento dessa documentação apresentada extemporaneamente, pois somente agora pôde trazê-las aos autos, apesar de há bastante tempo ter solicitado as instituições financeiras. Assim, entendeu aplicável a exceção do art. 16, § 4°, "a", do Decreto n° 70.235/72. A Senhora Presidente da Sexta Câmara autorizou a juntada da documentação acima, bem como deu ciência da mesma ao Senhor Procurador da Fazenda Nacional (fls. 30.375-vol. 149 e 32.294-vol. 159). O recurso voluntário foi colocado na pauta de julgamento do mês de agosto de 2008 (DOU de 02/07/2008, Seção 1 - Págs. 35/36). 9 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.048 Em petição apresentada em 24/07/2008, o recorrente trouxe cópias de cheques que não puderam ser acostadas quando da protocolização da petição apresentada em 14/05/2008. Recurso voluntário e recurso de oficio que compuseram o lote n° 03, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 22/01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo do particular, já que este foi intimado da decisão recorrida em 04/05/2007 (fls. 9.465-vol. 45) e interpôs o recurso voluntário em 04/06/2007 (fls. 9.468-vol. 46), dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Inicialmente, passa-se a apreciar o recurso de oficio interposto. Aqui. deve-se lembrar que a infração imputada ao recorrente desdobrou-se em duas vertentes: a primeira, vinculada às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2): a segunda, vinculada aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2). Na primeira vertente da infração, havia 340 transferências e pagamentos de mútuos. A decisão de que se recorre exonerou o contribuinte da tributação de 167 destas operações. A decisão da Turma de Julgamento somente exonerou as operações para a qual o contribuinte identificou o beneficiário do pagamento, bem como a causa da operação (fls. 8.983 a 9.062-vol. 43). Apenas para exemplificar, abaixo se colacionam algumas operações consideradas comprovadas pela decisão a quo: Dt. operação escriturada Valor (R$) Documentos 09/01/2001 32.000,00 Razão contas "BB ag 086-6 c/c 5611-1" (crédito) e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" (débito). Extratos da cc do BB debitada (sacada) e da cc Bradesco creditada (depositada), ambas de sua titularidade. Há coincidência de data, valor e dos bancos entre os lançamentos contábeis e o extrato bancário. Em vista da coincidência mencionada, considero comprovada a operação de transferência entre suas contas e, por conseguinte, comprovado o beneficiário. ior4 Processo n° 10120.006930/2006-68 Can CO6 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.049 31/01/2001 77.000,00 Razão contas "BB ag 086-6 c/c 5611-1" (crédito) e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" (débito). Extratos da cc do 1313 debitada (sacada) e da cc Bradesco creditada (depositada), ambas de sua titularidade. Há coincidência de data, valor e dos bancos entre os lançamentos contábeis e o extrato bancário. Em vista da coincidência mencionada, considero comprovada a operação de transferência entre suas contas e, por conseguinte, comprovado o beneficiário. 20/0212001 147.000,00 Razão contas "BB ag 086-6 c/c 5611-1" (crédito) e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" (débito). Extratos da cc do 138 debitada (sacada) e da cc Bradesco creditada (depositada), ambas de sua titularidade. Há coincidência de data, valor e dos bancos entre os lançamentos contábeis e o extrato bancário. Em vista da coincidência mencionada, considero comprovada a operação de transferência entre suas contas e, por conseguinte, comprovado o beneficiário. 02/03/2001 40.000,00 Razão contas "BB ag 086-6 c/c 5611-1" (crédito) e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" (débito). Extratos da cc do 1313 debitada (sacada) e da cc Bradesco creditada (depositada), ambas de sua titularidade. Há coincidência de data, valor e dos bancos entre os lançamentos contábeis e o extrato bancário. Em vista da coincidência mencionada, considero comprovada a operação de transferência entre suas contas e, por conseguinte, comprovado o beneficiário. Considerando que o padrão acima permeou, no ponto, toda a decisão recorrida, esta se mostrou acenada, e, assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de oficio. Superado o recurso de oficio, passa-se ao recurso voluntário. Antes de enfrentar a irresignação recursal, deve-se avaliar a possibilidade do enfrentamento nesta instância da documentação apresentada de forma extemporânea, no bojo do próprio Recurso Voluntário, em 04/06/2007, e após o prazo recursal, em 14/05/2008 e 24/07/2008. /1\ PI Processo n°10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.005 ris 33.050 Ora, é de sabença geral que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, referir-se a fato ou a direito superveniente ou destinar-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4°, "a" a "c", do Decreto n°70.235/72). No tocante à documentação nova trazida no Recurso Voluntário, em 04/06/2007, tratou-se de repisar aquela apresentada na impugnação, com uma melhor organização. O que veio de novo (como os contratos de mútuos e os relatórios de comissões) buscou contrapor razões deduzidas na decisão recorrida. Inegavelmente, a apreciação de tal documentação está acobertada pela exceção do art. 16, § 4°, "c", do Decreto n° 70.235/72. Na mesma linha acima, e de forma ainda mais criteriosa, a apreciação da documentação trazida após o trintidio legal do Recurso Voluntário deve ser cuidadosamente justificada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes tem uma jurisprudência extremamente flexível no tocante à inovação probatória na fase do recurso voluntário, ancorada no princípio da verdade material, aceitando, em situações excepcionalíssimas, nas quais se comprove a efetiva dificuldade na produção da prova ou a sua imprescindibilidade para o deslinde da controvérsia, que a prova seja colacionada até após o trintídio do recurso voluntário. Como exemplo, veja-se o Acórdão n° 106-16.716, sessão de 22 de janeiro de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. No caso destes autos, a documentação acostada em 14/05/2008, referente às cópias dos cheques das operações em debate (fls. 30.380-vol. 149 e fls. 32.293-vol. 159), deve ser apreciada, pois é relevante para o deslinde da controvérsia, bem como se reconhece a necessidade de um prazo mais elástico para essa produção probatória, que é simples, na essência, porém a quantidade das operações justifica o prazo adicional. Mesma sorte não pode socorrer a documentação trazida na petição recebida em 24/07/2008. De plano, observe-se que o recurso voluntário foi colocado na pauta de julgamento do mês de agosto de 2008 (DOU de 02/07/2008, Seção 1 - Págs. 35/36), o que deve ser um óbice intransponível para juntada de prova nova. Agora, apenas é permitida a juntada de memoriais, que devem versar, em regra, sobre questões de direito, ou caso se trate de uma prova que não pôde ser produzida anteriormente, situação que deve ser provada minudentemente. Ocorre que, no caso vertente, o recorrente trouxe centenas de documentos, o que viola o conceito de memorial, bem como não comprovou a impossibilidade da produção tempestiva de tais documentos. Ademais, acatar a pretensão aqui deduzida significaria que a Sexta Câmara estaria abdicando de seu poder-dever de julgar, pois o recorrente poderia trazer a documentação do recurso voluntário ao seu bel prazer, fracionadamente, impedindo o prosseguimento do julgamento, já que toda prova nova deve ser cientificada a parte adversa. Na prática, significaria que a data do julgamento seria determinada pelo recorrente, o que não pode ser aceito de maneira alguma. Ante o exposto, rejeita-se a apreciação da prova trazida em 24/07/2008. As demais provas, firme na busca da verdade material e em homenagem à jurisprudência da Sexta Câmara, devem ser apreciadas nesta instância recursal. • Processo n° 10120.006930/2006-68 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.051 Superado o incidente acima, e como forma de compreender adequadamente o objeto do litígio, traz-se à colação a legislação infringida pelo recorrente, art. 61 da Lei n° 8.981/95: Art. 61 - Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à aliquota de 3.5.% todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não ident(icado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1°. A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°., do art. 74, da Lei W.8.383, de 1991. § r. Considera-se vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3°. O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Como acima se vê, a lei estabelece três hipóteses distintas de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a saber: a) Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados - quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e apontou como recebedor do pagamento, de fato, nada recebeu; b) Pagamentos sem causa - a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou; c) Concessão de beneficios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei n° 8.383, de 1991 - se o valor correspondente ao beneficio for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. No caso vertente, às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2), estão enquadrados na hipótese da alínea "a", acima; de outra banda, os pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do teimo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2), estão enquadrados na hipótese da alínea "b", acima. Agora, resumem-se as irresignações trazidas no recurso voluntário: I. a ação fiscal foi feita ao arrepio do art. 904, § 1°, do Decreto n° 3.000/99, pois foi executada fora do domicílio do sujeito passivo, o que é causa de nulidade da presente autuação; 13 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 105-17.005 Fls. 33.052 II. as provas utilizadas neste processo administrativo fiscal tiveram origem em mandado de busca e apreensão determinado por juizo federal singular. Ocorre que o principal dirigente do recorrente, o Deputado Sandro Mabel, tem prerrogativa de foro junto ao Supremo Tribunal Federal - STF, e tal incidente está sendo discutido no 'âmbito do Pretório Excelso. Apesar de o Relator da causa no STF, Ministro Carlos Brito, ter cassado a liminar que impedia o prosseguimento da fiscalização, deve-se ressaltar que caso o recorrente tenha sucesso quando da apreciação do mérito, todos os documentos que serviram de supedâneo para o presente lançamento serão considerados como provas obtidas por meio ilícito, inquinando de nulidade o lançamento fiscal; III. não restou comprovada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que faz incidir na espécie a contagem do prazo decadencial contado na forma do art. 150, § 40, do CTN, e, como decorrência lógica, encontra-se fulminado pela decadência o lançamento referente aos fatos geradores anteriores a 03/11/2001, já que o recorrente foi cientificado da autuação em 03/11/2006; IV. com relação às transferências de numerários, todos os registros contábeis referem-se a operações realizadas entre contas de mesma titularidade, com coincidência de datas e valores, como comprovam os documentos anexados; V. com relação aos registros de operações de mútuos, não há que se falar em operações sem causa e/ou em pagamentos a beneficiários não identificados, vez que a causa são os contratos de mútuos anexados, e os beneficiários são as empresas relacionados nos referidos contratos, pertencentes ao mesmo grupo econômico (Grupo Mabel), como comprovam os documentos também acostados aos autos; VI. em relação aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253), atendendo perfeitamente parte final do parágrafo único do art. 82 da Lei n° 9.430/96, junta os seguintes documentos (fls. 10.166-vol. 49 a 14.711-vol. 71): a. notas fiscais provando o recebimento dos bens e as tomadas dos serviços; b. cópias dos cheques, dos extratos bancários e dos recibos emitidos pelas empresas vendedoras/prestadoras, comprovando os pagamentos dos preços dos bens e serviços; c. DARF atestando as retenções do IRRF, contabilizadas em razão de tais operações; d. relatório de comissão que atesta perfeitamente a prestação dos serviços por parte das empresas de representação comercial, "uma vez que registra os números das notas fiscais relativas às operações onde houve a intermediação, o nome dos compradores das mercadorias nas vendas intermediadas, bem assim o percentual e valor da comissão recebida em razão dessas mesmas prestações de serviços" (fls. 14.714—vol. 72 a 30.371-vol. 149). 14 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.053 VII. em relação à contratada Batista Rabelo Representações, ressalta que o sócio proprietário dessa empresa ratificou em depoimento prestado aos fiscais autuantes que era representante comercial exclusiva dos produtos fabricados pelas empresas do grupo Mabel, cobrando comissões que variavam de 2% a 6% (fls. 9.522 — vol. 46). Ainda, em relação a todas as demais empresas representantes, ressalta que todos os atos de inaptidão foram exarados em momento posterior às operações aqui em debate e que não detém atribuição legal de verificar a situação fiscal dos fornecedores das mercadorias e prestadores de serviços, já que, inclusive, todas as empresas se encontravam regulares perante a Receita Federal-RFB, como se pode comprovar pela situação cadastral no sítio da intemet da RFB; VIII. o lançamento foi levado a efeito com base na presunção legal do art. 61, capta e § I°, da Lei n° 8.981/95, sendo descabida a aplicação de multa qualificada, já que nas presunções não existem provas da materialidade ilícita da conduta, e sim indícios da ocorrência de infração para os quais a legislação fiscal autoriza a apuração do crédito tributário; IX. ainda, considerando que o contribuinte comprovou os beneficiários e as causas das operações indevidamente tributadas, incabível o exasperamento da multa de oficio. Nos autos, não se demonstrou que o contribuinte tenha agido com dolo ou má-fé. No caso dos pagamentos às empresas pretensamente inexistentes, deve-se ressaltar que estas estavam regulares nos cadastros da Receita Federal. Ainda, não se deve esquecer que a autuação tomou por base uma presunção legal, o que, por si só, desqualifica a pecha de cometimento de crime contra a ordem tributária. Por fim, deve-se ressaltar que todos os livros fiscais do recorrente estão correta e devidamente escriturados, sem qualquer omissão de receitas, e tanto é verdade, que a fiscalização apurou as supostas receitas a partir dos valores contabilizados; X. não há motivo justificador para o agravamento da multa de oficio, já que o contribuinte atendeu as intimações da autoridade autuante. Quando não o fez, ou estava acobertado por medida judicial competente ou a busca e apreensão de documentos criou dificuldades para o atendimento das intimações; XI. apesar de entender que a documentação fiscal acostada aos autos é suficiente para elidir a autuação, caso este Conselho dê falta de eventuais documentos, ou considere os juntados insuficientes, pugna pela realização de diligência, para que seja investigada a efetividade de todas as operações. Passa-se a apreciar o item I da irresignação acima (a ação fiscal foi feita ao arrepio do art. 904, § I°, do Decreto n° 3.000/99, pois foi executada fora do domicílio do sujeito passivo, o que é causa de nulidade da presente autuação). Deve-se ressaltar que a autoridade fiscal esteve no domicílio do recorrente inúmeras vezes, quer entregando termos de intimação, quer retendo documentos. Como exemplos, vejam-se os termos de retenção de documentos lavrados em 14/06/2005, 15/06/2005, 05/07/2005, 11/07/2005, 14/07/2005 (fls. 35, 37, 42, 44 e 50). Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO I /C06 Acórdão n.° 108-17.005 Eis. 33.054 Ademais, o art. 904 do Decreto n° 3.000/99, com base legal no art 7° da Lei n2 2.354/1954 e no Decreto-Lei n2 2.225/1985, autoriza que os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil façam vistoria in loco nos estabelecimentos dos contribuintes, para verificação de livros, documentos e estoques, podendo, inclusive, efetuar retenções. Não há obrigatoriedade de que a ação fiscal se desenvolva no ambiente fisico do contribuinte. Dessa forma, com a competente apreciação da documentação fiscal, a infração pode ser detectada no ambiente físico do contribuinte ou da repartição fiscal. Esta é a inteligência da Súmula 1°CC n° 6: É legitima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Assim, afasta-se a nulidade vindicada. Agora, passa-se a apreciar o item II da irresignação recursal (nulidade do feito em decorrência de incompetência do juizo federal singular para determinar a busca e apreensão de documentos no recorrente, já que o principal cotista da empresa é Deputado Federal, com foro no Supremo Tribunal Federal). Na forma do art. 102, I, "b", da Constituição Federal, compete ao Supremo Tribunal Federal julgar, originariamente, os membros do Congresso Nacional nas infrações penais comuns. Abaixo, excerto pinçado da Constituição anotada depositada no sitio da intemet do Supremo Tribunal Federal (http://www.stfjus.br), que define o que é infração penal comum: A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de definir a locução constitucional crimes comuns como expressão abrangente a todas as modalidades de infrações penais, estendendo-se aos delitos eleitorais e alcançando, ate mesmo, as próprias contravenções penais." (Rcl 511, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 9-2-95, DJ de 15-9-95). No mesmo sentido: In 1.872, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 4-10-06, DJ de 20-4-07. Na espécie, a prerrogativa de foro abrange os membros do Congresso Nacional no tocante aos crimes comuns. Ocorre que nestes autos se discute uma infração administrativa tributária, imputada a uma empresa da qual o Deputado Federal Sandro Antônio Scodro é sócio. Sequer foi imputado qualquer ônus tributário ao contribuinte pessoa física antes citado. Ademais, pelo Termo de Reintimação de 31/01/2006 (fls. 159-vol. 1), a autoridade autuante asseverou que o presente feito fiscal utilizara-se de documentos obtidos no curso normal do procedimento fiscal, não se assenhoreando de qualquer informação advinda do Mandado de Busca e Apreensão-MBA n°21/2004, da Justiça Federal, no qual se determinou a arrecadação de documentos e arquivos nas empresas do grupo Mabel. Por último, mesmo que a fiscalização tivesse se utilizado da documentação arrecadada no MBA acima citado, sua Excelência, o Ministro Carlos Ayres Brito, apreciando agravo regimental em face de liminar deferida pelo Ministro Nelson Jobim, esta que determinara a suspensão da fiscalização tributária que tinha base na documentação do MBA citado (fls. 165 a 167), asseverou, verbis (fls. 175 e 176): 9. Os argumentos contidos no Agravo Regimental interposto pela União — da decisão do então Presidente dessa Corte, o Ministro Nelson Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.055 Jobim, que deferiu liminar pedida pelo investigado para que fosse determinado à Receita Federal que paralise os trabalhos de fiscalização — tem inteira procedência. 10. Na verdade, o investigado quer se valer da prerrogativa de foro, que é constitucionalmente deferida aos parlamentares para o processo e julgamento de infrações penais, para livrar o seu grupo de fiscalização da Receita Federal, o que se afigura inconcebível. 11. A Constituição Federal, em seu art. 2°, consagra o princípio da separação dos poderes do qual decorre, como consectário lógico e inafastável, o principio da independência entre as instâncias judicial e administrativa. 12. Assim, independentemente da discussão sobre a competência para investigar os delitos praticados pelos dirigentes do grupo MABEL, fiscalização da Receita Federal deve prosseguir. Por tudo, absolutamente escorreito o procedimento fiscal, não tendo, no ponto, qualquer nulidade, quer porque não utilizou a documentação proveniente da busca e apreensão judicial, como asseverou a autoridade autuante, quer porque, caso tivesse a utilizado, estava amparado por decisão do Ministro relator no STF acima transcrita. Superada a defesa do item II, passa-se à do item III (não restou comprovada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que faz incidir na espécie a contagem do prazo decadencial contado na forma do art. 150, § 40, do CTN, e, como decorrência lógica, encontra-se fulminado pela decadência o lançamento referente aos fatos geradores anteriores a 03 de novembro de 2001, já que o recorrente foi cientificado da autuação em 03/11/2006). Aqui, deve-se lembrar que a infração imputada ao recorrente desdobrou-se em duas vertentes: a primeira, vinculada às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2); a segunda, vinculada aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2). Em relação às transferências de numerários e dos pagamentos a título de mútuo, a autoridade lançadora havia identificado a ocorrência de vários lançamentos com o histórico "Outros fornecedores", e o recorrente, devidamente intimado, não identificou para quem efetuou o pagamento (como se percebe do relató irio fiscal de fls. 405 e 406 — vol. 3). Tais pagamentos e transferências foram considerados feitos a beneficiários não identificados. Inicialmente, deve-se discutir a controvérsia decadencial apenas em relação à infração acima. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial da-se na forma disciplinada no art. 150, § 40, do CTN. Este é o caso do lançamento do imposto de renda da pessoa fisica e da pessoa jurídica. . . Processo n° 10120.00693012006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 100-17.005 Fls. 33.056 Deve-se enfatizar que é pacífico, no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda amolda-se à dicção do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citam-se os acórdãos n°s: 101-95026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 103-23170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; 203-10853, relator a Conselheira Maria Teresa Martínez López, sessão de 28/03/2006; CSRF/01-05.628, relator o Conselheiro José Henrique Longo; CSRF/04- 00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. No caso vertente, considerando que imposto de renda incidente sobre pagamentos e transferências sem causa é exclusivo na fonte, o qüinqüênio decadencial do lançamento conta-se a partir do fato gerador, e, no caso de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Assim, para definição do termo a quo do prazo decadencial, mister verificar se a conduta estampada nos autos, no ponto em discussão, revela a qualificadora de sonegação do art. 71 da Lei n°4.502/64, como afirmado pela autoridade autuante. Na época da ocorrência dos fatos geradores, para qualificação da multa de oficio, necessário verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964, o que justificaria a aplicação da multa qualificada e a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN. A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes vem erigindo balizas para a aplicação de multas exasperadas, exigindo a comprovação do evidente intuito de fraude, Assim, terminou por consolidar o entendimento consubstanciado na Súmula 1°CC n° 14, ("A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo"), que impede que a mera omissão de rendimentos ou de receitas seja motivo bastante para qualificar a multa de oficio. No caso aqui em debate, pagamentos e transferências com fins ocultos foram imputados ao contribuinte, pois este não comprovou, no momento da autuação, os beneficiários das operações. Assim, com esteio no art. 61 da Lei n° 8.981/95, presumiu-se que tais valores foram despendidos a beneficiários não identificados. Esse foi o ponto fulcral dessa parte da autuação. Não foi imputado ao recorrente a utilização de qualquer fraude ou documentação iniclônea a esconder os beneficiários dos pagamentos. Apenas, que tais pagamentos não tiveram os seus beneficiários identificados. Ausente a comprovação do evidente intuito de fraude, estribado, por exemplo, em documentação inidônea, inviável a presença de conduta tipificada, em tese, como crime, o que justificaria o exasperamento da multa de oficio, bem como a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, 1, do CTN. 18 . Processo n° 10120.006930/2006-68 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.057 Em abono a essa tese, veja-se o Acórdão n° 104-22.523, sessão de 14 de junho de 2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, verbis: DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O agamento efetuado a beneficiário não identificado ou sem a comprovação da operação ou causa está sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, cuja apuração e recolhimento devem ser realizados na data do pagamento (fato gerador). A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 40 do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, sem a utilização de documentos inidâneos, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária. (grifei) Ainda, na mesma linha acima, o Acórdão n° 104-21.900, sessão de 21 de setembro de 2006, relator o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que restou assim ementado: IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA - A pessoa jurídica que efetuar pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado sujeitar-se-á ao pagamento do Imposto sobre a Renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - Se não estiver demonstrado nos autos que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de expedientes que caracterizem evidente intuito de fraude, descabe a aplicação da multa qualificada, de 150% (.) Por tudo, no tocante às transferências de numerários e dos pagamentos a titulo de mútuo, considerados feitos a beneficiários não identificados, reconhece-se que não foi comprovado o evidente intuito de fraude, o que implica na contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4°, do CTN (e não na forma do art. 173,1, do CTN). 19 Processo n°10120.006930/2006-6$ CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.005 Fls. 33.058 Ante o exposto, considerando que o recorrente foi cientificado da autuação em 03/11/2006, deve-se reconhecer que a decadência fulminou, no ponto, os fatos geradores anteriores a 03/11/2001. No tocante aos pagamentos feitos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fis. 238 a 253 — vol. 2), deve-se abordar a questão decadencial mais à frente, quando em discussão, especificamente, o cabimento da multa qualificada para essa parte da autuação. Dando seqüência, devem-se apreciar, conjuntamente, os itens IV (com relação às transferências de numerários, todos os registros contábeis referem-se a operações realizadas entre contas de mesma titularidade, com coincidência de datas e valores, como comprovam os documentos anexados) e V (com relação aos registros de operações de mútuos, não há que se falar em operações sem causa e/ou em pagamentos a beneficiários não identificados, vez que a causa são os contratos de mútuos anexados, e os beneficiários são as empresas relacionados nos referidos contratos, pertencentes ao mesmo grupo econômico (Grupo Mabel), como comprovam os documentos também acostados) em conjunto. Aqui em debate, apenas as transferências de numerários e os pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2). A autoridade autuante imputou um total de 340 pagamentos e transferências a beneficiários não identificados. Destes, 167 operações tiveram sua tributação exonerada pela decisão recorrida de oficio, cujos pagamentos montaram R$ 15.531.577,02. Por outro lado, 173 operações de pagamentos e transferências remanesceram sem comprovação dos beneficiários, no montante de R$ 21.683.598,32, que são o objeto da presente irresignação. O recorrente traz documentação que reputa higida para exonerar a tributação das operações mantidas na decisão recorrida. Considerando que os fatos geradores anteriores a 03/11/2001 foram considerados caducos, deve-se apreciar a irresignação em relação aos fatos geradores posteriores a 03/11/2001. Abaixo, colaciona-se planilha na qual consta o juizo emitido por esta Sexta Câmara (a célula IP abaixo significa "Indexador da planilha do Acórdão recorrido", ou seja, o número que o pagamento está descrito na planilha da decisão recorrida): IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta aunara Fls. do operação processo escriturada 128 12/11/2001 83.000,00 Razão contas "numerários cheques" Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.869, (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c com coincidência de titulares, datas, valores e9.870, 050182-4" (crédito). Extrato da conta do numeração dos documentos. Cheque tipo TB 32.253 e Bradesco, com indicação deacostado, próprio para transferência de valores com 32.254 compensação de cheque no mesmo valor isenção da CPMF de contas de depósitos dos e na mesma data do escriturado. O mesmos titulares, comprovando a operação e sujeito passivo alegou que houve indicando que o emitente e o beneficiário da cartola suprimento de caixa, o que não é são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa verdade, vez que a conta "numerários da operação comprovados. cheques", com toda certeza, não é conta "caixa". Tal fato resta claro se analisarmos o código da conta 01.05.01.01.01, que é posterior à conta "bancos", cujo número é 01.01.02.01. !s:$1 • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.059 Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls, do operaçáo processo escriturada Em qualquer plano de contas, a conta "caixa" sempre é anterior à conta "bancos" e, por óbvio, não pode ter numeração posterior. Então, a operação não restou comprovada, vez que não houve o suprimento de caixa alegado. O extrato mostra que houve saída de numerário por meio de cheque, mas não é possível verificar quem foi o beneficiário do mesmo. 135 5112/2001 60.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.872, Acórdão recorrido 9.873, 32.271 e 32.272 136 10/12/2001 140.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.875, Acórdão recorrido 9.876, 32.273 e 32.274 140 14/12/2001 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.878, Acórdão recorrido 9.879, 32.281 e 32.282 142 20/12/2001 40.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Apenas juntado o extrato do recorrente. Entretanto,9.881, Acórdão recorrido juntou-se cheque tipo TB, próprio para transferência 32.286 e entre contas de depósito do mesmo titular com 32.287 isenção da CPMF, comprovando a operação e indicando que o emitente e o beneficiário da cartola são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 146 2/1/2002 65.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.885, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e9.886, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.709 e - acostado, próprio para transferências entre contas de 31.710 depósito do mesmo titular com isenção da CPMF, comprovando a operação e indicando que o emitente e o beneficiário da cártula são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 148 7/1/2002 65.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.888, Acórdão recorrido 9.889, 31.713 e 31.714 149 8/1/2002 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.891, Acórdão recorrido 9.892, 31.715 e 31.716 151 10/1/2002 80.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.894, Acórdão recorrido 9.895, 31.719 e 31.720 159 5/2/2002 100.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.897, Acórdão recorrido 9.898, 31.742 e 31.743 161 8/2/2002 137.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.900, Acórdão recorrido 9.901, 31.747 e 31.748 162 14/2/2002 33.000,00 Razão contas "brad ag 0140-6 cc Idem acima 9.903, 184788-0" e "Bradesco ag 140-6 c/c 9.904, 0501824" (crédito). Apresentou extrato • 31.749 e 21 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.°106-17.005 Fls. 33.060 IP IR. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls, do operação processo escriturada de sua conta 501824, onde foi efetuado 31.750 o saque via compensação de cheque na mesma data e valor. Como não apresentou extrato da conta depositada e o cheque compensado não era TB, resta considerar que o beneficiário do pagamento e a operação não foram comprovados. 164 18/2/2002 300.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Transferências entre contas de depósito de mesma 9.906 e Acórdão recorrido titularidade. Acostados os extratos de ambas as 9.907 contas, com idêntico número de documento nos extratos. Beneficiário e causa da operação comprovados. 166 20/2/2002 400.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados,9.909, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e9.910, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.756 e acostado, comprovando a operação e indicando que 31.757 o emitente e o beneficiário da cártula são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 168 26/2/2002 300.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doldem acima 9.912, Acórdão recorrido 9.913, 31.761 e 31.762 170 27/2/2002 38.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato da conta de depósito do emitente 9.915, Acórdão recorrido e cópia do cheque tipo TB, indicando que o31.763 e emitente e o beneficiário são a mesma pessoa 31.764 jurídica. Ainda, deve-se observar que a numeração do Cheque TB consta no extrato acostado aos autos, e é o Cheque TB na seqüência do registrado na linha precedente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 172 1/3/2002 120.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.917, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e 9.918, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.771 e acostado, comprovando a operação e indicando que31.772 o emitente e o beneficiário da cártula são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 173 4/3/2002 400.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados apenas os extratos bancários do emitente e 9.490, Acórdão recorrido da pretensa filial beneficiária, com identidade de9.920 e titulares, data e valor. Verifica-se que o número do 9.921 documento no extrato do emitente (901921) é a seqüência do cheque TB da linha anterior. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são matriz e filial, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 175 7/3/2002 130.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados,9.923, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e9.924, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.776 e acostado, comprovando a operação e indicando que 31.777 o emitente e o beneficiário da cártula são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 176 7/3/2002 700.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.926, Acórdão recorrido 9.927, 31.778 e 31.779 179 11/3/2002 80.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.929, Acórdão recorrido 9.930, 22 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.005 Els. 33.061 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls, do operação processo escriturada 31.785 e 31.786 180 12/3/2002 500.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.932, Acórdão recorrido 9.933, 31.787 e 31.788 182 14/3/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados apenas os extratos bancários do emitente e9.491, Acórdão recorrido da pretensa filial beneficiária, com identidade de 9.935 e titulares, data e valor. Verifica-se que o número do 9.936 documento no extrato do emitente (901929) é do talonário de cheque TB do banco Bradesco. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são matriz e filial, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 187 25/3/2002 500.000,00 Razão contas "Boston ag 25 cc 55927" Juntados apenas os extratos bancários do emitente e 9.491, (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c do pretenso beneficiário, com identidade de titulates9.938 e 050182-4" (crédito). Extrato da cc do das contas de depósito, de data e valor. Verifica-se 9.939 bankboston creditada (depositada), com que o número do documento no extrato do emitente histórico de depósito em cheque e extrato (901933) é do talonário de cheque TB do banco do Bradesco com indicação de cheque Bradesco. Considerando que se trata de cheque TB, compensado. Porém as datas nos extratos escorreito o entendimento de que o emitente e o são diferentes da escrituração beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como (26/03/2002 e 25/03/2002, pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da respectivamente). operação comprovados. 190 1/4/2002 80.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados,9.941, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e 9.942, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.804 e acostado, comprovando a operação e indicando que 31.805 o emitente e o beneficiário da cartola são a mesma pessoa juridica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 191 2/4/2002 40.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.944, Acórdão recorrido 9.945, 31.806 e 31.807 193 5/4/2002 141.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.947, Acórdão recorrido 9.948, 31.811 e 31.812 194 9/4/2002 800.000,00 Razão contas "Boston ag 25 cc 55927"J untados apenas os extratos bancários do emitente e 9.491, (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c do pretenso beneficiário, com identidade de titulares 9.950, 0501824" (crédito). Extrato da cc do das contas de depósito, de data e valor. Verifica-se 9.951, bankboston creditada (depositada), com que o número do documento no extrato do emitente 31.811 a histórico de depósito em cheque. Não é(901937) é do talonário de cheque TB do banco 31.814 possível identificar a data do depósito Bradesco, cheque este não juntado aos autos (foram para ver se há coincidência. Todavia, não juntados os cheques 901936 e 901938). Ainda, há como saber se ocorreu de como padrão de todos os cheques TB anteriormente transferência de numerário do próprio apresentados, consta no histórico do extrato do contribuinte, vez que não há indicação de emitente, a dicção "cheque compensado - 991", a cheque TB e não há o extrato de saída do indicar que o "991" é o discrimen do cheque TB. Bradesco. Logo não estão comprovados Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o beneficiário do pagamento e o tipo deo entendimento de que o emitente e o beneficiário operação. são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 195 10/4/2002 152.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.953, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e 9.954, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.813 e acostado, próprio para não incidência de CPMF,31.8 14 comprovando a operação e indicando que o emitente e o beneficiário da cânula são a mesma • 23 • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.062 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 198 15/4/2002 35.000,00 Razão contas "brad ag 140-6 cc 184788-Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.956, 0" e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" com coincidência de titulares, datas, valores e9.957, (crédito). Apresentou extrato de suanumeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.824 e conta no Bradesco 501824, onde foi acostado, próprio para não incidência de CPMF, 31.825 efetuado o saque via compensação de comprovando a operação e indicando que o cheque na mesma data e valor. Como emitente e o beneficiário da cânula são a mesma não apresentou extrato da conta de pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação depósito e o cheque compensado não era comprovados. TB, resta considerar que o beneficiário do pagamento e a operação não foram comprovados. 199 16/4/2002 60.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Idem acima 9.959, Acórdão recorrido 9.960, 31.826 e 31.827 205 5/5/2002 129.000,00 Razão contas "BB ag 3388x c/c 5611-1"O recorrente afirma que o depósito somente foi feito 9.962, (crédito) e "Bradesco ag 140-6 c/cno dia seguinte ao da contabilização. O lançamento 9.963, 050182-4" (débito). Extratos da cc do contábil está registrado em 05/05/2002, com crédito 31.839 e BB debitada (sacada), com indicação de contábil registrando no histórico a conta de depósito 31.840 cheque TB em conta Bradesco. Porém do banco do Brasil. Pelo extrato da conta de não há coincidência de datas, entre o depósito do banco do Brasil juntado aos autos, não extrato e a contabilidade. Logo o há débitos (que corresponderia a créditos contábeis) documento não serve como prova, não no dia 05/05/2002, mas no dia 06/05/2002. estando comprovados o beneficiário do Ademais, foi juntada a cópia do cheque TB sacado pagamento e a operação.. contra o banco do Brasil, com cruzamento em preto, em nome do banco Bradesco, estando os cheques e ambos os extratos em perfeita sintonia. Com essas considerações, fica robustecida a tese do recorrente de que o depósito foi feito no dia seguinte ao da contabilização. Beneficiário e causa da operação comprovados. - 207 8/5/2002 49.000,00 Razão contas "ne participações" (débito) Apresentou cópia do extrato da conta de depósito do 2228, e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" beneficiário do pagamento, em sintonia com o2230, (crédito). Apresentou apenas extrato de registro da contabilidade. Ainda, acostou cópia de9.665 a sua conta corrente indicando a saída de contrato de mútuo contemporâneo à operação 9.667, mesmo valor e data via cheque, mas não (assinado em 02/01/2001 e com termo final, 31.844 e apresentou extrato do beneficiário do prorrogável, em 31/12/2002), em que o31.845 pagamento. Logo não está comprovado o recorrente/mutuante abre um limite de saque de até beneficiário do pagamento. Além disso, RS 150.000,00 para a mutuária, bem como cópia do não há prova suficiente para concluir cheque emitido nominal a NE Participações. que, se ne participações fosse o Beneficiário e causa da operação comprovados. beneficiário do pagamento, a operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 208 9/5/2002 100.000,00 Razão contas "cipa ne" (débito) e Apresentou cópia do extrato da conta de depósito do 2236, "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" beneficiário do pagamento, em sintonia com o2238, (crédito). Apresentou apenas extrato de registro da contabilidade. Ainda, acostou cópia de 9.969 a sua conta corrente indicando a saída decontrato de mútuo contemporâneo à operação 9.972, mesmo valor e data via cheque, mas não(assinado em 02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e31.846 e apresentou extrato do beneficiário do com termo final, prorrogável, em 31/12/2002), ern 31.847 pagamento. Logo não está comprovado o que o recorrente/mutuante abre um limite de saque beneficiário do pagamento. Além dissorde até R$ 4.000.000,00 para a mutuária, bem como não há prova suficiente para conclui 'pia do cheque emitido nominal a Cipa NE. que, se a cipa ne fosse o beneficiário do Beneficiário e causa da operação comprovados. pagamento, a operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não 24 • • Processo n° 10120.006930/200648 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.063 IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação dou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 209 10/5/2002 180.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.974, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e 9.975, numeração dos documentos. Cheque tipo T831.848 e acostado, próprio para não incidência de CPMF,31.849 comprovando a operação e indicando que o emitente e o beneficiário da cártula são a mesma pessoa juridica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 213 16/5/2002 200.000,00 Razão contas "cipa ne" (débito) e Na contabilidade, a data da operação foi 2.286, "Bradesco ag 140-6 dc 050182-4" registrada em 16/0512002. Foi acostado o extrato 2.291, (crédito). Apresentou apenas extratoda conta de depósito e do pretenso beneficiária. 9.977 e de sua conta corrente indicando a No extrato deste último, o histórico aparece com 9.978 saída de mesmo valor e data via transferência entre contas, enquanto no extrato cheque, mas não apresentou extrato do do recorrente, aparece como cheque beneficiário do pagamento. Logo não compensado. Aqui, há divergência de datas e está comprovado o beneficiário do histórico do extrato bancário. Deve-se ressaltar pagamento. Além disso, não há prova que as contas de depósito em debate são no suficiente para concluir que, se a cipa mesmo banco. Assim, se os registros a débito e a ne fosse o beneficiário do pagamento, a crédito fossem de origem comum, o número do operação referiu-se a pagamento de documento e o histórico serão idênticos. O mútuo, vez que não comprovou BENEFICIÁRIO E A CAUSA DA OPERAÇÃO recebimento anterior de empréstimo NÃO RESTARAM COMPROVADOS. que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 214 16/5/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntado apenas o extrato bancário do 2288, Acórdão recorrido recorrente. O BENEFICIÁRIO E A CAUSA DA 2291 e OPERAÇÃO NÃO RESTARAM 9.982 COMPROVADOS. 219 31/5/2002 325.000,00 Razão contas "cepalgo" (débito) e Apresentou cópia do extrato da conta de depósito do2347, "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" beneficiário do pagamento, em sintonia com o2351, (crédito). Apresentou apenas extrato deregistro da contabilidade. Ainda, acostou cópia de9.984, sua conta corrente indicando a salda decontrato de mútuo contemporâneo à operação 9.985, mesmo valor e data via cheque, mas não(assinado em 02101/2002 e com termo final, 9.986, apresentou extrato do beneficiário doprorrogável, em 31/12/2002), em que o31.869 e pagamento. Logo não está comprovado orecorrente/mutuante abre um limite de saque de até 31.870 beneficiário do pagamento. Além disso, R$ 400.000,00 para a mutuária, bem como cópia do não há prova suficiente para concluircheque emitido nominal a Cepalgo. Beneficiário e que, se a cepalgo fosse o beneficiário do causa operação comprovados. pagamento, a operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação dou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 220 31/5/2002 95.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Extratos do recorrente e do beneficiário juntados, 9.988, Acórdão recorrido com coincidência de titulares, datas, valores e 9.989, numeração dos documentos. Cheque tipo TB 31.871 e acostado, comprovando a operação e indicando que31.872 o emitente e o beneficiário da cânula são a mesma pessoa jurídica. Beneficiário e causa da operação comprovados. 224 6/6/2002 198.000,00 Razão contas "BB ag 3388x dc 5611-1" O recorrente afirma que o depósito somente foi feito 9.991 e (crédito) e "Bradesco ag 140-6 deno dia seguinte ao da contabilização. O lançamento 9.992 050182-4" (débito). Extratos da cc docontábil está registrado em 06/06/2002, com crédito 25 • Processo n°10120.00693012006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.064 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Cantara Fls. do operação processo escriturada BB debitada (sacada), com indicação de contábil registrando no histórico a conta de depósito cheque TB em conta Bradesco. Porém do banco do Brasil (conta de depósito sacada). Pelo não há coincidência de datas, entre oextrato da conta de depósito do banco do Brasil extrato e a contabilidade. Logo ojuntado aos autos, não há débitos (que documento não serve como prova, não corresponderia a créditos contábeis) no dia estando comprovados o beneficiário do 06/06/2002 no valor aqui em debate, mas somente pagamento e a operação. no dia 07/06/2002. Ademais, o extrato do banco do Brasil indica no histórico a compensação de um cheque TB. Com essas considerações, fica robustecida a tese do recorrente de que o depósito foi feito no dia seguinte ao da contabilização, pois não há saque na conta de depósito do banco do Brasil em 06/06/2002, no valor de R$ 198.000,00, como indica o registro contábil, mas somente no dia seguinte. Beneficiário e causa da operação comprovados. 225 10/6/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doApenas juntado o extrato do recorrente e do 9.994, Acórdão recorrido pretenso beneficiário, in casu, uma filial do 9.995, recorrente. Há identidade de valor e data e o extrato 31.873 - do recorrente, e, considerando a numeração do 31.875 documento (901956), infere-se que se trata de um cheque TB (nos autos foram acostados os cheques TB n's 901955 e 901958), o que implica que o pagamento foi efetuado entre contas de mesma titularidade. Beneficiário e causa da operação comprovados. 229 19/6/2002 60.000,00 Razão contas "cipo ne" (débito) e Pelo histórico da conta de depósito do beneficiário 2443, "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" (transferência de valor entre contas), não há 2449, (crédito). Apresentou apenas extrato deidentidade com o extrato da conta do recorrente 9.997 z sua conta corrente indicando a saída de(cheque compensado). Entretanto, o recorrente traz 10.000, mesmo valor e data via cheque, mas não cópia do cheque nominal ao beneficiário, a indicar 31.882 - apresentou extrato do beneficiário dogue houve um equívoco na juntada do extrato 31.883 pagamento. Logo não está comprovado °bancário deste último. Ainda, acostou cópia de beneficiário do pagamento. Além disso, contrato de mútuo contemporâneo à operação não há prova suficiente para concluir(assinado em 02/01/2000, aditado em 28(0712001, e que, se a cipa ne fosse o beneficiário docom termo final, prorrogável, em 31/12/2002), em pagamento, a operação referiu-se a que o recorrente/mutuante abre um limite de saque pagamento de mútuo, vez que nãode até RS 4.000.000,00 para a mutuária. comprovou recebimento anterior de Efetivamente, o pagamento teve seu beneficiário empréstimo que justificasse o identificado, e o mútuo comprova a causa da pagamento. Resta considerar a operaçãooperação. Beneficiário e causa da operação e/ou a causa do pagamento e o comprovados. beneficiário não comprovados. 231 25/6/2002 144.000,00 Razão contas "cipo ne" (débito) e Apresentou cópia do extrato da conta de depósito do2.454, "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" beneficiário do pagamento, em sintonia com o2.455, (crédito). Apresentou apenas extrato de registro da contabilidade. Ainda, acostou cópia de 10.002 . sua conta corrente indicando a saída de contrato de mútuo contemporâneo à operação 10.005 - mesmo valor e data via cheque, mas não (assinado em 02/01/2000, aditado em 28/07/2001, e31.887 apresentou extrato do beneficiário do com termo final, prorrogável, em 31/12/2002), em pagamento. Logo não está comprovado o que o recorrente/mutuante abre um limite de saque beneficiário do pagamento. Além disso, de até R$ 4.000.000,00 para a mutuária, bem como não há prova suficiente para concluir do cheque nominal no beneficiário Cipa NE. que, se a cipa ne fosse o beneficiário do Beneficiário e causa da operação comprovados. pagamento, a operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 233 1/7/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntado apenas o extrato bancário do emitente. 10.007 Acórdão recorrido Verifica-se que o número do documento no extrato "toá • • Processo n°10120.006930/2006-68 CCO I/C06 Acórdão n.° 108-17.005 Fls. 33.065 IP Dt. Valor (11$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls, do operação processo escriturada do emitente (901960) é do talonário de cheque TB do banco Bradesco, cheque este não juntado aos autos (foi juntado, por exemplo, o de n° 901.961). Ainda, como padrão de todos os cheques TB anteriormente apresentados, consta no histórico do extrato do emitente, a dicção "cheque compensado - 991", a indicar que o "991" é o discrimen do cheque TB. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 234 3/7/2002 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados apenas o extrato bancário do emitente e 10.009, Acórdão recorrido cópia do cheque TB. Considerando que se trata de 31.892 e cheque TB, escorreito o entendimento de que o 3 1.893 emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 236 5/7/2002 65.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados apenas o extrato bancário do emitente e 10.011, Acórdão recorrido cópia do cheque TB. Considerando que se trata de 3 I .898 e cheque TB, escorreito o entendimento de que o 31.899 emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 238 10/7/2002 170.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntado apenas o extrato bancário do emitente. 10.013 e Acórdão recorrido Verifica-se que o número do documento no extrato 31.898 do emitente (901964) é do talonário de cheque TB do banco Bradesco, cheque este não juntado aos autos (foi juntado, por exemplo, o de n° 901.963). Ainda, como padrão de todos os cheques TB anteriormente apresentados, consta no histórico do extrato do emitente, a dicção "cheque compensado - 991", a indicar que o "991" é o discrimen do cheque TB. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 239 10/7/2002 30.000,00 Razão conta "brad ag 140-6 cc 184788-Juntados os extratos bancários do 10.015, 0" (débito) e "Bradesco ag 140-6 eic recorrente/emitente e do beneficiário. Verifica-se 10.016, 050182-4" (crédito). Apresentou apenas que o número do documento no extrato do emitente31.898 e extrato de débito na conta Brad 50182-4, (901965) é do talonário de cheque TB do banco31.909 onde foi efetuado o saque via Bradesco, cheque este não juntado aos autos (foram compensação de cheque na mesma data ejuntados, por exemplo, os de nas 901.964 e • valor. Como não apresentou extrato da901.966). Ainda, como padrão de todos os cheques conta de depósito e o chequeTB anteriormente apresentados, consta no histórico compensado não era TB, resta considerar do extrato do emitente, a dicção "cheque que o beneficiário do pagamento e acompensado - 991", a indicar que o "991" é o operação não foram comprovados. discrímen do cheque TB. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 243 15/7/2002 60.000,00 Idem acima Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.018, o Cheque TB. Ainda, como padrão de todos os 31.911 e cheques TB anteriormente apresentados, consta no 31.912 histórico do extrato do emitente, a dicção "cheque compensado - 991", a indicar que o "991" é o discrímen do cheque TB. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. 27 • • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.066 IP IR. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada Beneficiário e causa da operação comprovados. 248 25/7/2002 40.000,00 Razão conta "brad ag 140-6 cc 184788-Juntados os extratos bancários do 10.020, 0" (débito) e "Bradesco ag 140-6 derecorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.021, 050182-4" (crédito). Apresentou apenas (n° 901.969). Ainda, como padrão de todos os 31.921 e extrato de débito na conta Brad 50182-4, cheques TB anteriormente apresentados, consta no 31.922 onde foi efetuado o saque via histórico do extrato do emitente, a dicção "cheque compensação de cheque na mesma data ecompensado - 991", a confirmar que o "991" é o valor. Como não apresentou extrato dadiscrímen do cheque TB. Considerando que se trata conta de depósito e o cheque de cheque TB, escorreito o entendimento de que o compensado não era TB, resta considerar emitente e o beneficiário são a mesma pessoa que o beneficiário do pagamento e a 'uridica, como pugnado pelo recorrente. operação não foram comprovados. Beneficiário e causa da operação comprovados. 249 26/7/2002 45.000,00 Razão contas "ne participações" (débito) Apresentou cópia do extrato da conta de depósito do 10.023, e "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" recorrente/emitente. Ainda, acostou cópia de 31.923 e (crédito). Apresentou apenas extrato decontrato de mútuo contemporâneo à operação 31.924 sua conta corrente indicando a saída de(assinado em 02/01/2001 e com termo final, mesmo valor e data via cheque, mas não prorrogável, em 31/12/2002), em que o apresentou extrato do beneficiário do recorrente/mutuante abre um limite de saque de até pagamento. Logo não está comprovado o R$ 150.000,00 para a mutuária, bem como cópia do beneficiário do pagamento. Além disso, cheque emitido nominal a NE Participações. não há prova suficiente para concluir Beneficiário e causa da operação comprovados. que, se a me participações fosse o beneficiário do pagamento, a operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 250 2/8/2002 300.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados os extratos bancários do 10.026, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.027, (n° 901.971). Considerando que se trata de cheque 31.925 e TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o 31.926 beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 251 2/8/2002 60.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.029, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.970). Considerando que se31.927, trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 31.928 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 253 5/8/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.031, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.972). Considerando que se 31.932, trata de cheque TB, escorreito o entendimento de31.933 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 254 6/8/2002 120.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.033, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.973). Considerando que se 31.935 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 31.936 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 256 8/8/2002 500.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha daluntados os extratos bancários do 10.035, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.036, (n° 901.976). Considerando que se trata de cheque 31.939 e TB, escorreito o entendimento de que o emitente e 031.940 beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 257 8/8/2002 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.038, 28 Processo e 10120.006930/2006-68 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.067 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.976). Considerando que se31.94 I e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de31.942 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 259 9/8/2002 270.000,00 Razão contas "cipo ne" (debito) eApresentou cópias dos extratos das contas de 10.040 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.043 (crédito). Apresentou apenas extrato derecorrente, em sintonia com o registro da sua conta corrente indicando a salda de contabilidade, e com identidade de data e valor. mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário docontemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o02/0112000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse o beneficiário do RS 4.000.000,00 para a mutuária. Beneficiário e pagamento, a operação referiu-se a causa da operação comprovados. pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 260 3/9/2002 90.000,00 Razão contas "cepalgo embalagens" Transferências entre contas de titulares distintos 10.045 a (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c (recorrente e Cepalgo), com identidade de data e 10.047 050182-4" (crédito). Apresentou apenas valor nos extratos do recorrente/mutuante e do extrato de sua conta corrente indicando a beneficiário/mutuário. Ademais, no histórico de saída de mesmo valor e data via cheque, ambos os extratos consta o mesmo número de mas não apresentou extrato dodocumento. Por fim, juntado cópia de contrato de beneficiário do pagamento. Logo não mútuo entre os contratantes, assinado em está comprovado o beneficiário do 02/01/2002, no qual se abre um limite de saque em pagamento. Além disso, não há prova conta de depósito para o mutuário de R$ suficiente para concluir que, se a cepalgo 400.000,00, com vencimento em 31/1212002, fosse a beneficiária do pagamento, aprorrogável. Beneficiário e causa da operação - operação referiu-se a pagamento decomprovados. mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 261 4/9/2002 45.000,00 Razão contas "cepalgo embalagens" Transferências entre contas de titulares distintos10.049 a (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c(recorrente e Cepalgo), com identidade de data e 10.051, 050182-4" (crédito). Apresentou apenas valor nos extratos do recorrente/mutuante e do3 1.946 e extrato de sua conta corrente indicando abeneficiário/mutuário. Juntado, ainda, cópia do 31.947 salda de mesmo valor e data via cheque, cheque nominal ao beneficiário/mutuário Cepalgo. mas não apresentou extrato do Por fim, juntado cópia de contrato de mútuo entre os beneficiário do pagamento. Logo não contratantes, assinado em 02101/2002, no qual se está comprovado o beneficiário doabre um limite de saque em conta de depósito para o pagamento. Além disso, não há prova mutuário de RS 400.000,00, com vencimento em suficiente para concluir que, se a cepalgo 31/12/2002, prorrogável. Beneficiário e causa da fosse a beneficiária do pagamento, a operação comprovados. operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 267 23/9/2002 200.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.053, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.985). Considerando que se3 1.956 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de3 1.957 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa 29 • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.°106-17.005 Fls. 33.068 IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 270 3/10/2002 120.000,00 Razão conta "cipa ne" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.056 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.058, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da 31.964 e sua conta corrente indicando a saída decontabilidade, com identidade de data e valor. 31.965 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário docontemporãneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluirrecorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse a beneficiária do RS 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 271 3/10/2002 115.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.060, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.987). Considerando que se 3 I .966 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 3 I .967 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 273 7/10/2002 300.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.062, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.988). Considerando que se 31.971 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 31.972 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 287 1/11/2002 80.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.064, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.992). Considerando que se 31.998 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 31.999 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 288 5/11/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.066, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.993). Considerando que se 32.000 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.001 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 291 8/11/2002 200.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.068, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.994). Considerando que se 32.003 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.004 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 293 12/11/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.071, Acórdão recorrido o Cheque TB (n° 901.996). Considerando que se32.005 e trata de cheque TB, escorcho o entendimento de 32.006 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 294 12/11/2002 100.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados os extratos bancários do 10.073. Acórdão recorrido recorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.074, (n° 901.997). Considerando que se trata de cheque32.007 e TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o 32.008 beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 30 • Processo n°10120.006930/2006-68 CCO1/C06 Acórdão n.°106-17.005 Eis. 33.069 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Cimara Els, do operação processo escriturada 297 13/11/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados os extratos bancários do 10.076, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.077, (n° 901.998). Considerando que se trata de cheque 32.0 I I e TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o 32.012 beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 299 18/11/2002 100.000,00 Razão contas "gama indl" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.079 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.082, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da 32.01 3 e sua conta corrente indicando a salda de contabilidade, com identidade de data e valor. 32.014 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário do contemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o 02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a gama fosse o beneficiário do R$ 1.500.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Gama Industrial. pagamento de mútuo, vez que não Beneficiário e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 300 18/11/2002 500.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados os extratos bancários do 10.086, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do beneficiário e o Cheque TB 10.087, (n° 902.000). Considerando que se trata de cheque 32.015 e TB, escorreito o entendimento de que o emitente e 032.016 beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 301 19/11/2002 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntado apenas o extrato bancário do 10.089 Acórdão recorrido recorrente/emitente. Entretanto, pela numeração do cheque constante no extrato (n° 902.002), infere-se que se trata de cheque TB. Assim, considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 302 20/11/2002 100.000,00 Razão contas "cipa ne" (debito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.091 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.094, (crédito). Apresentou apenas extrato derecorrente, em sintonia com o registro da 32.017 e sua conta corrente indicando a saída decontabilidade, com identidade de data e valor. 32.018 mesmo valor e data via cheque, mas nãoAinda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário docontemporâneo à operação (assinado em pagamento. Lago não está comprovado o 02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse o beneficiário do RS 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação dou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 305 25/11/2002 500.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntado os extratos bancários do 10.096, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do favorecido e o cheque TB 10.097, respectivo (n° 902.001). Assim, considerando que se 32.019 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.020 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa iuridica, como pugnado pelo recorrente. 34 • Processo e 10120.006930/2006-68 CC01/036 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.070 IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada Beneficiário e causa da operação comprovados. 306 26/11/2002 100.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntado os extratos bancários do 10.099, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do favorecido e o cheque TB 10.100, respectivo (n° 902.004). Assim, considerando que se 32.021 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.022 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 309 28/11/2002 55.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados apenas o extrato bancário do 10102, Acórdão recorrido recorrente/emitente e o Cheque TB respectivo (n°32.027 e 902.005). Assim, considerando que se trata de 32.028 cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 310 28/11/2002 500.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntado os extratos bancários do 10.104, Acórdão recorrido recorrente/emitente, do favorecido e o cheque TB 10.105, respectivo (n° 902.006). Assim, considerando que se 32.025 e trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.026 que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 312 4/12/2002 80.000,00 Razão conta "gama indl" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de10.111 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.114, (crédito). Não apresentou os documentos recorrente, em sintonia com o registro da 32.030 e que embasaram a escrituração contabilidade, com identidade de data e valor. 32.031 Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo contemporâneo à operação (assinado em 02/0112000, aditado em 28/07/2001 e com termo final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o recorrente/mutuante abre um limite de saque de até R$ 1300.000,00 para a mutuária, bem como cópia do cheque emitido nominal a Gama Industrial. Beneficiário e causa da operação comprovados. 313 4/12/2002 80.000,00 Razão conta "cepalgo embalagens" Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.107 a (débito) e "Bradesco ag 140-6 dedepósito do beneficiário do pagamento e do 10.109, 050182-4" (crédito). Apresentou apenas recorrente/emitente, em sintonia com o registro da 32.032 e extrato de sua conta corrente indicando a contabilidade. Ainda, acostou cópia de contrato de32.031 saída de mesmo valor e data via cheque, mútuo contemporâneo à operação (assinado em mas não apresentou extrato do 02/01/2002 e com termo final, prorrogável, em beneficiário do pagamento. Logo não 31/12/2002), em que o recorrente/mutuante abre um está comprovado o beneficiário do limite de saque de até RS 400.000,00 para a pagamento. Além disso, não há prova mutuária, bem como cópia do cheque emitido suficiente para concluir que, se a cepalgo nominal a Cepalgo. Beneficiário e causa da fosse a beneficiária do pagamento, aoperação comprovados. operação referiu-se a pagamento de mútuo, vez que não comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 314 5/12/2002 30.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente 010.116, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.007). Assim, 32.034 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.035 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 315 5/1212002 400.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.118, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.008). Assim, 32.036 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.037 32 • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.005 Fls. 33.071 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 317 6/12/2002 100.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente c 10.120, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.010). Assim, 32.038 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.039 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 319 9/12/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente 010.122, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.013). Assim, 32.040 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.041 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 320 9/12/2002 65.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.124, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.012). Assim, 32.042 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.043 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 321 9/1212002 32.000,00 Razão conta "brad ag 140-6 cc 184788-Juntados os extratos bancários do 10.126, 0" (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c recorrentelemitente, do beneficiário e o cheque TB 10.127, 050182-4" (crédito). Apresentou apenas respectivo (n• 902.011). Assim, considerando que se 32.044 e extrato de debito na conta Brad 50182-4, trata de cheque TB, escorreito o entendimento de32.045 onde foi efetuado o saque via que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa compensação de cheque na mesma data e 'urídica, como pugnado pelo recorrente. valor. Como não apresentou extrato da Beneficiário e causa da operação comprovados. conta de depósito e o cheque compensado não era TB, resta considerar que o beneficiário do pagamento e a operação não foram comprovados. 322 10/12/2002 100.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha do Juntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.129, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.014). Assim, 32.046 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.047 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 323 11/12/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.131. Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.015). Assim, 32.048 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.049 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 325 13/1212002 200.000,00 Razão conta "cipa ne" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.139 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.136, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da32.050 e sua conta corrente indicando a saída de contabilidade, com identidade de data e valor. 32.051 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário do contemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse a beneficiária do RS 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. 33Â . • . Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI1C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.072 IP Dt. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 327 16/12/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.138. Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.016). Assim, 32.052 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.053 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 329 18/12/2002 150.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntado apenas o extrato bancário do emitente. 10140, Acórdão recorrido Verifica-se que o número do documento no extrato 32.052 e do emitente (902.017) é do talonario de cheque TB 32.056 do banco Bradesco, cheque este não juntado aos autos (foram juntados, por exemplo, os cheques n's 902.016 e 902.020). Ainda, como padrão de todos os cheques TB anteriormente apresentados, consta no histórico do extrato do emitente, a dicção "cheque compensado - 991", a indicar que o "991" é o discrimen do cheque TB. Considerando que se trata de cheque TB, escorreito o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 330 19/12/2002 30.000,00 Razão conta "cipa na" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.142 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.145, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da 32.054 e sua conta corrente indicando a saída de contabilidade, com identidade de data e valor. 32.055 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário do contemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado 002/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa na fosse a beneficiária do R$ 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação dou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 331 19/12/2002 200.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.147, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.020). Assim, 32.056 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.057 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 332 20/12/2002 80.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.149, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.021). Assim, 32.059 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.060 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa jurídica, como pugnado pelo recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 333 23/12/2002 300.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doluntados o extrato bancário do recorrente/emitente e 10.151, Acórdão recorrido o cheque TB respectivo (n° 902.022). Assim, 32.061 e considerando que se trata de cheque TB, escorreito 32.062 o entendimento de que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa iuridica, como pugnado pelo 34 • . . Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO 1/C06 Acórdão n.°108-17.005 Fls. 33.073 IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada recorrente. Beneficiário e causa da operação comprovados. 336 26/12/2002 100.000,00 Razão conta "cipo ne" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.153, "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.156, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da 32.064 e sua conta corrente indicando a saída de contabilidade, com identidade de data e valor. 32.065 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário do contemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o 02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluir recorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse a beneficiária do R$ 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 337 26/12/2002 32.000,00 Razão conta "brad ag 140-6 cc I84788-Juntados os extratos bancários do 10.158, 0" (débito) e "Bradesco ag 140-6 c/c recorrente/emitente, do favorecido e o cheque TB 10.159, 0501824" (crédito). Apresentou apenas respectivo (n° 902.022). Assim, considerando que se 32.066 e extrato de débito na conta Brad 50182-4, trata de cheque TB, escorreito o entendimento de 32.067 onde foi efetuado o saque via que o emitente e o beneficiário são a mesma pessoa compensação de cheque na mesma data e jurídica, como pugnado pelo recorrente. valor. Como não apresentou extrato da Beneficiário e causa da operação comprovados. conta de depósito e o cheque compensado não era TB, resta considerar que o beneficiário do pagamento e a operação não foram comprovados. 339 27/12/2002 150.000,00 Razão conta "cipa ne" (débito) e Apresentou cópias dos extratos das contas de 10.161 a "Bradesco ag 140-6 c/c 050182-4" depósito do beneficiário do pagamento e do 10.164, (crédito). Apresentou apenas extrato de recorrente, em sintonia com o registro da 32.068 e sua conta corrente indicando a salda decontabilidade, com identidade de data e valor. 32.069 mesmo valor e data via cheque, mas não Ainda, acostou cópia de contrato de mútuo apresentou extrato do beneficiário dolcontemporâneo à operação (assinado em pagamento. Logo não está comprovado o 02/01/2000, aditado em 28/07/2001 e com termo beneficiário do pagamento. Além disso, final, prorrogável, em 31/12/2002), em que o não há prova suficiente para concluirrecorrente/mutuante abre um limite de saque de até que, se a cipa ne fosse a beneficiária do RS 4.000.000,00 para a mutuária, bem como cópia pagamento, a operação referiu-se a do cheque emitido nominal a Cipa NE. Beneficiário pagamento de mútuo, vez que não e causa da operação comprovados. comprovou recebimento anterior de empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação e/ou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados 340 27/12/2002 145.298,32 Razão conta "numerários cheques"Traz cópia da partida contábil do BankBoston, na 3.261 e (débito) e "Boston ag 0025 cc 55927" qual há o registro da transferência entre contas de 32.070 (crédito). Apresentou extrato de sua depósito (como consta, igualmente, no extrato conta no boston, onde foi efetuado ()bancário). Beneficiário e causa da operação saque via transferência entre contas na comprovados. mesma data e valor, muito embora o contribuinte tenha alegado ser suprimento de caixa. Ainda que não tivesse sido suprimento, mas sim transferência de numerário conforme contabilizado, como não apresentou extrato da conta de depósito e não se tratou de transferência entre contas de mesma titularidade, resta considerar que o beneficiário do pagamento e a 35/„.1 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO11C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.074 II' IR. Valor (R$) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Fls. do operação processo escriturada operação não foram comprovados. Dessa forma, somente restaram não comprovadas as operações abaixo: IP Dt. Valor (RS) Análise da Turma de Julgamento Análise da Sexta Câmara Eis. do operação processo escriturada 213 16/5/2002 200.000,00 Razão contas "cipa ne" (débito) e Na contabilidade, a data da operação foi registrada 2.286, "Bradesco ag 140-6 e/c 050182-4" em 16/05/2002. Foi acostado o extrato da conta de 2.291, (crédito). Apresentou apenas extrato de depósito e do pretenso beneficiária. No extrato deste 9.977 e sua conta corrente indicando a saida de último, o histórico aparece com transferência entre 9.978 mesmo valor e data via cheque, mas não contas, enquanto no extrato do recorrente, aparece apresentou extrato do beneficiário do como cheque compensado. Aqui, há divergência de pagamento. Logo não está comprovado o datas e histórico do extrato bancário. Deve-se beneficiário do pagamento. Além disso, ressaltar que as contas de depósito em debate são no não há prova suficiente para concluirmesmo banco. Assim, se os registros a débito e a que, se a cipa ne fosse o beneficiário do crédito fossem de origem comum, o número do pagamento, a operação referiu-se a documento e o histórico serão idênticos. O pagamento de mútuo, vez que não BENEFICIÁRIO E A CAUSA DA OPERAÇÃO comprovou recebimento anterior deNÃO RESTARAM COMPROVADOS. empréstimo que justificasse o pagamento. Resta considerar a operação clou a causa do pagamento e o beneficiário não comprovados. 214 16/5/2002 50.000,00 Idem ao seqüencial 128 da planilha doJuntado apenas o extrato bancário do recorrente. 02288, Acórdão recorrido BENEFICIARIO E A CAUSA DA OPERAÇÃO 2291 e NÃO RESTARAM COMPROVADOS. 9.982 Agora, passa-se a apreciar as irresignações dos itens VI e VII, também em conjunto. Trata-se dos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253). A autoridade autuante considerou que pagamentos a 09 empresas não tiveram a causa da operação comprovada, pois estas seriam inexistentes de fato. Assim, devem-se resumir os fatos imputados a cada empresa citada nos autos: 1. Atenan Lopes dos Santos (CNPJ n°02.038.338/0001-68) Do relatório fiscal, extrai-se, verbis (fls. 399-vol. 2): (.) 1.2. Salientamos, ainda, que ATENAN está cadastrada no CNPJ com o nome de fantasia LOPES CONSTRUTORA, cuja atividade CNAE FISCAL 4521-7-00 Edificações (residenciais, comerciais, industriais e de serviços). Contudo, as notas fiscais constantes dos arquivos da CIPA são notas de comissões sobre vendas. 1.3. ATENAN e o titular da mesma não foram encontrados em seus respectivos endereços informados a Receita Federal. 14:36 Processo n°10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.075 1.4. A empresa ATENAN foi declarada INAPTA por se inexistente de fato conforme Ato Declarató rio Executivo n° 22, de 21 de setembro de 2005, publicado no diário oficial da União de 18 de setembro de 2005. No mesmo ato foram considerados inichineos, não produzindo efeitos a favor de terceiros, os documentos emitidos pela mesma desde sua constituição em 12/08/1997. 1.5. Verificamos ainda, que a C1PA usou tanto o nome empresarial quanto o nome de fantasia da empresa ATENAN (LOPES REPRESENTAÇÕES, como consta nas notas fiscais) para registrar as operações com tal empresa. Da documentação que culminou com a declaração de inaptidão da empresa Atenan Lopes dos Santos, extraem-se as seguintes conclusões: a. a empresa apresentou declarações de inatividade desde sua constituição (fls. 05 do Anexo I). De outra banda, outras empresas declararam pagamentos feito a Atenan Lopes dos Santos, conforme DIRF (códigos de prestação de serviços); b. no ano-calendário 2001, a empresa apresentou uma movimentação financeira nula (declaração DCPMF), apesar de constar pagamentos em DIRF de R$ 597.778,05, sendo que R$ 474.409,39 seriam originários da CIPA. Na mesma linha, no ano-calendário 2002, a empresa apresentou uma movimentação financeira de R$ 20,00, quando constou pagamentos de R$ 5.640.517,75, sendo que R$ 5.236.510,82 teriam sido oriundos da CIPA (fls. 06 do Anexo I); c. em diligência in loco no domicilio eleito pelo contribuinte, na Rua 4, n° 26, cidade de Pugmil (TO), a fiscalização federal não encontrou a empresa no endereço indicado, e, conforme inquirição aos moradores do local, ninguém ouviu falar em Lopes Construtora ou Atenan Lopes dos Santos (fls. 3 do Anexo I). 2. Batista Rabelo Representações Ltda. (CNPJ n°03.429.606/0001-35) Do relatório fiscal, extrai-se, verbis (fls. 399-vol. 2 a 402-vol. 3): (.) 2.4. Os sócios atuais e gerente a época dos fatos foram intimados a prestar esclarecimentos acerca das operações com CIPA, mas nenhum deles apresentou esclarecimentos. 2.5. Bloco de notas fiscais de BATISTA RABELO foi encontrado e retido no estabelecimento da empresa FOKUS Distribuição e Logística Ltda. (fls. 193 e 194 do ANEXO I presente processo administrativo. 2.6. Verificamos também a movimentação financeira dos sócios, no intuito de encontrar elementos que pudessem justificar o montante das operações constantes dos arquivos magnéticos apresentados pela CIPA, mas a movimentação deles também é irrisória. sir,d . Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO I /C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.076 2.1 O sócio-gerente foi multado por não atendimento a intimação para prestar esclarecimentos. 2.8. Não existem evidências que a empresa BATISTA RABELO, CNPJ n° 03.429.606/0001-35, tenha operado na atividade de representação, haja vista seu estabelecimento inexistente, a não localização do ex- sócio-gerente, o não comparecimento da sócia fundadora, a falta de movimentação financeira e a falta de apresentação de esclarecimentos acerca das operações com CIPA. 2.9. Face às evidencias do nome da empresa BATISTA RABELO ter sido utilizado com o fito de gerar despesas fictícias para reduzir eventual lucro contábil, por meio de escrituração de notas fiscais que não correspondem a atividade efetivamente prestada, foram declaradas inidôneas todas as notas fiscais emitidas e supostamente emitidas por tal empresa, conforme Ato Declaratório Executivo n° 63, de 08 de novembro de 2005, publicado no diário oficial da União de 17 de novembro de 2005. 2.10. Verificamos ainda que a CIPA usou tanto o nome empresarial quanto o nome de fantasia da empresa BATISTA RABELO (DINÂMICA) para registrar em sua contabilidade as operações com tal empresa. 2.11. Posteriormente, verificamos no procedimento de diligência na empresa LIGEIRINHO REPRESENTAÇÕES LTDA (subitem "11.6. adiante) mais elementos de inidoneidade das notas fiscais emitidas ou supostamente emitidas por BATISTA RABELO. 2.12. Verificamos indícios de forte ligação entre BATISTA RABELO e ATENAN LOPES DOS SANTOS, empresa inexistente de fato consoante subitem "Hl " acima: o recibo de pagamento de valores assinalados por BATISTA RABELO (fls. 225) e recibo de pagamento de valores assinado por ATENAN LOPES DOS SANTOS (/1.238) contêm a mesma assinatura, mesmo local e data (Aparecida de Goiánia, 17/11/2000), contudo o endereço de ATENAN é o estado de Tocantins. Da documentação que culminou com a declaração de inidoneidade do documentário fiscal da empresa Batista Rabelo Representações Limitada, nos anos-calendário 2000 a 2002, extraem-se as seguintes conclusões (fls. 23 a 70 do Anexo I): a. a fiscalização federal não encontrou a numeração do domicilio fiscal da matriz na cidade de Santa Bárbara de Goiás (GO), apesar de a empresa encontrar-se cadastrada na municipalidade e recolhendo tributos municipais. De outra banda, a filial de n° 02 dessa empresa está localizada nos fundos da indústria Mabel em Aparecida de Goiânia (GO); b. no pretenso domicilio fiscal da matriz da empresa, encontra-se uma residência, e os moradores da localidade nunca ouviram falar de tal empresa. Ademais, o logradouro da matriz tinha anteriormente outra denominação, chamada de Rua Alfredo Nasser, que, como se verificará mais à frente, é a mesma rua que consta como domicilio fiscal da 38 . t. Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.077 empresa Ligeirinho Representações Ltda., igualmente beneficiária de pagamentos aqui em discussão (fls. 24 e 116 do Anexo I); c. a CIPA contabilizou como pago a Batista Rabelo os montantes de R$ 6.078.590,63 e R$ 2.392.656,23, nos anos-calendário 2000 e 2001, respectivamente (fls. 65 do Anexo I); d. o sócio Glauskston Batista Rios, que consta no quadro societário da empresa a partir de 12/11/2003, prestou Termo de Declarações juntado aos autos, no qual afirma que a empresa tem como objeto a representação comercial exclusiva dos produtos fabricados pelas empresas do grupo Mabel (no qual se inclui o recorrente), com comissões variando de 2% a 6%, e faturamento da ordem de R$ 25.000,00 a R$ 30.000,00 por mês (fls. 29 do Anexo I); e. conforme informações da DCPMF, não consta movimentação financeira nos anos-calendário 2001 e 2002 (fls. 47 do anexo I). Na mesma linha, as movimentações financeiras dos sócios são pouco expressivas (fls. 48 a 59); f. a empresa e os demais sócios foram intimados a prestar informações sobre suas operações com o recorrente, porém nada esclareceram sobre a procedência dessas operações; g. pela relação de notas fiscais emitidas pela empresa Batista Rabelo Representações Ltda. em face do recorrente, verifica-se que a Batista Rabelo pretensamente recebeu comissões da ordem de R$ 500.000,00 por mês nos anos-calendário 2000, 2001 e no 1° semestre de 2002; h. a empresa Batista Rabelo confessou ao fisco o recebimento de receitas da ordem de 10% dos valores constantes como pagos pelo grupo Mabel (fls. 65 do Anexo I). 3. Ligeirinho Representações Ltda. (CNPJ n°01.278.325/0001-01) Do relatório fiscal, extrai-se, verbis (fls. 403 e 404-vol. 3): (.) 6.2 LIGEIRINHO e seus sócios foram intimados a prestar esclarecimentos acerca das operações com CIPA, mas não atenderam as intimações. 6.3 Verificamos indícios de forte ligação entre LIGEIRINHO e BATISTA RABELO: as notas fiscais de ambas, retidas nos arquivos da CIPA contêm o mesmo tipo de caligrafia utilizada no preenchimento. 6.4 Bloco de notas fiscais da LIGEIRINHO foi encontrado e retido no estabelecimento da empresa FOKUS Distribuição e Logística Ltda. 6.5 Verificamos indícios de forte ligação entre LIGEIRINHO, BATISTA RABELO e ATENAN LOPES DOS SANTOS, empresa inexistente de fato consoante item I acima: os dois tipos de caligrafia encontrados 39 fiddr. it • • . . Processo n°10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.078 nas notas fiscais supostamente emitidas pela LIGEIRINHO e por BATISTA RABELO também foram utilizados no preenchimento de notas fiscais da empresa inexistente ATENAN LOPES DOS SANTOS. 6.6 Face às evidências de uso indevido do nome da empresa LIGEIRINHO, com o fito de gerar despesas fictícias para reduzir eventual lucro contábil, por meio de escrituração de notas fiscais que não correspondem a atividade efetivamente prestada, foram declarados inidáneos todas as notas fiscais emitidas ou supostamente emitidas por LIGEIRINHO, conforme Ato Declaratório Executivo n° 70, de 08 de dezembro de 2005, publicado no diário oficial da União de 09 de dezembro de 2005. Da documentação que culminou com a declaração de inidoneidade do documentário fiscal da empresa Ligeirinho Representações Ltda., nos anos-calendário 2000 a 2002 (fls. 192 do anexo I), extraem-se as seguintes conclusões (fls. 115 a 194 do Anexo I): • a matriz da Ligeirinho e da Batista Rabelo se localizavam na mesma rua da cidade de Santa Bárbara de Goiás (GO). Ademais, há identidade nos sobrenomes dos sócios da Ligeirinho e da Batista Rabelo (Batista Rios), a indicar um laço de parentesco entre os sócios (fls. 184 do Anexo I); • a movimentação financeira (oriunda dos dados da CPMF) é irrisória no período em discussão, montando R$ 120,00 por ano (fls. 127, 128 e 183 do Anexo I); • a CIPA informou que pagou a Ligeirinho os montantes de R$ 1.271.984,61 e R$ 117.151,40, nos anos-calendário 2001 e 2002, respectivamente (informações da DIRF — código 8045 — fls. 132 e 133 do Anexo I); • o sócio Waldir Batista Rios da Ligeirinho Representações Ltda. aparece com informações na DCPMF em valores superiores ao acima informado (fls. 143 e 146 do Anexo I); • como se pode ver nas notas fiscais de fls. 157 a 175 do Anexo I, o estilo da caligrafia constante das notas fiscais das empresas Atenan, Ligeirinho e Batista Rabelo é similar; • os sócios foram intimados a esclarecer a relação comercial com a CIPA e quedaram-se silentes. 4. Jmp Comercial e Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ n° 74.660.390/001- 62), Comerpa Comércio e Representações Ltda. (CNPJ n° 37.626.454/0001-82), Prestosul Ltda. (CNPJ n° 01.332.835/0001-01), Flash Machine Comércio de Plásticos Ltda. (CNPJ n° 67.536.052/0001-58), Hoyt Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.564.423/0001-60) e Korundex Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.665.314/0001- 39) Inicialmente, deve-se registrar que os pagamentos vinculados às empresas acima são uma pequena parcela do rol dos pagamentos tidos como sem causa e imputados:4. • . • Processo n° I W 20.006930/2006-68 CCOliC06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.079 recorrente. Exceto em relação à empresa Comerpa Comércio e Representações Ltda., esta localizada em Goianira (GO), as demais pretensamente se localizavam no Estado de São Paulo. Abaixo, uma breve apreciação da documentação juntada no Anexo I: • conforme diligência in loco nos endereços da empresa Jmp Comercial e Intermediação de Negócios Ltda., a autoridade fiscal verificou que tal empresa não se encontrava estabelecida em tais endereços. Ainda, tal empresa não teve qualquer movimentação financeira nos anos-calendário 2001 e 2002. Por fim, preposto dessa empresa asseverou que jamais manteve relações comerciais com a recorrente (fls. 99, 100, 104, 106 e 109 do Anexo I). Idêntica situação ocorreu com a empresa Flash Machine, que tem o mesmo sócio-responsável, que também asseverou que jamais manteve relações comerciais com o recorrente (fls. 89). Aqui, deve-se evidenciar que este relator não encontrou pagamentos da CIPA para a Flash Machine; • no tocante à empresa Comerpa Comércio e Representações Ltda., esta se encontra inapta nos cadastros da Receita Federal desde 14/09/1999 (fls. 113); • a empresa Prestosul Ltda. apresentou declaração de inatividade nos anos- calendário de 2000 a 2004 (fls. 203 do Anexo I), o que depõe contra a pretensa emissão de notas fiscais utilizadas como custou ou despesa pela recorrente. Na mesma linha, a Prestosul Ltda. não foi encontrada em seu domicílio fiscal, como atesta as diligências in loco, bem como não atendeu as intimações da fiscalização para esclarecer a causa dos pagamentos feitos pela CIPA (fls. 195 a 216 do Anexo 1); • houve diligência no domicílio fiscal da empresa Hoyt Comercial Ltda., não logrando, a fiscalização, êxito em sua localização. Intimados a empresa e sócios a esclarecerem a causa das operações com o recorrente, as intimações retornaram ao remetente (fls. 219 a 242 do Anexo I); • houve diligência no domicílio fiscal da empresa Korundex Comercial Ltda., não logrando, a fiscalização, êxito em sua localização. As intimações, objetivando esclarecer a causa das operações com o recorrente, dirigidas à empresa e a um dos sócios retomou ao remetente. Por fim, o pretenso sócio Dancler Duarte Arruda prestou declaração acostada aos autos, na qual asseverou que nunca foi sócio da referida empresa, sequer ouvindo falar no nome de tal pessoa jurídica (fls. 243 a 266 do Anexo I). Para comprovar a causa das operações vergastadas pela fiscalização, no tocante às empresas Batista Rabelo Representações Ltda., Ligeirinho Representações Ltda. e Atenan Lopes dos Santos, o recorrente trouxe cópia das notas fiscais de serviços emitidas por tais empresas, Darf de retenção na fonte e a esmagadora maioria dos cheques nominais e cruzados em favor de tais empresas, bem como o débito respectivo na conta de depósito do recorrente. Ainda, juntou os relatórios de comissão extraídos de seus sistemas informatizados (volumes 72 a 149), nos quais constam os nomes de seus pretensos representantes comerciais (as três empresas acima), com o nome dos clientes compradores das mercadorias e respectiva 41 Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.005 Fls. 33.080 numeração das notas fiscais. No final de cada relatório, há o total das vendas, com a comissão respectiva, e o recorrente, em seu recurso voluntário, fez a vinculação das notas fiscais de serviço com os relatórios respectivos. Aqui, deve-se evidenciar que o recorrente não acostou nenhuma cópia das notas fiscais dos clientes das mercadorias. No tocante aos pagamentos feitos às empresas Jmp Comercial e Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ n° 74.660.390/001-62), Comerpa Comércio e Representações Ltda. (CNPJ n° 37.626.454/0001-82), Prestosul Ltda. (CNPJ n° 01.332.835/0001-01), Hoyt Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.564 423/0001-60) e Korundex Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.665.314/0001-39), o recorrente juntou o mapa Sintegra, histórico de compras, extrato bancário e cópias dos cheques nominais e cruzados em favor de tais empresas. Ainda, deve-se evidenciar que diversos pagamentos à empresa Comerpa foram feitos com cheques nominais a empresa Bertolucci e Capucci Ltda. (como exemplos, vide fls. 31.120-vol. 153 e fls. 20.759- vol. 151). De inicio, passa-se a apreciar a efetiva existência das operações com as empresas Batista Rabelo Representações Ltda., Ligeirinho Representações Ltda. e Atenan Lopes dos Santos. Os pagamentos sem causa concentraram-se nas empresas Batista Rabelo Representações Ltda. (2001 e 1° semestre de 2002) e Atenan Lopes dos Santos (notadamente a partir de meados do 1° semestre de 2002, com quase monopólio no 2° semestre de 2002, ressaltando que há pagamentos no curso do ano de 2001, com valores, em regra, inferiores a 10% dos valores pagos a Batista Rabelo). Já quanto à empresa Ligeirinho Representações Ltda., esta recebeu pagamentos nos meses de janeiro de 2001 a fevereiro de 2002, na ordem de 20% do total pago a Batista Rabelo Representações Limitada. Ligeirinho reduziu sua participação a valores marginais no restante do ano-calendário 2002. Desse jeito, fica claro que houve uma concentração dos pagamentos na empresa Batista Rabelo, nos meses de janeiro de 2001 a junho de 2002, com posterior assunção da prevalência pela Atenan Lopes dos Santos, no restante do ano de 2002. Primeiramente, chama a atenção a ausência de movimentação financeira por parte das empresas Batista Rabelo (sem movimentação em ambos os anos-calendário), Atenan Lopes dos Santos (esta apresentou uma movimentação de R$ 20,00 no ano de 2002) e Ligeirinho (R$ 120,00 em ambos os anos-calendário). No caso das duas primeiras, por exemplo, nos meses em que houve concentração de pagamentos, está-se falando de valores acima de R$ 500.00,00 por mês, com centenas de cheques nominais a essas empresas, sem qualquer movimentação bancária. Especificamente no tocante à Batista Rabelo, sequer há registro de movimentação de valores em nome dos sócios dessa empresa. No geral, considerando as três empresas, houve uma quantidade de operações da ordem de 1.000 nos dois anos em debate, sem registro de movimentação bancária nas pessoas jurídicas beneficiárias dos cheques nominais e cruzados. O recorrente argumenta que não tem poderes fiscalizatório sobre seus fornecedores e, portanto, não estava obrigado a verificar a regularidade fiscal das empresas. Aqui, assiste razão ao recorrente. Entretanto, considerando o percentual de comissão afiançado pelo sócio da Batista Rabelo, Glauskston Batista Rios, da ordem de 2% a 6% do faturamento, e, tomando um percentual médio de 4% de comissão, associado aos montantes contabilizados ou informados em DIRF pela CIPA, a Batista Rabelo teria efetuado vendas da ordem de 150 42 . • . Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n." 106-17.005 Fls. 33.081 milhões de Reais e 60 milhões de Reais, nos anos-calendário 2001 e 2002, respec ivamente; na mesa linha, a Atenan Lopes dos Santos teria efetuado vendas da ordem de 12 milhões de Reais e 130 milhões de Reais, nos anos-calendário 2001 e 2002, respectivamente. Trata-se, a toda vista, de representantes comerciais especialíssimos. Ora, ainda resgatando o depoimento do sócio Gluskston Batista Rios, apesar de este somente ter sido incluído na sociedade após novembro de 2003, causa espanto que, uma empresa que tenha intermediado vendas nos dois anos antecedentes a 2003 de mais de 200 milhões de Reais, não tenha qualquer ativo, sequer dispondo de um telefone fixo (fls. 29 do Anexo I). Ademais, a fiscalização diligenciou nos domicílios fiscais das empresas, não as encontrando, sendo que ninguém das localidades onde pretensamente se localizavam as empresas tinham ouvido falar nelas. Intimados os sócios e as empresas para comprovar a relação comercial delas com a CIPA, quedaram-se no mais absoluto silêncio. Somente o sócio Glauskston Batista Rios veio aos autos e informou que o faturamento da Batista Rabelo, após novembro de 2003, seria da ordem de R$ 25.000 a R$ 30.000,00 por mês (mais uma vez, fls. 29 do Anexo I). Em sua defesa, o recorrente comprova o efetivo pagamento dos valores em debate. Ora, isto nunca esteve em discussão. A questão é que os pagamentos foram considerados sem causa. O recorrente, ao invés de acostar milhares de páginas ao processo, buscando unicamente comprovar o desembolso da empresa, deveria ter comprovado o nexo causal entre os pagamentos e os serviços usufruídos, estes os serviços de vendas de suas mercadorias por representantes comerciais. Nos relatórios de comissões percebidas pelos pretensos representantes, o qual representa metade da quantidade de volumes dos autos, não foi juntada sequer uma única nota fiscal de venda que atestasse que as mercadorias foram efetivamente vendidas. Tais relatórios, gerados a partir de arquivos informatizados e facilmente manipuláveis, são uma prova fragilíssima de que os serviços de representação foram prestados. Como já dito, não há uma única prova material que comprove a prestação dos serviços. Na volumosa documentação juntada aos autos, o recorrente restringiu-se a comprovar que os valores foram efetivamente pagos. Não comprovou a causa das operações. E aqui cabe repisar que estamos tratando de representantes especialíssimos, com vendas acima de 100 milhões de Reais por ano. Ora, como justificar que tais representantes tenham se negado, de forma quase absoluta, a prestar quaisquer esclarecimentos sobre as operações mantidas com o recorrente? Ainda, considerando a relevância de tais representantes para o recorrente, como justificar que o próprio recorrente não tenha constrangido, aqui no sentido jurídico, os representantes a virem aos autos e ratificarem as operações efetuadas? Como justificar que valores da ordem de milhões de Reais, pagos em cheques nominais e cruzados, não tenham transitado na conta de depósito dos beneficiários? Como justificar que as empresas não tenham movimentações financeiras? Como justificar que os sócios dessas empresas tenham movimentações financeiras risíveis, excetuado um dos sócios da Ligeirinho? Como justificar que não há quaisquer registros dessas empresas em seus domicílios tributários? Como justificar que uma empresa seja intermediária de vendas da ordem de centenas de milhões de Reais, tendo como objeto social Edificações (Atenan Lopes dos Santos)? Como • • Processo n° 10120.006930/2006-68 CC01/036 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.082 justificar que o recorrente não tenha demonstrado um único nexo causal entre os pagamentos e a prestação dos serviços? Por tudo, a única hipótese plausível para justificar as perplexidades acima apontadas é deduzir que os pagamentos não tiveram uma causa legal, tratando-se, então, de pagamentos sem causa, os quais devem sofrer a incidência do art. 61 da Lei n°8.981/95. Por fim, deve-se enfatizar que esta Sexta Câmara já teve oportunidade de apreciar a higidez dos pagamentos feitos para as empresas acima (Batista Rabelo, Ligeirinho e Atenan Lopes dos Santos) por empresa do grupo Mabel (Moinho de Trigo Mabel Ltda.), quando, igualmente, rechaçou a causa dos pagamentos, considerando-os sem causa ou de operação não comprovada. Para tanto, veja-se o Acórdão n° 106-16.863, sessão de 24/04/2008, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula, do qual se colaciona breve excerto, verbis: Assim, não me parece relevante o argumento fundado exclusivamente no fato de que os discutidos valores estavam devidamente registrados em notas fiscais, relatórios de comissões, recibos, DARFs de recolhimento do imposto (1,5%) e escriturados no Livro Diário, já que não há discussão sobre este fato, e sim de que não houve comprovação que aqueles serviços constantes do documentário fiscal foram prestados. Indiscutivelmente, a escrituração só é válida quando !astreada em documentos hábeis e idôneos, que no presente caso parece não serem. Desta forma, as evidências, colhidas pela fiscalização, vão muito além da simples presunção. Os elementos apresentados fiscalização são contundentes ao evidenciar o emprego de documentos fiscais inidôneos, assim entendidos aqueles emitidos como nota fiscal de serviços, mas eivados de falsidade ideológica; isto é, documentos de teor fictício que não mantém justa relação com o serviço supostamente prestado. Do exposto, mantenho o lançamento do IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Agora, passa-se a apreciar os pagamentos feitos às empresas Jmp Comercial e Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ n° 74.660.390/001-62), Comerpa Comércio e Representações Ltda. (CNPJ n° 37.626.454/0001-82), Prestosul Ltda. (CNPJ n° 01.332.835/0001-01), Hovt Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.564.423/0001-60) e Korundex Comercial Ltda. (CNPJ n° 02.665.314/0001-39). Aqui, como acima se demonstrou, trata-se de empresas inexistentes de fato. As sucessivas diligências da fiscalização no domicílio fiscal dessas empresas no Estado de São Paulo, exceto pela Comerpa Comércio e Representações Ltda., não as encontraram estabelecidas. No ponto, como regra, o recorrente limitou-se a juntar mapa Sintegra, histórico de compras, extrato bancário e cópias dos cheques nominais e cruzados a tais empresas. O sócio-gerente da Jmp Comercial e Intermediação de Negócios Ltda. negou que tenha feito quaisquer negócios com o recorrente. Ainda, tal empresa sequer teve movimentação financeira nos anos em debate. 44 9. • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão rt.° 106-17.005 Fls. 33.083 Na mesma pisada, a empresa Comerpa Comércio de Representações, inapta nos cadastros da Receita Federal desde 1999, teve diversos dos seus pagamentos nominais à empresa Bertolucci e Capucci Ltda. (como exemplo, vide fls. 31.120-vol. 153 e fls. 20.759-vol. 151). Já a Prestosul Ltda. apresentou declaração de empresa inativa nos anos em debate, fragilizando a causa dos pretensos pagamentos feitos a si pelo recorrente. Por último, a Korundex Comercial Ltda. e a Hoyt Comercial Ltda. não foram localizadas em seus domicílios fiscais, ou sequer se soube se de fato existiram. No caso da Korundex, ressalte-se, há até depoimento de pretenso sócio que denuncia a fraude em sua constituição. Por tudo, aqui também, deve-se manter o lançamento que considerou sem causa os pagamentos feitos as empresas acima. Superados os itens VI e VII, passa-se à defesa dos itens VIII e IX. Aqui, o recorrente insurge-se contra a qualificação da multa lançada. Inicialmente, devem-se distinguir os conceitos de qualificação e agravamento da multa de oficio. A qualificação da multa de oficio é a aplicação em dobro do percentual ordinário de 75%, passando-o para 150%, quando presentes as condutas tipificadas nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n°4.502/1964. Essa é a atual dicção do art. 44, § 1°, da Lei n°9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. De outra banda, agrava-se pela metade a multa de oficio, ordinária de 75% ou qualificada de 150%, quando o contribuinte não atende as intimações da autoridade autuante, na forma do art. 44, § 2°, I a III, da Lei n° 9.430/96. Assim, a multa de oficio agravada atingirá 112,50% ou 225%. Mais uma vez, deve-se lembrar que a infração imputada ao recorrente desdobrou-se em duas vertentes: a primeira, vinculada às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237- vol. 2); a segunda, vinculada aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2). No tocante a primeira vertente da infração acima, como asseverado na apreciação da defesa do item III deste voto, reconhece-se que não foi comprovado o evidente intuito de fraude, o que já implicou na contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4°, do CTN (e não na forma do art. 173, I, do CTN), como antes dito. Ademais, deve-se lembrar que dos 340 lançamentos contábeis reputados feitos a beneficiários não identificados, o contribuinte logrou comprovar a causa da operação e os beneficiários em 338 eventos. Aqui, por óbvio, deve aplicar a multa ordinária, sendo de justiça deferir a desqualificação da multa lançada. De outra banda, no tocante aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2), como amplamente se demonstrou nos itens precedentes, o contribuinte não logrou comprovar a causa das operações. e Processo n° 10120.00693012006-68 CC01/036 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.084 Há, na espécie, fortíssimos indícios de que as duplicatas de serviços acostadas aos autos como de emissão das empresas Batista Rabelo Representações Ltda., Atenan Lopes dos Santos e Ligeirinho Representações Ltda. padecem de grave vício ideológico. Como se viu, restou sobejamente comprovada a ausência de causa para os pagamentos às empresas inexistentes de fato, aqui transbordando da mera presunção, pois a fiscalização fez profundo trabalho de campo, diligenciando nos domicílios tributários, intimando os sócios-gerentes dessas empresas, tudo sem sucesso. Ainda, não há qualquer indício da idoneidade dos pagamentos feitos as empresas descritas no anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2), o que deve obrigar este colegiado a manter a qualificação da multa de oficio. Aqui, deve-se lembrar que esta Sexta Câmara, quando apreciou a higidez dos pagamentos feitos pelo Moinho de Trigo Mabel Ltda. as empresas Atenan Lopes dos Santos, Ligeirinho Representações Ltda. e Batista Rabelo Representações Ltda., manteve a qualificação da multa de oficio, como se pode ver no Acórdão antes citado (n° 106-16.863). Por tudo, deve-se manter a qualificação da multa de oficio no tocante ao lançamento referente aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2). Superadas as defesas dos itens VIII e IX, no item X, o recorrente insurge-se contra o agravamento da multa de oficio. Aqui, mister fazer um breve histórico dos incidentes da fase da autuação. Inicialmente, o Exmo. Sr. Juiz substituto da 5' Vara Federal da Seção Judiciário do Estado de Goiás (GO), em 19 de novembro de 2004, expediu mandado de busca e apreensão de documentos e objetos-MBA n° 21/2004 em desfavor das empresas do grupo Mabel, que deveria ser cumprido pela Polícia Federal, autorizada a participação de Auditores-Fiscais da Receita Federal (fls. 09 a 12-vol. 1). O Mandado foi cumprido em 26/04/2005, e os documentos e bens foram arrecadados, conforme Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão, juntado ao presente processo administrativo (fls. 13 a 26-vol. 1). Em 20 de julho de 2005, o Exmo. Sr. Juiz Federal Substituto da 5' Vara da Seção Judiciária de Goiás (GO) determinou que o Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal na P Região Fiscal efetuasse uma análise pericial do material recolhido nos Mandados de Busca e Apreensão n°s 13 e 21/2005 (fls. 27). Anteriormente, em 17/05/2005, a Receita Federal deu início ao presente procedimento fiscal em face do recorrente, requisitando livros contábeis e fiscais, arquivos eletrônicos e documentação societária do recorrente, quando registrou que tal documentação não havia sido objeto do Mandado de Busca e Apreensão n° 21/2004 (fls. 28 a 32). Em 1° de junho de 2005, o contribuinte atravessou petição justificando o não atendimento da intimação acima. Em linhas gerais, afiançou que a maioria da documentação estava na sede da empresa à disposição da fiscalização, bem como estava trabalhando para entregar a DIPJ-exercício 2005, o que estava o obrigando a conciliar a contabilidade do período (fls. 33). 46 Processo n° 10120.006930/2006-68 CC01/C06 Acérclào n.° 108- 17.005 Fls. 33.085 Em 14/06/2005 e 15/06/2005, a fiscalização fez retenção de documentos na sede da empresa (fls. 35 e 37). Em 04/07/2005, a autoridade autuante registrou que recebeu arquivos magnéticos do contribuinte (fls. 41). Em 04/07/2005, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para concluir a entrega dos arquivos magnéticos (fls. 43). Em 05/07/2005, 11/07/2005 e 14/07/2005, a fiscalização voltou a reter documentos na sede da empresa (fls. 42, 44 e 50). Em 13/07/2005, o contribuinte foi intimado a comprovar suprimentos de caixa, lançamentos relativos às contas de mútuos e transferências de numerário (fls. 56). Em 14/07/2005, o contribuinte foi reintimado a apresentar todos os arquivos magnéticos, acompanhados dos relatórios impressos (fls. 47). Ainda, em 10/08/2005, foi intimado a apresentar rol de notas fiscais originais (fls. 58). Em 11/08/2005, o contribuinte solicitou prorrogação da intimação de 13/07/2005 e 14/07/2005, no que foi atendido pela autoridade autuante (fls. 63 e 64). Em 12/08/2005, a autoridade autuante certificou que recebeu os arquivos magnéticos (fls. 65). Em 16/08/2005, o contribuinte informou que as notas fiscais poderiam estar de posse do fisco ou arrecadadas no bojo do MBA (fls. 66). Em 13/09/2005, atendeu parte da documentação bancária (fls. 67). Em 06/09/2005, o sócio do recorrente Sandro Antônio Scodro, escorando-se na decisão do Juizo da 5' Vara Federal de Goiás (GO) que havia declinado a competência para o Supremo Tribunal Federal, ao argumento de que a ação atingiria agente com foro na Excelsa Corte, solicitou que a DRF-Goiânia (GO) enviasse toda a documentação da fiscalização para a Policia Federal, como decidido em relação àquela objeto do MBA (fls. 68 a 70). Pelos Termos de Intimação de 12/09/2005 e 13/09/2005, a fiscalização deu prosseguimento a seus trabalhos, determinado que o contribuinte comprovasse a causa e os beneficiários dos pagamentos ora debate nestes autos (fls. 71 a 123). Em petição de 21 de setembro de 2005, o Sr. Sandro Antônio Scodro protocolizou petição, asseverando que a Receita Federal estava descumprindo a decisão judicial que declinou a competência do feito para o STF e que determinara que a documentação apreendida permanecesse na Policia Federal (fls. 124 a 129). Em 14/10/2005, a fiscalização reintimou o recorrente da requisição constante nos Termo de 12/09/2005 e 13/09/2005 (fls. 170). O Juizo Federal da 5' Vara de Goiás (GO) autorizou a Receita Federal a continuar o trabalho de fiscalização já que as instâncias administrativa e penal são independentes (fls. 133 e 134). Á • Processo n° 10120.006930/2006-68 CCO 1 /C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.086 Em 04/11/2005, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para cumprimento das intimações pendentes (fls. 135). Nos meses finais de 2005, há uma série de intimações e respostas do contribuinte. Ainda, veio a ludie um comunicado no qual o contribuinte informava de um sinistro ocorrido em 09/01/2001, com danos em bens e em documentação contábil e fiscal. Por último, o Exmo. Sr. Presidente do STF, Ministro Nelson Jobim, deferiu liminar para suspender os trabalhos da Receita Federal vinculado à documentação arrecadada no MBA antes referido (fls. 158). Em 31/01/2006, a autoridade autuante reintimou o contribuinte a cumprir os termos das intimações precedentes, enfatizando que a presente fiscalização não utilizou quaisquer dos documentos arrecadados no MBA referido (fls. 159). O contribuinte veio aos autos e informou que não atenderia a intimação, pois estava acobertado pela liminar deferida pelo Ministro Jobim (fls. 164 a 167). Em 18/09/2006, o Ministro Carlos Ares Britto cassou a liminar deferida pelo Ministro Jobim (fls. 170 a 178), bem como fixou a competência do feito criminal na 5 a Vara Federal de Goiânia (GO). Em 03/10/2006, a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação asseverando que os arquivos magnéticos não foram apresentados pelo recorrente. Este, de outra banda, solicitou nova prorrogação para atender as reintimações. Não atendida mais essa prorrogação, lavrou-se o auto de infração aqui em debate. Feito o histórico, ficou claro que a fiscalização tributária foi desenvolvida em paralelo com o feito criminal, pois teve inicio em 17/05/2005, e, somente em 20 de julho de 2005, o Juizo Federal determinou a análise pericial pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal. Nos autos, não há qualquer prova que informe que a autoridade autuante tenha participado dessa análise ou se valido da documentação. Ademais, desde 31/01/2006, a autoridade autuante asseverou que a documentação do presente feito fiscal extremava-se, por diferente, daquela arrecadada no MBA. Essa constatação, registre-se, não foi contraditada pelo recorrente. Por fim, ainda houve uma última prorrogação de prazo, em 03/10/2006, sem sucesso. Assim, agrava-se pela metade a multa de oficio, ordinária de 75% ou qualificada de 150%, quando o contribuinte não atende as intimações da autoridade autuante, na forma do art. 44, § 2°, I a III, da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, a multa de oficio agravada atingirá 112,50% ou 225%. Nos autos, forçoso reconhecer que o contribuinte não atendeu as requisições da fiscalização, mormente após o Termo de Reintimação de 31/01/2006, quando expressamente a autoridade autuante asseverou que a documentação do presente feito era divergente da arrecadada no MBA antes informado. Ressalte que desde 13/07/2005, o contribuinte foi intimado a comprovar suprimentos de caixa, lançamentos relativos às contas de mútuos e transferências de numerário (fls. 56). „Ir 48 efr E Is • Processo ne 10120.006930/2006-68 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.087 Ante o exposto, deve-se manter o agravamento da multa de oficio, no tocante à infração imputada ao recorrente, nas duas vertentes: a primeira, vinculada às transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vai. 2), no que remanesceu nesta instância (dois pagamentos); a segunda, vinculada aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253— vol. 2). Concluindo as defesas trazidas no Recurso Voluntário, no item XI, o recorrente pugna pelo deferimento de diligência, caso este Conselho dê por falta de alguma documentação pertinente. Ora, a prova deve ser colacionada pelo recorrente. Como já dito, esta Câmara é extremamente liberal na apreciação da prova, como, inclusive, ocorreu no caso vertente, quando se apreciou toda uma novel documentação trazida no recurso voluntário, bem como um adendo extemporâneo (apenas se afastou a prova juntada após o recurso entrar em pauta de julgamento). Assim, a prova aqui feita é definitiva e foi adequadamente apreciada. Dessa forma, absolutamente impertinente o pedido de diligência. Por fim, aqui se resgata a defesa do recorrente que pugnou pela decretação da decadência sobre todos os fatos geradores lançados anteriores a 03 de novembro de 2001. Como se viu no item III deste voto, deferiu-se o reconhecimento da decadência na forma pugnada pelo recorrente no tocante as transferências de numerários e dos pagamentos de mútuos, objeto do anexo 1 do termo de verificação fiscal (fls. 189-vol. 1 a 237-vol. 2). Entretanto, no tocante aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do anexo 2 do termo de verificação fiscal (fls. 238 a 253 — vol. 2), manteve-se a qualificação da multa de oficio, entendendo-se que restou comprovado o evidente intuito de fraude. Dessa forma, deve- se aplicar a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Assim, no tocante a essa parte do lançamento, considerando que os pagamentos sem causa ou de operação não comprovada tem o fato gerador no dia da operação, os montantes pagos no ano-calendário 2001 somente começaram a sofrer os efeitos da decadência a partir do primeiro dia do ano- calendário 2002, com termo final em 31/12/2006. Como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 03/11/2006, hígida essa parcela do lançamento. Por tudo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de oficio, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar a juntada de documentos no segundo aditamento, o pedido de diligência e as preliminares de nulidade aventadas, e, no mérito: • desqualificar a multa de oficio aplicada no lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal; • reconhecer a decadência do lançamento referente às transferências de numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal, dos fatos geradores até 3 de novembro de 2001; • manter o lançamento relativo aos fatos geradores de 16/05/2002, nos valores de R$ 200.000,00 e R$ 50.000,00, referente às transferências de 49 • • • • Proccsso n° 10120.00693012006-68 CCO 1 /CO6 Acórdão n.° 106-17.005 Fls. 33.088 numerários e pagamentos de mútuos, objeto do Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal, bem como o lançamento referente a todos os fatos geradores vinculados aos pagamentos a empresas inexistentes de fato, objeto do Anexo .. - o de Verificação Fiscal. Sala das S - sões, em 06 de ago.to de 2008 -,* *ovanni Christiartill 7/ I, 50 _ Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10235.000956/96-18
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - EXERCÍCIO DE 1995 - IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA TERRA NUA (VTN) - A não apresentação de laudo técnico, de acordo com as normas da ABNT, gera a manutenção do lançamento do imposto. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-10663
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso
Nome do relator: JOSÉ DE ALMEIDA COELHO

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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JOSÉ RABELO MOURÃO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das S - ssõe: 10 de novembro de 1998 Ati ). a t. Vinícius Neder de Lima Pr id nte , José de Almeid. s elho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Oswaldo Tancredo de Oliveira, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campeio Borges, Ricardo Leite Rodrigues, Maria Teresa Martinez López e Helvio Escovedo Barcellos. cl/fclb/mas 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘2,391k''' Processo : 10235.000956/9648 Acórdão : 202-10.663 Recurso : 103.795 Recorrente : JOSÉ RABELO MOURÃO RELATÓRIO O contribuinte José Rabelo Mourão impugnou o lançamento do ITR, exercício de 1995, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Maria Atilde" e localizado no Município de Cutias - AP (fl. 01). Aduziu o impugnante, em síntese, que o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado no lançamento está em discordância com a realidade local. Para instruir o pleito, juntou o Laudo de Vistoria Técnica de fls.02/03. A autoridade julgadora de primeira instância, contudo, manteve o lançamento. Entendeu o julgador que o laudo apresentado não está em consonância com a Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, pois "(...) não demonstra o método avaliatório e fontes pesquisadas que levaram o órgão avaliador chegar à conclusão de que, à data fixada em Lei para apuração da base de cálculo (31/12/94), ao imóvel tributado, em função de suas peculiaridades, foi atribuído valor inferior ao VTN Tributado." (fls. 09/11). Ciente da decisão, porém inconformado, o contribuinte interpôs recurso de fls. 14, em que se limita a trazer aos autos novo laudo de avaliação técnica do imóvel rural em questão (fls. 15/20). A douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas Contra-Razões, pugnou pelo não acolhimento do recurso, eis que a r, decisão monocrática deve ser mantida pelos seus fundamentos jurídicos (fls. 26). É o relatório. 2 2/53 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,5111,"'" •,^;:;,t-; tit SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10235.000956/96-18 Acórdão : 202-10.663 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ DE ALMEIDA COELHO Conheço do recurso pela sua tempestividade, contudo, no mérito, nego-lhe provimento, pelas razões abaixo expendidas: O Recorrente se insurge contra decisão de primeira instância, que lhe negou provimento à impugnação interposta. É certo que, a despeito das razões do recurso, o ora Recorrente não trouxe elementos de provas que pudessem modificar a decisão atacada, conforme constante nos autos. Entendo que a Autoridade Julgadora de Primeiro Grau obrou com eficiência, ao examinar o argüido na impugnação constante. Quanto as alegativas apresentadas pelo Recorrente, não há como acolhê-las, posto que os argumentos expendidos não oferecem supedâneo para que se possa modificar a decisão "a ano". Já quanto ao "LAUDO DE VISTORIA TÉCNICA", entranhado nos autos, a Autoridade Julgadora bem o examinou e concluiu pelo seu não acolhimento, por lhe faltar elementos para que se pudesse atender o exigido pela lei. Ante o exposto e o que mais dos autos consta, conheço do recurso pela sua tempestividade, mas, no mérito, nego-lhe provimento, para manter a decisão recorrida. É C01110 vota Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1998 Ale JOSÉ DE *A OELHO 3

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