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Numero do processo: 16327.721796/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO PROVIMENTO.
Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias e retificou o lançamento através de diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências de março a maio de 2006.
STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO.
No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Aplicando-se a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, estão decaídas as competências de março a maio de 2006. Em relação à competência remanescente, referente ao mês dezembro, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2006, face a aplicação da decadência quinquenal. II) Por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento em relação aos 30 beneficiários incluídos na diligência fiscal cientificada em 12/12/2012, vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que rejeitava a preliminar. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO PROVIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias e retificou o lançamento através de diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências de março a maio de 2006. STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicandose a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, estão decaídas as competências de março a maio de 2006. Em relação à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 96 /2 01 1- 56 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 competência remanescente, referente ao mês dezembro, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2006, face a aplicação da decadência quinquenal. II) Por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento em relação aos 30 beneficiários incluídos na diligência fiscal cientificada em 12/12/2012, vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que rejeitava a preliminar. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O processo administrativo em análise decorre de fiscalização na qual foi lavrado contra o Recorrente o DEBCAD nº 37.346.3030, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias a cargo da empresa e a contribuição adicional de 2,5%, relativamente às competências de 01/2006 a 12/2006, incidentes sobre as remunerações pagas a determinados diretores (contribuintes individuais) por meio da outorga de opções de compra de ações (Stock Options) do Recorrente. Na mesma oportunidade, foi lavrado contra o Recorrente o DEBCAD nº 37.346.3022, por meio do qual foi cobrada multa por descumprimento de obrigação acessória consistente na ausência de declaração dos fatos geradores acima mencionados em GFIP. O contribuinte tomou ciência das autuações em 23/12/2011 (fls. 87 e 88). DA AUTUAÇÃO Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 6178), o Auditor Fiscal autuante adotou o entendimento de que os planos de opções de compra de ações outorgados pelo Recorrente a seus diretores configuram remuneração e, como tal, sujeitamse à incidência da contribuição previdenciária patronal. Com o objetivo de sustentar tal posicionamento, o Auditor Fiscal, inicialmente, transcreveu trechos de documentos apresentados pela Companhia no curso da fiscalização ou obtidos através do seu sítio eletrônico, tais como notas explicativas de demonstrações financeiras e trechos do formulário 20F apresentado à SEC – US Securities and Exchange Comission, que fazem alusão aos planos de opções de compra de ações ofertados pelo Recorrente como remuneração dos beneficiários (diretores ou empregados de alto escalão). Vejamos: Visa integrar executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazos, através da outorga de opções de ações pessoais e intransferíveis, que concedem o direito de subscrição de uma ação do capital autorizado, ou, a critério da administração, de compra de uma ação em tesouraria adquirida para relocação. (Trecho da Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n.º 15 (quinze) – Patrimônio Líquido, em seu item “e” – Plano para Outorga de Opções de Ações) Em 1995, instituímos nosso plano de opção de compra de ações (“Plano”). O Plano tem por objetivo reter os serviços de nossos diretores e obter funcionários altamente capacitados. Cada opção dá direito a seu detentor a uma ação preferencial. Quando as opções são exercidas, emitimos novas ações ou transferimos ações em tesouraria para o detentor da opção. [...] (Trecho extraído do item 6E. Propriedade de Ações) Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Em seguida, o fiscal autuante efetua uma análise das principais disposições do Plano para Outorga de Opções de Ações aprovado pela Assembleia Geral de 01/11/2002 e alterado pelas Assembleias Gerais de 28/04/2004, 27/04/2005 e 26/04/2006, na forma abaixo transcrita: · Objetivo: integrar os executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazo, facultando participarem das valorizações que seu trabalho e dedicação trouxerem para as ações representativas do capital da instituição; · Beneficiários: O Comitê de Nomeação e Remuneração tem a competência para designar os diretores aos quais serão outorgadas as opções, nas quantidades que especificar. As opções serão pessoais e intransferíveis; · Quantificação: O Comitê poderá segmentar em séries o lote total de opções a serem outorgadas, estabelecendo as características e condicionamento de cada série, especialmente o preço de exercício, o prazo de vigência e o período de carência das correspondentes opções; · Rateio: O Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado. Efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis; · Preço do Exercício: É o valor que deverá ser pago ao Banco pela subscrição de cada ação, em decorrência do exercício de opção que haja sido outorgada. Para a fixação do preço é considerada a média dos preços verificados para as ações do Banco nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data de emissão das opções, a critério do Comitê, facultado ainda um ajuste de 20% (vinte por cento), para mais ou para menos; · Prazo de Vigência: As opções terão vigência pelo prazo que o Comitê fixar ao outorgálas, ficando automaticamente extintas no término desse prazo. O prazo de vigência de cada série de opções terá início na data em que essa série houver sido emitida e o respectivo término recairá no final de um período que poderá variar entre o mínimo de AE+5 anos e o máximo de AE+10 anos, entendendose por AE (Ano de Emissão) o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Terão sua vigência extinta antecipadamente as opções cujos titulares se desligarem ou forem desligados do Banco e deixarem de ter atribuições executivas. As opções de diretores se extinguirão na data em que deixarem o exercício do cargo, seja por renúncia, seja por iniciativa do órgão que se elegeu. Em se tratando de funcionário, a extinção Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 4 5 ocorrerá na data em que se rescindir o contrato de trabalho. · Exercício das Opções: Os titulares das opções outorgadas poderão exercêlas subscrevendo as ações a que tiverem direito. As opções só poderão ser exercidas após o decurso de um “período de carência” e fora dos “períodos de suspensão” estabelecidos pelo Comitê; · Período de Carência: O período de carência de cada série de opções será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre os prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Esse período se extinguirá antecipadamente se ocorrer a aposentadoria do titular da opção, caso em que ele poderá exercêla quando desejar, ou se ocorrer o falecimento do titular, caso em que os herdeiros poderão exercêla quando desejar; · Período de Suspensão: Serão determinados pelo Comitê quando se justificarem, seja para ordenar os trabalhos de subscrição, seja para impedir subscrições nos períodos em que a CVM veda aos diretores negociarem ações da empresa que dirigirem; · Disponibilidade das Ações: o titular da opção poderá dispor livremente da metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. A outra metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. A outra metade ficará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir da data do exercício da opção. 1. Natureza Salarial Feitas as considerações iniciais acima indicadas, o auditor fiscal passa a defender a natureza salarial das opções de compra de ações ofertadas pelo Recorrente: 6. DA NATUREZA SALARIAL DOS FATOS NARRADOS A outorga aos administradores de opções de compra de ações da companhia é uma forma de remuneração a médio e longo prazo, possuindo, portanto, natureza inegavelmente salarial conforme se demonstrará a seguir. A autoridade fiscal autuante, então, apresenta distinções entre as opções de compra de ações comuns e as opções de compra de ações para trabalhadores, com o objetivo de fortalecer a alegada natureza salarial dos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ações destinados aos trabalhadores, ressaltando, para tanto, as seguintes características: · O trabalhador não desembolsa valores na aquisição do direito de comprar ações da empresa. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 · Não há risco na aquisição da opção, na medida em que o trabalhador tem o direito de não exercer essa opção, ou seja, se a ação estiver com o valor baixo, ele não é obrigado a adquirila. · O trabalhador só corre o risco de ganhar, não corre o risco de perder já que não há desembolso pelo direito de opção e o exercício só ocorre se o valor da opção for inferior ao de mercado, · As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, de modo que não é possível negociar as opções recebidas. · O período de vigência é geralmente bastante superior em relação aos planos de ações comuns. · Em regra, não permite que o direito seja exercido no momento da concessão, com o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador, de modo a vincular o capital humano, além de ser oferecido como recompensa pelo trabalho prestado, como um “prêmio” ao empregado, como remuneração pelo seu trabalho. Acrescenta o fiscal autuante que o que une o trabalhador ao empregador é a prestação de serviço, diante do que todo o fluxo entre os dois se deve à relação de trabalho. E que, como as instituições financeiras não têm por seu objeto a negociação de suas próprias ações, a outorga de opções de compras de ações não se trata de uma operação mercantil. Alega que as instituições financeiras, ao ofertarem opções de compra de ações a seus trabalhadores, buscam motiválos, reter profissionais, vincular a sua remuneração à performance da empresa, alinhar os interesses dos trabalhadores aos dos acionistas, dentre outros fatores, que acabam levando o beneficiário a trabalhar mais e provocam um efeito “algemas de ouro”. Pontua que os planos de opções de ações são oferecidos como recompensa pelo trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, tratase de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmios), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. E assim conclui: Portanto, as opções de ações concedidas aos administradores devem integrar o salário de contribuição, pois: · De acordo com o artigo 6º do Estatuto Social reproduzido anteriormente, compete ao Comitê de Nomeação e Remuneração definir a política de remuneração dos Diretores, compreendendo, entre outros, a outorga de opções de compra de ações, tendo em conta as responsabilidades, o tempo dedicado às funções, a competência e reputação profissional e o valor dos serviços no mercado. · A Nota Explicativa nº 15 às Demonstrações Contábeis referentes ao exercício de 2006 – Patrimônio Líquido, Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 5 7 em seu item “e” – Plano para Outorga de Opções de Ações, reproduzida anteriormente, afirma que a companhia visa integrar seus executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazos, através da outorga de opções de ações, pessoais e intransferíveis. · No Formulário 20F, item 6B, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo categoriza a outorga de opções de compra de ações como honorários do Conselho de Administração e da Diretoria. · No Formulário 20F, item 6C, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo nos diz que o atual Comitê de Nomeação e Remuneração teve origem no antigo Comitê de Opção de Compra de Ações, que depois passou a ser chamado de Comitê de remuneração. · No Formulário 20F, item 6E, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo afirma que o Plano de Opção de Compra de Ações tem por objetivo reter os serviços dos diretores e obter funcionários altamente capacitados para a companhia. · No item 6B do Formulário 20F, reproduzido anteriormente, ao tratar dos honorários do Conselho de Administração e da Diretoria, o contribuinte utiliza a expressão “despesas de remuneração”, como segue: “As despesas de remuneração referentes aos planos de opção de compra de ações totalizam R$...” · Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte afirma que o Plano para Outorga de Opções de Ações é um instrumento para atração, estímulo e principalmente a retenção de grandes profissionais que são violentamente disputados pelas grandes empresas. · O Plano para Outorga de Opções de Ações, aprovado pela Assembleia Geral de 01.11.2002 e alterado pelas Assembleias Gerais de 28.04.2004, 27.04.2005 e 26.04.2006, com trechos reproduzidos anteriormente, estabelece que o Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado e efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis. Com relação ao período de carência de cada série de opções, ele será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Com relação ao preço de exercício da opção, é Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 facultado um abatimento de 20% sobre o valor calculado com base na métrica definida. 2. Momento da ocorrência do fato gerador Em seguida, o Auditor Fiscal analisou o momento da ocorrência do fato gerador nos casos envolvendo os planos de opção de compras de ações e concluiu que o fato gerador resta caracterizado com o vencimento do prazo de carência, tendo em vista que, naquele momento, há o implemento da condição suspensiva contratual, sendo irrelevante para a configuração do fato gerador se o trabalhador exerceu ou não a opção de adquirir as ações. Vejamos os exatos termos do raciocínio desenvolvido pelo Auditor. 7. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A outorga das opções de compra de ações para trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Ou seja, como regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. Como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio. Tratase, portanto, de um contrato pendente de condição suspensiva, que é aquele que somente se aperfeiçoa com o implemento dessas condições. [...] Diante do que foi exposto, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que detinha. À luz do Código Civil (art. 125, reproduzido anteriormente), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art. 117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito. Portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. 3. Apuração da base de cálculo Com o objetivo de apurar a base de cálculo devida para incidência das contribuições previdenciárias, o Auditor, em observância ao critério adotado quanto ao momento em que resta caracterizada a ocorrência do fato gerador, utilizando os dados extraídos da planilha apresentada pelo contribuinte, entendeu que o montante corresponderia à multiplicação da quantidade de opções de compra outorgadas ao trabalhador (passíveis de exercício) pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço do exercício da opção no Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 6 9 momento do vencimento da carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. Assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções, isso ficou a seu critério. [...] As informações utilizadas para quantificar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, de acordo com os critérios descritos acima, foram extraídas de planilha intitulada “Opções de Ações – Vencimento do Prazo de Carência”, segundo aponta o relatório fiscal. 4. Multa aplicada Após a análise da penalidade mais benéfica ao contribuinte, em observância ao exposto no art. 106, inciso III, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o Auditor Fiscal confrontou a multa por descumprimento de obrigação acessória (ausência de declaração do fato gerador em GFIP) somada à multa de mora (24%) com a multa de ofício, estabelecida pela Lei nº 11.941/2009 (75%), e concluiu que a aplicação da legislação anterior seria mais benéfica ao contribuinte. Foi lavrado, assim, o Debcad de n. 37.346.3022 (AI 68), pelo descumprimento da obrigação prevista no art. 32, IV, da Lei 8.212/1991. DA IMPUGNAÇÃO O ora Recorrente apresentou tempestivamente impugnação aos Autos de Infração em 24/01/2012, alegando, em síntese: 1. Nulidade do lançamento: crédito tributário apurado com base em levantamento mal elaborado: falta de certeza e liquidez O Recorrente alegou que o Auditor Fiscal, ao elaborar os cálculos, não considerou a quantidade de ações que efetivamente foram objeto da concessão das opções de compra, mas sim a quantidade de ações indicada pelo Recorrente, em resposta à primeira intimação, que correspondia ao total de opções de compra recebidas por cada beneficiário, considerando, para tanto, todos os desmembramentos e bonificações ocorridos até 31/08/2009. Desse modo, o Auditor teria considerado, para cada vencimento do prazo de carência, a totalidade das opções de compra de cada série de ações, majorada de forma indevida quando da ocorrência de desmembramentos e bonificações. 2. Decadência Em relação à decadência, o ora Recorrente considerou que, de acordo com a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, os valores referentes às competências de março a maio de 2006 já estariam decaídos quando da ocorrência do lançamento, que ocorreu apenas em 23/12/2011. 3. Mérito a) Auto de Infração nº 37.346.3030 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 O Recorrente, em seguida, demonstrou os equívocos cometidos pela autoridade fiscal para atribuição da natureza salarial dos valores decorrentes do stock options, como, por exemplo, a irrelevância da utilização do termo “remuneração” relacionado aos valores recebidos pelos administradores, tanto no formulário 20F quanto nos atos societários. Além disso, ressaltou que não seria possível definir a natureza da parcela considerando o simples fato de ela ter sido criada pelo “Comitê de Remuneração”, já que a natureza da parcela deve ser definida de acordo com as suas características. O Recorrente analisou, de forma pormenorizada, o Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações, ressaltando, dentre outras, as seguintes características: (i) somente podem ser outorgadas opções em exercícios em que tenham sido auferidos lucros suficientes para permitir a distribuição do dividendo obrigatório aos acionistas; (ii) o “preço do exercício” considerará a média dos preços para as ações do Recorrente na Bovespa, no período mínimo de um e no máximo de três meses anteriores à data de emissão das opções; (iii) o “preço do exercício” será o valor pago ao Recorrente pela subscrição de cada ação em decorrência do exercício da opção, sendo reajustado até o mês anterior ao exercício da opção pelo IGPM; (iv) exercida a opção, o titular deverá pagar o “preço do exercício” em prazo igual ao vigente para liquidação de operações na Bovespa; (v) o prazo de vigência de cada série será de no mínimo 5 anos e no máximo 10 anos; (vi) a vigência será extinta antecipadamente em caso de desligamento, independentemente da causa que o tenha gerado e as opções de diretores se extinguirão na data em que deixarem o exercício do cargo, seja por renúncia seja por iniciativa do órgão que os elegeu, salvo se decorrer de não reeleição de diretor ou funcionário desligado após 55 anos de idade, cujas opções poderão ser exercidas nos prazos estipulados; (vii) no caso de falecimento, os herdeiros poderão exercer as opções também nos prazos estipulados; (viii) o período de carência se extingue antecipadamente no caso de aposentadoria do titular da opção ou seu falecimento, facultando seu exercício pelo titular ou seus herdeiros no prazo de vigência da opção ou em até 3 anos; (ix) as opções não poderão ser exercidas durante os “períodos de suspensão”; (x) o titular das opções cientificará a Superintendência de Assuntos Corporativos do Banco Itaú sobre a data em que exercerá as ações, com antecedência mínima de 48 horas; (xi) o titular poderá dispor livremente da metade das ações adquiridas, ficando a outra metade indisponível pelo prazo de 2 anos, contados a partir da data do exercício da opção. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 7 11 Após discorrer sobre as características do Plano, o Recorrente defendeu a sua natureza mercantil e não salarial, diante do que a autuação deveria ser julgada improcedente. Alegou, ainda, que, mesmo que tivesse natureza remuneratória, o fato gerador apenas restaria configurado quando os trabalhadores desembolsassem os valores para aquisição das ações, de modo que não haveria como ser mantida a tese sustentada na autuação de que o vencimento do prazo de carência materializaria o fato gerador, sendo tal fato, por si só, suficiente para gerar a obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias. Até porque, segundo alegou o Recorrente, inexiste obrigação de pagamento de contribuições previdenciárias quando não existe qualquer rendimento para o beneficiário. Por fim, sustentou a impossibilidade de exigência do adicional de 2,5%, por configurar flagrante violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva de modo que o adicional deveria ser calculado com base na alíquota aplicável às pessoas jurídicas em geral. b) Auto de Infração nº 37.346.3022 Em relação à multa, o Recorrente afirmou que a autoridade fiscal equivocou se ao aplicar o princípio da retroatividade benigna, na medida em que confrontou a multa referente à obrigação acessória somada à multa de mora com a multa de ofício de 75% estabelecida pela Lei 11.941/09 e não pela multa por descumprimento de obrigação acessória, prescrita pelo revogado art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212/91, com atual redação prevista no art. 32A, inciso I do mesmo diploma legal. Além disso, ressaltou que, considerando que as verbas oriundas do exercício da opção de compra de ações não possuem natureza salarial e, portanto, não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não haveria que se falar em omissão quanto a fatos gerados em GFIP, sendo o lançamento impugnado um ato administrativo imotivado, o que enseja a sua nulidade, a qual o Recorrente pleiteia seja declarada. DESPACHO DA DRJ Em 19 de julho de 2012, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo (SP), considerando os argumentos trazidos pela Impugnante, ora Recorrente, analisou a planilha “Opções de Ações – Vencimento do Prazo de Carência” (fls. 79/83), a qual foi utilizada, pelos Auditores Fiscais, para calcular a base de cálculo do crédito tributário, e verificou que houve repetição, em várias linhas, dos mesmos dados (mesmo beneficiário, mesma série de ações, mesma data de outorga, mesma quantidade de ações, mesma data de carência, mesmo preço de exercício da opção, mesmo valor de mercado da ação e mesma base de cálculo) (fls. 248250). Diante disso, a DRJ converteu o julgamento em diligência e determinou que a autoridade fiscal se manifestasse sobre os argumentos trazidos pelo Impugnante, ora Recorrente, quanto à indevida majoração da base de cálculo e, em caso de necessidade de retificação, requereu fosse elaborada nova planilha para apuração da base de cálculo. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 DILIGÊNCIA FISCAL O Auditor Fiscal, de início, afirmou que apenas com a entrega dos documentos acostados à impugnação – Demonstração dos Desdobramentos e Bonificação de Ações e Atas que outorgaram opções de compra de ações – foi possível efetuar uma “verificação mais consistente dos valores utilizados na apuração da base de cálculo”. Ao analisar tais documentos, a autoridade fiscal reconheceu que, de fato, houve divergência na quantidade de ações, pois, no cálculo inicialmente realizado, os eventos de desdobramentos e/ou bonificações posteriores à data do cumprimento do prazo de carência foram considerados como nova opção de ações. Ressaltou que as atas de reunião do comitê de opções, por sua vez, demonstram o prazo final da carência para o exercício das opções, bem como a relação discriminada dos beneficiários a quem foram outorgadas as opções de compra de ações, contendo o nome do beneficiário e a quantidade de ações outorgadas. Considerando tais informações, verificouse que a série EP01/0508/15676 deveria ser excluída do auto de infração, já que, conforme descrito na ata, o término do seu prazo de carência ocorreu em 31/12/2005, portanto, em data anterior ao período fiscalizado. Em relação às demais séries de opções de compra de ações, também reconheceu ser devida a exclusão das informações repetidas. Sendo assim, com objetivo de retificar os dados que distorciam a base de cálculo inicialmente apurada na autuação, foi elaborada nova planilha denominada “Opções de Ações 2006 – Valores Retificados” (fls. 257259). O Recorrente foi cientificado do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal em 29/11/2012 (fl. 256). TERMO DE RE/RATIFICAÇÃO DE ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA FISCAL No dia 12/12/2012, o Recorrente foi cientificado do Termo de Re/ratificação de Encerramento da Diligência Fiscal, considerando que a planilha de cálculo que o acompanhava necessitava de ajustes, pois, embora a série EP01/0508/15676 tenha sido excluída do lançamento, remanesceram três informações sobre essa série na planilha, uma na competência de 03/2006, outra na 04/2006 e outra na 05/2006, de modo que se tornou necessária nova retificação. Aproveitouse, ainda, para complementar as considerações finais, cientificando o contribuinte quanto ao prazo de 30 dias para apresentar manifestação, já que essa informação não constava no Termo de Encerramento inicialmente apresentado. MANIFESTAÇÃO DO IMPUGNANTE O ora Recorrente ratificou os termos da impugnação já apresentada e aduziu a impossibilidade de convalidar vícios de nulidade que maculam o lançamento fiscal, tendo em vista que a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, envolvendo o completo recálculo do valor apurado, o que apenas poderia ser feito através de novo lançamento e não por meio de nova diligência. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 8 13 Ressaltou que, embora o recálculo tenha resultado em um valor tributável menor do que o originalmente lançado, na apuração da nova base de cálculo foram incluídos 30 (trinta) beneficiários que não constaram no lançamento original. Esclareceu, em seguida, que não procede a alegação da Fiscalização de que “somente durante o prazo legal para impugnação foram apresentados pelo contribuinte os seguintes documentos que, sendo analisados em conjunto com a planilha cima referida, permitem uma verificação mais consistente dos valores utilizados na apuração da base de cálculo”, já que, em 25/08/2011, no curso do procedimento fiscalizatório, apresentou planilha contendo o preço de exercício das opções de compra outorgadas e o valor de mercado das ações no momento em que o prazo de carência tinha sido cumprido, de modo que o fiscal tinha os elementos necessários à correta apuração da base de cálculo. Por fim, alegou que o TST já consolidou o entendimento quanto à possibilidade de estabelecer planos para compra de opções de ações, desde que o preço não seja irrazoável, única hipótese em que se estaria configurada remuneração disfarçada. ACÓRDÃO DA DRJ Após relato dos fatos e argumentos trazidos no processo, a DRJ chegou às seguintes conclusões: 1. Nulidade Inicialmente, considerou que, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), a nulidade só pode ser declarada quando verificado algum vício que atinja um dos elementos estruturais do ato, como, por exemplo, a competência do agente, forma, finalidade ou motivo do ato. A DRJ entendeu que não houve, no presente caso, autuações por métodos de tentativa, nem erro do Fisco e, muito menos, foi cometido equívoco que ensejasse qualquer insegurança jurídica ao contribuinte autuado. Na verdade, no entender da Turma Julgadora, apenas houve equívoco na apuração da base de cálculo em relação ao quantum devido, motivado pela incorreta interpretação dos dados apresentados pela empresa em forma de planilha. Sendo assim, a DRJ concluiu que, após as correções na base cálculo, realizadas durante a diligência fiscal, a autuação passou a reunir todos os requisitos previstos no art. 37 da Lei nº 8.212/91, no art. 142 do CTN e nos demais atos normativos que disciplinam a matéria, possibilitando, assim, o exercício do seu direito de defesa por parte do Recorrente, de modo que não haveria motivos para respaldar a declaração da nulidade. 2. Decadência A DRJ entendeu que não restou configurada a decadência, pela aplicação da regra prevista no art. 173, I, do CTN, já que as remunerações pagas por meio do plano de outorga de opções de compra de ações (stock options), objeto do presente lançamento de ofício, não foram declaradas em GFIP, inexistindo pagamento antecipado sobre tais valores. Desse modo, considerando que os créditos foram lançados nos períodos de 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006 e que a ciência pessoal do contribuinte ocorreu em Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 20/12/2011, nenhuma competência estaria decaída, já que o lançamento poderia ocorrer até 31/12/2011, considerando a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, segundo a qual o prazo é de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte. 3. Mérito A DRJ entendeu que a própria Recorrente admitiu a natureza remuneratória das parcelas, tanto no formulário 20F quanto nas reuniões do Comitê de Opções do Itaú Unibanco, por meio das quais foi aprovada a outorga de opções de compras de ações, através de assembleia geral. Acrescentou que o plano de stock options teria sido oferecido como vantagem adicional à remuneração básica, como um atrativo para que o executivo continuasse trabalhando, tanto que tinha como um de seus requisitos a prestação de serviço durante determinado período para que o trabalhador pudesse se beneficiar do exercício da opção, além de ter caráter personalíssimo, só admitindo que a opção fosse transferida a herdeiros, no caso de herança. Reiterou os argumentos trazidos na autuação quanto à ausência de risco, tendo em vista que, na data da outorga, nenhum pagamento foi realizado, diferente do que ocorre com os contratos mercantis. Ressaltou, ainda, ser adequado o critério adotado na autuação para a definição da ocorrência do fato gerador, segundo o qual este resta configurado na data de vencimento do prazo de carência, momento em que estaria implementada a condição suspensiva contratual. Do trecho abaixo, constatase que o entendimento sustentado pela DRJ quanto ao momento da ocorrência do fato gerador está em total consonância com aquele sustentado na autuação: 7.63. Pouco importa se o beneficiário exerceu, ou não, este direito, o fato é que, no termo do período de carência, com o implemento da condição suspensiva acima citada, o beneficiado adquiriu um bem, correspondente a um direito, que tem valor econômico e que gera acréscimo patrimonial. Tal valor econômico corresponde à diferença entre o valor de mercado da ação, na data do termino de carência (quando as ações poderiam ser adquiridas), e o valor de subscrição, pré estabelecido no contrato de outorga. Se aquele for superior a este, obviamente o beneficiado tem um acréscimo patrimonial, correspondente à remuneração em virtude do trabalho prestado anteriormente (durante o período de carência) e, consequentemente, também houve a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária previdenciária. Caso contrário, obviamente não houve acréscimo patrimonial e tampouco remuneração, não havendo que se falar em fato gerador de obrigação tributária previdenciária. Chamou atenção quanto à inadequação de o Recorrente ter trazido, como argumento defesa, o posicionamento sustentado pelo TST, tendo em vista que o conceito de salário adotado pela legislação trabalhista é distinto daquele adotado no caso em questão. Em relação ao adicional de 2,5%, considerando que a alegação do Recorrente girou em torno da inconstitucionalidade desse percentual, pois a sua aplicação feriria os princípios da igualdade e da isonomia, a DRJ ressaltou sua incompetência para manifestarse Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 9 15 em relação à inconstitucionalidade da lei tributária, conforme exposto na Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quanto à multa, a DRJ entendeu que, diante da correção do lançamento principal, não haveria que se falar na nulidade da aplicação da multa por ausência do pressuposto fático necessário à sua incidência. Também entendeu não ser cabível a aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que tal dispositivo aplicase apenas aos casos em que não há apresentação de GFIP ou há apresentação com omissões e incorreções, de forma isolada, sem o lançamento de ofício do crédito previdenciário omitido. Diante de tal interpretação, concluiu pela manutenção da penalidade, nos moldes da autuação. Entretanto, considerou que o valor da multa deveria ser limitado a um valor máximo, por competência, tendo em vista o número de trabalhadores da empresa, conforme previsto no § 4º, do art. 32, da Lei 8.212/91 e no art. 284, II, do Decreto 3.048/99. No caso em análise, a multa aplicada em cada competência corresponde a dez vezes o valor mínimo de R$ 1.524,43 (mil quinhentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos), conforme previsto na Portaria MPS/MF nº 407, de 14/07/2011, o que resultou no montante de R$ 15.244,30 (quinze mil duzentos e quarenta e quatro reais e trinta centavos) em cada competência. Desse modo, mesmo com a retificação da base de cálculo, o valor da multa aplicado será o mesmo, qual seja, R$ 15.244,30 por competência, que seria bastante inferior ao valor das contribuições devidas, como já apurado pela Fiscalização. Diante de todo o exposto, a DRJ alterou o valor originalmente lançado a título de principal (DEBCAB nº 37.346.3030), reduzindoo de R$ 652.889.387,27 (seiscentos e cinquenta e dois milhões oitocentos e oitenta e nove mil trezentos e oitenta e sete reais e vinte e sete centavos) para o montante de R$ 69.912.245,76 (sessenta e nove milhões novecentos e doze mil duzentos e quarenta e cinco reais e setenta e seis centavos), consolidado em 20/12/2011, acrescido de juros e multa, nos termos do voto e do “DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado”, mantendo, assim, o crédito exigido no AI referente ao DEBCAD nº 37.346.3022. A DRJ, ainda, submeteu o julgamento ao Recurso de Ofício, tendo em vista a redução do crédito tributário exonerado em mais de R$ 1.000.000,00. DO RECURSO Devidamente intimada em 23/08/2012, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 06/09/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ e reiterando os argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Além de reiterar os argumentos trazidos na impugnação, ressaltou que o termo de encerramento de diligência fiscal não é o meio apto à inserção de novos fatos geradores, devendo ter sido elaborado novo lançamento. Logo, em relação aos 30 novos fatos geradores autuados, relativos à competência de dezembro de 2006, a autoridade tinha o prazo de 5 (cinco) anos para efetuar o competente lançamento a contar daquele fato gerador, de modo que, não o tendo efetuado, decaiu o seu direito, estando decaído, portanto, o crédito tributário. Com o objetivo de fortalecer a tese de que os valores relativos ao stock options não possuem natureza remuneratória, trouxe aos autos trecho de julgado proferido pela 4ª Câmara de Julgamento, nos autos do Processo nº 35464.001226/200578, por meio do qual Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 concluiu que não se reveste de natureza salarial a opção de compra de ações da empresa pelo empregado, tendo em vista a desvinculação da prestação de serviço. Ressaltou que, diferente do que afirmou a DRJ, a contraprestação do beneficiário não foi a permanência na empresa, pois o empregado que permanecesse na empresa, mas não pagasse pelo preço das ações a serem adquiridas, conforme valores de mercado, não teria garantido o recebimento de qualquer valor por conta da opção que lhe foi outorgada. Logo, para o exercício da opção era necessário permanecer na empresa e pagar preço de mercado para aquisição das ações, cuja opção de compra lhe foi outorgada. TERMO DE CONSTATAÇÃO Em 27/10/2014, o Recorrente solicitou a juntada de termo de constatação, elaborado pela empresa de auditoria KPMG Tax Advisors, com o objetivo de comprovar que, considerando as regras estabelecidas através do plano de stock options para a definição do preço de exercício de compra das ações, seria impossível saber, na data da outorga, se o exercício da opção de compra realmente ocorreria, sendo, para tanto, simulada situação, por meio da qual restou constatado que, durante o período de vigência do plano, a ação sempre esteve desvalorizada, de modo que seria provável que a opção sequer fosse exercida. Demonstrou, ainda, que a aplicação da regra prevista no plano de stock options quanto à possibilidade de exercício em relação a 50% das ações adquiridas, remanescendo a outra metade indisponível por mais dois anos, também levou, em alguns períodos de vigência do plano, à configuração de prejuízo e não de ganho aos trabalhadores, ratificando o risco suportado pelo trabalhador com o exercício da opção de compra das ações do Recorrente. É o relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora De início, passemos à análise do recurso de ofício, considerando as peculiaridades do caso ora analisado. Recurso de Ofício Como já relatado, a DRJ, após analisar os argumentos trazidos pelo ora Recorrente, em sede de impugnação, proferiu despacho remetendo os autos para que a autoridade fiscal analisasse se a base de cálculo estava indevidamente majorada com a inclusão dos desdobramentos e bonificações considerados equivocadamente como novas séries de ações. A autoridade fiscalizadora, então, reconheceu a majoração indevida da base de cálculo e promoveu a revisão do lançamento com as consequentes correções necessárias, ocasionando redução significativa do crédito tributário. A DRJ, por sua vez, acatou a retificação promovida pela autoridade fiscal e julgou procedente em parte o lançamento. Como se vê, o crédito tributário originalmente lançado estava abruptamente majorado por não ter a autoridade lançadora atentado para eventos como desdobramento ou bonificação de ações, que alteram as quantidades e/ou preço das ações cuja opção de compra foi outorgada. Ao efetuar o lançamento com base nos dados – número de ações outorgadas e valor de exercício – constantes dos atos de outorga originais, sem ajustálos aos referidos eventos, a quantificação do crédito tributário acabou totalmente distorcida e afastada da realidade dos fatos. Se, por exemplo, são originalmente outorgadas opções de compra de 100 ações, ao preço de exercício de R$ 10,00, e, posteriormente, as ações do Recorrente são desdobradas em 10, a outorgada passará a ser de 1000 ações, e o seu preço de exercício será ajustado para R$ 1,00. Não houve nova outorga de ações, nem queda real no preço das ações do Recorrente, mas apenas ajuste decorrente de desdobramento. Se eventos dessa natureza não foram observados quando da quantificação do crédito tributário, sem dúvidas, haverá distorções na base de cálculo do tributo. No caso, tendo a própria autoridade fiscal reconhecido o equívoco cometido e retificado o lançamento, nos termos em que alegado pelo contribuinte, e tendo a DRJ convalidado a nova apuração, entendo que não merece reparos a decisão recorrida nesse aspecto, diante do que conheço do recurso de ofício e lhe nego provimento. O recurso voluntário, por sua vez, é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 1. Decadência As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação, de modo que a regra decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso tenha havido a antecipação de pagamento (mesmo que parcial), ou no art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte ou caso seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ressaltese que, diferentemente da conclusão a que chegou a Delegacia de Julgamento, para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art.150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer contribuição previdenciária devida pelo contribuinte, não sendo necessário que o recolhimento parcial se refira à rubrica específica que foi objeto do lançamento. Essa questão, inclusive, já que se encontra pacificada, após a edição da Súmula n. 99 do CARF. No caso em apreço, o contribuinte foi cientificado da autuação em 13/12/2011, sendo nela exigidos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de março a maio e dezembro do ano de 2006. Desse modo, é necessário aferir se houve pagamento antecipado, ainda que parcial, de contribuição previdenciária nas competências cuja decadência pode vir a ser reconhecida, para que seja possível a aplicação do artigo 150, §4º do CTN, o que, no caso ora analisado, restou manifesto diante dos comprovantes anexados pelo contribuinte à sua impugnação (fls. 172 a 192), além do fato de a autuação se referir a diferenças de contribuições previdenciárias tidas como devidas e não recolhidas pelo Recorrente. Sendo assim, considerando que o Recorrente foi notificado em 13/12/2011, reconheço a decadência parcial da autuação, relativamente ao período compreendido entre março e maio de 2006. Mas não é só. Considerando as peculiaridades do caso concreto, também reconheço a decadência em relação aos fatos geradores incluídos pela autoridade fiscal, quando da diligência fiscal. Isso porque, mesmo admitindo a possibilidade de inclusão de novos beneficiários em sede de diligência fiscal, o lançamento em relação a tais fatos geradores apenas se perfez em 12/12/2012, quando da ciência do contribuinte do Termo de Re Ratificação de Encerramento de Diligência Fiscal. Para esses casos, a diligência fiscal acabou equivalendo a um novo lançamento, ou a um lançamento complementar, e, como tal, a ciência do contribuinte deve ocorrer dentro do prazo decadencial quinquenal previsto no artigo 150, §4º do CTN. Sendo assim, a decadência ora reconhecida deve atingir também os pagamentos realizados aos 30 (trinta) beneficiários que foram incluídos na autuação através do Termo de Reratificação de Encerramento de Diligência Fiscal. 2. Nulidade Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 11 19 O Recorrente alega, preliminarmente, a nulidade da autuação, tendo em vista os equívocos cometidos pelos fiscais autuantes quando da apuração da base de cálculo dos tributos, que “macularam na origem os valores exigidos e implicaram evidente e manifesta insubsistência do auto de infração” (fl. 345). Reiterou que as autoridades fiscais, ao invés de reconhecerem a nulidade do lançamento, buscaram justificar seus equívocos na suposta impossibilidade da correta apuração da base de cálculo antes da apresentação de documentos complementares anexos à impugnação apresentada pelo ora Recorrente, o que não corresponde com a verdade dos fatos. Afirmou que a apuração de nova base de cálculo da obrigação tributária ensejaria a necessidade de novo lançamento tributário, formalizado por meio de novo auto de infração, e não mera correção dos equívocos, através de diligência fiscal, sendo devido o reconhecimento da nulidade do auto de infração. Antes de adentrar na análise dos argumentos aduzidos pelo Recorrente a respeito da nulidade da autuação, entendo por bem apreciar, antes disso, o mérito em si da autuação, uma vez que a nulidade não deve ser pronunciada se for apreciado o mérito em favor do contribuinte, a teor do parágrafo 3º do art. 59 do Decreto n. 70.235. 3. Mérito 3.1. Do caráter mercantil do plano ora analisado É sabido que o contrato decorrente do plano de stock options tratase de instrumento de título oneroso, fundado na lei societária, através do qual a sociedade emissora concede ao beneficiário (empregado, administrador, prestador de serviço) o direito de subscrever ou adquirir as suas ações por um preço prédefinido, sob determinadas condições e após determinado prazo. No direito brasileiro, a previsão legal quanto à possibilidade de criação do stock options está prevista no art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76, segundo o qual: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembleiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Da leitura do referido dispositivo legal, é possível concluir que para a instituição do stock options é necessário que sejam atendidos cinco requisitos, quais sejam: (i) emissão por sociedade por ações, abertas ou fechadas; (ii) previsão expressa no estatuto; (iii) em observância aos montantes delimitados no capital autorizado, (iv) conforme plano de compra de ações aprovado pela assembleia geral e (iv) tendo como beneficiários os empregados, administradores e outras pessoas naturais que prestem serviços à sociedade por ações ou à sociedade sob o seu controle. Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401 003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. A concessão ao trabalhador de opção de compra de ações da Companhia em que trabalha tem por finalidade a retenção desses trabalhadores, funcionando como estímulo para que eles permaneçam na empresa e contribuam para o seu crescimento, estimulados pela possibilidade de participar dos lucros futuros e valorização das ações no mercado de capitais. Não há dúvidas, portanto, de que a oferta de ações aos trabalhadores por meio de planos de stock options tem relação direta com a qualidade e importância do serviço prestado pelo beneficiário à empresa – já que, por obvio, essas opções só são oferecidas àqueles que prestam serviços à Companhia emissora, com o objetivo de que essa prestação de serviços perdure e seja estimulada. Isso não implica, contudo, na automática caracterização de planos dessa natureza como remuneração. É certo que, não estando presentes as características essenciais de contratos dessa natureza, poderá a fiscalização provar que se trata de forma disfarçada de remuneração, sobre a qual incidiria a contribuição previdenciária patronal acrescida do adicional correspondente. Diante disso, o primeiro passo a ser dado para avaliação da procedência ou não da autuação é verificar se, no caso sob exame, o plano de compra de ações que o Recorrente oferece a seus trabalhadores reúne os elementos essenciais de um contrato de natureza mercantil, ou se, ao contrário, dele se afasta, caracterizandose como remuneração in natura. No caso sob exame, a fiscalização não aponta de forma específica nenhuma cláusula do Plano de Opção de Compras de Ações do Recorrente que retiraria o seu caráter mercantil da operação de compra, ou eliminaria o risco do beneficiário que é inerente às operações com o mercado de ações. A fiscalização posicionase no sentido de que as Opções de Compras de Ações oferecidas a trabalhadores, de um modo geral, possuem características especiais que a diferenciam das opções de compra de ações comuns e que essas características, por si só, retirariam a sua natureza mercantil e afirmariam a sua natureza remuneratória. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 12 21 As características imputadas pela autoridade fiscal aos planos de opções de ações oferecidos aos trabalhadores, que os diferenciariam das opções de ações em geral e retirariam o seu caráter mercantil, podem ser assim resumidas: · O trabalhador não desembolsa valores para aquisição do direito de comprar ações da empresa. · Não há risco na aquisição da opção, na medida em que o trabalhador tem o direito de não exercer essa opção, ou seja, se a ação estiver com o valor baixo, ele não é obrigado a adquirila. · As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, de modo que não é possível negociar as opções recebidas. · O período de vigência é geralmente bastante superior em relação aos planos de ações comuns. · Em regra, não permitem que o direito seja adquirido no momento da concessão, com o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador, demonstrando que o plano é uma forma de vincular o capital humano e são oferecidos como recompensa pelo trabalho prestado, como um “prêmio” ao empregado. Além disso, as autoridades fiscais se apegam a trechos de documentos que atrelam o termo remuneração aos planos de opções de ações: O fato de as regras serem fixadas por um Comitê de Remuneração, de o formulário 20F categorizar as outorgas de opções de ações como honorários do conselho de administração e diretoria e de ser utilizada a expressão “despesa de remuneração referente aos planos de opções de compra de ações”, dentre outros, serviram como fundamento para a incidência das contribuições previdenciárias, na visão da autoridade lançadora, convalidada pela DRJ. Fixadas, em linhas gerais, as bases da acusação fiscal, passemos à análise de cada um desses argumentos, em conjunto com as características específicas do plano de opção de ações objeto da autuação. Inicialmente, entendo que os atos societários, demonstrações financeiras e demais documentos mencionados na acusação fiscal, que estabelecem a suposta relação entre os pagamentos decorrentes do plano de stock options e a remuneração paga aos trabalhadores, bem como o fato de o Comitê de Remuneração ser responsável por definir os administradores que terão direito ao exercício da opção de compra da ação, não são fatos aptos a comprometer o caráter mercantil do plano de ações e caracterizálo como remuneração para fins previdenciários. Isto porque não é o nome que se dá a determinado instituto que lhe confere natureza jurídica, mas sim as suas características essenciais. O fato de as demonstrações financeiras do Recorrente utilizarem o termo “remuneração” nos itens que tratam dos planos de opções de compra de ações não torna essa verba tributável. É preciso analisar as características do plano para que se possa concluir se se trata de operação mercantil ou se houve desvirtuamento do instituto apto a caracterizar o ganho auferido pelo profissional como remuneração tributável. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 22 Passemos, então, à análise do plano de stock options, conjuntamente com os pontos apontados pela autoridade fiscal como caracterizadores da natureza remuneratória às opções de compra de ações oferecidas a trabalhadores. a) Onerosidade do plano A Autoridade Fiscal afirma que, diferentemente das opções de compra de ações oferecidas em geral no mercado, naquelas ofertadas a trabalhadores, estes não desembolsam valores para adquirir o direito de comprar ações da empresa no futuro, o que supostamente comprometeria a onerosidade e, por consequência, o risco envolvido com a sua adesão. Analisando o plano de opção de ações do Recorrente, constatase que, de fato, não se exige do beneficiário um pagamento inicial para que possa, após o prazo de carência, exercer o seu direito de compra das ações. A despeito disso, entendo que o fato de não ser exigido um valor para aquisição do direito futuro de exercício da opção de compra de ações, por si só, não retira deste o seu caráter oneroso, muito menos o risco atinente a esse tipo de contrato. Isto porque, embora não seja preciso fazer desembolso inicial para adquirir a opção, o exercício da opção de ações do Recorrente é inequivocamente oneroso, já que existe a obrigação de o beneficiário pagar o preço fixado para a aquisição das ações, sendo este preço, a teor da cláusula sexta do plano, determinado pela média dos preços das ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data das opções, facultado ajuste de até 20%, para mais ou para menos. Esse preço do exercício das ações é devidamente reajustado até o mês anterior ao do exercício da opção pelo IGPM. Além do critério para definição do preço do exercício ser razoável, vez que considera a média de preços das ações na Bolsa de Valores de São Paulo, bem como ser devida a correção dos valores, considerando índice regularmente praticado (IGPM), as regras quanto ao prazo para pagamento são as mesmas aplicáveis à liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. É o que se extrai da leitura da cláusula abaixo transcrita: PREÇO DO EXERCÍCIO [...] 6.2. Exercendo a opção, o respectivo titular deverá pagar o preço do exercício em prazo igual ao vigente para liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. (grifos nossos) Há, portanto, nítida onerosidade no Plano de Opção de Compra de ações ofertado pelo Recorrente, já que há uma efetiva aquisição de ações através do plano, e não uma outorga graciosa dos títulos, mesmo não sendo necessário fazer um desembolso inicial para obter o direito futuro de adquirir as ações. b) Impossibilidade de transferência para terceiros Considerando, ainda, o objetivo de instituição do plano, convém registrar que, diferente do que alega a autoridade fiscal, a possibilidade de transferência do exercício da opção para terceiros macularia a própria intenção de criação do plano, que, como já dito, tem em sua essência o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador. A pessoalidade e indisponibilidade estão plenamente de acordo com a natureza jurídica do plano Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 13 23 em questão. Esses elementos, portanto, não o descaracterizam, nem retiram a sua natureza mercantil, esta evidenciada pelo risco e onerosidade presentes na aquisição de ações por meio do planto de stock options. c) Livre exercício do direito de compra das ações Aduz a fiscalização que o trabalhador tem o direito de não exercer a opção de aquisição de ações caso o preço de mercado esteja inferior ao da oferta, o que por si só já retiraria o risco que é inerente a esse tipo de negócio. Não é, contudo, a possibilidade de não exercício que retira da operação o risco que lhe é inerente. O risco se caracteriza essencialmente pelo pagamento do preço pelo beneficiário e pela possibilidade de perder o valor pago no mercado de ações, conforme será visto no tópico seguinte. Ademais, se realmente a oferta de ações estivesse vinculada à remuneração, representando contraprestação pelo serviço realizado, seria obrigatório o exercício do direito de opção pelo trabalhador, o que, como visto, não se verifica no caso analisado. d) Do risco inerente ao exercício do direito de aquisição das ações No caso ora analisado, apenas é possível exercer o direito de compra de ações, com o respectivo pagamento do preço do exercício, após o prazo de no mínimo 01 (um) ano e no máximo 05 (cinco) anos, contados do ano em que houver a emissão das opções aos beneficiários do stock options. Após o exercício da opção, por sua vez, o trabalhador só pode alienar, de imediato, a metade das ações adquiridas com exercício das opções, de modo que a outra metade das ações fica indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir do exercício da opção, conforme demonstram as cláusulas abaixo transcritas. 10. DISPONIBILIDADE DAS AÇÕES 10.1. O titular da opção poderá dispor livremente de metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. 10.2. A outra metade focará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contado a partir da data do exercício de opção, averbandose essa indisponibilidade na forma e para fins previstos no art. 40 da Lei n.º 6.404 de 15.12.76, ressalvadas as exceções a seguir estabelecidas. [...] Ora, a indisponibilidade das ações adquiridas por dois anos é um elemento essencial para caracterização do risco a que se sujeita o trabalhador, no momento em que exerce a opção de ações que lhe foi ofertada. Dois anos é um prazo razoavelmente longo e nele podem ocorrer situações que levem o preço das ações a valores bastante inferiores aos de exercício. Fatores externos ou internos, como uma crise econômica em nível nacional ou internacional, uma crise política, a desvalorização da moeda nacional, a má condução dos negócios, dentre outros, podem influenciar significativamente no valor de mercado das ações ofertadas. O beneficiário tem, Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 24 portanto, manifesto risco de arcar com prejuízos oriundos de eventual queda no preço das ações. Apenas a título exemplo, verificase, do Termo de Constatação elaborado pela KPMG, que, durante período inferior há um ano, as ações do Itaú tiverem grande alternância em seus valores, conforme demonstram as informações extraídas do site da BM&F Bovespa, por meio das quais se verifica que em 19/07/2007 o preço das ações era de R$ 94,30 e, em 24/10/2008, a cotação despencou para R$ 17,50. No caso ora analisado, tais informações tornam manifesto o risco dos trabalhadores ao adquirirem as ações da Companhia. Logo, a existência de cláusula prevendo a proibição de alienação de metade das ações por dois anos contados da data do exercício, sendo que, dois anos após, não é possível prever se as ações originalmente ofertadas por determinado valor terão preço superior ou inferior no mercado, torna inequívoca a existência de risco. No mesmo sentido, o argumento trazido na acusação fiscal de que os planos possuem prazo de vigência alargado tampouco é apto a desnaturar o caráter mercantil do plano, já que durante esse tempo é possível que os preços das ações caiam e se recuperem a tempo de o trabalhador não suportar prejuízos, assim como é possível que eles apenas declinem e a perda de capital seja cada vez maior ao longo do tempo. Uma cláusula dessa natureza poderia ser contestada no contexto de planos que permitem imediatamente após a opção a venda de todas as ações, ações estas que são ofertadas por valor vil, na data da concessão (não do exercício). Nesses casos, pode ficar demonstrado que o plano tinha por objetivo propiciar um ganho certo e imediato ao beneficiário, que se caracterizaria como remuneração. Não é, ao que me parece, o caso dos autos. Tal risco foi ratificado a partir da análise realizada pela KPMG, que simulou algumas situações que, embora o trabalhador auferisse ganho no primeiro exercício da opção de compra de ações, passados dois anos, quando poderia exercer o direito em relação à metade das ações adquiridas anteriormente, acabaria realizando prejuízo superior ao ganho inicialmente obtido, considerando a flutuação do valor da ação no mercado no decorrer do período analisado. Também foi realizada simulação, por meio da qual se constatou a constante verificação de prejuízos com o exercício da opção de aquisição do direito de ação durante todo o prazo de vigência do plano, de modo que provavelmente tal direito sequer chegaria a ser exercido pelos trabalhadores. Conclusão quanto ao caráter mercantil do plano de stock options ora analisado Constatase da análise das características essenciais do programa de ações em tela que o beneficiário não tem nenhuma garantia de ganho na venda da totalidade das ações adquiridas, muito menos recebe as ações por gratuidade. É preciso pagar para a sua compra e aguardar mais de dois anos para vender a metade das ações adquiridas, o que sujeita o beneficiário inevitavelmente às oscilações de preço que são inerentes ao mercado de ações. Assim, diante da nítida onerosidade e da ausência de cláusulas hábeis a afastar o elemento risco inerente aos contratos mercantis e caracterizar o plano de oferta de ações como política de remuneração do Recorrente, entendo que a autuação não merece prosperar. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 14 25 O Programa instituído pelo Recorrente não pode ser caracterizado como remuneração, por ser optativo e oneroso no que tange à aquisição das ações, haver prazo para venda de metade das ações inicialmente adquiridas e não existir cláusula que evite perdas que podem advir com a futura desvalorização das ações. Por oportuno, peço vênia para discordar da interpretação dada pela douta PGFN à cláusula 9 do Plano, que trata dos ajustes quantitativos das Opções. Tal cláusula diz respeito à necessidade de ajuste na quantidade ou preço das ações ofertadas em situações como desdobramento, grupamento de ações, fusão, incorporação, cisão, dentre outros, que, por sua natureza, afetam essas variáveis e demandam ajustes para que se mantenham as condições inicialmente pactuadas. Se, por exemplo, ocorreu um desdobramento de ações em mil, é preciso que as ações ofertadas sejam multiplicadas por mil, para manutenção das condições originais do plano. Isso não desvirtua o plano, nem foi utilizado pela fiscalização como argumento para descaracterização da sua natureza mercantil. Não se trata, assim, de remuneração pelo serviço prestado, já que esta é certa, não depende de evento futuro, nem de adesão do trabalhador, muito menos de pagamento por parte deste. Não houve, no caso, qualquer desembolso por parte do Recorrente para os beneficiários adquirissem as ações ofertadas, que pudesse ser caracterizado como remuneração. Diante de tais conclusões, considerando que tais parcelas não integram o salário contribuição diante da manifesta ausência de caráter remuneratório, não há que se falar na incidência do adicional de 2,5% e tampouco na configuração de obrigação acessória, decorrente da ausência de declaração de fato gerador em GFIP. 3.2. Do momento da ocorrência do fato gerador e dos seus reflexos na apuração da base de cálculo Como visto acima, no entender desta relatora, o plano de stock options do Recorrente não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Não havendo que se falar em remuneração, não restou configurada a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, diante do que acabou ficando prejudicada a avaliação quanto à correição ou não do momento da ocorrência do fato gerador fixado pelas autoridades fiscais. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício, acolho a decadência aventada até a competência de maio de 2006 e, no mérito, dou total provimento ao recurso voluntário. Carolina Wanderley Landim. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 26 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Primeiramente discordo de trecho trazido pela relatora de que essa turma já se debruçou e firmou convicção nos acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045), de que se trataria de típico contrato mercantil. Vejamos trecho do seu voto: Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. Na verdade nos citados acordãos, por maioria, entendeuse que os planos ali ofertados constituiriam sim, salário de contribuição, contudo, enquanto relatora iniciei meu voto, fazendo uma abordagem téorica sobre o tema, indicando que em sua concepção originária os stock options constituiriam contrato mercantil, mas, destaquei, que, é claro, que não é a mera nomenclatura elemento suficiente para excluir uma verba do conceito de remuneração, restando naquele caso, demonstrado pela autoridade fiscal, que o plano de stock options posuia sim natureza salarial. Apenas, para melhor esclarecer, trago meu entendimento a repsito da questão, fazendo a seguir o cotejamento com o plano ora sob análise. DA DEFINIÇÃO DO STOCK OPTIONS Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 15 27 da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrase na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, Brasília DF: 25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 28 O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado, Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, conceitualmente, stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 16 29 concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo, em sua concepção original, caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo) desde que respeitada a natureza do plano. Assim, não parto da premissa, de que qualquer plano de stock options teria natureza salarial, como também não há como se afirmar que ao atribuir a nomenclatura de "stock options", estará a empresa desobriga de incluir tal verba na base de alculo de contribuições previdenciárias. No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que entendo que o simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores, um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa, não pode ser fundamentação isolada para a configuração de fato gerador de contribuições previdenciárias, partindo da premissa de que toda a forma de STOCK OPTIONS, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, o contrato de concessão da opção por ações possa ter decorrido da prestação de serviços, tratase, em sua origem conceitual, em regra, de típico contrato mercantil, desde que envolva riscos desde a sua concepção, submetendo o trabalhador, a volatilidade do mercado e a risco que estariam totalmente fora do controle da empresa e do próprio trabalhador. Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options (conceitualmente falando) o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 30 lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. DA APRECIAÇÃO DO PLANO DE COMPRA DE AÇÕES CONFIGURAÇÃO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO STOCK OPTIONS Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a consequente diminuição de custos e aumento da eficiência. Não condeno essa prática, mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração. Ademais, não é a simples nomenclatura atribuida pelo contribuinte que afasta a natureza remuneratória de uma verba, devendo a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual original encontravase consubstanciado. Assim, não interessa a nomenclatura atribuída a verba conferilhe carater indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. Os próprios comunicados e instrumentos Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721796/201156 Acórdão n.º 2401003.890 S2C4T1 Fl. 17 31 de gerenciamento descrevem a nítida intenção de remunuerar os trabalhadores por meio do stock options. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador. Partindo do posicionamento acima, exposto, o qual já adoto nos meus julgados a respeito do tema, discordo do entendimento da relatora de que a fiscalização não aponta as características do plano que demonstram a sua natureza salarial. Realmente a primeira indicação da auotridade fiscal, é que o plano em questão é na verdade remuneração, mas ao contrário do que tenta demonstrar a relatora foram apreciados pontualmente características que me fazem concordar com o caráter salarial do benefício fornecido. No caso sob exame, a fiscalização não aponta de forma específica nenhuma cláusula do Plano de Opção de Compras de Ações do Recorrente que retiraria o seu caráter mercantil da operação de compra, ou eliminaria o risco do beneficiário que é inerente às operações com o mercado de ações. A fiscalização posicionase no sentido de que as Opções de Compras de Ações oferecidas a trabalhadores, de um modo geral, possuem características especiais que a diferenciam das opções de compra de ações comuns e que essas características, por si só, retirariam a sua natureza mercantil e afirmariam a sua natureza remuneratória. Novamente discordo da ilustre relatora. Uma leitura do termo de verificação fiscal, deixa claro, ter a autoridade fiscal se debruçado sobre os planos e demais instrumentos e comunicados gerenciais da empresa de forma, a que entendeu possuir o referido plano a nítida intenção de conferir um ganho indireto ao trabalhador, razão pela qual restou caracterizada a sua natureza salarial. Apenas, para ilustrardetsaco, que no item 5, iniciou o auditor narrando os fatos acerca da estrutura organizacional e contábil da empresa, instituição do plano, intimações e respostas, procedendo no item 5.5 a análise do plano. Destaque, ainda, para o item 6 do mesmo relatório onde o mesmo descreve os elementos identificados para seu convencimento acerca da natureza salarial do benefício. Assim, pelos elementos ali constantes e pela própria forma, que a empresa adota a referida política, entendo estar acertada a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. O FATOR DETERMINANTE PARA QUE O STOCK OPTIONS SE AFASTE NA NATUREZA MERAMENTE REMUNERATÓRIA – O RISCO Acredito, conforme descrito anteriormente, que o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. Todavia, entendo, ao contrário da interpretação adotada pela relatora que o risco no presente caso, elemento essencial, resta mitigada, na medida que a empresa, vai criando políticas que permitem o acesso ao plano sem o desembolso de qualquer valor no momento de assinatura do contrato de opção pela compra de ações. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 32 Quanto a este ponto, concluiu a ilustre Dr.a Carolina (relatora) que havia risco, vejamos trecho de seu voto: A Autoridade Fiscal afirma que, diferentemente das opções de compra de ações oferecidas em geral no mercado, naquelas ofertadas a trabalhadores, estes não desembolsam valores para adquirir o direito de comprar ações da empresa no futuro, o que supostamente comprometeria a onerosidade e, por consequência, o risco envolvido com a sua adesão. Analisando o plano de opção de ações do Recorrente, constata se que, de fato, não se exige do beneficiário um pagamento inicial para que possa, após o prazo de carência, exercer o seu direito de compra das ações. A despeito disso, entendo que o fato de não ser exigido um valor para aquisição do direito futuro de exercício da opção de compra de ações, por si só, não retira deste o seu caráter oneroso, muito menos o risco atinente a esse tipo de contrato. Conforme mencionado acima, não há pagamento no momento da possibilidade de opção. Ou seja, não estabeleceu a empresa um valor ou antecipação no momento da contratação da outorga, demonstrando que o recorrente simplesmente atribuiu a possibilidade de aquisição (digase que não é obrigatório), permitindo, ao benefíciário a escolha do melhor momento para aquisição das ações (dentro de uma prazo limite estipulado pela empresa). Esse fato mostrase relevante, quando em outras oportunidades (outros planos de stock options) identificouse um desembolso no momento da assinatura do contrato de opção, sem nesse momento exercer qualquer tipo de direito, mas tão somente para ter direito de futuramente exercêlas por um preço previamente estipulado. A atribuição de um valor no momento de assinatura do contrato, denotaria um risco, pois se o trabalhador futuramente não tiver interesse em exercer o direito de comprar, não terá direito ao reembolso do valor. Por fim, outro elemento, trazido pela relatora, que no meu entender também não enseja um risco acentuado, capaz de afastar a natureza salarial do plano da autuada é a impossibilidade de vender metade das ações por um determinado período (denominado lock up). Pelo contrário, entendo que a possibilidade de venda antecipada das ações (no caso de 50%), sem que se tenha cumprido todo o período de carência é que reforça a natureza salarial da verba, pois o beneficiário pode escolher momentos oportunos para realização da venda. CONCLUSÃO Assim, ao contrário do que interpretou a ilustre relatora, voto no sentido de que restou configurada a natureza salarial do plano de stock options da empresa autuada. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 16403.000074/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal.
Ausência de intimação do resultado da diligência.
Não atendimento ao despacho da DRJ.
Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida.
Numero da decisão: 3102-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Paulo Sérgio Celani Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 0627.572 da 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu o direito creditório do PIS/PASEP relativo ao 3º trimestre de 2004. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Iniciou o presente processo com a representação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa Sacat/DRF/PTG de fl. 01, no sentido de dar tratamento manual a pedido eletrônico de ressarcimento (PER), bem como de declarações de compensação (Dcomp). Assim, às fls. 02/04, consta o pedido eletrônico de ressarcimento, de PIS Não Cumulativa Exportação do 3º trimestre de 2004, no montante de R$ 362.365,99, ao qual se vinculam as declarações de compensação de fls. 05/08. As fls. 27/30 Intimação Saort/DRF/PTG n.° 202/2008, para que a interessada apresentasse, no prazo de 20 dias, documentação necessária a instrução do presente processo; cientificada em 10/03/2008 (fl. 31); a interessada protocolizou, em 01/04/2008, a petição de fls. 32/34 pedindo a extensão do prazo em mais 20 dias, sendo que por meio do Comunicado Saort/DRF/PTG n.° 426, de 04/04/2008 (fl.53), foilhe concedido um prazo adicional de 10 dias, contados do término do prazo previsto na intimação original (31/03/2008). Por sua vez, às fls. 54/56, consta nova petição da interessada, apresentada em 10/04/2008, requerendo dilação do prazo para a entrega da documentação solicitada na precitada intimação de fls. 27/30. Às fls. 79/82, o Despacho Decisório Saort/DRF/PTG n.° 357/2008, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, informando que devido a interessada não ter entregado todos os documentos solicitados em intimação fiscal, necessários para a análise do direito creditório, tornou a seguinte decisão: "CONCLUSÃO: De acordo com o parecer retro, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n.° 85, de 23 de agosto de 2007, publicada no Diário Oficial da União — DOU — no dia 28 de agosto de 2007 para indeferir o Pedido de Ressarcimento de créditos e não homologar as declarações de compensação apresentadas.". Cientificada desse despacho decisório em 15/05/2008, conforme consta fl. 83, a requerente, por meio de procurador (mandato de fls. 111/112), ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 85/96 (enviada pela via postal em 16/06/2008), instruída com os documentos de fls. 97/114, a seguir sintetizada. No item "I — Dos fatos", esclarece que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 310201.163 S3C1T2 Fl. 224 3 processo produtivo desse produto, levandoa a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui cm debate; comenta que o fisco intimoua a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal nº 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.° 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a longa' lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Sob o titulo Da ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa", após citar o art. 2° da Lei n.° 9.784, dc 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações dc compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal. Na seqüência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5°, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos c bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito A alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito à alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.° 258.969.90855, com domicilio à Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guaçu/SP, e formula os seguintes quesitos: "1 Solicitar ao Sr. Perito que proceda a descrição de todo o processo produtivo da empresa. 2 Quais são os produtos finais do processo produtivo da Impugnante, e qual a alíquota de PIS e COFINS do mercado interno desses produtos? 3 Relacionar os insumos empregados no processo produtivo da empresa. 4 Responder se esses insumos geram direito ao crédito de PIS e C0FINS nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 5 Relacionar os demais bens que geram direito ao crédito de PIS e COFINS na atividade da Impugnante, nos termos da legislação acima mencionada. 6 Solicitar ao Sr. Perito a elaboração de Planilha de Cálculo COM os montantes de créditos de PIS e COFINS relativo ao período do presente processo e objeto do Pedido de Ressarcimento cumulado com as Declarações de Compensação, demonstrando a relação proporcional desses créditos com a venda sujeita a alíquota zero de PIS e COFINS" Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja alíquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo. À fl. 115, despacho da Saort/DRF/PTG, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. Á fl. 116, despacho desta 3ª Turma/DRJ/Curitiba, no qual, em face da argumentação da interessada e da juntada de CD à sua manifestação de inconformidade, devolveuse o processo à DRF/Ponta Grossa no sentido de ser efetuada diligência para que fosse verificado se a documentação apresentada pela interessada era suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado. Em razão disso, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (Sefis/DRF/PTG) expediu as intimações nº 19/2010 e nº 24/2010 (fls. 118/120 e 122/124), cientificadas, respectivamente, em 25/01/2010 e 02/02/2010, para Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 310201.163 S3C1T2 Fl. 225 5 que a interessada apresentasse a documentação necessária para a adequada averiguação do alegado direito creditório. Às fls. 127/128 e 135, requerimentos da interessada, recebidos em 04/02/2010 e 12/03/2010, para a dilação do prazo de entrega dos documentos solicitados pelo fisco nas duas intimações antes mencionadas. Às fls. 136/137, consta o termo de intimação fiscal nº 227/2010, emitido em 20 de abril de 2010, em que a Sefis/DRF/PTG volta a interpelar a interessada para, no prazo de cinco dias úteis, cumprir as precitadas intimações n.° 19 e 24 (cientificada em 27/04/2010). Às fls. 140/141 e 143, novos pedidos de dilação do prazo de cumprimento das referidas intimações nº 19 e nº 24, apresentados em 11/05/2010 e 14/05/2010. À fl. 144, Comunicado Sefis/DRF/PTG nº 03/2010, emitido em 26 de maio de 2010, com o seguinte teor: "Em resposta a solicitação de dilação de prazo apresentada em 14/05/2010, comunicamos o seu indeferimento, conforme contato telefônico. Comunicamos ainda que os autos estão sendo encaminhados para a DRJ Curitiba para prosseguimento.". Às fls. 145/147, Informação Fiscal da Sefis/DRF/PTG, noticiando brevemente os fatos havidos no processo, enfatizando as várias oportunidades dadas contribuinte para a adequada instrução do processo e, ao final, emitindo a seguinte conclusão: “Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJ — Curitiba para prosseguimento.". Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a 3ª Turma da DRJ/CTA, pela improcedência da manifestação e consequente não reconhecimento ao direito de crédito, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Reabrindose à interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito creditório ao órgão originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão de acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1. É empresa sujeita ao regime não cumulativo de apuração das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e a receita, e realiza operações imunes da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, razão pela qual teria apurado saldo credor referente ao 2º trimestre de 2004, vindo a requerer o ressarcimento para compensação com tributos vincendos; 2. Para atender a intimação fiscal nº 202 de 2008, requereu dilação de prazo, sendo deferido mais 10(dez) dias, vindo responder lá através dos requerimentos colacionados aos autos, sendo os dois últimos apesar de intempestivos, apresentados antes do despacho decisório nº 357/2008, e mesmo assim não foram analisados; 3. Na manifestação de inconformidade apresentou toda a documentação solicitada pela autoridade administrativa, vindo a DRJ/CTA determinar o envio a DRF de origem, solicitando a análise da documentação, no entanto o auditor requereu mais documentos e arquivos extrapolando a determinação da DRJ/CTA, o que motivou a solicitação de prazo, vindo apresentar os arquivos exigidos em 09/03/2010, o quais segundo a fiscalização possuíam inconsistências. Os documentos apresentado durante a diligência fiscal não foram verificados e avaliados pelo auditor fiscal, e ao ser indeferida solicitação de dilação de prazo para entrega de documentos, os autos retornaram a DRJ que proferiu julgamento; 4. O julgamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, pois a decisão estaria baseada em documentos colacionados pela DRF/PTG após o protocolo da manifestação de inconformidade, dos quais não teria sido cientificado, vindo a conhecer o teor do resultado da diligência apenas no acórdão ora recorrido, contrariando a própria DRJ que determinou a intimação a apresentação de eventuais contrarazões, razão pela qual devem ser anulados os atos praticados após o resultado da diligência, já que não foi oportunizada a recorrente se manifestar sobre os documentos de fls. 145/147; 5. Superada a preliminar de cerceamento de defesa, deve ser observado o não atendimento da diligência da DRJ/CTA, já que a DRF não teria analisado a documentação apresentada na manifestação de inconformidade; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 310201.163 S3C1T2 Fl. 226 7 6. Caso a diligência tivesse sido atendida seria possível determinar que a recorrente possui direito ao crédito decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel; O direito ao crédito também poderia ter sido identificado através de outros meios e não apenas pelos arquivos magnéticos solicitados, como os livros de entrada escriturados pela recorrente, já que a recorrente deixou a documentação solicitada a disposição da fiscalização, apenas não teria tido tempo hábil para transformar toda a documentação em arquivo magnético; 7. A negativa do pedido de perícia está infundada, pois o “laudo técnico se faz absolutamente necessária e vital para a comprovação da efetividade dos créditos de PIS pleiteados pela Recorrente”, visando demonstrar que é infundada a decisão ao afastar o pedido de perícia requerido; 8. Todas as declarações apresentadas foram desconsideradas sem desqualificação ou requalificação. Não houve ato administrativo correspondente ao lançamento para reconstituir a apuração do PIS e da Cofins dos meses objeto do pedido de ressarcimento, necessário que o fisco realize o lançamento e demonstra a suposta inconsistência, pois seria necessário procedimento de ofício para desconstituir o que está na DIPJ, DCTF e no DACON; Ao final requer a recorrente: a) declaração de nulidade da decisão recorrida; b) o reconhecimento do crédito do PIS e do pedido de ressarcimento; c) a reconsideração do indeferimento de perícia para ser possível demonstrar os créditos; É o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira. I PRELIMINAR – NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como demonstrado a recorrente motivada por operações imunes ao PIS requereu o ressarcimento para compensação com tributos vincendos, o que culminou na intimação fiscal nº 202/2008 para apresentação de documentos fiscais, a qual contempla uma relação com 7(sete) itens, entretanto a intimação mesmo após o deferimento da prorrogação foi parcialmente atendida. De acordo com o despacho decisório da Saort da DRF/Ponta Grossa: Além da apresentação intempestiva, houve omissão do contribuinte no atendimento aos seguintes itens: 1 – Planilha com a relação de notas de entrada; 2 – Planilha com a relação de notas de saída; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 8 4 Memorial de Apuração da base de cálculo; 6 – Descrição do processo produtivo. ... Destarte, devido a não entrega de todos os documentos comprobatórios solicitados em intimação fiscal, que permitiriam a análise do direito creditório, cabe indeferir o pedido de ressarcimento de plano. CONCLUSÃO De acordo com o parecer retro,..., ... para indeferi o Pedido de Ressarcimento de créditos e não homologar as declarações de compensação apresentadas. Em atenção a decisão acima foi apresentada a manifestação de inconformidade juntamente com um CD que conteria as informações solicitadas para comprovar a existência do direito creditório, razão pela qual o processo foi baixado em diligência da DRJ para a DRF, nos seguintes termos: Cientificada desse despacho decisório, a interessada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 92/103, na qual, entre outras alegações, requereu a juntada de CDRom que conteria a documentação (em meio digital) com os itens da intimação fiscal n° 202/2008 que o fisco alegou não terem sido anteriormente apresentados. Assim, tendo em vista que a interessada teria, em principio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de Cofins Não Cumulativa Mercado Interno, relativos ao 2" trimestre de 2005, entendese ser necessário o retorno do processo à DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contra razões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento.(grifamos) Em atenção ao despacho acima e baseado no procedimento posteriormente adotado pela DRF/Ponta Grossa a recorrente argui o cerceamento do direito de defesa, arguição essa, ressaltese, com fundamento diverso do apresentado na manifestação de inconformidade, pois segundo o recorrente a DRF não adotou procedimento determinado pela DRJ, a qual proferiu decisão baseada em documento anexo pela DRF sem a ciência da recorrente. Como já destacado a DRJ baixou o processo em diligência para ser verificado se a documentação apresentada era suficiente para análise da existência do crédito, no entanto segundo a recorrente os documentos apresentados durante a diligência fiscal sequer foram Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 310201.163 S3C1T2 Fl. 227 9 apreciados pelo auditor, o qual teria extrapolado a determinação da DRJ ao requerer outros documentos. Analisando os autos, constatase que o primeiro procedimento da DRF, após a diligência, foi o termo de intimação fiscal nº 19/2010, através do qual a recorrente ficou intimada a partir de 20/01/2010, a apresentar no prazo de 20(vinte) dias os seguinte documentos: Arquivo de Lançamentos Contábeis Item 4.1.1 Arquivo de Saldos Mensais — Item 4.1.2 Arquivo de Fornecedores/Clientes —Item 4.2. Arquivo Mestre de Mercadorias/ServiçosNotas' Fiscais de Saida ou Entrada —Item 4.3.1 Arquivo de Itens de Mercadorias/ServiçosNotas Fiscais de Saida ou Entrada Item 4.3.2 Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas)emitidas por terceirosItem 4.3.3 Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços (Entradas) emitidas por terceirosItem 4.3.4 Arquivo Mestre de Notas Fiscais de Serviço emitidas pela Pessoa JurídicaItem 4.3.5 Arquivo de Itens de Notas Fiscais de Serviço emitidas pela Pessoa JurídicaItem 4.3.6 Arquivo de Exportação — Item 4.4.1 Arquivo de Controle de Estoque — Item 4.5.1 Arquivos de Registro de Inventário — Item 4.5.2 Arquivo de Insumos Relacionados — Item 4.6.1 Arquivo de Cadastro de Bens — Item 4.7.1 Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas — Item 4.9.1 Arquivo de Tabela de Planos de Contas — Item 4.9.2 Arquivo de Tabela de Centro de Custo/Despesa Item 4.9.3 Arquivo de Tabela de Natureza da Operação — Item 4.9.4 Arquivo de Tabela de Mercadorias/Serviços — Item 4.9.5 Posteriormente foi lavrado o termo de intimação nº 24/2010, recebido em 02/02/2010, solicitando os seguintes documentos: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 10 1. Apresentar cópias digitalizadas de todas as notas fiscais/fatura de energia elétrica referentes ao período sob análise; 2. Apresentar relação de notas fiscais em meio digital de todas as notas fiscais de aquisições de bens do ativo imobilizado que foram utilizadas como base de cálculo como crédito de depreciação, contendo os seguintes campos: 2.1 Número da Nota Fiscal; 2.2 Data de entrada; 2.3 CNPJ/CPF do fornecedor; 2.4 Nome do fornecedor; 2.5 Classificação fiscal da operação (CFOP); 2.6 Classificação fiscal do insumo (NCM); 2.7 Descrição do bem; 1/3 2.8 Quantidade, segundo a unidade utilizada; 2.9 Valor Contábil da Operação (Base de Cálculo + IPI); 2.10 Valor do IPI destacado na Nota Fiscal. 3. Apresentar cópias digitalizadas de todas as notas fiscais de aquisições de bens do ativo imobilizado do item 2; 4. Apresentar memorial de cálculo para o crédito a descontar referente ao ativo imobilizado contendo, no mínimo, os seguintes campos: 4.1 Data de aquisição do bem; 4.2 Descrição do bem; 4.3 Código NCM; 4.4 Valor de aquisição; 4.5 Valor do encargo de depreciação utilizado; 4.6 Depreciação aplicada(1/48, 1/12...); 4.7 Data inicial da depreciação; 4.8 Data final da depreciação. 5. Apresentar a relação de notas fiscais, conforme formato informado no item 2, que deram origem ao credito informado na rubrica "Outros Valores com Direito a Crédito" da DACON. Ora, de acordo com o despacho decisório acima citado, apenas não teriam sido apresentados quando das primeiras diligências os seguintes documentos: 1 – Planilha com a relação de notas de entrada; 2 – Planilha com a relação de notas de saída; 4 Memorial de Apuração da base de cálculo;e 6 – Descrição do processo produtivo. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 310201.163 S3C1T2 Fl. 228 11 Constatase realmente que há diferença entre os documentos antes necessários, e aqueles solicitados após a diligência, o que motivou os pedido de dilação de prazo protocolados em 04/02/2010. Em requerimento presente às fls.dos autos a recorrente apresenta parte dos documentos da intimação nº 19/2010: a) os lançamentos contábeis; b) saldos mensais; c) plano de contas; e d) centro de custos, entretanto requer que os demais sejam apresentados com os documentos solicitados na intimação nº 024/2010 em 15/03/2010, vindo recorrente requerer a prorrogação do prazo por mais 15(quinze) dias, através de pedido protocolado em 12/03/2010. Através do termo de intimação nº 227/2010 foi reiterada as intimações anteriores concedendo um prazo de 5(cinco) dias úteis, intimação esta formalizada em 27/04/2010. Mais uma vez a recorrente solicitou dilação de prazo, informando que apresentaria toda a documentação até o dia 14/05/2011. Acontece que a recorrente protocolou outro requerimento em 14/05/2010, solicitando prazo de 30(trinta) dias para apresentar a documentação restante, pedido este que foi indeferido através do comunicado nº 03/2010, sendo proferida a informação fiscal e posteriormente os autos foram encaminhados para a DRJ que proferiu a decisão em análise. Apesar de toda esta celeuma referente a entrega de documentos ter iniciado em 2008, é oportuno frisar que a documentação, parcialmente não apresentada, foi requerida em 20/01/2010 quedando a recorrente até 14/05/2010 sem contemplar todos os itens, apresentando ainda requerimentos solicitando prorrogação de prazo, os quais foram deferidos. Entretanto, apesar de afirmar que a documentação foi apresentada parcialmente, a DRF afirma que não é possível identificar o quantum do crédito tributário pleiteado e encaminha os autos a DRJ para proferir o julgamento. Assim, quanto ao argumento de nulidade da decisão singular por cerceamento do direito de defesa baseado na assertiva de que a decisão “é lastreada em documentos juntados aos autos pela DRF/PTG após o protocolo da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e sem a sua devida cientificação” vêse que o mesmo deve prosperar. Ora, alegado documento é na verdade a informação fiscal através da qual a DRF/PTG apresenta um relato detalhado de todo o procedimento adotado para obtenção dos documentos que comprovariam o direito a ressarcimento, especificando as intimações, pedidos de prorrogação e os prazos concedidos, concluindo que não foi possível identificar o quantum do crédito pleiteado, em razão da falta de documentação e pela inconsistências daquelas que foram apresentadas. Percebese que a reconte deveria ter sido intimada das informações contidas no aludido “documento novo”, até porque esta foi a determinação da DRJ ao proferir o despacho de fls. 116 no seguinte sentido: Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contrarazões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento. Pelas razões, conheço do recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos a DRF para proferir a intimação da recorrente da informação fiscal de fls. 145/147. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 12 Sala de sessões 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 08/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000019/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
DECISÃO RECORRIDA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição. Ademais, o julgador não se obriga a contestar todos os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria, desde que os fundamentos tenham sido suficientes para embasar a decisão. As matérias atinentes à lide objeto dos autos, suscitadas nas razões da impugnação na instância a quo, foram enfrentadas pela decisão recorrida. O v. acórdão recorrido não precisa rebater todas as teses apresentadas, se encontrou razões suficientes para fundamentar a decisão.
Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o AR seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária.
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
RMF. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA.
A entrega, pela instituição financeira, mediante RMF, dos extratos com a movimentação financeira bancária do fiscalizado, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável, não configura a existência de prova ilícita, nem necessita de autorização judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras administrativas é defeso declarar a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei ou ato normativo (súmula CARF 2).
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.
Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.
Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA PROVADA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE.
Uma vez que a omissão de receita tenha sido provada pela apuração de diferença entre as receitas escriturada e declarada, não se aplicam os preceitos do art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam hipótese de receita presumidamente omitida.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. RECEITA DECLARADA SUBSTANCIALMENTE MENOR QUE A ESCRITURADA.. CONDUTA REITERADA. SONEGAÇÃO.
Reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas substancialmente menores que as escrituradas, em concomitância com declarações corretas ao Fisco Estadual, caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
DECADÊNCIA SÓCIOS "LARANJAS". MULTA QUALIFICADA.
A contagem do prazo decadencial, havendo dolo/fraude do contribuinte na prática das infrações apuradas, a decadência é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
Numero da decisão: 1301-001.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos Dar Provimento Parcial ao recurso de ofício para reconhecer a decadência do IRPJ e CSLL com relação, tão somente, aos fatos geradores ocorridos nos 1 o., 2 o. e 3 o. trimestres do ano calendário de 2004 e, para o PIS e COFINS reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2004. Por voto de qualidade, NEGA-SE provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (apenas em relação a Responsável Solidária Morgana Fadini Magewski). O Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier fará declaração de voto
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Ademais, o julgador não se obriga a contestar todos os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria, desde que os fundamentos tenham sido suficientes para embasar a decisão. As matérias atinentes à lide objeto dos autos, suscitadas nas razões da impugnação na instância a quo, foram enfrentadas pela decisão recorrida. O v. acórdão recorrido não precisa rebater todas as teses apresentadas, se encontrou razões suficientes para fundamentar a decisão. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o AR seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. RMF. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. A entrega, pela instituição financeira, mediante RMF, dos extratos com a movimentação financeira bancária do fiscalizado, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável, não configura a existência de prova ilícita, nem necessita de autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras administrativas é defeso declarar a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei ou ato normativo (súmula CARF 2). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA PROVADA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE. Uma vez que a omissão de receita tenha sido provada pela apuração de diferença entre as receitas escriturada e declarada, não se aplicam os preceitos do art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam hipótese de receita presumidamente omitida. MULTA QUALIFICADA DE 150%. RECEITA DECLARADA SUBSTANCIALMENTE MENOR QUE A ESCRITURADA.. CONDUTA REITERADA. SONEGAÇÃO. Reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas substancialmente menores que as escrituradas, em concomitância com declarações corretas ao Fisco Estadual, caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA SÓCIOS "LARANJAS". MULTA QUALIFICADA. A contagem do prazo decadencial, havendo dolo/fraude do contribuinte na prática das infrações apuradas, a decadência é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
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SOLIDÁRIA Recorrentes PORTO VELHO COMERCIO LTDA (e RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS) e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO RECORRIDA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição. Ademais, o julgador não se obriga a contestar todos os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria, desde que os fundamentos tenham sido suficientes para embasar a decisão. As matérias atinentes à lide objeto dos autos, suscitadas nas razões da impugnação na instância a quo, foram enfrentadas pela decisão recorrida. O v. acórdão recorrido não precisa rebater todas as teses apresentadas, se encontrou razões suficientes para fundamentar a decisão. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou não comprovada sua necessidade. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 13490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o AR seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. RMF. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. A entrega, pela instituição financeira, mediante RMF, dos extratos com a movimentação financeira bancária do fiscalizado, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável, não configura a existência de prova ilícita, nem necessita de autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras administrativas é defeso declarar a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei ou ato normativo (súmula CARF 2). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA PROVADA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE. Uma vez que a omissão de receita tenha sido provada pela apuração de diferença entre as receitas escriturada e declarada, não se aplicam os preceitos do art. 42, caput Fl. 13491DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 12 3 e §§, da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam hipótese de receita presumidamente omitida. MULTA QUALIFICADA DE 150%. RECEITA DECLARADA SUBSTANCIALMENTE MENOR QUE A ESCRITURADA.. CONDUTA REITERADA. SONEGAÇÃO. Reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas substancialmente menores que as escrituradas, em concomitância com declarações corretas ao Fisco Estadual, caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA SÓCIOS "LARANJAS". MULTA QUALIFICADA. A contagem do prazo decadencial, havendo dolo/fraude do contribuinte na prática das infrações apuradas, a decadência é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos Dar Provimento Parcial ao recurso de ofício para reconhecer a decadência do IRPJ e CSLL com relação, tão somente, aos fatos geradores ocorridos nos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres do ano calendário de 2004 e, para o PIS e COFINS reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2004. Por voto de qualidade, NEGA-SE provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (apenas em relação a Responsável Solidária Morgana Fadini Magewski). O Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier - Declaração de Voto Fl. 13492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 13493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 13 5 Relatório O presente processo trata de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada e responsáveis solidários arrolados, a saber: IRPJ no valor de R$ 4.008.242,83 (fls. 10316); CSLL no valor de R$ 1.823.478,36 (fls. 10348); PIS no valor de R$ 1.097.940,69 (fls. 10326), e COFINS no valor de R$ 5.067.418,72 (fls. 10367). Os valores acima foram acrescentados da Multa de Ofício (150%) e Juros de Mora calculados até 31/03/2010, totalizando: IRPJ R$ 12.498.501,30; CSLL R$ 5.686.030,10; PIS R$ 3.438.258,77, e COFINS R$15.868.887,76. Os quatro Autos de Infração basearam-se em omissão de receita com a revenda de mercadorias, que a fiscalização apurou por meio das diferenças entre valores declarados e escriturados. O lucro foi arbitrado porque a Fiscalizada optou pelo regime do Lucro Presumido nos anos de 2004 e 2005, mas, intimada, deixou de apresentar o Livro Caixa. Trinta pessoas físicas foram arroladas como sujeitos passivos solidários porque controlaram, diretamente ou por meio de interpostas pessoas, contas bancárias da Fiscalizada, que foi dissolvida irregularmente. Do TVF consta que (fls. 10.253/10.257). 1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS: [...] De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadram-se perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. Fl. 13494DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 [...] DA INCLUSÃO DA EMPRESA NO PROGRAMA DE FISCALIZAÇÃO: De acordo com as informações prestadas à Receita Federal do Brasil pelas diversas instituições financeiras a Porto Velho Comércio Ltda. [...] movimentou recursos da ordem de R$ 95.967.533,84 no ano calendário de 2004 e R$ 111.776.966,90 no ano calendário de 2005. No entanto, apresentou Declarações de Informações Econômico Fiscais - DIPJs informando apenas R$ 216.653,89 de receitas da atividade em 2004 e RS 1.198.314,77 em 2005. [...] DA EMPRESA E SUA ATIVIDADE: [...] Diligência realizada no seu domicílio cadastral (fls 68 a 69) comprova o funcionamento de outra pessoa jurídica no local. [...] As (fls. 71 a 72) a fiscalizada foi novamente intimada, na pessoa do seu representante legal, a apresentar o Livro Caixa [...]. Em sua resposta de fls. 73 informou, em síntese, que: a) não possui e nem tem conhecimento da existência do Livro Caixa. b) os documentos que teve acesso foram entregues em 05/12/2007 e o restante em 02/01/2008, conforme termos de recebimento em anexo. Em face de encontrar-se paralisada, solicitamos o comparecimento do senhor Aniseto Borgo proprietário do imóvel locado à fiscalizada para prestar informações sobre o funcionamento desta no local. [•••] Abaixo transcrevemos trecho do referido depoimento: [...] -que alugou o referido imóvel para um senhor de nome RENATO no período de 2004 a 2005 [...]. -que o imóvel foi alugado de forma verbal, não havendo contrato; -que o pagamento dos alugueis era feito em dinheiro pelo senhor RENATO [...] -que ficou sabendo que o imóvel estava sendo usado pela empresa PORTO VELHO COMÉRCIO LTDA. quando recebeu um galão de água onde constava o nome da empresa; Fl. 13495DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 14 7 [...] -que tem conhecimento de que, de fato, eram guardados muitos sacos de estopa vazios no local e que, inclusive, existia muito cheiro de café por lá; -que não via movimento de pessoas, automóveis ou caminhões na empresa, apenas via motos que entravam e saiam constantemente do local; [...] 4 - DO CONTRATO SOCIAL E ALTERAÇÕES: A fiscalizada foi constituída pela união dos sócios CHTARLLES GRILLO PELEGRINI (CPF N° 034.885.476-55) e RENATO COELHO RIGAMONTE (CPF N° 155.557.986-87) e registrada na Junta Comercial do Estado de Espírito Santo em 22/07/2003 sob o n° 32201075667 (fls. 40 a 42) e, posteriormente, transferida à interposta pessoa conforme comprovaremos no decorrer deste Termo. 4.1 Em 14/10/2003, Renato Coelho Rigamonte foi substituído na sociedade por Jailson Reis dos Anjos, que foi substituído, em 01/06/2004, por Rogério de Angelis, que foi substituído, em 04/06/2004, por Edmilson Pinafo Andrade. 4.2 Os ex-sócios Jailson Reis dos Anjos e Rogério de Angelis foram considerados "sócios laranjas" pela fiscalização por apresentarem o perfil de pessoa "sem extração econômica e financeira" que não foi localizada no seu endereço cadastral ou, se localizada, admitiu a condição de sócio aparente (fl. 10.259/10.262). Do TVF consta ainda que (fls. 10.269/10.270): DAS BASES DE CÁLCULOS UTILIZADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO: As receitas omitidas pela fiscalizada foram apuradas por diferença entre os valores das receitas de vendas contabilizadas no Livro de Apuração de ICMS (cujo teor é o mesmo no Livro de Registro de Saídas de fls. 240 a 487) e as receitas de vendas informadas em suas Declarações de Imposto de Renda anos calendário de 2004 e 2005 anexas às fls. 495 a 498; 714 a 717. DO RECEBIMENTO DAS VENDAS: Confrontando o total dos créditos de clientes apurados, via extratos bancários (depósitos à vista, TED ou DOC) resumidos na tabela de fls. 501 e 502 com os totais das vendas contabilizadas no Livro Registro de Saídas de fls. 385 a 495, verificamos que o total dos créditos de clientes em 2004 e 2005 se mostram superiores ao total de vendas contabilizadas no mesmo período. Tal fato nos permite afirmar que as receitas omitidas foram, integralmente, recebidas pela fiscalizada (AC/2004: Receitas de vendas contabilizadas R$ 74.600.033,04 e créditos/Bancários/Clientes R$ 76.075.198,03 e, AC/2005: R$ 94.591.970,65 contra R$ 100.129.299,32). 6. No item 10 de TVF, fl. 10.362, as receitas escriturada, declarada e omitida são apresentadas por totais trimestrais dos anos de 2004 e 2005. Fl. 13496DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 7. A fiscalização solicitou ao 4° Ofício de Notas do Espírito Santo cópias das procurações passadas pela Fiscalizada. Constatou-se que a Porto Velho Ltda. havia outorgado diversos mandatos, concedendo poderes amplos, gerais e ilimitados, inclusive para representá- la junto a quaisquer instituições financeiras (fl. 10.270). 8. Conforme registrado na fl. 10.271, foram obtidas, por meio de Requisições de Movimentação Financeira (RMF), cópias de documentos relacionados às contas bancárias abertas em nome da Fiscalizada. Destacamos deste conjunto probatório os cartões de autógrafos, os cheques e as procurações, 30 (trinta) pessoas físicas foram arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário lançado. A partir de depoimentos coletados junto a sócios, procuradores e terceiros, bem como pela análise da documentação bancária recebida, a fiscalização concluiu que: 1 Paulo Mareio Leite Ribeiro (1): a) movimentou, como procurador, os recursos depositados na conta bancária n° 9.814.583, agência n° 0182-1 (Água Doce do Norte/ES) mantida no BANESTES S/A pertencente à fiscalizada na negociação de compra de café junto aos produtores rurais; b) possuía poderes de gestão, tais poderes foram reconhecidos na procuração que lhe foi outorgada e utilizados na abertura da conta bancária acima identificada. 2 Gerson Antonio Piassi (2), Marciano Carrari Silva (3), de mesma forma que Paulo Mareio Leite Ribeiro (1), movimentaram, como procuradores, contas bancárias da Fiscalizada e possuíam poderes de gestão (fls. 10.272/10.273). 3 Morgana Fadini Magewski (4) e Giovani Bortolini Di Francesco (5), mesmo não fazendo parte do quadro societário da Fiscalizada, movimentaram indiretamente duas de suas contas bancárias, em operações de comercialização de café junto a produtores rurais, tendo como interposta pessoa o procurador Marcelo Lopes Dorea (fl. 10.277); 4 Luiz Cezar Astolpho (6), Lúcio Francischetto (7), José Leandro Silva (8), Rodrigo Ramos Ribeiro (9), Rubens Peterle (10), Izabel Cristina Pim Assis (11), Claudemir Medeiros Jordão (12), José Carlos Vassuler (13), Agnaldo da Silva Batista (14), Renato Jardim Pimentel (15), Laércio Francischetto (16), Genésio Francischetto (17), Júlio Broedel (18), de mesma forma que Paulo Mareio Leite Ribeiro (1), movimentaram, como procuradores, contas bancárias da Fiscalizada e possuíam poderes de gestão (fls. 10.278/10.284). 5 Climério Junqueira (19) "não reconheceu como suas as assinaturas apostas nos cheques a ele mostrados" (fl. 10.285), mas os documentos de fls. 6.636/6.683 comprovam que era procurador da Fiscalizada junto a uma de suas contas bancárias. Os cheques eram sacados no banco para pagamento em dinheiro aos produtores rurais de café; 6 Jefferson Luiz Sangali (20), Silvério José Vassuler (21), Paulo César Brito Veiga (22), Márcio Alexandre Sarnaglia (23), de mesma forma que Paulo Mareio Leite Ribeiro (1), movimentaram, como procuradores, contas bancárias da Fiscalizada e possuíam poderes de gestão (fls. 10.285/10.287). 7 Narciso Agrizzi (24), mesmo não fazendo parte do quadro societário da Fiscalizada, movimentou indiretamente uma de suas contas bancárias, em operações de comercialização de café junto a produtores rurais, tendo como interposta pessoa o procurador Mareio Moreira Bertulani (fl. 10.289); Fl. 13497DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 15 9 8 Jorge Antonio de Matos (25), mesmo não fazendo parte do quadro societário da Fiscalizada, movimentou indiretamente uma de suas contas bancárias, em operações de comercialização de café junto a produtores rurais, tendo como interposta pessoa o procurador Enir Gomes de Almeida (fl. 10.295/10.296); 9 José Geraldo Campana Junior (26), Geraldo Camper (27) e Alexandra Carari (28) de mesma forma que Paulo Mareio Leite Ribeiro (1), movimentaram, como procuradores, contas bancárias da Fiscalizada e possuíam poderes de gestão (fls. 7.895/7.897 e 10.289/10.290). 10 Sergio Brambilla (29), mesmo não fazendo parte do quadro societário da Fiscalizada, movimentou indiretamente uma de suas contas bancárias, em operações de comercialização de café junto a produtores rurais, por meio de cheques em branco assinados pelo sócio Chtarlles Grillo Pelegrini (fl. 10.301/10.302). 11 Renato Coelho Rigamonte (30) (fls. 10.262/10.267): a) Embora tenha se desligado do quadro societário da Fiscalizada, movimentou, como procurador, três de suas contas bancárias; b) Em nome da Fiscalizada, fez pagamentos de ICMS e de compra de café; 12 Ao final da exposição sobre cada uma das trinta pessoas físicas acima identificadas, a fiscalização pronuncia-se sobre a responsabilidade tributária nos seguintes termos, ou em termos equivalentes: Referidos fatos comprovam a sua participação [direta ou por meio de interpostas pessoas] nos negócios comerciais da fiscalizada ficando caracterizada sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante à Fazenda Pública pelo crédito tributário apurado no presente processo fiscal, (fl. 10.290). A multa foi qualificada para 150%, nos termos do art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430/1996, porque a Fiscalizada: [...] d) informou à Receita Federal do Brasil receitas de faturamento de vendas de café reiteradamente muito aquém dos valores declarados ao Fisco Estadual (omissão de receitas), configurando dolo específico de sonegação fiscal, ou seja, redução indevida de tributos federais, (fl. 10.303). - as pessoas envolvidas atuaram com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", ou seja, houve sonegação, conforme definido no art. 71, I, da Lei n° 4.502/1964 (fls. 10.303/10.304). Há uma planilha na fl. 10.302 com a apuração das receitas omitidas. Foram apresentadas 28 Impugnações, a saber: IV.l Paulo Márcio Leite Ribeiro, CPF 019.866.237-85 Fl. 13498DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 13. Paulo Márcio Leite Ribeiro tomou ciência dos Autos de Infração em 06/05/2010, fl. 10.353, e, em 28/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.487/10.492, alegando, em síntese, o que segue: 13.1 Recebeu procuração de Chtarlles Grillo Pelegrini, para comprar e vender café, pagar e receber importâncias, dar recibos e quitações, porém desconhecia as irregularidades fiscais da Fiscalizada, bem como a falta de recolhimento de impostos; 13.2 Por meio da procuração que lhe foi outorgada, movimentou uma conta bancária aberta em nome da Fiscalizada junto ao banco Banestes da cidade da Água Doce do Norte; 13.3 A procuração não conferia poderes de gestão, mas apenas de movimentação da referida conta bancária, dessa forma agia a mando dos proprietários da Fiscalizada, que determinavam o que devia ser realizado; 13.4 Deve ser eximido da responsabilidade porque não agiu como sócio nem proprietário, mas como procurador, não atuando por conta própria nem realizando atos de gestão; 13.5 Ultrapassadas as alegações mencionadas acima, deve responder apenas por seus atos e não pelos atos dos sócios ou de outros procuradores. Nossos Tribunais entendem que "em havendo crime de sonegação fiscal, existe a necessidade de individualização dos atos praticados por cada agente, devendo cada um responder na medida dos atos efetivamente praticados", fl. 10.489. 13.6 Nossos Tribunais também entendem que o procurador não responde pelos débitos da empresa, fl. 10.491; 13.7 Requer sua exclusão do pólo passiva. IV.2 Gerson Antonio Piassi, CPF 560.656.637-00 14. Gerson Antonio Piassi tomou ciência dos Autos de Infração em 06/05/2010, fl. 10.355, e, em 07/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.494/10.528, alegando, em síntese, o que segue: 14.1 Que a multa de 150% é inconstitucional, posto que confiscatória; 14.2 Que o uso da taxa Selic é inconstitucional, uma vez que não foi criada para fins tributários; os critérios para fixação da correção monetária e dos juros devem ser fixados por lei complementar específica; "Que no segundo semestre de 2003 foi procurado em seu escritório pelo Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE e CHTARLLES GRILLO PELEGRINE que na condição de proprietários da empresa Porto Velho Comercio Ltda – ora fiscalizada, afirmaram serem compradores de café e que já haviam visitado vários outros comerciantes e firmado parceria. Assim o Impugnante ficaria responsável pela captação da produção de café dos produtores rurais de região de Castelo-ES, e enviaria os pedidos de venda do produto à empresa dos mesmos, fl. 10.497. 14.3 Que recebeu da Fiscalizada, em novembro de 2003, procuração pública para abrir conta bancária; --que a procuração tinha prazo de validade até agosto de 2004; que a conta foi movimentada exclusivamente para receber os valores da produção comercializada Fl. 13499DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 16 11 junto aos produtores rurais de sua região; que encerrou a parceria com a Fiscalizada em dezembro de 2004; e que, a partir de então, não lhe prestou mais qualquer serviço; que manteve a conta aberta até 08/03/2005 (doe. fl. 10.536), para compensação de cheques pendentes; -que utilizou novamente a procuração, revalidada em março de 2005, exclusivamente para encerrar a conta, logo não pode ser responsabilizado pelos fatos geradores deste ano (fls. 10.497/10.498 e 10.515/10.516); 14.4 Que a decadência alcançou os períodos de apuração de 2004, pois só foi notificado em 06/05/2010 (art. 150, § 4 o , do CTN); que não se aplica o prazo decadencial do art. 173 do CTN, pois, conforme comprovado pela fiscalização, a Fiscalizada declarou e pagou o tributo devido, que mesmo se considerarmos comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve-se aplicar a regra do art. 173 para excluir a parcela do crédito tributário alcançada pela decadência; 14.5 Que o fato de ser procurador não o torna responsável, pois exerceu seus poderes apenas para pagar produtores rurais; que não lhe competia recolher os tributos da Fiscalizada; 14.6 Que não tinha interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (art. 124, I, do CTN), pois não tinha dever de diligência ou vigilância sobre a Fiscalizada; que não é responsável legal (art. 124, II, do CTN), pois não era sócio, administrador, gerente ou preposto da Fiscalizada; que a autoridade tributária estatuiu uma hipótese de responsabilidade solidária objetiva, isto é, sem culpa nem dolo, a responsabilização exige, além do nexo causal, a presença de culpa ou dolo, o que não restou provado; 14.7 Que, conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada movimentou, em 2004 e 2005, R$ 95.967.533,84 e R$ 111.776.966,90, enquanto na conta de Castelo-ES transitaram R$ 1.805.395,69 e R$ 6.713,00; que sua responsabilidade, caso exista, não abrange a totalidade do crédito lançado, mas apenas a parcela que corresponde aos fatos geradores vinculados à conta que movimentou, que o Fisco deveria individualizar a participação de cada responsável. 14.8 Que o Fisco, na tributação pelo lucro arbitrado, deixou de considerar os custos da atividade, e que, assim procedendo, utilizou base de cálculo inverídica e praticou a conduta tipificada no art. 316, § I o , do CP; 14.9 Que não cabe a qualificação da multa, pois em momento algum restou provado que tenha agido de má-fé ou com evidente intuito de fraude; que compareceu a todos os chamados do Fisco, que permaneceu em seu domicílio fiscal; que compareceu aos Correios para retirar os documentos pertinentes ao lançamento tributário; que não utilizou interpostas pessoas nem tinha conhecimento de que a Fiscalizada as utilizasse; 14.10 Que o uso da taxa Selic é ilegal, pois (a) representa a aplicação de juros remuneratórios como se fossem moratórios; (b) contraria o art. 161 do CTN, pois é fixada por ato normativo infralegal do Banco Central; IV.3 Marciano Carrari Silva, CPF 086.394.457-45 15. Marciano Carrari Silva tomou ciência dos Autos de Infração em 07/05/2010, fl. 10.356, e, em 09/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.661/10.667, sem alegar preliminar de tempestividade. Fl. 13500DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 IV.4 Morgana Fadini Magewski, CPF 045.642.447-44 16. Morgana Fadini Magewski tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.357, e, em 02/06/2010; apresentou a Impugnação de fls. 10.712/10.749 e 12.355/12.363 (complemento), alegando, em síntese, o que segue: 16.1 Que a Impugnação tem por objeto afastar sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado; 16.2 Que decaiu do direito de lançar os créditos relativos a fatos geradores ocorridos em 2004, mesmo se considerada a regra do art. 173,1, do CTN, já que tomou ciência do lançamento em 04/05/2010; 16.3 Que a imputação de responsabilidade baseou-se apenas em indícios: dois questionários-modelo endereçados a empregados de um banco e preenchidos por não se sabe exatamente quem (fls. 2.990/2.992 e 3.003/3.005); que os demais indícios são apenas reflexos dos questionários-modelo; 16.4 Que mesmo considerando o absurdo de ter se beneficiado com o suposto esquema, não lhe pode ser imputada toda a responsabilidade, uma vez que possui vinculação com apenas um município do Espírito Santo (Santa Tereza); 16.5 Que a falta de individualização das responsabilidades inviabilizou a ampla defesa, uma vez que desconhece os motivos de ter sido responsabilizada por tributos lançados a partir de movimentações bancárias em bancos que desconhecia e em municípios onde jamais esteve; que não faz idéia de qual interesse comum poderia ter com os demais autuados; 16.6 Que a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que se deve anular a peça acusatória quando ela não exponha individualizadamente os atos ilícitos e as responsabilidades respectivas: “1. AÇÃO PENAL. Denúncia. Deficiência. Omissão dos comportamentos típicos que teriam concretizado a participação dos réus nos fatos criminosos descritos. Sacrifício do contraditório e da ampla defesa. Ofensa a garantias constitucionais do devido processo legal (due process of law). Nulidade absoluta e insanável. [...] A denúncia que, eivada de narração deficiente ou insuficiente, dificulte ou impeça o pleno exercício dos poderes da defesa, é causa de nulidade absoluta e insanável do processo e da sentença condenatória e, como tal, não é coberta por preclusão. 2. AÇÃO PENAL. Delitos contra o sistema financeiro nacional. [...] Denúncia genérica. Peça que omite a descrição de comportamentos típicos e sua atribuição a autor individualizado, na qualidade de administrador de empresas. Inadmissibilidade. [...] No caso de crime contra o sistema financeiro nacional ou de outro dito "crime societário", é inepta a denúncia genérica, que omite descrição de comportamento típico e sua atribuição a autor individualizado, na condição de diretor ou administrador de empresa. (STF Ia Turma, HC 83301/RS, rei. do voto vencedor Ministro Cezar Peluso, sessão de 16/03/2004, maioria).” Fl. 13501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 17 13 16.7 Que no Direito Tributário não é diferente, mas, in casu, a responsabilidade pelo crédito tributário foi imposta genericamente a inúmeras pessoas físicas e jurídicas, sem a devida delimitação das condutas e, principalmente, do ônus tributário; 16.8 Que não pode defender-se satisfatoriamente sem ter acesso aos livros da Fiscalizada e às suas movimentações bancárias, pois, sem tal acesso, terá que se basear apenas no que afirma a fiscalização; 16.9 Que lhe foi imputada responsabilidade com base em três indícios: 16.9.1 Dois questionários-modelo enviados pelo Fisco e supostamente respondidos por funcionários do Bradesco, sobre a conta 004772 da agência 1869; 16.9.2 Um telefone inscrito na ficha cadastral da referida conta; 16.9.3 Trinta e seis cheques emitidos em 2004, relativos à conta em questão, nos quais consta, no verso, a expressão "confirmado Morgana", no valor total de R$ 882.505,17; 16.10 Que os questionários-modelo não possuem fé pública, não servem como prova e podem, no máximo, ser considerados como indícios de algo a ser investigado; que não é seu o telefone inscrito na ficha cadastral, nem nele pode ser localizada; que não sabe por que empregados de um banco ligavam para terceiros sem procuração ou qualquer poder de gestão e solicitavam confirmação do que quer que seja; 16.11 Que não imagina o porquê de o Fisco ter lhe imputado responsabilidade sobre fatos ocorridos em 2005, se todos os cheques foram emitidos em 2004; 16.12 Que não há prova alguma quanto à conta 00001394-3, agência 3007-7, da Cooperativa de Crédito Centro-Norte do ES, em Rio Bananal; que nunca foi a Rio Bananal; que o fato de Marcelo Lopes Dorea ser supostamente procurador desta conta não a torna responsável; 16.13 Que o art. 124 do CTN deve ser utilizado nos casos em que reste evidente o interesse jurídico comum na atividade econômica ou no bem que dá margem à imposição tributária, como no caso de cônjuges ou de condomínios; 16.13.1 Que o interesse comum deve ser jurídico, conforme decisão do TRF2, transcrita parcialmente abaixo: TRIBUTÁRIO. [...] SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. 3. Nas hipóteses do art. 124, inciso I, do CTN, o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, como pretende fazer crer a União Federal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que consubstancia o fato imponível.(TRF2 4a Turma Especializada, Agravo 2006.02.01.007468-3, Juiz convocado Carlos Guilherme Francovich Lugones, sessão de 09/09/2008, unânime) Fl. 13502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 16.14 Que o interesse comum deve ser provado no momento do lançamento, sob pena de nulidade do ato administrativo quanto aos supostos responsáveis solidários; que a fiscalização não trouxe aos autos provas de que tivesse interesse jurídico nos fatos geradores dos tributos lançados, nos anos de 2004 e 2005, em montante de quase 200 milhões de reais; que, ao contrário, o Fisco baseou-se em meros indícios dependentes das afirmações contidas em dois questionários-modelo; 16.15 Que em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades (art. 112, IV, do CTN); 16.16 Que se houve algum ilícito tributário ou penal, são os bancários que responderam os questionários-modelo que devem ser responsabilizados, pois, eles sim podem ter auxiliado na gestão do suposto esquema de sonegação; que, talvez para afastar a própria culpa, fizeram tais afirmações inverídicas; que os referidos bancários são pessoas suspeitas, pois têm interesse no litígio, já que estão diretamente envolvidos; que, segundo o art. 405, caput e § 3 o , pessoas suspeitas não podem depor como testemunhas, logo os questionários modelo são provas ilícitas, bem como os indícios deles derivados (cheques com a expressão "confirmado Morgana" e telefone na ficha cadastral); que tais documentos devem ser extirpados dos autos e todas as provas deles derivadas devem ser desconsideradas; 16.17 Que não cabe a aplicação da multa de 150%, pois, quando se trata de lançamento baseado em presunção ou arbitramento, não se prova, efetivamente, a existência do fato gerador; que, se foi presumida a existência de tributo a recolher, o Fisco está também presumindo, sem base legal, a existência de fraude para o seu não recolhimento; 16.18 Que, não havendo prova de sonegação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o , do CTN, pois, ao que parece, a Fiscalizada sempre observou procedimento de pagamento antecipado, calculando e recolhendo os tributos devidos; que, segundo o prazo em tela, decaiu o direito de lançar todos os tributos dos anos de 2004 e 2005, visto que tomou ciência do lançamento em 04/05/2010; 17. Em 08/10/2010, Morgana Magewski apresentou Impugnação complementar, fls. 12.355/12.363, no qual, em síntese, acrescenta: 1. Visando dar efetividade aos princípios da verdade real e da ampla defesa, expomos de maneira mais acurada alguns argumentos já delineados na Impugnação inicial (a não individualização das condutas e dos ônus tributários respectivos) e trazemos outros, questões legais de ordem pública e conhecíveis de ofício (a incompetência da autoridade que lavrou a ato de sujeição passiva solidária e a nulidade desse ato pela não intimação dos co- titulares das contas bancárias para provar as receitas supostamente omitidas), tudo com base em decisões do CARF publicadas posteriormente ao protocolo da primeira defesa. Neste contexto, não se aplicam os art. 16, III, e 17 do Decreto 70.235/72. Que a autuação é nula por cerceamento do direito de defesa, já que: (a) as condutas não foram individualizadas; e (b) não faz idéia de qual o hipotético interesse comum que poderia ter com os demais autuados em relação a tributos lançados a partir de movimentações bancárias ocorridas em bancos que desconhecia e em municípios onde jamais esteve; 17.2 Que o Termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo por incompetência do agente, conforme decisão do CARF, parcialmente transcrita abaixo: Fl. 13503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 18 15 TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE – NULIDADE Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato.(AC: 101- 96.739, rel. Caio Marcos Cândido, sessão de 28/05/2008, publicado no DOU em 28/01/2009, maioria). 17.3 Que, segundo a própria fiscalização, era titular de uma das contas correntes, logo deveria ter sido intimada a comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, objetivando mensurar sua responsabilidade; que, como não foi intimada, a fiscalização violou o art. 42, § 6o , da Lei n° 9.430/1996; que este também é o entendimento do CARF, conforme julgado a seguir: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA DE DEPÓSITO MANTIDA COM CO-TITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO- TITULARES. A AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES - EXCLUSÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO MONTANTE DOS DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DA CONTA CO- TITULARIZADA. Nos termos do art. 42, § 6o, da Lei n° 9.430/96, todos os titulares da conta de depósito devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, objetivando mensurar a responsabilidade tributária de cada co-titular. Não se identificando a responsabilidade individual, deve-se dividir o montante dos depósitos de origem não comprovada na proporção direta do número de co-titulares. Ausente a intimação de todos os co-titulares, não há o aperfeiçoamento da presunção legal (Ac. 106-17.165, rel José Adão Vitorino de Morais, sessão de 06/11/2008, DOU de 30/03/2009, unânime). 17.4 Que, pelo exposto, deve ser declarada a nulidade do ato de sujeição passiva e do lançamento respectivo; IV.5 Giovani Bortolini Di Francesco, CPF 840.947.297-04 18. Giovani Bortolini Di Francesco tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.358, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.762/10.775, alegando, em síntese, o que segue: 18.1 Que, conforme a Portaria PGFN n° 180, de 25/02/2010, DOU de 26/02/2010, a inclusão do responsável solidário só deverá ocorrer se presente uma das hipóteses do art. 2° in verbis: Art. 2- A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Fl. 13504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Receita Federal do Brasil (RFB) ou da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I - excesso de poderes; II - infração à lei; III - infração ao contrato social ou estatuto; IV - dissolução irregular da pessoa jurídica. 18.2 Que a declaração fundamentada da autoridade não identifica qualquer das hipóteses do art. 2° da Portaria PGFN n° 180/2010; 18.3 Que não há evidência de que gerenciava a Fiscalizada, ou de que movimentava suas contas correntes bancárias; que não há prova de que possuía interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal; 18.4 Que causa estranheza a declaração de funcionários do Bradesco, segundo a qual cheques de alto valor seriam confirmados pelo impugnante, pois, conforme norma interna daquele banco, a verificação deve ser feita junto ao emitente do cheque, e não por pessoa sem poderes de movimentação, administração ou gerência, conforme informação prestada pelo gerente da agência (doe. II, fl. 10.832); 18.5 Que sua falta de interesse comum é comprovada pelo próprio Auditor, quando menciona, no Termo de Verificação, fls. 21/22, que os cheques eram assinados pelo procurador Marcelo Lopes Dorea e entregues a Chtarlles Grillo Pelegrini; 18.6 Que, apesar de ter sido responsabilizado pela conta 3007-7 da Cooperativa de Crédito Centro/Norte/ES, em Bananal-ES, nunca esteve nesta cidade; que não foi comprovado que tenha tido relacionamento com o procurador da referida conta, Marcelo Lopes Dora, nem com Chtarlles Grillo Pelegrini; que as declarações dos funcionários do Bradesco não comprovam que tenha movimentado a conta, ou que tenha poderes de gerência sobre a Fiscalizada, ou ainda que tenha interesse comum nos seus negócios; que não consegue informações sobre esta conta, para auxiliar em sua defesa (doe. II, fl. 10.832); 18.7 Que requer a anulação total da sujeição passiva, pois não há provas, nem sequer indícios, que esteve à frente dos negócios da Fiscalizada, ou que possuísse interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; que sua inclusão como responsável solidário é incabível, pois não possui acesso às contas nem confirmou qualquer dos seus cheques, pois não tinha poderes, nem mesmo indiretos, para movimentá-las; 18.8 Que, subsidiariamente, requer a exclusão de sua sujeição passiva indireta, face à caracterização geral indiscriminada, e em especial da conta 001394-3, agência 3007-7, junto à Cooperativa de Crédito Centro-Norte/ES, nunca a movimentou, direta ou indiretamente, nem realizou qualquer transação com o referido banco, onde jamais esteve; 18.9 Que o art. 173,1, do CTN só se aplica a tributos anuais; que decaiu o direito de lançar tributos cujos fatos geradores ocorreram em 2004; 18.10 Que sua defesa ficou prejudicada por não ter acesso às contas bancárias que, segundo a fiscalização, teria movimentado, direta ou indiretamente (docs. II e III, fls. 10.832 e 10.834); que, para superar este obstáculo à sua defesa, solicita a realização de diligência, para que sejam respondidos os quesitos da fl. 10.773; Fl. 13505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 19 17 18.11 Que, face às alegações expendidas, requer sua exclusão do pólo passivo da relação jurídico-tributária; que, subsidiariamente, requer o cancelamento do crédito tributário lançado após o prazo decadencial, bem como a anulação do Termo de Sujeição passiva, pela falta de individualização das responsabilidades e pela não comprovação do interesse comum; IV.6 Luiz Cezar Astolpho, CPF 896.314.047-49 19. Luiz Cezar Astolpho tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.359, e, em 02/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.898/10.904, alegando, em síntese, o que segue: 19.1 Que impugna o Auto de Infração na parte que diz respeito ao Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido em seu desfavor; 19.2 Que intermediou algumas vendas de café de pequenos produtores rurais do Distrito de Conceição do Muqui, em Mimoso do Sul - ES, para a Fiscalizada; que as operações foram acobertadas por notas fiscais dos produtores para a Fiscalizada; que a Fiscalizada mandava buscar a mercadoria em Conceição do Muqui; 19.3 Que movimentou a conta bancária do Banestes S/A de n° 9.985.656 da agência 125, em nome da Fiscalizada, na condição de procurador, exclusivamente nas transações citadas no parágrafo anterior; que este era o único meio de garantir os produtores rurais contra prejuízos, já que o café vendido só saía do terreiro depois que o dinheiro creditado pela Fiscalizada era repassado aos produtores; 19.4 Que o fato de possuir procuração com poderes de gestão não justifica a incidência do art. 124,1, do CTN; que ratifica nunca ter sido sócio da Fiscalizada 19.5 Que não contribuiu para ocultar receitas da Fiscalizada com a venda de café; que não utilizou interpostas pessoas para figurarem como sócios da Fiscalizada; que não é responsável pela falta de escrituração do Livro Caixa da Fiscalizada; que não é responsável por terem informado à Receita Federal do Brasil receitas reiteradamente muito menores que as declaradas ao Fisco Estadual; 19.6 Que para responsabilizar alguém como sujeito passivo solidário é preciso provar a prática de atos ou omissões desse alguém, que ensejaram o nascimento da obrigação tributária; que a solidariedade prevista no art. 124 só pode ser imputada mediante a observância dos requisitos do art. 134, ambos do CTN; 19.7 Que, segundo a Lei n° 11.941/2009, nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte pessoa jurídica, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis e somente nestas hipóteses, os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, nos termos do art. 134 do CTN; 19.8 Que para responsabilizá-lo nos termos do art. 135 do CTN seria necessário provar que praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto social, o que não foi feito pelo Fisco; Fl. 13506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 19.9 Caso se entenda que tem alguma responsabilidade sobre o crédito tributário lançado, que fique limitada aos valores movimentados na conta n° 9.985.656, agência 0125 do Banestes. IV.7 Lúcio Francischetto, CPF 691.023.097-34 20. Lúcio Francischetto tomou ciência dos Autos de Infração em 05/05/2010, fl. 10.360, e, em 04/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.906/10.938, alegando, em síntese, o que segue: 20.1 Que a multa de 150% é inconstitucional, posto que confiscatória; que o uso da taxa Selic é inconstitucional, posto que não foi criada para fins tributários; que os critérios para fixação da correção monetária e dos juros devem ser estabelecidos por lei específica, ou seja, lei complementar; que o uso da taxa Selic é ilegal, pois (a) representa a aplicação de juros remuneratórios como se fossem moratórios; (b) contraria o art. 161 do CTN, pois é fixada por ato normativo infra-legal do Banco Central; 20.2 Que não cabe a qualificação da multa, pois em momento algum restou provado que tenha agido de má-fé ou com evidente intuito de fraude; que compareceu a todos os chamados do Fisco; que permaneceu em seu domicílio fiscal; que compareceu aos Correios para retirar os documentos pertinentes ao lançamento tributário; que não utilizou interpostas pessoas nem tinha conhecimento de que a Fiscalizada as utilizasse; 20.3 Que a decadência alcançou os períodos de apuração de 2004, pois só foi notificado em 06/05/2010 (art. 150, § 4 o , do CTN); que não se aplica o prazo decadencial do art. 173 do CTN, pois, conforme comprovado pela fiscalização, a Fiscalizada declarou e pagou o tributo devido; que mesmo se considerarmos comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve-se aplicar a regra do art. 173 para excluir a parcela do crédito tributário alcançada pela decadência; Que no primeiro semestre de 2003 foi procurado em seu escritório pelo Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE e CHTARLLES GRILLO PELEGRINE que se intitularam compradores de café, a fim de celebrar uma "parceria" comercial na qual o impugnante seria responsável pela captação da produção de café dos produtores rurais de região de Castelo-ES, e repassaria à empresa dos mesmos (fls. 10.908). 20.4 Que recebeu da Fiscalizada, em agosto de 2003, procuração pública para abrir conta bancária; que seus dois irmãos, Genésio Francischetto e Laércio Francischetto, também constavam como outorgados, para que, em caso de emergência, pudessem assinar pelo impugnante; que em função de uma desavença comercial, foram-lhe cassados os poderes entre 18/08/2004 e 21/03/2005; que usou a procuração para abrir conta corrente, que foi utilizada apenas para recebimento dos valores da produção comercializada junto aos produtores rurais da região; que a procuração foi revalidada para o período de 22/03/2005 a 22/03/2006; que, durante os dois períodos de validade da procuração, não fez uso dos poderes, logo não pode ser responsabilizado; 20.5 Que, conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada movimentou, em 2004 e 2005, R$ 95.967.533,84 e R$ 111.776.966,90, enquanto na conta de Castelo-ES transitaram R$ 1.668.067,47 e R$3.212.112,01; que sua responsabilidade, caso exista, não abrange a totalidade do crédito lançado, mas apenas a parcela que corresponde aos fatos geradores vinculados à conta que movimentou; que o Fisco deveria individualizar a participação de cada responsável; que não tem responsabilidade sobre fatos ocorridos no período em que esteve sem poderes para atuar, ou seja, entre 18/08/2004 e 21/03/2005; que o Fisco poderia ter individualizado as responsabilidades com base nas informações que recebeu por meio de RMF (fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal). 20.6 Que o fato de ser procurador não o torna responsável, pois apenas intermediou a compra e venda da produção cafeeira; que não lhe competia recolher os tributos da Fiscalizada; que o simples fato de ser procurador não comprova que tenha interesse comum; Fl. 13507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 20 19 20.7 Que não tinha interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (art. 124, I, do CTN), pois não tinha dever de diligência ou vigilância sobre a Fiscalizada; que não é responsável legal (art. 124, II, do CTN), pois não era sócio, administrador, gerente ou preposto da Fiscalizada; que a autoridade tributária estatuiu uma hipótese de responsabilidade solidária objetiva, isto é, sem culpa nem dolo; a responsabilização exige, além do nexo causal, a presença de culpa ou dolo, o que não restou provado; 20.8 Que o Fisco, na tributação pelo lucro arbitrado, deixou de considerar os custos da atividade, e que, assim procedendo, utilizou base de cálculo inverídica e praticou a conduta tipificada no art. 316, § I o , do CP; IV.8 José Leandro Silva, CPF 953.613.597-34 21. José Leandro Silva tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.361, e, em 31/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.122/11.126, alegando, em síntese, o que segue: 21.1 Que é escrivão, desde 1998, do Cartório do Registro Civil de Sapia Leopoldina, que é sua única fonte de rendimentos (DAA fl. 11.154); que em 2004 e 2005 estava no exercício de sua profissão, conforme comprovam 12 escrituras que confeccionou, fls. 11.129/11.153; que como é amigo de JOSE SILVÉRIO VASSULER [Silvério José Vassuler], que reside em zona rural, sita-se Caramuru, devido a isso aceitou a procuração somente com o intuito de emissão de cheques devido ao Cartório ser no centro [de Santa Leopoldina-ES], onde está localizado o Banco Banestes. (fl. 11.123) 21.2 Que apesar de ter poderes para gerir, não administrou a Fiscalizada; que não movimentou contas, mas apenas emitiu cheques e sacou valores permitidos e autorizados por seu constituinte; que não teve participação nos lucros, vez que sua renda não chega sequer a 1% do valor mensal arrecadado [movimentado?] pela Fiscalizada; 21.3 Que, segundo os art. 135 a 138 do CTN, o procurador não é responsável pela sonegação, quando não é quem realmente administra a empresa, como no caso em tela; 21.4 Que não figura no contrato social da Fiscalizada, nem pertence aos seus quadros; 21.5 Que requer o acolhimento das prejudiciais para declarar nula a sanção imposta; ou, ao apreciar o mérito, que se decida pela improcedência da autuação, determinando o seu cancelamento; IV.9 Rodrigo Ramos Ribeiro, CPF 068.639.987-00 22. Rodrigo Ramos Ribeiro tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.362, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.161/11.208, alegando, em síntese, o que segue: 22.1 Que o Fisco baseou a autuação em três hipóteses, que, além de não provadas, são incompatíveis entre si, pois não podem ser simultaneamente verdadeiras; 22.1.1 A primeira hipótese é a de que: Porto Velho Comércio Ltda., é pessoa jurídica criada com o auxílio de laranjas e para funcionar por determinado tempo, sem pagar tributos, a fim de, em seguida, ser fechada irregularmente para que seus sócios "de fato" abram outra empresa em local diferente. Consequência: este seria o caso de se constituir contra a pessoa jurídica os créditos tributários sonegados e responsabilizar seus sócios ("de direito" e "de fato") pelo Fl. 13508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 respectivo pagamento, nos termos do art. 135 do CTN (fls. 11.174/11.175, fazendo referência a trecho do TVF transcrito na fl. 11.166). 22.1.2 Numa segunda hipótese, o Fisco supõe que: Porto Velho Comércio Ltda. é ficção jurídica criada para simular a existência de compra e venda entre pessoas jurídicas, assim dissimulando operação em que na verdade torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo IRPJ no regime do lucro real adquirem café de pessoas físicas (produtores rurais) com vista à geração fraudulenta de crédito de Pis e Cofins não-cumulativo. Consequência: neste caso a legislação tributária determina (artigo 149, VII, do CTN) seja a pessoa jurídica interposta desconsiderada, a fim de que os produtores rurais (verdadeiros auferidores de rendimentos tributáveis) sejam colocados diretamente na posição de contribuintes [...], bem como sejam anulados os créditos de Pis e Cofíns não-cumulativo porventura registrados na escrita fiscal das torrefadoras/atacadistas de café tributadas no lucro real (fl. 11.175). 22.1.3 O Fisco teria ventilado ainda uma terceira hipótese, segundo a qual: Porto Velho Comércio Ltda. é interposta pessoa (testa-de-ferro) criada para dissimular operações de compra e venda de café realizada por aqueles que figuram como seus procuradores. Consequência: igualmente, esta hipótese daria margem à aplicação do art. 149, VII, do CTN, de modo que o crédito tributário [...] seria constituído direta e individualmente contra cada procurador. Se porventura se comprovasse que tais contribuintes visavam a objetivo comum, unificando os benefícios econômicos do empreendimento, para, em seguida, distribuí-lo entre cada procurador, haveria a incidência simultânea do art. 149 e do artigo 124, ambos do CTN, de modo que os procuradores seriam contribuintes (artigo, 149, VII) relativamente ao que movimentaram individualmente em contas correntes abertas em nome da pessoa jurídica e responsáveis solidários (artigo 124, I) para com as movimentação de outros procuradores nas quais mantinham interesse comum (fl. 11.177). 22.1.4 Trata-se de três hipóteses distintas, com consequências próprias e auto-excludentes. O Fisco selecionou as consequências que lhe eram mais interessantes, apesar da incompatibilidade entre as premissas: A pessoa jurídica é laranja, mas é contribuinte, pois aqui se tem um elemento aglutinador potencialmente apto a ser "transformado" em justificativa de "interesse comum" (art, 124,1, do CTN). Os procuradores são vendedores de café dissimulados, mas não são contribuintes (e sim responsáveis tributários) e seus ônus fiscais não se limitam ao que movimentaram individualmente (se estendem a todo o débito da pessoa jurídica). O artigo 124, I, do CTN, que nada tem que ver com interposição de pessoas interposição essa que, por sua vez, também nada tem que ver com responsabilidade tributária - é aplicável para fins de imputar responsabilidade tributária a todos aqueles que praticaram fatos geradores (nesse caso não seriam tais pessoas contribuintes?), (fls. 11.178/11.179). 22.2 Que, segundo consta do TVF, fl. 10.269, a autuação não se baseou no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas na diferença entre os valores de receitas das vendas contabilizadas no Livro de Apuração do ICMS e as informadas em DIPJ, logo a Fiscalizada não se encaixa na hipótese de empresa criada para não pagar tributos; 22.3 Que o teor dos fatos apurados pela fiscalização implica tributação da pessoa jurídica na qualidade de contribuinte e, no máximo, de seus sócios ou administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Não há cabimento para responsabilização solidária; Para dar agilidade às transações e evitar custos com pessoal e instalações, Porto Velho Comércio Ltda. Fl. 13509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 21 21 deferiu ao impugnante, mediante procuração assinatura de cheques das contas-correntes evidenciadas neste processa; a fim de que pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas, (fl. 11.183). 22.4 Que não há prova de que participou das situações que constituíram o fato gerador dos tributos, nem que tais fatos o beneficiaram. Não participou das operações geradoras dos depósitos em contas correntes, pois simplesmente não atuava nas vendas da Fiscalizada, mas em suas compras, logo não compartilha com este qualquer interesse sobre suas vendas; 22.5 Nulidade. Que o Auto de Infração é nulo porque o fato apontado como seu fundamento é incapaz de sustentar a responsabilização do impugnante; 22.6 Que a jurisprudência do STJ ratifica seu entendimento, conforme Acórdão parcialmente transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. [...] LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8a ed., 1996, p. 220). (STJ I a Turma, REsp 859.616/RS, rei. Ministro Luiz Fux, sessão de 18/09/2007, unânime). 22.7 Que sua tese também encontra amparo na jurisprudência administrativa, consoante voto parcialmente reproduzido abaixo: A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Fl. 13510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que os sócios da empresa participaram de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. [...] Na hipótese de terem agido os sócios, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal — e não solidária — prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída a responsabilidade pessoal aos sócios ter-se-ia possível até a exclusão da pessoa jurídica do pólo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi a hipótese legal tratada nos autos. Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária. (Ac. 108-09.263, voto vencedor da conselheira Karem Jureidini Dias, sessão de 28/03/2007, maioria). 22.8 Que não tem qualquer responsabilidade, mas, caso se entenda que tem, deve-se limitá-la aos fatos geradores associados a conta de que foi procurador, durante o período em que houve movimentação (02/2004 a 04/2005), pois, sem movimento bancário, não pode haver interesse comum; 22.9 Que parcela substancial do crédito lançado foi extinto por decadência; 22.10 Que a hipótese é de mera omissão de rendimentos tributáveis, não havendo, pois, justificativa para qualificação de multa, nem para aplicação do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN; 22.11 Que requer a realização de sustentação oral. IV.10 Rubens Peterle, CPF 086.289.017-95 Fl. 13511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 22 23 23. Rubens Peterle tomou ciência dos Autos de Infração em 01/06/2010, fl. 10.363, e, em 28/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.212/11.247, alegando, em síntese, o que segue: 23.1 Que a multa de 150% é inconstitucional, posto que confiscatória; que o uso da taxa Selic é inconstitucional, por violação dos princípios da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária; 23.2 Que a decadência alcançou os períodos de apuração de 2004, pois só foi notificado em 01/06/2010 (art. 150, § 4 o , do CTN); que não se aplica o prazo decadencial do art. 173 do CTN, pois, conforme comprovado pela fiscalização, a Fiscalizada declarou e pagou os tributos que entendeu devidos; que mesmo se considerarmos comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve-se aplicar a regra do art. 173 para excluir a parcela do crédito tributário alcançada pela decadência; 23.3 Que não cabe a qualificação da multa, pois em momento algum restou provado que tenha agido de má-fé ou com evidente intuito de fraude; que compareceu a todos os chamados do Fisco; que permaneceu em seu domicílio fiscal; que compareceu aos Correios para retirar os documentos pertinentes aos lançamento tributário; que não utilizou interpostas pessoas nem tinha conhecimento de que a Fiscalizada as utilizasse; 23.4 Que o uso da taxa Selic é ilegal, pois (a) representa a aplicação de juros remuneratórios como se fossem moratórios; (b) contraria o art. 161 do CTN, pois é fixada por ato normativo infra-legal do Banco Central; Que no dia 15/08/2003 foi procurado em seu escritório pelo Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE e CHTARLLES GRILLO PELEGRINE que se intitularam corretores e compradores de café, a fim de celebrar uma "parceria" comercial na qual o Impugnante seria responsável pela captação da produção de café dos produtores rurais de região de Rio Novo do Sul-ES, devendo repassar à empresa dos mesmos, (fl. 11.215). 23.5 Que recebeu de Renato Rigamonte, ainda em agosto de 2003, uma procuração com amplos poderes para agir junto a instituições bancárias; que Renato Rigamonte lhe solicitou que abrisse uma conta bancária para receber os valores pertinentes à compra do café; que acompanhou Renato Rigamonte até a agência bancária, onde o próprio abriu a conta em nome da Fiscalizada e assinou o cartão de autógrafos; que a conta nunca foi usada com outra finalidade; que recebia cheques assinados pelos sócios da Fiscalizada, para pagar os produtores de café, e que, eventualmente, descontava estes cheques, para fazer o pagamento em espécie; 23.6 Que a procuração vigeu até 18/08/2004 e não foi revalidada; que sua responsabilidade, caso exista, restringe-se aos fatos geradores ocorridos durante o período em que a procuração esteve em vigor; que não praticou qualquer ato como procurador da Fiscalizada em 2005; 23.7 Que não é responsável direto nem solidário pelo crédito tributário, pois apenas intermediou a compra e venda de café; 23.8 Que, conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada movimentou, em 2004 e 2005, R$ 95.967.533,84 e R$ 111.776.966,90, enquanto na conta de Vargem Alta-ES transitaram R$ 2.460.687,01 e R$ 1.818.223,57; que sua responsabilidade, caso exista, não abrange a totalidade do crédito lançado, mas apenas a parcela que corresponde aos fatos geradores ocorridos na vigência da procuração; que o Fisco deveria individualizar a participação de cada responsável; que o Fisco poderia ter individualizado as responsabilidades com base nas informações que recebeu por meio de RMF (fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal). 23.9 Que o fato de ser procurador não o torna responsável, pois só intermediou a compra e venda da produção cafeeira; que não lhe competia recolher os Tributos pela Fiscalizada; que o Fl. 13512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 simples fato de ser procurador não comprova que tenha interesse comum; que seria necessário, para responsabilizá-lo, provar que contribuiu para a formação do fato gerador, o que não ocorreu; 23.10 Que não tinha interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (art. 124, I, do CTN), pois não tinha dever de diligência ou vigilância sobre a Fiscalizada; que não é responsável legal (art. 124, II, do CTN), pois não era sócio, administrador, gerente ou preposto da Fiscalizada; que a autoridade tributária estatuiu uma hipótese de responsabilidade solidária objetiva, isto é, sem culpa nem dolo; a responsabilização exige, além do nexo causal, a presença de culpa ou dolo, o que não restou provado; 23.11 Que o Fisco, na tributação pelo lucro arbitrado, deixou de considerar os custos da atividade, e que , assim procedendo, utilizou base de cálculo inverídica e praticou a conduta tipificada no art. 316, § I o , do CP; IV.ll Izabel Cristina Pim Assis, CPF 911.807.837-00 24. Izabel Cristina Pim Assis tomou ciência dos Autos de Infração em 14/05/2010, fl. 10.364, mas não impugnou o lançamento. IV.12 Claudemir Medeiros Jordão, CPF 022.835.557-52 25. Claudemir Medeiros Jordão tomou ciência dos Autos de Infração em 09/05/2010, fl. 10.365, e, em 02/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.446/11.452, alegando, em síntese, o que segue: 25.1 Que impugna o Auto de Infração na parte que diz respeito ao Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido em seu desfavor; 25.2 Que intermediou algumas vendas de café de pequenos produtores rurais do Distrito de Conceição do Muqui, em Mimoso do Sul - ES, para a Fiscalizada; que as operações foram acobertadas por notas fiscais dos produtores para a Fiscalizada; que a Fiscalizada mandava buscar a mercadoria em Conceição do Muqui; 25.3 Que movimentou a conta bancária da CEF de n° 03000465-5, agência 0592-3, em nome da Fiscalizada, na condição de procurador, exclusivamente nas transações citadas no parágrafo anterior; que este era o único meio de garantir os produtores rurais contra prejuízos, já que o café vendido só saía do terreiro depois que o dinheiro creditado pela Fiscalizada era repassado aos produtores; 25.4 Que o fato de possuir procuração com poderes de gestão não justifica a incidência do art. 124,1, do CTN; que ratifica nunca ter sido sócio da Fiscalizada; 25.5 Que não contribuiu para ocultar receitas da Fiscalizada com a venda de café; que não utilizou interpostas pessoas para figurarem como sócios da Fiscalizada; que não é responsável pela falta de escrituração do Livro Caixa da Fiscalizada; que não é responsável por terem informado à Receita Federal do Brasil receitas reiteradamente muito menores que as declaradas ao Fisco Estadual; 25.6 Que para responsabilizar alguém como sujeito passivo solidário é preciso provar a prática de atos ou omissões desse alguém; 25.7 Que, segundo a Lei n° 11.941/2009, nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte pessoa jurídica, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que Fl. 13513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 23 25 forem responsáveis e somente nestas hipóteses, os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, nos termos do art. 134 do CTN; 25.8 Que para responsabilizá-lo nos termos do art. 135 do CTN seria necessário provar que praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto social, o que não foi feito pelo Fisco; 25.9 Caso se entenda que tem alguma responsabilidade sobre o crédito tributário lançado, que fique limitada aos valores movimentados na conta n° 03000465-5, agência 0592 da CEF. IV.13 José Carlos Vassuler, CPF 899.378.486-87 26. José Carlos Vassuler tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.366, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de tis. 11.454/11.498, alegando, em síntese, o que segue: 26.1 Que o Fisco baseou a autuação em três hipóteses, que, além de não provadas, são incompatíveis entre si, pois não podem ser simultaneamente verdadeiras; 26.1.1 A primeira hipótese é a de que: Porto Velho Comércio Ltda., é pessoa jurídica criada com o auxílio de laranjas e para funcionar por determinado tempo, sem pagar tributos, a fim de, em seguida, ser fechada irregularmente para que seus sócios "de fato" abram outra empresa em local diferente. Consequência: este seria o caso de se constituir contra a pessoa jurídica os créditos tributários sonegados e responsabilizar seus sócios ("de direito" e "de fato") pelo respectivo pagamento, nos termos do art. 135 do CTN, fls. 11.467/11.468, fazendo referência a trecho do TVF transcrito na fl. 11.458/11.459. 26.1.2 Numa segunda hipótese, o Fisco supõe que: Porto Velho Comércio Ltda. é ficção jurídica criada para simular a existência de compra e venda entre pessoas jurídicas, assim dissimulando operação em que na verdade torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo IRPJ no regime do lucro real adquirem café de pessoas físicas (produtores rurais) com vista à geração fraudulenta de crédito de Pis e Cofins não-cumulativo. Consequência: neste caso a legislação tributária determina (artigo 149, VII, do CTN) seja a pessoa jurídica interposta desconsiderada, a fim de que os produtores rurais (verdadeiros auferidores de rendimentos tributáveis) sejam colocados diretamente na posição de contribuintes [...], bem como sejam anulados os créditos de Pis e Cofins não cumulativo porventura registrados na escrita fiscal das torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo lucro real [...], fl. 11.468/11.469. 26.1.3 O Fisco teria ventilado ainda uma terceira hipótese, segundo a qual: Porto Velho Comércio Ltda. é interposta pessoa (testa-de-ferro) criada para dissimular operações de compra-e-venda de café realizada por aqueles que figuram como seus procuradores. Fl. 13514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 Consequência: igualmente, esta hipótese daria margem à aplicação do art. 149, VII, do CTN, de modo que o crédito tributário [...] seria constituído direta e individualmente contra cada procurador. Se porventura se comprovasse que tais contribuintes visavam a objetivo comum, unificando os benefícios econômicos do empreendimento, para, em seguida, distribuí-lo entre cada procurador, haveria a incidência simultânea do art. 149 e do artigo 124, ambos do CTN, de modo que os procuradores seriam contribuintes (artigo, 149, VII) relativamente ao que movimentaram individualmente em contas correntes abertas em nome da pessoa jurídica e responsáveis solidários (artigo 124, I) para com as movimentação de outros procuradores nas quais mantinham interesse comum, fl. 11.470. 26.1.4 Trata-se de três hipóteses distintas, com consequências próprias e auto-excludentes. O Fisco selecionou as consequências que lhe eram mais interessantes, apesar da incompatibilidade entre as premissas: A pessoa jurídica é laranja, mas é contribuinte (pois aqui se tem um elemento aglutinador potencialmente apto a ser "transformado" em justificativa de "interesse comum" (art. 124,1, do CTN). Os procuradores são vendedores de café dissimulados, mas não são contribuintes (e sim responsáveis tributários) é seus ônus fiscais não se limitam ao que movimentaram individualmente (se estendem a todo o débito da pessoa jurídica). O artigo 124, I, do CTN, que nada tem que ver com interposição de pessoas - interposição essa que, por sua vez, também nada tem que ver com responsabilidade tributária - é aplicável para fins de imputar responsabilidade tributária a todos aqueles que praticaram fatos geradores (nesse caso não seriam tais pessoas contribuintes?), fls. 11.471 / l l .472. 26.2 Que, segundo consta do TVF, fl. 10.269, a autuação não se baseou no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas na diferença entre os valores de receitas das vendas contabilizadas no Livro de Apuração do ICMS e as informadas em DIPJ, logo a Fiscalizada não se encaixa na hipótese de empresa criada para não pagar tributos; 26.3 Que o teor dos fatos apurados pela fiscalização implica tributação a pessoa jurídica na qualidade de contribuinte e, no máximo, de seus sócios ou administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Não há cabimento para responsabilização solidária; Para dar agilidade às transações e evitar custos com pessoal e instalações, Porto Velho Comércio Ltda. deferiu ao impugnante, mediante procuração, a assinatura de cheques das contas-correntes evidenciadas neste processo, a fim de que pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas, fl. 11.476. 26.4 Que não há prova de que participou das situações que constituíram o fato gerador dos tributos, nem que tais fatos o beneficiaram. Não participou das operações geradoras dos depósitos em contas correntes, pois simplesmente não atuava nas vendas da Fiscalizada, mas em suas compras, logo não compartilha com este qualquer interesse sobre suas vendas; 26.5 Nulidade. Que o Auto de Infração é nulo porque o fato apontado como seu fundamento é incapaz de sustentar a responsabilização do impugnante; 26.6 Que a jurisprudência do STJ ratifica seu entendimento, conforme Acórdão parcialmente transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. [...] LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...] Fl. 13515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 24 27 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8a ed., 1996, p. 220). (STJ Ia Turma, REsp 859.616/RS, rei. Ministro Luiz Fux, sessão de 18/09/2007, unânime) 26.7 Que sua tese também encontra amparo na jurisprudência administrativa, consoante voto parcialmente reproduzido abaixo: A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que os sócios da empresa participaram de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. Na hipótese de terem agido os sócios, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal — e não solidária — prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída a responsabilidade pessoal aos sócios ter-se-ia possível até a exclusão da pessoa jurídica do pólo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi a hipótese legal tratada nos autos. Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da Fl. 13516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária. (Ac. 108-09.263, voto vencedor da conselheira Karem Jureidini Dias, sessão de 28/03/2007. 26.8 Que não tem qualquer responsabilidade, mas, caso se entenda que tem, deve-se "limitá-la aos créditos referentes às contas correntes de que figurou como procurador e conforme o prazo em que figurou como procurador", fl. 11.492; 26.9 Que parcela substancial do crédito lançado foi extinto por decadência; 26.10 Que a hipótese é de mera omissão de rendimentos tributáveis, não havendo, pois, justificativa para qualificação de multa, nem para aplicação do prazo decadencial do art. 173,1, do CTN; 26.11 Que requer a realização de sustentação oral. IV.14 Renato Jardim Pimentel, CPF 948.039.277-15 27. Renato Jardim Pimentel tomou ciência dos Autos de Infração em 31/05/2010, fl. 10.368, e, em 24/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.548/11.557, alegando, em síntese, o que segue: [...] que, como representante comercial na área de fertilizantes foi contatado, via telefone, pelo Sr. Chtarlles Grillo Pelegrini para que o representasse naquela cidade como intermediário na compra de café para a empresa PORTO VELHO COMERCIO LTDA. junto aos produtores rurais da região, sendo que neste caso ele poderia abrir uma conta bancária em nome da empresa a fim de efetuar os pagamentos pelas aquisições da dita mercadoria. [...] Que [...] chegou a intermediar a compra de 7.500 sacas de café para a empresa Porto Velho sendo que os recursos para estas aquisições eram depositados na conta bancária [...]. Que o único ato que praticava em nome da empresa era o de preencher e assinar os cheques para saque do dinheiro e efetuar os pagamentos aos produtores. Nenhum outro ato praticava em nome da empresa, muito embora constasse do instrumento procuratório poderes amplos e gerais para gerir e administrar a empresa outorgante. [...]. Que ganhava pela intermediação comercial importância que variava de R$ 0,20 a R$ 0,30 por saca de café. Que todas as operações eram acobertadas por nota fiscal de produtor rural e que posteriormente a empresa remetia as notas fiscais de entrada. [...]. Que tendo movimentado apenas cerca de 7.500 sacas de café em um ano não pode responder por infrações cometidas pela empresa por todo o período em que a mesma exerceu suas atividades [...]. [•••] O entendimento do impugnante sempre foi de que estava fazendo a coisa certa, pois tinha uma procuração por instrumento público lavrada em Cartório, que possui fé pública, e movimentava uma conta bancária em uma instituição de crédito idônea. [...]. (fls. 11.549/11.550). Fl. 13517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 25 29 27.1 Ser representante da Fiscalizada, por um ano, assinando cheques para pagamentos de mercadorias adquiridas pelo mesmo, não caracteriza o interesse comum de que trata o art. 124,1, do CTN. O Fisco não descreveu a situação fática que ensejaria a aplicação do aludido artigo. Para aplicação do citado art. é necessária a comprovação cabal de sonegação fiscal; 27.2 Com a interpretação dada ao art. 124 do CTN, o Fisco violou as garantias constitucionais ao devido processo legal, ao contraditório e à tributação conforme a capacidade contributiva; 27.3 Que, na condição de mandatário, poderia ser responsabilizado na forma do art. 135, II, do CTN. Entretanto tal dispositivo também não se aplica ao caso sob análise porque não praticou qualquer ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos; que jamais se vinculou aos fatos geradores ou à Fiscalizada, quer seja como sócio, administrador ou gerente. Que, morando em São José do Calçado, não poderia gerir uma empresa em Vila Velha; 27.5 Que a aplicação do art. 135 do CTN depende de dolo ou culpa, cuja prova é ônus do Fisco; IV. 15 Agnaldo da Silva Batista, CPF 088.760.957-05 28. Agnaldo da Silva Batista tomou ciência dos Autos de Infração em 02/06/2010, fl. 10.367, e, em 30/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.502/11.545, alegando, em síntese, o que segue: 28.1 Que o Fisco baseou a autuação em três hipóteses, que não provadas são incompatíveis entre si, pois não podem ser simultaneamente verdadeiras; 28.1.1 A primeira hipótese é a de que: Porto Velho Comércio Ltda., é pessoa jurídica criada com o auxílio de laranjas e para funcionar por determinado tempo, sem pagar tributos, a fim de, em seguida, ser fechada irregularmente para que seus sócios "de fato" abram outra empresa em local diferente. Consequência: este seria o caso de se constituir contra a pessoa jurídica os créditos tributários sonegados e responsabilizar seus sócios ("de direito" e "de fato") pelo respectivo pagamento, nos termos do art. 135 do CTN, fls. 11.514/11.515, fazendo referência a trecho do TVF transcrito na fl. 11.506/11.507. 28.1.2 Numa segunda hipótese, o Fisco supõe que: Porto Velho Comércio Ltda. é ficção jurídica criada para simular a existência de compra e venda entre pessoas jurídicas, assim dissimulando operação em que na verdade torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo IRPJ no regime do lucro real adquirem café de pessoas físicas (produtores rurais) com vista à geração fraudulenta de crédito de Pis e Cofins não-cumulativo. Consequência: neste caso a legislação tributária determina (artigo 149, VII, do CTN) seja a pessoa jurídica interposta desconsiderada, a fim de que os produtores rurais (verdadeiros auferidores de rendimentos tributáveis) sejam colocados diretamente na posição de contribuintes [...], bem como sejam anulados os créditos de Pis e Cofins não cumulativo porventura registrados na escrita fiscal das torrefadoras/atacadistas de café tributadas no lucro real [...], fl. 11.515/11.516. Fl. 13518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 28.1.3 O Fisco teria ventilado ainda uma terceira hipótese, segundo a qual: Porto Velho Comércio Ltda. é interposta pessoa (testa-de-ferro) criada para dissimular operações de compra e venda de café realizada por aqueles que figuram como seus procuradores. Consequência: igualmente, esta hipótese daria margem à aplicação do art. 149, VII, do CTN, de modo que o crédito tributário [...] seria constituído direta e individualmente contra cada procurador. Se porventura se comprovasse que tais contribuintes visavam a objetivo comum, unificando os benefícios econômicos do empreendimento, para, em seguida, distribuí-lo entre cada procurador, haveria a incidência simultânea do art. 149 e do artigo 124, ambos do CTN, de modo que os procuradores seriam contribuintes (artigo, 149, VII) relativamente ao que movimentaram individualmente em contas correntes abertas em nome da pessoa jurídica e responsáveis solidários (artigo 124, I) para com as movimentação de outros procuradores nas quais mantinham interesse comum, fl. 11.517. 28.1.4 Trata-se de três hipóteses distintas, com consequências próprias e auto-excludentes. O Fisco selecionou as consequências que lhe eram mais interessantes, apesar da incompatibilidade entre as premissas: A pessoa jurídica é laranja, mas é contribuinte (pois aqui se tem um argumento aglutinador potencialmente apto a ser "transformado" em justificativa de "interesse comum" (art, 124,1, do CTN). Os procuradores são vendedores de café dissimulados, mas não são contribuintes (e sim responsáveis tributários) e seus ônus fiscais não se limitam ao que movimentaram individualmente (se estendem a todo o débito da pessoa jurídica). O artigo 124, I, do CTN, que nada tem que ver com interposição de pessoas - interposição essa que, por sua vez, também nada tem que ver com responsabilidade tributária - é aplicável para fins de imputar responsabilidade tributária a todos aqueles que praticaram fatos geradores (nesse caso não seriam tais pessoas contribuintes?), fls. 11.518/11.519. 28.2 Que, segundo consta do TVF, fl. 10.269, a autuação não se baseou no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas na diferença entre os valores de receitas das vendas contabilizadas no Livro de Apuração do ICMS e as informadas em DIPJ, logo a Fiscalizada não se encaixa na hipótese de empresa criada para não pagar tributos; 28.3 Que o teor dos fatos apurados pela fiscalização implica tributação a pessoa jurídica na qualidade de contribuinte e,;no máximo, de seus sócios ou administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Não há cabimento para responsabilização solidária; Para dar agilidade às transações e evitar custos com pessoal e instalações, Porto Velho Comércio Ltda. deferiu ao impugnante, mediante procuração, a assinatura de cheques das contas-correntes evidenciadas neste processo, a fim de que pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas, fl. 11.523. 28.4 Que não há prova de que participou das situações que constituíram o fato gerador dos tributos, nem que tais fatos o beneficiaram. Não participou das operações geradoras dos depósitos em contas correntes, pois simplesmente não atuava nas vendas da Fiscalizada, mas em suas compras, logo não compartilha com este qualquer interesse sobre suas vendas; 28.5 Nulidade. Que o Auto de Infração é nulo porque o fato apontado como seu fundamento é incapaz de sustentar a responsabilização do impugnante; 28.6 Que a jurisprudência do STJ ratifica seu entendimento, conforme Acórdão parcialmente transcrito abaixo: Fl. 13519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 26 31 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. [...] LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...] 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para fato típico jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8a ed., 1996, p. 220). (STJ I a Turma, REsp 859.616/RS, rel. Ministro Luiz Fux, sessão de 18/09/2007. 28.7 Que sua tese também encontra amparo na jurisprudência administrativa, consoante voto parcialmente reproduzido abaixo: A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que os sócios da empresa participaram de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. [...] Na hipótese de terem agido os sócios, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal — e não solidária — prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída a responsabilidade pessoal aos sócios ter-se-ia Fl. 13520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 32 possível até a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi a hipótese legal tratada nos autos. Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária.(Ac. 108- 09.263, voto vencedor da conselheira Karem Jureidini Dias, sessão de 28/03/2007, maioria) 28.8 Que não tem qualquer responsabilidade, mas, caso se entenda que tem, deve-se "limitá-la aos créditos referentes às contas correntes de que figurou como procurador e conforme o prazo em que figurou como procurador", fl. l^rT539; 28.9 Que parcela substancial do crédito lançado foi extinto por decadência; 28.10 Que a hipótese é de mera omissão de rendimentos tributáveis, não havendo, pois, justificativa para qualificação de multa, nem para aplicação do prazo decadencial do art. 173,1, do CTN; 28.11 Que requer a realização de sustentação oral. IV.16 Laércio Francischetto, CPF 752.459.817-34 29. Laércio Francischetto tomou ciência dos Autos de Infração em 05/05/2010, fl. 10.369, e, em 04/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.568/11.602, alegando, em síntese, o que segue: 29.1 Que a multa de 150% é inconstitucional, posto que confiscatória; que o uso da taxa Selic é inconstitucional, posto que não foi criada para fins tributários; que os critérios para fixação da correção monetária e dos juros devem ser estabelecidos por lei específica, ou seja, lei complementar; que o uso da taxa Selic é ilegal, pois (a) representa a aplicação de juros remuneratórios como se fossem moratórios; (b) contraria o art. 161 do CTN, pois é fixada por ato normativo infra-legal do Banco Central; 29.2 Que não cabe a qualificação da multa, pois em momento algum restou provado que tenha agido de má-fé ou com evidente intuito de fraude; que compareceu a todos os chamados do Fisco; que permaneceu em seu domicílio fiscal; que compareceu aos Correios para retirar os documentos pertinentes ao lançamento tributário; que não utilizou interpostas pessoas nem tinha conhecimento de que a Fiscalizada as utilizasse; 29.3 Que a decadência alcançou os períodos de apuração de 2004, pois só foi notificado em 06/05/2010 (art. 150, § 4 o , do CTN); que não se aplica o prazo decadencial do art. 173 do CTN, pois, conforme comprovado pela fiscalização, a Fiscalizada declarou e pagou o tributo devido; que mesmo se considerarmos comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve-se aplicar a regra do art. 173 para excluir a parcela do crédito tributário alcançada pela decadência; 29.4 Que nunca teve qualquer relacionamento com a Fiscalizada, seus sócios ou representantes; que nunca fez uso da procuração que lhe outorgaram, pois nunca movimentou a conta corrente da Fiscalizada, seja no período inicial de sua vigência, até 18/08/2004, seja no período para o qual foi revalidada, de 22/03/2005 a 22/03/2006; que tal Fl. 13521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 27 33 conta foi aberta por seu irmão LUCIO FRANCISCHETTO, única pessoa que efetivamente a movimentou, embora possa ter, na ausência do irmão, assinado alguma cártula contra aquela conta; 29.5 Que, conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada movimentou, em 2004 e 2005, R$ 95.967.533,84 e R$ 111.776.966,90, enquanto na conta de Castelo-ES transitaram R$ 1.668.067,47 e R$3.212.112,01; que sua responsabilidade, caso exista, não abrange a totalidade do crédito lançado, mas apenas a parcela que corresponde aos fatos geradores ocorridos durante a vigência da procuração; que o Fisco poderia ter individualizado as responsabilidades com base nas informações que recebeu por meio do TVF [fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal). 29.6 Que o fato de ser procurador não o torna responsável; que não exerceu os poderes que lhe foram outorgados; que não lhe competia recolher os tributos da Fiscalizada; que o simples fato de ser procurador não comprova que tenha interesse comum; 29.7 Que não tinha interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (art. 124, I, do CTN), pois não tinha dever de diligência ou vigilância sobre a Fiscalizada; que não é responsável legal (art. 124, II, do CTN), pois não era sócio, administrador, gerente ou preposto da Fiscalizada; que a autoridade tributária estatuiu uma hipótese de responsabilidade solidária objetiva, isto é, sem culpa nem dolo; a responsabilização exige, além do nexo causal, a presença de culpa ou dolo, o que não restou provado; 29.8 Que o Fisco, na tributação pelo lucro arbitrado, deixou de considerar os custos da atividade, e que , assim procedendo, utilizou base de cálculo inverídica e praticou a conduta tipificada no art. 316, § I o , do CP; IV.17 Genésio Francischetto, CPF 991.937.607-87 30. Genésio Francischetto tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.370, e, em 04/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.619/11.651, alegando, em síntese, o que segue: 30.1 Que a multa de 150% é inconstitucional, posto que confiscatória; que o uso da taxa Selic é inconstitucional, posto que não foi criada para fins tributários; que os critérios para fixação da correção monetária e dos juros devem ser estabelecidos por lei específica, ou seja, lei complementar; que o uso da taxa Selic é ilegal, pois (a) representa a aplicação de juros remuneratórios como se fossem moratórios; (b) contraria o art. 161 do CTN, pois é fixada por ato normativo infra-legal do Banco Central; 30.2 Que não cabe a qualificação da multa, pois em momento algum restou provado que tenha agido de má-fé ou com evidente intuito de fraude; que compareceu a todos os chamados do Fisco; que permaneceu em seu domicílio fiscal; que compareceu aos Correios para retirar os documentos pertinentes ao lançamento tributário; que não utilizou interpostas Q pessoas nem tinha conhecimento de que a Fiscalizada as utilizasse; 30.3 Que a decadência alcançou os períodos de apuração de 2004, pois só foi notificado em 06/05/2010 (art. 150, § 4°, do CTN); que não se aplica o prazo decadencial do art. 173 do CTN, pois, conforme comprovado pela fiscalização, a Fiscalizada declarou e pagou o tributo devido; que mesmo se considerarmos comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 13522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 34 simulação, deve-se aplicar a regra do art. 173 para excluir a parcela do crédito tributário alcançada pela decadência; 30.4 Que nunca teve qualquer relacionamento com a Fiscalizada, seus sócios ou representantes; que nunca fez uso da procuração que, unilateralmente, lhe outorgaram, pois nunca movimentou a conta corrente da Fiscalizada, seja no período inicial de sua vigência, até 18/08/2004, seja no período para o qual foi revalidada, de 22/03/2005 a 22/03/2006; que tal conta foi aberta por seu irmão LUCIO FRANCISCHETTO, única pessoa que efetivamente a movimentou; que realizou, em 13/07/2005, uma única venda de café á Fiscalizada, por intermédio do seu irmão, tenho recebido um cheque correspondente as sacas de café; que não prestou serviço nem negociou para a Fiscalizada; 30.5 Que, conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada movimentou, em 2004 e 2005, R$ 95.967.533,84 e R$ 111.776.966,90, enquanto na conta de Castelo-ES transitaram R$ 1.668.067,47 e R$3.212.112,01; que sua responsabilidade, caso exista, não abrange a totalidade do crédito lançado, mas apenas a parcela que corresponde aos fatos geradores ocorridos durante a vigência da procuração, na conta corrente de Castelo-ES; que o Fisco poderia ter individualizado as responsabilidades com base nas informações que recebeu por meio de RMF (fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal). 30.6 Que o fato de ser procurador não o torna responsável; que não exerceu os poderes que lhe foram outorgados; que não lhe competia recolher os tributos da Fiscalizada; que o simples fato de ser procurador não comprova que tenha interesse comum; que não contribuiu para a formação dos fatos geradores; 30.7 Que não tinha interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (art. 124, I, do CTN), pois não tinha dever de diligência ou vigilância sobre a Fiscalizada; que não é responsável legal (art. 124, II, do CTN), pois não era sócio, administrador, gerente ou preposto da Fiscalizada; que a autoridade tributária estatuiu uma hipótese de responsabilidade solidária objetiva, isto é, sem culpa nem dolo; a responsabilização exige, além do nexo causal, a presença de culpa ou dolo, o que não restou provado; 30.8 Que o Fisco, na tributação pelo lucro arbitrado, deixou de considerar os custos da atividade, e que , assim procedendo, utilizou base de cálculo inverídica e praticou a conduta tipificada no art. 316, § I o , do CP; IV.18 Júlio Broedel, CPF 117.388.557-91 31. Júlio Broedel tomou ciência dos Autos de Infração em 10/05/2010, fl. 10.371, e, em 28/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.667/11.686 (PIS), 11.709/11.728 (IRPJ), 11.752/11.771 (CSLL) e 11.794/11.817 (Cofins), alegando, em síntese, o que segue: II. Razões de defesa Preliminar de vício material [...] Com efeito, o Auto de Infração é a concretização e a individualização de uma norma que no texto legal aparece em sua forma geral (prevendo apenas a hipótese de ocorrência de um determinado fato) e abstrata (obrigando a todos), isto é doutrina já devidamente sedimentada. Ao ser lavrado, portanto, o Auto de Infração aplica a norma a um caso concreto, esta é a essência deste ato administrativo. Portanto, para que individualize a Fl. 13523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 28 35 conduta, aplicando sobre ela a lei que assim a define, será essencial que o agente competente descreva em todas as suas minúcias o fato ocorrido. Deve, pois, indicar à parte envolvida exatamente qual a conduta que se está alcançando. [...] Dessa forma, salvo melhor juízo, observa-se que o Auto de Infração não possui essa formalidade essencial, pois ao descrever nos anexos, genericamente a suposta infração praticada, impediu o Impugnante de exercer sua defesa de forma ampla. (fl. 11.673). [...] Cabe ainda destacar que os relatórios e levantamentos anexos ao Auto de Infração são uma afronta aos princípios formais de preenchimento do Auto, que adota a prática rechaçada e repugnada a luz dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, ao anexar ao Auto de Infração, relatórios demonstrativos e explicativos, sem, contudo observar as formalidades legais para constituição do Auto de Infração que decorrem de Lei. Dessa feita, observa-se que o presente Auto de Infração possui vício formal de constituição razão pela qual deverá ser anulado, (fl. 11.675). III. Mérito Da não sujeição passiva solidária do Impugnante [...] No entanto, dúvida não há de que a simples outorga de procuração não pode, por si só, responsabilizar o outorgado por atos do outorgante. Faz-se necessária a comprovação de atos praticados pelo outorgado, no caso o impugnante, que caracterizem ilícito a sujeitar-lhe a solidariedade na autuação. [...] Ademais, insta frisar, que o fato do Impugnante ter atuado como procurador, realizando atos solados e esporádicos, não o qualifica como sócio gerente os administrador da empresa fiscalizada [...]. (fls. 11.677 e 11.679). [•••] Da multa qualificada (penalidade em dobro) . aplicada pela autoridade fiscal [...] : Ocorre que, tratando-se de simples omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa, faz-se necessário comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de ofício. [•••] [...] o ilmo. AFRFB no conhecido Termo de Verificação Fiscal não fundamentou a aplicação da multa, sequer provou a existência de conduta fraudulenta [...]. Fl. 13524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 36 [...] Assim, o Impugnante pugna pela correção do Auto de Infração, anulando o lançamento para que seja aplicado novo percentual de multa" (fls. 11.683/11.685). 31.1 Protesta pela realização de diligência: para que o AFRFB relacione de forma conclusiva quais os atos praticados pelo Impugnante Sr. Julio Broedel no uso da procuração outorgada a este pela empresa Porto Velho Comércio Ltda., que o levaram à condição de responsável solidário da obrigação tributária, (fl. 11.677). 31.2 Nas Impugnações aos lançamentos de IRPJ, CSLL e Cofíns, faz os mesmos pedidos, alegando as mesmas causas de pedir. IV.19 Climério Junqueira, CPF 244.216.187-72 32. Climério Junqueira tomou ciência dos Autos de Infração em 15/05/2010, fl. 10.372, e, em 14/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.839/11.864(PIS), 11.866/11.89 l(Cofins), 11.893/11.918(CSLL) e 11.920/11.945(IRPJ), alegando, em síntese, o que segue: Consta do Termo de Verificação Fiscal [...] que: [...] Tais fatos comprovam sua participação [participação de Climério] nos negócios comerciais da fiscalizada, ficando caracterizada sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124,1, da Lei n. 5,172, de 1966 (Código Tributário Nacional) devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. [...] [...] [Entretanto] nem todos os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal são responsáveis solidários (mesmo diante do disposto no art. 135, II, do Código Tributário Nacional). Somente a título de exemplo, sabe-se que, para toda empresa contribuinte que tenha por objeto social a venda de bens e/ou serviços, não só os sócios, mas também todos os empregados têm "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" de variados tributos, dentre os quais a contribuição para o PIS e a COFINS [...]. Também os familiares que dependem financeiramente de tais sócios ou de tais empregados têm interesse comum na [dita] situação [...]. Nem por isso admitir-se-á como responsáveis solidários todos os empregados e, muito menos, seus familiares. Igualmente, nem todos os mandatários serão, indistintamente, responsáveis pelo crédito tributário do contribuinte mandante [...]. A título de exemplo, não se admite como responsável solidário o advogado contratado pela empresa para defender seus interesses, não obstante o fato inequívoco de que o advogado é um mandatário, (fls. 11.840/11.843). 32.1 Só se pode atribuir responsabilidade tributária a terceiro, seja, 124, I, seja pelo art. 135, II, ambos do CTN, se este terceiro exercer o poder de gestão. Por outro lado, os arts. 138 e 144 da Lei n° 6.404/1976: [...] dão conta que a gestão de uma sociedade se caracteriza pela prática dos atos necessários ao funcionamento regular da sociedade, o que não se pode presumir quanto aa Fiscalizada. [Os citados preceitos] devem ser observados por expressa disposição dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional, (fl. 11.845). Fl. 13525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 29 37 32.2 Um outro motivo para não responsabilizar o impugnante: [...] é o próprio teor do § 5 o do art. 42 da Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). [...] se provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos omitidos ou receita deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou investimento, devendo, portanto, ser diretamente autuado o próprio terceiro e não a pessoa interposta. Ora, se presumiu (de forma flagrantemente equivocada) que os valores creditados na conta corrente supostamente movimentada pelo ora impugnante pertenciam a este, este não poderia ter sido atingido na condição de co-responsável, pois deveria ter sido o próprio autuado pelos crédito realizados naquela conta corrente específica. Contudo, se assim não agiu o Ilustre Auditor-Fiscal [...] é porque entendeu que ao ora impugnante não pertencem os valores creditados em tal conta corrente, razão pela qual não o autuou e, por consequência, não poderia ter-lhe infligido a condição de co-responsável, (fls. 11.846/11.847). 32.3 Subsidiariamente, caso prevaleça o entendimento de que o impugnante é de fato sujeito passivo, sua responsabilidade deve ser limitada aos atos que forem imputados, sob pena de serem violados os princípios constitucionais de individualização da pena, isonomia e proporcionalidade, bem como da regra contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Ora, é possível que uma pessoa, de forma unilateral, outorgue poderes a terceiros, denominados procuradores, sem a anuência destes, o que não poderá trazer qualquer responsabilidade a estes procuradores, se estes não vierem a atuar nessa qualidade. Aliás, sabe- se que, regra geral, as procurações outorgadas por instrumento público são lavradas na ausência do procurador constituído, apenas comparecendo o mandante (outorgante) ao cartório por seu representante legal para outorgar poderes para quem quiser. Logo, o procurador não pode ser responsável pelos atos do outorgante simplesmente por ter sido seu procurador, pois, caso contrário, pessoas poderiam vir a ser responsabilizadas simplesmente por lhes terem sido outorgados poderes, sem ao menos exercê-los e, até mesmo, sem ter ciência dessa condição de procuradores. [...] De todo o exposto, conclui-se que os procuradores somente podem ser responsabilizados pelos atos que efetivamente praticam, ainda que tenham recebido mais poderes do que praticaram. Fl. 13526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 38 [...] Entretanto, conforme Termo de Verificação Fiscal, o impugnante foi indicado como responsável solidário pela totalidade do crédito lançado, decorrente da movimentação de recursos de diversas contas correntes, embora tenha sido acusado de movimentar unicamente a conta corrente n° 9.478.165, mantida junto ao BANESTES S/A. (fls. 11.849/11.852). 32.3.1 Sobre a violação de princípios constitucionais, acrescenta: [E] evidente a afronta [ao princípio dá] individualização da pena [art. 5o , XLVI, da CRFB], à medida em que a autuação objeto da presente defesa responsabiliza o impugnante pela movimentação de todas as contas [...]. [...] O princípio da isonomia, previsto em diversas partes da Constituição Federal, inclusive no seu preâmbulo e no caput do art. 5o , consagra o mandamento do tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais na proporção de suas desigualdades. Consequentemente, também por força do princípio da isonomia, as pessoas arroladas como solidariamente responsáveis pelo crédito lançado não podem ser tratadas todas de uma só forma, como se cada um dos responsáveis solidários tivesse movimentado todas as contas correntes, quando o ora impugnante, por exemplo, foi acusado de movimentar apenas uma conta corrente. Seria tratar os desiguais de forma igual, em violação ao princípio da isonomia [...]. Por derradeiro, o princípio da proporcionalidade deve ser observado, em âmbito tributário, tanto para a exigência de tributos, quanto na aplicação de sanções. [...] Pois bem. Se o impugnante está sendo acusado de movimentar uma única conta corrente, não é justa a exigência de tributo e aplicação de penalidade em razão da movimentação de recursos de várias contas correntes, de forma que a responsabilização solidária do mesmo por todo o crédito lança^le--se~Tra3uz em excesso, a violar o princípio da proporcionalidade, (fls. 11.856711.85 8). 32.3.2 A base para responsabilização solidária foi o art. 124, I, do CTN, entretanto: [...] o impugnante não tem qualquer relação na constituição do fato gerador de créditos decorrentes dos recursos de outras contas correntes, que, segundo o próprio fisco, teriam sido abertas e movimentadas por terceiros. Pois bem, a ausência de interesse na constituição do fato gerador do crédito decorrente de recursos de outras contas impede que o peticionário seja indicado como responsável solidário de tal crédito, (fls. 11.860/11.861). 32.3.3 O art. 42, §§ 5 o e 6o , da Lei n° 9.430/1996 também embasariam a limitação da responsabilidade do impugnante. Os dispositivos invocados têm a seguinte redação: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 13527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 30 39 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a t terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) 32.3.4 Assim, segundo o impugnante, o § 6 o limitaria a responsabilização de cada titular à sua participação na conta, logo: [...] como muito maior razão, se várias são as contas correntes [...] cada procurador não pode vir a ser responsabilizado pela totalidade do crédito, mas apenas nos limites de sua participação, isto é, pelo crédito decorrente da conta que supostamente movimentou, (fl. 11.863). 32.3.5 Além disso, com base no § 5 o acima transcrito, afirma que: [...] se o fisco está a considerar o requerente como titular de uma das contas, por entender que o mesmo teria movimentado uma das contas, não poderá responsabilizá-lo por outros créditos senão aqueles decorrentes dessa única conta que supostamente teria movimentado, (fl. 11.863). 32.4 Nas Impugnações aos lançamentos de IRPJ, CSLJ, PIS e Cofins, faz os mesmos pedidos, alegando as mesmas causas de pedir. IV.20 Jefferson Luiz Sangali, CPF 079.59Í327-46 33. Jefferson Luiz Sangali tomou ciência dos Autos de Infração em 06/05/2010, fl. 10.373, e, em 07/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.947/11.951, alegando, em síntese, o que segue: 33.1 Que sua CTPS foi assinada em 01/08/2004 por João Carlos Casagrande na cidade de Sooretama-ES, mas que, de fato, trabalhava na cidade de Jaguaré, em escritório cuja atividade era a compra e venda de café; que o escritório pertencia a Germano Polez, de quem recebia ordens; 33.2 Que Germano Polez lhe propôs, em junho de 2004, a abertura da conta bancária n° 5215-9, agência 3006-9 (Jaguaré-ES) da Cooperativa de Crédito Norte Litorânea do ES, em nome da Fiscalizada; que atuava como procurador da Fiscalizada, realizando pagamentos a produtores rurais de café, segundo valores calculados por Germano Polez; 33.3 Que agiu de boa-fé; que desconhecia o fato de a Fiscalizada não estar pagando, ou estar omitindo, seus impostos; que não sabe informar onde era realizada a contabilidade do escritório de café de Jaguaré; Fl. 13528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 40 33.4 Que não considera legal, mesmo que de forma solidária, pagar um débito que não é seu; 33.5 Que a procuração recebida tinha validade de um ano, não podendo ser responsabilizado por débito que extrapole este lapso temporal; 33.6 Que a multa de 150% é ilegítima, pois a lei 9.298/96 estabelece o percentual máximo de 2% em casos de não cumprimento de obrigação; que esta multa prevalece sobre a primeira, pois, no caso de concurso de leis, deve-se aplicar a mais benéfica ao contribuinte; que, ademais, o STF tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não pode exceder a 30% do valor do tributo devido (transcreve trecho do voto do Ministro Xavier Albuquerque a respeito da questão, fl. 11.950); que, além de tudo isso, não há o mínimo indício que o ligue às hipóteses de fraude, dolo ou simulação; 33.7 Que requer sua exclusão do pólo passivo. IV.21 Silvério José Vassuler, CPF 003.284.387-90 34. Silvério José Vassuler tomou ciência dos Autos de Infração em 14/05/2010, fl. 10.374, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 11.968/12.015, alegando, em síntese, o que segue: 34.1 Que o Fisco baseou a autuação em três hipóteses, que, além de não provadas, são incompatíveis entre si, pois não podem ser simultaneamente verdadeiras; 34.1.1 A primeira hipótese é a de que: Porto Velho Comércio Ltda., é pessoa jurídica criada com o auxílio de laranjas e para funcionar por determinado tempo, sem pagar tributos, a fim de em seguida, ser fechada irregularmente para que seus sócios "de fato' abram outra empresa em local diferente. Consequência: este seria o caso de se constituir contra a pessoa jurídica os créditos tributários sonegados e responsabilizar seus sócios ("de direito" e "de fato") pelo respectivo pagamento, nos termos do art. 135 do CTN, fls. 11.981/11.982, fazendo referência a trecho do TVF transcrito na fl. 11.972/11.973. 34.1.2 Numa segunda hipótese, o Fisco supõe que: Porto Velho Comércio Ltda. é ficção jurídica criada para simular a existência de compra e venda entre pessoas jurídicas, assim dissimulando operação em que na verdade torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo IRPJ no regime do lucro real adquirem café de pessoas físicas (produtores rurais) com vista à geração fraudulenta de crédito de Pis e Cofíns não-cumulativo. Consequência: neste caso a legislação tributária determina (artigo 149, VII, do CTN) seja a pessoa jurídica interposta desconsiderada, a fim de que os produtores rurais (verdadeiros auferidores de rendimentos tributáveis) sejam colocados diretamente na posição de contribuintes [...], bem como sejam anulados os créditos de Pis e Cofins não -cumulativo porventura registrados na escrita fiscal das torrefadoras/atacadistas de café tributadas no lucro real [...], fl. 11.983/11.984. 34.1.3 O Fisco teria ventilado ainda uma terceira hipótese, segundo a qual: Porto Velho Comércio Ltda. é interposta pessoa (testa-de-ferro) criada para dissimular operações de compra-e-venda de café realizada por aqueles que figuram como seus procuradores. Fl. 13529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 31 41 Consequência: igualmente, esta hipótese daria margem à aplicação do art. 149, VII, do CTN, de modo que o crédito tributário [...] seria constituído direta e individualmente contra cada procurador. Se porventura se comprovasse que tais contribuintes visavam a objetivo comum, unificando os benefícios econômicos do empreendimento, para, em seguida, distribuí-lo entre cada procurador, haveria a incidência simultânea do art. 149 e do artigo 124, ambos do CTN, de modo que os procuradores seriam contribuintes (artigo, 149, VII) relativamente ao que movimentaram individualmente em contas correntes abertas em nome da pessoa jurídica e responsáveis solidários (artigo 124, I) para com as movimentação de outros procuradores nas quais mantinham interesse comum, fl. 11.984. 34.1.4 Trata-se de três hipóteses distintas, com consequências próprias e auto-excludentes. O Fisco selecionou as consequências que lhe eram mais interessantes, apesar da incompatibilidade entre as premissas: A pessoa jurídica é laranja, mas é contribuinte (pois aqui se tem um elemento aglutinador potencialmente apto a ser "transformado" em justificativa de "interesse comum" (art, 124,1, do CTN). Os procuradores são vendedores de café dissimulados, mas não são contribuintes (e sim responsáveis tributários) e seus ônus fiscais não se limitam ao que movimentaram individualmente (se estendem a todo o débito da pessoa jurídica). O artigo 124, I, do CTN, que nada tem que ver com interposição de pessoas - interposição essa que, por sua vez, também nada tem que ver com responsabilidade tributária - é aplicável para fins de imputar responsabilidade tributária a todos aqueles que praticaram fatos geradores (nesse caso não seriam tais pessoas contribuintes?), fls. 11.985/11.986. 34.2 Que, segundo consta do TVF, fl. 10.269, a autuação não se baseou no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas na diferença entre os valores de receitas das vendas contabilizadas no Livro de Apuração do ICMS e as informadas em DIPJ, logo a Fiscalizada não se encaixa na hipótese de empresa criada para não pagar tributos; 34.3 Que o teor dos fatos apurados pela fiscalização implica tributação a pessoa jurídica na qualidade de contribuinte e, no máximo, de seus sócios ou administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Não há cabimento para responsabilização solidária; Para dar agilidade às transações e evitar custos com pessoal e instalações, Porto Velho Comércio Ltda. deferiu ao impugnante, mediante procuração, a assinatura de cheques das contas-correntes evidenciadas neste processo, a fim de que pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas, fl. 11.990. 34.4 Que não há prova de que participou das situações que constituíram o fato gerador dos tributos, nem que tais fatos o beneficiaram. Não participou das operações geradoras dos depósitos em contas correntes, pois simplesmente não atuava nas vendas da Fiscalizada, mas em suas compras, logo não compartilha com este qualquer interesse sobre suas vendas; 34.5 Nulidade. Que o Auto de Infração é nulo porque o fato apontado como seu fundamento é incapaz de sustentar a responsabilização do impugnante; 34.6 Que a jurisprudência do STJ ratifica seu entendimento, conforme Acórdão parcialmente transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. [...] LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 13530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 42 [...] 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8a ed., 1996, p. 220). (STJ Ia Turma, REsp 859.616/RS, rei. Ministro Luiz). 34.7 Que sua tese também encontra amparo na jurisprudência administrativa, consoante voto parcialmente reproduzido abaixo: A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que os sócios da empresa participaram de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. [...] Na hipótese de terem agido os sócios, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal — e não solidária — prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída a responsabilidade pessoal aos sócios ter-se-ia possível até a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi a hipótese legal tratada nos autos. Fl. 13531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 32 43 Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária. (Ac. 108-09.263, voto vencedor da conselheira Karem Jureidini Dias, sessão de 28/03/2007, maioria) 34.8 Que não tem qualquer responsabilidade, mas, caso se entenda que tem, deve-se "limitá-la aos créditos referentes às contas correntes de que figurou como procurador e conforme o prazo em que figurou como procurador", fl. 12.009; 34.9 Que parcela substancial do crédito lançado foi extinto por decadência; 34.10 Que a hipótese é de mera omissão de rendimentos tributáveis, não havendo, pois, justificativa para qualificação de multa, nem para aplicação do prazo decadencial do art. 173,1, do CTN; 34.11 Que requer a realização de sustentação oral. IV.22 Paulo César Brito Veiga, CPF 633.607.486-20 35. Paulo César Brito Veiga tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.375, e, em 26/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.019/12.020, alegando, em síntese, o que segue: 35.1 Que Renato o procurou dizendo-se proprietário da Fiscalizada; que Renato disse tratar-se apenas de fazer pagamento a produtores de café e que estava resolvendo isso junto ao banco; que nunca chegou a ver a procuração e que este documento não se encontrava nos arquivos do banco; que, durante o seu depoimento, foi informado pelo Auditor que o banco havia lhe mandado todos os documentos, exceto a procuração (fl. 12.027); que, à época, fazia "bico" agenciando a venda de café dos produtores para a Fiscalizada, ganhando comissão de R$ 0,20 por saca; 35.2 Que, por não acreditar que a procuração o torne sujeito passivo, pede a anulação do Auto de Infração; IV.23 Márcio Alexandre Sarnaglia, CPF 008.228.857-78 36. Márcio Alexandre Sarnaglia tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.376, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.029/12.074, alegando, em síntese, o que segue: 36.1 Que o Fisco baseou a autuação em três hipóteses, que, além de não provadas, são incompatíveis entre si, pois não podem ser simultaneamente verdadeiras; 36.1.1 A primeira hipótese é a de que: Porto Velho Comércio Ltda., é pessoa jurídica criada com o auxílio de laranjas e para funcionar por determinado tempo, sem pagar tributos, a fim de, em seguida, ser fechada irregularmente para que seus sócios "de fato" abram outra empresa em local diferente. Fl. 13532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 44 Consequência: este seria o caso de se constituir contra a pessoa jurídica os créditos tributários sonegados e responsabilizar seus sócios ("de direito" e "de fato") pelo respectivo pagamento, nos termos do art. 135 do CTN, (fls. 12.042/12.043, fazendo referência a trecho do TVF transcrito na fl. 12.033/12.034). 36.1.2 Numa segunda hipótese, o Fisco supõe que: Porto Velho Comércio Ltda. é ficção jurídica criada para simular a existência de compra-e-venda entre pessoas jurídicas, assim dissimulando operação em que na verdade torrefadoras/atacadistas de café tributadas pelo IRPJ no regime do lucro real adquirem café de pessoas físicas (produtores rurais) com vista à geração fraudulenta de crédito de Pis e Cofins não-cumulativo. Consequência: neste caso a legislação tributária determina (artigo 149, VII, do CTN) seja a pessoa jurídica interposta desconsiderada, a fim de que os produtores rurais (verdadeiros auferidores de rendimentos tributáveis) sejam colocados diretamente na posição de contribuintes [...], bem como sejam anulados os créditos de Pis e Cofins não -cumulativo porventura registrados na escrita fiscal das torrefadoras/atacadistas de café tributadas no lucro real [...], fl. 12.043/12.044. 36.1.3 O Fisco teria ventilado ainda uma terceira hipótese, segundo a qual: Porto Velho Comércio Ltda. é interposta pessoa (testa-de-ferro) criada para dissimular operações de compra-e-venda de café realizada por aqueles que figuram como seus procuradores. Consequência: igualmente, esta hipótese daria margem à aplicação do art. 149, VII, do CTN, de modo que o crédito tributário [...] seria constituído direta e individualmente contra cada procurador. Se porventura se comprovasse que tais contribuintes visavam a objetivo comum, unificando os benefícios econômicos do empreendimento, para, em seguida, distribuí-lo entre cada procurador, haveria a incidência simultânea do art. 149 e do artigo 124, ambos do CTN, de modo que os procuradores seriam contribuintes (artigo, 149, VII) relativamente ao que movimentaram individualmente em contas correntes abertas em nome da pessoa jurídica e responsáveis solidários (artigo 124, I) para com as movimentação de outros procuradores nas quais mantinham interesse comum, fl. 12.045. 36.1.4 Trata-se de três hipóteses distintas, com consequências próprias e auto excludentes. O Fisco selecionou as consequências que lhe eram mais interessantes, apesar da incompatibilidade entre as premissas. A pessoa jurídica é laranja, mas é contribuinte (pois aqui se tem um elemento aglutinador potencialmente apto a ser "transformado" em justificativa de "interesse comum" (art, 124,1, do CTN). Os procuradores são vendedores de café dissimulados, mas não são contribuintes (e sim responsáveis tributários) e seus ônus fiscais não se limitam ao que movimentaram individualmente (se estendem a todo o débito da pessoa jurídica). O artigo 124, I, do CTN, que nada tem que ver com interposição de pessoas -interposição essa que, por sua vez, também nada tem que ver com responsabilidade tributária - é aplicável para fins de imputar responsabilidade tributária a todos aqueles que praticaram fatos geradores (nesse caso não seriam tais pessoas contribuintes?), fls. 12.046/12.047. 36.2 Que, segundo consta do TVF, fl. 10.269, a autuação não se baseou no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas na diferença entre os valores de receitas das vendas contabilizadas no Livro de Apuração do ICMS e as informadas em DIPJ, logo a Fiscalizada não se encaixa na hipótese de empresa criada para não pagar tributos; Fl. 13533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 33 45 36.3 Que o teor dos fatos apurados pela fiscalização implica tributação a pessoa jurídica na qualidade de contribuinte e, no máximo, de seus sócios ou administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Não há cabimento para responsabilização solidária; Para dar agilidade às transações e evitar custos com pessoal e instalações, Porto Velho Comércio Ltda. deferiu ao impugnante, mediante procuração, a assinatura de cheques das contas-correntes evidenciadas neste processo, a fim de que pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas, fl. 12.051. 36.4 Que não há prova de que participou das situações que constituíram o fato gerador dos tributos, nem que tais fatos o beneficiaram. Não participou das operações geradoras dos depósitos em contas correntes, pois simplesmente não atuava nas vendas da Fiscalizada, mas em suas compras, logo não compartilha com este qualquer interesse sobre suas vendas; 36.5 Nulidade. Que o Auto de Infração é nulo porque o fato apontado como seu fundamento é incapaz de sustentar a responsabilização do impugnante; 36.6 Que a jurisprudência do STJ ratifica seu entendimento, conforme Acórdão parcialmente transcrito abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. [...] LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...] 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8a ed., 1996, p. 220). (STJ Ia Turma, REsp 859.616/RS, rei. Ministro Luiz Fux, sessão de 18/09/2007, unânime) 36.7 Que sua tese também encontra amparo na jurisprudência administrativa, consoante voto parcialmente reproduzido abaixo: A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Fl. 13534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 46 Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que os sócios da empresa participaram de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. Na hipótese de terem agido os sócios, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal — e não solidária — prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída a responsabilidade pessoal aos sócios ter-se-ia possível até a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi a hipótese legal tratada nos autos. Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária. (1°CC, 8a Câmara, Ac. 108-09.263, voto vencedor da conselheira Karem Jureidini Dias, sessão de 28/03/2007, maioria) 36.8 Que não tem qualquer responsabilidade, mas, caso se entenda que tem, deve-se limitá-la aos fatos geradores associados a conta de que foi procurador, durante o período em que houve movimentação (03/2004 a 04/2005, fls. 7.260 e 7.255), pois, sem movimento bancário, não pode haver interesse comum; 36.9 Que parcela substancial do crédito lançado foi extinto por decadência; 36.10 Que a hipótese é de mera omissão de rendimentos tributáveis, não havendo, pois, justificativa para qualificação de multa, nem para aplicação do prazo decadencial do art. 173,1, do CTN; 36.11 Que requer a realização de sustentação oral. IV.24 Narciso Agrizzi, CPF 215.572.847-88 37. Narciso Agrizzi tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.377, e, em 08/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.078/12.090, sem alegar preliminar de tempestividade. IV.25 Jorge Antonio de Matos, CPF 402.500.167-53 38. Jorge Antonio de Matos tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.378, e, em 04/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.151/12.165(CSLL), 12.181/12.195(Cofins), 12.212/12.226 (PIS) e 12.241/12.255(IRPJ), alegando, em síntese, o que segue: Fl. 13535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 34 47 A partir da documentação recebida pelas instituições bancárias, constatou-se a existência da Conta Bancária n° 10.171.759, aberta pela fiscalizada no Banco BANESTES S/A em agosto de 2004. Segundo afirma o Autuante, o Procurador constituído pela fiscalizada, ENIR GOMES DE ALMEIDA, era quem assinava a documentação relativa à conta bancária em comento. A partir da constatação que o procurador Enir Gomes de Almeida é empregado do impugnante desde 1998, trabalhando como motorista em sua propriedade rural, o ilustre Autuante desenvolveu uma linha investigativa cognitiva tendente a imputar ao impugnante a titularidade dos recursos movimentados naquela conta bancária e consequentemente a responsabilidade pelo ilícito tributário alvo da investigação. [...] Com efeito, as provas coligidas durante a investigação não autorizam a conclusão adotada pelo ilustre Auditor-Fiscal, como se demonstrará adiante, (fl. 12.153). 38.1 Destaca, do depoimento do procurador Enir Gomes de Almeida (fls. 8.411/8.414), os seguintes trechos: - que foi o Senhor Chtarlles Grillo Pelegrini que lhe propôs a abertura da conta bancária n° 10.171.759, agência 0123-6 (Iúna-ES), no BANESTES S/A, em junho de 2004, em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda, tendo o declarante como procurador; - que o declarante somente assinava os cheques em branco e entregava-os ao senhor Chtarlles Grillo Pelegrini; - que, na verdade, quem controlava os recursos da conta bancária n° 10.171.75, era o senhor Chtarlles Grillo Pelegrini; - que, indagado, disse que recebia uma comissão mensal de R$ 200,00 para assinar os cheques da conta bancária n° 10.171.759 em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda, tendo o declarante como procurador; - que o senhor Jorge Antonio de Matos não tinha conhecimento da existência da conta bancária n° 10.171.759 mantida no BANESTES S/A em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda tendo o declarante como procurador. 38.2 O impugnante segue argumentando que: Assim, pelas considerações que embasaram a convicção da Auditoria [fls. 10.295/10.296], percebe-se que o único elemento utilizado foi o vínculo empregatício mantido entre o impugnante e o procurador Enir Gomes de Almeida. Todavia, como mencionado, a existência desse vínculo, por si só, é manifestamente insuficiente para demonstrar qualquer responsabilidade do impugnante no ilícito tributário, (fl. 12.156). [...] [...] Como efeito, a premissa de que o procurador é pessoa de parcos recursos e empregado do impugnante não pode, em nenhuma hipótese, conduzir à conclusão de que os Fl. 13536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 48 recursos que geraram o Auto de Infração pertencem ao Sr. Jorge Antonio de Matos. (fl. 12.157). 38.3 Os depoentes Diogo Henrique Gomes Silveira e Edimárcio Lima Moreira são funcionários de pessoa jurídica Gomes de Matos Mercantil de Café Ltda., que tem o impugnante em seu quadro societário. Tal empresa se dedica à corretagem na compra e venda de café, intermediando as transações comerciais entre produtores rurais e compradores, (fl. 12.152). 38.4 Tanto Diogo quanto Edimárcio afirmaram em seus depoimentos: que os cheques emitidos em seu nome pela Porto Velho Comércio Ltda. [...], tendo o senhor Enir Gomes de Almeida como procurador, destinavam-se a pagamento de café junto aos produtores rurais que se utilizavam dos serviços de corretagem da Gomes de Matos. Tais cheques eram sacados pelo declarante no Caixa BANESTES S/A e entregue em dinheiro ao produtor. Tal operação era feita gratuitamente pelo declarante; e - que não sabe informar a origem dos recursos depositados na conta bancária n° 10.171.759, Agência Iúna/ES, aberta em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda [...]; (depoimentos às fls. 8.454 e 8.466). 38.5 Quanto à atividade da Gomes de Matos Mercantil de Café Ltda., o impugnante esclarece que: [a sociedade] promove a intermediação entre produtor rurais e as empresas compradoras de café. O pagamento, por certo, é efetuado pela empresa compradora, que o repassa diretamente ao produtor ou, às vezes, incumbe a corretora de fazê-lo. Que fique claro: os recursos destinados ao pagamento pertencem à empresa compradora [...]. 38.6 Comenta sobre os depoimentos de Diogo e Edimárcio: Pois bem. No presente caso, os depoentes Diogo Henriques Gomes Silveira e Edimárcio Lima Moreira esclareceram de forma bastante incisiva que, sendo funcionários de uma empresa corretora de café, prestavam cortesia aos clientes produtores rurais descontando os cheques que lhes eram repassados pela compradora de sua produção cafeeira. 38.7 Dos depoimentos dos funcionários da Gomes de Matos Mercantil de Café Ltda., também não se conclui que Jorge Antonio de Matos seja o dono dos recursos movimentados pela empresa fiscalizada. Dessa forma, outra solução não há senão a desconstituição do Auto de Infração lançado contra o impugnante. 38.8 Que no período de maio a novembro de 2004 esteve "afastado de suas funções", conforme laudo médico da fl. 12.178, logo não pode ter movimentado, naquele período, qualquer recurso na conta bancária de que Enir Gomes de Almeida era procurador. 38.9 Quanto à responsabilidade solidária, afirma que: Deve ser provada pelo Fisco e se não foi provada, pela inexistência de documentos neste sentido, deve a autuação ser extinta por ilegitimidade passiva do autuado, (fl. 12.163). 38.10 Parte do crédito lançado foi atingido pela decadência, pois: Considerando que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Código Tributário Nacional, art. 173, I), ou seja, contado do primeiro dia seguinte ao último dia útil do mês subsequente ao encerramento do período de apuração (art. I o e 5 o da Lei 9.430/96); e Considerando que o auto de infração ora impugnado foi lavrado em 19/04/2010; Conclui-se que os supostos crédito tributários decorrentes de fatos geradores considerados ocorridos até o mês de março de 2005, inclusive, estão atingidos pela decadência Fl. 13537DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 35 49 e a autuação deveria abranger apenas os créditos tributários decorrentes de supostos fatos geradores ocorridos no 1 o . TRIMESTRE DE 2005, (fls. 12.164/12.165). 38.11 Nas Impugnações aos lançamentos de Cofins, PIS e IRPJ, faz os mesmos pedidos, alegando as mesmas causas de pedir. IV.26 José Geraldo Campana Júnior, CPF 019.780.827-11 39. José Geraldo Campana Júnior tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.379, mas não impugnou o lançamento. IV.27 Geraldo Camper, CPF 875.958.427-00 40. Geraldo Camper tomou ciência dos Autos de Infração em 02/07/2010, fl. 12.275, mas não impugnou o lançamento. IV.28 Alexandra Carari, CPF 076.808.197-18 41. Alexandra Carari tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.380, mas não impugnou o lançamento. IV.29 Sérgio Brambilla, CPF 489.163.077-91 42. Sérgio Brambilla tomou ciência dos Autos de Infração em 04/05/2010, fl. 10.383, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.295/12.319, alegando, em síntese, o que segue: 42.1 Da falta de intimação para comprovar a origem dos recursos: Dessa forma, a falta da intimação regular do Impugnante para comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados em conta a ele atribuída, torna nulo e ilegal a sua inclusão como sujeito passivo solidário da obrigação tributária constituída, devendo ser excluído do referido lançamento, (fl. 12.300). 42.2 Da extinção do crédito por decadência: No caso em questão, tratam-se de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, onde o prazo decadencial começa a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, o Fisco não poderia, em maio de 2010, efetuar o lançamento de tributos com fatos geradores anteriores a abril de 2005. (fl. 12.301). 42.3 Da nulidade do Auto de Infração por erro na identificação do sujeito passivo. Pela leitura do termo de verificação fiscal, observa-se que o fiscal presumiu que os valores movimentados nas contas correntes fiscalizadas pertenciam a terceiros, o que, em tese, evidencia interposição de pessoas. Portanto, como determina o § 5o do art. 42, da Lei 9.430/96, a determinação dos rendimentos ou receitas deveria ter sido efetuada em nome dos terceiros na condição de efetivos titulares da conta. [...] [...] o fiscal ao presumir a titularidade das contas deveria ter lavrado um auto de infração para cada titular, sendo a aludida autuação totalmente nula. (fls. 12.302/12.303). Fl. 13538DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 50 42.4 Da competência para imputar responsabilidade solidária a terceiros: [...] não existe previsão legal que autorize o auditor fiscal a imputar responsabilidade solidária a terceiro por débito de outrem. 42.4.1 Cita jurisprudência do CARF que endossaria sua tese (Acórdão 101- 96.770, DOU de 11/08/2008): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO - COMPETÊNCIA DA PFN. Por ser matéria de execução, falece aos Conselhos de Contribuinte competência para se manifestar acerca da responsabilização solidária de terceiros, competência esta da Procuradoria da Fazenda Nacional, (fl. 12.303). 42.5 Sobre o mérito, alega que a fiscalização: considerou de uma forma genérica e global que todos os valores se tratavam de compra e venda de café, quando deveria se aprofundar na origem individualizada dos recursos creditados/depositados nas contas; deveria levar em consideração as transferências entre contas, estornos, ect., na apuração do montante total dos crédito considerados omitidos; [deveria] ter regularmente intimado o Impugnante para manifestar-se sobre os valores depositados e os livros apresentados; (fl. 12.305). [...] Outro ponto que, por si só, já desqualifica a presunção e demonstra o erro na metodologia utilizada pela fiscalização é o fato de que na apuração mensal os valores escriturados nos livros, na maioria das vezes, são superiores do que a soma dos depósitos efetuados nas contas investigadas. O fiscal ao não observar esse limite descumpriu o mandamento que autoriza a presunção legal e determina que o rendimento omitido será considerado recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Para exemplificar: no mês da janeiro de 2004 o valor considerado tributável (valor encontrado na diferença entre o livro e as DIPJ) foi de R$ 5.218.909,67 (conforme verifica-se no auto de infração) e as somas dos depósitos foi de R$ 3.875.38,45 (doc. 03 [fls. 12.326/12.331]). Dessa maneira, a base de cálculo a ser utilizada deveria ter sido limitada ao valor da soma dos depósitos, já que o valor escriturado no livro, para este mês, era muito superior [...]. (fl. 12.306). [...] Diante do exposto, não resta dúvidas, que o auto de infração lavrado é totalmente nulo e inverídico, ante a incerteza e insegurança na apuração de base de cálculo. 42.6 Ainda sobre o mérito, aduz que: [...] no termo de verificação (item 10, fl. 50) o fiscal informa que a receita omitida para o 1 o . trimestre de 2004 é de RS 16.713.257,19 [...], contudo utiliza no auto de infração [...] da CSLL, a quantia de R$ 16.713.514,20. Basta observar os anexos para facilmente visualizar tal situação (doe. 04 [fls. 12.332/12.339]). Tal fato ocorreu em todos os trimestres de 2004 e 2005 e em relação a todos os tributos. Dessa maneira, o auto de infração é totalmente inverídico [...], o que culmina em sua completa nulidade (fl. 12.312). 42.7 Sobre a extensão de sua responsabilidade, afirma: Ocorre, nobre julgador, que a fiscalização somente presumiu que o Impugnante teria, em tese, vinculação com 01 das 22 contas investigadas. [...] Fl. 13539DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 36 51 Além disso, não existe no procedimento nenhuma prova inequívoca de que o Impugnante teria interesse comum na situação que constitui a totalidade do fato gerador. [...] Dessa maneira, não restam dúvidas, que a responsabilidade solidária do Impugnante, no máximo, poderá ser estendida a conta a ele, em tese, vinculada e não sobre a totalidade do crédito, (fls. 12.312/12.314). 42.8 A aplicação da multa qualificada é totalmente descabida porque não foi provado "que o Impugnante tenha agido de má-fé, além disso, a presunção de omissão de receitas é totalmente inverídica" (fl. 12.314). 42.8.1 O Conselho de Contribuintes entende "que para a aplicação da multa qualificada deve-se ficar comprovado de maneira inequívoca o evidente intuito de fraude" (fl. 12.314). 42.9 O art. 150, V, da CRFB veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Portanto, se é vedado o confisco por via da instituição de tributos, é lógico que não se pode fazê-lo por meio de penalidade ou multas tributárias, já que decorrentes do mesmo fenômeno jurídico, a tributação. 42.10 A taxa SELIC tem natureza de juros remuneratórios, logo não pode ser usada como juros de mora. Além disso, sua utilização viola os princípios da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária. Impossível, então, admitir a aplicação da taxa SELIC para atualização os correção de débitos tributários. IV.30 Renato Coelho Rigamonte, CPF 155.557.986-87. 43. Renato Coelho Rigamonte tomou ciência dos Autos de Infração em 05/05/2010, fl. 10.381, e, em 04/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 12.276/12.291, alegando, em síntese, o que segue: 43.1 Cerceamento do direito de defesa. Só tomou conhecimento da autuação 15 (quinze) dias após o recebimento por terceira pessoa. Anexa a petição de dilação de prazo, que foi indeferida. Não obteve cópia integral dos autos; 43.2 Mesmo que se admita a responsabilização, esta deve ser limitada aos atos que efetivamente praticou, ainda que tenha recebido poderes para praticar atos diversos. A limitação do responsabilidade decorre dos princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade (constitucionais); A multa de 150% é inconstitucional pois viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não-confisco; 43.3 Os fatos geradores ocorridos em 30/09/2004, 30/12/2004 e 31/03/2005 foram atingidos pela decadência, conforme art. 150, § 4 o , do CTN. Mesmo pela regra do art. 173 do mesmo código, a decadência teria atingido os dois primeiros fatos geradores; 43.4 Em desacordo com a que determina o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, não foi intimado a comprovar a origem dos recursos; Fl. 13540DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 52 43.5 Não possuía poderes de gestão sobre a Fiscalizada. Apesar de possuir procuração com amplos poderes, nunca os utilizou. Apenas movimentava contas bancárias, o que não caracteriza, por si só, ato de gestão, já que a administração de uma sociedade não se resume à assinatura de cheques. Não é beneficiários dos cheques, nem de qualquer dos valores depositados nas contas; 43.6 Era responsável apenas pelos pagamentos, enquanto lançamentos, escrituração de livros, cálculos de impostos cabiam aos sócios e ao contador; 43.7 Era, de fato, funcionário da Fiscalizada, na função de "corretor"; 43.8 Não está demonstrado nos autos que tenha se beneficiado diretamente da ocorrência do fato gerador, logo não há interesse comum; 43.9 Os Autos de Infração baseiam-se em presunção formada pela soma de indícios convergentes. Não há, no entanto, prova que sustente o lançamento; 43.10 A multa de 150%) é incabível porque baseou-se apenas em indícios de sonegação, e não em provas; IV.31 Porto Velho Comércio Ltda., CNPJ 05.794.732/0001-14 44. A Fiscalizada tomou ciência dos Autos de Infração em 30/04/2010, fl. 10.307, e, em 01/06/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.384/10.396, alegando, em síntese, o que segue: 44.1 Cerceamento do direito de defesa: [...] tentou o representante da empresa, sem sucesso, obter cópia dos autos, uma vez que vários prazos estavam simultaneamente correndo, e a obtenção de cópias necessário, no mínimo, 03 dias. Diante dessa situação, foi negado a empresa impugnante o direito de cópia dos autos a fim de analisar de forma apurada a vasta documentação visando sua defesa e a obtenção de documentos necessários. [...] Portanto, caracterizado o cerceamento de defesa da empresa impugnante, requer seja declarada a nulidade do procedimento, concedendo-se a empresa prazo para obtenção de cópias e somente após novo prazo de defesa, (fls. 10.385/10.386). 44.2 Os fatos geradores ocorridos em 30/09/2004, 30/12/2004 e 31/03/2005 foram atingidos pela decadência, conforme art. 150, § 4°, do CTN. Mesmo pela regra do art. 173 do mesmo código, a decadência teria atingido os dois primeiros fatos geradores; 44.3 Intimado, deixou de apresentar ao Fisco alguns documentos, que foram provavelmente perdidos em mudanças de endereço; 44.4 Tendo sido tributada pelo Lucro Real, dever-se-ia ter observado o art. 15 da Lei n° 10.865/04, que estabelece: Lei n° 10.865/2004. Fl. 13541DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 37 53 Dispõe sobre a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços e dá outras providências. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1 o . desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008) I - bens adquiridos para revenda; 44.5 A multa de 150% é incabível porque baseou-se apenas em indícios de sonegação, e não em provas; 44.6 A multa de 150% é inconstitucional, pois viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não-confisco; IV.32 Chtarlles Grillo Pelegrini, CPF 034.885.476-55 45. Chtarlles Grillo Pelegrini tomou ciência dos Autos de Infração em 30/04/2010, fl. 10.307, e, em 07/05/2010, apresentou a Impugnação de fls. 10.403/10.408, alegando, em síntese, o que segue: 45.1 Foi convidado por Renato Coelho Rigamonte, em junho de 2003, para compor o quadro societário da Fiscalizada. Três meses depois, Renato Rigamonte retirou-se da sociedade, alegando problemas cadastrais em seu nome, mas continuou como legítimo proprietário e administrador, atuando por meio de procuração pública. Depois de afastar-se da empresa, no final de 2003, assinou vários documentos, inclusive cheques em branco, e abriu diversas contas bancárias a pedido de Renato Rigamonte. Jamais participou da administração nem recebeu qualquer valor a título de pró-labore, lucros ou participações; 45.2 Conforme apurado pela fiscalização, a Fiscalizada foi utilizada por terceiros com poderes recebidos em procurações públicas, desde sua constituição até sua paralisação. Tais procuradores são os verdadeiros responsáveis pelas operações feitas em nome da Fiscalizada. A verdadeira intenção dos procuradores "foi a de omitir informações fiscais e financeiras dos verdadeiros beneficiários na compra e venda de café em grãos e outras mercadorias perante o fisco, pois, ficaria subentendido que a empresa e seus sócios eram os únicos responsáveis pelas operações comerciais, financeiras, contábeis e fiscais da mesma. Portanto, é possível afirmar que eu, CHTARLLES GRILO PELEGRINI, fui utilizado como sócio “laranja'", fl. 10.406. 45.3 Não se deve responsabilizá-lo pelas infrações constatadas, mas aos procuradores, conforme arts. 124, I 134, III e 137, III, c, todos do CTN; 45.4 Possui rendimento mensal de aproximadamente R$ 1.200,00, provenientes do trabalho como enfermeiro autônomo; possui em seu nome um veículo, que foi Fl. 13542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 54 vendido, mas ainda não transferido, por motivo de alienação fiduciária; mora num imóvel alugado; 45.5 Requer sua exclusão do processo. IV.33 Edmilson Pinafo Andrade, CPF 031.890.117-02 46. Edmilson Pinafo Andrade tomou ciência 04/05/2010, fl. 10.382, mas não impugnou o lançamento dos autos de Infração. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RIO DE JANEIRO) decidiu a matéria por meio do Acórdão 12-37.011, de 29/04/2011 (fls. 12367), julgando procedente em parte as impugnações (crédito tributário mantido em parte), recorrendo de ofício da parte exonerada, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SOLICITAÇÃO DE CÓPIA DOS AUTOS NÃO ATENDIDA. ALEGAÇÃO SEM PROVA. A falta de atendimento à solicitação de cópia dos autos caracteriza, em tese, o cerceamento ao direito de defesa, porém tal alegação deve ser provada, por exemplo, com a apresentação do documento de arrecadação usado para ressarcimento das despesas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO RECEBIDA POR TERCEIRO NO DOMICÍLIO FISCAL DO INTERESSADO. Mesmo que a intimação seja recebida por terceiro, considera-se, na contagem do prazo para Impugnação, a data do aviso de recebimento (AR), visto que cabe ao destinatário inteirar-se diligentemente das correspondências que chegarem ao seu domicílio fiscal. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Por falta de previsão legal, indefere-se o pedido de sustentação oral em primeira instância administrativa. PROVAS ILÍCITAS. QUESTIONÁRIOS PREENCHIDOS POR PESSOAS QUE TERIAM INTERESSE NO LITÍGIO. INOCORRÊNCIA. Juridicamente interessadas no presente litígio são apenas as pessoas indicadas pelo autuante como sujeitos passivos, portanto são provas lícitas os questionários em tela, visto que não foram preenchidos por pessoas suspeitas, nos termos do art. 405, § 3 o . IV, do CPC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras administrativas é defeso declarar a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei ou ato normativo. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. APRECIAÇÃO DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos de julgamento devem apreciar a impugnação/recurso voluntário [interposto] por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com vista à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de ofício, por constituir a identificação correta do sujeito passivo da obrigação tributária Fl. 13543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 38 55 matéria inerente ao lançamento tributário (art. 142 do CTN). (1°CC, Ac. 191- 00.028, rel. Ana de Barros Fernandes, sessão de 21/10/2008, unânime). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário: 2004, 2005 RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ATOS DE GESTÃO. EMISSÃO DE CHEQUES. Emissão de cheque é ato de administração financeira. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. INFRAÇÃO DE LEI. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA. A expressão 'infração de lei' deve receber uma interpretação sistemática, necessariamente restritiva, para que se conserve a coerência do ordenamento jurídico. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. INFRAÇÃO DE LEI. HIPÓTESES. A dissolução irregular da sociedade e a interposição fraudulenta de pessoas representam hipóteses de infração de lei, que ensejam a responsabilização de terceiros. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. PRESUNÇÃO. Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento de execução fiscal para o sócio-gerente (STJ, Súmula 435). RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SOCIEDADE DESTINADA À DISSOLUÇÃO IRREGULAR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NO QUADRO SOCIETÁRIO. SÓCIOS-GERENTES DE FATO. Os sócios-gerentes de fato, que entram e saem informalmente de sociedade destinada à dissolução irregular, pela interposição fraudulenta de terceiros em seu quadro societário, respondem pelos tributos cujos fatos geradores ocorreram durante a sua gestão. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE COMUM. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA. São solidariamente obrigados os sujeitos passivos da relação jurídico tributária. MULTA QUALIFICADA DE 150%. RECEITA DECLARADA SUBSTANCIALMENTE MENOR QUE A ESCRITURADA. CONDUTA REITERADA. SONEGAÇÃO. Reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas substancialmente menores que as escrituradas, em concomitância com declarações corretas ao Fisco Estadual, caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. REGRA ESPECIAL PARA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REQUISITOS DE APLICAÇÃO. Em regra, o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. Fl. 13544DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 56 Entretanto, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 150, § 4o , daquele mesmo diploma legal, estabelece regra especial, que desloca o termo a quo do prazo decadencial para a ocorrência do fato gerador, e que se aplica quando, cumulativamente, o sujeito passivo realiza o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; e não se comprova a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA PROVADA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE. Uma vez que a omissão de receita tenha sido provada pela apuração de diferença entre as receitas escriturada e declarada, não se aplicam os preceitos do art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, que disciplinam hipótese de receita presumidamente omitida. É o relatório. Fl. 13545DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 39 57 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise, dos autos do processo, se verifica que o Colegiado em Primeira Instância na apreciação da matéria, decidiu pela exoneração dos créditos tributários lançados cujos fatos geradores ocorreram até a data de 30/11/2004, pela ocorrência do instituto da decadência, com fundamento no art. 173, I, do CTN. Do reexame necessário, verifico que a decisão merece reparos, senão vejamos: No caso dos autos, a multa aplicada foi de 150% em função da fraude apontada pela fiscalização; assim, a contagem do prazo de decadência deve seguir o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, do 1° dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado o lançamento. Portanto, o primeiro ponto a ser apreciado é a ocorrência ou não de dolo ou fraude na conduta da contribuinte, posto que dessa decisão se poderá orientar outras, no que tange às alegações de decadência e da qualificação da multa. Compulsando os autos, constato que a qualificação da multa se deu pela ação dolosa por parte da empresa fiscalizada, consubstanciada na conduta de informar de forma sistemática e reiterada no decorrer dos anos calendários de 2004 e 2005, valores de receita bruta de vendas nas Declarações de Informações Econômico Fiscais (DIPJ, fls. 495 a 498; 714 a 717), inferiores (muito aquém) aos contabilizados no Livro de Apuração de ICMS (cujo teor é o mesmo no Livro de Registro de Saídas de fls. 240 a 487). Por pertinente, extraio o seguinte trecho do voto combatido: “Deve-se considerar também (i) que as diferenças são encontradas em todos os 8 (oito) trimestres fiscalizados e (ii) que o percentual de receita declarada foi de apenas 0,29% (R$ 216.653,89/R$ 74.600.033,04) e 0,13% (R$ 119.314,77/R$ 94.591.970,65) para 2004 e 2005 respectivamente. Tais fatos demonstram que houve sonegação, pois caracterizam a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal.” O evidente intuito de fraude estará presente toda vez que restar configurada situação que se subsuma ao disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. No presente caso, os fatos coincidem com aqueles previstos nos dispositivos apontados, que caracterizam sonegação e fraude, inclusive com interposição de pessoas (“laranjas”) e dissolução irregular da empresa. Fl. 13546DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 58 Desta forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas nas declarações apresentadas ao Fisco Federal, em cumprimento a dever instrumental instituído pela legislação, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Diante do exposto, impõe-se a conclusão da correção da multa de 150% aplicada, em convergência com o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação dada pela Lei nº 11.884/2007. Retornando ao tema decadência a empresa fiscalizada tomou ciência do lançamento no dia 30/04/2010 (fls. 10307) e todas as pessoas arroladas como responsáveis tributários foram cientificadas entre os dias 04/05/2010 e 02/07/2010. Quanto à matéria, adoto, a posição consolidada do STJ, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), mesmo porque o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Para o IRPJ e a CSLL, que têm período de apuração trimestral (arbitramento), o lançamento para o 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres de 2004 poderia ser praticado ainda em 2004, portanto a contagem se inicia em 01/01/2005 e o termo final em 31/12/2009. Como o lançamento ocorreu em abril de 2010, o período compreendido pelos três primeiros trimestres de 2004 encontra-se fulminado pela decadência. Já para o 4º trimestre de 2004 o lançamento só poderia ser efetuado em 2005, o termo inicial é 01/01/2006 e o termo final 31/12/2010, estando incólumes os lançamentos para todo o 4º trimestre de 2004, bem como todo ano calendário de 2005. Lembro que a DRJ exonerou os lançamentos efetuados até 30/11/2004. Para o PIS e a Cofins, cujos fatos geradores são mensais, estão alcançados pela decadência os tributos relativos aos fatos ocorridos até novembro de 2004, cujos lançamentos poderiam ser feitos já em 2004. Logo com relação ao fato gerador do mês de dezembro de 2004, o prazo de cinco anos começou a ser contado somente em 1° de janeiro de 2005, termo inicial 01/01/2006 esgotando-se em 31/12/2010. Portanto, quanto ao PIS e à COFINS, remanescem apenas os créditos tributários lançados a partir do mês de dezembro de 2004 (e todo ano calendário de 2005). Isto posto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Ofício acolhendo a decadência para o IRPJ e a CSLL somente com relação aos fatos geradores dos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres do ano calendário de 2004, mantendo a decisão de primeira instância de exonerar os lançamentos do PIS e da COFINS com relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro do ano calendário de 2004. Fl. 13547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 40 59 RECURSOS VOLUNTÁRIOS Ressalte-se, que não se encontram nos autos, os recursos voluntários da empresa fiscalizada (Porto Velho Comércio Ltda) e dos responsáveis solidários: Agnaldo da Silva Batista, José Carlos Vassuler, José Geraldo Campana Junior, Silvério José Vassuler e Márcio Alexandre Sarnaglia, pelo que se depreende que os mesmos (recursos) não foram formalizados. Convém salientar ainda, que não apresentaram impugnações ou o fizeram de forma intempestiva, os responsáveis solidários: Alexandre Carari, Geraldo Camper, Izabel Cristina Pim Assis, Marciano Carrari Silva e Narciso Agrizzi. Também, de se salientar que foram excluídos do pólo passivo pela decisão a quo: Climério Junqueira, Gerson Antonio Piassi e Chtarlles Grillo Pelegrini. A partir da notificação do responsável tributário e sua impugnação, inicia-se o contencioso, que segue as regras do processo administrativo tributário. A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido. Veja-se: Súmula CARF nº 71 Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Passo, então, a analisar os recursos voluntários apresentados pelas pessoas físicas mantidas no pólo passivo pela decisão recorrida (18 ao todo). 1- CLAUDEMIR MEDEIROS JORDÃO e 2. -LUIZ CÉSAR ASTOLPHO. Recursos voluntários tempestivos e assente em lei, deles tomo conhecimento. Por se tratar de mesma matéria fática e argumentações de defesa de igual teor analisaremos em conjunto. Nesta fase recursal os interessados renovam as argumentações iniciais, aduzindo, em síntese, que: a) Agiu única e exclusivamente intermediando operações de Compra e Venda de Café em favor da empresa fiscalizada Porto Velho Comércio Ltda e, para tanto, movimentou, sim, conta bancária em nome da empresa investigada na condição de procurador, exclusivamente nas transações de compra de café. b) O fato de possuir procuração com poderes de gestão, outorgada pela empresa Porto Velho Comércio Ltda, não pode e não deve servir de base para caracterizar a responsabilidade solidária, pois jamais figurou no contrato social da empresa. Fl. 13548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 60 c) A solidariedade das pessoas designadas no art. 124 do CTN não se presume. Ela só pode ser imputada mediante observância dos requisitos previstos no art. 134 do mesmo CTN. O fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I do CTN e resulta, precisamente, do interesse comum constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência. E a defesa se resume a este fato (responsabilidade solidária). Do voto recorrido, extrai-se a seguinte conclusão com relação a matéria: XIII.5 Conclusão 117. Trinta pessoas físicas foram responsabilizadas com base no art. 135, III, do CTN, posto que houve a dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores. Face à pluralidade de sujeitos passivos, incidiu a regra do art. 124,1, do mesmo Codex, para torná-las solidariamente obrigadas. 118. A dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário são imputáveis a todos os verdadeiros sócios-gerentes, mas sua responsabilidade deve restringir-se à parcela do crédito correspondente aos fatos geradores acontecidos no período em que efetivamente controlaram as contas bancárias. Assim, por exemplo, como Paulo Márcio Leite Ribeiro controlou uma conta que recebeu recursos de março de 2004 a dezembro de 2005 (Tabela 2, abaixo), só poderá ser responsabilizado pela parte do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram neste período. 119. Para individualizar as responsabilidades, levantamos a Tabela 2, abaixo, em que são apresentados o primeiro e último meses de entrada das receitas, por conta bancária e sujeito passivo solidário. Pela leitura dos autos depreende-se que no caso trata-se de um esquema montado no Estado do Espírito Santo com vistas a fraudar a Fazenda Publica mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerencia comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada. Extrai-se do TVF (fls. 10.253): De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadram-se perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. Fl. 13549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 41 61 A partir da instituição das leis que criaram o Programa de Integração Social PIS não cumulativo (da Lei n° 10.637, de 30/12/2002) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não cumulativa ( Lei n° 10.833, de 29/12/2003) foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo, para atuarem,na comercialização de café junto aos produtores (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras)e atacadista de café optantes pela tributação do IRPJ com base no lucro real) à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os; valores dessas compras. Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso as aquisições fossem realizadas diretamente de pessoas físicas. Referidos percentuais seriam presumidos respectivamente de 0,57 e 2,66%, a título de PIS e COFINS( Lei 10.925, de 23/07/2004). A empresa Porto Velho Comercio Ltda iniciou suas atividades em julho de 2003, com o capital social de R$ 100.000,00 considerado muito baixo para atividade econômica que pretendia desenvolver. Durante os anos de 2004 e 2005 substituiu e admitiu novos sócios com baixa capacidade econômica, nomeou por meio de instrumento público vários procuradores (negociantes do ramo de café) com poderes para representá-la junto aos bancos, abrirem contas bancárias em seu nome e movimentarem os recursos de suas contas bancárias nas suas regiões na negociação de café junto aos produtores. Assim, evidencia o TVF que analisando o depoimento dos investigados ora recorrentes, a fiscalização concluiu que os mesmo movimentaram, na qualidade de procuradores, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais e financeiros da fiscalizada pelos recorrentes (interesse comum) e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre os recorrentes e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelos interessados, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram as contas bancárias (CLAUDEMIR MEDEIROS JORDÃO: de julho/2004 a dezembro/2005 e LUIZ CÉSAR ASTOLPHO: de junho/2004 a dezembro/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido as fls. 12.445. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não Fl. 13550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 62 existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 3 – GENÉSIO FRANSCISCHETTO, 4 - LAÉRCIO FRANSCISCHETTO e 5. - LÚCIO FRANSCISCHETTO. Recursos voluntários tempestivos e assente em lei, deles tomo conhecimento. Por se tratar de mesma matéria fática e argumentações de defesa de igual teor analisaremos em conjunto. Nesta fase recursal os interessados renovam as argumentações iniciais, aduzindo com relação ao Acórdão combatido, em síntese, que: DAS RAZÕES RECURSAL. PRELIMINARMENTE Nulidade - Cerceamento de Direito de Defesa Nobres Conselheiros, conforme consta do Termo de Declarações anexo aos autos, o Recorrente compareceu espontaneamente a sede da DRFB em Vitoria/ES., para prestar informações e esclarecimentos. Inobstante os esclarecimentos prestados foi o mesmo incluído no rol de sujeito passivo solidário na empresa Porto Velho Comercio Ltda, nos exatos termos do art. 124, I do CTN. Ocorre I. Julgadores que em momento algum, anterior ao recebimento do auto, fora solicitado quaisquer esclarecimentos ou documentos ao Recorrente que pudesse oportunizar ao mesmo ilidir sua condição de devedor solidário. Assim, viu-se o Recorrente subordinado, compulsoriamente, ao "poder do Príncipe". Fato este que caracteriza flagrante cerceamento de direito de defesa. Principio inafastável e basilar da administração publica. Assim requer seja reconhecido o cerceamento invocado e, anulado o auto ora recorrido. [...](cita o art. 10, inciso IV do Decreto 70.235/72). "A Fiscalização imputou responsabilidade pessoal pelo crédito lançado, conforme prevê o art. 135, III, do CTN, para os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", (grifei). "Trinta pessoas físicas foram responsabilizadas com base no art. 135, III, do CTN, posto que houve a dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores...", (fls. 12.797, §117). Como se observa nos transcritos acima é flagrante a discrepância entre a fundamentação lançada no Acórdão pelo Relator da DRJ e a sustentada pelos Fiscais quando da lavratura dos Termos supra. No Auto de Infração Impugnado não se vislumbra qualquer menção a irregularidade perpetrada pelo ora Recorrente que conduza a tipificação ínsita no art. 135, III, do CTN. Tanto o é que as razões lançadas na Impugnação enfrenta, Fl. 13551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 42 63 veementemente, os fatos tipificados pela Fiscalização com supedâneo no art. 124, I, do CTN. Os quais, se enfrentados pela DRF ao julgar a Impugnação conduziriam a nulidade do auto. Assim sendo, restaria ao julgador de 1 a . instancia declarar a nulidade do auto impugnado. AO REVÉS, preferiu inovar alterando a tipificação da conduta apurada pela fiscalização, para, tipificá-la no art. 135, III, do CTN. Ao proceder contra legis, o Julgador de 1 a . Instancia sucumbiu aos princípios basilares da administração publica. Quais sejam, o do contraditório e da ampla defesa. Agravando sobremaneira o auto de infração nos exatos termos do § 3 o . do art. 18 do Dec. 70.235/72, com redação dada pela Lei 8.748, de 1993. De fato, consta do TVF (fls. 10278, 10283 e 10284) que a fiscalização analisando os depoimentos dos intimados (03) e documentos anexos, conclui que os recorrentes movimentaram na qualidade de procuradores, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Sendo que os referidos fatos comprovam a participação dos três nos negócios comerciais da fiscalizada nos termos do art. 124, I, do CTN, devem os mesmos responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. Por pertinente, transcrevo trechos da análise individual do voto combatido: XV.7 Lúcio Francischetto, Laércio Francischetto e Genésio Francischetto 165. As arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade não foram conhecidas, conforme seção IX.1 deste acórdão. A decadência e a multa qualificada de 150% foram objeto de apreciação nas seções XIV e XIV.1 respectivamente. XV.7.1 Apuração do Lucro Arbitrado: desconsideração dos custos da atividade. A determinação do Lucro Arbitrado é estabelecida pelo art. 27 da Lei n° 9.430/1996 nos seguintes termos: Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. I o desta Lei; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos líquidos em aplicações financeiras, as demais receitas e as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. 167. Portanto, não procede a alegação dos Interessados, segundo a qual os custos da atividade deveriam ter sido considerados na apuração do Lucro Arbitrado. XV.7.2 Contradições Fl. 13552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 64 168. Cotejando a declaração de Lúcio Francischetto (fls. 4.423/4.426) com sua Impugnação (fl. 10.908), constatamos que o Interessado caiu em contradição, pois, neste documento o Interessado afirma que Renato Rigamonte: a) o procurou, no primeiro semestre de 2003, juntamente com Chtarlles Grillo Pelegrini, para celebrarem uma "parceria" comercial; c) foi a pessoa com quem firmou o contrato verbal de parceria comercial; d) é, supostamente, o dono da Fiscalizada. 169. Contudo, na declaração prestada à fiscalização, mencionou que: a) não conhecia Renato Rigamonte; b) o proprietário da Fiscalizada era Chtarlles Grillo Pelegrini; c) Chtarlles Pelegrini foi quem propôs a abertura da conta corrente em nome da Fiscalizada. 170. Lúcio Francischetto afirma que é o único responsável pela movimentação da conta corrente n° 4.828-3, bem como pela parceria com a Porto Velho, apesar de os nomes de seus dois irmãos também constarem do instrumento público de procuração. Laércio e Genésio teriam sido incluídos na procuração para que pudessem assinar por Lúcio em caso de emergência. 171. Tanto Laércio quanto Genésio afirmam que "embora seu nome conste na procuração pública lavrada no cartório do 4 o . Ofício de Notas de Vitória/ES, o Impugnante nunca fez uso dos poderes que lhe fora concedido por tal instrumento", fls. 11.570 e 11.621. Entretanto, há no processo prova em contrário: cópias de cheques assinados por Laércio e Genésio às fls. 6.424/6.435 e 6.459/6.464 respectivamente. 172. Lúcio Francischetto alega que a primeira procuração tinha validade até 18/08/2004 e que a segunda só foi outorgada em 22/03/2005, logo, como não teria praticado qualquer ato junto à Fiscalizada entre as duas datas, não poderia ser responsabilizado "pelos fatos geradores ocorridos entre 18/04/2004 e 21/03/2005". Contudo, o Interessado caiu em nova contradição, pois, no aludido período, a conta corrente da Fiscalizada continuou a ser movimentada, tanto pelo recebimento de receitas quanto pelo desconto de cheques, conforme extratos de fls. 11.013/11.121, o que caracteriza a administração financeira no período em tela. XV. 7.3 Outorga e exercício do poder de gestão (...): b) entregou-lhe, em agosto de 2003, a procuração com amplos poderes; 173. Os Interessados receberam poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fls. 4.434 /4.436) 174.0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 4.446/4.483, 6.424/6.435 e 6.459/6.464), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. XV.7.4 Conclusão 175. As alegações dos Interessados não os afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que suas responsabilidades abrangem a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuaram informalmente como sócios gerentes da Fiscalizada. [...] Constata-se pela simples leitura dos trechos acima transcritos ser imprópria a discussão trazida pela recorrente acerca da aplicação do art. 135 do CTN. O fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I do CTN e resulta, Fl. 13553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 43 65 precisamente, do interesse comum entre elas constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência. À evidência, resta claro, inexistir nulidade dos autos em face da alegada “discrepância entre a fundamentação lançada no Acórdão e a sustentada pelos fiscais quando da lavratura dos termos supra”. Outra nulidade argüida pelos recorrentes diz respeito a ausência de intimação para que os mesmos comprovassem a origem dos depósitos nos termos do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, faz citação a Sumula CARF 29. Aqui, também, não prospera tal alegação. Durante o procedimento de fiscalização os Srs. Franscischetto foram chamados para esclarecerem seus papéis nos fatos. Constata-se pelo TVF que os mesmos foram intimados a depoimentos (fls. 10287, 10283 e 10284). Ademais, na fase inquisitória é privativo da autoridade administrativa instruir o processo com os dados que produziu. A oitiva e defesa têm momento próprio, com a instalação do contraditório, nos termos do artigo 14 do Decreto 70235/1972. Tanto no procedimento de fiscalização, quanto na formalização da peça fiscal, nenhum vício se observa que os tornem nulos. Durante os trabalhos, ressalte-se que os autuantes, na busca da verdade material, tiveram o cuidado de realizar diversas intimações, solicitando todas as informações necessárias para esse fim. De outro lado, a ampla defesa em momento algum foi arranhada, tendo sido assegurada a todos os litigantes, o direito de, prestarem à Fiscalização, as informações que quisessem. Especificamente com relação à violação ao art. 42 da Lei 9.430, de 1996, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor: A omissão de receita não foi apurada pela fiscalização com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas por meio de diferenças entre as receitas escrituradas no Livros de Registro de Saídas e as declaradas em DIPJ. Portanto, não procede a alegação de que a tributação deveria ter observado o disposto na art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, nem há que se falar, por exemplo, em intimação para comprovar origem de recursos. Rechaço, portanto, as preliminares argüidas. Com relação a multa aplicada no percentual de 150% e a decadência, temas tratados na ordem inicial deste voto no item relativo ao Recurso de Ofício. Quanto a alegada divergência entre os valores mencionados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal adoto como razão de decidir os fundamentos do voto condutor que a seguir transcrevo: “234. O lucro arbitrado deve ser determinado conforme estabelece o art. 27 da Lei n° 9.430/1996 in verbis: Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: Fl. 13554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 66 I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. I o desta Lei; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. 235. Logo, a matéria tributável não é a receita omitida, mas a conhecida, que, no presente caso, corresponde à receita escriturada (coluna "Livro/ICMS" da primeira tabela da fl. 10.362). Na apuração do tributo lançado, a fiscalização descontou os valores declarados em DIPJ, conforme demonstrativos de fls. 10.344/10.347. Portanto, não houve o alegado erro de cálculo nas apurações do IRPJ nem da CSLL. 236. Para o PIS a a Cofins, a base de cálculo é a receita omitida, que foi apurada considerando os valor recolhidos pela Fiscalizada, conforme demonstrativos de fls. 12.336/12.339.” Por fim requer sejam os recorrentes afastados da obrigação de recolhimento dos tributos e acessórios referente ao período em que não tinham poderes para gerir a conta da fiscalizada, qual seja: de 18/08/2004 a 18/08/2005. Aqui, neste ponto, me reporto e me filio as argumentações do voto condutor ora guerreado e acima transcrito, que contradiz as afirmações do recorrente ao apontar que os recorrentes movimentaram a conta corrente da fiscalizada (SISCOOB 4828, Ag. 3003), no período de jan/2004 a nov/2005, tanto pelo recebimento de receitas quanto pelo desconto de cheques, (doc. de fls. 845/849 conf. Tabela 2 do Voto, fls.12445 e extratos de fls 11.013/11.121), o que caracteriza a administração financeira no período em tela. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Com relação à alegação sobre a exclusividade da PFN para imputar responsabilidade sobre o crédito tributário a terceiros, entendo, neste ponto, que a fiscalização ao constatar situação que caracterize a responsabilidade tributária a representante ou procurador da empresa autuada, deve lavrar o respectivo termo, tal como ocorreu no presente feito administrativo. In casu, o inciso II, do parágrafo único, do art. 121, c/c o art. 142 e art. 149, VII, todos do CTN, autorizam o Termo de sujeição passiva solidária (auto de infração) contra o responsável solidário, identificado pela autoridade fiscal no curso da ação fiscalizadora. Requer, ainda, nesta fase recursal a juntada aos autos de cópia do auto do processo administrativo 10783.721999/2012-60. Trata o mesmo de auto de infração apensado ao processo administrativo 10783.725179/2011-66, da empresa Exportadora de Café Astolfo, Fl. 13555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 44 67 já julgado por esta Corte Administrativa (Acórdão 3301-001.907), sessão de 25/06/2013, crédito tributário mantido por unanimidade. O derradeiro ponto de bloqueio apontado nos recursos voluntários que ora se aprecia se refere aos juros de mora. A utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora está prevista em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negar-lhe aplicação. A matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.". Por todo o exposto voto por negar provimento aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, GENÉSIO FRANSCISCHETTO, LAÉRCIO FRANSCISCHETTO E LÚCIO FRANSCISCHETTO, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 6 – GIOVANI BERTOLINI DI FRANSCESCO Recurso voluntário tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Trata a peça recursal dos seguintes temas: a- Violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório (negativa de diligência); b- Responsabilidade tributária não demonstrada (imprestabilidade das provas) ou, seja ela restringida aos fatos geradores dos quais se supõe ter o recorrente concorrido e, c- Por último, exclusão do agravamento da multa de ofício (ante a não comprovação inequívoca do dolo por parte do responsável pelo fato gerador). Passo a análise. a- Diligência O impugnante requer anulação da decisão a quo com o retorno dos autos para a devida realização de diligência. As normas processuais contidas no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, assim dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 13556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 68 IV. as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no artigo 28,"in fine". Antonio da Silva Cabral, em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” Decreto nº 70.235/72 - São Paulo - Saraiva, 1993, pág. 316 - conceitua diligência como nome genérico que envolve qualquer ato praticado a mando da autoridade preparadora e tem por fim ordenar o processo não só na sua aparência e formalidades (como, por exemplo, no tocante à numeração das folhas do processo), como também no que respeita a atos a serem praticados para a instrução do processo. Ensina, ainda, que as diligências podem ser de duas espécies: “ex offício”, ou a requerimento do contribuinte, do autuante ou do julgador, sendo que esta última tem por finalidade o esclarecimento de qualquer questão relacionada com o julgamento ou com o cumprimento de exigência processual. Em suma, a realização de diligências ou perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento e, portanto, tais procedimentos visam a formação de convicção do julgador. Neste sentido, em face do disposto no artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, a prova documental deve ser apresentada com a manifestação, in verbis: Art. 16 (...) §4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Conforme o § 4º acima transcrito, as provas, no processo administrativo fiscal, devem ser apresentadas no momento da impugnação/manifestação, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente, a menos que seja atendida uma das três condições acima expostas. Neste passo, o indeferimento do pedido de diligências formulado na impugnação julgada improcedente no meu entender não implica cerceamento do direito de defesa da recorrente, uma vez que está comprovado nos autos que os questionamentos Fl. 13557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 45 69 necessários junto ao Bradesco e relativas a conta 4772, Ag. 1869, encontram devidamente respondidos, pelo que repriso o trecho do voto condutor, vejamos: “59. As respostas a estas perguntas já constam dos autos. Segundo o gerente Sidney Barcellos Baia e a funcionária Carolina Magewski Roldi, as pessoas que efetivamente controlavam a conta corrente eram Giovani Bortolini Di Francesco e Morgana Fadini Magewski, enquanto Adaury Nascimento Júnior era quem normalmente comparecia à agência para descontar os cheques. 2) Quais são os procuradores, registrados junto à instituição financeira, que têm poderes para movimentar a referida conta bancária? 60. Pergunta também já respondida: Marcelo Lopes Dorea, conforme documentos de fls. 2.979/2.981. 4) O funcionário da agência do Bradesco S/A, Sidney Barcellos Baia, era gerente da agência nos anos de 2004 e 2005? 61. Sidney Barcellos Baia era o gerente da agência em 2009, época em que foi feita a fiscalização (fl. 3.002). Quando respondeu ao questionário da fiscalização, o fez na condição de quem tinha conhecimento dos fatos e não na de gerente da agência no biênio 2004-2005, portanto a resposta ao quesito, seja negativa ou positiva, não tem influência sobre a legalidade do lançamento. 5) Giovani Bortolini Di Francesco possui conta bancária nesta instituição? 62. Se Giovani Francesco tivesse conta corrente no Bradesco, poderia provar o fato com um simples extrato bancário, logo a apresentação do quesito tem certamente a finalidade de produzir prova negativa, ou seja, provar que o Interessado não tem conta na referida instituição. Contudo, não percebo como a resposta a esta pergunta, seja positiva ou negativa, possa contribuir para a defesa do Impugnante. 63. Face às considerações acima expendidas, indefiro o pedido de diligência por considerá-la prescindível e, consequentemente, afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa.” In casu, entende-se que é prescindível a realização da diligência postulada, sendo que o exame dos autos é suficiente para a elucidação da lide. Desta forma, rejeito o pedido de realização de diligência. b- Responsabilidade Solidária Consta do voto recorrido: “A partir de depoimentos coletados junto a sócios, procuradores e terceiros, bem como pela análise da documentação bancária recebida, a fiscalização concluiu que: [...] 10.3 Morgana Fadini Magewski (4) e Giovani Bortolini Di Francesco (5), mesmo não fazendo parte do quadro societário da Fiscalizada, movimentaram indiretamente duas de suas contas bancárias, em operações de comercialização de café junto a produtores rurais, tendo como interposta pessoa o procurador Marcelo Lopes Dorea (fl. 10.277); Fl. 13558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 70 (...) XV.5.2 Falta de provas: Inocorrência 153. Nos autos, há diversas provas e indícios de que o Interessado gerenciou uma das contas da Fiscalizada, senão vejamos: a) A pessoa que recebeu poderes para movimentar a conta Bradesco n° 4.772- 4 da agência 1.869, Marcelo Lopes Dorea, era uma interposta pessoa, conforme confessado pelo próprio em sua declaração à fiscalização: recebia uma remuneração mensal para assinar os cheques em branco; b) Dois funcionários da agência 1.869 informaram por escrito à fiscalização que cheques de alto valor (geralmente acima de R$ 5 mil) eram confirmados pelo Interessado e outras pessoas; que, para tratar de assuntos relacionados à conta, faziam contato com Giovani Francesco e Morgana Magewski; que o telefone de contato era o constante da ficha cadastral, (27) 3259-1304, onde Giovani Francesco podia ser encontrado; que Adaury Nascimento Júnior era quem comumente comparecia à agência portando cheques da Fiscalizada; que Adaury Nascimento Júnior é pessoa ligada às sociedades Armazéns Gerais Teserense Ltda. e Café Teserense Ltda.; c) Giovani Francesco era sócio dos Armazéns Gerais Teserense Ltda. e do Café Teserense Ltda. em 2004 e 2005 (fls. 3.006 e 3.009); No verso de muitos cheques constam anotações de que foram confirmados por "Giovani". 154. Portanto não procede a alegação de que inexistiriam provas, nem sequer indícios, de que o Interessado atuou indiretamente com gerente financeiro da Fiscalizada. XV.5.3 Conta n° 1.394-3, agência 3007 da SICOOB 155. A conta em tela também tem como procurador Marcelo Lopes Dorea, porém este dado, por si só, não é suficiente para estabelecer uma"vinculação com o Interessado. XV.5.4 Outorga e exercício do poder de gestão 156. Marcelo Lopes Dorea recebeu poderes para representar a Fiscalizada perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fl. 2.980) 157.0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 3.014/4.023), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. XV.5.5 Conclusão 158. As alegações do Interessado não o afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuou informalmente como sócio-gerente da Fiscalizada.” No meu entender, os referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de Fl. 13559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 46 71 interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda, mesmo que através de interposição de pessoas, resta claro, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Na ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou as contas bancárias (Bradesco 4772, Ag. 1869) período de jan/2004 a dez/2005 (doc. fls. 779/803) e, (Sicoob conta 1394, Ag. 3007), período de fev/2004 a agos/2005 (doc. fls. 828/831), conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12445). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 7. – IZABEL CRISTINA PIM ASSIS Recurso voluntário que não se conhece, pois a recorrente não apresentou a devida impugnação em primeira instância. Alega na peça recursal não ter sido cientificada a apresentar a impugnação. Encontra-se nos autos às fls. 10.364 termo de ciência dos autos de infração em 14/05/2010. O art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina, in verbis: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação a uma ou mais infrações decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Convém ressaltar que o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, em seu art. 56, além de reforçar que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento (caput e § 2º), em seus §§ 3º e 4º dispõe sobre as autuações com pluralidade de sujeitos passivos. Por oportuno, transcreve-se os dispositivos citados: Fl. 13560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 72 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. 8. – JEFFERSON LUIZ SANGALI Recurso tempestivo, dele conheço. Alega ilegitimidade passiva tendo em vista que: “Que sua CTPS foi assinada em 01/08/2004 por João Carlos Casagrande na cidade de Sooretama-ES, mas que, de fato, trabalhava na cidade de Jaguaré, em escritório cuja atividade era a compra e venda de café; que o escritório pertencia a Germano Polez, de quem recebia ordens; Que Germano Polez lhe propôs, em junho de 2004, a abertura da conta bancária n° 5215-9, agência 3006-9 (Jaguaré-ES) da Cooperativa de Crédito Norte Litorânea do ES, em nome da Fiscalizada; que atuava como procurador da Fiscalizada, realizando pagamentos a produtores rurais de café, segundo valores calculados por Germano Polez;” Constata-se dos autos a outorga e exercício do poder de gestão. O ora recorrente de fato recebeu poderes para representar a Fiscalizada, mesmo que na qualidade de interposta pessoa, exerceu os poderes: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...].0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 6.709/6.812), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. A autoridade fiscal conclui a vista de depoimento e documentos acostados que o recorrente movimentou, na qualidade de procurador, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, Fl. 13561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 47 73 limitando ao período em que movimentou a conta bancária SICOOB 5215, Ag. 3006 de junho/2004 a dezembro/2004, conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12446). Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 9. – JORGE ANTONIO DE MATOS Recurso tempestivo, dele conheço. Alega ilegitimidade passiva e nulidade dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva, tendo em vista que a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro é exclusivo da Procuradoria da Fazenda Nacional. Além do que não se admite a aplicação da responsabilidade solidária por presunção. No caso, a documentação carreada aos autos provam sua condição de corretor de café. Aduz, ainda, o recorrente “Da indevida aplicação da multa de 150% e do seu caráter confiscatório”. Por fim, requer, em caso de manutenção de sua responsabilidade solidária, que seja esta limitada ao período em que seu empregado manteve a conta na instituição bancária e quanto ao período movimentado. Pois bem. No caso do Sr. Jorge Antonio de Matos a fiscalização o responsabilizou pelos seguintes fatos apurados: Enir Gomes de Almeida, procurador da conta Banestes n° 10.171.759, agência 123, é motorista de Jorge Antonio de Matos, para quem trabalha desde 01/09/1998, com remuneração de R$ 390,00 em 2004 e R$ 450,00 em 2005; possui curso primário incompleto; reside em casa localizada numa propriedade de seu empregador, recebendo gratuitamente energia elétrica e água; assinava cheques em branco e os entregava a Chtarlles Grillo Pelegrini (Termo de Declaração de fls. 8.411/8.414 e documentos de fls. 8.421/8422); declarou imposto de renda como isento de 2001 a 2006; não figura como representante legal de qualquer sociedade perante o CNPJ (Termo de Verificação Fiscal); Não constam nos arquivos da RFB aquisições de bens imóveis ou direitos em nome de Enir Gomes de Almeida nos últimos cinco anos; Jorge Antonio de Matos é sócio de Gomes de Matos Mercantil Café Ltda (fotos de fls. 8.403/8.405), que atua como intermediária na compra e venda de café junto a produtores rurais (Termo de Declaração de fls. 8.390/8.393); Diogo Henrique Gomes Silveira e Edimárcio Lima Moreira são empregados da sociedade Fl. 13562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 74 Gomes da Matos Mercantil Ltda, na qual ocupam a função de auxiliar de serviços gerais (fls. 8.460 e 8.471); declararam que os cheques da Fiscalizada emitidos em seus nomes tendo Enir Gomes de Almeida como procurador, destinavam-se a pagamento de café junto a produtores rurais que se utilizavam dos serviços de corretagem da Gomes de Matos. Gratuitamente, sacavam os cheques no caixa do Banestes e entregavam o dinheiro aos produtores; Da mesma forma do item precedente constata-se dos autos que o recorrente de fato recebeu poderes para representar a Fiscalizada, mesmo que utilizando a figura de interposta pessoa para exercer os poderes: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...].0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. Enir Gomes de Almeida confessou à fiscalização que agiu como interposta pessoa, assinando cheques em branco sem preenchê-los. Supostamente estaria dando cobertura a Chtarlles Grillo Pelegrini, mas esta hipótese é incompatível com o conjunto probatório reunido nos autos, visto que Pelegrini também atuou como interposta pessoa. Não é plausível que Pelegrini aceitasse encobrir terceiros e, no mesmo contexto, usasse Enir Gomes de Almeida para ocultar-se. Assim, mesmo que Almeida tenha entregado os cheques a Pelegrini, este certamente os repassou a outra pessoa, que era o verdadeiro controlador dos recursos bancários. A autoridade fiscal conclui a vista de depoimento e documentos acostados que o recorrente movimentou, na qualidade de procurador, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Com relação à alegação do recorrente sobre a exclusividade da PFN para imputar responsabilidade sobre o crédito tributário a terceiros, entendo, neste ponto, que a fiscalização ao constatar situação que caracterize a responsabilidade tributária a representante ou procurador da empresa autuada, deve lavrar o respectivo termo, tal como ocorreu no presente feito administrativo. Fl. 13563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 48 75 In casu, o inciso II, do parágrafo único, do art. 121, c/c o art. 142 e art. 149, VII, todos do CTN, autorizam o Termo de sujeição passiva solidária (auto de infração) contra o responsável solidário, identificado pela autoridade fiscal no curso da ação fiscalizadora. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou a conta bancária BANESTES 10.171.759, Ag. 0123- 9, de agosto/2004 a outubro/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12446). Em relação a multa de ofício no percentual de 150% a matéria foi tratada no início deste voto (Recurso de Ofício). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 10. – JOSÉ LEANDRO SILVA O recurso voluntário é tempestivo, dele conheço. Alega, em síntese, que é escrivão desde 1998, sendo responsável pelo Cartório do Registro Civil de Santa Leopoldina/ES; Apesar de ter poderes para gerir não administrou a empresa Porto Velho Ltda; somente efetuava pagamentos a produtores rurais com autorização de Silvério José Vassuler, não tendo acesso a qualquer documentação ou movimentação da empresa e nem pertencia aos seus quadros de funcionários. Extrai-se dos autos (TVF e Voto): Jailson Reis dos Anjos, sócio "laranja" da Fiscalizada, outorgou poderes a José Carlos Vassuler (fls. 4.498/4.499), que substabeleceu para Silvério José Vassuler (fl. 4.506), que substabeleceu para José Leandro Silva (fls. 4.500/4.501). José Leandro Silva declarou (fls. 4.490/4.491): a) que foi Silvério José Vassuler quem lhe propôs abrir a conta bancária n° 10.143.618, agência 109 (Santa Leopoldina-ES) do Banestes, em nome da Fiscalizada; b) que teria aceitado a proposta porque é amigo de Silvério Vassuler, que este reside na zona rural, enquanto a agência do Banestes localiza-se no centro [de Santa Leopoldina]; c) que preenchia os cheques segundo orientação de Silvério Vassuler; e que, depois de preenchidos e assinados, os títulos eram entregues "a pessoas que lhe procuravam". O perfil de José Leandro Silva - pessoa com curso superior completo, que é tabelião de notas em Santa Leopoldina - torna implausível a alegação de que teria aceitado, por amizade, atuar como interposta pessoa de Silvério José Vassuler. Também não é razoável que Silvério enviasse pessoas para coletar cheques Fl. 13564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 76 assinados por José Leandro, posto que ele mesmo, Silvério, tinha poderes para abrir contas bancárias e emitir cheques em nome da Fiscalizada. O Interessado recebeu poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fls. 4.500, 4.506 e 4.498); 0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 4.507/4.558), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. Conclusão As alegações do Interessado não o afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuou informalmente como sócio- gerente da Fiscalizada. Pois bem. Da mesma forma em itens precedente, no meu entender, os referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda, mesmo que através de interposição de pessoas, resta claro, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Na ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou a conta bancária Banestes 10.143..68, Ag. 0109, no período de novembro/2004 a dezembro/2005 conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12445). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 11. – JÚLIO BROEDEL Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. Alega preliminarmente a negativa de diligência requerida na impugnação no sentido de se esclarecer quais os atos praticados pelo ora recorrente no uso da procuração Fl. 13565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 49 77 outorgada pela empresa Porto Velho Ltda que o levaram à condição de responsável solidário da obrigação tributária. Aduz, quanto ao mérito, a não sujeição passiva visto não ter praticado nenhum ato com excesso de poderes, infração a lei ou contrato social. Por fim, alega que a Sumula CARF 14 veda a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%. Primeiro ponto com relação a diligência indeferida no julgamento de primeira instância as normas processuais contidas no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, assim dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV. as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no artigo 28,"in fine". Antonio da Silva Cabral, em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” Decreto nº 70.235/72 - São Paulo - Saraiva, 1993, pág. 316 - conceitua diligência como nome genérico que envolve qualquer ato praticado a mando da autoridade preparadora e tem por fim ordenar o processo não só na sua aparência e formalidades (como, por exemplo, no tocante à numeração das folhas do processo), como também no que respeita a atos a serem praticados para a instrução do processo. Ensina, ainda, que as diligências podem ser de duas espécies: “ex offício”, ou a requerimento do contribuinte, do autuante ou do julgador, sendo que esta última tem por finalidade o esclarecimento de qualquer questão relacionada com o julgamento ou com o cumprimento de exigência processual. Em suma, a realização de diligências ou perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento e, portanto, tais procedimentos visam a formação de convicção do julgador. Neste sentido, em face do disposto no artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, a prova documental deve ser apresentada com a manifestação, in verbis: Art. 16 (...) Fl. 13566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 78 §4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Conforme o § 4º acima transcrito, as provas, no processo administrativo fiscal, devem ser apresentadas no momento da impugnação/manifestação, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente, a menos que seja atendida uma das três condições acima expostas. Neste passo, o indeferimento do pedido de diligências formulado na impugnação julgada improcedente no meu entender não implica cerceamento do direito de defesa da recorrente, uma vez que está comprovado nos autos que a autoridade fiscal descreveu individualizadamente os atos que levaram às responsabilizações, ao contrário do que afirma o recorrente não houve descrição genérica de condutas (as condutas se assemelham). In casu, entende-se que é prescindível a realização da diligência postulada, sendo que o exame dos autos é suficiente para a elucidação da lide. Desta forma, mantenho o indeferimento ao pedido de realização de diligência. b- Responsabilidade Solidária Extrai-se dos autos (TVF e Voto): A partir de depoimentos coletados junto a sócios, procuradores e terceiros, bem como pela análise da documentação bancária recebida, a fiscalização concluiu com relação a outorga do poder de gestão que: 212. O Interessado recebeu poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...], (fl. 6.489). 213.0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 6.509/6.614), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. XV. 13.3 Conclusão 214. As alegações do Interessado não o afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuou inforrnalmente como sócio-gerente da Fiscalizada. O fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I do CTN e resulta, precisamente, do interesse comum constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência. Dos autos vê-se do TVF (fls.10253 e s.s.) que analisando o depoimento dos investigados ora recorrentes, a fiscalização concluiu que os mesmos movimentaram, na Fl. 13567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 50 79 qualidade de procuradores, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgavam poderes total de gestão. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelos recorrentes e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre os recorrentes e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelos interessados, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram as contas bancárias. No caso de Julio Broedel, conta SICOOB 5378-3, Ag. 3006-9 (Linhares/ES), registros as fls. 816/817 e 844, para o período de novembro/2004 a dezembro/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12.446). Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Com relação a aplicação da multa qualificada a matéria foi tratada no início deste voto (Recurso de Ofício), cabendo apenas ressaltar com relação a citada Súmula CARF 14 que a omissão de receita não foi apenas presumida, mas provada por meio da apuração de diferenças entre os valores escriturados e declarados. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 12. – MARCIANO CARRARI SILVA Recurso voluntário que não se conhece, pois a recorrente apresentou impugnação intempestiva, sendo que a mesma não foi conhecida pela autoridade julgadora de primeira instância. Convém ressaltar que o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, em seu art. 56, além de reforçar que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento (caput e § 2º), em seus §§ 3º e 4º dispõe sobre as autuações com pluralidade de sujeitos passivos. Por oportuno, transcreve-se os dispositivos citados: Fl. 13568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 80 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. 13. – MORGANA FADINI MAGEWSKI Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. Em apertada síntese requer a ora recorrente a nulidade da decisão de primeira instância: a) por deixar de analisar diversas provas testemunhais e documentais que afastam a responsabilidade que lhe é imputada; b) pela impossibilidade de inovar a base jurídica ou argumentativa do lançamento; c) pela quebra do sigilo bancário e violação ao art. 42 da Lei 9.430/1996. Cita diversos Acórdãos desta Corte Administrativa em favor de sua tese. Aduz, mais, com relação à nulidade específicas do auto de infração: O Fisco imputa responsabilidade tributária à pessoa de Morgana Fadini Magewski (produtora rural) por eventos distantes e totalmente alheios às suas atividades no município de Santa Teresa/ES, para os anos de 2004 e 2005, sem trazer aos autos qualquer prova e sem individualizar as supostas práticas delitivas, portanto, em evidente abuso de autoridade; reputa as provas indiciárias (dois questionários modelos) como imprestáveis. Por fim, sustenta pela não configuração de fraude e da impossibilidade de qualificação da multa no percentual de 150% e, da decadência para os fatos geradores do ano de 2004. Em memorial trazidos aos autos a recorrente repete as argumentações do recurso voluntário requerendo sua exclusão do pólo passivo da autuação. Extrai-se dos autos (TVF e VOTO): Ao contrário do que afirma a Interessada, o "relatório de auditoria" (Termo de Verificação Fiscal) apresenta detalhadamente, entre as fls. 10.273/10.277, os motivos que levaram a fiscalização a concluir que: [...] a senhora Morgana Fadini Magewski e o senhor Giovani Bortolini Di Francesco, mesmo não fazendo parte formalmente do quadro societário da fiscalizada, mas indiretamente controlaram e movimentaram as contas bancárias, abaixo identificadas, pertencentes à fiscalizada nas operações de comercialização de café junto a produtores rurais, tendo como interposta pessoa o senhor Marcelo Lopes Dorea. a) conta bancária n° 4.772-4 mantida no BRADESCO S/A, agência Santa Teresa/ES; em nome da Porto Velho Comercial Ltda conforme comprovam os documentos de fls. 2976 a 2981; 3014 a 4033; Fl. 13569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 51 81 b) conta bancária n° 1394-3, agência Rio Bananal/ES, aberta na SICOOB, em nome da Porto Velho Comercial Ltda conforme comprovam os documentos bancários de fls. 4031 a 4292. Referidos fatos comprovam a participação da senhora Morgana Fadini Magewski e do senhor Giovani Bortolini Di Francesco na vida comercial da fiscalizada, devendo os mesmos responderem pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública nos termos do art. 124, I, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) pelos créditos tributários apurados no presente processo, (fls. 10.277/10.278). Não procede, portanto, a alegação de que a Interessada teve seu direito de defesa cerceado porque desconhecia os motivos da autuação. Na verdade, ao que tudo indica, a Interessada simplesmente não concorda com a autuação, pois questiona, por exemplo, o fato da ter sido responsabilizada por todo o crédito, embora o Termo de Verificação Fiscal a vincule a apenas duas das contas bancárias. Todavia, as discordâncias também não cerceiam o direito de defesa, visto que a Interessada pode impugnar o lançamento - como efetivamente o fez - para discutir os pontos controvertidos. Também não procede a alegação de falta de acesso aos livros da Fiscalizada, pois constam do processo cópias dos livros em que a fiscalização se baseou para fazer o lançamento (fls. 241/713), bem como dos cheques emitidos (fls. 3.014/4.287). Isto posto, afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa. XV.4.1 Lançamento baseado exclusivamente em indícios. 0 lançamento não se baseou exclusivamente em indícios, mas também nas provas testemunhais de fls. 2.983/3.005: questionários preenchidos pelo gerente e uma funcionária da agência Bradesco n° 1869, onde a Fiscalizada era titular da conta 4.772-4. Todas as provas e indícios levantados pela fiscalização (declaração, situação econômico financeira e vínculo empregatício de Marcelo Lopes Dorea; anotações no verso dos cheques; questionários preenchidos por funcionários da agência; e participações societárias) demonstram de forma convergente que a Interessada controlou, por meio de interposta pessoa, uma das contas correntes da Fiscalizada. XV.4.2 Conta n° 1.394-3, agência 3007 da SICOOB. A conta em tela também tem como procurador Marcelo Lopes Dorea, porém este dado, por si só, não é suficiente para estabelecer uma vinculação com a Interessada. XV.4.3 Outorga e exercício do poder de gestão Marcelo Lopes Dorea recebeu poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fl. 2.980). 0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 3.014/4.023), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. XV.4.4 Conclusão As alegações da Interessada não a afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos Fl. 13570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 82 geradores ocorreram durante o período em que atuou informalmente como sócia- gerente da Fiscalizada. Pela leitura dos autos, reprise-se, resta claro que no caso trata-se de um esquema montado no Estado do Espírito Santo com vistas a fraudar a Fazenda Publica mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerencia comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada. Extrai-se do TVF (fls. 10.253): De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadram-se perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. A partir da instituição das leis que criaram o Programa de Integração Social PIS não cumulativo (da Lei n° 10.637, de 30/12/2002) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não cumulativa ( Lei n° 10.833, de 29/12/2003) foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo, para atuarem,na comercialização de café junto aos produtores (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras)e atacadista de café optantes pela tributação do IRPJ com base no lucro real) à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os; valores dessas compras. Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso as aquisições fossem realizadas diretamente de pessoas físicas. Referidos percentuais seriam presumidos respectivamente de 0,57 e 2,66%, a título de PIS e COFINS( Lei 10.925, de 23/07/2004). A empresa Porto Velho Comercio Ltda iniciou suas atividades em julho de 2003, com o capital social de R$ 100.000,00 considerado muito baixo para atividade econômica que pretendia desenvolver. Durante os anos de 2004 e 2005 substituiu e admitiu novos sócios com baixa capacidade econômica, nomeou por meio de instrumento público vários procuradores (negociantes do ramo de café) com poderes para representá-la junto aos bancos, abrirem contas bancárias em seu nome e movimentarem os recursos de suas contas bancárias nas suas regiões na negociação de café junto aos produtores. A seguir analisaremos a conexão da participação e interesse comum com os fatos geradores, no caso, da Sra. Morgana Fadini Magewski. A empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) foi constituída em 22/07/2003 por dois sócios: RENATO COELHO RIGAMONTI e CHTARLLES GRILLO PELEGRINI. O sócio RENATO COELHO RIGAMONTE já nos três primeiros meses de sua constituição se desfez das cotas de capital e, a partir daí foi então procedidas sucessivas alterações de sócios cujas características comprovadas em diligências e depoimentos dizem Fl. 13571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 52 83 respeitos a “sócios laranjas”, consideradas, assim, pela fiscalização, a pessoa física sem extração econômica e financeira além de não foi localizado no seu endereço cadastral ou, se localizado, admite essa condição de sócio aparente. Para melhor compreensão convém ressaltar que em depoimento o Sr. CHTARLLES GRILLO PELEGRINI afirma que ao conhecer o Sr. RENATO COELHO RIGAMONTI este o convidou para trabalhar na empresa Continental Trading Ltda, de sua propriedade, que nesta empresa trabalhou, no período de novembro/2002 a maio/2003, na atividade de classificação, compra e armazenagem de café; -que, então, em junho/2003 o senhor RENATO COELHO RIGAMONTI lhe propôs abrir a empresa PORTO VELHO COMÉRCIO LTDA na qual ele (Charles) ficaria responsável pela matriz a ser aberta em Afonso Cláudio/ES e Renato ficaria responsável pela filial, a ser aberta em Vila Velha/ES; que, a pedido de seu sócio RENATO, abriu contas, em nome da PORTO VELHO matriz, nas seguintes agências bancárias localizadas em Afonso Cláudio/ES: BANESTES, BANCO DO BRASIL, SICOOB e BRADESCO; que foi combinado inicialmente que ( o café comprado pela PORTO VELHO em Afonso Cláudio seria pago: pelo seu sócio RENATO, bem como todos os custos da empresa; devido a dívidas acumuladas decidiu cobrar o acordo feito; que, nesta ocasião, RENATO lhe propôs quitar as dívidas da empresa em Afonso Cláudio/ES desde que este concordasse que seu nome permanecesse no contrato social da firma por mais um ano e que, não tendo outra saída, se viu obrigado a aceitar o acordo e que sabe que em Afonso Cláudio a firma deixou de operar após sua saída da cidade; que, neste período, embora tivesse deixado a firma, em nome do acordo firmado, precisou manter contato com o seu ex-sócio Renato e se recorda de ter assinado vários documentos da empresa, tais como procurações que serviram para que corretores intermediários em todo o estado do Espírito Santo abrissem conta em nome da empresa PORTO VELHO para receber pela venda de café; alterações contratuais, livros contábeis e fiscais, etc; que assinou a alteração contratual que incluiu o sócio EDMILSON PINAFO ANDRADE na empresa PORTO VELHO em 04/06/2004; que assinou a alteração contratual que transferiu a matriz da PORTO VELHO de Afonso Cláudio para Linhares/ES, entretanto, não sabe, no momento, precisar a data em que isso ocorreu; que conheceu EDMILSON PINAFO ANDRADE e sabe que este era, na verdade empregado de RENATO na empresa PORTO VELH0 exercendo o cargo de motoboy da firma; que sabe ser RENATO que de fato continuava à frente dos negócios da PORTO VELHO; que, neste período, notou que sempre assinava documentos ligados ao Estado, então, indagou a RENATO sobre a Receita Federal e este lhe disse que operações de venda realizadas dentro do estado e operações de venda de café para empresa exportadora estaria isenta de impostos federais, por isso ficou mais tranqüilo; que, então, novamente procurou RENATO para tratar do assunto e, este, propôs a abertura de uma nova empresa, pois a PORTO VELHO estava com dificuldades operacionais e isso estaria dificultando os negócios. Necessário o preâmbulo acima pois na realidade consta dos autos (cópias de cheques acostados e documentos de fls.2970/2999) de que as contas 4772-4 (Bradesco/Santa Teresa) e 1394-3 (Sicoob/Rio Bananal) foram movimentadas pelo procurador o Sr.Marcelo Lopes Dorea (“laranja” com procuração outorgada pelo sócio EDMILSON PINAFO ANDRADE, fls. 2980), mas, com aval da Sra. Morgana Fadini Magewski e do Sr. Giovani Bortolini Di Francesco, vejamos: Atendendo intimação fiscal o Sr. Marcelo Lopes Dorea (procurador), compareceu no Serviço de Fiscalização da Receita Federal em Vitória/ES e prestou, em síntese, os seguintes esclarecimentos: “Que reside em Cariacica/ES há 13 anos; Que possui o segundo grau incompleto; Que é Auxiliar Administrativo; Que foi o Sr. Chatarlles Grillo Fl. 13572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 84 Pelegrini, que lhe propôs assinar os cheques das contas bancárias n° 000001394-3, agência 3007-7 mantida na Cooperativa de Crédito Centro-Norte do ES e conta bancária n° 4772-4, Bradesco/Santa Teresa/ES; que assinava os cheques na frente e no verso, porem em branco e os entregava ao Sr. Chtarlles Grillo Pelegrini” (doc. de fls. 2970/2974). Em resposta a intimação fiscal o Sr. Sidney Barcellos Baia e Sra. Carolina Magevski Roldi (Gerente e funcionária do Bradesco) através de questionários atestam, com relação a conta 4.772-4, que confirmavam os pagamentos para os cheques geralmente acima de R$ 5.000,00 nas pessoas de da Sra. Morgana Fadini Magewski, do Sr. Giovani Bortolini Di Francesco e Adaury Nascimento Junior (pessoas que rubricavam no verso dos cheques), através do telefone que consta do cadastro bancário da empresa fiscalizada (27) 3259-1304 e, quem geralmente atendia do outro lado da linha eram: Café Teresense, Giovani, Morgana ou Junior (doc.s fls. 2990/2999); mais, ainda, quem comumente comparecia à agência portando os cheques da Porto Velho Comercio Ltda era o Sr. Adaury Nascimento Junior (ou simplesmente Junior), pessoa ligada as empresas Café Teresense Ltda e Armazéns Gerais Teresense. Encontra-se as fls. 10.277 do TVF, que de fato a Sra. Morgana Fadini Magewski e o Sr. Giovani Bortolini Di Francesco eram os sócios das empresas CAFÉ TERESENSE LTDA (CNPJ: 29.989.266/0001-90) e ARMAZÉNS GERAIS TERESENSE LTDA, as quais atuam no mercado atacadista de café desde 1978 e 1992, respectivamente. Por pertinente transcrevo os trechos conclusivos: Como podemos observar a senhora Morgana Fadani Mageswiski e o senhor Giovani Bortoloni Di Franscisco faziam parte do quadro societário da empresa Café Teresense Ltda quando se deram as movimentações financeira da conta bncaria n° 4.772-4 junto ao BRADESCO S/A, na agencia de Santa Teresa/ES. Reunidos os fatos concluímos que senhora Morgana Fadani Mageswiski e o senhor Gionavi Bortoloni Di Francisco, mesmo não fazendo parte formalmente do quadro societário da fiscalizada, mas indiretamente controlaram e movimentaram as contas bancárias, abaixo identificadas pertencentes à fiscalizada nas operações de comercialização de café junto aos produtores rurais, tendo como interposta pessoa o senhor Marcelo Lopes Dorea. a) conta bancária n° 4.772-4 mantida no BRADESCO S/A, agência Santa Teresa/ES em nome da Porto Velho Comércio Ltda conforme comprovam os documentos bancários fls.2976 a 2981;3014 a 4033; b) conta bancária n° 1394-3 , agência Rio Bananal/ES , aberta na SICOOB, em nome da Porto Velho Comércio Ltda conforme comprovam os documentos bancários de fls.4034 a 4292. Referidos fatos comprovam a participação da senhora Morgana Fadani Mageswiski e do senhor Giovani Bortoloni Di Francisco na vida comercial da fiscalizada, devendo os mesmos responderem pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública nos termos do art. 124, I, da Lei n2 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. Pois bem, o artigo 124 está localizado no Capítulo IV ¨Sujeito Passivo¨ enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso Fl. 13573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 53 85 significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) da Sra. Morgana e da empresa Porto Velho. Ao meu ver, no caso, a pessoa física (Sra. Morgana) mesmo se utilizando daquilo que comumente denomina-se “laranja” (Sr.Marcelo Dorea), de fato, pratica (realiza) os fatos que constitui a finalidade social da empresa fiscalizada. No meu entender, os referidos fatos acima descritos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pela recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN, independente das provas carreadas aos autos de que a Sra. Morgana Fadani Mageswiski reside no Estado da Bahia desde 2001. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda, mesmo que através de interposição de pessoas, resta claro, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN, haja vista que a descrição minuciosa no TVF dos fatos e elementos de prova colhidos que identificam o esquema articulado para supressão de pagamentos de tributos resume que a ação fiscal justificou a responsabilização solidária. Mesmo porque tratando-se de esquema ardilosamente armado para enganar a Fazenda Nacional, não se poderia esperar que os atos fraudulentos praticados pelos responsáveis ficassem documentados, somente sendo possível a prova obtida indiretamente. E a fiscalização trouxe aos autos robusto conjunto probatório, integrado por vários indícios convergentes no sentido da estruturação do esquema, com a participação das pessoas mencionadas, para praticar a sonegação. Por fim, até entendo que a responsabilização solidária das pessoas físicas nos termos do artigo 124, I do CTN, não é suficiente para designá-las coobrigadas. Contudo, os fatos descritos no TVF relatam uma situação de ações compreendendo a criação dissimulada de empresa (Porto Velho Comercio Ltda) com gestão comercial e financeira através de pessoas físicas, por procuração publica outorgando-lhes amplo poderes, a fim de acobertar a sonegação fiscal. A criação de empresas sob falsa titularidade constitui infração à lei, e os atos de gerência da empresa envolvida como descrito, no sentido de desviar o faturamento constituem, como um todo, infração à lei e ao contrato social ou estatuto. Nessas condições, os fatos descritos dão cobertura à responsabilização solidária de todos aqueles que a fiscalização identificou como tais. Na ausência de qualquer prova em contrário produzida pela interessada, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou as contas bancárias (Bradesco 4772, Ag. 1869) período de jan/2004 a dez/2005 (doc. fls. 779/803) e, (Sicoob conta 1394, Ag. Fl. 13574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 86 3007), período de fev/2004 a agos/2005 (doc. fls. 828/831), conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12445). Na seqüência, rejeito a alegação de nulidade do lançamento porque o auto de infração atende plenamente ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e inexistem dúvidas quantos aos critérios e fundamentação empregados nas autuações. O Auto, lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. Nele se vê que as bases de cálculo, alíquota e montantes devidos estão bem demonstrados, tendo a fiscalização utilizado valores informados pelo próprio contribuinte. Dessarte, inexistiu qualquer preterição do direito de defesa ou ofensa ao contraditório. Também inexiste qualquer vício no acórdão da DRJ. O v. acórdão recorrido não precisa rebater todas as teses apresentadas, se encontrou razões suficientes para fundamentar a decisão. Em relação à alegação de que teria havido quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, mediante a utilização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, cumpre esclarecer que essa forma de obtenção de informações bancárias encontra-se autorizada desde a publicação da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, artigo 6o, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, abaixo reproduzido: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Portanto, de acordo com o acima exposto, conclui-se que são completamente improcedentes as alegações do recorrente de que as provas obtidas mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF) foram obtidas de modo ilícito e que viciaria todas as autuações. Com relação a qualificação da multa de ofício ao percentual de 150% e quanto a decadência matérias tratadas no início deste voto (Recurso de Ofício). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 14. – NARCISO AGRIZZI Recurso voluntário que não se conhece, pois o recorrente tendo apresentado impugnação de forma intempestiva a autoridade julgadora de primeira instância não a conheceu. O art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina, in verbis: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 13575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 54 87 Da ausência de impugnação a uma ou mais infrações decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Convém ressaltar que o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, em seu art. 56, além de reforçar que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento (caput e § 2º), em seus §§ 3º e 4º dispõe sobre as autuações com pluralidade de sujeitos passivos. Por oportuno, transcreve-se os dispositivos citados: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Não tendo sido conhecida a impugnação apresentada intempestivamente, não há como tomar conhecimento do presente recurso voluntário, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. 15. – PAULO CÉSAR BRITO VEIGA Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. As alegações trazidas na peça recursal dizem respeito a) Decadência e a Multa de Ofício; b) ilegitimidade passiva e/ou que a mesma seja limitada à movimentação bancária realizada junto ao Banco Itaú de Linhares (Conta 24.209-8). Com relação a decadência e a multa tais matérias foram tratadas na parte inicial deste voto (Recurso de Ofício). Quanto a matéria da ilegitimidade passiva, compulsando os autos colhe-se os seguintes trechos do TVF e depoimento do ora recorrente: 0 Interessado declarou à fiscalização, fl. 6.952, que assinava os cheques em branco e não os preenchia, entretanto, de forma contraditória, afirma em Impugnação, fl. 12.019, que "fiquei surpreso com a confiança que o Sr. Renato me depositou na época, de pagar os cafeicultores com cheques de sua empresa". No Termo de Declaração, disse que não tinha ciência da procuração que lhe outorgou poderes para movimentar uma das contas bancárias da Fiscalizada, fl. 6.952, e, na Impugnação, afirmou que nunca chegou a ver nem ler esta procuração, fl. 12.019, contudo, no documento da fl. 6.980, assinado pelo Impugnante, o mesmo menciona o instrumento de mandato como uma das peças que estava encaminhando ao banco para abertura da conta. Na mesma fl., consta que os poderes conferidos ao representante encontravam-se expressos no cartão de assinaturas, fl. 6.972 v., pelo qual se verifica que o Interessado tinha poderes para, isoladamente, praticar qualquer ato relativo à conta corrente, inclusive retirar talões e emitir cheques. Apesar de a procuração não ter sido localizada, o Interessado abriu uma conta corrente em nome da Fiscalizada (cartão de autógrafos, fl. 6.972; e proposta de fls. Fl. 13576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 88 6.975/6.976), e emitiu os cheques de fls. 6.990/7.145, o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. Referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram a conta bancária 24.209-8 no Banco Itaú de Linhares/ES, no período de abril/2004 a agosto/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido as fls. 12445). Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 16. – PAULO MÁRCIO LEITE RIBEIRO Recurso voluntário intempestivo, dele não se toma conhecimento. Encontra-se nos autos “AR” (doc. de fls.13193), de intimação pessoal e ciência da decisão de primeira instância em 11/07/2012 (quarta feira). Neste caso, o prazo recursal esgotou-se em 10/08/2012 (30 dias a partir de 12/07/2012). Recurso voluntário apresentado em 16/08/2012 (fls. 13187), portanto, intempestivo nos termos do artigo 33 do PAF. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. E, mais, no caso, torna-se definitiva a decisão prolatada em primeira instância, conforme expresso no art. 42, I, do mesmo diploma legal acima citado: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Fl. 13577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 55 89 Assim, considerando que não cumprido o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, por perempto. 17. – RENATO COELHO RIGAMONTE Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. As alegações trazidas na peça recursal se traduzem no seguinte: a) preliminar de cerceamento do direito de defesa; b) da decadência e aplicação da Lei 10.925/2004; c) da multa qualificada. Quanto ao mérito alega a inexistência de poder de gestão e ausência de interesse comum. Com relação à decadência a matéria foi apreciada no início deste voto (Recurso de Ofício). Já com relação a aplicação da Lei 10.925, de 2004 a matéria é preclusa pois não argüida em primeira instância (impugnação). Quanto as alegações de cerceamento do direito de defesa matéria esta devidamente analisada pelo voto condutor ora recorrido, do qual transcrevo o seguinte trecho: “48. Os Interessados alegam, sem prova, que tiveram seus direitos de defesa cerceados porque tentaram, sem sucesso, obter cópia dos autos. Renato Rigamonte alega ainda que sua defesa foi prejudicada porque "a intimação do ora impugnante foi recebida por terceira pessoa, o que fez que ele tomasse conhecimento do presente auto de infração após mais de 15 (quinze) dias do recebimento", fl. 12.280. 49. Conforme IN SRF n° 69, publicada no DOU de 05/05/1987, o fornecimento de cópias pela Receita Federal do Brasil deve ser precedido pelo ressarcimento das despesas incorridas, de modo que, para comprovar sua alegação, os Interessados poderiam, por exemplo, apresentar o respectivo documento de arrecadação. 50. Renato Rigamonte afirma que tentou "a dilação do prazo de defesa, conforme petição protocolada que segue anexa, todavia não teve seu pedido atendido", fl. 12.281. A mencionada petição não foi de fato juntada aos autos, mas, mesmo que tivesse sido juntada e indeferida, não estaria caracterizado o cerceamento do direito de defesa por duas razões: em primeiro lugar porque o art. 6o , I, do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcrito, foi revogado pela Lei n° 8.748/1993, de modo que a autoridade preparadora não tem mais competência para prorrogar o prazo de Impugnação: (...) 50.1 Além disso, mesmo que a recepção seja feita por terceiro, considera-se, na contagem do prazo para Impugnação, a data do aviso de recebimento (AR), visto que cabe ao destinatário inteirar-se diligentemente das correspondências que chegarem ao seu domicílio fiscal.” No caso, aplica-se as disposições do art. 23, do Decreto 70.235, de 1974 (PAF) onde se verifica (§ 3°) que os meios de intimação previstos não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 13578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 90 Desse modo, a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo é válida e não precisa ser precedida por qualquer um dos outros meios ali relacionados. Também não constitui pressuposto de validade da intimação o fato de o Aviso de Recebimento ser assinado pelo próprio contribuinte. É suficiente que o documento seja recebido no seu domicílio tributário, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária, caso dos autos. É tanto que o contribuinte foi validamente notificado do lançamento, e dele se defendeu tempestivamente. Não vemos, aqui, qualquer embaraço ao exercício do direito de defesa do autuado. Quanto ao mérito constata-se dos autos o seguinte (trechos que reproduzo): 240. O Interessado recebeu poderes para representar a fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fl. 1.048). 241.0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 1.051/1.356, 1.375/1.698 e 1.711/1.814), o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. XV. 18.1 Conclusão 242. As alegações do Interessado não o afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuou informalmente como sócio-gerente da Fiscalizada.” Pela leitura dos autos resta claro que no caso trata-se de um esquema montado no Estado do Espírito Santo com vistas a fraudar a Fazenda Publica mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerencia comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada. Extrai-se do TVF (fls. 10.253): De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadram-se perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. A partir da instituição das leis que criaram o Programa de Integração Social PIS não cumulativo (da Lei n° 10.637, de 30/12/2002) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não cumulativa ( Lei n° 10.833, de 29/12/2003) foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo, para atuarem,na comercialização de café junto aos produtores (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras)e Fl. 13579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 56 91 atacadista de café optantes pela tributação do IRPJ com base no lucro real) à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os; valores dessas compras. Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso as aquisições fossem realizadas diretamente de pessoas físicas. Referidos percentuais seriam presumidos respectivamente de 0,57 e 2,66%, a título de PIS e COFINS( Lei 10.925, de 23/07/2004). A empresa Porto Velho Comercio Ltda iniciou suas atividades em julho de 2003, com o capital social de R$ 100.000,00 considerado muito baixo para atividade econômica que pretendia desenvolver. Durante os anos de 2004 e 2005 substituiu e admitiu novos sócios com baixa capacidade econômica, nomeou por meio de instrumento público vários procuradores (negociantes do ramo de café) com poderes para representá-la junto aos bancos, abrirem contas bancárias em seu nome e movimentarem os recursos de suas contas bancárias nas suas regiões na negociação de café junto aos produtores. Pois bem, vê-se que a empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) foi constituída em 22/07/2003 por dois sócios: RENATO COELHO RIGAMONTI e CHTARLLES GRILLO PELEGRINI. O sócio RENATO COELHO RIGAMONTE já nos três primeiros meses de sua constituição se desfez das cotas de capital e, a partir daí foi então procedidas sucessivas alterações de sócios cujas características comprovadas em diligências e depoimentos dizem respeitos a “sócios laranjas”, consideradas, assim, pela fiscalização, a pessoa física sem extração econômica e financeira além de não foi localizado no seu endereço cadastral ou, se localizado, admite essa condição de sócio aparente. Constata-se na maioria dos depoimento prestados a termo pelos responsáveis tributários que foi o Sr. Renato Coelho Rigamonte que lhes propôs à abertura de contas bancaria em nome da Porto Velho Comercio Ltda, com totais poderes de gestão, além dele próprio possuir tais poderes, fato este incontroverso conforme acima descrito. No meu entender, os referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O artigo 124 está localizado no Capítulo IV ¨Sujeito Passivo¨ enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do Sr. Renato Coelho Rigamonte e da empresa Porto Velho. Ao meu ver, no caso, a pessoa física (Sr. Renato) mesmo se utilizando Fl. 13580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 92 às vezes daquilo que comumente denomina-se “laranja”, de fato, pratica (realiza) os fatos que constitui a finalidade social da empresa fiscalizada. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda, mesmo que através de interposição de pessoas, resta claro, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por fim, até entendo que a responsabilização solidária das pessoas físicas nos termos do artigo 124, I do CTN, não é suficiente para designá-las coobrigadas. Contudo, os fatos descritos no TVF relatam uma situação de ações compreendendo a criação dissimulada de empresa (Porto Velho Comercio Ltda) com gestão comercial e financeira através de pessoas físicas, por procuração publica outorgando-lhes amplo poderes, a fim de acobertar a sonegação fiscal. A criação de empresas sob falsa titularidade constitui infração à lei, e os atos de gerência da empresa envolvida como descrito, no sentido de desviar o faturamento constituem, como um todo, infração à lei e ao contrato social ou estatuto. Nessas condições, os fatos descritos dão cobertura à responsabilização solidária de todos aqueles que a fiscalização identificou como tais. Na ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou as contas bancárias Bradesco 12239, Ag. 2197 no período de jan/2004 a dez/2005 (doc. fls. 779/803) e conta/Bradesco 9392127, Ag. 107 no período de jan/2004 a novembro/2005 (fls.770/772) e, mais a Conta/Sicoob 5293, Ag. 3006, no período de setembro/2004 a novembro/2005 (doc. fls. 820/822), conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12446). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 18. – RENATO JARDIM PIMENTEL Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. Nesta fase recursal o interessado renova as argumentações iniciais, aduzindo em relação ao Acórdão combatido, em síntese, que não procedem as afirmações da decisão de que tenha apresentado duas versões diferente em seu depoimento. Por fim requer seu afastamento da responsabilidade solidária por faltar razão à imputação. Fl. 13581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 57 93 Extrai-se dos autos (TVF e Voto) os seguintes excertos: O impugnante alega que somente aceitou o encargo de intermediação na compra de café como procurador da empresa em uma conta bancária porque tem conhecimento de que nesta atividade de compra e venda de café é comum as empresas falirem e dar prejuízos aos fornecedores e como não queria que um dia chegasse a ser responsabilizado por eventuais prejuízos da empresa em relação aos produtores fornecedores exigiu que ele mesmo, o impugnante, fizesse os pagamentos das compras de café por intermédio da conta bancária aludida. (fls. 11549). A conta teria sido aberta, portanto, por exigência sua, visto que não queria ser responsabilizado por eventuais prejuízos causados aos produtores. Contudo, em seu Termo de Declaração, fls. 5.805, afirmou que a conta teria sido aberta por sugestão de Chtarlles Pelegrini. A nova versão, sobre ser contraditória com a anterior, suscita novos questionamentos: a) Se Renato Pimentel era apenas corretor, por que seria responsabilizado pelas dívidas da Fiscalizada? O receio indica que os produtores não o consideravam como prestador de serviço, mas como alguém que estava a frente de negócio próprio, ou seja, como sócio da Fiscalizada; b) Se é comum que produtores tenham prejuízos devido à falência de empresas compradoras, seria razoável exigir pagamento antecipado. Tal estratégia é, inclusive, conhecida no mercado de compra e venda de café do Espírito Santo, conforme seção XV.6.1. Por que, então, o Interessado imaginou que evitaria a responsabilização civil assinando cheques em nome da Fiscalizada (o que, na verdade, só reforçou seu vínculo com a devedora)? XV. 12.2 Outorga e exercício do poder de gestão O Interessado recebeu poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...]. (fl. 5.813). 0 poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado (fls. 5838/6091), o que caracteriza a gerência financeira da fiscalizada. No meu entender, os referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O interesse comum se refere a pessoas que tenham participação no fato gerador, ou seja, que o tenham praticado conjuntamente. Se a solidariedade decorre de interesse comum, as pessoas já são naturalmente coobrigadas e a solidariedade torna-se legal por efeito da regra do Código Tributário Nacional. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda, mesmo que através de interposição de pessoas, resta claro, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador. Fl. 13582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 94 Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Na ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentou a conta bancária 04878-0, Ag. 3003-4 junto a Cooperativa de Crédito Sul do Espírito Santo (docs. de fls. 811/814), no período de janeiro/2004 a dezembro/2005, conforme Tabela 2 do voto recorrido (fls. 12445). Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 19. – RODRIGO RAMOS RIBEIRO Recurso voluntário intempestivo, dele não se toma conhecimento. Encontra-se nos autos “AR” (doc. de fls.13291), de intimação pessoal e ciência da decisão de primeira instância em 11/07/2012 (quarta feira). Neste caso, o prazo recursal esgotou-se em 10/08/2012 (30 dias a partir de 12/07/2012). Recurso voluntário apresentado em 10/10/2012 (fls. 13187), portanto, intempestivo nos termos do artigo 33 do PAF. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. E, mais, no caso, torna-se definitiva a decisão prolatada em primeira instância, conforme expresso no art. 42, I, do mesmo diploma legal acima citado: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Assim, considerando que não cumprido o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, por perempto. 20. – RUBENS PETERLE Recurso voluntário tempestivo, dele conheço. Nesta fase recursal o interessado renova as argumentações iniciais, aduzindo com relação ao Acórdão combatido, em síntese, que: DAS RAZÕES RECURSAL. PRELIMINARMENTE Nulidade - Cerceamento de Direito de Defesa Fl. 13583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 58 95 Nobres Conselheiros, conforme consta do Termo de Declarações anexo aos autos, o Recorrente compareceu espontaneamente a sede da DRFB em Vitória/ES., para prestar informações e esclarecimentos. Inobstante os esclarecimentos prestados foi o mesmo incluído no rol de sujeito passivo solidário na empresa Porto Velho Comercio Ltda, nos exatos termos do art. 124, I do CTN. Ocorre I. Julgadores que em momento algum, anterior ao recebimento do auto, fora solicitado quaisquer esclarecimentos ou documentos ao Recorrente que pudesse oportunizar ao mesmo ilidir sua condição de devedor solidário. Assim, viu-se o Recorrente subordinado, compulsoriamente, ao "poder do Príncipe". Fato este que caracteriza flagrante cerceamento de direito de defesa. Principio inafastável e basilar da administração publica. Assim requer seja reconhecido o cerceamento invocado e, anulado o auto ora recorrido. [...] (cita o art. 10, inciso IV do Decreto 70.235/72). "A Fiscalização imputou responsabilidade pessoal pelo crédito lançado, conforme prevê o art. 135, III, do CTN, para os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", (grifei). "Trinta pessoas físicas foram responsabilizadas com base no art. 135, III, do CTN, posto que houve a dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores...", (fls. 12.797). Como se observa nos transcritos acima é flagrante a discrepância entre a fundamentação lançada no Acórdão pelo Relator da DRJ e a sustentada pelos Fiscais quando da lavratura dos Termos supra. No Auto de Infração Impugnado não se vislumbra qualquer menção a irregularidade perpetrada pelo ora Recorrente que conduza a tipificação ínsita no art. 135, III, do CTN. Tanto o é que as razões lançadas na Impugnação enfrenta, veementemente, os fatos tipificados pela Fiscalização com supedâneo no art. 124, I, do CTN. Os quais, se enfrentados pela DRJ ao julgar a Impugnação conduziriam a nulidade do auto. Assim sendo, restaria ao julgador de 1 a . instancia declarar a nulidade do auto impugnado. AO REVÉS, preferiu inovar alterando a tipificação da conduta apurada pela fiscalização, para, tipificá-la no art. 135, III, do CTN. Ao proceder contra legis, o Julgador de 1 a . Instancia sucumbiu aos princípios basilares da administração publica. Quais sejam, o do contraditório e da ampla defesa. Agravando sobremaneira o auto de infração nos exatos termos do § 3 o . do art. 18 do Dec. 70.235/72, com redação dada pela Lei 8.748, de 1993. Compulsando os autos, constata-se do TVF que a fiscalização analisando os depoimentos do intimado e documentos anexos, conclui que o ora recorrente movimentou na qualidade de procurador, recursos depositados na conta bancária da empresa fiscalizada (Porto Velho Comercio Ltda) com a finalidade de efetuar transações de compra de café, inclusive que a procuração lhes outorgava poderes total de gestão. Por pertinente, transcrevo trechos da análise individual do voto combatido: Fl. 13584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 96 XV. 10.2 Contradições 192. Cotejando a declaração de Rubens Peterle (fls. 5.150/5.151) com sua Impugnação (fl. 11.215), constatamos que o Interessado caiu em contradição, pois, neste documento afirma que Renato Rigamonte: a) o procurou, no dia 15/08/2003, juntamente com Chtarlles Grillo Pelegrini, para celebrarem uma "parceria" comercial; b) entregou-lhe, em agosto de 2003, a procuração com amplos poderes (fl. 5.174, em que Renato Rigamonte e Chtarlles Pelegrini constam como sócios da Fiscalizada); c) o acompanhou até a agência Banestes de Vargem Alta, para abertura da conta corrente em nome da Fiscalizada; 193. Todavia, na declaração prestada à fiscalização, mencionou que: a) não conhecia Renato Rigamonte; b) o proprietário da Fiscalizada era Chtarlles Grillo Pelegrini; c) Chtarlles Pelegrini foi quem propôs a abertura da conta corrente em nome da Fiscalizada. 194. Além dos cheques que assinou, o Interessado informa (fl. 11.216) que também usava cheques assinados pela Fiscalizada (o que caracteriza interposição de pessoas). Tanto num caso quanto no outro, o Impugnante exercia de fato o controle sobre os recursos depositados, pois era ele mesmo quem preenchia os títulos e fornecia seus valores (fl. 5.151). XV. 10.3 Outorga e exercício do poder de gestão 195. O Interessado recebeu poderes para representar a Fiscalizada: perante quaisquer instituições bancárias e/ou financeiras, [...], podendo abrir e/ou movimentar contas correntes, poupança e/ou aplicações, assinar e endossar cheques [...] (fl. 5.174). 196. Diretamente (fls. 5.176/5.181) ou por meio de interpostas pessoas, o poder de emitir cheques foi efetivamente utilizado, o que caracteriza a gerência financeira da Fiscalizada. 197. Rubens Peterle alega que recebeu procuração válida até 18/08/2004, logo não poderia ser responsabilizado "pelos fatos geradores ocorridos entre 18/08/2004 e 31/12/2005". Contudo, conforme já vimos, Peterle atuou também por meio de interpostas pessoas, de modo que a extinção formal de seu mandato não coincide necessariamente com o término de sua gestão. Além disso: a) a conta Banestes n° 9.432.782 da agência Vargem Alta só foi encerrada em 29/06/2006 (fl. 11.252); b)os extratos de fls. 11.332/11.411 demonstram que a aludida conta continuou a ser movimentada, tanto pelo recebimento de receitas quanto pelo desconto de cheques, até outubro de 2005. 198. As alegações do Interessado não o afastam do perfil traçado na seção XIII, de modo que sua responsabilidade abrange a parcela do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram durante o período em que atuou informalmente como sócio-gerente da Fiscalizada. Pela leitura dos autos resta claro que no caso trata-se de um esquema montado no Estado do Espírito Santo com vistas a fraudar a Fazenda Publica mediante artifícios com uso de empresas constituídas para este fim, sob a gerencia comercial e financeira de pessoas físicas com poderes totais, outorgados em procuração pública pela pessoa jurídica fiscalizada. Mais uma vez transcrevo trechos do TVF: Fl. 13585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 59 97 De início, cabe esclarecer que tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo empresas do ramo de café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes. Essas empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, não comunicam à Receita Feral do Brasil os procedimentos de praxe, já que os sócios não possuem capacidade financeira para arcar com os débitos tributários causados. Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadram-se perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. A partir da instituição das leis que criaram o Programa de Integração Social PIS não cumulativo (da Lei n° 10.637, de 30/12/2002) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não cumulativa ( Lei n° 10.833, de 29/12/2003) foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo, para atuarem,na comercialização de café junto aos produtores (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras)e atacadista de café optantes pela tributação do IRPJ com base no lucro real) à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os; valores dessas compras. Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso as aquisições fossem realizadas diretamente de pessoas físicas. Referidos percentuais seriam presumidos respectivamente de 0,57 e 2,66%, a título de PIS e COFINS( Lei 10.925, de 23/07/2004). A empresa Porto Velho Comercio Ltda iniciou suas atividades em julho de 2003, com o capital social de R$ 100.000,00 considerado muito baixo para atividade econômica que pretendia desenvolver. Durante os anos de 2004 e 2005 substituiu e admitiu novos sócios com baixa capacidade econômica, nomeou por meio de instrumento público vários procuradores (negociantes do ramo de café) com poderes para representá-la junto aos bancos, abrirem contas bancárias em seu nome e movimentarem os recursos de suas contas bancárias nas suas regiões na negociação de café junto aos produtores. Ainda do TVF (fls. 10280) consta que o Sr.RUBENS PETERLE prestou depoimento de 5.150/5.153, do qual analisado juntamente com os documentos bancários recebidos de fls. 5.163/5.182, a autoridade fiscal conclui, em síntese, que esta pessoa: a) movimentou, como procurador, os:recursos depositados a conta bancária n° 9.432.782, Agência 0187 (Vargem Alta/ES), aberta em agosto de 2003, no BANESTES S/A; pertencente à fiscalizada nas operações comerciais de café junto aos produtores rurais. b) possuía poderes de gestão. Tais poderes foram reconhecidos na procuração que lhe foi outorgada e utilizada na abertura da conta bancária acima identificada; Referidos fatos comprovam a sua participação nos negócios comerciais da fiscalizada e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. l24, I, da Lei 5172, de 1966, Código Tributário Nacional, devendo o mesmo responder pessoal e solidariamente perante a Fazenda Pública pelos créditos tributários apurados no presente processo fiscal. Fl. 13586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 98 O fundamento legal da responsabilidade (Termo de sujeição passiva) que foi imputada ao recorrente repousa no art. 124, I do CTN e resulta, precisamente, do interesse comum constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência, vejamos o depoimento do Sr. Rubens Peterle (fls. 5150/5153): -que reside em Rio Novo do Sul desde a infância; -que possui o 1 o . grau incompleto; -que é produtor rural; -que foi o senhor Chtarlles Grillo Pelegrini que lhe propôs a abertura da conta corrente n° 9.432.782, Agência 0187- 2(Vargem Alta/ES), aberta em agosto de 2003, no BANESTES S/A em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda, tendo o declarante como procurador; -que os recursos depositados na conta corrente n° 9.432.782 destinavam-se exclusivamente a pagamentos de compras de café junto aos produtores rurais para a empresa Porto Velho Comércio Ltda. -que o controle de entrada e saída de dinheiro da conta bancária n° 9.432.782 mantida no BANESTES S/A era feito pelo declarante e pela empresa Porto Velho Comercia Ltda; -que as notas fiscais de saídas do produtor rural eram emitidas pelos mesmos e controladas pela empresa Porto Velho Ltda; -que os cheques eram preenchidos pelo declarante; -que os valores dos cheques eram fornecidos pelo declarante; -que os cheques emitidos em seu nome eram destinados a pagamento de café. Tais cheques eram sacados no Caixa do BANESTES S/A e pago em dinheiro ao produtor rural; -que, o dono da empresa Porto Velho Comércio Ltda é o Senhor Chtarlles Grillo Pelegrini; -que não conhece o Sr. Renato Coelho Rigamonte; -que, as operações de compra de café junto ao produtor rural, iniciava-se com a ligação do declarante para o Sr. Chtarlles Grillo Pelegrini, outras vezes, para os Corretores de Café, onde eram definidos o preço para aquisição do mesmo. Conclui dizendo que a operação final de compra era definida pela declarante; Ao meu ver, referidos fatos comprovam a participação nos negócios comerciais e financeiros da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O artigo 124 está localizado no Capítulo IV ¨Sujeito Passivo¨ enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. É dizer, esse Fl. 13587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 60 99 interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do Sr. Rubens Petrele e da empresa Porto Velho. Ao meu ver, no caso, a pessoa física (Sr. Rubens), de fato, pratica (realiza) os fatos que constitui a finalidade social da empresa fiscalizada. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por fim, até entendo que a responsabilização solidária das pessoas físicas nos termos do artigo 124, I do CTN, não é suficiente para designá-las coobrigadas. Contudo, os fatos descritos no TVF relatam uma situação de ações compreendendo a criação dissimulada de empresa (Porto Velho Comercio Ltda) com gestão comercial e financeira através de pessoas físicas, por procuração publica outorgando-lhes amplo poderes, a fim de acobertar a sonegação fiscal. A criação de empresas sob falsa titularidade constitui infração à lei, e os atos de gerência da empresa envolvida como descrito, no sentido de desviar o faturamento constituem, como um todo, infração à lei e ao contrato social ou estatuto. Nessas condições, os fatos descritos dão cobertura à responsabilização solidária de todos aqueles que a fiscalização identificou como tais. Portanto, evidenciada a íntima relação entre o recorrente e a empresa Porto Velho Comercio Ltda e, por conseqüência, o interesse comum neste fato gerador, além da ausência de qualquer prova em contrário produzida pelo interessado, correta a conclusão fiscal que lhe imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários aqui constituídos, limitando ao período em que movimentaram as contas bancárias conforme Tabela 2 do voto recorrido as fls. 12.445. Por tais razões, neste item, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário acerca da responsabilidade solidária imputada. Com relação ainda ao recurso voluntário, à evidência, resta claro, inexistir nulidade dos autos em face da alegada “discrepância entre a fundamentação lançada no Acórdão e a sustentada pelos fiscais quando da lavratura dos termos supra”. Outra nulidade argüida pelo recorrente diz respeito a ausência de intimação para que comprovasse a origem dos depósitos nos termos do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, faz citação a Sumula CARF 29. Aqui, também, não prospera tal alegação. Durante o procedimento de fiscalização há prova que o mesmo fora chamado para esclarecer seu papel nos fatos. Fl. 13588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 100 Ademais, na fase inquisitória é privativo da autoridade administrativa instruir o processo com os dados que produziu. A oitiva e defesa têm momento próprio, com a instalação do contraditório, nos termos do artigo 14 do Decreto 70235/1972. Tanto no procedimento de fiscalização, quanto na formalização da peça fiscal, nenhum vício se observa que os tornem nulos. Durante os trabalhos, ressalte-se que os autuantes, na busca da verdade material, tiveram o cuidado de realizar diversas intimações, solicitando todas as informações necessárias para esse fim. De outro lado, a ampla defesa em momento algum foi arranhada, tendo sido assegurada a todos os litigantes, o direito de, prestarem à Fiscalização, as informações que quisessem. Especificamente com relação à violação ao art. 42 da Lei 9.430, de 1996, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor: A omissão de receita não foi apurada pela fiscalização com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas por meio de diferenças entre as receitas escrituradas no Livros de Registro de Saídas e as declaradas em DIPJ. Portanto, não procede a alegação de que a tributação deveria ter observado o disposto na art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, nem há que se falar, por exemplo, em intimação para comprovar origem de recursos. Rechaço, portanto, as preliminares argüidas. Com relação a multa aplicada no percentual de 150% e a decadência, temas tratados na ordem inicial deste voto no item relativo ao Recurso de Ofício. Por fim requer seja o recorrente afastado da obrigação de recolhimento dos tributos e acessórios referente ao período em que não tinham poderes para gerir a conta da fiscalizada, qual seja: de 18/08/2004 a 31/12/2005. Aqui, neste ponto, me reporto e me filio as argumentações do voto condutor ora guerreado e acima transcrito, que contradiz as afirmações do recorrente ao apontar que o recorrente movimentou a conta corrente da fiscalizada Banestes 9.432.782, Ag. Vargem Alta, no período de jan/2004 a out/2005, tanto pelo recebimento de receitas quanto pelo desconto de cheques, (doc. de fls. 745/746 conf. Tabela 2 do Voto, fls.12445 e extratos de fls 11.322/11.411), o que caracteriza a administração financeira no período em tela. A referida conta somente foi encerrada em 29/06/2006 (doc. de fls. 11.252). Requer, ainda, nesta fase recursal a juntada aos autos de cópia do auto do processo administrativo 10783.721999/2012-60. Trata o mesmo de auto de infração apensado ao processo administrativo 10783.725179/2011-66, da empresa Exportadora de Café Astolfo, já julgado por esta Corte Administrativa (Acórdão 3301-001.907), sessão de 25/06/2013, crédito tributário mantido por unanimidade. O derradeiro ponto de bloqueio apontado nos recursos voluntários que ora se aprecia se refere aos juros de mora. A utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora está prevista em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negar-lhe aplicação. A matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 13589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 61 101 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.". Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso interposto, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). 21. – SERGIO BRAMBILLA Recurso voluntário tempestivo. Dele conheço. Nesta fase recursal o interessado renova as argumentações iniciais, aduzindo com relação ao Acórdão combatido, em síntese, que: 1) O julgador de primeira instância inova ao citar que a fiscalização imputou responsabilidade pessoal com base no art. 135, III, do CTN, pois, no caso, na lavratura do auto de infração foi utilizado somente e unicamente o art. 124, I, para responsabilizar as pessoas físicas. 2) Da nulidade da inclusão do recorrente como sujeito passivo solidário; da falta de intimação regular e individualizada do recorrente para comprovar a movimentação financeira e majoração da base de cálculo (art. 42 da Lei 9.430, de 1996). 3) Da decadência e da multa qualificada no percentual de 150%. 4) Da falta de previsão legal para autoridade fiscal imputar a terceiro responsabilidade solidária pelo crédito tributário autuado e, ausência de prova inequívoca de que o recorrente teria interesse comum na situação que constitui a totalidade da fato gerador. 5) Por fim, argüi a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC. Da decadência e da multa qualificada de 150% as matérias já foram objetos de apreciação na parte inicial deste voto ao tratar do Recurso de Ofício. Com relação as argüições de inconstitucionalidade (violação aos princípios do não confisco, da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária), matérias muito bem enfrentadas pela decisão ora recorrida, da qual transcrevo os trechos a seguir, por bem adotar seus fundamentos de decidir: 73. A este órgão colegiado não compete julgar, por exemplo, se o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que estabelece multa de 150% para o lançamento de ofício viola o princípio constitucional do não-confisco; ou se a mesma lei contém algum vício devido à adoção, no art. 61, § 3 o , da taxa Selic como juros de mora. A essa instância administrativa cabe, em apertada síntese, verificar a conformidade de atos administrativos ao direito positivo. 74. A competência para declarar inconstitucionalidades é, inclusive, expressamente afastada pelo art. 26-A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 13590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 102 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). 75. No Processo Administrativo Fiscal, o julgador não tem competência para negar aplicação a lei ou ato normativo, sob qualquer fundamento, inclusive o de inconstitucionalidade ou ilegalidade, conforme estabelece o art. 7 o da Portaria MF n° 58/2006 c/c o art. 116, III, da Lei n° 8.112/1990, in verbis: Portaria MF n° 58/2006, art. 7o: O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Lei 8.112/1990, art. 116: São deveres do servidor: III - observar as normas legais e regulamentares; Acrescento mais, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora além da previsão em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negar-lhe aplicação, a matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.". Assim, da mesma forma que a decisão a quo deixo de conhecer das arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. Quanto as matérias relativa a imputação da responsabilidade solidária (artigos 135, III, 124, I; inovação pela DRJ dos fundamentos legais, exclusividade da PFN em imputar a responsabilidade) e, ainda, a falta de intimação nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996, passo à análise. Primeiro ponto, cabe reprisar a transcrição da conclusão do voto condutor, a seguir: XIII.5 Conclusão 117. Trinta pessoas físicas foram responsabilizadas com base no art. 135, III, do CTN, posto que houve a dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas, seja no quadro societário, seja no grupo de procuradores. Face à pluralidade de sujeitos passivos, incidiu a regra do art. 124,1, do mesmo Codex, para torná-las solidariamente obrigadas. (grifo nosso) 118. A dissolução irregular da Fiscalizada e a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário são imputáveis a todos os verdadeiros sócios-gerentes, mas sua responsabilidade deve restringir-se à parcela do crédito correspondente aos fatos geradores acontecidos no período em que efetivamente controlaram as contas bancárias. Assim, por exemplo, como Paulo Márcio Leite Ribeiro controlou uma conta que recebeu recursos de março de 2004 a dezembro de 2005 (Tabela 2, abaixo), só poderá ser responsabilizado pela parte do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram neste período. (g.n.) 119. Para individualizar as responsabilidades, levantamos a Tabela 2, abaixo, em que são apresentados o primeiro e último meses de entrada das receitas, por conta bancária e sujeito passivo solidário. Fl. 13591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 62 103 Pois bem, constata-se pela simples leitura dos trechos acima transcritos ser imprópria a discussão trazida pela recorrente acerca da aplicação do art. 135 do CTN. O fundamento legal da responsabilidade que lhe foi imputada repousa no art. 124, I do CTN e resulta, precisamente, do interesse comum entre elas constatado nos fatos geradores que ensejam a presente exigência. À evidência, resta claro, inexistir nulidade dos autos em face da alegada “discrepância entre a fundamentação lançada no Acórdão e a sustentada pelos fiscais quando da lavratura dos termos supra”. Com relação à alegação do recorrente sobre a exclusividade da PFN para imputar responsabilidade sobre o crédito tributário a terceiros, entendo, neste ponto, que a fiscalização ao constatar situação que caracterize a responsabilidade tributária a representante ou procurador da empresa autuada, deve lavrar o respectivo termo, tal como ocorreu no presente feito administrativo. In casu, o inciso II, do parágrafo único, do art. 121, c/c o art. 142 e art. 149, VII, todos do CTN, autorizam o Termo de sujeição passiva solidária (auto de infração) contra o responsável solidário, identificado pela autoridade fiscal no curso da ação fiscalizadora. Outra nulidade argüida pelos recorrentes diz respeito a ausência de intimação para que os mesmos comprovassem a origem dos depósitos nos termos do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, faz citação a Sumula CARF 29. Aqui, também, não prospera tal alegação. Durante o procedimento de fiscalização o recorrente foi chamado para esclarecer seu papel nos fatos. Ademais, na fase inquisitória é privativo da autoridade administrativa instruir o processo com os dados que produziu. A oitiva e defesa têm momento próprio, com a instalação do contraditório, nos termos do artigo 14 do Decreto 70.235/1972. Tanto no procedimento de fiscalização, quanto na formalização da peça fiscal, nenhum vício se observa que os tornem nulos. Durante os trabalhos, ressalte-se que os autuantes, na busca da verdade material, tiveram o cuidado de realizar diversas intimações, solicitando todas as informações necessárias para esse fim. De outro lado, a ampla defesa em momento algum foi arranhada, tendo sido assegurada a todos os litigantes, o direito de, prestarem à Fiscalização, as informações que quisessem. Especificamente com relação à violação ao art. 42 da Lei 9.430, de 1996, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor, por concordar como razão de decidir: A omissão de receita não foi apurada pela fiscalização com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas por meio de diferenças entre as receitas escrituradas no Livros de Registro de Saídas e as declaradas em DIPJ. Portanto, não procede a alegação de que a tributação deveria ter observado o disposto na art. 42, caput e §§, da Lei n° 9.430/1996, nem há que se falar, por exemplo, em intimação para comprovar origem de recursos. Ainda, relativamente a esta matéria, transcrevo o trecho: Fl. 13592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 104 “234. O lucro arbitrado deve ser determinado conforme estabelece o art. 27 da Lei n° 9.430/1996 in verbis: Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. I o desta Lei; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. 235. Logo, a matéria tributável não é a receita omitida, mas a conhecida, que, no presente caso, corresponde à receita escriturada (coluna "Livro/ICMS" da primeira tabela da fl. 10.362). Na apuração do tributo lançado, a fiscalização descontou os valores declarados em DIPJ, conforme demonstrativos de fls. 10.344/10.347. Portanto, não houve o alegado erro de cálculo nas apurações do IRPJ nem da CSLL. 236. Para o PIS a a Cofins, a base de cálculo é a receita omitida, que foi apurada considerando os valor recolhidos pela Fiscalizada, conforme demonstrativos de fls. 12.336/12.339. Rechaço, portanto, a preliminar argüida. Por derradeiro requer, que não sendo o caso de exclusão ou anulação dos autos, seja restringida sua responsabilidade solidária a conta a ele supostamente vinculada. Extrai-se do TVF (fls. 10298/10300) os seguintes trechos: Dando seqüência ao trabalho fiscal intimamos o sócio Chtarlles Grillo Pelegrini, desta vez, para prestar esclarecimentos sobre a movimentação dos recursos da conta" bancária 20.840-0, agência 3010 (Afonso Cláudio/ES) aberta em dezembro de 2003 em nome da fiscalizada. Atendendo à intimação prestou os esclarecimentos de fls. 8871 a 8875, os quais, foram vertidos a Termo. No depoimento que prestou confirmou que assinou vários cheques em branco da conta bancária n° 20.840-0 mantida na Cooperativa de Crédito Sul - Serrana /ES, agência Afonso Cláudio/ES para que o senhor Sergio Brambilla movimentasse os recursos depositados na referida conta. Em outras palavras atribui, integralmente, ao senhor SERGIO BRAMBILLA à gestão da conta bancária acima identificada. Em seguida intimamos o senhor Sergio Brambilla a prestar esclarecimentos sobre sua participação na movimentação na referida conta. Atendendo à intimação, prestou o depoimento de fls. 8878 a 8081. Abaixo transcrevemos trechos do referido depoimento: -que possui o 2o grau completo; Fl. 13593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 63 105 -que é produtor rural, sendo sua principal a atividade a cafeicultura; -que sua produção de café anual gira em torno de 1200 sacas; -que nos anos de 2004 e 2005, o declarante vendeu parte de sua produção de café para a empresa Porto Velho Comércio Ltda, conforme notas fiscais n°s 0107 de 04/04/2005; 0112 de 19/07/2005; 00055 de 08/09/2005, 00056 de 08/09/2005; -que possui máquinas de seçagem de café em sua propriedade; -que, o declarante, não possui armazéns gerais para estocagem de café; -que o café produzido em suas propriedades ficavam estocados nas suas maquinas de secagem e pilagem; -que é correntista da Cooperativa de Credito Sul-Serrana do Espírito Santo desde 2000; -que, o declarante nunca atuou como corretor de café, entendendo como corretor, a pessoa que simplesmente faz a intermediação entre o comprador e o vendedor; -que, o café pilado e secado de terceiros em suas máquinas, algumas vezes foram indicados para venda pelo declarante para os compradores do ramo café; -que, sua comissão de : corretagem cobrada de terceiros pelos trabalhos de pilagem e secagem de:;café ficava entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca; -que não se recorda ter intermediado compra de café para a empresa Porto Velho Comércio Ltda nos anos de 2004 e 2005; -que o pagamento do café vendido à Porto Velho Comercio Ltda constante das notas fiscais de produtor rural n° 00055 de 08/07/2005 no valor de R$ 37.500,00; 00056 08/09/2005, no valor de R$ 7.500,00 ; 0107 de 04/04/2005, no valor de R$ 36.750,00 e 0112 de 19/07/2005 no valor de R$ 25.900,00 foram feitas em espécie ao declarante; -que, o café vendido à empresa Porto Velho Comércio Ltda mencionado nas notas fiscais acima, o declarante, confirma ter sido a própria empresa compradora que se encarregou da retirada do mesmo de sua propriedade; -que não se recorda se efetuou saque de cheques emitidos da empresa Porto Velho Comércio Ltda na boca do Caixa da Cooperativa de Crédito Sul - Serrana do Espírito Santo , na Agencia de Afonso Cláudio/ES para pagamento de café; -que os pagamentos do café constantes das notas fiscais 00055; 00056; 0107 e 0112 foram feitos, pessoalmente, pelo senhor Chtarlles Grillo Pelegrini na sede de sua propriedade; -que, o declarante conhece pessoalmente o senhor Chtarles Pelegrini; -que, indagado, disse não conhecer o senhor Renato Coelho Rigamonte; -que, apesar de ter notas fiscais de venda de café de sua produção para a empresa Porto Velho Comércio Ltda, o declarante não sabe informar onde funcionava a referida empresa; Fl. 13594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 106 -que, o declarante confirma ter cedido seu nome e o número do telefone (027) 3735-1305 como referencia pessoal na abertura da conta bancária n° 20.840-0, Agência Afonso Cláudio/ES, mantida na Cooperativa de Crédito Sul - Serrana do Espírito em nome da empresa Porto Velho Comércio Ltda, tendo como representantes os sócios Chtarlles Grillo Pelegrini e Jailson Reis dos Anjos. Em resposta a intimação fiscal a Sra. Adriana Maria Seibel Monteiro, Sr. Alex Sandro Fernandes Martins, Sra. Maria Cecília da Costa Soares, Sra. Michele Davila Souza, Sra. Jaquelane C Bragatto (Gerente e funcionários da instituição financeira) atestam que o Sr. Sergio Brambilla normalmente comparecia na agencia para descontar os cheques emitidos pela empresa Porto Velho Comercio Ltda e dar destinação aos recursos (depositar em contas de terceriso, pagar titulo, etc) (TVF fls. 10299/10301). No meu entender, os referidos fatos acima descritos comprovam a participação nos negócios comerciais da fiscalizada pelo recorrente e caracteriza sua responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. O artigo 124 está localizado no Capítulo IV ¨Sujeito Passivo¨ enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do Sr. Sergio Brambilla e da empresa Porto Velho. Ao meu ver, no caso, a pessoa física (Sr. Sergio), de fato, pratica (realiza) os fatos que constitui a finalidade social da empresa fiscalizada. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada foram utilizadas por terceiros para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira. Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteu-se em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos verdadeiros sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Por fim, até entendo que a responsabilização solidária das pessoas físicas nos termos do artigo 124, I do CTN, não é suficiente para designá-las coobrigadas. Contudo, os fatos descritos no TVF relatam uma situação de ações compreendendo a criação dissimulada de empresa (Porto Velho Comercio Ltda) com gestão comercial e financeira através de pessoas físicas, por procuração publica outorgando-lhes amplo poderes, a fim de acobertar a sonegação fiscal. A criação de empresas sob falsa titularidade constitui infração à lei, e os atos de gerência da empresa envolvida como descrito, no sentido de desviar o faturamento constituem, como um todo, infração à lei e ao contrato social ou estatuto. Nessas condições, os fatos descritos dão cobertura à responsabilização solidária de todos aqueles que a fiscalização identificou como tais. Fl. 13595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 64 107 De todo o quanto exposto e do que consta dos autos, deixa claro que o exercício do poder de gestão pelo recorrente resta caracterizado pela emissão efetiva de cheques (fls. 8.999/10.194), na Conta SICOOB 20840-0, Ag. 3010 (Afonso Cláudio/ES), no período de janeiro/2005 a novembro/2005, (docs. de fls. 823/827) e Tabela 2 integrante do voto (fls. 12.446), o que caracteriza a gerência financeira indireta da empresa fiscalizada. Por todo o exposto, também, com relação a responsabilidade tributária atribuída, voto por negar provimento ao recurso interposto, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência (Recurso de Ofício). LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), por possuírem os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação aos decorrentes, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Por tudo o quanto exposto, em resumo, o presente voto é no sentido de afastar as preliminares de nulidades e NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários, mantendo na integralidade a decisão emanada em primeira instância com a ressalva do quanto decidido com relação aos períodos abrangidos pela decadência apreciada no Recurso de Ofício, o qual neste ponto DOU PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a decadência com relação ao IRPJ e CSLL dos fatos geradores ocorridos nos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres do ano calendário de 2004. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Declaração de Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Analisei os elementos contidos nos autos e acompanhei, detidamente, a evolução do pensamento do ilustre Sr. Relator, e, com a mais respeitosa vênia, destaco aqui os termos e fundamentos da divergência por mim levantada, específica e exclusivamente no que diz respeito aos critérios utilizados pelos agentes da fiscalização para a imposição das pretendidas “responsabilidades solidárias” dos sócios e representantes. A discussão, conforme aqui se verifica, refere-se, inicialmente, à identificação dos contornos fáticos da demanda, e, a partir daí, a possibilidade (ou não) de imposição de responsabilidade a terceiros (sócios, representantes, mandatários, etc.), fundada nas disposições contidas em nosso ordenamento jurídico pátrio. Fl. 13596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 108 A matéria, é bem verdade, não é nova na doutrina e jurisprudência nacionais, sendo, a seu respeito, inclusive, as célebres lições a respeito da hermenêutica própria aplicável às disposições do Art. 135 do CTN, especificamente quanto ao seu inciso III e, no caso, os limites de sua aplicação. Eis o teor específico do dispositivo invocado: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (Destaque nosso) A par de todo o desenvolvimento teórico a respeito da matéria, é relevante destacar que, atualmente, a questão encontra-se já pacificada pela jurisprudência nacional, sobretudo ante a análise do julgamento proferido pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça – STJ, que, sob a sistemática própria dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543-C do CPC), assim então já se pronunciou no julgamento do REsp 1101728 / SP: Processo REsp 1101728 / SP - RECURSO ESPECIAL 2008/0244024-6 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 11/03/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 23/03/2009 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543-C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Acórdão Fl. 13597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 65 109 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou, oralmente, o Dr. AYLTON MARCELO BARBOSA DA SILVA, pela recorrida. (Destaque nosso) Pelo que aqui se verifica, na linha que há tempos, inclusive, temos já sustentado, o julgamento paradigma fundamental editado pelo Colendo STJ a respeito aos específicos contornos da aplicação das disposições do Art. 135, inciso III do CTN – e, no caso, a responsabilização tributária de terceiros -, é clarividente no sentido que não se mostra suficiente a simples demonstração ou identificação da ocorrência do inadimplemento do montante devido. É fundamental que, em cada caso, reste devida e especificamente comprovada a atuação com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, sem a qual, definitivamente, não se pode admitir a responsabilização dos referidos agentes. Estando hoje já assentado o entendimento a respeito das limitações próprias do campo de aplicação do referido dispositivo, tem-se verificado, nos dias atuais, um “redirecionamento” dos fundamentos, agora não mais se limitando à aplicação das disposições do mencionado Art. 135, mas sim, objetivamente, buscando-se a partir das disposições do Art. 124, inciso I do CTN, a (re)abertura do flanco de responsabilidade de terceiros. O art. 124 do CTN, por sua vez, assim especificamente se apresenta: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Pelos muitos debates que temos empreendido, verifica-se que, de forma reiterada, os fundamentos trazidos pelos agentes da fiscalização fazendária (e muitas vezes, inclusive, especificamente admitidos nas sessões de julgamento) apontam para a existência do dito “interesse comum” no fato de que o resultado da operação ilícita/irregular seria, de alguma forma, beneficiado os agentes especificamente considerados (sócios, representantes, mandatários, etc.), possibilitando-se, assim – segundo entendem -, a imposição da referida responsabilidade solidária. Ocorre que, com a mais respeitosa vênia, o entendimento indicado por aqueles que defendem essa tese não se mostra coerente com a interpretação de nosso próprio ordenamento jurídico, sobretudo porque, acaso admitida na espécie, com toda a certeza, as disposições do Art. 124, inciso I simplesmente tornariam inúteis e desnecessárias quaisquer outras considerações relativas aos critérios normativos de responsabilidade de terceiros, Fl. 13598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 110 tornando imprestáveis, assim, tudo o que até hoje já se construiu a respeito da hermenêutica própria daquele mencionado Art. 135, inciso III do CTN. Tal distinção, penso, é aqui fundamental, sobretudo porque ao admitir a possibilidade de imposição de responsabilidades a terceiros pela via das disposições do Art. 124 do CTN, impõe-se a completa e total inutilidade das disposições dos artigos 134 e 135 daquele mesmo diploma legal, o que, por sua vez, não se mostra como a mais adequada hermenêutica a ser aplicada à espécie (“A lei não contém palavras inúteis”). As disposições do mencionado Art. 124 do CTN, com toda a certeza, tratam, na verdade, as “normas gerais” para a definição (legal) da chamada Sujeição Passiva Tributária, não se referindo, absolutamente, a qualquer comando que importe na possibilidade de responsabilidade de terceiros, da forma como se tem então equivocadamente sustentado. Diante da adequada interpretação a ser aplicada ao referido dispositivo, não vejo como razoável ou possível a imposição de responsabilidade de sócios, gestores ou mandatários pela aplicação das disposições do mencionado Art. 124, inciso I do CTN, devendo, sempre, e em cada caso, ser efetivamente identificada a configuração das limitadas hipóteses presentes nas disposições dos Art.s 134 e 135 do Código Tributário Nacional. O Colendo Superior Tribunal de Justiça, vale destacar, possui inúmeros precedentes no exato sentido de inadmitir a aplicação das disposições do mencionado Art. 124 do CTN como meio para a imposição de responsabilidade tributária solidária a terceiros, destacando, de forma renitente, que a solidariedade pretendida somente se mostra possível quando os agentes especificamente considerados tenham, efetivamente, participado da prática do ato legalmente definido como o fato gerador do tributo lançado. Nesse sentido, destacam-se os seguintes precedentes: Processo AgRg no AREsp 429923 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 10/12/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 16/12/2013 Ementa PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTENTE. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida. 2. Vê-se, pois, na verdade, que a questão não foi decidida conforme objetivava a recorrente, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. 3. É sabido que o juiz não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. 4. Correto o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de Fl. 13599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 66 111 um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 5. A pretensão da recorrente em ver reconhecida a confusão patrimonial apta a ensejar a responsabilidade solidária na forma prevista no art. 124 do CTN encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, cordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. A jurisprudência daquela Colenda Corte, como se verifica, de forma reiterada afirma que a aplicação das disposições do Art. 124, inciso I do CTN somente possuem cabimento nas circunstâncias em que reste devidamente comprovado que as pessoas especificamente consideradas tenham ambas participado da efetiva e eficaz concretização do fato gerador tributário, sendo essa, então, o exclusivo campo de utilização do referido comando normativo. A imposição de responsabilidade tributária a terceiros (sócios, gestores e dirigentes) somente se mostra possível nas hipóteses em que reste devidamente comprovada a concretização das hipóteses expressamente previstas nas disposições dos Artigos 134 ou 135 do CTN. Nesse sentido, inclusive, vejamos o entendimento reiterado naquela por aquela Corte no seguinte precedente: Processo EREsp 702232 / RS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL 2005/0088818-0 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 14/09/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 26/09/2005 p. 169 Ementa TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ART. 135 DO CTN. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE. EXECUÇÃO FUNDADA EM CDA QUE INDICA O NOME DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. DISTINÇÃO. 1. Iniciada a execução contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sócio-gerente, que não constava da CDA, cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN. Se a Fazenda Pública, ao propor a ação, não visualizava qualquer fato capaz de estender a responsabilidade ao sócio-gerente e, posteriormente, pretende voltar-se também contra o seu patrimônio, deverá demonstrar infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, dissolução irregular da sociedade. 2. Se a execução foi proposta contra a pessoa jurídica e contra o sócio-gerente, a este compete o ônus da prova, já que a CDA goza de presunção relativa de liquidez e certeza, nos termos do art. 204 do CTN c/c o art. 3º da Lei n.º 6.830/80. Fl. 13600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 112 3. Caso a execução tenha sido proposta somente contra a pessoa jurídica e havendo indicação do nome do sócio-gerente na CDA como co-responsável tributário, não se trata de típico redirecionamento. Neste caso, o ônus da prova compete igualmente ao sócio, tendo em vista a presunção relativa de liquidez e certeza que milita em favor da Certidão de Dívida Ativa. 4. Na hipótese, a execução foi proposta com base em CDA da qual constava o nome do sócio-gerente como co-responsável tributário, do que se conclui caber a ele o ônus de provar a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. 5. Embargos de divergência providos. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça "A Seção, por unanimidade, conheceu dos embargos e deu-lhes provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." A Sra. Ministra Denise Arruda e os Srs. Ministros Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon, Franciulli Netto, Luiz Fux, João Otávio de Noronha e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, ocasionalmente, o Sr. Ministro José Delgado. Na mesma linha de entendimento, verifica-se no entendimento daquela Colenda Corte no sentido de que não basta que o interesse seja “econômico”, conforme, mais uma vez, extrai-se dos seguintes arestos: Processo REsp 834044 / RS RECURSO ESPECIAL 2006/0065449-1 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 11/11/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 15/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO CONGLOMERADO FINANCEIRO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃO-OCORRÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. "Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas" (HARADA, Kiyoshi. "Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador"). 2. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. 3. Recurso especial desprovido. Acórdão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Francisco Falcão, Luiz Fux e Teori Albino Zavascki votaram com a Sra. Ministra Relatora. (grifos e destaques nossos) Fl. 13601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 67 113 =================================================== Processo AgRg nos EDcl no REsp 375769 / RS AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2001/0153788-4 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2007 Data da Publicação/Fonte DJ 14/12/2007 p. 379 Ementa TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR (CONTRATANTE) – ART. 31 DA LEI 8.212/91. 1. O STJ entende haver responsabilidade solidária entre a empresa tomadora e a prestadora de serviço, para o cumprimento das obrigações previdenciárias, admitindo, contudo, a isenção da referida solidariedade apenas se a prestadora de serviço recolher, previamente, as ditas contribuições previdenciárias. 2. Caracteriza-se solidariedade tributária quando duas ou mais pessoas sejam simultaneamente obrigadas pelo pagamento do crédito tributário. 3. O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso I determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)- Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Eliana Calmon e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. A partir desses precedentes, verifica-se, sem qualquer sombra de dúvidas, que as disposições do mencionado Art. 124, inciso I do CTN não se prestam, de forma alguma, para a imposição da responsabilidade de terceiros, conforme assaz pretendido, mas sim, referem-se às circunstâncias em que pessoas (contribuintes) atuem na prática objetiva da situação legalmente prevista como hipótese de incidência tributária (materialização do fato gerador), o que, com toda a certeza, é muitíssimo distinta daquela tratada no presente feito. Para que se mostrasse possível a imputação de responsabilidade de terceiros nos presentes autos, necessária seria a específica indicação de atuação própria de cada agente, dentro das estreitas hipóteses admitidas pelas mencionadas disposições do Art. 135 do CTN, o que, a bem de ver, em momento algum restou então objetivamente configurado. Analisando as circunstâncias próprias e específicas dos presentes autos, chama-nos a atenção a imposição de responsabilidade pelos agentes da fiscalização a diversos representantes da pessoa jurídica, sobretudo por entender como suficiente o simples fato de existência, em relação a alguns deles, de “Instrumentos de Procuração” outorgadas. Fl. 13602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 114 A respeito desse ponto específico, devo destacar, já há tempos me tenho manifestado nas sessões deste Conselho por não verificar pelo simples fato da existência de “mandato” (instrumento de procuração) a possibilidade de configuração das hipóteses do Art. 135, inciso III do CTN. Na verdade, na linha assente pela doutrina civilista, a concessão de mandato representa, por si, efetivo e verdadeiro exercício de direito potestativo do mandante, que, inclusive, sequer demanda a necessidade de concordância do mandatário. A respeito dessa matéria, relevantes se apresentam as disposições dos Art. 653 e seguintes do Código Civil, que, a respeito do mandato, assim então especificamente estabelecem: Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 2o O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. (...) Art. 659. A aceitação do mandato pode ser tácita, e resulta do começo de execução. (...) A existência do mandato, por si só, a meu ver, não acarreta, a conclusão de que o agente esteja inteiramente vinculado aos fatos praticados pelos mandantes. Na verdade, a responsabilidade do mandatário, em cada caso, deverá ser apurada de acordo com os atos por ele então especificamente praticados. Tais considerações aqui se fazem relevantes, sobretudo porque, nos autos, em momento algum se verifica a efetiva comprovação da realização de um ato que, por si, importe em consideração de ato contrário à lei ou aos estatutos. Da análise dos elementos contidos nos autos, destaco aqui - ao menos a título de exemplo -, a situação da Sra. MORGANA FADINI MAGEWSKI, verificando que o fundamento da imputação da referida “Responsabilidade Solidária” refere-se, exclusivamente, aos fatos de que a referida senhora: i) possuía procuração para a movimentação das contas da empresa; e ii) que em diversos cheques, ter-se-ia verificado o registro, pelos respectivos agentes bancários, da inscrição “OK Morgana”. Com todas as vênias, apesar de todos os esforços empreendidos, não encontro nos autos nenhum elemento que se apresente suficiente para a demonstração de qualquer ato específica e objetivamente praticado pela referida senhora “Morgana” que pudesse, ao menos em tese, aqui configurar as circunstâncias contidas no caput do Art. 135 do CTN, autorizando a pretendida responsabilidade de terceiros. Fl. 13603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.000019/2010-70 Acórdão n.º 1301-001.525 S1-C3T1 Fl. 68 115 Ora, conforme antes sustentado, o simples fato de possuir uma procuração outorgada em seu nome não se mostra suficiente para a imposição da responsabilidade. Para que se faça possível, mostra-se fundamental a comprovação de ato específico por ela praticado, o que, por sua vez, não se identifica em uma linha sequer nos presentes autos. O registro “Ok Morgana” no verso dos cheques, também não se mostra suficiente, sobretudo porque, além de não se mostrar como ato praticado pela referida Senhora, sequer se pode afirmar tratar-se da mesma pessoa. A comprovação da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, é ônus próprio e específico dos agentes da Fazenda Pública, o que, nos presentes autos, efetivamente não se verifica, não se podendo, assim, de forma alguma admitir a pretendida imposição de responsabilidade. Nesses termos, seja por entender inadequada a aplicação das disposições do Art. 124, inciso I do CTN como fundamento para a imposição da responsabilidade tributária de terceiros, ou ainda, no presente caso, de não restar objetivamente demonstrada e comprovada a prática de quaisquer dos atos indicados no caput do Art. 135 do CTN, especificamente em relação à Sra. MORGANA FADINI MAGEWSKI, entendo, com todas as vênias, assistir razão à sua oposição nos presentes autos, razão porque, então, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário por ela proposto. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Fl. 13604DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 05/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por CARLOS AUGUSTO DE A NDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Relatório Voto
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Numero do processo: 13770.000419/2002-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/11/1988 a 31/12/1989
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL - FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº118, de 2005.
SÚMULA CARF Nº 91:
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/11/1988 a 31/12/1989 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL - FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº118, de 2005. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flávio de Castro Pontes.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº118, de 2005. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 04 19 /2 00 2- 62 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flávio de Castro Pontes. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13770.000419/200262 contra o acórdão nº 8.878, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 11 de julho de 2005, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: A contribuinte supraidentificada requereu em 10/04/2002, junto à Delegacia da Receita Federal em Vitória, a restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Finsocial, no período de apuração de 01/11/1988 a 31/12/1989, no montante de R$ 35.863,43, conforme fls. 01/22. A DRF Vitória/ES analisou a solicitação (Despacho Decisório de fls. 28/30), concluindo pelo seu indeferimento, em razão de estar extinto, quando da solicitação, o direito de restituição dos recolhimentos efetuados, em face do prazo previsto no Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 26 de outubro de 1966 CTN), art. 165, inc. I e art. 168, inc. I. Irresignada com o indeferimento do seu pedido, do qual teve ciência em 25/06/2003 (fl. 48), a interessada apresenta em 30/06/2003, manifestação de inconformidade às fls. 35/43, 50/51 e 54/55, com as argumentações abaixo sintetizadas: que, consoante jurisprudência dominante no Conselho de Contribuintes, a contribuição ao Finsocial em alíquota superior a 0,5 % somente passou a ser indevida após a edição da Instrução Nornativa SRF n° 31/97, cuja publicação se deu em 10 de abril de 1997; o Parecer COSIT n O 4, de 28 de janeiro de 1999, adotou o entendimento de que o tem na inicial da prescrição, na hipótese de que trata (PDV), seria o ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, no caso, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98, conforme jurisprudência administrativa que faz citar; a decisão recorrida contrariou entendimentos sedimentados do Judiciário, que é o de considerar o prazo prescricional a partir da homologação, que no caso se deu de forma tácita após cinco anos de efetivado o pagamento, citando decisões neste sentido. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/l l/1988 a 31/12/1989 Ementa: FINSOCIAL. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 5 4 O prazo prescricional para pleitear a restituição/compensação extinguese em cinco anos, contados do pagamento/extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 77/82, expondo que: 1 A Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 31/97, reconhecendo e tornando exigível o direito de ressarcimento dos valores recolhidos a maior a título da exação em comento; 2 O prazo para requerimento de restituição e compensação junto à Receita Federal, é de 5 anos para requerimento, cuja contagem se inicia com o ato administrativo que reconhece o indébito tributário; 3 O prazo para requerimento de pedido de restituição iniciase a partir da publicação do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário; 4 Sustentar a prescrição de 5 anos a partir do efetivo pagamento ou homologação é ferir cabalmente os fundamentos da Carta Magna, além de colaborar e incentivar os abusos cada vez mais claros da União em face dos contribuintes; 5 De acordo com o atual entendimento do STJ, o prazo para repetição de tributos sujeitos à lançamento por homologação é de 10 anos a contar do recolhimento indevido, não se aplicando ao caso a LC 118/05; É o sucinto relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Trata se de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, relativas aos períodos de apuração de 01/11/1988 a 31/12/1989, no montante de R$35.863,43, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei nº 7.689, de 1988. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data dos pagamentos indevidos. Sobre a matéria já pronunciou de modo definitivo o STF, no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, sob o regime dos recursos repetitivos. Determina 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao razão de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 7 6 violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 91, que determina: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Em síntese, os Contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Como o Contribuinte protocolou seu pedido em 11/04/2002 concluise que todos os valores não são passíveis de restituição/compensação. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13770.000419/200262 Acórdão n.º 3801005.244 S3TE01 Fl. 8 7 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901928/2008-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 28 /2 00 8- 44 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 36949.73288.090304.1.3.042708, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.953,33, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração maio de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSPe não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901928/200844 Acórdão n.º 3803006.968 S3TE03 Fl. 162 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 22 de outubro de 2012, segundafeira, conforme AR de fl. 32, irresignada, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 33/34. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. A data final para apresentação do recurso foi 21 de novembro de 2012, quartafeira. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não estampa preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.918904/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/10/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 04 /2 01 2- 17 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918904/201217 Acórdão n.º 3801005.087 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.004633/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 14/08/1999 a 24/04/2002
CONTRIBUIÇÃO. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ATO NORMATIVO. OBSERVÂNCIA. PENALIDADE. EXCLUSÃO.
As ações praticadas pelo contribuinte com observância das disposições contidas em ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-01.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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PRAZO DE RECOLHIMENTO. ATO NORMATIVO. OBSERVÂNCIA. PENALIDADE. EXCLUSÃO. As ações praticadas pelo contribuinte com observância das disposições contidas em ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 02/126. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos de agosto de 1999 a abril de 2002, constituiu crédito tributário no montante de R$ 3.630.435,04, incluídos principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até o mês anterior ao de lavratura. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 02/13, a autoridade autuante relata, em síntese, que o valor apurado é decorrente de falta de recolhimento de CPMF em virtude de medida judicial posteriormente revogada. Afirma aquela autoridade que os débitos foram apurados com base nas informações fornecidas pelas instituições financeiras junto às quais a fiscalizada mantinha contas correntes, através do demonstrativo denominado VALORES INFORMADOS PELOS DECLARANTES (fls. 127/150), que foram prestadas em atendimento ao disposto no art. 45, inciso IV, da Medida Provisória nº 2.11330, de 2001, em informações prestadas pela própria contribuinte em atendimento a intimações fiscais, bem como em pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. Acrescenta o fiscal autuante que, das informações prestadas pela fiscalizada, constatouse que vários recolhimentos efetuados pela empresa, referentes inclusive a fatos geradores não abrangidos nos demonstrativos acima referidos, não foram suficientes para quitação dos débitos. Muitos foram efetuados após o prazo legal, mas sem a inclusão da multa de mora; outros foram insuficientes por conta do recolhimento a menor dos juros moratórios. O autuante descreve de forma pormenorizada as situações fáticas em que se baseia sua autuação, reportando a apuração do valor dos créditos tributários tidos como devidos às planilhas por ele elaboradas, denominadas RECOLHIMENTOS DA CPMF EM VIRTUDE DA REVOGAÇÃO DA MEDIDA LIMINAR (fls. 14/15), RECOLHIMENTOS DA CPMF – AÇÃO JUDICIAL – EFETUADOS APÓS O PRAZO LEGAL (fl.16), e DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA CPMF DEVIDA (fls. 17/92). Cientificada da exigência em 14/09/2006, em 16/10/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 514/525, na qual alega, inicialmente, que se trata de impugnação parcial, posto que a Impugnante concorda com o pagamento do valor de R$ 276.303,65 (duzentos e setenta e seis mil, trezentos e três reais e sessenta e cinco centavos), referente aos períodos de apuração constantes das planilhas anexas (docs. anexos) (...), cujos valores ...decorrem de corretos apontamentos da fiscalização no caso de juros de mora recolhidos a menor ou de valores não retidos e pagos, e que são saldados dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento do lançamento de ofício, portanto com a redução legal da multa em 50% (cinqüenta por cento). Todavia, insurgese a impugnante contra a exigência fiscal fundada no recolhimento da CPMF fora do prazo legal sem o acréscimo da multa moratória, tendo em vista que a fiscalização, com base na data da publicação da decisão judicial que considerou devida a contribuição (8 de março de 2002), considerou que o dia 9 de abril seria a data limite para as instituições financeiras efetuarem o recolhimento da CPMF que deixou de ser retida durante a vigência da ordem judicial. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.004633/200671 Acórdão n.º 310201.564 S3C1T2 Fl. 3 3 Alega a interessada que, não obstante o § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelecer o prazo de 30 dias da publicação da decisão judicial para a interrupção da incidência da multa de mora, no caso da CPMF, a obrigação de efetuar a retenção e o posterior recolhimento da contribuição aos cofres públicos é da instituição financeira, atribuída pela Lei nº 9.311, de 1996, mediante SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. [destaques no original] Como as instituições financeiras não foram arroladas na ação judicial intentada pela contribuinte, decorrente do mandado de segurança interposto em face da União, não eram parte na relação processual e, portanto, a publicação da decisão judicial não lhes traz qualquer efeito jurídico. Como terceiro responsável apenas pela retenção e recolhimento do tributo, não estava obrigada por aquela decisão, já que não integrou a lide. Assim, o trintídio para a instituição financeira efetuar a retenção e o recolhimento teve seu início na data em que esta efetivamente tomou ciência da decisão (27 de março de 2002), através da carta enviada pela impetrante, donde se conclui que os débitos da contribuição, que ocorreram até o dia 26 de abril de 2002, eram tempestivos, à luz do § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, não havendo razão para a exigência da multa de mora, em conformidade inclusive com o disposto no art. 17, inciso II da Instrução Normativa nº 42, de 2001, editada pela própria Secretaria da Receita Federal. Aduz ainda a impugnante, caso não acolhida sua argumentação supra, que a exigência fiscal não poderia ser dirigida contra si, mas sim contra a instituição financeira, que tem a responsabilidade pela retenção e recolhimento da referida contribuição, após a revogação da medida liminar, na condição de substituto tributário, e que não teria procedido às retenções dentro do prazo estabelecido. Acrescenta que tanto o art. 128 do Código Tributário Nacional, como o § 3º do art. 5º Lei nº 9.311, de 1996, prevêem a responsabilidade da contribuinte de forma meramente SUPLETIVA, ou seja, a Fazenda poderia se voltar contra o contribuinte, no caso a ora Requerente, somente após esgotados os meios para exigir o tributo da Instituição Bancária substituta tributária. [destaques no original] Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 14/08/1999 a 24/04/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Confirmada pela Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, está correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. REVOGAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECOLHIMENTO SEM MULTA DE MORA. PRAZO. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 O início da contagem do prazo de 30 dias para a retenção e o recolhimento da contribuição sem incidência da multa de mora, no caso de ação judicial favorecida com medida liminar posteriormente revogada, é a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo ou contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. A recorrente, conforme consta do recurso, “diverge (...) do entendimento lançado na r. decisão ora recorrida, haja vista a exigência da citada multa (hoje convertida em parcela de tributo devido e seus acréscimos, à imputação proporcional) não encontrar amparo constitucional, nem mesmo no que tange à eleição do sujeito passivo”. Assevera que a disposição da Lei 9.430/96 é genérica, não leva em conta as diferenças no sistema de arrecadação de cada tributo. No caso da CPMF, a legislação atribui a um terceiro a obrigação de reter e, após, recolher aos cofres públicos a Contribuição. Esse terceiro, o Banco, não foi arrolado e não integrava a ação judicial intentada. Que é ônus do Poder Judiciário a comunicação da medida liminar, certo que “se somente uma ordem judicial teve o condão de suspender a exigência da C.P.M.F., somente nova ordem judicial poderia determinar o contrário”. Quanto à sujeição passiva, “se a Lei quisesse considerar o contribuinte responsável imediato e direto pelo recolhimento dos valores devidos em função da revogação de ordem judicial ou mesmo na hipótese de falta ordinária de recolhimento e/ou retenção, tê loia feito expressamente; ao revés, o legislador deixou expresso que tal responsabilidade era meramente SUPLETIVA, ou seja, a Fazenda poderia se voltar contra o contribuinte, no caso a ora Requerente, somente após esgotados os meios para exigir o tributo da Instituição Bancária substituta tributária, o que não ocorreu”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Centrada apenas em dois aspectos, a lide requer seja abordada a sujeição passiva e a incidência de multa de mora sobre os valores reconhecidamente devidos. No que diz respeito ao primeiro assunto, muito bons os esclarecimentos prestados no voto condutor da decisão recorrida, que a seguir transcrevo, acolhendo in totum o sua fundamentação. Alega a impugnante que a responsabilidade pela retenção e recolhimento da referida contribuição, após a revogação da medida liminar, mediante SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, é da instituição financeira, a quem deveria ser dirigida a exigência efetuada pelo Fisco, somente sendo possível sua exigência direta da contribuinte após esgotados os meios para exigir o tributo da Instituição Bancária substituta tributária. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.004633/200671 Acórdão n.º 310201.564 S3C1T2 Fl. 4 5 É preciso registrar, em primeiro lugar, que não estamos diante da figura do substituto tributário, como quer fazer crer a impugnante. Deveras, na substituição, o legislador afasta por completo o verdadeiro contribuinte que dá causa à ocorrência do fato gerador, prevendo a lei, desde logo, o encargo da obrigação a uma outra pessoa, que fica compelida a pagar dívida própria, pois a norma não contempla a dívida de terceiro. A Lei nº 9.311, de 1996, que instituiu a CPMF, tãosomente atribuiu às instituições bancárias a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição devida pelo correntista (art. 5º). O sujeito passivo do tributo continua sendo o contribuinte, titular da conta corrente onde são realizados, pela instituição financeira, os lançamentos a débito, fatos geradores da CPMF (arts. 2º e 4º). Nesse contexto, convém traçar as fronteiras legais que levaram o Fisco a proceder ao lançamento de ofício, cabendo analisar de forma mais focada o artigo 5º da Lei nº 9.311, de 1996, listado na base legal do lançamento. In verbis: Lei nº 9.311, de 1996: Art. 5º É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2º; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2º. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7º sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2º Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Decorre da leitura do § 3º do art. 5º da Lei nº 9.311, de 1996, que o diploma que instituiu a CPMF cuidou de estabelecer a responsabilidade supletiva do contribuinte pelo recolhimento da CPMF, caso a instituição financeira não procedesse à retenção do tributo. O comando em tela encerra, portanto, a permissão para que o Fisco dirija o lançamento e a cobrança da CPMF não recolhida diretamente ao contribuinte, caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira onde o fato gerador tenha se materializado. Sobressai da leitura do apontado § 3º ainda, que é incondicional a atribuição de responsabilidade supletiva ao contribuinte. Em decorrência dessa compreensão, não cabe ao intérprete cogitar das razões fáticas que concorreram para a falta de retenção da CPMF pela instituição bancária. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Exigir a CPMF diretamente do contribuinte, nos casos de imobilidade da instituição financeira responsável, como autorizou a Lei nº 9.311, de 1996, é determinação que viaja ao encontro do instituto da responsabilidade supletiva, introduzida no ordenamento tributário pelo art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN). Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Ora, a própria Lei 9.311/96, que define função supletiva à recorrente, determina expressamente que, uma vez não adimplida a responsabilidade atribuída à instituição financeira, ou seja, na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. O caráter supletivo, que, conforme dicionário Houaiss da língua portuguesa encontra melhor definição naquilo “que completa ou que serve de suplemento” está relacionado à sistemática de arrecadação do tributo, que dá primazia à retenção e recolhimento feitos pela própria instituição financeira. Contudo, uma vez que isso não aconteça (como no caso não aconteceu), fica mantida a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. É nesse momento que a Fiscalização Federal busca a solução garantida em caráter complementar, ou, suplementar. De qualquer forma, o contribuinte do Imposto nunca deixou de ser o detentor dos recursos movimentados na instituição financeira. Esclarecido isso, passo à segunda questão. Como relata a própria recorrente no corpo do Recurso Voluntário, “no caso em tela, é fato que os Bancos que mantinham operações com a Requerente não foram arrolados, não integravam a ação judicial intentada, na qual constou como pólo passivo, exclusivamente, a União (representada por autoridade, visto tratarse de Mandado de Segurança); desta maneira, as Instituições Financeiras NÃO ERAM PARTE na relação processual — visto que efetivamente os interesses contrapostos pertenciam exclusivamente à Requerente e ao Fisco”. Assim, não seria mesmo de se esperar que os Bancos fossem, eles próprios, notificados ou de qualquer outra forma tomassem conhecimento da decisão proferida pelo Poder Judiciário, visto que não integravam a ação judicial intentada. Cabia à recorrente, na qualidade de autora da ação e contribuinte tomar todas as providências para que o recolhimento fosse feito dentro do prazo legal. Contudo, na presente lide sobrevém questão de maior alcance. A meu sentir, não há como escapar à compreensão de que os procedimentos adotados seguiram à risca o disposto em Ato Normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no caso, a Instrução Normativa nº 42, de 02 de maio de 2001, se não vejamos. Art. 17. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I. Apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; Fl. 938DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.004633/200671 Acórdão n.º 310201.564 S3C1T2 Fl. 5 7 II. Efetuar o débito em conta de seus clientes, amenos que haja expressa manifestação em contrário, no trigésimo dia subseqüente ao da ciência da revogacão da medida judicial pela instituição responsável, ocorrida a partir de 1 2 de setembro de 2000; III. Recolher ao Tesouro Nacional, até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do débito em conta, o valor da contribuição; IV. Encaminhar à Secretaria da Receita Federal, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes da data referida no inciso II, relação contendo as seguintes informações: (...) Assim sendo, independentemente da discussão que se trave em torno da responsabilidade pela mora, ou do prazo que para pagamento sem multa, inevitável reconhecer a aplicação do disposto no artigo 100 do Código Tributário Nacional, determinando a exclusão da multa quando a conduta do contribuinte segue determinação expressa em ato normativo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (grifos meus) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifos meus) Uma vez que a lide está restrita à multa de ofício exigida pela Fiscalização Federal, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a exigência da multa, afastando, inclusive, os efeitos dela decorrentes na imputação do pagamento realizado pelo contribuinte. Sala de Sessões, 18 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.919017/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/11/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 17 /2 01 2- 58 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919017/201258 Acórdão n.º 3801005.157 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.000141/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras. Ademais, a obtenção dos extratos bancários está em absoluta conformidade com as normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO.
O arbitramento do lucro é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade fiscal quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. A apuração dos tributos dentro da sistemática do SIMPLES não exige a apuração de resultados, diferentemente da tributação pelo lucro real ou presumido. A falta de contabilização da movimentação financeira, inclusive bancária, ainda que em volume significativo, não justifica a adoção da técnica de arbitramento do lucro no caso de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VÍCIO MATERIAL.
É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado sem observância da legislação de regência pela impossibilidade do arbitramento do lucro para pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência, pela impossibilidade do arbitramento do lucro.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1401-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar à preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator).
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras. Ademais, a obtenção dos extratos bancários está em absoluta conformidade com as normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. O arbitramento do lucro é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade fiscal quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. A apuração dos tributos dentro da sistemática do SIMPLES não exige a apuração de resultados, diferentemente da tributação pelo lucro real ou presumido. A falta de contabilização da movimentação financeira, inclusive bancária, ainda que em volume significativo, não justifica a adoção da técnica de arbitramento do lucro no caso de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado sem observância da legislação de regência pela impossibilidade do arbitramento do lucro para pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 41 /2 00 8- 02 Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 265 2 Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência, pela impossibilidade do arbitramento do lucro.” Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar à preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator). Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 266 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 0719.305 proferido pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC, constante das fls. 2.233 e segs, até aquela fase: “Contra a contribuinte foram lavrados autos de infração (Fls.087 a 128), referentes ao IRPJ, no valor de R$ 167.177,01, PIS no valor de R$ 14.569,17, COFINS no valor de R$ 67.242,74 e CSLL no valor de R$ 64.553,10, acrescidos de multa de oficio de 75% com base legal no art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96, além dos juros de mora com base no art 61, § 3°, da Lei n°9.430, de 1996, calculados até 28/12/2007. O lançamento se refere ao ano calendário de 2004 e 2005. O credito tributário total exigido devido a omissão de receitas é de R$ 671.133,21. Da Ação Fiscal: Foi lavrado Termo de Verificação Fiscal, fls.069 a 076 e anexos as fls. 77 a 86. Considerações gerais da fiscalização: A fiscalização em 25 de outubro de 2007 lavrou o Termo de Constatação Fiscal n° 001(fl. 13) onde consta que: 1 À vista das notas fiscais de serviços apresentadas, a natureza dos serviços prestados, em sua maioria, é de consultoria, atividade vedada para a adesão tributação pelo SIMPLES. 2 — Os livros Diário e Razão (este ultimo em formato de arquivo digital), dos anos calendários de 2004 e 2005 não incluem a movimentação bancária, não obstante a empresa tenha movimentado respectivamente R$ 1.133.322,00 e R$ 898.539,00 nesses anos. 3 — Os valores lançados a titulo de receita bruta nas declarações de rendimentos foram de R$ 112.470,00 em 2004 e R$ 137.945,00 em 2005, valores incompatíveis com a movimentação bancária. A fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n° 001 (fls. 14 e 15) solicitando o refazimento da escrituração, de modo a incluir a movimentação bancária e a apresentação de documentos hábeis e idôneos que deram lastro a escrituração apresentada. Sem resposta da contribuinte em 12/12/2007, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 002 (16 a 27), solicitando novamente o refazimento da escrituração, o cumprimento das demais exigências legais necessárias à apuração do Imposto de Renda pelo lucro real e a apresentação dos documentos comprobatórios dos créditos nas contas bancárias. Porém, nada foi atendido até a lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em 18/01/2007. Irregularidades apuradas: Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 267 4 Nos termos do Termo de Constatação n° 001, acima relatado, ficou constatada a movimentação bancária não escriturada nos valores de R$ 1.133.322,00 e R$ 898.539,00, em 2004 e 2005, respectivamente, absolutamente incompatível com a receita declarada, nos valores de R$ 112.470,00 em 2004 e R$ 137.945,00 em 2005. A contribuinte, ainda que regularmente intimada não apresentou documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar a origem dos créditos em conta corrente. Arbitramento do lucro: Uma vez excluída do SIMPLES e na falta de uma escrituração que abranja a totalidade das operações, lastreada por documentos hábeis e idôneos, não restou outra alternativa senão o arbitramento de oficio do lucro, obedecendo ao art. 530, inciso II do RIR/99. Apuração do IRPJ e reflexos: A apuração do IRPJ se deu em duas fases: a primeira, com base na receita bruta declarada (declaração de rendimentos as fls. 28 a 63), a qual foi conferida com as NFs de serviços (Anexo III). A segunda fase se deu com base nos créditos das contas bancárias, não esclarecidos, ainda que regularmente intimado o contribuinte. Como não foi encontrada coincidência entre os valores e as datas contidas nas NF de saída e os valores e datas dos créditos bancários, não foram deduzidos os valores da primeira apuração da segunda. Ou seja, os créditos bancários não estavam correlacionados com as notas fiscais emitidas, sendo passíveis de lançamento integral, sem a ocorrência de dupla tributação. Os créditos em conta corrente não justificados estão totalizados na planilha denominada TOTALIZAÇÃO MENSAL DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS (fl. 86). Foi utilizado o coeficiente de arbitramento do lucro de 38,4 %, aplicável à empresas prestadoras de serviços, que é o coeficiente de 32% aplicável à empresas prestadoras de serviços que optem pelo lucro presumido, acrescido de 20% (art. 532 do RIR199). Foi efetuada a Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do Processo n° 11516.000233/200884. Inconformada a contribuinte apresenta impugnação ao lançamento para cada tributo, todas de igual teor: Para o IRPJ (fls. 132 a 378), para o PIS (fls. 379 a 624), para a COF1NS (fls. 625 a 868) e para a CSLL (fls. 869 a 1114), que se sintetiza a seguir: A impugnação fiscal é total nos termos do art. 15 e s/s do Decreto n°70.235/72; Resumo do Lançamento do Crédito tributário: Em suas alegações a impugnante faz um resumo do lançamento, especialmente com relação ao arbitramento do lucro tendo como base de cálculo a movimentação financeira, desconsiderando o procedimento previsto no art. 148 do CTN para arbitramento de base de calculo de tributos. DAS PRELIMINARES: NULO É O ARBITRAMENTO. O valor considerado pela fiscalização é equivocado e lançado sobre base de calculo que se afasta totalmente da realidade fatica, pois, bem se sabe. Movimentação bancaria NÃO É RENDA, MUITO MENOS FATURAMENTO; (grifo da impugnante) Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 268 5 Somado a este fato o manifesto defeito de forma de procedimento que fundamenta a cobrança, uma vez que não observou o descrito no art. 148 do CTN — norma geral de direito tributário — e que nulifica a totalidade do ato administrativo; Alega que em nenhum momento foi intimada para apresentar manifestação ou defesa quanto ao arbitramento da base de calculo efetuada – procedimento administrativo (com contraditório e ampla defesa) descrito pelo vigente e eficaz art. 148 do CTN; Faz outras alegações no mesmo sentido, especialmente, que a falta de intimação como acima mencionada viola o devido processo legal, citando alguns julgados do STJ; Alega que cabe a administração fazendaria o ônus da apresentação de prova que justifique, não diretamente o arbitramento, mas sim a prévia instauração do procedimento de arbitramento; Cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes que tratam do art. 148 do CTN para o procedimento de arbitramento; Requer anulação do lançamento por ter violado o pressuposto legal contido no art. 148 do CTN. DO MÉRITO: 1 Da necessária apuração dos tributos devidos pelo contribuinte segundo a forma que, a teor da legislação, lhe seja mais vantajosa. Vedação ao enriquecimento sem causa da União. Alega que não apresentou os contratos que davam origem a movimentação financeira autuada em face da dificuldade que encontrou em reunilos, pois foram firmados com diversas Prefeituras de SC e órgão da Administração Publica Estadual e que anexa a impugnação; Alega que a teor da permissão que lhe assegura, após a exclusão do SIMPLES, optar por uma das formas de tributação do Imposto de Renda, a correção de sua escrita fiscal e uma nova apuração do Imposto de Renda, agora sobre a forma de Lucro Presumido (grifo da impugnante); Cita Acórdão do Conselho de Contribuintes, e alega que a apuração do IR pelo Lucro Presumido, reduziria sensivelmente a carga fiscal devida à Receita Federal do Brasil nos períodos de 2004 e 2005, razão pela qual, não sendo permitido à União enriquecerse ilicitamente as custas da contribuinte, devendo o presente lançamento ser refeito, adequandose aos patamares demonstrados na apuração ora apresentada; Requer seja o presente lançamento ser julgado improcedente, para que se reduza os valores cobrados aos que seriam apurados pelo Lucro Presumido. 2 Da necessária compensação dos Tributos recolhidos pelo contribuinte no SIMPLES com os valores ora lançados: Alega que a autoridade lançadora omitiuse em relação aos recolhimentos efetuados pela impugnante em 2004 e 2005 pelo SIMPLES. Estes valores devem ser compensados com os valores ora lançados; A União estaria enriquecendose ilicitamente com a não compensação dos recolhimentos efetuados pelo Simples, fato inconteste, nestes dois anos, para efetuar Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 269 6 lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS como se o SIMPLES nunca tivesse sido recolhido; São citado Acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre o assunto; Requer seja o lançamento declarado improcedente e que seja determinado a compensação dos valores ora lançados, em seu montante principal, com os valores recolhidos pela impugnante pelo SIMPLES, nos anos de 2004 e 2005. Do Pedido: a)Nulidade do lançamento por descumprimento ao art. 148 do CTN; b)Necessidade de redução dos valores cobrados aos patamares do que seriam cobrados pelo Lucro Presumido, a teor dos demonstrativos de apuração ora apresentados pela impugnante; c) Obrigatoriedade da compensação dos valores ora lançados, em seu montante principal com o valores já recolhidos pela impugnante no SIMPLES, nos anos de 2004 2e 2005”. A 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC na sessão de 26/03/2010, ao analisar a impugnação apresentada, proferiu o acórdão n° 0719.305 entendendo “por unanimidade de votos, para nos termos do relatório e do voto de relator em REJEITAR AS PRELIMINARES ARGUIDAS e no MÉRITO JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO.”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 IRPJ. ARBITRAMENTO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES Acertado o arbitramento do lucro quando a escrituração da empresa se revelar imprestável para a determinação do lucro real ou a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária (art. 47, inciso II, a, da Lei n° 8.981/1995). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. INAPLICABILIDADE DO ART 148 DO CTN O disposto no artigo 148 do CTN, aplicase a arbitramento do valor ou do preço da operação, quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, não se aplicando ao arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fatica e não havendo questões de direito especificas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Impugnação Improcedente Acórdão Crédito Tributário Mantido”. Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 270 7 Cientificado da decisão de primeira instância em 26/04/2010 (AR constante das fls. 2.271), a COOPERFIL PRODUTOS E SERVICOS DE COMUNICACOES LTDA. ME, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 07 19.305, apresenta recurso voluntário em 26/05/2010, constante das fls 2.763 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa, mas sem acrescentar novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 271 8 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento o mesmo acontece de recurso de oficio preenche os requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, esclareço que mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0719.305, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” as preliminares constantes da peça impugnatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada; continuou separando os recursos por tributo. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente e comprove todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 272 9 Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC para refutar as alegações, principalmente em relação à preliminar, na sessão de 23/08/2013, que ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0719.305, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Assim, quanto à preliminar, que se confunde com o mérito, assim mantendo a decisão da 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC pelos seus próprios fundamentos. Ultrapassado esse ponto e passando para o mérito, vejo que a 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC analisando a imputação constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 342/356) e a impugnação (fls. 731/759), entendeu como válida as atuações. A 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC analisando a imputação constante do do Termo de Verificação Fiscal (fls. 342/356) e a impugnação (fls. 731/759), entendeu que houve efetivamente uma omissão de receita o que justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, através do arbitramento. Neste aspecto, a peça recursal apresentada pela Recorrente, que nada mais é do que uma copia da impugnação, não traz aos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à receita bruta omitida; e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. O que aconteceu foi que a Recorrente, mesmo tendo sido intimada para a apresentação dos documentos simplesmente silenciou, tendo sido reintimada, nada apresentou. Porém, houve a constatação que a Recorrente não registrou a movimentação bancária total na sua contabilidade (conta bancos conta movimento); ou seja, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 606 e segs) demonstra que apenas parte da receita expressa nos depósitos bancários foi registrada na conta de resultados (venda de mercadorias). Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 273 10 Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo da Recorrente, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Diante desse quadro, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou prejudicado com a ausência deliberada de informações durante todo o processo administrativo, fato que evidentemente acabou voltando se contra a própria Recorrente. E, como a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 342/356) trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente até porque a questão é muito simples: Caberia ou não arbitramento? Antes da minha resposta, fazse necessário esclarecer que a Recorrente silenciou sobre os argumentos da decisão recorrida; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 274 11 E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! Simplesmente afirma as fls. 686 dos autos: “8 Para evitar a preclusão, ressalva que toda a documentação que serviu para apurar o lucro real referente ao período de autuação encontrase em poder da recorrente, estando disponibilizada aos nobres julgadores acaso necessitem diligenciar/conferir as mesmas, justificando que a sua não Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 275 12 juntada no momento da impugnação devese ao fato do volume de documentos constantes”. Diante dessa posição em não apresentar os documentos, vejo que acertada a decisão do arbitramento constante do Termo de Verificação Fiscal, (fls. 288 a 294); e, as afirmações e da argumentação da Recorrente que o arbitramento do lucro carece de fundamentação, vejo que é totalmente descabida Essa minha posição acontece porque encontro no Termo de Verificação Fiscal, (fls. 288 a 294) que não foram apresentados, durante a fiscalização e bem como em todo o trâmite deste processo administrativo, os livros necessários para tributação com base no lucro real, quais sejam, os livros exigidos pela legislação comercial ou, na ausência destes, o Livro Caixa, na forma que determina o art. 45 da Lei nº 8.981/95. Razão porque, com lastro no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, correto o arbitramento do lucro com o fito de determinar a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS e não merecendo qualquer reforma a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC. Percebese claramente no relato constante do no termo de verificação fiscal que deliberadamente a Recorrente não disponibilizou para a fiscalização o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, no caso, o lucro presumido, e, não o fazendo, submetese ao disposto na norma. Ora, incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostrase negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, depois consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração adequada. Não por acaso o arbitramento condicional é rechaçado pela jurisprudência deste tribunal administrativo, como se pode observar pela jurisprudência já pacificada, dentre elas, transcrevo, em primeiro ponto, o julgamento do Processo nº 19740.000209/200801, julgado em 11/09/2013 por essa 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da desta 1ª Seção de Julgamento e que foi materializado através do Acórdão nº. 1401001.043, da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, do qual participei e transcrita a seguir: “IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real”. (Acórdão nº. 1401001.043, Sessão de 11/09/2013 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária); Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 276 13 “IRPJ. ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS O LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação de escrituração/documentação/livros auxiliares/de Inventário, uma vez que inexiste arbitramento condicional”. (Acórdão 140201.097, Sessão de 03/07/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) “ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento”. (Acórdão 140200.985, Sessão de 11/04/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) “ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO EM FASE DE JULGAMENTO. A apresentação de livros e documentos somente na fase de julgamento, não tem o condão de invalidar o lançamento de ofício efetuado com base no arbitramento do lucro, pois não existe arbitramento condicional”. (Acórdão 180200.775, Sessão de 25/01/2011 – 1ª Seção / 2ª Turma Especial) “APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO APÓS A LAVRAT1URA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos de escrituração contábil fiscal após a lavratura do auto de infração é inócua para fins de descaracterização do arbitramento ex officio de lucros da pessoa jurídica, tendo em vista que a adoção desse regime de tributação (arbitramento) pela autoridade fiscal não constitui medida condicional”. (Acórdão 110100.145, Sessão de 19/06/2009 – 1ª Seção / 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Diante dos fatos narrados e de ausência da apresentação dos livros necessários para tributação com base no lucro presumido, quais sejam, os livros exigidos pela legislação comercial ou, na ausência destes, o Livro Caixa, na forma que determina o art. 45 da Lei nº 8.981/95 não merecendo qualquer reforma a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto aos lançamentos relativos a o PIS, COFINS e a CSLL, cumpre que se dê aqui, o mesmo tratamento dado ao lançamento principal referente ao IRPJ. É que em face da decorrência daquele em relação a estes, e da inexistência de alegações especificamente dirigidas contra estas exações, tal tratamento se impõe. Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.000141/200802 Acórdão n.º 1401001.341 S1C4T1 Fl. 277 14 Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a 3ª Turma da DRJ/FlorianópoisSC deve ser mantida integralmente, exceto pela questão da qualificação da multa; desta forma voto no sentindo de não conhecer a preliminar de decadência e negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a imposição tributária, atentandose para que seja realizada a compensação dos valores recolhidos para que seja evitada a duplicidade de cobrança. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001212/2003-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
IRPJ/CSLL. GANHO DE CAPITAL. DÍVIDA ASSUMIDA. TRIBUTAÇÃO. A assunção de passivos, in casu, é fato que representa receita, sendo, portanto, base de cálculo de tributos.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9101-001.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Jose Ricardo da Silva (Relator), Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Sales de Queiroz.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro De Queiroz, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: IRPJ/CSLL. GANHO DE CAPITAL. DÍVIDA ASSUMIDA. TRIBUTAÇÃO. A assunção de passivos, in casu, é fato que representa receita, sendo, portanto, base de cálculo de tributos. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Jose Ricardo da Silva (Relator), Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Sales de Queiroz. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro De Queiroz, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 12 /2 00 3- 78 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 22/07/2005 (fl. 772), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 25/07/2005, seu Recurso Especial (fls. 773/778), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10194.771, de 11/11/2004 (fls. 742/770) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, suscitado através do recurso voluntário interposto, em 01/12/2003, pelo contribuinte Pedro Muffato & Cia Ltda. (fls. 699/737). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 5, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n.° 55, de 12/03/98. Consta dos autos, que contra o contribuinte, Pedro Muffato & Cia Ltda., foi lavrado, em 04/07/2003, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 636/644), com ciência pessoal, em 08/07/2003 (fl. 636) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total equivalente a R$ 31.805.003,70 a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, acrescidos de multa qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos, referente ao exercício de 2000, correspondente ao ano calendário de 1999. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de tributação do Ganho de Capital apurado na alienação de bens. Infração capitulada nos arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 418 e parágrafos, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o conteúdo do Auto de Infração através do Termo de Constatação Fiscal, datado de 04/07/2003 (fls. 604/635). Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 07/08/2003 (fls. 648/659), instruído pelo documento de (fl. 660) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, em 03/10/2003, decide julgar procedente o lançamento, (fls. 663/695), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que o caso ora apreciado apresenta um particularidade ausente na grande maioria das ocorrências em que o Fisco imputa aos contribuintes a prática de atos simulados. Ocorre que, em regra, existe apenas um negócio aparente sustentado pelas partes, o que obriga o Fisco a descobrir e demonstrar a existência de outro negócio subjacente — aquele que teria de fato operado efeito entre os particulares. Entretanto, como já foi antecipado, no caso tratado nestes autos, existe a documentação completa relativa As operações que o Fisco inquina de simuladas, mas existe também um outro contrato, perfeitamente formalizado e reconhecido pelas partes como o documento que de fato regeu o negócio jurídico entre elas realizado; que neste caso concreto, portanto, existem duas versões documentadas para o mesmo negócio jurídico. Logo, a questão a ser dirimida consiste apenas em definir se a transferência das atividades varejistas da impugnante para a empresa SONAE (SDB) se operou Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10935.001212/200378 Acórdão n.º 9101001.799 CSRFT1 Fl. 3 3 por força de um encadeamento de negócios jurídicos válidos e eficazes – quando considerados em si mesmos ; ou se esse encadeamento consiste em meros simulacros, atos vazios de conteúdo econômico, o que remete à conclusão de que a transferência, em verdade, se operou por força de um contrato anterior que realmente vinculava as partes; que voltando à imagem sugerida por Yves Gandra, restou evidente que sequer existiu uma encruzilhada real. A impugnante nunca se viu diante de duas alternativas válidas. Apenas fantasiou uma vereda alternativa, que poderia existir em circunstâncias ideais, mas sem nenhuma plausibilidade na vida real, e fez de conta que seguiu por esse caminho imaginário. Em outras palavras, contratou uma compra e venda, mas nesse instrumento escreveu um rígido roteiro teatral em que diversos atores cumpririam determinados rituais, de sorte a parecer que o objetivo tinha sido alcançado não por força do contrato original, mas pelo encadeamento dos atos da pantomina. Foi o que ocorreu, como se demonstrará neste voto; que ainda que, aos leigos em contabilidade, a possibilidade de alguém subscrever ações com preço superior ao seu valor nominal possa causar estranheza, esse é um fenômeno que ocorre com alguma frequência, e se encontra regularmente previsto na Lei n° 6.404, de 15/12/1976; que o ágio a que se refere a lei corresponde ao valor da diferença positiva entre o preço de emissão e o valor nominal da ação. Por força do § 2° do artigo 13, combinado com o § 1º do art. 182, ambos da Lei n° 6.404, de 1976, este ágio deve ser escriturado na contabilidade da emissora das ações como reserva de capital; que o fundamento para o pagamento de ágio neste caso concreto teria sido, portanto, a perspectiva de rentabilidade da empresa Muffatdo Master S/A. Entretanto, para que tal alegação tivesse alguma plausibilidade, necessário seria que a empresa SONAE (SDB) realmente quisesse aderir ao negócio com a sincera disposição de aguardar uma rentabilidade futura, daquela companhia, conforme dispõe o texto legal. Todavia, as circunstâncias peculiares deste caso concreto excluem, desde logo, essa possibilidade. Isso porque nunca existiu, por parte da investidora, a mínima intenção de ingressar e permanecer no empreendimento Muffato Master S/A. Sua vontade real jamais foi comprar uma fração do capital dessa empresa. Seu único e declarado objetivo sempre foi adquirir todo o empreendimento (100%) das ações; que como se vê pelo documento de fls. 8081, o pagamento de ágio teria ocorrido pela subscrição de ações por parte da empresa SONAE (SDB) às 09:00 h (nove horas) do dia 11/10/1999. Entretanto, os documentos de fls. 85101 revelam que às 10:00 h (dez horas) do mesmo dia ocorreu cisão parcial da empresa Mufattão Master S/A. Por outro lado, o documento de fls. 102108 mostra que às 14:00 h (catorze horas), também do mesmo dia, esta empresa veio a ser incorporada pela empresa Sonae Distribuição Brasil S.A; que qual a consistência ideológica da afirmação de que alguém, às 09:00 h (nove horas) de um determinado dia, pagou ágio com fundamento na perspectiva de rentabilidade de uma companhia que sabidamente não existiria mais às 14:00 (catorze horas) do mesmo dia?; que ademais, como se viu, o fundamento alegado para o que se denominou de ágio seria uma hipotética perspectiva de rentabilidade da empresa Muffatão Master S/A. Mas é possível conceber a hipótese de alguém pagar ágio pela perspectiva de rentabilidade de uma empresa que vai existir por apenas um período de cinco horas?; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 que o conceito de ágio na subscrição de parte das ações de uma empresa é completamente incompatível com o conceito de preço pela venda do total das ações da Mesma empresa. São realidades Mutuamente excludentes, que não se harmonizam no mesmo contexto. Ou a pessoa quer comprar uma parte da coisa, ou quer comprála por inteiro. Não é possível existir, simultaneamente, no mesmo negócio jurídico a vontade de comprar uma parte e o todo; que está textualmente evidenciado, portanto, que a avaliação abrangeu a totalidade do negócio que irá compor os ativos da Companhia, e alcança 100% (cem por cento) das ações de Muffatdo Master S/A; que, ao que parece, os arquitetos do planejamento tributário confundiram o conceito de ágio na aquisição de investimento, com o conceito de ágio na subscrição de ações; que, entretanto, cada um deles reportase a uma realidade que nada tem a ver com a outra, como passo a demonstrar; que conforme vê no art. 385 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – RIR/99 , que se encontra transcrito à fl. 615, o ágio (ou deságio) na aquisição de investimento ocorre quando uma empresa adquire uma participação em sociedade coligada e esteja obrigada a avaliálo em razão do patrimônio líquido na investida; que neste caso concreto, com relação ao fato de a empresa SONAE (SDB) ter adquirido o total das ações da empresa Muffatdo Master S/A, é correto sustentar que houve ágio na aquisição. Isso porque, tendo desembolsado quase trinta e sete milhões de reais para adquirir um negócio cujo patrimônio líquido é inferior a seis milhões de reais, com certeza pagou um significativo sobrepreço (ágio) pelo negócio. Esse ágio se justifica pela perspectiva de rentabilidade futura, conforme o laudo elaborado por Arthur Andersen. Guarda, portanto, conformidade com o texto legal; que considerando que, antes das 09:00 h (nove horas) do dia 11/10/1999, o capital da empresa Muffatdo Master S/A era composto por 5.737.318 (cinco milhões, setecentos e trinta e sete mil, trezentas e dezoito) ações ordinárias nominativas, e sabendose (i) que o laudo afirma textualmente que a avaliação abrange 100% dessas ações; e (ii) que a intenção da empresa SONAE (SDB) era a pagar o preço de R$ 36.649.298,31 pela aquisição da totalidade dessas ações, concluise que estava disposta a pagar aproximadamente R$ 6,39 por ação; que existia, portanto, sincera disposição de pagar um valor superior ao valor nominal. A questão, portanto, consiste em determinar qual a denominação a ser dada a esse diferencial entre o valor nominal da ação e o preço pela qual foi negociada. Para a empresa compradora das ações SONAE (SDB) — essa não é uma questão de muita relevância prática, posto que sem dúvida se classificará como ágio na aquisição; que conforme se vê no inciso II do aludido art. 385 do RIR/99, o ágio ou deságio na aquisição ocorrerá sempre que existir diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio liquido da empresa investida, na época da aquisição. A existência de ágio na contabilidade da empresa investidora nada tem a ver com suposta emissão de ações com ágio na empresa investida. Esse ágio na investidora, portanto, não justifica a suposta emissão de ações com ágio na investida. São, como se viu, duas realidades distintas que em nada se confundem ou que, de alguma forma, estejam necessariamente entrelaçadas. Ê até possível que existam simultaneamente, mas o ágio na aquisição de investimento pode perfeitamente existir sem a subscrição de ações com ágio; Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10935.001212/200378 Acórdão n.º 9101001.799 CSRFT1 Fl. 4 5 que mesmo sendo mais conveniente para a impugnante dar a denominação de ágio ao valor recebido pela venda das atividades varejistas, é inequívoco que de ágio não se trata. Isso porque, a partir da constatação de que, confessadamente, a intenção das partes sempre foi transferir o controle das atividades varejistas, e o pagamento se referia ao preço atribuído ao total (100%) das ações vendidas, fica excluída qualquer outra possibilidade de dar lhe denominação distinta; que duas outras evidências existem que, por si sós, desmoralizam toda a estratégia de planejamento tributário da impugnante. Tratase do valor por ela recebido, no importe de R$ 496.399,13, e que se encontra documentado às fls. 412414, e do depósito de R$ 20.000.000,00 em conta bancária para garantir o implemento de supostas obrigações de Muffatão Master S/A com a empresa SONAE (SDB); que existiu, portanto, na realidade factual, um pagamento cuja natureza confessada era a de ajuste final do valor do investimento a ser efetuado pela SOB. Tratandose de ajuste de um pagamento anterior, por óbvio, necessariamente deve ter a mesma natureza do pagamento original. Em outras palavras, se aquela parte mais substancial paga pela SONAE (SDB) tinha a natureza de ágio, esta também deverá ter. Entretanto, se este pagamento final não possui a natureza de ágio, com certeza aquele outro também não possuiu; que o primeiro pagamento teria sido efetuado à empresa Muffatdo Master S/A, conforme documento de fls. 84, com o objetivo declarado de subscrição com ágio de ações daquela empresa. Tratavase, portanto, de uma relação jurídica entre a empresa SONAE (SDB) e Muffatdo Master S/A, que em nada incluía a impugnante; que, entretanto, o segundo pagamento foi efetuado diretamente à impugnante, empresa Pedro Muffato & Cia. Ltda., na conta corrente n° 59.7007, mantida na agência 04383 do Banco 237, Bradesco, conforme correspondência antes transcrita; que como atribuir a este último pagamento a classificação de ágio na emissão de ações? Por óbvio, a figura de ágio na emissão de ações só existe na pessoa de quem emite as ações. E a impugnante, na sua condição de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, jamais emitiu ações. Ademais, se, no dia 30/11/1999, algum ágio ainda fosse devido com fundamento na Lei n°6.404, de 1976, pela emissão de ações na empresa Muffatão Master S/A, seu pagamento deveria ocorrer em favor da própria SONAE (SDB), que àquela altura sucedera a empresa Muffatão Master S/A, em decorrência da incorporação ocorrida às 14:00 horas do dia 11/10/1999 (fls. 102113). A impugnante não teria nenhuma legitimidade para receber, no dia 30/11/1999, qualquer valor a título de ágio na emissão de ações ocorrida na empresa Muffatão Master S/A no dia 11/10/1999. O fato de ter sido a impugnante a beneficiária do pagamento evidencia que este teve por fundamento uma relação jurídica entre ela, impugnante, e a empresa SONAE (SDB), e não uma relação entre esta e a empresa Muffatão Master S/A; que o planejamento tributário, porem, pressupõe a possibilidade jurídica de que o preço pago por uma única coisa, o conjunto de bens utilizados pela impugnante na exploração de suas atividades varejistas, possa ser validamente pago a dois vendedores distintos, ou seja, Muffatdo Master S/A e a própria impugnante, e com duas naturezas jurídicas distintas; que uma vez que é impossível a empresa SONAE (SDB) ter adquirido aquela coisa única de dois vendedores distintos, tornase evidente que uma das pessoas que Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 receberam parte do preço não foi o verdadeiro vendedor, mas apenas uma interposta pessoa que, de forma simulada, figurou como tal. Logo, emerge inequívoca a conclusão de que o verdadeiro vendedor foi a empresa impugnante, dado ter sido ela quem compareceu no negócio original, o único que efetivamente surtiu efeitos jurídicos e no qual as partes livremente pactuaram o preço integral do negócio, inclusive o ajuste final do preço aqui analisado; que a segunda das evidencias diz respeito ao valor de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) representado pelo cheque n° 10.559, do Banco Real S/A, agencia 304, com o qual a empresa SONAE (SDB) teria pago a maior parcela do ágio na emissão das ações, conforme documento de fls. 84. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 31/10/2003, conforme Termo constante à fl. 698, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 01/12/2003, o seu Recurso Voluntário (fls. 699/737), instruído pelos documentos de fls. 738/741, o qual, ao ser apreciada pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10194771, de 11/11/2004 (fls. 742/770), cuja decisão, por maioria de votos deu provimento parcial ao Recuso Voluntário, conforme se verifica de sua ementa e decisão:, DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO — Devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deram se em direção contraria a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributaria (art. 149 do CTN), cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO — Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre • a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação Contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é. IRPJ — GANHO DE CAPITAL — Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor pelo qual o bem ou direito houver sido alienado ou baixado e o seu valor contábil, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. MULTA AGRAVADA — Presente o evidente intuito de fraude, cabível o agravamento da multa de oficio prevista no inciso II, art. 44, da lei n° 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES — CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso provido parcialmente. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10935.001212/200378 Acórdão n.º 9101001.799 CSRFT1 Fl. 5 7 Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 22/07/2005, conforme Termo constante à fl. 772, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (25/07/2005), o seu Recurso Especial de fls. 773/778, com amparo no art. 5º, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n.° 55, de 12/03/98., no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que consoante o termo de constatação de fls. 604 e seguintes, a fiscalização apurou um suposto "planejamento tributário" efetuado pelo Recorrido, de modo a tentar afastar a tributação do ganho de capital auferido com a alienação da sua "atividade de exploração de comércio varejista" A sociedade Sonae Distribuição do Brasil S/A; que a e. Câmara a quo manteve o auto de infração, firmando sua convicção no sentido de que o "planejamento tributário" na verdade encobriu a simulação da venda desse bem pelo Recorrido. Inclusive, foi mantida a multa agravada; que, contudo, a e. Câmara a quo reduziu parcialmente a base de cálculo dos tributos; que, com efeito, não há mais dúvidas no presente processo administrativo que o Recorrido simulou a pratica de negócios jurídicos, a fim de tentar impedir a incidência de IRPJ e CSSL sobre o ganho de capital auferido com a alienação de seus bens. Existe divergência apenas no que se refere à base de cálculo do ganho de capital; que o "Instrumento Particular de Contrato de Investimento, Segregação de Interesses e Outros Pactos" (fls. 34 e seguintes) firmado entre a Sonae Distribuição Brasil S/A, Pedro Muffato, Pedro Muffato Junior e David Guilherme Muffato, tendo como interveniente anuente o ora Recorrido (Pedro Muffato e Cia. Ltda., denominado "Muffatão"), demonstra que a Sonae tencionava assumir as atividades do Recorrido; que consta no próprio "Instrumento" o preço pago por tais bens: R$ 36.649.298,31. E, as fls. 68 e seguintes, vêse os documentos que comprovam a transferência, do Recorrido para a sociedade "Muffatão Master S/A", a título de aumento de capital, de ativos (totalizando R$ 10.222.468,16) e passivos (totalizando R$ 4.490.150,16), representando um valor liquido de R$ 5.732.318,00; que, porém, a e. Câmara, a quo julgou que o ganho de capital deveria ser calculado unicamente sobre o valor dos ativos transferidos do Recorrido para a Sonae, desconsiderando as dividas do Recorrido assumidas por essa empresa; que data maxima venha, a assunção de passivos do Recorrido é fato que representa receita, e, portanto, base de cálculo de tributos. Em verdade, o preço recebido pelo Recorrido pode ser visto de outra maneira: Se entender que foram transferidos ativos no valor de R$ 10.222.468,16, devese entender também que o Recorrido auferiu R$ 36.649.298,31 mais R$ 4.490.150,16, representados pelo passivo assumido pela Sonae; que, portanto, a e. Câmara a quo se equivocou ao afirmar que a base de cálculo do IRPJ e da CSSL ficou "inflada" indevidamente, pois não há nenhuma dúvida de que as dividas do Recorrido foram assumidas pela Sonae, e, também que a assunção de dividas representa receita do Recorrido. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarou o Despacho nº 101110/2005, de 04/08/2005 (fl. 779), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 21/12/2005 (fl. 785), o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 04/01/2006, as contrarrazões de fls. 788/796, sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que inconformada, insurgese a Fazenda contra o r. acórdão proferido por esta C. Câmara, entretanto, o recurso Procuradoria da Fazenda Nacional não pode ser conhecido. A decisão recorrida não foi contrária a lei ou à evidência da prova; que no presente caso aduz o I. Procurador que "o r. acórdão contraria o disposto nos arts. 247, 248, 251, parágrafo único, e 418 do RIR199, todos citados no auto de infração (fls. 636 e seguintes), e as provas constantes dos autos"; que não restou demonstrada contra quais provas a decisão se apoiou. Da mesma forma não há julgamento contrário à lei. Melhor dizendo, no que pertine à parte contestada, o julgado se apoiou exatamente no texto legal; que os mencionados artigos 247 e 248 tratam respectivamente dos conceitos de lucro real e lucro liquido. Já o artigo 251 referese ao dever de escriturar com observância das leis comerciais e fiscais; que o julgado não contrariou esse artigo, ao contrário veio exatamente de encontro com o mesmo quando traz a definição apuração do ganho ou perda de capital; que a Procuradoria apoiouse apenas na contrariedade à lei, mas não demonstrou tal fato. Não demonstrou em que ponto o julgado se dissocia da lei; que da mesma forma, não foi indicada contra qual prova foi levado a efeito o julgamento, quando o auto de infração demonstra, na fl. 03 do Termo de Constatação Fiscal o valor contábil dos bens tidos como alienados, valor esse acolhido pelo acórdão recorrido; que quer a I. Procuradoria trazer como custo dos bens o valor do Patrimônio Líquido vertido, ou seja, quer reduzir o custo dos bens com dívidas assumidas pela SONAE, na realização do negócio pactuado; que pretende a recorrente traduzir em custo, receita que poderia ter sido imputada à autuada, mas não constante do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade da formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aliado ao fato de Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10935.001212/200378 Acórdão n.º 9101001.799 CSRFT1 Fl. 6 9 o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator inicialmente designado para redigir o voto vencedor, também não mais integra nenhum dos colegiados do CARF, houve por bem o Presidente da 1ª Turma da CSRF designar este conselheiro como redator ad hoc, tão somente para formalizar o acórdão já proferido, mas ainda não publicado, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em 19/11/2013, passo a formalizar o voto vencido: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 22/07/2005 (fls. 772) e tendo protocolizado o presente apelo em 25/07/2005 (fls. 773/778), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o presidente da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou o Despacho nº 101110/2005, de 21/12/2005 (fls. 785), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão foi por maioria de votos e demonstrou, em tese, ser contrária a lei. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório, o Recurso Especial em comento foi interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 10194771 (fls. 742/770), de 11/11/2004, o qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a parcela de R$ 4.490.150,16. Após a análise da decisão recorrida, entendo que a mesma não merece nenhum reparo, haja vista que na apuração da base de cálculo do tributo apurado pela fiscalização foi utilizado como custo do bem alienado, a diferença entre o valor que a Muffato detinha na PML diminuído do Patrimônio Liquido vertido (R$ 36.617.358,00 () R$ 5.732.318,00 = R$ 30.885.040,00), ao invés da relação formada pelos bens transferidos que estão consignados no item 1.3 do Termo de Constatação Fiscal, formado pelos estoques, móveis e instalações, direito de uso de linhas telefônicas que somam a importância de R$ 10.222.468,16. Ou seja, a base de cálculo do tributo ficou inflacionada indevidamente na importância de R$ 4.490.150,16 (quatro milhões, quatrocentos e noventa mil, cento e cinqüenta reais e dezesseis centavos), que corresponde ao montante da divida da Muffato assumida pela SONAE; valor este que não deve compor o resultado da base de cálculo do tributo, porquanto em desacordo com o disposto no § lº do art. 418 do RIR/99. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 Logo, entendo correta a decisão recorrida, no sentido de se recalcular a base de cálculo do tributo, excluindo a importância de R$ 4.490.150,16, ou melhor, considerando como custo dos bens alienados não a importância de R$ 5.732.318,00, conforme consta do lançamento, mas sim a importância de R$ 10.222.468,16; que corresponde ao custo dos bens alienados. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Conforme anteriormente mencionado, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Inicialmente, cumpre destacar que a minuta do voto vencedor foi entregue na Secretaria da 1ª Turma da CSRF, pelo redator designado na sessão de julgamento, Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Diante do fato de o mencionado Conselheiro não mais integrar o CARF, e levandose em consideração o que fora decidido, na ocasião, pela 1ª Turma da CSRF, conforme consta da Ata da Sessão de 19/11/2013, passo a formalizalo abaixo: Voto Vencedor do Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Cumpreme redigir o voto vencedor da decisão proferida por este e. Colegiado, vencido o i. relator, no julgamento do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. A recorrente insurgiuse contra a decisão da Câmara a quo que excluíra da apuração do ganho de capital a importância de R$4.490.150,16, valor esse representativo de dívidas que a recorrida detinha no seu passivo e que foram assumidas pela adquirente. No seu recurso a PFN assim se posiciona: (...) 15. Porém, a e. Câmara, a quo julgou que o ganho de capital deveria ser calculado unicamente sobre o valor dos ativos transferidos do Recorrido para a Sonae, desconsiderando as dividas do Recorrido assumidas por essa empresa. 16. Data maxima venia, a assunção de passivos do Recorrido é fato que representa receita, e, portanto, base de cálculo de tributos. Em verdade, o preço recebido pelo Recorrido pode ser visto de outra maneira: Se se entender que foram transferidos ativos no valor de R$ 10.222.468,16, devese entender também que o Recorrido auferiu R$ 36.649.298,31 mais R$ 4.490.150,16, representados pelo passivo assumido pela Sonae. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10935.001212/200378 Acórdão n.º 9101001.799 CSRFT1 Fl. 7 11 17. Ou seja, se não é próprio identificar a quantia de R$ 4.490.150,16 como "custo" do bem alienado, não há a menor dúvida que significa receita do Recorrido, e, portanto, deve figurar na base de cálculo do ganho de capital. 17. O que não é possível é qualificar a operação como compra e venda de bens do Recorrido, e não julgar tributável a quantia de R$ 4.490.150,16, que representa receita do Recorrido. 18. Portanto, a e. Câmara a quo se equivocou ao afirmar que a base de cálculo do IRPJ e da CSSL ficou "inflada" indevidamente, pois não há nenhuma dúvida de que as dividas do Recorrido foram assumidas pela Sonae, e, também que a assunção de dividas representa receita do Recorrido. 19. Caberia, talvez, esclarecer que parte do preço de aquisição dos ativos ficou representada pela a assunção de passivos do Recorrido. Mas esse é um fato evidente, e caberia à e. Câmara a quo têlo considerado. 20. Assim, vêse que não há nenhum equivoco na acusação fiscal, que, aliás, foi quase inteiramente acolhida pela e. Câmara a quo. Restando claro que o Recorrido simulou a compra e venda de bens, é evidente que se inclui no preço recebido a assunção de passivos levada a efeito pela empresa Sonae. Diante da clareza e da pertinência dos bem lançados argumentos constantes do recurso especial, acima transcritos e que adoto como razões de decidir, mostrase despiciendo comentários adicionais a respeito. Dessa forma, votei por dar provimento ao recurso fazendário. Esse é o meu voto. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
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