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Numero do processo: 18471.001004/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente dr Alexandre Basssi Borzani, OAB/DF 36458.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente dr Alexandre Basssi Borzani, OAB/DF 36458. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente dr Alexandre Basssi Borzani, OAB/DF 36458. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de COFINS, período março/2000 a novembro/2002, resultante de equívocos no procedimento do diferimento previsto no art. 7º da Lei nº 9.718/98 e do não oferecimento à tributação das variações cambiais ativas apuradas em contas passivas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 00 4/ 20 05 -4 7Fl. 844DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001004/200547 Resolução nº 3401000.818 S3C4T1 Fl. 3 2 Em impugnação o contribuinte sustentou que, em função do diferimento, reconhecia as receitas mensalmente e as estornava, dentro do próprio mês, enquanto não se concretizasse o recebimento, de maneira que a fiscalização, ao manter os estornos apenas nos meses em que emitida a primeira nota fiscal, acabou por tributar receitas inocorrentes; que as variações cambiais ativas em contas passivas equivalem a mera redução de despesa e não receita, bem assim, que sua tributação deve considerar o seu efetivo auferimento e não o mero registro contábil; que não houve prova, por parte da fiscalização, da adoção do regime de competência para escrituração das variações cambiais; e, por fim, que houve violação ao princípio da isonomia, tendo em conta a publicação do Decreto nº 5.442/2005. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve o lançamento mediante acórdão assim ementado: “BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da Cofins, para as pessoas jurídicas de direito privado, é o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões previstas em lei. VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal que permita excluir das receitas financeiras, para fins de apuração da base de calculo da contribuição, as despesas financeiras correspondentes às variações monetárias e cambiais passivas. INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa julgadora apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgado o seu indeferimento fundamentado.” Em recurso voluntário o contribuinte insistiu na tributação de receita inocorrente, pela adoção do diferimento do art. 7º da Lei nº 9.718/98 e, na seqüência, pugnou pela aplicação do entendimento do Supremo Tribunal Federal em relação à constitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 845DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001004/200547 Resolução nº 3401000.818 S3C4T1 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo a atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. A fiscalização, segundo o Termo de Constatação Fiscal nº 003 (fls. 196/198), aceitou a prática do diferimento da receita facultada pelo art. 7º da Lei nº 9.718/98, porém, com ressalvas, registrando que promoveu a glosa de receitas de vendas, consubstanciadas nas notas fiscais emitidas, de valores diferidos que não se vinculavam aos meses em que estornadas pelo contribuinte, exemplificativamente, excluiu os documentos do mês de maio/00 estornados no mês de junho/00; os documentos fiscais emitidos de maio/00 e junho/00 estornados em julho/00; etc. A fiscalização acentuou que as exclusões somente foram admitidas nos meses a que se referiam os documentos fiscais, isto é, documentos de maio/00 abatidos da receita apurada no mês de maio/00, as notas fiscais de junho/00 consideradas no faturamento de junho/00, e assim sucessivamente. O contribuinte, em sua defesa, alegou que o seu procedimento contábil consistia em reconhecer a receita mensalmente e, enquanto não efetivado o recebimento, providenciava o seu estorno, esclarecendo, p. e., que as notas fiscais emitidas em maio/00, com vencimento em junho/00, eram excluídas da receita de maio/00 e, posteriormente, adicionadas à receita do mês de junho/00. Acaso não recebidas em junho/00, estornavase da receita deste mês e incluíase na receita do mês de julho/00, até que confirmada a sua quitação. Diante deste panorama, sustentou o recorrente, ao glosar os estornos nos meses em que não houve recebimento, sem que fosse estornada também a receita correspondente, estarseia, a bem da verdade, a tributar receita inexistente. Reexaminando os documentos constantes dos autos, constatei que a fiscalização glosou, ilustrativamente, notas fiscais emitidas no mês de maio/00 e que o contribuinte estornou, a título de diferimento, nos meses de junho/00 e julho/00, como é o caso das NFs 000.162 e 000.163, ambas emitidas em 25/05/00, no valor de R$ 1.079.240,00 e R$ 151.669,47, respectivamente (fls. 191/192). À primeira vista, faz sentido a providência adotada pela fiscalização de não permitir o estorno, a título de diferimento, de vendas não realizadas no mês em que abatidas, mantendoas exclusivamente no mês a que se referem, no exemplo citado, maio/00; mas, por outro lado, se o contribuinte estivesse estornando o mesmo documento fiscal repetidas vezes, tal conduta revelaria intuito fraudulento de reduzir indevidamente a base de cálculo do tributo, o que em momento algum foi cogitado no lançamento, militando em seu favor e beneficiando o a incerteza, pois não ficou claro se ele ofereceu ou não tais verbas à tributação, como afirma, e não há nos autos elementos suficientes a afastar sua alegação. Assim, diante da dúvida fundada acerca do ocorrido e para evitar a exigência de crédito tributário indevido, em homenagem ao princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, proponho a conversão do julgamento em diligência para que se providencie o seguinte: 1. Investigar e informar se, de fato, nos meses em que houve glosa de diferimentos correspondentes a meses distintos (junho/00, julho/00, dezembro/00 e março/01), o contribuinte incluiu as receitas correspondentes na base de apuração da COFINS, como afirma; Fl. 846DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001004/200547 Resolução nº 3401000.818 S3C4T1 Fl. 5 4 2. Elaborar relatório circunstanciado a respeito da situação encontrada; 3. franquear prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte possa se manifestar a respeito das verificações realizadas. Findo o procedimento, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 847DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.013115/2002-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE PROVAS.
Sm provas de erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, mantém-se o lançamento.
DCTF. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO.
Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros, porém com a exoneração da multa de oficio lançada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício vinculada ao imposto lançado.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 06/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1998 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE PROVAS. Sm provas de erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, mantém-se o lançamento. DCTF. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros, porém com a exoneração da multa de oficio lançada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE PROVAS. Sm provas de erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, mantémse o lançamento. DCTF. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória n°2.158 35/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros, porém com a exoneração da multa de oficio lançada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício vinculada ao imposto lançado. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 31 15 /2 00 2- 72 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11610.013115/200272 Acórdão n.º 2102002.111 S2C1T2 Fl. 3 2 Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 06/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 91 a 93: Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais – DCTF, correspondente ao 3º e 4º trimestre do ano calendário de 1997, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher o crédito tributário no valor de R$ 64.286,90, sendo R$ 23.865,96 a título de IRRF, R$ 17.899,47 a título de multa de ofício e R$ 22.521,47 a título de juros de mora calculados até a data da lavratura do AI (fls. 20 e 21). Conforme demonstrativos de fls. 23 a 29, o lançamento em tela decorre da não localização de pagamentos vinculados a débitos declarados (item 4.1). Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seus representantes legais, apresenta a impugnação de fls. 01 a 04, protocolizada em 08/07/2002, na qual, alega, em apertada síntese, que o IRRF exigido no item 4.1 do Auto de infração foi pago conforme comprovam os DARF(s) em anexo. Destaca que os débitos nº 4490639, 4490628, 4490636, 4490631, 4490633 e 0490644 não estão de acordo com a soma dos DARF(s) o motiva a correção da DCTF. Transcrevemos livremente excerto da decisão de 1a instância antes referida: Em face da apresentação de copia dos documentos de arrecadação DARF, correspondentes a parte dos recolhimentos não localizados pela fiscalização, a autoridade preparadora, confirmou os pagamentos ern comento e revisou de oficio a exigência consolidada no item 4.1 do Auto de Infração e excluiu do montante apurado o valor de R$ 29.420,98 (R$ 16.811,97 a titulo de IRRF e R$ 12.609,01 a titulo de multa de oficio) (fls. 71 a 81). Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os créditos remanescentes pela falta de provas das alegações que seriam valores informados em duplicidade, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11610.013115/200272 Acórdão n.º 2102002.111 S2C1T2 Fl. 4 3 DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. Não comprovado o recolhimento e/ou improcedência do débito apurado em revisão sumária de DCTF, mantémse a exigência fiscal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 98 a 105, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Conforme restou demonstrado em sede de Impugnação administrativa, é certo, no entanto, que os supostos débitos reclamados no Auto de Infração não mais subsistem, tendo sido inequivocamente extintos pelo pagamento, nos moldes do Art. 156, I, do Código Tributário Nacional. É certo, ademais, que a exigência de recolhimento de multa de 75% (setenta e cinco por cento) é de toda sorte abusiva, na medida em que se tratam, inequivocamente, de débitos previamente declarados pelo contribuinte em DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Dessa forma, ainda que devidos fossem quaisquer valores, a multa "in casu" estaria limitada a 20% (vinte por cento) do valor do imposto que supostamente deixou de ser recolhido e nunca os 75% (setenta e cinco por cento) aplicados pela fiscalização. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DÉBITOS EM ABERTO NA DCTF. ALEGAÇÃO DE DUPLICIDADE. Acerca dos débitos remanescentes, desde a instância anterior, verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Por oportuno, cabe aqui transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11610.013115/200272 Acórdão n.º 2102002.111 S2C1T2 Fl. 5 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em citação contida na obra de Miranda, Darcy Arruda e outros, CPC nos Tribunais, Editora Jurídica Brasileira Ltda., 1995, v. V, p. 3.768, ao comentar o art. 302 do CPC, o qual trata da necessidade de o réu “manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial”, salienta o Prof. J. J. Calmon de Passos: Se o fato narrado pelo autor não é impugnado especificamente pelo réu e de modo preciso, este fato, presumido verdadeiro, deixa de ser objeto de prova, visto como só os fatos controvertidos reclamam prova. (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, v. III, n.º 151, p. 275). É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). O que se vê caso é que o contribuinte não apresentou durante a fiscalização e na impugnação documentação hábil para comprovar suas alegações e nessa fase recursal tampouco enfrentou diretamente as razões de mérito expostas pela autoridade julgadora anterior ao manter o lançamento, ainda, tampouco trouxe elementos de prova como deveria ser feito para que isso pudesse socorrêlo, propiciando o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizando o que lhe foi imputado pelo fisco. MULTA DE OFÍCIO. Devese esclarecer, por oportuno, que o fato de um débito ter sido confessado em uma declaração não obstaculiza que o mesmo seja objeto de um lançamento de oficio. Simplesmente, dando uma nova vestimenta legal à cobrança, no caso do lançamento de oficio na via do auto de infração, permitirseá que o contribuinte discuta o débito no contencioso administrativo. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11610.013115/200272 Acórdão n.º 2102002.111 S2C1T2 Fl. 6 5 Dessa forma, a partir do art. 90 da MP n° 2.15835/2001, o fisco passou a constituir as diferenças apuradas em DCTF na via do lançamento de oficio, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional, o que permitiu que os contribuintes insurgentes pudessem interpor recursos na via do processo administrativo fiscal federal, regulado pelo Decreto n° 70.235/72. Posteriormente, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003) restringiu o alcance do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, com a seguinte dicção: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória na 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. O art. 90 da MP n°2.15835/2001, pela redação acima, passou a reger, apenas, o lançamento de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. Não mais pôde ser aplicado para cobrar diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo. Dessa forma, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF, DIRPF, etc.), sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5" do Decretolei II 2.124, de 1984, até a edição da MP nº' 2.15835, de 2001. Ocorre que o lançamento aqui em debate, cientificado ao contribuinte foi concretizado antes da alteração perpetrada na matéria pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Apesar de o novo art. 90 da MP n°2.15835/2001 dispensar o lançamento para apurar diferenças em declaração prestada pelo sujeito passivo, devese considerar que o lançamento do caso vertente foi feito respeitando as normas legais existentes no momento de sua lavratura, sendo um ato jurídico perfeito, o que implica que as instâncias julgadoras devem apreciar normalmente as inconformidades dos contribuintes. Entretanto, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, devese exonerar a multa de oficio vinculada lançada. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para exonerar a multa de ofício vinculada ao imposto lançado, mantidas as demais exigências. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11610.013115/200272 Acórdão n.º 2102002.111 S2C1T2 Fl. 7 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723861/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 86 1/ 20 10 -1 3 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11080.723861/201013 Resolução nº 2301000.404 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O Recorrente é uma sociedade civil sem fins lucrativos cuja atividade principal é a prática do futebol profissional e amador, que foi autuado neste lançamento fiscal referente as contribuições destinadas à Seguridade Social (parte dos segurados, não descontada), incidentes sobre as remunerações pagas, por intermédio de pessoas jurídicas dito pela Fiscalização como interpostas, onde considerou empregados do clube. Foi observado o limite máximo do salário de contribuição. O débito é relativo às competências 09/2005 a 12/2006. A fiscalização relata que o Recorrente ajustou com determinadas pessoas jurídicas, contrato para prestação de serviços nas áreas de preparação física, de execução das atividades relacionadas ao Departamento de Futebol Amador e outra para o Departamento de Futebol Profissional. Na prática tais sócios gerentes dessas pessoas jurídicas executaram os serviços pessoalmente (sem o auxílio de empregados), de forma exclusiva e habitual nas dependências do contratante, mediante remuneração e subordinação. De acordo a Fiscalização algumas Pessoas Jurídicas contratadas foram considerados como segurados por preencherem os requisitos de segurados empregados definidos no artigo 12 da Lei nº 8.212/91, e considerou todos os pagamentos como natureza salarial. Aplicouse a multa do artigo 35A, por considerar a mais benéfica. Irresignado impugnou com suas argumentações, cujas quais foram insuficientes para modificar o lançamento, sendo julgada improcedente. Em 10.08.2012 (sextafeira) foi noticiado da decisão e no dia 11.09.2012 interpôs o presente remédio recursivo, alegando: i) da ilegitimidade passiva; ii) da desconsideração das pessoas jurídicas e enquadramento de segurado empregado pessoa jurídica – inexigibilidade de pagamento de contribuição social; iii) redução da multa. É a síntese do necessário. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11080.723861/201013 Resolução nº 2301000.404 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. DA ADESÃO AO TIME MANIA Alega a Recorrente a adesão ao ‘Time Mania’, estando, portanto, o débito incluso no mencionado parcelamento. Todavia, com a impugnação não foi juntado nenhum comprovante de tal alegação, tão pouco o presente recurso foi acompanhado de qualquer documento que comprovasse a referida adesão. Para conhecimento percuciente da causa com todo elemento probatório, urge que seja diligenciado no sentido de a DRJ informar se de fato houve a a mencionada adesão, e qual sua abrangência. Portanto, sugiro que a DRJ diligencie no sentido de informar se houve a dita adesão ao ‘Time Mania’ e qual o período foi abrangido. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para determinar o retorno dos autos à autoridade de origem para que esta informe se houve a adesão ao ‘Time Mania’ e qual a sua abrangência. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002498/99-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1996
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL.
Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso Especial do Procurador, determinando o retorno dos autos a repartição de origem para prosseguimento da análise do mérito do pedido.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-29T18:35:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 9101001439_16327.00249899-51_201207; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.7.3; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 33481199104; dcterms:created: 2014-07-29T18:35:25Z; Last-Modified: 2014-07-29T18:35:25Z; dcterms:modified: 2014-07-29T18:35:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 9101001439_16327.00249899-51_201207; xmpMM:DocumentID: uuid:9ad7929d-19aa-11e4-0000-8e8f808d76c6; Last-Save-Date: 2014-07-29T18:35:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.7.3; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-07-29T18:35:25Z; meta:save-date: 2014-07-29T18:35:25Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 9101001439_16327.00249899-51_201207; modified: 2014-07-29T18:35:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 33481199104; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 33481199104; meta:author: 33481199104; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-07-29T18:35:25Z; created: 2014-07-29T18:35:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2014-07-29T18:35:25Z; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 33481199104; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-07-29T18:35:25Z | Conteúdo => CSRF-T1 Fl. 2 1 1 CSRF-T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002498/99-51 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101-001.439 – 1ª Turma Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria IRPJ/PERC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER DE NEGÓCIOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, determinando o retorno dos autos a repartição de origem para prosseguimento da análise do mérito do pedido. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente – Presidente - Substituto (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Fl. 593DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e eu, Silvana Cristina dos Santos Fernandes, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e João Carlos de Lima Júnior. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 17/02/2009 (fls. 530), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, seu Recurso Especial (fls. 533/539), para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 197-00.040, de 20/10/2008 (fls. 525/529) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, em 25/04/2007, pelo contribuinte Banco Santander de Negócios S/A (fls. 457/479). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que o contribuinte protocolou, em 23/09/1998, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1996, correspondente ao ano-calendário de 1995, no valor de R$ 139.641,92. Em 07/04/2006, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – SP, através de Despacho Decisório, indeferiu o Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais sob o argumento básico de que a legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não estiver regular junto à Fazenda Pública ou junto à Seguridade Social. Inconformado com a decisão o contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 26/05/2006 (fls. 181/195), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: - que tendo recebido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (Doc. 03) informando como zerada a destinação dos valores declarados, a Recorrente protocolou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, relativo ao IRPJ/1996, ano base 1995 (Doc. 04), o qual foi indeferido em razão da existência de supostas pendências no CNPJ da empresa incorporada; - que não há que se falar em cumprimento estrito da legislação, haja vista a mesma ser omissa quanto à época em que a Recorrente deveria ter sua situação regular, de forma que impende aos órgãos julgadores da Administração Pública proceder à análise da intenção do legislador ao estabelecer tal norma, que nunca foi a de permitir que os pedidos fossem analisados somente quando houvesse alguma irregularidade na sua situação fiscal, Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002498/99-51 Acórdão n.º 9101-001.439 CSRF-T1 Fl. 3 3 como vem reiteradamente acontecendo, mas sim a de que o pleiteante do incentivo fiscal, que não pode prever a sua situação fiscal por tantos anos, esteja, no momento da formulação do pedido, em dia com suas obrigações tributárias; - que se verifica que a utilização de débitos em momento posterior ao da opção pela utilização do benefício fiscal pretendido, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o princípio da moralidade administrativa à medida que permite à Administração Pública aguardar pacientemente a existência de qualquer débito — e, no presente caso, qualquer mesmo — para indeferir um direito garantido legalmente aos contribuintes;. - que, conclui-se, portanto, que se os órgãos fazendários levam aproximadamente 11 (onze) anos ou mais par analisar um pedido, claro fica, que o óbvio seria a comprovação da regularidade fiscal quando da entrada do pedido, caso contrário, haveria um ônus muito grande ao beneficiário, visto que a instabilidade e fiscal no país é enorme e não há como prever se, por qualquer motivo o contribuinte será pego de surpresa com algum problema junto à Receita Federal e/ou à Procuradoria da Fazenda Nacional por tantos anos. Em 06/03/2007, após resumir os fatos constantes da decisão da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – SP e as principais razões apresentadas pelo requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I, por maioria de votos, decide julgar improcedente o pedido do contribuinte indeferindo a sua solicitação (fls. 181/195), com base, em síntese, no argumento básico de que nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 04/04/2007, conforme Termo constante às fls. 455/456, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 25/04/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 457/479), instruído pelos documentos de fls. 480/523, o qual, ao ser apreciado pela então Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 197-00.040, de 20/10/2008 (fls. 525/529), teve seu provimento aceito, por unanimidade de votos, para afastar o indeferimento do incentivo em razão da existência de débito fiscal, determinando o retorno dos autos a repartição de origem para prosseguimento da análise do mérito do pedido, conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EXERCÍCIO: 1996 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei no n° 9.069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. Recurso Voluntário Provido. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 16/02/2009, conforme Termo constante às fls. 530, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (17/02/2009), o seu Recurso Especial de Divergência de fls. 533/539, com amparo no art. 7º, inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que o recorrido fez a opção pela aplicação no FINAM mediante a declaração de rendimentos do ano de 1995. Consoante documentação constante dos autos, o contribuinte protocolizou o PERC em 14/09/1998;. - que a fiscalização, em cumprimento ao disposto no art. 60 da Lei 9.069/95, apurou que o Recorrido possuía, à época, pendências fiscais junto a procuradoria da Fazenda Nacional e a Secretaria da Receita Federal e, por conseqüência, indeferiu o pedido de revisão. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, anexando certidões de regularidade; - que a DRJ/São Paulo, considerando que o recorrido não logrou comprovar a sua regularidade fiscal e não prestou qualquer esclarecimento acerca dos débitos apontados pelo despacho decisório de fls. 177/179, indeferiu o PERC, também com fulcro no art. 60 da Lei 9.069/95; - que a e. Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes analisou caso idêntico ao apreciado pela e. Câmara a quo, e concluiu no sentido de que o contribuinte deve demonstrar a sua regularidade fiscal no momento em que faz a opção pelo beneficio; - que há identidade fática entre o acórdão proferido pela e. Câmara a quo e o acórdão paradigma, eis que, em ambos os casos, o cerne da questão diz respeito ao momento da comprovação da regularidade fiscal por parte do contribuinte. Necessário citar o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma, para evidenciar a divergência entre as Câmaras na interpretação do art. 60 da Lei 9.069/95; - que, com efeito, ao se analisar os documentos constantes dos autos, percebe-se que o Recorrido não logrou demonstrar a sua regularidade fiscal, à época da opção pela destinação de parte do seu imposto de renda ao FINAM. As pendências existentes naquele período, e que foram determinantes no indeferimento da emissão de incentivos fiscais, não foram ilididas até o presente momento; - que a e. Câmara a quo não entendeu que caberia o deferimento do pedido de emissão sem que o contribuinte provasse a regularidade fiscal. Ao contrário, julgou que, para o deferimento, o importante seria que o Recorrido houvesse provado, no curso do processo, que possuiu certidão que demonstrasse a sua regularidade fiscal; - que esse raciocínio, contudo, parece equivocado, pois concluir desta forma, seria entender que bastaria que o contribuinte apresentasse uma certidão legitima, em qualquer momento do processo, para que pudesse fazer jus ao beneficio, sem considerar como irregular o fato dele não estar quite com os tributos federais, no momento em que solicitou a concessão dos incentivos fiscais; - que é evidente que para se obter um incentivo fiscal, o contribuinte deve ter todas as condições legais para este lhe seja concedido. O art. 60 da Lei 9.069/95, que dispõe acerca do beneficio em exame, estabelece como condição essencial para o seu gozo, a Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002498/99-51 Acórdão n.º 9101-001.439 CSRF-T1 Fl. 4 5 comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado, pela Fazenda Nacional, do qual transcrevo a sua respectiva ementa: Acórdão nº 108-07.970: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 previa a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Se não logrou demonstrar a regularidade, a empresa não pode gozar do beneficio. Recurso negado. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 144-4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 05/10/2009 (fls. 548/549) dando seguimento ao Recurso Especial de Divergência, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência do contribuinte, nos termos regimentais, foram apresentadas, em 24/11/2009, as contrarrazões (fls. 552/562), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: - que, primeiramente, insta salientar, que ao contrário do aduzido pela Recorrente, resta evidente a ausência de dissídio jurisprudencial entre os acórdãos proferidos pelas E. Sétima e Oitava Câmaras deste E. Conselho; - que, por derradeiro, cumpre destacar que a Recorrida demonstrou cabalmente estar em situação regular perante os órgãos da administração pública, tanto que este E. Conselho entende por bem conceder-lhe o beneficio pretendido; - que do mesmo modo que a D. Autoridade Administrativa transferiu o marco da análise da regularidade da Recorrida para o momento de análise do PERC, é permitido à recorrente o deslocamento desse mesmo marco enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal; - que é sabido e consabido que a Certidão Negativa é documento hábil e idôneo a se comprovar a situação de regularidade fiscal do contribuinte, nos termos do artigo 1º do Decreto nº 6.106/2007 e do artigo 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n.° 03/2007; - que ante os fatos apresentados pela Recorrida, concluiu-se que as alegações feitas pela União Federal no sentido de que as Certidões Positivas com Efeitos de Negativa não servem para comprovar a regularidade fiscal da Recorrida, não podem prosperar. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-001.439, de 19 de julho de 2012, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 16/02/2009 (fls. 530) e protocolado o presente apelo em 17/02/2009 (fls. 533/539), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de acórdão divergente de decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação dos pontos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreende-se do relatado que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 insurgindo-se contra decisão da então Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 197-00.040, de 20/10/2009, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado no argumento básico de que comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei no n° 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. Como visto do relatório, trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1996, correspondente ao ano- calendário de 1995, no valor de R$ 139.641,92. A decisão de Segunda Instância foi favorável ao pleito do contribuinte, baseado no argumento básico de que comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei no n° 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002498/99-51 Acórdão n.º 9101-001.439 CSRF-T1 Fl. 5 7 Ora, se faz necessário lembrar a norma legal que orienta a administração tributaria na análise de concessão de benefícios fiscais, verbis: Lei nº 9.069, de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributes e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Como se vê, a disposição legal é cristalina: cabe ao contribuinte a obrigação de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. Não há dúvidas de que face as condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem debito em aberto" a "com debito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o beneficio pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. Da análise atenta do dispositivo em discussão, percebe-se não haver, de forma expressa, qualquer definição com relação ao momento no qual devem ser verificadas as .condições de regularidade com relação à quitação de tributos e contribuições federais. Levando em conta da necessidade se interpretar a legislação de forma não haver palavras desnecessárias no texto legal, é possível se interpretar, o dispositivo em discussão, como definindo dois atos distintos: a concessão e o reconhecimento. Dessa forma, aceitado o principio, há a definição de duas datas diferentes: a data da concessão e a data do reconhecimento. Concessão é o ato ou efeito de conceder, é o consentimento, a permissão. Ocorre no momento do processamento da declaração (DIPJ) onde consta a opção feita pelo contribuinte. E reconhecimento é o ato ou efeito de reconhecer, podendo, ainda, em termos jurídicos ter a acepção de ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira. Dessa forma, concessão poderia estar ligada ao primeiro momento, época do processamento da declaração com a opção do contribuinte, enquanto que o reconhecimento se daria numa etapa posterior, quando da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. Nesta altura se faz necessário lembrar, que os benefícios em análise (FINAM/FINOR) são aqueles resultantes de aplicação de parte do imposto devido sobre a renda em investimentos regionais e setoriais. A sistemática envolvendo esses benefícios prevê que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real podem optar, em determinado ano- calendário, pela aplicação de parte do valor do IRPJ devido em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, e os recursos assim alocados são geridos por fundos de investimentos. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 As condições básicas para se poder optar estão prescritas no RIR/1994, verbis: Decreto nº 1.041, de 1994: Art. 601. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste capitulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 619, 621 e 623 (Decreto-Lei no 1.376/74, art. 1º). (...). Art. 610. A opção pelos investimentos e respectivo percentual de aplicação será indicada na declaração de rendimentos da pessoa jurídica (Decreto-Lei 12° 1.376/74, art. 11). (...). Art. 624. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este capitulo: I – as empresas rurais de acordo com o art. 350 (Lei nº 8.023/90, art. 12); II - as pessoas jurídicas tributadas com base em lucro presumido (art. 521) (Lei n° 6468/77, art. 2°, § 1 0, e Decreto-Lei n° 1.647/78, art. 1°); III - as pessoas jurídicas tributadas com base em lucro arbitrado (art. 538) (Decreto-Lei n° 1.648/78, art. 11); IV - as empresas instaladas em Zona de Processamento de Exportação (ZPE) (art. 341) (Decreto-Lei n° 2.452/88, art. 18); V- as empresas referidas no art. 550, § 2°, relativamente parcela do lucro inflacionário tributada à alíquota de seis por cento. Art. 550. A pessoa jurídica, seja comercial ou civil o seu objeto, pagará o imposto à alíquota de vinte e cinco por cento sabre o lucro real, presumido ou arbitrado, apurado de conformidade com este Regulamento (Lei n° 8.541/92, arts. 3°, § 1°, 15 e 21). § 1º A pessoa jurídica que explorar atividade rural pagará o imposto à alíquota de vinte e cinco por cento sobre o lucro da exploração ajustado (Lei n° 8.023/90, art. 12 e § 3º). § 2º O lucro inflacionário acumulado, até 31 de dezembro de 1987, das pessoas jurídicas abrangidas pelo disposto no art. 2° da Lei n° 7.714, de 29 de dezembro de 1988, será tributado à alíquota a que estava sujeita a pessoa jurídica no exercício financeiro de 1988 (Lei n° 7.730/89, art. 28). § 3º O imposto será calculado sobre o lucro expresso em quantidade de Ufir diária (Lei n° 8.541/92, arts. 3° § 1°, 14, § 5°, 15, e 21). Ora, as pessoas jurídicas optam pelo beneficio a cada ano e, se preencherem os requisitos necessários, passam a ter o direito ao incentivo fiscal. Então, parte do imposto devido será convertida em depósito no respectivo fundo, o qual será transformado em Certificado de Investimento — CI, emitido em favor das pessoas jurídicas optantes e que corresponde a cotas do fundo, com valor de mercado, cuja ordem de emissão é dada pela SRF. A SRF, por sua vez, em cada ano-calendário, expede extrato com os valores efetivamente considerados coma imposto e como aplicação nos fundos. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.002498/99-51 Acórdão n.º 9101-001.439 CSRF-T1 Fl. 6 9 Portanto, o beneficio fiscal de que se trata tem como característica essencial a possibilidade de ser usufruído periodicamente, com base na opção anual. Não é um beneficio com única solicitação definitiva: esta deve ser refeita a cada ano, se assim o contribuinte desejar. A opção do contribuinte se esgota no próprio exercício fiscal e que realizada: exercida, só é valida para o correspondente ano-calendário. E pode ser renovada anualmente. Se concedida num ano, pode ser indeferida num outro, sem interferência mútua e cada opção deverá ser analisada em sua conjuntura específica. Em resumo, é um beneficio que tem como característica a periodicidade e, em cada vez em que for solicitada sua concessão, devera ser avaliada sua situação em relação à quitação de tributos e contribuições federais. Se assim for, como é, percebe-se, então, que para a concessão, a análise sobre a regularidade da quitação de tributos e contribuições federais é feita no momento do processamento da declaração: o sistema informatizado da Receita Federal, após processamento da declaração entregue, libera um extrato, onde constam os valores deduzidos de seu IRPJ e aplicados no fundo de investimento regional, para as pessoas jurídicas que, tendo optado pelo beneficio, não se apresentam como inadimplentes nos sistemas da Receita Federal. Se, neste momento, há débitos em cobrança para o contribuinte, o extrato apresentará valor "zero" para o beneficio fiscal e informará, de forma genérica, a existência de débitos. É importante observar, que a data da opção, para um determinado ano- calendário, como sendo o ultimo dia do prazo de entrega da declaração, usualmente, o último dia útil do mês de abril do ano-calendário seguinte. E justificável essa definição, já que a entrega da declaração pode ser feita a qualquer momento dentro de um prazo e o tratamento aos contribuintes deve se dar em um instante único para todos. No entanto, para a concessão, a data a ser considerada só pode ser a data do processamento das declarações. O Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC é um pedido de revisão. Ora, revisão é um novo exame minucioso de um ato, com o objetivo de corrigir possíveis erros. Não é um ato novo. Ou seja, a época da avaliação do PERC não é uma nova data para a concessão do beneficio pleiteado. Assim, a concessão do beneficio fiscal só pode ter uma data: a do processamento da declaração. A época em que a análise é feita para emissão do despacho decisório, avaliando o PERC, não pode ser considerada urna outra data para a concessão do beneficio. Se assim fosse, caracterizada estaria a violação do principio da isonomia. No momento do processamento das declarações, todos os contribuintes optantes estão sendo tratados de forma isonômica: a análise sobre a existência ou não de débitos está sendo feita ao mesmo tempo para todos eles, é que, se os contribuintes têm sua opção analisada em momentos diferentes, é possível ocorrer exigências diferentes, Assim, contribuintes na mesma situação teriam suas opções analisadas, procurando verificar-se cumprimento de requisitos diferentes. Na data da concessão, quando do processamento das declarações, se houve negativa à sua aceitação, é ônus da Administração Tributária explicitar os débitos em aberto que impedem a concessão, para que o contribuinte possa sobre eles se manifestar. Não havendo clareza sobre quais débitos se baseou a negativa da concessão do beneficio, o contribuinte não consegue contrapor-se adequadamente, e, portanto, há cerceamento ao seu direito de defesa. Sem saber sobre quais débitos se manifestar, o contribuinte apresenta, juntamente com o PERC, os DARF comprobatórios do pagamento do IRPJ do ano-calendário correspondente, sem acrescentar outros comprovantes ou outros documentos que pudessem Fl. 601DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 mostrar sua situação regular. Dessa forma, se no despacho decisório proferido, não houver sido feita uma análise da situação fiscal do contribuinte na data da concessão, não foi respeitado o seu direito de defesa. Assim, pelo exposto, a única data passível de atender os princípios constitucionais, tais como o da isonomia e o da segurança jurídica, é a data do processamento das declarações, que é a data da concessão. Finalizando, entendo que o julgamento da lide não configura um novo momento de concessão do beneficio fiscal, da mesma forma como não se constitui em nova data para a concessão, a apreciação do PERC. efetuada pela DIORT/DEINF e endossada pela decisão de primeira instância. Repetindo, o único momento possível para a concessão é o do processamento da DIPJ. Ora os dois Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 22 e 23) não apresentam, claramente, a existência débitos, apontando, apenas a existência de débito com a exigibilidade suspensa por liminar em mandado judicial. Além disso, a decisão de primeira instância não atendeu a todos os dispositivos legais, pois considerou débitos existentes após a opção e o processamento da DIRPJ/1996. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, determinando o retorno dos autos a repartição de origem para/prosseguimento da análise do mérito do pedido. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13830.722392/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. CONDIÇÕES SUSPENSIVAS VERIFICADAS.
Verificada a existência de condições suspensivas no contrato, a antecipação dos valores pela promitente compradora é apenas uma expectativa de direito. A incorporação desse direito ao patrimônio da pessoa jurídica está condicionado à implementação das condições suspensivas.
Como a condição suspensiva pactuada impede que o negócio jurídico produza seus efeitos (enquanto não ocorrido o evento a que sua eficácia ficou subordinado), não há que se falar em obrigação tributária decorrente e muito menos em postergação no recolhimento dos tributos.
Equívoco na apuração do ganho de capital por parte da fiscalização, ensejando o cancelamento do Auto de Infração.
CSLL E LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento de CSLL a mesma sorte do IRPJ acima exposto.
Numero da decisão: 1401-001.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. CONDIÇÕES SUSPENSIVAS VERIFICADAS. Verificada a existência de condições suspensivas no contrato, a antecipação dos valores pela promitente compradora é apenas uma expectativa de direito. A incorporação desse direito ao patrimônio da pessoa jurídica está condicionado à implementação das condições suspensivas. Como a condição suspensiva pactuada impede que o negócio jurídico produza seus efeitos (enquanto não ocorrido o evento a que sua eficácia ficou subordinado), não há que se falar em obrigação tributária decorrente e muito menos em postergação no recolhimento dos tributos. Equívoco na apuração do ganho de capital por parte da fiscalização, ensejando o cancelamento do Auto de Infração. CSLL E LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de CSLL a mesma sorte do IRPJ acima exposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 23 92 /2 01 2- 82 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1442.437, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente a exigência, nos termos do relatório e voto do Relator. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: REZENDE BARBOSA S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta impugnação às exigências tributárias consubstanciadas no presente processo. Tratase de autos de infração, fls. 454 e seguintes, relativo ao IRPJ e CSLL, no valor total de R$50.469,039,51 (inclusos multa de oficio de 75%, juros isolados e juros de mora à taxa Selic, calculados até setembro/2012), em face da tributação do valor de R$99.307.256,22 no ano de 2008 (fl. 457), a título de omissão de receitas de alienação de participação societária. I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Constatação Fiscal, às fls. 468475, a Fiscalização apurou que (verbis): (...) 1. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e no desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização junto ao sujeito passivo acima identificado constatamos a apuração incorreta do resultado da alienação de participação societária, já que o sujeito passivo apurou o ganho de R$66.968.205,63 no ano de 2009, quando o correto é o ganho de R$99.307.256,22, no ano de 2008, com a conseqüente postergação de imposto e contribuição, conforme adiante relatado. (...) 9. Mereceu a atenção da fiscalização a parcela discriminada no item “a" acima, no valor de R$ 66.968.205,63 (ganho na alienação de 10.394 ações, representando 49% na investida Teaçu Armazéns Gerais S.A., pela Rezende Barbosa S.A. para Cosan S.A. Ind. e Comércio), diante da respectiva documentação apresentada. 10. E que o respectivo Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras A venças (fls. 158/172), foi subscrito em 09/04/2008, estabelecendo como preço do negócio o montante de R$119.000.000,00, sendo R$ Fl. 951DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 100.000.000,00, "adiantado" naquele ato (TED bancário datado de 09/04/2008 extrato às lis. 208), e R$ 19.000.000,00, a ser pago na "efetivação da venda e compra", com correção pela Selic, o que resultou no pagamento de R$ 21.331.146,69 (TEDs bancários datados de 17/04/2009 R$ 7.971.112,71 + R$ 13.360.033,98 extrato às fls. 222). 11. Vejase: instrumento particular subscrito em 09/04/2008 e ganho de capital só reconhecido em abril/2009. Ao que tudo indica, a fiscalizada assim procedeu por entender que o negócio estava amparado por condição suspensiva, na forma dos artigos 116 e 117 do CTN Código Tributário Nacional Lei n° 5.172/66 (...). 12. Todavia, a fiscalização não acata o entendimento da fiscalizada de que o fato gerador ocorreu em abril/2009, pois o fato gerador ocorreu em abril/2008. 13. A uma porque a condição que tem o condão de suspender o negócio na forma do inciso I, do art. 17, do CTN, deve ser futura e incerta. No caso, as condições expostas não atendem ao requisito da incerteza. São elas (fls. 163/164) : i) cumprimento, pela Promitente Compradora, das obrigações assumidas nos itens 2.1.1 a 2.1.1.2 do Memorando, com relação à acionista detentora de 10% (dez por cento) do capital social da Cosan Portuária; (ii) autorização expressa da Codesp e da Receita Federal para todas as operações societárias previstas no Memorando; e (iii) anuência do BNDES e do Banco Itaú BBA S.A quanto à alteração do controle societário do Terminal Teaçu quando da transferência das ações de sua emissão à Holding e, posteriormente, à Holding Intermediária, tal como previsto no Memorando, sem que disso decorra o vencimento antecipado das dívidas do Terminal Teaçu oriundas dos instrumentos mencionados em 6.1 (iii), supra, sob pena de incorrer no disposto em 87.1.1, infra. " 14. Em (i), conforme se observa do Memorando de Entendimentos (lis. 231/232), a Cosan se compromete a comprar os 10% restantes da Cosan Portuária, ou constituir uma nova sociedade holding com a titular daqueles 10%, ou ainda a fazer com que o titular daqueles 10% participe da negociação. Ou seja, são três alternativas à disposição da Cosan que afastam a incerteza do evento. Em (ii) e (iii) são eventos certos, pois basta as partes adotarem os procedimentos recomendados pelos órgãos que terão a aprovação. 15. A outra porque o próprio instrumento particular subscrito traz no item 7 (fls. 164) "HIPÓTESE DE RESOLUÇÃO EM DECORRÊNCIA DA AUDITORIA" onde foi pactuado que "... o Memorando e o presente Compromisso poderão ser resolvidos de pleno direito ... ". Ou seja, uma condição resolutória que, na forma do inciso II, do artigo 117 do CTN, determina a ocorrência do fato gerador no momento da celebração do negócio. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 4 5 16. A fiscalizada apresentou informações complementares (fls. 298/299), anexando quatro Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 300/358), que entre outros, abordam o tema "'condição suspensiva". Interessante notar que os resultados das interpretações exaradas pelo Conselho em tais Acórdãos alcançam justamente a realidade vivida, ou seja, a tributação do negócio no momento em que se aufere a renda, ou seja, no momento da transmissão dos recursos, diferentemente do presente caso, em que a fiscalizada quer tributar o ganho, grosso modo, um ano após o seu recebimento. 17. Portanto, resta a apuração do ganho em abril/2008, não cabendo o diferimento da parcela não recebida no ato do negócio (R$ 19.000.000,00), por não se tratar de venda a longo prazo, na forma do artigo 421, do RIR/99 Regulamento do Imposto Sobre a Renda (Decreto n° 3.000/1999). (...) Embora figure no Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avencas, firmado em 09/04/2008, que o valor do capital social da TEAÇU correspondesse a R$ 105.450.807,93 (fis. 159), tal valor não correspondia à realidade naquele momento, vez que esse valor somente passou a ser verdadeiro, em 14/04/2008, quando foi deliberado aumento de capital social, conforme ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, REALIZADA EM 14/04/2008 (fis. 360/361), devidamente arquivada na Jucesp, mediante capitalização de juros sobre capital próprio no valor de R$ 5.788.434,34 e integralização em moeda corrente no valor de R$ 59.796.373,59. 22. Assim, o resultado na alienação do investimento é o seguinte: Valor de Venda R$ 119.000.000,00 () Valor do Patrimônio Líquido Vendido que corresponde a 49% de R$ 40.189.273,03 R$ 19.692.743,78 (=) Resultado tributável na alienação R$ 99.307.256,22 23. Diante da postergação de parte do imposto e da contribuição, foram considerados nos cálculos da presente exigência os recolhimentos feitos pela fiscalizada em 2009, quais sejam (fls. 105/106): IRPJ (cód. 2362) R$ 4.553.744,81, recolhido em 31/05/2009; CSLL (cód. 2484) R$ 1.662.575,70, recolhido em 31/05/2009. 24. Sobre os valores postergados, estão sendo exigidos os juros isolados, entre os meses de maio/2008 a maio/2009 (meses de vencimento das estimativas mensais), calculados pela taxa Selic dos meses de maio/2008 a abril/2009, mais 1% referente ao mês de maio/2009, conforme abaixo. (...) II) DA IMPUGNAÇÃO Fl. 953DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 A contribuinte foi cientificada dos autos de infração e do Relatório Fiscal por meio de seu representante legal, pessoalmente em 17/10/2012, fls. 455 e 463, tendo apresentado impugnação tempestiva em 14/11/2012 (fls. 482 a 514), representada por advogados, aduzindo que (verbis): “(...) 3. Com efeito, ao superficialmente analisar as circunstâncias que permearam a venda de ações da Teaçu, o d. AuditorFiscal entendeu que a Impugnante teria (i.) diferido indevidamente os tributos devidos, sob o argumento de a operação societária estar sujeita ao cumprimento de condições suspensivas; e (ii.) reduzido, de forma inadequada, o ganho de capital correspondente, a partir do aumento impróprio do 'custo dc aquisição' das participações alienadas, calculadas pelo valor patrimonial do investimento em data supostamente incompatível à efetiva realização da compra e venda. 4. Por conseguinte, de um ganho de RS66.968.205,63 apurado em 2009 pela Impugnante, a d. fiscalização apontou um ganho tributável de R$99.307.256,22, cm 2008, fato que culminou na exigência ora impugnada. 5. Tal divergência, sinteticamente, tem uma só razão: a indefinição do momento cm que se deve ter por definitivamente implementada a compra e venda das ações da Teaçu; vale dizer, a perspectiva de quando se aperfeiçoou o fato gerador do IRPJ e CSLL na alienação da participação societária: (a.) se em 2008, quando da assinatura do primeiro instrumento de intenção de aquisição das ações entre as Partes (cf. entendimento fazendário); ou (b ) se em 2009, quando materializadas e atendidas as condições suspensivas contratualmente definidas entre a Impugnante e Cosan, desde 2008 (cf. entendimento da Impugnante). 6. Resumidamente, as condições suspensivas acima mencionadas, circunstâncias incertas e imprescindíveis à implementação do negócio jurídico abordadas de maneira mais aprofundada nos capítulos subsequentes seriam: . Obtenção de autorização da Companhia Docas do Estado De São Paulo ("CODESP") para a alienação de participação societária da Teaçu, cm vista de sua condição de arrendatária de terminal portuário de exportação dc açúcar, objeto dc contrato público submetido tanto às normas gerais administrativas quanto às normas especiais da CODESP; Anuência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ("BNDES") e do Banco Itaú BBA S.A. ("agente financeiro") da transferência de controle da Teaçu, a fim de se evitar o vencimento antecipado de empréstimo tomado pela Teaçu junto ao BNDES, por intermédio do agente financeiro; e cumprimento, pela Cosan, de condições negociais essenciais à viabilização da estrutura societária preconizada pelas Partes. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 5 7 7. No caso, o d. AuditorFiscal fiscal solenemente ignorou as evidentes, claras e incontroversas condições suspensivas, que, natural e juridicamente, implicaram na conclusão do fechamento da operação apenas em 2009, momento cm que se consuma o fato gerador dos tributos ora questionados. Afinal, sem a materialização dc tais condições a compra e venda perderia o sentido ou, no mínimo, a sua razão econômica, motivo pelo qual o negócio só poderia existir em sua completude a partir do aperfeiçoamento das circunstâncias críticas acima delineadas. (...) 50. Nesse passo, todos os procedimentos adotados pela Impugnante na operação ora questionada estão absolutamente de acordo com a legislação fiscal pertinente, não havendo que se questionar a validade das condições suspensivas reguladas no bojo da operação acordada com a Cosan. E do que se passa a tratar. III. Necessidade de cancelamento dos Autos de Infração. III. A. Efetividade das condições suspensivas materialização do fato gerador do IRPJ e CSLL apenas em 17 de abril de 2009. (...) 74. E claro que a interpretação do Sr. AuditorFiscal foi equivocada. O entendimento unânime dos julgados administrativos é no sentido de respeitar as condições suspensivas estabelecidas contratualmente, materializando a incidência tributária no momento em que o negócio jurídico pode ser considerado perfeito. A particularidade de, no caso em análise, ter havido um adiantamento de recursos não exclui o fato dc o negócio ainda estar pendente do cumprimento dc condições estabelecidas, nem o fato de que tal adiantamento estava sujeito a ser devolvido caso as condições suspensivas não fossem implementadas e a venda concretizada. 75. E absurdo supor que em uma operação desse porte e de tamanha importância as partes envolvidas aguardariam por um ano pelo simples diferimento de tributação. Comprador algum aceitaria pagar R$100.000.000,00 por um negócio com a condição dc aguardar por um ano a sua concretização, com o simples objetivo de gerar uma economia tributária para o vendedor. 76. Tendo em vista que uma análise aprofundada não foi realizada pelo Sr. AuditorFiscal, a Impugnante passará a realizar tal cotejo, de modo a esclarecer esse ponto de uma vez por todas, e consequentemente, esvaziar qualquer pretensão fiscal contida nos autos de infração ora impugnados. (...) Fl. 955DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 III.B. 'Custo de aquisição' do investimento utilizado pela Impugnante para a apuração do ganho de capital na alienação de participação societária em Teaçu. 120. Como se disse, as imputações formuladas pelo Sr. Auditor Fiscal contra a Impugnante partem da única e equivocada premissa dc que a compra e venda de participações societárias da Teaçu teria ocorrido em 2008, quando da assinatura do Compromisso e adiantamento do valor de R$100.000.000,00 da Cosan para a Impugnante. 121. Com base nessa premissa, entendeu o Sr. Auditor Fiscal que o fato gerador do IRPJ e a CSLL teria se consumado no dia 09 de abril de 2008, data que deveria ser considerada para a apuração dc todos os 'fatores' do cálculo do ganho de capital — valor de alienação c custo de aquisição. 122. Vale dizer, por considerar como materializada a compra e venda ainda em 09 de abril de 2008, o Sr. Auditor Fiscal entendeu que o 'valor dc custo' do investimento alienado pela Impugnante deveria exprimir o percentual do patrimônio líquido da Teaçu alienado naquela data (em 2008), não em 2009. 123. Como se demonstrou à exaustão nos itens I., II. e III. A, supra, contudo, o entendimento do Sr. AuditorFiscal não merece prosperar, simplesmente porque, cm nenhuma hipótese, podese considerar que a alienação dos 49% da Teaçu, pela Impugnante à Cosan, se aperfeiçoou em 2008, quando sequer haviam sido transferidas as ações à adquirente pela falta absoluta de implementação das legítimas condições suspensivas definidas contratualmente pelas Partes. 124. Dessa forma, sendo inválida a premissa fazendária quanto ao momento de definição do fato gerador dos tributos ora exigidos da Impugnante, tornase ilegítima não só a exigência de recolhimento 'antecipado' dos tributos em 2008, mas, também, a exigência da de que o 'custo de aquisição' para fins de apuração do ganho de capital seja extraí do a partir do valor patrimonial do investimento em 2008. 125. Guardada a devida correspondência temporal entre fatos geradores e ‘custo de aquisição', o cálculo empreendido pela Impugnante para a apuração do ganho de c pitai a partir do valor patrimonial do capital da Teaçu em 2009 está absolutamente correto, sendo certo que a própria transferência das ações apenas se materializou nesse momento —após a satisfação de todas as condições suspensivas. 126. Nesse passo, tão somente pela correspondência entre fato gerador da obrigação tributária e de determinação do respectivo custo dc aquisição, merece ser cancelada a infundada pretensão fiscal de majorar o ganho de capital por meio da aplicação do valor patrimonial da Teaçu em 09 de abril de 2008 (quando o patrimônio liquido da sociedade investida era menor), se o fato gerador ocorreu apenas em 2009. (...) Fl. 956DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 6 9 135. Em suma, a Impugnante, por meio dos contratos de mútuo, assumiu efetivamente os custos financeiros dos empréstimos que vem sendo pagos ao BNDES e, por conta disso, apropriouse das respectivas despesas financeiras. Destaquese que não havia outra alternativa para a implementação de tal estrutura que não fosse a celebração dos contratos de mútuo acima mencionados. 136. A alternativa de futuros aumentos dc capital em Teaçu ou na Holding para fazer frente aos pagamentos das parcelas dos financiamentos com o BNDES não era viável pois alteraria as respectivas participações societárias da Cosan e Impugnante no negócio. Da mesma forma, não era possível um aumento de capital com integralização futura, dado que não era possível a previsão antecipada dos índices de juros correspondentes dos empréstimos o BNDES para o cálculo do aumento. 137. Notese que essa estrutura de aumento de capital seguida de mútuo, sob perspectiva da dedutibilidade da despesa financeira gerada para a Impugnante, também foi objeto da fiscalização que culminou na lavratura dos Autos de Infração ora atacados, tendo essa operação sido considerada válida na medida da inegável pertinência negociai da estrutura12. 138. Dessa forma, não há como se cogitar que a operação de capitalização da Teaçu pela Impugnante teve como objetivo a redução do ganho de capital a partir da majoração do seu valor patrimonial (aumento do 'custo de aquisição') e, ao mesmo tempo, reconhecer a validade das despesas financeiras incorridas pela Impugnante com essa mesma operação de capitalização seguida de mútuo. 139. O aumento de capital acabou sendo a única estrutura operacional que cabia à Impugnante para viabilizar o negócio entabulado com a Cosan. Tanto é assim, que desde a assinatura do Compromisso c do Memorando, já previase o aumento de capital pela Impugnante, equalizando as contas de ativos e passivos da Teaçu. 140. Se não fosse assim, porque o aumento dc capital realizado pela Impugnante foi dc apenas R$59.796.373,59 (parcela do aumento total de RS65.584.807,93 descontada a parcela dc JCP capitalizada, i.e. R$5.788.434,34), e não de R$100.000.000,00, valor recebido naquele momento como adiantamento do compromisso de compra e venda? 141. Se a intenção da Impugnante era aumentar seu custo de aquisição o reduzir o ganho de capital apurado, então porque não se utilizou da totalidade de disponibilidade dc caixa que detinha naquele momento? 142. Mais uma vez, clamase pela análise do racional econômico da operação e as justificativas para a implementação da operação na forma como foi realizada. As justificativas econômicas, aliadas à existência de condições suspensivas que atribuíam incerteza à concretização da operação, são muito Fl. 957DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 mais fortes, razoáveis c admissíveis do que o frágil argumento de que as condições suspensivas não gozavam de incerteza. 143. Em outras palavras, seja pelo aspecto formal, negociai ou econômico, não há como se negar que a compra e venda das ações da Teaçu somente se concretizou em 2009), sendo justificáveis c naturais todas as variações no patrimônio líquido da Teaçu desde a assinatura do memorando. 144. E mesmo que assim não fosse, admitindose por absurdo que a compra e venda das ações se deu em 2008, devese destacar que boa parte do valor do aumento de capital feito pela Impugnante na Teaçu com recursos do adiantamento da Cosan 'foi a ela devolvido' no momento da transferência das ações. Como sócia da Teaçu, a Cosan indiretamente tem direito à sua participação sobre os créditos detidos pela Teaçu contra terceiros. 145. Em outras palavras, a Cosan indiretamente foi 'ressarcida' de 49% do aumento de capital realizado na Teaçu, i.e.., R$ 32.136.555,89. Nesse contexto, assumindo o raciocínio absurdo da d. fiscalização, ao menos esse valor deveria ser excluído da base de cálculo do IRPJ c da CSLL ora exigidos da Impugnante por não representar acréscimo patrimonial a ela. 146. Nesse sentido, (i.) seja pelo fato de o 'custo dc aquisição' da alienação das ações da Teaçu, necessariamente precisar ter como parâmetro o valor patrimonial da sociedade em 2009, quando se aperfeiçoou, definitivamente, a compra e venda da participação societária e, assim, o fato gerador do IRPJ e CSLL; e (ii.) seja pelo fato de ser absolutamente legal, bem como negocialmente justificável o aumento de capital realizado pela Impugnante em Teaçu que acabou por majorar de forma não proposital o 'custo de aquisição' do investimento com base no valor de patrimônio líquido da sociedade investida quando de sua alienação um ano após o aumento de capital , há que se afastar de imediato a exigência fiscal ora imputada, que pretende recalcular o ganho de capital devido pela Impugnante de forma irremediavelmente equivocada. (...) diante dos fundamentos esposados ao longo da presente impugnação, requerse seu integral acolhimento, para que sejam julgados improcedentes os Autos de Infração de IRPJ e CSLL que integram o processo administrativo n° 13830.722392/2012 82, cancelandose as exigências fiscais e determinandose arquivamento do processo administrativo. (...)” É o relatório. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, esta proferiu o acórdão nº 1442.437 (fls. 848/859), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 958DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 7 11 Anocalendário: 2008 IRPJ. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. CONDIÇÕES SUSPENSIVAS. INOCORRÊNCIA. Verificada a inocorrência de condições suspensivas no contrato, bem como tendo sido efetivamente realizado pagamento do negócio na data da celebração, não há que se falar em deslocamento do fato gerador à data de implementação de evento futuro. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como já destacado acima, a Autoridade Lançadora consignou no Relatório Fiscal, anexo ao Auto de Infração, que a controvérsia dos autos pode ser assim resumida (fls. 470/471): 9. Mereceu a atenção da fiscalização a parcela discriminada no item “a” acima, no valor R$66.968.205,63 (ganho na alienação de 10.394 ações, representando 49% na investida Teaçú Armazéns Gerais S.A., pela Rezende Barbosa S.A. para Cosan S.A. Ind. e Comércio), diante da respectiva documentação apresentada. 10. É que o respectivo Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças (fls. 158/172), foi subscrito em 09/04/2008, estabelecendo como preço do negócio o montante de R$119.000,00, sendo R$100.000,00, “adiantado” naquele ato (TED bancário datado de 09/04/2008 – extrato às fls.208), e R$19.000.000,00, a ser pago na “efetivação da venda e compra”, com correção pela Selic, o que resultou no pagamento de R$21.331.146,69 (TEDs bancários datados de 17/04/2009 – R$7.971.112,71 + R$13.360.033,98 – extrato às fls. 222). 11. Vejase: instrumento particular subscrito em 09/04/2008 e ganho de capital só reconhecido em abril/2009. Ao que tudo indica, a fiscalizada assim procedeu por entender que o negócio estava amparado por condição suspensiva, na forma dos artigos 116 e 117 do CTN Código Tributário Nacional – Lei nº5.172/66 (...) 12. Todavia, a fiscalização não acata o entendimento da fiscalizada de que o fato gerador ocorreu em abril/2009, pois o fato gerador ocorreu em abril/2008. É o caso, portanto, de se avaliar as condições avençadas pelas partes no negócio jurídico de aquisição de participação societária, a fim de verificar o acertamento, ou não, do procedimento de apuração do ganho de capital dessa operação. Em síntese, como bem delimitado pela Recorrente, as condições suspensivas em discussão nos presentes autos podem ser assim definidas: a) Obtenção de autorização da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP) e da Receita Federal do Brasil para a alienação de participação societária da Teaçu, em vista de sua condição de arrendatária de terminal portuário de açúcar, objeto de contrato público. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 8 13 b) Anuência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco Itaú S/A (agente financeiro) da transferência de controle da Teaçu, a fim de se evitar o vencimento antecipado de empréstimo tomado pela Teaçu junto ao BNDES, por intermédio do agente financeiro. c) Cumprimento, pela Cosan, de condições negociais essenciais à viabilização da estrutura societária preconizada pelas Partes. Ao analisar o feito a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu manter integralmente o lançamento nos seguintes termos: A meu ver cabe razão ao Fisco, pois, tais condições não impediram a imediata implementação do negócio, haja vista que conforme se observa do Memorando de Entendimentos (fls. 231/232), a Cosan se compromete a comprar os 10% restantes da Cosan Portuária, ou constituir uma nova sociedade holding com a titular daqueles 10%, ou ainda a fazer com que o titular daqueles 10% participe da negociação. Ou seja, são três alternativas à disposição da Cosan que afastam a incerteza do evento. No que tange aos itens “ii” e “iii”, autorização Expressa da CODESP, da Receita Federal e anuência do BNDES e Banco Itaú, verificase no próprio instrumento que as partes não possuem quaisquer impedimentos para tanto, bastando que adotem os procedimentos recomendados pelos órgãos que terão a aprovação. Logo, não se tratam de condições para celebrar o negócio e sim eventos futuros que podem implicar no cancelamento do negocio na hipótese de algumas das partes não cumprirem suas avenças (condições resolutórias, art. 117, inciso II do CTN acima transcrito). À toda evidência, a contribuinte buscou ancorarse nessas condições para protelar a tributação obtida com o negócio, que se mostrou pronto e acabado em 9/4/2008, tanto assim que recebeu à vista a quase totalidade do valor da venda. Em fato da plena convicção dos julgadores da turma quanto a ocorrência do fato gerador em 9/4/2008, data da celebração do contrato, caem por terra todas as demais alegações da contribuinte trazidas na bem articulada peça impugnatória. Contudo, discordo do posicionamento adotado pela DRJ para dar razão à Recorrente, pelos motivos que passo a expor. As partes dispõem de ampla liberdade para pactuarem, o que também implica estabelecerem as condições que julgarem necessárias para a concretização do negócio jurídico entre elas celebrado. No caso analisado, tendo em vista o expressivo valor dos investimentos pactuados, é absolutamente razoável a imposição de condições (desde que lícitas) para a concretização do negócio jurídico desenhado pelas partes. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Em investimentos relevantes como esse, é impossível tratar com indiferença as condições estabelecidas entre as partes, cuja implementação dependeria de eventos futuros e incertos (como será adiante demonstrado). Tais eventos podem ser resumidos na reorganização societária do grupo de investidores e na anuência de terceiros para a concretização dos negócios, já que tal aceitação poderia afetar diretamente a continuidade dos negócios das concessionárias de terminais portuários da cidade de Santos/SP. Inclusive, depreendese dos documentos juntados aos autos que a existência das condições suspensivas foram claramente estabelecidas no Memorando de Entendimentos (fls. 720/725) do negócio celebrado, bem como no Comunicado ao Mercado, datado de 10/04/2008, por meio do qual a operação foi noticiada nos seguintes termos (fls. 711/712): Memorando de Entendimentos 2.2 Cosan e Rezende Barbosa pretendem ampliar a capacidade de atuação dos Terminais, de modo a tornálos mais competitivos na área em que operam, bem como criar condições para a implementação de um projeto logístico de grande porte que proporcione ganhos de eficiência em todo processo. Para tanto, Cosan e Rezende Barbosa realizarão uma auditoria legal, contábil e operacional nos Terminais, conforme disciplinado em 3, infra e, ato contínuo, desde que autorizadas pela Codesp, e observado o quanto disposto em 2.1.1, 2.2.2 e 3.4, infra, a Cosan constituirá uma sociedade por ações (“Holding”), conferindo à mesma a totalidade das ações representativas do capital social da Cosan Portuária, bem como a totalidade das ações de emissão do Teaçu por ela então detida, representativas de 49% (quarenta e nove por cento) do capital social. Em momento posterior, a Holding realizará um aumento de seu capital social, que será subscrito e integralizado pela Rezende Barbosa, mediante a conferência da totalidade das ações de emissão do Teaçu por ela então detida, representativas de 51% (cinquenta e um por cento) do capital social. Finalmente, após a realização da operação de aumento de capital social retro referida, a Holding constituirá uma outra sociedade por ações (“Holding Intermediária”), e a ela conferirá as ações representativas de 100% (cem por cento) do capital social dos Terminais detido pela Holding. 2.2.1 As Partes acordam que a implementação das operações previstas neste Memorando, especialmente aquelas descritas em 2.2, supra, e melhor reguladas nos itens 4 e 5, infra, está subordinada à aprovação pela Codesp da totalidade dos negócios acordados neste instrumento, aprovação essa que constitui condição suspensiva, nos termos do art. 125 do Código Civil Brasileiro. Assim, caso a Codesp não aprove todos os negócios contemplados neste Memorando, no prazo de até 300 (trezentos) dias contados da presente data, o presente Memorando restará extinto de pleno direito, sem que disso decorra qualquer obrigação de pagamento, de uma Parte à outra, de qualquer valor, a qualquer tempo, a título de indenização ou qualquer outro. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 9 15 2.2.2 Considerando, outrossim, que a implementação das operações previstas neste Memorando implica a alteração do controle societário dos Terminais, e considerando ainda que Teaçu celebrou com o Banco Itaú BBA S.A. (“Agente Financeiro”) o ´Contrato de Financiamento Mediante Repasse de Recursos do BNDES nº BG5.66/10´e o ´Contrato de Financiamento Mediante Repasse de Recursos Contratado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES nº 106606100006200 (“Contratos de Repasse”), as Partes acordam que a implementação dos negócios previstos neste Memorando está subordinada também à anuência do Agente Financeiro e do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (“BNDES”), quanto à alteração do controle acionário do Teaçu, sem que dessa circunstância decorra o vencimento antecipado dos Contratos de Repasse. A anuência prevista nesta cláusula 2.2.2 também constitui condição suspensiva, nos termos do art. 125 do Código Civil Brasileiro. Caso o Agente Financeiro e o BNDES não se pronunciarem favoravelmente quanto à alteração do controle acionário do Teaçu no prazo de até 300 (trezentos) dias contados da presente data e/ou considerem que a alteração de controle do Teaçu ocasionará o vencimento antecipado dos Contratos de Repasse, o presente Memorando restará extinto de pleno direito, sem que disso decorra qualquer obrigação de pagamento, de uma Parte à outra, de qualquer valor, a qualquer tempo, a título de indenização ou qualquer outro. Comunicado ao Mercado São Paulo, 10 de abril de 2008 A COSAN S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (Cosan, Bovespa: CSAN3), e a Rezende Barbosa S.A. Administração e Participações (RB), holding controladora do grupo Nova América, conjuntamente denominadas “Acionistas”, vêm a público informar a assinatura de Memorando de Entendimentos, através do qual criarão a Rumo Logística S.A. (RUMO), empresa especializada na logística de açúcar e grãos localizada no Porto de Santos, São Paulo. As Acionistas também assinaram Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças pelo qual a Cosan adquirirá 49% do Teaçu Armazéns Gerais S.A. (Teaçu), terminal portuário de exportação de açúcar localizado em Santos, de propriedade da RB, pelo valor de R$119 milhões de reais. Segundo o Memorando de Entendimentos, as Acionistas contribuirão suas concessões e ativos portuários de exportação de açúcar para a criação da RUMO. A Cosan contribuirá sua participação total nos ativos da Cosan Operadora Portuária S.A. (Cosan Portuária), mais os 49% da participação que adquirirá no Teaçu, e a RB contribuirá os 51% remanescentes no Teaçu. O capital social da RUMO estará compartilhado entre as Fl. 963DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Acionistas, sendo 71,2% dos acionistas da Cosan Portuária e 28,8% da RB. Assim, a RUMO já nascerá com capacitação logística de maior exportador mundial de açúcar, com capacidade estática de armazenagem de 435.000 toneladas e capacidade anual de embarque de 8,5 milhões de toneladas de açúcar ou grãos, operando tanto granéis sólidos como açúcar ensacado. As Acionistas acreditam que a combinação dos ativos portuários e a sua operação unificada através da RUMO, além da exploração de outras iniciativas na movimentação e transporte de açúcar e grãos, gerem expressivas sinergias, permitindo a RUMO tornarse uma das empresas mais competitivas no segmento de logística, trazendo enormes benefícios aos seus clientes e ao próprio país. A efetiva concretização desta transação está sujeita a condições suspensivas, incluindo a aprovação de órgãos reguladores competentes e do acionista minoritário. Entre as condições suspensivas estabelecidas, está a aprovação dos órgãos reguladores, sendo que no instrumento contratual celebrado entre a Autoridade Portuária (Companhia Docas do Estado de São Paulo – CODESP) e a Teaçu Armazéns Gerais S/A, para implantação de terminal de exportação de açúcar no porto de Santos/SP, está disposto na cláusula vigésima nona, parágrafo primeiro, que a CODESP poderá rescindir o contrato nos casos de subarrendamento ou de transferência do arrendamento sem prévia autorização da CODESP (fl. 593). Nesse caso, a anuência da CODESP é evidentemente necessária e não é tão certa e óbvia como pretende fazer crer a DRJ. Isso porque, não se trata de ato absolutamente vinculado por parte da CODESP, pois ela dispõe de discricionariedade para avaliar se continuará concedendo o direito à exploração das referidas atividades após essa nova estrutura societária do grupo. O que não parece razoável é crer que alguma sociedade iria realizar um negócio jurídico de vultuosos valores e não se precaver de eventuais incertezas, confiando que conseguiria as autorizações de órgãos e empresas necessárias à concretização daquele negócio. Justamente com o intuito de evitar qualquer incerteza na concretização dos negócios, a Teaçu e a Cosan Portuária apresentaram pedido formal perante o Presidente da CODESP, ainda em abril de 2008, requerendo autorização para que pudessem finalizar a transação (fl. 769). Após os trâmites internos, inclusive depois de consultar a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o pedido formulado pelas partes foi aprovado, tendo a Teaçu sido notificada dessa decisão em novembro de 2008. Quanto à nova estrutura societária da Cosan, relativa à sua participação de 90% sobre o capital social da Cosan Portuária, foi estipulado no Memorial de Entendimentos que seria necessário o cumprimento de uma das seguintes alternativas: i) adquirir os 10% restantes da participação societária da Cosan Portuária ou ii) criar uma holding, juntamente e exclusivamente com a acionista detentora dos 10% restantes, de modo que essa nova sociedade passasse a deter 100% das ações representativas do capital social total da Cosan Portuária, e que a referida acionista minoritária concordasse com todos os termos e condições do Memorando. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 10 17 Sendo o caso de uma união de esforços para otimizar a atividade desempenhada, seria provável que o negócio entabulado seria bastante interessante para os acionistas minoritários. Mas não há como afirmar que nenhum minoritário se oporia a tal transação que, seja por questões pessoais ou estratégicas, não teria interesse naquele negócio. Temse, portanto, por inegável que a acionista minoritária da Cosan Portuária poderia se recusar a participar ou se opor ao novo empreendimento. A suposição da Autoridade Fiscal no sentido de que haveria essa autorização não pode se sobrepor à liberdade das pessoas de organizarem as suas atividades e à sua autonomia para gerirem os seus próprios negócios, de modo que há sim incerteza quanto à decisão da acionista minoritária, que poderia inviabilizar a concretização do negócio jurídico pelo não cumprimento da condição acima. Por fim, em relação à terceira e última condição (anuência do BNDES e do Banco Itaú S/A), como demonstrado do Memorando de Entendimentos, a Teaçu havia firmado contratos de repasses financeiros com o BNDES, com a intervenção do agente financeiro (Banco Itaú S/A). Assim, para evitarem o risco de vencimento antecipado dos contratos, as partes, antes de finalizarem o negócio jurídico, consideraram prudente obter o consentimento dos financiadores das suas atividades. É lícito, lógico e bastante razoável solicitar a aprovação dos agentes financiadores para implementação do negócio jurídico ora analisado, anteriormente à concretização do negócio, evitandose qualquer incerteza que pudesse acarretar vencimento antecipado dos contratos de financiamento. Não vejo, portanto, nenhum empecilho ao fato de as partes imporem condição suspensiva à aprovação dos financiadores antes de finalizarem o negócio. Analisadas as condições impostas à concretização do negócio jurídico celebrado, não há dúvidas de que todas elas são condições suspensivas válidas. Nos dizeres de Caio Mário da Silva Pereira (Instituições de Direito Civil, volume 1, 16ª ed., p.361), diante de condições como essas, “não pode o titular do direito subordinado a uma condição suspensiva penetrar na órbita propriamente do seu exercício. O ato condicional está constituído, mas o direito não é adquirido e, por esta razão, falta ao sujeito o poder de intentar qualquer ação fundada no direito suspenso. Se o devedor antecipar a prestação, e a condição faltar, está sujeito o credor a restituir a coisa recebida”. Justamente em razão de permanecer em suspenso a sua incorporação ao patrimônio do titular, como uma expectativa de direito, é que os valores recebidos a título de adiantamentos de uma operação com condição suspensiva (que ainda não se concretizou) não devem ser levados em consideração na apuração prematura de um ganho de capital. Até porque, caso o negócio fosse desfeito, os valores antecipados deveriam ser devolvidos ao promissário comprador que os antecipou. Os negócios jurídicos celebrados nessas condições somente reputamse perfeitos e acabados no momento de sua implementação, inclusive para fins de tributação, consoante dispõe os arts. 116 e 117 do CTN, citados pela própria Autoridade Lançadora. Esse é o papel da condição suspensiva pactuada: impedir que o negócio jurídico produza seus efeitos enquanto não ocorrido o evento a que sua eficácia ficou subordinada. Se não produz efeitos, não há que se falar em obrigação tributária decorrente. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 Desse modo, não merece prosperar a acusação fiscal no sentido de que, em abril de 2008, deveria ter sido apurado o ganho de capital sobre a venda da participação societária, ao fundamento de que, naquela época, a promissária vendedora recebeu a quantia de R$100.000.000,00 (cem milhões de reais), como parte do pagamento das ações vendidas, sendo que, na verdade, esse valor lhe foi repassado pela promissária compradora a título de adiantamento, demonstrando a sua intenção e comprometimento em realizar o negócio jurídico, caso as condições suspensivas sejam implementadas. Não há como aceitar a argumentação da Autoridade Fiscal no sentido de que as condições acima analisadas “são eventos certos, pois basta as partes adotarem os procedimentos recomendados pelos órgãos que terão a aprovação” (fl. 471). Assim, em razão das condições acima avençadas e do registro contábil desses valores como “recursos recebidos da Cosan S/A Ind. Comércio, relativo à intenção de aquisição de parte das ações da Teaçu Armazéns Gerais S/A” (fl. 224), não há dúvida de que, na realidade, tratase de adiantamento de quantia correspondente a mera expectativa de direito, que somente poderá darse por realizado quando implementado o negócio jurídico, ou seja, depois de superadas as condições suspensivas acima mencionadas. Nesse sentido seguem as preciosas lições de Ricardo Mariz de Oliveira (Fundamento do Imposto de Renda, 2008, p. 137): Realmente, enquanto as receitas somente deve ser reconhecidas e registradas contabilmente quando definitivas e incondicionadas, exatamente de acordo com o que está exposto acima, as obrigações previsíveis mas ainda não definitivas devem ser contabilizadas, tanto quanto as definitivas, embora em conta de provisões. Tratase do principio da prudência, ou do conservadorismo, juridicizado pelo “caput” do art. 177 dessa lei e por outras disposições que serão mencionadas adiante. Também por esta razão, não há mínima possibilidade de a contabilidade reconhecer uma receita antes de estar “ganha”, segundo o termo constante da letra “a” do parágrafo 1º do art. 187, que nada mais significa do que estar definitiva e incondicionalmente adquirida. É importante enfatizar que não contabilizar o direito ainda não definitivamente adquirido não representa uma possibilidade ou opção alternativa, ou seja, não se trata de poder contabilizálo ou poder não contabilizálo, pois segundo a lei, ele não deve ser contabilizado. Isto é assim pelas inúmeras conseqüências legais derivadas das demonstrações financeiras, não somente perante os próprios sócios, mas também perante os credores, o fisco e terceiros em geral, cujas conseqüências não permitem declarar como direito participante do ativo patrimonial o que seja uma mera expectativa de direito. (...) Por este motivo, não há lugar no patrimônio para supostos créditos que, na sua essência, representam meras expectativas de direitos, direitos subordinados à condição suspensiva, meras potencialidades econômicas e jurídicas ainda não confirmadas Fl. 966DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13830.722392/201282 Acórdão n.º 1401001.115 S1C4T1 Fl. 11 19 em definitivo, porque dependentes de fato futuro e incerto quanto à sua existência ou ao seu conteúdo. Assim, faço minhas as palavras do i. doutrinador ao concluir que “apenas com a definitiva e completa existência do fato que dá nascimento ao direito, há a aquisição deste, com a sua incorporação incondicionada ao patrimônio do seu titular e a obrigação de lançar o respectivo valor a crédito da receita.” De modo que, até a realização das condições suspensivas pactuadas, não cabe à Recorrente registrar os adiantamentos recebidos como receitas e, consequentemente, não há que se falar em apuração do ganho de capital sobre a venda de participação societária até que o negócio jurídico seja inteiramente implementado. Pelo exposto, entendo que o ganho de capital não ocorreu em 09/04/2008, como pretendeu fazer crer a fiscalização e, assim, voto pelo cancelamento do Auto de Infração, pois não há que se falar em postergação no recolhimento dos tributos por parte da Recorrente. Diante dessa decisão, tornase infrutífero discutir se o aumento de capital da Teaçu ocorreu em 09/04/2008 ou 14/04/2008, visto que, para efeitos de apuração do custo de aquisição, devese considerar o valor patrimonial do capital social na época em que a operação foi efetivamente concretizada (abril de 2009). É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 967DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13811.001591/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES - VEDAÇÃO
A recorrente não atua como locadora de espaço equipado para exploração de atividade de condicionamento físico, musculação, ginástica por locatário, nem atua como franqueadora de academia de ginástica. Ela presta os referidos serviços, não sendo necessário que seus sócios os exerçam. É o que basta para incidência da norma legal vedatória do regime simplificado.
INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO
O ato declaratório executivo de exclusão do Simples federal é declaratório da consequência (efeito) legal que não retrotrai a momento anterior ao do fato gerador excludente da lei. Inexistência de ofensa ao ato jurídico perfeito, e, pois, à irretroatividade.
Numero da decisão: 1103-001.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES - VEDAÇÃO A recorrente não atua como locadora de espaço equipado para exploração de atividade de condicionamento físico, musculação, ginástica por locatário, nem atua como franqueadora de academia de ginástica. Ela presta os referidos serviços, não sendo necessário que seus sócios os exerçam. É o que basta para incidência da norma legal vedatória do regime simplificado. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO O ato declaratório executivo de exclusão do Simples federal é declaratório da consequência (efeito) legal que não retrotrai a momento anterior ao do fato gerador excludente da lei. Inexistência de ofensa ao ato jurídico perfeito, e, pois, à irretroatividade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES VEDAÇÃO A recorrente não atua como locadora de espaço equipado para exploração de atividade de condicionamento físico, musculação, ginástica por locatário, nem atua como franqueadora de academia de ginástica. Ela presta os referidos serviços, não sendo necessário que seus sócios os exerçam. É o que basta para incidência da norma legal vedatória do regime simplificado. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO O ato declaratório executivo de “exclusão” do Simples federal é declaratório da consequência (efeito) legal que não retrotrai a momento anterior ao do fato “gerador” excludente da lei. Inexistência de ofensa ao ato jurídico perfeito, e, pois, à irretroatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 15 91 /2 00 7- 14 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 93 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 94 3 Relatório DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Tratase de exclusão do Simples federal, devido à emissão do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO 484.382, em 7/8/2003. A exclusão decorreu do fato de a recorrente ter, como uma de suas atividades principais, o condicionamento físico, que corresponde a uma das vedações previstas no artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96, que estabelece as pessoas jurídicas que não podem optar pelo sistema simplificado federal. Essa exclusão teve efeitos retroativos a partir de 1/1/2002, sendo que em 7/4/1999, data de constituição da recorrente, essa optou pelo regime simplificado. Em 12/9/2003, a recorrente solicitou a revisão da exclusão retromencionada, mas o pedido não foi atendido pela DRF/SP, nos seguintes termos: “ADE Nº 484.382 (28) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a atividade econômica exercida é fator de vedação à opção pelo Simples.” DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2 a 11 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, alegou que, tendo em vista que a Lei 9.317/96 prevê o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte, no que tange o pagamento de impostos e contribuições, resta claro que a decisão administrativa está equivocada, pois a requerente possui o direito de optar pelo Simples. Atestou que, através da interpretação do artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/96, e da análise de todos os dispositivos dessa, é possível concluir que não há nenhum respaldo legal para que a recorrente seja excluída do Simples, pois a sua constituição não exige habilitação profissional legal. Nesse sentido, ressaltou que, de acordo com os artigos 110 e 111, do CTN, e os princípios da legalidade e da tipicidade, a fiscalização não poderia ter realizado a interpretação extensiva da lei, de modo a excluir, de forma equivocada, a empresa cuja atividade não está mencionada, de forma expressa, no artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Quanto a isso, colacionou doutrina. Asseverou que a incidência da vedação prevista no artigo retromencionado, só incide sobre as atividades privativas de profissões legalmente regulamentadas, o que não é o caso da recorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 95 4 Distinguiu a venda de serviços da prestação de serviços, enquadrando sua atividade naquela. Ainda quanto a impossibilidade de aplicar à recorrente a vedação prevista no artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96, consignou que essa empresa não é uma sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão regulamentada, pois ela apenas realiza a venda de serviços de maneira generalizada, sem nenhuma característica pessoal do trabalho do profissional. A fim de afastar a aludida vedação, colacionou decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Aduziu que, caso a exclusão da recorrente do Simples seja mantida, devese considerar inadequada a retroação dos efeitos da exclusão a partir de 1/1/2002, pois o artigo 24, II, da IN SRF 250/2002, que determina essa retroatividade, ao trazer uma restrição não imposta pela Lei 9.317/96, feriu o princípio da legalidade, da reserva legal e da irretroatividade da lei. Nesse sentido, consignou ser inadmissível a validade do ato infralegal que prevê a exclusão retroativa da recorrente, pois, além de não ser permitido agravar a situação do contribuinte, isso afronta o ato jurídico perfeito de adesão ao Simples, uma vez que, segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou, essa adesão é ato consumado. Acentuou que se a fiscalização entender que a excludente estava presente, desde o momento em que a empresa praticou a atividade impeditiva à opção pelo regime simplificado, restaria claro que a Administração aceitou, por vários anos, a recorrente de forma irregular no sistema. Por fim, requereu a manutenção da recorrente no simples e, ad argumentandum, requereu o reconhecimento da impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão, a fim de que esses operem a partir do mês seguinte ao da ciência do Ato Declaratório de exclusão. DA DECISÃO DA DRJ Em 22 de setembro de 2010, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme entendimento abaixo sintetizado. Primeiramente, por meio da análise do artigo 111 do CTN, atestou que a legislação tributária que dispõe sobre a outorga de isenção deve ser interpretada de forma literal. Consignou que o Simples corresponde a um benefício fiscal que concede isenções tributárias e dispensa o cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Esclareceu que o artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96, prevê que não podem optar pelo Simples as profissões cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida, os serviços constantes na lista especifica e seus assemelhados, de modo que estão reprimidos contra o sistema simplificado federal aqueles que prestam os serviços constantes na lista específica e seus assemelhados. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 96 5 Nesse sentido, afirmou que resta evidente que a exclusão da recorrente está correta, pois a prestação de serviços de ginástica, musculação e condicionamento físico corresponde à prestação de serviços profissionais de professor, fisicultor ou assemelhados, os quais se enquadram na exclusão prevista no artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Transcreveu os artigos 1º ao 4º, da Lei 9.696/98 e uma ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes, os quais estabelecem que a prestação de serviços de condicionamento físico (academia de ginástica) é uma das atividades vedadas à opção pelo regime simplificado. Acerca da alegação da recorrente, no sentido de que o artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96, visa proibir as sociedades profissionais liberais ou assemelhadas de optarem pelo Simples, reiterou que a vedação prevista nesse artigo atinge apenas as pessoas jurídicas que prestam os serviços profissionais elencados nele. Consignou que está correta a exclusão com efeitos retroativos à data da situação excludente, qual seja 1/1/2002, pois, de acordo com o artigo 15, II, da Lei 9.317/96, e o artigo 24 da IN 250/2002, a exclusão com efeitos retroativos está autorizada e a data de início dos efeitos da exclusão corresponde à data retromencionada. Quanto à alegação da recorrente, no que tange ao fato de a concessão de efeitos retroativos à exclusão ferirem o ato jurídico perfeito de adesão ao regime em questão, acentuou que essa está incorreta. Isso porque, de acordo com a Lei 9.317/96, o fato de a RFB aceitar a adesão da empresa ao Simples, não configura o direito adquirido de ingresso ou a permanência nesse sistema. Por fim, ressaltou que os julgados do antigo Conselho de Contribuintes só serão tidos como normas complementares do direito tributário se houver lei que lhes atribua eficácia normativa, o que não é o caso dos julgados colacionados pela recorrente, que só possuem validade inter partes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 29/12/2010, recurso voluntário de fls. 75 a 87 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade, e acrescentando as alegações abaixo sintetizadas. Consignou que a atividade exercida pela recorrente não configura impedimento direto a sua permanência no Simples, pois os responsáveis pelas atividades exercidas pelos alunos são os profissionais liberais que prestam serviço na academia, cabendo à recorrente apenas o fornecimento e organização dos equipamentos necessários para a realização das atividades. Nesse sentido, apontou que não há nenhum professor ou fisicultor no quadro societário da empresa. Assim, entendeu que tais características fáticas somadas ao caráter empresarial da atividade exercida, de fato, pela recorrente, impedem a sua exclusão da sistemática do Simples. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 97 6 Apontou que há uma ação judicial ajuizada pela SINDELIVRE, entidade sindical a qual a recorrente é filiada, que discute a interpretação utilizada pela fiscalização para justificar a exclusão dos seus associados do Simples (Mandado de segurança nº 2000.03.99.0699958, TRF 3ª Região). Por fim, requereu a manutenção da recorrente no Simples, e, caso esse não seja o entendimento dos julgadores ad quem, requereu a não retroatividade dos efeitos da exclusão à data de 1/1/2002. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 98 7 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 2625, 2629 e 2633). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. A “exclusão” da recorrente do sistema simplificado federal se deu com fundo no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96 (fl. 31), que tem a seguinte dicção: Art. 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; A cláusula terceira do contrato social da recorrente em vigor à época da constatação da situação supostamente excludente previa como objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA A sociedade terá como seu objetivo social o seguinte: ACADEMIA DE GINÁSTICA, MUSCULAÇÃO E CONDICIONAMENTO FÍSICO. (fl. 22) Não é o fato de os sócios da pessoa jurídica serem profissionais, ou melhor, exercerem a atividade de professor, fisicultor, ou assemelhada que conforma o pressuposto fático da citada norma legal vedatória ao Simples federal. Ela diz pessoa jurídica que preste os serviços nela relacionados, o que inclui (sem se limitar a) as sociedades empresárias ou o exercício de empresa pela pessoa jurídica. Também, a “prestação de serviço de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida” não se estende a todos os pressupostos de fato da norma legal vedatória em comentário. A exigência legal de habilitação profissional é somente para exercício de profissões que não se incluam nos outros pressupostos fáticos descritos no inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/96. A recorrente não infirma o exercício do objeto social descrito em seu contrato social. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 99 8 Mas argumenta que a hipótese legal vedatória não incide sobre pessoa jurídica que simplesmente organiza e fornece os equipamentos necessários para o exercício das atividades previstas em seu objeto social. Porém, a recorrente não atua como locadora de espaço equipado para exploração de atividade de condicionamento físico, musculação, ginástica por locatário(s). Tampouco atua como franqueadora de academias de ginástica, concedendo inclusive o espaço físico ao franqueado. Não por menos, a recorrente afirma que as atividades dos alunos ficam a cargo de profissionais liberais que prestam serviço na academia. A “academia” em questão é a recorrente, ou é a empresa da recorrente. Segue daí que a recorrente presta atividade vedada pela norma legal. Sua atividade se coloca na de prestação de serviços de professor, de fisicultor, ou assemelhado. Por tais razões, sobre essa questão, nego provimento ao recurso. Insurgese a recorrente quanto ao termo a quo da eficácia da exclusão do Simples federal. A exclusão, quando muito, só poderia operar a partir do mês seguinte ao da expedição do ato declaratório executivo excludente. O art. 15, II, da Lei 9.317/96, vigente ao tempo de publicação do referido ato declaratório executivo, tinha sua redação dada pelo art. 73 da Medida Provisória 2.15834/01 (atual art. 73 da Medida Provisória 2.15835/01), com a seguinte dicção: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Não vejo ofensa à irretroatividade no preceito legal em questão, e, pois, ao ato jurídico perfeito. Simplesmente, constatandose de ofício que a pessoa não preenche os requisitos para sujeição ao regime, a pessoa fica fora dele, a partir do momento em que se aperfeiçoe a situação excludente do regime simplificado federal, ou, ab initio, conformando hipótese vedatória à inclusão nesse regime. Aliás, no caso, a partir do mês seguinte. Ainda que tal constatação se dê tempos depois da “inclusão” voluntária ao regime simplificado. Isso não difere do que ocorre com o lançamento tributário. Suponhase que haja o lançamento de ofício de tributo por uma divergência de interpretação entre o contribuinte e o Fisco. O lançamento será feito em relação ao período em que se concretizou o suporte fático tributário. O lançamento tem caráter declaratório da obrigação tributária (efeito do fato gerador) que nasce ex lege. Também o ato declaratório executivo de “exclusão” do Simples federal é declaratório da consequência (efeito) legal que não retrotrai a momento anterior ao da Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001591/200714 Acórdão n.º 1103001.043 S1C1T3 Fl. 100 9 concreção do fato “gerador” de “exclusão” previsto na lei. Não há quebra de ato jurídico perfeito e, portanto, de irretroatividade. Para se precaver, a recorrente poderia ter utilizado o instituto da consulta, pelo qual conheceria o entendimento da Receita Federal sobre a situação dela perante o regime simplificado federal. Poderia, inclusive, discordar do entendimento, mas de antemão saberia o que lhe poderia suceder. Enfim, sobre o início dos efeitos da “exclusão” do Simples federal, o que a lei diz é mera consequência lógica das regras ex vi legis para uma pessoa estar no referido regime. Portanto, sobre essa questão, nego provimento ao recurso. Nessa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.000963/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos da Cofins omitidos na DCTF, correspondentes à parcela das receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal registrada na escrituração contábil e declarada na DIPJ ou Dacon.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. CABIMENTO.
Se não há discussão judicial sobre a incidência da Cofins sobre as receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal, é cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados sobre a parcela das referidas receitas declaradas na DIPJ ou Dacon, mas não confessados na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé, Relatora, e Nanci Gama, que não conheciam em parte do Recurso e, na parte conhecida, davam-no integral provimento para afastar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Medrado Darzé Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep omitidos na DCTF, correspondentes à parcela das receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal registrada na escrituração contábil e declarada na DIPJ ou Dacon. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. CABIMENTO. Se não há discussão judicial sobre a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal, é cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados sobre a parcela das referidas receitas declaradas na DIPJ ou Dacon, mas não confessados na DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos da Cofins omitidos na DCTF, correspondentes à parcela das receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal registrada na escrituração contábil e declarada na DIPJ ou Dacon. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 63 /2 00 9- 15 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Se não há discussão judicial sobre a incidência da Cofins sobre as receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal, é cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados sobre a parcela das referidas receitas declaradas na DIPJ ou Dacon, mas não confessados na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé, Relatora, e Nanci Gama, que não conheciam em parte do Recurso e, na parte conhecida, davamno integral provimento para afastar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Medrado Darzé – Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender que (i) é obrigatório o lançamento do crédito, mesmo quando está sendo discutido judicialmente; e (ii) também deve ser lançada a multa de ofício na hipótese de inexistência de liminar em ação judicial ou tutela antecipada, bem como no caso em que o crédito tributário constituído de ofício não esteja abrangido pela decisão judicial. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração relativo à Contribuição para a Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, correspondentes aos períodos de apuração de julho de 2006 a dezembro de 2008, incluindo juros de morra e multa de ofício. A autuação decorreu da suposta falta de declaração e recolhimento do PIS e da Cofins, apurados pelo confronto entre os valores informados na DIPJ ou DACON e os valores declarados em DCTF. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.005 3 A fiscalização destacou no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte discute a exigibilidade das contribuições sociais nos seguintes ações judiciais: Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142340, relativamente ao período base de junho de 2.006 e subsequentes, cujo objeto é garantir o direito de recolher a contribuição para o PIS somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição do PIS desde junho de 2.001, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa SELIC, conforme a Lei n° 9.250/95, sem impedimento de a Autoridade Fiscal exercer a fiscalização sobre o procedimento efetuado. Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142351, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subsequentes, cujo objeto é garantir o direito de não efetuar o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no art.3°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo art.18, da Lei n° 10.684/2003, ou, ao menos, recolhêla sobre as receitas advindas da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho de 2.001, nos termos do art.74, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme a Lei n° 9.250/95, o que não impede que a Autoridade Fiscal exerça a fiscalização sobre o procedimento efetuado. Com a finalidade de apurar o valor da Contribuição o PIS e da COFINS supostamente devidas, foi solicitado à contribuinte que fizesse um demonstrativo mensal de cálculo dessas contribuições no período de 06/2006 a 12/2008 (fls.117/270). Elaborouse então a planilha de fls. 274/275, em que foram conciliados (i) os valores constantes do demonstrativo da contribuinte com (ii) os valores devidos de PIS e COFINS informados nas respectivas DCTF. Os cálculos da referida planilha foram elaborados da seguinte forma: a base de cálculo apurada no demonstrativo da contribuinte (coluna 1) foi subtraída do valor das "receitas não operacionais" (coluna 2), resultando na base de cálculo ajustada (coluna 3). Da base de cálculo ajustada (coluna 3) foi então subtraída a base de cálculo dos valores de PIS e COFINS declarados em DCTF (coluna 4), resultando nas diferenças de bases de cálculo da coluna 5. Em face das diferenças de bases de cálculo apuradas na coluna 5, foi lançado o correspondente crédito tributário acrescido de juros de ofício e multa de ofício, uma vez que a fiscalização entendeu estar sem suspensão da exigibilidade, em face do que prescrevem os tópicos "d" e "e", do item 66, do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, que assim dispõem: d) o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais, foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n°346.084, 357.950, 358.273, 3 0.840; e) a declaração de inconstitucionalidade citada na letra "d" não tem o condão de modificar a realidade de que para as instituições financeiras e seguradoras a base de cálculo da COFINS e do PIS continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões contidas nos §§ 5° e 6° do mesmo artigo 3°, sem abarcar, todavia, as receitas não operacionais, eis Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 que o art. 2° e o caput do artigo 3° não foram declarados inconstitucionais. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: (i) as sentenças dos Mandados de Segurança de nºs 2006.61.00.0142340 (fls.407/417) e 2006.61.00.0142351 (fls.450/459) excluíram as receitas financeiras do conceito de faturamento e, por consequência, da base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual o crédito tributário ora combatido foi abarcado pelas decisões de primeira instância, suspendendo sua exigibilidade; (ii) o Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 não pode ser utilizado em detrimento de uma decisão proferida no âmbito judicial, que expressamente exclui as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS; (iii) o único meio de elidir tais decisões judiciais é por meio de recurso de apelação, que foi interposto nos dois casos pela União (fls. 461/484 e 486/519); (iv) enquanto o TRF da 3ª Região não proferir acórdão reformando as sentenças, o Fisco, independentemente de qualquer ato do Poder Executivo, não pode exigir as contribuições da forma como fez; (v) é incabível a exigência da multa de ofício no presente caso, já que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, do CTN, tendo em vista as sentenças procedentes proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nos 2006.61.00.0142340 e 2006.61.00.0142351. A DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo na hipótese de crédito tributário sub judice. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de inexistência de liminar em ação judicial ou tutela antecipada, bem como no caso em que o crédito tributário constituído de ofício não esteja abrangido pela decisão judicial, cabe o lançamento da multa de ofício. Impugnação Improcedente Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente lide se resume à possibilidade ou não de o Fisco exigir da Recorrente a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas não decorrentes da prestação de serviços, além da multa de ofício decorrente, em face do conteúdo e alcance das decisões proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n°s 2006.61.00.0142340 e 2006.61.00.0142351, por ela impetrados. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.006 5 A solução da presente controvérsia, todavia, requer, num primeiro momento, a análise da existência ou não de identidade entre as razões apresentadas neste processo administrativo e nas referidas medidas judiciais. Afinal, tratase de questão prejudicial ao próprio conhecimento do recurso apresentado. Com efeito, restou consignado na decisão recorrida o seguinte: Por ocasião da lavratura dos autos de infração do presente processo administrativo, a contribuinte possuía dois litígios judiciais em andamento, a saber: o mandado de segurança n° 2006.61.00.0142340, referente ao PIS; e o mandado de segurança n° 2006.6100.0142351, referente ao COFINS. A tese defendida pela impugnante é fundamentada a partir da existência de sentenças judiciais em ambos os mandados de segurança supracitados, que supostamente excluiriam as receitas financeiras do conceito de faturamento e, consequentemente, da base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual o crédito tributário lançado estaria compreendido pelas decisões de primeira instância e teria sua exigibilidade suspensa. (...) Sendo assim, o acórdão e a sentença acima transcritos são claros, após afastarem a aplicação do artigo 3°, §1°, da Lei 9718/98, ao determinar, respectivamente, que: (i) o recolhimento do PIS deveria ser feito considerando o conceito de base de cálculo — faturamento — que trata o artigo 3°, da Lei n° 9.715/98; e (ii) a base de cálculo do COFINS seja apurada com observância da Lei Complementar 70/91, ficando mantidas, quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Vale esclarecer que no relatório do acórdão recorrido, a autoridade julgadora deixou ainda mais claro o objeto dos Mandados de Segurança n°s 2006.61.00.0142340 e 2006.61.00.0142351: 1.1. Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142340, cujo objeto relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subsequentes, é garantir o direito de recolher a contribuição para o PIS somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição do PIS desde junho de 2.001, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa SELIC, conforme a Lei n° 9.250/95, sem impedimento de a Autoridade Fiscal exercer a fiscalização sobre o procedimento efetuado. (cópia da petição inicial às fls.14/30). 1.2. Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142351, cujo objeto relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subsequentes, é garantir o direito de não efetuar o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no art.3°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo art.18, da Lei n° 10.684/2003, ou, ao menos, recolhêla sobre as receitas Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 advindas da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho de 2.001, nos termos do art.74, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme a Lei n° 9.250/95, o que não impede que a Autoridade Fiscal exerça a fiscalização sobre o procedimento efetuado (cópia da petição inicial às fls.66/89). Ademais, vale esclarecer que foi justamente por entender que, à época do lançamento, não havia mais decisão judicial válida determinando a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, devidas pela Recorrente, que a autoridade julgadora de primeira instância decidiu pela manutenção da exigência e da multa de ofício lançadas. Já a Recorrente, sustenta justamente o contrário: (i) que as sentenças dos Mandados de Segurança de nºs 2006.61.00.0j142340 (fls.407/417) e 2006.61.00.0142351 (fls.450/459) excluíram as receitas financeiras do conceito de faturamento e, por consequência, da base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual o crédito tributário ora combatido estaria abarcado pelas decisões de primeira instância, suspendendo sua exigibilidade; (ii) que o Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 não pode ser utilizado em detrimento de uma decisão proferida no âmbito judicial, que expressamente exclui as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS; (iii) que enquanto o TRF da 3ª Região não proferir acórdão reformando as sentenças, o Fisco, independentemente de qualquer ato do Poder Executivo, não pode exigir as contribuições da forma como fez; e (iv) que é incabível a exigência da multa de ofício no presente caso, já que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, do CTN, tendo em vista as sentenças procedentes proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nos 2006.61.00.0142340 e 2006.61.00.0142351. Feitos estes esclarecimentos, resta evidente a identidade de objetos entre as razões apresentadas neste processo administrativo e nas referidas medidas judiciais. Sendo assim, não poderia ter sido conhecida a impugnação relativamente a esta matéria, e pela mesma razão, deve ser negado conhecimento ao recurso nesta parte. Por outro lado, vale esclarecer que os argumentos apresentados na decisão recorrida para fundamentar a manutenção da multa de ofício não se sustentam, tendo em vista a existência de medida judicial suspendendo a exigibilidade da exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre receitas outras que não as decorrentes da prestação de serviços. O que se percebe é que a autoridade julgadora de primeira instância não concorda com a interpretação que foi atribuída pelo Poder Judiciário para o conceito faturamento das instituições financeiras e, por conta disso, acaba por defender seja atribuído às decisões judiciais conteúdo e alcance diverso daquele por elas determinado. Isto fica muito evidente analisando as próprias decisões judiciais vigentes à época do lançamento. Com efeito, relativamente à COFINS, à época do presente lançamento estava em vigor a sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0142351, cuja parte dispositiva assim dispunha: III Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para o fim de reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante de não ser compelida ao recolhimento da contribuição para a COFINS, nos moldes do artigo 3º, § 1°, da Lei 9718/98 em razão do inconstitucional alargamento da base de cálculo, a partir da competência de fevereiro de 1999, Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.007 7 devendo, contudo, quando do recolhimento da exação em tela, observar a base de cálculo prevista na Lei Complementar 70/91, ficando mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Fica reconhecido à impetrante, o direito a compensação, dos valores indevidamente recolhidos, a partir de junho de 2001, conforme artigo 74 da Lei n° 9.430/96, acrescidos da taxa SELIC, após o trânsito em julgado da sentença (art. 170 A, do CTN). No corpo da sentença, o magistrado esclareceu qual seria o conteúdo e alcance de faturamento, ao assim dispor: Ocorre que a Constituição Federal, na redação original do art. 195, I, previa a contribuição dos empregadores incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Portanto, verificase que, ao prever a Lei 9.718/98 que faturamento corresponde à receita bruta, ampliou a base de cálculo constitucionalmente delimitada, porquanto faturamento corresponde tão somente ao resultado da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica e o § 1° do art. 3° da lei referida determina a incidência sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Neste contexto, não resta dúvida que, em face do teor da referida decisão judicial, não poderia o Fisco efetuar o presente lançamento acrescido de multa de ofício, uma vez que estava suspensa a exigibilidade das parcelas que não correspondessem à venda de bens e serviços pela pessoa jurídica. Neste ponto, importa esclarecer que apesar de na data do lançamento já ter sido proferido acórdão reformando a referida sentença, seus efeitos estavam suspensos por conta da sucessiva oposição de embargos de declaração, cujo julgamento final somente foi proferido em 09.03.2012, ou seja, muito após a data da intimação do presente Auto de Infração, que ocorreu em 18.09.2009. Quanto aos efeitos suspensivos dos Embargos de Declaração são muito elucidativas as lições de Fred Didier Junior e Leonardo Carneiro da Cunha: A doutrina é uniforme em assinar que os embargos de declaração contêm efeito suspensivo. A interpretação do art. 497, do CPC leva à conclusão de que os embargos de declaração têm efeito suspensivo da eficácia da decisão embargada. José Carlos Barbosa Moreira, manifestase neste sentido. Vicente Greco Filho, Luiz Guilherme Marinoni e Sergio Cruz Arenhart também pensam assim. (in Curso de Direito Processual Civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos Tribunais, vol. III, 10ª ed., Salvador: JusPodivm, 2012, p. 200) O mesmo se verifica em relação à Contribuição ao PIS. Com efeito, na data da lavratura do presente Auto de Infração vigorava a sentença judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0142340, cuja parte dispositiva assim dispunha: Isto posto julgo PROCEDENTE o pedido formulado e CONCEDO a segurança para afastar a incidência do artigo 3 2, § 1 2, da Lei 9718/98, garantindo aos impetrantes BANCO Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 FIBRA S/A e FIBRA ASSET MANAGEMENT DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. a observância da Lei Complementar 7/70 no que se refere à base de cálculo do PIS, mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98„ bem como para reconhecer às impetrantes o direito à compensação das quantias comprovadamente pagas "a maior" do PIS, a partir de junho de 2001, com tributos vincendos administrados pela Receita Federal, observadas as disposições da Lei 9.430/96 e demais atos normativos expedidos pela Receita Federal, incidindo os juros e correção monetária previstos na fundamentação, que ficam fazendo parte deste dispositivo. Também, aqui, o magistrado definiu a extensão do conceito de faturamento na fundamentação da sentença, tendo, todavia, prescrito expressamente que ela faz parte do dispositivo. Nas suas palavras: Portanto, o faturamento da empresa, na dicção legal, compreende: a) venda de mercadorias; b) venda de mercadorias e serviços; c) venda de serviços de qualquer natureza. Excluídas estão, pois, outras receitas da empresa, dentre as quais se incluem as financeiras, que a Lei 9718/98 procurou alcançar. Da mesma forma que ocorreu em relação à COFINS, na data do lançamento já havia sido proferido acórdão pelo TRF da 3ª Região em sede de apelação e reexame necessário relativamente à Contribuição ao PIS. A diferença, todavia, é que neste caso o Tribunal manteve a decisão de primeira instância no que se refere à definição da base de cálculo do tributo: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. LEI 9.718 98. INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE ANTE A INEXISTÊNCIA DE PROVA NOS AUTOS ACERCA DO RECOLHIMENTO DA REFERIDA EXAÇÃO NO PERÍODO EM QUE VIGEU O ALUDIDO DIPLOMA LEGAL. 1 A Lei Complementar 07/70, materialmente, tem natureza de lei ordinária, o que não demanda a edição de lei complementar para modificála. 2 Inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1°, da n°9.718/98, sendo certo que o recolhimento da COFINS deveria ser feito considerando o conceito de base ,e cálculo faturamento que trata os art. 2°, "caput", da Lei Complementar n°70/91. 3 A decisão do Plenário do STF ocorreu no julgamento dos Recursos Extraordinários n°s 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. (...) Vale registrar, todavia, que tal fato apenas corrobora a demonstração da impossibilidade de o presente lançamento vir acompanhado de multa de ofício em face existência de suspensão da exigibilidade das parcelas que não correspondessem à venda de bens e serviços pela pessoa jurídica. Isso porque, também no processo que versa sobre a Contribuição ao PIS foram manejados Embargos de Declaração contra o acórdão do TRF da 3ª Região, o que implicou a suspensão da eficácia da decisão embargada até o seu julgamento (16.11.2010) e, como consequência, o reestabelecimento dos efeitos da decisão anterior, no caso, da sentença de primeira instância. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.008 9 Assim, correto ou equivocado o julgamento do Poder Judiciário, certo é que se trata de comando de superior hierarquia, cogente para a Administração Pública, que está obrigada a cumprilo, independentemente de sua concordância. Por conseguinte, entendo que a impugnação não poderia ser conhecida, dada a flagrante identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo, nos termos da Súmula CARF nº 01 e jamais poderia ter sido lançada a multa de ofício, em face da existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época do lançamento. Por fim, vale esclarecer que o fato de, exclusivamente em relação à COFINS, ter sobrevindo decisão afastando a suspensão da exigibilidade do crédito não compromete a presente conclusão relativamente à multa de ofício. Afinal, o que se deve analisar é se na data do lançamento estava ou não vigente medida judicial suspendendo a cobrança do tributo. Pelo exposto, voto por não conhecer parcialmente o recurso voluntário, em face da renúncia às instancias administrativa, cabendo à autoridade de origem cumprir as decisões finais, transitadas em julgado, dos Mandados de Segurança n°s 2006.61.00.0142340 e 2006.61.00.0142351 nos seus exatos termos, não cabendo qualquer juízo de valor a respeito do seu acerto ou não. E, na parte conhecida, dou provimento para afastar a multa de ofício, uma vez que, à época do lançamento, vigiam decisões judiciais suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Neste voto, com a devida vênia, ousase discordar, integralmente, do voto proferido pela nobre Relatora, pelas razões a seguir explicitadas. Previamente, é pertinente delimitar os pontos controvertidos da lide, em consonância com art. 15 do Decreto 70.235/721. Nesse sentido, serve de referência as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória colacionada aos autos (fls. 313/325), em que a autuada alegou, em síntese, que (i) o crédito tributário lançado estvava suspenso, pois envontravase abarcado pelas decisões de primeira instância, proferidas no âmbito dos referidos mandados de segurança, e (ii) a impossibilidade da exigência da multa de ofício aplicada, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Na peça recursal (fls.553/569), as mesmas razões de defesa foram reiteradas pela recorrente. Em suma, o cerne da controvérsia cingese às questões atinentes (i) à suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado e (ii) à exigência da multa de ofício apicada. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. No recurso, a recorrente reiteirou a alegação de que, na data da conclusão do lançamento, o crédito tributário lançado estava suspenso, com base no argumento de que ambas as sentenças, prolatadas nos citados mandados de segurança, explicitamente, excluíram 1 Doravante denominado PAF. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 as receitas financeiras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, razão pela qual não havia que se falar que o questionado crédito tributário não estivesse abarcado pela decisão judicial de primeira instância, que não fora superada pelos acórdãos proferidos pelo TRF da 3ª Região, no âmbito das respectivas ações judiciais. E, mesmo que assim não fosse, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, declarada pelo STF, tais decisões teriam sido mantidas. Inicialmente, é pertinente esclarecer que, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal acostados aos autos (fls. 274/279), que integra os Autos de Infração de fls. 280/310, as autuações em questão foram realizadas com o objetivo de proceder a constituição e a consequente conbrança das diferenças dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculadas sobre as receitas da atividade principal (receitas operacionais), apuradas pela própria recorrente (Planilha de fls. 119/273) e declaradas nas respectivas DIPJ e Dacon, porém omitidas (os correspondentes débitos) nas respectivas DCTF. Portanto, tratase de lançamento motivado por omissão de receita da atividade principal (receitas operacionais) e não para prevenir a decadência de crédito tributário, relativo à receita financeira sub judice, como alegado pela recorrente. Com efeito, na apuração do valor da receita omitida, em cumprimento as referidas medidas judiciais, a fiscalização excluiu da base de cálculo das referidas Contribuições os valores relativos a outras receitas não operacionais (receitas não decorrentes da atividade principal). Também foram deduzidos os valores das receitas correspondentes aos débitos informados nas respectivas DCTF. Tais valores foram dicriminados na Planilha de fls. 277/278, que foi elaborada da seguinte forma, in verbis: A base de cálculo apurada pelo contribuinte em sua planilha (demonstrada na coluna 1 da tabela), foi diminuída do valor das "Receitas não Operacionais", resultando nos valores demonstrados na coluna 3 da tabela. Na coluna 5 foi apurada a diferença entre a Base de cálculo ajustada ( coluna 3) e a Base de calculo reduzida lançada em DCTF (coluna 4). Com base nos valores discriminados na Planilha elaborada pela fiscalização, fica cabalmente demonstrado que a base de cálculo objeto das autuações em apreço corresponde aos valores das receitas operacionais (faturamento) omitidas na DCTF, que foram informados nas DIPJ e Dacon apresentados pela recorrente. Ademais, confirmase que as mencionadas decisões judiciais foram integralmente respeitadas, uma vez que foram excluídos do lançamento os valores das receitas não operacionais (receitas não decorrentes do faturamento), o que inclui, sabidamente, as receitas financeiras. Por sua vez, as referidas decisões judiciais concederam a segurança para afastar apenas a cobrança das referidas Contribuições sobre as receitas não decorrentes da atividade principal (faturamento) ou não operacionais, certamente, incluindo as receitas financeiras, em face da ampliação da base de cálculo, determinada no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, conforme se extrai dos dispositivos das sentenças proferidas no âmbito dos Mandados de Segurança nºs 2006.61.00.0142340 (fls. 419/429), que trata da Contribuição para o PIS/Pasep, e 2006.61.00.0142351 (fls. 462/471), relativo à Cofins, respectivamente, a seguir reproduzidos: MANDADO DE SEGURANÇA N° 2006.61.00.0142340 (PIS) III — Isto posto julgo PROCEDENTE o pedido formulado e CONCEDO a segurança para afastar a incidência do artigo 3º, § 1º, da Lei 9718/98, garantindo aos impetrantes BANCO Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.009 11 FIBRA S/A e FIBRA ASSET MANAGEMENT DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA a observância da Lei Complementar 7/70 no que se refere à base de cálculo do PIS, mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98, bem como para reconhecer às impetrantes o direito à compensação das quantias comprovadamente pagas "a maior" do PIS, a partir de junho de 2001, com tributos vincendos administrados pela Receita Federal, observadas as disposições da Lei 9.430/96 e demais atos normativos expedidos pela Receita Federal, incidindo os juros e correção monetária previstos na fundamentação, que ficam fazendo parte integrante deste dispositivo. (grifos sublinhados não originais) MANDADO DE SEGURANÇA N° 2006.61.00.0142351 (COFINS) III Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para o fim de reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante de não ser compelida ao recolhimento da contribuição para a COFINS, nos moldes do artigo 3°, § 1°, da Lei 9718/98 em razão do inconstitucional alargamento da base de cálculo, a partir da competência de fevereiro de 1999, devendo, contudo, quando do recolhimento da exação em tela, observar a base de cálculo prevista na Lei Complementar 70/91, ficando mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Fica reconhecido à impetrante, o direito a compensação, dos valores indevidamente recolhidos, a partir de junho de 2001, conforme artigo 74 da Lei n° 9.430/96, acrescidos da taxa SELIC, após o trânsito em julga0á sentença (art. 170— A do CTN). (grifos sublinhados não originais) Dessa forma, fica demonstrado que, ao contrário do que alegou a recorrente, os objetos das questionadas autuações não são idênticos aos objetos das correspondentes ações judiciais, portanto, inexiste a suscitada concomitância entre os objetos deste processo e dos mencionados processos judiciais, conforme entendeu a i. Relatora. Aliás, no corpo do citado Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, expressamente, consignou que, conforme decisões prolatadas nos citadas ações judiciais, as receitas não operacionais não integravam o lançamento, conforme se extrai dos excertos a seguir reproduzidos (fls. 275/276): Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142340 Objeto: relativamente ao período base de junho de 2006 e subseqüentes, garantir o direito líquido certo das Impetrantes de recolher a contribuição para o PIS somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS desde junho de 2001, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros selic, conforme determinado pela Lei 9250, de 27.12.95, sem impedimento da Autoridade Fiscal de exercer a .fiscalização sobre o procedimento efetuado. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 Histórico do Processo: A medida liminar foi integralmente concedida A sentença foi totalmente procedente O Tribunal regional Federal, ao julgar o recurso de Apelação interposto pela União, de provimento ao mesmo. Em razão de flagrante erro material (o argumento desenvolvido no acórdão se aplica somente a empresas que estão sujeitas ao regime nãocumulativo da contribuição ao PIS), foram opostos embargos de declaração, os quais aguardam julgamento. Tendo em vista que os embargos de declaração são recebidos no efeito suspensivo, fica evidente que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa nos termos da sentença. Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0142351 Objeto: relativamente ao período base de junho de 2006 e subseqüentes, garantir o direito líquido certo das Impetrantes de não efetuarem o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no artigo 3 0 da Lei n° 9718/98, com as alterações promovidas pela artigo 18 da Lei 10684/2003, ou, ao menos, recolhela sobre as receitas advindos da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho 2001, nos termos do artigo 74 da Lei 9430/96, com redação dada pela Lei n° 10637/2002, acrescido da taxa de juros selic, conforme determinado pela Lei n° 9250, de 27.12.95, o que não impede que a Autoridade Fiscal exerça a .fiscalização sobre o procedimento efetuado. Histórico do Processo: A medida liminar deferida para autorizar o recolhimento da COFINS somente sobe as receitas advindos da prestação de serviços. A sentença foi parcialmente procedente para autorizar (i) o recolhimento da COF1NS somente sobre as receitas advindos da prestação de serviços bem como (h) à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho de 2001. Em razão da interposição de Recurso de Apelação pela União, os autos estão no Egrégio Tribunal Regional Federal aguardando julgamento. O crédito tributário encontrase suspenso, nos termos da sentença. [...] A base de cálculo apurada pelo contribuinte em sua planilha (demonstrada na coluna 1 da tabela), foi diminuída do valor das "Receitas não Operacionais", resultando nos valores demonstrados na coluna 3 da tabela. Na coluna 5 foi apurada a diferença entre a Base de cálculo ajustada ( coluna 3) e a Base de calculo reduzida lançada em DCTF (coluna 4). Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.010 13 3. DO VALOR TRIBUTÁVEL E ENQUADRAMENTO LEGAL. Com a finalidade de se apurar o valor tributável da contribuição devida ao PIS e a COFINS, foi solicitado ao contribuinte elaboração de um demonstrativo mensal da base de cálculo daquelas contribuições do período de 06/2006 a 12/2008, com a utilização dos anexos "Quadro I e II" e demais dispositivos legais constantes da IN/SRF 247/2002. De posse do demonstrativo elaborado pelo contribuinte das bases de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, efetuamos alguns testes, no sentido de se verificar a veracidade das informações prestadas, no que consistiu em batimento das contas envolvidas no demonstrativo e com os seus correspondentes valores nos respectivos balancetes. Verificase nesse confronto que os valores das contas guardam correspondência entre si. Dessa forma, elaborouse uma planilha (abaixo relacionada) onde foram conciliados os valores constantes do demonstrativo do contribuinte com os valores devidos do PIS e da COFINS informados nas respectivas DCTFs. Os valores de PIS e COFINS declarados em DCTF, foram convertidos em base de cálculo, pela operação de divisão do valor devido pela alíquota correspondente (demonstrado na coluna 4 da tabela). A base de cálculo apurada pelo contribuinte em sua planilha (demonstrada na coluna 1 da tabela), foi diminuída do valor das "Receitas não Operacionais", resultando nos valores demonstrados na coluna 3 da tabela. Na coluna 5 foi apurada a diferença entre a Base de cálculo ajustada ( coluna 3) e a Base de calculo reduzida lançada em DCTF (coluna 4). [...] (os grifos sublinhados não originais) Da mesma forma, no voto do condutor do acórdão recorrido também encontrase, expressamente, consignado que os créditos objeto do lançamento referemse a cobrança das Contribuições calculadas sobre a parcela da receita operacional (faturamento) ou da atividade princial e não declaradas nas respectivas DCTF, conforme explicitados nos trechos a seguir reproduzidos (fls. 540/542): DOS MANDADOS DE SEGURANÇA Por ocasião da lavratura dos autos de infração do presente processo administrativo, a contribuinte possuía dois litígios judiciais em andamento, a saber: o mandado de segurança n° 2006.61.00.0142340, referente ao PIS; e o mandado de s gurança n° 2006.6100.0142351, referente ao COFINS. A tese defendida pela impugnante é fundamentada a partir da existência de sentenças judiciais em ambos os mandados de segurança supracitados, que supostamente excluiriam as receitas financeiras do conceito de faturamento e, consequentemente, da base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual o crédito tributário lançado estaria Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 14 compreendido pelas decisões de primeira instância e teria sua exigibilidade suspensa. Contudo, a alegação da contribuinte não resiste à análise das peças processuais trazidas aos autos, como se demonstrará a seguir. [...] Sendo assim, o acórdão e a sentença acima transcritos são claros, após afastarem a aplicação do artigo 3°, § 1°, da Lei 9718/98, ao determinar, respectivamente, que: (i) o recolhimento do PIS deveria ser feito considerando o conceito de base de cálculo – faturamento que trata o artigo 3°, da Lei n° 9.715/98; e (ii) a base de cálculo do COFINS seja , apurada com observância da Lei Complementar 70/91, ficando mantidas, quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Há que se ressaltar, desta forma, que as decisões judiciais aplicáveis ao caso concreto não trataram da exclusão de receitas financeiras, conforme o alegado pela impugnante. Logo, improcede o argumento da contribuinte de que o crédito tributário constituído pelo presente lançamento de ofício estaria suspenso, com fundamento na alegação de que as sentenças dos mandados de segurança excluiriam as receitas financeiras. Da mesma forma, não assiste razão à impugnante quanto ao questionamento do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, tendo em vista que, conforme o exposto, as decisões judiciais não excluíram as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS. DA MULTA DE OFÍCIO [...] No que concerne à apreciação do cabimento da multa de ofício, é necessário observar, isoladamente, cada um dos mandados de segurança impetrados pela contribuinte. Com relação ao mandado de segurança n° 2006.61.00.0142340, cumpre observar que a sentença de fls. 36/46 e 407/417 foi reformada pelo Acórdão do TRF da 3º Região de fls.47/57, do qual se reproduz abaixo um trecho da ementa (fls.56/57): [...] Sendo assim, com relação ao lançamento de PIS, não há a comprovação nos autos de que houvesse qualquer decisão judicial, por ocasião do lançamento de oficio, ocorrido em 18/09/2009 (fls.286), que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário. Logo, improcede a alegação da contribuinte quanto à inaplicabilidade da multa de ofício relativa ao PIS. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.011 15 No que tange ao mandado de segurança n° 2006.61.00.0142351, as peças processuais trazidas aos autos informam que, por ocasião do lançamento de ofício de COFINS (18/09/2009 — fls. 302), era aplicável a sentença de fls. 104/113 e 450/459, já parcialmente j1 reproduzida no presente voto, que foi proferida no sentido de (excerto de fls.113): [...] quando do recolhimento da exação em tela, observar a ba e de cálculo prevista na Lei Complementar 70/91, ficando mantidas, quant4 ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Em face do trecho da sentença acima transcrito, há que se observar, no caso concreto, que o lançamento de ofício respeitou a determinação judicial, uma vez que foi excluído o valor de "Outras Receitas não Operacionais" da base de cálculo do crédito tributário lançado, de acordo com a planilha de fls. 274/275, em conformidade com o entendimento expresso pela Procuradoria da Fazenda Nacional por intermédio dos tópico "d" e "e" do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007. Portanto, também no que diz respeito ao COFINS, a tese da contribuinte acerca da inaplicabilidade da multa de ofício resta infundada, tendo em vista que o crédito constituído de ofício não foi abarcado pela sentença do mandado de segurança n° 2006.61.00.0142351. (grifos sublinhados não originais) É oportuno esclarecer ainda que, sabidamente, por força do princípio da congruência, também conhecido como princípio da correlação ou da adstrição, previsto no art. 4602 do CPC, é o pedido da parte autora que define o objeto da ação e, no caso em tela, os pedidos formulados nas respectivas petições iniciais, colacionadas aos autos (fls. 392/408 e 431/453), expressamente consignaram que a pretensão da recorrente era excluir a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Em outras palavras, que a base cálculo das referidas Contribuições contemplavam apenas as receitas operacionais de prestação de serviços (faturamento), segundo exposto nos excertos a seguir transcritos: MANDADO DE SEGURANÇA N° 2006.61.00.0142340 (PIS) IV DO PEDIDO Face às razões acima expostas, as Impetrantes requerem: a) a concessão de medida liminar para suspender, a partir do períodobase de junho de 2.006, a exigibilidade da contribuição para o PIS sobre as demais receitas impostas pela Lei n° 9.718/98, que não as decorrentes da receita bruta da prestação de serviços; afastando em ambas as situações todo e qualquer ato da D. Autoridade Impetrada tendente à exigiIa nos moldes da Lei n° 9.718/98, notadamente os de inscrição na dívida ativa; inscrição no CADIN; e negativa de Certidão Positiva com efeitos 2 "Art. 460 É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único A sentença deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica condicional." Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 16 de Negativa de Tributos Federais, até o julgamento definitivo deste writ; b) a notificação da D. Autoridade Impetrada para apresentar suas informações nos termos do art. 7° da Lei n° 1.533/51; e c) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subseqüentes, garantir o direito líquido e certo das Impetrantes de recolher a contribuição para o PIS somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valóres indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS desde junho de 2.001, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, sem impedimento da Autoridade Fiscal de exercer a fiscalização sobre o procedimento efetuado. 67. Requerem, ainda, que as intimações sejam feitas tão somente em nome da procuradora Dra. KARINE COTELESSE MONTEIRO, inscrita na OAB/SP sob o n° 174.816. Termos em que, atribuindose à presente causa o valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais). MANDADO DE SEGURANÇA N° 2006.61.00.0142351 (COFINS) IV DO PEDIDO 77. Face às razões acima expostas, as Impetrantes requerem: a) a concessão de medida liminar para, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subseqüentes, suspender a exigibilidade da contribuição sobre o faturamento COFINS, afastando todo e qualquer ato da D. Autoridade Impetrada tendente à exigila nos moldes da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo artigo 18 da Lei n° 10.684/2003, notadamente os de inscrição na dívida ativa; inscrição no CAD1N; e negativa de Cértidão Positiva com efeitos de Negativa de Tributos Federais, até o julgamento definitivo deste writ; b) a notificação da D. Autoridade Impetrada para apresentar suas informações nos termos do art. 7° da Lei n° 1.533/51; e c) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subseqüentes, garantir o direito líquido e certo das Impetrantes de não efetuarem o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no artigo 3° da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo artigo 18 da Lei n° 10.684/2003, ou, ao menos, recolhêla sobre as receitas advindas da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho de 2.001, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, o que não impede que a Autoridade Fiscal exerça a fiscalização sobre o procedimento efetuado. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.012 17 78. Requerem, ainda, que as intimações sejam feitas tão somente em nome da procuradora Dra. KAR1NE COTELESSE MONTEIRO, inscrita na OAB/SP sob o n° 174.816. Termos em que, atribuindose à presente causa o valor de R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais). (grifos sublinhados não originais) Portanto, fica demonstrado que os objetos das referidas ações judiciais limitaramse ao pedido de afastamento da ampliação da base cálculo das referidas Contribuições, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, o que, sabidamente, compreende a totalidade das receitas não provenientes da atividade principal ou do faturamento, inclusive as receitas financeiras. Logo, o que foi deferido nas respectivas Sentenças de primeiro grau e mantido nos correspondentes Acórdão do TRF da 3ª Região, induvidosamente, não corresponde aos objetos dos questionados lançamentos, conforme anteriormente demonstrado. Segundo a recorrente, o Parecer PGNF/CAT/N.° 2773/2007 não podia ser utilizado em detrimento de uma decisão proferida no âmbito judicial que expressamente excluía as receitas financeiras da base de cálculo Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pois, nos termos do art. 468 do CPC, a sentença fazia lei entre as partes, logo um ato do Poder Executivo não podia sobrepor à lei, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Essa alegação somente teria procedência, caso o objeto das referidas ações judiciais fossem idênticos ao das referidas ações judiciais, o que não se vislumbra no caso em tela, conforme sobejamente demonstrado nos tópicos precedentes. Também segundo a i. Relatora havia identidade de objetos entre as razões apresentadas neste processo administrativo e nas referidas medidas judiciais, logo não poderia ter sido conhecida a impugnação relativamente a esta matéria e, pela mesma razão, devia ser negado conhecimento ao recurso nesta parte. A conclusão da i. Relatora, concessa maxima venia, não corresponde a realidade explicitadas nos autos, pois, em conformidade com o que foi exposto anteriormente, o lançamento em questão não foi feito para prevenir a decadência, mas para cobrança de diferença de débitos calculados sobre os valores das receitas operacionais (faturamento), informados nos Balancetes da própria recorrente e declarados nas respectivas DIPJ ou Dacon apresentadas pela recorrente, mas não confessados nas respectivas DCTF, conforme discriminado na Planilha de fls. 277/278. Além disso, ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não assistiria à recorrente, uma vez que ela não trouxe à colação dos autos as provas de que as receitas objeto das autuações eram decorrentes das receitas financeiras. Assim, ao simplesmente alegar sem provar, por força do art. 333, II, do CPC, essa alegação não tem qualquer subsistência. É pertinente ressaltar ainda que, nas referidas decisões judiciais, não estão em discussão o alcande do conceito de receita operacional ou o que seria prestação de serviços, para as instituições financeiras, ou se a receita proveniente do spread bancário integrava ou não a receita da atividade principal (faturamento), matéria que tem sido alvo de questionamento judicial por parte das pessoas jurídicas do ramo financeiro e securitário. Deveras, nas citadas ações judiciais, enfatizase mais uma vez, a matéria em litígio, conforme alegado pela própria recorrente, envolve somente a ampliação da base cálculo, definida no art. 3º, § 1º, da Lei Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 18 9.718/98, que, sabidamente, inclui as receitas financeiras, as quais foram excluídas da base de cálculo das Contribuições lançadas nas questionadas autuações. Dessa forma, fica cabalmente demonstrado que a recorrente não tinha provimento judicial que lhe assegurasse a omissão na DCTF de parte dos valores dos débitos atinentes às receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal, por ela própria registradas na sua contabilidade e declaradas nas correspondentes DIPJ ou Dacon, mas omitidas na DCTF. Por todas essas considerações, rejeitase a alegação de que, na data dos lançamentos, os créditos tributários lançados estavam suspensos por decisão judicial. Da cobrança da multa de ofício aplicada. No que tange à cobrança da multa de ofício, a recorrente alegou que, por força das decisões judiciais que suspendiam a exigibilidade dos créditos tributários lançados, nos termos do art. 151, do CTN, era imperiosa a exoneração da referida multa. Não procede alegação da recorrente, haja vista que, conforme exaustivamente demonstrado no tópico anterior, na data da conclusão das autuações, a recorrente não estava protegida por decisão judicial que lhe assegurasse a omissão de parte da receita operacional ou decorrente da atividade principal por ela própria escriturada, demonstrada (fls. 119/2733) e declarada à Administração tributária. Assim, como não havia decisão judicial que assegurasse a alegada suspensão da exigibilidade do crédito tributário não confessado nas respectivas DCTF, inferese que a multa de ofício aplicada foi corretamente capitulada no art. 44, I, da Lei 9.430/96, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) Há provas nos autos, não contestadas pela recorrente, que demonstram que a recorrente omitiu, nas respectivas DCTF, parte considerável dos débitos das referidas Contribuições, calculados sobre parte das receitas operacionais ou provenientes da atividade principal, portanto, corretamente aplicada a multa de ofício tipificada no citado preceito legal. Por todas essas razões, fica demonstrada a procedência aplicação da multa de ofício em questão e, por conseguinte, rejeitada a alegação de isubsistência da dita multa de ofício, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 3102002.130 S3C1T2 Fl. 1.013 19 José Fernandes do Nascimento Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001051/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/07/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 51 /2 00 9- 85 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001051/200985 Acórdão n.º 3801003.271 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900360/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.900360/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.708 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente LOJA DO PINTOR TINTAS E MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 60 /2 00 9- 01 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração novembro de 2002, no valor original de R$ 5.481,26, com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900360/200901 Acórdão n.º 3803005.708 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900360/200901 Acórdão n.º 3803005.708 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900360/200901 Acórdão n.º 3803005.708 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005891/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO.
O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005.
Numero da decisão: 3803-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório, inclusive.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO. O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório, inclusive. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECISÕES DEFINITIVAS. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. STJ. APLICAÇÃO PELO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 566.621 RS, voto Min. Ellen Gracie). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO. O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extinguese com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório, inclusive. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 58 91 /2 00 8- 20 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitira diversas declarações de compensação, conforme cópias às fls 16 a 24, em que utilizara crédito de PIS referente ao mês de março de 2003, no valor de R$ 719,58, delas restando saldo de crédito no valor de R$ 126,15. Após o prazo de cinco anos do fato gerador, em 28 de maio de 2003, por meio de declaração em papel utilizou este saldo. As DComps foram objeto de análise automática, para as quais é destinado despacho decisório eletrônico, expedido na hipótese de não homologação ou homologação parcial. Despacho Decisório da DRF/Porto Alegre, de 18 de agosto de 2008, fl. 57/61, alvo do presente litígio, teve como objeto tão só a DComp em papel, não reconheceu o direito creditório por ter decaído o direito de repetir o alegado indébito, e não homologou a Compensação. Em sua defesa a Interessada apresentou manifestação de inconformidade em que alegou, em síntese, não ter decaído o seu direito creditório. Junta jurisprudência do STJ no sentido de que os pagamentos anteriores a Lei Complementar nº 118/05 deveriam obedecer ao critério do regime previsto no sistema anterior (5 anos para o pedido do indébito da data da homologação tácita), restrito ao prazo máximo de 5 anos a contar da vigência da citada lei. Argumentou que pensar de outra forma seria violar a regra da irretroatividade. Como seu recolhimento a maior teria ocorrido em 2003, a “prescrição” só se daria em 2010, tendo em vista o critério intertemporal nos termos previstos na Lei Complementar nº 118/05. Em julgamento da lide, a DRJ/Porto Alegre considerou estar diante da questão preliminar de decadência que transcendia a questão do mérito da existência ou não do crédito alegado, eis que o contribuinte alegou um pagamento a maior sem a juntada a sua manifestação de inconformidade de documentos de sua escrita fiscal e contábil que dessem o devido suporte a tal direito. Manteve a decisão administrativa interpretando o art. 168, I, do CTN, amparandose, subsidiariamente, no Ato Declaratório nº 96, de 1999, e no caráter interpretativo segundo o esclarecimento do art. 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, aplicando a sua disposição a fatos pretéritos, abarcando, assim, o período do crédito pleiteado pelo contribuinte. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.005891/200820 Acórdão n.º 3803005.221 S3TE03 Fl. 176 3 Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a da realização do pagamento na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1º do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 28 de março de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de abril de 2012, em que reitera o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade em torno do direito de pleitear a restituição após o prazo de cinco anos da extinção do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A declaração de compensação foi apresentada em formulário pela impossibilidade de sua transmissão eletrônica, em razão do decurso de cinco anos da extinção do crédito tributário de que se origina o pagamento alegado a maior. Era usual a intimação do contribuinte para apresentar documentos que amparassem a sua pretensão, quando a manifestação nos processos de ressarcimento, restituição e compensação se processava na forma mecânica. Essa providência não fazia sentido ao tempo em que proferido o despacho decisório pela DRF/Porto Alegre, tendo sido escorreito o critério jurídico então esposado em que se amparou a Autoridade Administrativa, na declaração de decadência do direito desta Contribuinte de repetir o indébito. Na mesma trilha do despacho decisório andou a decisão recorrida, que reproduziu os mesmos fundamentos do despacho decisório, tendo destacado que a jurisprudência do Superior Tribuna de Justiça que consagrou a regra do prazo de dez anos (5+5) para a repetição de indébito tributário, interpretando o art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, ambos do CTN, não tem efeito vinculante para aplicação a terceiros que não são parte. Ao tecer este argumento, em decisão proferida em 8 de março de 2012, já podia ter evocado a decisão do Supremo Tribunal Federal na matéria, no julgamento do RE nº Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 566.621/RS, publicada em 11 de outubro de 2011, e proferida na sistemática do art. 543B, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.005891/200820 Acórdão n.º 3803005.221 S3TE03 Fl. 177 5 vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A aplicação da sistemática do art. 543B ao julgado implica haver na questão levada à Corte Maior interesse jurídico, econômico, social ou político, que extrapola o interesse das partes no processo, e, assim, produz o efeito da norma do art. 1º, § 2º, do Decreto nº 2.346/97, devendo ser observado nas decisões administrativas, verbis: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. A data definida pelo Supremo Tribunal Federal como dies a quo da vigência da nova regra do art. 3º da LC nº 118/051 foi 9 de junho de 2009, prevalecendo para os pedidos manejados antes desta data a regra dos cinco anos do 168, I, do CTN, mais cinco anos para a homologação da atividade do contribuinte no regime do lançamento por homologação prevista no art. 156, VII, do CTN. No caso, a declaração de compensação foi protocolizada em 20 de maio de 2008, exsurgindo, com isso, o direito desta Contribuinte de utilizar o alegado crédito na compensação apresentada. Ocorre que opor a decadência à pretensão da Contribuinte, na origem, impediu que o mérito principal fosse examinado. Afastado o óbice, cabe a intimação ao Pleiteante para que comprove perante a Administração Tributária a veracidade do pagamento a maior informado na DComp sob análise, nos termos do que determina o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente ao tempo da apreciação da compensação, verbis: Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a 1 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações. Anotese que as decisões não se fundamentaram em falta de provas para que elas pudessem ser coligidas no curso de uma ou outra defesas, o que acarretaria a preclusão do direito de fazêlo uma vez que nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário se fizeram acompanhar dos elementos probantes. Não permitir a instrução do pleito da Contribuinte com a comprovação do pagamento a maior obstrui a efetividade do exercício do seu direito subjetivo de aproveitamento do alegado crédito que apurara perante a RFB. Pelo exposto, com fundamento na decisão superveniente do Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621/RS, voto por afastar a decadência do direito de repetir o indébito e por anular o processo desde a origem, para que novo despacho decisório seja proferido. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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