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Numero do processo: 16095.720028/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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MEDICAMENTOS. Recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório A tributação da empresa em questão, que atua no ramo farmacêutico, ocorre com base nas seguintes alíquotas: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 02 8/ 20 16 -6 1 Fl. 7093DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 3 2 Ø Lista Neutra: composta por produtos tributados pela alíquota básica de 7,6% e 1,65% para COFINS e PIS. Tem supedâneo no art. 1o da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002; Ø Lista Positiva: composta por medicamentos tributados pela alíquota diferenciada de 9,9% e 2,1% para COFINS e PIS, mas que dão direito ao crédito presumido no mesmo valor da contribuição apurada. Tem supedâneo no art. 3o da Lei 10.147/2000; Ø Lista Negativa de produtos farmacêuticos: composta por medicamentos tributados pela alíquota diferenciada de 9,9% e 2,1% para COFINS e PIS e que não fazem jus ao regime especial do crédito presumido. Tem supedâneo no art. 1o, inciso I, alínea a, da Lei 10,147/2000; Ø Lista Negativa de produtos de perfumaria e higiene pessoal: composta por produtos de perfumaria, toucador e higiene tributados pela alíquota monofásica de 10,3% e 2,2% para COFINS e PIS e que não fazem jus ao regime especial do crédito presumido. Tem supedâneo no art. 1a, inciso I, alínea b, da Lei 10.147/2000. É com base nessa variedade de situações, portanto, que a fiscalização foi realizada, gerando, em consequência, os autos de infração cujas exigências estão sendo, em parte, impugnadas. Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 177/196, por meio dos quais se exige o recolhimento de R$ 123.808.208,28 de Cofins não cumulativa e de R$ 26.223.963,08 de contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício (75%) e juros de mora. Segundo o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (TVCIF) de fls. 197/235, a autuação, cientificada em 28/01/2016 (fl. 239), ocorreu devido à constatação de que alguns erros teriam ocorrido quando da apuração dos débitos de PIS e de Cofins, nos termos previstos na alínea ‘a' do art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000. As planilhas de fls. 201/202 apontam as diferenças encontradas relativamente aos períodos de apuração 01/2011 a 12/2012. Quanto ao regime especial de crédito presumido para produtos farmacêuticos, consta do TVCIF que após a análise dos documentos apresentados apurouse que os valores de crédito presumido de PIS e de Cofins utilizados pela contribuinte suplantavam os valores apurados. As planilhas de fls. 208/209 demonstram os montantes correspondentes à utilização indevida por parte da contribuinte. O TVCIF também trata dos créditos correspondentes às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica. Sobre os aluguéis consta que após pesquisas verificouse que os valores constantes em Fl. 7094DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 4 3 DIMOB eram inferiores aos valores informados em Dacon. Considerando que a contribuinte, intimada, apresentou um único contrato de aluguel, apenas os pagamentos relativos a esse contrato e os pagamentos relativos a outros contratos (não apresentados) confirmados na ECD (Escrituração Contábil Digital) foram considerados. Em decorrência, apurouse a utilização indevida de crédito no Dacon. Quanto às despesas relativas à energia elétrica e à energia térmica, após a análise dos documentos apresentados, também se apurou a utilização indevida de créditos. Além disso, também foram apurados créditos indevidos correspondentes às despesas de armazenagem e de fretes nas operações de venda. Os valores apurados como utilizados indevidamente constam da planilha de fl. 212. No que diz respeito aos créditos extemporâneos utilizados, consta do TVCIF que foram glosados os valores correspondentes às notas fiscais não apresentadas. Quanto aos créditos relativos às despesas com armazenagem e fretes na importação, consta que, após análise, foram glosados os créditos de R$ 1.600.156,10, R$ 1.205.293,58 e R$ 1.701.150,06, dos meses de fevereiro a abril de 2011, respectivamente. No que tange aos créditos decorrentes da depreciação de obras, consta que, após verificações, somente foram aceitas algumas notas fiscais, no valor total de R$ 2.569.099,24. Consta do TVCIF, ainda, que os créditos relativos ao consumo de gás foram integralmente glosados, por falta de comprovação. Em outro tópico do TVCIF consta que os valores correspondentes à aquisição de insumos no mês de setembro de 2012 também foram glosados, por falta de comprovação. Em decorrência das glosas, foi elaborado o “demonstrativo das outras operações com direito a crédito”, de fls. 219/220. Quanto às “outras deduções” mencionadas em campo específico do Dacon, consta do TVCIF que foram constatados erros de preenchimento, contudo, “como esse erro não resultou em subtração de tributos a serem pagos/compensados” ele não foi objeto de auto de infração. Segundo o TVCIF, em decorrência de todas as glosas e ajustes efetuados, as fichas 06 A e 16 A do Dacon foram recompostas, consoante planilhas de fls. 223/226. Por sua vez, às fls. 227/232, encontramse os demonstrativos de PIS e de Cofins recolhidos a menor. Em 26/02/2016, a interessada, por meio de procuradores, ingressou com a impugnação de fls. 246/275, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após defender a tempestividade e a forma de protocolo da impugnação, discorre brevemente sobre os fatos havidos no processo. A seguir, alega, em preliminar, e em razão da existência de erros no lançamento fiscal, a nulidade dos autos de infração (item III). Para justificar o pedido, diz que os seguintes erros teriam sido identificados: Fl. 7095DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 5 4 desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo (III. 1): salienta que, na apuração da base de cálculo do lançamento, a fiscalização deixou de deduzir o valor correspondente às notas fiscais com os CFOP 1949 e 2949, que, segundo afirma, representam operações em que houve recusa de mercadorias (junta cópias de algumas notas fiscais, relativas ao mês de novembro de 2012, para servir de comprovação). Afirma que tal erro macula o lançamento, motivo suficiente para o seu cancelamento. Nesse tópico, a impugnante acrescenta que o Termo de Verificação silencia sobre a glosa dos créditos originalmente lançados na linha 16 do Dacon. exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas (III.2): afirma que a acusação de recolhimento a menor sobre as receitas sujeitas à tributação monofásica “foi pautada precipuamente na discordância da D. Fiscalização com a aplicação da alíquota zero em operações promovidas pela Requerente na qualidade de mera distribuidora.” Esclarece que a fiscalização não apenas desconsiderou a recusa de vendas como redutor essencial da base de cálculo, mas também englobou equivocadamente situações em que b1) a legislação estipula expressamente a desoneração dessas contribuições e b2) houve efetiva tributação das receitas de vendas e não aplicação da alíquota de 0% como pressupõe a fiscalização. glosa de créditos de frete e armazenagem em operações internas como se de importação fossem (III.3): diz que a fiscalização equivocouse e que com o intuito de comprovar a ocorrência do referido erro está anexando uma planilha indicando os serviços contratados de pessoas jurídicas brasileiras para a retirada de mercadorias em portos e aeroportos com deslocamento até a empresa, inclusive para armazenagem. Quanto ao mérito, diz, no subitem “IV1. Recolhimento a Menor do PIS/Cofins sobre a Receita Sujeita à Tributação Monofásica” que a interpretação da fiscalização carece de sentido lógico e jurídico. Salienta que embora industrialize produtos farmacêuticos, também comercializa produtos que não industrializa, e que adquire no mercado interno, agindo, assim, como mero distribuidor. Nesse caso, aduz, a alíquota deve ser igual a zero. Esclarece que a intenção do legislador foi facilitar a arrecadação e promover o controle de preços de produtos essenciais à população, assim, como já houve a aplicação da alíquota combinada de 12% na saída do produto que de fato industrializou “não se há de cogitar de nova cobrança de alíquota monofásica majorada quando esta lhe der saída na condição de mera revendedora.” Nesse especial, portanto, entende que a alíquota a ser considerada é a de zero, não subsistindo, assim, o lançamento. Já, no subitem IV.2 (Apropriação Indevida de Crédito Presumido da Lista Positiva), a impugnante discorre sobre a sistemática da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e sobre os procedimentos adotados em relação à essa Câmara. Afirma Fl. 7096DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 6 5 que a fiscalização se recusou a analisar o Ofício CMED n° 123/14 sob o argumento de que se tratava de protocolo posterior ao período fiscalizado. Aludido ofício, contudo, conforme esclarece, não é da Pfizer, mas da própria CMED e contém uma “fotografia dos medicamentos beneficiados enviada em 2014 pela CMED à RFB, que engloba os períodos autuados (2011 e 2012).” Acrescenta que em novo documento a CMED esclarece o alcance do ofício n° 123/14, validando a utilização do crédito presumido. Insiste, ainda, que cabia à fiscalização analisar os medicamentos e princípios ativos manipulados pela empresa e, mediante confronto de tais produtos com aqueles que constam no anexo do Decreto n° 3.803, de 2001 e alterações, analisar o direito pleiteado. A seguir, a impugnante questiona a divergência do crédito presumido constatada em relação ao mês de outubro de 2012. Salienta que houve mero erro de fato no preenchimento do Dacon e que isso não impede o seu direito. Diz estar apresentando planilha detalhada relativa ao crédito presumido. Requer, em decorrência, o afastamento da glosa da diferença de crédito presumido. No tópico seguinte, (IV.3 Aproveitamento a Maior de Créditos de PIS/Cofins não cumulativo) a impugnante discorre sobre os créditos relativos às despesas de armazenagem e de frete na importação de bens. Reforça as argumentações contidas no subitem III.3 de sua impugnação e diz que houve um erro de compreensão por parte da fiscalização. Diz que tais despesas integram o custo das mercadorias e que, portanto, devem ser consideradas como sendo relativas a insumos. Conclui que os fretes internacionais são insumos e que, portanto, são passíveis de gerar crédito de PIS e de Cofins. Aduz que as soluções de consulta consideradas pela fiscalização encontram posições divergentes no âmbito da própria RFB e, em decorrência, pede o afastamento da glosa. Na sequência, tece considerações acerca dos demais créditos glosados pela fiscalização. Diz que está apresentando cópia de contratos de armazenagem e frete firmados com Unidock's Assessoria e Logística de Materiais Ltda (Grupo DHL) e AGV Logística Ltda. Insiste no direito aos créditos. Ao tratar da multa de ofício e dos juros aplicados (item V), diz ser necessário (a) o afastamento da atualização mensal da multa de ofício por juros, (b) a substituição dos juros calculados pela taxa Selic pela taxa de juros de 1% prevista no art. 161, § 1° do CTN, e (c) a redução e readequação da multa de ofício de 75% aplicada para um patamar condizente com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Ao final, pede que se reconheça e se declare a nulidade do lançamento. Subsidiariamente, requer que seja julgada improcedente a exigência. Na hipótese de entendimento diverso, pede a redução da multa de ofício, a não atualização da multa por juros e a substituição dos juros selic por juros de 1% ao mês. Protesta pela juntada de novos documentos e pela realização de perícia. Protesta, ainda, caso se Fl. 7097DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 7 6 entenda necessário, pela conversão do julgamento em diligência, dado o grande volume de operações envolvidas e os erros cometidos pela fiscalização (junta quesitos às fls. 4683/4684). Em 17/03/2016, apresenta petição (fl. 4702) para informar sobre a realização de pagamento de parcelas de PIS e de Cofins relativamente “às acusações indicadas nos itens 2.2., 2.5.1., 2.5.2., 2.5.3., 2.5.4., 2.5.5. e da diferença apurada para os meses de fevereiro a abril de 2011 no item 2.5 (indicada na tabela de fls. 17) do Termo de Verificação Fiscal, com a redução de 50%” da multa lançada. Diz que embora “tenham restado sem efeito os itens III.3., IV.3 (a) de sua defesa” devem ser analisados os demais itens questionados. Pede, ao final, que a fiscalização apresente a “individualização dos valores autuados por item de cada acusação fiscal discriminada no Termo de Verificação Fiscal.” Em 26/08/2016, após análise preliminar, o processo foi devolvido, em diligência, para a repartição de origem (fls. 4757/4761). Após juntar os documentos de fls. 4763/6338, o serviço de fiscalização da DRF em Guarulhos emitiu o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 6339/6363, onde propõe o acolhimento parcial das razões de impugnação. Cientificada eletronicamente (fl. 6897), a contribuinte ingressou com a impugnação complementar de fls. 6907/6921, questionando as conclusões constantes do Relatório de Diligência Fiscal: IV. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 45. Diante de todo o exposto, restou demonstrado que o relatório de diligência deu correta resolução à lide no que se refere à exclusão das glosas de créditos decorrentes de despesas com frete na operação de venda. Além disso, o relatório de diligência está correto ao reconhecer que, em relação ao item 3 da diligência, houve mero erro no preenchimento da DACON. 46. Contudo, em relação aos demais temas tratados na diligência, a Requerente considera que o relatório de diligência fiscal não deverá ser acatado no julgamento da Impugnação, na medida em que suas conclusões não estão de acordo com a legislação e jurisprudência atualmente vigente, bem com as provas carreadas a este processo. Nesse contexto, a Requerente reitera todos os termos de sua Impugnação, requerendo o cancelamento integral do crédito tributário. Em 11 de outubro de 2017, através do Acórdão n° 0660.553, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e o pedido de perícia, acolheu em parte as razões de impugnação e julgou procedentes em parte os lançamentos impugnados, mantendose as exigências de R$ 25.383.874,08 de PIS não cumulativo e de R$ 119.938.707,51 de Cofins não cumulativa, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora correspondentes. Quanto às parcelas não impugnadas do lançamento (consoante petição de fls. 4702/4703), entendeu a Turma que cabe à repartição de origem confirmar a arrecadação Fl. 7098DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 8 7 correspondente aos DARF de fls. 4704/4705 e efetuar as alocações pertinentes, prosseguindo na cobrança de eventuais diferenças, caso apuradas. Desse Acórdão, recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Entendeu a Turma que: ü Considerase que aludidas parcelas do lançamento não foram impugnadas e que, portanto, houve desistência do litígio respectivo. Quanto aos DARF apresentados (cópias às fls. 4704/4705), cabe à repartição de origem confirmar a arrecadação correspondente e efetuar as alocações pertinentes, prosseguindo na cobrança de eventuais diferenças, caso apuradas; ü Da simples leitura dos dispositivos, vêse que, ao contrário do alegado, não existe razão alguma para a declaração de nulidade do lançamento. Os autos de infração contêm todos os requisitos previstos na norma e foram lavrados por servidores competentes, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, resta claro que a preliminar deve ser rejeitada; ü De acordo com o art. 2° da Lei n° 10.147, de 2000, a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos tributados na forma do inc. I do art. 1° da referida lei, é prevista apenas em relação às pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador; ü A empresa em questão, apesar de alegar que, em relação a alguns dos produtos comercializados, estaria agindo na condição de mera distribuidora, é, na realidade, empresa cuja atividade econômica principal é a industrialização de medicamentos. Ao exercer tal atividade resta claro que não há como considerar o seu enquadramento no permissivo legal relativo à alíquota zero; ü Como se constata do relato, a fiscalização não “englobou equivocadamente situações” diversas quando da apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Uma simples leitura é suficiente para constatar que as saídas para a ZFM, CFOP 6109 e 6110 não foram consideradas no levantamento efetuado. Quanto aos produtos listados, que segundo a contribuinte teriam sido tributados, é bastante esclarecer que o TVCIF não contraria essa afirmação, dizendo apenas que “o contribuinte ora fiscalizado efetuou saídas como mera revenda ou só procedeu com a embalagem e distribuição dessas mercadorias.” A alegação, portanto, não merece acolhida; ü Apesar da afirmação da contribuinte de que, em relação a algumas aquisições, teria atuado como mera distribuidora, fazendo jus, portanto, à alíquota zero prevista no art. 2° da Lei n° 10.147, de 2000, o próprio dispositivo excetua, expressamente, as empresas industriais e as importadoras, caso da contribuinte. Nesse contexto, correto o Fl. 7099DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 9 8 procedimento adotado pela fiscalização. Quanto ao pedido para que na hipótese de ser mantida a lógica fiscal sejam deduzidos os valores já recolhidos na etapa anterior, é oportuno o registro de que ao adotar tal procedimento a própria fiscalização já concedeu, de ofício, os créditos decorrentes dessas aquisições. Em assim sendo, mantémse o procedimento; ü Apesar de a contribuinte discorrer intensamente em sua petição de fls. 6907/6921 sobre a forma como o preço do fabricante e o preço máximo ao consumidor é fixado pela Anvisa, não há como se concordar com a afirmação da contribuinte de que para chegar a tais preços a Anvisa, necessariamente, deve ter levado em consideração os efeitos do benefício fiscal em questão. Os documentos apresentados contêm apenas a indicação de valores que corresponderiam ao preço do fabricante e ao preço máximo ao consumidor relativamente a alguns medicamentos. Nada além disso. Ao contrário do afirmado, portanto, não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou. A propósito, a contribuinte chama a atenção para a existência de uma Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT) que estaria disponível em sistema próprio da Anvisa e afirma que nesta lista haveria a indicação dos medicamentos que comporiam a lista positiva com a consequente geração de crédito presumido. Considerando que o sistema informado não é público e que depende de cadastramentos e da utilização de senhas específicas, cujo acesso é disponibilizado à contribuinte, entendese que bastaria que ela própria fizesse as consultas necessárias juntando aos autos as provas que ela avaliasse como pertinentes. Na falta desses elementos, os quais, reforcese, mesmo que apresentados ainda seriam objeto de confirmação fiscal, não há como acatar os argumentos propostos; ü Quanto ao subitem 2.3 do relatório de diligência, a contribuinte diz que apurou, com base na LCCT que diversos medicamentos que constam da lista do Ofício n° 123/2014 geravam crédito presumido de PIS/Cofins. Verificandose a relação elaborada pela impugnante (fls. 6917/6918) e cotejandoa com a lista anexa ao mencionado ofício (fls. 1603/1617) constatase que os medicamentos reclamados de fato são mencionados no referido ofício, mas com apresentações diferentes. Nesse contexto, rejeitase o argumento; ü Ao discorrer sobre a divergência do crédito presumido constatada em relação ao mês de outubro de 2012, a contribuinte afirma tratarse de mero erro de preenchimento do Dacon. Como bem esclarece a fiscalização, no entanto, e em relação a esse esclarecimento há que se concordar, a existência ou não do aludido erro em nada altera as conclusões do fisco, afinal, os valores informados pela contribuinte foram considerados apenas para a apuração do excesso de utilização de crédito presumido já que “conforme exposto no item 2.1.3 do TVCIF, o procedimento fiscal refez todos os cálculos dos créditos com base nos produtos que efetivamente foram comprovados que Fl. 7100DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 10 9 davam direito ao crédito presumido e chegouse ao valor de R$ 779.076,21 e R$ 3.672.787,83 respectivamente para PIS/Pasep e Cofins.” ü A legislação, portanto, expressamente permite o creditamento de valores relativos a fretes, mas apenas nos casos em que estes estejam inequivocamente associados a operações de venda, ou seja, apenas nos casos em que tais serviços tenham relação com o transporte de mercadorias ao cliente adquirente; ü Quando se trata de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, de produto acabado ou em elaboração, todavia, inexiste previsão normativa para o creditamento (o mesmo raciocínio, é válido frisar, também se aplica ao frete incorrido para a transferência de mercadorias entre o armazém e o estabelecimento da empresa, pois também nesse caso, não há operação de venda); ü É de se manter a exigência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, tal como constante do lançamento; ü Não cabe à autoridade administrativa de julgamento reduzir nem alterar o percentual de multa que foi aplicado ao lançamento, sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, sobre os valores de contribuição não recolhidos; ü Quanto à perícia, analisandose os quesitos apresentados vêse que a intenção da contribuinte é rediscutir todo o trabalho fiscal, transferindo para os peritos a responsabilidade pela apuração do crédito tributário. O lançamento que, como se sabe, decorre de procedimento de auditoria foi objeto de impugnação e, à vista das dúvidas levantadas, foi objeto de diligência fiscal, cujo resultado foi analisado pela impugnante com a apresentação, inclusive, de impugnação complementar. Assim, por entender que todos os ajustes julgados necessários já estão sendo incluídos no presente voto, entendese que a perícia, tal como pleiteada, não se revela necessária, não devendo, portanto, ser realizada. Nesse contexto, indeferese o pedido. A empresa Laboratório PFIZER tomou ciência do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 14/11/2017 (folhas 6.982). A empresa Laboratório PFIZER ingressou com Recurso Voluntário em 17/11/2017 (folhas 6.983), de folhas 6.985 a 7.010. Foi alegado: ü Da impossibilidade de manutenção do crédito tributário com base em presunções; Fl. 7101DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 11 10 ü Do indeferimento do pedido de perícia e cerceamento do direito de defesa do contribuinte; ü Desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo; ü Exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas; ü O direito ao crédito presumido da “lista positiva”; ü O direito aos créditos decorrentes de despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e transferência de produtos; ü A multa de ofício e os juros aplicados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de novembro de 2017, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 17 de novembro de 2017, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: ü Da impossibilidade de manutenção do crédito tributário com base em presunções; ü Do indeferimento do pedido de perícia e cerceamento do direito de defesa do contribuinte; ü Desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo; ü Exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas; ü O direito ao crédito presumido da “lista positiva”; Fl. 7102DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 12 11 ü O direito aos créditos decorrentes de despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e transferência de produtos; ü A multa de ofício e os juros aplicados; ü Do Recurso de Ofício. Passase à análise. Para usufruir do regime especial de créditos presumidos, a beneficiária deve atender às normas estabelecidas (i) pela Câmara de Medicamentos (art. 3°, inciso II, da Lei 10.147/2000) e (ii) pela Secretaria da Receita Federal (art. 5° da Lei 10.147/2000). Em suma, o contribuinte deve efetuar um requerimento à Câmara de Medicamentos informando o medicamento de tarja preta ou vermelha a ser incluído na lista positiva e comprovando a repercussão nos preços da redução da carga tributária, conforme estabelecido no caput do art. 3° da Lei 10.147/2000 e regulamentado pela Resolução CMED N° 06 de 2001 e Comunicados posteriores. Protocolizado o pedido, este será encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil para verificação da regularidade fiscal do contribuinte e posterior publicação do Ato Declaratório Executivo. A utilização do crédito presumido poderá ser feita a partir da protocolização do pedido, conforme disposto no art. 64 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, e, caso não haja a manifestação da autoridade fiscal no prazo de 30 dias, será considerado deferido o regime especial, mesmo sem a publicação do ADE (art. 2°, §§ 3° e 4°, Decreto n° 3.803/2001). Diante disso, por meio do item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 4, cientificado em 26/08/2015, solicitouse ao contribuinte “Apresentar cópia do Ato Declaratório Executivo (conforme art. 63, §1°, III da IN SRF n° 247/2002) ou do comprovante do protocolo do pedido na Câmara de Medicamentos (na hipótese do art. 63, §2° da IN SRF n° 247/2002), comprovando que os produtos indicados no item anterior fazem jus ao regime de crédito presumido instituído pela Lei n° 10.147/2000”, concedendo um prazo de 20 dias para oatendimento da intimação. No Termo de Intimação Fiscal de fls. 40/43 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia do ato declaratório executivo ou do comprovante do protocolo do pedido na Câmara de Medicamentos, comprovando que determinados produtos indicados fazem jus ao regime de crédito presumido instituído pela Lei n° 10.147/2000. Consta do Termo de Verificação Fiscal que: Em 16/09/2015, o contribuinte solicitou uma prorrogação de 30 dias para apresentação dos documentos solicitados, a qual foi deferida pela autoridade fiscal. Em 16/10/2015, foram apresentados 4 protocolos de requerimentos de habilitação (131 de 26/04/2001; 494283 de 09/05/2001; 500691 de 10/05/2001; e 300769/09 3 de 29/04/2009). Em 04/12/2015, o contribuinte apresentou (fora do prazo estipulado) outros 4 ofícios de habilitação ao crédito presumido da CMED 092138/026 de 20/06/2002; 681 Fl. 7103DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 13 12 SE/CÍVED de 25/06/2010; 1295 SE/CMED de 15/10/2010; e 123 SE/CMED de D6/03/2D14 Devemos destacar que este último ofício foi protocolado em um período posterior ao fiscalizado e, portanto, será desconsiderado. De posse dessa documentação a fiscalização efetuou os seguintes procedimentos de confronto de informações: 1) Selecionamos as notas fiscais de saída válidas emitidas pela empresa fiscalizada nos anos de 2011 e 2012 contendo: · CFOP entre 5100 e 5123; entre 5400 e 5405; entre 6100 e 6123; entre 6400 e 6404; · NCM que começam com 3002101, 3002102, 3002103, 3002201, 3002202, 3006301, 3006302, 3003, 3004; · OU que estejam na seguinte lista: 30012090, 30019010, 30019090, 30029020, 30029092, 3002909, 30051010, 30066000; E que não esteiam na seguinte lista: 30039056 OU 300490463. 2) Com base na descrição da mercadoria de cada item das NFe retornadas na etapa anterior, verificamos se esse produto se encontrava em alguma das planilhas apresentadas pelo contribuinte nos anexos dos requerimentos de habilitação para concessão do crédito presumido, 3) Além disso, alguns produtos que não possuíam a descrição da mercadoria disponível na NFe foram identificados através da sua descrição complementar e adicionados à lista positiva. 4) Por fim, excluímos os cancelamentos de venda e a as devoluções de compra de terceiros relacionadas a essas mercadorias. Em conclusão, constatamos que os seguintes itens e valores constantes nas NFe foram devidamente incluídos n° regime especial de crédito presumido do art. 3e da Lei ns 10.147/2000 (lista positiva): Vale esclarecer que o contribuinte foi intimado (item 3 do Termo de Intimação Fiscal de 26/08/2015) a apresentar um demonstrativo dos produtos que geraram o crédito presumido, Isso seria útil pata demonstrarmos quais os produtos que o contribuinte julgava que dariam direito ao 'édito presumido e os produtos que efetivamente geram direito ao crédito presumido conforme confirmado neste procedimento fiscal, No entanto, embora o contribuinte até teria apresentado dois arquivos com a relação dos produtos que, em sua visão, gerariam o crédito presumido, em alguns meses as planilhas apresentadas não continham a descrição dos produtos conforme requisitado e em outros meses os dados sequer se referiam a produtos, mas se tratavam de serviços de fretes, o que inviabilizou a utilização dos demonstrativos fornecidos pelo contribuinte. Como realizamos o cálculo dos valores dos créditos presumidos com base nas Notas Fiscais Eletrônicas, isto não representou prejuízo à fiscalização. Fl. 7104DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 14 13 Com apoio nessas conclusões, a fiscalização apurou que teria havido um crédito presumido de Cofins utilizado a maior de R$ 113.224.979,79 e um crédito presumido de PIS utilizado a maior de R$ 24.017.419,93 no período de 01/2011 a 12/2012 (fls. 208/209). A contribuinte discorda desse entendimento. À vista das razões apresentadas e visando esclarecer os fatos (e o direito), o processo foi devolvido em diligência (fls. 4757/4761) para que, em relação a tal ponto: b) a fiscalização, considerando o teor do Ofício n° 190/2016 SCMED/GADIP/ANVISA (cópia às fls. 1618/1627), que objetiva esclarecer o alcance do Ofício CMED n° 123/14 (cópia às fls. 1603/1617) que não foi considerado durante o procedimento fiscal, se pronuncie a respeito e informe se mantém o posicionamento adotado e indicado no TVCIF (com a indicação das razões pertinentes) ou se altera esse entendimento, elaborando, nesta hipótese, demonstrativo com a indicação dos ajustes julgados necessários Ao analisar o questionamento constante do Termo de Diligência, a fiscalização, de plano, chamou a atenção para o fato de não ser possível atestar que os medicamentos listados no Ofício n° 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012, já que o documento “não comprova a partir de quando aquele produto passou a fazer parte desta lista’” (fl. 6346). De fato, analisandose tanto o Ofício n° 123/14 (fls. 1603/1617) quanto o Ofício n° 190/2016 (que objetiva explicar o alcance do ofício de 2014 fls. 1618/1627) há a informação de que a relação de medicamentos elaborada é apenas um “consolidado de todos os medicamentos comercializados pelo Laboratório Pfizer, cujos produtos podem ter entrado em comercialização no mercado nacional em diferentes momentos do tempo, desde o ano de 2001 até o ano de 2014” (fl. 1618). Significa dizer, os medicamentos listados podem ter constado da lista dos anos de 2011/2012 como afirmado pela contribuinte mas também podem ter constado da lista somente nos anos seguintes. Nesse contexto, portanto, e na falta de outros elementos, há que se concordar com a conclusão fiscal. Apesar de a contribuinte discorrer intensamente em sua petição de fls. 6907/6921 sobre a forma como o preço do fabricante e o preço máximo ao consumidor é fixado pela Anvisa, não há como se concordar com a afirmação da contribuinte de que para chegar a tais preços a Anvisa, necessariamente, deve ter levado em consideração os efeitos do benefício fiscal em questão. Os documentos apresentados contêm apenas a indicação de valores que corresponderiam ao preço do fabricante e ao preço máximo ao consumidor relativamente a alguns medicamentos. Nada além disso. Ao contrário do afirmado, portanto, não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou. A propósito, a contribuinte chama a atenção para a existência de uma Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT) que estaria disponível em sistema próprio da Anvisa e afirma que nesta lista haveria a indicação dos medicamentos que comporiam a lista positiva com a consequente geração de crédito presumido. Considerando que o sistema informado não é público e que depende de cadastramentos e da utilização de senhas específicas, cujo acesso é disponibilizado à contribuinte, entendese que bastaria que ela própria fizesse as consultas necessárias juntando aos autos as provas que ela avaliasse como pertinentes. Na falta desses Fl. 7105DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 15 14 elementos, os quais, reforcese, mesmo que apresentados ainda seriam objeto de confirmação fiscal, não há como acatar os argumentos propostos. A questão toda, como se dessume, está na falta de comprovação de que os medicamentos em questão realmente e sem sombra de dúvida estavam compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Com estas considerações, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para baixar os autos em NOVA DILIGÊNCIA para que: 1. a autoridade preparadora indague, via ofício, diretamente ao órgão responsável – ANVISA, atestar se os medicamentos listados no Ofício n° 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012 ou não; 2. Contudo, se a afirmação contida no item 23 do Recurso Voluntário proceder, que a própria autoridade preparadora utilize o Sistema de Acompanhamento de Mercado de Medicamentos (“SAMMED”) sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ("ANVISA") para acessar a Lista de Concessão do Crédito Tributário (“LCCT”), e informe se os medicamentos em questão compunham a lista positiva e geram o crédito presumido n os anos de 2011/2012. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. No mesmo diapasão, que se indague à recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA: 3. Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 7106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720002/2013-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
REMUNERAC¸A~O DE DEBE^NTURES.
O art. 462 do RIR/99 na~o ampara a reduc¸a~o do resultado pela remunerac¸a~o de debe^ntures, quando demonstrado pela Fiscalizac¸a~o que a operac¸a~o foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condic¸o~es anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com ni´tido favorecimento a`s pessoas ligadas (no caso, so´cios pessoas fi´sicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a incide^ncia dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa juri´dica emissora dos ti´tulos.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008, 2009
ABATIMENTO DO IRRF.
Afastando-se a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendo-se necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal.
Numero da decisão: 9101-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No me´rito, (i) quanto a` dedutibilidade de despesas com a remunerac¸a~o das debe^ntures, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto ao aproveitamento do IRRF recolhido, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, (i) quanto a` dedutibilidade de despesas com a remunerac¸a~o das debe^ntures, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Fla´vio Franco Corre^a - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio)
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 REMUNERAC¸A~O DE DEBE^NTURES. O art. 462 do RIR/99 na~o ampara a reduc¸a~o do resultado pela remunerac¸a~o de debe^ntures, quando demonstrado pela Fiscalizac¸a~o que a operac¸a~o foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condic¸o~es anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com ni´tido favorecimento a`s pessoas ligadas (no caso, so´cios pessoas fi´sicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a incide^ncia dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa juri´dica emissora dos ti´tulos. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2008, 2009 ABATIMENTO DO IRRF. Afastando-se a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendo-se necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-28T20:42:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-28T20:42:50Z; Last-Modified: 2018-10-28T20:42:50Z; dcterms:modified: 2018-10-28T20:42:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:dcc93408-e0b9-4fe4-8acf-d895e707bba4; Last-Save-Date: 2018-10-28T20:42:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-28T20:42:50Z; meta:save-date: 2018-10-28T20:42:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-28T20:42:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-28T20:42:50Z; created: 2018-10-28T20:42:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-10-28T20:42:50Z; pdf:charsPerPage: 2289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-28T20:42:50Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.102 1 1.101 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16643.720002/201316 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.699 – 1ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2018 Matéria Dedutibilidade de despesas com debêntures Recorrentes HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. O art. 462 do RIR/99 não ampara a reducã̧o do resultado pela remuneracã̧o de deben̂tures, quando demonstrado pela Fiscalização que a operacã̧o foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condicõ̧es anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com nítido favorecimento às pessoas ligadas (no caso, sócios pessoas físicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa jurídica emissora dos títulos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008, 2009 ABATIMENTO DO IRRF. Afastandose a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendose necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à dedutibilidade de despesas com a remuneracã̧o das debêntures, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto ao aproveitamento do IRRF recolhido, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 02 /2 01 3- 16 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.103 2 Wagner e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, (i) quanto à dedutibilidade de despesas com a remuneração das debêntures, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A. Ao lavrar o AIIM, o i. agente fiscal assim descreveu o seu entendimento quanto ao presente caso, in verbis: “No decorrer da fiscalização, constatamos que a empresa deduziu do “Resultado do Período de Apuraçaõ”, os valores de R$ 22.144.505,80 e R$ 33.986.481,72, nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, a título de “Participação de Debêntures” (ficha 6A, item 58 da DIPJ 2009 e item 62 da DIPJ 2010). Intimada a detalhar os valores acima (item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal), a fiscalizada forneceu planilhas e razões das contas contábeis onde constam os lançamentos referentes à operaçaõ em questão, bem como Livro Diário de 1998. Apresentou ainda atas das assembléias relativas às debêntures emitidas, bem como Escritura de Emissão de Debêntures registrada no 1o Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo. Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, os dirigentes e acionistas representantes da totalidade do capital social do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A, deliberaram a emissão privada de 21.000 (vinte e uma mil) debêntures série única, do tipo subordinadas, nominativas, endossáveis e não conversíveis em ações, com participação nos lucros, sem vencimento préfixado, com valor unitário de R$ 1.000,00 (um mil reais) e valor global de emissão de R$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de reais); As referidas debêntures foram adquiridas pelos sócios na seguinte proporção: (...) Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.104 3 No entanto, do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferen̂cia de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinado para cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00, conforme abaixo descrito: (...) De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, no item F.1, a única forma de remuneraca̧õ das debêntures prevista era a participaçaõ nos lucros, à razão de 50% (cinqüenta por cento) sobre o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, a partir de 31/12/1998, antes da provisão para o Imposto de Renda. Em AGE de 02 de junho de 1999 (averbada em 06/07/1999), os sócios da fiscalizada aprovaram o aumento da remuneração das debêntures, que passou a ser de 65% (sessenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. Na AGE de 07 de janeiro de 2002 (averbada em 02/04/2002), foi aprovado novo aumento da remuneração das debêntures, passando a ser de 85% (oitenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. (grifos no original) No período objeto do presente Termo de Verificação Fiscal (2008 e 2009), foram pagos os seguintes valores a título de remuneração de debêntures: (...) É importante ressaltar que as contas criadas em Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participacõ̧es para controlar os valores provisionados a título de remuneracã̧o de debêntures são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros, quais sejam: a) Eduardo Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00001 b) Antonio Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00002 c) Edma Huespe Amaro conta no 2.2.4.001.00003 Nestas três contas passivas são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuiçaõ de debêntures, que representa 85% do lucro apurado em cada mês, a deb́ito da conta de resultado denominada “Juros Passivos”, conforme já demonstrado anteriormente. (...) De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, no item F.1, a única forma de remuneraca̧õ das debêntures prevista era a participaçaõ nos lucros, à razão de 50% (cinqüenta por cento) sobre o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, a partir de 31/12/1998, antes da provisão para o Imposto de Renda. Em AGE de 02 de junho de 1999 (averbada em 06/07/1999), os sócios da fiscalizada aprovaram o aumento da remuneração das debêntures, que passou a ser de 65% (sessenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. Na AGE de 07 de janeiro de 2002 (averbada em 02/04/2002), foi aprovado novo aumento da remuneração das debêntures, passando a ser de 85% (oitenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. (grifos no original) No período objeto do presente Termo de Verificação Fiscal (2008 e 2009), foram pagos os seguintes valores a título de remuneração de debêntures: (...) É importante ressaltar que as contas criadas em Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participacõ̧es para controlar os valores provisionados a título de remuneracã̧o de debêntures são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros, quais sejam: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.105 4 a) Eduardo Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00001 b) Antonio Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00002 c) Edma Huespe Amaro conta no 2.2.4.001.00003 Nestas três contas passivas são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuiçaõ de debêntures, que representa 85% do lucro apurado em cada mês, a deb́ito da conta de resultado denominada “Juros Passivos”, conforme já demonstrado anteriormente. (...) Estas contas representativas de obrigações da empresa junto aos três sócios (Juros e Participacõ̧es: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) vão sendo debitadas conforme os mesmos vão retirando dinheiro da empresa, geralmente através de transferência bancária ou depósito. Na verdade, a empresa retira 85% do lucro antes de calcular o IRPJ e a CSLL e lanca̧ como obrigação junto aos sócios em contas do Passivo Exigível a Longo Prazo. No entanto, esses valores não são repassados integralmente aos sócios. Conforme estes vão fazendo retiradas de numerários da empresa, esses valores vão sendo descontados dessas contas passivas, segundo critérios e periodicidade não esclarecidos a esta fiscalização. Esta discrepância entre o valor retirado do lucro e aquele efetivamente pago ao sócio fica ainda mais gritante no caso da sócia Edma Huespe Amaro. Ao observarmos a conta de provisão de remuneraçaõ de debêntures devida a ela, identificamos que ela “saca” quase mensalmente o valor fixo de R$ 25.000,00. E mais, em vários recibos apresentados consta a anotaçaõ de “prólabore”. Ainda, no mês de dezembro consta o pagamento de R$ 25.000,00 com a identificaca̧õ de 13º salário no histórico do lanca̧mento contab́il. Ora, se a participaçaõ de debêntures é calculada por meio de um percentual sobre o lucro, conforme a fiscalizada esclareceu, é incoerente que o valor repassado ao sócio seja um valor fixo mensal (e não o percentual calculado sobre o lucro), o que reforça a descaracterização da operacã̧o como remuneracã̧o de deben̂tures. Questionada sobre tal situação por meio do Termo de Intimação n. 04, de 03/07/2012, a empresa informou que o crédito referente ao pagamento de debêntures ficou a ̀disposicã̧o da sócia, tendo sido pagas as parcelas fixas de R$ 25.000,00 em virtude de pedido verbal desta. Assim, retirase uma parcela enorme do lucro a título de pagamento de debêntures, que fica creditado numa conta do Passivo, mas o valor efetivamente repassado ao sócio é menor, restando sempre um saldo positivo na conta, conforme se verifica na tabela abaixo: (...) Fica evidente, assim, que as debêntures são apenas um artifício criado pela empresa para retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL parte significativa do lucro, que fica separada numa conta do Passivo Realizável a Longo Prazo. Conforme a empresa paga valores aos sócios, sob quaisquer pretextos, estes valores vão sendo lançados a deb́ito da conta de provisão de debêntures, diminuindo seu saldo, dando uma aparente validade jurídica para o suposto pagamento de remuneraca̧õ de debêntures, que na realidade tratase de distribuica̧õ de lucro, indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esta fiscalização tentou por três vezes obter esclarecimentos quanto ao critério utilizado pela empresa para calcular os valores efetivamente pagos aos sócios debenturistas. A empresa foi intimada por meio dos Termos de Intimação no 2 e 3 a demonstrar os cálculos dos valores debitados das contas passivas em que provisiona a remuneração de deben̂tures (que coincidem com os recibos apresentados). Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.106 5 No entanto, a empresa simplesmente restringiuse a informar que os valores creditados naquelas contas tem̂ origem no percentual de 85% calculado sobre o lucro anual, o que corrobora o entendimento de que os efetivos pagamentos aos sócios (lançados a débito daquelas contas) não tem̂ correlação com a suposta participação de deben̂tures, tratandose apenas de uma tentativa de dar validade jurídica para um mecanismo criado para reduzir a carga tributária da empresa. Assim, as despesas com remuneraca̧õ de debêntures, nos valores de R$ 22.144.505,80 e R$ 33.986.481,72, deduzidas pela fiscalizada da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, constituem infração à legislação tributária conforme a seguir demonstramos.” Ao analisar o caso, a decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 REDUÇAÕ DOS LUCROS POR REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. O art. 462 do RIR/99 não ampara a redução do resultado pela remuneração de debêntures, quando demonstrado pela fiscalizaçaõ que a operaçaõ foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condições anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com nítido favorecimento às pessoas ligadas (no caso, sócios pessoas físicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a inciden̂cia dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa jurídica emissora dos títulos. IRRF. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. DISTRIBUIÇAÕ DISFARÇADA DE LUCROS. Das despesas que foram pagas a título de remuneração das debêntures, com retenção de imposto de renda exclusiva de fonte, uma parte delas, após a inciden̂cia do IRPJ e da CSLL, revelase como lucros passíveis de distribuição, os quais não estariam sujeitos à retenção do imposto por ocasião de sua distribuica̧õ. No caso, a própria fiscalização requalificou os valores pagos como distribuica̧õ disfarçada de lucros. Assim, para restabelecer a verdade dos fatos, cabe o estorno da parte do imposto de renda, indevidamente retido na fonte e comprovadamente pago, que corresponda proporcionalmente à parcela que poderia ser distribuída com isenção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 REDUÇAÕ DOS LUCROS POR REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. São indedutíveis, devendo ser adicionados à base de cálculo da CSLL, os valores pagos a título de remuneraçaõ de debêntures, tendo em vista os contornos de artificialidade presentes na operação, e a expressa previsão legal de tributação, por esta contribuição, dos lucros distribuídos disfarca̧damente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 ARROLAMENTO PARA FINS DE CONTROLE. POSSIBILIDADE. Na esteira das decisões proferidas pelos tribunais superiores e nos termos da legislação, é lícito o arrolamento de bens como medida acautelatória, sempre que o crédito tributário total lançado contra o sujeito passivo exceder 30% do seu patrimônio conhecido. Como se pode observar, embora a Turma a quo tenha considerado necessária a glosa de despesas com o pagamento de debêntures, considerou cabível o abatimento do valor do "IRRF" recolhido pela companhia. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.107 6 A PFN, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma parcial do acórdão a quo, a fim de afastar o aludido abatimento do valor do "IRRF" recolhido pela companhia (efls. 881 e seg.). O aludido recurso foi admitido por despacho (efls. 894 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões, em que requer o não conhecimento do recurso especial da PFN e, caso conhecido, o seu não provimento (efls. 924 e seg.). O contribuinte também opôs embargos de declaração (efls. 914 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 937 e seg.). O contribuinte, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto ao mérito da dedutibilidade das despesas com debêntures, inclusive por não restar caracterizada hipótese disponibilidade disfarçada de lucros (DDL), bem como o abatimento integral do IRRF em questão (efls. 952 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 1045 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 1054 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. CONHECIMENTO Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para o recurso especial do contribuinte, razão pela qual não merece reparo, adotandose, neste voto, os seus fundamentos. Notese que a PFN também não apresenta oposição ao conhecimento deste. Contudo, em sede de contrarrazões, o contribuinte requer que o recurso especial interposto pela PFN não seja conhecido. Alega que o acórdão apresentado como paradigma de divergência (ac. 120200335) apresentaria distinções significativas do acórdão recorrido capazes de tornálo inábil para demonstrar a divergência de interpretação requerida pelo RICARF, em especial: o acórdão paradigma teria compreendido inexistir fundamento legal para a abatimento do valor recolhido a título de IRRF da exigência atinente ao IRPJ/CSLL decorrente da glosa de despesas com debêntures; o acórdão recorrido não teria feito referência ao art. 231 do RIR/99, enquanto o acórdão paradigma o teria utilizado como fundamento para negar o aludido abatimento. Compreendo não assistir razão à oposição do contribuinte quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pela PFN. Tanto o acórdão paradigma como o acórdão recorrido enfrentam a mesma questão: com a desconsideração para fins fiscais da operação de emissão de debentures e a glosa das despesas que supostamente teriam sido incorridas pelo contribuinte para a sua Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.108 7 correspondente remuneração, o “IRRF” (devido na hipótese de regular remuneração de debêntures) pode (ou não) ser abatido da exigência fiscal dai decorrente? Ao enfrentar a mesma questão, os acórdãos em análise chegaram a conclusões diversas. É possível transportar a decisão do acórdão recorrido ao caso do acórdão paradigma (e viceversa), de forma que, coerentemente, o resultado do julgamento quanto à matéria em questão seria alterado. As distinções arguidas pelo contribuinte em relação ao acórdão paradigma e recorrido apenas justificam a conclusão diversa alcançada por cada qual: enquanto o acórdão recorrido compreendeu haver fundamento legal para autorizar o aludido abatimento, o acórdão paradigmático teria entendido que não. Nesse seguir, voto no sentido de conhecer o recurso especial interposto pela PFN adotandose, ainda, os fundamentos presentes no anterior despacho de admissibilidade, que decidiu lhe dar seguimento. MÉRITO 1. Dedutibilidade de despesas com a remuneração das debêntures. No presente caso, é necessário decidir se a natureza jurídica das despesas incorridas pelo contribuinte seria de “remuneração de debêntures” ou se esse instituto restaria desfigurado. O tratamento fiscal das despesas com remuneração de debêntures é previsto em norma específica, veiculada pelo art. 462 do RIR/99: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999 (art. 359). Preenchida a hipótese de incidência do art. 462 do RIR/99, deve ser garantida a dedutibilidade das despesas incorridas pela companhia com a remuneração de seus debenturistas. Na presença de regra específica, não há que se cogitar a aplicação da regra geral contida no art. 299 do RIR/99. No caso dos autos, a autuação fiscal baseouse no entendimento de que as despesas em questão não se poderia atribuir o título jurídico de debêntures com as consequências fiscais dai decorrentes, tendo em vista, em especial, que a remuneração dos títulos foi estipulada apenas com base em participação nos lucros das pessoas jurídicas emissoras, os acionistas também assumiam a condição de debenturistas das empresas emitentes, a adoção do instrumento em questão teria como função reduzir o lucro tributável. Entendeu o i. agente fiscal ser hipótese de distribuição disfarçada de lucros. Tais fatores, contudo, não são suficientes para descaracterizar a natureza jurídica das debêntures e a incidência da norma do art. 462 do RIR/99. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.109 8 Não há qualquer impedimento legal para que os próprios acionistas da contribuinte subscrevessem debêntures de emissão da empresa, remuneradas exclusivamente com base em participação nos lucros. Deve ser observada a regra geral de que restrições de direitos não se presumem. Aludida regra geral resta confirmada, inclusive, em face do artigo 57, § 10, da Lei das SA, que assegura a preferência dos acionistas a certas debentures, o que evidencia que a sua subscrição é plenamente permitida a esses agentes. Houve efetivo ingresso de recursos novos na contribuinte. A autoridade fiscal questiona, na verdade, as razões pelas quais o ingresso em questão teria ocorrido, afastando a qualificação de debêntures atribuída pelas partes. Por sua vez, a remuneração exclusiva com base em participação nos lucros é expressamente tutelada pela Lei das SA, em seu art. 56. Ainda que se possa dizer que a remuneração por meio de (ou também por meio de) juros seja mais usual, não há como negar se que a legislação autoriza a remuneração de debêntures apenas com base nos lucros auferidos pela companhia. Não se pode deixar de observar a presença de elementos atípicos, como a majoração no percentual de participação nos lucros por meio das debêntures, o que conduziu ao pagamento de valores bastante substanciais no decorrer nos anos e que poderiam, em tese, ser indício da prática de atos simulados, com dolo para a evasão tributária. No entanto, não foi essa a linha traçada pelo i. agente fiscal, que sequer aplicou multa qualificada ao caso concreto. Ressaltese, ainda, que o Poder Judiciário tem se inclinado no mesmo entendimento adotado no presente voto, com destaque ao acórdão proferido pelo e. Tribunal Regional Federal da 3a Região, nos autos da apelação e reexame necessário n. 2010.61.00.0078883/SP,: TRIBUTÁRIO.DIFERENÇA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS IRPJ/CSLL. GLOSA NAS BASES DE CÁLCULOS. REMUNERAÇÃO DEBÊNTURES EMITIDAS PELA APELADA E SUBSCRITAS PELOS SEUS ACIONISTAS. PRELIMINAR CONTRARRAZÕES. REJEITADA. REMESSA OFICIAL E APELAÇAO UNIÃO FEDERAL. IMPROVIDAS. Afastada a preliminar arguida em contrarrazões, de não conhecimento do apelo por ausência de ataque às razões da sentença, porquanto nos termos do citado artigo 514, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973, a apelação deve apresentar os fundamentos de fato e de direito. Tratase, pois, da positivação do denominado "princípio da dialeticidade", o qual cumpre ao apelante apresentar as razões de sua inconformidade, impugnando os argumentos da decisão proferida na origem.No caso em apreço, as razões de apelação apresentadas pela ré enfrentam os argumentos contidos no julgado singular. No tocante à possibilidade da remuneração das debêntures exclusivamente com base na participação nos lucros, há que se observar o disposto no art. 56 da Lei 6.404/76. Da leitura de tal dispositivo, depreendese que a debênture pode atribuir ao seu titular juros e/ou participação no lucro e/ou prêmio de reembolso, de onde se conclui que o pagamento de juros é, portanto, uma faculdade prevista na referida legislação. A ausência de circulação monetária, no sentido exclusivamente físico, não implica na inexistência de circulação econômica e jurídica de recursos financeiros. As debêntures diferenciamse de despesas operacionais, na medida em que as despesas operacionais alcançam insumos ou custos diversos do contribuinte e não deduções financeiras como as debêntures. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.110 9 In casu, não há como ser acolhida a pretensão da apelante, visto que o disposto no art. 47 e parágrafos da Lei nº 4.506/64 (e art. 299 do RIR), não se aplica à questão suscitada nos autos, porquanto não refletem os fatos ora narrados, bem como anterior à vigência da legislação que dispõe sobre dedutibilidade de despesas. O disposto no art. 462 do RIR/99 não impõe qualquer restrição quanto à dedutibilidade da remuneração das debêntures salvo as regras gerais próprios dos atos jurídicos gerais, a sua efetiva existência, validade, como a forma e os seus requisitos gerais. O art. 187 da Lei das S/A obedece ao critério de divisão de resultados. A operação efetivada pela apelada, portanto, atende aos requisitos de validade dos atos jurídicos em geral, então prevista no art. 82 do CC/1916, quais sejam objeto lícito, agentes capazes e forma prescrita em lei. No caso concreto, a emissão das debêntures obedeceu às disposições da Lei da S/A como a preferência de sua emissão aos acionistas. O fato de os acionistas terem sido os subscritores das debêntures não descaracterizou o negócio ou o tornou ilegal, eis que é expressamente previsto em lei a possibilidade dos acionistas da companhia passarem a ser seus debenturistas, aspecto que não pode ser utilizado para caracterizar a operação como anormal e, portanto, desnecessária. Constada a legalidade e eficácia da emissão de debêntures e sua subscrição, devendo ser afastada a glosa da base de cálculo efetuada efetivada pela autoridade fiscal no IRPJ da autora no processo administrativo nº. 19.515.002923/200385. Não havendo previsão legal à adição de despesas operacionais não dedutíveis para o IRPJ (art. 47 da Lei 4.506/64), não se pode exigir da apelada qualquer quantia a título de CLS, visto que ausente previsão legal que determinasse a adição dessas despesas em sua base de cálculo. Na hipótese dos autos, considerando o valor da causa (R$ 22.633.213,49 em 07/04/2010 fls. 76), bem como a matéria discutida nos autos, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido ao seu serviço, mantidos os honorários advocatícios nos termos em que fixado pelo r. juízo a quo (1%). De acordo com os enunciados aprovados pelo Plenário do C. STJ, na sessão de 09/03/2016, a data do protocolo do recurso é parâmetro para aplicação da honorária de acordo com as regras do então vigente Código de Processo Civil/1973. Negado provimento à remessa oficial e à apelação da União Federal. Ademais, a autuação fiscal também compreendeu aplicável ao caso o art. 464, VI, do RIR/99, imputando ao contribuinte a distribuição disfarçada de lucros: Seção II Lucros Distribuídos Disfarca̧damente Art. 464. Presumese distribuica̧õ disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei no 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condicõ̧es de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Determina o art. 467, V, do RIR/99, que não será dedutível a parcela que exceder o montante que seria verificado caso não houvesse a aludida condição de favorecimento: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.111 10 Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei no 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) V no caso do inciso VI do art. 464, as importan̂cias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. No presente caso, contudo, não foi evidenciada pelo i. agente fiscal qual seria a remuneração das debentures que se verificariam não fossem as supostas “condições de favorecimento”. Na realidade, a fiscalização glosou a totalidade das despesas, não se atentando que, se realmente fosse o caso de aplicação da norma de DDL, apenas uma parcela das despesas não seriam dedutíveis, atinente às “importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condicõ̧es de favorecimento”. Nesse cenário, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte. 2. Aproveitamento do IRRF recolhido Por restar vencido quanto ao mérito do recurso especial interposto pelo contribuinte, passo à análise do recurso interposto pela PFN, bem como do segundo tópico do recurso especial do contribuinte. A parcela da decisão recorrida, contra a qual a PFN se volta, restou assim fundamentada: "Por fim, retomando a observação anteriormente feita, o fato de se dar aos valores pagos o tratamento de lucros distribuídos implica, a meu modo de ver, a possibilidade de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte efetivamente pago, nos moldes que a seguir se discorrerá, uma vez que tal imposto, ou ao menos parte dele, não seria devido na hipótese de distribuicã̧o de lucros. Vale observar que, no caso, é inconteste que a fiscalização requalificou os fatos, e, neste sentido, já me manifestei em outras ocasiões que a requalificação deve ser feita de modo integral. Neste sentido, por exemplo, as seguintes ementas em acórdãos de minha relatoria: (...) Nesta ocasião, ratificando meu entendimento sobre esta questão, e em razão de todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir, do valor do imposto de renda lançado em 2008 e 2009, os montantes de R$ 3.653.843,45 e de R$ 5.607.769,57, respectivamente, correspondentes à parcela de 82,50% do valor do imposto retido na fonte sobre as importan̂cias pagas a título de remuneraçaõ das debêntures." Compreendo que o contribuinte faz jus ao abatimento integral do IRRF em questão. Diante da desconsideração dos efeitos jurídicos das operações realizadas pelo contribuinte, de tal forma que as despesas incorridas pela recorrente não mais ostentariam a natureza jurídica de debêntures, a remuneração delas decorrentes não se sujeitariam à regra dededutibilidade que lhe é inerente, bem como deixa de ser aplicável aos pagamentos em questão a regra que determina a retenção de IRRF sobre a remuneração de debêntures. Com a desconsideração para fins fiscais da natureza jurídica das debêntures e das correspondentes despesas incorridas pela companhia com a sua remuneração, é decorrência lógica e necessária igualmente compreender que o IRRF deixa de ser cabível, devendo ser Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.112 11 considerados como equivocados, de tal forma que podem ser aproveitados para o abatimento dos valores devidos. Nesse sentido, inclusive, tem sido a reiterada jurisprudência desta 1a Turma da CSRF. Por todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte, bem como NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.113 12 Voto Vencedor Coubeme o voto vencedor quanto à dedutibilidade da remuneracã̧o das deben̂tures. De acordo com o TVF, tais são os fatos relevantes ao presente julgamento: 1) em AGE realizada em 15/04/1998, os dirigentes e acionistas representantes da totalidade do capital social de HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A deliberaram a emissão privada de 21.000 (vinte e uma mil) debêntures, série única, tipo subordinadas, nominativas, endossáveis e não conversíveis em ações, com participação nos lucros, sem vencimento prefixado, com valor unitário de R$ 1.000,00 (um mil reais) e valor global de emissão de R$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de reais); 2) no entanto, do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinados a cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade mediante recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00; 3) pela subscrição das debêntures, a fiscalizada efetuou os seguintes lançamentos contábeis, no Livro Diário de 1998: D – Lucros Acumulados (conta nº 941) (Patrimônio Líquido) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) D – Bancos Conta Movimento (conta nº 11) (Ativo Circulante / Disponível ) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) 4) em AGE de 07/01/2002, aprovouse novo aumento da remuneração das debêntures, passando para 85% dos lucros, antes da provisão para o IRPJ; 5) em 2008 e 2009, a fiscalizada efetuou o pagamento dos seguintes valores, a título de remuneração de debêntures: Ano Lucro Líquido Valor Distribuído (85%) IRRF (20%) Remuneração Líquida 2008 R$ 26.052.359,75 R$ 22.144.505,80 R$ 4.428.901,16 R$ 17.715.604,64 2009 R$ 39.984.096,81 R$ 33.986.482,29 R$ 6.797.296,46 R$ 27.189.185,83 Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.114 13 6) pela apropriação das parcelas dos juros, a fiscalizada efetuou o registro de provisões por meio de lançamentos contábeis (mensais), em 2008 e 2009, em contas criadas no Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003), a debito da conta de resultado "Juros Passivos" nº 4.1.3.003.00003"; 7) a fiscalizada efetuou diversos lançamentos contábeis para registrar os efetivos pagamentos aos debenturistas, na contabilidade de 2008 a 2009, em valores sempre inferiores aos provisionados, a débito da conta do Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003). A fiscalizada não informou os critérios e a periodicidade das retiradas dos sócios: 8) as contas criadas em conta do Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) para controlar os valores provisionados, a título de remuneração de debêntures, são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros; 9) nas contas passivas mencionadas no item 7, supra, são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuição de debêntures, que representam 85% do lucro apurado em cada mês, a débito da conta de resultado denominada “Juros Passivos"; 10) essas contas representativas de obrigações da empresa em relação aos sócios (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) são debitadas quando os participantes no capital retiram dinheiro da pessoa jurídica, geralmente mediante transferência bancária ou depósito; 11) ao observar a conta de provisão de remuneração de debêntures devida à sócia Edma Huespe Amaro ela, verificamse "saques" mensalmente efetuados por ela, no valor fixo de R$ 25.000,00. E mais: em vários recibos apresentados, consta a anotação de “pró labore”. Ainda, no mês de dezembro, consta o pagamento de R$ 25.000,00 com a identificação de 13º salário, no histórico do lançamento contábil; 12) uma parcela enorme do lucro é destinada para pagamento de debêntures, registrada a crédito em conta do Passivo, mas o valor efetivamente repassado ao sócio é menor, restando sempre um saldo positivo na conta; 13) a fiscalizada simplesmente restringiuse a informar que os valores creditados nas contas de passivo, citadas no item 8, acima, têm origem no percentual de 85% calculado sobre o lucro anual; 14) o caso em exame expõe emissão privada, exclusivamente em nome dos três sócios administradores da fiscalizada, isto é, sequer ofertado ao mercado, sem prazo determinado (“ad aeternum”); 15) ao final de 1999, ano seguinte ao da emissão das debêntures, a fiscalizada já havia remunerado os debenturistas com mais de 100% do capital “emprestado” (total de R$ 24.507.988,95, ou seja, 116,70% dos R$ 21.000.000,00 captados); 16) passados onze anos, a remuneração acumulada paga aos sócios debenturistas totaliza R$ 142.940.427,56, ou seja, um retorno de 680,67% em relação ao capital investido, de R$ 21.000.000,00. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.115 14 A partir desses fatos, concluise: a) se a participação de debêntures é calculada por meio de um percentual sobre o lucro, é incoerente que o valor repassado ao sócio seja um valor fixo mensal (e não o percentual calculado sobre o lucro), o que reforça a descaracterização da suposta remuneração de debêntures; b) a mencionada remuneração das debêntures, emitidas pela fiscalizada, não tem paralelo com o mundo real, e isso explica por que os debenturistas eram os próprios sócios, exclusivamente. Vale dizer, não houve oferta de debêntures ao mercado; c) as pessoas ligadas (isto é, os sócios) não lograriam obter, no mercado, condições mais favoráveis àquelas que obtiveram, com os recebimentos efetuados a título de renda proveniente das debêntures; d) não é crível que, no mundo real, uma pessoa jurídica ofereça a pessoas estranhas ao quadro societário, a título de remuneração por empréstimo, participação de 85% de seu lucro anual; e) não é usual o comprometimento de 85% do resultado da pessoa jurídica, por prazo ilimitado, mediante remuneração a debenturistas; f) o montante de pagamentos efetuados, ao longo dos anos, justifica a desnecessidade de demonstração da diferença entre o valor da remuneração atribuída às debêntures e o valor da eventual despesa apurada com base em quaisquer taxas de juros do mercado financeiro; f) o sujeito passivo não provou que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em condições em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, como exige o § 3º do artigo 464 do RIR/99, para fins de desconstituir a presunção de distribuição disfarçada de lucros; Portanto: 1) os alegados pagamentos a título de remuneração de debêntures mascaram a distribuição de lucro, indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 2) a fiscalizada utilizouse de um mecanismo planejado para aparentar emissão de debêntures, não para alavancar seus negócios é óbvio e, sim, com o objetivo de aumentar, artificialmente, despesas supostamente dedutíveis do lucro líquido, ao arrepio da legislação tributária; 3) na verdade, os autos denotam a utilização indevida da forma da remuneração de debêntures; 4) o caso debatido nos autos revela a prática de atos de mera liberalidade da fiscalizada, que, nos termos postos, não são oponíveis ao Fisco, uma vez confirmado que o objetivo por trás dos citados pagamentos era o de transformar o pagamento de lucro em despesas, assim reduzindo a carga tributária. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.116 15 Em face do exposto, restou provada a distribuição disfarçada de lucros, em consonância com o artigo 464, inciso VI, do RIR/99, devendose, em consequência, considerar legítima a glosa efetuada pela Fiscalização, em conformidade com o artigo 467, inciso V, do RIR/99. Diante disso, conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento, quanto à dedutibilidade da remuneracã̧o das deben̂tures. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 1116DF CARF MF
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Numero do processo: 13688.000003/2007-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 88 .0 00 00 3/ 20 07 -9 8 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 396 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 30/37), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2002. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$5.164,76 para saldo de imposto a pagar de R$490,61. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$20.565,00, consignando (fl.32): DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. A CONTRIBUINTE NÃO LOGROU COMPROVAR A EFETIVIDADE DA REALIZAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS SEJA MEDIANTE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO OU APRESENTAÇÃO DE EXAMES/LAUDOS/RADIOGRAFIAS COM OS PROFISSIONAIS GLAUCIA B. B. NUNES, CLAUDIO N. SILVA, ROSA M. S. CUNHA, NELMA LUCIA REIS, ANTONIO A. SOMMER, LEONARDO C. GONÇALVES, CLAUDIO M. PAULO E RITA CASSIA S. CAIXETA. Os DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO SÃO SUFICIENTES PARA COMPROVAR A REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS A TITULO DE DESPESAS MEDICAS NÃO SE COMPROVA COM MERA EXIBIÇÃO DE RECIBOS. DESPESAS COM VACINAS SÃO INDEDUTÍVEIS. Impugnação Cientificado à contribuinte em 5/12/2006, o AI foi objeto de impugnação, em 4/1/2007, à fl. 2/90 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Em sua peça impugnatória às fls.01/23, por meio de seus bastante procuradores nomeados pelos instrumentos de fls.24/25, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: I) “A impugnante especificou em sua declaração de rendimentos as despesas médicas que teve no anocalendário, elencando os códigos, nomes dos beneficiários, números de inscrição no cadastro de pessoa física e jurídica, bem como os valores pagos, conforme se depreende do campo pagamentos e doações efetuados da declaração apresentada”; 2) Apresentou à autoridade fiscal os documentos requisitados, “bem como os recibos de pagamentos efetuados no ano calendário como elementos de prova suficientes a demonstrar a plausibilidade das despesas médicas indicadas na declaração de rendimentos”; 3) Em atendimento à nova intimação fiscal, apresentou “farta documentação, agora instruída com laudos, relatórios e comprovantes de exames médicos originais deforma a demonstrar a plena pertinência das despesas médicas ocorridas e indicadas na declaração de rendimentos”; 4) Os documentos apresentados à Fiscalização consistiram exatamente nos documentos listados no item Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 397 3 “descrição dos fatos e enquadramento legal” do Auto de Infração, ou seja, “quando intimado o contribuinte apresentou tanto os recibos de pagamento comprobatórios das despesas realizadas como outras provas consistentes em pedidos de exames, laudos médicos e, ainda, declarações dos diversos profissionais de saúde, atestando e especificando a efetiva prestação dos serviços médicos bem como o pagamento das despesas referentes aos serviços prestados”; 5) Nas provas apresentadas constam tanto os nomes e endereços dos profissionais de saúde, como seus números de inscrição no cadastro de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas e, ainda, número de inscrição nos órgãos de classe, estando satisfeitos os requisitos expressos no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda e no artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; 6) “A legislação, em momento algum, determina a exigência de comprovação dupla do pagamento, sendo que o contribuinte deve comprovar as despesas realizadas com o efetivo comprovante de pagamento das mesmas e, somente na falta dessa documentação, há previsão normativa para comprovação por outro meio”; 7) “No presente caso restou plenamente comprovada a vinculação existente entre os pagamentos efetuados aos profissionais da área médica através dos recibos de pagamento e os serviços médicos prestados através de laudos e relatórios médicos, onde constatase tanto a descrição dos tratamentos médicos efetuados como também os valores despendidos em face de referidos tratamentos”; 8) A produção de prova da realização das despesas médicas consiste na apresentação de recibos de pagamento, “somente ocorrendo a impossibilidade de aceitação dos referidos recibos quando haja elementos de prova em contrário, ou seja, quando possase comprovar a inidoneidade dos recibos de pagamento apresentados”. Para corroborar seus argumentos, a impugnante transcreve diversas ementas de acórdãos proferidos por Delegacias da Receita Federal de Julgamento e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como diversos pronunciamentos dos Tribunais Regionais Federais. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 357/362): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido a falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, não há justificativa para seu restabelecimento sem a confinnação do efetivo desembolso. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 8/4/2009 (fl. 365), a contribuinte, por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 366/391, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida contrariaria a legislação de regência e a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 398 4 no curso da ação fiscal, teria apresentado documentação hábil e idônea a comprovar as deduções declaradas. a decisão recorria seria incoerente, uma vez que aponta que a comprovação das despesas se daria mediante recibos, mas não acatou os recibos juntados pela contribuinte, os quais atenderiam todos os requisitos legais. embora mencione o princípio da verdade material, a decisão recorrida teria ignorado toda a farta comprovação acerca da efetividade das despesas, tais como laudos e declarações médicas. a decisão negaria aplicação ao dispositivo legal que prevê que a comprovação das despesas médicas se dá mediante apresentação de recibos. teria apresentado recibos de pagamento, laudos médicos e declarações, que atestariam e especificariam os serviços médicos e os correspondentes pagamentos. os documentos juntados aos autos, listados às fls.374/376, seriam hábeis a fazer a prova exigida. a comprovação mediante indicação de cheque só poderia ser exigida na falta de documentação comprobatória, que não seria a situação enfrentada nestes autos. decisões administrativas e judiciais acerca do tema, citadas em seu recurso, apontariam que a comprovação mediante recibos só não poderia ser acatada no caso de inidoneidade do documento. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 399 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Como relatado, a recorrente foi cientificada do acórdão de primeira instância em 8/4/2009. Entretanto, do exame dos autos, não é possível definir a data de protocolo do recurso voluntário. É certo que foi encaminhado por via postal, mas não é possível localizar a data de sua postagem, uma vez que somente foi digitalizado o verso do envelope (fl.392). O despacho de encaminhamento ao CARF não consigna a data do recurso (fl. 394), nem foi anexada tela do sistema que registra a data de entrada do recurso voluntário. Isto posto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para solicitar que a Unidade de origem informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 366/391, juntando, se possível, a parte frontal do envelope de sua postagem (anverso de fl.392). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101495/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.438
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 95 /2 00 8- 11 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.506, de 22/10/2009 (efls. 45 a 53). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435799 (fl.08), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 2° semestre do anocalendário de 2005, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 11, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. [...] Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 85 4 Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 86 5 Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 87 6 E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.905972/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 59 72 /2 01 5- 29 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06056.795. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721929/2017-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 29 /2 01 7- 04 Fl. 85DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de valores de pensão alimentícia recebidos de Carlos Fernando Reis, conforme decisão judicial apresentada e declarado pelo alimentante. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.231,60, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 16 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. A impugnante foi cientificada do lançamento em 23/02/2017 (fl. 18) e, conforme termo de recepção de documentos à folha 3, na data de 13/03/2017 impugnouo, por meio da peça de folha 3, alegandose "isenta de IR em razão de moléstia grave". Com sua impugnação, a interessada trouxe a documentação de folhas 9 a 16. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 16/06/2017, no acórdão 0659.375, às efls. 52 a 55, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 12/07/2017 às efls. 63 a 71 no qual alega, em síntese, que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia são isentos, por ser portadora de neoplasia maligna. Pede, preliminarmente, celeridade no julgamento, por ser pessoa idosa. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/06/2017, efls. 60, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 12/07/2017, efls. 63, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 86 3 Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pensão alimentícia, no valor de R$60.000,00. A contribuinte, em sua defesa, alega que seus rendimentos são isentos por ser portadora de moléstia grave, qual seja, neoplasia maligna. A DRJ assim se posicionou: 8. Os documentos juntados pela interessada não servem para comprovar que ela faça jus à isenção em referência, pois: i) o laudo de folha 9 apenas conclui, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazer qualquer referência à moléstia da interessada; ii) os laudos de folhas 10 e 11 também apenas concluem, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazerem qualquer referência à moléstia da interessada; iii) o laudo de folha 12 apenas conclui, genericamente, pela "manutenção do laudo de aposentadoria por invalidez, datado de 26/12/2002". 9. De se notar que nos laudos de folhas 10 a 12 o perito informou que se tratava de laudo para indicação de aposentadoria, o que fez apondo "x" no campo respectivo, mas, mesmo podendo também informar que se tratava de laudo para fins de isenção de Imposto de Renda, apondo "x" no campo também existente no formulário, não o fez. Portanto, ante essa deliberada omissão do perito, concluise que os laudos não servem para justificar isenção do Imposto de Renda. 10. Além disso, também importa salientar que nenhum dos quatro laudos atende ao requisito expressamente elencado no § 4° do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda, atinente à emissão por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e fixação do seu prazo de validade, no caso de moléstias passíveis de controle. Logo, a natureza dos rendimentos sequer é questionada, sendo que o laudo médico que comprova a doença que é requisito atacado pela fiscalização. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Fl. 87DF CARF MF 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 87 5 A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Às efls. 69 e 70 constam laudos oficiais atestando que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 89DF CARF MF 6 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001688/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE.
A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparam-se a estabelecimento industrial.
Numero da decisão: 3302-006.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparam-se a estabelecimento industrial.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 88 /2 01 0- 53 Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 594 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 476486: Tratase de lançamento de oficio, fls. 515 a 519, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 605.454,92, incluídos multa proporcional e juros de mora calculados até 31/05/2010. Na Descrição dos Fatos, fl. fl. 517, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou o recolhimento do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme detalhado no termo de verificação fiscal de 17/06/2010. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 496/501, que: “(...) 6. Analisando as declarações de importação (DI's) relativas ao ano calendário de 2006 (fls. 159 a 354) pode se observar que foi recolhido o montante de R$ 225.295,19 de IPI na importação, conforme detalhado no Anexo A. 7. Observando as notas fiscais de saídas verificouse que nas mesmas foi destacado o IPI com alíquota zero para todas as classificações tarifárias. Dessa forma, em 29/04/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 006 (fls.359 a 487), com ciência via postal em 30/04/2010 através do Aviso de Recebimento nº SK 58.033.5327 BR, solicitando ao contribuinte esclarecimento sobre o não recolhimento do IPI na saída das mercadorias importadas, uma vez que tendo em vista o disposto no art. 9º, inciso I do Decreto nº 4.544 de 26/12/02 (RIPI/02), o contribuinte é considerado equiparado a industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos. 8. Em 18/05/2010 foi lavrado o Termo de ReIntimação n° 007, com ciência via postal em 31/05/2010 através do Aviso de Recebimento n° RJ 28.310.6682 BR, reiterando o solicitado através do Termo de Intimação Fiscal n° 006. 9. Até o presente momento o contribuinte não se manifestou sobre o Termo de Intimação Fiscal n° 006 e o Termo de Reintimação nº 007. 10. No lançamento de ofício todos os créditos a que o contribuinte tenha direito, relativo às importações efetuadas, foram considerados conforme disposto no art. 191 do RIPI/02. II DO VALOR TRIBUTÁVEL 10. O valor tributável é a diferença entre o IPI apurado na saída das mercadorias, conforme detalhado no anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 006, e o IPI recolhido na importação, conforme demonstrado no quadro abaixo: (...)” Fl. 594DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 595 3 Cientificada da exigência fiscal em 21/06/2010, fl. 516, a autuada apresentou, em 07/07/2010, a impugnação de folhas 522 a 539, alegando em síntese que: DA AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS PARA VALIDAR A COBRANÇA DOS CRÉDITOS APURADOS: As premissas fáticas nas quais reporta a defendente não foram validadas pela fiscalização, isso porque no corpo do AIIM aduz a fiscalização que: "O contribuinte é considerado industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos...”; Nesse sentido, mister se faz analisarmos o objeto social da empresa: "Importação e comercialização de rolamentos, suas partes e peças, esferas, agulhas e roletes de rolamentos, mancais, retentores, buchas, arruelas e porcas, bem como, objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa e/ou ornamentação de interiores e recipientes para beber de vidro, de cristal de chumbo, objetos de vidro para serviços de mesa, cozinha, ornamentação de interiores e uso em geral, produtos de porcelana em geral, como também quaisquer produtos para casa, copa e cozinha, decoração e ornamentação em geral."; Ocorre que, conforme podemos verificar nas notas fiscais que compõe o auto, as mercadorias foram transferidas e revendidas no mercado interno, assim, não há incidência do IPI; Ora, se, o IPI é devido quando o comerciante importa produtos industrializados, o mesmo não se pode dizer, quando, no mercado interno, os transfere ou revende; É que, nestas hipóteses, a incidência do IPI não encontra respaldo no art.51, II, do Código Tributário Nacional, porquanto, longe de haver qualquer equiparação a industrial. Vejase que o comercianteimportador recolhe o IPI, no ato do desembaraço aduaneiro de produtos industrializados. A partir daí, suas operações não apresentam nenhuma semelhança com as próprias de um industrial; De efeito, o comercianteimportador não submete produtos a processo de industrialização; tampouco pratica atos visando sua disponibilização no mercado interno, eis que isso já ocorreu ao ensejo do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas; Como se vê, nem instrumental, nem finalisticamente, suas atividades, no mercado interno, podem ser identificadas com as típicas de um industrial. Daí não estarem presentes os imprescindíveis pontos de aproximação, entre o comerciante importador e o industrial, capazes de tornar tributariamente irrelevante as diferenças secundárias que entre eles existem. A atividade típica do comerciante importador em nada se assemelha a de industrialização; Portanto, não estão reunidos os elementos necessários e suficientes para que ocorra a equiparação, único fenômeno jurídico que pode render ensejo à tributação por meio de IPI, a quem, como no caso da defendente, a rigor dos fatos, não é industrial; O que há, sim, é uma ficção, inidônea a possibilitar a incidência de IPI, para quem, não sendo industrial (nem podendo ser validamente a ele equiparado), revende ou transfere produtos importados. Porém, ao legislador não é permitido a criação da figura do contribuinte do IPI, por ficção, sendo, portanto, totalmente descabida a exigência fiscal em tela; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 596 4 A multa de 75% é confiscatória excessiva e desproporcional. A aplicação desta multa tem levado a doutrina e a jurisprudência a exigirem que as mesmas sejam fixadas com parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência sobre esta matéria; Como se vê, pela doutrina acima transcrita, a multa não pode ter caráter confiscatório, logo, é perfeitamente cabível a sua redução em face do valor excessivo, em nome, também, dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Por outro lado, vale notar que o art. 59, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, prescreve que os tributos e contribuições que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento; Analisando o Código Tributário Nacional e os comandos expressos nos artigos 106 e 112, claramente verificase, que a intenção das referidas normas é no sentido de que a lei mais benéfica deve ser sempre aplicada ao contribuinte; Assim, patente que a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida na forma acima estabelecida, sendo esta aplicada no máximo em 20% (vinte por cento) sobre qualquer pretenso tributo exigido; Improcede a aplicação da Taxa Selic no presente AIIM. Os juros de mora, no âmbito do Direito Tributário, são devidos quando do retardamento do pagamento de uma obrigação tributária e agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a penar a mora; Fica evidenciado que os juros de mora e os juros remuneratórios são distintos, tendo em vista suas características, bem como também fica claro que, em sendo a SELIC juros remuneratórios e não moratórios, como pretende o Fisco, esta não pode ser aplicada na composição do débito da executada, devendo ser excluída imediatamente, recalculandose o suposto débito existente, aplicandose os juros de mora estabelecido no art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Ainda que fosse possível a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, o que de fato não pode ocorrer, tendo em vista que a SELIC é taxa de juros remuneratórios, não poderia ser aplicada como juros moratórios. Assim, sua cobrança é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei; Por tal motivo sua aplicação sobre o suposto débito da executada é ilegal. Pior, nesta situação, a cobrança de juros superiores ao quantum estabelecido pelo Código Tributário Nacional representa efetivamente um aumento de tributo sem lei que o autorize, o que afronta o artigo 150 da Constituição Federal de 1988; Desta forma, além da cobrança da Taxa SELIC nos débitos tributários ser ilegal, também é flagrantemente inconstitucional, devendo o débito ser corrigido de acordo com o que o artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Desta forma, fica clara a inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da Taxa SELIC como taxa de juros, devendo a mesma ser substituída pela taxa de 1% ao mês prevista no art. 161 do Código Tributário Nacional; Além disso, também não deve exceder a 12% (doze por cento) ao ano, em respeito ao § 3º do artigo 192 da Magna Carta; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 597 5 Assim sendo, os juros de mora não devem exceder ao percentual de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano, bem como não devem ser cobrados de forma capitalizada, pois além de configurar atentado à Constituição Federal e legislação vigente, acaba por gerar a multiplicação do débito cobrado. Por fim, requer a insubsistência do Auto de Infração. Em 12 de julho de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Intimado da decisão em 31.10.2014 (fls.576), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10.11.2014 (fls. 578588), reproduzindo, com exceção da matéria atinente à SELIC, os argumentos tecidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Recursal O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Incidência do IPI Importador Equiparação à Industrial Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 598 6 A Recorrente alega, em síntese, que inexistindo por parte da empresa importadora industrialização do produto importado, não há que se falar em nova incidência do IPI quando da operação de revenda. Essa matéria já objeto de análise nos autos do PA nº 19515.003597/200919, instaurado contra a própria Recorrente, onde restou decidido pela incidência do IPI na operação de revenda do produto importado e, por concordar com o julgamento, adoto suas razões como causa de decidir, a saber: Com relação à matéria de fundo do lançamento, examinando o caso concreto com amparo na legislação, entendo que na importação de produtos industrializados a primeira incidência do IPI se dá quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira (CTN, art.46,I) e a segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46,II e 51, parágrafo único do CTN. A despeito das ilustradas posições em contrário, entendo que com o advento do Codigo Tributário Nacional é legal a cobrança de IPI quando a mercadoria importada sair do estabelecimento produtor ou similar. Em outras palavras, os produtos importados estão sujeitos novamente ao fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador. Lembro que o art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. Ressaltase também que o art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor, de modo que não vejo qualquer incompatibilidade para fins de uma nova hipótese de incidência do IPI sobre os produtos importados quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Registro que o Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Perfeitamente legal a incidência do tributo em dois momentos. Não há que se falar na ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bi tributação porque a lei prevê dois fatos geradores distintos, quais sejam o desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira e, depois, a saída dessa mercadoria do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor. Em outras palavras, o imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. É igualmente importante mencionar que, na sistemática de julgamento de recursos repetitivos, no REsp n.º 1.403.532/SC o STJ determinou que incide o IPI na revenda de produtos importados, no mesmo sentido deste voto. Outro não foi o entendimento desta antiga Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 599 7 IMPORTADOR VAREJISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA DO IPI NA SAÍDA DO PRODUTO DO ESTABELECIMENTO. POSSIBILIDADE. Não há ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador varejista, equiparado a estabelecimento industrial nos termos do art. 4º, I, da Lei 4.502/1964 e conformidade com o disposto no art. 51, II, do CTN. (PA 11080.729991/201493 Acórdão 3302004.496 25.07.2017) Neste cenário, mantémse a exigência do tributo lançado inicialmente. II.2 Multa de 75% Alega a Recorrente que a multa é confiscatória e fere os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Sobre isso, aplicase a Súmula Carf nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, a manutenção da multa é medida que se impõe III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35570.001367/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o direito creditório seja analisado a partir dos documentos dos autos e com fundamento na IN SRP, nº 20, de 11//01/2007, dada a redação vigente na ocasião do pedido.
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o direito creditório seja analisado a partir dos documentos dos autos e com fundamento na IN SRP, nº 20, de 11//01/2007, dada a redação vigente na ocasião do pedido. João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fl. 71) interposto em face da decisão de indeferimento do pedido de restituição de valor previdenciário proposto por Aldeci dos Santos – ME – sob valores pagos de Salário Família e Salário Maternidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 70 .0 01 36 7/ 20 07 -4 5 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 391 2 Resumo dos atos processuais até a presente Seção: Tratase de um Requerimento de Reembolso proposto por Aldeci Teles dos Santos – ME, inscrita no CNPJ de n. 07.592.949/000177, que enseja o reembolso do Salário Maternidade e do Salário Família de funcionários, no período de 01/05/2006 a 01/08/2006, cujo pagamento fora deduzido da guia de GPS dos meses citados, conforme demonstrativo juntado nas fls. 182 dos autos digitais (06 do PDF). Nas fls.186 – 189 dos autos digitais e 10 13 do PDF traz a certidão de nascimento de Tayna, filha da empregada da Contribuinte, nascida em 1998; a ficha salário família e a Certidão de Nascimento de Arthur, filho da empregada da Contribuinte, nascido em 27/04/2006. Sobre os valores de reembolso, destacase: 05/2006 total a reembolsar: R$851,82; 06/2006 – total a reembolsar: R$1.703,64 (ou R$851,22); 07/2006 total a reembolsar: R$851,82; 08/2006 total a reembolsar: R$653,82; Nas Fls. 251 dos autos digitais e 75 do PDF, verificase o Despacho 8/2007 de 16/04/2007: “a requerente apresentou GFIP na qual foram excluídos os segurados categoria 01, alterando, dessa forma, o valor da contribuição devida”, remetendo os autos à Seção de Fiscalização para pronunciamento fiscal. Nas Fls. 265266 (digital) 8990 (PDF), verificase que em 08/03/2010 – houve intimação da contribuinte para retificar as GFIP´s, nos termos da Instrução Normativa RFB n. 880 de 16/10/2008, assim como para apresentar atestados de vacinação/frequência escolar dos filhos do seguradoempregado AIRTON TELES DOS SANTOS, cujo pagamento de duas quotas de saláriofamília integrou o cálculo de reembolso requerido; e apresentar o atestado médico de afastamento por motivo de licença maternidade da segurada TELMA MACHADO TELES DOS SANTOS para a devida autenticação da cópia de fls. 04. Observase que foram realizadas duas tentativas de intimação da ADECI TELES DOS SANTOS – ME (uma no endereço Rua PG, n. 260, Nova Esperança. Volta Redonda/RJ, 27.278515 e outra na Av. Santa Rita, n. 53. Retiro. Volta Redonda/RJ, CEP 27.277210), retornando ambas sem êxito, identificado pelo Carteiro que a empresa havia mudado de endereço, razão pela qual se procedeu a intimação por Edital (n. 5/2010), conforme se verifica as fls. 273 dos autos digitais e 97 (PDF). Tendo em vista o transcurso do prazo sem manifestação apresentada pela Contribuinte, nas Fls. 274 e ss. dos autos digitais e 98 e ss. do PDF, houve decisão de indeferimento do pedido de reembolso, visto não cumprimento da intimação e impossibilidade de certificar a existência e o valor do crédito indicado. A intimação do despacho de indeferimento enviado aos endereços da Contribuinte (os mesmos da tentativa anterior) também retornou. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 392 3 Na data de 01/07/2010 a Contribuinte comparece pessoalmente à Secretaria da Receita Federal e se dá por intimada, assim como apresentar impugnação ao indeferimento, juntando atestado de vacinação de Tayná/Arthur e o original da Licença Maternidade da Telma. Por fim, requer que suas intimações sejam procedidas na Rua mil e quarenta e três, Bloco 140, Bairro Santo Agostinho. Volta Redonda/RJ. (fls. 287/111). Nas Fls. 371/141, a autoridade Fiscal apresenta a DRJ 1233.374 emitido pela 14ª Turma da DRJ/RJ 1 em 23/10/2010, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período: 01/05/2006 a 31/08/2006. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO FAMÍLIA. PEDIDO DE REEMBOLSO. REQUISITOS. GFIP CORRETAMENTE PREENCHIDA. Quanto o requerente é o próprio responsável pela elaboração da GFIP, o reembolso das cotas de salário família e salário maternidade fica condicionado a retificação das GFIP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito creditório não reconhecido. Conforme constatase pela certidão de fls. Fls. 321 (digital) 145 (PDF), houve intimação pessoal da Contribuinte em 10/11/2010 sobre indeferimento, que apresentou, seguidamente, Recurso Voluntário nas fls. 322/146 e ss., cujo conteúdo se limitou a apenas requer a juntada da GFIP Retificadora. Encaminha estes autos à este R. Conselho Administrativo, observase que a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, através da Resolução 2301000.235 21/06/2012, determinou a conversão do Julgamento em Diligência, determinando a autoridade fiscal a apreciar a GFIP retificadora apresentada no Recurso Voluntário (Fls. 360/186). Nas Fls. 369 e ss./202, verificase a DRJ 12.33.374 da 14ª Turma da DRJ/RJ1 de 23/09/2010, cuja Ementa determinou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período: 01/05/2006 a 31/08/2006. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO FAMÍLIA. PEDIDO DE REEMBOLSO. REQUISITOS. GFIP CORRETAMENTE PREENCHIDA. Quanto o requerente é o próprio responsável pela elaboração da GFIP, o reembolso das cotas de salário família e salário maternidade fica condicionado a retificação das GFIP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito creditório não reconhecido. Na fundamentação, a Autoridade determina: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 393 4 “(...) mesmo com a juntada dos documentos enumerados no item 5, o processo ainda possui um obstáculo ao deferimento do pedido de restituição, que são as GFIP preenchidas com omissão dos empregados Telma e Airton, conforme telas impressas do sistema informatizado GFIPWEB. A IN RFB n. 900 de 30 de dezembro de 2008 – DOU 31/12/2008 em seu artigo 32 estabelece que se o reembolso envolver valores não declarados em GFIP ou declarados incorretamente, o deferimento do pedido fica condicionado à apresentação da retificação da declaração. Assim, (...), a GFIP não foi retificada, continuando omissa a informação da segurada TELMA MACHADO TELES DOS SANTOS (referente ao pedido de reembolso do salário maternidade) bem como do empregado Airton Teles dos Santos (referente à solicitação de reembolso de cotas de salário família). Diante de tal situação, não há como aquiescer com o pedido da impugnante, sem desrespeitar a normatização que disciplina o reembolso do salário família e do salário maternidade”. Por fim, nas Fls. 386/221 houve a juntada da Manifestação da Receita Federal, na seguinte fundamentação: Em atendimento à solicitação da 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, após análise dos autos, efetuei: 1. Juntada do Acórdão nº 1233.374 14ª Turmas DRJ/RJ I, contendo 05 (cinco) folhas. 2. Juntei, também, as GFIP s extraídas do Sistema GFIP WEB, nesta data, para os meses de maio/2006 a agosto/2006, no total de 12 (doze) páginas, onde constam informações fundamentais que subsidiarão a decisão dessa CARF, a saber: a) ao contribuinte cabe emitir a GFIP observando as particularidades pertinentes a fim de evitar erros, como ocorreram neste processo. b) juntei as GFIP extraídas em 04/04/2014, onde na primeira tela o contribuinte emitiu para cada mês, (maio a agosto /2006), 04 (quatro) GFIP s. c) na primeira GFIP do mês de maio/06, ENVIADA em 16/05/2006 (onde se lê Status – 6 – Exportada Substituída), continha esta valores de Salário Família e Salario Maternidade. d) na última GFIP do mês de maio/06, ENVIADA em 07/12/2010, frise se àquela GFIP s que o contribuinte, anexou na data do seu Recurso Voluntário – cujo Status 1 – Exportada NÃO CONTÉM OS VALORES que postula. e) A explicação acima, se aplica a todas as suas GFIP s competências de maio/2006 a agosto/2006, por ele juntada, foi excluída pelo envio das GFIP s, no dia 07/12/2010. 3. Concluindo, as razões do Recurso Voluntário e sua GFIP, não comprovam, o seu direito ao crédito que postula. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 394 5 4. À consideração do Sr. Chefe da SAOR, para se de acordo, encaminhar a CARF. VOTO Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento do pedido de reembolso dos valores pagos pela Contribuinte à título de Salário Família e Salário Maternidade, visto a falta de apresentação da correta GFIP Retificadora à Autoridade Fiscal, cujo período de apuração do pedido é de 50/2006 até 08/2006, totalizando o reembolso requerido no valor de R$3.209,36 (três mil duzentos e nove reais e trinta e três centavos). De um lado temos a Contribuinte, uma Microempresa, representada neste processo, em todos os atos, por sua sócia administradora, Sra. Aldeci Teles dos Santos, a qual emprega, além dela mesmo, que na época declarava rendimentos mensais de pro labore de R$350,00, seu irmão Airton Teles dos Santos e sua cunhada Telma Machado Teles dos Santos, que auferiam R$595,00 e R$990,00 mensais respectivamente. O indeferimento pela Autoridade Fiscal nas duas oportunidades fora pelo fato de a Contribuinte não ter apresentado a GFIP Retificadora, visto que, em consulta no banco de dados da GFIP do FISCO não há a inclusão dos trabalhadores Airton e Telma, continuando omissa, sendo impossível a constatação de que tais valores foram realmente para os cofres públicos. Antes de verificar a questão sobre a omissão apresentada na GFIP Retificadora, necessário retornar à data em que a Contribuinte realizou o pedido de reembolso: fevereiro de 2007. Nesta época, a legislação válida para a procedência do pedido de reembolso era Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007, que alterou a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, a qual previa no artigo 214 §3º: “Quando o pedido de reembolso se referir a saláriofamília e a saláriomaternidade, num mesmo requerimento, o processo deve ser instruído com os documentos citados nos §§ 1º e 2º deste artigo. ” Os §§ 1º e 2º deste artigo 214 determinavam: Art. 214. Os documentos necessários à instrução do processo são os seguintes: I Requerimento de Reembolso RR, em duas vias, conforme modelo constante do Anexo X, disponível na página da Previdência Social, no endereço www.previdencia.gov.br, ou em documento diverso, desde que o requerimento contenha todas as informações exigidas no respectivo formulário; II original e cópia do contrato social e última alteração contratual que identifique os responsáveis pela administração ou pela gerência da sociedade, ou estatuto social e ata em que conste a atual diretoria da sociedade ou associação, ou o registro de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), conforme o caso; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 395 6 III procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, com poderes específicos para representar o requerente, se for o caso; IV GFIP das duas competências anteriores à data do protocolo do requerimento, caso as mesmas estejam incluídas no pedido. § 1º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de cotas de saláriofamília, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriofamília; II a cópia da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado a filho; III atestado de vacinação anual para crianças de até seis anos de idade; IV comprovação semestral de freqüência escolar a partir dos sete anos de idade; § 2º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de valor correspondente a saláriomaternidade, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriomaternidade; II o original e a cópia de atestado médico; ou III o original e a cópia da certidão de nascimento. Ao verificar a documentação acostada pela Contribuinte para instruir seu pedido, listase: Com relação ao Salário Maternidade pago à Telma: · Há original/cópia da folha de pagamento do período de maio/2006 até agosto de 2006 fls. 193/205/219/234 dos autos digitais, correspondente às fls. 17/29/43/57 da versão em PDF do processo; · Há original/cópia do atestado médico (fls. 185 dos autos digitais, correspondente às fls 9 da versão em PDF do processo); · Há original/cópia da Certidão de Nascimento do Arthur, que nasceu em 27/04/2006 – mesmo dia do atestado médico (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 13 da versão em PDF do processo); Verificase, portanto que, com relação ao salário maternidade pago à empregada Telma pela Contribuinte há a entrega de todos os documentos que a Autoridade Fiscal requeria na época do protocolo do pedido de reembolso. Com relação ao Salário Família do empregado Airton: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 396 7 · Há original/cópia da folha de pagamento do período de maio/2006 até agosto de 2006 fls. 193/205/219/234 dos autos digitais, correspondente às fls. 17/29/43/57 da versão em PDF do processo; · Há original/cópia da Certidão de Nascimento dos filhos do Airton, sendo eles Tainá (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 10 da versão em PDF do processo) e Arthur (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 13 da versão em PDF do processo); · Há a original/cópia do Atestado de vacinação anual de ambos os filhos (fls. 187/188 dos autos digitais, correspondente às fls 11/12 da versão em PDF do processo; e, novamente, nas fls. 291/292 dos autos digitais, correspondente às fls 115/116 da versão em PDF do processo); Verificase, portanto que, com relação ao salário família pago ao empregado Airton pela Contribuinte há a entrega de todos os documentos que a Autoridade Fiscal requeria na época do protocolo do pedido de reembolso. Por fim, necessário destacar a questão sobre a GFIP omissa, conforme termos utilizados pela Autoridade Fiscal, a qual alega que em seu sistema de GFIP WEB não há a inclusão dos dois empregados Telma e Airton, sendo incapaz de validar o pedido de reembolso, pois não há a comprovação correta de que os valores foram parar nos cofres públicos. Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Maio/ 2006: · Fls. 192 dos autos digitais, correspondente às fls 16 da versão em PDF do processo demonstra que a empresa tem 2 trabalhadores, e há a emissão da Guia de FGTS com pagamento de 126,80, sendo juntado o comprovante; · Fls. 193 dos autos digitais, correspondente às fls 17 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 197 dos autos digitais, correspondente às fls 21 da versão em PDF do processo constam os valores de FGTS, depósito de R$126,80. · Fls. 198/ 199 dos autos digitais, correspondente às fls. 22/23 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de maio/2006. Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Junho/ 2006 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 397 8 · Fls. 205 dos autos digitais, correspondente às fls 29 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 207 dos autos digitais, correspondente às fls 31 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 212 dos autos digitais, correspondente às fls. 36 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de junho/2006 Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Julho/ 2006 · Fls. 219 dos autos digitais, correspondente às fls 43 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 221 dos autos digitais, correspondente às fls 45 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 222 dos autos digitais, correspondente às fls. 46 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de julho/2006 Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Agosto/ 2006 · Fls. 233 dos autos digitais, correspondente às fls 57 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 398 9 · Fls. 235 dos autos digitais, correspondente às fls 59 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 240 dos autos digitais, correspondente às fls. 64 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$792,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 653,84 para reembolso referente ao mês de agosto/2006; Portanto, verificase que houve preenchimento do programa SEFIP, que era o sistema responsável na época para preenchimento da GFIP, assim como, há a juntada dos comprovantes de recolhimento do FGTS referentes aos meses de maio/2006 até agosto/2006, no valor de R$126,80 cada, o que corresponde à uma alíquota de 8% dos salários dos empregados, ou seja, o teto máximo de alíquota para recolhimento de FGTS para a época. Desta feita, observase que a Contribuinte instruiu seu requerimento de Reembolso com toda documentação exigida pela legislação vigente na época do protocolo (fevereiro de 2007), conforme já explanado acima, com as paginações da documentação referente a cada requisito legal para concessão do pedido. Além disto, observase que os GFIP foram preenchidos pela Contribuinte e há a inserção dos dois empregados na sua lista, conforme os relatórios SEFIP juntados nas fls. 198/ 199, 212, 222, 240, que era o sistema operacional exigido na época. Outrossim, verificase que há nos autos a comprovação de pagamento dos salários; de pagamento das contribuições previdenciárias; do FGTS, da emissão de GFIP, conforme SEFIP; do estado de gravidez da Telma e do estado de beneficiário do salário família do Airton, fazendo jus a Contribuinte ao reembolso requerido, principalmente porque há a demonstração da verdade material do pedido. Portanto, em uma primeira análise da documentação, desconhecese a razão pela qual a DRJ denegou o pedido. Parece que o pedido analisado pela DRJ não vislumbrou em analisar a legislação vigente à época, ou seja, a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007, que alterou a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Por esta razão, necessário converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam remetidos à instância inferior, no intuito de que o pedido da Contribuinte seja analisado conforme a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam remetidos à instância inferior, no intuito de que o pedido da Contribuinte seja analisado conforme a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007. É como voto. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 399 10 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 399DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.900754/2008-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 66 1 65 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900754/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.880 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente Sociedade Amazonense de Educação e Cultura Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 54 /2 00 8- 51 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 01/15, de n. 26996.00326.191103.1.3.046609, de 19/11/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (fevereiro de 1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757692886, 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que declarou na DCTF 1° trimestre/1999 ter a pagar (e pagou) de IRPJ o valor de R$ 172.191,39; que após a formalização da DIPJ, constatouse ter havido um prejuízo anual no valor de R$ 370.525,10; mas que de forma equivocada não foi retificada a DCTF, o que gerou a vinculação de um débito inexistente ao DARF pago. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0116.703 1ª Turma da DRJ/BEL, e fls. 45/47) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado com fundamento na legislação tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2009 (efl. 47) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/05/2009 (efl. 48), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Com relevo, cediço que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão, No entanto, a alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.253/72, abre a oportunidade para apresentação em outro momento processual quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tal é a hipótese vertente. De fato, tratase de argumento novo o aduzido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belém, no sentido de indeferir o pleito de compensação devido ao crédito tratarse de Saldo Negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior como declarado na DCOMP. Diante disso, abrese a oportunidade para a Recorrente, com espeque na alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, apresentar, neste momento processual, a DCOMP alusiva e comprobatória do credito deduzido. Sendo tal DCOMP de retificação/substituição da original, haja vista ter ocorrido o preenchimento equivocado da DCOMP original, por parte da requerente. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10283.900754/200851 Acórdão n.º 1001000.880 S1C0T1 Fl. 67 3 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 07). Ou seja, não se trata de argumento novo a negativa de crédito cujo pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conformes decisões da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 07 e 45/47). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 45/47) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (estimativa de fevereiro de 1999). Observamos que o recorrente afirma que sequer retificou a DCTF correspondente ao trimestre citado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da Fl. 68DF CARF MF 4 manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10283.900754/200851 Acórdão n.º 1001000.880 S1C0T1 Fl. 68 5 Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720446/2016-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração lavrado por autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES para exigir Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI – e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no montante de R$ 29.822.331,67, à data da autuação, conforme fundamentação que consta no referido documento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 44 6/ 20 16 -6 3 Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.700 2 A falta de recolhimento de imposto decorreu das seguintes infrações: aproveitamento de crédito básico indevido, aproveitamento de outros créditos indevidos e o aproveitamento de saldo credor de período anterior indevido. A reconstituição da escrita fiscal integra o auto de infração. RELATÓRIO FISCAL Os atos que motivaram a autuação foram praticados pela empresa SABB – Sistema de Alimentos e Bebidas Ltda, CNPJ 76.490.184/000187, incorporada pela autuada em 02/01/2013, e que prosseguiu na exploração das mesmas atividades, ou seja, a fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes, exceto concentrados, de acordo com o CNAE (Código Nacional de Atividades Econômicas) informado ao Cadastro da Receita Federal do Brasil. A autuação decorre de auditoria para análise de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI. A autuada integra o denominado "Sistema CocaCola Brasil", do qual também participa a empresa RECOFARMA INDUSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, estabelecida na Zona Franca de Manaus, fornecedora da maior parte dos insumos utilizados em seu processo produtivo. A empresa SABB já havia sido submetida à ação fiscal anterior, que analisou apuração de créditos relativos ao 3º trimestre de 2011 e resultou em lançamento de ofício objeto do processo administrativo 15586.720290/201611. Assim, documentos, laudos, esclarecimentos prestados naquele processo foram também adotados no presente feito. Nos Pedidos de Ressarcimento de Créditos relativos ao período em análise neste processo, a fiscalizada aproveitou crédito de IPI no montante de R$ 41.763.265,48, relativo a aquisições de produtos descritos como “kits” ou "concentrados" para fabricação de produtos acabados denominados de néctares, bebidas de frutas, isotônicos, energéticos e bebidas lácteas. Porém, no curso da auditoria, foi verificado que não há destaque de imposto nas notas fiscais relativas às aquisições desses insumos, e que a empresa apurou o valor do crédito mediante aplicação da alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI– TIPI/2007TIPI para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 (que até 30/09/2012 era de 27%, passando a ser de 20% a partir de 01/10/2012). Esse procedimento não foi aceito, em primeiro lugar porque os produtos adquiridos não preenchem os requisitos previstos no art. 95, III, do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI – RIPI/2010), especialmente no que se refere aos insumos utilizados na sua elaboração. Também não seria possível o aproveitamento de crédito com base no art. 81, II, do mesmo Regulamento, por falta de previsão legal. Além disso, a classificação fiscal dos concentrados, como se constituíssem um produto único seria incorreta, devendo a classificação ser feita separadamente, para cada componente desses chamados kits, o que resultaria na inexistência de créditos a aproveitar, pois os mesmos são, na sua grande maioria, tributados à alíquota zero. Os demais créditos glosados decorrem de aquisições de produtos de limpeza, e não seriam utilizados na industrialização propriamente dita, Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.701 3 não se enquadrando no conceito de matériaprima, produto intermediário ou de material de embalagem, e, portanto, não poderiam gerar direito a aproveitamento de créditos de IPI, segundo os atos normativos em vigor. A responsabilidade da autuada pelo crédito tributário, na condição de incorporadora da empresa SABB, decorre do disposto no art. 132 c/c art. 129 do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação tempestiva, assinada por procuradores habilitados, a seguir sintetizada: ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Alega que teria havido mudança do critério jurídico até então adotado quanto à classificação fiscal dos assim chamados “concentrados”. No seu entendimento a Fiscalização sempre teria aceito a classificação defendida pela impugnante, e a alteração desse posicionamento teria ocorrido apenas com a lavratura do auto de infração contra a fornecedora Recofarma, cuja ciência ocorreu em 22/12/2014. Esse novo critério jurídico não poderia ser adotado no presente caso, que se refere a fatos geradores entre 2011 e 2012, havendo violação ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS ISENTOS – Competência da Suframa De início, aponta que a que a Suframa é o órgão que detém competência exclusiva para outorga dos benefícios fiscais de que tratam o art. 9º do DecretoLei n° 288/1967 e o art. 6º do DecretoLei n° 1.435/75, bem como para determinar e administrar quaisquer questões inerentes aos referidos benefícios, autorizar o crédito do IPI, e definir a classificação fiscal dos concentrados, sendo que neste aspecto (classificação) a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil não seria exclusiva. Por decorrência, não poderia a RFB desconsiderar os atos da Suframa, devendo, no caso de discordância, questionálos perante aquele órgão. DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Sustenta que a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não afasta a classificação fiscal adotada pela empresa, e sim a ratifica. Além disso, a autoridade fiscal teria subvertido a ordem de aplicação das Regras Gerais de Interpretação, uma vez que adotou as regras secundárias de interpretação (Regras 2 e 3) antes da primária (Regra 1). Assinala que a decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira, de 23.08.1985 não seria oponível ao sistema jurídico brasileiro, que somente reconhece força vinculante aos pareceres do Comitê de Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA) traduzidos para o português e integrados em coletânea publicada no site da RFB. E mesmo que fosse aplicável, o mesmo converge com o posicionamento da impugnante, pois o CCA afasta a aplicação da RGI 3 e orienta para que seja adotada a RGI 1, o que resultou na classificação dos componentes do concentrado de forma isolada porque na legislação dos demais países envolvidos na consulta não Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.702 4 haveria posição específica na qual se enquadrasse, exatamente, o conceito do concentrado, como ocorre no Brasil. Os concentrados para bebidas devem ser sempre classificados no Ex. 01 ou Ex. 02 da citada posição 21.06.90.10, variando apenas em razão do grau de diluição, independente de serem constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente. Tal posição específica, existente na legislação brasileira descreve exatamente o concentrado, sem exigir que a preparação já esteja "pronta para uso", nem que seja homogeneizada e, a rigor, pressupõe que o concentrado seria formado por diversas partes, pois o define como preparações compostas, ou seja, cada parte constitui uma preparação, que juntas compõem um produto único, o concentrado. Tanto que o item 12 da NESH ao esclarecer sobre a posição 2106, contempla o “tratamento complementar” no estabelecimento fabricante. Tal tratamento não constitui industrialização. Invoca os pareceres técnicos juntados pela Recofarma nos processos administrativos n°s 11080.732960/201410 e 11080.732817/201428, que anexa, e que no seu entendimento levariam à conclusão que no presente caso deve ser aplicada a RGI 1. No caso de dúvida, a autoridade deveria aplicar a interpretação mais benéfica ao acusado, conforme art. 112 do Código Tributário Nacional. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, INC. III, DO RIPI/2010 (base legal: art. 6º do DecretoLei 1.435/1975) Diante da divergência entre a Suframa e a RFB, com relação à fruição do benefício estar condicionada à utilização direta ou indireta de matériaprima agrícola regional na fabricação dos concentrados, devese considerar que o entendimento da Suframa está consubstanciado em atos administrativos que também vinculam a RFB. Além disso, nos anos de 2011 e 2012, Recofarma teria adquirido açúcar cristal e açúcar mascavo da empresa Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental, como se verifica das notas fiscais constantes de processo administrativo de outra fabricante de bebidas (PA n° 10980.720139/201614), em anexo (doc. 09). De acordo com o art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, o termo matériaprima compreende tanto os produtos industrializados com matériaprima agrícola regional como a própria matériaprima agrícola regional. A mesma conclusão decorreria da legislação própria da Suframa. Aponta que é indevida a exclusão do benefício porque os concentrados teriam sido fabricados com álcool e ácido cítrico, produtos que não tem PPB específico aprovado pela Suframa, uma vez que os produtos fornecidos por Recofarma são os concentrados, para os quais existe PPB aprovado. E mais, não importa “que o álcool tenha sido definido como aditivo pelo Decreto n° 6.871/2009, pois a Suframa, exercendo sua competência exclusiva, determinou que, para fins do PPB de elaboração de concentrados para bebidas não alcoólicas, o álcool de origem regional utilizado na fabricação de tais concentrados é considerado matériaprima e, portanto, suficiente para ensejar a fruição do beneficio fiscal”. Também resta claro que o benefício fiscal foi concedido a todos os tipos de concentrados fabricados por Recofarma, inclusive aqueles de que trata o presente processo. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.703 5 DO DIREITO AO CRÉDITO COM BASE NA ISENÇÃO DO ART. 81, INC. II, DO RIPI/2010 (Base Legal: art. 9º do DecretoLei 288/1967) Argumenta que o concentrado adquirido é isento por ser oriundo da Zona Franca de Manaus – ZFM e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeitos ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Invoca o posicionamento adotado pelo STF, no julgamento do RE n° 212.484RS, que, no seu entendimento teria definido a classificação fiscal dos concentrados no mesmo código fiscal que vem utilizando e assegurado o direito ao crédito do IPI à alíquota de 27%. Esse entendimento permanece hígido até que seja julgado o RE n° 592.891SP, com repercussão geral reconhecida, onde é apreciada questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus – ZFM. DA APLICAÇÃO DO ART. 11 DA LEI N° 9.779/1999 A partir da edição do art. 11 da Lei 9.779/1999, teria passado a existir o direito ao crédito do imposto relativo à aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, sem estar condicionado ao pagamento do IPI na operação anterior, conforme já teria sinalizado o STF, no julgamento da proposta de Súmula Vinculante n° 26. DA IDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR RECOFARMA E DA BOA FÉ DA IMPUGNANTE O teor das nas notas fiscais de aquisição evidenciam que a classificação fiscal adotada está correta, e que atendem o disposto nos arts. 62, 48 e 53 da Lei 4.502/1964, sendo documentos idôneos, com validade fiscal, e, assim, a impugnante, na qualidade de adquirente de boafé, ao utilizar referidos créditos não estaria cometendo infração, eis que teria direito a eles. Invoca o entendimento expresso pelo STJ (com relação ao ICMS), consolidado no enunciado da Súmula n° 509, publicada no Diário da Justiça Eletrônico de 31/03/2014. DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR O saldo credor de período anterior foi objeto de glosa e lançamento em outro processo. O crédito encontrase com exigibilidade suspensa em virtude de impugnação. Em decorrência, a escrita fiscal não deve ser reconstituída, até que seja confirmada, ou não, a glosa . DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA NOS TERMOS DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN Ao utilizar os créditos a impugnante agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque estes adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála. Nesse caso, referidos encargos devem ser excluídos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Defende a exclusão da multa de ofício, à vista do disposto no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, (art. 567, II, “a” do RIPI/2010), cuja vigência foi confirmada no Acórdão n° 9303003.517 da Câmara Superior de Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.704 6 Recursos Fiscais (CSRF), processo administrativo n° 15956.720043/201316. DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE LIMPEZA NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DAS BEBIDAS Os produtos utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de bebidas, sendo inerentes à sua produção. Por exigências sanitárias são de utilização obrigatória e, portanto, estaria correto o aproveitamento do crédito, depreendendose que há amparo no art. 226, inc. I do RIPI/2010, bem como no Parecer CST 65/1979 e jurisprudência do CARF, que cita. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO Tal incidência implicaria indireta majoração da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa, à vista do disposto no art. 16 do Decreto lei 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei 2.331/1987. Ademais, o artigos 59 da Lei 8.383/1991 e art. 61 da Lei 9.430/1996), também não prevêem essa cobrança. Invoca jurisprudência administrativa do CARF." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN quando a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. GLOSA DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa, mas que não tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE BEBIDAS. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.705 7 Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como "kit ou concentrado para bebidas" constituise de um conjunto de diferentes matérias primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses "kits" deverá ser classificado no código próprio da TIPI. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS NÃO COMPREENDIDOS NOS CONCEITOS DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. As compras de materiais de limpeza e outros materiais não compreendidos no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem não legitimam o aproveitamento de créditos de IPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros moratórios sobre a penalidade objeto do lançamento em litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a) a do art. 81, inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base legal no art. 9º do DecretoLei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, cujo crédito de IPI para a Recorrente foi assegurado, expressa e especificamente, pelo entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal, manifestado no Recurso Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435, de 16.12.1975, cujo crédito de IPI para o adquirente decorre do próprio dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo elaborado com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; (ii) é incontroverso que a Recorrente é terceiro, adquirente dos concentrados para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é suficiente para justificar a aplicação da alíquota utilizada; (iii) o Relatório de Fiscalização reconhece que a classificação fiscal dos concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01; (iv) o art. 62 da Lei nº 4.502/64 determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem à prescrições legais e regulamentares; (v) O RIPI/1998 e os RIPI's de 2002 e 2010 suprimiram o acréscimo regulamentar de que o adquirente deveria examinar a correção da classificação fiscal do produto dada pelo fornecedor; Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.706 8 (vi) o CARF possui precedentes no sentido da inexistência de tal obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82; (vii) nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; (viii) os fator geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto e, como a classificação dos concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; (ix) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, constante de nota fiscal idônea, não há controvérsia quanto ao direito de a adquirente calcular o crédito do IPI decorrente da alíquota correspondente à classificação fiscal; (x) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, a Recorrente agiu lícitamente ao calcular o crédito de IPI, na alíquota correspondente a essa classificação fiscal; (xi) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações fiscais anteriores não houve qualquer questionamento relativo à classificação fiscal adotada, com ofensa ao art. 146 do CTN; (xii) no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN; (xiii) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração, a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente à época), visto que, para fins de IPI, não há como estabelecer a alíquota sem definir a respectiva classificação fiscal; (xiv) é a SUFRAMA que possui a competência para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xv) ao definir o PPB do produtos incentivado, para fisn de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; (xvi) é inerente à competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do produto; (xvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui competência exclusiva para proceder à classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal definida pelo órgão técnico; Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.707 9 (xviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido; (xix) a SUFRAMA tem competência para definir a classificação fiscal de "concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma; (xx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI que (a) aprovou o projeto industrial da Recofarma e (b) definiu o concentrado para bebidas fabricado pela Recofarma como preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas; (xxi) a SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01; (xxii) a SUFRAMA confirma que a Recofarma continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215 COPIN/CGAPI/SPR, de 28.08.2015 e apresentado em processo de outro estabelecimento da Recorrente, e do Ofício nº 3638SPR/CGAPI/COPIN, de 26.09.2014 e apresentado em processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos CocaCola; (xxiii) a SUFRAMA reconheceu que o concentrado para bebidas elaborado pela Recofarma e adquirido pela Recorrente é constituído por diversos componentes (partes líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010; (xxiv) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 leva (a) à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; (b) à mesma classificação dada pela SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003; (xxv) pelo histírico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para bebidas sempre foi classificado como uma mercadoria única (descrita como preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas); (xxvi) os EX. 01 e EX. 02 da posição 21.06.90.10 consolidaram todas as subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22; (xxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) reforça o fato de que os concentrados para bebidas, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos; (xxviii) o fato de os concentrados para bebidas adquiridos da Recofarma não terem sido previamente misturados não significa que eles não estejam prontos para uso pelo fabricante das bebidas, porque, após o ingresso dos concentrados no estabelecimento da Recorrente, todo processo produtivo feito por ela é relativo à elaboração de bebidas e, por conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a Recorrente; Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.708 10 (xxix) a NESH prevê que o concentrado pode ser entregue de forma desmembrada para facilitar o seu transporte e que, no processo produtivo de fabricação das bebidas, podem ser acrescidos outros insumos; (xxx) não tem relevância para fins de definição de classificação fiscal do concentrado, o fato de a Recorrente ter adquirido a polpa de outra empresa e não da Recofarma, porque tais insumos são utilizados pela Recorrente já no processo produtivo da bebida final e, pois não são componentes do concentrado fabricado pela Recofarma; (xxxi) a utilização da polpa no processo produtivo da bebida final não tem o condão de descaracterizar o insumo adquirido da Recofarma como concentrado para bebidas; (xxxii) se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos concentrados para bebidas, constante das notas fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ao caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; (xxxiii) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para elaboração de bebidas; (xxxiv) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados part. a bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435;75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus, são elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; (xxxv) a isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente para autorizar o creditamento do imposto em razão de o próprio dispositivo legal outorgar, expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto; (xxxvi) a decisão que reconheceu que está em vigor a Resolução do CAS nº 298/2007), qua habilitou a Recofarma a se instalar na região para produzir concentrados base para bebidas não alcoólicas e usufruir da isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xxxvii) ao aprovar o Parecer Técnico nº 224/2007, parte integrante da Resolução CAS nº 298/2007, a SUFRAMA entendeu que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 a utilização de açucar e/ou álcool e/ou corante caramelo e/ou extrato de guaraná na produção do concentrado, produzido a partir de cana de açúcar e de semente de guaraná, adquiridas de produtores localizados na Amazônia Ocidental; (xxxviii) fundada no Parecer Técnico nº 224/2007, a Resolução do CAS nº 298/2007 concedeu expressamente o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 para os concentrados fabricados pela Recofarma; (xxxix) o despacho da autoridade administrativa (SUFRAMA), suficiente a comprovar a isenção da Recofarma, consoante o art 179 do CTN, é a Resolução do CAS nº 298/2007, fundada no Parecer Técnico nº 224/2007; (xl) se o benefício foi concedido pela SUFRAMA, somente ela poderá cancelá lo; Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.709 11 (xli) a SUFRAMA atestou, em diversas ocasiões, que a Recofarma cumpre todos os requisitos necessários para fruição do benefício previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlii) não há dúvida que o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 foi concedido aos concentrados isentos para bebidas e não há qualquer descumprimento do PPB por parte da Recofarma, visto que a SUFRAMA fiscaliza o processo produtivo básico da Recofarma e atestou que se encontra regular no seu cumprimento; (xliii) as Resoluções do CAS não são aprovadas exclusivamente por representantes da SUFRAMA, o próprio Ministério da Fazenda também aprovou a Resolução do CAS nº 298/2007, visto que o Ministério de Estado da Fazenda integra o CAS, conforme previsto expressamente no art. 2º, I, da Lei Complementar nº 134, de 14.01.2010, regulamentada pelo Decreto nº 7.138/2010; (xliv) se o Fisco pretende questionar o benefício concedido à Recofarma deve fazêlo perante a própria SUFRAMA, para que esta, na forma do art, 57 da Resolução do CAS nº 202/06 (com redação idêntica a do art. 54 da Resolução do CAS nº 203/2012, atualmente vigente), cancele o incentivo fiscal concedido; (xlv) na elaboração de todos os concentrados adquiridos pela Recorrente foi utilizado pelo menos um insumo de origem regional, o que é suficiente para fins de fruição do benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlvi) a utilização do álcool na elaboração dos concentrados é suficiente para a aplicação do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75, visto que consta expressamente no Parecer Técnico nº 224/2007 que a SUFRAMA o definiu como matériaprima para fins de aprovação do PPB e não como mero aditivo como consta na decisão recorrida; (xlvii) a SUFRAMA determinou que, para fins do PPB de elaboração de concentrados para bebidas não alcoólicas, álcool de origem regional (oriundo de canade açúcar plantada na Amazônia Ocidental) utilizado na fabricação de tais concentrados é considerado matériaprima e, suficiente para ensejar a fruição do benefício fiscal previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlviii) a decisão recorrida incorre em erro quando afirma, ainda, que, mesmo que se aceitasse que o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 fosse validamente concedido pela SUFRAMA, por intermédio da Resolução do CAS nº 298/2007, tal benefício somente seria aplicável aos concentrados do tipo "cola", pois a decisão desconsiderou que o art. 13 da Resolução do CAS nº 2020/2006 determina que os empreendimentos regularmente implantados na Zona Franca de Manaus ficam dispensados de apresentação de projetos para produtos similares aqueles que já tenham sido aprovados pelo CAS; (xlix) a SUFRAMA, por intermédio da Resolução do CAS nº 298/2007, analisou especificamente o processo produtivo da Recofarma e reconheceu e concedeu o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 a todos os tipos de concentrados fabricados pela Recofarma; (l) a legislação da SUFRAMA confirma que não há necessidade de aprovação de projeto para cada tipo de concentrado, portanto, é inconteste que o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 foi concedido pela Resolução da CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, a todos os tipos de concentrados; Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.710 12 (li) o não reconhecimento dos efeitos dos atos da SUFRAMA acima referidos, sem que tenha havido qualquer processo administrativo de cassação do benefício, no qual teria que haver necessária participação de todas as partes interessadas (a SUFRAMA, que concedeu o beneficio tal qual é cumprido pela beneficiada, a Recofarma que é a beneficiada e a Recorrente que é terceiro de boafé), caracteriza ofensa ao devido processo legal, nos termos dos arts. 2º, X; 3º, II, III; 38 e 44, todos da Lei nº 9.784/99; (lii) a CSRF já decidiu que o Fisco não tem competência para desconsiderar o ato da SUFRAMA que concede o benefício e, se constatado que esse ato eventualmente descumpre a lei, deve questionálo perante a própria SUFRAMA; (liii) a interpretação da SUFRAMA quanto ao alcance do art. 6º do DL nº 1.435/75 é lógica e coadunase com o próprio significado do termo "matériaprima" constante do § 1º do art. 6º do DL nº 1.435/75, que compreende no seu conceito "produto industrializado com matériaprima agrícola regional"; (liv) é ilegal e antijurídico que, após tantos anos de vigência do benefício da Recofarma concedido pela SUFRAMA a autoridade, unilateralmente, possa discordar e deixar de reconhecer os efeitos de seus atos, sem que a autoridade competente, qual seja, a SUFRAMA, o tenha cancelado, e desconsiderar o crédito do adquirente, terceiro de boafé, contrariando frontal e literalmente o ato da SUFRAMA e o respectivo processo legal; (lv) ainda que e decisão discordasse da concessão da isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75, não poderia desconsiderar o crédito do imposto do adquirente (no caso a Recorrente), conforme já decidido pelo Plenário do STF, no julgamento das ADIs nº's 2.663 e 3.796, em relação à guerra fiscal ou seja, não se pode desconsiderar o crédito dos adquirentes sem antes cancelar o benefício do fornecedor; (lvi) é inquestionável que todos os concentrados produzidos pela Recofarma e adquiridos pela Recorrente foram expressamente e especificamente contemplados com o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 e geram direito ao crédito de IPI; (lvii) o concentrado adquirido pela Recorrente da Recofarma também é isento, com fulcro no art. 81, II, di RIPI/10, que tem base legal no art. 9º do DL nº 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS nº 298/2007; (lviii) no julgamento do RE nº 212.484RS, o Plenário do STF assegurou à outra fabricante de bebidas o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição do concentrado isento oriundo de fornecedor situado na ZOna Franca de Manaus e utilizado na fabricação de bebidas cuja saída é sujeita ao IPI; (lix) no referido precedente, o STF julgou questão idêntica à discutida nos presentes autos, qual seja,: direito ao crédito de IPI na aquisição de concentrado isento oriundo de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de bebidas; (lx) que tal entendimento foi mantido pelo STF mesmo após os julgamentos dos RE's nº's 353.657 e 370.682, em que se discutiu a questão do direito a créditos relativos à aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero ou nãotributados; Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.711 13 (lxi) no RE nº 592.891SP, o STF reconhecera a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus; (lxii) a decisão recorrida concluiu que a Recorrente teria utilizado indevidamente saldo credor apurado no período anterior à época dos fatos geradores do presente Auto de Infração, visto que tal crédito teria sido glosado em outro auto de infração, objeto do processo administrativo nº 15586.720290/201611, desconsiderando que a recorrente apresentou Impugnação e posterior Recurso, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário a teor do que preconiza o art. 151, inc. III do CTN; (lxiii) tendo em vista que a discussão administrativa referente ao processo administrativo nº 15586.720290/201611 não está encerrada, a escrita fiscal da Recorrente não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito; (lxiv) a multa, os juros de mota e a correção monetária não são devidos, em razão do contido no art. 100, parágrafo único do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; (lxv) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, é ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque esses adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála, como ato administrativo que é; (lxvi) ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 27% decorrente da aquisição de concentrados isentos para bebidas oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a Recorrente agiu de acordo com a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007; (lxvii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64; (lxviii) a CSRF tem aplicado referido dispositivo para determinar a exclusão de multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a matéria em discussão, conforme Acórdão nº 9303003.517, que concluiu pela exclusão da multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10 (lxix) O Parecer Normativo nº 23/2013 foi aprovado pelo próprio Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, e neste restou esclarecido que ele não afsta a aplicação do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, visto que esse Parecer Normativo expressamente ressalva a existência do art. 76, II, "a", da Lei 4.502/64; (lxx) o Parecer Normativo nº 23/2013 expressamente determina que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 permanece em vigor e que ele apenas não prevaleceria quando fosse editado ato normativo posterior que versasse de forma distinta a mesma matéria tratada em processo de consulta; (lxxi) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.712 14 sua correta classificação fiscal e o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus tem direito ao crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567, II, "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida; (lxxii) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza no processo de industrialização das bebidas, pois os produtos são utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à sua produção, inclusive por exigências sanitárias; (lxxiii) o art. 226, I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito sobre o direito ao crédito relativo à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; (lxxiv) o Parecer Normativo CST nº 65/79, citado pela decisão, concluiu que o conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam "consumidos" no processo de fabricação, exercem uma função direta sobre o produto fabricado; (lxxv) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação de bebidas para higienização da produção qualificamse como produtos intermediários, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, conforme Acórdão nº 340200.517; e (lxxvi) é indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator A Recorrente em 20/09/2018, através de regular petição anexa aos autos laudo técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT (fls. 1659/1698). Segundo a Recorrente aludido laudo consiste em fato novo, pois há o reconhecimento que o produto fabricado pela empresa Recofarma é o concentrado para bebidas não alcoólicas, e que este concentrado, oriundo do PPB da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/98,tem a natureza de uma única mercadoria. Postula a Recorrente a adoção do art. 30, caput, do Decreto nº 70.235/72, observado o seu art. 26A e o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Tece, ainda, alegações de mérito e, ao final, pugna pela intimação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN para manifestação e o provimento do Recurso Voluntário. Como visto, a questão trazida aos autos pela Recorrente tem influência direta no resultado do litígio, merecendo as razões contidas na petição e laudos referidos serem apreciados. Assim, observados os princípios do devido processo legal; busca da verdade material; ampla defesa e exercício do contraditório, para melhor análise do feito, bem como, Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.713 15 para se evitar futura alegação de cerceamento do direito de defesa e até mesmo nulidade processual, proponho a conversão do presente feito em diligência, nos seguintes termos: (i) conceda vista à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN pelo prazo de 30 (trinta) dias para que possa se manifestar quanto ao conteúdo da petição e laudo apresentados pela Recorrente; (ii) na sequência, retornem os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1713DF CARF MF
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