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Numero do processo: 10783.720140/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, nos quais constam a indicação de onde os valores foram extraídos, bem como porque o relatório fiscal, presumidamente verídico, foi expresso ao afirmar a existência das deduções devidas dos valores efetivamente pagos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. NECESSIDADE DE APROVEITAMENTO DOS VALORES EFETIVAMENTE PAGOS.
Deve ser efetuado o recálculo do crédito geral, a fim de que haja o aproveitamento dos valores efetivamente apropriados e que ainda não foram considerados na autuação.
MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Ausente a comprovação necessária da prática de sonegação, impõe-se a exclusão da multa qualificada, reduzindo-a ao patamar de 75%.
Numero da decisão: 2201-003.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o aproveitamento dos valores comprovadamente pagos e não apropriados pela Fiscalização. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, e Marcelo Milton da Silva Risso, que votaram por converter o julgamento em diligência para verificação da disponibilidade dos recolhimentos efetuados.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 20/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INOCORRÊNCIA. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, nos quais constam a indicação de onde os valores foram extraídos, bem como porque o relatório fiscal, presumidamente verídico, foi expresso ao afirmar a existência das deduções devidas dos valores efetivamente pagos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. NECESSIDADE DE APROVEITAMENTO DOS VALORES EFETIVAMENTE PAGOS. Deve ser efetuado o recálculo do crédito geral, a fim de que haja o aproveitamento dos valores efetivamente apropriados e que ainda não foram considerados na autuação. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Ausente a comprovação necessária da prática de sonegação, impõese a exclusão da multa qualificada, reduzindoa ao patamar de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o aproveitamento dos valores comprovadamente pagos e não apropriados pela Fiscalização. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, e Marcelo Milton da Silva Risso, que votaram por converter o julgamento em diligência para verificação da disponibilidade dos recolhimentos efetuados. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 01 40 /2 01 2- 33 Fl. 347DF CARF MF 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 41/47), referese aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 27/02/2012, referentes ao período de 01/2008 a 12/2008, inclusive 13º SALÁRIO, a saber: a) AI DEBCAD Nº 37.366.2327, valor original de R$ 143.635,42: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT 3%), apuradas através das folhas de pagamento e escrituração contábil nas contas 39315 e 39150; b) AI DEBCAD Nº 37.366.2335, valor original de R$ 9.546,85: contribuições dos segurados contribuintes individuais (administradores, médicos e prestadores de serviços); c) AI DEBCAD Nº 37.366.2343, valor original de R$ 46.725,24: contribuições dos segurados empregados; d) AI DEBCAD Nº 37.366.2360, valor original de R$ 31.767,66: contribuições devidas às outras entidades e fundos. 2. Informa a Auditoria Fiscal que: 2.1. Os recolhimentos efetuados e as retenções da Lei 9711/98 destacadas em notas fiscais foram deduzidos das contribuições lançadas; 2.2. Com relação às competências 12/2008 e 13/2008 foi aplicada a multa qualificada, em virtude da prática de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10783.720140/201233 Acórdão n.º 2201003.721 S2C2T1 Fl. 3 3 sonegação, vez que a empresa possuía 223 segurados registrados, nessas competências e informou na GFIP a existência de apenas dois segurados, deixando de oferecer à tributação as remunerações dos demais; 2.3. Para a competência 12/2008 a empresa emitiu 60 (sessenta) GFIP, cada qual substituindo a anterior, tal procedimento foi constatado em todo o período abrangido pela ação fiscal, no entanto, para se beneficiar do parcelamento especial da Lei 11941/2009, retificou as GFIP do período de 01/2008 a 10/2008, incluindo todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativo aos segurados empregados, deixando de informar apenas as contribuições dos segurados contribuintes individuais; 2.4. Que, posteriormente, no curso da ação fiscal a empresa, em 30 e 31/12/2011, quando já tinha perdido a espontaneidade, regularizou as GFIP declarando os fatos geradores das demais competências; 2.5. Em virtude da aplicação da multa qualificada, a multa passou de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento), nas competências 12 e 13/2008, consoante Lei 9430/96, art. 44, § 1º, redação dada pela Lei 11488/2008. 3. Em observância ao artigo 106, II, “c”, do CTN, foi feita a comparação de multas e verificouse que a multa mais benéfica para o contribuinte, nas competências 01/2008 a 10/2008, é com base na legislação atual (multa de ofício de 75%). Para a competência 11/2008, a multa mais benéfica é com base na legislação vigente na época do fato gerador. Também foi aplicada a multa de ofício para as competências 12/2008 e 13/2008. Conforme item 24 do Relatório Fiscal, restaram demonstradas as penalidades aplicadas. Foi interposta impugnação, às fls. 170/188, com as argumentações abaixo sintetizadas: Fl. 349DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo, é considerada não impugnada, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado. QUITAÇÃO PARCIAL. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal não ensejam a revisão do lançamento, ante a perda da espontaneidade do pagamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, resta caracterizada hipótese que determina a qualificação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e dispôs o seguinte: a) os autos consubstanciados nos DEBCADs 37.366.2327 e 37.366.2360 são nulos, em razão da preterição do direito de defesa do contribuinte, pela falta de fundamentação dos valores cobrados; c) parte dos recolhimentos efetuados (que constam no RADA e nas GPSs entregues à fiscalização em 05/01/2012) foi supostamente desconsiderada pelo i. Fiscal autuante na apuração dos débitos; d) evidenciase que o procedimento realizado pela fiscalização contrariou claramente o inciso LV do art. 5º da Carta Constitucional, pois, ao omitir as razões pelas quais foram desconsideradas as apropriações constantes no relatório RADA efetuado pelo próprio fiscal e também GPSs entregues em Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10783.720140/201233 Acórdão n.º 2201003.721 S2C2T1 Fl. 4 5 05.01.12, a fiscalização impediu o exercício do contraditório e da ampla defesa pela impugnante; e) a fiscalização não justificou a razão da majoração da penalidade, tendo admitido todos os documentos entregues pela Recorrente e utilizado como base para a autuação, de modo que deve ser excluída a majoração a 150 %; f) houve recolhimento em dobro das contribuições previdenciárias referentes ao DEBCAD 37.366.234; g) a recorrente faz jus à compensação dos montantes recolhidos através das GPSs acostadas no cômputo geral dos AIs 37.366.2327 e 37.366.2360. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da preliminar argüida Aduz a recorrente que os autos consubstanciados nos DEBCADs 37.366.232 7 e 37.366.2360 são nulos, em razão da preterição do direito de defesa do contribuinte, pela falta de fundamentação dos valores cobrados. Sustenta a contribuinte que parte dos recolhimentos efetuados (que constam no RADA e nas GPSs entregues à fiscalização em 05.01.2012) foi simplesmente desconsiderada pelo i. fiscal autuante na apuração dos débitos. Sobre tal situação, o agente fiscal não narra a razão pela qual desconsiderou as apropriações. Pelo contrário, fez crer que todos os recolhimentos e retenções foram devidamente deduzidos, conforme expressamente afirmado no item 18 do Relatório Fiscal abaixo colacionado: No item 7 do Relatório, o auditor traz os seguintes esclarecimentos: 7. Para fins da cobrança do débito, o objeto da presente autuação são somente as contribuições que não estavam declaradas nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social na data de início da ação fiscal, ou seja, em 12/12/2011, data da ciência do contribuinte do Termo de Início Fl. 351DF CARF MF 6 do Procedimento Fiscal TIPF. Não foram lançados, portanto, eventuais débitos de contribuições que estavam declarados em GFIP nessa data. Para verificar a suficiência dos recolhimentos efetuados pela Recorrente, o fiscal elaborou um relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA para cada um dos DEBCADs constantes no processo em referência. Através dos RADAs, o fiscal demonstra como os seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte ou apurados em procedimento fiscal, foram apropriados pela fiscalização: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal e ainda não recolhidos). A partir do RADA, o fiscal elabora outro relatório, o Discriminativo do Débito DD para listar todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, saláriomaternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado. Conforme dispõe a recorrente, supõese que a apuração do montante devido pela empresa foi feita a partir da diferença entre os valores devidos (informações contidas no DD) e os apropriados (informações contidas no RADA, além das GPSs entregues à fiscalização). Contudo, assevera a contribuinte que, ao elaborar o DD, o fiscal deixou de incluir os valores apropriados no campo da empresa do RADA, o que ocasionou uma diferença maior do montante devido. Foram apreciados os argumentos do contribuinte pela Delegacia de origem, apesar de não terem sido acolhidos, conforme se extrai do trecho abaixo transcrito, fls. 294: 8. Alegou inicialmente, como preliminar a nulidade do lançamento em face da omissão das apropriações, no campo empresa, dos recolhimentos efetuados durante a ação fiscal, no relatório Discriminativo dos Débitos. No entanto, como se verifica tais recolhimentos foram efetuados no decorrer da ação fiscal, e não implicam revisão do lançamento, ante a perda de espontaneidade do pagamento, pelo que se afasta a nulidade por cerceamento de defesa aventada. Portanto, não se vislumbra a existência de cerceamento do direito de defesa e, por consequência, de nulidade dos autos sob análise. Não obstante o exposto, mesmo diante da possibilidade de conversão em diligência para a aferição precisa das argumentações bem fundamentadas dispostas pela recorrente, considerando o princípio da eficiência, bem como tendo em vista a presunção de veracidade do relatório fiscal, ao dispor sobre as deduções das contribuições lançadas, ressalva se que a autoridade responsável pela execução do acórdão deve conferir se houve o efetivo abatimento dos valores apropriados (todos os valores pagos pelo contribuinte a titulo do tributo exigido nos autos em questão), e, caso contrário, que seja efetuado o abatimento devido. 2. Do mérito Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10783.720140/201233 Acórdão n.º 2201003.721 S2C2T1 Fl. 5 7 2.1. Da aplicação da multa qualificada Sustenta o recorrente que a fiscalização não justificou a razão da majoração da penalidade, tendo admitido todos os documentos entregues pela Recorrente e utilizado como base para a autuação, de modo que deve ser excluída a majoração a 150 %. Acerca da qualificação da multa, o Relatório Fiscal assim consignou, fls. 44 e 45: 27. Em relação às competências 12/2008 e 13/2008, foi aplicada a multa qualificada, em virtude da prática de sonegação. Nessas competências, a empresa possuía 223 segurados registrados, conforme consta em suas folhas de pagamentos, e somente informou na GFIP a existência de dois segurados, deixando de oferecer à tributação as remunerações dos demais. 28. Somente na competência 12/2008, a empresa emitiu 60 GFIPs, cada qual substituindo a anterior, o que é algo completamente descabido. entretanto, não foi só nessa competência que assim procedeu o contribuinte, mas em todo o período abrangido pela ação fiscal, ou seja, de 01/2008 a 12/2009. E desde a GFIP original de cada competência, a empresa deixou de informar a totalidade dos fatos geradores, informando apenas, na maioria dos casos, um ou dois segurados, sendo que tinha no seu quadro de pessoal de 200 a 250 trabalhadores. 29. Por outro lado, em relação às competências de 01 a 10/2008, que fora abrangidas pelo parcelamento especial da Lei 11941/2009, o contribuinte, aí sim, declarou todos os fatos geradores relativos aos segurados empregados (faltaram os segurados contribuintes individuais) dentro do prazo estabelecido pela Lei, exatamente no último dia do prazo, em 30/11/2009, ainda que originalmente essas informações não tivessem sido prestadas. 30. Posteriormente, a empresa declarou os fatos geradores das demais competências, mas já no curso da ação fiscal, em 30 e 31/12/2011, quando já tinha perdido a espontaneidade. 31. A qualificação majora a multa em 100%. Assim sendo, a multa passa de 75% para 150% nas competências 12 e 13 de 2008. A narrativa do relatório, ao meu ver, mais se confunde com a narrativa simples de um descumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo, ao apresentar GFIP sem as informações de todos os fatos geradores. A qualificação da multa consubstanciase em penalidade decorrente da prática de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição contida no art. 44, § 1º, da Lei n.º 9.430/96. Observase pela leitura dos artigos 71, 72 e 73 da 4.502/64 que os mencionados crimes emanam da prática dolosa, sendo exigido para a configuração do crime de Fl. 353DF CARF MF 8 sonegação o dolo específico tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou das condições pessoais do contribuinte; e para a configuração do crime de fraude o dolo específico tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diante desse contexto, não se vislumbra a descrição e comprovação adequada e suficiente para caracterizar a qualificação da multa aplicada. Ora, se todo descumprimento de obrigação tributária ensejasse a qualificação da multa, esta não seria uma exceção, mas sim uma regra. A finalidade buscada pela Lei 9.430/96, ao fazer a previsão de aplicação da multa no patamar de 150%, em situações de sonegação, fraude ou conluio, foi de penalizar administrativamente a prática de crimes tributários com o fito de coibir tais práticas. Assim, em razão da ausência de demonstração do dolo consistente na vontade consciente e intencional de incorrer em alguma das situações descritas no art. 71, 12 e 73 da Lei 4.502/64, deve ser reduzida a multa para o patamar de 75%. 2.2. Da alegação de recolhimento em dobro das contribuições previdenciárias referentes ao DEBCAD 37.366.2343 Sustenta a recorrente que foram apresentadas GPSs, em 05/01/2012, mas os recolhimentos efetuados foram ignorados pela autoridade fiscal. A contribuinte junta aos autos (doc. 15) a lista das GPS recolhidas e não consideradas pela fiscalização, fls. 275 e seguintes dos autos (fls. 7 e seguintes do arquivo digital intitulado Documentos Comprobatórios 269 a 285), e, às fls. 276 e seguintes constam as GPS pagas. Por amostragem, com relação à competência de novembro/2008, houve o pagamento da GPS no valor de R$ 23.715,36, fls. 275, mas, no RADA, não consta apropriação em novembro/2008. Compulsandose os autos, observase que, de fato, não foram considerados todos os valores efetivamente pagos pelo contribuinte. Ressaltase que, como reconhece a recorrente, houve erro no recolhimento das contribuições devidas. Porém, ao constatar o erro, o sujeito passivo agiu de boafé e prontamente efetuou o recolhimento do saldo remanescente, com juros e multa. Além disso, cabe destacar que, como a própria Delegacia de Origem dispôs, posteriormente, foi efetuado o recolhimento integral do crédito relativo ao DEBCAD 37.366.2343, fls. 294, portanto encontrase extinto o crédito. Assim, a fim de que não haja enriquecimento ilícito por parte da Administração mediante recebimento em duplicidade, deve ser realizado o recálculo do tributo devido com o abatimento dos valores efetivamente pagos e ainda não aproveitados (quanto ao crédito remanescente). Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10783.720140/201233 Acórdão n.º 2201003.721 S2C2T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para: a) reduzir a multa aplicada do patamar de 150% para 75%; b) determinar que seja efetuado o recálculo do crédito geral, a fim de que haja o aproveitamento dos valores efetivamente apropriados que ainda não foram considerados relativos ao DEBCAD 37.366.2343. Quanto aos DEBCADs 37.366.2327 e 37.366.2360, cabe ressalvar que a autoridade responsável pela execução do acórdão deve conferir se houve o efetivo abatimento dos valores apropriados (todos os valores pagos pelo contribuinte a titulo do tributo exigido nos autos em questão), e, caso contrário, que seja efetuado o abatimento devido. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000152/2004-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
CESSÃO DE DIREITOS DE IMAGEM. NATUREZA PERSONALÍSSIMA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA.
Os rendimentos decorrentes de serviços de natureza eminentemente pessoal, inclusive os relativos a cessão de direitos de imagem, devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador do serviço, sendo irrelevante a denominação que lhes seja atribuída ou a criação de pessoa jurídica visando alterar a definição legal do sujeito passivo.
COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS.
Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, deve-se adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, ou seja, apurado o imposto na pessoa física, deste devem-se abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
Numero da decisão: 9202-004.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por voto de qualidade, acordam em não conhecer das matérias adicionais ao recurso, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram das referidas matérias. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Heitor de Souza Lima Junior. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído dia 23/11/2016.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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NATUREZA PERSONALÍSSIMA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos decorrentes de serviços de natureza eminentemente pessoal, inclusive os relativos a cessão de direitos de imagem, devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador do serviço, sendo irrelevante a denominação que lhes seja atribuída ou a criação de pessoa jurídica visando alterar a definição legal do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS. Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, devese adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, ou seja, apurado o imposto na pessoa física, deste devemse abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 52 /2 00 4- 51 Fl. 4568DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por voto de qualidade, acordam em não conhecer das matérias adicionais ao recurso, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram das referidas matérias. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Heitor de Souza Lima Junior. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído dia 23/11/2016. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 4.189/4.192) e pelo Contribuinte (fls. 4.276/4.303), em face do acórdão nº 10617.147, julgado na sessão do dia 05 de novembro de 2008, pela 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, o qual julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPF REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE Fl. 4569DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.506 3 NATUREZA PERSONALÍSSIMA TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um tenista profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a empresa centrase unicamente na figura do tenista, o qual é o responsável principal pela execução (ou inexecução) dos contratos geradores de renda, e não meramente um afluente. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis se resumiria à redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos unicamente por um dos sócios, e não urna atividade econômica especifica, que pudesse alavancar a carreira ou os negócios do anuente agenciado. O que une os sócios dessa sociedade não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus (e bônus) da prestação dos serviços está vinculado ao desempenho personalíssimo de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. ART. 129 DA LEI /s18 11.196/2005 DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. Dispositivo que institui uma nova modalidade de tributação não pode ser encarado como norma interpretativa, a retroagir seus efeitos para fatos geradores anteriores a sua edição. RECLASSIFICAÇÂO DE RECEITAS DE PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO COMPENSAÇÃO, DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS HIGIDEZ. Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, devese adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, ou seja, apurado o imposto na pessoa física, deste devemse abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de oficio. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR ACORDO RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO COMPENSAÇÃO Fl. 4570DF CARF MF 4 As pessoas físicas que recebam rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos desde que haja previsão para tanto eia acordo ou convenção internacional fixada com o país de origem dos rendimentos, ou que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. O acordo, ou a lei que estabeleça a reciprocidade, têm que estar um vigor no anocalendário para o qual a compensação é pleiteada, sob pena da a mesma não ser permitida. Ademais, caberá ao contribuinte comprovar, através da documentação pertinente, a data e o montante do imposto recolhido. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Multa excluída. Recurso parcialmente provido. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 3.326/3.333, contendo as seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício e de cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, nos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002; (ii) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, nos anoscalendários de 1999 e 2000; (iii) compensação indevida do imposto pago no exterior, nos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002 e; (iv) exigência de multas isoladas em razão da falta de recolhimento do carnêleão, em relação aos períodos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Para entendermos a presente autuação é importante destacar alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 3.288/3.310: Foi então instaurado procedimento fiscal de diligência para a empresa Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda. (MPF Nº 0920100 2003 00368 9, fls. 419), para quem foi encaminhada a Intimação 117/03 (fls. 420), solicitando os contratos envolvendo a participação pessoal de Gustavo Kuerten, que tenham gerado rendimentos no período de 01/01/1999 a 31/1212002, e as notas fiscais emitidas pela empresa no período de 01/01/99 a 31/12/99. Em resposta, a empresa apresentou os documentos das folhas 422 a 565. Na documentação reunida constatamos a omissão de rendimentos recebidos do exterior na Declaração do Imposto de Renda de 2000 e a tributação de rendimentos da pessoa física na pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda, conforme descreveremos a seguir. I) Os rendimentos recebidos do exterior em 1999 estão descritos no relatório "Rendimentos Recebidos do Exterior em 1999" (fls. 1880 e 1881), sendo muito superiores aos rendimentos informados na declaração de ajuste anual. Cabe observar que o Fl. 4571DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.507 5 contribuinte recolheu em 2001 parte do carnêleão devido em virtude destas omissões (fls. 1872); II) O contribuinte é um renomado atleta profissional de tênis e possui diversos contratos de patrocínio e de cessão de direitos de imagem, tendo atuação freqüente na divulgação de marcas e produtos, em anúncios de televisão e nos uniformes e demais produtos utilizados no seu desempenho profissional. Os contratos que envolvem a participação pessoal de Gustavo Kuerten e/ou a utilização de seu nome, imagem, marca e som de voz são os seguintes: > Advantage International — Contrato de administração da carreira (fls.269 a 278); > Head Sport AG — Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a fabricante de raquetes e bolsas térmicas (fls. 279 a 291); > Diadora Spa — Itália Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a marca de material esportivo (fls. 314 a 361); > Diadora Spa — Resto do Mundo Contrato internacional celebrado entre a pessoa física e a marca de material esportivo (fls. 362 a 417); > Banco do Brasil S/A, CNPJ 00.000.000/000191 — Contrato de Patrocínio, Promoção e Publicidade celebrado com a instituição bancária brasileira (fls. 426 a 436); > Renault Comercial do Brasil S/A, CNPJ 01.069.573/000134 — Contrato de Licença e Endosso celebrado com a fabricante de veículos (fls. 437 a 445); > Pepsico & Cia, CNPJ 33.392.093/000104 — Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços, Concessão de Imagem e Som de Voz Por Tempo Determinado Para Utilização em Campanha Publicitária (fls. 446 a 459); > Banco Real, CNPJ 17.156.514/000133 Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio, Promoção e Publicidade (fls. 460 a 469); > Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/000160; Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/000107; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, CNPJ 01.299.277/000120; Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços, Concessão de Imagem, Som de Voz e Outras Avenças (fls. 469 a 477); > Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/000160; Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/000107; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, CNPJ 01.299.277/000120; e Grendene Indústria de Calçados Ltda, CNPJ 01.315.863/000110 — Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (fls. 478 a 484); Fl. 4572DF CARF MF 6 > GLB Serviços Interativos S/A, CNPJ 03.304.489/000183 — Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio (fls. 485 a 487) e Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Patrocínio (fls. 495 e 496); > GLB Serviços Interativos S/A, CNPJ 03.304.489/000183 — Instrumento Particular de Hospedagem e Outras Avenças (f Is. 488 a 494); > Tilibra S/A Produtos de Papelaria, CNPJ 44.990.901/000172 — Contrato de Licenciamento de Direitos de Uso de Nome, Marca, Imagem e Outras Avenças (fls. 497 a 593); > Motorola do Brasil Ltda, CNPJ 62.288.584/000108, substituída por Motorola Industrial Ltda, CNPJ 01.472.720/000384 — Instrumento Particular de Patrocínio e Concessão de Imagem por Tempo Determinado Para Utilização em Campanhas Publicitárias e respectivo aditamento (fls. 504 a 511); > Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/000160; Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/000107; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, CNPJ 01.299.277/000120 Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (fls. 512 a 518); > Grendene Sobral S/A, CNPJ 72.273.196/000107; e Indústria de Calçados Grendene Ltda, CNPJ 01.299.277/000120 – Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços, Concessão de Imagem, Som de Voz e Outras Avenças (fls. 519 a 522); > Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/000160; e Grendene Calçados S/A, CNPJ 72.273.196/000107 Contrato de Licença de Direitos Autorais e Uso de Imagem (fls. 523 a 529); > Recofarma Indústria do Amazonas Ltda — Contrato de Patrocínio e Outras Avenças (fls. 530 a 535); > Calçados Azaléia S/A, CNPJ 98.408.073/0001 — Contrato de Patrocínio e Outras Avenças (f Is. 536 a 547); Cabe observar inicialmente que os contratos internacionais foram celebrados com a pessoa física e os contratos nacionais foram celebrados com a empresa Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda. No entanto, todos os contratos listados acima têm por objeto o patrocínio do atleta profissional Gustavo Kuerten e a participação deste ou a utilização de seu nome, imagem, marca e som de voz em atividades de propaganda dos produtos/serviços fabricados/prestados pelas empresas contratantes. Os rendimentos dos contratos celebrados no Brasil também devem ser tributados na pessoa física, conforme descrevemos a seguir. (...) Verificando as declarações de ajuste anual da pessoa física de Gustavo Kuerten (fls. 11 a 21 e 1865 a 1870) constatase que não são declarados os rendimentos provenientes dos contratos Fl. 4573DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.508 7 de patrocínio e de uso de imagem celebrados com empresas brasileiras, os quais são incluídos como rendimentos da empresa Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda, da qual é sócio com o irmão Rafael Kuerten, cada um possuindo 50% das quotas. O que chama a atenção nestes contratos é a tentativa de disfarçar o verdadeiro contratado, que é o Sr. Gustavo Kuerten, incluindoo como interveniente anuente, e tornandoo o principal responsável pelo cumprimento do contrato, bem como a principal causa para a sua ruptura. Esta operação tem o claro objetivo de enquadrar os rendimentos em uma tributação menos onerosa, tendo em vista que a tributação na pessoa jurídica, através da opção pelo lucro presumido, é muito inferior àquela aplicável à pessoa física, que é a verdadeira contratada. O fato de a verdadeira contratada ser a pessoa física de Gustavo Kuerten está evidenciado nos contratos, conforme demonstramos a seguir: (...) Dentre as notas fiscais apresentadas pela empresa, encontramos algumas (fls. 588, 595, 603, 606, 613, e 625) que se referem à participação/utilização da imagem do atleta Gustavo Kuerten na Copa Davis e no Torneio "Brasil Open de Tênis", não vinculadas a nenhum dos contratos apresentados pela empresa. Estes rendimentos, decorrentes diretamente da atividade profissional da pessoa física de Gustavo Kuerten, também devem ser tributados na pessoa física. (...) 2. DAS INFRAÇÕES APURADAS Com base nos documentos apresentados pelo contribuinte e pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. e nas Declarações de Ajuste Anual de 2000 a 2003 (fls. 11 a 21 e 1865 a 1870), apuramos as infrações que seguem abaixo discriminadas. 2.1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO E DA CESSÃO DE DIREITOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos de uso da imagem, nome, marca e som de voz, discriminados no relatório "Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Omitidos" (fls. 1877 a 1879). Estes rendimentos foram indevidamente tributados na pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. (...) Cabe destacar ainda que estamos compensando o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos omitidos, conforme Fl. 4574DF CARF MF 8 consta das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF entregues à Receita Federal (fls. 663 a 675). Os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte destacados em Notas Fiscais que não constam de DIRF não foram aceitos para compensação com o imposto devido apurado no presente auto de infração. 2.2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de parte dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, conforme discriminado a seguir. 2.2.1 Anocalendário de 1999 Inicialmente, elaboramos o relatório "Rendimentos Recebidos do Exterior em 1999" (fls. 1880 e 1881), onde estão discriminados todos os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior no anocalendário de 1999, bem como o imposto pago compensável, de acordo com os comprovantes apresentados pelo contribuinte. Neste relatório, quando o contribuinte recebeu, no exterior, restituição de imposto que havia sido anteriormente compensado, incluímos entre os rendimentos tributáveis os valores que deixaram de ser tributados em virtude desta compensação. Deste modo, a restituição de US$ 19.088,00, recebida nos Estados Unidos em novembro de 1999 (fls. 266 e 267), está sendo tributada como rendimento deste mês no valor de U$ 69.410,91 (19.088,00/0,275) com a descrição "Rest. Imposto de Renda USA (Gross Up)". Este procedimento é idêntico ao adotado pelo contribuinte nos anoscalendário posteriores. A conversão dos rendimentos e do imposto pago no exterior para reais consta do relatório "Conversão em Reais dos Rendimentos Recebidos do Exterior e do Imposto Pago Compensável AC 1999" (fls. 1882). (...) 2.2.1 Anocalendário de 2000 No anocalendário de 2000 (rendimentos declarados, fls. 14 e 1352 a 1354) foram omitidos os seguintes rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior: a) R$ 6.015,94 (US$ 3.375,00 x 1,7825) em maio de 2000, recebidos de Ubi Soft, conforme informação do contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 418/03 (fls. 1836); b) R$ 36.096,00 (US$ 20.000,00 x 1,8048) em setembro de 2000, referentes a dois pagamentos, no valor de US$ 10.000,00 cada, recebidos de Ubi Soft, conforme informação do contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 418/03 (fls. 1836). 2.3 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR Glosa de imposto pago no exterior deduzido indevidamente do imposto devido apurado nas declarações de ajuste anual de 2000 a 2003 (anoscalendário de 1999 a 2002), por falta de Fl. 4575DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.509 9 apresentação de comprovantes destes pagamentos ou por não existir acordos, tratados e convenções internacionais para eliminar a dupla tributação entre o Brasil e o país onde ocorreu a retenção/pagamento de imposto, conforme discriminado abaixo. a) R$ 9.274,67 (US$ 7.700,66, fls. 11 e 1760) em janeiro de 1999, imposto retido na fonte na Austrália (Aust. Mens Hard e Adidas Sydney International), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Austrália, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento. Observese ainda que houve ressarcimento de imposto retido pelo Departamento Fiscal Australiano (fls. 192 e 193); b) R$ 50.040,00 (US$ 30.000,00, fls. 11 e 1760) em maio de 1999, EUA Garantia Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; c) R$ 7.668,71 (US$ 4.263,00, fls. 13 e 1354) em fevereiro de 2000, imposto retido na fonte no México Torneio Aberto Mexicano de Tênis Pegaso 2000), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o México, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; d) R$ 21.946,41 (US$ 12.360,00, fls. 13 e 1354) em março de 2000, imposto retido na fonte no Chile (Torneio Chevrolet Cup 2000 Santiago), glosado por não haver acordo, trate convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o Chile, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; e) R$ 11.024,40 (US$ 6.000,00, fls. 13 e 1354) em junho de 2000, Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento. Obs.: Intimado, através do Termo de Intimação n 2 359/03 (fls. 1779 a 1780), a comprovar este pagamento, o contribuinte apresentou cópia de um fax recebido de Diadora Spa, datado de 26/01/2001 (fls. 1796), que diverge do anteriormente apresentado, datado de 24/01/2001 (fls. 867), ao omitir os rendimentos recebidos em maio de 2000 e transferir a retenção de U$ 6.000,00 ocorrida neste mês já aproveitada pelo contribuinte para o mês de junho. Observese que só há retenção na Itália para os valores referentes ao Contrato Itália, não sendo o caso dos valores recebidos em 15 de junho de 2000. Desta forma, estamos convictos que os valores constantes do fax datado de 24/01/2001 (fls. 867) estão corretos, sendo desconsiderado o fax de 26/01/2001 e efetuada a presente glosa; f) R$ 13.626,90 (U$ 7.000,00, fls. 18 e 1355) em fevereiro de 2001, Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; g) R$ 94.309,66 (US$ 47.621,52, fls 18 e 1355) em março de 2001, imposto retido na fonte no México (Torneio de Acapulco), Fl. 4576DF CARF MF 10 glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o México, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; h) R$ 36.637,40 (US$ 18.500,00, fls. 18 e 1355) em março de 2001, Garantia do Torneio em Lyon, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; i) R$ 2.643,84 (US$ 980,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, imposto retido na fonte na Suíça (Swiss Open), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Suíça, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; j) R$ 82.552,68 (US$ 30.600,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, Garantia de Stuttgart, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; k) R$ 20.233,50 (U$ 7.500,00, fls. 18 e 1356) em outubro de 2001, o Patrocínio Diadora, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; l) R$ 104.124,71 (US$ 37.479,200, fls. 18 e 1356) em novembro de 2001, imposto retido na fonte na Austrália (ATP Tennis Master Cup, fls. 1076 e 1077), glosado por não haver acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Austrália, bem como não foi provada a reciprocidade de tratamento; Obs: Estamos compensando no anocalendário de 2002 o valor do imposto restituído pela Austrália em agosto de 2002 (US$ 30.237,81 = R$ 86.017,50, fls. 1266 e 1267). Este valor foi tributado (US$ 109.955,67 = 30.237,81/0,275) como Rest Imposto 02 do Gov. Austrália (Grossup). Da mesma forma com que o imposto retido não é compensável, a restituição não é tributável. O lançamento de R$ 86.017,50 como imposto a compensar no anocalendário de 2002 elimina a tributação indevida do imposto restituído pelo governo da Austrália. m) R$ 27.547,76 (US$ 11.625,00, fls. 1357 e 1866) em fevereiro de 2002, Diadora Italian Tax, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento; n) R$ 159.021,75 (US$ 67.106,28, fls. 1357 e 1866) em fevereiro de 2002, antecipação de imposto na França, glosado por falta de apresentação de comprovante desta retenção/pagamento. 2.4 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, decorrente das omissões de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e glosas de imposto pago no exterior, conforme demonstrado abaixo. Inicialmente, apuramos na tabela abaixo o imposto devido mensalmente relativo ao total dos rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior no período de 01/01/1999 a 31/12/2002. Fl. 4577DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.510 11 (...) Em seguida apuramos o total do carnêleão mais imposto pago no exterior pago pelo contribuinte no período de 01/01/1999 a 31/12/2003. (...) E, finalmente, apuramos a base de cálculo da multa isolada, ou seja, o valor do imposto sujeito ao carnêleão não recolhido pelo contribuinte. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou Impugnação de fls. 3.339/3.378 do eprocesso, requerendo a (i) improcedência da autuação fiscal em razão da carência de fundamentos jurídicos que a fundamente; (ii) e em relação a “omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas” que seja, ao menos, realizada a compensação dos valores recolhidos a título de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal sobre os mesmos rendimentos pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. Ao analisar o presente processo, a 3ª Turma da DRJ de Florianópolis/SC, na sessão do dia 02 de dezembro de 2005, conforme Acórdão nº 7.704, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo a exigência do IRPF no montante de R$ 7.722.195,79 (inicialmente R$ 8.193.977,94), mantendo a multa de ofício de 75%, juros de mora e multa isolada no valor de R$ 342.338,49 (inicialmente R$ 467.096,84). Diante de tal decisão, houve a interposição de Recuso Voluntário de fls. 3.856/3.914, alegando os seguintes pontos que transcrevo: a) Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas: a decisão recorrida se deu no sentido de que os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direitos personalíssimos e de atividade esportiva deveriam ser tributados na declaração da pessoa fisica, que seria, de fato, aquela que teria relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador; ainda, alegaram as autoridades julgadoras que a compensação dos valores pagos pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. não seria possível, em razão, principalmente, da suposta ausência de desconsideração da personalidade jurídica da referida empresa, no caso que se apresenta; o entendimento dos julgadores a quo é equivocado; b) Das atividades da pessoa jurídica "Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda": como já mencionado, a suposta omissão de rendimentos apontada pelas autoridades fazendárias, pelo recorrido, tem como premissa a equivocada e ilegal desconsideração da personalidade jurídica da referida empresa (ainda que não admitida pela decisão recorrida), pessoa jurídica esta que figura Fl. 4578DF CARF MF 12 como contratada em todos os contratos analisados pelas autoridades fiscais, tendo auferido e oferecido à tributação os rendimentos indevidamente imputados ao recorrente; destaca que os rendimentos decorrentes das atividades profissionais pessoais, no caso em concreto, correspondem às garantias e prêmios relacionados aos torneios dos quais participa, bem como As bonificações decorrentes de sua posição no ranking da ATP, sempre oferecidos à tributação na pessoa física; como se verifica do seu contrato social (fls. 2044 e seguintes), a Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda possui dois sócios distintos, Gustavo Kuerten e Rafael Kuerten, e foi constituída com a participação de cada um em 50% do capital social, percentuais estes respeitados na distribuição dos lucros auferidos pela empresa, a evidenciar que tal empreendimento constitui efetivamente uma sociedade; assim, notase que a empresa decorre da conjugação de esforços de seus sócios, e adquire personalidade jurídica distinta dos mesmos, contraindo direitos e obrigações em seu próprio nome; destacamse alguns aspectos relacionados à empresa mencionada, principalmente no que tange as suas atividades, dentre as quais, a administração do ativo, constituído pelos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz de Gustavo Kuerten, pessoa física; Da livre iniciativa, constitucionalmente prevista, e de conceito de sociedade, de acordo com a legislação e a doutrina acerca da matéria. sobre o tema, transcreve o art. 170 da Constituição Federal de 1988, e o art.981 do Código Civil (art. 1.363, DO CC de 1916). e, conclui que uma sociedade comercial, no direito brasileiro: a) é formada através da livre iniciativa de seus sócios; b) tem personalidade jurídica própria; c) tem patrimônio próprio; d) exerce atividade económica; e e) tem, como finalidade, a obtenção de lucro. além do exposto, é possível verificar, ainda que a sociedade decorre da unido dos esforços de seus sócios para que alcancem fins comuns, dentre os quais, o lucro; destaca que a autonomia dos conceitos de Direito Privado para fins tributários é reconhecido pelo CTN, nos termos do art. 109; aplicandose ao caso concreto, não há como se questionar a legitimidade da constituição da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, e o exercício do direito de seus sócios A organização empresarial, não se podendo duvidar de seu propósito negocial; Das atividades exercidas pelos sócios Rafael Kuerten e Gustavo Kuerten para a realização dos objetivos da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. Fl. 4579DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.511 13 a referida empresa é resultado da concorrência das atividades desenvolvidas por seus sócios Rafael e Gustavo Kuerten, de modo que os mesmos, abrigados pelo direito de livre iniciativa, constituíram tal sociedade, para fins de exploração dos direitos de imagem, voz, marca e nome do tenista Gustavo Kuerten, sendo certo que a participação de ambos os sócios é essencial para o desenvolvimento das atividades da sociedade; como forma de demonstrar a efetiva existência empresarial da aludida pessoa jurídica, foi aduzido, inclusive, que a mesma conta com funcionários que dão suporte As atividades desenvolvidas, como se infere da documentação anexada As fls. 2050 e seguintes; diante deste quadro, não há qualquer fundamento para se desconsiderar a personalidade de pessoa jurídica legalmente constituída, sob a alegação de que as atividades desenvolvidas pelo Sr. Rafael poderiam ser exercidas sobre outra forma jurídica, ou que todas as atividades da empresa são exercidas pelo Sr. Gustavo Kuerten, o que de forma alguma corresponde a verdade dos fatos; seria impossível pensar que o excelente tenista profissional, fosse excelente administrador de empresas, podendo cumprir todos os compromissos decorrentes da profissão de atleta e se dedicasse com êxito a tal atividade; a participação do sócio Rafael é considerada da maior importância para o gerenciamento e comercialização da marca Guga Kuerten, uma vez que ele é o responsável de fato, pela participação das negociações e realização dos contratos com terceiros em nome da empresa; de todo o exposto, não pode restar dúvida de que a sociedade Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda é resultado da conjugação de esforços de seus dois sócios e é decorrência natural das atividades profissionais desenvolvidas por Gustavo Kuerten, as quais o afastam do Brasil por longos períodos durante o ano, tornando impossível que o mesmo concilie seu trabalho como tenista profissional com a administração de sua marca, nome, imagem e voz; a decisão recorrida é teratológica, ao passo que ignora a evolução das relações sociais e materializa raciocínios que parecem estagnados no tempo, pois, não há como se admitir que num mundo globalizado, um atleta profissional, ao exercer suas atividades, deixa de ser apenas um simples trabalhador e se transforma em um verdadeiro centro de negócios; uma unidade econômica e profissional, como ocorre no caso em análise e de outros tantos, nos mais variados esportes e artes, de modo que, ainda que encerrem suas atividades, continuam gerando negócios; resta evidenciado, desta maneira, que os rendimentos auferidos pelo Sr. Gustavo Kuerten, decorrentes do exercício de sua Fl. 4580DF CARF MF 14 atividade de atleta profissional, tenista, são tributados, e sempre o foram pela pessoa fisica, conforme determina a Legislação, ao passo que os valores recebidos pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, decorrentes de sua atividade de administração dos direitos sobre a imagem, nome, marca e voz são tributados por esta, sem que tal fato constitua qualquer infração à legislação fiscal; c) Do direito à imagem e do caráter patrimonial de sua exploração: através do contrato celebrado entre o atleta profissional Gustavo Kuerten e a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, aquele transferiu para esta o direito de uso sobre seu nome, imagem, marca e voz; acerca do caráter patrimonial do direito de imagem dos atletas profissionais, os quais, de acordo com a decisão proferida, não poderiam ser transferidos no que concerne a sua exploração, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça — STJ, em entendimento que se coaduna com o do Recorrente; da leitura daquela decisão judicial, concluise que o direito à imagem, personalíssimo, tem uma característica que o difere dos demais direitos personalíssimos, qual seja, a possibilidade de sua exploração econômica, que lhe confere caráter patrimonial e, assim, de maneira contrária à afirmação da decisão recorrida; em seguida, transcreve trecho do referido acórdão (RESP 74.473 — STJ —Quarta Turma. Publicação no Diário Oficial em 21/06/1999); cita trecho de ensinamento doutrinário sobre o direito de imagem dos atletas, e conclui não restar qualquer dúvida quanto ao seu direito, enquanto atleta profissional, de transferir A. Empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, os direitos sobre seu nome, marca, imagem e voz; e) Dos contratos celebrados pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda.: como titular dos aludidos direitos ao nome, imagem, voz e marca do tenista Gustavo Kuerten, a empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda celebrou contratos com outras empresas, na realização de seu objeto social, contratos que foram objeto da fiscalização que ensejou a autuação de que se trata (fls. 2056 e seguintes); percebese dos referidos contratos que o Recorrente normalmente figura como interveniente anuente, todavia, é de se assinalar que tal interveniência não o transforma em parte no contrato; é importante ressaltar que todos os direitos e obrigações objetos dos contratos em questão recaem exclusivamente sobre a mencionada empresa e os respectivos contratantes, servindo a anuência do tenista apenas para formalizar que este, como Fl. 4581DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.512 15 titular originário dos direitos, objeto do contrato, estava de acordo com o mesmo; em nenhuma hipótese, em caso de inadimplemento contratual de qualquer das partes, teria o Recorrente direitos ou obrigações decorrentes dos contratos em questão; assim, não há quaisquer fundamentos para se sustentar que o Recorrente teria auferido, pessoalmente, tais rendimentos, carecendo de fundamentos jurídicos a autuação fiscal ora recorrida; e ainda, não pode a fiscalização desconsiderar os contratos celebrados para fins fiscais, como se pretende por intermédio da lavratura do auto de infração em tela; f) Da impossibilidade de desconsideração de atos privados para fins fiscais: a decisão foi no sentido de que não teria ocorrido a desconsideração de atos privados para fins fiscais, uma vez que a tributação de rendimentos dependeria apenas da vinculação direta do contribuinte com o fato gerador; não concorda com a referida afirmação, uma vez que as autoridades pretenderam descaracterizar as atividades exercidas pela pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda para tributação de seus rendimentos pelo recorrido, sendo certo que não há qualquer regra jurídica que autorize sua desconsideração para fins estritamente fiscais; com efeito, a única regra que se refere à possibilidade de desconsideração de atos privados legítimos para fins tributários encontrase prevista no parágrafo único do art. 116 do CTN; a respeito de todas as controvérsias jurídicas relacionadas à validade da referida norma, importa destacar que, como previsto em sua parte final, a sua aplicabilidade encontrase vinculada A. edição de lei ordinária, a qual estabelecerá os procedimentos a serem observados pelas autoridades fiscais para a realização da aludida desconsideração; acerca do assunto, transcreve ensinamentos da doutrina; tal entendimento também foi manifesto na decisão recorrida; a necessária lei ordinária, não promulgada até a presente data, devese, presumivelmente, ao fato de ter o Poder Legislativo vislumbrado as imensas injustiças que poderiam advir de se conceder tamanho poder aos agentes fiscais, no sentido de que eles próprios de forma subjetiva, poderiam decidir quanto A. desconsideração de determinadas operações; na presente hipótese, o auditor autuante, extrapolando suas funções de verificar a observância da legislação, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, resolveu conceder, a si mesmo, a atribuição de legislar, procurando suprir, de modo próprio, Fl. 4582DF CARF MF 16 função que a Lei Complementar 104/2001 atribuirá a futura lei ordinária; assim, diante da ausência da referida lei é de se reconhecer a inexistência, no ordenamento jurídico vigente, de qualquer previsão que autorize a desconsideração de atos privados para fins fiscais, conforme pretendido pela fiscalização; acerca da matéria, transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes; conclui pela inexistência de lastro jurídico que autorize a desconsideração da personalidade jurídica da Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, assim como dos contratos celebrados, para fins de se tributar na pessoa do Recorrente rendimentos auferidos pela aludida empresa, como pretendido pela fiscalização; g) Do art. 123 do Código Tributário Nacional — CTN: a decisão recorrida manteve o entendimento da aplicação, ao caso em tela, da regra contida no art. 123 do CTN; entretanto, pela sua leitura, verificase uma inaplicabilidade A. presente autuação, urna vez que o que o mesmo determina que os contribuintes não podem, por via de um contrato, transferir a posição de sujeito passivo de obrigação tributária, de modo que, determinações entre particulares não poderiam ser opostas ao Fisco, para estes fins; a constituição da empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda de modo algum perfez a transferência do Recorrente para a referida pessoa jurídica da posição do sujeito passivo de obrigação tributária; como já anteriormente visto, a razão da constituição da referida pessoa jurídica foi a organização da atividade de exploração da imagem, nome, marca e voz do Recorrente, a qual, por razões obvias, não poderia ser pelo mesmo desenvolvida diante de seus compromissos profissionais como tenista; desta forma, há que se reconhecer que não houve a transferência de sujeição passiva tributária na presente situação, mas sim o exercício de um direito outorgado pela legislação, que são coisas completamente distintas; h) Da capacidade tributária passiva prevista pelo art. 126 do CTN: da análise do referido artigo, depreendese que, para possuir capacidade tributária passiva, basta que a pessoa jurídica configure uma unidade econômica ou profissional; sobre o assunto destaca ensinamentos de Hugo de Brito Machado e de Luiz Alberto Gurgel de Faria; i) Do direito à compensação dos valores recolhidos pela Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda.: Fl. 4583DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.513 17 pretendendo tributar como rendimentos auferidos pelo Recorrente, receitas auferidas pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda, seriam ignorados todos os recolhimentos de tributos federais (Imposto de Renda; Contribuição Social sobre o Lucro; Contribuição para o PIS e COFINS) realizados pela empresa sobre tais receitas; ou seja, já tendo recebido todos esses tributos sobre os rendimentos em questão, pretenderia o Fisco tributálos novamente, em sua integralidade, na pessoa física, sem compensar os valores já recolhidos aos cofres públicos; ora, se os contratos assinados pela empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda e os conseqüentes rendimentos deveriam, no entender da fiscalização, ser imputados ao Recorrente, é inevitável que se reconheça que todos os pagamentos realizados pela empresa haviam sido feitos às suas expensas; neste contexto, e imperioso que se proceda A. compensação dos valores que foram recolhidos pela pessoa jurídica com aqueles que ora são exigidos da pessoa física, sob pena de se proceder a bis in idem, ou seja, cobrança dupla de tributos sobre um mesmo rendimento; não há como sustentar a postura adotada pela fiscalização, por intermédio da qual se imputam A. pessoa fisica todas as receitas decorrentes de uma determinada atividade enquanto mantêmse na pessoa jurídica todos os recolhimentos de tributos federais decorrentes das mesmas receitas; j) Compensação indevida de imposto pago no exterior: países como a Austrália, Mexico e Chile autorizam a compensação do imposto pago em outros países sobre rendimentos auferidos que lá também estejam sujeitos a tributação; como meios de prova de suas alegações, capazes de atestar a reciprocidade de tratamento, anexou cópias das legislações dos mencionados países, devidamente consularizadas e traduzidas por tradutor juramentado; destaca que o principio da legalidade, previsto no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal de 1988 preconiza que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo sem lei que o determine; não obstante, em manifesta afronta ao mencionado principio temse o ato da Secretaria da Receita Federal, exteriorizado através da Instrução Normativa n° 208 de 27 de setembro de 2002, no qual foi baseada a decisão recorrida, que desconsiderou os documentos apresentados; verificase, assim, que o ato normativo exige que a cópia da Lei prevendo a reciprocidade de tratamento seja traduzida por Fl. 4584DF CARF MF 18 tradutor juramentado e autenticada pela representação diplomática do Brasil no pais, de modo que cria nova exigência de procedimento não previsto em lei, o que não se pode admitir; a Secretaria da Receita Federal ultrapassou sua competência, pois, no máximo, pode regulamentar as leis, todavia, jamais pode editar atos normativos que invalidem o espaço da lei e do Poder Legislativo; desta forma, não há motivos para se ignorar as legislações da Austrália, México e Chile juntadas pelo Recorrente à sua impugnação, pelo fato de não terem sido autenticadas pela autoridade brasileira nestes países; salienta que todas as normas ignoradas foram retiradas de sites oficiais do Governo de cada Pais, e traduzidas por tradutor juramentado, conforme reconhecido pelos próprios julgadores a quo; desta forma, não resta dúvidas que além da violação ao principio da legalidade, houve violação ao principio da verdade material, uma vez que, conforme entendimento manifestado pela própria Secretaria da Receita Federal, na Solução de Consulta Interna COSIT n° 33, de 21/10/2004, o destinatário da prova é o julgador e os fatos coletados na ação fiscal podem estar evidenciados por outros elementos de prova além dos documentos estrangeiros; sobre o assunto, transcreve ensinamentos doutrinários; por todo o exposto, alega que é forçoso concluir que a decisão recorrida se deu em evidente desconsideração ao principio da verdade material; l) Do torneio ATP Tennis Master Cup: como se depreende da análise das informações constantes da decisão recorrida, no item que se refere aos "limites do litígio", foi afirmado que o Recorrente teria deixado de impugnar, entre outros, valores decorrentes do torneio "ATP Tennis Master Cup", no montante de R$ 104.124,71; quanto a este aspecto, cumpre esclarecer que o torneio em referência foi realizado na Austrália, de modo que os argumentos utilizados para sua defesa foram aqueles expostos no item acima, pela reciprocidade de tratamento, "não devendo restar dúvida de que tal matéria foi, efetivamente, impugnada"; m) Dos comprovantes de rendimentos: Da glosa de fevereiro de 2001: insiste que o documento apresentado na peça impugnat6ria (fl. 2.193) é prova da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora, no valor de 15.578.000 liras italianas, equivalente a R$ 13.626,90 (US$ 7.000,00); e que as autoridades julgadoras a quo optaram por não acatar a comprovação de retenção, tendo em vista as divergências de valores; Da glosa de fevereiro de 2002: já havia apresentado na impugnação, o comprovante da retenção de imposto de renda Fl. 4585DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.514 19 efetuada pela Diadora em fevereiro de 2002, no valor total de 13.220,38 euros, equivalentes a R$ 27.547,76 (US$ 11.625,00), fl. 2.188, devidamente acompanhado de tradução juramentada; ressalta que o valor total do imposto retido, expresso em euros, corresponde à soma dos seguintes valores apresentados no referido comprovante: € 8.528,54 + € 8.528,54 + (€ 3.836,70) = € 13.220,38; vale notar que o valor de € 3.836,70 corresponde a um número negativo, motivo pelo qual está representado acima entre parênteses; as autoridades fazendárias consideraram, entretanto, esse valor como sendo positivo, tendo, dessa forma, apurado um montante total de imposto retido no exterior pela Diadora equivalente a 20.893,78 euros (resultante na sorna de € 8.528,54 + € 8.528,54 + € 3.836,70); assim, o valor total do imposto retido pela Diadora, de acordo com o comprovante apresentado corresponde a 13.220,38 euros e não a 20.893,78 euros como consta da decisão; assim, entende que, também nesse caso, o documento apresentado é prova da retenção de imposto de renda efetuada pela Diadora, no valor de 13.220,38 euros; Do pagamento e retenção do imposto de renda efetuado pela Diadora, em maio de 1999: a retenção de imposto de renda no valor de R$ 50.040,00 (US$ 30.000,00) teria sido efetuada pela Diadora em maio de 1999, em relação a um pagamento efetuado por essa empresa naquele mesmo mês, no valor de R$ 166.800,00 (US$ 100.000,00), valores estes que foram inclusive levados em consideração pelo Recorrente em seus cálculos de carneleão relativos àquele anocalendário; no entanto, de acordo com a documentação emitida pela própria Diadora, verificase que esta não efetuou qualquer pagamento ao Recorrente no mês de maio de 1999, alem disso, não foi encontrado qualquer documento que possa estar relacionado a estes valores; do exposto, conclui que tanto o rendimento como o respectivo imposto de renda retido foram incluidos por um equivoco no camêleão do Recorrente, não tendo jamais existido de fato, devendo ser ambos desconsiderados para fins dos cálculos do lançamento da presente decisão; n) multas isoladas: neste aspecto, considerouse que os rendimentos para os quais teria ocorrido insuficiência de recolhimento de camêledo, já haviam sido tributados nos itens anteriores do auto de infração, e, o que é mais grave, já haviam sido penalizados com a multa de 75%, prevista no inciso I do mesmo art. 957, do RIR/99, caso Fl. 4586DF CARF MF 20 sofressem uma segunda tributação de multa dos mesmos 75%, calculada sobre o imposto alegadamente não recolhido; reitera seu entendimento de que já está sendo tributado, no próprio auto recorrido, pelas mesmas infrações alegadas; as autoridades julgadoras de Primeira Instância optaram inclusive por afastar a jurisprudência apresentada, com base nas absurdas alegações de que as mesmas não guardariam relação com o caso concreto, uma vez que não tratavam de questões relacionadas ao próprio carneleão e que as decisões cujas ementas foram reproduzidas não poderiam vincular o Recorrente; a seguir, transcreve inúmeras ementas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes. do exposto, restaria evidente que a multa isolada não deve ser aplicada em conjunto com a multa de oficio, de modo que sua cobrança deve ser cancelada. Estas, foram, em resumo, as questões suscitadas em sede de Recurso Voluntário. A 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, na sessão do dia 05 de dezembro de 2008, de acordo com o Acórdão nº 10617.147, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aproveitar os tributos pagos pela Pessoa Jurídica para reduzir o imposto sobre a omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora), Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Locoselli Erichsen (Suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage, que excluíram essa exigência e, por maioria de votos, excluir a multa isolada do carnêledo, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Sérgio Galvdo Ferreira Garcia (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor quanto h. omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoas jurídicas o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. O Conselheiro Gonçalo Bonet Allage apresentará declaração de voto. Diante de tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de fls. 4.170/4.186, na antiga modalidade “contra decisão não unânime”, no qual, de acordo com o exame de admissibilidade, abordou os seguintes pontos: a) para a parte da decisão que determinou a compensação do crédito tributário lançado com os tributos pagos pela pessoa jurídica, contrariedade aos arts. 156, inciso II, e 170 do Código Tributário Nacional — CTN e aos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e divergência com o Acórdão n ° 10808.231, da 8º Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 16 de março de 2005, e cm o Acórdão n° Fl. 4587DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.515 21 20179.480, da Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 27 de julho de 2006; b) para o capitulo do julgado que excluiu a multa isolada por falta do recolhimento do carnêleão, contrariedade ao art. 44, §1 °, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Em relação aos Acórdãos citados pela Fazenda Nacional, transcrevo as ementas abaixo: Acórdão n ° 10808.231 LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — ARBITRAMENTO DO LUCRO — JUNTADA DE PROVAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL — INTIMAÇÃO PRÉVIA — DESNECESSIDADE — É desnecessária a audiência prévia do contribuinte acerca de procedimentos característicos de fiscalização como a decisão de arbitrar a empresa, bem assim a juntada de notas fiscais de compra que embasaram o arbitramento. Eventuais irregularidades nos procedimentos do Fisco podem ser apontadas pelo contribuinte, sem prejuízo para o mesmo, durante o período de litígio fiscal. COMPENSAÇÃO — COMPETÊNCIA ORIGINAL — OPORTUNIDADE — PROCEDIMENTO A apreciação de pedido de compensação tem momento, procedimento e competência original próprios. O pedido deve ser dirigido à autoridade lançadora, na forma normatizada pela Receita Federal, após a decisão definitiva do litígio, conforme inteligência das Instruções Normativas SRF n°s 021, 073/1997 e 210/2002. Recurso negado. Acórdão n° 20179.480 Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 1999 Ementa: CONTITUC1ONALIDADE. ART. 13 DA LEI Nº 9.779/99. OPERAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. INCIDÊNCIA DO IOF. CONSTTIUCIONALIDADE. Fl. 4588DF CARF MF 22 Falece ao Conselho de Contribuinte competência para apreciar e julgar eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da incidência do IOF sobre operações de empréstimos de recursos financeiros realizados entre pessoas jurídicas, conforme determina o art. 13 da Lei nº 9.779/99. COMPENSAÇÃO, POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE DEFESA. A compensação não é matéria de defesa e se dá entre débito definitivamente constituído e crédito líquido e certo do contribuinte. Não existindo débito definitivamente constituído, não há como se falar em compensação. Recurso negado. Conforme despacho de fls. 4.189/4.192, o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, sendo o contribuinte intimado conforme AR de fls. 4.218. Na oportunidade, ele opôs Embargos de Declaração (fls. 4.225/4.228) e apresentou Contrarrazões (fls. 4.242/4.256). Nas Contrarrazões o Contribuinte alega: Intempestividade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, que foi apresentado no dia 16/08/2010, sendo que o recebimento na Procuradoria ocorreu no dia 20/07/2010. Alega que no dia 19/07/2010 o processo encontravase “em trânsito”, porém, no dia 20/07/2010 o mesmo já estava “em andamento” no Controle Administrativo Tributário da PGFNDF; Recurso Especial por contrariedade à Lei ou Evidência de prova, não cumprimento dos pressupostos de admissibilidade, previstos no art. 15, §1º do Antigo Regimento da CSRF; Recurso Especial de Divergência, alega que não houve a indicação da fonte de onde os acórdãos foram copiados, em flagrante desrespeito ao preceituado no art. 67, §9º do antigo RICARF; Alega que a decisão está correta ao determinar o aproveitamento dos valores que foram recolhidos pela pessoa jurídica com aqueles exigidos pelo Contribuinte; Impossibilidade de exigência concomitante da multa isolada com a multa de ofício sobre a mesma base de cálculo; Em seus Embargos, o Contribuinte, em síntese, apresentou os seguintes fundamentos, conforme despacho de fls. 4.261, que houve contradição, pois o acórdão, ora recorrido, (i) nega a desconsideração da personalidade jurídica da empresa, porém admite o deslocamento do fato gerador dela para a pessoa física do sócio; (ii) o acórdão foi silente no tocante a aplicação do art. 50 do Código Civil, que institui uma cláusula de reserva de jurisdição para desconsideração da personalidade jurídica. Conforme o despacho de fls. 4.261/4.264 os Embargos foram rejeitados. Do despacho que rejeitou os Embargos de Declaração, opostos pelo Contribuinte, houve sua intimação conforme AR de fls. 4.272. Nesta oportunidade, houve a interposição de Recurso Especial por parte do Contribuinte, de fls. 4.276/4.303, alegando: (i) divergência de interpretação quanto à cessão de direito de imagem, que exigiria a desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do Código Civil, Fl. 4589DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.516 23 utilizando como paradigma os Acórdãos ns. 10249.191 e 210201.487 e; (ii) retroatividade da lei na reciprocidade de tratamento dos tributos recebidos no exterior, utilizando como paradigma o Acórdão nº 310100.453. Conforme ementas transcritas abaixo: Acórdão nº 10249.191 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. No caso dos autos a caracterização, como próprios, de rendimentos recebidos em nome de pessoa jurídica, somente pode ser feita a partir da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que impõe a obtenção de decisão judicial para tanto, a teor do que dispõe o art. 50 do Código Civil. Pretensão fiscal que não encontra, no ordenamento jurídico pátrio, fundamento de validade. Recurso provido. Acórdão nº 210201.487 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 CESSÃO DE DIREITOS DE PATRIMONIAIS DE AUTOR OU IMAGEM, NOME, MARCA OU VOZ PARA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. A partir da sanção, promulgação e publicação do art. 980A, § 5º, do Código Civil, devese reconhecer que soçobrou toda a discussão sobre eventuais óbices a impedir a atribuição de direitos personalíssimos à sociedade comercial ou civil de profissão regulamentada do Código Civil de 1916 (e sociedades simples e empresárias do Código vigente), porque não se pode conceber que tais direitos somente poderiam ser ativados em uma empresa individual de responsabilidade limitada, sendo claro que tal faculdade se aplica a qualquer tipo de sociedade, pois a proteção aos direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física tem sede no art. 5º, XXVII (aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar), XXVIII, “a” (são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas), da Constituição da República, não se podendo assim dizer que o art. 980A, § 5º, do Código Civil tenha criado um instituto de cessão de direito não existente anteriormente, ou seja, considerando a Fl. 4590DF CARF MF 24 constitucionalização do direito civil, forçoso entender que a possibilidade de cessão dos direitos citados existe, pelo menos, desde o advento da Constituição de 1988, sendo passível de utilização em qualquer tipo de sociedade. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. IMPLEMENTO DOS REQUISITOS DESSA TIPOLOGIA SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. A sociedade de profissão regulamentada deve prestar serviços de natureza civil, todos os sócios devem estar em condições de exercer a profissão regulamentada, capacitados para tal, e as receitas da sociedade devem provir da retribuição do trabalho profissional dos sócios. Esses são os requisitos para que se reconheça uma sociedade como tal, a qual fará jus à tributação na forma do art. 55 da Lei nº 9.430/96, não se admitindo que as receitas da sociedade sejam imputadas aos sócios prestadores do serviço, mesmo que executados a título personalíssimo. Recurso provido. Conforme despacho de fls. 4.384/4.388, o Recurso Especial do Contribuinte foi aceito parcialmente, somente em relação ao seguinte ponto: (i) divergência de interpretação quanto à cessão de direito de imagem, que exigiria a desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do Código Civil. O Reexame de Admissibilidade de fls. 4.389/4.390, confirmou o prosseguimento em relação a esse único ponto. Intimada, A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de fls. 4.393/4.394, alegando que a discussão de fundo do acórdão recorrido se restringe à matéria fática, portanto, descabe ser apreciada em sede de recurso especial e o que foi decidido no acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência, requerendo, assim, o desprovimento do Recurso Especial. Assim, estão em discussão os seguintes pontos: autorização de compensação do crédito tributário lançado com os tributos pagos pela pessoa jurídica; multa isolada por falta do recolhimento do carnêleão; divergência de interpretação quanto à cessão de direito de imagem, que exigiria a desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do Código Civil. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva, Relatora ADMISSIBILIDADE Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.517 25 Recurso Especial do Procurador O recuso especial do procurador atende todos os requisitos de admissibilidade, apesar da estranheza que causa ciência e protocolo do recurso no mesmo dia.Entretanto pela lógica do processo, entendo necessário analisar o recurso especial do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Já no que tange ao Recurso Especial do contribuinte, entendo que ele se reveste de todas as formalidades necessárias para sua admissibilidade e, desde já esclareço que não entendo cabível alegação da Procuradoria da Fazenda Nacional de que se trata de recurso para tornar esta Câmara Superior de Recursos Fiscais uma “terceira instância administrativa”, mas verifico a existência de controvérsias jurídicas relevantes, sobre as quais, não restam dúvidas, a destacar o que encontrase em litígio: Divergência de interpretação das Turmas Ordinárias da 2ª Seção quanto à cessão de direito de imagem, e a desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do Código Civil. Outrossim, trago a colação trecho do despacho de admissibilidade, pontualmente esclarecedor quanto à questão, da lavra do Dr. Luiz Eduardo...: “Comparandose este julgado com os paradigmas indicados, observase que há a divergência jurisprudencial necessária para o seguimento do recurso, uma vez que, em situação parecidas, os colegiados decidiram pela “necessidade da desconsideração da personalidade jurídica”, bem como que, desde o advento da Constituição Federal de 1988, “há a possibilidade de cessão dos direitos de imagem”, sendo passível de utilização em qualquer tipo de sociedade, “não se admitindo que as receitas da sociedade sejam imputadas aos sócios prestadores de serviço, mesmo que executados a título personalíssimo”. Ponto sobre o qual, passo a análise. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Exigir o crédito tributário é o mesmo que exercer a competência administrativa para produzir normas com o propósito de tornar efetivo o direito de crédito por parte da Fazenda Pública. Para tal, analisando o plano das normas abstratas, constatase que as prerrogativas da Fazenda Pública em exercer a atividade de produção destes atos administrativos de cobranças estão previstas em “consequentes” das noras de competência administrativa desempenho. Fl. 4592DF CARF MF 26 O teste de coerência e aderência desta competência administrativa, encontra se bem delineada pela doutrina, conforme se depreende do exaustivo estudo de Daniel Monteiro Peixoto, em Competência Administrativa na Aplicação do Direito Tributário1 “...a norma de competência administrativa – desempenho é aquela que, diante do motivo legal, estabelece a obrigação ou a facultatividade de ser produzir determinado ato administrativo. No percurso da instituição e cobrança do crédito tributário, todos so atos, se ocorridos os pressupostos delineados no motivo legal, são de produção obrigatória. (vinculação quanto à emanação do ato)” No motivo legal para a prática do ato de lançamento e imposição de multa, estão os critérios para a identificação de alguns fatos que devem ocorrer (evento tributário em tributo sujeito ao autolançamento + incorreta formalização) e outros que não devem ocorrer (causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário). Assim, uma vez configurados estes pressupostos positivos e negativos, nascerá a obrigação, por parte do agente fiscal, de produzir referido ato. Ainda sobre a análise do modal utilizado pelo consequente jurídico das normas de exigibilidade, importa a questão da prerrogativa ou obrigatoriedade do agente administrativo, conforme se vê: Vimos que a exigibilidade é a prerrogativa de praticar determinado ato administrativo de cobrança. Estra prerrogativa (permissão – Pp) surge no consequente da norma concreta e geral (se ocorrer determinado conjunto de fatos jurídicos, é permitido o exercício da competência pelo agente administrativo). A generalidade da relação reside no fato de que ninguém poderá impedir este exercício. Por outro lado, dissemos que os atos que marcam o percurso da instituição de cobrança do crédito tributário são de produção obrigatória (vinculação quanto à emanação), o que parece desmentir a ideia de prerrogativa (Pp) quando há, na verdade, a obrigação (Op). ...Qual a diferença, então, entre obrigar ou simplesmente permitir a prática de um ato administrativo? ...É usual a formulação de que toda conduta que não é expressamente proibida é permitida pelo ordenamento jurídico. Todavia, como observa LOURIVAL VILANOVA, a atribuição de habilitação para produzir normas não pode ser presumida, i.é, 1 PEIXOTO, Daneil Monteiro, Competência Administrativa na Aplicação do Direito Tributário, Quartier Latin – São Paulo, p. 199 e ss Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.518 27 não decorre da simples ausência de proibição2. Portanto, se inexistir norma que prescreva a permissão de se exercer determinada competência, ou ainda, se não estiverem configurados os pressupostos fáticos dos quais dimana a autorização, não se pode supor a habilitação em voga (exemplo: se não ocorrer o evento tributário, não surge a prerrogativa de se praticar o lançamento estrito. Mas o fiscal, no caso, quis preservarse quando realizou o presente ato administrativo de “deslocar” a sujeição passiva do imposto sobre a renda para a pessoa física, uma vez que: Se, ainda assim, o agente praticar a atividade de produção normativa, o ato produzido, apesar de portar presunção de validade, será passível de invalidação por vício no atendimento a requisito de emanação (não ocorrência do motivo). Não caberá, todavia, a imputação de penalidade ao agente, pois sua condita não fora qualificada como ilícita.” In casu, cabenos averiguar o que houve com a regra matriz de incidência tributária. A hipótese normativa, segundo Paulo de Barros Carvalho3 aponta a existência de um critério material – comportamento de alguma pessoa (física ou jurídica), condicionado no tempo – critério temporal – e espaço – critério espacial. Já o consequente normativo, de suma importância para a questão, pode ser decomposto em critério pessoal – sujeitos ativo e passivo – e critério quantitativo – base de cálculo e alíquota. Importa resgatar por de suma importância aqui que, MERA OCORRÊNCIA DE SITUAÇÃO SOCIAL QUE CORRESPONDA A ESTES CIRTÉRIOS, I. É, ÀS CLASSES DE ACONTECIMENTOS PREVISTAS NA HIPÓTESE, NÃO É SUFICIENTE PARA A INSTAURAÇÃO DO VÍNCULO TRIBUTÁRIO. É IMPERIOSO QUE HAJA UM ATO DE APLICAÇÃO PELO AGENTE COMPETENTE, QUE RELATANTO AQUELE ACONTECIMENTO (EVENTO TRIBUTÁRIO) MEDIANTE A LINGUAGEM DAS PROVAS EM DIREITO ADMITIDAS, O TRAGA PARA O PLANO DA 2 Quando comenta a respeito das condutas permitidas pela simples falta de proibição (“permissão negativa”, na terminologia kelseniana ou “permissão fraca”, na terminologia de Von WRIGT) o referido autor cuida de ressalvar que `dessa licitude de conduta não pode o titular favorecido munirse de autorização para exigir o cumprimento de obrigações, nem está habilitado para constituir, modificar ou extinguir relações jurídicas. Em outros termos: a permissão negativa não confere competência, habilitação ou poder (...) – VILANOVA, Lourival. As estruturas lógicas e o sistema do direito positivo. p. 274) 3 Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – fundamento jurídicos da incidência. Fl. 4594DF CARF MF 28 FACTICIDADE JURÍDICA, CONSTITUINDO ASSIM FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. Veja: com base na regra geral e abstrata, agora com atenção ao consequente, somente constituirá uma relação jurídica tributária quando temos sujeito e conteúdodever devidamente delimitados – v.g., fulano deverá pagar x reais a título de ICMS para o Estado de Goiás). Aqui se encontra a mais clarividente definição de legalidade tributária, que vem a ser exatamente o objeto do presente Recurso Especial do Contribuinte. O acórdão recorrido justifica um deslocamento independentemente da desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Este fenômeno (bizarro, nas palavras do prof. Alberto Xavier4) não é conhecido na ordem na ordem jurídica brasileira, que apenas permite como consequência da nulidade de ato ou contrato que sejam a fonte dos rendimentos em causa, nulidade essa que, no caso não existe, a desconsideração da pessoa jurídica nas específicas situações constantes da lei com apreciação do Poder Judiciário conforme podemos comprovar a partir dos seguintes fatos: A orientação do acórdão da Turma a quo contraria o correto entendimento da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que legitimou operação de “incorporação às avessas” – consistente em um ato ou sequencia de atos em que uma empresa deficitária incorpora outra superavitária para se beneficiar de compensação de prejuízos fiscais na apuração do IRPJ, sob o fundamento de que “inexistindo impedimento para a realização da incorporação tal como realizada” e não sendo o ato praticado “de natureza diversa daquela que de fato aparenta, não há como qualificarse a operação como simulada”. Além disso registrou que “o(s) objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do ato praticado (Acórdão 101 – 94.127). A orientação do recorrido, adveio uma alteração jurisprudencial anterior, sob o argumento de que o que era um direito, se convertera em seu abuso. A jurisprudência administrativa teria passado a desconsiderar (ênfase para o tipo: desconsiderar) negócios jurídicos para fins tributários, pautandose em critérios que não estão adstritos à legalidade, anterioridade do fato gerador e ausência de fraude (simulação). Destarte, a verdade é que a jurisprudência administrativa deu um salto muito mais profundo que aquele permitido por qualquer eventual ato inovador do Congresso Nacional (v.g. advento do parágrafo único do art. 116 do Código tributário Nacional e a possibilidade de “desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária – que 4 XAVIER, Alberto. Tributação das Pessoas Jurídicas tendo por objeto direitos patrimoniais relacionados com a atividade profissional de atletas, artistas, jornalistas, apresentadores de rádio e tv, bem como a cessão de direito ao uso de imagem, nome, marca e som de voz. Parecer. Fl. 4595DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.519 29 a nosso ver, não foi implementada e, ad argumentandum tantum SE SE COMPROVAR DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO ou ainda, ABUSO DE DIREITO – fundamentação constante do acórdão recorrido– o fisco poderia utilizarse subsidiariamente da norma constante do artigo 50 do Código Civil), foi como uma fábula de Horácio, retomada por La Fontaine “a montanha que pariu um rato”. Podemos falar em “uma nova natureza de operação jurídica: a lícita, mas inoponível ao Fisco5”? Nossa Constituição Federal determina que estamos no Estado Democrático de Direito e que um dos principais primados, o da segurança jurídica nos coloca sob o que XAVIER denomina “reserva absoluta da lei” ou “tipicidade cerrada”. Da reserva absoluta da lei, temos quatro enunciados dogmáticos: “o princípio da seleção, o princípio do números clausus , o princípio do exclusivismo e o principio da determinação ou da tipicidade fechada”. Ou seja, a ordem jurídica posta “exige que os elementos integrantes do tipo sejam de tal modo precisos e determinados na sua formulação legal que o órgão de aplicação do direito (os agentes administrativos) NÃO POSSAm INTRODUZIR CRITÉRIOS SUBJETIVOS DE APRECIAÇÃO NA SUA APLICAÇÃO CONCRETA. Temos aqui consequência do prescritivo constante dos artigos 146, III, “a” e 150, I da Carta Constitucional e seu conteúdo veda tanto alterações constitucionais supervenientes, quanto métodos de delegação indireta das normas constitucionais aos aplicadores do direito. Importa, ainda frisar a impossibilidade de restrições à liberdade econômica por razões não previstas no artigo 170 da Constituição Federal. O princípio da liberdade de contratar, direito também protegido pela legalidade não poderia estar “sujeito a qualquer restrição infraconstitucional em razões de ordem fiscal” que não tenham fundamento nos princípios elencados no capítulo constitucional da ordem econômica, especialmente aqueles propostos pelos incisos do art. 170. Não há que se falar na ilação constante do Auto de Infração: Verificando as declarações de ajuste anual da pessoa física de Gustavo Kuerten (fls. 11 a 21 e 1865 a 1870) constatase que não são declarados os rendimentos provenientes dos contratos de patrocínio e de uso de imagem celebrados com empresas brasileiras, os quais são incluídos como rendimentos da empresa Guga Kuerten Participações e Empreeendimentos Ltda, da qual é sócio com o irmão Rafael Kuerten, cada um possuindo 50% das quotas. O que chama a atenção nestes contratos é a tentativa de disfarçar o verdadeiro contratado, que é o Sr. Gustavo Kuerten, incluindoo como interveniente anuente, e tornandoo o 5 CALCINI, Fabio Palaretti. A desconsideração da pessoa jurídica para fins fiscais quando da prestação de serviços ou cessão de direitos personalíssimos e a jurisprudência do Carf. Algumas ponderações. Fl. 4596DF CARF MF 30 principal responsável pelo cumprimento do contrato, bem como a principal causa para a sua ruptura. Esta operação tem o claro objetivo de enquadrar os rendimentos em uma tributação menos onerosa, tendo em vista que a tributação na pessoa jurídica, através da opção pelo lucro presumido, é muito inferior àquela aplicável à pessoa física, que é a verdadeira contratada. Em relação à tributação dos rendimentos da pessoa física na pessoa jurídica o contribuinte, através de sua procuradora, argumenta (fls. 680 a 683), basicamente, que "(...) as atividades da Guga Kuerten Ltda não correspondem, simplesmente, à prestação de serviços por parte do indivíduo Gustavo Kurten" e que "(...) a participação do sócio Rafael Kuerten pode ser considerada da maior importância para o gerenciamento e comercialização da marca Guga Kuerten, uma vez que é ele a pessoa que de fato participa das negociações e fecha os contratos em nome da empresa". Estas afirmações são descabidas, pois: 1 os rendimentos que foram atribuídos incorretamente à empresa Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. decorrem do desempenho profissional e da conseqüente comercialização dos direitos de utilização do nome, marca, imagem e voz de Gustavo Kuerten, conforme demonstram as diversas cláusulas dos contratos descritas anteriormente; 2 Negociar os contratos é atividade diversa e anterior à prestação de serviços neles contratada. É uma atividade de intermediação. O negociador não é responsável pelo cumprimento do contrato, apenas tem procuração para vender o serviço em nome do terceiro. Portanto, Rafael Kuerten atua, em alguns contratos, como uma espécie de empresário/agente de Gustavo Kuerten. Não se pode confundir o empresário/agente com o profissional de tênis. Cabe ao primeiro a negociação do contrato recebendo para isto uma remuneração que pode ser paga pelo contratante ou pelo contratado e ao segundo a prestação do serviço ou a cessão dos direitos acordada no contrato; 3 Em vários contratos celebrados no Brasil o agente é a empresa Koch Tavares Promoções e Eventos S/A, o que reduz ainda mais a participação de Rafael Kuerten. Podemos citar como exemplo o contrato celebrado com a Pepsico Cia, em que a remuneração do agente é explicitada no contrato (fIs. 452) e paga diretamente pela contratante. Deuse a autuação com base no deslocamento de rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física com base no que se considera OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO E DA CESSÃO DE DIREITOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Veja que a fundamentação é de que o objetivo da sociedade é impossível juridicamente; ou seja, a cessão os direitos e prestação de serviços de caráter pessoal no que concerne às profissões de atletas não é passível a estes como objeto social. Fl. 4597DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.520 31 Entendo que tal proibição, se existisse seria flagrantemente inconstitucional tendo em vista os incisos XIII e XVII do artigo 5º da Constituição Federal – respectivamente estabelecem “ser livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” e que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar.” Ao contrário do que fundamenta a autuação ora sob análise, as leis pátrias vieram para aclarar esta possibilidade constante da Carta Constitucional, conforme o artigo 44 do Código Civil e o artigo 98, verbis: Celebram contrato de sociedades as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados” Veja que a sociedade empresária constituída pelo contribuinte recorrente continua a existir e a produzir efeitos, realizando uma série de fatos geradores de tributos. Está esta sociedade constituída conforme os ditames do art. 966 do referido Código Civil, que define o contribuinte como empresário “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens e serviços”, exatamente o que acontece com os sócios da Pessoa Jurídica “desconsiderada”, como sobejamente comprovado nos autos e o que não mais se encontra em discussão. De qualquer forma, sobre o objeto dessas sociedades, e tendo em vista este julgamento tratarse de um leading case, cabe discorrer brevemente sobre a distinção entre exercício da atividade e exploração de direitos patrimoniais. Segundo XAVIER, “no que concerne ao objeto dessas sociedades (simples – ainda que adotada qualquer das formas típicas reguladas nos artigos 1.039 a 1.092 do Código Civil, a saber: sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples e sociedade limitada), há que se distinguir o exercício efetivo da atividade profissional dos direitos patrimoniais dele decorrentes.” E continua: “Toda prestação de serviços – como trabalho que é 9art. 594 do Código Civil), só pode ser realizada, por natureza, por pessoas físicas, sendo a pessoa jurídica um instrumento criado pelo direito para a imputação a um novo sujeito de direitos de certos direitos, especialmente patrimoniais. ... A lei fiscal permite que tais atividades sejam exercidas à opção do contribuinte, quer diretamente pela pessoa física, que sob a forma de pessoa jurídica.” O mesmo mestre, salienta que os efeitos atualmente pretendidos pelas autoridades fiscais ao “deslocar” os rendimentos das pessoas jurídicas para as pessoas físicas já foi previsto por lei no Brasil. O Decretolei n.º 2.397, de 21/12/1987, instituiu um sistema de “transparência fiscal”, onde o imposto de renda das pessoas jurídicas prestadoras de serviços, não incidia sobre o lucro apurado, no encerramento de cada período base pelas referidas sociedades. Consideravase tal lucro automaticamente distribuído aos sócios de acordo com a Fl. 4598DF CARF MF 32 participação de cada um nos resultados da sociedade, ficando então sujeito a incidência do imposto de renda na fonte, como antecipação do devido na declaração da pessoa física. Um coisa porém é o “deslocamento” – ou melhor, a presunção de distribuição automática de lucros – ser objeto de lei que expressamente o prevê, outra coisa é o fisco pretender contra legem, obter por via administrativa, efeitos similares a da lei revogada. Similares, porque no caso sob análise, a atuação do fisco é ainda mais “ousada”: desconsidera a existência do outro sócio! Partese da premissa (inconstitucional e ilegal) do caráter artificioso da constituição das sociedades pelo profissionais, refugindo que a motivação empresarial da constituição da pessoa jurídica é, também, que os profissionais envolvidos, pretendem limitar a responsabilidade pelo seu exercício a parcela de seu patrimônio, que destaca para o efeito, devendo permanecer incólume o patrimônio remanescente. Impossibilidade ainda de manutenção da autuação fundamentada no artigo 3.º, § 4ª da Lei 7.713/88 para “deslocamento” dos rendimentos da pessoa jurídica para pessoa física. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Referido preceito legal representou a consagração de uma cláusula geral contendo o princípio da universalidade da tributação dos rendimentos – conforme o artigo 153, § 2.º, I da Constituição Federal. Não obstante as pessoas físicas passarem a ser tributadas por todas e quaisquer variações patrimoniais positivas do que adquiram a disponibilidade jurídica e econômica – conforme o art. 43 do CTN – não significa que nesta universalidade se possam incluir rendimentos que JURIDICAMENTE são de titularidade de pessoas jurídicas regularmente constituídas! Outrossim, não se pode invocar o disposto no artigo 123 do CTN para o malfadado “deslocamento” dos rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física, uma vez que este artigo 123 pressupõe a incidência do tributo se encontre claramente definida em lei e particulares celebrariam pactos ou convenções estabelecendo ENTRE SI – responsabilidade pelo pagamento de tributos. No caso de constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços correspondes a atividades profissionais, o que ocorre é a origem de uma nova entidade que passará a figurar ex lege como VERDADEIRO E ÚNICO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, que já nascerá na sua titularidade e à qual compete exclusivamente a responsabilidade pelo pagamento de tributos. Fl. 4599DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.521 33 Desta forma, verificase a total impossibilidade de subsistência da autuação e seus consectários. Apenas a título argumentativo, pois não é possível a subsistência do “deslocamento” dos rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do contribuinte recorrente, importa refutar o argumento de “abuso de direito”, constante do acórdão recorrido, insistase, inovando na fundamentação do auto de infração. Estabelece o art. 50 do Código Civil: Em caso de abuso da personaliade jurídia, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidas aos bens particulares do administradores ou sócios da pessoa jurídica. Como obtempera XAVIER, é bem de ver que que o referdo preceito é igualmente inaplicável ao caso concreto. A uma porque não poder alegarse desvio de finalidade quanto a uma pessoa jurídica que exerce REGULARMENTE o seu objeto social consistente na exploração dos direitos patrimoniais decorrentes de suas atividades profissionais ou da cessão de direito ao uso de certos direitos autorais. A duas não se pode alegar confusão patrimonial, eis que se encontram claramente delimitadas as fronteiras que separam as pessoas jurídica e física, presentes no presente caso, conforme largamente demonstrado na escrituração regular. Finalmente, porque a hipótese do artigo 50 do CC a desconsideração da personalidade jurídica é um efeito de decisão judicial. Outrossim, não se encontra nos autos nenhum elemento de falsidade, engano ou encobrimento. Existe este negócio jurídico, não permitindo duvidar da absoluta coincidência entre a vontade real e a vontade declarada pelo contribuinte que é a de explorar os direitos patrimoniais da atividade profissional sob a forma de pessoa jurídica, submetendose à tributação nos precisos termos da lei, sob a modalidade do lucro presumido. Nenhum artifício é objeto da vontade do contribuinte e da pessoa jurídica, uma vez que o business purpose, ou motivo empresarial é estabelecer uma limitação de responsabilidade para seu patrimônio. Releva notar que, no caso ora em exame, o Recorrente ofereceu tributação pela pessoa física todos os rendimentos auferidos por ele em torneios e a titulo de premiação (cf. Declarações de ajuste anual de fls. 11 e seguintes, bem como planilhas de fls. 1352 a 1358). Assim, o que foi tributado através da pessoa jurídica referida foram somente os rendimentos decorrentes de contratos celebrados com outras pessoa jurídicas, notadamente relacionados A exploração da imagem do Recorrente, que — como é sabido — é um atleta profissional mundialmente conhecido. Fl. 4600DF CARF MF 34 Foi por isso que se explorou bastante, através da decisão recorrida e também no Termo de Verificação Fiscal, a questão da cessão do direito de imagem, a qual, por si só, "justificaria" a tributação das receitas originalmente auferidas pela pessoa jurídica na pessoa física do Recorrente. No entanto, a exploração patrimonial de direitos personalíssimos — como é o da imagem pode ser sim cedida a terceiros, especialmente a pessoas jurídicas, desde que para tanto haja a anuência do detentor destes direitos. O direito A. imagem, na Constituição Federal, está previsto no art. 5°, da seguinte forma: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (.) V é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XXVIII são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; Por outro lado, no Código Civil, o direito A. imagem que é um dos direitos da personalidade teve o seguinte tratamento: Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Já a cessão de direitos autorais e conexos (como é o direito h. imagem) está prevista no art. 49 da Lei n° 9.610/1998, que assim determina: Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a titulo universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes corn poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: Decorre destas normas que o direito a imagem é personalíssimo e inviolável, além de intransmissível e irrenunciável. Isto é inconteste. Fl. 4601DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.522 35 No entanto, a melhor Doutrina esclarece que o direito h. imagem tem duas vertentes: uma moral e outra patrimonial. Por isso que a 4a Turma do Eg. STJ, por ocasião do julgamento do REsp nº74.473/RJ, proferiu julgado do qual se extrai a seguinte ementa, verbis: DIREITO AUTORAL. DIREITO À IMAGEM. PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA E VIDEOGRAFICA. FUTEBOL. GARRINCHA E PELE. PARTICIPAÇÃO DO ATLETA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA, SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITOS EXTRAPATRIMONIAL E PATRIMONIAL. LOCUPLETAMENTO. FATOS ANTERIORES AS NORMAS CONSTITUCIONAIS VIGENTES. PREJUDICIALIDADE. RE NÃO CONHECIDO. DOUTRINA. DIREITO DOS SUCESSORES A INDENIZAÇÃO. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME. I O direito it imagem revestese de duplo conteúdo: moral, porque direito de personalidade; patrimonial, porque assentado no principio segundo o qual a ninguém é licito locupletarse custa alheia. lI O direito à imagem constitui um direito de personalidade, extrapatrimonial e de caráter personalíssimo, protegendo o interesse que tem a pessoa de oporse à divulgação dessa imagem, em circunstâncias concernentes à sua vida privada. III Na vertente patrimonial o direito à imagem protege o interesse material na exploração econômica, regendose pelos princípios aplicáveis aos demais direitos patrimoniais. IV A utilização da imagem de atleta mundialmente conhecido, com fins econômicos, sem a devida autorização do titular, constitui locupletamento indevido ensejando a indenização, sendo legitima a pretensão dos seus sucessores. (REsp 74473/RJ, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 23/02/1999, DJ 21/06/1999 p. 157— sem destaques no original) Em outra oportunidade, aquela Eg. Corte assim se manifestou: DIREITOS AUTORAIS. LIQUIDAÇÃO. ART. 610 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DIREITOS MORAIS E DIREITOS PATRIMONIAIS. PEDIDO DE INDENIZAÇÃO AJUIZADO PELA EDITORA E CESSIONÁRIA POR UTILIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA DA OBRA. DIREITOS MORAIS PERSONALÍSSIMOS. CONFIGURAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITO PATRIMONIAL. PRECEDENTE DA CORTE. I. A violação de direitos autorais pode alcançar os direitos patrimoniais e os direitos morais, estes personalíssimos. Pedido de indenização ajuizado pela editora e cessionária por utilização não autorizada da obra, configura violação a direito patrimonial, sendo assim decidido. O Acórdão exeqüendo manteve integra a sentença, salvo ligeiro reparo quanto ao critério de indenização, que impôs feito por arbitramento Fl. 4602DF CARF MF 36 considerando o número de vezes em que se deu a veiculação indevida, com o que não ultrapassou o plano do direito patrimonial, tal e qual dispôs a sentença de liquidação, que merece, por isso, restabelecida. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 4I0.734/SP, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/2002, DJ 10/03/2003 p. 190) Fica claro, assim, que o que a pessoa jurídica em questão (Guga Kuerten Participações) faz é se utilizar da "vertente patrimonial" do direito à imagem, que pode sim ser cedida. Tratase de contrato de autorização de uso de imagem, visto que o Recorrente concede o exercício do direito de exploração de sua imagem a terceiros (no caso, a empresa Guga Kuerten Participações), sem abandonálo ou dele abdicar. 0 que se dd. 6 tão somente a permissão para a exploração de sua imagem, sem turbar a titularidade deste direito (A imagem). Que fique claro aqui, que o Recorrente não cede a pessoa jurídica o seu próprio direito de imagem, mas cede tãosomente os direitos patrimoniais decorrentes do uso de sua imagem. E isto é plenamente possível e legal. Esta licença do direito de imagem, inclusive, o que justifica a presença do Recorrente como interveniente nos contratos celebrados pela pessoa jurídica, já que é o seu próprio direito de imagem que está envolvido neles. O contrato de fls. 268 comprova que o contribuinte Gustavo Kuerten — detentor dos direitos sobre sua própria imagem cedeu a exploração patrimonial destes direitos à. pessoa jurídica Guga Kuerten Participações e Empreendimentos Ltda. Assim dispõe o referido contrato: Objeto: 0 presente contrato particular de autorização, tem por objeto conferir à Autorizada os mais amplos poderes e direitos no que diz respeito a administração e gerenciamento em relação ao uso da imagem, nome, marca e voz do atleta profissional de tênis Autorizador, podendo, em qualquer lugar e momento, firmar contratos, permissões de uso, confecção de objetos, comerciais, propagandas, a serem veiculadas na mídia em geral e tudo o mais que estiver no interesse da Autorizada, tendo como figura central a pessoa do Autorizador, sempre respeitados os contratos já existentes para que não haja choque de interesses, bem como a agenda profissional. Dai porque as receitas em questão (repitase, decorrentes da exploração patrimonial do direito de imagem do Recorrente, devidamente cedido à Guga Kuerten Participações) pertencem à pessoa jurídica, e não à física. Há que se reiterar, aqui, que todos os contratos mencionados pela fiscalização se referem A. exploração da imagem do Recorrente, por se tratar de atleta profissional mundialmente conhecido. Diante do exposto, e sendo passível de cessão a exploração destes direitos, nenhuma irregularidade ou ilegalidade existe nas contratações pactuadas pela pessoa jurídica. Por isso mesmo, as receitas decorrentes de tais contratos foram corretamente oferecidas tributação pela referida pessoa jurídica, não havendo que se falar no deslocamento destas para a pessoa física de seu sócio, o ora Recorrente. Fl. 4603DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.523 37 Assim, não pode prosperar a exigência fiscal em exame, no que diz respeito ao item 001 do lançamento, eis que não houve omissão de rendimentos por parte do Recorrente. Ad argumentandum tantum sobre a questão de ordem pública Assim, por estes motivos, DOU PROVIMENTO ao RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, a fim de anular o pretenso deslocamento/reclassificação. RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA Entendo que a questão sobre a compensação é perfeitamente bem desenvolvida no acórdão 9202002.764 – 2ª Turma, com voto vencedor do ilustre Conselheiro Luiz Eduardo INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADE PERSONALÍSSIMA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA AOS VALORES LANÇADOS. No caso de desconsideração de pessoa jurídica interposta para a realização de serviços personalíssimos, os tributos já recolhidos pela pessoa jurídica deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração. Entendo que, tendo sido desconsiderada a validade de um ato simulado, devem ser também desconsiderados todos seus efeitos e buscados os efeitos do ato dissimulado. Ora, a imputação dos valores pagos pela pessoa jurídica, referentes à atividade que – de acordo com a própria fiscalização – não teria sido por ela exercida, é uma mera conseqüência lógica e necessária ao lançamento. De outra forma, penso que não realizar a imputação dos valores pagos pela pessoa jurídica aos valores devidos pela pessoa física, decorrentes da mesma atividade, seria uma incoerência interna, desconsiderando se somente uma parte do ocorrido. Assim, acompanhando o voto do relator no tocante à qualificação da multa, divirjo na parte relativa à compensação dos tributos. Por todo exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso da PGFN, para manter a qualificação da multa, porém permitir a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica (na proporção dos lucros formalmente destinados ao contribuinte, em relação ao total de lucros destinados aos proprietários), com os tributos objeto do lançamento, exigidos da pessoa física. Quanto à multa do carnê leão duas multas pela mesma base de cálculo. Princípio da consunção. Fl. 4604DF CARF MF 38 Desta forma, voto por negar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Em julgamento os Recursos Especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional. No primeiro, discutese o regime de tributação de rendimentos decorrentes de contratos de cessão de direitos de imagem, se na Pessoa Jurídica ou na Pessoa Física. No segundo, analisase a possibilidade de aproveitamento dos tributos recolhidos pela Pessoa Jurídica, para pagamento dos tributos lançados na Pessoa Física, bem como a exoneração da multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Peço vênia para divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao Recurso Especial do Contribuinte. Tratase de Auto de Infração, por meio do qual é exigido Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, incidente sobre rendimentos recebidos pelo Contribuinte em decorrência de contratos firmados com terceiros para exploração de sua imagem, registrados e tributados como receita de Pessoa Jurídica constituída pelo Contribuinte e seu irmão. A Fiscalização entendeu que ditos rendimentos deveriam ter sido tributados pelo Imposto de Renda da Pessoa Física, sem desconsideração da personalidade jurídica da empresa que registrou as receitas decorrentes do serviço personalíssimo, mas sim pela mera reclassificação desses valores para tributação na Pessoa Física. Primeiramente, cabe delimitar o objeto do Recurso Especial, que constitui apelo de cognição restrita à demonstração de divergência jurisprudencial em face da lei tributária. Nesse momento processual, não há que se falar em exame de novas questões, documentos ou provas, tampouco no conhecimento de novos pedidos, apresentados posteriormente à interposição do recurso, inclusive aqueles trazidos em sede de memoriais ou de sustentação oral. Com efeito, o acolhimento de tal pretensão levaria a Câmara Superior de Recursos Fiscais a atuar como uma Terceira Instância, e não como a Instância apta a dirimir divergência jurisprudencial em face da legislação tributária, acerca daquilo que foi prequestionado, ou seja, que foi tratado no voto condutor do acórdão recorrido. É esse inclusive o posicionamento dos Tribunais Superiores, que examinam recursos semelhantes. Confirase: Superior Tribunal de Justiça "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. CITAÇÃO. INTIMAÇÃO. VÍCIOS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N. 282/STF E 211/STJ. DISPOSITIVOS Fl. 4605DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.524 39 LEGAIS. SIMPLES MENÇÃO. SÚMULA N. 284/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. Ausente o prequestionamento, exigido inclusive para as matérias de ordem pública, não se conhece do recurso especial, no ponto. 2. Na instância extraordinária não se aplica o princípio segundo o qual o juiz sabe o direito, de modo que não é suficiente a simples menção a dispositivo legal sem a demonstração de sua efetiva violação, cuja falta atrai as disposições do enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno a que se nega provimento." (Agravo em Recurso Especial nº 225.513 SC 2012/01867201, de 20/10/2016, Relatora Min. Maria Isabel Gallotti) "ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO DE VALOR DEPOSITADO. ARTIGOS 15A E 33, § 2º, DO DECRETOLEI 3.365/41. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. 1. Inexistindo, na Corte de origem, efetivo debate sobre os dispositivos de lei tido como violados pela parte recorrente, resta descumprido o requisito do prequestionamento, conforme dispõe a Súmula 282/STF. 2. É firme no Superior Tribunal de Justiça o entendimento quanto à necessidade de prequestionamento da matéria trazida a exame, ainda que vinculada a tema de ordem pública. 3. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 928.071 ES 2016/01451800, de 04/10/2016, Relator Min. Sérgio Kukina) "PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEBIMENTO COMO AGRAVO INTERNO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. DECISÃO MANTIDA. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, ainda que se trate de matéria de ordem pública, é exigido o requisito do prequestionamento. 2. Pedido de reconsideração recebido como agravo interno, ao qual se nega provimento." (RCD no Agravo em Recurso Especial nº 938.531 SP2016/01610350, de 22/11/2016, Relator Min. Antonio Carlos Ferreira) Fl. 4606DF CARF MF 40 Supremo Tribunal Federal "EMENTA: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL QUE NÃO ATACA TODOS OS FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE. CONTROVÉRSIA QUE DEMANDA ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. REAPRECIAÇÃO DOS FATOS E DO MATERIAL PROBATÓRIO CONSTANTES DOS AUTOS (SÚMULA 279/STF), BEM COMO A ANÁLISE DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS (SÚMULA 454/STF). CARÁTER PROTELATÓRIO. IMPOSIÇÃO DE MULTA. 1. A parte agravante não atacou todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso extraordinário, de modo que a decisão permanece incólume. Precedente. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal é firme em exigir o regular prequestionamento das questões constitucionais suscitadas no recurso extraordinário, ainda que se trate de matéria de ordem pública.Precedentes. 3. Para chegar a conclusão diversa do acórdão recorrido, imprescindíveis seriam a análise da legislação infraconstitucional pertinente, nova apreciação dos fatos e do material probatório constante dos autos (Súmula 279/STF), assim como a interpretação de cláusulas contratuais (Súmula 454/STF), procedimentos inviáveis em sede de recurso extraordinário. 4. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado em 25% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 5. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015." (ARE 97741 AgR/SC, Relator Min. Roberto Barroso, publicado em 29/08/2016) "1.Embargos de declaração em recurso extraordinário com agravo. 2. Decisão monocrática. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. 3. Inovação recursal. Matéria não ventilada no recurso extraordinário. Preclusão. 4. Matéria de ordem pública. Ausência de prequestionamento. Não interposição de embargos de declaração. Súmula 356 do STF. 5. Agravo regimental a que se nega provimento." Decisão:A Turma, por votação unânime, recebeu os embargos de declaração como agravo regimental e a ele negou provimento, nos termos do voto do Relator." (ARE 937975 ED/SP, Relator Min. Gilmar Mendes, publicado em 14/03/2016) Esclarecedor é o trecho do voto proferido pelo STJ no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 67.820SP (95.00120178), DJ de 25/09/1995: " (...) É que esta Corte, em reiteradas decisões, firmou escólio no sentido da imprescindibilidade do prequestionamento da matéria devolvida como condição posta ao conhecimento do apelo raro. Fl. 4607DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.525 41 Não se trata de 'birra', como desavisadamente possa parecer a alguns, mas de imenso esforço destinado a ver observados os princípios constitucionais e processuais norteadores da técnica processual. Com efeito, é defeso a esta Corte debruçarse sobre tema não examinado pelo acórdão recorrido, pois se assim procedesse estaria vulnerando o princípio das instâncias recursais, que limita a amplitude do efeito devolutivo. A supressão de instância, sua consequência concreta, constitui gravíssimo atentado contra as garantias processuais das partes, principalmente no que concerne ao direito de defesa. A apreciação de questão não debatida subverte o iter processual, apanha a parte adversa de surpresa e cria para esta Corte o ônus de conhecer tema jurídico inédito. A uniformização da interpretação da lei federal tem como pressuposto lógico a prévia existência de exegese distoante, não sendo logicamente possível exercer raciocínio dialético sem que haja duas teses antagônicas. Por isso, do ponto de vista lógicoprocessual, o conhecimento do apelo especial, in casu, é pleito de impossível atendimento.(...)" Assim, a matéria a ser tratada no presente voto é aquela que obteve seguimento à Instância Especial, limitandose o objeto do julgamento àquilo que foi debatido no acórdão recorrido, razão pela qual não conheço de matérias adicionais suscitadas pelo Contribuinte após a interposição do Recurso Especial. Nesse passo, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 2.921 a 2.923, confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 2.924, a matéria ora em discussão foi assim definida: Despacho de Admissibilidade "Comparandose este julgado com os paradigmas indicados, observase que há a divergência jurisprudencial necessária ao seguimento do recurso, uma vez que, em situação parecidas, os colegiados decidiram pela 'a necessidade da desconsideração da personalidade jurídica', bem como que, desde o advento da Constituição Federal de 1988, 'há a possibilidade de cessão dos direitos de imagem', sendo passível de utilização em qualquer tipo de sociedade, 'não se admitindo que as receitas da sociedade sejam imputadas aos sócios prestadores do serviço, mesmo que executados a título personalíssimo'." Despacho de Reexame "De fato, há divergência na matéria da cessão do direito de imagem, já que um paradigma exigiu a desconsideração da personalidade jurídica para mudança na tributação e o outro considerou regular os rendimentos declarados na pessoa jurídica." Fl. 4608DF CARF MF 42 Destarte, no que tange ao apelo do Contribuinte, a matéria alçada à Instância Especial diz respeito unicamente à cessão do direito de imagem, sendo que os argumentos recursais foram aduzidos à luz dos paradigmas por ele indicados Acórdãos nºs 10249.191 e 210201.487. O primeiro e principal argumento constante do Recurso Especial é no sentido de que teria havido a desconsideração da personalidade jurídica, o que de acordo com o art. 50, do Código Civil de 2002, demandaria autorização judicial: "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. (...) Art. 2.044. Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação." (Lei nº 10.406, de 10/01/2002, publicada no DOU de 11/01/2002) De plano, constatase que o Código Civil que o Contribuinte quer ver aplicado ao seu caso, por meio do art. 50, somente teve vigência em 2003. Quanto aos rendimentos em tela, estes foram recebidos durante os anoscalendário de 1999 a 2002 (Auto de Infração de fls. 1.924 a 1.926), portanto a eles não poderia ser aplicado o dispositivo legal pretendido, ainda que fosse esse o caso. Mesmo admitindose a aplicação retroativa do Código Civil de 2002, com o fito de fazer valer o seu art. 50 relativamente a fatos geradores anteriores à sua vigência, salientese que o caso ora analisado não demanda a utilização desse dispositivo legal, simplesmente porque não ocorreu a suposta desconsideração da personalidade jurídica, mas tão somente a reclassificação de rendimentos, conforme será demonstrado. Nesse ponto, equivocase a Ilustre Conselheira Relatora, ao asseverar que o presente julgamento constituiria leading case. Isso porque a Instância Especial já se debruçou sobre o próprio paradigma indicado pelo Contribuinte Acórdão nº 10249.191 oportunidade em que dito julgado foi reformado pelo Acórdão nº 9202002.451, de 08/11/2012, por meio do qual, à unanimidade, deuse provimento ao Recurso Especial que havia sido interposto pela Fazenda Nacional (disponível no sítio do CARF na Internet). Por oportuno, trago à colação o brilhante voto proferido no Acórdão nº 9202 002.451, reformador do paradigma acima, da lavra do Ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que traduz o posicionamento desta Conselheira, relativamente à suposta desconsideração da personalidade jurídica e à inaplicabilidade do art. 50, do Código Civil de 2002: "No mérito a questão posta é a possibilidade de caracterização, como próprios de pessoa física, de determinados rendimentos recebidos em nome de pessoa jurídica. (...) Verificase, assim, que a fiscalização não negou a existência da pessoa jurídica “Mesca Consultoria e Sistemas Ltda”, tendo, Fl. 4609DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.526 43 em verdade, reconhecido que os rendimentos auferidos pela referida pessoa jurídica decorrem do exercício, por seu sócio, do cargo de Diretor de Tecnologia da Informação na ASMAE. Assim, verificado que os rendimentos foram efetivamente auferidos pela pessoa física a autoridade fiscal lançou tais valores como rendimentos omitidos. Neste ponto, divirjo respeitosamente do entendimento manifestado pela decisão recorrida, eis que entendo não se cuidar de aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica e tampouco de aplicação do art. 50 do Código Civil, a ela vinculada. O tema já foi enfrentado por este colegiado em outras ocasiões, algumas das quais exemplifico abaixo: Acórdão 10614.244 'IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA Quando os rendimentos da pessoa física sujeitaremse tãosomente ao regime de tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizarse lançamento por homologação, o prazo decadencial tem inicio em 31 de dezembro do ano calendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa data, para realizar o lançamento de ofício. SIMULAÇÃO Não se caracteriza simulação para fins tributários quando ficar incomprovada a acusação de conluio entre empregador, sociedade esportiva, e o empregado, técnico de futebol profissional, por meio de empresa já constituída com o fim de prestar serviços de treinamento de equipe profissional futebol. MULTA QUALIFICADA DE OFÍCIO Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, capitulado na fôrma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, respectivamente. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício.' Acórdão 10418.641 Fl. 4610DF CARF MF 44 'IRPF RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS APRESENTADOR/ANIMADOR DE PROGRAMAS DE RÁDIO E TELEVISÃO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vínculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (art. 3º, § 4º, da Lei n° 7.713, de 1988). Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, os apresentadores e animadores de programas de rádio e televisão, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. IRPF CUSTO DE CONSTRUÇÃO ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA DO SINDUSCON Aplicase a tabela do SINDUSCON ao arbitramento do custo de construção de edificações quando o contribuinte não declara a totalidade do valor despendido em construção própria, limitandose a comprovar com documentos hábeis apenas uma parcela dos custos efetivamente realizados, em montante incompatível com a área construída. IRPF GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 1° de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. IRPF LEVANTAMENTO PATRIMONIAL "FLUXO FINANCEIRO" RENDIMENTOS NÃO DECLARADOS Na apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto devem ser levados em conta, como recursos, também os rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, quando componentes ou justificadores da mesma variação patrimonial, ainda que não declarados, sob pena de sua tributação indireta, no conceito de proventos de qualquer natureza. IRPF LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano base. Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.527 45 MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (art. 131 e 332, do C.P.C. e art. 29, do Decreto n.° 70.235, de 1972). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no inc. I, do art. 4°, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Sendo inaplicável às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco.' Destaco, desde já, que compartilho com o entendimento manifestado no v. acórdão recorrido de que o artigo 116, parágrafo único, do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, embora estabeleça que 'a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária' veicula norma antievasiva, que combate a simulação e outros abusos. Além disso, ainda pende de regulamentação. A acusação em exame, entretanto, não foi de simulação ou abuso, mas sim de recaracterização dos rendimentos por sua natureza personalíssima. Não se tratou, assim, de desconsiderar a existência da pessoa jurídica (no que divirjo do entendimento do acórdão recorrido, que considerou aplicável o art. 50 do Código Civil), mas sim de tributar os rendimentos como sendo alocados à pessoa física, tendo em vista o conjunto fático composto de vários elementos, dentre os quais destaco: (...) Diante dos fatos acima o agente fiscal qualificou os rendimentos recebidos como tributáveis pela pessoa física, sem que para tanto seja necessário imputar simulação ou fraude na constituição da pessoa jurídica. Tratase, a rigor, de divergência na qualificação dos fatos e determimação do regime tributário aplicável, sem que o procedimento do contribuinte (feito às claras e sem propósito doloso de esconder o fato gerador) possa ser qualificado como simulado ou fraudulento. Tanto assim que não (sic) Dessa forma, entendo correto o lançamento dos valores como rendimentos recebidos pelo contribuinte pessoa física. Fl. 4612DF CARF MF 46 Nada obstante, em consonância com a jurisprudência acima referida, entendo que eventuais tributos pagos pela pessoa jurídica sobre os rendimentos recebidos da ASMAE (i.e. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) devem ser descontados do montante do IRPF devido, apurado por meio do presente lançamento. (...) Dessa forma, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o lançamento, devendo, no entanto, ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi imputada a rendimentos da pessoa física." (grifei) Decisão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o lançamento com a compensação de tributos já pagos, nos termos do voto do relator." (grifei) Composição da Turma: "Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire." E nem se alegue que o caso discutido no Acórdão nº 10249.191, acima colacionado indicado pelo próprio Contribuinte como paradigma seria diferente do caso analisado no presente processo, porque se assim fosse o seu Recurso Especial sequer poderia ter sido conhecido, já que a divergência não se configura quando as situações fáticas não são similares. Nesse passo, registrese que não foi levantado qualquer óbice quanto à admissibilidade do recurso do Contribuinte, que foi conhecido à unanimidade pelo Colegiado. Assim, constatase que a matéria ora tratada há muito vem sendo discutida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como nos antigos Conselhos de Contribuintes, inclusive na Instância Especial, e o entendimento restou sedimentado no sentido da impossibilidade, à época dos fatos geradores em tela, de prestação de serviços personalíssimos por meio de Pessoa Jurídica. Nesse sentido, a seguir serão reproduzidas as ementas de mais alguns julgados no mesmo sentido: Acórdão nº 10421.954, de 18/10/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão Fl. 4613DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.528 47 preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n°. 4.502, de 1964. A realização de operações envolvendo empresas com o propósito de dissimular o recebimento de remuneração por serviços prestados por pessoa física, caracteriza a simulação e, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÉNCIA A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude, sendo inaplicável às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. Fl. 4614DF CARF MF 48 INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Preliminar rejeitada. Recurso negado. Acórdão nº 220200.252, de 23/09/2009 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU 1SICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da finura de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Acórdão nº 210100.979, de 10/02/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IRPF. Lançamento por homologação. Art. 150, § 4º, do CTN. Falta de pagamento de parcela do tributo. Aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Decadência afastada. Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.529 49 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza não comercial e personalíssima, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhe dê. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO Reconhecido o pagamento na pessoa jurídica, cabe deduzir a exigência na pessoa física. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão nº 210201.490, de 24/08/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2003,2004 (...) IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM CARÁTER INDIVIDUAL. DESEMPENHO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Dentro da nova tipologia do direito da empresa do Novo Código Civil, vêse que a recorrente sequer poderia ser considerada “empresário”, constituída como empresa individual (firma individual), nos limites do art. 966, parágrafo único, do Código Civil, pois exerce profissão de natureza artística, não restando comprovado nos autos a presença do elemento de empresa. Ao revés, percebese que a contribuinte desempenha atividade de modelo, em caráter individual, devendo os rendimentos auferidos na atividade serem tributados como pessoa física, na forma do art.150, §2º, I e II, do Decreto nº 3.000/99. Acórdão nº 280101.870, de 28/09/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se argumento estranhos aos autos deixa Fl. 4616DF CARF MF 50 de ser rebatido no julgamento de primeira instância, tal fato não cerceia o direito de defesa e nem gera prejuízo ao sujeito passivo e, portanto, não pode gerar a nulidade pretendida. RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São tributáveis na pessoa física os rendimentos proveniente de prestação de serviços de natureza personalíssima, devendo ser excluídos aqueles que já foram espontaneamente declarados. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. IMPOSTO DEVIDO APURADO. ERRO DE FATO. CORREÇÃO. Cabe recalcular o imposto devido apurado quando constatado que diferença de desconto simplificado não aproveitada na declaração apresentada deixou de ser computada pela autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão nº 2202001.496, de 29/11/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos decorrentes de serviços de natureza eminentemente pessoal, ou seja, aqueles que decorrem do fruto do desempenho pessoal do indivíduo e que não podem ser prestados por outrem, devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador do serviço, sendo irrelevante a denominação que lhes seja atribuída ou a criação de pessoa jurídica visando alterar a definição legal do sujeito passivo. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o Fl. 4617DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.530 51 art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Acórdão nº 280102.280, de 12/03/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São tributáveis na pessoa física os rendimentos provenientes de prestação de serviços de natureza personalíssima, devendo ser excluídos aqueles que já foram espontaneamente declarados. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão nº 2202001.702, de 13/03/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos decorrentes de serviços de natureza eminentemente pessoal, ou seja, aqueles que decorrem do fruto do desempenho pessoal do indivíduo e que não podem ser prestados por outrem, Fl. 4618DF CARF MF 52 devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador do serviço, sendo irrelevante a denominação que lhes seja atribuída ou a criação de pessoa jurídica visando alterar a definição legal do sujeito passivo. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei no 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que o referido dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Acórdão nº 2801002.733, de 17/10/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA. RESPONSABILIDADE. A ausência de retenção e de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do tributo. ABUSO DE DIREITO. ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRIVADOS. INEFICÁCIA DECLARADA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O abuso de direito viabiliza a declaração da ineficácia dos atos e negócios privados cujos efeitos repercutem na esfera tributária. Mas para que o Fisco se valha desta figura e declare a ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte, com o objetivo de buscar os efeitos tributários decorrentes dessa declaração, é necessário que a autoridade fiscal, na motivação do ato de lançamento, aponte de forma clara e convincente os fatos que caracterizaram o abuso. DIREITO DE IMAGEM. CESSÃO. TRIBUTAÇÃO. A prestação de serviços de forma pessoal e individual, em face da cessão onerosa da imagem e do nome de treinador de futebol, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, deve ser tributada na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para intermediar a relação treinador/entidade esportiva. TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais. Preliminar Rejeitada Acórdão nº 210202.441, de 19/02/2013 ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.531 53 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. CONTRIBUINTE. São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos. No presente caso, restou sobejamente comprovado que as relações jurídicas que ensejaram o recebimento dos valores em tela não poderiam ser objeto de prestação por uma Pessoa Jurídica, o que se evidencia pelas próprias obrigações contratuais, tais como realizar entrevistas, usar determinadas peças de vestuário e estar presente em eventos específicos. Ora, essas são obrigações de impossível cumprimento por uma Pessoa Jurídica, restando evidente que foram desempenhadas pela Pessoa Física do Contribuinte autuado. No mesmo sentido, as hipóteses elencadas nos contratos, que ensejariam a eventual rescisão, têm como consequência a condenação da Pessoa Física, já que ditas condutas obviamente não poderiam ser imputadas a uma Pessoa Jurídica. Assim, constatase claro equívoco jurídico ao se classificar os rendimentos decorrentes desses contratos como receita de uma Pessoa Jurídica, já que se trata de efetivos rendimentos da Pessoa Física cumpridora das obrigações contratuais. Em outras palavras, aos fatos ocorridos não foi corretamente aplicado, pelo Contribuinte, o direito vigente à época, ou seja, não foi aplicado o correto regime jurídico a que estavam sujeitos os rendimentos auferidos. Confirmando a conclusão acima, somente a partir de 2006 passouse a admitir a possibilidade, em alguns casos, de tributação de rendimentos decorrentes de serviços personalíssimos na Pessoa Jurídica, nos termos do artigo 129, da Lei nº 11.196, de 2005, a seguir reproduzido: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Destarte, conforme a jurisprudência reiterada do CARF, somente a partir da vigência do dispositivo legal acima é que passou a ser possível, em determinados casos, a tributação de valores decorrentes de relações jurídicas personalíssimas como prestação de serviços de sociedade. Isso porque o dispositivo introduz no sistema, na forma de ficção jurídica, regime jurídico contemplando situação que anteriormente não era permitida. Cabe destacar a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, já que não se trata de retroatividade benigna, tampouco de lei interpretativa, mas sim de alteração de regime jurídico de tributação. Como os fatos geradores em discussão são anteriores à citada lei, não há que se falar em sua aplicação. Fl. 4620DF CARF MF 54 Apenas a título de esclarecimento, a desconsideração da personalidade jurídica, nos termos definidos no Código Civil de 2002, determinada pelo juiz, a requerimento da parte ou do Ministério Publico, tem por objetivo buscar, no patrimônio dos sócios, os recursos necessários ao adimplemento de obrigações da sociedade, com o afastamento da limitação de responsabilidade, nos casos de desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Ocorre que, no presente caso, não se trata de adimplemento de obrigações da Pessoa Jurídica pelos sócios, mas sim da existência de obrigações tributárias da Pessoa Física de um dos sócios, em face de fatos ocorridos, de sorte que o dispositivo é absolutamente inaplicável. Assentado que os rendimentos ora tratados devem ser tributados na Pessoa Física, correta a exigência do respectivo imposto com base nas regras específicas, estabelecidas na Lei nº 7.713, de 1988, com as alterações posteriores, ou seja, com base na tabela progressiva. No rastro da premissa equivocada de que no presente caso teria ocorrido a desconsideração da personalidade jurídica, o Contribuinte argumenta ainda pela inaplicabilidade do art. 123, do CTN, e do art. 150, do RIR/1999, entendimento este adotado no paradigma representado pelo Acórdão nº 10249.191, cuja reforma pela Instância Especial deixou patente o equívoco da premissa. Ainda assim, os argumentos serão analisados, iniciandose pela suposta inaplicabilidade do art. 123, do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assentada a impossibilidade de tributação dos rendimentos em questão na Pessoa Jurídica, o art. 123 do CTN é plenamente aplicável ao presente caso. Isso porque, independentemente da existência da empresa e dos contratos particulares a ela direcionando os respectivos ganhos, a legislação tributária define expressamente a tributação dos rendimentos de qualquer natureza, recebidos por pessoa física, por meio da Declaração de Ajuste Anual, conforme, repitase, as regras da Lei nº 7.713, de 1988, com as alterações posteriores. Nesse passo, esclareçase que não foi a constituição da Pessoa Jurídica, em si, que fundamentou o lançamento, mas sim a tributação, na Pessoa Jurídica, de disponibilidade de renda de titularidade da Pessoa Física, de sorte que a materialidade dos fatos aqui tratados identificase perfeitamente com as situações definidas na legislação tributária, em que o Contribuinte do imposto é necessariamente a Pessoa Física. Quanto ao artigo 150, do RIR/1999, este foi mencionado no acórdão recorrido apenas como reforço de argumentação à impossibilidade de tributação dos rendimentos em tela na Pessoa Jurídica, sem prejuízo dos demais dispositivos legais constantes do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal. O Contribuinte, por sua vez, ao rechaçar tal argumento, ancorase no entendimento exarado no paradigma representado pelo Acórdão nº 10249.191, que, repitase, já foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, resta deixar patente que a questão discutida nos presentes autos não diz respeito à forma de sociedade criada pelo Contribuinte, mas sim à espécie de rendimento de natureza personalíssima que se intentou tributar por meio da Pessoa Jurídica, qualquer que seja a sua modalidade. Finalmente, no que tange ao art. 5º, inciso XXVIII, "a", da Constituição Federal, que alberga a proteção à reprodução da imagem e voz humanas, citado pelo Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.532 55 Contribuinte como se houvesse sido violado, salientese que em momento algum tal direito foi questionado. O que se questionou foi o regime de tributação equivocado, adotado pelo Contribuinte quando da cessão desses direitos. Nesse passo, reiterase que houve tão somente a correção do equívoco, mediante a reclassificação dos rendimentos para a Pessoa Física. Afinal, esse era o regime de tributação, no caso de serviços personalíssimos, inclusive aqueles envolvendo o direito de imagem. Esse é o entendimento adotado pela jurisprudência do CARF, conforme restou demonstrado. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, voto com a Relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 4622DF CARF MF 56 Declaração de Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Como visto, o ponto fulcral do presente caso é saber se o direito de exploração de imagem da pessoa física poderia ser cedido para pessoal jurídica com atividade empresarial, anteriormente à Lei 11.196/2005. No entendimento da fiscalização, o contribuinte em questão não poderia ceder seu direito de explorar sua imagem, pois a “proteção legal conferida ao nome do atleta é intransmissível, ou seja, somente o atleta pode ser proprietário da marca” (fl. 3.290). Desse modo a receita da exploração da imagem do contribuinte auferida pela pessoa jurídica foi desqualificada e considerada como rendimento tributável da pessoa física. Vale frisar, o negócio jurídico (contrato) da cessão de direito foi desconsiderado pela fiscalização. No entender da fiscalização a celebração do contrato de cessão teve o objetivo de enquadrar os rendimentos numa tributação menos onerosa. Penso de forma diferente. Inicialmente, importa registrar que não estamos aqui tratando de transmissão de direitos personalíssimos, mas apenas da cessão de seu uso. E sobre essa cessão nunca existiu nenhuma vedação legal em nosso ordenamento jurídico. Ao contrário disso, analisando a evolução da legislação é possível depreender que sempre houve expressa permissão legal. Especificamente em relação ao nome ou apelido desportivo de atleta profissional a Lei 9.615/1998, em seu artigo 87, parágrafo único, sempre garantiu seu uso comercial, da seguinte maneira: Art. 87. A denominação e os símbolos de entidade de administração do desporto ou prática desportiva, bem como o nome ou apelido desportivo do atleta profissional, são de propriedade exclusiva dos mesmos, contando com a proteção legal, válida para todo o território nacional, por tempo indeterminado, sem necessidade de registro ou averbação no órgão competente. Parágrafo único. A garantia legal outorgada às entidades e aos atletas referidos neste artigo permitelhes o uso comercial de sua denominação, símbolos, nomes e apelidos. Em 2011, o direito à cessão do uso da imagem do atleta foi alçado à condição de norma legal nitidamente de caráter interpretativo, com a inserção do artigo 87A, à referida Lei 9.615/1998, nos seguintes termos: Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.533 57 Em meu entendimento a norma acima transcrita foi introduzida no ordenamento jurídico com o nítido objetivo de esclarecer que a relação jurídica relativa à cessão do direito de uso de imagem do atleta sempre foi distinta da relação jurídica de trabalho desportivo. Ou seja, tal norma veio ao mundo jurídico apenas com o intuito de esclarecer que o instituto da cessão, negócio jurídico distinto do trabalho desportivo, não poderia ter o mesmo tratamento legal que este último. Por este motivo, entendo que não houve qualquer irregularidade na cessão realizada pelo contribuinte em questão. De fato, exigir que o contribuinte exercesse suas funções de atleta, o que lhe exigia treinamento constante, bem como a realização de viagens por todo o mundo para participação em campeonatos, aliada às funções de gestor de sua imagem, seria exigir algo que nenhum ser humano seria capaz de realizar sozinho. Nesse contexto, nada mais lógico do que se associar a terceiro para delegar a atividade de exploração da imagem, de modo a permitir que o melhor das duas atividades fosse executado. Assim, por essa razão entendo que a decisão da Turma a quo merece ser reformada. Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse que os valores recebidos pela cessão da imagem do contribuinte seriam rendimento próprio, vejo que o lançamento realizado encontrase eivado de vício material, tendo em vista o erro na apuração da base de cálculo do tributo. Nos termos do artigo 75, do Decreto 3.000/1999, o contribuinte que auferem rendimentos do trabalho não assalariado, podem deduzir da receita decorrente da atividade os encargos previstos em seus incisos, da seguinte forma: Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Ocorre que, como visto anteriormente, no trabalho fiscal realizado no presente caso houve apenas a reclassificação das receitas da pessoa jurídica para a pessoa física, sendo mantidas na pessoa jurídica todas as despesas necessárias para o exercício da atividade. Fl. 4624DF CARF MF 58 Logo, a base de cálculo do IRPF utilizada para se calcular o imposto ora exigido está sobremaneira majorada, contrariamente ao que determina a legislação. Nesse contexto, eivado de vício material o lançamento efetuado. Contudo, tendo em vista que entendo ser totalmente legítima a cessão da imagem realizada pelo contribuinte, para que sua exploração fosse realizada pela pessoa jurídica, DOU provimento ao seu recurso e NEGO provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.534 59 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Corroborando o posicionamento da relatora, saliento que acompanho o voto desta em razão do mesmo estar em consonância com Ordenamento Juridico Pátrio. Em breves palavras é muito importante no momento da resolução de uma demanda administrativa que o Conselho de Julgadores atente para o objetivo do Tribunal Administrativo. Primeiramente, a solução do conflito com a Administração Pública deve se dar no máximo quanto possível no âmbito de suas próprias instalações, ou seja, no órgão definido como apaziguador da contenda havida entre as partes, tendo como elemento norteador de suas funções o interesse público e o atendimento ao princípio da legalidade. evitando ao máximo a judicialização das questões. Ou seja, o tribunal Administrativo precisa ser útil a sociedade. Seguindo aqui a linha que já adotei em outras oportunidades, o princípio da legalidade deve ser observado nos termos da lei 9784/99, devendo o servidor público no exercício de sua atividade pública ou judicante agir conforme a Lei e o Direito. No caso em tela, a simples aplicação da lei já garante ao Contribuinte o direito legítimo de dispor de seu direito de imagem. Imagem é patrimônio. Essa possibilidade não surge para o ordenamento Jurídico através de Lei Ordinária, Complementar, Decreto ou Portaria. Esse é um Direito previsto na redação da nossa Carta Magna, no art 5 da Constituição Federal de 1988. A chamada Constituição Cidadã elencou um conjunto de valores, direitos e garantias fundamentais, tendo sido o direito de imagem um deles. Observese que sequer o Código Civil Brasileiro, vigente a época dos fatos, proibia a disposição de vontade acerca do direito de imagem. Sendo assim, se a Constituição Federal garantiu o Direito ao cidadão de dispor de sua imagem e o Direito Civil, que é o responsável por disciplinar as relações que envolvem cessão de Direito patrimonial, nesse caso de imagem, não limitou sua disponibilidade, não cabe ao Direito Tributário, por meio de ato de vontade da fiscalização da Receita Federal o fazer. Desse modo, seguindo o princípio basilar do Direito Administrativo de respeito a legalidade, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). Fl. 4626DF CARF MF 60 A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Contudo, não poderá ser imputado ao Contribuinte proibições, sanções ou quaisquer atos mais gravosos que aqueles “estritamente” constantes no texto de lei. Motivo pelo qual, em função de não haver qualquer proibição expressa em lei, o direito do contribuinte em ceder sua imagem à Pessoa Física responsável pela administração e gestão da mesma, não pode ser objeto de glosa, ou impedimento por parte da Administração Pública, pois caso fosse esta a intenção do legislador deveria têlo feito de forma expressa e não o fez. Observese, inclusive, que quando o fez por meio da Lei, uma sucessão de novas disposições a respeito do tema, com as leis 11.169/05, 12.395/ 2011, 12.441/2011, tratou de permitir tal disposição, aventando assim que este sempre foi o interesse público a ser resguardado a licitude da tributação da exploração do direito patrimonial de imagem através de pessoa jurídica. Outros pontos podem ser referidos ainda, como elementos favoráveis a tese do Contribuinte, sendo o principal deles a equivocada desconsideração da Pessoa Jurídica operacionalizada pela fiscalização. Mais uma vez o princípio da legalidade restou descumprido pela própria Administração Pública que na ânsia de lançar a infração o fez de modo duvidoso. Aplicando o instituto chamado de deslocamento da pessoa Jurídica, não foram adotados os procedimentos legais para sua aplicação e analisando o caso pormenorizadamente observase que não há nos autos nada que permita sua aplicação. A imagem do atleta era gerida de forma profissional, não há nos autos nada que sugira ilegalidade, a empresa possui sede própria, a empresa possui funcionários registrados, todos os impostos eram recolhidos. Ou seja, a Empresa existe faticamente não Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 11516.000152/200451 Acórdão n.º 9202004.548 CSRFT2 Fl. 4.535 61 podendo ser desconsiderada sem justificativa plausível. Algo que existe e opera efeitos não pode simplesmente ser ignorada pela fiscalização. O imposto de Renda Pessoa Fisica dos sócios correspondem fielmente ao Imposto de Renda declarado pela Empresa, sendo que os prêmios do atleta de origem personalíssima não foram recebidos na pessoa Jurídica, mas sim corretamente apenas na pessoa física. Desse modo, a desconsideração da pessoa Jurídica, ou o deslocamento de sua personalidade jurídica, não pode ser banalizado a gosto do Estado. Sob pena de se estabelecer um Estado de exceção cujo ordenamento Jurídico não é capaz de garantir segurança jurídica aos seus cidadãos. Por fim, e não menos importante, uma pergunta que não quer calar: ‘ se a empresa vai ser desconsiderada pela fiscalização, todos os impostos pagos por ela serão devolvidos ao Contribuinte? ’ Afinal, se o estado não pode enriquecer ilicitamente cobrando em duplicidade do contribuinte, ora na pessoa física, ora na pessoa jurídica, naquilo que se refere a um mesmo fato gerador Os valores pagos pela empresa foram descontados da base de cálculo sobre a qual foi aplicado o Imposto de renda Pessoa Física? Observando atentamente o auto de infração observase que não. Ou seja, existe ainda um vício na base de cálculo sobre a qual foi calculado o imposto devido. Quanto a alegação ventilada no colegiado de que o erro na base de cálculo não foi trazido em sede de Recurso Especial, observo que os elementos constitutivos do auto de infração podem e devem ser analisados pelos julgadores no momento do julgamento do processo em respeito ao princípio da verdade material, pois o erro não se consubstancia com o tempo, devendo interesse público pela verdade subsistir. Diante destes argumentos, seja pela falta de previsão legal que limite a disponibilidade do direito de imagem, seja pelo equivocado deslocamento da pessoa jurídica, ou ainda pelo erro na base de cálculo sobre o qual se funda o lançamento, voto nos termos da relatora por conhecer do Recurso do Contribuinte e no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 4628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724801/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2007,2008 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão do inadimplemento de uma obrigação tributária apurada em lançamento de ofício com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. PRECLUSÃO. QUESTÕES ALEGADAS PELA PRIMEIRA VEZ EM SEDE RECURSAL.
Não se toma conhecimento das questões que foram alegadas pela primeira vez no recuso voluntário, porque foram alcançadas pela preclusão.
Numero da decisão: 1801-000.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão do inadimplemento de uma obrigação tributária apurada em lançamento de ofício com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. PRECLUSÃO. QUESTÕES ALEGADAS PELA PRIMEIRA VEZ EM SEDE RECURSAL. Fl. 846DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 954 2 Não se toma conhecimento das questões que foram alegadas pela primeira vez no recuso voluntário, porque foram alcançadas pela preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$198.403,59, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2006 e 2007 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que a escrituração obrigatória revelou deficiências que a tornou imprestável para determinar o lucro real. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de prestação de serviços gerais apurada a partir da receita conhecida relativamente aos dados constantes nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços apresentadas pela Recorrente. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), restou esclarecido que as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) referentes ao regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendário de 2006 e 2007 foram entregues sem o preenchimento dos valores correspondentes à receita bruta. Da mesma forma as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) atinentes ao segundo semestre do anocalendário de 2006 foram entregues sem o preenchimento dos valores dos tributos. Os Livros Diário dos anoscalendário de 2006 e 2007 apresentados em 10.09.2009 não estavam registrados e autenticados na Junta Comercial do Estado da Bahia e os termos de abertura e de encerramento não estavam assinados pelo responsável legal. Também os termos de abertura e de encerramento dos Livros Razão dos anoscalendário de 2006 e 2007 apresentados em 10.09.2009 não estavam assinados pelo responsável legal. Nestes livros estão Fl. 847DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 955 3 registrados a título de receita bruta total os valores das de R$1.318.693,12 no anocalendário de 2006 e de R$1.208.108,49 no anocalendário de 2007, que são diferentes daqueles apurados de ofício e por esta razão não foram considerados (colunas B e C da Tabela 1). Os demais livros obrigatórios não foram apresentados. Nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras constam como rendimentos brutos totais os valores de R$3.000.991,57 no anocalendário de 2006 e de R$2.466.112,75 no anocalendário de 2007, que são diversos daqueles apurados de ofício e por este motivo os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) não foram deduzidos do IRPJ (colunas B e C da Tabela 1). Tabela 1 – Demonstrativo dos valores objeto da omissão de receitas nos anoscalendário de 20062007 Descrições Meses (A) AnoCalendário de 2006 R$ (B) AnoCalendário de 2007 – R$ (C) Janeiro 504.900,10 235.681,32 Fevereiro 312.968,51 145.538,92 Março 257.046,42 153.697,72 Abril 200.131,23 142.420,29 Maio 308.644,14 250.410,36 Junho 0,00 77.955,64 Julho 280.895,34 207.699,02 Agosto 554.461,77 458.015,48 Setembro 231.691,94 321.678,24 Outubro 168.005,10 135.419,25 Novembro 244.974,06 157.294,62 Dezembro 269.540,88 128.658,50 Total 3.333.259,49 2.414.469,36 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso II do art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$78.048,98 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. Fl. 848DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 956 4 III – O Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$128.975,61 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$360.227,48 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 29 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Houve a lavratura do Termo de Cientificação de Arrolamento de Bens e Direitos (art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997). Cientificada em 23.03.2010, a Recorrente apresentou a impugnação em 09.04.2010, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que se portou de maneira correta em relação à escrituração comercial e fiscal e ao atendimento às solicitações decorrentes do procedimento fiscal. Diz que apresentou as DIPJ e as DCTF sem valores para não entregálas fora do prazo legal. Suscita que a que o lançamento fundamentado na omissão de receitas não tem força normativa de tornar sem efeito a sua opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Expõe que deve ser deduzido o IRRF, uma vez que é considerado como antecipação do IRPJ devido (art. 51 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Defende a tese de que esta compensação afasta a exigência tributária. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional, inclusive no sentido de que não há previsão legal estabelecendo sanção pela não escrituração do Livro Caixa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Resume 1) a desconsideração de todo o auto de infração, em virtude de não transcrição no Livro Caixa, não poderá ser aplicada; 2) Deixandose de lado a interpretação canhestra dada, o lançamento deve ser também declarado improcedente: a) em razão da multa aplicada não corresponder à infração cometida, nenhum tributo deixou de ser pago; Fl. 849DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 957 5 b) em virtude de a Reclamante haver utilizado, de acordo com a lei, as compensações, de haver observado na sua elaboração os ditames das leis comerciais e fiscais e de haver procedido a sua transcrição nos Livros Caixa. Conclui Face ao exposto, Requer a improcedência do lançamento, decretandose nulo e o arquivamento do auto de infração pertinente ao imposto de renda, assim como os autos concernentes às contribuições sociais, vez que se trata de simples decorrência daquele. P. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1524.643, de 25.08.2010: “Impugnação Improcedente em Parte”, uma vez que foram deduzidos do IRPJ os valores IRRF constantes nas DIRF entregues pela Prefeitura de Ipecaetá/BA, CNPJ 13.621.735/000183, pela Prefeitura de Feira de Santana/BA, CNPJ 14.043.574/000151 e pela UNIMED de Feira de Santana, CNPJ 13.342.878/000157. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. A opção pelo lucro presumido deve ser manifestada pelo recolhimento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. A falta de escrituração de parcelas significativas das receitas auferidas pela empresa e dos balanços trimestrais e a não apresentação dos livros de registro de inventário, de entradas e de apuração do lucro real, autorizam o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. Configura omissão de receitas a falta de oferecimento à tributação das receitas auferidas, comprovadas através das notas fiscais emitidas pela empresa. DEDUÇÕES. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. No cálculo do imposto devido, deve ser efetuada a dedução do imposto retido na fonte, que representa uma antecipação do devido no ajuste trimestral. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 850DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 958 6 Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. Notificada em 07.12.2010, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.12.2010 esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando algumas razões de defesa apresentadas na impugnação atinentes à nulidade dos lançamentos e à aplicação da multa de ofício proporcional. Acrescenta que devem ser excluídos os valores referentes ao ICMS e à majoração instituída pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 e pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, da base de cálculo do PIS e da Cofins. Também cita que devem ser compensados os créditos do PIS e da Cofins decorrentes (a) da aquisição de insumos e (b) pagos indevidamente com base no DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. Indica as leis que entende que são inconstitucionais, fazendo uma análise comparativa com outras normas do ordenamento jurídico. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic e solicita a realização de diligência. Conclui Por todo exposto, requer o acolhimento do presente recurso em todos os seus termos, para que seja julgada a cobrança indevida ao mesmo que protesta pela produção de novas provas que se façam necessárias. De todo arrazoado deste recurso, flui o requerimento de solicitar da autoridade de segunda instância que : A) Revisar os cálculos dos demonstrativos fiscais em confronto com as planilhas a serem anexadas posteriormente [...]; B) Requerer perícia contábil nos moldes que determina o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 [...]; C) Aprecie a redução da multa de ofício [...] de 75% para 20% [...]; D) Revisar os documentos contábeis e fiscais em confronto com os créditos [e] realização de diligência [...]. Espera que não seja denegada perícia, por essencial a conferência dos erros aritméticos apontados, evitando assim o cerceamento do direito de defesa. Solicita do Senhor Julgador a revisão do COFINS e PIS referente aos valores tributados, excluindo os créditos a compensar referente aos fatos geradores de 2006 e 2007. É o Relatório. Fl. 851DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 959 7 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Vale ressaltar que a Recorrente não reitera no recurso voluntário as seguintes alegações: (a) que o lançamento fundamentado na omissão de receitas não pode afastar sua opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido e (b) que deve ser deduzido o IRRF e que esta compensação afasta a exigência tributária. A legislação processual determina que decisão de primeira instância é definitiva na parte que não for objeto de recurso voluntário1. Logo, em relação a esta matéria, o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 15 24.643, de 25.08.2010 é definitivo. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe um sanção em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é penalidade decorrente de lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito atribuído ao sujeito ativo diante da constatação de descumprimento da legislação pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. Caracterizase pela falta de pagamento ou recolhimento, pela 1 Fundamentação legal: parágrafo único do art. 42do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 20001 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 852DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 960 8 falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias3. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo6. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. As seguintes teses não constam expressamente na impugnação: exclusão os valores referentes ao ICMS e a majoração instituída pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 e pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, da base de cálculo do PIS e da Cofins; compensação dos créditos do PIS e da Cofins decorrentes (a) da aquisição de insumos e (b) pagos indevidamente com base no DecretoLei nº 2445, de 29 de junho de 1988 e DecretoLei nº 2449, de 21 de julho de 1988; incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic; e solicitação de diligência. Por conseguinte, como estas questões foram alegadas pela primeira vez no recuso voluntário, delas não se toma conhecimento, porque foram alcançadas pela preclusão. Somente a título de elucidação, contudo, vale tecer alguns esclarecimentos. 3 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 853DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 961 9 A Recorrente suscita que devem ser compensados os créditos do PIS e da Cofins decorrentes (a) da aquisição de insumos e (b) pagos indevidamente com base no DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. A pessoa jurídica que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer destes tributos. É efetuada mediante a entrega do Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) no qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cujos efeitos são (a) extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ainda que tácita e (b) constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Esta é uma formalidade essencial ao ato de compensar sem a qual o direito não pode ser exercido. Para que o direito creditório seja reconhecido a pessoa jurídica deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que esta declaração não pode ser retificada caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. A prescrição do pedido em referência está prevista na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS7, substituto do paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS8, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF no sentido de que em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que (a) a homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005 e (b) o pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada a partir de 09.06.20059. Para que seu suposto direito creditório seja reconhecido é imprescindível que a Recorrente observe a formalidade essencial de entregar PERDCOMP em rito próprio. Nos presentes autos de exigência de crédito tributário esta matéria não pode ser examinada. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que devem ser excluídos os valores referentes ao ICMS e à majoração instituída pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 e pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, da base de cálculo do PIS e da Cofins. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e 7 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 8 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 9 Fundamentação legal: art. 269 do Código de Processo Civil, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 106, art. 165, art. 168, art. 170, art. 170A e art. 174 do Código Tributário Nacional, Lei Complementar nº 118, 9 de fevereiro de 2005, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 854DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 962 10 conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. A pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a Fl. 855DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 963 11 apuração do crédito que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal10. Em relação à exclusão do valor de ICMS, por expressa determinação legal, a quantia em referência deve ser incluída na receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, para fins de determinação do lucro arbitrado. Atinente à exclusão dos valores referentes à majoração instituída pela Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 e pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, da base de cálculo do PIS e da Cofins, por descrição normativa explícita, somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Somente a título de argumentação, contudo, vale esclarecer que os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta11. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200912 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF13. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a 10 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 72A do Regimento Interno do CARF. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 13 Base legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 856DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.724801/200976 Acórdão n.º 180100.693 S1TE01 Fl. 964 12 Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 14. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Em face do exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 14 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 857DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.932724/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.589
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.932724/200928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.589 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 27 24 /2 00 9- 28 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.932724/200928 Acórdão n.º 3302004.589 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.276. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.932724/200928 Acórdão n.º 3302004.589 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.932724/200928 Acórdão n.º 3302004.589 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912014/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2010
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.743
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2010 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 14 /2 01 2- 09 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.769, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912014/201209 Acórdão n.º 3301003.743 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720092/2008-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplica-se o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente justificadamente o conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720092/200874 Acórdão n.º 1802000.957 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório COSTA COIMBRA VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, fls.02/21, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 3.570,28, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2008; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 1.561,91, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e ainda o Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante dos autos de infração, os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrem da constatação de apuração a menor das bases de cálculo presumidas por haver a pessoa jurídica utilizado o percentual de 8% (oito por cento) em vez de 32% sobre as receitas das atividades de revenda de veículos, tendo o autuante considerado as parcelas recolhidas ou confessadas em DCTF pela contribuinte, para apurar o IRPJ e a CSLL a pagar. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0336.139, de 29 de março de 2010. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 12/04/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/05/2010, insurgindose, essencialmente, contra o percentual a ser aplicado para compor a base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL por entender que o mesmo corresponde a 8% e não 32%. A decisão recorrida relata às fls.190/191 as razões apresentadas pela autuada na impugnação que por serem as mesmas trazidas no presente recurso, por economia processual, adoto e transcrevo a parte do relatório com os argumentos a seguir: Compra e Venda de Veículos Usados. Base de Cálculo. Aplicabilidade do Percentual de 8% para IRPJ e 12% para CSLL. O impugnante tem como atividade econômica a de compra e venda de veículos usados, bem como, realiza operações de consignação, conforme consta no seu Contrato Social e nas Notas Fiscais em anexo. Ao apresentar sua DIPJ 2005 segregou as receitas da atividade de compra e venda para aplicação do percentual de 8% para IRPJ e 12% para CSLL, e de consignação aplicando o percentual de 32% para o IRPJ e CSLL, para fins de determinação da base de cálculo, em consonância com os artigos 518 e 519 do RIR/99. Da análise do art. 5º da Lei nº 9.716/98 e a IN SRF nº 152/98, verificase que Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Observase, que somente poderia ser equiparada à operação de consignação, nos casos de revenda de veículos usados em que o contribuinte não comprovar mediante Nota Fiscal de Entrega a efetiva compra do veículo. Ademais, a revenda de veículos possui natureza comercial, por isso seria cabível a aplicação do percentual de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ e de 12% para determinação da base de cálculo da CSLL, nesse sentido, aplicáveis decisões do Conselho de Contribuintes e do TRF da 4ª Região, com relação à receita de revenda de veículos usados. Não se pode equiparar de forma indistinta todas as operações de compra e venda de veículos automotores usados à operações de consignação, até porque, no primeiro caso, o concessionário adquire um determinado veículo de terceiros, passando a ter o domínio sobre o mesmo e posteriormente realizando a sua revenda, e na consignação, um terceiro remete à concessionária um veículo de sua propriedade para que esta promova a sua venda, mediante prévio ajustes de prazo e de preço, ou seja, o domínio sobre o veículo não é transferido ou alterado. No presente caso, a impugnante informou corretamente as receitas sujeitas ao percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL advindas da compra e venda de veículos usados, bem como, as receitas sujeitas ao percentual de 32% advindas das operações por consignação. Portanto, não merece prosperar a alegação de que a impugnante aplicou erradamente o percentual de 8% para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e 12% para a CSLL. Por fim, requer a improcedência do auto de infração e o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720092/200874 Acórdão n.º 1802000.957 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do artigo 5º da Lei nº 9.716/98 que assim dispõe: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (...) Como se vê, a Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação É certo que a Lei permite a equiparação como operação de consignação às operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, e não deixou nessa expresso qual o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. O objetivo desses dispositivos foi possibilitar às empresas revendedoras de veículos usados computar, na determinação da base de cálculo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Ou seja, a base de cálculo tributável será somente essa "diferença", nos moldes aplicáveis às operações de consignação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Desse modo há de se buscar uma interpretação sistemática para concluir que tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Destarte, o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, é o que está previsto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares, ou seja, 32% (trinta e dois por cento) sobre a mencionada diferença/comissão nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. A respeito do percentual de 8% a que alude a recorrente, o mesmo seria aplicado sobre o total da receita bruta (valor da venda) quando a pessoa jurídica não utilizar a faculdade disposta na lei em comento (artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998), o que significa tributação mais elevada para o contribuinte. Entretanto, não é o caso dos presente autos, pois, em nenhum momento a recorrente alega ou demonstra haver adotado como receita bruta o valor total da venda e não, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição, porquanto somente assim comprovaria não haver utilizado a faculdade disposta no mencionado dispositivo legal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.722919/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS.
As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Somente quando da alienação é que o deságio acarretará efeitos tributários independentemente do fato de que este deságio tenha sido amortizado ou registrado como receita em obediência à legislação contábil.
Numero da decisão: 1402-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão admitida e re-ratificar a decisão proferida no Acórdão 1402-002.396.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 OMISSÃO. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Somente quando da alienação é que o deságio acarretará efeitos tributários independentemente do fato de que este deságio tenha sido amortizado ou registrado como receita em obediência à legislação contábil.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Somente quando da alienação é que o deságio acarretará efeitos tributários independentemente do fato de que este deságio tenha sido amortizado ou registrado como receita em obediência à legislação contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão admitida e reratificar a decisão proferida no Acórdão 1402002.396. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 29 19 /2 01 4- 37 Fl. 408DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional ante suposta omissão na decisão de lavra deste colegiado que entendeu por bem, em Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10882.722919/201437 Acórdão n.º 1402002.686 S1C4T2 Fl. 1.112 3 sede de Recurso de Ofício, confirmar a decisão proferida pela DRJ exonerativa de crédito tributário lançado em face da contribuinte, que apura IRPJ na sistemática do lucro presumido, em função de equivocada autuação por receita omitida como "resultado positivo de equivalência patrimonial" e "deságio na aquisição de investimentos". Em sede de Impugnação perante a DRJ o contribuinte argüiu: a) que existiria previsão legal afastando a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” no Lucro Presumido; b) Que a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” seria incompatível com o regime de caixa; c) Que a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” geraria diversas incongruências jurídicas e fiscais, como a ocorrência de dupla tributação e o indevido afastamento da isenção dos dividendos; d) Que inexistiria “Renda” na apuração dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial”, razão pela qual não haveria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL; e) Que mesmo que esta Turma de Julgamento considere que os “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” são tributáveis, tal tributação somente seria possível no momento da efetiva realização do investimento; f) Que ainda que se entenda pela manutenção da autuação em apreço, deveriam ser cancelados os valores exigidos a título de juros e de multa de ofício; g) Que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. A decisão da DRJ restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizamse como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. Fl. 410DF CARF MF 4 As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Em sede de recurso de ofício esta 2ªT.O. houve por bem confirmar in totum o entendimento da DRJ em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizamse como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Irresignada com a decisão a PFN opôs os presentes embargos de declaração sob a alegação de suposta omissão na fundamentação da decisão quanto ao deságio na aquisição de investimentos o que sustentado nos seguintes termos: Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. ]Observase que o voto vencedor não tratou de todas as matérias que foram devolvidas ao Colegiados por força de remessa necessária. O voto proferido pelo Conselheiro Relator apenas trata da questão relativa à impossibilidade de tributação do "Resultado positivo da equivalência patrimonial" na medida em que presente hipótese de isenção consistente na dispensa legal do pagamento do resultado positivo de equivalência patrimonial quando adotado o regime do lucro presumido. Todavia, quedou se silente acerca do tratamento do deságio na aquisição de investimentos, nada obstante tenha constado na ementa a referência a tal matéria. Daí a omissão. Nessa esteira, a ementa do julgado não espelha o que ficou decidido no voto condutor. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10882.722919/201437 Acórdão n.º 1402002.686 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Admitidos os presentes embargos pela Presidência e distribuídos à nossa relatoria passo ao voto da decisão integrativa: Voto A decisão antes proferida, muito embora, contenha em seu dispositivo e ementa "Deságio na aquisição de investimentos" deixou de indicar explicitamente seus Fl. 412DF CARF MF 6 fundamentos ao que assiste parcialmente razão a d.PFN quanto à justificativa para exoneração da contribuinte no que respeita a tal matéria. Oportuno notar que tratase de questão subsidiária quanto a tributação dos resultados positivos no método de equivalência patrimonial tanto que em sede de impugnação o contribuinte arguiu que "mesmo que esta Turma de Julgamento considere que os “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” são tributáveis, tal tributação somente seria possível no momento da efetiva realização do investimento." Inobstante isso temse que somente quando da alienação é que o deságio acarretará efeitos tributários independentemente do fato de que este deságio tenha sido amortizado ou registrado como receita em obediência à legislação contábil. Para o Direito Tributário, em função do princípio da realização (POLIZELLI, Victor. O princípio da realização da renda) somente se realiza quando da alienação do investimento. Nesta perspectiva, entendese que a autoridade fiscal jamais poderia ter considerado como Receita do primeiro trimestre de 2009 o deságio na aquisição de participação societária ocorrido neste mesmo período dado que não houve alienação do investimento. A partir dessa fundamentação temse por sanada a omissão aventada pela d. PFN restando, assim, confirmada a decisão da DRJ não só em seu dispositivo, mas, também, pela fundamentação adotada, devendo, assim, ser exonerados os créditos tributários referentes ao “Deságio na Aquisição de Investimentos”. 3. Conclusão: Do exposto voto por julgar procedentes os presentes embargos sem efeitos infringentes para integrar a decisão recorrida com os fundamentos ora registrados. É como voto. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.002408/98-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, dando-se efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada.
CSLL. PERÍODO DE APURAÇÃO SEMESTRAL.
O lançamento da CSLL efetuado após 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, não devem subsistir, pois alcançados pela decadência.
Numero da decisão: 1401-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401-001.776, da sessão de 26/01/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, dando-se efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada. CSLL. PERÍODO DE APURAÇÃO SEMESTRAL. O lançamento da CSLL efetuado após 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, não devem subsistir, pois alcançados pela decadência.
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OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, dandose efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada. CSLL. PERÍODO DE APURAÇÃO SEMESTRAL. O lançamento da CSLL efetuado após 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, não devem subsistir, pois alcançados pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401001.776, da sessão de 26/01/2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 24 08 /9 8- 71 Fl. 1186DF CARF MF 2 Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase de embargos de declaração propostos pela empresa em epígrafe contra decisão proferida no Acórdão 1401001.776, da sessão de 26/01/2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, negou provimento, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negou provimento em relação à glosa de despesas com reflexo na base da CSLL. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva; e II) Por unanimidade de votos, negou provimento às demais matérias, conforme a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS A PESSOA JURÍDICA LIGADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não obstante a relação íntima entre empresas ligadas, a fiscalização deve comprovar efetivamente que os pagamentos efetuados de uma a outra não podem ser deduzidos da base de cálculo da CSLL, mormente quando a empresa apresenta documentos e esclarecimentos após a intimação. DESPESAS DE VIAGENS. REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO. A CSLL incide sobre despesas não comprovadas, porque estas acarretam a redução indevida do lucro, base de cálculo da referida contribuição social, não competindo embrenharse na discussão de aplicação reflexa para a CSLL dos fatos geradores do IRPJ. Reproduzo, por oportuno, a descrição contida nos embargos de declaração propostos pela empresa em epígrafe: I dos fatos 1. Tratase, na origem de AI por meio do qual foram exigidos valores de IRPJ, CSLL, ILL e IRFonte dos anos calendários de 1992 e 1993, pela exclusão do Lucro Líquido de: (i) despesas tidas por indedutíveis; (II) depreciações dos bens móveis; valor residual das Reservas de Reavaliação de bens móveis e depreciações de bens baixados; (iü) resultado da alienação de imóvel e valor residual da reserva correlata; e (iv) atualização dos valores de depósitos judiciais de ICMS e dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs). Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.179 3 2. A EMBARGANTE impugnou o AI em questão, o que resultou no cancelamento integral, das cobranças de ILL, de IRPJ e CSLL de jun./92 e dez./92 relativas aos pagamentos sem causa e pelos serviços prestados pela Holding e, declarada decadência, de IRFonte de jun./92 relativos a despesas com viagens, mantendo as demais cobranças. 3. Em Recurso Voluntário, foram canceladas as cobranças remanescentes com aplicação da norma decadencial prescrita no art. 150, §4º do CTN. Ato contínuo a EMBARGANTE interpôs Recursos Especial e Extraordinário, pleiteando aplicação da norma disposta no art. 173, I do CTN no tocante à CSLL de dez. 92, tese que foi acolhida pela Câmara Superior deste CARF. 4. Não obstante, a Câmara Superior determinou o retorno dos autos a essa Colenda 4ª Câmara, para analisar os demais argumentos referentes ao mérito da discussão quanto à CSLL de dez./92 não apreciados inicialmente em razão do reconhecimento da decadência. 5. Ocorre que, em acórdão de fls. 10701092, essa Colenda Câmara apreciou somente a questão relativa às despesas com viagens asseverando, entre outros pontos, que: [...] 6. Entretanto, o acórdão incorreu em uma série de omissões ao não apreciar os demais argumentos de defesa expostos no Recurso Voluntário da Embargante, as quais devem ser sanadas por essa Colenda Câmara. II DAS OMISSÕES II.1 Omissão: Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos: 7. Conforme restou amplamente provado e comprovado, os bens que geraram a reserva de reavaliação ora questionada, pertenciam, anteriormente, à BONGOTTI e, em decorrência da incorporação ocorrida em dezembro/1988 (fls. 556 a 565), passaram a pertencer à EMBARGANTE. 8. A capitalização da reserva de reavaliação de bens móveis foi realizada em 30/11/88, na BONGOTTI (fls. 602/612), empresa adquirida pela EMBARGANTE, sendo este o momento para a adição do valor ao lucro real, ou seja, período base de 1988, o que se comprova por meio do Balanço Patrimonial, Ata AGE (fls. 599/601). 9. O art. 326 do RIR/80 exigia a tributação no momento da capitalização, o que se verifica, ainda, no PN 27/81(aplicável aos bens móveis). Assim, a realização dessa reserva foi registrada diretamente na conta contábil de resultado (fls. 615 e cópia da fl. 325 do Livro Diário), por isso não foi lançada no LALUR, vez que o efeito desse lançado já é computado na apuração do Resultado do Exercício e, por óbvio, computado no Lucro Real. 10. As cópias da Demonstração dos Resultados e da Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido da BONGOTTI de 19/12/1988 (fls. 612) comprovam esta argumentação, tanto é que nos anos subsequentes somente foi realizada a reserva de bens imóveis. 11. Os ativos baixados em 1993 se referem à transferência de bens móveis a filial situada em Itatiba, conforme se comprova por meio dos razões contábeis de fls. 325/328/345 destes autos, não havendo fato gerador da CSLL nesse caso e, os demais, são bens móveis relacionados à reserva de reavaliação cuja capitalização fora oferecida à tributação em 1988 na empresa BONGOTTI. Fl. 1188DF CARF MF 4 12. Assim sendo, não há dúvidas quanto ao fato de que houve a capitalização e respectiva tributação da reserva de reavaliação de bens móveis em 30/11/88, razão pela qual a Colenda Câmara deve analisar a questão posta, de modo a sanar a primeira omissão. II.2 Omissão: Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido: 13. A autuação também exige os tributos supostamente devidos sobre o resultado da alienação de imóveis à INCAL INCORPORADORA S/A que, no seu entender, deveriam ter sido reconhecidos no 1º semestre/92 quando foi emitido o recibo de sinal e princípio de pagamento e não no 2º semestre como procedeu a EMBARGANTE. 14. Ocorre que, como já demonstrado, a alienação do bem imóvel ocorreu no 2º semestre/1992, conforme documentos de fls. (40), sendo os pagamentos/recebimentos ocorridos no is semestre de 1992 referentes aos adiantamentos, assim registrados na contabilidade. 15. Verificase na DIPJ do ano calendário de 1992 (fls. 15), que no 2º semestre a EMBARGANTE apurou CSLL a pagar o que evidencia a tributação do resultado da venda do aludido imóvel. 16. A autoridade fiscal não recompôs o resultado dos dois exercícios afetados, levando em conta, ainda, a correção monetária, conforme art. 69 DL nº 1.598/77 e PN ns 57/79 atualizado pelo PN ns 2/96, fato confirmado pelo Relator dos autos. 17. Concluise, portanto, que inocorreu a alienação dos imóveis no 1º semestre de 1992, sendo, nesse tocante, insubsistente a decisão recorrida. Admitir o contrário significaria exigir o tributo antes mesmo da ocorrência do fato gerador, em flagrante ofensa aos princípios da legalidade, tipicidade cerrada e segurança jurídica, motivo pelo qual essa Colenda Câmara também deve apreciar tal argumento, sanando mais essa omissão. II.3 Omissão: Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs: 18. A EMBARGANTE foi autuada ainda sob a acusação de postergação de tributos incidentes sobre a correção monetária dos depósitos judiciais de ICMS e de TDAs respectivamente. 19. Não há provas nos autos de que a EMBARGANTE se apropriou das despesas de eventual atualização do valor da obrigação tributária, não podendo o lançamento tributário, valerse da presunção para exigir tributo, sob pena de violação ao art. 142 do CTN. 20. A época da lavratura do AI, os depósitos judiciais ainda não tinham sido levantados pela EMBARGANTE e, em razão disso, as atualizações não poderiam ser oferecidas à tributação. 21. As TDAs não são tributáveis, nos termos do art. 184 da CF/88, por se tratar de recomposição patrimonial decorrente da desapropriação, exatamente para garantira sua irredutibilidade. 22. Não se está a discutir se tais receitas podem ou não ser tributadas (até porque elas foram devidamente oferecidas à tributação, tanto que só se pretende cobrar a diferença entre o recolhido e o supostamente devido postergação), mas quando devem ser reconhecidas: (i) segundo o regime de competência ou (ii) tão somente após o trânsito em julgado de decisão favorável ao contribuinte. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.180 5 23. Finalmente, também não se pode aceitar a alegação de que a EMBARGANTE teria efetuado a atualização do passivo equivalente aos depósitos em TDAs, visto que o procedimento adotado foi o de reconhecer simultaneamente a variação monetária ativa e passiva, a fim de anular qualquer efeito fiscal (fato que só ocorreria com o trânsito em julgado de decisão favorável a EMBARGANTE). 24. Assim, a EMBARGANTE reitera toda a argumentação supra, relativamente ao momento do reconhecimento da correção monetária dos depósitos judiciais, razão pela qual essa Colenda Câmara deve analisar essa matéria, a fim de sanar a última omissão. 25. Posto isso, requer a ora EMBARGANTE sejam recebidos, admitidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar as omissões contidas no acórdão, especificamente para apreciar todas as matérias de mérito tão somente em relação à CSLL de dez./92. Na admissibilidade dos Embargos, o presidente desta turma ordinária assim se manifestou: Conclusão As situações de omissão estão apontadas objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre os pontos em que se impunham os pronunciamentos de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir relativamente: (a) Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos, (b) Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido e (c) Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs. Por todo o exposto, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Os embargos foram propostos tempestivamente e deles tomo conhecimento. A discussão cingese em 3 (três) questões que, segundo a embargante, não foram analisadas no recurso voluntário. Inicialmente, convém ressaltar que os pontos supostamente omissos, a meu ver, já foram decididos pela 7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, conforme se verá adiante a partir de análise de trechos da decisão da referida Câmara julgadora, emanada por meio do Acórdão nº 10788.188, de 10 de agosto de 2005: Fl. 1190DF CARF MF 6 Omissão I: Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos No relatório do acórdão embargado (nº 1401001.776), já havia me manifestado acerca do trânsito em julgado referente à tributação da reserva de reavaliação, pois a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes sedimentara entendimento de que a tributação sobre tal reserva deveria recair no período em que houve o aumento de capital, ou seja, em 30/11/1988, não cabendo mais a tributação em referência em razão da decadência do direito do fisco de lançar a CSLL, como se pode ver no trecho de Ementa constante no acórdão 107 88.188, de 10 de agosto de 2005, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Vejase: Trecho do Relatório constante no acórdão embargado (nº 1401001.776) Convém esclarecer que, quanto aos lançamentos que tratam da realização da reserva de reavaliação (06/1992, 12/1992, 03/1993, 05/1993 e 06/1993), entendeu a Turma de julgamento que o fato gerador ocorrera em 30 de novembro de 1988, data em que foi aumentado o capital social da empresa incorporada Bongotti com a Reserva de Reavaliação constituída. Com isso, a decadência do IRPJ e da CSLL teria ocorrido 5 anos após a data do aumento de capital pela empresa Bongotti. Desta forma, já houve o trânsito em julgado em relação a estes fatos geradores. Trecho de Ementa do acórdão nº 10788.188 IRPJ E CSLL RESERVA DE REAVALIAÇÃO REALIZAÇÃO Se a reserva de reavaliação de máquinas, ferramentas e equipamentos foi capitalizada, era obrigatório o oferecimento à tributação no período da capitalização. Decaído o direito do fisco, é injurídico o procedimento que tributa as depreciações e as baixa de bens em períodos posteriores. (destaquei) Logo, o que se percebe é que a 7ª Câmara deu provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação da realização da reserva de reavaliação, em razão do fato gerador ter ocorrido em 1988, e não em 1992 e 1993, como quis fazer crer a fiscalização. Cabe ainda relembrar que não se aplicou no julgamento a decadência, de 10 anos, constante no art. 45 da Lei da Lei nº 8.212/1991. E, mesmo que se fosse aplicado o referido prazo, restaria este relator afastálo, em razão da decretação da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, por meio da Súmula Vinculante do STF nº 08, que confirmou que a CSLL sujeitase ao prazo decadencial de 5 anos, contados do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) ou contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do CTN). No caso, como o fato gerador ocorrera na data de 30/11/1988 data do aumento do capital social da empresa incorporada Bongotti com a Reserva de Reavaliação constituída e a ciência do auto de infração de CSLL se deu na data de 31/03/1998, concluise pelo reconhecimento da decadência da CSLL tanto pelo § 4º do art. 150 quanto pelo inciso I do art. 173, ambos do CTN. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.181 7 Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à CSLL incidente sobre a realização da reserva de reavaliação. Omissão II: Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido Eis os fundamentos a autuação da fazenda pública: 4.1 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o resultado auferido na alienação dos imóveis localizados na Rua do Bosque, nºs 1362, 1386 e 1398, nesta cidade, pactuada em 13 de abril de 1992 com a empresa INCAL INCORPORADORA S/A. A fiscalização lavrou o auto de infração de CSLL referente a omissão de receitas decorrentes de venda de ativo imobilizado. Segundo a fiscalização, a venda teria ocorrido no 1º Semestre de 1992, quando houve pagamento de parte do valor acordado; ao passo que a embargante tributou o referido ganho de capital no 2º Semestre de 1992, justificando que a efetiva venda havia se concretizado em tal período. Pois bem. No ano de 1992, a Instrução Normativa DPRF nº 90, de 15 de julho de 1992, que dispunha sobre o pagamento do IRPJ, da CSLL e do IRF sobre o Lucro Líquido, estabeleceu a possibilidade de consolidação de resultados semestrais, conforme teor do caput do art. 1º da referida IN: Art. 2º Poderão optar pelo pagamento do imposto calculado por estimativa e pela substituição da consolidação de resultados mensais pela consolidação de resultados semestrais, para efeito de declaração anual de ajuste, no anocalendário de 1992: Como a fiscalização efetuou o lançamento considerando o período de apuração de 06/1992, temse que o início do prazo da contagem da decadência deve levar em consideração tal período de apuração. Como a ciência da autuação fiscal, repito, referente ao período de apuração de 06/1992, se deu em 31/03/1998, devese reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento fiscal, tanto nos termos do § 4º do art. 1501 (decadência ocorrida em 30/06/1997), quanto nos termos do art. 173, I2 (decadência ocorrida em 31/12/1997), ambos do CTN. 1 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 2 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1192DF CARF MF 8 Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido. Omissão III: Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs Eis os fundamentos a autuação da fazenda pública: 4.3 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o valor referente a receita de atualização monetária dos DEPÓSITOS JUDICIAIS DO ICMS, como se demonstrou no TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO nº 08, lavrado em 09 de setembro de 1997, de fls. 083 e 084. 4.4 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o valor referente à receita da ATUALIZAÇÃO DOS TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA – TDAs, conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO nº 11, lavrado em 02 de outubro de 1997, de fls.275 e 276. Como já tratado acima, no ano de 1992, a Instrução Normativa DPRF nº 90, de 15 de julho de 1992, que dispunha sobre o pagamento do IRPJ, da CSLL e do IRF sobre o Lucro Líquido, estabeleceu a possibilidade de consolidação de resultados semestrais, conforme teor do caput do art. 1º da referida IN: Art. 2º Poderão optar pelo pagamento do imposto calculado por estimativa e pela substituição da consolidação de resultados mensais pela consolidação de resultados semestrais, para efeito de declaração anual de ajuste, no anocalendário de 1992: Como a fiscalização efetuou o lançamento considerando o período de apuração de 06/1992, temse que o início do prazo da contagem da decadência deve levar em consideração tal período de apuração. Como a ciência da autuação fiscal, repito, referente ao período de apuração de 06/1992, se deu em 31/03/1998, devese reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento fiscal, tanto nos termos do § 4º do art. 150 (decadência ocorrida em 30/06/1997), quanto nos termos do art. 173, I (decadência ocorrida em 31/12/1997), ambos do CTN. Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.182 9 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, com efeitos infringentes, para incluir em suas razões de decidir o motivo pelo qual deve ser reconhecida a decadência das omissões aqui discutidas, dandose provimento parcial ao recurso voluntário, rerratificando o acórdão nº 1401001.776, da sessão de 26/01/2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1194DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720133/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO
Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO
De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo.
Observa-se que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforça-se, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decreto-lei n.º 70.235/72.
CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99
Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações.
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO
A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 - Repercussão Geral).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas-correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.
Numero da decisão: 1302-002.293
Decisão: Vistos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e ilegalidade na quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários Ariovaldo Ripani e Raphael Eduardo Ripani, votando o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões e em dar provimento parcial ao recurso dos responsáveis solidários Spartaco Taddeo e Nair Hodas Taddeo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observa-se que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforça-se, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decreto-lei n.º 70.235/72. CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99 Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 - Repercussão Geral). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas-correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.
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decisao_txt : Vistos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e ilegalidade na quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários Ariovaldo Ripani e Raphael Eduardo Ripani, votando o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões e em dar provimento parcial ao recurso dos responsáveis solidários Spartaco Taddeo e Nair Hodas Taddeo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)..
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observase que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforçase, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decretolei n.º 70.235/72. CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99 Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 33 /2 01 4- 42 Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.614 2 Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 Repercussão Geral). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Vistos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e ilegalidade na quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários Ariovaldo Ripani e Raphael Eduardo Ripani, votando o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões e em dar provimento parcial ao recurso dos responsáveis solidários Spartaco Taddeo e Nair Hodas Taddeo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.615 3 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).. Relatório Por bem sintetizar a autuação, transcrevo o relatório da DRJ/SPO: “Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 08/12/2014, o Auto de Infração de fls. 2.740/2.759, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 8.831.162,07) e de CSLL (R$ 3.192.245,75), incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora calculados até 12/2014. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.2.743; 2) CSLL – fls.2.754. O Termo de Verificação Fiscal (fls.3.760/3.798) constatou os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS: • Na diligência que realizamos nesta empresa, verificamos apenas um amplo galpão, desprovido de máquinas e equipamentos, inexistindo atividades comerciais ou industriais que justificassem as vultosas operações interbancárias no montante de R$ 593.118.622,00 (quinhentos e noventa e três milhões cento e dezoito mil e seiscentos e vinte e dois reais) conforme dados extraídos da DIMOF – Declaração de Movimentação Financeira; • O contribuinte apresentou sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, com apuração trimestral do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; • A SPARTACO simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da empresa fornecedora DACON, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas; • Em que pese a inexistência de fato da empresa DACON, que atuava na condição de pseudo fornecedora da contribuinte SPARTACO, a mesma era Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.616 4 movimentada mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. DAS INFRAÇÕES: • Glosa de Custos: Contabilização de custos com base em documentos inidôneos. A contribuinte e os responsáveis tributários, tendo ciência do Auto de Infração (11/12/2014 – fls. 2.795, 2.798, 2.804, 2.801, 2.807), e, sentindose inconformados, dele recorreram a esta DRJ com as respectivas impugnações (fls.2.809/2.823, 2.837/2.854, 2.894/2.921, 3.123/3.138, 3.172/3.187) em 05/01/2015, 09/01/2015, todas resumidas a seguir. • Houve a decadência dos lançamentos do presente Auto de Infração dos períodos de 31/01/2009 a 30/06/2009 em razão do disposto no art.150, §4º do CTN; • Caracterizouse a nulidade e cerceamento de defesa em razão do prazo exíguo para a apresentação da defesa; • O presente ato administrativo é nulo em razão de falta de motivação do lançamento; • A autoridade fiscal quebrou o sigilo fiscal da contribuinte sem autorização judicial; • A autoridade fiscal não analisou a saída de mercadorias da empresa e não estornou os valores glosados, o que aumenta a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; • Defende a impossibilidade responsabilidade solidária fundamentada nos arts.124, II e 135 do CTN. A responsabilidade é pessoal do contribuinte e não solidária, o que torna nulo o Auto de Infração; • Não há provas da prática do ato ilícito o que invalida a responsabilização solidária; • O ônus da aprova da prática de atos ilícitos cabe à autoridade fiscal; • Pela falta de provas da prática de atos ilícitos não é cabível a multa qualificada; • Requer a juntada de documentos, perícia e diligência. Ao julgar a impugnação da contribuinte, a DRJ proferiu a seguinte decisão, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CUSTOS. GLOSA. As notas fiscais emitidas por firmas inidôneas são inválidas e, portanto, não podem ser reconhecidas como provas para fins de apropriação como custo. Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.617 5 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos que levaram à manutenção integral da autuação foram os seguintes: (i) A DRJ entendeu que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das hipóteses do artigo 59 do Decreto 70.235/1972 de modo que não se verifica qualquer irregularidade, a qual pode dar ensejo à nulidade do ato administrativo. (ii) A impugnante aduz que houve cerceamento de defesa em razão da ausência de nexo causal entre o fato apurado e a infração prevista em lei. Todavia, a decisão recorrida aponta que da própria manifestação de impugnação se extrai que a contribuinte conhecia perfeitamente das acusações bem como que o Auto de Infração contém todos os requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72. De outro bordo, a DRJ afirma que os atos praticados pela autoridade autuante em momento anterior à formalização do ato de lançamento tem cunho eminentemente inquisitorial de forma que não houve nulidade. (iii) Que o acesso às informações bancárias não configura quebra de sigilo bancário, mas sim mera transferência do sigilo que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. (iv) Que não houve decadência do direito de constituir o crédito tributário visto que por se tratar de lançamento por homologação, aplicase o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo o prazo decadencial de 5 anos a contar do ano seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de forma que o direito do Fisco expirarseia em 31/12/2015. (v) Compete ao contribuinte comprovar a idoneidade das notas fiscais emitidas pela DACON – INDÚSTRIA COMERCIO E RECICLAGEM DE METAIS LTDA. Contudo, enquanto o trabalho fiscal trouxe prova suficiente de que as operações comerciais com a referida empresa eram meras simulações, a impugnante não comprovou o aduzido em sede de impugnação. (vi) Que se procedeu à qualificação da multa em 150% por ter sido indiscutivelmente dolosa a prática reiterada e sistemática de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresa inidônea e inexistente, porquanto conforme um sistema de agir incompatível com as excludentes de negligência ou boafé. (vii) Que nos termos do artigo 135, combinado com o artigo 124, inciso II da Lei n. 5172/66 – CTN, é cabível a responsabilização solidária dos sócios visto que estes realizaram a prática de atos ilícitos com intuito doloso de sonegação de tributos. (viii) Quanto às ilegalidades e inconstitucionalidades, a decisão recorrida aduz que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicala, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.618 6 (ix) Por serem considerados prescindíveis, foram indeferidos os pedidos de perícia e de diligência bem como o pedido de informação do local e hora do julgamento para a possibilidade de a contribuinte exercer seu direito a defesa oral por falta de previsão legal do referido pedido. (x) Por fim, a DRJ decidiu no sentido de que os valores lançados se constituem de tributação reflexa e, portanto, devidos em razão da autuação do IRPJ e da CSLL. Da decisão, as Recorrentes propuseram Recursos Voluntários, aduzindo, em síntese, que o Acórdão recorrido deixou de analisar os argumentos de fato e de direito, conforme segue: (a) O cerceamento do direito de defesa uma vez que por não haver nada que desabonasse a idoneidade da empresa DACON, no SINTEGRA, a recorrente teria agido com total boafé. Além disso, alega que o acórdão recorrido ignorou o pedido para intimar a Fazenda do Estado de São Paulo a fim de que fornecesse a data da publicidade da inabilitação da empresa DACON. Requer a nulidade do procedimento administrativo em virtude de preterição de direito de defesa. (b) Que sequer analisou os argumentos de defesa apresentados no sentido de que inexiste a possibilidade de aplicação de responsabilidade solidária com fundamento no art. 135, III, do CTN, mas sim de responsabilidade pessoal, existindo erro de aplicação do direito, que não pode ser mais revisto, o que torna nulo o ato administrativo, na medida em que implicaria mudança de critérios jurídicos pela autoridade administrativa, conforme art. 146, do CTN. Que o acórdão deixou de analisar ainda, os argumentos levantados por cada um dos impugnantes: (b.1) No que se refere ao sócio, Sr. Spartaco Taddeo, resumidamente, a decisão não levou em consideração o fato de ter alegado ser contabilista formado, com mais de 05 (cinco) décadas de atividade no mercado, possuindo, assim, formação e competência inquestionáveis para constituir e gerir um negócio, o que sempre fez, com vigor e assiduidade. Ainda, o fato de que a idade e a residência, que por ter sido considerada simples pela Sra. Auditora, não são indícios de prática de ato ilícito consistente em figurar como pessoa interposta de empresa com intuito doloso de prejudicar o erário, de modo que, a Autoridade administrativa partiu de meras suposições generalizantes, sem se ater às peculiaridades da pessoa do Impugnante, estabelecendo indícios irreais para concluir pela existência de fraude à lei. (b.2) Com relação à sócia, Sra. Nair Hodas Taddeo, restou totalmente desconsiderado que a Impugnante nunca administrou a empresa e detinha apenas 1% (um por cento) do capital social porque seu esposo necessitava de pessoa para constituir a empresa limitada, razão pela qual figurou no quadro societário. Nesse sentido, ignorou a apresentação de declaração por escritura pública do Sr. Spartaco Taddeo, afirmando que a Impugnante não administrava a empresa, sendo ele o responsável por todos os atos de gestão. (b.3) Do mesmo modo, com relação ao Srs. Ariovaldo Ripani e Raphael Ripani, respectivamente pai e filho, não foi levado em consideração o argumento de que ambos têm vínculos com a empresa ora Recorrente, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.619 7 de que os Impugnantes eram os reais beneficiários das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. (c) A ilegalidade da quebra do sigilo bancário que foi realizado sem que houvesse prévia autorização judicial. (d) Que houve decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário visto que não se aplica ao caso em tela o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, mas sim o que determina o artigo 150, § 4º, do CTN, devendo, portanto, se extinguir o crédito tributário, nos termos do artigo 156, V do CTN. (e) Que a busca pela verdade material ficou prejudicada no processo administrativo tributário visto que: (e.1) O acórdão recorrido alega que a Recorrente não trouxe provas de que as infrações não espelham a realidade dos fatos, todavia, o processo de diligência, necessário para que os documentos que retratam as saídas da empresa no ano de 2009 sejam também apurados bem como, a produção de perícia contábil financeira, para comprovar a licitude das operações retratadas na contabilidade da empresa foram indeferidos, mesmo sendo imprescindíveis para que a verdade material fosse alcançada. (e.2) No caso em tela, ônus da prova pertenceria ao Fisco e não ao contribuinte conforme aduz a decisão recorrida. Que houve violação ao princípio do devido processo legal e do dever da administração pública de provar o alegado. (e.3) A autoridade administrativa partiu de meras suposições, indícios fantasiosos para dar continuidade ao procedimento administrativo fiscal e promover a quebra do sigilo fiscal da empresa e supostos corresponsáveis sem levar em consideração que a Recorrente comercializava cobre e seu estoque possuía alto giro, além de se evitar a manutenção de estoque na empresa por questões de segurança. (e.4) Se a mercadoria era fictícia, necessariamente teria a fiscalização que apurar os documentos de saída e estornar os valores glosados, o que não foi feito. Por outro lado, se a mercadoria existia, sendo as notas fiscais utilizadas apenas para dar origem, não houve diminuição da base de cálculo do Lucro Real, mas infração de outra ordem, o que poderia ser apurado apenas com a verificação da saída das mercadorias. (f) Que não houve a comprovação de simulação, fraude ou conluio que autorizasse a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I, parágrafo primeiro da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.620 8 O contribuinte e os responsáveis apresentaram Recursos Voluntários dentro do prazo legalmente previsto e preencheram os requisitos de admissibilidade. Desta feita, conheço dos Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e responsáveis tributários. Da Preliminar de Nulidade Da Inexistência de Nulidade no Procedimento A contribuinte alega que a presente exigência é nula, sustentando o vício do lançamento em dois momentos distintos: o procedimento administrativo e o processo administrativo fiscal. Discorrendo primeiramente sobre as hipóteses de nulidade do procedimento, a recorrente alega dois vícios, são estes: o cerceamento do direito de defesa, e a suposta contradição incorrida pela autoridade fiscal. Inicialmente, no que tange ao cerceamento do direito de defesa, a recorrente aduz que à época dos fatos desconhecia quaisquer motivos que pudessem conferir inidoneidade à DACON e continua a desconhecêlos, na exata medida que não teve acesso aos autos do procedimento fiscalizatório. Na oportunidade, além de pedir o reconhecimento da nulidade da autuação, ainda reiterou pedido feito na impugnação, em que solicitou fosse determinada a intimação da Fazenda do Estado de São Paulo, para fornecer a data da publicidade da inabilitação da empresa DACON. Com relação a este primeiro ponto, assevero que o procedimento administrativo, é permeado pelo princípio da inquistoriedade, que confere o caráter investigatório ao procedimento. Assim, o princípio do inquisitório permite uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, sendo de sua faculdade a requisição de colaboração do contribuinte. Sendo assim, o auditor entendeu que os indícios coletados em seu procedimento inquisitório foram suficientes a estabelecer uma razoável presunção a embasar a autuação, não caracterizando o cerceamento do direito de defesa, nessa fase procedimental, a possibilidade de o contribuinte produzir as provas que entenda necessárias. O segundo ponto que não teria sido objeto de análise pela DRJ, seria a suposta contradição existente na autuação. Isto porque, ao mesmo tempo em que afirma serem as operações feitas com a empresa DACON, meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores; a autoridade fiscal afirma, também, que tais operações apenas serviriam para regularizar a existência de mercadorias no estoque da recorrente. No entanto, tais argumentos não merecem prosperar pois, conforme bem pontua a decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização. O documento é claro e conciso, expurgando quaisquer dúvidas quanto à descrição dos fatos, ou dos motivos que levaram à autuação. Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.621 9 Da Inexistência de Nulidade no Processo No que tange à hipótese de nulidade constante no processo fiscal, a contribuinte, bem como os responsáveis solidários alegam que seus argumentos não foram apreciados, o que configura uma preterição do direito de defesa, apto a gerar a nulidade do auto de infração, ou, ao menos, da decisão recorrida. No entanto, a despeito do que alega a Recorrente, constatase que a decisão recorrida demonstrou as razões que a fizeram entender pela inexistência de nulidade tanto no procedimento, quanto no processo administrativo fiscal. Em que pese o julgador não estar obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, verificase que o acórdão traz a previsão do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, que estabelece as hipóteses de nulidade do ato administrativo, e conclui que nenhuma daquelas hipóteses era verificada no caso em comento. Portanto, entendo correta a decisão constante no acórdão recorrido. De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observase que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforçase, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decretolei n.º 70.235/72. Em vista disso, rejeito a preliminar de nulidade. Da Quebra de Sigilo Bancário Do exame do TVF, constatamse os indícios que levaram a autoridade fiscal a requerer a movimentação financeira, são estes: (i) os sócios da contribuinte o SPARTACO TADDEO – CPF 111.473.77804 e sua esposa NAIR HODAS TADDEO CPF 274.377.51810; apresentaram declaração de isenção de Imposto de Renda Pessoa Física, por não possuírem bens e direitos que justificassem a entrega de Declaração ao Fisco Federal. Todavia, em que pese tal situação patrimonial inexpressiva, tais pessoas, já na condição de idosos e sem lastro patrimonial à época, foram inseridos como sócios da referida pessoa jurídica (IRPF SPARTACO TADDEO; DAI 2004 SPARTACO E NAIR); (ii) Na diligência realizada na sede do contribuinte, verificouse a existência de um amplo galpão, desprovido de máquinas e equipamentos, inexistindo atividades comerciais ou industriais que justificassem as vultosas operações interbancárias no montante de R$ 593.118.622,00 (quinhentos e noventa e três milhões cento e dezoito mil e seiscentos e vinte e dois reais) conforme dados extraídos da DIMOF – Declaração de Movimentação Financeira. Na ocasião, conversamos com o senhor Spartaco Taddeo. Sua também simples residência (anexou foto da fachada da casa no corpo do TVF) possui Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.622 10 padrão discrepante a que, via de regra, deveria possuir o titular de uma empresa que movimentou elevada soma de recursos financeiros conforme descrito, demonstrando claramente tratarse de interposta pessoa na constituição desta personalidade jurídica; Pois bem, conforme preleciona PAULO DE BARROS CARVALHO (A Prova no Direito Tributário, Pág. 190), a presunção é o resultado lógico, mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, inferese o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência é, simplesmente, provável. A autoridade fiscal, fundamentou a requisição nos arts. 5º e 6º da LC n.º 105/2001. Assim, entendo que os fatos conhecidos e relatados no TVF, são razoáveis indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Destarte, a Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Esclarecido isso, passase à análise do pedido das Recorrentes. A contribuinte e responsáveis, invocaram a aplicação dos §§ 1º e 2º, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, que permitem, por provocação da parte, o sobrestamento dos julgamentos dos recursos neste Conselho até que seja proferida decisão quanto à mesma matéria que se encontre em repercussão geral no STF. Para tanto, invocou o RE 601314RG, que se encontrava em repercussão geral. Sendo assim, verificase que o tema foi julgado pelo STF, conforme ementa à seguir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.623 11 Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) (Grifei) Como se denota, o tema de repercussão geral em que se fundamentou o pedido de sobrestamento deste processo já foi julgado, e de forma desfavorável às recorrentes, uma vez que foi firmada a tese de que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Assim, presentes indícios suficientes a solicitação de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, cumulada ao julgado do STF que, em sede de repercussão geral, fixou que o dispositivo invocado pela Fiscalização (art. 6º Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.624 12 da LC 105/01) não ofende o direito ao sigilo bancário, entendo que, in casu, não houve quebra de sigilo bancário. Do Mérito Para aferirse o cerne da autuação em apreço, colacionase o item 7 do TVF que descreve o “modus operandi”, que fizeram a Fiscalização concluir pela inidoneidade das notas fiscais emitidas pela fornecedora. Vejamos: Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.625 13 Fl. 3695DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.626 14 Fl. 3696DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.627 15 Fl. 3697DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.628 16 Fl. 3698DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.629 17 Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.630 18 Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.631 19 Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.632 20 Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.633 21 Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.634 22 Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.635 23 Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.636 24 Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.637 25 Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.638 26 Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.639 27 Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.640 28 Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.641 29 Como visto, do exame da contabilidade da contribuinte foram apuradas diversas irregularidades, as quais, cumuladas com a Situação Cadastral irregular da fornecedora DACON – INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE MATERIAIS LTDAME, com quem pactuou a maioria das operações, fizeram com que a Fiscalização concluísse pela inidoneidade das notas fiscais emitidas pela fornecedora mencionada e, consequentemente, procedesse à glosa por apropriação indébita da contribuinte. Aprofundandose sobre a empresa DACON – INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, suposta fornecedora da contribuinte, a Fiscalização apurou, no item 6 do TVF, que: (i) A última DIPJ entregue foi relativa ao anocalendário de 2007; (ii) Não constam GFIP nem DCTF entregues e nem recolhimentos no período de 2008 até hoje; (iii) Apresentase com a situação cadastral junto ao cadastro estadual como “NÃO HABILITADO” desde 30/04/2009 (SINTEGRA DACON); (iv) Foi constituída em nome de ANTONIO CARLOS GOMES DE OLIVEIRA – CPF 342.773.18800, com 10% de participação societária e com inscrição “SUSPENSA” no CPF, e MILTON GARCIA MACIEL PINTO – CPF 269.520.27840, com 90% de participação societária, revelandose tratarem de interpostas pessoas (CADASTRO DACON E SÓCIOS); (v) A última Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF de ANTONIO CARLOS GOMES DE OLIVEIRA foi relativa ao ano calendário de 2008, tendo sido entregue com valores zerados. O único bem declarado, entretanto, foram os 99% do capital social da empresa DELLCOM ELETRONICS COMERCIO DE ELETRONICOS E SERVICOS LTDA – EPP CNPJ 05.600.625/000108 (IRPF SÓCIO Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.642 30 DACONANTONIO CARLOS AC 2008; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (vi) Em relação ao sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO, sua última DIRPF entregue foi relativa ao anocalendário de 2012, onde declara que recebeu rendimentos tributáveis da ZONA CENTRO BAR E RESTAURANTE LTDA – CNPJ 03.228.332/000116, no valor de R$ 13.460,70 no ano. O único bem declarado foi a sociedade na empresa DACON IND. COM. E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, no valor de R$ 90.000,00 (IRPF SÓCIO DACONMILTON AC 2012; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (vii) Em relação ao anocalendário de 2009, o sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO entregou DIRPF com valores zerados, tendo sido o único bem declarado, entretanto, a sociedade na empresa DACON IND. COM. E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, no valor de R$ 90.000,00 (IRPF SÓCIO DACONMILTON AC 2012; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (viii) Nos anoscalendário de 2008 e 2009, consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil que o sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO recebeu pagamentos da empresa THE WEEK ENTRETENIMENTO LTDA – CNPJ 06.980.178/000122, por meio da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (CADASTRO DACON E SÓCIOS). Em razão disso, a Fiscalização reconheceu a inidoneidade das notas fiscais emitidas pela empresa DACON para a SPARTACO, levando a autoridade fiscal a glosar todas os R$ 11.807.471,70 em notas fiscais para a SPARTACO (fl. 06 do TVF). Em face do quanto apurado no procedimento fiscal, a autoridade chegou às seguintes conclusões: Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.643 31 Portanto, a motivação da glosa – e consequentemente da constituição do crédito tributário exigido – decorre da escrituração na contabilidade da contribuinte de compras de fornecedor adquiridas através de notas fiscais inidôneas, assim consideradas por terem sido emitidas por empresa que se apresenta com seus registros irregulares nos órgãos competentes, e por ser inexistente de fato, conforme exposto anteriormente. De outro bordo, a contribuinte restringiuse a alegar que a autuação não reflete a realidade dos fatos ocorridos, bem como que a Fiscalização teria que apurar os documentos de saída e estornar os valores glosados, o que não foi feito, de forma a provocar um aumento na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; no entanto, sem trazer quaisquer documentos que fizessem prova de suas alegações. Nesse ponto, o trabalho fiscal comprovou, conforme descrito acima, que as operações de aquisição de mercadorias não ocorreram, à evidência da inexistência de fato da empresa DACON, quem supostamente fornecia as mercadorias. Por isso, reputo correto o enquadramento da infração no art. 217 do RIR/99. Vejamos seu teor: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. Em vista disso, mantenho as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Multa de Ofício Qualificada Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.644 32 Com relação à qualificação da multa de ofício, o Acórdão recorrido expressou o seguinte: “No presente caso, a multa qualificada foi aplicada por ter sido constatado pela fiscalização além da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, a incidência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64, sendo o montante da penalidade aplicada sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ................... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa maneira, constatada a subsunção ao texto legal, em razão do inadimplemento da obrigação em seus respectivos vencimentos, correta a exigência acrescida da devida multa de ofício qualificada.” Aqui, as recorrentes alegam que não houve a comprovação destas condutas, e trouxe súmulas do CARF, que entende militarem a seu favor. Entretanto, não merecem prosperar as alegações dos administrados. No que tange às Súmulas CARF n.º 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”); e n.º 25 (“A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”); devese asseverar que tais dispositivos não se aplicam ao caso em comento, pois, através de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. Ademais, o TVF deixa claro que o enquadramento dos atos procedidos se amolda à hipótese de fraude prevista no art. 72, da Lei n.º 4.502/64. Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.645 33 Por conseguinte, entendo correta a aplicação da multa de ofício qualificada. Da Decadência As recorrentes alegam que o crédito lançado já estaria acometido pela decadência, uma vez que os tributos exigidos são submetidos ao lançamento por homologação, cuja o termo inicial da contagem do prazo decadencial está expresso no §4º, do art. 150 do CTN, a seguir transcrito: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifos) A tese de decadência sustentada pelas recorrentes, passa obrigatoriamente pela configuração, ou não, da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tendo em vista a alegação de não se encontrar provado nos autos a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o que atrairia a disposição da primeira parte do §4º, acima transcrito; e, em decorrência, configuraria a hipótese de decadência no caso em espeque. Contudo, à vista do aqui exposto – máxime no que tange ao tópico da multa de ofício qualificada, bem como do exposto no TVF – crerse ter demonstrado a ocorrência de fraude na contabilidade da contribuinte, de modo a excluir o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, reduzindo o montante do imposto devido. Logo, os fatos descritos nestes autos se amoldam à hipótese descrita na segunda parte do §4º do art. 150, c/c art. 173, I, ambos do CTN. Assim, não vislumbro a verificação da hipótese de decadência na presente exigência. Da Responsabilidade Tributária Com relação a responsabilidade atribuída para extinção da obrigação tributária, cumpre reforçar o quanto apurado pela Fiscalização, conforme transcrição de trecho do TVF a seguir: 9.4.1. DO MENTOR INTELECTUAL DA FRAUDE Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.646 34 No rastreamento de recursos da empresa SPARTACO, movimentado principalmente através da Agência 0559 – SP/USP – Radial Leste do Banco Bradesco S\A, constatamos que vários cheques favoreciam pessoas vinculadas à família RIPANI, entre eles, ARIOVALDO RIPANI, que sem qualquer vinculação de direito com a empresa SPARTACO, movimentava através de procuração constituída por instrumento público (INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PARA ARIOVALDO RIPANI), as contascorrente mantidas nesta agência bancária, demonstrando ser o principal favorecido e real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. Sobre a Procuração: Em 18/06/2006, a empresa SPARTACO, por meio de seu sócio SPARTACO TADDEO, nomeia e constitui seu procurador ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815, conferindo a ele amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa outorgante; representala perante quaisquer repartições públicas federais; abrir movimentar e/ou encerrar contas bancárias em Bancos no geral, inclusive no Banco Bradesco S/A, podendo preencher e assinar cadastros, fichas e propostas de abertura de contas correntes, depositar e retirar dinheiro, emitir, endossar, sacar, descontar, visar, protestar, caucionar, reformar e assinar cheques, saques e ordens de pagamentos, pedir saldos e extratos de contas, requisitar talões de cheques para uso dela outorgante, receber e assinar todas as correspondências dela outorgante, inclusive as dirigidas aos Bancos (INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PARA ARIOVALDO RIPANI). As atividades empresariais ocultas da família RIPANI atingiram um grau elevado de sofisticação, que, além das interposições de pessoas no quadro societário da SPARTACO, visando ao não atingimento dos nomes dos reais beneficiários (os RIPANI), com o objetivo de manter os transportes das mercadorias sob controle e no anonimato, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140 com endereço à Rua Habenarias, 83 – Jd. Eliane – São Paulo SP, cujos sócios no período de 22/10/2009 a 14/11/2013 eram ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815 e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI – CPF 255.747.81809 (CADASTRO ALCANTARA MACHADO E SÓCIOS). Em 05/12/2014, a SPARTACO declarou que todas as mercadorias adquiridas da empresa DACON INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA, foram retiradas pelo caminhão da SPARTACO, de placa DTE 3446 VW Caminhão – Carroceria Aberta – RENAVAN 00969839596 Ano 2008/2008, tendo sido vendido em 24/07/2009 conforme Nota fiscal 684 (RESPOSTA AO TERMO DE 13112014). Conforme cópia apresentada da nota fiscal 684, a SPARTACO vendeu em 24/07/2009 o caminhão de placa DTE 3446 para RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI. Em 22/10/2009, RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, juntamente com ARIOVALDO RIPANI, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140. Em consulta ao sistema RENAVAN, constatamos que o caminhão está em Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.647 35 nome de ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140 (RENAVAM DTE3446). RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI e ARIOVALDO RIPANI possuem uma ligação familiar, pelo motivo de possuírem o mesmo sobrenome e de os domicílios fiscais de ambos serem no mesmo endereço. RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, juntamente com ARIOVALDO RIPANI, também constituíram em 06/11/2006 a empresa SUBA CONSULTORIA E INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA – CNPJ 08.446.618/000191, com endereço à Avenida Nossa Senhora do Rocio 229 – Bairro do Rocio Iguape SP (CADASTRO SUBA CONS E INTERM DE NEGÓCIOS E SÓCIOS); e em 10/09/2007, a empresa SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA – CNPJ 09.061.934/000108, com endereço Rua Alegria 129, Brás, São Paulo/SP, CEP 03043010 (mesmo endereço primitivo da SPARTACO). A empresa SUBA FOMENTO MERCANTIL foi baixada em 15/06/2011 (CADASTRO SUBA FOMENTO MERCANTIL E SÓCIOS). Durante a fiscalização, pela análise das fitas detalhes do caixa, constatamos pagamentos a SUBA CONSULTORIA E INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA, a SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA, e a VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA – CNPJ 55.373.542/000100, vinculada à família Ripani (CADASTRO VENEZA E SÓCIOS). O artigo 124, inciso II do CTN prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por tudo o que foi descrito nos itens precedentes, e nos termos do art. 124, inciso I, combinado com os artigos 135, inciso III Responsabilidade de Terceiros, 137 Responsabilidade por Infrações do Código Tributário Nacional Lei 5.172/66, e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, por terem ficado configurados como reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa ora autuada: ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI – CPF 255.747.81809 Para as formalidades legais, os responsáveis acima serão cientificados em apartado pelo “Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária” da exigência tributária decorrente de Auto de Infração relativamente aos tributos IRPJ e CSLL contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente termo, serão entregues em anexo. (grifos acrescidos) Na autuação, houve arrolamento de quatro pessoas físicas como responsáveis tributárias pelo crédito tributário; sendo duas responsáveis solidárias de direito Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.648 36 (Sr. Spartaco Taddeo e a Sra. Nair Hodas Taddeo), e duas responsáveis solidárias de fato (Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Ripani). Sobre o assunto, destacase trechos do voto da DRJ: “O Termo de Verificação Fiscal faz uma exaustiva exposição dos fatos a respeito da composição societária da autuada. Em pesquisa à Junta Comercial de São Paulo, a autoridade fiscal verificou a composição da sociedade, ora autuada, arrolandoos como responsáveis tributários com base no art.135, incisos III do CTN e art.124, I do mesmo dispositivo legal. O art.124, I do CTN, trata da responsabilidade tributária em razão de interesse comum, o qual engloba o interesse econômico e/ou jurídico. O termo “interesse comum” é amplo, pois visa garantir o adimplemento da obrigação tributária via responsabilização solidária. O proveito econômico ocorre não só entre os sócios, os quais pertencem ao quadro societário de empresa, como também quanto às pessoas jurídicas formadoras de um grupo econômico. O proveito econômico de uma empresa aproveita diretamente a seus sócios tanto pessoa física quanto pessoa jurídica de acordo com a participação no quadro societário. Já o interesse ou vínculo jurídico originase do regramento ditado por legislação específica (Código Civil e Lei das S/A), a qual dita os direitos e deveres dos sócios perante a pessoa jurídica e esta perante a sociedade. O art.135 do CTN reforça a responsabilidade dos sócios pelos créditos tributários quando resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Da mesma forma a Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010 e a Portaria PGFN nº 180 de 25/02/2010, determinam a inclusão do responsável solidário no procedimento de constituição do crédito tributário, no caso de ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: Excesso de poderes; Infração à Lei; Infração ao contrato social ou estatuto; Dissolução irregular da pessoa jurídica. O artigo 124, inciso II prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Para a imputação da responsabilidade tributária basta o simples inadimplemento da obrigação tributária, o qual enseja a responsabilidade tributária por violar dispositivo específico de lei. É obrigação da contribuinte o adimplemento da obrigação tributária e o seu descumprimento ocasiona as sanções previstas na legislação tributária. Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.649 37 A presente autuação arrolou somente os responsáveis tributários, os quais são os sócios da pessoa jurídica, aplicandose, portanto, a personalização da pena. As penalidades previstas na lei tributária, entre elas a imposição de multas, comunicamse aos sócios, pois estes são responsáveis pela condução das atividades da empresa. Não só a pessoa jurídica responde pelo inadimplemento da obrigação tributária, incluindose as penalidades de caráter moratório, mas também os sócios, pois são decorrentes do inadimplemento da obrigação tributária principal (art.113, §1º do CTN) previstos expressamente em lei (art.135 do CTN). Portanto, os sócios respondem solidariamente com a pessoa jurídica quanto à multa qualificada por meio da imputação de responsabilidade tributária. A pessoa jurídica é representada por seus sócios exercendo poderes para a gestão empresarial e, portanto, não cabe a alegação de que a interessada eximese das responsabilidades tributárias.” (grifos acrescidos) Conforme excerto acima, é fato que a autuação, ratificada pela decisão de primeira instância, considerou as pessoas físicas acima mencionadas como sócias da contribuinte, classificandoas em sócias de fato e sócias de direito. Sócios de direito, aqueles que eram formalmente sócios da empresa, ou seja, as interpostas pessoas que emprestaram o nome para a possibilidade de constituição da sociedade. Sócios de fato aqueles que, de fato, realizaram atos de gestão e administração da sociedade. As recorrentes alegam, em síntese, o que segue: · No que se refere ao sócio, Sr. Spartaco Taddeo, resumidamente, a decisão não levou em consideração o fato de ter alegado ser contabilista formado, com mais de 05 (cinco) décadas de atividade no mercado, possuindo, assim, formação e competência inquestionáveis para constituir e gerir um negócio, o que sempre fez, com vigor e assiduidade. Ainda, o fato de que a idade e a residência, que por ter sido considerada simples pela Sra. Auditora, não são indícios de prática de ato ilícito consistente em figurar como pessoa interposta de empresa com intuito doloso de prejudicar o erário, de modo que, a Autoridade administrativa partiu de meras suposições generalizantes, sem se ater às peculiaridades da pessoa do Impugnante, estabelecendo indícios irreais para concluir pela existência de fraude à lei. · Com relação à sócia, Sra. Nair Hodas Taddeo, restou totalmente desconsiderado que a Impugnante nunca administrou a empresa e detinha apenas 1% (um por cento) do capital social porque seu esposo necessitava de pessoa para constituir a empresa limitada, razão pela qual figurou no quadro societário. Nesse sentido, ignorou a apresentação de declaração por escritura pública do Sr. Spartaco Taddeo, Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.650 38 afirmando que a Impugnante não administrava a empresa, sendo ele o responsável por todos os atos de gestão. · Do mesmo modo, com relação ao Srs. Ariovaldo Ripani e Raphael Ripani, respectivamente pai e filho, não foi levado em consideração o argumento de que ambos têm vínculos com a empresa ora Recorrente, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão de que os Impugnantes eram os reais beneficiários das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. Pois bem. O acórdão recorrido faz correta interpretação do artigo 124 do CTN, pois observase que o inciso “I” deste dispositivo prevê que a responsabilidade solidária “de fato”, quando há interesse comum, em paralelo àquela “de direito”, disposta no inciso II, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. O texto do art. 124 é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Também interpretando o interesse comum, o Conselho de Contribuintes já entendeu pela possibilidade de responsabilização solidária da pessoa física na condição de verdadeira sócia da pessoa jurídica, com fundamento no artigo 124, I do CTN: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.” (Processo nº 13603.002869/200301, Recurso nº 148917, Sessão de 16 de agosto de 2006, Acórdão nº: 10708692) Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.651 39 Assim, o Fisco tem de provar, primeiramente, a autoria da infração, a partir da premissa de que o infrator não é apenas aquele que praticou materialmente o fato, mas também os que com ele colaboraram (partícipes) e os que determinaram a execução da conduta (mandantes). Logo, não basta indicar o nome de todos os sócios constantes do contrato social ou pessoas jurídicas vinculadas aos negócios jurídicos práticados pelo contribuinte, imperioso que se individualize o autor das irregularidades, demonstrando ao menos qual o sócio geria a sociedade, e decidia pela prática dos negócios empresariais tipificados como fatos jurídicos tributários (ou que, de alguma forma, pudessem resultar em obrigações tributárias) ou uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. E para tanto comprovar, admitemse as provas diretas e indiretas. Destarte, cabe pontuar que do TVF extraise que a empresa SPARTACO foi constituída de direito em 17/01/2005, em nome do Sr. Spartaco Taddeo e sua esposa, a Sra. Nair Hodas Taddeo. No item 1.5 deste Termo, encontramse as seguintes constatações da Fiscalização: “1.5. No ano de 2004, que antecedeu à constituição desta empresa, o senhor SPARTACO TADDEO, que detém 99% de participação societária da empresa e completou 81 anos de idade em maio de 2014 e a sua esposa NAIR HODAS TADDEO apresentaram declaração de isenção de Imposto de Renda Pessoa Física, por não possuírem bens e direitos que justificassem a entrega de Declaração ao Fisco Federal. Todavia, em que pese tal situação patrimonial inexpressiva, tais pessoas, já na condição de idosos e sem lastro patrimonial à época, foram inseridos como sócios da referida pessoa jurídica (IRPF SPARTACO TADDEO; DAI 2004 SPARTACO E NAIR).” Da análise dos autos, não se averigua nenhum ato de gestão procedido pelos “sócios” de direito, à evidência da outorga de procuração pelo Sr. Spartaco Taddeo ao Sr. Ariovaldo Ripani, conferindo amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa autuada ainda no ano de 2006. Quanto ao Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Eduardo Ripani, restou provado que esses foram os gestores e reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa ora autuada inclusive a constituição de outras empresas. Portanto, no que tange à responsabilidade atribuída aos sócios da empresa autuada, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários de Spartaco Taddeo e a Sra. Nair Hodas Taddeo, para isentálos de responsabilidade tributária, por caracterizaramse interpostas pessoas não tendo efetuado atos relevantes de gestão e/ou administração, bem como não restar demonstrado qualquer proveito econômico da presente situação experimentado por ambos. Diversamente, por restar provado serem os mentores intelectuais da fraude, incorrendo em atos de gestão e administração, bem como na utilização de engenhosos artifícios para manteremse no anonimato, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.652 40 do Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Eduardo Ripani, mantendoos no polo passivo da relação jurídicotributária. Conclusão Conforme o exposto, voto por NEGAR provimento aos Recursos Voluntários da contribuinte e dos responsáveis solidários Sr. Ariovaldo Ripani, e Sr. Raphael Eduardo Ripani. Relativamente aos Recursos Voluntários do Sr. Spartaco Taddeo, e Sra. Nair Hodas Taddeo, voto por DAR PARCIAL provimento aos seus recursos voluntários, para isentálos da responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária ora debatida. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 3722DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.000033/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontra-se viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 00 33 /2 00 9- 92 Fl. 91DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, emitida em 15/09/2008, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário 2004, que apurou a omissão de rendimentos do trabalho pagos pela Caixa Econômica Federal – CEF, no valor de R$ 15.757,77. Cientificado do lançamento em 09/12/2008 (fl. 32), o contribuinte apresentou, em 05/01/2009, a impugnação de fls. 02 a 05, alegando, em suma, que: 1 – os rendimentos se tratam de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359; 2 – tais proventos se revestem de natureza indenizatória não podendo, sobre ele, recair tributação cumulativa; 3 – o imposto não deve ser cobrado sobre o valor total recebido acumuladamente, mas sim, na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais; 4 – o amparo para essa postura se encontra na sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100; 5 – dita Ação Civil Pública foi extinta, mas não por seu mérito, mas sim, porque o Ministério Público foi considerado parte ilegítima para sua propositura; 6 o STJ já dá conta de decisões favoráveis ao requerente em pleitos idênticos. A 15ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 92 3 Os rendimentos atrasados recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Tais rendimentos são tributáveis no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime de caixa). Cientificado da decisão em 26/07/2013 (fl. 44), o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 46/77 em 23/08/2013, no qual repisa os argumentos da impugnação e combate a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte informa que os rendimentos questionados são decorrentes de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359, os quais devem ser cobrados na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais, conforme entendimento pacífico dos tribunais. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010). (destaquei) Fl. 93DF CARF MF 4 Recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a matéria, no âmbito do RE 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, na sistemática do art. 543B, do CPC, quando acordou por manter a decisão do STJ sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, afastando o regime de caixa, mas adotando o regime de competência, ou seja, concordando com a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor. Em nenhum momento se cogitou de eventual cancelamento integral de lançamentos efetuados em obediência ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, o qual estava plenamente vigente à época do lançamento. Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no Acórdão nº 9202003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. O artigo 62, § 2º, do RICARF, determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Art. 62 [...] Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 93 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes da Câmara Superior nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Recurso especial conhecido e provido. (Acórdão nº 9202 004.518, de 26/10/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Fl. 95DF CARF MF 6 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. (Acórdão nº 9202004.182, de 21/06/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Peço vênia para divergir do ilustre Relator, Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, pelos seguintes motivos, que passo a explanar. Disse em seu voto o Relator: O Contribuinte informa que os rendimentos questionados são decorrentes de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359, os quais devem ser cobrados na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais, conforme entendimento pacífico dos tribunais. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 94 7 regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. (...) Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, posteriormente, o STF entendeu pela inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Discordo, entretanto, da possibilidade de ser recalculado o tributo, aplicando se outra fórmula de cálculo, como se verificam, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o Fl. 97DF CARF MF 8 sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Quanto ao destaque que fez o nobre Relator, de no recurso o contribuinte pedir que lhe fosse aplicado o regime de competência ("Vale ressaltar que o pedido do Recorrente é no sentido de que seja aplicado o regime de competência em relação aos valores por ele recebidos, objeto do presente lançamento de ofício".), é de se ressaltar que o artigo 12 da Lei 7.713/1988 foi declarado inconstitucional pelo STF posteriormente, situação jurídica que era inexistente na data de apresentação do recurso (o Contribuinte interpôs o Recurso Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 95 9 Voluntário de fls. 46/77 em 23/08/2013, como consta do relatório, e o RE 614.406/RS foi julgado em 23/10/2014). Assim, a limitação do pedido, no caso, não impede que, em face da declaração de inconstitucionalidade, se mantenha o entendimento de que deva ser cancelado o lançamento, sem "recálculo" do tributo, nos termos aqui discorridos. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 99DF CARF MF
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