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Numero do processo: 13971.000930/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RECEITAS DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
O crédito presumido do IPI foi instituído para ressarcir o produtor e exportador, diretamente ou mediante venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior, dos custos do PIS e da Cofins incidentes em fases anteriores da cadeia produtiva.
Não há previsão legal para equiparar as vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações para o exterior, no tocante a este benefício fiscal.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao art. 62-A do Regimento Interno.
AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES INATIVOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.
Somente as notas fiscais de venda emitidas por pessoas jurídicas caracterizadas como regulares são aptas a produzirem efeitos tributários.
DESPESAS COM FRETES.
Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços.
AQUISIÇÃO DE PEÇAS PARA REPOSIÇÃO EM MÁQUINAS. PROVAS. CONSUMO OU UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO.
Para que peças de reposição sejam consideradas produtos intermediários, suscetíveis de serem consumidos ou utilizados no processo produtivo da empresa, necessária a prova de que as mesmas tenham exercido ação direta sobre o produto em fabricação, ficando demonstrado seu desgaste.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama, que davam provimento em relação aos créditos referentes às exportações para a Zona Franca de Manaus e despesas com fretes. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves dava provimento ao recurso, ainda, em relação aos créditos referentes aos custos na aquisição de peças para reposição em máquinas. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RECEITAS DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O crédito presumido do IPI foi instituído para ressarcir o produtor e exportador, diretamente ou mediante venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior, dos custos do PIS e da Cofins incidentes em fases anteriores da cadeia produtiva. Não há previsão legal para equiparar as vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações para o exterior, no tocante a este benefício fiscal. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao art. 62A do Regimento Interno. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES INATIVOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Somente as notas fiscais de venda emitidas por pessoas jurídicas caracterizadas como regulares são aptas a produzirem efeitos tributários. DESPESAS COM FRETES. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 30 /2 00 3- 89 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.187 2 AQUISIÇÃO DE PEÇAS PARA REPOSIÇÃO EM MÁQUINAS. PROVAS. CONSUMO OU UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Para que peças de reposição sejam consideradas produtos intermediários, suscetíveis de serem consumidos ou utilizados no processo produtivo da empresa, necessária a prova de que as mesmas tenham exercido ação direta sobre o produto em fabricação, ficando demonstrado seu desgaste. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama, que davam provimento em relação aos créditos referentes às exportações para a Zona Franca de Manaus e despesas com fretes. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves dava provimento ao recurso, ainda, em relação aos créditos referentes aos custos na aquisição de peças para reposição em máquinas. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI protocolizado em 14/04/2003 (fl. 1), com fundamento na Lei 10.276/01, para o período do 1° trimestre de 2003, no valor de R$ 2.440.155,9, para ressarcimento dos valores recolhidos de PIS e Cofins incidentes sobre suas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos supostamente exportados. Posteriormente, em 29/04/2003, a empresa apresentou novo Pedido de Ressarcimento (fls. 349/350), no valor de R$ 1.321.022,45, em substituição ao anteriormente apresentado, sob a alegação de que havia calculado indevidamente o crédito presumido do IPI. Foram apensadas ao presente processo duas Declarações de Compensação, com os seguintes valores: R$ 208.639,23 (processo n° 13971.000931/200323) e R$ 967.147,96 (processo n° 13971.001076/200378). Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.188 3 Conforme consta do Parecer SAORT DRF/Blumenau nº 74/2008 e do Despacho Decisório (fls. 919/ss) foi indeferido parte dos créditos pleiteados em relação às seguintes exclusões: a) Receitas de vendas de produtos à Zona Franca de Manaus; b) Custo nas aquisições de insumos de cooperativas e de pessoas físicas; c) Créditos lastreados em notas fiscais decorrentes de aquisições de insumos de fornecedor declarado inativo; d) Despesas incorridas na prestação de serviço de transporte (fretes); e) Custo na aquisição de peças para reposição em máquinas. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente deferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado no período em questão, com a consequente parcial homologação das compensações declaradas. Conforme consta no guerreado ato da administração, foram excluídos dos cálculos do beneficio as vendas para a Zona Franca de Manaus e as aquisições de pessoas físicas não contribuintes das contribuições para o PIS e a COFINS, fretes pagos a terceiros, aquisições de partes e/ou peças de maquinário, além da glosa de notas fiscais de fornecedores inativos. Alega a manifestante que alega que as receitas oriundas de remessa de produtos para ZFM, por expressa determinação legal, estão abrangidas no conceito de receita de exportação, conforme legislação e dispositivos constitucionais que cita, e que, de acordo com sua interpretação da legislação, não se poderia excluir do cálculo produtos intermediários indispensáveis ao processo produtivo (como seria o caso dos cilindros usados para estampar tecidos) Tampouco se poderia excluir as aquisições de fornecedores não contribuintes das citadas contribuintes, custos o frete pago a terceiros, conforme julgados que cita. Ademais, como não caberia ao adquirente assumir o papel da fiscalização junto a empresas que constam como inativas, não poderia ser penalizada por uma situação que lhe foge ao controle. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão n.º 1435.262 de 14 de fevereiro de 2011 (efolhas 1.116/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.189 4 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. As vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não se incluem na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas as restrições preconizadas na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, notadamente quanto as aquisições de pessoas físicas reposição de peças e/ou partes de maquinário e pagamentos de frete. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto em 17/10/2011 (efolha 1133) interpôs Recurso Voluntário em 16/11/2011 (efls. 1134/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, inovando apenas quando alega, em preliminares, que a decisão recorrida incorreu em nulidade, pela falta de análise de toda a argumentação da Recorrente e por indeferir o pedido de perícia formulado. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINARES Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A alegação de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela Recorrente não deve ser acolhida. Entendo que não houve omissão por parte da autoridade julgadora ao proferir a decisão recorrida como alega a Recorrente, haja vista que os principais argumentos apresentados foram considerados na fundamentação do voto condutor da decisão. Acerca da afirmativa de que o julgador de primeira instância não analisou toda a argumentação da Recorrente, há que se registrar que, tal fato, no presente caso não trouxe quaisquer consequências. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.190 5 Ademais, o julgador não está obrigado a, necessariamente, se pronunciar sobre a totalidade dos argumentos aduzidos. O sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Consoante os ensinamentos do Ministro Luiz Fux em sua obra, Curso de Direito Processual Civil, Editora Forense, 2001, pág. 679, o rito a ser seguido em uma decisão é o seguinte: “Ultrapassado o relatório, o juiz inicia a fundamentação de sua sentença, imprimindo ao ato o timbre de sua inteligência acerca dos fatos e do direito aplicável. Tratase de garantia constitucional que impõe ao magistrado motivar a sua decisão, explicitando o itinerário lógico de seu raciocínio de maneira a permitir à parte vencida a demonstração das eventuais injustiças e ilegalidades encartadas no ato.” A decisão sendo devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em cerceamento de defesa, mesmo que não tenham sido abordados todos os pontos trazidos pela defesa. Corroborando esse entendimento, colacionase a ementa da decisão prolatada pelo Egrégio STJ, na qual, o relator, Ministro José Delgado, menciona claramente a desnecessidade de apreciação de matéria que não guarde pertinência e relevância entre os fatos e a decisão. “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA MERITAL (PIS SEMESTRALIDADE INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, DA LC 07/70 CORREÇÃO MONETÁRIA – LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO CPC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide.(grifei) (...) (EDREsp nº 362.014/SC, DJ de 23/09/2002, pg. 236, Min. Rel. José Delgado). Portanto, conforme se depreende, ainda que a DRJ não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão a quo, pois, o órgão julgador não está obrigado a rebater todos os Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.191 6 argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. A Recorrente, ao que me parece, questiona (e discorda!) dos argumentos utilizados no voto condutor da decisão de primeira instância para fundamentar sua decisão. Portanto, não é o caso suscitar a nulidade da decisão, que está plenamente motivada, mas de questionar os argumentos utilizados em sua fundamentação, o que se faz em sede do mérito. É perfeitamente possível que se discorde da decisão, como efetivamente ocorre com a ora Recorrente, entretanto, dessa discordância não pode levar a nulidade da decisão. Não acolho a preliminar de nulidade suscitada. Do pedido de perícia contábil A Recorrente afirma que o Acórdão recorrido não deferiu o pedido de perícia, que no seu entender seria necessária para provar suas alegações, e deste modo, cerceou seu direito à ampla defesa e ao contraditório. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia reveste se das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Como se percebe, o preceito contido na legislação que rege o processo administrativo fiscal é a consagração da ideia de que a prova pericial deve ser produzida, por meio de diligência, antes de qualquer outra razão, com o fim de firmar convencimento da autoridade julgadora, o que vai ao encontro do que preceitua o art. 420 do Código de Processo Civil (Lei no 5.869, de 11/01/1973 e demais alterações): Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável Observase nos autos o minucioso trabalho realizado pelo Fisco, objetivando demonstrar os valores excluídos/glosados, conforme consta do Parecer SAORT DRF/Blumenau nº 74/2008 e do Despacho Decisório (fls. 919/ss). Não bastasse o exposto, o conteúdo dos quesitos envolve matéria do domínio e competência tanto dos AuditoresFiscais da Receita Federal, quanto deste juízo administrativo, não havendo, portanto, razões para chamar aos autos o conhecimento de quaisquer outros técnicos. É certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. Após a ciência do Despacho Decisório, a Recorrente teve oportunidade de juntar as provas e demais elementos para demonstrar o seu direito. Se não o fez a contendo, entendo que agora, na fase recursal, não é mais o momento próprio para realização de perícia contábil. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.192 7 Assim sendo, também nesta matéria, não acolho a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO Receitas de vendas de produtos à Zona Franca de Manaus Não há reparos a fazer na decisão recorrida nesta matéria, senão vejamos. As vendas de produtos para a ZFM não estão compreendidas na receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, conforme prescreve o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 1996, verbis: Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A sistemática alternativa para o cálculo, utilização e apresentação de informações do crédito presumido do IPI foi trazida pela Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, que permite o crédito presumido também sobre energias elétricas e combustíveis, utilizadas no processo industrial, e sobre o valor pago pela prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, verbis: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei n º 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Temse, portanto, que crédito presumido foi instituído para ressarcir o produtor e exportador, diretamente ou mediante venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior, dos custos do PIS e da Cofins incidentes em fases anteriores da cadeia produtiva. Destaquese que tanto o parágrafo único do artigo 1º Lei nº 9.363, de 1996, como o artigo 1º da Lei n° 10.276, de 2001, prescrevem expressamente que se trata de “exportação para o exterior”, portanto, não abrange uma remessa para a ZFM. São figuras distintas! Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.193 8 No tocante especificamente à Zona Franca de Manaus, o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967 prescrevia uma “equiparação” entre as exportações efetuadas para o estrangeiro e as remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, para efeitos fiscais e nos termos da legislação em vigor à época (em 1967), verbis: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifamos) A meu sentir, o art. 4º do DecretoLei nº 288, estabeleceu uma “equiparação” entre as exportações brasileiras efetuadas para o estrangeiro apenas para as remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, e mais, o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado, abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta em seu próprio texto. A “equiparação” referida pelo DecretoLei nº 288, de 1967, não pode ser aplicada a favores fiscais ou a tributos instituídos após a data de publicação (1967), como é o caso do crédito presumido do IPI, concedido pela Lei nº 9.363 de 1996 e pela Lei n° 10.276 de 2001, para ressarcimento dos valores recolhidos de PIS e Cofins incidentes sobre suas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos exportados. Assim, entendo, essa equiparação não é absoluta, não devendo ser extensiva de modo a alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda conceder exclusivamente às exportações efetivas para o exterior, como é o caso em tela. E mais. Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com o benefício do ressarcimento inclusive as receitas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que o benefício alcança a apenas as receitas de vendas com o fim específico de exportação para o exterior (parágrafo único do artigo 1º, Lei nº 9.363, de 1996) e a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior (artigo 1º da Lei n° 10.276 de 2001). Aquisições de insumos de cooperativas e de pessoas físicas Nesta matéria assiste razão à Recorrente. Em razão do disposto no art. 62A do RICARF, introduzido pela Portaria MF 586/2010, deve ser reproduzido neste caso o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pela sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC, no sentido de que os valores oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas, os quais irão ser utilizados no processo produtivo de mercadorias a serem exportadas, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.194 9 PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.195 10 revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II Nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.196 11 Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Deste modo, devese reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Créditos lastreados em notas fiscais decorrentes de aquisições de insumos de fornecedor declarado inativo. Em relação a esta matéria, a fiscalização concluiu no Parecer SAORT DRF/Blumenau nº 74/08 (folha 923) que “no curso da análise das informações contidas nos arquivos digitais e da conferência física das cópias das notas fiscais de entradas amostradas, foram realizadas consultas aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil com o intuito de verificar a efetividade dessas aquisições. Observaramse aquisições cujas notas fiscais foram emitidas por fornecedor que apresentou declaração de INATIVA para o anocalendário de 2003 (fls.731/734)”. E, em decorrência desta constatação, efetuou as glosas relativas às aquisições de empresas inativas, em relação a quatro notas fiscais emitidas pelo fornecedor (CNPJ Nº 72.483.241/000140). Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.197 12 A Recorrente, por sua vez, pondera que efetuou todos os procedimentos a ela cabíveis, “consultou pela internet, no site da Receita Federal, a situação ativa da empresa apontada, desde 1993, abrangendo o período de emissão (2003) das notas fiscais cujos créditos não foram acatados”, e conclui que havendo alguma irregularidade, esta deve ser resolvida entre a RFB e a empresa fornecedora. Pois bem. A discussão que se faz neste ponto é se está correta a glosa de créditos, efetuada pela fiscalização, em relação à aquisição de mercadorias de fornecedores com irregularidades perante o Fisco Federal (inativa). Resta, primeiramente, analisarmos se o contribuinte pode ser considerado “terceiro de boafé”. Para situações como a que aqui ocorre o art. 82 da Lei nº 9.430/96 prevê a conduta esperada no caso de verificação de documentação irregular. Nestes casos, o referido dispositivo prescreve que cabe aos contribuintes, possuidores das notas fiscais emitidas por fornecedores em situação irregular perante o Fisco, a prova do efetivo pagamento e recebimento dos bens, verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Portanto, pareceme que a questão relevante para o deslinde deste ponto do litígio é analisarmos se a Recorrente comprovou, efetivamente, o pagamento da mercadoria adquirida e do recebimento das mesmas. Vejamos. A autoridade fiscal, quando da elaboração do Parecer SAORT DRF/Blumenau nº 74/08, apontou detalhadamente quais eram as notas fiscais para as quais o fornecedor se encontrava em situação inativa, os respectivos valores de vendas e as glosas pertinentes para cada situação. Foi dada ciência do Parecer à Recorrente (fl. 942), destarte, a partir deste momento já tinha conhecimento das glosas efetuadas. Entretanto, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade (fls.943/ss), a Recorrente não demonstrou de forma cabal, através da competente linguagem das provas, o efetivo pagamento e recebimento dos bens adquiridos de fornecedor em situação inativa perante o Fisco. Resignouse, apenas, a tecer argumentos relativos a esta operação, sem apresentar as provas necessárias para corroborar a efetividade da operação, como prescreve o artigo 82 da Lei nº 9.430/96 (prova da efetivação do pagamento e do recebimento dos bens). A Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. Claro está, no meu entender, que as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização em seu Parecer deveriam ser rebatidas pelo contribuinte e, principalmente, acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 do Decreto 70.235/72). O interessado deveria comprovar seu direito, nos termos do que prescreve o artigo 333, inciso I, Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.198 13 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, demonstrando de forma plena, por meio dos competentes registros contábeis e fiscais, a efetividade do pagamento de suas aquisições e do ingresso das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento. Não o fez! Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação aos créditos lastreados em notas fiscais decorrentes de aquisições de insumos de fornecedor declarado inativo. Despesas incorridas na prestação de serviço de transporte (fretes); O dispositivo legal contido na parte final do artigo 1º da Lei nº 9.363, de 1996, é específico ao prescrever que devem ser ressarcidas do PIS e da Cofins os valores incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. No mesmo sentido, o dispositivo legal contido no parágrafo primeiro do artigo 1º da Lei n° 10.276, de 2001, ao tratar de um regime de apuração alternativo, permite incluir na base de cálculo do crédito presumido, além dos custos de aquisição de insumos (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem), apenas os custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis, e os valores relativos à prestação de serviço no caso de industrialização sob encomenda, portanto, a meu ver, referese especificamente aos fatores de produção utilizados/consumidos no processo industrial da empresa, não devendo, portanto, ser extensivo às atividades não vinculadas a estas finalidades, como é o caso dos fretes. Vejamos o dispositivo citado: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Ora, as despesas com fretes não podem ser enquadradas em nenhuma das hipóteses prevista nos dispositivos legais acima citados, por falta de amparo legal. Assim como não é legítimo qualquer ato da Administração, no sentido de pretender cercear o direito do contribuinte à fruição de um favor legal, por meios de normas complementares (como é o caso das glosas das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas), não se pode admitir a extensão de tal beneficio fiscal para além dos limites determinados na lei. Não há como acatar, portanto, a tese da empresa de que as despesas com o frete compõem o custo na aquisição dos insumos. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.199 14 O parágrafo único do artigo 3º da Lei nº 9.363, de 1996, reforça este entendimento ao prescrever que deverá ser utilizada, subsidiariamente, a legislação do IPI para a definição dos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, verbis: Art. 3º (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. O legislador foi explícito ao afirmar que quando não suficientemente claro os conceitos abarcados pela própria norma instituidora do benefício, devese socorrer à legislação de regência do IR e do IPI. Assim, só podem dar margem a ressarcimento de PIS e da Cofins, a título de crédito presumido do IPI, aqueles insumos que, consoante o entendimento previsto na legislação do IPI, possam enquadrarse no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. E, de acordo com a legislação do IPI, tais insumos são aqueles que dão margem aos “créditos básicos” do IPI. Neste diapasão, a legislação do IPI, mais especificamente o artigo 147, inciso I, do RIPI/1998, menciona que a possibilidade de creditamento decorre de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados, incluindose os insumos que, não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Portanto, insumos utilizados ou consumidos no processo produtivo. A Recorrente, a meu ver, pretende dar ao conceito de insumo um sentido lato, abrangendo, portanto, inclusive as despesas incorridas com a prestação de serviços de frete pagos para a aquisição de insumos utilizados na cadeia produtiva, o que, a meu sentir, não é possível. O parágrafo único do artigo 3º, acima transcrito, restringe esta interpretação extensiva, ao prescrever que deve ser utilizada a legislação do IPI para se estabelecer o conceito de insumos. Em suma, a despesa com fretes, consoante prevê a legislação de regência, não devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI por não caracterizarem matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, mas mera prestação de serviços. Custo na aquisição de peças para reposição em máquinas. Quanto a esta última matéria, alega a fiscalização que a empresa “utiliza, no cálculo do crédito presumido, valores referentes a aquisições de peças para reposição em máquinas que, consoante o Parecer Normativo CST no 65, de 06 de novembro de 1979, ainda que sejam consumidas pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem”. Por esse motivo efetuou a exclusão de tais aquisições. A Recorrente, em síntese, aduz que as citadas peças para reposição (cilindros perfurados de níquel e tubos de costura irregular, utilizados para estampar tecidos) devem ser enquadradas como produtos intermediários, nos termos dos artigos 147 e 488 do RIPI/1988. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.200 15 Assevera que o direito ao crédito não está unicamente vinculado com a integração física do insumo, possibilitando a apropriação do mesmo quando a produto intermediário seja consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização. Tem razão a Recorrente quando assevera que o artigo 147, inciso I, do RIPI/98 prescreve que as indústrias poderão creditarse do IPI em relação às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e que, por sua vez, o artigo 488 do mesmo Regulamento considera bens de produção os produtos intermediários, inclusive os que, não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial. Entretanto, para que determinados insumos, dentre os quais os produtos intermediários, possam servir de base de cálculo do benefício pleiteado, deve ficar provado de forma cabal, e este ônus é de quem pede (artigo 333, I, CPC), que efetivamente os produtos intermediários foram consumidos ou utilizados no processo produtivo. Em outras palavras, devese comprovar que os insumos entraram no processo produtivo, (i) integrandose ao produto final ou (ii) quando exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ficando demonstrado seu desgaste. Pareceme, portanto, que no caso em tela, a Recorrente não fez prova de que as peças para reposição de maquinário (cilindros perfurados de níquel e tubos de costura irregular, utilizados para estampar tecidos) tenham atendido a qualquer uma destas condições. A primeira, por certo, impossível de ser atendida, uma vez que os cilindros perfurados não podem integrarse ao produto final da empresa (seu objeto social é a fabricação e o comércio de tecidos e produtos têxteis em geral – vide folha 4); a segunda, embora possível, não foi demonstrada pela empresa, a quem caberia o ônus de provar os fatos constitutivos de seu suposto direito. Assim, os custos das aquisições de peças para reposição de maquinário não pode devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, por não restar comprovado nos autos que a mesma foi consumida ou utilizada no processo produtivo da Recorrente. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer direito ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, mantendo, no mais, a decisão recorrida. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.000930/200389 Acórdão n.º 3202000.804 S3C2T2 Fl. 1.201 16 Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15868.000090/2010-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são
demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é
competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.617
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir a verba vale-alimentação paga em tickets aos segurados empregados.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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Recorrente MUNICÍPIO DE AVANHANDAVA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir a verba vale alimentação paga em tickets aos segurados empregados. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Gustavo Vettorato, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 280301.617 S2TE03 Fl. 480 2 Relatório Tratase de AutodeInfração, debcad n.° 37.232.0988, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondendo à parte: a) da empresa e SAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, referentes às diferenças apuradas em relação ao valealimentação em tickets, uma vez que o órgão público não é optante do PAT; b) da empresa, incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais membros do Conselho Tutelar; c) da empresa, incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais autônomos, prestadores de serviço; d) diferenças na alíquota do SAT. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 04/05/2010, fl. 01, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente do lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 03/02/2011, fl. 460, inconformado interpôs recurso voluntário, fls. 462/464, alegando em síntese: A União não detém o poder de fiscalizar nem o de penalizar os entes municipais, assistindolhe apenas pedir informações; não é uma solução plausível autuar o município, pois todos os municípios estão com problemas econômicos, deixando perecer, mais ainda, seus serviços essenciais prestados e deixando ao desamparo seus funcionários no recebimento dos salários. O município doravante irá atender o requisitado pela fiscalização; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 280301.617 S2TE03 Fl. 481 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Os argumentos apresentados pelo contribuinte já foram analisados pelo órgão julgador de primeira instância administrativa que decidiu pela procedência do lançamento fiscal. O contribuinte não trouxe fatos novos no recurso voluntário. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA E SEM PAT A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Tal afirmativa encontra ressonância na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 280301.617 S2TE03 Fl. 482 4 Ademais, sobre o assunto existe Despacho do Ministro de Estado da Fazenda, datado de 22 de novembro de 2011, publicado no DOU, de 24 de novembro de 2011, in verbis: Assunto: Contribuição Previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117, de 10 de novembro de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Tendo em vista o reconhecimento da não incidência de tributo sobre a verba ora guerreada conforme o Despacho acima descrito que aprovou o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117, de 10 de novembro de 2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa perde sua eficácia, prevalecendo, pois, a tese defendida pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A alegação de dificuldade econômica não exime o município de recolher as contribuições sociais devidas, considerandose que não há previsão legal. A declaração do contribuinte de que doravante irá atender o requisitado pela autoridade fiscal é presunção de reconhecimento do crédito fiscal lançado. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com Discriminativo do Débito – DD, a Instrução Fl. 482DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 280301.617 S2TE03 Fl. 483 5 para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para excluir a verba valealimentação paga em tickets aos segurados empregados. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 483DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901886/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 95 1 94 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.901886/200919 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.695 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de março de 2013 Assunto Pedido de Compensação Recorrente VIRALCOOL AÇUCAR E ÁLCOOL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 01 88 6/ 20 09 -1 9 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901886/200919 Resolução nº 3401000.695 S3C4T1 Fl. 96 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação no valor de R$ 16.035,54, relativo a crédito de PIS, recolhido a maior em 30.9.2001. A DRF de Ribeirão Preto – SP, através de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, tendo em vista o fato de que o pagamento a maior indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no pedido de compensação. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: A totalidade do crédito apurado pela contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP é originária do indevido recolhimento da contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; É de domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. A contribuinte apresentou cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre as receitas não operacionais e financeiras. Destacou que se a autoridade julgadora entender necessária a realização de perícia contábil, os documentos da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu a homologação da compensação pleiteada. Além disso, solicitou que nas intimações e notificações constasse o nome do advogado da empresa. Em 22.4.2010, a 4ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos, pois tratase de fatos contábeis, que estão no campo de conhecimento do auditor fiscal. A perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Quanto à solicitação de que em todas as intimações e notificações conste o nome do procurador da contribuinte com o respectivo endereço, não há previsão legal para que a intimação ocorra em nome ou no endereço do procurador do sujeito passivo. No que tange à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, os efeitos da decisão do STF, citada pela contribuinte, se restringem às partes que figuram no processo, não beneficiando terceiros. De qualquer forma, mesmo que fosse reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, isso não significaria um reconhecimento automático do direito creditório, pois para comprovar que a totalidade do crédito compensado via Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901886/200919 Resolução nº 3401000.695 S3C4T1 Fl. 97 3 PER/DCOMP neste processo advém do indevido recolhimento do PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, a contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal. Esse documento, por si só, desacompanhado dos livros fiscais, razão e caixa estabelecidos e regularmente preenchidos na forma da lei, não representariam, em qualquer hipótese, prova hábil suficiente para reconhecimento do direito creditório. Em 10.6.2010, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 1º.7.2010, protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: A prova pericial era indispensável neste processo administrativo, uma vez que a contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMPs, tornando impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações da contribuinte e das préprovas constituídas, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo órgão Julgador Administrativo; A recorrente produziu, em sua Manifestação de Inconformidade, prova material apta a comprovar a existência do indébito, oriundo da incidência e recolhimento da contribuição PIS/Pasep sobre receitas não operacionais e financeiras. Dadas as condições para que seja verificada a conformidade do crédito apurado pela contribuinte, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados. É necessária a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos do PIS/Pasep que a recorrente possui. Já é de domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária, violou a redação original do art. 195, Inc. I, da Constituição Federal, ainda vigente, ao ser editada a mencionada norma legal. A base de cálculo da contribuição para o PIS e Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, restando afastado o disposto no artigo 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a recorrente requer: Preliminarmente, que seja declarada a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado e, ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Que o julgamento seja convertido em diligência, para verificação e confirmação da exatidão dos créditos alvo do pedido de compensação, recolhidos indevidamente pela recorrente sobre a base de cálculo “receitas não operacionais e financeiras”. Que seja julgado procedente o recurso, com o fim de conferir regularidade às apurações fiscais realizadas pela contribuinte, como também, a regularidade dos créditos que esta faz jus, homologandose a declaração de compensação realizada. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901886/200919 Resolução nº 3401000.695 S3C4T1 Fl. 98 4 Em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa, requer intimação para apresentação de sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901886/200919 Resolução nº 3401000.695 S3C4T1 Fl. 99 5 Voto Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Conheço deste recurso por apresentar os requisitos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimentos de créditos de PIS/Pasep, recolhidos a maior em 30.9.2001. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, no qual defende a repercussão geral da decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, que proclama o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Além disso, defende a nulidade do julgamento de primeira instância, pois foi negado o pedido de perícia contábil para a confirmação da existência e do valor dos créditos requeridos. Por fim, solicita o reconhecimento de seu Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão da instância anterior e a conversão deste julgamento em diligência. À vista do exposto, voto por converter o julgamento em pedido de diligência a fim de que seja verificada a efetiva existência de crédito, o valor do débito e, por fim, o saldo credor ou devedor. Após o resultado da diligência, cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse. É como voto! Sala das Sessões, em Fernando Duarte Marques Cleto – Relator. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 14485.000123/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Sep 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006, 2007
PREVIDENCIÁRIO. DILIGÊNCIA PARA SUBSIDIAR PROCESSO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
O resultado de diligência efetuada com o propósito de colher informações complementares, deve instruir o processo que lhe deu origem. Lavrar Auto de Infração ao encerramento da diligência, nas circunstâncias, caracteriza desvio do objeto do mandado de Procedimento e implica nulidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos AlbertoMees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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DILIGÊNCIA PARA SUBSIDIAR PROCESSO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O resultado de diligência efetuada com o propósito de colher informações complementares, deve instruir o processo que lhe deu origem. Lavrar Auto de Infração ao encerramento da diligência, nas circunstâncias, caracteriza desvio do objeto do mandado de Procedimento e implica nulidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos AlbertoMees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 23 /2 00 8- 15 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Às fls. 298/304, a instância “ ad quod ” produziu laborioso relatório que, sem desapreço, aproveito em parte destacando o que concerne os registros das alegações da impugnante ao tempo em que passo a traduzir os autos na forma ora apresentada: Tratando de cumprimento de Diligencia Fiscal (DF), eis a íntegra do Relatório Fiscal e fls. 04 : “ No cumprimento de Diligencia Fiscal (DF) , foi apresentado a empresa três (3) Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's) , recebidos pela empresa dias 23/08/2006; 10/0/2006 e 31/10/2006, documentos necessários ao esclarecimentos de questionamentos quanto a valores lançados em NFLD, impugnada pela Empresa em procedimento administrativo DF. A documentação foi apresentada parcialmente e em desacordo com o solicitado no TIAD e com grande demora. Foi solicitado Planilha de Compensações, com correção dos valores originários e seus respectivos índices de correção (conf. Determinação judicial), valores compensados e saldos a compensar, se houver. A Planilha deveria conter os dados da compensação da fiscalização atual e da anterior. A empresa apresentou uma planilha em desacordo com o solicitado, impossibilitando uma conclusão definitiva quanto aos valores lançados como compensação. Em consulta aos sistemas do INSS foi constatado que a empresa não tem autos de infração em Fiscalizações anteriores. A empresa deixou de prestar ao Instituto Nacional de Seguro Social INSS todas as informações necessárias a Fiscalização no cumprimento de Diligencia Fiscal (DF), não apresentando Planilha de compensações conforme solicitado nos TIAD's, motivo pelo qual a empresa sendo autuada conforme previsto na Lei 8212/91, de 24/07/91, art. 32, III, combinado com o art. 225, III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048 de 06/05/99. Dispositivo legal da Multa Aplicada: Lei 8212/91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nr. 3048/91 de 06/05/99, art 283, II, be art. 373. Dispositivos Legais da Gradação da Multa Aplicada: art. 292, inciso I, do RPS. Valor da Multa: R$ 11.569,42 (ONZE MIL E QUINHENTOS E SESSENTA E NOVE REAIS E QUARENTA E DOIS CENTAVOS), atualizado pela Portaria 342 de 16/08/2006 do MPS (Ministério Previdência Social).” Conforme o Despacho de fls. 15, resta registrado que : “ 1) O presente processo de Auto de Infração é conseqüência de Diligência Fiscal ref. A NFLD debcad 35.809.0113. visto Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14485.000123/200815 Acórdão n.º 2403001.665 S2C4T3 Fl. 3 3 empresa não ter apresentado a documentação conforme solicitado.” ( grifos de minha autoria) Às fls. 10, o Mandado de Procedimento Fiscal MPF Diligência Fiscal n° 09328218 D00 confere autenticidade ao Despacho supra. Sem determinar para qual período e sem vincular o pedido da motivadora NFLD 35.809.0113, a Autoridade Autuante, em 23/08/2006, emitiu Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 12 requerendo os seguintes documentos : DOCTOS. RELATIVOS A AÇÃO JUDICIAL NR. 1999.61.00.0606890: PETIÇÃO INICIAL DECISÕES E ACÓRDÃOS PROFERIDOS CERTIDÃO DE OBJETO E PE ORIGINAIS DAS GUIAS EM QUE FORAM RECOLHIDAS AS CONTRIBUIÇÕES DE AUTÔNOMOS, OBJETO DA COMPENSAÇÃO PLANILHAS DAS COMPENSAÇÕES QUE ESTÃO SENDO EFETUADAS. Às fls. 13, procedendo de forma idêntica, em 10/10/2006, reiterou o solicitado emitindo novo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD introduzindo requerimentos para alteração de GPS efetuados – copias : PETIÇÃO INICIAL DECISÕES E ACÓRDÃOS PROFERIDOS CERTIDÃO DE OBJETO E PE REQUERIMENTOS PARA ALTERAÇÃO DE GPS EFETUADOS – COPIAS DOCTOS. RELATIVOS A AÇÃO JUDICIAL NR. 1999.61.00.0606890 Às fls. 14, tendo aparentemente recebido o requerido, a exemplo dos os anteriores , em 31/10/2006, ressaltese próximo do encerramento da ação fiscal levado a efeito sem formal emissão de Termo de Encerramento, concluso pela entrega do Auto de infração em 10/11/2006, na forma do novo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD não reiterou os pedidos anteriores e procedeu a novas solicitações : Guias de recolhimento que originaram os créditos compensados Memória de cálculo de compensações efetuadas PLANILHA de compensação com correção de valores originários e seus respectivos índices de correção (conf. determinação judicial) , valores compensados e saldos a compensar ,se houver. Planilha deve conter os dados de compensação da fiscalização anterior e da fiscalização atual. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Aduz que não se observou reiterada a última intimação. Às fls. 56 , em 28/11/2006, quando já houvera sido encerrada a diligência, a empresa colacionou planilha com os índices na forma do despacho que originou nova diligência cfe fls. 101. Entregue ao contribuinte em 20/03/2009, às fls. 106, consta o então TERMO DE DILIGENCIA FISCAL/ SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS sob novo MPF 08.1.90.002008047331 em 20/03/2009 cujo contexto resumia o objeto obter última Ata de eleição do Corpo Diretivo : “ Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, 1, para efeito de informação fiscal no processo n 0 14485.000123/200815 (referente Filito de Infração Debcad nr. 37.011.5660), intimamos o mesmo a apresentar os elementos abaixo especificados: Ultima Ata de Eleição do Corpo Diretivo. ” ( grifos de minha autoria) Em 01/04/2009, no documento de encerramento da sobredita diligência às fls.119, a Autoridade fiscal aludindo objeto diverso, registrou o texto abaixo ao tempo em que produziu Informação fiscal de fls. 121: “ TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, encerramos, nesta data e hora, diligência fiscal iniciada em 20/03/2009, prevista no MPF n°. 08.1.90.002008 0047331, referente as contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "h" e "c", da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresas, conforme prevê os arts. 2° e 3°, da Lei n° 11.457, de 16/03/2007. Exame da documentação apresentada pela empresa "para manifestarse conclusivamente sobre a correção da infração". Resultado do Procedimento Fiscal: Esta auditoria concluiu pela improcedência das alegações; a correção da infração foi parcial, conforme consta de informação fiscal que segue anexa ao presente Termo.” Às fls. 112 consta colacionada Ação Judicial onde a empresa figurou como recorrente no RECURSO ESPECIAL n° 916236 – SP (2007/00067730) de relatoria do Min. LUIZ FUX , parte final da decisão : “ (...) No tangente à correção monetária, a jurisprudência do STJ firmouse pela inclusão dos expurgos inflacionários na repetição de indébito, utilizandose: a) o IPC, no período de janeiro/89 a janeiro/91; b) o INPC de fevereiro/91 a dezembro/91; e c) a partir de janeiro/92, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei n° 8.383/91. 0 índice de janeiro/89 é de 42,72% (Resp n.° 43.055/SP, DJ de 18/12/95).” ( grifos de minha autoria) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14485.000123/200815 Acórdão n.º 2403001.665 S2C4T3 Fl. 4 5 DA IMPUGNAÇÃO. A empresa apresentou alegações na forma do Relatório “ ad quod ” às fls. 299. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.297, São Paulo I SP, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I SP DRJ/SP1, em 26 de julho de 2011, exarou o Acórdão n° 1634.448, mantendo PROCEDENTE o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação argüindo nulidade . É o relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA PRELIMINAR DE NULIDADE O processo em comento tem registro sob o n° 14485.000123/200815 e referese ao Auto de Infração DEBCAD 37.011.5660. Por economia processual, de plano, destaquese que na informação fiscal, às fls. 121, a Autoridade autuante ressalta que o presente auto é resultado de diligência para colher informações necessárias para esclarecimentos de dados para outro processo administrativo nr. 14485.001912/200792 onde a empresa teria sido autuada sob a forma da Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos Debcad nr 35.809.0113 : “ PARTE I OBSERVAÇOES GERAIS: a) 0 Auto de Infração Debcad nr. 37.011.5660, processo administrativo nr. 14485.000123/200815 é resultado de diligencia efetuada na empresa para colher informações necessárias para esclarecimentos de dados referentes a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos Debcad nr 35.809.0113, processo administrativo nr. 14485.001912/2007 92.” Em razão do sobredito registro, a Informação Fiscal supra deveria ter sido encaminhada para o solicitante complementar sua motivação e instruir os autos daquele referido processo 14485.001912/200792 que lhe deu causa. Face ao circunstanciado, descabe constituir créditos para cada diligência efetuada com o propósito de colher informações que irão complementar o processo original.Assim dou provimento ao pleito. CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR , DARLHE PROVIMENTO determinando a nulidade do lançamento por VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14485.000123/200815 Acórdão n.º 2403001.665 S2C4T3 Fl. 5 7 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002069/00-06
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. Cabem embargos de declaração somente quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos ou for omisso em ponto sobre o qual deveria se pronunciar. Os embargos devem ser interpostos no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, conforme §1º. do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, não se conhecendo dos embargos extemporâneos.
Numero da decisão: 1802-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NÃO CONHECER dos embargos nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. Cabem embargos de declaração somente quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos ou for omisso em ponto sobre o qual deveria se pronunciar. Os embargos devem ser interpostos no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, conforme §1º. do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, não se conhecendo dos embargos extemporâneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NÃO CONHECER dos embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13808.002069/0006 Acórdão n.º 180201.246 S1TE02 Fl. 188 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelson Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13808.002069/0006 Acórdão n.º 180201.246 S1TE02 Fl. 189 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por Contil Indústria e Comércio Ltda., em face de Acórdão da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho referente ao processo administrativo 13808.002069/0006, que decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto pela Embargante, mantendo o Acórdão no. 16 – 10.225 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP). Por meio da decisão embargada, este Conselho se pronunciou sobre as seguintes questões: (i) Prescrição intercorrente; (ii) Nulidade da r. decisão recorrida e do auto de infração; (iii) Inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei 8.200/91 (iv) Do fundamento da autuação (v) Multa de ofício e taxa Selic (vi) Utilização do saldo de prejuízos fiscais (vii) CSLL, conforme fls. 167 a 172 dos autos desse processo. Nos embargos que opôs a essa decisão, a Embargante alega, em síntese, omissão do julgador no que tange a apreciação dos seguintes itens: (i) Nulidade do julgamento de 1ª. Instância por inobservância do disposto no artigo 2º. da Lei no. 9784. (ii) Nulidade do julgamento de 1ª. Instância, pela falta de apreciação de todos os itens de defesa. (iii) A falta de julgamento de todos os itens da defesa contraria o item X do artigo 93 da Constituição Federal. (iv) A fiscalização não contestou os lançamentos contábeis da correção monetária da Lei no. 8.200/91 nem a declaração do imposto de renda, que a contemplou. (iv) Ocorrência da prescrição intercorrente. Por fim, solicita a procedência dos embargos de declaração, em face das omissões apontadas, e requer apreciação das questões de mérito com o saneamento dos vícios apontados. É o Relatório, passo a decidir. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13808.002069/0006 Acórdão n.º 180201.246 S1TE02 Fl. 190 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Em consonância com o artigo 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256/2009 e, nos termos do artigo 536 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração devem ser opostos no prazo de 5 (cinco) dias, a contar da publicação da decisão contra o qual tiverem sido opostos. Como é cediço, a ciência da parte interessada também pode ocorrer através de intimação por meio de correspondência, como no presente caso. Nesse sentido, conforme cópia de Aviso de Recebimento acostado aos autos à fl. 177, a Embargante teve ciência do acórdão em 12/09/2011 e, protocolizou seus embargos em 27/09/2011 (fls. 178 – 180), ou seja, depois de extinto o prazo regimental para a oposição dos embargos de declaração. Assim, na seara destas considerações, não conheço dos embargos de declaração, face sua intempestividade. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002616/2004-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU ELEVADO MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnê-leão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente à sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial do conhecido em parte e negado.
Numero da decisão: 9202-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU ELEVADO MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnê-leão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente à sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial do conhecido em parte e negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.070 1 1.069 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.002616/200436 Recurso nº 166.575 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.653 – 2ª Turma Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria OMISSÃO DE RENDIMENTOS; DEPÓSITOS BANCÁRIOS; MULTAS ISOLADA E QUALIFICADA; DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BELINE JOSE SALLES RAMOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU ELEVADO MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 26 16 /2 00 4- 36 Fl. 17068DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA MULTA DE OFÍCIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, fundamentado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência argüida entre o Acórdão recorrido e o paradigma. Mais especificamente, no caso de multa isolada relativo ao IRPF, pela falta de recolhimento mensal a título de carnêleão (artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96), não se presta como paradigma o Acórdão que contempla a multa isolada inscrita no inciso IV daquele dispositivo legal, concernente à sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, conforme precedentes do Pleno desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial do conhecido em parte e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 17069DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.071 3 Relatório BELINE JOSE SALLES RAMOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 10/08/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sem vínculo empregatício, bem como caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e falta de recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, ensejando a exigência de multa isolada, além da aplicação da multa qualificada, em relação aos anoscalendário 1998 a 2001, conforme peça inaugural do feito, às fls. 2.706/2.721, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão nº 7.789/2005, às fls. 7.187/7.218, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 05/03/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 340100.036, na parte que nos interessa nesta assentada sintetizados na seguinte ementa: “[...] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 [...] MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente é justificável a exigência de multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser Fl. 17070DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN. A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, a forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido." Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 7.517/7.538, com arrimo no artigo 7o, incisos I e II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência, bem como a jurisprudência deste Colegiado, em relação à qualificação da multa, decadência e aplicabilidade da multa isolada, senão vejamos. Quanto à qualificação da multa, infere que o decisum atacado confronta com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, mais precisamente o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, bem como as provas constantes dos autos que demonstram a prática reiterada da conduta de omitir quantia vultosa, devendo ser conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, assevera que as infrações apuradas se apresentam como típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por inúmeras vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha, inclusive, da jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal. Transcreve doutrina, legislação e jurisprudência contemplando a matéria, corroborando o entendimento de que a conduta reiterada de ocultar valores vultosos manifestamente com o intuito de dificultar a atuação fiscal é capaz de ensejar a qualificação da multa aplicada. Contrapõese ao entendimento levado a efeito no Acórdão guerreado, inferindo inexistir qualquer mácula na majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem Fl. 17071DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.072 5 demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo, representada pela prática reiterada, sistemática, de sonegar informações que aumentariam sua carga tributária, no período de 1998 a 2001, representando a nítida intenção fraudulenta do sujeito passivo. Relativamente à decadência, suscita que, uma vez restabelecida a multa qualificada na forma pleiteada, não há como ser reconhecida a decadência para qualquer tributo lançado, eis que a conduta dolosa do contribuinte recorrido transfere a contagem do prazo decadencial do artigo 150, § 4° do CTN para o artigo 173, I, do mesmo Diploma Legal. Aduz que o Acórdão guerreado, ao acolher a decadência parcial do feito (anocalendário 1998), contrariou frontalmente o artigo 173, I, do CTN, c/c artigos 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502/66, bem como a jurisprudência deste Colegiado, os quais estabelecem que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação afasta a aplicabilidade do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário. Dessa forma, aplicandose o entendimento supra ao caso presente (incidência da regra do art. 173, I, uma vez caracterizada a fraude), e considerando que o anocalendário de 1998 só poderia ser lançado em 1999, o prazo decadencial iniciase em 1° de janeiro de 2000, findandose em 31 de dezembro de 2004, o que rechaça a decadência de parte da exigência fiscal, tendo em vista que a autuação fora lavrada em 10/08/2004 (AR. 2.726), com a devida ciência do contribuinte. Em relação à aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, alega que o decisum recorrido contrariou a jurisprudência dos Conselhos/CARF, traduzida no Acórdão n° 10194.858, bem como o disposto no artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96 (atual artigo 44, inciso II). A fazer prevalecer seu entendimento, considera legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. Opõese ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Alega que a Turma recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito das mesmas matérias, bem como que contrariou, em tese, a legislação de regência, conforme Despacho nº 220200.410/2010, às fls. 7.547/7.549. Fl. 17072DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 7.585/7.590, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF as divergências suscitadas, bem como a contrariedade à lei arguida, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, bem como diante da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sem vínculo empregatício, sem o respectivo recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, ensejando a exigência de multa isolada, além da aplicação da multa qualificada inscrita no inciso II, do artigo 44, do mesmo Diploma Legal. A Turma recorrida, ao analisar a demanda, entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa, acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1998 e afastar a aplicação da multa isolada, em razão da concomitância com a multa de ofício. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência de julgados deste Colegiado e contrariedade à legislação de regência, tendo obtido êxito no conhecimento de sua peça recursal, razão pela qual passaremos a examinála de maneira individualizada por tema, como segue. MULTA QUALIFICADA Antes mesmo de contemplar o prazo decadencial, mister analisar a qualificação da multa determinada pela autoridade lançadora a pretexto da reiteração da conduta do contribuinte em omitir rendimentos elevados durante quatro exercícios consecutivos, o que fora afastado pelo Acórdão recorrido, motivo do insurgimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isto porque, a eventual aplicação do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, só pode prosperar se afastada a multa qualificada, uma vez que referida penalidade faz florescer a adoção do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal para efeito da contagem do prazo decadencial. Destarte, pretende a recorrente a reforma da decisão atacada, a qual rechaçou a qualificação da multa, alegando, em síntese, que as infrações apuradas, praticadas de maneira consciente e intencionalmente dirigidas à redução da tributação incidente, estenderamse ao longo de quatro exercícios seguidos, e, nessa condição, configuram omissões reiteradas, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha do decidido nos Acórdãos ora adotados como paradigmas. Fl. 17073DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.073 7 Transcreve doutrina, legislação e jurisprudência contemplando a matéria, corroborando o entendimento de que a conduta reiterada de ocultar valores vultosos manifestamente com o intuito de dificultar a atuação fiscal é capaz de ensejar a qualificação da multa aplicada, entendimento que não tem o condão de macular o decisório combatido. Inicialmente, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Fl. 17074DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, inobstante o esforço do fiscal autuante, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Com efeito, como muito bem delineado no voto condutor do Acórdão recorrido, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pelo contribuinte tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuado por 04 (quatro) anos consecutivos, ou mesmo o montante elevado da omissão, ao contrário do que pretende fazer crer a nobre Procuradoria. Destarte, consoante demonstrado no excerto do Termo de Verificação Fiscal, o fundamento fulcral da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa no grande percentual de movimentação financeira não comprovada ao longo dos anos, ou seja, o volume Fl. 17075DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.074 9 da movimentação bancária no decorrer dos anoscalendário fiscalizados bem acima dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Entrementes, este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada e/ou em razão do volume da movimentação bancária do contribuinte, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 920201.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira) Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pelo autuado. No caso vertente, em que pese os argumentos da recorrente, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque o fiscal autuante arrimou sua tese simplesmente na conduta reiterada e no volume movimentado nas contas bancárias do autuado, fundamentos insuficientes para a qualificação da multa, como acima delineado. DECADÊNCIA Em suas alegações recursais, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional seja afastada a decadência reconhecida pela Turma recorrida, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, c/c artigos 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502/66, bem como a jurisprudência deste Colegiado, os quais estabelecem que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação afasta a aplicabilidade do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário. A corroborar seu entendimento, suscita que, uma vez restabelecida a multa qualificada na forma pleiteada, não há como ser reconhecida a decadência para qualquer tributo lançado, eis que a conduta dolosa do contribuinte recorrido, transfere a contagem do prazo decadencial do artigo 150, § 4° do CTN para o artigo 173, I do CTN. Fl. 17076DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Neste sentido, aplicandose o entendimento supra ao caso presente (incidência da regra do art. 173, I, uma vez caracterizada a fraude), e considerando que o anocalendário de 1998 só poderia ser lançado em 1999, o prazo decadencial iniciase em 1° de janeiro de 2000, findandose em 31 de dezembro de 2004, o que rechaça a decadência de parte da exigência fiscal, tendo em vista que a autuação fora lavrada em 10/08/2004 (AR. 2.726), com a devida ciência do contribuinte. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata se que o Acórdão recorrido, apresentase em consonância com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. De início, convém ressaltar que, uma vez mantida a decisão afastando a qualificação da multa, por si só, poderíamos firmar posicionamento no sentido da manutenção da decadência na linha do decidido no Acórdão recorrido, mesmo porque o insurgimento da Fazenda Nacional se pautou exclusivamente neste aspecto. Entrementes, após o julgamento do recurso voluntário e, bem assim, interposição do recurso especial da Procuradoria, o Superior Tribunal de Justiça, nos autos de Recurso Repetitivo e, portanto, na observância obrigatória por este Colegiado, consolidou entendimento no sentido de que a contagem do prazo decadencial, notadamente o termo inicial, depende da existência de antecipação de pagamento, ainda que parcial, razão pela qual, além da questão da fraude, nos impõe adentrar a referida matéria (antecipação de pagamento). Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é cediço que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e recebidos de pessoas físicas sem vínculo empregatício, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Ultrapassada e firmada a questão do fato gerador complexivo do imposto de renda pessoa física, a querela não se esgotou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em Fl. 17077DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.075 11 consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 17078DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 17079DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.076 13 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 1998, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado e submetido ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual 1999 AC 1998, às fls. 2.239/2.254. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, e inexistência do intuito doloso/fraudulento devidamente comprovado, é de se Fl. 17080DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 10/08/2004, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 2.726, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente ao fato gerador ocorrido até 31/12/1998, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência parcial do feito. DA MULTA ISOLADA Com a devida vênia a ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação à multa isolada, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões dos Conselhos de Contribuintes, mais precisamente Acórdão nº 10194.858, impondo seja conhecido sua peça recursal. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que a multa insculpida no inciso III, do parágrafo 1o, artigo 44, da Lei nº 9.430/96, objeto de presente discussão, e aquela prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal, de que trata o acórdão paradigma, possuem a mesma natureza jurídica, visando penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo. Não obstante o esforço do nobre representante da Fazenda Nacional, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a recorrente não logrou comprovar a divergência argüida, na forma que os dispositivos regimentos determinam, capazes de ensejar o conhecimento de seu Recurso Especial. Com efeito, enquanto o Acórdão recorrido contempla (afastou) a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de ofício, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a título de carnêleão, mensalmente, na forma do artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, o decisum adotado como paradigma entendeu aplicável tais multas (ofício e isolada) no caso de não cumprimento pelo contribuinte da sistemática de recolhimento mensal da CSLL, com base no regime de estimativa, nos termos do inciso IV, daquela norma legal. Vêse, pois, que são situações diferentes, embasadas em fundamentos legais diversos, não podendo se confundir ambas para efeito de comprovação de divergência jurisprudencial, com o fito de conhecimento do presente Recurso Especial. Aliás, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pelo não conhecimento do Recurso Especial de Divergência na hipótese de o paradigma não tratar do mesmo tema, com dispositivos legais diversos, conforme se extrai do excerto do voto do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes de Silva, exarado nos autos do processo nº 11020.001014/200380, Recurso nº 102141017, o qual peço vênia para transcrever, in verbis: Fl. 17081DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.077 15 “ [...] Assim, quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão recorrida Acórdão paradigma MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Recurso Parcialmente provido. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – Cabível a aplicação de multa de ofício aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Fixado a matéria do acórdão recorrido e o acórdão divergente, observo que o artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe “in verbis”: Lei n° 9.430, de 1996. .... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) .... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precípua apreciar divergência jurisprudencial quanto à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática, no acórdão recorrido, verse sobre omissão de rendimentos recebidos de alugueis e no acórdão paradigma Fl. 17082DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada, de que trata o artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, incidindo sobre a mesma base de cálculo. Assim, ao meu sentir, o que se discute neste recurso não é matéria fática, mas sim jurídica, razão pela qual entendo que o recurso merecesse ser admitido. Em que pese meu entendimento pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, no exame dos recursos de nº 106149655; 106149656; 106149857; 106149859; 106149680 e 106 150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática não seja a CSLL Além das decisões administrativas acima referida, matéria referente à admissibilidade de recurso especial, só que relacionada à prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no Recurso Especial nº 106132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Em síntese, deliberou o plenário que a divergência deve estar relacionada à matéria fática idêntica. No caso dos autos o acórdão paradigma trata de CSLL e o acórdão guerreado versa sobre IRPF, razão pela qual não há identidade de matéria fática. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência majoritária da CSRF, cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. [...]” Na esteira desse raciocínio, relativamente à aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, não se pode cogitar na comprovação da divergência suscitada pelo recorrente, impondo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, somente em relação à multa qualificada e decadência e NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 17083DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002616/200436 Acórdão n.º 9202002.653 CSRFT2 Fl. 1.078 17 Fl. 17084DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.005203/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000
ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA , SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA MAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega de DIAC/DIAT sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, devendo ser respeitado o valor mínimo de penalidade, R$50,00. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.760
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração de ITR o imposto devido declarado, respeitado o limite mínimo de R$ 50,00, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ILEGITIMIDADE PASSIVA , SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA MAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega de DIAC/DIAT sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, devendo ser respeitado o valor mínimo de penalidade, R$50,00. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração de ITR o imposto devido declarado, respeitado o limite mínimo de R$ 50,00, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 220201.760 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, COMPANHIA DE EMPREENDIMENTOS SÃO PAULO, exigese o pagamento de multa por atraso na entrega da declaração do imposto sobre a propriedade territorial rural — ITR, Exercício 2000, no valor total de R$ 4.000,00, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 5.380.2942, localizado no município de Mirador MA. A base legal que fundamenta a exigência são os artigos 6.° ao 9.° da Lei n.° 9.393/96. Foi apresentada a impugnação de f. 01/10. Como preliminar, o impugnante levanta questões acerca do procedimento de ofício que apurou o imposto suplementar, sobre o qual foi calculada a multa objeto do presente processo. Alega ilegitimidade passiva. Afirma que a exigência da multa somente pode ser efetuada após o encerramento da discussão acerca da exigência do tributo. No mérito, afirma que a multa deve ser calculada sobre o imposto declarado. A DRJCampo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração do ITR, após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa prevista no art. 9°, da Lei n° 9.393/96. Quando o valor devido do imposto decorre de procedimento de fiscalização, a multa é de 1% por mês de atraso, calculada sobre o valor apurado conforme o art. 14 da Lei n° 9.393/96. Lançamento Procedente Insatisfeito, o recorrente apresenta recurso voluntário de fls. 159 a 174, onde basicamente reiteram as razões da impugnação, que podem assim ser sistematizadas: Da nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista que a decisão deste processo está condicionada a decisão do processo no. 10320.002886/200407. Da existência de uma litispendência administrativa e do pedido de julgamento de processo em conjunto. Do erro na identificação do sujeito passivo, podese concluir que o cancelamento da averbação n° AV3, conforme confirmado pelo ofício do cartório de Mirador (Doc. 7), não teve outro efeito senão o de explicitar o fato de que a Recorrente e os demais adquirentes sequer tiveram direito à propriedade do imóvel em questão, já que a sentença que tornou nula a Ação de Demarcação e Divisão de Terras, n° 72/88, foi prolatada em 06 de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 outubro de 1992, vale dizer, antes mesmo que a Recorrente vislumbrasse a aquisição do imóvel. Do cancelamento da inscrição do Imóvel Rural, uma vez que a Recorrente houve por bem formalizar o pedido de cancelamento da inscrição do imóvel em questão junto ao CAFIR, por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral (DIAC) Cancelamento (doc. 6 da impugnação), nos termos do art. 3 0, inciso IV, da IN n° 315/03. Do não cabimento da aplicação da multa,. tendo em vista a ilegitimidade passiva. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 220201.760 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Da Ilegitimidade Passiva – Erro na Identificação do Sujeito Passivo Quanto a preliminar de ilegitimidade passiva arguida, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 1 ° de janeiro de cada ano e de acordo com o arts. 1.245 e 1.275 do Código Civil e arts. 531 e 589 do Código Civil de 1916, a transmissão da propriedade se faz pela transcrição do titulo aquisitivo no registro de imóveis. O trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7 e 23 do Decreto n° 70.2.35, de 1972, observada especificamente, a Instrução Normativa SRF n° 094, de 1997, que dispõe sobre os procedimentos adotados para a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes em geral, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, feita mediante a utilização de malhas. Por outro lado, não há dúvida de que o 1TR é típico tributo de vocação extra fiscal, isto é, em que pese resulte em alguma arrecadação pecuniária, esta, não é a sua finalidade principal. A apresentação feita pela SRF ao Decreto n° 4.382, de 2002, que regulamenta a Lei n° 9,393, de 1996, explicita sua importância como instrumento regulador da aplicação de políticas públicas relativas A. ocupação de terras, de política fundiária e de preservação ambiental. A idéia de que somente a posse plena, sem subordinação se constitui em fato gerador do 1TR parece ser pacífica, está literalmente transcrita nas publicações da SRF, por exemplo no "Manual de Perguntas e Respostas do ITR", está posta a conclusão de que o arrendatário, o comodatário e o parceiro não são contribuintes do ITR. Ou seja, é ou deveria ser indiscutível tal principio, pois que literalmente reconhecido em tais publicações. Ora, no caso em discussão, se vislumbra de forma clara que o recorrente tinah a Possi da Area de terras em questão . Ademais, no caso em questão, o ônus da prova documental é do contribuinte autuado, ao qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (D1AC/DIAT) pata efeito de apuração do ITR devido naquele exercido, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Da mesma forma, cabe ao recorrente o ônus de cancelar o registro imobiliário, já que o registro imobiliário, enquanto não cancelado, continua produzindo todos os seus efeitos legais, nos termos do art 252, da Lei n°6015, de 1973 — Lei de Registros Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Públicos. Deste modo, não há como acolher que o recorrente no exercício do lançamento não detinha a posse do imóvel. Neste momento cabe registrar que se apreciam em conjunto com o mérito as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de litispendência administrativa, tendo em vista que em face das observações a seguir, não se mantém as alegadas preliminares, haja vista a independência dos processos em cotejo e não vinculação da base de calculo da multa com aquela apurada no processo no. 10320.002886/200407 Do Mérito A contribuinte apresentou DIAC/DIAT referentes ao exercício 2000 em 19/07/2001, ou seja, com 10 meses de atraso. Assim, a multa lançada foi calculada aplicando se 10% sobre o imposto devido apurado de oficio, objeto de discussão no processo de n° 10320.002886/200407. Ponderou a contribuinte de que não se poderia lançar uma multa por atraso com base de cálculo objeto de discussão administrativa em outro processo, antes da decisão definitiva. Por oportuno, nesse ponto, cabe trazer a. colação os artigos 7° e 9o da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que tratam da entrega extemporânea do DIAC e do DIAT, respectivamente: "Art. 7. No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art. 9° A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota." (grifos acrescidos)” Da leitura do disposto acima, verificase que o legislador, ao tratar da base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração, não cuidou expressamente de prever a situação em que a contribuinte, intempestiva e espontaneamente cumpre a obrigação acessória de fazer, mas, ao mesmo tempo, apura imposto a menor do que o devido. Igualmente silentes os atos que vêm sendo editados a partir da Lei n° 9.393, de 1996, disciplinando a referida matéria. Contudo, não se pode perder de vista que a multa em questão é aplicada pelo descumprimento de mera obrigação acessória, tendo função compensatória pela demora na apresentação das informações ou pela inobservância dos prazos estabelecidos. Para as demais hipóteses de infração à legislação tributária, cabe o lançamento do imposto suplementar, acrescido de multa de oficio ou de mora. Na ausência de previsão expressa pelo legislador, considerando que a aplicação de penalidades é matéria sob reserva legal e que as infrações que teriam sido cometidas pela contribuinte, objeto de discussão em outro processo administrativo, motivam lançamento suplementar, com penalidade especifica, a cobrança de multa por atraso sobre valores lançados de oficio, no que excederem aos informados na declaração espontaneamente entregue fora do prazo, implica interpretação extensiva dos art. 7° da Lei n° 9.393, de 1996, o que é vedado pelos arts. 97, inciso V, e 112 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 220201.760 S2C2T2 Fl. 4 7 Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2' Turma da CSRF, conforme julgamento: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CALCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Recurso especial provido." Considerando o imposto informado na declaração, o atraso no cumprimento da obrigação acessória, bem como o valor mínimo da penalidade aplicável (R$ 50,00) expressamente previsto no art. 7° da Lei n° 9.393/96, há que ser mantida a exigência de multa por atraso na entrega do DIAC/DIAT, exercício 2000, mas considerando o valor mínimo de R$ 50,00. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso visando reduzir a multa aplicada, tendo em vista a necessidade de observância do valor do imposto devido declarado pelo Recorrente como base de cálculo da multa, levandose em conta o valor mínimo em questão. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 14/06/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15940.000509/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO.
Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindo-se entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide.
FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
Numero da decisão: 1401-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos, apenas para esclarecimentos e retificação da ementa, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO. Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindo-se entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.088 1 1.087 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000509/200794 Recurso nº 99.999 Embargos Acórdão nº 1401000.972 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2013 Matéria Embargos de declaração Embargante VITAPELLI LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO. Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindose entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos, apenas para esclarecimentos e retificação da ementa, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 05 09 /2 00 7- 94 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.089 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão, contradição e obscuridade no Acórdão nº 140100.536, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 EMPRESAS INAPTAS. GLOSA DE CUSTOS. PROVA. Verificada a situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente sem sucesso. Para infirmar a referida presunção de inidoneidade é preciso que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96). ATO DECLARATÓRIO. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS. A natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram. No caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3o, IV, da IN n° 200, de 2002. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. Transcrevo parte do relatório do Acórdão embargado naquilo que é essencial: (...) Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Contra empresa acima identificada havia lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$681.843,69 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$245.463,71, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada. A base legal que suportou a imposição tributária, bem assim o lançamento da multa e dos juros achamse descritos nos correspondentes demonstrativos do auto de infração (fls. 539/555). (...) A autoridade tributária relacionou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 527/538) empresas fornecedoras consideradas inaptas por inexistência de fato cujos valores registrados como despesa na contabilidade da autuada foram objeto de glosa. Anexas cópias das representações de inaptidão por inexistência de fato (fls. 411/422). Consta de referido termo que houve glosa correspondente a depósitos que a interessada efetuou em contas correntes de terceiras empresas, para pagamento de fornecedores, sob a rubrica de cessão de créditos, em face de que não fora comprovado nexo para justificar a causa que dera origem. Tais valores foram considerados pagamentos efetuados sem comprovação de operação ou causa e capitulados no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 1999. Elaborou a autoridade fiscal quadro demonstrativo da base de cálculo para lançamento dos tributos, levando em conta as glosas efetuadas (fl. 535). Os valores glosados, cujo montante é de R$ 2.727.374,77, achamse detalhados no relatório de fls. 523/526, que especifica as importâncias contabilizadas como pagamento e como cessão de crédito. No que diz respeito à multa de ofício, nos casos em que se constatou dedução indevida de custo decorrente de documentos fiscais de empresas consideradas inaptas houve imposição de penalidade qualificada, pela circunstância de que a autoridade tributária entendeu existir intenção dolosa, materializada no evidente intuito de fraude; quanto às glosas de outros valores não comprovados aplicouse a multa de ofício sem a qualificadora. Apenso aos autos consta o processo de representação fiscal para fins penais, n. 15940.000510/200719. (...) No mérito, argüiu que: a) improcede o lançamento de crédito tributário relativo às deduções referentes às empresas que foram consideradas irregulares, bem assim às deduções relativas às cessões de crédito; b)descabe a glosa dos custos, bem assim a imposição da multa qualificada, em face de que agiu com boafé; c)não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material; d) a declaração de inaptidão das empresas ocorreu em período posterior à ocorrência das operações. Ao final, propugnou pela acolhida de suas alegações. A DRJ, por unanimidade de votos, CANCELOU EM PARTE o lançamento (...) Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.090 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, sem contudo suscitar dessa feita preliminar de nulidade. Em seu recurso a Recorrente reforça alguns pontos da sua impugnação, nos seguintes termos: o lançamento não pode prosperar, pois conforme documentos acostado aos autos, restam comprovados a efetividade das operações de compras, bem como o recebimento das mercadorias, o que se pode aferir pelos "tickets de Pesagem", bem como, o pagamento das mesmas. Nesse sentido, o próprio o julgador reconhece expressamente a aquisição das mercadorias constantes nos documentos fiscais: "Por fim há o registro da própria autoridade tributária que afirma ter a contribuinte efetuado as respectivas aquisições (fls. 527,537), conforme segue: 1 A empresa acima identificada adquiriu de fornecedores deste e outros Estados Matérias Primas (couro verde), para ser utilizado no processo de Fabrícação. (...) 4 Conclusão Fiscal Diante das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda., adquiriu em Dezembro de 2002 (sic), matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato,... (grifouse)" ; o artigo 82, parágrafo único da Lei 9.430/96, é claro ao excepcionar a aplicação dos casos de inidoneidade de documentos fiscais quando o adquirente comprovar o pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias; é imprescindível a publicação do ato administrativo para que o mesmo possa projetar os efeitos jurídicos pretendidos, atingindo, dessa forma, terceiros. Sem publicação, o único efeito que o ato administrativo pode produzir é "interna corporis"; Em relação à tributação do pagamento sem causa, alega que “(...) partindo se do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda, a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido a quem bem lhes aprouver” ; Acrescenta que a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de 'cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase ai o negócio jurídico perfeito e acabado; Salienta ainda, a esse mesmo respeito que pela natureza da obrigação não havia impedimento algum para que o credor pudesse ceder livremente seu crédito a quem melhor aproveitasse, sendo certo afirmar que não tem a devedora, ora recorrente, como impedir, questionar ou mesmos exigir comprovação da relação negociai entre o cedente e o cessionário, como equivocadamente concluiu o julgado ora recorrido; com relação aos pagamentos efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring), o julgador ressalta a necessidade da contratação por instrumento público ou particular, revestidos das formalidades do art. 654, § 1º do Código Civil. Alega Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 que o único terceiro interessado nessa relação jurídica é a própria recorrente, que foi devidamente notificada da cessão de crédito pelo faturizado ou pelo faturizador, conforme previsto no artigo 290 do Código Civil, efetuará o pagamento à quem de direito. Nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/recorrente. Portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedor (cedentefaturizado) e faturizador (cessionário), porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora Recorrente. Consta a seguinte conclusão no TVF de fls. 4.Conclusão Fiscal Diante , das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda, adquiriu em Dezembro de 2002, matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato, cujos valores foram glosados e as diferenças de impostos apuradas serão cobradas através de Auto de Infração com os acréscimos e penalidades previstos em lei. • Sobre o Imposto de Renda e Contribuições apurados em decorrência da alteração dos resultados, pelos motivos expostos, referente as empresas consideradas inaptas, aplicase a multa de 150%, por evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, II da Lei no 9.430/96. No que se refere ao imposto decorrente das glosas dos demais valores não comprovados, aplicase a multa de 75% previsto no art. 44, I do mesmo diploma legal. Em sede de Embargos alega que: Após chamar a atenção para o princípio da legalidade e da verdade material destaca que: (...) a decisão embargada não contemplou as razões formuladas pelo contribuinte em relação ao confronto das provas produzidas com a presunção lançada pelo fisco. Limitouse em seus fundamentos a ressaltar tratarse de presunção júris tantum que admite a glosa de custos a partir de suposta inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos, bem como caracterização de pagamentos sem causa em relação às operações de cessão de crédito pretensamente desamparada da relação jurídica correspondente, com aplicação de multa de ofício e multa agravada de 150%, a pretexto da existência de fraude. A decisão embargada deixou de contemplar as razões formuladas pela contribuinte, desde a sua impugnação, em relação à multa agravada, afastando a pretensão da então recorrente sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Passa então a demonstrar a não caracterização do intuito de fraude na situação em comento, trazendo doutrina e jurisprudência à respeito. Por fim suscita por ocasião da sustentação oral e de memoriais no sentido de que o Acórdão embargado reverteu cancelamentos já efetuados pela primeira instância. Faz, então, acostar aos autos petição complementar aos embargos acusando erro de fato no Acórdão embargado. É o relatório. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.091 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) 1a Omissão Em relação à primeira omissão, alega a Embargante que: não contemplou as razões formuladas pelo contribuinte em relação ao confronto das provas produzidas com a presunção lançada pelo fisco. Limitouse em seus fundamentos a ressaltar tratarse de presunção juris tantum que admite a glosa de custos a partir de suposta inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos, bem como caracterização de pagamentos sem causa em relação às operações de cessão de crédito pretensamente desamparada da relação jurídica correspondente Não prospera a alegada omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão de forma substanciosa, abrindo tópicos específicos para fundamentar cada uma delas. A duas, porque foi por demais genérica, utilizandose precisamente um único parágrafo onde não conseguiu apontar de forma específica onde estaria a omissão do Acórdão. A três, tratase de matéria eminentemente de prova, onde o relator transcreveu minuciosamente os motivos que o levaram a negar provimento. Por fim, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Afasto, portanto, esta omissão. a) 2a Omissão – MULTA QUALIFICADA Sobre a multa qualificada (150%), foi aplicada apenas em parte do lançamento naqueles casos em que as empresas foram consideradas inaptas pelos motivos fundamentados no TVF e Acórdão embargado. Eis a conclusão do TVF, a esse respeito: Sobre o Imposto de Renda e Contribuições apurados em decorrência da alteração dos resultados, pelos motivos expostos, referente as empresas consideradas inaptas, aplicase a multa de 150%, por evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, II da Lei no 9.430/96. No que se refere ao imposto decorrente das glosas Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 dos demais valores não comprovados, aplicase a multa de 75% previsto no art. 44, I do mesmo diploma legal. Alega a Embargante que o Acórdão deixou de contemplar as razões formuladas pela contribuinte, desde a sua impugnação, em relação à multa agravada, afastando a pretensão da então recorrente sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Passa então a demonstrar a não caracterização do intuito de fraude na situação em comento, trazendo doutrina e jurisprudência à respeito. Ora, a matéria não foi tratada, pois estava fora da lide desde a fase impugnatória. A Contribuinte não teceu uma linha sequer a esse respeito, muito menos em sede recursal. Ademais, como se verá mais adiante a matéria em questão não mais subsiste uma vez que toda a infração relacionada à qualificação da multa fora cancelada pela DRJ, qual seja, glosas de pagamentos a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato. Dessa forma afasto também essa omissão. Por fim, também não prospera sua alegação trazida por ocasião da sustentação oral e de memoriais no sentido de que o Acórdão embargado reverteu cancelamentos já efetuados pela primeira instância. Em primeiro lugar, esclareçase que tais reversões de julgamentos só poderiam ser feitas no âmbito de Recurso de Ofício, o que não foi o caso. Tratavase apenas de julgamento de recurso voluntário da parte que remanesceu e por fim, considerações genéricas que por acaso o voto traga e que contradigam o entendimento da DRJ que fundamentou o cancelamento é permitido desde que não afeta a matéria transitada em julgado administrativamente. Entretanto, reconheço que a decisão de piso ao não ser muita clara, seja em sua fundamentação seja na parte dispositiva, ao tratar do cancelamento parcial deixou margens para que se interpretasse de forma equivocada a sua decisão. Do relatório produzido pela autoridade fiscal constatase que o lançamento tributário baseouse em três situações de fato: a) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados pelos fornecedores, cedentes, cuja relação negocial entre cedente e cessionário não fora comprovada; b) pagamentos a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato, e, c) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados por empresas declaradas inaptas por inexistência de fato. As situações relacionadas sob itens “b” e “c” foram agrupadas em uma só rubrica e lançadas com multa qualificada. Cotejando a tabela abaixo extraída da decisão DRJ com a fls. 539 do processo onde se encontra o detalhamento da base de cálculo tributada de forma distinta, ou seja separandose a situação de empresas declaradas inaptas por inexistência de fato e pagamentos de fornecimentos a terceiros cessionários, verificase claramente que a DRJ cancelou na verdade toda a matéria atinente à primeira situação, qual seja, empresas declaradas inaptas por inexistência de fato , havendo ou não cessionários, incluindo aí a multa qualificada somente existente nessa situação. TABELA DE EXONERAÇÃO ELABORADA PELA DRJ Tributo Lançado Multa 150% Exonerado Multa exonerada IRPJ 88.222,87 132.334,30 88.222,87 132.334,30 CSLL 31.760,22 47.640,32 31.760,22 47.640,32 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.092 9 Dessa forma, reconheço que a primeira parte do meu voto tratei desnecessariamente de matéria não mais constante na lide, pois já superadas pelo cancelamento efetuado pela DRJ, motivo pelo qual retifico o Acórdão embargado para que subsista no mesmo apenas matéria relacionada ao item “a” acima relatado, qual seja, pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados pelos fornecedores, cedentes, cuja relação negocial entre cedente e cessionário não fora comprovada. Retificase as ementas suprimindose as duas primeiras que trataram de situação relativa à glosa de pagamentos a empresas inaptas consideradas inexistentes de fato, uma vez que tal matéria não fazia parte da lide do Acórdão embargado, subsistindo, no entanto, a ementa abaixo já constante do referido julgado: FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. De qualquer sorte, as devidas reparações não afeta a parte dispositiva que negou provimento ao recurso. Por todo o exposto, acolhese parcialmente os embargos tão somente para esclarecimentos e retificação das ementas correlacionadas, sem lhes dar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10280.720003/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005
PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993.
DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontra-se a cargo do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Recurso do Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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(VIVO S/A) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003 DECADÊNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Aplicase às contribuições sociais a Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal n. 8, que determinou a aplicação das regras previstas no Código Tributário Nacional sobre decadência. O termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005 PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Recurso do Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 00 03 /2 00 9- 64 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.543 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário (fls. 1457 a 1538) este último apresentado em 01 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 0122.986, de 20 de setembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 1436 a 1449), cientificado em 06 de janeiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de julho a dezembro de 2003, janeiro, fevereiro, julho a setembro e dezembro de 2005, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005 PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.544 3 para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. Declarada a inconstitucionalidade dos textos normativos que estabeleciam o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais e havendo sido proferida, pelo STF, a Súmula Vinculante n° 08, concluise que a contagem do prazo decadencial dessas espécies tributárias regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 30 de dezembro de 2008, de acordo com o temo de fls. 782 a 787 (eProcesso). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS, com fatos geradores em 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005 e 30/09/2005, no valor total de R$ 5.776.020,11 (fl. 792), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. A autoridade fiscal, nos termos da descrição dos fatos de fl. 794, informa que “durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores constantes na DIPJ, DACON e contabilidade com os registrados nas DCTFs apresentadas, conforme evidenciado no Relatório de Fiscalização, parte integrante do presente Auto de Infração”. No referido relatório de fiscalização (fls. 782/787), o autuante apresenta, para os anoscalendários de 2003 e 2005, quadros descritivos de PIS NãoCumulativo que afirma haver apurado. Constatase, ainda, que os quadros descritivos constantes do relatório em tela foram confeccionados a partir das tabelas de fls. 780/781. Cientificada do lançamento em 30/12/2008 (fl. 793), a contribuinte apresentou, em 29/01/2009, a impugnação de fls. 800/809, a qual exibe o seguinte teor: a) O auto de infração é nulo, em face da insegurança quanto à matéria tributável. Com base no método simplesmente comparativo das declarações fiscais, presumiuse o não Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.545 4 recolhimento do PIS e da Cofins, sem a preocupação de se verificar a origem das divergências e a contabilidade da impugnante. Igualar uma declaração fiscal, passível de erro, com a contabilidade da impugnante não tem qualquer sentido jurídico, situação que já é suficiente para se decretar a nulidade do lançamento por vício substancial insanável. O lançamento não permite uma cognição integral dos fatos pertinentes ao objeto da exigência fiscal, tampouco apresenta aptidão ao manejo e à aplicação do direito em toda a extensão e complexidade que a matéria sob apreciação fiscal envolve. Tendo acesso a toda a documentação contábil, comercial e fiscal da impugnante, não se desincumbiu o Fisco de demonstrar a ocorrência do substrato fático apto a suportar a exigência, restando carente de motivação válida o auto de infração objurgado. Evadiuse a autoridade fiscal de perseguir a verdade material e demonstrar validamente a causa da autuação. Constatase que a autoridade fiscal, ao apurar os tributos supostamente em aberto, partiu da diferença entre os valores declarados em DCTF e em DIPJ. Todavia, identificou débitos declarados em DIPJ, a título de PIS nãocumulativo do ano calendário de 2003 que são, em verdade, o somatório dos valores atinentes ao PIS cumulativo e nãocumulativo declarados em DIPJ. Incorreu no mesmo erro atinente à apuração das diferenças de PIS nãocumulativo ao indicar como devedor créditos tributários de PIS nãocumulativo para os períodos de apuração 07 a 09/05, para os quais resta óbvio tratarse de PIS cumulativo. Os vícios apontados são insanáveis e afetam diretamente os valores identificados como não recolhidos ao PIS nãocumulativo em todo o anocalendário de 2003, bem como ao PIS dos períodos de apuração 07 a 09/05, indicados pela autoridade fiscal como sendo nãocumulativo, mas comprovadamente cumulativo. Em suma, a fiscalização não adotou os critérios legais de apuração da base de cálculo, exigindo o somatório das contribuições cumulativas e não cumulativas, em dissonância com a materialidade objeto da autuação. c) O auto de infração foi lavrado apenas no dia 30/12/2008, estando, portanto, atingidos pela decadência os créditos tributários em discussão cujos fatos geradores se deram anteriormente a 30/12/2003 (débitos de PIS, PA’s 07/03 a 12/03). d) Os valores identificados em DIPJ para o PIS nãocumulativo estão eivados de erro, pois não refletem a contabilidade da impugnante para os períodos de apuração de 07 a 12/2003. Inexistem valores a recolher em tais períodos de apuração, pois a eles já foram vinculados créditos decorrentes da aquisição de mercadorias, conforme a sistemática nãocumulativa, nos termos das informações lançadas no demonstrativo de apuração do PIS, Razão Analítico – PIS a recolher e Razão Analítico – Créditos de PIS sobre mercadorias adquiridas. Aduz que, de forma equivocada, declarou débitos de PIS nãocumulativo em suas DCTF, quando, em verdade, intencionava indicar os débitos como sendo PIS cumulativo. Igualmente, os recolhimentos Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.546 5 ocorridos sob o código de receita 6912 deverão ter alteradas suas destinações para o PIS cumulativo. e) Trata da regularidade dos recolhimentos de Cofins sob o regime nãocumulativo no anocalendário de 2004. f) Houve a regularidade dos recolhimentos do PIS não cumulativo no anocalendário de 2005 (períodos de apuração 01 e 02/05). Sustenta que os créditos tributários estão extintos, uma vez que não identificou valores a recolher nos períodos de apuração 01 e 02/05. Para tanto junta as informações lançadas no demonstrativo de apuração do PIS nãocumulativo, Razão Analítico – PIS a recolher e Razão Analítico – Créditos de PIS sobre mercadorias adquiridas. Vinculou aos citados débitos créditos decorrentes da aquisição de mercadorias, sendo improcedentes tais exigências. g) A autoridade fiscal indicou em seu termo de fiscalização valores supostamente devidos em relação ao PIS nãocumulativo referentes ao anocalendário de 2005. Ocorre que tais débitos reportamse, em verdade, ao PIS cumulativo, já havendo sido abordados anteriormente os equívocos incorridos pela autoridade fazendária. Ressalta que, em relação ao PIS cumulativo, já efetivou integralmente os recolhimentos cabíveis. h) Trata da regularidade dos recolhimentos de Cofins sob o regime cumulativo no anocalendário de 2005. i) Tomando em conta os fundamentos acima declinados, pleiteia que seja declarada a nulidade do auto de infração, por vício substancial insanável. Sucessivamente, requer a improcedência do auto de infração. Em face das alegações sustentadas pelo sujeito passivo, foi determinada, por intermédio do despacho de fls. 1.080/1.083, a realização de diligência para: a) aferir a concreta existência de créditos decorrentes da nãocumulatividade, referentes aos períodos de apuração de 12/2003, 01/2005 e 02/2005, bem como sua efetiva utilização, pela contribuinte, para extinção da respectiva contribuição ao PIS; b) relativamente aos períodos de apuração de 07, 08 e 09/2005, examinar, tomando por base a escrita da contribuinte, o quantum dos créditos tributários exigidos pelo lançamento de ofício e, notadamente, se os mesmos já haveriam sido extintos. Em observância ao que foi requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento, foi expedido o Termo de Diligência de fl. 1.085, cientificado à impugnante em 03/05/2010. (AR de fl. 1.086), nos seguintes termos: “(...) dou ciência dos despachos exarados nos processos já identificados (cópias em anexo). Intimo, ainda, o mesmo a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os comprovantes dos recolhimentos dos tributos PIS (...) e Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.547 6 COFINS (...), consoante consta como efetuados nas impugnações e despachos.” Em resposta, a impugnante apresentou o documento de fls. 1.087/1.089, datado de 20/05/2010, no qual informa que, “para melhor instrução do processo administrativo, (...) trará todos os fundamentos que indicam a improcedência do lançamento”, voltando a aduzir, contudo, as mesmas alegações já incluídas em sua impugnação, fazendoas acompanhar, exclusivamente, de impressos relativos a comprovantes de arrecadação e DACONs. Em 03/03/2011 (AR de fl. 1.128), a contribuinte foi cientificada do Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.124/1.127, que a intimou, dentre outras, a adotar as seguintes providências: Efetuar demonstrativo de apuração do PIS cumulativo e nãocumulativo; e comprovar, por intermédio do Diário, devidamente registrado, e do Razão, como foi apurado o PIS cumulativo e não cumulativo. Em 17/03/2011 (AR de fl. 1137), a interessada voltou a ser intimada (Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.138/1.141) a apresentar, no prazo de dez dias, os documentos anteriormente requeridos pela autoridade fiscal condutora da diligência. Em 29/03//2011, a interessada apresentou o requerimento de fl. 1.133, solicitando a prorrogação de prazo, por mais trinta dias, para apresentação dos documentos, havendo sido deferido o pleito no mesmo documento, como se vê no despacho ali lançado à mão pela autoridade fiscal. Em 27/04/2011, a contribuinte apresentou o documento de fls. 1.174/1.176, no qual afirma que entrega os documentos solicitados, aduzindo esclarecimentos. Consta daquele documento que são juntados DARFs, PER/DComps e Razão contábil das respectivas contas, contudo em relação ao Razão contábil, limitouse a juntar folhas impressas intituladas Razão, correspondentes a demonstrativos supostamente extraídos do respectivo livro. Em 18/05/2011 (AR de fl. 1.375), foi entregue à impugnante o Termo de Reintimação Fiscal de fl. 1.374, do qual consta: “(...) intimo o mesmo a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os livros Diário (escrituração obrigatória) e Razão para evidenciar os demonstrativos que o contribuinte diz ter extraído do livro Razão. Esclareço, por oportuno, que quando da auditoria todos os livros Diário e Razão foram colocados à disposição do auditor (...). Portanto, tornase despicienda, para fins de comprovação, a juntada de cópias de demonstrativos (eles podem ser feitos a qualquer momento e não expressar a realidade dos fatos) sem haver comparação com o Diário. Portanto, pela última vez (esta é a quarta intimação), reintimo o contribuinte a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os livros Diário e Razão onde estão registrados os dados constantes do citado demonstrativo.” Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.548 7 Em 01/06/2011, a autoridade fiscal emitiu o Termo de Encerramento de Diligência de fl. 1.376, no qual declara: “O contribuinte foi intimado por 05 (cinco) vezes para apresentar os comprovantes dos recolhimentos dos tributos (...) e as provas de que o levantamento fiscal está incorreto, consoante afirma em suas razões de defesa. Mesmo reiteradamente requerido, os livros Diário ou Razão não foram exibidos à autoridade fiscal. Para demonstrar a improcedência do lançamento fiscal, a interessada alega que suas DIPJs estão incorretas e confeccionou mapas que diz ser cópia do livro Razão (...). Determina a autoridade julgadora (...) que seja apurado o quantum da contribuição remanescente. Este item fica prejudicado, uma vez que não posso atestar a veracidade dos mapas anexados pela defendente, em comparálos com os originais.” Em 28/06/2011, a contribuinte apresentou o documento de fls. 1.380/1.381, do qual consta: “Cumpre ressaltar que a intimação deuse em Belém/PA, enquanto grande parte da área fiscal da empresa e profissionais estão localizados em São Paulo/SP e Brasília/DF. Assim, apesar dos esforços empreendidos, a empresa não conseguiu localizar e agrupar a documentação exigida (...), razão pela qual requereu, em 30.05.2011, via correios, a dilação do prazo por mais 30 (trinta) dias, a fim de que possa cumprir a referida exigência (...). A fiscalização, no entanto, encerrou a diligência fiscal sem se manifestar ou observar o pedido de dilação da empresa (...). Ocorre que, nesse ínterim, a empresa Requerente localizou a documentação em sua filial em Brasília/DF. Contudo, como se trata de documentação bastante volumosa e de difícil transporte e armazenagem – cerca de 250 (...) caixas de documentos – requer a verificação dos documentos no local onde se encontram, arcando a empresa com todas as despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação do fiscal responsável, se necessário.”" Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou o lançamento em relação aos períodos atingidos pela decadência (julho a novembro de 2003). No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação em relação ao seguinte: (a) o auto de infração é nulo, encontrandose maculado por vício substancial insanável; (b) o acórdão da DRJ/BEL ora em análise também é nulo, haja vista que se furtou a observar a documentação disponibilizada pela empresa, afrontando o princípio da verdade material, bem Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.549 8 como o da ampla defesa, nos termos do artigo 59, II, do Decreto n° 70.235/1972. Imperiosa, portanto, a realização de diligência fiscal para análise da documentação disponibilizada pela empresa; (c) a DIPJ não é instrumento hábil a constituir o crédito tributário, nem se reveste de caráter de verdade absoluta, admitindo prova em contrário, conforme atesta o próprio acórdão recorrido; (d) o crédito tributário referente a dezembro de 2003 está fulminado pela decadência; (e) a Recorrente realizou o recolhimento integral dos débitos objetos do lançamento. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Os recursos satisfazem os requisitos de admissibilidade, deles devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso de ofício, aplicamse plenamente ao caso os fundamentos do acórdão de primeira instância, à vista da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal n. 8. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.550 9 Como o lançamento foi efetuado em 30 de dezembro de 2008, restaram decaídos os períodos até novembro de 2003, uma vez que o fato gerador do período de dezembro de 2003 ocorreu apenas no dia 31, ficando aquém dos cinco anos. Dessa forma, já adentrando matéria relativa ao recurso voluntário, não ocorreu a decadência em relação ao período de dezembro de 2003. Quanto ao recurso voluntário, afastamse as alegações de nulidade da autuação. A Interessada alegou que não teria havido, de fato, exame de sua contabilidade, embora a Fiscalização se tenha referido aos valores declarados em DCTF como os valores apurados de acordo com a contabilidade. Do relatório fiscal, constou a informação de que os valores foram os constantes da escrituração fiscal. Apesar do não atendimento reiterado da Interessada às intimações para apresentar documentação, foram apresentados, em relação ao ano de 2003 (fl. 730 do e Processo), os livros Diário e Razão, em resposta à reintimação de fl. 714. Da mesma reintimação constou informação de que seriam realizadas verificações preliminares em relação aos anos de 2001 a 2007. Entretanto, não consta dos autos informação posterior sobre a apresentação de livros contábeis de períodos posteriores. Portanto, de fato os valores foram apurados, ao que tudo indica, dos valores da DIPJ, sem uma verificação da contabilidade. Nesse contexto, não há que se cogitar de nulidade da autuação, mas apenas da força probante que a DIPJ teria, com a finalidade de apurar as referidas diferenças. A DRJ considerou que os valores declarados em DIPJ teriam valor de confissão de dívida. Embora em relação a PIS e Cofins a DIPJ não tenha, de fato, tal finalidade (não visam as informações à constituição de crédito tributário), é certo que, como qualquer documento de apresentação obrigatória, presumemse verdadeiros os valores declarados. Nesse caso, é claro, a apresentação de prova contábil afastaria de pronto a presunção, pois a contabilidade tem uma força probante maior do que a DIPJ. A presente questão, entretanto, não pode ser analisada separadamente da diligência fiscal requerida pela DRJ, que entendeu que a Interessada havia apresentado argumento suficiente para colocar em dúvida a apuração. Entretanto, da diligência, resultou a não apresentação dos documentos contábeis, com a Interessada alegando havêlos localizado, mas ser muito volumosa, razão pela qual estaria à disposição para exame. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.551 10 Portanto, o que se verifica, é que não se trata apenas de uso desidioso das informações da DIPJ, mas de uma falha sistemática da Interessada em atender às intimações, o que ocorreu tanto não ação fiscal quanto na diligência. Nesse sentido, a Interessada não apresentou sequer uma demonstração específica de como a referida documentação comprovaria suas alegações. Ainda em relação aos períodos de dezembro de 2003, de julho a setembro e dezembro de 2005, as alegações da Interessada, caso comprovadas, não implicariam nulidade da autuação, uma vez que apenas se constataria, especificamente em relação aos períodos mencionados, incorreção na apuração da base de cálculo e não vício insanável. Não se verifica, assim, serem nulos o auto de infração e o acórdão de primeira instância. Em relação ao recurso voluntário, parte já foi anteriormente abordada, especificamente no que diz respeito à decadência e à questão das provas. Ainda em relação às provas, já no que concerne à diligência, alegou a Interessada que a razão de não conseguir localizar e agrupar a documentação teria ocorrido pelo fato de estar ela em Sp e Brasília. Entretanto, inexiste uma relação de causa e efeito entre os fatos. Na atualidade, a transmissão de informações entre cidades distantes é muito fácil (telefone, Internet etc.) e não se vislumbra do fato de a documentação estar em Brasília a dificuldade atinente de se a localizar e agrupar. Em relação ao prazo de dilação a que se referiu a Interessada, não se tratou do primeiro caso. Conforme já esclarecido, a diligência já se estendia por um ano e a Fiscalização teria que, numa ou outra hora, adotar um critério para finalizála. Vejase que, além do prazo já anteriormente concedido pela Fiscalização, a Interessada havia requerido mais prazo ainda para cumprir a intimação. Notese que inexiste previsão legal para o deslocamento de funcionário público por conta da empresa, conforme sua alegação. Pelo contrário, os princípios administrativos vedam comportamento semelhante. Ademais, a Administração não poderia ficar à disposição da conveniência da Interessada, ainda que fosse possível a ela arcar com despesas de deslocamento e hospedagem de funcionário público. Portanto, a consideração de que já se havia finalizado a diligência não é uma “simples justificativa”. Não se trata, ainda, de suprimir a possibilidade de prova. Conforme esclarecido pelo acórdão de primeira instância, os documentos em questão deveriam ter sido apresentados com a impugnação de lançamento e, no caso dos autos, segundo a própria Interessada, somente foram localizados depois que se finalizou a diligência. Fato que contrasta com a alegação da impugnação de que a documentação estaria à disposição da Fiscalização durante a ação fiscal. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.552 11 Ainda assim, seria possível, em tese, a apresentação da documentação, desde que comprovada a impossibilidade idônea da não apresentação com a impugnação, do que nem cogitou a Interessada. As regras do Decreto n. 70.235, de 1972, devem ser cumpridas e, no caso dos autos, os prazos concedidos pela Fiscalização foram mais do que razoáveis. No recurso, a Interessada repetiu as alegações quanto a serem indevidos os valores lançados. Tais argumentos foram os que levaram a DRJ a aprovar a diligência, objetivando a comprovação dos valores alegados, o que não foi possível devido à não apresentação da documentação antes do término da diligência. À vista do exposto, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, para negar provimento a ambos os recursos. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.004491/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento
parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se
o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação
acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida
no artigo 173, I.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE
MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA
ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se
a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração.
A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A
da Lei n° 8.212/1991
traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre
as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais
declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo
de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 73 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 07/11/2006 pela falta apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme detalha o relatório da decisão recorrida: PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. PREENCHIMENTO INCORRETO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONFISCO. Constitui infração a apresentação de GFIP em desconformidade com as formalidades especificadas no respectivo Manual de Orientação. Somente se cogita da relevação da multa aplicada se atendidos pelo sujeito passivo todos os requisitos legais, incluindo a correção integral da falta. O Código de Defesa do Consumidor alcança apenas as relações de consumo, o que não se cogita entre contribuinte e Fazenda Pública. Inexiste caráter confiscatório se a multa decorre de previsão legal e é fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. ... O Auto de Infração AI em pauta, conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, foi lavrado por ter a empresa em referência deixado de entregar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com informação de ausência de fato gerador (código 906) dos estabelecimentos 94.783.396/000134 (competências 0512005 e 07/2005) e 94.783.396/000215 (competência 06/2001). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 4.1. que, nos termos do artigo 291 do Decreto 3.048/99, há circunstâncias atenuantes na aplicação da pena, fazendo a autuada jus a anulação ou relevação da multa, pois teria corrigido a falta; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4.2. que, caso não seja este o entendimento do órgão julgador, a multa deverá ser reduzida, visto que está aplicada em patamares confiscatórios, tanto assim que o Código de Defesa do Consumidor limita as aplicações de multa ao percentual máximo de atamar2% (dois por cento). É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 75 7 Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN, pois se trata de lançamento de ofício por ser relativo ao descumprimento de obrigação acessória. Acontece que pela natureza da infração e o critério para aplicação da penalidade, somente estaria excluída a multa se todos os documentos fossem relativos a meses já decaídos, o que não é o caso. Nenhum dos meses foi alcançado pela decadência, quaisquer que sejam as regras aplicadas. Assim, deve ser rejeita a preliminar de decadência. O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrada a incorreção nas GFIP e a recorrente não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa e alegar uma correção que também não se faz acompanhada de qualquer documento que a sustente. Com relação às inconstitucionalidades apontadas, é vedada a esta instância julgadora afastar sob esse fundamento dispositivos legais em vigor. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 76 9 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Porém, no presente caso o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32A, incisos I e II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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