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Numero do processo: 11065.003759/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração: 16/07/2003 a 23/12/2004
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder dever
da Administração de lançar com multa de
oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento
de ofício, para exigilo
com acréscimos e penalidades legais. A multa de
lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo
Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista
em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150
da Constituição Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 16/07/2003 a 23/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 129 3 Relatório COMERCIAL E EMPREITEIRA FAGUNDES LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 94.021.466/000117, com domicílio fiscal na cidade de Novo Hamburgo, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua Estocolmo, nº 220 – Sala 103, Bairro Canudos, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 457/479), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 466/472. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 21/12/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 395/405), com ciência pessoal, em 21/12/2006 (fls. 395), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 250.296,05 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo aos períodos de apuração 16/07/2003 a 23/12/2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Infração capitulada no art. 674, § 1º do RIR/1999. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório da Ação Fiscal, datado de 21/12/2006 (fls. 374/392), entre outros, os seguintes aspectos: que os cheques emitidos pela Fagundes, bem como seus extratos bancários (embora apresentados pela empresa), foram obtidos mediante a Quebra do Sigilo Bancário, em 30 de agosto de 2005, determinado pelo Exmo. Dr. Rodrigo Machado Coutinho, Juiz Federal Substituto, no exercício da Jurisdição Plena da Vara Federal Criminal de Novo Hamburgo, através do processo n° 2005.71.08.0083227 (fls. 121 a 126); que ao analisarmos os Livros contábeis e fiscais, relativamente ao período fiscalizado, verificamos que parte dos cheques emitidos de suas contas bancárias, mantidas no Banrisul e Caixa Econômica Federal, foram contabilizados a crédito da conta destes bancos e a débito da conta "caixa". Tal lançamento, sem identificação dos beneficiários, pressupõe que estes cheques tiveram como destino o próprio caixa da empresa; que através da Quebra do Sigilo Bancário, solicitamos, por amostragem, às referidas Instituições Bancárias, cópia microfilmada de alguns cheques emitidos pela fiscalizada. A análise dos cheques disponibilizados permitiunos concluir que os mesmos foram depositados em conta de terceiros, indicando tratarse de contabilização inadequada e/ou pagamentos sem causa a terceiros não identificados em sua contabilidade; que em razão do descrito passamos a examinar os livros, extratos bancários e demais documentos da fiscalizada, apresentados em atendimento aos diversos Termos de Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 Solicitação, de Documentos e Informações expedidos, onde constatamos, conforme descrição a seguir, que a fiscalizada efetuou pagamentos a terceiros, adiante identificados, sem que fosse indicada a causa para os respectivos pagamentos; que verificamos que alguns cheques emitidos pela fiscalizada foram contabilizados a crédito das seguintes contas: banco banrisul (1.1.1.02.00010), banco banrisul (1.1.1.02.00012), caixa federal (1.1.1.02.00013); e a débito da conta caixa (1.1.1.01.00005), indicando tratarse de saques bancários para suprimento de numerário; que tendo em vista a Quebra do Sigilo Bancário determinado pela Justiça Federal (já descrito no capítulo III), obtivemos cópia microfilmada de diversos cheques emitidos. Constatamos que os mesmos foram depositados em conta de terceiros, o que impossibilita afirmar que tiveram como destino a conta "caixa", conforme registrado em sua contabilidade; que, assim, para que a fiscalizada pudesse esclarecer como seus cheques emitidos e contabilizados a débito da conta caixa foram depositados em conta de terceiros, intimamos a empresa, a apresentar documentação hábil e idônea para comprovar a operação ou causa para os cheques emitidos de suas contas bancárias. Junto ao Termo de Solicitação, elaboramos demonstrativo contendo: data de compensação; n° do cheque emitido; Nome do Favorecido e Valor do cheque; que em atendimento ao solicitado, a fiscalizada apresentou diversas notas fiscais, escrituras e recibos na tentativa de justificar a emissão dos cheques; que após exaustiva análise dos documentos apresentados, concluímos que a fiscalizada conseguiu comprovar, a despeito da não contabilização no momento adequado, a quase totalidade dos cheques emitidos. No entanto, não logrou êxito na comprovação da operação ou causa para emissão de alguns cheques, tendo em vista que: (a) Não apresentou notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque; (b) Não comprovou que os cheques emitidos, em poder de terceiros, teriam sido repassados por empresa que prestou serviços à fiscalizada; (c) Não restou comprovada a alegação de que um determinado cheque foi destinado às Eleições de 2004; (d) Não comprovou que os cheques emitidos, em poder de terceiros, seriam decorrentes de distribuição de lucros ao sócio da fiscalizada; que apresentou planilha, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), contendo a justificativa para emissão dos cheques. No entanto, não apresentou qualquer nota fiscal, recibo ou documento supostamente emitido pelos beneficiários dos cheques, abaixo identificados, que pudesse demonstrar a operação ou causa para sua emissão; que no curso da ação fiscal, a fiscalizada foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a operação ou causa para diversos cheques que emitiu e que foram contabilizados a débito da sua conta "caixa". No entanto, esta fiscalização constatou que os cheques, abaixo listados, foram depositados em conta de terceiros; dentre os quais a Comercial Empreiteira Construltemo Ltda. (fls. 172 a 181), Nelci Oliveira de Moura (fls. 182 a 184), Gilmar Albino de Oliveira (fls. 185 a 187), Frigorífico de Carnes Boa Vista (fl. 188) e Carlos Bechener (fl. 189); que conforme já relatado, a fiscalizada, para justificar a emissão dos cheques, alega que os mesmos teriam sido efetuados à Comercial e Empreiteira Construlest Ltda., que os teria repassado a terceiros já plenamente identificados. No entanto, as afirmações Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 130 5 da fiscalizada não se baseiam em qualquer elemento de prova, uma vez que não apresenta qualquer documento ou comprovante que possa ratificar estas informações; que como as transferências de recursos entre a fiscalizada e a Construlest estão refletidos na contabilidade de ambas, não é de se aceitar a justificativa apresentada para a emissão de outros cheques que, como vimos, acabaram por ser depositados em contas de terceiros; que por tudo o que foi relatado, consideramos que a fiscalizada não conseguiu comprovar, com documentação hábil e idônea, a operação ou causa para os cheques emitidos a favor de Comercial Empreiteira Construtelmo Ltda., Nelci Oliveira de Moura, Gilmar Albino de Oliveira, Frigorífico de Carnes Boa Vista e Carlos Bechener. Pelo exposto, a vinculação destes cheques a contratos efetuados com a Construlest não foram devidamente comprovados; que constatamos que a fiscalizada contabilizou, em 05/10/2004, a débito da conta caixa, o cheque emitido de sua conta bancária no Banrisul n° 871294, no valor de R$ 5.000,00. Verificamos que o referido cheque era nominal a GRV Papéis (fl. 232). Submetido à apreciação da fiscalizada, em 14/06/2006 (fls. 154 a 157), para justificar a operação ou causa para sua emissão, informou, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), que o cheque era destinado às Eleições de 2004. Apresenta Recibo Eleitoral n° 0079644, de 03/09/2004, também de R$ 5.000,00, assinado pelo Sr. Luiz Percy Denardin Filho, destinado ao Comitê do PDT Eleições 2004, Prefeito Novo Hamburgo (fl. 233); que, no entanto, verificamos que o cheque objeto da doação não foi o cheque de 871294, questionado no Termo de intimação, mas sim o cheque n° 574170, no valor de R$ 5.000,00 (fl. 234) e emitido na mesma data do recibo eleitoral, ou seja, 03/09/2004. O recibo eleitoral foi registrado em sua contabilidade em 03/09/2004 (fls. 235 a 237); que a fiscalizada informou, em 14/08/2006 (fls. 160 a 162), em atendimento ao Termo de Solicitação de 14/06/2006 (fls. 154 a 157), que diversos cheques constantes da planilha anexa, e a seguir identificados, foram emitidos a terceiros em decorrência da distribuição de lucros ao sócio Paulo Ricardo Fagundes da Silva. Sempre lembrando que os cheques emitidos foram contabilizados à débito da conta "caixa"; que segundo a contabilidade da Fagundes, a empresa disponibilizou e efetuou pagamento de lucros ao sócio Paulo Ricardo Fagundes da Silva, conforme conta n° 2.1.2.02.00368 (fls. 238 a 246), nas datas e valores abaixo descritos. Por oportuno, registrese que em 22/04/2004, ainda segundo sua contabilidade, parcela.do lucro distribuído, no valor de R$ 180.000,00 foi destinada para integralização do capital da empresa (fl. 243); que para tentar justificar a emissão dos cheques nominais a Diana Raquel Fontana (fls. 247 e 248) e Comércio de Combustíveis Vila Rosa Ltda. (fls. 249 a 252), a fiscalizada apresentou cópias de escrituras públicas de aquisição de 2 (dois) imóveis (fls. 253 a 266) em nome da irmã dos sócios, Rosane Fagundes da Silva, CPF 36948454020 (267 a 269); que para os cheques nominais a Aríete T. K. C. Santos (fls. 270 e 271), a fiscalizada tentou justificar a emissão dos mesmos com a apresentação de Notas Fiscais de Serviços n° 030 e 031, emitidas por uma terceira pessoa, a firma individual Joel Leandro Erhart (nome de fantasia Digitaltec Sistemas de Áudio e Vídeo), CNPJ 03569817/000173 (fls. 272 e 273); Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 que não foram apresentados quaisquer documentos para tentar justificar a emissão do cheque a Francisco A. F. Coelho (fl. 274), Paulo A. C. Santos (fl. 275), Thiago Gonçalves da Silva (fl. 276), A. D. Cedro (fl. 277), tendo a fiscalizada limitadose a informar, em planilha apresentada em 14/08/2006, "Distribuição de Lucros Paulo"; que cabe informar, que todos os cheques, já identificados, foram contabilizados a débito da conta caixa. Por oportuno, esclareçase que os valores contabilizados como pagamentos a título de lucros distribuídos ao sócio Paulo, não guardam qualquer semelhança em datas e valores como os cheques emitidos em favor de terceiros; que tendo em vista que a fiscalizada, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente no Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul e Caixa Econômica Federal, nos anos de 2003 e 2004, conforme capítulo IV deste Relatório, constituímos o crédito tributário, com base no dispositivo legal citado no auto de infração, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRFON). Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 19/01/2009, a sua peça impugnatória de fls. 410/423, instruída pelos documentos de fls. 424/442, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que somente uma situação que reflita alguma capacidade contributiva pode ser objeto de tributação, não é menos correto que a pessoa que nela se encontre não pode, em razão disto, ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade lícita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão de contribuinte capacidade contributiva como limite de tributação; que a sanção tributária, como qualquer outra sanção, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim, tão somente estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, não podendo nunca ser utilizado como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado; que a vista dessa realidade, não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 75% quando a inflação anual gira em torno de menos de 12%; que além da multa confiscatória já referida, temos, compondo o crédito tributário em lide, a aplicação da Taxa SELIC Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia, para cálculo dos juros moratórios devidos, quando não pagos, tempestivamente, os tributos administrados pela Receita Federal, segundo o estabelecido no artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; que mostrase nduvidosa a necessitada de excluir da verba juros de mora a incidência da Taxa SELIC, por afronta à Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das normas legais, tudo por uma questão de economia processual; que o Contribuinte, leigo na especialidade Direito Tributário, cipoal de filigranas jurídicas no âmbito do ordenamento pátrio, desconhecendo as conseqüências jurídicas e o âmbito da imputação, que ora se conhece, deixou de apresentar documentos, que ora são juntados ao presente recurso, que certamente dão credibilidade as alegações de Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 131 7 impugnação e levarão a procedência da impugnação com conseqüente desconstituição do auto de infração; que na sua peça por demais fiscalista, em que a arrecadação é posta acima dos princípios vetores do Estado de Direito, o Fiscal Autuante imputa à Litigante, conforme fl. 390, o seguinte: “Portanto, de acordo com o dispositivo legal acima referenciado, sempre que a pessoa jurídica não comprovar, com documentação hábil e idônea, a operação que motivou o pagamento, haverá incidência do imposto de renda na fonte"; que analisemos, pari passu, o lançamento tributário, á luz da legislação dos documentos existentes mais os que ora se juntam, pois se verifica a existência de um erro crasso no libelo acusatório quando o Fiscal Autuante acusa a Peticionaria de não comprovar a operação; que, quanto ao item 4.2.1 Não apresentação de notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelos beneficiários dos cheques, é de se dizer que o destaque dado como título do item 4.2.1 é exatamente a fundamentação lançada como movei da tributação, conforme fl. 378 o fiscal elenca os motivos que entendeu para oferecer tributação, quais sejam: (a) Não apresentou notas fiscais, recibos ou qualquer outro documento que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque; que se trata de pagamento em cheque cujo favorecido é BASEG, no valor de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais). Por ocasião da instrução não foi localizada nota dos serviços em destaque, contudo, agora em sede recursal temse para prova hábil idônea, conforme documentação em anexo; que, assim, se o fundamento do lançamento era a inexistência de notas fiscais, recibos ou quaisquer outros documentos que supostamente teriam sido emitidos pelo beneficiário do cheque, agora, em razão do documento juntado fica elidido lançamento, pois se trata de prova da prestação dos serviços; que, quanto item 4.2.2 Não comprovação de que os cheques emitidos teriam sido repassados a terceiros, pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda. que emitiu notas fiscais de serviços à fiscalizada, é de se dizer que neste quesito cumpre esclarecer a operação; que a impugnante contratou a empresa Comercial Empreiteira Construlest Ltda. para execução, por subempreitada, das obras do Jardim Alcântara no município de Novo Hamburgo e capela Mortuária no município de Sapiranga/RS; que os contratos somaram a cifra de R$ 175.000,00 e foram emitidas notas fiscais neste mesmo valor em cumprimento aos contratos, tudo consoante documentos acostados ás fls. 190/194, 200/217, 220/230 do processo; que por serviços extras nas obras referidas a impugnante efetuou, além dos valores constantes nos contratos, o pagamento em favor da Comercial Empreiteira Construlest Ltda. de R$ 33.680,00, tudo consoante documento novo acostado a presente impugnação; que conforme reconhecimento do fiscal autuador houve pagamento por cheque nominal à Comercial Empreiteira Construlest Ltda. o valor de R$ 86.155,00, já os demais valores foram compensados em conta de terceiros; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 8 que, logo, se não aceitos os valores que foram pagos a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., porém, compensados em conta de terceiros, em tese, estaria a impugnante em débito com a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., o que não é o caso, pois os contratos foram pagos na integralidade, ou seja, R$ 175.000,00 e aditivados informalmente no valor de R$ R$ 33.680,00; que o centro da discussão e irresignação é a não aceitação por parte do fiscal dos valores de R$ 89.225,00 que foram compensados a Comercial Empreiteira Construtelmo e R$ 34.000,00 que foram compensados nas contas de Nelci Oliveira de Moura, Gilmar Albino de Oliveira, Frigorífico de Carnes Boa Vista e Carlos Bechener; que entendeu o fiscal autuador que não houve comprovação de que os cheques emitidos teriam sido repassados a terceiros pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda., a qual emitiu as notas fiscais em favor da impugante; que para combater a fundamentação lançada no relatório de ação fiscal, além da análise dos documentos que instruem o processo, juntase em grau de impugnação, o documentos firmado pela Comercial Empreiteira Construlest Ltda., que comprova cabalmente, por documentos hábil e idôneo, que foi a Comercial Empreiteira Construlest Ltda., a beneficiária dos pagamentos decorrentes dos contratos e notas, todavia, repassou os títulos nominandoos a terceiros, conforme a seguir transcrito; que pelo conteúdo da declaração de recebimento de valores e destinação de cheques verificase que, conforme já noticiado ao fiscal autuador, o representante legal da Comercial Empreiteira Construlest Ltda. possuí vínculo parental e negocial com os destinatários dos valores, motivo pelo qual repassouos à revelia do conhecimento do impugnante; que, ademais, analisandose as cópias de cheques que instruem o processo verificase que todos, na parte do título destinado a nominação do beneficiário, foi preenchida em grafia diferente do preenchimento dos valores, o que se percebe cabalmente que foi nominado por outro, no caso, o representante legal da Comercial Empreiteira Construlest Ltda., inclusive admitido por este na declaração supra transcrita; que, quanto ao item 4.2.3 Não comprovou que um cheque emitido foi para eleições 2004, é de se dizer que no tocante a este apontamento houve equívoco ao informar o cheque destinado a eleições 2004, sendo correta a indicação pelo fiscal autuador de que o cheque para eleições foi outro. Contudo, em se tratando da impossibilidade de juntada no presente momento, em razão de força maior, nos termos da lei, requer juntada do recibo/nota do valor questionado, em favor da GRV Papéis Ltda.; que, quanto ao item 4.2.4 Não comprovou que cheques emitidos, em poder de terceiros, seriam decorrentes de distribuição de lucros, é de se dizer que reconhece o fiscal autuador, conforme planilha constante da fl. 387/388 que o sócio Paulo obteve distribuição de lucros em 2003 no valor de R$ 60.000,00 e em 2004 no valor de R$ 328.975,80; que os pagamentos a terceiros somam importâncias inferiores ao lançamento por distribuição de lucros, portanto, dentro do permitido na receita por distribuição de lucros; que, contudo, em razão do princípio da entidade aponta à tributação cheques emitidos pela empresa e contabilizados a conta "débito caixa" e informados como distribuição de lucros; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 132 9 que cabe ressalva que o Sócio Paulo, como todo o empreendedor, tem remuneração do capital empreendido na empresa que se dá normalmente com repasse de recursos por distribuição de lucros e em nenhum momento deixando de atender o princípio da entidade; que se contabilizados como distribuição de lucros, já houve incidência do imposto de renda na pessoa jurídica, considerando que a forma de tributação é pelo lucro presumido (tributação pelo faturamento), por certo, nova tributação, na pessoa física, sobre os mesmos valores decorrerá bi tributação, instituto com vedação legal, motivo pelo qual, impera o afastamento das importâncias à titulo de tributação do imposto de renda retido na fonte, por ter já ocorrido a tributação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, cabe esclarecer que diante de tributos não declarados e não pagos cabe à autoridade administrativa efetuar a cobrança dos débitos devidos e da multa de ofício, fixada em 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; que o mesmo ocorre quando o contribuinte apresenta confissão de dívida no curso de uma ação fiscal já iniciada, porquanto o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do art. 7o , § Io , do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Presente, portanto, disposição legal que impõe à autoridade administrativa a aplicação da penalidade, uma vez que o lançamento é atividade administrativa vinculada à lei, nos termos do art. 142 do CTN; que não bastasse tudo isso, a matéria referente à constitucionalidade das leis não pode ser conhecida pela Administração Pública, pois é princípio assente na doutrina pátria que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta só elidida pelo Poder Judiciário. Caso se manifestasse a Administração Pública a respeito da constitucionalidade de leis ou atos normativos por ela próprio emanados, estaria configurada uma invasão na esfera de competência exclusiva do Poder Judiciário, ferindo assim a independência dos Poderes da República, preconizada no artigo 2 o da Carta Magna; que o impugnante sustenta a inviabilidade da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também se manifestou de forma definitiva a respeito desse tema. Refirome à Súmula Carf n° 4, cuja publicação foi reprisada, recentemente, à folha 47 do Diário Oficial da União (Seção 1) do dia 9 de dezembro de 2010; que no curso da fase inquisitória do procedimento, o contribuinte não apresentou qualquer documento relativamente ao cheque descontado por Baseg. Com relação ao cheque descontado por Leandro Köche, em que pese terem sido apresentadas cópias de documentos (contratos e ART), os elementos neles lançados (ART) infirmavam a pertinência do pagamento. Agora, em sede de impugnação, o contribuinte apresenta cópias de declarações firmadas pelos pretensos beneficiários, dando conta do motivo dos pagamentos. Diante da precariedade dos documentos, o contribuinte foi instado a complementar a prova, consoante Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 10 documentos das folhas 444 a 446. Passo à análise dos dois casos em função das novas provas juntadas; que quanto ao pagamento que teria sido efetuado em favor de Leandro Köche, houve a apresentação de cópias autenticadas (1) de declaração emitida pelo beneficiário, dando conta do recebimento de dois cheques (um de R$ 3.000,00, emitido em 2 de agosto de 2004 fl. 171 e outro de R$ 3.200,00, emitido em 16 de outubro de 2004), e (2) de ART que aponta o valor de honorários no montante de R$ 3.897,90. Em que pese à envergadura dessas provas, que ensejariam a redução do pagamento imotivado de R$ 3.200,00 (fl. 378) para R$ 2.302,10 (R$ 6.200,00 — R$ 3.897,90), verifiquei, posteriormente à intimação, que o pagamento sem causa ou incomprovado em questão não constou do Auto de Infração (fls. 396 e 397). Por tal motivo, essa questão deixou de ser litigiosa, posto que não houve a cobrança tributária respectiva. Tratase, a meu ver, de lapso aceitável de repercussão diminuta; que quanto ao pagamento que teria sido efetuado em favor de Baseg, houve a juntada de cópia autenticada de declaração do beneficiário, afirmando que havia recebido o valor de R$ 14.000,00 por conta de serviços prestados ao interessado. Na intimação (fls. 444 e 446) houve clara referência à necessidade da apresentação de cópia autenticada da nota fiscal emitida em função dos referidos serviços. No meu entender o elemento juntado é precário, de tal sorte que voto por manter a exigência quanto a esse aspecto; que, quanto a não comprovação de repasse a terceiros de cheques em favor de Construlest, é de se dizer que o contribuinte inicia afirmando que a diferença entre o valor dos cheques que teriam sido por ele emitidos em favor da Construlest (R$ 209.380,00) e o valor das notas fiscais efetivamente emitidas pela Construlest em função dos serviços prestados ao interessado (R$ 175.700,00), no montante de R$ 33.680,00, seria uma decorrência da realização de obras extras. Junta cópia simples de declaração da Construlest no sentido de que todos os cheques tomados pela Fiscalização relativamente a esse tópico teriam por objetivo remunerar os serviços prestados pela Construlest ao interessado (fls. 427 e 428). Esse documento, além de ser uma cópia simples, está completamente dissociado das notas fiscais efetivamente emitidas e da escrita comercial do fornecedor e do contribuinte; que a Fiscalização louvouse em prova robusta, que somente poderá ser infirmada diante de elementos negociais que demonstrem a existência de realidade diversa. Uma declaração unilateral, mesmo que original e assinada por pessoa com poderes (o que não se verifica no caso dos autos), desacompanhada de qualquer outro subsídio que a conforte, não tem o condão de afastar a força probante de duas escritas coerentes. Tratase de uma argumentação vazia tanto pela falta de alicerce probatório (escritas não infirmadas), quanto pela lógica, porquanto obras extras também ensejam a emissão de notas fiscais; que, não bastasse isso, a defesa da pretensa prática habitual do repasse de cheques a terceiros defendida pelo impugnante não encontra sustentação no mundo jurídico. A esse respeito é fundamental trazer à lume o art. 69 da Lei n° 9.069 de 29 de junho de 1995; que consoante se verifica do texto legal, a emissão de qualquer cheque deve e dar com a identificação do beneficiário. Assim, incumbe ao emissor, no caso o interessado, a indicação no título do nome do beneficiário. A eventual prática é, portanto, ilegal, avessa ao sistema jurídico, motivo pelo qual refuto a alegação. Dessa forma, a questão da grafia aposta nos títulos é irrelevante para o deslinde do presente caso, motivo pelo qual indefiro o pedido de perícia por entendêla prescindível, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. I o da lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Não bastasse esse questão de mérito quanto à perícia, o impugnante deixou de formular Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 133 11 quesitos e indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. I o da Lei n° 8.748, de 1993. Formalmente também não seria possível a determinação da realização da diligência, caso se mostrasse cabível; que, quanto a não comprovação de doação para fins eleitorais, é de se dizer, que o impugnante concordou com a existência de erro na indicação do cheque destinado a fins eleitorais e protestou pela juntada de recibo ou nota em momento futuro. Nada foi apresentado, nada mudou. Cabível a manutenção da exigência por completa falta provas que esclareçam a operação ou sua causa; que, quanto a não comprovação da distribuição de lucros aos sócios, é de se dizer, que consoante já referido em item precedente, a contabilidade faz prova contra as pessoas a que pertence. No caso dos autos, restou identificado, por via da contabilidade, que os cheques descontados por terceiros não eram coincidentes nem em datas, muito menos em valores, com os pagamentos efetuados ao sócio Paulo por conta de distribuição de lucros. Isso é uma prova robusta da desconexão dos pagamentos; que não bastasse isso, cabível repetir a existência da obrigação daquele que emite um cheque com valor superior a R$ 100,00 de identificar a pessoa do beneficiário. O contribuinte, caso tivesse deixado de identificar o beneficiário, fato que não foi provado, teria deixado de observar a lei. Assim, além da dissonância contábil entre os pagamentos, não há como aceitar alegação de fato incomprovado e ilegal; que quanto à referência ao princípio da entidade pela Fiscalização, entendo que é plenamente adequada, uma vez que a eventualidade da existência de cheques emitidos em favor de terceiros para a quitação de dívidas com um sócio, que já é um terceiro em relação à pessoa jurídica, demonstra completa confusão patrimonial entre a sociedade e seu sócio. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: Comprovação de pagamentos. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, ainda mais quando esses dados são confirmados por livros e fichas de terceiros. A alegada e não provada emissão ilegal de cheques sem a identificação do beneficiário não tem qualquer efeito processual. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/02/2011, conforme Termo constante às fls. 466/472, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (15/03/2011), o recurso voluntário de fls. 466/472, instruído pelo documento de fls. 473, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 12 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise da matéria contida nos autos, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Ou seja, em razão da recorrente, regularmente intimada, não conseguir comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente no Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul e Caixa Econômica Federal, nos anos de 2003 e 2004, foi constituído o crédito tributário, com base no dispositivo no art. 61 e seus parágrafos, da Lei nº 8.981, de 1995. Como visto no relatório, a autoridade fiscal lançadora identificou inúmeros cheques emitidos pela recorrente, contabilizados a débito da conta caixa, que foram depositados em contas de terceiros, dos quais, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa para os referidos cheques. Observase, ainda, que a autoridade fiscal lançadora , na planilha denominada "Imposto de Renda Retido na Fonte Pagamentos sem Causa", relacionou e identificou os beneficiários de todos os cheques emitidos. Assim sendo, a autoridade fiscal lançadora, em conformidade com o disposto no art. 61 e §§, da Lei nº 8.981, de 1995, entendeu que em todos os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas em que não for comprovada a causa ou a operação que deu origem ao pagamento, haverá a incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Agora em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi a improcedência da autuação com base, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Cabe, inicialmente, esclarecer, que a matéria será analisada como sendo, somente, de mérito. Em primeiro lugar, cabe equacionar as questões de fato constatadas durante a análise dos autos do processo em discussão, para tanto, se nota que a infração lançada foi falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, ou seja, sendo intimada a contribuinte não comprovou através da apresentação de documentação hábil e idônea a operação e/ou a causa dos pagamentos efetuados, cujo demonstrativos se encontram às fls. 374/392. Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade fiscal lançadora pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 134 13 pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. A presunção é justamente essa ilação mental entre o fato indiciário e o fato que se pretende provar. O indício e a presunção são partes de um mesmo expediente probatório, são como duas faces de uma mesma moeda. Não faz sentido separálos: primeiro provar por indícios, sem uso de qualquer presunção, a entrega de numerários aos sócios ou a terceiros para, em seguida, aplicarse à presunção. Não pode ser este o sentido da norma em exame. Da analise dos autos, verificase que a suplicante não logrou comprovar por meio do necessário lastro contábil/documental que a saída recursos se destinaram a outros eventos a não ser aqueles constantes da peça acusatória, qual seja: pagamentos realizados a terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação. Em suma, restou comprovado, pela autoridade fiscal, da utilização por parte da suplicante de um artifício na movimentação de seus recursos via estabelecimentos bancários. Emitia recursos para terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação. Ou seja, efetuava pagamentos, através de cheques, para pagamentos a terceiros, a mando da recorrente, real proprietária dos recursos movimentados, cujo destino final dos recursos omitiu na contabilidade e quando intimada não declinou o destino dado aos recursos retirados (pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada). Assim, a conjugação dos pagamentos sem causa efetuados está em acordo com o preceito legal contido no art. 61 e parágrafos, da Lei n.º 8.981/95, atributivo de efeito àquele acontecimento, compõe o fato jurídico gerador do imposto de renda na fonte ali vislumbrado. Nestes termos, e por ser da essência daquele dispositivo, tornase necessário à discussão sobre a necessidade ou não da identificação do beneficiário e da origem da operação, bem como do nexo causal com o emitente (comprovação da operação ou a sua causa). Existe o princípio genérico da legalidade segundo o qual somente a lei é fonte de direito. Há, ainda, um princípio específico de legalidade que supõe a existência de lei específica para qualquer tributo possa ser cobrado do contribuinte. Não basta, portanto, existência de lei anterior, mas fazse necessário que esta especifique em que circunstâncias se há de cobrar o tributo. É o que certos tributaristas denominam de princípio da reserva da lei. O poder Público está impedido, de instituir ou aumentar tributo sem lei específica a respeito. Se ninguém é obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei, é obvio que o Estado não poderá impelir alguém a pagar tributo, a não ser que exista lei anterior prevendo a hipótese. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Diz o diploma legal Lei n° 8.981, de 1995: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 14 Art. 61 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com a norma acima reproduzida, a lei estabelece 3 (três) hipóteses distintas de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a saber: a) – Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados – quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido; b) – Pagamentos sem causa – a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. No caso de pagamentos efetivos de operações inexistentes, lastreados em documentação inidônea, além do lançamento do IRF, é cabível a glosa dos custos/despesas, tratandose de Pessoa Jurídica optante pelo lucro real; c) – Concessão de benefícios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei nº 8.383, de 1991 – se o valor correspondente ao benefício for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. Em relação às hipóteses “a” e “b” cabe ao fisco, antes de qualquer coisa, assegurarse de que os pagamentos foram realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela percepção desses valores pelos beneficiários. A ocorrência do pagamento deve estar provada. Todavia, essa prova pode ser feita com a própria contabilidade da empresa. Nesse caso, se houver erro nos registros contábeis, o ônus da prova é do interessado. No que tange ao item “c”, cabe ao fisco fazer prova da ocorrência dos benefícios indiretos. É de se frisar, que o que está sendo tributado, exclusivamente na fonte, são os rendimentos recebidos pelos terceiros, sócios ou pessoas não identificadas. O interessado é o sujeito passivo da obrigação tributária por ter realizado o pagamento irregular. Não se trata de tributação dos recursos utilizados nos pagamentos, até porque, em princípio, o ingresso de tais recursos se deu de forma regular. Todavia, em que pese tudo isso, data máxima vênia, entendo que ficou perfeitamente definido o fato gerador do IRF com base no artigo 61 da Lei n.º 8.981, de 1995. Já que o seu aparente nó górdio situase na fronteira entre a ocorrência ou não da efetuação do pagamento dos valores lançados, pressupostos materiais para o necessário enquadramento Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 135 15 naquele tipo legal. Nos autos, restou devidamente comprovado que os pagamentos existiram e a autuada não justificou, de forma convincente, a operação e/ou a causa destes valores pagos. Ora, está claro nos autos do processo que as contas bancárias movimentadas pertenciam a recorrente. Assim, o fato de utilizar os recursos depositados na conta bancária pertencentes a suplicante para efetuar pagamentos a terceiros sem a devida comprovação da operação ou causa, tem a mesma repercussão de se fosse a própria empresa que tivesse emitido os cheques para si mesmo. Neste caso, o ônus da prova é da empresa é ela que deve esclarecer para onde foram parar os recursos retirados (foram para fazer Caixa na empresa, para efetuar pagamentos diversos?), se a empresa não justificar de forma razoável é de se presumir que tais recursos foram utilizados para efetuar pagamentos sem causa. Restou claro nos autos, que a suplicante não explicou e nem comprovou através de documentação hábil e idônea, de forma convincente, as razões que a levaram efetuar ao pagamentos questionados pela autoridade fiscal lançadora. Apresenta somente alegações não lastreadas por documentos hábeis que demonstrassem de forma clara o acontecido. Os documentos alegados como prova, por si só, não são suficientes para justificar qualquer dúvida quanto à efetividade da infração que lhe é imputada, uma vez se tratarem de alegações com a juntada de documentos, que não demonstram de forma cabal o ocorrido. Da mesma forma, é improcedente e sem qualquer fundamento o entendimento da recorrente de que o fisco se apegou somente a aspectos formais do lançamento. Ao contrário de suas alegações, exatamente no que competia à empresa é que o fisco encontrou irregularidades, pois os dados que lhe foram apresentados são inidôneos e não hábeis para lastrear os argumentos apresentados, e isso é fruto das irregularidades praticadas (movimentar recursos financeiros para terceiros e omitir estes dados na contabilidade da empresa). É fato que o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Porém, é igualmente sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato negativo, como por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admitese que a prova se faça por meios dos lançamentos bancários existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. É remansoso nos autos, que houve a realização dos pagamentos. Entretanto, se a suplicante não trouxe aos autos documentação comprobatória que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, indicando a causa e comprovando a operação, está evidente, que os recursos foram repassados para alguém não identificado ou quando identificado não ficou comprovada a operação ou a sua causa. Ora, só no fato de não restar comprovada a sua causa, já estaria caracterizada com perfeição uma das hipóteses previstas no artigo 61, da Lei n° 8.981/95. No presente caso, não existem comprovantes indicando as razões de ter como beneficiários de pagamentos as pessoas físicas e jurídicas arroladas. Ou seja, não ficou comprovada a causa dos pagamentos realizados, razão pela qual a autoridade fiscal lançadora considerou ilícitos os procedimentos, porque, entendia que estes revelavam a intenção clara da recorrente em omitir a verdadeira intenção do repasse dos recursos. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 16 É de se esclarecer, que é cristalino que os pressupostos de incidência são diversos, ou seja, “quando não for indicada a operação”, “quando não for indicada a causa”, e “quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário”. Como também é evidente que os pressupostos de incidência previstas neste artigo não são cumulativos, ou seja, basta ocorrer um deles para que flore o fato gerador do imposto de renda na fonte. Não nos parece relevante o argumento fundado exclusivamente no fato de que os discutidos valores estavam devidamente registrados e escriturados no Livro Diário, já que não há discussão sobre este fato, e sim que não houve comprovação que aqueles pagamentos realizados, estivessem realmente vinculados a pagamentos que correspondessem a compromissos reais assumidos pela empresa, com a devida documentação hábil e idônea. Indiscutivelmente, a escrituração só é válida quando lastreada em documentos hábeis e idôneos. Entendo, que é inútil examinar se a escrituração era regular ou não, ou se o valor encontravase ou não escriturado, pois o artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, é claro ao dispor que “a incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.”. No caso sob exame a contribuinte, com ou sem escrituração regular, não logrou provar a causa dos pagamentos objeto da autuação. Entendo que está perfeitamente caracterizada a hipótese descrita na lei – a falta de comprovação da causa dos pagamentos realizados , por outro lado, é, totalmente, descabidas as alegações de que o pagamento está escriturado regularmente com a emissão do documentário fiscal relativo às operações, já que não foi comprovada a operação ou a sua causa. Ora, o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo se o quisesse apresentar provas da efetiva operação ou causa. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, na fase ora recursal. Nada foi acostado aos autos, que afastasse a presunção legal autorizada de que os pagamentos foram realizados a beneficiários sem causa. Insurgese a suplicante, com ênfase, em oposição a essa conclusão do fisco. Na sua veemência argumentativa, a suplicante chega afirmar, em algumas passagens de sua defesa, que não pode acordar com a prática adotada pela auditoria fiscal, indevidamente endossada pela decisão de Primeira Instância, que, abstendose de aprofundar o procedimento investigatório de fiscalização, colheram, por amostragem, informações estanques, desconexas e nada conclusivas, para, embasados nestas, impor à empresa tão despropositado ônus tributário. Ora, se bem compreendi o sentido das afirmações da suplicante nessa linha de exposição de seu pensamento, constituem elas, “data vênia”, flagrante despropósito, haja vista que a função precípua do fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, sendo irrelevante o nome que os contribuintes lhes tenham emprestado na escrituração ou na operacionalização. Nesta linha de raciocínio, que está em conformidade com a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, também improcedente assertiva da suplicante no sentido que o fisco efetuou o lançamento por presunção, nada provando. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 136 17 Não se pode questionar a validade do emprego de indícios para mediante ilações deles extraídas provaremse situações que, em face de particularidades próprias, não se poderiam provar de outra forma. Situações, que as partes envolvidas procuram manter em sigilo por prejudicarem interesses de terceiros os quais, mais tarde, iriam tentar demonstrar o oposto. Por isso, não se documentam estes atos e mantémse cuidadosamente guardados os apontamentos ou registros paralelos a eles correspondentes. E, por questão de segurança, tais papéis não são, em regra autografados por ninguém. A prova da existência desses atos tornase assim dificultados e só mesmo através de indícios se pode chegar ao fato final. E este indício serve de base à presunção comum capaz de convencer o julgador da verdade de um fato. Como no direito processual brasileiro, para provarse um fato, são admissíveis todos os meios legais, inclusive os moralmente legítimos ainda que não especificados na lei adjetiva e, sendo livre a convicção do julgador, não há porque se afastar a presunção como meio de prova no caso dos autos. A presunção comum que convence a autoridade administrativa da existência de um fato que o contribuinte procura ocultar ao fisco é a mesma. A propósito de presunção, valemonos do magistério de Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário – Resenha Tributária – SP 1991 – pág. 3 e 4), que assim leciona: 2.2 – Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos, aquilo que é verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado; dada à existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo casual lógico que liga aos dados antecedentes. 2.3 – As presunções podem ser, segundo a sua origem: a) simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de direito, quando estabelecidas na lei. Em ambos os casos terá de haver nexo causal entre duas situações (a atual e a sua conseqüente); a diferença entre elas consiste apenas em que no segundo é a lei que recorre à presunção, enquanto que no primeiro é o seu aplicador ou intérprete que a formula. Daí, a conseqüente distinção entre as duas figuras possíveis da presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito substantivo) e a que constitui modalidade probatória (direito adjetivo). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 18 2.4 – Segundo a sua força, as presunções podem ser a) relativas (júris tantum) ou absolutas (júris et de jure). Nas do primeiro tipo a norma é formulada de tal maneira que a verdade legal enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Nas do segundo tipo, pelo contrário, temse como certo aquilo que a norma previu, até mesmo em face da eventual prova de que na realidade a previsão deixou de materializarse. Ora, o artifício é tão manifesto que salta aos olhos de quem está analisando os fatos descritos nos autos, pois se os fatos levantados e descritos pela fiscalização não fossem verdadeiros a suplicante já teria apresentado provas cabais de que os pagamentos realizados para os terceiros, se destinaram a saldar compromissos reais assumidos pela empresa apresentado a respectiva documentação hábil e idônea para esclarecer o assunto, e não ficaria em meras alegações, com lastro probante muito frágil. Por outro lado, as evidências, colhidas pela fiscalização, vão muito além da simples presunção, pois demonstrou, ao rastrear a movimentação financeira das quantias despendidas, que estas não tiveram por efetivas destinatárias os supostos emitentes dos cheques, já que, como aceito pela suplicante, os recursos movimentados nas contas bancárias em questão pertenciam à empresa. Assim, é cristalino que os recursos não ficaram com as pessoas que constam da contabilidade, mas terceiros não conhecidos (pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada). Os elementos apresentados pela fiscalização são contundentes ao evidenciar o reiterado emprego de subterfúgios. Ademais, a matéria foi devidamente detalhada no julgamento de primeira instância, razão pelo qual peço vênia a nobre Relator para adotar o seu voto, como se fosse aqui transcrito, como reforço ao meu entendimento sobre a matéria Concluo, pois, que permanece sem comprovação a causa dos pagamentos efetuados, motivo pelo qual é de se manter o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos relacionados no auto de infração, face ao disposto na Lei nº 8.891, de 1995, art. 61 (artigo 674, do RIR/1994). Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, inconstitucionalidade, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 137 19 Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 519DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 20 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada Fl. 520DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 138 21 dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 22 A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 522DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11065.003759/200618 Acórdão n.º 220201.919 S2C2T2 Fl. 139 23 Declaração de Voto Fl. 523DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11444.000925/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido
Numero da decisão: 1402-001.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Marcelo da Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Como resultado de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 0205, lançando, para o fato gerador ocorrido em 31/12/2003, crédito tributário de IRPJ correspondente a parcelas de aplicações no FINAM classificadas como recursos próprios. Sobre o crédito tributário apurado foi lançada multa de oficio (75%). Conforme descrito no referido auto de infração, apurouse, em procedimento de auditoria de revisão da declaração — imposto de renda pessoa jurídica, ano calendário de 2003, exercício de 2004, que o contribuinte recolheu DARF com código especifico para o FINAM (9360), no montante de R$ 4.314.642,74. No processamento da opção pelo investimento no FINAM, constatouse que o contribuinte tinha pendência fiscal, de modo que, com base na regra inscrita no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, o incentivo pleiteado não foi reconhecido. Em conseqüência, foi emitido extrato, no qual constava a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolizado Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a fim de que o valor pleiteado classificado como recurso próprio não fosse exigido como imposto pago a menor. A ciência do referido extrato ocorreu em 12/06/2006, conforme AR de fl. 03 do processo administrativo n° 11443.001053/200811, apensado ao presente processo administrativo. Porém, não houve apresentação de PERC até 29/09/2006, data limite para tanto, conforme § 5° do art. 15 do DecretoLei n° 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 1.752/1979. Diante disso, concluiu a autoridade autuante que o direito ao incentivo fiscal pleiteado não foi reconhecido, razão pela qual os valores recolhidos com código de receita especifico para o FINAM foram reputados recursos próprios, de modo que foi necessário o lançamento do IRPJ pago a menor, no mesmo montante. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 6675, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Não foi identificada com precisão e clareza, no processo administrativo n° 11443.001053/20811, a pendência fiscal que teria inviabilizado o reconhecimento da opção pelo destinação de parte do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM. Isso traz prejuízo ao exercício do direito de defesa, além de ofender os princípios da legalidade, da eficiência e da moralidade, de modo que o auto de infração é nulo. Quanto aos apontamentos de fls. 5166 do processo administrativo 11443.001053/200811 relativos a lançamentos de tributos, os créditos tributários estavam todos com a exigibilidade suspensa, em virtude de impugnações ou recursos administrativos, razão pela qual não poderiam ser considerados pendências fiscais a ensejar óbice para o reconhecimento do incentivo fiscal. 0 único apontamento existente perante a PGFN é a CDA n° 8070501559447, que tampouco poderia ser considerado como pendência fiscal, pois estava garantido Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 4 4 desde o ano de 2005, j á que, em 31/05/2005, foram oferecidos bens em garantia do débito, com anuência da PGFN, nos autos da execução fiscal n° 1085/2005, em trâmite perante a Vara Única da Comarca de Pompéia/SP. Além disso, o débito de que trata a CDA n° 8070501559447 sequer existia no ano de 2003, quando do pedido do incentivo fiscal, pois a inscrição ocorreu somente em 14/02/2005. Ademais, esta inscrição em divida ativa foi efetuada em sentido contrário a decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária n° 97.10078593, que reconheceu o direito 6. compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS, com base nos inconstitucionais DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88. Com base na decisão judicial os débitos foram compensados e a regularidade da compensação foi reconhecida pelo Despacho Decisório SACAT/DRF/MRA n° 299/2008, levando a PGFN a cancelar a referida inscrição. Ainda que se considere que não foram atendidos os requisitos previstos no art. 60 da Lei n° 9.069/1995 para a opção por destinação de parte do IRPJ ao FINAM, o lançamento é descabido, pois os valores recolhidos devem ser alocados ao débito de IRPJ, conforme reconhece a jurisprudência do Conselho dd Contribuintes. A multa, no percentual aplicado, é confiscatória, devendo ser anulado ou ao menos reduzida. Também deve ser afastada a aplicação da taxa Selic para fins de cálculo dos juros morat6rios, por ser ilegal e inconstitucional. Por fim, pede o impugnante que seja julgado improcedente o lançamento. Requer, ademais, que seja apontada com precisão qual a pendência fiscal que ensejou o não reconhecimento do incentivo fiscal, solicitando novo prazo para manifestação. Por meio da Resolução n° 1.116/2009, os autos foram encaminhados DRF/MARÍLIA, a fim de que fosse informado o débito que impediu a aplicação em incentivos fiscais, bem como para que se esclarecesse se o débito, à época da aplicação no FINAM, estava com a exigibilidade suspensa em razão de recursos administrativos e/ou judiciais. Os autos retornaram com o despacho de fl. 185, no qual a autoridade competente da DRF/MARÍLIA consignou que a pendência fiscal que obstou o reconhecimento da destinação de parte do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM são os débitos perante a PGFN constantes do processo administrativo n° 13830.001006/200413, consubstanciados na Certidão de Divida Ativa n° 80.7.05.01559447. Tais débitos, correspondem ao PIS dos fatos geradores dos meses de fevereiro de 2000 a julho de 2002. A respectiva inscrição ocorreu em 14/02/2005 e foi extinta em 20/08/2008, em virtude de informação prestada pelo GRUMJ/DRF/MRA, por meio do Despacho Decisório n° 299/2008. Além disso, esclarece a autoridade que, conforme MEMO/PSFN/MRA n° 93/2009, os débitos referentes à mencionada inscrição não tiveram em qualquer momento reconhecida a condição de suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 151 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, prolatou o Acórdão 1435.724 considerando improcedente a impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 5 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AÇÃO FISCAL PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO DIREITO DE DEFESA PERC PRECLUSÃO A ciência das pendências fiscais que obstaram o reconhecimento da destinação de parte do IRPJ ao FINAM ocorreu com a ciência o extrato, ocorrida em 12/06/2006, conforme comprova o AR. A ação fiscal é, até a lavratura do auto de infração, procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa antes da ciência do lançamento. 0 prazo para apresentação de PERC, relativamente às opções de destinação do IRPJ do anocalendário de 2003 ao FINAM,esgotouse em 29/09/2006. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. Na análise da peça recursal, questão preliminar e essencial a ser dirimida é a ocorrência ou não da preclusão em relação à possibilidade de comprovar a inexistência das pendências fiscais que implicaram na desconsideração da opção pela aplicação em incentivos fiscais exercida pela recorrente. Fazendose um histórico dos principais eventos que envolvem a questão tem se, de acordo com as informações constantes dos autos: • 12/06/2006 (AR) – Sujeito Passivo recebe extrato com situação fiscal e orientação para apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), tendo em vista rejeição da opção. Informouse que, se não apresentado o PERC, os valores destinados ao fundo seriam considerados recursos próprios o que implicaria na cobrança do imposto pago a menor • 29/09/2006 – Data limite para apresentação do PERC, nos termos do PERC § 5° do art. 15 do DecretoLei n° 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1°do DecretoLei n° 1.752/1979. • 22/11/2007 – Formalização do processo 11443.001053/200811 com síntese do ocorrido, encaminhado ao setor competente para lançamento do crédito tributário, tendo em vista a não apresentação do 03/12/2007 – Sujeito passivo peticiona requerendo a emissão da 2ª via do extrato das aplicações em incentivos fiscais. • 06/03/2008 – Autoridade administrativa cientifica sujeito passivo da impossibilidade de emissão de novo extrato de aplicação em incentivos fiscais, informa ocorrências que deram causa ao indeferimento da opção e ratifica informação quanto ao recebimento da 1ª via do extrato em 12/06/2006. • 31/07/2008 (AR) – Termo de Ciência e Solicitação de Documentos, cientificando que o valor pleiteado foi classificado como recursos próprios e seria exigido como imposto pago a menor, sendolhe concedido vinte (20) dias de prazo para manifestação e apresentação de documentos; • 20/08/2008 – Sujeito passivo manifestase no sentido de que não teria recebido o extrato e não teria conhecimento de seu conteúdo e requer Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 7 7 emissão de novo extrato e a indicação dos débitos impeditivos do incentivo fiscal, para que pudesse exercer o direito de defesa.; • 18/09/2008 – Auto de Infração. Além da correspondência entregue em 12/06/2006, onde a interessada recebeu o extrato de aplicação em incentivos fiscais acompanhado da informação quanto ao indeferimento da opção pelo incentivo, foi emitido termo em 31/07/2008 informandolhe das ocorrências que geraram o indeferimento e a possibilidade de autuação. Assim, a princípio não vislumbro nenhuma irregularidade formal no procedimento da autoridade administrativa, até a lavratura do auto de infração. Inexistindo vício formal nos atos administrativos que antecederam o lançamento de ofício, penso que a data de ciência da autuação representou o termo final para que a interessada demonstrasse a inexistência das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal. Esse posicionamento não se justifica apenas pela não apresentação do PERC. Com base no princípio do formalismo moderado, qualquer manifestação da interessada voltada à demonstração da inexistência dos débitos apontados deveria ser analisada pela autoridade administrativa. Entretanto, as regras processuais estabelecem prazos a serem cumpridos pelos dois lados da relação jurídicotributária. Sob esse aspecto, apesar de alertada sobre as conseqüências da não regularização, a interessada limitouse a questionar o recebimento da intimação sem trazer elementos que demonstrassem a inexistência de pendências , até que fosse lavrado o auto de infração. A meu ver, a questão da irregularidade fiscal foi encerrada com a autuação e tronouse preclusa a partir daquele momento. Não há como discutila no bojo destes autos. Em relação ao entendimento de que os valores recolhidos a título de aplicação em incentivos fiscais devem ser considerados como investimento com recursos próprios quando desconsiderada a opção, decorre da irretratabilidade da opção efetuada, conforme disposição expressa no § 5º, do art. 4º, da Lei nº 9.532/97: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (.........) § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. Ao decidir pela aplicação em Fundos de investimentos regionais de parcela do imposto devido o optante submetese às condições inerentes a esse exercício. Feita a aplicação, ela é imutável. Se, por qualquer circunstância, ocorrer a perda do direito ao incentivo fiscal, o direcionamento do valor investido não é alterado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000925/200813 Acórdão n.º 1402001.150 S1C4T2 Fl. 8 8 Dessa forma, levandose ainda em conta as disposições do § 6º do mesmo art. 4º da Lei nº 9.532/97, indeferida a opção pelo incentivo fiscal os valores recolhidos ao respectivo fundo são considerados como recursos próprios aplicados no projeto e cabe a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Com relação à exigência de multa e juros, argumenta a recorrente que não pleiteia a declaração de inconstitucionalidade, pelo Órgão administrativo, das normas que estabelecem tais exigências, mas sim que se afaste essas normas por inconstitucionais. Ora, se não houve a declaração de inconstitucionalidade da norma pelo Poder Judiciário, deixar de aplicála por vício de constitucionalidade é o mesmo que declarála inconstitucional, atributo esse fora do alcance deste Colegiado. A Súmula CARF nº 2, é clara: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a multa de ofício de 75%, tem previsão expressa no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 e os juros de mora tem como norma embasadora o art. 13, da Lei nº 9.065/95. A legislação mencionada está plenamente inserida no ordenamento jurídico, não cabendo questionamentos na esfera administrativa. Especificamente quanto aos juros de mora, a utilização da taxa SELIC como indexador é matéria sumulada (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10540.000056/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 00 56 /2 01 0- 91 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas, o que levou à aplicação da multa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32 A, "caput", inciso I e parágrafos 2 e 3, também incluídos pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II , alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 – Código Tributário Nacional. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 02/05), o sujeito passivo acima identificado apresentou as documentações exigidas, dentre elas, os Resumos das Folhas de Pagamentos mensais, pertinentes aos anos calendário sob fiscalização. De posse destes documentos, procedeuse ao confronto entre os valores declarados em GFIP apresentadas pelo fiscalizado e os registrados nos Resumos acima citados, pertinentes aos anos calendário sob fiscalização. Isto posto, ficou caracterizado que o autuado deixou de prestar na GFIP informações relativas a fatos geradores da contribuição previdenciária devida em decorrência da existência da relação trabalhista com os segurados empregados pertencentes ao seu quadro funcional, conforme planilhas I, II, III e IV. Cumprindo a determinação legal, para fins de mensuração do valor da multa a ser exigida pelo descumprimento da obrigação acessória, foi observado o princípio da retroatividade benigna. A autuada teve ciência do lançamento em 25/01/2010 e apresentou defesa (fls. 11/13), onde alega que a fiscalização utilizou valores das remunerações dos servidores, incluídas as parcelas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Considera, portanto, que o lançamento seria nulo em razão de não ter ocorrido a “fiel descrição do fato infringente.” Alega que o fisco não poderia, num mesmo exercício, exigir a multa por falta de recolhimento concomitantemente com a multa de ofício por redução indevida, total ou parcial, do imposto a pagar na declaração, ainda que essas infrações e penalidades estejam expressamente tipificadas e cominadas na legislação tributária, mais especificamente no § 12, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Isto porque a segunda infração anistiaria a primeira ou dispensaria a aplicação da respectiva penalidade. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Informa que nas competências 12 e 13/2007 foi efetuado pagamento a maior que o valor devido, levantado pela fiscalização. Não obstante, tal valor deixou de ser abatido/compensado com os valores alegadamente pagos a menor nos meses precedentes, deixando de considerar tais compensações no cômputo do montante supostamente devido pelo município. Pelo Acórdão nº 1526.330 (fls. 19/23), a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou o lançamento procedente em parte para excluir a multa nas competências de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000056/201091 Acórdão n.º 2402003.367 S2C4T2 Fl. 3 3 05/2007 a 12/2007 e de 01/2008 a 07/2008, pois isto implicaria em dar eficácia retroativa à revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, operada pela MP n° 449,de 2008. A autuada teve ciência da decisão em 03/05/2001, conforme AR – Aviso de Recebimento (fl. 27) e inconformada apresentou recurso (fls. 29/31) protocolado junto a este CARF em 06/06/2011. Informada de que os autos do processo não se encontravam no CARF, a autuada encaminhou o recurso à DRF Vitória da Conquista (BA) em 21/06/2011, conforme comprovado pela cópia do envelope à folha nº 34. A autuada se manifesta (fl. 34) argumentando que os recursos teriam sido protocolados tempestivamente, ainda que dirigidos diretamente ao CARF. Assim, requer que seja reconhecida a tempestividade e que os recursos sejam recebidos, processados e remetidos ao órgão julgador. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso proposto, verificase que a recorrente, encaminhouo diretamente ao CARF, conforme se verifica no protocolo de recebimento à folha 47. A recorrente teve ciência do acórdão de primeira instância em 03/05/2011 e teria até o dia 02/06/2011, quinta feira, para apresentação do recurso. O fato da recorrente ter apresentado o recurso diretamente ao CARF, desde que tempestivamente, não seria motivo para o seu não conhecimento. Ocorre que, embora o prazo para a apresentação do recurso fosse até 02/06/2011, quinta feira, o protocolo do CARF impresso na primeira folha do recurso indica que o recurso foi apresentado em 06/06/2011, segunda feira. Não há nos autos informação de que o recurso tenha sido encaminhado por via postal, bem como qualquer comprovante de que a postagem tenha ocorrido dentro do prazo recursal, ainda que dirigido ao CARF. A única informação existente nos autos é a de que o recurso teria sido apresentado em 06/06/2011, intempestivamente, portanto. Assim, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o conhecimento do recurso. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000694/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004
DIFPAPEL
IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15835/2001, por mêscalendário.
Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo.
Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limite-se ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo.
RECURSO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3202-000.298
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15835/2001, por mêscalendário. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo. Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limitese ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Editado em 08 de junho de 2011 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Antonio Spolador Junior. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de multas por falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune) de que trata o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 71, de 2001, alterada pelas IN SRF nos 101, de 2001, e 134, de 2002, no 4o trimestre de 2002, 1o a 4o trimestres de 2003 e 1o e 2o trimestres de 2004. Por ser optante do Simples, a empresa foi penalizada com a multa reduzida a R$ 1.500,00 por mês calendário, conforme estabelece o art. 505, parágrafo único do Decreto no 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI/2002). A descrição dos fatos iniciais encontrase no relatório componente do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que transcrevo e adoto, verbis: “Tratase de auto de infração para exigência da multa regulamentar no valor de R$168.000,00, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, merecendo destaque a Instrução Normativa (IN) SRF no 71, de 2001, e o art. 505, caput e parágrafo único do Decreto no 4.544, de 2002 (RIPI/02), cuja matriz legal é o art. 57, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória (MP) no 2.15835, de 2001. Por sua vez, a autuada, por meio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 41, apresentou sua impugnação de fls. 25/40, solicitando a improcedência da autuação sob os argumentos, em síntese, de que: houve descumprimento do disposto no art. 11 do Decreto no 70.235, de 1972, porquanto a capitulação legal da disposição legal infringida estava incompleta ao se referir apenas ao caput dos artigos citados no auto de infração, sem ter mencionado os parágrafos, incisos e alíneas daqueles artigos, o que não permitia à autuada conhecer com nitidez a pretensa infração lhe imputada, implicando flagrante cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade de todo o procedimento fiscal. Citou ementas de julgados do Conselho de Contribuintes que entendeu corroborar a sua assertiva; o auto de infração citava como base legal o Decretolei no 1.680, de 1979, dispositivo que fora revogado por normas posteriores, configurando, mais uma vez, descumprimento dos requisitos do art. 11 do Decreto no 70.235, de 1972; a multa aplicada feria os limites constitucionais ao poder de tributar, que devem aplicados também às penalidades, pois esta é elemento acessório da tributação; a autuação ofendia princípios da vedação do confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, da razoabilidade, da legalidade, aviltando a segurança jurídica; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13603.000694/200551 Acórdão n.º 320200.298 S3C2T2 Fl. 101 3 embora a destempo, a autuada entregara as declarações exigidas pelo Fisco, não tendo havido máfé nessa entrega; a única operação realizada pela autuada após o registro especial para operar com papel imune fora uma importação no valor de R$793,38 para atender a uma licitação vitoriosa de execução de serviço para a Petrobrás, no valor de R$1.500,00; a manutenção do valor excessivo da multa aplicada acarretaria o encerramento das atividades da autuada.” O julgamento de primeira instância foi objeto de decisão unânime da 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA no 0920.420, de 22/8/2008 (fls. 70/77), cuja ementa assim dispôs: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15834, de 2001, e reedição. Lançamento Procedente” O órgão julgador rejeitou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, quanto ao mérito, entendeu que com base no art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, que deu competência à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações acessórias, e por meio da IN SRF no 71, de 2001, que instituiu a obrigação acessória de entrega de DIFPapel Imune para as empresas incluídas no registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a fiscalização da SRF agiu corretamente ao exigir a multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.158 34, de 2001 (reeditada na MP no 2.15835, de 2001 e reproduzida no art. 505 do Decreto no 4.544, de 2002 Regulamento do IPI/2002), por atraso na entrega desse documento, mesmo no caso de não ter havido operações no período, conforme estabelece o art. 2o, parágrafo único, da IN SRF no 159, de 2002, razão por que considerou procedente o lançamento. A interessada apresentou recurso às fls. 81/96, no qual ratifica as alegações contidas em sua impugnação e requer seja acolhida a preliminar invocada ou, caso não haja tal acolhimento, seja dado integral provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Entendo que a preliminar suscitada, de nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, baseada na alegação de ter sido utilizada capitulação legal incompleta ou incorreta, foi bem enfrentada e afastada pelo órgão julgador de primeira instância, pelos motivos que foram suficientemente explicitados no acórdão. Demais disso, a legislação referida na peça básica tem extrema pertinência com os fatos objeto de autuação, o que possibilitou à autuada apresentar alegações de defesa razoáveis e compatíveis com a matéria litigada, não implicando qualquer cerceamento do direito de defesa. Por isso, rejeito a preliminar apresentada. No mérito, em face da competência para dispor sobre obrigações acessórias, que foi atribuída à SRF pelo art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, resta clara a legislação no que respeita à obrigatoriedade de apresentação da DIFPapel Imune no prazo definido no art. 11 da IN SRF no 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001, conforme estabelece o art. 12 da referida IN. A multa exigida tem plena aplicação às infrações da espécie, por se tratar de norma tributáriapenal destinada ao controle fiscal e com previsão expressa em lei, sendo descabida a sua inaplicação em foro administrativo em face de meras alegações de violação aos princípios da vedação do confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, da razoabilidade, da legalidade e da segurança jurídica, como pretende a recorrente. À vista da clareza dessa legislação não procedem as alegações da recorrente pertinentes aos aspectos constitucionais da penalidade, por se tratar de matéria cuja apreciação não compete à via administrativa. Cumpre observar que esse entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme se verifica da Súmula Carf no 2, aprovada pela Portaria Carf no 52/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispõe, verbis: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No entanto, com a superveniência da Lei no 11.945, de 4/6/2009, houve substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1o, verbis: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13603.000694/200551 Acórdão n.º 320200.298 S3C2T2 Fl. 102 5 § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade.” Esse dispositivo legal foi disciplinado pela IN RFB no 976, de 2009, que revogou a IN SRF no 71 e as INs que lhe alteraram a redação, e dispôs especificamente sobre a apresentação da DIFPapel Imune em seu art. 12, verbis: “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Verificase que a nova legislação é clara ao substituir a sistemática até então vigente, de imposição de penalidade por mêscalendário estabelecida pela Medida Provisória no 2.15834, de 2001, pela imposição de multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido (art. 1o, § 4o, II, da Lei no 11.945, de 2009 e art. 12, II, da IN RFB no 976, de 2009). De acordo com o que estabelece o art. 33, IV, da Lei no 11.945, de 2009, o art. 1o dessa Lei produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No caso em exame, em se tratando de processo pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, e com base no que dispõem a nova legislação e o dispositivo benigno de aplicação retroativa acima transcrito, voto por que se dê provimento parcial ao recurso voluntário, de forma que a exigência da multa vigente à época fique limitada a uma única vez por cada declaração trimestral não apresentada no prazo, apuração que resulta na quantidade de sete (7) multas de R$ 1.500,00 cada. José Luiz Novo Rossari Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 08/06/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10882.001987/2004-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1803-001.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “O Contribuinte foi excluído do Simples e disto teve ciência em 26/08/2004 (fl.26). Apresentou sua insurgência em 16/09/2004 (fls. 01/02), a qual, atuada, seguiu para esta DRJ em Campinas/SP, sem apreciação de mérito por parte da DRF origem (fl. 28). Argüia o Contribuinte: A SRF já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples, isso desde o pleito de adesão original. • A atividade por ele desenvolvida não se enquadraria entre aquelas vedadas pelo art. 9°, inciso XIII, da Lei no 9.317/96.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “CIRCUNSTANCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientifico próprio de profissional da engenharia é circunstancia que impede o ingresso ou a permanência no Simples.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A tabela de classificação fiscal é imposta aos contribuintes de forma genérica não permitindo em alguns casos a especificação detalhada da atividade a ser realizada, cabendo, da mesma forma, apreciação e requisição de demonstrações ao contribuinte, em casos de dúvida. b) É juntado o contrato de serviços prestados desde 2004 até o momento e última Nota Fiscal emitida para fins de comprovação dos serviços desempenhados (doc.01 a 05). Confirma o contribuinte não exercer atividade impeditiva com c auxilio de mão de obra qualificada, sendo os serviços executados relativos h manutenção de instalações elétricas (eletricista), trocas de lâmpadas e reparação dos fios elétricos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.001987/200497 Acórdão n.º 180301.321 S1TE03 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/04/2007 (AR de fls. 37). O recurso foi protocolado em 21/05/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. No comprovante de inscrição e de situação cadastral verificamos que a recorrente é uma sociedade simples limitada (fls. 5). No mesmo comprovante consta a seguinte descrição da atividade econômica: 45.41100 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas. O objeto da sociedade é a prestação de serviços de instalação e montagens elétricas, eletrônicas e hidráulicas; e a assistência técnica e manutenção de equipamentos. (fls. 10). A decisão recorrida analisou os elementos constantes do processo e concluiu que: (i) a partir do contrato social não é possível concluir que a contribuinte prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia; (ii) insuficiência das provas para demonstrar que sua atividade não é assemelhada a de engenheiro; (iii) como o Simples é um benefício fiscal, o ônus da prova é do contribuinte. De acordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, as provas devem ser trazidas na impugnação, não ocorrendo a preclusão do direito do litigante trazêla em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A recorrente anexou novos documentos para contrapor os fundamentos da decisão recorrida, que entendeu que os elementos apresentados na ocasião eram insuficientes para assegurar que sua atividade não pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia. Por conseguinte, as provas trazidas na fase recursal devem ser apreciadas, em face do disposto na alínea “c”, do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. A recorrente anexou aos autos contrato de prestação de serviços de manutenção predial, nota fiscal relativa à execução contratual. As provas anexadas demonstram que a recorrente executa serviços de manutenção predial. Ora, o exercício de tal atividade não é privativo de engenheiro, nem requer habilitação profissional legalmente exigida. Neste sentido, reproduzimos diversos precedentes deste Conselho: “SIMPLES EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÕES DE APARELHOS ELETRÔNICOS. DESNECESSIDADE DE Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. PROVA. Restado provado nos autos que os serviços prestados pelo Contribuinte são tipicamente de eletricista, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro elétrico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. (Acórdão nº 30133.488, sessão em 06/12/2006). SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. CONDICIONADORES DE AR, TELEFONES E INTERFONES. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES. Não demonstrado nos autos que há nas dependências da empresa atividade que requer habilitação profissional legalmente exigida, inaplicável se torna à vedação legal ao regime Simplificado.(Acórdão nº 30133829, sessão em 26/04/2007).” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10245.000858/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Helder Kanamaru e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.000858/200900 Recurso nº 920.664 Voluntário Acórdão nº 310201.537 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria Auto de Infração IOF Recorrente BEIJA FLOR SILVOPASTORIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Helder Kanamaru e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Kanamaru e Nanci Gama. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, no valor total de R$ 404.551,29, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2007. A autuação fiscal fundamentouse na falta de recolhimento do IOF incidentes sobre operações de crédito na forma de contratos de mútuo, concedidos a outras pessoas jurídicas. Cientificado do lançamento em 22/09/2009 apresenta impugnação em 22/10/2009 onde alega em síntese que: 1. o agente responsável pela fiscalização apresentou em 20/04/2009 à impugnante Termo de Início de Procedimento Fiscal e em 20/05/2009, dentro de suas possibilidades, houve a entrega de documentos, anexados aos autos, fls. 13 a 142; 2. a imprecisão da data de início da fiscalização no relatório de fiscalização trouxe confusão ao procedimento fiscal instaurado; 3. houve abuso de direito e quebra de sigilo quando foi efetuado requerimento à Junta Comercial, solicitando documentos que já tinham sido acostados ao processo através de apresentação pelo próprio contribuinte; 4. se o ato é praticado com excesso ou abuso de poder, é constituído em cima de ato que infringe a lei; 5. o MPF estabelece limites máximos de duração do procedimento fiscal, que é de 60 (sessenta) dias, podendo ser prorrogados por igual período de tempo, a Portaria RFB n° 11.371/2007 não poderia alterar este lapso temporal para 120 (cento e vinte) dias, ferindo o princípio constitucional da legalidade; 6. não foi observado o inciso IV do artigo 7o da Portaria RFB, sendo que o agente público tem seus atos vinculados e adstritos a determinações legais; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2007 ABUSO DE PODER. ARBITRARIEDADE. O procedimento fiscal obedeceu a forma prevista na legislação em vigor e o auto de infração lavrado preencheu todos os requisitos legais imprescindíveis para garantia do pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 3 3 de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa em parte os argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Restringe sua defesa à alegação de nulidade do PAF, por ter sido lavrado por “servidor desprovido de competência para fiscalizar a recorrente”. Assim entende, por não ter sido definido o “prazo de duração do MPFF com o objetivo e fiscalizar o IOF (...)”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Arguise preliminar de nulidade do Auto de Infração pela falta de definição do prazo para conclusão da fiscalização no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Penso que a decisão a respeito deva ser tomada à luz do que preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Tal como dispõe o artigo 59 do Decreto, devem ser declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Incontroverso, portanto, que a delimitação contida na norma impõe considerável restrição ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade, ainda mais porque o mesmo diploma legal, logo a seguir, afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tragam esse tipo de consequência aos atos praticados no curso do processo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Isto posto, é de se avaliar se a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal caracteriza alguma das situações especificadas como suficientes para a declaração de nulidade do procedimento fiscal levado a efeito, sendo elas (i) a ocorrência do cerceamento ao direito de defesa do contribuinte ou (ii) a prática de atos e termos por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Passo ao exame da primeira hipótese, o cerceamento do direito de defesa. Preambularmente, merecem destaque algumas questões de cunho geral, não adstritas à figura do Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto a elas, inicio por destacar que a fase litigiosa do procedimento, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração, nos termos do Decreto 70.235/72. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. A legislação pátria garante ao contribuinte, a partir deste momento, o direito de contraditar a exigência especificada no auto de infração no qual figura no pólo passivo, asseguradolhe o acesso aos autos, a obtenção de cópias, o direito a requerer perícias e o duplo grau de jurisdição, em decisões proferidas por colegiados compostos por servidores que não participaram do procedimento fiscal que deu origem à autuação e, em segunda instância, em composição paritária, na qual integram o Colegiado, em igualdade numérica, representantes da Fazenda Nacional e representantes dos contribuintes. Assim sendo, antes de adentrar à questão específica do Mandado de Procedimento Fiscal, é de se questionar, liminarmente, se, uma vez que é esse o sistema definido em lei e reconhecido pela sociedade para o processamento do contencioso tributário, haveria como, a priori, considerar que supostas falhas acontecidas ainda na fase de formalização da exigência pudessem acarretar a preterição do direito de defesa do contribuinte, se, uma vez impugnado o auto de infração, instaurase a fase litigiosa do procedimento, com a contestação das acusações contidas no processo, o que, de fato, no presente feito, efetivamente ocorreu e do que ainda agora estamos nos ocupando. Feita esta necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passamos, inobstante, ao exame das possíveis consequências advindas da falta de emissão do MPF ao direito de defesa do administrado. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de outras regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 4 5 Neste desiderato, a Portaria estabeleceu, em seu artigo segundo, que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) O artigo 11 especificava situações em que o MPF não seria exigido, incluindo a dispensa para os casos de procedimentos realizados dentro da repartição: de revisão aduaneira e de lançamento suplementar de revisão das declarações prestadas pelo contribuinte. Nessas duas hipóteses para as quais a dispensa foi prevista há em comum o fato de que o contribuinte é autuado em decorrência de um procedimento interno, praticado pela autoridade competente, sem a necessidade de intimação prévia para obtenção de documentos. Iniciase aqui, ao meu ver, a incongruência entre o pensamento que sugere a nulidade do procedimento instaurado sem a emissão do MPF e o arcabouço lógico identificado na norma de origem. Com efeito, se admitirmos que a ausência do Mandado é caso de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, como aceitar que a própria norma que o instituiu tenha previsto situações para as quais sua emissão estivesse dispensada? Fosse o Mandado, de per si, um instrumento essencialmente destinado à proteção do direito que o contribuinte tem de defenderse da imposição que lhe é exigida, e não se admitiria sua dispensa em nenhuma hipótese, como não se admite a subtração de qualquer outro procedimento que represente a proteção a esse inarredável direito do administrado. De fato, considerando apenas dos dois aspectos até aqui relatados, fica muito claro que o Mandado de Procedimento Fiscal está inserido dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento garantidor do direito de defesa. Se aceita sua efetividade na implementação das condições para os quais foi criado, é de ser reconhecer que ele atribui moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que a sua ausência representa preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Antes pelo contrário, a partir do momento em que o Mandado passou a ser exigido, é possível que administrado, a qualquer tempo, soliciteo à fiscalização, buscando assegurarse de que o procedimento está sendo praticado por pessoa que detém competência para tanto. Sua ausência não afasta esse direito, já que resguardada a possibilidade de o contribuinte certificarse, junto à repartição de jurisdição, que a fiscalização está sendo realizada por servidor competente, medida que até então não estava à disposição do contribuinte, já que a ação fiscal não dependia de ordem expressa da administração. De fato, há que se admitir que o Mandado de Procedimento Fiscal estabeleceu um canal de comunicação entre administrado e administração como um todo, reduzindo ou mesmo anulando a possibilidade de que ações autônomas possam ser praticadas, mas não há sentido, data máxima vênia, em cogitarse que a falta de sua emissão traga qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do administrado. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Superada a primeira questão, ocupome da segunda hipótese, qual seja, a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal produz algum tipo de consequência sob a competência do servidor para a prática do ato? Quanto a isso, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira. "Art. 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. "Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. "Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 5 7 Como se vê, existem, portanto, condições definidas em lei para a investidura no cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendolhe reservada a competência, em caráter privativo, de constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme prescreve o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Admitido isso, necessária indagação se faz em relação às situações em que, no exercício de sua atividade profissional, o Auditor exerce a atribuição à qual está vinculado por força de lei, sem que tenha sido emitido o documento que, nos termos da Portaria Ministerial, instaura o procedimento em si. Estaria o procedimento compulsoriamente praticado fadado à declaração de nulidade pela ausência do correspondente do Mandado de Procedimento Fiscal? Ou, por outro lado, a ausência do mesmo importaria em considerarse o procedimento não instaurado, já que, nos termos da Portaria 1.265/99, a instauração se dá com a emissão do Mandado? Para a primeira questão, encontrase resposta no artigo 5º da Portaria 1.265/99, que garante ao Auditor o exercício da sua competência mesmo que a empresa não tenha sido selecionada para fiscalização e que não haja Mandado de Procedimento Fiscal emitido. Art. 5º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRF deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 1º Para fins do disposto neste artigo, o AFRF deverá lavrar termo circunstanciado, mencionando tratarse de procedimento fiscal amparado por este artigo e contendo, no mínimo, as seguintes informações: (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) I dados identificadores do sujeito passivo; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) II natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos, bem assim o rol dos livros,documentos ou mercadorias objeto de retenção ou apreensão, se houver; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) III nome e matrícula do AFRF responsável pelo procedimento fiscal; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) IV nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 2º Do termo referido no parágrafo anterior será dada ciência ao sujeito passivo, sendolhe fornecida cópia. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) Quanto à segunda, no que diz respeito à instauração do procedimento fiscal em si, parece haver na norma infralegal uma aparente incompatibilidade com o comando expresso no Decreto 70.235/72. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Portaria SRF 1.265/72 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Decreto 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (grifei) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada Tratase, contudo, de um falso dilema, e a compreensão do significado e alcance de cada norma permite resolvêlo, assim como à controvérsia de que aqui nos ocupamos. Como já foi referido antes, a Portaria 1.265/99, propunhase, como ainda se propõe hoje a Portaria 4.066/07, à organização das atividades de fiscalização do contribuinte, desde a fase de planejamento até a de execução, conferindo às mesmas novos instrumentos de controle interno e externo. Elas têm propósito de cunho administrativo, ainda que com repercussão de longo alcance, na medida em que, como ocorre com outras normas infralegais, interferem decisivamente na vida o administrado. Tal como se extrai do texto antes transcrito, não há no enunciado normativo qualquer menção ao exercício das competências inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e nem às consequências que a ação do fisco acarreta ao contribuinte, mas exclusivamente disposições “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É por isso que, na Portaria, considerase instaurado o procedimento somente a partir da emissão do MPF, enquanto que, na Lei, o procedimento instaurase com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente. É que as Portarias estão destinadas à organização administrativa do Órgão, enquanto à lei compete regulamentar as relações fiscocontribuinte e as próprias competências da autoridade administrativa. Na data de emissão do MPF, considera instaurado o procedimento fiscal para todos os fins de controle interno da unidade local da Secretaria, mas o procedimento somente trará consequências para o contribuinte (a perda da espontaneidade, por exemplo) a partir do primeiro ato de ofício praticado por servidor competente e cientificado ao mesmo. Até então, o instituto da espontaneidade continua a disposição do administrado. Uma vez cientificado o contribuinte, independentemente de haver ou não MPF emitido (e isso fica mais claro na Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10245.000858/200900 Acórdão n.º 310201.537 S3C1T2 Fl. 6 9 medida em que há hipóteses em que o Mandado pode ser emitido depois de iniciado o procedimento ou mesmo não emitido), o contribuinte perde sua espontaneidade. Não há testemunho mais claro de que o exercício da competência legal do Auditor da Receita Federal do Brasil não se vincula a emissão do MPF, sendo esta uma providência de cunho exclusivamente administrativo. Por fim, cumpre ainda ressaltar que o exercício de toda atividade pública é regulamentado por legislação infralegal, na qual especificamse procedimentos que deverão ser observadas pelo agente público e pela administração como um todo. Contudo, a inobservância de tais requisitos não importará sempre a nulidade dos atos praticados. Tal conseqüência está adstrita às situações previstas em lei como suficientes para tal, que, no caso, são a preterição do direito de defesa do administrado e a prática de atos ou tomada de decisão por servidor ou pessoa incompetente. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 27 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/07/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10283.720554/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EMENTA: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN,, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto.
Numero da decisão: 1301-000.889
Decisão: Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado Redator o
Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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APOLONIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Ano calendário: 2003 Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio anocalendário da reiterada infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA SIMPLES – PIS/COFINS/CSLL/INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que s vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado Redator o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS/INSS e multa pela não comunicação de exclusão do Simples, valor total da exação R$.1.752.274,06 (incluídos juros de mora e multa de 75%), ano de calendário de 2003. Ciência dos autos deuse em 05/07/2008. A fiscalização descreveu as seguintes infrações (síntese do TVF): a) Omissão de Receitas (Receitas não escrituradas) obtidas através da comparação entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2005 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais (fls. 24 a 41); b) Insuficiência de recolhimentos para os meses de janeiro a dezembro de 2003 (fls.92/93); c) Falta de comunicação pela empresa da exclusão do Simples Federal (multa de R$ 10.062,97), fl. 96. Na impugnação de fls. 132 a 136, em síntese, alega: a) que é registrada no Simples Nacional e que apresentou DASN referente ao período de 01 de julho a 31 de dezembro de 2007; b) com relação aos autos de infração do PIS e COFINS por se tratar, no seu caso, de substituição tributária (Decreto Estadual 20.686) não cabe a cobrança ao revendedor; c) e, no caso de fornecimento de gás liquefeito não é diferente para o PIS e COFINS, pois o art. 43 da MP 199115 de 2000 e reedições pela MP 2.15825, com base na EC 32/01 sua alíquota é zero; d) com relação ao IRPJ e CSLL seria necessário, no seu entender, ao levantamento do lucro efetivo da empresa, considerando os custos e não com base no faturamento; e) por fim, com relação a multa de R$ 10.062,97 pela falta de comunicação da exclusão do sistema Simples Federal, no caso, alega que jamais excedeu o faturamento. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/BEL) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0120.330 de 11/01/2011, reconhecendo a decadência para os lançamentos anteriores ao mês de julho de 2008, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EMENTA: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN,, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração que exigem da recorrente os tributos integrantes do SIMPLES, nos meses do anocalendário de 2003, pelas infrações de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento, com multa de 75%, alem da multa no valor de R$ 10.062,97 por falta de comunicação da exclusão do Simples. Lançamento tributário relativo ao SIMPLES FEDERAL, decorrente de omissão de receitas oriundas do montante das vendas efetuadas pelo contribuinte, não escrituradas, de conformidade com as notas fiscais de saída de mercadorias. Registrese que encontrase apensado a estes autos, o Processo Administrativo Fiscal n° 10283.720556/200814, que trata de Representação Fiscal de Exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004. As argumentações trazidas no recurso são as mesmas da impugnação. Esclarece, preliminarmente, que exerce a atividade de revendedora de bebidas e gás liquefeito de petróleo e que sua exclusão do SIMPLES e a legislação pertinente, consubstanciada na IN/SRF 389, de 29/01/2004, determinou a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre as receitas auferidas na venda de bebidas e refrigerantes.As notas fiscais utilizadas para supedanear a fiscalização diz respeito à aquisição para revenda de bebidas, refrigerantes principalmente, e gás liquefeito de petróleo. Ressalta a proteção legal do Decreto Estadual 20.686 (arts. 110 e 112) e Decreto 2.637, de 25/06/1998, onde consta que haverá retenção na fonte de qualquer tributo por substituição tributária, inclusive PIS/COFINS, dessa maneira, entende, que ao revendedor nada há a ser cobrado. Aduz, mais, que com relação ao auto de infração da contribuição para o INSS esta foi totalmente recolhida no ano em referencia. Neste ponto, como bem assentado no voto ora combatido, incabíveis são as argumentações sobre substituição tributária das contribuições em favor do PIS e da COFINS, uma vez que estas não são contempladas para as empresas optantes do SIMPLES. Do mesmo modo, com referência à contribuição em favor do INSS, uma vez que as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL, recolhiam à Previdência Social, somente os valores descontados dos seus empregados, tendo em vista que a contribuição patronal estava abrangida no recolhimento único do SIMPLES, com base no faturamento da empresa, daí a cobrança da diferença a que se refere o auto de infração lavrado. Já com relação à argumentação de que o IRPJ e a CSLL estariam sujeitos à apuração do resultado, também cabe esclarecer ao litigante, que os recolhimentos desse imposto e dessa contribuição na forma que expressou nas suas argumentações de defesa são aplicáveis somente para as empresas optantes pela forma de tributação denominada Lucro Real, o que não vem ao caso, de acordo com a opção livremente exercida. Pelo que se vê do Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 6 presente processo a exclusão não se deu de forma retroativa, portanto, inatacável, assim, a decisão a quo, que entendeu correta a constituição dos créditos tributários dentro da sistemática do SIMPLES. Com relação às Notas Fiscais que o sujeito passivo alegou que foram canceladas, (fls. 135 e 136) a autoridade julgadora a quo procedeu ao exame de todas as notas fiscais que foram relacionadas na impugnação, e que se encontram anexadas ao processo nos volumes denominados Anexos I a V, e constatou que somente a NF n° 1385, no valor de R$ 14.700,00 emitida no mês de julho de 2003, fl 259, se encontra CANCELADA. Registrese no que toca à quantificação das omissões, que o Fisco fez englobar, na infração intitulada "OMISSÃO DE RECEITAS — RECEITAS NÃO ESCRITURADAS", as diferenças de valores obtidas através da comparação nota por nota, mês a mês, entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2003 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais, cujas cópias foram anexadas ao processo às fls. 27 a 41. Em fim, a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES é medida que se impõe quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na Lei 9.317/96. Uma vez constatado que o contribuinte ultrapassou seu limite de renda bruta, deveria o mesmo ter comunicado à Administração Tributária seu novo enquadramento, sob pena de ser excluído do programa, de ofício, o que de fato acabou por acontecer. O Ato Declaratório Executivo exarado pela SRE somente veio confirmar a ocorrência da situação e a exclusão do contribuinte de tal sistemática. Logo, com referência à multa aplicada sobre a falta de comunicação da exclusão da empresa do Sistema Simples, no valor de R$ 10.062,97, não há reparação a fazer, tendo em vista que restou comprovado que o faturamento da empresa naquele anocalendário superou o limite estabelecido na Lei n° 9.317/96, que era de R$ 1.200.000,00, e desse modo, estava obrigada a comunicar sua exclusão, conforme previsto nos arts. 13, inciso II e art. 21, da Lei n° 9.317/96. Compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal constatou, com base em respostas documentada pela própria autuada, que: “o contribuinte sob ação fiscal, não ofereceu à tributação as receitas das vendas efetivadas no ano de 2003, que deveria estar registrada no Livro Caixa, cuja escrituração, como aqui já afirmamos, é de natureza obrigatória para as empresas que optam pelo regime do SIMPLES. A referida apuração, com base nas notas fiscais de microempresa (cópias autenticadas), está demonstrada na planilha "Receita de Vendas no AnoCalendário de 2003". Frisase, ainda, que a referida empresa apresentou declaração simplificada (PJSI/2004), declarando somente como receita bruta mensal aquela decorrente de "Prestação de Serviços", num total anual de R$ 55.425,20 (Cinqüenta e Cinco Mil, Quatrocentos e Vinte e Cinco Reais e Vinte Centavos). Portanto, para o ano calendário de 2003, a empresa omitiu o valor das vendas apurado pela fiscalização, no total de R$ 7.188.035,10 ( Sete Milhões, Cento e Oitenta e Oito Mil, Trinta e Cinco Reais e Dez Centavos), o que ensejou o lançamento, na sistemática do Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 4 7 SIMPLES, do IRPJ e demais contribuições, calculados, mensalmente, sobre a receita omitida. Salientamos, também, que as únicas exclusões da receita bruta permitidas, para as pessoas jurídicas optantes pelo Simples, são as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos ( Lei n° 9.317, de 05/12/1996, art. 2o , § 2o ; Instrução Normativa n° 250, de 2002.” Constatase dos Demonstrativos de Apuração que acompanha os autos de infração (fls. 44 e ss.) que a fiscalização considerou nos cálculos dos valores apurados os recolhimentos efetuados durante o ano calendário. Lançamentos Reflexos. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Assim, considerando toda a análise realizada, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, para manter os lançamentos nos termos do decidido em primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 8 Voto Vencedor Por ser questão de ordem pública, levanto de ofício e peço vênia ao Relator do presente processo para discordar do entendimento esposado em seu voto bem elaborado voto para dele discordar, eis que ao proceder ao lançamento, a D. Autoridade Lançadora, entendo, deixou de cumprir com os requisitos previstos na Lei n. 9.317/96, para excluir o contribuinte do SIMPLES, qual seja, de infração reiterada, da exclusão do SIMPLES e da forma de tributação, prevista nos arts. 14, “V” e 15 “V” do referido diploma legal, que prevê: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...); V prática reiterada de infração à legislação tributária; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Inicialmente, é de fundamental importância tecer algumas observações a respeito do conceito de reiterada infração a legislação tributária para fins de exclusão do SIMPLES e sua distinção com o conceito de reincidência. A reincidência é instituto de Direito Penal, incorporado no ordenamento jurídico brasileiro desde o Império, haja vista previsão expressa do art. 16, § 3º, do Código Criminal do Império. Atualmente, a reincidência é tratada no art. 63 do Código Penal, verbis: Art. 63 Verificase a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Na doutrina, o tema é estudado no elenco da Teoria das Circunstâncias, sendo modalidade de agravamento da penalidade. Dessa maneira, a reincidência é assim conceituada: “(...) a reincidência perfazse pela prática de novo crime pelo agente, depois de transitada em julgado a sentença que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. (...) A reincidência, enquanto circunstância agravante, influi na medida da culpabilidade, em razão da maior reprovabilidade pessoal da ação ou omissão típica e ilícita (...)” 1 No âmbito Direito Tributário, aludido instituto foi incorporado no antecedente de normas atinentes às sanções tributárias administrativas, as quais possuem como antecedentes tanto o descumprimento de deveres instrumentais, como o não recolhimento das obrigações tributárias principais. 1 PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito penal brasileiro. Vol. I. 6 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. p.505. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 5 9 Isso se dá porque o Direito Tributário é um direito de sobreposição e pode internalizar no seu subsistema conceitos de Direito Penal, os quais podem servir de hipóteses para normas tributárias sancionadoras. No art. 13 do Decreto nº 70.235/72, a norma tributária processual estabelece a necessidade de se identificar o contribuinte reincidente no processo administrativo fiscal: Art. 13. A autoridade preparadora determinará que seja informado, no processo, se o infrator é reincidente, conforme definição da lei específica, se essa circunstância não tiver sido declarada na formalização da exigência. Notese que, no aludido dispositivo, o termo reincidência é utilizado no sentido de reincidência genérica, haja vista que não há a exigência de que o infrator infrinja a mesma regra jurídica. Na legislação do IPI, o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), introduz a reincidência específica como hipótese de agravamento de penalidade: Art. 560. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132 da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70). Porém, aqui, a reincidência é tratada na modalidade específica, isto é, para caracterização o infrator deve violar um mesmo dispositivo. Independentemente de a legislação tributária prever o instituto tanto na modalidade geral, quanto na específica, verificase que a legislação tributária incorporou o instituto da reincidência nos moldes estabelecidos pelo Direito Penal. Por sua vez, o termo “reiterada infração a legislação tributária” disciplinado no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, não se traduz em uma nova hipótese de reincidência tributária. Primeiramente, o art. 14 da Lei nº 9.317/96, ao dispor sobre as hipóteses de exclusão do regime, estabelece condutas negativas ou positivas que devem ser observada pelo contribuinte para o gozo do regime simplificado. Dentre tais condutas, está o dever de não infringir a legislação tributária sucessivas vezes. Logo, a exclusão do regime não constitui uma penalidade ou um agravamento, mas sim a impossibilidade de o contribuinte se beneficiar do regime quando não preencher os requisitos estabelecidos na lei. Surge então a primeira distinção entre a reincidência e prática reiterada à legislação tributária. Enquanto a primeira consiste em hipótese de agravamento de Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 10 penalidade, a segunda se apresenta como requisito para o aproveitamento do regime simplificado do pagamento de tributos. Talvez, a origem da confusão entre os dois institutos esteja na aproximação terminológica entre reincidir e reiterar. O termo reiterar, conforme pode ser verificado em diversos dicionários, traduz a idéia de se fazer mais de uma vez determinada ação ou voltar executar ação realizada anteriormente. Sendo assim, a conduta de infringir reiteradamente a legislação consiste em uma conduta que viola mais de uma vez legislação tributária cogente, seja pelo descumprimento de deveres instrumentais, seja por inobservância da legislação para apuração e pagamento do tributo. Ora, um contribuinte reincidente pratica, inequivocamente, reiterada infração à legislação tributária, vez que executa mais de uma vez conduta contrária a legislação tributária. No entanto, a recíproca não é verdadeira para aquele que comete reiterada infração à legislação tributária, pois, conforme o conceito anteriormente exposto, para que haja a reincidência o contribuinte tem que ter sido penalizado em processo anterior já definitivamente julgado. Assim, enquanto que a existência de processo anterior definitivamente julgado é requisito indispensável para caracterização da reincidência, a reiteração a legislação tributária, para os fins do inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96, pode ser reconhecida no mesmo processo. A segunda observação, diz respeito ao tratamento dado ao inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96 na jurisprudência do CARF. Pois bem, examinando a jurisprudência administrativa, verificase que o conceito de “prática reiterada”, vem recebendo tratamento uniforme. Vejamos alguns julgados: PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura prática reiterada de infração à legislação tributária a prática habitual e repetida de uma mesma infração, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente. Configurada a prática reiterada de inflação à legislação tributária, impõese a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência. (Primeira Seção, 1ª Câmara, acórdão nº 110200262, sessão de 05/07/2010). SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples por causa de prática reiterada de infração tributária produz efeito ex tunc em vista do contribuinte ter optado por regime de tributação diferenciado e favorecido. Tratase de regime de apuração de tributos e opção regidas pelas normas tributárias que devem ser observadas Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 6 11 rigidamente, não se admitindo a omissão de receitas. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.361, sessão de 08/11/2010). SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES. Procede a exclusão da empresa da sistemática do Simples comprovado que reiteradamente omitiu, na DIPJ e na contabilidade, receitas recebidas, não oferecendoas à tributação. .(Primeira Seção, acórdão nº 180100.360, sessão de 08/11/2010). SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão nº 101 96.630, sessão de 07/03/2008). EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 8ª câmara, acórdão nº 10809.801, sessão de 18/12/2008). No entendimento deste Conselho, o inciso V do art. 9º da Lei nº 9.317/96, deve ser interpretado quando o contribuinte pratica sucessivas infrações que podem, inclusive, ocorrer no mesmo anocalendário. Ressaltese que a ocorrência de sucessivas infrações pode ocorrer de dois modos: a) quando ocorre mais de um tipo de infração, exemplo: omissão de receitas e falta de escrituração de livro caixa; b) ocorrência de uma única infração em vários períodos consecutivos, exemplo: omissão de receita em meses seguidos. Ademais, no julgamento do recurso voluntário nº 339.032, a Primeira Câmara da Primeira Seção, por meio do acórdão nº 110200262, julgado em 05/07/2010, perfilhou entendimento análogo ao aqui defendido: Quanto ao segundo motivo constante do Ato Declaratório de Exclusão prática reiterada de infração à legislação tributária, é fato que a Lei n° 9.317/96 não define expressamente o seu conceito. Contudo, não procede a analogia proposta pela recorrente com o instituto da reincidência, conforme definido na legislação de regência do IP1 (art. 70 da Lei n° 4.502/64). Para a configuração da reincidência, nos termos daquele artigo, é necessário que exista decisão condenatória definitiva referente à infração anterior. Confirase o teor do citado artigo: "Art . 70_ Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 12 ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior” A exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei IV 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confirase os dispositivos em questão: "Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; ... VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva” Assim, afastase a pretensa analogia da reincidência com a "prática reiterada". Tratamse de institutos distintos, estando um expressamente definido em lei, e o outro não. Os dicionários definem o termo reiterar como "repetir", "renovar", "refazer". Contudo, seria uma leviandade entender que, para a configuração da prática reiterada de infração, bastariam duas ocorrências de uma mesma infração. Pareceme que um bom caminho para interpretar o que se deva entender por "prática reiterada" encontrase no CTN, que utiliza esta expressão no seu art. 100, verbis: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos. (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas.” Ora, as práticas reiteradas das autoridades administrativas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. E vejase que aqui também não há uma definição de quantas vezes ela precisa ser repetidamente observada para que se constitua em uma "prática reiterada. Assim, entendo que, para fins de exclusão de uma empresa do Simples, deve se verificar se a prática da inflação em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume, E esta análise somente poderá ser feita caso a caso. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 1301000.889 S1C3T1 Fl. 7 13 Por fim, convém observar que os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração, no caso do Simples, devem ser mensais, seja porque o período de apuração do Simples é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a retroação da exclusão deve ser feita ao mês de ocorrência do fato em questão. No caso concreto, verificouse que a recorrente movimentou, de forma contumaz e contínua, durante todos os meses do ano calendário, vultosos recursos, os quais foram mantidos à margem da contabilidade por meio do uso de conta corrente de interposta pessoa, Desta forma, configurada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme imputada pela autoridade administrativa que expediu o ADE de fls.. 81. Assim, nos termos do que dispõe o art. 15 da Lei n° 9.317/96, este fato enseja a exclusão da recorrente do Simples a partir do próprio mês de sua ocorrência, ou seja, a partir do mês de janeiro de 1998, exatamente como consta no Ato Declaratório ora contestado. No presente caso, a fiscalização constatou a Omissão de Receitas (Receitas não escrituradas) obtidas através da comparação entre as receitas declaradas na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2003 e os valores constantes no somatório das Notas Fiscais (fls. 24 a 41); insuficiência de recolhimentos para os meses de janeiro a dezembro de 2003 (fls.92/93), bem como, falta de comunicação pela empresa da exclusão do Simples Federal (fl. 96). Ou seja, o recorrente praticou sucessivas omissões de receitas entre os meses de janeiro a dezembro de 2003, configurando inequívoca prática reiterada de infração a legislação tributária. Desse modo, ao omitir sucessivas receitas em todo anocalendário de 2003, a recorrente deixou de cumprir um dos requisitos para permanência no regime especial de pagamento simplificado de tributos, qual seja: absterse de praticar sucessivas violações a legislação tributária. Realmente, estamos diante da hipótese de aplicação do art.14, inciso V, cumulado com art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96, que determina a exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos a data da ocorrência da primeira infração. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo que houve a ocorrência da hipótese de exclusão do SIMPLES, pela prática reiterada de infração a legislação tributária, subsumindose a hipótese prevista no art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Logo, a fiscalização deveria ter excluído a recorrente do SIMPLES e procedido à lavratura do auto de infração com base nas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos moldes do art. 16, verbis: Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI 14 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Desse modo, verificase que o lançamento em apreço incorreu em erro material insanável na apuração do tributo devido, motivo pelo qual o considero totalmente improcedente. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 1212 de abril de 20122. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assin ado digitalmente em 07/05/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16643.000338/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS.
Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de blisterização não se caracteriza como específico processo de produção a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96.
Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção.
Numero da decisão: 1301-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Fez sustentação oral: Dra. Raquel do Amaral Santos, OAB/SP n° 171.622.
(Assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS. 1 Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de “blisterização” não se caracteriza como específico processo de “produção” a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96. 2 Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação oral: Dra. Raquel do Amaral Santos, OAB/SP n° 171.622. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 38 /2 01 0- 16 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Da leitura da decisão de primeira instância, extraemse os seguintes apontamentos em relação aos autos: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1220/1227, em fiscalização empreendida junto 5 empresa acima identificada, acerca da apuração dos preços de transferência nas importações, relativos ao anocalendário de 2006, constatouse o seguinte: DOS FATOS E DAS VERIFICAÇÕES FISCAIS No anocalendário sob exame, a contribuinte realizou operações de importação com pessoas vinculadas no exterior, estando sujeita ao controle fiscal dos preços de transferência. A fiscalização constatou, analisando as informações e os elementos apresentados pela contribuinte, que ela calculou um ajuste de R$ 269.852,59, usando o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de lucro de 60% (PRL60). Destaca a fiscalização que a contribuinte não lhe forneceu os papéis de trabalho e memórias de cálculo para comprovação dos preços de transferência conforme determina os incisos I e II do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. DO CALCULO DO PREÇO DE TRANSFERENCIA PELA FISCALIZAÇÃO A fiscalização relaciona, às fls. 1220verso e 1221, os dados e informações fornecidos pela contribuinte no decorrer do procedimento fiscal, e apresenta, 5 fl. 1221verso, um fluxograma que demonstra o caminho percorrido pelo insumo, desde a importação até sua efetiva saída (revenda ou consumo interno na produção de produto intermediário ou acabado destinado à venda posterior). De posse dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização iniciou o trabalho de análise dos elementos apresentados. Diante do grande volume de dados relativos à importação, a fiscalização selecionou para análise, por amostragem, 80% dos itens importados de pessoas vinculadas. Da análise dos dados selecionados, a fiscalização constatou a ocorrência de importação de medicamento semielaborado na forma de comprimidos a granel, faltando a conclusão do processo de embalagem primária e secundária. Embalagem é o conjunto de operações, processos, materiais, equipamentos e mãode obra, utilizado com a finalidade de acondicionar, proteger, informar, facilitar o uso, Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 3 3 agregar valores, vender e transportar o produto acabado até os pontos de venda e utilização, atendendo às necessidades da população, proporcionando segurança à mesma. Embalagem primária: deve conter o medicamento, proteger o produto e fornecer inviolabilidade, informar e identificar o produto, o lote, a data de fabricação e validade, facilitar o uso com indicações para abertura. Um tipo de embalagem primária é o blist moldada com cavidades dentro das quais as formas farmacêuticas são armazenadas D ISPI Embalagem secundária: deve conter a embalagem primária. Tratase de uma caixa de apresentação do produto, com a aposição da marca, nome comercial do medicamento, instruções, bula. Embalagem terciária (embarque): é a embalagem que facilita o transporte e tem Por característica a integridade física da embalagem secundária. Destaquese que cada modelo de embalagem de apresentação recebe um código especifico de identificação. Os produtos importados pela contribuinte passam por etapas de produção no Brasil, havendo agregação de valor (embalagem primária e secundária). Por conseguinte, somente podem ser adotados os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), CPL (Custo de Produção mais Lucro) e PRL60. DA INFRAÇÃO APURADA Para o cálculo dos preços de transferência relativos aos produtos supracitados, a fiscalização adotou o método PRL60. Os preços praticados foram calculados com os valores constantes dos documentos de importação (Declaração de Importação — DI), por código de produto. Os valores dos produtos importados de pessoa vinculada foram ponderados com os valores dos estoques iniciais registrados no Livro Registro de Inventário Modelo 7. Os cálculos foram realizados segundo os artigos 3° e 4°, § 40, da IN SRF no 243/2002. A fiscalização procedeu ao cálculo dos preçosparâmetro usando o método PRL60, previsto na alínea "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF no 243/2002, pois tratase de bens importados aplicados à produção. A metodologia utilizada foi a prevista no § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A contribuinte importou comprimidos a granel, que, pela peculiaridade do negócio farmacêutico, são consumidos na produção de um ou mais medicamentos com embalagem de apresentação. É normal a existência de embalagem de apresentação acondicionando 28 cápsulas (na forma de 4 blisteres x 7 cps) ou embalagem com 30 cápsulas (na forma de 3 blisteres x 10 cps). Para cada embalagem de apresentação, a contribuinte adotou uma codificação distinta, pois para cada embalagem temos um produto acabado diferente. É bastante comum na indústria farmacêutica a importação de produtos (principio ativo e semiacabado) de vinculada e sua aplicação na produção de produtos com diversas embalagens de apresentação. Desse modo, para um mesmo item importado, devese Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 calcular vários preçosparâmetro intermediários, pelo método PRL60, sendo o preçoparâmetro final determinado pela média ponderada em função das quantidades consumidas e vendidas para pessoas nãovinculadas, pois não se admite que um insumo importado tenha mais de um preçoparâmetro. Assim procedendo, a fiscalização apurou, utilizando o método PRL60, ajuste adicional no montante de R$ 117.636.473,39, já considerando os ajustes constantes da Processo 16643.000338/201016 DR /SP1 Acórdão n.° 1630.604 DIPJ/2007 relativos aos produtos objeto de autuação (produto Starlix FCT 1 141.656,32, fl. 106), conforme demonstrativo de fl. 1226verso. DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2006: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 07/12/2010 (fls. 1207 e 1212), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 1390), apresentou, em 05/01/2011, a impugnação de fls. 1315/1359, alegando, em síntese, o seguinte: DESCABIMENTO DA DESCONSIDERAÇA0 DO METODO PRL20 NOS CASOS DE SIMPLES ACONDICIONAMENTO (EMBALAGEM, BULA E LACRE DE SEGURANÇA) Registrese, de inicio, que a adoção de procedimentos de acondicionamento somente é adotada pela contribuinte em razão de exigências da legislação brasileira, já que em outros países é permitida a venda de produto a granel para as farmácias, que efetuam as vendas exatamente nas quantidades indicadas para cada paciente. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 4 5 A impugnante entende que o procedimento de embalagem do produto no Brasil, sem qualquer processo de transformação ou alteração em suas características, permite a aplicação do método PRL20, pois não há, propriamente, a "produção" a que alude o artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei n°9.430/96. Os dispositivos que tratam do método PRL não se referem à "industrialização” conceito estabelecido pelo artigo 4° do Regulamento do !PI (Decreto n° 4.544/2002) , e ao termo "produção", sem definilo. De qualquer forma, não há razão para se imaginar o conceito de "produção" tão amplo quanto o de "industrialização". É de se imaginar que a expressão "produção", mencionada pela lei, deva ser entendida como a etapa após a qual o produto importado sofra tamanha mudança, que já não mais é possível dizer que se trata daquele mesmo produto. Nesse sentido, não pode ser considerado "produção" o mero processo de acondicionamento, conquanto este seja um processo industrial. No caso vertente, é evidente a inexistência da alteração dos bens importados pela contribuinte, os quais, após serem alocados em blisteres e em caixa de papelão (no caso de comprimidos a granel), continuam sendo os mesmos. As embalagens em que a contribuinte alocou os produtos importados – em substituição às embalagens originais, utilizadas pelo exportador — não se destinam a complementar o produto, senão viabilizar a sua comercialização. Com relação ao critério de agregação de valor, todavia, devese têlo por estranho à caracterização da "produção". É que toda atividade desempenhada pela empresa, ainda que exclusivamente revendedora, implica agregação de valor. O trabalho, qualquer que seja, agrega valor ao bem, mesmo quando destinado à revenda. Descabe também a eventual argüição com base na diferença entre os "part number' relativos aos produtos importados antes e depois do acondicionamento. Se a contribuinte escolhe, em busca de melhor organização, classificar sob códigos diferentes os produtos acondicionados na embalagem original e aqueles acondicionados na nova embalagem, disso não decorre qualquer transformação no produto, que justifique a identificação de processo de produção. Cumpre, ainda, observar a Solução de Consulta Cosit n° 22/2008 (ementa às fls. 1326/1327), na qual o próprio Fisco asseverou que o acondicionamento não transforma o bem, não lhe agrega valor e, portanto, permitiria a aplicação do método PRL20. Essa conclusão poderia ser questionada, na linha da solução de consulta supracitada, se houvesse a aposição de marca, esta sim capaz de agregar valor a um produto. Mas, agregação de valor é irrelevante para a caracterização da produção. Ainda que houvesse a aposição de marca, com aumento do valor do bem, a produção não restaria caracterizada, ante a inexistência de transformação do produto. Mas, mesmo se assim não fosse, o acondicionamento realizado pela impugnante não envolve a aposição de merca. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Por fim, cumpre observar que o entendimento da contribuinte no sentido de que não há, no acondicionamento, qualquer alteração do produto, mas apenas na forma de sua apresentação ao consumidor, inexistindo agregação de valor — é confirmado pela doutrina (fl. 1329) e pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes (ementa às fls. 1329/1330). ILEGALIDADE DA SISTEMÁTICA DE APLICAÇÃO DO MÉTODO 60 PREVISTA NA IN SRF N° 243/2002 A autoridade fiscal ignorou as memórias de cálculo apresentadas pela impugnante referentes à aplicação do método PRL60, elaborando um novo cálculo, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF no 243/2002. O mesmo procedimento foi adotado quando da desconsideração, para alguns produtos, do PRL20 (item anterior). Ocorre que os ajustes com base na sistemática trazida pela IN SRF n° 243/2002 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei n° 9.430/96. As diferenças entre as sistemáticas da Lei n° 9.430/96 e da IN SRF n° 243/2002 acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de transferência segundo o método PRL60. Como resultado, despesas que são dedutiveis segundo uma sistemática passam a ser indedutiveis segundo a outra. Diante dessa divergência de sistemáticas, é inconteste a prevalência da sistemática estabelecida pelo texto legal (Lei n° 9.430/96), em razão do principio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária. A MP n° 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei n° 9.430/96, a sistemática de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002. Para a impugnante é claro que o intuito do legislador, ao editar a referida MP, foi o de criar uma disciplina jurídica nova, cuja vigência abrangeria apenas os fatos posteriores a sua entrada em vigor (ou, melhor dizendo, fatos ocorridos a partir do ano seguinte conversão da MP n° 478/2009 em lei, em atenção ao disposto no artigo 62, §2° da CF/88). Essa também é a conclusão a que se chega a partir da leitura da Exposição de Motivos da MP n° 478/2009, que indica a necessidade de "instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa". Com isso, fica evidente que a sistemática de cálculo do método PRL60 prevista na IN SRF n° 243/2002 somente poderia prevalecer se a MP n° 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição. A ilegalidade da referida sistemática já foi, inclusive, reconhecida pelo Poder Judiciário. Ao julgar a apelação cível n° 003404852.2007.4.03.6100/SP, o TRF da 3° Região afastou a aplicação da IN SRF n°243/2002 para o método PRL60 (fls. 1338/1339). SUBSIDIARIAMENTE: FRETE, SEGURO E IMPOSTOS Na remota hipótese de não se concluir pela ilegalidade da sistemática de cálculo do PRL60 prevista na IN SRF no 243/2002, ao menos os ajustes perpetrados no Auto de Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 5 7 Infração deverão ser reduzidos, a fim de que se considere, no preço praticado nas importações da impugnante, o preço FOB, ou seja, sem a inclusão dos custos relativos a tributos, frete e seguro, pois esses custos não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo artigo 18 da Lei n° 9.430/96. A interpretação lógica do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 conduz à convicção de que a expressão "para efeito de dedutibilidade" indica, na verdade, uma confirmação da regra do caput, no seguinte sentido: já que os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não estão sujeitos aos limites do caput, eles deverão integrar o custo, de apuração do lucro real. Há que se destacar, ainda, a ilegalidade da IN SRF no 243/2002, ao determinar a inclusão do custo CIF no preço praticado (artigo 4°, § 4°). No referido artigo 4°, § 40, da IN SRF n° 243/2002 omitiuse a expressão "para efeito de dedutibilidade", constante do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, e, ainda, trocouse a expressão "custo" (conceito contábil) por "preço praticado" (conceito de transação controlada pelos preços de transferência). Dessa forma, deve ser reconhecida, desde logo, a impossibilidade de se justificar a inclusão dos valores de frete, seguro e impostos no preço praticado, para fins de apuração do método PRL, com base na IN SRF n° 243/2002. Por fim, cumpre definir qual mecanismo deve ser adotado para que a neutralidade dos valores de frete, seguro e tributos seja alcançada. No caso do acórdão n° 10809763 (fls. 1340/1341), a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes optou por adicionar os referidos valores ao preço parâmetro. A elucidação matemática do que determinou o referido acórdão está a seguir demonstrada: Com a adição do custo de frete, seguro e impostos sobre a importação incorridos na importação ao preçoparâmetro, assegurouse a neutralidade, a seguir demonstrada: Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Vejase que os custos CIF incorridos na importação foram anulados pela adição determinada pelo julgador. E mais, o julgador pouco se importou com o CIFrep, pois ele naturalmente faz parte do preço de revenda. Ainda, considerandose que o § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 não distingue qualquer método (aplicase igualmente a todos), somente seria possível concluir pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no preço praticado se essa mostrasse sustentável para os 3 métodos (PIG, CPL e PRL). Mas a inclusão do custo CIF no preço praticado no caso do método CPL geraria situações absurdas, conforme demonstrado As fls. 1355/1356. Nesse caso, a equivalência das grandezas comparadas jamais seria atingida. Não bastasse isso, a inclusão de frete, seguro e tributos sobre as importações, até mesmo a importação a preço zero teria ajuste, conforme a seguir exemplificado: Por todo o exposto, concluise que devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela autoridade fiscal para a aplicação do PRL60. Como conseqüência, a base de cálculo do Auto de Infração deverá ser reduzida, considerando o preçoparâmetro FOB. CONCLUSÕES E PEDIDO A impugnante apresenta suas conclusões 5 fl. 1358, e requer, por todo o exposto, que o Auto de Infração seja cancelado. Requer, ainda, que as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, bem como enviadas cópias à impugnante, protestando, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. A par dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada nos autos, a douta autoridade de primeira instância conclui sua decisão, julgando improcedente a impugnação e, assim, mantendo integralmente o lançamento efetivado, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 6 9 PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20: O método do PRL20 (Prego de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no Pais, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a contribuinte no dia 19/08/2011 do inteiro teor da decisão proferida, apresentou então, no dia 19/09/2011 o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão de origem, aduzindo, para tanto, os seguintes pontos: Que os procedimentos apontados pela fiscalização são obrigatórios para a comercialização daqueles produtos no Brasil; Que as operações apontadas não se subsumem ao conceito de “produção” apontado pelas disposições do Art. 18, II, ‘d’, item 1 da Lei 9.430/96; A distinção conceitual entre “produção” ( Art. 18, II, alínea ‘b’ da Lei 9.430/96) w “industrialização” (Decreto 4.544/02 – RIPI); A inexistência de alteração das qualidades do produto no caso tratado nos autos, tendo em vista sua efetivação apenas como exigência da legislação interna; Ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 da IN 243/2002; Em caráter subsidiário, a impossibilidade de inclusão dos custos de frete, seguro e tributos, em decorrência da aplicação do preço FOB. Após a interposição do recurso voluntário, verificase ainda a apresentação, pela PGFN, de suas competentes Contrarazões, destacando, dentre outros apontamentos, os seguintes: Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 10 A configuração do processo de “blisterização” como efetiva produção, nos termos apontados pela fiscalização; A existência de agregação de valor, independentemente da aposição da marca; A legalidade do PRL60 conforme a IN 243/2002; Aplicação do preço CIF, e não o preço FOB É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. A discussão travada nos autos referese à validade, ou não, do ato praticado pela contribuinte que, quando da importação de produtos farmacêuticos de empresa a ela vinculada no exterior, promove processo específico, voltado à blisterização e à colocação de caixa de papelão – com a aposição da respectiva marca , para fins garantir a possibilidade de comercialização do produto no Brasil, aplicando, na apuração de preço de transferência, a sistemática indicada como PRL20 (Preço de Revenda menos o Lucro – margem de lucro 20%), ao passo que, no entender da fiscalização, sendo o mencionado processo específica hipótese de “produção”, não poderia ser aceita a aplicação da referida metodologia, mas sim a do PRL60, com as conseqüências, então, que se lhe fazem pertinentes. O cerne da questão, como se verifica, envolve a solução do debate quanto à caracterização – ou não – das operações praticadas pela empresa como se “produção” efetiva, ou se de mera adequação do produto para a comercialização interna, sendo daí, então, decorrente a solução para a questão apresentada. Tendo em vista a importância do dispositivo para o deslinde da questão, destacamos as disposições originárias do apontado Art. 18 da Lei 9.430/96, que, à época dos fatos tratados nos autos, assim se apresentavam: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 7 11 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. Como se verifica da leitura dos dispositivos apresentados, a identificação do método de apuração de margem de lucro a ser aplicada na definição do chamado “preço de transferência” mantém íntima relação com a razão fundamental da importação realizada, sendo certo que, em caso de aplicação do bem importado à produção de bens/produtos no Brasil, aplicase a margem de 60% (sessenta por cento), ao passo que, em quaisquer outras hipóteses, a margem de lucro a ser considerada é, então, a de 20% (vinte por cento). Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 12 A argumentação trazida pela contribuinte, a todo instante, voltase à impossibilidade de caracterização das operações por ela realizadas como se de efetiva “produção”, traçando relevante distinção entre esta e a “industrialização”, conforme, inclusive, antes especificamente destacado, ao passo que, na visão da Procuradoria, a hipótese apresentada amoldarseia, perfeitamente, à configuração da apontada “produção”, devendo, assim, ser mantido o lançamento efetivado. Destacado, então, o cerne da questão tratada nos presentes autos, imperiosa assim se faz a análise a respeito dos procedimentos promovidos pela contribuinte nos produtos importados, buscando identificar, assim, a adequada subsunção entre os conceitos do fato e da norma. A respeito das operações praticadas pela contribuinte e consideradas pela fiscalização, relevante se faz o destaque de que, tanto os argumentos apresentados pelas próprias autoridades fiscalizatórias quanto a contribuinte/fiscalizada apontam que, na importação de produtos advindos de empresas a ela ligadas, na forma de comprimidos a granel, à contribuinte impõese a necessidade de alteração da forma de apresentação do produto, referente à colocação em blísteres e caixas (embalagens primária e secundária). A questão então que se impõem é a de verificar se as operações, da forma como realizadas, caracterizam, ou não, efetiva “produção” – como continuidade/finalização, do processo de industrialização iniciado no exterior , ou se de mero acondicionamento para a comercialização no país. Analisando todas as considerações apresentadas, e, de acordo com as normas regentes da matéria, entendo, com a devida vênia, assistir razão à contribuinte, tendo em vista que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, não se trata, de forma alguma, em qualquer processo de alteração do produto final comercializado, mas sim, apenas e tão somente de procedimento voltado ao atendimento de normas internas aplicadas à comercialização específica do produto importado, que, em absolutamente nada, representa alteração em sua substância. Nessa linha, a par dos valorosos argumentos trazidos pela fiscalização, e, ainda, apresentados pela r. decisão de primeira instância ou mesmo nas razões aduzidas pela douta procuradoria, entendo que, na linha destacada pelas resposta de consultas trazidas pela contribuinte, e, ainda, de acordo com os argumentos por ela mesma apresentados, a introdução dos referidos comprimidos (importados à granel) em embalagens exigidas pela vigilância sanitária brasileira não pode, de forma alguma, ser considerada como procedimento de produção, agregando valor ao produto, a ponto de exigir a aplicação da sistemática do indicado PRL60, da forma como pretende a douta fiscalização. Diante dessas razões, concluo pela impossibilidade de configuração, na presente vertente, da hipótese de aplicação do produto importado na produção, da forma como apontado pelo art. 18, II, ‘d’ da Lei 9.430/96, sendo, portanto, inaplicável a margem de lucro sob o percentual de 60% (sessenta por cento), da forma como pretendido pela fiscalização, destacando, portanto, a completa improcedência do lançamento efetuado. Assim sendo, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, desconstituindo, assim, integralmente, o lançamento efetivado, nos termos aqui especificamente destacados. É como voto Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301000.995 S1C3T1 Fl. 8 13 (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10120.003489/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL.
O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada - com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/996 - é incompatível com o reconhecimento, inclusive por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural.
Numero da decisão: 9202-001.944
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada - com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/996 - é incompatível com o reconhecimento, inclusive por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural.
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ATIVIDADE RURAL. O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/996 é incompatível com o reconhecimento, inclusive por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e eu, Afonso Antonio da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.412 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01269, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 01257, que decidiu, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o Acórdão 10422.820, de 08/11/2007, e sanar o lapso manifesto apontado a fim de dar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL – O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42, da Lei n". 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Embargos Inominados opostos por NELSON MALLMANN. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Inominados para, retificando o Acórdão 10422.820, de 08/11/2007, sanar o lapso manifesto apontado para DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há interpretações divergentes sobre a questão, nas decisões constantes dos acórdãos 10615721 e 106 16134; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. Em casos idênticos as Turmas deste Conselho decidiram de forma divergente; 3. O contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação da origem dos valores depositados, nem logrou demonstrar, por documentação hábil e idônea, que tais valores derivariam da atividade rural (em oposição ao que sustenta o acórdão recorrido); 4. Não se pode depreender, do conjunto probatório, quais eventos constituiriam a real origem dos montantes objeto da movimentação financeira, ônus este a cargo do contribuinte; 5. A afirmação, contida na decisão ora recorrida, de que a fiscalização teria "reconhecido" que "ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural" não encontra guarida nos autos; 6. Portanto, a reforma do julgado é medida que se impõe; 7. Ante o exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, restabelecendose a decisão de primeira instância administrativa. Por despacho, fls. 01344, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01349, argumentando, em síntese, que: 1. Nos autos está comprovado, como decidido pelo acórdão recorrido, que os depósitos eram originados da atividade rural; 2. Essa verdade é comprovada pela fiscalização, que dividiu os recursos pelo número de integrantes da atividade agrícola; 3. O próprio Art. 42 afirma que a tributação, quando comprovada a origem, deve ser feita em conformidade com a legislação específica; 4. As decisões dos acórdãos paradigmas deram razão aos seus respectivos recorrentes, conforme documentos em anexo; 5. Está comprovado nos autos que todos os valores são originários da atividade rural; 6. Por todo exposto, pedese que o recurso especial seja julgado totalmente improcedente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.413 5 Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Na análise dos autos chegase à conclusão que o acórdão recorrido chegou ao decidido pelo entendimento de que se o interessado possui como única fonte a atividade rural caberia ao Fisco – para utilizar a presunção prevista no Art. 42, da Lei 9.430/1996 – demonstrar que essa não é sua única fonte de renda ou tributálo pela legislação específica da área rural. Esse entendimento, a nosso ver, possui base na própria Lei 9.430/1996. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ... § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O acórdão recorrido chegou à sua conclusão, em síntese: 1 Pelo Fisco não ter descaracterizado a fonte de rendimentos como rural; 2 Pela declaração de rendimentos do recorrente indicar como única fonte a atividade rural, fls. 0714; e 3 Pelo próprio Fisco informar que os valores são oriundos de conta de condomínio rural, fls. 0774. Portanto, como corretamente chegou à conclusão o acórdão recorrido, caberia ao Fisco descaracterizar a condição de que esses valores não eram da atividade rural, procedimento não adotado, a fim de não utilizar as normas presentes na legislação específica e utilizar a presunção da Lei 9.430/1996. Cabe destacar trecho do voto do acórdão recorrido, do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann: Esta Quarta Câmara há muito vem decidido, por maioria de votos, que quanto se tratar de contribuinte com uma única fonte Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.003489/200581 Acórdão n.º 9202001.944 CSRFT2 Fl. 1.414 7 de rendimentos e seja esta, comprovadamente, decorrente da atividade rural os depósitos bancários devem ser tributadas comose oriundos desta. Não tenho dúvidas, que pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede à pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. É de se observar, que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, a própria fiscalização classificou como sendo os depósitos bancários oriundos de um condomínio de exploração agropastoril formado pelos cinco irmãos. Da análise dos autos, principalmente das declarações de imposto de renda dos exercícios questionados, se constata que os rendimentos tributáveis do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Por fim, quanto às turmas terem decidido de forma diversa em casos idênticos, cabe ressaltar que esses casos poderão, ainda, ser apreciados pela CSRF, portanto, essas decisões não são definitivas, e mesmo que fossem, não possuem efeito vinculante. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13863.000309/99-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO.
Deve ser reconhecido o direito creditório apurado em diligência fiscal quando comprovado os recolhimentos indevidos do IRPJ, com base em elementos constantes dos DARFs e da DIRPJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.657
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Nelson Losso Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. Deve ser reconhecido o direito creditório apurado em diligência fiscal quando comprovado os recolhimentos indevidos do IRPJ, com base em elementos constantes dos DARFs e da DIRPJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e André Almeida Blanco (conselheiro substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 258 2 Retorna o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 24 de maio de 2007, por meio da Resolução nº 108 00.448, fls. 195/203. A diligência foi solicitada para a constatação do direito creditório alegado pela recorrente, visto ser necessário o confronto entre os valores declarados na DIRPJ e aqueles recolhidos indevidamente pela empresa no ano de 1995. Por pertinente, para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório e voto apresentado naquela oportunidade: “Tratase de pedido de restituição/compensação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado pelo Lucro Presumido, pago a maior no anocalendário de 1995. A empresa teve seu pedido indeferido em 30 de novembro de 2004 por meio do Despacho Decisório de fls. 86/88, que fundamentou sua decisão no fato de não ter sido o processo instruído com os documentos necessários ao seu exame e fornecida prova cabal da composição do faturamento, base de cálculo do IRPJ, tal como informado na declaração de rendimentos. Apresentou em 03 de janeiro de 2005 sua manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, onde, às fls. 97/114, alega em apertada síntese, o seguinte: 1 em novembro de 1999 a empresa recebeu aviso de cobrança de débitos do PIS, COFINS, IRPJ e CSL relativos ao ano calendário de 1995; 2 recolheu os débitos referentes ao PIS, a COFINS e ao IRPJ; 3 são devidas as diferenças apuradas pelo confronto entre os valores recolhidos a título de CSL, nos meses de janeiro a dezembro de 1995, e aqueles declarados na DIRPJ, tendo inclusive deixado de pagar integralmente o valor apurado de CSL no mês de março de 1995, quitado na ocasião por DARF próprio; 4 equívocos ocorreram também em relação ao IRPJ apurado pelo regime do Lucro Presumido nos meses do anocalendário de 1995, recolhido em montante superior ao declarado na DIRPJ; 5 se por um lado a empresa deixou de recolher parte da CSL nos meses de janeiro e fevereiro e abril a dezembro de 1995, por outro pagou IRPJ a maior que o devido no mesmo período; 6 mister se faz efetuar o encontro de contas, compensando a contribuição devida com o imposto pago a maior, conforme autoriza o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e a IN SRF 460/2004; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 259 3 7 de acordo com a legislação de regência, a empresa procedeu à compensação do crédito do IRPJ com o débito da CSL, recolhendo os valores de CSL mensais não cobertos; 8 considerando que o IRPJ pago a maior foi suficiente para quitar a CSL, restou saldo credor no valor R$ 283,65; 9 para a liberação do pedido, a Receita Federal condicionou que fossem apresentados dentre outros elementos as notas fiscais e o livro Diário, onde se encontram os registros contábeis dos períodos em questão; 10 a empresa solicitou prorrogação de prazo para atender à intimação, pois decorridos mais de 10 anos da ocorrência dos fatos geradores encontrou dificuldades para localizálos; 11 para surpresa da contribuinte, as suas solicitações para dilatação de prazo foram rejeitadas e o pedido de restituição/compensação indeferido; 12 o indeferimento dos pedidos de compensação e restituição se baseou: os valores têm como base de cálculo o faturamento, não tendo a empresa feito prova cabal de sua comprovação, não se pode reconhecer o direito creditório alegado e deferir a restituição pleiteada; 13 a autoridade administrativa ao negar o pedido de prorrogação de prazo, violou um dos mais importantes princípios constitucionais que permeiam a atividade administrativa, o Princípio da Razoabilidade; 14 algumas exigências constantes da intimação são desnecessárias, já outras foram atendidas e se encontram no corpo dos autos; 15 acompanha a manifestação de inconformidade a declaração de que não compensou o crédito pleiteado; 16 os fundamentos de fato que originaram o crédito, foram apresentados e constam das fls. 01/36 do processo. Já os fundamentos de direito são por demais conhecidos da Receita Federal, uma vez que emanam de normas legais tributárias como a Lei nº 9.430/96 e a IN/SRF nº 460/2004; 17 a planilha discriminatória da base de cálculo utilizada, tanto para o IRPJ quanto para a CSL, consta da DIRPJ tempestivamente apresentada, fls. 09/12. Nessas páginas da declaração está relacionada, mês a mês, a receita bruta, base de cálculo do imposto e da contribuição; 18 as notas fiscais de entrada e de saída relativas ao ano calendário de 1995 não foram encontradas. No entanto, são desnecessárias porque mesmo que fossem localizadas a autoridade administrativa não somaria as mais de vinte e cinco mil notas de vendas do período; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 260 4 19 também o livro Diário, com os registros contábeis, não foi encontrado; 20 o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para denegar os pedidos, restringiuse à falta de comprovação da composição da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; 21 a composição da base de cálculo do IRPJ e da CSL, a receita bruta declarada mês a mês, está devidamente demonstrada na DIRPJ do anocalendário de1995; 22 ao intimar a empresa, por meio o Memo 312, a apresentar notas fiscais e o livro Diário relativo ao anocalendário de 1995 o Fisco deu início a procedimento de fiscalização que não estava amparado por Mandado de Procedimento Fiscal, sendo nula a intimação contida no referido memorando; 23 mesmo que fosse admitida a fiscalização sem a emissão de MPF, ainda assim o procedimento não prosperaria, pois estaria alcançado pela decadência, porque os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação, que leva em conta a ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, o IRPJ relativo ao ano calendário de 1995 decaiu em janeiro de 2001; 24 não pode a administração tributária, por um lado acatar como correta as informações constantes da DIRPJ, notadamente a respeito da base de cálculo, que é a receita bruta, apenas e tão somente para cobrar diferenças de tributos, inclusive o próprio IRPJ relativo ao período de apuração 03/1995, e, por outro lado, suspeitar dessas mesmas informações, ou seja, a receita bruta informada na declaração de rendimentos. Em 19 de abril de 2005 foi prolatado o Acórdão nº 06.890, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 145/153, que indeferiu o pedido, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO A MAIOR. Imposto de Renda apurado sob a modalidade do Lucro Presumido. Falta de apresentação da escrituração contábil e do suporte fiscal solicitados pela autoridade local, com o intuito de analisar a veracidade das bases de cálculo informadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. O evento atingido pelo prazo decadencial é o lançamento de ofício de crédito tributário. O contribuinte deve conservar os livros e documentos fiscais enquanto pendentes procedimentos que lhes sejam pertinentes. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 261 5 Não demonstrada a existência do direito creditório, não cabe homologar as declarações de compensação dele dependentes. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1995 Ementa: MPF. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. O condicionamento do deferimento da pretensão creditória à comprovação das bases de cálculo que lhe dão guarida não configura procedimento fiscal para o qual se exigiria emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.” Cientificada em 30 de agosto de 2005, AR de fls. 164, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 22 de setembro de 2005, em cujo arrazoado de fls. 165/189 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ referentes a meses do anocalendário de 1995, fundamentado na falta de apresentação das notas fiscais e livro Diário do período em voga. Em suas razões, a recorrente sustenta que seu direito a crédito é decorrente do recolhimento do IRPJ maior que o declarado na DIRPJ do exercício de 1996, anocalendário de 1995, e que a comprovação da base de cálculo do IRPJ é a receita bruta informada na declaração de rendimentos, que serviu de base para a cobrança da CSL e do IRPJ, referente ao mês de março de 1995, efetuada pela Receita Federal por meio de aviso de cobrança. Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessária a confirmação dos valores declarados na DIRPJ e os recolhidos pela empresa relativamente ao meses de apuração do anocalendário de 1995. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo para a confirmação dos recolhimentos do IRPJ a maior, pela comparação dos montantes declarados no anocalendário de 1995 com os valores pagos por meio dos DARFs originais, ou, caso não seja possível, com os dados de recolhimentos constantes dos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 262 6 Após a conclusão da diligência deve ser cientificada a interessada do seu resultado, abrindose prazo para sua manifestação.” Sobreveio o Termo de Diligência do encarregado da diligência, acostado aos autos às fls. 209/210, concluindo o seguinte: “TERMO DE DILIGÊNCIA RELATÓRIO CONCLUSIVO Concluímos a diligência determinada pelo RPF 08.1.06.00 2010006821, decorrente do processo 13863.000309/9987, cujo texto às fls. 202/203 requer sejam verificados os elementos contábeis do contribuinte que teve indeferido o seu pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ, por ele requerido sob a alegação de que os recolhimentos efetuados, referentes aos meses do anocalendário de 1995, foram em valores superiores aos lançados em sua DIRPJ, correspondente ao período em tela. Em decorrência, demos início a ação fiscal (diligência), intimando e reintimando o contribuinte, a fim de que apresentasse os elementos contábeis necessários para o cumprimento ao determinado no processo supracitado, a saber: “Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento do recurso, visto ser necessária a confirmação dos valores declarados em DIRPJ e os recolhidos pela empresa relativamente aos meses de apuração do anocalendário de 1995.” Assim, para analisar a consistência dos valores declarados, foi solicitada a apresentação de livros comerciais e fiscais (bem como documentação que serviram de base para os lançamentos neles efetuados), uma vez que os valores em DIRPJ devem refletir aqueles constantes dos referidos livros. O contribuinte esclareceu e justificou a impossibilidade de cumprir o que lhe fora solicitado pelas razões contidas em expediente, por escrito, devidamente acompanhado de documentos. Em conseqüência, utilizamonos dos documentos que já instruíram o processo, bem como dos dados (extratos) constantes dos arquivos da SRFB, conforme determinado, também, no despacho de fls. 202/203 do processo em questão a saber: “....pela comparação dos montantes declarados no ano calendário de 1995 com os valores pagos por meio de DARFs originais, ou, caso não seja possível, com os dados de recolhimentos constantes dos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil.” O resultado das providências por nós executadas está representado pela planilha em anexo, cujos cálculos apontam diferenças de valores pagos “a maior” de IRPJ, quando Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 263 7 comparados os valores recolhidos com aqueles declarados em DIRPJ.” É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ referentes a meses do anocalendário de 1995, fundamentado na falta de apresentação pela empresa das notas fiscais e livros Diário do período em voga, para a comprovação da base de cálculo do IRPJ. O fundamento do acórdão de primeira instância a esse respeito foi no sentido de que a empresa, com base no art. 264 do RIR/99, deveria conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. A pessoa jurídica alega em seu recurso que o Fisco, para a verificação do pedido de restituição/compensação referentes a períodos do anocalendário de 1995, não mais poderia no ano de 2004 exigir a apresentação de notasfiscais e livros Diários e demais documentos para confirmar a base de cálculo do Lucro Presumido, bem como o IRPJ lançado, como se fosse uma verdadeira fiscalização. Entendo assistir razão à recorrente. O procedimento de verificação de livros e documentos contábeis e fiscais é atividade típica de lançamento, que o Fisco deveria ter exercido dentro do prazo de cinco anos, a partir da ocorrência do fato gerador. Com efeito, aqui o que está sendo tratado é o recolhimento indevido ou a maior de tributo em comparação com àquele lançado na DIRPJ. Essa constatação pelo Fisco não pode, passados mais de cinco anos do fato gerador, ano de 2004, abranger uma verdadeira fiscalização para conferência da base de cálculo do lucro presumido de período já decaído, 1995, além de a empresa ter informado a ocorrência de fato fortuito, com a destruição de livros e documentos fiscais desse período. Decorridos mais de cinco anos do fato gerador, a auditoria se esgota na confirmação do valor recolhido a maior, pelo confronto entre os dados da DIRPJ versus os DARFs. Na situação descrita, em virtude dos fatos ocorridos, destruição de livros e documentos, essa era a prova necessária que a pessoa jurídica deveria guardar para justificar seu direito creditório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 120200.657 S1C2T2 Fl. 264 8 No caso específico, mesmo que fossem apresentados os documentos e livros solicitados, não mais poderia a autoridade fiscal lançar novo débito para reduzir o valor a restituir, em virtude de esgotado o lapso decadencial. Não sendo admitido, assim, que o Fisco, caso encontrasse divergências no valor a pagar do tributo, reduzisse a restituição pela exigência de débito não lançado. Após o cumprimento da diligência, com a produção do relatório de fls. 209 e o quadro de fls. 210, verifico que tem razão o pedido efetuado pela recorrente, confirmandose o recolhimento a maior de IRPJ referente ao ano de 1995, tendo o fiscal diligenciante levantado esse pagamento indevido. Assim, devem ser acatados como recolhimentos indevidos, com direito a restituição e compensação, as diferenças informadas pelo auditor no quadro demonstrativo de fls. 210. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para acatar como direito creditório os montantes constantes do quadro de fls. 210, anexo ao resultado da diligência fiscal de fls. 209. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 09/06/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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