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Numero do processo: 36138.001561/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE SAT. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO INDEVIDO. INDEFERIMENTO.
A restituição de Contribuições Sociais Previdenciárias depende da comprovação, a ônus do interessado, mediante documentos aptos e idôneos, do direito creditório líquido e certo de titularidade do Requerente em face da Fazenda Pública, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido de contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, a título do adicional de que trata o §6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE SAT. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO INDEVIDO. INDEFERIMENTO. A restituição de Contribuições Sociais Previdenciárias depende da comprovação, a ônus do interessado, mediante documentos aptos e idôneos, do direito creditório líquido e certo de titularidade do Requerente em face da Fazenda Pública, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido de contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, a título do adicional de que trata o §6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 13 8. 00 15 61 /2 00 5- 31 Fl. 5495DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 5496DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.496 3 Relatório Período requerido: fevereiro/2003 a setembro/2003. Data do requerimento: 24/06/2004. Temse em pauta de pedido de restituição de contribuições previdenciárias, protocolizado em 05/11/2003, referente às competências de abril/1999 a agosto/2003, conforme Requerimento de Restituição de Retenção – RRR, a fl. 04 do Volume I. O pedido foi indeferido em razão de a Fiscalização Previdenciária ter considerado que a Requerente não gerenciara adequadamente o seu ambiente de trabalho, deixando de comprovar que os trabalhadores não estavam expostos a agentes nocivos que ensejavam aposentadoria especial, conforme Informação Fiscal a fls. 164/199 do Volume I. Devidamente cientificado do resultado da diligência fiscal, porém, não concordando com a decisão do órgão fazendário, o Requerente interpôs Recurso Voluntário a fls. 341/441 do volume II, requerendo a restituição dos valores pagos indevidamente. O Julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, nos termos do Decisório nº 0000398, de 18/09/2006, da 2ª CaJ do CRPS, a fls. 453/455, para que o órgão previdenciário desse cumprimento a três providências a seguir resumidamente descritas: a) Informar a data em que o Requerente teve ciência da decisão de indeferimento do pedido de restituição. b) Para que fosse elaborado e juntado aos autos Parecer Técnico elaborado por médico perito da Previdência Social, em que se conclua se os segurados empregados da Requerente encontravamse expostos ou não a agentes nocivos à saúde ou à integridade física. c) Caso se entenda ser devida a restituição, efetuar procedimento fiscal nos estabelecimentos da Requerente para se verificar a possibilidade de compensação de ofício, conforme art. 89, §8º, da Lei nº 8.212/91. Em cumprimento ao item a) acima, foi juntado Aviso de Recebimento a fls. 456 do vol. II, demonstrando a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. Ato seguinte, o Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária – SEARP da Secretaria da Receita Previdenciária em Porto Alegre proferiu Despacho a fls. 457/458 do Vol. II, sugerindo a negativa de provimento ao Recurso Voluntário interposto e, na sequência , o Serviço de Orientação da Arrecadação – ORAR devolveu os autos a este Conselho Administrativo para prosseguir no julgamento. Fl. 5497DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Julgamento do Feito houvese por convertido, uma vez mais, em Diligência Fiscal, nos termos expostos na Resolução nº 2302000.324, a fls. 5431/5433, para que o Órgão Fazendário cumprisse as determinações aviadas no Decisório nº 0000398, de 18/09/2006, da 2ª CaJ do CRPS, a fls. 453/455, em especial, para que fosse elaborado e juntado aos autos Parecer Técnico elaborado por médico perito da Previdência Social, em que se conclua se os segurados empregados da Requerente encontravamse expostos ou não a agentes nocivos à saúde ou à integridade física. Laudo Técnico assinado por Perito Médico Previdenciário, a fl. 5442. Devidamente intimada a tomar ciência do teor da Diligência Fiscal em apreço, o Contribuinte se manifestou tempestivamente a fls. 5457/5458. Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 5498DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.497 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva , Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/06/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 466. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 15/07/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O regime jurídico atávico à restituição de tributos tem suas escoras legais assentadas nos artigos 165 e seguintes do Código Tributário Nacional, restando disposto em linhas gerais: Código Tributário Nacional Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 5499DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da restituição foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 estatui expressamente que as contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, somente poderão ser restituídas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)9). §4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual Fl. 5500DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.498 7 previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) No caso dos autos, o Recorrente alega que “Equivocadamente, a partir do mês de competência de abril de 1999, a empresa contribuinte, em todos os seus estabelecimentos (matriz e filiais) passou a calcular e a recolher as contribuições com a alíquota suplementar, de que trata o artigo 57, parágrafo 6°; da Lei n° 8.213/91, sobre a remuneração dos segurados sujeitos às condições que imaginava especiais, para fins de pagamento da contribuição suplementar. E, por isso, acreditando equivocadamente haver prejuízo à saúde ou à integridade física desses segurados, vinha recolhendo as contribuições com as alíquotas complementares, nos seguintes percentuais e períodos:” De acordo com o 12º do art. 147 do CTN, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, de onde dessai que o onus probandi do erro é do Declarante. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. §2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Merece também ser mencionado que no capítulo reservado à seguridade social, a nossa Lei Soberana estatui que tal direito será financiado por toda a sociedade, mediante recursos provenientes, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e das entidades a elas equiparadas, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estabeleceu ainda que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderia ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total e conferiu à lei a competência para instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social. Fl. 5501DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Na seção dedicada à Previdência Social, a Carta Constitucional preordenou como direito social previdenciário a cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada, assim como a aposentadoria especial para os casos de atividades exercidas sob condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador, dentre outros benefícios. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. §5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) (...) Fl. 5502DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.499 9 A matéria em relevo foi confiada à Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social, reservando aos seus artigos 57 e 58 a disciplina legal do benefício da aposentadoria especial em favor do segurado que houver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, e, em ádito, a sua fonte de custeio, verbis: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032/1995) §1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário de benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032/95) §2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. §3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032/95) §4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032/95) §5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032/95) §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732/98) (grifos nossos) §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às Fl. 5503DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732/98) (grifos nossos) §8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732/98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) §1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732/98) §2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732/98) §3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528/97) §4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528/97) Considerase risco ocupacional a probabilidade de consumação de danos à saúde ou à integridade física do trabalhador, em decorrência de sua exposição a fatores de riscos no ambiente de trabalho. Dentre os fatores de riscos ocupacionais, no entanto, apenas são considerados para efeito de cobrança das alíquotas adicionais constantes do §6º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91 os fatores de riscos ambientais, tão somente, assim entendidos aqueles decorrentes da exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos ou à associação desses agentes, nos termos da Norma Regulamentadora nº 09 (NR09) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, configurase fato gerador da contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, nos exatos Fl. 5504DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.500 11 termos da legislação tributária, a qual será devida pela empresa em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais. Registrese que tal contribuição será devida na hipótese de as demonstrações ambientais da empresa – PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT, PPP e CAT atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. A fiel elaboração de tais documentos não se constitui uma mera faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação acessória de curial observância, eis que foram instituídas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo em tela, em conformidade com os artigos 96, 100, 113 e 115 do CTN. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 403. A empresa deverá demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores. Art. 404. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador será comprovada mediante a apresentação das seguintes demonstrações ambientais, entre outras, que deverão respaldar as informações prestadas em GFIP: I Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do consequente controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento, nos termos da NR09, do MTE; II Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que é obrigatório para as atividades relacionadas à mineração e substitui o PPRA para essas atividades, devendo ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo permissionário de lavra garimpeira, nos termos da NR22, do MTE; III Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), que é obrigatório para estabelecimentos que desenvolvam atividades relacionadas à indústria da construção, identificados no grupo 45 da tabela de Códigos Nacionais de Atividades Econômicas (CNAE), com vinte trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra, e visa a implementar medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho, nos termos da NR18, substituindo o PPRA quando contemplar todas as exigências contidas na NR09, ambas do MTE; IV Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que deverá ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA, PGR e PCMAT, com o caráter de promover a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive aqueles de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou de danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores, nos termos da NR07, do MTE; Fl. 5505DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 V Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), que é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho; VI Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), que é o documento históricolaboral individual do trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, conforme modelo anexo à Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios; VII Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei nº 8.213, de 1991, e nas NR7 e NR15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis. § 1º Revogado. § 2º Os documentos dispostos nos incisos II e III do caput deverão ter Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). § 3º As entidades e órgãos da Administração Pública direta, as autarquias e as fundações de direito público, inclusive os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que não possuam trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estão desobrigados da apresentação dos documentos previstos nos incisos I a IV do caput, nos termos do subitem 1.1 da NR01, do MTE. § 4º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá informar à contratada os riscos ambientais relacionados à atividade que desempenha e auxiliála na elaboração e na implementação dos documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, os quais terão de guardar consistência com os seus respectivos documentos, ficando a contratante responsável, em última instância, pelo fiel cumprimento desses programas, recebendo e validando os relatórios anuais do documento previsto no inciso IV do caput, da contratada, bem como implementando medidas de controle ambiental, indicadas para os trabalhadores contratados, nos termos do subitem 7.1.3 da NR07, do subitem 9.6.1 da NR09, do subitem 18.3.1.1 da NR18, dos subitens 22.3.4, alínea “c” e 22.3.5 da NR22, todas do MTE. § 5º A empresa contratada para prestação de serviços intramuros deverá acrescentar, nos documentos referidos no § 4º deste artigo, informações relativas aos riscos intrínsecos às atividades que desenvolve. § 6º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá apresentar os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, relativos à empresa contratada, para elisão da solidariedade ou comprovação da não obrigatoriedade do acréscimo da retenção, relativas à contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, nos termos do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991 e art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003. § 7º Para restituição do acréscimo da retenção, previsto no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa contratada deverá anexar ao Fl. 5506DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.501 13 requerimento os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput. § 8º Entendemse por serviços de terceiros intramuros todas as atividades desenvolvidas por trabalhadores contratados mediante cessão de mãodeobra, empreitada, trabalho temporário ou por intermédio de cooperativa de trabalho, para prestarem serviços no estabelecimento da contratante. Seção IV Da Contribuição Adicional para o Financiamento da Aposentadoria Especial Art. 405. A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, conforme disposto na Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios. Parágrafo único. A GFIP e as demonstrações ambientais de que trata o art. 404 constituemse em obrigações acessórias relativas à contribuição referida no caput, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213, de 1991 e dos §§ 2º, 6º e 7º do art. 68 e do art. 336 do RPS. Art. 406. A contribuição adicional de que trata o art. 405 é devida pela empresa ou equiparada em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais, conforme previsto no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.666, de 2003. § 1º A contribuição adicional referida no caput será calculada mediante a aplicação das alíquotas previstas no § 2º do art. 93, de acordo com a atividade exercida pelo trabalhador e o tempo exigido para a aposentadoria, observado o disposto nos §§ 3º a 5º do art. 93. § 2º A contribuição adicional de que trata este artigo será devida na hipótese de as demonstrações ambientais, previstas no art. 404, atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. § 3º Revogado. É de extrema relevância reprisar que a fiel elaboração da GFIP e das demonstrações ambientais de que trata o art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003 constituemse obrigações acessórias relativas à contribuição do adicional de SAT referida no art. 57, §6º da Lei nº 8.213/91, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213/91 e dos §§ 2º, 6º e 7º dos artigos 68 e 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Fl. 5507DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Normatizando o preceito insculpido nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, visando a garantir, preventivamente, a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, validar as informações do banco de dados do CNIS, evitar a concessão de benefícios indevidos e a garantir o custeio dos benefícios devidos, a IN INSS/DC nº 100/2003, resenhou uma série de procedimentos a serem observados pela fiscalização objetivando o eficaz e correto recolhimento da contribuição adicional destinada ao custeio da aposentadoria especial. Iluminese que o art. 400 da IN INSS/DC nº 100/2003 atribuiu aos Auditores Fiscais do INSS, hoje RFB, a competência para verificar, por parte das empresas, o cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho, o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o consequente controle dos riscos ocupacionais existentes. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 CAPÍTULO X DOS RISCOS OCUPACIONAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO Seção I Da Fiscalização do INSS Art. 400. Para fins da cobrança da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, da contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, da contribuição adicional e do percentual adicional de retenção previstos nos §§ 1º e 2º do art. 1º e no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, respectivamente, o INSS, por intermédio de sua fiscalização, verificará: I a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 404; II os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais; III a veracidade das informações declaradas em GFIP; IV o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho; V o cumprimento das demais disposições previstas nos arts. 19, 57, 58, 120 e 121 da Lei nº 8.213, de 1991. Parágrafo único. O disposto no caput tem como objetivo: I validar as informações do banco de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), que é alimentado pelos fatos declarados em GFIP; II evitar a concessão de benefícios indevidos; III garantir o custeio de benefícios devidos. Art. 401. Considerase risco ocupacional a probabilidade de consumação de um dano à saúde ou à integridade física do trabalhador, em função da sua exposição a fatores de riscos no ambiente de trabalho. § 1º Os fatores de riscos ocupacionais, conforme classificação adotada pelo Ministério da Saúde, se subdividem em: I ambientais, que consistem naqueles decorrentes da exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos ou à associação desses agentes, nos termos da Norma Regulamentadora nº 09 (NR09), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); II ergonômicos e psicossociais, que consistem naqueles definidos nos termos da NR17, do MTE; Fl. 5508DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.502 15 III mecânicos e de acidentes, em especial, os tratados nas NR16, NR18 e NR29, todas do MTE. § 2º Para efeito de cobrança das alíquotas adicionais constantes do § 6º do artigo 57 da Lei nº 8.213, de 1991, serão considerados apenas os fatores de riscos ambientais. É certo que a contribuição adicional para o custeio da aposentadoria especial somente é exigida das empresas cujos trabalhadores estiverem sujeitos de modo permanente a fatores de riscos ambientais ensejadores do direito ao benefício previdenciário em realce. A existência de tais condições maléficas, no arquétipo jurídico estruturado pela legislação previdenciária, será comprovada a partir das demonstrações ambientais da empresa previstas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003. Nada obstante, a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, autoriza a Fiscalização a lançar de ofício, por aferição indireta da base de cálculo, a contribuição social correspondente ao adicional de SAT ora em debate, a teor do art. 410 da IN INSS/DC nº 100/2003. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vencidas estas breves, porém necessárias, digressões, recordemos que, no caso dos autos, o Recorrente afirma que “passou a calcular e a recolher as contribuições com a alíquota suplementar, de que trata o artigo 57, parágrafo 6°; da Lei n° 8.213/91, sobre a remuneração dos segurados sujeitos às condições que imaginava especiais, para fins de pagamento da contribuição suplementar.” Aduz que, a fim de comprovar a ausência das condições especiais que impunham a obrigação do recolhimento, por parte da empresa (na matriz e nas filiais), das contribuições com alíquotas suplementares, a empresa contribuinte contratou a empresa Seguir On Line Ltda, que por meio do seu responsável técnico Doutor Airton Kwitko, elaborou o “LAUDO PARA AVALIAÇÃO DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVAS E/OU INDIVIDUAIS ADOTADAS DIANTE DO AGENTE NOCIVO "RUÍDO OCUPACIONAL” e o “LAUDO TÉCNICO PARA ENQUADRAMENTO DE AGENTES NOCIVOS". Acontece que, nos termos da Legislação Tributária, os documentos idôneos e aptos a demonstrar a existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador são aqueles elencados no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003, não o laudo técnico do técnico Doutor Airton Kwitko, com todo o respeito que este merece. Fl. 5509DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 Nessa perspectiva, a Fiscalização constatou que a empresa não gerenciava com eficiência os riscos ambientais do trabalho, motivo pelo qual pugnou pelo indeferimento da restituição pleiteada, eis que não se houve por comprovado que o recolhimento do adicional de SAT, no período indicado, houvera sido indevido. Muito ao contrário! O Laudo do Perito Médico Previdenciário é expresso ao afirmar que “os trabalhadores que exerceram suas atividades profissionais na empresa Zamprogna S/A Importação Comércio e Indústria estiveram expostos ao agente nocivo ruído”, ratificando, ainda, o disposto no Despacho do Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária SEARP, de 20/10/2006, a fls. 5443/5444, onde consta: “Dessa forma concluímos que a empresa não gerenciou adequadamente o seu ambiente de trabalho... deixando de comprovar que os trabalhadores não estavam expostos a agentes nocivos que ensejam aposentadoria especial, especificamente para os agentes nocivos físicos (ruído) e químicos (poeira, chumbo e níquel), não sendo possível atestar e validar as retificações efetuadas pela empresa no campo “ocorrência” da Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP alterando o código de ocorrência dos trabalhadores de 04 (Aposentadoria aos 25 anos) para ocorrência “sem exposição". Nesse contexto, não restando demonstrado, mediante documentos aptos e idôneos, direito creditório líquido e certo de titularidade do Requerente em face da Fazenda Pública, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido de contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, a título do adicional de que trata o §6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, não há como se deferir o pedido de restituição pleiteado, razão pela qual pugnamos pela negativa de provimento do Recurso Voluntário. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 5510DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36138.001561/200531 Acórdão n.º 2401004.236 S2C4T1 Fl. 5.503 17 Fl. 5511DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10830.002339/99-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 01/09/1990
FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. EMPRESA EXCLUSIVAMENTE PRESTADORA DE SERVIÇOS. SÚMULA STF Nº 658.
Nos termos da Súmula STF nº 658 " São constitucionais os Art. 7º da Lei 7.787/89 e 1º da Lei 7.894/89 e da Lei 8.147/90, que majoraram a alíquota do Finsocial, quando devida a contribuição por empresas dedicadas exclusivamente à prestação de serviços".
EMPRESA MISTA. PRESTADORA DE SERVIÇOS. CONTRATO SOCIAL. RECEITAS PERCEBIDAS.
Para definição natureza da empresa como exclusivamente prestadora de serviços, não basta o exame do objeto constante no seu Contrato Social, mas, também, a análise acerca da natureza das receitas percebidas no período.
Numero da decisão: 3201-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
(assinado digitalmente)
TATIANA JOSEFOVICS BELISÁRIO - REDATORA
EDITADO EM: 13/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cassio Schappo.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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EMPRESA EXCLUSIVAMENTE PRESTADORA DE SERVIÇOS. SÚMULA STF Nº 658. Nos termos da Súmula STF nº 658 " São constitucionais os Art. 7º da Lei 7.787/89 e 1º da Lei 7.894/89 e da Lei 8.147/90, que majoraram a alíquota do Finsocial, quando devida a contribuição por empresas dedicadas exclusivamente à prestação de serviços". EMPRESA MISTA. PRESTADORA DE SERVIÇOS. CONTRATO SOCIAL. RECEITAS PERCEBIDAS. Para definição natureza da empresa como exclusivamente prestadora de serviços, não basta o exame do objeto constante no seu Contrato Social, mas, também, a análise acerca da natureza das receitas percebidas no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA– PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 23 39 /9 9- 44 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO 2 (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICS BELISÁRIO REDATORA EDITADO EM: 13/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D’amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cassio Schappo. Relatório Tratase de recurso voluntário em face de nova decisão da DRJ que decidiu as questões de mérito uma vez que superada a questão da decadência na CSRF deste Conselho, de acordo com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1990 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 31/03/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 31/03/1989." Como de costume, transcrevo o relatório da decisão DRJ por bem relatar os fatos desde o início da lide: "O presente feito foi iniciado em 31/03/1999 com apresentação do Pedido de Restituição (fl. 02 do eprocesso) pela contribuinte acima identificada. O pleito referese a recolhimentos de Finsocial supostamente realizados a maior em decorrência da decretação da inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do tributo para além do percentual de 0,5% no período de apuração de setembro de 1989 a setembro de 1990. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 10830.002339/9944 Acórdão n.º 3201002.108 S3C2T1 Fl. 373 3 O montante a ser restituído, nos cálculos da contribuinte, alcança R$ 33.003,70, atualizados até a data da formalização do pedido. O pleito foi denegado pela unidade de jurisdição que entendeu extinto o direito de a interessada pleitear restituição/compensação pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do artigo 165, inciso I, do Código Tributário Nacional e AD SRF n° 96/99 (fls. 38/39). Contra o indeferimento, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 41/50) também julgada improcedente conforme Decisão DRJ/CPS de fls. 54/59 que manteve o entendimento sobre a expiração do prazo para a formulação do pleito como exposto pelo despacho decisório da delegacia de origem. Contra a referida decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 61/76). Ao analisar o citado recurso, a Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do acórdão de fls. 95/101, acolheu a preliminar de nulidade do processo, em razão da decisão de primeira instância ter sido lavrada por servidor incompetente. Em cumprimento à Decisão do Conselho de Contribuintes, a DRJ em Campinas reexaminou a Manifestação de Inconformidade, indeferindoa, conforme acórdão de fls. 104/113. Novo Recurso Voluntário (fls. 115/135) foi apresentado contra a decisão da DRJ Campinas tendo sido negado pelo Conselho de Contribuintes por acórdão de fls. 139/151. Recurso Especial (fls. 160/174) interposto pela contribuinte contra essa última decisão foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 191/200), afastando a hipótese de ocorrência de prescrição, conforme contagem de prazo seguindo a regra conhecida como tese dos cinco mais cinco anos. A União Federal, interpôs Recurso Extraordinário (fl. 204/214) buscando a reforma do referido acórdão. Julgado prolatado pelo pleno do Egrégia CSRF (fls. 286/290), manteve a decisão atacada, confirmando ao caso a teoria dos "cinco mais cinco" para a contagem do prazo de prescrição e determinando o retorno dos autos à DRF de origem para a apreciação do mérito. Encaminhados os autos à unidade de origem, o setor competente emitiu o Despacho Decisório de fls. 296/300, indeferindo o pedido de restituição pelo seguinte motivo de mérito: ‘Verificase pelas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica referentes aos anoscalendário objeto do pedido de repetição do alegado indébito que a contribuinte constituise em empresa prestadora de serviços. Ora, o Supremo Tribunal Federal, através de reiterados acórdãos, firmou jurisprudência no sentido de que são constitucionais as elevações das alíquotas de FINSOCIAL das empresas exclusivamente prestadoras de serviços (AGRRE 255.182/RJ e EREED 192.292/RS). Vale salientar o artigo 18, inciso III, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, conversão da Medida Provisória nº 1.110, de 30 de Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO 4 agosto de 1995, e reedições posteriores, reconheceu legalmente a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial para empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, através da dispensa da constituição de créditos da Fazenda Nacional, inscrição em Dívida Ativa da União, ajuizamento, devendo ser cancelados os lançamentos e a inscrição dos débitos relativos ao que exceder à alíquota de 0,5% desta contribuição social. Ou seja, tal ordenamento não se refere às empresas prestadoras de serviços.’ O texto do Despacho Decisório transcreve diversos trechos de jurisprudência em apoio à motivação. Notificada do Despacho Decisório em 17/05/2013, em 13/06/2013 a contribuinte interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 305/321 na qual contesta a posição tomada no despacho decisório. A contribuinte reitera a que o pagamento do Finsocial em alíquotas superiores a 0,5% foi indevido dada a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF. E prossegue: ‘No mais, não merece prevalecer o entendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas no que concerne o indeferimento do pedido da Impugnante por entender que esta, no período em que se insere o objeto do pleito em estudo, constituíase exclusivamente em empresa prestadora de serviços, senão vejamos. A Impugnante, conforme descrito em seu contrato social vigente durante o período de setembro de 1989 a setembro de 1990, tinha por objeto, além da prestação de serviços diversos, a "(...) compra e venda de imóveis próprios; (...) exploração do ramo de compra e venda de veículos automotores; (...) comércio de derivados de petróleo e posto de serviços; (...)" e, destarte, não pode ser classificada como empresa exclusivamente prestadora de serviços. Afastado o enquadramento da Impugnante na classificação de "empresa exclusivamente prestadora de serviço" necessária à conclusão pela incorreção do indeferimento à restituição pretendida, eis que a RFB baseou seu indeferimento na mera argumentação de que as empresas prestadoras de serviços não foram alcançadas pela inconstitucionalidade reconhecida nos autos do Recurso Extraordinário n° 150.764PE. Por todo o exposto a Defendente requer que, em razão da reconhecida inconstitucionalidade da exigência de FINSOCIAL acima de 0,5% sobre o faturamento, nos termos do art. 1o, § 1o, do Decretolei 1.940/82 até a entrada em vigência da lei complementar 70/91, nos termos do seu art. 13, ou seja abril de 1992, seja deferido o seu pedido de restituição.” O contribuinte ingressou novamente com Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 10830.002339/9944 Acórdão n.º 3201002.108 S3C2T1 Fl. 374 5 Voto Vencido Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando a devida tempestividade, conheço o Recurso Voluntário. O Finsocial foi criado sob a cobrança de 0,5% sobre o faturamento bruto das empresas e a alíquota sofreu majorações posteriores (leis nºs. 7738/89, 7787/89, 7894/89 e 8147/90), alcançando um percentual de até 2% a partir do exercício de 1991. Os diversos aumentos foram contestados no STF e em 1992 a Corte declarou inconstitucionais as alíquotas que ultrapassassem 0,5% do faturamento para as empresas comerciais, industriais e mistas. No entanto, para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços, os aumentos das alíquotas foram considerados válidos, entendimento que vigora até hoje no STF, consubstanciado em Súmula, conforme segue: "SÚMULA 658 SÃO CONSTITUCIONAIS OS ARTS. 7º DA LEI 7787/1989 E 1º DA LEI 7894/1989 E DA LEI 8147/1990, QUE MAJORARAM A ALÍQUOTA DO FINSOCIAL, QUANDO DEVIDA A CONTRIBUIÇÃO POR EMPRESAS DEDICADAS EXCLUSIVAMENTE À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS." O Recurso Voluntário em face do acordão proferido pela DRJ, redistribuído por sorteio eletrônico para esta Turma e sob minha relatoria, sustenta que o contribuinte não é empresa exclusivamente prestadora de serviço, além de ter outras atividades previstas em seu contrato social como a "(...) compra e venda de imóveis próprios; (...) exploração do ramo de compra e venda de veículos automotores; (...) comércio de derivados de petróleo e posto de serviços; (...)". Não é controverso que o STF declarou a inconstitucionalidade das majorações do Finsocial para empresas comerciais e mistas, estendendo a decisão também às instituições financeiras e as elas equiparáveis, ao julgar o Recurso Extraordinário 150.764 PE. Ora, o cerne da lide gira em torno da definição de "empresa exclusivamente prestadora de serviço" e por raciocínio lógico, se o contribuinte comercializa ou pretende comercializar e administrar imóveis, veículos e comércio dos derivados de petróleo, esse contribuinte pode ser enquadrado no conceito de empresa comercial mista porque atua no respectivo mercado, é comerciante. Assim, não é controverso também que o STF mediante súmula aceita a majoração da alíquota para o Finsocial somente para empresas exclusivamente prestadoras de serviços, e tal entendimento não permite concluir que o STF aceita a incidência do Finsocial majorado sobre receitas de prestação serviços de uma forma geral, mesmo porque as empresas Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO 6 comerciais mistas auferem receitas de prestação de serviços e sobre estas não poderão incidir o Finsocial majorado. Se assim fosse, o STF teria definido de forma clara que a majoração incidiria sobre períodos (definiria o período) em que a receita de uma empresa é exclusivamente advinda da prestação de serviços. A inconstitucionalidade ao meu entender alcança as empresas que tenham receitas exclusivas de prestação de serviços somente quando estas receitas são as únicas receitas em potencial, ainda que em alguns períodos as únicas receitas sejam provenientes de prestação de serviços. Há falta de critério na definição do conceito de "empresas exclusivamente prestadoras de serviço" e portanto não há a possibilidade ou clareza suficiente para violar a reconhecida inconstitucionalidade. Empresas exclusivamente prestadoras de serviços são definidas também de acordo com seus atos constitutivos, ou seja, de acordo com as atividades constantes em seu contrato social e normalmente seguem um padrão, são empresas de limpeza, segurança, estacionamento e consultorias, por exemplo. O conceito de empresa exclusivamente prestadora de serviços não está amplamente superado, definido e muito menos expresso nas decisões ou na súmula do STF e, logo, deve ser interpretado em favor do contribuinte conforme Art. 112 do CTN. O que é empresa exclusivamente prestadora de serviço? Quais os critérios de definição para que o Finsocial majorado possa incidir? Quantos meses de receitas exclusivas de prestação de serviços são suficientes para descaracterizar o disposto no Contrato Social e nas atividades (prospecção, marketing, comunicação, planejamento, investimento) das empresas que também trabalham para obter receita comercial ou industrial? Um ano calendário é suficiente? Se a empresa obter R$ 1,00 (um real) de receita comercial por mês esta deixa de ser empresa exclusivamente prestadora de serviço? Se assim fosse, bastaria que qualquer empresa instalasse uma lanchonete em sua sede e comercializasse produtos com a devida adição do objeto no contrato social. Nenhuma destas questões podem ser respondidas com firmeza e clareza diante da patente inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do Finsocial. O afastamento da cobrança do Finsocial acima da alíquota de 0,5% é cediço tanto no STF quanto neste próprio conselho (Acórdão 10705120; 10704594) e o contribuinte em questão não é mero prestador de serviço, conforme se verifica nas alterações de contrato social presentes nos autos (efls. 15 e 16) e conforme pode se verificar de simples consulta no sítio eletrônico do contribuinte. É fato que as empresas podem demorar mais de um ano após aberta para pagar seus investimentos e em conjunto com isso é fato que as empresas não auferem todas as receitas de todas as suas atividades em todos os períodos. Este é o mercado, é a realidade econômica. Não se trata de considerar somente o que está disposto no contrato social. Por fim, no RE n.º 150.764PE foi declarada a inconstitucionalidade da legislação que majorou a alíquota do Finsocial, alcançando as pessoas jurídicas comerciais, industriais, financeiras e mistas, situação em que se enquadra o contribuinte. Deste modo, em razão de reconhecida inconstitucionalidade nos termos do Art. 1.º, § 1 do Decreto Lei 1940/82 até a entrada em vigência da LC 70/91, também com fundamento no Art. 112 do CTN, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário e defiro o pedido de restituição atualizado, posto não ser cabível o lançamento do Finsocial além do percentual de 0,5% em relação ao ano calendário de apuração de Setembro de 1989 a Setembro de 1990 para o contribuinte em questão. Conselheiro Relator – PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Voto Vencedor Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 10830.002339/9944 Acórdão n.º 3201002.108 S3C2T1 Fl. 375 7 Conselheira TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Redatora designada Tendo sido designada para redação do Voto Vencedor, passo a expor as conclusões obtidas pela Turma em sessão de julgamento. A questão que se apresenta é definir se a Recorrente é ou não contribuinte do FINSOCIAL. De um lado, afirma a Fiscalização que, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é constitucional a exigência do FINSOCIAL, assim como seus posteriores aumentos de alíquota, relativamente às empresas exclusivamente prestadoras de serviços. Tal entendimento está sintetizado na Súmula STF nº 658: Súmula 658 São constitucionais os arts. 7º da Lei 7.787/89 e 1º da Lei 7.894/89 e da Lei 8.147/90, que majoraram a alíquota do Finsocial, quando devida a contribuição por empresas dedicadas exclusivamente à prestação de serviços. Data de Aprovação: Sessão Plenária de 24/09/2003 Por outro lado, o Recorrente defende a aplicação do entendimento externado também pelo STF em sede de Recurso Extraordinário julgado pelo Tribunal Pleno: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARÂMETROS NORMAS DE REGÊNCIA FINSOCIAL BALIZAMENTO TEMPORAL. A teor do disposto no artigo 195 da Constituição Federal, incumbe à sociedade, como um todo, financiar, de forma direta e indireta, nos termos da lei, a seguridade social, atribuindose aos empregadores a participação mediante bases de incidência próprias folha de salários, o faturamento e o lucro. Em norma de natureza constitucional transitória, emprestouse ao FINSOCIAL característica de contribuição, jungindose a imperatividade das regras insertas no DecretoLei nº 1940/82, com as alterações ocorridas até a promulgação da Carta de 1988, ao espaço de tempo relativo a edição da lei prevista no referido artigo. Conflita com as disposições constitucionais artigos 195 do corpo permanente da Carta e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias preceito de lei que, a título de viabilizar o texto constitucional, toma de empréstimo, por simples remissão, a disciplina do FINSOCIAL. Incompatibilidade manifesta do art. 9º da Lei nº 7689/88 com o Diploma Fundamental, no que discrepa do contexto constitucional. (RE 150764, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO 8 julgado em 16/12/1992, DJ 02041993 PP05623 EMENT VOL 0169808 PP01497 RTJ VOL0014703 PP01024) Desse modo, para resolução da questão posta, ou seja, legitimação ou não da cobrança do FINSOCIAL, é imprescindível analisar se a Recorrente é ou não empresa exclusivamente prestadora de serviços. A polaridade da questão está posta da seguinte forma: · Pela Fiscalização, conforme Acórdão DRJ (fl. 346 dos autos): A interessada alega que não se classifica como empresa exclusivamente prestadora de serviços já que seu contrato social previa à época dos fatos, entre os objetivos societários, operações envolvendo venda de unidades imobiliárias, veículos e derivados de petróleo. No entanto, a simples previsão de atividades no estatuto societário não é suficiente para caracterizar a empresa como não exclusivamente prestadora de serviços. O que importa na classificação da atividade da pessoa jurídica é a composição da sua matriz de receitas efetivamente verificada. No caso, a autoridade examinou os dados declarados pela contribuinte nas declarações de imposto de renda por ela apresentadas à administração fiscal, concluindo que a receita declarada é proveniente da prestação de serviços. · Pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário (fl. 365 dos autos): Logo, das referidas manifestações extraemse dois fatos incontroversos: (i) O Contrato Social da Recorrente prevê uma pluralidade de objetos, e não apenas a prestação de serviços; (ii) Durante o período fiscalizado a Recorrente obteve receita exclusivamente proveniente da atividade de prestação de serviços, conforme declarações apresentadas à RFB. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 10830.002339/9944 Acórdão n.º 3201002.108 S3C2T1 Fl. 376 9 Conforme externado pelos componentes dessa Turma Julgadora, em deliberação ocorrida em sessão de julgamento, entendemos que, para a definição da real atividade da empresa, devese considerar não apenas aquilo que está registrado em seu contrato social, mas, sim, a realidade dos fatos, in casu, consubstanciada na comprovação de que, no período fiscalizado, a Recorrente portouse como empresa exclusivamente prestadora de serviços. Tal conclusão decorre da leitura do artigo 118 do Código Tributário Nacional: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Importante pontuar que não se está partindo de uma constatação circunstancial ou de uma situação temporária, já que o período analisado pela Fiscalização compreende 13 meses subsequentes, nos quais a totalidade da receita percebida é decorrente da prestação de serviços. Ademais, a Recorrente não logrou produzir prova em sentido contrário, ou seja, não demonstrou que houve obtenção de receitas diversas da prestação de serviços, seja no período fiscalizado, seja, por exemplo, em períodos imediatamente anteriores ou subsequentes. A Recorrente limitouse a defender que a simples previsão em seu contrato social acerca da possibilidade de exercer atividades diversas seria suficiente para descaracterizála como exclusivamente prestadora de serviços. Por tais fundamentos, portanto, o voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. Conselheira TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Redatora designada Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Numero do processo: 13748.720206/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SÚMULA CARF 63.
Somente pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos tributáveis incluídos na base de cálculo.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Tendo a contribuinte recebido valores, provenientes de ação judicial, que não se referem a rendimentos de aposentadoria, reforma remunerada ou pensão, não podem ser eles classificados como isentos, mas como tributáveis.
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SÚMULA CARF 63. Somente pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos tributáveis incluídos na base de cálculo. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tendo a contribuinte recebido valores, provenientes de ação judicial, que não se referem a rendimentos de aposentadoria, reforma remunerada ou pensão, não podem ser eles classificados como isentos, mas como tributáveis. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Márcio de Lacerda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 06 /2 01 3- 91 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13748.720206/201391, em face do acórdão nº 0431.907, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada por intermédio de notificação de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa física lavrada em 21/01/2013 (fls. 37/40), resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2011, anocalendário 2010, por meio do qual se reduziu o imposto a restituir declarado de R$ 29.241,27 para zero. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 39), o lançamento de ofício decorre da seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 29.241,27, decorrente da análise das informações apresentadas pelo contribuinte com as constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em virtude de ausência de DIRF, não tendo o contribuinte comprovado ter sofrido o ônus da retenção, e ele apresentou laudo médico não oficial. O contribuinte foi cientificado desse lançamento por aviso de recebimento postal, em 30/01/2013 (fl. 41). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13748.720206/201391 Acórdão n.º 2202003.422 S2C2T2 Fl. 99 3 IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 27/02/2013 (fls. 02/03), por meio da qual o sujeito passivo, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa, acompanhada de cópia de documentos pessoais, procuração e documentos pessoais da procuradora (fls. 04/07) e demais documentos (fls. 08/23), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: o valor corresponde a retenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial no valor de R$ 29.241,27, conforme DARF em anexo que junta novamente; não concorda não ter comprovado o ônus da retenção, uma vez que cumpriu ordem judicial, como consta no próprio mandado de pagamento que mandou pagar o imposto de renda; muito embora tenha requerido a isenção do imposto, não logrou êxito e a juíza da 4ª Vara Cível de Petrópolis determinou que fosse pago o imposto e, assim, não teve escolha e pagou o referido imposto; o laudo não foi apresentado na primeira intimação porque estava pendente o requerimento do laudo na fonte pagadora, que somente agora forneceu o laudo médico oficial assinado por junta médica, que junta, o qual comprova a doença grave desde 1983, comprovando que faz jus à isenção. Ao final, requer urgência na tramitação, pois além de idoso é gravemente enfermo, e solicita prioridade na análise da impugnação de acordo com o artigo 71 do Estatuto do Idoso. A delegacia de origem juntou ao processo um Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral da Prefeitura Municipal de Petrópolis, com uma anotação manual “P/LAUDO” (fls. 46/47). É o relatório A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 56/60, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, onde são apresentados novos documentos às fls. 63/76 , sendo estes: comprovantes de rendimentos (contracheques) da Prefeitura Municipal de Petrópolis, fls. 63/76; documentos extraídos de processos judiciais (cálculos judiciais), fls. 77/92; É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material. O contribuinte declarou rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras durante o anocalendário 2010 no valor de R$ 2.644,20 (fl. 27), além de compensar o imposto retido na fonte de uma delas no valor de R$ 29.241,27, porém ela não informou na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF essa retenção, não tendo o contribuinte comprovado o ônus da retenção quando intimado (fl. 39), o que motivou a glosa. Em impugnação, informa que o respectivo valor consta no comprovante de recolhimento que apresenta em anexo (fl. 09), cujo recolhimento foi determinado pela justiça. Esse documento corresponde a um DARF, cujo valor é exatamente o que foi glosado, recolhido em 24/05/2010 no Banco do Brasil (fl. 23), recolhimento este que consta dos sistemas da RFB conforme pesquisas efetuadas nesta data. Entretanto, conforme consta da notificação de lançamento impugnada, o contribuinte não comprovou ter sofrido o ônus da retenção e apresentou laudo médico de médico não oficial. Sobre a comprovação do ônus da retenção, afirma o recorrente que muito embora tenha requerido a isenção do imposto, não logrou êxito e a juíza da 4ª Vara Cível de Petrópolis determinou que fosse pago o imposto e, assim, não teve escolha e pagou o referido imposto. Os documentos que apresenta confirmam essa alegação, de acordo com a decisão do Tribunal de Justiça que determinou, em 08/03/2010, que o juízo de origem deveria decidir sobre o pedido de isenção (fls. 19/21), e o Mandado de Pagamento da 4ª Vara Cível, de 19/05/2010, que determinou o desconto do imposto de renda (fl. 10). A afirmação relativa ao laudo médico não oficial devese ao fato do contribuinte ter declarado os rendimentos que deram origem à retenção como isentos e não tributáveis por ser portador de moléstia grave (fl. 28), sem porém ter a malha fiscal efetuado a reclassificação desses rendimentos para tributáveis na referida notificação de lançamento. Em sua impugnação, o contribuinte afirma que o laudo não foi apresentado na primeira intimação porque estava pendente o requerimento na fonte pagadora, que somente agora forneceu o laudo médico oficial assinado por junta médica, que junta, o qual comprova a doença grave desde 1983, comprovando que faz jus à isenção. De fato, o referido laudo foi emitido pela junta médica oficial da Prefeitura Municipal de Petrópolis (fl. 08), e nele consta ser o contribuinte portador de alienação mental desde 1983, fazendo jus à isenção pleiteada por preencher os requisitos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988. Comprovado agora ter o contribuinte direito à isenção, deve se analisar se está correta a classificação dos rendimentos recebidos por meio da ação judicial como isentos, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13748.720206/201391 Acórdão n.º 2202003.422 S2C2T2 Fl. 100 5 em virtude de ser o contribuinte aposentado (fl. 16) e portador de moléstia grave prevista em lei e reconhecida por junta médica oficial, conforme o laudo apresentado. Verificase que referida ação corresponde a valores do período de 01/10/1991 a 01/10/2001, conforme relatório do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro emitido em 21/02/2011 (fls. 12/15), anteriores à sua aposentadoria a partir de 10/09/2001 (fl. 16). De acordo com o processo de consulta nº 162/2005 da SRRF 6ª RF (DOU 16/06/2005), rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda. Tal entendimento é corroborado pela Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Deste modo, os rendimentos recebidos pelo recorrente na referida ação judicial, por não serem provenientes de aposentadoria, deveriam ser classificados como tributáveis sujeitos ao ajuste. Somente com a inclusão desses rendimentos na base de cálculo tem o contribuinte o direito a compensar o imposto retido, conforme determina o artigo 12 da Lei nº 9.250/1995: “Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;” Portanto, foi comprovada no presente processo a retenção efetuada e o ônus do contribuinte mas não é possível acatar a alegação apresentada na impugnação em vista da incorreta classificação como isentos dos rendimentos recebidos que deram origem à retenção glosada. Deste modo, em razão da isenção, não como afastar a glosa do imposto no valor de R$ 29.241,27. Todavia, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de reclamação trabalhista movida pela contribuinte em face do seu exempregador (Município de Petrópolis), através de processo autuado sob o nº 000025508.1992.8.19.0042, com trâmite na 4a. Vara Cível da Comarca de Petrópolis. Assim, somente o contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2010, de forma acumulada. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 Portanto, ao reclassificar o rendimento de isento para rendimento tributável, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13748.720206/201391 Acórdão n.º 2202003.422 S2C2T2 Fl. 101 7 Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10120.725306/2012-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO.
Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas.
PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS.
Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação.
Numero da decisão: 9101-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Esperase que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 53 06 /2 01 2- 10 Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.695 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2662/2680) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1102001.203 (efls. 2642/2659), pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 24/09/2014, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal discorre sobre contabilização imprópria de subvenções para investimento, vez que não teriam sido cumpridas as condições previstas na legislação. Na primeira instância (DRJ), a impugnação foi julgada improcedente. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF), ao apreciar recurso voluntário do Contribuinte, decidiu dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. A PGFN interpôs recurso especial que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal A Descrição dos Fatos, parte integrante do auto de infração (efls. 2494/2512) discorre que a Contribuinte fez adesão ao FOMENTAR – Fundo de Participação e Fomento à Industrialização. Numa primeira fase, o programa de incentivo do Governo do Estado de Goiás concedeu aos participantes um empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.696 3 devido, visando fomentar atividades industriais. Foi criado pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984, e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992. Por sua vez, sobreveio a segunda fase, com a Lei Estadual nº 13.436, de 30/12/1998, no qual os contratos de financiamento com recursos do FOMENTAR foram objeto de oferta pública (leilão), possibilitando a liquidação antecipada com concessão de descontos de até 89% do saldo devedor, que deveriam ser aplicados na ampliação e/ou modernização do parque industrial da Contribuinte dentro do prazo máximo de vinte anos. Nesse contexto, a Contribuinte considerou que os recursos relativos ao montante da dívida perdoada seriam subvenção para investimentos, razão pela qual foram excluídos da apuração do lucro real. Ao analisar as condições estabelecidas pela legislação estadual referentes ao benefício da liquidação antecipada, concluiu a autoridade autuante que se encontravam ausentes condições para que os recursos pudessem ser caracterizados como subvenção para investimentos, sendo, na realidade, subvenção para custeio. Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, e, em razão da nova apuração, foi constatada insuficiência de estimativas mensais, tendo sido lançadas as multas isoladas, e foram glosadas compensações de prejuízos fiscais. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 2542 e segs), no qual discorreu, conforme síntese elaborada pela decisão de primeira instância, que (1) a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social; (2) os incentivos fiscais recebidos do Estado de Goiás, como estimulo à implantação e expansão de empreendimento industrial, possuem a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; (3) as referidas subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Incentivos Fiscais", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos sócios de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções; (4) as subvenções para investimento não estão restritas à aquisição de bens ou direitos destinados ao ativo fixo; (5) o prazo para comprovar os investimentos constitui condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS enquanto pendente tal condição; (6) tratandose de subvenção para investimento, o valor do desconto concedido sobre o ICMS financiado/parcelado deve ser aplicado em benefício da empresa (expansão ou implantação de empreendimentos), conforme condição explicitada na Lei n° 13.436/98; (7) não há qualquer exigência legal sobre esse "sincronismo mínimo necessário", nem sobre a fixação de prazo máximo ou mínimo a que alude o autuante; (8) a autuação implica em interferência na política de renúncias fiscais concedidas pelo Estado de Goiás, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (9) transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS; (10) é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3º e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. Ao final, apoiandose em doutrina de Humberto Ávila e Leonardo Freitas de Moraes e Castro, sustenta, em síntese, que: (1) o prazo de 20 anos para a implantação ou expansão dos empreendimentos se justifica, Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.697 4 pois a elaboração e execução de projetos de expansão ou implantação de novos empreendimentos dependem de estudo e requer quantidade significativa de recursos, razão pela qual não seria razoável impor ao subvencionado que a cada parcela liberada promovesse, ato contínuo, execução de novo projeto; (2) ainda que o incentivo fiscal se destinasse unicamente ao capital de giro, tal situação não seria suficiente para afastar o benefício, pois a norma do artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda não impõe esse tipo de restrição, o que, aliás, é reconhecido pela Nota Explicativa da Instrução CVM n° 59/86; (3) para o gozo do benefício, o contribuinte deve integralizar ao capital social o valor da renúncia, bem como cumprir os projetos iniciais e subsequentes, o que de fato tem ocorrido, pois a impugnante tem experimentado crescimento constante no mercado nacional, acima de 15% ao ano, e ao longo desse período nunca fez qualquer distribuição aos sócios dos valores recebidos a titulo de estimulo à implantação do seu empreendimento. A 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 03052.659 (efls. 2581 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Descaracterização. Incentivos Fiscais. Programa FOMENTAR. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores contabilizados a título de descontos na quitação de dívidas contraídas no âmbito do Programa FOMENTAR que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes relativo à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008, 2009, 2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.698 5 Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Foi interposto recurso voluntário (efls. 2605 e segs) pela Contribuinte, ratificando os argumentos apresentados na impugnação, que foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 24/09/2014. Decidiu o Acórdão nº 1102001.203 (efls. 2642 e segs) dar provimento ao recurso, para reconhecer a transferência de receitas do ente subvencionador para a pessoa jurídica como subvenções para investimento, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77,são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exigese perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o “animus” de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.699 6 algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT. Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 2662 e segs.) pugnando pelo restabelecimento da autuação fiscal, no sentido de descaracterizar a transferência de receitas como subvenção para investimento. Discorre que para que as transferências de erário para o particular possam ser consideradas subvenção para investimento, a destinação dos recursos seja vinculada, necessariamente, à implementação ou expansão de empreendimento econômico. Cita o PN CST nº 112, de 1978, e entende que à luz do ato normativo os valores correspondentes ao benefício fiscal em debate não podem ser caracterizados como subvenção para investimento, sendo, na realidade, subvenções para custeio, a serem computadas na determinação do lucro operacional. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2682/2687 deu seguimento ao recurso da PGFN. Cientificada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade. Em relação à admissibilidade, peço vênia para transcrever os fundamentos do acórdão recorrido. Como se vê, a autoridade fiscal centrou sua argumentação em aspectos da configuração legal e regulamentar do Programa FOMENTAR (tanto da primeira quanto da segunda etapa). Teceu comentários sobre a possibilidade de os recursos da primeira etapa serem utilizados como reforço do capital de giro, disse que haveria necessidade de se estabelecer uma prestação Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.700 7 de contas e conjeturou sobre a impossibilidade de a segunda etapa acrescentar algo de novo à economia local. (...) Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. É certo que com um prazo de vinte anos para a consecução do objetivo final do programa, a empresa dispõe de um bom tempo para iniciar os investimentos necessários. Neste sentido, é sensata a observação da autoridade fiscal sobre a necessidade de existir algum tipo de prestação de contas. Mas, se a legislação estadual não a criou, isso não significa que a empresa, para fins de usufruir o benefício instituído na lei federal, não possa fazêlo. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. (...) Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. A DRJ, por sua vez, limitouse a reproduzir os requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78 sem observar que a fiscalização não realizou seu trabalho nos devidos termos preconizados por esses requisitos. (grifei) Como se pode observar, resta claro entendimento no sentido de que não basta a intenção do legislador para caracterizar o recurso como subvenção para investimento, há que se exigir o controle para se verificar a efetiva aplicação dos valores subvencionados. Contudo, o fundamento afastou a autuação porque entendeu que a autoridade autuante não avançou na investigação no sentido de demonstrar que a empresa autuada não estivesse mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 910101.239 apresenta as mesmas premissas, quanto ao fato de a intenção do subvencionador por si só não ser suficiente e pela necessidade de a legislação dispor sobre mecanismos de controle, mas apresenta conclusão diferente do acórdão recorrido: Conforme entendimento que já manifestei neste Colegiado, é condição legal para que as subvenções sejam qualificadas como de “investimento”, além da manifestação do ente subvencionador dispondo que os recursos devem ser aplicados na implantação ou expansão de empreendimento, que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, conforme os critérios quantitativos e qualitativos fixados no ato concessivo. Se a norma que institui o benefício Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.701 8 estabelece determinadas exigências documentais, mas não fixa de modo taxativo tais critérios, os requisitos estipulados para fruição do benefício passam a representar mera formalidade, que se descumprida por parte do beneficiário, não acarreta nenhum tipo de sanção. In casu, o benefício concedido pelo Estado de Pernambuco não obriga a destinação dos valores subvencionados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Como se verifica pelo teor ato concessivo, o auxílio obtido por meio de crédito presumido do ICMS evidencia uma redução do desembolso financeiro, podendo ser utilizado pela empresa na forma que lhe for mais conveniente. Neste mesmo sentido, observase pela análise do atos regulamentares, que existem algumas exigências, porém nenhuma delas fixa a destinação do valor correspondente à subvenção ou o montante equivalente, na aplicação específica do projeto apresentado para habilitação no programa. Portanto, ambos, acórdão paradigma e recorrido, concordam que a (1) intenção do subvencionador por si só não é suficiente e (2) pela necessidade de a legislação dispor sobre mecanismos de controle. No caso do acórdão paradigma, a análise já se mostra conclusiva, por entender que, em tese, a norma não cumpre os requisitos, não exigindo da Fiscalização nenhuma ação complementar. Por sua vez, o acórdão recorrido, não obstante a norma, em tese, não atender às condições necessárias para caracterizar o recurso como subvenção para investimento, exige da autoridade autuante uma fundamentação complementar, de natureza probatória, no sentido de verificar se a pessoa jurídica estaria fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Entendo que resta nesse ponto demonstrada a divergência de entendimento. Nesse sentido, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PGFN. Subvenção para Investimento X Subvenção para Custeio Trata o caso concreto da liquidação antecipada dos recursos obtidos por meio de empréstimo concedido pelo Governo do Estado de Goiás decorrentes do programa FOMENTAR, Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, criado pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984 e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992. Observase que, em negócio jurídico primitivo, a Contribuinte fez adesão ao programa de incentivo, que conforme termos pactuados pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984, regulamentada pelo Decreto do Governo do Estado de Goiás nº 3.822 de 10/07/1992, tinha como objetivos o estímulo à industrialização e apoio ao desenvolvimento de empreendimentos industriais, mediante a concessão de apoios financeiro e tecnológico, por meio de várias modalidades de ingressos de recursos, dentre as quais a concessão de empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, em condições financeiras vantajosas, mediante cumprimento de condições, dentre as quais, de que os recursos fossem aplicados à modernização ou ampliação do empreendimento econômico. Para fins didáticos, passa a ser denominado de fase inicial. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.702 9 Por sua vez, a fase final trata da Lei Estadual nº 13.436/1998, dispôs sobre a renegociação a dívida, concedendo um desconto substancial (até 89% do valor devido) para a sua quitação. Além disso, precisamente no que concerne aos recursos decorrentes do valor perdoado, predicou expressamente o diploma legal que seriam subvenções para investimento e que caberia sua aplicação na modernização ou ampliação do parque industrial. No caso concreto, a Contribuinte fez adesão ao programa, em sua fase inicial, e na fase final, aproveitouse da opção prevista pela Lei Estadual nº 13.436/1998 para liquidar, de maneira antecipada, uma série de empréstimos contraídos pela adesão ao programa FOMENTAR, no decorrer dos anoscalendário de 2008 a 2010, conforme quadro elaborado pela Fiscalização, no qual são demonstrados o débito originário (saldo devedor) e o abatimento obtido nas operações: Data Débito Escriturado (R$) Valor da Liquidação do Débito Desconto Obtido na Liquidação (R$) 30/06/08 5.558.956,36 701.036,04 4.857.920,30 31/12/08 6.111.156,57 831.728,41 5.279.428,16 11/12/09 12.894.724,34 1.418.419,68 11.476.304,66 30/09/10 8.814.894,42 969.638,36 7.845.256,05 31/12/10 6.486.998,86 713.569,87 5.773.428,99 TOTAIS 39.866.730,55 4.634.392,36 35.232.338,16 E, valendose de disposição prevista no § 2º, art. 1º da Lei nº 13.436, de 1998, incluída pelo art. 1º da Lei nº 15.046, de 29/12/2004 (que recebeu nova redação pelo art. 1º da Lei nº 15.124, de 25/02/2005), a Contribuinte considerou os recursos no montante de R$35.232.338,16 como subvenção para investimento. São os fatos. Passo ao exame do mérito. Espécie do gênero benefícios fiscais, as subvenções podem ser classificadas em (1) correntes para custeio ou operação ou (2) para investimentos. A primeira mereceu tratamento na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, que estatuiu normas gerais de direito financeiro, para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. Observase que não havia nenhuma discriminação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. E precisamente sob essa ótica, as receitas oriundas das transferências do ente subvencionador governamental, independente da destinação dada pelo subvencionado, foram consideradas como tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, que atualmente encontrase recepcionado pelo art. 392 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.703 10 I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Ocorre que, posteriormente, passou a ser adotar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Nesse caso, passaram a receber ser entendidas como transferências de capital, como se pode observar no art. 182, § 1º, alínea "d", da Lei nº 6.404, de 15/12/1976: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 1(grifei). Fato é que a legislação tributária acompanhou o entendimento, como se pode observar pela redação do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. 1 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.704 11 § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Restou nítida a diferenciação imposta às subvenções de custeio e investimento. A primeira, entendida como transferência de renda, integra a base de cálculo para apuração do tributo, enquanto que a segunda, transferência de capital, não seria contabilizada como receita, mas sim como reserva de capital no patrimônio líquido, não submetida à tributação. Contudo, há que se registrar que a categorização de uma transferência como subvenção para investimento deve obedecer determinadas condições. A Receita Federal manifestouse sobre a questão no PN CST nº 112, de 1978: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.705 12 parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não sem sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). Aqui registro uma observação complementar em relação a voto apresentado na sessão anterior sobre o mesmo assunto (Acórdão nº 9101002.335), apenas para acrescentar uma observação em relação ao item (1). Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção 2. 2 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operarações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.706 13 Por sua vez, quanto aos demais itens (3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas 3. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Devese se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Se o ente subvencionador, por motivos próprios, decidir não se preocupar em verificar se as condições estabelecidas para a transferência dos recursos foram atendidas, trata se de entendimento a ser aplicado na sua jurisdição. O que não se pode admitir é que uma omissão de um ente federativo (o Estado subvencionador) tenha repercussão nas regras de tributação estabelecidas no âmbito de competência de outro ente federativo (a União). 3 Vide nota anterior. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.707 14 Só porque o Estado "legitima" a transferência de recursos dessa natureza, tal atitude não impede a Fazenda Nacional de verificar se as condições para enquadramento de subvenção para investimento estão sendo cumpridas. Não há a "afronta" ao pacto federativo mencionada pela Contribuinte. Pelo contrário. Tal situação seria caracterizada, precisamente, se as condições impostas pelo Estado se prestassem a impedir a União de exercer o poder de executar as leis federais. Passando para a análise do caso concreto, vale transcrever parte da legislação estadual que trata da segunda fase do FOMENTAR, qual seja, a Lei Estadual nº 13.436, de 30 de dezembro de 1998: Art. 1º Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: NOTA: Por força do art. 1º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, aplicase, igualmente, o disposto neste artigo aos casos de quitação antecipada ocorridos até 13.02.05, nas situações previstas nos incisos, I e II do § 3º deste artigo. (...) IV a utilização do benefício desta lei é condicionada à realização dos investimentos fixados decorrentes de projetos objeto dos respectivos contratos, nos termos do Regulamento FOMENTAR; (...) § 1º A pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário do incentivo do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, aplicará o montante equivalente ao desconto obtido com a quitação antecipada do contrato de financiamento firmado com o mesmo Fundo, representado por seu agente financeiro, nos termos deste artigo, na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. NOTAS: 1. Por força do art. 3º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, do montante a ser aplicado nos termos deste parágrafo, poderá ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR. 2 Por força do art. 4º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, com a incorporação, ao capital social da empresa do montante mencionado neste parágrafo, e Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.708 15 o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos inicial e subseqüentes, aprovados pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR, a pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário dos incentivos de um desses Programas fica desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás. § 2º O montante a que se refere o § 1º é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo ali mencionado ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. (CONFERIDA NOVA REDAÇÃO AO § 2º DO ART. 1º PELO ART. 1º DA LEI Nº 15.124, DE 25.02.05 VIGÊNCIA: 12.02.05) Vale repisar que os recursos são, na realidade, um desconto concedido pela antecipação da dívida junto ao Estado (89% do valor da dívida). A título de exemplo, na primeira fase do FOMENTAR, entraram recursos de 100 unidades monetárias por meio de empréstimo contraído pelo Estado, que deveriam ter sido empregados na implementação ou ampliação de investimento produtivo. Na segunda fase, o Estado permite a liquidação da dívida de 100 unidades, e a partir de dezembro de 2004 (art. 1º da Lei nº 15.046, de 29/12/2004, que recebeu nova redação pelo art. 1º da Lei nº 15.124, de 25/02/2005), permite que o desconto de 89 unidades monetárias seja considerado subvenção para investimento, mediante aplicação dos recursos na implementação ou ampliação de investimento produtivo. A qualificação dos recursos como "subvenção para investimento" deuse de maneira expressa pelo Estado em dezembro de 2004. Contudo, na medida em que se considerou que 89% do saldo devedor (incluídos juros, correções e demais atualizações monetárias incidentes desde as décadas de oitenta e noventa do século passado, quando a Contribuinte contraiu o empréstimo) seria objeto de subvenção, na realidade o subvencionador tentou conferir aos recursos oriundos da primeira fase a natureza de subvenções para investimento. A tentativa retroagir os efeitos do empréstimo para que pudessem ser considerados como subvenção para investimento fica ainda mais nítida quando se observa a nota do § 1º do art. 1º da Lei Estadual nº 13.436, de 30 de dezembro de 1998. Sim, porque o dispositivo é o que dispõe que os recursos deveriam ser aplicados na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. Ocorre que tal condição foi relativizada pelo art. 3º da Lei nº 15.518, de 05/01/06 (com vigência a partir de 10.01.06), ao predicar que do montante a ser aplicado, poderá ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR. Ou seja, valores de investimentos a serem realizados na segunda fase poderão ser "diminuídos" pelos valores que já foram aplicados na primeira fase. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.709 16 Veja que não há ingresso de recursos que guardam correlação com a produção derivada da implementação ou expansão do investimento, mas sim uma nova qualificação de valores que já haviam sido concedidos por meio de um empréstimo. E mais, numa acepção generosa, o art. 4º da Lei Estadual nº 15.518, de 2006, dispôs que se a pessoa jurídica (1) promovesse a incorporação ao capital social da empresa do valor do desconto obtido na liquidação antecipada do empréstimo, e (2) cumprisse as obrigações assumidas nos projetos inicial e subseqüentes, aprovados pelo FOMENTAR, ficaria desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás. Não se fala em nenhuma espécie de controle do Estado para verificar a efetiva aplicação dos recursos na fase final do programa. Enfim, chama atenção o fato de que os recursos tornamse imediatamente disponíveis para o subvencionado, moldando uma situação completamente atípica. Basta observar: o subvencionado recebe os valores antecipadamente, e tem um prazo de vinte anos para a execução do projeto. Tratase de cenário completamente desvirtuado, ao se comparar com operações regulares de subvenção, no qual, primeiro o subvencionado aplica os valores para viabilizar o empreendimento, para, só depois, passar a gozar dos recursos transferidos pelo subvencionador. A autoridade fiscal trata dos pontos aqui colocados. Vale transcrever a constatação do Termo de Verificação Fiscal (efl. 2530/2531): No caso em questão identificamos que o incentivo fiscal do qual o contribuinte foi beneficiário não se reveste de alguns dos requisitos citados no item anterior para que possa ser considerado subvenção para investimentos, conforme explicitado a seguir. Primeiramente, não ocorre o sincronismo mínimo necessário entre a obtenção do benefício e a execução da "expansão e/ou modernização" do parque industrial incentivado. Pelo contrário, dáse um prazo de 20 (vinte) anos, para que essa "expansão e/ou modernização" ocorra, sem que se estabeleça nenhuma prestação de contas por parte da empresa beneficiada. Para se caracterizar como subvenção para investimento haveria que se estabelecer um gerenciamento da aplicação dos recursos, com prestação de contas periódica, com pontos de controle determinados, para o devido acompanhamento das obrigações contraídas, o que inexiste no presente caso. É permitido que um projeto antigo, que já foi beneficiado com o financiamento do FOMENTAR, seja reutilizado para a obtenção de mais um benefício (agora, o "desconto" pela liquidação do próprio financiamento). Entretanto, quando se dá a subvenção para investimento, é para acrescentar algo à economia local, e isso não se consegue com projetos já implementados por conta de outros benefícios concedidos e usufruídos anteriormente. Na interpretação literal, se o objetivo é implantar ou expandir, não estamos falando de passado. É necessário que a economia local evolua com a ajuda da subvenção concedida. De outra forma, não haveria necessidade de o Estado abrir mão de receber parte tão significativa do ICMS. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 9101002.346 CSRFT1 Fl. 2.710 17 (...) Por fim, a lei estadual não pode dizer que um incentivo fiscal é subvenção para investimento sem que o mesmo se revista de características próprias dessa espécie, conforme explicitadas anteriormente aqui. (...) Uma vez que não há qualquer mecanismo eficiente de vinculação entre os valores obtidos com os incentivos fiscais e a aplicação dos recursos em imobilizado visando a Implantação ou expansão do empreendimento, podendo assim tais recursos serem utilizados ao livre arbítrio do contribuinte, não resta dúvida que tais incentivos se classificam adequadamente na categoria de subvenções para custeio ou operação, de acordo o art. 392, inciso I do RIR/99. Esse auxílio obtido com esse generoso desconto (86,39% a 89%), evidencia um não desembolso financeiro da empresa, que pode utilizálo como lhe convier, tanto em investimento fixo ou capital de giro. Por todo o exposto, as transferências referentes ao desconto obtido por meio de liquidação antecipada de dívida tratadas no caso concreto não se tratam de subvenção para investimento. São subvenções para custeio, submetidas á tributação regular. No que concerne ao PIS e Cofins, seguem a mesma sorte do IRPJ e da CSLL, vez que as subvenções para custeio integram a base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta da pessoa jurídica, razão pela qual devem ser restabelecidas as autuações fiscais e o aproveitamento dos créditos do regime nãocumulativo efetuado pela Fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10803.720080/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
DECADÊNCIA
A regra do artigo 150 do CTN não se aplica quando ocorre dolo, fraude ou simulação.
PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Ocorre incidência de tributação quando a premiação se caracteriza como retribuição do trabalho efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.974
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 DECADÊNCIA A regra do artigo 150 do CTN não se aplica quando ocorre dolo, fraude ou simulação. PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA. Ocorre incidência de tributação quando a premiação se caracteriza como retribuição do trabalho efetuado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 80 /2 01 2- 73 Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1650.073 da 14ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte, excluindo o crédito referente ao AIOA DEBCAD nº 51.026.6266 (CFL 78), e mantendo o crédito tributário exigido nos AIOA: DEBCAD nº 51.026.6274– (CFL 30) e DEBCAD nº 51.026.6284 (CFL 34). Acordam os membros da 14ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, excluindo o crédito referente ao AIOA DEBCAD nº 51.026.6266 (CFL 78), e mantendo o crédito tributário exigido nos AIOA: DEBCAD nº 51.026.6274– (CFL 30) e DEBCAD nº 51.026.6284 (CFL 34). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA AUTUAÇÃO 1. O presente processo administrativo (PT 10803.720080/201273) é constituído por três Autos de Infração, lavrados pelo Descumprimento de Obrigações Acessórias, a saber: • DEBCAD nº 51.026.6266 AIOA (CFL 78) foi lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O crédito corresponde ao montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). • DEBCAD nº 51.026.6274– AIOA (CFL 30) foi lavrado por deixar de preparar as folhas de pagamento contemplando todas as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados a serviço da empresa. O crédito corresponde ao montante de R$ 1.617,12 (mil e seiscentos e dezessete reais e doze centavos). • DEBCAD nº 51.026.6282 AIOA (CFL 34) foi lavrado por.deixar de lançar na contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O crédito corresponde ao montante de.R$ 16.170,98 (dezesseis mil e cento e setenta reais e noventa e oito centavos). Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 2. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, fls 11/30, informa que: 2.1. A fiscalização na empresa foi em decorrência das investigações desenvolvidas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios MPDFT, face a obtenção de quebra do sigilo bancário, telefônico e telemático dos investigados e, da quebra do sigilo fiscal, solicitou à Receita Federal do Brasil RFB a análise das informações levantadas até então, assim como sua participação no planejamento e execução dos mandados de busca e apreensão autorizados pela justiça; 2.2. A RFB passou a integrar os trabalhos que, em seu âmbito, recebeu o cognome de Operação Aquarela e, por consequência, deu cumprimento a mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal de Brasília, ocasião em que foram apreendidos inúmeros documentos relacionados às possíveis fraudes; 2.3. A fiscalização constatou, após a análise dos documentos apreendidos e das investigações, que em uma das vertentes do suposto esquema fraudulento figurava uma empresa do segmento de cartões de crédito, onde o seu modusoperandi tinha como objetivo, oferecer serviços voltados à implementação de campanhas de incentivo, resultando em mecanismo de pagamento de prêmios a pessoas indicadas por seus clientes, mediante a distribuição dos cartões com os respectivos créditos, possibilitando a esses beneficiários sacar em espécie o montante que lhe fora atribuído; 2.4. A RFB por sua área de planejamento das atividades fiscais demandou a abertura de procedimentos de diligência e fiscalização em empresas do segmento de cartões de crédito dentre elas a Expertise Comunicação Total S/C LTDA, CNPJ 03.069.255/000107, tendo sido apurado que a empresa Contractors Peopleware and Technology Serviços de Atendimento Ltda – CNPJ 02.585.604/000172, sucedida por Vidax Teleserviços S/A, foi uma das tomadoras de serviços da Expertise Comunicação Total S/C LTDA, que não foi alvo direto na Operação Aquarela, como ressaltou a fiscalização, mas, foi determinante para a abertura de procedimentos fiscais junto a contribuintes que prestaram ou tomaram serviços de mesma natureza; 2.5. Foi verificado pela fiscalização que havia pessoas físicas ligadas diretamente com a empresa alvo na Operação Aquarela e a Expertise (doc. 01), assim como eram idênticos o modusoperandi e o leiaute do contrato de prestação de serviços de ambas as empresas, cujos fatos realçavam a convicção de que a fraude identificada naquela operação apresentava ramificações. 2.6. As informações levantadas na Operação Aquarela, em conjunto com outras ações potencialmente implementadas no âmbito cotidiano da RFB, como, o cotejamento de dados dos sistemas, as demandas advindas de outros setores da casa e de órgãos externos, entre outros, foi determinante para a abertura Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 4 5 de procedimentos fiscais junto a contribuintes que prestaram ou tomaram serviços de tal natureza. 3. Do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, item 2, no tópico denominado: “2. DOS INDICIOS DE FRAUDE”. Consta que: 3.1. o contribuinte contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda. com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias creditadas nos cartões, conforme contratos números 3314 e 4561, do qual junta cópia (doc.12); 3.2. nas notas fiscais a contratada “Expertise” identificou como "NÃO TRIBUTADOS ISS" e "TRIBUTADOS", importâncias, como descritos no campo “DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS E DESPESAS” correspondentes, respectivamente, a "Comissão agência..." e "Expert/Exchange Card Campanha de incentivo", do que se conclui que tais importâncias destinavamse a remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela CONTRATADA e, para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela CONTRATANTE; 3.3. a fiscalização procedeu à análise dos documentos apresentados pelo contribuinte e, que estes comprovaram o pagamento do valor total das notas fiscais à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, conforme relação (doc. 13 a 15), cujos montantes, foram levados a resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas, “MÃO DE OBRA” pessoa jurídica, sem identificar na contabilidade os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados "Exchange Card"; 3.4. o contribuinte CONTRACTORS não apresentou nenhum outro documento, além das cópias dos contratos mencionados e das notas fiscais (doc. 17 a 23), também, não apresentou as notas fiscais registradas na contabilidade, conforme consta no Anexo II (doc. 16) e nas folhas do Razão (doc. 25) 3.5. o contribuinte não comprovou a efetiva prestação dos serviços pela CONTRATADA e a necessidade dos dispêndios à manutenção da atividade e da fonte produtora da CONTRATANTE, conforme notas fiscais obtidas junto à Expertise (doc. 24); 3.6. o procedimento contábil adotado pelo contribuinte ocultou a causa e os beneficiários destes pagamentos, omitindo, também, tais fatos geradores nas respectivas GFIP's Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 4. DA AFERIÇÃO INDIRETA DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para apuração do salário de contribuição foi utilizado o critério da aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3º, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, pela falta de identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, implementado através do cartão "Exchange Card", mediante os serviços prestados pela empresa Expertise Comunicação, bem como os respectivos valores atribuídos a cada um dos beneficiários, apesar de intimação fiscal neste sentido. 5. DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. Informa o Auditor Fiscal que em razão da ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores representados pelas remunerações oriundas dos créditos efetuados nos cartões incentivo, foram lavrados os Autos de Infração relativos às obrigações principais, os quais foram consolidados no Processo Administrativo Fiscal n° 10803.720079/201249. 6. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78, esclarece o Auditor Fiscal que na consolidação dos valores dos Autos de Infração das obrigações principais foi aplicada a multa de mora de 24%, (vinte e quatro por cento), prevista no inciso I do art, 35, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, conforme consta no Discriminativo do Débito DD. 6.1. Notadamente quanto a ausência da declaração de valores em GFIP restou caracterizada a infração praticada pelo sujeito passivo, haja vista que o mesmo deixou de apresentar o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e § 3º, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6.2. A multa a ser aplicada em decorrência da infração praticada pela empresa estaria capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, § 5º, também acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inciso II e art. 373, que consiste em 100% (cento por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite estabelecido no § 4º do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. 6.3. A infração foi praticada antes do advento da Medida Provisória MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, razão pela qual a penalidade deve resultar da comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que corresponde a 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor da contribuição lançada e a soma da multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento), prevista no inciso I do art. 35, mais a multa estabelecida no § 5º do art. 32, ambos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo, em cumprimento ao conteúdo do art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional CTN. Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 5 7 6.4. A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória foi calculada em cada competência e comparada pelo princípio da norma mais benéfica expressa no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, (doc. 29) onde restou claro que nas competências : 02/2006 a 11/2006, a multa mais benéfica foi a posterior à MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 .cabendo, portanto, a aplicação da multa estabelecida no art. 32A, § 3º, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. 6.5. Lavrado o AIOA/Debcad n° 51.026.6266, referente à penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista a falta de declaração de fatos geradores em GFIP, capitulado no Código de Fundamentação Legal CFL 78, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 7. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 30, consta que o contribuinte deixou de incluir nas folhas de pagamento das competências 01/2006 a 05/2008, as pessoas beneficiárias dos pagamentos decorrentes do programa de cartões incentivo, implementados mediante o contrato de prestação de serviços firmado com a Expertise, conforme relatado no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. 7.1. Ao deixar de preparar as folhas de pagamento contemplando todas as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil RFB, o contribuinte infringiu o dispositivo legal previsto no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 7.2. A multa aplicada foi capitulada nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e no art. 283, inciso I, alínea "a" e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 7.3. Não tendo sido apurada reincidências e nem circunstâncias agravantes, conforme demonstrativos constantes no doc. 28, a multa foi aplicada no valor de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos), em conformidade com o dispositivo legal acima, e ainda, com base no art. 8º, inciso IV, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 02, de 06/01/2012, publicada no Diário Oficial da União DOU de 09/01/2012 e retificada no DOU de 30/01/2012, mediante o Auto de Infração Debcad n° 51.026.6274. 8. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 34, consta que o contribuinte deixou de lançar em sua contabilidade das competências 01/2006 a 05/2008 os reais beneficiários dos pagamentos realizados por conta do contrato de prestação de serviços com a empresa Expertise, uma vez que a apropriação contábil do desembolso foi atribuía à própria administradora dos cartões, omitindose as pessoas contempladas com os mesmos, bem como os conseqüentes encargos previdenciários. Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 8.1. Ao deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a empresa infringiu o dispositivo legal previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 8.2. A multa aplicada foi capitulada nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e no art. 283, inciso II, alínea "a" e art. 373, do RPS, sendo que, na ausência de circunstâncias agravantes e atenuantes ou de reincidência, conforme demonstrativos constantes no doc 28, a multa foi aplicada no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos), em conformidade com o dispositivo legal acima, e ainda, com base no art. 8º, inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 02, de 06/01/2012, mediante o Auto de Infração Debcad n° 51.026.6282. DA SUCESSÃO DA CONTRACTORS PELA VIDAX 9. A Autoridade Fiscal informou as receitas declaradas em DIPJ do Contribuinte, do ano calendário 2006 a 2011, apresentaram valores decrescentes, com receita zero em 2011. Para ela, houve a dissolução irregular da sociedade, sem a devida comunicação à JUCESP e à RFB, 9.1. A Autoridade Fiscal teceu várias considerações sobre os sócios e as alterações contratuais da CONTRACTORS, itens 9.3. a 9.9. do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, e conclui que com a 9ª e última alteração conhecida, JUCESP 439.999/108, de 13/12/2010, verificase ter a CONTRACTORS, por capital social subscrito e integralizado o montante de R$ 4.210.000,00, pertencendo 50% a VALDIK GUERRA LIMA e 50% a PALMARIUM, representada por MARCELO KALFELZ MARTINS e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, administradores não sócios, e VALDIK GUERRA LIMA, administrador sócio, "pela assinatura de quaisquer dos Administradores Nãosócios", "sempre em conjunto com a assinatura do Administradorsócio". 9.2. Em 2008, por ata de assembléia geral de 21 de fevereiro de 2008, JUCESP 35300354133, 04 de março de 2008, foi constituída a sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A, tendo por sede o mesmo endereço da filial da sociedade CONTRACTORS, Avenida João XXIII, 1160, sala 20, César de Souza, CEP 08.830000, Mogi das Cruzes SP, e por objeto social o “desenvolvimento, implantação e operacionalização de serviços de teleatendimento em geral...”. 9.3. Na constituição de Vidax, constaram como seus acionistas: Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 6 9 9.4. Em 01 de julho de 2008, ingressa na sociedade ABS DIGITAL LTDA, mediante a cessão de 9.615 ações pela PALMARIUM e 2.891 ações pela GUERRA & CARLA. É aberta uma filial na Rua Sete de Abril, 230, 10° andar, conjunto 103, São Paulo, no mesmo endereço da matriz da sociedade CONTRACTORS, extinta. 9.5. Posteriormente, o capital da sociedade foi aumentado, de 500.000 ações ordinárias nominativas para 45.000.000 de ações ordinárias nominativas, subscritas por: 9.6. Em assembléia geral extraordinária de 16 de maio de 2011, foi autorizada a emissão de 11.250.000 ações preferenciais nominativas, ao preço de emissão de R$ 4.08888889, totalizando R$ 46.000.000,00, subscritas pela sociedade PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S/A, representada por MARCELO KALFEZL MARTINS e MARCELO AMARO DA SILVA, ficando o capital da sociedade VIDAX elevado a R$ 91.000.000,00. 9.7. Na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de abril de 2012, foram reeleitos Marcelo Kalfelz Martins e Marcos Vinícius Do Carmo, respectivamente, diretor presidente e diretor geral da sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A., CNPJ 09.420.467/000165. Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 9.8. Abaixo, informações extraídas das DIPJ da CONTRACTORS e de VIDAX, que corroboram a extinção irregular da primeira e o nascimento e evolução da sociedade VIDAX: 9.9. Informa a Autoridade Fiscal que a sociedade VIDAX passou, após sua constituição em 2008, a explorar, no mesmo endereço, com os mesmos empregados, sob administração das mesmas pessoas físicas, a mesma atividade explorada pela sociedade CONTRACTORS, até sua presumível extinção irregular, pela ausência de receitas auferidas no anocalendário 2011. 9.10. Em consulta ao Banco de Dados constantes do CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais e da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social, a Fiscalização indicou as seguintes relações de pessoas físicas entre as empresas VIDAX e CONTRACTORS: GILBERTO JANSEN SANTOS – Data de admissão na CONTRACTORS 01 de julho de 2008. Data de admissão na VIDAX 01 de julho de 2008. Última remuneração na CONTRACTORS dezembro de 2008. Primeira remuneração na VIDAX janeiro de 2009. Data da movimentação 01 de janeiro de 2009. Código da movimentação N3. Rescisão na VIDAX 28 de agosto de 2012. MONALISA COSTA FERREIRA LEITE – Data de admissão na CONTRACTORS 01 de março de 2005. Data de admissão na VIDAX 01 de março de 2005. Ultima remuneração na CONTRACTORS dezembro de 2008. Primeira remuneração na VIDAX janeiro de 2009. Data da Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 7 11 movimentação 01 de janeiro de 2009. Código da movimentação N3 LIDIANE ALVES DE OLIVEIRA Data de admissão na CONTRACTORS 03 de abril de 2009. Data de admissão na VIDAX 03 de abril de 2009. Ultima remuneração na CONTRACTORS agosto de 2009. Primeira remuneração na VIDAX setembro de 2009. Rescisão na VIDAX 05 de março de 2010. ALICE VAZ DA COSTA Data de admissão na CONTRACTORS 14 de julho de 2009. Data de admissão na VIDAX 14 de julho de 2009. Ultima remuneração na CONTRACTORS dezembro de 2009. Primeira remuneração na VIDAX dezembro de 2009. Rescisão na VIDAX 19 de janeiro de 2010. 9.11. O código N3 corresponde a “Empregado proveniente de transferência de outro estabelecimento da mesma empresa ou de outra empresa, sem rescisão de contrato de trabalho”. 9.12. De acordo com relação SEFIP, (doc. 34) identificado por GFIP 01/2009, todos os trabalhadores ali relacionados, como movimentados em 01 de janeiro de 2009, tem por código de movimentação N3. 9.13. Constatou a Fiscalização que além de exercer a mesma atividade no mesmo endereço e administrada pelas mesmas pessoas, a sociedade VIDAX assumiu o passivo trabalhista da CONTRACTORS. Desses fatos, conclui a Autoridade Fiscal, por presunção comum, que a sociedade VIDAX é sucessora da sociedade CONTRACTORS, seja pela aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento, quer pela transformação desta, o que não altera a condição de responsável pelo crédito tributário apurado junto a CONTRACTORS, ao teor do que dispõe os Artigos 129, 132, “caput”, e 133, “caput” e inciso I, da Lei n° 5.172/66 (CTN). 9.14. Consta que a CONTRACTORS, em atendimento ao solicitado no Termo de Início do Procedimento Fiscal, apresentou cópia dos documentos das seguintes pessoas físicas como tendo sido seus administradores nos anos calendário de 2006 a 2008 (doc. 07): VALDIK GUERRA LIMA; MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, EDUARDO MARQUES SAMPAIO. 9.15. Consta que, de acordo com informações da JUCESP, o Contribuinte deixou de informar os seguintes administradores: CARLOS SOTTO MAIOR e MARCELO KALFELZ MARTINS. 9.16 Afirma o Auditor Fiscal que esses administradores praticaram atos com infração de lei, tanto relativamente ao registro contábil dos pagamentos efetuados a Expertise Comunicação Total Ltda, com a apropriação de despesas não dedutíveis, quanto em relação a dissolução da sociedade, sem comunicação aos órgãos de registro e a RFB, Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 tornandose responsáveis solidários pelos crédito tributário apurado junto à sociedade CONTRACTORS, e sucessora, correspondentes aos anos calendário de 2006 a 2008. 9.17. A Fiscalização formalizou a Representação Fiscal para Fins Penais, pois restou caracterizado, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, em conformidade com art. 337A, do Decreto Lei n° 2.848/40 Código Penal, na forma da Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010. 9.18. Em seguida, a Autoridade Fiscal demonstra o relacionamento direto e/ou indireto de CONTRACTORS com outras sociedades: 1 PALMARIUM PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. CNPJ – 08.094.357/000198 ▪ Sociedade detentora de 50% do capital social da CONTRACTORS, constituída em 01 de junho de 2006, JUCESP 35220723434, 21 de junho de 2006, tendo por titulares do capital social ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE, CPF 052.18362808, EDUARDO MARQUES SAMPAIO, CPF 824.994.89715, e MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000 ▪ Em sua primeira alteração contratual, JUCESP 19.368/070, 13 de março de 2007, os titulares do capital social cedem e transferem suas quotas, a título oneroso, às pessoas jurídicas abaixo relacionadas, na forma a seguir demonstrada, e são nomeados administradores da sociedade: MARCELO KALFEZ MARTINS: 11.667 quotas a AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA. CNPJ: 02.808.992/000103; 11.667 quotas a A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116, e, 10.000 quotas a MTM CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S/C LTDA. CNPJ: 03.218.131/000138. EDUARDO MARQUES SAMPAIO: 33.333 quotas a AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA . CNPJ: 02.808.992/000103. ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE; 33.333 quotas a A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116. Representada por seu Diretor Presidente, MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.388.33000, na segunda alteração contratual, JUCESP 71.465/078, 12 de abril de 2007, é admitida como sócia cotista da PALMARIUM a sociedade JIREH PARTICIPAÇÕES S.A., inscrita no CNPJ sob número 08.750.677/000159, com a cessão de transferência, a título oneroso, de 15.000 cotas por cada uma das sociedades AGPM e A. ATHAYDE. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 8 13 ▪ Arquivada na JUCESP sob nº 255.122/081, em 13 de agosto de 2008, retiramse da sociedade as cotistas AGPM e DARDA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA, nova razão social de A. ATHAYDE, com a cessão e transferência de suas cotas, a título oneroso, da seguinte forma: DARDA (ex A. ATHAYDE) = 10.000 cotas a MTM, e 20.000 cotas a JIREH. AGPM = 30.000 cotas a MTM. ▪ Neste ato, são destituídos os administradores não sócios ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE e EDUARDO MARQUES SAMPAIO, permanecendo como administradores os remanescentes MARCOS VINÍCIUS DO CARMO e MARCELO KALFELZ MARTINS. ▪ Com a 4ª e última alteração contratual arquivada na JUCESP sob n° 342.339/102, em 27 de setembro de 2010, as sócias cotistas, JIREH e MTM, representadas, respectivamente, por MARCELO KALFELZ MARTINS e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, decidem que a sociedade MTM cede e transfere, a título oneroso, 30.000 cotas de capital a cotista JIREH, e alteram o endereço da sociedade PALMARIUM, coincidentemente, para o mesmo endereço da sociedade CONTRACTORS, Rua sete de abril, 230, conjunto 104, CEP 01.044000, República, São Paulo SP, mantidos como administradores as mesmas pessoas físicas, ora mencionadas. 2 JIREH PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ 08.750.677/000159 ▪ Sociedade anônima que tem por acionistas seu Diretor Presidente MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000, e sua Diretora FLAVIA FIGUEIREDO MARTINS, CPF 987,651.32068, nos termos dos atos arquivados na JUCESP sob n° 35.528/102, 26/01/2010, 347.433/100, 23/09/2010, 55.481/112, 08/02/2011, 161.687/118, 29/04/2011, e 103.539/128, 28/03/2012. ▪ Destacase a Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 20 de abril de 2011, arquivada na JUCESP sob número 161.687/118, em 29 de abril de 2011, onde "verbis", "os acionistas deliberaram, à unanimidade e sem reservas, autorizar o Sr. Presidente, como representante da Companhia, a praticar, pessoalmente ou através de procuradores devidamente constituídos, todos os atos necessários ou convenientes que permitam à sociedade prestar garantias a obrigações em favor de terceiros, sem limite de valor e para as pessoas jurídicas que entender conveniente, desde que tenham vínculo societário com a Companhia, notadamente para as empresa VIDAX TELESERVIÇOS S.A. devidamente inscrita no CNPJ sob o n° 09.420.467/000165 e PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A. devidamente inscrita no CNPJ sob o n° 12.498.904/000178”. 3 MTM CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S/C LTDA. CNPJ: 03.218.131/000138 Em Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 relação a esta sociedade, NIRE 35222320582, "não consta", nos arquivos da JUCESP, arquivamentos posteriores a sua constituição, que ocorreu em 09 de maio de 2008, início de atividades em 29 de abril de 2008, capital de R$ 2.000,00, sede na Alameda dos Cravos, 926, Moradas das Flores, CEP 06.519500, Santana de Parnaíba SP.,sócios cotistas LILIA YURIE KODAMA DO CARMO, CPF 045.319.13809, e MARCOS VINÍCIUS DO CARMO, CPF 051.650.71847 4 AGPM ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE MARKETING LTDA. CNPJ: 02.808.992/000103; Sociedade com sede na Rua Portugal, 64, Jardim São Luiz, CEP 06.502370, Santana de Parnaíba SP., constituída em 12 de novembro de 2004, tendo por sócio cotistas ANA BEATRIZ FERREIRA DE MELLO, CPF 084.342.82879, e EDUARDO MARQUES SAMPAIO, CPF 824.994.89715, com capital social de R$ 30.000,00. 5 DARDA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA. CNPJ: 03.906.461/000116; Constituída em 23 de junho de 2003, razão social atual de A. ATHAYDE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL E ASSESSORIA ADMINISTRATIVA LTDA., com capital social de R$ 10.000,00, tendo por sócios cotistas ALEXANDRE OLIVEIRA DE ATHAYDE, CPF 052.183.62808, e CRISTIANA FERREIRA OLIVEIRA GOMES DE ATHAYDE, CPF 136.420.20852, com sede na Rua Barão de Campos Gerais, 173, conj. 21, Real Parques, CEP 05.684000, São Paulo SP. 6 PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ 12.498.904/000178; ▪ Sociedade anônima de capital fechado, constituída por ata de 09 de junho de 2010, tendo por acionistas: LUIZ RODOLFO PALMEIRA VASCONCELLOS, CPF 892.195.20710, e ANTONIO LUIZ DE OLIVEIRA PINTO PASCOAL, CPF 007.997.16871, e capital constituído de 2.500 ações ON e 2.500 ações PN, integralizadas 1 ação PN pelo segundo acionista e todas as demais, 2.499 PN e 2.500 ON, pelo primeiro acionista, JUCESP 3530038/823, 05 de julho de 2010, protocolo 1190965/100 e 0.601.252/100, com a denominação SDG5 PARTICIPAÇÕES S.A. ▪ Conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 05 de agosto de 2010, arquivada na JUCESP sob n° 313.009/107, em 31 de agosto de 2010, decidiram os acionistas pela rerratificação da assembléia anterior, substituindo o boletim de subscrição, mantida a mesma MARCELO KALFELZ MARTINS, VALDIK GUERRA LIMA e CARLOS SOTTO MAIOR participação no capital, e juntar o Estatuto Social da Companhia. ▪ Em assembléia de 15 de setembro de 2010, JUCESP N° 351.050/103, 29 de setembro de 2010 é alterada a denominação da sociedade para CÁSPIO PARTICIPAÇÕES S.A., criado o Conselho de Administração, eleito seus membros, e o cargo de Diretor de Relação com Investidores, e aumentado o capital social mediante a emissão de 45.000 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, integralmente subscritas pelo acionista LUIZ RODOLFO PALMEIRAS VASCONCELLOS, ao preço de emissão de R$ 1,00 por ação. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 9 15 ▪ Eleitos Diretor Presidente e de Diretor de Relação com Investidores, respectivamente, ANTONIO LUIZ DE OLIVEIRA PINTO PASCOAL e LUIZ RODOLFO PALMEIRA VASCONCELLOS, em reunião do Conselho de Administração de 15 de setembro de 2010, JUCESP 351.051/107, 29 de setembro de 2010. ▪ As Atas das Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária de 14 de abril de 2011, JUCESP 144.739/112, 15 de abril de 2011, consignam a alteração da denominação da sociedade para PROVIDAX PARTICIPAÇÕES S.A., e do endereço para Rua 7 de abril, 230, 10° andar, Bloco A, CEP 01.044000, a renúncia e eleição de novos membros do Conselho de Administração, o aumento do capital social mediante a emissão de 10.000 ações ON, sem valor nominal, subscritas e integralizadas, com a renúncia dos demais acionistas, por JIREH PARTICIPAÇÕES S.A., representada por MARCELO KALFEZL MARTINS, ao preço de emissão de R$ 1,00 por ação, mediante a capitalização da totalidade do saldo em 8 de abril de 2011 da conta adiantamento para futuro aumento de capital no montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais). ▪ Em Reunião do Conselho de Administração de 14 de abril de 2011, ata arquivada na JUCESP sob n° 144.740/114, em 15 de abril de 2011, foram eleitos, com mandato de dois (2) anos, MARCELO AMARO DA SILVA, CPF 101.190.88835, Presidente do Conselho de Administração e Diretor de Relações com Investidores, e MARCELO KALFELZ MARTINS, CPF 433.368.33000, Diretor Presidente, e autorizado a subscrição de ações preferências nominativas, sem valor nominal, representativas de até 20% do capital social, a serem emitidas pela VIDAX TELESERVIÇOS S.A., CNPJ 09.420.467/000165. ▪ Em relatório de Auditores Independentes, anexo a Ata de Reunião do Conselho de Administração de 27 de julho de 2011, JUCESP 362.626/100, 08 de setembro de 2011, foi relatado que a PROVIDAX subscreveu 11.250.000 ações PN, representativas de 20% do capital social da VIDAX TELESERVIÇOS S.A. ▪ Por último, em reunião realizada em 22 de junho de 2012, ata arquivada na JUCESP sob n° 288.881/126, em 05 de julho de 2012, foi autorizada a subscrição de ações preferenciais nominativas, sem valor nominal, a serem emitidas pela VIDAX TELSERVIÇOS S.A.,representativas de até dez (10%) por cento do capital desta sociedade. 9.19. Abaixo, demonstrativo de participação no capital de cada uma das sociedades acima arroladas: Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 9.20. Concluiu a Autoridade Fiscal pelos fatos expostos, redirecionar a constituição do crédito tributário à sociedade VIDAX TELESERVIÇOS S/A, como sucessora da CONTRACTORS, ao amparado nos disposto nos artigos 129, 132 e 133, “caput”, e inciso I, da Lei n° 5172/66 (CTN). 9.21. Às fls. 1900/1901, há o Termo de Início do Procedimento Fiscal, Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 08.1.20.002012003748, comunicando à Vidax Teleserviços S.A., sobre o inicio do procedimento fiscal naquela empresa e, cientificandoa do procedimento fiscal junto a CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA – CNPJ 02.585.604/000172, Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 10 17 autorizado pelo MPF nº 08.1.20.002012003748, onde foram constatadas irregularidades na apropriação de despesas relacionadas a pagamentos efetuados a EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., nos anos calendário de 2006 a 2008, que resultaram na apuração de credito tributário relativo a Contribuição à Previdência Social e, os relativos ao IRPJ, CSLL, e IRRF. 9.21.1. Informa, também, o MPF, que no referido procedimento fiscal foi constatado ser a VIDAX TELESERVIÇOS S/A sucessor da CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA, extinta irregularmente. Ciência em 08/10/2012, fls. 1902. 10. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidaria – Assuntos Previdenciários, dos contribuintes: ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 1 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: VALDIK GUERRA LIMA – CPF 030.140.30821, à Rua Monte Alegre, nº 838, Apto. 21, Perdizes São Paulo – SPCEP 05014000, fls 1906/1908 – ciência em 14/11/2012, fl. 1909; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 2 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: CARLOS SOTTO MAIOR – CPF 261.253.82753, à Rua Pensilvânia, nº 114, BL 01 – Apto. 202, Cidade Monções São Paulo – SPCEP 04564000, fls. 1910/1912 ciência em 14/11/2012, fl. 1913; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 3 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: EDUARDO MARQUES SAMPAIO – CPF 824.994.89715, à Rua Carlos Weber, nº 757 – Apto. 271 – T CIRUS, Vila Leopoldina São Paulo – SPCEP 05303000, fls. 1914/1916 ciência em 14/11/2012, fl. 1917; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 4 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: MARCELO KALFELZ MARTINS – CPF 433.368.38000, à Rua Gabriel dos Santos, nº 794 – Apto. 81, Santa Cecília São Paulo – SPCEP 01231010, fls. 1918/1920 ciência em 14/11/2012, fl. 1921; ▪ TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 5 – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Sujeito Passivo Solidário: MARCOS VINÍCIUS DO CARMO – CPF 051.650.71847, à Alameda dos Cravos, nº 929, Aldeia da Serra – Santana de Parnaíba São Paulo – SPCEP 06519500, fls. 1922/1924 ciência em 26/11/2012, fl. 1925. ▪ SUJEITO PASSIVO: VIDAX TELESERVIÇOS S/A – CNPJ 09.420.467/000165– à Avenida João XXIII, nº 1160, sala 20, Cezae de Souza – Mogi das Cruzes – SP – CEP 08830000 ► 9. DA IMPUGNAÇÃO da VIDAX TELESERVIÇOS S/A; MARCELO KALFELZ MARTINS e, VALDIK GUERRA LIMA. , protocolada em 14/12/2012, na DRF – S. José dos Campos. 9.1. Os impugnantes: MARCELO KALFELZ MARTINS e, VALDIK GUERRA LIMA, foram cientificados dos Autos de Infração e da Sujeição passiva em 14/11/2012, fls. 1921 e fls. Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 18 1909, respectivamente. O sujeito passivo: VIDAX TELESERVIÇOS S/A, foi cientificada em 16/11/2012, apresentaram impugnação conjunta para as referidas autuações, às fls. 1942/1990 , com juntada de procuração, documentos de identificação de seus procuradores, ata de eleição de diretoria e estatuto social. 9.2. Os impugnantes apresentam um breve relato sobre os autos de infrações lavrados, da exigência dos créditos a titulo de contribuições previdenciárias, período de apuração e sobre os fundamentos legais dos lançamentos, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 10. DA PROVA EMPRESTADA 10.1 Constam do Termo de Verificação Fiscal, que a ação fiscal foi impulsionada pelos Ofícios expedidos pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios que encaminhou documentos relativos à "Operação Aquarela", que teve acompanhamento pela Receita Federal do Brasil e que a RFB apurou uma vertente do suposto esquema fraudulento onde a empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA figurou como empresa do segmento de cartões, fornecendo serviços para implementação de campanhas de incentivo com pagamento de prêmios às pessoas indicadas por seus clientes, mediante a distribuição de cartões com os respectivos créditos, possibilitando a estes beneficiários sacarem em espécie o montante que lhes fora premiado. 10.2 A "Operação Aquarela" teria sido iniciada para a verificação de suposta organização criminosa. 10.3 Não há nos autos do processo administrativo qualquer evidência de que houve, pelo Poder Judiciário, permissão para o compartilhamento dos objetos apreendidos através dos mandados de busca e apreensão autorizados pela justiça. E, salvo melhor juízo, em nenhum momento deste procedimento houve qualquer intimação aos Impugnantes, ou mesmo ação criminal que lhes reduza a credibilidade. 10.4 Não houve autorização para o compartilhamento de informações, tal compartilhamento deveria, necessariamente, ser autorizado pelo DD. Juiz da 1ª Vara Criminal Federal de Brasília e estar presente nas intimações recebidas pelos contribuintes. 10.5 Que as "provas emprestadas", nada provam contra os Impugnantes, são ilícitas, não podendo servir de base para a autuação pretendida pela fiscalização e, se tratando de "prova emprestada ilícita", cumulado à inexistência de ação criminal contra os Impugnante, as suposições descritas no lançamento fiscal, não podem ser consideradas, devem ser julgadas nulas de pleno direito. 10.6. Tal procedimento viola frontalmente os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. 11. DA SÍNTESE DOS FATOS 11.1. A autoridade fiscal sustenta que os Impugnantes, através da empresa CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 11 19 TELEATENDIMENTO LTDA, realizaram pagamentos de salários indiretos aos seus funcionários, em razão do universo de notas fiscais emitidas pela EXPERTISE, nos anos de 2006 a 2008, conjugado com contrato de fornecimento de cartões Exchange Card firmado entre ambas as empresas. 11.2 Entendem as Impugnantes que CONTRACTORS comprovou o pagamento total das notas fiscais à EXPERTISE e, que os valores desembolsados a este título foram levados ao resultado do exercício com registro em contas de despesas "Mão de Obra" pessoa jurídica. 11.3. A autoridade Fiscal apontou que a CONTRACTORS não comprovou a efetiva prestação de serviços pela empresa EXPERTISE, nem a necessidade dos desembolsos à manutenção da atividade e da fonte produtora e, mesmo assim, alega que o procedimento contábil adotado possibilitou a ocultação dos beneficiários dos cartões e, consequentemente, ocasionou a não inclusão dos mesmos na GFIP (guia de recolhimento do fundo de garantia do tempo de serviço e informação à previdência social) dos fatos geradores decorrentes desta operação. 11.4. Por entendimento unilateral a fiscalização entendeu serem devidas as obrigações lançadas nos processos 10803.720080/201273 e 10803.720079/201249. 12. DA PRESUNÇÃO DA SUCESSÃO 12.1. As Impugnantes alegam que com a retração do mercado passou a apresentar receita menos considerável e que a diminuição das receitas não poderia conduzir ser entendido como dissolução irregular da sociedade. 12.2. Que a Fiscalização deixou de observar e aplicar as diligências e atenção ao disposto nos artigos 112 e 142 do Código Tributário Nacional – CTN, ao presumir o redirecionamento, constituiu o crédito tributário, sem prova material de que a Impugnante, em conluio, destinou receita da CONTRACTORS para a VIDAX. 12.3. O ônus da prova em que se assentam as presunções é da autoridade lançadora. Assim, em face da ausência de qualquer prova, o presente auto de infração deve ser julgado nulo. 13. DEFINIÇÃO DOCUMENTAL 13.1. As Impugnantes discorrem sobre o tema “documento”, destacando o sentido amplo da palavra e o estritamente jurídico para concluir que a idéia que se tem de documento, intuitivamente, não difere muito da definição gramatical e mesmo jurídica. Em sentido amplo, documento é todo objeto material destinado a provar um fato. A prova documental ocupa lugar de destaque no processo administrativo tributário, pois consiste no conjunto que se presta para representar um fato. 13.2. Alegam que, no direito tributário, elegemse como fatos desencadeadores de vínculos obrigacionais, atividades que, por sua peculiaridade, originam uma documentação própria, como a Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 20 existência de deveres instrumentais impostos ao sujeito passivo, implicando a realização de registros fiscais, ou seja, DIPJ, DACON, DCTF, entre outros e, disso decorre a importância da examinada modalidade probatória na esfera tributária prescrevendo o artigo 195 do Código Tributário Nacional. 13.3. Que a referencia à prova emprestada processual aplicada à esfera tributária é observada no Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário federal, que prescreve em seu artigo 30, § 3º, a atribuição de eficácia aos laudos financeiros e cópias em língua estrangeira. 13.4. Que a despeito da prova emprestada, a esta se aplica as exigências inerentes às modalidades probatórias, fazendose necessário que: (i.) a prova tenha sido produzida em processo envolvendo as mesmas partes; (ii.) na produção da prova, cujo conteúdo pretende transladar, tenham sido observadas as formalidades estabelecidas em lei, e (iii.) haja identificação entre o fato probando do primeiro e do segundo processo. 13.5. As informações advindas do órgão fazendário (sem prova de quem elaborou; sem indícios de processos criminais; sem assinatura dos responsáveis) de outra pessoa do executivo, não são suficientes para, por si só, provar fato jurídico ou ilícito tributário, autorizando a lavratura do ato de lançamento ou de aplicação de penalidades. Especialmente no presente caso, em que os processos não envolvem efetivamente as mesmas partes e em que não foram respeitadas as determinações legais. 13.6. Argumentam os impugnantes que a título de uma medida de dois pesos, que a fiscalização foi muito exigente ao requerer que as respostas da Impugnante fossem devidamente escritas e assinadas. Por outro lado, aceitou uma a informação de terceiro (expertise) para fazer "presumir o fato gerador" dos tributos exigidos na autuação combatida, mesmo que em valores expressivos. Como se alegações pudessem fazer nascer o fato gerador de tributos. 13.7. Que a utilização das informações, sem que a Autoridade Fiscal buscasse a materialização de supostas provas, de que houve ocultação de beneficiários, transfere aos autos, a nulidade absoluta ao Lançamento Fiscal. 14. DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO 14.1. As Impugnantes discorrem sobre a natureza jurídica do lançamento, notadamente o artigo 142 do Código Tributário Nacional e argumentam que não foi respeitado o devido processo legal administrativo. Entendem, que houve desrespeito também aos princípios da Constituição Federal de 1988, dos principio do juízo natural, da investidura e do devido processo legal, que garante a ampla defesa e o contraditório, o que resultando pela sua inobservância na nulidade absoluta do processo. 14.2. Argumentam sobre a amplitude probatória, garantia Constitucional ligada ao princípio do contraditório e ao direito da ampla defesa e sobre a prova, a verificação através de fontes Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 12 21 reais, que atestam à época os atos e fatos, e, que a missão da prova é a de verificar e esclarecer para chegar à verdade, que é essência fundamental constitucional do direito ao devido processo legal. 14.3. E o art. 112 do CTN é expresso ao afirmar que, em caso de dúvida ou de ausência de provas robustas, interpretasse a lei tributária de maneira favorável ao contribuinte, no caso, a autoridade fiscalizadora deveria deixar de efetuar lançamento tributário, pelo princípio da legalidade (da estrita legalidade tributária). 15. DO DEVER DE REVER O ATO ADMINISTRATIVO 15.1. O procedimento administrativo, que culminou com o lançamento de ofício geraram fortes efeitos aos Impugnantes, inclusive com reflexos na área penal. Com base no art. 145, I, do Código Tributário Nacional, os Impugnantes buscam fazer valer o seu direito de defesa da revisão do lançamento. 15.2. Pedem seja aplicado o princípio da verdade material, que obrigaria à fiscalização a buscar a realidade dos fatos. Se um terceiro levanta suspeita contra o contribuinte e este, intimado, apresenta as suas informações, a fiscalização deve averiguar as informações prestadas, e buscar a realidade dos fatos, não pode desconsiderar os documentos contábeis e acatar suposição de terceiros. 15.3. Alega que o Fisco já vinha acenando, a cada manifestação, a cada requerimento de informações, que o lançamento seria concretizado com ou sem respostas dos requerimentos: com ou sem provas! 15.4. Que o Fisco verificou todo o acervo contábil da Impugnante, e, não detectando qualquer evidência de dolo ou culpa, tomou por ato isolado a concretização do lançamento mediante "prova" emprestada. O lançamento teve como fundamento a "prova" realizada por terceiros, que deve ser revisto. 15.5. O lançamento tributário prescinde de prova robusta, qualquer que seja o indício, deve ser necessariamente provado. Dessa forma, apenas a existência de indícios ou presunções não pode caracterizar o crédito tributário. Qualquer que seja o indício, ele deve ser necessariamente provado. Dessa forma, houve cerceamento de defesa, em decorrência da ausência de comprovação de que os mesmos clientes da CONTRACTORS foram os mesmos clientes da VIDAX para que restasse configurada a sucessão pretendida. 16. DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 16.1. O artigo 114 do Código Tributário Nacional define o conceito do fato gerador, que tem uma consequência jurídica específica, pagar o tributo. O lançamento visa organizar os acontecimentos ocorridos enquadrado na legislação. A atividade fiscal é exclusiva e privativa da autoridade administrativa A responsabilidade da autoridade administrativa é preponderante Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 22 na busca do crédito. Esta responsabilidade vai no exame de forma acurada e profunda, verificando as atividades econômicas mediante o elo desta atividade com o fato gerador. Em caso de dúvida não há a possibilidade de penalizar o contribuinte (art. 112 do CTN). 16.2. A Impugnante prestou as informações requeridas pela autoridade administrativa. 17. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 17.1. Quanto às contribuições exigidas pelo Fisco, cabe ao próprio sujeito passivo apurar o montante do tributo devido, mediante a escrituração contábil, emitir a Guia de Informação e Apuração, e recolher o montante aos cofres públicos, sem qualquer participação da Administração Pública, sendo o caso de lançamento por homologação. 17.2. As normas dos artigos 150, § 4º, e 173, I, do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas reciprocamente excludentes. A primeira aplicase exclusivamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; a segunda aplicase aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. 17.3. O lançamento fiscal ocorreu em novembro de 2012. Na realidade, por tratar de contribuições (tributos sujeitos pela legislação ao lançamento por homologação), e vinculandose diretamente aos meses de janeiro/2006 à maio/2008, a autoridade administrativa, ao realizar o lançamento fiscal, não observou a homologação tácita. 17.4. O artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o qual as normas Federais se conduzem, fixa o prazo de 05 (cinco) anos para ocorrer a homologação, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, assim, para as Impugnantes, todos os fatos geradores supostamente ocorridos até novembro de 2007 foram alcançados pela decadência e não podem ser exigidos. 17.5. E ainda que se aplicasse o art. 173, I, do CTN, ao invés do § 4º do art. 150, seria necessário o reconhecimento da decadência ao menos dos fatos geradores supostamente ocorridos em 2006. 18. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MARCELO KALFELZ MARTINS VALDIK GUERRA LIMA 18.1. Defende a Impugnante que o arrolamento de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima como responsáveis pela obrigação tributária não preenche os requisitos mínimos necessários, sendo eles partes ilegítimas para figurar no pólo passivo da autuação. 18.2. E, sendo o processo administrativo fiscal uma fase de revisão do ato do lançamento, cujo objetivo é o de analisar a legalidade do lançamento, compreendendo a verificação da ocorrência do fato gerador, a inclusão de Marcelo Kalfelz Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 13 23 Martins e Valdik Guerra Lima, como devedores solidários. O Decreto 70.235/72 determina que apenas o real sujeito passivo da obrigação tributária pode apresentar recurso. Assim, não lhes foi oferecido o direito à ampla defesa e do contraditório, o que fere também o princípio do devido processo legal. 18.3. Além disso, no texto da intimação do Auto de Infração, não constou expressamente a qualificação de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima, bem como a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias. No Termo de Sujeição Passiva Solidária, não consta o número do processo e o prazo para impugnação. 18.4. Em nenhum momento a Fiscalização apontou a qualificação e as circunstâncias que destacassem a responsabilidade solidária dos impugnantes. O simples fato de serem sócios não possibilita a sujeição como solidários. Dentro dos limites jurídicos permitidos pelos instrumentos legais (Artigo 142 Código Tributário Nacional) é vedada a ampliação da norma legal, devendo a mesma ser interpretada da maneira menos danosa ao cidadão, em razão de que, em nosso sistema, vige o Princípio da Legalidade, que obriga que as eventuais responsabilidades sejam expressas em norma jurídica competente. 18.5. O art.10 do Decreto 70.235/72 disciplina que o auto de infração conterá a qualificação do autuado e a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Não há nas folhas de verificação e conclusão da fiscalização demonstração entre os fatos apontados e a responsabilidade dos Impugnantes. 18.6. Diante da ausência das qualificações dos sujeitos passivos solidários (MARCELO KALFELZ MARTINS e VALDIK GUERRA LIMA), motivado pela natureza da infração, pois, faltou à autuação o complemento indispensável à constituição do crédito tributário, impossibilitando ao sujeito passivo solidário a exercer seu direito de ampla defesa as margens do Princípio da Legalidade, requer o reconhecimento da NULIDADE do feito. 19. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR 19.1. Para configurar como responsável pelo pagamento de crédito tributário os Impugnantes: Marcelo Kalfelz Martins e, Valdik Guerra Lima a configuração da responsabilidade de terceiro, nos termos da Lei, depende da ocorrência de 02 (dois) pressupostos básicos previstos no artigo 135 do Código Tributário Nacional: (i) que o ato que irá dar origem à obrigação tributária deva ser praticado com excesso de poderes ou infração à Lei, contrato social ou estatutos, e (ii) este mesmo ato deve ser realizado por alguma das pessoas elencadas nos incisos do artigo 135, a qual passará a ser responsável pelo crédito tributário. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 24 19.2. Quanto à responsabilidade tributária por solidariedade, ressalva que se configura solidariedade, quando houver mais de uma pessoa física que, agindo com excesso de poderes ou infração à Lei, contrato social ou estatuto, contribua para o surgimento da obrigação tributária, conforme artigo 124, I do Código Tributário Nacional. 19.3. Ainda que estivessem preenchidos os requisitos previstos no art. 135 do CTN, só se afiguraria possível a inclusão de Marcelo Kalfelz Martins e de Valdik Guerra Lima como responsáveis tributários quando devidamente comprovada a insuficiência do patrimônio da CONTRACTORS ou VIDAX. 19.4. No presente caso, não foi demonstrada de forma circunstanciada e pormenorizada os critérios utilizados e quais foram os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei contrato social, nos termos do art. 135 do CTN. DO MÉRITO 20. DA AUSÊNCIA DE SUCESSÃO 20.1. As Impugnantes mencionam o art. 133 do CTN, atentando que em nenhum momento se provou que a empresa CONTRACTORS encerrou as suas atividades e, ao contrário, encontrase ativa na JUCESP e na própria RFB. 20.2. Observa que o livro registro de empregados, contrato social, clientes e outros documentos, que se encontrava em poder da CONTRACTORS, e folhas de pagamento inclusive que sequer foram colacionadas nos autos, que sem estes elementos, não pode haver a caracterização de aquisição de uma empresa. A julgar pelo relatado que os empregados foram transferidos sem rescisão contrato do trabalho, estes ainda que na folha de terceiros, não permitem inferir que tenha havido contrato de compra e venda. 20.3. Argumenta que na manifestação fiscal, observase como qualificada, a suposta sucessora VIDAX da empresa CONTRACTORS nos períodos referentes a 2006, 2007 e 2008. Ocorre que na forma das alterações contratuais colacionadas pelos Auditores Fiscais, a VIDAX ainda não existia e que somente veio a ser registrada a partir de 21.02.2008. Deveria a fiscalização ter requerido à época da fiscalização uma diligência para esclarecimentos. O que não fez. 20.4. Observa que diante de toda a documentação sobre alterações contratuais colacionadas, não vincula efetivamente e tampouco faz menção alguma a eventual compra da CONSTRACTORS pela VIDAX ou por alguma das pessoas arroladas. 20.5. Considera que a empresa tomada como sucedida está em pleno exercício de suas atividades, para a Impugnante, o lançamento deveria ter sido realizado, por ainda não estar extinta, somente contra a CONTRACTORS e que houve erro de sujeito passivo na autuação fiscal combatida. 21. Do Princípio da Verdade Material Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 14 25 21.1. A Autoridade Administrativa deve buscar a verdade material, De acordo com o previsto no § 1º, II, do art. 59 do Decreto 70.235/72, a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou seja consequência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. 21.2. Se o vício estiver instalado na produção, é caso de nulidade (defeito de composição, explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, falta de materialidade ou determinação do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis) por vício material. 21.3. Para a Impugnante, houve a ocorrência de vício material na autuação, sendo, assim, requer a declaração da nulidade da autuação em PRELIMINAR. 22. Da Ausência da Demonstração da Base de Cálculo e da Ausência de Ocultação de Beneficiário 22.1. O valor do lançamento não apresenta detalhadamente a base de cálculo, período, juros mensal, limitandose somente a globalizar o valor da importância sem que haja qualquer evidência para verificação dos cálculos e fatos gerados. 22.2. A fiscalização menciona que a Impugnante fez comprovar o pagamento do valor total das notas fiscais emitidas pela EXPERTISE, fato suficiente para reconhecer a referida natureza dos dispêndios com apoio em documentado hábil e idôneo 22.3. A Fiscalização sequer procurou identificar os supostos beneficiários, bastando o silêncio da Impugnante sobre esse assunto para que fosse evidenciada a suposta ocultação. 22.4. Não há como entender como é possível ocorrer o lançamento de contribuições previdenciárias da parte "segurados", se, segundo a própria fiscalização, não foram identificados os beneficiários dos cartões. Sem esta informação, como o Fisco poderia abater o valor já recolhido pela empresa em relação aos supostos funcionários. Como poderia respeitar o limite máximo da contribuição. Como poderia calcular a alíquota progressiva da contribuição previdenciária? 22.5. Como se não bastasse, também seria necessária verificar a qual título os pagamentos eram realizados. Afinal, tais cartões eram utilizados apenas para pagar verbas não remuneratórias, em relação aos quais não incidem contribuições previdenciárias. Dentre elas, destaca as indenizações, despesas com almoço de negócios, prêmios (assiduidade, permanência, etc). 22.6. Também não há que se falar nas demais contribuições previdenciárias (parte empresa e terceiros), muito menos nas multas exorbitantes exigidas, razão pela qual os autos de infração merecem ser totalmente cancelados. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 26 22.7. Ainda, em relação às multas, é certo que estas não respeitam os limites legais impostos. Primeiro porque a Lei n° 11.941/11 não prevê a possibilidade de cumulação das multas, conforme defendido no auto de infração. Ela prevê, sim, que seja aplicada a menor multa, mas sem somar as penas (artigos 32 e 35 da referida) 23. DO PEDIDO 23.1. Requer o provimento do recurso, que seja reconhecida sua procedência e também a sua dedutibilidade das despesas comprovadas; 23.2. Referente aos procedimentos administrativos que deram origem ao lançamento, requer a procedência integral da impugnação, exonerando os Impugnantes do crédito tributário exigido, seja em razão das PRELIMINARES, seja em razão do MÉRITO; 23.3. Sejam observados os consagrados Direitos Constitucionais, 23.4. Requer Deferimento. ► IMPUGNAÇÃO CARLOS SOTTO MAIOR 24. O impugnante: CARLOS SOTTO MAIOR, foi cientificado do Auto de Infração e da Sujeição passiva em 14/11/2012, fs. 1938, apresentou impugnação para as referidas autuações, às fls. 2034/2058, com juntada de procuração, documentos de identificação de seus procuradores. 25. DA ATUAÇÃO EMPRESARIAL DO IMPUGNANTE 25.1. Inicialmente, o Impugnante discorreu sobre a sua atuação empresarial, observando que em 1998 fundou a empresa CONTRACTORS PEOPLEWARE AND TECHNOLOGY SERVIÇOS DE TELEATENDIMENTO LTDA em sociedade com Célia de Oliveira Secchim. 25.2. Em janeiro de 2002, Célia de Oliveira Secchim retirase da sociedade e entra em seu lugar Valdik Guerra Lima. O Impugnante, na empresa, respondia pelas atividades tecnológicas, Valdik respondia pela administração da sociedade. A partir de 2004, a empresa contou com a colaboração de Carlos Vicente Misciasci, que era o Diretor Administrativo Financeiro da empresa, sob orientação do Sr. Valdik. 25.3. Como sócio da CONTRACTORS, o Impugnante sempre primou pela forte atuação ética e exigia forte controle de qualidade nos atendimentos efetuados pelos funcionários da empresa. 25.4. Em 16 de janeiro de 2008, o Impugnante vendeu sua participação de CONTRACTORS para a empresa PALMARIUM PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. Mesmo antes e sobretudo após essa data, o Impugnante não teve qualquer envolvimento com a gestão administrativa da empresa relacionada ao cumprimento das obrigações tributárias. Em relação aos fatos investigados na fiscalização, não possui qualquer acesso aos documentos da empresa, já que há mais de 4 anos e meio dela não participa. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 15 27 25.5. Conforme disposto na clausula 26 do Instrumento de Cessão e Transferência de Quotas Sociais e Outras Avencas, no qual o Impugnante transferiu para a PALMARIUM suas quotas, esta assumiu a empresa no estado em que se encontrava, isentando o Impugnante de qualquer responsabilidade, por todas e quaisquer perdas e danos, prejuízos, contingências e passivos, fossem eles declarados ou ocultos, independentemente de qual fosse o seu fato gerador (fiscal, trabalhista, cível ou previdenciário) e de quando tal fato gerador tivesse ocorrido. 26. DA ACUSAÇÃO FISCAL 26.1. O MPFF n° 08.1.20.002012003748, determinou a fiscalização dos registros contábeis de CONTRACTORS, com intuito de verificar a regularidade no cumprimento de obrigações relativas aos tributos administradas pela RFB, em virtude de emissão de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., CNPJ n°03.069.255/00107 doravante "EXPERTISE", nos anos calendário de 2006 a 2008. 26.2. Transcreve excertos do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, após argumenta que mesmo com a entrega dos contratos de prestação de serviços, além das notas fiscais, e, ainda, com a comprovação efetiva do pagamento do valor total das notas fiscais emitidas por EXPERTISE, entendeu a fiscalização que restou incomprovada a efetiva prestação de serviços pela EXPERTISE à CONTRACTORS e que o trabalho fiscal conclui pela autuação de três autos de infração, por considerar a "ausência do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores oriundos de créditos efetuados nos cartões de incentivo" e, outros 04 pelo descumprimento de obrigação acessória, que arrola, nos itens 31/33 da Impugnação. 27. DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS INDICADAS NA ACUSAÇÃO FISCAL. Da Responsabilidade por Sucessão 27.1. O trabalho fiscal também reconheceu a responsabilidade tributaria por sucessão de VIDAX TELESERVIÇOS S. A. doravante "VIDAX", com a aplicação dos artigos 129, 132, caput, e 133, caput, e inciso I, todos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.712/66) 27.2. Em longo e detalhado arrazoado a fiscalização afirmou que após a sua constituição em 2008, a sociedade VIDAX passou "a explorar, no mesmo endereço, com os mesmos empregados, sob a administração das mesmas pessoas físicas, a mesma atividade explorada pela sociedade CONTRACTORS, até sua presumível extinção irregular, pela ausência de receitas auferidas no anocalendário 2011". 27.3. Lembra e destaca que o Sr. CARLOS SOTTO MAIOR retirouse da CONTRACTORS em janeiro de 2008, ou seja, Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 28 ficando claro que a sucessão de CONTRACTORS por VIDAX ocorreu muito após a saída do a Impugnante de seu quadro societário. 27.4. A fiscalização concluiu que a sociedade VIDAX é sucessora de CONTRACTORS, seja pela aquisição do fundo do comércio, seja pela transformação desta, para ao final lavrar auto de infração e imposição de multa dos créditos tributários acima indicados contra a sucessora. 28. Da "Sujeição Passiva Solidária" " Responsabilidade de Terceiros" nos termos do artigo 134, VII, e 135, I e VII ambos do Código Tributário Nacional 28.1. O “Termo de Sujeição Passiva Tributária n° 02”, diferente do termo que concebeu a responsabilidade por sucessão de VIDAX, não trouxe qualquer informação específica da atuação do ora Impugnante, bem como sua conduta como cotista de CONTRACTORS, que pudesse permitir lhe fosse imputada responsabilidade solidária com CONTRACTORS e VIDAX por supostas irregularidades fiscais. 28.2. Que o Termo de Sujeição Passiva n° 02 apenas trouxe um resumo da presunção fiscal, segundo a qual CONTRACTORS não comprovou a efetiva prestação dos serviços contratados de EXPERTISE, com o objetivo de reduzir e/ou não pagar tributos e contribuições administrados pela SRFB, além da sucessão de CONTRACTORS por VIDAX, considerando a extinção irregular da primeira dessas sociedades. 28.3. Assim, pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008, foi atribuída ao Impugnante a responsabilidade de terceiros, com fulcro no art. 134, VII, e 135, I, do CTN, sendo a sujeição passiva atribuída ao Impugnante inconsistente, seja pela ausência de ilegalidade na sua conduta, seja pelo equívoco de seu fundamento legal. Nos dois casos citados previstos no CTN, é necessária a presença do elemento volitivo para configurar a responsabilidade do Impugnante. 28.4. Há uma inconsistência, visto que CONTRACTORS não foi liquidada, continuando a existir, como apurou o "Termo de Verificação e Conclusão Fiscal" inclusive demonstrando a evolução do imposto de renda desta sociedade, sem contar que sua situação fiscal é ativa perante a Receita Federal do Brasil. 28.5. Tivesse sido liquidada de forma irregular, tal fato não enquadraria o Impugnante nas disposições da alínea VII do art. 134 do CTN, visto que quando tal ocorreu o signatário não mais era sócio de CONTRACTORS, nada tendo a ver com a sua liquidação irregular, se é que ela tenha ocorrido. 28.6. Ainda, o art. 134 prevê que os sócios respondem pelo crédito tributário, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, quando da impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária. 28.7. Por outro lado, não foi provado qualquer fato decorrente de ação ou omissão capaz de sugerir a subsunção dele à norma Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 16 29 esculpida no art. 134 do CTN, considerando que não ficou comprovada a impossibilidade de cumprimento da suposta obrigação principal pelos contribuintes CONTRACTORS e VIDAX, como também não foram demonstrados os atos em que o Impugnante interveio ou mesmo se omitiu. 28.8. Quanto ao art. 135 do CTN, não foi provado o excesso de poderes praticado pelo Impugnante ou a violação por ele de lei, o que evidencia o caráter manifestamente ilegal do ato que tenta tornálo solidário com a empresa autuada. 28.9. Diante do que expõe, deve ser afastada a “Responsabilidade de Terceiro” previsto no “Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 02” atribuído ao Impugnante. DO MÉRITO 29. Quanto ao mérito, inicialmente, a Impugnante defendeu a ocorrência da decadência de parte dos créditos, de acordo com a regra prescrita no § 4º do art. 150 do CTN, considerando que os valores lançados referemse à diferença de tributos (contribuições previdenciárias sobre apenas os créditos nos cartões de incentivo) dos anos de 2006 a 2008, de auto de infração lavrado somente em 14/11/2012, temse que a SRFB só poderá constituir créditos tributários após 14/11/2007, já que antes desta data todo e qualquer lançamento encontrase completamente fulminado pela decadência.Como a ciência do auto de infração ocorreu em 25/10/2012, a Receita Federal só poderia constituir créditos tributários após 25/10/2007. 29.1. o Impugnante foi sócio da CONTRACTORS até 16 de janeiro de 2008, conforme inclusive demonstra a sétima alteração contratual desta empresa, antes mesmo de qualquer discussão sobre a exação em si, vale consignar que o Impugnante só poderia responder por supostos créditos tributários de 14 de novembro de 2007 a 15 de janeiro de 2008 (um dia antes da alteração contratual que procedeu a retirada do Impugnante). 30. DA AUTUAÇÃO ANTERIOR 30.1. As atribuições do Impugnante em CONTRACTORS, à época em que figurava como sócio e, também o seu desligamento em janeiro de 2008, tem por certo que não obteve qualquer incumbência quanto aos recolhimentos dos tributos devidos, bem como aos deveres instrumentais tributários (declarações etc), sem contar o fato de que desconhecia a instauração deste processo fiscalizatório previdenciário em CONTRACTORS que originou as autuações descritas. 30.2. A constituição dos créditos tributários ora discutidos colide frontalmente com a postura já adotada pela própria fiscalização da Receita Federal do Brasil, quando da lavratura do auto de infração oriundo do MPFF n° 0812000/00374/12 (Processo n° 10803.720067/201214), Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 30 ocorrida praticamente um mês antes da atual (doc. 07). 30.3. O Impugnante tratou da questão da autuação referente à glosa das despesas lançadas relativas aos pagamentos dos créditos efetuados nos cartões de incentivo, com vistas à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com espeque no Artigo 299 do RIR/99. 30.4. Entende o Impugnante que os créditos tributários que exigem contribuições previdenciárias incidentes sobre os créditos efetuados nos cartões de incentivo dos funcionários de CONTRACTORS, relativo aos pagamentos realizados à EXPERTISE por conta dos mesmos contratos 3314 e 4561, não há como prosperar, já que os valores pagos à EXPERTISE, decorrentes dos contratos n°s 3314 e 4561, foram anteriormente considerados como despesa indedutível. 30.5. Com base no mencionado entendimento, os mesmos pagamentos não poderão agora ser considerados capazes de gerar a tributação das contribuições previdenciárias sobre salários, pois se assim fossem naturalmente seria assegurada a dedutibilidade dos aludidos valores. 30.6. Registra que o fisco vem considerar que os valores pagos tem caráter salarial, assim, fica completamente assegurada a dedutibilidade dos valores pagos em virtude dos contratos firmados entre CONTRACTORS e EXPERTISE, não podendo prevalecer a autuação anterior. Diante deste cenário, é que merece ser afastada a presente autuação, sob pena de subsistir entendimento contraditório da Receita Federal do Brasil sobre o mesmo tema, e, com intuito de prejudicar o contribuinte, por duas vezes. 31. CONCLUSÃO 31.1. O "Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 02" que concebeu a "Responsabilidade de Terceiros", é inconsistente, seja pela ausência de ilegalidade na conduta do Sr. CARLOS SOTTO MAIOR, pelo equívoco de seu fundamento legal. 31.2. Não foram devidamente preenchidos os indispensáveis requisitos legais para responsabilização do Impugnante, particularmente a prova da sua atuação com excesso de poderes ou infração à lei. 31.3. No mérito, a autuação fiscal revelase totalmente improcedente porque: (i) exige créditos tributários fulminados pela decadência; (ii) além de colidir com o entendimento já exposto pela RFB, quando da lavratura do auto de infração oriundo do Processo n°10803.720067/201214 DO PEDIDO 32. Requer: 32.1. o afastamento de sua responsabilidade, nos termos acima tratados; ou, alternativamente; 32.2. a decretação da improcedência da autuação fiscal e o consequente arquivamento deste feito fiscal; OCORRENCIAS 33. Não foram apresentadas Impugnações pelos seguintes Sujeitos Passivos Solidários: Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 17 31 ▪ EDUARDO MARQUES SAMPAIO – CPF 824.994.89715, à Rua Carlos Weber, nº 757 – Apto. 271 – T CIRUS, Vila Leopoldina São Paulo – SPCEP 05303000, fls. 1939/1941 ciência em 14/11/2012, fl. 1942, referente ao termo de sujeição passiva solidária nº 3 – assuntos previdenciários. ▪ MARCOS VINÍCIUS DO CARMO – CPF 051.650.71847, à Alameda dos Cravos, nº 929, Aldeia da Serra – Santana de Parnaíba São Paulo – SPCEP 06519500, fls. 1947/1949 ciência em 26/11/2012, fl. 1950 referente ao termo de sujeição passiva solidária nº 5 – assuntos previdenciários. É o relatório. Inconformado com a decisão, exclusivamente Carlos Sotto Maior apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008, foi atribuída ao ora Recorrente a responsabilidade de terceiros, com fulcro em dois artigos da Seção III, do Capítulo V, do Código Tributário Nacional, leiase, artigo 134, inciso VII, e 135, inciso I, relativos à totalidade dos créditos tributários consolidados neste feito administrativo. · Intimado, o exsócio, ora Recorrente, apresentou impugnação aos autos de infração comprovando que à época em que figurou como diretor de CONTRACTORS, foi responsável apenas pela área técnica da empresa, bem como que a sua responsabilização não cumpriu os requisitos legais. No mérito, demonstrou que houve decadência de parte dos créditos tributários constituídos, sem contar no fato que o programa de premiação não se assemelha a salário. · Em 1998, considerando sua experiência técnica acumulada durante anos, e sua conduta ilibada reconhecida no meio empresarial, fundou a empresa de Call Center e Telemarketing CONTRACTORS com a sua sócia à época, Sra. CELIA DE OLIVEIRA SECCHIM · Posteriormente, em janeiro de 2002, conforme inclusive consta do trabalho fiscal, por meio da segunda alteração do contrato social, a sócia Sra. CELIA DE OLIVEIRA SECCHIM retirouse da sociedade. No mesmo ato, ingressou como sócio detentor de metade das cotas de CONTRACTORS, o Sr. VALDIK GUERRA LIMA doravante "VALDIK", que conhecera na @CESS, onde este detinha o cargo de Gerente de Operações e Atendimento. · Neste cenário, o Recorrente e seu novo sócio (Sr. VALDIK) dividiam claramente as responsabilidades internas: o primeiro respondia pelas atividades tecnológicas dentro de sua formação técnica e sua vasta Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 32 experiência profissional e o segundo era responsável pela administração da sociedade · A partir de abril de 2004, a empresa contou com a colaboração do Sr. CARLOS VICENTE MISCIASCI doravante "MISCIASCI" Diretor Administrativo Financeiro, profissional de larga experiência com formação e carreira na área administrativa financeira. Vale dizer, a atividade cotidiana do departamento financeiro era coordenada por MISCIASCI, sob a orientação do Sr. VALDIK, repitase, sem qualquer participação do Recorrente. · Reforcese, na "forma" a CONTRACTORS era constituída como uma sociedade de responsabilidade limitada, detida por dois sócios. Na"essência" o funcionamento da empresa era por áreas de responsabilidade bem segmentadas e bem definidas, tendo cada área um responsável específico, tendo o Sr. VALDIK como presidente, o Sr. MISCIASCI como Diretor Administrativo Financeiro, enquanto o Recorrente respondia pela a área de tecnologia da empresa. · Seja quando de sua participação na CONTRACTORS, seja especialmente após a venda, o Recorrente não teve nenhum envolvimento com a gestão administrativa da empresa relacionada ao cumprimento de obrigações relativas aos tributos,considerando sua função que cabia na sociedade, sendo certo que também nunca foi avisado/intimado sobre a existência de procedimento fiscalizatório realizado na CONTRACTORS, mesmo após sua retirada. · O v. acórdão apenas repetiu o trabalho fiscal ao atribuir responsabilidade ao Recorrente pelo simples fato de ter sido cotista de CONTRACTORS até janeiro de 2008. · Verificase a impropriedade da lavratura de "Termo de Sujeição Passiva tributária n° 02" como também das razões do acórdão, pelo simples e importante fato que não foi suscitado, nem tampouco provado o excesso de poderes praticado pelo Recorrente, ou a violação por ele de lei, evidenciando o caráter manifestadamente ilegal do ato que tenta tornálo solidário com a empresa autuada. · É pacífico no direito que para a correta aplicação do artigo 135 e seu conteúdo jurídico semântico é necessária a presença do elemento volitivo para configurar a responsabilidade atribuída ao Recorrente. · Decadência conforme parágrafo 4o do artigo 150 do CTN. · Questiona a tributação dos prêmios de estímulo. É o relatório. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 18 33 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA Com a decisão da DRJ de excluir o crédito referente ao AIOA DEBCAD nº 51.026.6266 (CFL 78 GFIP), restaram apenas os créditos exigido nos AIOA: DEBCAD nº 51.026.6274– (CFL 30 folha) e DEBCAD nº 51.026.6284 (CFL 34 contabilidade). Para esse tipo de autuação, basta um evento em período não decadente para que o lançamento não seja atingido pela decadência. O que se constata é que a infração ocorreu em todos os meses. Concluo que não procede a tese da decadência. SOLIDARIEDADE CARLOS SOTTO MAIOR O recorrente, questionando seu enquadramento como responsável solidário, se apresenta como engenheiro, responsável exclusivamente pela área técnica da empresa e afirma que os responsáveis pela área administrativa eram outros sócios, sem qualquer participação do recorrente. Ocorre que o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 2, presente às folhas 1910 a 1912 não especifica a sujeição ao lançamento das obrigações acessórias presentes neste processo, especifica somente o processo 10803.720079/201249, referente às obrigações principais. Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 34 Entendo que não cabe excluir a sujeição passiva se esta não foi imputada. PREMIAÇÃO TRIBUTAÇÃO A recorrente apresenta a tese que a premiação para a seus empregados não consistem verbas salariais, possuindo natureza diversa e por conseguinte não integrando a remuneração e não repercutindo para fins fiscais e previdenciários Abaixo ficará demonstrado que tal tese não procede. É evidente que a premiação é retribuição do trabalho efetuado. A sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. A regra do artigo 28 da Lei 8.212/91 é a tributação dos empregados incidir sobre a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10803.720080/201273 Acórdão n.º 2201002.974 S2C2T1 Fl. 19 35 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; O parágrafo 9º do mesmo artigo especifica as verbas não integrantes do salário de contribuição. O que se observa de sua leitura é que tais verbas não constituem remuneração do trabalho. 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata oart. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata oart. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Entendo correta a tributação. Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 36 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 13807.007331/00-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.443
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 10209.000533/2003-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. NÃO-COMPROVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência se destina à uniformização de dissídios jurisprudenciais e é cabível apenas contra decisão que interpretar norma tributária diferentemente do entendimento adotado por outra Turma ou Câmara do Conselho de Contribuintes ou do CARF ou pela CSRF, o que só se configura quanto à subsunção de fatos semelhantes à mesma norma.
A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova ou quando em confronto acórdãos que exibem situações fáticas diferentes.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. VINCULAÇÃO DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO AO ATO CONCESSÓRIO.
Exigem-se Imposto de Importação, IPI-importação e acréscimos legais sobre importações de mercadorias despachadas para consumo no regime de drawback, na modalidade suspensão, se a beneficiária não comprovar, por meio de correta e oportuna vinculação dos Registros de Exportação aos respectivos atos concessórios, que estas mercadorias tenham integrado produtos exportados no prazo de vigência do Ato Concessório, ou tenham sido utilizados na fabricação destes.
Eventual omissão no campo específico do Registro de Exportação de dados relativos a produto intermediário amparado em drawback-suspensão concedido a terceiros não tem influência alguma no adimplemento do drawback concedido ao exportador.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte do recurso especial, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento e, ainda, o Conselheiro Demes Brito, que davam provimento parcial para afastar a decadência
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas, Julio Cesar Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martinez Lopes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Demes Brito.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte do recurso especial, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento e, ainda, o Conselheiro Demes Brito, que davam provimento parcial para afastar a decadência (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas, Julio Cesar Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martinez Lopes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Demes Brito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10209.000533/200360 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.865 – 3ª Turma Sessão de 18 de maio de 2016 Matéria II E IPI AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALBRAS ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. NÃOCOMPROVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência se destina à uniformização de dissídios jurisprudenciais e é cabível apenas contra decisão que interpretar norma tributária diferentemente do entendimento adotado por outra Turma ou Câmara do Conselho de Contribuintes ou do CARF ou pela CSRF, o que só se configura quanto à subsunção de fatos semelhantes à mesma norma. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova ou quando em confronto acórdãos que exibem situações fáticas diferentes. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. VINCULAÇÃO DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO AO ATO CONCESSÓRIO. Exigemse Imposto de Importação, IPIimportação e acréscimos legais sobre importações de mercadorias despachadas para consumo no regime de drawback, na modalidade suspensão, se a beneficiária não comprovar, por meio de correta e oportuna vinculação dos Registros de Exportação aos respectivos atos concessórios, que estas mercadorias tenham integrado produtos exportados no prazo de vigência do Ato Concessório, ou tenham sido utilizados na fabricação destes. Eventual omissão no campo específico do Registro de Exportação de dados relativos a produto intermediário amparado em drawbacksuspensão concedido a terceiros não tem influência alguma no adimplemento do drawback concedido ao exportador. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 33 /2 00 3- 60 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte do recurso especial, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento e, ainda, o Conselheiro Demes Brito, que davam provimento parcial para afastar a decadência (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas, Julio Cesar Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martinez Lopes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Demes Brito. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância administrativa, colaciono o relatório do Acórdão nº 4.478, de 31/05/2004, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FOR): 'O processo em epigrafe referese à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 17.935.227,28, decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Alfândega do Porto de Belém, que culminou com a lavratura dos Autos de Infração de fls 01/32 Imposto de Importação (RS 7.767.539,79) e fls.33/65 Imposto sobre Produtos Industrializados (R$ 10,167.687,49), datados de 28/07/2003 e acréscimos legais. 2. De acordo com a descrição dos fatos dos autos em comento, consubstanciado no documento de fls.76/83, o lançamento originouse da conclusão da fiscalização de que houve inadimplemento dos compromissos assumidos pela autuada no Ato Concessório de Drawback nº 196/1423, de 10/12/1996, em face à mesma haver detectado as seguintes infrações e/ou irregularidades: a) CNPJ DE ESTABELECIMENTO DIVERSO O ato concessório foi concedido à filial da ALBRÁS do Rio de Janeiro (05.053.020/000225), sendo que as importações, a maioria das exportações vinculadas ao ato concessório, a industrialização do produto e a venda no Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 4 3 mercado interno foram declaradas e realizadas pela filial de Barcarena (05.053,020/000306), estando em desacordo com o art.4°, §1º, da Portaria MF nº 594/92. Apesar da beneficiária haver apresentado lista com os CNPJ's 05.053.020/000225, 05.053.020/000306 e 05.053.020/000144, através do Aditivo n° 0001 98/0001593, de 03/06/1998, pelo fato de não haver indicado e definido as competências e/ou as atribuições de cada uma dessas empresas (sic), b) RE COM CÓDIGO DE OPERAÇÃO DIVERSA No campo 2a (enquadramento da operação) dos RE's vinculados ao ato, primeiramente foi utilizado o código 81.301 e, posteriormente, a empresa incluiu o código correto 81.101, estando, portanto, com dois códigos de enquadramento; A ALBRÁS efetuou vendas no mercado interno à empresa VALE DO RIO DOCE ALUMÍNIO S/A ALUVALE (CNP] 42.283.226/000197), habilitada na CACEX como trading, sendo que esta, cumprindo os dispositivos legais, exportou os produtos adquiridos, porém nos RE's foi detectado que no campo 2a, na sua maioria, foi utilizado erroneamente o código 81.301, excetuandose apenas o RE n° 98/0495040001, no qual a empresa utilizouse dos códigos 81.301 e 81.101; Pelas irregularidades enumeradas, as empresas estão em desacordo com o previsto nos artigos 10 e 11 da Portaria SCE n° 02/92, artigo 37 da Portaria SECEX n° 004/97 e itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX n° 21/97. c) FALTA DE CONSIGNAÇÃO NO CAMPO 24, DO CNPJ DA INDUSTRIAL EXPORTADORA E DOS DADOS RELATIVOS AO PRODUTO INTERMEDIÁRIO E SEU FABRICANTE. Consta no campo 24 (Dados do Fabricante) dos RE's vinculados às exportações da ALBRÁS, o CNPJ 05.053.020/000225, correspondente à filial do Rio de Janeiro, entretanto, o processo de industrialização do produto realizouse no estabelecimento sob o CNPJ 05.053.020/000306 da filial de Barcarena. As Declarações de Exportação (DDE) vinculadas ao ato concessório foram instruídas com notas fiscais emitidas por essa empresa fabricante do produto. Consta no campo 24 (Dados do Fabricante) dos RE's vinculados às exportações da trading ALUVALE, adquirente do produto no mercado interno, a indicação dos seguintes CNPJ's: 42.283.226/000197 (da própria ALUVALE) e 05.053.020/000325 (ALBRÁSFilial Rio de Janeiro), sendo que, enquanto a empresa ALUVALE constitui a comercial exportadora, e não a fabricante do Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 5 4 produto, a real fabricante foi a filial da ALBRÁS em Barcarena/PA, e não a do Rio de Janeiro, estando o fato em desacordo com o item 8 do anexo V do Comunicado DECEX n" 21/97 e art.8°, inciso I, da Portaria SECEX n° 06/96; Foi verificado a participação de produtointermediário (alumina calcinada) na elaboração do produto final (alumínio primário em lingotes), conforme valores declarados no verso das notas fiscais que instruíram as DDE's do produto exportado. Assim, sendo o fornecedor do produtointermediário a ALUNORTE ALUMÍNIO DO NORTE DO BRASIL (CNPJ 05.848.387/000316) foi detectado que a industrialexportadora omitiu no campo 24 (dados do fabricante) dos RE's, os dados previstos no artigo 7° do Anexo V do Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997. 3. Inconformado com o lançamento, o autuado apresentou suas impugnações em 02/10/2003, conforme documentação de fls.461/505 e 533/568, com idêntico teor, expondo suas alegações de defesa conforme a seguir se resume: "1) Dos Fatos 1.1) Generalidades Discorrendo sobre o regime drawback, ressalta que não nacionalizou os produtos importados, sendo que estes foram todos exportados; que a fiscalização lavrou os autos de infração baseada em descumprimento de algumas teóricas obrigações acessórias dispostas na legislação "extravagante" da SRF (portarias, instruções normativos, etc.) que como se sabe não podem criar obrigações tributárias, em face ao principio da legalidade restrita; que o fisco leve acesso à documentação e escrituração fiscal e contábil da empresa, presumindo ter a fiscalização realizado levantamento no estoque, sem constatar, porém, a existência de diferenças nas apropriações das matérias primas, o que implica dizer que não houve nacionalização de insumos, nem tampouco, deixou o contribuinte de exportar mercadorias oriundas de insumos importados no regime drawback. 1.2) Das supostas infrações e/ou irregularidades Traçando a diferença entre "infração" e "irregularidade", destaca que a fiscalização adota interpretação de que qualquer descumprimento de instrumento oriundo da SECEX ou da SRF formará uma infração, pelo que, discordando de tal postura, passa a enumerar as "infrações" levantadas pela fiscalização para se posicionar da seguinte forma: quanto á divergência de CNPJ's (estabelecimentos diversos), a interessada se opõe à opinião da fiscalização argumentando que em todos os documentos referentes ao Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 6 5 Ato Concessório consta a unidade da SRF ao qual o estabelecimento beneficiário está jurisdicionado (IRF/Barcarena); que todos os estabelecimentos da requerente foram registrados no Ato Concessório n° 1 96/1423; que o estabelecimento importador foi sempre o mesmo e o exportador também, havendo indicação da unidade em que o contribuinte estaria subordinado. quanto à utilização do código de operação no campo 2a dos registros de operação, a interessada alega que se trata de uma mera irregularidade a qual não gera obrigação de pagamento, pois não há a quebra do drawback, visto que a informação formal não pode prevalecer sobre a realidade material, pois embora tenha havido o equivoco na troca dos códigos dos RE 's todos foram utilizados somente para a comprovação do AC 1 96/1423, sendo que a própria auditoria detectou o erro, pois tal código não correspondia à realidade, e ainda, todas as vendas à "trading" ALUVALE se destinaram ao exterior, fato este admitido pela própria fiscalização ao afirmar "sendo que a ALUVALE, cumprindo os dispositivos legais, exportou o montante e a quantidade acima mencionados." em relação à omissão de informações inerentes ao campo 24 dos Registros de Exportação (Dados do Fabricante), a interessada admite que tanto a "trading", como a filial do Rio de Janeiro, não são industrializadores do alumínio, pois operam exclusivamente como exportadores e importadores, entretanto, a fiscalização não comprova que as matérias primas importadas foram consumidas no mercado interno ou não foram reexportadas, fundamentando a "infração" em descumprimento de um "comunicado" que tem mera função informadora, pelo que se deve agir com uma certa razoabilidade na análise do processo, pois o fato de estarem erradas algumas informações nos documentos do drawback, as quais não foram negadas, não causaram prejuízo, nem representaram o não pagamento do imposto, não podendo implicar na desqualificação do drawback. quanto ao fato da industrialexportadora haver omitido no campo 24 dos RE's dados relativos ao fornecedor do produto intermediário (ALUNORTE), alega o impugnante que tal exigência chega a ser um absurdo, já que é notoriamente sabido que o ciclo da produção do alumínio no Estado do Pará é composto por três fases de produção: Extração de bauxita (MINERAÇÃO RIO DO NORTE)— Transformação da bauxita em alumina (ALUNORTE) e produção do alumínio em lingotes (ALBRÁS); assim, somente uma empresa poderia.fornecer a alumina à ALBRÁS, e esta é a ALUNORTE, cujo nome foi devidamente informado em toda a documentação fornecida à fiscalização, sendo inadmissível que a Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 7 6 ausência dos dados reclamados pela fiscalização possam vir a causar prejuízo ao fisco ou representarem falta de pagamento de tributo, pois os códigos e informações servem como elemento instrumental da fiscalização para apuração da obrigação principal. 2) DO DIREITO 2.1) Cerceamento de defesa. Não indicação do termo de início do cálculo dos juros O interessado impugna os juros e a sua forma de cálculo, sob a alegação de cerceamento de direito de defesa, por não haver no lançamento tributário a indicação da data inicial da exigência dos juros, em face ao prazo decadencial Pelo que faz crer, a fiscalização considerou para cálculo de juros, a data do fato gerador do II (entrada no território aduaneiro), e, em assim sendo, esta também deverá ser considerada como termo para contagem da decadência. 2.2) Do enquadramento legal da infração A fundamentação legal indicada não consegue apontar para a hipótese de incidência e o fato gerador da obrigação tributária. 2.3) Decadência Opondose a tese de decadência do drawback exposta pela fiscalização, alega o interessado que sequer o fato gerador ocorreu, porém, apenas para fins argumentativos, considerando que o fato gerador do II é a entrada da mercadoria no território aduaneiro, sendo esta a data de desembaraço das DI's, que no caso, a última se deu em 08/04/1998, iniciando a contagem do prazo decadencial, conforme regra do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, e encerrando em 08/04/2003, em 11/09/2003, data da lavratura, o lançamento já estaria fulminado pela decadência. 2.4) Tipificação legal inadequada aos fatos narrados pela fiscalização. Inexistência de infração. Ilação fiscal. Presunção. As irregularidades (erros formais à lei ou de informações) apontadas pela fiscalização não se adaptam a qualquer hipótese de incidência prevista na lei especifica do drawback (artigo 319 do antigo Regulamento Aduaneiro). 2.5) Presunção fiscal Suposição de inadimplência do dever de exportar baseada em descumprimento de obrigações acessórias. A autuação não passa de mera presunção e atenta contra o principio da verdade material e da realidade, pois a fiscalização teria que efetuar um levantamento Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 8 7 quantitativo para verificar se os insumos foram incorporados aos produtos exportados ou se foram revendidos internamente ou se incorporaram a produtos revendidos internamente. 2.6) Autuação afronta o principio da legalidade. Concedida a isenção (suspensão) mediante lei, a forma de sua revogação ou cassação somente deve ser dada também por meio de lei. Não poderá a administração tributária ignorar o principio constitucional da legalidade para exigir ou aumentar tributo sem prévia cominação legal. 2.7) Hipótese de incidência tributável suspensa. Inexistência de causa legal que tenha cancelado a suspensão. Inocorrência da condição suspensiva. No drawback a suspensão da exigibilidade é do crédito tributário, pois há a hipótese de incidência e a ocorrência de fato gerador, no entanto o crédito tributário não se exige. O tributo somente será exigido se houver implemento da condição suspensiva. No caso, as condições suspensivas estão estabelecidas no artigo 319 do Decretolei n° 2.472/88, sendo que, no caso, tais condições não ocorreram, o que impede a fiscalização de declarar o inadimplemento do regime. Ademais, o Regulamento Aduaneiro permite ao contribuinte que o descumprimento de qualquer outra condição prevista no ato concessório possa ser regularizada junto ao órgão concedente. 2.8) Ausência de provas. Comprovação de vinculação e exportação das matérias primas importadas. Não há qualquer comprovação por parte do fisco de que houve mercadorias importadas que foram destinadas ao mercado interno sem serem posteriormente exportadas, visto que não há qualquer levantamento apurado pela fiscalização que leve a esta conclusão. (...) 6. Objeto de apreciação por esta unidade julgadora, verificouse que, inobstante às razões apresentadas pelo autuante para proceder ao lançamento, não constam anexos ao processo alguns documentos mencionados na descrição dos fatos, os quais reputamse imprescindíveis para apreciação e julgamento do processo, tais como, o Ato Concessório nº 196/1423, de 10/12/1996, os Anexos 001 a 008 do Relatório de Comprovação de Drawback (fls.458) e os Registros de Exportação, conforme relação de fls. 411 e 415. Alem disso, foi observada a falta de assinatura na impugnação anexada às fls.533/568, concernente ao IPI. 7. Diante de tais constatações, o julgamento da lide foi convertido em diligência, remetendose o processo à unidade preparadora, para adoção das seguintes medidas: Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 9 8 7.1. Anexar aos autos, cópias, na integra, dos seguintes documentos: a) Ato Concessório de Drawback n°196/1423, de 10/12/1996; b) Os Anexos 001 a 008 do Relatório de Comprovação de Drawback c) Os Registros de Exportação, conforme relação de fls. 411 e 415. 7.2. Intimar o impugnante para proceder à assinatura da impugnação anexada às fls.533/568. 8. Em atendimento à demanda deste órgão julgador, a unidade preparadora anexou os documentos de fls.601/682, bem como, obteve a assinatura do impugnante no documento de fls.533/568, retomando o processo em 12/03/2004. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 4.478, cuja ementa abaixo reproduzo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO, PRESCINDIBILIDADE DE DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência O julgador somente deve determinar a realização de perÍcias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO FISCAL Não procede a alegação de presunção fiscal quando o lançamento está devidamente amparado na análise das provas documentais pertinentes ao regime de Drawback. PRINCÍPIOS. LEGALIDADE. TIPICIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Estando o lançamento devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada, não há que se falar em nulidade por inobservância aos princípios da tipicidade e da legalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 Ementa: DECADÊNCIA. Tratandose de importação efetuada ao amparo do regime de drawback, modalidade suspensão, o termo de inicio do prazo decadencial para lançamento dos impostos corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback, inocorrendo a decadência suscitada. Assunto: Regimes Aduaneiros Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 10 9 Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback os Registros de Exportação que contenham o código de operação relativo ao drawback, bem como os dados do fabricante dos produtos exportados. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório e na legislação regente enseja a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas no regime aduaneiro especial de drawback, acrescidos de juros de mora e multas de oficio." Contra a decisão da DRJ/FOR, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, cujo conteúdo foi assim resumido no relatório do acórdão ora recorrido: 'Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Fortaleza (CE), recurso voluntário é interposto às folhas 752 a 894. Nessa petição, afora reiterar as razões iniciais noutras palavras, critica fundamento do voto vencido que compõe o acórdão recorrido'', reclama a imposição de normas inovadoras contidas no Comunicado Decex 21, de 1997, para alcançar beneficio fiscal objeto de ato concessório expedido no ano de 1996, questiona a competência de qualquer outro órgão da administração pública federal para revogar o beneficio senão o emissor do ato concessório, pugna pela necessária observância do Comunicado Decex 30, de 13 de outubro de 1997, oferece julgado da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que mitiga o princípio da identidade para adotar, excepcionalmente, o princípio da equivalência', invoca a inaplicabilidade do artigo 317 do Regulamento Aduaneiro então vigente' para a declaração de inadimplemento do drawback, assevera que o fisco não agiu de forma vinculada na ação fiscal e desrespeitou a interpretação literal da legislação tributária que dispõe sobre suspensão do crédito tributário, exegese que deveria militar em favor do contribuinte". Também contesta a incidência de juros de mora no período em que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa; fundado em julgado do STJ "argúi a ilegalidade da taxa Sebe"; diz ser indevida a multa lançada sem o prévio oferecimento da oportunidade do recolhimento espontâneo do crédito tributário após solucionada a controvérsia na via administrativa". Por fim, argumenta que a despeito de apenas alguns Registros de Exportação (RE) terem sido rejeitados pela fiscalização, a exigência fiscal alcança todas as importações vinculadas ao Ato Concessório 196/1423, de 10 de dezembro de 1996." O recurso voluntário foi provido, nos termos do Acórdão nº. 30333.239, da Terceira Câmara do Terceito Conselho de Contribuintes. A ementa do acórdão ficou assim redigida: “Drawback suspensão. Adimplemento de compromissos do regime aduaneiro especial. Não há se falar em inadimplemento de compromissos do regime aduaneiro especial unicamente motivado em operações de importação, exportação, industrialização e venda no mercado interno para empresa comercial exportadora levadas a efeito por estabelecimento da sociedade empresária distinto daquele consignado no ato concessório do drawback, mormente Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 11 10 quando o estabelecimento denunciado foi expressamente adicionado como beneficiário do regime em aditivo ao ato concessório. A regular exportação das mercadorias com vinculação do Registro de Exportação (RE) ao ato concessório do beneficio fiscal faz prova do adimplemento do compromisso de exportação. 1nexistindo dúvidas quanto à correta identificação do fabricante da mercadoria exportada, fato corroborado pela juntada de notas fiscais do estabelecimento industrial na instrução das Declarações de Exportação (DDE), a indicação de CNPJ diverso no campo específico do Registro de Exportação (RE) deve ser recepcionada como erro de forma, sem repercussão no adimplemento do compromisso de exportação. Eventual omissão no campo especifico do Registro de Exportação (RE) de dados relativos a produto intermediário amparado em drawback suspensão concedido a terceiros não tem influência alguma no adimplemento do drawback concedido ao exportador." A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial em relação à 1) competência da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB para analisar vícios no cumprimento do drawback, 2) necessidade de vinculação do registro de exportação ao ato concessório, para comprovação do regime de drawback; 3) inclusão de outra empresa (filial) no rol das beneficiárias do regime. Foram indicados como paradigmas os acórdãos nºs. 30235.138 e 301 31.368. O recurso especial foi admitido apenas em relação às duas últimas matérias, conforme Despacho Nº 423/2007, de 23/10/2007, folhas 998 a 1001 do eprocesso. Foram apresentadas contrarrazões, nas quais foi alegado que o recurso especial não pode ser conhecido, porque não haveria divergência de interpretação entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, bem como foram repetidos argumentos do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator 1. Preliminar de conhecimento do Recurso Especial. Em face das contrarrazões opostas ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, trato do seu juízo de admissibilidade. No presente caso, entendo assistir razão à contribuinte em parte. 1.1 Sobre a inclusão de filial como beneficiária do regime de drawback. O recurso especial, instituído para harmonização de divergências de interpretação, não serve para reapreciação de fatos ou provas. Conforme art. 67, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF, de 2015), este instrumento é cabível contra decisão que interpretar norma tributária diferentemente do entendimento adotado por outra turma ou Câmara do Conselho de Contribuintes ou do CARF ou pela CSRF, o que só se configura quanto à subsunção de fatos semelhantes à mesma norma. Neste sentido já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais nos acórdãos nºs. 9101001.973, 9202003.648 e 9202003.655. No presente caso, vejase a ementa do acórdão paradigma nº 30235.138, na parte que interessa: '(...) EXPORTADOR CONSTANTE DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO As mercadorias exportadas por pessoa jurídica diferente daquela constante do Ato Concessório como beneficiária do regime de "drawback/suspensão, bem como por outro estabelecimento comercial da empresa, sem que tenham sido adotadas as providências legais neste sentido, não serão consideradas para efeito de comprovação do "drawback".' O voto condutor deste paradigma traz os seguintes trechos: No mérito, como bem frisou a decisão monocrática, a contribuinte também permaneceuse inerte, uma vez que nada provou com relação aos fatos alegados na impugnação, conquanto no recurso. Senão vejamos: É o seguinte teor a decisão recorrida: (...) Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 13 12 Os RE's n° 93/1147786001 e 94/0689647001 pertencem a outra pessoa jurídica, que não a beneficiária do regime de drawback suspensão. O regime do drawback é concedido à pessoajurídica que ingressa com o pedido junto à SECEX, e portanto, constante do Ato Concessório que concede o beneficio. Não há como fazer prova do cumprimento da obrigação de exportar nele assumida com Registros de Exportações vinculados a pessoa jurídica distinta daquela mencionada no Ato Concessório. Também não é permitida a importação ou exportação ao amparo do regime de drawback por outro estabelecimento da empresa, que não tenha sido indicado quando do pedido do regime, segundo o art. 13 da Portaria SECEX n° 04/1997 e item 8.4 do CND anexo ao Comunicado DECEX n° 21/1997. Antes da edição destas normas só era permitida a exportação por estabelecimento diverso daquele constante do Ato Concessório através de Aditivo. Estes controles visam exatamente garantir a vinculação física entre os insumos importados ao amparo do beneficio do drawback e as mercadorias a serem exportadas, bem como permitir o controle fiscal, já que um mesmo RE poderia ser utilizado por diversos estabelecimentos da mesma empresa na comprovação de Atos Concessórios distintos, se não houvesse este controle e vinculação." No acórdão paradigma, adotouse o entendimento de que exportações efetuadas por outro estabelecimento da empresa constante no ato concessório podem servir para comprovar o adimplemento do regime de drawback, desde que o estabelecimento tenha sido indicado no pedido do regime ou em aditivo ao ato concessório. No acórdão recorrido, conforme ementa transcrita acima no relatório, concluiuse que o estabelecimento que promoveu as operações de importação, exportação, industrialização e venda no mercado interno para comercial exportadora foi expressamente adicionado como beneficiário do drawback em aditivo ao ato concessório. Ou seja, o entendimento do acórdão paradigma não está em dissonância com o adotado no acórdão recorrido. As decisões foram diferentes porque no paradigma não havia provas de que fora adotada providência que permitisse considerar exportações promovidas por outro estabelecimento da beneficiária hábeis para a extinção do regime; no recorrido, concluiu se pela existência destas provas. Vejase na ementa e em excerto do voto vencedor da decisão de primeira instância administrativa, proferida pela DRJ/FOR, neste processo, que o que fundamentou a improcedência da impugnação naquela decisão não foi o fato de a turma entender que o beneficio do regime não se aplicava aos demais estabelecimentos da beneficiária, mas, sim, a incorreção ou ausência de informações: Ementa: "(...) Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 14 13 Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 11/03/1997 a 02/04/1998 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback os Registros de Exportação que contenham o código de operação relativo ao drawback, bem como os dados do fabricante dos produtos exportados. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório e na legislação regente enseja a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas no regime aduaneiro especial de drawback, acrescidos de juros de mora e multas de oficio." Voto vencedor: "62. Verificase, portanto, que "estabelecimento" da empresa beneficiária do regime aduaneiro especial é aquele local (matriz ou filial), indicado no Ato Concessório ou em Aditivo, onde serão executadas as operações de importação, bem como industriais, comerciais ou de outra natureza relacionadas diretamente com a utilização dos insumos importados e posteriormente com a exportação dos produtos fabricados. (...) 64. No presente caso, verificase que a empresa informou no Ato Concessório n° 1 96/1423, de 10/12/1996, documento de fls. 647, como beneficiário do regime o CNPJ n° 05.053.020/000225, referente ao seu estabelecimento filial no Rio de Janeiro/RJ, assumindo este, conseqüentemente, a responsabilidade pela realização das operações de importação, industrialização e exportação sob o regime aduaneiro especial de Drawback. No entanto, posteriormente, em 03/06/1998, foi apresentado o Aditivo n° 000198/0001593, fls. 666, para inclusão de outros estabelecimentos da empresa como aptos a realizar operação de importação e/ou exportação ao amparo do referido Ato Concessório. 65. Da análise do mencionado Aditivo, verificase a informação do CNPJ do estabelecimento 05.053.020/000225, além da inclusão dos CNPJ's dos estabelecimentos 05.053.020/000306 e 05.053.020/000140, havendo também a indicação dos seus respectivos endereços. Ressaltese ainda que no caso em apreço, o fato de não constar no referido documento menção expressa da unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) com jurisdição sobre cada estabelecimento declarado não tem o condão de caracterizar a inadimplência do regime, visto que, a indicação do endereço de cada um dos estabelecimentos informados, por si só, já viabiliza a correta identificação das unidades da SRF que os jurisdicionam. 66. Da mesma forma não procede a alegação da fiscalização de que não ficou claramente definido no Aditivo ao AC a competência e/ou atribuição de cada um destes estabelecimentos, pois tal exigência não encontra respaldo nas regras acima adscritas, configurandose apenas como uma medida de controle das operações. 67. Insistase, portanto, que a possibilidade de exportação por meio de estabelecimento diverso daquele inicialmente definido no Ato Concessório, fica Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 15 14 condicionada a existência de Aditivo, solicitando a regularização da operação, formalizado dentro do prazo estabelecido, e deferido pela autoridade competente. No caso concreto, se verifica a apresentação de Aditivo ao Ato Concessório n° 196/1423 para esta finalidade, ou seja, alteração do campo 05 do referido documento. 68. Ressaltese que, o entendimento firmado no presente tópico não invalida os demais fundamentos em que se baseou a fiscalização para caracterizar o inadimplemento do regime de Drawback pela empresa beneficiária, conforme serão analisados, a seguir, neste voto." Desde a decisão da DRJ/FOR, o fato de a exportação ter sido efetuada por estabelecimento da mesma empresa, porém diferente do que constou no ato concessório, não foi determinante para aferição do cumprimento do compromisso de exportar, logo, não foi determinante para a decisão. Evidente, pois, que o acórdão paradigma tratou de situação fática diferente da tratada no recorrido, no que diz respeito a esta divergência. O outro acórdão paradigma indicado, número 30131.368, não tratou desta matéria. Uma vez que a divergência ocorreu apenas na apreciação de fatos e provas, não na interpretação da norma, proponho que não se conheça o recurso especial em relação à inclusão de filial como beneficiária do drawback. 1.2 Sobre a vinculação do registro de exportação ao ato concessório, para comprovação do regime de drawback Conforme demonstrado no despacho de exame de admissibilidade, há divergência de entendimento entre o acórdão recorrido e os paradigmas nºs. 30235.138 e 301 31.368, quanto a esta matéria, o que justifica o conhecimento do recurso especial nesta questão. Concordo com a conclusão do despacho de admissibilidade, resumida no seguinte trecho: "Quanto à vinculação, concluo que houve divergência, pois no acórdão recorrido o RE foi devidamente vinculado ao ato concessório, mas com incorreção na indicação do código de enquadramento da operação. Nos paradigmas está consignado que, além da vinculação do RE ao AC é necessário também que o código de enquadramento da operação esteja correto, para certificarse de que trata de uma operação de drawback." Esta divergência aplicase às seguintes informações, cuja falta ou incorreção não foram consideradas no acórdão recorrido como suficientes para configurar inadimplidos os compromissos do regime especial de drawback: código da operação consignado incorretamente no Registro de ExportaçãoRE; dados relativos a produto intermediário amparado em drawback e o CNPJ do fabricante deste produto no campo "24" do RE. 2. Drawbacksuspensão Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 16 15 O que se discute no presente caso é o cumprimento do regime de drawback, sobre o qual passo a discorrer. A entrada de mercadorias estrangeiras no País sofre a incidência, entre outros, dos seguintes tributos: Imposto de Importação (II) Imposto sobre Produtos Industrializados pelo desembaraço de importação (IPIimportação); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na importação (Cofinsimportação); Contribuição para o PIS/Pasep na importação (PIS/Pasepimportação). Regra geral, o momento do fato gerador do II, da Cofinsimportação e do PIS/Pasepimportação é a data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo (art. 23, do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966; art. 4º da Lei nº 10.865, de 30/4/2004); do IPIimportação, a data do desembaraço aduaneiro (art. 2º, inc. I, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964). Quando concedido o regime de drawback, na modalidade suspensão, ocorre a suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação, desde que a mercadoria importada seja exportada após beneficiamento ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, e desde que os termos e condições regulamentares sejam atendidos. Vejamse os arts. 75 e 78 do DecretoLei nº 37, de 1966, que se aplicam a importações vinculadas à exportação, e que serviram para fundamentar toda a legislação sobre admissão temporária e drawback: “Art. 75 Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidem sobre a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. § 1º A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; II utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; III identificação dos bens. “Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 17 16 III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...)” Para a fruição do regime de drawback a mercadoria deve vincularse a uma exportação, seja ela o bem a ser beneficiado, seja ela utilizada como matériaprima, produto semielaborado, parte ou peça de produto a ser exportado, ou, ainda, utilizada na embalagem ou acondicionamento de produto que seja exportado, tudo isto desde que atendidos os termos e condições regulamentares. Segundo o ilustre Conselheiro Luis Eduardo Garrosino Barbieri, conforme voto vencedor do acórdão nº 3202000.878 (PAF 15165.002071/200716), de 21/08/2013, houve impropriedade por parte do legislador ao afirmar que há suspensão do pagamento dos tributos, pois não haveria como conciliar esta suspensão com as demais prescrições do nosso sistema tributário, em especial, com dispositivos do CTN. Nas palavras de Barbieri, naquele voto: "Nesse diapasão, entendemos que independentemente da sistemática utilizada para a concessão, operacionalização e comprovação das cinco modalidades existentes de drawback (denominadas “suspensão”, “suspensãointegrado”, “isenção”, “isençãointegrado” e “restituição”), a natureza jurídica do regime será sempre de isenção, ou seja, o crédito tributário será excluído, ao fim e ao cabo, pela isenção, exceto no caso do “drawback isençãointegrado” quanto ao IPI, o PIS/Pasep e a Cofins onde teremos uma redução de alíquota para zero (art. 7º da MP 497/2010)." (...) Portanto, pareceme evidente o desacerto no uso da expressão “suspensão” pela legislação relativa ao drawback. Deste modo, para tentar elucidar esta questão é que afirmamos ter o drawback, em todas as modalidades, a natureza jurídica de uma isenção condicionada à reexportação de mercadorias. Em outras palavras, no caso do drawbacksuspensão, quando atendidas todas as condições previstas no regime, aplicável a regramatriz de isenção. Em caso de descumprimento das condições previstas para a fruição do regime, então, aplicase a regramatriz de incidência tributária para a cobrança dos tributos devidos. Explico: como já comentado, no caso de uma importação sob a égide de regime aduaneiro especial, não há a incidência imediata e definitiva dos tributos, pelo fato que as mercadorias entram no território aduaneiro com alguma finalidade específica. No caso do drawback, as mercadorias (insumos) são importadas com a finalidade de serem destinadas a fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser reexportada ou, ainda, serem beneficiadas no país e depois reexportadas, a teor do que prescreve o artigo 78 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Assim, a não incidência tributária decorre da exclusão do crédito tributário (art. 175, I, CTN) em função da concessão de uma isenção condicionada (art. 176 c/c 179 do CTN). E a isenção está condicionada ao cumprimento de dois requisitos, cumulativamente i. Aplicação na finalidade específica processo produtivo; Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 18 17 ii. Reexportação, dentro de termos, prazos e limites previstos na legislação. Atendidos os dois requisitos, a regramatriz de isenção exclui o crédito tributário. Não cumpridas essa condições, as operações de importação passam a receber o tratamento tributário do Regime de Importação Comum, com a aplicação da regramatriz de incidência tributária. A isenção condicionada, no caso, deve ser efetivada por despacho da autoridade administrativa no momento do despacho aduaneiro de importação, podendo ser revogada, posteriormente, em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN." Em conclusão, afirma Barbieri que, no drawback, ocorre um negócio sinalagmático em que a União e os Estadosmembros concedem isenção tributária às empresas interessadas, e estas assumem compromissos junto aos entes tributantes. Para verificação do cumprimento dos compromissos, em especial, para a comprovação de que os produtos importados sem o recolhimento de tributos foram exportados, as declarações de importação, a descrição e identificação das mercadorias, as declarações e os registros de exportação, os vínculos entre os documentos e declarações referentes à importação e à exportação são essenciais. Uma vez que o nãorecolhimento dos tributos incidentes na importação, no caso do drawback, está condicionado ao cumprimento dos termos e condições regulamentares próprios deste regime (art. 78 do DecretoLei nº 37, de 1966), o nãocumprimento de termos e condições estabelecidos nas diversas normas que tratam do assunto implica que os tributos sejam devidos desde a ocorrência de seus fatos geradores, com acréscimos de juros e multas, e isto não caracteriza ofensa ao princípio da reserva legal. É que além do Regulamento Aduaneiro, as Instruções Normativas da RFB, as Portarias da Secex e as Resoluções da Camex também se destinam a regulamentar o drawback, logo, estão de acordo com o art. 78 do DecretoLei nº 37, de 1966. De fato, a lei e o regulamento, à época dos fatos especialmente, mas hoje também, diziam e dizem pouco sobre a concretização do regime de drawback. Este só se efetivava e só se efetiva com amparo nas normativas expedidas pelos órgãos singulares e colegiados atuantes no controle do comércio exterior. Porém, devese ter bem claro que a exigência dos tributos não recolhidos e acréscimos legais decorre das normas de incidência de cada tributo e das que prevêem a incidência de multa e juros, o que está em consonância com o princípio da legalidade: i) art. 23, do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, para a exigência do II; b) art. 2º, inc. I, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, para a exigência do IPI; c) art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, para a exigência de multa pelo não recolhimento; iv) art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, para a incidência de juros à taxa Selic1 2. 1 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 19 18 O auto de infração, lavrado por servidor competente, AuditorFiscal da Receita Federal3, contém a descrição dos fatos4 e os fundamentos legais das exigências dos tributos e dos acréscimos, indicando nos demonstrativos as datas dos registros das Declarações de Importação e dos desembaraços, que são os elementos temporais dos fatos geradores do II e do IPI, respectivamente, e, também, configuram os termos iniciais para a incidência da multa de ofício e o cálculo dos juros. O sujeito passivo recebeu cópia do auto de infração, teve acesso a todos os documentos que o instruíram e apresentou impugnação, recurso voluntário e contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. O atendimento às formalidades próprias do auto de infração e o conteúdo das peças recursais apresentadas deixam claro que não houve cerceamento do direito de defesa e ofensa ao contraditório. 2.1 À beneficiária do drawback incumbe o ônus de provar o adimplemento dos compromissos. No acórdão nº 9303002.869 (PAF 10660.001571/200483), em que atuou como relator o ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, esta 3ª Turma, ao assentar que o regime de drawback suspensão, para ser encerrado, exige a comprovação de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido, fêlo com base no entendimento de que incumbe ao sujeito passivo, mediante adoção do rito fixado na legislação de regência, provar que cumpriu as condições para o aperfeiçoamento da isenção ou, ao menos, esforçarse em carrear ao processo elementos que façam prova do cumprimentos dos requisitos. As palavras lançadas no voto condutor daquele acórdão servem neste julgamento para afastar alegações de que caberia ao Fisco comprovar que os bens importados sob o regime de drawback tiveram destino diferente daqueles que justificariam considerar cumpridos os requisitos deste regime, bem como para negar pedidos de diligências ou perícias efetuados pela contribuinte. Transcrevo grande parte do voto condutor do acórdão nº 9303002.869, cujas razões de decidir adoto também neste voto: 'Já na senda da corrente que defende tratarse de isenção sob condição resolutiva, pontifica Liziane Meira5: “Na modalidade mencionada pela legislação como ‘Drawback Suspensão’, há uma importação de mercadoria com isenção sujeita à condição resolutiva, pois, se posteriormente não for providenciada a reexportação do produto industrializado, os tributos incidentes sobre a importação são devidos.” 3 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. 4 O réu se defende dos fatos e não da capitulação legal. 5 Regimes Aduaneiros Especiais, in Coleção de Estudos Tributários; coordenação Paulo de Barros Carvalho São Paulo: IOB, 2002. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 20 19 Pareceme claro, assim, que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, ao regime de drawback significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições para sua concessão, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier6: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o Mestre Lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. 6 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 21 20 Em sentido análogo, pondera Souto Maior Borges7: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Não existe, pois, como debater a incidência da norma isentiva de cunho material ignorando aquelas de natureza processual. Sem o cumprimento dos pressupostos de eficácia, a cargo do sujeito passivo, a norma isentiva simplesmente não produz efeitos. Igualmente não se pode esquecer de que, pela aplicação conjunta do art. 179 do CTN e do art. 333 do Código de Processo Civil, este último subsidiariamente, impõese ao sujeito passivo o dever de provar que cumpriu as condições legais para o aproveitamento do benefício. Com efeito, o art. 179 deixa claro que cabe ao sujeito passivo apresentar requerimento em que faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Tomo emprestada, ademais, a pertinente lição do professor Hugo de Brito Machado8, a respeito da divisão do ônus da prova fixada no art. 333 do CPC: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, 7 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336. 8 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 22 21 art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim, não vejo como imputar ao Fisco o dever de comprovar que as exportações não dizem respeito ao ato concessório. Ao sujeito passivo incumbe, mediante a adoção do rito fixado na legislação de regência, fazer prova de que cumpriu as condições para o aperfeiçoamento da isenção ou pelo menos empreender esforços no sentido de carrear ao processo elementos que, alternativamente, fizessem prova do cumprimento dos requisitos.' 2.2 Descumprimento dos termos e condições regulamentares do regime. Resumindo o que foi dito até aqui, o beneficiário do regime de drawback deve comprovar que os produtos importados ao amparo deste regime foram exportados ou integraram produto exportado, nos termos e condições regulamentares, senão deverá recolher os tributos não recolhidos, considerandoos devidos na data de seus fatos geradores. Conforme art. 111 do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento de obrigações tributárias acessórias, logo, não se pode afastar exigência explícita de cumprimento de requisito formal. Voltando aos autos, verifico que a contribuinte não informou o código de operação de drawback (81.101) no campo 2a em Registros de Exportação e não informou dados relativos a produtos intermediários e seu fabricante no campo 24 do RE. Diz a Portaria Secex nº 02, de 22/12/1992: "Art. 10 O Registro de Exportação no Siscomex RE é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira e fiscal que caracterizam a operação de exportação de urna mercadoria e definem o seu enquadramento. Art. 11 O exportador ficará sujeito as penalidades previstas na legislação em vigor, na hipótese de as informações prestadas no Siscomex, não corresponderem à operação realizada" E os itens 3, 4 e 8 do Anexo V da Consolidação das Normas do Regime de DrawbackCND (Comunicado Decex nº 21, de 1997), assim dispõe: Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 23 22 "3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão." "4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo 'I' (I Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE n° 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante)." "8. A industrialexportadora devera consignar no campo 24 (dados do fabricante), além dos dados relativos ao fabricante intermediário (se houver), as seguintes informações: a) seu próprio CGC; (..)" "9. Quando a detentora do Registro de Exportação (RE) for empresa de fins comerciais que atue na exportação, deverá [ão] ser informado [s] no campo 24 (dados do fabricante) os dados relativos ao fabricanteintermediário e à empresa industrial. Nesses casos, a empresa deverá ainda informar: a) seu próprio CGC; b) NCM do produto; c) Unidade da Federação onde se situa; d) quantidade do produto na unidade da NCM; e) valor correspondente à diferença (...)" Conforme afirmou o redator do voto vencedor do acórdão da DRJ/FOR: 1) A informação do código da operação no RE é indispensável no momento do despacho aduaneiro de exportação, pois esta informação permite à autoridade aduaneira saber que a operação se trata de exportação hábil a extinguir o regime de drawback e, assim, adotar as medidas de cautela fiscal necessárias para a verificação de que os produtos em exportação concluem o ciclo do regime. 2) É necessário que a importação e a exportação estejam devidamente vinculadas, de modo a permitir ao Fisco o controle do emprego e da destinação dos bens e a exigência dos tributos se não forem atendidas as condições do regime. Em conclusão, concordando com o voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, somente os RE em que, na data do despacho aduaneiro, havia a informação do código do drawback (81.101) podem ser considerados para vinculação ao ato concessório. Além disso, conforme ressaltado pela fiscalização e confirmado no voto vencedor da decisão da DRF/FOR, verificase nos documentos acostados aos autos que: Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 24 23 1) As informações no campo 24 dos RE não estão de acordo com a realidade fática, pois, ao contrário do informado pela beneficiária, todo o processo de fabricação dos produtos exportados ocorreu no estabelecimento filial da empresa em Barcarena/PA e não no estabelecimento situado no Rio de Janeiro. 2) Não há nenhum RE que comprove que os produtos industrializados no estabelecimento filial em Barcarena/PA foram efetivamente exportados, porquanto em nenhum dos RE foi informado no campo 24 o CNPJ da filial do estado do Pará como fabricante dos produtos. E quanto aos RE vinculados ao CNPJ de empresa comercial exportadora, constou no campo 24 apenas o CNPJ da própria exportadora ou não constou a informação de que a Albrás é a empresa industrial responsável pela fabricação dos produtos exportados, logo, não foi atendido o disposto no item 9 do Anexo V da CND. Finalmente, quanto às operações em que o produto exportado contém produto intermediário amparado no regime de drawbacksuspensão, em que o fabricante foi a empresa Alunorte Alumínio do Norte do Brasil, não tendo sido prestada esta informação no campo "Dados do Fabricante" dos RE, houve descumprimento ao disposto no artigo 7º, do Anexo V, do Comunicado Decex nº 21, de 11/07/1997, que obriga a inserção no campo 24 do RE das seguintes informações: CGC do fabricanteintermediário; NCM do produtointermediário; Unidade da Federação onde o fabricanteintermediário se situa; número do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, do fabricanteintermediário; quantidade do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final, na unidade da NCM; valor do produto intermediário. Porém, este descumprimento, por si só, tem reflexos apenas sobre o Ato Concessório emitido em benefício da Alunorte e as importações efetuadas ao amparo deste. Neste ponto, concordo com o que consignado no voto condutor do acórdão recorrido. Cito: "No desdobramento da terceira denúncia, entendo que eventual omissão no campo especifico do Registro de Exportação (RE) de dados relativos a produto intermediário amparado em drawback suspensão concedido a terceiros não tem influência alguma no adimplemento do drawback concedido à Albrás Alumínio Brasileiro S.A." Assim, os Registros de Exportação que não foram aceitos para comprovar o adimplemento do Ato Concessório 196/1423 apenas com fundamento na falta de informações sobre o fabricante de produto intermediário amparado em drawbacksuspensão concedido por meio de outro ato concessório, emitido em nome de terceiro, podem ser utilizados para comprovação da vinculação de exportações às importações promovidas ao amparado do Ato Concessório 196/1423. Apesar da redundância, convém destacar: a existência de qualquer outro descumprimento da legislação discutido neste voto impede que o Registro de Exportação seja aceito para comprovação do adimplemento dos compromissos decorrentes do Ato Concessório 196/1423. 3. Precedentes. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 25 24 Há várias decisões do CARF no sentido de que a falta de informação correta de dados exigidos pela legislação de regência, os quais são necessários para a comprovação de que os insumos importados sob o regime especial de drawback foram empregados em produtos exportados, não constitui mero erro formal, devendo ser causa para se considerar não adimplido o compromisso de exportar e para serem exigidos os tributos que não haviam sido recolhidos. Cito alguns: "Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 05/08/1999 a 02/09/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido." [Acórdão nº 9303002.869, PAF 10680.001571/2000483, 3ª Turma/CSRF, Relator Cons. Henrique Pinheiro Torres, sessão de 19/02/2014.] "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2006 a 15/08/2006 (...) DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária." [Acórdão nº 3202000.878 (PAF 15165.002071/200716), 2ª Turma/2ªC/3ª Sejul, Redator do voto vencedor Cons. Luis Eduardo Garrosino Barbieri, sessão de 21/08/2013.] "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/02/2002 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 26 25 (...) DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawbacksuspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK. EXPORTAÇÃO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM ATO CONCESSÓRIO. INADIMPLEMENTO. Somente serão aceitas para comprovação das obrigações assumidas por ocasião da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, exportações realizadas dentro do prazo de validade do Ato Concessório (AC)." [Acórdão nº 3302 003.084, PAF 13855.002107/200504, 2ª Turma/3ª C/3ª Sejul, Relatora Cons. Maria do Socorro Ferreira Aguiar, sessão de 24/02/2016.] "Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos." [Acórdão nº 3403002.897, PAF 12719.001884/200797, 3ª Turma/4ªC/3ª Sejul, Relator Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, sessão de 27/03/2014.] 4. Decadência. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça9, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não 9 REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 27 26 prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento no desembaraço das mercadorias, tendo em vista a aplicação do regime especial de drawback, na modalidade suspensão, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173, do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual poderia ter havido o lançamento. No regime de drawbacksuspensão, para o período de apuração objeto do auto de infração, o lançamento de ofício não poderia ser efetuado antes de terminar o prazo de vigência do benefício acrescido de 30 (trinta) dias, uma vez que o sujeito passivo poderia até esta data liquidar o débito correspondente aos tributos "suspensos", à luz do que dispunham os artigos 317, 318 e 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/1985 RA/1985, em vigor na data dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração. Vejamse estes dispositivos do RA/1985: o: "Art. 317 Na modalidade de suspensão do pagamento de tributos o benefício será concedido após o exame do plano de exportação do beneficiário, mediante expedição, em cada caso, de ato concessório do qual constarão: (...) d) prazo para exportação. (...) Art. 318 De conformidade com o artigo 250, o pagamento dos tributos exigíveis nas importações efetuadas no regime previsto nesta Seção poderá ser suspenso pelo prazo de até um (1) ano, prorrogável por período não superior a um (1) ano (Decretolei nº 1.722/79, art. 4º). §1º É admitida nova prorrogação na hipótese da alínea b do inciso I do §1º do artigo 250. §2º Os prazos de suspensão de que trata este artigo terão como termo final o fixado para a exportação, no ato concessório. Art. 319 Na hipótese de se vencer o prazo de suspensão previsto na alínea d do artigo 317 sem se efetivar a exportação, o beneficiário deverá liquidar o débito correspondente em trinta (30) dias. A mesma conclusão se extrai do inc. I do art. 342 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002 – RA/2002, reproduzido no inciso I do art. 390 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 – RA/2009, atualmente em vigor. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 28 27 Confirmando o entendimento sobre o termo inicial para contagem do prazo de decadência, dispõe o art. 752 do RA/2009, que assim dispõe: "Art.752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) §3º No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção." Retornando aos autos, o Ato Concessório de Drawback nº 196/1423, de 10/12/1996, por meio do qual foi concedido o benefício, estabeleceu inicialmente que o prazo de validade do ato venceria em 09/06/1998. Este prazo foi sucessivamente alterado para ao final ser definida a data de 06/12/1998, conforme Aditivo nº 000198/0000473, de 20/02/1998, fl. 728 do eprocesso. Acrescentando 30 (trinta) dias a esta data final, temse que o lançamento de ofício poderia ser efetuado apenas no exercício de 1999, de modo que iniciandose a contagem do prazo de cinco anos no primeiro dia do exercício subsequente, ou seja, 1º/01/2000, o termo final para o prazo quinquenal seria 1º/01/2005. Uma vez que o sujeito passivo teve ciência do auto de infração em 11/09/2003, fl. 3 do eprocesso, não se operou a decadência. Conclusão. 1) Quanto à inclusão de outra empresa (filial) no rol das beneficiárias do regime, considerando que o recurso especial não deve ser utilizado para o fim específico de reapreciação das provas e só é cabível quando em confronto acórdãos que exibem situações fáticas diferentes, e que não foi comprovada e demonstrada divergência jurisprudencial em relação ao que decidido no acórdão recorrido, voto por não conhecer o recurso especial nesta matéria. 2) Quanto à necessidade de vinculação do registro de exportação ao ato concessório, para comprovação do regime de drawback, considerando que: Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10209.000533/200360 Acórdão n.º 9303003.865 CSRFT3 Fl. 29 28 a) o regime especial de drawbacksuspensão possui natureza jurídico tributária de isenção condicionada; normas regulamentares, amparadas no art. 78 do Decreto lei nº 37, de 18/11/1966, veiculadas por instruções normativas, portarias e resoluções dos órgãos singulares e colegiados atuantes no comércio exterior, estabelecem como condição para a concessão do regime, logo, para a fruição da isenção condicionada, que o código da operação próprio do regime de drawbacksuspensão e dados sobre fabricantes do produto exportado e de produtos intermediários estejam informados em campos específicos dos Registros de ExportaçãoRE no despacho aduaneiro de exportação; b) a inserção destas informações nos RE visa a permitir a vinculação entre os produtos exportados e os produtos importados sob o regime especial; c) diante da falta ou incorreção destas informações, não se pode atestar que as mercadorias importadas ao amparo do drawbacksuspensão foram empregadas em produtos exportados no prazo estabelecido no ato concessório; Na parte conhecida, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter o auto de infração, excluindo o crédito tributário decorrente apenas de irregularidade de informações referentes a fabricante de produtos intermediários que foram importados ao amparo de Ato Concessório emitido em nome de terceiro. Sala de Sessões, 18/05/2016 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10467.901164/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1201-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. Vencida a Relatora, que lhe negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. Vencida a Relatora, que lhe negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. (documento assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 11 64 /2 00 8- 98 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP (fls. 214/225), por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 98.182,86 teria origem em saldo negativo do imposto apurado no anocalendário 2003. 0 despacho decisório eletrônico (fl. 08) afirma não ter sido possível confirmar a apuração de crédito porque o valor informado na DIPJ não correspondente ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor do saldo negativo do IRPJ informado no PER/DCOMP R$ 98.182,86 e na D1PJ R$ 56.589,88, não homologando as compensações declaradas. As fls. 46/47 consta Pedido de Revisão de Oficio do contribuinte alegando, em síntese, que na DIPJ anocalendário 2003 apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 56.589,88, e parcelou estimativas não recolhidas, processo n° 11618.003973/200662, o que gerou saldo credor no valor de R$ 41.592,98, totalizando, portanto, R$ 98.182,86, valor do crédito declarado na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório de fl. 259, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, aprovou o Parecer SAORT n° 394/2009, fls. 254 a 257, reconhecendo parcialmente o saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário 2003 no valor de R$ 57.483,59, homologando a compensação dos débitos consignados nas DCOMPs, fls.214/225, 226/229, 230/233, 234/237, 249/252 e homologando parcialmente as compensações dos débitos constantes da DCOMP, fls. 238/248. 0 Parecer SAORT n° 394/2009, para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, se fundamentou no fato de que parte das estimativas mensais que compuseram o saldo negativo declarado havia sido objeto de parcelamento, considerando para compor o montante do saldo negativo do IRPJ (a compensar), apenas o valor efetivamente quitado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 274/275, alegando, em síntese, que o valor de R$ 41.592,98, não homologado, corresponde aos adicionais parcelados através do processo no 11618.003973/200662 e liquidado em 06/11/2009, conforme documentos, fls. 298/299. Considerando que a Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 4 3 cobrança contida no processo eletrônico n° 10467.901222/2008 83 corresponde ao crédito tributário totalmente liquidado, solicita seja extinto o processo. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1135.001, de 26 de setembro de 2011, cientificado ao interessado em 23/01/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos, cuja prova compete ao sujeito passivo, são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. 0 saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do ano calendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto até a data da transmissão da DCOMP. 0 parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em vista desta decisão, da qual tomou ciência em 23/01/2012, a Contribuinte ingressou com petição dirigida à DRF João Pessoa, em 16/02/2012, que foi recepcionada como recurso voluntário. Nesta petição, a Contribuinte apresenta um relatório do caso, registrando novamente que à época da apresentação da manifestação de inconformidade, em 30/11/2009, as estimativas parceladas (que compunham o reivindicado saldo negativo do IRPJ/2003) estavam totalmente liquidadas, de acordo com o processo de parcelamento nº 11618.003973/200662, encerrado em 06/11/2009. Ao final, apresenta o seguinte pedido: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 5 4 Diante dos fatos, requeremos a restituição do valor remanescente atualizado do saldo negativo do IRPJ 2003/2004 já demonstrado, que corresponde a R$40.699,59 (valor original), isto é, R$98.182,86 –R$57.483,59 (valor homologado no parecer 394/2009) = R$40.699,27. Banco do Brasil S.A. Agencia 32042 Conta corrente 11.0663 Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.123, de 04/12/2012, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de João Pessoa/PB confirmar os valores pagos no âmbito do processo de parcelamento nº 11618003.973/200662 , até o dia 04/12/2012 (data da Resolução). A DRF de João Pessoa/PB após a realização da diligência apresentou a informação conclusiva para a análise, cientificada ao sujeito passivo em 22/03/2014 juntamente com a mencionada Resolução que não apresentou manifestação de inconformidade. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Tratam os presentes autos da Declaração de Compensação n° 28191.14383.301006.1.7.020097, retificadora, transmitida em 30/10/2006, cujo crédito se refere a suposto saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 98.182,86 do ano calendário de 2003, para compensar débitos de IRPJ Estimativa (Código 599301), referente aos meses de maio, julho, agosto e setembro de 2004, no total de R$ 36.127,64. Conforme relatado, por meio do Despacho Decisório de fl. 259, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, aprovou o Parecer SAORT n° 394/2009, fls. 254 a 257, reconhecendo parcialmente o saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário 2003 no valor de R$ 57.483,59, homologando a compensação dos débitos consignados nas DCOMPs, fls.214/225, 226/229, 230/233, 234/237, 249/252 e homologando parcialmente as compensações dos débitos constantes da DCOMP, fls. 238/248. O Parecer SAORT n° 394/2009, para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, se fundamentou no fato de que parte das estimativas mensais que compuseram o saldo negativo declarado havia sido objeto de parcelamento, considerando para compor o montante do saldo negativo do IRPJ (a compensar), apenas o valor efetivamente quitado. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 6 5 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 274/275, alegando, em síntese, que o valor de R$ 41.592,98, não homologado, corresponde aos adicionais parcelados através do processo no 11618.003973/200662 e liquidado em 06/11/2009, conforme documentos, fls. 298/299. A decisão de 1ª instância é no sentido de que, embora componha o saldo negativo para fins de apuração do IRPJ a pagar na DIPJ/2004, o total das estimativas incluído no processo de parcelamento não pode ser restituído, apenas as parcelas pagas até o momento da transmissão da DCOMP é que podem ser objeto de restituição/compensação. No tocante ao alegado parcelamento das estimativas assim concluiu o órgão julgador de 1ª instância: Quanto ao pagamento efetuado em 06/11/2009, através do DARF à. fl. 299, referente ao processo de parcelamento n° 11618.003973/200662, pode ser objeto de novo PER/DCOMP, caso permaneça o interesse da contribuinte. No recurso voluntário a Recorrente insiste que as estimativas parceladas (que compunham o reivindicado saldo negativo do IRPJ/2003) estavam totalmente liquidadas, de acordo com o processo de parcelamento nº 11618.003973/200662, encerrado em 06/11/2009. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.123, de 04/12/2012, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de João Pessoa/PB confirmar os valores pagos no âmbito do processo de parcelamento nº 11618003.973/200662 , até o dia 04/12/2012 (data da Resolução). A DRF de João Pessoa/PB procedeu a diligência solicitada e assim pronunciouse: Atendendo ao pedido, realizei consultas nos sistemas informatizados da RFB, passando a prestar os esclarecimentos pertinentes: 1. O contribuinte negociou através do processo administrativo n. 11618003.973/200662 parcelamento de débitos de estimativa mensal – IRPJ Código de Receita 5993 (P.A 01/2003 a 12/2003 e 09/2005 a 12/2005), conforme discriminado nas consultas às fls. 470/472 e 474/478 . 2. O parcelamento foi deferido em 13/11/2006 nos moldes da Lei n. 10.522/2002, tendo sido pagas 36 prestações que amortizaram do saldo devedor do processo o montante de R$ 58.944,24, conforme extrato anexado às fls. 470 e 474; 3. O referido parcelamento foi cancelado em 05/11/2009 e em seguida, seu saldo remanescente foi quitado pelo contribuinte mediante pagamento à vista, realizado em 06/11/2009 no valor total de R$ 34.532,12, com as reduções de multas de mora e juros de mora concedidas pela Lei n. 11.941/2009 fls. 473/478 ; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 7 6 4. O crédito tributário controlado através do processo administrativo n. 11618003.973/200662 encontrase extinto por pagamento desde 06/11/2009 – fls. 474/478. ... Cientificada da Resolução nº 1802000.123, de 04/12/2012 e desse informação da DRF/João Pessoa/PB, a Recorrente não se manifestou. Pois bem, como dito acima, no recurso voluntário a Recorrente insiste que as estimativas parceladas (que compunham o reivindicado saldo negativo do IRPJ/2003) estavam totalmente liquidadas, de acordo com o processo de parcelamento nº 11618.003973/200662, encerrado em 06/11/2009. Como se sabe, na composição do saldo negativo de IRPJ e de CSLL são incluídas todas as parcelas pagas pelo contribuinte (ou por terceiros em seu nome, no caso de retenções) por antecipação ao longo do anocalendário, tais como: (i) retenções na fonte de IR e CSLL; (ii) pagamento de estimativas mensais com DARF; (iii) pagamento de estimativas mensais via PER/DCOMP Desse modo, a diferença entre as antecipações mensais de IRPJ e o valor apurado como devido na declaração de ajuste anual configura saldo negativo. Com efeito, é admissível a compensação de saldo negativo formado por estimativas com compensações declaradas até a data de envio do PER/DCOMP, ainda que homologadas expressamente ou tacitamente tais compensações após o envio do PER/DCOMP ou quitadas até a data de envio do PER/DCOMP, bem como as estimativas parceladas e quitadas até a data de envio do PER/DCOMP. Sabendose que as compensações declaradas e não homologadas bem como as estimativas parceladas e não quitadas até a data de envio do PER/DCOMP, não compõem o saldo negativo do ano calendário de 2003 tampouco as quitações de estimativas efetuadas por pagamento após o envio do PER/DCOMP, por absoluta falta de liquidez e certeza do crédito tributário indicado no PER/DCOMP enviado, pois, para o contribuinte pleitear a restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido na data da entrega do PERDCOMP que é o momento do encontro das contas (crédito x débito) indicadas pelo contribuinte. Nessa ordem de idéia, é de se concluir pela impossibilidade legal de procederse à compensação de crédito tributário parcelado e ainda pendente de pagamento na data da transmissão da DCOMP, pois, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja liquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Labora com acerto a decisão recorrida no sentido de que o total das estimativas incluído no processo de parcelamento não pode ser restituído; apenas as parcelas pagas até o momento da transmissão da DCOMP é que podem ser objeto de restituição/compensação. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 8 7 Como bem alertado à contribuinte na decisão recorrida o pagamento efetuado em 06/11/2009, através do DARF à. fl. 299, referente ao processo de parcelamento n° 11618.003973/200662, poderia ser objeto de novo PER/DCOMP, caso fosse do seu interesse, pois, cientificada dessa decisão em 23/01/2012 teria tempo suficiente até 06/11/2014 para pleitear a restituição/compensação como pagamento indevido ou a maior e não a título de saldo negativo do ano calendário de 2003. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Voto Vencedor Luis Fabiano Alves Penteado redator designado Não obstante o brilhante voto da Conselheira Relatora ouso discordar e passo a descrever meus motivos. Em apertada síntese, o que aqui se discute, é o valor de R$ 41.592,98 cujo aproveitamento não fora homologado pela Delegacia de origem, nem tampouco aceito pela Turma da DRJ. O pano de fundo do mérito aqui discutido é a possibilidade de considerar, para fins de composição do saldo negativo do período, os valores das estimativas não recolhidas dentro do próprio período, mas através de parcelamento cuja liquidação fora posterior ao seu encerramento e à própria DComp. O entendimento da DRJ e da conselheira relatora vai no sentido de que somente os valores efetivamente recolhidos até a data de envio da DCOMP poderia ser utilizada, vez que não há que se falar em restituição daquilo que não fora pago. Devo discordar deste entendimento. Isso porque, a inclusão do débito de estimativa em processo de parcelamento comporta confissão irrevogável e irretratável do contribuinte. Este dispositivo é comum a qualquer programa de parcelamento. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo de parcelamento e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte se torne inadimplente no parcelamento, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte pague o parcelamento (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois do parcelamento, compensar tal valor como parte integrante do saldo negativo, restará prejudicado em seu direito. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 9 8 Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, aplicase a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10467.901164/200898 Acórdão n.º 1201001.379 S1C2T1 Fl. 10 9 Vejamos ainda, precedente deste conselho neste mesmo sentido (acórdão 1801001.616 da 1a Turma Especial da 1° Seção de Julgamento): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PARCELADAS. UTILIZAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA CSLL AO FINAL DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp." Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para DAR LHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 06/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000920/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/11/2006 a 30/11/2006
PRAZO DECADENCIAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
DECADÊNCIA
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR
Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;
A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia
Numero da decisão: 2202-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 17/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 20 /2 01 0- 65 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 17/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada Relatório Adoto, no que diz respeito, o Relatório da Receita Federal de Julgamento de São Paulo : 1. 1. Tratase de Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA (DEBCAD 37.296.6111) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, pela violação do disposto no art. 32, inciso IV, e § 5°, da Lei 8.212/91, regulamentada pelo Decreto 3.048/99, uma vez que a mesma, conforme Relatório Fiscal da Infração às fls. 35, deixou de informar nas suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02, 03,08 e 10/2005 e 02 e 11/2006, valores pagos aos seus Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 403 3 empregados a título de Participação no Lucros ou Resultados PLR, de ValeTransporte VT, e do denominado Abono Único, em desacordo com as legislações pertinentes. 1.1. A multa aplicada para a presente infração, conforme o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 56/59) e seus anexos, foi a prevista no artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, atualizada nos termos da Portaria MPS/MF n° 350 de 30/12/2009, no valor de R$ 126.971,10 (cento e vinte e seis mil novecentos e setenta e um reais e dez centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitado, por competência, em função do número de segurados da empresa, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/91. Observese que foi aplicado, na ação fiscal, o principio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos pela empresa, não recolhida tempestivamente, mediante cotejo entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (nãodeclaração, em GFIP, da contribuição devida, objeto da presente lavratura), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de oficio de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009; dessa comparação, detalhada nas planilhas dos Anexos I e II (fls. 153/154), resultou a aplicação das multas previstas na legislação de regência em 02,03,08 e 10/2005 e 02 e 11/2006, objeto do presente AIOA tendo prevalecido a multa de ofício de 75% nas competências do período fiscalizado (11/2005 e 06,08 a 10 e 12/2006). 1.2. Conforme informado às fls. 169, em 18/08/2010 o presente processo foi apensado ao de n° 16327.000917/201019. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 53/ 106, alegando em síntese que: Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF 2.1. para exigir o recolhimento das contribuições previdenciárias de 2005,a AuditoraFiscal autuante examinou acordos próprios e convenções coletivas sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF a autorizava a fiscalizar documentos somente a partir de 01/2005, maculando a atuação fiscal como um todo; além disso, a lavratura do presente AIOA ocorreu após o prazo de validade do MPF, invalidando a autuação; Da decadência 2.2. com a edição recente da Súmula Vinculante n° 8, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os arts. 45 e Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 46 da Lei 8.212/91, de modo que, tendo a autuação fiscal sido lavrada em 08/2010, foi alcançado pela decadência o período anterior a 07/2005, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, já que houve o recolhimento antecipado de contribuições previdenciárias no período autuado; Da Participação no Lucros ou Resultados PLR 2.3. nas negociações de PLR envolvendo categorias com grande quantidade de empregados, estes, representados pelos respectivos sindicatos, anseiam e pleiteiam a distribuição de valores fixos, estipulados em convenções coletivas (participação indireta na geração do lucro), enquanto os acordos próprios de cada empresa prevêem o rateio conforme o cargo e função de cada trabalhador (participação direta na geração do lucro); os instrumentos de negociação aplicados nos anos fiscalizados eram muito semelhantes aos acordados em anos anteriores, não representando nenhuma novidade aos trabalhadores; as negociações com sindicatos de categorias expressivas são complexas e perduram por longos períodos durante o ano, com diversos trâmites burocráticos, conduzindo ã assinatura das respectivas convenções, via de regra, nas épocas finais do ano, o que não significa que seus termos não tenham sido previamente negociados entre as partes; 2.4. a PLR, formalizada em acordos e convenções, não integra a remuneração dos trabalhadores, porque atrelase ao atingimento (sic) de metas empresariais, sem caráter contraprestativo (ao contrário do salário), com natureza de fomento à integração entre capital e trabalho, não recebendo, por isso, a incidência de contribuição previdenciária; não há, portanto, motivo para a Agente Fiscal ter desconsiderado a forma adotada para os pagamentos de PLR aos empregados, imputandolhes a natureza verba salarial sujeita à tributação previdenciária; 2.5.são absurdas as alegações da Agente Fiscal de que o acordo próprio de PLR não possuiria regras objetivas, metas a atingir e mecanismos de aferição do cumprimento do acordado, cujo anexo descreve claramente todos os indicadores de desempenho considerados para a distribuição de PLR;quanto às metas a considerar para o rateio, cuja fixação a Lei 10.101/2000 não impõe, como o faz com os direitos substantivos, nunca causaram dúvidas às partes acordantes, embora o instrumento não trate de seus pormenores, visto envolverem dados sigilosos, cujo conhecimento por concorrentes poderia causarlhe sérios prejuízos. 2.6. a ausência do sindicato na última reunião do Acordo de PLR de 2004 em nada maculou o processo de negociação ocorrido naquele ano, visto que o representante sindical recebeu uma via dos documentos no momento em que os assinou, assinatura esta que, na ausência de indicação de outro elemento de prova na Lei 10.101/2000, é hábil para aferir a participação sindical nas negociações de PLR; 2.7. devese considerar que a Convenção Coletiva de Trabalho CCT dos bancários envolve dezenas de sindicatos e federações, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 404 5 com realidades dispares entre os segmentos de negócios abrangidos em todo o Brasil, em longo processo negocial, finalizado antes da subscrição do documento; não há, portanto, que se falar em invalidação da CCT, cujo reconhecimento está consignado na própria CF, em razão de sua assinatura ao final das negociações, pois ao longo destas seus temnos foram previamente acordados entre as que deles tinham, conseqüentemente, pleno conhecimento, conforme exige a Lei 10.101/2000,sendo irrelevante, nesse aspecto, a data de subscrição da CCT; 2.8. ante a abrangência das CCTS dos bancários, o único critério possível de ser nelas inserido como meta em um acordo de PLR e' a lucratividade do setor econômico, dependendo exclusivamente do seu percentual 0 valor a ser distribuído; a Lei 10.101/2000 impõe tão somente a fixação dos direitos substantivos e não das metas que serão utilizadas para verificação da sua concretização, os quais, no presente caso, são claros e objetivos; Do ValeTransporte VT 2.9. a isenção de contribuição previdenciária sobre o fornecimento de VT aos empregados está prevista na alínea “Í” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, com a ressalva de que se dê “na forma da legislação própria”; ocorre que a Lei 7.418/85, instituidora deste benefício, é autoaplicável e não veda nenhuma forma de entrega de tal verba, apenas o Decreto 95.247/87 impôs a restrição ao pagamento em dinheiro, extrapolando sua função legislativa, ao inovar as disposições da citada Lei 7.418/85, em afronta ao principio da estrita legalidade; 2.10. o VT pago em dinheiro somente integraria a base de cálculo de contribuições previdenciárias se fosse creditado em retribuição aos serviços prestados pelo empregado, mas ele não é pago pelo trabalho, e sim para o trabalho, possuindo natureza eminentemente indenizatória; os empregados da Impugnante que optaram pela concessão do VT recebem nada mais que o valor suficiente para seu deslocamento ao local de trabalho, sem proporcionalidade à sua remuneração, produtividade ou qualquer medida que denote retributividade deste beneficio; 2.11. a Lei 7.418/85, ao instituir o VT, estendeu o beneficio aos servidores públicos da Administração Federal direta ou indireta; ocorre que tanto o Decreto 2.880/98 como a Medida Provisória MP 2.16536/01, ao criar, para esses servidores, o denominado“AuxílioTransporte”, pago em pecúnia, que, por sua finalidade e suas características, equivale ao VT, atribuiu lhe natureza jurídica indenizatória, isentandoo da contribuição ao Plano de Seguridade Social; ora, se os pagamentos em dinheiro efetuados pela União possuem natureza indenizatória, esta não poderia ser modificada simplesmente por serem realizados por pessoas jurídicas de direito privado; Da revisão do valor da multa Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 2.12. e' ilegal o procedimento adotado pela Agente Fiscal na definição da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme determina o art. 106, II, “c” do CTN, devendo ser o mesmo revisto, já que a metodologia atualmente em vigor (Lei 11.941/2009) é sempre mais benéfica à Impugnante, pois prevê multa de RS 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omissas, ao passo que a norma anterior estabelece penalidade equivalente ao valor da contribuição que deixou de ser recolhida; Da inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação 2.14. devem os diretores da Impugnante ser excluídos da “Relação de Vínculos” do presente processo administrativo, já que as únicas hipóteses legais em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser solidariamente responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias, estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN, sendo que tais hipóteses não ocorreram no presente caso, não podendo ser presumidas. A Delegacia Regional de Julgamento negou provimento a Impugnação em decisão (fls. 325 a 347) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/11/2006 a 30/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Pratica infração a empresa que não informar em GFIP todos os dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, e §5 da Lei 8.212/91 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, 1, da Lei 8.212/91 e art. 214, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9°, “j”, da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9°, X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. VALE TRANSPORTE. Integram o saláriodecontribuição previdenciário os valores pagos em pecúnia aos empregados por conta de Vale Transporte, desobedecendo a legislação pertinente. Art. 28, § 9°, “i”, da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9°, Vl, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 405 7 PRAZO DECADENCIAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. Art. 106, II, “c”, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 39 do art. 49 da Lei n9 6.830/80. Impugnação Improcedente Em relação a alegação da Impugnante de que a fiscalização não poderia utilizar as convenções coletivas de PLR firmadas em 2004 para fundamentar os lançamentos realizados em 2005, uma vez que o MPF limitavase ao período de 01/2005 a 12/2006, a DRJ concluiu pela sua improcedência, pois o pagamento das verbas foi efetuado em 2005, sendo, portanto, deste ano as contribuições previdenciárias exigidas no AIOP. Além disso, em relação a alegação de que a lavratura do AIOP teria ocorrido após o prazo de validade do MPF 08.1.66.002009000023 (fls. 01/04), a DRJ mencionou que este teve sua data de validade sucessivamente prorrogada até 30/08/2010, posterior, portanto, a consolidação do AIOP em 10/08/2010. Sendo assim, não haveria que se falar em invalidade da autuação por perda do prazo de validade do MPF. Em relação à decadência, embora tenha reconhecido a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, entendeu a DRJ que, nos termos da Nota Técnica PGFN/CAT nº 856/2008, o prazo decadencial no caso de descumprimento de obrigação acessória deve utilizar como base o dies a quo estabelecido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional e não o prazo no artigo 150, §4º alegado pela Impugnante. Em relação aos valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, entendeu a DRJ que essa não se adequava ao previsto na Lei 10.101/2000. Isso porque a CCT/PLR. a) "não exige uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente em avaliação ao cumprimento acordado(...)não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado. b) não contém assinatura prévia ao período que se refere. c) teria violado a semestralidade exigida no §2º do art.3º da Lei 10.101/2000 ao prever a possibilidade de antecipação do pagamento. Em relação aos valores relativos ao Vale Transporte, concluiu a DRJ que o art. 4º da Lei nº 7.418, de 1612/1985 proíbe quaisquer outras formas de prestação do benefício, dentre elas, o adiantamento em dinheiro. Em relação ao questionamento da Impugnante quanto ao critério de lançamento das multas, esclareceu a DRJ que, antes da publicação da Medida Provisória nº 449 de 04/12/2008,. aplicavase a multa de mora sobre o descumprimento de obrigação principal prevista no então vigente art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91, nos percentuais de 24% a 100% conforme a data em que fosse paga a contribuição em atraso e, eventualmente, somavase a multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória, prevista nos revogados §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, referente à não apresentação, omissão de fatos geradores ou erro no preenchimento da GFIP. Com o advento da mencionada MP, que alterou o art. 35 e introduziu o art. 35A na Lei 8.212/91 passou a ser exigida uma única multa de ofício, equivalente a 75% do valor da contribuição devida Assim, tratandose de fato gerador ocorrido anteriormente a publicação da MP, tendo o Auto de Infração sido lavrado posteriormente a essa data, deve a fiscalização, em obediência ao disposto na alínea "c", inciso II, do art. 106 do CTN, cotejar a penalidade prevista na legislação de regência com a nova multa de ofício aplicando esta caso resulte menos gravosa que aquela. Esclarece, ainda, que essa sistemática está prevista no art. 476A da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009 e que a autoridade fiscal cumpriu rigorosamente essa sistemática. Finalmente, quanto aos argumentos que sustentam a exclusão dos diretores da Impugnante do "Relatório de Vínculos" , afirmou a DRJ que o referido relatório não tem como escopo incluir os sócios ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas listar todos os representantes legais do sujeito passivo, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial. Sendo assim, o simples fato de constar nos autos uma relação com nome e endereços dos representantes da autuada não significa que a Administração está imputando aos dirigentes a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão. Cientificado (fls.349), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.649702), reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, o seguinte aspecto: Em relação ao pagamento da PLR o Relatório fiscal entendeu estar descaracterizado o pagamento de tais verbas em razão dois motivos. O primeiro por terem as convenções sido assinadas somente ao final do anobase e, o segundo, em razão das convenções não possuírem metas claras e objetivas de modo a incentivar a produtividade, não podendo ser utilizada como meta a lucratividade do setor. Diante disso, ressalta que o argumento utilizado pela DRJ relativo a regra da semestralidade configuraria argumento novo não mencionado no Auto de Infração consistindo, portanto, em inovação do critério jurídico do lançamento. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 406 9 Voto Conselheira Relatora: Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1. PREMILINARES A Recorrente alega duas preliminares, quais sejam: a) nulidade do Auto de Infração, uma vez que o MPFF nº 08.1.66.002009 000023 tinha como objeto a fiscalização de contribuições previdenciárias do período de 01/2005 a 12/2006 e, por esse motivo, a auditoria fiscal não detinha autorização para fiscalizar documentos relativos ao ano de 2004. (fls. 653/655) b) decadência do lançamento relativo ao período anterior a 07/2005,.nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Analisaremos, a seguir, cada uma dessas alegações. 1.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO PERÍODO PREVISTO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No CARF, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Além disso, a alegação do Recorrente no sentido de "o fato gerador dos pagamentos realizados pelo Recorrente em 2005 foram as Convenções de PLR negociadas e celebradas no ano de 2004, período não albergado pelo Mandado de Procedimento Fiscal a meu ver, não se sustenta. Isso porque o artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é claro ao dispor que o fato Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 407 11 gerador das contribuições previdenciárias é "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês" . Dessa forma, não há que se falar em fato gerador da PLR no exercício de 2004, pois antes da data prevista na convenção para o pagamento da PLR não há que se falar em valores "pagos" "devidos" ou "creditados" o que somente veio a ocorrer em 2005. Em face do exposto, rejeito a primeira preliminar suscitada. 1.2) DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A 07/2005 Conforme mencionado no relatório, a DRJ entendeu que, em razão de se tratar de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, com norma do artigo 150, §4º do CTN mas de acordo com a prevista no art. 173, motivo pelo qual, não teria ocorrido a decadência das competências mencionadas pela Impugnante, ora Recorrente. Nesse ponto, correta a decisão recorrida. Isso porque, o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, configura lançamento de ofício. Sendo assim, correta a contagem do prazo decadencial tomando como referência os artigos 173, I, do Código Tributário Nacional. Tal entendimento encontrase em consonância com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. 4. Recurso especial não provido.(REsp 1055540, Rel. Min Eliana Calmon, DJ 27/03/2009) Nesse mesmo sentido já se posicionou esse Conselho, conforme decisão abaixo transcrita: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. (Acórdão 2401003.240, Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Publicação 17/02/2014) Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 2) MÉRITO 2.1) Da exclusão da multa relativa a CFL 68 Conforme se verifica dos autos, a penalidade discutida nesse processo foi aplicada em razão da contribuinte deixar de informar em GFIP a totalidade das remunerações dos segurados empregados, cujas respectivas contribuições previdenciárias (obrigação principal) foram lançadas nos demais Autos de Infração que compõem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal o contribuinte deixou de informar em GFIP´s os valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR e Vale Transporte pago em dinheiro. Sendo assim, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância das decisões proferidas nas demais autuações, em razão da relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores não informados em GFIP apontados pela fiscalização não subsistem. Sendo assim, uma vez rejeitado o lançamento fiscal (como no caso dos autos) não há que se falar em ocorrência da hipótese de incidência da multa em questão. Nesse sentido, transcrevese a seguinte decisão deste Conselho: AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 2401003.240, Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Publicação 17/02/2014) 2.2) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Antes de proceder a análise sobre o tema da Participação no Lucros e Resultados, é importante delimitar a motivação utilizada pela Autoridade Fiscal para descaracterizar os planos de PLR da então autuada. Essa motivação vem sintetizada no item 5.36 do trabalho fiscal, abaixo transcrito: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 408 13 "5.36 Diante do exposto, vemos que as Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação nos Lucros e Resultados dos Bancos não cumprem as disposições legais para afastarem a natureza salarial dessa parcela, haja vista que: (i) foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base, sendo retroativas aos períodos de participação;e (ii) não contam com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação Delimitada a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal, fica clara a inovação promovida pela Delegacia Regional de Julgamento ao apontar irregularidade da semestralidade do pagamento o que lhe é vedado, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nestes termos: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontrase escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamentodeve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantêlo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal (grifamos) (Acórdão nº 9202003.196; sessão de 07/05/2014; Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Dessa forma, correta a alegação da Recorrente (fls. 672) no sentido de que ao apontar suposto vício na semestralidade do plano, a DRJ teria inovado na fundamentação jurídica sem competência para tanto. Feita a delimitação dos supostos vícios apontados no Programa de Participação nos Lucros e Resultados da Recorrente, analisaremos o instituto da PRL tal como previsto na Lei nº 10.101/2000, 2.1.1) A REGULAMENTAÇÃO DA PLR PELA LEI Nº 10.101/2000 A Constituição Federal, ao tratar dos direitos conferidos aos trabalhadores assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Tratase de norma de eficácia limitada, cuja regulamentação se deu por meio da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994. De forma harmônica com a Constituição Federal, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, também determinou que a participação nos lucros ou resultados da empresas somente não integraria o salário de contribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nestes termos: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, determina os requisitos da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, tendo resultado da conversão em lei da já citada Medida Provisória nº 794, de 1994, após sucessivas reedições.São esses os termos da lei reguladora: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade,nos termos do art. 7o, inciso XI da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 409 15 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifamos) A leitura dos artigos acima transcritos nos permite verificar a existência de normas prescritivas (determinam a conduta a ser observada) e normas permissivas Essa distinção, a nosso ver, é fundamental para interpretação da obediência ou não do plano de PLR ao estabelecido na mencionada lei. Em primeiro lugar, observase que o artigo 1º da lei é norma de conteúdo programático, ou seja, trata da finalidade da lei que seria, em suas palavras, "integração entre o capital e o trabalho" "incentivo à produtividade O artigo 2º traz uma norma prescritiva ao determinar que a participação deverá ser objeto de negociação coletiva realizada por comissão paritária, acordo ou convenção coletiva. O §1º do artigo 2º, por sua vez, traz normas prescritivas e permissivas ao determinar que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" e que, para essa finalidade poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Da leitura do referido parágrafo constatase que a norma prescritiva nele prevista referese a imposição de regras claras e objetivas. Tais regras podem utilizar como parâmetro a produtividade, a lucratividade ou a realização de programas de metas e resultados a depender da especificidade do setor econômico e do tipo de negociação realizada. Em outras Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 16 palavras, a lei não determinou quais as regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros. Apenas exigiu que tais regras fossem claras e objetivas. Isso fica ainda mais claro quando, em seu artigo 3º, §2º, veda, expressamente, que o pagamento seja feita em periodicidade inferior à 6 (seis) meses. Feitas essas observações iniciais, passaremos a análise do Plano de Participação de Lucros e Resultados da Recorrente, bem como das objeções utilizadas pela Autoridade fiscal para descaracterizálo. 2.1.2 ACORDOS PRÓPRIOS. 2.1.2.1 AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO De acordo com a DRJ não houve participação do sindicato nos Acordos de PLR firmados pela Recorrente, pois "embora convidada, não houve participação da entidade sindical na Reunião para exame e Aprovação da Renovação do Acordo para Participação dos Trabalhadores nos Lucros e Resultados, realizada em 23/09/2004, conforme consignado na respectiva ata (fls. 132), tentando a Recorrente fazer crer que a mera ciência da ocorrência da reunião e do seu teor configurariam tal participação, tendo a assinatura do sindicalista sido a posteriori. Conforme ressalta a Recorrente tal argumentação não deve prosperar, pois o acordo de PLR tinha o prazo de vigência de 2 anos (1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2004 (cláusula 18). O referido acordo foi assinado em 23 de maio de 2003 e arquivado 23 de junho de 2003. Em 23/09/2004 foi realizada reunião para aprovação e renovação do acordo de PLR 2003/2004, ocasião em que foram aprovados/retificados todos os termos e condições anteriormente negociados. Assim, ao contrário do decidido pela DRJ, não entendo que a referida reunião seria parte integrante do processo de negociação, uma vez que tratavase de procedimento de revisão do Acordo vigente nos anos de 2003 e 2004, cujos termos e condições eram válidos e vigentes e não sofreram qualquer tipo de alteração. Ademais, conforme já decidido por esta Conselho no Acórdão 205.00.213 "a Lei 10.101/00 em seu §2º prevê necessidade do arquivo do instrumento de acordo nos sindicatos, no entanto, não há determinação expressa de prazo par ao respectivo protocolo na entidade. 2.1.2.2 OS ACORDOS DE PLR NÃO APONTARIAM QUALQUER PROGRAMA DE METAS OU RESULTADOS PREVIAMENTE ACORDOS E SEUS RESPECTIVOS MECANISMOS DE AFERIÇÃO De acordo com a DRJ, os acordos próprios de PLR não apontam qualquer tipo de programa de metas ou resultados previamente acordados e seus respectivos mecanismos de aferição, ou seja, "não se indica aos empregados o tipo de ação a desenvolver para fazerem jus à PLR, contrariando o real propósito do instituto. Além disso, tais acordos "contemplam apenas um fluxo de apuração do valor do benefício a partir do lucro obtido pela empresa, sem estipulação das metas a alcançar pelos contemplados e da forma de avaliação de seu desempenho. Em primeiro lugar, é importante destacar, que a criação de fatores de produtividade é uma faculdade legal, pois a lei 10.101/00 dispõe que "poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade". Se os metas de produtividade são uma faculdade sua ausência ou incorreção não são motivos para descaracteriza o plano de PLR. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 410 17 De todo modo, independente da interpretação que se dê ao dispositivo legal, entendo que os critérios adotados nos acordos são claros e objetivos. Conforme se verifica, foram adotados os seguintes passos para a definição do pagamento de PLR: 1º Verificase o grupo de salários não qual está enquadrado o empregado. A partir dessa classificação, é definido o múltiplo de salário inicial que poderá ser pago a título de PLR (denominado "target") 2º O "target" é multiplicado pelo fator extraído dos indicadores de desempenho; 3º O valor obtido é multiplicado pelo fator LAIR; 4º O valor obtido pelo fator LAIR é, então, multiplicado pelo fator "marked share" 5º E, por fim, os valores obtidos da multiplicações acima é multiplicado pelo fator "scorecard" definindo, assim, o valor do PLR a pagar , respeitando o critério de proporcionalidade para os casos pertinentes. Em face do exposto, entendo que os acordos firmados pelo Recorrente estão atrelados a critérios e parâmetros claros e objetivos. 2.2.2 AS CONVENÇÕES NÃO CONTARIAM COM REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS E ADJETIVOS. Em relação a alegação da Recorrente que o critério objetivo utilizado pelo setor financeiro era a lucratividade (um dos critérios previstos na Lei 10.101/2000) a Delegacia Regional de Julgamento o rejeitou com base da seguinte fundamentação (fls. 635) 7.11.2 Não se discute o emprego da lucratividade dos bancos como critério para determinar o valor a ser distribuído a propósito de PLR; o inaceitável é que as CCT/PLR, como se depreende da sua leitura, não exigem uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente, em avaliação ao cumprimento do acordado apenas há estipulação de datas de pagamento e de valores compostos de percentuais do saláriobase e de estipulação de datas de pagamento e de valor compostos de percentuais do saláriobase e de parcelas fixas, sem que se exija qualquer contrapartida dos empregados não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado e integrando capital e trabalho, como pretende, explicitamente, a lei regulamentadora em seu art. 1º . (grifamos) Pela leitura do trecho acima transcrito, percebese que a DRJ confunde a PLR com incentivo à produção. Todavia, "a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 18 direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. Ademais, como bem ressaltou a Recorrente, é importante atentar para peculiaridade das negociações firmadas pelo setor financeiro. Tais peculiaridades demonstram que a exigência de programa de metas e adoção de outro critério que não a lucratividade do setor acabaria por inviabilizar a Participação de Lucros e Resultados. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a negociação do setor a que pertence a Recorrente é realizada (como faculta a própria lei 10.101/2000) por meio de Convenção Coletiva, a qual é significativamente distinta dos acordos coletivos. Enquanto os acordos tem abrangência restrita a uma empresa (o que permite a previsão de regras e critério específicos para realidade daquela empresa) a convenção coletiva tem abrangência ampla, incluindo, assim, uma pluralidade de empresas e realidades negociais distintas. Como esclarece a Recorrente em sua impugnação, a convenção coletiva trabalho aplicável aos bancários envolve 111 sindicatos, 6 federações, 1 confederação representativa dos trabalhadores, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados por todo Brasil. Parece claro que as realidades experimentadas pelos empregadores e empregados nas diversas regiões do país são muito distintas. Sendo assim, as eventuais metas e critérios adotados para um banco de varejo na região norte do país não podem ser reproduzidas por um banco de investimentos na região sul. Por esse motivo, o estabelecimento de metas para o setor tem que levar em conta o ponto de conexão possível entre as diversas realidades negociais, qual seja, a lucratividade. A lucratividade é exatamente o critério reconhecido nas convenções coletivas de trabalho referente aos bancários. O valor a ser distribuído depende, exclusivamente, do percentual de lucratividade do banco e do crescimento do lucro líquido comparado ao ano anterior. Tratase, portanto, de uma meta coletiva cuja adoção não foi vedada pela Lei nº 10.101/2000. Conforme se verifica pela leitura das cláusulas primeiras das Convenções Coletivas relativas aos anos de 2004, 2005 e 2006 é possível identificar com clareza e precisão o critério utilizado, o valor a ser pago, e as regras para pagamento. Vejamos, a título exemplificativo, a CCT relativa ao ano de 2004: 2004 CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Ao empregado admitido até 31.12.2003, em efetivo exercício em 31.12.2004, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2005 de 80%(oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2004, acrescido do valor fixo de R$ 705,00 (setecentos e cinco reais), limitado ao valor de R$ 5.010,00 (cinco mil reais) PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual , o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a título de Participação no Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2004, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 411 19 Quando o total da participação nos Lucros e Resultados calculado pela regra básica do "caput" for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2004, o valor individual deverá ser majorado até alcançar (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.020,00 (dez mil e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. (...) PARÁGRAFO SEXTO O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2004 (balanço de 31.12.2004) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros e Resultado" A jurisprudência desse Conselho tem reconhecido que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização,baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, Rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721). Merece transcrição, pela clareza e profundidade com que aborda a questão, parte do voto do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: . “Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no §1º do art. 2º ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas" , e esse é o ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito de observar o quanto fora acordado. Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. (grifamos) Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 20 Como bem esclarece o voto acima transcrito, a participação nos lucros ou resultados é uma modalidade negocial na qual um empregador (diretamente ou por meio do sindicato) negocia junto aos seus empregados (representados por comissão ou sindicato) a distribuição de valores atrelados a metas empresariais e não a execução dos contratos de trabalho. Pela leitura do texto da convenção, fica claro que foi estabelecida a periodicidade da distribuição e seu período de vigência. Além disso, a CCT adotou como regra o pagamento de um valor fixo, observandose um teto. Quanto aos prazos para revisão do acordo, é notório que as Convenções Coletivas do Trabalho são revistas anualmente pelos sindicatos das categorias, restando cumpridos, no meu entender, os requisitos básicos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. 2.2 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO SÚMULA CARF 89 A discussão sobre a eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada pela Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Em face do exposto, devem ser cancelados os lançamentos efetuados a esse título. Os pedidos relativos às multas bem como a discussão sobre a não incidência do juros sobre multa restam prejudicados diante do provimento do Recurso Voluntário 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, rejeito a preliminar de decadência relativa às competências 01/2005 a 07/2005. Quanto ao mérito, dou provimento ao recurso para afastar a multa decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000920/201065 Acórdão n.º 2202003.376 S2C2T2 Fl. 412 21 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10715.003712/2010-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 37 12 /2 01 0- 68 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 227 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.892, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 228 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 229 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 230 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 231 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 232 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 233 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 9303003.580 CSRF‐T3 Fl. 234 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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