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Numero do processo: 18471.000744/2005-66
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPF - GANHO DE CAPITAL - DECADÊNCIA - Na apuração do ganho de capital, o fato gerador se dá na data da operação envolvendo o bem. Fixada a data do fato gerador, nos termos da lei, conta-se cinco anos para marcar a caducidade do direito à constituição do crédito fiscal.
BENS OU DIREITOS RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL - CUSTO DE AQUISIÇÃO - Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo o capital.
Na espécie, os bens e direitos recebidos em devolução de participação no capital societária se deu pelo valor contábil, como demonstram os documentos que dão suporte às operações. Devendo ser este o valor adotado como custo de aquisição em operações posteriores com tais bens.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-16.532
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA
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materia_s : IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
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ementa_s : IRPF - GANHO DE CAPITAL - DECADÊNCIA - Na apuração do ganho de capital, o fato gerador se dá na data da operação envolvendo o bem. Fixada a data do fato gerador, nos termos da lei, conta-se cinco anos para marcar a caducidade do direito à constituição do crédito fiscal. BENS OU DIREITOS RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL - CUSTO DE AQUISIÇÃO - Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo o capital. Na espécie, os bens e direitos recebidos em devolução de participação no capital societária se deu pelo valor contábil, como demonstram os documentos que dão suporte às operações. Devendo ser este o valor adotado como custo de aquisição em operações posteriores com tais bens. Recurso negado.
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Numero do processo: 10880.006517/2007-82
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitar-se de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento.
SOLIDARIEDADE TRIBUTARIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. O Termo de Sujeição Passiva lavrado conjuntamente com o auto de inflação para declarar a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica não padece do vício de nulidade, ao pressuposto de incompetência do agente fiscal, eis que referida declaração pode ocorrer a qualquer tempo, seja pela autoridade fiscal, por membro da Procuradoria da Fazenda Nacional ou por autoridade judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO - À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS PROBANDI DO CONTRIBUINTE - A não comprovação de valores existentes em conta corrente, quando devidamente intimado, geram o arbitramento do lucro e inverte o ônus da prova, em virtude da presunção legal de omissão de receitas.
MULTA QUALIFICADA - Possível a aplicação de multa qualificada, quando comprovada a fraude pelo órgão fiscalizador.
ESCRITURAÇÃO - Cabível o arbitramento frente a não compro ação de regular escrituração do contribuinte.
Numero da decisão: 1102-000.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade afastar a preliminar de nulidade do termo de sujeição passiva solidária, suscitada de oficio pelo relator. Vencidos o Relatou, Silvana Rescigno Guerra Banetto, Manoel Mota Fonseca. Por unanimidade de votos afastar as demais preliminares e conhecer dos recursos interpostos. No mérito, por maioria de votos, manter a responsabilidade solidária de João Augusto Sana, vencido o relatou que entendia nulo o termo de sujeição passiva sobre este contribuinte. Pelo voto de qualidade manter a sujeição passiva de Sandra Gomes de Souza Santos, vencidos o Conselheiro Relato, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca. Nas demais questões de mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Sérgio Gomes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitar-se de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento. SOLIDARIEDADE TRIBUTARIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. O Termo de Sujeição Passiva lavrado conjuntamente com o auto de inflação para declarar a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica não padece do vício de nulidade, ao pressuposto de incompetência do agente fiscal, eis que referida declaração pode ocorrer a qualquer tempo, seja pela autoridade fiscal, por membro da Procuradoria da Fazenda Nacional ou por autoridade judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO - À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS PROBANDI DO CONTRIBUINTE - A não comprovação de valores existentes em conta corrente, quando devidamente intimado, geram o arbitramento do lucro e inverte o ônus da prova, em virtude da presunção legal de omissão de receitas. MULTA QUALIFICADA - Possível a aplicação de multa qualificada, quando comprovada a fraude pelo órgão fiscalizador. ESCRITURAÇÃO - Cabível o arbitramento frente a não compro ação de regular escrituração do contribuinte.
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(responsáveis solidários: João Augusto Sana e Sandra Gomes de Souza Sana) Recorrida 4" TURMA/DRJ - SÃO PAULO/SPOI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitar-se de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento. SOLIDARIEDADE TRIBUTARIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. O Termo de Sujeição Passiva lavrado conjuntamente com o auto de inflação para declarar a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica não padece do vício de nulidade, ao pressuposto de incompetência do agente fiscal, eis que referida declaração pode ocorrer a qualquer tempo, seja pela autoridade fiscal, por membro da Procuradoria da Fazenda Nacional ou por autoridade judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO - À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente, PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. ÔNUS PROBANDI DO CONTRIBUINTE - A não comprovação de valores existentes em conta corrente, quando devidamente intimado, geram o arbitramento do lucro e inverte o ônus da prova, em virtude da presunção legal de omissão de receitas, MULTA QUALIFICADA - Possível a aplicação de multa qualificada, quando comprovada a fraude pelo órgão fiscalizador. ESCRITURAÇÃO - Cabível o arbitramento frente a não compro ação de regular escrituração do contribuinte. • Processo o" 10880 006517/2007-52 5 1-C É .12 Acórchlo o " 1102-00.202 F I 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade afastar a preliminar de nulidade do termo de sujeição passiva solidária, suscitada de oficio pelo relator. Vencidos o Relatou, Silvana Rescigno Guerra Banetto, Manoel Mota Fonseca. Por unanimidade de votos afastar as demais preliminares e conhecer dos recursos interpostos. No mérito, por maioria de votos, manter a responsabilidade solidária de João Augusto Sana, vencido o relatou que entendia nulo o termo de sujeição passiva sobre este contribuinte. Pelo voto de qualidade manter a sujeição passiva de Sandra Gomes de Souza Santos, vencidos o Conselheiro Relato'', Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca. Nas demais questões de mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Sérgio Gomes. - [VET.' MALÃO -TAS—PESSO,. MONTEIRO - Presidente JOÀC(.? OS D LI A JUNIOR - Relator ' .JOSÉ ÈRGIC GOM/E Relator-designado EDITADO EM: O1 SET 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) e Manoel Mota Fonseca. Processo n" 1 OSSO 006517/2007-82 S I-C 11-2 Acól clào n " 1 02-00.202 Fl. 3 Relatório Trata-se de Auto de Infração que gerou crédito tributário de IRPJ, CRI, PIS e COHNS, relacionado à omissão de receitas derivada de depósitos bancários de origem não comprovada, referentes aos anos-calendário de 2002, 2003 e de 2004, sendo RN no valor de R$ 2,020.564,56, CSLL no valor de R$ 958,178,93, PIS no valor de R$ 578.997,65 e coFrNs no valor de R$ 2.672.298,57, atualizados até agosto de 2007, incluídos juros e multa qualificada. Conforme o termo de verificação e conclusão fiscal de fis,, 1480/1499, a fiscalização constatou que o contribuinte, no período supracitado, movimentou valores incompatíveis com a receita declarada em sua DIN. Para chegar a essa conclusão, primeiramente o representante fazendário lavrou o Termo de Inicio de Ação Fiscal, intimando o contribuinte para apresentar livros comerciais e fiscais e documentos referentes à movimentação bancária de todas as contas movimentadas no Banco Bradesco S/A e no Banco Unibanco S/A dos anos-calendário fiscalizados, Visando a ciência pessoal do contribuinte ao Termo de Início de Ação Fiscal, a fiscalização efetuou diligência no endereço declarado como sede do contribuinte, tendo em decorrência de tal diligência lavrado o termo de constatação fiscal, abaixo transcrito: "1) Que no dia 1.5.09.2005, por volta das 11:00h, os subscritores deste Termo, AFRF Jair Tolentino da Silva, Matrícula n° 7..451 e AFRF Nilson Aparecido Alves Pereira, com o objetivo de efetuar- a ciência de "Termo de Início de Ação" e "Mandado de Procedimento Fiscal n" 08 1.90.00-2005-02255-9", compareceram ao endereço da empresa Kapcon Comércio Importadora e Exportadora Ltda, CNPJ I?' 04.334,628/0001-84, constante nos cadastros da Receita Federal do BrasiL av. Bosque da Saúde, n° 146, 1"andar, conjunto 110, Saúde, São Paulo-SP,. 2) Que no citado endereço localiza-se edifício constituído de .29 (vinte e nove) salas comerciais: 3) Que os Auditores-Fiscais suma foram atendidos inicialmente pelo Sr Eliezer Alves de Freitas. zelador do edifício desde fevereiro de 2005, o qual infbrinou 3 1) que a empresa Kapcon Comércio Importadora e Exportadora Ltcla. não mais é localizada naquele endereço, 3 2) que a mesma ocupou o citado imóvel até o segundo semestre do ano de 2004; 3.3) que o imóvel pertence ao Sr. Mauro, o qual seria localizado pelo telelbne 11-5052-2207 (infOrmação posterior por. telefone); 3.4) que as correspondências destinadas à empresa Kapeon, com 7'17_ 3 Processo n" 10880 006517/2007-82 SI-C1 I2 Acórdão n.0 1102-00.202 H 4 endereço daquele imóvel, são devolvidas aos seus remetentes.; 3,5) que ele não saberia infOrmar qual o novo endereço empresa Kapcon Comércio Importadora e Exportadora Lida. 4) Que nos dias 23.09. 2005 e 26 09.2005 a fiscalização rnanicve contacto telefónico com o Sr Mauro (11-5052-2207), proprietário do imóvel onde se localizava a empre.sa kapcon, O qual informou. 4 1) que após procura em sua residência, não localizou o contrato de locação cio imóvel em questão; 4.2) que se recorda apenas o primeiro nome do locatário João_ 4. 3) que se comprometia a continuar procur ando pelo citado contrato de locação, Localizando-o, ia/brinco-ia a fiscalização" Em razão das informações acima expostas, a fiscalização encaminhou por via postal "Termo de Início de Ação Fiscal, MPF e o Termo de Constatação Fiscal" ao endereço sede do contribuinte, como também aos endereços das sócias documentais responsáveis pela empresa Kapcon (Lucimara de Oliveira Macedo e Neusa Teixeira Moreira de ,Jesus). Os envelopes contendo os documentos acima citados foram devolvidos pelo correio com a anotação "mudou-se", Em razão disto, a fiscalização lavrou EDITAL para ciência ao contribuinte do "Termo de Inicio de Ação Fiscal, MIT e o Termo de Constatação Fiscal". Visto o não atendimento por parte do contribuinte às intimações, a fiscalização lavrou o "Termo de Embaraço à Fiscalização", sendo lavrado EDITAL para a intimação deste. Mesmo após diversas intimações, sendo elas tentativas de intimação pessoal, via postal e via edital, não houve nenhum tipo de resposta do contribuinte, motivo pelo qual foi enviado por via postal "Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira — RiVIF nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004" aos Bancos .Bradesco S/A e Unibanco S/A, Da análise dos extratos bancários do contribuinte do Banco .Bradesco S/A e do Banco Unibanco S/A, a fiscalização lavrou o "Termo de Intimação Fiscal n" 1" no qual se intimou através de EDITAL o contribuinte a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contas corrente/poupança mantidas nas instituições financeiras, conforme relação dos depósitos/créditos discriminados no referido termo, cientificando que a não comprovação da origem das operações de depósitos/créditos ensejaria lançamento de oficio por parte da fiscalização a titulo de omissão de receitas. Entretanto, mesmo após sucessivas prorrogações do Mn,' (.31.08,2006, 08.11,2006, 09_02,2007, 08,05..2007, 29,062007) não houve qualquer manifestação da fiscalizada que esclarecesse a origem dos créditos. Para a maior obtenção de coleta de informações e documentos necessários a respaldar e subsidiar possíveis lançamentos de impostos e contribuições por infrações tributárias praticadas pelo contribuinte, a fiscalização emitiu MPF-Extensivos em nome de 23 (vinte e três) pessoas jurídicas e físicas que apresentaram indícios de terem efetuado operações comerciais 'oro o contribuinte (T'EDs recebidas e remetidas). Processo n" 10880 006517/2007-82 SI-C11.2 Acórdão n " 1102-00,202 Fl 5 Os intimados apresentaram à fiscalização justificativas diversas para as remessas recebidas e remetidas por TEDs ao contribuinte.. Muitos comprovaram através de notas fiscais (aquisições realizadas da empresa autuada, prestação de SerViÇOS realizados pela empresa autuada), como também os comprovantes de transferência via TED a relação com a empresa autuada. Mesmo após o não atendimento do contribuinte às intimações já citadas, a fiscalização lavrou "Termo de Intimação Fiscal n" 1", no qual se reiterou a intimação através de EDITAL para o contribuinte apresentar Livros Diários e Razão e/ou Caixa e Livro de Registro de Inventário, DIPJ, todos estes referentes aos anos-calendário 2002, 200.3 e 2004, cientificando que o não atendimento implicaria na adoção do regime de tributação do Lucro Arbitrado,. Constatou a fiscalização que, para o ano-calendário de 2002, o contribuinte apresentou a DIPJ pelo regime de tributação do Lucro Presumido com os campos de valores totalmente em branco, sendo apurado urna base de cálculo omitida no valor de RS 317..690,84; para o ano-calendário de 2003, apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa, sendo apurado uma base de cálculo omitida no valor de 1.293.471,64 e para o ano-calendário de 2004, não informou valor algum (omissa), sendo apurado urna base de cálculo omitida no valor de R$ 25.176.701,25, Desta feita, tendo em vista o não atendimento às intimações, e portanto, a não comprovação da origem dos depósitos bancários e a não apresentação dos livros fiscais, cumulado com as informações acima expostas em relação a entrega das DIPjs, foi lavrado Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, com base no REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. Com relação a estes fatos, aplicou-se multa qualificada de 150%, por entender que houve intuito de fraude, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n u 9.430/96 e art. 957 do R1R199. No que diz respeito à responsabilidade solidária, a empresa Kapeon, de acordo com a ficha cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo — JUCESP (fls. 1..333 a 1.336) teve sua constituição em 15,0.3.2001, figurando como seus sócios/administradores JOÃO AUGUSTO SANA — CPF: 172.682.048-3.3 que se retirou em 10.02.2004 e ADRIANA MALTA CARRIJO — CPF 170.128.418-93 que se retirou em 19.12.2001. Com a saída de JOÃO AUGUSTO SANA, foram admitidas como sócias LUCIMARA DE OLIVEIRA MACEDO e NEUSA TEIXEIRA. MOREIRA DE JESUS. Conforme documento apresentado foi constatado que SANDRA GOMES DE SOUZA SANA, CPF n" 112,080.718-23, é cônjuge do sócio administrador da empresa Kapcon, JOÃO AUGUSTO SANA. Já nos documentos apresentados pelo Banco Bradesco S/A em 01.06.2006 (fls. 1,347 a 1..356), o único e exclusivo sócio/administrador da empresa Kapcon que foi responsável pelas contas bancárias movimentadas naquela instituição financeira, foi JOÃO AUGUSTO SANA. Efetuando a análise da documentação bancária apresentada pelo Banco Bradesco S/A e Banco Unibanco S/A, com relação aos anos de 2002 e 2003 a fiscalização Processo n" 10880.006517/2007-82 s -C 1 -12 Acórdão n° 1102-00..202 F1. 6 constatou cópias de recibos de retirada em c/c oconidos nestes anos, assinados por João Augusto Sana, contendo o n" do documento de identificação do mesmo: RG: 23.551 .94.5-5. Já no período de maio de 2004 a setembro de 2004 a fiscalização constatou que havia 03 transferências da c/c da empresa Kapcon para a c/c de João Augusto Sana e 04 transferências para c/c de Sandra Gomes e ainda 04 transferências desta última para a c/c da empresa Kapcon. Verificou que havia 12 cheques assinados pelo Sr . João Augusto Sana, sendo estes emitidos pela empresa Kapcon, como também 07 anotações de ligação telefônica de funcionários do Banco Unibanco para a Sra. Sandra Gomes para confirmação de emissão de cheques da empresa Kapcon e 03 anotações de ligação telefônica de funcionários do mesmo banco para o Sr. João Augusto para confirmação de emissão de cheques da empresa Kapcon. Assim, conforme o conjunto de fatos acima, a fiscalização lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de JOÃO AUGUSTO SANA e SANDRA GOMES DE SOUZA SANA, considerando ambos os únicos responsáveis pela gestão financeira da empresa Kapcon no decorrer dos anos-calendários de 2002, 2003 e 2004, e verdadeiros favorecidos e beneficiários das operações efetuadas nos períodos de ocorrência dos fatos geradores do imposto e contribuições, respondendo SOLIDARIAMENTE, conforme dispõe o artigo 124 do Código Tributário Nacional — CTN. Diante do Auto de Infração e imposição de multa, os responsáveis solidários João Augusto Sana e Sandra Gomes de Souza Sana, por meio de seus procuradores apresentaram suas impugnações nos seguintes termos.. Em preliminar alegaram ter havido nulidade por falta de intimação e cerceamento de defesa, pois somente após a existência do Auto de Infração é que os mesmos ter= localizados, em que pese há mais de 8 anos residem no mesmo local. Alegam que quando do início da ação fiscal, os fiscais se dirigiram ao endereço da empresa Kapcon, mesmo sabendo que a empresa estava inativa e que mesmo assim a fiscalização insistiu com a citação via correio naquele endereço. Ainda em preliminar, expuseram que não há que se recusar a verificação da constitucionalidade das leis ordinárias sob pena de infringir o princípio que norteia o direito de defesa do contribuinte, sendo este, o Princípio da Vedação ao Cerceamento de Defesa do artigo 5' LV da CF. Com relação ao mérito, João Augusto Sana alegou que no inicio do ano de 2003 o senhor Eduardo Reid (AGS Armazéns Gerais) ofereceu-se para comprar a empresa Kapcon, mas somente em 10.02.2004, depois de muita insistência, a transferência foi procedida e que os valores encaminhados para sua c/c eram relativos à venda da empresa; fera estes, não tinha conhecimento ou qualquer participação nas negociações, pois não tinha relação nenhuma com os clientes que constam das transferências bancárias, Alega ainda, que a fiscalização não se atentou que havia outras transferências para outras empresas jurídicas e pessoas fisicas de valores muito mais expressivos, pois as transações realizadas pelo mesmo não chegam a cem mil reais, e conforme constatou no relatório, os valores transacionados na conta bancária foram RS 28.488.639,18. Assim poderiam os fis ais ter diligenciado junto a estas empresas que constam do relatório para apurar quem s ria o verdadeiro proprietário e gerenciador das operações. Por fim, requereu a Pioccsso n" 10880 006517/2007-82 SI-C I T2 Acórdão " 1102-00.202 Fl 7 sua exclusão da ação fiscal como responsável tributário, uma vez que não gerenciou, nem tampouco administrou a empresa nos anos-calendário autuados (2002 a 2004), Já Sandra Gomes de Souza Sana alegou que não existe nos autos documentos que comprovam ser ela sócia da referida empresa, podendo ser constatado pela ficha cadastral da JUCESP trazida nos autos pela própria fiscalização, como também pela sua DIPF. Alega ainda que o simples fato de a mesma ser esposa do Sr. João Augusto Sana, ex- sócio da empresa Kapcon, não enseja-lhe responsabilidades sobre a gestão ou administração da referida empresa, desconhecendo por completo qualquer transação, qualquer cliente e principalmente os numerários vultuosos que aparecem no relatório fiscal. Com relação às ligações telefônicas de um funcionário do Banco Unibanco para confirmação de emissão de cheque do Sr.. João Augusto Sana, alegou que se efetivamente houve estas ligações e eventualmente foi atendida pela mesma, isto é óbvio, pois residem no mesmo local. Por estes motivos, requereu a sua exclusão da ação fiscal como responsável tributária, uma vez que não participou, não auferiu rendas, não teve beneficios de qualquer natureza com os numerários constantes dos relatórios da autuação fiscal, muito menos nunca constou como sócia da empresa, conforme a ficha cadastral da empresa juntada aos autos pela JUCESP. Finalmente, ainda no mérito, questionaram a constitucionalidade da taxa Selic.. Contestaram ainda a cumulação da exigência dos acessórios multa e juros, no sentido de que a multa de oficio aplicada no patamar de 150%, caracteriza inequívoca infringência ao princípio da capacidade contributiva. Mesmo a empresa cientificada, através de sua sócia Lucimara de Oliveira Macedo, a empresa autuada não apresentou impugnação. A decisão da DRJ/SPOI afastou as alegações preliminares e reiterou o lançamento efetuado com os seguintes fundamentos: Em relação à argumentação dos impugnantes da falta de intimação na fase inicial da ação fiscal, a decisão da DRJ considerou que não gera a nulidade da autuação a não intimação dos responsáveis tributários durante a fiscalização, por se tratar de fase inquisitória. Segundo a decisão, é suficiente somente a ciência do auto de infração. Ao julgar sobre o cerceamento de defesa, a DRJ decidiu que somente após a lavratura do auto de infração é que surge a necessidade da ciência do sujeito passivo dos trabalhos realizados e suas conclusões, o que foi feito no presente processo. Portanto, antes desse momento não há que se falar em cerceamento de defesa. Afirmou ainda a DRJ que o direito de defesa está sendo exercido e, caso assim o deseje, os impugnantes poderão ter acesso ao Judiciário, desde que respeitados os prazos e as condições previstas na legislação. Em que pese às argumentações apresentadas pelo impugnante João Augusto Sana de que a empresa teria sido adquirida somente eia 200.3, o mesmo supôs que a solidariedade do ano-calendário 2002 é cabível, pois não há nenhuma alegação que afaste a solidariedade do referido ano, sendo mantida pela DRJ a solidariedade para o ano-calendário de 2002. Em relação aos anos-calendário de 2003 e 2004, a DR.1 manteve a solidariedade mediante a comprovação nos autos que o impugnante movimentava as cont':s do 1 Processo n" 10880 006517/2007-82 Acóuclão n " 1102-00,202 H 8 Unibanco e Bradeseo mesmo após a passagem documental do controle da empresa em 1 0..02.2004. No que diz respeito às alegações da impugnante Sandra Gomes de Souza Sana em relação a sua participação na empresa, a 'DR.' se fundamentou no fato de ela ter recebido transferências bancárias e autorizar o pagamento de cheques das contas investigadas com seu cônjuge, caracterizando-se assim a solidariedade tributária. No que tange ao arbitramento, os impugnantes não trouxeram aos autos novos documentos para o afastamento do mesmo, motivo pelo qual o arbitramento foi mantido frente a não comprovação de regular escrituração do impugnante. Com relação à multa de oficio, juros de mora, inconstitucionalidade e ilegalidades da legislação tributária a DR' não se manifestou, fundamentando que não possui competência para tal ato. Inconformados com a decisão da DIU/SPOI, os responsáveis solidários interpuseram recurso voluntário, reiterando o alegado em suas impugnações. É o relatório, Plocesso n" 10880 006517/2007-82 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-00,202 Fl 9 Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator Por preencher os requisitos de admissibilidade admito os recursos voluntários. Primeiramente, faz-se necessária a análise da imputação da responsabilidade dos recorrentes. O problema colocado em teste é tortuoso e se desmembra em várias facetas, pois a adoção de correto posicionamento passa pela inquisição de inúmeros problemas, os quais delimitam o objeto deste voto. Primeiro é necessário avaliarmos qual é o verdadeiro conteúdo jurídico do "termo de sujeição passiva solidária" lavrado pela autoridade fiscalizatória; logo após, temos que buscar o verdadeiro momento em que o responsável deve ser chamado a responder pelo débito tributário e de quem é a competência para obrigá-lo a cumprir com o seu dever; feito isso, cabe a nós percorrermos o processo administrativo para concluirmos sobre a possibilidade do responsável se defender na esfera administrativa; por fim, nos restará decretar o destino do termo lavrado e aqui destrinchado. A autoridade fundamentou a lavratura do "termo de responsabilidade solidária" no artigo 124 do CTN: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1- as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o . fato gerador da obrigação tributária principal, II — as pessoas expressamente designadas por lei." O Código Civil, em seu art. 264, define solidariedade como a ocorrência de mais de um credor ou devedor, na mesma relação obrigacional, cada qual com direito ou obrigado à dívida toda.. O CTN insere a citada solidariedade dentro da seção 11, Capítulo IV, do Titulo II, do Livro Segundo, ou seja, dentro do Capítulo que trata do sujeito passivo. Assim, ao falarmos da solidariedade estipulada no referido artigo, estamos falando da solidariedade existente entre os diversos sujeitos passivos, em verdade, o código trata aqui da relação entre as pessoas que estão colocadas no mesmo pólo da relação jurídica tributária, ou seja, no caso de haver pluralidade de sujeitos passivos que tenham relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, ou por disposição expressa de lei; Portanto, não tem o artigo 124 a finalidade de eleger responsável tributário, o qual tem regulação própria no Capítulo V, do Título II, do Livro Segundo. Para amparar tal conclusão, nos apoiamos nos brilhantes ensinamentos do ilustríssimo Aliomar Baleeiro no seu DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, atualizado por Misabel Abreu Machado Derzi, ao comentar o artigo 124 traz a seguinte nota: 9 Processo n" 10880 006517/2007-82 Si -C112 Acórdão n " 1102-00.202 F. 1 10 " 4 A SOLIDARIEDADE NÃO É FORMA DE ELEIÇÃO DE' RESPONSÁVEL 'TRIBUTÁRIO A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, corno querem alguns. O Código 'Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade, É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas urna pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com beneficio de ordem ou não, etc. A solidariedade não é assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo:" Quando buscamos nos presentes autos o relato da autoridade fiscalizatória no 'Termo de Constatação, deparamo-nos com a existência de interpostas pessoas na posição de sócio de direito, e, por fim, com a eleição do verdadeiro administrador da sociedade e responsável pela empresa. Com um breve olhar percebemos que tais fatos estão regulados no artigo 135 do CTN: "Au t .1.35 Sào pessoahnente respon,sáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atas praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. I - as pessoas referidas no artigo anterior, II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas juridicas. de direito privado Basta subsumir o fato à norma para saltar aos olhos que o que se quer aqui é nomear o responsável tributário nos termos do artigo 135 do CTN, e não estipulai "solidariedade" com base no art. 124; o que tentou o agente autuante foi justamente utilizar a solidariedade para eleger responsável, prática esta já repreendida aqui pelo mestre Baleeiro. Pois bem, diante desse fato o que fazer com o "Termo de Sujeição Passiva Solidária"? Tomá-lo nulo de plano por vício no ato administrativo ou recebê-lo como se o mesmo contivesse a eleição do sujeito passivo solidário e a eleição do tipo de relação entre os coobri gados (solidariedade)? Fico com a segunda alternativa. Em que pese o explorado Termo não trazer expressamente o artigo 135 do CTN, tanto o relato dos fatos, quanto a citação do artigo 124, também do CTN, nos levam à conclusão de que o nomeado como solidário assim o foi por ser. responsável (nos termos do artigo 135) e solidário em relação ao contribuinte (empresa autuada), permitindo assim o exercício da ampla defesa. / Neste sentido, segue a jurisprudência deste E. Conselho de Contribuintes: V, -}------ 11) Processo n" 10880.0065 I 7/2007-82 SI IT2 Acórdão n " 1102-00202 El H Ementa. • PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO — DECORRÊNCIA PROCESSUAL. • Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fitos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele . foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão fbi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão pio/atada no processo principal. (Recurso n" 108-118001, Primeira Turma, Relator José Carlos Passuello, Sessão lealizada em 01/12/2003). Ementa.. CAPITULAÇÃO LEGAL — NULIDADE INEXISTENTE — O estabelecimento autuado defende-se dos fitos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal Nilo existe prejuízo à defesa quando os fitos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam-se perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. Preliminar rejeitada. IPI 2" CC. / 2" Câmara / ACÓRDÃO 202-15.981 em 01/12/2004. Publicado no DOU em: 19 05.2006, Ementa: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL — Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidas em termo, expressamente refèrido como parte integrante e indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria hnpugnante em sua delè.sa, supre suficientemente .fálha porventura ocorrida. Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteitdo e da motivação do lançamento. 1" CC. / 8" Câmara / ACÓRDÃO 108-07.651 em 05_1.2.2003, Publicado no DOU em .• 06.04 .2004. Face à conclusão de que estamos diante de responsabilidade de terceiro (art. 1.35 do CTN), cabe esmiuçar a natureza jurídica deste instituto. O entrever° ocorre entre aqueles que entendem que os responsáveis tributários tratados nos artigos 128 a 138 do CTN não são sujeitos passivos (apenas poderão ter que pagar o tributo e/ou penalidade pecuniária) e aqueles que entendem que o referido responsável tributário é sujeito passivo (sujeição passiva indireta por transferência).. Dentre aqueles que defendem a primeira corrente não posso deixar de citar minha ex companheira de Câmara, a qual tive a sorte de ver atuar como Conselheira deste Egrégio Conselho, a Conselheira Sandra Faroni, que, como sempre, nos esclarece: Processo n" 10880 006517/2007-82 SI -CII2 Acórdão n " 1102-00.202 Fl 12 "Os Capítulos IV e V do Título Segundo do Livro Segundo do CTN tratam, respectivamente, do Sujeito Passivo (compreendendo os artigos 121 a 127) e da Responsabilidade 'Tributária (compreendendo os artigos 128 a 138). Essa sistematização conduz ao entendimento de que as pessoas referidas na responsabilidade tributária tratada nos artigos 128 a 138 não são sujeito passivo da obrigação tributária, mas poderão ter que pagar o tributo e/ou penalidade pecuniária. Sujeito passivo é tratado no Capítulo IV, que compreende apenas os artigos 121 a 127." Outrossim, aqueles que defendem a segunda posição se socorrem dos ensinamentos de Rubens Gomes de Souza, o qual, em sua classificação, distingue o sujeito passivo em direto e indireto O sujeito passivo indireto é desdobrado em Sujeito passivo indireto por substituição e Sujeito passivo indireto por transferência; este último abarca as pessoas referidas a partir do artigo 128 do CTN até o artigo 138 do mesmo Código. Pois bem, se seguirmos o primeiro caminho (art, 135 não define sujeito passivo) estaríamos diante da impossibilidade destes responsáveis fazerem parte do lançamento, pois não faz parte do critério pessoal da obrigação, e igualmente diante cia possibilidade de inclui-10 no pólo passivo da execução fiscal, pois poderá ser responsabilizado pelo pagamento do crédito tributário. Neste caso, a competência para tanto é da Procuradoria Nacional. Outrossim, caso sigamos o segundo bloco, daqueles que entendem ser o responsável do art.. 135 do CTN sujeito passivo, ainda assim chegaremos à mesma conclusão. Isto porque a sujeição passiva aqui é a indireta por transferência, a qual depende de um evento para deslocar para um terceiro a condição de devedor, diversamente da responsabilidade por substituição (art. 121, II do GIN), na qual a lei desde logo põe o "terceiro" no lugar cio contribuinte, Assim, se a responsabilidade se transfere pela ocorrência de algum evento, o lançamento nestes casos deve ser realizado em nome do contribuinte, pois o responsável não integra o sujeito passivo eleito na norma que descreve a obrigação tributária, somente após, na fase de cobrança, de competência da Procuradoria Nacional, é que o responsável por transferência seria chamado a fazer parte do pólo passivo como sujeito passivo, em razão da ocorrência de algum fato autorizador da transferência. Para coadunar este entendimento, o artigo 128 do CTN, ao tratar das disposições gerais sobre a Responsabilidade Tributária, determina que: "Art 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." (g/il.) Note-se que a responsabilidade aqui é pelo crédito tributário, portanto este já deve ter sido constituído anteriormente em nome do contribuinte ou responsável por substituição (art. 121, I e II do CTN)„ Vale ressaltar que este raciocínio não abrange os casos em que urna terceira pessoa toma o lugar do contribuinte em razão do desaparecimento deste, como é o caso da 12 Processo n" 10880.006517/2007-82 S 1-C1 T2 Acórdão n " I 102-00,202 R 1.3 incorporação, em que a incorporada desaparece e a incorporadora ocupa o lugar daquela como contribuinte. No entanto, não são somente estes os argumentos que levam à conclusão de que é da Procuradoria da Fazenda Nacional a competência para incluir o responsável por transferência no pólo passivo do crédito tributário. Para tomarmos o caminho da conclusão, faz-se necessário apurar a natureza da responsabilidade inserta no artigo 135 do CTN.. Para alguns doutrinadores, trata-se de responsabilidade solidária, ou seja, o fisco pode cobrar seu crédito tributário tanto do contribuinte direto quanto dos responsáveis tributários, sem qualquer beneficio de ordem. Entretanto, para outra parte da doutrina e jurisprudência, com a qual coaduno, trata-se de responsabilidade subsidiária, isto é, deve-se primeiro cobrar a obrigação tributária do contribuinte direto e, somente em não havendo o adimplemento por parte deste pode ser intentada a cobrança em face do responsável. Neste sentido, assim dispõe Hugo de Brito Machado em sua obra "Curso de Direito Tributário", 26" edição, pág. 169: "Em conclusão, a questão em exame pode ser assim resumida: (a) os sócios-gerentes, diretores e administradores de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ou anónimas, em princípio não são pessoa/mente responsáveis pelas dívidas tributárias destas; (b) em se tratando de IPI, ou de imposto de renda retido na fonte, haverá tal responsabilidade, por força da disposição expressa do Decreto-lei n" 1.736/79, (c) relativamente aos demais tributos, a responsabilidade em questão só existirá quando a pessoa jurídica tenha ficado sem condições económicos para responder pela divida em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou violação da lei, do contrato ou do estatuto; (d) a liquidação irregular da sociedade gera a presunção da prática desses atos abusivos ou ilegais. Em síntese, os atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos, aos quais se . reporta o art. 135, III, do CTN, sji=ueles atos em virtude dos quais a pessoa jurídica tornou-se insolvente.." No mesmo sentido acima esposado assim já decidiu o E. ST.J: "TRIBUTÁRIO, EXECUÇÃO FISCAL, PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PREOUESTIONAiN/IENTO SÚMULA 211/STJ RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO-GERENTE. SISTEMÁTICA DO ART 135 DO CTN FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. NÃO- CONFIGURAÇÃO, POR SI SÓ, NEM EM TESE, DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. 3. Para que se viabilize a responsabilização patrimonial do sócio-gerente na execução fiscal, é indispensável que esteja 7}/-7- 13 Processo n" 10880.006517/2007-82 S I-CIT2 Acórdão n " 1102-00202 H 14 presente uma das situações caracterizado, as da responsabilidade subsidiária do terceiro pela dívida do executado 4 Segundo a jurisprudência do SLI, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, situação que acarreta a responsabilidade subsidiária dos sócios (EREsp 374139/RS, .Primeira Seção, Min Castro .Meira, UI de 28.02 2005). 5 Recurso especial a que se nega provimento " (Resp II" 833 621/RS, Ministro Teoil Albino Zavascki, DI em 03/08/2006)(g/n) "TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SÓCIO-GERENTE (ART 135, III, DO CTN). O sócio-gerente de sociedade limitada responde subsidiória e subjetivamente pelo débito da sociedade, se ela ainda não se extinguiu 2 O artigo 135, Hl, do CTN, não é impositivo e a jurLsprudência do STI, após controvérsia, vem se inclinando pela predominância da responsabilidade subjetiva .3. Recurso especial improvido " (Resp n " 135 09I/PR, Ministra Lhana Calmon, RI em 09/04/2001)(g/n) Assim, pode-se concluir que a finalidade do artigo 135 do C'TN é de garantir o adimplemento do débito fiscal, através da possibilidade de transferência da responsabilidade quanto ao crédito tributário do sujeito passivo direto a terceira pessoa (sócio-gerente e administrador), que passa a responder pela divida. Contudo, isso deverá ocorrer apenas após esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial. Desta forma, resta evidente que a competência para cobrar o crédito tributário é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em segundo lugar, a competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional para exigir dos responsáveis tributários o pagamento do débito encontra fundamento na possibilidade da cobrança realizada através da execução fiscal poder ser redirecionada qualquer momento para atingir o patrimônio daqueles, sem que haja a prévia necessidade da inclusão de seus nomes no titulo executivo. Quanto à desnecessidade de inclusão do nome do responsável tributário na Certidão de Divida Ativa assim já se manifestou o E. ST1: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS D.E DEVEDOR. NULIDADE DA CERTIDÃO DE DTVIDA ATIVA - CDA. REQUISITOS (AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO CO-RESPONSÁVEL PELO DÉBITO TRIBUTÁRIO E DE DISCRIMINA ÇAO DA DIVIDA) ART. 2', ,sç' 5", DA LEI 6 830/80. LITIGÁNCIA DE MÁ-FE AFASTAMENTO 1 - Segundo remansosa jurisprudência desta Corte e do Coleado a execução fiscal é proposta contra a pessoa jurídica, não 14 Pi ocesso n" 10880 006517/2007-82 SI-Cl T2 Acórdão n " 1102-00202 F1 15 sendo exigível fazer constar da CDA o nome dos co-responsáveis pelo débito tributário, os quais podem ser chamados supletivamente. Precedentes. ( ..)" (Resp n." 271.584/PR, Ministro José Delgado, DJ em 05/02/2001) (g/n) "TRIBUTARIO - EXECUÇÃO FISCAL - PENHORA DE BENS — RESPONSABILIDADE DO SOU° - ARTIGOS 13.5 E 136, CTN 1. O SOCIO RESPONSA VEL PELA ADMINISTRA Gio E GERENCIA DE SOCIEDADE LIMITADA, POR SUBSTITUIÇÃO, E OBJETIVAMENTE RESPONSAVEL PELA DIVIDA FISCAL, CONTEMPORANEA AO SEU GERENCIAMENTO OU ADMINISTRAÇÃO, CONSTITUINDO VIOLAÇÃO A LEI O NÃO RECOLHIMENTO DE DIVIDA FISCAL REGULARMENTE CONSTITUIDA E INSCRITA. NÃO EXCLUI A SUA RESPONSABILIDADE O FATO DO SEU NOME NÃO CONSTAR NA CERTIDÃO DE DIVIDA ATIVA. MULTIPLICIDADE DE PRECEDENTES JUR1SPRUDENCIAIS (STF/STI), .3. RECURSO PROVIDO " n " .33 7.31/A1G, Ministro Milton Luiz Pereira, D..1 em 06/03/95) (g/n) De acordo com o entendimento acima esposado, resta claro que na esfera judicial é pacificamente aceita a inclusão dos responsáveis tributários em qualquer fase da execução .fiscal, mesmo que não tenham figurado na respectiva Certidão de Dívida Ativa, Ademais, nem se alegue que o fato de não ter havido procedimento administrativo contra o responsável e nem ter se extraído Certidão de Dívida Ativa contra ele poderia ensejar a impossibilidade da cobrança. Isto porque o CPC, que é aplicado subsidiariamente às questões de direito tributário, assim distinguiu as figuras do devedor e do responsável tributário para fins de sujeição passiva na demanda executiva: "Art. 568. São sujeitos passivos na execução: 1— o devedor, reconhecido como tal no título executiva- ( ) V — o responsável tributário, assim definido na legislação própria," Do dispositivo acima resta claro que se tratando do devedor principal, este deve necessariamente fazer parte do título executivo, porém, inexiste esta exigência em relação ao responsável tributário. De acordo com todo o exposto, a competência para imputar a responsabilidade a terceiro e redirecionar a cobrança através da Execução Fiscal é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, 5 Processo n" 10880.006517/2007-82 Acórcl5o ri" 1102-00202 Fl 16 Por sua vez, a competência do Conselho de Contribuintes é para rever o ato administrativo de lançamento. Como a imputação da responsabilidade não faz parte do lançamento, conclui- se que não seria da competência do Conselho de Contribuintes analisar o mérito da responsabilidade. Logo, a decisão do Conselho de Contribuintes não vincularia a Procuradoria da Fazenda 'Nacional e, diante disso, este órgão administrativo de julgamento estaria meramente opinando e decidindo em caráter precário a questão_ Ressalte-se que a PGFN, ao indicar os co-responsáveis pelo cumprimento da obrigação tributária na CDA, não está vinculada a qualquer termo de solidariedade elaborado pela fiscalização, podendo concluir pela responsabilização de acordo com as informações coletadas pelo agente fiscalizador durante o procedimento fiscal, bem como de acordo com o andamento da cobrança executiva. Vale elucidar, entretanto, a imprescindível colaboração do agente fiscalizador que, no bojo do processo administrativo fiscal, deverá investigar e demonstrar através de provas e indícios a conduta ilícita dos sócios e administradores, pois é através deste trabalho que a PGFN conseguirá reunir os elementos factuais necessários para decidir pela co- responsabilidade ou não dos envolvidos, já que não tem contato direto com os fiscalizados. Por seu turno, do exposto, vale a análise da validade do "Termo de Solidariedade Passiva". Conforme toda a fundamentação acima aduzida, conclui-se que a competência para exigir dos responsáveis tributários o adimplemento do crédito do Fisco é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no âmbito do processo judicial de cobrança. Outrossim, o artigo 59 do Decreto n." 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal assim determina: "Art. 59. São nulos. 1 - 0,5 atos e termos lavrados por pessoa incompetente, ( • •)" Logo, pode-se concluir que os "Termos cio Solidariedade Passiva" objetivando a imputação da responsabilidade a terceiros é nulo, vez que lavrado por autoridade incompetente, no caso, o agente fiscal, face à competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Diante do exposto, tendo em vista a incompetência do agente fiscalizador para a lavratura do termo de solidariedade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Fazenda Nacional, voto no sentido de declarar a nulidade cio ato de imputação de responsabilidade dos recorrentes. Ultrapassada a questão relacionada à responsabilidade tributária, passo então à análise processual referente aos recursos interpostos pelos responsáveis (sócios), Processo n" 10880 006517/2007-82 SF-C1T2 AcOrdün n " 1102-00,202 Fl. 17 A Lei n." 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assegura a todos os interessados no processo administrativo o direito ao contraditório e à ampla defesa, senão vejamos: "Art. 2". A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança fatídica, interesse público e eficiência " (g/n) "Ari 9" São legitimados como interessados no processo administrativo: 11 — aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser tomada,. (-)" "Ari, .58 Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: H - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; No caso em análise, diante da lavratura dos "Termos de Solidariedade Passiva" pelo agente fisealizatório em face dos responsáveis tributários e da legitimidade destes para atuar como interessado no âmbito do processo administrativo fiscal, conheço dos recursos voluntários por eles interpostos, com Mero no disposto nos artigos 2" e 9", inciso II c/c 58 da Lei n." 9384/99. Importante esclarecer que a nulidade do Termo de Verificação Fiscal não impede o conhecimento do Recurso dos sujeitos citados no citado termo, pois a legitimidade advém da letra da lei citada e não da presente decisão. Passo agora a analisar as outras questões apresentadas nos Recursos interpostos pelos recorrentes. Alegam os mesmos que a decisão de primeira instância é passiva de ser reformada face à nulidade dos Autos de Infração, vez que não foi respeitado o principio constitucional da ampla defesa. Sustenta que não poderia ter havido a autuação sem que houvesse sido previamente intimado de que estava sob fiscalização ou diligência fiscal, possibilitando-lhe exercer seu direito de defesa desde o inicio do procedimento fiscal. As causas que viciam o auto estão expressas de modo taxativo no artigo 59 do Decreto n," 70.2.35/72, que diz ia verbis.: "Ari. 59. São nulos• 1— os atos e iCrnlaY lavrados por pessoa incompetente; 17 Processo n" 10880 006517/2007-82 SI-C1I2 Adira() n " 1102-00,202 ri — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa .Denota-se que a preliminar apresentada pelos recorrentes não se enquadra em qualquer dos itens acima citados, pois o auto de infração foi lavrado por autoridade competente e o direito de defesa garantido aos recorrentes, que o exerceram em todas as esferas do julgamento administrativo, não havendo razão alguma para se declarar a nulidade dos lançamentos efetuados. Deve-se ressaltar que somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitar-se de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento, No caso em análise, após a lavratura do auto de infração os recorrentes foram regularmente intimados, ocasião em que lhes foi concedido o prazo legal de 30 dias para pagamento ou interposição de defesa, sendo-lhe permitido fazer prova de todos os fatos necessários a fim de elidir a ação fiscal. Por não concordar com a responsabilidade solidária e demais tópicos constituídos pela autoridade fazendária, os recorrentes apresentaram tempestivamente suas impugnações, momento em que alegaram diversas razões de direito para afastar as respectivas obrigações tributárias, denotando-se que compreenderam plenamente os motivos que ensejaram sua autuação.. Neste sentido, assim já decidiu este E. Conselho de Contribuintes: "PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício lavrado de acordo com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, que se instaura conz a impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72, é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, a atividade administrativa do lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, .5Ç' único, do CTN ( ) Recluso negado" (Recurso 150.890, Sexta Câmara do Primeiro Conse.lho de Contribuintes, sessão realizada em 24/01/2007, relator Gonçalo Bonet Allage) (grilos nossos) Desta forma, pode-se concluir que a garantia constitucional da ampla defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, restou plenamente observada e cumprida. Por estes motivos, afasto a alegação de nulidade pleiteada pelos recorrentes. Com relação a todas as inconstitucionalidades de lei alegadas, sejam elas a constitueionalidade da taxa Selic, a cumulação da exigência dos acessórios multa e juros, infringência ao principio da capacidade contributiva (confisco), é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago à colação súmula c CAJU, a qual versa acerca da impossibilidade de conhecimento na esfera administrativa de uestão atinente à inconstitucionalidade de ato normativo, 18 Processo n" 10880 006517/2007-82 SI-CIT2 Acórciào n " 1102-00.202 Fl 19 SÚMULA N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Com relação à presunção legal de omissão de receitas decorrentes da não comprovação da origem dos depósitos existentes na conta corrente da empresa não há o que se alterar. Isso porque, conforme se verifica dos autos, o Fisco intimou o contribuinte para demonstrar a origem dos depósitos realizados, os quais restaram não comprovados. Diante disso, não havia outro caminho para a fiscalização, senão a aplicação do artigo 42 da Lei n" 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titulai; pessoa . física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que diz respeito à argumentação dos recorrentes de que os valores encaminhados para suas c/c eram relativos à venda da empresa, os recorrentes não trouxeram documento algum que comprovasse tal fato Quanto ao arbitramento, uma vez intimado para a apresentação da escrituração fiscal, que possibilitaria a aprovação do tributo devido, nada foi entregue pelo contribuinte, Nesse mesmo sentido, já decidiu o Conselho de Contribuintes: Com relação à multa qualificada, diz o artigo 44 da Lei 94.30/96 in verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de filha de pagamento ou recolhimento„pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de fàfia de declaração e nos de declaração inexata, eycewada a hipótese do inciso seguinte; 11 - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos art,s. 71, 72 e 73 da Lei n" 4,502, de $0 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis" Os artigos. 71, 72 e 7.3, da Lei n° 4.502/96, por sua vez, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 7.1 19 Processo n" 10880.006517/2007-82 Acórdão n." I102-O0202 H 20 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais,. 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar- a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento Ari 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72 Como se vê, para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, não bastando meros indícios de sua conduta ilícita. Vejamos, a fiscalização emitiu MPF-Extensivos em nome de 23 (vinte e três) pessoas jurídicas e fisicas que apresentaram indícios de terem efetuado operações comerciais com o contribuinte (TEDs recebidas e remetidas). Os intimados apresentaram à fiscalização justificativas diversas para as remessas recebidas e remetidas por TEDs ao contribuinte. Muitos comprovaram através de notas fiscais (aquisições realizadas da empresa autuada, prestação de serviços realizados pela empresa autuada), como também os comprovantes de transferência via TED, a relação com a empresa autuada, Ainda assim, constatou a fiscalização que, para o ano-calendário de 2002, o contribuinte apresentou a DIPJ pelo regime de tributação do Lucro Presumido com os campos de valores totalmente em branco, sendo apurado urna base de cálculo omitida no valor de R$ 317..690,84; para o ano-calendário de 2003, apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa, sendo apurado uma base de cálculo omitida no valor de 1.293.471,64 e para o ano-calendário de 2004, não informou valor algum (omissa), sendo apurado uma base de cálculo omitida no valor de R$ 25,176.701,25. Sendo assim, no presente caso, houve fatos indicadores de que o ato praticado pelo contribuinte foi realizado com o fim especifico de sonegar e fraudar. Como já dissemos alhures, para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, o que foi feito no presente caso. Desta forma, diante da presunção da omissão de receitas, cumulada com a comprovação de fraude exigido para a qualificação da multa qualificada, mantenho a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre a omissão de depósitos da empresa, nos ermos do artigo 44, inciso II da Lei n" 9.430/96.. Processo e 10880 006517/2007-82 S1-C1T2 Acórdão n ." 1102-00,202 Fl. 21 Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER dos recursos interpostos pelas pessoas arroladas como responsáveis solidários, para declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e nego provim -rito aos recursos voluntários. É corno voto. - JOÃO CARLO' D ,IMA JUNIOR Processo n" 10880 (106517/2007-82 SI-C112 Acórdào n " 1102-00,202 Fi 22 Processo n" 10880.00651712007-82 S1-C1T2 Acórdão n 0 110200.202 El . 23 Voto Vencedor Conselheiro José Sérgio Gomes — Relator Designado Rogando venia ao entendimento exteriorizado no voto do insigne Conselheiro-Relator originário, abre-se a seguinte divergência. No que pertine, em específico, à aventada nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária suscitada de oficio pelo ilustre Conselheiro relator em face de apontada incompetência do Fisco na indicação de co-responsáveis, apresenta-se a seguinte divergência. Cediço ser pacífica e remansosa a jurisprudência do Judiciário brasileiro no sentido do redirecionamento da execução fiscal contra pessoas sequer originariamente elencadas no título executivo extrajudicial (Certidão de Dívida Ativa-CDA), ato processualmente postulado no decorrer do procedimento executório pela Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão do Ministério da Fazenda incumbido da representação judicial da União em Juízo em causa fiscais. Isso não significa, necessariamente, que a competência para imputar a responsabilidade a terceiro com o fito de trazê-lo à cobrança em razão da ligação com o fato gerador da obrigação tributária seja exclusiva daquele Órgão e seus membros, Com efeito, embora no que diga respeito a terceiros seja certo que não se trata de obrigação tributária em sentido estrito ante a conceituação trazida pelo artigo 3" do Código Tributário Nacional (CTN), descabendo por isso falar em constituição do crédito tributário segundo as normas previstas neste diploma legal, tem-se que a obrigação do responsável precisa ser declarada, seja pela autoridade Fiscal, pelo membro da Procuradoria da Fazenda Nacional ou pela autoridade judicial. É. dizer, a responsabilidade do terceiro pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a efetiva constatação de existência de ato ilícito por ele praticado. Assim, se no decorrer do procedimento de levantamento do crédito tributário a autoridade fiscal já se julga em condições de identificar responsável ante a sujeição passiva indireta, seja por substituição ou transferência, pode e deve fazê-lo, oportunizando, desde já, a faculdade de produzir provas e alegações, isto é, o exercício da ampla defesa e do devido processo legal. Noutro giro, a nulidade a que alude o artigo 59 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n" 70,235, de 6 de março de 1972, só abriria espaço para discussões desta estirpe se o ato tivesse sido praticado por quem não detivesse a competência para o próprio lançamento. No caso dos autos tem-se que inexiste nulidade pois o lançamento, no corpo,. ,. .., . ' ‘,. qual se inseriu a declaração de responsáveis, fora realizado por Auditores-Fiscais da 1,k1 :ec5 dFecole6radl . redgularrbnendte i2n0v0e.sgti(dos na competência leglal Latr:ibu, i1d1a4p5e7lo darti1g6o/063"pd0a0L7e) i n" 23 Processo n" 10880 006517/2007-82 SI-CI T2 Acórdão " 1102-00.202 Fl 24 Por sua vez, a clareza do trabalho fiscal, o volume e contundência das ¡movas colacionadas tornam despiciendo e redundante detalhar todos os elementos que concorrem para a formação do seguro convencimento de que o casal de impugnantes praticaram operações econômicas em nome da empresa e, assim, sujeitos passivos solidários, A senhora Sandra Gomes de Souza declina da condição de sujeito passivo solidário ao argumento de jamais ter sido sócia da empresa autuada, e que tampouco com esta possuía qualquer vínculo, enquanto o senhor João Augusto Sana pugna pela alienação da cota societária antes dos fatos econômicos levantados. Cumpre interpretar que o artigo 135, III, do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, assim delineado no estatuto ou contrato social, mas também o administrador de fato da empresa. Em situações de desejável normalidade os empreendimentos econômicos se encontram formalizados em nome das pessoas que se associaram para o exercício daquelas atividades, existindo uma correspondência entre as pessoas que figuram como sócios nos estatutos sociais e aquelas pessoas que verdadeiramente uniram suas vontades, seus capitais e trabalho para a formação de uma sociedade. Naqueles casos, onde reina a boa-fé, há que prevalecer a regra de que os sócios, quando não revestidos da condição de diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, não devem responder pelas obrigações desta. Ocorre que o caso tratado nestes autos não materializa uma daquelas hipóteses, pois, conforme restou comprovado à exaustão no relatório fiscal o casal incrementou operações e movimentações bancárias/econômicas em nome da empresa. É co ia oto registrando que o teor deste decisum se aplica, no que couber, às exigências tributári é -orientes. JOS ERG .0 GOMES 24
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000228/2007-10
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006
LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO
JUDICIAL.
A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência.
RENÚNCIA À INSTANCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renimcia As instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-000.595
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, não conhecer ao recurso voluntário, por concomitância.
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D' Amorim
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. RENÚNCIA À INSTANCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renimcia As instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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S3-C2T1 Fl. 3.154 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12749.000228/2007-10 Recurso n° 518.530 Voluntário Acórdão n° 3201-00.595 – 2° Camara / la Turma Ordinária Sessão de 28 de outubro de 2010 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente CONSÓRCIO LUMMUS ANDRÓMEDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. RENÚNCIA À INSTANCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renimcia As instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, não conhecer ao recurso voluntário, por concomitância. Editado Em: 13 de janeiro de 2011. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório 0 interessado acima identificado, recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, até então, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo dos Autos de Infra cão de fls. 01 a 621, por meio dos quais sac) feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 239 1 - R$ 661.317,48 (seiscentos e sessenta e um mil, trezentos e dezessete reais e quarenta e oito centavos) a titulo de Imposto de Importação. 2 - R$ 495.988,11 (quatrocentos e noventa e cinco mil, novecentos e oitenta e oito reais e onze centavos) a titulo de Multa de Oficio de 75%. lis. 242 a 465 4 - R$ 284.628,46 (duzentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e seis centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 - R$ 213.471,35 (duzentos e treze mil, quatrocentos e setenta e um reais e trinta e cinco centavos) de Multa de Oficio de 75%. fls. 468 a 544 6 — R$ 1.165.504,42 (um milhão, cento e sessenta e cinco mil, quinhentos e quatro reais e quarenta e dois centavos) de Pis/pasep — Importação. 7 — R$ 874.128,32 (oitocentos e setenta e quatro mil, cento e vinte e oito reais e trinta e dois centavos) de Multa de Oficio de 75%. fls. 545 a 621 8 — R$ 5.368.199,07 (cinco milhões, trezentos e sessenta e oito mil, cento e noventa e nove reais e sete centavos) de Cofins — Importação. 9 — R$ 4.026.149,30 (quatro milhões, vinte e seis mil, cento e quarenta e nove reais e trinta centavos) de Multa de Oficio de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 31/05/2007. 2 Processo n° 12749.000228/2007-10 53-C2T1 AcOrdao n.° 3201-00.595 Fl. 3.155 A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 11, 243, 469, 546, 622 a 627, em síntese: Que o importador, por meio das DI's relacionadas ás fls. 11 a 48-verso, submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, diversas mercadorias, por meio do ato concessário n° 20020020341, de 11/10/2002, o qual concedeu prazo até 25/06/2006 para o fornecimento dos bens no mercado interno, conforme art. 5" da Lei n° 8.032, de 12/04/1990. Que o contribuinte utilizou os bens importados para a construção do complexo industrial gás-químico — planta de etileno, planta de polietileno e planta de utilidades, adquiridas pela Rio Polimeros S/A, através da notas fiscais 4314, 4315 e 4316, emitidas em 31/03/2006, com aceite em 03/04/2006, inclusive atestado pelo laudo técnico proferido por técnico certificante da DRF/Nova Iguaçu, cumprindo-se, desta forma, o principio das vincula ção fisica, de acordo com o art. 341 do Decreto n°4.543, de 2002. Que o presente auto de infração foi lavrado em função da declaração de nulidade do ato concessório supra citado, com efeito retroativo à data de validade inicial, proferida através da Decisão n" 342/Decex-2006, de 17/07/2006, processo Decex n" 52500.000415/2006-40. Que através do processo judicial n" 2007.51.01.002500-9, 3" Vara Federal do Rio de Janeiro, foi deferida em 23/02/2007 a antecipação dos efeitos da tutela, suspendendo a eficácia da anulação do AC n" 20020020341, até ulterior deliberação do juizo. Que o crédito tributário foi constituído com exigibilidade suspensa. Cientificada da presente exigência, a autuada apresentou a impugnação de fls. 1733 a 1764, alegando, em síntese: Que a d. fiscalização Federal, em total descumprimento às determinações contidas na decisão judicial, lavrou 04 (quatro) autos de infração ora impugnados, sob a alegação de que o fazia para evitar a decadência. Que não restam dúvidas de que a ação judicial trata de matéria estritamente relacionada à discutida no presente processo, sendo de rigor — e até de bom senso — o sobrestamento do andamento do presente processo administrativo até o desfecho da ação judicial. Defende ás fls. 1739 a 1764 a manutenção do regime aduaneiro especial de drawback de trata o Ato Concessário n° 20020020341. Requer a procedência da impugnação, sendo, em decorrência, determinado o cancelamento dos autos de infra cão. 3 É o relatório. Passo ao voto." O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n g. 07-17.525, de 11/09/2009, proferida pelos membros da 2a Tunna da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFICIO DO CRÉDITO TRIBUTÁ RIO. Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa sua discussão em juízo não substituía, à época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do principio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial em que se discute idêntica matéria importa renúncia its instancias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE." O julgado foi no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformado, o interessado apresenta, tempestivamente, recurso, repisando os mesmos argumentos anteriores. 0 processo foi digitalizado e distribuído a esta Conselheira. E o relatório. Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente auto de infração, com a cobrança do imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS não recolhidas quando do registro das Declarações de Importação, com exigibilidade suspensa, tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela, suspendendo a eficácia da anulação do AC n°20020020341, conforme processo judicial n°2007.51.01.002500 -9, 3a Vara Federal do Rio de Janeiro. 4 Processo n° 12749.000228/2007-10 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.595 Fl. 3.156 Trata-se de discussão na esfera judicial, o que, não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. Argumenta a empresa que a autuação deve ser desconstituida, pois representa flagrante desobediência A. ordem judicial que restabeleceu, até decisão judicial em contrário, o regime de drawback a que estava. Ressalte-se que o art. 63 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre o lançamento de oficio, destinado à prevenção da decadência, para a constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa em face da existência de liminar concedida em mandado de segurança ou outra medida judicial acautelatOria, in verbis: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. § 1° 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 20 A interposição da ação judicial favorecida coin a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição ".(grifei) Logo, a constituição do crédito tributário, visando prevenir a decadência, não deve ser confundida com algum procedimento fiscal visando efetivar cobrança e/ou a execução de crédito. A autoridade fiscal estava obrigada a efetuar o presente lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário, além de ser de sua competência privativa, figura atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. A exigência fiscal deste processo depende do resultado na esfera judicial, com total conexão de matérias. Percebe-se que a situação Mica da autuação tem o mesmo objeto da apreciação do Poder Judiciário. De outra parte, está pacificamente assentado, na esfera administrativa, o entendimento de que a opção do contribuinte pela via judicial implica renúncia As instâncias julgadoras da via administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, no caso de o objeto da lide ser idêntico em ambas. E que diante do dispositivo constitucional há prevalência da esfera judicial sobre a administrativa. Tal dispositivo encontra-se em consonância com o principio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5°, XXXV da Constituição Federal/88, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A respeito, já dispunha a Lei n 6.830/1980, em seu art. 38, parágrafo que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória 5 de nulidade de crédito da Fazenda Nacional importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Cumpre ressaltar que o mesmo tratamento foi adotado pelo Ministro de Estado da Fazenda no art. 26 da Portaria n 258/2001, ao estabelecer que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Portanto, a propositura de ação judicial pela recorrente, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim sendo, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento fere a Constitucional Federal que adota o modelo de jurisdição una, em que são soberanas as decisões judiciais. Dessa forma, tendo a interessada buscado a via judicial para resguardar sua pretensão, renunciando â instância administrativa, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) n.° 3/96 do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Não merecer reparo a decisão a quo. Pelo exposto, voto por que não se tome conhecimento do recurso voluntário. ercia Helena Trajano dvrrlAi - D'Amorim 6
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Numero do processo: 18471.000891/2005-36
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO DE OFÍCIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Reconhece-se a nulidade do lançamento em face da imputação fiscal de omissão de receita, caracterizada por passivo fictício, encontrar-se lastreada em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa.
Numero da decisão: 1102-000.275
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Interessado 3'1Turma de Julgamento da DR.I no Rio de Janeiro-I/RJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, Reconhece-se a nulidade do lançamento em face da imputação fiscal de omissão de receita, caracterizada por passivo fictício, encontrar-se lastreada em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ;,— . i i,• , . . ., IVEf ',I, • LAQUI,OSOA MONTEIRO - Presidente. 1:1 ..: JOSÉ 5ERG e 10 , IES - Relator. EDITADO EM: 10/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Urna Júnior (Vice-Presidente), José Sérgio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto, Marco Antonio Pires e Frederico De Moura Theophilo i i 1 , Relatório Em foco recurso de oficio previsto no artigo 34, inciso 1, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de 1972, interposto pela 3' Turma de Julgamento da DR.1-1 no Rio de Janeiro/RJ, em face daquele Colegiado ter .julgado nulo o lançamento efetuado em 27/06/2005 pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ com vistas à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos aos anos-calendário de 2002, bem assim, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COHNS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) do mês de dezembro de 2002, acrescidos de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios correspondentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC).. A ação -fiscal imputa omissão de receita caracterizada por falta de comprovação de parte da exigibilidade constante em 31 de dezembro de 2002 na conta fornecedores, integrante do passivo circulante, no valor de RS 4.856..570,19 (passivo fictício). Impugnando o lançamento a contribuinte levantou preliminar de nulidade do ato em virtude do Fisco ter operado com técnica que inviabiliza a identificação dos valores admitidos como comprovados e não comprovados, resultando impossível saber quais as cifras que compuseram a base tributável, o que caracteriza cerceamento cio direito de defesa. Quanto ao mérito aduziu que inexiste prova de omissão de receita e que o Fisco não comprovou que as operações registradas no passivo foram liquidadas, nada obstante a existência de erros contábeis, como a falta de contabilização de baixa de duplicatas efetivamente pagas com recursos da própria empresa, oriundo de empréstimos tomados e igualmente não registrado& Ainda, que se encontra submetida ao regime do lucro real trimestral e a autuação alocou todo o valor da infração no último trimestre do ano de 2002, não observando o disposto no art. 24 da Lei n" 9.249/95, como também, deixou de deduzir as contribuições lançadas (PIS e COFINS), da base de cálculo do IRPJ e CSLL, 'Também, que na hipótese de adoção da data de 31/12/2002 como tato gerador do PIS há equívoco na base de cálculo e alíquota utilizadas, visto a vigência da sistemática da não-cumulatividade deste tributo desde 01/12/2002. Por fim, pugnou pela ilegalidade da aplicação de juros à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) a créditos fiscais, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (ST..1). Aquela 3" Turma de Julgamento admitiu a impugnação e, por maioria de votos, acatou a preliminar de nulidade do lançamento em face da ocorrência de cerceamento do direito de defesa caracterizado pela impossibilidade de identificação da composição cio montante de R$ 4.856.570,19, o qual foi utilizado como 'base de cálculo dos tributos exigidos. Ciente do decisório em 08 de maio de 2008 a contribuinte não apresentou contra-razões, o relatório, em apertada síntese. 1 \N, 2 ___ ....._..,... - -- --- • Processo n" 18471 000891/2005-36 SI-CIT2 Aeól dào n " 1102-00,275 El 171 Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES O valor exonerado de crédito tributário supera aquele previsto no artigo 2" da Portaria MF n" 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF n" 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1,000,000,00), motivo pelo qual se acolhe o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. Transcrevo a parte do voto condutor do acórdão recorrido que reputo essencial a este julgamento: "30 Na descrição dos fatos do auto de infração (fi. 81), a autoridade autuante informa que o valor de R$ 4,856.570,19, base de cálculo do tributo/contribuições exigidos, "advêm da diferença entre o saldo da conta Fornecedores (2-1-02) no Balanço de 31/12/2002 (fls. 76/78) e DIP.T 2003 (Os. 3/57) e as relações de credores e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização.". 31 Na DIN do ano-calendário 2002 (fl. 53), no demonstrativo a ff 75 e na cópia do Diário à O. 77 é possível identificar o saldo da conta "Fornecedores", cujo montante equivale a R$ 6.067.750,29. 32 Quanto às --relações de credores e documentos mencionados, embora não tenham sido informadas as folhas onde estariam acostadas nos autos, verificam-se, às lis. 60/69, demonstrativos contendo informações sobre títulos de créditos. 33 Analisando o sobredito demonstrativo (fls. 60/69), onde constam anotações feitas à lápis (lis 66/69), não é possível identificar a composição do montante de R$ 4.856.570,19, que foi utilizado como base de cálculo do tributo/contribuições exigidos, tampouco a parcela do passivo no valor de R$ 1.211.180,10, que a fiscalização informa ter sido comprovada, o que impede o exercício de ampla defesa do Interessado. 34 Deste modo, declaro nulo o presente lançamento tributário, por conter vício em sua formação, resguardando o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário no prazo de cinco anos, nos termos do art. 173, inciso II da Lei n°5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional - CIN)." Realmente, a contribuinte foi instada a comprovar a efetiva exigibilidade do valor por ela lançado na conta de fornecedores em data de 31 de dezembro de 2002, vindo a resposta que a importância de R$ 6,067,750,29 nela constante se decompunha nas quantias e fornecedores elencados à ti. 75 (reprisada à ti, 77), em número de 18 (dezoito). Em princípio, então, nada se provou, e todo esse valor deveria ter sido levado à tributação na forma do artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo\ Decreto n" 3,000, de 26 de março de 1999, pois o que se exigiu do sujeito passivo é que ele '., mostrasse os pagamentos por certo já efetuados, já que respeitantes a dívidas contraídas no Ç 3 , ano-calendário de 2002 e o procedimento fiscal se dava em meados de 2005. Assim, se existentes os pagamentos e eles se deram depois de 31/12/2002 remanesceria confirmada a exigibilidade, ao contrário, se ocorrentes antes daquele termo, afigurar-se-ia a figura do passivo fictício (DL 1.597, de 1977, art. 12, § 2, segunda parte), igualmente aplicável na hipótese de falta de apresentação de pagamentos (Lei n" 9.430, de 1996, art. 40, ál fine). Contudo, consignou a fiscalização que parte (R$ 1,211.180,10) cio questionamento estaria comprovado, consoante demonstrativos de fls. 60/69 e que diz respeito a três fornecedores, mas de aferição impossibilitada como muito bem dissertou a r, decisão recorrida e que não permite o pleno exercício da defesa. Além disso, também verifico a seguinte assertiva da fiscalização, fl.. 79: "OBS I- Dos Fornecedores elencados as Ils 7.5 e 77, o contribuinte logrou comprovar apenas parte dos pagamento,s elet 1 radas à r1 ,1 E RIA I_ SA UD E ANIMAL LTDA . ru7o apresentando documentação refirente a pagamentos ektuados a quaisquer dfrs outros Fornecedores 0I3S 2- Nos quadros em anexo "DEMONSTRATIVO DA COMPOSIÇÃO DO PASSIVO" ---Ils 60 a 69, referentes aos fbrnecedores Mogiana Alimentos S/A, Venni Ind e Com de Produtos Veterinários Lida, e Merial ,Sai aide Animal Lida (únicos . Ibrnecedores cujos demon.strativos knam preenchidos), eI.5 lacunas destacadas em VERMELHO sào o.s. pagainenia.s não comprovados, e as destacadas CO! PRETO, os comprovados Assim, em um primeiro momento informou-se que não houve apresentação de pagamentos de nenhum outro fornecedor afbra MERIAL e logo em seguida afirma-se que foram apresentados demonstrativos de MOGIANA e VENNI, os quais, como se vê às lis. 60/64, enunciam pagamentos com a chancela fiscal de "comprovados", pois destacados em "preto". fl Portan o registros fiscais flagrantemente antagônicos. átil . , 1 i, r,, :.ões VOTO pelo improvimento do recurso, i 11 Jos . ergio Gomes 4 PI acesso n" 18471 000891/2005-36 S I-C 1 T2 Acói clào n " 1 102-00,275 F1 172 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo 11, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, Brasília, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ I com Embargos de Declaração; E]
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Numero do processo: 11080.011290/2006-94
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005
DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o contribuinte desistido da discussão contida em parte de seu recurso voluntário, renunciando ao direito sobre o qual se fundamenta sua irresignação, opera-se a perda do objeto recursal, impondo-se o não conhecimento do recurso nesta parte.
COFINS. CRÉDITOS SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. ALEGAÇÃO DE NÃO UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. DIVERGÊNCIAS NA BASE DE CÁLCULO COM REFLEXOS NO CÔMPUTO DOS CRÉDITOS. GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA E NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA COFINS. REGRAMENTO.
Identificadas diferenças no cálculo do crédito presumido dos estoques de abertura, compete analisar a composição da base de cálculo e alíquota aplicável para identificar se procede a respectiva glosa fiscal, que se afigura procedente quando lastreada no cômputo de créditos sobre mercadorias adquiridas com substituição tributária, com incidência monofásica e não sujeitas ao pagamento da COFINS, cujo direito ao cômputo de créditos não é mais passível de discussão em face de vedação legal, concomitância ou perda de objeto.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS.
Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance do institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), mormente nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC nºs. 16 e 30, de 2009, tem-se que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se a bonificação ou o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se a bonificação ou o desconto referir-se a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não revestindo a natureza de receita não sujeita-se a incidência das contribuições ao Pis e à Cofins.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS OBTIDOS. NATUREZA DE RECEITA FINANCEIRA.
Segundo a dicção do art. 373, do RIR/99, não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto nº 5.146/2004. Nesse conceito não estão contidos os reembolsos de custos e bonificações em mercadorias por não representarem redução do contas a pagar da entidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Parcialmente Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso no tocante às matérias objeto de pedido de desistência. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de manter a glosa parcial do crédito presumido sobre o estoque de abertura e determinar o cancelamento da exigência no tocante aos débitos decorrentes à adição à base de cálculo das contribuições das vantagens decorrentes de bonificações e acordos comerciais. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira quanto às bonificações. Fez sustentação oral dr Rafael Norin OAB/RS 51481 pelo recorrente e dra. Indiara Arruda de Almeida Serra pela PGFN.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o contribuinte desistido da discussão contida em parte de seu recurso voluntário, renunciando ao direito sobre o qual se fundamenta sua irresignação, operase a perda do objeto recursal, impondose o não conhecimento do recurso nesta parte. COFINS. CRÉDITOS SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. ALEGAÇÃO DE NÃO UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. DIVERGÊNCIAS NA BASE DE CÁLCULO COM REFLEXOS NO CÔMPUTO DOS CRÉDITOS. GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA E NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA COFINS. REGRAMENTO. Identificadas diferenças no cálculo do crédito presumido dos estoques de abertura, compete analisar a composição da base de cálculo e alíquota aplicável para identificar se procede a respectiva glosa fiscal, que se afigura procedente quando lastreada no cômputo de créditos sobre mercadorias adquiridas com substituição tributária, com incidência monofásica e não sujeitas ao pagamento da COFINS, cujo direito ao cômputo de créditos não é mais passível de discussão em face de vedação legal, concomitância ou perda de objeto. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance do institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), mormente nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 12 90 /2 00 6- 94 Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 2009, e CPC nºs. 16 e 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se a bonificação ou o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se a bonificação ou o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não revestindo a natureza de receita não sujeitase a incidência das contribuições ao Pis e à Cofins. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS OBTIDOS. NATUREZA DE RECEITA FINANCEIRA. Segundo a dicção do art. 373, do RIR/99, não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto nº 5.146/2004. Nesse conceito não estão contidos os reembolsos de custos e bonificações em mercadorias por não representarem redução do contas a pagar da entidade ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o contribuinte desistido da discussão contida em parte de seu recurso voluntário, renunciando ao direito sobre o qual se fundamenta sua irresignação, operase a perda do objeto recursal, impondose o não conhecimento do recurso nesta parte. COFINS. CRÉDITOS SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. ALEGAÇÃO DE NÃO UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. DIVERGÊNCIAS NA BASE DE CÁLCULO COM REFLEXOS NO CÔMPUTO DOS CRÉDITOS. GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA E NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA COFINS. REGRAMENTO. Identificadas diferenças no cálculo do crédito presumido dos estoques de abertura, compete analisar a composição da base de cálculo e alíquota aplicável para identificar se procede a respectiva glosa fiscal, que se afigura procedente quando lastreada no cômputo de créditos sobre mercadorias adquiridas com substituição tributária, com incidência monofásica e não sujeitas ao pagamento da COFINS, cujo direito ao cômputo de créditos não é mais passível de discussão em face de vedação legal, concomitância ou perda de objeto. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance do institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), mormente nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC nºs. 16 e 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.770 3 resultado ao final do período, se a bonificação ou o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se a bonificação ou o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não revestindo a natureza de receita não sujeitase a incidência das contribuições ao Pis e à Cofins. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS OBTIDOS. NATUREZA DE RECEITA FINANCEIRA. Segundo a dicção do art. 373, do RIR/99, não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto nº 5.146/2004. Nesse conceito não estão contidos os reembolsos de custos e bonificações em mercadorias por não representarem redução do contas a pagar da entidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Parcialmente Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso no tocante às matérias objeto de pedido de desistência. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de manter a glosa parcial do crédito presumido sobre o estoque de abertura e determinar o cancelamento da exigência no tocante aos débitos decorrentes à adição à base de cálculo das contribuições das vantagens decorrentes de bonificações e acordos comerciais. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira quanto às bonificações. Fez sustentação oral dr Rafael Norin OAB/RS 51481 pelo recorrente e dra. Indiara Arruda de Almeida Serra pela PGFN. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Relatório Trata o processo administrativo fiscal de Autos de Infrações que veiculam lançamentos tributários relativos à Cofins do período compreendido entre fevereiro de 2004 e dezembro de 2005, no valor de R$ 153.530.201,95 (cento e cinquenta e três milhões, quinhentos e trinta mil, duzentos e um reais e noventa e cinco centavos), e à Contribuição ao PIS/Pasep do período de março de 2004 a dezembro de 2005, no valor de R$ 33.441.067,75 (trinta e três milhões, quatrocentos e quarenta e um mil, sessenta e sete reais e setenta e cinco centavos), incluindo principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Os lançamentos em questão estão fundados na glosa de créditos tomados pelo sujeito passivo sobre aquisição de mercadorias para revenda não sujeitas a incidência da contribuição ou então sujeitas a incidência monofásica, assim como sobre despesas relativas a empréstimos e contraprestações de arrendamento mercantil posteriormente a agosto de 2004, e, agora apenas com relação à Cofins, também por ter calculado o crédito presumido sobre o “estoque de abertura” em valores maiores que aqueles permitidos. Ainda motivou os lançamentos a omissão de receitas decorrentes da abstenção do sujeito passivo de incluir nas bases de cálculo de ambas as contribuições, os valores relativos à prática do que denominou a Fiscalização de “Rappel/Pedágio”, classificandoos como receitas decorrentes de vantagens obtidas pelo sujeito passivo junto aos seus fornecedores como sendo provenientes de imposições ou penalizações, ambas geradoras de receitas, que a autuada impunha àqueles. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 21/12/2006, o contribuinte apresentou em 21/01/2007, às fls. 772 e seguintes (ou 834 e seguintes, pela numeração eletrônica – n.e.) sua Impugnação, opondose aos fundamentos constantes do lançamento tributário mediante os argumentos que foram sintetizados pela DRJ/Porto Alegre, abaixo reproduzidos: “preliminarmente a) em relação a não aceitação do creditamento relativo às mercadorias sujeitas ao regime monofásico, alega nulidade do lançamento, já que considera que estava sob proteção de medida liminar, a qual não teria sido revogada expressamente pela sentença no processo n° 2006.71.00.0047680, estando vigentes os efeitos da liminar concedida; b) também alega nulidade por ter o lançamento daquela parcela sido efetivado com multa antes de transcorridos 30 (trinta) dias da data em que foi publicada a sentença, o que estaria em desacordo com os termos do artigo 63, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, pleiteando a desconstituição do lançamento do valor da multa de mora cobrado em relação à insuficiência de pagamento de PIS e Cofins nos meses de agosto e setembro de 2004, em decorrência da utilização de créditos sobre mercadorias adquiridas pelo regime monofásico; c) outra preliminar que levanta diz respeito às bonificações recebidas dos fornecedores em mercadorias e consideradas no auto de infração como receitas, já que alega terem sido alterados os critérios do lançamento ante a existência de Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.771 5 Acórdão do Conselho de Contribuintes em outro processo no qual era interessada e cuja decisão julgou que o recebimento de mercadorias como bonificação seria considerado redução de custo. Ao desrespeitar esta norma jurídica individual e concreta (Acórdão do Conselho de Contribuintes) teria ocorrido violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional e do artigo 2°, § único da Lei n° 9.784, de 1999. Se considerado que o Acórdão somente se refere à Cofins, pleiteia a anulação do crédito lançado desta contribuição no valor relativo às bonificações recebidas em forma de mercadorias; quanto ao mérito d) defende a utilização do crédito relativo à aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, já que as regras inerentes a tal regime devem sobreporse às regras da não cumulatividade das contribuições. Utiliza a mesma argumentação utilizada no Mandado de Segurança, conforme relatado na Sentença Judicial. Afora os argumentos também utilizados na ação judicial, pondera que o crédito sobre os produtos elencados na Lei n° 10.485, de 2002, também foram glosados, embora tal Lei não tenha sido citada no auto de infração, o que invalidaria o lançamento por não corresponder ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, de acordo com o inciso IV do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; e) os descontos obtidos junto a fornecedores não poderiam ser considerados como base de cálculo do PIS e da Cofins, pois mesmo se fossem receitas, o Decreto n° 5.164, de 2004, posteriormente substituído pelo Decreto n° 5.442, de 2005, teria reduzido a zero a alíquota das contribuições sobre tais receitas. Pretende que os valores constituem receitas financeiras da pessoa jurídica, conforme disposto no artigo 17, do Decretolei n° 1.598, de 1997, e no artigo 373 do Decreto n° 3000, de 1999, estando igualmente expresso no Decreto n° 5.442, de 2005 e no Perguntas e Respostas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de 2005, através da resposta à pergunta n° 444. Tais valores importam em redução do seu custo operacional nas operações de compra de mercadorias. Esta posição foi definida pelo Conselho de Contribuintes em Acórdão no processo n° 11080.013954/200226 (cópia juntada às fls. 320/369); f) considera que a vedação contida nos artigos 3°, § 2°, inciso II, das Leis nºs 10.637 e 10.833, no sentido do não aproveitamento de créditos, não se aplicaria relativamente aos créditos adquiridos com alíquota zero de PIS e Cofins, mas apenas para os casos de não incidência das contribuições. Argumenta que a vedação teria sido revogada pelo artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004; g) não concorda do mesmo modo com a glosa relativamente ao crédito sobre as despesas financeiras, por constituir ofensa à sistemática da nãocumulatividade e ofensa aos princípios da Segurança Jurídica e da Irretroatividade; Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 h) discorda também da forma de apuração dos créditos sobre o estoque de abertura alegando que os créditos não foram utilizados nos períodos autuados, e apresentando DACON's nos quais altera a sistemática de cálculo e as alíquotas utilizadas. Alega ter discriminado nos Demonstrativos os créditos apurados com a alíquota prevista em lei e os calculados com o diferencial de alíquota, sendo que estes últimos não foram aproveitados, sendo transportados para o mês seguinte, assim sucessivamente. 8. Junta DACON's retificadores desde o primeiro trimestre de 2004 até o quarto trimestre de 2005 (fls. 952/1095), entregues via Internet em 11/01/2007, portanto após ciência dos lançamentos.” Ao final pugna pelo deferimento da impugnação para que haja o cancelamento integral do auto de infração, ou subsidiariamente, ao menos que seja parcialmente acolhido, tudo nos termos da defesa apresentada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), houve por bem em considerar improcedente a Impugnação apresentada, proferindo o Acórdão nº. 1011.933, ementado nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 Ementa: RENÚNCIA – Não se toma conhecimento da impugnação no tocante às matérias objeto de ações judiciais. MULTA DE OFÍCIO Não estando mais suspensa a exigibilidade ante decisão contrária que suspendeu a liminar na ação judicial nem tendo sido operada a extinção do crédito tributário até a data em que teve início o procedimento fiscal em exame, correto se encontra o lançamento da multa equivalente a 75% do valor da contribuição não recolhida. RECEITAS A legislação das contribuições, inclusive aplicável às empresas que a calculam pela sistemática da não cumulatividade determina que o fato gerador é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. CRÉDITOS Somente se constituem em créditos os valores assim definidos na legislação de regência das contribuições calculados sob a sistemática da na cumulatividade. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.772 7 DACON Os DACON's entregues após o procedimento de ofício visando alterar elementos declarados para se coadunarem ao lançamento, não possuem espontaneidade. Lançamento Procedente.” Em apertada síntese a DRJ/POA houve por bem em manter o lançamento, sendo que com relação à preliminar de descabimento da multa de ofício sobre a parte da autuação decorrente da glosa de créditos de aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, afirmou que o contribuinte não demonstrou ter pago o débito em questão no prazo de 30 dias após a sentença que denegou a segurança (cassando a liminar então vigente), de modo que não faria jus à este tratamento legal. Em relação à preliminar de nulidade consubstanciada na mudança de critério jurídico em face de entendimento já assentado em acórdão do Conselho de Contribuinte em processo favorável ao sujeito passivo, a decisão rejeitoua ao fundamento de que tratavamse de novo lançamento, de outros períodos de apuração e com outro fundamento legal, e na ausência de Súmula emanada do Conselho não poderia ser aplicado aquele entendimento. Quanto a nulidade por ausência de indicação da Lei nº 10.485/02, quanto à glosa de créditos de produtos monofásicos, afastou a prefacial afirmando haver a citação a este preceito legal no Relatório Fiscal relativo ao creditamento objeto da glosa. No mérito, inicialmente quanto às matérias relativas aos créditos de aquisições de mercadorias sujeitas ao regime monofásico e ao crédito presumido sobre os estoques de abertura entendeu que havia discussão judicial que importaria em concomitância impeditiva do conhecimento da impugnação; e mesmo com a decisão judicial, com relação ao estoque de abertura, não teria sido demonstrado que o contribuinte não houvesse efetivamente se aproveitado dos referidos créditos pela análise de suas DACON´s. Quanto aos créditos de produtos adquiridos sem incidência das contribuições e posteriormente revendidos sob alíquota zero de Pis e Cofins, afirma que não havendo direito ao creditamento não se pode permitir haja o direito ao cômputo dos créditos sobre tais aquisições. No que diz respeito aos créditos tomados sobre empréstimos e contraprestações de arrendamento mercantil, restringese em afirmar ter a legislação limitado esse direito a data de 1º agosto de 2004, não cabendo à Administração analisar os argumentos de legalidade ou constitucionalidade de lei, pois que tratase de competência reservada ao Judiciário. Com relação as bonificações e vantagens recebidas pelo sujeito passivo nos acordos comerciais celebrados junto aos seus fornecedores, entendeu a decisão que os mesmos revestemse da natureza de receita tal e qual prevista nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, devendo sujeitarse à tributação pelas contribuições ao Pis e Cofins. Por tais razões, entendeu não trataremse tais valores de “redutores de custos” e também não se tratariam de “receitas financeiras” pois que não seriam decorrentes de operações financeiras. Por fim, deixou de apreciar os DACON´s acostados aos autos após a conclusão da ação fiscal, pois teriam sido retificados após a ação fiscal, o que tomou como sendo procedimento que impediria sua apreciação pois sem espontaneidade. Na conclusão, portanto, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 Cientificado do v. Acórdão da DRJ em 05/06/2007, e, inconformado com a manutenção do lançamento, o sujeito passivo protocolizou, em 04/07/2007, Recurso Voluntário dirigido a este Conselho, enfatizando (a) a inexistência de concomitância em relação a diversas matérias relativas as aquisições de produtos com incidência monofásica, assim como (b) de que não se poderia julgar a questão dos créditos do estoque de abertura pela concomitância, já que o único argumento apontado na defesa seria o fato de não ter o contribuinte utilizado tais créditos. No mais, ataca os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, reprisando os argumentos já alinhados em sua impugnação no tocante (c) a impossibilidade de incidência de multa de ofício sobre os créditos de aquisições de mercadorias sujeitas ao regime monofásico eis que amparada por decisão liminar; (d) falta de referência a dispositivo da Lei nº 10.485/02 para com isso amparar a glosa de crédito sobre aquisições de mercadorias sujeitas ao regime monofásico disciplinadas nesta específica legislação; (e) direito aos créditos nas aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico; (f) direito ao crédito sobre aquisições de bens adquiridos com alíquota zero posteriormente revendidos sob alíquota zero das contribuições; (g) direito ao crédito sobre despesas financeiras com empréstimos e contraprestações de arrendamento mercantil após agosto de 2004; (h) reitera não ter utilizado os créditos sobre os estoques de abertura constantes do lançamento tributário; (i) por fim, que as vantagens obtidas juntos aos seus fornecedores seriam reduções de custos e não receitas de prestação de serviços impostos aos mesmos, inclusive sendo matéria já julgada em seu favor pelo Conselho de Contribuintes no processo nº 11080.013954/20022, que determinaria um critério jurídico lhe favorecendo, o qual não poderia ser alterado com efeitos retroativos; mas que, independentemente disto, mesmo que receitas fossem, seriam “receitas financeiras” tributadas à alíquota zero das contribuições. Através da petição de folhas 1.260 (numeração em papel), a Recorrente informa a desistência parcial do recurso, no tocante às matérias relativas aos créditos sobre aquisições de mercadorias para revenda sujeitas ao regime monofásico das contribuições, assim como sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos e contraprestações de arrendamento mercantil posteriores a Agosto de 2004, bem como de créditos sobre aquisições de bens com alíquota zero. Foram apresentadas ContraRazões pela Fazenda Nacional, às folhas 1.636 a 1.677 (numeração eletrônica). DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo com numeração eletrônica até a folha 1.768 (um mil, setecentos e sessenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.773 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de tempestividade e admissibilidade, e tendo em vista ter sobrevindo pedido de desistência parcial, dele tomo conhecimento apenas em parte, conforme passo a fundamentar. Versam os autos de lançamento relativo à Pis e Cofins, decorrentes tanto da glosa de aproveitamento de créditos procedido pelo sujeito passivo, quanto à abstenção de adicionar “débitos” (ou receitas) à base de cálculo das contribuições. Houve desistência parcial do recurso no tocante a tomada de créditos relativos à aquisição de mercadorias para revenda, submetidas ao regime monofásico das contribuições, ou ainda, adquiridos sem a incidência das contribuições e posteriormente revendidos sob o regime de alíquota zero, assim como, também, quanto a tomada de créditos relativos a despesas financeiras com empréstimos e contraprestações de arrendamento mercantil após agosto de 2004. Na parte da desistência relativa aos créditos de produtos sujeitos ao regime monofásico, bem assim de mercadorias sem incidência das contribuições que vieram a ser posteriormente revendidas sob o regime de alíquota zero de COFINS, tenho que igualmente referida desistência afeta parcialmente o crédito presumido calculado sobre estoques de mercadorias quando do início da nãocumulatividade, em fevereiro de 2004, de modo que, com relação a estes itens o Recurso Voluntário perdeu o objeto, não cabe conhecer das matérias correspondentes. Assim sendo, conforme se extrai do relatório, concluise que restam sob julgamento apenas as seguintes matérias: Preliminarmente: I Não se aplicaria a concomitância sobre questão dos créditos do estoque de abertura já que o único argumento apontado na defesa seria o fato de não ter o contribuinte utilizado tais créditos; Meritoriamente: II Irresignação no sentido de que o contribuinte não teria utilizado os créditos, calculados à alíquota de 7,6% (ao invés de 3%) sobre os estoques de abertura constantes do lançamento tributário, conforme comprovariam seus DACON´s; III Irresignação no sentido de que as vantagens obtidas juntos aos seus fornecedores seriam reduções de custos e não receitas provenientes de imposições comerciais e penalizações aos seus fornecedores. Devidamente delimitado o objeto do recurso, passo ao enfrentamento das questões posta em julgamento, separadamente. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 I. Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida, pois não se aplicaria a concomitância sobre a questão dos créditos do estoque de abertura: No que diz respeito a esta preliminar, afirma a Recorrente que seria nula a decisão recorrida pois que não seria cabível a aplicação da concomitância com o mérito da ação judicial que discutia o direito aos créditos das aquisições de mercadorias sujeitas à incidência monofásica já que o único argumento apontado na defesa seria o fato de não ter o contribuinte utilizado tais créditos, discrepando, portanto, a solução dada pela decisão dos argumentos articulados na defesa. Apesar da eloqüência dos argumentos, tenho que os mesmos não merecem guarida, pois que no caso entendo que agiu com acerto a decisão recorrida pois que interpreto que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre colheu da ação judicial que nos estoques de abertura existentes em 31.01.2004, e, que, portanto, serviu de base de cálculo para a incidência do crédito em questão, haviam mercadorias sujeitas ao regime monofásico das contribuições. Portanto, se houve a glosa dos créditos tomados sobre as aquisições de mercadorias adquiridas sob o regime de incidência monofásica, cujo direito estava em debate na ação judicial movida pelo contribuinte objetivando o reconhecimento justamente destes créditos, acaba sendo afetado o estoque existente no momento da mudança do regime, e, portanto, a concomitância proclamada pela decisão, afeta também o crédito presumido decorrente das mercadorias contidas no “estoque de abertura”. Tanto assim o é, que entendo que a desistência parcial requerida pela Recorrente afeta a discussão que aqui se trava, no tocante ao estoque de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, existentes na escrita da Recorrente em 31.01.2004. Ademais, o argumento da concomitância não foi o único fundamento utilizado pela decisão recorrida para rejeitar essa matéria de defesa do sujeito passivo, mas também ela foi expressa em dizer que analisou os lançamentos e com espeque no Relatório Fiscal não identificou que não tivessem sido utilizados o créditos pela Recorrente, de modo que, ainda que sucintamente, trouxe outro fundamento para negar procedência a esse aspecto da impugnação. Evidentemente, no entanto, que a questão de fato atinente ao argumento do contribuinte de que não teria utilizado os créditos no montante decorrente da aplicação do percentual de 7,6% sobre os estoques de abertura, será objeto de análise quando do mérito do recurso, mas não entendo haver a nulidade por se ter aplicado a concomitância, do modo como concluiu, no caso em concreto, a decisão recorrida, já que interpreto que o fizera unicamente no tocante às mercadorias sujeitas à incidência monofásica consignadas no estoque de abertura, no que agiu com acerto, no raciocínio jurídico eleito “in judicando”. Ou seja, esta preliminar confundese com o próprio mérito recursal no tocante ao uso ou não do crédito objeto de autuação, mas estava correto o julgamento quando concluiu que os créditos tomados sobre os bens contidos nos estoques, que sujeitavamse ao regime monofásico, estariam com sua análise prejudicada pela concomitância. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade aventada. II. Mérito: Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.774 11 II. a. Irresignação no sentido de que o contribuinte não teria utilizado os créditos, calculados à alíquota de 7,6% (ao invés de 3%) sobre os estoques de abertura constantes do lançamento tributário, conforme comprovariam seus DACON´s: Outro ponto que deve ser abordado por esta Turma diz respeito ao argumento contido no recurso, relativo ao lançamento fundado na glosa do crédito presumido da Cofins, calculado sobre os estoques de abertura existentes em 31.01.2004, quando houve a migração dos regimes cumulativo para o não cumulativo, segundo permissão contida no art. 12, da Lei nº 10.833/03. Segundo a autuação, o sujeito passivo apropriouse de valores de créditos superiores aos legalmente previstos, inserindo no cômputo dos créditos bens em estoque adquiridos sob os regimes de substituição tributária, sujeitas ao regime monofásico e com alíquota zero, os quais não permitiriam o desconto de créditos. Ao analisar o valor do crédito presumido utilizado pelo sujeito passivo, chegou a valor maior que o permitido pela legislação, glosando, consequentemente, o excesso. Extraíse do Relatório fiscal o que a Autoridade autuante afirmou ao fundamentar o lançamento tributário no quesito em particular: “Analisando os DACON´s apresentados e a planilha demonstrativa às fls. 20 a 36, constatase que a fiscalizada se utilizou do valor total de R$ 30.187.168,08 (ou 12 parcelas de R$ 2.515.597,34 de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005) a título de crédito sobre o estoque de abertura e não o valor informado na resposta: R$ 12.763.936,87. Indagada, a fiscalizada argumentou, verbalmente, que a diferença entre os dois montantes acima (4,6%=7,6%3%) permaneceu no estoque de créditos não tendo sido aproveitada, e, só seria aproveitada ou não, com o deslinde da demanda judicial acima referida. Porém, não é o que se verifica quando se remove dos Créditos do mês o valor referente ao excesso de créditos calculados sobre os estoques ou seja : (R$ 30.187.168,08 R$ 12.763.936,87)/12 meses = R$ 1.451.935,93. Ao glosarmos a diferença de R$ 1.451.935,93 em cada um dos meses em que a mesma foi utilizada determinamse períodos em que a contribuição apurada e ́ superior aos créditos disponíveis para dedução, ocorrendo, assim, diferenças a lançar, conforme demonstra a planilha anexa. Observação: no cálculo mencionado no parágrafo já estão computadas as glosas referentes aos créditos indevidamente calculados sobre aquisições sujeitas à alíquota zero e aqueles calculados sobre despesas financeiras (itens II e IV deste relatório). Mesmo que tais glosas não fossem computadas, ainda assim, haveria diferenças a lançar somente com a glosa dos créditos em excesso calculados sobre os estoques. Analisando as disposições da legislação que disciplina a não cumulatividade, fica evidenciada também outra irregularidade cometida pela fiscalizada, ainda no âmbito dos créditos sobre Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 estoques: na resposta acima foi indevidamente calculado créditos sobre estoques de produtos adquiridos para revenda os quais sujeitos à substituição tributária e à incidência monofásica. Portanto a diferença acima de R$ 1.451.953,93 passa a ser R$ 1.536.016,19.” Em sua peça de defesa a Recorrente reafirma que a diferença apontada pela fiscalização seriam decorrentes da diferença de alíquota de presunção do crédito (de 7,6% para 3%), mas que essa diferença estaria apenas escriturada em suas DACON´s, porém sendo objeto de transporte nos créditos acumulados de um mês para o outro, de modo que não utilizouse de tais créditos. Consequentemente, no seu entendimento, o lançamento constitui crédito tributário sobre créditos que não teriam sido por ela apropriados. Ao apreciar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, em que repisa sua argumentação no sentido de não ter apropriado tais créditos, mas apenas registrado nos DACON´s, a DRJ/Porto Alegre assim se posicionou: “21. Em relação à forma de aproveitamento dos créditos excedentes glosados (valor do creditamento implementado pela interessada e valor do crédito permitido pela legislação), que a interessada relata terem sido todos os meses passados para o mês seguinte sem aproveitamento, para apenas após o deslinde da ação judicial virem a ser utilizados, a própria fiscalização rebate tal informação no Relatório Fiscal do Auto de Infração. De qualquer forma, diferentemente do alegado, não constatei qualquer forma de diferenciação entre o crédito permitido e o creditamento constante dos DACON's. (…)” Apesar desta abordagem direta, insiste a Recorrente em reafirmar, agora em sede recursal, que o crédito presumido calculado à alíquota de 7,6% sobre os estoques de abertura, ao invés de 3% como determinava a legislação, foi registrado em suas apurações, via DACON´s, mas não teria sido aproveitado, já que eliminou o efeito desta diferença no cálculo dos créditos (7,6% para 3%) através de outro lançamento no próprio DACON, de modo a que não se apropriasse financeiramente do crédito, não gerando redução do tributo a pagar. Como forma de demonstrar seu suposto direito, a Recorrente traz aos autos DACON´s, inclusive nos quais procedeu à retificações como forma de ajustálas a interpretação constante do lançamento tributário, sendo que é sob a análise do contexto probatório dos autos que se poderá concluir se o procedimento adotado pela contribuinte coincide com sua argumentação. Tenho que o deslinde da controvérsia instalada, no entanto, não passa pela constatação de que as diferenças sejam apenas sobre a alíquota empregada pela Recorrente para atingir o valor do crédito presumido dos estoques de abertura, mas ainda com mais contundência, sobre a base de cálculo sobre a qual deva incidir a alíquota correspondente. Esta alíquota, aliás, não pode mais haver dúvidas em face da concomitância, é de 3%, e deverá incidir sobre os estoques existentes em 31.01.2004. Porém, quanto aos bens constantes nos estoques é que se deve perquirir se há itens que devam ser deles excluídos. De pronto, quanto as mercadorias constantes do estoque sujeitas ao regime de incidência monofásica e adquiridas com alíquota zero, igualmente deve ser reputado que com a desistência do recurso implementada pela Recorrente conforme petição de folhas 1.260, resta também indene de dúvidas que devem tais itens serem excluídos do montantes dos estoques. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.775 13 Quanto ao estoque de mercadorias existente em 31.01.2004, adquiridas pela Recorrente sob o regime de substituição tributária, devese analisar o art. 12, da Lei nº 10.833/03, que na redação original do “caput” previu que: “Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei.” Reportandose ao inciso I, do art. 3º, os créditos que são concedidos incidem sobre mercadorias para revenda, exceto aquelas previstas nos incisos III (substituição tributária) e IV (incidência monofásica – estes já sem objeto para o caso aqui analisado), de modo que não seria possível aplicar a alíquota (seja de 3% seja de 7,6%) sobre tais mercadorias em estoque. Estendese o raciocínio aplicado as mercadorias sujeitas ao regime monofásico àqueles adquiridos com alíquota zero, em face da desistência recursal, de modo que igualmente procede a exclusão de seus valores da base de cálculo sobre o qual incide a alíquota de 3% para se alcançar o crédito presumido sobre os estoques de abertura, em 31.01.2004. Assim sendo, a problemática não reside no percentual de alíquota aplicado pela Recorrente e sua pretensa “falta de apreciação” pela autoridade julgadora, mas sim no fato de que, aplicandose a alíquota de 3% sobre a base de cálculo, assim considerada como sendo os estoques existentes em 31.01.2004 (com e sem a inclusão de mercadorias adquiridas com sujeição a substituição tributária, regime monofásico e alíquota zero), há divergência entre o valor do crédito apropriado pelo contribuinte e aquele que a fiscalização permite seja descontado. O procedimento adequado, portanto, deve ser o seguinte: análise das mercadorias sobre as quais é passível o cálculo dos créditos, pelo que devese, portanto, excluir do seu cômputo aquelas mantidas em estoque e que foram adquiridas com substituição tributária, com incidência monofásica e com alíquota zero das contribuições. Aplicase então a alíquota de 3% prevista na legislação e que não pode ser questionada nestes autos em face da concomitância, chegandose, assim, ao montante dos créditos passíveis de dedução pela Recorrente. Cabe aqui um reprise de parte da conclusão do Relatório Fiscal: “Observação: no cálculo mencionado no parágrafo já estão computadàs as glosas referentes aos créditos indevidamente calculados sobre aquisições sujeitas à alíquota zero e aqueles calculados sobre despesas financeiras (itens II e IV deste relatório). Mesmo que tais glosas não fossem computadas, ainda assim, haveria diferenças a lançar somente com a glosa dos créditos em excesso calculados sobre os estoques.” grifei Como se vê, o procedimento fiscal levou em consideração, ao compor o valor da glosa, o cálculo já excluindose dos estoques as mercadorias adquiridas com substituição tributária, incidência monofásica e com alíquota zero, no que não merece reparo, devendose, portanto, ser mantida a glosa de créditos procedida pela autoridade lançadora, sobre os estoques de abertura, para a COFINS. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 Assim sendo, neste particular não merece guarida o Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte, devendo ser mantida a glosa de créditos em questão. II. b.Bonificações e Acordos Comerciais: natureza jurídica e efeitos na base de cálculo das contribuições ao Pis e à Cofins: Em prosseguimento na análise recursal, cumpre abordar a irresignação da Recorrente contra o lançamento tributário que considerou que as vantagens decorrentes de acordos diversos que celebrou com seus fornecedores, seriam caracterizados como sendo geradores de receitas, no conceito amplo que lhe empregou as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, e que segundo a decisão recorrida não revestirseiam da natureza de “receitas financeiras” como sustenta em sua defesa ou mesmo como “recuperação de custos integrantes” (grupo 32 – Custo das Mercadorias Vendidas), como na maioria das vezes foram tratadas pela Recorrente (cf. Relatório Fiscal – fl. 787 – n.e.). A análise do PAF permite concluir que os lançamentos tributários em questão decorrem de falta/insuficiência de recolhimento, e nessa parte decorrem da acusação fiscal de que os valores registrados pelo sujeito passivo, na maioria das vezes, à conta de “recuperação de custos integrantes”, no grupo de “Custo das Mercadorias Vendidas”, na realidade revestem se da natureza de receita operacional em decorrência de terem o intuito de lucro e habitualidade, estando no campo de incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Tais receitas auferidas seriam provenientes da prática pela Recorrente, de impor aos seus fornecedores para que lhes concedam bonificações ou descontos como condição de aquisição de seus produtos para colocálos à venda, praticando o chamado pedágio ou rapel. Tais imposições negociais estão veiculadas em diversos acordos que prevêem regras usuais no segmento de super e hipermercados, consistentes na obtenção de vantagens, que nos autos se materializaram através dos seguintes institutos: bonificação promoção para abertura de loja, bonificações para promoções, bonificações para recuperação de mercadorias, desconto de fidelidade básico, desconto fidelidade escalão (ões), desconto de compras atendidas, bonificações contratos de mercadorias, desconto não devolução, desconto subsídio, desconto promoção aniversário +1, desconto de centralização, propaganda (recuperação), propaganda recuperação extra, e desconto recuperação extra com eventos mk (fls. 790 e 791 – ne). Como forma de materialização dessas vantagens, consta do Relatório Fiscal (fl. 799 – ne) que a autuada recebia valores em carteira mediante emissão de cobrança bancária, ou então, obtia descontos nas faturas a pagar, podendo também, receber os supostos valores devidos conforme os acordos, através da entrega de mercadorias bonificadas. A Recorrente sustenta que todos esses valores decorrem de ajustes lídimos entabulados entre as partes contratantes, que não decorrem de imposições ou penalizações aos seus fornecedores, e sim de ajustes condicionais que, se aceitos de parte a parte, acarretam a obtenção, pela Recorrente, de descontos comerciais nas operações vigorantes no fornecimento existente entre as partes, o que na essência importa em recuperação de custos relativos àquela respectiva aquisição de produtos, e jamais em um ingresso de receita nova. Sustenta ainda que, mesmo que receitas fossem, então elas deveriam ser classificadas entre as receitas financeiras, pois que se tratam de “descontos obtidos”, de modo que, mesmo que entenda trataremse de receitas, seriam sujeitas à alíquota zero das contribuições ao Pis e Cofins, a partir da vigência do Decreto nº 5.164/04. Passo, então, a abordagem do tema. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.776 15 De início, entendo relevante consignar que está expresso nos autos que embora tenha havido instauração de CPI para investigar possível prática de abuso do poder econômico por parte das grandes redes varejistas, estes elementos trazidos para o Relatório Fiscal – e que parece ter motivado as autuações fiscais, na sua origem , serviram apenas para “situar” o intérprete sobre o cenário econômico em que essa prática está inserida, mas sem significar que os lançamentos tributários estivessem lastreados nessas acusações. E mais, em momento algum houve prova, indiciária ou por presunção, de que os fornecedores teriam sido coagidos, agido com erro ou ignorância ou por dolo da Recorrente, quando da assinatura dos referidos Acordos Comerciais. Entendo seja óbvio que em alguma medida os fornecedores tiveram que submeterse às exigências do setor de compras da Recorrente para com esta estabelecer relação comercial. Mas se o fizeram, podese igualmente presumir que o fora de livre vontade (já que a boafé é sempre presumida e não há prova em sentido contrário), visualizando vantagens comerciais também, quiçá pelo canal de distribuição, elevação dos níveis de produção e de venda, ganho de escala para obter lucro no volume e não individualmente, dentre outras possibilidades. Portanto, se pode ser questionada a prática da Recorrente, nada há nos autos que demonstre não terem os contratos celebrados com os fornecedores sido resultado de ajustes comerciais lídimos. Assim, abstraída a celeuma da imposição ou não de condições de duvidosa equitatividade na celebração dos acordos, resta claro que o “objeto” com conteúdo econômico eleito pela autoridade autuante para colher com o lançamento tributário, nesta parte, foi justamente os abatimentos de preço que a Recorrente logrou obter junto aos seus fornecedores em virtude de diversos acordos comerciais, que lhe propiciaram diminuir os montantes a pagar sobre as compras efetivadas, ou então mediante reembolso de valores devidos em carteira por conta daquelas compras ou acordos de compra, ou mesmo mediante entrega de mercadorias bonificadas, obtendo, desta forma, “vantagens adicionais” no mercado concorrencial em decorrência de sua política de compras implementada junto aos seus fornecedores. Nesse mister de identificar a verdadeira natureza jurídica do evento que culminara na obtenção de “vantagem adicional”, pela Recorrente, consistente na redução do valor do preço das faturas/duplicatas a pagar, recuperação de custos mediante recebimento em carteira ou recebimento de mercadorias bonificadas em cumprimento de acordo comercial previamente entabulado, todas feitas por contrato escrito pactuando concessão comercial pelos seus fornecedores, em cumprimento de acordos comerciais de diversas modalidades, entendo que é indispensável conceituar o que venha a ser o instituto da “bonificação”. Nesse sentido, a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as “bonificações” em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982, cujos trechos pertinentes são abaixo transcritos: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80.” (destaques ausentes no original) Buscando a referência na citada Instrução Normativa nº 51/78, encontramos a seguinte regra: “4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.” Esse entendimento da Administração Tributária também foi estendido para o PIS/Pasep e à Cofins, consoante se verifica nas “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil na internet1, cujo texto transcrevo: “370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições.” (destaques do original) No entender da Fiscalização, portanto, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de caracterizemse como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na IN SRF nº 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. Desses entendimentos acima transcritos, entendo que se podem atingir, no mínimo, as seguintes conclusões: a) Bonificações podem se caracterizar por concessões de vantagens dadas pelo vendedor ao comprador mediante diminuição do preço da coisa vendida ou entrega de quantidade maior de produtos que aquela estipulada. Ou seja, pode darse em abatimento de preço (a), em moeda enquanto “rebache de preço” (b), ou em mercadorias (c); b) Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, e não depender de evento futuro e incerto, estarseá diante de “desconto incondicional”; 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2004/pergresp2004/pr363a430.htm Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.777 17 c) Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador não estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, estarse á diante de “desconto condicional”; d) Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador, estando ou não consignado no documento fiscal no próprio ato da venda, mas depender de evento futuro ou incerto, também estarseá diante de “desconto condicional”. A única ressalva que se faz quanto as conclusões acima, é que se houver documento fiscal relativo apenas à bonificação, como exigem alguns Estados da Federação ou ainda por ajuste entre as partes, mas esta bonificação estiver vinculada/atrelada à uma venda específica, se poderá estar diante de um “desconto incondicional”, ainda que em documentos distintos, conforme se puder avaliar essa vinculação, no caso em concreto. Nesse sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 12/04/2001 BASE DE CÁLCULO. SAID́AS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF – 3ª Seção 4ª Câmara – 1ª TO Processo nº 10865.900378/200854, Acórdão nº 3401002.117 Rel. Odassi Guersoni Filho j. 31.01.2013). De todo modo, pelas conclusões acima, as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de “rebache de preço” ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratadas pelo Direito, seja Privado seja Tributário, cabendo, então, aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. Iniciando sob o ponto de vista contábil, cumpre investigar como devem ser registradas as bonificações e os descontos comerciais por parte dos compradores, a exemplo da Recorrente e do que se vê no caso em concreto. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seus itens 9, 10 e 11, que: “Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição.” (destaques ausentes no original) Resta claro que o item 11 do CPC, aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009, determina que os descontos comerciais e abatimentos (e outros itens semelhantes – vantagens em geral), devem ser deduzidos do custo de aquisição dos estoques. Ou seja, as bonificações e os acordos comerciais, para os efeitos contábeis do adquirente, importam em redução do custo do estoque. No que diz respeito ao tratamento contábil de “receita”, que é auferida pelo fornecedor de produtos que concede os descontos aos adquirentes, também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 30, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 597, de 15 de Setembro de 2009, pelo regulamenta o registro contábil da receita, dispondo, em seus itens 9 e 10, as seguintes prescrições: “Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador.” (destaque ausente no original) De acordo com o item 10 do CPC nº 30, as bonificações ou os descontos comerciais não devem ser considerados como receitas pela sociedade, mas antes, deverão ser deduzidas quando de seu registro contábil. Os termos dos itens dos Pronunciamentos nºs. 16 e 30, aprovados pelas Deliberações CVM nºs 575 e 597, ambas de 2009, acima transcritos, se coadunam com o Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.778 19 entendimento do eminente Professor ELISEU MARTINS, que entende que os descontos comerciais e as bonificações são redutores do preço de aquisição da mercadoria, não podendo ser classificados como receita, senão vejamos: “No caso de descontos comerciais e abatimentos, não há dúvidas: devem ser considerados como redução do preço de aquisição.” (in “Contabilidade de Custos”, Editora Atlas, 6ª edição, pág. 126). Os Professores JOSÉ ANTONIO NAVARRETE e REINALDO GUERREIRO, debruçandose sobre as regras internacionais de contabilidade veiculadas na International Accounting Standards 2 – IAS 2, no que diz respeito ao tema sob análise, se posicionam: “A IAS 2 também especifîca que ‘descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes, são deduzidos na determinação do custo de aquisição’. Dessa forma, descontos, abatimentos (rebates) e outros diretamente atribuíveis ao produto, são, como regra geral, atribuídos ao custo de aquisição e não devem ser reconhecidos como receita. Em todas as circunstâncias, a substância econômica da transação deve ser analisada. (…) Os custos de aquisição compreendem o preço de compra e impostos que não sejam recuperáveis pela empresa, custos de transporte, seguros, manuseio e outros custos diretamente atribuíveis à aquisição dos bens. Descontos comerciais, abatimentos e outros simulares são deduzidos na determinação dos custos de aquisição. O parágrafo 11, da IAS 2 define que os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição do estoque. Na norma brasileira, não há menção a tais reduções ao custo de aquisição, mas a literatura sugere esse procedimento, bem como esse procedimento é amplamente utilizado na prática pelas empresas.” (in “Manual de Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS x Normas Brasileiras” Editora Atlas, pág. 62 e 67) – grifos ausentes no original. O Financial Accounting Standart Board – FASB, que é o órgão equivalente ao nosso Comitê de Pronunciamentos Contábeis dos Estados Unidos da América, orienta que as sociedades devem registrar os descontos comerciais ou bonificações, com redutora do custo no resultado do exercício, ou como redutora do estoque (quando a mercadoria ainda não foi comercializada). Tais conclusões constam de estudos realizados por JERÔNIMO ANTUNES e VINÍCIUS DE CASTRO ALVES SAMPAIO, abaixo parcialmente reproduzidos: “O” Financial Accounting Standard Board – (FASB)”, preocupado com as dificuldades enfrentadas pelos contadores norteamericanos no processo de identificação, mensuração, registro e divulgação das receitas ou ganhos decorrentes de acordos comerciais entre fornecedores e varejistas, que Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 20 proporcionam os diversos tipos de bonificações anteriormente identificadas, se pronunciou, através do seu grupo de tarefas emergenciais Emerging Task Issues Force – no sentido de estabelecer um método comum de tratamento contábil para esses tipos de transações financeiras. Em decorrência, foi publicado o EITF Nº 0216 –“Accounting by a Customer (Including a Reseller) for Certain Consideration Received from a Vendor”, que, em tradução livre poderia ser assim entendida: Contabilização por parte do Cliente (Inclusive Revendedor) de Certas Contraprestações Recebidas de Fornecedores. A manifestação do FASB justificase, uma vez que a margem bruta de vendas dos varejistas se constitui em importante elemento nas análises do desempenho econômico e financeiro deste tipo de atividade. A forma de registro da recuperação de custos, bem como a rubrica contábil eleita para tal ato, pode apresentar o reconhecimento de ganhos ou receitas não efetivamente realizados sob o mandato do princípio contábil da competência dos exercícios. O EITF Nº 0216 orienta que todas as bonificações recebidas de um fornecedor por um varejista devem ser reconhecidas como uma redução do custo dos produtos vendidos (conta de compras no resultado do período) e/ou como redução dos saldos patrimoniais de estoques, para as bonificações pertinentes aos produtos ainda não comercializados (conta redutora dos estoques no ativo circulante).” (in “ABCustos Associação Brasileira de Custos – Volume 2, pág. 52). – grifos ausentes no original. Conhecidas as regras contábeis vigentes no Brasil segundo os CPC nºs 16 e 30, de 2009 e Deliberações CVM nºs 575 e 597, de 05 de junho e 15 de Setembro de 2009, respectivamente, assim como as regras internacionais contábeis, às quais o Brasil está em convergência especialmente após a edição da Lei nº 11.638/07 (que promoveu significativas alterações na Lei nº 6.404/76 – LSA´s.), resta claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos, sendo que devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor assim como não são custos pelo comprador. A pretensão de reconhecer as bonificações ou descontos como receita pelo comprador, contrariaria inteiramente os princípios contábeis geralmente aceitos, pois ao mesmo tempo seria receita do vendedor (que não a pôde deduzir por proibição fiscal – já que não tratase de “desconto incondicional) e do comprador. Essas são, portanto, as regras que devem ser observadas no tocante aos efeitos contábeis, e, consequentemente, a nível de Direito Societário e na relação da sociedade com seus sócios e com terceiros, para fins de análise das demonstrações financeiras das entidades, decorrendo daí uma gama imensa de efeitos que permeiam todo o mercado. Ou seja, segundo as melhores práticas contábeis, os registros das bonificações e descontos comerciais devem ser tratados com redutores de custos, excluídos que estão das receitas. Chegase ao ponto, portanto, de verificar a influência do entendimento do que seja bonificação ou desconto comercial, para a Ciência Contábil, e seus reflexos na tributação. Dizendo mais claramente: cumpre perquirir se diante do fato de a contabilidade classificar a Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.779 21 bonificação ou desconto comercial como redução de custo, excluindoas do conceito de receita, essa classificação contábil deve ou não ser observada pela Ciência do Direito, especificamente pelo Direito Tributário, e, ainda mais detalhadamente, para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS. E a matriz legal para essa interpretação é o Código Tributário Nacional que em seus artigos 109 e 110, prescrevem que: “Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.” “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Então a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos “custo” e “receita”, que tipicamente são grandezas de natureza “econômica”, amplamente utilizados na contabilidade para organizar as demonstrações contábeis, devem ser interpretados segundo as regras que lhe são próprias, não podendo ser alteradas em sua essência para atender aos fins únicos da incidência tributária. E quem é competente para dar a definição do que venha a ser “custo” ou “receita” das empresas, estas quais servirão a diversos fins (societários, de crédito e também tributários) é o Direito Privado, especificamente a Legislação Societária. Essa referência de busca de conceitos no direito privado para fins tributários data de muitos anos, sendo marcante o ainda vigente DecretoLei nº 1.598/77, que assim prescreve: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” (grifouse) Sabese que o lucro líquido, por seu turno, têm como principal elemento negativo o “custo”, e positivo, a “receita”, de modo que a definição do conteúdo e alcance do que venham a ser “custo” e “receita” está intrínseco a própria tarefa de se definir o que venha a ser “lucro líquido”, ambas, portanto, devendo ser conceituada de acordo com a lei comercial. E a legislação “comercial” (atualmente melhor conceituada como “legislação societária”) busca amparo para a definição, conteúdo e alcance de seus institutos, conceitos e formas dos elementos que comporão as Demonstrações Financeiras (Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados, Demonstração do Resultado do Exercício etc.), nos Princípios e Normas Contábeis, segundo expressamente é regulado pelo art. 177, da Lei nº 6.404/76: Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 22 “Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º (...) § 2º A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º (...) § 5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3º deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 6º As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) – Grifos ausentes no original. A leitura do preceito legal acima permite concluir que o Direito Privado (legislação comercial ou societária), expressamente se utilizou dos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos” para interpretação e delineamento dos elementos das demonstrações financeiras que decorrem da “escrituração societária”. E mais: em função da convergência das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), a legislação societária outorgou competência para a Comissão de Valores Mobiliários CVM editar normas sobre a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito societário relativos à sua competência (matéria societária) dentre os quais encontrase tanto o “custo” quanto a “receita” (elementos fundamentais das demonstrações financeiras), e, conforme já foi visto anteriormente, acabou editando as Deliberações CVM nºs. 575 e 597/2009, que aprovou os CPC´s nºs. 16 e 30, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, determinando que as bonificações e/ou os descontos comerciais devem ser excluídos da receita da entidade, por se tratar de “redução de custos” dos estoques. Com efeito, na esteira dos arts. 109 e 110, do CTN, e considerando a legitimidade das Deliberações CVM nºs. 575 e 597, de 2009, baixada sob o pálio do art. 177, da Lei nº 6.404/76, as bonificações e/ou os descontos comerciais obtidos pela entidade não Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.780 23 compõem a receita da pessoa jurídica, mas antes devem ser dela deduzidas, para fins de composição de suas demonstrações financeiras. No entanto, como já iniciado a abordar anteriormente, para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, a legislações que regulam as suas bases de cálculo, elegeram a “totalidade das receitas” da pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Vejamos o que preceituam os arts. 1ºs., das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: “LEI Nº 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” “LEI Nº 10.833/2003: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” Verificase que a legislação de regência determinou a incidência das contribuições ao PIS e COFINS sobre todas as receitas da pessoa jurídica, ressalvando expressamente que essa incidência “independe da sua denominação ou classificação contábil”, do que decorre duas possibilidades interpretativas: 1ª. pretendeu a legislação tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance do instituto “receita” determinada pela legislação comercial (art. 177, da LSA); 2ª. pretendeu coibir que a denominação ou classificação dada pela pessoa jurídica aos valores por ela registrados, inibissem ou dificultassem a tributação daquilo que, em essência, efetivamente tratase de “receita”. Tenho que a única possibilidade interpretativa válida é a “2ª hipótese” acima apontada, pois que a primeira delas colidiria com os preceitos dos arts. 109 e 110, do CTN, já citados, pois que alterariam a definição, o conteúdo e o alcance do instituto “receita” regulado Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 24 pelos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos”, agasalhados pela lei comercial segundo previsão contida no art. 177, da Lei nº 6.404/76. De fato, temse que a outorga de competência para a instituição da cobrança das contribuições ao PIS e COFINS (arts. 195, I, “a” e 239, da CRFB88), permite que seja colhido com a tributação efetivamente o que seja “receita” da pessoa jurídica, e não outra “grandeza” que a ela não se amolde em termos de definição, conteúdo e forma. Deste modo, a interpretação “conforme a Constituição” da base de cálculo das contribuições em questão é a incidência sobre a receita, e a questão da denominação ou classificação contábil diz respeito à atividade do contribuinte ao proceder seu registro, e não da Lei Comercial ao determinar a definição do seu conteúdo e alcance. Significa dizer que se o contribuinte classificar contabilmente como “despesa” ou “custo” algo que na essência é uma “receita”, segundo os ditames da Lei Comercial, terá que sujeitarse a tributação das contribuições em questão. Por outro lado, mesmo classificando contabilmente como “receita” algo que seja “despesa” ou “custo”, pode buscar não sujeitarse à tributação, se assim o definir a Lei Comercial, pois que a essência da natureza do “fato” deve se sobrepor à denominação ou classificação contábil adotada pelo contribuinte em sua escrituração contábil. Portanto, a menção contida nos arts. 1ºs., das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que a incidência se dará sobre a receita, independentemente da “denominação ou classificação contábil”, quer inibir ou coibir fraudes que pudessem ser praticadas pelos contribuintes para “mascarar” as receitas, mas não podem permitir que haja incidência sobre uma grandeza que efetivamente não seja definida pela Lei Comercial como algo que não efetivamente “receita”. No que diz respeito ao conceito de “receita”, voltamos então a analisar o CPC nº 30, aprovado pela Deliberação CVM nº 597, de 15 de setembro de 2009: “Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador.” (destaque ausente no original) Assim sendo, atendendo a Lei Comercial, especialmente a norma contida no art. 177, da Lei nº 6.404/76, as bonificações e/ou descontos comerciais devem ser deduzidos da receita da entidade, pois que tratamse, na sua essência e conforme a definição do Direito Privado, de reduções dos custos das transações (CPC nº 16, aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009). Portanto não se poderia classificar como receita todos os registros contábeis lançados a crédito no resultado do exercício, como, por exemplo, as recuperações de despesa ou custo que nada mais são do que lançamentos que não representam ingresso de recursos novos para a sociedade, mas mera recomposição patrimonial. O importante é a análise jurídica de cada lançamento, de sorte a verificar se a mesma é ou não receita. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.781 25 A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem enfrentando o tema, e embora seja uma questão que esteja longe de estar pacificada, cabe citar a decisão abaixo transcrita: “EMENTA: COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC n° 20/98.” (ACÓRDÃO 340300.393 em 25/05/2010 Publicado no DOU em: 24.03.2011) Do voto do relator, Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, cabe destacar os seguintes excertos: “A bonificação consiste em uma política de relacionamento comercial pela qual o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de itens do produto vendido maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Tal se dá como forma de estimular a fidelização entre as partes, de reconhecer a relevância da compra realizada pelo adquirente, enfim, de cultivar e fomentar a relação com um parceiro comercial qualquer. Tratase, a meu ver, de fenômeno de idêntica natureza jurídica do desconto obtido. Neste, o fornecedor mantém a quantidade vendida, mas reduz o preço total (portanto, ajustase o fator "preço"). Nas bonificações, o fornecedor mantém o preço, mas aumenta a quantidade vendida (portanto, ajustase o fator "quantidade"). Numa e noutra hipóteses, a ocorrência relevante é a mesma: a redução do valor unitário do produto adquirido no âmbito de um mesmo negócio jurídico, e — eis o fundamental — redução de custo não equivale a geração de receita. A confusão conceitual entre redução de custo e receita não trazia maiores distorções quando apenas o resultado da pessoa jurídica era tributado. Nesse ambiente, era mesmo indiferente considerar um desconto obtido como receita ou como estorno de custo, pois qualquer desses lançamentos — receita e estorno — repercutiria igualmente na apuração do resultado tributável. Contudo, no momento em que, com a edição da EC n° 20/98, a receita passa a ser uma grandeza econômica elegível como base imponível autônoma, então a distinção rigorosa entre esses dois fenômenos tornase imperiosa. (...) A análise da questão pela ótica do regime nãocumulativo das contribuições revela, com ainda maior clareza, a inexistência de receita quando do recebimento de mercadorias bonificadas. (...) Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 26 Assim, ao adquirir, por exemplo, 1000 itens de um produto pelo preço total de R$1.000,00, o comerciante apropriará créditos de PIS e COFINS calculados sobre o valor de R$1.000,00, que é o total dos itens adquiridos. Agora, se, nessa negociação, o fornecedor resolve bonificar o comerciante, remetendolhe 1010 itens pelos mesmos R$1.000,00, os créditos continuarão sendo apropriados pelo comerciante sobre a base de R$1.000,00. As mercadorias bonificadas, portanto, não ensejam valor maior de créditos no regime nãocumulativo, o que demonstra que não há, aí, riqueza adicional a ser percutida. Por tudo isso, entendo que as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de COFINS. Registro, ademais, o seguinte. A perspectiva teórica desta incidência sobre mercadorias bonificadas somente se instaura após o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, do faturamento para a receita bruta. Nem mesmo o Fisco cogitava tal incidência enquanto a base das contribuições estava confinada nos limites do faturamento da pessoa jurídica, afinal é absolutamente indisputável que bonificações e descontos não decorrem da venda de mercadorias (e, sim, da aquisição destas). Assim, para a própria Receita Federal, a tributação em comento somente seria viável após a edição da Lei n° 9.718/98 (nesse sentido, Acórdãos nos 0217.458, DR.I/Belo Horizonte; 15 129.93.3, DIU/Salvador). (...)” (Os destaques foram inseridos) O entendimento acima referido já se encontrava pacificado no âmbito do antigo 2º Conselho de Contribuintes, conforme revela acórdão abaixo transcrito: “BONIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃOINCIDÊNCIA. Não se subsume ao conceito de faturamento, nem no conceito de receita, a obtenção de descontos mediante a bonificação de mercadorias, eis que tais vantagens não se originam da venda de mercadorias nem da prestação de serviços, mas estão ligadas essencialmente a operações que ensejam custos e não receitas”. (2º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, RV nº 223.405, Rel Cons. José Henrique Longo, j. 18.05.05) Embora tratem, os precedentes acima, de “bonificação em mercadorias”, penso que o regime jurídico das bonificações e a dos descontos comerciais são rigorosamente os mesmos, seja porque estão ambos tratados nos CPCs nºs. 16 e 30, aprovados pelas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, seja porque, independentemente disto, na essência o fato do vendedor oferecer vantagem ao comprador para incrementar as vendas, preenche o conceito de bonificação, conforme já reconhecido pela própria Administração Tributária, no já citado Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 e na IN SRF nº 51/78, os quais conceituam as bonificações e os descontos comerciais como vantagens ofertadas pelo vendedor ao comprador. Assim, se a vantagem (bonificação ou desconto comercial) se der mediante a entrega de mercadoria (a.), em moeda para rebaixe/rebate de preço (b.) ou em desconto em duplicata a vencer (c.), tratase, na essência, de redução de custos de aquisição de produtos, que não revelam ingresso de recursos novos no caixa da entidade, e, como tal, nos termos da Lei Comercial, não preenchem o conceito de “receita”, mas antes servem à reduzir o custo de Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.782 27 aquisição de seus estoques naquela específica relação comercial que mantém com o fornecedor, permitindo que possa o adquirente implementar campanhas e de várias maneiras fomentar a vendas daqueles produtos, o que, por certo, é de interesse do adquirente mas também o é do vendedor que terá maior volume de vendas e acesso a canais de distribuição, razão pela qual se celebram os ajustes para bonificações e descontos. Por tais motivos entendo haverem os contratos “atípicos” que prevêem regras diversas para incremento de vendas dos produtos vendidos pelos fornecedores à Recorrente, com o que atenderseia os objetivos mútuos das partes, que ao cabo é o aumento das vendas. Tais contratos, no entanto, a meu sentir são acordos comerciais que veiculam regras para o preenchimento (ou não) de condições para a obtenção (ou não) de descontos e/ou bonificações em operações comerciais, e não de prestação de serviços de uma parte à outra, ou mesmo de penalização da Recorrente por alguma infração cometida pelo fornecedor. A análise dos termos contratuais permite concluir que se forem atendidos os seus preceitos, se concedia descontos comerciais e/ou bonificações, mediante reembolso de valores em carteira, abatimento nas “duplicatas a pagar” ou entrega de mercadorias bonificadas, procedimentos esses que, na essência, veiculam e preenchem o conceito de bonificações ou descontos condicionais, e, como tais, nos termos da Lei Comercial (Art. 177, da LSA, CPC nºs 16 e 30 e Deliberações CVM nºs. 575 e 597/2009), não se subsumem no conceito de “receitas”, mas antes devem ser delas excluídos, pois que redutores de estoque. É certo que apenas os “descontos incondicionais” tem previsão de exclusão das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, mas é igualmente certo que não se pode tributar como “receita” uma grandeza que segundo a Lei Comercial “receita” não o é, de modo que no caso concreto, não se está criando hipótese de exclusão da tributação para “descontos condicionais”, mas antes, permitindo que não incida tributação sobre um elemento que não é definido como sendo receita pela legislação comercial, estando excluído da tributação pelo próprio “caput” dos arts. 1º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, ante sua própria natureza jurídica de “redução de custos” do estoque. Deve ficar igualmente consignado que, ao obter uma “redução de custos” na aquisição de uma mercadoria, registrandoa por um preço de aquisição inferior, não há ingresso de recursos no caixa da pessoa jurídica. Porém, quando se der a venda de tal mercadoria, pelo preço final, a diferença entre a compra por um preço mais baixo e o preço de venda, aumentará o valor agregado, e consequentemente, fará com que haja a incidência sobre toda a diferença no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS. Ou seja, sob o aspecto econômico, o registro contábil das bonificações e/ou descontos comerciais à conta de redução de custos, importa apenas em postergação da tributação sobre essa “vantagem comercial” que o comerciante obteve junto ao seu fornecedor, e que, muitas das vezes, se presta para fazer com que aumente o giro de um determinado produto ou viabilize promoções de outros que encontremse muito tempo parados no estoque, aumente a oferta, visibilidade ou volume de produtos, incrementando ao fim e ao cabo, a própria atividade econômica, sem que haja falta de recolhimento de tributos, já que, com custos menores, a tributação darseá sobre um valor agregado maior no momento da venda, sem prejuízo à arrecadação tributária. De outra parte, o fornecedor, ao conceder os descontos comerciais e bonificações, por não estarem veiculados na própria nota fiscal de venda da mercadoria, acaba pagando integralmente as contribuições ao PIS e à COFINS sobre a referida venda, não Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 28 havendo falarse em prejuízo à arrecadação em decorrência deste desconto concedido pelo fornecedor, que acaba quitando o tributo sobre ele incidente. Portanto, tenho que tratam de contratos atípicos, lícitos, livremente pactuados pelas partes e que devem ter seus efeitos preservados pelo ordenamento jurídico. O conteúdo econômico das avenças, por seu turno, revestese na natureza de “vantagens comerciais do vendedor ao comprador”, no interesse de incrementar a venda de ambas as partes, e se concretiza mediante abatimento de preços, reembolso de custos integrantes do processo de vendas e bonificações em mercadorias vinculadas aos acordos de fornecimentos, o que, conforme já discorrido, importa em redução de custos dos produtos adquiridos pela Recorrente em decorrência destes mesmos acordos. Não entendo possa subsistir, portanto, a autuação sobre grandezas que não caracterizemse como receitas da pessoa jurídica, mas sim como redução de seus custos. Até se poderia cogitar que a tomada de crédito pelas aquisições, se aplicado o conceito consonante com a essência do instituto (redução de custos), não poderia ser integral. Por inteira coerência meu posicionamento seria consentâneo com essa interpretação da Administração, mas no caso em concreto tal resta prejudicado ante ao fato de que o lançamento está lastreado em “omissão de receitas” e não em “glosa de créditos em excesso”, e, é certo que “os fins não justificam os meios”. Porém e finalmente, para que não seja objeto de embargos ou então, para a hipótese de eventualmente se interpretar que os “descontos obtidos” ou as bonificações em “crédito em conta” seriam receitas – o que entendo destoar da legislação comercial, e, consequentemente, tributária , cumpre abordar se os descontos compreenderiam, para fins tributários, às receitas financeiras, e, como tal, estariam sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Mas nessa hipótese coloco apenas os descontos comerciais veiculados sob forma de “descontos obtidos”, e não as mercadorias bonificadas, pois que para essas entendo que a forma não lhe permite aplicar a conclusão respectiva. Isto porque, a Recorrente pleiteia em obter o tratamento de que as vantagens por ela percebidas, se receitas fossem, seria de natureza “financeira”, sujeitandoas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS, e, por outro lado, a decisão de piso entendeu que apenas poderiam ser classificados como sendo receitas de natureza “financeira” aquelas provenientes de “juros negativos”, decorrente de antecipação do pagamento de uma fatura antes de seu vencimento, do que diverge a Recorrente em suas razões recursais. Tenho, no entanto, que para se configurar como receita de natureza “financeira”, não é necessário que decorra de uma obtenção de desconto pelo cálculo de um “juro negativo”, mas que seja lhe concedido um abatimento no preço a pagar de uma obrigação futura, independentemente do motivo, mesmo que seja a concessão de um “desconto” desvinculado de um “juro negativo”. Para assim concluir, parto da análise do que venha a ser “receita financeira”, nos termos do que preceitua o art. 373, do RIR/99: “Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem”. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º) – grifei. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11080.011290/200694 Acórdão n.º 3402002.210 S3C4T2 Fl. 1.783 29 No mesmo sentido, temse ainda o art. 9º, da Lei nº 9.718/98, que assim preceitua: “Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Como se vê, se a pessoa jurídica possui uma obrigação em moeda estrangeira, e houver oscilação passiva, diminuindo o valor a pagar, ou ao contrário, tiver um recebível em moeda estrangeira, e ocorrer oscilação ativa, terá “receita financeira”, sem que tenha havido qualquer operação de “juro negativo” ou de “juro positivo”, de modo que efetivamente não se deve compreender que as “receitas financeiras” sejam decorrentes apenas de obtenção de descontos pela incidência de um “juro negativo” pela antecipação de pagamento, mas sim, toda vez que o montante “financeiro” a pagar relativamente a uma obrigação, ou um montante a receber, de um direito, sofra aumento em função de um desconto obtido ou de um “encargo” recebido (não apenas juros, mas pode ser comissão de permanência, multa contratual etc.), terseá um “incremento patrimonial” de ordem financeira, pois que impactará seu “conta a pagar” ou “a receber”. Portanto, segundo a dicção do art. 373, do RIR/99, não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo “receitas financeiras”, de modo que, para aqueles que entendam que os descontos obtidos sejam “receitas” – o que efetivamente entendo não se subsumir ao previsto na Lei Comercial, no caso em concreto , se deveria qualificar tais abatimentos recebidos como sendo “receitas financeiras”, e, como tal, efetivamente sujeitos à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto nº 5.146/2004. Excetuase desse enquadramento os reembolsos em carteira e as mercadorias bonificadas, por óbvio. No entanto, entendo deva superar este aspecto, pois que, como já explicitado, no caso em concreto, as vantagens obtidas pela Recorrente caracterizamse como “redução de custos”, devendo assim ser tratadas pelo Direito Tributário. III.Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de não conhecer em parte do recurso no tocante às matérias objeto de pedido de desistência, e, na parte conhecida, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa parcial do crédito presumido sobre o estoque de abertura e para determinar o cancelamento da exigência no tocante aos débitos decorrentes à adição à base de cálculo das contribuições das vantagens decorrentes de bonificações e acordos comerciais. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 30 Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 10167.001744/2007-87
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tratando-se de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de oficio a decadência do crédito previdenciário lançado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.465
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCUIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n' 08, disciplinando a matéria. In caszt, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tratando-se de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de oficio a decadência do crédito previdenciário lançado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da tot0Aade das contribuições apuradas. \-2(P ELIAS SAMF j AIO FREIRE - Presidente • 411110.Éj. RY9RDO NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator Participaram, do presentlÁamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Peneira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 2 Processo n" 10167. 001744/2007-87 S2 -C4T1 Acórdão n ° 2401-01,465 Fl. 510 Relatório BOIFORTE FRIGORÍFICOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho do Acórdão n° 03-22,058/2007, da 6 a Turma da DR.1 em Brasília/DF, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa, do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (Salário-Educação, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e aos administradores, em relação ao período de 07/1997 a 12/1997, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/20, e Aditivo de fis, 256/276. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 30/08/2004, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 135.264,19 (Cento e trinta e cinto mil, duzentos e sessenta e quatro reais e dezenove centavos). Esclarece o fiscal autuante que da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização desenvolvida na notificada, restou constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas FRIMAR — Frigoríficos Araguaina S/A, Frigorífico BOINORTE Ltda., BOIFORTE Frigoríficos Ltda., COOPERBOVINO — Cooperativa dos Produtores Agropecuários do Tocantins Ltda,, e COOPERCARNE — Cooperativa dos Produtores de Bovinos, Carnes e Derivados do Tocantins, consoante se infere do Relatório dos Fatos Apurados na Auditoria Fiscal — FRIGORÍFICOS DO GRUPO PRIMAR DE ARAGUAINA-TO, às fls. 40/56, bem como do Relatório Fiscal Aditivo, às fls. 256/276, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida, a notificada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 384/409, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei IV 8,212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, §4°, do CTN. Em defesa de sua pretensão, traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções, 3 Assevera que a fiscalização não examinou a documentação acostada aos autos da forma que a legislação que regulamenta a matéria impõe, sobretudo em relação à desvinculação da recorrente do Grupo Econômico Fumar. Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, notadamente em relação à caracterização de grupo econômico de fato, por entender inexistir Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a co-responsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Após dissertar a propósito das formas de constituição de empresas, com o surgimento da personalidade jurídica apta a produzir efeitos legais, infere que a sujeição passiva tributária é objetiva e não subjetiva, na forma conduzida pela fiscalização, impondo seja afastada a responsabilidade da recorrente (Boiforte), urna vez que jamais praticou atos que justificassem seu arrolamento como devedora solidária, integrante do grupo econômico Frimar. Aduz que o Código Tributário Nacional, em seus artigos 131 e 132 e, bem assim, a Lei n" 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), não autorizam a co-responsabilização das contribuintes integrantes do suposto Grupo Econômico por crédito previdenciário da empresa originalmente autuada, urna vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, se apresentando como empresas absolutamente independentes e autônomas, com administrações e sócios distintos, Contrapõe-se ao grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização, argumentando que i) a recorrente nunca participou societariamente de quaisquer das outras empresas arroladas acima; ii) o sócio da autuada não faz e/ou fez parte, como sócio ou acionista, das outras empresas e; iii) entre a recorrente e a Frimar perduram inúmeras disputas judiciais na comarca de Araguaina, comprovando a inexistência de vinculação com a Fumar, sendo seus sócios pessoas desafetas. Defende não ser aplicável à espécie (caracterização de grupo econômico) a legislação trabalhista, mas, sim, as disposições legais do Código Civil e da Lei das S/A, mormente quando a relação pretendida não tem natureza de vínculo empregatício. Alega que a Rimar é a efetiva responsável pelo crédito previdenciário ora exigido, sendo, inclusive, ré nos inúmeros processos trabalhistas trazidos à colação pela autoridade lançadora. Dessa forma, elucida ser parte inocente e vítima, tendo em vista sempre ter agido em confbrmidade com a legislação previdenciária, sofrendo com os fatos pretéritos e reiteradas práticas de desrespeito ao sistema legal perpetradas por anos pela Frimar S/A, Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contra-razões, Incluído na pauta do dia 04/03/2009, esta Egrégia Câmara entendeu por bem converter o julgamento em diligência, em observância aos princípios da ampla defesa e contraditório, com o fito de oportunizar às contribuintes solidárias, consideradas como integrantes do grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização, à oferecerem recursos voluntários, conforme Resolução n° 2401-00.006, às fls. 423/427. Devidamente intimada, a empresa MIMAR FRIGORÍFICO ARAGUAINA S/A, interpos recurso voluntário, às fls. 437/500, insurgindo-se contra o Acórdão de primeira instância, com base nos seguintes fundamentos. 4 Processo 00 10167001744/2007-87 Acórdão ri 2401-01.465 S2-C4T1 H 51! Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, aduzindo para tanto que em nenhum momento fora cientificada da integralidade dos termos da NFLD sob análise, em total preterição do direito de defesa, tendo-lhe sido encaminhado tão somente Termo de Solidariedade lavrado pela autoridade lançadora. Neste sentido, assevera não ter conhecimento dos .fatos geradores supostamente ocorridos, da matéria tributável, da base de cálculo, das alíquotas aplicadas, etc, razão pela qual se limitará, nesta oportunidade, a contrapor às razões da fiscalização quanto ao pretenso grupo econômico. Sustenta que a fiscalização e, bem assim, a autoridade julgadora de primeira instância não examinaram a documentação acostada aos autos da forma que a legislação que regulamenta a matéria impõe, mormente em relação à inexistência do "Grupo Econômico Primar". Opõe-se à atribuição de responsabilidade solidária procedida pelo fiscal autuante, a partir da caracterização de grupo econômico de fato, alegando inexistir aludido grupo sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a co- responsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Contrapõe-se ao grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização, argumentando que a FRIMAR S.A. não é signatária de qualquer convenção de grupo de sociedades com as demais empresas fiscalizadas, não mantendo, igualmente, relações de coligação e controle com as mesmas, requisitos necessários à caracterização de Grupo Econômico, insculpidos na Lei das SA (Lei ri' 6.404/1976), a qual deve ser aplicada ao caso, uma vez que a legislação nibutária/previdenciária, em que pese contemplar a responsabilidade solidária na hipótese de grupo econômico, não estabelece sua conceituação. Suscita que o Código Tributário Nacional, bem corno a Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), não autorizam a co-responsabilização das contribuintes integrantes do suposto Grupo Econômico por crédito previdenciário da empresa originalmente autuada, urna vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, se apresentando como empresas absolutamente independentes e autônomas, com administrações e sócios distintos. Traz à colação vasta explanação a propósito do histórico e das operações realizadas pela Primar e demais contribuintes, ora adotadas como responsáveis solidárias, concluindo inexistir o malfadado Grupo Econômico Frimar, ao contrário da pretensão fiscal, sendo prova de tais fatos as inúmeras ações judiciais travadas entre esta e as arrendatárias COOPERCARNE e BO1FORTE. Quanto à identidade de endereços das empresas do grupo econômico de fato, infere que o artigo 778 da Instrução Normativa n° 100/2003, não contempla aludida caracterização a partir desse simples fato, sobretudo quando se comprovou que a PRIMAR alugou seu parque industrial, em períodos diversos, para as empresas BOIFORTE, BOINORTE, COOPERCARNE e COOPERBOVINO e as mesmas não poderiam exercer suas atividades a não ser no parque industrial alugado pela mesma. Acrescenta que no ramo das atividades desenvolvidas pela recorrente, é comum a celebração de contratos de arrendamento/aluguel de suas instalações industriais com outras empresas, não estando esse fato, igualmente, arrolado na legislação de regência como uma das hipóteses necessárias à caracterização do grupo econômico. 55 Suscita que as razões da fiscalização não demonstraram qualquer vínculo entre a Primar e a Boiforte e, o fato desta última se utilizar de funcionários da COOPERCARNE, OU mesmo a simples existência de contrato de aluguel entre ambas, não tem o condão de vinculá-las. Em defesa de sua pretensão, alega que a atribuição da solidariedade da Rimar em relação é débitos da Boinorte somente seria possível se a autoridade lançadora tivesse demonstrado e comprovado individualizadamente os vínculos de cada empresa formadora do grupo econômico com a recorrente. Argúi a inconstitucionalidade c/ou ilegalidade do artigo 779 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 10/2003, argumentando que alargou a responsabilidade dos sócios e dirigentes das pessoas jurídicas, contempladas nas leis específicas. Alega que todos esses fatos nanados, e outros, bem como as ações judiciais em que figuram partes contrárias a recorrente e a BOIFORTE E COOPERCARNE, encontram- se comprovados a partir da documentação acostada aos autos, reforçando a inexistência de qualquer grupo econômico. Igualmente intimada do decisum inaugural (AR de fis. 436 e Edital de fls. 502), a empresa COOPERCARNE — Cooperativa dos Produtores de Bovinos, Carnes e Derivados do Tocantins Ltda., não apresentou recurso voluntário. É o relatório. 6 Processo n° 10167 001744/2007-87 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-01,465 Fl 512 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Não obstante a intempestividade do recurso voluntário interposto pela empresa BOIFORTE Frigoríficos Ltda, consoante informação de fis, 422, urna vez intimadas as contribuintes solidárias, em razão da caracterização do grupo econômico de fato, impõe-se analisar, igualmente, suas peças recursais, notadamente o recurso interposto pela FRIMAR Frigorifico Aragualna SA, senão vejamos. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da empresa FRIMAR e passo a análise das alegações recursais. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte insurgindo-se contra a caracterização do grupo econômico de fato, há nos autos questão prejudicial/preliminar, capaz de ensejar a improcedência total do lançamento, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão, como passaremos a demonstrar, PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não aventada pela contribuinte em sede de recurso voluntário que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de oficio. Com efeito, a matéria objeto de inúmeras discussões na doutrina e .judiciário diz respeito ao prazo decadencial a ser levado a efeito para as contribuições previdenciárias. Os contribuintes pretendem seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8,212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados • 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; -I" Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, capta, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, 117 verbis: 1 "Ari .173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados, — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ 1" Com mais especificidade, o artigo 150, § 4 0, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa [ 4" - Se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da °cort ência do . fino gerador,- expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do terna, o Supremo Tribunal Federal, em 11106/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante ri' 08, abaixo transcrita, rechaçando de urna vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n" 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 40, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. 8 Nk Processo n° 10167.001744/2007-87 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-01465 F I 513 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante if 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4°, ou 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional.. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, corno segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente, Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4", do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4 0, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promovei- o lançamento de oficio da importância que imputar devida. 9 Sala das Sessõe • em 21 de outubro de 2010 „roti "li i Sni 11ll„,..1_, ,!...—. RYCARDO HERYCARFO HEI' IQUE MAGALHÂES 13IQUE MAGALFIÁSS DE OLIVEIRA - Relato' 10 Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4", do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso 1, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação especifica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4° Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema, Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4 0, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4", do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, urna vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento leia' sue se eretenda a Mear arti . o 150 • 40 ou 173, inciso 1 do CTN). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 27/08/2004, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, urna vez que os fatos geradores ocorreram no período de 0711997 a 12/1997, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4 0 ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito, Por todo o exposto, estando a NELD subi examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA FRIMAR E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo de oficio a decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas, Brasília, e outubro de 2010 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 10167.001744/2007-87 Recurso IV: 154.991 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.465 MAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [J Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10140.001793/93-14
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 1996
Ementa: IRPJ - MULTA - FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL
- A falta de emissão de Nota Fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação da operação, sujeita o contribuinte, pessoa física ou jurídica, à multa de 300% sobre o valor do bem objeto da operação ou do serviço prestado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA -
Segundo disposto no Código Tributário Nacional, a obrigação
acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em
obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 102-40.250
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ramiro Heise
Nome do relator: Ursula Hansen
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ementa_s : IRPJ - MULTA - FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL - A falta de emissão de Nota Fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação da operação, sujeita o contribuinte, pessoa física ou jurídica, à multa de 300% sobre o valor do bem objeto da operação ou do serviço prestado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - Segundo disposto no Código Tributário Nacional, a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.
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OBRIGAÇÃO ACESSORIA - Segundo disposto no Código Tributário Nacional, a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO DOM AQUINO LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ramiro Heise A.-- ANTONIO DF/FREITAS DUTRA PRESIDENTE A HANSEN RELATORA FORMALIZADO EM: -12 AI U 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MNS r.jj, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10140/001793/93-14 ACÓRDÃO N° 102-40250 RECURSO N° 110 407 RECORRENTE POSTO DOM AQUINO LTDA RELATÓRIO POSTO DOM AQUINO LTDA., inscrita no CGC sob o n° 01 539 964/0001-75, recorre a este Colegiado de decisão do Delegado da Receita Federal em Campo Grande, MS, que manteve a cobrança do crédito tributário apurado em valor equivalente a 1.412,73 UFIR. A exigência, conforme Auto de Infração de fls 01 e anexos, capitulada nos artigos 10 a 40 da Medida Provisória n° 374, de 22 de novembro de 1993, correspondente à multa por não cumprimento de obrigação tributária acessória - realização de venda de mercadorias sem a correspondente emissão de notas fiscais ou documentos equivalentes Ao impugnar o feito, a contribuinte, em síntese, alegou: - que a Medida Provisória n° 374/93, que dispões sobre a emissão de documentos fiscais, teve cessada sua vigência e eficácia desde a edição, uma vez que o Congresso Nacional não a converteu em lei no prazo determinado; - que não teve a intenção de burlar o Fisco, - que sempre emite uma única Nota Fiscal correspondente à aferição das bombas; - que os funcionários não emitiram Notas Fiscais relativas à lavagem de veículos, por mera desinformação, pelo que requer seja determinada a nulidade do Auto de Infra,,/ - 2 ,J MINISTÉRIO DA FAZENDA • < PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10140/001 793/93-14 ACÓRDÃO N° 102-40 250 A autoridade julgadora singular, após analisar e rejeitar os argumentos formulados relativos à vigência na norma legal, mantém o lançamento No tocante às alegações de que a emissão de uma única Nota Fiscal, resultante da diferença apurada após aferição das bombas, baseou-se em orientação do fisco estadual e em normas baixadas pelo Departamento Nacional de Combustíveis, observa que tais orientações não estão acordadas em ajuste do SINIEF, não sendo válida a prática a nível de legislação federal Em suas razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls. 102/105, a contribuinte reitera os argumentos já expendidos na fase impugnatória É o relatplo.i)7 3 ,C" rit MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10140/001 793/93-14 ACÓRDÃO N° 102-40 250 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento Preliminarmente, deve-se esclarecer que os atos praticados soba égide da Medida Provisória n° 374, de 22/11/1993, foram convalidados pela edição da Medida Provisória n° 391, de 23/12/1993, e, posteriormente, pela Lei n° 8 846, de 21/01/1994 De fato, o artigo 10 da citada Lei reza. " Art. 10 - Ficam convalidados os atos praticados com base nas Medidas Provisórias n° 374, de 22 de novembro de 1993, e n° 391, de 23 de dezembro de 1993 " Verifica-se, assim, que o Congresso Nacional, usando das atribuições emanadas da Constituição Federal, em seu artigo 62, parágrafo único, editou a Lei n° 8.846/94, disciplinando as relações jurídicas decorrentes da adoção das Medidas Provisórias IN. 374 e 391, ou seja, restabeleceu a validade dos referidos atos Determina a Medida Provisória n° 374/93, à similaridade da Medida Provisória n° 391/93, posteriormente convertida na Lei n° 8.846/94, verbis: "Artigo 1° - A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,,, PROCESSO N° 10140/001793/93-14 ACÓRDÃO N° 102-40250 móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Artigo 2° - Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, para efeito do imposto sobre a renda ou proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Artigo 3° - Ao contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, que não houver emitido nota fiscal, recibo ou documento equivalente, na situação de que trata o art. 2°, ou não houver comprovado sua emissão, será aplicada a multa pecuniária de trezentos por cento sobre o valor do bem ou objeto da operação ou do serviço prestado, não passível de redução, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais Artigo 4° - A base de cálculo da multa de que trata o art 3° será o valor efetivo da operação, devendo ser utilizado, em sua falta, o valor constante da tabela de preços do vendedor, para pagamento à vista ou o preço de mercado (os grifos não são do original)." A legislação é taxativa foi instituída a cobrança de multa pecuniária de 300% quando da não emissão de nota fiscal ou documento equivalente, ocorrendo o fato gerador, a obrigatoriedade, no momento da realização da operação (1 , Lipv- -- 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10140/001793/93-14 ACÓRDÃO N°. 102-40250 A mera alegação de que a contribuinte teria por hábito emitir nota fiscal única, após aferição do movimento diário das bombas, portanto, não possui o condão de elidir o lançamento Também não oferece respaldo à pretensão da Recorrente, a afirmação de que tal procedimento estaria fundamentado em normas expedidas por órgão estadual Estas normas não foram acostadas aos autos e, ainda que apresentadas, não poderiam ser superpostas à legislação federal - como bem destacou a autoridade "a quo", em sua bem fundamentada decisão, o modus operandi da contribuinte somente poderia ser considerado se estribado em regulamentação de outros órgãos - especificamente o Fisco Estadual, se constantes de acordo firmado entre os diversos níveis governamentais, o SINIEF, no caso Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta; Considerando que a ora Recorrente não logrou carrear aos autos quaisquer fatos, provas ou razões novas passíveis de elidir o acerto da decisão recorrida, Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso Sala das Sessões - DF, em 13 de junho de 1996 4•_f_13~ANSEN 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13017.000228/2003-13
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 00 02 28 /2 00 3- 13 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS (fl. 113), abaixo transcrito: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS nãocumulativo com débitos de tributos administrados pelo Secretaria da Receita Federal . A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul não homologou a compensação, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) informa apuração de créditos de PIS que teriam gerado receita apenas no mercado interno, não sendo apontado nenhum valor para o mercado externo (exportação). 2. A interessada insurgese, tempestivamente, contra o Despacho Decisório alegando equivoco no preenchimento da ficha 04 da DACON. Afirma que declarou na DACON (ficha 05) e na DIPJ receitas de exportação auferidas. Aponta a existência de outra DCOMP onde a mesma DRF teria homologado parcialmente a compensação efetuada utilizandose da DIPJ/2003 para calcular o montante creditório da empresa. Junta cópia de DACON retificadora enviada após a ciência do despacho da DRF de origem, bem como Planilha de Cálculo..” Analisando o litígio, a DRJPorto Alegre/RS entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 113 a 117), conforme ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPENSAÇÃO A simples retificação da DACON, após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, não tem o condão de comprovar que os créditos apurados e utilizados na DCOM deram origem a vendas para o mercado externo. Às fls. 121 a 136 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: O simples fato de não haver a Recorrente promovido o registro, nos campos próprios do Dacon e da DIPJ 2004, dos custos vinculados às receitas de exportação, não autoriza a interpretação de que não tenha ela realmente incorrido em custos para geração de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 3 tais receitas e que, em razão disto, não faça jus aos créditos de PIS a que alude o art. 5º., § 1º. , I, da Lei 10.637/02; Não se trata de omissão de informação, já que os dados relativos às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa (exportação) constam expressamente da DIPJ 2004 e no Dacon, muito embora não tenha sido informado pelo contribuinte o rateio dos custos para apuração dos referidos créditos; A Requerente providenciou, de imediato, a retificação do Dacon, para fins de segregar os custos vinculados às receitas provenientes dos mercados interno e externo, de modo a permitir a correta análise, pela Receita Federal, das declarações de compensação apresentadas, dentre as quais aquela que é objeto do presente processo; Apesar de haver uma dose de discricionariedade ao julgador, quando não entender necessária a diligência, no caso concreto o voto condutor do acórdão afirmou a necessidade de se provar o alegado, da análise de provas da ocorrência de exportação, e, entretanto, a diligência não foi determinada pela autoridade julgadora; O equívoco no preenchimento do Dacon foi constatado pela própria Receita Federal no momento da análise das declarações de compensação apresentadas pela Recorrente, tanto é assim que um dos Despachos Decisórios (Notificação DRF/CLX/Saort no. 99, de 01 de março de 2005) homologou parcialmente a compensação até a importância de R$ 1.592,47, referente ao crédito de PIS apurado pelo rateio com base na proporção da receita bruta auferida, informada na DIPJ 2003; Em julgamento realizado por este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que, em um primeiro momento, a Delegacia de Julgamento não considerou as retificações das declarações realizadas pelo Contribuinte, ora Recorrente, restou determinado o retorno dos autos à instância de origem para que, com base nas aludidas retificações, fosse verificado o direito creditório do Recorrente, em especial, se havia crédito suficiente para liquidar os débitos indicados no pedido de compensação apresentada. Atendendo o comando deste Conselho, a douta Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul, em analise às DACON’s retificadas do Contribuinte, bem como dos documentos fiscais, constatou que, de fato, o contribuinte tinha créditos passíveis de compensação, contudo, estes créditos não eram suficientes para liquidar a totalidades dos débitos indicados pelo Recorrente no PERDCOMP analisado. Mesmo devidamente intimado das conclusões da fiscalização, o Recorrente quedouse inerte, retornando os autos para análise deste colegiado. É o relatório. Voto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Os pressupostos de admissibilidade do presente Recurso Voluntário já foram analisados, quando da determinação pela realização de diligência pela instância originária.. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul, sob o argumento de que “o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) referente ao 3° trimestre de 2003, às fls. 21 a 23, informa apuração de crédito de Pis no mercado interno e não no externo (exportação). Assim, tais créditos não preenchem os requisitos previstos no inciso II do § 1° . do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, sendo a sua utilização permitida somente como dedução do valor de Pis a recolher.” (fl. 24). Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou o DACON, segregando as receitas do mercado interno e do mercado externo, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul. Tal fato ensejou na decisão que determinou a remessa dos autos à instância de origem, para que fosse analisado o direito creditório do Recorrente. Contudo, nos termos da Informação Fiscal acostada aos autos, cujas conclusões adoto neste voto, constatouse que os créditos apurados pelo Recorrente não foram suficientes para liquidar a totalidade dos débitos por ele também indicados no pedido de compensação. Por outro lado, intimado das conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou, nem trouxe novos elementos que pudessem rebater a detalhada apuração feita pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul. Desta forma, sem maiores delongas, voto no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal, devendo ser cobrada, pela fiscalização, a diferença dos débitos não liquidados através do pedido de compensação, com os devidos acréscimos legais. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11831.002650/2001-12
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
IRPF - PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS - AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4°, ALÍNEA "d" DO DECRETO-LEI 1510/76 - DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7713/88)
Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do Decreto-Lei 1.510/76, subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou-a, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fez sustentação oral a Dra. Daniela Bordalo Gota, OAB nº 314.210.
(Assinado digitalmente).
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fez sustentação oral a Dra. Daniela Bordalo Gota, OAB nº 314.210. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 26 50 /2 00 1- 12 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente). Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11831.002650/200112 Acórdão n.º 2202002.468 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, HENRIQUE KRACOCHANSKY, os autos têm inicio com o pedido de restituição de fls. 01/05, no valor total de R$ 1.224.624,56, referente a imposto de renda pago na alienação de participação societária, cujos pagamentos ocorreram em setembro e dezembro de 2000 e agosto de 2001. O interessado informa que desde o ano de 1969 era detentor de ações do capital da empresa Zorba Têxtil S/A, CNPJ 60.393.824/000109. Em contrato de compra e venda de 12/06/2000, alienou a sua participação na aludida pessoa jurídica, auferindo ganho de capital. Em razão do ganho de capital, recolheu aos cofres públicos os valores de R$ 1.049.635,84; R$ 105.483,54 e R$ 69.505,18, nas datas de 29/09/2000, 22/12/2000 e 23/08/2001, respectivamente, conforme cópias do DARFs de fls. 146/148. 0 requerente entende que "pelo motivo de que foi adquirida anteriormente ao prazo de 5 anos a contar da vigência da Lei 7713/88 e que, portanto, o requerente tinha o direito da não incidência do imposto, conferido pelo Decretolei 1510/76, art. 4°, `d"'. Sua solicitação foi, preliminarmente, examinada e indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em Sao Paulo (SP), em Despacho Decisório n° 783/04, de fls. 235/238. Cientificado dessa decisão na data de 04/10/2004, conforme Aviso de Recebimento — AR, à 11. 239verso, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade de fls. 240/256, onde explana os seguintes pontos: a) apresenta os mesmos argumentos do pedido; b) era detentor da participação acionária alienada desde 1969, sendo evidente que já havia cumprido antes da mudança da regra pela Lei n° 7.713, de 1988, a condição para que o IRPF não incidisse sobre o ganho de capital na venda de suas quotas; c) portanto, se cumprida a condição dos 5 anos, tinha o direito adquirido de não recolher o imposto na ocasião da venda de sua participação na empresa, porém recolheu indevidamente; d) faz relato sobre o direito adquirido, trazendo citações doutrinárias. A DRJ ao apreciar as razões do impugnante, indeferiu a solicitação nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Fl. 672DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Exercício: 2000, 2001 ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO GANHO DE CAPITAL. Decretolei n° 1.510, de 1976. Lei superveniente pode revogar a outorga de isenção, para fatos meramente com expectativa de direito, sem a efetiva ocorrência do fato gerador, para incidência do tributo. GANHO DE. CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETARIAS. Há incidência de imposto de renda sobre ganhos de capital apurados na alienação de participações societárias ocorridas após 01/01/1989. Solicitação Indeferida Insatisfeito o interessado, interpõe recurso voluntário reiterando as razões da impugnação, particularmente aquela relativa ao direito adquirido a isenção prevista no Decreto Lei No. 1.510, de 1976. É o relatório. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11831.002650/200112 Acórdão n.º 2202002.468 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Do Direito Adquirido A tese principal defendida pelo suplicante gira em torno do fato que entende que a apuração do ganho de capital e o conseqüente recolhimento do imposto são indevidos, porque as ações alienadas escapam do pagamento do imposto sobre o ganho de capital, na forma do artigo 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por haver direito adquirido, materializado pela aquisição das ações há mais de cinco anos, completados na vigência do referido DecretoLei e que tal direito não pode ser atingido pela revogação ultimada pela Lei nº 7.713, de 1988. Não tenho dúvidas, que a nãoincidência de imposto nas alienações de quaisquer participações societárias, após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, previsto no artigo 4°, letra “d” do Decretolei n° 1.510/76 foi literalmente revogada pelo artigo 58 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, entretanto, a discussão, neste processo, se prende ao direito adquirido em matéria tributária. A regra insculpida no artigo 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976 estabelecia isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações se a alienação ocorrer após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. A isenção sobre o ganho de capital na alienação das participações societárias havidas há mais de cinco anos foi eliminada com a revogação expressa do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976 ultimada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988. Assim, nas alienações efetuadas a partir do anocalendário de 1989, o entendimento da Administração Tributária é que o ganho de capital deve ser tributado independentemente da data de aquisição das referidas participações societárias. Entretanto, tanto a jurisprudência administrativa como a judicial entende de modo contrário. Ou seja, que em 31/12/88 a condição para incidência da norma de isenção já estava consumada pela propriedade das quotas ou ações pelo prazo ininterrupto de 5(cinco) anos e que a revogação do Decretolei nº 1.510, de 1976 ultimada pela Lei nº 7.713, de 1988 não pode afastar a isenção já cristalizada, pois a condição para a sua existência foi cumprida antes da revogação do dispositivo que a instituiu. Vale dizer, que reconhecem o direito adquirido em matéria tributária. Extraio alguns julgados que prontamente ilustram essa premissa: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 “GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO A tributação sobre ganhos de capital prevista na Lei nº 7.713, art. 3º, par. 3º não alcança as situações já definidas na vigência do Decreto Lei nº 1.510/76, art. 4º, letra “d”, sob pena de afronta ao Direito Adquirido.” (1º CC Quarta Câmara Acórdão 10416.545, de 19 de agosto de 1998). “IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento de imposto sobre o ganho de capital, na forma do art. 4º, letra d, do DL. 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713/88.” (1º CC Sexta Câmara Acórdão 10611.429, Sessão de 15 de agosto de 2000 D.O.U. 07/02/2001). “ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA “d” DO DECRETOLEI 1.510/76 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88). Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4º, “d”, do Decreto Lei 1.510/76, subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma Acórdão CSRF/01 03.266 em 20/03/2001 Publicado no D.O.U em 02/10/2001). “RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONCEDIDA PELO DECRETOLEI Nº 1.510/76, REVOGADA PELA LEI Nº 7.713/88. HIPÓTESE DE ISENÇÃO ONEROSA CUJA CONDIÇÃO FOI IMPLEMENTADA ANTES DO ADVENTO DA LEI REVOGADORA. ARTIGO 178 DO CTN. SUMULA 544/STF. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Cingese a controvérsia acerca do reconhecimento de direito adquirido sobre isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei nº 1.510/76 e revogada pela Lei nº 7.713/88, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em 1991, após a revogação. Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Incidência do enunciado da Súmula 544/STF. Reconhecida a isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de ações societárias e a necessidade de se anular o lançamento fiscal, resta Fl. 675DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11831.002650/200112 Acórdão n.º 2202002.468 S2C2T2 Fl. 5 7 prejudicada analise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados.” (Superior Tribunal de Justiça Segunda Turma Acórdão 2005/00209145 RESP 723508/RS, Sessão de 15 de março de 2005) Acompanho o entendimento firmado, neste Tribunal Administrativo, no sentido de que não se pode negar, que na hipótese dos autos está inserida no conceito de isenção onerosa ou condicionada, a ensejar a aplicação da regra contida no artigo 178 do CTN, uma vez que o DecretoLei concedeu a isenção do Imposto de Renda se o contribuinte cumprisse um determinado requisito, que era o de não transferir as suas ações pelo prazo de cinco anos contados da sua aquisição ou subscrição. Assim, implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 676DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10240.000411/00-63
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescritos até maio/1990 os créditos pleiteados.
OTACÍLIO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 14/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescritos até maio/1990 os créditos pleiteados. OTACÍLIO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 14/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescritos até maio/1990 os créditos pleiteados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 04 11 /0 0- 63 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 OTACÍLIO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 14/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional cujo pedido é: DO PEDIDO Face ao exposto, requer a UNIÃO (Fazenda Nacional) que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por ofensa aos artigos 165, inciso I e 168, inciso I e 156, inciso I, todos do Código Tributário Nacional, bem assim aos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n.° 118/2005 e à disposição do Ato Declaratório SRF n.° 96/99, restabelecendose o prazo de cinco anos de restituição e/ou compensação para o PIS a partir do pagamento antecipado Ele se insurge contra decisão da antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que considerara como marco inicial para contagem do prazo prescricional do direito à restituição de PIS recolhido com base nos inconstitucionais decretosleis 2445 e 2449 a data da Resolução do Senado Federal nº 49/95. Com isso, validara postulação aviada administrativamente em 08 de maio de 2000 que englobava recolhimentos ocorridos entre outubro de 1988 e maio de 1995, que a Fazenda pretende, agora, ver expurgados. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi apresentado por “contrariedade à lei” e aponta os artigos 165 do Código Tributário Nacional e 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 como violados, tecendo considerações para demonstrálo. Atende, pois, aos requisitos regimentais para que seja admitido. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10240.000411/0063 Acórdão n.º 9303002.608 CSRFT3 Fl. 5 3 Mas a ele somente cabe dar parcial provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, entre outros, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. No presente caso, o pedido foi formalizado em 08 de maio de 2000, anteriormente, pois, à edição daquela lei. Deve, portanto, ser contado o prazo inicial de cinco anos a partir de cada fato gerador e mais cinco até a postulação. Destarte, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1990 ainda não se dera a prescrição quando ingressado o pedido. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao apelo da Fazenda Nacional para considerar prescritos os recolhimentos que tenham por fatos geradores os meses ocorridos até maio de 1990 inclusive. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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