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Numero do processo: 13864.000227/2008-01
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ALIMENTAÇÃO SEM PAT - - FORNECIMENTO IN NATURA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. - SEGURADOS EMPREGADOS - PARECER PGFN N. 03/2011.
No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas c e fdo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 e lei 7418/85`
Nos termos do parecer n. 03/2011 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ALIMENTAÇÃO SEM PAT - - FORNECIMENTO IN NATURA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. - SEGURADOS EMPREGADOS - PARECER PGFN N. 03/2011. No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas c e fdo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 e lei 7418/85` Nos termos do parecer n. 03/2011 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido.
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SEGURADOS EMPREGADOS PARECER PGFN N. 03/2011. No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” e “f”do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: “c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 e lei 7418/85` Nos termos do parecer n. 03/2011 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 27 /2 00 8- 01 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13864.000227/200801 Acórdão n.º 2401002.870 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.096.4080, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados no período de 01/2004 a 12/2004. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2004 a 06/2006, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documentos contábeis e folhas de pagamentos dos estabelecimentos 000682, 000844 e 0022 00, bem como folhas de pagamentos, e outros documentos apresentados durante o procedimento fiscal tendo em vista tratarse de procedimento seletivo. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 62 Constatouse no período fiscalizado que a empresa forneceu alimentação a seus empregados por mera liberalidade, sem o cadastro junto ao Programa de Alimentação ao Trabalhador — _PAT, considerando, portanto como salário in natura, incidentes de contribuição previdenciária conforme Lei 6.321 de 14/0411976 e Lei 8.212/91, art. 28, Inciso I e § 9°., "c"; 2.2.1. A empresa não contabilizou em títulos próprios os valores relativos a alimentação fornecida aos trabalhadores. Lavrouse o Auto de Infração n. 37.096.4128, com fundamentação legal no inciso II do artigo 32 da Lei n° 8.212, de 1991. 2.2.2. Conforme Instrução, Normativa n. 03 em seu. art. 758, § 1°.; Inciso II: 'não havendo como identificar os valores reais das utilidades ou alimentos fornecidos, o valor do salário utilidade/alimentação será indiretamente aferido em vinte por cento da remuneração paga ao trabalhador, excluído desta o décimoterceiro salário". Atendendo o que determina o § 2° deste mesmo artigo, deduzimos os valores descontados dos empregados a título de alimentação. .Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/07/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 01/08/2008. Para efetuar estes lançamentos de fatos geradores de contribuição' previdenciária criouse o seguinte levantamento: ALM — ALIMENTAÇÃO SEM CONVÊNIO COM O PAT 2.2.4. Considerando que cada estabelecimento da empresa possui procedimentos na área de recursos humanos e contábeis independentes constatamos o fornecimento de alimentação: 2.2.4.1. No estabelecimento 60.194.990/000259: aferiuse o salário alimentação a todos os empregados, tendo em vista que não nos foi apresentado nenhum controle das refeições fornecidas aos empregados. Os valores individualizados estão demonstrados através do anexo II. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 2.2.4.2. No estabelecimento 60.194.990/000682: afériuse o salário alimentação, identificando os empregados que tiveram o fornecimento de alimentação através das folhas de pagamento, demonstrado em anexo V.. Neste período houve uma dedução simbólica de R$ 1,72 (hum real e setenta e dois centavos) por refeição fornecida. 2.2.4.3. No estabelecimento 60.194.990/000763: aferiuse o salário alimentação, identificando os empregados que tiveram o fornecimento de alimentação através das folhas de pagamento, demonstrado em anexo VII. 2.2.4.4. No estabelecimento 60.194.990/000844: constatamos na folha de pagamento sintética o desconto da participação de empregados nas refeições fornecidas, porém na folha analítica não conseguimos identificar qual o trabalhador que teve fornecimento de alimentação ( inclusa na rubrica outros descontos). Isto posto consideramos que todos os trabalhadores tiveram o fornecimento de alimentação, deduzindo a participação identificada em folha sintética, conforme anexo IX; 2.2.4.5. No estabelecimento 60.194.990/001140: apurouse através dos livros contábeis apresentados (Diário e Razão) na conta 60.0407 o fornecimento de alimentação aos empregados, conforme demonstramos em planilha, anexo XIV; 2.2.4.6. No estabelecimento 60.194.990/002200: aferiuse o salário alimentação, identificando os empregados que tiveram o fornecimento de alimentação através das folhas de pagamento, demonstrado em anexo IV. 2.2.5. Constatouse também o fornecimento de Cestas Básicas nos estabelecimentos 60.194.990/001301 e 60.194.990/001573, apurados em sua contabilidade através de livros diário e razão no período de 01/2004 a 1212004, identificado pelo levantamento: CB CESTA BASICA SEM CONVÊNIO PAT; Os valores apurados estão devidamente identificados em planilhas, anexo XVI e XIX. 3. As remunerações constantes deste AI não foram declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, não fazendo a empresa jus a redução de multa de 50% (cinqüenta por cento); Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 325 a 347. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 425 a 429. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT CESTABÁSICA ALIMENTAÇÃO SALÁRIO INNATURA INCIDÊNCIA – Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13864.000227/200801 Acórdão n.º 2401002.870 S2C4T1 Fl. 4 5 Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76. As cestas básicas fornecidas como prêmio devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias pois o procedimento está em desacordo com o citado programa, caracterizando o beneficio como um ganho habitual por força do contrato nos termos do que dispõe o inciso I, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Não individualizados os custos totais dos alimentos fornecidos, estes serão aferidos em vinte por cento da remuneração paga. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 438 a 461. Em síntese traz o recorrente os mesmos argumentos apresentados na impugnação. 1. Destaca a recorrente ser uma organização religiosa sem fins • lucrativos com o intuito de praticar todos os atos de caridade em favor dos enfermos, crianças e idosos, pobres e necessitados atuando em creches e pensionatos. 2. Ocorreu vício formal na elaboração do AI, uma vez que a fiscalização não identifica qual a conta contábil que a empresa deixou de especificar na sua contabilidade e que deveria ser utilizada para escrituração da alimentação in natura ou ainda não detalha se houve a contabilização desses fatos em contas não apropriadas ou se contabilizou erroneamente. 3. Do Mérito — 4. Ao contrário do afirmado no relatório fiscal em anexo, a Impugnante lançou sim, em seus livros contábeis todas as despesas com alimentação, quer de empregados, quer de pacientes e acompanhantes, quer de idosas em seu pensionato, conforme determina a legislação vigente, bem como a Norma Brasileira de Contabilidade, tanto é verdade que no período em questão seus livros contáveis foram auditados e aprovados pelas autoridades competentes. 5. Nesse sentido, a folha de pagamento, é documento hábil a comprovar os fatos geradores de todas as contribuições e as quantias descontadas, não necessitando, a toda evidencia, que tais dados sejam lançados novamente de forma discriminada em títulos próprios de contabilidade. 6. Que o lançamento decorreu do confronto entre os registros contábeis — Livro Diário e Razão — e as folhas de pagamento, portanto a autoridade fiscal presumiu "que as afiliadas do Impugnante forneceram alimentação aos seus empregados por mera liberalidade sem cadastro no PA ". 7. Nesse sentido, a folha de pagamento, é documento hábil a comprovar os fatos geradores de todas as contribuições e as quantias descontadas, não necessitando, a toda evidencia, que tais dados sejam lançados novamente de forma discriminada em títulos próprios de contabilidade. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 8. Tal raciocínio é equivocado, outros documentos auxiliares deveriam ter sido utilizados pela fiscalização na verificação das despesas com alimentação registradas nos livros contábeis para se obter a confirmação de que o fornecimento de alimentos era exclusivamente para empregados, para tanto elabora Laudo Técnico Contábil de onde passa a extrair considerações no sentido de confirmar os seguintes argumentos. 9. Em verdade , a alimentação fornecida era regularmente descontada em folha de pagamento, ou seja, os empregados sempre pagaram pela alimentação fornecida, razão pela qual, não havia motivo para o lançamento pretendido pelos Auditores Fiscais. 10. De qualquer forma, o fornecimento de alimentação aos empregados, pelo próprio empregador não tem natureza salarial, razão mais uma vez pra no não lançamento discriminado para forma pretendida pelos Auditores Fiscais. 11. Que o ato administrativo foi praticado por presunção sem se levar em consideração, os documentos oficiais e contábeis do Impugnante, fato indispensável na forma da Lei; 12. Que parte dos documentos utilizados para a elaboração do Laudo Técnico está disponível nas dependências da empresa como também são entregues anualmente na Unidade da Previdência Social de São Jose dos Campos, de onde se depreende o total dos pacientes e idosos atendidos pela entidade; 13. Que a Norma Brasileira de contabilidade não determina ao Impugnante que estabeleça conta contábil discriminada, tanto é assim que para o período em questão foram suas contas inspecionadas e aprovadas pelos órgãos competentes; 14. Portanto, resta absolutamente comprovado o equívoco cometido pelos I. Auditores Fiscais, na medida em que, não levaram em consideração que as Afiliadas do Impugnante, conforme w CNPJ acima, possuem dentro de suas atividades hospitalares e asiliares, implícito o fornecimento de alimentação aos usuários destes serviços, indiscutivelmente! 15. Que é ilegal a apuração sobre a folha de salários sob o argumento de que foi impossível identificar quais os segurados que tiveram o fornecimento de alimentação por encontraremse os descontos identificados na rubrica "outros", referente ao CNPJ 60.194.990/000844, uma vez que a averiguação desses elementos poderia ter se dado em outros documentos da notificada; tais como, cartão ponto ou ficha de registro de empregado; 16. Que o Impugnante possui documentos oficiais que comprovam a quantidade de empregados e suas respectivas jornadas de trabalho. Que não se pode dar interpretação extensiva à norma posto que a mesma não contempla a possibilidade de se efetuar o cálculo sobre o total da folha de pagamento mas sim sobre o salário de cada empregado beneficiado identificado pelo nome , o que é bem diferente do que foi efetuado e demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação. 17. Assim é que, a título exemplificativo, os I. Auditores Fiscais calcularam o salário alimentação do empregado Waldemar Soares Silva (Anexo VII pág. 06) no importe total de R$ 612,24 para o mês de janeiro de 2004, enquanto o valor apurado nos documentos oficiais do empregador, efetuado pelo Sr. Auditor Contábil, para o mesmo período importou em R$ 15,18, ou seja, nada mais nada menos do que 40 (quarenta) vezes mais do que devido. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13864.000227/200801 Acórdão n.º 2401002.870 S2C4T1 Fl. 5 7 18. Portanto, impossível do ponto de vista legal, um simples empregado, consumir recursos da ordem de R$ 612,24, por mês para alimentação. 19. Mas, conforme faz prova o incluso laudo técnico, realizado num curto espaço de tempo, apurouse com precisão os dias efetivamente trabalhados, os valores despendidos com a alimentação dos empregados, e, portanto, padece do vício insanável de nulidade o ato administrativo praticado, por não se revestir das formalidades legais, pelas seguintes razões: 20. A um, , o ato administrativo foi praticado por presunção, sem se . levar em consideração, os documentos oficiais e contábeis do Impugnante, fato indispensável nos termos da lei; 21. De outro lado, absolutamente ilegal o anexo IX, referente à Afiliada CNPJ n o . 60.194.990/000844, uma vez que, apurado sobre o total da folha de pagamento, sob a alegação de que não foi possível identificar quais os empregados que teve fornecimento de alimentação, por encontrarse os descontos identificados na rubrica "outros". 22. Já com relação às Cestas Básicas fornecidas pelas Afiliadas CNPJ n° 60.194.990/0013 01 e 60.194.990/001573, nem ao menos atende ao requisito da lei, para ser considerada salário. 23. Isto porque, referidas cestas básicas, eram fornecidas aos empregados como um "premio" por merecimento, em decorrência de seu cumprimento regular do contrato de trabalho durante o mês. 24. Diante disso, criouse o referido "premio" para os empregados que cumprisse regularmente o seu contrato de trabalho, especialmente, por não faltar ou chegar atrasado ao trabalho. 25. Com relação às cestas básicas fornecida pela afiliada 001140, nem ao menos atende o requisito da lei para ser considerada salário. As mesmas eram fornecidas aos empregados como um `prêmio" por merecimento em decorrência de seu cumprimento regular do contrato de trabalho durante o mês, pois naquela cidade do litoral paulista (Caraguatatuba/SP), não existe mão de obra qualificada pra trabalhar em estabelecimento hospitalar, é característica do caiçara faltar regularmente ao trabalho. Diante disso, criou se o referido 'prêmio " para os empregados que cumprisse regularmente o seu contrato de trabalho especialmente por não faltar ou chegar atrasado ao trabalho" Nesse sentido as cestas básicas não eram fornecidas a todos os seus empregados ocasionando incerteza e a não habitualidade. Que a lei não contempla a possibilidade do cálculo ser efetuado sobre o total de cestas básicas fornecidas a título de "prêmio', mas sim sobre o salário de cada empregado beneficiado identificado pelo nome sendo nulo o procedimento adotado pela fiscalização; 26. Diante do que foi dito em especial pelas provas trazidas pelo Laudo Técnico e documentos encartados aos autos requer a nulidade do Relatório Fiscal, a nulidade da autuação bem como os anexos I, II, III, IV e V e Cestas Básicas "ante a inexistência de fornecimento de alimentação aos empregados, por mera liberalidade sem cadastro junto ao PA T, bem como, porque referido relatório fiscal e seus anexos foram apurados em total desconformidade com a lei, em especial a apuração de 20% sobre os salários de empregados, quando existente nas Afiliadas da Impugnante documentos oficiais para a apuração justa de referidos valores e ainda, o cálculo do anexo III e relatório de cestas Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 básicas, elaboradas sem amparo legal, pois, não existe na referida lei a possibilidade do cálculo ser elaborado a partir do total da folha de pagamento e sobre o total de cestas básicas fornecidas e também sem a identificação dos empregados beneficiados pelo alegado fornecimento de alimentação. " 27. Termina o recurso solicitando a conversão do julgamento em diligência, para determinar aos auditores fiscais a retificação das apurações levandose em consideração o valor médio das refeições multiplicandose pelo número de dias efetivamente trabalhados de cada empregado. Apela ainda para a justiça social colacionando jurisprudência que comprova o entendimento dos tribunais no sentido de considerar isenta a alimentação fornecida in natura. Assim, sobre qualquer aspecto não há como fazer prosperar o lançamento. 28. Por todo exposto requer a Vossa Senhoria sejam acolhidas a preliminar argüida, e como conseqüência anulado o presente auto de infração. 29. Outrossim caso não seja_esse entendimento que_ seja reconhecido a insubsistência do auto de infração, determinando o seu arquivamento, tendo em vista, que o Impugnante nunca forneceu a alimentação aos seus empregados, sem os descontos necessários para cobrir seus custos, conforme comprovado pelo laudo técnico anexo, pela ilegalidade da apuração verificada em excesso nos anexos II, V, VII, IX, XIV, XVI, XIX e XXII, especialmente, quando calculados sobre folha de pagamento e cestas básicas, sem qualquer amparo legal, caracterizandose, indiscutivelmente, enriquecimento ilícito e ainda, que as cestas básicas e alimentação foram fornecidas como premio aos empregados de forma incerta e não habitual, conforme comprova o incluso laudo técnico, bem como, que eventual fornecimento de alimentação não constitui natureza salarial, conforme reiteradas decisões de nossos tribunais. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13864.000227/200801 Acórdão n.º 2401002.870 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado a fl. 264. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, enquanto a empresa não efetuar a apresentação do documento hábil, ao qual se refere o decreto encimado, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Porém após a apreciação do fato gerador do lançamento, passaríamos a apreciar os argumentos quanto a base de cálculo apurada, já que o recorrente argumenta que o auditor apurou valores infinitamente superiores aos verdadeiramente recebidos pelos empregados, considerando o número de dias trabalhados, o tipo de jornada de trabalho e o valor médio das refeições. Ademais, também esclarece que nas contas contábeis foram contabilizados valores de alimentação fornecidos aos atendidos pela instituição. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto desse lançamento, ou seja é “in natura”. Tanto no relatório fiscal, como no julgamento de primeira instância e nos argumentos recursais, observamos que a empresa fornece, ou alimentação in natura, ou em alguns estabelecimentos cestas básicas. Quanto a este ponto argumentou o recorrente que há isenção previdenciária para referida verba prevista na alínea "c" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91; além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ pacificou o entendimento de que quando a própria alimentação é fornecida in natura pela empresa, não sofre incidência de contribuição previdenciária, esteja ou não o empregador inscrito no PAT. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrase em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13864.000227/200801 Acórdão n.º 2401002.870 S2C4T1 Fl. 7 11 da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito? ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Face o exposto, considerando tratarse de fornecimento de alimentação in natura, seja na modalidade de cestas básicas em determinados estabelecimentos ou mesmo de fornecimento de alimentação nos demais, entendo aplicável o dito parecer, o que torna inócua a análise dos demais pontos que seriam apreciados a seguir, já que todo o levantamento engloba a mesma verba. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001497/99-06
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995
NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidadc das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário.
NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas As contribuições sociais, extingue-se no prazo de cinco anos, contados do fato gerador.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1°c 4º , do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: CSRF/02-02.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer a exigência dos fatos geradores a partir de dezembro de 1995. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Maria
Teresa Martinez López, Dalton César Cordeiro de Miranda, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que negavam
provimento e os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto, Elias Sampaio Freire, Misael Lima Barreto e Julio Cesar Vieira Gomes que davam provimento integral ao
recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidadc das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas As contribuições sociais, extingue-se no prazo de cinco anos, contados do fato gerador. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1°c 4º , do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
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Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 2000
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - PERC — REGULARIDADE FISCAL.
MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. O requerimento de beneficio ou
incentivo deve ser o marco temporal para que se verifique se o contribuinte
está ou no em dia com suas obrigações tributárias, conforme exigido pelo
art. 60 da Lei n° 9.069/95.
Numero da decisão: 1802-000.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora) e Jose de Oliveira
Ferraz Conta que negam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida.
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-24T13:28:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-24T13:28:07Z; Last-Modified: 2011-08-24T13:28:08Z; dcterms:modified: 2011-08-24T13:28:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4d3ceb3a-72e0-4168-b91d-99fa234bb148; Last-Save-Date: 2011-08-24T13:28:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-24T13:28:08Z; meta:save-date: 2011-08-24T13:28:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-24T13:28:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-24T13:28:07Z; created: 2011-08-24T13:28:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-08-24T13:28:07Z; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-24T13:28:07Z | Conteúdo => SI-TE02 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10380,011877/2003 41 Recurso n° 152.364 Voluntário Acórdilo n° 1802-00.177 — 2 Turma Especial Sessão de 26 de agosto de 2009 Matéria IRPJ Recorrente JUA AGROPECUARIA LTDA (ESPERANÇA AGROPECUARIA E INDUSTRIA LTDA - Incorporadora) Recorrida 3a.Tunna/DRJ/Fortaleza/CE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2000 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. O requerimento de beneficio ou incentivo deve ser o marco temporal para que se verifique se o contribuinte está ou no em dia com suas obrigações tributárias, conforme exigido pelo art. 60 da Lei n° 9.069/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Relatora) e Jose de Oliveira Ferraz Conta que negam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. ques Ems de So - Presidente e Re.a 'ra. r C") Leonardo Lobo de Almeida- ---Redator designado. EDITADO EM: 7 8 N 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Leonardo Lobo de Almeida, João Francisco Bianco, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa. 7--;\ Relatório Por economia processual e bem sintetizar a lide, adoto o Relatório da decis5o recorrida da 3 a:Turtna/DRJ-Forta1eza/CE (fls,99/101) que abaixo transcrevo: 'Em nome da interessada foi emitido o Extrato das Aplica ções em Incentivos Fiscais - IRP.I/2001, fls. 18, alterando o valor aplicado a titulo de incentivo, em face das seguintes ocorrências.' N"-Descrição 11- Contribuinte com débitos de tributos e con!, ibuições federais e/ou com irregularidades cadastrais (Lei n°9. 069/95, art. 60). 16- Sem efeito a opção em DIRI entregue após 02/0,5/2001 dif de art. 9" da Lei n°8167/91. 2. Em 25/11/2003, a empresa ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, fls. 01, dirigido a Delegacia da Receita Federal en: Fortaleza/CE. 3.0 pleito foi indeferido pela Informa ção Fiscal/Despacho Decisório, fls. 69/72, sob os seguintes fundamentos: a) o peticionante apresenta pendências junto (fls. 62/64) e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme relatório CADIN do sistema SISBACEN EMFRSR de fls. 66; b) a data limite para as pessoas juridicas não enquadradas nas condições previstas no art 9" da Lei n" 8.167/91, usufruir do aludido beneficio .fiscal finalizou em 02.05.2001, en quanto sua DIPJ/2001 foi entregue somente em 29.06.2001. Não houve recolhimento do incentivo através de DARF, fls. 67/68. 4.Inconformado com a decisão, da qual tomou ciência em 14/03/2005, fls. 73, ingressou o contribuinte com manifesta çâo de inconformidade em 1310412005, fls. 74/79, insurgindo-se contra o indeferimento do pedido, com base nos argumentos, a seguir, sintetizados. "(.„) INSUBSISTÊNCIA DO INDEFERIMENTO Verifica-se que de acordo com a Informação Fiscal prestada, o contribuinte estava corn débitos exigíveis de tributos e contribuições federais perante à SRF e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, no ato da consulta realizada. Contudo, as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese ser tidas como de .forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal para o contribuinte. Decorre que o sistema de consulta da situação fiscal do contribuinte junto ti POW, não traduz a real situação fiscal do contribuinte, em razão da inconstância das informações e em 2 Processo n° 10380 011877/2003-11 SI-TE02 Fl Accirdtlo n " 1802-00.177 muita das vezes as indicações de débitos constantes das pesquisas são frutos da alocação indevida de pagamentos realizados pelo contribuinte que são plenamente satisfeitas apenas com a apresentação do referido comprovante de pagamento. Adentais, é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manter-se com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos. Tudo porque a grande quantidade de informações prestadas nas declarações acarreta uma série de equívocos que acabam por gerar a existência de falsos débitos que seguem imediatamente para a Divida Ativa da União sem possibilidade de defesa prévia, Acrescente-se, ainda, a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências junto aquele órgão. As diferenças entre pesquisas de situação fiscal do contribuinte realizada em dias distintos são consideráveis. Tais fatos inviabilizam o trabalho do contribuinte que não tem como permanecer diuturnamente em busca de pesquisas e demonstrando pagamentos perante a Secretaria de Receita Federal que, tampouco, disponibiliza uma estrutura capaz de atender diariamente todos os contribuinte.s do Estado. Desta feita, para o contribuinte manter-se com sua regularidade perante a PGFN, o único documento capaz de satisfazer tal exigencia é a Certidão Negativa de Débitos (seja nos termos do art, 205 ou 206 do Código Tributário Nacional), documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal do contribuinte durante o período em que esta é valida. No caso da ora lmpugnante a certidão Negativa de Débitos na época do despacho decisório exarado em 10/03/2005, estavam em processo de regularização das pendencias apontadas pelo Fisco, motivo pelo qual o contribuinte deveria ser intimado para comprovar em prazo razoável a sua regularidade fiscal através da juntada da respectiva certidão comprobatória. Desta forma, é inconcebível o indeferimento do PERC inutilizando os incentivos .fiscais, sem que seja dado ao contribuinte chance de regularizar sua situação .fiscal, seja através de simples intimação para que comprove sua regularidade fiscal ou mediante a juntada de sua Certidão Negativa de Débitos. Não há coerência nesse procedimento, uma vez que o contribuinte que detém sua CND e a renova constantemente, terá sempre o seu pedido indeferido por conta de supostas exigências que certamente no ato da renovação da CND serão documentahneizte refutadas. Ocorre que a negativa do beneficio fiscal foi fimdamentada no .s único do art, 614 da Lei N" 9.069/1995 3 "Art. 614 omissis § rink° A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal .fica condicionada er comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Assim, o simples apontamento de pendências em sistemas informatizados, que não possuem o senso humano para analisar as especificidades de cada caso, não podem, nem devem configurar necessariamente o não pagamento de tributos ou contribuições federais. Quanto as alterações trazidas pelas Medidas Provisórias n" 2.145, de 02/05/2001, 2156-5, de 24/08/2001 e 2.199, de 24/08/2001, que revogou de forma expresso a legislação que disciplina o gozo dos incentivos fiscais, verifica-se que tal revogação não alcança os beneficios aqui tratados Com efeito, tem-se que os incentivos fiscais ora buscados, estão vinculados à regra descrita no art 32, inciso XVIII da Medida Provisória n° 2.156-5/2001, que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos, in verbis: "Art. 32. Ficam revogados: ( XVIII o art. 18 da Lei n" 4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9' da Lei n°8167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogranias aprovados." (grifos nossos)" Finalmente a Impugnante pede a improcedência do despacho decisório impugnado. 0 contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância prolatada mediante o Acórdão e 7A29, de 24/11/2005, corn postagem em 12/01/06, conforme extrato, fls.106, sem retorno do Aviso de Recebimento (AR) por parte dos Correios, consoante despacho fls.131, tendo a empresa ESPERANÇA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIA LTDA (Incorporadora de JUÁ AGROPECUÁRIA LTDA), interposto recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes em 14.02.2006 (fls.107/11 As razões de inconformidade na peça recursal são as mesmas apontadas ern sua impugnação, constantes do Relatório acima transcrito (f104/79). Após o breve relato dos fatos apontados na mencionada impugnação, a Recorrente, ao final requer que se dê provimento ao recurso para reformar o Acórdão DRJ/FOR n° 7.129/2005 tornando improcedente o despacho decisório que indeferiu o PERC. o relatório. 4 Processo n° 10380.011877/2003-1 I S1-TE02 Acórdão n " 1802-00177 Fl 3 Voto Vencido Conselheira Relatora, Ester Marques Lins de Sousa 0 recurso é tempestivo, foi protocolizado em 14/02/2006, e preenche os requisitos de admissibilidade, nos termos do art.23, § 2', inciso II do Decreto n° 70.235172, dele conheço. Trata-se, como visto, de Recurso Voluntário interposto em face da decisão, que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de que o direito ao incentivo fiscal fora revogado em 02/05/2001, em função do fato de não ter exercido a opção ao beneficio fiscal em data anterior A. edição da norma extintiva do direito, e, que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal quando da análise da matéria. Registre-se que, o indeferimento do PERC se dá pelo descumprimento de duas condições exdudentes e cumulativas o que implica dizer que o descumprimento de uma delas já seria suficiente para o indeferimento do pedido. A primeira questão cinge-se à interpretação da legislação que rege a matéria e seus efeitos sob o aspecto temporal, portanto relacionada h. MP n° 2.145, de 02/05/2005 que revogou a norma autorizadora da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais. Em relação à primeira motivação para o indeferimento da solicitação, cumpre analisar o pleito relativo à apresentação de DIPS em 28/06/2001, f1.57, portanto, após 02/05/2001, a data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art, 9' da Lei n° 8.167/91, usufruirem do aludido beneficio fiscal que finalizou em 02.05.2001, enquanto sua DIPJ/2001 foi entregue somente em 28.06.2001. Isso porque não houve recolhimento do incentivo através de DARF, lis. 67/68, durante o ano calendário de 2000. A possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais tinha fundamento no art. I° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, a seguir transcrito: Art. 1" A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período-base de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido' I - no Fundo de Investimentos do Nordeste ('Fino?) ou no Fundo de Investimentos da Amazónia (Finam) (Decreto-Lei n" 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art, 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espirito Santo (Funres) (Decreto-Lei n" 1 376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V); ( .) 5 A referida norma foi revogado em 03/05/2001, pela Medida Provisória n" 2,145, 0 inciso XVIII do art. 50 da mencionada Medida Provisória n." 2.145, de 02 de maio de 2001, expressamente revogou o artigo 1", inciso I, da Lei n," 8,167, de 16 de janeiro de 1991, ressalvado, no inciso XX apenas o direito previsto no art. 9" da Lei 8.167, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, cumprindo todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados O direito à aplicação em incentivos fiscais encontra-se disposto nos arts. 592 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, cujos dispositivos seguem: "Art. 592. A pessoa jurídica tributada com base no .lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capitulo, em incentivos fiscais especificados nos arts.. 609, 611 e 613 ('Decreto-Lei n" 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1". Art 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a op cão pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declara cão de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no htcro real, apurado trimestralmente. (Lei n"9.532, de 1997, art,4, § .1" A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I - 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II - 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 ate dezembro de 2008; III - 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (...)". (grifos acrescidos) Com fulcro no citado artigo, o art. 609 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, Decreto n.° 1000, de 29 de março de 1999, de acordo com as leis especificas dispunha o que segue: Art. 609.A pessoa jurídica, mediante indicação em sua declaração de rendimentos, poderá optar pela aplicação de percentuais do imposto devido, na forma a seguir indicada, no FINOR, em projetos. considerados de interesse para o desenvolvimento econômico dessa região pela SUDENE, inclusive os relacionados com pesca, turismo, foi estamento e reflorestamento localizados nessa área (Decreto-Lei 112 1.376, de 1974, art. 11, inciso I, Decreto-Lei 11 2 1.478, de 26 de agosto de 1976, art. 11; Decreto-Lei n2 2.397, de 1987, art. 12, inciso 6 Processo n° 10380.011877/2003-11 S1-1E02 Fl. 4 Anima) n. 1802-00.177 Lei n2 8.167, de 1991, arts. 1 2, inciso I, e 23, e Lei n2 9.532, de 1997, art. 29; 1-trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II-vinte por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2004 até 31 de dezembro • de 2008; III-dez por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Parágrafo único Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo (Lei n2 9.5.32, de 1997, art. 22, §29 . Nesse sentido, oportuno citar o art. 40 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, matriz legal do art.601 do RIR199, que indicava as fonnas que dispunha a contribuinte para manifestar a opção pela aplicação em investimentos regionais, enquanto vigente o incentivo fiscal ora discutido, (negrito acrescido): Art. 4" As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado nzensahnente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § I" A opção, no curso do ano-calendário, sera manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I - 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; - 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008,- III - 6% para o F1NOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. § 2" No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao Ando pelo qual houver optado. 7 § 5" A opção manife.stada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. O art. 4° da Lei n°9 532/97, foi revogado pelo art.18 da Medida Provisória n°2,199-14, em 24/08/2001, na esteira da extingao do incentivo .fiscal em comento através da MP n°2.145-01 que, por isso, passou a pescindir de disciplinamento quanto à forma de opçâo pelo seu gozo, Observa-se no dispositivo citado que a opção da contribuinte poderia ser manifestada no curso do ano-calendário, por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF especifico, no qual deveria constar o código do respectivo fundo de investimento ou na declaração de rendimentos. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 69/71, restou claro na decisão de primeiro grau, item "8.3", fl.104, que não houve qualquer recolhimento relativamente ao incentivo fiscal no curso do ano-calendário de 2000, conforme relatório do sistema SINAL03 que menciona (fls. 67/68), dado não contestado pela Recorrente, Assim, restou ao Contribuinte, manifestar a sua opção na declaração de rendimentos a ser apresentada para o ano-calendário de 2000. Ocorre que, a possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais que tinha fundamento no art. 1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, foi revogada em 03/05/2001, pela Medida Provisória no 2.145-14. 0 inciso XVIII do art. 50 da Medida Provisória n.° 2.145, de 02 de maio de 2001, expressamente revogou o artigo 1°, inciso I, da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, ressalvando, no inciso XX, apenas o direito previsto no art. 90 da Lei 8.167, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, cumprindo todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Em resumo, até 02/05/2001, a aplicação de parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em investimentos regionais estava ao alcance de quaisquer pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. Contudo, a partir de 03/05/2001, a aplicação nos fundos de Investimentos Regionais passou a ser restrita as pessoas jurídicas de que trata o art. 9° da Lei n.° 8.167, de 1991, detentoras de pelo menos 51% do capital votante de sociedade titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até 02/05/2001 e enquadrados em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional.. A Recorrente entregou sua DIPJ/2001, referente ao ano-calendário 2000, em 28/06/2001 (fls.57). Apesar da tempestiva entrega da DIPJ/2001, a possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais que tinha fundamento no art. 1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, já não existia no ordenamento jurídico, por força da revogação disposta na MP no 2.145, de 03/05/2001. Há quem sustente que tal revogação não poderia surtir efeito para restringir a opção em comento em razão do principio da irretroatividade das leis tributárias ou ainda sob o fundamento do direito adquirido insculpido no art 50, inciso XXXVI da Constituição Federal de 1988 "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". No presente caso não há falar em direito adquirido, tendo em vista que antes da revogação da Lei, não havia o Contribuinte exercido a opção no curso do ano calendário. Teria o Contribuinte não um direito, mas, uma expectativa de direito a depender do exercício da opção que não fora consumada na vigência da lei. A manifestação do contribuinte (opção) após a revogação da lei restou fora de qualquer alcance legal. a Processo n° 10380.011877/2003-11 S1-TE02 Acôrd'ao n.° 1802-00.177 Fi 5 Também não seria o caso para se alegar o principio da irretroatividade (CF/88, art.150, Ill,"a"), pois não se trata de instituir ou aumentar tributo, apenas a revogação de um beneficio fiscal. De acordo com o art,178 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional (CTN), a lei que concede ou que autoriza a concessão de isenção é revogável a qualquer tempo, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições. A hipótese da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais prevista no art,1° da Lei ri." 8.167, de 16 de janeiro de 1991, não se coloca na ressalva legal do art.178, logo não há qualquer óbice à sua revogação imediata pela MP no 2.145/01. Diante de todo exposto, e considerando que a contribuinte não formalizou a opção por meio de recolhimentos mensais no ano calendário e entregou sua declaração após 02/05/2001, a Recorrente não detinha direito de destinar parcela do imposto devido para o F1NOR e, por conseqüência, são improcedentes suas alegações. Alega ainda a Recorrente, f1.111, que os incentivos fiscais em comento, "estão vinculados à regra descrita no art. 32, inciso XVIII da Medida Provisória n° 2.156- 5/2001 que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos" Vejamos o dispositivo da MP no 2.156-5/2001, invocado pelo interessado, verbis: Art. 32. Ficam revogados: XVIII o art. 18 da Lei n" 4239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9' da Lei n°8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o .final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogranias aprovados. (grifos nossos) Apesar de o Recorrente escorar-se na ressalva contida inciso XVIII do art. 32 da MP n° 2.156-5/2001, não comprova nos autos que atende aos requisitos estabelecidos, conforme acima delineado. Em relação h segunda motivação para o indeferimento da solicitação, passa- se a analisar a questão sob o ângulo da não regularidade da situação fiscal quando da analise do PERC. Segundo a Informação Fiscal/Despacho Decisório da DRF — Fortaleza, emitido em 25/02/2005, fls. 69/72, outro motivo do indeferimento do pleito do interessado, teve por base pendências junto h. SRF e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, conforme relatório cArgNi dos sistemas SISBACEN EMFSR, fls.64 e 66. O indeferimento do pedido, nesse aspecto, teve por fundamento legal o disposto no art. 195, § 3' da atual Constituição Federal e art. 60 da Lei n° 9.069/95, que dá amparo ao § único do art.614 do RIR/99, a seguir transcritos: 'I\ 9 Ester up—es Lin e Sou CF/88: "Art. 195., . § 3' - A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber beneficias ou incentivos fiscais ou crediticios " Lei n" 9.069/95 . "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal ,fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." 0 texto constitucional claramente impõe restrição à pessoa jurídica em receber beneficios ou incentivos fiscais quando em débito com o sistema da seguridade social. Semelhante restrição também faz a Lei no 9.069/95, para os casos de contribuinte com débito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A mencionada lei exige como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal que a pessoa fisica ou jurídica não esteja em débito com a Secretaria da Receita Federal. A condição portanto, é que o contribuinte dê quitação a esses tributos e contribuições e por conseqüência obtenha o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Como se disse, antes, o outro elemento móvel do indeferimento do PERC foi a pendência junto A. SRF e à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN. O contribuinte, alega, h f1.110, que o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), que, na época do despacho decisório estava em processo de regularização. No entanto, mesmo após o despacho decisório da DRF/FOR, f1s.69/72, cientificado ao interessado em 14/03/2005 (f1.73), até a data da interposição do recurso em 14/02/2006, não fora juntada ao processo qualquer documento que comprove a satisfação da exigência mediante a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), requisito indispensável par a a concessão do incentivo fiscal, conforme expressa determinação legal acima descrita, razão pela qual deve ser mantido o indeferimento do pleito também com base nesse segundo motivo trazido pela administração. Vale repisar que o indeferimento do PERC na presente análise se da pelo descumprimento de duas condições excludentes e cumulativas o que implica dizer que o descumprimento de uma das condições já seria suficiente para o indeferimento do pedido. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário em questão. 10 Processo n° 10380 011877/2003-11 S1-TE02 Acórdão n ° 1802-00.177 Fl. 6 Voto Vencedor Conselheiro Redator, Leonardo Lobo de Almeida Pedindo todas as vênias à ilustre Relatora, ouso discordar de seu entendimento. A meu ver, no caso ora em exame faz-se necessário, antes de qualquer outra coisa, saber em que momento o contribuinte deve comprovar sua regularidade perante o Fisco para ter aprovado o seu PERC. A questão é polemica e comporta interpretações distintas. Entretanto, em que pesem posicionamentos contrários, sou de opinião de que a inteligência do art. 60 da Lei n° 9.069/95 é no sentido de que o contribuinte deve estar regular por ocasião da solicitação do beneficio, devendo a Receita Federal verificar tal fato quando da análise do pedido. Caso, após a data de protocolo do pedido, surjam outros débitos, estes não têm qualquer influência na apuração da situação de regularidade do interessado, não devendo ser objeto de exame por parte do Fisco, Eis o exato teor do aludido dispositivo, que serviu de fundamento para o indeferimento do requerimento do recorrente: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fi ca condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa lisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições ,federais. Note-se que o legislador, para a concessão de benefícios ou incentivos, somente exigiu que o interessado comprovasse a inexistência de débitos fiscais ern aberto, sem, contudo, identificar quando tal comprovação deveria se dar„ Analisando-se a norma em comento, a melhor hermenêutica leva, inexoravelmente, a conclusão anterionnente exposta, no sentido de que o requerimento de beneficio ou incentivo deve ser o marco temporal para que se verifique se o contribuinte está ou não em dia corn suas obrigações tributárias. A jurisprudência deste Conselho estratificou-se nesta mesma direção, sendo pacifica a posição aqui defendida. Dentre inúmeros julgados, podemos destacar, por sua clareza e adequação h hipótese presente, os seguintes: INCENTIVOS FISCAIS - PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO, CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL- Nib deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negatives ou positivas com, efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito, (1" CC — 7" Câmara Recurso n" 159255— Relator Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto— julgado em 06/03/2008) PERC DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL .A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa com Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação à quitagao dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido, '1° CC — 7" (âmara — Recurso n" 157049 — Relator Conselheiro Jayme Juarez Grotto —julgado em 18/10/2007) PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS - EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL - INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE - PROVA DE REGULARIDADE FISCAL - A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n" 9,069/95, art. 60)..A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências levantadas pela autoridade lançadora referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva corn efeitos de negativa expedida por aquele órgão comprova a regularidade „fiscal. (I" CC — 7" Câmara — Recurso n" 157348— Relator Conselheiro Luiz Martins Valero — julgado em 26/06/2008) INCENTIVOS FISCAIS/FINOR - A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa ,fisica ou jurídica, da regularidade ,fiscal. PAF — REVISÃO DA NEGATIVA DO DIREITO A FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL — Provando a Recorrente que a pendência Junto à PGFN, óbice a revisão do PERC, encontrava-se suspensa nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN, deve ter reconhecido seu direito &fruição do incentivo Recurso provido, (I" CC — 8" Câmara — Recurso n" 149730 — Relator Conselheiro Ivete Mala quias Pessoa Monteiro julgado em 25/05/2007) 12 Processo n° 10380.011877/2003-11 SI-TE02 Acóredo n. ° 1802-00.177 Fl 7 Uma vez definido o momento em que o contribuinte deve demonstrar o irrepreensível cumprimento de todas as exigências tributárias, faz-se necessário saber se, in casu, o mesmo esta apto a receber o beneficio fiscal por ele requerido, o que deve ser feito pela DRF competente, sob pena de extrapolação das atribui0es regulamentares deste Colegiado Julgado. Isto posto, voto por dar provimento ao apelo interposto, reformando-se a decisão recorrida. Sala das Sesseies, em 26 de agosto de 2009. Leonardo Lobo orb 'Almeida 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10380,011877/2003-11 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 28 de janeiro de 2011 CLAUDE AQUIAS R. DRIGUES Presidente da 2" âmftra 4 Primeira Seção de Julgamento Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [1 apenas com ciência; [ I com Recurso Especial; [j corn Embargos de Declaração,
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Numero do processo: 10768.000752/2002-22
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1995
TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA FLUÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL.
A protocolização do pedido de compensação e as manifestações de inconformidade em processo de compensação ou restituição, na esfera administrativa, a teor do art. 151, III, do CTN e do Decreto nº 70.235/72, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir a exigibilidade do débito até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Em decorrência, não flui o prazo prescricional de cobrança do débito, pois a Fazenda Nacional se encontra impedida de cobrar os débitos pelo pedido e pela discussão administrativa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios.
REGIME DO DECRETO-LEI Nº 2.397/87. IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE SOCIEDADES CIVIS. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE O LUCRO DISTRIBUÍDO AOS SÓCIOS. HIGIDEZ. IMPOSSIBILIDADE DE O PRÓPRIO SÓCIO PUGNAR A RESTITUIÇÃO DE IRRF INCIDENTES SOBRE OS RENDIMENTOS DA SOCIEDADE.
Os arts. 1º e 2º do Decreto-lei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º, Decreto-lei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Entretanto, não havendo a referida compensação, caberia a própria sociedade pugnar a restituição ou compensação com débito próprio e não o sócio, sob pena de indevida confusão das pessoas dos sócios e da sociedade.
LEI Nº 4.155/64. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIRO. RESTITUIÇÃO DE OFÍCIO DE IRRF AO TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE.
No tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do terceiro constante no pedido de compensação, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "ex-offício" ou a requerimento do credor) estava em vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, deve-se anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decreto-lei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 e 36 da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995, ou seja, não há falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual - DIRPJ e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição - PER/DCOMP. Adicionalmente, perceba-se que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, patrono do recorrente, inscrito na OAB-RJ nº 117.908.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA FLUÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL. A protocolização do pedido de compensação e as manifestações de inconformidade em processo de compensação ou restituição, na esfera administrativa, a teor do art. 151, III, do CTN e do Decreto nº 70.235/72, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir a exigibilidade do débito até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Em decorrência, não flui o prazo prescricional de cobrança do débito, pois a Fazenda Nacional se encontra impedida de cobrar os débitos pelo pedido e pela discussão administrativa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 07 52 /2 00 2- 22 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 178 2 REGIME DO DECRETOLEI Nº 2.397/87. IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE SOCIEDADES CIVIS. COMPENSAÇÃO COM O IRRF INCIDENTE SOBRE O LUCRO DISTRIBUÍDO AOS SÓCIOS. HIGIDEZ. IMPOSSIBILIDADE DE O PRÓPRIO SÓCIO PUGNAR A RESTITUIÇÃO DE IRRF INCIDENTES SOBRE OS RENDIMENTOS DA SOCIEDADE. Os arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º, Decretolei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Entretanto, não havendo a referida compensação, caberia a própria sociedade pugnar a restituição ou compensação com débito próprio e não o sócio, sob pena de indevida confusão das pessoas dos sócios e da sociedade. LEI Nº 4.155/64. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIRO. RESTITUIÇÃO DE OFÍCIO DE IRRF AO TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. No tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do terceiro constante no pedido de compensação, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "exoffício" ou a requerimento do credor) estava em vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, devese anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decretolei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 e 36 da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995, ou seja, não há falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual DIRPJ e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição PER/DCOMP. Adicionalmente, percebase que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Luis Felipe Krieger Moura Bueno, patrono do recorrente, inscrito na OABRJ nº 117.908. Assinado digitalmente Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 179 3 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório VICTOR ROGÉRIO DA COSTA apresentou Pedido de Compensação, fls. 01, de créditos próprios com débitos de terceiros. Os referidos créditos seriam decorrentes de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de titularidade da sociedade civil Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira, sendo os débitos do próprio Escritório. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJ) indeferiu o pedido, mediante Despacho Decisório, fls. 40/42, sob a seguinte fundamentação: Preliminarmente, segundo a tese defendida pelo contribuinte, que se baseia à luz do artigo 76 caput e seu §1° da lei n° 8.981/1995; c/c, artigos 1º e 2º e §§ 1°, 2° e 3° deste último artigo, todos do DecretoLei n° 2.397/1987, abaixo transcritos, o ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA GOUVÊA VIEIRA poderia compensar o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários com aquele incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Vejamos: (...) Entretanto, o requerente argumenta, sem demonstrar através de documentação hábil, que a sociedade civil não exerceu a faculdade em comento. Por isso, os sócios teriam direito creditório objeto do pedido de compensação, ou seja, fazem jus ao imposto de renda incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa aplicados em nome do Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira. Conquanto, ainda que se demonstrasse através de documentos hábeis a efetiva aplicação financeira em renda fixa e respectiva retenção na fonte sobre os rendimentos e o não exercício do direito de compensação previsto no artigo 76 da Lei nº Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 180 4 8.981/1995 pelo escritório de advocacia, o pedido formulado às fls. 01 e 27/31 jamais mereceria prosperar, conforme demonstrado a seguir. De plano, as pessoas físicas dos sócios e jurídica da sociedade não se confundem. São juridicamente distintas! E o artigo 76, § 1º, da Lei n° 8.981/1995 é claro ao apontar que o sujeito de direito da faculdade nele previsto tratase da sociedade civil e não dos seus sócios. Portanto, inexiste previsão legal para reconhecer em nome dos sócios direito a compensação, que deveria ser cabalmente demonstrado nos autos, o qual a pessoa jurídica da sociedade seria a titular e deixou de exercêlo no momento oportuno. Ademais, caso se aceitasse a tese de que as pessoas físicas tivessem suportado o ônus do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ao invés da sociedade, ele seria definitivo, não sujeito à compensação ou restituição, conforme preceitua o inciso II do artigo 76 da já tão decantada Lei n° 8.981/1995. Ex positis, opino pelo indeferimento do pedido. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 54/68, e a autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido, nos termos do Acórdão DRJ/RJOI nº 1221.056, de 17/09/2008, que está assim ementado: COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Não há previsão legal de compensação de possível crédito da Pessoa Jurídica, solicitada diretamente pela pessoa física, na qualidade de sócio, com débitos da Pessoa Jurídica. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Impossibilidade. As disposições do caput do artigo 74 da Lei 9.430/1996, condicionam a interpretação de seu parágrafo 11, razão pela qual somente poderá falarse em suspensão da exigibilidade do crédito tributário a ser compensado na existência do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/10/2008, fls. 112, o contribuinte apresentou, em 24/11/2008, recurso voluntário, fls. 113/131, trazendo as alegações a seguir resumidas: O pedido de compensação foi homologado tacitamente pelo decurso do prazo de cinco anos da data de sua apresentação, conforme previsto no art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelas Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Se correta for a premissa de que o pedido apresentado não teve o condão de suspender a exigibilidade dos valores compensados, não resta outra alternativa senão reconhecer a extinção definitiva do débito pelo decurso do prazo prescricional, previsto no artigo 174 do CTN, ainda mais por tratarse de débitos Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 181 5 devidamente declarados em DCTF pelo Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira, relativos ao IRPJ do 1º trimestre de 1999, que não foram executados dentro do prazo qüinqüenal contado da data da sua confissão naquela declaração espontaneamente apresentada em 10/05/1999. A sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada não era contribuinte do IRPJ, recaindo a tributação sobre as pessoas físicas de seus sócios. Neste contexto, o imposto de renda retido na fonte pelas instituições financeiras perante as quais o Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira mantinha aplicações financeiras no ano de 1995, poderia ser compensado com o imposto na fonte que a sociedade reteve e recolheu em nome de seus sócios quando da distribuição automática dos lucros ao final do anocalendário. Se correta a premissa de que o direito creditório em questão pertence à Sociedade Civil, deveria a autoridade administrativa reconhecer de ofício o direito creditório em favor do Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 182 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão posta nestes autos já foi analisada por esta Turma quando da apreciação do recurso apresentado por outro sócio do Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira, João Francisco Tellechea Neto. Nessa conformidade, peço vênia para transcrever o voto do Acórdão nº 210201.911, de 16/04/2012, cujo relator foi o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos, que com brilhantismo bem analisou todas as alegações suscitadas pela defesa. Inicialmente, devese debater o pedido de homologação tácita da compensação controlada neste processo ou, quiçá, do reconhecimento da prescrição do direito da Fazenda cobrar o crédito tributário passível de compensação, caso se entenda que tal crédito não restou com sua exigibilidade suspensa (como afirmado pela decisão recorrida – fl. 65). Começase pela segunda das questões acima. Independentemente da transformação do pedido de compensação deste processo administrativo em declaração de compensação, na forma do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, entendese que os débitos informados em tais pedidos estão com sua exigibilidade suspensa, desde seu protocolo, até o término deste contencioso administrativo fiscal. A despeito de ter havido debate no passado sobre a pertinência da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários informados em processo de compensação no período anterior ao comando do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96 (A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação), instituído pela Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, sempre entendi que o pedido de compensação, sob égide do art. 74 da Lei nº 9.430/96, desde sua redação original, sempre suspendeu a exigibilidade do crédito tributário (débito), pois não faria sentido a Administração Fiscal permitir que o processo de compensação tramitasse sob o rito do Decreto nº 70.235/72, exigindo de plano o débito a partir do indeferimento da Delegacia da Receita Federal DRF, sob argumento de que o debate ocorreria sobre o direito creditório, sendo o débito certo e exigível. Ora, no momento em que o contribuinte apresenta um pedido de compensação, por óbvio Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 183 7 considera o débito não exigível, que deverá ser compensado com o direito creditório perseguido. Indo mais além, permitindose a discussão do direito creditório no rito do Decreto nº 70.235/72, após o indeferimento pela DRF, não se pode exigir o débito constante no já processo de compensação (o pedido de compensação é convolado em processo a partir da manifestação de inconformidade para a DRJ), pois, lembrese, o contencioso pode deferir o direito creditório, extinguindo total ou parcialmente o débito, a demonstrar que este não consta com a liquidez necessária à sua exigibilidade. Claramente a manifestação de inconformidade apresentada em desfavor do indeferimento da DRF mantém a exigibilidade do crédito tributário suspensa, já que aquela é uma reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (art. 151, III, do CTN). Aqui, ressaltese, a exigibilidade do crédito tributário informado no pedido de compensação se encontra suspensa desde a protocolização do pedido, passando pelas fases do contencioso administrativo fiscal, pois a Administração Fiscal somente poderá cobrar eventual crédito tributário não compensado após o término da via administrativa. Não por outra razão, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no ERresp nº 850.332 – SP, relatora a ministra Eliana Calmon, esposou entendimento semelhante ao acima descrito, em julgado assim ementado: TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE – SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO – FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos. Obviamente, apresentado o pedido de compensação, sucedido pelo indeferimento da DRF, sendo aberta a discussão Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 184 8 administrativa no processo de compensação, suspensa se encontra a exigibilidade do débito informado, obstando a fluência do prazo prescricional, pois a Fazenda está impedida de cobrar tal débito, não havendo falar em prescrição na forma do art. 174 do CTN, como pugnado pelo recorrente. Outro ponto a ser deslindado antes da apreciação do mérito é a conversão, ou não, do pedido de compensação tombado neste processo em declaração de compensação, na forma do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430/96, e a ocorrência da eventual homologação tácita. A questão da homologação tácita está associada às alterações trazidas ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 10.637/2002, como abaixo se vê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5oA Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) (grifouse) A decisão recorrida rejeitou a pretensão recursal baseada no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, transcrito parcialmente na decisão da DRJ, no qual se demonstra que a nova redação da cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96 está associada apenas a compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, implicando que não existe declaração de compensação com créditos de terceiro, e, assim, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da SRF, não podem transmudarse em declaração de compensação, sendo inviável em falar em homologação qüinqüenal tácita, como regido posterior pelo art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 185 9 passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)). Aqui, registrese, apesar do Parecer citado não está colacionado em inteiro teor, fica claro a tese esposada pela decisão recorrida, não havendo qualquer óbice para a defesa do recorrente, como sugerido no recurso voluntário, pois foram transcritos excertos esclarecedores do Parecer (fls. 64 e 65). Apesar de existirem precedentes do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e também de Turmas do CARF que agasalham a tese da transformação de pedido de compensação com crédito de terceiro em declaração de compensação (Acórdãos nºs 108 09.530, sessão de 23 de janeiro de 2008; 180200382, sessão de 11 de março de 2010; 180300.429, sessão de 19 de maio de 2010), há igualmente numerosos acórdãos que rejeitam tal tese, entendendo que os pedidos de compensação com crédito de terceiros não foram transformados em declaração de compensação, com a vinda a lume do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002 (Acórdãos nºs 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010; 130200.091, sessão de 03 de novembro de 2009; 10709564, sessão de 13 de novembro de 2008; 10249.362, sessão de 05 de novembro de 2008; 110100077, sessão de 12 de maio de 2009). Vejamse ementas de alguns desses últimos precedentes: Acórdão nº 10249.362, de 05 de novembro de 2008, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação, de sorte que não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. Sendo o beneficiário pessoa jurídica, o IRRF incidente na distribuição de dividendos é considerada definitiva, salvo na hipótese de compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Acórdão nº 130200.091, sessão de 03 de novembro de 2009, relator o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (...) COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 186 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4° e 5° do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (...) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002 c/c IN SRF 21/97 art. 15 § 1º). Apesar da controvérsia acima, quer me parecer que assiste razão à tese que advoga a não conversão dos pedidos de compensação com crédito de terceiros em declaração de compensação. Explicase. Se a cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, somente versa sobre compensação de débitos e créditos próprios (atentese para as partes destacadas do citado artigo, acima), não se poderia elastecer a interpretação do § 4º do artigo citado, que transformou os pedidos de compensação pendentes de decisão da administração em declaração de compensação, para abranger os pedidos de compensação com créditos de terceiros, em respeito à regra hermenêutica de que os parágrafos, por limitar a cabeça dos artigos, jamais devem ir além destes últimos. Assim não se pode considerar que os pedidos de compensação com créditos de terceiros, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, tenham sido convertidos em declaração de compensação. E se não houve a conversão em declaração de compensação, não há falar em homologação tácita no prazo qüinqüenal, como prevista no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)), este que também se limita as compensações com débitos e créditos próprios, como estampado na cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 187 11 Superadas as preliminares, passase ao mérito da questão. Antes de tudo, devese lembrar que, sob égide dos arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87, os lucros das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, como a sociedade detentora dos débitos neste processo, eram considerados automaticamente distribuídos aos sócios no encerramento do períodobase, com tributação pelo imposto de renda na fonte, como antecipação do devido pelos sócios, não havendo a incidência de imposto de renda na pessoa jurídica. É o que doutrinariamente se chama de regime de transparência fiscal das sociedades de prestação de serviço, havendo tal regime em outros países, como Portugal1. Esse regime fiscal funcionou até o exercício financeiro de 1996, tendo sido revogado pelo art. 55 da Lei nº 9.430/96, o qual submeteu as sociedades civis ao regime geral de tributação das demais pessoas jurídicas (lucro presumido, real e arbitrado) a partir de 1997. Eis a redação dos arts. 1º e 2º do DecretoLei nº 2.397/87: Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. (...) Art. 2° O lucro apurado (art. 1°) será considerado automaticamente distribuído aos sócios, na data de encerramento do períodobase, de acordo com a participação de cada um dos resultados da sociedade. 1° O lucro de que trata este artigo ficará sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, aplicandose a tabela de desconto do Imposto de Renda na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado, exceto quando já tiver sofrido a incidência durante o períodobase, na forma dos §§ 2° e 3° .(Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 2° Os lucros, rendimentos ou quaisquer valores pagos, creditados ou entregues aos sócios, mesmo a título de empréstimo, antes do encerramento do períodobase, equiparamse a rendimentos distribuídos e ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, na data do pagamento ou crédito, como antecipação do devido na 1 XAVIER, Alberto. Tributação das pessoas jurídicas tendo por objeto direitos patrimoniais relacionados com a atividade profissional de atletas, artistas, jornalistas, apresentadores de rádio e TV, bem como a cessão de direito de uso de imagem, nome, marca e som de voz. Parecer. In ANAN JR., Pedro & PEIXOTO, Marcelo Magalhães (org.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas: Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 223. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 188 12 declaração da pessoa física, calculado de conformidade com o disposto no parágrafo anterior.(Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3° O Imposto de Renda retido na fonte sobre receitas da sociedade de que trata o art. 1° poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido, de seus sócios, no pagamento de rendimentos ou lucros. E eventual IRRF incidente sobre aplicações financeiras da sociedade também poderia ser compensado com o IRRF incidente sobre os lucros distribuídos, como se vê pelo art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será:(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) § 1º No caso de sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 1987, o imposto poderá ser compensado com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. Os arts. 1º e 2º do Decretolei nº 2.397/87 isentaram as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada do imposto de renda, considerando os lucros automaticamente distribuídos, com tributação nos sócios. Ora, como as sociedades civis eram isentas do IRPJ, eventual imposto de renda incidente sobre suas operações teria que ser restituído ou compensado com o IRRF incidente sobre o lucro distribuído aos sócios, como se vê no art. 2º, § 3º, Decretolei nº 2.397/87 e art. 76, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Então, no momento em que o Escritório de Advocacia Gouveia Vieira teve um IRRF sobre rendimentos financeiros não compensados com o imposto incidente sobre os lucros distribuídos aos sócios, não se pode simplesmente transferir a sujeição passiva da sociedade para os sócios, confundindo as pessoas envolvidas. A sujeição passiva do IRRF sobre rendimentos financeiros da sociedade civil é dela própria, que deveria ter efetuado a compensação com o IRRF sobre os lucros distribuídos aos sócios (ou pedido restituição). Em nenhuma hipótese o sócio poderia se apropriar do IRRF que incidiu sobre as receitas da sociedade civil, pois a pessoa do sócio e da sociedade não se confundem. Não se confundindo a pessoa da sociedade civil, à época isenta do imposto de renda, com a figura dos seus sócios, inviável deferir o direito creditório para os sócios em relação ao IRRF que incidiu nas operações do Escritório de Advocacia Gouveia Vieira. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 189 13 Concluindo, no tocante a eventual transformação do pedido de compensação tombado nestes autos em pedido de restituição (ou compensação) em favor do Escritório de Advocacia Gouveia Vieira, ao argumento de que o art. 1º da Lei nº 4.155/64 (A restituição da receita do Estado, descontada ou recolhida a maior, poderá ser feita "exoffício" ou a requerimento do credor) estava em vigor na data do pedido e autorizaria o reconhecimento de ofício da restituição, devese anotar que mesmo antes da vigência do regime de transparência fiscal do Decretolei nº 2.397/87, todas as sociedades já estavam obrigadas a apresentar declaração de imposto de renda e recebiam a restituição do IRPJ informada na declaração na rede bancária, como se vê pelos arts. 30 (As pessoas jurídicas, relativamente ao períodobase encerrado em 1985, observarão, no exercício financeiro de 1986, as normas do Decretolei nº 1967, de 23 de novembro de 1982, e da Lei nº 7.329, de 27 de junho de 1985, inclusive no que concerne a entrega da declaração de rendimentos e ao pagamento do imposto, como antecipação, duodécimo ou quota) e 36 (As restituições, a pessoas jurídicas, do imposto de renda correspondente ao exercício financeiro de 1986, períodobase de 1985, serão efetuadas em quatro parcelas anuais e iguais) da Lei nº 7.450/85, combinado com a IN SRF nº 38/1995, ou seja, não há que falar em reconhecimento de direito creditório ex officio do imposto de renda, devendo o contribuinte pugnar por seu direito, outrora na via da declaração de ajuste anual – DIRPJ e mais modernamente na via do processo administrativo ou pedido de restituição – PER/DCOMP. Adicionalmente, percebase que sequer o art. 1º da Lei nº 4.155/64 tem um comando impositivo à Administração, no tocante ao reconhecimento de ofício de restituição, pois utiliza o verbo poder, a indicar uma mera faculdade e não uma imposição. Ademais, mesmo que se buscasse alicerçar o pleito nos princípios que regem a administração pública, estampados no art. 37 da CR88 e art. 2º da Lei nº 9.784/99, evitando o enriquecimento sem causa da administração, a autoridade da DeratRio de Janeiro já afirmara que “... o requerente argumenta, sem demonstrar através de documentação hábil, que a sociedade civil não exerceu a faculdade em comento [compensar o IRRF sobre rendimentos da sociedade com o imposto incidente sobre a distribuição de lucros aos sócios]” (fl. 29) e, em declaração de voto, a autoridade julgadora já registrara a inviabilidade de qualquer reconhecimento de direito creditório (fls. 69 e 70), tudo a indicar que não se tem como fazer a conversão pretendida pelo contribuinte neste contencioso administrativo, pois toda a apreciação partiu da óptica de que o recorrente não tem legitimidade ativa para pugnar o direito creditório perseguido. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.000752/200222 Acórdão n.º 2102002.336 S2C1T2 Fl. 190 14 Nestes termos, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 14041.000014/2007-36
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - Conforme decisão do STJ em Acórdão
submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e
inexista declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9101-001.431
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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DECADÊNCIA TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Orlando José Gonçalves Bueno, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Na sessão plenária de 17 de dezembro de 2008, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 160.193 e decidiu, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso, em conformidade com o Acórdão n° 10197.076, fls. 361/371. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial em relação ao termo de início da contagem do prazo decadencial do IRPJ no caso de ausência de pagamento. Defende a tese de que deve ser aplicado o art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Para tanto, cita a ementa do Acórdão Paradigma n° 107 07.968. O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. A interessada apresentou contrarrazões. É o relatório no que interessa. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 14041.000014/200736 Acórdão n.º 9101001.431 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende dos autos, a divergência jurisprudencial foi assim identificada pelo Presidente da Primeira Câmara, ao dar seguimento ao recurso: Está consignado na parte da ementa objeto de análise do Acórdão Recorrido: DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data de ocorrência do gato gerador. Analisando o Acórdão paradigma, restou esclarecido que o termo de início da contagem do prazo decadencial do tributo sujeito ao lançamento por homologação se rege pela regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, somente se restar comprovado o pagamento antecipado. Durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF foi no sentido de que, em se tratando de lançamento por homologação, o que definia se o termo inicial para a contagem da decadência era a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN) ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN) era a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na presença desses vícios, o termo inicial, sem voz dissonante, era fixado pelo art. 173, I. A divergência que havia era apenas para os casos em que, não presente dolo, fraude ou simulação, não tivesse havido o pagamento antecipado. Nesses casos, havia uma corrente que afastava a aplicação do art. 150 e seu § 4º, deslocando o termo inicial para o art. 173. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.333SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 4 RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir desse julgamento, dando comprimento ao art. 62A do Regimento, o termo inicial para a contagem do prazo fatal para a Fazenda promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos que, por sua legislação específica, estejam sujeitos a lançamento por homologação, pode assim ser resumida: a) Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); b) Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 14041.000014/200736 Acórdão n.º 9101001.431 CSRFT1 Fl. 3 5 b.1) Tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b.2) Não tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN). Passo a examinar o caso concreto, para examinar se restou configurada a situação de “ausência de pagamento”, a deslocar o termo inicial para o art. 173. O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 27/12/2006, e se reporta a fato gerador ocorrido em 30/11/2001. Consta da descrição dos fatos que em procedimento de revisão interna da DIPJ relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, correspondente ao período de janeiro a novembro de 2001 (Situação Especial: Cisão Parcial), verificouse a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em incentivo fiscal regional (FINAM e FINOR). A opção foi manifestada através do recolhimento de parte do IRPJ devido nos códigos de receita 6677 (IRPJ Estimativa FINOR), 6692 (IRPJ Estimativa FINAM) e 9017 (IRPJ Estimativa FINOR art. 9 º Lei n° 8167/91), no valor total de R$ 1.926.375,42. Após processamento da referida DIPJ, foi apurado que o contribuinte não teria direito ao incentivo fiscal pleiteado, de tal forma que os valores recolhidos não foram aceitos como pagamento de imposto, sendo tratados como recursos próprios aplicados em projeto próprio na região incentivada, por se tratar de empresa enquadrada no art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991. A Secretaria da Receita Federal encaminhou ao contribuinte extrato com estas informações. Dentro do prazo previsto, o contribuinte apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, que, contudo, foi indeferido. Foi, então feito o lançamento de ofício, o valor total recolhido nos códigos de FINAM e FINOR por não se tratar de recolhimento de imposto, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Como se vê, não se configurou a hipótese “ausência de pagamento”. O valor do IRPJ apurado pelo contribuinte não foi impugnado pela administração e foi integralmente recolhido por DARFs, parte como imposto, parte como destinação a incentivo fiscal. O lançamento alcança a parcela que fora recolhida a título de incentivo fiscal, e que a administração considerou aplicação em incentivos com recursos próprios, resultado, a seu ver, em pagamento a menor. Isto posto, por ter ocorrido pagamento, o mesmo se enquadra na hipótese b.1), ou seja, a contagem do prazo decadencial se rege pelo art. 150, § 4º, do CTN – fato gerador – 30.11.2001, estando, portanto, decadente o direito de o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, que se deu em 27.12.2006, razão porque, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 19 19 de julho de 2012. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 6 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 473DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10675.002075/2004-88
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional.
Luz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Luz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto. Henrique Pinheiro Torres - Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 313 1 312 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.002075/200488 Recurso nº 241.760 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.169 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria PIS Prazo para restituição Recorrente Fazenda Nacional Interessado Patos Diesel Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Luz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto. Henrique Pinheiro Torres Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 20 75 /2 00 4- 88 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão que não homologou Perd/Comp relativa a débitos de PIS, com suposto crédito decorrente de valores pagos a títulos de PIS referente aos fatos gerados ocorridos entre outubro/1995 a fevereiro/1996, por entender, em síntese, que tendo o STF na ADIN nº 14170 declarado a inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715, no que se refere a retroatividade da aplicação da lei aos fatos geradores a partir de 01/10/1995, não haveria, então, lei impositiva da referida contribuição no período, e, conseqüentemente, inexistiria fato gerador. Aduziu que a autorização para utilização dos créditos decorre, inclusive, do enunciado prescrito no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 006, de 19 de janeiro de 2000”. A autoridade local não homologou a compensação sob o fundamento que, afastada a incidência da MP nº 1.212/95 no período de 01/10/95 a 29/02/96 em face do julgado do STF na ADIN nº 14170, incidiria naquele interregno a LC nº 7/70, pelo que não haveria crédito a ser compensado, sendo tal decisão mantida pela DRJ, que ainda se manifestou no sentido de que o pleito estaria decaído. Irresignada, a requerente interpôs o presente recurso, onde repisa seus argumentos de mérito e, no que tange ao prazo para repetição de indébito, defende a tese de que o termo “a quo” seria a publicação da decisão de mérito da ADIN. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PRESCRIÇÃO. ADIN. TERMO INICIAL. Havendo declaração de inconstitucionalidade pelo controle concentrado (ADIN), o termo inicial para o pedido de restituição é a data da publicação da decisão do STF. NORMAS PROCESSUAIS. FUNDAMENTO LEGAL Em face da suspensão da execução dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN nº 1.4170, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) nº 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tornouse devida, no período de competência de 1º de outubro de 1995 a 28 de fevereiro de 1996, com base na Lei Complementar nº 7, de 1970, e ulterior alteração legal. Recurso provido em parte. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10675.002075/200488 Acórdão n.º 9303002.169 CSRFT3 Fl. 314 3 Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 244 a 255, onde pugna pelo prazo prescricional de 5 anos, contados a partir do pagamento indevido. A esse recurso foi dado seguimento, nos termos do despacho de fl. 294. Contrarrazões vieram às fls. 301 a 307. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art.. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 188/2005. Em suas contrarrazões, o sujeito passivo pede a munutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, enquanto que a PER/DCOMP foi transmitida em 26 de agosto de 2003. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10675.002075/200488 Acórdão n.º 9303002.169 CSRFT3 Fl. 315 5 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos compensados, na data em que efetuado o encontro de contas, ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 1996 e a compensação começou agosto de 2003, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10410.000525/2001-66
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DO ADA.
A isenção quanto ao ITR independente de prévia comprovação das áreas declaradas. Não encontra base legal a exigência de requerimento de ADA ao MAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR no exercício de 1997. No caso concreto não foi contestada a existência da área de preservação permanente pela fiscalização ou pela decisão recorrida.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/03-05.660
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Judith Do Amaral Marcondes Armando
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TERCEIRA TURMA Processo n° : 10410.000525/2001-66 Recurso n° : 303-124408 Matéria : ITR Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : INDUSTRIAL PORTO RICO S/A. Sessão de : 26 de fevereiro de 2008 Acórdão n° : CSRF/03-05.660 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DO ADA. A isenção quanto ao ITR independente de prévia comprovação das áreas declaradas. Não encontra base legal a exigência de requerimento de ADA ao MAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR no exercício de 1997. No caso concreto não foi contestada a existência da área de preservação permanente pela fiscalização ou pela decisão recorrida. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a inte t. ar o • -sente julgado. ANT. . 1 I* Of• • G: -Pr • ente c?Lit. ) JUDIT I AMARAL MARCONDES ARMAD O - Relatora FORMALIZADO EM: 05 OUT 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffrnann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice-Presidente) e Antonio Praga(Presidente). mas Processo n° : 10410.000525/2001 -66 - Acórdão n° : CSRF03-05.660 FZE u_A-rón c• Trata o presente de Auto de Infração (fls. 02/04) para recolher o Imposto Territorial Rural - ITR, exercício de 1997, referente ao imóvel rural denominado "Matão, Manibu, Pindoba e Anexos", com área de 4.403 ,8 ha, localizado no Município de São Miguel dos Campos/AL. A contribuinte impugnou o feito, fls. 18/21, com a argumentação de que a não entrega do A_DA, concernente aos hectares de preservação permanente não pode ser motivo de • cobrança de ITR, pois não houve, em momento algum, rnajora.ção das áreas preservadas, declaradas perante a DRF. Erri seqüen cia, a Delegacia da. Receita Federal de Julgamento em Recife/PE considerou o lançamento procedente, conforme a Decisão DRJ/REC n° 1.382/2001, da qual a interessada recorreu ao Conselho de Contribuintes. A Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, mediante o Acórdão IV 303- 30.827 (fls. 62/64), de 02 de julho de 2003, assim ementado: "ÁREAS DE PRESER_VAX Co P ERMANENT E. ISENÇÃO As áreas de preservação permanente, definidas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, comn a redação dada p ela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, não podem ser tributadas, mesmo que a comprovação de sua existência tenha sido apresentada depois da data do fato gerador. RECURSO VOLUNTAR_IC. PR_CWII1)Co. " A Fazenda Nacional interpôs ternpestiv" amente Embargos de Declaração, fls. 66/7 1, por entender haver omissões no acórdão referido, por não manifestação acerca dos efeitos do ato declaratório ambiental e também pela aplicação da. NAP 2.166/2001 a fatos pretéritos. Os embargos foram acolhidos e o acórdão rerratificado, conforme fls. 77/79, mantida, ainda, a conclusão estampada na supracitada Decisão. Assim, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 80/86) contra a decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (a representante da Fazenda Nacional tomou ciência da Decisão em 16/05/2005 e o Recurso foi protocolizado em 17/05/2005), requerendo a cassação da xnesTna. O apelo da Fazenda Nacional apóia-se em paradigmas oriundos da Primeira e da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cio qual transcrevo ementa: "IMPOSTO SOBRE A PR_OPRIEDADE TERRITORIAL RURAL . ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, a que se refere o art. 2° da Lei n° 4.771/65, estão sujeitas a compro-vação para fins de gozo da isenção do ITR e, 2 • Processo n° : 10410.000525/2001-66 Acórdão n° : CSRF03-05.660 aquelas previstas no art. 30 da Lei 4.771765, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." (Acórdão 302-35.974) A Fazenda Nacional fundamenta-se, em síntese, no argumento de que o posicionamento exarado nos paradigmas é no sentido da necessidade de ADA tempestivamente protocolado para fruição da isenção em pauta. Devidamente cientificado da decisão ' do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em 25/08/2005 e tendo-lhe sido facultada a apresentação de Contra-Razões Recursais, o contribuinte compareceu aos autos, em 08/09/2005, fls. 112/124, reprisando a argumentação da exordial, requerendo a manutenção da Decisão exarada pela Câmara recorrida. Na sessão realizada pela CSRF em 20/02/2006, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira para relato. É o relatório. VOTO Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora Aprecio o Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e das Contra-Razões da Contribuinte, ambos em boa forma. Entendeu a Procuradoria da Fazenda -Nacional que o paradig,ina eleito, da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 302-35.974, divergiu frontalmente do posicionamento contido neste processo. Então vejamos a ementa do julgamento contido neste processo: "ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO As áreas de preservação permanente, definidas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dadá pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, não podem ser tributadas, mesmo que a comprovação de sua existência tenha sido apresentada depois da data do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" E esta relativa ao paradigma mencionado pela Procuradoria: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. 3 Processo n° : 1041 0.000525/200 1-66 Acórdão n° : CSRF03-05.660 As áreas de preservação permanente, a que se refere o art. 2° da Lei n° 4.771/65, estão sujeitas a compro-vação para fins de gozo da isenção do ITR e, aquelas previstas no -art.. 3 0 da I_,ei 4_77 1/65, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. NEGADO PROVIIVIEI\TT Co P OR. ITInT.A.1n11 MIMAI) E _ " De plano não reconheço a divergênci a. Adentrando ao voto na busca de entender onde estava a divergência apresentada encontrei, ao contrário, a seguinte afirmação: "Este Colegiado, por reiteradas vezes, temn decidido que o requerimento do ADA não é o único meio de prova da existência de áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. A averbação dessas áreas à margem cio registro de imóvel em data igual ou anterior a da ocorrência do fato gerador do ou ourfrob documento expedido por autoridade ambiental Federal ou Estadual, nestas mestrias condições, tem sido aceito por este Colegiado como prova da existência das referidas áreas, ria data da ocorrência do fato gerador. Nenhum dos documentos juntados aos autos pela Recorrente atende a estas condições, sendo todos expedidos após a ocorrência do fato gerador e nenhum deles faz referência a existência de área de preservação permanente ern 01/01 /1 997".(cf. fls. 103). Percebe-se que a motivação do não acolhimento da área de preservação permanente não foi a falta de ADA ao tempo do fato gerador. Passemos ao mérito da questão_ É reconhecida pela gi ande maioria. deste Colegiado a desnecessidade de apresentação do ADA protocolado na data do fato gerador. A norma determina literalmente (art. 10 § 7°, Lei 9.393/96) a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, sob responsabilidade quanto a posterior comprovação de inveracidade da declaração. É de se observar que no caso concreto não se comprovou nenhuma falsidade de declaração, ao contrário, a DRJ reconhece qu_e o AL:0A foi protocolado junto ao IBAMA em data posterior aos seis meses admitidos pela SRE. Estamos, portanto, diante da inaceitáv-el situação de renunciar à verdade material e acatar uma decisão manifestamente ilegal_ A definição de área de preservação permanente é estabelecida no Código Florestal. Tão só a sua existência determina que deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Não são isentas e nem beneficiadas. São não tributáveis na definição da legislação tributária. Na eventualidade do proprietário descumprir regras de proteção a essas áreas, estará cometendo crimes ambientais, estando passível de responsabilização na forma da legislação adequada. Nesses casos, o órgão responsá.N.7e1 comunicará à SRF o evento, para as providências fiscais cabíveis. Por último é de se relembrar que o _AL)A_ é declaração do proprietário junto ao órgão ambiental. A DIRT é a declaração do proprietário junto à SRF. Entendo que não há Processo n° : 10410.000525/2001-66 Acórdão n° : CSRF03-05.660 hierarquia entre as declarações do proprietário e não vejo porque deva a SRF preterir a declaração que lhe é feita por outra feita a outro órgão. Quanto à irretroatividade da Medida Provisória 2166-67, de 25 de outubro de 2001, não entendo que tenha sido ela o fundamento da decisão recorrida. A fundamentação legal da exclusão das Áreas de Preservação Permanente está na própria lei do ITR que determina a sua exclusão da base de cálculo do imposto. Por todo o exposto, NEGO provimento ao seu Recurso Especial da Fazenda Nacional. • Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2008. c7u JUDIT O AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora - 5
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Numero do processo: 13506.000171/2007-74
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
È cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos.
IRRF. DEDUÇÃO.
A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. Feira a comprovação deve ser admitida a compensação.
Numero da decisão: 2202-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 14.315,33, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. È cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos. IRRF. DEDUÇÃO. A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. Feira a comprovação deve ser admitida a compensação.
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È cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos. IRRF. DEDUÇÃO. A dedução a título de IRRF está condicionada à comprovação da retenção do imposto e de que os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação na DIRPF. Feira a comprovação deve ser admitida a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 14.315,33, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 00 01 71 /2 00 7- 74 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador/BA, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, anocalendário de 2004, relativo a) omissão de rendimentos do trabalho; b) compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte Autuação a fls.04/06. Impugnação a fls. 01/02. A decisão recorrida de fls. 28/29, com ciência em 26.08.2009 (AR de fls. 31) manteve a exigência pela falta de comprovação os fatos alegados de que os rendimentos de aposentadoria recebidos eram isentos ou de haver retenção do Imposto de Renda na Fonte. Recurso Voluntário a fls. 32, alega em síntese, que apresentou sua Declaração IRPF/2005 Modelo Simplificada, depois de processada verificou que a Receita Federal alterou alguns itens e o valor de R$ 14.315,33. O Imposto de Renda Retido na Fonte é resultado de uma ação trabalhista. Pede que o lançamento do IRRF seja mantido, fazendo a subtração do IRRF de R$ 14.809,55, pelo o IRRF de R$ 14.315,33 ficando o IRPF/2005 de R$ 494,22. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13506.000171/200774 Acórdão n.º 2202002.031 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de notificação de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do ano calendário de 2004. Conforme descrição dos fatos o crédito tributário foi constituído com apuração das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.544,42. A omissão foi apurada com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social; b) compensação indevida a título de IRRF, no valor de R$ 14.315,33. A glosa foi motivada pela falta de comprovação da retenção do imposto relativo à fonte pagadora CIBEL Construções e Terraplanagem Ltda. A decisão recorrida manteve a autuação em razão de o autuado não fazer qualquer comprovação dos fatos alegados, ou seja, de o rendimento omitido decorrer de aposentadoria, isento e de haver a retenção do imposto na fonte na ação trabalhista. Neste recurso o Recorrente comprovou, por cópia de alvará judicial e guia Darf juntada a fls.26 e 30, o valor do imposto retido na fonte de R$ 14.315,33. O valor da omissão de rendimentos correspondente a importância recebida do INSS, conforme consta de fls. 05. O Recorrente qualificase na Declaração Anual de Ajuste como militar aposentado (fls.08), mas apresentou Declaração simplificada. Nesta modalidade de declaração, feita a opção, as deduções, abatimentos, parcela isenta e não tributada estão limitamse ao “Desconto Padrão”. Assim, mesmo que o rendimento omitido fosse isento, essa isenção somente teria aplicação na declaração completa. Se a opção foi pela declaração simplificada, os rendimentos, mesmo isentos ou não tributados integram o desconto padrão. No desconto padrão, esta inclusa, em tese, a parcela não sujeita ao tributo, as deduções e os abatimentos, diante da opção efetuada. Comprovada a retenção na fonte, mesmo no desconto padrão, é imposto pago e deve ser admitido se os rendimentos da retenção integraram a base de calculo do imposto. Com isso, vemos que assiste razão parte ao Recorrente, deve ser admitida a dedução do imposto retido na fonte, diante da comprovação e da tributação coma a autuação – que deve ser mentida dos rendimentos omitidos. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para determinar a dedução do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 14.315,33, mantendo a autuação e a decisão recorrida em relação a omissão de rendimentos. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 16327.003565/2003-57
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/07/1999
Período em discussão: contratos de swap liquidados em maio e junho de 1999
COFINS. CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS.
A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 - época que a COFINS já era exigida), o contribuinte tê-las incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 9303-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/07/1999 Período em discussão: contratos de swap liquidados em maio e junho de 1999 COFINS. CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS. A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 - época que a COFINS já era exigida), o contribuinte tê-las incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS. A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 época que a COFINS já era exigida), o contribuinte têlas incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 35 65 /2 00 3- 57 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte com fulcro nos artigos 8º e 18 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face ao acórdão de nº 20179.529, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, a qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso de ofício, alterando parcialmente a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir: “COFINS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. MULTA DEVIDA. A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para fins de inclusão de receitas não consideradas na base de cálculo do tributo só ilide a multa quando solicitada antes de iniciado o procedimento do lançamento de ofício (arts. 138 do CTN e 7º, §1º, do Decreto nº 70.235/72). BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. REVOGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (ART. 195, §6º, DA CF/88). A base de cálculo da contribuição compreende a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas tãosomente as exclusões especificadas na legislação de regência. Em razão da anterioridade nonagesimal constitucionalmente assegurada (art. 195, §6º, da CF/88), a lei que institui, modifica ou revoga exclusões de receitas da base de cálculo de contribuições só têm eficácia após 90 dias da sua publicação, aplicandose somente aos fatos geradores futuros e pendentes ocorridos a partir desta data, a qual se deve necessariamente reportar o lançamento para fins de aferição da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação (arts. 105 e 144 do CTN). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003565/200357 Acórdão n.º 9303001.803 CSRFT3 Fl. 321 3 CONTRATOS DE SWAP NÃO LIQUIDADOS. A exclusão da base de cálculo do PIS dos valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos, objetos de contratos firmados por instituição financeira ou equiparada, em operações de swap ainda não liquidadas, determinada pelo art. 1º, inciso II, da Lei nº 9.701, de 17/11/98, e estendida à base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §5º, da Lei nº 9.718, de 27/11/99, foi revogada através do art. 13 da MP nº 1.8071, de 28/01/99, que somente se aplica a fatos geradores ocorridos a partir de 28/04/99, data em que as receitas dos contratos de swap ainda não liquidados passaram a integrar a base de cálculo das referidas contribuições, não podendo mais ser excluídas. Recursos de ofício provido em parte e voluntário negado.” Em síntese, no que se refere ao provimento parcial do recurso de ofício, entendeu aludida Câmara, em contrariedade à DRJ, que, com a vigência em 28/04/1999, observada anterioridade nonagesimal, da MP 1.8071, de 28/01/1999 a qual revogou o artigo 1º, II da Lei 9.701/98, que previa a possibilidade de se excluir da base de cálculo do PIS os valores referentes aos contratos de swap não liquidados , as receitas dos contratos de swap ainda não liquidados passariam a integrar a base de cálculo tanto do PIS como, por equiparação prevista no artigo 3º, §5º da Lei 9.718/98, da COFINS, não podendo mais essas receitas serem excluídas como anteriormente. Assim, restouse entendido pelo acórdão ora recorrido que apenas deveriam permanecer cancelados, da autuação, os valores referentes às liquidações dos contratos de swap ocorridas nos meses de fevereiro, março e abril de 1999, eis que anteriores à 28/04/1999 (data da eficácia da MP 1.8071/99), e, em contrapartida, os valores referentes às liquidações ocorridas em maio e junho de 1999, deveriam ser restabelecidos ao lançamento, eis que posteriores a 28/04/1999. A DRJ, em contrapartida, havia entendido, em suma, por excluir da autuação todos os valores exigidos a título de COFINS referentes aos contratos de swap que foram lançados, eis que aludida contribuição não era, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, sequer exigível das instituições financeiras, não podendo o contribuinte in casu ser tributado pela COFINS por situações pretéritas à sua própria exigibilidade, a qual, em obediência ao princípio da anterioridade nonagesimal, apenas passou a ser exigida dessas instituições a partir de fevereiro de 1999, quando o artigo 3º, §5º da Lei 9.718, de 27/11/1998, passou a produzir efeitos. Com efeito, a DRJ, complementando seu entendimento, aduziu que a fiscalização teria se equivocado ao exigir COFINS do contribuinte pelo simples fato deste ter adicionado na base de cálculo do PIS valores que por ele excluídos quando da aquisição dos contratos de swap até 28 de janeiro de 1999. Assim, entendeu a DRJ que a fiscalização, ao se deparar com uma base de cálculo de PIS superior a da COFINS, teria se equivocado ao exigir do contribuinte, também, o recolhimento da COFINS sobre esses valores adicionados, mas referentes a períodos anteriores à exigência da COFINS das instituições financeiras. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Com efeito, as autoridades fiscais teriam desconsiderado que aquela parcela de aumento da receita bruta dos meses das liquidações dos contratos de swap, se referiam, em verdade, a partes das receitas brutas referentes aos meses em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), as quais haviam, nessa época, sido excluídas de tributação por conta do exercício de uma faculdade prevista na Lei 9.701/98. A decisão da DRJ restou assim ementada: “RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição compreende a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas tão somente as exclusões especificadas na legislação de regência. CONTRATOS DE “SWAP”. CONTABILIZAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Como regra geral, a variação monetária relativa aos contratos bilaterais de operações financeiras do tipo “swap”, para a apuração da base de cálculo da Cofins, deve ser reconhecida e registrada na contabilidade em cada períodobase de incidência de acordo com o regime de competência, independente do vencimento do contrato financeiro. Para as instituições financeiras e equiparadas, em razão da anterioridade nonagesimal da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não incide Cofins sobre os valores apurados até 31 de janeiro de 1999, correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de “swap”, nos termos da lei, em razão de ser a Cofins exigível a partir de fevereiro de 1999. Descabe a exigência de Cofins sobre as receitas de contratos de Swap auferidas em janeiro de 1999, porque as instituições financeiras não eram contribuintes dessa contribuição naquele período. Tampouco não é exigível a adição de tais receitas na base de cálculo da contribuição a partir de fevereiro de 1999, quando da liquidação dos contratos, pelo fato de não ter o contribuinte exercido a faculdade de excluílas anteriormente. Lançamento Procedente em Parte.” Irresignado com a decisão do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso de ofício, o contribuinte interpôs recurso voluntário a esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais reiterando as razões consignadas pela DRJ em sua decisão, no que se refere à matéria concernente aos contratos de swap. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contra razões às fls. 293/299 requerendo fosse negado provimento ao recurso voluntário para que fosse integralmente restabelecida a decisão do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003565/200357 Acórdão n.º 9303001.803 CSRFT3 Fl. 322 5 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso voluntário do contribuinte é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A meu ver, a questão em causa limitase, basicamente, em determinar se as receitas referentes aos diversos contratos de swap firmados pela instituição financeira ora Recorrente até 31/01/1999, que foram liquidados entre fevereiro e junho de 1999, poderiam sofrer a incidência da COFINS. Primeiramente, cumpre esclarecer que é inequívoco que a COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do momento que a Lei nº 9.7181, de 27/11/1998, passou a ter eficácia, ou seja, apenas a partir de 27/02/1999, em observância ao princípio da anterioridade nonagesimal. Com efeito, não vejo como prosperar, em razão do princípio da irretroatividade tributária, a pretensão da fiscalização de exigir valores de COFINS decorrentes de realidades anteriores a vigência da norma que a instituiu, especificamente, para as instituições financeiras. Explico! O que se verifica, a meu ver, no presente caso, é um equívoco da fiscalização que, provavelmente, ao não observar a faculdade conferida ao contribuinte pelo art. 1º, inciso II, da Lei 9.701/1998, exigiu da Recorrente a COFINS sobre receitas relativas a períodos anteriores a sua incidência. De acordo como referido dispositivo legal, as instituições financeiras poderiam optar por diferir receitas derivadas de contrato de swap, excluindoas da base de cálculo do PIS, para tributálas no momento da liquidação do respectivo contrato, quando então seriam adicionadas. Os valores adicionados exclusivamente a base de cálculo do PIS e sobre os quais o lançamento em questão exige o recolhimento da COFINS, correspondem efetivamente aquelas exclusões de que trata a Lei 9.701/98 e representam, portanto, mero “ajustes” de valores decorrentes de fatos geradores pretéritos à incidência da COFINS. Cabe repisar que o regime de exclusão previsto no artigo 1º, inciso II, da Lei 9.701/982, facultava ao contribuinte, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS, a opção de efetuar “exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês” de 1 “Art. 3º (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP.” 2 “Art. 1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...) II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas;” (g.n.) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 “valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de “swap” ainda não liquidadas”. A fiscalização, ao se deparar com o aumento da receita bruta do contribuinte referente as meses das liquidações dos contratos de swap (entre fevereiro e junho de 1999)celebrados até janeiro de 1999, em razão da adição de valores anteriormente excluídos, bem como, com o fato de somente o PIS ter sido recolhido sobre referidos valores, equivocadamente, lançou contra a Recorrente também o recolhimento da COFINS sobre esses mesmos valores. E o equívoco se ressalta na medida em que, caso o contribuinte tivesse optado por não aderir à sistemática de exclusão de tributação, que lhe era facultado por lei para o recolhimento do PIS, isto é, caso o contribuinte tivesse optado por incluir, desde logo, os valores referentes aos contratos de swap ainda não liquidados, firmados até 31/01/1999, a fiscalização não estaria tendo a equivocada pretensão de lhe exigir COFINS. Sendo certo que o contribuinte não pode ser obrigado a recolher uma contribuição, que sequer lhe era exigida na época que firmou os contratos de swap (até 31/01/1999), pelo simples fato de ter optado por realizar o recolhimento do PIS sob uma sistemática de diferimento de tributação, entendo que mereça ser reformado o acórdão a quo para que se restabeleça integralmente a decisão da DRJ. O acórdão recorrido, em que pese a aparente lógica de seu fundamento, partiu de premissa fática, a meu ver, equivocada, eis que ignorou que as receitas adicionadas na base de cálculo do PIS não correspondem a receitas posteriores a fevereiro de 1999 (quando a COFINS passou a ser exigida das instituições financeiras), o que, com a devida vênia, por decorrência lógica, compromete a sua conclusão. Dessa forma, diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe integral provimento para que seja totalmente restabelecida a decisão da DRJ e, por conseguinte, cancelados os pretensos valores de COFINS, referentes aos contratos de swap firmados até 31/01/1999. É o meu voto. Nanci Gama Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 36202.002494/2007-12
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 01/08/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou , inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991. Tratando-se ,de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código , Tributário Nacional - CTN. , Recurso de Oficio Negado. , Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-000.996
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . .. , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 36202.00249412007-12 Recurso n° 265.897 De Oficio Acórdão n° 2301-00.996 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 , Matéria DECADÊNCIA Recorrente DRJ - RIO DE JANEIRO -II (RJ) , Interessado TERCEIRA CÂMARA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS , i Período de apuração: 01/02/1997 a 01/08/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou , inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991. Tratando-se , de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código , Tributário Nacional - CTN. , Recurso de Oficio Negado. , Crédito Tributário Exonerado., . , fn Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 ACORDAM os membros da 3 Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as prelimIi ares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relato . 7 '-' I Processo n°36202.002494/2007-12 92-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.996 El. 201 JULIO Cá AR IERA QOMES - Presidente dre EDG • SILVA VIDAL — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Recurso de Oficio interposto pela 7' Turma da DRJ — Rio de Janeiro II (RJ) que, pelo seu Acórdão n° 13-21.909, de 20/10/2008, considerou improcedente o lançamento constante da NFLD n° 37.095.084-4, lançada em face de Brasflex Tubos Flexíveis Ltda. e Outros. O crédito refere-se às contribuições sociais previdenciárias dos segurados e da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a outras entidades e fundos ( Salário-Educação, DPC e INCRA), incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, sob o título de Participação nos Lucros e Resultados. O período de apuração compreende as competências 02/1997 a 08/2001, em período descontínuo. A ciência da contribuinte ocorreu em 13/06/2007 A recorrente impugnou o lançamento, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento, a teor do contido no artigo150, § 4° do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro, EDGAR SILVA VIDAL, Relator O recurso foi interposto pela DRJ-RJ, tendo em vista que ao julgar a impugnação da recorrente, com base Súmula Vinculante n° 8 do STF, o valor da exoneração do crédito foi superior ao limite de alçada pre 'ato no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008(DOU 07(01/2008). 2 . Processo n°36202002494/2007-12 . S2-C3T1 , Acórdão n.° 230140.996 Fl. 202 , DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° • 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva, constitucional de lei complementar., , Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo . das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, . como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CT1V. Diante do aposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. , Súmula Vinculante n° 08: , , "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que • tratam de prescrição e decadência de crédito tributário"., Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da, Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinctdante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, dg 2004). /Lei n°11.417, de 19/12/2006:,C//,---,ii /, 3 Processo n0 36202.002494/2007-12 S2-C3T1 Acórdão nf 2301-00.996 Fl. 203 Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n2 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § la O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, caberia verificar qual a regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional — CTN se aplica ao caso; no entanto, nos presentes autos, independentemente da regra aplicável, todos os valores se referem a fatos geradores já alcançados pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência e NEGO provimento ao Recurso de Oficio. É como voto. Sala das Sessões, em 2 e janeiro de 2010. 717E &A DAL - Relator 4
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