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Numero do processo: 10830.009187/97-94
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1995
Período de pagamento: 12/10/1989 a 07/10/1991
Pedido de restituição: 23/12/1997
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - O direito
de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP no. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%.
PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-
31.321.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-06.091
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que adotam a contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a Conselheira Anelise Daudt Prieto acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1995 Período de pagamento: 12/10/1989 a 07/10/1991 Pedido de restituição: 23/12/1997 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP no. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301- 31.321. Recurso Especial do Procurador Negado.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP no. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301- 31.321. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que adotam a contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a Conselheira Anelise Daudt Prieto acompanharam a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. //tA/'4Antonio Praga - Presidente , I Susy Gom:§-1-lof rir - Relatora • Editado em: 12/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Aunando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto convocado). Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela União Federal em face da decisão da 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que decidiu pela não ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição do Finsocial. O presente processo trata de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial. Tal pedido foi protocolizado em 23 de dezembro de 1997 e refere-se ao período de apuração de 01 de setembro de 1.989 a 30 de setembro de 1.991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 12 de outubro de 1.989 a 07 de outubro de 1.991. Conforme fls. 44/45, verifica-se que a autoridade fiscal havia indeferido o pedido, sob o fundamento de que o direito de pleitear a restituição estaria extinto, com base no art. 168, I do CTN. Após impugnação da contribuinte, tal decisão foi reformada pela DRJ, que reconheceu o direito à impugnante em pleitear administrativamente a compensação/restituição (fls. 52/54). Entretanto, em despacho decisório emitido à fl. 56, a autoridade fiscal indeferiu o pedido sob a fundamentação de que, teria decaído o direito de pleitear a restituição/compensação. Segundo alega o Auditor Fiscal, de acordo com a redação do Ato Declaratório SRF n° 96/1999: "O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição ou contribuição pago indevidamente ou em valor a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção de crédito tributário". Tendo tomado ciência da decisão, o contribuinte protocolizou Manifestação de Inconformidade às fls. 58/60, alegando em síntese que: a) o pagamento é apenas uma das formas de extinção do crédito tributário e "aplica-se somente aos casos em que o sujeito passivo recolhe o tributo devido mediante prévio exame da autoridade administrativa"; b) a extinção de crédito tributário opera-se num prazo de 10 anos, sendo 05 para a homologação tácita e mais 05 para eventual pedido de restituição e; c) que nos termos do art. 168, I do CTN, o direito de pleitear restituição de crédito tributário decairia em setembro de 1989. Requer ao final, a reforma da decisão combatida para reconhecimento do direito à compensação. Em acórdão proferido às fls. 62/71, a DRJ de Campinas/SP manteve a decisão de fl. 56, sob o fundamento de que o direito de pleitear a restituição de pagamentos j‘si 2 Processo 110 10830.009187/97-94 CSRF-T3 Acórdão n.° 03-06.091 Fl. 145 indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Irresignado o contribuinte protocolizou Recurso Voluntário às fls. 74179, reiterando praticamente todos os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade. O Terceiro Conselho de Contribuintes, em acórdão proferido às fls. 83/87, deu provimento por unanimidade de votos ao recurso do contribuinte para reformar a decisão da autoridade administrativa que indeferiu o pedido de restituição da Contribuição para o FINSOCIAL. Os Ilustres Conselheiros da Terceira Câmara entenderam que o prazo decadencial para pleitear restituição ou compensação de crédito tributário relativos às contribuições para o Finsocial decai em cinco anos, contados a partir da "edição da Medida Provisória n° 1.110, de 31 de agosto de 1995." Diante desta decisão a União Federal por meio de seu Procurador, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência, pleiteando a reforma do v. Acórdão, para que se reconheça a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial paga a maior ou indevidamente, com fundamento no Ato Declaratório n" 96/1999, restaurando-se o inteiro teor da decisão de 1' Instância. Despacho de admissibilidade às fls. 128/130. Intimado da interposição do Recurso Especial, o Contribuinte apresentou Contra-razões às fls. 135/141. Em síntese, é o relatório. Voto • Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata-se de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial, referente ao período de apuração de 01 de setembro de 1.989 a 30 de setembro de 1.991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 12 de outubro de 1.989 a 07 de outubro de 1.991. O pedido de restituição foi formulado em 23 de dezembro de 1997 perante Delegacia da Receita Federal. O meu entendimento firma-se no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória n° 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo-se o prazo em 31 de agosto de 2000. J.! 3 Sobre este tema adoto corno razões de decidir as razões bem colocadas na declaração de voto vencido do Conselheiro e Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes, Dr. Otacilio Dantas Cartaxo, no Processo 13899.000702/2002-48, nos termos a seguir transcritos: "A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditório de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do FINSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n°. 150.764-1, em 02/04/93, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. Inicialmente é mister registrar a inexistência de Aviso de Recebimento — AR nos autos, bem como da data de ciência da decisão de primeira instância pela ora recorrente. Havendo o presente processo sido diligenciado à repartição de origem, por iniciativa da DRF/Osasco em 06/12/04, para informar a data em que o contribuinte foi cientificado do Acórdão DRJ/CPS n°. 3.703 (fls. 80/88), Posteriormente, foram os respectivos autos encaminhados a esta Corte com a informação de fl. 126, informando da impossibilidade do atendimento da demanda outrora formulada. Entende este Julgador, em caráter excepcional, a partir do infortuito ocorrido, por motivos devidamente justificados pela repartição preparadora, que se pode aplicar ao caso sob exame, os dispositivos contidos no art. 27 da Lei 9.784/99, que assim nos ministra: "Art. 27 — O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos faros, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo Único — No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado." Isto posto, passa-se a apreciação dos autos. De antemão, assinale-se que a tese esposada pela decisão de primeira instância, apesar de reconhecer o direito creditório, nos termos do art. 165-1 do CTN, defende que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, de acordo com o disposto no art. 168-1 do mesmo mandamus, nele não influenciando a condição resolutória (a homologação). Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n°. 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n°. 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n°. 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. 21( \\2/ 4 Processo n" 10830.009187/97-94 CSIZ F-T3 Acórdão n.° 03-06.091 Fl. 146 Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n°. 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga °nines à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP n°. 1.110/95, art. 17— III, DOU., de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadencial. Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas alíquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o FINSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. 5 O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os n os 1.142/95, 1.175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96, ..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n'). 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 18-111. Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n°. 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fundamento no art. 9° da Lei n o. 7.689/88, na alíquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178). Finalmente, considerando que o pedido de restituição de Finsocial formulado junto a DRF/Niterói é de 03/04/02 (fl. 01). Considerando que o término da contagem do prazo sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos à sua admissibilidade para, no mérito, negar-lhe provimento, em razão de haver expirado o prazo concernente ao direito de a recorrente postular pela repetição do indébito tributário." Desta forma, como o pedido do contribuinte foi formulado em 23/12/1997, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação dos valores pagos a titulo de Finsocial. Isto posto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela UNIÃO FEDERAL, a fim de manter a decisão proferida pela 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, para afastar a decadência, determinando o retomo do processo à DRF para exame das demais questões de mérito. ; 44 I Susy Gomes 4 glge) 6
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Numero do processo: 13852.000107/00-61
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1992 a 30/10/1995
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 2. 00 01 07 /0 0- 61 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 213 a 214), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 206 a 209) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, reconhecendo, em síntese, como termo a quo para a repetição de indébito de PIS a data de 10 de outubro de 1995, data em que foi publicada a Resolução do Senado n° 49. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre outubro de 1993 e novembro de 1995 (fls.22 a 43). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13852.000107/0061 Acórdão n.º 9900000.639 CSRFPL Fl. 241 3 “Em 15/05/2000 o contribuinte formulou pedido de compensação por ter recolhido, nos períodos de apuração de setembro de 1992 a outubro de 1995, o PIS com base nos Decretos leis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, os quais tiveram suas eficácias suspensas pela Resolução do Senado n° 49, de 10/10/1995. Por meio do Acórdão nº 20401.405, de 27 de junho de 2006 (fls. 136/143), a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer não só a inexistência da decadência, finas também a semestralidade da base de cálculo do PIS e a atualização do indébito. A Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 147/152, apresentou recurso especial com base no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, alegando que tal decisão violou os artigos 168 e 155, I, do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido, consoante dispõe o art. 3° da Lei Complementar no 118/2005 c/c art. 106, I, do CTN. Por meio do despacho no 204.00.308 (fls. 153/154) foi dado seguimento ao recurso especial. Cientificado do Acórdão nº 20401.405, do recurso especial do Procurador e do despacho que lhe deu seguimento em 16/01/2007, o contribuinte apresentou em tempo hábil as contrarazões de fls. 154/167, pugnando pela mantença do acórdão recorrido. É o Relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1992 a 30/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N° 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Embora intimada, como noticiado às fls.239, a Recorrida não apresentou contrarrazões. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 230/231. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13852.000107/0061 Acórdão n.º 9900000.639 CSRFPL Fl. 242 5 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13852.000107/0061 Acórdão n.º 9900000.639 CSRFPL Fl. 243 7 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13852.000107/0061 Acórdão n.º 9900000.639 CSRFPL Fl. 244 9 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 15/05/2000 (fls. 1/43), de parcelas de PIS (DLs nºs 2.445/88 e 2.449/88) indevidamente pagas entre outubro de 1993 e novembro de 1995. De acordo com o exposto acima, para as ações propostas após a publicação e vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para repetição de indébito é de 5 anos, no entanto, para as ações propostas antes, o prazo é de 10 anos. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em 2003 e 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 15/05/2000, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723262/2010-08
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício:2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.505 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0215, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo o Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 168, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.01.2005, em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária, fl. 2.838 (inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996), formalizado no processo fiscal nº 11080.722736/201096. Também a Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 170, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.07.2007, em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária, fl. 2.839 (inciso V do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e inciso V do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007), formalizado no processo fiscal nº 11080.723262/201008. Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2.8632.869 com a exigência do crédito tributário no valor de R$455.312,85, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.506 3 qualificada, referente aos terceiros e quarto trimestres do anocalendário de 2007 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado. O lançamento se fundamenta nas infrações referentes à omissão de receitas de prestação de serviços e receita de prestação de serviços apuradas a partir da receita conhecida pelo cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), Livro Caixa, fls. 2.8252.831 e aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, no caso, companhias aéreas, fls. 36, 411.334. Também foram considerados os valores informados pela pessoa jurídica IATA Internacional Air Transport Association, CNPJ 33.291.022/000107, que é o órgão responsável por centralizar as informações referentes às relações comerciais entre as companhias aéreas e a Recorrente, fls. 1.3352.794. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 2.8702.877 com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.529,11 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 2.8782.885 com a exigência do crédito tributário no valor de R$138.855,52 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 2.8862.892 com a exigência do crédito tributário no valor de R$133.353,16 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Houve a lavratura do Termo de Cientificação de Arrolamento de Bens e Direitos (art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997). Instauração do Litígio Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.507 4 A Recorrente foi cientificada do Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 168, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.01.2005, fl. 2.838 e do Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 170, de 23.08.2010, fl. 2.839 em 24.09.2010, fl. 2.841. Também foi intimada dos Autos de Infração em 21.10.2010, fls. 2.867, 2.875, 2.883 e 2.890. Por estas razões, apresentou a manifestação de inconformidade em 05.09.2010, fls. 2.9032.919 e a impugnação em 23.11.2010, fls. 3.0103.027, com as alegações abaixo sintetizadas. Insurgese contra a exclusão do Simples e do Simples Nacional. Tece esclarecimentos sobre a atividade econômica desenvolvida de agência de viagem e turismo aduzindo que atua como agência consolidadora, isto é, pode emitir bilhetes aéreos por ser registrada junto a pessoa jurídica IATA Internacional Air Transport Association. Informa que é a garantidora do risco do negócio entre as companhias aéreas e as outras agências de viagens e turismo. Suscita que nesta qualidade atua como intermediadora na venda de passagens aéreas para outras agências e aufere receita a título de comissão e incentivo por estas operações comerciais, que é variável em razão de diversas circunstâncias. Explica que o vinculo jurídico com as mencionadas agências se limita a habitálas a emitir passagens para os consumidores finais de várias companhias aéreas. Reitera que não comercializa passagens aéreas diretamente com os usuários, mas tãosomente mantém relações comerciais com outras agências. Procura demonstrar que o procedimento fiscal está equivocado em relação ao entendimento de que aufere receita bruta da comercialização de passagens aéreas diretamente ao consumidor final. Embora as faturas emitidas pelas companhias aéreas estejam em seu nome, alega sua atividade é intermediação de negócios e que tem direito tãosomente a comissão e o incentivo, uma vez que repassa os valores correspondentes para outras agências, por força contratual, conforme as provas que diz produzir nos autos. Explica que adota o regime de caixa e que é indevido considerar como receita auferida a parcela do valor que repassa outras agências. Solicita a produção de todos os meios de prova e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que os atos administrativos devem ser anulados. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1032.816, de 14.07.2011, fls. 3.4503.461: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITA. REMUNERAÇÃO NA INTERMEDIAÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS. Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.508 5 A inclusão parcial da receita auferida na intermediação de vendas de passagens aéreas, caracteriza omissão de receita. RECEITA BRUTA. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS/REPASSADOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de intermediação de vendas de passagens aéreas, quando os serviços são prestados por conta e exclusiva responsabilidade de agência de viagens e turismo, que executa a função de “consolidadora”, a totalidade dos valores recebidos das companhias aéreas a título de comissões e incentivos integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e das contribuições, não tendo amparo legal a dedução dos valores pagos/repassados a terceiros na tributação do Simples Nacional. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITA A omissão de receita por vários meses seguidos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, implicando na exclusão do Simples Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INTEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura o contraditório. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 12.08.2011, fl. 3.470, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.09.2011, fls. 3.4723.492, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Esclarece que o litígio se limita às alegações referentes aos Autos de Infração. Por se tratar de matéria a ser apreciada conjuntamente a este processo, foi juntado o processo nº 11080.726175/201002, fl. 3.448. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.509 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.510 7 nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.511 8 ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal3. Tem cabimento a análise fática. No presente caso, o somatório dos serviços prestados é o valor total das comissões e incentivos que a Recorrente percebeu pela intermediação na venda de passagens aéreas, conforme valores informados pelas companhias aéreas nas DIRF, fls. 36, 1.3151.334, bem como em relatórios de faturamento emitidos pela TAM Linhas Aéreas S/A, CNPJ 02.012862/000160, referente à vôos domésticos, fls. 411.314 e pela IATA International Air Transport Association, CNPJ 33.291.022/000107, referente à vôos internacionais, fls. 1.335 2.794. Ademais, a Recorrente não dispõe de escrituração completa que viesse a registrar os ingressos e os alegados repasses às agências de turismo, fl. 2.848 e ainda nos contratos apresentados por ocasião da ação fiscal, fls. 2.8082.824 e junto da peça de defesa, fls. 2.978 3.007, revelam que as relações jurídicas e comerciais se dão, em regra, entre a Recorrente e as companhias aéreas. O acordo comercial com a Qantas Airways Limited, CNPJ 03.589.123/0001 44, estabelece os valores da comissão e do incentivo deve ser pago à Recorrente fls. 3.000 3.007. Não há determinação da quantia a ser repassada a outras agências de viagens e turismo, que deveria ser estipulado livremente em contratos de repasse entre aquela e esta, os quais não foram juntados aos autos. Nos acordos comerciais com a British Airways PLC, fls. 2.978 2.985, com a South África Airways, fls. 2.9952.999 e com a Deutsch Lufthansa AG, fls. 2.9912.994 não constam ajustes sobre repasses de valores a outras agências de viagens e turismo, em alguns casos, tãosomente as condições sobre as comissões e incentivos devidos à Recorrente. A American Airlines se limitar a informar que tem obrigação legal de emitir notas fiscais, fl. 2.987. Por seu turno, a Webjet Linhas Aéreas informa o percentual de comissão devido à Recorrente, fls. 2.9882.990, porém, esta pessoa jurídica não está relacionada entre aquelas que estão relacionadas nas Planilhas 1, 2 e 3 elaboradas pelas autoridades fiscais, fls. 2.8542.856. Nas notas fiscais de comissões emitidas pelas agências de viagens e turismo em nome das companhias aéreas que instruem os autos, fls. 2.941 e 2.945, temse que decorrem das faturas emitidas pela Recorrente, fls. 2.943 e 2.946. Analisando todos estes documentos verificase que não foram produzidos no processo novos elementos de prova suficientemente robustos para ilidir a exigência, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.512 9 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo6. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003220/2001-46
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/1996 a 31/08/2001
Ementa: ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS JURÍDICOS APRESENTADOS E DE MATÉRIA CONTESTADA APÓS A IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Considera-se preclusa a matéria contestada após a impugnação, sem prejuízo da possibilidade de apreciação, pelo acórdão de segunda instância, de matéria de que se deva conhecer de ofício. A não apreciação de argumentos jurídicos constantes de peça apresentada posteriormente à impugnação não enseja cerceamento de defesa, se considerados irrelevantes para a formação da convicção do órgão julgador.
Recurso especial não conhecido.
(Dê ordem do Senhor Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, RETIFICO: a ementa deste acórdão que passa a vigorar com a seguinte redação: "Ementa: Por força Regimental, "Não caberá recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras dos Conselhos que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância (art.32, §3°)."
Numero da decisão: CSRF/02-02.602
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
1.0 = *:*
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/1996 a 31/08/2001 Ementa: ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS JURÍDICOS APRESENTADOS E DE MATÉRIA CONTESTADA APÓS A IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considera-se preclusa a matéria contestada após a impugnação, sem prejuízo da possibilidade de apreciação, pelo acórdão de segunda instância, de matéria de que se deva conhecer de ofício. A não apreciação de argumentos jurídicos constantes de peça apresentada posteriormente à impugnação não enseja cerceamento de defesa, se considerados irrelevantes para a formação da convicção do órgão julgador. Recurso especial não conhecido. (Dê ordem do Senhor Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, RETIFICO: a ementa deste acórdão que passa a vigorar com a seguinte redação: "Ementa: Por força Regimental, "Não caberá recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras dos Conselhos que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância (art.32, §3°)."
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Numero do processo: 18471.000640/2005-51
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
IRPJ - CSLL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
DÉBITOS PARCELADOS - REDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS -
ESPONTANEIDADE
Os débitos confessados em parcelamento (PAES) devem ser considerados para reduzir os tributos lançados de oficio. Tal parcelamento deve ser considerado como se espontâneo fosse, mesmo quando feito no curso do procedimento fiscal se, posteriormente, porém antes da autuação, o contribuinte readquire sua espontaneidade pelo decurso do prazo previsto no
art. 7° do Decreto n° 70235/1972.
Recurso de Oficio Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1301-000.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários da CSLL por
fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre do ano-calendário 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPJ - CSLL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. DÉBITOS PARCELADOS - REDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS - ESPONTANEIDADE Os débitos confessados em parcelamento (PAES) devem ser considerados para reduzir os tributos lançados de oficio. Tal parcelamento deve ser considerado como se espontâneo fosse, mesmo quando feito no curso do procedimento fiscal se, posteriormente, porém antes da autuação, o contribuinte readquire sua espontaneidade pelo decurso do prazo previsto no art. 7° do Decreto n° 70235/1972. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA •N;Ift: ' -7* CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.000640/2005-51 Recurso n° 165.609 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1301-00.178 — 3Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPJ e OUTRO - Ex(s): 2001 a 2003 Recorrente T TURMAJDRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I e ALPEDA COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida T TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPJ - CSLL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. DÉBITOS PARCELADOS - REDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS - ESPONTANEIDADE Os débitos confessados em parcelamento (PAES) devem ser considerados para reduzir os tributos lançados de oficio. Tal parcelamento deve ser considerado como se espontâneo fosse, mesmo quando feito no curso do procedimento fiscal se, posteriormente, porém antes da autuação, o contribuinte readquire sua espontaneidade pelo decurso do prazo previsto no art. 7° do Decreto n° 70235/1972. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários da CSLL por fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre do ano-calendário 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. //t- WALDIR-A/Elek9CHA -Presidente e Relator EDITADO EM: • ABR 2010 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni, Nelson ICichel , Valmir Sandri e Waldir Veiga Rocha. • 2 Processo u° 18471.000640/2005-51 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.178 FI. 2 Relatório ALPEDA COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher credito tributário no valor total de R$ 2.164.257,87, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fi. 02. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 05/05/2005 (ciência em 06/05/2005) para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (1RPJ — fi. 205) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL — fi. 215), por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2000, 2001 e 2002. O total da exação foi de RS 2.164.257,87 (fl. 02), aí incluídos multa de oficio de 75% e juros moratórios. Conforme o Termo de Verificação de fls. 203/204, a fiscalização em questão originou-se do processo administrativo n° 10860.003487/2002-86, mediante o qual foi encaminhada Representação Fiscal, datada de 10/06/2002, feita pela Delegacia de Taubaté-SP à Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro. Durante os procedimentos de verificação da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos exercícios de 2001, 2002 e 2003 foi constatado que: a) O interessado foi intimado em 05/03/2005 a apresentar os livros contábeis e fiscais dos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, juntamente com os documentos que originaram os lançamentos contábeis ou o livro caixa de que trata o parágrafo único do artigo 527 do Decreto n°3000/99. b) Em resposta de 11/03/2005 o interessado apresentou cópia dos Livros Registro de Entradas e Saídas e do Livro de Apuração do IPI, informando que não foi possível apresentar o Livro Caixa em face da falta de todos documentos necessários para efetuar os lançamentos contábeis. Assim, impossibilitado de se utilizar o Lucro Presumido como método de tributação, uma vez que o interessado não dispõe de escrita regular, bem como não apresentou o Livro Caixa, foi lavrado o auto de infração com base no lucro arbitrado nos termos do art. 530, Inciso III do Decreto n°3000/99. O autuante esclarece (fl. 204) que "será utilizada como base de cálculo do imposto as receitas declaradas nas bases de cálculo das Contribuições para o PIS/COFINS, da D1PJ/2001 a 2003" e, ainda, que "sob ação fiscal o contribuinte retificou as DIPJ dos exercícios de 2001 a 2003. Será considerado como confissão espontânea os valores declarados nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ originais e será cobrado através de lançamento de oficio o imposto devido conforme determina o art. 833 do Decreto 3000/99". Cientificado das autuações em 06/05/2005, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 230/234, alegando, em síntese que: 3 foi autuado com a finalidade de que seja efetuado o recolhimento do crédito tributário a titulo de IRPJ e da CSLL; a fiscalização reconheceu expressamente, no Termo de Verificação, que o interessado apresentou as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), inclusive adotando as receitas ali declaradas como base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social a ser exigida; o autuante utilizou a metodologia de apuração do lucro pela sistemática do Lucro Arbitrado pois entendeu ser impossível utilizar a do Lucro Presumido como base de tributação; além de entregar as Declarações de Informações da Pessoa Jurídica pelo Lucro Presumido, o interessado também apresentou as DCTF trimestrais, nelas confessando os respectivos débitos apurados a titulo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; apresentou Pedido de Parcelamento Especial — PAES, transmitido em 11/07/2003, registrado pela SRF, que lhe atribuiu a Conta PAES de n°490300048192, cujos débitos foram consolidados conforme documento de fls. 403/409; as D1PJ de 2001, 2002 e 2003 foram apresentadas respectivamente em 14/08/2001, 28106/2002 e 30/06/2003, entregando-se as DIPJ retificadoras em 20/09/2001 e 18/08/2003, promovendo também a entrega das DCTF em 26/11/2003; não se entende a atitude da fiscalização que compensou no lançamento fiscal tanto o IRPJ como a CSLL declarados pelo interessado, dos anos calendário de 2000 e 2002, mas, inexplicavelmente, deixou de compensar os mesmos tributos declarados no ano- calendário de 2001; se foi reconhecida a confissão espontânea do interessado, o tratamento deve ser igual em relação a todos os períodos; a DIPJ do ano-calendário de 2001 foi apresentada em 28/06/2002, enquanto que a fiscalização só foi iniciada em 15/08/2002; comprovado que os valores do JRPJ e da CSLL foram declarados nas DIPJ e confessados nas DCTF conforme já esclarecido, e regularmente consolidados pelo programa PAES, a autoridade fiscal não poderia ter lavrado o auto de infração em questão; assim cabe a Delegacia de Julgamento primeiramente determinar a compensação no lançamento do IRPJ e da CSLL dos valores declarados para o ano calendário de 2001, sendo posteriormente consolidado no PAES o restante dos referidos tributos, em observância a adesão feita pelo interessado nos termos da Lei n° 10.684, de 30/05/2003; é justificável a consolidação no PAES da diferença resultante da aplicação do regime de Lucro Presumido para o de Lucro Arbitrado, uma vez que a base de cálculo dos tributos é a mesma, não sendo alterada pelo fisco, que afirma ter se utilizado das receitas declaradas em relação ao PIS/COF1NS das DIPJ de 2001 a 2003 como base de cálculo; ainda que se argumente que o lançamento está baseado no Lucro Arbitrado, que é diferente do Lucro Presumido declarado pelo interessado, tratam-se dos mesmos fatos geradores, tanto do IRPJ como da CSLL e apenas são divergentes os valores face a forma de tributação adotada pelo fisco; 4 • Processo n° 18471.000640/2005-5 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.178 PI 3 o interessado também entende que não deva ser aplicada a multa de oficio sobre débitos regularmente confessados em pedido de parcelamento; porém se assim não entender o órgão julgador, requer que a multa de oficio lançada seja também consolidada nos programas PAES, uma vez que o acessório deve acompanhar o principal; diante dos fatos expostos, requer o cancelamento ou no mínimo o refazimento das autuações, ou então que os débitos que por ventura restarem após a compensação pleiteada sejam igualmente consolidados no PAES, inclusive a multa de oficio. A r Turma da DRJ em Rio de Janeiro-1/RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 12-18.003, de 29/01/2008 (fls. 450/457), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica— IRPJ "Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratando-se de lançamento por homologação, do qual se submete o imposto sobre a renda de pessoa jurídica, o prazo para a Fazenda Pública constituir o lançamento decai em 5 anos contados da data do fato gerador. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. falta de apresentação do livro Caixa, na hipótese de pessoa jurídica tributada com base no Lucro Presumido, justifica o arbitramento do lucro. Os débitos confessados em DCTF e constantes de pedido de parcelamento devem ser considerados quando da exigência do tributo devido. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 DECADÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, ex-vi do art. 45 da Lei 8.212/1991 TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Ciente da decisão de primeira instância em 20/02/2008, conforrne termo à fl. 461, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/03/2008 conforme carimbo de recepção à folha 462. No recurso interposto (fls. 463/465), discorda da decisão recorrida, a qual, por sua ótica, deveria ser cancelada em sua integralidade, pelos motivos a seguir sintetizados: as DIPJ de 2001, 2002 e 2003 foram apresentadas respectivamente em 14/08/2001, 28/06/2002 e 30/06/2003, entregando-se as DTPJ retificadores em 20/09/2001 e 18/08/2003, promovendo também a entrega das DCTF em 26/11/2003; apresentou Pedido de Parcelamento- Especial — PAES, transmitido em 11/07/2003, registrado pela SRF, cujos débitos foram consolidados conforme documento de fls. 403/409; esclarece que a entrega das DCTF em 26/11/2003 somente ocorreu para viabilizar a consolidação dos débitos no parcelamento, porque essa era a condição imposta pela legislação; não se entende a atitude da fiscalização que compensou no lançamento fiscal tanto o fft.PJ como a CSLL declarados pelo interessado, dos anos calendário de 2000 e 2002, mas, inexplicavelmente, deixou de compensar os mesmos tributos declarados no ano- calendário de 2001; se foi reconhecida a confissão espontânea do interessado, o tratamento deve ser igual em relação a todos os períodos; a DTP' do ano-calendário de 2001 foi apresentada em 28/06/2002, enquanto que a fiscalização só foi iniciada em 15/08/2002; afirma que a decisão recorrida reconheceu a opção do parcelamento da Lei n° 10.684/2003 — PAES efetuada pela recorrente. Logo, todos os débitos constantes da autuação fiscal, mesmo a diferença em razão do arbitramento do lucro deveria ser consolidada no parcelamento; é justificável a consolidação no PAES da diferença resultante da aplicação do regime de Lucro Presumido para o de Lucro Arbitrado, uma vez que a base de cálculo dos tributos é a mesma, não sendo alterada pelo fisco, que afirma ter se utilizado das receitas declaradas em relação ao PIS/COFINS das DIPJ de 2001 a 2003 como base de cálculo; ainda que se argumente que o lançamento está baseado no Lucro Arbitrado, que é diferente do Lucro Presumido declarado pelo interessado, tratam-se dos mesmos fatos geradores, tanto do TRPJ como da CSLL e apenas são divergentes os valores face a forma de tributação adotada pelo fisco; a recorrente também entende que não deva ser aplicada a multa de oficio sobre débitos regularmente confessados em pedido de parcelamento, admitidos e consolidados pela SRF no programa PAES; porém se assim não entender o órgão julgador, requer que a multa de oficio lançada seja também consolidada no programa PAES, uma vez que o acessório deve acompanhar o principal; diante dos fatos expostos, requer o cancelamento das autuações fiscais e o arquivamento do processo. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (RS 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de oficio a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações e Processo n° 18471.000640/2005-SI 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.178 Fl. 4 introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA RECURSO DE OFÍCIO Os valores de tributo e multa exonerados em primeira instância totalizam R$ 1.150.922,40, conforme fls. 458/459, superando o limite de um milhão de reais, estabelecido pelo art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/0112008. Assim, é cabível o recurso de oficio, e dele conheço. Preliminarmente, o acórdão recorrido exonerou os créditos tributários do IRPJ por fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre do ano-calendário 2000, escudando-se no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Não faço reparos a essa decisão. No ano-calendário 2000, o contribuinte teve seu lucro arbitrado pelo Fisco, perfazendo-se os fatos geradores no último dia de cada trimestre civil. É assente neste colegiado que, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do 1RPJ, aplicam-se as disposições do referido art. 150 do CTN, especialmente o prazo qüinqüenal e o início da contagem desse prazo a partir da ocorrência do fato gerador tributário. Assim, para os fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, o prazo decadencial se inicia em 01/04/2000, encerrando-se em 31/03/2005. Tendo-se em conta que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 06/05/2005 (fl. 205), o primeiro trimestre do ano- calendário 2000 foi, de fato, alcançado pela decadência. Nego provimento ao recurso de oficio, quanto a este ponto. Quanto ao mérito, a Turma Julgadora em primeira instância exonerou os valores de tributos (IRPJ e CSLL), referentes ao ano-calendário 2001, que haviam sido incluídos pelo contribuinte no Parcelamento Especial (PAES), de que trata a Lei n° 10.684/2003. Reproduzo, a seguir, o trecho do acórdão recorrido que trata da matéria (fl. 456): "Para se chegar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o autuante tomou como receita conhecida, a receita bruta declarada. A base legal para considerar a receita bruta está prevista no artigo 532 do RIR199. Registre-se que para os anos-calendário de 2000 e de 2002 quando da autuação do IRPJ e da CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado, foram considerados pelo autuante (doc. fls. 208/209, 212/213, 219/220 e 223/224), os valores apurados pelo interessado através da sistemática do Lucro Presumido informados nas DIPJ e constantes do parcelamento às fls. 406/409. /7" 7 Já para o ano-calendário de 2001, o autuante não considerou os valores apurados pelo interessado através da sistemática do Lucro Presumido, uma vez que os mesmos tiveram origem em DIPJ retificadora (doc 73/95), apresentada em 18/08/2003 e as DCTF foram apresentadas em 26/11/2003, e no seu entender já não havia mais a espontaneidade. Para o período fiscalizado só tem a intimação de 05/03/05 (173.201) e o Auto de Infração em 06/05/2005. Como a entrega das DCTF e a inscrição no PAES ocorreram, antes de 05/03/2005, o interessado estava espontáneo quando efetuou os mencionados atos. Assim, entendo que o autuante deveria ter considerado na autuação os débitos inscritos no PAES (doc. fts.445/448), referentes ao IRPJ e a CSLL também para o ano calendário de 2001 como demonstrado abaixo: Um reparo deve ser feito, o qual, adianto não terá o condão de alterar a conclusão a que chegou a autoridade julgadora a quo. O procedimento fiscal se iniciou muito antes, ainda sob a forma de diligência, em 23/08/2002 (termo de intimação à fl. 163), examinando os anos-calendário 1997, 1998 e 1999. As verificações referentes ao ano-calendário 2001 constam do MPF-F n° 0719000-2002- 04616-9, cuja ciência ao contribuinte se deu em 18/11/2002 (fl. 01). A fiscalização foi objeto de vários encerramentos parciais, e à fl. 178 encontro o Termo de Encerramento datado de 25/04/2003, o qual menciona expressamente: "O encerramento da fiscalização é parcial, estando pendentes de verificação os anos -calendário de 1998 a 2002". À fl. 179, novo Termo de Encerramento, datado de 30/06/2003, onde consta "Os trabalhos de auditoria terão continuidade para apuração dos períodos ainda não fiscalizados". Em 11/07/2003 o contribuinte deu entrada no Parcelamento Especial (PAES), de que trata a Lei n° 10.684/2003, conforme documentos às fls. 466 e 403. Nessa ocasião, entendo que o contribuinte se encontrava sob procedimento de oficio, com sua espontaneidade excluída, à luz do art. 7° e parágrafos do Decreto n°70235/1972. Art. 700 procedimento fiscal tem início com: 1 - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Li g 1° o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos -incisos 1 e 11 valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Entre essa data e a lavratura dos autos de infração, vários foram os termos lavrados, sempre indicando, de forma expressa, a continuidade dos procedimentos de fiscalização. O quadro abaixo demonstra os documentos que constam dos autos: Processo n° 18471.000640/2005-51 S1-C3T1 Acórdão ri.° 1301-00.178 Fl. 5 dias fl. data transcorridos documento Tenno de Encerramento Parcial, com menção 179 30/06/2003 expressa à continuidade do procedimento fiscal 466 11/07/2003 Confirmação do PAES ermo de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 180 26/08/2003 57 1 ermo de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 181 23/10/200358 2 ermo de Encerramento Parcial, com menção 183 16/01/200485 expressa à continuidade do procedimento fiscal Termo de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 184 05/03/200449 2 Termo de Encerramento Parcial, com menção 185 05/04/200431 expressa à continuidade do procedimento fiscal ermo de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 186 20/06/200476 3 Termo de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 188 18/08/200459 enno de Continuidade de Procedimento Fiscal n° 189 07/10/200450 5 190/192 07/121200461 ermo de Intimação ermo de Encerramento Parcial, com meação 193 21/12/200414 expressa à continuidade do procedimento fiscal 201 05103/2005 74 ermo de Intimação 205 06/05/200562 Auto de Infração De se observar que em cinco oportunidades, o intervalo entre os termos lavrados superou os 60 dias a que alude o parágrafo segundo do art. 7 0, acima transcrito. Dessa forma, a espontaneidade do contribuinte era recuperada com o decurso dos 60 dias, até que novo termo fosse lavrado e a espontaneidade novamente excluída. Relevante para a solução do presente caso é que a espontaneidade foi recuperada entre o momento da adesão ao PAES e a constituição dos créditos tributários mediante a lavratura dos autos de infração. Em assim sendo, o pedido de parcelamento deve ser considerado como se feito espontaneamente, e os valores parcelados excluídos dos totais lançados, exatamente como concluiu a autoridade julgadora em primeira instância. Pelas conclusões, portanto, não cabe reparo ao decido também quanto a este ponto. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, suscito de oficio a questão da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários da CSLL, por fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre do ano-calendário 2000. Trata-se de matéria de ordem pública, a qual deve ser apreciada independentemente de questionamento do sujeito passivo. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: 9 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.. 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11.1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, exigida no presente processo, entendo submeter-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A rega do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a presença ou ausência de pagamento. Entendem alguns que, na ausência de pagamento, o dispositivo aplicável seria o inciso I do art. 173. Da mesma forma, se o pagamento fosse insuficiente A Única hipótese restante, na qual se aplicariam as disposições do art. 150, § 4°, seria a de pagamento integral, mas aí não se cogitaria de contagem de prazo decadencial para o lançamento, visto que a obrigação tributária estaria extinta. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento. Em primeira instância, a Autoridade Julgadora reconheceu a decadência para o 1RPJ, mas não para a CSLL, valendo-se do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que estabelecia prazo decenal para a decadência das contribuições sociais de que tratava. Em oportunidades ro Processo n° 18471.000640/2005-51 SI-C3T1 Acórdão 6.° 1301-00.178 Fl. 6 anteriores tenho votado pela aplicação desse dispositivo, inclusive contra a jurisprudência dominante neste colegiada Mas devo me curvar ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vineulante n° 8, publicada no D.O.U. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Diante do entendimento definitivo e expresso da Corte Suprema e, ainda, à luz do art. 103-A da Constituição un vigor l e do que dispõe o Decreto n°2.346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n°8.212/1991. Assim, também à CSLL devem ser aplicadas as disposições do art. 150, § 40, do CTN, o que implica a necessidade de rever a decisão a quo. No ano-calendário 2000, o contribuinte teve seu lucro arbitrado. Consumando-se os fatos geradores tributários da CSLL no último dia de cada trimestre civil, e tendo o lançamento ocorrido em 06/05/2005 (fl. 216), constato que a decadência atingiu os créditos tributários da CSLL do primeiro trimestre do ano- calendário 2000. No mérito, verifico que os argumentos do contribuinte não se voltam contra o arbitramento, nem contra o valor das receitas utilizadas pelo Fisco para chegar ao lucro arbitrado. Tanto é assim que, ainda no curso do procedimento fiscal, o contribuinte incluiu no PAES os valores que entendia devidos, ao que parece, calculados com base no lucro presumido. Esse aspecto foi detalhado quando da análise do recurso de oficio, anteriormente, neste voto. No entanto, o Fisco teve que arbitrar o lucro, pela ausência dos livros obrigatórios. Assim, a base de cálculo ficou diferente daquela utilizada pelo contribuinte (lucro presumido x lucro arbitrado), levando também a valores devidos diferentes. Os pedidos do contribuinte são desde a fase impugnatória, pelo aproveitamento dos valores parcelados, e conseqüente redução das autuações. Já na autuação foram excluídos os valores parcelados no PAES para os anos-calendário 2000 e 2002 (demonstrativos às fls. 208/209, 212/213, 219/220, 223/224 e 406/409) Em primeira instância foram exonerados os valores parcelados no PAES para o ano-calendário 2001 (fls. 456/457), decisão confirmada quando da apreciação do recurso de oficio. Os pedidos nesse sentido ficam, pois, esvaziados, e não cabe tecer sobre eles maiores considerações. A seguir, a recorrente pede a consolidação, no PAES, da diferença resultante da aplicação do regime de Lucro Presumido para o de Lucro Arbitrado, uma vez que a base de cálculo dos tributos seria a mesma e também os fatos geradores. Sustenta a improcedência da multa de oficio, vez que os débitos teriam sido regulamente confessados e consolidados no PAES. Alternativamente, pede a consolidação também das multas naquele parcelamento especial. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vincWante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). 1 t Não assiste razão à recorrente. A base de cálculo utilizada pelo Fisco foi o lucro arbitrado, com base na receita bruta conhecida, atendidas as disposições legais que regem essa forma de apuração do lucro. O fato de terem sido utilizados como receita bruta conhecida os valores que constavam nas DEP' de 2001 a 2003 não significa mesma base de cálculo do lucro presumido, forma de apuração pela qual o contribuinte optou indevidamente, por não possuir os livros obrigatórios. Em assim sendo, as diferenças entre os valores devidos com base no lucro arbitrado, apurados em procedimento de oficio, e os valores declarados pelo contribuinte, supostamente com base no lucro presumido, foram corretamente objeto de lançamento, acompanhados dos acréscimos legais, inclusive da multa de oficio de 75% de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/1996. De se observar que a multa aplicada no lançamento incide tão somente sobre as diferenças, e não sobre os valores confessados e consolidados no PAES. Conforme bem ressaltado na decisão recorrida, a autuação se fez em 06/05/2005, quando já se encontrava encerrado há muito o prazo para inclusão de débitos no PAES. Assim, por falia de previsão legal, tal pedido deve ser rejeitado, tal como fez a autoridade julgadora em primeira instância tanto no que respeita às diferenças ora mantidas quanto com relação à multa proporcional de 75%. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de oficio e pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários da CSLL por fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre do ano-calendário 2000. WALDIR VE41,(ROCHA - Relator 12
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Numero do processo: 10865.001937/97-37
Data da sessão: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua entrega fora do prazo estabelecido nas normas pertinentes, constitui irregularidade que dá ensejo à aplicação da multa capitulada no art. 88, da Lei n° 8981/94.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A espontaneidade na apresentação a
destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a
aplicação da multa pela falta ou pelo atraso na entrega da
declaração de rendimentos, por se tratar de obrigação tributária
acessória autônoma em relação ao fato gerador do tributo e
constituir prática de ato meramente formal.
Recurso provido
Numero da decisão: CSRF/01-03.120
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Valmir Sandri (suplente convocado), Victor Luis de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Carlos Alberto
Gonçalves Nunes e Luiz Alberto Cava Maceira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Dimas Rodrigues de Oliveira.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa pela falta ou pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, por se tratar de obrigação tributária acessória autônoma em relação ao fato gerador do tributo e constituir prática de ato meramente formal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Valmir Sandri (suplente convocado), Victor Luis de Salles Freire, Remis Almeida Estol, Wilfrido Augusto Marques, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Luiz Alberto Cava Maceira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Dimas Rodrigues de Oliveira„ Processo n° 10865001937/97-97 Acórdão n° CSRF/01-03 120 -•ISON PE Á RODRIGUES PRESIDE E DIM,t õ GUES DE OLIVEIRA RE À TiR DESIGNADO " FORMALIZADO EM 07 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Ausente justificadamente a Conselheira Maria Goretti Azevedo Alves dos Santos 2 PROCESSO N° 10865001937/97-97 ACÓRDÃO N°. CSRF/01-03 120 RECURSO N..°.. RD/104-1 017 RECORRENTE CONFIANÇA REPRESENTAÇÕES S/C LTDA RELATÓRIO O processo está indicado para julgamento apoiado em recurso especial da Fazenda Nacional (divergência) conduzido pelo Despacho PRESI n° 104-0 127/99 (fls. 60 a 62) que lhe garantiu seguimento O Acórdão recorrido, n° 104-17 088, de 09.06 1999 (fls.. 39 a 50), está assim ementado. "IRPJ — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — Não é cabível a multa quando a declaração de rendimentos é apresentada antes de qualquer procedimento fiscal, em face da utilização do Instituto da Denúncia Espontânea (CTN, art.. 138). Recurso provido " A decisão recorrida, prolatada na 4 a Câmara, foi unânime Examinando o recurso especial constatei que os paradigmas apontados, foram os Acórdãos 102-43.300 e 102-43 367, ambos assim ementados. "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — A entrega da declaração de rendimentos fora do prazo limite estipulado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de ofício prevista no inciso II, § alínea "h" do artigo 88 da Lei 8981/95, Recurso negado," (DOU e, de 02.08 1999, pg. 2 As decisões foram tomadas por maioria Reforçando sua posição, a Faz ceirla Nacional trouxe o RESP 190388/GO, do STJ — l a Turma - unânime, de 03 1 L 1 e À 98, em que é Relator o Min 1/4 José Delgado 3. PROCESSO N° 10865001937/97-97 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 120 , Em contra-razões, o contribuinte reforçou os argumentos do Acórdão recorrido (fls. 71 a 73). A multa aplicada pela fiscalização, encontra sua capitulação legal expressa no ato de infração (fls. 02), estando assim definida . "Artigo 17, do Decreto- lei 1,967/82, Artigo 88, inciso I e parágrafo primeiro, letra "b" da Lei 8.981/95 c/c n artigo 30 da Lei 9 249/95 " É o relatório. ' !, .-. 4. ›//7 PROCESSO N°. 10865001937/97-97 ACÓRDÃO N°. CSRF/01-03 120 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RELATOR A despeito do Despacho PRESI 104-0 127/99, que acolheu inicialmente o recurso, devo apreciar sua admissibilidade diante do teor dos Acórdãos indicados como paradigma de divergência É de se ver que a exigência foi formalizada com base, entre outros dispositivos legais, no "Artigo 88, inciso l e parágrafo primeiro, letra "b" da Lei 8 981/95", com a seguinte descrição dos fatos (fls 02). "Multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto de renda lançado, atualizado até 31-12-95, ou o valor mínimo de R$ 414,35 (quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos) por declaração, decorrente de atraso na entrega da declaração(oes) de rendimento(s) do(s) exercício(s)- financeiro(s) de 1997 " Os Acórdãos indicados para comprovar a divergência, com ementas transcritas no relatório, referem-se a situação diversa, porquanto tratam da condição contida no inciso II, alínea "b" do artigo 88 da Lei n° 8,981/95. Enquanto a exigência reflete a condição de atraso na entrega de declaração com imposto devido, os paradigmas apontam situação de atraso na entrega de declaração sem imposto devido, correspondendo, portanto, a situações jurídicas diferenciadas Para melhor aclarar o const o, transcrevo o artigo 88 da Lei n° 8981/95, visando mero efeito didático. ! 5. PROCESSO N ° 10865001937/97-97 ACÓRDÃO N°. CSRF/01-03 120 "Art, 88- A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica' 1 - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago; II- à multa de duzentas UF1R a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido § 1° O valor mínimo a ser aplicado será, a) de duzentas UF1R, para as pessoas físicas; b) de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas" (destaquei) É de se colher o paradigma Acórdão CSRF/01-02 638, de 15.03.99, que contém em sua ementa. "( ) RECURSO ESPECIAL — DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL — Se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há falar- se em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica Recurso especial não conhecido. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial com fundamento no inciso 11 do art. 50 do Regimento Interno da CSRF e por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial fulcrado no inciso 1 do mesmo dispositivo regimental," (DOU de 11.08 99, pág. 11.) A despeito de entender que falta razões de admissibilidade ao recurso, me curvo ao entendimento majoritário desta Câmara Superior, segundo o qual se configura a divergência e a admissibilidade do recurso é indiscutível, principalmente sob a ótica da figura da denúncia espontânea, presente nos autos Adoto tal posição majoritária até porque po ão divergente seria vencida. Assim, passo ao mérito. 4 6. PROCESSO N°. 10865001937/97-97 ACÓRDÃO N ° CSRF/01-03 120 No mérito, mantenho a posição já firmada, que coincide com o entendimento da Câmara recorrida, tanto pelos fundamentos quanto pela conclusão Identifico o procedimento do contribuinte como sendo de visível conformidade com o disposto no art 138 do Código Tributário Nacional, em virtudo do que, sou pela não provisão do recurso da Fazenda Nacional Assim, pelo que consta do processo, voto por conhecer do recurso da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento Sala essõz. - DF, em 12 de setembro de 2000 , JO Á r CARLOS PASSUELLO 7 . PROCESSO N° :10865001937/97-97 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 120 VOTO VENCEDOR Conselheiro DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA - RELATOR Com a devida vênia do eminente Conselheiro Relator, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas, deixo de compartilhar dos fundamentos que expôs, bem assim de suas conclusões. 3.1 O recorrente não contesta o fato de estar obrigado à apresentação do documento fiscal, se insurgindo apenas contra a exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, diante da apresentação espontânea do mesmo, ainda que a destempo, 3 O recorrente não contesta o fato de estar obrigado à apresentação do documento fiscal, se insurgindo apenas contra a exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, diante da apresentação espontânea do mesmo, ainda que a destempo 3.1 Sobre o assunto, assim dispõe o artigo 88 da Medida Provisória n° 812, de 30/12/94, convertida na Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, na parte que interessa à presente análise, verbis «Art., 88 - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica' I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, 8 PROCESSO N° :10865.001937197-97 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 120 11 - à multa de duzentas UFIR a oito mil UF1R, no caso de declaração de que não resulte imposto devido § 1° O valor mínimo a ser aplicado será a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas,. b) de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas "(grifei) 3 2 O dispositivo legal acima transcrito evidencia, dentre outros aspectos, a importância dada pelo legislador ao ato da apresentação tempestiva, pelo Contribuinte, da Declaração de Rendimentos, a ponto de instituir para a hipótese de inobservância dessa temporalidade, a penalidade específica suso aludida Aliás, esse entendimento do legislador, remonta aos idos de 1943, quando a obrigação acessória já era prevista pelo Decreto-lei n° 5.844/43, bem assim, a respectiva penalidade aplicável para os casos do seu descumprimento (art 32, da Lei n° 2 354/54), cuja estrutura em muito se assemelha à hoje vigente, inclusive quanto aos aspectos atinentes à técnica redacional, à alíquota e à base de incidência. 3.3 A Lei n° 5172/66 (Código Tributário Nacional), recepcionada pelas Cartas de 1967 e 1988 com o "status" de Lei Complementar, veio dar nova estrutura ao ordenamento jurídico-tributário do País O fato, entretanto, não implicou em qualquer modificação nas normas então vigentes que disciplinavam as questões em foco, a exemplo das disposições contidas no já citado Decreto-lei n° 5.844/43 e na Lei n° 2 354/54, o que atesta a convivência harmônica ao longo dos últimos trinta e três anos (desde a vigência do CTN), entre as normas que promanam desses diplomas legais. um que traz normas estruturais e outros, preceitos de cunho procedimental 3.4 Modificações ocorreram, já sob a égide do CTN, cujo artigo 97 instituiu a reserva legal voltada, também, para à cominação de penalidades pelo descumprimento de obrigações tributárias São exemplos dessas modificações as 9 . PROCESSO N°:,10865001937197-97 ACÓRDÃO N°. CSRF/01-03 120 introduzidas pelos arts„ 17, do Decreto-lei n° 1.967/82, 8°, do Decreto-lei n° 1.968/82 e pelo já transcrito art. 88, da Lei n° 8.981/95, para mencionar apenas os dispositivos legais relacionados com a multa por falta ou atraso na apresentação da declaração de rendimentos, ou seja, a multa por descumprimento de obrigação acessória, as quais, em determinadas situações, a lei trata como multa de mora; é o caso por exemplo da declaração de rendimentos com imposto devido apresentada fora do prazo 3.5 É defendido no Recurso Especial o entendimento de que a denúncia espontânea da infração exime o infrator da responsabilidade pelo pagamento da multa, invocando-se em favor da tese, o disposto no At 138 do CTN.. Em outras palavras, é dizer que tal penalidade somente seria aplicável quando o contribuinte tivesse sua espontaneidade excluída mediante início de procedimento fiscal, nos exatos termos do disposto no artigo 7°, incisos e parágrafos, do Decreto n° 70.235/72; 3.5.1 Cabe lembrar neste ponto que a lei veda o recebimento da declaração de rendimentos apresentada a destempo, quando o contribuinte já esteja sob procedimento fiscal. É o que determina o art. 877, do RIR/94, consolidação do disposto no art. 14, da Lei n° 4.154/62, que diz: "Art. 877 Vencidos os prazos marcados para a entrega, a declaração só será recebida se ainda não tiver sido notificado o contribuinte do inicio do processo de lançamento de oficio." 3.5.2 Em não podendo a Repartição recepcionar o documento fiscal nessa situação, a sua entrega fora do prazo estabelecido somente poderia se dar sem prévia manifestação da administração tributária, ou seja, por iniciativa do sujeito passivo E é este o procedimento impróprio que o legislador quis coibir com a cominação de penalidade cuja situação hipotética, claramente prevista, o elege como punível. Tal - hipótese, à luz do entendimento esposado no voto vencido, estaria afastada pelo O . PROCESSO N° :10865001937/97-97 ACÓRDÃO N°. . CSRF/01-03 120 instituto da denúncia espontânea, ou seja, a cominação em comento, caso prevaleça tal entendimento, simplesmente não teria razão de existir, a começar pelo fato de que são auto excludentes as premissas em que se sustentam. Senão, vejamos . declaração em atraso só pode ser recebida caso entregue espontaneamente, logo, a sanção prevista só é aplicável nas situações de cumprimento espontâneo da obrigação, contra. a denúncia espontânea afasta a multa. Exsurge do exposto, a sensação absurda de inutilidade das disposições legais atinentes ao assunto, o que, a toda evidência, não é inadmissível A lei não pode possuir expressões vãs Com efeito, o texto legal em apreço tem função e objeto bem definido que é o de coibir a impontualidade no cumprimento da obrigação acessória A sua invalidação, a menos que se implemente modificações no CTN, abriria lacuna insuprimível no ordenamento jurídico-tributário. 3.5.3 Não podem ser desconhecidos das pessoas que lidam no meio tributário, os instrumentos postos à disposição da administração tributária com o escopo de facilitar a atuação do Fisco, cujo aparelho fiscalizador e arrecadador, não tem o poder de alcançar cada fato merecedor de sua atenção. É exemplo desse tipo de instrumento, a modalidade de lançamento por homologação que se caracteriza pela disposição de lei que impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento de tributos sem o prévio exame da autoridade administrativa Dentre outras, esta é, também, função da multa pelo descumprimento, ou cumprimento a destempo, de obrigação fiscal acessória, cuja previsão advém do legítimo poder de legislar do Estado. Em outras palavras, quis o legislador que houvesse o cumprimento da obrigação acessória independentemente de cobrança do Fisco. Para que isso se pudesse traduzir em realidade, instituiu-se a correspondente penalidade, conforme recomenda a boa técnica legislativa, penalidade esta exigível, por óbvio, nos casos de reparação das inadimplências ou de descumprimento das obrigações, ainda que estas ocorrências - sejam de iniciativa do sujeito passivo. li. PROCESSO N° :10865,001937/97-97 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 120 3.6 Quanto à questão em si do aproveitamento da figura da denúncia espontânea para afastar a imposição da multa em comento, convém ainda sejam traçadas as considerações a seguir. 3.6 .1 O termo "denúncia", nos dizeres do autor DE PLÁCIDO E SILVA, na sua obra Vocabulário Jurídico, tem, também, o seguinte sentido Mas, propriamente, na técnica do Direito Penal ou do Direito Fiscal, melhor se entende a declaração de um delito, praticado por alguém, feita perante a autoridade a quem compete tomar a iniciativa de sua repressão " 3.6 2 Em outras palavras, poder-se-ia dizer que a denúncia espontânea para produzir efeitos que exonerem o denunciante de responsabilidades pelo cometimento das infrações sub examine, deve versar sobre delitos, termo que traduz a prática de atos típicos e antijurídicos, portanto com conotação de crime ou contravenção, o que não recomenda o seu acolhimento em sede das multas por descumprimento de obrigações acessórias ou, ainda, quando se tratar de multa de mora 3.6.3 Por se amoldar com perfeição ao raciocínio em desenvolvimento, peço vênia para trazer a lume trecho do brilhante voto vencedor do Acórdão 108- 04 777, de 09 de dezembro de 1997, da lavra do eminente Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, inserto na página 9 da sua manifestação, em seguida à transcrição que fez do artigo 137 do CTN, verbis. "Parece fora de dúvida que a terminologia utilizada pelo legislador deixa evidente que o artigo 137 só cuida da responsabilidade penal. Não bastassem as locuções grifadas (agente, crime, contravenção, dolo especifico) serem do domínio só daquela 12, (9( PROCESSO N° :10865001937/97-97 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 120 ciência, a regra encerra seu preceito com a importação de princípio também enaltecido no Direito Penal, no sentido de que a pena não passará da pessoa do delinqüente (C F, art., 5 0 , XLV), traduzido pela expressa cominação de responsabilidade pessoal ao agente. O que está em relevo, veja-se, é a conduta do agente, não havendo qualquer referência ao sujeito que integra a relação jurídica tributária (sujeito passivo) Neste ponto, não há que se distinguir a responsabilidade tratada no artigo 137, da responsabilidade mencionada no artigo 138, não só porque o legislador referiu-se ao instituto sem traçar qualquer marco discriminatório, mas, principalmente, pela correlação lógica, subsequente e necessária entre os dois artigos, de cuja combinação se extrai preceito incensurável de que a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea (art 138), só tem sentido se referida responsabilidade pessoal do agente tratada no artigo que lhe antecede (art. 137) Não fosse esse o seu desiderato, ou seja, se estivesse a norma em análise voltada só para o campo do Direito Tributário, teria o legislador designado, expressamente, que a multa seria excluída pela denúncia espontânea, posto que, sendo a obrigação tributária de cunho patrimonial, a multa é a sanção que o ordenamento jurídico adota para atribuir-lhe coercibilidade e imperatividade Ou mais, poderia o legislador referir-se genericamente à penalidade, mas não o fez, preferindo tratar da exclusão da responsabilidade, o que evidencia que o alvo visado era a conduta do agente regulada pelo Direito Penal e não a obrigação tratada na esfera do Direito Tributário," (Grifos do original). 36,4 Assim, ressalta claro que a interpretação extensiva do artigo 138, nos moldes preconizados pelo recorrente, não pode ser levada a extremos a ponto misturar uma simples multa de mora ou por descumprimento de obrigação acessória com um delito penal. Guardadas as devidas proporções, seria o mesmo que equiparar uma sanção de cláusula penal de um contrato com uma penalidade criminal 4 A questão tem merecido a atenção dos Tribunais pátrios, cuja - jurisprudência tem se firmado no sentido da tese acima exposta. Confira-se, a propósito, 13. PROCESSO N° :10865001937/97-97 ACÓRDÃO N°. CSRF/01-03 120 recentes decisões das Primeira e Segunda Turmas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça de que são exemplos, dentre muitos outros, o RESP n° 208 097/PR, de 08 de junho de 1999 (Segunda Turma) e o RESP N° 190.388/G0 (Primeira Turma), Respectivamente assim ementados. "Tributário. Denúncia espontânea Multa pelo atraso na entrega da declaração do imposto de renda Recurso da Fazenda Provimento." (DJ de 01/07/99) "TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não eswtão alcançadas pelo art.. 138, do CTN 3 Há de se acolher a incidência do art.. 88, da Lei n° 8 981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes 4 Recurso provido " 5 Também na esfera administrativa, conforme atestam recentes decisões da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência tem apontado nesse sentido Veja-se, a esse respeito, os acórdãos n°s CSRF/01-2 952, de 08/05/2000 e CSRF/01-2 965, de 09/05/2000. 6. Ante tais conclusões, desnecessário se torna despender maiores esforços de hermenêutica para se concluir no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não tem o condão de afastar a imposição da multa ora discutida 14 PROCESSO N°. 10865 001937/97-97 ACÓRDÃO N° . CSRF/01-03 120 7 Por essas razões é meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto Brasília-DF, 11 de setembro de 2000 di/??,),, ,,, c,:---=----- DIMAS - nIvIJES-13E OLIVEIRA / i _., 15. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13433.000067/2003-57
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTO EXPORTADO ACONDICIONADO EM EMBALAGEM COM CAPACIDADE SUPERIOR A VINTE QUILOS. CRÉDITO INEXISTENTE
A embalagem cuja capacidade é superior a vinte quilos é classificada como embalagem para transporte e o acondicionamento do produto exportado nela não se caracteriza como industrialização, de modo que não gera crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 3401-002.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fábia Regina Freitas (Suplente). Ausência justificada do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ RECIFEPE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTO EXPORTADO ACONDICIONADO EM EMBALAGEM COM CAPACIDADE SUPERIOR A VINTE QUILOS. CRÉDITO INEXISTENTE A embalagem cuja capacidade é superior a vinte quilos é classificada como embalagem para transporte e o acondicionamento do produto exportado nela não se caracteriza como industrialização, de modo que não gera crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fábia Regina Freitas (Suplente). Ausência justificada do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 00 67 /2 00 3- 57 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, do 3o trimestre de 2002 (fl.02/04), do qual parte é oriunda da aquisição insumo de pessoa física. Nos autos não consta a data do protocolo do pedido, mas é possível verificar que o formulário foi preenchido em 10/02/2003. A DRF em Mossoró/RN indeferiu o pleito da Contribuinte, fundamentando que ela exporta castanha de caju crua, sem passar por nenhum processo de industrialização e que esse produto está classificado na TIPI como NT. Por essa razão, segundo a autoridade fiscal, a Contribuinte não tem direito ao crédito, por não preencher o requisito de ser produtora e exportadora (fls.93/100) A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.104/129), mas a DRJ em Recife/PE manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO VIGENTE. INCOMPETÊNCIA. ENTENDIMENTO OFICIAL DA RFB. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição, de inconstitucionalidade de lei e dos atos administrativos infralegais formalmente vigentes. O julgador administrativo de primeira instância deve pautarse pelo entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (NT). A castanha de caju sem casca em embalagem temporária de transporte é produto nãotributável (NT) na TIP11/96, classificada no código NCM 0801.3200. Nesse caso, nos termos da legislação regente, não se confirma o pretendido direito a crédito presumido de IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Não se toma conhecimento da matéria que foi submetida a apreciação judicial mediante o processo n° 99.000544929, cuja decisão, no âmbito do REsp n° 586.392RN, transitou em julgado em 22.05.2005. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. No ordenamento jurídico brasileiro não há base legal para atualização monetária de créditos escriturais de IPI Solicitação Indeferida”. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13433.000067/200357 Acórdão n.º 3401002.079 S3C4T1 Fl. 244 3 A Contribuinte foi intimada do Acórdão da DRJ em 22/04/2009 (fl.209) e interpôs Recurso Voluntário (fls.212/223) com as alegações resumidas abaixo: 1 Em 1999, em ação de Mandado de Segurança, foilhe assegurado o direito de aproveitar o crédito presumido do IPI referente à aquisição de castanha de caju. Além disso, em 2005, com base no mesma decisão judicial, a delegacia de origem homologou compensações com crédito presumido do IPI oriundo do mesmo produto; 2 Ratificou os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade, quais sejam: 2.1 As castanhas exportadas recebem embalagem de apresentação e não são classificadas como NT, pois recebem alíquota zero; 2.2 O Conselho Superior de Recursos Fiscais tem julgado que a aquisição de insumos não tributados pelo IPI gera crédito presumido do IPI; 2.3 Tem direito à aplicação da Taxa SELIC aos seus créditos, vez que a autoridade fiscal impôs óbice ao seu aproveitamento; 2.4 O Parecer Normativo nº 408, de 1971, é claro ao afirmar a tributação das castanhas embaladas em latas com rotulagem de função promocional; Ao fim, a Recorrente pediu a unificação dos processos 13433.000570/2003 11, 13433.000026/200441 e 13433.720026/200542 a este processo, por tratarem da mesma matéria, e o reconhecimento do direito ao crédito presumido do IPI. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Conforme despacho de fl. 241 o Recurso é tempestivo. Como ele também atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Recorrente insurgese contra decisão que manteve o indeferimento do crédito presumido na exportação. As matérias a serem apreciadas são: Cumprimento de decisão judicial transitada em julgado; classificação, na TIPI, das castanhas de caju exportadas pela Recorrente; e correção monetária dos créditos da Recorrente pela Taxa SELIC. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 1. Da decisão judicial transitada em julgado A Recorrente alega exaustivamente que em Mandado de Segurança conseguiu decisão favorável, confirmada pelo STJ, no sentido de poder aproveitar o crédito presumido do IPI na exportação de castanha de caju. Inclusive juntou o acórdão da Corte Superior nas fls. 132/138. Ocorre que a decisão judicial mencionada pela Recorrente não se aplica ao presente caso. Na verdade, a decisão judicial não trata especificamente de castanha de caju. Além disso, também não trata de não tributado na saída. A decisão judicial acostada aos autos, na realidade, determina que a aquisição de produtos não tributados também geram o crédito presumido do IPI, ou seja, no Mandado de Segurança o que se discutia era a não tributação na entrada do insumo. Não obstante, o fundamento da negativa do crédito neste processo administrativo é o fato de, no entender da autoridade, o produto não ser tributado na saída. Portanto, muito embora sejam semelhantes, o objeto dos dois processos (do Mandado de Segurança e deste) não se confundem, de modo que a decisão judicial não tem força de obrigar a Autoridade Fiscal a conceder o crédito para produtos cuja saída não é tributada. 2. Do enquadramento da Recorrente como produtora Segundo a autoridade fiscal, o crédito foi indeferido porque a castanha de caju da Recorrente é exportada sem passar por processo de produção, razão pela qual é classificada como NT e a Recorrente não se enquadra como produtora. O pedido da Recorrente tem base no art. 1o, da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, o qual tem a seguinte redação: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento”. (grifo nosso) Com base no texto acima, para ter direito ao crédito presumido, o contribuinte, além de exportador, deve ser produtor do bem exportado. Por isso, o produto simplesmente exportado, classificado como não tributado pelo IPI por não passar por processo de industrialização, não gera o crédito presumido. A Recorrente alega que se classifica como produtora, vez que o produto por ela exportado é acondicionado em embalagem de apresentação e não mera embalagem de transporte. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13433.000067/200357 Acórdão n.º 3401002.079 S3C4T1 Fl. 245 5 O Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), vigente na época da exportação, caracterizava a industrialização da seguinte forma: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Essa caracterização da industrialização continua vigente, vez que esse texto permaneceu no RIPI/2002 e no RIPI/2010. Com base nessa caracterização, a colocação do produto em embalagens, desde que não destinada exclusivamente para transporte, é considerada industrialização. O art. 6o, §1o, também do RIPI/1998 diferenciava a embalagem de transporte e embalagem de apresentação da seguinte forma: “Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso anterior. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores”. (destaque nosso) Como se verifica, o RIPI/1998 enquadrava como embalagem para transporte aquelas cuja capacidade fosse superior a vinte quilos ou superior àquela em que produto é usualmente vendido, no varejo, aos consumidores. Conforme constatado em diligência fiscal, e não negado pela Recorrente, o produto é exportado em embalagem de aproximadamente vinte e três quilos, de modo que a embalagem se enquadra em acondicionamento para transporte e não em acondicionamento de apresentação, nos termos do art. 6o, §1o, inciso II do RIPI/1998. Por essa razão, a Recorrente não se enquadra como produtora e não tem direito ao crédito presumido do IPI. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo integralmente o acórdão recorrido. É como voto. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000003/00-04
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Exercício: 2000
Ação judicial visando a anulação do débito fiscal. Renuncia a instância administrativa.
A informação por parte do contribuinte que ingressou com ação judicial visando a desconstituição do débito fiscal em discussão implica em renuncia de se defender na esfera administrativa com a conseqüente desistência de ver examinado o seu recurso.
Embargos de Declaração Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-000.108
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por opção pela via judicial.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2000 Ação judicial visando a anulação do débito fiscal. Renuncia a instância administrativa. A informação por parte do contribuinte que ingressou com ação judicial visando a desconstituição do débito fiscal em discussão implica em renuncia de se defender na esfera administrativa com a conseqüente desistência de ver examinado o seu recurso. Embargos de Declaração Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez Lopez, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 00 03 /0 0- 04 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pelo contribuinte em face do acórdão prolatado por esta Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais sob n° 0304.806 (fls. 160/182), argüindo contradição e omissão no citado julgado, sob o amparo do artigo 41 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente. A Embargante às fls. 240/260 anexa petição esclarecendo e comprovando nos autos que ingressou com Ação Anulatória de Débito Tributário com intuito de anular o débito tributário do presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Do exame dos autos constatase a petição de fls.240/26o apresentada pelo Contribuinte, informando a este Conselho que propôs “Ação Anulatória de Débito Tributário” junto à Subseção Judiciária de São Paulo, “no intuito de anular o débito tributário do presente processo administrativo”. Nesse sentido, conforme jurisprudência majoritária deste Conselho, a opção pela via judicial implica na impossibilidade de discutir o mesmo mérito em qualquer instância administrativa. Ademais, conforme dispõe o Ato Declaratório Normativo 3/96, “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objetivo, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto” e, somente na hipótese de serem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Por todo o exposto, voto por deixar de conhecer os embragos de declaração apresentados pelo contribuinte, em face de sua renuncia a via administrativa, ao informar a este colegiado que ingressou com ação juducial visando provimento jurisdicional que anule o débito fiscal em causa. É como voto. Nanci Gama Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.017905/98-13
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
Ementa:
LUCRO REAL - CUSTOS OU DESPESAS — COMPROVAÇÃO.
Apresentada prova documental exclui-se do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas.
BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA — CORREÇÃO MONETÁRIA.
A diferença, em cruzeiros reais, verificada entre o valor constante da nota fiscal e o valor das duplicatas ou camês, expressos em URV, relativos às operações a prazo, é considerada variação monetária (despesa) não cabendo a ativação. Também é incabível a ativação do principal por falta de fundamentação.
CORREÇÃO MONETÁRIA DE BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA.
Considerada incabível a ativação, descabe o lançamento de correção monetária.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE
Aplica-se às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1402-000.092
Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário; e negar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral, proferida em nome da recorrente, pela Drª Ana Carolina Gandra Pia de Andrade. OAB/RJ nº114.499.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 Ementa: LUCRO REAL - CUSTOS OU DESPESAS — COMPROVAÇÃO. Apresentada prova documental exclui-se do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA — CORREÇÃO MONETÁRIA. A diferença, em cruzeiros reais, verificada entre o valor constante da nota fiscal e o valor das duplicatas ou camês, expressos em URV, relativos às operações a prazo, é considerada variação monetária (despesa) não cabendo a ativação. Também é incabível a ativação do principal por falta de fundamentação. CORREÇÃO MONETÁRIA DE BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. Considerada incabível a ativação, descabe o lançamento de correção monetária. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplica-se às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos.
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NACIONAL DE SEGUROS Recorrida 3' TURMA DR1 RIO DE JANEIRO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 Ementa: LUCRO REAL - CUSTOS OU DESPESAS — COMPROVAÇÃO. Apresentada prova documental exclui-se do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA — CORREÇÃO MONETÁRIA. A diferença, em cruzeiros reais, verificada entre o valor constante da nota fiscal e o valor das duplicatas ou camês, expressos em URV, relativos às operações a prazo, é considerada variação monetária (despesa) não cabendo a ativação. Também é incabível a ativação do principal por falta de fundamentação. CORREÇÃO MONETÁRIA DE BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. Considerada incabível a ativação, descabe o lançamento de correção monetária. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplica-se às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / r Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos DAR provimento ao recurso voluntário e NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. //W) SANTOS DE IMA — Presidente e RelataraALBERTINA SI Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antônio Bezerra Neto, Marcos Shigueo 'T'akata, Carmen Ferreira da Silva e Carlos Pelá. 2 P: °cesso ri° 10768 .017905/98-13 S I -C4T2 Acórclao n. 1402-00092 FI 2 Relatório 1— AUTUAÇÃO Trata-se de auto de infração com exigência do IRR1 e CSLL do ano- calendário de 1994, em razão das seguintes infrações: 1) Glosa de custos (item 1 dos autos): Em exame efetuado por amostragem, nos meses de maio, junho e agosto de 1994, grupo de contas 321 "despesas com sinistros", a fiscalização constatou que dos sinistros selecionados para a comprovação do dispêndio, alguns montantes ficaram sem apresentação de documentação, razão pela qual foi glosado o valor de CR$ 1 72,292.299,77, para maio, CR$ 508.460.740,56 para junho e R$ 27.866,77 para agosto. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) consta que houve a falta de apresentação do dossiê completo, composto por apólice de seguro, ocorrência policial quando fosse o caso, documentos internos da seguradora (cotações de mercado, avaliações/estimativas de consertos e /ou compras, comunicação do sinistro, planilha de cotação do seguro por ocasião do sinistro, laudos periciais, apresentação dos documentos do segurado, etc), recibos de quitação, isto é, toda a documentação hábil e idônea que se faz necessária para que a seguradora dê o devido andamento ao processo de sinistro; 2) Glosa de custos ou despesas não comprovados (itens 2.1 e 2.2 do TVF — constituição da reserva de sinistros): Valor apurado conforme exame efetuado na conta "reserva de sinistro-SP — sinistros a liquidar vida" e "sinistros a liquidar — outros ramos" no mês de dezembro, cujos valores selecionados não foram comprovados, em sua totalidade, glosando-se o montante de R$ 148.101,20 e de R$ 1.656.706,79, respectivamente. Em relação ao ramo vida, consta no TVF que a empresa registra em sua contabilidade, os montantes de comprovação e aprovação do documental apresentado pelo segurado, para solicitação de pagamento do sinistro. Foram selecionadas amostras de vários valores provisionados ao longo do mês de dezembro. No decorrer do teste, verificou-se que a contabilização de alguns montantes cujos dossiês que comprovassem efetivamente a consistência de suas contabilizações, em conta de provisão, não foram apresentados durante o trabalho fiscal ou encontram-se com o documental precário, não tendo sido, portanto, aceito. Para os outros ramos, a empresa registra todas as operações relacionadas com as solicitações de pagamentos de sinistros, que se encontram em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento, cuja contrapartida registra-se no grupo de contas — 321. Efetua assim uma provisão de dispêndios futuros. Da amostragem selecionada do mesmo mês demonstra os valores autuados; 3) Custos de aquisição de bens do ativo permanente, deduzidos indevidamente como custo ou despesa operacional, constantes da conta 36.995.1000000, no mês de junho, relativo a vários lançamentos totalizando CR$ 9.701.056,37. Consta no TVF que examinando a conta despesas financeiras eventuais CM n° 369951 do seu plano de contas, foram detectadas o lançamento de despesa, de diferenças da URV relativas a aquisições de bens do imobilizado, quando pela natureza do principal, deveriam também, estar imobilizadas, para posterior depreciação. Destacou que em um dos casos, o principal também não fora imobilizado, por ocasião da sua aquisição, razão pela qual o fez. Base legal: art. 195, 1, 244 e § 1° e 20 do RIR/94; 3 4) A matéria tributável descrita no item 3 do auto de infração, consigna a cobrança da correção monetária dos valores descritos nesse item, apurados até 31,12,94, em vista de que o saldo contabilizado da correção monetária credora, encontrar-se a menor. Para as infrações dos itens "1" e "2", também foi exigido o IRRE com base no art 44 da Lei 8,541/92 c/c art. 3° da Lei 9.064/95. Conforme TVE (fls. 38/39), o prejuízo de exercícios anteriores foi totalmente aproveitado no lançamento. A fiscalização partiu do valor de prejuízos declarados no SAPLI, que divergem dos valores constantes no Lalur — parte B do contribuinte, II— DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na impugnação, entre outras matérias, a contribuinte explica: 1. A conta "Sinistros" integra o Grupo de Contas que formam as Despesas Operacionais, segundo as Normas de Contabilidade c/a SUSEP(.) 2 Na citada conta de "Sinistros" são registrados.- 2.1 A débito.a valor atribuído à notificação, recebida do Segurado ou de seu Representante — o Corretor de Seguros legalmente habilitado pela SUSEP, comunicando à Seguradora a ocorrência de um dano ao objeto do seguro contratado por ele com a Seguradora. Elll termos práticos, esta rotina representa a "Abertura de Sinistro" que, conforme regra seguida por todo o Mercado Segurador, corresponde a registrar e valorar imediatamente as notificações recebidas dos Segurados/Corretores. A valoração do "Aviso do Sinistro" depende de dois Motes principais: qualidade da descrição da ocorrência e a experiência da Seguradora na fixação das indenizações anteriormente pagas CM eventos da mesma natureza. 2.2 Ainda a débito desta conta são registrados os valores dos pagamentos das indenizações devidas. As Empresas Seguradoras devido a prática reiterada do Mercado Segurador adota como método de controle interno exigir do beneficiário o recibo de quitação, adicionalmente à segurança de somente utilizar cheques nominais e cruzados para pagamento. 2,3 A crédito da conta "Sinistros" são registradas as reversões das provisões constituídas por ocasião do acolhimento das notificações recebidas dos Segurados/corretores, relativamente aos danos causados aos objetos segurados, 2.4 Em síntese, a conta "Sinistro" registra a débito as provisões constituídas e os pagamentos efetuados, e a crédito a reversão das provisões correspondentes àqueles pagamentos efetivados Tais lançamentos contábeis são suportados por "Avisos de Sinistros" e por recibos de pagamento de indenização, respectivamente. ) 3.1 Na atividade de seguros é muito comum a ocorrênca de descompasso entre os exercícios sociais e o reconhecimento 4 Processo n° 10768 017905/98-13 SI-C4T2 Acórdão ° 1402-00092 Fi 3 contábil de uma despesa operacional e sua realização .financeira. Por exemplo: "Sinistros Avisados" ao final de um determinado exercício social, e portanto, contabilizados como despesa operacional no mesmo ano, somente se materializam financeiramente no decorrer do exercício seguinte, podendo, em alguns casos, estender-se a anos subseqüentes, devido a divergências técnicas entre a Seguradora e o Segurado. Essa demora tem sua causa principal na eventualidade de se ter que aguardar um pronunciamento da Justiça, ou até mesmo, dos eventuais participantes da cobertura do risco (Cosseguradora.s e/ou IRB) 4. Não há :una unifbrmklade de procedimentos para análise de um sinistro, uma vez que, além de não existir uma norma específica da SUSEP sobre este tema, tais procedimentos dependem, em última instância, do Sistema de Controles Internos de cada Seguradora e das suas políticas de aceitação de riscos Na hipótese da hnpugnante, o processo de sinistro é claramente desmembrado em três atividades principais, cada uma delas com suas rotinas próprias de controle, quais sejam. 4.1 "Aviso de Sinistro": compreende, com , já foi mencionado, o registro contábil das notificações de danos recebidas dos Seguradores/Corretores. Convém aduzir que ao registrar contabihnente uni sinistro, somos responsáveis por lazer uma pré-análise do evento (segurado existe?, apólice está paga?, dano está coberto?, etc.), segregar recursos .financeiros do caixa livre da empresa, para compra de ativos financeiros que irão garantir a provisão de sinistro e por comunicar ao IRB ou a congêneres que participem do risco; 4..2 Análise da propriedade do sinistro: consiste na averiguação de todos os elementos envolvidos na ocorrência que gerou o dano ao objeto do seguro e na análise do enquadramento técnico do evento à cobertura comprada pelo Segurado. A averiguação dos elementos e a análise do enquadramento técnico são executados com maior ou menor profundidade, dependendo dos incidas de fraude que são observados no decorrer do trabalho. 4 .3 Liquidação do sinistro; corresponde ao pagamento da indenização, do ressarcimento junto a terceiros causadores do dano, a recuperação proporcional da indenização devida pelo 1RB e/ou co,sseguradoras e a posse dos salvados para posterior venda. (•••) Em suma, o que pretende a hnpugnante é demonstrar que: 1" O pagamento de uma indenização em um determinado mês/ano, não representa necessariamente Illna despesa operacional daquele momento, 2' Não existe uma Norma padronizar/ora do Processo de Sinistro As rotinas utilizadas pela hnpugnante para registrar um "Aviso de Sinistro", analisar sua propriedade e, finalmente, 5 pagar a indenização devida dependem dos sistemas de controle interno de cada seguradora do mercado, do grau de complexidade do evento, das eventuais evidências de fraude e da forma como o risco do segurado fbi assumido (concentração x pulverização do riSCO com cessão de parte da responsabilidade); 3" A comprovação do pagamento é o recibo de quitação ou o comprovante do depósito, a cópia do cheque emitido na forma nominal e o ato judicial quando se trata de uma decisão na Justiça o 1 1 4 Ao trabalha,.. com a reserva de sinistros ao final do mês de dezembro de 1994, de fato a Autoridade Fiscal revisou o estoque de sinistros pendentes de pagamento naquela data, o que não significa que na sua totalidade correspondem a sinistros contabilizados como despesa operacional naquele mês e até no próprio exercício. Por exemplo todos os sinistros grafados com dígitos de ano de competência inferior a 094 0 , representam despesas operacionais reconhecidas em exercícios anteriores. 2. A seguir, a Autoridade Fiscal se utiliza de dois argumentos para glosar a despesa operacional resultante da Provisão de Sinistros a Liquidar: "dossiês que comprovassem efetivamente a consistência de suas contabilizações em conta de provisão não fbram apresentados durante o trabalho fiscal" ou "encontram-se com o documental precário". Diante dessa premissa, voltamos a um tópico já comentado anteriormente.. qualquer Seguradora oficialmente estabelecida no Brasil está obrigada a constituir provisão contábil e _financeira para todo e qualquer sinistro que lhe fbr comunicado 2 1Desta . fbrnia, convivem na Provisão de Sinistros a Liquidar valores com diferentes etapas de comprovação. Por exemplo, pode-se ter na provisão um determinado valor suportado exclusivamente pelo "Aviso de Sinistro", pois o sinistro encontra-se na fase inicial de análise. Uni outro valor da mesma reserva pode estar suportado por toda documentação que precede o pagamento, de acordo com as exigências do Sistema de Controles Internos da Companhia. 2.2 Esta heterogeneidade documental não pode ser utilizada para invalidai .' um ou outro determinado valor, uma vez que refletem rotinas inerentes ao nosso negócio 3. Enfatizamos que a SUSEP está propondo que a partir do próximo ano as seguradoras constituam uma provisão, e, logo, reconheçam como despesa operacional verbas _suplementares para cobrir sinistros que sequer fbram comunicados à Seguradora Ressalte-se, que o mecanismo está em vigor desde 1964 e, á época da ocorrência do fato gerador, encontrava respaldo no art. 346 do R1R197, permitindo que as reservas técnicas sejam deduzidas a fim de determinar o lucro operacional das companhias de seguros e capitalização em cada exercício ( ) Processo o' 10768.017905/98-13 S1-C4T2 Acórdão n° 1402-00092 El 4 A Turma Julgadora determinou a realização de diligência para os seguintes fins: - Esclarecimento por parte da fiscalização quanto à divergência entre o saldo de prejuízos a compensar do SAPLI e do LALUR, com ciência ao interessado do demonstrativo da compensação de prejuízos no lançamento; - Em relação ao item 1 do auto de infração de 1RPJ, glosa de despesas com sinistros e item 2, custos ou despesas não comprovados, diante dos documentos apresentados na impugnação e demais que viessem a ser apresentados, que fosse relacionado uma a uma, as despesas com sinistros que foram comprovadas, associando-as aos correspondentes documentos aceitos como prova e que fossem relacionadas as despesas com sinistros que não foram comprovadas, justificando a rejeição da documentação correspondente que tenha sido apresentada como prova; - Em relação ao item 3 do auto de infração de IRPJ, bens de natureza permanente deduzidos corno custo ou despesa, quanto às despesas financeiras ativadas pela fiscalização, que fosse apresentado pela fiscalização demonstrativo dos valores escriturados corno despesas financeiras de variação da URV; os valores dos demonstrativos deveriam ser comprovados por meio de cópias dos documentos de aquisição e de quitação dos bens; quanto ao valor de CR$ 4,123,647, identificado como despesa de conserto, que fosse esclarecido pela fiscalização quais elementos de prova levaram à conclusão, de tratar-se de aquisição de programa de computador, A Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade e no mérito deu provimento parcial ao recurso, Em relação à glosa de custos (despesas com sinistros), item 1, transcrevo do voto: A fiscalização eletuou a glosa de despesas com sinistros tendo em vista que, dos sinistros selecionados por amostragem, alguns ficaram sem a apresentação de documentação que lhes desse??? respalda Na impugnação, o interessado alega que: a maioria dos processos de sinistro foi apresentada, sendo os documentos ignorados, o direito à exclusão das despesas decorrentes de provisões, quando efetivamente desembolsadas, foi garantido pelo RIR, só cabe a apresentação dos recibos refèrentes aos pagamentos dos sinistros; não cabe ao Fiscal exigir documentos internos, não obrigatórios por lei, apresenta esclarecimentos sobre a escrituração de despesas com sinistros e provisão de sinistros. Na diligência, a fiscalização apresentou quadro (fls 17.2/173) identificando os documentos apresentados pelo interessado e a localização destes no processo. No aditamento à impugnação, o interessado entende que o material fornecido permitirá concluir pela legitimidade das operações. 7 Os registros contábeis devem ser comprovados por documentos hábeis, conforme ar! 223, Ç I" do RIR/94, dispositivo que foi inclusive citado pelo interessado em sua impugnação A glosa ocorreu em face da falta de comprovação. O fato de ter a fiscalização, como alega o interessado, incluído no enquadramento legal, dispositivos es ti anhos à descrição dos jatos, como já visto, não prejudicou a ampla defesa No entanto, uma vez apresentada a documentação que amparou os lançamentos contábeis, cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade (art. 223, sç' 2', do RIR/94. Na diligência, em face da alegação do interessado de que os documentos apresentados .foram ignorados, ./bi solicitado que a .fiscalização justificasse a rejeição da documentação apresentada Em resposta, no Resultado da Diligência Oh 169/178), foi informado que o Termo de Verificação apenas menciona a falta de apresentação do dossiê completo, e que, deste modo, não há como avaliar a rejeição da documentação apresentada. Como não foi declinado o motivo da rejeição da documentação apresentada e a glosa foi em razão da fidta de comprovação, para que não haja cerceamento do direito de defesa, todos os doczunentos apresentados serão aceitos como prova Uma vez que, na diligência, conforme quadro de fl.s. 172/173, houve a apresentação de documentos referentes a todos os. valores glosados, o lançamento deste item deve ser cancelado Quanto a custos ou despesas não comprovados (Reserva de sinistros a liquidar — vida e outros ramos), a Turma Julgadora considerou o lançamento procedente em parte, pois o valor de R$ 536,175,38 foi considerado como não comprovado. Levou em conta que os registros contábeis devem ser comprovados. Esclarece que na diligência, a fiscalização juntou aos autos cópias dos documentos apresentados referentes ao subitem "Reserva de sinistros a liquidar — vida" (fis, 85 a 237, do Anexo III) e elaborou quadro (fls. 174/176) identificando os documentos apresentados referentes ao subitem "Reserva de sinistros a liquidar — outros ramos". Nesse quadro aponta a localização dos documentos juntados aos autos, assinala com "x" os documentos apresentados que foram examinados pela fiscalização e não foram juntados aos autos em face do enorme volume, e indica os valores para os quais não houve a apresentação de qualquer documento, assinalados com N/A. Destacou que na determinação de diligência, em face da alegação do interessado de que os documentos apresentados foram ignorados, foi solicitado que a fiscalização justificasse a rejeição da documentação apresentada. No resultado da diligência (fls. 169/178), foi informado que o Termo de Verificação apenas menciona que alguns dossiês encontram-se com o documental precário, sendo glosados os valores que não foram convenientemente comprovados, e que deste modo não há como saber o que não foi considerado convenientemente comprovado.. Ressaltou que como não foi declinado o motivo da rejeição da documentação apresentada e a glosa foi realizada em razão da falta de comprovação, para que não haja 8 Processo tf 10768.017905/98-13 S1-G1T2 Acórdão n 1402-00092 Fl 5 cerceamento do direito de defesa, todos os documentos apresentados foram aceitos como prova. Para os valores assinalados com N/A no quadro de lis, 174/176 e mencionados na decisão, no valor de R$ 536,175,38 não houve a apresentação de qualquer documento, e considerou-os não comprovados. Fundamentou sua decisão: No item 22 do TVF de fls. 38/46, a fiscalização aponta que selecionou "para teste, por amostragem, valores provisionados ao longo do mês de dezembro de 1994, para comprovação da sua consistência". Se os valores glosados foram provisionados em dezembro de 1994, não pode prosperar a alegação do interessado de que "ao trabalhar com a reserva de sinistros ao final de dezembro/94, de fato a autoridade fiscal revisou o estoque de sinistros pendentes de pagamento naquela data, o que não significa que na sua totalidade correspondem a sinistros contabilizados como despesa operacional naquele mês e até no próprio exercício". Quanto à infração de bens de natureza permanente deduzidos corno custo ou despesa: No item 3 do Termo de Verificação Fiscal de lis 38/46, a fiscalização aponta que "examinando-se a conta despesas financeiras eventuais CM n" 369951 do seu plano de contas., detectamos o lançamento de diferenças da URV (Unidade Real de Valor) relativas a aquisições de bens do ativo imobilizado, quando, pela natureza do principal, deveriam, também, estar imobilizadas, para posterior depreciação". Acrescenta que, em um dos casos, o principal, também, não foi imobilizado (valor de CR$ 4 123,647, "identificado como despesas com conserto, quando trata-se, na verdade, do valor de aquisição do programa ")„ Na impugnação, o interessado alega que procedeu tal qual estabelece a IN 20/1994, comentada na 'lota 623 do art. 322 do R1R/94. Na diligência, foi solicitada a apresentação de demonstrativo dos valores escriturados como despesas .financeiras de variação da UR V, comprovados através de cópias dos documentos de aquisição e de quitação de bens, e, quanto ao valor de CR$ 4 123 647, identificado como despesa de conserto, foi solicitado esclarecimento dos elementos de prova que levaram a conclusão, pela fiscalização, de tratar-se de aquisição de programa de computador. No Resultado da Diligência (fls 169/17$), foi apresentado o demonstrativo dos valores escriturados como despesas financeiras. de variação da URV (fl. 177), com indicação das fis onde foram juntados os documentos, e foi informado não ser possível esclarecer que elementos de prova levaram a conclusão, pela fiscalização, do valor de CR$ 4.1,23 647 tratar-se de aquisição de programa de computador. No aditamento à impugnação, o interessado discorre sobre a instituição da UR V, alega que a fiscalização está legislando, porque não faz qualquer menção legal ao dispositivo que 9 ampara sua compreensão, cita legislação e doutrina, e acrescenta que, quando muito, teria havido postergação Assiste razão ao interessado As contrapartidas das correções monetárias de obrigações em moeda nacional e as variações cambiais de obrigações em moeda estrangeira são despesas operacionais, na fbrma do artigo 322, do RIR/1994, independente do valor da obrigação vincular-se ou não à aquisição de bens do ativo permanente De acordo com a IN 20/1994, será considerada variação monetária a diferença, em cruzeiros reais, verificada entre o valor constante da nota fiscal e o valor das duplicatas ou carnês, expressos em UR 1", relativos às operações a prazo. O acórdão abaixo, também, enfrenta a tnatéria.' EMPRÉSTIMOS PARA AQUISIÇÃO DE ATIVOS — O custo dos empréstimos contraídos para aquisição de ativo fixo, na medida incorrida, constitui despesa dedutiM na apuração do lucro real (Ac. 1" CC 105-2.615/88 DO 01/09/1988), Desta fOrma, não há base legal para a conclusão da fiscalização de que as despesas financeiras devam ser imobilizadas Também não pode prosperar a ativação do valor de CR$ 4 123,647, por não ter sido esclarecido que elementos de prova levaram à conclusão, pela fiscalização, de ti atar-se de aquisição de programa de computador O lançamento deste item deve, então, ser cancelado. Em relação à correção monetária de bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa, uma vez considerada indevida a ativação, a Turma Julgadora concluiu que não há que se falar em correção monetária de bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa, sendo cancelada essa exigência. Em relação a compensação de prejuízos, na diligência o interessado tomou ciência do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPL1) e foi esclarecido quanto à divergência entre o saldo de prejuízo fiscal deste e do LALUR. De acordo com consulta de fls. 209/211, os valores do Lucro Real e os da Compensação de Prejuízos constantes do SAPLI (ano-calendário de 1994), são os declarados (fls. 3/23), com exceção dos relativos ao mês de dezembro, onde constam as alterações efetuadas, em face do acórdão 4.579/2003 (fls. 146/149), proferido no processo nü 1078.027223/99-82, Na apuração do crédito tributário de IRPJ devido, foi efetuada a compensação da glosa mantida, no montante de R$ 536.175,38, fato gerador de 31.12.1994, com o saldo de prejuízos constantes do SAPLI. Assim, em relação ao IRRI, do valor mantido de R$ 536.175,38 foi compensado o prejuízo do ano-calendário de 1992, no valor de R$ 452.293,00 (fl, 210) e do ano-calendário de 1994 de R$ 158,00, restando corno valor tributável R$ 83,724,38. Para a CSLL, foi compensado a base de cálculo negativa de períodos anteriores (fls. 213), restando como saldo tributável o valor de "zero". 'Em relação ao IRRF, rejeita a alegação do interessado de que o art, 44 da Lei 8.541/92 já revogado trata de omissão de receitas, infração que não lhe foi imputada, porque o dispositivo trata não apenas de receita omitida, mas também da diferença verificada 10 11 Processo n° 10768 017905/98-13 SI-C4T2 Acórdão n 1402-00092 H 6 na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida de lucro líquido. Estendeu o decidido em relação ao IRR1 à exigência do IRRF. Também a alegação do interessado no sentido de que os artigos citados no enquadramento legal são genéricos e que não sabe o que infringiu, por se tratar de lançamento por decorrência, não se sustenta, pois de acordo com o art. 2° da Lei 7.689/88, constante do enquadramento legal, a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Portanto, a não comprovação de custos/despesas (único item mantido, em parte) afeta a base de cálculo do IRAI e também da CSLL, III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO A decisão foi cientificada ao contribuinte em 25,07.2005 e o recurso foi recepcionado em 24,08.2005, Argumenta a legitimidade da produção de prova após a apresentação da impugnação, em razão de necessária apreciação dos documentos juntados aos autos por meio do recurso, sob pena de locupletamento sem causa do Estado. Aduz que pela dicção do art, 5°, inciso LV, o processo administrativo tem raízes na Constituição Federal, que por seu turno impõe princípios tais como, o da ampla defesa e do contraditório. Ressalta que há ainda outros princípios que devem ser respeitados, o princípio da legalidade, da oficialidade, do informalismo e da verdade material. Alega que o § 2' do art. 16 do Decreto 70,235/72 veda a juntada de provas e documentos após a apresentação da impugnação. As exceções à regra encontram-se elencadas nas alíneas do § 40 do art. 16, cabendo ao contribuinte demonstrar de forma clara a necessidade da produção da prova para o melhor deslinde do caso e o motivo de sua impossibilidade de produção quando da apresentação da impugnação, mas que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem abrandado o rigor desta norma, tendo em vista que esta impede que se alcance a verdade material. Faz referência ao inciso III do art, 3' da Lei 9,784/99 que é direito do administrado a apresentação de alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, para concluir que, por isso, a disposição do Decreto não pode subsistir perante a garantia constitucional de ampla defesa e do contraditório, ambos reiterados como garantias do contribuinte no art. 2° da Lei 9.784/99. Afirma que o entendimento da impossibilidade de juntada de provas após a impugnação, não deve prosperar, pois se baseia em premissa equivocada de que a lei teria tido a intenção de vedar a juntada de documentos posteriormente à apresentação da impugnação, mas, se fosse assim, a lei teria ido de encontro aos princípios constitucionais mencionados, e que o próprio Regimento dos Conselhos, em seu § 70 do art, 18, permite a apresentação de provas e documentos enquanto o processo estiver com o relator. Conclui que na busca da verdade material e em respeito aos princípios de ampla defesa e do contraditório, e com base no permissivo do Conselho de Contribuintes, encontra forte sustentação a produção de provas com a juntada de documentos posteriormente à apresentação da impugnação, ainda que em fase de recurso. Aduz que do lançamento mantido, que se refere à glosa das despesas com sinistros, restaram mantidos apenas os valores que não foram devidamente comprovados com documentos capazes de elidir as glosas pela suposta falta de comprovação das despesas com sinistros e da constituição da reserva de sinistros, que pela natureza, são contas intimamente ligadas. Em princípio a glosa foi efetuada por entender a fiscalização que contribuinte deveria apresentar toda a documentação relacionada com os dois itens citados. Ressaltou que na impugnação, às fis, '7, demonstrou que de fino, a autuada apresentou às autuantes documentos mínimos, suficientes e capazes de demonstrar, por amostragem, a origem dos documentos que compuseram alguns contratos de seguros firmados com terceiros, e principalmente, os recibos de pagamento, em liquidação dos sinistros, devidamente contabilizados, Acrescenta que a documentação solicitada estava espalhada em outras dependências do contribuinte ou até mesmo de posse de seus advogados, não sendo por esta razão, anexada no momento da apresentação da impugnação. Devido ao volume das solicitações feitas pela fiscalização e à diversidade das operações de seguros exercidas pela recorrente foi impossível de ser atendido, ao menos a tempo do prazo para impugnação. Cita trechos do TVF das autuantes. Assim, juntou os documentos que entende que podem demonstrar a contento as despesas com sinistros e a constituição da reserva de sinistros, e que se pode visualizar melhor por meio da planilha anexa. Pede ao final, que se julgue insubsistente o auto de infração e lançamentos decorrentes e caso assim não se entenda, que sejam os autos baixados à origem, possibilitando a análise criteriosa da documentação anexada ao recurso, para que se chegue à conclusão sobre a legitimidade das despesas com sinistros levados a efeito pela recorrente e ainda insubsistentes. IV — DA RESOLUÇÃO 107-00.684 E DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Na sessão de 07.11.2007, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para as seguintes providências relacionadas com a matéria objeto do recurso voluntário: a) A autoridade fiscal deveria verificar se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também deveria se manifestar em relação à documentação apresentada com o recurso; b) A autoridade fiscal deveria providenciar relatório conclusivo a ser cientificado à interessada. A autoridade responsável pela realização da diligência, com base na análise dos documentos apresentados pela contribuinte no recurso voluntário, relativos aos valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar, constatou o seguinte conforme quadro abaixo: 12 É o relatório, Processo tf 10768 017905/98-13 Acórdão n " 1402-0(1092 SI-C4T2 Fl 7 Síntese das constatações do AFRF que realizou a diligência NI' do Sinistro Constatação 1 Prov. Contábil da reserva em 1991. Particip. Seg. debitada 1R13 02/92. O valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992. (sinistro de cosseguro aceito if 11.00049.91, valor de R$ 8.478,47). 2 a 5, 7, 10 a 19, 21, 23 a 24 Prov. Contábil em 1994 ou 1993. Seguro pago após o ano-calendário de 1994 6, 9 De acordo com a tela do sistema de sinistros da Generali, fls. 381 (6) e lis.. 485 (9), a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 14.11.94, data da provisão contábil da reserva. Foi liquidado em 12,01.95 (6) e em 05,01.95 (9), por pagamento. Não foram apresentados documentos que comprovassem o pagamento do sinistro. 6: 53.00269.94 — R$ 7.934,34; 9: 22.00080.94 — R$ 7.008,00. 8 De acordo com a tela do sistema de sinistros da General' (fls. 479), a ocorrência do sinistro foi avisada à empresa em 01.09.2003, data da provisão contábil da reserva. O sinistro manteve-se pendente até à data da sua anulação, ocorrida em 19.06.95, sem pagamento de indenização, conforme descrito em tela do sistema de fls. 478, — sinistro 53.00185.93 — R$ 10.933,14 — (obs. Mantido o encerramento do sinistro s/i, haja vista que conforme sentença anexada ao M1-449/96 do Gejur/MZ, a Generali foi excluída do feito pela prescrição do caso 10.06.96.) Engano da fiscalização20 99 Prov. Contábil em 09/91 O pagamento do sinistro não ocorreu - valor R$ 74.344,45. — sinistro 15.00003.93.001 95 De acordo com informações constantes na tela do sistema de sinistros da General', fls. 1088, a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 02.02.94, data de seu provisionamento contábil e liquidado sem pagamento de indenização em 11.12.96. — sinistro 31.00016.94- Valor R$ 11.194,93. V — DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE Entende que juntou ao processo os documentos que podem demonstrar a contento que as glosas das despesas com sinistros e da constituição da reserva de sinistros referidas nos itens 1 a 5,7 e 8, 1 O a 21 e 23 a 25 não prosperam. No que se refere à glosa da despesa com sinistro referente aos itens 6 e 9 do relatório da diligência fiscal, em que pese não ter sido localizado o documento comprobatório do pagamento da indenização do sinistro ao segurado é possível concluir pela sua legitimidade à vista do registro da liquidação e baixa da respectiva provisão contábil, tal como consignado pelo AFRF à fl, 3 do relatório. Salienta que apenas a despesa referida no item 22 do relatório, tem registro de que não houve pagamento de indenização ao segurado, uma vez que constatadas irregularidades em relação ao sinistro ocorrido. 13 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Relatora RECURSO DE OFÍCIO O recurso de oficio atende às condições de admissibilidade. Dele conheço.. Em relação à glosa de despesas com sinistros (item 1 dos autos), alguns montantes não foram comprovados, por falta de apresentação de dossiê completo. Foi determinada pela DRJ, a realização de diligência, com o objetivo de identificar as razões da glosa para cada item, entretanto, como resultado, o autor da diligência não conseguiu identificar tais razões e indicou na planilha de fls. 172/173 que houve a apresentação de algum tipo de documentação. A Turma Julgadora concluiu que como não foram declinadas as razões para a não aceitação da documentação e tendo a diligência indicado que houve a apresentação de documentos diversos, para que não houvesse cerceamento do direito de defesa, considerou como comprovadas as referidas despesas. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora. Quanto a glosa de custos ou despesas não comprovados. O valor da glosa foi apurado conforme exame efetuado na conta reserva de sinistro-SP "sinistros a liquidar vida" e "sinistros a liquidar — outros ramos" grupo de contas 321, no mês de dezembro, cujos valores selecionados não foram comprovados, glosando-se o montante de R$ 148.101,20 e de R$ 1.676,706,79, respectivamente. A glosa foi efetuada seja pela ausência de documentação, seja por considerar os documentos apresentados precários, Em relação ao ramo vida, consta no TVF que a empresa registra, sob a denominação de reserva de sinistros a liquidar — ramo vida, todas as operações relacionadas com as solicitações de pagamentos de sinistros, que se encontram em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento. Efetua assim uma provisão de dispêndios futuros. Também para a conta sinistros a liquidar — outros ramos, a empresa registra em sua contabilidade, sob a denominação de sinistros a liquidar seguros, sinistros a liquidar recuperação de cosseguro cedido e sinistros a recuperar de reseguro 5/seguro, todas as operações relacionadas com as solicitaões de pagamentos de sinistros, que encontram-se em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento, cuja contra-partida registra-se no grupo de contas 321. Para a apreciação dessa matéria, a Turma Julgadora se valeu do mesmo raciocínio aplicado à apreciação da infração anterior', com a diferença que o autor da diligência indicou para alguns itens que não foram apresentados nenhum documento, o que resultou na manutenção da glosa de R$ 536..175,38, por falta de apresentação de qualquer documento comprobatório, e exclusão do lançamento do valor glosado de R$ 1.288,632,61,, por ter sido apresentado algum documento de comprovação,. Concordo com tal exclusão pelas razões expostas pela Turma Julgadora. Quanto à infração relativa a glosa de despesas financeiras eventuais CM tf 369951 do seu plano de contas, segundo a fiscalização houve lançamento de despesa, de diferenças da URV relativas a aquisições de bens do imobilizado, quando pela natureza do principal, deveriam também, estar imobilizadas, para posterior depreciação. Destacou que em um dos casos, o principal também não fora imobilizado, por ocasião da sua aquisição, razão pela qual o fez. 14 Processo n° 10768 017905198-13 S1-C4T2 Acórdão n° 1402-00092 F1 8 Segundo a decisão da Turma Julgadora, as contrapartidas das correções monetárias de obrigações em moeda nacional e as variações cambiais de obrigações em moeda estrangeira são despesas operacionais, na forma do artigo .322, do RIR11994, independentemente do valor da obrigação vincular-se ou não à aquisição de bens do ativo permanente. Transcrevo referido artigo: Art. 322. Na determinação do lucro operacional poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigaçõe.s e perdas cambiais e inonciárias na realização de créditos (Decreto-Lei n° 1.598/77, art. 18, parágrafo único). Entendeu a Turma Julgadora que não há base legal para a conclusão da fiscalização de que as despesas financeiras devam ser imobilizadas. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora. Quanto ao valor de CRS 4,123,647,00 identificado como despesa de conserto, que a fiscalização diz tratar-se de aquisição de programa de computador e como tal deveria integrar o imobilizado, foi determinada a diligência para esclarecimento dos elementos de prova que levaram a tal conclusão e o autor da diligência não conseguiu tais elementos de prova, A Turma Julgadora excluiu tal valor do lançamento. Concordo com as razões da Turma Julgadora, Nesse caso, o ônus da prova é do fisco. Conseqüentemente, a infração relativa a correção monetária credora a menor que a devida (infração 4 dos autos), decorrente da infração anterior, deve acompanhar a mesma decisão. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade. A fiscalização identificou valores provisionados em reservas de sinistro a liquidar (vida e outros ramos), que não foram comprovados, razão pela qual foram glosados. Consta no TVF, de lis. 40/41 o seguinte: a) Reserva de sinistros a liquidar vida: A empresa registra em sua contabilidade, sob a denominação de reserva de sinistros a liquidar, ramo vida, os montantes a serem pagos quando do encerramento do processo de comprovação e aprovação do documental apresentado pelo segurado, para solicitação do pagamento do sinistro, A fiscalização selecionou vários valores provisionados ao longo do mês de dezembro de 1994. A empresa não apresentou documentos que comprovassem a consistência da contabilização em conta de provisão ou a documentação apresentada foi inconsistente. b) Reserva de sinistros a liquidar — outros ramos: A empresa registra em sua contabilidade (contas 222) sob a denominação de sinistros a liquidar (seguros, recuperação de seguro cedido) e sinistros a recuperar de reseguro s/seguro, todas as operações relacionadas com as solicitações de pagamentos de sinistros, que encontram-se em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento, cuja contrapartida registra-se no grupo de contas 321. Efetua assim, uma provisão dos dispêndios futuros. A empresa não apresentou documentos que comprovassem a consitência da contabilização em conta de provisão ou a documentação apresentada foi inconsistente, A Turma Julgadora reduziu a glosa para R$ 536,175,38, Manteve esse valor, em razão de a contribuinte não ter apresentado qualquer documento para comprovação do valor provisionado. Portanto, está em discussão apenas a glosa da provisão de sinistros a liquidar', no valor de R$ 536.175,38, posto que, para esse valor a contribuinte, na impugnação, não apresentou qualquer tipo de documentação para fins de comprovação. Com o recurso, a contribuinte apresentou diversos documentos. Na sessão de 07.11.2007, o recurso foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal verificasse se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também para que se manifestasse em relação à documentação apresentada com o recurso. As constatações da autoridade fiscal constam no quadro aposto no relatório acima.. Para a provisão relativa aos sinistros dos itens 2 a 5, 7, 10 a 19 e 21, 23 a 24, os mesmos foram liquidados por pagamento posteriormente ao encerramento do ano-calendário de 1994. Deve-se excluir do lançamento os correspondentes valores tributáveis, em razão da documentação apresentada. Também deve ser excluído o valor relativo ao sinistro do item 20, devido a engano da fiscalização. Para os itens 6 e 9 há registros contábeis de que houve pagamento e há avisos dos sinistros. Para os sinistros dos itens 8 e 25, há avisos dos sinistros e informação de que estiveram pendentes até à data da sua anulação, sem pagamento de indenização. Na mesma linha de raciocínio utilizado no julgamento do recurso de oficio, deve-se aceitar a documentação apresentada como prova. Também para os demais itens está comprovado documentalmente a consistência das contabilizações, em conta de provisão. Aplica-se às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos. CONCLUSÃO Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 26/01/2010 71.9- r? C-- Albertina /Silv Santos de Lir 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO QUARTA CÂMARA Processo n°: 107680179059813 Interessado : GENERAL1 DO BRASIL CIA NACIONAL Acórdão n° : 1402-00092 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial ir' 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, /ie I 2-04-) od ri gues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [3 apenas com ciência; [j com Recurso Especial; [ com Embargos de Declaração. MINISTÉRIO DA FAZENDAL, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO— QUARTA CÂMARA Processo n° : 10768017905981.3 Interessado : GENERAL! DO BRASIL CIA NACIONAL TERMO DE JUNTADA I" Seção/4n Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1402-00092, assinado digitalmente, às tis, ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para ciência do procurador. Brasília, Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 10680.003343/2005-91
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, nos termos do voto da relatora. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente substituta e relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida. Ausente justificadamente Daniel Maris Gudiño. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 255.852,95, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 2 2 A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF). fls. 12/15, elaborado pela Fiscalização: De acordo com o estatuto da fiscalizada, a Inspetoria Madre Mazzarello IMM é uma associação civil, sem fins lucrativos, de caráter beneficente, educacional e de assistência social. Entre as atividades desenvolvidas pela fiscalizada temos: supervisionar, assessorar e acompanhar as atividades dos institutos educacionais e de assistência fundados pela IMM ou que por ela venha a ser criados ou filiados à mesma, dentro do território de suas jurisdição. Ainda, conforme o estatuto, constam as atividades: g) firmar convênios e contratar, com terceiros ou com entidades congêneres, inclusive com suas afiliadas, para a prestação recíproca de serviços, a locação ou cessão de direitos de uso de bens, móveis, e de equipamentos, fazendoo também com entidades de direito público; h) manter filiais e entidades com personalidade jurídica própria, podendo delas receber e a elas repassar contribuições e recursos humanos e financeiros, podendo criar novas, ou extinguir filiais já existentes, consolidandoas ou incorporandoas a outras, mediante decisão da Diretoria, devidamente registrada em Ata e “ad referendum” do conselho Inspetorial. De acordo com o art. 8º do estatuto, constituem rendimentos da INSPETORIA as rendas e contribuições resultantes dos serviços educacionais; donativos, legados, subvenções de entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais; remunerações de serviços que venha a prestar; resultados da exploração de atividade econômicas em estabelecimentos próprios ou de terceiros; repasses e reembolsos oriundos das afiliadas, mediante contratos ou convênios; locação de bens móveis e imóveis e outras fontes que vierem a ser criadas. Da análise dos lançamentos contábeis da fiscalizada, concluise que uma parcela substancial de seus recursos originase de doações efetuadas por pessoas jurídicas, principalmente aquelas pessoas jurídicas vinculadas à mesma e por pessoas físicas em especial pelas irmãs vinculadas à Inspetoria. Não consta DCTF para a fiscalizada. Pelos dados levantados no SINAL06, durante o período objeto da auditoria não houve recolhimento de tributos em nenhum mês que ultrapassasse o limite de R$ 10.000,00, que obrigaria a instituição a apresentar a DCTF (inciso I do art. 2º da IN 73/96). Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 3 3 Não foi constatado nenhum recolhimento de Cofins para o período objeto da ação fiscal. Diante destes fatos foi montada a planilha RECEITAS TRIBUTÁVEIS (fls. 16) sendo itens integrantes da mesma, aquelas receitas que não são próprias da atividade de uma instituição de assistência social. Foram consideradas, portanto, as receitas constantes das seguintes contas: 1385 – Rendas de Produtos; 10004 – Rendas de Produtos; 1390 – Contribuições e Promoções; 1543 – Alugueis Recebidos; 1647 – Receitas Financeiras; 1870 – Correção Monetária de Investimentos. Cientificado em 11/03/05 (fls. 04), o interessado apresentou, em 08/04/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 141/165, acompanhado dos documentos de fls. 166/187, com as suas razões de defesa, assim resumidas: A impugnante refuta veementemente os argumentos da fiscalização, fundamentando a sua pretensão na imunidade objetiva que lhe assegura a constituição Federal de 1988. A impugnante é entidade que presta exclusivamente serviços de assistência social e educação, sendo beneficiária da imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, “c” e 195, § 7º da CF/88. Conforme consta do art. 2º de seu Estatuto Social, a impetrante é pessoa jurídica de direito privado, associação civil, sem fins lucrativos, de caráter educacional, beneficente e de assistência social. Desde a sua constituição a impugnante vem se beneficiando da imunidade tributária prevista na Constituição da República, sendo que os novos e inusitados contornos para o gozo do benefício traçado pela legislação em que se fundamenta o Auto de Infração objeto da presente impugnação, são conflitantes com o dispositivo constitucional, causando óbices ao benefício imunitório em desacordo com o disposto na Carta Magna. A jurisprudência já í unânime no sentido de que as normas insculpidas no art. 195, § 7º da Constituição Federal referemse à imunidade, e como tal a sua interpretação tem sentido amplo. Por outro lado, também a norma que regula a imunidade foi trazida ao mundo jurídico pela Lei Complementar nº 70/91, não podendo ser alterada por Medida provisória. Finalmente, a Instrução Normativa nº 247/2002 ainda extrapola todos os limites quando define o que seja “receitas vinculadas à atividade”. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 4 4 A Constituição de 1988 não autoriza a manutenção da tese de que a lei ordinária possa cumprir o papel de regular as imunidades, exigindo expressamente que tal regulação se dê por meio de Lei Complementar, conforme se depreende do preceito insculpido no art. 146, II. A Medida Provisória 2.15835 acabou por revogar o art. 6º da Lei Complementar 70/91 e posteriormente disciplinou a imunidade, impropriamente chamada de isenção, limitandoa às receitas derivadas de suas atividade próprias, colidindo frontalmente com os preceitos constitucionais. Nessas condições o raciocínio lógico nos conduz à interpretação de que também a impugnante se beneficia da imunidade estabelecida no art. 195, I, parágrafo 7º da CF/88, também no campo das contribuições sociais (que segundo o atual conceito constitucional, tem natureza tributária), sendo absolutamente inconstitucionais as alterações da MP 2.158. O dispositivo constitucional nos remete à lei complementar como competente para disciplinar as hipóteses em que são aplicáveis as imunidades (para o caso de contribuições sociais, impropriamente chamadas de isenções, previstas no parágrafo 7º do art. 195 da CF), sendo interessante evidenciar que as condições encontramse estabelecidas no art. 14 da Lei 5172/66 (CTN). O cerne da questão reside em saber se a impugnante preenche os três requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN, o que pela documentação juntada, não resta a menor dúvida. O tema relativo à natureza jurídica das contribuições sociais também já não comporta maiores discussões, pois tanto a doutrina quanto a jurisprudência brasileiras, mormente depois da Constituição Federal de 1988, são unânimes em reconhecerlhes a natureza tributária. O art. 146, III, diz que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente definição de tributos, suas espécies, bem como em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores bases de cálculo e contribuinte, obrigação, lançamento, rédito, prescrição e decadência tributária, adequar o tratamento tributário ao ato cooperativo praticados pelas sociedades cooperativas. Então o regime jurídico dessas contribuições é o regime jurídico dos tributos. O que diz o art. 150, I? “Exigir ou aumentar tributos sem que a lei o estabeleça”. Este artigo veda que a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal exijam ou aumentem tributos sem que a lei os estabeleça. Então, essas contribuições estão plenamente sujeitas ao princípio da legalidade, e também ao princípio da anterioridade, inc. II, a e b ... (ou ao § 6º do art. 195). Requer o cancelamento do auto de infração.” Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 5 5 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0217.868 de 26/05/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento para manter o crédito tributário, posto que o contribuinte não se caracteriza como uma entidade filantrópica de assistência social e as receitas decorrentes da prestação de serviços educacionais, não se enquadram como receitas de atividades próprias e foram corretamente tributadas pela Cofins. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência das diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos à Receita Federal, resultando um crédito tributário de COFINS. Como se observa, a Inspetoria está pleiteando o cancelamento do auto de infração sob a alegação de que as receitas incluídas na base de cálculo da Cofins são receitas operacionais, portanto, próprias de suas atividades. As receitas sobre as quais o Fisco está exigindo o pagamento da Cofins são as seguintes: a) 1385 – Rendas de Produtos; b) 10004 – Rendas de Produtos; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 6 6 c) 1390 – Contribuições e Promoções; d) 1543 – Aluguéis Recebidos; e) 1647 – Receitas Financeiras; f) 1870 – Correção Monetária de Investimentos. Tendo em vista que o cerne do litígio vem a ser, quais são, afinal, as “receitas relativas às atividades próprias” da contribuinte? Ou melhor, são as receitas financeiras, rendas de produtos etc “receitas das atividades próprias” da recorrente? Tais receitas tributadas pela Fiscalização (receitas financeiras, rendas de produtos, aluguéis, contribuições e promoções) a questão é de interpretação do alcance da expressão “receitas relativas às atividades próprias das instituições a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532/97”, que estão isentas da Cofins, por força dos dispositivos da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a seguir reproduzidos. Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Lei nº 9.532/1997 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Diante dos fatos relevantes e para minha convicção, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, no intuito de: detalhar o que são rendas de produtos, contribuições e promoções; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10680.003343/200591 Resolução n.º 3201000.287 S3C2T1 Fl. 7 7 esclarecimentos perante a Inspetoria sobre os aluguéis recebidos, bem como receitas financeiras e os investimentos efetuados; verificar se a recorrente possuía certificado de entidade filantrópica no período objeto de discussão; verificar e identificar se a recorrente preenche os requisitos da Lei n.º 9.532/1997, quais sejam: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; e, f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes. Portanto, elaborar Relatório sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer outros fatos. Realizada a diligência, devese dar vista ao contribuinte e também a PGFN e querendo manifestaremse no prazo de 30 (trinta) dias; após, encaminhados os autos para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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