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Numero do processo: 10380.006225/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO PENALIDADE
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os toTais recolhidos
SUCESSÃO MULTA
A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO PENALIDADE Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os toTais recolhidos SUCESSÃO MULTA A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor Recurso Voluntário Negado.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006225/200781 Acórdão n.º 240201.762 S2C4T2 Fl. 191 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 8), a empresa apresentou à auditoriafiscal os Livros Diário/Razão, relativo ao período de 01/1997 a 04/2006 e da análise da referida escrituração contábil foi constatada a existência de lançamentos contábeis efetuados a título de despesas correspondentes a pagamentos de contribuintes individuais, em contas com diversos títulos, as quais foram discriminadas, por amostragem, na planilha do anexo I. Nas referidas contas foram lançadas, também, diversas espécies de despesas, deixando desta forma o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma a identificar, clara e precisamente, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. É informado que a empresa "Vulcabrás do Nordeste S/A", CNPJ: 00.954.394/000117, incorporou a empresa "Ril Brasil Comercial e Importadora Ltda", CNPJ: 68.103.159/000175, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária registrada na Junta Comercial do Estado do Ceará, sob protocolo n° 03/047.2741 de 17/10/2003. De igual modo, a auditoria fiscal verificou que a empresa incorporada também efetuou lançamentos a título de despesas correspondentes a pagamentos de contribuintes individuais em diversas contas, discriminadas na planilha do anexo I. A empresa foi intimada da autuação em 24/11/2006 e apresentou defesa (fls. 106/118) onde alega que procedeu a um pormenorizado detalhamento (descrição, conta, data, valor e histórico) de todas as despesas lançadas em sua contabilidade. Afirma que no próprio anexo I constante do presente auto de infração lavrado pela fiscalização foram devidamente identificadas todas as despesas lançadas na contabilidade da Defendente, não havendo que se fundamentar a presente autuação em suposta dificuldade de identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Argumenta que a forma de contabilização adotada pela Defendente permite a clara identificação das despesas incorridas. Aduz que se a fiscalização teve alguma dificuldade de compreensão da origem dos registros contábeis da Defendente e de sua sucedida, poderia têla afastado mediante simples solicitação de esclarecimentos e, se não o fez, o foi por comodidade que não poderá render penalidade à Defendente. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006225/200781 Acórdão n.º 240201.762 S2C4T2 Fl. 192 4 Entende que parte do AI ora combatido deveria ser revisto, eis que à empresa —Vulcabrás do Nordeste S/A— não podem ser imputadas eventuais infrações cometidas pela Ril Brasil Comercial e Importadora Ltda. Informa que grande parte das supostas infrações que deram azo ao presente AI (declarações incorretas), se é que ocorreram, foram praticadas pela empresa Ril Brasil Comercial Importadora Ltda, muito antes da sucessão ocorrida em 10/2003, quando a Defendente assumiu a referida empresa. Menciona jurisprudência para concluir que a pena por descumprimento de obrigações acessórias por parte da incorporada não pode ser imputada a incorporadora. Por fim, solicita que a multa seja ao menos atenuada, haja vista que grande parte da suposta infração teria sido cometida pela empresa incorporada. Pelo Acórdão nº 1119.957 (fls. 146/152) a 7ª Turma da DRJ/Recife (PE) considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 157/170) onde efetua repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006225/200781 Acórdão n.º 240201.762 S2C4T2 Fl. 193 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente foi autuada por ter deixado de cumprir a obrigação tributária acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Como argumento a recorrente alega que a forma de contabilização adotada por esta permite a clara identificação das despesas incorridas e que não havia que se fundamentar a presente autuação em suposta dificuldade de identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Asseverese que o que fundamentou a presente autuação não foi qualquer dificuldade em identificação de fatos geradores, mas o fato de a recorrente haver efetuado lançamento de despesas correspondentes a fatos geradores de contribuição previdenciárias em contas onde também eram lançadas outras despesas. A recorrente alega que não há uma determinada divisão obrigatória de Contas no Livro Razão, cabendo a cada empresa formatar seu Livro da melhor forma possível. De fato, ocorre que ao efetuar a divisão de contas, a empresa necessita observar o que determina a lei, no caso, manter títulos próprios para o lançamento de fatos geradores de contribuições previdenciárias e, como títulos próprios entendase aqueles destinados exclusivamente ao lançamento de tais fatos geradores não sendo admissível o lançamento de outros valores. Quanto à alegação de que não caberia a presente autuação face à impossibilidade de aplicação de multa na sucessora por infrações cometidas pela sucedida melhor sorte não cabe à recorrente. Cumpre frisar que o que ensejou a autuação não foi exclusivamente o descumprimento da obrigação acessória pela sucedida, tão somente. O Relatório Fiscal é claro no sentido de que também a Vulcabrás do Nordeste S/A efetuou contabilizações em desacordo com a legislação. Sendo a multa em questão única independente da quantidade de eventos verificados, considerase bastante para manutenção da autuação uma única contabilização indevida efetuada pela própria sucessora. Pela razão acima é que também não se pode acolher a solicitação de que a multa seja parcialmente atenuada face ao fato de que grande parte da suposta infração teria sido Fl. 212DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006225/200781 Acórdão n.º 240201.762 S2C4T2 Fl. 194 6 cometida pela empresa incorporada uma vez que, conforme já tratado a multa aplicada independe do tempo bastando uma única ocorrência para sua manutenção. No entanto, há que se afastar a alegação de que não caberia a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória por parte da sucedida. A recorrente menciona os artigos 132 e 133 do CTN para concluir que a incorporadora apenas responderá pelos tributos devidos pela empresa incorporada. E, certamente, os tributos não incluem as penalidades pecuniárias pelo descumprimento de obrigações acessórias. A recorrente incorporou a empresa "Ril Brasil Comercial e Importadora Ltda" em 17/10/2003, ou seja, posteriormente à ocorrência do descumprimento da obrigação acessória e, na condição de sucessora, é responsável pelo pagamento da multa aplicada. Entendo que ao contrário do que alegou a recorrente os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa deles decorrente, bem como pela multa em infrações. Tal entendimento está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça abaixo colacionada. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM EMBARGOS À EXECUÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SUCESSOR EMPRESARIAL POR INFRAÇÕES DO SUCEDIDO. ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRECEDENTES. 1. Em interpretação ao disposto no art. 133 do CTN, o STJ tem entendido que a responsabilidade tributária dos sucessores estendese às multas impostas ao sucedido, sejam de natureza moratória ou punitiva, pois integram o patrimônio jurídico material da sociedade empresarial sucedida. 2. "Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento" (REsp n. 592.007/RS, Rel. Min.José Delgado, DJ de 22/3/2004). 2. Recurso especial provido. 1 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1 REsp 1085071 / SP, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 08/06/2009 Fl. 213DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10380.006225/200781 Acórdão n.º 240201.762 S2C4T2 Fl. 195 7 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. 2 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira 2 REsp 959389 / RS, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, DJe 21/05/2009 Fl. 214DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.727242/2013-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 23/09/2008
ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126
Nos termos da Súmula CARF nº 126, A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/09/2008
CONSTITUCIONALIDADE DA ALÍNEA E DO INCISO IV DO ART. 107 DO DL Nº 37/66. SÚMULA CARF Nº 2
De acordo com a Súmula carf nº 2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3001-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, no mérito, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos que questionavam a constitucionalidade da alínea e do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que dava provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2008 ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos da Súmula CARF nº 126, A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/09/2008 CONSTITUCIONALIDADE DA ALÍNEA E DO INCISO IV DO ART. 107 DO DL Nº 37/66. SÚMULA CARF Nº 2 De acordo com a Súmula carf nº 2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, no mérito, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos que questionavam a constitucionalidade da alínea e do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que dava provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos da Súmula CARF nº 126, “A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/09/2008 CONSTITUCIONALIDADE DA ALÍNEA “E” DO INCISO IV DO ART. 107 DO DL Nº 37/66. SÚMULA CARF Nº 2 De acordo com a Súmula carf nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, no mérito, por unanimidade de votos, não conhecer dos argumentos que questionavam a constitucionalidade da alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que dava provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 72 42 /2 01 3- 57 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 Relatório Transcrevo trechos do auto de infração: “(. . .) 001 - NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR INTRODUÇÃO O Agente de Carga ESCRITORIO HORMINO MAIA DE DESPACHOS LTDA - CNPJ 60.876.265/0001-80 concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Máster (MBL) CE150805179988646 a destempo às 15:52 do dia 23/09/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil- RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE150805179988646. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no Container MSCU4276170, pelo Navio M/V "MSC KRYSTAL", em sua viagem 002A, no dia 15/09/2008, com atracação registrada às 15:27. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000200382, Manifesto Eletrônico 1508501732643, Conhecimento Eletrônico Máster MBL150805173627650 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL150805179988646. (. . .) DO PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO No que tange ao prazo para prestação de informação, dispõe a norma de regência do Sistema Carga, a IN - RFB nº 800, de 2007, em seu artigo 22: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (...) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Para o período em referência, ano base 2008, os prazos acima estabelecidos estavam suspensos, MAS, conforme inteligência do art. 50 da norma em exame, o transportador esteve obrigado a informar as cargas transportadas em momento anterior à atracação da embarcação em porto no país, o que se faz com o registro dos conhecimentos eletrônicos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Conforme a norma estatuiu, o prazo mínimo permitido para o período se encerra no momento da atracação em porto no Brasil. Tratando-se de carga consolidada na origem, objeto de registro de másters e sub-másters MBL ou MHBL, o porto a considerar é o de destino do conhecimento genérico, conforme consignado no inc. III do art. 22. O agente de carga, classificado pela norma RFB em exame como transportador, está obrigado a prestar informação sobre as cargas, informação esta lançada nos documentos eletrônicos gerados a partir da desconsolidação do conhecimento eletrônico máster (sub-master), o que as faz pela inclusão dos conhecimentos eletrônicos house no sistema de controle. A realização da desconsolidação deve ser feita, para o ano base 2008, até o limite da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para o tipo de operação em estudo. Este é o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em exame, observada à exceção de quando o CE genérico (MBL ou MHBL) tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico, conforme preceitua a alínea "b", §3º, art. 64 do Ato Declaratório Executivo Corep n° 03, de 28 de março de 2008. Art. 64. Quanto às penalidades de que trata o art. 45, observado o art. 48, ambos da Instrução Normativa RFB no 800, de 2007: (...) § 3o Nos CE ou item: I - A penalidade não se aplica: (...) b) aos CE agregados quando o CE genérico tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico. Com efeito, o Conhecimento Eletrônico Máster 150805173627650 foi incluído às 19:16 de 12/09/2008, a atracação ocorreu em 15/09/2008, às 15:27, e a desconsolidação foi concluída a destempo às 15:52 do dia 23/09/2008 (data/hora da inclusão do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805179988646). Para o caso concreto em análise a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico agregado em referência em tempo posterior ou igual ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. DA RESPONSABILIDADE LEGAL DO TRANSPORTADOR E DA PENALIDADE APLICÁVEL EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Quanto à responsabilidade legal, o artigo 37 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, com as alterações introduzidas pela Lei 10.833, de 2003, define: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Quanto à penalidade em caso de descumprimento do preceito legal acima citado, por parte do transportador, prescreve a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, a aplicação da multa de R$ 5.000,00: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Dispõe, ainda dispositivo a norma de regência do Sistema Carga, a Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a IN - RFB nº 800, de 2007, em seu art. 45: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. Como se percebe, o fundamento legal atualmente em vigor, para a imposição de penalidade como aqui tratada, é a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei no 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003, por se tratar de legislação específica. (. . .)” Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em que alega o seguinte: a) Prestou a informação, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, pleiteia o cancelamento da multa, com a aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, 102 do DL nº 37/66 e 683 do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro - RA). b) Combate a afirmação da fiscalização de que o “cumprimento de obrigação fora do prazo não se confunde com a prática da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN”, afirmando que é princípio processual tributário que a regularização espontânea de atrasos, erros ou omissões exclui a penalidade. Cita trechos do Acórdão CARF nº 3201-001.22, de 26/02/13: “(. . .) Diz o mencionado Acórdão que "no caso concreto, o relatório da instância a quo deixa claro que o atraso havido na prestação da informação acerca do Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 conhecimento de embarque foi anterior ao início da ação fiscal que culminou na lavratura do auto de infração e, consequentemente, no contencioso administrativo ora examinado". Menciona, ainda, que "a despeito de ter havido indubitavelmente o atraso no cumprimento da obrigação prevista no art. 22 da IN SRF no. 800 de 2007, é igualmente indiscutível a aplicação do artigo 102 do Decreto- Lei no. 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 12.350, de 2010. A única exceção estabelecida por esse dispositivo legal foram as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, que não é o caso". E acrescenta que "não há súmula ou precedente jurisprudencial que possa elidir a aplicação da lei em sentido estrito. Registre-se, por oportuno, que tanto a súmula quanto o precedente jurisprudencial mencionados no voto da relatora, não são específicos para obrigações acessórias de natureza aduaneira. E mais, a referida lei não exige interpretação que possa minimizar a amplitude de sua aplicação, uma vez que criou uma única exceção de forma muito clara". (. . .)” c) A multa aplicada fere os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, assumindo caráter confiscatório, vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88. Menciona a ADIN nº 1075-1/DF, que afastou a multa de 300% sobre o valor da operação, no caso de contribuinte, pessoa física ou jurídica, que deixar de emitir nota fiscal, recibo ou documento equivalente. A DRJ julgou a impugnação improcedente e o Acórdão nº 16-97.083 foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O colegiado de primeira instância enfrentou todos os argumentos, cabendo destacar que manifestou-se contrário à aplicação da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e 102 do RA a casos de descumprimento de obrigação acessória. O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que reitera os argumentos incluídos na impugnação, e informa que obteve provimento judicial, por meio de entidade da qual é associado, que a eximiria da multa em debate, com a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração para lançamento da multa de R$ 5.000,00 (alínea “e” do art. 107 do DL nº 37/66), pois a recorrente concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Master (MBL) CE150805179988646 a destempo, às 15:52, do dia 23/09/2008. A carga objeto da desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos pelo Navio M/V "MSC KRYSTAL", no dia 15/09/2008, com atracação registrada às 15:27. Enfrento os argumentos de defesa, que compreendem os que foram incluídos na impugnação e o inaugurado no recurso voluntário, que aprecio, em sede de preliminar. Preliminar Reproduzo excerto do recurso voluntário: “(. . .) Outrossim, informa que a entidade, da qual é associada (Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais - ACTC), obteve a antecipação de tutela, concedida pela MM. Juíza Federal Substituta Tatiana Pattaro Pereira, da 14. Vara Cível Federal de São Paulo, conforme decisão constante do processo nº. 0005238-86.2015.4.03.6100, para determinar que a União Federal , Ré na ação, se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão , independentemente do depósito judicial, "sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decreto-lei nº. 37/66". (. . .)” A recorrente não trouxe cópia das respectivas peças processuais e tampouco provas de que seria beneficiária da alegada decisão judicial, pelo que não conheço do argumento. Cumpre registrar que qualifiquei a alegação como preliminar, pois, se comprovada, poder-se-ia estar diante de uma situação de concomitância, o que acarretaria no não conhecimento do recurso voluntário. “02. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA” “03. DA DESCARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO” Os argumentos foram assim sumariados no relatório: Prestou a informação, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, pleiteia o cancelamento da multa, com a aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, 102 do DL nº 37/66 e 683 do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro - RA). Combate a afirmação da fiscalização de que o “cumprimento de obrigação fora do prazo não se confunde com a prática da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN”, afirmando que é princípio processual tributário que a regularização espontânea de atrasos, erros ou omissões exclui a penalidade. Cita trechos do Acórdão CARF nº 3201-001.22, de 26/02/13: “(. . .) Diz o mencionado Acórdão que "no caso concreto, o relatório da instância a quo deixa claro que o atraso havido na prestação da informação acerca do Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 conhecimento de embarque foi anterior ao início da ação fiscal que culminou na lavratura do auto de infração e, consequentemente, no contencioso administrativo ora examinado". Menciona, ainda, que "a despeito de ter havido indubitavelmente o atraso no cumprimento da obrigação prevista no art. 22 da IN SRF no. 800 de 2007, é igualmente indiscutível a aplicação do artigo 102 do Decreto- Lei no. 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 12.350, de 2010. A única exceção estabelecida por esse dispositivo legal foram as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, que não é o caso". E acrescenta que "não há súmula ou precedente jurisprudencial que possa elidir a aplicação da lei em sentido estrito. Registre-se, por oportuno, que tanto a súmula quanto o precedente jurisprudencial mencionados no voto da relatora, não são específicos para obrigações acessórias de natureza aduaneira. E mais, a referida lei não exige interpretação que possa minimizar a amplitude de sua aplicação, uma vez que criou uma única exceção de forma muito clara". (. . .)” Nego provimento ao argumento, fundado na Súmula CARF nº 126: “A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” “04. DO CONFISCO” Alega que a multa aplicada, prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, assumindo caráter confiscatório, vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88. Menciona a ADIN nº 1075- 1/DF, que afastou a multa de 300% sobre o valor da operação, no caso de contribuinte, pessoa física ou jurídica, que deixar de emitir nota fiscal, recibo ou documento equivalente. Não conheço do argumento, pois o tema não se inclui no escopo de atuação deste colegiado, conforme Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecida a preliminar suscitada pela recorrente, consistente no pedido de aplicação de decisão judicial, e, no mérito, não conhecer dos argumentos que questionavam a constitucionalidade da alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DL nº 37/66, e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.070 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.727242/2013-57 Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.901083/2008-59
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.112
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação pela recorrente o Dr Arlysson George Gann Horta, OAB/DF nº 24, 6133.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11080.732486/2017-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Mariel Orsi Gameiro (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Cynthia Elena de Campos, substituída pelo conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira; a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pela conselheira Mariel Orsi Gameiro; e o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Mariel Orsi Gameiro (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Cynthia Elena de Campos, substituída pelo conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira; a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pela conselheira Mariel Orsi Gameiro; e o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Mariel Orsi Gameiro (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Cynthia Elena de Campos, substituída pelo conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira; a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pela conselheira Mariel Orsi Gameiro; e o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, que negou provimento à impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de Impugnação, fls. 11 a 17, contra notificação de lançamento, fl. 02, lavrada em 05/09/2017, pela DRF PORTO ALEGRE/RS, relativa à multa por compensação não homologada, nos termos do Parágrafo 17 do Artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 48 6/ 20 17 -7 9 Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.239 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732486/2017-79 Conforme o Despacho Decisório emitido nos autos do processo administrativo nº 11080.901603/2013-27, que tratou do exame do direito creditório, o pedido de ressarcimento foi parcialmente indeferido e também não foram homologadas declarações de compensação vinculadas aos créditos pretendidos, o que ensejou a aplicação da multa legalmente prevista. Após cientificado da autuação, em 13/11/2017, vide fl. 06, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 05/12/2017, vide fl. 08, sua impugnação, onde alega, em apertada síntese: - Sustenta a nulidade do lançamento, pois teria sido apresentada Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido nos autos do processo administrativo nº 11080.901603/2013-27, no qual se baseou a Autoridade Fiscal para a aplicação da multa. Reclama que a autuação seria nula, pelo fato da multa ter sido aplicada por compensação considerada como não homologada, antes que exista decisão definitiva, neste sentido, no âmbito do processo administrativo de origem que cuida do pedido de compensação. Considera que a exigência de pagamento da multa isolada concomitante ao prosseguimento do processo administrativo, com a apresentação de Manifestação de Inconformidade pela Impugnante, equivaleria à uma exigência de depósito para a interposição de recursos administrativos, o que já teria sido considerado inconstitucional pelo STF. Conclui, então, que além de ofender a jurisprudência consolidada no STF, a exigência desta multa isolada imporia um cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, bem como ao devido processo legal, ao direito de petição e também à razoabilidade. - Argumenta que não se poderia falar em aplicação de penalidade sem a necessidade de comprovação da má-fé do contribuinte e da redação da Lei n. 13.097/15, que altera a redação do artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, como fundamento da aplicação da penalidade. Aponta que a matéria objeto do processo se encontraria em julgamento no STF no RE 796.939/RS, onde constaria o reconhecimento do regime de repercussão geral ao recurso. Conclui que a hipótese de aplicação da multa isolada, de forma objetiva, independentemente da demonstração de dolo ou má-fé do contribuinte, seria o objeto de discussão no STF por ferir a razoabilidade e proporcionalidade uma vez que visa coibir o aproveitamento de créditos que o contribuinte entende como sendo válidos e passíveis de restituição/compensação. Acrescenta que, ainda que se sustente a Súmula nº 02 do CARF, não seria prudente ignorar que já existe precedente declarando a inconstitucionalidade do artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, por violação ao direito de petição do contribuinte de boa-fé. - Argumenta, também, pela aplicação do artigo 112 do CTN, que determinaria que, em matéria de penalidade, a interpretação deva ser mais favorável ao contribuinte quando houver dúvidas sobre a sua aplicação. No caso, entende que, como as compensações não poderiam ser consideradas “não homologadas” enquanto não sobrevier decisão definitiva em âmbito administrativo, não haveria certeza sobre a imputabilidade para aplicação da multa e, conseqüentemente, a multa isolada não poderia ser exigida considerando a redação do artigo supracitado. - Na hipótese de que seja mantida a presente autuação, destaca que o § 18 do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 determina a suspensão da exigibilidade da multa isolada no caso de estar pendente o julgamento de Manifestação de Inconformidade. A despeito da referida Lei mencionar apenas o ingresso com Manifestação de Inconformidade como causa suspensiva do crédito, seria fato que a suspensão deveria ser estendida também para a apresentação de recursos ao CARF, pois a leitura do referido parágrafo abrange a oposição de “recursos administrativos” em geral. Dessa forma, na hipótese da presente Impugnação não ser provida, requer a suspensão da exigibilidade da multa isolada até decisão final no processo administrativo de origem, que discute o débito objeto da compensação não homologada pela Autoridade Fiscal. Ao final, requer, preliminarmente, que seja julgado nulo o auto de infração de imposição da multa isolada; no mérito, que seja julgado improcedente o referido auto de infração, por desobediência ao artigo 151, inciso III, do CTN, uma vez que as Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.239 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732486/2017-79 PER/DCOMPs ainda são objeto de impugnação administrativa com efeito suspensivo previsto por lei (artigo 74, §11 da Lei nº 9.430/96), que não haveria fato gerador algum que justifique a aplicação da multa isolada e ainda que, deveria ser aplicado o artigo 112 do CTN para afastamento da penalidade. Subsidiariamente, requer a suspensão do presente processo, considerando a pendência de julgamento de impugnação administrativo com efeito suspensivo até decisão final em âmbito administrativo no processo de origem acerca da compensação não homologada pela Autoridade Fiscal (§ 18 do artigo 74 da Lei n. 9.430/96). O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão n. 10- 063.923 da DRJ de Porto Alegre/RS, cuja ementa segue colacionada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Por expressa determinação legal deve ser aplicada a multa isolada nos casos de declarações de compensações não homologadas, de acordo com o § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência da autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de dispositivos legais por alegação do contribuinte de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, salvo os casos previstos em lei. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como é possível depreender do relato acima, a Recorrente apresentou o pedido de ressarcimento objeto do PER n. 24817.39188.291211.1.1.11-1253, relativo a créditos de Cofins Não-Cumulativa (3º trimestre/2011), e vinculou o crédito para compensação de débitos diversos. Por sua vez, a Autoridade Fiscal, conforme Despacho Decisório emitido no processo nº 11080- 901603/2013-27, homologou parcialmente as compensações, acarretando a lavratura do presente Auto de Infração para cobrança de multa isolada, conforme artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/96. É evidente, portanto, a relação de decorrência, nos termos do artigo 6º, inciso II do RICARF, entre o presente processo (auto de infração de multa isolada por compensação não homologada) e o PAF n. 11080-901603/2013-27 (compensação). Não por outra razão os presentes autos encontram-se apensos àqueles. Pois bem. Nesta mesma sessão de julgamento ambos os processos estão sendo analisados, sendo que, para o PAF n. 11080-901603/2013-27, o Colegiado propôs a conversão do julgamento em diligência. Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.239 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732486/2017-79 Evidente, portanto, que o caso ora sob análise deve continuar seguindo e aguardando o resultado do PAF n. 11080-901603/2013-27, de modo a permanecer com sua exigibilidade suspensa até que seja definitivamente concluído o litígio a respeito da não homologação da compensação na esfera administrativa, nos moldes do artigo 74, §18 da Lei n. 9.430/96. Por essa razão é que entendo ser necessário que este Colegiado converta o julgamento em diligência (cf. artigo 18 do Decreto 70.235/72), para que a unidade preparadora acompanhe o julgamento do PAF n. 11080-901603/2013-27. Uma vez finalizado, o resultado de tal julgamento deverá trazido ao presente processo. Ato contínuo, retornem os autos para apreciação do Colegiado. (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901253/2008-03
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.108
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação pela recorrente o Dr. Arlysson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-03T11:34:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 10782523.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-03T11:34:32Z; Last-Modified: 2010-11-03T11:34:32Z; dcterms:modified: 2010-11-03T11:34:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 10782523.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:d3ce573d-4f90-4c38-bee8-6a468ef47978; Last-Save-Date: 2010-11-03T11:34:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-03T11:34:32Z; meta:save-date: 2010-11-03T11:34:32Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 10782523.doc; modified: 2010-11-03T11:34:32Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-03T11:34:32Z; created: 2010-11-03T11:34:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-11-03T11:34:32Z; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-03T11:34:32Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl. 1 1 S3-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901253/2008-03 Recurso nº 523.133 Voluntário Resolução nº 3403-00.108 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 27 de outubro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FUNDAÇÃO CELESC DE SEGURIDADE SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação pela recorrente o Dr. Arlysson George Gann Horta. OAB/DF nº 24.613. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuida-se de compensação não homologada referente a pagamento indevido de PIS/Pasep cujo direito creditório, segundo despacho decisório eletrônico, fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação aviada através do PER/DCOMP 07740.41420.161006.1.3.04-0071. Em manifestação de inconformidade o contribuinte informa que, devido à falta de retificação das DCTF no momento adequado, tivera suas compensações não homologadas sob o argumento de falta de crédito, mas que, todavia, já providenciara a correção em 30/05/2008, conforme demonstrativo confeccionado. Processo nº 10983.901253/2008-03 Resolução n.º 3403-00.108 S3-C4T3 Fl. 2 2 A DRJ Florianópolis/SC reputou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que o contribuinte, por ocasião da efetivação da compensação, não dispunha de créditos líquidos e certos como determina o art. 170 do CTN, porquanto providenciara a retificação da DCTF após a apresentação da DCOMP sob vergasta, o que retiraria os atributos exigidos por aquele dispositivo legal, bem assim, que a conformação jurídica da existência do pagamento indevido somente se revelaria se a retificação fosse anterior à compensação. Em recurso voluntário o contribuinte protesta, preliminarmente, pela nulidade da decisão recorrida pela falta de análise da procedência do seu direito creditório, sustentando a ausência de motivação deste ato administrativo e a superficialidade com que tratou a questão, em desobediência aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99 e 59 do Decreto nº 70.235/72. No mérito, ratifica a existência de seu direito creditório, demonstrando a apuração correta da base de cálculo da exação e o valor pago indevidamente; alega que houve mero erro de preenchimento da DCTF; assevera que a decisão recorrida violou o princípio da verdade material, citando farta doutrina e jurisprudência a respaldar seus argumentos; por fim, defende a impossibilidade de se lhe exigir valores declarados incorretamente, como pretende a Administração Tributária, simplesmente porque preencheu erroneamente a DCTF. O contribuinte juntou cópia do documento de arrecadação e extratos do PERDCOMP e das DCTF apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando a situação em debate observei que o fundamento inicial para o indeferimento da compensação, melhor dizendo, sua não homologação, decorreu de uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de tal forma que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Noto que a Administração Tributária não contestou diretamente a existência do crédito. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, a verdade material exigem muito mais do processo administrativo fiscal que o simples exame fundado em verificações automáticas de sistema, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinaram o despacho decisório, validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, lastreando-se o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Processo nº 10983.901253/2008-03 Resolução n.º 3403-00.108 S3-C4T3 Fl. 3 3 Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, abra-se vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestar-se, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000779/2003-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.151
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistas, relatados e discutidcs os presentes autos Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulirn — Presidente Marcos Tranehesi Ortiz — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson Jose Bayed, Domingos de SA Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tem-se, na origem, auto de infração para constituição de crédito de COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a setembro de 2002, inclusive. Findo procedimento de verificações obrigatórias, concluiu a fiscalização que a ora recorrente, indústria de bebidas, teria suprimido tributo devido em razão de não reconhecer como receita sua, em primeiro lugar, os reembolsos pagos por seus distribuidores para reposição de vasilhames e engradados "refugados" (isto e, danificados) e, em segundo, os ingressos obtidos destes mesmos distribuidores em virtude de convênio firmado para rateio de despesas de propaganda e publicidade dos produtos comercializados por ambos. ip:;;;-1! , 11.•:fo 20'12'2010 pot IWTO1'.110 CARLOS A -rt./L.114 20i 12:2010 por 1vIARCOS ormz A 111*k d :t1:1C:!1'.•:; 29:i 2:2010 n , ;,4ARCOS 1RANCHE SI ORTIZ 1 f) i 1 ANI:)RADIE LIMA - V1711:;;0 111-1AN1C.0 (,./\ RI Py 1l• I I 3)3 Processo n° 18471.000779/2003-33 S3-C413 ResoltiOn n '3403-00.151 Fl 2 No que se refere a este ultimo tema, a impugnação da recorrente controverte a acusação fiscal argumentando que o custeio da propaganda institucional dos produtos interessa e beneficia não apenas a ela própria, fabricante, mas em igual medida a seus revendedores credenciados. Por este motivo, no seu entender, é plenamente justificável que as despesas correspectivas sejam rateadas entre os participes na comercialização das bebidas, de sorte que cada urn aprop tie, como sua, uma parcela do custo total. Em conclusão, sustenta que os valores per ela arreeadados junto a cada um destes distribuidores — conforme modelo de contrato juntado :Is fls. 204 — constituem, em verdade, meros ingressos transitórios por sua contabilidade e não verdadeiras receitas. Nesta matéria, a DRJ-Rio de Janeiro II desproveu a impugnação essencialmente em mar) do critério contratualmente convencionado para o rateio. De acordo com o pactuado, a cada distribuidor competia concorrer para as despesas de propaganda e publicidade corn o equivalente a 2% sobre o montante das encomendas de determinados produtos feitas ir recorrente: E o critério, no entender do órgão julgador, acabava pot atrair o rateio para a própria estrutura de preços praticados entre as partes, comprometendo, assim, a independência entre os dois negócios jurídicos — de fornecimento das bebidas e de custeio compartilhado das despesas de propaganda. Por força de recurso voluntário, o debate chega, agora, a este Colegiado. Voto No que se refere a esta temática — a do rateio das despesas de propaganda entre a recorrente c seus revendedores atacadistas — o debate não está suficientemente amadurecido para receber solução definitiva. No âmbito da jurisprudência administrativa — tanto dos extintos Conselhos de Contribuintes como do CARF — a contratação do rateio de despesas de interesse comum está plenamente resolvida quanto aos efeitos fiscais que irradia, no âmbito do IRPJ c da CSLL, bem assim do PIS e da COFINS. Sucede que a adjudicação do tratamento fiscal em questão supõe que o convênio celebrado entre as empresas vinculadas pela despesa comum cumpra corn determinados requisitos cujo atendimento, no caso cm concreto, não me pareceu suficientemente esclarecido. E ern razão disso que proponho a meus pares a conversão do julgamento em diligência, a fim de que, em relação a cada um dos períodos de apuração objeta do lançamento (de 11/2000 a 09/2002), o órgão preparador apure, a partir do exame da contabilidade da recorrente: (i) qual o montante total arrecadado pela recorrente de seus distribuidores, a titulo de partilha das despesas de propaganda institucional? (ii) qual o montante total aplicado pela recorrente na contratação de serviços c veículos de propaganda e publicidade dos produtos por eta industrializados? (iii) a recorrente concorreu corn recursos próprios para o custeio das despesas de propaganda e publicidade em questão? Em que proporção? Qual o critério para determinação da par te que lhe cabia? AN .roi Arta_ito 29112 , 2010 pc. i TRANCI ic$1 Ank.1olt.“00 t ta r ir.-111.': C-10 29 12 , 221 1-.JAPC(11. 1 1 RANci 1P-111 C.1)11012 2 I porn Air !I: ALICA: .,,,,NDR4.F1F LIMA - vr:Rso BRA1,11,7,0 CARI Pa mess° n 18471.000779/2(103-33 S3 -C4T3 Resoltiviio n " 3403-08151 Fl 3 (iv) do valor total aplicado na conttataçao de publicidade e propaganda, quanto a recorrente apropriou contabilmente como despesa própria, para fins de apuractio da base de calculo do IRPJ e da CSI...? Solicito também ao orgdo de origem que: (v) apure, junto a recorrente, ainda que por - amostragem, a existência de prova documental da efetiva contratayrio dos serviços e veículos de propaganda e publicidade cujos cu:Itos foram pat tilhados com os distribuidores; e (vi) intime a recorrente a justificar a pertinência econômica do critério empregado para o rateio das despesas (clausula 1, "a", do aditamento contratual de fls. .204). Concluído o procedimento, conceda-se vista dos autos it interessada para manifestacrio em até 30 (trinta) dias, findos os quais, retornem para concluso do julgamento. É. como voto Marcos Tranchesi Ortiz 1:1;:r.,E•J; 2.111') p,r !TONIC) Ck.P.1.(DS f..TUtirvi. 29:12:2010 WI :').ARCOS CI lFt cm 1:C ri 17nri..4A.F;COSTE-(1INCI.ill.S101-(T12: 3 2911 nir iIAiU /,1.1(-..E. A 1::)F.zi,r)E. I t_v$ VERSO EMF.;1;;;14( .:(:1 OF:C.:AM. IF Fl 3 05 - Ministtitio da Fazenda -‘ Consent° Administrativo dc Recursos Fiscais Terceira Seca() - Quarta Camara Seciio CARFINIF.OF Fl. Processo n" : 13471.000779/2003-33 Interessada : INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S/A Jumada aos autos a Resoluciio ng. 3403-00.151, por meio da qual o Colegiado converteu o julgamento do recurso voluntftrio em diligencia. Encaminhe-se à unidade de origem para ciência da interessada c demais providencias cabíveis, Brasilia, 29 de dezembro de 2010. Antonio Carlos Atulim Presidente da 31 Turma Otdiniria ' IC; CARLOS Efir CAn1.0f.; 1,1
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002051/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2005 a 28/02/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13896.002051/200765 Acórdão n.º 2402001.750 S2C4T2 Fl. 125 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração de fl. 30, para o período de 06/2005 a 02/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 02), a autuada – apesar de devidamente intimada, conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD’s), emitidos em 24/10/2007, 29/10/2007, 31/10/2007 e 05/11/2007, com prazos para apresentação dos documentos em 18/10/2007, 29/10/2007, 31/10/2007, 05/11/2007 e 08/11/2007, respectivamente – deixou de apresentar à fiscalização a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a relação dos beneficiários do programa de premiação é necessária para efetuar o correto enquadramento do salário de contribuição de cada segurado, nas faixas de salários, de forma a definir o valor da contribuição previdenciária, através das respectivas alíquotas, a qual deve ser retida e recolhida pelo empregador. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 31) informa que a multa aplicada teve como fundamento os artigos 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, bem como os artigos 283, incisos II, alínea “b”, e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. Essa base legal implicou para o infrator a multa de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos ), cujos valores estão atualizados de acordo com a Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/11/2007 (fls.01 e 65), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 68/71) – acompanhada de anexos de fls. 72/89 –, alegando, em síntese, que: 1. no ano de 2005, a empresa decidiu contratar a Empresa Spirit, a fim de que fossem impulsionadas as vendas dos serviços prestados por sua empresa. A empresa Spirit era mensalmente remunerada pelos serviços prestados mediante emissão de nota fiscal, e era esta quem de fato remunerava os seus colaboradores, em razão disso nega qualquer vínculo direto com estes colaboradores. Ressalva que, dentre as remunerações efetuadas pela Spirit é certo que poderiam em tese, ter Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 colaboradores empregados, porém, é certo que dentre eles vários outros poderiam ser profissionais autônomos; 2. os colaboradores da SPIRIT nunca estiveram subordinados à impugnante nem a nenhum de seus funcionários, ainda que, eventualmente prestassem seus serviços na sede desta. Referidos colaboradores remunerados pelo Cartão Spirit não desenvolviam a atividade fim da recorrente, nunca teve seus horários controlados por ela, nem tampouco sua remuneração paga diretamente pela impugnante, logo não podem ser considerados à luz da Lei como empregados dela; 3. no caso em análise a Secretaria inverteu os papéis, pois autuou a impugnante, uma pessoa que remunera uma pessoa jurídica e deixou sem autuação, a pessoa jurídica que ao menos em tese remunerava seus colaboradores pessoas físicas; 4. desta forma, se era a empresa SPIRIT quem remunerava as pessoas físicas, portanto somente esta empresa é quem poderia cumprir as exigências dos TIAD’s, sendo absolutamente nulo o presente AI que impôs uma obrigação impossível à recorrente. 5. Do pedido. Requer seja recebida a presente defesa administrativa e ao final julgada totalmente procedente para declarar a nulidade total do AI ora impugnado. Requer ainda, que as comunicações e publicações sejam endereçadas aos cuidados do procurador. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão 1620.392 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 96/103) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso (fls. 108/111) – acompanhada de anexos de fls. 112/120 –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em BarueriSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 122 e 123). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13896.002051/200765 Acórdão n.º 2402001.750 S2C4T2 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fl. 123). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente deixou de apresentar ao Fisco a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação (Cartão de Premiação). O cerne do recurso, apresentado pela Recorrente, repousa em alegação de que ao procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente deixou de apresentar à auditoria fiscal a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação (Cartão de Premiação), referente ao período de 06/2005 a 02/2007. Esse fato está devidamente demonstrado nos documentos acostados nas folhas 01 a 57. Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD’s (fls. 10 a 13), constatase a intimação para a apresentação da relação discriminada dos valores pagos, por segurado e competência, relativo às Notas Fiscais/Faturas emitidas pela empresa fornecedora do cartão de premiação. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), lavrado em 31/10/2007 (fls. 14 e 15), atestando o encerramento do procedimento fiscal previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF) n° 09424530F00. A não apresentação desses documentos (relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação) ou a sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, que dispõe: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 – diploma que regulamentou a lei orgânica da Seguridade Social –, dispôs: Das Obrigações Acessórias Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à.fiscalização; (...) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente estava obrigada a apresentar a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação (Cartão de Premiação), bem como os esclarecimentos necessários, à auditoria fiscal. Essas informações e esclarecimentos – solicitados por força do art. 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991 – eram necessárias para efetuar o correto enquadramento do salário de contribuição de cada segurado, nas faixas de salários, de forma a definir o valor da contribuição previdenciária, através das respectivas alíquotas, a qual deve ser retida e recolhida pelo empregador. Além disso as informações visavam comprovar a validade da escrituração contábil e de todos os outros documentos fornecidos pela Recorrente à Fiscalização, durante a realização do procedimento de auditoria fiscal. Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade uma vez que a Lei n° 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13896.002051/200765 Acórdão n.º 2402001.750 S2C4T2 Fl. 127 7 os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) (...) II a partir de RS 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispõe a Lei no 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos. 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, reajustou os valores da multa para R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos ). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Esclarecemos ainda que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei no 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei no 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 No que tange à alegação de que os supostos beneficiários arrolados pelo Auditoria Fiscal referemse, na verdade, a colaboradores contratados pela empresa Spirit Marketing Promocional Ltda (prestadora de serviço do cartão de premiação), com os quais a Requerente jamais manteve vínculo empregatício, e era aquela quem de fato remunerava os seus colaboradores. Diante do contrato firmado entre a Prestadora de Serviços e a Recorrente (fls. 53 a 57) e das Notas Fiscais/Faturas emitidas (fls. 18 a 21), concluiuse que o Spirit Marketing Promocional possibilitava a movimentação de valores monetários previamente disponibilizados pela Recorrente em favor dos beneficiários, que eram segurados empregados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que lhe prestavam serviços, e poderia ser utilizadas para a aquisição de produtos e serviços na rede conveniada, “rede shop” e rede cheque eletrônico. Constatase que o próprio OBJETO desse contrato confirma o entendimento de que os valores eram pagos aos segurados empregados da Recorrente, nos termos registrado abaixo (fl. 53 – “item 1”, objeto do contrato firmado entre Spirit Marketing Promocional LTDA e a Recorrente): “1.1. Constitui o objeto do presente contrato a prestação de serviços para a condução de programa de marketing de incentivo pela SPIRIT – os Serviços, para a premiação dos funcionários, prepostos ou parceiros comerciais indicados pela EMPRESA, doravante os Beneficiários, de acordo com os critérios por ela estabelecidos, utilizando para a premiação o SPIRIT CARD, desenvolvido pela SPIRIT. 1.1.1. O SPIRIT CARD é um cartão magnético administrado pelo Banco Cooperativo de agora em diante denominado de Instituição financeira" O SPIRIT CARD possibilitará a movimentação de valores monetários previamente disponibilizados pela EMPRESA em favor do beneficiário e poderá ser utilizados para a aquisição de produtos e serviços na Rede Conveniada rede shop e rede cheque eletrônico.” Assim, essa alegação não irá afastar o descumprimento da obrigação acessória infringida, nem implica em relevação ou cancelamento da penalidade imposta à Recorrente, já que os valores pagos tinham a finalidade de premiação pela prestação de serviços para a condução de programa de marketing de incentivo, ou campanha motivacional, dos seus empregados que lhe prestaram serviços. E não resta dúvida de que a premiação em questão é uma forma de retribuir a atividade laboral daqueles trabalhadores que atingiram os índices de produtividade previamente estabelecidos pela Recorrente. Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13896.002051/200765 Acórdão n.º 2402001.750 S2C4T2 Fl. 128 9 § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação independente do prejuízo ou não causado ao erário. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 31). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a apresentar a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação (Cartão de Premiação). Por fim, é importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir os documentos relacionados com as contribuições para a Seguridade Social no prazo estabelecido por meio do TIAD’s, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela deixou de apresentar a relação dos segurados beneficiários dos planos de premiação (Cartão de Premiação). Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000771/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 30/04/2007
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das
remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausentes os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores informados em folhas de pagamento e GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 30/04/2007 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa à constitucionalidade / legalidade. INCRA. ABRANGÊNCIA. BIS IN INDEM 0 INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico é devido por todas as empresas, independente do tipo de atividade. Em não havendo vedação explicita na Constituição, senão quanto aos casos de exercício da competência residual, nada obsta que mais de uma contribuição tenha a idêntico fato gerador e mesma base de cálculo. SESI/SENAI As contribuições destinadas ao SESI e SENAI foram expressamente recepcionadas pelo art. 240 da Constituição Federal e incidem sobre as remunerações dos segurados empregados. SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e beneficia todas as empresas, ainda que indiretamente. Em não havendo vedação explicita na Constituição, senão quanto aos casos de exercício da competência residual, nada obsta que mais de uma contribuição tenha a idêntico fato gerador e mesma base de cálculo. JUROS SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo A autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Havendo norma especifica que regule determinado tributo, como o é a Lei 8.212/91 em relação As contribuições previdencidrias, norma geral que regule todos os tributos e contribuições federais Fl. 170DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 158 3 e que contrarie àquela, deverá ser afastada em virtude da especialidade. JUROS. MULTA. CARÁTER IRRELEVAVEL. BIS IN IDEM INEXISTENTE. As contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil incluídas em notificação fiscal de lançamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. A multa, por sua função punitiva em decorrência da mora do devedor, e os juros, cuja função é recompor o patrimônio estatal lesado pelo tributo não pago, não se confundem, não configurando bis in idem sua cobrança sobre as contribuições previdencidrias não recolhidas no prazo. Lançamento Procedente ... 2. O mencionado Relatório Fiscal informa que o crédito constituído por meio da referida NFLD contempla os valores de remunerações pagas a titulo de Salários e PróLabore no período de 11/2003 a 04/2007, sendo que tais valores constavam de folhas de pagamentos e estavam informados da Guias de Recolhimento do FGTS e'Informações à Previdência Social — GFIP, inclusive quanto ao Décimo Terceiro Salário dos anos de 2004 a 2006. 3. Informa, ainda, em síntese, que serviram de base para o lançamento consubstanciado no referido NFLD as Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações Previdência Social — GFIP, folhas de pagamento e Guias da Previdência Social GPS. 4. Forma considerados nos créditos constituídos pela NFLD os valores destacados em nota fiscal de prestação de serviços e declarados pela empresa em GFIP, referentes à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 7.1. Entende pela ilegitimidade da cobrança da contribuição do INCRA: ... 7.2. Concernente ao Salário Educação, analisando os argumentos contemporâneos ao crédito constituído, alega a Impugnante falta de clareza quanto materialidade do fato gerador e carência de identificação do sujeito passivo da Fl. 171DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuição, razão pela qual entende pela impossibilidade de geração de efeitos das normas mencionadas nas laudas da defesa, com base no art. 97, III do CTN; ... 7.3. Pela inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE: ... 7.4. Entende por desproporcional e confiscatória a multa no percentual em que aplicada quando da cobrança do crédito tributário, entendendo como limite de aplicação daquele percentual o previsto na Lei n° 9.430/96, art. 61, parágrafo 2° (20 %), baseandose no t art. 106, II, 'c' do CTN; ... 7.5. Ao referirse à utilização pelo governo da taxa SELIC como indexador para a cobrança de juros moratórios, atevese a Impugnante a demonstrar, matematicamente, a origem e composição daquela entendendo: 7.5.1. Instituída por meio inconstitucional vez que o art. 192 da Magna Carta determina que o Sistema Financeiro Nacional será e dever sempre ser regulamentado e regulado exclusivamente por meio de Lei Complementar; É o Relatório. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 173DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas Fl. 174DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 160 7 pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. A alegação de que equivocadamente tenha consolidado as remunerações dos sóciosgerentes não altera o lançamento, pois em nada modifica a base de cálculo da contribuição. Não é procedente o pedido de nulidade do lançamento na hipótese de retificação da GFIP. Não se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 175DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi Fl. 176DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000771/200714 Acórdão n.º 240201.779 S2C4T2 Fl. 161 9 objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento, sobretudo aquelas relativas às entidades e serviços autônomos e os acréscimos legais através da taxa SELIC. Todas as contribuições que fazem parte do lançamento estão sustentadas nos dispositivos legais indicados no relatório Fundamentos Legais do Débito e outros discriminativos. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 177DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Fl. 178DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10240.900461/2009-51
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.138
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 11516.000188/2011-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE
Inexiste crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL quando o próprio contribuinte apura em DIPJ tributo a pagar, descabe assim homologar a compensação de débitos pleiteada, com saldos negativos da declaração, que se revelaram inexistentes.
Numero da decisão: 1002-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Rafael Zedral
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-16T11:20:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-16T11:20:12Z; Last-Modified: 2021-11-16T11:20:12Z; dcterms:modified: 2021-11-16T11:20:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-16T11:20:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-16T11:20:12Z; meta:save-date: 2021-11-16T11:20:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-16T11:20:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-16T11:20:12Z; created: 2021-11-16T11:20:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-11-16T11:20:12Z; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-16T11:20:12Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11516.000188/2011-63 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-002.250 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 7 de outubro de 2021 Recorrente SILVEIRA DE SOUZA & JORGE ASSOCIADOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE Inexiste crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL quando o próprio contribuinte apura em DIPJ tributo a pagar, descabe assim homologar a compensação de débitos pleiteada, com saldos negativos da declaração, que se revelaram inexistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão da Delegacia da Receita Federal de julgamento que indeferiu a manifestação de inconformidade. Da Declaração de Compensação Trata-se de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico 06551.04109.200406.1.3.02-0212 no qual se indicou como origem do crédito saldo negativo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 88 /2 01 1- 63 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 IRPJ referente ao 2º trimestre de 2004, no valor R$ 44.762,35 mas compensando neste DCOMP o valor de R$ 4.190,93 (e-fls. 6). Da Análise do PER/DCOMP Por meio do despacho decisório de fls. 20/21, emitido pela DRF/Florianópolis, o direito creditório não foi reconhecido e as compensações não foram homologadas, sob o fundamento de que a retenção na fonte informada no Per/Dcomp, referente à fonte pagadora CNPJ básico 76.535.764, no valor de R$ 44.762,35, não consta em DIRF, havendo retenção apenas no 1º primeiro trimestre. Além disso, foi constatado pela fiscalização que na DIPJ não houve apuração de saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2004, mas sim apuração de imposto a pagar no valor de R$ 232.732,56, e que o imposto retido na fonte não constou na DIPJ: “A retenção na fonte indicada na Dcomp não foi confirmada na DIRF apresentada pela fonte pagadora, tampouco há saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ respectiva no período de apuração sob análise.” Despacho decisório de e-fls. 21) Cientificada do despacho decisório em 02/03/2011 (comprovante à fl. 25), a interessada apresentou em 31/03/2011 a manifestação de inconformidade de fls. 38 a 50, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 38 e 51 a 160, onde alega, em síntese, que em 07/04/2004 emitiu a Nota Fiscal nº 000002, no valor de R$ 2.984.157,00, com imposto retido na fonte no valor de R$ 44.762,35, decorrente de prestação de serviços jurídicos no processo judicial nº 824/1984. Afirma que houve equívoco da fonte pagadora Brasil Telecom S.A, ao não informar em Dirf a retenção na fonte, e que já solicitou providências àquela empresa, conforme notificação extra-judicial anexada. Diz que, como os honorários advocatícios foram devidos a dois escritórios, cada um emitiu a nota fiscal de 50% dos honorários brutos (R$ 5.878.789,29 + 89.524,71) / 2), correspondendo a R$ 2.984.157,00, sendo este exatamente o valor da nota fiscal 000002, e o valor retido (R$ 44.762,36). Afirma que a retenção indicada na nota fiscal 00002 consta do despacho exarado pelo juiz. Entende que deve ser aplicado o Parecer Normativo 01/2002 que veda a cobrança de valores de quem teve o imposto retido. Diz que, de fato, na DIPJ, ficha 14A não constou a valor do IRRF no 2º trimestre, mas que na ficha 53 onde consta o demonstrativo de imposto de renda retido na fonte foi indicada a retenção realizada pela Brasil Telecom S/A no valor de R$ 75.457,45, correspondendo à soma das retenções referentes à notas fiscais 000001 (R$ 30.695,10) e 000002 (R$ 44.762,34). Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Assevera que o erro cometido no preenchimento da DIPJ não muda a situação fática de que houve recolhimento a maior e este valor deve ser devolvido, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da administração Pública, e que é dever da autoridade fazendária verificar a verdade material em relação aos recolhimentos e retenções de 2004. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou o feito, proferindo a decisão por meio do Acórdão no qual considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP. Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ em 09/04/2019 (e-fls. 170), apresentou Recurso Voluntário em 17/04/2019 (e-fls. 178). Em sede de recurso, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ e repisa os argumentos já apresentados perante a DRJ, ou seja, de que no curso de uma ação trabalhista, a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de honorários no R$ 5.878.789,29, cabendo à recorrente a metade deste valor, sendo a outra metade devido a outro escritório de advogados, o qual, inclusive, faz a defesa da recorrente nestes autos. O IRRF retido na fonte pela ré Brasil Telecom somou R$ 89.524,71. Sendo assim, metade deste IRRF corresponderia aos honorários da recorrente, ou seja, R$ 44.762,35, o qual vem a ser o mesmo valor informado na DCOMP como seu crédito de saldo negativo de IRPJ. Apresenta o texto de despachos judiciais determinando os pagamentos na ação trabalhista (e-fls. 180). Perante este CARF, a recorrente admite que apurou IRPJ a pagar, o qual foi declarado em DCTF e pago em três cotas de R$ 7.577,52, mas que por um equívoco não informou em DIPJ o valor retido na fonte, o que teria provocado a apuração incorreta do tributo no valor de R$ 232.732,56. Afirma que o IRPJ no trimestre deveria ter sido apurado no valor de R$ 187.970,21 se fosse aplicado o abatimento dos R$ 44.762,35 retidos na fonte (R$ 232.732,56 - R$ 44.762,35 = R$ 187.970,21). Deste modo, teria havido pagamento a maior no valor correspondente à retenção não computada na DIPJ, ou seja, R$ 44.762,35. Discorre sobre o fato de não ter informado a retenção em campo próprio na DIPJ mas alega se tratar de erro formal, ainda que conste na ficha 53 (e-fls. 114) os valores pagos pela Brasil Telecon com retenção de R$ 75.457,45. Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que seja dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de reformar o Acórdão proferido pela DRJ, homologar a compensação declarada, reconhecer a existência do crédito e extinguir o débito tributário em face da regular compensação. Alternativamente, requer a realização de diligencia, formulando quesitos a serem respondidos pela fonte pagadora. É o relatório Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o recurso voluntário deve ser indeferido. A recorrente admite que não apurou saldo negativo de IRPJ no segundo trimestre de 2004 e alega apenas agora perante este Conselho que seu pretenso crédito seria originado de um recolhimento efetuado a maior. Alega que não computou o IRRF na apuração deste tributo. Afirma que deveria ter recolhido R$ 187.970,21 e não os R$ 232.732,56 declarados e pagos via três guias DARF (juntadas nas e-fls. 8 à 11). Portanto, o Acórdão da DRJ não merece reforma porque resta claro não ter havido apuração de saldo negativo de IRPJ, mas sim tributo a pagar. Além do mais, ainda que se admitisse a conversão do crédito de saldo negativo de IRPJ para pagamento a maior, as alegações apresentadas pela recorrente são contraditórias. Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 Afirma que a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de honorários no montante de R$ 5.878.789,29, conforme atesta cópia do despacho na e-fls. 180, e que 50% deste valor lhe pertencia. Na sua defesa apresentada perante a DRJ (e-fls. 26), a recorrente detalha o valor recebido: “5. A pesquisa, diga-se trabalhosa, efetuada nos autos da Ação Trabalhista n°. 824/84, ora no TRT-SC, foram encontrados o valor dos honorários advocatícios — R$5.878.789,29 e a respectiva retenção de R$ 89.524,71 (fls. 4708 dos autos), sendo que o escritório Silveira de Souza recebeu 50% do valor, ou seja, R$ 2.984.157,00 — CNF 00002 de 07/04/2004, sendo o restante dos honorários recebido pelo Escritório Capella & Oliveira, sócios na Ação Trabalhista n°. 824/84;” Grifei Se a recorrente de fato teve direito à metade do montante de R$ 5.878.789,29, pagos a título de honorários advocatícios, então sua receita deveria ter sido R$ 2.939.394,65 (R$5.878.789,29/2). Ocorre que os valores informados nas notas fiscais 001, 002 e 003 somam R$ 5.368.247,00, praticamente a quase totalidade dos honorários que a recorrente afirma terem sido devidos aos dois escritórios de advogados. É de ser observar que as notas Fiscais (e-fls. 62/64) não possuem aceite da Brasil Telecom. Por outro lado, o extrato da DIRF (e-fls. 15) transmitida pela Brasil Telecom (retificadora transmitida em 31/12/2010) informa apenas um pagamento à recorrente no valor de R$ 2.046.340,00, com retenção de R$ 30.695,10 no mês de Fevereiro de 2004 (1º trimestre). Ainda que se desconsidere a DIRF, e não há motivos para tanto, se a recorrente de fato recebeu no ano de 2004, como argumenta na sua defesa, o montante de R$ 5.368.247,00, correspondente à soma de R$2.046.340,00 + R$2.984.157,00 + R$337.750,00, então os honorários globais na Ação Trabalhista n°. 824/84 não poderiam ter sido de R$ 5.878.789,29, valor que a recorrente afirma em mais de uma oportunidade ter recebido apenas uma parte. E não se pode alegar qualquer engano nesta afirmação, pois a banca de advogados que teria recebido a outra parte dos honorários é exatamente a que assina o Recurso Voluntário. Assim, o recebimento de R$ 2.046.340,00 em fevereiro guarda mais coerência com o argumento da recorrente de que teria recebido uma parcela dos honorário de R$ 5.878.789,29. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O contribuinte requer diligência, com escopo obter provas em favor de suas alegações. Não há necessidade de diligência, no caso em exame. Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.250 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000188/2011-63 O julgador deve formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências, que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, porém, é defeso utilizar-se do mencionado instrumento para produzir provas para quaisquer das partes. Cabem as partes produzir as provas que sustentam suas alegações, sendo ônus exclusivo da recorrente a produção de prova a respeito do direito creditório que alega possuir. No caso em exame, o contribuinte trouxe aos autos os elementos probatórios correspondentes e que entendeu pertinentes na defesa do seu pleito, a fim de demonstrar a liquidez e certeza do alegado direito creditório, cabendo a autoridade julgadora valorá- las segundo seu juízo para o deslinde da questão em apreciação, não significando, com isso, porém, que eventual discordância das razões sustentadas pela recorrente, configure-se perda de busca da verdade material. Portanto, rejeito o pedido de diligência. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral – relator. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital
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