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Numero do processo: 10675.004850/2004-30
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 19/03/1969
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS ELETROBRÁS. SÚMULA N° 6 DA 3ª TURMA DA CSRF.
Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários, devendo a Terceira Seção, nos casos que versem sobre esta matéria, aplicar a súmula n° 6 da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.061
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, aplicando-se a súmula n° 6 do Terceiro Conselho de Contribuintes.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/03/1969 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS ELETROBRÁS. SÚMULA N° 6 DA 3ª TURMA DA CSRF. Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários, devendo a Terceira Seção, nos casos que versem sobre esta matéria, aplicar a súmula n° 6 da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário negado.
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Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/03/1969 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS ELETROBRÁS. SÚMULA N° 6 DA 3' TURMA DA CSRF. Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários, devendo a Terceira Seção, nos casos que versem sobre esta matéria, aplicar a súmula n° 6 da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / 2' TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, aplicando-se a súmula n° 6 do Terceiro Conselho de Contribuintes. 44.--1-ruk.-- eCIA HELEWA TRAJANO D'AMORIM Presidente h"pwcsteo r4-e)v„... • MARCELO RIBEIRO NOGUE Relator Processo n° 10675.004850/2004-30 S3-CIT2 Acórdão n.°3102-00.061 Fl. 296 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 10675.004850/2004-30 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.061 Fl. 297 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo do pedido de restituição 01. 01) de R$ 101.657,89, cujo direito creditório seria relativo a título emitido pela Eletrobrás, no ámbito do Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica instituído pela Lei 4.156, de 1962. A DRF (fls. 214/218), após transcrição de trechos de acórdão proferido na DRJ/Curitiba, conclui que a Secretaria da Receita Federal não tem competência para apreciação de pedidos de restituição de Empréstimo Compulsório da Ele trobrás com tributo e contribuição sob sua administração, por falta de previsão legal. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 224/251, na qual alega, em síntese, que: essa deverá ser recebida em seu duplo efeito (devolutivo e suspensivo), sendo suspensa a exigibilidade do suposto crédito tributário, nos moldes do art. 151, HL do C7'N c/c art. 17, 11, da Lei 10.833/2003; a responsabilização solidária da União está expressa no § 3 0 do art. 4" da Lei 4.156/62, fundamento que se confirma pela natureza tributária das obrigações em questão, sendo que é responsabilidade da Receita Federal a cobrança de tributos e contribuições federais. Cita o art. 275 do CCB e 125 do CTN; empréstimo compulsório tem natureza tributária, conforme pacífica doutrina e jurisprudência. Disserta sobre o tema; o STJ entende ser vintenária a prescrição que tem início vinte anos após a aquisição compulsória das obrigações emitidas (prazo para resgate). Após esse prazo inicia-se a contagem do prazo prescricional, que também é de 20 anos, implicando na consumação da prescrição transcorrido o lapso temporal de 40 anos contados da aquisição compulsória das obrigações (data de sua emissão); o crédito solicitado é suficiente para atender aos pedidos de - compensação efetuados e amparados na legislação civil, como se verifica no artigo 368 e 369 da Lei 10.426/2002.Destaca o art. 37 da CF; as DCOMP apresentadas seguem regulamentação contida na IN SRF 323/2003; o Conselho de Contribuintes, no acórdão 202-10883, já determinou sua competência para o julgamento de empréstimo compulsório; o entendimento da autoridade administrativa está em desacordo com a IN SRF 210/2002, art. 13. Nesse dispositivo cita-se arrecadação mediante Dal]; criado somente em 1996. A IN SRF 3 Processo n° 10675.004850/2004-30 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.061 Fl. 298 323/2003 vem mais uma vez validar o procedimento efetuado autorizando a compensação com os referidos créditos. A quitação de créditos tributários não se faz unicamente pela via da moeda vigente (art. 3° do C771), sendo razoável a presunção de que qualquer título representativo de dinheiro possa quitar o tributo, ainda mais com crédito de origem tributária como o empréstimo compulsório; o art. 156 do CTN c/c arts 73 e 74 da Lei 9430/1996 e art. I° e parágrafo único do Decreto 2.138/1997 trazem a admissão de restituição ou ressarcimento ao contribuinte para fins de quitação de pagamentos de tributos e contribuições federais. O legislador admitiu a utilização de créditos do contribuinte para fins de compensar débitos vencidos e vincendos sem exigir que decorressem de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Cita posicionamento de juíza da 1° Vara Federal de São Paulo. A compensação tem lastro em pelo menos cinco fundamentos insertos em nossa constituição: Cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade; a União Federal e a Eletrobrás vêm praticando reiteradamente compensações, acertos contábeis e societários (MP 2181- 45/2001 e Ata de Assembléia Geral das Centrais Elétricas/1988). Portanto, a certeza e liquidez do crédito é reconhecida pela Unido que aceitou aumento de capital social da Eletrobrás, mediante conversão do referido empréstimo compulsório. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 19/03/1969 Restituição. Título Emitido pela Eletrobrás. Competência. A Secretaria da Receita Federal não tem competência para apreciar pedido de restituição estribado em título emitido pela Eletrobrás. Embora a relação jurídica constituída quando da exigência de empréstimo compulsório seja Tributária, a relação advinda de sua devolução não o é. Solicitação indeferida. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua- peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 4 Processo n° 10675.004850/2004-30 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.061 Fl. 299 Voto Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. A matéria debatida no presente recurso é bastante conhecida por este Colegiado e está atualmente sumulada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, através da Súmula n° 6 do antigo Conselho de Contribuintes: Súmula 3°CC n° 6 - Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Sendo as súmulas da Terceira Turma da CSRF de observação obrigatória a este Conselho e versando o mérito deste recurso sobre a admissibilidade de compensação de tributos federais devidos com obrigações da Eletrobrás, VOTO, por conhecer do recurso para negar-lhe provimento, aplicando ao caso o teor da Súmula n° 6 acima transcrita. Sala das Sessões, DF, 26 de março de 2009. an..-C-k_er. MARCELO RIBEIRO NOGUEI 5 Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.902640/2008-26
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 26 40 /2 00 8- 26 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 49): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), com indicação equivocada do Darf (Documento de Arrecadção de Receitas Federais) materializor o pagamento indevido. No julgamento da manifestação de inconformidade, por sua vez, a DRJ entendeu que o ônus da demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito seria do sujeito passivo e que não havia nos autos prova suficiente nesse sentido. O sujeito passivo, nas razões recursais de fls. 57 e ss., alega que que, embora tenha retificado a declaração, cometeu novo equívoco no PER/Dcomp retificadora, indicando data de arrecadação (15/03/2004, ao invés de 15/07/2004) e valor do crédito inicial equivocados (de R$ 17.994,13, quando o correto seria R$ 15.685,30). Sustenta que este lapso não pode afastar o direito à repetição do indébito, porque a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Cita jurisprudência do Carf e requer, ao final, o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13896.902640/200826 Acórdão n.º 3802001.953 S3TE02 Fl. 89 3 O Recorrente teve ciência da decisão no dia 14/12/2011 (fls. 56), interpondo recurso tempestivo em 28/12/2011 (fls. 57). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Inicialmente, cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Nesse sentido, destacase o seguinte julgado da Turma: “[...] PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.339. Rel. Solon Sehn. S. 27/09/2012). No presente feito, notase que o sujeito passivo, em duas oportunidades, indicou inadequadamente a origem do direito de crédito, sendo a última por ocasião da transmissão do PER/Dcomp retificadora. Nesta, por sua vez, foram indicadas a data de arrecadação do Darf (15/03/2004, ao invés de 15/07/2004) e valor do crédito inicial equivocados (de R$ 17.994,13, quando o correto seria R$ 15.685,30). Houve, portanto, equívoco na identificação do direito de crédito, fato que inviabiliza o aperfeiçoamento do encontro de contas pretendido pelo Recorrente, uma vez que nem a manifestação de informidade nem o recurso voluntário têm efeito retificador. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13896.902640/200826 Acórdão n.º 3802001.953 S3TE02 Fl. 90 5 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10840.002340/88-70
Data da sessão: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 1992
Ementa: NULIDADE - E nula a decisão que deixa de apreciar os fundamentos da impugnação do lançamento.
Numero da decisão: 103-11.896
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão singular em virtude de não ter apreciado as preliminares arguidas
Nome do relator: Ilcenil Franco
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, CRIS MÓVEIS INDUSTRIAL LTDA ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade dA decisão singular em virtude de não ter apreciado as preliminares arguidas. Brasília-DF., em 08 de janeiro de 1992 addell‘i CALDEIRA PRESIDENTE TIC cit RELATOR1110i I4 e ( VISTO EM 4O HO • DA t ;..: PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE:2 O Fr xá C V 1992 NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Consenti ros: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, DICLER DE ASSUNÇÃO e VIC- TOR LUIS DE SALLES FREIRE. DAPIEFP/DIr- SECOS Ni 064/90 as. -r 4-ïjkV:t SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO Nt 10840/002.340/88-70 RECURSONS : 59.488 ACORDAONS: 103-11.896 RECORRENTE: CRIS MÓVEIS INDUSTRIAL LTDA • 411 RELATÓRIO Pelo Auto de Infração de fls. 08 é exigido deCris Móveis Industrial Ltda., CGC n9 55.992.465/001-68, a Contribuição' para o Programa de Integração Social equivalente a dedução de 5% (cinco por cento) do imposto de renda da pessoa jurídica apuradono processo n9 10840/002.337/88-65. A impugnação de fls. 15/22 apresentada dentro do prazo prorrogado constesta a exigência bem como os acréscimos le- gais. A decisão de fls. 30/31 manteve a exigência basea da no decidido no processo referente ao imposto de renda de pessoa jurídica. O recurso de fls. 35/37 interposto tempestivamen- te fala da vinculação deste processo com o de IRPJ, da falta de previsão legal para imposição de juros moratórios e ratifica os termos da impugnação, itens 07 a 12 nos quais a autuanda em sínte- se diz: - que nenhum efeito produzem atos sob aforma de regulamento por autoridade diversa do Presidente da República e 401" Damemor - «cai Mi 066/*0 SISMO PUOUCO FEDERAL Processo n9 10840/002.340/88-70 Acórdão n9 103-11.896 que o art. 69 do DL n9 2052/83 conferiu ã Secretaria da Receita Fedt ral competência para a fiscalização da distribuição ao PIS, porém ni--, . , declinou as hipóteses que a competência poderia ser exercida,' o qu somente ocorreu com o art. 86 da Lei n9 7450/85; . - que a exigência da correção monetária e da multa em procedimento de ofício também nasceram com o art. 86 da Lei n9 7450/85. • . É o relatório. . 41 VOTO_ _ _ _ Conselheiro ILCENIL FRANCO-Relator; Recurso tempestivo, dele conheço. A decisão de fls. 30/31 não fez qualquer referência aos argumentos da defesa, decidindo o feito fundada no que havia sido decidido no processo de IRPJ, caminhando assim para o denominado "in- cidência reflexa", esquecendo-se de que os processos são autónomos e que assim sendo necessário se faz a análise dos elementos e documen - tos de cada um, de forma a manter o princípio do duplo grau de juris- dição consagrado no Regulamento do Processo Administrativo Fiscal de _ que trata o Decreto n9 70.235/72. Ante o exposto, entendo que a decisão de fls. 30/31 é nula porque não enfrentou os argumentos da defesa. Por este motivo, voto no sentido de que seja declarada a nulidade apontada e que nova decisão seja prolatada apreciando a defesa de fls. 15/22. 4411 B ) ice , em 08 de janeiro de 1992.11 art$0 IL NII4 -- CO • LATOR Page 1 _0107000.PDF Page 1 _0107200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10245.002253/2007-83
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. DEIXOU DE EXIBIR LIVROS OU DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante art. 33, §2º da Lei nº 8.212/91.
AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DO GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, à luz da disposição contida no art. 106, II, a do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídica tributária os dirigentes de órgãos públicos como pessoalmente responsáveis por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2401-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INFRAÇÃO. DEIXOU DE EXIBIR LIVROS OU DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante art. 33, §2º da Lei nº 8.212/91. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DO GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, à luz da disposição contida no art. 106, II, ‘a’ do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídica tributária os dirigentes de órgãos públicos como pessoalmente responsáveis por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 22 53 /2 00 7- 83 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10245.002253/200783 Acórdão n.º 2401003.076 S2C4T1 Fl. 235 3 Relatório Tratase de Auto de Infração –DEBCAD nº 37.108.2749 que tem por objeto a exigência de multa imputada ao Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, em virtude de ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2o e 3o da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 10/12), o presente Auto de Infração foi lavrado em virtude de o Órgão Público não ter apresentado ao Fisco diversos documentos e livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, relativamente ao período de 01/1997 a 12/2004. Pela infração cometida, foi aplicada a multa de R$ 11.951,21, calculada de acordo com o artigo 283, inciso II, alínea “j”, do RPS, conforme valor atualizado pela Portaria MPS nº 142/07, considerando a ausência de atenuantes e agravantes dispostas, respectivamente, nos artigos 291 e 290 do referido Regulamento. Em petição de fls.34/36, recebida pela DRF/Boa Vista em 20/12/2007, antes mesmo de tomar ciência do Auto de Infração em destaque,o recorrente alega que não dispõe da documentação solicitada, em razão da ocorrência de um sinistro em um depósito (arquivo) da Assembléia Legislativa Estadual, proveniente de uma ação termoelétrica acidental, que teria destruído os documentos solicitados. Em 15/01/2008 (fl.40), o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima foi cientificado do auto de infração em destaque, que fora contra si lavrado com amparo no art. 41 da Lei n. 8.212/1991, segundo o qual o dirigente de órgão público responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a esta lei e ao seu regulamento. Contra os termos da acusação fiscal, o Autuado apresentou impugnação à fl. 42/55, aduzindo: · Preliminarmente, a decadência dos valores consignados no Auto de Infração, referentes ao período de 01/1997 a 12/2001; · No mérito, alegou ausência de máfé, culpa e dolo pela não entrega de documentos, tendo em vista o incêndio ocorrido nas instalações da Casa Legislativa Estadual no mês de 04/2005, caracterizado como caso fortuito. · Por fim, argumentou que não poderia o agente público ou político responder de forma direta e imediata pelos atos praticados no exercício de suas funções, pois a pessoa jurídica de direito público responderia objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 terceiros. Complementou ainda que o art. 41 da Lei 8.212/91 agride frontalmente o princípio federativo, na medida em que daria causa a invasões indevidas da fiscalização previdenciária na esfera de organização, de autogoverno, de autolegislação e de auto administração. Ao apreciar a impugnação apresentada pelo então Autuado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente o lançamento, sob os fundamentos a seguir sintetizados: · Quanto à preliminar de decadência, a despeito da situação se referir a período de ocorrência de fato gerador alcançado pelos efeitos da Súmula Vinculante nº 08/2008, a infração referese a não apresentação ao fisco de diversos documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, correspondente ao período de 01/1997 a 12/2004. Sendo o valor da multa um valor único, não interessa a quantidade de infrações cometidas ao dispositivo legal objeto da autuação, pelo que a não apresentação de livros em relação ao exercício de 2004 já afasta a decadência do lançamento; · No mérito, concluiu que a Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, após a destruição de seus documentos, de acordo com as normas que disciplinam a matéria, deveria efetuar vários procedimentos, dentro do prazo de quarenta e oito horas, com o objetivo de tornar público o ocorrido e dar início à regularização dos livros e documentos que substituirão os extraviados. · No tocante ao argumento de que não poderia o agente público ou político responder de forma direta e imediata pelos atos praticados no exercício de suas funções, bem como que o art. 41 da Lei 8.212/91 agrediria frontalmente o princípio federativo, expôs que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposto no art. 142 e parágrafo único do CTN. Contra a decisão proferida pelo Colegiado a quo, o Recorrente, devidamente intimado em 27/01/2009 (AR fl. 100), interpôs recurso voluntário às fls. 102/112, sustentando a improcedência da acusação fiscal e reiterando as razões de impugnação. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10245.002253/200783 Acórdão n.º 2401003.076 S2C4T1 Fl. 236 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. A presente autuação trata de penalidade imputada ao Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, nos termos do revogado art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, que assim dispunha: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos desta lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre, entretanto, que esta penalidade não pode ser mantida, conforme será a seguir demonstrado. O dispositivo legal em debate vinha sendo reiteradamente julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, até que foi revogado pela Lei nº 11.941/2009. Diante da revogação do citado dispositivo legal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem afastado a responsabilização do gestor, com amparo no art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalocomo contrário a qualquer exigênciade ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e nãotenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tais decisões tem se amparado no Parecer PGFN/CDA/CAT n° 190/2009, de 02/02/2009, que prega a retroatividade da lei que deixou de definir a conduta como infração, para afastar a possibilidade de responsabilização do gestor público. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n° 8.212/1991. Este entendimento, inclusive, foi pacificado por esse Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, que editou a seguinte Súmula: Súmula CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Desta forma, concluise que o lançamento em debate deve ser julgado totalmente improcedente em razão de ter sido lavrado contra o Sr. Antônio Mecias Pereira de Jesus, na qualidade de Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar integralmente a exigência consubstanciada no DEBCAD nº37.108.2749. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 14041.000096/2004-76
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PAF — RECURSO DE OFÍCIO — REMESSA NECESSÁRIA — CONHECIMENTO — Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art, 34 do Dec. n.° 70,235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9,532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008.
LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNE. SALDO EM 31/12/1989. CORREÇÃO DA PARCELA REMANESCENTE EM 1991.
Nos termos do art. 40, do Decreto nº 332/91, cabe a a correção do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em 31/12/1989 pela diferença percentual entre os índices IPC e BTNF, apenas relativamente à parcela remanescente em 1991, já considerada a realização porventura efetuada em 1990. Constatado erro de fato nos assentamentos da SRF, correta a exoneração procedida pela autoridade de 1º grau.
ADICIONAL. RENDIMENTO NOMINAL DE APLICAÇÃO FINANCEIRA, EXCLUSÃO, Nos termos do art. 67, parágrafo 5°., da Lei nº. 8.981/95, as rendimentos de aplicações financeiras existentes ao final de 1994 podem ser excluídos da base de cálculo do Adicional, quando incluídos na apuração do Lucro Real.
Numero da decisão: 1102-000.231
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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BRASILIA/DF Interessado CIMENTO TOCANTINS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Ano-calendário: 1999 PAF — RECURSO DE OFÍCIO — REMESSA NECESSÁRIA — CONHECIMENTO — Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art, 34 do Dec. n.° 70,235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9,532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 0.3 de janeiro de 2008. LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNE. SALDO EM 31/12/1989. CORREÇÃO DA PARCELA REMANESCENTE EM 1991. Nos termos do art. 40, do Decreto no. .332/91, cabe a a correção do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em .31/12/1989 pela diferença percentual entre os índices 1PC e BTNF, apenas relativamente à parcela remanescente em 1991, já considerada a realização porventura efetuada em 1990. Constatado erro de fato nos assentamentos da SRF, correta a exoneração procedida pela autoridade der, grau ADICIONAL. RENDIMENTO NOMINAL DE APLICAÇÃO FINANCEIRA, EXCLUSÃO, Nos termos do art. 67, parágrafo 5°., da Lei no. 8.981/95, as rendimentos de aplicações financeiras existentes ao final de 1994 podem ser excluídos da base de cálculo do Adicional, quando incluídos na apuração do Lucro Real,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. • - IV ti Pr MAL • QUIA -PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatara EDITADO EM: Cl 1 ST 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros lvete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) 2 Ne Pi acesso n" 14041 000096/2004-76 S1-C1T2 Acórdão n " 1102-00231 Fl 2 Relatório Trata-se de lançamento para o IRP.I consubstanciado no auto de infração às 01/12, referente ao ano-calendário 1999, por falta de adição de lucro inflacionário na determinação do lucro real. O saldo remanescente em 31/12/1998, tem realização inferior ao percentual mínimo. A divergência apontada decorre dos seguintes fatos: a) no primeiro semestre de 1986 não foi escriturado o diferimento do lucro inflacionário; b) no 20 , semestre do mesmo ano foi aplicado fator de correção monetária inferior ao devido, bem como no ano de 1989; c) erro na determinação da correção monetária complementar (IPC/BTNF) cio saldo existente em 31/12/89 (nos termos do art. 40 do Decreto no, 332/91), vez que reduziu deste saldo o montante realizado em 1990; cl) adicional de IR calculado a menor na DIPJ/2000. Impugnação de fl.s. 64/80, acosta documentos às II. 81/265, em 16/09/2004, alegando, em síntese: Quanto ao Lucro inflacionário a divergência entre o seu saldo e aquele controlado pela SRF é decorrente de incorreções próprias e da administração tributária (sistemas da SRF):. Para apurar o correto lucro inflacionário pendente de realização elaborou o demonstrativo às fl. 103/111 Assim explica: No ano 198.5 a divergência existente ao . final do ano- calendário 198.5 apontada decorreu de arredondamentos a maior praticados pelo sistema da SRF. 1986 - 1°. semestre — o regisfi o do ch. ferimento do lucro inflacionário no valor de Cz$ 1.345.547,28 está indicado na f! 1.2, verso, da parte A do Lalur no 1 em anexo, incluso no saldo de Cr$ 9.208.409,75, legistrado na linha de 30 06.86 da . 11. 26, da parte B do mesmo Laher, .sendo • Cr$5 218.640.116 de saldo em 311285 .x 0,5067 de fator de correção = Cr$ 7 862.86.2,47 de lucro inflacionário corrigido Cz$ 1.34.5.547,28 de lucro inflacionário do período = Cz$ 9.208.409,75. Neste período, ainda que não mencionado pelo Auditor; há outra incorreção no sistema da SRF, que é o índice referente ao fator de correção. Utilizou em seu Lahtr o Mor 1,.5068 e a SRF utilizou o fator 1,4567. Para o cálculo do índice aplicado, utilizou a seguinte sistemática • divisão do valor da OTN (Cr$ 106,40) pelo valor da ORTN de dezembro/85 (Cr$ 70.613,67), consoante o disposto no Decreto-Lei no 2 287/86, 'itt 9102j. 3 que revogou o regime de correção monetária das demonstrações. financeiras previsto nos ai t. 39 a .52 do decreto-lei no 1 .598/77, AC 1986 — 2". sernestr e — o fator de correção por si utilizado está correto, pois de acordo com o Decreto-Lei no 2 308/86, a correção monetária das demonstrações financeiras do periodo- base encenado em 31/12/86 era apurada com base no valor pio rata da OTN em .31/12/86 de Cz$ 119,49 Assim, utilizando-se da IN ,SRF no. 150/86, que determinava que a correção deveria ser procedida com a observância da mesma sistemática que vigorou na correção dos periodos anteriores, chegou-se ao .seguinte valor. OTN Der/86 (119,49) / OTN Cz$ 106,40 = 1,1230. Então, correio o saldo de lucro inflacionário a realizar em .31/12/86, no valor de Cz$ 8 688 437,00, AC 1987 e 1988 — as divergências decorrem das incorreções cio sistema da SRE apontadas para os anos anteriores, AC 1989 — o Auditor está certo ao afirmar que ,foi utilizado no periodo fator de correção monetário menor Em decorrência disto, recalculou o saldo de lucro inflacionário ao final deste período, que passou a ser de NCz$ 2 003.246,49; AC 1990 — a divergência decorre das incorreções apontadas. para os períodos anteriores; AC 199.1 — ConfOrme fl. 26, verso, do Lalur no 02 e Demonstrativo anexos, para o cálculo da correção monetária complementar pela diferença IPC/BTNF do saldo existente em 31/12/89, deduziu a realização efetuada em 1990, nos termos do Decreto no. 332/91, qual seja NCz$ 344.893,00 (resultante da aplicação do percentual de realização de 17,2168% _sobre o saldo do lucro inflacionário existente em 1989); AC 1992 a 1998 — as divergências apontadas refèrem-se às incorreções até o ano 1991, já esclarecidas nos itens anteriores, Confirme demonstrativo anexo, o valor cio lucro inflacionário pendente de realização, após a correção te:M . e/lie ao ano 1989, é de R$ 42 057,63. Com base neste valor, efetuou o recálculo do IRRI, apurando um imposto de R$ 6308,65 e adicional de R$ 4.207,76. 1) .0},mo que efetuará o pagamento deste montante, acrescido da multa de 75%, .juntando, após, o Dar/ respectivo, Adicional — efetuou o cálculo do adicional conforme o disposto no art 67, parágrafi) 5"., da Lei no 8.981/95. Assim, apurou R$ 4.603 624,31 de adicional de imposto de renda (RS 55 135 378,02 subtraído de R$ 240.000,00 e subtraído de R$ 8 859. 134,97, este Ultimo referente a rendimentos nominais das aplicações financeiras de 1994, e multiplicado por 10%). Vem mantendo desde 1994 as aplicações, segregando em sua escrituração contábil os valores respectivos,. Requer que seja julgada improcedente a autuação, cancelando- se a exigência tributária Nos termos do an 151, III, do CTN, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, Ptolesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, 4 PI °cesso n" 14041 000096/2004-76 S1-C1T2 Acóvdrio n° 1102-00,231 Fl 3 Protesta pela realização de perícia, na forma do ar! 16, IV, parágralb do Decreto no 70 235/72, c/c mi. 38 da Lei no. 9 784/99. Para tanto, nomeia perito e arrola seus primeiros quesitas; A decisão de fis.282/291, está assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário. 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. SALDO EM 31/12/1989. CORREÇÃO DA PARCELA REMANESCENTE EM 1991. Nos termas cio art. 40, do Decreto no 332/91, cabe a a correção do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em 31/12/1989 pela diferença percentual entre os índices 1PC e BTNF, apenas relativamente à parcela remanescente em 1991, já considerada a realização porventura efetuada em 1990 ADICIONAL RENDIMENTO NOMINAL DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. EXCLUSÃO. Nos termos do art. 67, parágralb .5" , da Lei no. 8 981/95, os rendimentos de aplicações financeiras existentes ao final de 1994 podem ser excluídos da base de cálculo do Adicional. Os rendimentos devem ter sido incluídos na apuração do Lucro Real. Julga, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento e ,tendo em vista que o crédito tributário foi exonerado em valor superior ao limite de alçada, R$ 500,000,00, nos termos da Portaria no. .375/2001, art. recorre de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Este é o Relatório i‘ 5 Voto Conselheiro lvete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. O lançamento se dá por falta de realização do lucro inflacionário nos percentuais mínimos determinados por lei. As diferenças são verificadas no ano calendário de 1999.. Há, ainda,cobrança sobre o adicional do imposto de renda devido nesse ano. A folha de continuação do auto de infração, consigna que a Contribuinte fora autuada, pelo mesmo motivo, "falta de realização do lucro inflacionário", referente ao ano calendário de 1996, objeto do Processo 10166.01634712001-24, O lançamento decorre dos ajustes realizado na conta referente ao lucro inflacionário realizado e utilizo os bem fundados argumentos expendidos pela autoridade julgadora de 1 `) , grau, por bem definir o litígio: "Para facilitar o entendimento do juízo alcançado ao final do voto, realizarei uma análise das alegações do Auditor e do .sujeito passivo por ano-calendário. AC1978 7 Em relação a este período, conforme demonstrativo à 11 10.5, a divergência de saldo entre os controles do Sapli e do sujeito passivo decorreu unicamente do .fato de que este considerou nos cálculos as casas decimais (Centavos), enquanto aquele truncou no algarismo da unidade, ai redondando-o. 8 Esclareço que não há qualquer irregularidade no sistema da MU", vez que as infirmações constantes da D1RPJ não continham informação quanto às casas decimais. AC1979 9 Para este per iodo, consoante demonstrativo à fl 10.5, o contribuinte efetuou o cálculo da correção com o valor do fator de correção arredondado na sexta casa declina!, quando deveria ter feito na quarta casa decimal, conforme consta do Sapli. Tal regra legal era de seu conhecimento, tanto que em outros períodos procedeu confirme os controles da SRF (anos 1988, 1987, 1985, 1984, 1983, 1982, 1981, 1980, 1990, 1991, 1992, 1993 etc). Logo, a divergência decorreu de em co do sujeito passivo AC 1980 a 1984 10 Para estes períodos, as divergências são conseqüência das diferenças de aproximação que o contribuinte adotou equivocadamente nos anos 1978 e 1979, acima esclarecidas. AC 1985 6 Plocesso n° 14041. 000096/2004-76 sl-c1T2 Acórdão n " 1102400.231 Fl. 4 11.Confbrme demonstrativo à .f l. 107, o contribuinte efetuou o cálculo da correção com o valor do fator de correção arredondado na sexta casa decimal, quando deveria ter feito na quarta casa decimal, conforme consta do Sapli Tal regra legal era de seu conhecimento, tanto que em outros períodos procedeu conforme os controles da SRF (anos 1988, 1987, 1985, 1984, 1983, 1982, 1981, 1980, 1990, 1991, 1992, 1993 etc). AC 1986 12.Relativamente a este período, o sujeito passivo cometeu dois erros em seu controle ('17• 107/108), quais sejam. Fator de correção do 1". semestre —O fator de correção do 1° . semestre correto de 1,4.567, conforme cálculo demonstrativo a seguir: 102,86 (OTN pro rata .fixado no ADN no. 01/87) / (valor truncado na segunda casa decimal do resultado da divisão da ORTN de dezembro de 1985, Cr$ 70 613,67, por 1.000, em virtude da mudança da moeda de Cr$ para Cz$,. na mudança de moeda trunca-se o resultado a partir da 3" casa decimal) = 102,86 / (70,613,67 1 1000) = 102,86 / 70,61 = 1,4567, Fator de correção 2". semestre —O . fator de correção do 2" semestre correto é de 1,1617, confarme cálculo demonstrativo a seguir .. 119,49 (OTN pro rata fiscado no ADN no. 01/87 para o mês de dezembro de 1986) / 102,86 (OTN pro rata lixado no ADN no. 01/87 para o mês de junho de 1986) 1,1617 (arredondamento de 1,16167 - o resultado da correção deve ser calculado até a 4 0. casa decimal, desprezando-se as demais quando a .5". for inferior a 5 e aumentando a 4" casa em mais uma unidade, quando a .5", for igual ou superior ao algarismo .5). AC 1987 e 1988 13.As divergências decorreram apenas das diferenças de aproximação que o contribuinte adotou equivocadamente nos anos 1978, 1979, 1985 e 1986. AC 1989 14.Para este ano, o próprio contribuinte reconheceu o equívoco cometido por ele na apuração do fator de correção, estando, pois, correto o controle do Sapli 4C1990 15.4 divergência decorreu apenas das diferenças de aproximação que o contribuinte adotou equivocadamente nos anos 1978, 1979, 198.5, 1986 e 1989 AC 1991 - diferença IPC/BTNF do saldo de lucro inflacionário em 31/12/89 16 O .sujeito passivo alegou que a parcela do lucro inflacionário existente em 31/12/1989 que tenha sido realizada no ano 1990 não se submete à regra de correção do ar! 40 do Decreto no. 7 332/91, vez que o dispositivo exige que o valor registrado na parte B do Lalur em .31/12/89 constitua adição a partir de 1991 17.Para analisar o argumento apresentado, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 40 do Decreto no 332/91: Ai 1, 40 Os valores que constituirão adição exclusão ou compensação a partir cio per iodo-base de 1991, registrados na parte 8 do livro de Apuração cio Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na .forma deste capítulo, e a diferença de correção será registrada em .folha própria cio livro, para adição, exclusão ou compensação na deter minaçào do lucro real, a partir do per iodo-base de 1993. (grifei) 18.Pelo dispositivo, está claro caber a correção do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em 31/12/1989, pela diferença percentual entre os índices IPC e BINE ., apenas relativamente à parcela remanescente em 1991, já considerada a realização porventura efetuada em 1990. Ou seja, o fator de correção deveria incidir tão somente sobre o montante de lucro inflacionário restante controlado na parte B do Laher no início de 1991, que tenha decorrido do saldo existente eia 1989 19. No caso, o .snjeito passivo não apurou lucro inflacionário no ano 1990, cabendo considerar que todo o valos realizado nesse ano foi decorrente do saldo existente em .31/12/1989. Logo, caberia a correção pela diferença IPC/BTNF apenas da parcela que não fbi realizada em 1990 20 Acontece que o sistema Sapli efetuou automaticamente a correção de todo o saldo existente em .31/12/1989, confbrine pode ser visto na linha 7, do quadro referente ao período-base 1991, do demonstrativo do Sapli acima mencionado Senão vejamos.- NCz$ 2.014 105,00 x 9,496 (fator dif. erença IPC/BTNF) x 5,7682 (fator de correção para o ano 1991) = Cr$ .110.322.252,00 (após cada multiplicação, os centavos são truncados) Tal procedimento não dee()) reu de erro do sistema, mas sim de ser este o entendimento dado ao art 40 do Decreto no. .332/91 pelo órgão gestor do sistema (Coordenação Geral de Fiscalização - Colis). 21 .Então, cabe retificar de oficio tal erro, vez que acarretou a elevação indevida do saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/1995 Para tanto, apliquei o percentual de realização efetuado pelo contribuinte eia 1990, qual seja, 17,1240%, no saldo existente em 31/12/1989, a fim de obter o valo) . realizado antes da aplicação do Mor de correção do ano 1990 (variação da BTNE). 22 Como resultado obtive o valor de R$ 344 89.5,00 (= 0,171240 x NCLS 2.014.105,00, retirando os centavos), que representa o montante do saldo de 1989 que fai realizado em 1990 Este valor deveria ter sido excluído do saldo de lucro inflacionário existente em .31/12/89 para fins de aplicação do fator diferença IPC/BTNF, em cumprimento ao disposto no art 40 do Decreto no. 332/91 Então, aplicando sobre este montante o fiam- de correção referente à diferença IPC/BTNF (9,496) e o finor de correção referente ao ano 1991 (5,7682), obtive o valos- de CrS po, 8 ,d1) Processo n" 14041 000096/2004-76 sl-C1 T2 Acól diio n " 1102-00.231 Fl 5 18.891.564,00, que deve ser excluído no sistem Sapli no ano 1991 23. Por questões operacionais do sistema &Mi (definição estabelecida pela Co/is), tal montante não pôde .ser excluído diretamente da linha 7, cio quadro referente ao período-base 1991, do demonstrativo do Saph ("Lucro Inflac. A Realizar em ..U/12/89 — Dif IPC/BTNF'), motivo pelo qual utilizei a linha 4 (Lucro Inflacionário realizado — Demais Atividades) para concretizar a alteração no Sapli, confirme pode ser visto no mesmo demonstrativo por mim anexado às . 11. 276/280, O valor anteriormente registrado na linha 4 era de Cr$ 171.413.337, 00, passaria, então, a ser de Cr$ 190 304.901,00 (= Cr$ 171 413.337,00 -1- Cr$ 18.891..564,00), diminuindo o saldo final acumulado exatamente no montante apurado no item anterior. 24.Além disso, .foi feita uma normalização no sistema pela Co/is em 27/04/2006 no ano-base 1991, em cumprimento à SCI Cosi! 23/2004, para .fins de dar baixa por decadência de parcela cuja realização era obrigatória, mas não .foi realizada pelo contribuinte, muito menos lançada pela SR17. Foi excluído o montante de Cr$ 793 313,00 (11. 275) Se simplesmente fosse aumentada a realização no montante especificado no item acima, o sistema automaticamente eliminaria tal exclusão, de direito do contribuinte, pois o percentual de realização ficaria superior ao mínimo legal. Então, para não acarretar qualquer prejuízo ao contribuinte, deve ser adicionado o valor de Cr$ 793 313,00 ao montante de Cr$ 190.304.901,00, totalizando um valor a ser infirmado na linha 4 de Cr$ 191.098.214,00. 25.Tal alteração provocou redução do saldo de lucro inflacionário em 31/12/1995, que passou a ser de R$ 15.637.325,9.5, conforme demonstrativo às f1 276/280. .Além disso, consta do demonstrativo que todo o saldo Ibi realizado até 1997 (neste ano com baixa por decadência decorrente de normalização da Co/is), não restando valor a realizar no ano 1999 26.Em vista disso, o lançamento é improcedente nesta parte. Do adicional 27. Consoante do disposto no art. 67, parágrafo 50., da Lei no. 8.981/9.5, e a orientação contida na instrução de preenchimento do PGD DIRI/2000, ambos transcritos abaixo, os rendimentos nominais de aplicações financeiras existentes em 31/12/1994 poderiam ser excluídos da base de cálculo do adicional em 1999. Au t 67 ( .) § .5" Osiendimentos das aplicações .financeiras de que nata este artigo, pioduzidas a partir de 1"de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do hnpo.slo de lenda de que nata o art 39 PGD DIPI/2000 — Instrução de Preenchimento —Linha 13/0.3 — Adicional Esta linha será preenchida automaticamente pelo Programa Gerador da D1PJ e indicará o valor do adicional do imposto de tenda, j9 calculado com observância do disposto no subitens 7 1 4.1 2 imestral) ou 7 1 .5 2 11 (apuração anual) deste manual O valw do adicional .será determinado mediante a aplicação da aliquota de 10% (de: por cento) sobre a parcela do lucro real, determinado pela soma dos valores positivos indicados na Linha 10/38 - Lucro Real (Atividades em Gelai e Atividade Rural), que exceder a R$20 000,00 (Vinte mil reais) multiplicado pelo número de meses do per iodo de apta ação Atenção A pessoa juridica que aufei ir, durante o ano-calendái ia, rendimentos nominais de aplicações financeiras de renda Na, de °per ações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário, tendo por objeto ouiD, ativo finalleeirO, e de fundos e clubes de investimento, evistentes em 31/12/1994, poderá excluir tais rendimentos da base de cálculo do adicional (Lei n° 8.981, de 1995, mis 67, 5"e 73, 7") 28 Na espécie, conforme planilhas e cópias do Razão às .11 249/265, o sujeito passivo conseguiu comprovar a existência de tais rendimentos no montante de R$ 8.859.134,97, decorrentes' de aplicações efetuadas em 1994. 29 Além disso, analisando sua DIPJ/2000 à fl 175, verifica-se que a receita financeira declarada (R$ 18 461 860,74) é suficiente para abranger o montante de rendimento nominal de aplicação .financeira indicado no item anterior, o que leva à conclusão de que este rendimento foi considerado na apuração do Lucro Real 30 E111 vista do exposto, entendo ser direito do contribuinte efetuar a dedução dos rendimentos nominais antes mencionados da base de cálculo do adicional Fazendo-se os cálculos, o adicional devido seria de R$ 4.603 624,31, exatamente o montante apurado pelo contribuinte e declarado em sua DIPI. (R$ 5,5 135.378,02 - R$ 240 000,00 - R$ 8.8.59 134,97) .x 10% = R$ 4.603 624,31 3/Resta conchal-, pois, ser o lançamento implocedente nela parle (— Do reexame necessário, verifico que deve ser confirmada a exoneração processada pelos membros da 2.. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF, não merecendo reparos a sua decisão, visto que assentada na correta interpretação dos fatos , à luz da legislação tributária perfeitamente aplicável às hipóteses submetidas à sua apreciação, Nessa conformidade NEGO provimento ao recurso de oficio interposto, $ P f _,,,PESSOA MONTEIRO 10 Processo 0" 14041 000096/2004-76 SI -C 112 Acórdão o " 1 1 02-00.23 1 r i . 6 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009.. Brasília, g 1 sET 20-10 . f JOSÉ ,.. ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ I apenas com ciência; [ I com Recurso Especial; [ } com Embargos de Declaração; l 1 11
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734242/2011-91
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CSLL - BASE DE CÁLCULO
As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigi-la.
Numero da decisão: 1401-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) para excluir o lançamento da CSLL, vencido o Conselheiro Bezerra, que negava provimento; b)em relação o lançamento do IRPJ que restou mantido, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Maurício Pereira Faro, que davam provimento integral.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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DESPESA DESNECESSÁRIA. É indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL BASE DE CÁLCULO As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) para excluir o lançamento da CSLL, vencido o Conselheiro Bezerra, que negava provimento; b)em relação o lançamento do IRPJ que restou mantido, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Maurício Pereira Faro, que davam provimento integral. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 42 42 /2 01 1- 91 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 1401000.962 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 329330): Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 167/176, lavrados pela DRF Rio de Janeiro 1 RJ, contra Cia de Cimento Portland Lacim, relativos ao ano calendário 2007, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 9.874.868,13 e a CSLL no valor de R$ 2.508.719,43, acrescidos de multa proporcional de 75% e de juros de mora, bem como para retificar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL. Conforme consta dos autos de infração e do Relatório Fiscal de fls. 161/166, foi constatada a infração a seguir resumida: • O autuado deduziu indevidamente a despesa de R$ 43.000.000,00, relativa à contribuição ao Fundo de Direitos Difusos, prevista no Termo de Compromisso de Cessação de Conduta (TCC), firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); • De acordo com o referido termo, o autuado obrigavase a fazer o pagamento e a cessar a prática lesiva às condições concorrenciais do mercado de cimento, em troca da suspensão do processo administrativo, contra ele instaurado, acerca da aplicação dos artigos 20 e 21 da Lei nº 8.884/94 (que tratam das infrações da ordem econômica); • A despesa é indedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, de acordo com os artigos 47 da Lei nº 4.506/64, 299 do RIR/99 (REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.000/99) e 13 da Lei nº 9.249/95, por não ser necessária nem usual à ativida de desenvolvida; e • O compromisso do pagamento decorre de processo gerado em virtude de infrações cometidas contra a ordem econômica, situação que é incompat ível com o desempenho regular da atividade da empresa. Cientificado das autuações em 18.10.2011 (fls. 168 e 173), o autuado apresentou, em 11.11.2011, a impugnação de fls. 225/240, alegando, em síntese, que: a) Por ser empresa do estratégico setor de produção de cimento, segmento que conta com pouquíssimas empresas atuantes no Brasil, é frequentemente fiscalizada por órgãos como o CADE (assim como as suas concorrentes também o são). Por esse motivo, encontrase usualmente envolvida com questões de fiscalização quanto à preservação das condições concorrenciais no mercado nacional, situação inerente à sua atividade; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 b) Assim, é inerente à sua atividade a adoção de procedimentos de adequação e prevenção, a fim de ajustar a sua conduta em relação às práticas concorrenciais no mercado; c) O referido TCC teve como objetivo suspender o processo administrativo iniciado em desfavor de oito empresas do ramo de cimento (que representavam 90% do mercado), dentre elas o autuado, com o propósito de apurar suposta ocorrência de infrações à ordem econômica no mercado; d) Por isso, o pagamento realizado atende ao critério de necessidade porque, a contribuição pecuniária estabelecida no TCC possui intrínseca relação com as atividades da empresa; e) O pagamento é necessário pois reduz de forma significativa os potenciais ônus financeiros a serem arcados pelo investigado em eventual condenação; f) A celebração do TCC e o pagamento da contribuição pecuniária obrigatória destinaramse a evitar qualquer condenação que pudesse trazer maiores custos ou perdas para o autuado; g) Como a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido e não o lucro real, a ela não se aplica o artigo 299 do RIR/99, que condiciona a dedução à necessidade e usualidade da despesa; h) Não há disposição legal que vede a dedução do pagamento em pauta na apuração da CSLL; e i) Devese afastar os juros de mora baseados na taxa Selic, uma vez que ela não foi criada por lei para fins tributários, conforme decisão do STF e jurisprudência. A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 327): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESA DESNECESSÁRIA. INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. É indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. CSLL. DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. Por força da IN SRF nº 390/2004, é indedutível o valor pago com finalidade de afastar aplicação de multa por infração contra a ordem econômica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 20/07/2011 (fls. 339), a contribuinte apresentou em 17/08/2012 o recurso voluntário de fls. 342356, basicamente repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 1401000.962 S1C4T1 Fl. 4 5 Esclareceu a recorrente que a contribuição pecuniária prevista no TCC não pode ser entendida como multa ou sanção. Afirmou, outrossim, que o CARF entende que as multas contratuais (não fiscais), incorridas em virtude da atividade específica da empresa, ajustase ao conceito de despesa operacional dedutível, consoante julgados referidos às fls. 350351. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Indedutibilidade de despesas decorrentes de infringência de normas concorrenciais Conforme relatado, no presente caso, após ter sido instaurado processo administrativo tendente a apurar possíveis infrações da ordem econômica, o autuado (ora rcorrente) optou por firmar termo de compromisso, dando fim à suposta prática danosa às regras da concorrência e realizando a contribuição de R$ 43.000.000,00 ao Fundo de Direitos Difusos, livrandose assim dos riscos inerentes ao prosseguimento daquele processo administrativo. No entender da recorrente, tal despesa deve ser considerada necessária, pois o contribuinte teria escolhido a solução que, ao seu ver, lhe traria menos perdas. Assim sendo, em última análise estaria a contribuinte zelando pela continuidade de sua fonte produtora e de sua atividade. O acórdão recorrido não acolheu este entendimento da contribuinte, por entender que aquele processo administrativo surgiu em razão da infringência de normas concorrenciais por parte do autuado, ora recorrente. No entender do colegiado julgador a quo, “atos contrários à lei não podem ser considerados necessários ou usuais para atividade de uma empresa” (v. fls. 331). Consequentemente, as despesas decorrentes destes atos, tenham elas a natureza de sanção ou de simples pagamento para prevenir a sanção, devem ser considerados como não necessários ou não usuais para a atividade da empresa. Neste sentido, a decisão recorrida considerou que, embora constasse do termo de compromisso firmado pela contribuinte que o pagamento efetuado ao fundo não tinha natureza de multa ou sanção, a referida contribuição foi imposta à contribuinte em virtude de infração à lei, tendo sido efetuado em troca da aplicação de multa. Por esta razão, entendeu a decisão recorrida que o aludido pagamento deveria ser considerado desnecessário, sujeitandose ao mesmo tratamento tributário que seria dispensado ao eventual pagamento de multa por infração às normas concorrenciais. Tais multas, como amplamente sabido, são consideradas indedutíveis na apuração do lucro real, conforme Parecer Normativo CST nº 61/1979, que assim dispõe sobre o assunto: 5. MULTAS POR INFRAÇÃO DE LEI NÃO TRIBUTÁRIA 5.1 – O § 4.º do artigo 16, do Decretolei n.º 1.598/77 diz respeito especificamente às multas impostas pela legislação tributária. A ele são estranhas as multas decorrentes de infração a normas de natureza não tributária, tais como as leis administrativas (Trânsito, Sunab, etc.), penais, trabalhistas, etc. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 1401000.962 S1C4T1 Fl. 5 7 5.2 – Por refugirem ao alcance da norma específica, essas multas caem nas malhas do preceito geral inscrito no artigo 162 do Regulamento do Imposto de Renda/75, o qual condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Ora, é inadmissível entender que se revistam desses atributos despesas relativas a atos e omissões, proibidos e punidos por norma de ordem pública. Assim, as multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária serão indedutíveis. Conforme bem ressaltou o acórdão de piso, o art. 162 do RIR/1975, mencionado no Parecer acima transcrito, corresponde ao art. 299 do RIR/1999. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão recorrida, fls. 332: A Cosit ratificou o seu entendimento, conforme se depreende da leitura da resposta ao questionamento levado a sua apreciação, disponível no site da RFB: Pergunta 033: As multas não qualificadas como fiscais são dedutíveis? A vedação à dedutibilidade de multas, referese especificamente às multas impostas pela legislação tributária, pois diz respeito à dedutibilidade de multas por infrações fiscais. As multas decorrentes de infração às normas de natureza não tributária, tais como as decorrentes de leis administrativas, penais, trabalhistas etc. (como por exemplo: multas de trânsito, pesos e medidas, FGTS, INSS, CLT etc.), embora não se caracterizem como fiscais, são indedutíveis na determinação do lucro real por não se enquadrarem no conceito de despesa operacional dedutível para fins do imposto de renda e não atenderem ao disposto no art. 299 do RIR/1999, que condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Nessa mesma condição encontrase o pagamento em pauta, ou contribuição pecuniária, que teve a mesma razão de ser e a mesma finalidade da multa que substituiu, independentemente da denominação que lhe foi posta. Na direção exatamente oposta ao que determina o parágrafo 1º do artigo 299 do RIR/99, o pagamento em tela não foi reflexo de “operações exigidas pela atividade da empresa”, mas sim de operações proibidas para a sua atividade. Importante destacar que a matéria em análise no presente processo recentemente foi objeto de uma Solução de Consulta, decidida nos seguintes termos pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 260, DE 15 DE OUTUBRO DE 2012 [...] 8ª REGIÃO FISCAL DIVISÃO DE TRIBUTAÇÃO DOU de 14/12/2012 (nº 241, Seção 1, pág. 54) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ TERMO DE COMPROMISSO DE CESSAÇÃO DE PRÁTICA A contribuição pecuniária paga ao Fundo de Direitos Difusos, estipulada no Termo de Compromisso de Cessação de Prática, aceito pelo CADE, para arquivamento do processo em que a empresa é investigada por suposta prática de infrações contra a ordem econômica, mesmo não havendo reconhecimento de culpa, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda, pois não pode ser considerada como necessária e usual para as atividades da empresa. Dispositivos Legais: Lei nº 8.884, de 1994; Lei 11482, de 2007; Lei nº 12.529, de 2011; RIR/99, art. 299 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1981. Também em relação à CSLL, o acórdão recorrido considerou que as aludidas despesas não podem ser deduzidas, tendo em vista o disposto no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, que dispõe especificamente sobre a determinação e o pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido, verbis: Art. 57. As multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária são indedutíveis como custo ou despesas operacionais. Importante destacar que a Solução de Consulta retrotranscrita, da lavra da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal, manifestou idêntico entendimento relativo à indedutibilidade destas despesas em relação à CSLL, verbis: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 260, DE 15 DE OUTUBRO DE 2012 [...] 8ª REGIÃO FISCAL DIVISÃO DE TRIBUTAÇÃO DOU de 14/12/2012 (nº 241, Seção 1, pág. 54) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ TERMO DE COMPROMISSO DE CESSAÇÃO DE PRÁTICA A contribuição pecuniária paga ao Fundo de Direitos Difusos, estipulada no Termo de Compromisso de Cessação de Prática, aceito pelo CADE, para arquivamento do processo em que a empresa é investigada por suposta prática de infrações contra a Fl. 387DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 1401000.962 S1C4T1 Fl. 6 9 ordem econômica, mesmo não havendo reconhecimento de culpa, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda, pois não pode ser considerada como necessária e usual para as atividades da empresa. Dispositivos Legais: Lei nº 8.884, de 1994; Lei 11482, de 2007; Lei nº 12.529, de 2011; RIR/99, art. 299 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1981. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL TERMO DE COMPROMISSO DE CESSAÇÃO DE PRÁTICA A contribuição pecuniária paga ao Fundo de Direitos Difusos estipulada no Termo de Compromisso de Cessação de Prática, aceito pelo CADE, para arquivamento do processo em que a empresa é investigada por suposta prática de infrações contra a ordem econômica, mesmo não havendo reconhecimento de culpa, não é dedutível na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, pois não pode ser considerada como necessária e usual para as atividades da empresa. Dispositivos Legais: Lei n.º 7.689, de 1988; Lei nº 8.884, de 1994; Lei 11482, de 2007; Lei nº 12.529, de 2011; RIR/99, art. 299 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1981 Não obstante o entendimento expresso no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 e na Solução de Consulta nº 260/2012, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal, entendo que a razão encontrase ao lado da recorrente. Afinal, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Sobre o tema, dispõe expressamente o art. 57 da Lei nº 8.981/95, verbis: Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Consequentemente, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso, nem mesmo no artigo 13 da Lei nº 9.249/95, citado no relatório fiscal. Neste sentido, indico os seguintes precedentes do extinto Conselho de Contribuintes (grifado): CSLL – LANÇAMENTO DECORRENTE. As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo Fl. 388DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Na matéria em que não há disposição específica quanto à CSLL, e tratandose da mesma matéria fática, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no principal (que tratase de IRPJ). Recurso Voluntário nº 130.570, Relatora Tânia Koetz Moreira – Oitava Câmara, Sessão do dia 06/11/2002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTRO – AC. 1995 CSLL – DESPESAS DESNECESSÁRIAS ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO – IMPROCEDÊNCIA – A base de cálculo da CSLL é o resultado do período, apurado na forma da legislação comercial, ajustado na forma da legislação específica (artigo 2º da lei nº 7.689/1988). As despesas desnecessárias são indedutíveis para o IRPJ, não o sendo para a CSLL por falta de expressa previsão legal, desde que comprovadas por documentos hábeis e idôneos. Recurso de ofício não provido. Recurso nº 139549 Relator Caio Marcos Cândido – Primeira Câmara, Data da Sessão : 27/01/2005. Diante de todo o exposto, considero que, em relação ao presente tema, o presente recurso voluntário merece ser parcialmente provido, cancelandose a exigência formalizada a título de CSLL. Exigibilidade dos juros com base na taxa SELIC Em relação a este tema, a recorrente arguiu a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros de mora em débitos tributários. Em relação a este tema, é suficiente trasncrever o enunciado da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, mantendose integralmente a exigência a título de IRPJ e cancelandose integralmente a exigência a título de CSLL, pelas razões de direito acima expostas. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12448.734242/201191 Acórdão n.º 1401000.962 S1C4T1 Fl. 7 11 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10768.008797/2003-26
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não havendo omissão no acórdão proferido, mas tentativa de rediscussão de matéria probatória, inexiste base legal para acolhimento dos embargos declaratórios.
Embargos de Declaração Rejeitados.
Numero da decisão: 3102-000.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10830.002782/2004-34
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/1999, 30/06/1999,
31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999,
30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/0212000,
31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 31/07/2000,
31/12/2000, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001,
31/08/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/01/2002,
31/07/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003,
31/05/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003,
31/10/2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A vasta quantidade de elementos dos autos permite o
pleno exercício do direito de defesa
constitucionalmente assegurado.
ÓNUS DA PROVA.
O ônus da prova é de quem alega, cabendo ao
interessado refutar a natureza das receitas
corretamente indicadas pela fiscalização.
PIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CINCO
ANOS.
O prazo decadencial para lançamento da contribuição
para o PIS é de cinco anos, nos termos do CTN, e não
nos termos da Lei ns' 8.212/91
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE
CÁLCULO.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
consolidou-se no sentido de considerar como base de
cálculo das contribuições sociais o valor da venda de
mercadorias, de serviços ou de mercadorias e
serviços.
LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA.
É devido o PIS sobre alugueres quando a receita de
locação de bens imóveis constitui fonte de receita de
empresa, portanto, incluída no conceito de
faturamento. O conceito de faturamento, para os
efeitos fiscais, coincide com o de receita bruta, sendo
entendido como o 'produto de todas as vendas de
mercadorias e serviços e outras receitas, e não
apenas das vendas acompanhadas de fatura,
formalidade exigida tão-somente nas vendas
mercantis a prazo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 202-18.136
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação aos períodos de apuração encenados até 31/05/1999 e excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Maria Cristina Roza da Costa, esta última apenas quanto à decadência.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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I tk -20 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10830.002782/2004-34 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Recurso n° 131.778 Voluntário CONFERE COM O ORIGINAL Matéria PIS grulha, 34 / ol /a2ocs4 Acórdão n° 202-18.136 Sueli IS Mendes da Cruz Sessão de 20 de junho de 2007 Mil Sitlih: 91751 • Recorrente DOMAR EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida DRJ em Campinas - SP „assoo os Gorutto Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep weeerst:Dwel Período de apuração: 31/05/1999, 30/06/1999, cbodca 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/0212000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 31/07/2000, 31/12/2000, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 31/07/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A vasta quantidade de elementos dos autos permite o pleno exercício do direito de defesa constitucionalmente assegurado. ÓNUS DA PROVA. • O ônus da prova é de quem alega, cabendo ao interessado refutar a natureza das receitas corretamente indicadas pela fiscalização. PIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS. O prazo decadencial para lançamento da contribuição para o PIS é de cinco anos, nos termos do CTN, e não nos termos da Lei ns' 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. \ Processo n.°10830,002 -822004-34 CCO202 Ordão n.° 202-18.136 Fls. 2 PE - Si. ) DE CONTRIBUINTES COrw, -RiGINAL Brasília. —24101 _J.-9004 A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal Se- ------- consolidou-se no sentido de considerar como base de Sueli Tolenti!to Mendes da Cruz cálculo das contribuições sociais o valor da venda de Mat. Sispe 91751 mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. É devido o PIS sobre alugueres quando a receita de locação de bens imóveis constitui fonte de receita de empresa, portanto, incluída no conceito de faturamento. O conceito de faturamento, para os efeitos fiscais, coincide com o de receita bruta, sendo entendido como o 'produto de todas as vendas de mercadorias e serviços e outras receitas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão-somente nas vendas mercantis a prazo.' . Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação aos períodos de apuração encenados até 31/05/1999 e excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Maria Cristin Roza da Costa, esta última apenas quanto à decadência. _ . . . 6/..0.StChi , ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VAV .1 GU O KELLY ALENCAR Relato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudia Alves Lopes Bernardino, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López. SEGUNDO CONLELHO DE 1.4 CONFERE COM O OkluiNAL Processo n." 10830.002'82 2004-3-I .200 CCO2,CO2 • Acórdão o.' 202-18.136 1 Bra5iIÇO. Fls. 3 Sueli Totenlino Mendes da Cruz Mal. si we 91751 •Relatório • Trata o presente processo de auto de infração de PIS, lavrado em 08/06/2004, relativo aos períodos de apuração intermitentes entre 31/05/1999 e 31/10/2003, decorrente da apuração de diferenças entre os valores declarados em DCTF e os encontrados nos livros contábeis-fiscais da contribuinte. A contribuinte apresenta impugnação, na qual alega que: - vários dos valores se referem a meros arredondamentos de cálculo; - a intiCiéncia do PIS sobre receitas financeiras é inconstitucional e ilegal; - a Lei n2 9.718/98 possui vícios formais e materiais; - houve irregularidade no processo de conversão da MP n 2 1.724/98 na Lei n2 9.718/98; - a ampliação do conceito de faturamento feita pela Lei n2 9.718/98 é inconstitucional, por violar o art. 110 do CTN; - defende a necessidade de lei complementar para regular o PIS; - defende a necessidade de abatimento de valores anteriormente recolhidos; - alega ter-se operado a decadência dos períodos anteriores a 08/06/1999. A DRJ mantém o lançamento alegando que: - a decadência é de dez anos, nos termos da Lei n 2 8.212/91; - inocorreu nulidade, porque a fiscalização agiu confrontando elementos fornecidos pela própria contribuinte; - a autoridade administrativa não pode analisar a constitucionalidade de dispositivos legais validamente editados; • - quanto aos pagamentos efetuados, a fiscalização já levou em conta os valores declarados em DCTF, só lançando as diferenças apontadas nas planilhas acostadas; - não houve autuação para os períodos em que houve os pagamentos indicados na impugnação. Inconformada, apresenta a contribuinte recurso voluntário, no qual: - reitera a questão da decadência; - defende a possibilidade de a autoridade administrativa discutir a constitucionalidade dos dispositivos legais; - repudia a conversão da MP n 2 1.724/98 na Lei n2 9.718/98; jk • Processo n.° 10830.002782 1200.1-34 cco2it (r2 Acórdão n.° 202-18.136 Fls. 4 - alega ser inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento feita pela Lei n2 9.718/98, por violar o art. 110 do CTN; - defende a necessidade de lei complementar para regular o PIS; - reitera o cerceamento de defesa pela não indicação da origem das outras receitas tributadas. É o Relatório. 5 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONTER': crx.:7 O 0::::G1NAL • !3rasilia, .2 I> te-2°04 t" • Sueli 'Mentiu° Mendes da Cruz Abs. Siófic 9)751 • • _ . - - • - 4 4 . . \ v • • k.} 1 • ALF - SEGUNDO CONSBMODZ CONtattMiltiProcesso n ° 10830 00279.2 200 ...+4 CCO2i02 Acórdão n ° 202-18. 36 CONE-CRSCOM o cgziw-AL. Fls. 5 era•tiriti J21 t .4- j °At "4- áuelj lc,:: Mendes da Cruz Voto — Mai Sion: 91751 Conselheiro GUSTAVO ICELLY ALENCAR, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, do recurso conheço. Inicialmente, quanto ao alegado cerceamento de defesa, entendo não assistir razão à contribuinte. Os livros da mesma contêm os valores apontados como não submetidos à tributação, razão pela qual possui a mesma perfeita capacidade de identificá-las e discuti-las nos presentes autos. E é dela o ônus da prova. O Fisco tem o ônus de indicar os valores que entende tributáveis, e cabe ao contribuinte questiona-los, caso não concorde. E deste ónus, a contribuinte não se desincumbiu. Nego provimento ao recurso neste aspecto. Quanto à decadência, entendo que, em se tratando a contribuição para o PIS de um tributo, e sobre isto não restam dúvidas, havendo inclusive posicionamento do Supremo Tribunal Federal neste sentido, não há como lei ordinária modificar o posicionamento do CTN - Lei Complementar - acerca da matéria. Há então de prevalecer o entendimento deste último, em que pesem os argumentos dos defensores da tese oposta. Não há que se aplicar o disposto na Lei n 2 8.212/91, tampouco o disposto no Decreto-Lei n2 2.052/83, mesmo por que o que ali se vê é a - também duvidosa - estipulação de prazo prescricional: "Art. 1°. Os valores das contribuições para o Fundo de Participação PIS-PASEP, criado pela Lei Complementar n°26, de 11 de setembro de 1975, destinadas à execução do Programa de Integração Social - PIS e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, instituídas pelas Leis Complementares es 7 e 8, de 7 de setembro e 3 de dezembro de 1970, respectivamente, guando não recolhidos nos prazos fixados, serão cobrados pela União com os seeuintes acréscimos:" . _ Outrossim, não é só. Sob o aspecto material também se verifica a absoluta impossibilidade de aplicação da referida Lei n2 8.212/91. E tal inaplicabilidade é incontroversa sob diversos prismas, o mais latente deles sendo o próprio entendimento da Fazenda Nacional, • que, ao indeferir pedidos de restituição de tributos, aí incluída a Contribuição para o PIS, o faz baseando-se no prazo qüinqüenal previsto no CTN, e não na inversa aplicação do referido dispositivo ordinário. Há,—inclusive, atos administrativos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal neste sentido, a saber, por exemplo, o Ato Declaratório n 2 96, de 26/11/99, do Secretário da Receita Federal, com base no Parecer PGFN/CAT n 2 1.538, de 1999, que declara que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Tal ato, amparando-se no referido parecer, cita como base legal os arts. 165, I, e 168, I, da Lei n2 5.172/66 (CTN).À • . r DAF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE' CONFERE COM O =NAL Processo n.° 10830.002782'2004-3 Brasiba, 2/e2.2- _sr 0 .4- 1-70° -I- CCO2CO2 Acórdão n.° 202-18.136 Fls. 6 çEr Sueli Tolentino Mendes da Cruz 1 Mai. Mune 91751 Ora, o praz • •s n o ee contribuição social terá que ser o mesmo do prazo decadencial para requerer a restituição da contribuição, ainda que seja aplicado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de dez anos. O que não pode ser validado é a aplicação do citado art. 45 da Lei n 2 8.212/91, que cuida de contribuição ao INSS, para o lançamento e aplicar o CTN para restituição, ou seja, respectivamente, de dez e cinco anos. Logo, ainda que a tributação tenha natureza de questão pública, superando interesses individuais e até mesmo coletivos, resta manifestamente anti-isonômico e atentatório contra a segurança das relações jurídicas conceder-se à Fazenda prazo decenal para lançar créditos da referida contribuição quando esta mesma recusa-se a restituir ao Ccntribuinte valores indevidamente recolhidos caso o lapso temporal entre o recolhimento e o pedido de restituição supere os cinco anos previstos no CTN. O Código concede tratamento distinto para cada modalidade de lançamento. A regra geral é estabelecida no art. 173, enquanto os prazos para o lançamento por homologação, por exceção à regra, são classificados no art. 150. A distinção do Código no tratamento dessas modalidades deve-se ao maior ou menor conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pela autoridade administrativa. Enquanto no lançamento por homologação a ocorrência do fato gerador é conhecida de imediato pela antecipação do pagamento do tributo pelo contribuinte, no de oficio, o fato só vem a ser conhecido após a iniciativa do Fisco. Leandro Paulsen, em sua obra "Direito Tributário", ao comentar o art. 150, § 42, do CIN, esgota o tema: "Prazo para homologação e prazo decadencial. Identidade. Há urna discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste §4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar dcfinitividade a tal situação, - homologando- expressa ou ladram-ente o- paganiento realizado, einn- o - que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a • necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará com o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio em vez de chancela-lo pela homologação. Com o decurso de prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco lançar eventual diferença. A regra do §4" deste art. 150 é regra especial relativamente a do art. 173, 1, deste mesmo código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, inobstante entendimento em sentido contrário esposado pelo STJ, com a censura da doutrina, conlb—rme se pode ver em nota ao art. 173, 1, do CTN". Assim, em se tratando de lançamento por parte da Fazenda, ex officio da contribuição para o PIS, é de se aplicar o disposto no Código Tributário Nacional, ou seja, •. V .• Processo n.° 10830.002782 ,2004-34 CCO2CO2 Acórdão n.° 202-18.136 Fls. 7 aplica-se o art. 150, § 42 - considera-se decaído o direito de lançar toda e qualquer parcela relativa aos fatos geradores pretéritos ao quinto ano anterior à lavratura do auto de infração. Dou provimento ao recurso para excluir do lançamento as competências anteriores a 08/06/1999. No mérito, cabe identificar a base de cálculo consoante as disposições do Excelso pretor, que já se posicionou sobre a matéria. O Supremo Tribunal Federal, no RE 357950 e em inúmeras decisões posteriores, decidiu no sentido de que a base de cálculo das contribuições sociais é composta unicamente pelas receitas que decorram da venda de serviços, de mercadorias, ou de mercadorias e serviços: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3°, § 1°,• DA LEI N° 9718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO — INSTITUTOS — EXPRESSÕES E VOCÁBULOS — SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário • Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. • CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § I° DO ARTIGO 3' DA LEI N° 9.718/98 A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturanzento como sinónimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de seniços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o I° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por_ elas desenvolvida e da_ . classcação contábil adotada." Assim, tendo em vista a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que se consolidou no sentido de considerar como base de cálculo das contribuições sociais o valor da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, passo a analisar as receitas em discussão que se encontram identificadas nos autos, quais sejam, receitas financeiras e receitas de aluguéis. - receitas financeiras — notadamente estas estão fora do disposto na lei, porque não correspondem à receita da venda de bens ou serviços; - receitas de aluguéis — pela razão social da recorrente verifica-se que a mesma atua no ramo imobiliário, razão pela qual o recebimento de aluguéis faz parte de seu objeto social, constituindo sua receita operacional; além disso, inocorreu impugnação especifica a esta parcela. Vejamos: - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CLWFL:17-7 COM O ORVNAL Grazina e2-, I:, 1 \*1 Sueli Toleniiiu. Mendes da Cruz Mat. Nwpc 9.175 t `' • Processo n.° 10830.0027821200 . -34 CCO2 CO2 Acórdão n.°202-18.136 Fls. 8 A criação da Contribuição para o Programa de Integração Soc'al - PIS foi • preconizada pela Lei Complementar n2 7/70, colocando como base de cálculo para sua incidência o faturamento, como previsto no art. 3 2, letra 'b', da Lei Complementar n2 7/70, • definindo-o como tal, confirmado na alínea 'tf do § 1 2 do art. 42 do Anexo à Resolução n2 174, de 25/02/1971 (DOU de 04/03/71), que aprovou o regulamento do PIS. A conceituação de faturamento abrangendo a idéia de receita operacional bruta das atividades da pessoa jurídica amolda-se no fixado na lei complementar acima mencionada. Inclusive este Colegiado já decide o tema há longa data: . "RV 114868 PIS - ALUGUEL DE LIMPEIS - A receita decorrente de aluguel de imóveis, guando incluído entre os objetivos sociais da pessoa jurídica, conceitua-se como .faturamento para o efeito da incidência do PIS/Fantramento. Inteligência do artigo 3", b, da LC n° 7/70-2 Face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso tão-somente para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras, mantendo o lançamento quanto ao restante. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2007. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ce:k •21/ mi O 3 iarm:34 GUS 10 KELLY ALENCAR Sueli Tale) MO Mendes da Cruz Mat. I.Siare 91751 çj • \15 .„, Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.013885/2007-65
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO . CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O art. 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não restando demonstrada a ocorrência de nenhuma das irregularidades, são incabíveis os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1103-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não restando demonstrada a ocorrência de nenhuma das irregularidades, são incabíveis os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 38 85 /2 00 7- 65 Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.972 2 Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 3853/3856) interpostos pela Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto Ltda COOPLANTIO, em face do Acórdão nº 1103001.094, de 26 de agosto de 2014 (fls. 3828/3846). Tratase de ação fiscal referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, no qual a autoridade autuante constatou que a contribuinte promoveu redução do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, por exclusões a titulo de "resultados não tributáveis de sociedades cooperativas", por entender que se tratava de uma cooperativa agropecuária. Contudo, entendeu a Fiscalização que tais ajustes se revelaram indevidos, vez que a sociedade funcionava como uma cooperativa de consumo, pelas razões expostas no Termo de Verificação Fiscal: 1) ausência significativa de operações de entrega à cooperativa da produção dos cooperados, ou seja, a maior parte da comercialização dos produtos agrícolas cultivados pelos associados não foi realizada por meio da cooperativa; 2) as vendas da contribuinte foram, em sua quase totalidade, de insumos agrícolas, como defensivos, sementes, adubos e fertilizantes, exceto inexpressiva quantidade de arroz nos anoscalendário de 2002 e 2003, correspondente a 0,15% do total; 3) todas as filiais da contribuinte (41 unidades distribuídas nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina) vendiam ao público em geral uma vasta gama de produtos agrícolas, sendo o preço de venda ao associado aproximadamente 3,8% inferior ao preço de venda ao não cooperado; 4) os administradores da contribuinte celebraram contratos de prestação de serviço de assessoria e consultoria em diversas áreas, remuneradas, em regra geral, por um percentual incidente sobre o preço de venda ou o custo dos produtos vendidos, independentemente se a venda era para associado ou não; 5) todos os membros da administração da cooperativa (associados eleitos para os cargos de membros do conselho de administração e conselho fiscal da cooperativa nos anos calendário 2002) eram sócios ou parentes próximos de sócios das empresas comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial, e que essas empresas eram remuneradas de modo proporcional às vendas da sociedade. Diante das constatações apresentadas, concluiu a autoridade tributária que a recorrente não poderia ser considerada uma cooperativa de produção agrícola, vez que não recebeu dos seus cooperados, em quase a sua totalidade, o produto final para a comercialização. Adequarseia, portanto, a uma cooperativa de consumo, na medida em que sua atividade foi a de aquisição de insumos aos seus cooperados. Ocorre que, como se beneficiou de um benefício fiscal não aplicável ás cooperativas de consumo, atuou de maneira privilegiada perante os seus concorrentes no mercado. Entendeu a Fiscalização também que, na medida em que a remuneração dos seus diretores foi atrelada ao desempenho das vendas, por meio da prestação de serviços de empresas terceirizadas de gerência desses mesmos diretores, Fl. 3972DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.973 3 o objetivo da cooperativa não foi o de empreender esforços para os seus associados, mas para proporcionar rendimento ás empresas prestadoras de serviços. Nesse contexto, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, de fls. 06/78, cuja ciência à contribuinte deuse em 07/12/2007. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 3061/3144, que foi apreciada pela 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre, em sessão realizada no dia 24/07/2008, e julgou o lançamento procedente, no Acórdão nº 1016.741, de fls. 3511/3529. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 13/08/2008 (fl. 3534), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 10/09/2008 de fls. 3588/3614, no qual aduziu que seria uma cooperativa agropecuária, com atividades direcionadas ao fomento da atividade agrícola e comercialização da produção dos associados, por meio de fornecimento de insumos, disponibilização de assistência técnica diferenciada, vinculada à prática do plantio direto, venda para o mercado interno e externo da produção dos associados. Assim, não haveria que se falar em relação consumerista entre ela e os associados e em cooperativa de consumo. Ainda, mesmo que se admitisse que fosse uma cooperativa de consumo, os atos praticados seriam de natureza cooperativa, definidos pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, protegidos da tributação regular. Registrou ainda que, além de disponibilizar insumos aos associados, também presta aos cooperados assistência técnica de maneira especializada, por meio de visitas, acompanhamento próximo ao produtor, tratamento de sementes, estudo de solos, palestras, presença de profissionais no campo, realização de seminários anuais, dentre outros. |A defesa interposta foi apreciada por esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em sessão realizada no dia 26 de agosto de 2014 cuja decisão (Acórdão nº 1103001.094) negou provimento ao recurso nos termos da ementa a seguir: COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATUAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS, PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INTEGRAÇÃO DAS CADEIAS DE NEGÓCIO. Conceito contemporâneo do agronegócio não permite visualizar a produção agrícola de maneira isolada, mas sim dentro de um contexto sistêmico, integrandose todas as cadeias do negócio. Tomandose como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira, falase em (1) setor a montante, “antes da porteira”, elo da cadeia onde se situam os agentes que detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, “dentro da porteira”, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, “depois de porteira”, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. A Lei nº 8.171, de 1991, ao tratar da política agrícola, entendeuse que atividade agrícola consiste na produção, processamento e comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. É nesse contexto que se deve inserir o cooperativismo agrícola, viabilizando ao cooperado assistência plena. Fl. 3973DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.974 4 DESCARACTERIZAÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. ATOS CONVERGENTES PARA UMA COOPERATIVA DE CONSUMO. Estatuto da cooperativa trata, nos objetivos sociais, de prover assistência ao cooperado em toda a cadeia produtiva, qual seja, (1) compra de todo artigo necessário ao incremento da lavoura; (2) industrialização de insumos e defensivos agrícolas, (3) venda em comum da produção agrícola e industrial no mercado nacional, Mercosul e/ou internacional e (4) criação de outros serviços de ordem geral e afins. Contudo, os esforços da cooperativa, em desacordo com o estatuto social, são maciçamente direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva detentor dos insumos. Ou seja, o cooperado não se não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção. Tratase, portanto, de atuação convergente com uma cooperativa de consumo. ADMINISTRADORES DA COOPERATIVA. PROPRIETÁRIOS OU RELACIONADOS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS DA PRÓPRIA COOPERATIVA. CONFUSÃO DE INTERESSES. AÇÕES DA COOPERATIVA VISANDO LUCRO ÀS PRESTADORES DE SERVIÇOS EM DETRIMENTO DO PROVEITO COMUM DOS COOPERADOS. Os administradores da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou fornecedoras ligadas à entidade, fazendo com que todos os esforços da cooperativa estejam direcionados à comercialização de insumos aos cooperados, em detrimento de outros objetivos sociais previstos em estatuto social, como o de prover assistência na comercialização e escoamento da produção. Resta evidenciado que o foco, de atuação em benefício comum dos cooperados, é substancialmente alterado, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Atos promovidos pelo diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal da cooperativa, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, são considerados como não cooperativos. A atuação da cooperativa é equiparada a uma cooperativa de consumo, cujos receitas encontramse sujeitas à tributação regular aplicável às demais pessoas jurídicas. A contribuinte tomou ciência de decisão de segunda instância em 14/10/2014 (“AR” de fl. 3852) e interpôs os embargos de declaração de fls. 3853/3856 em 20/10/2014, no qual discorre sobre as seguintes razões: incorreu em omissão a decisão em relação a determinados pontos apresentados em sede recursal; quanto ao primeiro fundamento da decisão, mesmo diante do expresso reconhecimento da assistência técnica prestada aos cooperados, o acórdão entendeu que a Fl. 3974DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.975 5 atuação da cooperativa darseia apenas dentro dos limites da propriedade rural, ou seja, o associado não se valeria da cooperativa para escoar a sua produção; o segundo fundamento entendeu que como a cooperativa era administrada por empresas compostas por membros da diretoria, conselho de administração e conselho fiscal, cuja remuneração estaria atrelada às vendas da cooperativa, haveria suposta confusão de interesses; ocorre que em nenhum momento a fiscalização ou o acórdão recorrido apontam elementos concretos de que a atuação dos administradores indicaria conflito de interesses; o acórdão não enfrenta legislação civil para demonstrar suposta confusão entre pessoa jurídica e sócio, e, ademais, a própria Receita Federal estabelece critérios específicos ao dispor sobre a matéria, como é o caso da Distribuição Disfarçada de Lucros no qual se exige, por exemplo, a ausência de consonância com o mercado dos valores de remuneração pago a sócios; a embargante deixou claro que o modelo de administração adotado é uma necessidade real de mercado, para permitir a operacionalização da cooperativa; outro fundamento diz respeito à suposta falta de neutralidade nas decisões tomadas, em razão da presença, em grande parte, de sócios ou parentes de sócios de empresas que prestam serviços à cooperativa, o que não se sustenta, vez que a presença dos cooperados em assembléia é ato voluntário disciplinada no Estatuto, e em todas as oportunidades deuse a devida publicidade aos atos; em fundamento referente aos administradores, que teriam supostamente visado o lucro dos prestadores de serviços da cooperativa, entendeu a decisão embargada que tal fato entraria em conflito com o art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, o que caracterizaria os atos como não cooperativos, não havendo que se falar em cooperativa mista, interpretação que não deve prosperar, vez que o acórdão não enfrentou o alcance do Ato Declaratório Cosit nº 04/1999, que não estabelece percentuais de uma ou outra natureza para fins de caracterizar uma cooperativa mista; a evolução de cooperativa, no qual, gradativamente, à medida em que se estruturou, aumentou a gama de serviços aos seus associados, sendo que o crescimento do recebimento da produção dos cooperados hoje já representa 40% dos seus ingressos, demonstra a contradição do acórdão; requer o provimento dos embargos, conferindo efeitos infringentes, para reconhecer que as atividades da cooperativa não ofendem a lógica do cooperativismo e por isso se trata de cooperativa de produção, ou, quando menos, mista. É o relatório. Fl. 3975DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.976 6 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Os embargos interpostos pela contribuinte são tempestivos. Portanto, cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso em tela, protesta a embargante pela ocorrência de omissões no acórdão em debate, referentes aos seguintes aspectos: 1) não teria considerado a assistência técnica prestada pela cooperativa aos associados; 2) não indicou fundamento normativo e tampouco apontou fatos concretos aptos a amparar suposto conflito de interesses entre os membros da diretoria, conselho de administração e conselho fiscal da cooperativa, e empresas prestadoras de serviço da cooperativa por eles administradas; 3) não restou caracterizada falta de neutralidade nas decisões tomadas nas assembléias em razão da presença, em grande parte, de sócios ou parentes de empresas que prestavam serviços à cooperativa, vez que tiveram ampla publicidade e cujo comparecimento era voluntário; 4) não enfrentou o alcance do Ato Declaratório Cosit nº 04/1999, que, diante dos fatos apresentados, permitiria considerar a embargante como uma cooperativa mista. Lendo o voto embargado, entendo que não assiste razão à embargante. Todos os pontos levantados como omissão foram devidamente enfrentados no exame do mérito. Sobre o primeiro aspecto suscitado pela embargante, transcrevo fragmentos da decisão: Tratase precisamente do conceito contemporâneo do agronegócio. A produção agrícola não é mais vista de maneira isolada, mas em um contexto sistêmico, integrandose todas as cadeias do negócio. E, especificamente, na cadeia de produção dos produtos agrícolas, em apertada síntese, observase, em primeiro lugar, os insumos (disponibilizados ao produtor pelos fornecedores), seguidos dos produtores rurais (responsáveis pela produção), e, na posição final, as agroindústrias (para onde é destinado o produto). Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.977 7 De maneira didática, tomase como referência o local de entrada da propriedade rural, qual seja, a porteira. Assim, falase em (1) setor a montante, “antes da porteira”, elo da cadeia onde se situam os agentes detêm os insumos e os bens de produção, (2) setor de produção, “dentro da porteira”, ou seja, produção dentro dos limites da propriedade, e (3) setor a jusante, “depois de porteira”, responsável pelo processamento, comercialização, marketing e distribuição do produto. (...) A conclusão é que mais de 98% da receita da cooperativa corresponde à interação com os agentes da cadeia de produção “antes da porteira”, referente à aquisição de insumos e repasse aos cooperados, ou dentro da porteira, por meio de assessoria para otimizar a produção. Na sua defesa, destaca a recorrente que suas atividades não se restringiram à mera aquisição de insumos e repasse aos cooperados, mas também envolveram assistência técnica qualificada, mediante disseminação de conhecimento de técnicas de plantio avançadas, qual seja, o plantio direto. Ocorre que, mesmo no que concerne à prestação de assistência técnica qualificada, visando otimizar as condições de plantio, tratase de ação incidente sobre a produção, dentro dos limites da propriedade rural, para permitir a utilização otimizada dos insumos (sementes, adubos, aditivos) adquiridos junto aos fornecedores. Contudo, não se afasta a constatação de que os esforços permanecem direcionados ao relacionamento do cooperado apenas com o agente da cadeia produtiva detentor dos insumos. Portanto, no que concerne ao elo final da cadeia produtiva (atividades “depois da porteira”), verificase que o cooperado, por razões não esclarecidas, não se vale da estrutura da cooperativa para escoar a sua produção, promovendo uma atuação inexpressiva. No que concerne ao segundo e terceiro aspectos levantados pela embargante, o voto embargado discorreu no seguinte sentido: Resta inevitavelmente prejudicada a administração de cooperativa, diante da confusão de interesses provocada pela participação nas vendas dos membros de sua diretoria e conselhos. Afastase o foco da efetiva cooperação aos associados, e colocase em dúvida se as atividades da cooperativa, direcionadas quase em sua totalidade ao repasse de insumos e assistência técnica de produção, foram priorizadas visando o proveito comum dos cooperados, ou, otimizar as lucros auferidos por prestadores de serviços administrados pelos dirigentes da própria cooperativa. A partir do momento em que os tomadores de decisão da cooperativa tem relação direta com prestadoras de serviço ou Fl. 3977DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.978 8 fornecedoras ligadas à entidade, restam completamente prejudicadas as políticas adotadas. O foco, de lucro menor em benefício dos cooperados, muda, visando um lucro maior em favor de atividades no qual atuam os diretores da entidade por meio de empresas terceirizadas por eles administradas. Tanto que, como já exposto, menos de 2% das receitas auferidas corresponderam às atividades de comercialização dos produtos dos cooperados. A falta de neutralidade e imparcialidade nas decisões tomadas pela cooperativa em análise fica mais evidenciada diante da constatação de que os associados presentes às assembléias são, em grande parte, sócios ou parentes de sócios de empresas que prestam serviço à cooperativa, ou são sócios de empresas que atuam no ramo de revenda de insumos agropecuários (fl. 45). (...) Ora, diante do conflito de interesses apresentado, a atividade cooperativa desempenhada pela recorrente, em sua essência, mostrase fragilizada. As conclusões da autoridade autuante não merecem reparos: 2) nos anos de 2002 a 2004, todos os membros da administração da cooperativa eram também sócios ou parentes próximos de sócios das sociedades comerciais prestadoras de serviços de assessoria, consultoria ou gerência de filial. Tais sociedades, bem como os administradores da cooperativa, eram remuneradas de modo proporcional às vendas da cooperativa. Assim, o objetivo da organização não era o de convergir esforços para a obtenção de menores preços para os associados, mas o de proporcionar rendimentos às sociedades envolvidas comercialmente com a cooperativa, verdadeiras proprietárias de uma rede de distribuição de insumos agrícolas. Tal fato se comprova, também, pela participação nas Assembléias Gerais de 2002 a 2004, nas quais participaram de 0,37% a 0,59% do total de associados mas de 37,17% a 53,45% dos associados que são sócios ou parentes de sócios das sociedades prestadoras de serviços. (grifei) Portanto, resta evidenciado que a recorrente não operou como uma cooperativa do ramo agrícola. Os fatos demonstram que a revenda de insumos aos cooperados concentrouse, em maior parte, na comercialização de insumos e assistência técnica, caracterizando a atuação a uma cooperativa de consumo. Enfim, em relação ao quarto aspecto suscitado pela embargante, pronunciou se o voto: Ademais, os atos promovidos pelos seus diretores e integrantes dos conselhos administrativo e fiscal, decorrentes da comercialização dos insumos, vez que incorridos com terceiros e visando a percepção do lucro dos prestadores de serviços (administrados por diretores da própria cooperativa), em Fl. 3978DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.979 9 conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, podem ser considerados como não cooperativos, ou seja, sujeitos à tributação regular. Nesse contexto, tampouco há que se falar em cooperativa mista, conforme aduzido pela recorrente. (grifei) Observese que a argumentação do voto foi de que, primeiro, a contribuinte não teria atuado como uma cooperativa de produção, mas sim de consumo, e, segundo, subsidiariamente, ainda que se não entendesse pela atuação como cooperativa de produção, os atos praticados por seus administradores estariam em conflito com o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, caracterizandoos como não cooperativos. Ora, por decorrência lógica, não há que se falar em cooperativa mista. Por isso, não se aplica o comando do Ato Declaratório Cosit nº 04/1999, direcionado, precisamente, às cooperativas mistas, ao predicar que não se aplicaria a tais entidades o disposto no art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997, situação que não restou demonstrada no caso concreto. Vale transcrever a conclusão do voto em debate: E tanto os atos não cooperativos, como aqueles inerentes a uma cooperativa de consumo, são submetidos às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 69 da Lei nº 9.532, de 1997 sepulta a questão, ao determinar que as operações de uma cooperativa de consumo são integralmente tributadas. Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Enfim, discorre a embargante sobre contradição no acórdão, já que a cooperativa teria ampliado o escopo de sua atuação no decorrer dos anos, tendo evoluído bastante até os dias atuais. Ora, há que se esclarecer que os presentes autos tratam dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, ou seja, a apreciação de fatos relativos a anos posteriores não é objeto do litígio. Na realidade, vem a contribuinte utilizarse dos embargos de declaração não para reclamar da ocorrência de omissões, mas sim buscar uma revisão no mérito, que já foi devidamente analisado pelo colegiado. Ocorre que tal pretensão não se mostra possível na via admitida pelos embargos de declaração, cujo cabimento é adstrito a erros in procedendo, o que não ocorreu no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido rejeitar os embargos declaratórios. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 3979DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11080.013885/200765 Acórdão n.º 1103001.165 S1C1T3 Fl. 3.980 10 Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10980.007398/2005-95
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A taxa SELIC visa a mera indenização pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n° 9.065/95.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.176
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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Recorrida DRJ-CURITIBA/P R ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A taxa SELIC visa a mera indenização pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n° 9.065/95. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. CIA H LENA TkA O 'AMORIM - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao ano calendário de 2003, nos termos do § 3° do art. 113 e do art. 116 do CTN, dos arts. 40 .e 2° da IN SRF n° 73/96, arts. 2° e 6°, da IN SRF n° 126/98, item Ida Portaria 118/84 do Ministério da Fazenda, art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124/84, e art. 70 da Lei n° 10.426/2002. Em sua impugnação o Contribuinte pediu, em síntese, que o auto de infração fosse cancelado ou anulado, ou reduzida a multa cobrada, porque a multa seria confiscatória. Irresigna-se, outrossim, contra os juros cobrados. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ-Curitiba/PR, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias. É o relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora. Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. O art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118/84, que delegou competência ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória dos contribuintes prestarem mensalmente informações relativas à obrigação principal de tributos ou contribuições federais, por meio de formulário padrão. Em caso de inobservância de tal obrigação, a referida norma impõe a aplicação de multa, como é o caso concreto. Além disso, a multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, ll §§ 2°, 3° e 4° do Decreto-Lei no 1.968/82, com a redação do art. 10 do Decreto-Lei no 2.065/83, e do art. 5°, § 3°, do Decreto-Lei no 2.124/84. Por possuir amparo legal, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como a presente, como ocorreu nos julgados abaixo: 2 Processo n° 10980.007398/2005-95 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.176 Fl. 24 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. 1. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2. "A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 243241/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, D.J de 21 .n8 2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 83/ST1 - É pacífico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/STJ, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, DJ de 24.3.2006). No que diz respeito à aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, entendo ser a mesma mera recomposição dos juros devidos pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n° 9.065/95. Por acompanhar a jurisprudência do STJ e deste órgão administrativo, que também vem julgando no mesmo sentido, nego provimento ao recurso voluntário. BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 3 1
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