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Numero do processo: 10183.005552/2007-41
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
ÁREAS DE INTERESSE AMBIENTAL DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ÁREAS DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN). EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO.
As áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Pedido de diligência/perícia indeferido.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos indeferir o pedido de diligência/perícia requerida pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como sendo o Valor da Terra Nua VTN, para o exercício de 2003, o valor equivalente a R$ 6.009.275,97, constante do Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ÁREAS DE INTERESSE AMBIENTAL DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ÁREAS DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN). EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. As áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 55 52 /2 00 7- 41 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 2 não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pedido de diligência/perícia indeferido. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos indeferir o pedido de diligência/perícia requerida pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como sendo o Valor da Terra Nua – VTN, para o exercício de 2003, o valor equivalente a R$ 6.009.275,97, constante do Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório AGROJU AGROPECUÁRIA LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ sob o nº 50.278.217/000306, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Groelândia, nº 1611, Bairro Jardim Europa, jurisdicionado, para fins de ITR (NIRF 3273300 Fazenda Nova Larga, situada no município de Cáceres), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá MT, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 686/695, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 705/722. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 20/11/2007, o Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (fls. 06/14), com ciência, em 26/11/2007, através de AR (fl. 538), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 5.932.068,49 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao período base de 2002 a 2004, fatos geradores 2003 a 2005 e exercícios 2003 e 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, relativo aos exercícios 2003 a 2005, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, conforme art. 14 da Lei 9.393, de 1996, por não terem sido comprovadas as informações nela contida. Infração capitulada nos arts. 1º, 7º, 9°, 10º, 11 e 14 da Lei n° 9.393, de 1996. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração (fls. 06/14), entre outros, os seguintes aspectos: que o contribuinte apresentou um ofício da Secretaria do Meio Ambiente SEMAMT, n.012 /SGF/SEMAMT/2007, onde é informado que, conforme a lei estadual n. 7160 de agosto de 1999, lei que delimita o Pantanal, uma área de 43.701,04 ha do imóvel rural estariam inseridos nos limites definidos e por isso seria de interesse ecológico e imprestável para atividade rural; que a SEMA reformou sua declaração informando que apenas 6.046,7109ha estariam dentro dos limites do pantanal matogrossense, conforme Lei Estadual nº 6758/96, consistindo em área de interesse ecológico, mas não confirmou que seriam áreas imprestáveis para atividade rural. Informou que possuía apenas limitações de uso e sua utilização estaria diminuída em razão dos alagamentos; que não há que se excluir da base de cálculo do ITR a área de 6.046,71 ha por não se enquadrar no art. 10 da lei 9393/96, uma vez que, embora seja de interesse ecológico, não é comprovadamente imprestável para atividade rural; Fl. 969DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 4 que através da Portaria nº 50/2002, de 18 de abril de 2002, às fls. 203, o IBAMA reconheceu como reserva particular do patrimônio natural a área de 35. 531,0 ha, constituindo se parte integrante do imóvel "Fazenda Nova Larga", de propriedade do interessado. Cumpre mencionar que o art. 2° dessa Portaria determina ao proprietário do imóvel o cumprimento das exigências contidas no Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996, em especial no seu art. v, incumbindoo de proceder à averbação do respectivo termo de compromisso no Registro de Imóveis competente, nos termos do § 1" do art. 6º do mencionado Decreto; que, contudo, descumprindo a expressa determinação contida na Portaria Supracitada, bem como o § 1° do art. 21 da Lei nº 9.985 / 2000, acima transcrito, o interessado não providenciou a averbação dessa área de utilização limitada nas matrículas pertinentes ao imóvel rural em tela. Averbou a RPPN somente em 15/05/2007. Em sua peça impugnatória de fls. 540/561, instruído pelos documentos de fls. 562/669, apresentada, tempestivamente, em 17/12/2007, o contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a maior parcela do imóvel encontrase inserido dentro dos limites do território do Pantanal MatoGrossense, que em face dos seus excepcionais atributos ambientais e ecológicos foi elevado pela Constituição Federal a patrimônio nacional a ser defendido e preservado para "a presente e futuras gerações" (cf. CF artigo 225, VII, § 4°); que o Governo do Estado do Mato Grosso promulgou a Lei 7.160/1999, traçando os limites do Pantanal MatoGrossense, valendo destacar que desde a data da publicação desse diploma (23 de agosto de 1999) as áreas inseridas nos limites da reserva foram declaradas de interesse ecológico, destinadas à proteção perpétua dos ecossistemas, restando, destarte, imprestáveis para a atividade rural. (fls. 445 e 516/517); que da área original do imóvel (57.367,0356 hectares), restaram sujeitos à tributação apenas e tão somente, as seguintes parcelas, a saber: a) 4.770,0 hectares de pastagens; b) 191,7 hectares imprestáveis; c) 5,0 hectares com benfeitorias; e d) 1.000,00 hectares inexplorados, tudo na forma do "Laudo de Vistoria Técnica de Imóvel Rural", e respectivas plantas e documentos que o acompanharam, da lavra do Engenheiro Florestal Mauro Donizeti Ribeiro, CREA 4681/D (fls. 329/335; 390/396 e 447/454); que com base nesses elementos a contribuinte preencheu e entregou o Documento de Informação e Apuração do ITR — DIAT, e a Declaração do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural DITR, as referentes aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, deduzindo as áreas que não se sujeitam à tributação, ou seja, as consideradas "APPs"; as de "Reserva Legal"; as compreendidas na RPPN e as de Interesse Ecológico, na forma prevista em lei, como se demonstrará adiante; que a maior parte do imóvel objeto do lançamento são antes de tudo compostas de “Área de Preservação Permanente" — (APP), por força de fenômeno natural e da própria lei que as criou, por estarem constantemente alagadas. Deveras, ainda que o contribuinte tenha considerado para efeitos de declaração a área reduzida de "APP" (apenas 4.741,8 hectares), o fato é que na realidade grande parte da área do imóvel é de "Preservação Permanente"; que de efeito, ainda que transformada em "RPPN" — Reserva Particular do Patrimônio Natural — por iniciativa de sua proprietária, e também declarada de "Interesse Fl. 970DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 4 5 Ecológico" por força de Lei Estadual, a maior parte do imóvel continua sendo inaproveitável, exatamente por se encontrar no bioma chamado "Pantanal do Mato Grosso"; que nesse contexto, a área questionada é originariamente de "Preservação Permanente" só por força do que dispõe o artigo 2º letras "a" e "b", do Código Florestal, independente de quaisquer declarações ou reconhecimento dos Poderes Públicos competentes, assim como independem de quaisquer averbações; que juridicamente as "Áreas de Preservação Permanente" e as de "Interesse Ecológico", constituem na realidade o mesmo instituto jurídico, ou seja, áreas preservadas, onde não há quaisquer tipos de exploração agropecuária ou florestal; que a contribuinte, sensível à questão da preservação do meio ambiente, por sua espontânea vontade transformou parte da "Fazenda Nova Larga" (exatamente nas partes sujeitas a alagamentos permanentes) em "Reserva Particular do Patrimônio. Nacional" (RPPN), assegurando, assim, a sua preservação perpétua para as futuras gerações; que o importante é que as "Áreas de Preservação Permanente" sejam elas declaradas por lei (como é o caso das de "Interesse Ecológico") seja elas reconhecidas por ato do órgão competente (como é o caso da "RPPN") não estão sujeitas à tributação; que a contribuinte só estaria sujeita ao lançamento de imposto complementar caso "fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira', o que no procedimento de fiscalização não ficou provado; que a infração impugnada diz respeito ao ITR incidente sobre "Área de Preservação Permanente", relativo aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, quando já vigente a regra instituída pelo § 7°, do artigo 10º da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, donde se segue a desnecessidade de exibição do ADA — Ato Declaratório Ambiental, assim como de quaisquer tipos de averbação no Registro Imobiliário; que na hipótese específica grande parte da área da fazenda "Nova Larga", foi declarada por ato da autoridade ambiental Federal, como "RPPN", na extensão de 35.531., 00, hectares, conforme Título de Reconhecimento objeto da Portaria n°. 172, de 20 de novembro de 2001, renovada pela n° 50/2002, de 18 de abril de 2002, do Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (113AMA) (cf. fls. 29; 94; 132; 144); que esse ato de reconhecimento do IBAMA nunca foi revogado, donde se segue que a área jamais deixou de ser uma "RPPN". O detalhe das dificuldades que a contribuinte enfrentou até a efetiva averbação da área de "RPPN", à margem das matriculas do imóvel, perante o Cartório da Circunscrição Imobiliária competente, sempre foram de conhecimento da Autoridade Ambiental Federal, que prorrogou o prazo para efetivação da providência (averbação), sem quaisquer prejuízos à manutenção e preservação da área assim declarada (fls. 340/378); que a fiscalização ignorou a circunstância da área não estar sujeita ao lançamento do ITR, sob a escusa de que o proprietário "não providenciou a averbação dessa área de utilização limitada nas matrículas pertinentes ao imóvel rural em tela", mantendo, via de conseqüência, as glosas efetuadas, ou seja, submeteu a área de "RPPN" à tributação; Fl. 971DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 6 que os dispositivos legais a que se apega a Autoridade Fiscal (Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, Art. 17; Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, Art. 21 e Instrução Normativa n° 60, de 06 de junho de 2001), em nenhum momento fixam prazo para se proceder à averbação da área de "RPPN", no Cartório de Registro de Imóveis, donde se segue a arbitrariedade da exigência; que nesse passo é fundamental ter em linha de conta que a área de "RPPN" encontrase devidamente averbada à margem dos registros imobiliários constantes do Cartório de Registro de Imóveis competente, como fazem certo as certidões acostadas ao Processo Administrativo (cf. fls. 402/440); que, portanto, que o objetivo da lei foi atingido, ou seja, a área desde a constituição da RPPN, pela autoridade competente (IBAMA), continua preservada, não sujeita, portanto, a tributação, mesmo que a averbação no Cartório de Registro de Imóveis tenha ocorrido depois do fato gerador. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS decide julgar procedente o lançamento, mantendose, de forma integral, o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a disposição contida no § 7° do artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, ao dispensar a prévia comprovação de algumas das áreas afastadas da tributação pelo ITR não trouxe nenhuma inovação, posto que esse é o próprio espírito do lançamento por homologação, desde sua origem no art. 150 do CTN e conforme previsto no caput do artigo 10 da Lei n° 9.393/1996. O citado §7º nada mais fez do que informar que não há necessidade de comprovação dos dados declarados quando do cálculo do imposto e entrega da DITR, o que é observado pela Receita Federal. Mas, tal não dispensa o contribuinte de comprovar o declarado, quando assim solicitado pelo Fisco, e tampouco afasta a atribuição da autoridade fiscal de proceder à verificação desses dados e de efetuar o lançamento de ofício, se o contribuinte não lograr comprovar, quando solicitado, que os dados declarados correspondem à situação existente no imóvel na data do fato gerador do ITR. Entendimento diverso implicaria em afastar da autoridade fiscal sua atribuição de verificar a regularidade fiscal dos recolhimentos feitos pelo contribuinte e de proceder ao lançamento de ofício quando o contribuinte não lograr comprovar o declarado. Registrese que, para se manter o entendimento de que esse dispositivo desobriga o contribuinte de apresentar comprovação dos dados declarados, deve ser observado que o mesmo se reporta apenas às áreas de preservação permanente, de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental, não se referindo às áreas de interesse ecológico e RPPN; que o contribuinte levantou a possibilidade de verificação no imóvel para constatação das áreas isentas. Ocorre que, nos termos do disposto no artigo 15 do Decreto no 70.235/1972, a impugnação deve estar acompanhada dos documentos em que se fundamentar, e, nos termos do parágrafo 4º do art. 16 desse Decreto, a prova documental deve ser apresentada na impugnação. O pedido de realização de diligência ou perícia deve constar da impugnação, conforme art. 16, inciso IV, do mesmo Decreto ri. ' 70.235/1972, o qual exige ainda a exposição dos motivos que a justifiquem, a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. O parágrafo 1º desse dispositivo, acrescentado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/1993, dispõe que "considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16". No caso, não foram cumpridas as determinações exigidas na legislação tributária para o pedido de diligência ou perícia, não havendo justificativa para seu Fl. 972DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 5 7 deferimento. Ademais, não há justificativa para se deferir perícia para levantar provas da • situação do imóvel que possam ser levantadas pelo contribuinte por outros meios; que para as áreas de preservação permanente, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, sua existência deve ser comprovada com a apresentação de Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART, que apresente uma perfeita indicação do total de áreas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione especificamente em que artigo da Lei n.° 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803/1989, a área se enquadra. São consideradas de preservação permanente as áreas definidas nos artigos 2° e 3 1 do Código Florestal, sendo que, para as áreas indicadas no art. 3º, também é exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida; que para o reconhecimento da área de reserva legal é necessário comprovar sua averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis, obrigação prevista no § 8º do art. 16 do Código Florestal, com redação do art. 1º da Medida Provisória n° 2.166/2001. Ao reportar se à Lei n° 4.771/1.965, a Lei 9.393/1.996, em seu art. 10, caput e § 1% inciso II, alínea "a", está condicionando, implicitamente, a não tributação da área de reserva legal ao cumprimento da aludida exigência; que o fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições de exploração, nos termos da legislação ambiental, não é suficiente para que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação, cabendo a comprovação efetiva das áreas enquadradas nas isenções previstas na legislação tributária. Para fins de isenção do ITR, as áreas de interesse ecológico também deve ser informadas em Ato Declaratório Ambiental; que quanto à área de interesse ecológico alegada pela impugnante, de 43.701,0 ha., entendo que não é possível afastála da tributação pelo ITR por não haver comprovação de existência de reconhecimento específico para o imóvel tratado, sendo que as informações fornecidas pela Sema/MT de que parte do imóvel está inserido nos limites do Pantanal Matogrossense e que possui limitações de uso por legislação estadual e por alagamentos periódicos, apesar de esse órgão ser competente para execução de política florestal no Estado do Mato Grosso, não se trata do ato considerado necessário para constituição de área de interesse ecológico, como previsto na legislação anteriormente citada; que quanto à RPPN, ao contrário do que defende a contribuinte e que foi reconhecido judicialmente, em primeira instância, com relação ao lançamento do ITR/2002, acompanhamos o entendimento de que a RPPN, assim como a reserva legal, necessita estar averbada junto ao Registro de Imóveis em data anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR do Exercício, para que possa ser afastada da tributação. Tratase de manter a exigência de comprovação do cumprimento de obrigações previstas na legislação tributária, para fins de isenção do ITR, não sendo suficiente para isso o fato de a área possuir características que justifiquem considerála como de interesse ambiental; que laudos técnicos e mapas do imóvel juntados aos autos, elaborados em maio/2007, comprovam que as áreas de preservação permanente e de reserva legal aceitas para o lançamento de ofício estão de acordo com a situação do imóvel e que a parte da RPPN que se confunde com essas áreas já foi afastada da tributação; Fl. 973DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 8 que a existência no imóvel rural de área sem exploração e que não se enquadra na definição de área isenta do ITR, ainda que seu proprietário a mantenha intacta visando a preservação do meio ambiente, nos termos da legislação tributária essa é considerada aproveitável mas não utilizada, o que, evidentemente, influência na apuração do Grau de Utilização. O procedimento da fiscalização de, após afastar a isenção sobre parte da área de RPPN não averbada, refazer os cálculos para apuração do ITR e aplicar a alíquota sobre a nova base de cálculo apurada encontra amparo na legislação tributária e orientações expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Considerandose que a produtividade do imóvel é medida pelo Grau de Utilização da terra, que é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável do imóvel, nos termos do inciso VI do §1 0, art. 10, da Lei n.° 9.393/1996, efetuada a glosa das áreas isentas, alterase também o Grau de Utilização e a alíquota de cálculo do imposto. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e interesse ecológico é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e do cumprimento de exigências legais. Para que a área de RPPN seja afastada da tributação é necessário o cumprimento da exigência legal de sua averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis, antes da ocorrência do fato gerador do ITR. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/08/2009, conforme Termo constante às fl. 702, o recorrente interpôs, tempestivamente (03/09/2009), o recurso voluntário de fls. 705/722, instruído pelos documentos de fls. 723/740 , no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, de início, impõese esclarecer que a r. sentença de primeiro grau (fls. 673 a 684) que concedeu segurança a recorrente em relação ao ITR, exercício de 2002, pelos mesmíssimos motivos objeto do presente recurso (a distinção é que aqui se discute os exercícios de 2003, 2004 e 2005), foi integralmente confirmada, por unanimidade de votos, pela Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da lª Região (cf. doc. junto); que os documentos solicitados pela fiscalização foram devidamente encaminhados, valendo ressaltar a entrega de "Laudos de Avaliação do Imóvel"; "Laudos Técnicos de Vistoria", cópia do comprovante do protocolo do Ato de Declaração Ambiental do IBAMA (ADA), imagem de satélite do imóvel georeferenciado, assim como a cópia da Portaria do IBAMA reconhecendo a criação da RPPN, comprovando, sobretudo, que à parte do imóvel reservada permanecia intocável, ou seja, inteiramente preservada pela contribuinte (cf. processo administrativo); que a maior parte do território da "Fazenda Nova Larga" é constituída de "Áreas de Preservação Permanente", por força do que dispõem os artigos 2° e Y, da Lei n° Fl. 974DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 6 9 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), por estar situada no chamado "Pantanal Matogrossense", constantemente alagado, impróprio para exploração agropecuária ou florestal; que essa circunstância faz com que a maior parte da área da Fazenda "Nova Larga", lindeira ao Rio Paraguai, mantenhase constantemente alagada, o que faz com o nível mais alto (ponto de partida para medição das APPs), se situe depois das áreas de "RPPN" e de "Reserva _ Ecológica"; que daí porque a contribuinte, sensível à questão da preservação do meio ambiente, por sua espontânea vontade transformou parte da "Fazenda Nova Larga" (exatamente nas partes sujeitas a alagamentos permanentes) em "Reserva Particular do Patrimônio Nacional" (RPPN), assegurando, assim, a sua preservação perpétua para à presente e as futuras gerações; que as áreas de RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) foram introduzidas no nosso ordenamento jurídico pelo Decreto n. 1.922, de 5 de junho de 1996, com a seguinte definição: "Art. 1º Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN é área de domínio privado a ser especialmente protegida, por iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento do Poder Público, por ser considerada de relevante importância pela sua biodiversidade, ou pelo aspecto paisagístico, ou ainda por suas características ambientais que justifiquem ações de recuperação; que e se assim é (se desde 20 de novembro de 2.001, a área e exclusiva de "RPPN"), portanto, antes do fato gerador do imposto (2003, 2004 e 2005), é forçoso concluir que a Autoridade Fiscal não poderia deixar de excluir a dita reserva da base de cálculo do ITR, sob pena de malferir o comando expresso do artigo 10, II, "b" e "c", da Lei 9.393/96. É o relatório. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Como visto no relatório e nos autos, a discussão gira em torno de um pedido de diligência e, no mérito, a discussão diz respeito à área de utilização limitada – Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), equivalente a 35.531,0 ha e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado e averbação no cartório de registro, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Da peça acusatória observase, que a autoridade fiscal lançadora entendeu o seguinte: Para fins de apuração do ITR, a exclusão das áreas conhecidas como reserva particular do patrimônio natural RPPN, além do reconhecimento específico pelo órgão ambiental, devem estar averbadas na matrícula do imóvel e constar de ato declaratório ambiental ADA. Constatase, que através da Portaria nº 50/2002, de 18 de abril de 2002, às fls. 203, o IBAMA reconheceu como reserva particular do patrimônio natural a área de 35.531,0 ha, constituindo se parte integrante do imóvel "Fazenda Nova Larga”, de propriedade do interessado. Cumpre mencionar que o art. 2° dessa Portaria determina ao proprietário do imóvel o cumprimento das exigências contidas no Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996, em especial no seu art. v, incumbindoo de proceder à averbação do respectivo termo de compromisso no Registro de Imóveis competente, nos termos do § 1" do art. 6º do mencionado Decreto. Contudo, descumprindo a expressa determinação contida na Portaria supracitada, bem como o § 1° do art. 21 da Lei nº 9.985, de 2000, o interessado não providenciou a averbação dessa área de utilização limitada nas matrículas pertinentes ao imóvel rural em tela. Averbou a RPPN somente em 15/05/2007. Portanto para os exercícios de 2003, 2004 e 2005 ora fiscalizados, fatos geradores em 1º de janeiro de 2003, 2004 e 2005, não será aceita a exclusão da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, por não estarem devidamente averbadas à margem da matrícula a RPPN até as datas mencionadas. Além disso, na cópia do ADA apresentada não há informação referente RPPN, também sendo o motivo da glosa. Observase nos autos, que o ADA trazido foi protocolado no IBAMA em 15/02/2001 (ADA relativo a outro exercício). Além disso, constatase que no requerimento do ADA (fls. 379), não contempla Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em Fl. 976DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 7 11 discussão. Assim, é de se considerar falta de apresentação de ADA tempestivo. Além disso, a área de RPPN foi averbada, somente, em 15/05/2007 (fls. 340/378). No que diz respeito ao pedido de diligência/perícia com o objetivo de verificação das áreas isentas do imóvel, observase que o objetivo da solicitação realizada é a de reforçar a sua defesa no sentido de convencer os julgadores de que todas as área do imóvel são isentas do ITR. Ora, a próprio recorrente apresentou, durante o procedimento de fiscalização, toda a documentação de que dispunha para convencer a autoridade fiscal e a julgadora de que as áreas de seu imóvel estariam isentas do ITR. É de se alertar de que para um pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação dos valores contestados e demais documentos. Só posso trilhar pela negativa do pedido de realização de diligência ou perícia solicitadas, já que, a princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: (...). IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...). Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os Fl. 977DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 12 respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Vêse, portanto, que o melhor momento oportunizado para o oferecimento de provas é o da impugnação, ressalvada a ocorrência de uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do PAF, o que não foi sequer alegado pela defesa. A interessada requereu a diligência de forma genérica, sem a formulação de quesitos, desatendendo ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Não tenho dúvidas de que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. As perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Ademais, descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são de competência exclusiva do recorrente. Ora, o que se questiona nos autos, desde o início do procedimento fiscal, é a comprovação documental dos fatos. A recorrente fez a sua parte, ou seja, anexou em abundância material que segundo ele comprovaria as irregularidades. Agora resta ao colegiado a função da verificação e análise destes documentos em função dos valores lançados. Só isto. Não há necessidade de manifestação por parte da Receita Federal, através de diligência ou perícia. Assim sendo, julgo de todo desnecessária sua realização, pois os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação de convicção e julgamento da lide. Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessa área da tributação, bem como a sua averbação em cartório de forma tempestiva. Assim, verificase que as duas exigências previstas para justificar a exclusão de tal área da incidência do ITR/2003, 2004, 2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, foi a falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA) e a devida averbação em cartório e esta, para mim, é a maior questão discutida nos autos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de duas exigências aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que Fl. 978DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 8 13 seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA), bem como a sua respectiva averbação. Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e Fl. 979DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 14 c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 9 15 Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Fl. 981DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 16 Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Fl. 982DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 10 17 Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; Fl. 983DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 18 c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 11 19 É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente Fl. 985DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 20 levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR dos exercícios de 2003 a 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), da mesma forma a averbação do Registro de Imóveis se deu de forma intempestiva, em 15/05/2007 (fls. 340/378). Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 10. .............................................................. § 1o ..................................................................... ........................................................................... II .................................................................... d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 986DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 12 21 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. As determinações para o reconhecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural — RPPN, consideradas de interesse ecológico, constavam do Decreto n.° 1.922, 5 de junho de 1996, e atualmente constam do Decreto n ° 5.746, de 05 de abril de 2006. O Decreto n° 1.922/1996, além de definir a RPPN, fixou as exigências para seu reconhecimento, entre as quais figurou a obrigação de o proprietário do imóvel efetuar a averbação do termo de compromisso da área da reserva junto ao Cartório de Registro de Imóveis, no prazo de sessenta dias, sob pena de revogação da portaria de reconhecimento, conforme constou no inciso II do seu art. 6°, não havendo ressalva de que tal revogação somente se dará de forma expressa. Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e da averbação do Registro de Imóveis, constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR sobre as Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a proprietária do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, os requisitos legais. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 22 Ao contrário do que defende a contribuinte e que foi reconhecido judicialmente, em primeira instância, com relação ao lançamento do ITR/2002, acompanhamos o entendimento de que a RPPN, assim como a reserva legal, necessita estar averbada junto ao Registro de Imóveis em data anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR do Exercício, para que possa ser afastada da tributação. Tratase de manter a exigência de comprovação do cumprimento de obrigações previstas na legislação tributária, para fins de isenção do ITR, não sendo suficiente para isso o fato de a área possuir características que justifiquem considerála como de interesse ambiental. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), glosada pela fiscalização lançada pelo contribuinte como se fosse parte da área de utilização limitada, por falta das comprovações das exigências tratadas anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). No que diz respeito ao Valor da Terra Nua (VTN) é de se observar, que a própria autoridade fiscal lançadora acolheu o valor de R$ 6.009.275,97 para o exercício de 2004 (fls. 03) e para o exercício de 2005 (fls. 04) manteve o declarado pela recorrente, conforme consta no Auto de Infração (fls. 12), verbis: Valoração da Terra Nua (EXERCÍCIO DE 2003 , 2004 E 2005): Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, apresentado pelo contribuinte, elaborado pelo Eng. Agrônomo Milton de Paula Ferreira Junior , informa o VTN de R$6.009.275,97, conforme item 12.a.I do laudo, valor maior que o declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2003 e 2004 , substituindoo. Para o exercício de 2005 foi mantido o VTN declarado. Por outro lado, para o exercício de 2003 alterou o valor declarado de R$ 4.730.000,00 para R$ 10.779.275,97 (fls. 02), não justificando o motivo pela qual não usou o mesmo critério do exercício de 2004, ou seja, aceitar o valor do Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente no valor de R$ 6.009.275,97. Assim sendo, é de se acolher o valor de R$ 6.009.275,97, constante do Laudo de Avaliação, como sendo o Valor da Terra Nua (VTN) para o exercício de 2003. Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 13 23 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Fl. 989DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 24 Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a Fl. 990DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.005552/200741 Acórdão n.º 2202002.007 S2C2T2 Fl. 14 25 lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência/perícia requerida pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como sendo o Valor da Terra Nua – VTN, Fl. 991DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 26 para o exercício de 2003, o valor equivalente a R$ 6.009.275,97, constante do Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 992DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13924.000219/2002-17
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1997
AUDITORIA INTERNA. DCTF.
Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura
do montante compensado lançado em DCTF, deve ser excluída a exigência
feita em auto de infração.
Numero da decisão: 3801-000.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Andreia Dantas Lacerda Moneta e Monica Monteiro Garcia de Los Rios (suplente). que davam parcial provimento para excluir a multa de ofício. Tânia Mara Paschoalin (suplente), se declarou impedida. Designada Renata Auxiliadora Marcheti para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes, Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Redator designado ad hoc..
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Mônica Garcia de los Rios (Suplente) e Renata Auxiliadora Marcheti
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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Recorrida FAZENDA NACIONAl ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura do montante compensado lançado em DCTF, deve ser excluída a exigência feita em auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Andreia Dantas Lacerda Moneta e Monica Monteiro Garcia de Los Rios (suplente). que davam parcial provimento para excluir a multa de ofício. Tânia Mara Paschoalin (suplente), se declarou impedida. Designada Renata Auxiliadora Marcheti para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes, Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Redator designado ad hoc.. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Mônica Garcia de los Rios (Suplente) e Renata Auxiliadora Marcheti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 00 02 19 /2 00 2- 17 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 101/104) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 22/03/2005, contra acórdão nº. 7.809 – 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, datado de 26 de janeiro de 2005, que concluiu pela procedência parcial do lançamento oriundo do Auto de Infração nº. 0000504, que deu origem ao Processo Administrativo nº. 13924.000219/200217, consoante trechos do Voto abaixo transcrito (fls. 91/94), no que importa: “(...) 10. A autoridade preparadora, então, em observância à determinação judicial, elaborou os demonstrativos anexados às fls. 59/73 com o intuito de verificar se os créditos do PIS eram suficientes para extinguir os débitos do PIS, consoante compensações pretendidas pela interessada, tomando por base as informações apresentadas pela interessada em atendimento à intimação de fl. 52, bem como aquelas encontradas nos sistemas de controles da SRF. As bases de cálculo estão no Demonstrativo de Apuração do Débito do PIS (fls. 59/60), enquanto que os recolhimentos dos períodos foram relacionados na Listagem de Pagamentos de fls. 61/62. As informações obtidas referentes às bases de cálculo e aos recolhimentos foram lançadas no programa CAD, que após a imputação (fls. 63/70) apresentou o Demonstrativo de Débitos Remanescentes (fls. 71/73), resultando, portanto, em inexistência de créditos a serem utilizados em compensações. 11. Assim sendo, não resta outra conclusão senão aquela de considerar que o lançamento efetuado pela auditoria interna das DCTF em questão encontrase de acordo com os fatos, dado que a falta de recolhimento do PIS apurada, incontestavelmente, foi confirmada. (...) 14. Isso posto, voto por considerar procedente em parte o lançamento para cancelar a multa de ofício de R$ 9.973,19 e manter o valor de R$ 13.297,58, além dos acréscimos legais”. Em 10/05/2002 fora lavrado o Auto de Infração eletrônico – AI nº. 0000504 referente à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, em virtude de erro(s) ou inconsistência(s) verificada(s) em DCTF no valor de R$ 13.297,58 e R$ 9.973,19 de multa de ofício de 75%, contra o qual a Recorrente, em 25/06/2002, interpôs Impugnação (fls. 01/02) para a DRF em Cascavel/Paraná, gerando o Processo Administrativo nº. 3924.000219/200217. A DRJ Curitiba/PR julgou o lançamento parcialmente procedente, nos termos acima transcritos. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário ao 2º Conselho de Contribuintes aduzindo, em breves linhas, que não fora encontrado crédito em seu favor porque o levantamento realizado não levou em consideração a semestralidade inerente à exação em comento, pugnando pela reforma parcial da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13924.000219/200217 Acórdão n.º 3801000.339 S3TE01 Fl. 129 3 Voto Vencido Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O presente recurso voluntário merece parcial provimento. É de importância salutar a questão da semestralidade da base de cálculo do PIS devido no período anterior à Lei nº. 9.715/98. Sob o regime tributário instituído pela Medida Provisória nº. 1212/95, o PIS teve sua alíquota modificada, da mesma forma que se alterou a disciplina de recolhimento. Em 1º de outubro de 1995 o nova sistemática fora deflagrada, quando então o PIS passou a incidir sobre o faturamento do mês à alíquota de 0,65%, não mais vigendo o sistema de incidência sobre o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador sob percentual de 0,75%. Após sucessivas reedições, a MP 1212/95 foi convertida na Lei nº. 9.715/98. Conforme entendimento sedimentado acerca do tema, os DecretosLeis nº.s 2.445/88 e 2.449/88 anteriores às Leis 9.715/98 e 9.718/98 , foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido objeto da Resolução nº. 49 do Senado Federal, que lhes suspendeu a eficácia. O que importa considerar é que, como aludidos DecretosLeis não estavam em vigor no período anterior à Lei 9.715/98, a legislação aplicável àquele tempo é o da Lei Complementar nº. 7/70 e suas alterações. A alterações legislativas do PIS entre a LC nº. 7/70 e a Lei nº. 9.715/98 (Leis 7.691/88, 7.799/89, 8.218/91 e 8.383/91) não derrogaram o parágrafo único do artigo 6º da LC nº. 07/70, que estabeleceu que o fato gerador do PIS é o faturamento do sexto mês anterior. Salientese que a norma não confunde prazo de recolhimento com a base de cálculo a ser considerada. A base de cálculo só foi modificada com a Lei nº. 9.715/98 que determinou o cálculo do PIS com alíquota de 0,65% incidente no faturamento do mês vigente. Isso posto, não há que se falar em correção monetária do faturamento do sexto mês anterior, por total ausência de previsão legal. Diante de toda a explanação evolutiva da sistemática de recolhimento da exação em comento, insta frisar que a própria Administração Tributária, por meio da Instrução Normativa SRF nº. 06/2000, esclareceu que a contribuição para o PIS nos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 seria devida com base na Lei Complementar nº. 7/70, como forma de observância do prazo nonagesimal das contribuições, e a partir daí o PIS seria exigido com fundamento na MP nº. 1.212/95 e suas sucessivas reedições. Até a edição da Medida Provisória n°. 1.212/95, a base de cálculo da contribuição PIS tem de ser apurada da forma como previsto no art. 6° da Lei Complementar n°. 7/70, assim entendido o valor nominal do faturamento do sexto mês anterior, sem a aplicação de correção monetária. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Tanto é assim, que este entendimento foi sumulado no enunciado nº. 11 do Segundo Conselho de Contribuintes, que deve ser aplicado ao presente caso: “A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6° da Lei Complementar nº. 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. Tendo em vista, pois, que a Recorrente recolheu a contribuição para o PIS com fundamento nos DecretosLei nº.s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Egrégio STF, quando apenas era obrigada a recolher os valores apurados nos termos da Lei Complementar nº. 7/70, tem direito à restituição de eventuais valores recolhidos a maior. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância de origem, para que sejam realizados novos cálculos, em estrita observância à semestralidade inerente à Contribuição para o PIS, de forma a verificar a existência (ou não) de crédito em favor da Recorrente. Andréia Dantas Lacerda Moneta Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13924.000219/200217 Acórdão n.º 3801000.339 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Vencedor Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Redator Designado ad hoc Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls.: “Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 3801000.339, de 10/2009, tendo em vista que a relatora, Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti, não mais compõe o colegiado.” Apesar do excelente voto proferido pela ilustre Conselheira Relatora, a turma dela divergiu em sua maioria para dar provimento ao recurso. Conforme consta do presente processo administrativo, tratase de auto de infração lançado em 10/05/2002, tendo sido cientificada a Recorrente da exigência fiscal em 14/06/2002 (AR, fl. 51) referente ao PIS do período de julho a dezembro de 1997. A Recorrente anexou cópias dos DARF de recolhimento do PIS dos períodos em análise. A única questão que restou discutir no presente recurso, conforme pode ser visto, é a existência ou não de crédito da contribuinte. Conforme o acórdão juntado pela Recorrente às fls. 71/81 a mesma teve julgado a seu favor a ação na qual discutia as majorações decorrentes dos decretos 2.445/1988 e 2.449/1988 que restou assim ementado: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS. DECRETOSLEIS N°S 2445/88 E 2449/88. INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. DECADÊNCIA. 1. “São inconstitucionais as alterações introduzidas no Programa de Integração Social (PIS) pelos DecretosLeis n°s 2445/88 e 2449/88” (Súmula no 28 do TRF/4ª R.). 2. Os valores recolhidos indevidamente a esse titulo podem ser compensados com o próprio PIS, acrescido de correção monetária integral e juros. 3. A semelhança do que ocorre na repetição de indébito, deve ser reconhecido o direito à correção monetária integral na compensação (Súmula n° 46 do extinto TFR), segundo a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 variação do BTNF, INPC e UFIR, sendo igualmente devidos, no cálculo da correção monetária, os expurgos do IPC nos meses de janeiro de 1989 (Sumula n° 32 do TRF da 4° Regido), março, abril e maio de 1990, e fevereiro de 1991 (Súmula n° 37 do TRF da 4' Região). 4. São devidos juros na forma e nos limites previstos no artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, alterado pelo art. 73 da Lei 9.532/97. 5. O direito de repetir o indébito no caso de tributo autolançado e sobre o qual não houve manifestação expressa do Fisco extinguese após o decurso de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, a esse Conselho nada mais há a fazer senão seguir o que pelo Judiciário foi determinado. O montante dos valores pleiteados e compensado pela Recorrente são os seguintes: Período Valor original Valor compensado 31/07/1997 R$ 1.339,29 R$ 1.325,00 31/08/1997 R$ 3.282,61 R$ 3.272,58 31/10/1997 R$ 2.320,21 R$ 2.300,00 30/11/1997 R$ 2.419,37 R$ 2400,00 31/12/1997 R$ 4.050,14 R$ 4000,00 31/01/1997 R$ 1.199,07 R$ 1800,00 28/02/1997 R$ 695,36 R$ 690,00 31/03/1997 R$ 856,02 R$ 840,00 30/04/1997 R$ 332,53 R$ 320,77 31/05/1997 R$ 294,28 R$ 282,75 30/06/1997 R$ 261,69 R$ 273,22 Totais R$ 13.411,62 R$ 13.297,58 Assim, conforme pode ser visto, a Recorrente, respeitada a decisão judicial e a semestralidade já reconhecida no voto vencido, possui crédito suficiente para suportar as compensações realizadas de modo que não pode subsistir o auto de infração lançado para cobrança desses valores. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Redator designado ad hoc Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11050.001546/2004-41
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data Do Fato Gerador: 02/03/2004
IMPORTAÇÃO. MULTA ADMINISTRATIVA POR IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE.
Comprovado que a descrição do produto importado pelo contribuinte foi insuficiente para a correta classificação fiscal do mesmo e que a classificação fiscal correta obrigava ao Licenciamento de Importação não automático, é cabível a aplicação da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ' TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11050.001546/2004-41 Recurso n° 140.703 Voluntário Acórdão n° 3102-00.284 — 1' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2009 Matéria Multa Diversa ' Recorrente Milênia Agro Ciências S/A Recorrida DRJ-Florianópolis/SC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data Do Fato Gerador: 02/03/2004 IMPORTAÇÃO. MULTA ADMINISTRATIVA POR IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. Comprovado que a descrição do produto importado pelo contribuinte foi insuficiente para a correta classificação fiscal do mesmo e que a classificação fiscal correta obrigava ao Licenciamento de Importação não automático, é cabível a aplicação da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. M CIA HELENA TRXJANO DAMORIM - Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relatá EDITADO EM: Processo n° 11050.001546/2004-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.284 Fl. 106 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 08 e 09 a 14 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 08 1- R$ 21.278,24 (vinte e um mil duzentos e setenta e oito reais e vinte e quatro centavos) de multa por infração administrativa ao controle das importações - importar mercadorias do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais, no percentual de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, nos termos do art. 169, 1, "b", do Decreto-lei te 37 de 18/11/1966 - DOU 21/11/1966; 2- R$ 709,27 (setecentos e nove reais e vinte e sete centavos), de multa por errônea classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, no percentual de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória IP 2.158-35 de 24/08/2001 - DOU 27/08/2001; fls. 09a 14 3- R$ 5.674,19 (cinco mil seiscentos e setenta e quatro reais e dezenove centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); 4- R$ 4.255,64 (quatro mil duzentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos) de multa de lançamento de ofício do IPI, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, nos termos do art. 80, I, da Lei if 4.502 de 30/11/1964 - DOU 30/11/1964 ret. em 31/12/1964; 5-juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais de fls. 03 a 06 e 10/11 a importadora classificou erroneamente a mercadoria que importou através da DI 04/0193494-7 (fls. 20 a 22), descrevendo-a como: Hidrocarbonetos Acíclicos Saturados — Heptano — Adjuvante 2 Processo n° 11050.001546/2004-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.284 Fl. 107 para fabricação de fungicida, classificando-a no código NCM 2901.10.00, cujas alíquotas eram de II = 2,00% e IPI = 0,00%. O produto em questão foi submetido à análise laboratorial, conforme pedido de fl. 15 e laudo n 1016.01 de fls. 16 a 19, através do qual chegou-se à conclusão que se tratava de mistura de Hidrocarbonetos Acíclicos constituída de n-Heptano, 2,2,3, Trimetil Butano; 3 Etil Pentano e 3 Meti! Hexano (Heptano Comercial) que se classifica no código NCM 2710,11,90, cujas aliquotas eram de Il = 0,00% e IPI = 8,00%. Devido ao erro de descrição e classificação fiscal da mercadoria, com alterações das ali quotas do II e IPI e entendendo, que no caso havia, também, falta de LI, a autoridade fiscal procedeu às exigências em tela. Intimada a autuada em 12/07/2004 (tl. 23) ela ingressou com a impugnação de fls. 25 a 34, em 09/08/2004, por meio da qual alega em síntese: - a impugnante concorda com a exação relativa ao IPI e a multa por errônea classificação fiscal, mas não a da multa por falta de LI pelo fato de ela extrapolar a razoabilidade e o próprio crédito tributário decorrente da errônea classificação fiscal; - a peticionária sempre realizou operações de importação com os produtos analisados classificando-os da mesma forma sem qualquer oposição do fisco. Ademais, possuía a devida LI na qual constava a anuência da ANP para aquela operação (procede, às fls. 30 a 33, argumentação a respeito da inconstitucionalidade da exação da multa por falta de LI). Pede que se julgue improcedente o lançamento relativamente à multa por falta de LI, concordando com as exaçães. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/03/2004 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento, pelos fundamentos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, de normas da legislação tributária vigente, a não ser nos casos em que na fase de julgamento elas já houverem sido declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Havendo a autuada impugnado apenas parte do lançamento compete à autoridade preparadora proceder ao devido desmembramento para exigir, imediatamente, o pagamento da parte incontroversa. 3 Processo n° 11050.001546/2004-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.284 Fl. 108 MULTA POR FALTA DE LI Sempre que um produto exija LI automática ou não automática e estiver erroneamente classificado estará ao desamparo de LI. Quando, entretanto, o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante a multa por falta de LI será dispensada. A contrário senso se a descrição do produto feita na DI não contiver todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário correto não é possível se dispensar a multa por falta de LI. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência*deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 4 Processo n° 11050.001546/2004-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.284 Fl. 109 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. O presente recurso voluntário cuida unicamente da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, prevista no artigo 633, II, "a" do Decreto n° 4.543/2002, verbis: Art. 633. Aplicam-se, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 169 e sç' 6°, com a redação dada pela Lei n° 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2°): (.) II - de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "h" e sç' 6°, com a redação dada pela Lei n° 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2°); e (..) Isto porque o produto importado sofreu uma reclassificação fiscal pela fiscalização, com base em laudo técnico que indicou que a identificação do mesmo não estava correta. Ou melhor, o produto importado foi descrito pelo contribuinte, ora recorrente, na DI n° 04/0193494-7 (fls. 21), como sendo: HEPTANO — ADJUVANTE PARA FABRICAÇÃO DE FUNGICIDA. Ocorre que o laudo técnico às fls. 17 aponta que trata-se de: Mistura de hidrocarbonetos Acíclicos constituída de n-Heptano; 2,2,3 Trimetil Butano; 3 Etil Pentano e 3 Meti! Hexano; (Heptano Comercial). Às fls. 16 do mesmo laudo técnico se verifica que a composição do produto é a seguinte: Teor por Cromatografia Gasosa (% em área): n-Heptano: 4,4% Processo n° 11050.001546/2004-41 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.284 Fl. 110 2,2,3 Trimetil Butano: 44,2% 3 Etil Pentano: 41,7% 3 Meti! Hexano: 7,4% Ou seja, o n-Heptano é o componente desta mistura com menor participação na composição do produto importado. Além disso, deve ser apontado que o próprio laudo técnico (fls. 17) indica que: Segundo Informação Técnica Especifica (cópia anexa), o Heptano comercial com baixo teor de Aromáticos apresento em sua composição teor CE n-Heptano de 6.7% e outras parafinas contendo 7 atómos de Carbono (C-7) com teor entre 75-90%. Por fim, o mencionado laudo faz a seguinte ressalva: Informamos ainda que a embalagem da amostra recebida apresentou sinais de vazamentos, e, dessa forma, não foi possível a realização de algumas análises e ensaios fisico-químicos. Esta última informação (e a aparente contradição entre a Informação Técnica Especifica citada pelo mesmo e a identificação do produto) leva este relator a questionar a acuidade do laudo técnico realizado, o que poderia, inclusive, levar a sua invalidação, contudo, o recorrente não questiona tal procedimento ou mesmo a glosa da classificação fiscal, ao contrário, concorda expressamente com a mesma e informa que já pagou o tributo correspondente e passou a adotar tal classificação fiscal em operações posteriores, adequando sua conduta. Neste ponto, importante notar que o fiscal autuante, após correta análise sobre a classificação fiscal do produto, considerando o laudo técnico recebido, conclui o seguinte: Pelo exposto, verifica-se o bem estará corretamente declarado na posição fiscal 2710.11.90, descrita na TEC como "Outros Óleos Leves e Preparações", para o qual há exigência de Licenciamento de Importacão não automático, conforme prevê comunicado Decex n° 0023 de 1998. (grifos acrescidos ao original) Desta forma, fica caracterizado que a descrição do produto importado foi insuficiente para a correta classificação fiscal do mesmo, já que o identifica como um produto constituição química definida apresentado isoladamente (Heptano), quando em verdade tratava-se de uma mistura do qual o heptano era o menor dos componentes e que a classificação fiscal correta obrigava ao Licenciamento de Importação não automático, tornando a operação de importação em exame, desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Por estas razões, VOTO por conhecer do recurso para negar-lhe provimento. r1 1 GkA,CX .I• - - MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 6
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003117/2006-77
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: 2002
Ementa: OPERAÇÕES DE MÚTUO COM OURO -
DESPESAS OPERACIONAIS — AS despesas incorridas com
juros e variação negativa decorrente da valorização do ouro no
período, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de
renda, quando for compatível com as receitas decorrentes dessa
atividade.
JUROS - TAXA SELIC — Nos termos da Súmula n° 4 do
Primeiro Conselho de Contribuintes, a partir de 1° de abril de
1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS DECORRENTES — CSLL - A solução dada
ao litígio principal, relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa
Jurídica aplica-se, no que couber ao lançamento decorrente,
quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar
conclusão diversa.
Numero da decisão: 1101-000.051
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recorrida 4' TURMA/DRJ-SÀO PAULO-SP ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 2002 Ementa: OPERAÇÕES DE MÚTUO COM OURO - DESPESAS OPERACIONAIS — AS despesas incorridas com juros e variação negativa decorrente da valorização do ouro no período, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando for compatível com as receitas decorrentes dessa atividade. JUROS - TAXA SELIC — Nos termos da Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS DECORRENTES — CSLL - A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica aplica-se, no que couber ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga. , Processo n°19515.003117/2006-77 CC01/C0 I Acórdão n." 1101-00.051 Fls. 2 ANTO :4 ISCA P • SIDENTE • ara DRI RELATOR FORMALIZADO EM: 0 7 AGO 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio José Praga de Souza, Sandra Maria Faroni, Aloysio José Percinio da Silva, J. Sérgio Gomes (Suplente), João Carlos de Lima Junior, Valmir Sandri, José Ricardo da Si a e • Iexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Processo n° 19515.003117/2006-77 CC0I/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 3 Relatório FNC — COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, que por unanimidade de votos, JULGOU procedentes os lançamentos efetuados, para manter o crédito tributário tal como lavrado pelo auditor fiscal. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, efetuado junto ao estabelecimento da contribuinte, no qual a fiscalização constatou que a contribuinte deduziu de sua base de Cálculo indevidamente as despesas escrituradas na conta "Ouro Mútuo Passivo- Desp de Juros-Lig em Ouro" no valor de R$ 135.455,52 e as despesas escrituradas na conta "Ouro Mútuo Passivo-Desp Reavaliação-Líq em Ouro" no valor de R$ 15.251.030,09, uma vez que estas foram consideradas desnecessárias, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal às fls. 551/552. Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica-(IRPJ, tis: . 5851587), no valor de R$ 9.233.045,34 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 590/592), no valor de RS 3.323.896,28, formalizando crédito tributário no montante de R$ 12.556.941,62, já incluídos os juros de mora calculados até 30.11.2006 e a multa proporcional passível de redução. Cientificada dos lançamentos em 22.12.2006, fls. 594/595, a Contribuinte apresentou em 24.01.2007, sua impugnação às fls. 599/620, juntando, ainda, os documentos de fls. 621/849, alegando em síntese que: (i) Após transcrever o Termo de Constatação Fiscal, afirma que os lançamentos, não merecem prosperar, uma vez que as despesas incorridas foram devidamente escrituradas e são absolutamente usuais e necessárias para a manutenção da atividade desempenhada por ela, sendo, portanto, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. (ii) Esclarece que é uma sociedade limitada que tem amplo objeto de atuação, como se verifica da Cláusula 3 do seu Contrato Social, a qual transcreve. Dentre essas atividades, destaca que se propõe a realizar "operações de mútuo de ouro", na qualidade de mutuaria. (iii) Destaca que as referidas operações de mútuo são realizadas com pessoas não relacionadas com ela, e têm como escopo depósito de margem junto à BM&F para lastrear a realização de operações listadas naquele recinto, bem como auferir lucros com a prática de operações na BMF, ou fora dela, com a comercialização do ouro • mutuado. Nesse sentido, transcreve os arts. 586 e 587 do Código Civil. 3 Processo n° 19515.0031 17/2006-77 • CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 F. 4 (iv) Prossegue afirmando que ao realizar operações de mútuo, passa a ter a titularidade sobre o ouro mutuado, realizando, assim, diversas operações com este ativo, sempre na busca pelo resultado positivo. (v) Ademais, considerando que a devolução do ouro, nos termos dos contratos de mútuo, deve ser feita "in natura" ou em moeda levando- . se em consideração a valorização do ouro na data de sua devolução ao mutuante, dependendo da variação do preço de mercado deste ativo entre a data do contrato e a da devolução, salienta que poderá registrar variações positivas (se o ouro perder valor) ou negativas (se o ouro se valorizar), sendo certo que as despesas registradas como "Ouro Mútuo Passivo — Desp. Reavaliação — Liq. Em Ouro" no ano- calendário de 2002 representam essa variação negativa decorrente da valorização do ouro no período. (vi) Ressalta que utilizava as operações com ouro, em lugar de tomar empréstimos para a captação de recursos no mercado, porque os juros incidentes naquelas operações sempre foram muito inferiores aos cobrados nos empréstimos e fianças. (vii) Entende que ao tomar de empréstimo determinada quantia de ouro, como mutuaria, deve realizar como despesa (i) os juros pagos como remuneração do empréstimo (contabilizados na conta "Ouro-mútuo passivo — desp. de juros — Liq. em ouro", e (ii) a valorização do ouro no período em que vigente o contrato de mutuo (conta "Ouro mútuo passivo — desp. reavaliação"). (viii) Dessa forma, conforme se verifica na D1PJ 2003/AC 2002, fls. 707 a 756, afirma que realizou a despesa financeira total de R$ 19.486.173,57 (que compreende a despesa glosada no presente auto de infração), e obteve um resultado positivo de R$ 676.787.275,78 (dos quais R$ 322.160.575,66 relativos a receitas financeiras), o que demonstra de forma cabal a viabilidade econômica das operações. (ix) Reafirma, que estando autorizada a realizar operações na BMF e sendo esta uma das atividades fim da contribuinte, resta evidente a necessidade das despesas decorrentes dos empréstimos que além de legítimas são efetivas, não tendo em momento algum sido questionada a sua existência. (x) Corroborando o seu entendimento, alega que por ocasião do pagamento dos juros foi devidamente retido o IRF correspondente, sob o código da operação 3429 (IRRF — OURO ATIVO FINANCEIRO/MUTUO/REVENDA), ou seja, os pagamentos realizados representam receita financeira para os mutuantes e foram devidamente tributados. (x0 Não obstante acredite que já está demonstrado nos autos a efetividade e necessidade das operações, a título exemplificativo, junta documentos que evidenciam uma das operações realizadas com 4 Processo n°19515.003117/2006-77 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls 5 a empresa mutuante Agro Química Maringá detentora de 255.000 gramas de ouro sob custódia do Citibank NA. (xii) Em relação aos certificados de custódia assinados em 1984 e 1985, esclarece a diferença entre custódia e mútuo. (xiii) Quanto à dedutibilidade dos pagamentos em causa para efeito de ERPJ, afirma que em princípio todos os dispêndios são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desde que observadas as restrições e os requisitos legais As exceções previstas na legislação consistem na (a) não dedutibilidade de verbas específicas; (b) limitação do valor dedutível de algumas despesas; e (c) subordinação da dedutibilidade ao preenchimento de certas condições. (xiv) Após transcreve o art. 299 do RIR199, conclui que as despesas incorridas atendem as condições estabelecidas no mencionado diploma legal, e, portanto, podem ser deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que são necessárias ás atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora, além de usuais. (xv) Ademais, as despesas geram para o mutuante ganho tributável, o que toma, além de ilegítima, absolutamente injusta a glosa da sua dedutibilidade na mutuaria. (xvi) Especificamente quanto á glosa efetuada a título de CSLL, afirma que não se aplica o art. 299, §§1 0 e 2° do RIR199, uma vez que a referida contribuição tem base de cálculo própria prevista nas Leis IN 7.689/88 e 8.034/90 e somente pode ser alterada mediante norma legal expressa. (xvii) Quanto aos juros de mora, afirma que caso prevaleça à exigência fiscal, e se não for cancelada a multa de oficio aplicada, o que se admite apenas a titulo de argumentação, o Fisco certamente exigirá juros de mora sobre o valor da multa de oficio, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. (xviii) Dessa forma, embora não exigida no Auto de Infração, a contribuinte vem desde já impugnar a pretensão, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Esta exigência não tem suporte legal. Nesse sentido, transcreve jurisprudência administrativa. (xix) Após mencionar o art. 161 do CTN e o art. 61 da Lei n° 9.430/96, concluiu que somente poderia o fisco cobrar juros de mora sobre multa, se a própria multa correspondesse ao valor principal do débito fiscal (multa isolada), o que não é o caso. Processo n° 19515.003117/2006-77 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 6 (XX) Insurge-se, ainda, face à aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. (xxi) Ao final, requer, para fins do disposto no art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72 a realização de diligência para, dentre outras coisas, • demonstrar: (a) mediante requerimento e verificações junto às instituições de mercado participantes dessas operações — BMF, instituição custodiante, membro de compensação e outras — as posições da Impugnante tanto no que se refere às operações de margem realizadas, nas quais o ativo ouro era oferecido como lastro, quanto no que se refere às operações de venda do ouro; (b) mediante verificações nos livros e documentos contábeis e fiscais da Impugnante, não só as operações acima, mas também as operações de negociação do ouro mutuado pela Impugnante no mercado de balcão. (ocii) Requer seja acolhida a impugnação apresentada, reconhecendo-se a insubsistência dos autos de infração lavrados. À vista da Impugnação, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Inicialmente, após fazer um breve resumo dos fatos que deram origem ao presente processo, bem como dos principais argumentos apresentados pela contribuinte em sua defesa, os julgadores rejeitaram o pedido de diligência formulado, por considerá-la desnecessária ao deslinde do feito, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, uma vez que todos os documentos poderiam ter sido acostados aos autos quando da impugnação apresentada. Constataram que assiste razão a contribuinte ao afirmar que seu objeto social permite contratar "operações de mútuo de ouro", na qualidade de mutuaria. Verificaram que dos argumentos apresentados pela contribuinte, depreende- se que foram realizados dois tipos de operações: uma que visa obter lucro e outra que busca a captação de recursos a juros menores que os obtidos em empréstimos normais. A esse respeito os julgadores fizeram uma rápida explanação sobre as operações que envolvem mútuos de ativos financeiros, para, então resumir que se tem numa ponta da operação o mutuante (detentor do ativo), e na outra o mutuário (que o aluga). Ressaltaram que os ganhos de capital auferidos nas operações de mútuo de ouro integram a base de cálculo do IRPJ, a teor do disposto no art. 219 do RIR199 (Decreto n° 3.000, de 26/03/1999). Prosseguiram fazendo a distinção entre o ganho advindo do mútuo (aluguel) — equiparado 'à operação de renda fixa — descrito nos arts. 225 e 734 do R11R199, daquele e 6 Processo n° 19515.00311712006-77 CC01/C0i Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 7 decorrente de atividade especulativa (alienação de ouro, ativo financeiro), considerado com renda variável, descrito nos arts. 758, 760, 761, 764 a 767 do RIR199. Observaram que a Instrução Normativa SRF n° 25, de 06/03/2001, apresenta, em seu art. 33, disposições comuns às operações de Renda Fixa e de Renda Variável. São operações equiparadas à renda fixa: o ganho de capital nas aplicações em ouro (diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil) será acrescido à base de cálculo do IRPJ, sendo que as alterações no preço do ouro durante o decurso do prazo do contrato de mútuo, em relação ao preço verificado na data de realização do contrato, serão reconhecidas pelo mutuante e pelo mutuário como receita ou despesa operacional, segundo o regime de competência. São operações equiparadas à renda variável: o ganho líquido (resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação de perdas apuradas nas operações) estão sujeitos à incidência do IRRF, imposto este que será deduzido do IRPJ devido no encerramento de cada período de apuração, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Consignaram, portanto, que os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais integrarão o lucro real, sendo que as perdas apuradas nas operações de mercados à vista, de opções, futuros e a termo (renda variável) somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nas operações previstas nesses mesmos mercados. Sendo assim, ressaltaram que em tese, são perfeitamente naturais as operações. Entretanto, observaram que é necessário apurar se há comprovação da ocorrência, se houve o efetivo recebimento, o pagamento do aluguel, onde foram aplicados os ativos (ouro), quais foram às despesas incorridas e qual a destinação dada ao ouro recebido. Após transcrever os arts. 249, inciso I, 251, Parágrafo Único, 299, 300 e 304 do RIR/99 e analisar detalhadamente todos os documentos acostados aos autos pela contribuinte, concluíram que os mesmos não comprovam a ocorrência do mútuo, do efetivo recebimento do ouro, do pagamento do aluguel, de onde o ouro foi aplicado, sendo que as despesas declaradas não estão respaldadas por documentos hábeis e idôneos, não sendo possível tê-las como pagas ou incorridas. Além disso, não há demonstração da composição das despesas lançadas. Observaram, ainda, que o art. 33 da N SRF n° 25/01 dispõe que integrarão o lucro real os rendimentos (renda fixa) e os ganhos líquidos (renda variável), sendo que as perdas apuradas nas operações de renda variável (especulativas) somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nessas operações, ou seja: o que integra o lucro real, no caso de renda variável, é o ganho líquido, e não a receita, nem a despesa. Sendo assim, entenderam que não merece qualquer reparo a exigência consubstanciada nos autos de infração. (rr:-s72—"—"---- 7 Processo n°19515.003117/2006-77 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 ns. 8 Quanto à afirmação da contribuinte de que a despesa decorrente do empréstimo é efetiva, não tendo sido questionada em momento algum sua existência, os julgadores destacaram trecho extraído do "Termo de Constatação Fiscal", fls. 551/552, onde a autoridade administrativa afirma que não foi apresentada documentação que comprovasse a necessidade das operações de mútuo, o recebimento do ouro e pagamento do empréstimo, destinação do ouro recebido. Dessa forma, consignaram que ao contrário do que alega a contribuinte, o fiscal autuante entendeu como não foi comprovada documentalmente a existência das transações informadas, em especial o pagamento das despesas com empréstimo (mútuo). Em relação à afirmação de que a norma apontada é inaplicável à apuração do lucro contábil, base de cálculo da CSLL, entenderam que não assiste razão à contribuinte, visto que o lucro contábil é o ponto de partida do cálculo da CSLL, tendo sido este afetado pela despesa indevidamente lançada, devendo, portanto, ser mantida a glosa efetuada nesse sentido. Quanto ao argumento apresentado pela contribuinte de que o Fisco somente poderia cobrar juros de mora sobre multa, se a própria multa correspondesse ao valor principal do débito fiscal, destacaram que esta questão não foi objeto de autuação — como reconhecido pela própria contribuinte, não estando em discussão, muito embora a combinação do art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com os artigos 29 e 30 da Lei n° 10.522, de 16/07/2002 (que tiveram origem nos artigos 28 e 29 da MP n° 1.5422-22, de 09/05/1997) permita o entendimento de que é possível a cobrança de juros de mora sobre multas de oficio. Quanto à exigência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic, ressaltaram que sendo a atividade administrativa vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, compete ao fiscal autuante apenas aplicar a legislação vigente à época dos fatos, sem fazer qualquer juizo de valor. Pelo exposto, julgaram procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 31.10.2007, às fl. 898, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 28.11.2007, às fls. 899/930, juntando, ainda, os documentos de fls. 931/947, alegando em o que se segue: Após transcrever o Termo de Constatação Fiscal, bem como destacar os principais pontos abordados na impugnação, afirma que a decisão recorrida merece reforma, não só pelos argumentos apresentados anteriormente, como também por ter alterado o fundamento da exigência, uma vez que no auto de infração alega-se que as despesas não eram necessárias, enquanto na decisão recorrida alega-se que estas não são efetivas. Alega que ao indeferir o pedido de perícia/diligência, presumindo a inexistência dos documentos comprobatórios de suas alegações, os julgadores cercearam a sua defesa, em evidente desrespeito ao art. 5 0, LV da CF/88 e ao art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual requer seja declarada a nulidade da decisão nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, garantido o princípio da verdade material. Transcreve jurisprudência administrativa e judicial objetivando confirmar as suas alegações. 8 Processo n° 19515003117/2006-77 CCOI/C0 I Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 9 No mérito, afirma que ao contrário do que consta no auto de infração, restou devidamente comprovado nos autos do processo a necessidade das operações de mútuo, sendo esta inclusive reconhecida pelos julgadores de primeira instância, fls. 870, razão pela qual é incabível exigir a comprovação da necessidade dessas operações. Nesse sentido, destaca que a juntada aos autos de vinte e seis Contratos de Mútuo com pessoas fisicas e jurídicas não relacionadas com ela, é a prova cabal da ocorrência das operações de mútuo, já que a existência e a validade desses contratos jamais foram questionadas seja pelo fiscal autuante sejam pelos julgadores de primeira instância. Dessa forma, aduz que se tais contratos de mútuo de ouro são necessários e efetivos, tendo sido regularmente contabilizados e submetidos às normas que regem a sua tributação, são também necessárias e efetivas as despesas dele decorrentes, ou seja, o pagamento dos juros/aluguel e da valorização do ouro no período do contrato, encargos expressamente previstos nos referidos documentos, despesas nas quais a contribuinte incorreu pelo só fato de ter firmado os contratos, portanto, são despesas operacionais dedutiveis. Afirma que a longa transcrição da legislação feita pelos julgadores a guo fls. 871/881, corrobora a sua alegação de que as operações de mútuo de ouro são usuais, normais e totalmente regulamentadas que pelo BACEN que pela CVM quer pela legislação. Esclarece que o efetivo recebimento do ouro raramente ocorre porque as transferências são meramente escriturais feitas junto à instituição custodiante. O ouro enquanto ativo financeiro fica custodiado em instituição autorizada a atuar como tal e o adquirente do metal recebe um certificado de custódia do ouro. Sendo assim, não é possível que os certificados de custódia tenham datas bem mais antigas do que as datas dos contratos de mútuo. Ademais, observa que essa transferência escriturai não é essencial para a caracterização do mútuo de ouro, pois a própria decisão recorrida faz referência ao fato de a BM&F dispor de Custódia Fungível, fls. 873. Nesse sentido, menciona o Manual de Procedimentos Operacionais atualmente em vigor da BM&F, fls. 933/940. Insurge-se face ao entendimento da decisão recorrida, com fundamento no art. 33 da IN/SRF n° 25/01, de que o que integra o lucro real, no caso de renda variável, é o ganho liquido, e não a receita, nem a despesa. Isto porque, entende que eventual limitação das despesas aplica-se apenas aos ganhos líquidos em operações de renda variável e no caso, por se tratar de operações de mútuo tendo por objetivo o ouro, ativo financeiro, estas são equiparadas a operações de renda fixa, conforme dispõe o art. 70 da Lei n° 8.981/1995 e art. 734 do RIR/99, observados pela contribuinte. Esclarece que é uma sociedade limitada que tem amplo objeto de atuação, como se verifica da Cláusula 3 do seu Contrato Social, a qual transcreve. Dentre essas atividades, destaca que se propõe a realizar "operações de mútuo de ouro", na qualidade de mutuaria. Reafirma que as referidas operações de mútuo, são realizadas com pessoas não relacionadas com ela, e têm como escopo depósito de margem junto à BM&F para lastrear 9 • Processo n°19515.003117/2006-77 CC0I/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 10 a realização dê operações listadas naquele recinto, bem como auferir lucros com a prática de operações na BMF, ou fora dela, com a comercialização do ouro mutuado. Nesse sentido, transcreve os arts. 586 e 587 do Código Civil. Prossegue afirmando que ao realizar operações de mútuo, passa a ter a titularidade sobre o ouro mutuado, realizando, assim, diversas operações com este ativo, sempre na busca pelo resultado positivo. Ademais, considerando que a devolução do ouro, nos termos dos contratos de mútuo, deve ser feita "in natura" ou em moeda levando-se em consideração a valorização do ouro na data de sua devolução ao mutuante, dependendo da variação do preço de mercado deste ativo entre a data do contrato e a da devolução, salienta que poderá registrar variações positivas (se o ouro perder valor) ou negativas (se o ouro se valorizar), sendo certo que as despesas registradas como "Ouro Mútuo Passivo — Desp. Reavaliação — Liq. Em Ouro" no ano- calendário de 2002 representam essa variação negativa decorrente da valorização do ouro no período. Ressalta que utilizava as operações com ouro, em lugar de tomar empréstimos para a captação de recursos no mercado, porque os juros incidentes naquelas operações sempre foram muito inferiores aos cobrados nos empréstimos e fianças. Entende que ao tomar de empréstimo determinada quantia de ouro, como mutuária, deve realizar como despesa (i) os juros pagos como remuneração do empréstimo (contabilizados na conta "Ouro-mútuo passivo — desp. de juros — Liq. em ouro", e (ii) a valorização do ouro no período em que vigente o contrato de mútuo (conta "Ouro mútuo passivo — desp. reavaliação"). Dessa forma, conforme se verifica na D1PJ 2003/AC 2002, fls. 707 a 756, afirma que realizou a despesa financeira total de R$ 19.486.173,57 (que compreende a despesa glosada no presente auto de infração), e obteve um resultado positivo de R$ 676.787.275,78 (dos quais R$ 322.160.575,66 relativos a receitas financeiras), o que demonstra de forma cabal a viabilidade econômica das operações. Reafirma, que estando autorizada a realizar operações na BMF e sendo esta uma das atividades fim da contribuinte, resta evidente a necessidade das despesas decorrentes dos empréstimos que além de legítimas são efetivas, não tendo em momento algum sido . questionada a sua existência. Corroborando o seu entendimento, alega que por ocasião do pagamento dos juros foi devidamente retido o IRF correspondente, sob o código da operação 3429 (IRRF — OURO ATIVO FINANCEIRO/MUTUO/REVENDA), ou seja, os pagamentos realizados representam receita financeira para os mutuantes e foram devidamente tributados. Não obstante acredite que já está demonstrada nos autos a efetividade e necessidade das operações, a título exemplificativo, junta documentos que evidenciam uma das operações realizadas com a empresa mutuante Agro Química Maringá detentora de 255.000 gramas de ouro sob custódia do Citibank NA. 10 Processo n°19515.003117/2006-77 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 ns. 11 Em relação aos certificados de custódia assinados em 1984 e 1985, esclarece a diferença entre custódia e mútuo. Quanto a dedutibilidade dos pagamentos em causa para efeito de IRPJ, afirma que em principio todos os dispêndios são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desde que observadas as restrições e os requisitos legais As exceções previstas na legislação consistem na (a) não dedutibilidade de verbas especificas; (b) limitação do valor dedutivel de algumas despesas; e (c) subordinação da dedutibilidade ao preenchimento de certas condições. Após transcreve o art. 299 do RfiV99, conclui que as despesas incorridas atendem as condições estabelecidas no mencionado diploma legal, e, portanto, podem ser deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que são necessárias às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora, além de usuais. Ademais, as despesas geram para o mutuante ganho tributável, o que torna, além de ilegítima, absolutamente injusta a glosa da sua dedutibilidade na mutuária. Especificamente quanto á glosa efetuada a titulo de CSLL, afirma que não se aplica o art. 299, §§1° e 2° do RIR199, uma vez que a referida contribuição tem base de cálculo - própria prevista nas Leis n's 7.689/88 e 8.034/90 e somente pode ser alterada mediante norma legal expressa. Quanto aos juros de mora, afirma que caso prevaleça à exigência fiscal, e se não for cancelada a multa de oficio aplicada, o que se admite apenas a titulo de argumentação, o Fisco certamente exigirá juros de mora sobre o valor da multa de oficio, como vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido. Dessa forma, embora não exigida no Auto de Infração, a contribuinte vem desde já impugnar a pretensão, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Esta exigência não tem suporte legal. Nesse sentido, transcreve jurisprudência administrativa. Após mencionar o art. 161 do CTN e o art. 61 da Lei n° 9.430/96, concluiu que somente poderia o fisco cobrar juros de mora sobre multa, se a própria multa correspondesse ao valor principal do débito fiscal (multa isolada), o que não é o caso. Insurge-se, ainda, face à aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Ao final, requer, seja acolhido o recuso, declarando-se a insubststência dos autos de infração lavrados. É o relatório. can • A 11 • Processo n° 19515.003117/2006-77 CCOI/C01 • Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 12 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, RELATOR. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, trata o presente recurso do inconformismo da contribuinte em razão da decisão proferida pela 4'. Turma da DRJ/SPOI, que manteve integralmente a exigência decorrente da glosa de despesas relativas a juros (R$ 135.455,52, e variação negativa na captação de ouro com terceiros (R$ 15.251.030,09), com o objetivo de lastrear a realização de operações junto a BM&F, por serem consideradas desnecessárias, bem como, por não ter a ora Recorrente, comprovado o recebimento do ouro e pagamento do empréstimo e a destinação do ouro recebido. Intimada da decisão que manteve a exigência, a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese que: (i) teve seu direito à defesa cerceada pelo indeferimento do pedido de diligênciaJperícia; (ii) a decisão recorrida inovou a fundamentação legal constante no auto de infração, razão pela qual deve ser declarada nula; (iii) as operações de mútuo compõe o seu objeto social, (iv) as despesas decorrem de juros e da variação do preço do ouro na BM&F, tendo sido corretamente contabilizadas; (v) as despesas são dedutíveis, uma vez que atendem aos requisitos previstos no art. 299 do RIR199; (vi) os juros de mora não podem incidir sobre a multa de oficio e nem ser calculado pela taxa Selic. Inicialmente, entendo que ao contrário do que pretende demonstrar a contribuinte em sua defesa, o indeferimento do pedido de perícia/diligência não acarretou em nenhum prejuízo para a sua defesa, pois, todos os documentos comprovando as efetivas operações que originaram os custos/despesas glosados pela fiscalização, poderiam ser carreados aos autos pela Recorrente, não necessitando, portanto, de diligência para produzir provas a seu encargo. O fato é que, verificado que todos os documentos estavam em poder da contribuinte e que esta tinha pleno conhecimento de todas as acusações que lhe foram imputadas, caberia tão somente a ela carrear aos autos os documentos que entendesse necessária para o esclarecimento dos pontos por ela aventado, razão porque, afasto a preliminar de cerceamento de defesa suscitada. Da mesma forma em relação a preliminar de nulidade de decisão de primeira instância, pelo fato de ter indeferido a realização de diligência/perícia, eis que a realização de diligência tem por escopo esclarecer pontos específicos do lançamento e não produzir provas que deve/deveriam ser apresentadas pela própria contribuinte. No mérito, a questão cinge-se determinar se os custos/despesas incorridos com a captação de ouro via contrato de mútuo, são de fato necessárias à atividade da empresa e se destinaram ao auferimento das receitas, bem como, se de fato foram incorridas. 12 Processo n° 19515.003117/2006-77 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 13 Quanto à captação do ouro no mercado via contrato de mútuo, entendo que, pela análise dos vinte e seis Contratos de Mútuo contraídos pela Recorrente com terceiros (pessoas fisicas e jurídicas), não resta dúvida que de fato ocorreu tais operações, o que por sinal em nenhum momento dos autos foram questionados sua existência e validade, seja pelo fiscal autuante, seja pelos julgadores de primeira instância. Como se verifica dos autos, trata a Recorrente de uma sociedade limitada que tem amplo objeto de atuação, como se verifica da Cláusula 3 do seu Contrato Social, dentre essas atividades está incluída as"operações de mútuo de ouro", na qualidade de mutuaria. No presente caso, as referidas operações de mútuo são realizadas com pessoas não relacionadas com ela, e têm como escopo depósito de margem junto à BlvI&F para lastrear a realização de operações listadas naquele recinto, bem como auferir lucros com a prática de operações na BMF, ou fora dela, com a comercialização do ouro mutuado. Ao realizar operações de mútuo, a Recorrente passa a ter a titularidade sobre o ouro mutuado, realizando, assim, diversas operações com este ativo, sempre na busca pelo resultado positivo, que a permite gerar receita, caracterizando, pois, as despesas incorridas nessas operações como necessárias às atividades fins da empresa. Ademais, considerando que a devolução do ouro, nos termos dos contratos de mútuo, deve ser feita "in natura" ou em moeda levando-se em consideração a valorização do ouro na data de sua devolução ao mutuante. Assim, dependendo da variação do preço de mercado deste ativo entre a data do contrato e a da devolução, poderá registrar para a contribuinte variações positivas (se o ouro perder valor) ou negativas (se o ouro se valorizar), sendo certo que as despesas registradas como "Ouro Mútuo Passivo — Desp. Reavaliação — Liq. Em Ouro" no ano-calendário de 2002, representou para ela uma variação negativa decorrente da valorização do ouro no período. No presente caso, conforme se verifica na DIPJ 2003/AC 2002 (fls. 707 a 756), a despesa financeira representou no período a importância de R$ 19.486.173,57 (glosada no auto de infração), ao passo que as receitas financeiras representou a importância de R$ 322.160.575,66, o que demonstra de forma cabal a viabilidade econômica das operações. Quanto a sua necessidade, entendo também que tendo no seu objeto social, além de outros, operações a futuro e a termo, dentro ou fora de Bolsas de Mercadorias — BM&F não há como desconsiderar que para auferir receitas nesta atividade, há de se considerar que as despesas/custos de captação são necessárias. Dessa forma, resta evidente que as despesas deduzidas pela contribuinte se enquadram perfeitamente nos dispositivos do art. 299 do RI12199, senão vejamos: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47). § 1 2 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 47, § 12). 13 Processo n°19515.003117/2006-77 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.051 Fls. 14 § 22 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47, § 22). § 32 O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Logo, tendo a Recorrente auferido substanciais receitas financeiras, resta concluir, portanto, que o pagamento dos juros/aluguel e da valorização do ouro no período, expressamente previsto nos contratos, são necessários à atividade e a manutenção da fonte produtora. Portanto, por entender que as despesas glosadas pela fiscalização são de fato despesas operacionais necessárias a atividade da contribuinte, voto no sentido de DAR provimento ao seu recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 2009. • • r • j, • _ 4 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13629.000601/98-09
Data da sessão: Tue Feb 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Feb 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1991
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT no 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de compensação da contribuinte foi formulado em 15/12/98.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.264
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Otacílio Dantas Cartaxo - Ad Hoc
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E COM LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge corn a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT no 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de compensação da contribuinte foi formulado em 15/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Manoel Antônio Gadelha Dias - Presidente Otacilio Dant Cartaxo - Relator ad hoc EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias, Otacilio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mario Junqueira Franco Júnior. Relatório Eis na integra a transcrição do relatório concernente ao acórdão prolatado. Versa o processo sobre requerimento dirigido pelo sujeito passivo identificado na epígrafe a Secretaria da Receita Federal solicitando restituição c eventualmente compensação de recolhimentos por ele efetuados a titulo de contribuição para o FINSOCIAL a alíquotas superiores a 0,5%, posteriormente consideradas avessas ao comando constitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, julgado este que veio a redundar na edição da Medida Provisória n°. 1.110, de 30.08.95. O requerimento fói indeferido por despacho da repartição jurisdicionante, que considerou extinto o direito do contribuinte de pleitear a repetição, ex vi do Ato Declarcaório SRF n". 096/99, cujo entendimento é o de que o prazo para tal reclamação se extingue transcorridos cinco anos da data da extinção do crédito tributário (isto é, do pagamento), imkpendentemente da posterior declaração de inconstitucionalidade de sua imposição. O contribuinte, irresignado, impugnou o despacho decisório, contestando a inteligência exarada no citado Ato Declaratório SRF quanto à contagem inicial do litigado prazo decadencial. Teve, entretanto, bacterial(' sua pretensão pela autoridade julgadora de I". instância, com base na interpretação estabelecida pelo prefalado Ato Declamtário. De tal decisão ora recorre a este Conselho ratificando a argumentação eApendichl em sua peg(' impugnatória. O Acórdão n.° 303-32266 (fls. 111/115) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 16/06/2005, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: FINSOCIAL - ALIQUOTAS MAJORADAS - LEIS N° 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90 - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS A MAIOR - PRAZO - DECADÊNCIA - DIES A QUO e DIES AD QUEM. " 0 dies a quo para a contagem do prazo decadencial do direito de pedir restituição de valores pagos a maior é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela achninistração tributária, no caso a da publicação da MP n°1.110/95, que se deu em 31/08/1995.Tal prazo, de cinco (5) anos estendeu-se até 31/08/2004 (dies ad quem). A Decadência só atingiu os pedidos formulados a partir do dia 01/09/2000, inclusive, o que não é o caso dos autos. ECURSO PROVIDO, AFASTANDO-SE A DECADÊNCIA. 2 CSRF/T03 Fls. 188 Processo no 13629.000601/98-09 Acórdão n.° 03-05.264 In casu, o pedido ocorreu em data de 11/07/2000, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 107/145), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 50- II do RICSRF e trazendo a colação o paradigma Acórdão n.° 302-35782. Aduz o d. Procurador: • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • 0 v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n° 1.110/95, expedida em 30/08/95. • Pronuncia-se em favor da tese contida nos arts. 165-I e 168-I, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 156-I, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. • 0 art. 3° da LC no 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do crN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do mesmo mandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação com o ADN/SRF n° 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 100-I e 103-1, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não lid na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP n° 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte para se considerar esse termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituida a decisão de primeira instância. 0 REsp da PFN foi admitido em 16/02/2005, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 44), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. 3 Intimado a apresentar suas contra-razões (vide - AR à folha 1119), não consta que o sujeito passivo tenha apresentado contra-razões. o relatório. Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator ad hoc - 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários A sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Versa a matéria trazida à apreciação desta Corte sobre o indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do FINSOCIAL cima de 0,5%, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE no 150.764-1, DJU de 02/03/93, especificamente quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância, em relação A matéria em foco, adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99 para, reconhecendo o direito do contribuinte ao crédito tributário (art. 165-1 cm), argüir que o mesmo prescreve após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (art, 168-1, C'TN) pelo pagamento (art. 156-1, ON). De modo diverso, a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, argüindo que o prazo de cinco anos para a restituição de indébito deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n.° 1.110/95, devendo os autos serem remetidos à instância a quo para exame de mérito. A Fazenda Nacional enfatizou os mesmos argumentos expendidos na decisão de primeira instancia, postulando pela sua restauração e pela reforma do acórdão recorrido. Observou-se, também, que a autoridade fiscal se manteve inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto A restituição do indébito (art. 165-I, CTN). Desde logo depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, de restituição do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo que se falar em decadência. Inicialmente, tem-se que, com o advento da MP n.° 1.110, publicada no DOU de 31 de agosto de 1995, o Poder Executivo admitiu a ineonstitucionalidade da fixação do termo a quo para contagem do prazo prescricional para fins de exigência do FINSOCIAL em percentual superior a 0,5%. Com isso, o tributo indevido ou pago a maior (art. 165-I, do CTN), relativamente ao Finsocial, passou a ser a ser assim considerado. Nesse mesmo sentido, o Parecer Cosit n.° 58, de 27/10/98, dispôs em seu item 27 que o prazo para o contribuinte não-participe de ação judicial possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação da MP n.° 1.110/95, para os casos dos incisos II a VII, do art. 17, de acordo com as hipóteses previstas no art. 18 da MP n.° 1.699-40/98, in verbis: 4 CS RF/T03 Fls. 189 Processo n° 13629.000601/98-09 Acórdão n.° 03-05.264 Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da Unido, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e inscrição, relativamente: iii — à contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art 9.° da Lei n.° 7.689, de 1988, na aliquota superior a zero virgula cinco por cento, conforme Leis n." 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de zero virgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto =Lei n.° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. cediço que o texto contido nas MP n.° 1.110/95 e 1.621-40/98, além de suas reedições sucessivas até o advento da lei n.° 1.522, de 19/07/01, não alude expressamente a hipótese de restituição de tributos, bem assim que restou estabelecido consoante o § 3.°, do artigo 18 dessa lei, que o disposto neste artigo não implicará restituição ex officio. Entretanto, não se pode olvidar do permissivo oficial contido no Parecer Cosit n.° 58/98, o qual estabeleceu o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da data da publicação da MP n.° 1.110/95, em 31/08/95, quando efetivamente nasceu o direito de o contribuinte postular perante a Administração Tributária a restituição/compensação de indébitos tributários. Inobstante o entendimento vazado pela Administração Tributária no Parecer Cosit n.° 58/98, foi publicado em 30/11/99 o Ato Declaratório n.° 96, arrimado no Parecer PGFN n.° 1.538/99, que pretendeu mudar o posicionamento acerca da matéria, ao dispor que o prazo para o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário (art. 165-1 e 168-1, do CTN). A posição emanada pela SRF em relação á. repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58/98, de 27/10/98, cujo reconhecimento expresso naquele Parecer referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa a esposar o novo entendimento a se contrapor Aquele adotado anteriormente. Decerto a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrario do que expôs o juizo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto a Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do transito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação A. prescrição, análise esta pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Note-se que a Secretaria da Receita Federal através da 1N/SRF n.° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2.° já havia convalidado a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Confins, com fundamento no art. 9.° da Lei n.° 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração. Tributária por meio desse ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no GIN, para assumir os contornos de direito plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 60, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Considerando que o posicionamento adotado pela SRF, em todos os pedidos protocolados até 30/11/99 deu-se com base na IN/SRF n.° 32/97 e no Parecer Cosit 58/98, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual, deve ser mantido esse entendimento para os casos ocorridos mesmo após a publicação do AD/SRF n.° 96/99, uma vez que reside na MP n.° 1.110/95 o reconhecimento do Poder Executivo, ao admitir que a exigência do Finsocial com a aliquota majorada acima de 0,5% era inconstitucional, de acordo com os dispositivos contidos no seu art. 17-111. CSRF/T03 Fls. 190 Processo n° 13629.000601/98-09 Acórdão n.° 03-05.264 Insubsistentes, portanto, os argumentos do d. Procurador com relação A. lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado em 15/12/98 (fls. 01/02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido, dá-se em 31/08/00, não havendo que se falar em decadência. Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento, retornando os autos a DRJ para exame das demais matérias. É assim que voto. Otacilio D s Cartaxo 4 7
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Numero do processo: 19515.003112/2006-44
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA
Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal, e que o contribuinte, demonstra ter perfeita compreensão dos fatos, quando exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE /CONSTITUCIONALIDADE.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário.
Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a
outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos.
A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do Direito Tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto devem ao convencimento do julgador.
MULTA QUALIFICADA.
A apuração de remessa de recursos para o exterior pelo contribuinte que ensejaram omissão de rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada.
Numero da decisão: 3301-000.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária
da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso.
Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator), José Raimundo Tosta Santos e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia
Matos Moura.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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TURMA/DRJSÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal, e que o contribuinte, demonstra ter perfeita compreensão dos fatos, quando exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE /CONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do Direito Tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. MULTA QUALIFICADA. A apuração de remessa de recursos para o exterior pelo contribuinte que ensejaram omissão de rendimentos em sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 12 /2 00 6- 44 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Declaração de Ajuste Anual, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator), José Raimundo Tosta Santos e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (18/10/2013), em substituição à Presidente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Conselheiro Adhoc na data de formalização da decisão (18/10/2013), em substituição ao Relator Eduardo Tadeu Farah NÚBIA MATOS MOURA RedatoraDesignada FORMALIZADO EM:18/10/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Nelson Luiz Mahfuz recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 3a TURMA/DRJSPO II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 240 a 261. Tratase de exigência de IRPF, que resultou no crédito tributário no valor de R$ 659.504,77, incluída a multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2006. A autuação é decorrente de omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Ressaltese que as informações financeiras foram originadas a partir dos arquivos magnéticos enviados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Attorney´s of the Country of New York) em atendimento à quebra de sigilo bancário autorizada pelo Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, no caso conhecido como “Beacon Hill”. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 249 3 Inconformado, o autuado apresentou impugnação fls. 177/195, na qual alega em resumo: (a) Que não elevou seu patrimônio ou efetivou aplicações financeiras que justificassem acréscimo patrimonial a descoberto em 2001. A presunção de ilícito fiscal constante dos autos não foi corretamente capitulada; (b) A acusação de aplicações maiores que as origens adveio de uma referência a seu nome (sem qualquer assinatura sua), localizada em documentos obtidos pela Polícia Federal. Assim, os valores movimentados no exterior por terceiros foram considerados aplicações suas. As acusações foram baseadas em presunção o que não é admitido. Supostamente figura como ordenante e não como beneficiário dos recursos. Um pagamento representa uma diminuição de patrimônio, não uma elevação, não se tratando, assim, de acréscimo do patrimônio do impugnante, mas de redução; (c) Não há provas que era o titular dos recursos pelo fato de que não foi o ordenante dos pagamentos descritos nos autos e desconhece a instituição financeira Merchant BankNI. Desconhece também a origem da acusação ou a razão pela qual o seu nome foi supostamente incluído em processo criminal no Paraná; (d) Impossibilidade de majoração da multa de ofício sem acusação específica de dolo, fraude ou simulação; (e) Ocorreu a decadência, pois o tributo foi antecipado pelo contribuinte, logo, aplicase o prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador; (f) A autuação é nula, afrontando princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Impossibilidade de acusar com base em “prova emprestada”; (g) Que antes da cobrança definitiva do crédito tributário, o contribuinte deve ter oportunidade de conhecer os fatos e informações sobre os quais se assenta o processo, ou seja, deve ter acesso aos autos do procedimento administrativo; (h) O processo somente se tornou disponível para vista do impugnante quatro dias antes da data limite para a apresentação da impugnação, prazo que não é suficiente para analisar os documentos; (i) O Termo de Verificação não dispõe de informações suficientes para uma defesa adequada, violando o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72. Não menciona de forma clara qual a acusação contra o impugnante que seja apta a justificar a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto; (j) Violação ao art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, uma vez que, foi a documentação financeira de outrem que gerou a instauração do presente processo e não o inverso. A DRJ proferiu Acórdão nº 1718.048, mantendo integralmente o lançamento que possui a seguinte ementa: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. Improcedente a alegação de cerceamento de defesa, uma vez não comprovado que a requisição de vistas aos autos tenha sido obstada por atraso do órgão preparador. Também deve ser afastada a preliminar de cerceamento de defesa, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do auto de infração, bem como os documentos anexados aos autos permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa, estando este configurado na impugnação apresentada. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PRELIMINAR. PROVA EMPRESTADA. Admitese no julgamento administrativo a apreciação de prova produzida em interesse de processo da esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos às remessas de recursos para o exterior. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir do imposto devido. Em seu Recurso Voluntário, Nelson Luiz Mahfuz, alega os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo: (a) Que recolheu IRPF em todos os meses do anocalendário 2001, devido a rendimentos de aluguel, justificandose a aplicação do art 150 § 4º do CTN; (b) Insurgese contra a decisão da DRJ, visto que considerou o fato gerador do IRPF como sendo anual e não mensal; (c) Impossível a formação da prova exigida pela autoridade julgadora de primeira instância, informando que a vista do processo foi negada. Enfatiza que foi concedido apenas o prazo de quatro dias para elaboração de sua defesa administrativa; (d) Que o Termo de Verificação Fiscal não justificou a majoração da multa. E a decisão de primeira instância presumiu que a abertura de conta corrente no exterior foi à Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 250 5 margem das normas do Banco Central. E ainda, nenhuma acusação foi feita no auto de infração, apenas na referida decisão, que não tem função de acusar; (e) Protesta pela produção de prova oral. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. PRELIMINARES NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Recorrente insurge contra a formação do auto de infração, bem como contra o Termo de Verificação Fiscal (fls. 154/162) que, segundo argumenta, não menciona de forma clara qual a acusação apta a justificar o acréscimo patrimonial a descoberto. Pelo que se vê dos autos foi incontestavelmente demonstrada a situação de fato que sustenta a hipótese de falta de recolhimento de tributos detectada. Em verdade, o que ficou demonstrado é que o contribuinte não ofereceu à tributação, a totalidade de suas receitas. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 154/161) contém minuciosamente a descrição dos fatos objeto do lançamento e pelo que se observa, o referido Termo foi amparado pelas provas constantes dos autos, pelas solicitações realizadas ao fiscalizado e pelas respostas oferecidas, nos quais se identificam com clareza os fatos que deram origem à autuação. Não há que se falar, portanto, em violação do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93). Assim sendo, a exigência fiscal foi efetuada em obediência aos ditames legais emanados pelo art. 142 do CTN. O Recorrente alega, ainda, que a vista do processo tornou disponível quatro dias antes do prazo limite para a apresentação da impugnação, tempo considerado insuficiente para analisar os documentos. Em verdade, pelo que se observa dos autos o Recorrente acompanhou sistematicamente a formalização da exigência através dos “Avisos de Recebimentos” (fls. 36 e Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 fls. 45), e por meio de seu procurador, João Paulo de Seixas Maia Krepel, (procuração fls. 48) que recebeu cópia integral das informações constantes dos autos (fls. 57). Ressaltese, ainda, que em 19/01/2007 Rafael Luchini Alves da Costa (procurador) também obteve cópia do processo. Assim, verificase que o contribuinte tomou conhecimento de todo o processo, tendo oportunidade de exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório, compreendendo os fatos que lhe foram imputados, o que se pode verificar através de sua Impugnação, bem como pelo Recurso Voluntário. Frisese, finalmente, que as causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, restringemse, no tocante ao auto de infração, à lavratura por servidor incompetente e, quanto às decisões, às proferidas com preterição do direito de defesa. Ressalta se também o art. 60 do referido decreto. Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60 – As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, não se vislumbra hipótese de cerceamento do direito de defesa capaz de anular o feito. DECADÊNCIA E APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ANUAL Suscita o Recorrente, ter ocorrido decadência, visto que recolheu o imposto de renda em todos os meses do anocalendário 2001, justificandose a aplicação do art 150 § 4º do CTN. Insurge, ainda, contra a decisão da DRJ, que considerou o fato gerador do IRPF como sendo anual e não mensal. Pelo que se extrai dos autos a preliminar de decadência argüida pelo Recorrente deve ser rejeitada, senão vejamos: As alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar e antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN. Nesse sentido a entrega da declaração de rendimentos representa um mero cumprimento de obrigação acessória, mormente para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária. Esta modalidade de lançamento impõe ao sujeito passivo, em caso de ocorrência do fato gerador, a obrigação de apurar o imposto correspondente e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. Todavia, a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada, em bases mensais e tributada na Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 251 7 declaração de ajuste anual, pois não se pode presumir a natureza da fonte ou o regime de tributação dos rendimentos omitidos. No decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio do pagamento do carnêleão, o imposto que será apurado em definitivo, quando do encerramento do anocalendário (31/12/2001). Assim, durante o anocalendário, o sujeito passivo submete à tributação os rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da declaração de ajuste anual. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído, por ser do tipo complexo (complexivo), completando, portanto, no último dia do ano. Na tributação de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, a autoridade lançadora levanta as mutações patrimoniais, verificando as origens e aplicações de recursos e a diferença negativa, apurada em cada mês, é somada e aplicada à tabela progressiva anual. Com efeito, o fato gerador do acréscimo patrimonial a descoberto perfazse em 31 de dezembro de cada ano. Esse entendimento está pacificado no Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementa a seguir transcrita: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APURAÇÃO MENSAL – A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto, apurada mensalmente na forma prevista na legislação de regência, deve ser tributada, no ajuste anual, tomandose por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do anocalendário. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria desobedecida a determinação legal que estabelece o momento do fato gerador. Acórdão 10247273. Sessão: 08/12/2005. (grifei) Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2001 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciouse em 01 de janeiro de 2002, e considerando o lapso temporal de cinco anos, para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2006. Destarte, não ocorreu decadência. ILEGITIMIDADE PASSIVA Não há que se falar em ilegitimidade passiva de parte da autuada, se por ocasião dos fatos geradores da obrigação tributária o contribuinte tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador. Esta afirmativa restou comprovada através da Representação Fiscal nº 486/05, descrevendo as operações em que a pessoa física “Nelson Luiz Mahfuz, aparece como ordenante de divisas no exterior no valor de US$ 315.000,00 ou R$ 787.130,50 (fls. 136), distribuídas ao longo de setembro a dezembro de 2001, por meio de conta mantida ou administrada por” Beacon Hill Service Corporation – BHSC “. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Os valores constantes da relação obrigacional tributária são decorrentes das informações extraídas das mídias eletrônicas e demais laudos oficiais constantes dos autos e não da vontade do contribuinte. Assim, existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – PROVA EMPRESTADA O Recorrente alega violação ao art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, uma vez que, a documentação financeira de outrem gerou a instauração do presente processo e não o inverso. Inicialmente, transcrevo o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A Lei Complementar nº 105/2001 se reporta expressamente ao cabimento de obtenção, pela autoridade Fiscal, de informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes quando em curso procedimento fiscal instaurado, como se verifica neste caso. Por outro lado, não se pode falar em empréstimo da prova casual, pois as provas préconstituídas já existiam no mundo jurídico mesmo antes da sua apresentação em juízo, possuindo, portanto, força probatória seja qual for o processo em que seja apresentado. Ademais, os documentos probantes foram franqueados à Receita Federal por força de uma decisão judicial proferida pelo Meritíssimo Juiz da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Dr. Sergio Fernando Moro (fls. 96) e encaminhado à Equipe Especial de Fiscalização por meio do Oficio n° 248/2004 (fls. 99). Destarte, devem ser rejeitadas as preliminares suscitadas pelo Recorrente. MÉRITO RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE DO EXTERIOR O contribuinte não assume que efetuou as remessas ao exterior objeto da Representação Fiscal nº 486/05 e do Laudo nº 1.258/04, calcando sua defesa na inexistência de provas. De pronto, cabe ressaltar que o presente trabalho fiscal teve origem a partir dos arquivos magnéticos enviados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Attorney´s of the Country of New York) em atendimento à quebra de sigilo bancário autorizada pelo Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, no caso conhecido como “Beacon Hill” fruto de investigações anteriores da Polícia Federal juntamente com o Ministério Público Federal. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 252 9 Pelo que se verifica a Equipe Especial de Fiscalização (Portaria SRF nº 463/04), emitiu a Representação Fiscal nº 486/05, descrevendo as operações em que a pessoa física “Nelson Luiz Mahfuz, aparece como ordenante de divisas no exterior no valor de US$ 315.000,00 ou R$ 787.130,50 (fls. 136), distribuídas ao longo de setembro a dezembro de 2001, por meio de conta mantida e administrada por “Beacon Hill Service Corporation – BHSC”. Face os fundamentos invocados por ocasião do julgamento de primeira instância, peço vênia a ilustre relatora para reproduzir parte do voto proferido no Acórdão 17 18.048, da 3ª Turma da DRJ São Paulo II, que reafirma ser o contribuinte beneficiário do rendimento: “No item 31 do Laudo (fls. 111verso) é esclarecido que as planilhas foram gravadas em um tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, tendo sido procedida, inclusive, a uma autenticação eletrônica dos arquivos. O Laudo e a mídia gravada representam fielmente todos os documentos citados no próprio Laudo e os dados constantes em anexo, por sua vez, reproduzem – até pela impossibilidade de sua alteração, conforme salientado , dados constantes da mídia. Além disso, o Laudo nº 128/2005 é minucioso em esclarecer todos os procedimentos de análise de que decorreram suas conclusões. Tanto assim que os Srs. Peritos tiveram o cuidado de oferecer, em vernáculo, o significado das expressões em língua estrangeira e dos códigos eletrônicos utilizados nas ordens de pagamento: Data: data da efetivação da transação; Valor: valor da transação expresso em dólares norte americanos; a5000_org: ordenante; a3100_name: banco remetente. Conquanto o contribuinte alegue que não existem provas de que tenha ele realizado ordens de pagamentos, essa não é a verdade dos autos, uma vez que, como se vê das reproduções das citadas ordens de pagamentos (fls. 29/31verso e anverso e 32anverso), seu nome e o de sua esposa, Gladys Nunes Mahfuz, constam expressamente no campo denominado “ordenante” de todas as transações especificadas no ano de 2001, na conta nº 9006556, denominada HARBER, bem como a indicação do endereço Av Horácio Lafer, 555 – apto 181 – São Paulo. Esclareçase que o contribuinte não possui homônimos e que o endereço em questão confere com o fornecido pela Telefônica em seu nome, segundo pesquisa efetuada pela Fiscalização e anexa às fls. 150, tendo sido relacionado também em sua Declaração de Bens constante da DIRPF/2002 (fls. 39). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Ressaltese ainda que, considerando todas as cautelas que costumam cercar as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome do contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros, conforme alegado. Outrossim, verificase que não há qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida, seja perante a Polícia ou perante o Poder Judiciário, para verificação da utilização indevida de seu nome nestas operações.” É certo, pois, que a documentação acostada aos autos, comprova ser o contribuinte ordenante das referidas operações e instado a esclarecer, optou por silenciar, sem nada esclarecer. Portanto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS O contribuinte alega que a autoridade autuante deixou de observar alguns princípios constitucionais quando da formalização da exigência. As argüições de ofensa aos princípios constitucionais de normas legitimamente positivas em nosso sistema legal exorbitam à competência legal do órgão julgador administrativo, integrante da estrutura hierárquica do Poder Executivo e ao qual não cabe analisar a validade ou razoabilidade daquelas normas, mas, apenas, zelar pela sua correta inteligência e adequada aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação. Assim sendo, tais argumentos não devem ser apreciados por este julgador administrativo. DOUTRINAS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS CITADAS O contribuinte acrescenta ao Recurso Voluntário, diversas doutrinas e decisões judiciais e administrativas, como argumentos de combate ao lançamento. Todavia, a doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do Direito Tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. As decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise vinculando, apenas, as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. MULTA QUALIFICADA O Recorrente alega ser incabível a aplicação da multa de 150%, visto que, não há nos autos nenhum elemento que pudesse demonstrar ter havido dolo ou intuito de fraude. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 253 11 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 159), a autoridade fiscal qualificou a multa em função da ocorrência, em tese, de situação configurada como crime. Para elucidar a questão, transcrevese a seguir o art. 44 inciso II da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em função da previsão legal supracitada, para que a multa seja qualificada e, conseqüentemente, elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado a partir de elementos probatórios carreados aos autos pela fiscalização. A autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos. É inegável que a presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos, todavia, não pelo “evidente intuito de fraude”. Nessa linha de raciocínio, podese concluir que a omissão de rendimentos, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da penalidade. Assim, para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova, pressupondo dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. Esse é o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os seguintes julgados: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTASomente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula nº 14 deste Primeiro Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito de fraude. (Acórdão 106 17037, sessão de 10/09/2008, Rel. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti). LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. Se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 10418487, Sessão de 06/12/2001, Rel. Nelson Mallmann). Assim, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%, na forma do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo. Ante o exposto, voto por REJEITAR as preliminares e no mérito DAR provimento parcial ao recurso, reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%. É como voto. Em 18 de outubro de 2013 HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Conselheiro Adhoc, em substituição ao ConselheiroRelator Eduardo Tadeu Farah Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.003112/200644 Acórdão n.º 3301000.021 S3C3T1 Fl. 254 13 Voto Vencedor Conselheira NÚBIA MATOS MOURA , Redatoradesignada Com a devida vênia discordo do ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito às suas conclusão sobre a existência nos autos de documentos que comprovem de forma inequívoca que o contribuinte efetuou as remessas de recursos ao exterior, conforme discriminado nas planilhas, fls. 53/56, elaboradas pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04. Para o estudo que se propõe vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Devese, ainda observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte (se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação). No presente caso, a autoridade fiscal, assim como o ilustre relator vencido, entendem que as planilhas, fls. 53/56, elaboradas pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04 aliadas ao Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 128/2005INC, fls. 107/113, produzido pelo Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Federal são suficientes para comprovar que o contribuinte foi de fato o ordenante das remessas indicadas nas referidas planilhas. De pronto, vale destacar que tais planilhas, em que pese ter sido elaboradas por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova bastante para garantir que o contribuinte de fato tenha realizado as operações ali indicadas. Já o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 128/2005INC não menciona o nome do recorrente, contudo, podese supor que as planilhas, elaboradas pela Equipe de Fiscalização, tenham sido extraídas dos anexos do referido laudo, que por sua vez foram extraídos das mídias computacionais obtidas das autoridades americanas. Frisese que os anexos do referido Laudo não foram acostados aos autos. Podese, portanto, concluir que os dados do contribuinte (nome, endereço, cônjuge) constam das referidas mídias computacionais. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Assim sendo, temse que as provas, carreadas aos autos pela autoridade fiscal, são, sim, suficientes para comprovar de forma incontestável que as operações ali indicadas efetivamente ocorreram e que o nome do contribuinte de fato ali foi mencionado. Ou seja, de fato as quantias ali especificadas foram remetidas ao exterior e o nome do contribuinte é mencionado na qualidade de ordenante das remessas de recursos ao exterior. Contudo, a despeito de tudo até aqui mencionado, há de se concluir que tais provas são insuficientes para comprovar que o contribuinte seja de fato o ordenante das remessas. Veja que o recorrente não é titular ou responsável pela conta movimentada no exterior e a simples menção de seus dados (nome, endereço, cônjuge) na qualidade de ordenante nas remessas de recursos ao exterior pode ser tomada como indício bastante forte de que o recorrente provavelmente é o ordenante de todas as operações apontadas no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte. Frisese que não consta a assinatura do recorrente em nenhum dos documentos apontados pela autoridade fiscal como prova incontestável de sua responsabilidade, na qualidade de ordenante das remessas de recursos ao exterior. Portanto, cabia a autoridade fiscal aprofundar as investigações, partindo de tais evidências, de modo a propiciar a competente comprovação da infração imputada ao contribuinte. Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o contribuinte realizou todas as remessas de recursos ao exterior, de sorte que não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos evidenciada por acréscimo patrimonial a descoberto. Ante o exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de março de 2009. NÚBIA MATOS MOURA Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 10/2013 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10845.001730/2001-39
Data da sessão: Mon Jun 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jun 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000
ART. 45 E 46 DA LEI N° 8212/91. INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Consoante a Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008,
são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência de crédito tributário.
Numero da decisão: CSRF/01-05.864
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que assam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Luciano de Oliveira Valença
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 ART. 45 E 46 DA LEI N° 8212/91. INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Consoante a Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência de crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que assam a integrar o presente julgado. AN ONI• PRAGA 4, Presidente __--1;) (. C ( ala/ 1 LUCIANO DE OLIV RA VALE ÇA Relator O 1 SE T 2009Formalizado em: - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Clóvis Alves, José Carlos Passuello, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto, Valmir Sandri (Substituto Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho e Hugo Correia Sotero (Substituto Convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Carlos Alberto G. Nunes e Alexandre Andrade L. da F. Filho. ..A.1 1 Processo n° 10845.001730/2001-39 CSRF/T01 Acórdão n.° 01-05.864 Fls. 211 Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio de Procurador da Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n°105-16.013, às fl. 157/168, cientificada em 29/03/2007, interpôs Recurso Especial às fl. 171/190, em 30/03/2007, com fulcro no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16/03/1998, vigente à época. No acórdão recorrido, a Primeira Câmara, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL relativa aos fatos geradores ocorridos até junho de 1996, e, no mérito, negou provimento ao recurso por unanimidade de votos. O voto vencedor entendeu ser aplicável às referidas contribuições para fins de contagem do prazo decadencial o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Transcrevo a ementa do acórdão na parte que concernente ao recurso especial: "CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — DECADÊNCIA - As contribuições sociais, embora não compondo o elenco dos impostos, têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem especificas. Em face do disposto nos arts. 146, III, "h" e 149 da CF/88, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional." A recorrente asseverou, em resumo, que: • a decisão recorrida contrariou frontalmente o disposto no art. 45 da Lei n° 8212, de 1991; • ao julgar inaplicável o art. 45 da Lei n° 8.212/91, a câmara recorrida declarou a inconstitucionalidade da norma, ultrapassando a competência estabelecida no art. 22A do RICC (com redação dada pela Portaria MF n° 103/2002). Afastar a aplicação de norma nada mais significa que declarar a sua inconstitucionalidade, consoante entendimento do STF (RE 179.170-5 Ceará). Não há como afastar a lei sem declará-la inconstitucional; • o art. 45 é norma especial frente ao CTN. Este, em seu art. 150, §4° prevê a edição de norma específica que estipule prazo decadencial para a homologação do pagamento; • o art. 45 não se limita a estipular, apenas ao INSS, o prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social, mas se refere aos sujeitos ativos desses tributos, dentre eles a Receita Federal. 2 Processo n° 10845.001730/2001-39 CSRF/T01 Acórdão n.° 01-05.864 Fls. 212 Mediante o Despacho n° 105-118/2007, às fl. 192/193, o presidente da câmara recorrida deu seguimento ao recurso por entender atendidos os pressupostos legais de admissibilidade. Cientificado do acórdão, do recurso especial e do despacho por meio do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 198, em 10/05/2007, o contribuinte apresentou contra-razões em 25/05/2007 (por via postal — fl. 206), às fl. 200/203, onde argumentou, em síntese, que a decadência em exame deve seguir as regras do CTN (art. 150, § 4°), vez que a CSLL é administrada pela Receita Federal do Brasil e é tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, enquanto que apenas as contribuições administradas pela Previdência Social estão submetidas ao disposto no art. 45, da Lei n° 8212/91. É o relatório. 3 Processo n° 10845.001730/2001-39 CSRF/T01 Acórdão n.° 01-05.864 Fls. 213 Voto Conselheiro LUCIANO DE OLIVEIRA VALENÇA, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. As contra-razões são tempestivas, razão pela qual serão apreciadas. A questão submetida à apreciação deste colegiado consiste na pretensão da recorrente em ser afastada a decadência do crédito tributário da CSLL relativo aos fatos geradores ocorridos até junho de 1996, uma vez que, no seu entender, deve ser aplicado o disposto no art. 45 da Lei n° 8212/91 para fins de contagem do prazo decadencial. O Supremo Tribunal Federal aprovou a Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008, que assim dispõe: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Tal súmula vincula a administração direta federal, consoante o art. 2° da Lei n° 11.417/2006 abaixo transcrito: "Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei." Em vista disso, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 23 de ju.. o de 2008. .7/411V LUCIANO DE OLIVEIRA VALEN . A 4
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Numero do processo: 10314.004902/2001-24
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 03/07/2001
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau
de jurisdição.
MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN.
A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº. 4.502/64 não tem natureza tributária, constituindo-se em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN.
Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Luiz Feistauer de Oliveira – Relator ad hoc
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 03/07/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição. MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN. A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº. 4.502/64 não tem natureza tributária, constituindo-se em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-11-03T20:15:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: 10314004902200124_José Angelo Pinto_versão final; xmp:CreatorTool: PDFCreator 2.1.2.0; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: Irene; dcterms:created: 2015-11-03T20:15:44Z; Last-Modified: 2015-11-03T20:15:44Z; dcterms:modified: 2015-11-03T20:15:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: 10314004902200124_José Angelo Pinto_versão final; xmpMM:DocumentID: uuid:2950ad99-84c3-11e5-0000-11223a88b340; Last-Save-Date: 2015-11-03T20:15:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator 2.1.2.0; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-11-03T20:15:44Z; meta:save-date: 2015-11-03T20:15:44Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 10314004902200124_José Angelo Pinto_versão final; modified: 2015-11-03T20:15:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Irene; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Irene; meta:author: Irene; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-11-03T20:15:44Z; created: 2015-11-03T20:15:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-11-03T20:15:44Z; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: Irene; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-11-03T20:15:44Z | Conteúdo => S3-C2T2 Fl. 1 1 S3-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.004902/2001-24 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202-00.193 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de outubro de 2010 Matéria IPI. MULTA REGULAMENTAR. Recorrente JOSÉ ANGELO PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 03/07/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição. MULTA REGULAMENTAR. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE DO §4º DO ART. 150 DO CTN. A multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº. 4.502/64 não tem natureza tributária, constituindo-se em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado. Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI – Presidente atual Fl. 190DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI 2 JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luís Novo Rossari (presidente à época), João Luiz Fregonazzi, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente, justificadamente, o conselheiro Rodrigo Miranda Cardozo. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório da decisão recorrida, o qual se passa a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/11/2001, no valor de R$ 20.000,00, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da MULTA prevista no Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, em face dos fatos a seguir descritos. 1) O contribuinte acima qualificado, através do Processo Administrativo 10880.043787/90-83 – DENÚNCIA ESPONTÂNEA, com fulcro no artigo 138 do Código Tributário Nacional, solicitou ao Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo, a regularização fiscal de um veículo Mercedes Bens, Modelo 230, ano de fabricação 1987, Chassi No. WDB124026-1A-410185; 2) Em despacho fundamentado, nos autos daquele processo (fls. 62), o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo indeferiu a solicitação e determinou a autuação do primeiro adquirente e atual proprietário do veículo no artigo 463,I e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados; 3) Através de sentença prolatada em sede do Mandado de Segurança No. 92.003255-9, foi concedida segurança para que a autoridade coatora providenciasse a devida regularização do veículo. 4) No corpo do Auto de Infração, deixa-se claro que não se trata de caso de concomitância, uma vez que objeto daquele litígio é diverso do objeto da autuação; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento da MULTA prevista no Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, prevista no artigo 463,I do Regulamento do Imposto de Produtos. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 29/08/2002 (fls. 1-frente), o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores (Instrumento de Mandato às fls. 24), protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 24/09/2002, de fls. 19 à 23, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: 1) Não adquiriu o produto mencionado, nem tampouco solicitou o cálculo dos tributos devidos; 2) Foi vítima de estelionatários; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10314.004902/2001-24 Acórdão n.º 3202-00.193 S3-C2T2 Fl. 2 3 3) No presente processo há o uso de documentação falsa, falsificação de outorga de sua procuração a uma pessoa desconhecida, e ao arrepio da Lei ingressaram em seu nome com o Mandado de Segurança No. 92.003255-9 e com a solicitação do Processo Administrativo 10880.043787/90-83 – DENÚNCIA ESPONTÂNEA; 4) Atribui a responsabilidade desses ilícitos ao Sr. Paulo Augusto Tasser e ao seu cúmplice, (suposto procurador) informando que ingressará com a oportuna “Queixa-Crime”; 5) Argüi prescrição e decadência, uma vez que o fato gerador ocorreu no exercício do ano de 1.990, conforme constatado no próprio Processo Administrativo 10880.043787/90-83 de denúncia espontânea; 6) Solicita sua exclusão do pólo passivo por ser vítima de uma transação fraudulenta; 7) Pede a suspensão do presente Auto de Infração para que possa provar a sua inocência junto ao Poder Judiciário; Pugna improcedência do Auto de Infração por ilegitimidade. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPO-II entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 651, de 22/03/2007, indagando se foi proposta ação penal por parte do Ministério Público Estadual em nome do Sr. Paulo Augusto Tasser e outro em função dos fatos aqui alegados pelo Sr. José Ângelo Pinto, bem como o seu resultado. Encerrada a instrução processual, intimou-se a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 28/08/2007 (fls. 46-verso), o interessado manifestou-se no sentido de não ter efetuado qualquer queixa-crime em relação ao uso indevido do seu nome, conforme foi apregoado em sua impugnação.” A DRJ-São Paulo-II/SP julgou procedente o lançamento (efls. 118/134), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 03/07/2001 Infração ao artigo 463,I e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto 2.637/98. O impugnante alega não ter adquirido o produto, sendo vítima de estelionatários. Permaneceu inerte em trazer fatos que dessem azo à sua alegação de que seu nome teria sido usado indevidamente, sendo assim vítima de fraude. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI 4 Por ser um bem durável, seu consumo se protrai no tempo. Portanto, o uso contínuo de um veículo, importa conseqüentemente no seu consumo. Lançamento procedente Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 148/168), alegando, em apertada síntese: a) preliminarmente, suscita ter ocorrido decadência. Entende que, por força dos arts. 113 e 115 do CTN, a multa aplicada tem natureza tributária. Desta forma, o lançamento somente poderia ter sido efetuado em até 5 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Tendo o automóvel ingressado no território nacional em 1987, a Fazenda Pública teria apenas até o dia 31/12/1992 para efetuar o lançamento do crédito tributário, tanto em relação ao principal quanto ao acessório, sendo incabível a lavratura do Auto de Infração em 14/11/2001, em razão da decadência. Alega, ainda, que, mesmo que se entenda que a multa aplicada não tem natureza tributária, ainda assim estaria sujeita ao prazo de 5 anos, nos termos do art. 54 do Decreto-Lei nº. 37/66; b) que a infração de “consumo” de produto estrangeiro, prevista no inciso I, do artigo 463, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637/1998, somente é aplicável às pessoas jurídicas. Isto porque as atividades vinculadas ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas, assim como quaisquer outras relativas a operações decorrentes do comércio exterior, somente podem ser realizadas por importadores ou por seus representantes, que devem ser previamente habilitados e credenciados pela Secretaria da Receita Federal. Demais disso, afirma que as pessoas físicas não estão sujeitas à incidência do IPI nas operações de importação. Por tais razões, entende que não praticou nenhuma das condutas tipificadas no inciso I do artigo 463, do Regulamento do IPI capaz de ensejar a lavratura do presente Auto de Infração, de forma que a exigência fiscal não deve subsistir; c) suscita inobservância ao art. 142 do CTN, vez que o Auto de Infração sequer identificou o momento exato do fato gerador da obrigação tributária, restando consignado o dia 07/11/2001 como data do fato gerador, sendo que o bem ingressou no território nacional em 1987. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, para que, preliminarmente, seja reconhecida a decadência e, no mérito, seja cancelada e, no mérito cancelada a multa que lhe está sendo imposta, por ausência dos pressupostos legais, bem como pela ilegalidade do ato do lançamento do crédito tributário ora efetuado, por não preencher os ditames do artigo 142 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente Fl. 193DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10314.004902/2001-24 Acórdão n.º 3202-00.193 S3-C2T2 Fl. 3 5 de formalizar o Acórdão nº. 3202-00.193, em razão de o relator original deste processo, o ex- conselheiro Heroldes Bahr Neto, não mais integrar nenhum dos Colegiados deste Conselho. Desta forma, tem-se que a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele se conhece. Na impugnação (efls. 40/48), as questões de defesa trazidas limitaram-se às seguintes: (a) ocorrência de decadência; (b) exclusão do contribuinte do pólo passivo, em razão de ter sido vítima de estelionatários, que usaram documentos com falsificação de sua assinatura; e (c) no mérito, alegou que não adquiriu nenhum veículo, tendo em vista que sua renda declarada no IRPF era incompatível com o valor do bem. No recurso voluntário, o recorrente trouxe matérias absolutamente estranhas àquelas abordadas na impugnação: alegou que não houve subsunção dos fatos à norma que supostamente infringida (item “b” do Relatório acima) e que a lavratura do Auto de Infração não obedeceu às disposições do art.142 do CTN (item “c” do Relatório acima). Acontece que em nenhum momento essas matérias foram alegadas como defesa na impugnação, razão pela qual sequer foram objeto de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituem-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazê-lo posteriormente, pois, nesta hipótese, opera-se o fenômeno jurídico denominado de preclusão. Não tendo sido as matérias deduzidas quando do oferecimento da impugnação, é defeso ao contribuinte inovar em fase recursal, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, enfrentada pela autoridade julgadora a quo, vez que os limites do litígio, na forma estabelecida no art. 14 do Decreto nº. 70.235/72, são definidos na impugnação, não restando instaurado o litígio em relação à matéria não impugnada. Daí que, como as razões de defesa trazidas no recurso voluntário acima identificadas não foram deduzidas a tempo, quando do oferecimento da impugnação, em primeira instância, não se pode delas conhecer. Em relação à alegada decadência, há de se concordar com o voto proferido pela DRJ-São Paulo II, por seus próprios fundamentos, vez que a multa aplicada, prevista no art. 83, inciso I da Lei nº. 4.502/64, não tem natureza tributária, constituindo-se em multa de natureza administrativa, instituída para punir violações ao controle aduaneiro de importações, não se submetendo à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN, conforme pretende a recorrente. Por tais razões, o relator original conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negou provimento ao recurso. Essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto Fl. 194DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI 6 José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOE L MIYAZAKI
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Numero do processo: 10715.000027/2010-80
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 24/02/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2006 a 24/02/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 27 /2 01 0- 80 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 35.000.00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada registrou a destempo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no mês de fevereiro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo de fl. 09, descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN SRF n° 28/1994, alterado pelo artigo I o da IN SRF n° 510/2005, tendo em conta que o inciso II do artigo 39 da mencionada norma (IN SRF n° 28/1994) considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada (fls. 11/12), a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 23, acompanhada dos documentos de fls. 24 a 56, para, ao final, "requerer seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade pela Autoridade impugnada, assim como às constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX, fatos que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados. Ainda assim, caso não seja aceita tal argumentação, subsidiariamente, requerse a nulidade das multas decorrentes dos embarques datados em 02.02.06 e 10.02.06, já que seus registros ocorreram no prazo de 02 dias, conforme nova regulamentação instituída pela IN 510/05".. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 5 4 106. II. do Código Tributário Nacional e a aplicação de multa singular em virtude da continuidade delitiva. É o Relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 7 6 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 8 7 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 9 8 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 10 9 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto a alegação de aplicação de multa singular entendo que não assiste razão à recorrente uma vez que o aspecto material da penalidade é deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que, por não estar expressamente consignado, poderia levar a interpretação de que a multa deveria ser aplicada a cada carga transportada (identificada por diferentes Declarações para Despacho de Exportação), mas que numa interpretação mais benéfica ao contribuinte entendese que a imposição da multa do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 deve ser aplicada uma única vez, por cada veículo transportador, ou seja, por viagem, conforme considerou a fiscalização, mas nunca uma aplicação de multa singular para embarques diversos, devendo ser aplicada para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo. Essa matéria já foi enfrentada em julgamentos anteriores desse conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário:2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 11 10 IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 13 12 modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3801005.350 S3TE01 Fl. 14 13 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13433.000209/2009-71
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/12/2004
VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. REQUISITOS.
Consideram-se destinadas ao fim especifico de exportação as mercadorias que, consoante o Decreto-Lei n° 1.248/72, forem diretamente embarcadas para exportação ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-00.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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Rodrigo da C ssas ente. S3-C3T1 1-1 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 134.3.3.000209/2009-71 Recurso n" 508.747 Voluntário Acórdão n" 3301-00.695 — 3" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 01 de outubro de 2010 Matéria PIS e Cofins Recorrente AQUARIUM - AQUICULTURA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/12/2004 VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. Consideram-se destinadas ao fim especifico de exportação as mercadorias que, consoante o Decreto-Lei n° 1.248/72, forem diretamente embarcadas para exportação ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. R) Mauricio "F veita e Silv - elator. EDITADO EM: 27/10/2010 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva (Relator), Rodrigo Perch a de Mello, Maria Teresa Martinez Lopez e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Relatório AQUARIUM - AQUICULTURA DO BRASIL LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 4731474, contra o acórdão n" 11-26.174, de 11/05/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, fls. 454/464, que considerou procedentes em parte os lançamentos de fls. 33/36 e 43/46 de PIS e Cofins, por falta/insuficiência de recolhimento dessas contribuições, relativas a períodos compreendidos entre maio/2002 a dezembro/2004, cuja ciência ocorreu em 12/05/2005, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Contra a empresa . já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fls. 33/36 e 43/46 do presente processo, que foram juntados por anexação ern cumprimento it disposição contida no art 2" da Portaria SRF n" 6.129, de 02 12,2005, para a exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos já mencionados Valores em Real Crédito Tributário PIS COFINS Contribuição 88,309,65 407.583,49 Juros de Mora 26.735,94 123.397,35 Multa Proporcional 66.232,12 305.687,51 TOTAL 181.277,71 836.668,35 2 De acordo com as infounações comidas nos Termos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanham os refinados Autos de Igfração, Ibram apuradas as seguintes it regularidades praticadas pela empresa autuada, emtelaçâo às contribuições do PIS e da Co fins: falta ou insuficiência de recolhimento das mesmas cujos valores foram obtidos nos livros Razão, Diário e Registry de Apuração do 'CMS e nas DCTF e DIPJ 3 IncomYrnzada com as autuações, a contribuinte, por seu sócio administrador, api es catou a impugnação, de fl 418, anexou cópias de documentos, alegando, em sintese, que: 3.1 — o agente fiscal em suas considerações gerais, alega que as empresas . CINA — Companhia Nordeste de Aqiiicultura e Alimentação; BRAMEX — Brasil Mercantil S/A,. Crustáceos do Brasil Ind. E' Corn. Lida; Frigromaris Lida, para as qu efetuadas vendas com o fim especifico de exportação, ão so. empiesas comerciais exportadoras em suas ativ principais, fato que den origem aos débitos tribtatirios ins cri no referido auto de infiação, 3 2 — as empresas citadas, efetuaram as expo; tações das mercadorias a elas vendidas por esta emnpm esa, confiorme ficou comprovado ali avés dos memorandos de exportação apresentados no decorter do processo de fiscalização; 3 3 — fica evidenciado que como essas empresas efetuaram as exportações, estavam credenciadas e registradas no Órgão competente paia tal operação Além disso, o fato de sua atividade principal, new ser de empresa comercial exportador a, 2 aza d Processo n" 13 ,133.000209/2047 I S.3-C311 Fl 2 AcCrulao ti " 3301-00,695 não inibe o fato de ter em seu contrato social a atividade de exportação; . 3.4 — confbrine determina a Lei Kandir, coin o objetivo de incentivar as expor/ações, que foi para isso que ela foi cilada, as expoi loções dir etas ou inda etas, são isentas de iodo e qualquer imposto nos âmbitos municipal, estadual e federal; 3 5 — assim, as operações realizadas pela Impugnante estão de acordo coin o que determina a legislação em vigor, enquadrada no beneficio da isenção, excluindo a base de cálculo de todos os tributos, utilizada para seu cálculo A DR]. houve por bem excluir do lançamento os períodos de dezembro/2002 a dezembro/2004 em relação ao PIS e de fevereiro a dezembro/2004, em relação à Cofins, pois, nesses períodos, a contribuinte estava obrigada ao recolhimento dessas contribuições pelo regime no cumulativo, em razão de ser tributada no imposto de renda pelo lucro real. Contudo, o autuante adotou na apuração das diferenças das duas contribuições, equivocadamente, a sistemática anterior aplicando as aliquotas de 0,65% e .3% sobre a receita bruta. O acórdão restou assim ementado: Assunto Contribuição para o P1S/Pasep Período cio apuração: 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/12/2004 PIS - ISENÇÃO. Indispensável a comprovação de que as vendas efetuadas coin o firit especifico de exportação sejam implementadas para empresas exportadwas registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indástria, do Comér cio e do Turismo, ou para enwesas que sejam coastiluidas nos termos do Decreto- lei 1,248/1972 PIS- BASE DE CALCULO, Coin a edição da Lei 9,718/1998 a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS A fidta ou insuficiência de recolhimento da Cofiar infração que autoriza a lavartura do competente infração, para a constituição do crédito tributário. PIS NÃO CUMULATIVO, Corn o advento da Lein" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda con: base no lucro real passaram a ser tributadas pelo PIS cam a incidência não - cumulativa, o qual passou a viger a partir de 1" de 3 dezembro de 2002. Dessa forma, a pm tir daquela data, estando o contribuinte enquadrado na situação relerenciada, torna-se improcedente o lançamento tributário coriespondente à referida contribuição efetuado de . forma diversa da estabelecida por aquele dispositivo legal Assunto • Contribuição pa, a o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Period() de apuração 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/12/2004 COFINS - . ISENÇÃO. Indispensável a comprovação de que as vendas efetuadas com o fim especifico de exportação sejam implementadas para empresas exportadoras registradas na Sect etai ia de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, ou para empresas que sejam constituídas nos termos do Decreto- lei 1.248/1972 COF1NS- BASE DE CALCULO. Com a edição da Lei 9.718/1998 a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa sendo irrelevanies o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS A Pita ou insuficiência de recolhimento da Co/ins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de ii?fiação, para a constituição do crédito uibutário. COP:INS NÃO CUMULATIVO. Coin o advento da Lei n°10.833, de 29 de dezembi o de 2003 as pessoas juridicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real passaram a ser tributadas pela CONS' com a incidência não - cumulativa. Dessa forma, de acordo com o art. 93, inciso I, do mesmo dispositivo legal, a partir de 1" de fevereiro de 2004, as pessoas juridicas enquadradas na situação referenciada estarão sujeitas ao recolhimento da Colins na firma nela estabelecida, tornando-se improcedente, portanto, o Lançamento tributário correspondente, efetuado nos moldes da legislação ante,. Lançamento Procedente em Parte Tempestivamente, em 25/09/2009, a contribuinte protocolizou re voluntário de fls. 473/474, alegando que, tendo cm vista a dificuldade de obter dados relação a comprovação de que as empresas citadas no item 1, se enquadram no que determina legislação, para usufruir do beneficio da isenção, com base no art, 333, parágrafo único e incisos, do CPC, a própria SRF deverá buscar em seus arquivos cadastrais as comprovações aludidas neste processo. Assinala que, devido ao grande volume, os documentos fiscais encontram-se a disposição deste Conselho, mediante requisição. Registra, ainda, que não se levou em consideração os memorandos de exportação, de modo a comprovai que os produtos foram de fato exportados.. 4 Process() n" 13433 000209/2009-71 S3-C3T1 ike6RIZio " 3301-00.695 H 3 Por fim, requer seja julgado improcedente o auto de inflação. o RelatOrio. Voto Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibi li dade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme registra o Termo de Encerramento de fls.. 53/56 a contribuinte atua no ramo de criação de camarões e comercializa os camarões corn as quatro empresas que menciona, dentre as quais, nenhuma é comercial exportadora, bem assim, a contribuinte não exporta diretamente seu produto . Registra, ainda que "As empresas apresentadas no Memorando de Exportação estão em desacordo com o Decreto-Lei n°1.248/72 artigo 1°." Conforme bem abordou a decisão recorrida, o art. 14 da MP n" 1.807-5, de 17 de junho de 1999 e respectivas reedições até a 2.158-35/2001, quanto às isenções da contribuição para o PIS e a Cofins, preve: "Art, 14, Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1"de fevereiro de 1999, silo isentas da COFINS as receitas: II - da exportação de mercadorias para o exterior,. 111 - dos serviços prestados a pessoa fisica ou jurídica tevidente OU domiciliada no exterior; crilo pagamento represente ingresso de divisas,' [ VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor õs empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-lei n" 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fin? e.specifico de exportação para o exterior, LX- de vendas, co,,? Jim especifico de exportação pare o exteri a empresas exportado, as registradas na Secretaria de Camel Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indas Comércio, [ § 10 Selo isentas da contribuição para o PIS/PASEP as r aceitas aferidas nos incisos- Ia IX do awn!. § 2 As isenções previstas no caput e no 2não alcançam as receitas de vendas efetuadas ill - a estabelecimento industrial, para inclustrialização de produtos destinados à exportação, ao ampar o do art 3o da Lei no 8.402, de 8 de lancho de 1992 " (Gr.ifim-se) Portanto, para que possa se valer do beneficio, a contribuinte deve demonstrar que a venda à empresa comercial exportadora teve o fim especifico de exportação. Ademais, assim preconiza o Decreto-Lei n" 1.248/72, ao conceituar expressão "firn especifico de exportação"; Art 1"- As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado Interno, quando realizadas por empresa comer cial exportadora, para o .fim especifico de exporia cão, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-Lei Parcigraf6 único Consideram-se destinadas ao firn especifico de exportação as mercadorias que Jhiem diretamente remelidas do estabelecimento do produtor-vendedor para. embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercia! exportadora,. b) depósito em entreposto, pm conta e older» da cup asa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas e»? regulamento. Portanto, é necessário que a venda seja efetuada para empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, ou para empresas que sejam constituídas nos termos do Decreto-lei 1.248/1972. Poi outro lado, a contribuinte não comprovou o necessário atendimento ao precitado Decreto-Lei, demonstrando haver remetido diretamente para embarque de exportação ou efetuado o depósito em entreposto, sob regime aduaneiro de exportação. Esta comprovação é de responsabilidade da recorrente e assim tern entendido este Conselho, conforme demonstram as ementas dos acórdãos que se traz A colação: PIS 1SENÇÃO VENDAS PARA EXPORTAÇÃO REQUISITOS A isenção concedida para vendas a empresas export dor s, devidamente registradas no órgão competente, cot emp a apenas aquelas efetuadas coin fins específicos de expo; tç o, assim consideradas quando as mercadorias forem diretarn embarcadas para expot tação au depositadas em entreposto, sy regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta PC ordem de empresa exportadora. Reciuso negado. (Acórdão 203- 1020/; Recurso 125208; Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis; Data da Sessão 14/06/05). PIS COMPROVAÇÃO DE VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. RESPONSABILIDADE DO VENDEDOR Consideram-se destinadas ao fim especifico de exportação as tnercadorias que form diretamente renietidas do estabelecimento do produtor-vendedor para embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial 6 Portanto, no há reparos Isto posto, nego provina fazer a decisão recorrida, recurso voluntário. Processo n" I 3433 000209/20011-71 S3-C3 Tf ! Acól dão o 3301-00.695 H 4 exportadota ou depósito em entreposto, por conta e ordem da enwresa comercial exportadora, sob regime aditaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento MULTA AGRAVADA. É aplicável nos casos de fraude, dolo ou simulação. Recurso tzegado. (Acórdão 203- 089.56, Recurso 121253; Relatora Maria Cristina Roza da Costa, Data da Sessão 10/06/03) ISENÇÃO VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL. EXPORTADORA Silo isentas da Cojins as vendas realizados com ofini especifico de exportação, desde que osj,rodutov sejam remetidos diretamente do estabelecimento prodtaor-vendedor para embarque de exportação ou pm a recintos alfimdegados, por conta e olden? da empresa comercial exportadora adquirente Recurso negado. (Acól dão 201-79655, Recurso 129489; Relatm Walber Jo da Silva; Data da Sessão 22/09/06). Maurício Tavei 7
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