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Numero do processo: 35009.000732/2006-06
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/08/2005
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008, convertida na Lei n°
11941/2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.117
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2005 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008, convertida na Lei n° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ; Processo n° 35009.000732/2006-06 Recurso n° 143.856 Voluntário Acórdão n° 2302-00.117 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria Auto de Infração: Dirigente Públicó Recorrente FRANCISCO GREGORIO DA SILVA FILHO Recorrida DRP/RIO BRANCO/AC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2005 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008, convertida na Lei n° 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. /1 , Processo n° 35009.00073212006-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.117 Fl. 62 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 28 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. e e.. • LIÉGE ACROIX THOMASI Presidente e Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 2 - Processo n° 35009.000732/2006-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.117 Fl. 63 Relatório Trata-se o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo em 12/12/2005, por infringência ao art. 32, inciso IV e parágrafos 3°. e 9°. da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafos 2, 3 e 4 do "caput"do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por não ter o Município entregue a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP das competências de 05/2004 a. 0 1/20 05 , na rede arrecadadora, não prestando as informações ao INSS a que está obrigado. A multa aplicada é a prevista no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu artigo 284, inciso I, e parãgrafos 1°. e 2°. do caput que, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento, em conformidade com a Portaria MPS n° 822, de 11 de maio de 2005. A autuação foi lavrada na pessoa do dirigente da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Cultura e dos Desportos, em exercício no período em que ocorreu a infração, conforme preceitua o artigo 41, da Lei n.° 8.212/91. Após a apresentação da defesa, Decisão—Notificação julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: que a decisão recorrida não enfrentou os argumentos do recorrente, impedindo o contraditório; em obediência aos princípios constitucionais deve ser prolatada novva decisão que rebata os argumentos expendidos pela defesa; que a decisão não possui fundamerztação; que os servidores do estado passaram a ser estatutários a partir de 1993, sujeitos a regime próprio de ,previdêneia, i,-,existindo a obrigação da entrega da GFIF para o INSS,- os servidores chamados "irregulares ' nela se sujeitam ao regime de emprego público, não haverido vinculo enzpregatício; que caso se mantenha a multa deverá ser realizada corrzpensação financeira entre os regimes INSS e reginle. próprio. Requer a insubsistência o alatoa de infração e da multa aplicada. É o relatório. 3 Processo n° 35009.000732/2006-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.117 • Fl. 64 Voto Conselheira LIÉGE LACROD( T1-10154ASI, Relatora • Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n° 449 de 2008, convertida na Lei ri.° 11941/2009: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da adrytinistraçã o federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu reg-u lamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em _folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisiçao_ (Revogado pela Medida Provisória n°449,. de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso TI do Código Tributário Nacional, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário cz qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado etrz falta cle pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática_ Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449, ao revogar o art... 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações qui.e geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá. como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTIN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infi-acional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia if 4 Processo n° 35009.000732/2006-06 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.117 Fl. 65 fazê-lo em função da MP n° 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2009 • LIÉGE LAC OIX THOMASI - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 10783.005540/98-88
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1995, 1996, 1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1° CC 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006).
LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS.
Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.
LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE.
As despesas com transporte somente são dedutiveis no caso de representante comercial autônomo.
ARRENDAMENTO MERCANTIL.
Somente com a entrada em vigor da Lei n° 9.250, de 1995, é que as despesas de arrendamento passaram a ser indedutíveis da receita decorrente dos rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive dos titulares dos serviços notariais e de registro.
JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006).
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-000.015
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, nos valores de 22.050,4129
UFIR, R$18.173,40 e R$ 4.662,31, nos anos-calendário de 1994, 1995 el 996, respectivamente, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1° CC 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE. As despesas com transporte somente são dedutiveis no caso de representante comercial autônomo. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Somente com a entrada em vigor da Lei n° 9.250, de 1995, é que as despesas de arrendamento passaram a ser indedutíveis da receita decorrente dos rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive dos titulares dos serviços notariais e de registro. JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, nos valores de 22.050,4129 UFIR, R$18.173,40 e R$ 4.662,31, nos anos-calendário de 1994, 1995 el 996, respectivamente, nos termos do voto da relatora.
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1° CC 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE. As despesas com transporte somente são dedutiveis no caso de representante comercial autônomo. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Somente com a entrada em vigor da Lei n°. 9.250, de 1995, é que as despesas de arrendamento passaram a ser indedutíveis da receita decorrente dos rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive dos titulares dos serviços notariais e de registro. JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Processo n° 10783.005540/98-88 83-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.743 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, nos valores de 22.050,4129 UFIR, R$18.173,40 e R$ 4.662,31, nos anos-calendário de 1994, 1995 el 996, respectivamente, nos termos do voto da relatora. fié 'gr TEM • LA • S PESSOA MONTEIRO residente 4405aw, NÜBIA MATOS MOURA Relatora FORMALIZADO EM: 03 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, José Raimundo Tosta Santos, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Silvana Mancini Karam e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra RODRIGO SARLO ANTONIO foi lavrado Auto de Infração, fls. 1788/1798, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, relativo aos anos-calendário 1994 a 1996, exercícios 1995 a 1997, no valor total de R$439.490,31, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/1998. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador examinando impugnação apresentada pelo contribuinte julgou procedente o lançamento. Inconformado com a decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário e em sessão plenária, realizada em 24/01/2007, esta Câmara converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução n" 102-02.326, fls. 3531/3544, que por pertinente, a seguir se transcreve: RELATÓRIO O processo tem por objeto a exigência de oficio de crédito tributário em montante de R$ 439.490,31, resultante do tributo incidente sobre a renda considerada omitida em todos os meses dos anos-calendário de 1994, 1995 e 1996, identificada por meio 2 Processo e 10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.744 de aplicação dos preços da tabela de custas aos serviços prestados indicados nos livros de registros do cartório em confronto com a renda tributável declarada; e da glosa de valores escriturados nos livros Caixa a título de despesas para a prática dos serviços prestados, nos mesmos períodos das omissões de rendimentos, conforme detalhamento contido no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração,fls. 1.789a 1.791, v-VIL Referido crédito foi formalizado pelo Auto de Infração, de 10 de setembro de 1998, com ciência na mesma data, fl. 1.788, v- VI!. composto pelo tributo, a multa de oficio prevista nos artigos 4°. I, da Lei n°8.218, de 1991, e 44,!, da lei n°9.430, de 1996, e os juros de mora. Compõe o ato administrativo o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 1.784 a 1.787, v- VII, no qual explicitados os motivos que conduziram o posicionamento das autoridades fiscais quanto aos fatos que integraram a exigência. Verifica-se que as autoridades fiscais elaboraram um demonstrativo analítico das receitas omitidas, separando-as por ano-calendário de apuração, por meses e por espécies de serviços que as produziram: "Procurações", "Casamentos", "Nascimentos e Óbitos" e "Escrituras", fls. 1.775 a 1.780, v- 1/11. Da mesma forma, construídos "Demonstrativos de Glosas das Despesas Escrituradas em Livro-Caixa", fls. 1.644 a 1.662, v- VII, nos quais separação por ano-calendário de verificação, mês de referência e tipos de operações, valores e localização dos documentos. Dessa forma, facilitado o acesso aos dados para fins de identificação de receita ou de custos. Integram o processo cópias dos livros Caixa utilizados para registro das receitas e despesas com o exercício da profissão, fls. 3 a 21, v-I, AC-1994, 194 a 226, v-I, AC-I995, e 655 a 706, v-II, AC-I996, e nela; é possível constatar que as receitas mensais foram registradas por agrupamento mensal. Para identificar os efetivos valores cobrados a autoridade fiscal intimou a pessoa fiscalizada para informar de maneira analítica a receita auferida,fls. 1.663 e 1.668, v-VII, na qual esclarecido que a falta de atendimento implicaria em lançamento de oficio com os dados de que dispusesse a Administração Tributária, na forma dos artigos 889, II e III e 895, ff 1 °a 6°, todos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 - RIR/94. O contribuinte informou que os preços máximos praticados eram aqueles autorizados pela Lei n°4.847, de 1.993, fls. 1.678, v- VII, e como reiterada a solicitação pela autoridade fiscal, informou sobre a impossibilidade de fornecimento da composição analítica das receitas mensais, fls. 1.683, v- VIL Impugnado o lançamento e instaurado o litígio, este foi julgado em primeira instância pelo respeitável colegiado da 3° Turma da DRJ/Salvador, conforme Acórdão DRJ/SDR n° 5.461, de 15 de julho de 2004, fls. 1.839, v- VII, oportunidade em que decidido, por unanimidade de votos, pela procedência do feito. 3 Processo n°10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.015 EL 3.745 Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo, por meio de seu representante legal, interpôs recurso voluntário, tempestivo, uma vez que a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 13 de agosto de 2004, conforme AR, fls. 1.849, v-VI1, enquanto a recepção desse documento, em 13 de setembro desse ano, fls. 1.859, v- VIII. e O recurso conteve uma alegação em preliminar, e outras tantas dirigidas ao mérito, a seguir identificadas, em síntese. I. Pedido pela ineficácia do lançamento pela ocorrência de prescrição intercorrente que estaria caracterizada pelo transcorrer do prazo de 5 (cinco) anos entre a interposição de Impugnação em 13 de julho de 1998 e a análise da lide em 15 de julho de 2004. Doutrina de Humberto Theodoro Júnior (não referenciada) na qual há menção ao referido prazo e ao julgado no RE 99.867-5-SP. Jurisprudência do Poder Judiciário. 1. Quanto à forma utilizada pelas autoridades fiscais para identificação das receitas auferidas protesta o recorrente pela presença de falha caracterizada pela incorporação dos serviços gratuitos no conjunto tributável. Esse benefício estaria fundamentado na LC n° 6.015, de 1973, artigo 30, mantida pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 - CF/88, e pelas Leis n°8.935, de 1994, 9.265, de 1996 e 9.534, de 1997, esta última denominada Lei de Gratuidade dos Atos do Registro Civil. O recorrente protesta pela manutenção dos valores escriturados em livro Caixa em detrimento daqueles arbitrados pelo fisco porque não afetados pelos serviços gratuitos. 3. A fixação dos emolumentos relativos aos atos praticados pelo contribuinte. Informado sobre a conformação dos preços de serviços pela Lei n° 3.625, de 1983, que continha valores máximos para fins de cobrança; esta fora revogada pela Lei n° 4.847, de 1993, que teria mantido o referido teto, mas deixado de prever a vedação à concessão de descontos contida na lei anterior. Como o quantitativo de receitas decorreu do cálculo pelo total do serviço produzido, teria ocorrido equívoco caracterizado pela falta de consideração dos recebimentos em importância inferior ao máximo contido na dita tabela. 4. Através da Lei n" 5.011, de 1995, teria sido instituído o regimento de custas, no qual, por força do artigo 49, o valor apropriável aos serventuários seria apenas de 90% do preço tarifado. Essa determinação permitiria reduzir, no mesmo percentual, a receita auferida calculada pelas autoridades fiscais. Como o levantamento que serviu de base para o cálculo da renda percebida nos anos-calendário não conteve desconto desse percentual, o montante tributável estaria acrescido indevidamente do correspondente valor. A defesa não indicou, nem comprovou quais seriam os serviços recebidos com descontos. r7)4" 4 Processo ri• 10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.746 5. Afirma o recorrente que foram glosadas "despesas de custeio pagas" comprovadas e necessárias à percepção da receita e manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas em livro Caixa. A documentação constante dos Anexos 1 a XXXII contêm documentos que evidenciariam pagamentos subsumidos ao conceito de despesas dedutíveis. A Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo havia autorizado o lançamento de despesas relacionadas com a unidade de serviço notarial e de registro, sem restrições, ordem que, apesar de não aplicável à situação, revelaria o espírito das normas que norteiam as atividades de notas e serviços no tocante à dedutibilidade das despesas. Com fundamento nos artigos 81 e 82 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto na 1.041, de 1994 - RIR/94, entende o recorrente que três requisitos devem ser preenchidos para que o gasto seja considerado dedutivel. (a) Quanto à sua natureza, que ele seja considerado necessário à percepção da receita ou manutenção da fonte produtora. (b) Quanto à sua situação, que ele esteja efetivamente pago. (c) Quanto à sua existência, que ele esteja comprovado mediante documentação idónea. 6. Despesas com leasing ou arrendamento mercantil deveriam constituir dedução porque referentes à locação de copiadoras, com opção de compra ao final do contrato. Nesta situação, os bens de referência teriam sido devolvidos ao cedente. Os objetos locados seriam utilizados para a prática de serviços cartorários. A venda de tais equipamentos não geraria lucros, mas prejuízos porque de preços irrisórios. Em razão do curto tempo de vida útil desses equipamentos, fundamentado o pedido, também, no artigo 244 do RIR/94 - em que previsto considerar-se o bem como despesa operacional quando de valor inferior a 294,13 UF1R, ou quando tenha prazo de vida útil inferior a 1 (um) ano. A respeito dos pagamentos por força de contratos com a Xerox do Brasil Ltda, conveniente trazer os esclarecimentos prestados pelas autoras do feito no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 1.786, "As despesas pagas à Xerox do Brasil Ltda, relativas às máquinas copiadoras séries 71v-210111, 71v-203044, OUU- 003512, OUU-003476, OUU-003 .1 87, OWY-115908, 99P- 264550 e 8CP-100762 são decorrentes de aluguel de equipamento com opção de compra — "leasing", conforme se depreende da leitura da cláusula 6" prevista nos contratos anexos às fls. 82/87, 122/12 7; 487/491 e 568/573. Sobre a abrangência do prazo contratual, esclareceu o contribuinte no documento anexo às fls. 1653 que, por uma falha de controle, os contratos firmados com a Xerox do Brasil Ltda, relativos à locação dos equipamentos acima f44.7) 5 Processo n° 10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.747 discriminados, se prorrogaram por todo o ano de 1996, e isto pode ser observado na cláusula 5° dos referidos contratos. Do valor total de CR$ 2.815.104,18 escriturados no Livro- Caixa em 30/06/94 como pagos à Xerox do Brasil Lida (fls. 09), apenas CR$ 1.402.426,26 referem-se a aluguel de equipamento (fls. 52/53) e, portanto, foram somados ao restante das despesas escrituradas como "leasing" e pagas à Xerox, naquele mês de junho/94, no valor de CR$ 972.758,76, totalizando o valor ele CRS 2.375.185,02 para efeito de glosa." 7. Despesas com recolhimentos de PIS. Como as contribuições decorreram de obrigação legal prevista nos DL n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, esses valores devem constituir custos do exercício da atividade. 8. Despesas com vale-transporte. Como esses encargos constituem obrigação com o empregado por força dos artigos 1° e 40 da Lei n° 7.418, de 1985, os correspondentes valores deveriam compor os custos do exercício da atividade. Fundamento no artigo 81, do RIR/94 9. Os recolhimentos de contribuições ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo - IPAJM deveriam, na forma do artigo 80, do RIR/94 (por equiparação às contribuições à previdência dos Estados), constituir custos porque o referido instituto é gestor único do sistema de previdência do estado, por determinação da LC n° 282, de 2004. 10. As despesas com o aluguel de garagem deveriam ser acolhidas como custos porque referido local presta-se para abrigar os veículos dos usuários dos serviços do cartório. Fundamento na norma do artigo 4°, da Lei n°8.935, de 1994, no sentido de que os serviços notariais devem ser prestados de modo eficiente e adequado e serem instalados em locais de fácil acesso ao público. I I . Os materiais de escritório ou de expediente seriam necessários ao desenvolvimento da atividade. Com fundamento na isonomia, pedido pela extensão dos delimitadores contidos na norma do artigo 244, do RIR194, à situação em tela. Em complemento, a interpretação da Administração Tributária posta na pergunta n°388. do Perguntas e Respostas - Receita Federal (não identificado para qual ano-calendário dirigida a obra); nesta a aplicação de capital excepciona os bens de vida útil inferior a um ano. 12. Despesas com refeições dos funcionários, uma vez que passou a constituir direito trabalhista dos empregados, pela habitua !idade, na forma do artigo 458, da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. No mesmo sentido, a Súmula 241 do 737. Sob outra perspectiva, em termos de Imposto de Renda, o pagamento da alimentação incorpora a renda não tributável do empregado e constitui despesa dedutível de quem o paga na forma do artigo 40, do RIR194. Adita a defesa que na forma do .4ip 6 Processo n°10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.748 artigo 81, 1, do RIR/94, possível a dedução da remuneração paga a terceiros e os encargos trabalhistas. 13.As despesas com livros e papelaria seriam dedutíveis porque necessárias ao bom desempenho da profissão. A reforçar o entendimento, a resposta à pergunta n° 392, do Perguntas e Respostas (não identificada a referência). 14.As despesas com hotéis não constituiriam pagamentos de hospedagens, mas de custos com alimentação de funcionários em restaurantes de hotéis localizados próximos à Serventia. A mesma argumentação dirigida à alimentação é colocada quanto à esses valores. 15.As despesas com publicidade glosadas tiveram por objeto a identificação do local onde prestados os serviços e por esse motivo os gastos guardaram nexo com o exercício da atividade. 16. Doações. Com fundamento na norma do artigo 87, do R1R/94, entendimento no sentido de que as doações são permitidas para fins de dedução na Declaração de ajuste anual, situação que anularia a impossibilidade quanto à dedução a título de custos pelo exercício da atividade. 17.Despesas com filtro de água. Equipamento seria necessário para disponibilizar água pura aos funcionários. 18.Despesas com cestas básicas oferecidas aos empregados poderiam ser dedutiveis porque cumprimento de norma trabalhista contida no artigo 458, da CLT e com fundamento no artigo 81, do RIR/94 e na orientação contida para a pergunta n° 388, do Perguntas e Respostas da Receita Federal (de referência não explícita). "Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fórça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto-lei n°229, de 28.2.1967) § 1° Os valiires atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário-mínimo (arts. 81 e 82). (Parágrafo incluído pelo Decreto-lei n° 229, de 28.2 .1967) § 2° Não serão considerados como salário, para os efeitos previstos neste artigo, os vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local de trabalho, para a prestação dos respectivos serviços. (Parágrafo único renumerado pelo Decreto-lei n°229, de 28.2.1967) ,§ 3 0 A habitação e a alimentação fornecidas como salário- utilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não 4-62 7 Processo n° 10783.005540198-88 53-C3T1 Acórdão n°3301-00.015 Fl. 3.749 poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do salário-contratual. (Parágrafo incluído pela Lei n° 8.860, de 24.3.1994) sç 4° Tratando-se de habitação coletiva, o valor do salário- utilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de co-habitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Parágrafo incluído pela Lei n° 8.860, de 24.3.I994)" 19. As despesas com exames médico seriam decorrentes da obrigação contida no artigo 168. III, da CLT. "Art. 168 - Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho: (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) 1— a admissão; (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) II — na demissão; (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) • III — periodicamente (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) § 1 0 - O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão exigíveis exames: (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) a)por ocasião da demissão; (Redação dada pela Lei n° 7855, de 24.10.1989)• b) complementares. (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) § 2° - Outros exames complementares poderão ser exigidos, a critério médico, para apuração da capacidade ou aptidão física e mental do empregado para a função que deva exercer. (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) § 3 0 - O Ministério do Trabalho estabelecerá, de acordo com o risco da atividade e o tempo de exposição, a periodicidade dos exames médicos. (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) •§ 40 - O empregador manterá, no estabelecimento, o material necessário á prestação de primeiros socorros médicos, de acordo com o risco da atividade. (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989) § 5° - O resultado dos exames médicos, inclusive o exame complementar, será comunicado ao trabalhador, observados os preceitos da ética médica. (Redação dada pela Lei n° 7.855, de 24.10.1989)" 412 8 Processo n° 10783.005540198-88 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.015 Fl. 3.750 20.As despesas com combustíveis decorreriam de visitas (sic) aos clientes assíduos tomadores dos serviços do Tabelionato através do qual realiza atividades de escrituras e procurações, por mais das vezes em demandas elevadas. Fundamenta a dedutibilidade dessas despesas no artigo 81, do RIR/94. 21.As despesas com material de construção destinaram-se à manutenção das instalações no local do cartório. Também estas encontrar-se-iam no âmbito da diretriz do bom atendimento e eficiência dos serviços. 22. Os pagamentos de pedágio decorreriam de deslocamentos para atendimento a clientes de difícil acesso à Serventia. Fundamento no artigo 81, do RIR/94. • 13. As despesas com imposto de renda na fonte sobre o trabalho assalariado também constituiriam custos dedutíveis, porque obrigação decorrente da lei. Fundamento no artigo 115, § 1°, do RIR/94. 24. As despesas com ala. rmes também constituiriam custos indispensáveis ao exercício da atividade. 25. As despesas com táxi decorreram de deslocamentos de fitncionários para execução de serviços da Serventia e por esse motivo, indispensáveis ao exercício da atividade. 26.As despesas com pagamento de planos de saúde para os funcionários constituiriam ónus do empregador e beneficio aos funcionários. Fundamento no artigo 40, XXXVIII do RIR/94. 17. Despesas com medicamentos. Tais custos decorreriam de norma contida na Lei n" 6.514, de 1977, que conteve determinação no item 7.5.1 da norma regulamentadora: "Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação de primeiros socorros, considerando-se as características da atividade desenvolvida; manter esse material guardado em local adequado, e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim." 28.Despesas com aparelhos médico hospitalar - Caprome. Esse custo decorre da aquisição de um kit de primeiros socorros, necessário para atender a determinação contida no artigo 168, § 40 da CLT. Aplicam-se também as justificativas da questão anterior. 29.Despesas com projetos de interiores. Aplicam-se as mesmas justificativas colocadas na questão relativa aos gastos com Materiais de Construção. 30. Despesas com ventiladores. Aplicam-se as mesmas justificativas com fundo no bom atendimento aos clientes e na curta vida útil do bem, já postas nas questões anteriores. 31. Despesa com quadros. Justificativa com fundo no bom atendimento aos clientes. (4IP 9 Processo n° 10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n°3301-00.01S 11. 3.751 32. Despesas com peças. As peças foram utilizadas para manutenção da estrutura da Serventia, restauração do ambiente de trabalho dos funcionários, com objetivo no melhor atendimento. Não especificadas no recurso o conceito das ditas "peças". • 33. Despesas com reformas de cadeiras. Justificativa com fundo no bom atendimento. 34. Despesas com tapetes. Mesma justificativa fundada no bom atendimento. 35. Despesas com aluguel de equipamentos. Argumentos em linha de raciocínio idêntica àquela posta no item 6. 36. Despesas com "Salade Verte" - Argumentos na mesma linha daqueles relativos ao item 12. 37.Alguns valores teriam sido indevidamente classificados como despesas não específicas pela autoridade fiscal; no entanto, constituiriam pagamentos de custos à: 37.1. Xerox do Brasil Ltda, por leasing de máquina copiadora; 37.1. Urhnjak e Souza Ltda, despesa obrigatória por força do artigo 458, da CLT; 37.3. SISCART Com. Serv. Inf. R2V2 Informática Lida e Cosmo Center Esc Proces. de Dados, despesas justificadas no Anexo VII, com materiais permanentes, classificáveis na norma do artigo 244, do RIR/94. 37.4. Multimaq Máquinas e Eq. para Escritório, Eletrotintas Comercial Ltda e Telecor Representações Lida - idem ao anterior. 37.5. Gigasystem Cons. E. P. Ltda - idem ao anterior (alarmes). 38. Inconstitucionalidade dos juros de mora com suporte na taxa SEL1C — Como correção monetária, por ofensa ao artigo 192, § 3", da CF188, por ofensa aos princípios da legalidade, anterioridade e capacidade contributiva. É o Relatório. VOTO Conselheiro MAURY FRAGOSO TANAKA, Relatar Verifica-se que o processo requer documentos complementares a serem obtidos em diligência a ser realizada por funcionário da unidade de origem. Algumas das despesas glosadas pelas autoridades fiscais podem ter características que as incluam no conjunto daquelas que são consideradas para fins tributários, em termos da legislação do Imposto sobre a Renda. Nessa linha de raciocínio, necessário verificar se as aquisições de vale-transporte constituíram efetivamente ónus do 41P 10 Processo n°10783.005540/98-88 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.015 Fl. 3.752 empregador, nos termos da legislação de regência, Lei n° 7.418, de 1985. Para esse fim, a verificação a) por amostragem, se os recibos utilizados pelo fiscalizado foram emitidos pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Espírito Santo, 6) se houve desconto desses valores dos salários dos funcionários a esse titulo e, c) se houve cumprimento correto da lei quanto à concessão desse benefício e quais valores constituíram ônus do fiscalizado e poderiam ter sido apropriados a titulo de dedução em cada mês. Quanto às despesas com alimentação, necessário que se verifique junto aos contratos de trabalho dos funcionários atuantes durante os períodos fiscalizados se havia previsão de pagamento adicional a titulo de alimentação, e, caso positivo, se houve observação das normas previstas na CLT a respeito do assunto, ou em norma resultante de convenção coletiva de trabalho. Juntar cópia do contrato relativo ao plano de saúde junto à Unimed, ao qual corresponde o recibo aj .!. 3.422, v-15; e, ainda, verificar, por amostragem significativa, se houve desconto na folha de pagamento dos funcionários a esse título. Verificar junto à Prevent Clínica de Medicina Preventiva Ltda o detalhamento técnico dos serviços de medicina ocupacional constante dos documentos de fls. 3.262 a 3.275, v-15, e se estes encontravam-se abrangidos pelas normas da CLT, artigo 168, HL Elaborar parecer conclusivo ou informação fiscal sobre as verificações complementares efetivadas, com objeto no confronto entre os documentos obtidos e a possibilidade de subsunção do correspondente gasto em termos de dedução relativa ao exercício da profissão, dar ciência ao sujeito passivo desses dados, conceder-lhe prazo para manifestação e, após a extinção deste, encaminhar o processo a esta E. Cámara para julgamento da lide. Em atendimento à Resolução acima transcrita a autoridade fiscal procedeu à diligência solicitada, elaborando ao fim relatório, fls. 3735/3737. É o Relatório. Voto Conselheira NUBIA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, a defesa suscita a prescrição intercorrente, matéria já pacificada neste Conselho de Contribuintes, que, inclusive, já editou súmula aplicável ao caso: Processo e 10783.005540/98-88 53-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.015 Fl. 3.753 Súmula VCC tr. 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Publicada no DOU. Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Rejeita-se, portanto, a preliminar suscitada, passando-se a seguir a análise das argüições de mérito trazidas pela defesa. No que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas a defesa alega que o Demonstrativo de Receitas Omitidas, fls. 1775/1780, elaborado pela autoridade fiscal, não levou em consideração os atos gratuitos praticados, o percentual de 10% devido ao Estado do Espírito Santo, conforme previsto na Lei Estadual n° 5.011, de 17 de novembro de 1995 e os descontos concedidos. Ocorre que as alegações trazidas pela defesa carecem de comprovação. Em nenhum momento, seja durante o procedimento fiscal ou na fase de impugnação ou de recurso, o contribuinte logrou comprovar que praticou atos gratuitos ou que tenha concedido descontos aos seus clientes, tampouco apresentou comprovantes de repasses efetuados ao Estado do Espírito Santo. De sorte que, a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas não merece reparos. Quanto à infração de dedução indevida de despesas escrituradas no Livro Caixa, o contribuinte apresentou várias alegações, que serão a seguir examinadas, de forma individualizada. Das despesas com arrendamento mercantil e com copiadora — Em síntese, afirma o recorrente que os bens arrendados foram ao final dos contratos devolvidos, de modo que os valores glosados se referem a despesas de aluguel de equipamentos e, portanto, dedutiveis. Tal matéria (dedutibilidade de despesas de arrendamento mercantil no Livro Caixa das pessoas fisicas) já foi enfrentada pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão n° CSRF/04-00.467, de 13/12/2006, que concluiu no sentido de que as despesas de arrendamento mercantil são dedutíveis até 31/12/1995, data em que passou a vigorar a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Por pertinente, transcreve-se a seguir trecho do acórdão mencionado, que muito bem esclarece a questão: Remanesce em discussão no apelo especial a matéria concernente ao restabelecimento das deduções com despesas de arrendamento mercantil de equipamento de informática realizadas até 31 de dezembro de 1995. A Fazenda Nacional pretende a reforma do julgado, sustentando, em síntese, que a decisão prolatada é contrária à Lei n°. 8.134/1990. art. 6.", caput e inciso HL Não vejo reparos a serem feitos no Acórdão n". 106-13.318, da Colenda Sexta Cámara, mormente porque o voto condutor deu a correta interpretação às Leis n. "5 8.134/90 e 9.250/95. Com efeito, são os seguintes dispositivos ora em cotejo, na parte em que se estabeleceu a controvérsia: fa11.) 12 Processo n° 10783.0135540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.015 Fl. 3.754 Lei n". 8.134/90 (redação original) "Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeiros-viajantes, quando correrem por conta destes; § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de I° de janeiro de 1991." Lei n". 9.250/95 "Art. 34. As alíneas a e b do § I° do art. 6° da Lei n°. 8.134, de 27 de dezembro de 1990, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: § 1 0 0 disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo "." Como pode ser claramente visto e, como bem ressaltado no acórdão recorrido, a Lei e. 8.134/90 não excluía da dedutibilidade as despesas de arrendamento mercantil, óbice surgido apenas a partir da Lei n°. 9.250/95, cabendo transcrever o seguinte: "Em hipótese alguma tais despesas devem ser consideradas como de investimentos, posto que ao final de um ano esses equipamentos já não têm mais qualquer valor, dado a sua quase que total obsolescência, não se extinguindo pela mera utilização, mas tornando-se ultrapassados e de quase nenhuma utilidade. 4J2 3 Processo rr 10783.005540/98.88 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.015 A. 3.755 Por outro lado, a legislação vigente à época dos fatos, não fazia qualquer restrição a que se deduzisse da receita decorrente do exercido da atividade notarial, as despesas com arrendamento. Somente com a entrada em vigor da Lei n° 9.250/95, que ocorreu em 1° de janeiro de 1996, é que se tomaram indedutiveis as despesas de arrendamento, ficando devidamente esclarecido, que até então, não havia qualquer vedação para esse tipo de dedução." Assim, com as presentes considerações e não vendo reparo algum a fazer no Julgado recorrido, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial formulado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Nestes termos, há de se concluir que são dedutíveis as despesas com arrendamento mercantil e com copiadoras realizadas nos anos-calendário de 1994 e 1995, nos seguintes valores: 13.040,4256 UFEFt e R$12.448,08, respectivamente. Das despesas com recolhimento de PIS — O recorrente afirma que os recolhimentos ao Programa de Integração Social — PIS são dedutíveis, dado que seu recolhimento se deu em razão da legislação de regência. Nesse tópico assiste razão à defesa. Os recolhimentos ao PIS são despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo, portanto, dedutíveis. Deve-se, em conseqüência, restabelecer a dedução nos seguintes valores: ano-calendário 1994 — 1.845,0982 UFIR, ano-calendário 1995 — R$1.535,68 e ano-calendário 1996- R$703,36. Das despesas com vale-transporte — Da diligência determinada por esta Câmara, restou comprovado que parte das despesas com vale-transporte foi descontada dos salários dos funcionários, conforme se extrai do relatório, fls. 3735/3737, produzido pela autoridade fiscal que realizou a diligência. De sorte que, somente as despesas com a aquisição de vale-transporte, cujo ônus foi do contribuinte, são dedutíveis. Nestes termos, os seguintes valores devem ser excluídos do lançamento: ano-calendário 1994 — 7.164,8891 UFIR, ano-calendário 1995 — R$4.189,64 e ano-calendário 1996 — R$3.958,95 (valores extraídos do relatório da diligência). Das despesas com recolhimento de IPAJM — A defesa afirma que o Instituto de Previdência e Assistência Jen:mimo Monteiro - IPAJM é gestor do sistema de previdência dos servidores do Estado c que, em assim sendo, tais despesas se enquadram como contribuições previdenciárias e, portanto, dedutiveis. De pronto, cumpre esclarecer que o contribuinte não logrou comprovar que tais contribuições sejam de caráter oficial e, considerando que tais despesas foram realizadas no ano-calendário 1994 e que à época somente as contribuições à previdência oficial eram dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, há de se concluir pela não-dedutibilidade de tais despesas. i-dtP 14 Processo n• 10783.005540/98-88 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.015 Fl. 3.756 Das despesas com aluguel de garagem, das despesas com combustíveis, das despesas com pedágios e das despesas com táxi — O recorrente afirma em seu recurso que as despesas de aluguel se referem a vagas destinadas aos clientes do cartório. Entretanto, dos comprovantes, fls. 2208/2246, infere-se que as despesas são relativas a apenas uma vaga de garagem, não se prestando, portanto, para estacionamento de clientes. Por outro lado, as Leis n''s 9.134, de 1990 e a 9.250, de 1995, acima transcritas, vedam a dedução de despesas com locomoção e transporte, com exceção apenas para o caso de representante comercial autônomo, que não é o caso. Por igual razão também não podem ser admitidas as despesas com combustíveis, pedágios e táxi. Das despesas com materiais permanentes, com filtro, com material de construção, com alarme, com projeto de interiores, com ventiladores, com quadro, peças, reforma de cadeiras e com tapete — Como é sabido apenas o valor relativo às despesas de consumo é dedutível no Livro Caixa. Dispêndios realizados com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapassa o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização, são considerados aplicação de capital. Nestes termos, tem-se que as despesas referidas neste item são indedutiveis. Das despesas com refeições, das despesas com hotéis e das despesas com supermercado — Em diligência solicitada por esta Câmara determinou-se que se verificasse junto aos contratos de trabalho dos funcionários se havia previsão de pagamento adicional a título de alimentação, e, caso positivo, se houve observação das normas previstas na CLT a respeito do assunto, ou em norma resultante de convenção coletiva de trabalho. Contudo, a autoridade fiscal informou em seu relatório, fls. 3735/3737, que o contribuinte, embora intimado, deixou de apresentar os contratos de trabalho, de modo que restou prejudicada, neste aspecto, a diligência solicitada. Assim, por não restar comprovado que o contribuinte encontrava-se obrigado a fornecer alimentação aos seus funcionários, não-dedutíveis são as despesas com refeições. Da mesma forma também são indedutíveis as despesas com hotéis e com supermercados, que o recorrente afirma também se tratar de refeições para seus funcionários. Das despesas com livros e papelaria — Os comprovantes apresentados, fls. 3023/3024, se referem a livros didáticos, sendo, portanto, despesas estranhas às atividades do cartório. Das despesas com publicidade — Não foram apresentados os comprovantes de tais despesas, portanto, não há que se falar em dedução. al4P 15 Processo n° 1 0783.005540/98-88 53-C3T1 Acórdão n. • 3301-00.015 Fl. 3.757 Das despesas com doações — Inicialmente cumpre destacar que doações não podem ser aceitas como deduções escrituradas em Livro Caixa por absoluta falta de previsão legal. Já no que tange à solicitação do recorrente de admitir tais despesas com deduções de contribuições e doações, implicaria em admitir a retificação de declaração, assunto este que refoge à competência deste Conselho. Das despesas com exames médicos — Tratam-se de despesas realizadas junto à Prevent Clinica de Medicina Preventiva Ltda e na diligência requerida por esta Câmara solicitou-se o detalhamento técnico dos serviços de medicina ocupacional a que se refere as respectivas Notas Fiscais apresentadas, fls. 3262/3275, e se estes serviços são abrangidos pelas normas da CLT, artigo 168,111. Em atendimento ao solicitado a autoridade fiscal esclareceu que a Clinica se encontra atualmente inapta, sem informação do quadro societário, de modo que não se realizaram as diligências pretendidas. Nestes termos, não se pode admitir a dedução de tais despesas, por não restar comprovado tratar-se de despesas de custeio, necessárias à percepção • da receita e à manutenção da fonte produtora. Das despesas com impostos — Dos DARF apresentados, fls. 3397/3413, constata-se que tais despesas se referem ao recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre o trabalho com vinculo empregatício. Ora, o imposto de renda é ônus do funcionário, de modo que tal quantia já foi deduzida mediante registro da folha de pagamento no Livro Caixa. Das despesas com plano de saúde — Da diligência realizada a pedido desta Câmara restou comprovado que as despesas com a Unimed foram repassadas aos funcionários, mediante descontos em folha de pagamento, conforme relatório, fls. 3735/3737. Das despesas com medicamentos e aparelhos médico-hospitalar — Tais valores não correspondem a despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, de modo que são indedutiveis. Das despesas não identificadas — Para comprovar tais despesas o contribuinte juntou aos autos, documentos, fls. 3486/3510, que não identificam a mercadoria ou o serviço prestado. Trata-se de duplicatas, que, desacompanhadas das respectivas Notas Fiscais, não se prestam para comprovar despesas escrituradas em Livro Caixa. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legitima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula CC n° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de intuiimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SEL1C para títulos federais. (publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) nig 16 Pror"so e 10783.005540/98-88 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.015 Fl. 3.758 Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, nos valores de 22.050,4129 UFIR, R$18.173,40 e R$4.662,31, nos anos-calendário de 1994, 1995 e 1996, respectivamente. Sala das Sessões - DF, em 04 de março de 2009 4/ 92iAtt°1 — NUBIA MATOS MOURA 17 1.4,5 ti MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10783.005540/98-88 Recurso n° 143.971 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n° 3301-00.015. Brasília, J 1 alnilrIQUE PINHEIRO ant Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ ] Com Recurso Especial [ I Com Embargos de Declaração Data da ciência 1 Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.001890/2001-12
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1995
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF.
O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de
recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo
45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão
recorrido nos termos em que reclamado.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.015
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR prov . ento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pres: te julgado. A 0> °ti '' 9 AGA residente Processo n° 13808.001890/2001-12 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.015 Fls. 2 IMPÀ DALTON — • '• COR RO DE h / I ' • sIDA Relator FORMALIZADO EM: 1 7 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjào Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). • Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com os termos do Acórdão n° CSRF/01- 04.945, com fundamento nos artigos 90, 43 e seguintes do R.I.C.S.R.F., interpõe recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Alega que o acórdão recorrido não poderia ter aplicado o artigo 150, parágrafo 4°, do C.T.N., para fins de decadência da CSLL, em detrimento do artigo 45 da Lei n°8212/91, que defende ser constitucional. Fundamentou seu recurso com o suposto divergente Acórdão n° CSRF/02-01.665, que aplicou o prazo de dez anos para afastar a decadência para a COFINS. Por Despacho presidencial o apelo extraordinário foi admitido. Com contra-razões da interessada, o recurso a mim foi distribuído. É o relatório. 2 Processo n° 13808.001890/2001-12 CS RFrroo Acórdão n.° 00-00.015 Fls. 3 Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator Como relatado, o apelo extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento em acórdão divergente ao recorrido, pois que este reconheceu o artigo 45 da Lei if 8212/91 para fins de afastar a decadência da COFINS, busca neste órgão Plenário o mesmo reconhecimento, ou seja, o afastamento do CTN (art. 150, parágrafo 4°) em face do comando legislativo acima relatado. Improcedentes são os argumentos da recorrente, dai a necessidade de se manter o acórdão recorrido em sua integralidade, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e por ocasião do julgamento de matéria de repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8212/91, com posterior edição da Súmula Vinculante n° 08/STF. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso extraordinário interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. leb DALT• • ODE' IRA4DA 3
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Numero do processo: 19515.004359/2003-35
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA- TERMO INICIAL- Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial do prazo da decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de oficio é a data de ocorrência do fato gerador. O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 31/12/1998
LUCRO INFLACIONÁRIO. A sistemática de correção monetária do saldo do lucro inflacionário a realizar já estava prevista na Lei n° 7.799/89, sendo que a Lei n° 8.200/91 alterou o índice de atualização, que deixou de ser o BTN fiscal, passando a adotar o [PC para o período-base de 1990. Nos termos da Lei n° 7.799/89 (art. 21, § 3°) e Decreto n° 332/91 (art. 40), o saldo do lucro inflacionário a realizar existente em 31/12/89 deve ser corrigido com base na variação anual do índice previsto em lei, e tal atualização é efetuada antes da realização do lucro inflacionário que vier a ocorrer no ano.
RECOMPOSIÇÃO DA BASE. PERÍODOS ANTERIORES. - REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 31/12/1995 as realizações não mais sofrem influência das baixas, pois são calculadas sempre sobre o saldo acumulado naquela data.
Numero da decisão: 1101-000.130
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1998, e quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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I fritC4: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.~ • PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19515.004359/2003-35 Recurso n° 164.169 Voluntário Matéria IRPJ- Ano-calendário 1998 Acórdão n° 1101-00.130 Sessão de 18 de junho de 2009 Recorrente São Rafael Comércio e Incorporações S.A. Recorrida 5" Turma de Julgamento da DRF em São Paulo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA- TERMO INICIAL- Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial do prazo da decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de oficio é a data de ocorrência do fato gerador. O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 31/12/1998 LUCRO INFLACIONÁRIO. A sistemática de correção monetária do saldo do lucro inflacionário a realizar já estava prevista na Lei n° 7.799/89, sendo que a Lei n° 8.200/91 alterou o índice de atualização, que deixou de ser o BTN fiscal, passando a adotar o [PC para o período-base de 1990. Nos termos da Lei n° 7.799/89 (art. 21, § 3°) e Decreto n° 332/91 (art. 40), o saldo do lucro inflacionário a realizar existente em 31/12/89 deve ser corrigido com base na variação anual do índice previsto em lei, e tal atualização é efetuada antes da realização do lucro inflacionário que vier a ocorrer no ano. RECOMPOSIÇÃO DA BASE. PERÍODOS ANTERIORES. - REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 31/12/1995 as realizações não mais sofrem influência das baixas, pois são calculadas sempre sobre o saldo acumulado naquela data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por São Rafael Comércio e Incorporações S.A. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação [ Processo rf I 9515.004359/2003-35 CCOI/C01 Acórdão n°1101-00.130 Fls. 2 aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1998, e quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do rel. irio e voto que passam a integrar o presente julgado. AN ON ah • • A • P esidente - — SANDRA MARIA FARONI Relatora ey A nn Formalizado em: I Pin 2 rj n9 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Praga (Presidente da Câmara), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, Aloysio Percinio da Silva, João Carlos Lima Junior, José Ricardo da Silva e José Sergio Gomes (suplente convocado). 2 . . Processo n° 19515.004359/2003-35 CCO1/C01 Acerdào n.° 1101-00.130 Fls. 3 Relatório Contra a empresa São Rafael Comércio e Incorporações S.A. foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do ano-calendário de 1998. A empresa foFacusada de não ter adicionado ao lucro líquido no ano-calendário de 1998 a realização mínima (10%) do lucro inflacionário, determinada por lei, calculada sobre o saldo acumulado em 31/12/1995. Consta dos autos que, intimada a esclarecer a não realização, a interessada alegou que seu saldo de lucro inflacionário se encontrava esgotado desde o terceiro trimestre de 1997. Consta, também, que em 07/10/2003, já sob fiscalização, a contribuinte apresentou declaração retificadora relativa ao ano-base 1998, que não foi considerada em razão da perda da espontaneidade. Em impugnação tempestiva, a interessada suscitou a decadência para os três primeiros trimestres de 1998. Quanto ao mérito alegou, em síntese, que o saldo de lucro inflacionário considerado pela fiscalização contemplou a - incorporação, ao saldo do lucro inflacionário a realizar a partir de janeiro de 1993, da diferença IPC/BTNF de que trata a Lei 8.200, de 1991, mas que a faculdade prevista nos artigos 2° e 3"da Lei não foi por ela exercida, conforme se observa nas cópias dos balanços de encerramento dos anos de 1990 e 1991, que juntou. Aduziu que, caso a correção IPC/BTNF fosse obrigatória, o seu valor não poderia ser, como foi, corrigido monetariamente até janeiro de 1993 , quando foi adicionado ao saldo de lucro inflacionário anterior. "Demais disso, a correção monetária pelo lPC não afetaria somente o saldo do Lucro inflacionário a ser realizado ao longo dos anos, mas também todas as contas do ativo que estariam sujeitas a correção monetária, como as obrigações assumidas pela sociedade, valores constantes do Património Líquido, etc... E a contrapartida dessa correção deveria ser realizada em item apartado no balanço de encerramento." Alegou, ainda, que a alteração do lucro inflacionário pela autoridade fiscal, com o acréscimo da correção IPC/BTNF, obriga a consideração das realizações mínimas obrigatórias nos períodos anteriores aos do lançamento, calculadas sobre esse saldo alterado, bem corno das realizações efetuadas pela contribuinte em declarações de rendimentos: CR$ 4.676.076,00 realizados em julho de 1993 e realizações efetivadas ao longo do ano de 1996, que estão devidamente espelhadas no SAPLI. Lembrou que esses argumentos já foram expostos nos autos do processo n° 19515.000091/2003-62, em que foi retificado o lucro inflacionário realizado no ano-base 1997 também de forma injustificada; Os autos foram baixados em diligência, e a contribuinte foi cientificada do relatório final da diligência, não tendo apresentado manifestação. A Turma de Julgamento rejeitou a preliminar de decadência e deu provimento parcial ao recurso, apenas para considerar as realizações obrigatórias não efetuadas pelo contribuinte a partir de 1993 em virtude de não ter reconhecido a diferença IPC/BTNF do ano- base 1990, cujo efeito foi a amortização sobre o saldo acumulado em 1995. 3 Processo n° 19515.004359/2003-35 CCOI/C01• Acórdão o.' 1101-00.130 Fls. 4 Ciente da decisão em 02 de outubro, a interessada ingressou com recurso em 22 do mesmo mês. Em sua peça recursal reitera a preliminar de decadência para os três primeiros trimestres de 1998, por ter sido notificada do lançamento em 25 de novembro de 2003. No mérito, reedita as razões de defesa declinadas na impugnação, quais sejam: não obrigatoriedade de reconhecimento da diferença IPC/BTNF, não aplicação do Decreto n° 332/91, descabimento da correção complementar sobre os valores controlados na Parte B do Lalur. Além disso, reflita a decisão recorrida que, não obstante tenha recomposto a base para calcular as realizações obrigatórias mínimas, deixou de adotar esse procedimento em relação ao ano-calendário de 1996. É o relatório. r 4 Processo n° I 95 15.004359/2003-35 CC0I/C0 I Acórdão n.° 1101-00.130 Fls. 5 Voto SANDRA MARIA FARONI. RELATORA. Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A interessada suscitou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1998. A decisão recorrida-rejeitou-a ao argumento de que, por se tratar de lançamento de oficio, a decadência deve ser examinada, exclusivamente, à luz do que prescreve o inciso 1, do art. 173, do Código Tributário Nacional. Tem razão a Relatora quando diz que o lançamento feito corresponde à modalidade de "lançamento de oficio". Efetivamente, qualquer que seja a modalidade de lançamento prevista na legislação especifica de um determinado tributo — por declaração ou por homologação — constatado erro no crédito apurado, a administração exigirá a diferença mediante lançamento de oficio. Mas nada permite concluir que, em se tratando de lançamento de oficio, a decadência se rege pelo art. 173, I, do CTN. O lançamento de oficio para exigir crédito tributário decorrente de erros cometidos no lançamento original (qualquer que seja a modalidade prevista na legislação do tributo) ou para aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação legal, só pode ser feito enquanto não transcorrido o prazo de decadência, que é de cinco anos. Porém o termo inicial para contagem desse prazo varia, conforme se trate de tributo sujeito a lançamento por declaração ou a lançamento por homologação. A natureza do lançamento a que se submete determinado tributo é aquela prevista em sua legislação específica, e, conforme a participação do contribuinte, pode ser por declaração (art. 147), por homologação (art. 150) e de oficio (art. 149). Quanto a este último, excetuada a hipótese em que a lei o prevê como lançamento original, (inciso I do art. 149, caso do IPTU, por exemplo), é ele decorrente de infração (falta ou insuficiência de tributo nas hipóteses de lançamento por declaração ou por homologação) e, portanto, subsidiário e sempre acompanhado de penalidade, ou praticado exclusivamente para aplicar penalidade (art. 149, inc. VI). Assim, ressalvada a hipótese de tributo cujo lançamento seja, por natureza, de oficio, a legislação de cada tributo determina que, ocorrido o fato gerador, o sujeito passivo a) preste à autoridade administrativa informações sobre a matéria de fato, aguardando que aquela autoridade , efetue do lançamento para, então, pagar o crédito tributário (art.147), ou b) apure por si mesmo o tributo e faça o respectivo pagamento, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa (art. 150). No caso da letra a (lançamento por declaração), a ocorrência de omissão ou inexatidão na declaração ou nos esclarecimentos solicitados (art. 149, II, III e IV) dá ensejo ao lançamento de oficio, desde que não extinto o direito da Fazenda Nacional (art. 149, p. único), V 5 Processo n° 19515.004359/2003-35 CCOI/C01 Acerao n.° 1101-00.130 Fls. 6 o que só pode ser feito no prazo de cinco anos contados: (1) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, nos caso de falta de declaração ou de entrega da declaração após esse termo (art. 173, inc. 1); (2) da data em que se tomou definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior por vício formal (art. 173, inc. II);; ou (3) da data da entrega da declaração, se essa foi entregue antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado (art. 173, parágrafo único). No caso da letra b (lançamento por homologação), ocorrido o fato gerador a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos para verificar a exatidão da atividade exercida pelo contribuinte (apuração do imposto e respectivo pagamento, se for o caso) e homologá-la. Dentro desse prazo, apurando omissão ou inexatidão do sujeito passivo no exercício dessa atividade, a autoridade efetua o lançamento de oficio (art. 149, inc. V). Decorrido o prazo de cinco anos sem que a autoridade ou tenha homologado expressamente a atividade do contribuinte ou tenha efetuado o lançamento de oficio, considera-se definitivamente homologado o lançamento e extinto o crédito (art. 150, § 4°), não mais se abrindo a possibilidade de rever o lançamento. Essa regra é excepcionada na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesses casos, segundo a melhor doutrina, o prazo decadencial passa a ser regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, em razão do comando especifico emanado do § 40, in fine, do art. 150. É que, inexistindo regra específica no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de fraude, dolo ou simulação, deve ser adotada a regra geral, esta contida no art. 173, tendo em vista que nenhuma relação jurídico-tributária poderá protelar-se indefinidamente no tempo, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica. Nessa ordem de idéias, a contagem do prazo de decadência para o lançamento de oficio não se rege sempre pelo art. 173, I, do CTN, mas sim, depende da modalidade de lançamento prevista na legislação específica do tributo. Para os tributos cuja legislação preveja como sistemática de lançamento o "por homologação", o dies a quo para a contagem do prazo de cinco anos será : (1) o da ocorrência do fato gerador, como regra geral: (2) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado, para os casos de dolo, fraude ou simulação. No presente caso, não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, a regra é a do § 4° do art. 150, e em 25 de novembro de 2003 a autoridade tributária não mais estava autorizada a rever o lançamento relativo aos três primeiros trimestres de 1998. Acolho a preliminar. Passo ao mérito. Alega a Recorrente que o art. 2' da Lei n° 8.200, de 1991, instituiu obrigação de efetuar a correção monetária especial das contas de Ativo Permanente com base em índice que reflita a variação geral de preços, mas apenas a facultou. Ar gumenta que o art. 32 do Decreto n° 332, de 1991, ao obrigar a correção especial, extrapolou a lei. E que o art. 40 do mesmo Decreto, ao determinar que todas as pessoas jurídicas deveriam reconhecer a diferença IPC/BTNF sobre as adições, exclusões e compensações controladas no LALUR desde 1989, o fez sem fundamento legal. A Lei n° 8.200/91 estabelece duas formas correção monetária, de maneira a considerar os expurgos inflacionários que afetaram os balanços das empresas a partir do ano de 1990. 6 Processo n° I 95 15.004359/2003-35 CCO I/C0 I Acórdão n.° 1101-00.130 Fls. 7 A primeira, denominada "correção especial do ativo permanente', prevista no art. 2° da Lei, é facultativa, e permitia que as empresas, independentemente de laudo, atualizassem seu ativo permanente, em 31.01.91, por quaisquer índices que refletissem a variação geral dos preços. A segunda, conhecida como "correção monetária complementar IPC/BTNF- 90", prevista no art. 3' da Lei n° 8.200/91, é obrigatória, e deveria ser feita em 1991, mas referida ao balanço de 1990. Determinou, o art. 3° da Lei, que os efeitos fiscais do resultado (credor ou devedor) dessa correção monetária complementar fossem extra-contábeis. De acordo com o inciso 11 do art. 3° da Lei n° 8.200, de 1991, se o saldo dessa correção complementar resultasse credor, seria computado na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Improcedente, pois, a alegação de que o art. 32 do Decreto n° 332, de 1991, extrapolou a lei, pois não está ele regulamentando a correção facultativa, tratada no art. 2° da Lei, e que era restrita aos bens do ativo permanente. Todavia, conforme já apontou a decisão recorrida, a divergência de valores registrados a título de saldo de lucro inflacionário acumulado tem origem na aplicação da diferença IPC/BTNF sobre o "Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89", e não sobre o balanço encerrado em 31/12/90. Alega a recorrente descabimento da correção complementar sobre os valores controlados no LALUR. O art. 40 do Decreto 332/91 regulamenta a Lei n" 8.200/91, cujo art. 1° se reporta à correção monetária das demonstrações financeiras de que trata a Lei n° 7.799/89. A Lei n° 7.799, de 1989, dispôs sobre a correção monetária das demonstrações financeiras, estabelecendo, no seu artigo 3°, que tal correção tem por objetivo expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada período-base. Seu art. 4' determinou que os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do período-base serão computados na determinação do lucro real. • O inciso I do referido art. 4°, ao relacionar as contas sujeitas à correção, mencionou, na alínea "f", outras contas que venham a ser determinadas pelo Poder Executivo, considerada a natureza dos bens ou valores que representem. E o inciso IV determinou o cômputo, no lucro real, do saldo da conta especial destinada ao registro das contrapartidas dos ajustes de correção monetária, se credor. O art. 15 da lei criou a obrigação, para as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, de manter Livro Razão Auxiliar em BTN Fiscal, no qual as contas sujeitas à correção monetária seriam escrituradas adotando-se como unidade de conta o valor do BTN Fiscal. O art. 19 estabeleceu que, por ocasião do levantamento do balanço, os saldos corrigidos das contas da escrituração comercial serão determinados mediante a conversão ao 7 Processo n° 19515.004359/2003-35 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.130 Fls. 8 padrão monetário, dos saldos do Razão Auxiliar em BTN Fiscal, com base no valor do BTN Fiscal no dia do balanço a corrigir. O art. 20 determinou que o saldo credor da conta de correção monetária seja computado na determinação do lucro real, mas assegurou ao contribuinte opção para diferir a tributação do lucro inflacionário não realizado. O § 3° do art. 21 determinou que o lucro inflacionário a tributar será registrado em conta especial do Livro de Apuração do Lucro Real, e o saldo transferido do período-base anterior será corrigido monetariamente, com base na variação do valor do BTN Fiscal entre o dia do balanço de encerramento do período-base anterior e o dia do balanço do exercício da correção. O art. 28 dispôs que os valores que devam ser computados na determinação do lucro real de período-base futuro, registrados no Livro de Apuração do Lucro Real, sejam corrigidos monetariamente até o balanço do período-base em que ocorrer a respectiva adição, exclusão ou compensação. Corno visto, a Lei n° 8.200/91, que trata da correção monetária de balanço pelo IPC, reporta-se à correção monetária prevista na Lei n° 7.799/89 que, em seu artigo art. 3 0, prevê que "a correção monetária das demonstrações financeiras tem por objetivo expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada período-base". E os dispositivos da Lei n° 7.799/89, referidos neste voto, demonstram ser equivocado o entendimento de descabimento da correção complementar dos valores controlados no LALUR. Portanto, nos termos da Lei n° 7.799/89 (art. 21, § 3°) e Decreto n° 332/91 (art. 40), o saldo do lucro inflacionário a realizar existente em 31/12/89 deve ser corrigido com base na variação anual do índice previsto em lei, e tal atualização é efetuada antes da realização do lucro inflacionário que vier a ocorrer no ano. A Lei n° 7.799, de 1989 é dirigida a toda a escrituração do contribuinte em que estejam registrados valores sujeitos à correção monetária pelo BTNF e que devam ser levados em consideração na apuração do lucro real e, portanto, do imposto de renda devido. Assim, não merece acolhida a alegação de que o art. 40 do Decreto n° 332/91 não teria base legal. A sistemática de correção monetária do saldo do lucro inflacionário a realizar já estava prevista na Lei n° 7.799/89, sendo que a Lei n° 8.200/91 alterou o índice de atualização para o período-base de 1990, que deixou de ser o BTN fiscal, e passou a adotar o 1PC. Quanto à alegação de que a decisão recorrida, ao recompor a base para calcular as realizações obrigatórias mínimas, deixou de considerar as baixas por decadência em relação ao ano-calendário de 1996, não tem razão a recorrente, pois a partir de 31/12/95 as realizações não mais sofrem influência das baixas, uma vez que são calculadas sempre sobre o saldo acumulado naquela data. Processo n° 19515.004359/2003-35 CCO 1/C01 Acôrdào n.° 1101-00.130 Fls. 9 Pelas razões expostas, acolho a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1998, e quanto ao mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 18 de junho de 2009 SANDRA. MARIA FARONI À • 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.001815/00-15
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial é de 05 anos, contados nos termos do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.075
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial é de 05 anos, contados nos termos do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de tos, em neg. provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. i.4 CARLOS ALBER e "E FREITAS ARRETO 1Presidente HENÉQUE PINHEIRO, TORRES Relator FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais Iffi -- (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Leonardo Siade Manzan (Vice- Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra a Decisão DRJ/CPS ri 1.021, de 20/7/2001 , proferida pela AFRF Maria Inês Dearo Batista, com base na delegação de competência atribuída pela Portaria DRJ/032/ 1998 do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Nesse julgamento foi julgado procedente o lançamento em que foi formalizada a exigência da contribuição ao Fundo de Investimento Social — Finsocial, no valor de R$ 371.528,17, ao qual foram acrescidos multa de oficio e juros de mora. De acordo com o que consta no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração (lis. 131/142), a exigência fiscal decorre do fato de que os pagamentos a maior efetuados com base em alíquota superior a 0,5% foram insuficientes para cobrir os períodos de 01/12/91 a 31/3/92 correspondentes aos fatos geradores da contribuição ao FinsociaL Os valores foram apurados a partir da análise da Ação Ordinária n' 94.0025146-7 e da Medida Cautelar n' 94.0013710-9, nas quais a contribuinte recebeu autorização judicial para compensar o que pagou a maior, com tributos da mesma espécie. Em decorrência, os recolhimentos, depósitos administrativos e depósitos judiciais efetuados para cada estabelecimento da empresa foram objeto de imputação, e os débitos remanescentes constantes do demonstrativo de fl. 129 foram exigidos no Auto de Infração. A ementa da decisão da DRJ/Campinas/SP foi assim redigida, verbis: "DECADÊNCIA. O prazo decadencial da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial é de dez anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. COMPENSAÇÃO. ESTABELECIMENTOS. A compensação de um estabelecimento com outro da mesma empresa, a qual não recolhe centralizadamente a contribuição social, deve seguir os procedimentos prescritos para a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. Lançamento Procedente" A decisão de primeira instância concluiu no sentido de que o art. 45 da Lei ng 8.212/91 estabeleceu em 10 anos o prazo 2 Processo n° 13819.001815/00-15 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.075 Fl. 450 decadencial das contribuições sociais, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído e de que, anteriormente, o art. 3' do Decreto-lei n 2.049/93 estabelecera em 10 anos o prazo decadencial no caso do Finsocial, a partir da data fixada para o seu recolhimento. E considerando que a ciência do Auto de Infração é datada de 31/8/2000, os períodos lançados (dezembro/9 1 a março/92) não estão abrangidos pela decadência. Considerou, também, que não cabe à autoridade administrativa julgadora pronunciar-se sobre a constitucionalidade dos enquadramentos legais apontados no Auto de Infração, o qual está de acordo com a sentença judicial prolatada na Ação Ordinária 94.0025146-7. A contribuinte apresenta recurso tempestivo às fls. 238/260, acompanhado dos documentos de fls. 261/374, em que alega basicamente: a) não assistir razão à decisão, tendo em vista que os fatos geradores do Finsocial ocorreram há mais de 5 anos antes da lavratura do auto de infração, do que restaria decaído o direito de constituir o crédito tributário, em face de se tratar de tributo cujo lançamento é por homologação, sujeito à regra do art. 150, § 4', do CTN; que ainda que não seja esse o dispositivo a ser aplicável, mas a regra do art. 173, I, do CTN, ainda assim estaria caduco o crédito tributário, pois esse dispositivo - igualmente prevê o prazo de 5 anos para a constituição do crédito tributário; que não argüiu em sua defesa a inconstitucionalidade da Lei /e 8.212/91, apenas fez uma interpretaçã o sistemática das normas que tratam da decadência; que em matéria de tributos a norma competente para tratar de decadência é a lei complementar (art. 146 da CF/88): b) que no caso em tela não está presente o atributo da exigibilidade necessária ao ato administrativo do lançamento, visto que existem imperfeições que o viciam; que o lançamento levado a efeito é nulo porque em desacordo com critérios mínimos estipulados no ordenamento jurídico; que quando interpôs as ações judiciais mencionou expressamente que incluía a matriz e as filiais Alvarenga, Simonsen e Diadema, mas que, inexplicavelmente, o levantamento foi feito por estabelecimentos e os saldos credores em favor da recorrente apurados na filial Simonsen foram desconsiderados para fins de quitação do Finsocial eventualmente por ela devido, conforme apurado nos outros dois estabelecimentos citados; que ao não levar em conta os créditos da recorrente apurados na filial Simonsen, o agente fiscal violou a decisão judicial que autorizou a compensação à empresa como um todo; que a recorrente foi prejudicada pelo critério utilizado pela fiscalização; c) que ao proceder aos cálculos de compensação a fiscalização deixou de corrigir os créditos da recorrente por fator que reflita efetiva e realmente a inflação no período, visto que utilizou índice que não demonstrou a real desvalorização ocorrida em 1990, quando os expurgos inflacionários alcançaram 93,37%; que, conforme se vê do próprio Auto de Infração, o juiz deferiu a 1 3 correção monetária plena, ao contrário do que consignou a decisão recorrida; que, além disso, os créditos da recorrente devem ser acrescidos da Selic; e d) que caso não seja acolhida a argumentação supra, jamais seriam devidos os juros morató rios na dimensão pretendida, porque a taxa Selic além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes aremuneração de serviços de instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo; que a taxa Selic extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CIN; Pelo exposto, solicita a reforma da decisão de primeira instância para o fim de reconhecer a ocorrência da decadência, ou caso assim não se entenda, para julgar totalmente improcedente a autuação pelo mérito, em face da correção do procedimento que adotou, se antes não for decretada a nulidade do Auto de Infração, em face dos vícios que apresenta, afastando em qualquer hipótese a taxa Selic. A Câmara a quo acolheu a preliminar de decadência argüida no Recurso Voluntário através do Acórdão n° 302-36.851 (fls. 394/399), de 14/06/2005, cuja ementa transcrevo: FINSOCIAL — DECADÊNCIA As contribuições sociais, dentre elas referente ao Fundo de Investimento Social, embora não compondo o elenco dos impostos têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com os artigos 146, III, "b", e da 149 da CF/88, a decadência do direito de lançar as contribuições deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior percebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. ACOLHIDA A PRELIMINAR. A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando contrariedade à lei tributária, interpôs Recurso Especial (fls. 401/410) contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Por meio da informação técnica juntamente ao Despacho n° 302- 0.082 (fls. 411/415), deu-se seguimento ao recurso do Procurador. Cientificado, o interessado apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da Procuradoria às fls. 419/440. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator, 4 _ Processo n° 13819.001815/00-15 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.075 Fl. 45 1 O recurso da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria devolvida a este Colegiado cinge-se ao prazo extintivo para lançar a contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial. Nessa matéria, o meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição está sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/199 1 , como vinha votando a questão da decadência da Cofins. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante n°08 do STF, adoto o prazo limite de cinco anos para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pertinente à contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial, nos termos do Código Tributário Nacional. O CTN dá duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas, o termo de início deve coincidir com a data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento; e, na segunda, o termo a quo é o 10 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, independe de ter havido ou não pagamento. O caso em análise enquadra-se na hipótese prevista no art. 150, § 4°, do CTN, já que, pelas informações dos autos, houve antecipação de pagamento. Por conseguinte, não há o que ser homologado. Com isso, o dies a quo da decadência é de 5 anos contados da data do fato gerador. De outro lado, a exação aqui em debate refere-se a fatos geradores ocorridos no mês de março de 1992, enquanto a ciência do lançamento deu-se em 14 de abril de 2000. •Assim, na data em que se deu a ciência do lançamento, o direito dc a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário já havia sido extinto pelo decurso do prazo decadencial. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009. cr ; .f.g ENRIQUE PINHEIR g ORRES 5
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Numero do processo: 10880.039173/90-98
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1984, 1985
Ementa: PAF RECURSO — EFEITO DEVOLUTIVO PARCIAL — A
atuação do Conselho de Contribuintes é restrita as matérias expressamente discutidas na peça recursal a ele direcionada, não podendo ser analisadas ou julgadas questões não abordadas pela parte recorrente.
DECADÊNCIA - FINSOCIAL — antes da Constituição Federal de 1988 o
Finsocial possuía natureza jurídica de imposto, instituído via competência residual da União Federal, aplicando-se, em relação à decadência a regra do art, 173, I, do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA — PIS — a contribuição ao PIS, anteriormente à Constituição Federal de 1988, não estava destinada ao custeio da Previdência Social e, por isso, mesmo após a Emenda Constitucional nº 8/77, manteve sua natureza tributaria, aplicando-se, em relação à decadência a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1802-000.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa, votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros
Joao Francisco Bianco, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Nelso Kichel (suplente convocado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1984, 1985 Ementa: PAF RECURSO — EFEITO DEVOLUTIVO PARCIAL — A atuação do Conselho de Contribuintes é restrita as matérias expressamente discutidas na peça recursal a ele direcionada, não podendo ser analisadas ou julgadas questões não abordadas pela parte recorrente. DECADÊNCIA - FINSOCIAL — antes da Constituição Federal de 1988 o Finsocial possuía natureza jurídica de imposto, instituído via competência residual da União Federal, aplicando-se, em relação à decadência a regra do art, 173, I, do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA — PIS — a contribuição ao PIS, anteriormente à Constituição Federal de 1988, não estava destinada ao custeio da Previdência Social e, por isso, mesmo após a Emenda Constitucional nº 8/77, manteve sua natureza tributaria, aplicando-se, em relação à decadência a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa, votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Joao Francisco Bianco, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Nelso Kichel (suplente convocado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-24T13:30:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-24T13:30:14Z; Last-Modified: 2011-08-24T13:30:14Z; dcterms:modified: 2011-08-24T13:30:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d348757d-eee7-48e7-bebf-5591422135d9; Last-Save-Date: 2011-08-24T13:30:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-24T13:30:14Z; meta:save-date: 2011-08-24T13:30:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-24T13:30:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-24T13:30:14Z; created: 2011-08-24T13:30:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-08-24T13:30:14Z; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-24T13:30:14Z | Conteúdo => — Presidente S1 -TEO2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10880.039173/90-98 Recurso n" 164..062 Voluntário Acórdão n" 1802-00.277 — 2" Turma Especial Sessão de 4 de novembro de 2009 Matéria IRPJ e Outros Recorrente Participações e Imóveis São José Ltda. Recorrida 3a Turma - DRJ Sao Paulo I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1984, 1985 Ementa: PAF RECURSO — EFEITO DEVOLUTIVO PARCIAL — A atuação do Conselho de Contribuintes é restrita as matérias expressamente discutidas na peça recursal a ele direcionada, não podendo ser analisadas ou julgadas questões não abordadas pela parte recall ente. DECADÊNCIA - FINSOCIAL — antes da Constituição Federal de 1988 o Finsocial possuía natureza jurídica de imposto, instituído via competência residual da Unido Federal, aplicando-se, em relação à decadência a regra do art,. 173, I, do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA — PIS — a contribuição ao PIS, anteriormente à Constituição Federal de 1988, não estava destinada ao custeio da Previdência Social e, por isso, mesmo após a Emenda Constitucional n" 8/77, manteve sua natureza tributaria, aplicando-se, em relação h decadência a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa, votou pelas conclusões.. Vencidos os Conselheiros Joao Francisco Bianco, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Nelso Kichel (suplente convocado) C' LEONARDQLOBO DE ALMEIDA - Relator EDITADO EM: JAN 8 j -• • Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques de Lins Sousa (Presidente da Turma), Josó de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelson Kichel (Suplente Convocado), Leonardo Lobo de Almeida, Edwal Casoni de Paula Fernandes Jimior, Joao Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). 2 Processo re 10880 039173/90-98 SI-TE02 Acórao n.° 1802-00.277 Fl 2 Relatório Cuida o presente de Autos de Infração de IRPJ (fls. 118), FINSOCIAUIR DEVIDO (fls.. 152), PIS/REPIQUE (fls. 185), IRRF (fls.218) e PIS/DEDUÇÃO (fls. 253), em razão da constatação das irregularidades descritas no Termo de Verificação (M. 97), relativas aos períodos-base de 1984 e 1985. Devidamente cienti ficado da lavratura do Auto de Infração, foi apresentada Impugnação, alegando, em síntese, que: - a legislação vigente permitiria que pequenos gastos com a aquisição de materiais e serviços com a manutenção do imobilizado sejam apropriados a despesas operacionais, sendo esses gastos necessários à manutenção de qualquer imóvel; - impossibilidade de se comprovar pequenas despesas, em razão do prestador de serviços ou pequenas compras nem sempre dispõem de comprovantes, tendo sido realizado os devidos lançamentos contábeis; - as depreciações dos imóveis foram feitas de acordo com os indices oficiais; e - ocorrência da decadência prevista no artigo 711 do Decreto no 85.450, de 04/12/1980. Às fis. 125/127 constam as informações prestadas pelo Auditor Fiscal, que sustenta que as alegações de defesa constituem-se em medida meramente protelatória, inexistindo a alegada decadência, pois o prazo decadencial só começa a ser contado no primeiro dia do exercício financeiro seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Afirma ser inaplicável o prazo de 5 anos previsto no § 2 0 do artigo 711, ern razão de ter a declaração sido entregue no prazo (31.05.1985), sem imposto a pagar, do que decorre a ausência de lançamento. Dessa forma, o prazo decadencial inciar-se-ia em 01/01/86, expirando-se em .31/12/1990, tendo o Auto de Infração sido lavrado em .31/10/1990. A 3" Turma da DRI/SP I, por unanimidade de votos, acatou parcialmente a preliminar de decadência, exonerando o IRPJ relativo ao período-base de 1984 e julgou procedente em parte o lançamento, sob os seguintes fundamentos: - o RIR aprovado pelo Decreto n.° 85.4500/80 prevê expressamente, em seu artigo 711, que o prazo decadencial para se proceder ao lançamento do IRP1 extingue-se após 5 anos contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", estabelecendo o § 1 0 do referido artigo a antecipação do inicio do prazo com a entrega da declaração de IRPI; assim, no que se refere ao exercício de 1985 (período-base 1984) a declaração de rendimentos foi entregue em 31/05/1985, motivo pelo qual considera-se decaído o direito de lançar o imposto em 31/05/1990, não podendo, portanto, a Fazenda lançar o imposto em 31/10/1990 (data da ciência do Auto de Infração); , \ - quanto ao PIS/REPIQUE e PIS/DEDUÇÃO, por se tratarem de tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se a regra do artigo 150, § 4' do CTN, qual seja de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, salvo a existência de lei estipulando prazo diverso; - a legislação ordinária de regência do PIS — Decreto-Lei n.° 2.052183, prevê, ern seu artigo 3' prazo de 10 anos para que os contribuintes sejam compelidos ao pagamento da contribuição; - o artigo 3° do Decreto-Lei n.° 2.049/83, que trata do FINSOCIAL estabelece igual prazo para ocorrência da decadência; - o IRRF exigido tem previsão no artigo 8° do Decreto-Lei n.° 2.065/83, contando-se a decadência pelo prazo previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, qual seja o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - os artigos 193 e 227 do RIR/80 estabelecem que, para serem considerados dedutiveis os gastos realizados, este devem ser necessários à conservação do imóvel e deles não deve resultar aumento, superior a um ano, da vida útil do bem prevista no ato de sua aquisição; - caberia à Impugnante comprovar que os gastos demonstrados nas fls.. 98 e 107/108 realmente se enquadram na hipótese legal; - a dedutibilidade de despesas deve ser devidamente comprovada por meio de documentação hábil (artigo 174, § 1° do RIR/80); - a ausência de comprovantes que venham a fundamentar a escrituração impede que a 'fiscalização venha a averiguar documentalmente se os gastos enquadram-se nos pressupostos dos artigos 191 e 192 do RIR/80; e - o contribuinte pretendeu depreciar terrenos, o que não é permitido pelo artigo 199, I, "a" do RIR/80. Inconformada, em 11.06.2007, a contribuinte, ora recorrente, interpôs recurso voluntário, com base nos seguintes argumentos: - o procedimento administrativo de lançamento das contribuições sociais e denominado lançamento por homologação, tendo o contribuinte a obrigação legal de efetuar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, esta ao tomar conhecimento do ato praticado, homologa-o, constituindo e excluindo o credito tributário; - aplicação ao caso do artigo 150, § 4° do CTN que estabelece prazo de 5 anos, contados da data do fato gerador do trributo, para homologação do lançamento; - impossibilidade de aplicação do prazo de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, em razão do fato gerador no caso corresponder ao ano de 1985, antes, portanto, da edição da lei; - o artigo 3° do Decreto-lei n.° 2.052/83 em momento algum faz referencia a decadência, mas sim ao prazo para conservação de documentos comprobatórios de pagamento; e 4 Processo n° 10880 039173/90-98 S 1 -TE02 Acórdão n.° 1802-00.277 II 3 - considerando o prazo decadencial de 5 anos, a totalidade das contribuições exigidas seriam descabidas, devendo ser julgadas improcedentes e excluídas da autuação fiscal .t o relatório. Voto Conselheiro Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA, Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. De plano, para a correta apreciação do recurso, deve-se estabelecer os seus exatos limites, considerando ser o efeito devolutivo ao Conselho de Contribuintes restrito As matérias expressamente discutidas na peça recursal a ele direcionada. Como visto, em seu apelo, o ora recorrente limita-se a se insurgir quanta ao não reconhecimento da decadência no que tange As contribuições sociais (PIS Repique, PIS Dedução) e ao FINSOCIAL, que, à época dos fatos geradores (anteriores A Constituição de 1988), possuía natureza jurídica de imposto. Neste aspecto, considerando o efeito devolutivo parcial do presente recurso, sua análise restringir-se-á à questão do prazo decadencial para lançamento dos aludidos tributos. Inobstante, antes de adentrar-se na discussão trazida a baila, deve-se mencionar que tanto o ora recorrente quanto a DM labutaram em grave equivoco, pois trataram do tema como se os fatos geradores tivessem ocorrido posteriormente à Constituição Federal de 1988, o que, à toda evidência, não é o caso, já que a exigência fiscal é referente aos anos-calendário de 1984 e 1985. A primeira conseqüência de tal fato é que, à época, o lançamento de tais tributos dava-se através da modalidade de declaração e não por homologação, como ocorre hoje em dia. Destarte, inaplicável o § 40 do artigo 150 do CTN, como pretende o recorrente, sendo hipótese de utilização do artigo 173, I, daquele Código. Ainda assim, entendo procedente o seu pleito em relação ao ano-calendário de 1984, exercício 1985, pois mesmo que se considere que o prazo para o lançamento tenha se iniciado com a entrega da declaração pelo contribuinte em 31/05/85, estaria decaído o direito do Fisco em 31/05/90, como aliás reconhecido pela DRJ quanto ao IRPJ. O problema encontrado na decisão de l a Instancia é que, para justificar a cobrança consubstanciada no auto de infração, além de considerar aplicável o citado artigo 150, § 40, do CTN, ainda valeu-se de legislação que nada tem a ver com a estipulação de prazo de decadência tributária, mas que dispõe tão somente do cumprimento de obrigações acessórias pelos contribuintes prazo para a guarda de documentos. Como é inequívoco que em 1984 o FINSOCIAL era considerado imposto, instituído via competência residual da União Federal, óbvio que a ele devem ser aplicadas as regras do CTN, inclusive quanto ao prazo decadencial de lançamento. A imica disputa que poderia existir in casu, a meu ver, é quanto ao PIS relativo ao ano de 1984, uma vez que tal contribuição, após a Emenda Constitucional no 8/77, passou a ser alvo de acirrada polêmica doutrinária, no sentido de haver mantido ou não a sua natureza tributária: 6 Processo IV 10880 039173/90-98 S1-1102 AcOrcrdo rt.° 1802-09177 Fl 4 Pedindo vênia aqueles que entendem diferentemente, no tenho dúvida em afirmar que a contribuição ao PIS jamais deixou de ser tributo e, como tal, também sujeita ás disposições do CTN, em especial o já por diversas vezes referido artigo 173, I. Neste exato sentido posicionou-se a minoria do Supremo Tribunal Feder al, merecendo ser citados sobre o tema os votos do Ministro Oscar Dias Correa no RE 100790, bem corno os dos Ministros Carlos Velloso e Paulo Brossad no RE 148754 De toda sorte, uma vez que a decisão agora atacada, especificamente no tocante à decadência que teria ocorrido em relação ao fato gerador do ano de 1984, esta errada, merece ser reformada. Isto posto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência de o Fisco efetuar o lançamento do FINSOCIAL„ do PIS Repique e do PIS Dedução no ano-calendário 1984, exercício 1985. z Relator LEONARDOLEONARDO LOBO DE ALMEÍDA 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10880.039173/90-98 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 28 de janeiro de 2011 CLAUDE MALAQUIAS RODRIGUES Presidente da 2' Amara da rimeira Seção de Julgamento Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [3 com Recurso Especial; [ I com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000718/2002-79
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA.
É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.246
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam a incidência de juros Selic no ressarcimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI. Recurso Voluntário Negado.
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(. :`: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ":3'; tlf':' Processo n° 13609.000718/2002-79 Recurso n° 148.745 Voluntário Acórdão n° 3302-00.246 — 3' Câmara / 2. Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria IPI - Ressarcimento Recorrente Calsete Siderúrgica Ltda. Recorrida DRJ Santa Maria / RS ASSUNTO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IH Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não integra a base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. GLOSA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido relativa a aquisições não comprovadas, à vista de intimação especifica da Fiscalização quanto à efetiva existência das operações e seus pagamentos, fundamentada na suspeita da inexistência de fato da empresa fornecedora. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3a Câmara / r Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que reconheciam a incidência de juros Selic no ressarcimento. 1. e, I k -Mir -1 I .2 .tC tv '1\2. I•-L-3 WAL ER ÍOSE DA LVA — Presidente em Exercício ---/„c ":". 1 JOSÉ Aislrdirl FRANCISCO - Relator ,/5-- Pdiciparam do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente em Exercício), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Alexandre Gomes e Gileno Gudão Barreto. Relatório' Trata-se de recurso voluntário (fls. 298 a 321) apresentado em 10 de outubro de 2007 contra o Acórdão n° 18-7.544, de 09 de agosto de 2007, da P Turma de Julgamento da DRJ Santa Maria / RS (fls. 283 a 288), do qual tomou ciência a Interessada em 13 de setembro de 2007 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de créditos de IPI do 10 trimestre de 2000, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IP! Período de apuração: 01/01/2000 a 3 1/03/2000 IN CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO Os bulimos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IP!, aplicados na industrialização de produtos exportados, cuj as aquisições estejam cabalmente comprovadas, com base em documentos idôneos. Os gastos com energia elétrica não dão direito ao beneficio, porque não se subsume aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. IPL RESSARCIMEN7'0. CRÉDITO PRESUMIDO. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRM Por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic ao ressarcimento de crédito presumido do IPI. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 22 de agosto de 2002 e inicialmente indeferido em parte pelo despacho decisório de fls. 252 e 253, com base nos relatórios de fls. 214 a 223 • 247 e 248, segundo os quais a Interessada incluiu indevidamente na apuração do crédito presumido aquisições de energia elétrica e outras lastreadas em notas fiscais inidôneas, relativas a supostas aquisições da empresa Siderglobo Ltda., a respeito das quais a Interessada não apresentou contrato de compra e venda, nem documentos comprobatórias dos pagamentos efetuados. A referida empresa, segundo relatórios obtidos pela Fiscalizaçao do Fisco estadual, "foi declarada inexistente de fato em 08/08/2000 e teve todos os documentos fiscais emitidos a partir de 14/09/1999 declarados como inidôneos". Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou que a energia elétrica seria insumo e deveria ser considerada na apuração. Ademais, a Lei n. 10326, de 2001, M, 2 Processo n° 13609.000718/2002-79 53-C3T2 Acórdão n.°3302-00246 Fl. 325 teria ampliado a possibilidade de sua "utilização na base de cálculo do crédito presumido de IP1". Citou ementas de acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes que trataram da matéria. Quanto às notas inidemeas, alegou que, conforme a própria Fiscalização haveria relatado, "a empresa SiderGlobo Ltda foi declarada inexistente de fato em 08/08/2000 pelo fisco estadual, e apenas em 22/02/2003 foi declarada inapta pela Receita Federal". • Ademais, teria apresentado o livro Diário com os registros das operações e "comprovado todos os pagamentos realizados com o fornecimento de coque, demonstrando de forma incontroversa a ocorrência das operações". Também citou ementas de acórdãos administrativos sobre a matéria. Por fim, requereu a incidência da Selic. A DRJ manteve a decisão, conforme relatado, e, no recurso voluntário, a Interessada repetiu as alegações da impugnação, fazendo análise dos objetos da Lei n. 9.363, de 1996, e da interpretação segundo o art. 5" da Lei de Introdução ao Código Civil, e sobre o conceito de produto intermediário e a inexistência de previsão legal exigindo o contato físico • do insumo com o produto. Quanto às notas fiscais, após reproduzir trecho do voto do relator do acórdão de primeira instância que afirma não provar a escrituração do diário que as aquisições tenham de fato ocorrido, repetiu as alegações da impugnação e citou decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais sobre a matéria, no que diz respeito ao ICMS. Por fim, requereu a incidência da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Trata-se de três matérias no presente recurso: inclusão das aquisições de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido; notas fiscais iniclôneas; e incidência da taxa Selic. Quanto à energia elétrica, o 2° Conselho de Contribuintes aprovou, em sessão plenária de 18 de setembro de 2007, a Súmula n. 12, cujo teor é o seguinte: Súmula n. 12 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. ktçkrti 3 Conforme dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Ricarf, as súmulas aprovadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do Carf e insuscetíveis de recurso: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. b.1 § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. 11.,1 Quanto às notas fiscais consideradas inidâneas, há que se esclarecer que tal consideração não foi adotada apenas em função de aspectos formais. Como é cediço, a declaração de inaptidão e a declaração de inidoneidade são suficientes para garantir a inversão do ônus da prova. Mas não é o caso dos autos como faz supor a Interessada. Conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000, de 1999), os registros contábeis devem ser baseados em documentos, que devem ser guardados em boa ordem pelo contribuinte: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 49. §32 Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n 2 9.430, de )99& art. 37). O art. 527, que trata do lucro presumido, traz disposição semelhante. çl 4 Processo n0 13609.000718/2002-79 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.246 Fl. 326 Portanto, a escrituração em si faz prova contra o sujeito passivo. Entretanto, se a Fiscalização encontra elementos que coloquem em dúvida as operações escrituradas, poderá requerer do sujeito passivo a apresentação dos documentos que comprovem as operações escrituradas. Foi o que oco= no caso dos autos, uma vez que a Fiscalização demonstrou que a empresa fornecedora havia sido considerada inexistente de fato pelo Fisco estadual. Embora a formalidade tenha sido declarada após o período de apuração eia questão, era situação suficiente a colocar em dúvida a legitimidade das operações. Daí a necessidade de comprovação específica das operações escrituradas no Diário, o que levou à intimação da Contribuinte. Entretanto, a Interessada não apresentou documentos que demonstrassem a realização das operações. Portanto, não se trata aqui de presunção com base em declaração formal de inexistência da empresa fornecedora, nem com base em sua inaptidão, mas em pura e simples falta de comprovação das operações realizadas. Finalmente, em relação à Selic, não ha previsão legal que permita a incidência de juros, no caso de ressarcimento de IPI. Esclareça-se que não se está falando de correção monetária, mas de juros compensatórios. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4°), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva aos demais casos de compensação, mesmo porque a compensação é efetuada, em regra, na data do pedido. O texto da Lei ri. 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. A data prevista para o inicio da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir nesse caso. Por fim, é preciso esclarecer que o ressarcimento de crédito presumido de IPI não se confunde com restituição e não equivale à restituição das contribuições sociais. A restituição aplica-se somente aos casos de recolhimento indevido ou a maior do que o devido, segundo a legislação de regência. No caso do crédito presumido, as contribuições PIS e Cofins são devidas nas vendas dos produtos para o produtor-exportador. Se não fossem, caberia o pedido de restituição. ÇI51 5 Algo totalmente diverso é o incentivo fiscal instituido por lei especifica, cuja natureza é de crédito presumido de IPL Como a incidência de juros depende de expressa previsâo legal, não cabe a sua incidência no presente caso. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. JOSÉ-- -0N10 NCISCO • • 13,1- 6
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Numero do processo: 10920.902999/2008-61
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE
A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
PRAZO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre
prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis
mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de compensação/restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ
no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato
gerador; já para os pedidos administrativos formulados após
09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC
118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de
que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As Decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal
Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e
543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no
julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
Numero da decisão: 3201-001.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. PRAZO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de compensação/restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, emitida em 10/11/2004, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta ter compensado um débito, referente ao mês de novembro de 2004, com crédito contra a fazenda nacional, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS efetuado em 09/11/2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile/SC pela não homologação da compensação pretendida (Despacho Decisório juntado aos autos), em razão de não ter sido localizado, nos Sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o Darf discriminado no PER/Dcomp apresentado: valor R$ 2.689.254,28, código receita 3885; período de apuração 31/03/1993; data de vencimento 20/04/1993; data de arrecadação 09/11/2004. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, onde traz argumentos de variada ordem em defesa de seu direito ao crédito decorrente de pagamentos indevidos de PIS, que seguem em breve síntese. A contribuinte defende: o cabimento da manifestação apresentada e da suspensão, em face desta, da exigibilidade dos créditos tributários cuja compensação não foi homologada; a inaplicabilidade da multa isolada; a ilegalidade da exigência de prévia habilitação dos créditos decorrentes de ação judicial. No mais, por meio de remissão ao artigo 66 da Lei n.º 8.383/91, defende seu direito à compensação de valores recolhidos nos moldes dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88, que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram suas aplicações suspensas por resolução do Senado Federal. Ao final pugna pela “concessão da medida liminar” a fim de lhe garantir “efetuar a referida compensação” e “declarar nulo o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.902999/200861 Acórdão n.º 3201001.055 S3C2T1 Fl. 2 3 lançamento de ofício, objeto da compensação tributária e dito como não compensado”. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.055, de 10/09/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em, Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 1993 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004 Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido da não homologação da compensação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, emitida em 10/11/2004, por meio da qual a recorrente intenta ter compensado um débito, referente ao mês de novembro de 2004, com crédito contra a Fazenda Nacional, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS efetuado em 09/11/2004. Inicialmente, reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Foi indeferido o pleito, tendo em vista a não homologação da compensação pretendida, em razão de não ter sido localizado, nos Sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o Darf discriminado no PER/Dcomp apresentado: valor R$ 2.689.254,28, código receita 3885; período de apuração 31/03/1993; data de vencimento 20/04/1993; data de arrecadação 09/11/2004. Ratifico a informação que nada há nos autos que indique que houve o pleito expresso na esfera judicial da demandante de reconhecimento da existência de quaisquer Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 valores, desta natureza, recolhidos a maior, e muito menos de que tenha havido qualquer decisão judicial transitada em julgado tratando de declarar a existência concreta de créditos, desta natureza, da recorrente contra a Fazenda Nacional. Destarte, tendo em vista a falta de liquidez e de certeza dos créditos pleiteados, mesmo assim, persistiria um sério obstáculo à pretensão em comento, a decadência dos supostos créditos objeto do pedido, uma vez que, à data do envio da Dcomp, a recorrente não mais possuir o direito a pleitear o crédito pretendido. Passo ao exame do prazo para pleitear a compensação/restituição. Inicialmente, ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.902999/200861 Acórdão n.º 3201001.055 S3C2T1 Fl. 3 5 contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Diante do exposto, para os pagamentos ocorridos anteriormente a 10/11/1994, que é o caso, houve a decadência; considerando que a recorrente protocolizou o seu pedido de restituição/compensação em 10/11/2004, ou seja, decorridos mais de 10 anos já. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10830.003637/2004-71
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
EXERCÍCIO: 2000, 2001, 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão de oficio.
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE 75%. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1804-000.004
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF,
por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgler.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO . Processo n° 10830.003637/2004-71 Recurso n° 161.191 Voluntário Acórdão n° 1804-00.004 — 4 a Turma Especial Sessão de 18 de matço de 2009 Matéria PIS/PASEP - Exs.: 2000 a 2003 Recorrente INSTITUTO GRAMENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA Recorrida 4a TURMA/DRJ- CAMPINAS/SP Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep EXERCÍCIO: 2000, 2001, 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão de oficio. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE 75%. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os M- wre s da 4" Turma Especial da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, NEG • kAlre vimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgler. MA ' O INICIUS NEDER DE LIMA Pr side te ajiller~ -• E FERREIRA DE MORAES Processo n°10830.003637/2004-71 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl 2 Relatora Formalizado em: 19 juhi 2009 Participou, do presente julgamento, o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Trata-se de auto de infração de PIS, no valor de R$ 12.109,19, lavrado em decorrência da decisão definitiva exarada nos autos do processo n° 13842.000417/99-43, pela qual a contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES, a partir de 01/03/99, por exercer atividade econômica vedada à opção. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Resta impossível que os efeitos da exclusão do SIMPLES retroajam, implicando a apresentação de documentos solicitados pela Receita Federal, tendo em vista que a legislação à época dos fatos é taxativa no sentido de que a exclusão do SIMPLES gerará efeitos no exercício seguinte ao que se tomar definitiva. b) Se o recurso administrativo com relação ao SIMPLES foi recebido com efeito suspensivo, como pode haver a cobrança de multa punitiva. c) A legislação aplicável ao presente caso é o art. 15, II, da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pela Lei n° 9.732/98, tendo em vista que referido art. 73 não existe no mundo jurídico até a presente data. d) Foram efetuados pagamentos com relação ao tributo cobrado, sendo que, pela análise do auto de infração, é possível notar que não houve o correspondente abatimento desses valores. e) Requer que seja reconhecido seu direito de recolher o PIS cobrado nos moldes previstos na Lei Complementar 7/1970, reconhecendo-se a inaplicabilidade das disposições constantes das Lei n° 9.715/1998 e 9.718/1998, que alargaram a sua base de cálculo. f) Resta evidente seu direito de proceder ao cálculo do PIS com a exclusão dos valores referentes ao custo de aquisição e/ou produção de suas mercadorias, requerendo que seja reconhecido a possibilidade do recolhimento do PIS pela sistemática da não- cumulatividade. g) A incidência da taxa Selic sobre o débito não encontra respaldo jurídico. h) A multa aplicada ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, e da proibição do confisco previstos na Constituição Federal. Processo e 10830.003637/2004-71 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl. 3 i) Requer que ao menos seja determinada a exclusão do auto de infração dos valores concernentes a "outras receitas", relevando-se que os mesmos são manifestamente indevidos. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base nos seguintes fundamentos: a) O art. 15 da Lei n° 9.317/1996, ao determinar que a exclusão produzirá efeitos a partir do mês subseqüente, está considerando como exclusão a expedição do ato declaratório pela autoridade competente e não o julgamento de eventuais recursos ao ato que determinou a exclusão. Portanto, os efeitos do Ato Declaratório não se dão com a decisão final da controvérsia na esfera administrativa, mas sim com a expedição do ato excludente. b) A empresa, ao ser excluída do SIMPLES, estava obrigada a apurar os tributos e contribuições devidas observando-se a sistemática de apuração pelo lucro real ou presumido, gerando, em conseqüência, o dever de proceder a escrituração fiscal e contábil, a qual não foi apresentada, apesar de intimada e reintimada pela autoridade fiscal. c) Devem ser excluídos os recolhimentos efetuados dentro da modalidade do SIMPLES, aplicando-se os percentuais legais de distribuição. d) Quanto ao pleito de exclusão dos custos de aquisição e/ou produção da base de cálculo da contribuição, cabe esclarecer que as normas da não-cumulatividade do PIS somente passaram a vigorar com edição da Medida Provisória n° 66/2002, a qual estabeleceu que esta sistemática seria aplicável a partir de 1° de dezembro de 2002. e) Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, argumenta que não basta excluir os pagamentos efetuados pelo SIMPLES, pois o equívoco toma o lançamento nulo. É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. São quatro as questões principais a serem enfrentadas no presente recurso: (i) efeitos da exclusão do SIMPLES; (ii) base de cálculo do PIS; (iii) aplicação da taxa Selic; (iv) caráter confiscatório da multa aplicada. Processo n°10830.003637/2004-71 S 1-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 Fl. 4 Conforme consta dos autos o ato declaratório de exclusão foi exarado em fevereiro de 1999 quando vigorava o art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/1996, com a redação dada pela Lei n°9.732/1998, in verbis: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I - a partir do ano-calendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso Ido art. 13; II - a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos Hl a XVIII do art. 9"; (Redação dada pela Lei n" 9.732, de 11.12.1998). (.) 3° A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (incluído pela Lei n° 9.732, de I998)" Por expressa disposição legal, a exclusão do SIMPLES surtiu efeitos a partir do mês de março de 1999, ou seja, do mês subseqüente àquele em que foi editado o Ato Declaratório n° 162.797/99. A autoridade administrativa constituiu o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1999. Portanto, não há que se falar em retroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES. Por outro lado, ainda deve ser ressaltado que na data da lavratura do auto de infração — 26/07/2004, já havia decisão definitiva desfavorável à contribuinte nos autos do processo administrativo n° 13842.000417/99-43. Note-se que a contribuinte tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes em 26/09/2003. Por conseguinte, não merece reparos a decisão recorrida, uma vez que o recurso administrativo apenas suspende a exigibilidade do tributo, mas não tem o condão de alterar o texto legal quanto ao termo inicial dos efeitos da exclusão de oficio. Insurge-se a recorrente contra as alterações introduzidas pelas Leis n° 9.715/1998 e 9.718/1998. Ocorre porém, que tais dispositivos não afetaram os contribuintes tributados pelo SIMPLES, visto que para fins de apuração do montante devido neste sistema, considera-se receita bruta "o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos" (art. 2°, § 2°, da Lei n° 9.317/1996). Ou seja, a receita bruta não inclui as demais receitas auferidas pela contribuinte, tais como ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, ou resultados não-operacionais relativos aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos. yr Processo n°10830.003637/2004-7! S1-TE04 Acórdão n.° 1804-00.004 A. 5 Assim, quanto ao pedido de exclusão dos valores concernentes a "outras receitas", deve ser observado que o montante tributável foi apurado a partir da receita bruta mensal, declarada pela recorrente (fls. 55, 56 verso, 58 v, 60 v), e como o lançamento tomou por base os valores de receita bruta mensal constante da Declaração Anual Simplificada, deduz-se que neles não foram incluídas as "outras receitas" mencionadas pela recorrente. Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A imposição da multa de oficio de 75% é determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" A hipótese legal de aplicação da multa restou plenamente configurada na situação fática descrita na presente autuação, sendo que as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinam o percentual de 75% da multa, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, conforme Súmula n° 1 do 1°CC: "Súmula PCC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." O mesmo ocorre em relação ao pleito da recorrente de exclusão dos custos de aquisição e/ou produção da base de cálculo. O lançamento aplicou corretamente a legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores, sendo que apenas o Poder Judiciário tem competência para afastar a incidência de norma legal validamente posta no ordenamento jurídico. Por fim, a desconsideração dos pagamentos efetuados no momento da lavratura do auto não toma o lançamento nulo, bastando a redução do montante exigido tal como foi procedida pela Delegacia de Julgamento, sendo que, está correto o arbitramento efetuado, visto que, apesar de intimada mais de uma vez, a contribuinte não apresentou escrituração contábil e fiscal. 9/4 • Processo n° 10830.003637/2004-71 SI-1E04 Acórdão o.° 1804-00.004 Fl. 6 Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões- DF, em 18 de março de 2009 _a ~gr.' :c er-1,7 • MORAES • 6 • Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10660.720097/2007-35
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente.
VALIDADE DO ADA. RETIFICAÇÃO. PRAZOS.
Até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA.
Até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicam-se os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA.
Numero da decisão: 2202-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer como sendo área de preservação permanente o equivalente a 277,9 ha (nos termos do pedido).
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente. VALIDADE DO ADA. RETIFICAÇÃO. PRAZOS. Até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicam-se os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer como sendo área de preservação permanente o equivalente a 277,9 ha (nos termos do pedido). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. VALIDADE DO ADA. RETIFICAÇÃO. PRAZOS. Até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 97 /2 00 7- 35 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 246 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer como sendo área de preservação permanente o equivalente a 277,9 ha (nos termos do pedido). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 247 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 5, pela qual se exige a importância de R$46.671,46, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2005, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Quinhão 6, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 4.929.8135, localizado no município de SapucaíMirim/MG. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2005 no qual foi solicitado ao contribuinte apresentar (fls. 6 e 7): · cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; · Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o da Lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal); · certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o do Código Florestal, acompanhada do ato do poder público que assim a declarou; · Laudo de Avaliação do imóvel comprovando o valor da terra nua declarado, que atenda às normas da ABNT. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 e 3, verificase que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude das seguintes alterações efetuadas pelo autuante na DITR: Área de Preservação Permanente: glosa total da área declarada a contribuinte, regularmente intimada, apresentou Laudo de Avaliação de Imóvel, vários Laudos de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas IEF, cópias dos Atos Declaratórios Ambientais ADA (1997 e 2005) e várias Certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Paraisópolis/MG; esclareceu, ainda, que houve alteração de áreas em decorrência da venda parcial ocorrida no ano de 2005; analisando a documentação apresentada, a fiscalização verificou que as alterações nas áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, ocorridas em 2005, constam de ADA com data de emissão de 24/07/2007, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 248 4 documento sem data de protocolo junto ao IBAMA, considerado intempestivo; em relação à área de Utilização Limitada, o autuante ressalta que além desta área não estar consignada no ADA, a averbação no Registro de Imóveis apenas foi providenciada em 24/08/2007, depois da ocorrência do fato gerador. Valor da Terra Nua: valor alterado para R$1.441.053,60 (520,8ha x R$2.767,00/ha), conforme Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, devidamente registrado no CREA e com Anotação de Responsabilidade Técnica ART, apresentado pela contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 113 a 120, instruída com os documentos de fls. 121 a 193, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 201 e 202): Após tomar ciência do lançamento, em 20/12/2007 (às fls. 196), a contribuinte interessada, através de advogados e procuradores legalmente constituídos (às fls. 126/127), protocolou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 113/120, na oportunidade instruiu a sua defesa com os documentos de fls. 121/125, 128/134, 136/167, 168/169, 170, 171/177, 178, 179/186, 187, 188, 189/191, 192 e 193/195, alegando e requerendo o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos e das alterações efetuadas pela autoridade fiscal, conforme descrição dos fatos, de fls. 02/03; concluindo que está sendo compelida a pagar tributo equiparado a quem desmata áreas de preservação permanente e de reserva legal, fato este que não condiz com a realidade, corroborado inclusive com prova já carreada aos autos Laudo de Avaliação do Imóvel; • ao contrário de adotar qualquer atividade lesiva ao meio ambiente, está considerando, para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, uma área de preservação permanente menor do que a apurada no referido laudo, conforme demonstrado; • o agente fiscal utilizou, equivocadamente, como base legal para fundamentar a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal (extemporaneidade da entrega do ADA referente ao ano de 2005), a Portaria Ibama nº 0162/1997, tendo em vista que ela foi revogada pela IN n° 076/2005, também expedida pelo Ibama; • portanto, o agente fiscal incide em erro formal ao utilizar base legal que não mais faz parte do nosso ordenamento legal; • mesmo que agente fiscal tivesse utilizado a base legal não revogada, ainda assim estaria incidindo em erro, pois norma inferior (Instrução Normativa ou Portaria) jamais pode legislar além daquilo que foi celebrado em uma Lei, em respeito ao principio Constitucional da Hierarquia das Normas; • no caso, a norma a ser observada, cujo entendimento foi indevidamente estendido, é a Lei 9.393/93, transcrevendo os dispositivos que tratam da apuração do imposto, inclusive o § 7°, do art. 10, que estabeleceu que essas áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 249 5 • em consonância com esse dispositivo (§ 7º, do art. 10, da Lei 9.393796), cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal (TRF – lª Região, Data do Julgamento 06/03/2007, Processo n° 2005.35.00.0112067, Relatora: Maria do Carmo Cardoso; TRF lª Região, Data do Julgamento 06/03/2007, Processo nº 2003.35.00.0050163, Relatora: Maria do Carmo Cardoso e TRF — 5ª Região, Data do Julgamento 18/04/2006, Processo n° 2005.05.00.0303586); • o agente fiscal se ateve apenas aos documentos que lhe foram entregues, não realizando qualquer diligência para a constatação e fundamentação de sua conclusão, agindo de forma arbitrária e parcial; citando, nesse sentido, ensinamentos de Samuel Monteiro; • também a favor da exclusão das áreas ambientais de tributação, independentemente de comprovada a averbação tempestiva da área de reserva legal e da protocolização, também tempestiva, do ADA junto ao IBAMA, cita parte do voto condutor do Acórdão 30333.393, sessão de 13/07/2006, do Terceiro Conselho de Contribuintes; • a favor da responsabilidade do sujeito ativo (Fisco), quando à apuração dos fatos, a determinação da base de cálculo, ou seja, da matéria tributária, nos termos do art. 142 do CTN, cita ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins; • nesse aspecto, ressalta mais uma vez, que o laudo de avaliação do imóvel rural foi utilizado pelo agente fiscal, exclusivamente para coleta do valor atualizado do imóvel, porém, quanto as áreas de reserva legal e de preservação permanente detalhadamente descritas, elas foram ignoradas; • questiona o fato de que em relação ao ITR/2004, também fiscalizado, doc. anexo, as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente terem sido aceitas, e, no ano de 2005, objeto da presente impugnação, elas desapareceram? • na realidade elas desapareceram apenas para fins de cálculo do ITR promovido pelo agente fiscal, na saga de arrecadação, fato este que não se coaduna com a realidade, e motiva o presente recurso, e • por fim, pelas razões apresentadas, requer seja tornado nulo ou insubsistente a Notificação de Lançamento que ora se ataca, tornandose sem efeito o imposto exigido, bem assim os encargos decorrentes. Também requer juntada da planilha, recalculando o valor que entende ser correto, ou seja, apenas com os efeitos do reajuste no preço do imóvel, na base de cálculo do ITR. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0330.285 (fls. 199 a 212), de 08/04/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 250 6 contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. As novas áreas ambientais do imóvel (preservação permanente e de reserva legal), informadas na DITR/2005, somente serão consideradas, para fins de exclusão de tributação, se comprovada a protocolização, em tempo hábil, de novo ADA (com natureza de retificador), junto ao IBAMA. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 07/08/2009 (vide AR de fl. 223), a contribuinte apresentou, em 31/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 224 a 233, no qual expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. Inicialmente, a recorrente informa que não foi impugnado o reajuste do VTN efetuado pela fiscalização, acostando aos autos, na fase impugnatória, planilha recalculando o valor do ITR e efetuando o recolhimento do imposto, com os acréscimos legais cabíveis, no valor total de R$ 8.218,20. 2. A contribuinte alega que o agente fiscal utilizou o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural apenas para fins do valor do imóvel, desconsiderando às áreas de preservação permanente e de reserva legal descritas pelo engenheiro que elaborou referido laudo. Aduz que as áreas de preservação permanente e de reserva legal identificadas no referido laudo totalizam 319,4ha enquanto que a área declarada foi de somente 277,9ha, deixando de excluir 41,5ha. 3. Defende que a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal ocorreu porque a fiscalização entendeu que os valores informados não seriam legítimos tendo em vista a extemporaneidade da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao ano de 2005. 4. A recorrente sustenta que a isenção do ITR relativa às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, vinculada à apresentação do ADA, fere o disposto no caput do artigo 10, bem como no seu parágrafo 7o da Lei no 9393, de 1996 e que a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, aplicarseia apenas para áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal. 5. Afirma que comprovou a existência das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal por meio de laudo acostado aos autos, elaborado por engenheiro agrônomo devidamente habilitado, e pelo Laudo de Vistoria do IEF. 6. Transcreve trechos da decisão de primeira instância para concluir que a fundamentação do relator a quo “para manutenção da notificação de lançamento que glosou áreas realmente existentes de reserva legal e de preservação permanente é a entrega intempestiva da obrigação acessória ADA Ato Declaratório Ambiental.” (fl. 230), alegando que restou demonstrado no próprio acórdão a real existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente. Acrescenta que o ilustre relator olvidou precedentes administrativos e judiciais no sentido de que “a entrega do ADA, emitido Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 251 7 pelo Ibama, não é indispensável para excluir as áreas de preservação e a de reserva legal do cálculo do ITR.” (fl. 231). 7. No que diz respeito à averbação da reserva legal, a contribuinte alega que a exigência de averbação da área de reserva legal prevista no §2o do art. 16 da Lei no 4.771, de 1965, incluído pela Lei no 7.803, de 1989, visa, tãosomente, vedar a alteração de sua destinação em caso de transmissão do imóvel a qualquer título ou de desmembramento da área, nada tendo a ver com a apuração e fiscalização do ITR, mas sim com a preservação do meio ambiente. 8. Afirma, ainda, que não há qualquer dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, no sentido de que a exclusão da área de reserva legal esteja condicionada a apresentação de ADA e a sua prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente. Aduz que “as normas complementares, como é o caso das Instruções Normativas da SRF, devem estar sempre subordinadas à lei a que se referem, não lhes sendo permitido criar direito, logo não pode, o fisco fundamentar sua exigência fiscal com base em Instrução Normativa que contraria o texto de Lei que rege a matéria.” (fl. 232). 9. Por fim, a contribuinte requer que seja acolhido o presente recurso para que seja excluída da área tributável a área de 277,9ha declarada a título de utilização limitada (área de preservação permanente). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 14, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 244 (última folha digitalizada) 1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 252 8 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio A contribuinte admitiu expressamente que não impugnou o valor do VTN considerado pela fiscalização, restringindose a lide à glosa da área de preservação permanente originalmente declarada. 2 Exclusão das áreas não tributadas A área de preservação permanente inicialmente informada na DITR/2005 era de 277,9ha, conforme consignado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 4), fato este inconteste. A área declarada foi integralmente glosada pela fiscalização, conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 2 e 3, pelos motivos a seguir expostos: A proprietária do imóvel foi regularmente intimada a comprovar as informações acima mencionadas, conforme Termo de Intimação Fiscal 0023/2007, cuja ciência ocorreu através dos correios. Em atendimento, apresentou Laudo de Avaliação de Imóvel, acompanhado de ART, vários Laudos de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas IEF, cópias dos Atos Declaratórios Ambientais ADA (1997 e 2005), várias Certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Paraisópolis/MG. Apresentou ainda esclarecimentos quanto à aplicação do valor de avaliação do imóvel constante do Laudo aos exercícios de 2003 a 2005 e alterações de áreas em decorrência da venda parcial ocorrida no ano de 2005. Com relação às áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE (art. 2° da Lei 4.771/65 Código Florestal) e de UTILIZAÇÃO LIMITADA, cabe esclarecer inicialmente que prazo para a protocolização do ADA junto ao IBAMA expira em seis meses após o prazo final para a entrega da DITR (art. 170, §1°, da Lei 6.938/81, com redação da Lei 10.165/2000 e Portaria Ibama n ° 162/1997). A CoordenaçãoGeral de Tributação, que tem competência de interpretar a legislação no âmbito da SRF, editou a Solução de Consulta Interna SRF 12, de 21/05/2003, ratificando o Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 253 9 entendimento de que a SRF deve exigir toda a documentação comprobatória das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, inclusive o ADA protocolado tempestivamente no IBAMA, ou a apresentação de comprovante de protocolização tempestiva de seu requerimento. Analisando a documentação apresentada, verificamos que as alterações nas áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, ocorridas em 2005, constam de ADA com data de emissão de 24/07/2007 estando este documento sem a data de protocolo junto ao IBAMA. Portanto, o referido ADA é intempestivo. Em relação à área de Utilização Limitada, verificamos ainda que o ADA não especificou esta área e que a averbação no Registro de Imóveis apenas foi providenciada em 24/08/2007, quando o correto seria até a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 1 ° de janeiro de 2005 (Lei 4.771/1965, art. 16, § 8 ° , com redação da Medida Provisória 2.16667, de 2001; RITR/2002, art. 12, caput e § 1º; IN SRF 256, de 2002, art. 11, § 1 ° ). Como se percebe, no que se refere a área de preservação permanente, a glosa decorreu da falta de apresentação de ADA tempestivo e, no que diz respeito à área de reserva legal, pelo fato da mesma não estar registrada no ADA apresentado e ter sido averbada após a data do fato gerador do exercício autuado (01/01/2005). A contribuinte defende que: (a) a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal foi comprovada pelo laudo acostado aos autos elaborado por engenheiro agrônomo devidamente habilitado e pelo Laudo de Vistoria do IEF; (b) a isenção do ITR relativa às áreas de reserva legal e de preservação permanente vinculada à apresentação do ADA contraria o disposto art. 10, caput e §7o, da Lei no 9393, de 1996; (c) a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, aplicarseia apenas para áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal; (d) conforme precedentes administrativos e judiciais a entrega do ADA não é indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da na apuração do ITR; (e) a exigência de averbação da área de reserva legal prevista no Código Florestal não tem efeitos tributários, visando apenas a preservação do meio ambiente; (f) não há qualquer dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, condicionando a exclusão dessas áreas à apresentação do ADA ou à averbação da reserva legal na matrícula do imóvel; (g) as instruções normativas, como normas complementares que são, devem estar subordinadas à lei a que se referem, não podendo criar direito que contrarie o texto legal que rege a matéria. Por fim, requer que seja restabelecida a área de preservação permanente originalmente declarada (277,9ha), apresentando Laudo de Avaliação em que consta uma área de preservação permanente de 196,64ha e de reserva legal de 123,0ha (fl. 17), e Laudo de Vistoria do Instituto Estadual de Florestas (fl. 54), no qual o órgão ambiental confirma a existência de uma “Reserva Florestal Legal” de 123,0ha, assinada em 08/08/2007. 2.1 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Considerase área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), assim como aquelas florestas e demais formas de vegetação natural Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 254 10 previstas no art. 3o da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarandoas como de preservação permanente. As áreas de preservação permanentes descritas no art. 2o do Código Florestal podem ser comprovadas por meio de Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado, observando os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que regem a matéria (no caso dos imóveis rurais, a NBR 146533). Como já dito anteriormente, a fiscalização, examinando a documentação apresentada pela contribuinte, efetuou a glosa da área de preservação permanente pela falta de apresentação de ADA tempestivo, não discordando de sua existência material (item “a”). Assim, a dissensão, no que diz respeito à exclusão da área de preservação permanente, reside na obrigatoriedade ou não da apresentação do ADA (art. 17O, §1o, da Lei no 6.938, de 1981), o que será abordado em item específico. 2.2 RESERVA LEGAL Importa recordar que a contribuinte não havia declarado área de reserva legal em sua DITR e, portanto, o reconhecimento da existência de uma área de reserva legal de 123,0ha equivale a um pedido de retificação e como tal deve ser analisado. Tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). É sabido também que, iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7o do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. Muito embora a contribuinte entenda a existência da reserva legal estaria comprovada pelos laudos apresentados (item “a”), verdade é que, para fins de apuração do ITR existem outros requisitos que devem ser cumpridos. No que se refere aos efeitos tributários da averbação da área de reserva legal prevista no Código Florestal (item “e”) e falta de dispositivo na Lei no 9.393, de 1996, que condicione a exclusão dessa à averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel(item “f”), convém fazer uma retrospectiva da legislação que rege a matéria. Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 255 11 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 256 12 O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 257 13 margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o, caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. Por fim, cabe lembrar que no caso de posse, o Código Florestal permite que a reserva legal seja assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, no qual esteja consignado, no mínimo, sua localização e características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (art. 16, §10). Vale mencionar, também, o art. 12, §1o Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002, que consolidou toda a legislação do ITR, assim dispondo quanto à averbação da reserva legal (grifei): Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001). §1o Para efeito da legislação do 1TR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. §2o Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei no 4.771, de 1965, art.16, §10, acrescentado pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001, art. 1o). Conforme Certidão do Registro de Imóveis (fls. 73 a 80), no imóvel ora tributado existe uma área de reserva legal de 123,0ha averbada em 24/08/2007 e, portanto, depois do fato gerador referente ao exercício 2005 e depois de instaurada a ação fiscal, por meio da ciência do Termo de Intimação Fiscal no 06106/00023/2007 (fls. 6 e 7), em 09/08/2007 (vide AR anexado à fl. 9). Consta, ainda, do referido documento, uma área de reserva legal de 84,0ha averbada em 17/09/1998 (fl. 75), porém, pelo que dos autos consta, não se inferir se esta área está inserida na propriedade que permaneceu em nome da contribuinte, objeto da presente notificação de lançamento, uma vez que houve uma alienação parcial registrada em 29/09/2004 (fl. 79). Além disso, a exclusão da reserva legal da área tributada para fins de ITR tem uma segunda condição que é a apresentação tempestiva do ADA, como adiante se demonstrará. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 258 14 2.3 NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Não obstante alegue a recorrente que obrigatoriedade de apresentação do ADA contraria o disposto art. 10, caput e §7o, da Lei no 9393, de 1996 (item “b”) ou que não exista na referida norma qualquer dispositivo nesse sentido, com a devia vênia dos que pensam em contrário, não é o que se depreende de uma análise sistemática da legislação. Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 259 15 [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhandoo à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente (item”d”), cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. A Súmula no 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em vigor desde 22/12/2009, dispondo que “A não apresentação do Ato Declaratório Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 260 16 Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício”, aplicase tão somente aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, enquanto que o presente lançamento referese ao exercício 2002. No que se refere à alegação de que a exigência prevista na Instrução Normativa no 73, de 2000, se aplica apenas às áreas relacionadas no art. 3o do Código Florestal (item “c”), cabe transcrever seu art. 17 (grifos nossos): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I – as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; II – o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e III – se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Numa leitura atenta do dispositivo acima transcrito, depreendese que a apresentação do ADA alcança, indiscriminadamente, todas as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada, ao contrário do alegado. As normativas seguintes, mantiveram o mesmo entendimento (art.17 da Instrução Normativa no 60, de 6 de Junho de 2001, e art. 9o, §3o, inciso I da Instrução Normativa no 256, de 11 de dezembro de 2002). Por fim, diferentemente do alegado, as instruções normativas estão em perfeita consonância com o texto legal que lhe deu origem (item “g”). 2.4 TEMPESTIVIDADE DO ADA E SEUS EFEITOS Resta, ainda, analisar a tempestividade do ADA e seus efeitos. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, observase que a Lei no 6.938, de 1981, não fixou qualquer limite temporal. Considerandose que a exclusão das áreas de interesse ambiental requer o reconhecimento por parte do IBAMA, o que no caso é feito por meio da emissão do ADA, caracterizando uma isenção especial (não concedida em caráter geral), importa transcrever o art. 179 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 261 17 § 1o Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Sendo o ITR um imposto lançado por período certo de tempo, em que a lei considera ocorrido o fato gerador em 1o de janeiro de cada ano (art. 1o da Lei no 9.393, de 1996), a princípio, a exigência de ADA contemporâneo a DITR prevista nas diversas instruções normativas editadas pela Receita Federal do Brasil (protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR) encontra amparo no art. 179 e §§ do CTN. Contudo, há que se observar as normas sobre o assunto expedidas pelo IBAMA, a quem compete a execução das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente e é responsável pela emissão e controle do ADA. Segundo o art. 2o da Portaria IBAMA no 152, de 1998, devem apresentar o ADA, relativo ao ITR 1998 e anos posteriores, os declarantes que informaram no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada e quem não tenha entregue o ADA anteriormente, sendo obrigatória a apresentação de novo ADA (ADA de retificação), caso haja alteração do DIAT em relação às áreas originalmente informadas em anos anteriores. Tal determinação foi ratificada pela Instrução Normativa IBAMA no 76, de 31 de outubro de 2005, que institui prazo para a apresentação do ADA, in verbis: Art 9o O prazo de entrega do ADA será de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1o de abril a 30 de setembro de 2006. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 262 18 Assim, a partir do exercício 2005, embora o ADA continuasse a ser apresentado uma única vez e nos casos em que fossem alteradas as informações na DITR, o IBAMA passou a definir um período para sua entrega que, em regra, era de 1o de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Excepcionalmente, para o ADA relativo a DITR/2005, o prazo foi estendido até 31 de março de 2006 (seis meses da data da entrega da DITR correspondente). Importa registrar que a necessidade de se apresentar o ADA uma única vez ou no caso de alteração de área de interesse ambiental já constava dos atos normativos da Receita Federal, desde a Instrução Normativa SRF no 73, de 20 de julho de 2000, que dispôs sobre a apresentação da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR do exercício de 2000, como se observa pelo teor do art. 11: Art. 11. O contribuinte deverá providenciar, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, no prazo de seis meses, contados do prazo estabelecido no art. 3º, o Ato Declaratório Ambiental – ADA – a que se refere o art. 17 da IN SRF 73, de 2000, se: I – o imóvel teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; ou II – o imóvel está sendo declarado pela primeira vez. Nas instruções normativas referentes aos exercício seguintes, existe dispositivo semelhante, até 2005. A partir da Instrução Normativa SRF no 659, de 11 de julho de 2006, referente ao exercício 2006, adotouse uma redação mais genérica (grifei): Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Apenas com a edição da Instrução Normativa IBAMA no 96, de 30 de março de 2006, com vigência a partir do exercício 2007, o órgão ambiental passou a exigir a apresentação anual do ADA, como se observa pelo teor do art. 9o (atual art. 9o da Instrução Normativa IBAMA no 31, de 3 de dezembro de 2009): Art. 9o As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. § 1o No Ato Declaratório Ambiental deverão constar, a partir de 2006, informações referentes às áreas de preservação permanente, de reserva legal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, as áreas de Relevante Interesse Ecológico ARIE e, quando for o caso, as áreas sob manejo florestal sustentável ou de reflorestamento. [...] Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 263 19 (grifei) De acordo com a Instrução Normativa IBAMA no 5, de 25 de março de 2009, foi mantido o prazo para entrega do ADA de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, cabendo sua retificação até 31 de dezembro do mesmo exercício (art. 6o, §3o). Concluise, assim, que até o exercício 2006, a apresentação do ADA era feita uma única vez, só sendo necessária sua retificação (ou apresentação de novo ADA) quando fossem alteradas as informações da DITR. Apenas a partir do exercício 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente pelo IBAMA. Quanto ao prazo, até o exercício 2004, há que se admitir o ADA protocolizado até seis meses após o prazo da entrega da DITR corresponde, conforme estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal e, a partir do exercício 2005, aplicamse os prazos previstos nos atos expedidos pelo IBAMA. À fl. 106, encontrase acostado o requerimento do ADA, protocolado junto ao IBAMA/RJ, em 20/10/1998, para o imóvel em discussão, no qual consta área total de 854,9 ha e área de preservação permanente, de 456,2 ha. Este ADA, como bem salientou o julgador a quo tem validade em relação as áreas ambientais nele informados até o exercício de 2004. De acordo com a Certidão do Registro de Imóveis (fls. 73 a 80), a propriedade da contribuinte foi parcialmente alienada, conforme averbação a AV67.641 de 29/09/2004 (fl. 79), reduzindo a área original de 854,98ha para 520,81ha e, portanto, deveria ter apresentado novo ADA para retificar as áreas anteriormente informadas e para efetuar a DITR do exercício de 2005, nos termos da legislação acima transcrita. Conforme já esclarecido anteriormente, o prazo de entrega do ADA para o exercício 2005 era 31/03/2006. À fl. 11, encontrase acostado ADA para o exercício 2005, emitido em 24/07/2007, sem data de protocolo junto ao IBAMA, informando uma área de preservação permanente de 277,90ha e área total de 520,80ha, o qual, ainda que se considere a data de emissão, esta intempestivo para o exercício 2005. Dessa forma, ainda que fosse admitida a existência material da área de preservação permanente informada na DITR/2005 (277,9 ha), conforme pleiteado, a falta de apresentação de ADA retificador e tempestivo, exigido em decorrência das alterações das áreas, impede o contribuinte excluir tais áreas para fins de apuração do ITR. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10660.720097/200735 Acórdão n.º 2202001.952 S2C2T2 Fl. 264 20 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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