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Numero do processo: 10384.002979/94-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.034
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIA REGINA MACHADO MELARE
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de maio de 1996 MOACY~ErnOS PresIdente , o 5 8ET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOAO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. trnc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOWÇÃON° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.578 301-1034 INTEL SAT SISTEMAS LTDA DRJ/FORTALEZAICE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO •.' • • I 1 I A empresa acima identificada foi autuada sob a alegação de falta de recolhimento do II e do IPI, tendo em vista ter, em operação de internação de mercadorias estrangeiras, classificado separadamente baterias, carregadores e aparelho para telefonia celular, apesar do fato de os itens mencionados formarem um conjunto, sendo importadas em embalagem única. Diz o Auto de Infração, ainda, que como o aparelho para telefonia celular constitui o artigo que confere a característica do conjunto, a correta classificação fiscal da mercadoria é a do código 8525.20.0199, não sendo correto o procedimento que classificou separadamente as baterias no código 8507.30.0100 e os carregadores e acumuladores na posição 8504.40.0299. Ademais, consta que na classificação que deu, a autuada pretendeu beneficiar-se de isenções do IPI para os carregadores e da redução da alíquota do II para as baterias. Entendeu a fiscalização, também, que deve-se adicionar o valor das baterias e dos carregadores ao valor dos aparelhos para telefonia celular e tributar o conjunto, aplicando-se as alíquotas de 20% de II e 20% do IPI, referentes ao citado código 8525.20.0199, conforme o disposto nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 2-a e 3-b. Ante ao fato relatado, o crédito tributário exigido consubstancia-se nos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, com os devidos acréscimos legais, juros de mora, além da aplicação da muIta a que se refere o inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91. Em tempestiva impugnação a Autuada aduz, em suma, que o Auto de Infração não pode prosperar, vez que não se trata de um "sistema" de telefonia, no qual as partes distintas formam um coJijunto. Quanto à multa, diz ser inaplicável ao caso, conforme ADNICST 29180. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃON° 117.578301-1034 • '. •I Na sequência regular do processo, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", rejeitando os argumentos da impugnação, manteve integralmente o Auto de Infração, uma vez que o conjunto classifica-se no código 8525.20.0199 da NBM/SH, à luz do Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto à aplicação da multa prevista no inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91, diz inaplicável ao caso, aliás como já pronunciado pelo ADN/CST 29/80, do qual cita alguns trechos. Sustenta, outrossim, que sendo o lançamento atividade privativa da Autoridade Fiscal, compete a ela classificar a mercadoria, sendo que o código proposto pelo declarante na sua DI, constitui mero cumprimento de obrigação acessória. Destarte, "ninguém lhe pode exigir apresente declaração absolutamente correta, em relação a um assunto eminentemente técnico, de competência exclusiva do fisco". Pelas mesmas razões, defende que também não é devido o IPI e a respectiva multa. Após cumpridas as formalidades de praxe, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", passando a decidir, indeferiu o pedido de diligencia, uma vez que ela tem por objetivo a interpretação de um dispositivo de norma tributária, o qual já foi objeto de Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto ao mérito, apegando- se ao mesmo Ato Declaratório, manteve a classificação da mercadoria no código específico da NBM-SH (TIPIITAB), já que o mesmo concluiu que o telefone celular não se enquadra no destaque ("EX"). Diante da falta de recolhimento dos tributos manteve, também, a imposição das muItas, para ao final, julgar procedente o lançamento contido no Auto de Infração, em sua totalidade. Diante da errônea classificação manteve a multa de ofício constante do Auto de Infração. Cientificada da Decisão acima relatada, a Autuada, mais uma vez inconformada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, endereçado a este Terceiro Conselho, onde, além de rebater pontos da decisão monocrática, reitera os argumentos oferecidos na peça impugnatória, para requerer o seu integral provimento. Por fim, encontra-se juntado às fls. 38/39, recente petição da Recorrente, pugnando pela realização de diligência, em único quesito ao DTT, eis que entende que falta no processo um laudo técnico esclarecedor da matéria. É o relatório. 3 MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES PRIMEIRACAMARA , .1. ,,, RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.578 301-1034 VOTO I I I~. •.•, .• 1 Inquestionavelmente, flagrante é o erro de classificação, pois o "KIT" das mercadorias importadas deve ser classificado no código 8525.20.0199. Entretanto, merece ser evidenciado que sobre tal código existe um destaque "EX", criado pela Portaria MP 785/92, a qual pode beneficiar a recorrente, com a redução do imposto de importação, tomando insubsistente o lançamento feito. Ocorre, porém, que inúmeras dúvidas recaem sobre o alcance da mencionada Portaria, razão pela qual voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência ao Departamento Técnico de Tarifas, para que responda ao quesito formulado às fls. pela recorrente. Este Conselho de Contribuintes solicita, ainda, ao DTT que encaminhe cópia de todo o processo administrativo, que gerou a publicação do "Ex 004" da Portaria MP 785/92. Sala das Sessões, em 23 de maio de 1996 c C e • MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 36660.000754/2005-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/05/2005
PREVIDENCIÁRIO.CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS . SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. TAXA SELIC . MULTA MAIS BENÉFICA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
São devidas as contribuições dos segurados, patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, declaradas em GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados na integralidade.
São devidos diferença de acréscimos legais quando os acréscimos legais são recolhidos a menor quando do pagamento da guia fora do prazo de vencimento.
É devida a contribuição destinada ao Seguro de Acidentes de Trabalho SAT.
É devida a contribuição para o Salário Educação
nos termos da Lei 9424/96.
São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros, entre elas a ao
INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição
Federal de 1988.
É devida pelas empresas a contribuição destinada ao SEBRAE, arrecadada pelo INSS como adicional às contribuições do SENAI, SENAC, SESI SESC, SEST, SENAT ou SESCOOP.
É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade
benigna, impõe-se observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e compará-lo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.678
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria votos, em dar
provimento parcial ao recurso, procedendo ao recálculo da multa na forma do art.35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO.CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS . SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. TAXA SELIC . MULTA MAIS BENÉFICA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. São devidas as contribuições dos segurados, patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, declaradas em GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados na integralidade. São devidos diferença de acréscimos legais quando os acréscimos legais são recolhidos a menor quando do pagamento da guia fora do prazo de vencimento. É devida a contribuição destinada ao Seguro de Acidentes de Trabalho SAT. É devida a contribuição para o Salário Educação nos termos da Lei 9424/96. São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros, entre elas a ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988. É devida pelas empresas a contribuição destinada ao SEBRAE, arrecadada pelo INSS como adicional às contribuições do SENAI, SENAC, SESI SESC, SEST, SENAT ou SESCOOP. É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e compará-lo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO.CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS . SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. TAXA SELIC . MULTA MAIS BENÉFICA.INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. São devidas as contribuições dos segurados, patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, declaradas em GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados na integralidade. São devidos diferença de acréscimos legais quando os acréscimos legais são recolhidos a menor quando do pagamento da guia fora do prazo de vencimento. É devida a contribuição destinada ao Seguro de Acidentes de Trabalho SAT. É devida a contribuição para o Salário Educação nos termos da Lei 9424/96. São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros, entre elas a ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988. É devida pelas empresas a contribuição destinada ao SEBRAE, arrecadada pelo INSS como adicional às contribuições do SENAI, SENAC, SESI SESC, SEST, SENAT ou SESCOOP. É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria votos, em dar provimento parcial ao recurso, procedendo ao recálculo da multa na forma do art.35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Ivacir Júlio de Souza – PresidenteSubstituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 153 3 Relatório A Delegacia de Julgamento, em primeira instância, produziu relatório, por mim compulsado e corroborado, onde assim se manifestou: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 67/74, e relatório complementar às fls.98 teve como fato gerador as remunerações pagas aos segurados empregados declaradas nas guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, no período de12/2000 a 02/2005, as folhas de pagamento para as competências 13/2000, 13/2001, 13/2002, 13/2003 e 13/2004. Foi apurado ainda diferença de acréscimos legais para as guias de competência 02/2001,09/2001, 08/2002, 11/2002, 03/2003 e 05/2005. 2. 0 débito apurado perfaz um montante de R$424.572,80 (quatrocentos e vinte e quatro mil quinhentos e setenta e dois reais e oitenta centavos) consolidado em 16/06/2005. 3.A NFLD engloba contribuições dos segurados empregados, patronais (rubrica empresa) e as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Foi apurada em ação fiscal do tipo fato gerador específico, com o objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIP x GPS. DA IMPUGNAÇÃO 6. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar,com as seguintes alegações : 6.1 Erro da alíquota de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência e incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho. 6.1.1 Afirma que a sistemática de cobrança do SAT/GILRAT disciplinada pelo Decreto 3048/99 afronta princípios constitucionais e tributários uma vez que com este Decreto deixou de existir a possibilidade de enquadramento de cada estabelecimento com grau de risco e taxa de SAT compatíveis. Os estabelecimentos ficaram obrigados a enquadrarse de acordo com a atividade preponderante da empresa como um todo, não obstante, a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 mesma possuir diversos estabelecimentos com diferentes atividades e, portanto, com efetiva e real graduação de riscos não uniformes. 61.2 Afirma que o próprio decreto dispõe expressamente que o SAT relacionase com a atividade exercida pelo segurado empregado, devendo existir, portanto, uma proporcionalidade entre a atividade e o custo do respectivo benefício, o que é implícito na natureza do SAT, como decorrência do art. 150, inciso II, da CF/88. Dessa forma, considerando que na mesma empresa podem existir empregados que exercem atividades de diferentes graus de risco(área administrativa e produtiva), as taxas de SAT devem ser diferenciadas. 6.1.3 Afirma que a própria Lei 8212191, estabeleceu as alíquotas a serem utilizadas para o recolhimento do SAT de acordo com o grau de risco da atividade exercida pelas empresas. Com isso , temse que o Decreto 3.048/99 não se harmoniza com a legislação ordinária e nem com as decisões dos nossos tribunais uma vez que define a preponderância pelo número de empregados e não pelo grau de risco da atividade. 6.1.4 Conclui que não pairam dúvidas quanto à ilegalidade da cobrança do SAT com a alíquota de risco grave (3%), visto que englobam empregados que trabalham na área administrativa da empresa, onde o grau de risco é mínimo, razão pela qual o valor excedente também deverá ser excluído da NFLD. 6.2 Aponta também impossibilidade de cobrança das contribuições para Sebrae. 6.2.1 Argumenta que a contribuição para o mora é devida por empresas que desenvolvem atividade rural, não podendo ser cobrada da embargante que exerce atividade inequivocamente urbana a indústria plástica. 6.2.2 Diz que tal contribuição foi devida por empresas ligadas à previdência urbana até a publicação da Lei 8212/91 que extinguiu tal cobrança; 6.2.3 Argumenta que é pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de não estarem sujeitas ao recolhimento das contribuições para o INCRA as empresas vinculadas à previdência urbana, transcrevendo julgados. 6.2.4 Conclui que não está sujeita ao recolhimento da contribuição ao Incra nos períodos citados no Relatório da Notificação de Lançamento Fiscal. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 154 5 6.3 Já com relação a contribuição para o SEBRAE entende não ser devida pela impugnante pelo simples fato de não ser micro empresa ou empresa de pequeno porte, não se favorecendo, portanto, dos benefícios promovidos pela entidade, que este é o entendimento dos Tribunais Regionais Pátrios, transcrevendo decisões. 6.4 Alega ainda impossibilidade de aplicação da taxa SELIC. 6.4.1 Cita o parágrafo 1° do art. 161 do CTN e diz que a taxa de juros nunca pode ultrapassar 1% ao mês. 6.4.2 Diz que não pode o ente arrecadador impor taxas de juros para as atividades que ele mesmo cobra. A taxa de juros, como qualquer outro indexador, deverá ser imposta por lei e calculada através de índices e parâmetros neutros, o que não acontece com a SELIC, cujo índice é decidido pelo Órgão Governamental chamado Banco Central. 6.4.3 Destaca que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 215.881, concluiu pela inconstitucionaliclade da mencionada taxa para fins tributários. 6.4.4 Pede a exclusão dos juros calculados com base na SELIC, referente ao período autuado, acaso seja julgada procedente a ação de execução fiscal. 7.Pede a realização de diligência por fiscal estranho ao feito, com o fito de promover a constatação da inexistência das infrações imputadas, bem como outras necessárias à elucidar qualquer matéria acaso tenha dúvida. 8. Em decorrência do Relatório Fiscal Complementar emitido, foi reaberto o prazo para apresentação de defesa, tendo o impugnante ratificado os termos da defesa anteriormente elaborada.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a AuditoraAnalista do Serviço de Contencioso Administrativo – Secap da Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador BA, emitiu a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 04.401.4/552/2006, em 24/nov/2006 , mantendo procedente o lançamento DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.148, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Na forma do Relatório Fiscal de fls. 68, item 5. cuja cópia foi entregue ao sóciogerente representante da empresa conforme o registro de fls 74, o lançamento teve como base AS DECLARAÇÕES EM GFIP pelo próprio contribuinte, e NÃO RECOLHIDAS: “ 5. A NFLD n.° 35.780.4090 e este relatório referemse apenas às contribuições patronais, declaradas em GFIP pelo contribuinte, relativas apenas aos fatos geradores decorrentes de folha de pagamento de salários, e não recolhidas à Seguridade Social na época própria, conforme responsabilidade à empresa imputada pelo art. 30, I, "b" da Lei n.° 8.212/91, c/c art. 216, I, "b" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99.” Reportandome às referidas bases, estas restam informadas às fls. 04 a 18 nos DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO – DAD’s. Aduz que a recorrente no recurso em comento não contesta os valores por ela mesma informados até porque tratase de débito confessado na medida em que de acordo com o § 1° do art 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, a declaração nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações â Previdência Social GFIP constitui confissão de divida. Desse modo, não contestando o Relatório Fiscal no que concerne ao contido no item 5 bem como os valores de, sua própria lavra, das bases dos DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO – DAD’s, implica constatar que se trata o presente recurso de instrumento meramente procrastinatório, visto a impossibilidade de se combater seu auto lançamento. Pesquisa no sitio da Receita Federa do Brasil, página, http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/CNPJ, revela que o código e descrição da atividade da empresa em tela é 22.2931: “CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 22.29301 Fabricação de artefatos de material plástico para uso pessoal e doméstico ” A notificação é datada de 20/06/2005. Nesta ocasião na forma da legislação vigente, o enquadramento no SAT ocorria observandose o anexo I do ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e o ANEXO V do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 que determinava , Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 155 7 segundo o objeto da empresa, qual o CNAE bem como qual a alíquota se aplicaria como grau de risco para aquela atividade desenvolvida. Na forma do acima, a legislação, no capítulo RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTE GRAU DE RISCO, determinava que para a atividade “ FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS DIVERSOS DE PLÁSTICOS” , atividade desenvolvida pela recorrente, o código seria 25.291 com grau de risco 3. Assim, impedida de argüir o principal, contestou a constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, das alíquota do SAT, das contribuições para o INCRA, e das contribuições para o SEBRAE. Concluiu, sem nexo com os argumentos, pedindo que se efetua se diligência por fiscal estranho ao feito, com o fito de promover a constatação da inexistência das infrações imputadas, infrações estas, reiterese, que ela confessara e não contestara nem em sede de impugnação, tampouco em grau de recurso. Cumpre ressaltar que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS JUROS TAXA SELIC A questão encontrase pacificada com a edição da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” DO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) SEBRAE Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 156 9 No mesmo sentido, entende o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005 : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Relevante registrar, também, o contido na ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) INCRA Quanto à improcedência de contribuição ao INCRA, o Supremo Tribunal Federal entende ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches). Tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o Supremo Tribunal Federal têm entendimento consolidados: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 157 11 corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Juros SELIC A aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase está também pacificada neste Conselho na fórmula da súmula n 3 : “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Tudo isto visto, resulta que não assiste razão à recorrente na total abrangência de suas alegações. Consta registrado no Relatório dos Fundamentos Legais, às fls. 60, na rubrica “ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA” que o cálculo do valor da multa moratória obedecera ao previsto no artigo 35,I, II e III da Lei 8.212/91, na redação dada pela lei n° 9.876, de 26/11/99. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 158 13 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 14743.000032/2006-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência de julgamento, remetendo o processo para a 3ª Seção, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência de julgamento, remetendo o processo para a 3ª Seção, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. O contribuinte apresentou Pedido de Restituição acompanhado de requerimento (fls. 08 a 28) pleiteando a restituição de crédito, no valor de R$ 62.283,13, alegando recolhimento indevido a titulo de contribuição para financiamento da seguridade social Cofins, em razão de ser sociedade civil de profissão regulamentada, pelo que estaria abrigado por isenção concedida pelo art. 6°, inciso II: da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. No mais, por economia processual, a seguir passo a adotar o relatório de DRJ para resumir a lide: “Trata o presente processo de pedidos de Compensação formalizados por meio dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP de fls. 02/05, que tem como créditos pagamentos da COFINS, cuja restituição foi pleiteada por meio do processo administrativo n° 11618.000660/200571, efetivados nos períodos de 26/10/1995 a 30/03/2004 e como débitos parcelas do IRPJ e CSLL, PIS e COFINS correspondentes aos períodos nelas especificados. 2. O Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, por meio do Despacho Decisório de fl. 168, negou as homologações pleiteadas nas PER/DCOMP enumeradas, baseado no PARECER DRF/JPA/Saort n° 104/2006 de fls. 160/167 e na legislação que rege a matéria, pelas seguintes razões a seguir resumidas: a inexistência do crédito em que se fundamentaram as DCOMP, uma vez que o Pedido de restituição a que se referem foi considerado não formulado, por meio do Despacho Decisório que aprovou o PARECER DRF/JPA/Saort nª 129/2004, exarado no Processo Administrativo n° 11618.001583/200496. 3. Consta ainda no processo, à fl.191, o Despacho Decisório emitido pelo DRFJoão Pessoa, na data de 03/11/2006, que aprovou o Parecer Complementar DRF/JPA/Saort n° 0104/2006 de fls.189/190, no qual foi considerado como NãoFormulado o Pedido de Retificação de Compensação efetuada por meio da Declaração PER/DCOMP n° 38090.21064.180706.1.7.045355, tendo em vista haver decisão administrativa não homologada no Pedido de Compensação anterior, PER/DCOMP n° 37359.21064.300905.1.3.040351. 3. Cientificada dos dois Despachos Decisórios, em 21/02/2007 conforme "AR" de fl. 250, a contribuinte, por meio do por meio do seu Procurador, assim identificado no Instrumento de Procuração de fl. 227, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 205/226, na data Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 3 3 de 19/03/2007, em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese: DA DECISÃO RECORRIDA 3.1.a autoridade fiscal não homologou as compensações pleiteadas, alegando que o crédito utilizado decorreria de pedido de restituição não conhecido por aquela DRF, entretanto tal entendimento não pode prosperar, uma vez que o referido pedido de restituição não foi julgado em última instância administrativa, estando pendente de análise de recurso perante a delegacia de julgamento; 3.2. que a decisão emanada pela Seção de Orientação e Análise Tributária Saort encontrase em perfeita contramão legal, pois não cabia a este órgão decidir em primeira instância, sendo o órgão competente para tal a delegacia especializada em julgamento, conforme prescreve a legislação vigente, no caso, os arts. 25, inciso I do Decreto n° 70.235, de 1972, alterado pelo art. 2° da Lei n° 8.748/93 e MP n° 2.15835/2001, art. 64, que transcreve; 3.3. que desta forma, podese concluir que a decisão emanada desta divisão é totalmente contrária à legislação pátria, em face da inexistência de instância intermediária, razão pela qual a considera nula de pleno direito, não gerando qualquer efeito, sendo, portanto válidas as compensações efetuadas pela contribuinte. Do DIREITO 3.4. há inúmeras decisões do Superior Tribunal de Justiça, que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, de 14.05.2003, dispondo que as sociedades civis de prestação de serviços são isentas da COFINS uma vez que a isenção concedida pela LC n° 70/91 foi revogada por uma lei ordinária, no caso, o art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, o que não é permitido, por ser esta de hierarquia inferior à primeira, adotando igual entendimento a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no Recurso n° 114.167 que transcreve. DO DIREITO SUBJETIVO À COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS 3.5. é inarreddvel o seu direito A compensação pleiteada, de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria, devendo os créditos ser corrigidos monetariamente. DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E DA ILEGALIDADE DO ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05 3.6. a LC n° 118/05, mostrase ilegal ao estabelecer alteração do prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, à medida em que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, o que é já reconhecido em julgados do STJ; 3.7. assim, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins recolhida nos últimos dez anos pelo contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação. DO PEDIDO Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 4 4 3.8. diante de todo o exposto requer o provimento integral da presente Manifestação de Inconformidade para reconhecer e homologar todas as compensações efetuadas. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 26/10/1995 a 30/03/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. A compensação, nos termos em que esta definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação a Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, unia vez que neste juizo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. COFINS SOCIEDADES CIVIS O Supremo Tribunal Federal, nos RE 381964 e 33457, de 17/09/2008, decidiu, em caráter definitivo, que é constitucional o art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, confirmando, assim, que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são contribuintes da Cofins à aliquota de 3%. Solicitação Indeferida” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/02/2009, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2009, onde faz diversas argumentações que serão analisadas individualmente no voto e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Tratase de recurso voluntário proposto pela Recorrente, a qual pleiteou a restituição de crédito no valor de R$ 62.283,13, alegando recolhimento indevido a titulo de contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, em razão de ser sociedade civil de profissão regulamentada. Havendo equívoco na distribuição, eis que não é competência dessa turma o julgamento de tal recurso pela matéria, proponho que seja encaminhado o presente processo para o órgão competente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000019/2006-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NO ACÓRDÃO COMPROVAÇÃO.
ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, no caso, conferindo-se
efeitos modificativos ao resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, II, CTN.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º,.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/1997 a 12/1998, o lançamento da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula por vício formal, foi cientificado em 19.11.2003, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO MATÉRIA
DIFERENCIADA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme a Súmula nº 1 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria distinta da constante do processo judicial, conforme a Súmula nº 1 do CARF.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.682
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 2403.00.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para dar nova redação à decisão nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, nas
preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência , nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive.”
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NO ACÓRDÃO COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, no caso, conferindo-se efeitos modificativos ao resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, II, CTN. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º,. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/1997 a 12/1998, o lançamento da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula por vício formal, foi cientificado em 19.11.2003, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO MATÉRIA DIFERENCIADA SÚMULA Nº 1 DO CARF. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme a Súmula nº 1 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria distinta da constante do processo judicial, conforme a Súmula nº 1 do CARF. Embargos Acolhidos em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 2403.00.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para dar nova redação à decisão nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência , nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive.”
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ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, no caso, conferindose efeitos modificativos ao resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, II, CTN. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º,. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 221DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/1997 a 12/1998, o lançamento da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula por vício formal, foi cientificado em 19.11.2003, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO MATÉRIA DIFERENCIADA SÚMULA Nº 1 DO CARF. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme a Súmula nº 1 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O julgamento administrativo limitarseá à matéria distinta da constante do processo judicial, conforme a Súmula nº 1 do CARF. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 2403 00.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para dar nova redação à decisão nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência , nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive.” Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausentes o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 223 3 Relatório Com fulcro no art. 64, I c/c art. 65, § 1º, IIII, do Anexo II do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Procurador da Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração, às fls. 215 a 217, contra o Acórdão nº 240300.120 de 09 de julho de 2010 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Anotase que o processo nº 44021.000019/200687 em questão trata de Recurso Voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, fls. 159 a 168, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.013.0146, fl. 01 (no valor consolidado de R$ 4.028.982,13), referente a glosa de compensações efetuadas em desconformidade com a sentença que reconheceu à empresa o direito de compensar. Tratase de embargos opostos pelo Procurador da Fazenda Nacional por entender que o acórdão possui omissões ao não considerar o caráter substitutivo do lançamento formalizado nos autos eis que foi lavrado em substituição à NFLD 35.418.6973, de 19.11.2003, de forma a que se verifique a regra decadencial com fulcro no art. 173, II, CTN. Desta forma, em relação à presente NFLD nº 37.013.0146, fl. 01, temse as seguintes considerações a seguir. Tratase de recurso voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, fls. 159 a 168, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.013.0146, fl. 01 (no valor consolidado de R$ 4.028.982,13), referente a glosa de compensações efetuadas em desconformidade com a sentença que reconheceu à empresa o direito de compensar. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 48 a 50: 01. Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social no período de 07/1997 a 12/1998, em substituição à NFLD n. 35.418.6973 de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, culminando com lavratura da presente NFLD Substitutiva. 03. A empresa ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação Fl. 223DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. 04. Em sentença proferida pela mm Juíza da 14° vara da Justiça Federal condena o INSS ao reconhecimento do direito da autora à compensação das quantias indevidamente pagas a titulo da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de autônomos e administradores, nos termos do art. 66 da Lei 8383/91, com prestações relativas à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, sem as restrições ao exercício desse direito contempladas na Ordem de Serviço Conjunta n. 17, de 29.03.93, e sem as limitações percentuais impostas pelas Leis 9032/95 e 9129195 e consoante a documentação juntada aos autos, créditos esses monetariamente corrigidos desde o pagamento indevido, segundo índice oficial vigente à época, inclusive com a aplicação do IPC referente ao mês de maio de 1990 e correção consoante ao INPC no período de marco a dezembro de 1991 e com incidência de juros moratórias, tão somente a partir de 1° de janeiro de 1996, nos termos do art. 30 parágrafo 40 da Lei 9250/95. 07. Os parâmetros utilizados pelo contribuinte estão em flagrante conflito com os utilizados pela fiscalização e em desconformidade com os determinados na sentença proferida pela 14 Vara da Justiça Federal. 08. O direito de compensarse de valores indevidamente pagos esgotouse em 06/1997 e em parte de 07/1997, estando glosados todos os valores compensados a partir da competência 08/1997 e em parte de 07/1997. Desta forma, há que se destacar que a presente NFLD nº 37.013.0146, foi lavrada em substituição à NFLD n. 35.418.6973 de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Ainda assim, o Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, foi de 06/1997 a 12/1998, fls. 42. O período do débito, conforme o Relatório de Lançamentos – RL às fls. 09 a 10, é de 07/1997 a 12/1998. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 224 5 O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência no dia 19.11.2003 da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, no dia 28/11/2006, conforme fls. 01. Em 14/12/2006, fls. 55 a 75, com Anexos às fls. 76 135, o Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. apresentou impugnação. Às fls. 138 a 145, apresentase a DecisãoNotificação nº 21.401.4/0269/2004 que considerou procedente a NFLD nº 35.418.6973, tornada nula posteriormente pela decisão do CRPS. Às fls. 146 a 151, apresentase o Acórdão da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social que julgou nula por vício formal a NFLD nº 35.418.6973. Às fls. 152, temse a movimentação processual no STJ do Recurso Especial – Resp 270733/SP relativo ao contribuinte SELETO S/A Indústria de Café. Às fls. 153 a 155, há a solicitação de informação fiscal para se determinar se o contribuinte SELETO S/A Indústria de Café teve a razão social alterada para Aletres Empreendimentos Ltda e também de os cálculos da glosa de compensação foram confirmados. Houve Informação Fiscal, às fls. 157 a 158, na qual se ratificou os cálculos realizados pela Fiscalização bem como a alteração da razão social de SeLETO S/A Indústria de Café para Aletres Empreendimentos Ltda. A recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 159 a 168. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, onde alega, em síntese que: Preliminarmente, pela possibilidade de recebimento e processamento do recurso sem o depósito prévio. Preliminarmente, seja reconhecida a decadência do crédito tributário em função da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei 8.212/1991 em face do dispositivo do CTN acerca da decadência. No mérito, alega, em apertada síntese, que: Em relação à glosa de compensação. A Fiscalização glosou as compensações efetuadas a partir de 07/1997 a 12/1998, sob a alegação de que a RECORRENTE não cumpriu a determinação da sentença, o que não é verdade, desconhecendo que não cabe mais recurso ao Erário Público (INSS). Fl. 225DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 O lançamento do débito objeto da presente, é manifestamente improcedente, notadamente, porque os débitos lançados se referem a compensações feitas de acordo e com base em DECISÕES JUDICIAIS, cujas cópias se anexam à presente Impugnação. Em relação aos acréscimos de atualização e juros procedidos pelo INSS. O referido importe não pode prosperar em razão de incorreções no tocante à composição dos acréscimos de atualização e juros procedidos pelo INSS estar em desacordo com a legislação que rege a matéria, bem como em face dos r. julgados proferidos nos autos do Processo nº 96.00320535 da 144 Vara da Seção Judiciária de São Paulo, cujos créditos por recolhimentos indevidos são aqueles pertinentes ao período que vai de setembro de 1989 a dezembro de 1995, resultando, por conseqüência, incorretas as glosas consideradas pelo INSS quanto às contribuições para o período de setembro de 1997 a dezembro de 1998. Em relação à apresentação de planilhas de compensação. Incorretas em decorrência das incorreções acima noticiadas, posto que nestas planilhas promove o INSS a efetiva atualização monetária dos valores originários adotando procedimento contrário à decisão do STJ. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 206. Esta Egrégia 3ª Turma, no Acórdão 240300.120, de 09.07.2010, decidiuse por, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total do crédito tributário por quaisquer dos critérios do CTN. E a Ementa do Acórdão 240300.120 embargado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GLOSA DE COMPENSAÇÃO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Fl. 226DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 225 7 No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 06/1997 a 12/1998, o lançamento tendo sido cientificado em 28.11.2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 223. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 226 9 DAS QUESTÕES PRELIMINARES Devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência em relação à presente NFLD nº 37.013.0146, bem como em relação à NFLD nº 35.418.6973 tornada nula por vício formal. (i) Da Decadência da presente NFLD nº 37.013.0146. De plano a presente NFLD nº 37.013.0146, foi lavrada em substituição à NFLD n. 35.418.6973, de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Desta forma, exsurge a aplicação do art. 173, II, CTN a fim de se verificar a decadência em relação a esta NFLD Substitutiva: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, no dia 28/11/2006, conforme fls. 01. A NFLD nº 35.418.6973 foi tornada nula, por vício formal, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. Então, a ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, em 28.11.2006, ocorreu em lapso de tempo inferior a 5 (cinco) anos a contar da data da anulação por vício formal da NFLD nº 35.418.6973, em 29.09.2005, pela Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Desta forma, não ocorreu a decadência, nos termos do art. 173, II, CTN, em relação ao lançamento da presente NFLD nº 37.013.0146. (i) Da Decadência da NFLD nº 35.418.6973 tornada nula por vício formal. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 230DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 227 11 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Fl. 231DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Fl. 232DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 228 13 Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Outrossim, na presente hipótese de lançamento de glosa de compensação referente à presente NFLD nº 37.013.0146, nas competências 10/1989 a 12/1995 há valores recolhidos a homologar, conforme se depreende do Anexo I do Relatório Fiscal, às fls. 15 a 17, enquanto que nas competências 03/1996 a 12/1998 houve a compensação, conforme Anexo II do Relatório Fiscal, às fls. 18. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que: O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência no dia 19.11.2003 da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. O período do débito, conforme o Relatório de Lançamentos – RL às fls. 09 a 10, é de 07/1997 a 12/1998. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. DO MÉRITO. Anotase que o contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 229 15 restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. Desta forma, em razão da Súmula nº 1 do CARF, só é cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, qual seja, a que não envolva a discussão acerca de compensação. Súmula nº 1 do CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, em função da Súmula nº 1 do CARF não será analisado o Mérito posto que a matéria veiculada tem o mesmo objeto do processo judicial supracitado. CONCLUSÃO Por todo o exposto VOTO no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 240300.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para, NAS PRELIMINARES, declarar a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 235DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 12466.000302/94-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.548
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 10384.003033/94-33
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.036
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIA REGINA MACHADO MELARE
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de maio de 1996 ~~.MOACYREb =D~E~Iro~OS Presidente ~=c..< /' MÁRCIA REGINA MACHA~ELARÉ Relatora I-; de [Jy(rvn"O' e , .O 5 SE T 1996 .fulz ~etrI~~~oo _0'0 •.. _'_00 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. {me MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.580 301-1036 INTEL SAT SISTEMAS LTDA DRJ/FORTALEZA/CE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO • • • A empresa acima identificada foi autuada sob a alegação de falta de recolhimento do 11 e do IPI, tendo em vista ter, em operação de internação de mercadorias estrangeiras, classificado separadamente baterias, carregadores e aparelho para telefonia celular, apesar do fato de os itens mencionados formarem um conjunto, sendo importadas em embalagem única . Diz o Auto de Infração, ainda, que como o aparelho para telefonia celular constitui o artigo que confere a característica do conjunto, a correta classificação fiscal da mercadoria é a do código 8525.20.0199, não sendo correto o procedimento que classificou separadamente as baterias no código 8507.30.0100 e os carregadores e acumuladores na posição 8504.40.0299. Ademais, consta que na classificação que deu, a autuada pretendeu beneficiar-se de isenções do IPI para os carregadores e da redução da alíquota do 11 para as baterias. Entendeu a fiscalização, também, que deve-se adicionar o valor das baterias e dos carregadores ao valor dos aparelhos para telefonia celular e tributar o conjunto, aplicando-se as alíquotas de 20% de 11e 20% do IPI, referentes ao citado código 8525.20.O199, conforme o disposto nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 2-a e 3-b. Ante ao fato relatado, o crédito tributário exigido consubstancia-se nos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, com os devidos acréscimos legais, juros de mora, além da aplicação da multa a que se refere o inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91. Em tempestiva impugnação a Autuada aduz, em suma, que o Auto de Infração não pode prosperar, vez que não se trata de um "sistema" de telefonia, no qual as partes distintas formam um conjunto. Quanto à multa, diz ser inaplicável ao caso, conforme ADN/CST 29/80. f /" 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA I, I •I i RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.580 301-1036 • I i , i I .1 Na sequência regular do processo, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", rejeitando os argumentos da impugnação, manteve integralmente o Auto de Infração, uma vez que o conjunto classifica-se no código 8525.20.0199 da NBM/SH, à luz do Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto à aplicação da multa prevista no inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91, diz inaplicável ao caso, aliás como já pronunciado pelo ADN/CST 29/80, do qual cita alguns trechos. Sustenta, outrossim, que sendo o lançamento atividade privativa da Autoridade Fiscal, compete a ela classificar a mercadoria, sendo que o código proposto pelo declarante na sua DI, constitui mero cumprimento de obrigação acessória. Destarte, "ninguém lhe pode exigir apresente declaração absolutamente correta, em relação a um assunto eminentemente técnico, de competência exclusiva do fisco". Pelas mesmas razões, defende que também não ê devido o IPI e a respectiva multa. Após cumpridas as formalidades de praxe, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", passando a decidir, indeferiu o pedido de diligencia, uma vez que ela tem por objetivo a interpretação de um dispositivo de norma tributária, o qual já foi objeto de Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto ao mérito, apegando- se ao mesmo Ato Declaratório, manteve a classificação da mercadoria no código específico da NBM-SH (TIPIITAB), já que o mesmo concluiu que o telefone celular não se enquadra no destaque ("EX"). Diante da falta de recolhimento dos tributos manteve, também, a imposição das multas, para ao final, julgar procedente o lançamento contido no Auto de Infração, em sua totalidade. Diante da errônea classificação manteve a multa de ofício constante do Auto de Infração. Cientificada da Decisão acima relatada, a Autuada, mais uma vez inconformada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, endereçado a este Terceiro Conselho, onde, além de rebater pontos da decisão monocrática, reitera os argumentos oferecidos na peça impugnatória, para requerer o seu integral provimento. Por fim, encontra-se juntado às fls. 38/39, recente petição da Recorrente, pugnando pela realização de diligência, em único quesito ao DTT, eis que entende que falta no processo um laudo técnico esclarecedor da matéria. É o relatório. 3 MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES PRIMEIRACAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.580 301-1036 VOTO •., • . I -I I Inquestionavelmente, flagrante é o erro de classificação, pois o "KIT" das mercadorias importadas deve ser classificado no código 8525.20.0199. Entretanto, merece ser evidenciado que sobre tal código existe um destaque "EX", criado pela Portaria MF 785/92, a qual pode beneficiar a recorrente, com a redução do imposto de importação, tomando insubsistente o lançamento feito . Ocorre, porém, que inúmeras dúvidas recaem sobre o alcance da mencionada Portaria, razão pela qual voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência ao Departamento Técnico de Tarifas, para que responda ao quesito formulado às fls. pela recorrente. Este Conselho de Contribuintes solicita, ainda, ao DTT que encaminhe cópia de todo o processo administrativo, que gerou a publicação do "Ex 004" da Portaria MF 785/92. Sala das Sessões, em 23 de maio de 1996 ,/ MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 14041.000123/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II, DA LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO Nº 3.048/99 C/C ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO Nº 3.048/99 DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2403-000.716
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II, DA LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO Nº 3.048/99 C/C ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO Nº 3.048/99 DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 2 serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 112 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, com Aditamento às fls. 99 a 100, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.263 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 195 a 201, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.129.9632, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 35.853,69 (trinta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta e três reais e sessenta e nove centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, o Auto de Infração nº. 37.129.9632, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, em outras palavras, ter remunerado contribuintes individuais a seu serviço e registrar tais verbas remuneratórias em títulos não relacionados às contribuições previdenciárias. nas competências 01/2002 a 12/2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. A Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, estabeleceu o valor referido no Art. 283, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em R$ 11.951,23 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e três centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência específica, o que multiplica por 3 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, temse: 4. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 4 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 5. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 6. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 7. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 134 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 129 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 113 5 Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Observase, nos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 09. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 44 a 49, com Anexos às fls. 50 a 79. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0327.263 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 82 a 88, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/2007 DEBCAD 37.129.9632 DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Determina a lavratura de autodeinfração deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 6 discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 114 7 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 8 n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 99 a 100, alega, em síntese: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xi) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 98. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 115 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 98. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 10 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 12/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 05 a 07. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos., descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 34, o valor da multa é único, com base no art. 9º, inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, aos valores da época, R$ 11.951,21, mas, segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência específica, o que multiplica por 3 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Desta forma, não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 12/2003, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. Passemos à análise do Mérito com as argumentações da Recorrente. DO MÉRITO. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 116 11 (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 12 fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Analisemos. (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 117 13 (...) V como contribuinte individual: (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 14 solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 118 15 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 16 por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 119 17 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 18 Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07: “9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 120 19 trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: “4 A AMHPDF apenas atua como representante estatutária e intermediária de seus associados para aproximálos dos seguros e planos de saúde na prestação de serviços médicos aos beneficiários destes últimos. Por isso, são os planos de saúde que efetuam os pagamentos pelos serviços, após sua conferência, limitandose a Impugnante a repassar os honorários médicos;” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 05 a 07, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 20 Ainda, se depreende do Relatório Fiscal da Infração, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen1: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: 1 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 121 21 (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 200 e 201: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 22 nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 122 23 deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Do julgamento conjunto dos processos. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 24 A Recorrente argumenta: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI
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Numero do processo: 14041.000127/2008-12
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A,
para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.718
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E Fl. 525DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 526DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 513 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 491 a 504, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.246 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 236 a 241, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, no montante de R$ 5.912.495,03 (cinco milhões, novecentos e doze mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e três centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, temse: “ 5. Dentre os documentos solicitados e posteriormente analisados pela fiscalização constam: Estatuto Social, informações em meio digital referentes a folhas de pagamento e contabilidade, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF, termos de filiação e compromisso e contratos de conveniamento. 6. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 7. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 8. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas Fl. 528DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 514 5 a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 9. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 29 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 24 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “10. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde: “14. E que fique claro que, no caso em tela, quem remunera os serviços prestados pelos associados pessoas físicas é a própria Fl. 529DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Associação. A condição de contratante das empresas de seguro saúde conveniadas é estabelecida contratualmente em relação à Associação, que emite notas fiscais de serviços em nome daquelas. 15. As empresas seguradoras conveniadas seriam o sujeito passivo caso não houvesse a intermediação da Associação, hipótese de que a Associação se resguarda através de obrigações estatutárias impostas a seus associados: Estatuto Artigo 8 São deveres dos associados: (...) k) rescindir contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF; 1) absterse de realizar contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF.” 16. Ou seja, o associado médico pessoa física se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. O pagamento vem necessariamente através da Associação, de fato, quem remunera o médico segurado contribuinte individual. Em relação às alíquotas aplicadas, o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, mostra que: 22. As contribuições destinadas à Seguridade Social a cargo da empresa foram consolidadas utilizando a alíquota de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais. Ainda segundo o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, não foram apropriados recolhimentos no presente lançamento, uma vez que a Recorrente não reconhece a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas: 24. Por caracterizar fato gerador não reconhecido pelo contribuinte, nenhum recolhimento foi considerado a seu favor no presente levantamento. Houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Fl. 530DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 515 7 Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” Por fim, o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, informa sobre a também emissão de Autos de Infração ao término da AuditoriaFiscal: 27. Durante a ação fiscal foram emitidos, além desta notificação, os documentos abaixo relacionados, devendo, em caso de impugnação, apresentar defesas específicas para cada um, dentro do prazo de quinze dias, contados do seu recebimento: AI 30 – n º 37.129.9624 R$ 2.390,26 Resumo: Pelas Folhas de pagamento em desacordo com as normas estabelecidas, que omitiam fatos geradores. AI 34 n º 37.129.9632 – R$ 35.853,69 Resumo: Pela não utilização de títulos próprios de contabilidade no registro dos fatos geradores. AI 59 n º 37.129.9640 – R$ 2.390,26 Resumo: Pela não arrecadação, mediante desconto, das contribuições de responsabilidade de segurados a seu serviço. AI 68 n º 37.129.9659 – R$ 286.831,20 Resumo: Pela não declaração de todos os fatos geradores nas respectivas GFIP. AI 37 n º 37.129.9667 – R$ 2.390,26 Resumo: Pela não destaque dos 11% na emissão das notas fiscais de serviço. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 18. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 59. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 62 a 76, com Anexos às fls. 77 a 233. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 236 a 241, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 Fl. 531DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 NFLD 37.107.5440 CESSÃO DE MÃODEOBRA. A tese aventada pela fiscalização, de que a notificada se constitui em empresa cedente de mãodeobra, é condizente com o sistema normativo e jurisprudencial relativos à terceirização lícita, não se podendo admitir a mera intermediação de mãode obra em atividadefim. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Incide , contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. PERÍCIA É desnecessária a prova pericial quando se tratar de Matéria eminentemente de direito. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 491 a 504, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a Fl. 532DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 516 9 autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a Recorrente não pode ser caracterizada como empresa, ou seja, como uma organização autônoma que coordena um conjunto de fatores (agentes naturais, capital e trabalho), com vistas a por em marcha certos bens ou serviços e com finalidade lucrativa. É evidente que não existe capital envolvido, assim Fl. 533DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 como não há lucros e sua distribuição. A Recorrente é, em verdade, uma associação. (viii) não está correto afirmar que a Recorrente obtenha receita com a prestação de serviços médicos e que pague aos Associados pelos serviços executados. Os contratos que originaram o valor tributado no presente caso são todos para prestação de serviços médicos e assemelhados, em que a Recorrente assina o contrato como representante estatutária de seus associados. É assim que ela possibilita que os seus associados ativos tenham acesso a quase 100 planos de saúde. Em verdade, pelo já transcrito art. 11 do Estatuto, são os associados que tem o dever de custear (remunerar) a Recorrente com uma taxa que corresponde a um percentual — atualmente de 4% de seus honorários. (ix) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (x) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (xi) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário. Assim, a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana; (xii) que mesmo que a qualificação assinalada pelo Fisco estivesse correta, a impugnante jamais poderia ter sido autuada com a cobrança da alíquota de 20% (vinte por cento), pois a obrigação de retenção da aliquota de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal é atribuída ao contratante dos Fl. 534DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 517 11 serviços (planos de saúde), cabendo à cedente de mãodeobra recolher apenas a diferença de 9% (nove por cento); (xiii) perícia contábil. Por último, embora apenas a alusão à legislação citada seja suficiente para tornar insubsistente a NFLD, em nome do princípio da eventualidade, a Recorrente requer, caso o Conselho de Contribuintes considere necessária para a prova de seu direito, auditoria ou perícia contábil que analise os seus livros e documentos associativos ou ainda o deferimento de prazo específico para juntada de tais documentos, em razão do seu enorme volume, para provar que não há pagamento por serviços, mas apenas repasse, pela AMHPDF. A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 509 a 510, alega, em síntese: (xiv) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xv) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 508. É o Relatório. Fl. 535DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 508. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 536DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 518 13 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 537DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 538DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 519 15 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de Fl. 539DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, como é o caso da contribuição social previdenciária, com a antecipação de pagamento e desde que não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 540DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 520 17 Observase da análise dos autos que não houve recolhimentos a homologar, pois segundo o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, não foram apropriados recolhimentos no presente lançamento, uma vez que a Recorrente não reconhece a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas. Ademais, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” Na hipótese presente, configurase a aplicação da regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN pois não houve pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal, além do que no Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento Fl. 541DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 59, ocorreu em 21.12.2007 e o período do débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social de 01/2002 a 12/2003. Dessa forma, nos termos do artigo 173, I, CTN, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/2002 a 12/2003. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de decadência examinada, pois não se configurou o instituto da decadência nos termos do art. 173, I, CTN. DO MÉRITO. Passemos à análise das argumentações da Recorrente. (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; Fl. 542DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 521 19 (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Fl. 543DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 (vii) a Recorrente não pode ser caracterizada como empresa, ou seja, como uma organização autônoma que coordena um conjunto de fatores (agentes naturais, capital e trabalho), com vistas a por em marcha certos bens ou serviços e com finalidade lucrativa. É evidente que não existe capital envolvido, assim como não há lucros e sua distribuição. A Recorrente é, em verdade, uma associação. (viii) não está correto afirmar que a Recorrente obtenha receita com a prestação de serviços médicos e que pague aos Associados pelos serviços executados. Os contratos que originaram o valor tributado no presente caso são todos para prestação de serviços médicos e assemelhados, em que a Recorrente assina o contrato como representante estatutária de seus associados. É assim que ela possibilita que os seus associados ativos tenham acesso a quase 100 planos de saúde. Em verdade, pelo já transcrito art. 11 do Estatuto, são os associados que tem o dever de custear (remunerar) a Recorrente com uma taxa que corresponde a um percentual — atualmente de 4% de seus honorários. Analisemos. (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: Fl. 544DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 522 21 (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração Fl. 546DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 523 23 legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Fl. 547DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de seguro saúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 548DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 524 25 § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, Fl. 549DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 26 não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “10. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde: Fl. 550DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 525 27 “14. E que fique claro que, no caso em tela, quem remunera os serviços prestados pelos associados pessoas físicas é a própria Associação. A condição de contratante das empresas de seguro saúde conveniadas é estabelecida contratualmente em relação à Associação, que emite notas fiscais de serviços em nome daquelas. 15. As empresas seguradoras conveniadas seriam o sujeito passivo caso não houvesse a intermediação da Associação, hipótese de que a Associação se resguarda através de obrigações estatutárias impostas a seus associados: Estatuto Artigo 8 São deveres dos associados: (...) k) rescindir contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF; 1) absterse de realizar contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF.” 16. Ou seja, o associado médico pessoa física se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. O pagamento vem necessariamente através da Associação, de fato, quem remunera o médico segurado contribuinte individual. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55: “11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: Fl. 551DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 28 “A AMHPDF é mera intermediária, recebendo pagamento em nome dos associado para posterior repasse ao mesmo, ficando, na forma do art. 11, alínea "b", do Estatuto, supracitado, com um pequeno percentual a título de custeio das despesas administrativas. A contabilidade da Associação registra de forma cuidadosa essa distinção, já que espelha a preocupação de que os honorários dos Associados fiquem disponíveis na Associação apenas e tãosomente para o seu posterior repasse, pois são créditos de titularidade única e exclusiva do Associado.” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Ainda, se depreende do Relatório Fiscal, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é Fl. 552DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 526 29 informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen5: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: (ix) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (x) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; 5 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 553DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 30 (xi) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário. Assim, a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana; Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 240 e 241: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e Fl. 554DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 527 31 apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá Fl. 555DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 32 demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) A Recorrente argumenta que “houve arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB” e que “a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana”. Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Aplicação das alíquotas. A Recorrente argumenta: (xii) que mesmo que a qualificação assinalada pelo Fisco estivesse correta, a impugnante jamais poderia ter sido autuada Fl. 556DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 528 33 com a cobrança da alíquota de 20% (vinte por cento), pois a obrigação de retenção da aliquota de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal é atribuída ao contratante dos serviços (planos de saúde), cabendo à cedente de mãodeobra recolher apenas a diferença de 9% (nove por cento); Analisemos. Não prospera a argumentação da Recorrente pois, no mesmo sentido em que a Recorrida já havia se manifestado, a ausência da retenção de 11% (onze por cento) pode ser comprovada através dás cópias de notas fiscais anexadas aos autos, às fls. 222 a 226. Ou seja, incide a alíquota de 20% (vinte por cento) aplicada sobre a basedecálculo porque não houve qualquer recolhimento das contribuições incidentes sobre o pagamento feito aos contribuintes individuais. (D) Do perícia contábil. A Recorrente argumenta: (xiii) perícia contábil. Por último, embora apenas a alusão à legislação citada seja suficiente para tornar insubsistente a NFLD, em nome do princípio da eventualidade, a Recorrente requer, caso o Conselho de Contribuintes considere necessária para a prova de seu direito, auditoria ou perícia contábil que analise os seus livros e documentos associativos ou ainda o deferimento de prazo específico para juntada de tais documentos, em razão do seu enorme volume, para provar que não há pagamento por serviços, mas apenas repasse, pela AMHPDF. Analisemos. Reitera a Recorrente pela produção de perícia. Não confiro razão à Recorrente pois, em relação ao pedido de perícia indefiro tal pedido, a Recorrente não demonstrou, fundamentadamente, a observância dos requisitos elencados no art. 16, § 1º c/c art. 16, IV, Decreto 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 557DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 34 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) “ § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) “(gn) Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de pedido de perícia, por meio de diligência, portanto não prospera o requerimento da Recorrente em relação à produção de provas. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 529 35 (E) Do julgamento conjunto dos processos. A Recorrente argumenta: (xiv) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade Fl. 559DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 36 benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 530 37 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar A PRELIMINAR suscitada, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 561DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10746.000416/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento por se tratar de PIS faturamento.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento por se tratar de PIS faturamento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa. Impedido de votar o conselheiro Nelso Kichel por haver participado do julgamento em 1ª instância. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o lançamento do PIS referente ao anocalendário 2001, consubstanciado no auto de infração de fls. 113/125, mantendo o crédito tributário exigido. Primeiramente cabe relatar que o presente processo estava apenso ao processo nº 10746.000415/200617 que tratou da suspensão de imunidade do sujeito passivo, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 12, de 13/04/2006, publicado no DOU de 18/04/2006, bem como dos lançamentos de IRPJ, CSLL c IRRF, referentes ao anocalendário 2001. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 2 2 O lançamento de PIS decorreu dos seguintes fatos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, integrante do auto de infração: a) da insuficiência de recolhimento do PIS, vez que o contribuinte recolheu o tributo com base na folha de pagamentos ao invés do faturamento; b) De acordo com a MP 215835/2001, o recolhimento do PIS com base na folha de salários pelas instituições de educação está condicionado ao preenchimento dos requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532/97 e o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Já o Decreto nº 4.524/2002 e a IN SRF nº 247/2002, art. 9° e 47 acrescentam ainda a necessidade da posse de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; c) Às fls. 33/34 e posteriormente na fl. 51, o contribuinte foi intimado a apresentar comprovante de reconhecimento da condição de utilidade pública federal, estadual, municipal ou o comprovante de isenção fornecido pelo INSS, contudo a intimação não foi atendida; d) De acordo com as informações constantes do processo o Recorrente não é imune ao PIS/faturamento, pois não se trata de uma entidade beneficente de assistência social, mas de instituição de ensino superior que recebia por serviços prestados, descumprindo o disposto no art. 195, parágrafo 7°. da Constituição Federal (CF). O ADE nº 12/2006 suspendeu a imunidade da Recorrente. e) Foi utilizado o livro de registro de prestação de serviços para apurar a base de cálculo, tendo sido abatidos os valores declarados/pagos a título de PIS/Folha (fl. 16/32). Cientificado do lançamento em 28/04/2006, conforme AR à fl. 127, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 136/146, em 19/05/2006. Tal impugnação contestou o presente lançamento, bem assim a suspensão de imunidade e os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF, integrantes dos autos dos autos do processo nº 10746.000415/200617. Relativamente ao lançamento ora discutido, alegou, em síntese, o que segue: a) Preliminar de nulidade O auto de infração foi lavrado antes do prazo estabelecido no art. 32, § 6°, inciso II, da Lei no. 9.430/96, qual seja, da efetivação da suspensão da imunidade; estando nulo de pleno direito; b) Considerando como data da efetivação da suspensão o dia da publicação no Diário Oficial da União, 18/04/2006, gerando seus efeitos a partir do dia 19/04/2006, somente a partir desta data o auto poderia ter sido lavrado. Contudo o lançamento foi elaborado no dia 18/04/2006; c) Considerando como data da efetivação da suspensão o dia da ciência (notificação regular) do ato declaratório, 27/04/2006, (o que seria mais acertado de acordo com regras legais, pois a elaboração do ato é fase preliminar, efetivando apenas com a ciência), somente a partir desta data o auto poderia ter sido lavrado. Contudo o lançamento foi elaborado em 18/04/2006. A DRJ em Brasília julgou procedente o lançamento efetuado, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 Ementa: SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. EFETIVIDADE. MOMENTO DA EFICÁCIA DO AUTO. O auto de infração somente pode ser cientificado ao sujeito passivo quando a suspensão tiver se tornado efetiva, ou seja, houver sido notificada. A ciência concomitante da Fl. 410DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 3 3 decisão de suspensão e do auto de infração não descumpre o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. Matéria já foi objeto de julgamento em outro processo. Lançamento Procedente” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/04/2007, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/05/2007, alegando: A Como preliminares: a.1) Violação à Lei nº 9.430/96, art. 32, § 9º que trata da necessidade de reunião em um único processo a impugnação do Ato Declaratório e as Impugnações aos Autos de Infração; a.2) Usurpação de competência funcional eis que o Ato Declaratório que excluiu a Recorrente do Simples caberia ao Delegado da DEFIC e não ao Chefe da SAORT, como foi feito. a.4) Falta de fundamentação da decisão; a.5) Nulidade do Auto de Infração; B No mérito No mérito a Recorrente manteve todas as alegações feitas anteriormente. Conforme solicitado no Acórdão 0320.157, acostado às fls. 182 a 186, em 05/06/2007 o processo foi apensado ao processo de nº 10746.000415/200617 para manter a interdependência entre os processos. Em 07/01/2008 a DRF de Palmas verificou que nos autos do processo nº 10746.000415/200617 não houve manifestação no julgamento daquele processo ao Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente, através do despacho a seguir transcrito: “Proponho a devolução do presente processo ao 1° CC para manifestação a respeito do Recurso Voluntário, fls. 205 a 221, apresentado no processo 10746.000416/200661, juntado a este por sugestão da DRF/BSA/DF, tendo em vista o acórdão 10323.411, do 1° CC, acostado às fls. 410 a 417, não fazer referência ao Recurso Voluntário apresentado no processo 10746.000416/200661. O processo 10746.000416/200661 encontrase na situação "Suspenso para Julgamento do Recurso Voluntário", portanto, é imprescindível o n° do acórdão para informar o resultado do julgamento no mesmo. Ante o exposto, proponho o retorno do presente processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes para pronunciamento.” Ao receber o processo a Presidência da 2ª Câmara da 1ª Seção despachou pedindo a desapensação dos processos por entender que o processo nº 10746.000415/200617 já havia sido julgado, com o seguinte despacho: “Ocorre que o presente processo, que diz respeito ao IRPJ, já foi julgado por este Colegiado por meio do acórdão n° 10323.441, fls. 410/417, sem que se tenha pronunciado sobre o processo apenso, relativo ao PIS, até porque o seu recurso não foi cadastrado neste Conselho. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 4 4 Assim, peço à Secretaria desta Câmara que providencie a desapensação do processo n° 10746.000416/200661 do presente processo, para que o recurso voluntário impetrado em face do acórdão n° 03 — 20.157, nos autos do processo n° 10746.000416/200661, receba numeração neste Conselho e possa ser distribuído a quaisquer das Câmaras desta Seção. Outrossim, determino que ao processo n° 10746.000416/200661 sejam juntadas cópias do documento de fl. 421 do presente processo, bem como deste despacho.” Este é o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o lançamento do PIS referente ao anocalendário 2001. No estado que se encontra o presente processo, voto no sentido de declinar da competência para o julgamento, tendo em vista que não é de competência desta Seção. A partir do momento em que foi desapensado do processo nº 10746.000415/200617, o mesmo passou a ser de competência da 3ª Seção, conforme prescrito na Portaria nº 256/09, Anexo II, art. 4º, inciso I. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 412DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.001752/2006-49
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1803-000.045
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “DA AUTUAÇÃO Conforme os Termos de Verificação de Infração n° 01 (fls.71/74) e n° 02 (fls.75/84), em fiscalização empreendida junto à instituição financeira supramencionada, o autuante verificou em síntese que: Fl. 208DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 2 2 1. A contribuinte fiscalizada levou a débito da conta "Perdas com Títulos e Créditos" — código 8.1.4.20.001 — a importância de R$1.168.324,45, em 31/03/2004, e também a importância de R$13.000,00 em 08/06/2004. 1.1. A cobrança dos créditos da contribuinte estava a cargo do BANCO UNIBANCO, na condição contratual de mandatário da cobrança. 1.2. Em relação ao valor de R$1.168.324,45, o BANCO UNIBANCO enviou à contribuinte o documento de fls.53/54, em que esclareceu o seguinte: "...alguns créditos por nós cedidos a V.Sas. foram liquidados mediante o recebimento de bens, em decorrência da dação em pagamento, execução de garantia real ou penhora de bens em ação judicial. Dessa forma, este Unibanco (...), na qualidade de mandatário de V. Sas. na cobrança de tais créditos — conforme previsto nos respectivos contratos de cessão de créditos — concedeu quitação aos respectivos devedores sem deles ter recebido os valores devidos em dinheiro. Devido a falha operacional, o Unibanco, ao receber referidos bens, contabilizouos em seus registros pelo valor das dívidas então quitadas, e não pelo valor dos próprios bens. Ademais, ao conceder quitação aos devedores, pagou a V.Sas. o valor integral da dívida. Esses procedimentos implicaram prejuízo injustificado ao Unibanco, uma vez que: a) alguns dos bens recebidos não foram, até a presente data, alienados, não obstante o valor das respectivas dívidas tenham sido integralmente pagos pelo Unibanco a V. Sas.; e b) nos casos de bens recebidos que já foram liquidados, o valor obtido com a alienação foi substancialmente inferior ao valor das respectivas dívidas quitadas e, portanto, inferior ao valor pago pelo Unibanco a V.Sas. Tendo em vista o acima exposto, vimos, por meio desta, solicitarlhes a devolução dos valores pagos indevidamente, no montante de R$1.168.328,45 (..). [conforme planilha de fls.55/57] Com relação aos bens ainda não alienados, conforme descrito no item (a) acima, o Unibanco comprometese a repassar a V. Sas. os valores obtidos com a respectiva alienação, tão logo esta seja realizada." 1.2.1. Por sua vez, a contribuinte faz menção ao valor de R$1.168.324,45 na resposta de fls.50: "Baixa a perda em 31/03/2004, no valor de R$1.168.328,45, referente a uma falha operacional em nosso mandatário de cobrança, cujos detalhes estão descritos na correspondência anexa,em que recebemos R$1.610.121,23 quando deveríamos ter recebido R$441.792,78 e dessa forma indevidamente adicionamos à nossa base tributária o valor de R$1.168.328,45 a maior, e nesta data, ao devolvermos esse montante para o mandatário de cobrança baixamos o valor a perda, corrigindo assim nossa base tributária. Note que não tratamos essa devolução como um estorno de receita para não alterarmos nossa base de PIS/Cofins." Fl. 209DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 3 3 1.3. No que concerne ao valor de R$13.000,00, a contribuinte informou às fls.51: "Baixa a perda em 08/06/2004, no valor de R$13.000,00, referente a uma operação em que o mandatário da cobrança havia vendido anteriormente um bem em garantia no valor de R$13.000,00 e dessa forma registramos tal montante em nossa base tributária, entretanto por questões judiciais esse bem não deveria ter sido vendido resultando na devolução do valor da venda, conforme correspondência anexa [fls.52] e a conseqüente contrapartida baixando de nossa base tributária. Note que não tratamos essa recompra como um estorno de receita para não alterarmos nossa base de PIS/Cofins." 1.4. A contribuinte não informou os fundamentos legais destas condutas específicas. 1.5. O recebimento de crédito em bens é disciplinado pelo parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96. Nesse caso, o crédito é substituído pelos bens recebidos na quitação, pelo mesmo valor do crédito quitado. A norma tem como destinatário o titular do crédito, não sendo relevante o fato de a cobrança se operacionalizar através de instrumento de mandato. 1.5.1. Assim, quando um crédito é recebido em bens, deve o mesmo ser baixado contabilmente, para registro concomitante do bem recebido. A subseqüente alienação do bem recebido não é mais matéria atinente à norma de perdas em créditos. O confronto entre o produto da venda e o valor registrado do bem resultará em ganho ou perda sujeito às regras gerais das receitas e despesas operacionais, ou não operacionais, conforme o caso. 1.5.2. O parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96 determina que o valor a ser escriturado no recebimento de um bem, recebido em razão da quitação de um crédito, é o valor do crédito que está sendo quitado e não o valor pago na aquisição deste crédito, em situação de securitização. 1.5.3. No presente caso, os bens foram recebidos pelo mandatário (BANCO UNIBANCO), e o mandante (contribuinte em epígrafe) não poderia deixar de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. A mais valia apurada nestas transações é receita operacional decorrente de ganhos sobre os créditos adquiridos pela securitizadora. Portanto as situações fáticas reportadas não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. Os créditos foram substituídos pelos bens recebidos. 1.5.4. A devolução ao mandatário das importâncias recebidas, indevidamente, em dinheiro é fato contábil meramente permutativo que deveria ser expresso por um crédito no disponivel e um débito no próprio ativo circulante, ou no ativo permanente em razão da natureza e da destinação dos bens recebidos pela quitação dos créditos. 1.5.5. Os equívocos de direito na conduta da fiscalizada são manifestos e residem na interpretação do contido no art.12, da Lei n° 9.430/96. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 4 4 1.6. Impõese no caso concreto o valor tributável R$1.181.328,45, com fundamento no §2°, do art.835 c/c o inciso III, do art.845, do RIR/99. 2. A operação de securitização de um crédito por parte de uma instituição financeira a uma companhia securitizadora implica na transferência de todos os direitos inerentes ao crédito negociado — inciso III, do art.2°, da Resolução BACEN 2493/98. Como tal o crédito passa a integrar o patrimônio jurídico da cessionária, pelo seu próprio valor, independentemente do preço da operação de cessão. O valor de face do crédito e demais instrumentos e garantias deste crédito, necessários à sua execução, são atributos do próprio crédito cedido. 2.1. Nas situações previstas nos incisos II a IV do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96 — perdas temporárias — o valor parâmetro para fruição dos direitos ali previstos é o valor do crédito e não o valor pelo qual se tenha adquirido este crédito. Ao adquirir um crédito, a securitizadora tornase sucessora de quem tenha cedido este crédito assumindo o pólo ativo da relação credordevedor. As mesmas condições objetivas da situação do crédito que deveriam ser observadas pela cedente passam a ser de obrigatória observância pela cessionária para marcação do crédito. 2.2. Caso o crédito seja pago por dação de um bem em pagamento, este bem deverá ser registrado na escrituração do credor pelo valor do crédito quitado — parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96. Eventual ganho ou perda só se dará na futura alienação do bem recebido, sendo que, neste caso, a dedutibilidade de eventual perda não será mais disciplinada pela Lei n° 9.430/96, e sim pelas regras normativas gerais. Não há exceção para a observância desta ordem legal, que, conseqüentemente, também se aplica à credora securitizadora. 2.3. Se assim não fosse, o alcance e a eficácia das normas da Lei n° 9.430/96 seriam neutralizados pelo contrato de cessão de crédito. 2.4. Entretanto, a contribuinte não registrou os créditos de valor superior a R$5.000,00 em conta redutora, que deveria constar do ativo circulante do balanço patrimonial, bem como não observou as condições objetivas de cada crédito, nos termos dos incisos II a IV, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. Desse modo, a empresa deduziu perdas econômicas no recebimento de créditos como se fossem perdas efetivas no conceito legal tributário, sem, contudo, possuir amparo legal para tanto. 2.4.1. Ademais, a contribuinte não apresentou provas concretas da ocorrência de perdas efetivas, ou pela declaração judicial de insolvência de devedores, ou pelo transcurso de cinco anos do vencimento do crédito. A conduta ilegal foi repetida nos registros contábeis especificados às fls.83 e 40. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 17/11/2006 foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de fls.85/88 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de fls.89/92, com os valores a seguir discriminados: (...) Fl. 211DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 5 5 DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.99/116, protocolizada em 21/12/2006 e acompanhada dos documentos de fis.117/146, alegando em síntese que: 1. A DEINF é incompetente para a prática dos atos de fiscalização de empresas não enquadradas como instituições financeiras, como é o caso da impugnante, logo os autos de infração são nulos, nos termos do art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. 2. Não deve subsistir o argumento da Fiscalização de que os bens móveis (automóveis) recebidos pela impugnante a título de pagamento parcial ou total dos créditos por ela detidos deveriam ter sido lançados em sua contabilidade pelo valor de face dos créditos por ela adquiridos das instituições do mercado financeiro, pois o parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96 menciona "valor de crédito", o qual corresponderá ao valor registrado na contabilidade de seu detentor, e não ao valor de face do título ou contrato, a menos que este tenha sido o valor utilizado pelo detentor do crédito para registro em sua contabilidade. 3. Se, por hipótese, a impugnante adotasse o método de registrar o bem em sua contabilidade pelo valor de face dos créditos financeiros, eventuais perdas precisariam ser reconhecidas nas bases do IRPJ e da CSLL no momento de alienação deste bem, revertendo o efeito da adição da receita nestas bases no momento do recebimento dos bens. 3.1. O efeito tributário da dedução das perdas incorridas pela impugnante na devolução de valores repassados a maior pelos mandatários é idêntico ao efeito tributário da dedução das perdas que incorreria a impugnante na alienação dos bens móveis recebidos dos devedores, caso tivesse ativado esses bens em sua contabilidade. Não há, desse modo, qualquer prejuízo à arrecadação dos tributos sobre as atividades da impugnante. 3.2. A adição de uma receita nas bases do IRPJ e da CSLL (repasse de valores pelos mandatários ou recebimento de bens) será sempre seguida de uma exclusão de perdas no recebimento dos créditos (repasses a maior) ou na alienação dos bens, de forma que a vedação imposta pelos autos de infração à dedutibilidade destas perdas é abusiva e confiscatória. 3.3. A impugnante agiu de forma conservadora, preferindo deduzir as bases presentes de incidência dos tributos sobre o lucro, deixando de retificar os lançamentos passados. 3.4. A impugnante requer seja reconhecida a dedutibilidade das perdas sofridas com a devolução de numerário aos mandatários, sendo que a impugnante não pode arcar com o IRPJ e CSLL sobre valores que não configuram lucro tributável, mas sim valores recebidos indevidamente e a maior de seus mandatários em decorrência das perdas sofridas na alienação dos bens recebidos para quitação das dívidas detidas por ela. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 6 6 4. A impugnante registra os títulos de crédito adquiridos pelo valor despendido em sua aquisição. Quando o devedor liquida o crédito para com a impugnante, o valor de seu custo de aquisição é subtraído do montante pelo qual ele foi realizado, para a obtenção do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL. 4.1. Dessa forma, o valor de face dos títulos de crédito não exerce qualquer influência sobre a apuração do resultado auferido na sua realização. 5. O procedimento adotado pela impugnante de contar os prazos previstos no art.9°, da Lei n° 9.430/96, a partir da data de cessão do crédito, e não da data de vencimento assinalada no próprio título, não acarreta qualquer prejuízo aos cofres públicos, ao contrário, faz com que a impugnante postergue o reconhecimento de despesas e, conseqüentemente, antecipe o recolhimento de tributos. 6. A impugnante apresenta os documentos de fls.135/146, com a relação dos créditos objetos dos contratos de cessão, indicando os respectivos valores e prazos de vencimento, que demonstra o cumprimento dos requisitos do art.9°, da Lei n° 9.430/96. 6.1. Os créditos registrados como perda pela impugnante atendiam a todos os requisitos legais para tanto, de forma que é descabida a glosa das despesas decorrentes dessa perda. 7. Qualquer que seja o critério adotado, seja (i) o valor de face dos títulos, tomados como marco inicial dos prazos previstos no art.9°, da Lei n° 9.430/96, ou (ii) o valor pago pela impugnante pelos créditos, tomandose como marco inicial dos referidos prazos as datas dos respectivos contratos de cessão, a impugnante preencheu os requisitos previstos no art.9° para dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos. 8. Se ainda assim restar dúvida acerca da correção do procedimento adotado, a impugnante protesta pela realização de diligência.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) É o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil o agente do fisco competente para exercer a atividade de lançamento de tributos federais, não podendo dela se eximir, a menos que decorrido o prazo decadencial. b) Ao receber o valor de um bem a título de quitação do débito, o registro contábil da operação não poderia ocorrer segundo o livre arbítrio da cessionária, uma vez que deve ser necessariamente haver a contabilização correlata entre o valor do bem e o valor do crédito originário cedido que, repisese, foi recebido na integralidade pela cessionária, inclusive quanto às respectivas garantias de execução. c) Fica claro que a contribuinte efetuou uma interpretação equivocada do parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96, já que o valor do crédito do bem a ser escriturado se refere especificamente ao título recebido em cessão de crédito. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 7 7 d) As planilhas de fls.135/146 foram desacompanhadas de qualquer prova documental que lhes conferisse sustentação. A contribuinte não trouxe aos autos qualquer outro documento, como contratos, registros bancários ou contábeis, que permitissem embasar os dados tabulados nas planilhas em questão. e) Compulsandose as planilhas de fls.135/146, verificase que só há menção à data de cessão do crédito, sem qualquer informação sobre a data do vencimento do crédito, além do que, no caso das planilhas de fls.135/139 e 144/145, não foi nem ao menos indicado o valor do crédito em discussão. f) Além disso, não há qualquer elemento em todas as planilhas que informe se os créditos possuíam ou não garantia, o que impede a verificação do atendimento das hipóteses relacionadas nos incisos do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. g) Os pedidos de diligência, de acordo com a disciplina do art 16, do Decreto n° 70.235/72, devem vir acompanhados da formulação dos quesitos referentes aos exames de interesse da contribuinte, condição esta que não se encontra presente na peça impugnatória, devendo o pedido ser tido como não formulado. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Somente em 04 de dezembro de 2008, as sociedades securitizadoras de créditos passaram a constar expressamente na relação dos contribuintes jurisdicionados pela DEINF, conforme se verifica do artigo 1° da Portaria do Secretário da Receita Federal n° 2.143/08. Até tal data, muito embora a Portaria n° 563/98 já tivesse sido revogada pela Portaria n° 10.166/07, as sociedades secutizadoras de créditos foram mantidas sob a fiscalização da DERAT. b) Os autos de infração ora em combate foram lavrados por autoridade incompetente, restando nulos de pleno direito, nos temos do inciso I do artigo 59 do Decreto Federal n° 70.235/72. Infração 1 c) No tocante aos bens móveis (automóveis) recebidos pela Recorrente a título de pagamento parcial ou total dos créditos por ela detidos, importante analisar o parágrafo único do artigo 12 da Lei 9.430/96, o qual prevê que os bens recebidos a título de quitação do débito deverão ser escriturados pelo valor do crédito. Por óbvio, esta norma serve apenas e tãosomente para determinar que o contribuinte, por ocasião do recebimento deste bem escriture pelo mesmo valor que havia escriturado o crédito, ou seja, debite a conta do ativo que identificará este bem a crédito da conta do ativo que registava o crédito, no exato valor deste, enxugando completamente esta conta contábil em favor daquela. d) O valor dos créditos financeiros detidos pela Recorrente registrados em sua contabilidade equivale ao custo de aquisição destes créditos, nos termos da Lei Federal 6.404/76, artigo 183, inciso I ("Lei das Sociedades Anônimas"). e) A Recorrente prefere dar baixa nos créditos financeiros registrados em seu ativo apenas no momento da alienação dos bens móveis recebidos para quitar as dívidas detidas por Fl. 214DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 8 8 ela, ou no momento do recebimento em espécie destas dívidas, ocasião em que será apurado eventual lucro/ganho ou prejuízo/perda na operação, os quais serão devidamente reconhecidos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, repitase, sem qualquer prejuízo à arrecadação fiscal. f) O efeito tributário da dedução das perdas incorridas pela Recorrente na devolução de valores repassados a maior pelos mandatários é idêntico ao efeito tributário da dedução das perdas que incorreria a Recorrente na alienação dos bens móveis recebidos dos devedores, caso tivesse ativado esses bens em sua contabilidade. g) Exigir da Recorrente que arque com o ônus do IRPJ e da CSLL sobre valores que não configuram lucro tributável, mas sim valores recebidos indevidamente e a maior de seus mandatários em decorrência das perdas sofridas na alienação dos bens recebido para quitação das dívidas detidas por ela, afigurase como verdadeiro atentado à moralidade administrativa e aos preceitos tributários, sobretudo o princípio da legalidade e a vedação ao confisco, motivos pelos quais a decisão ora combatida deve ser reformada, a fim de que se seja reconhecida a dedutibilidade das perdas sofridas com a devolução de numerário aos mandatários. Infração 2 h) Os créditos adquiridos pela Recorrente não estavam protegidos por qualquer garantia. i) Em face da falta de disposição legal específica à atividade de securitização de créditos, a Recorrente adota em sua contabilidade o "princípio do custo como base de valor", segundo o qual o custo de aquisição de um ativo representa a base de valor para o seu registro contábil, conforme determina a rega geral constante do art. 183 da Lei n° 6.404/1976. j) O valor de face dos títulos de crédito não exerce qualquer influência sobre a apuração do resultado auferido na sua realização. k) Não obstante a contabilização dos créditos ser feita pelo custo de aquisição, a Recorrente mantém registro dos valores de face dos títulos de crédito por ela adquiridos. Essa informação é essencial para se determinar a partir de que momento o valor da perda no recebimento de créditos pode ser deduzido da apuração do IRPJ e da CSLL. l) A Recorrente considera como marco inicial para os prazos constantes no artigo 9° da Lei n° 9.430/96 a data dos contratos de cessão de créditos. m) O procedimento adotado pela Recorrente — de contar os prazos previstos no art. 9° da Lei n° 9.430/96 a partir da data de cessão do crédito, e não da data de vencimento assinalada no próprio título — não acarreta qualquer prejuízo aos cofres públicos; ao contrário, faz com que a Recorrente postergue o reconhecimento de despesas, e conseqüentemente antecipe o recolhimento de tributos. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 9 9 n) A confirmação ou não da existência de garantia não impede o direito ao reconhecimento da dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, sob pena de se verificar enriquecimento sem causa da União. o) Se a data de vencimento de um título de crédito deixa de ser a data original, ou seja, aquela constante do título como prazo de pagamento, e passa a ser a data em que esse título foi adquirido por terceiro, no caso a Recorrente, então a conseqüência lógica é a de que o valor do título também passa a ser aquele que o terceiro despendeu para sua aquisição. p) Admitida essa hipótese, no momento da verificação dos valores de títulos de crédito que poderiam ser tratados como perda e, portanto, deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, o valor a ser considerado para fins de enquadramento nas regras previstas pelo artigo 9° da Lei n° 9.430/96 seria aquele pago pela Recorrente, e não o valor de face do título de crédito. q) Nesse cenário, os valores dos títulos de crédito tratados como perda pela Recorrente estariam enquadrados nas regras dispostas no artigo 9°, §1°, II, alínea "a", referentes a créditos com valor inferior a R$ 5.000,00 e, conseqüentemente, poderiam ter sido deduzidos seis meses após sua aquisição pela Recorrente. r) Qualquer que seja o critério adotado pela fiscalização, seja o valor de face dos títulos, tomandose como marco inicial dos prazos previstos no artigo 9° da Lei n° 9.430/96, ou o valor pago pela Recorrente pelos créditos, tomandose como marco inicial dos referidos prazos as datas dos respectivos contratos de cessão, o fato 1 inquestionável é que a Recorrente preencheu os requisitos previstos do artigo 9° para dedutibilidade das perdas no recebimento de tais créditos. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/02/2009 (fls. 174). O recurso foi protocolado em 16/03/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Aduz a recorrente que o lançamento é nulo porque foi lavrado por autoridade incompetente. Antes de adentrar no mérito do processo é necessário enfrentarmos esta questão. Tal alegação não é procedente em face do disposto nos parágrafos 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 216DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 10 10 “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.” Nos termos da Lei n° 10.593/2002, com as alterações da Lei n° 11.457/2007, é competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. No momento da lavratura do auto de infração (24/11/2006), a jurisdição das Delegacias Especiais das Instituições Financeiras estava disciplinada na Portaria n° 563/1998. Como afirmado pela recorrente, as securitizadoras apenas passaram a constar expressamente na relação dos contribuintes jurisdicionados pela DEINF, a partir da edição da Portaria SRF n° 2.143/08. Se é fato que as empresas securitizadoras não estavam listadas na Portaria n° 563/1998, os parágrafos 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972 são cristalinos e suficientes para confirmar a validade dos presentes autos de infração. Eles foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, servidor competente para formalizar a exigência. A distribuição de servidores por todo o território nacional, e a criação de órgãos administrativos com jurisdição delimitada, não afeta a competência legal do auditor para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário. Tanto é assim, que no processo administrativo fiscal, é expressamente afirmada a validade do auto de infração lavrado por servidor competente de jurisdição diversa. Além disso, também está prevista hipótese de prorrogação da competência do auditor que primeiro conhecer da infração. A autoridade administrativa da Deinf conheceu primeiro da infração, sendo que a formalização da exigência prorrogou sua competência, nos termos do § 3°, do art. 9°, do Decreto n° 70.235/1972. Por conseguinte, não há reparos a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, rejeitandose a preliminar de nulidade. Passemos a analisar o mérito da infração descrita no Termo de Verificação n° 1. Neste termo a autoridade fiscal glosou os valores abaixo discriminados: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 11 11 a) R$ 1.168.324,45: quantia devolvida em 31/03/2004 ao Banco Unibanco– cedente dos créditos e mandatário na sua cobrança – relativa ao repasse indevido de valores de títulos quitados. O mandatário pagou à securitizadora os valores integrais das dívidas quitadas. No entanto, em muitos casos os títulos foram quitados em decorrência do recebimento de bens (dação em pagamento, execução de garantia ou penhora em ação judicial), sendo que tais bens recebidos ainda não haviam sido alienados, ou tinham sido alienados por valor inferior ao valor das dívidas quitadas. b) R$ 13.000,00: quantia paga em 08/06/2004 pelo mandante, a título de reembolso da mandatária, que foi compelida, judicialmente a devolver importância auferida na alienação de bem entregue pelo devedor em garantia do crédito. O mandatário já havia repassado ao mandante a mesma importância, e por isso solicitou sua devolução. A recorrente havia apropriado tais valores como receita operacional. Na planilha de fls. 55/57 não há informações sobre a data em que o mandatário efetuou os pagamentos, nem sobre o período em que foram apropriadas as receitas. A fiscalização entendeu que a conduta da recorrente apropriação dos valores como perdas, no ano calendário de 2004 ofendeu ao que dispunha o parágrafo único do art. 12 da Lei n° 9.430/1996, atual parágrafo 1°, na redação dada pela Lei n° 12.431/2010: “Art.12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Parágrafo único.Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor.” Para a fiscalização, as regras relativas às perdas na realização de créditos não fazem nenhuma distinção em razão das atividades praticadas pelos agentes privados. Nas suas palavras: “8. A norma especial não faz nenhuma distinção em razão das atividades praticadas pelos agentes privados. Todos os contribuintes que se valham do sistema jurídico, PERDAS NOS RECEBIMENTOS DE CRÉDITOS, como na situação presente, estão sujeitos à disciplina como um todo. Portanto, às securitizadoras de créditos financeiros, se aplicam todas as regras inerentes ao sistema quando deste elas façam uso.(nosso grifo) 9. O recebimento de crédito em bens é fato jurídico disciplinado, de forma expressa, pela norma especial em comento — parágrafo único do art. 12. Para a lei tributária, neste caso, o crédito sai do mundo jurídico, sendo substituído pelo bem ou bens recebidos na quitação, pelo mesmo valor do crédito quitado. Por outro lado a norma tem como destinatário o titular do crédito, não sendo relevante o fato de a cobrança se operacionalizar através do instrumento do MANDATO. 10. Assim quando um crédito é recebido em bens deve o mesmo ser baixado contabilmente, para registro, concomitante, do bem recebido. O fato da subseqüente alienação do bem recebido não é mais matéria Fl. 218DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 12 12 atinente à norma especial das perdas em créditos. O confronto entre o produto da venda e o valor registrado do bem, resultará em ganho ou perda sujeito às regras gerais das receitas e das despesas operacionais ou não operacionais conforme o caso. 11. Deve ficar absolutamente claro que a imposição legal constante do Parágrafo Único do art. 12 da Lei no 9.430/96 determina que o valor a ser escriturado no recebimento de um bem, recebido em razão da quitação de um crédito, é o VALOR DO CRÉDITO que está sendo quitado e não o VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DESTE CRÉDITO, em situação de securitização. 12. Nos casos destes autos os bens foram recebidos pelo MANDATÁRIO por ordem e conta do MANDANTE. Este último não poderia deixar de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. A mais valia apurada nestas transações é receita operacional decorrente de ganhos sobre os créditos adquiridos pela Securitizadora.Portanto as situações fáticas reportadas não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. Os créditos foram substituídos pelos bens recebidos. 13. A devolução ao Banco Mandatário das importâncias recebidas, indevidamente, em dinheiro é fato contábil meramente permutativo que deveria ser expresso por um crédito no disponível e um débito no próprio ativo circulante, ou no ativo permanente em razão da natureza e da destinação dos bens recebidos pela quitação dos créditos.” São apontados os seguintes equívocos na conduta da contribuinte: • A recorrente não adotou os procedimentos previstos no art. 12, ou seja, não escriturou os bens recebidos a título de quitação do débito pelo valor do crédito. O valor do bem recebido em razão da quitação de um crédito é o valor do crédito que está sendo quitado, e não o valor pago na aquisição deste crédito. • O mandante não poderia ter deixado de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. • As devoluções não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. O lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário é fato contábil meramente permutativo. O pressuposto básico da fiscalização é que a situação descrita nos autos enquadrase no regime jurídico de perdas no recebimento de créditos. Mas, a situação fática corresponde efetivamente a perdas no recebimento de créditos, nos termos dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430/1996? A perda da cedente do título é equivalente à perda da securitizadora? O recebimento a menor do que o valor de face do título corresponde a perdas tanto na cedente quanto na securitizadora? A cessão de direitos creditórios leva à desconsideração da atividade operacional da recorrente? Para a securitizadora, o recebimento dos títulos de crédito é receita ou perda? Fl. 219DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 13 13 Vejamos o que dispõe o art. 9° da Lei n° 9.430/1996: “Art.9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c)superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde queiniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no §5º. §2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. §3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. §4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. §5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. §6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista Fl. 220DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 14 14 controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas.” A norma do art. 9° utiliza a expressão “perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica”. A fiscalização tece suas considerações sem atentar para a peculiaridade da atividade operacional exercida pelas securitizadoras. De acordo com o contrato social anexado aos autos o objeto social da recorrente é o seguinte (fls. 6): “Artigo 3°. A Sociedade tem por objeto social a aquisição de créditos oriundos de operações de empréstimo, de financiamento e de arrendamento mercantil contratados por bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, sociedades de arrendamento mercantil e companhias hipotecárias. Pareceme evidente que a perda, para a entidade originadora do título de crédito, no caso, a instituição financeira cedente, deve ser averiguada em relação ao valor de face do título, ao passo que para a securitizadora, o que é relevante é o preço pago pelo crédito. A entidade originadora desembolsou recursos equivalentes ao valor de face do título. A securitizadora não. Perdas são recursos consumidos pela pessoa jurídica sem que haja uma contrapartida de receita. Para os bancos, o recebimento a menor do valor de face do título, ou a inadimplêncial total, corresponde a perdas, na medida em que ele desembolsou os valores expressos no título, e apropriou como receita o montante dos juros, em função do decurso de um determinado período de apropriação contábil, usualmente um mês. Já, para a securitizadora, apenas podemos falar em perdas até o limite dos valores dispendidos na aquisição dos títulos. É oportuno transcrevermos trecho do “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” sobre o tema: “1 A empresa ABC transfere os direitos creditórios para a SPE no valor nominal de $ 1.050.000 por 970.000 (deságio de 80.000): D Contas a Receber 1.050.000 C Receitas a Apropriar 80.000 C Direitos Creditórios a Pagar 970.000 (...) Os clientes pagam para a SPE os direitos creditórios, no valor de $ 1.050.000: D Disponibilidades 1.050.000 C Contas a Receber 1.050.000 Fl. 221DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 15 15 (...) 5. A SPE apropria as receitas de acordo com a liquidação dos recebíveis: D Receitas a Apropriar 80.000 C Receitas Operacionais 80.000 (FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. São Paulo: Atlas, 2010. p. 94)“ Ao analisarmos os lançamentos contábeis do exemplo acima, verificamos que, na securitizadora, a receita apenas é realizada e apropriada no momento da liquidação dos recebíveis. Isto, em face da atividade operacional da securitizadora, qual seja, a aquisição de títulos, e não a concessão de empréstimos. Os procedimentos contábeis adotados pela recorrente foram os seguintes: 1 Aquisição dos créditos: D 1.8.2.40 Títulos e Créditos a Receber* C Disponibilidades * Os títulos foram registrados pelo custo de aquisição, nos termos do art. 183, inciso I, da Lei n° 6.406/1976. 2 Recebimento dos créditos D – Disponibilidades C 1.8.2.40 Títulos e Créditos a Receber D Disponibilidades C 7.1.3.10 Lucro c/ Créditos Adquiridos (conta de resultado) A recorrente não seguiu a melhor técnica contábil, pois seus procedimentos não evidenciam o valor de face dos títulos adquiridos, nem a receita a apropriar, que corresponde ao deságio, ou seja, à diferença entre o valor pago na aquisição e o valor de face do título. No entanto, não se pode afirmar que estes procedimentos contábeis levaram a distorções no resultado da empresa. Em princípio, o resultado obtido com os dois procedimentos contábeis é equivalente. Ao voltarmos para a situação concreta do presente processo, retornamos à primeira pergunta: os lançamentos relativos à devolução de valores ao mandatário da cobrança dos títulos podem ser consideradas como “perdas no recebimento de créditos”? Primeiramente, cumpre observar que o caput do art. 12 se refere à situação de recuperação de crédito, cuja perda foi anteriormente deduzida. Ou seja, o contribuinte realiza a receita a partir do exercício de sua atividade, e registra os valores a receber em seu ativo. O devedor não paga, e a perda é deduzida em conformidade com as regras dos arts. 9° a 12 da Lei Fl. 222DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 16 16 9.430/1996. Posteriormente, o montante do crédito deduzido como perda é recuperado, e o lançamento da perda deve ser revertido. No caso concreto, ao que tudo indica, a situação fática não é esta. Segundo o contribuinte, houve devolução de valores pagos pelo cedente indevidamente, que já haviam sido apropriados como receita. O contribuinte afirmou que não tratou as devoluções como estorno de receita para não alterar a base de cálculo do PIS/COFINS (fls. 50/51). Por sua vez, a fiscalização parte do pressuposto de que é o regime jurídico das perdas que deve ser aplicado. Isto porque, não vê nenhuma consequência ou diferença entre a atividade operacional da cedente e da cessionária do crédito. Se na originadora do crédito, o não recebimento dos créditos corresponde a perdas, na cessionária isto também é verdade, independentemente de sua atividade operacional. Para ela a securitizadora, ao adquirir um crédito tornase sucessora de quem tenha cedido este crédito, assumindo o pólo ativo da relação credordevedor. Assim, as mesmas condições objetivas da situação do crédito que deveriam ser observadas pela cedente passam a ser de obrigatória observância pela cessionária. O art. 287 do Código Civil assim dispõe: “Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios.” Os acessórios de um título de crédito correspondem aos juros, à cláusula penal e às garantias. Neles não está incluído o regime de perdas dos arts. 9° a 12 da Lei 9.430/1996. As perdas devem ser consideradas em relação à atividade operacional da empresa. No meu entendimento, a devolução dos valores ao mandatário na cobrança pode corresponder a um estorno de receita. Isto na hipótese de entendermos que a receita apenas é realizada no momento do recebimento do crédito em espécie, após a alienação dos bens móveis recebidos como quitação da dívida. No entanto, a fiscalização pode ter razão ao afirmar que “as devoluções não são situações autorizadores de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais”, ou ainda, que “o lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário é fato contábil meramente permutativo”. O argumento central da recorrente é que a escrituração contábil prescrita no parágrafo único, do art. 12 da Lei n° 9.430/1996 acarreta simples lançamentos em contas patrimoniais, que não afetarão em nada as contas de resultado. Como para ela, a apropriação da receita apenas ocorre no momento da alienação, é irrelevante a falta de escrituração dos bens recebidos a título de quitação do débito pelo valor do crédito, pois, o lucro/prejuízo obtido dependerá apenas da diferença entre o valor pago na aquisição do título e o montante recebido em espécie. As receitas devem ser reconhecidas em conformidade com o disposto no § 3° do art. 9° da Resolução CFC n° 750/1993: “§ 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura Fl. 223DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 17 17 na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções.” Na situação do presente processo, o pagamento foi efetuado em bens (dação em pagamento, execução de garantia ou penhora em ação judicial), ao mandatário da cobrança. Como reconhecer a receita nesta hipótese? Qual lançamento é meramente permutativo, o da devolução dos valores à mandatária da cobrança, ou o do recebimento dos títulos em bens? Se a receita deve ser reconhecida no momento do recebimento do bem móvel, a glosa efetuada pela fiscalização está correta, e o lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário seria um fato contábil meramente permutativo. A receita já teria sido realizada no momento em que o bem foi recebido como pagamento do crédito. Por outro lado, se é válida a opção da recorrente de reconhecer a receita apenas no momento em que os bens recebidos como pagamento são alienados, ou no momento em que a mandatária da cobrança repassa os valores recebidos em espécie, a devolução dos valores configuraria claramente um estorno de receita. Para precisarmos o momento da realização da receita, é relevante a análise das cláusulas contratuais relativas ao contrato de mandato celebrado entre a recorrente e o banco mandatário. A recorrente afirma que “por razões de ordem negocial e econômica”, dá baixa nos créditos apenas no momento da alienação dos bens móveis recebidos, quando apura o lucro/prejuízo de cada operação. No entanto, os registros contábeis devem retratar fielmente as operações realizadas pela entidade. Por isso é necessária uma análise mais aprofundada do instrumento de cessão dos créditos. Por fim, se o procedimento da recorrente estiver em conformidade com o pactuado no instrumento de mandato, é necessário sabermos em que período foram apropriadas as receitas. Conforme já salientado, na planilha de fls. 55/57, constam apenas informações sobre a “data de reintegração”. Esta é a data da quitação do crédito pelo recebimento do veículo? Quandos os valores foram apropriados como receita pela recorrente? Os valores relativos ao custo de aquisição já haviam sido deduzidos como perdas operacionais da securitizadora? A recorrente afirma que não pode arcar com o ônus do IRPJ e da CSLL sobre valores recebidos a maior e indevidamente de seus mandatários. Nesse caso, não podemos afirmar de pronto se está correta a afirmação de que o procedimento contábil adotado pela recorrente não acarretou nenhum prejuízo para o Fisco. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 18 18 De acordo com a Lei da S/A (Lei 6.404/1976), o lucro líquido do exercício não deve estar influenciado por efeitos que pertençam a exercícios anteriores, ou seja, deverão transitar pelo balanço de resultados somente os valores que competem ao respectivo período. O que procurei demonstrar até o presente momento foi a necessidade de maiores informações para forma convicção a respeito da validade dos procedimentos contábeis adotados pela contribuinte e suas conseqüências fiscais. Por isso, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) anexar os instrumentos de mandato celebrados entre a cedente e a cessionária dos créditos; b) anexar demonstrativo que explicite a data da cessão dos créditos; o valor de face dos títulos; o valor pago na aquisição dos títulos; o valor das perdas deduzidas pela securitizadora, se houver; a data da quitação dos títulos pelo recebimento dos bens; data e valor da venda dos veículos, se esta foi efetuada; a data do repasse dos valores à securitizadora; o período em que as receitas devolvidas (1.168.324,45 e 13.000,00) foram apropriadas. O demonstrativo deve estar acompanhado da escrituração contábil. A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários; entregar cópia à recorrente; e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões; após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 225DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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