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Numero do processo: 10865.903792/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.179
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de PIS/Pasep referente ao PA de 31.07.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS e PIS/Pasep incidentes sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.844 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903792/200904 Acórdão n.º 3803003.179 S3TE03 Fl. 105 3 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903792/200904 Acórdão n.º 3803003.179 S3TE03 Fl. 106 5 124,55, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903792/200904 Acórdão n.º 3803003.179 S3TE03 Fl. 107 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903792/200904 Acórdão n.º 3803003.179 S3TE03 Fl. 108 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35232.000454/2007-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 14/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA DESNECESSIDADE. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO DA FALTA. INOCORRÊNCIA. MULTA VALOR FIXADO E LEI.
CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.528
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA DESNECESSIDADE. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO DA FALTA. INOCORRÊNCIA. MULTA VALOR FIXADO E LEI. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA DESNECESSIDADE. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO DA FALTA. INOCORRÊNCIA. MULTA VALOR FIXADO E LEI. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000454/200716 Acórdão n.º 280300.528 S2TE03 Fl. 146 3 . Relatório O presente Auto de Infração – AI – DEBCAD 37.053.9915, CFL.35, decorre do contribuinte deixar de prestar ao INSS, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo e na forma por este estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários. O período de apuração é de 05/2002 a 08/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 08, tal auto objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/02/2007, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 01/03/2007, as fls. 15 a 21, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 22 a 74. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação – DN N° 18.401.4/0067/2007, fls. 76 a 82, em 26/03/2007. Na qual a autuação foi considerada procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/04/2007, AR, fls. 84. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, fls. 88 a 102, onde alega em síntese. • Preliminarmente – • Que o recurso é tempestivo; • Que o depósito recursal é inconstitucional; • Que na decisão guerreada o julgador alegou não poder tecer comentários sobre a inconstitucionalidade de normas e nem tão pouco sobre a desproporcionalidade da multa; • Que os requisitos para a realização de perícia não foram cumpridos, indeferindo a mesma e isto caracteriza cerceamento de defesa; • Que o contribuinte não concorda com a decisão de primeiro grau e interpõe o presente recurso para que o CRPS declare a improcedência da notificação; • Mérito – • Que o auto é insubsistente, pois o agente autuante não detalhou o fato, sendo que a empresa possui toda a sua documentação em meio digital, ocorreu, porém, na ocasião um defeito no equipamento, que foi Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 4 solucionado no mesmo dia, o que torna arbitrária a aplicação da multa, não havendo prejuízo para o fisco ou previdência; • Que a multa aplicada é arbitrária, excessiva, não gradual e confiscatória, que impossibilita a atividade econômica e prejudica os investimentos na empresa; • Que não ocorreram as irregularidades, mas se por acaso existissem foram corrigidas antes do fim do prazo de impugnação, o que outra ação fiscal pode comprovar ou a realização de perícia; • Que das peças do auto não se verifica as irregularidades mencionadas pela fiscalização, não ocorrendo o equivoco e estando regulares as GFIP`s, sendo que o contribuinte é primário e não houve agravantes apuradas no AI; • Que todas as falhas foram sanadas e corrigidas, antes do encerramento do prazo de impugnação, que perícia técnica nos documentos, arquivos e microcomputadores da empresa, podem provar isso, razão pela qual se requer a produção de tal prova, sendo cerceamento de defesa a sua negativa; • Que a multa leva em conta o número de funcionários, mas em momento algum o fiscal autuante informou tal número, sendo impossível verificar o limitador, devendo ser aplicado o mínimo, sendo seu valor desproporcional e abusivo; • Que a infração cometida é de pequena monta e já foi sanada e que assim a multa é desproporcional, irrazoável e descabida, além de não se poder fixar o limite legal por faltar o número de funcionários; • Que a multa assume caráter confiscatório, vedado pela CF, podendo prejudicar a atividade da empresa, descapitalizandoa, sendo interdição à injusta apropriação do patrimônio, rendimentos ou capital financeiro; • Que esta não pode comprometer o exercício do direito a existência digna, a prática de atividade ou a satisfação das necessidades básicas, pelo excesso de carga tributária; ainda, que em razão de multa excessiva; • Que a autuada faz jus a relevação da multa, pois presentes todos os requisitos, primariedade; ausência de agravantes, pedido de relevação e correção da falta realizados dentro do prazo de impugnação; • Que alternativamente faz a autuada jus a atenuação da multa, pois corrigiu a falta, dentro do prazo de impugnação; • Que na apuração do quantum debeatur o agente não informou de forma plena e eficaz como tais valores foram apurados, sequer informou o número de trabalhadores considerados; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000454/200716 Acórdão n.º 280300.528 S2TE03 Fl. 147 5 • Que os demonstrativos analíticos e sintéticos não demonstram a forma como se chegou nos valores, nem o número de funcionários, o que torna o auto insubsistente; • Que o contribuinte sempre atendeu a todas as solicitações do fisco, que não teve a intenção de fraudar ou lesar a este, o que prova sua boafé; • Que ocorreram apenas equívocos já sanados, ou, equivoco da própria fiscalização; • Finaliza pedindo: a) declaração de improcedência do AI; b) não acolhido o pleito anterior, que sejam afastados: a multa arbitraria e desproporcional; juros moratórios além de 1% am; taxa SELIC; anatocismo; c) recebimento do recurso sem o depósito. A alegações quanto ao juros moratórios; taxa SELIC e anatocismo não serão aqui resumidas, o que se explicará no voto. Consta, dos autos, as fls. 132 a 136, sentença de procedência no MS 2007.84.00.0032162 para que os recursos administrativos sejam processados sem a exigência do depósito recursal. Os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 144. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira, Relator. O recurso foi interposto tempestivamente, em 11/05/2007, conforme, fls. 87 e 88, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 17/04/2007, AR, fls 84. No que tange ao depósito recursal a empresa não o realizou, mas está amparado por sentença de procedência no MS 2007.84.00.0032162, fls. 108 a 112. A tempestividade do recurso foi reconhecida. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração do recurso voluntário, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão temos, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, verifico no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já reconhecera a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos neste). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000454/200716 Acórdão n.º 280300.528 S2TE03 Fl. 148 7 Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica, e por obvio a determinação judicial em MS, admito o presente recurso. Na seara do contencioso administrativo os órgão julgadores estão limitados em sua atividade cognitiva, assim, certas matérias lhe são vedadas o conhecimento, a exemplo: NO PRIMEIRO GRAU. PORTARIA RFB Nº 10.875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 DOU DE 24/08/2007 Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. NO SEGUNDO GRAU. PORTARIA MF Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 8 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993 . (grifos meus). Equivocase a recorrente ao argüir cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia, pois este pode ser rejeitado, caso o perícia seja desnecessária ou protelatória, bem como o seu pedido não preenche os requisitos legais. A jurisprudência e forte nesta vertente. Assim rejeitase esta preliminar. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (grifo meu). Os contribuintes de uma forma geral têm o livre exercício e arbítrio para concordarem ou não com o que bem entenderem, sendo sua prerrogativa pessoal. O agente fiscal autuante detalhou, deixando claro e demonstrando de forma objetiva que a recorrente não apresentou folha de pagamento e livros contábeis no formato digital, mas sim em meio papel, apesar de fazer uso de sistema eletrônico para produção de tais documentos, sendo este o motivo da aplicação do auto de infração, basta ler a passagem abaixo transcrita. A empresa apresentou as folhas de pagamento e os livros contábeis em meio papel, descumprindo exigência legal de a partir da competência 07/2003 ter de apresentar os dados relacionados à folhas de pagamento e contabilidade em meio Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000454/200716 Acórdão n.º 280300.528 S2TE03 Fl. 149 9 digital na forma exigida pelo Manual Normativo de arquivo digitais. (grifo do original) A recorrente alega que na ocasião teve problemas em seu equipamento, mas que estes foram resolvidos no mesmo dia, sendo desta forma a autuação arbitrária, bem como não causou prejuízo.Os documentos anexados aos autos demonstram que tais alegações são inverídicas, basta uma simples olhada no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, fls 09 e 10. Neste documento percebese que a empresa foi intimado em 31/10/2006, com prazo para apresentação dos documentos até 06/11/2006, ou seja, uma semana – sete dias. A empresa mesmo confirmou que apesar do defeito ocorrido no equipamento este foi solucionado no mesmo dia. Desta forma, ela recorrente teve seis dias adicionais para apresentar os documentos, se não o fez foi porque não quis fazer e não por conta do equipamento. A questão do prejuízo é irrelevante, além do que o contribuinte não tem como mensurar tal grandeza, o que importa é que uma obrigação imposta por lei foi descumprida no curso da ação fiscal, bem como a responsabilidade é objetiva, quando se trata de infração a dever instrumental. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º, I, E 97, I, DO CTN. REPETIÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO VEDADA EM RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 136 DO CTN. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA LOCAL E REITERAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DA PENALIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, IMPROVIDO. (RESP 200500865815, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/02/2010). A multa aplicada decorre exclusivamente de culpa do contribuinte que deixou de cumprir com sua obrigação legal da forma estabelecida. A multa não é excessiva, pois aplicada no módico valor estabelecido em lei pelo poder competente, que certamente mensurou o peso da conduta para determinar o valor da pena. Não pode o empresário querer investir em sua atividade com o dinheiro do contribuinte o risco da atividade econômica deve ser por este suportado e não pela sociedade, pois os lucros obtidos aquele não divide com esta. Quanto a ocorrência da falta as alegações do contribuinte são no mínimo alto excludentes, pois ou não ocorreram, ou ocorram e foram corrigidas, mas sua alegação de que se caso ocorridos foram sanadas é intrigante, como ele corrigiu um erro que não aconteceu, em sua palavras. A ação fiscal não é meio de verificação das obrigações do contribuinte após este ter sido fiscalizado. O pedido de perícia já foi analisado e rejeitado. A autoridade julgadora de primeiro grau deixou claro que a falta não foi corrigida. Ressaltese que, embora alegada, não foi comprovada a correção da falta objeto do presente auto, já que a defendente não apresentou os arquivos digitais nem ao AFPS durante a ação fiscal, nem a esta Seção de Contencioso dentro do prazo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 10 de defesa. Assim, não foram atendidos todos os requisitos cumulativamente exigidos no Regulamento da Previdência Social para a concessão da relevação total do valor da multa aplicada, ou mesmo da sua atenuação em cinqüenta por cento, de acordo com o seu art. 291, caput e §1°, abaixo transcrito:. (grifo meu). O contribuinte tem o dever, segundo artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72 de apresentar as provas de suas alegações junto com a impugnação sob pena de preclusão, salvo exceções. Assim não o fazendo perdeu a oportunidade. Os documentos anexados aos autos dão a exata demissão da falta, uma vez que não foram apresentados no curso da ação fiscal documentos que foram solicitado via TIAD, ou foram estes apresentados em desconformidade com as exigências legais. O presente auto nada tem a ver com as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, sendo tais alegações impertinentes. O ato administrativo de lançamento goza de presunção juris tantum de legitimidade, cabendo ao recorrente apresentar provas para elidila, se for o caso. Ficou claro que as infrações, ainda, persistem, ou seja, não foram corrigidas. Mais este pedido de perícia não deve prosperar, pois indevido, desnecessário e improdutivo, haja vista que no acórdão de primeiro grau a autoridade assevera com clareza que os arquivos digitais não foram apresentados. A ação fiscal não é meio de verificação das obrigações do contribuinte após este ter sido fiscalizado o pedido de perícia já foi analisado e rejeitado. A autoridade julgadora de primeiro grau deixou claro que a falta não foi corrigida. Ressaltese que, embora alegada, não foi comprovada a correção da falta objeto do presente auto, já que a defendente não apresentou os arquivos digitais nem ao AFPS durante a ação fiscal, nem a esta Seção de Contencioso dentro do prazo de defesa. Assim, não foram atendidos todos os requisitos cumulativamente exigidos no Regulamento da Previdência Social para a concessão da relevação total do valor da multa aplicada, ou mesmo da sua atenuação em cinqüenta por cento, de acordo com o seu art. 291, caput e §1°, abaixo transcrito:. (grifo meu). A presente autuação não ter a ver com falta de recolhimento ou omissão na declaração de fatos geradores em GFIP. A atuação diz apenas com não apresentação de arquivos digitais no curso da fiscalização, conforme consta do REFISC, de fls. 14, e DN, de fls. 76 a 82. O número de trabalhadores não tem a menor aplicação a este auto de infração, uma vez que seu valor é fixo e determinado em lei. A multa aplicada foi devidamente mensurada pela poder compete, que a fixou. Não há como atribuir a multa caráter confiscatório, pois seu valor está bem abaixo do que admitido pelo Supremo Tribunal Federal – STF como razoável, apesar de tal decisão ser para multa moratória mutatis mutandis tem perfeita aplicação a multa punitiva, haja vista que esta nem chega perto do percentual determinado em função das notificações aplicadas na mesma ação fiscal. A multa não busca extrair do contribuinte seus direitos constitucionais. Não é esta a sua função. A função da multa punitiva é desestimular os contribuintes a quererem deixar de adimplir sua obrigação originária, pois o fazendo, ira incidir multa, ela buscar dissuadir a conduta “ilícita” antes de sua ocorrência. Esta, também, não busca comprometer o exercício da atividade empresarial, mas o empresário é o responsável pelas suas condutas e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000454/200716 Acórdão n.º 280300.528 S2TE03 Fl. 150 11 deve estar a par de que delas podem gerar punições, que só ocorrem quando estes agem em desrespeito a lei. Buscar a impunidade é que seria inconstitucional. IPI. MULTA MORATÓRIA. ART. 59. LEI 8.383/91. RAZOABILIDADE. A multa moratória de 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 239964, ELLEN GRACIE, STF). Nos termos da legislação para obter a relevação da multa o autuado deve preencher quatro requisitos de forma simultânea, ou seja, ser primário; não ter incorrido em circunstâncias agravantes; ter feito pedido no prazo da impugnação e ter corrigido a falta no prazo da impugnação. Como foi asseverado anteriormente o julgador de primeiro grau consignou em seu acórdão que a recorrente não corrigiu a falta dentro do prazo da impugnação, o que não permite a concessão da relevação. Ocorre a mesma restrição para a concessão da atenuação, pois para esta a única exigência é a correção da falta no prazo da impugnação e como tal correção não se deu a atenuação, também, não é aplicável ao caso em tela. O valor da multa e sua sistemática de aplicação estão clara e longamente detalhadas no REFISC, de fls. 14, basta o contribuinte ler o relatório e entenderá como se chegou a tal valor, pois na presente autuação tudo é bem simples o valor é fixo e único e está determinado por lei. Assim, é só observar a determinação legal. A alegação de que o Discriminativo Analítico de Débito DAD e Discriminativo Sintético do Débito – DSD não demonstram os valores e número de segurados e que por isso o auto é insubsistente é equivocada e impertinente, pois Auto de Infração não possui tais relatórios, haja vista que estas são peças integrantes apenas de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD. E no presente auto de infração como asseverado em outras passagens diversas vezes seu valor é determinado por lei e fixo. A intenção do contribuinte é irrelevante para a fixação da multa nos termos do artigo 136, do CTN. TRIBUTÁRIO. ILÍCITO. NÃOEMISSÃO DE NOTA FISCAL. MULTA. INEXISTÊNCIA DE LACUNA LEGISLATIVA, DÚVIDA, EXAGERO OU TERATOLOGIA. REDUÇÃO PELO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que os fatos e a norma local são incontroversos: a contribuinte deixou de emitir nota fiscal, mesmo tendo vendido e entregue a mercadoria a seu cliente. Só emitiu o documento após o início da fiscalização. A multa prevista na legislação local é de 30% sobre o valor do bem. 2. O Tribunal de origem reconheceu o ilícito e a aplicabilidade da multa, razão pela qual deu parcial provimento à Apelação do Estado, reformando a sentença que afastara a exigência. No entanto, entendeu inexistir máfé da contribuinte ou dano ao Erário, de modo que reduziu a multa de 30% para 5% do valor da mercadoria. 3. "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 12 do CTN). 4. Na hipótese dos autos, a emissão da nota fiscal somente ocorreu após o início da fiscalização, o que afasta a presunção de boafé, não havendo falar no benefício do art. 138, parágrafo único, do CTN. Ainda que assim não fosse, é pacífico o entendimento de que as sanções por infrações formais (entrega de declarações, emissão de documentos fiscais) não são afastadas pela denúncia espontânea. Precedentes do STJ. 5. A reprovabilidade da conduta é avaliada pelo legislador ao quantificar a penalidade prevista na lei. É por essa razão que às situações que envolvam fraude ou máfé são fixadas, não raro, multas muito mais gravosas que os 30% previstos pela legislação local. 6. Recurso Especial provido. (RESP 200901791123, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 16/09/2010. (grifos meu). Os equívocos praticados pelo contribuinte não foram saneados, como ficou consagrado em outras passagens. A fiscalização não se equivocou, uma vez que intimou o contribuinte na forma da lei a apresentar documentos em meio digital e este assim não agiu, desta forma descumprindo a lei. As teses e argumentos sobre juros moratórios; taxa SELIC e anatocismo não foram citados no relatório e nem tratados no voto, pois tais itens não são aplicados em Auto de Infração, basta ver que, quando da lavratura do auto seu valor foi de R$ 11.569,42, em 14/02/2007, sendo que em 12/04/2007, fls. 83, relatório Consulta Dados Identificadores de Processo – CCADPRO o valor não foi alterado. Igual situação verificase em 14/08/2007 e 05/10/2007, respectivamente, fls. 103 e 105, relatório Consulta Dados Identificadores de Processo – CCADPRO, onde o valor continua sem alteração. Esta é a razão pela qual tais alegações não foram apreciadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER DO RECURSO, porém afastando as preliminares suscitadas, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, tendo em vista que as alegações da recorrente não encontram suporte fático ou jurídico. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA
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Numero do processo: 36218.000748/2007-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/02/2007
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante estabelece o Código Tributário Nacional, a compensação deve se sujeitar aos ditames legais. No âmbito previdenciário, é matéria é tratada pelo art. 89 da Lei nº 8.212/91. Logo, qualquer procedimento de compensação que não seja realizado em estrita conformidade com a legislação de regência não deve ser deferido pela Administração Pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.250
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36218.000748/2007-99 Recurso n° 247.216 Voluntário Acórdão no 2803-00.250 — 3' Turma Especial Sessão de 21 de setembro de 2010 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA - SPEI Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. IMPOSSIBILIDADE. Consoante estabelece o Código Tributário Nacional, a compensação deve se sujeitar aos ditames legais. No âmbito previdencidrio, é matéria é tratada pelo art. 89 da Lei no 8.212/91. Logo, qualquer procedimento de compensação que não seja realizado em estrita conformidade com a legislação de regência não deve ser deferido pela Administração Pública. Recurso Voluntário Negado Direito Credit6rio Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). HELTON DE LIMA - Presidente. CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE ,- Relatora 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de pedido apresentado por Sociedade Paranaense de Ensino e Informática para a compensação de contribuições previdencidrias lançadas por meio dos débitos if's 35.722.171-0, 36.011.283-8, 36.011.284-6 e 35.815.740-4 com créditos decorrentes de Apólices emitidas por decretos nos anos de 1912, 1920 e 1923, conforme decisão prolatada pelo d. juiz da 3' Vara Federal da Seção Judiciária de Goias, nos autos do processo n° 99.0005986-5. Quando do seu julgamento, a Delegacia da Receita Previdencidria em Curitiba indeferiu a pretensão da ora Recorrente (fls. 33/37), sob os seguintes fundamentos; (a) o requerimento não possuiria o requisito da liquidez e certeza, conforme determinado pelo art. 170 do CTN; (b) que a compensação tributária possuiria regras próprias, não se aplicando as disposições do Código Civil; (c) que a compensação tributária não seria automática, por exigir, mesmo quando concedida pela autoridade administrativa, previsão legal expressa que autorize e discipline as condições e garantias do procedimento; (d) que a obrigação tributária estaria submetida ao regime jurídico de direito público, claramente distinto dos ditames presentes na compensação privada; (e) que nas relações privadas haveria autonomia, podendo-se, a principio fazer tudo o que a lei não proibe, no âmbito público s6 se pode fazer aquilo que estivesse previsto em lei, e no presente caso, não há previsão; (f) que a Recorrente pretendia compensar duvidoso crédito que se diz portadora e que o art. 89 da Lei n° 8.212/91 não contemplaria hipóteses em que se admite a compensação na esfera previdencidria não amparando a compensação de contribuições previdencidrias com "apólices emitidas pelos Decretos n's 9.528, 14.199, 16.031, nos anos de 1912, 1920 e 1923"; (g) que seriam compensáveis apenas os créditos decorrentes do pagamento do recolhimento indevido relativo as parcelas referidas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n°8.212/91, conforme estabelecido no art. 89, caput e § 2° da Lei n°8.212/91. Contra esta decisão, a Recorrente apresentou Pedido de Reconsideração e reforma da decisão as fls. 41/112, argüindo que a concessão da liminar, confirmada pela sentença de mérito, nos autos do processo que o i. Delegado desconheceu, passou a ser lei, e sua apreciação mereceria a adoção de procedimentos e cruzamentos de informações mais coerentes do que a simples alegação de que o procedimento adotado pelo ora Recorrente seria irregular. Alegou, ainda, que, da simples leitura da fundamentação legal utilizada na sentença de mérito, se demonstrou o direito sobre o qual a Recorrente estaria amparada, qual seja, a compensação com créditos, líquidos, certos, divisíveis, transferíveis e endossáveis com títulos da divida pública federal ao portador, que hoje estão custodiados na Caixa Econômica Federal, 2 Processo n°36218.000748/2007-99 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.250 Fl. 2 conforme se prova da Certidão de 18.12.2006, e nos termos do Decreto n° 83.974/79. Informou também que não foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório, da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, segurança jurídica, interesse público e eficiência, e, por fim, que não foi observado o teor da decisão exarada nos autos de n° 2001.35.00.0006898-2, merecendo sua revisão nos termos do § 3 0 do art. 305 do Decreto n° 3.048/99, pois caso contrário, estar-se-ia descumprindo o art. 21 do CPC. Por fim, requereu a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes do pedido de compensação feitos no processo administrativo n° 36.218.000748/2007-99, nos termos do artigo 151, III e V do CTN, até que sejam cruzadas as informações com os órgão federais, quais sejam, o TRF la Regido, BACEN, Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda e União Federal para que se tenha uma decisão final no processo de compensação requerido. Quanto à consolidação dos débitos requeridos nos termos da Medida Provisória 303/06, cujo Oficio n.° 45.143.013- 00/402/2007 de 23/05/2007 do Ministério da Fazenda, informa que deram inicio ao Processo de Exclusão, sem contudo ter sido feito a consolidação e que a emissão de certidão positiva de débitos com efeito de negativa para cumprimento da sentença de mérito deferida no processo judicial ora ofertado os direitos de créditos pela cadeia dominial. Após o recebimento e processamento do recurso foi exarado despacho (fls. 151) no sentido de determinar a remessa dos autos para o Conselho de Contribuintes, que deverá realizar o juizo de admissibilidade, de acordo com os termos da Portaria MF n.° 147, de 25/06/2007, além certificar — após o exame das alegações contidas no recurso, que não foi constatada nenhuma alegação nova a fim de ensejar a reforma da decisão proferida pelo Senhor Delegado da Receita Federal do Brasil. É o Relatório. Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora 0 Recurso Voluntário é tempestivo, como se verifica pelo documento acostado às fls. 148, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá-lo. A discussão tratada nos autos diz respeito à possibilidade de compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de apólices da divida pública federal, bem como da possibilidade de suspensão da exigibilidade de tais débitos, nos moldes da disposição contida no art. 151, III, do Código Tributário Nacional, até a prolação de decisão judicial de caráter definitivo acerca da pretensão do Recorrente. Como se verá adiante, a decisão proferida pela Delegacia da Receita Previdencidria de Curitiba não merece reparos, por estar em perfeita consonância com o ordenamento jurídico vigente. 3 A compensação de débitos tributários é tratada de forma expressa peloartigo 170, do Código Tributário Nacional, que, em consonância ao art. 146, III, b, da CF/1988, define as regras gerais de instituição e condições que a autorizam: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários corn créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Resta claro, portanto, que a lei ordinária pode impor condições e garantias a serem observadas pelos contribuintes para a realização de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. No âmbito previdencidrio, a compensação de créditos e débitos de contribuições sociais é tratada pelo art. 89 da Lei n° 8.212/91, que assim estabelecia, com a redação vigente à época do pleito do contribuite: "Art. 89. Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido." 0 referido dispositivo sempre esteve em harmonia com a previsão contida no art. 66 da Lei n° 8383/1991, que também tratava da compensação de contribuições previdencidrias: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29.6.1995) § I" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n°9.069, de 29.6.1995)" Como se vê, não há, na seara do Direito Tributário, outra possibilidade de compensação de contribuições previdenciárias a não ser com créditos decorrentes do pagamento ou recolhimento indevido dessas mesmas contribuições. As apólices da divida pública federal, que deram origem aos créditos que a Recorrente pretende utilizar na compensação, são títulos de natureza jurídica financeira, e não tributária, sendo oriundos de empréstimos estatais feitos por entes públicos e privados de várias esferas de poder. Tal constatação, por si só, seria suficiente para afastar a pretensão da Recorrente. Ao contrário das extensas alegações trazidas pelo Recorrente em seu Pedido de Reconsideração, não lid qualquer dispositivo legal que autorize a utilização de tais títulos na compensação com tributos federais, no caso, com contribuições previdencidrias. 0 procedimento compensatório pretendido pela Recorrente apenas seria possível a partir de determinação judicial especifica a seu favor. Todavia, muito embora a 4 04- Processo n°36218.000748/2007-99 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.250 Fl. 3 Recorrente tenha mencionado a existência de tal decisão, não foi juntado aos autos o seu inteiro teor ou qualquer outro documento que pudesse demonstrar a sua existência e validade. Ademais, consoante estabelece o art. 170-A do Código Tributário Nacional, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Ou seja, além da inequívoca necessidade de comprovação da existência de provimento judicial especifico a esse respeito, caberia A Recorrente demonstrar o trânsito em julgado da referida decisão, para que a compensação em questão pudesse ser reconhecida pela autoridade administrativa. Contudo, como já mencionado, não foi essa a hipótese dos autos. Insta, ainda, ressaltar que a jurisprudência administrativa é unânime em refutar as pretensões dos contribuintes de compensação de débitos com créditos decorrentes de títulos da divida pública. E o que se verifica das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente reunidos neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - ANO- CALENDÁRIO - 2002 - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - TITULO DA DIVIDA PÚBLICA - PRESCRIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA - Descabe reconhecimento de direito creditório de titulo da Divida Pública Externa, inexistindo lei especifica autorizadora de compensa cão com créditos tributários, nos termos do art. 170 do CTN, mormente em se tratando de titulo prescrito." (Acórdão] 05-15549, Recurso: 147348, Primeiro Conselho de Contribuintes, Quinta Ccin2ara, Relator: Luis Alberto Bacelar Vidal) "COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A apresentação de PER/Decomp para compensar crédito tributário com titulo da divida pública externa, no âmbito administrativo, corresponde it não implementação de compensação de espécie alguma, em face da proibição expressa na legislação tributária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM CRÉDITO NÃO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. 0 caput do art. 18 da Lei n" 10.833/2003 determina a aplicação da multa de oficio no caso de compensa cão com créditos de origem não tributária. Essa redação permaneceu vigente no § 4" do mesmo artigo, nos termos do art. 4° da Lei n" 11.051/2004. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Não restando cabalmente comprovado o dolo, fraude ou simulação, a multa aplicada deve ficar limitada ao inciso I do caput do art. 44 da Lei n" 9.430/96. Recurso provido em parte." (Acórdão 202- 19.110, Recurso, Segundo Conselho de Contribuintes, Segunda Camara, Relatora: Maria Cristina Roza da Costa) "TITULO DA DIVIDA PÚBLICA FEDERAL. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃ O. Inadmissível a compensação de suposto valor de titulo da divida pública federal, de natureza não-tributária, com 5 tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, em face de expressa vedação legal, conforme art. 170 do CTN, que só autoriza a compensação mediante lei especifica." (Acórdão 301-34.255, Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Camara, Relator: João Luiz Fregonazzi) Esclareça-se que este é o mesmo posicionamento já adotado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, órgão responsável, à época, pela análise das compensações realizadas em âmbito previdencidrio: "PREVIDENCIARIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. TITULOS EMITIDOS PELA ELETR OBRAS E SECURITIZADOS PELA UNIA O. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. PRINCIPIO DA LEGALIDADE NA ADMINISTRAÇA0 PUBLICA. Inexiste autorização legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRAS para quitação de débitos junto a Previdência Social. Não comprovou a recorrente que cumpriu os requisitos da Lei n° 9.711/98 para a extinção de crédito previdencicirio mediante dação em pagamento de títulos. A atividade administrativa é informada pelo principio da legalidade, de modo que somente é permitido ao administrador fazer o que a lei autoriza. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO." (Processo n° 35249.000076/2005-20 - 19/05/2005, Conselho de Recursos da Previdência Social, Segunda Camara de Julgamento) " PRE VIDENCIA RIO. CUSTEIO. PEDIDO RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇAO. UTILIZAÇÃO DE TITULO EMITIDO PELA ELETROBRAS. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. A pretensão do contribuinte não encontra amparo na lei de custeio da seguridade social e não atende ao disposto no art. 170 do CT1V, porquanto a compensação somente poderá ser admitida se constante de disposição expressa em lei. Nesse sentido, o contribuinte não logrou provar seu enquadramento nas disposições do art. 30 da Lei n° 9.711/98. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO." (Processo n° 37067.002127/2004-60, Conselho de Recursos da Previdência Social, Segunda Camara de Julgamento) E outro no é o posicionamento que tem sido adotado pelo Poder Judiciário acerca do tema. Veja-se: "TRIBUTÁRIO. TITULOS DA DIVIDA PÚBLICA EXTERNA. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS FISCAIS INSS. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DA SENTENÇA - EXTRA PETITA E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÉNCIA I. Na hipótese dos autos, discute-se, basicamente, sobre a possibilidade de compensação de débitos fiscais da parte Autora junto ao INSS, com créditos que detém em face da Unido, através títulos da divida pública externa emitidos em 1911 e 1932. 6 Processo n° 36218.000748/2007-99 S2-TE03 Acórdão n.° 2803 -00.250 Fl. 4 6. Importante frisar, por derradeiro, que o pleito dos Autores consiste na possibilidade da ocorrência do instituto da compensação, que, independentemente do direito aplicado as apólices (interno ou internacional), é instituto do direito tributário, regulado pelo art. 1705 do CT1V, que exige, para tal mister, créditos líquidos e certos, o que não ocorre, 'in casa', com as apólices da divida pública externa, de emissão datada do inicio do século, carecedoras da necessária liquidez. A apólice da divida pública que não tem cotação no mercado financeiro, sendo seu valor meramente histórico e de dificil resgate não se apresenta como hábil a quitação de tributos federais, tanto na forma de pagamento, dação, compensação ou qualquer outra forma de extinção do crédito tributário. (Precedentes STJ, TRF la. e 5a. Regiões)." (AC 200183000173002, Desembargador Federal Hélio Silvio Ourem Campos, TRF5 - Terceira Turma, 02/12/2003) Pois bem. Uma vez demonstrada a ilegalidade da pretensão deduzida pelo contribuinte, resta, agora, verificar se o recurso aviado tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos moldes do art. 151, III, do Código Tributário Nacional: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" A análise da questão é de extrema relevância se for considerado o fato de que a não suspensão da exigibilidade do crédito tributário terá como efeito imediato o prosseguimento do procedimento de cobrança e a inscrição do débito em divida ativa. Como já mencionado no relatório, na hipótese tratada nos autos, o Recorrente requereu a homologação de compensação de débitos de contribuições previdencidrias com créditos decorrentes de Títulos e Apólices da Divida Pública, todos emitidas anteriormente anteriores ao ano de 1930, alegando a sua validade, vigência e responsabilidade da Unido pela sua legitimidade. Como já demonstrado, nos termos dos regramentos contidos no art. 170, CTN, e no art. 89, Lei n° 8.212/91, apenas os créditos decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior de contribuições previdencidrias é que poderiam ser objeto de compensação tributária. Resta, portanto, indubitável que a compensação pleiteada pelo Recorrente, de débitos previdencidrios com crédito de natureza não tributária, tem o condão única e exclusivamente de postergar o recolhimento do tributo devido, já que não encontra amparo ou respaldo no ordenamento jurídico brasileiro. Ora, é inconteste que a atividade administrativa está adstrita aos ditames legais, por força do que estabelece o art. 37 da Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, dispondo o art. 170 que apenas a lei poderá estabelecer condições e garantias para a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública, a simples inexistência de lei nestes termos já é 7 suficiente para afastar a pretensão da Recorrente. E mais, a única lei que regulamenta a compensação no âmbito previdencidrio é a Lei n° 8.212/91 apenas permite a compensação de débitos previdencidrios com créditos de natureza tributária. Diante do exposto, restando claro que os procedimentos realizados com créditos ,de natureza não tributária não se tratam de verdadeiras compensações, por não haver legislação aplicável A espécie, não sera possível reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 151, III, CTN, pela sua manifesta contrariedade A. disposição contida no art. 89 da Lei n° 8.212/91. Este entendimento foi positivado pelo art. 74, § 12°, da Lei n° 9.430/96, ao estabelecer, expressamente, que será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito refira-se a titulo público. No seu § 13°, o art. 74 consignou que a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se aplica As compensações consideradas não declaradas. Muito embora tal disposição legal não possa ser aplicada ao caso dos autos, por se tratar de compensação realizada antes da sua subsunção à Lei n° 9.430/96, lid que se observar que a conclusão de ausência de efeito suspensivo ao recurso interposto contra a decisão que não admitiu a compensação realizada com créditos de natureza não tributária pode ser extraída de uma interpretação conjunta do que está previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional e no art. 89 da Lei n° 8.212/91. Diante disso, resta prejudicada a análise de todos os argumentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso, com relação A. legalidade do procedimento adotado. CONCLUSÃO Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão denegatória do pleito de homologação de compensação, devido ao não preenchimento das condições necessárias à compensação dos créditos objetos de discussão e da incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Receita Previdencidria para promover a compensação de títulos da divida pública, indeferindo o pedido quanto A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pelo fato de não se tratar de compensação realizada nos moldes da legislação aplicável a espécie. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 Otta?hlia/OUtaitet,(0-1 CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 8
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003592/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 05/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES
INSTRUMENTAIS.
FALTA JUSTIFICADORA DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA TOTAL.
OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. CRÉDITO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.938
Decisão: ACORDAM os membros da Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 341 1 340 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003592/200714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803000.938 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2011. Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente HOSPITAL ALBERT SABIN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. FALTA JUSTIFICADORA DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA TOTAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.003592/200714 Acórdão n.º 2803000.938 S2TE03 Fl. 342 2 Relatório Tratase no presente processo de Auto de Infração – AI CFL.38 DEBCAD 37.027.7511, decorrente de deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias. O período de apuração do crédito é 01/1997 a 12/1999, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 20.. O crédito fiscal foi constituído, em 09/10/2007, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme consta à Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, recebimento pessoal, fls. 01. O contribuinte apresentou a impugnação, em 08/11/2007, fls. 318 a 321. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 322. O órgão julgador a quo prolatou o Acórdão Nº 0917.840 5ª Turma da DRJ/JFA, em 29/11/2007, fls. 324 a 330, no qual considerou procedente o lançamento. A impugnante foi cientificada desta decisão, em 21/12/2007, AR, de fls. 333. A empresa apresentou Recurso Voluntário, em 23/01/2008, fls. 334 a 338, sendo as razões recursais assim resumidas. Preliminarmente. • Que passado o prazo de cinco o lançamento é considerado homologado e o crédito definitivamente extinto; • Que o fato gerador tem mais de cinco anos; • Que as questões em torno da obrigação, lançamento e crédito só podem ser reguladas por lei complementar; • Que as contribuições aplicase o artigo 173 do CTN, sendo que o prazo de 10 anos do artigo 45, da Lei 8.212/91 violou área reservada a lei complementar. Mérito • Que não se pode exigir o crédito, pois remonta a oito, nove e dez anos atrás, estando prescrito nos termos do artigo 150, § 4º e 173 todos do CTN; • Que a corte especial do STJ declarou inconstitucional o artigo 45, da Lei 8.212/91, o que, também, foi feito pela 6ª Turma do TST; • Que o desrespeito a um princípio é mais grave que o desrespeito à norma, e que esta é a posição do Superior Tribunal de Justiça STJ; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.003592/200714 Acórdão n.º 2803000.938 S2TE03 Fl. 343 3 • Que tendo as contribuições natureza tributária, por força da CF/88 submetemse ao artigo 173, do CTN; • Requer ao fim: a) o reconhecimento da prescrição do AI, com seu arquivamento; b) ou que seja julgado improcedente a autuação. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 339 e 340, sendo este remetido ao 2° Conselho de Contribuintes. Entretanto, por conta da edição da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 a competência de julgamento é exercida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.003592/200714 Acórdão n.º 2803000.938 S2TE03 Fl. 344 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira O recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte foi comunicado da decisão de primeiro grau, em 21/12/2007, AR, de fls. 333, tendo sido apresentado o Recurso Voluntário, em 23/01/2008, conforme carimbo de recepção protocolo, fls. 334. O depósito recursal foi extinto pela MP 413/2008 convertida na Lei 11.727/2008. Em seu recurso o contribuinte alega preliminares e mérito, mas em verdade as duas parte da defesa se confundem, pois apenas pedem a aplicado do prazo qüinqüenal do artigo 150, § 4º ou 173, ambos do CTN e não o prazo decenal do artigo 45, da Lei 8.212/91. As teses do contribuinte não serão enfrentadas por ser desnecessário a solução do caso. A ocorrência da decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplica se o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.003592/200714 Acórdão n.º 2803000.938 S2TE03 Fl. 345 5 a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso entendo que tal questão é despicienda, pois a última competência que justificou o lançamento e a aplicação da multa foi 12/1999, conforme REFISC, de fls. 31. Assim sendo, temos que como o crédito foi lançado, em 09/10/2007, conforme, fls. 01, e a última competência justificadora foi a 12/1999, supramencionado, o lançamento se deu com 07 anos 09 meses e 09 dias depois desta. Logo, todas as faltas justificadoras do lançamento estavam consumidas pela decadência, pois estamos na seara de auto de infração por descumprimento de dever instrumental, caso em que não existe pagamento antecipado. Este é o motivo por que não enfrentarmos as teses do contribuinte. CONCLUSÃO: Destarte, com esses argumentos expostos acima voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das faltas justificadoras do lançamento e aplicação da multa, declarando o crédito improcedente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002239/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, conforme disposto no art. 42 da Lei 9.430/96.
DOAÇÃO EM ESPÉCIE. NÃO COMPROVAÇÃO
A doação em espécie deve ser informada tanto pelo doador, quanto pelo donatário, na Declaração de Ajuste Anual, além de ser comprovada a transferência do valor por meio de documentos hábeis e idôneos.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para decidir sobre retificação da DIRPF apresentada pelo contribuinte, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-007.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, conforme disposto no art. 42 da Lei 9.430/96. DOAÇÃO EM ESPÉCIE. NÃO COMPROVAÇÃO A doação em espécie deve ser informada tanto pelo doador, quanto pelo donatário, na Declaração de Ajuste Anual, além de ser comprovada a transferência do valor por meio de documentos hábeis e idôneos. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para decidir sobre retificação da DIRPF apresentada pelo contribuinte, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 39 /2 00 8- 07 Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.871 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002239/2008-07 Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, Ano-Calendário 2005, em face do contribuinte ter incorrido na infração de Omissão de Rendimentos caracterizada por valores depositados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação, as quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação onde alegou o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: Exerce atividade como profissional autônomo como webdesigner, ferramenta que lhe gera rendimentos. O Auto de Infração apresenta erros explícitos que devem ser corrigidos, a saber: a) no fato gerador de 28/02/05, na coluna valor tributável, consta R$ 48.866,44, do Bradesco, quando o correto é R$ 46.866,44, como se verifica da planilha auxiliar rubricada pela autoridade fiscal, sendo R$ 30.000,00 na conta corrente e R$ 16.866,44 na conta poupança. b) no fato gerador de 31/05/05, na coluna valor tributável do imposto consta o valor de R$36.544,27, tendo sido incorretamente incluso neste o montante de R$ 56,59 que se trata de transferência entre contas do mesmo titular. o valor correto é R$ 36.487,68. c) no fato gerador de 30/09/2005, consta o valor de R$ 102.300,00 que está errado, pois não existe na data de 14/09/2005, crédito de TED no valor de R$ 10.000,00, o que fica demonstrado no extrato da c/c 500444-6 do mês de setembro de 21005, ora anexado (fls.16 a 20 – doc.3) 0 Auto de Infração deve ser retificado com base no direito do contribuinte ( art. 75 do RIR/99), que recebe rendimentos do trabalho não assalariado, de deduzir as despesas necessárias à obtenção das receitas mensais, como aquelas com despesas de hospedagem do website, que são pagas por meio de aluguel de servidores. Os pagamentos mensais A empresa InvencibleHost.com eram feitos através de cartão de crédito do sujeito passivo, com pagamentos liquidados por meio de débito em conta corrente no Banco Bradesco, ag. 03443, c/c 50444-6 e HSBC, ag. 0264, c/c 1931286. Recebeu em 2005 de sua avó materna, Rute Rodrigues de Almeida, CPF n° 006.075.967-40, doação em espécie nos seguintes termos: em 22/02/2005, valor de R$ 30.000,00 depositado na conta corrente 500444-6, ag. 3443-6, do Bradesco; em 04/11/2005, valor de R$ 30.000,00 depositado na conta corrente 1931286, ag. 0264 do HSBC. Essas doações são rendimentos não tributáveis, conforme disposto no inciso XV do art. 39 do Decreto 3.000/99 – RIR199. Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.871 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002239/2008-07 Recalcula o sujeito passivo a base de calculo mensal tributável, cujo valor apurado passa a ser de R$ 248.840,42, ressaltando que está considerando as despesas de custeio necessárias A percepção da renda, que foram pagas com cartão de crédito. Declara-se o sujeito passivo devedor do imposto de renda de R$ 62.846,92, valor a ser acrescido da multa e juros de mora. Por fim, espera o interessada seja acolhida a impugnação, a fim de se declarar a insubsistência da autuação. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O recorrente alega que recebeu doações em espécie de sua avó, Rute Rodrigues de Almeida, por meio de dois depósitos de R$ 30.000,00 cada, portanto, rendimentos que diz serem isentos do IRPF. Para esta questão, tendo em vista que não houve apresentação de novos documentos e sendo coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizando-se da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição dos trechos do voto que guardam pertinência com as questões recursais ora tratadas: Quanto à alegação do defendente de que recebeu doações em espécie de sua avó, Rute Rodrigues de Almeida, por meio de dois depósitos de R$ 30.000,00 cada, cabe registrar que a legislação excetua da tributação determinados rendimentos, por serem isentos ou não tributáveis, entre os quais os bens adquiridos por doação, consoante art. 6 o . inciso XVI, da Lei 7.713/88, senão vejamos: "Art. 6 o Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XVI- o valor dos bens adquiridos por doação ou herança;" Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.871 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002239/2008-07 A doação em espécie está contemplada no referido dispositivo, desde que o valor recebido não tenha caráter remuneratório. Também o art. 39, inciso XV do Regulamento do Imposto de Renda - aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999 - RIR/99 estabelece a isenção do valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6 o , inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos). Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XV - o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n" 7.713, de 1988, art. 6 o , inciso XVI, e Lei n" 9.532. de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Art. 119. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador (Lei n" 9.532, de 1997, art. 23). (...) § 2" O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do ano-calendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência (Lei n" 9.532, de 1997, art 23, § 3% (grifos nossos) 0 Manual que integra o Programa para Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, aprovado pelas Instruções Normativas SRF n° 621/06 (Exercício 2006), estabelece os seguintes passos no que se refere à comprovação da doação, nos modelos completo e simplificado: Na declaração de ajuste anual a doação deverá ser informada da seguinte forma: 1 - no modelo completo: o donatário, beneficiário da doação, informa na ficha: "Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis", a doação e o respectivo valor recebido. Na coluna discriminação da declaração de bens de direitos é preciso informar o nome, o número do CPF do doador, a data e o valor recebido. o doador informa, em sua declaração, na ficha: "Pagamentos e Doações Efetuados", o nome e o CPF do beneficiário, bem como o valor doado; II - no modelo simplificado O contribuinte que efetuou a doação em dinheiro e que optar pelo formulário simplificado deve informar o nome, o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do donatário e o valor doado na coluna Discriminação Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.871 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002239/2008-07 da Declaração de Bens e Direitos, não preenchendo as colunas de valor referentes à situação de 31 de dezembro. O donatário, por sua vez, deve incluir em sua Declaração o valor recebido como bens/direito. No caso em análise, o contribuinte não relacionou na coluna bens/direito de sua Declaração de Ajuste Anual a doação recebida, não havendo indicação do nome do doador, o número do CPF deste, a data e o valor recebido. Quanto à alegada doadora, não consta no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, Declaração de Ajuste Anual entregue por Rute Rodrigues de Almeida do exercício 2006, ano-calendário 2005, o que impede qualquer verificação complementar quanto à informação da doação. Também não se pode perder de vista que sobre o montante da doação incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos -ITCMD. O contribuinte que recebeu a doação tem que informar o valor do imposto recolhido em sua Declaração de Ajuste Anual, o que não ocorreu. Registre-se, ainda, que além da comprovação da doação por meio da informação na DAA, é necessário, conforme dispõe o art. 538 do Código Civil (art. 1165 do antigo CC), que se demonstre a efetiva transferência dos recursos para o patrimônio do donatário por meio de documentos hábeis e idôneos. Cabe transcrever jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a matéria: 6 - DOAÇÃO - COMPROVAÇÃO - Para fins fiscais a doação deve obedecer ao disposto no art. 1165 do Código Civil e ser comprovada com documentos hábeis e idôneos que demonstrem a efetiva transferência dos recursos para o patrimônio do donatário. A simples declaração do contribuinte de que teria havido doação não é suficiente para afastar a tributação dos rendimentos recebidos. 1° Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102-46.355 em 12.05.2004. Publicado no DOU em: 10.09.2004. A falta de documentos que comprovem a efetiva transferência dos valores impede o acatamento da doação. Uma vez não comprovado tratar-se de parcela isenta, os rendimentos são considerados parcela tributável. Vale transcrever jurisprudência sobre a matéria: . 1 - DOAÇÃO EM ESPÉCIE - A doação recebida em espécie por pessoa física é isenta de imposto sobre a renda. Por outro lado, tendo o valor recebido Caráter remuneratório sujeita-se à tributação. Dispositivos Legais: Arts. 37, 38 e 40, inciso XIV, do Regulamento aprovado pelo Decreto n" 1.041/1994. Decisão n° 050/99. SRRF/8a. Região Fiscal. Publicação no DOU: 17.05.1999. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-007.871 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002239/2008-07 Assim, não é possível excluir do lançamento os dois depósitos de R$ 30.000,00. Afirma o recorrente, ainda, que o lançamento deve ser retificado para que sejam consideradas as despesas necessárias à obtenção dos rendimentos decorrentes do trabalho não assalariado, inclusive tendo admitido como rendimento tributável decorrente dessa atividade o montante de R$ 248.840,42, uma vez que deduziu do montante apurado as despesas de custeio. Ora, o pedido de inclusão de novas deduções após a entrega da declaração configuraria retificação da declaração apresentada, o que não é admitido após o inicio do procedimento fiscal. A questão então, passa pela retificação da declaração de ajuste anual, com base nas afirmações e nos documentos trazidos aos autos. Neste caso, o recurso dirigido ao CARF não é via própria para a retificação da declaração de ajuste anual. Do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10070.001533/2001-28
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. Confirmada a existência de débito da empresa cuja exigibilidade não estava suspensa, mesmo que posteriormente à data da sua inclusão no Sistema, é válido o ato declaratório de exclusão. Os efeitos do ato declaratório se darão a partir do primeiro dia do exercício seguinte à sua edição até o último dia do exercício em que a pendência for regularizada.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 303-33.988
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA fily;?4, TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10070.001533/2001-28 Recurso n° : 132.889 Acórdão n° : 303-33.988 Sessão de : 07 de dezembro de 2006 Recorrente : DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS HUMAITÁ LTDA. Recorrida : DRI/R10 DE JANEIRO/RJ SIMPLES. EXCLUSÃO. Confirmada a existência de débito da empresa cuja exigibilidade não estava suspensa, mesmo que posteriormente à data da sua inclusão no Sistema, é válido o ato declaratório de exclusão. Os efeitos do ato declaratório se darão a partir do primeiro dia do exercício seguinte à sua edição até o último dia do exercício em que a pendência for regularizada. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. II , ANELISE DA DT PRIET LA 01 Presidente e Relatora 1111 Formalizado em: 19 DE/ 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. 1/1MM Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 RELATÓRIO Este processo trata de retorno de diligência à repartição de origem para que esta informasse a data em que os débitos constantes do demonstrativo de fl. 22 foram quitados. Transcrevo o relatório e voto da resolução, que proferi por ocasião do julgamento: "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: 'O presente processo versa sobre exclusão de oficio do • SIMPLES, formalizada pelo Ato Declaratório n° 300.933 (fl. 35), datado de 02/10/2000, em razão débitos pendentes junto à PGFN. Os débitos pendentes inscritos em divida ativa constam do demonstrativo de débitos inscritos em divida ativa na PFN, juntado à fl. 22. O interessado, por meio do comunicado de fl. 10, emitido em 03/11/2000, foi informado que ficou prorrogado até 31/01/2001 o prazo para apresentação da SRS. O interessado protocolizou Solicitação de Revisão da Exclusão à Opção pelo Simples (SRS), em 31/01/2001, às fls. 08/09, a qual foi indeferida, em 24/07/2001, com a justificativa de que o interessado não apresentou a certidão • negativa da PGFN. O interessado foi cientificado do resultado das SRS, em 20/08/2001 (AR — fl. 05) e protocolizou a peça impugnatória, em 19/09/2001, à fl. 01, impugnando a decisão da SRS, tendo em vista a apresentação da certidão negativa da PGFN. Consta, à fl. 25, intimação para que o interessado apresentasse documentos que comprovassem os poderes de representação da pessoa que interpôs a impugnação. Cumprida a exigência, com a apresentação de alteração do contrato social do interessado, às fls. 26/31. • •r4 rè, 2 Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 Consta, à fl. 34, intimação para que o interessado apresentasse o ato declaratório. Cumprida a exigência, com a apresentação do referido ato declaratório, juntado à fl. 35. A Delegacia de Julgamento indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: "SIMPLES. EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO À PGFN. Há que ser considerada procedente a exclusão de oficio do Simples, formalizada por meio de ato declaratório, tendo em vista que, à época, restou comprovada a existência de débito da empresa inscrito na Dívida Ativa da União." Inconformada, a contribuinte apresenta recurso a este Colegiado • alegando as seguintes razões: - embora tenha quitado os débitos no prazo prescrito não tomou providências para que fosse desconsiderada a hipótese de exclusão do sistema, tendo em vista julgar que essa regularização foi feita automaticamente a partir da citada quitação; - embora tenha sido excluída do Simples por existência de débito objeto do processo n° 107682.46783/99-99, tal débito, de fato, nunca existiu, tendo em vista ter sido quitado em 20/02/1995, conforme comprovante de fls. 45/46. Requer a declaração da ineficácia do ato de exclusão, por ser decorrente de inscrição indevido de débito na PGFN. É o relatório. • VOTO O recurso é tempestivo e trata de matéria de competência deste Colegiado. Portanto, dele tomo conhecimento. Trata-se de exclusão da interessada do Simples, tendo em vista a existência de "pendências da empresa e/ou sócios na PGFN". Os incisos XV e XVI do artigo 9° da Lei n°9.317/1996 estabelecem que: "A ri. 90 Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: 3 in4) Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 § XV— que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI — cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa;" Da leitura dos artigos 13, inciso II, alínea a combinado com o artigo 14, inciso I da mesma norma legal deduz-se que, quando a empresa incorrer na hipótese transcrita acima, deverá ser excluída do • Sistema, de oficio. No caso em tela, verifica-se que a empresa, à data da exclusão do Simples, possuía os seguintes débitos constantes de 4 (quatro) processos, conforme demonstrativo de fls. 22. Ela alega haver quitado todos no prazo prescrito, mas não existem elementos no processo a comprovar. Em face do exposto, e considerando o disposto no artigo 37 da Lei n° 9.784/1999 1 voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem informe a data em que os débitos constantes do Demonstrativo de fl. 22 foram quitados. Depois, deve ser dada oportunidade à interessada para, querendo, manifestar-se. É como voto." Encaminhado o processo à origem, esta informou à fl. 79 que os débitos referentes aos processos 10768.223614/97-09 e 10768.223615/97-63 foram quitados em 11/09/2001. O débito referente ao processo 10768.246783/99-99 foi quitado em 14/11/2000. Quanto ao processo n° 10768.246784/99-51, foi extinto por anulação. Tendo o contribuinte sido intimado, compareceu à repartição em 09/06/2006 para tomar ciência da diligência. No entanto, não se manifestou. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de oficio, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 4 ref Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 Após o prazo regulamentar, o processo foi devolvido a este Conselho para julgamento. É o relatório. filee e o Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 VOTO Realizada a diligência determinada pela Resolução antes mencionada, encontra-se o processo em condições de ser apreciado. A empresa alega que, embora tenha quitado os débitos no prazo prescrito, não tomou providências para que fosse desconsiderada a hipótese de exclusão e com relação ao processo n° 10768.246783/99-99, tal débito nunca existiu, por ter sido quitado em 20/02/1995. O argumento não procede, pois conforme informação de fl. 79, os débitos foram quitados apenas em 14/11/2000 e 11/09/2001. Portanto, por ocasião do • ato declaratório de exclusão a empresa possuía débitos junto a PFGN. O artigo 9° e seu inciso XV da Lei n°9.317/1996 dispõe que: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV - que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...),, Já o artigo 13, da mesma Lei, dispõe: "Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar- se-á: I — (...) • II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. O artigo 15 dispõe sobre os efeitos da exclusão, in verbis: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I — (...) VI - a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 92 desta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005)" ./ ti° 6 Processo n° : 10070.001533/2001-28 Acórdão n° : 303-33.988 Portanto, agiu bem a autoridade administrativa, já que a empresa enquadrava-se na situação excludente do artigo 9°, inciso XV, da Lei 9.317/96, o que foi, por ela mesma, reconhecido. Por outro lado, deve ser levado em consideração que a Lei n° 11.196/2005 acrescentou ao artigo 15 o inciso VI, estabelecendo que a exclusão do Simples, em caso de pendências junto à PGFN ou ao INSS cuja exigibilidade não esteja suspensa, surtirá efeito a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão. Tal norma se aplica aos atos não definitivamente julgados em face do disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea "b". Portanto, os efeitos do ato declaratório se darão a partir de 01/01/2001. Regularizada a pendência em 2001, toma-se possível a reinclusão da empresa no Simples a partir de janeiro de 2002, conforme artigo 8°, § 2°, da Lei n° 9.317/1996. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a empresa do Simples somente no período de 01/01/2001 a 31/12/2001. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2006. O!l a I 10 ANELISED ÍTPRJE 1 - Re atora e 7 Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007235/2001-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.287
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: NANCI GAMA
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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto da rela qra. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente IGÀMA Relatora Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tardsio Campelo Borges e Sergio de Castro Neves. • DM Processo n° : 10283.007235/2001-46 Resolução n° : 303-01.287 RELATÓRIO 0 processo em referência tem por origem o lançamento fiscal em matéria de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, que deram origem a dois autos de infração para cada um dos impostos antes mencionados, lavrados em face da recorrente em 27/08/01, em razão do entendimento da fiscalização que o bem importado declarado pelo contribuinte, 1080 bobinas de reflexão JOKE, não correspondia ao bem efetivamente importado, eis que quando da conferência física realizada no momento do desembaraço, verificou-se que as bobinas declaradas estavam montadas com o anel de convergência. Conforme consta na descrição do fato infrator " para dirimir dúvidas foi feita consulta na lista padrão de insumos onde não foi encontrado bobina de deflexão montada com anel de convergência, mas sim os dois itens em posições separadas". Aduz a fiscalização que o beneficio da suspensão (DL 288/67) esta vinculado à prévia licença de importação para a mercadoria devidamente descrita, o que não ocorreu para o caso acima descrito. Em decorrência do fato acima foi lançado contra o contribuinte o imposto de importação mais multa de 75% sobre a mercadoria cujo pagamento do imposto estaria suspensa, bem assim exigido o IPI, sem acréscimo de multa. A recorrente se defendeu alegando em síntese o seguinte: i) o auto de infração é nulo, nos termos do artigo 10 do Decreto 70235/72, eis que é omisso acerca dos fatos ensej adores de sua lavratura, (só o do IPI) e ainda por indicar DI que não se relaciona com a importação sob fiscalização, ii) a mercadoria constante na DI é a mesma fiscalizada e importaria pela defendente, descrita na posição 85409110 da NCM e da NBM, não havendo divergência entre a que está mencionada no documento de importação e a que efetivamente foi despachada, iii) aduz que incabível a exigência fiscal em razão do preceituado no Ato Declaratório Normativo n° 10/97, do Coordenador Geral cio Sistema de Tributação, iv) a mercadoria importada está amparada pela resolução n° 079/93, do Conselho de Administração da SUFRAMA, que autoriza a contribuinte a importar insumos à produção de televisor a cores e demais produtos componentes de seu processo produtivo, 2 0,çe Processo n° : 10283.007235/2001-46 Resolução n° : 303-01.287 Em 23/05/02, foi decidido pela 3" Turma da DR..1 de Fortaleza, mediante a Resolução n° 093/2002, devolver o processo a autoridade lançadora para que fosse emitido auto de infração complementar, na forma como previsto no artigo 18, § 30, do Decreto 70235/72, para corrigir as irregularidades apontadas pela contribuinte em sua defesa. Em 04 de novembro de 2003, antes da retificação dos autos de infração conforme determinado pelo Resolução antes mencionada, foi anexado aos autos cópia do mandado de segurança impetrado pela contribuinte, processo 2001.32.00.009368-6, às fls. 115/ 132, impetrado exclusivamente para liberação das mercadorias então apreendidas pela fiscalização e cópia da sentença proferida pelo MM. Juizo da 3° Vara Federal do Amazonas, concedendo parcialmente a segurança pleiteada pelo contribuinte, tão somente, para determinar a liberação das mercadorias, e denegando a ordem no que concerne a insubsistência dos autos de infração objeto do presente processo administrativo. Em 30 de janeiro de 2004, a DRJ, mediante o acórdão 3986/04, decide, por unanimidade de votos, em não conhecer da impugnação em razão da renuncia do contribuinte pela via administrativa, eis que ajuizou ação como o mesmo objeto de sua defesa. Intimado o contribuinte de referida decisão em 29/03/05, emn 27/04/05, o contribuinte peticiona esclarecendo que a ação judicial, ou seja, o mandado de segurança não discute a mesma matéria objeto de impugnação, mas, em razão da sentença judicial, e de modo a suspender a exigibilidade do crédito fiscal em causo, depositou a totalidade dos valores objeto dos autos de infração em causa, apontando que caso a Fazenda Nacional seja vitoriosa, o valor depositado será convertido em renda da Fazenda Nacional e, em caso contrário, o contribuinte levantará a respectiva quantia. Na mesma data, em ato continuo, por petição independente, interpôs recursos voluntários, alegando preliminarmente a inexistência de concomitância entre o processo judicial e a matéria debatida no presente processo, e que inclusive recorreu de apelação demonstrando que a sentença no mandado de segurança é nula por extra petita. Quanto aos autos de infração reitera aos razões de sua impugnação. &q6. o relatório. 3 Processo n° : 10283.007235/2001-46 Resolução n° : 303-01.287 VOTO Conselheira Nanci Gama, Relatora 0 Recurso é tempestivo e o crédito está suspenso pelo depósito judicial, reconhecido por despacho às fls. pela alfândega no porto de Manaus. Portanto, conheço do recurso por tratar de matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. É inegável, a meu ver, que não há concomitância da matéria debatida nos autos do mandado de segurança impetrado pela Recorrente corn a matéria objeto do presente processo administrativo, eis que a ação judicial foi ajuizada exclusivamente para obter a liberação das mercadorias e não questionar o crédito tributário em causa. No entanto, é inegável também que o MM. Juizo da 3° Vara Federal do Amazonas pronunciou-se sobre a subsistência dos autos de infração em causa. Assim, entendo necessário para a conclusão do presente recurso, que se aguarde o pronunciamento do Tribunal Regional Federal acerca da apelação apresentada pelo contribuinte, especialmente quanto à. nulidade da sentença de primeiro grau, quanto à. apreciação dos autos de infração em causa. Proponho, portanto, que se converta o julgamento em diligencia, para que o presente processo seja devolvido à repartição fiscal de origem até a prolação de decisão final, não mais sujeita a recurso, a ser prolatada pelo Poder Judiciário, determinando, por conseguinte, o seu acompanhamento, tão logo seja noticiada a decisão final acima referida, seja imediatamente encaminhado o presente processo, com cópia da respectiva decisão judicial, a esse Egrégio Conselho de Contribuintes. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de março de 2007. 4 GA - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006485/2007-36
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a .30/10/2005
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE. LANÇAMENTO DE DÉBITO, COMPENSAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A extinção do crédito tributário através de eventuais créditos do contribuinte obedece a rito administrativo próprio junto a Receita Federal do Brasil, O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para, em sede recursal de exame de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, conhecer de pedido de compensação.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-000.063
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso na parte referente ao pedido de compensação e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA JÚNIOR
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JULGAMENTO DE FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período dé apuração: 01/01/2004 a .30/10/2005 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE. LANÇAMENTO DE DÉBITO, COMPENSAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A extinção do crédito tributário através de eventuais créditos do contribuinte obedece a rito administrativo próprio junto a Receita Federal do Brasil, O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência paia, em sede recursal de exame de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, conhecer de pedido de compensação. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso na parte referente ao pedido de compensação e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. , AI, HELTOk r ''' LOS, I á A 11 I4 IMAMA — Presidente , ju( OSEAS COIMBRA .1 NIOR - Relator i Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Veta Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Relatório "Frata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Florianópolis/SC, que manteve a notificação fiscal lavrada referente a contribuições devidas a terceiros – INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIO-EDUCAÇÃO e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, referentes a remunerações pagas a segurados empregados, indevidamente considerados contribuintes individuais pela Notificada. O recurso se resume a pedido de compensação com retenções que, segundo seu entendimento, deveriam ter sido efetuadas pelo Ministério da Previdência Social, no pagamento de parcelas referentes à execução do contrato de fis. 68/72. Para comprovar o direito a compensação, requer perícia junto ao MPS. Não há impugnação do mérito da NFLD lavrada, É o relatório.. Voto Conselheiro OSÉAS COIMBRA JUNIOR, Relator Como bem observado na r. decisão – fis 102/109, A Notificada se restringe a alegar que as contribuições lançadas . devem ser compensadas com retenções, que segundo seu entendimento, deveriam ter sido efetuadas pelo Ministério da Previdência Social, no pagamento de parcelas referentes à execução do contrato de fls . 68/72 12. Ocorre que os ,servips prestados pela Notificada, em decorrência do Contrato n° 4012004 (fls. 68/72), firmado com o Ministério da Previdência Social, não se enquadram, conforme a legislação previdenciária, entre aqueles que exigem retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. A situação posta a julgamento perante este Conselho é a procedência ou não do lançamento efetuado, faltando-lhe competência para decidir sobre a compensação de eventuais créditos com o lançamento posto a julgamento. O contribuinte deve procurar as vias administrativas pertinentes para demonstrar seu direito a eventual compensação ou operação concomitante, através de processo administrativo especifico junto a Receita Federal do Brasil, CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso na parte referente ao pedido de compensação e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessõe .,, em 27 de abril de 2010 OSEAS COIM " A JUNIOR - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000575/2007-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/01/1999
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF.
Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do credito tributário e de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Credito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-000.315
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do credito tributário e de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN. Recurso Voluntário Provido. Credito Tributário Exonerado
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13864.000575/2007-99 Recurso n° 271.475 Voluntário Acórdão n° 2803-00.315 — 3' Turma Especial Sessão de 18 de outubro de 2010 Matéria CESSÃO DE MAO DE OBRA: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. EMPRESAS EM GERAL. Recorrente CEBRACE — CRISTAL PLANO LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. Não havendo pagamento antecipado dos tributos, o prazo para a constituição do credito tributário e de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, CTN. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito lavrada contra a empresa CEBRACE — CRISTAL PLANO LTDA., em virtude da não comprovação de recolhimento das contribuições previdencidrias devidas pela empresa A C PEREIRA E PEREIRA LTDA., prestadora de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra a seu favor no período de 05/1997 a 01/1999. Segundo consta do relatório fiscal, não obstante tenha sido devidamente intimada, a autuada não apresentou a documentação necessária para se ilidir da responsabilidade solidária, consoante determina o art. 31 da Lei n° 8.212/91, o que culminou no seu lançamento por aferição. 0 valor da remuneração foi obtido mediante a aplicação da aliquota de 40% (quarenta por cento) sobre o valor constante das notas fiscais, conforme Ordens de Serviço n's 83/93 e 176/97. Em sua Impugnação (fls. 108/138), argumentou a autuada, em síntese, que: (a) em momento algum a Fiscalização teria se baseado em fatos concretos para efetuar o lançamento, e sim em meras presunções; (b) a Fiscalização teria tido acesso a todas as informações cadastrais, não havendo prova de que as notas fiscais e demais documentos não foram entregues; (c) o débito teria sido lançado por amostragem, tendo em vista que a Fiscalização teria tido acesso aos documentos solicitados (cerca de 6.000) e ainda A. contabilidade por meio magnetico,ndo tendo sequer permanecido no estabelecimento tempo suficiente para análise de todos os documentos, conforme controle interno de entrada/saída da portaria juntado aos autos; (d) teria faltado motivação para o lançamento em razão da presunção adotada e no arbitramento do salário de contribuição, sem indicar os fatos e os preceitos jurídicos que autorizam a prática; (e) o agente fiscal não teria se importado corn a hipótese de estar cobrando tributo já devidamente quitado pelo prestador do serviço em questão, acarretando enriquecimento ilícito do fisco; (f) o Sr. Fiscal não teria trazido para a NFLD qualquer elemento que provasse a falta de recolhimento dos valores considerados indevidos; (g) o débito teria sido lançado em virtude de solidariedade, não podendo o Fisco escolher de forma aleatória o sujeito que figurará no pólo passivo da obrigação tributária, e no presente caso sequer teria ficado demonstrado que o crédito foi imputado contra seu devedor principal de forma adequada e em tempo hábil; (h) a solidariedade prevista no artigo 31 imporia a ocorrência de duas situações: a existência do fato gerador e ainda o inadimplemento do devedor principal; (i) se trataria de responsabilidade subsidiária e não solidária, devendo a notificada ser responsabilizada pelo débito, somente após a comprovação do não recolhimento pela empresa devedora; e 2 Processo n° 13864.000575/2007-99 82 -TE03 Acórdão n.° 2803 -00.315 FL 2 (j) teria se operado a decadência do direito do Fisco de constituir o credito tributário, uma vez que os fatos geradores ocorreram nos anos de 1997 a 1999. Regularmente intimada, a empresa AC Pereira e Pereira Ltda. deixou de apresentar defesa. Quando do julgamento da peça impugnatória (fls. 180/186), a DRJ manteve o lançamento em sua integralidade, por entender que, uma vez verificada a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdencidrias, quais sejam, pagamentos efetuados pelos serviços prestados, mediante cessão de mão-de-obra, e por não ter havido a comprovação do recolhimento das correspondentes contribuições previdencidrias incidentes, o lançamento deveria subsistir, em razão da disposição contida no art. Lei 8.212/91 no artigo 31. Com relação ao instituto da solidariedade, a exigência fiscal estaria em conformidade com as disposições constitucionais vigentes e em perfeita harmonia corn o ordenamento jurídico pátrio, no caso, CTN, art. 124, inciso II. Asseverou a autoridade julgadora que a não apresentação das folhas de pagamento e guias de recolhimento emitidas pela empresa prestadora, vinculadas corn a tomadora dos serviços, motivou a aferição do débito e conseqüente lançamento, já que tais comprovantes deveriam estar em poder da notificada, como prevê o mesmo artigo 31 da lei 8.212/91em seus §§ 3 0 e 40 . Quanto aos documentos juntados pela autuada às folhas 157/158, esclareceu que tratar-se-iam de documentos não oficiais, produzidos de forma unilateral, contra o qual não haveria, em principio, contraprova que pudesse ser apresentada pela outra parte, no caso, o auditor notificante. Já quanto ao relatório apresentado pela defesa, que este não estaria revestido de confiabilidade suficiente para questionar o procedimento fiscal, lembrando ainda, que a tecnologia e a infortnática seriam meios de que o auditor lança mão para subsidiar seu processo investigatório, independentemente do local onde exerça suas funções. A autoridade julgadora se recusou a se pronunciar sobre o AI if. 37.036.463- 5, alegando que a defesa oposta nos autos seria objeto de análise especifica. Com relação a solidariedade tributária, que não haveria beneficio de ordem, sendo que o órgão fiscalizador poderia exigir o valor total do crédito constituído de qualquer um dos devedores solidários, de acordo com seu interesse e conveniência. Entendeu, ainda, que seria equivocada a tese da ora Recorrente de que somente poderia ser considerada responsável solidária pelas contribuições devidas pela empresa prestadora dos serviços após a comprovação da ausência de recolhimento. Considerou a autoridade julgadora que teria havido omissão ou falta de interesse por parte da tomadora de serviços em exigir da contratada a documentação que a legislação previa como suficiente para elisão da responsabilidade solidária, ficando assegurado o direito de regresso em relação ao executor dos serviços, ressalvado inclusive o direito retenção de importâncias para a garantia do cumprimento da obrigação, como se verifica do § 1 0, do artigo 31 da Lei n°8.212/1991. Por fim, asseverou que não teria havido a decadência para o direito constituição dos créditos tributários, por ser de dez anos o prazo previsto pelo art. 45 da Lei n" 8.212/91. Contra essa decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário as fls. 197/223, ratificando os argumentos já utilizados em sede de impugnação. A empresa solidária AC Pereira e Pereira Ltda. não apresentou recurso nestes autos. E o relatório. Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora Antes de se adentrar à análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, faz-se necessário examinar se os tributos lançados na NFLD em questão podem ser exigidos do contribuinte. A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdencidrios foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de n O 8, nos seguintes termos: "Súmula Vinco/ante n" 8"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os órgãos da Administração Pública, inclusive para este Conselho: "Art. I03-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas es/LrasJúdcral, estadual e municipal, bent como proceder ci sua revisão ou cancelamento, na/br/na estabelecida em lei." Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n " 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula Vinculante n" 8, há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão regulados pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Consoante o que estabelece o § 40 do mencionado dispositivo legal, havendo pagamento antecipado do tributo devido, considera-se extinto o credito tributário corn a homologação expressa ou tácita, que se dará com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Todavia, caso não haja o pagamento antecipado, dever-se-á observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que determina que o prazo para a constituição dos créditos tributários é de cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano subsequente aquele no qual poderia ter havido a sua exigência. Esse, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça: 4 Processo n° 13864,000575/2007-99 S2 -TE03 Acórdão n.° 2803-00.315 Fl. 3 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃ O. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. I. 0 Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinca/ante a. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "Rio inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5." do Decreto-Lei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 40, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fla, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei n" 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543-C do CPC, rectfirmou-se tal posicionamento. 3. Recurso especial não provido." (REsp 1090021/PE, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJ 05/05/2010) A NFLD foi lavrada em 18/12/2007 para exigir os créditos tributários relativos às competências de 05/1997 a 01/1999, tendo a empresa tornado ciência em 20/12/2007. Nestes termos, com fundamento no que dispõe o art. 173, I, CTN, em razão de não ter havido o pagamento antecipado do tributo devido, verifica-se que houve a decadência do direito do Fisco de promover a constituição do crédito tributário apurado no período fiscalizado. Em razão disso, resta prejudicada a análise das demais questões trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, pela impossibilidade de exigência de qualquer valor relativo a fatos geradores que tenham sido praticados em período já atingido pela decadência. É como voto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, para reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir credito tributário relativo ao período de 05/1997 a 01/1999. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2010 CAM f4netbbf/W 0(4491,0(A/ . SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE — Relatora 5
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Numero do processo: 10825.001269/96-24
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 303-00.786
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de abril de 2001 o 1 JUN 20n1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO DE BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e MARIA EUNICE BORJA GONDIM TEIXEIRA (Suplente). Ausente a Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 121.020 303-0.786 JOSÉ CARLOS FARINA DE OLIVEIRA DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO • • Foi emitida a Notificação de fls. 12 contra o contribuinte acima identificado, domiciliado em Bauru-SP, para exigir crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e as contribuições sindicais rurais, exercício de 1995, no montante de R$2.813,60, incidentes sobre o imóvel cadastrado na SRF sob o registro nO0239114.7, com área de 545,1 ha, denominado "Fazenda São João", localizado no município de Macedônia-SP. A exigência do ITR fundamenta-se na Lei nO 8.874/94; das contribuições no DL- 1.146/70, art. 5° c/c o DL - 1.989/82, art. 1° e SS; Lei n° 8.315/91 e DL- nO1.166/71, art. 4° e ss. Inconformado com o lançamento tributário, o contribuinte ingressou com a petição de fls. 01103, solicitando a retificação do lançamento para redução do VTNm tributado que ao seu ver foi excessivamente alto. Para instrução do processo juntou após intimação, os documentos de fls. 17/20. A decisão de primeira instância foi pela manutenção integral do lançamento . A referida decisão baseou-se resumidamente em que tendo concordado com o pedido de perícia formulado, o julgador singular solicitou a apresentação de laudo de avaliação, juntado pela interessada às fls. 17/19. Entretanto, tal documento não traz a data de valorização da terra nua e nem a data de sua elaboração. Além do mais não observou as recomendações mínimas da NBR 8.799 da ABNT, omitindo elementos imprescindíveis à valoração da terra nua. Em relação aos esclarecimentos solicitados pelo impugnante informou que os dados utilizados para o lançamento foram os declarados pelo próprio contribuinte por ocasião da DITR/94 em UFIR, reconvertidos para real pelo valor da UFIR de dez/1994(R$0,6618), com exceção do VTN que foi recusado por ser inferior ao VTNm fixado pela IN/SRF n° 42/96 para o município do imóvel, em cumprimento ao disposto na Lei nO8.874/94. Explicou, ainda, que a alegada demora no lançamento por motivos fora do controle da administração não trouxe prejuízo para o contribuinte que dessa • 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.020 303-0.786 • •'. • forma teve adiado o momento do recolhimento sem qualquer ônus. Ressaltou, ainda, que o lançamento foi efetivado dentro do prazo qüinquenal estabelecido no CTN. Irresignado, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes conforme consta às fls. 35/37. Além de reforçar os argumentos anteriormente apresentados na impugnação, o interessado aduziu que: 1. está sendo compelido a recolher valor desarrazoado extraído de erro referente ao exercício de 1995; 2. o cerne da questão reside no fato de não observarem para o lançamento repudiado o valor corrente no mercado; 3. ao contrário do que afirmou a decisão, está claro que ao contestar o VTN, base de cálculo do lançamento, obviamente que todos os valores contidos na guia decorrem desse e, portanto, a base sendo alterada certamente alterará as derivadas; 4. apesar de contestarem o laudo de perito gabaritado, não apresentam outro, ficam estribados em índices econômicos, que só servem para aplicações em papéis e não para se conhecer o valor de terras produtivas; 5. está, pois, o lançamento inevitavelmente viciado por erro substancial tornando-o nulo, eis que extraído de erro; Em face do valor do crédito tributário, dispensou-se o pronunciamento da PFN. Foi efetuado o depósito recursal conforme documento de fls. 58. É o relatório. 3 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.020 303-0.786 VOTO • • • É de se conhecer do recurso, por ser tempestivo e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. É posição reiteradamente adotada pelo Segundo Conselho de Contribuintes, a exemplo do Ac. 203-06.523, baseado no voto proferido pelo ilustre conselheiro relator designado Renato Scalco Isquierdo, ser defensável considerar que mesmo o VTNm fixado pela Administração Tributária não é definitivo e pode ser revisto caso o imóvel tenha valor inferior ao VTNm genérico fixado para o município onde se encontra o imóvel. Nesse caso, o art. 3°, da Lei 8.874/94 estabelece que para se apurar o valor correto do imóvel, é necessária a apresentação de laudo de avaliação específico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado. A fixação pela Administração Tributária de um valor mínimo de avaliação do imóvel para fim de formalização do lançamento tem como efeito jurídico mais importante estabelecer uma pesunção sobre o Valor da Terra Nua (presunção juris tantum), com a conseqüente inversão do ônus da prova sobre o real valor do imóvel, que passa a ser do contribuinte. Destaca-se a inteligência da norma que transferiu para o processo administrativo fiscal a apuração da base de cálculo de imóvel cujo valor situa-se abaixo do valor de pauta. Embora a obtenção do VTNm obedeça a critérios, seguindo uma metodologia, não se pode deixar de considerar que utiliza parâmetros genéricos, e que, portanto, não exprimem total compatibilidade com a realidade de certos imóveis que distanciam-se de padrões médios. Assim, a referida possibilidade de transferência da apuração do real valor da terra nua de propriedades específicas, para um momento posterior ao do lançamento, preserva os interesses de ambas as partes litigantes: da Fazenda Pública, por evitar a subavaliação nas declarações dos contribuintes (apoiando-se em levantamentos de órgãos técnicos especializados); do contribuinte, por poder impugnar o valor lançado sem constrangimentos, trazendo livremente todos os elementos de prova que possa reunir para demonstrar a veracidade dos seus argumentos. A apuração do valor da base de cálculo do imposto pode ser feita considerando os aspectos particulares de cada propriedade especificamente, porém, como se ressaltou antes, o ônus da prova recai sobre o contribuinte. • 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.020 303-0.786 Diante da objetividade e da clareza do texto legal - S 4°, do art. 3°, da Lei 8.874/94 - é inegável que a lei outorgou ao administrador tributário o poder de rever, a pedido do contribuinte o Valor da Terra Nua mínimo, à luz de determinados meios de prova, ou seja, laudo técnico, cujos requisitos de elaboração e emissão estão fixados em ato normativo específico. Quando ficar comprovado que o valor da propriedade objeto do lançamento situa-se abaixo do VTNm, impõe-se a revisão do VTN, inclusive o mínimo, porque assim determina a lei. o ônus do contribuinte, então, resume-se em trazer aos autos provas idôneas e tecnicamente aceitáveis sobre o valor do imóvel. Os laudos de avaliação, para que tenham validade, devem ser elaborados por peritos habilitados, e devem revestirem-se de formalidades e exigências técnicas mínimas, observância das normas da ABNT e o registro de Anotação de Responsabilidade Técnica no órgão competente. A referida norma, a bem da verdade, apenas esclarece o que consta em lei. No caso presente apresentam-se diferentes dados e valores para o imóvel em questão. Intimado a apresentar laudo com observância dos requisitos técnicos exigidos pela NBR 8.799/85 da ABNT, o interessado apresentou-o segundo documentos constantes às fls. 17/19 e 46/57, acompanhado da ART registrada no CREA. Em que pese o laudo estar apresentado aparentemente segundo os padrões técnicos requeridos, e tenha qualidade técnica, comete grave falha em relação aos requisitos exigidos pela NBR 8799/85 quanto a pesquisa de valores para indicação do valor total do imóvel. A norma prevê diferentes níveis de precisão para a avaliação. O laudo apresentado pelo contribuinte não indica expressamente que nível de precisão pretendeu utilizar para a avaliação através do Método Comparativo ou Direto conforme a NBR 8799/85/ ABNT. Segundo a norma referida, o método comparativo é um dos métodos diretos aplicáveis. O nível de precisão normal seria o mínimo aceitável para o fim desejado. Mas, vejamos em que consiste tal nível de precisão para o tratamento dos elementos que contribuem para formar a convicção do valor. Para a precisão normal, no seu item 7.2 a Norma estabelece os seguintes requisitos (parte do que se exige para o nível de precisão rigorosa): • 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA " TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.020 303-0.786 a) atualidade dos elementos; b) semelhança dos elementos com o imóvel objeto da avaliação quanto à situação, destinação, forma, grau de aproveitamento, características fisicas e ambiência, devidamente verificados; c) em relação à confiabilidade, deve o conjunto dos elementos ser assegurada por: - homogeneidade dos elementos entre si, - contemporaneidade, - nOde dados de mesma natureza, efetivamente utilizados, maior ou igual a cinco (grifo meu); d) quando do emprego de mais de um método (omissis). Entretanto, o laudo parte de valor simplesmente mencionado, não demonstrado, supostamente baseado em pesquisa realizada no município de Macedônia no mês de novembro de 1994, como sendo o valor total do imóvel, para então minuciosamente identificar valores de benfeitorias e pastagens, excluídos para obtenção do VTN. A NBR 8799/85 exige para apresentação dos laudos (item 10), a exposlçao da pesquisa de valores, plantas, documentação fotográfica e outros elementos porventura utilizados para demonstrar o valor de um imóvel específico. Fica evidente, que embora tenha pretendido, segundo se observa no recurso, utilizar o método comparativo, não especificou elementos referentes a outros imóveis comparáveis, não apresentou paradigmas para demonstrar o valor apontado como real para o imóvel. No entanto, o recorrente menciona às fls. 49 deste processo, no item V, ter realizado uma pesquisa segundo os ditames recomendados pela ABNT, para concluir por um valor básico para o imóvel em causa . • Para que não pairem dúvidas, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que o recorrente seja intimado a juntar ao processo no prazo de 30 dias, a partir da ciência, todos os dados colhidos na mencionada pesquisa bem como a demonstração da técnica avaliatória utilizada para concluir pelo valor do imóvel, ou seja, todos os elementos de que dispõe para indicação do valor que aponta. Pelo exposto, proponho o encaminhamento deste processo à Repartição de Origem para realização da diligência solicitada . ..... , 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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