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Numero do processo: 14041.000461/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
DIF-PAPEL IMUNE. MULTA - INCIDÊNCIA- LEI Nº 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, a multa pela falta de apresentação da DIF-Papel Imune, incide uma única vez no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido.
Numero da decisão: 3301-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Reina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIF-PAPEL IMUNE. MULTA - INCIDÊNCIA- LEI Nº 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, a multa pela falta de apresentação da DIF-Papel Imune, incide uma única vez no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Reina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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MULTA INCIDÊNCIA LEI Nº 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, a multa pela falta de apresentação da DIFPapel Imune, incide uma única vez no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Reina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 61 /2 00 5- 23 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14041.000461/200523 Acórdão n.º 3301002.225 S3C3T1 Fl. 103 2 Relatório Cuidase de retorno de diligência determinada pela colenda Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, sobre o recurso apresentado em face da decisão da DRJ em Juiz de Fora MG, que manteve parcialmente o lançamento conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835." O objetivo da diligência, seria comprovar se a Recorrente teria realizado operações com papel imune, pois, segundo o eminente Relator, “porque este Julgador entende que não é a concessão do registro especial, mas sim a realização de operações com papel imune que enseja o nascimento da obrigação. Por tal, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de se apurar se antes do período fiscalizado foi realizada alguma operação com papel imune, com ou sem a entrega da DIF respectiva.” Realizada a diligência restou confirmada a realização com operações de aquisição de papel, sem o destaque do IPI, comprovando assim que a Contribuinte adquiriu papel com imunidade no período fiscalizado (fls. 98): Em 08 /09/2008 o contribuinte apresentou o livro Diário e Razão referente ao ano de 2004 bem como 40 notas fiscais dos fornecedores no período de 01.01.2004 a 30.06.2004 (período relativo ao lançamento),conforme documento às fls. 70. Anexamos às fls. 71 a78, copias do livro Razão e das notas fiscais 24585, 24689, 24721, 29394, 29491, de aquisição de papel, que foram emitidas sem o destaque do IPI, que comprovam que o contribuinte adquiriu papel com imunidade no período fiscalizado e às fls. 79 a 92 as DIFPapel Imune relativas ao período fiscalizado. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14041.000461/200523 Acórdão n.º 3301002.225 S3C3T1 Fl. 104 3 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de recurso contra a decisão da DRJ que manteve a exigência da multa no valor de R$34.500,00, pela “nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835." Com a realização da diligência restou comprovado, de fato, que a Contribuinte realizou, no período fiscalizado, operações de aquisição de papel, sem o destaque do IPI, justificando a incidência da multa aplicada. Resolvo, porém, aplicar de ofício, o entendimento predominante neste colendo CARF, no sentido de reduzir a multa ao patamar de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido, no caso são dois trimestre (1º e 2º trimestre de 2004), por força da superveniência legislativa determinada pela Lei nº 11.945/2009. Art. 1 o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1 o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2 o O disposto no § 1 o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2 o do art. 2 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , no § 2 o do art. 2 o e no § 15 do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , e no § 10 do art. 8 o da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3 o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14041.000461/200523 Acórdão n.º 3301002.225 S3C3T1 Fl. 105 4 § 4 o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3 o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5 o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4 o deste artigo será reduzida à metade. Nesse sentido peço vênia para reproduzir a ementa do Acórdão nº 9303 002.843, de lavra do i. Relator, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 Ementa: DIFPapel Imune. MULTA INCIDÊNCIA LEI Nº 11.945/2009. A multa pela falta de apresentação da DIFPapel Imune, incide uma única vez no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido. Em razão de ser bastante elucidativa, peço vênia para transcrever ainda, o seguinte trecho do v. voto condutor do acórdão supra referido: Quando se leva a efeito uma interpretação meramente gramatical desse comando, chegase à conclusão de que, mesmo sendo a MP posterior a IN 159/2001 materializase a instauração de dúvida quanto a periodicidade da incidência da multa. Chama minha atenção igualmente, a existência da IN nº 976/2009, posterior a MP 2.15835/2001, que também referese a apresentação trimestral da declaração. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso a fim de reduzir a multa aplicada ao patamar de R$5.000,00 (cinco mil reais) por trimestre inadimplido, conforme reiterada jurisprudência deste colendo CARF. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14041.000461/200523 Acórdão n.º 3301002.225 S3C3T1 Fl. 106 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000274/2008-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1996, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1996, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 74 /2 00 8- 73 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14485.000274/200873 Acórdão n.º 2803002.956 S2TE03 Fl. 386 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar os livros e documentos dos exercícios de 1996 e 2006, reconhecendo também a existência de grupo econômico. A ciência do lançamento deuse em 06.02.2006. O recurso foi tempestivo e alegou, abusividade do pedido de arrolamento de bens, que teria entregue todos os documentos solicitados, que entregou os documentos relativos aos bens como solicitado, mesmo que depois de ter solicitado prorrogação de prazo, a decadência qüinqüenal dos créditos lançados com base nos fatos geradores a fevereiro de 2001. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14485.000274/200873 Acórdão n.º 2803002.956 S2TE03 Fl. 387 3 Voto I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Os documentos solicitados pela fiscalização não restringiuse somente aos imóveis para fins de arrolamento de bens, mas incluía livros, notas fiscais e uma série de outros documentos, dos quais vários não foram entregues conforme elencados enumeradamente no Relatório Fiscal (fls.110112 dos autos digitais). Não havendo prejuízos a defesa, pois o ato foi plenamente fundamentado e motivado, obedecendo o art. 33 da Lei n. 8.212/1991 e o art. 142 do CTN. Assim, permaneceu a infração legal, ressaltado pela ausência de provas de entregas dos documentos como oportunizado em sua defesa pelo art. 16, do Dec. 70.356. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, negálo provimento. É como voto. Gustavo Vettorato – Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13888.004790/2010-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/11/2008
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores.
A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN.
No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 90 /2 01 0- 96 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14 33.626, fls. 206/223, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.304.6332, na qual pretende o recolhimento de contribuições sociais dos trabalhadores segurados empregados, incidentes sobre seu saláriodecontribuição em relação ao vale refeição concedido aos empregados, os quais não foram descontados da remuneração. Lavrado no importe de R$ 13.043,69 (treze mil setecentos e quarenta e três reais e sessenta e nove centavos), o presente Auto de Infração compreende o período 09/2007 a 11/2008, em virtude da empresa ter utilizado o sistema de pagamento do Vale Refeição através do Cartão Visa Vale, apesar de não possuir inscrição no PAT, não integrandoos à base de cálculo das contribuições previdenciárias em relação ao período 09/2007 a 10/2008. A partir de 11/2008, o pagamento da alimentação passou a ser feito em pecúnia. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 173/194. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 33. 626, fls. 206/223, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 30/11/2008 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço e recolher o produto arrecadado. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. FALTA DE CADASTRAMENTO NO PAT. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição os valores relativos à alimentação pagos aos segurados empregados em pecúnia e os pagos através de vale refeição sem que a empresa esteja regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 231/252, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Os levantamentos concernentes às Folhas de Pagamento configura hipótese de bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes da folha de pagamento já haviam sido informados em GFIP, o que configura confissão de dívida. A prova da remessa correta está no próprio relatório fiscal, item 10, já demonstrado, quando o auditor informa que o contribuinte sempre informou todos os meses do período fiscalizada GFIP com todos os fatos geradores, que teria sido substituída por outra com apenas um empregado. Tratase de GFIP com modalidade diferente. A GFIP com todos os fatos geradores e todos os empregados é declaratória. As demais, sempre com apenas 1 empregado referese apenas a documento utilizado para recolhimento do FGTS em atraso; 2. O benefício concedido aos funcionários na forma de Vale Alimentação é utilizável exclusivamente para compra de alimentos, não podendo ser sacado em dinheiro. A empresa está devidamente cadastrada no PAT sob o nº 080029457. Ademais, a sua não inscrição no PAT não muda o tipo de benefício, o que poderia ocasionar apenas uma infração administrativa. 3. Não se vislumbra hipótese de sonegação, eis que não houve qualquer intuito fraudulento, assim como a empresa realizou todos os procedimentos nos ditames da lei. Se não houve a entrega devida de documentos ou informações, tais condutas possuem enquadramento específico a ensejar multa. DO PARCELAMENTO Após a interposição do Recurso Voluntário, foi proferida informação pela DRF, fl. 265, na qual informou a consolidação do parcelamento pactuado pela empresa nos termos da Lei nº 11.941/2009, estando o presente débito incluído no mesmo. Entretanto, verificase no processo a existência de débitos que não são passíveis de adesão ao parcelamento celebrado, referentes à competência 11/2008, razão pela qual houve apenas desistência parcial do presente recurso, devendo ser analisado apenas nas considerações acerca da referida competência. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 265, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS GFIP’s A Recorrente alega que todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram devidamente declarados em GFIP, o qual ela intitula como “declaratória”, sendo as demais documento utilizado para recolhimento do FGTS em atraso, relativamente a segurados empregados com desligamento da empresa, tratandose de outra modalidade de GFIP. A prova de tal fato, segundo a Recorrente, encontrase no Relatório Fiscal, item 10 (transcrito no relatório que integra este voto), na qual o auditor relata a entrega de GFIP com informações de todos os empregados, substituída posteriormente por GFIP com informação de apenas um segurado empregado. Ocorre que o Manual da GFIP/SEFIP 8.0, aprovada pelo IN 880/2008, vigente à época dos fatos geradores, estabelece que a informação contida na GFIP se dará através de declaração única, conforme item 10.1, estabelecendo claramente os seguintes procedimentos, in verbis: A partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar apenas uma única GFIP/SEFIP para cada chave. Chave de uma GFIP/SEFIP são os dados básicos que a identificam e é utilizada na definição de duplicidade de transmissão ou solicitação de retificação e exclusão. O processo de retificação passa a ser realizado por meio do conceito de GFIP/SEFIP retificadora. Para a Previdência Social, cada nova GFIP/SEFIP, para uma mesma chave, substitui a anterior (sendo diferentes os números de controle). A chave é composta pelas seguintes informações, conforme o código de recolhimento da GFIP/SEFIP: (...) Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP/SEFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP/SEFIP entregue posteriormente como GFIP/SEFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave (considerando diferentes os números de controle). Portanto, a emissão de uma segunda GFIP para a mesma competência configuraa como GFIPRetificadora, a qual possui o condão de substituir a GFIP originária, assim sucessivamente, de modo que a última GFIP enviada deveria conter todas as informações corretamente incluídas desde a entrega da primeira. Neste sentido, já me posicionei em caso semelhante, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 (...) GFIP RETIFICADORA. A GFIPRetificadora tem o condão de substituir a GFIP primária, razão pela qual fazse necessário informar tanto as informações corretas declaradas anteriormente, bem como as correções das equivocadas e a inclusão das omissas. Recurso Voluntário Negado. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº 14041.000504/200813. Acórdão nº 2403002.207. Sessão de 13 de agosto de 2013. Conselheiro Relator Marcelo Magalhães Peixoto) Sendo assim, restou verificada pela auditoria fiscal que em todas as competências fiscalizadas houve a informação de apenas um empregado, destoando do que fora constatado nas folhas de pagamento. Vêse, pois, que procedeu corretamente a fiscalização, razão pela qual devem ser mantidos os valores autuados. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA Quanto à competência 11/2008, foi realizado o pagamento em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual merece serem feitas as seguintes considerações. É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 5 7 É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 6 9 verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação em pecúnia, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório, valor que o pago para execução do seu trabalho e não em razão dele. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR2200 80.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR4300 76.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 7 11 recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual a autuação em epígrafe, deve ser anulada. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Em razão dos fatos narrados no relatório, a autoridade fiscal caracterizou a prática de sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, imputando, conseguintemente, a responsabilidade solidária aos sócios, fundamentandose no art. 135 do CTN. Primeiramente, cabe verificar a ocorrência da prática de sonegação fiscal, conforme configurado pela autoridade fiscal: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Da leitura do enunciado normativo, verificase que, para a caracterização da prática de sonegação por parte da empresa, é imprescindível o dolo, o qual deve estar devidamente comprovado nos autos do processo em epígrafe, segundo a melhor doutrina (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Martins de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 311), in verbis: No momento em que a fiscalização verifica que o contribuinte cometeu um ato ilícito de descumprimento de obrigação principal ou acessória no âmbito fiscal federal, é necessário que reste demonstrado não só o descumprimento da obrigação, como também o cometimento do ato fraudulento, se ocorrido. (...) Entretanto, dentro de um Estado Democrático de Direito, não se pode permitir a caracterização de ato fraudulento senão baseada em parâmetros legais e com a devida demonstração dos fatos que se pretende assim qualificar. A demonstração do ato fraudulento não se dá por outro meio senão pela prova a ser produzida pela fiscalização. Portanto, segundo o auditor, os motivos que culminaram na caracterização da prática de sonegação podem ser assim sintetizados: a empresa é (1) devedora contumaz das contribuições previdenciárias, (2) negligente quanto às orientações da GFIP, (3) resistente em apresentar a escrituração contábil e (4) omissa em prestar esclarecimentos. Entretanto, algumas considerações fazemse imperiosas. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 8 13 O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim, descumprimento de obrigação principal de pagar, apenas, que pode ter como origem diversos fatores, lícitos ou ilícitos. A própria autoridade fiscal relata que houve declaração dos segurados da empresa em GFIP, sendo posteriormente substituída por outra onde constava um único empregado. Assim, quanto ao item (2), tal fato denota que a empresa não possuía o objetivo de omitir informações, ante o equívoco do envio de mais de uma GFIP para a mesma competência, caracterizando sim imperícia do agente que realizou a declaração, elemento integrante da culpa, conforme o art. 18, II do Código Penal Brasileiro, ou seja, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Quanto aos itens (3) e (4), tais atos constituem descumprimento de obrigação acessória, devidamente previsto em lei, razão pela qual, a sua ocorrência culmina na imputação de multa em autuação própria, afastando, assim, eventual duplicidade na aplicação de penalidades. Ademais, vejase que a norma é categórica quanto à necessária presença de dolo para a efetiva configuração da ocorrência de dolo, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim culpa. É neste mesmo sentido que o art. 135 do CTN, fundamento legal indicado pela autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária dos sócios, prevê a imprescindibilidade de que o ato ilegal ou exorbitante dos limites contratuais ou estatutários resulte no surgimento de obrigações tributárias, fazendose necessário, pois, que haja a demonstração de culpa subjetiva ou dolo do agente, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Isso porque o simples fato do sócio exercer a gerência da empresa, por si só, não constitui elemento suficiente à imputação de responsabilidade pretendida pela autoridade fiscal, em que pese o art. 135 do CTN trazer a previsão de responsabilidade pessoal, hipótese em que ocorreria a substituição do pólo passivo pelo sócio comprovadamente infrator. Não é outro o posicionamento da jurisprudência. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ – EXERCÍCIO: 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Sujeição passiva indireta que se afasta eis que não foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 época da ocorrência dos fatos agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) (Primeiro Conselho dos Contribuintes. Quinta Câmara. Processo nº 10508.000642/200574. Acórdão nº 10516.463. Sessão de 23 de maio de 2007. Conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães) A possibilidade da imputação da responsabilidade solidária, por sua vez, só encontraria amparo acaso houvesse a cumulação dos arts. 124 e 135 do CTN, pois, tendo em vista este último tratarse de responsabilidade por substituição, em decorrência da exigência de pessoalidade na prática dos atos, o art. 124 dispõem acerca daqueles que possuam interesse comum na situação que constitui o fato gerador. A jurisprudência é vasta neste sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004, 2005 (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, respondem solidariamente pelas obrigações tributárias da sociedade, os sócios e administradores que agem com infração à lei e ao Contrato Social pois tem interesse direto e comum na situação que constitui o fato gerador. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Processo nº 16004.001329/200853. Acórdão nº 180300.824. Sessão de 23 de fevereiro de 2011. Conselheiro Relator Walter Adolfo Maresch) ____________________________________________________ (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10660.001639/200939. Acórdão nº 1101000.996. Sessão de 5 de novembro de 2013. Conselheira Relatora Mônica Sionara Schpallir Calijuri) ____________________________________________________ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004790/201096 Acórdão n.º 2403002.561 S2C4T3 Fl. 9 15 (...) RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizandose neste a caso a norma antes citada com a prevista no art. 124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. (...) (Terceiro Conselho dos Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 12466.003632/200479. Acórdão nº 30334.941. Sessão de 4 de dezembro de 2007. Conselheiro Relator Zenaldo Loibman) Tendo em vista a insuficiência de fundamentação legal e a ausência de provas de dolo quanto à prática de sonegação, não subsistem razões para a manutenção da imputação da responsabilidade tributária aos sócios, razão pela qual eles devem ser afastados do pólo passivo da presente demanda administrativa. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001760/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS.
Nos termos do art. 62-A do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS por força do que restou decidido no RE nº 585.235/QO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte à repetição do indébito com base no RE nº 585.235/QO. Ausente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. Nos termos do art. 62A do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS por força do que restou decidido no RE nº 585.235/QO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte à repetição do indébito com base no RE nº 585.235/QO. Ausente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 60 /2 00 7- 21 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolado em 03/05/2007, relativo a pagamento indevido do PIS sobre “outras receitas” e “receitas financeiras”, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega o contribuinte que nos períodos de 07/2005 a 12/2005 recolheu indevidamente a quantia de R$ 179.380,42 a título de PIS, pois foi tributado pelo regime cumulativo, sob a vigência do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, incluindo na base de cálculo além do faturamento, as receitas financeiras, receitas de variação cambial ativa e a recuperação de despesas relacionada ao crédito presumido de IPI. Além disso, no processo nº 10935.004536/200449 foi lançado de ofício a contribuição sobre “outras receitas” e “variações cambiais ativas”, totalizando a exigência R$ 24.900,04. Todos esses débitos foram extintos por meio de compensações efetuadas durante os anos de 2005 e 2006, fato que o obrigou a apresentar o pedido de restituição daquelas quantias em formulário de papel, pois o programa PER/DECOMP não processa pedidos de restituição cujos débitos tenham sido extintos por declaração de compensação. A autoridade administrativa indeferiu o pedido, sob o argumento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º , da Lei nº 9.718/98 foi proferida em caráter incidental e não beneficia a recorrente. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que a decisão do STF quanto à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo é definitiva e que o Decreto nº 2.346/97 autoriza os órgãos administrativos de julgamento a aplicarem a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 aos demais casos concretos. Por meio do Acórdão nº 0627.582, de 28 de julho de 2010 a 3ª Turma da DRJ – Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o principal argumento de que a decisão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97, e, portanto, não pode ser aplicada aos demais contribuintes. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional e que o plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou essa inconstitucionalidade em caráter definitivo. Existindo decisão definitiva do STF, ainda que proferida no controle difuso, os arts. 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97 autorizam a autoridade administrativa a decidir de acordo com o que preceitua o STF. Disse que recolheu indevidamente a contribuição por ter incluído em sua base de cálculo receitas financeiras, variações cambiais ativas, ressarcimento do crédito presumido de IPI e outras receitas distintas do faturamento, as quais, segundo a decisão do STF, não poderiam ter sofrido a incidência tributária. Requereu a reforma da decisão recorrida e o deferimento da restituição pleiteada. Por meio das Resoluções 3403000.274 e 3403000.430, este colegiado converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse demonstrada a data exata em que foram apresentadas as declarações de compensação eletrônicas que não puderam ser processadas em face dos débitos terem sido extintos por compensação e se essas declarações de compensação foram homologadas. Os autos retornaram com os documentos de fls. 398 a 466. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10935.001760/200721 Acórdão n.º 3403002.748 S3C4T3 Fl. 5 3 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica na petição inicial (fls. 02 a 05), protocolada em 03/05/2007 e no despacho decisório da DRF em Cascavel (fls. 316 a 319), o contribuinte pleiteia a restituição do indébito relativo ao PIS cumulativa, recolhido sobre a diferença entre o faturamento e a receita bruta nos períodos de julho a dezembro de 2005 e dos períodos de apuração dos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, que foram pagos no auto de infração objeto do processo nº 10935.004536/200449. O fundamento do indébito é a declaração de inconstitucionalidade, em sede de controle difuso, do dispositivo legal que serviu de base aos recolhimentos, qual seja: o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. A Delegacia de Julgamento em Curitiba PR entendeu que tal decisão se aplica unicamente ao caso concreto julgado pelo STF, não sendo passível de ser estendida a outros contribuintes. Preliminarmente, cabeme apreciar de ofício a questão da prescrição (ou da decadência como entendem alguns) do direito à restituição do indébito. No caso concreto estamos diante da restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Ao julgar o RE nº 566.621, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento com caráter de repercussão geral, considerou que para ações de repetição do indébito propostas até 08 de junho de 2005 deve prevalecer o prazo de 10 (dez) anos, nos termos da jurisprudência do STJ, e o prazo de 5 (cinco) anos para ações propostas a partir de 09 de junho de 2005, a teor do art. 3º combinado com o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005. É incontroverso nos autos que o indébito pleiteado neste processo foi anteriormente objeto de declarações de compensação transmitidas em formulários eletrônicos nos meses de maio e junho de 2006, as quais não foram processadas por deficiências no sistema. O contribuinte foi então orientado a apresentar o pedido de restituição em formulário de papel. Desse modo, embora o formulário de papel tenha sido protocolado em maio de 2007, para fins da contagem do prazo de prescrição dos pagamentos indevidos deve prevalecer o pedido de restituição por meio da qual o contribuinte rompeu seu estado de inércia. No caso, o pedido de restituição transmitido em maio de 2006. Tendo o contribuinte manejado o pedido de restituição em maio de 2006, aplicase ao caso concreto o prazo de prescrição de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, a teor dos arts. 3º e 4º da Lei nº 118, de 09/02/2005 combinado com o art. 168, I, do CTN. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Aplicandose tal critério, verificase que no caso concreto não existe nenhum pagamento prescrito, pois os débitos do processo 10935.004536/200449, embora se refiram a fatos geradores ocorridos entre 2000 e 2003, foram quitados por compensação em 20/01/2005, conforme data de protocolo da declaração de compensação (fl. 270). E os débitos dos períodos de julho a dezembro de 2005 foram quitados por compensações efetuadas em 2005 e 2006 (fl. 14). Tendo a autoridade administrativa informado à fl. 466 que as declarações de compensação citadas nas fls. 14 e 270 foram todas homologadas e não havendo prescrição, passase ao exame da questão de fundo. No mérito, verificase que o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nº 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a constitucionalidade do art. 8º da referida lei. A análise do inteiro teor daquela decisão revela que somente as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o Tribunal considerou que o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da EC nº 20/98. Existindo decisão definitiva do STF, proferida em sede de controle difuso, a questão que se coloca é a possibilidade de a Administração Pública estendêla aos demais contribuintes. Ao julgar o RE nº 585.235/QO o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.784/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. org. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. E inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." O art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF vincula os Conselheiros às decisões proferidas pelo STF e pelo STJ nos seguintes termos: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Considerando que o indébito ora pleiteado decorre da inclusão na base de cálculo da contribuição de receitas financeiras, variações cambiais ativas e ressarcimento de crédito presumido de IPI, que não se identificam com o conceito de faturamento estabelecido Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10935.001760/200721 Acórdão n.º 3403002.748 S3C4T3 Fl. 6 5 pelo STF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte à repetição do indébito com base no RE nº 585.235/QO. Esclareço que o provimento do recurso foi parcial porque este colegiado reconheceu apenas a existência do direito, ficando a apuração da liquidez e da certeza do valor a ser restituído a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12448.738116/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2007 a 30/06/2011
SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS, RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. OFENSA À COISA JULGADA
A revogação das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, pelo art. 55 da Lei n. 9430/96, está pendente de apreciação definitiva pelo STF, quanto à modulação de seus efeitos, no RE 377.457/PR.
Inaplicável os ditames do Parecer PGFN nº 492/2011, para efeitos de desconstituição da coisa julgada.
LEI N. 10.833/2003. RELAÇÃO FÁTICO-JURÍDICA NOVA. INOCORRÊNCIA.
A Lei n. 10.833/2003 que alterou a sistemática de cobrança da Cofins não pode ser considerado novo suporte jurídico de incidência da contribuição, para efeitos de se considerar modificado o estado de direito no âmbito de relação jurídica continuativa, hábil a desconstituir a coisa julgada material, nos termos do art.471, I do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3201-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki. Participou da votação a Conselheira suplente Adriana Oliveira e Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2007 a 30/06/2011 SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS, RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. OFENSA À COISA JULGADA A revogação das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, pelo art. 55 da Lei n. 9430/96, está pendente de apreciação definitiva pelo STF, quanto à modulação de seus efeitos, no RE 377.457/PR. Inaplicável os ditames do Parecer PGFN nº 492/2011, para efeitos de desconstituição da coisa julgada. LEI N. 10.833/2003. RELAÇÃO FÁTICO-JURÍDICA NOVA. INOCORRÊNCIA. A Lei n. 10.833/2003 que alterou a sistemática de cobrança da Cofins não pode ser considerado novo suporte jurídico de incidência da contribuição, para efeitos de se considerar modificado o estado de direito no âmbito de relação jurídica continuativa, hábil a desconstituir a coisa julgada material, nos termos do art.471, I do Código de Processo Civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki. Participou da votação a Conselheira suplente Adriana Oliveira e Ribeiro. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino
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OFENSA À COISA JULGADA A revogação das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, pelo art. 55 da Lei n. 9430/96, está pendente de apreciação definitiva pelo STF, quanto à modulação de seus efeitos, no RE 377.457/PR. Inaplicável os ditames do Parecer PGFN nº 492/2011, para efeitos de desconstituição da coisa julgada. LEI N. 10.833/2003. RELAÇÃO FÁTICOJURÍDICA NOVA. INOCORRÊNCIA. A Lei n. 10.833/2003 que alterou a sistemática de cobrança da Cofins não pode ser considerado novo suporte jurídico de incidência da contribuição, para efeitos de se considerar modificado o estado de direito no âmbito de relação jurídica continuativa, hábil a desconstituir a coisa julgada material, nos termos do art.471, I do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki. Participou da votação a Conselheira suplente Adriana Oliveira e Ribeiro. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 81 16 /2 01 1- 14 Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino Relatório Referese o presente processo a auto de infração lavrado, em 12/12/2011, relativo a falta de recolhimento da Cofins, referente ao período de apuração de janeiro de 2007 a junho de 2011. Consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal: “A Dannemann, empresa acima qualificada, com fulcro nos artigos 59 e 69 da Constituição Federal e art. 6º, II, da lei Complementar n°. 70/91, propôs a Ação Ordinária com Pedido de Repetição de Indébito, em face da União, com a intenção de condenar a Ré, a União, a restituir à Autora, à Dannemann, através de precatório, o total dos valores recolhidos "indevidamente" a título de COFINS. Nos Autos do Processo n°. 15374.000633/201027 a autora descreve os fatos fundamentos jurídicos que a seguir resumimos: RESUMO DA AÇÃO DE 03/04/2003: (FLS. 03/16) “A AUTORA, EM RAZÃO DE DECISÃO PROFERIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA TRANSITADO EM JULGADO DOCS. 3/4, PASSOU A USUFRUIR DA ISENÇÃO DE COFINS CONCEDIDA PELO ART. 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR N° 70/91, RESTANDO O DIREITO AO NÃO RECOLHIMENTO DA EXAÇÃO.” "DE FATO, A DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO DEFINIU QUE, JUSTAMENTE EM VIRTUDE DA ISENÇÃO EM LEI COMPLEMENTAR NÃO PODER SER REVOGADA POR LEI ORDINÁRIA, A AUTORA NÃO ESTÁ OBRIGADA A RECOLHER A COFINS, DEMONSTRANDO, CLARAMENTE QUE OS RECOLHIMENTOS DA COFINS PELA AUTORA FORAM INTEIRAMENTE INDEVIDOS." "É POSSÍVEL SE EXTRAIR DA ANÁLISE DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE SE A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO FOI CONSIDERADA INCONSTITUCIONAL QUANDO DA PROLAÇÃO DA DECISÃO FOI PORQUE A INCIDÊNCIA DA COFINS ERA INCONSTITUCIONAL DESDE QUE OCORREU A VICIADA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO.".... Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 94 3 "E REALMENTE SERIA INCABÍVEL SE COGITAR DA DECISÃO PROFERIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA OBRIGANDO A AUTORIDADE COATORA A NÃO MAIS EXIGIR A COFINS EM RELAÇÃO A PERÍODOS ANTERIORES À DECISÃO.".... "ASSIM A AUTORA, ATRAVÉS DA AÇÃO ORDINÁRIA, SOMENTE BUSCA A REPETIÇÃO DA QUANTIA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA EM DETERMINADO PERÍODO, POIS COMO JÁ DECIDIDO PELO MANDADO DE SEGURANÇA E TAMBÉM PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E POR OUTROS TRIBUNAIS É INCABÍVEL A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONFERIDA PELA LEI COMPLEMENTAR 70/91 POR SIMPLES LEI ORDINÁRIA" DOS PEDIDOS: "A AUTORA, DIANTE DO EXPOSTO, REQUER A V.EXA. QUE PROFIRA PRECEITO JURISDICIONAL RECONHECENDO A INEXIGIBILIDADE DA COFINS DA AUTORA, EM RAZÃO DE PERMANECER O SEU DIREITO À FRUIÇÃO DE ISENÇÃO CONCEDIDA PELO ART. 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR N° 70/91 E CONDENE A RÉ A RESTITUIR À AUTORA, ATRAVÉS DE PRECATÓRIO, O TOTAL DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE COFINS CÓPIA DAS GUIAS DE RECOLHIMENTO EM ANEXO." "A AUTORA TAMBÉM PLEITEIA QUE CONDENE A RÉ AO PAGAMENTO DAS CUSTAS JUDICIAIS E DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA." AÇÃO DE RECONHECIMENTO: SENTENÇA DO JUIZ: (FLS. 20 DO PROCESSO) "CUMPRE DESTACAR QUE O FATO DA AUTORA TER PASSADO A USUFRUIR DA ISENÇÃO DA COFINS CONCEDIDA EM VIRTUDE DE DECISÃO PROFERIDA POR MANDADO DE SEGURANÇA (PROC. N° 9700099970) JÁ TRANSITADO EM JULGADO NÃO SIGNIFICA QUE DEVA RECEBER A REPETIÇÃO DA QUANTIA RECOLHIDA NO PERÍODO INICIADO COM A VIGÊNCIA DA LEI 9430/96 ATÉ A DATA DA IMPETRAÇÃO DO MANDAMUS, ISTO PORQUE COMO VISTO INICIALMENTE ESTE JUÍZO NÃO ESTÁ ADSTRITO ÀQUELA DECISÃO, QUE SÓ PRODUZ EFEITOS QUANTO AOS VALORES DEVIDOS A PARTIR DA DATA DA PROPOSITURA DA AÇÃO, IN EXISTINDO, NO CASO EFICÁCIA VINCULATIVA PREJUDICIAL DA COISA JULGADA." "CONSIDERANDOSE, PORTANTO, COMO SENDO DEVIDOS OS RECOLHIMENTOS DA COFINS NO PERÍODO ANTERIOR À IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA, O PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO RESTA PREJUDICADO." "JULGO IMPROCEDENTE O Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 PEDIDO" – JUIZ FEDERAL DA 27ª VARA, DR. MARCELO PEREIRA DA SILVA. APELAÇÃO CÍVEL EM 17/12/2004 (FLS. 21/29): APELANTE DANNESMANN, RELATOR: JUIZ FEDERAL CONVOCADO: DR. JOSÉ ANTÔNIO LISBOA NEIVA "A AUTORA, ENQUADRADA COMO SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RELATIVOS A PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA, OBTEVE A ISENÇÃO DO ART. 6º, DA LEI COMPLEMENTAR 70/91, MAS APENAS ATÉ A REVOGAÇÃO DO FAVOR FISCAL PELA EDIÇÃO DA LEI N° 9.430/96, PUBLICADA NO DOU EM 31/12/1996, NÃO SENDO MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR, A ISENÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR 70/91, PODE SER REVOGADA POR LEI ORDINÁRIA" "ISTO POSTO, CONHEÇO DO APELO E NEGOLHE PROVIMENTO" APELAÇÃO CÍVEL EM 10/05/2005. (FLS. 30): A 3ª TURMA ESPECIALIZADA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO, DECIDE, POR MAIORIA, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO FLS. 35: RELATOR: MIN. RICARDO LEVANDOWSKI. "O TRIBUNAL, APÓS ANALISAR AS CIRCUNSTANCIAS QUE ENVOLVERAM A QUESTÃO EM DEBATE, ENTENDEU PELA INEXISTÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO." A sentença julgou improcedente o pedido da Autora; o acórdão negou provimento à apelação e o Recurso Extraordinário teve negado o seguimento da ação. Portanto tornase claro com o exame ao processo ora resumido que a o contribuinte não teve direito à restituição da COFINS recolhida no período anterior ao julgamento da sua possível isenção ao recolhimento da Contribuição. Dando prosseguimento ao processo e de acordo com pesquisa constante do sistema eletrônico, a COFINS foi declarada recolhida no período de fevereiro/1998 a maio/1999. Foi proposta ação fiscal para se verificar a necessidade de eventual lançamento da COFINS. DA AÇÃO FISCAL: (...) DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS: Considerando todo o exposto no presente Termo de Verificação, e considerando ainda que o contribuinte não declarou em DCTF os valores correspondentes a COFINS, entendemos ser Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 95 5 obrigação desta Auditora Fiscal o lançamento do Auto de Infração para a cobrança dos valores da Contribuição em tela, no período compreendido entre janeiro de 2007 a junho de 2011, e para tanto, anexamos a este o Demonstrativo das Bases de Cálculo da Cofins com seus respectivos montantes retirados dos formulários DACON constante do nosso sistema de arquivo e que foram verificados, por amostragem com os registros contábeis do contribuinte.” Inconformada com a autuação a ora Recorrente apresentou a peça impugnatória na qual argumento, em resumo, que: i. a fiscalização em tela decorreu de trânsito em julgado de Ação de Repetição do Indébito promovida pela Impugnante. ii. é isenta do recolhimento da COFINS em decorrência de decisão judicial em Mandado de Segurança transitada em julgado há mais de dois anos e, portanto, inclusive sem qualquer possibilidade de reversão através de eventual ação rescisória; iii. para justificar a autuação, a Auditora Fiscal colacionou trechos do Parecer n° 492/2011 (bem como de outros Pareceres sem referência que possibilite sua identificação e exame) e, surpreendentemente, ao contrário do que se esperava em razão do efeito vinculante do mesmo, ignorou o determinado no Parecer n° 492/2011 e lavrou o Auto de Infração, ora impugnado. Além, aplicou multa (desconsiderando a boa fé do contribuinte) e juros de mora; iv. mesmo na remota hipótese de cabimento da autuação com base no Parecer n° 492/2011, esta não poderia incluir períodos anteriores a 25 de maio de 2011 (data da publicação do referido Parecer) v. ainda na hipótese de cabimento da autuação com base no Parecer n° 492/2011 e em data anterior a sua publicação, esta não poderia incluir períodos anteriores a dezembro de 2008 (data da publicação do julgamento pelo STF do leading case sobre o tema; vi. a multa é inaplicável ao caso, pois deixou de recolher o tributo com lastro em decisão judicial transitada em julgado; vii. a autuação alcança valor maior do que o supostamente devido. viii. a auditorafiscal responsável pela lavratura do auto de infração invocou o trânsito em julgado de uma decisão desfavorável à Recorrente, proferida em ação de repetição de indébito, para aplicar o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011, o Parecer PGFN/CPJ n° 965/11 e outros pareceres do mesmo órgão que versam sobre a Súmula n° 239 do Supremo Tribunal Federal, pretendendo restringir os efeitos da coisa julgada oriunda de outra medida judicial que reconheceu a isenção face à Lei Complementar n° 70 de 1991; ix. o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011 relativiza a coisa julgada apenas quando esta for contrária à decisão objetiva e definitiva do Supremo Tribunal Federal; além de que a Súmula n° 239 do Supremo Tribunal Federal somente se aplica aos casos em que a coisa julgada se refere a um determinado exercício; Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 x. para efeitos de aplicação do parecer da PGFN, em controle difuso de constitucionalidade, deveria haver a repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, nos acórdãos paradigmas; xi. os acórdãos proferidos nos Recursos Extraordinários n° 377.457 e n° 381.964 são formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, não foram ratificados por ato do Senado Federal nem foram julgados no regime do art. 543B do Código de Processo Civil; xii. inaplicabilidade da Súmula n° 239 do STF, de 13.12.1963, e sobre a mutabilidade da coisa julgada em matéria tributária; xiii. à época dos fatos geradores, os leading cases do STF pertinentes ainda não teriam sido integralmente apreciados, prevalecendo, portanto, a coisa julgada individual; xiv. na remota hipótese de prevalência da autuação, esta não poderia retroagir a competências anteriores a junho de 2011, pois o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011 estabelece que se as decisões proferidas pelo STF em contrariedade à coisa julgada favorável ao contribuinte forem anteriores à sua publicação, em 26.05.2011, a relativização da coisa julgada somente será observada a partir dessa data; xv. a data da publicação do primeiro dos acórdãos nos Recursos Extraordinários n° 377.457 e 381.964 (este somente publicado em março de 2009) foi 19.12.2008, logo, anterior à data da publicação do Parecer PGFN/CRJ n° 492/11. xvi. até o primeiro julgamento dos leading cases pelo STF a matéria encontravase pacificada, sendo, inclusive, objeto de súmula do STJ (Súmula n° 276), de modo que não haveria que se falar em qualquer mudança no entendimento dos tribunais quanto à NÃO exigência da COFINS das sociedades civis de profissão regulamentada; xvii. a imposição de multa não pode ocorrer, pois fere os Princípios da Boa Fé, da Segurança Jurídica e da Coisa Julgada; xviii. se não há incidência de multa nos lançamentos de contribuintes resguardados por medidas precárias, passíveis de alteração, não pode a RFB autuar e impor multa a pessoa jurídica resguardada por coisa julgada definitiva;. xix. as penalidades aplicadas na autuação não poderiam jamais prevalecer por força do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; xx. houve equívoco no valor da autuação, conforme demonstrou em planilha anexa aos autos, a cópia das DACON, cópia dos "Livros Razão"; xxi. a fiscalização equivocouse, pois deixou de considerar retenções na fonte efetuadas por seus tomadores de serviço, à vista da isenção garantida pela decisão transitada em julgado; xxii. houve um equívoco de digitação ou erro na análise dos documentos apresentados quando a fiscalização lançou as bases de cálculo para apuração das competências Setembro de 2008 e Maio de 2011, que montam a R$ 40.707,76 (quarenta mil setecentos e sete reais e setenta e seis centavos) os quais, aplicandose juros e multa, alcançam R$ 52.707,62 (cinquenta e dois mil, setecentos e sete reais e sessenta e dois centavos), de sorte que farseia necessária a conversão do feito em diligência; Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 96 7 A Delegacia de Julgamento entendeu ser improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2007 a 30/06/2011 SOCIEDADE CIVIL. TRIBUTAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, deixaram de ser isentas da contribuição para a seguridade social, por previsão legal expressa. RELAÇÃO FÁTICOJURÍDICA NOVA. OFENSA À COISA JULGADA. NÃOOCORRÊNCIA, Por ter sobrevindo modificação no estado de direito que acarretou o surgimento de uma nova relação jurídico tributária, não mais subsistia a coisa julgada material como cristalização do que fora decidido em momento pretérito. MULTA DE OFÍCIO. Constatada a falta e/ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, com multa de ofício, na forma definida na legislação da espécie. RETROATIVIDADE. LEI INTERPRETATIVA. Lei interpretativa é aquela que revela o exato alcance da lei anterior, sem lhe introduzir gravame novo, nem submeter à penalidade por ato que repousou no entendimento anterior. DACON. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação genérica de que houve um equívoco de digitação não se mostra suficiente para infirmar a exigência fiscal, quando desacompanhada de documentação hábil e idônea a justificar a comprovação do erro no qual se funda. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora indeferirá o requerimento de realização de diligências ou perícias, quando entendêlas prescindíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida, em síntese, sustenta que ao se referir à coisa julgada obtida pela ora Recorrente no Mandado de Segurança nº 97.0099970, que divergiria do entendimento consagrado em outras ações pelo STF, que reconheceu a legitimidade da Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 revogação da isenção apreciada nos autos, citando o RE 522719 AgR/RS, RE 486094 AgR/RS, AI 523223 AgRED/PR, RE 377.457/PR, RE 381.964/ MG, RE 550617, AgR/SP e RE 534964 AgR/RS, especialmente no julgamento proferido pelo STF no RE 377.457. Não obstante, afirmase na decisão recorrida ser possível solucionar o litígio sem desconstituir ou relativizar a coisa julgada, um vez que fundamentou o entendimento na entrada em vigor da nova legislação da COFINS, que teria conferido novo suporte jurídico à sua incidência, que não teria sido objeto de apreciação daquele julgado. Nesse contexto, a autuação teria amparo na Lei nº 10.833/03 e não no Parecer PGFN nº 492/2011, como se verifica às fls. 871/889, de maneira que em função dessa alteração não poderia prevalecer a coisa julgada material fulcrada no confronto da LC nº 70/91 com a Lei nº 9.430/96, quando do julgamento do mandado de segurança nº 9700099970. Baseou, ademais, o seu entendimento em Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.0059533, de 19 de outubro de 2010, da 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que cassou a decisão do magistrado de 1ª instância que impedira a fiscalização de cobrar a COFINS, com suporte em um acórdão transitado em julgado onde era concedido à sociedade civil o direito a manutenção da isenção revogada pela Lei nº 9.430/96. Sobre a imposição de multa , não acolheu os argumentos pelos mesmos fundamentos, considerandose que o crédito tributário não estaria suspenso nem “resguardado” por decisão judicial. Ainda, afirmouse que não se está diante do caso de aplicação do disposto no art. 106, I do CTN, uma vez que o Parecer PGFN nº 492/2011 não seria “lei expressamente interpretativa” como exige o dispositivo legal. Quanto aos supostos equívocos nas retenções na fonte efetuadas por tomadores de serviço da ora Recorrente, afirmou que estas seriam devidas e não equivocadas, além de que, confrontandose a atuação com as informações prestadas na DACON, verificou se que a fiscalização não deixou de considerar as retenções na fonte. Em relação ao mês de setembro de 2008, de acordo com a DACON juntada aos autos (fls. 438/444), não teria havido retenções na fonte e o valor de Cofins a pagar seria de R$ 130.887,70, ou seja, exatamente o valor lançado. Finalmente, sobre o argumento de equívoco de digitação ou erro na análise dos documentos apresentados, entendeuse que a alegação foi desacompanhada de documentação hábil e idônea a justificar a comprovação do erro. Assim, negou o pedido de conversão do feito em diligência, pois pela observação dos DACON e do livrorazão juntados ao auto de infração (fls. 199/856 e 1549/1655), entendeuse que não há necessidade de perícia, considerandose, ademais, que a principal questão levantada seria questão de direito. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente aduziu, em síntese, que: i. preliminarmente, alega nulidade do acórdão recorrido, pois este desconsiderou a base jurídica do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração, ao entender que a autuação se deu com fundamento na Lei n° 10.833/03, alterando o critério jurídico do lançamento; Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 97 9 ii. a fundamentação com base nos Pareceres da PGFN e pela relativização da coisa julgada, foi uma opção da fiscalização, e não da Recorrida; iii. no mérito, afirma que a Fazenda Nacional foi intimada pessoalmente da decisão transitada em julgado que lhe concedeu o direito à isenção, em 01.06.99, o acórdão foi publicado em Diário Oficial em 10.06.99, sem que esta tivesse apresentado recurso ou alegado que a Lei n° 9.718/98 teria criado novo suporte jurídico para incidência do tributo, de sorte que a isenção da COFINS transitou em julgado no dia 23.08.99; iv. não há que se falar em alteração suficiente para criação de novo suporte jurídico para incidência do tributo quando o próprio legislador, no artigo 1o da Lei n° 9.718/98, faz menção à Lei Complementar n° 70/91; v. a Lei n° 9.718/98 somente ampliou a base de cálculo da COFINS, o que, conforme a jurisprudência reiterada do STJ não traz ao mundo jurídico qualquer novo suporte jurídico para incidência da exação; vi. quanto à Lei n° 10.833/03, da mesma forma, apenas teria instituído o regime da nãocumulatividade e majorado a alíquota da contribuição, não criando novo tributo; vii. o artigo 1o da Lei Complementar n° 70/91 continua em vigor, e o art. 6o, II, também permanece sem qualquer revogação; viii. a mera introdução do regime da nãocumulatividade e da sistemática de retenção na fonte não traz suporte jurídico novo a justificar a cobrança; ix. a Lei n° 10.833 somente teria o condão de afastar a coisa julgada obtida em favor da Recorrente se expressamente houvesse revogado a isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91; x. o STJ pacificou a questão em julgado relativo à CSLL, no REsp 1.118.893/MG1a Seção STJ, em sede de repetitivo, que é vinculante neste julgamento administrativo por força do Art. 62A do Regimento Interno do CARF; xi. destaca que é estranho que o tributo supostamente devido, desde a edição da Lei n° 9.718/98 e convalidado pela Lei n° 10.833/2003 não tenha sido objeto de cobrança por mais de 10 (dez) anos; xii. cita decisão do Min. Luiz Fux na Reclamação n° 11.476, na qual a Fazenda Nacional, em sede de ação rescisória pretendia cobrar COFINS, com efeitos retroativos, de escritório de advocacia, protegido pelo manto da coisa julgada, na qual defende se a proteção da boafé do contribuinte, que deixou de recolher o tributo por estar amparado por sentença judicial transitada em julgado; No mais, reitera a Recorrente os argumentos expendidos na peça de impugnação. É o relatório. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Primeiramente, em relação à preliminar de nulidade por alteração de critério jurídico, a Recorrente alega que o voto condutor da decisão recorrida teria fundamentado o seu entendimento na Lei n° 10.833/03, desconsiderando a base jurídica do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração, que teriam se estribado no Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011 e Parecer PGFN/CPJ n° 965/11 e pela relativização da coisa julgada, o que teria redundado, portanto, em mudança do critério jurídico do lançamento. Inicialmente, portanto, reportandose ao Termo de Verificação Fiscal, às fls. 857 e ss., verificase que a fiscalização traz um apanhado das ações judiciais propostas pela Recorrente, bem como transcreve trechos dos referidos pareceres da PGFN, que teriam sido mencionados nos esclarecimentos da Recorrente aos respectivos termos de intimação. De fato, às fls. 33 e ss dos autos, a Recorrente presta esclarecimentos sobre a eficácia das ações judiciais propostas e faz menção aos referidos pareceres, juntando às fls. 89, a íntegra do Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. Portanto, ainda que o Termo de Verificação Fiscal tenha feito referência aos pareceres, inclusive transcrevendoos, não se depreende de forma hialina, que estes foram o fundamento da exigência, mesmo porque, temse , em suas conclusões: DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS: Considerando todo o exposto no presente Termo de Verificação, e considerando ainda que o contribuinte não declarou em DCTF os valores correspondentes a COFINS, entendemos ser obrigação desta Auditora Fiscal o lançamento do Auto de Infração para a cobrança dos valores da Contribuição em tela, no período compreendido entre janeiro de 2007 a junho de 2011, e para tanto, anexamos a este o Demonstrativo das Bases de Cálculo da Cofíns com seus respectivos montantes retirados dos formulários DACON constante do nosso sistema de arquivo e que foram verificados, por amostragem com os registros contábeis do contribuinte. Por outro lado, o auto de infração tem como fundamentos os arts. 1o, 3o e 5o da Lei n. 10.833/2003, como se verifica às fls. 876 da autuação, de sorte que, ainda que sejam obscuras as premissas empregadas no Termo de Verificação Fiscal, o fundamento legal do auto de infração não discrepa do fundamento da decisão recorrida, não se vislumbrando, portanto, Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 98 11 alegada mudança de critério jurídico aventada. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração, sob o argumento da mudança de critério jurídico. No mérito, a questão gravita em torno da eficácia da coisa julgada material, nas hipóteses de relações jurídicas continuativas ou de trato de sucessivo, como denomina a doutrina. Nas hipóteses mencionadas enquadramse grande parte das ações antiexacionais tributárias, pois ainda que se tratem de tutelas jurisdicionais com pedido anulatório do lançamento, invariavelmente apresentarão eficácia declaratória, ou seja, a eficácia da decisão judicial se projetará no tempo, atingindo as relações jurídicas tributárias futuras, que são de trato sucessivo. Assim, quando o contribuinte ingressa com um mandado de segurança repressivo ou uma ação anulatória de débito fiscal, cuja causa de pedir contenha a declaração incidental de inconstitucionalidade da norma jurídica de determinado tributo, o seu pedido veiculará não somente o cancelamento de específica exigibilidade, como também, a declaração da inexistência de relação jurídica entre o Fisco e determinado contribuinte, impedindo que haja a incidência da regra matriz. Abordandose o tema de forma bastante simples, a decisão judicial que contém declaração incidental de inconstitucionalidade de determinada norma jurídica em controle difuso, bloquearia a incidência da referida norma, para o contribuinte titular da ação. Nessas hipóteses, caso não houvesse a declaração incidental de inconstitucionalidade pelo Judiciário, terseia que reconhecer que, por absurdo, um contribuinte deveria ingressar como nova ação judicial, a cada período de apuração da exação que entendesse inconstitucional. Por essa razão, o Código de Processo Civil, ao abordar os efeitos da coisa julgada nas relações jurídicas continuativas, assim dispôs: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Embora haja o entendimento defendido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, segundo o qual, a alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, representaria modificação no estado de direito, hábil a interferir na eficácia declaratória de decisão judicial transitada em julgado, na medida em que estaria configurada uma nova relação jurídica, que estaria fora do âmbito de aplicação da decisão definitiva, não comungo desse entendimento. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 A coisa julgada material, direito e garantia fundamental de índole constitucional, apenas poderá ser alterada, em situações expressamente previstas no ordenamento jurídico. O direito brasileiro prevê como remédio hábil a desconstituir a coisa julgada, apenas a ação rescisória, cabível apenas nas situações arroladas no art. 4851 do CPC e, se quisermos ir mais longe, nas hipóteses de cabimento dos embargos rescisórios, previstos no nos artigos 475L, § 1º e 741, § único2 do CPC Por outro lado, entendese, da mesma forma, que se há inovação no ordenamento jurídico hábil a instituir uma nova regramatriz de incidência para determinada exação, deve ser reconhecido que aqui nascerá uma nova relação jurídica para o contribuinte, não abrangida pela decisão transitada em julgado, anteriormente, lastreada em legislação revogada ou declarada inconstitucional. Ademais, o fato é que os pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, não são vinculantes para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exceto aquelas hipóteses de dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, conforme prescrição do art. 62, II, ‘a’, de seu Regimento Interno. 1 Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV ofender a coisa julgada; V violar literal disposição de lei; VI se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; VII depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável; VIII houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; § 1o Há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido. § 2o É indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento judicial sobre o fato. 2 Art. 475L. A impugnação somente poderá versar sobre: (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) I – falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) II – inexigibilidade do título; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) III – penhora incorreta ou avaliação errônea; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) IV – ilegitimidade das partes; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) V – excesso de execução; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) VI – qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) § 1o Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) I – falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) II inexigibilidade do título; III ilegitimidade das partes; IV cumulação indevida de execuções; V – excesso de execução; (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) VI – qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença; (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) VII incompetência do juízo da execução, bem como suspeição ou impedimento do juiz. Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. (Redação pela Lei nº 11.232, de 2005) Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 99 13 Os conceitos aqui defendidos não são novos nos embates doutrinários, inclusive nos judiciais, sendo emblemática a questão da CSLL, declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso de constitucionalidade. Nesses casos, muitos contribuintes obtiveram decisão judicial transitada em julgada, anteriormente ao pronunciamento da Suprema Corte, para o não recolhimento da contribuição, considerandose que a declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, sob o entendimento de que esta teria critério material idêntico ao do Imposto sobre a Renda. Tal como o caso versado nos autos, esses contribuinte detentores de decisão definitivas para o não recolhimento da CSLL, foram autuados, com fundamento na alteração de entendimento do Supremo Tribunal Federal e contra a cobrança, novamente percorreram a via judicial, o que culminou em entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado sob a forma da sistemática dos recursos repetitivos, no REsp 1.118.893 / MG, da relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689∕88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239∕STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689∕88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689∕88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15∕DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31∕8∕07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 14 estabilizada pela Coisa Julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689∕88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz Coisa Julgada em relação aos posteriores" (Ag.Rg. no Ag.Rg. nos EREsp 885.763∕GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24∕2∕10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239∕STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de Coisa Julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10∕2∕45). 7. "As Leis 7.856∕89 e 8.034∕90, a LC 70∕91 e as Leis 8.383∕91 e 8.541∕92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689∕88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à Coisa Julgada material" (REsp 731.250∕PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30∕4∕07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8∕STJ. (REsp 1.118.893 / MG – 1ª Seção STJ. Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima. DJE em 06.04.2011 Observese que nesse contexto fático, é certo que, quando ainda não precluído o biênio para a rescisória, a União ingressou com as competentes ações, com fundamento no art. 485, V do CPC, instrumento hábil, como mencionado, para proteger a coisa julgada, e, assim o basilar Princípio da Segurança Jurídica. Mutatis mutandis, o Superior Tribunal de Justiça, forte no entendimento acima exposto, que norteou a cobrança da CSLL, manteve o mesmo raciocínio para o caso objeto dos autos, como demonstra o AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 298.367/PE (2013/00403496), como se observa da ementa: Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 100 15 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. COISA JULGADA. SÚMULA 239/STF. INAPLICABILIDADE. 1. A decisão a quo encontra amparo na jurisprudência do STJ, o qual entende que o efeito da coisa julgada tributária se estende em relação aos lançamentos posteriores quando a decisão trata da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídicotributária. 2. De fato, como fixado na Corte de origem, a Lei n. 10.833/2003 referese à sistemática de cobrança da COFINS, comando ineficaz a mitigar a coisa julgada que se refere à própria exigência do tributo. 3. Com efeito, ante a modificação do entendimento jurisprudencial a reconhecer a eficácia da norma que revogou a isenção em tela, caberia ao fisco o manejo da ação cabível apta a rescindir o direito autoral. Agravo regimental improvido. Para sintetizar o que até agora exposto, ressalto que sou filiada à tese dos que defendem que o ordenamento jurídico brasileiro não autoriza a desconstituição da coisa julgada em vista da alteração da jurisprudência do STF, exceto nas hipóteses de cabimento da ação rescisória, ao contrário do que defende a Procuradoria da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN nº 492/2011. A exegese da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a eficácia desconstitutiva da coisa julgada material nas relações de trato sucessivo, das decisões do STF contrárias ao entendimento sufragado na decisão transitada em julgado, com a devida vênia, é inócua em face de ausência de previsão legislativa nesse sentido, especialmente quando se tratar de direito e garantia fundamental, como é a coisa julgada, cuja base empírica encontrase no artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal. Interessante notar que, mesmo no caso dos autos, mesmo no âmbito do próprio Parecer PGFN nº 492/2011, a presente cobrança seria indevida. Destarte, extraise do Parecer PGFN nº 492/2011, os seguintes excertos: 1.A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 16 2.Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i)todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. Assim, observese que, em consonância com o próprio entendimento transcrito, a hipótese que eventualmente poderia ser aplicada aos autos, seria a disposta em ‘ii’, de decisão proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, pela sistemática de repercussão geral. Não obstante, é certo que a questão dos autos, a isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, ainda está pendente de decisão definitiva do STF, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 377.457/PR, uma vez apresentados embargos de declaração com efeitos modificativos, pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, encontrandose o recurso concluso à relatora Ministra Rosa Weber desde 14/03/2012, conforme andamento processual pesquisado na página da internet do STF. Portanto, equivocada a premissa da qual partiu o voto condutor da decisão recorrida, que tomou como a definitividade do julgado em referência, com eficácia ex tunc. Ressaltese que os objetos dos referidos embargos de declaração são, precisamente, a modulação dos efeitos da decisão que entendeu pela revogação da isenção, em 17/09/2008, sendo, neste passo, interessante, transcrever excerto do memorial de julgamento apresentado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil à Ministra Rosa Weber, disponível na internet: Essa Suprema Corte, ao julgar o presente Recurso Extraordinário (o que fez em conjunto com o RE n° 381964), decidiu que a COFINS deve, sim, incidir sobre as sociedades prestadoras de serviços profissionais e, ao fazêlo, conferiu interpretação diametralmente oposta àquela interpretação já consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, expressa no Enunciado de sua Súmula n° 276. Diante desse quadro, essa Excelsa Corte se debruçou sobre outro problema: a modulação – ou não – dos efeitos dessa decisão. Tratavase de decidir se esse novo modo de ver as coisas teria aplicabilidade retroativa ou se estariam presentes os Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 101 17 requisitos que admitem, excepcionalmente, a sua aplicabilidade com eficácia apenas ex nunc. [...] No Acórdão ora objeto de Embargos de Declaração, cinco Ministros votaram pela modulação dos efeitos da decisão, enquanto cinco outros Ministros a negaram. A Eminente Ministra Ellen Gracie, justificadamente, não participou da assentada, com o que se concluiu pela recusa da modulação, considerandose o quorum de dois terços dos membros previsto no Art. 27 da Lei n° 9.868/99. No entanto, esse quorum não tem aplicabilidade ao caso. É o que ora Embargante (que integra o processo na condição de assistente) tentará demonstrar, doravante, com base em parecer elaborado pelo PROFESSOR LUÍS ROBERTO BARROSO (cópia anexa), a pedido do Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. [...] Como não houve, no presente caso, declaração de inconstitucionalidade de lei, não incide o comando normativo do Art. 27 da Lei n° 9.868/99 e, em conseqüência, não se exige o quorum qualificado de dois terços de votos favoráveis à modulação. O Professor LUÍS ROBERTO BARROSO bem explica, portanto, que a modulação dos efeitos da decisão, no presente caso, é fundamentada “(...) diretamente na regra constitucional da irretroatividade da norma tributária (CF, art. 150, III), e nos princípios da proteção da confiança legítima e da boafé, todos corolários do sobreprincípio da segurança jurídica”. A seguir, esclarece BARROSO: “A tese é a seguinte: a decisão desse Eg. Supremo Tribunal Federal no sentido de que as sociedades profissionais não gozam de isenção da COFINS caracteriza norma tributária nova (no sentido de texto normativo interpretado), uma vez que há 5 (cinco) anos o Superior Tribunal de Justiça editou e vinha aplicando normalmente sua Súmula 276, segundo a qual as referida sociedades eram isentas da COFINS . Em se tratando de norma nova, somente poderia ser aplicada prospectivamente, por força da regra e dos princípios constitucionais mencionados acima. Como se pode perceber, portanto, tratase de espécie diversa de modulação de efeitos, à qual não se aplica o art. 27, da Lei n° 9.868/99, que, como visto, exige prévia declaração de inconstitucionalidade.” Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 18 Portanto, de plano, salta à vista que caso acolhidos os embargos declaratórios com efeitos infringentes, de forma que a decisão da Suprema Corte tenha efeitos ex nunc, não estariam abrangidos parte dos períodos objeto da autuação, compreendidos entre 31/01/2007 a 30/06/2011. Todavia, e, mais relevante, é que esse fato por si só, demonstra a incompatibilidade lógica e jurídica de se atrelar as cobranças com base em decisão do STF não definitiva, mesmo que não se acresça à análise a circunstância de que a referida cobrança está impedida pela força da coisa julgada material. Outro aspecto relevante na análise do Parecer PGFN nº 492/2011, é que ele próprio reconhece os nefastos efeitos à Segurança Jurídica, ao determinar que a “cessação automática da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado”, deverá apenas atingir os fatos geradores ocorridos após a sua publicação, o que ocorreu em 26/05/2011. Confirase: 5.Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a conseqüente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor. Mais uma vez, observese que, em sendo o período objeto da autuação, compreendido entre 31/01/2007 a 30/06/2011, seguindo os mandamentos do parecer, apenas alguns dias de junho de 2011 seriam atingidos. E na senda do argumento exposto, vale lembrar que à época, o entendimento jurisprudencial estava consolidado na Súmula 276, do Superior Tribunal de Justiça, que prescrevia que “as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, irrelevante o regime tributário adotado”. Portanto, nesse tópico, e a título conclusivo, o posicionamento da PGFN quanto às condições de aplicabilidade da “rescisão automática da coisa julgada” nas relações jurídicas continuativas, resta claro que a ora Recorrente não estaria subsumida a essas condições. E nessa senda, ainda que nesse contexto de extrema insegurança jurídica que se descortina, se a Administração Pública traça os limites sobre o qual atuará, não há espaço para que, por outro lado, extrapoleos, criando novo caminho, para burlar as regras do jogo que ela própria criou. É dizer, se a PGFN estabelece os limites para a afronta da coisa julgada, não pode o Fisco burlálo e nem mesmo esta Corte Administrativa desconsiderálas. Assim, considerandose a organicidade da Administração Pública, não se afigura permitido esse passo além na trilha da insegurança jurídica, como ocorreu no presente auto de infração. Finalmente, caso superado o entendimento anterior, e enfrentandose o argumento da decisão recorrida, temse que esta foi fundamentada na alteração dos fundamentos jurídicos da relação de trato sucessivo, como se depreende: Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 102 19 [...] verificase que as Leis nº 9.718/98 e nº 10.833/03 alteraram substancialmente a legislação da Cofins, criando e regulando um novo suporte jurídico para a incidência desta exação, fixando, desta forma, uma nova relação jurídicotributária. Não prospera essa argumentação, da mesma forma, pois tal como decidido no retro mencionado AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 298.367/PE, a Lei n. 10.833/2003, fundamento do auto de infração, referese à sistemática de cobrança da COFINS, o que se afiguraria comando ineficaz a mitigar a coisa julgada que se refere à própria exigência do tributo. Ainda que se vá além, considerase que as alterações de alíquota e base de cálculo não são suficientes para criar uma nova regra matriz de incidência, como aliás, também já se manifestou o STJ, como se observa do seguinte aresto, ao qual faz remissão o AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 298.367/PE : "TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CSLL LEI 7.689/88 COISA JULGADA EFEITOS SUPERVENIÊNCIA DE NOVA LEGISLAÇÃO ALTERAÇÕES PERIFÉRICAS – SÚMULA 239/STF NÃOINCIDÊNCIA. 1. A coisa julgada é a eficácia que torna imutável uma relação jurídica declarada pelo Poder Judiciário. 2. Foge ao alcance da coisa julgada a modificação nas circunstâncias de fato ou de direito ocorridas na relação jurídica acertada. 3. A mudança de alíquota ou de base de cálculo da CSLL não é suficiente para a mitigação da eficácia da coisa julgada que exonerou o contribuinte da referida isenção, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade. 4. Recurso especial provido. " (REsp 885763/GO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14/10/2008, DJe 6/11/2008) Ora, Lei Complementar n. 70/91, que instituiu a COFINS, continua vigente e eficaz na ordem jurídica brasileira, sendo alterada em seus critérios por diversas legislações posteriores, é certo, porém o que não autoriza ao intérprete entender que a Lei n. 10.833/2003, institui uma nova regra matriz de incidência tributária, inaugurando um “novo suporte jurídico” para a contribuição. Caso assim se entendesse, terseia que assumir, por via transversa, que a Lei Complementar 70/91 teria sido revogada em sua integralidade, criando a Lei n. 10.833/2003, uma nova contribuição social. Com base nesse raciocínio já decidiu, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, como demonstra o aresto a seguir : Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 20 LIMITES DA COISA JULGADA Tendo o Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, reconhecido, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhece a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88 , sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rege a matéria, deve os conselheiros desta Corte, reproduzir tal entendimento no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do disposto no art. 62A do Regimento. (Processo n° 10380.011051/200697. 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Decisão por maioria em 05.06.2012. Acórdão n° 9101001.369 Tal perspectiva do problema, vê o direito na literalidade dos textos normativos, e não na interpretação sistemática de todo o conjunto normativo que compõem o ordenamento jurídico, como vincou na doutrina pátria com cores marcantes, o magistério de Paulo de Barros Carvalho3, que traçou a distinção fundamental para o aplicador do Direito, entre norma jurídica e enunciado prescritivo. O enunciado prescritivo consubstanciado nos textos normativos, apenas é guindado à condição de norma jurídica, quando o intérprete constroi o significado da mensagem legislativa, a partir da interpretação sistemática do ordenamento jurídico. Sob essa ótica, é possível, da mesma forma, questionar a visão encampada na fiscalização, segundo a qual, a discussão travada no Supremo Tribunal Federal, sobre a revogação da isenção das sociedades civis pelo art.55 da Lei n. 9430/96, seria como um “universo paralelo”, isto é, alheia aos demais comandos emergentes do ordenamento jurídico brasileiro. Não há, juridicamente, a possibilidade de abordar a questão como apartada das demais normas do ordenamento, ou seja, não há uma norma de isenção e uma regra geral de incidência, que convivem autonomamente, posto que a isenção é produto da combinação da norma isentiva com a norma geral de incidência, pois a primeira prestase a delimitar o campo de incidência da segunda. Nesse sentido, o magistério de Luís Eduardo Schoueri4: Na verdade, a necessidade de se diferenciarem os momentos da incidência e da isenção é fruto de pensamento que não percebe que a norma jurídica não se confunde com o enunciado legal. O fato de um texto prever uma incidência e outro versar sobre a isenção não implica a existência de duas normas, com incidência distintas; mais adequado é contemplarse ali, uma única norma, fruto da combinação de todos os mandamentos legais. A norma de incidência surgirá, pois, como um resultado do esforço do aplicador da lei. [...] 3 Passim Curso de Direito Tributário, São Paulo:Saraiva, 23a edição, 2011. 4 Direito Tributário, p.586587, São Paulo:Saraiva, 23a edição, 2011.. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12448.738116/201114 Acórdão n.º 3201001.605 S3C2T1 Fl. 103 21 Tal raciocínio, posto que mais sólido que o que contempla a mera dispensa do pagamento de tributo, também não estaria ileso a críticas, já que apenas caberia considerar a existência de uma regra especial e outra geral, se ambas se aplicassem autonomamente, dandose aí, um conflito normativo (antinomia). Não há entretanto, contradição entre incidência e isenção, mas complementariedade: a isenção limita o alcance da incidência. Nesse contexto, forçoso concluir que a discussão sobre a revogação da isenção objeto do RE 377.457, no qual pende justamente a questão da modulação de seus efeitos, é questão imbricada com a dos autos, pois daí se definirá o campo de incidência da Cofins e seu marco temporal, ou ainda, delimitará mais um ponto concernente ao feixe normativo da contribuição, visto em sua integralidade. As demais questões factuais ficam prejudicadas, em vista da apreciação da matéria de direito. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002708/2003-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991.
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. NÃO AFASTAMENTO.
Deve ser mantido o lançamento fiscal na ausência de comprovação da existência de processo judicial declarado em DCTF como amparo das pretensões da interessada (proc. jud. não comprova).
Numero da decisão: 3403-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 1998, inclusive.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. NÃO AFASTAMENTO. Deve ser mantido o lançamento fiscal na ausência de comprovação da existência de processo judicial declarado em DCTF como amparo das pretensões da interessada (“proc. jud. não comprova”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 1998, inclusive. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 27 08 /2 00 3- 17 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração eletrônico (lavrado em 16/06/2003 fls. 510 a 5181) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS, relativos aos quatro trimestres de 1998, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total de R$ 278.192,09. A motivação expressa na descrição dos fatos da autuação é “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata / proc. jud. não comprova”, sendo o processo judicial informado o de no 131480000239. Cientificada da autuação, a empresa apresenta sua impugnação em 04/08/2003 (fls. 4 a 23), alegando, em síntese, que: (a) a empresa atua na venda de veículos (como concessionária) a consumidores finais, sob supervisão de outra empresa, a montadora de veículos, não incidindo COFINS sobre o valor total do veículo alienado, que não é faturamento próprio da empresa, mas de terceiro (cf. Acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes no 20175.328); (b) houve decadência, cf. art. 150, § 4o do CTN, no período de janeiro a julho de 1998; (c) a montadora não aliena/vende o bem à concessionária, apenas a ele consigna o bem (à condição de penhor), permanecendo a titularidade do veículo com a montadora; (d) a nota fiscal de compra e venda é emitida tão somente para possibilitar a circulação de veículos entre a concedente e a concessionária e decorre do fato de se auferir o valor a ser pago a título de ICMS; e (e) exigir COFINS sobre faturamento de terceiro configura bis in idem e confisco. No julgamento de primeira instância, efetuado em 24/11/2006 (fls. 531 a 541), acordase unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que: (a) não houve decadência, pois a regra decadencial aplicável é a prevista no art. 45 da Lei no 8.212/1991, e a ciência ao lançamento se deu em 08/07/2003; (b) não houve cerceamento do direito de defesa nem nulidade processual, sendo vedada a análise de legalidade e de constitucionalidade pelo julgador administrativo; e (c) a concessão para venda de veículos encontrase regida pela Lei no 6.729/1979, alterada pela Lei no 8.132/1990, caracterizandose inequivocamente a compra e venda de veículos (e não operações por conta alheia). Cientificada do resultado do julgamento em 21/12/2006 (cf. AR de fl. 569), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 19/01/2007 (fls. 576 a 595), reiterando os argumentos expostos em sua impugnação, endossando ainda que ao ser repassado à empresa concedente, o valor conferido na nota passa a integrar o faturamento desta, e não o faturamento da recorrente, fazendo referência ao art. 226 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994 (art. 224 do atual Regulamento Decreto no 3.000/1999). Acrescenta, por fim, que há duas ações judiciais tramitando no TRF tratando justamente sobre esse assunto (autos no 2003.36.00.0103316 e no 2003.36.00.0103292), requerendo a suspensão do julgamento até a manifestação judicial. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 929DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10183.002708/200317 Acórdão n.º 3403003.083 S3C4T3 Fl. 928 3 Por meio da Resolução no 3403000.264, de 12/08/2011 (fls. 622 a 626), esta turma demandou a baixa em diligência (sendo a relatora a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, que já não mais faz parte deste CARF), para que a autoridade preparadora: (a) acostasse aos autos cópias das DCTF dos quatro trimestres do anocalendário de 1998; (b) juntasse cópias das principais peças do processo judicial informado pela contribuinte nas DCTF e dos processos judiciais referidos no recurso voluntário (inclusive com Certidão de Objeto e Pé); e (c) informasse se a base de cálculo considerada, mês a mês, foi apurada incluindo as “receitas de terceiros”, conforme alegado pela recorrente, juntandose as planilhas correspondentes. A autoridade local anexa cópias das DCTF solicitadas às fls. 653 a 716, cópias das peças judiciais às fls. 717 a 885, e planilha demonstrativa de composição da base de cálculo às fls. 886 a 889. Apresenta ainda a informação fiscal de fls. 890 a 896, destacando que: (a) a autuação foi lavrada porque o contribuinte declarou que parte de seus débitos de COFINS estava com exigibilidade supostamente suspensa em função de ação judicial; (b) elaborou demonstrativos de base de cálculo da COFINS incidentes sobre as vendas em questão, nos termos da legislação aplicável, e também na forma pretendida pela recorrente (destacando que o demonstrativo discrimina apenas a composição daquela parte da COFINS que está sob discussão judicial); (c) no mandado de segurança no 2003.36.00.0103292 (relativo a COFINS) põese a mesma pretensão do recurso voluntário, de que a COFINS seja exigida apenas sobre a diferença entre a receita de venda e o valor do custo dos veículos novos, tendo sido todas as decisões desfavoráveis à empresa; e (d) o mandado de segurança no 2003.36.00.0103316 discute o mesmo tema em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, igualmente com total insucesso. Assim, é inverídica a informação prestada em DCTF sobre eventual suspensão, visto que não havia decisão judicial que amparasse o direito da recorrente. Ciente do resultado da diligência em 10/04/2014 (cf. AR de fl. 897), a recorrente apresenta sua manifestação em 19/04/2012 (fls. 905 a 909), sustentando que houve decadência em relação aos meses de janeiro a junho de 1988, endossada pelo teor da Súmula Vinculante no 8, do STF, e reiterando suas considerações sobre não adquirir os veículos da concedente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há preliminar de decadência suscitada desde a impugnação, com fundamento no art. 150, § 4o do CTN, afastado pela DRJ sob o argumento de que se aplicaria ao caso a regra decadencial prevista no art. 45 da Lei no 8.212/1991. Contudo, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instânciaDRJ) estabeleceu que são Fl. 930DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, no caso, a regra estabelecida no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (tendo havido pagamentos antecipados, conforme se detecta a partir das DCTF anexadas fls. 663, 665, 667, 679, 681 e 683): “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A autuação de que trata o presente processo foi lavrada em 16/06/2003 e cientificada à empresa em 08/07/2003 (cf. AR de fl. 519), e os créditos exigidos se referem ao período de 01/01/1998 a 31/12/1998. Assiste, assim, razão à recorrente no sentido de que restam atingidos pela decadência os valores lançados em relação aos meses de janeiro a junho de 1998. Em relação aos valores restantes, não afetados pela decadência, é de se recordar que a motivação da autuação foi “proc. jud. não comprova”. Ou seja, a empresa informou em suas DCTF (o que pode ser confirmado às fls. 695, 697, 699, 711, 713 e 715) que havia processo judicial suspendendo a exigibilidade (“liminar em medida cautelar no 131480000239 1a Vara Tangará da Serra/MT”), suspensão essa que não logrou comprovar ao longo do contencioso administrativo. As DCTF foram transmitidas em 05/11/1998 (terceiro trimestre, cf. fl. 685) e em 03/02/1999 (quarto trimestre, cf. fl. 701). E as ações judiciais informadas pela empresa em seu recurso voluntário, além de não corresponderem à indicada nas DCTF, não asseguraram nem liminarmente direito creditório à recorrente. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10183.002708/200317 Acórdão n.º 3403003.083 S3C4T3 Fl. 929 5 As argumentações recursais em relação à forma de atuação da concessionária e à natureza jurídica da operação de venda de veículos (assim como sobre a titularidade do bem e a existência de penhor) e da nota fiscal correspondente, não afetam a razão de ser da autuação (inexistência de comprovação do processo alegado em DCTF), sendo irrelevantes ao julgamento. A análise dos argumentos em relação a existência de confisco e bis in idem encontram claro óbice na Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, derradeiramente, das duas ações judiciais informadas no recurso voluntário, apenas uma se refere a COFINS (mandado de segurança no 2003.36.00.0103292). E tal ação, além de suceder em cinco anos as DCTF em discussão, buscava compensação rechaçada liminarmente (fl. 861) e também em sentença, que veio a ser confirmada no TRF1 (fl. 875). Em 01/03/2012 ocorreu o trânsito em julgado da ação, sendo todas as decisões no processo desfavoráveis à recorrente. Mantidos os pressupostos da autuação, merece prosperar o lançamento, exceto em relação à parcela atingida pela decadência (janeiro a junho de 1998). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando, por decadência, os lançamentos em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 1998, inclusive. Rosaldo Trevisan Fl. 932DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10746.001295/2005-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 12 95 /2 00 5- 94 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10746.001295/200594 Acórdão n.º 9202003.089 CSRFT2 Fl. 446 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0373, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0315, que decidiu negar provimento a seu recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. OS VALORES LANÇADOS NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR, DEVEM SER DEVIDAMENTE COMPROVADOS PELO CONTRIBUINTE DENTRO DO INTERSTÍCIO LEGAL. Não assiste razão recorrente em suas alegações recursais por apresentar o ADA Ato Declaratório Ambiental mais de 6(seis) meses da entrega da Declaração (DITR). Ausência, ademais, de outras provas documentais ou de elementos concretos a comprovar as alegações do recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Em síntese, o litígio em questão versa sobre os documentos necessários para a utilização do benefício de isenção do ITR em área de preservação permanente (APP). Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. Não merece prosperar a manutenção do acórdão recorrido, tendo em vista que a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão paradigma CSRF/0304.663) já manifestou entendimento no sentido de que a apresentação extemporânea do ato declaratório ambiental (ADA) representa "falta administrativa", e, portanto, a simples apresentação do Ato Declaratório fora do prazo legal não pode servir como justificativa para a desconsideração da área como sendo de "preservação permanente", sob pena de ofensa ao principio da verdade material; 2. Destacase que a DRJ, ao proferir a decisão de primeira instância, reconheceu que: (i) a Recorrente apresentou documentação suficiente para comprovar que a área do imóvel ora discutido classificase como de "preservação permanente" e (ii) o ADA, apesar de ter Fl. 885DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 sido protocolado fora do prazo, foi devidamente apresentado ao IBAMA; 3. O ADA é inexigível em razão do que dispõe o artigo 10, parágrafo 7° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/01; 4. Cabe salientar ainda que, muito embora o acórdão paradigma trate de ITR relativo ao anocalendário de 1997, a situação fática é a mesma, qual seja: a imprescindibilidade ou não de apresentação tempestiva do ADA para reconhecimento de área de preservação ambiental; 5. O acórdão 30134.234 contém a mesma decisão, para exercício de 1999; 6. O que se quer dizer, em outras palavras, é que não se trata o ADA de documento constitutivo, mas simplesmente declaratório, da existência, no bem, das características típicas das áreas de preservação permanente; 7. Ante o exposto, requerse seja conhecido e dado provimento ao recurso interposto, para que se reforme integralmente o acórdão ora recorrido. Por despacho, fls. 0435, deuse seguimento ao recurso especial. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou suas contra razões, fls. 0441, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10746.001295/200594 Acórdão n.º 9202003.089 CSRFT2 Fl. 447 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sobre os pressupostos de admissibilidade, há questão que deve ser analisada. O presente lançamento referese ao exercício de 2002, fls. 013. Segundo Relato Fiscal, fls. 015, e informação do sujeito passivo, fls. 008, não foram apresentados, em julho de 2005, pois não havia, Laudo Técnico Ambiental nem ADA do exercício de 2002, motivo da ausência de apresentação ao Fisco. Para demonstrar a divergência da decisão contida no acórdão recorrido, em 12/08/2011. data da protocolização do recurso especial, o sujeito passivo apresentou paradigma, (CSRF/0304.663), fls. 0377 e 0421, que se refere a exercício de 1997, Portanto, em nosso entender, as decisões recorrida e paradigma não possuem divergência entre si. Para que e caracterize a divergência fazse necessários que as decisões tratem de semelhantes matérias jurídicas e fáticas. Ocorre que para os exercícios anteriores a 2001 – como é o caso do acórdão paradigma (1997) o CARF já se posicionou, inclusive com expedição de Súmula, em 2009, pela desnecessidade de apresentação de ADA para usufruto do benefício fiscal, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ou seja, as situações são totalmente distintas, impedindo que haja a obrigatória confrontação entre decisões expressas no acórdão recorrido e no acórdão paradigma. Pois, por exemplo, caso o acórdão recorrido tratase de exercício anterior a 2001, o que não é o caso, pois trata do exercício de 2002, todos os integrantes do colegiado o reformariam, pois obedeceriam a determinação contida na súmula acima. Assim, sendo, o recurso do sujeito passivo não pode ser conhecido, pelos motivos acima. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NÃO CONHECER do recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 888DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002892/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 77 1 76 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.002892/200982 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.192 – 1ª Turma Especial Data 21 de fevereiro de 2013 Assunto IRPF Recorrente JOAO HIROSHI MATSUO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o processo da Notificação de Lançamento de fls. 04 a 10, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2007, anocalendário 2006, que exige R$ 1.247,99 de Imposto de Renda suplementar, R$ 935,99 de multa de ofício e RS 297,64 de juros de mora, em virtude de omissão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 02 89 2/ 20 09 -8 2 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.002892/200982 Resolução nº 2801000.192 S2TE01 Fl. 78 2 rendimentos recebidos de pessoa física e pessoa jurídica e glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF 2. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05 a 07, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, çonstatouse omissão de rendimentos de aluguéis, no montante de R$ 808,55, conforme Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob apresentada pela fonte pagadora. 3. O relatório também informa a omissão de RS 103.929,80 de rendimentos recebidos na ação judicial 98.201.39627, conforme informações prestadas pela fonte pagadora (Caixa Econômica Federal CEF), mediante Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. Na apuração do rendimento omitido, foi somado ao valor de R$ 124.320,19, retirado pelo contribuinte em 02/03/06, o IRRF de R$ 3.729,61 e abatida a despesa com advogado de R$ 24.120,00. Também foi procedida à compensação de ofício de R$ 3.729,61 de IRRF referente a essa ação judicial. 4. Por fim o relatório fiscal informa a glosa de compensação de IRRF no montante de R$ 3.729,61, pois tal retenção não foi efetuada pelo Instituto Nacional do Seguro social INSS, conforme declarado pelo contribuinte, mas pela CEF, conforme descrito acima. 5. Cientificado do lançamento 09/06/09, conforme consulta de postagem de fl. 20, o contribuinte ingressou com a impugnação de fl. 01, em 30/06/09, protocolada tempestivamente segundo a unidade de origem, vide fl. 24, alegando, em síntese, que: a) o valor de R$ 808,55, apurado pela fiscalização como omitido, referese a IPTU pago em janeiro de 2006, embora o imóvel não estivesse alugado nesse mês, mas só a partir de fevereiro. Dessa forma, considerando que o IPTU é um imposto anual, requerse a sua dedução do montante dos rendimentos recebidos nesse anocalendário; b) do montante de R$ 103.929,80, apurado pela fiscalização como omitido, R$ 3.729,61 não é rendimento, mas sim a IRRF. Logo, não deve integrar a base de cálculo do Imposto de Renda.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 39/40, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos na Declaração Anual de Ajuste caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 21/09/2011 (AR fl. 42), o interessado interpôs o recurso de fls. 43/48, em 11/10/2011. Em sua defesa, aduz que o valor do IPTU relativo ao ano de 2006 foi totalmente suportado pelo contribuinte no valor de R$ 808,55, sendo imperioso que se acate a dedução de tal despesa do montante de aluguéis recebidos no mencionado ano de 2006. Sustenta, ainda, que o valor da base de cálculo a ser Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.002892/200982 Resolução nº 2801000.192 S2TE01 Fl. 79 3 considerado em relação à fonte pagadora Caixa Econômica Federal (CEF), CNPJ 00.360.305/00104 , é de R$ 100.200,19, considerando que no valor de R$ 124.320,19 já está incluso o valor do IRRF (3%) R$ 3.729,61 devidamente retido pelo agente pagador CEF quando do efetivo pagamento, bem como a dedução dos Honorários Advocatícios R$ 24.320,00. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10930.002892/200982 Resolução nº 2801000.192 S2TE01 Fl. 80 4 (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10580.727479/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITO MODIFICATIVO.
São cabíveis embargos de declaração para sanar a omissão em relação à argumentação recursal sobre violação ao princípio da isonomia. Todavia, o acolhimento dos embargos no sentido de que inexistiu a violação alegação não produz efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2802-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802-001.125, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITO MODIFICATIVO. São cabíveis embargos de declaração para sanar a omissão em relação à argumentação recursal sobre violação ao princípio da isonomia. Todavia, o acolhimento dos embargos no sentido de que inexistiu a violação alegação não produz efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802001.125, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 79 /2 00 9- 41 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Em 17/02/2014, o contribuinte tomou ciência do acórdão nº 2802001.133, julgado em 26/10/2011, e opôs embargos tempestivos, em 20/02/2014, alegando que o Acórdão nº 2802001.133, de 26/10/2011 não enfrentou as alegações de quebra do princípio da isonomia e de ilegitimidade ativa da União. Com fundamento do §3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, a Presidência dessa Turma Julgadora admitiu os embargos na parte em que foi apontada omissão quanto à suposta violação ao princípio da isonomia para que o Colegiado aprecie o recurso integrativo exclusivamente nesse ponto. Em relação à alegada ilegitimidade ativa da União, o despacho da Presidência da Turma – do qual não cabe recurso julgou inexistir a omissão, adotando a fundamentação abaixo. De forma diversa, não há omissão em relação à legitimidade ativa da União que é objeto de mais de um ponto do acórdão embargado, transcritos a seguir: Aferindo a decisão hostilizada, concluo que, ainda que de forma sucinta, a alegação de ilegitimidade ativa da União foi abordada no acórdão, quando este usou como fundamento que o caso dos autos não trata de IRRF que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia (que segundo o impugnante seria de competência do Estado por força da repartição de receita prevista no inciso I do art. 157) e sim de Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos, conforme fl.140, in verbis: Além disso, cabe observar que a exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. (...) ... reputo também que nos julgados apontados pelo recorrente discutese legitimidade dos Estados membros para figurar no pólo passivo nas lides sobre restituição de IRRF, o que não é o caso dos autos. Portanto, ainda que julgados na sistemática do 543C o entendimento firmados nesses julgados não se aplicam ao caso presente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devem ser conhecidos e apreciados pelo Colegiado. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727479/200941 Acórdão n.º 2802002.978 S2TE02 Fl. 310 3 No recurso voluntário, o recorrente alegou que houve violação ao princípio da isonomia por não se adotar o mesmo tratamento dados ao membros do Ministério Público Federal e aos magistrados federais. O acórdão embargado não enfrentou a questão, que não é nova nesse Colegiado. Em diversos precedentes essa Turma Julgadora decidiu que não há identidade entre a verba paga aos Membros do Ministério Público do estado da Bahia e aquela paga aos magistrados federais e membros do Parquet Federal, a exemplo do Acórdão nº 2802002.802, de 20/03/2014. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: “Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003.” Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o Fl. 312DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Diante do exposto, devese ACOLHER EM PARTE os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802001.133, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos da fundamentação acima. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10845.001146/95-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/1992 a 31/12/1993
COFINS. INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE CAPATAZIA. REPASSE. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONFIGURAÇÃO.
O repasse de valores aos operadores portuários pelos concessionários, a título de remuneração pela realização de serviços de capatazia, contratualmente pactuados, não a desnatura como componente do faturamento, assim entendida a receita bruta advinda da prestação de serviços, e dá ensejo à incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, ex vi do art. 2º, caput, da Lei Complementar nº 70/91.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/1992 a 31/12/1993 CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA DO RECURSO. CONFIGURAÇÃO. ORDEM JUDICIAL. OBEDIÊNCIA. A ordem judicial para processamento de recurso voluntário, mesmo que o contribuinte tenha submetido a mesma matéria à apreciação do Poder Judiciário, representa exceção à impossibilidade de concomitância de processos administrativo e judicial, não se verificando, nestes casos, a conseqüente desistência do recurso interposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1992 a 31/12/1993 COFINS. INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE CAPATAZIA. REPASSE. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONFIGURAÇÃO. O repasse de valores aos operadores portuários pelos concessionários, a título de remuneração pela realização de serviços de capatazia, contratualmente pactuados, não a desnatura como componente do faturamento, assim entendida a receita bruta advinda da prestação de serviços, e dá ensejo à incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ex vi do art. 2º, caput, da Lei Complementar nº 70/91. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 11 46 /9 5- 00 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuidase de auto de infração de Cofins, período de apuração abril/1992 a dezembro/1993, devido à exclusão de receitas com serviços de capatazia do total da receita bruta, assim considerados os valores recebidos da CODESP pela movimentação de carga operada no local arrendado. Na impugnação o contribuinte principiou por conceituar faturamento, serviço e locação de serviços para concluir que inexistiria qualquer relação jurídica para a prestação de serviço de qualquer tipo à CODESP; asseverou que os serviços de capatazia sempre foram competência exclusiva dos proprietários das instalações portuárias; que por lei apenas a CODESP poderia cobrar pelos serviços de capatazia; que, pelo contrato firmado com a CODESP, o autuado deveria pagála as taxas dos serviços de capatazia e esta lhe repassaria 60% (sessenta por cento) dos valores correspondentes a tais serviços, valores estes recebidos pela CODESP dos clientes daquele (autuado); que exigirlhe a Cofins sobre os mesmo serviços de capatazia constituiria bitributação; que, mesmo constando em seu objetivo social a qualificação de operador portuário, até aquela data, não exercia tal atividade; e, por fim, que um erro de classificação contábil não justificaria a cobrança do tributo lançado. A DRJ São Paulo/SP reputou o lançamento procedente em parte, com redução do percentual da multa de ofício aplicada, mediante decisão assim ementada: “RECEITA BRUTA. RECEITA DE CAPATAZIA RECEBIDA EM REPASSE. A receita bruta de operador portuário terceirizado inclui a receita de capatazia recebida em repasse da concessionária, e portanto, sobre esta receita, também incide a COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento mensal da COFINS sujeita o contribuinte ao lançamento de ofício para a cobrança da diferença apurada, acrescida de multa de ofício e juros de mora. REDUÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA. A lei aplicase a fato pretérito não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10845.001146/9500 Acórdão n.º 3401002.646 S3C4T1 Fl. 11 3 LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE” Em 09/06/2000 o contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando o descabimento da exigência do depósito prévio e, no mérito, com alguma variação, reproduziu a argumentação da impugnação. Em 01/08/2000 foi lavrado o termo de perempção em virtude da falta de garantia de instância. Em 10/11/2000 foi expedido ofício pela 2ª Vara Federal em Santos/SP noticiando o protocolo da ação ordinária 2000.61.04.0094924 (anulatória de lançamento fiscal) e encaminhando cópia da decisão proferida e do depósito judicial realizado. A Unidade preparadora, uma vez confirmada a suficiência do depósito para cobertura da integralidade do crédito tributário lançado, suspendeulhe a exigibilidade. Às fls. 180/184 consta sentença proferida em 29/11/2002, onde se consignou como objeto da ação a insurgência contra incidência da Cofins sobre a receita recebida pela prestação de serviços de capatazia no Porto de Santos/SP, no período 30/04/1992 a 31/12/1993, decorrentes de contrato celebrado com a CODESP, decisão esta que indeferiu a inicial e julgou extinto o processo sem exame de mérito por defeito de representação. Desta decisão o contribuinte apelou ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em 27/05/2003 foi expedido o alvará de levantamento nº 113/2ª/2003 para liberação do depósito realizado. À fl. 201 consta documento de transferência eletrônica referente à devolução do depósito realizado, ocorrida em 12/06/2003. À vista da situação do processo judicial, em 20/06/2003, a DRF Santos/SP retirou a condição de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e deu prosseguimento à cobrança. Cientificado da cobrança, em 13/01/2004, o contribuinte atravessou petição informando o aviamento de nova ação anulatória de débito, tombada desta feita sob o nº 2003.61.04.0179001, bem como, a existência de depósito do montante integral do valor exigido, juntando cópia dos documentos (fls. 211/235). A petição judicial inicial espelha o recurso voluntário interposto, com acréscimo apenas da altercação atinente ao devido processo legal, direito à ampla defesa e duplo grau de jurisdição, requerimento de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e concessão de medida liminar. Mais uma vez a DRF Santos/SP suspendeu a exigibilidade do crédito pela confirmação da integralidade do depósito judicial realizado. Às fls. 262/270 consta cópia da contestação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, junto ao processo judicial 2003.61.04.0179001, defendendo a legitimidade da incidência da Cofins sobre os serviços de capatazia ali questionados. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 À fl. 314 foi juntado despacho do SECAT/DRF Santos/SP, de 21/05/2005, onde se informava que a ação judicial 2003.61.04.0179001 aguardava decisão de primeira instância, que havia sido indeferido o pedido de antecipação dos efeitos da tutela e que o depósito judicial permanecia sem levantamento. Às fls. 320, 324, 330 e 335 constam despachos datados de 21/06/06, 31/07/07, 26/08/08 e 24/11/09, respectivamente, com a mesma informação. Em 17/12/2010 o SECAT/DRF Santos/SP, a partir de extrato de acompanhamento processual (fls. 336/338), encaminhou o processo administrativo ao CARF para prosseguimento do julgamento administrativo, uma vez que o magistrado julgou parcialmente procedente o pedido para determinar o recebimento do recurso administrativo apresentado neste processo administrativo, e, se preenchidos os requisitos de admissibilidade, o seu processamento independentemente do depósito prévio. Na sessão de fevereiro/2012, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara converteu o julgamento em diligência para que fosse juntado o inteiro teor das decisões proferidas na ação judicial 2003.61.04.0179001, acompanhadas da certidão de objeto e pé respectiva. Atendida a determinação, com a colação dos elementos, foram os autos devolvidos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Preambularmente, cumpre examinar os requisitos de admissibilidade do recurso interposto. Neste passo, a peça é tempestiva, porém, é inegável que o assunto objeto do recurso – incidência de COFINS sobre a remuneração dos serviços de capatazia – foi submetido à apreciação do Poder Judiciário, como se extrai da petição inicial aviada no processo 2003.61.04.0179001 (fls. 213/229). Em princípio, então, teria havido a desistência do recurso interposto, a teor do disposto no art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10845.001146/9500 Acórdão n.º 3401002.646 S3C4T1 Fl. 12 5 IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (negritei e grifei) Não discrepa, quanto a substância, as disposições do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que reproduzo: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (grifei) No entanto, a decisão judicial exarada não acolheu o pedido de anulação, atribuindo à esfera administrativa o julgamento da questão, ao determinar o processamento do recurso voluntário sem a exigência do depósito recursal (pedido concorrente do autor), nestes termos: “(...) Por outro lado, o julgamento do processo administrativo fiscal compete à autoridade administrativa. Assim, não há como acolher o pedido no sentido de que seja anulado o auto de Fl. 461DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 infração pelo cerceamento de defesa. Tãosomente afastase a exigência do depósito prévio para o recebimento do recurso administrativo. Por consequência, resta prejudicado o pedido de anulação do auto de infração por ausência de hipótese de incidência da COFINS. DISPOSITIVO De todo o exposto, resolvo o mérito e JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, com fundamento no art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para o fim de determinar o recebimento do recurso administrativo apresentado pela autora no Processo Administrativo n. 10.845.001146/9500, e, preenchidos os requisitos de admissibilidade, seu processamento, independentemente do recolhimento prévio de 30% do valor do crédito tributário controvertido.” O que se extrai da decisão parcialmente reproduzida, cujo trânsito em julgado ocorreu em 26/08/2010, é que o magistrado devolveu o conhecimento e julgamento à esfera administrativa, em clara exceção às disposições retro transcritas. Assim, em obediência ao provimento judicial em tela, admito o recurso e passo ao exame da questão. O recorrente é operador portuário e, mediante contrato de arrendamento firmado com a Companhia Docas do Estado de São Paulo – CODESP, percebe remuneração pela movimentação da carga operada, registrando contabilmente como recuperação de despesa de capatazia, segundo a autuação, no que a fiscalização vislumbrou ser, a bem da verdade, uma receita oriunda da prestação de serviços de capatazia, premissa esta retirada da seguinte cláusula contratual (cláusula 6ª, parágrafo 6º): “A CODESP repassará à ARRENDATÁRIA, num prazo máximo de 30 (trinta) dias após o término dos serviços de carga/descarga das mercadorias movimentadas pela ARRENDATÁRIA, o valor correspondente a 60% (sessenta por cento) do montante dos serviços de capatazia recebidos pela CODESP dos clientes da arrendatária.” Como se vê, o repasse efetuado pela CODESP se dá em razão da prestação de serviços de capatazia pelo autuado em favor de terceiros, não desnaturando a natureza da receita o fato de o cliente efetuar o pagamento diretamente à CODESP, que em um prazo específico, repassa percentual do montante recebido ao recorrente. Mesmo porque, a transferência ao contribuinte de parcela dos valores recebidos pela CODESP não se dá a título gratuito ou como mera liberalidade, mas como pagamento pelos serviços prestados. Definitivamente não se cuida de recuperação de despesa, mas sim, a percepção de remuneração pela realização de atividades constantes do objeto social da pessoa jurídica, o que, sem sombra de dúvida, corresponde ao conceito de faturamento estatuído no art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91, então vigente, consoante o qual a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10845.001146/9500 Acórdão n.º 3401002.646 S3C4T1 Fl. 13 7 Hodiernamente o conceito de faturamento, assim como por ocasião da lavratura da autuação, é tomado em sua acepção ampla, não se limitando apenas à receita da venda de bens e prestação de serviços, mas correspondendo ao somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como fixou o Min. Cézar Peluso, no voto condutor do RE 400.479/RJ. A meu sentir, sequer haveria necessidade de recurso a tal conceito, bastando a própria redação do dispositivo, pois é estreme de dúvidas que as verbas repassadas pela CODESP à recorrente se caracterizam como receita pela prestação de serviços de capatazia e, nesta qualidade, estão sujeitas à incidência de COFINS. Respeitante à alegação de bitributação, não há qualquer ressalva à fundamentação da decisão reclamada; a uma, porque era da própria essência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quando de seu advento, a cumulatividade, o que somente veio a se modificar com a superveniência da Lei nº 10.833/03; e, a duas, porquanto a bitributação pressupõe a incidência de dois ou mais tributos, de entes federativos distintos, sobre os mesmos fatos – ou bis in idem, quando o ente federativo titular da exação fosse o mesmo –, ocorre que os fatos imponíveis que sofreram a incidência do tributo, segundo a ótica do recorrente, não são os mesmos, tendo em conta que a percepção da remuneração pela CODESP representa fato jurídico diverso do recebimento do repasse pelo recorrente, não assistindo razão alguma à alegação. Portanto, a decisão recorrida não merece reparo algum, devendo ser mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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