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Numero do processo: 15586.000650/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PIS E COFINS. VENDA EXCLUSIVA DE PRODUTOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. PROVA. AUSÊNCIA.
Ao sujeito passivo compete apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. À mingua de prova de que a Recorrente dedica-se exclusivamente ao comércio de mercadorias tributadas com alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, mantém-se o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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VENDA EXCLUSIVA DE PRODUTOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. PROVA. AUSÊNCIA. Ao sujeito passivo compete apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. À mingua de prova de que a Recorrente dedicase exclusivamente ao comércio de mercadorias tributadas com alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, mantémse o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 50 /2 01 0- 79 Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Tratase de Autos de Infração de IRPJ, Contribuição para o PIS/PASEP, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e CSLL lavrados por AFRFB lotado na DRFVIT, relativos ao contribuinte ANL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 39.327.085/000152 (fls. 955 a 990), que tiveram por base procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao anocalendário de 2007, dos quais o Impugnante teve ciência em 14 de julho de 2010 (fls. 956, 965, 974 e 983). Dos Autos de Infração Houve arbitramento do lucro tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este por ele declarado conforme cartaresposta de fls. 69, tendo como enquadramento legal o art. 530, inciso I, do RIR/99. CRÉDITO APURADO Em relação ao IRPJ foram apurados: Imposto de R$ 400.429,90; juros de mora (calculados até 30/06/2010) de R$ 113.467,62 e multa de 75% no valor de R$ 300.322,41 (fl. 955). Em relação à Contribuição para o PIS/PASEP foram apurados: Contribuição de R$ 114.949,73; juros de mora (calculados até 30/06/2010) de R$ 33.665,98e multa de 75% no valor de R$ 86.212,26 (fl. 964). Em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social foram apurados: Contribuição de R$ 530.537,38; juros de mora (calculados até 30/06/2010) de R$ 155.381,71 e multa de 75% no valor de R$ 397.902,98 (fl. 973). Em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram apurados: Contribuição de R$ 190.993,46; juros de mora (calculados até 30/06/2010) de R$ 54.155,16 e multa de 75% no valor de R$ 143.245,09 (fl. 982). INFRAÇÕES Em relação ao IRPJ foram verificadas as seguintes infrações: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Apurado conforme descrito no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal os arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96 ; arts. 532 e 537 do RIR/99. 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal o art. 532 do RIR/99: Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 4 3 Em relação à CSLL foram verificadas as seguintes infrações: 001 CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal art. 2° e §§, da Lei no 7.669/88; art. 20 da Lei no 9.249/95; art. 29 da Lei n° 9.430/96 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. 002 CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITA Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 24 da Lei n° 9.249/95; art. 29 da Lei n° 9.430/96 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. Em relação à Contribuição para o PIS/PASEP foram verificadas as seguintes infrações: 001 – PIS FALTA/ INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. Em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foram verificadas as seguintes infrações: 001 – COFINS FALTA/ INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal arts. 2°, inciso II e parágrafo único; 3º , 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. 002 COFINS OMISSÃO DE RECEITA Apurado conforme Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 903 a 915, tendo como enquadramento legal art 2º, inciso II e parágrafo único; 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n ° 4.524/02. Da Impugnação A Interessada apresentou impugnação em 12 de agosto de 2008, na qual atevese, apenas, à discussão dos autos de infração referentes Contribuição para o PIS/PASEP e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 993 a 995). Em razão do exposto acima, a DRJRJ1 devolveu o p.p. à ARF/LINHARES/ES com o objetivo de ela proceder a apartação dos autos (fl 1.007). Essa última responde, à fl. 1.016, que em cumprimento do despacho foram transferidos os débitos de IRPJ e CSLL deste processo para o processo nº 10783.720341/201079, “o qual seguirá tramite regular de cobrança”, sendo neste processo mantidos apenas os débitos de PIS e COFINS. Finalmente, o p.p. retornou a esta DRJ/RJO. RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 5 4 Em sua Impugnação, referente apenas aos autos de PIS e COFINS, a Interessada, em sua defesa, alega: Que atua no ramo de comércio de alimentos, como se depreende dos inclusos documentos, incidindo alíquota zero (0) nas contribuições devidas para o PIS/PASEP e COFINS; Que a norma contida na Lei 10.925/2004, regulamentada pelo Decreto 5.630/2005, isenta categoricamente, em seu artigo 1º, inciso V e VIII, referidos bens de consumo das contribuições mencionadas, transcrevendoas: Decreto nº 5.630 de 22/12/2005: "Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — CONFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda de mercado interno de: (Omissis). V feijões comuns (Phaseolus vulgaris), classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99 da NCM, arroz descascado (arroz 'cargo' ou castanho), classificado no código 1006.20 da NCM, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido (glaceado), classificado no código 1006.30 da NCM e farinhas classificadas no código 1106.20 da NCM; (Omissis) VIII farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho, classificados respectivamente, nos códigos 1102.20, 1103.13 e 1104.19, todos TIPI;..."; Que a incidência de tais contribuições contraria o legalmente estabelecido, haja vista que, repitase à exaustão, as atividades da impugnante se restringem ao comércio daqueles bens albergados pela incidência de alíquota zero de PIS e COFINS. Que a própria descrição da atividade econômica da impugnante constante dos dados da Receita Federal atestam conclusivamente que atua ela no: "comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiadas, farinhas, amidos e féculas, com atividade de fracionamento e acondicionamento associada". Por fim requer que seja julgado insubsistente o Auto de Infração impugnado, especificamente no que se refere à autuação pelo não recolhimento de PIS/PASEP e COFINS, declarandose indevidos tais tributos. A 9a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I RJ julgou a impugnação improcedente, por falta de apresentação de prova do alegado, nos termos do Acórdão no 1248.504, de 26/07/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 REDUÇÃO DE COFINS E PIS/PASEP À ALÍQUOTA ZERO NECESSIDADE DE PROVAS A fim de provar o direito à alíquota zero na Cofins e no PIS/PASEP, fazse mister a apresentação de provas que corroborem o alegado. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 6 5 Ciente desta decisão em 08/08/2012 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 06/09/2012, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos de que as atividades dela Recorrente se restringem ao comércio dos bens albergados pela incidência de alíquota zero de PIS e Cofins, prevista nos incisos V e VIII, do art. 1º, do Decreto nº 5.630/2005, ou seja, comércio de feijões comuns, arroz descascado, farinhas e derivados de milho (farinha, grumos e grãos esmagados ou em flocos) juntando, como prova do alegado, 53 (cinquenta e três) notas fiscais de aquisição de feijões, farinha de mandioca, sal (refinado e para churrasco), fubá e canjiquinha de milho, que entraram no estabelecimento dela Recorrente nos meses de julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2007. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de Autos de Infração de PIS e de Cofins lavrados em razão da falta de recolhimento das exações calculadas com base na receita escriturada mais a receita omitida e apurada pela Fiscalização. A única matéria objeto do litígio estabelecido neste processo diz respeito à incidência da alíquota zero, tanto para o PIS como para a Cofins, sobre a totalidade da receita objeto da autuação. Defende a Recorrente que suas atividades "se restringem ao comércio daqueles bens albergados pela incidência de alíquota zero de PIS e Cofins", prevista nos incisos V e VIII, do art. 1º, do Decreto nº 5.630/2005. A decisão recorrida não acolheu as alegações da Recorrente em razão da falta de prova, conforme abaixo se vê: A Interessada alega que “as atividades da impugnante se restringem ao comércio daqueles bens albergados pela incidência de alíquota zero de PIS e COFINS”. Não há, entretanto, no processo, qualquer prova dessa alegação. [...] A fim de conseguir provar que faria juz ao não pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS e, consequentemente, obter a declaração de insubsistência dos Autos de Infração impugnados, conforme deseja, a Interessada deveria trazer ao processo elementos de prova que Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 7 6 demonstrassem que ela atua exclusivamente com os produtos objeto do benefício. No Recurso Voluntário trouxe, como prova de que atua exclusivamente no comércio dos produtos albergados pela alíquota zero de PIS e de Cofins, 53 (cinquenta e três) notas fiscais de aquisição de feijões, farinha de mandioca, sal (refinado e para churrasco), fubá e canjiquinha de milho, nos meses de julho a dezembro de 2007, no valor aproximado de R$ 1.700.000,00. Por evidente, as notas fiscais juntadas pela Recorrente não provam que ela adquiriu para revenda, exclusivamente, mercadorias tributadas com alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, até porque 02 (duas), das 53 (cinquenta e três) notas fiscais são de aquisição de sal refinado e sal para churrasco, que não estão relacionado nos incisos V e VIII, do art. 1º, do Decreto nº 5.630/2005. Portanto, as notas fiscais apresentadas provam exatamente o contrário do alegado pela Recorrente: suas atividades não "se restringem ao comércio daqueles bens albergados pela incidência de alíquota zero de PIS e Cofins". Ainda que todas as 53 (cinquenta e três) notas fiscais fossem de aquisição de mercadorias relacionadas nos incisos V e VIII, do art. 1º, do Decreto nº 5.630/2005, ainda assim não provariam que a Recorrente adquire e revende exclusivamente esses tipos de mercadorias. Isso porque as notas fiscais juntadas aos autos não representam, nem de longe, o universo das mercadorias comercializadas pela Recorrente, sequer para os meses de entrada dessas mercadorias no estabelecimento do Recorrente Julho a Dezembro. Apenas para ilustrar a afirmação acima, no mês de outubro/2007, foram registrados no Livro de Registro de Entrada de Mercadorias 84 (oitenta e quatro) notas fiscais, no valor total de R$ 1.758.784,31, números (quantidade de nota e valor) muito superiores ao apresentado pela Recorrente para o período de julho a dezembro de 2007, como prova de suas alegações. Nesse período, o valor das entradas foi de R$ 7.245.945,63. Mais ainda, a Recorrente não juntou notas fiscais de aquisição de mercadorias que entraram no seu estabelecimento nos meses de janeiro a junho de 2007, no valor total de R$ 5.868.679.85. As notas fiscais apresentadas servem, apenas e tão somente, como indício de que a Recorrente vendeu produtos tributados com alíquota zero pelo PIS e pela Cofins a partir de julho de 2007. Sequer provam o valor da receita de venda de mercadorias tributadas com alíquota zero para um único período de apuração. O ônus da prova cabe a quem alega. E a Recorrente continua sem provar sua única alegação, cabendo ao caso a aplicação do velho brocardo latino de que allegatio et non probatio quase non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Por último, deve ser destacado que aqui não se está negando vigência aos dispositivos do citado Decreto nº 5.630/2005. Apenas a Recorrente não provou que dedicase única e exclusivamente ao comércio de mercadorias tributada com alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, como alega. As notas fiscais de aquisição de sal, juntadas pela Recorrente, provam o contrário do alegado. Sequer admitiu e provou a Recorrente que uma parte de sua atividade comercial não é tributada pelo PIS e pela Cofins e outra parte é. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000650/201079 Acórdão n.º 3302002.864 S3C3T2 Fl. 8 7 Pelo que precede, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10280.720679/2008-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich que deram provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich que deram provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA E TRANSPORTE DE VALORES S/C LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 67 9/ 20 08 -7 7 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.308 2 decisão proferida no Acórdão nº 0122.063, da DRJ Belém, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil o pedido de restituição/ressarcimento (PER) nº 38906.58414.310304.1.2.022900 para, logo em seguida, retificálo por meio do PER nº 02393.71335.150405.1.6.021789 (fl. 3), em que pleiteia o reconhecimento do crédito no valor de R$ 491.847,64 relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano 2003. Segundo esse documento, o saldo negativo teria origem: em retenções na fonte de IRPJ (IRRF) realizadas em 2003; em estimativas de alguns meses de 2003 compensadas com o saldo negativo de IRPJ do ano 2002; em estimativas de outros meses de 2003 compensadas com outros tributos. As tabelas abaixo resumem essas informações: IRPJ retido na fonte CNPJ DA FONTE RECEITA VALOR (R$) 01.241.837/000195 1708 365,00 01.701.201/000189 1708 6.066,38 04.134.566/000167 1708 25,27 04.895.751/000506 1708 0,77 05.054.937/000163 1708 12.798,04 05.055.009/000113 1708 378,64 05.065.644/000181 1708 7.174,55 05.070.868/000181 1708 10,41 05.341.565/000156 1708 35,93 05.547.316/000111 1708 154,19 07.917.818/000112 1708 12.715,04 10.245.579/000106 1708 730,80 14.068.068/000117 1708 21,71 33.124.959/001755 1708 21.235,77 33.592.510/037074 1708 1.739,87 34.918.458/000146 1708 766,60 51.427.102/003063 1708 1.538,31 58.160.789/000128 6800 24.238,43 58.160.789/004700 1708 762,52 Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores PERÍODO VALOR (R$) PROCESSO Janeiro/2003 67.477,07 10280.001636/200384 Fevereiro/2003 69.602,48 10280.001636/200384 Março/2003 47.153,35 10280.001636/200384 Setembro/2003 50.474,57 10280.001636/200384 Outubro/2003 106.413,95 10280.001636/200384 Novembro/2003 98.696,33 10280.001636/200384 Estimativas compensadas com outros tributos PERÍODO VALOR (R$) DCOMP PROCESSO Maio/2003 35.630,10 17662.43227.290603.1.3.043397 10280.001574/200319 Junho/2003 78.136,89 26862.90873.310703.1.3.044731 10280.001575/200355 Agosto/2003 15.372,76 09663.71420.300903.1.3.040888 10280.001574/200319 Agosto/2003 36.598,71 16984.92090.300903.1.3.048347 10280.001575/200355 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.309 3 Com a finalidade de utilizar o referido crédito, o contribuinte apresentou as declarações de compensação DCOMP de fls. 15/74, a seguir relacionadas: DCOMP 10201.05090.020605.1.7.022530 34289.76389.150404.1.3.023730 05898.80457.300404.1.3.020764 20417.70018.140504.1.3.020079 26002.86633.310504.1.3.020528 28508.51905.150604.1.3.020587 33890.74840.150704.1.3.024101 41475.38116.091104.1.3.027502 05442.12270.140105.1.3.020358 40233.77682.150805.1.3.020407 37056.88806.140905.1.3.020145 25821.25754.150206.1.3.024630 09086.42425.140306.1.3.022008 01520.52360.150506.1.3.024036 Nos termos do despacho decisório de fl. 169, a DRF Belém reconheceu apenas as estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, conforme o disposto no processo nº 10280.001636/200384, ao contrário das outras três estimativas tratadas nesse mesmo processo, as quais não haviam sido reconhecidas. Pelo mesmo motivo, não reconheceu as outras quatro estimativas, tratadas nos processos nº 10280.001574/200319 e 10280.001575/200355. Adicionalmente, a DRF reconheceu integralmente apenas três retenções na fonte e reconheceu parcialmente outras três, conforme as DIRF e os comprovantes de retenção de que dispunha. Com isso, o valor reconhecido do crédito pleiteado atingiu a cifra de R$ 5.572,76, o qual foi utilizado para homologar parcialmente a DCOMP nº 10201.05090.020605.1.7.022530, restando não homologadas as demais DCOMP. O contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em que reafirma a legitimidade do crédito pleiteado. Afirma que está questionando administrativamente as decisões a ele desfavoráveis contidas nos processos nº 10280.001636/200384, 10280.001574/200319 e 10280.001575/200355, não havendo decisão definitiva sobre eles. Afirma ainda que, mesmo não obtendo sucesso nessas lides, será obrigado a recolher as respectivas estimativas, o que autoriza a sua utilização no saldo negativo em tela. Em relação ao IRRF, afirma que não pode ser apenado pelo fato de os tomadores de serviço não terem declarado em DIRF os valores efetivamente retidos, juntando cópias de notas fiscais e do seu livro razão para demonstrar essa retenção. Afirma ainda que o fato de um recolhimento ter sido feito no CNPJ de uma filial não impede o seu aproveitamento no saldo negativo da matriz. A DRJ apreciou o recurso do contribuinte e reconheceu todas as estimativas relativas ao processo nº 10280.001636/200384, uma vez que as respectivas compensações Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.310 4 foram consideradas homologadas, parte pela DRF e parte em decisão da DRJ. As demais quatro estimativas compensadas não foram consideradas no saldo negativo em análise, em razão de não constituírem confissão de dívida, uma vez que ingressadas antes de 31/10/2003, e por não terem sido homologadas na última decisão administrativa sobre essa questão. Em relação à glosa de IRRF, a DRJ não aceitou as notas fiscais apresentadas pelo recorrente como prova suficiente da efetiva retenção na fonte, não as considerando. Todavia, reconheceu as retenções antes glosadas pela DRF, em razão de terem sido realizadas em benefício de filial do contribuinte. Com isso, a DRJ considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo direito de crédito no valor de R$ 309.908,70 e homologando parcialmente as DCOMP em tela. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. IRPJ RETIDO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. As estimativas compensadas e homologadas devem ser consideradas como efetivamente pagas. As estimativas não homologadas, por não se constituírem confissão de dívida, devem ser excluídas na apuração do IRPJ. As retenções utilizadas para deduzir estimativas apuradas e comprovadas via DIRF ou comprovantes de rendimentos pagos e de retenção na fonte consideramse estimativas efetivamente pagas. IRRF. NOTAS FISCAIS PRESTAÇÃO SERVIÇOS. LIVRO RAZÃO. As notas fiscais de prestação de serviços e o livro razão não são instrumentos hábeis para fins de comprovação do IRRF, incumbência da fonte pagadora dos rendimentos. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. ATUALIZAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, o crédito é atualizado até a data de entrega da declaração de compensação. O saldo negativo é atualizado a partir do mês seguinte ao término do período de apuração. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando este não atender ao disposto na legislação de regência, bem como quando for prescindível à solução da lide. Cientificado dessa decisão em 23/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 1.252), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 1253), em 23/01/2012, em que reafirma os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. Ao final, requer a realização de perícia contábil ou diligência fiscal. É o relatório. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.311 5 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte teve o direito de crédito parcialmente reconhecido, conforme resumido nas seguintes tabelas. IRPJ retido na fonte Reconhecido na DRF Reconhecido na DRJ CNPJ DA FONTE RECEITA VALOR (R$) VALOR (R$) VALOR (R$) 01.241.837/000195 1708 365,00 315,00 315,00 01.701.201/000189 1708 6.066,38 6.066,38 6.066,38 04.134.566/000167 1708 25,27 25,27 25,27 04.895.751/000506 1708 0,77 0,00 0,77 05.054.937/000163 1708 12.798,04 0,00 0,00 05.055.009/000113 1708 378,64 0,00 0,00 05.065.644/000181 1708 7.174,55 0,00 0,00 05.070.868/000181 1708 10,41 0,00 0,00 05.341.565/000156 1708 35,93 0,00 0,00 05.547.316/000111 1708 154,19 154,19 154,19 07.917.818/000112 1708 12.715,04 12.505,34 12.505,34 10.245.579/000106 1708 730,80 0,00 0,00 14.068.068/000117 1708 21,71 0,00 0,00 33.124.959/001755 1708 21.235,77 0,00 21.235,77 33.592.510/037074 1708 1.739,87 0,00 1.739,87 34.918.458/000146 1708 766,60 0,00 0,00 51.427.102/003063 1708 1.538,31 0,00 1.538,31 58.160.789/000128 6800 24.238,43 0,00 24.236,57 58.160.789/004700 1708 762,52 740,28 740,28 Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores Reconhecido na DRF Reconhecido na DRJ PERÍODO VALOR (R$) PROCESSO VALOR (R$) VALOR (R$) Janeiro/2003 67.477,07 10280.001636/200384 67.477,07 67.477,07 Fevereiro/2003 69.602,48 10280.001636/200384 69.602,48 69.602,48 Março/2003 47.153,35 10280.001636/200384 47.153,35 47.153,35 Setembro/2003 50.474,57 10280.001636/200384 0,00 50.474,57 Outubro/2003 106.413,95 10280.001636/200384 0,00 106.413,95 Novembro/2003 98.696,33 10280.001636/200384 0,00 98.696,33 Estimativas compensadas com outros tributos Reconhecido na DRF Reconhecido na DRJ PERÍODO VALOR (R$) PROCESSO VALOR (R$) VALOR (R$) Maio/2003 35.630,10 10280.001574/200319 0,00 0,00 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.312 6 Junho/2003 78.136,89 10280.001575/200355 0,00 0,00 Agosto/2003 15.372,76 10280.001574/200319 0,00 0,00 Agosto/2003 36.598,71 10280.001575/200355 0,00 0,00 Assim, foram glosados R$ 22.200,48 a título de IRRF e R$ 165.738,46 a título de estimativas quitadas por compensação. São quatro as compensação que quitariam as estimativas glosadas. Duas foram apreciadas no processo nº 10280.001574/200319 e outras duas foram apreciadas no processo nº 10280.001575/200355. O fundamento da glosa dessas compensações é o fato de elas terem sido não homologadas. Todavia, o recorrente contraargumenta apontando o fato de que não há decisão administrativa definitiva sobre tais compensações, uma vez que há recurso pendente de decisão. Argumenta, ainda, que o fato de as compensações não terem sido homologadas não impede a utilização das respectivas estimativas no saldo negativo do correspondente ano, uma vez que essas estimativas foram confessadas e serão cobradas de qualquer forma. A autoridade julgadora de primeira instância verificou que as DCOMP constantes dos processos nº 10280.001574/200319 e 10280.001575/200355 não constituem confissão de dívida, o que afastaria o argumento do contribuinte. Todavia, verificase que as mesmas estimativas foram confessadas em DCTF (fls. 113/114). Assim, é necessário prosseguir na análise dessa questão. É pacífico o entendimento, no âmbito do processo administrativo fiscal, que não cabe lançamento tributário para exigir estimativa mensal quando já houve a apuração do tributo anual, conforme o enunciado da Súmula Carf nº 82: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Por outro lado, a execução fiscal de estimativa confessada somente ocorrerá caso essa estimativa tenha sido utilizada na composição do respectivo saldo negativo, uma vez que, nesse caso, a execução terá como objeto a correspondente parcela do tributo anual. Esse entendimento é extraído do Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, cuja conclusão está abaixo transcrita: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Portanto, em sendo glosadas as estimativas em tela, da composição do saldo negativo do IRPJ de 2003, não haverá a respectiva execução fiscal, mesmo que essas estimativas tenham sido confessadas. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720679/200877 Resolução nº 1801000.385 S1TE01 Fl. 1.313 7 Ademais, conforme inteligência do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, o que se aproveita no saldo negativo não é a dívida, mas sim a sua quitação, ou seja, a riqueza antecipadamente entregue ao erário para a quitação do imposto devido no final do ano. No caso, não há essa entrega de riqueza, uma vez que a compensação foi não homologada. Ainda que a Fazenda pudesse intentar um processo de execução, não se sabe se o crédito tributário seria satisfeito, o que dependeria da subsistência da empresa após o lapso temporal transcorrido ou ainda da sua saúde econômica. Mesmo que o crédito tributário fosse quitado ao final de hipotética execução fiscal, isso certamente ocorreria após um longo período de discussão na esfera judicial. Tal fato, em si, já configura um enriquecimento sem causa do contribuinte, uma vez que este teria, já no final de 2003, um saldo negativo passível de compensação, correspondente ao valor que somente pagaria no futuro, em data incerta. Todavia, na espécie, a não homologação das referidas compensações não está lastreada em decisão administrativa definitiva, o que significa dizer que a Administração Tributária ainda pode rever seu posicionamento e considerar quitadas, por compensação, as estimativas ora glosadas. De fato, consulta no sistema eProcesso aponta que ambos os processos supracitados possuem recurso especial ainda não apreciados. Encerrar a questão sobre o saldo negativo quando ainda está em discussão questão sobre parcelas que o compõe não é medida de justiça. Portanto, no presente momento, não há como decidir sobre o saldo negativo, uma vez que os processos nº 10280.001574/200319 e 10280.001575/200355 fazem litispendência. Ademais, verificase que há identidade de partes nos referidos processos e há interseção na causa de pedir, o que autoriza o reconhecimento da continência entre eles, nos termos do artigo 104 do Código de Processo Civil pátrio: Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Ainda conforme o referido códice em seu artigo 105 (acima transcrito), a medida a ser tomada é o julgamento simultâneo dos processos interrelacionados. Todavia, isso não é mais possível, em razão da disparidade de instâncias entre eles. Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento na realização de diligência, a ser cumprida pela DRF Belém, na qualidade de unidade preparadora, para que junte aos presentes autos as decisões administrativas irrecorríveis dos processos nº 10280.001574/200319 e 10280.001575/200355. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.009636/2001-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/06/1998 a 31/12/1998
IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO
Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o Decreto-Lei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas votou pelas conclusões.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/06/1998 a 31/12/1998 IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o Decreto Lei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas votou pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 96 36 /2 00 1- 31 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 510 a 531) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 493 a 506) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/06/1998 a 31/12/1998 Ementa: IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o DecretoLei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que diversos dispositivos legais foram violados porquanto a Secretaria da Receita Federal detém competência para constituir o crédito tributário na hipótese de descumprimento do processo produtivo básico, a par da manifestação da SUFRAMA. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 533 a 534. As contrarrazões não foram apresentadas, conforme atesta a informação de fls. 547. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No tocante ao mérito, a r. decisão recorrida não merece qualquer reparo. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10283.009636/200131 Acórdão n.º 9303002.664 CSRFT3 Fl. 527 3 Com efeito, meu entendimento coincide com o que foi esposado no próprio voto condutor do v. acórdão recorrido, da lavra do Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que ora transcrevo e peço vênia para adotar como razão de decidir, especialmente o seguinte excerto, verbis: (...) Destarte, o Conselho de Administração da Suframa é o órgão integrante da Administração Federal devidamente investido, por decreto regularmente exp edido pelo Poder Executivo, nos Poderes para fixar os critérios a serem observados pelos empreendimentos postulantes aos incentivos fiscais deferidos à ZFM. E tendo a Resolução n° 159/1997, por ele expedida, validado a conclusão do Relatório Técnico expressamente mencionada no Parecer Técnico SAP/DEPRO/DEPI que a embasou, entendo inconcebível que outro órgão integrante da estrutura da Administração Federal simplesmente a desconsidere, sem que tenha sido ela, antes, afastada por decisão judicial ou anulada administrativamente. Seria o mesmo que se pretender que assunto regulado por IN do Secretário da Receita Federal, expedida em estrito cumprimento de determinação regulamentar, pudesse ser "reinterpretado" por contribuinte que dela discordasse. Aqui corresponde a permitir que a mesma Administração que autorizou o empreendimento, "mude de idéia", jogando por terra todo o investimento realizado na confiança do pronunciamento expedido. Com essas considerações, embora entendendo que a melhor interpretação da norma legal é a que foi realizada pelas autoridades fazendárias, a ela não posso reconhecer o poder de superar aquela que foi expedida pelo órgão regularmentamente competente. Isso não quer dizer, absolutamente, que a Secretaria da Receita Federal não possa investigar a regular atuação dos empreendimentos instalados na ZFM com projetos aprovados pela Suframa. Deve fazêlo, no entanto, para verificar se estão cumprindo aqueles requisitos definidos na Resolução que os autorizou. Além dai, somente cassando a Resolução O que não pode é "reinterpretar" a Portaria Interministerial definidora do processo produtivo básico, olimpicamente desconsiderando as conclusões da Resolução que autorizou o empreendimento. E foi o que, infelizmente, aqui se fez. Deveras, em nenhum momento a autoridade administrativa afirmou que a empresa não cumprisse o que determinava a Resolução. Afastoua simplesmente, sob a premissa de que "estava errada". E com isso não se pode concordar. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Com esses fundamentos, voto por dar integral provimento ao recurso interposto para afastar a tributação levada a efeito. É como voto. Por conseguinte, em face de todo o exposto, não merecendo o v. acórdão recorrido qualquer tipo de reparo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015716/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.249
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Recorrente FRANCISCO DE ASSIS LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10166.015716/200757 Resolução n.º 220200.249 S2C2T2 Fl. 88 2 Relatório 1 Notificação de Lançamento Em revisão da Declaração de Ajuste Anual (fl. 1923), a autoridade administrativa lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídicas, com vínculo empregatício no anocalendário de 2002. O montante omitido seria de R$ 28.163,15, decorrente de ação trabalhista que tratava de reajustes salariais pretéritos. Ademais, os rendimentos já teriam sido julgados como tributáveis pelo TRF da 5ª Região. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 3.360,53, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de ofício de 75% e juros moratórios. O contribuinte tomou ciência da notificação em 22/11/2007. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.17) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) os valores foram recebidos em ação da FENAPEF – Federação Nacional dos Policiais Federais – contra a União, para o recebimento de diferenças de 28,8% no salário em relação a outros servidores; b) o impugnante é isento de Imposto de Renda desde 1998, pois é aposentado por invalidez espondiloartrose anquilosante – moléstia grave listada na Lei 7.713/88, art. 6º, XIV como causa de isenção; c) o inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/88 estipula duas isenções distintas: uma para os aposentados por acidente de serviço que abarca somente aposentadoria e reforma, enquanto a segunda concede isenção geral para os portadores de moléstias graves; d) os rendimentos foram recebidos em 2002, motivo pelo qual estão isentos do Imposto de Renda, uma vez que para a pessoa física vale o regime de caixa. Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) cópia dos esclarecimentos enviados anteriormente à Receita Federal em 18/10/2007 (fls. 0810); b) cópia da página do Diário Oficial da União de 2/10/1998 que contém a publicação do ato de aposentadoria do impugnante (fl. 11); c) cópia dos contracheques dos meses de julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1998, com rasura propositada nos valores (fls. 1217). 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 6ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade, pelo não conhecimento da impugnação (fls. 5055) – sendo mantido o lançamento. Os fundamentos foram os seguintes: a) o impugnante havia recorrido à esfera judicial para obter reconhecimento de sua isenção, motivo pelo qual, de acordo com o art. 1º, § 2º do Decretolei nº 1.737/79, houve renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10166.015716/200757 Resolução n.º 220200.249 S2C2T2 Fl. 89 3 b) ademais, os valores recebidos têm natureza remuneratória, pois correspondem a diferenças salariais do ano de 1993, quando o impugnante ainda não estava aposentado. 5 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 15/04/09, a curadora do interessado, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 6173) em 13/05/09, repisando os argumentos da impugnação, aos quais acrescentou os seguintes fundamentos: a) existe contradição entre o acórdão e o voto, já que no voto é dito que a impugnação foi conhecida, mas o acórdão registra unanimidade pelo não conhecimento; b) novamente, há contradição entre a ementa, que diz haver renúncia tácita do direito à esfera administrativa por haver processo com o mesmo objeto na esfera judicial, enquanto o voto diz exatamente o contrário. c) a ação judicial em questão é coletiva e não possui o mesmo objeto, pois não foi analisada a questão da isenção do contribuinte (pessoal), mas tão somente a isenção dos valores em si (material), vez que nem todos os representados compartilhavam da situação de aposentado por moléstia grave do impugnante. Em anexo foram juntados laudos médicos comprovando a moléstia do recorrente. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10166.015716/200757 Resolução n.º 220200.249 S2C2T2 Fl. 90 4 Voto O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece conhecimento. 1 PRELIMINAR – Da Extinção do Processo por Opção pela Via Judicial A autoridade julgadora, em sede de primeiro grau, decidiu pelo não conhecimento da impugnação devido à existência simultânea de processo judicial com o mesmo objeto, baseandose no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3 de 1996, na Lei nº 6.830 de 1980 e no Decretolei nº 1.737 de 1979. O desfecho conferido ao tema pela decisão recorrida merece reforma por esse Conselho. Conforme restou demonstrado, o pedido da primeira demanda era a isenção de imposto de renda sobre os rendimentos por serem provenientes de ação judicial, enquanto o presente processo leva em conta situação distinta, a saber, a extensão da isenção por moléstia grave. Ausente a simetria, a irresignação há de ser reconhecida e analisada por esse conselho. 2 MÉRITO – Da Isenção Do Art. 6º, XXI da Lei Nº 7.713/88 O recorrente reclama o reconhecimento da isenção escrita no art. 6º, XII da Lei nº 7.713/88, abaixo transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte (sic) rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O presente procedimento administrativo encontrase instruído com laudo emitido por serviço médico oficial de ente federado (junta médica pericial do Departamento de Polícia Federal) que atesta a existência de espondiloartrose anquilosante (fls. 7576). Além disso, o recorrente foi declarado aposentado por invalidez. O quadro descrito encontra subsunção à hipótese descrita no inciso XIV, acima reproduzido. Superado, portanto, o primeiro requisito. O segundo requisito, que condiciona o gozo da isenção, está ligado à natureza jurídica dos rendimentos, ou seja, exigese que os rendimentos sejam recebidos a título de aposentadoria ou reforma. Essa condição não restou demonstrada, pois os rendimentos recebidos decorriam de diferenças salariais de períodos anteriores à aposentadoria. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10166.015716/200757 Resolução n.º 220200.249 S2C2T2 Fl. 91 5 Assim, estando ausente um dos requisitos legalmente estabelecidos, não procede o reconhecimento do direito à isenção, conforme postulado pelo recorrente. 3 Do Sobrestamento O presente recurso veicula irresignação contra obrigação decorrente de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Ocorre que a maneira como estes rendimentos deve ser tributadas está sendo julgada no STF em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. É o Recurso Extraordinário nº 611.406, que se encontra em julgamento no presente momento. Conforme está disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos no CARF que versarem acerca de matéria sobre a qual pende decisão de acordo com regime do art. 543B do CPC. A título da Portaria nº 1 de 6 de janeiro de 2012 do CARF, é necessário demonstrar que o sobrestamento do julgamento dos processos está sendo determinado pelo STF, o que pode ser observado pela seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, publicado em DJe035 DIVULG 03/03/2011 PUBLIC 04/03/2011) Sendo assim, voto por conhecer o recurso e, no mérito, estando presentes os pressupostos para o sobrestamento do julgamento deste recurso, sobrestar o julgamento do presente até que seja proferida decisão definitiva no referido Recurso Extraordinário em tramitação no STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10166.015716/200757 Resolução n.º 220200.249 S2C2T2 Fl. 92 6 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721233/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO.
A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada.
Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 09/10/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1802-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada. Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 09/10/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. A teor do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 a pessoa jurídica imune ou isenta não fica desobrigada a entrega da DCTF. E, não comprovado nos autos que a pessoa jurídica se manteve inativa durante todo o ano calendário a que se refere a DCTF não se pode afastar a multa aplicada. Verificado na Notificação de Lançamento que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 09/10/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, resta cabível a multa por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 12 33 /2 01 1- 19 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento relativa à multa de R$ 200,00 por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 1º semestre de 2006. Na descrição dos fatos, da mencionada Notificação de Lançamento consta o seguinte: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004. Por economia processual e considerar pertinente adoto parte do relatório da decisão recorrida que sintetiza a Impugnação da Recorrente que a seguir transcrevo: ... Na impugnação, a defesa alega: que a entrega da declaração decorre de intimação fiscal, mas a obrigação acessória é indevida; que o contribuinte é imune, desobrigandose de tal declaração. Ao final, requer o cancelamento da notificação de lançamento. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a impugnação, mediante o Acórdão nº 1046.613, de 26 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2006 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. Imunidade e isenção não desobrigam a entrega da DCTF. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 4 3 Cientificada da mencionada decisão em 08/01/2014, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 06/02/2014. Diz que, por ser uma entidade filantrópica, destinada ao serviço público na pregação da palavra de Deus, na assistência aos necessitados cumpre a sua responsabilidade social. Aduz que, diante do processo nº 10073.721247/201124 a 5ª Turma da DRJ/RJ1 deferiu a improcedência da multa da DCTF conforme cópia em anexo. Finalmente requer a improcedência da ação fiscal e que seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF relativa ao 1° Semestre de 2006, de que trata a Notificação de Lançamento, na qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 200,00, com redução de 50%, ou seja, R$ 100,00 para ser pago até 30 dias após a data de entrega da DCTF e ciência da notificação de lançamento. A Recorrente não pagou o valor com a redução de 50%, optando por impugnar o lançamento tributário. Consta da mencionada Notificação de Lançamento que a DCTF em comento, tinha como prazo final para a entrega o dia 09/10/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 13/10/2011, portanto, aplicada a multa mínima por atraso na entrega. A multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 5 4 intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 6 5 §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) ... Como se vê, a entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2006, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mês calendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pagos, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e R$ 500,00 nos demais casos.(Inteligência do artigo 7º e seus parágrafos da Lei nº 10.426/2002). O dispositivo legal acima transcrito não dispensa pessoas jurídicas imunes ou isentas de apresentar a DCTF. A IN SRF nº 695, de 14/12/2006, que trata das DCTF, dispõe o seguinte: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa a fatos geradores que ocorreram a partir de 1º de janeiro de 2006, são as estabelecidas por esta Instrução Normativa. (Grifei) (...) Art. 6º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: ... II – as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o ano calendário a que se referirem as DCTF; ... § 4º Considerase inativa a pessoa jurídica que não realizar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial no curso do período. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 7 6 Não consta dos autos que a pessoa jurídica se encontrava na situação de inativa, e sim, que a DCTF fora apresentada (zerada) sem qualquer apuração de débitos sendo lhe aplicada a multa mínima de R$ 200,00 (menos severa) e não, a outra multa mínima de R$ 500,00. Desse fato, depreendese que o autuante aplicou a multa mínima de R$ 200,00 adotando interpretação benéfica com escora no artigo 112 do CTN que assim dispõe: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A Recorrente alega que, por ser uma entidade filantrópica, destinada ao serviço público na pregação da palavra de Deus, na assistência aos necessitados cumpre a sua responsabilidade social. De acordo com o parágrafo único do artigo 175 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional – CTN) “A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente”. Com efeito, ainda que a Recorrente se encontre na situação de pessoa jurídica imune do pagamento de impostos (art.150, inciso VI, alínea “b”, da Constituição Federal) – templos de qualquer culto não está dispensada do cumprimento das obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do artigo 113 do CTN (como por exemplo: entrega de DCTF). Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei para a dispensa da penalidade, e, estando a interessada obrigada à apresentação da DCTF, e, sendo inconteste que, apresentou a declaração DCTF do 1º Semestre de 2006, com atraso, é de se manter a exigência da multa em análise. A Recorrente aduz que, diante do processo nº 10073.721247/201124 a 5ª Turma da DRJ/RJ1 deferiu a improcedência de multa da DCTF conforme cópia em anexo. Quanto a alusão feita ao mencionado processo, não se estende aos presentes autos a decisão a que se refere haver julgado o lançamento improcedente da multa referente a entrega de DCTF fora do prazo, pois depende de fatos discutidos no mencionado processo que podem ensejar conclusão diversa. Convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente serve apenas como forma de defesa, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não tem eficácia normativa. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10073.721233/201119 Acórdão n.º 1802002.488 S1TE02 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000092/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Fábia Regina Freitas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Declarouse impedida a Conselheira Fábia Regina Freitas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 00 92 /2 00 6- 01 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório A empresa Fábio Perini Indústria e Comércio de Máquinas Ltda. apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata o art. 11 da Lei n.º 9.779/99, relativo ao 3º trimestre de 2005. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição. Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de dados ou documentos solicitados ao interessado, indispensáveis para a escorreita apreciação de pedido formulado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgiuse contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Conselho, sustentando que faz jus integralmente ao crédito presumido do IPI denegado. Aduz, em suma, os seguintes argumentos: i) apresentou todos os documentos, dados e arquivos magnéticos à fiscalização, bem como prontamente reapresentou os arquivos magnéticos adaptados ao modelo estabelecido pela Portaria DRF/JOI n.º 37/04, os quais tiveram a regularidade atestada, conforme informação do Auditor Fiscal, através de email; ii) necessidade da realização de diligência fiscal a fim de buscar a verdade material dos fatos argumentados e com isto garantir o pleno exercício dos princípios constitucionais que circundam a análise do processo administrativo fiscal. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa Seção converteu o julgamento em resolução para baixar o processo em diligência com o escopo de: 1) Intimar a Recorrente a demonstrar e provar, com documentos hábeis e idôneos, o total do crédito a que julga ter direito, relativos ao 3º trimestre calendário de 2005; bem como a apresentar os respectivos dados e arquivos; 2) manifestarse sobre a legitimidade do montante do crédito pleiteado pela recorrente, a que se refere o item 1; 3) prestar os esclarecimentos e as informações que julgar necessários para o deslinde da questão; 4) elaborar relatório circunstanciado da diligência; 5) dar ciência à Recorrente desta resolução e do relatório da diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse; e, Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10920.000092/200601 Acórdão n.º 3301002.577 S3C3T1 Fl. 143 3 6) Concluso, retorne os autos ao CARF. Em retorno de diligência o processo foi distribuído para esse relator porque o relator ante designado não compõe mais esse Conselho. É o que importa relatar. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência cujo relatório final conclui do seguinte modo: Dos Demonstrativos de Créditos e Débitos e de Apuração do Saldo Credor Ressarcível (parte integrante desta Informação) retirase que o saldo credor passível de ressarcimento no período é de R$ 305.070,80. Considerando que o interessado pleiteia somente R$ 250.056,91 (composto por R$ 195.506,40 utilizado em compensações no PERDCOMP 05406.86569.311005.1.3.019710 e por R$ 54.550,51 solicitado em ressarcimento no PERDCOMP 24971.08359.311005.1.1.010158), é de se homologar as compensações e deferir o ressarcimento. Assim, a essa turma nada mais resta a fazer senão acompanhar o resultado da diligência que confirmou o crédito. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000251/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
A concessão de auxilio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Não há obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não integrar a base de cálculo do salário-de-contribuição.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS LEGAIS. DESACORDO.
O pagamento feito a título de PLR, em desacordo com a legislação, do qual resulte a falta de desconto e recolhimento da contribuição previdenciária devida por parte do segurado empregado, impõe-se essa responsabilidade ao empregador, eis que, por se tratar de desconto legalmente autorizado sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícita alegação de qualquer natureza ou espécie para se eximir dessa responsabilidade, ficando diretamente responsável pelas importâncias que tenha deixado de receber ou reter e repassar a Previdência Social.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR.
A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária.
ABONO DE FÉRIAS. CONDISDÇÕES IMPOSTAS EM CLÁUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO
O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea e,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91.
O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT
SALÁRIO FAMILIA. CONCESSÃO INDEVIDA. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA.
A mera alegação de que a parcela não constitui salário de contribuição, sem a devida comprovação da observância de requisitos essenciais que legitimam a exclusão do benefício da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não afasta a autuação efetuada pela autoridade fiscal.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso nas questões referentes a auxílio alimentação e abono de férias, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. A concessão de auxilio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Não há obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não integrar a base de cálculo do salário-de-contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS LEGAIS. DESACORDO. O pagamento feito a título de PLR, em desacordo com a legislação, do qual resulte a falta de desconto e recolhimento da contribuição previdenciária devida por parte do segurado empregado, impõe-se essa responsabilidade ao empregador, eis que, por se tratar de desconto legalmente autorizado sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícita alegação de qualquer natureza ou espécie para se eximir dessa responsabilidade, ficando diretamente responsável pelas importâncias que tenha deixado de receber ou reter e repassar a Previdência Social. Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. ABONO DE FÉRIAS. CONDISDÇÕES IMPOSTAS EM CLÁUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea e,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91. O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT SALÁRIO FAMILIA. CONCESSÃO INDEVIDA. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA. A mera alegação de que a parcela não constitui salário de contribuição, sem a devida comprovação da observância de requisitos essenciais que legitimam a exclusão do benefício da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não afasta a autuação efetuada pela autoridade fiscal. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso nas questões referentes a auxílio alimentação e abono de férias, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. A concessão de auxilio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Não há obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não integrar a base de cálculo do saláriode contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS LEGAIS. DESACORDO. O pagamento feito a título de PLR, em desacordo com a legislação, do qual resulte a falta de desconto e recolhimento da contribuição previdenciária devida por parte do segurado empregado, impõese essa responsabilidade ao empregador, eis que, por se tratar de desconto legalmente autorizado sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícita alegação de qualquer natureza ou espécie para se eximir dessa responsabilidade, ficando diretamente responsável pelas importâncias que tenha deixado de receber ou reter e repassar a Previdência Social. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 51 /2 00 8- 86 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 362 2 A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. ABONO DE FÉRIAS. CONDISDÇÕES IMPOSTAS EM CLÁUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea “e”,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91. O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT SALÁRIO FAMILIA. CONCESSÃO INDEVIDA. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA. A mera alegação de que a parcela não constitui salário de contribuição, sem a devida comprovação da observância de requisitos essenciais que legitimam a exclusão do benefício da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não afasta a autuação efetuada pela autoridade fiscal. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso nas questões referentes a auxílio alimentação e abono de férias, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 363 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por ZIRTAM INDUSTRIAL LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Feral do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (RS) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de crédito tributário, referente ao período de 01/2004 a 12/2004. 2. Segundo relatório do auto de infração, o crédito tributário referese às contribuições previdenciárias a cargo da empresa incluídas as contribuições devidas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS e, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, devidas à Seguridade Social pelo sujeito passivo acima referenciado e não recolhidas no prazo legal. 3. O crédito em questão é proveniente da empresa ZIRTAM INDUSTRIAL LTDA. e foi apurado por meio da verificação das folhas de pagamento/resumos e outros elementos disponibilizados à Fiscalização. O fato gerador das contribuições previdenciárias é a prestação de serviços remunerados, integrando a base de cálculo todas as verbas salariais pagas aos trabalhadores pelos serviços prestados. 4. Segundo o relatório fiscal, os fatos geradores do lançamento foram: fornecimento de refeições pelo empregador aos seus empregados sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o pagamento de Participação nos Lucros em desacordo com a Lei que rege o instituto, pagamento de abono de férias aos empregados de acordo com a assiduidade e salário do trabalhador. 5. Além disso foi identificada diferença de recolhimento a menor relativa ao RAT, em face de errôneo enquadramento da empresa no grau de risco médio cuja alíquota é 2% quando o correto seria o enquadramento no risco grave cuja alíquota é igual a 3%. 6. A fiscalização também constatou que alguns empregados receberam saláriofamília, motivo pelo qual foi efetuada a glosa de valores recebidos. 7. Após devidamente intimado do lançamento, o recorrente apresentou impugnação tempestiva para contrapor os argumentos fiscais, no entanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Minas Gerais (MG) a considerou improcedente e manteve o valor do débito. 8. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: "ALIMENTAÇÃO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOSVERBAS PAGAS PELA EMPRESA VINCULADAS À ASSIDUIDADE DO EMPREGADO GLOSA SALÁRIO FAMÍLIA RAT PERÍCIA O fornecimento de refeição ao trabalhador pela empresa que não aderiu ao PAT é considerado fato gerador de contribuição previdenciária nos termos da legislação em vigor. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 364 4 A Participação nos Lucros e Resultados da empresa é fato gerador de contribuição previdenciária se concedida ao empregado em desacordo com as condições previstas na legislação pertinente. Sobre a verba vinculada à assiduidade do trabalhador paga pela empresa, incide contribuição previdenciária não importa a que título seja concedida, nos termos da legislação em vigor. Não integram o saláriodecontribuição os benefícios pagos nos termos e limites legais. O enquadramento no Código Nacional de Atividade Econômica CNAE é feito de acordo com a atividade preponderante da empresa. Não se justifica a realização de perícia para verificação do grau de risco da atividade da empresa quando o reenquadramento no correspondente grau de risco foi procedido de acordo com a documentação da própria empresa. Lançamento Procedente." (fl. 325/326). 9. Irresignado com o resultado proferido na primeira instância, após ter sido devidamente intimado (31/03/2009 – cópia AR fl. 335) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 339/347, o qual tem como argumentos o que segue: a) sustenta que a empresa efetuou a apuração e os pagamentos de suas contribuições previdenciárias de maneira correta, sendo indevida a exigência fiscal; b) considera indevida a autuação sobre o fornecimento de alimentação in natura; c) da mesma forma, entende que a pretensão fazendária está desprovida de fundamento que a ampare, no tocante à exigência do crédito tributário com base na PLR paga aos funcionários da recorrente; d) aduz que são indevidas a cobrança de contribuições previdenciárias sobre o abono de férias, uma vez que parcela não integra a remuneração do empregado, não podendo, pois, ser base de cálculo para fins de tributação previdenciária. e) quanto ao saláriofamília, argumenta que muito embora não tenha natureza substitutiva da remuneração dos segurados, tem caráter nitidamente alimentar, evidenciado no auxílio à manutenção da família do segurado de baixa renda. A despeito disso, não se incorpora, para qualquer efeito, ao salário ou benefício, conforme previsão do artigo 70 da Lei 8.212/91. f) A recorrente recolhe o SAT/RAT de acordo com sua classificação fiscal no CNAE e o grau de risco ali determinado, sobre alíquota de 2%. Se os referidos recolhimentos são feitos com base na alíquota de 2%, de acordo com sua classificação no CNAE, a perícia técnica requerida é essencial para elucidar o caso, já que a recorrida tenta imputar à recorrente a obrigação de recolher o SAT/RAT com base na alíquota de 3%. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 365 5 10. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 366 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT 2. Segundo a fiscalização, um dos fatos que ensejaram à lavratura do presente auto de infração foi o fornecimento de refeições pelo empregador aos seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). 3. A fiscalização cotejando as folhas de pagamentos, resumos e GRPS, todos fornecidos pela empresa, além de registro próprios do INSS constatou que as contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o salário “in natura” (alimentação) não foram recolhidas ou parceladas, razão pela qual se apurou de plano o crédito previdenciário. 4. Não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o auto de infração não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Assim, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. 5. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 6. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 7. Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, Fl. 366DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 367 7 mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...). 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 8. Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 368 8 PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 9. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 10. E recentemente, reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.º 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 369 9 “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” 11. No mesmo sentido, cito o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. 12. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 13. A Lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação em GFIP dos dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. 14. Sendo assim, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não ter natureza salarial e não fazer parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, o que torna improcedente, nessa parte, o auto de infração lavrado pela autoridade fiscal. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 15. A respeito do pagamento da PLR aos trabalhadores a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do artigo 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração. Eis o teor do dispositivo constitucional: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (grifei).” 16. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei nº 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 25/11/2008). Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 370 10 17. A Lei nº 10.101/00 determina os termos essenciais para que o pagamento da PLR não sofra a incidência de contribuição previdenciária, são eles, nos termos do que determina a legislação. 18. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 19. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância da legislação especial, in casu, Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 20. Do dispositivo exonerativo anteriormente colacionado, verificase que tal previsão legislativa alcança ou se aplica a PLR paga de acordo com os contornos estabelecidos pela lei que regule a participação, e, no caso a Lei nº 10.101/2000. Isto significa que uma PLR paga, a qual de uma forma ou outra não atenda os requisitos da referida lei, entrará no cômputo do salário de contribuição do segurado empregado. 21. Para que uma empresa, portanto, possa efetuar pagamentos aos seus empregados do referido benefício, sem que o mesmo integre o salário de contribuição do segurado, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, em especial os de natureza material, conforme o disposto no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 371 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” (Grifei). 22. Observese que, ao se falar de requisitos materiais, estes se relacionam ao direito substantivo do trabalhador, bastando a ausência ou inobservância de um deles para que a PLR deixe de ostentar essa natureza, passando a integrar o salário de contribuição do beneficiário. Por outro lado, não terá natureza remuneratória e não será tributada pela Contribuição Previdenciária a PLR, para a qual exista instrumento de negociação, elaborado com a participação obrigatória do sindicato, com regras claras e objetivas, com mecanismo de aferição dos resultados, assim entendido, por exemplo, o mecanismo que comprove como e se foi o objetivo atingido, periodicidade do pagamento, etc., tudo como determina a lei nº 10.101/2000. 23. Posta a norma, passo a analisar o procedimento adotado pela empresa na concessão do benefício. 24. No presente caso, reiterese que o ponto principal da controvérsia instaurado entre o Fisco e a contribuinte concentrase na desconsideração da isenção do pagamento da participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. 25. O principal fundamento do Fisco para a lavratura do auto de infração é o fato de que a autuada efetuou pagamentos a título de PLR com inobservância de requisitos legais, portanto, em desacordo com a legislação de regência, a respeito do que trago a colação o constatado pela autoridade fiscal, conforme apontado no Relatório Fiscal (fl. 44/45), como segue: Embora intimada pelos Termo de Início de Ação FiscalTIAF e Termo de Intimação para Apresentação de DocumentosTIAD, com datas para apresentação dos documentos para 03/07/2008 e 14/08/2008, respectivamente, a empresa ZIRTAM INDUSTRIAL LTDA. não apresentou o regulamento/plano de metas nem as planilhas de aferição do cumprimento das metas para concessão do PLR/2004. Assim sendo, na forma da legislação vigente, concluímos que as verbas pagas a título de PLR foram concedidas em desacordo com a lei específica e portanto integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Foram Anexados a este relatório os Termos acima mencionados. (...). 4.2.2..4. — O Anexo PLR, competência 10/2004, integrante do presente Relatório Fiscal, discrimina os valores pagos a cada trabalhador a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 4.2.2.5 A Fiscalização cotejando as folhas de pagamentos e resumos, e, GRPS — Guias de Recolhimento da Previdência Social fornecidas pela empresa e registros próprios do INSS constatou que as contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o PLR não foram recolhidas ou parceladas, razão pela qual se apurou de plano o crédito previdenciário. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 372 12 26. Vejase que, embora intimada, a empresa não apresentou o regulamento/plano de metas nem as planilhas de aferição do cumprimento das metas para concessão do PLR/2004. ficando assim patente a impossibilidade da aferição do direito substantivo conferido pela legislação ao trabalhador. 27. Compulsando os autos, entretanto, o que de fato se verifica é que, não só em relação a requisitos formais, mas também no que tange aos requisitos materiais, como é o caso de regras de aferibilidade da PLR, a contribuinte não comprovou perante a fiscalização ter atendido os requisitos legais para pagamento dessa participação aos segurados empregados. 28. Assim, este relator, além de concordar com as ponderações feitas pelo julgador de primeira instância, entende como estando correto o enquadramento da rubrica PLR como salário de contribuição paga a empregado em desacordo com as exigências legais, nesse caso, consideradas parcelas de natureza remuneratória para a Seguridade Social. DO ABONO DE FÉRIAS (GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE DE FÉRIAS) 29. Segundo a fiscalização, ao analisar as folhas de pagamento, recibos de férias e rescisões contratuais, verificouse que a empresa paga a seus empregados um abono de férias conforme estabelecido na convenção Coletiva de Trabalho. 30. Nos termos da Décima Segunda Cláusula das Convenções Coletivas de Trabalho 2003 firmada em 13 de novembro de 2003 (fl. 45); Ao empregado que durante o período aquisitivo de Férias, não tiver mais de 7 (sete) faltas ao serviço, justificadas ou não, quando sair em gozo de férias, será pago um abono nos seguintes valores e condições: a. O abono será no valor correspondente a 1/3 (um terço) do salário nominal mensal, tendo como base o salário do dia do início do gozo de férias do empregado e não poderá superar o valor máximo de R$504,10, (quinhentos e quatro reais e dez centavos), para o empregado que tiver 0 (zero) falta no período aquisitivo; b. O abono será no valor correspondente a 1/4 (um quarto) do salário nominal mensal, tendo como base o salário do dia do início do gozo de férias do empregado e não poderá superar o valor máximo de R$340,89, (trezentos e quarenta reais e oitenta centavos), para o empregado que não tiver mais de 4 (quatro) faltas ao serviço; Como se constata da leitura da cláusula acima, o pagamento do referido abono está condicionado ao número de faltas que os empregados tiverem durante o período aquisitivo de férias, podendo inclusive nem ser pago, caso as faltas excedam a 3 (três) no período de apuração. Na verdade tratase do pagamento de uma gratificação vinculada à assiduidade dos segurados empregados e não do pagamento efetuado segundo o disposto no art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 373 13 c. o abono será no valor correspondente a 115 (um quinto) do salário nominal mensal, tendo como base o salário do dia do início do gozo de férias do empregado e não poderá superar o valor máximo de R$287,10, (duzentos e oitenta e sete reais e dez centavos), para o empregado que tiver mais de 4 (quatro) e até 7 (sete) faltas justificadas ou não; § 1 ° ; § 2° ; § 3° ; § 4° ; § 5° O empregado que gozar férias antecipadas, receber o abono e faltar mais de 7 (sete) vezes dentro do período aquisitivo, perderá o direito ao abono referente ao período aquisitivo subseqüente; § 6° ; § 7° Ficam excluídas da obrigatoriedade da presente Cláusula as empresas que já concedem abono ou gratificação de retorno de férias, em valores iguais ou superiores ao aqui estabelecido, bem como aquelas que concedem prêmio por assiduidade em valor igual ou superior ao da presente Cláusula. 31. Segundo o relatório fiscal, os valores pagos ou creditados pela empresa aos empregados, a título de abono de férias configuram parcela integrante do salário de contribuição, sendo base de cálculo par as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do Art. 28 – inciso I, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, incisos I, §9…, V, letra “i” e § 10 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Dec. nº. 3.048/99. Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97). 32. Como se constata da leitura da cláusula acima, o pagamento do referido abono está condicionado ao número de faltas que os empregados tiverem durante o período aquisitivo de férias. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 374 14 33. Das regras estabelecidas Décima Segunda Cláusula das Convenções Coletivas de Trabalho 2003, firmada em 13 de novembro de 2003 (fl. 45), de pronto se verifica que há uma limitação de valores, de forma que, individualmente, o beneficiário nunca receberá um montante que exceda a 20 (vinte) dias de seu salário. 34. Com fulcro no art. 144 da CLT, a recorrente sustenta que "são indevidas como obrigação principal contribuições devidas pelos segurados, as contribuições previdenciárias ora cobradas sobre o abono de férias, uma vez que tal parcela não integra a remuneração do empregado, não podendo, pois, ser base de cálculo para fins de tributação previdenciária." 35. Ocorre que, o levantamento pertinente ao abono de férias assiduidade foi mantido pela decisão de primeira instância sob o fundamento de que em conformidade com o artigo 457, § Iº. da CLT, todo abono é salário, salvo disposição expressa em contrário, e, por essas razão ausência de disposição legal em contrário aplicase a regra da CLT, isto é, todo abono tem cunho salarial e integra o saláriodecontribuição, salvo as exceções legais. 36. Do exame dos citados artigos constantes da CLT, temos que a legislação trabalhista, sem outras restrições ou condicionantes, estabelece que o abono de férias não deve exceder a vinte dias de salário para que seja excluído da remuneração, senão vejamos: Art. 143. É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. 37. Portanto, se a lei não estipulou outra condição, que não a proibição quanto a não exceder vinte dias de salário, para restar excluído da remuneração, não pode o Fisco entender que os pagamentos feitos a titulo de abono ou gratificação assiduidade de férias, cujos valores não excedem ao limite ora apontado, são alcançados pela incidência da contribuição previdenciária. 38. É nessa linha de não ser tributada tal verba o entendimento já firmado no CARF, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2005 ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 375 15 Recurso especial negado. (CARF, Acórdão 920200.485 2 ª Turma. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sessão de 09.03.2010)." 39. Assim, inferese que os abonos ou gratificações de férias, de que tratam os artigos 143 e 144 da CLT, quando pagos conforme o regramento daqueles dispositivos legais, não integram o salário de contribuição para fins previdenciário. 40. Neste ponto, portanto, razão tem a recorrente, e, por conseguinte, deve ser excluído do lançamento os valores relativos abono de férias (Levantamento: ABF Período do crédito de 01/2004 a 12/2004), haja vista que na hipótese não integram o salário de contribuição do segurado. DO SALÁRIO FAMÍLIA 41. A auditoria fiscal relata ainda que alguns empregados receberam salário família indevidamente, motivo pelo qual foi efetuada a glosa de valores recebidos. Por sua vez, a recorrente, aduz que o saláriofamília não integra o salário de contribuição. 42. Saláriofamília é o benefício pago na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados de qualquer condição até a idade de quatorze anos ou inválido de qualquer idade, independente de carência e desde que o saláriodecontribuição seja inferior ou igual ao limite máximo permitido. 43. Têm direito ao benefício: o empregado e o trabalhador avulso que estejam em atividade: o empregado e o trabalhador avulsos aposentados por invalidez, por idade ou em gozo de auxíliodoença; o trabalhador rural (empregado rural ou trabalhador avulso) que tenha se aposentado por idade aos 60 anos, se homem, ou 55 anos, se mulher; demais aposentados, quando completarem 65 anos (homem) ou 60 anos (mulher); 44. Além disso quando o pai e a mãe são segurados empregados ou trabalhadores avulsos, ambos têm direito ao saláriofamília. 45. Segundo o art. 28, §9º, alínea “a”, da Lei 8.212/91 não integram o salário decontribuição os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário maternidade. 46. No caso em análise, diante da suposta identificação de concessão indevida do benefício feita pelo Fisco, caberia ao recorrente apresentar provas substanciais de que a concessão do saláriofamília foi efetuada de acordo com os ditames legais, o que não o fez. 47. Alegar puramente que a parcela não constitui salário de contribuição, sem a devida comprovação da observância de requisitos essenciais que legitimam a exclusão do benefício da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não possui o condão de afastar a autuação efetuada pela autoridade fiscal. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 376 16 DA VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – INDEFERIMENTO DE PERÍCIA 48. Conforme consta no relatório fiscal, foi apurada diferença de recolhimento a menor relativa ao RAT, em face de errôneo enquadramento da empresa no grau de risco médio cuja alíquota é 2% quando o correto seria o enquadramento no risco grave cuja alíquota é igual a 3%, bem como descreveu a autoridade fiscal nos seguintes termos: "(...). 4.2.5.1Tendo em vista o objeto social da empresa ZIRTAM INDUSTRIAL LTDA. conforme descrito no item 3.1 do presente relatório e com vistas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, cuja cópia anexamos ao presente Auto de Infração, constatamos que no período de 01/2004 a 13/2004, de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE , Anexo I do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade SocialROCSS aprovado pelo Decreto n° 2.173/97, e o Anexo V do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com vigência de 07/97 a 05/2007 o código da atividade principal da empresa era o 28.99100 Fabricação outros produtos elaborados metal correspondendo ao grau 3, risco grave, cuja alíquota das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do TrabalhoRAT é de 3%. Somente a partir do advento do Decreto n°. 6.042 de 12/02/2007, válido a partir de 06/2007, que deu nova redação ao Anexo V do Decreto n° 3.048/99, o CNAE FISCAL da empresa passou para o cód. 25.39000 Serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais e 25.1300 Fabricação de obras de calderaria pesada correspondentes ao grau 2, risco médio, alíquota de 2%.." 49. Em sede de impugnação, sem contraditar o autoenquadramento errôneo como apontou a fiscalização, a recorrente protestou contra o lançamento, solicitando o exame pericial in loco para que a fiscalização determinasse com exatidão o seu CNAE fiscal. 50. No entanto, o Colegiado indeferiu o pedido da recorrente tendo em vista que o lançamento era relativo a uma situação existente no ano de 2004 e se baseava em documentos elaborados pela própria empresa. 51. Em suas razões recursais a recorrente entende que o indeferimento da perícia importa em prejuízo ao seu direito, além de implicar violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa previsto no artigo 5º, LV da CF/88, motivo pelo qual requer o retorno dos autos para que seja realizada a perícia. 52. Contudo, a possibilidade de realização de novas diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, quando houver dúvida acerca dos fatos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. 53. Assim dispõe o art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, in verbis: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10976.000251/200886 Acórdão n.º 2301004.302 S2C3T1 Fl. 377 17 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. 54. Dessa forma, não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. 55. Segundo o Código de Processo Civil, em seu art. 333, inciso I, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. Assim, não suprindo o ônus que lhe foi incumbido por disposição legal, fica facultado ao julgador deferir o pedido de produção de novas provas, o que, conforme dito acima, não é necessário para a elucidação dos fatos que envolvem o presente caso. 56. Compulsando os autos, vejo que a lavratura do auto de infração está municiada de todos os elementos hábeis para a análise da questão. Sendo prescindível a realização de diligência. 57. Diante disso, afasto o argumento de ofensa aos princípios constitucionais suscitados. CONCLUSÃO 58. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para excluir do lançamento fiscal a rubrica referente à concessão de auxílioalimentação “in natura” sem inscrição no PAT, e abono de férias nos termos acima delineados. É como voto. (assinatura digital) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10320.005624/2008-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SÚMULA CARF Nº 2. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO QUE NÃO AFRONTA PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL.
No que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS - submetido ao rito do art. 543-C do CPC -, no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
Sobre a alegação de inconstitucionalidade da exação quanto à contribuição para o INCRA, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
O indeferimento do pedido de perícia não afrontou o princípio da ampla defesa, tendo em vista que a manifestação do contribuinte em relação à perícia teve como bem posto na decisão recorrida, caráter meramente protelatório.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.231
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a decadência parcial, bem como a exclusão da verba correspondente ao terço constitucional de férias.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SÚMULA CARF Nº 2. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO QUE NÃO AFRONTA PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. 1. No que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC , no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. 2. Sobre a alegação de inconstitucionalidade da exação quanto à contribuição para o INCRA, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). 3. O indeferimento do pedido de perícia não afrontou o princípio da ampla defesa, tendo em vista que a manifestação do contribuinte em relação à perícia teve como bem posto na decisão recorrida, caráter meramente protelatório. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 56 24 /2 00 8- 10 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a decadência parcial, bem como a exclusão da verba correspondente ao terço constitucional de férias. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente as contribuições devidas a terceiros, decorrentes de rescisões de contrato de trabalho, recibos de férias e prólabore e contabilidade, apuradas sobre saláriodecontribuição dos empregados e contribuintes individuais. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de outubro de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006 OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. CONTRIBUIÇÃO. COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR E FISCALIZAR. TERCEIROS. Incide contribuição social destinada a outras entidades e fundos, ditos terceiros, apurada mediante percentual incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. A arrecadação e fiscalização desses tributos estão à cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme art. 33 da Lei 8.212/91. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NORMATIVA Acorde com o 26A do Decreto nº 70.235/72. Art. 26A. no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária sobre o adicional constitucional de um terço sobre as férias gozadas, por tratarse de verba remuneratória. JUNTADA POSTERIOR. INDEFERIMENTO Não cabe a juntada posterior de documentos, salvo quando demonstrado algum dos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Fl. 583DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Flagrante a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito referente às Contribuições para a Seguridade Social das competências de 01/2003 a 09/2003, e não somente aquelas tempestivamente recolhidas, mesmo que de forma parcial. Os valores fulminados pela decadência repontam, portanto, o montante de R$6.429, 03. Não se apropriou a totalidade dos créditos levantados, conforme se pode observar dos relatórios integrantes da Ação Fiscal. É impossível a inclusão de verbas de natureza indenizatória na base de cálculo das contribuições devidas a terceiros. O terço de férias detém natureza indenizatória e, portanto, sobre ele não pode incidir contribuição a outras entidades, sob pena de flagrante inconstitucionalidade/ilegalidade. A cobrança da contribuição ao INCRA é inconstitucional. O indeferimento do pedido de perícia afronta o princípio da ampla defesa. Por todo o exposto, em face das razões de fato e de direito invocadas, requer ao eminente Relator desse Egrégio CARF que conheça do presente Recurso voluntário para, lhe dando provimento, reformar o Acórdão recorrido, no sentido de reconhecer a nulidade do auto de infração DEBCAD nº 37.162.0490, e, via de consequência, proceder ao cancelamento e arquivamento do respectivo Processo Administrativo. Em assim não entendendo esse Colendo Conselho, requer a recorrente, diante das razões de defesa aduzidas, seja declarada a total improcedência do auto de Infração em epígrafe, com o respectivo cancelamento e consequente arquivamento do processo administrativo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. No que diz respeito à preliminar de decadência estou de pleno acordo com a tabela de folha 522 do acórdão recorrido, que dispõe sobre o assunto. Portanto, parte do pleito está decadente, observada a regra do § 4º do art. 150 do CTN. A outra parte, pelo inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. Esta última estava apta à cobrança, como corretamente o fez o julgador a quo. No que se refere ao argumento de a fiscalização não ter apropriado a totalidade dos créditos levantados (como bem colocado na decisão recorrida) deverá o interessado requerer, em processo próprio, a restituição do montante supostamente existente, apresentando, nessa situação, as provas de suas alegações ou mesmo providenciar ajuste nas respectivas guias. Eventual apropriação, como dito, não ocorrerá nestes autos. Asseveraram os julgadores a quo que sobre o terço constitucional de férias incide contribuição previdenciária. Contudo, este não é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, in verbis: AgRg no REsp 1353974 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/02419678 Relator(a) Ministra ASSUSETE MAGALHÃES (1151) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 06/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 21/11/2014 Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE VALORES PAGOS, NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO DOENTE OU ACIDENTADO, E ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. APRECIAÇÃO DE ALEGADA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE, NA VIA DE RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE Fl. 585DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 7 6 VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Tanto no que diz respeito ao valor pago pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificada a jurisprudência desta Corte, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC , no sentido de que tais verbas não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. II. A análise de suposta ofensa a dispositivos constitucionais compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, inciso III, da Constituição da República, sendo defeso o seu exame, no âmbito do Recurso Especial, ainda que para fins de prequestionamento, conforme pacífica jurisprudência do STJ. III. Consoante a jurisprudência do STJ, "[a] questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo Regimental improvido. (Grifouse e destacouse) No que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC , no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Vêse, portanto, que sobre o tema não existe mais argumentos para a manutenção do lançamento, motivo pelo qual o excluo. Sobre a alegação de inconstitucionalidade da exação quanto à contribuição para o INCRA, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). O indeferimento do pedido de perícia não afrontou o princípio da ampla defesa, tendo em vista que a manifestação do contribuinte em relação à perícia teve como bem posto na decisão recorrida, caráter meramente protelatório. O lançamento não tem motivo para ser anulado, como pretende o contribuinte, porquanto realizado em estrita observância da legislação vigente, em especial o art. 142 do CTN. Destarte, acato parcialmente a preliminar de decadência, nos termos acima alinhavados, bem excluo do lançamento a verba correspondente ao terço constitucional de férias, (matéria pacificada no STJ), notadamente por estar o assunto submetido ao rito do art. 543C do CPC. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10320.005624/200810 Acórdão n.º 2803004.231 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, tendo em vista a decadência parcial, bem como a exclusão da verba correspondente ao terço constitucional de férias. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004722/2009-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/08/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 47 22 /2 00 9- 87 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 294 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 295 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 5.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não legistrou no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em agosto de 2004 iniciados nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00183/09". descumprindo, por conseguinte, com a obrigação acessória estatuída no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 25 alegando, em apertada síntese, que: a norma que estipula o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex foi introduzida no ordenamento jurídico somente a partir da IN SRF 510, de 15.02.2005, razão pela qual entende ser inaplicável essa disposição a fatos narrados no lançamento, por ofender aos princípios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade, evidenciando a nulidade do presente auto de infração, eis que fundado em norma não vigente à época dos fatos, em nítida violação ao artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72; antes de ser modificada pelo artigo Io da IN SRF 510/05, a redação original do artigo 37 da IN SRF 28/94, não fixava prazo específico para a prestação de informações por parte do transportador, pelo que considera ser inexigível o estabelecimento de prazo para o cumprimento da obrigação, por falta de previsão legal; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 296 4 por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de maio do referido ano. Por todo exposto, requer seja acolhida sua defesa a fim de que seja declarada a nulidade do auto de infração em tela e, por conseguinte, a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, sendo o acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, alegando ainda a nulidade do auto de infração por ausência de provas, a incorreta tipificação dos fatos e a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise com a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional.. É o Relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 297 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 298 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004722/200987 Acórdão n.º 3801005.297 S3TE01 Fl. 299 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, não obstante o meu entendimento de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, a maioria da Turma votou pelas conclusões considerando aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13502.900751/2013-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 295/1.392 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 295/1.392 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 295/1.392 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 1/ 20 13 -4 1 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.398 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 245/250, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 05569.37315.250210.1.3.045224, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415967). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 918.937,71 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 14/11/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 1.180.802,11) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 1.376.844,37. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 05569.37315.250210.1.3.045224, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415967). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 918.937,71 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 14/11/2005, sob o código 5856, no valor de R$ 1.180.802,11) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 1.376.844,37. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.399 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 198 a 244, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 256 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 258), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 259/273), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de 10/2005. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido períod? de COFINS era de R$ 3.162.833,78 (5856) e não de R$ 3.878.891,95, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de i:, restituição/compensação na quantia de R$ 716.058,17 (R$ 3.878.891,95 R$ 3.162.833,78). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das Razões da Reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.400 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 17.724.708,77, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 17 – fls. 295 a 1.392). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 418/440). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do Pedido Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.401 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 256 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 258 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 259/273). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da Análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de outubro de 2005, a Recorrente transmitiu 04 declarações DCTF (em 07/12/2005, 10/01/2006, 18/01/2006 e 25/01/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.878.891,95 para R$ 3.162.833,78. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 07/02/2006 e 22/01/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/01/2010 e 25/01/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 198/244 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de setembro de 2005. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.402 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de outubro/2005. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 418/440), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900751/201341 Resolução nº 3802000.383 S3TE02 Fl. 1.403 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 295/1.392), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 295/1.392 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 266 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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