Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,302)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,525)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10783.725498/2011-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº. 12.996/2014, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-005.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº. 12.996/2014, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10783.725498/2011-71
conteudo_id_s : 5675120
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.048
nome_arquivo_s : Decisao_10783725498201171.pdf
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10783725498201171_5675120.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6638067
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687445278720
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-01-09T11:20:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Processo n. 10783.725498_2011-71 - COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-01-09T11:20:09Z; Last-Modified: 2017-01-09T11:20:09Z; dcterms:modified: 2017-01-09T11:20:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Processo n. 10783.725498_2011-71 - COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:15717138-d8b9-11e6-0000-02b476cbc021; Last-Save-Date: 2017-01-09T11:20:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-01-09T11:20:09Z; meta:save-date: 2017-01-09T11:20:09Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Processo n. 10783.725498_2011-71 - COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA - DESISTÊNCIA.pdf; modified: 2017-01-09T11:20:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-01-09T11:20:09Z; created: 2017-01-09T11:20:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-01-09T11:20:09Z; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-01-09T11:20:09Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 230 1 229 CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.725498/2011-71 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202-005.048 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº. 12.996/2014, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 07 83 .7 25 49 8/ 20 11 -7 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA AA Fl. 230DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 149/162, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2803-003.380, julgado na sessão do dia 16 de julho de 2014, pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente, referente no AI DEBCAD 37.315.801-7. Recurso Voluntário Provido em Parte De acordo com a DRJ, a autuação apresenta os seguintes fundamentos: a) AI DEBCAD nº 37.315.799-1 - período 07/2007, 10/2007 a 12/2008 (inclusive 13º salário), valor original de R$ 111.599,32: contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, incluídos os valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT e contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais; b) AI DEBCAD nº 37.315.800-9 - 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007, valor original de R$ 22.800,13: contribuições sociais devidas às outras entidades e fundos incidentes sobre Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10783.725498/2011-71 Acórdão n.º 9202-005.048 CSRF-T2 Fl. 231 3 remunerações pagas a segurados empregados FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE; c) AI DEBCAD nº 37.315.801-7, FL 68 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007,valor original de R$ 30.488,60: como as remunerações foram informadas em GFIP, mas com a informação de opção ao SIMPLES, resultou em que as remunerações não foram tratadas pela empresa como bases de cálculo para fins de contribuição da cota patronal. Foi aplicada penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social –RPS. 2. Informa ainda a Auditoria Fiscal que a empresa esteve aderida ao SIMPLES FEDERAL até a competência 06/2007. A empresa solicitou em 10/07/2007 a inclusão no SIMPLES NACIONAL, todavia a solicitação foi indeferida em 01/10/2007. Entretanto, no período de 07/2007 e 10/2007 a 12/2010 entregou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, informando estar aderida ao SIMPLES; Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 71/86, requerendo a desconstituição da exigência fiscal. A 10ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, conforme acórdão nº 12-55.086, de e-fls. 109/120, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 122/135, que foi julgado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, na sessão do dia 16 de julho de 2014, pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para que fosse efetuado o cálculo da multa constante no AI DEBCAD 37.315.801- 7, de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico ao Contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 149/162, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no ponto que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, requerendo que seja verificado, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35-A da MP 449/2008. Acórdão nº 2401-00.127, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Fl. 232DF CARF MF 4 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão referente ao processo nº 35415.001129/2006-41) Conforme despacho de e-fls. 178/181, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 183, apresentou contrarrazões de e-fls. 184/193 e documentos de e-fls. 194/228, informando que foi realizado o parcelamento do débito, nos termos da Lei nº 12.996/2014. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10783.725498/2011-71 Acórdão n.º 9202-005.048 CSRF-T2 Fl. 232 5 Conforme contrarrazões de e-fls. 184/193 e documentos de e-fls. 194/228, o Contribuinte informa que houve a adesão ao parcelamento da Lei nº 12.996/2014. Consoante disposto no art. 78, §3º do RICARF – Portaria MF nº 343/2015 – está caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade dos débitos lançados. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720607/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão.
No caso, a decisão embargada não enfrentou argumentos suscitados no recurso voluntário. Nada obstante, estes não são suficientes para alterar o conteúdo decisório.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 1401-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401-001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. No caso, a decisão embargada não enfrentou argumentos suscitados no recurso voluntário. Nada obstante, estes não são suficientes para alterar o conteúdo decisório. Embargos Acolhidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13227.720607/2012-49
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5648974
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.739
nome_arquivo_s : Decisao_13227720607201249.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 13227720607201249_5648974.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401-001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6545400
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687571107840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.127 1 1.126 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720607/201249 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.739 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria IRPJ. Embargante TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. No caso, a decisão embargada não enfrentou argumentos suscitados no recurso voluntário. Nada obstante, estes não são suficientes para alterar o conteúdo decisório. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 06 07 /2 01 2- 49 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.128 2 Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI contra a decisão proferida no Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, que, por maioria, negou provimento ao recurso voluntário e restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da lei 110 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipularse a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.129 3 Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES, correta a sua exclusão. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para a Seguridade Social INSS SIMPLES Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do “quantum” devido na sistemática do SIMPLES, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% restando caracterizada a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos, Declaração Anual do Simples Nacional “zerada” INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar às preliminares e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. , nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro que desqualificava a multa de ofício. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira acompanhou pelas conclusões.no mérito. Em seu arrazoado, sustenta a embargante que, no r. acórdão, houve omissões, obscuridades e contradições. Depois, a título de "cabimento dos embargos de declaração", alega, em síntese, os seguintes motivos: (i) o acórdão embargado afirmou que a prova emprestada é admissível desde que submetidas a novo contraditório, porém, a empresa não foi intimada para esclarecer valores de sua movimentação financeira durante os procedimentos de fiscalização; e (ii) a razão para a qualificação da multa foi o envio de declaração retificadora "zerada", entretanto, houve pagamentos dezoito dias após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Em face disso, requer que os embargos sejam acolhidos e providos. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.130 4 Na análise da admissibilidade dos embargos, assim me pronunciei: A embargante alega, de forma genérica, a presença de omissões, obscuridades e contradições, no entanto, não demonstra a conexão de tais vícios com o conteúdo argumentativo do cabimento dos embargos. Isso, por si só, poderia ensejar a rejeição dos embargos, mas, ainda assim, em homenagem à prudência, entendo que se deva tentar buscar algum vício nos motivos apresentados. Quanto ao primeiro motivo, há que se deixar claro que o contraditório mencionado pela decisão embargada é aquele que se perfaz com o início da fase litigiosa, ou seja, com a apresentação da impugnação e, não, no decorrer do procedimento fiscal. Vejase, sobre isso, o seguinte trecho do voto condutor daquela decisão: No caso do processo administrativo fiscal, a grande maioria das provas apresentadas pelo Fisco ocorre na fase oficiosa. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I, explicita que o procedimento fiscal iniciase com a lavratura escrita do primeiro ato de ofício. Entretanto, a fase litigiosa iniciase unicamente com a apresentação da impugnação de lançamento, conforme determinado no art. 15. Dessa forma, tudo o que for apurado pela Fiscalização na fase instrutória do processo administrativo representa, em princípio, prova legítima. No presente caso, o empréstimo da prova, que resultou da própria Fiscalização, ocorreu antes do início da discussão administrativa, de forma que não resultou prejudicado o direito de defesa da interessada. Por outro lado, no tocante ao segundo motivo, de fato, a decisão recorrida não enfrentou a alegação de que houve pagamentos após a transmissão da declaração e de que esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Isso, é verdade, constou como uma das alegações no recurso voluntário (fls. 43 e 44 daquela peça recursal). Como essa alegação poderia ser considerada uma omissão, entendo que, neste ponto, cabem os embargos. Com base nesse pronunciamento, o Presidente desta Turma proferiu, então, o seguinte despacho admitindo parcialmente os embargos: Com fundamento nas razões expendidas na informação retro, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos por TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI, em face do Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, para suprir a omissão quanto à alegação de que a multa deveria ser desqualificada porque houve pagamentos após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Nos termos do artigo 65, § 7º, do Anexo II, do RICARF, devolvo os presentes autos para análise dos embargos e posterior inclusão em pauta de julgamento. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.131 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os embargos são tempestivos e, conforme decidido pelo Sr. Presidente, deles tomo conhecimento para suprir a omissão quanto à alegação de que a multa deveria ser desqualificada porque houve pagamentos após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Como relatado, a razão para a qualificação da multa foi o envio de declaração retificadora "zerada", entretanto, a embargante alega que houve pagamentos dezoito dias após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Extraise do relatório da decisão embargada a seguinte motivação para a qualificação da multa: 2.3 – DA MULTA QUALIFICADA DE 150% O sujeito passivo apresentou em sua Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), transmitida em 27/06/2011, às 14:19:32, com Número do Recibo igual a 02.07.11178.01044042 e Autenticação 00232.97764.35395.80920, haver auferido receitas iguais a 0 (zero) durante o período sob ação fiscal enquanto a movimentação bancária analisada demonstra que as receitas auferidas correspondem a R$ 28.702.199,70 (vinte oito milhões setecentos e dois mil cento e noventa e nove reais e setenta centavos). O encaminhamento da Declaração Anual do Simples Nacional “zerada” demonstra, de forma cabal, a intenção do contribuinte em omitir informações ao Fisco. Por sua vez, o voto condutor da decisão recorrida de primeira instância resume as razões da defesa contidas na impugnação: ........................................................................................................................ A conduta tipificada pela fiscalização não foi dolosa. Logo, não pode ser classificada como fraudulenta ou de sonegação fiscal. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.132 6 Com efeito, toda a escrituração contábil foi confiada a um profissional da área contábil, que não realizou seu mister a contento, induzindo a erro a impugnante. É certo que agiu a impugnante culposamente(imprudência e negligência), mas não dolosamente no que tange a apresentação da DASN zerada, tal fato configura como erro, notadamente como foram efetuados todos os pagamentos, ainda que em atraso, relativos a declaração original, o que se pode comprovar nos próprios sistemas da RFB. (grifamos) ........................................................................................................................ A aplicação da multa gravada no patamar de 150%, somente é possível quando houver o evidente enquadramento nas condutas previstas, nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Logo, se não houver enquadramento nas condutas previstas nos artigos retrocitados, a multa deve ser anulada. Este enquadramento somente é possível se restar efetivamente comprovado o intuito de fraude, isto é, o entendimento subjetivo do agente fiscal que poderá atribuir o enquadramento em determinada conduta fraudulenta e sim a sua comprovação, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ, salvo melhor juízo, não concordou com a pretensão da impugnante no sentido de que haveria que se comprovar, através dos sistemas da Receita Federal, que houve pagamentos em atraso relativos à declaração original. Isso porque não tratou do assunto e fundamentou sua decisão de manter a multa qualificada alegando que "a empresa impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, não podendo ser acolhida a alegação da empresa". Em outras palavras, calouse sobre a pretensão da impugnante. A empresa, porém, também nada acrescentou sobre o tema em seu recurso voluntário. Diante do silêncio da DRJ, podia e devia trazer os comprovantes dos pagamentos aos quais se refere. Mas, não, preferiu repetir o argumento dizendo que os referidos pagamentos podiam ser comprovados nos sistemas da Receita Federal. Confirase (fls. 43 e 44 dessa peça recursal): Com citado alhures, toda a escrituração contábil foi confiada a profissional da área contábil, que não realizou seu mister a contento, induzindo em erro a recorrente. É certo que agiu a recorrente culposamente (imprudência/negligência), mas não dolosamente. No que tange à apresentação da DASN zerada, tal fato também se configura em erro, notadamente quando foram efetuados todos os pagamentos, ainda que em atraso, relativos à declaração original, o que se pode comprovar nos próprios sistemas de RFB. Ademais, qualquer retificação de declaração, uma vez iniciado o procedimento fiscal, não surte efeito, porquanto não há mais a espontaneidade, a teor do § 1º do art. 7º do Decreto 70.235/72, e vejase que in casu se trata de declaração anual simplificada, em relação a qual, mesmo "zerada", teve os recolhimentos Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.133 7 efetuados em relação à declaração original, inclusive não há relação alguma com os tributos ora lançados. Igualmente, nada foi acrescentado nos embargos. Ora, dizer que bastava ao julgador verificar nos sistemas da Receita Federal é querer inverter o ônus da contraprova. Não é possível desqualificar a multa com base na simples alegação de que houve pagamentos espontâneos referentes à declaração original apresentada. É fato que tal declaração informou valores "zerados". Isso configura sonegação e foi o motivo da qualificação da multa (vide a página 9 do Termo de Verificação de Infração Fiscal). Se o contribuinte possuía a prova de que efetuou pagamentos, referentes aos tributos lançados, em valores que razoavelmente corresponderiam aos tributos devidos com base nas receitas do período (conforme apuradas com base na presunção legal motivadora da autuação), isso poderia, realmente, ser um motivo para o afastamento da qualificação. Mas, isso não foi provado. Era fácil trazer essa prova aos autos. Bastava juntar os DARFs. Nada obstante, é bem provável que, se existem, esses DARFs revelariam valores muito inferiores aos mencionados. Outrossim, manteriase o entendimento de que houve sonegação. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, e, assim, incluir em suas razões de decidir os motivos pelos quais a multa qualificada deve ser mantida, rerratificando o Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722649/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10711.722649/2011-83
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5650649
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.467
nome_arquivo_s : Decisao_10711722649201183.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10711722649201183_5650649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6547633
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687650799616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.722649/201183 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.467 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 26 49 /2 01 1- 83 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002891/2008-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9202-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.002891/2008-09
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673877
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.093
nome_arquivo_s : Decisao_15504002891200809.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15504002891200809_5673877.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6623906
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687688548352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 458 1 457 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.002891/200809 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.093 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA, FATO GERADOR ANTERIOR A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARCAN LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 28 91 /2 00 8- 09 Fl. 459DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Contribuição Previdência decorrente de diferenças apuradas entre as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e Guias da Previdências Social GPS. Conforme relatório fiscal de fls. 150 cobrase o tributo incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e administradores, correspondentes às contribuições patronais da previdência social (empresa e RAT) e de Outras Entidades , apuradas no período de lançamento do crédito de 03/1999 a 10/2005. Em sua impugnação o Contribuinte alegou decadência parcial do crédito tributário, necessidade de revisão do lançamento em razão de supostos créditos não compensados/considerados pela autoridade fiscal e subsidiariamente requereu a relevação multa com base no extinto art. 291, §1º do Decreto nº 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS). A então Delegacia de Julgamento da Secretaria de Receita Previdência julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Recurso Voluntário de fls. 333/348 reiterando a tese de defesa. Por meio do Acórdão 2403000.709, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso, reconhecendo com base no art. 150,§4º do CTN a decadência dos fatos geradores anteriores a 07/2001, inclusive, e determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 459 3 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 461DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Assim, é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Para ilustrar o entendimento cito, os fundamentos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202003.909, os quais adoto como razões de decidir: No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 460 5 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste Fl. 463DF CARF MF 6 artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 461 7 independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Nesse sentido, para aplicação da retroatividade benigna com base no art. 106 do CTN, quando da execução do julgado deverá a autoridade preparadora comparar a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) e a 'nova' multa prevista no art. 35A a qual nos remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720111/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE.
1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica.
2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE.
1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica.
2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE.
Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48).
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.
O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva.
IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO.
Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo - OAB 137.721 - RJ.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11762.720111/2013-63
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643379
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.256
nome_arquivo_s : Decisao_11762720111201363.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LENISA RODRIGUES PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 11762720111201363_5643379.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo - OAB 137.721 - RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6511411
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO. Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687692742656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 11.361 1 11.360 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720111/201363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.256 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria II/IPI/PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ELCANO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 11 /2 01 3- 63 Fl. 11361DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/PasepImportação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (REB). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (REB). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. Fl. 11362DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.362 3 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO. Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo OAB 137.721 RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. Fl. 11363DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório A questão tem início em procedimento de fiscalização1 sobre as importações registradas pela contribuinte no período de outubro/2008 a dezembro/2012, oportunidade em que foi constatado que: "em diversas declarações de importação (DI), registradas pela fiscalizada no período de outubro de 2008 a dezembro de 2012, o imposto de importação e demais tributos incidentes na importação equivocadamente não foram devidamente recolhidos. Entretanto, estes tributos deveriam ter sido pagos integralmente, já que houve descumprimento dos requisitos e condições para fruição das isenções ou das reduções pleiteadas pelo importador" (fl. 7619 grifos no original). A conclusão a que chegou o fiscal resultou na lavratura de auto de infração para a constituição de crédito referente aos tributos próprios de importação (II, IPI, PIS e COFINS Importação) cominado com incidência de juros de mora e multa de ofício, importando na exigência de R$ 18.258.236,45. Cientificada sobre o referido lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 10169/10214), oportunidade na qual alega, em síntese: O único fundamento utilizado pelo fiscal para determinar a constituição do crédito tributário foi que "deveria ter sido realizado o exame de similaridade para fins de garantia da isenção e da redução a zero em relação aos tributos incidentes sobre as importações realizadas pela contribuinte". Tal assertiva foi arrimada nas Leis n. 8.032/90, 8.402/92 e 9.493/97, e no Regimento Aduaneiro (Decretos n. 4.543/02 e 6.759/09); Existe mandado de segurança coletivo2 impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima SYNDARMA que tramita perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Em agravo de instrumento interposto no mandamus foi decretada a suspensão da exigibilidade dos valores relativos ao II e IPI sobre as "importações em curso e daquelas feitas durante a demanda"; O exame de similaridade para fins de fruição da isenção e redução das alíquotas dos tributos exigidos é o objeto do mandado de segurança informado, motivo pelo há de ser reconhecida a prejudicialidade deste processo administrativo em face ao judicial. Assim, este processo deve ser suspenso, em atenção à regra inserta no § 5º do art. 265 do Código de Processo Civil; 1 Inaugurado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 04/2013 (fl. 7647). 2 Mandado de Segurança n. 0028166.42.2012.4.01.3400, impetrado em 13/06/2012, em trâmite perante a 4ª Vara Federal. Fl. 11364DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.363 5 Não houve o reconhecimento de que parte dos créditos tributários deveriam "ter sido constituídos com exigibilidade suspensa" o que afastaria a imposição da multa punitiva (art. 63 da Lei n. 9.430/96); "Ao reunir créditos tributários com exigibilidade plena com outros, com exigibilidade suspensa, a D. Autoridade Fiscal faz verdadeira confusão, tanto que procedeu com o lançamento da multa de mora em face de créditos tributários com exigibilidade suspensa". A 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) converteu o julgamento da impugnação em diligência (fls. 10552/10567), a fim de que fossem confeccionadas duas tabelas de demonstrativos de cálculo, as quais deveriam apresentar: TABELA I Constituída pelo total (soma dos créditos tributários) até a data de 13/06/2012, com separação por tributo e respectiva incidência da multa de ofício e juros de mora; TABELA II Constituída pelo total (soma dos créditos tributários) a partir da data de 13/06/2012 (inclusive), com separação por tributo e respectiva incidência da multa de ofício e juros de mora. A Turma julgadora esclarece que "os créditos tributários da TABELA I receberão o julgamento referentes às PRELIMINARES e do MÉRITO, consoante às alegações apresentadas na impugnação". Já os créditos tributários resultantes da TABELA II "estarão acobertados pela CONCOMITÂNCIA" (fl. 10567). Após ultimada a diligência fiscal3, a contribuinte apresentou nova impugnação (10575/10618), onde reconhece ter renunciado na esfera administrativa sobre os questionamentos acerca dos valores relativos ao II e IPI, uma vez que essa discussão está sendo travada nos autos do mandado de segurança já mencionado. Contudo, ressalta a contribuinte, "aquela medida judicial não faz menção ao PISImportação e a COFINSImportação, motivo pelo qual a concomitância vislumbrada é apenas parcial, e não total" (fl. 10578). A 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/06/2012 Fruição das isenções ou das reduções de tributos devidos em importações, concedidas a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. O regime somente beneficia mercadoria sem similar nacional. 3 Consta no despacho de encaminhamento a seguinte ressalva:"Por oportuno, ressaltase que cobramos os tributos renunciados com base no estabelecido no art. 12 do DecretoLei n. 37/66; e arts. 118 e 120 do Decreto n. 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro RA); acrescidos dos juros e da multa de mora, que não apresenta caráter punitivo, mas deixamos de propor a aplicação de qualquer multa de ofício por vedação expressa do inciso II do artigo 155 do CTN e artigo 121 do Decreto n. 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro)" (fl. 10572 grifos no original). Fl. 11365DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Concomitância. O objeto do Mandado de Segurança Coletivo é específico para a exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. O presente Auto de Infração exige multa de mora. Inaplicável a legislação invocada, por se referir à multa de ofício. De acordo com a legislação, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Estão sujeitas ao licenciamento não automático as importações amparadas por benefícios fiscais isenção ou redução do imposto de importação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os autos do processo ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora. A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão proferido pela instância de origem em 9/5/2014 (aviso de recebimento postal à folha 11122) e tempestivamente interpôs o recurso voluntário em 10/6/2014, motivo pelo qual tomo conhecimento sobre as razões contidas no apelo. 1. PRELIMINARES: 1.a) Sobre o Mandado de Segurança Coletivo impetrado em favor do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima. Concomitância. Multa de mora. A recorrente trouxe em sua impugnação a cópia da petição inicial do Mandado de Segurança Coletivo n. 0028166.42.2012.4.01.3400 (fls. 10290/10314), impetrado em 13/6/20124. O mandamus foi impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima SYNDARMA5, contra futuros atos a serem praticados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil e pelo Coordenador Geral da Administração Aduaneira COANA. Em liminar foi requerido que: 4 Vale lembrar que o Auto de Infração se refere ao período de outubro/2008 a dezembro/2012. 5 A contribuinte Empresa de Navegação Elcano S.A é listada como empresa associada do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima). Essa informação foi obtida no seguinte endereço eletrônico: http://www.syndarma.org.br/associadas.php Fl. 11366DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.364 7 "(i) em relação às importações em curso, e àquelas que venham a ser feitas ao longo desta ação, proibir as d. Autoridades Impetradas de exigir das Afiliadas do Impetrante, em todo o território nacional, a comprovação da inexistência de similar nacional de partes, peças e componentes destinados ao emprego na revisão, reparo, manutenção, conservação, modernização e conservação de embarcações, sem prejuízo do atendimento das demais condições previstas nas Leis n. 8.032/90 e 9.493/97; e (ii) determinar, via de consequência, o desembaraço dos bens importados nessas hipóteses, caso venham a ser objeto da ilegal exigência aqui combatida e seja ela a única causa para a não liberação das mercadorias" (fl. 10312 grifos no original). No mérito o sindicato autor requereu: "(a) declarar o direito líquido e certo as Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n. 8.032/90 e na Lei n. 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro;e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e do IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n. 8.032/90 e 9.493/97". (fls. 10313/10314) Em 7/8/2012 foi proferida decisão6 em que foi provido o Agravo de Instrumento n. 004446342.2012.4.01.00007, oriundo do mandado de segurança acima mencionado, para "determinar a suspensão da exigibilidade dos valores referentes ao II e IPI incidentes sobre as importações em curso e àquelas que venham a ser feitas ao longo do trâmite desta ação pelas filiadas do Sindicato autor, bem como para que sejam adotados todos os procedimentos para o regular desembaraço aduaneiro das mercadorias, independentemente do pagamento dessas exações, desde que o único óbice seja a referida exigência" (fl. 10324 grifos nossos). Os fundamentos acolhidos na decisão proferida no agravo de instrumento foram, no que interessa, os seguintes: "As condições para a isenção do II e do IPI estão descritas no art. 136, II, "i" (art. 2º, II, "j" da Lei n. 8.032/1990, e art. 1º, inciso IV, da Lei n. 8.402/1992) e "q" (art. 11 da Lei n. 6 Decisão monocrática encontrada às folhas 10316/10325 dos autos eletrônicos. Cópia da petição do agravo de instrumento de onde se extraiu a decisão está às folhas 10330/ 10361. 7 Contra essa decisão foi interposto agravo regimental ainda não julgado pela 8ª Turma do TRF1. Cumpre informar que existe apelação interposta sobre a decisão denegatória proferida pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que aguarda julgamento. Dessa forma vige, até a presente data, a decisão proferida no Agravo de Instrumento n. 004446342.2012.4.01.0000. Fl. 11367DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 9.493/1997); art. 174 (Decreto 7.044/2009); e, art. 181 (art. 11 da Lei n. 9.493/1997), todos do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/2009 (...)". "Dentre as condições estabelecidas na lei não há menção expressa quanto à necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional para efeito da aplicação da norma isentiva. Destaco que o Decreto 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do IPI, também não previu a apuração da similaridade como condição para usufruto da isenção, exigiu, tãosomente, que tais serviços sejam realizados em estaleiros navais brasileiros, conforme redação do art. 11 da Lei n. 9.493/1997". O Termo de Início e Intimação Fiscal n.04/2013 que deu início a autuação dos autos foi lavrado em 03/01/2013. Consta no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração que a lavratura do auto de infração se deu porque: "De acordo com a legislação vigente à época das importações fiscalizadas, o regime de isenção em questão somente beneficiaria mercadoria sem similar nacional (DecretoLei n. 37, de 1966, art. 17). Sendo assim, foram selecionadas as Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador para as quais não foram encontradas licenças de importação (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade legalmente exigido. Tal fato foi confirmado por esta fiscalização, conforme será demonstrado adiante". (fl. 10262 grifos no original). Estão sendo exigidos no auto de infração objeto do processo administrativo sob julgamento todos os tributos incidentes sobre todas as importações de partes e peças realizadas pela recorrente no período de outubro/2009 a dezembro/2012, o que corresponde às seguintes cifras: IPI R$ 3.412.270,31 II R$ 8.122.445,97 PIS R$ 1.199.309,08 COFINS R$ 5.524.211,09 A instância de origem reconheceu que o questionamento entabulado nos autos do mandado de segurança abarca parcialmente os créditos tributários inseridos no auto de infração sob análise. Sobre essa conclusão não existem reparos a fazer. Assim, remanescem sob discussão os créditos de II, IPI, PIS/COFINS Importação constituídos até 13/6/2012, bem como a multa moratória decorrente. Os créditos objeto do processo sob julgamento foram listados pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira 1 (Sefia 1/EAD 1) na Tabela I abaixo reproduzida: Tabela I Total dos Créditos tributários até 13/06/2012 Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Imposto R$ 1.970.985,46 Juros de Mora R$ 481.297,43 MULTA DE MORA R$ 394.197,09 Valor do Crédito Apurado R$ 2.846.479,98 Imposto de Importação (II) Imposto R$ 4.643.553,64 Fl. 11368DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.365 9 Juros de Mora R$ 1.071.017,89 MULTA DE MORA R$ 928.710,73 Valor do Crédito Apurado R$ 6.643.282,26 Programa de Integração Social (PIS) Contribuição R$ 692.548,58 Juros de Mora R$ 160.284,72 MULTA DE MORA R$ 143.543,77 Valor do Crédito Apurado R$ 991.343,03 Contribuição p/Financiamento S. Social (COFINS) Contribuição R$ 3.189.920,01 Juros de Mora R$ 738.382,29 MULTA DE MORA R$ 637.983,97 Valor do Crédito Apurado R$ 4.566.286,27 Credito Tributário Total R$ 15.047.391,54 Apesar de reconhecer a existência de decisão proferida em sede de mandado de segurança, o que afasta a exigibilidade do montante lançado no auto de infração, a instância de origem indefere o pedido do cancelamento da cobrança da multa de mora, essa prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. É fato incontroverso que a contribuinte está amparada por decisão judicial favorável, vigente até a presente data. Desse modo, entendo que a situação dos autos se enquadra e está submetida a regra dos §§ 1 e 2º do art. 63, da Lei n. 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento da multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição de ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição. Ressalto que não há se aventar a aplicação do verbete n. 5 da Súmula CARF8 a hipótese dos autos, já que o auto de infração questionado é posterior a impetração do mandado de segurança, o que, ao meu ver, afasta a premissa inicial que é a do tributo devido, passível de exigência a partir de seu vencimento. 8 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 11369DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 O artigo 125 do Código Civil/2002 (aplicado subsidiariamente ao CTN) esclarece que diante de condição suspensiva que na hipótese dos autos é a existência da decisão judicial favorável à pretensão do contribuinte enquanto esta não se consolidar, não se terá adquirido o direito do Fisco em exigir o pagamento do tributo. É pressuposto do exame de validade da exigência da multa de mora perquirir a validade da própria exigibilidade do imposto de importação. Não se pode validar multa ou acréscimo moratório por suposto inadimplemento se o imposto de que se trata não é exigido. Ninguém pode ser sancionado por descumprimento de exigência ilegal. Ilegal o tributo, ilegal seus consectários. Evidente, portanto, a relação de prejudicialidade entre a matéria multa e acréscimos moratórios e a matéria da exigibilidade do imposto de importação na hipótese dos autos. Pois, caso acolhida a pretensão deduzida perante o Poder Judiciário quanto à alegação de ilegalidade da cobrança do imposto de importação, igual destino deverá ter a apreciação da legalidade da multa e acréscimo moratório sancionador do eventual inadimplemento daquele imposto. Do mesmo modo, se o Judiciário concluir pela regularidade da pretensão fiscal referentes aos tributos, vinculado a esta decisão estará este Conselho, sob pena de, por absurdo completo, verse o contribuinte onerado pelo Judiciário e desonerado pelo Executivo. Trago a conhecimento precedente exarado por este Conselho em situação análoga aos fatos narrados nos autos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/11/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível, apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MULTA DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO ANTERIOR AO FATO IMPONÍVEL. No caso de propositura de ação judicial é afastada a multa de mora sobre o crédito tributário, no período que vai da concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo.(Processo Fl. 11370DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.366 11 Administrativo n. 15771.722007/201193, Acórdão n. 3803 006.474, 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamentos, sessão de 17/09/2014). Deste modo, somente será devida a multa de mora caso a decisão judicial hoje vigente seja reformada, e, somente, se o contribuinte não recolher o montante devido no prazo de 30 após a data da decisão judicial que considerar devido o tributo. 1.b) Auto de Infração. Exigência de créditos tributários suspensos e exigíveis. Prejuízo ao contribuinte. Art. 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/192. A ora recorrente se insurge contra a reunião, em um único auto de infração, dos créditos tributários com exigibilidade plena e aqueles com exigibilidade suspensa, ao argumento que essa cobrança resulta em prejuízo para a sua defesa, o que ensejaria a decretação da nulidade do auto de infração, diante do que dispõe o art. 59 do Decreto n. 70.235/1972, o qual transcrevo: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará asa providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". A Lei n. 9.784/1999 traz em seu artigo 55 o seguinte texto: "Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que representarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Da leitura das normas acima transcritas, percebese que o alegado prejuízo sofrido pela ora recorrente não é hipótese de anulação do ato administrativo. Em sentido oposto a interpretação conferida pelo contribuinte, percebese que a intenção do legislador é aproveitar o ato administrativo, ainda que eivado de nulidade, mas esvaziando o seu potencial ofensivo. A pretendida anulação do auto de infração esbarra em um potencial prejuízo ao erário, já que os créditos lançados contra o contribuinte são objeto de processos em duas instâncias, o que implica na possibilidade que esses créditos venham a ser reconhecidos tanto na via judicial quanto na administrativa. Fl. 11371DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 Por ser pertinente ao ponto aqui discutido, trago a baila o entendimento de Ada Pellegrini Grinover 9: "A decretação de nulidade implica perda de atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação" Desse modo, entendo que não merece prosperar a pretensão da recorrente em anular o ato administrativo sob julgamento. 1.c) Prejudicialidade do Processo Administrativo. Mandado de Segurança ainda não transitado em julgado. A recorrente aduz outra questão preliminar, a qual transcrevo: "Há, ainda, uma questão de prejudicialidade que deveria ter sido reconhecida na esfera administrativa, vez que o pedido principal formalizado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo, em caso de concessão de segurança de forma definitiva, terá o condão de determinar o cancelamento dos valores constituídos no Auto de Infração em epígrafe em relação ao 'II' e ao 'IPI'. A mesma conclusão deverá ser verificada em face do 'PIS/PASEP Importação' e da 'COFINSImportação', vez que estes somente foram exigidos por suposta infringência àqueles impostos incidentes sobre a importação, especificamente no que se refere à suposta exigência de exame de similaridade" (fl. 11127). No entanto, o auto de infração foi lavrado com escopo (dentre outros) de prevenir a decadência do crédito tributário, uma vez que sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e não houve o reconhecimento do direito pleiteado pela Autoridade Aduaneira. Desse modo, é correto afirmar que o auto de infração é forma válida para a constituição do crédito, já que seu conteúdo esta adstrito unicamente ao lançamento. Ademais, o Decreto n. 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, é regido pelo princípio da oficialidade10, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final. Portanto, por força do citado princípio, o processo administrativo deve ter seguimento até o desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário deverá ficar suspensa, até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. Da leitura do pedido formulado no mandado de segurança, percebese que a própria recorrente reconhece a necessidade da ultimação do processo judicial para a suspensão do processo administrativo. É o que se extrai do seguinte trecho: "(ii) a procedência do pedido, confirmandose a medida liminar pleiteada, se concedida, e concedendose a segurança para: (a) declara o direito líquido e certo das Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e de IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas 9 GRINOVER, Ada Pellegrini e outros. As Nulidades no Processo Penal, 6ª ed., RT, São Paulo, 1997, p. 26/27. 10 A abordagem sobre o princípio da oficialidade foi inspirada no voto condutor do Acórdão n. 3102002.246, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 11372DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.367 13 embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n. 8.032/90 e na Lei n. 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro; e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e do IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n. 8.032/1990 e 9.493/1997" (fls. 10313/10314). Assim, não há como reconhecer a prejudicialidade do processo administrativo em tela. 2. MÉRITO: 2.a) IPI e II. Isenção. Similaridade com produto nacional. Normas aplicáveis. São informações extraídas do Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração: "De acordo com a legislação vigente à época das importações realizadas, o regime de isenção em questão somente beneficiaria mercadoria sem similar nacional (Decreto Lei n. 37, de 1966, art. 17). Sendo assim, foram selecionadas as Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador para as quais não foram encontradas licenças de importação (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade legalmente exigido. Tal fato foi confirmado por esta fiscalização, conforme será demonstrado adiante" (fl. 7620 grifos no original). "De acordo com o caput do artigo 17 do DecretoLei n. 37/66, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado; e no parágrafo único deste mesmo artigo são apresentadas as exceções, onde no inciso I, combinado com o inciso VII do artigo 15 deste mesmo DecretoLei, fica concedida a isenção do imposto de importação aos materiais de reposição e conserto para uso em embarcações ou aeronaves estrangeiras." (fl. 7625 grifos no original). "Assim, ante os requisitos e condições expressos na Lei n. 8.032/90 e na legislação que regulamenta as isenções pleiteadas, percebese que a empresa importadora não cumpriu os requisitos e condições legalmente previstos, não fazendo jus aos benefícios fiscais de isenção do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI Importação), bem como ao benefício da redução de alíquota do PIS Importação e da COFINS Importação para nenhuma das mercadorias constantes das DIs objeto desta autuação, Fl. 11373DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 destinadas às embarcações já identificadas, de bandeira brasileira, consoante disposição dos artigos 118, 120 e 201 do Decreto n. 6.759/09" (fl. 7630 grifos no original). Verificase do trecho acima transcrito que a autuação fiscal se deu exclusivamente pela inexistência das licenças de importação que comprovassem a realização do exame de similaridade. Não há qualquer menção sobre eventual destinação incorreta do bem importado. Ao julgar as alegações trazidas pelo contribuinte na impugnação oferecida sobre a exigência tributária, a instância de origem assentiu com a conclusão a que chegou o fiscal autuante, ao acolher os seguintes argumentos: "O exame de similaridade é mecanismo de apoio à indústria nacional há muito existente, tendo sido instituído pelo Decreto Lei n.37/66, conforme artigos 17 a 21". "De acordo com o caput do artigo 17 do DecretoLei n. 37/66, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado; e no parágrafo único deste mesmo artigo são apresentadas as exceções, onde no inciso I, combinado com o inciso VII do artigo 15 deste mesmo DecretoLei, fica concedida a isenção do imposto de importação aos materiais de reposição e conserto para uso em embarcações ou aeronaves estrangeiras. A interpretação literal dos dispositivos acima apresentados não deixa nenhuma dúvida de que a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, estando excluídos desta condição os materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, estrangeiras. Portanto, concluise que materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, nacionais, não estão excluídas do disposto no caput do artigo 17, ou seja, no caso de produtos destinados a navios brasileiros, só estão isentos do imposto de importação os produtos sem similar nacional". Diante dos motivos que ensejaram a autuação fiscal e os adotados no acórdão ora recorrido, é imprescindível analisar a legislação vigente e pertinente. DecretoLei n. 37/1966 (dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências) Art. 17 A isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Parágrafo único. Excluemse do disposto neste artigo: I Os casos previstos no artigo 13 e nos incisos IV a VIII do artigo 15 deste decretolei e no artigo 4º da Lei n. 3.244, de 14 de agosto de 1957. Art. 15 É concedida isenção do imposto de importação nos termos, limites e condições estabelecidos no regulamento: VII aos materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, estrangeiras. Fl. 11374DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.368 15 Lei n. 8.032/1990 (dispõe sobre a isenção ou redução do imposto de importação e dá outras providências). Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: II aos casos de: j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. Decreto 6.759/2009 (que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, controle e tributação das operações de comércio exterior). Art. 118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade: V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras. Constatase, da leitura da legislação acima transcrita, que a isenção tributária reclamada pela ora recorrente é benefício fiscal concedido subjetivamente ao importador11, não sendo obrigatória a comprovação de similaridade. Os requisitos são os mesmos, desde a edição do DecretoLei n. 37/1966. Não pode a Autoridade Aduaneira, no exercício de suas funções, ampliar a lista dos requisitos para fruição da redução/isenção das alíquotas de tributos incidentes na importação, sob pena de ofensa ao art. 111, II, do CTN e ao art. 113 do Decreto n. 4.543/2002, que especificamente aduz que "interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do Imposto de Importação" . É nesse mesmo sentido o pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região, o qual reproduzo: Processo de Consulta n. 273/05 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 8ª RF IMPORTAÇÕES. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AERONAVES E EMBARCAÇÕES. Devese interpretar literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação. A isenção à importação de partes, peças e 11 Entendimento partilhado pela Superintendência Regional da Receita Federal da 8º Região no Processo de Consulta n. 308/99, que traz a seguinte ementa: "Ementa: COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS, PARA MERCADORIAS IMPORTADAS COM ISENÇÃO. A concessão de isenção para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações sujeitase à comprovação da quitação de tributos e contribuições de que trata o art. 60 da Lei n. 9.069/1995, visto tratarse de benefício fiscal concedido subjetivamente ao importador, não se enquadrando no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 7/1998". Fl. 11375DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 componentes será reconhecida somente aos bens destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves e de embarcações, efetivamente utilizadas no transporte comercial de cargas ou de passageiros, descabendo o benefício fiscal se tais partes, peças e componentes se destinarem à aplicação em aeronaves e em embarcações novas e potencialmente utilizáveis no transporte comercial de cargas ou de passageiros. Dispositivos legais: art. 111, inciso II, da Lei n. 5.172, de 1966; art. 113, 135, inciso II, "i" e '172 do Decreto n. 4.543, de 2002; Lei n. 8.032/90, art. 2º, inciso II, "j", e 3º, Lei n. 8.402/92, art. 1º, inciso IV. Ademais, quando diante de um aparente conflito entre norma geral e lei específica, a LICC (DecretoLei n. 4.657/1942), no §2º do seu artigo 2º impõe que se adote o critério da especialidade, o que resulta na prevalência da legislação específica, que na hipótese dos autos é o Regulamento Aduaneiro. Diante do exposto, concluo que a exigência feita pela Autoridade Aduaneira que fossem apresentadas as licenças de importação que comprovassem a realização do exame de similaridade do produto importado não encontra arrimo na legislação pertinente, de modo que, nesse ponto, o auto de infração há ser cancelado. 2.b) Redução das alíquotas de PIS/COFINS Importação condicionadas aos requisitos concessivos da isenção do IPI e II. Ao considerar que a recorrente não havia preenchidos os requisitos para a fruição do benefício fiscal (isenção do II e IPI), o fiscal lavrou a exigência também sobre PIS/COFINS Importação, ante a seguinte lógica: "O artigo n° 120 do Decreto n° 6.759/2009 (RA) estabelece o pagamento dos TRIBUTOS ao beneficiário no caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das ISENÇÕES OU DAS REDUÇÕES, que deixarem de ser recolhidos na importação. E a definição de Tributos estabelecida no artigo 3° do CTN, alcança as contribuições, neste caso, os Programas Social e de Formação do Patrimônio do servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação. Para dirimir qualquer dúvida que possa pairar sobre a cobrança destas contribuições no caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das isenções ou das reduções destes tributos faremos breve histórico da legislação correspondente. A Lei n° 10.865/2004 instituiu, a partir de 1° de maio de 2004, a Contribuição para os Programas Social e de Formação do Patrimônio do servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Fl. 11376DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.369 17 Exterior COFINSImportação, tendo definido como fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional. A base de cálculo das citadas contribuições foi definida como o valor que serviu de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições. Sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior, o caput do artigo 8° da Lei 10.865/2004 determina a aplicação de uma alíquota de 1,65% para o PIS/PASEPImportação e de uma alíquota de 7,6% para a COFINSImportação, sendo estabelecidas, nos parágrafos que compõem esse mesmo artigo 8°, alíquotas diferenciadas para as mercadorias ali relacionadas. Especificamente em relação aos bens objeto das importações em estudo, o artigo 8°, § 12, inciso VII, da Lei n° 10.865/2004, alterado pela Lei 11.774/2008, estabelecia que: Lei 10.925/2004 Art. 8°(...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro; ( Redação dada pela Lei n° 11.774, de 17 de setembro de 2008 ). (Grifamos). Utilizando a prerrogativa expressa no artigo 8°, § 13, inciso II, da Lei n° 10.865/2004, que dispõe que o Poder Executivo regulamentará a utilização do benefício da alíquota 0 (zero) de que tratam os incisos I a VII do § 12 deste artigo, o Presidente da República fez publicar o Decreto n° 5.171, de 6 de agosto de 2004, que assim dispunha: Art.4o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINSImportação nas operações de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro; (Redação dada pelo Decreto n° 6.887, de 25 de junho de 2009) Como se vê, de forma semelhante à isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados analisada anteriormente, os textos das Leis n° 10.865/2004 e n° 10.925/2004 e do Decreto n° 5.171/2004 revelam claramente que essas reduções de alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação também estavam, inicialmente, condicionadas única e exclusivamente à destinação dos bens. Somente materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, Fl. 11377DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro, e como demonstrado nos itens 4.1 e 5.1 deste Relatório, a ELCANO não cumpriu requisitos e condições para fruição da isenção e redução dos tributos incidentes na importação". (fls. 7640/7643 grifos no original) No entanto, como já dito no capítulo anterior, não existe previsão legal para a exigência de comprovação de semelhança do produto importado com produto nacional. Essa constatação surge da leitura das normas que regem as contribuições em comento. A Lei n. 10.865/2004, no seu artigo 8º, § 12. inciso I, reduz a zero as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão das embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (inciso I). Tal redução foi mantida na Lei n. 11.774/2008 e também no Decreto n. 5.171/2004, os quais seguem in verbis: Lei n. 11.774/2008 Art. 3º Os arts. 8º, 28 e 40 da Lei n. 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 8 (...) § 12 (...) I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro. Art. 28. X materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro. Decreto n. 5.171/2004 (com a redação conferida pelo Decreto n. 5.268/2004) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação nas operações de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (Redação dada pelo Decreto n. 6.887, de 2009). Fl. 11378DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.370 19 Assim, entendo que não há de prosperar a autuação fiscal, devendo esta ser cancelada. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração no que concerne a cobrança dos créditos de II, IPI, PIS/COFINS Importação constituídos até 13/6/2012. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com base no bem elaborado relatório da nobre Conselheira Relatora, verificase que a controvérsia cingese a questões preliminares, prejudicial de mérito e de mérito. Em relação às questões preliminares e prejudicial de mérito, este Relator está de acordo com as conclusões apresentadas pela i. Relatora, mas, com a devida vênia, discorda de parte dos fundamentos apresentados. Por essa razão, em relação às referidas questões, para melhor compreensão das razões da discordância, este Relator apresenta, a seguir, declaração de voto. Dada essa circunstância, neste voto serão apreciadas apenas as questões de mérito. Da análise da questão de mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à questão atinente à necessidade da anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação pelo órgão competente (o DECEX), para que a recorrente pudesse fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPI e da redução da alíquota a zero da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, relativos às importações de materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves nacionais, realizadas no período de outubro de 2008 a dezembro de 2012. Em relação ao II e ao IPI, em 13/6/2012, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 0028166.42.2012.4.01.3400, impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima, ao qual a recorrente é filiada, a matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, cujo objeto da demanda pode ser extraído a partir do teor dos pedidos formulados na petição inicial (fls. 10290/10314), formulados em caráter liminar e definitivo, nos termos a seguir transcritos: (i) a concessão da medida liminar, para: a) em relação às importações em curso e àquelas que venham a ser feitas ao longo desta ação, e para fins de outorga da isenção do II e do IPI e desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, determinar que as d. Autoridades Impetradas abstenhamse de exigir das Afiliadas do Impetrante a comprovação da inexistência de similar nacional de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão, manutenção, Fl. 11379DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem prejuízo do atendimento às exigências previstas nas Leis nos 8.032/90 e 9.493/97 e nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário relativo aos tributos supostamente devidos nos termos do inciso IV do artigo 151 do CTN: e b) determinar o desembaraço dos bens importados nessas hipóteses, caso o único óbice seja a ilegal exigência aqui combatida. (ii) a procedência do pedido, confirmandose a medida liminar pleiteada, se concedida, e concedendose a segurança para: (a) declarar o direito líquido e certo das Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n° 8.032/90 e na Lei n° 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro; e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n°s 8.032/90 e 9.493/97. (grifos não originais) Da simples leitura dos textos transcritos, verificase que a demanda visa a obtenção de provimento judicial no sentido de dispensar os filiados do impetrante da necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional dos produtos por eles importados no curso da ação e, em consequência, anular os autos de infração já lavrados. Também ratifica o objeto da referida ação judicial, o teor da primeira e da segunda sentença, esta proferida após interposição dos embargos de declaração, cujos dispositivos seguem transcritos: Sentença Embargada: Não tendo nada a acrescentar àquelas razões. Adotoas com a devida vênia e CONCEDO A ORDEM para garantir às filiadas do Sindicato impetrante o direito de importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que o único óbice seja aquela exigência. Custas deverão ser reembolsadas. Sem honorários. Sentença após Embargos de Declaração: ACOLHO os embargos e doulhes PROVIMENTO. A sentença deve se estender também os atos já efetivados contra as Impetrantes, pelas mesmas razões e fundamentos nela lançados. Fl. 11380DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.371 21 Declaro a sentença, portanto, para incluir em seu dispositivo a declaração de nulidade dos autos de infração e demais atos de fiscalização ou cobrança, lavrados contra as Afiliadas do Impetrante, onde se exige o pagamento do II e IPI. Os demais termos da sentença permanecem como estão. Publiquese. Registrese. Intimemse. Assim, se a medida judicial foi estendida para alcançar, inclusive, os autos de infração já lavrados, com muito mais razão, no entendimento deste Relator, ela também alcança as autuações futuras, a exemplo das autuações objeto dos presentes autos de infração, que foram lavrados em 30/8/2013. Dessa forma, em relação à cobrança do II e do IPI, a referida ação judicial tem o mesmo objeto dos presentes autos e abrange todo o período da autuação e não apenas a partir de 13/6/2012 até 31/12/2012, como alegou a recorrente e entenderam o Órgão de julgamento de primeiro grau e a nobre a Relatora. Dessa forma, em relação à essa parte meritória da lide, resta devidamente caracterizada a concomitância com o mencionada ação judicial. Logo, ao submeter à apreciação do Poder Judiciário tal questão, tacitamente, a recorrente renunciou à discussão dela na esfera administrativa, como consequência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princípio, sabidamente, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matéria litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, com a edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 11381DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, em relação ao II e ao IPI, não se toma conhecimento da questão atinente à exigência do prévio exame similaridade, por se encontrar sub judice. Da análise dos lançamentos do II e do IPI referente às importações ocorridas antes de 13/6/2012. Vencido na questão atinente à abrangência da concomitância para todo o período da autuação, este Conselheiro foi designado redator do voto vencedor, em relação à questão de mérito restrita a parte das autuações que trata da exigência do II e do IPI, referente às importações realizadas a antes de 13/6/2012. Dessa forma, aqui será analisada apenas a controvérsia atinente à necessidade da anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação pelo órgão competente (o DECEX), para que a recorrente pudesse fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPIImportação, relativos às importações de materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves nacionais, realizadas no período de outubro de 2008 até 13/6/2012. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito das operações de importação, a concessão da isenção ou redução do II e do IPIImportação12, prevista em leis esparsas (Lei 8.032/1990 e Lei 9.493/1997, por exemplo) e consolidada nos arts. 136 e 137 do RA/2009, está sujeita a requisitos gerais e especiais. Os requisitos especiais, geralmente, vinculados à qualidade do importador ou à destinação dos bens, encontramse estabelecidos em preceitos legais esparsos (art. 2º da Lei 8.032/1990 e art. 11 da Lei 9.493/1997, por exemplo) e regulamentados nos arts 139 a 189 do RA/2009 (Seção VI), dos quais merecem destaque os arts. 174 e 181, que tratam dos requisitos específicos dos bens importados pela recorrente, objeto das presentes autuações, que seguem transcritos: Art. 174. A isenção do imposto, na importação de partes, peças e componentes, será reconhecida aos bens destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações. (Redação dada pelo Decreto nº 7.044, de 2009). [...] Art. 181. A isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro será reconhecida somente se os serviços forem realizados em estaleiros navais brasileiros (Lei no 9.493, de 1997, art. 11). Por sua vez, os requisitos gerais encontramse estabelecidos no art. 17 do Decretolei 37/1966 e no art. 2º do Decretolei 666/1969, e consolidados no art. 118 do RA/2009, a seguir reproduzido: Art. 118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará 12 Os mesmos requisitos e condições exigidos para concessão do benefício da isenção ou redução do II foram extendidos ao IPI pelo art. 3º, I, da Lei 8.032/1990, regulamentado pelo art. 245, I, do RA/2009. Fl. 11382DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.372 23 mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17; e DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, art. 2o, caput). (grifos não originais) Da simples leitura do referido preceito regulamentar, extraise que, salvo as exceções previstas lei ou no referido Decreto regulamentar, a isenção ou a redução do imposto “somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira.” Portanto, em relação às mercadorias importadas, via de regra, são dois os requisitos gerais necessários para gozo da isenção ou redução do II e IPIImportação: a) a mercadoria importada não tenha similar nacional; e b) a mercadoria seja transportada em navio de bandeira brasileira. Nesse sentido, dispõe o art. 12313 do RA/2009, que integra a Seção II do citado Regulamento, que estabelece os requisitos e condições gerais para concessão da isenção ou redução dos referidos impostos. O requisito do transporte em navio de bandeira nacional, por ser matéria estranha a lide, não será aqui analisado. Em face da especificidade da lide, aqui será apreciado somente o requisito atinente à inexistência de mercadoria similar no País. Previamente, cabe ressaltar que, por ser um requisito geral, somente as operações ou mercadorias expressa e taxativamente especificadas em lei ou no RA/2009, bem como as expressamente autorizadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), estão dispensadas do cumprimento do requisito da similaridade, segundo o disposto no art. 199 do RA/2009, que segue transcrito: Art. 199. A anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação, ou de enquadramento da mercadoria nas hipóteses referidas no art. 204, é condição indispensável para o despacho aduaneiro com isenção ou redução do imposto. Parágrafo único. Excetuamse da exigência de anotação as mercadorias compreendidas no § 3º do art. 193, no art. 201 e as que forem expressamente autorizadas pela Secretaria de Comércio Exterior. (grifos não originais) Dentre outras, a maior parte das operações e das mercadorias dispensadas da anotação de inexistência de similar nacional estão relacionadas no art. 201 do RA/2009. Da análise do referido preceito regulamentar, verificase que apenas as importações de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de embarcações estrangeiras foram dispensadas da referida exigência, conforme estabelecido no inciso V, que segue transcrito: Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade: [...] 13 Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Fl. 11383DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso I); [...] (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia de que as importações das partes, peças, componentes, materiais e equipamentos eram destinadas para reposição, reparo e manutenção de embarcações nacionais, portanto, não estavam alcançadas pela exceção estabelecida no art. 201, V, do RA/2009. E além da falta de previsão legal ou regulamentar, não há notícia nos autos de que a Secex tenha dispensado as referidas operações de importação do prévio exame de similaridade. Ao contrário, por meio do art. 31 da Portaria Secex 23/2011, vigente na data das importações, a Secex reafirmou o entendimento aqui esposado de que estariam dispensas do prévio exame de similaridade as importações beneficiadas com a isenção ou redução dos referidos impostos somente as situações expressamente previstas em lei ou no RA/2009. Para afastar qualquer dúvida, reproduz o inteiro teor do referido preceito normativo: Art. 31. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por benefícios fiscais – isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. Dessa forma, fica demonstrado que não havia previsão legal ou regulamentar e tampouco autorização expressa, por parte da Secex, no sentido de dispensar a realização de prévio exame de similaridade em relação aos bens importados pela recorrente com os benefícios da isenção ou redução do II e do IPIImportação. E a dispensado referido exame similaridade deverá constar de ato normativo específico editado pela Secex, a exemplo, autorização concedia para as importações cursadas ao amparo do regime drawback, modalidades suspensão e isenção, que se encontra expressamente estabelecida no art. 79 da Portaria Secex 23/2011, a seguir transcrito: Art. 79. As importações cursadas ao amparo do Regime não estão sujeitas ao exame de similaridade e à obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira. Portanto, diferentemente alegado pela recorrente, a obrigatoriedade do prévio exame de similaridade tratase de requisito geral, estabelecido no caput do art. 17 do Decreto lei 37/1966 e aplicável a todas as importações, incluindo aquelas previstas no art. 2º da Lei 8.032/1990, no art. 11 da Lei 9.493/1997 e em qualquer outro preceito legal, que se encontram consolidadas nos arts. 136 e 137 do RA/2009. De outra parte, enfatizase novamente, estão dispensados do prévio exame de similaridade somente os benefícios de isenção ou redução, expressamente excepcionados pelo parágrafo único do art. 17 do Decretolei 37/1966, regulamentado pelo art. 201 do RA/2009, ou em qualquer outro preceito legal, a exemplo do § 6º do art. 3º da Lei 11.484/2007, incluído pela Lei 12.767/2012. Como todas as isenções e reduções estabelecidas no Decretolei 37/1966 foram revogadas pelo art. 1º da Lei 8.032/1990 e não apenas as do art. 15 do referido diploma legal, a aplicação do entendimento da recorrente tornaria sem efeito ou inaplicável a exigência de prévio exame de similaridade para todas as isenções ou reduções do II e do IPIImportação e não só para os produtos por ela importados. Em outras palavras, a aplicação de tal Fl. 11384DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.373 25 entendimento resultaria na revogação tácita de todas as normas estabelecidas em lei, em regulamento e portaria da Secex sobre a exigência do prévio exame de similaridade, com graves consequências, para os produtores nacionais e para economia brasileira como um todo. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a isenção do II e do IPIImportação, prevista para as importações de partes, peças, componentes, materiais e equipamentos utilizados na reposição, reparo e manutenção de embarcações nacionais (art. 2º, II, “j”, da Lei 8.032/1990), bem como as partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no REB (art. 11 da Lei 9.493/1997), realizadas pela recorrente, estavam sujeitas a prévio exame de similaridade. Assim, na ausência de anotação de inexistência de similar nacional nos correspondentes registros informatizados de importação, é devida a cobrança do II e do IPI Importação, referente às operações de importação do período de outubro de 2008 até 13/6/2012, conforme discriminado na Tabela I de fl. 10.570. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter a exigência do II e do IPIImportação, referente às operações de importação realizadas no período de outubro de 2008 até 13/6/2012, que se encontram discriminados na Tabela I de fl. 10.570. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Nesta declaração de voto serão analisadas apenas as questões preliminares e a prejudicial de mérito. Das questões preliminares. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração: a) por nítido vício material no critério de lançamento, em ração da imposição da multa de mora no auto de infração e a manutenção da sua cobrança em sede de decisão de primeira instância; e b) por indevida reunião, em único auto de infração, de créditos tributários com exigibilidade plena e créditos tributários com exigibilidade suspensa, o que, além de dificultar o andamento do processo e eventual cobrança do crédito tributário, também dificultava o exercício do direito de defesa da autuada. Não procede a primeira alegação. A imposição de penalidade, incluindo a multa de mora, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. Fl. 11385DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 26 Diferentemente do alegado pela recorrente, a legalidade da imposição da multa moratória, por representar mero acessório do valor do tributo lançado, induvidosamente, tratase de questão de mérito, que será analisada em tópico específico deste julgado. Também não procede, a alegação de nulidade do auto de infração sob o argumento de que foram reunidos, em único auto de infração, créditos tributários com exigibilidade plena e créditos tributários com exigibilidade suspensa. De fato, no caso em tela, ao contrário do afirmado pela recorrente, para cada tributo foi formalizado um auto de infração específico, os quais se encontram colacionados aos autos nas fls. 1714/2124 (II), 3651/4014 (IPIImportação), fls. 5402/5814 (CofinsImportação) e fls. 7202/7616 (Contribuição para o PIS/PasepImportação). E esse procedimento está em consonância com disposto no caput do art. 9º e seu § 1º, do Decreto 70.235/1972, que determinam, respectivamente, que (i) a exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração distintos para cada tributo, porém, (ii) se formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Além disso, não há qualquer óbice, que, no mesmo auto de infração, sejam lançados créditos tributários sem e com exigibilidade suspensa, o que não ocorreu, nas presentes autuações, conforme será demonstrado no tópico em que apreciadas as questões meritórias. Também não restou demonstrado pela recorrente a alegada dificuldade no exercício do seu direito de defesa. Ao contrário, as robustas peças defensivas coligidas aos autos, na fase impugnatória e na atual fase recursal, revelam que a recorrente não só compreendeu a motivação das autuações, como delas se defendeu adequadamente. Com base nessas considerações, rejeitase ambas as preliminares de nulidade das autuações suscitadas pela recorrente. Da questão prejudicial de mérito. No recurso em apreço, a recorrente alegou que o único fundamento do lançamento do crédito tributário em questão estava baseada no fato de que, para fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPI, bem como da redução da alíquota a zero da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, era necessária a existência de prévio exame de similaridade ou o reconhecimento da dispensa do referido exame pela autoridade competente. Dessa forma, como a referida questão fora submetida à apreciação do Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 0028166.42.2012.4.01.3400, nos termos do art. 265, IV, “a”, do revogado Código de Processo Civil (CPC) art. 31314, V, “a”, do vigente CPC , o julgamento deste processo estaria prejudicado, em decorrência, ele deveria ser suspenso/sobrestado até o julgamento definitivo do referido processo judicial, ante a necessária preponderância da decisão judicial em face da decisão administrativa. 14 "Art. 313. Suspendese o processo: [...] V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...]" Fl. 11386DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.374 27 No atual Regimento Interno do CARF (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, as hipóteses de suspensão ou sobrestamento do julgamento dos processos, no âmbito deste Conselho, encontramse estabelecidas no art. 6º, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: [...] § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [...] Da simples leitura do referido preceito regimental, verificase que o fato de a mesma questão objeto deste processo ter sido submetida à apreciação do Poder Judiciário não representa motivo para suspensão ou sobrestamento do presente julgamento. Assim, se existe norma específica que disciplina a suspensão ou sobrestamento do julgamento dos processos em tramitação neste Conselho, por conseguinte, fica afastada a aplicação das hipóteses de suspensão, estabelecidas no art. 313, V, “a”, do vigente CPC, que tem aplicação restrita a esfera judicial. Em relação a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, se demonstrada a concomitância com o objeto da presente lide, tal fato constitui motivo suficiente para não conhecimento da matéria por este Colegiado, em face da renúncia tácita às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, por parte do autor da demanda judicial, mas não suspensão ou sobrestamento do julgamento, como pretendido pela recorrente. No caso, inexiste controvérsia em relação ao fato de que a questão atinente à necessidade do prévio exame de similaridade ou do reconhecimento da sua dispensa pelo órgão competente (o DECEX) fora submetida ao crivo do Poder Judiciário. Porém, há controvérsia quanto ao prazo e a extensão do objeto da referida ação judicial, que será analisada no tópico específico sobre o mérito da demanda. Entretanto, independentemente do prazo e da extensão do objeto da citada ação judicial, induvidosamente, tal circunstância não constitui causa suficiente para a suspensão ou sobrestamento do julgamento deste processo neste Conselho. Com base nessas considerações, assim como a i. Relatora, rejeitase a presente prejudicial de mérito. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 11387DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13607.720365/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE LITÍGIO
Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstrando a concordância com o que foi ali indicado, tal redunda em ausência de litígio administrativo.
A apresentação da PER/DCOMP implica na análise da mesma pela Receita Federal, que dará a devida resposta ao contribuinte, sobre seu pedido de restituição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstrando a concordância com o que foi ali indicado, tal redunda em ausência de litígio administrativo. A apresentação da PER/DCOMP implica na análise da mesma pela Receita Federal, que dará a devida resposta ao contribuinte, sobre seu pedido de restituição. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13607.720365/2012-19
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643391
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.498
nome_arquivo_s : Decisao_13607720365201219.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13607720365201219_5643391.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6512322
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687703228416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 207 1 206 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13607.720365/201219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.498 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PAULO FRANCISCO DE AVELAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstrando a concordância com o que foi ali indicado, tal redunda em ausência de litígio administrativo. A apresentação da PER/DCOMP implica na análise da mesma pela Receita Federal, que dará a devida resposta ao contribuinte, sobre seu pedido de restituição. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 72 03 65 /2 01 2- 19 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 208 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), na folha 158 e ss., complementandoo ao final: Tratase de Requerimento de Restituição de Valores Indevidos (fls.2/5), protocolizado em 18/7/2012, no qual o contribuinte pleiteia a restituição das contribuições previdenciárias recolhidas no período compreendido entre a data do seu pedido aposentadoria (26/07/2010) e o deferimento do benefício (que ocorreu em 26/09/2011). Juntamente com o pedido foram apresentados os documentos de fls.6/84. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas, por meio do Despacho Decisório de fls.86/87, indeferiu o pedido, por não ter sido utilizado o programa PER/DCOMP para a sua apresentação. O contribuinte foi intimado da decisão em 20/8/2014 (conforme Aviso de Recebimento de fls.88/89) e, em 17/9/214, protocolou a manifestação de inconformidade de fls.91/99, na qual, basicamente: solicita celeridade na tramitação do processo por ser idoso e ter prioridade nos termos da lei; descreve os fatos que ensejariam a restituição dos valores pleiteados; afirma que o Despacho Decisório contraria os direitos e garantias fundamentais, incluindo o direito de petição, do devido processo legal e da ampla defesa e do contraditório; aduz que o indeferimento do pedido em razão de não ter sido feito eletronicamente por meio de PER/DCOMP baseouse em meras Resoluções da RFB, que na hierarquia das leis, descrita no artigo 59 da CF/1988 estão no último lugar; assevera que não se pode cercear o direito de alguém apenas porque essa pessoa não tem conhecimento em como operar um sistema eletrônico da RFB (extremamente complexo e burocrático, e que apresenta dificuldades até mesmo para contadores) para efetuar seu pedido; alega que tal procedimento configura abuso de autoridade, que torna nula a decisão e cita jurisprudência; reafirma que não há justificativa para que a RFB se negue a atender sua petição com base apenas em assertiva sem embasamento legal, já que Resoluções são hierarquicamente inferiores às leis e à jurisprudência; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 209 3 aduz que, inclusive, que a RFB reconheceu a procedência do seu pleito, conforme se depreende do segundo parágrafo do Despacho Decisório; cita jurisprudência e conclui que faz jus à restituição pleiteada; requer o provimento de seu recurso, reforma da decisão e restituição dos valores pleiteados. Ao analisar a questão, a DRJ em Belo Horizonte/MG, assim tratou, em suma: a) de acordo com o artigo 39, § 1º da IN RFB nº 900/2008 (vigente à data de protocolo do pedido) e de acordo com o artigo 46, § 1º da IN RFB nº 1.300/2012, a autoridade competente da RFB deve considerar como não formulado o pedido de restituição quando o sujeito passivo não tenha utilizado o programa PER/DCOMP. Como o pedido foi indeferido por ter sido considerado não formulado, não caberia apresentação manifestação de inconformidade. Todavia, tendo a manifestação do contribuinte sido processada e encaminhada à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ para apreciação cabe a este órgão julgador pronunciarse sobre a mesma. Contudo dela não se toma conhecimento, uma vez que no presente caso não há litígio a ser apreciado no âmbito da competência da DRJ. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 10/02/2015 (fl. 162), apresentando recurso voluntário em 24/02/2015, data da postagem na ECT (fl. 165). Em sede de recurso diz que, preliminarmente, "informa que já efetuou o requerimento de todo o pedido de restituição junto ao PER/DCOMP, em 05/02/15, conforme comprovam os requerimentos cujas cópias estão anexas" ; trata de seu direito à restituição, discorrendo sobre os fatos e do tratamento de seu pedido de aposentadoria por tempo de serviço junto ao INSS e PEDE o provimento integral de seu recurso deferindolhe a restituição pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Imaginese alguém que não querendo utilizarse do sistema da Receita Federal para entrega de declarações de ajuste anual do imposto de renda das pessoas físicas, escreva seus rendimentos em uma folha de papel e protocole no balcão de atendimento. Ou alguém que com o título de eleitor em mãos, citando seus direitos constitucionais de cidadania, recusese a votar usando a urna eletrônica e exija o cômputo de seu voto entregando um papel com o nome de seus candidatos ao presidente da seção eleitoral. O recorrente, por sua representante legal, toma as normas da RFB como mera burocracia, sem nenhum fim em si mesmas e as quais não estaria obrigado a seguir. Entretanto, diz o artigo 100 do CTN que "são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas." Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 210 4 Ensina Leandro Paulsen que, no âmbito do direito administrativo, são correntes as lições no sentido de que os atos da administração somente vinculam os seus servidores. Em matéria tributária, porém, tais atos da administração projetam efeitos junto aos contribuintes, vinculandoos. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15 ed. Livraria do Advogado: 2013, p. 869) O recorrente alegou, para não cumprir a forma estabelecida para requerer restituição que entende cabível, que o sistema eletrônico era "burocrático e complexo" e citou princípios constitucionais. Não foi demonstrada nenhuma impropriedade ou ilegalidade no sistema PER/DCOMP (programa de pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação) que impedisse o contribuinte, assim como todos os outros contribuintes do universo alcançado pelas normas da Receita Federal, de utilizálo. Desde a primeira folha destes autos, consta que o contribuinte foi devidamente orientado sobre o procedimento a ser adotado. Já no rodapé da folha 02 temos que "insistência para protocolo apesar da orientação de que deveria ser feito via per/dcomp", anotado pela servidora que recebeu o pedido. Ao utilizar a via errada, teve seu pedido indeferido, sem análise de mérito, pela Delegacia da RFB de origem. Apresentou impugnação, que não foi analisada pela DRJ sob a alegação de ser incabível, nos casos em que a DRFB de origem deixa de conhecer do pedido formulado sem a utilização de PER/DCOMP. Apresentou recurso voluntário onde, preliminarmente, informa que "já efetuou o pedido de restituição junto ao PER/DCOMP", anexando os comprovantes de protocolo na folha 177 e seguintes, em 05/02/2015. Fora isso, fala do direito à aposentadoria, que é matéria de competência do INSS, e das razões pelas quais entende que contribuiu para o sistema previdenciário, indevidamente, por cerca de 14 meses além do necessário. Mas eventual contribuição indevida ou a maior será, justamente, analisada no processamento de seu PER/DCOMP e não neste processo, onde não questiona a decisão da DRJ que decidiu não conhecer de sua impugnação, não tendo se manifestado sobre o mérito do pedido. Ao contrário, segue a decisão, apresentando o pedido via formulário eletrônico, devidamente. Voltandose ao início, o pedido eletrônico não é "mera burocracia" mas o instrumento adequado e útil através do qual a Receita Federal analisará o mérito da questão da restituição. De seu resultado, se desfavorável ao contribuinte, caberão impugnação e recurso voluntário, nos termos das regras do processo administrativo fiscal. Não é nestes autos, portanto, que se apreciará isso e o que consta do pedido do recurso é impróprio. Em conclusão, VOTO por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 211 5 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012736/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. COMPROVADA AUSÊNCIA DE DÉBITOS À ÉPOCA DA OPÇÃO.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Numero da decisão: 1402-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. COMPROVADA AUSÊNCIA DE DÉBITOS À ÉPOCA DA OPÇÃO. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19679.012736/2004-18
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646178
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.317
nome_arquivo_s : Decisao_19679012736200418.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 19679012736200418_5646178.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6523123
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687705325568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 330 1 329 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.012736/200418 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.317 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente METRO DADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL FINAM. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVADA AUSÊNCIA DE DÉBITOS À ÉPOCA DA OPÇÃO. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 27 36 /2 00 4- 18 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 331 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 332 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 275 a 328) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (fls. 266 a 272) que manteve o r. Despacho Decisório de indeferimento (fl. 185) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl.4). A opção pelo incentivo ao FINAM foi feita pelo ora Recorrente, METRO DADOS Ltda., na sua DIPJ 2002, relativa ao anocalendário de 2001. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 25/09/2004, apresentado por procurador do Contribuinte, trazendo inúmeras Fichas de sua DIPJ do período em questão, resumo explicativo de ações judiciais ajuizadas, certidão de objeto e pé, cópias de peças, depósitos e decisões de Mandado de Segurança que debatia a dedutibilidade do PIS, cópia de pedido de desistência, conversão de depósitos em renda e petições dirigidas à RFB informando tal quitação (fls 7 a 154). Devidamente processado o Pedido e após a juntada de Consulta de Declarações IRPJ e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de 2008, a Fiscalização regional emitiu a Intimação nº 260/2008 (fl. 165), trazendo em seu bojo, assinaladas, as pendência a serem regularizadas e documentos a serem apresentados pela empresa: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 333 4 Na sequência, sem manifestação do Contribuinte, os autos foram instruídos com Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão Consulta ao SISBACEN, Certidões Conjunta de Tributos Federais e de FGTS e ficha de "diagnóstico do PERC" (fls. 166 a 183) e encaminhados para despacho. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 334 5 Imediatamente após, foi exarado o r. Despacho Decisório (fls. 185) em 02/09/2008, indeferindo PERC, por haver pendências impeditivas, apontadas em diagnóstico interno feito na mesma semana: Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade(fls. 188 a 261), alegando que a Fiscalização deveria ter analisado apenas os débitos existentes na data da opção pelo benefício, bem como demonstra, individualmente, a improcedência ou a inexigibilidade dos débitos apontados nas consultas anteriores à r. Decisão combatida. Acosta aos autos cópias de certidões, peças e decisões judiciais, pedidos de revisão de inscrições em dívida ativa, anteriormente protocolados, e outros documentos pertinentes. Ato contínuo, a DRJ de São Paulo I proferiu o v. Acórdão (fls. 266 a 272) ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 335 6 (...) (...) (...) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 336 7 (...) (...) (...) Fl. 336DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 337 8 Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 275 a 328), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acostando novos documentos, referente a ações judiciais, cancelamento de inscrições em dívida ativa, todos visando à comprovação da ausência ou da suspensão da exigibilidade dos débitos antes apontados pelo sistema da RFB. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 338 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como demonstram os autos, pode se constatar, inicialmente, que em momento algum foi feita a análise específica da existência de débitos ativos em face da Recorrente, no momento da opção ao benefício de investimento no FINAM (DIPJ de 2002). Todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras se voltaram a verificar as pendências constantes no sistema da Receita Federal do Brasil nos momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008. Nesse sentido, o Parecer que fundamenta a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar que feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 179, brevemente concluindo que tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2002, seja indeferido. Essa é fundamentação da denegação ao Contribuinte, não se aprofundando na origem das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008. E, por sua vez, no v. Acórdão recorrido a situação é muito semelhante, afirmando que, tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 02/09/2008, data de expedição do despacho decisório, a contribuinte se encontrava em situação irregular. (...) feitas essas considerações, concluise que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 339 10 Já em relação à comprovação de inexistência ou inexigibilidade dos débitos encontrados, o v. Acórdão, em suma, decide da seguinte forma: primeiro reconhece a comprovação de inexigibilidade dos débitos cadastrados no PROFISC (sendo estes os únicos anteriores à opção pelo benefício na DIPJ de 2002), declarando que estão extintos ou suspensos: (...) Em relação àqueles inscritos em Dívida Ativa da União, alegase que a RFB não possuiria competência para adentrar o mérito de tais supostos créditos lançados, restando prejudicada a análise dessas provas. Confirase: (...) Por fim, o v. Acórdão atesta que não teria o contribuinte feito qualquer prova acerca do suposto débito em cobrança incluído no banco de dados do SIEF. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 340 11 Feitas tais considerações sobre o v. Acórdão a quo, primeiramente, fica claro que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de supostos débitos em aberto no momento em que o primeiro decisório foi exarado, qual seja setembro de 2008 (consultas efetuada em agosto do mesmo ano). Mas, como acima demonstrado, aqueles débitos cuja a origem era anterior à opção pelo benefício, considerados como ativos e exigíveis até as consultas de 2008, tiveram sua exigibilidade ou prevalência elidida por prova na Manifestação de Inconformidade, restando expressamente afastados como óbice ao benefício no v. Acórdão. Posto isso, todas as supostas pendências que ainda obstariam a emissão de ordem para o investimento incentivado têm sua origem posterior à apresentação da DIPJ 2002 ou prova de recolhimento dos seus correspondentes DARFs (vide fl. 270, em relação àqueles inscritos em Dívida Ativa, e fl. 164, no que tange àqueles incluídos no SIEF). Os débitos que permaneceriam em aberto tornaramse exigíveis entre 2004 e 2007, de acordo com informações contidas nos próprios documentos acostados pela Fiscalização. Claramente, o v. Acórdão deve ser reformado à medida em que colide frontalmente com o teor da Súmula 37 e com a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF. Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. E foi exatamente isso a que procedeu o Recorrente, demonstrando a extinção e inexigibilidade daqueles únicos débitos que poderiam, pela sua data de origem, ser exigíveis ao tempo da opção efetuada. Assim, uma vez elidida a constatação de que, na data da entrega da DIPJ de 2002, o contribuinte poderia possuir débitos de tributos ou contribuições federais plenamente Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 341 12 exigíveis, não há mais a motivação legal (art. 60 da Lei nº 9.069/95) que impedia a fruição do benefício optado. Ainda que novos débitos tenham surgido após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003019/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL.
Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
Numero da decisão: 1202-000.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13819.003019/2004-77
conteudo_id_s : 5634633
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1202-000.262
nome_arquivo_s : Decisao_13819003019200477.pdf
nome_relator_s : Carlos Alberto Donassolo
nome_arquivo_pdf_s : 13819003019200477_5634633.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6497728
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687707422720
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-03-22T11:09:04Z; Last-Modified: 2012-03-22T11:09:04Z; dcterms:modified: 2012-03-22T11:09:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:73f66e0e-8dfe-48af-aede-8bcf423a0970; Last-Save-Date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-03-22T11:09:04Z; meta:save-date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-03-22T11:09:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-03-22T11:09:04Z; created: 2012-03-22T11:09:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-03-22T11:09:04Z | Conteúdo => CARF MF FL 59 Fl. 1 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo i 13819.003019/2004-77 Recurso n° 340462 Voluntário Acórdão n° 1202-00262 — 2* Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2010 Matéria Exclusão SIMPLES Recorrente WJB Serviços Ltda.-ME • Recorrida DRJ/Campinas/SP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. O Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relati *o e voto que integram o presente julgado. ORLAN ÇALVES BUENO — Vice-Presidente em exercício CARLOS ALBE DONASSOLO - Relator. EDITADO EM: 11 9 MA 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando José Gonçalves Bueno(vice-presidente), Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Decio Lima Jardim(suplente da Fazenda), Carlos Alberto Donassolo e João Impressu em 2110312012 por ANDREA FERN NDI:=F.-; GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CAl:F M1 Fl. 60 . Bellini itinior(suplente da Fazenda). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nelson L6sso Filho (presidente da Turma). 2 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANC;;-) DF CAM' MI: Fl. 61 Processo n° 13819.003019/2004-77 Acórdão n.° 1202-00262 SI-C2T2 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/01/2002, da empresa WJB Serviços Ltda. - ME, mediante edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) n ° 569152, de 02 de agosto de 2004 (fl. 12), emitido pela DREsão Bernardo do Campo/SP, tendo em vista o exercício de atividade econômica vedada - Código CNAE 2969-6/02-- "Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico", fundamentado no art. 9°, inciso XIII, da Lei n o 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Na sequência, em 10/09/2004, a interessada ingressou com Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples— SRS (fl. 10), informando que a atividade por ele exercida não se encontra dentre aquelas arroladas no inciso XIII, art. 9° da lei n° 9.317, de 1996, nem necessita de profissional legalmente habilitado. 0 pleito foi examinado e indeferido pela DRF/São Bernardo do Campo (fl. 05), tendo em vista que a atividade econômica desenvolvida pela interessada, "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais", encontra-se vedada de opção pela IN SRF n° 355, de 2003, art. 20, inciso XII. Devidamente cientificada, a interessada recorreu à DRJ/Campinas (fl. 01 a 03), repisando os mesmos argumentos apresentados por ocasião da SRS. Por seu turno, a DRJ/Campinas emitiu o Acórdão n° 05-17.455, de 25 de abril de 2007, de fls.27 a 32, mantendo a decisão da DRF São Bernardo do Campo, sob o argumento de que as atividades da empresa caracterizariam prestação de serviço profissional de engenheiro, hipótese que encontra vedação na legislação do SIMPLES, cuja ementa abaixo se transcreve: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressup5e o domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA. Diversa da analogia, a interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo "assemelhados", presente no art. 9 0, inciso MI, da Lei n° 9.317/96. Solicitação Indeferida" 0 voto do Acórdão da DRJ/Campinas fundamenta sua decisão, preliminarmente, discorrendo a respeito da interpretação do termo assemelhados constante do dispositivo legal infringido: (...) "Sobre o termo "assemelhados" constante da Iei n° 9.317/96, impress° orn 211G312012 por ANDREA FERNANDES (3,\1CIA - VERSO EM BRANCO DF CARF Mt Fl. 62 art. 9°, inciso XIII, in fine, o que ai se consagra é a possibilidade de aplicação da interpretação analózica, nada que ver com analozia. A primeira tem lugar sempre que a Lei, após discorrer casuisticamente sobre as hipóteses materiais de sua incidência e/ou de circunstâncias de modo, tempo, ou lugar, pertinentes àquela materialidade, expressamente consigna que o aplicador do direito pode (deve, mesmo) trazer a subsunção outras tantas hipóteses materiais semelhantes; a segunda terá lugar sempre que, para a hipótese material em atenção, não houver dispositivo legal que a colha como antecedente normativo." No mérito, assim se manifesta o voto do relator: (parte):"... No caso presente, consta como atividade económica explorada pelo Contribuinte: "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais".A partir do texto em comento, não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnico-cientffico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96. art. 9°, inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s), ainda mais na ambiência reférida (industrial). Por outra, sem maiores especificações, diga-se, sem mais elementos tendentes (prova) a colocar a luz a real atividade desempenhada pelo Contribuinte, realmente, não se tem condições de saber se o interessado incide n'algunia vedação para Aefeito de ingresso/permanência no Simples respeitante ao quesito "atividade econômica", Nao se deixe esquecer: o Simples é um beneficio fiscal, logo, se o interessado quer fazer jus a ele "não pode deixar campo aberto a dúvida sobre a satisfação das condições exigidas. Ademais, prossegue o acórdão da DRJ, o exercício das atividades da empresa, seria motivo impeditivo de ingresso no SIMPLES pois dependeria de habilitação profissional legalmente exigida (engenheiro), consoante dispõem os art. 10 80, 90 e 12 da Resolução do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia-CONFEA n° 218, de 29 de junho de 1973. Cientificada, a empresa apresentou recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 37 a 39. Em síntese, argumenta que as atividades por ele desenvolvidas na "manutenção e reparação de máquinas e aparelhos para a indústria de plástico" não estão dentre aquelas relacionadas como hipóteses de exclusão do inciso XIII, art. 9° da Lei no 9.317, de 1996, e também não dependem da presença de profissional habilitado e nem registro ern órgão profissional competente. A respeito da interpretação analógica levada a cabo pelo acórdão recorrido, entende que a administração tributária não poderia dar uma interpretação contrária ao que dispões a lei. Requer, ao final, sej a reformado o Acórdão recorrido, para que se mantenha a empresa no sistema SIMPLES. E o relatório. Impresso em 21103 12012 por ANDREA FERNANDES GARC:A - VERSO LM BR/NOS 4 CARF MF FL 63 Processo n°13819.003019/2004-77 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00262 F1.3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo 0 recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que a discussão a respeito da aplicação da "interpretação analógica" para explicar o termo "assemelhados", contido no inciso XIII do art. 9° da Lei no 9.317, de 1996, encontra-se bem fundamentado pelo Acórdão recorrido. Entretanto, entendo que o termo "assemelhados" a que se refere a lei diz respeito Aqueles profissionais que prestam serviços de forma autônoma, conhecidos como profissionais liberais e que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, que não é o caso dos autos, como se veil a seguir. No mérito, inicialmente cabe descrever o motivo da exclusão do sistema SIMPLES contido no Ato Declaratório Executivo n° 569152, fls. 12,:"atividade econômica vedada: 2969-6/02"Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico". Já o dispositivo legal utilizado no referido Ato Declaratório, foi o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de1996, que assim dispõe: "Artigo 90 -Ndo poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: Xlii - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor. ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grife i) Por seu turno, consta como atividade econômica explorada pelo contribuinte, no seu contrato social e alterações: "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais". JA o contribuinte argumenta que a atividade por ele exercida não se encontra dentre aquelas arroladas no inciso XIII, art. 9° da lei no 9.317, de 1996, nem necessita de profissional legalmente habilitado para poder exerce-la. Primeiramente, cabe uma análise da Resolução CONFEA N° 218, de 1973, art. 1°, mencionado no Acórdão da DRJ. Da leitura desse dispositivo, pode-se constatar que as Impress° em 2'1/03/20'12 por ANDREA FERNANDES GARC IA - VERSO EM BRANCO DF CARF Fl. 64 - atividades privativas de engenheiro são apenas aquelas listadas nos itens de 01 a 08, pois as demais, de 09 a 18, são concorrentes com os TecnOlogos e os Técnicos de Grau Médio. Vale dizer, são privativas de engenheiro somente as atividades de supervisão, estudo, planejamento, projeto, estudo de viabilidade técnico-econômica, assessoria, consultoria, direção de obra, ensino, pesquisa, vistoria, perícia, dentre outros, conforme ressaltado pelos artigos 23 e 24 dessa Resolução, abaixo transcritos para melhor clareza: Art. 10 - Para efeito de fiscalização do exercício profissional corre.spondente its diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica; Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06- Vistoria, perícia, avaliação, arbitrament°, laudo e parecer técnico; Atividade 07- Desempenho de cargo efunção técnica; Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09- Elaboração de orçamento; Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 - Produção técnica e especializada; Atividade 14 - Condução de trabalho técnico; Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16- Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18- Execução de desenho técnico. (.) Art. 23 - Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I - o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo I" desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; Impress° em 21/03/2012 por ANDREA FERNA ■OES GARC;A -VERSO EM DRANCO DF f2.ARF NV H. 65 Processo n° 13819.003019/2004-77 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00262 FL 4 5-1-. II - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 10 desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. - Art. 24 - Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I - o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 10 desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II - as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 10 desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Observa-se, ainda, que não há exigência ou pré-requisito legal algum para que sejam executados os serviços que vêm sendo exercidos pela recorrente. As atividades de "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais", estão dentre aquelas descritas nos itens 15 a 17 do art. 10 da Resolução referida e podem ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, sem a necessidade de profissional de Engenharia como defendeu o acórdão recorrido. As atividades de manutenção até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se trate de um complexas máquinas industriais, porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. t fora de dúvida que um engenheiro está habilitado a atividades de supervisionar certos tipos de manutenção de equipamentos específicos. Mas é fora de dúvida igualmente a existência de pequenas empresas que reparam máquinas e equipamentos usados, sendo serviços que absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou arquiteto, requerendo tão somente mão de obra técnica treinada para a execução dessas atividades. Além disso, o quadro societário da recorrente era composto apenas por sócios qualificados como industriais, o que vem reforçar a tese de que se trata de empresa que executa atividades de baixo grau de complexidade, prescindindo de profissional legalmente habilitado. JA o Acórdão da DRJ/Campinas fundamentou sua decisão com base de que o contribuinte exerceria atividades "assemelhadas" a de que executa o profissional de engenharia, que seriam vedadas pela legislação do SIMPLES. 0 que se nota é que a expedição do Ato Declaratário de exclusão do SIMPLES baseou-se unicamente no código da atividade econômica: "2969-6/02 prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais.", sem maiores aprofundamentos quanto à verdadeira situação Mica do contribuinte. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem, para descaracterizar uma situação jurídica existente, aprofundasse o seu trabalho de análise antes de proceder a exclusão da empresa do SIMPLES, e que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza das atividades realizadas para, se for o caso, poder comprovar a prática de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizá-la como empresa que pratique serviço de engenharia, arquitetura ou assemelhado, e não como neste caso no qual parece apenas agir com base em suposições. - t, claro que se houvesse no processo evidências de que a atividade desenvolvida pela empresa representasse atuação na Area de assessoria, consultoria, de projetos Impress° em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EIA BRANCO DF CARF MF Fl. 66 . de peças ou máquinas, que requeressem a participação de engenheiro ou com habilitação legalmente exigida, então estaria caracterizada razão impeditiva ao sistema SIMPLES. A jurisprudência do antigo 3° Conselho de Contribuintes também vinha se posicionando no mesmo sentido defendido neste voto, conforme se pode verificar na consulta aos Acórdãos proferidos nos Recursos ifs 333226, 332735, 332894, 335451, dentre outros, disponível no site do CARP, na internet. Não obstante tudo o que foi dito, observa-se, ainda, que as atividades desenvolvidas pela recorrente à época da edição do ADE de exclusão (2 alteração contratual), não se encontram dentre aquelas vedadas pelo art. 17 da Lei complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, atual SIMPLES Nacional, fazendo jus, portanto, aos beneficios desse regime especial de pagamento. 0 Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n° 403568, também se alinha com o entendimento acima esposado, conforme ementa que se transcreve: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). ANÁLISE DE MATÉRIA FilTICO-PROBATORIA. INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. RECURSO ESPECIAL INADMISSÍVEL SOMULAS N.°S 5 E 7, DO STJ. - '!As atividades de instalacdo elétrica não estão abrangidas pela vedação prevista no art. 90, ,¢ 4o, da Lei 9.317, podendo a empresa prestadora desses serviços ser optante" (Resp 380761) - Ainda que assim não fosse, as próprias regras da experiência comum indicam que exploram serviços de instalação e manutenção de equipamentos elétrico-mecânicos não se enquadram no art. 90, inciso XII, alínea "f" da Lei 9.317/96. - Equiparar essas empresas implicaria em analogia in malam partem, num sistema tributário que, quando nada, admite em prol do contribuinte, a interpretação mais benéfica (art. 106, I, CTN). - Deveras, a análise do contrato social com o escopo de aferir o objeto da empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venha, incide no mesmo veto da sindicância fritico-probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ)." (grifei) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/SBC n° 569152, de 02 de agosto de 2004 de exclusão do SIMPLES. Sala das Sessões, em 06 de abril de 2010 Ca" nassolo - Relator 8 Impresso em 21/03/2012 po , ANDREA FERNANDES GARCA - VERSO EM ENANCO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735682/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano-calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano-calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução.
Aplica-se entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf.
Recurso Parcialmente Conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano-calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano-calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução. Aplica-se entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.735682/2012-91
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673873
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.537
nome_arquivo_s : Decisao_11080735682201291.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO DE LACERDA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 11080735682201291_5673873.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6623896
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687749365760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 127 1 126 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.735682/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.537 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA Recorrente LUIZ AUGUSTO BECK DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução. Aplicase entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 56 82 /2 01 2- 91 Fl. 127DF CARF MF 2 Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte Dirf. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Da declaração de ajuste exercício 2011: (efls. 42 a 53) O contribuinte declarou rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor total de R$162.488,94 e imposto retido na fonte de R$45.414,55. Como Rendimentos Isentos e não tributáveis o valor de R$82.707,12; dos quais, R$62.495,75, descrito como "Lei 7.713/88 (PREVI) PROC200271000003816". A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) informou em Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) que pagou ao contribuinte a importância de R$224.984,69, durante o anocalendário de 2010 e reteve R$45.414,55 a título de imposto de renda retido na fonte. Da Notificação de Lançamento: (efls. 10 a 14) A autoridade fiscal emitiu Notificação de Lançamento apontando "omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica" no valor de R$62.495,75 que somados aos rendimentos declarados pelo Contribuinte resultou em imposto suplementar de R$6.205,69, com vencimento em 29/04/2011. Este imposto suplementar está sujeito à Multa de Ofício (75%), nos termos do art. 44, inciso I e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e Juros de Mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme estabelece o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 128 3 Da Impugnação: (efls. 2 a 7) O contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese: 1. que a Justiça Federal lhe concedeu tutela antecipada determinando "a suspensão, pelo prazo de 64 meses, a contar do pagamento do benefício referente ao mês de janeiro de 2002, dos descontos mensais a título de IRRF, sobre 1/3 do valor de seus proventos complementados..." decisão esta que vigorou por apenas seis (6) meses, recebendo o Autor o valor correspondente, remanescendo, assim, 58 meses para o resgate; 2. que o TRF da 4ª Região negou provimento à remessa oficial, confirmando a sentença que transitou em julgado, conforme mostra a certidão judicial de efl. 37; 3. que não se trata de rendimentos omitidos e sim de rendimento declarado como isento e não tributável na declaração de ajuste do anocalendário 2010; 4. requer o cancelamento do lançamento para lhe restituir o valor remanescente. Da Intimação Fiscal e respectiva resposta do Contribuinte: (efls. 57 a 68) Intimado a apresentar documentos relacionados ao processo judicial nº 2002.71.00.0003816/RS, visando a esclarecer a liquidação da sentença, o Contribuinte apresentou os documentos referentes ao processo nº 2008.71.00.0118257 com os cálculos de liquidação da sentença, emitidos pelo Núcleo de Contadoria da Justiça Federal e as Requisições de pagamento, efls. 67 e 68. Do Despacho Decisório: (efls. 70 a 84 e 86 a 87) Por meio do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório nº 325/2014, efls. 86 e 87, a DRF de Porto Alegre/RS, assim se pronunciou: " Em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o interessado alega que os rendimentos omitidos não devem ser tributados por tratarse de contribuições efetuadas à entidade de Previdência Privada na época tributadas (01/89 a 12/95); que teve direito de deduzilas da base de cálculo do Imposto de renda reconhecido nos autos da Ação Judicial nº 2002.71.00.0003816. É o que se confirma no exame do Acórdão (fls. 72/76) relatado nos autos da Ação Ordinária referida acima (fls. ), ...”existe é o direito à dedução das contribuições recolhidas no período de vigência da Lei 7.713/88 pelo participante (…) da base de cálculo do IR. (...) Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de Renda. (…) Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença (…).” Assim procedeu o interessado, executando a sentença, cujos embargos à execução foram apreciados sob o nº 2008.71.00.0118257 (Decisões fls. 77/78; 79/84). A consulta Fl. 129DF CARF MF 4 processual (fls. 70/71) demonstra ter nos autos do processo principal duas Requisições de Pagamento emitidas pelo Juízo, de onde deduzse que o interessado já teve seu direito plenamente satisfeito. Mantémse a notificação nos seus termos." Da Manifestação de Inconformidade: (efls. 95 a 101) O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade para reiterar os argumentos da impugnação de efls. 2 a 7, reforçando que o Egrégio TRF determinou que a restituição do indébito fosse realizada via declarações de ajuste durante 58 meses. Informou que as requisições de pagamento, citadas no Despacho Decisório, se referem aos pagamentos decorrentes da Tutela antecipada e, a outra, aos atrasados a que fez jus. Considera a multa aplicada uma penalidade excessiva que já foi considerada inconstitucional pelo TRF da 4ª Região. Requer a improcedência do lançamento. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 105 a 110) A Quarta Turma da DRJ em Belém (PA), por meio do acórdão 0131.779, de 26/03/2015, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte. Sobre os documentos juntados pelo Contribuinte, a relatora do acórdão, em seu voto, assim se pronunciou: "Em análise aos documentos judiciais anexados aos autos, concluise, assim como Autoridade Fiscal, que o contribuinte teve seu direito plenamente satisfeito, não existindo, no processo judicial em questão, amparo para declarar como isentos os rendimentos recebidos da PREVI, no ano calendário de 2010." Noutro trecho do seu voto asseverou que: "Nos autos não consta qualquer outro documento que comprove que são isentos os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Previ." Sobre a sentença judicial que decidiu pela restituição do indébito, assim se expressou a i. relatora do voto condutor do acórdão: "Na sentença, consta que, quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença, levandose em conta a declaração de ajuste anual do IR do contribuinte, relativo ao anobase em que se deu cada retenção indevida, de forma que seja determinado o resultado final do exercício (imposto pago x imposto devido). [...] Aos autos foram anexados requisições de pagamentos (fls. 67/68), bem como outros documentos, de onde se conclui que o contribuinte recebeu os valores devidos por meio das requisições de pagamento, não estando respaldado pelo citado processo judicial os valores recebidos em 2010." Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 129 5 Sobre a multa de ofício de 75%, contestada pelo Contribuinte, a i. relatora informou estar expressamente prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 1.488, de 2007, e não no artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, como indicado pelo Contribuinte. Os juros à taxa Selic estão previstos no art. 957, do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/99. Do Recurso Voluntário: (efls. 116 a 120) Cientificado do Acórdão de impugnação em 08/04/2015, AR efl. 114, o Contribuinte interpôs, em 23/04/2015, recurso voluntário ensejando alterar o lançamento a partir das seguintes considerações, apresentadas aqui em apertada síntese: 1. ratifica e reitera os fundamentos contidos em sua impugnação contrária aos valores exigidos por meio de Notificação de Lançamento de efls. 10 a 14; 2. considerase credor da União de valor correspondente a 64 meses de contribuições à Previ com imposto sobre a renda já recolhidos na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, menos o equivalente a 6 meses recebidos em juízo, em função de tutela antecipada que lhe foi concedida; 3. entende que 1/3 dos proventos que recebeu da fonte pagadora (Previ), durante o ano de 2010, são isentos do imposto sobre a renda, isenção esta reconhecida pelo Poder Judiciário em ação cuja sentença já transitou em julgado; 4. que a sentença lhe reconheceu o direito de receber seu crédito por meio de suas declarações de ajuste, dispensandoo de recorrer a precatórios; 5. o informe de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora (Previ) classificou a totalidade dos proventos como tributáveis, pois a mesma não fazia parte do processo judicial e, portanto, não pode ser responsabilizada pela Receita Federal; 6. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento e, caso seus argumentos não sejam acolhidos, "ad argumentandum tantum", requer a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda (DOU de 26/03/2012). É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado em 08/04/2015, AR efl. 114, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/04/2015, conforme consta à efl. 116. Portanto, este recurso é tempestivo e dele conheço. 1.2. DELIMITAÇÃO DA LIDE Neste processo administrativo o que se discute é a natureza tributária de parte dos proventos auferidos pelo Contribuinte durante o anobase de 2010, pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Para o Contribuinte, a terça parte do montante recebido deve ser considerada como rendimentos isentos atendendo a decisão judicial, proferida nos autos do processo nº 2002.71.00.0003816/RS, cuja sentença já transitou em julgado. Assim, do total de R$224.984,69 recebidos da Previ, R$62.495,75, seriam isentos do imposto sobre a renda, exatamente conforme informou em sua declaração de ajuste. A autoridade fiscal entende que a sentença proferida no processo judicial supra citado não confere isenção à terça parte dos proventos pagos pela Previ ao Contribuinte, durante o anobase de 2010 e que, portanto, houve omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$62.495,75, exigidos por meio de Notificação de Lançamento. 2. MÉRITO Não assiste razão ao Contribuinte pelos motivos que serão expostos na sequência. Temse que o Contribuinte buscou amparo na decisão judicial proferida no processo nº 2002.71.00.0003816/RS para justificar ter informado, no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de sua declaração de ajuste anual do exercício de 2011, o equivalente a 1/3 do valor total recebido da Previ. Entretanto, com bem afirma o i. relator do acórdão da instância de piso, não consta dos autos determinação judicial no sentido de excluir rendimentos tributáveis da declaração de rendimentos do exercício de 2011, na forma como procedeu o contribuinte. Nem mesmo se constata para esses rendimentos uma classificação, equivocada que seja, como rendimentos isentos ou não tributável, na declaração do imposto de renda retido na fonte (Dirf) sob a responsabilidade da fonte pagadora, no caso, a Previ. Ocorre que o Contribuinte obteve sentença judicial, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que lhe concedeu "o direito à dedução das contribuições recolhidas, no período de vigência da Lei nº 7.713, de 1988, pelo participante (e somente por ele). Este montante não corresponde ao crédito do contribuinte, mas sim à quantia que pode Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 130 7 ser deduzida da base de cálculo do IR. Além disso, o montante varia para cada segurado, dependendo do valor da contribuições recolhidas no período". (efl. 28) Ainda no desenvolvimento do seu voto no acórdão, referente à Apelação Cível nº 2002.71.00.0003816/RS, o eminente Desembargador Federal João Surreaux Chagas, confirmou a sentença de primeiro grau e determinou que o valor a ser deduzido da base de cálculo do IR seja apurado em liquidação de sentença, conforme excerto do voto transcrito na sequência: (grifos acrescentados) "[...] Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de renda. Confirmase, pois , a sentença. Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença, levandose em conta a declaração de ajuste anual do IR do contribuinte, relativo ao anobase em que se deu cada retenção indevida, de forma que seja determinado o resultado final de exercício (imposto pago x imposto devido." A sentença proferida em abril de 2010, referente aos embargos à execução, nº 2008.71.00011825/RS (fls. 81/85), apresenta fundamentação nos seguintes termos: “ Conforme exposto na decisão que fixou os critérios de cálculo, a forma de cálculo mais adequada para apuração do quantum debeatur aproximase daquela pretendida pela União, que se utiliza das declarações de ajuste do contribuinte relativas ao período em que começou a haver a incidência indevida do tributo sobre os valores relativos à complementação de aposentadoria.(...)” Tudo que foi exposto leva á conclusão de que o recorrente subtraiu dos rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010 valor tributável sem que pudesse alegar estar amparado em decisão judicial, pois, não obstante o trânsito em julgado, a forma de executar o quanto decidido judicialmente ainda estava pendente de decisão final no processo de execução. Além disso, a decisão deste recurso voluntário deve levar em conta que: a) a forma definida pelo Poder Judiciário (dedução até esgotar o valor das contribuições vertidas exclusivamente pelo participante) é diversa da que o contribuinte alega em sua defesa (redução do imposto por período fixo expresso em meses); b) no ponto em que se discute a forma de apurar a dedução há concomitância de discussão com o processo de execução, o que implica não conhecer o recurso voluntário nessa parte, a teor da Súmula CARF nº 1; e c) nos despachos no curso do processo de execução, efls. 70 a 84, ao ser definido o critério de apuração, indicase a dedução considerando os dados da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em que começou a haver retenção de imposto sobre a complementação de aposentadoria, sob a égide da Lei 9.250, de 1995 (supostamente teria sido a partir de janeiro de 1996, pois a aposentadoria ocorreu em 1994) e não a partir da ano calendário 2006 como sustenta o recorrente (efl. 5). Fl. 133DF CARF MF 8 O Recorrente solicita a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda, entretanto, referida portaria dispõe sobre a inscrição em dívida ativa da União e o ajuizamento de execuções fiscais pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, assunto que extrapola a competência deste Conselho, impossibilitando sua análise e aplicação. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à matéria descrita no item "b" anteriormente referenciado, por vedação expressa da Súmula CARF nº 1, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000307/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANO-BASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no ano-base de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano- calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos.
Numero da decisão: 1101-000.512
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANO-BASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no ano-base de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano- calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10640.000307/2005-41
conteudo_id_s : 5650788
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1101-000.512
nome_arquivo_s : Decisao_10640000307200541.pdf
nome_relator_s : Benedicto Celso Benício Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 10640000307200541_5650788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6548459
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687773483008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000307/200541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.512 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CENTRO INVEST. DIAGNÓSTICA CARDIOVASCULAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANOBASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no anobase de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 03 07 /2 00 5- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Sergio Luiz Bezerra Presta.. Relatório Foi lavrado, em 15/02/2005, pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG, o presente Auto de Infração, para exigir, do contribuinte, o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, no montante de R$ 43.327,12 (quarenta e três mil, trezentos e vinte e sete reais e doze centavos), o qual, acrescido de multa de oficio e de juros moratórios, calculados com base na SELIC, totalizou crédito tributário original no valor de R$ 106.216,43 (cento e seis mil, duzentos e dezesseis reais e quarenta e três centavos). Em 21/03/2005, a empresa apresentou impugnação, arguindo, em síntese, que: no período em referência, calculouse e recolheuse o imposto devido, segundo as normas estatuídas no artigo 222 do RIR/99; no anocalendário de 1999, apurou a empresa prejuízo fiscal, tendo recolhido, a título de estimativas do IRPJ e da CSLL, os valores de R$8.931,69 (oito mil, novecentos e trinta e um reais e sessenta e nove centavos) e de R$11.503,32 (onze mil, quinhentos e três reais e trinta e dois centavos), respectivamente; o artigo 890 do RIR/99 assegura a possibilidade de compensação, em caso de pagamento indevido ou a maior. Com base nisso, requerse "agora a compensação do imposto apurado pelo lançamento de oficio, com o indevidamente Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 3 3 recolhido em 1999, com a devida atualização de seu valor calculado pela mesma taxa aplicada no lançamento em tela”. A 2ª TURMA – DRJ EM JUIZ DE FORA – MG, ao analisar a peça impugnatória, houve por bem manter, em parte, os lançamentos realizados, sob os seguintes fundamentos: no sistema SINAL, não consta nenhum recolhimento pertinente ao período sob análise (anocalendário de 1999). Nada trouxe a autuada, outrossim, no sentido de comprovar referidos pagamentos; a compensação pleiteada deveria ter sido requerida por meio de Pedido de Compensação, tanto para tributos da mesma espécie como para o de espécie diferente – no caso, a CSLL. Neste caso específico, independentemente da formalidade, não foi comprovada, de toda forma, a existência do crédito postulado, uma vez que não constam pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário de 1999; entretanto, na DIPJ anexada às fls.18/21, constam, da ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa, valores de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no montante anual de R$11.486,66 (onze mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e seis centavos), que não foram objeto de glosa pelo Fisco, nem considerados no cálculo do Imposto de Renda lançado; diante disso, encaminhouse o voto no sentido de julgar procedente em parte o lançamento, excluindose o valor de R$ 11.486,66 (onze mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e seis centavos), exigindose o remanescente, na importância de R$ 31.840,46 (trinta e um mil, oitocentos e quarenta reais e quarenta e seis centavos). Assim restou ementado estresido aresto: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 Anocalendário: 2000 LUCRO REAL. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese de oficio o imposto de renda não pago ou recolhimento a menor do que o apurado em declaração entregue. COMPENSAÇÃO. Só é possível a compensação quando o crédito for efetivamente comprovado. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte teve ciência desta decisão em 07/04/2008, conforme fl. 92. Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 95/102) a este Conselho, em 07/05/2008, repisando os argumentos suscitados na impugnação denegada e adicionando, ainda, o que segue: procedeu a autuada ao recolhimento de parte do débito cobrado, no importe de R$ 44.943,80 (quarenta e quatro mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta centavos), conforme cópia de DARF colacionada à fl. 111; quanto ao restante – R$ 54.746,64 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro centavos) –, bate a peticionária, novamente, pela compensação das cifras de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL pertinentes ao anocalendário de 1999, pretensamente recolhidas a maior; como bem declinou o acórdão recorrido, a quitação das quantias reputadas como compensáveis não foi realizada mediante pagamento. Por esse motivo, não constaram como adimplidas, de fato, no sistema SINAL, as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anobase de 1999. A despeito disso, o direito ao crédito aduzido existe, haja vista que os ativos aventados correspondem a dívidas incluídas no PAES – cujas parcelas estão sendo escorreitamente recolhidas pela autuada, mês a mês; não merece guarida a alegação de que a recorrente não apresentara o necessário Pedido de Compensação. Muito embora a peça de primeira instância tenha sido recepcionada como impugnação, tratou ela, em verdade, do Pedido aduzido, dado que a pretensão do sujeito passivo se limitou a requerer o ajuste de contas ora analisado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 4 5 Assim, obedecido o procedimento devido, de um lado, e demonstrada a existência do crédito, de outro, inexiste motivo para que não se admita o encontro de contas pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. A infração subjacente à lavratura do AII em tela correspondeu a falta ou insuficiência de recolhimento de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2000, na forma apurada em procedimento oficioso de revisão da DIPJ/2001 (fls. 12/36). Na ocasião, notou o auditor competente que o contribuinte analisado, a despeito de relatar a existência de lucro real e de lucro líquido tributáveis, deixou de destacar IRPJ e CSLL a recolher, apresentando Declaração com valores debitórios zerados. A ocorrência do delito não foi, quer em sede de impugnação, quer em âmbito recursal, infirmada pelo contribuinte. Este, em verdade, limitou sua atuação processual a requerer a compensação dos passivos apurados, mediante ajuste de contas com estimativas mensais de IRPJ e de CSLL alegadamente recolhidas a maior, pertinentes ao anobase de 1999. O não provimento da impugnação apresentada, em primeira instância, deuse, então, em virtude de dois espeques. Primeiramente, entendeu o julgador inferior que a compensação pleiteada deveria ter sido requerida mediante Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da Instrução Normativa SRF nº 21/97. Por conta da inobservância desta via, não poderia ser apreciado, pois, o pleito compensatório, eis ser insubsistente a realização do pedido na presente esfera. Segundamente, asseverou o acórdão recorrido não ter sido comprovada a existência do crédito apontado, haja vista inexistir qualquer tipo de prova dos pagamentos das estimativas relacionadas ao anocalendário de 1999. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 Em sua peça recursal, asseverou o contribuinte, então, que a Receita Federal agira em claudicação, porquanto acatara como impugnação o Pedido de Compensação apresentado. Outrossim, alegou a empresa ter parcelado, muito antes da autuação, os indébitos apontados, restando comprovados os correspondente adimplementos. Pois bem. Não se sustenta, em minha visão, a alegação de que a impugnação administrativa faria as vezes de Pedido de Compensação. A Instrução Normativa nº 21/97, à época vigorante, era explícita ao afirmar que a compensação entre créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, de um lado, e débitos derivados de lançamento de ofício, de outro, deveria se aperfeiçoar mediante protocolo do Pedido de Compensação correlato, apresentado à DRF do domicílio fiscal do contribuinte: “Art. 16. A utilização de crédito de qualquer das hipóteses mencionadas nos arts. 2º e 3º, para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, ainda que de mesma espécie, deverá ser previamente solicitada à DRF ou IRF A, do domicílio fiscal do contribuinte, mediante preenchimento do formulário "Pedido de Compensação", de que trata o Anexo III.” Assim, dizendo o mesmo de forma diversa, o contribuinte, para fazer jus ao pretendido ajuste, deveria ter elaborado o Pedido de Compensação correspondente, atendendo à legislação procedimental de regência – em especial, o formato e a competência determinados pela IN SRF nº 21/97. Não serve, para tal finalidade, petição simples, dirigida à DRJ de origem, protocolada durante prazo de defesa ao AII e corretamente recepcionada como impugnação administrativa. Face à ineligibilidade da presente via, para efeito da realização do postulado encontro de contas, resta prejudicada a análise da legitimidade, da existência e da suficiência do crédito veiculado. No mais, tendose em vista que não apresentou o contribuinte outros fundamentos contrários à mantença das autuações, não resta outra saída que não a ratificação dos valores litigiosos, não abrangidos pelo pagamento parcial demonstrado à fl. 111. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 5 7 Portanto, restando confirmado o adimplemento parcial noticiado, entendo pertinente manter o lançamento da importância de R$ 16.915,91 (dezesseis mil, novecentos e quinze reais e noventa e um centavos), devidamente acrescido dos consectários legais cabíveis. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
