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Numero do processo: 13056.000537/2007-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03//2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO.
Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3802-001.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03//2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
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ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 37 /2 00 7- 51 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 21.864, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre – RS, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de PIS nãocumulativo, pleiteando o reconhecimento do crédito de PIS nãocumulativo. No entanto após ação fiscal no processo em referência, o Delegado da Receita Federal glosou parte do crédito, sob o argumento de que os créditos apurados pela recorrente não estariam na legislação que rege a contribuição em comento. Dessa forma, foi reconhecido o crédito parcial da recorrente. Após o conhecimento da glosa parcial dos créditos mencionados, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a vedação ao aproveitamento de créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, assim como de despesas administrativas e comerciais que não se refiram diretamente à atividadefim do estabelecimento, veda o princípio da nãocumulatividade concebida na Constituição Federal através da Emenda Constitucional n° 42/2003 e viola, portanto, a disposição constitucional que regulamenta a matéria. Além disso, a Recorrente afirmou na sua Reclamação que as vedações de aproveitamento de crédito presentes nas Leis ordinárias que regulamentam as contribuições em questão são inválidas, ao passo que deveriam ser matéria de Lei Complementar, de acordo com o art. 146, III, “b”, da CRFB/88. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela improcedência da impugnação, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03//2007 Ementa: CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de Cofins e/ou PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000537/200751 Acórdão n.º 3802001.497 S3TE02 Fl. 6 3 Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que os gastos gerais de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual devem ser admitidos os créditos relativos aos mesmos. A recorrente argumentou, ainda, que as despesas com combustíveis são passíveis de reconhecimento de crédito, tendo em vista que foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a inconstitucionalidade das vedações presentes nas leis que regulamentam as contribuições em comento, tendo em vista que ferem o princípio da nãocumulatividade, bem como os limites aos créditos deveriam ser matéria de lei complementar; (b) os gastos de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal; e (c) as despesas com combustíveis foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa, e, por essa razão, tais despesas podem gerar crédito de PIS. Compulsando os autos, verificase que os itens (b) e (c) não faziam parte dos argumentos de defesa presentes na Manifestação de Inconformidade. Tratase, portanto, de inovação de matéria defensiva na peça recursal no que diz respeito à conceituação dos gastos de fabricação como insumos e possibilidade de os gastos com combustíveis gerarem crédito de PIS. Por essa razão, tais argumentos não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do Dec. 70.235/72, que diz em seu artigo 16, inc. III, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Além disso, o art. 17 do mesmo diploma arremata a impossibilidade de trazer matérias em instância superior que não tenham sido objeto da impugnação: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Frisese que não consta nos autos qualquer demonstração de que parte dos insumos adquiridos pela Recorrente venha a ser combustível, ou mesmo que se refira à atividade da empresa. Há apenas valores totalizados, que não permitem nem mesmo averiguar se se trata mesmo, e em que medida, de combustíveis ou outros insumos. No mais, a Recorrente argumenta que as vedações à concessão de crédito de PIS pelas despesas sob exame são inconstitucionais, pois são disciplinadas por leis ordinárias, enquanto há reserva de lei complementar, segundo o art. 146, inc. III, alínea “b”, da CRFB/88, e que elas ferem o princípio da nãocumulatividade à luz da EC 42/2003. No entanto, a esfera administrativa é incompetente para analisar a inconstitucionalidade de leis, pois esta é função jurisdicional que pode ser efetuada de maneira difusa ou concentrada. De maneira difusa, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros de um Tribunal (organismo do Poder Judiciário) ou do seu órgão especial, a Lei será declarada inconstitucional, conforme o art. 97 da CRFB/88. De forma concentrada, a competência para apreciar e julgar a inconstitucionalidade da Lei através da propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 102, inc. I, “a” da Constituição Federal. Sendo assim, verificase a impossibilidade de conceder o crédito de PIS pelas despesas da Recorrente, pois, para isso, deverseia declarar inconstitucional a Lei que disciplina a contribuição, o que extrapola a competência da esfera administrativa. Nessa toada, o art. 62 da Portaria MF 256/09, Regimento Interno do CARF, veda expressamente que os seus conselheiros afastem a aplicabilidade de lei em função de inconstitucionalidade arguida pelo Recorrente, senão vejamos in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Diante de todos os argumentos aqui expostos, tenho que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela inovação de matéria de defesa em sede recursal e pela impossibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de Lei em esfera administrativa. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000537/200751 Acórdão n.º 3802001.497 S3TE02 Fl. 7 5 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16537.001114/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/04/2000
SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988
A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT)
SEBRAE
A contribuição ao SEBRAE é um adicional sobre as destinadas ao SESI/SENAI, devendo ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE PRESUNÇÂO DE CONSTITUCIONALIDADE
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. A lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na fixação da exação.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA MORATÓRIA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/04/2000 SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE A contribuição ao SEBRAE é um adicional sobre as destinadas ao SESI/SENAI, devendo ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE PRESUNÇÂO DE CONSTITUCIONALIDADE Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. A lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na fixação da exação. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 175 1 174 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16537.001114/201110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.486 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente CIPLA INDÚSTRIA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO S/A Recorrida FAZENNA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/04/2000 SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE A contribuição ao SEBRAE é um adicional sobre as destinadas ao SESI/SENAI, devendo ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE PRESUNÇÂO DE CONSTITUCIONALIDADE Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. A lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na fixação da exação. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 11 14 /2 01 1- 10 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 176 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 29/05/2000 e cientificada ao sujeito passivo em 30/05/2000, referese às contribuições previdenciárias e aquelas arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento e declaradas em GFIP, nas competências de 02/2000 a 04/2000. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls.79/82, julgou o crédito procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) inexigibilidade da contribuição para o salárioeducação; b) inexigibilidade da contribuição para o SEBRAE; c) ilegalidade da contribuição para o SAT, ao definir parâmetros por Decreto; d) vedação da imposição de multa ao concordatário; e) impossibilidade da cumulação de juros e multa moratórios; f) impossibilidade da aplaicação da SELIC como taxa de juros. Requer o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e declarar improcedente o lançamento. O recurso apresentado não foi acompanhado do depósito recursal, o que levou à inscrição do crédito, posteriormente cancelada em vista da Súmula Vinculante n.º 21, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a exigibilidade do depósito recursal. O crédito retornou à esfera administrativa para exame do recurso de fls. 93/136. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O crédito referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, por força do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91 e as contribuições destinadas às terceiras entidades, com amparo no artigo 94, da mesma Lei, vigentes na época dos fatos geradores, competências de 02/2000 a 04/2000. Referese, também, às contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, com base na Lei Complementar n.º 84/96 para a competência 02/200, e na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, para as competências a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação. A recorrente não se insurge contra as bases de cálculo do lançamento, de forma que em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, deixo de me manifestar sobre a pertinência da notificação, cujos valores foram apurados através das folhas de pagamento da recorrente e com base nas informações prestadas pela mesma em GFIP, tornandose incontroversos os valores lançados: Decreto n.º 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Quanto à inexigibilidade das contribuições sociais para o SalárioEducação, informo à recorrente que a cobrança das mesmas é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado a Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Da mesma forma, as contribuições destinadas ao SEBRAE estão de acordo com a a legislação vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 177 5 Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 178 7 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 179 9 obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto as arguições de inconstitucionalidade das leis às quais se subsume o lançamento, é de se ver que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É inócua a arguição da recorrente quando a impossibilidade da cumulação de juros de mora e multa de mora, sobre as contribuições incluídas nesta notificação, porque a aplicação de ambos está disposta pela Lei n.º 8.212/91, nos artigos 34 e 35, com a redação vigente à época do lançamento e dos fatos geradores. Conforme o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, deve ser aplicada a multa moratória para os casos de recolhimento em atraso, pois não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispunha, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 180 11 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Observese, que no caso em questão, a multa foi reduzida em 50%, como disposto, pelo parágrafo 4º, do artigo 35, acima citado. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, os juros e a multa de mora foram aplicados na forma da legislação vigente. Quanto à arguição de que lhe estaria vedada a aplicação da multa moratória por ser concordatária, informo à recorrente que a assertiva não encontra fundamento na legislação, onde nada há a respeito da não incidência da multa moratória às empresas concordatárias. Para ilustrar, faço referência a julgado do STJ no Recurso Especial cuja ementa transcrevo abaixo: Processo: REsp 503625 MG 2003/00161264 Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Julgamento: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16537.001114/201110 Acórdão n.º 2302002.486 S2C3T2 Fl. 181 13 07/12/2004 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 14/02/2005 p. 157 Ementa TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CERCEAMENTO DE DEFESA MULTA MORATÓRIA COBRADA DAS EMPRESAS EM CONCORDATA TAXA SELIC. 1. Quando a lide versa sobre matéria de direito está o juiz de primeiro grau autorizado a julgar antecipadamente a lide, sem necessidade de abrir às partes oportunidade para produção de provas. 2. Não é nula a CDA que, em relação aos juros, sem indicar a sistemática de seus cálculos, apenas menciona a lei a ser seguida para o cômputo. 3. A jurisprudência desta Corte, pela 1ª Seção, firmou entendimento de que a multa moratória não deve ser paga pelas empresas em regime de falência, diferentemente das pessoas jurídicas que, em concordata, devem pagar a multa.(grifei) 4. A taxa SELIC, segundo o direito pretoriano, é o índice a ser aplicado para o pagamento dos tributos federais e, havendo lei estadual autorizando a sua incidência em relação aos tributos estaduais, deve incidir a partir de 01/01/96. 5. Recurso especial conhecido, mas improvido. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000990/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da Lei nº. 8.212/91, através da Lei nº. 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da Lei nº. 8.212/91, através da Lei nº. 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 90 /2 00 8- 11 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 18050.000990/200811 Acórdão n.º 2803002.279 S2TE03 Fl. 196 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por ROSALVO DE ALMEIDA SILVA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme o relatório fiscal, o contribuinte apresentou Guia de Recolhimento do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº. 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. 3. O despacho decisório nº. 04.024.0/00752004 que analisou a defesa do contribuinte julgou a autuação procedente com relevação parcial, prevalecendo a infração para as competências 03/2001, 04/2001, 10/2002 e 12/2002, sob o entendimento de que não houve correção total das omissões que deram origem a autuação. 4. Houve conversão do julgamento em diligência pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por meio do Decisório nº. 499/2006 (fls. 164/165). Observese que a diligência foi cumprida (fls. 188/189), constatandose os seguintes fatos: “O contribuinte apresentou, em sua defesa, junto ao CRPS, GFIPs que foram consideradas pela fiscalização no período de apuração do débito e que, portanto, foram levadas em conta no momento do cálculo do valor devido não declarado. Ou seja, do montante devido apurado foi subtraído o valor devido que já estava declarado. Além de apresentar GFIPS já analisadas pela fiscalização, o contribuinte elaborou um quadro demonstrativo à folha 119, onde, de forma equivocada, comparou valores devidos em GFIP (coluna 2 e 3) com base de contribuição previdenciária (col 4). O contribuinte apresentou GFIPs complementares, mas não corrigiu totalmente a falta nos meses de março e abril de 2001 e outubro e dezembro de 2002. Foi incluída no cálculo da multa a remuneração dos vereadores, conforme legislação vigente na época. Com a vigência da Portaria MPS n° 133, o cálculo do valor devido por competência deve ser refeito, pois estas remunerações não devem mais ser consideradas base de incidência para a contribuição previdenciária. Desta forma, não serão utilizadas para o cálculo da multa aplicável. Foi elaborada nova planilha demonstrando o valor da multa, deste Auto, com as devidas correções. Verificouse que o contribuinte não declarou todos os contribuintes individuais (fretes TC1 e TC2 e outros Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 18050.000990/200811 Acórdão n.º 2803002.279 S2TE03 Fl. 197 3 contribuintes FC2 e FC4), conforme consta na planilha à folha 12. Mesmo após a exclusão da remuneração dos vereadores, a faixa de do número de segurados permanece entre 16 e 50, ou seja, o limite da multa permanece de 2X o valor mínimo. Conforme demonstrado na planilha constante do resultado da diligência, a multa deste Auto deverá ser corrigida para o valor de RS 7.549,12 (sete mil quinhentos e quarenta e nove reais e doze centavos).” 5. A decisãonotificação exarada em primeira instância restou ementada nos termos que passo a transcrever abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração apresentar ao INSS Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes a todos fatos geradores, conforme previsto na lei. AUTUAÇÃO PROCEDENTE — RELEVAÇÃO PARCIAL.” 6. Buscando reverter o lançamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CRPS, fls. 122/124, aduzindo em síntese: a) foram entregues os documentos de informação de GFIP referentes aos períodos de 03/2001, 04/2001, 10/2002 e 12/2002, na data de 03/04/2003; b) as outras GFIP's já foram corrigidas; c) o recorrente é primário e não houve ocorrência de circunstância agravante durante o procedimento fiscal; d) demonstrouse; em planilha o cumprimento das obrigações que o caso requer; e) não foi cometida infração que justifique a imputação de multa, devendo ser mantida a relevação desta e julgada improcedente a decisão; f) por fim, requer a correção da falha cometida e o reconhecimento da inexistência de circunstâncias agravantes. 7. Foram apresentadas contrarazões pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dispondo que as contribuições devidas à Previdência Social referentes às competências 03 e 04/2001, 10 e 12/2002, foram, novamente informadas com omissão de fatos geradores, resultando em valores a menor, acarretando prejuízo a Previdência Social e, tendo em vista que o benefício da relevação somente pode ser concedido quando a correção é efetuada com a informação da totalidade dos fatos geradores no mês que ocorreu a infração, se tornou impossível concedêla ou diminuir a multa aplicada naquele período. 8. Além disso, ressaltou que em todas as outras competências para as quais houve correção foi procedida a justa relevação. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 18050.000990/200811 Acórdão n.º 2803002.279 S2TE03 Fl. 198 4 9. Consta salientar que o contribuinte não se manifestou quanto à diligência, conforme despacho fl. 194. 10. Por conseguinte, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 18050.000990/200811 Acórdão n.º 2803002.279 S2TE03 Fl. 199 5 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA RESPONSABILIDADE DO DIRIGENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 2. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. ROSALVO DE ALMEIDA SILVA, que ocupava o cargo de dirigente da Câmara Municipal de Sento Se, no Estado da Bahia (fls. 18/19), por ter apresentado Guia de Recolhimento do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei nº. 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. 4. No entanto, o referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº. 449, de 2008, convertida na Lei nº. 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese ora analisada. 5. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 6. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, com fulcro no artigo 106, II, do CTN, deve o presente recurso ser provido, tornando a autuação insubsistente. CONCLUSÃO Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 18050.000990/200811 Acórdão n.º 2803002.279 S2TE03 Fl. 200 6 7. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento, reconhecendo a improcedência do crédito, em face da revogação do artigo 41 da Lei nº. 8.212/91. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10880.900481/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 04 81 /2 00 9- 97 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. O presente processo surgiu em razão do PER/DCOMP nº 19154.83 663.301104.1.3.040349 (fls. 1 a 5), transmitido em 30/11/2004, pelo qual a Contribuinte pretendeu compensar débito de estimativa de IRPJ de outubro/2004 com crédito proveniente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de maio/2004, no valor original de R$ 461.430,81. A Delegacia de origem, por meio de despacho decisório emitido em 09/01/2009 (fls. 7), decidiu não homologar a compensação porque o pagamento gerador do alegado crédito já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Com a manifestação de fls. 10 e 11, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1627.641 (fls. 46 a 48), apresentou os argumentos descritos abaixo: A contribuinte efetuou o recolhimento de um DARF no valor de R$ 3.761.858,54, a título de estimativa de IRPJ para o mês de maio de 2004. Ocorre que ao final do exercício, após revisão interna, a contribuinte concluiu que o valor devido era de R$ 3.300.427,73, conforme demonstram a DIPJ e a DCTF anexas (doc. 02). Assim sendo, a contribuinte efetuou um pagamento indevido de R$ 461.430,81, passível de compensação. Diante do exposto, solicita a contribuinte que seja reconhecido de forma integral o crédito aqui pleiteado. Protesta pela juntada de documentos adicionais que comprovem seu direito creditório. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 4 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/02/2011, com os seguintes argumentos: a Recorrente requereu compensação do IRPJ do período de apuração de outubro de 2004, no valor de R$ 489.301,23, com IRPJ relativo à competência maio/2004, pago a maior, decorrente de empresa sucedida (CNPJ 61.416.129/000170); tal recolhimento a maior do IRPJ efetuada no mês de maio de 2004, deveu se ao fato de ter a Recorrente revisado seus registros contábeis e memórias de cálculos, concluindo pela retificação dos valores mensais que serviram de base para a apuração dos recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) daquele ano; quando apresentou a DCTForiginal, a Recorrente apurou IRPJ a pagar no importe de R$ 3.761.858,54, e ao retificála, após a sua revisão interna, identificou que o valor a ser recolhido a título de IRPJ importava em R$ 3.300.427,73. Assim, a Recorrente efetuou no mês de maio de 2004, um pagamento a maior a título de IRPJ no valor de R$ 461.430,81, calculado com base no balanço de suspensão e redução, conforme lhe faculta o art. 35 da Lei 8.981/1995; RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR DO QUE O DEVIDO POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DENTRO DO MESMO ANOCALENDÁRIO ANTES DE ENCERRADO O PERÍODO DE APURAÇÃO pela sistemática de apuração e antecipação do imposto de renda, não restam dúvidas que o valor da estimativa realizada somente é passível de ser restituída ao final do período de apuração, todavia, esta hipótese somente seria aplicável nos casos em que a antecipação tenha sido realizada corretamente e não nos casos em que houve um erro de fato no cálculo ocasionando um pagamento a maior ou indevido; caso contrário, estaria o Erário se apropriando indevidamente de um valor que sabidamente não lhe pertence configurando, por conseqüência, o enriquecimento ilícito do Estado. Em outras palavras, caso a antecipação tenha sido feita corretamente, não há o que se falar em pagamento indevido, no entanto, realizada incorretamente, incontestável é a caracterização de um pagamento indevido sujeito à restituição imediata; a suposta vedação estabelecida no art. 10 da IN 460/2004 não encontra respaldo na legislação de regência, que não traz as mesmas condições estabelecidas para fins de consideração obrigatória de valores pagos a maior ou indevidamente no saldo negativo ao final do período; referida legislação deve ser lida e interpretada corretamente sob pena de ilegalidade, e neste contexto não faria o menor sentido considerar uma vedação à restituição e conseqüentemente compensação que não está regulamentada por lei. Referido dispositivo Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 5 4 referese de fato, como mencionado, a valor de estimativa calculado no exato montante do previsto na legislação, e não a valores outros recolhidos em duplicidade ou equivocadamente, como ocorreu no caso em tela. Caso assim não fosse entendido, estaríamos impondo ao inciso IV do § 45 do art. 2º da Lei nº 9.430/96 interpretação restritiva que não foi em nenhum momento contemplada pelo legislador ordinário; este é o entendimento atual do CARF em recentes precedentes sobre esta matéria (decisões transcritas); a própria Receita Federal do Brasil, aparentemente reconhecendo a inconsistência e ilegalidade deste dispositivo alterou o mesmo na reedição da IN 460/2004, atual IN 900/08, que traz duas únicas hipóteses limitadoras à utilização do imposto no mesmo período de apuração: (i) no caso de retenção indevida; e (ii) no caso de retenção a maior; AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PARA O PROCEDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA a Instrução Normativa em comento extrapolou seus limites ao criar uma exigência mais gravosa que não está estabelecida em lei; em todas as esferas da justiça (administrativo ou judicial), até mesmo em última instância em sede de decisão do Pleno da Suprema Corte, é firme o reconhecimento de que as Instruções Normativas perfazem atos administrativos secundários, auxiliares à lei e, portanto, não podem extrapolar o que está disposto na norma; DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO ESTADO é de conhecimento cediço que o pagamento indevido por parte do Contribuinte caracteriza um enriquecimento sem causa do Estado, que recebe tal pagamento. Em outras palavras, tudo que traduz numa situação em que uma das partes de determinada relação jurídica experimenta injustificado benefício, em detrimento da outra, que se empobrece, inexistindo causa jurídica para tanto. É o acréscimo de bens que, em detrimento de outrem, se verificou no patrimônio de alguém, sem que para isso tenha havido fundamento jurídico; deve ser entendido como “sem causa” o ato jurídico desprovido de razão albergada pela ordem jurídica. A causa poderá existir, mas, sendo injusta, restará configurado o locupletamento indevido; DO ERRO DE FATO PERPETRADO PELA RECORRENTE indubitável, no caso em tela, que o referido valor não compôs o saldo negativo do período. Em uma situação normal, caso a Recorrente não tivesse considerado valor como imposto pago a maior e conseqüentemente tivesse considerado o valor como base integrante da estimativa mensal, este montante, ao final do período de apuração, seria considerado saldo negativo e a Recorrente estaria habilitada a solicitar a restituição deste valor sem eventual questionamento do Fisco; não resta dúvidas que a limitação de utilização do pagamento indevido determinada pela legislação em regência na época dos fatos, apenas limita a utilização do Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 6 5 pagamento indevido, quando este compõe o saldo negativo do período, o que não ocorreu no presente caso; é preciso insistir no fato de que a Recorrente solicitou a restituição deste valor e conseqüentemente excluiuo do saldo negativo do período, restando comprovado o equívoco na apuração das bases de calculo dos impostos que culminaram com um recolhimento a maior para o mês em referência; de acordo com o entendimento dominante dos Tribunais Administrativos e Judiciais, o mero erro de fato não constitui fundamento para a exigência do imposto; DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL QUE DEVE REGER O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL não se pode olvidar que o processo administrativo regese pela busca da verdade material, motivo pelo qual não podem ser poupados esforços para se verificar se a obrigação tributária foi realmente estabelecida. A jurisprudência administrativa é uníssona nesse sentido (decisão transcrita); por estar comprovado que o pagamento indevido ou a maior efetuado pela Recorrente não tem qualquer relação com a utilização de saldos negativos, deve ser reconhecido o seu direito de utilizar o pagamento indevido, dentro do mesmo período; PEDIDO pleiteia a Recorrente o acolhimento integral de suas razões (com a conseqüente reforma integral da r. decisão recorrida) para que seja declarada a extinção integral do “crédito tributário” ora discutido; caso não seja esse o entendimento de V. Sa., por entender que a documentação apresentada é insuficiente para comprovar o alegado, requer a apresentação de novos documentos, esclarecimentos e realização de diligência, nos termos do art. 17, §10, do Regimento Interno deste E. Tribunal. Este é o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 30/11/2004, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento a maior realizado por empresa sucedida, referente à estimativa de IRPJ do mês de maio/2004. Segundo a Recorrente, a estimativa de IRPJ de maio/2004 (da empresa sucedida) importava em R$ 3.300.427,73 e teriam sido recolhidos R$ 3.761.858,54. Esta seria a origem do pagamento a maior, no valor excedente de R$ 461.430,81, que a Contribuinte pretendeu utilizar no PER/DCOMP ora examinado. O débito objeto da referida compensação corresponde à estimativa de IRPJ de outubro/2004 (da sucessora/Recorrente), no valor de R$ 489.301,23. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o pagamento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Após o despacho decisório, a Contribuinte retificou a DCTF, para reduzir o valor da referida estimativa de maio/2004, e na seqüência apresentou manifestação de inconformidade. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, fundamentando sua decisão no art. 10 da IN SRF 460/2004, onde era estabelecido que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL somente poderiam ser utilizados na dedução de IRPJ/CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor saldos negativos de IRPJ/CSLL do período: Assim, conforme a norma acima transcrita, a utilização de valor indevidamente recolhido a título de estimativa está condicionada ao seu cômputo na apuração do tributo ao final do período, para reduzir o tributo a pagar ou para compor o seu saldo negativo, não podendo ser, diretamente e por si só, aproveitado pelo contribuinte. Portanto, o pagamento a título de estimativa indicado no PER/DCOMP, independentemente de ser ou não indevido, não pode ser utilizado pela contribuinte, na forma por ela empregada (a contribuinte deveria ter informado em sua DIPJ esse suposto recolhimento indevido no cálculo do IRPJ a pagar ao final do período de apuração), para a compensação dos débitos declarados, nem ser objeto de restituição. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 8 7 É importante registrar que a regra contida tanto no art. 10 da IN SRF nº 460/2004, quanto no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, que limitava a utilização de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, não foi repetida nas instruções normativas posteriores que tratam do mesmo assunto (IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012). Nestes outros atos normativos, a Receita Federal manteve a referida restrição apenas para o aproveitamento de retenções na fonte indevidas ou a maior, e não mais para os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa. Registro também que a IN SRF nº 460/2004 foi expressamente revogada pela IN SRF nº 600/2005, e esta foi expressamente revogada pela IN RFB nº 900/2008. Este colegiado já vinha admitindo compensação com pagamento indevido ou a maior de estimativa desde que restasse comprovado que o pagamento efetivamente superou o valor mensal que seria devido (seja com base na receita bruta, seja a partir de balancete de suspensão/redução), e que ele não tivesse sido incluído no saldo negativo do período. De fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos. Mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução. As estimativas que são corretamente apuradas e, portanto, devidas a esse título, realmente não são restituíveis e nem compensáveis de imediato, independentemente dos resultados que venham a ser apurados nos meses subseqüentes, ou mesmo no ajuste anual. Estas só se apresentam como indébito a ser restituído ou compensado na forma de “saldo negativo”, incorporadas a essa nova rubrica, que surge apenas com o ajuste no final do período, dependendo do resultado do exercício. A idéia é evitar que um pagamento ainda provisório, tido como mera antecipação, seja objeto de restituição ou compensação antes de encerrado o período de apuração anual. Contudo, isto não se aplica a um pagamento de estimativa que desde o início mostrase indevido, que não guarda correspondência com a base de cálculo de seu próprio mês. Nesses casos, é perfeitamente possível a restituição/compensação da própria estimativa, o que acabou sendo reconhecido pela Receita Federal, tanto que a regra restritiva (mencionada acima) foi excluída das instruções normativas que tratam da matéria. E o CARF inclusive já editou súmula a respeito do assunto: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fica, portanto, afastado o fundamento utilizado pela decisão recorrida para manter a negativa em relação à compensação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.900481/200997 Acórdão n.º 1802001.757 S1TE02 Fl. 9 8 No caso, a empresa sucedida apurou na DIPJ de incorporação (apresentada em 21/11/2006), referente ao período de 01/01/2004 a 01/07/2004, Lucro Real que resultou em IRPJ e adicional no montante de R$ 11.399.915,09 (fls. 40 a 44). A Ficha 12A indica saldo negativo de R$ 5.239.092,20, formado a partir de deduções a título de IR fonte (R$ 2.188.772,64) e IR mensal pago por estimativa (R$ 14.450.234,65). A estimativa referente ao mês de maio/2004 foi apurada no montante de R$ 3.300.427,73, e este é o valor que foi computado entre as estimativas deduzidas na ficha 12A, indicando que o excedente de R$ 461.430,81 não foi incluído no saldo negativo do período. Juntamente com o recurso voluntário, a Contribuinte apresentou cópias do LALUR, demonstrativos da base de cálculo das estimativas de janeiro a maio/2004, e um balancete do mês de maio/2004, procurando comprovar a ocorrência de pagamento a maior referente à estimativa deste mês. Mas estas informações ainda não foram examinadas, porque a negativa ao pleito da Contribuinte restou fundamentada no argumento de que os recolhimentos de estimativa não poderiam ser objeto de restituição ou compensação, óbice que está sendo afastado por esta decisão. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso, devolvendo o processo à DRF de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP), para que seja reexaminada a declaração de compensação. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.007704/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1990
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
Tendo o acórdão recorrido, por sua vez prolatado em 24/05/2010, se embasado na aplicação retroativa da IN RFB 900, de 30/12/2008, não há como se falar em divergência para com um acórdão utilizado como paradigma prolatado em 29/03/2007, o qual jamais poderia cogitar em aplicar retroativamente uma norma que sequer havia sido editada na data de sua prolação.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1990 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. Tendo o acórdão recorrido, por sua vez prolatado em 24/05/2010, se embasado na aplicação retroativa da IN RFB 900, de 30/12/2008, não há como se falar em divergência para com um acórdão utilizado como paradigma prolatado em 29/03/2007, o qual jamais poderia cogitar em aplicar retroativamente uma norma que sequer havia sido editada na data de sua prolação. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.166 1 1.165 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19679.007704/200581 Recurso nº 262.265 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.010 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria Contribuição para o PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1990 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. Tendo o acórdão recorrido, por sua vez prolatado em 24/05/2010, se embasado na aplicação retroativa da IN RFB 900, de 30/12/2008, não há como se falar em divergência para com um acórdão utilizado como paradigma prolatado em 29/03/2007, o qual jamais poderia cogitar em aplicar retroativamente uma norma que sequer havia sido editada na data de sua prolação. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 77 04 /2 00 5- 81 Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/09 em face ao acórdão de número 330100.533, proferido em 24/05/2010 pela Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para entender que o termo inicial do prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear administrativamente a utilização dos seus créditos reconhecidos em decisão transitada em julgado é a data da homologação, pelo poder judiciário, da desistência da execução do título judicial, nos termos do artigo 71, §4º IN RFB nº 900/2008, conforme ementa a seguir: “PIS/PASEP. PEDIDO COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO. De acordo com as IN SRF nº 517/2005 e 600/2005, e art. 75, § 4º, IV, da IN RFB nº 900/2008, que dispõem sobre a “Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado”, o prazo para a compensação de referidos créditos, contase da data do trânsito em julgado da decisão ou, da homologação da desistência da execução do título judicial. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO, COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. Na forma da Nota COSIT nº 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adsrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Parcialmente Provido.” Aludido acórdão reconheceu o direito do contribuinte sobre a parte dos créditos reconhecidos em decisão judicial que foi objeto da PER/DCOMP transmitida em 11/11/2003 e não reconheceu esse direito sobre a parte restante desses créditos que foi objeto das PER/DCOMPs transmitidas em 16/09/2005, 28/10/2005, 11/11/2005 e 12/01/2006, tendo em vista que apenas a primeira foi transmitida dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da homologação, pelo poder judiciário, da desistência da execução do título judicial, a qual foi realizada em 04/05/1999. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência suscitando que o acórdão recorrido teria sido divergente do acórdão nº 20180.199, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes em 29/03/2007, o qual entendeu que o direito do contribuinte pleitear a compensação de crédito reconhecido por sentença transitada em julgado se extinguiria em 5 (cinco) anos contados da data do transito em julgado da decisão, conforme trecho da ementa paradigma a seguir: “COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear a compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da sentença que houve reconhecimento do direito creditório.” Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19679.007704/200581 Acórdão n.º 9303002.010 CSRFT3 Fl. 1.167 3 E, considerando que o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório do contribuinte ocorreu em 02/06/1998, a Recorrente suscita que esta deveria ter sido a data considerada como termo inicial do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear administrativamente a compensação de referidos créditos com outros débitos. Em despacho de fls. 1.124/1.126, o i. Presidente da Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 1.137/1.160 requerendo não fosse conhecido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional bem como que, caso assim não se entendesse, fosse negado provimento ao mesmo para manutenção integral do acórdão a quo. O contribuinte não interpôs recurso especial em face à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/09 é tempestivo, razão pela qual passo a analisar a sua admissibilidade. Primeiramente, mister se faz considerar que as razões de inadmissibilidade suscitadas pelos patronos do contribuinte em seus memoriais no que tange à inexistência de situações fáticas semelhantes entre o acórdão recorrido e o acórdão utilizado como paradigma a meu ver não merecem prosperar. Os patronos do contribuinte alegam que no acórdão paradigma “o contribuinte sequer solicitou a execução da sentença em nenhum âmbito (administrativo ou judicial”, ao passo que da mera leitura do próprio primeiro parágrafo do relatório do acórdão paradigma é possível se constatar que: “no dia 22/03/2005 o BANCO SUMITOMO MITSUI BRASILEIRO S/A, já qualificado nos autos, ingressou com “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado”, previsto no art. 3º da IN SRF nº 517/2005, solicitando a habilitação de crédito de PIS, no valor atualizado de R$ 4.626.266,12, pago indevidamente e reconhecido por sentença judicial transitada em julgado no dia 13/11/1998”. Ora, é fato que houve solicitação da execução da sentença pelo contribuinte nos autos do processo relativo ao acórdão paradigma, da mesma forma que houve nos presentes autos. Tratamse sim de situações fáticas idênticas, razão pela qual não merecem prosperar as alegações suscitadas, a meu ver, pelo contribuinte. No entanto, observando os detalhamentos relativos aos momentos em que os acórdãos recorrido e paradigmas foram proferidos, é possível se concluir pela inexistência da divergência. Vejase. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O acórdão recorrido, por sua vez prolatado em 24/05/2010, embasouse na aplicação retroativa do artigo 71, §4º, IV, da Instrução Normativa da Receita Federal nº 900, de 30 de dezembro de 20081, para entender, nos exatos termos dessa instrução normativa, que o prazo para o contribuinte pleitear administrativamente a utilização dos seus créditos reconhecidos em decisão transitada em julgado é “de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado ou da homologação da desistência da execução do título judicial”. Concluiu o Relator do acórdão recorrido, que “no caso em apreço, é razoável que a contagem do prazo destinado à compensação, seja contado da data da homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e não da data do trânsito em julgado”. Ou seja, considerando a aplicação retroativa da faculdade estabelecida pela IN RFB 900/2008, o i. Conselheiro entendeu por fazer jus à sua faculdade de aplicar o termo inicial relativo à data da homologação da desistência da execução do título judicial pelo poder judiciário. O acórdão utilizado como paradigma, no entanto, sequer poderia mencionar ou cogitar em considerar a existência dessa faculdade, eis que o mesmo foi prolatado em 29/03/2007, ou seja, em data anterior à referida Instrução Normativa editada em 30/12/2008, a qual estabeleceu essa faculdade. Referido acórdão utilizado como paradigma apenas considerou o disposto nas Instruções Normativas vigentes à época de sua prolação, quais sejam, as Instruções Normativas nos 210/2002, 490/2004, 517/2005 e 600/2005, as quais previam apenas o “prazo de 5 anos da 1 “Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial;” (g.n.) Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19679.007704/200581 Acórdão n.º 9303002.010 CSRFT3 Fl. 1.168 5 data do trânsito em julgado da decisão”2, não havendo como o mesmo considerar a aplicação retroativa de uma Instrução Normativa que sequer havia sido editada à época de sua prolação. Sendo certo que a divergência não restou configurada, voto no sentido de não conhecer o recurso de divergência interposto pela Fazenda Nacional. Nanci Gama 2 “Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão” Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000783/2010-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 19/04/2007 a 05/02/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento
das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo
com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.290
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/04/2007 a 05/02/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000783/201017 Acórdão n.º 240301.290 S2C4T3 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 129 a 134, interposto pela Recorrente – QUINTANA CÂMARA MUNICIPAL apresentado contra Acórdão nº 1431.960 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Ribeirão Preto SP, fls. 123 a 124, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.256.2442, com ciência da Recorrente em 30.06.2010, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.410,79. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 16, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. O Relatório Fiscal da Infração aponta ainda que a Recorrente deixou de incluir em folha de pagamento as remunerações pagas a segurados na rescisão do contrato de trabalho, conforme demonstrativo anexado às fls. 14. EMPREGADO DEMITIDO NIT DATA DEMISSÃO Vânia Silva Dantas 19021090255 19/04/2007 Andrei Ribeiro Longhi 12622749157 04/06/2007 José Carlos da Silva 12554103455 06/02/2008 Jorge Hideo Miyake 12155433281 04/11/2008 Simone Moreira de Souza 12459511134 17/11/2008 Fernanda Figueiredo da Silva 12611397181 02/01/2009 Angela Mercia Mascarín 19029825289 03/02/2009 Elisa da Silva Lima 19027595898 05/02/2009 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Foi emitido o TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 5 a 6, contendo o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0811800.2010.002916. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é 04/2007 a 02/2009. A Recorrente teve ciência da AIOP no dia 30.06.2010, conforme fls. 01. Após análise dos autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP emitiu a Acórdão nº 1431.960 9ª Turma, fls. 123 a 124, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: Contribuições Sociais previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/05/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA A SEGURADOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 129 a 134, reiterando as argumentações apresentadas em sede de primeira instância: (i) Dos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT As remunerações pagas na ocasião da rescisão do contrato de trabalho encontramse inseridas nos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, nos termos do art. 477, §2° da CLT. Não há razão e nem fundamento jurídico, como os que motivaram o auto de infração impugnado, cuja defesa correspondente na decisão originária não se acolheu e que está sendo objeto deste recurso voluntário, para se entender Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000783/201017 Acórdão n.º 240301.290 S2C4T3 Fl. 141 5 obrigatório a elaboração de folha de pagamento que contenha as rescisões de contrato de trabalho. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 138. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 138. DAS PRELIMINARES (a) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.256.2442 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000783/201017 Acórdão n.º 240301.290 S2C4T3 Fl. 142 7 instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000783/201017 Acórdão n.º 240301.290 S2C4T3 Fl. 143 9 O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. NO MÉRITO (i) Dos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT As remunerações pagas na ocasião da rescisão do contrato de trabalho encontramse inseridas nos Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, nos termos do art. 477, §2° da CLT. Não há razão e nem fundamento jurídico, como os que motivaram o auto de infração impugnado, cuja defesa correspondente na decisão originária não se acolheu e que está sendo objeto deste recurso voluntário, para se entender obrigatório a elaboração de folha de pagamento que contenha as rescisões de contrato de trabalho. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 16, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. O Relatório Fiscal da Infração aponta ainda que a Recorrente deixou de incluir em folha de pagamento as remunerações pagas a segurados na rescisão do contrato de trabalho, conforme demonstrativo anexado às fls. 14. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Outrossim, a elaboração da folha de pagamento é uma obrigação acessória, conforme o art. 225, I e § 9º Decreto 3.048/1999: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.000783/201017 Acórdão n.º 240301.290 S2C4T3 Fl. 144 11 Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso Anotese que as regras para a rescisão do contrato de trabalho são estabelecidas pelo art. 477 da CLT que assegura “a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direito de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa”. Desta forma, o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho – TRCT é o instrumento de quitação das verbas rescisórias e será utilizado para o saque do FGTS. Ademais, o recibo de quitação de rescisão de contrato de trabalho, TRCT, somente será válido quando formalizado de acordo com a legislação vigente, notadamente quanto à respectiva homologação. Outrossim, resta claro que a quantia a ser quitada na rescisão do contrato de trabalho, por integrar a remuneração do segurado empregado, deverá constar na Folha de Pagamentos, conforme o conforme o art. 225, I e § 9º Decreto 3.048/1999. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.008777/2010-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE.
Quanto o lançamento está de acordo com o art. 142, do CTN, acrescido de elementos probatórios suficientes, a nulidade deve ser demonstrada pela Recorrente.
COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. STF.
O entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à aplicação do prazo decenal de prescrição para restituição/compensação, em face das alterações da Lei Complementar n. 118/2005, somente pode ser realizada se o pedido de compensação tenha ocorrido antes do início da vigência da indicada lei complementar. Fato esse que não ocorrera ao caso concreto, pois o pedido de compensação fora realizado após o início da vigência da indicada lei.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Quanto o lançamento está de acordo com o art. 142, do CTN, acrescido de elementos probatórios suficientes, a nulidade deve ser demonstrada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. STF. O entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à aplicação do prazo decenal de prescrição para restituição/compensação, em face das alterações da Lei Complementar n. 118/2005, somente pode ser realizada se o pedido de compensação tenha ocorrido antes do início da vigência da indicada lei complementar. Fato esse que não ocorrera ao caso concreto, pois o pedido de compensação fora realizado após o início da vigência da indicada lei. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Quanto o lançamento está de acordo com o art. 142, do CTN, acrescido de elementos probatórios suficientes, a nulidade deve ser demonstrada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. STF. O entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à aplicação do prazo decenal de prescrição para restituição/compensação, em face das alterações da Lei Complementar n. 118/2005, somente pode ser realizada se o pedido de compensação tenha ocorrido antes do início da vigência da indicada lei complementar. Fato esse que não ocorrera ao caso concreto, pois o pedido de compensação fora realizado após o início da vigência da indicada lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 87 77 /2 01 0- 90 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 465 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 466 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de JulgamentoDRJ, que manteve o crédito tributário, no período de 03 e 04/2008; e 11, 12 e 13 /2009., lavrados com base em glosa de compensações de indébitos, como ressaltado no relatório da decisão a quo: De acordo com o Relatório Fiscal (fls.30/45), no cotejo dos documentos apresentados (planilha de compensação efetuada elaborada pelo contribuinte), com as GFIP, GPS (valores pagos e retidos do FPM), créditos constituídos e/ou parcelados, em ação fiscal ou não, verificaramse que os valores indicados como de “INSS” pagos em decorrência dos subsídios dos agentes políticos, no período de 02 a 12/1998, referemse a créditos constituídos por NFLD DEBCAD n. 35.054.5472, em ação fiscal encerrada em 27/06/2001, incluído em parcelamento especial em 06/08/2001, cujas parcelas que continham as contribuições relativas a tais agentes foram pagas nas datas indicadas no demonstrativo ANEXO I de fls.44. Analisada a procedência das compensações efetuadas, conforme planilha apresentada pelo contribuinte, a auditoria concluiu pela glosa das compensações, nos termos da lei, tomandose por termo a quo a data do pagamento indicada na planilha. Portanto, tais glosas ocorreram pelos seguintes motivos: perda do direito, não obediência ao limite de 30% e insuficiência de crédito ou compensação a descoberto, conforme tabela, item 17.6.1, do relatório fiscal. Os valores das compensações efetuadas pelo contribuinte em GFIP, e a demonstração dos valores a que tem direito e os valores glosados estão no ANEXO II, fls.45. Portanto, os valores lançados no presente AI referemse a glosas de compensações decorrentes de valores compensados pelo contribuinte, em desacordo com as normas vigentes e sob alegação de pagamento superior ao devido, sem comprovar o crédito que lhes deram suporte, tendo sido efetuadas com o suporte de créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos agentes políticos declaradas inconstitucionais; e, em desobediência ao limite de 30%, até o advento da Medida Provisória 449/2008. Tal conduta subsumese, em tese, ao tipo descrito no DecretoLei 2.848/40Código Penal, no Capítulo IIIDa Falsidade Documental, no art. 297, § 3º, inciso III, incluído pela Lei 9.983 de 14/07/2000, ensejando REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAISRFPFP. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 467 4 As compensações foram lançadas no Levantamento denominado “GL1GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA” Por fim, informa o autuante que para o débito referente a glosas de compensações, aplicamse as multas de mora previstas no art. 35 da Lei n. 8.212/91, em face do que dispõe o §9º do art. 89 da mesma lei, na redação dada pela Lei n. 11.941/09 (a partir da competência 12/2008: 0,33% por dia de atraso, até o limite de 20%). Tempestivamente protocolizado o Recurso, mas sem ter anexas as planilhas alegadas pelo contribuinte, este restou intimado para apresentálos complementarmente pela autoridade preparadora, contudo o prazo concedido restou in albis. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: o lançamento é nulo por irregularidades de ordem formal, tendo em vista que, no momento da lavratura do auto de infração, o auditor fiscal descreveu o fato infringente sem o cuidado necessário, cometendo erros e omissões que têm o condão de levar à nulidade a peça acusatória, em especial, não teria constado no auto de infração a “Fiel descrição do fato infringente” e a “Capitulação Legal”, bem como a “Penalidade Aplicável”, sendo assim, trouxeram sérios prejuízos ao contribuinte, tornando impraticável o exercício pleno de sua defesa. Por final, informa que fora incorreto o levantamento do lançamento, cálculo incorreto do crédito, indica juntar planilhas especificando as incorreções, bem como em face aos princípios do direito tributário e processual. Bem como, alegou que as compensações foram realizadas dentro do prazo prescricional decenal, conforme a interpretação do STJ da Lei Complementar 118/2005, com ampara da Resolução n. 26 do Senado Federal, de 21.06.2005, que suspendeu a aplicação do art. 12, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei 9.506/1997. Assim, os autos vieram para apreciação da presente turma especial. Esse é o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 468 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Em primeiro momento, não se consegue verificar as nulidades apontadas pela Recorrente, o auto de infração foi expresso, acompanhado de Relatório Fiscal minuncioso, que não desconsiderou a existência de direito da recorrente, contudo demonstrou e fundamentou os motivos da glosa, como passase a transcrever fundamentado na decisão anterior, a qual o presente voto se alinha: Da alegada nulidade por falta de requisitos para preenchimento do Auto de Infração e do Cerceamento de Defesa. Analisando os aspectos formais do presente AIOP, temos que a autuação foi lavrada em estrita consonância com o disposto nos artigos 33 e 37 da Lei 8.212/91. Foram atendidas todas as formalidades legais, e os fatos geradores e dispositivos legais que motivaram e embasaram a autuação encontramse perfeitamente discriminados. Vejamos: A Lei nº 8.212/91, em seu art. 37, determina que o AIOP deve conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A partir do disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, combinado com a IN/SRP/MPS nº 03/2005, o Relatório Fiscal, peça integrante do AIOP, objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. No Relatório Fiscal, a indicação das contribuições devidas está nos itens 2 e 2.1.1; os fatos geradores dessas contribuições estão indicados nos itens 4 a 4.2; e o período, no item 3. O fundamento legal e as alíquotas aplicadas poderão constar do próprio relatório fiscal ou em remissão a anexos do AIOP. Com efeito, além do Relatório Fiscal, integram ainda o AIOP como peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: Fundamentos Legais do Débito (FLD), que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; Discriminativo do Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 469 6 Débito (DD), que lista todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente, discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados ou retidos, as deduções permitidas (salário família, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; Relatório de Lançamentos (RL), que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; Não bastasse, seguem ainda, junto ao AIOP, os relatórios: Instruções para o Contribuinte (IPC), que fornece ao sujeito passivo orientações, entre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF); Termos de Intimação Fiscal (TIF); Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF). Portanto, como se pode perceber claramente, todas as informações necessárias e suficientes ao exercício da ampla defesa pela autuada estão presentes no AIOP. Este contém a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. Da Apresentação Posterior De Documentos O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/72 “Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 470 7 A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 4º do art. 16º do Decreto nº 70.235/72 acima transcritas. Todavia, no caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada de documentos. Cumpre registrar que o procedimento constitutivo do crédito previdenciário é vinculado, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, razão pela qual as circunstâncias que o orientam devem estar perfeitamente adequadas à legislação vigente, tanto à época dos fatos quanto atualmente. “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Com relação à multa aplicada, o auditor aplicou com acerto, conforme preceitua o §9º, do art.89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09( a partir da competência 12/2008: 0,33% por dia de atraso, até o limite 20%), verbis: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (....) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Verificase que o lançamento obedeceu claramente o que estabeleceu o art. 142, CTN, trazendo inclusive documentos sobre os fatos demonstrados, comprovando seus fundamentos, não havendo quaisquer prejuízos à defesa e contraditório da contribuinte. Cumpre ressaltar que, mesmo sob os auspícios da verdade material, a recorrente deixou de apresentar documentos e planilhas que comprovassem razão de seus argumentos confrontando o lançamento como faculta o art. 16, do Dec. 70.235. III – Quanto à alegação de que as compensações foram realizadas dentro do prazo decenal de prescrição para restituição, na forma da Lei Complementar n. 118/2005, deve se ressaltar que a razão não assiste à contribuinte. O entendimento do Supremo Tribunal Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 471 8 Federal quanto à aplicação do prazo decenal de prescrição para restituição, em face das alterações da Lei Complementar n. 118/2005, somente pode ser realizada se o pedido de compensação tenha ocorrido antes do início da vigência da indicada lei complementar. Fato esse que não ocorrera ao caso concreto, pois o pedido de compensação fora realizado após o início da vigência da indicada lei. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.008777/201090 Acórdão n.º 2803002.091 S2TE03 Fl. 472 9 ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Assim, não há o que se retocar a decisão a quo. IV Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15586.000008/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009
AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. PESSOAS JURÍDICAS DE FACHADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exige-se deste a diferença nos valores devidos das duas Contribuições, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições a pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, específico de aquisições a pessoas físicas.
MULTA QUALIFICADA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS FICTÍCIOS DE PIS E COFINS. OCORRÊNCIA DE FRAUDE.
O aproveitamento sistemático de créditos fictícios do PIS e Cofins não-cumulativos, registrados na contabilidade com base em notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que, de fato, não eram fornecedoras porque a mercadoria era adquirida diretamente de produtores pessoas físicas, caracteriza a fraude por haver conduta dolosa visando modificar ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Demonstrada a fraude, cabe a qualificação da multa, elevada ao percentual de 150%.
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇADO SEM INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, não caracterizando a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da autuação, a ausência de intimação na fase anterior.
Numero da decisão: 3401-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Ângela Sartori, que acolhiam a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, davam provimento integral ao recurso. A Conselheira Ângela Sartori apresentará Declaração de Voto.
Júlio Cesar Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas De Assis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Winderley Morais Pereira, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Declarou-se suspeito, e por isso não do julgamento, o Conselheiro Robson José Bayerl (Suplente).
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009 AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. PESSOAS JURÍDICAS DE FACHADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exige-se deste a diferença nos valores devidos das duas Contribuições, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições a pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, específico de aquisições a pessoas físicas. MULTA QUALIFICADA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS FICTÍCIOS DE PIS E COFINS. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O aproveitamento sistemático de créditos fictícios do PIS e Cofins não-cumulativos, registrados na contabilidade com base em notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que, de fato, não eram fornecedoras porque a mercadoria era adquirida diretamente de produtores pessoas físicas, caracteriza a fraude por haver conduta dolosa visando modificar ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Demonstrada a fraude, cabe a qualificação da multa, elevada ao percentual de 150%. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇADO SEM INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, não caracterizando a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da autuação, a ausência de intimação na fase anterior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Ângela Sartori, que acolhiam a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, davam provimento integral ao recurso. A Conselheira Ângela Sartori apresentará Declaração de Voto. Júlio Cesar Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas De Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Winderley Morais Pereira, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Declarou-se suspeito, e por isso não do julgamento, o Conselheiro Robson José Bayerl (Suplente).
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Recorrente GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II RJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confiscatório da multa de ofício. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. O sujeito passivo que não apresenta impugnação não integra o litígio, iniciado apenas em relação àquele que se manifestou na primeira instância contra a autuação. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇADO SEM INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, não caracterizando a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da autuação, a ausência de intimação na fase anterior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009 AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. PESSOAS JURÍDICAS DE FACHADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 08 /2 01 1- 71 Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das duas Contribuições, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições a pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, específico de aquisições a pessoas físicas. MULTA QUALIFICADA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS FICTÍCIOS DE PIS E COFINS. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O aproveitamento sistemático de créditos fictícios do PIS e Cofins não cumulativos, registrados na contabilidade com base em notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que, de fato, não eram forncedoras porque a mercadoria era adquirida diretamente de produtores pessoas físicas, caracteriza a fraude por haver conduta dolosa visando modificar ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Demonstrada a fraude, cabe a qualificação da multa, elevada ao percentual de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009 AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. PESSOAS JURÍDICAS DE FACHADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das duas Contribuições, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições a pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, específico de aquisições a pessoas físicas. MULTA QUALIFICADA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS FICTÍCIOS DE PIS E COFINS. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O aproveitamento sistemático de créditos fictícios do PIS e Cofins não cumulativos, registrados na contabilidade com base em notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que, de fato, não eram fornecedoras porque a mercadoria era adquirida diretamente de produtores pessoas físicas, caracteriza a fraude por haver conduta dolosa visando modificar ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Demonstrada a fraude, cabe a qualificação da multa, elevada ao percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.303 3 ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto e Ângela Sartori, que acolhiam a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, davam provimento integral ao recurso. A Conselheira Ângela Sartori apresentará Declaração de Voto. Júlio Cesar Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas De Assis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Winderley Morais Pereira, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Declarouse suspeito, e por isso não do julgamento, o Conselheiro Robson José Bayerl (Suplente). Relatório O processo trata de dois autos de infração, relativos aos tributos PIS e Cofins nãocumulativos, lançados com multa qualificada no percentual de 150%, além de juros de mora. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: Segundo o Termo de Encerramento (fls. 959 a 1.117) a fiscalização apurou, em resumo, o que se segue: A fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizado para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições nãocumulativas para o PIS/COFINS. GRANCAFÉ lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas para dissimular vendas de café de produtor rural/maquinista (pessoa física) para empresas exportadoras e indústrias, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/COFINS na sistemática da não cumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis; Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face da GRANCAFÉ, evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art.1°, inciso I, II e IV da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos e que serão comunicadas ao Ministério Público Federal (MPF) conforme o disposto no artigo 3°, §§ 3° e 4°, da Portaria RFB n° 2439/2010; Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Importante frisar que a fiscalização decorre das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Publico Federal; Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais, dentre os quais a sede da GRANCAFÉ Após autorização judicial proferida pela Exma Sr. Juíza da 1ª Vara Federal de Colatina, a douta Procuradoria da República no Município de Colatina, por meio do Ofício n° 466/2010 PRM/COL/PAG, de 12 de agosto de 2010, f l . 669, encaminhou à Receita Federal, pelo nítido interesse fiscal, cópia dos documentos oriundos das buscas e apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da DENÚNCIA oferecida e aceita nos autos do processo principal n° 2008.50.05.0005383 (processos dependentes n° 2009.50.01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial n° 541/2008DPF/ SR/ES); Em 22/10/2007 foram deflagradas ações fiscais de diligências em desfavor de 36 pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) da Receita Federal como supostas ATACADISTAS DE CAFÉ EM GRÃO CNAE 46214 00. A operação foi denominada TEMPO DE COLHEITA e a motivação foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras dessas pessoas jurídicas na ordem de 3 bilhões de reais nos anos de 2003 a 2006 e os valores insignificantes das receitas declaradas. A imensa maioria dessas pessoas jurídicas encontravase OMISSA na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, INATIVA; De forma oposta às tradicionais empresas ATACADISTA DE CAFÉ situadas em COLATINA, LINHARES e GRANDE VITÓRIA, o que se viu foram pequenas salas de acomodações acanhadas. Nenhum armazém, nenhum quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma empresa ATACADISTA DE CAFÉ. Algumas situadas muito próximas às maiores empresas comerciais exportadoras de café; O foco das investigações foi averiguar se as supostas pessoas jurídicas atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. O resultado apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresa atacadista para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade; Melhor dizendo: são vendas de café do produtor rural/maquinista (pessoas físicas) diretamente para a comercial Exportadora e indústria, mas com a interposição fraudulenta de Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.304 5 uma pseudoatacadista para dissimular a verdadeira operação. A nota fiscal de saída da pseudoatacadista de café gera créditos integrais do PIS/COFINS na sistemática da nãocumulatividade (alíquota de 9,25%); A GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA não só conhece o esquema e consente, mas, sobretudo, opera ao usar empresas fictícias para acobertar o café adquirido diretamente de pessoas físicas (produtor rural/maquinista) principalmente por meio de seu sócio de fato José Anaílson Moro ou funcionários da mesma; JOSÉ ANAÍLSON MORO foi considerado sujeito passivo na condição de RESPONSÁVEL solidário pelo crédito tributário lançado em nome da GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, nos termos dos arts. 121, inciso II, 128, 129 e 135, inciso III,todos do CTN Lei n° 5.172, de 1966; O auto foi lavrado com multa qualificada em razão da convicção da fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n°8. 137/90, de forma inequívoca, evidencia que a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, bem como a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. (...) A interessada foi cientificada do auto de infração (fls. 1.119/1.144) e do Termo de Encerramento (fls. 959/1.118) em 07/02/2011 e apresentou impugnação (fls.1.147/1197) em 04/03/2011, alegando em síntese: 1. Nulidade para a Impugnante e para o responsável solidário (José Anaílson Moro) por cerceamento do direito de defesa visto que não foi intimada a participar da colheita de provas que foram reunidas na fase de fiscalização e que lhe imputavam responsabilidade pela prática de atos ilícitos; 2. Que passou a adquirir produtos de pessoa jurídica, visto que, somente neste caso, poderia tomar os créditos integrais de PIS e COFINS, assim, produtores/maquinistas e corretores passaram, espontaneamente a se estruturar na forma de pessoa jurídica, não havendo nada de ilegal em tal prática, não sendo possível admitir a responsabilização da impugnante por atos praticados por terceiros; 3. A impugnante, ao amparo de competente previsão legal, ao ter adquirido café de pessoas jurídicas, fez jus ao aproveitamento integral dos créditos de PIS e COFINS sobre tais operações, não lhe competindo perquirir ou fiscalizar se, as vendedoras promoveram o competente e regular recolhimento das citadas contribuições de sua responsabilidade: isto é de competência e responsabilidade exclusivas das autoridades fiscais. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 4. Nulidade do lançamento realizado, seja pela falta de fundamento legal, seja por conta da mera presunção haurida pelos Auditores Fiscais baseandose em prova testemunhal, nem sequer prevista no Decreto 70.235/1972, atribuir à Impugnante a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, sob o falso argumento de que os verdadeiros contribuintes, eleitos pela lei, não eram existentes, o que é desmentido pelas provas acostadas aos autos pelas autoridades fiscais, quais sejam: (i) as empresas eram pessoas jurídicas regulares, inscritas no Registro do Comércio competente e nos cadastros Federal (CNPJ) e Estadual; (ii) as vendas por ela realizadas foram devidamente documentadas, por meio de notas fiscais emitidas na forma da legislação pertinente; e, (iii) os valores correspondentes às vendas por elas realizadas foram devidamente depositados nas suas contas bancárias. 5. As fotos das fachadas dos escritórios de pouquíssimas atacadistas nada comprovam. As inscrições no CNPJ e no Estado contradizem a conclusão do Termo. As atacadistas negociavam com diversas outras empresas; 6. Nulidade do lançamento pela impossibilidade de produção de prova negativa; a documentação comprobatória dos registros e pagamentos, mas, sobretudo, a ausência de demonstração cabal, pelo Fisco, de que de fato foram perpetradas as fraudes alegadas, e mais, que a Impugnante sabia e participava dessas fraudes, despotencializam as acusações erigidas nos autos de infração ora guerreados; 7. Do ponto de vista do adquirente dos bens e serviços, a satisfação da prestação contratual pelo pagamento do preço habilitao ao aproveitamento dos créditos, independentemente, digase, de ter sido ou não promovido o recolhimento dos co respectivos débitos pelo provedor desses bens e serviços. 8. Não poderia ser exigida a multa imposta, em razão da inexistência de máfé por parte da Impugnante, a qual apenas agiu em cumprimento e dentro dos limites legais; 9. A multa imposta possui caráter confiscatório o que é vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição Federal; 10. Como se constata da cópia do contrato social da Impugnante, em anexo, José Anaílson Moro não é sócio e nem administrador da Impugnante, assim, ele jamais poderia ser responsável solidário pelo cumprimento de supostas obrigações tributárias dela; 11. Mesmo que fosse ele sócio ou administrador da Impugnante, o procedimento adotado viola o disposto no artigo 135 do CTN, o qual prevê que os sócios e administradores somente respondem pessoalmente por tributos não pagos pela pessoa jurídica, quando tenham agido com excesso de poderes, ou com infração à lei, ao contrato ou ao estatuto social. 12. Inobservância do artigo 134, VI, do CTN, segundo o qual os sócios ou administradores somente poderiam ser responsabilizados por débitos da sociedade no caso de liquidação desta, e desde que esteja configurada a hipótese de Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.305 7 impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. Encerra a impugnação requerendo: a) Que sejam declarados improcedentes os Autos de Infração de PIS e COFINS, lavrados em 03.02.2011; b) O cancelamento das multas impostas, por terem caráter evidentemente confiscatório, bem como a exclusão de José Anaílson Moro da condição de responsável solidário das supostas obrigações tributárias em foco; c) A produção de todas as provas em direito admitidas, bem como a juntada de documentos complementares, corroborando a improcedência das exigências formuladas, nos termos do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, com as alterações promovidas pela Lei n. 8.748/93, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito; A 17ª da DRJ manteve integralmente o lançamento, inclusive no tocante à responsabilidade tributária do Sr. José Anaílson Moro e à multa qualificada. Rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento, levando em conta que no âmbito do processo administrativo tributário, e fazendo analogia com o processo penal, a auditoria fiscal é a fase inquisitorial destinada à investigação que, antecedendo a fase contenciosa, não se rege pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. No mérito, considerou que a fiscalização comprovou a existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas com movimentação crescente e vultosa a partir de 2003, a maioria delas constituídas posteriormente a 2002, e que a contribuinte, ora Recorrente, participou da fraude visando a obtenção de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Manteve a responsabilidade tributária do Sr. José Anaílson Moro com base no art. 135, III, do CTN, levando em conta que ele continuou com poderes de gerência, mesmo após sua exclusão do quadro societário da GRANCAFÉ, e que praticou infração à lei tributária, visto que comprovada a prática de sonegação. O acórdão da DRJ também reputou correta a aplicação da penalidade qualificada, afirmando que as provas constantes dos autos revelam “que a prática reiterada de atos conscientemente planejados não suscitava outra reprimenda senão a multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96” (fl. 1230) e que “os procedimentos descobertos no minucioso trabalho de Fiscalização, evidenciaram consciente intuito de não pagar, ou pagar menos tributos, manifestado em prática reiterada, enquadrável perfeitamente na hipótese prevista na Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 72 e 73” (fl. 1232). No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na nulidade do lançamentos ou no cancelamento dos dois Autos de Infração, ou ainda, em caso contrário, na exclusão da pessoa física indicada como responsável tributária. Refuta o acórdão da DRJ e repisa o contido na Impugnação, alegando: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 cerceamento do direito de defesa, por não ter participado dos depoimentos colhidos na fase de fiscalização nem ter sido intimada antes das autuações; lisura dos procedimentos adotados pela contribuinte, ao atuar na cadeia produtiva do café; impossibilidade do emprego da presunção em matéria tributada, por parte da fiscalização, e da produção de prova negativa, pela contribuinte, além de iliquidez e incerteza dos lançamentos, reforçando nos itens IV.2 a IV.4 da peça recursal a arguição de nulidade dois Autos; inexigibilidade da multa qualificada no percentual de 150%, por inexistência de máfé e falta de evidência de que a contribuinte tenha praticado fraude ou simulação; caráter confiscatório das multas impostas; indevida referência ao Sr. José Anaílson Moro, posto na condição de co responsável tributário sem que o Fisco tenha provada ter ele agido com excesso de poderes ou com infração à lei; É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado Voto Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator O Recurso Voluntário da contribuinte GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega inconstitucionalidade. No que contempla argumentos como o de suposto caráter confiscatório da multa aplicada, não conheço da peça recursal porque somente o Poder Judiciário é competente para julgar matéria da espécie, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Assim já considerou o acórdão recorrido, que não merece qualquer reparo. Além do mais, a Súmula CARF nº 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, informa: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto ao outro sujeito passivo, o Sr. José Anaílson Moro, autuado na condição responsável tributário, não apresentou impugnação e, por isso, não se instaurou o litígio. PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS: REJEIÇÃO Rejeito a preliminar de nulidade dos lançamentos, por não vislumbrar qualquer cerceamento do direito de defesa. É que a circunstância de os Autos de Infração terem sido lavrados depois de colhidos depoimentos de terceiros e informações diversas, mas sem intimação prévia à contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. Ao contrário do defendido pela Recorrente, Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.306 9 é dispensável a participação do sujeito passivo na etapa anterior ao lançamento. Se a administração já dispõe de todos os dados, pode (e deve) efetuar o lançamento e dar ciência ao contribuinte, abrindo então a etapa do contraditório. Neste sentido a Súmula CARF nº 46, aprovada pelo Pleno, cujo enunciado é o seguinte: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” Na situação deste processo os Autos, e ao contrário do que afirma a Recorrente, a fiscalização não lançou mão de qualquer presunção, sendo certo que os lançamentos atendem ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identificam a matéria tributada e contêm as fundamentações legais correlatas. MÉRITO: MANUTENÇÃO DOS LANÇAMENTOS Como bem observou a DRJ, a fiscalização computou em favor da contribuinte o crédito presumido de que trata o art. 8º, caput e § 6º, da Lei nº 10.925, de 2004, equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) do crédito básico. No que glosou o crédito integral, mas considerou o percentual do crédito presumido, os cálculos da autuação não foram contestados. A oposição aos lançamentos é voltada à acusação de fraude, feita pela autuação com base nos levantamentos e depoimentos junto a diversas pessoas que atuam na produção e comercialização do café. Diante das provas carreadas aos autos pela fiscalização, em confronto com as alegações da Recorrente, o que sobressai é a força das primeiras, a confirmar que os lançamentos devem ser mantidos, inclusive no tocante à penalidade majorada para 150%, Destaco, dessas as provas, as seguintes, todas já devidamente consideradas pela DRJ, cujo voto transcrevo (fls. 1226/1228): O valor das Notas fiscais emitidas pelas pseudoatacadistas para a Grancafé totalizam R$ 75.000.000,00, conforme cita o Termo de Encerramento (fl. 964). Em diligência a essas empresas constatouse que se tratava de pequenas salas, não há armazém, quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma empresa atacadista de café. Algumas situadas muito próximas às maiores empresas comerciais exportadoras de café (fl. 969). Constam no Termo fotos do prédio onde as atacadistas ocupavam salas (fls. 970/971) e foto da Ponto Alto (fl. 1067). Tais empresas, apesar de movimentarem altos valores em suas contas bancárias, em sua maioria, estavam omissas na entrega da DIPJ ou apresentavam declaração como INATIVA (fl. 968). Apurouse que as contas das pseudoatacadistas eram movimentadas por procuradores que não faziam parte do quadro societário. (...) Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 O representante da Columbia Comércio de Café relata o esquema de venda de notas, conforme trecho transcrito do depoimento (fl. 271/272) de Antonio Gava: Que a COLUMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café: Em resposta a intimação a Columbia respondeu que retinha pelo seu trabalho quantia de 0,15 a 0,30 por saca de café (fl. 285). Afirmou também que os grandes atacadistas, torradores e os exportadores tinham e têm integral conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que a empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e COFINS. Acrescentou que eles até incentivaram a abertura de várias empresas, posto que. muitas destas empresas são operadas por exfuncionários de torradores, exportadores, corretores e atacadistas. (fl. 293). A mesma resposta foi dada pela L&L (fl. 367). A ressaltar ainda das respostas das fiscalizadas que o comprador "EXIGIA QUE PRODUTOR 'GUIASSE' O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA" E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim,são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma "POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)". (fl. 988) (...). A fiscalização também intimou os produtores rurais. Segundo a declaração prestada por Gilmar Casagrande ele entregava café para a LICAFÉ desde 2005 e a partir de 2007 para a GRANCAFÉ como pagamento de dívida pela aquisição de propriedades rurais dos sócios Darli (Licafé) e Zequinha (Grancafé). As notas fiscais de produtor n° 129, de 28/05/2007, e n° 130, de 30/05/2007, encaminham para armazenamento no BR ARMAZÉNS GERAIS, armazém da GRANCAFÉ, respectivamente, 187 e 375 sacas de café (fl. 1.009). Essas mesmas 562 sacas de café foram posteriormente devolvidas SEM MOVIMENTAÇÃO FÍSICA para o produtor. Na nota nº 133 consta a venda deste café para a L&L. Os motoristas das notas nº 152, 158 e 159 eram funcionários da GRANCAFÉ (fl. 1012). (...) O produtor rural José Arciso Fiorot afirma que negociou a venda com Sr. Flavio funcionário da GRANCAFÉ. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.307 11 O produtor rural Romolo Dagostini afirma que negociou o café com Jose Anailson Moro, sócio da GRANCAFÉ até 2007, mas as notas foram guiadas em nome da MIRANDA e da COLUMBIA. O produtor rural Carlos Augusto Biancardi afirma que os funcionários da Grancafé compareciam nas propriedades do declarante e preenchiam as notas fiscais do produtor em nome das pseudoatacadistas (fl. 1013). O produtor rural João Evangelista Malanquini confirma tal prática. (...) O corretor Arylson Storck foi direto ao afirmar que a pedido de José Anailson emitiu notas de corretagem sem efetivamente prestar tais serviços e que Anailson fornecia o nome da empresa de fachada. No documento fl. 1035 obtido na operação BROCA consta informação do nome da Grancafé ao lado do nome da empresa de fachada YPIRANGA. A Recorrente não negou os fatos acima, tanto assim que não os rebateu de per si. Poderia, por exemplo, ter refutado algum dos sete depoimentos de corretores de café (fls. 1012/1019), como o do produtor rural Carlos Augusto Biancardi, que deu detalhes sobre a presença dos funcionários da Grancafé em suas propriedades e afirmou que tais funcionários compareciam para a retirada do café comercializado e preenchiam as notas fiscais do produtor rural em nome das pseudoatacadistas (fl. 999 na numeração original, 1013 na numeração escaneada, item 5.2.4 do TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL). Ou, noutro exemplo, ter tratado da documentação apreendida pela fiscalização, onde demonstrado que no fechamento do mês de 09/2007 consta a GRANCAFÉ como adquirente de 600 sacas de café guiadas pela pessoa jurídica L&L, sendo que esta creditou de R$600,00 apenas pelo fornecimento da nota fiscal (R$1,00/saca), confirmando que se trata de venda de Nota Fiscal (ver fls. 682 e 1038). A afirmação da Recorrente, de que “os produtores/maquinistas e corretores de café, passaram, espontaneamente, a se estruturar na forma de pessoas jurídicas” (fl. 1252), depois de ela ter divulgado no mercado sua decisão de não mais adquirir o produto de pessoas físicas, não se sustenta, já que as pessoas jurídicas passaram a ser remuneradas com base na quantidade de notas fiscais emitidas, e não de café comprado e revendido. Também não parece crível a afirmação de que, nos dizeres da peça recursal, as empresas atacadistas (de fachada) “literalmente combinaram o que seria a elas conveniente dizer ao Fisco” (fl. 1257). Ora, como admitir que tais empresas, se existissem de fato e de direito, teriam “orquestrado” respostas semelhantes, visando “esquivarse da responsabilidade de seus atos, imputandoa a terceiros, no caso, a Recorrente”? Quanto à participação da Recorrente na fraude, também restou demonstrada diante da atuação de seus funcionários, negociando diretamente com os produtores, e não apenas com as pessoas jurídicas atacadistas. Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL de fls. 995/1102, bastante detalhado, demonstra ter havido sonegação por parte da Recorrente. Restou evidenciado, pelo conjunto probatório apresentado pela fiscalização e não infirmado pela Recorrente, que esta adquiria o café de produtores, pessoas físicas, mas pessoas jurídicas intermediárias, que de fato não compravam e revendiam o produto, apenas emitiam notas fiscais com o objetivo de gerar créditos de PIS e Cofins para o adquirente (a Recorrente). Concluo, então, que os lançamentos devem ser mantidos e o acórdão da DRJ não merece qualquer reparo. MULTA QUALIFICADA: PROCEDÊNCIA A fiscalização, para qualificar a penalidade elevandoa ao percentual de 150%, considerou, no TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL, o seguinte: GRANCAFÉ lançou mão de créditos fictícios ao longo dos anos de 2007 a 2009. Com o uso desse expediente, a fiscalizada lograria êxito em se abster do pagamento de contribuições sociais (PIS e COFINS), caso não fosse a autuação... (...) Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca, evidencia que a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, bem como a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. As centenas de registros contábeis referentes à escrituração das notas fiscais de pseudoempresas, bem como a apropriação dos correspondentes créditos sabidamente indevidos, não são meros erros contábeis, mas sim uma fraude de efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional, com participação direta de seu sócio. A Recorrente, por sua vez, contesta a penalidade qualificada afirmando ter inexistido máfé e faltar evidência de que tenha praticado fraude ou simulação. Todavia, como demonstrado no item anterior restou provada a fraude, com atuação da contribuinte, ora Recorrente. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade porque a empresa se utilizou dos créditos fictícios, registrando em sua contabilidade as notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas que substituíram de direito, mas de não de fato, os produtores de café. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.308 13 multa no percentual de 150%, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, em conjunto o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA PESSOA FÍSICA: INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO, POR AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO Por fim, a responsabilidade tributária. Apesar de os Autos de infração terem sido cientificados ao responsável tributário José Anaílson Moro (ver fls. 1130/1131), por ele não foi impugnado. Assim, em relação a ele não se instaurou o litígio. De todo modo, são improcedentes as alegações da Recorrente, a pessoa jurídica GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, no sentido de que a fiscalização teria deixado de comprovar a atuação com excesso de poderes ou com infração por parte do Sr. José Anaílson Moro. Como bem observou a DRJ, as declarações de corretores e produtores, segundo as quais o Sr. José Moro é quem negocia em nome da GRANCAFÉ, somadas à afirmação dele próprio, de que apesar de não mais figurar no contrato social (ele constou no quadro societário entre 11/11/1997, quando constituída a pessoa jurídica, até 30/10/2007) considerase dono, juntamente com os sócios de direito atuais, vão no sentido da responsabilidade tributária atribuída pela fiscalização. A pessoa física até poderia infirmar a acusação feita nas autuação. Mas para tanto o Sr. José Anaílson Moro devia ter apresentado impugnação, seguida de recurso voluntário. Sem ter havido a regular oposição, o litígio não se instaurou e a responsabilidade tributária deve ser mantida. CONCLUSÃO Pelo exposto, nego provimento ao Recurso apresentado pela contribuinte GRANCAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, ressaltando que em relação à pessoa física, o Sr. José Anailson Moro, o litígio não foi instaurado por ausência de impugnação. EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Declaração de Voto Conselheira Ângela Satori: Ouso divergir do voto do ilustre Relator. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Primeiramente porque considero que no Processo Administrativo Fiscal não se pode aplicar o silogismo entre a fase de coleta e produção de provas anterior à lavratura de um Auto de Infração e a fase de inquérito e investigação criminal. Observo que mesmo na fase de inquérito policial o acusado possui amplo acesso às provas nele produzidas antes mesmo da apresentação da denúncia, consoante expressamente prevê a SÚMULA VINCULANTE N. 14 DO STF: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Neste sentido também afasto a súmula por falta de provas suficientes nos autos. Tendo inicialmente proposto a diligência. Nos presentes autos, praticamente todo o contexto probatório utilizado como fundamento para a lavratura Termo de Encerramento de Ação Fiscal, dos Autos de Infração, e da decisão recorrida é extraído de declarações, informações e documentos que não dizem diretamente respeito à Recorrente, e não são do domínio dela antes da autuação. Ora, nada obsta que tais informações sejam colhidas pela fiscalização. Afinal, essa é sua função. Mas promoverse a autuação sem antes ofertar à recorrente a oportunidade de se manifestar pontualmente sobre cada informação/documento que fosse sendo produzido ao longo do processo investigativo pareceme exacerbado, exatamente porque, de duas uma: ou as informações/documentos são verdadeiros, e portanto ter o recorrente conhecimento dos mesmos nada muda no curso das investigações; ou são eles falsos, e portanto não merecem dar sustentação à autuação fiscal, exatamente porque inverídicos. Igual situação ocorre com relação aos depoimentos oralmente colhidos pela fiscalização, com uma agravante adicional: todas essas declarações foram prestadas por pessoas que evidentemente têm todo o interesse em imputar a outras pessoas a responsabilidade pelos tributos que elas mesmas deixaram de pagar. Os depoimentos e informações foram todos prestados por pessoas (físicas e jurídicas) que reconhecidamente deixaram de declarar e pagar os tributos relativos às atividades de compra e venda de café que fizeram. Aliás, foi exatamente a falta de declaração e recolhimento de tributos dessas empresas que, movimentavam grandes somas financeiras, que ensejaram as operações TEMPO DE COLHEITA e BROCA, respectivamente. Nesse contexto, pareceme claro que as informações, documentos e declarações produzidos por tais pessoas físicas e jurídicas não podem ser considerados como elemento de prova suficiente à lavratura dos autos de infração contra a Recorrente, exatamente porque contaminadas com o evidente interesse de tais pessoas em não se verem obrigadas a pagar os tributos de que são devedoras. Por outro lado, embora o fato do príncipe condiciona o Processo Administrativo Fiscal em favor da Administração Tributária, não me parece razoável admitir que a fiscalização possa ouvir unilateralmente (e fora do Processo Administrativo Fiscal propriamente dito) tantas testemunhas quantas quiser, e tal prerrogativa não seja concedida em paridade de condições ao recorrente (ainda que dentro do processo administrativo fiscal). Como não há espaço à produção de prova oral em favor do recorrente ao longo do processo Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.309 15 administrativo fiscal, fere o senso de contraditório e ampla defesa permitir que à autoridade tributária seja conferida tal prerrogativa unilateral. É por isso que declaro aqui meu voto no sentido de prover o Recurso Voluntário, acolhendo a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e com isso anulando os autos de infração. Superada a preliminar, aprecio o mérito. Parto da premissa de que no mundo das livres iniciativas empresariais, pautado por relações jurídicas privadas e pela livre concorrência, a alteração abrupta do panorama legislativotributário de um determinado setor ou cadeia produtiva enseja a readaptação dos agentes daquele segmento de mercado a esse novo cenário tributário. Mudanças no ambiente ensejam mudanças de modus vivendi. Assim é na natureza. Assim é na economia. Assim estamos presenciando inclusive no momento Democrático que vivemos atualmente. Não há dúvida de que a introdução do sistema não cumulativo de tributação de PIS e COFINS em diversos setores da economia impactou o ambiente negocial e comercial dos seguimentos de mercado abrangidos pela mudança, tal qual o cafeeiro. Isso naturalmente impeliu os atores desse mercado a analisar como as mudanças influenciaram na competitividade, impondo medidas visando manter fatias de mercado e de lucro, tudo num legítimo exercício de austeridade empresarial. E é isso que vislumbro no caso dos autos: a Recorrente, como conhecida e competitiva compradora de café, visando adequarse às mudanças no cenário empresarial introduzidas à sua revelia (já que produzidas por normas jurídicas que estabeleceram o regime não cumulativo de tributação de PIS e COFINS) deixou claro ao mercado vendedor que preferia fazer aquisições de café em grãos de pessoas jurídicas, e não mais de pessoas físicas. E isso porque seu custo seria menor, e com isso, teria melhores condições de competitividade e lucratividade para seus investidores, mantendo seus postos de trabalho e o fluxo de tributos que recolhe aos cofres públicos, inclusive. Esse é seu objetivo, afinal de contas. Também me parece que foi à revelia da Recorrente – tal como ocorre no regime de livre iniciativa e livre concorrência, como acima dito – que determinados agentes de mercado passaram a constituirse como pessoas jurídicas e, bem ou mal, passaram a ofertar grãos de café à Recorrente, por um custo muito próximo àquele praticado por produtores rurais pessoas físicas. Para tais agentes de mercado, aparentame que também precisavam adaptarse ao novo cenário de custos praticado no mercado. Estando tais pessoas jurídicas atacadistas de café aptas ao exercício de sua atividade (inclusive fiscalmente falando), e ofertando elas preços e condições mais competitivas na aquisição de café pela Recorrente, seria mesmo estranho supor que deveria ela não se adaptar a esse novo cenário, rejeitando uma legítima vantagem competitiva, representada pela possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na aquisição de grãos de pessoas jurídicas. É da natureza do mercado essas adaptações. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Também considero fruto de uma presunção relativa, não cabalmente comprovada pela fiscalização, a imputação feita à Recorrente das consequências jurídico tributárias decorrentes da declaração de inidoneidade ou inaptidão das atacadistas de quem vinha comprando grãos. Não é demasiado ainda trazer a reflexão da Turma, o disposto no art. 82, da Lei nº 9.430/96, assim disposto: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Desta leitura do texto legal, comparado ao caso dos autos, em que estamos diante de auto de infração, lastreado em acusação fiscal, entendo que decorrem algumas consequências: 1) não seja possível atribuir efeitos retroativos para o ato de cancelamento na inscrição no CNPJ, de modo que apenas as aquisições de café realizadas após referido ato é que poderia ser objeto de presunção de fraude; 2) incumbe à Administração a prova de que os pagamentos efetivados pela Recorrente e respectivos recebimentos de mercadorias, também estivessem lastreados em documentação inidônea, para então se aplicar essa “presunção fiscal”, já que no momento em que o contribuinte apresentar tais provas de pagamento e entrega de mercadorias, invertese o ônus probandi; e, 3) há provas, ainda que apresentadas por amostragem diante do elevado volume de operações, que demonstram ter havido efetiva entrega da mercadoria e pagamento dos preços pactuados. Daí porque esta vem sendo a linha do entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça – STJ, inclusive no REsp nº 1.148.444, julgado como recurso repetitivo demonstrativo de controvérsia, compreendo ser ilegal a glosa de créditos tributários validamente computados pelo adquirente relativamente a aquisições feitas anteriormente ao reconhecimento, pela autoridade fiscal, da inidoneidade ou inaptidão do alienante do bem, mercadoria ou serviço. Eis porque, então, declaro meu voto no sentido de prover o Recurso Voluntário e, no mérito, votar no sentido de ser cancelada a exigência fiscal. Superado o mérito, passo ainda à qualificadora da penalidade. Quanto à qualificação da multa de ofício decorrente das glosas dos créditos de PIS e COFINS, também aqui ouso divergir. Para avaliar a pertinência da aplicação da multa qualificada, devese analisar a norma a que ela se vincula e decidir se a conduta da Recorrente coincide com os pressupostos condicionantes da sanção. E mais, deve haver minuciosa descrição por parte da Autoridade Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.310 17 pública, de qual foi a conduta e baseado em quais provas que se esta fazendo a subsunção do fato ilícito à norma que permite o agravamento da multa. O agravamento (qualificação) da multa encontrase prevista no art. 44 da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007, a seguir reproduzido: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” De plano se depreende que o dispositivo legal não é norma autônoma, na medida em que apenas estabelece parâmetros quantificadores da multa a ser aplicada “no caso de lançamento de ofício”. Em especial, § 1º que define os pressupostos sob os quais a multa aplicada deve ir de 75% a 150% é comando que tãosomente dosa ou calibra a sanção. Trata se, pois, de regra a ser observada após configurada a conduta contrária à norma que ensejou a aplicação da multa. Na medida em que a ilicitude da conduta da Recorrente – que ensejou o lançamento de ofício em auto de infração – revestese da condição de pressuposto para a aplicação da multa, ela (a ilicitude dessa mesma conduta) não deve ser levada em conta na calibragem da sanção. A qualificação da multa deve ser considerada sobre os aspectos de dolo/culpabilidade inerentes à conduta (aspectos subjetivos), já anteriormente considerada ilícita ao invés de focar aspectos de legalidade/ilegalidade daquela conduta. Ou seja, a ilicitude já houve e não se discute, mas o agravamento dependerá de avaliação subjetiva. Verificase, pela leitura do texto legal, que é exatamente a presença de dolo o fator comum na descrição das hipóteses em que aplicase o percentual de 150%, conforme se vê na transcrição dos dispositivos legais referenciados no § 1º do art. 44 da Lei n. 9.430/96: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Para a qualificação da multa, é necessário e suficiente que se certifique a presença isolada de um dos três institutos citados (sonegação, fraude ou conluio). À luz dos elementos trazidos aos autos, ainda que se admitisse que a recorrente tivesse agido no sentido de diminuir ilegalmente o quantum a ser recolhido de tributo, seria de se exigir, por força da redação dos artigos acima transcritos, que, adicionalmente, tal ação tenha sido, além de ilícita, dolosa. Assim, é na existência de prova cabalmente demonstrada do elemento subjetivo “dolo” na ação da Recorrente que se resume a questão da qualificação da multa. Não pode se basear em mera presunção fiscal, devendo haver prova contundente, convergente e conclusiva de que a conduta efetivamente era dolosa e era tendente em ocultar os elementos do fato gerador da obrigação principal. Na medida em que a legislação não dá contornos precisos e incontroversos à figura do dolo, pelo menos dois entendimentos são possíveis: A presença de dolo na conduta estaria plenamente caracterizada pela vontade de se obter um resultado, abstraindose da consciência de que tal conduta constitui um ilícito. A presença de dolo na conduta dependeria, além da vontade de se obter um resultado, a consciência da ilicitude dessa conduta. O primeiro entendimento assume identidade entre os conceitos de dolo e vontade. Deste ponto de vista, seria razoável impor a multa qualificada pois é evidente que a Recorrente, ao preferir fazer aquisições de grãos de café de pessoas jurídicas (ao invés de pessoas físicas), demonstrou ter vontade de buscar determinada economia tributária. Não restaria dúvida de que o contribuinte quis obter a redução no pagamento do tributo (quis o resultado). E estaria configurado, a partir desta perspectiva, o elemento pessoal (dolo) necessário à qualificação. Porém, tal interpretação não me parece ser a que melhor se harmoniza com o sistema normativo tributário, pelas razões que a seguir são expostas. Na medida em que se trata de recrudescimento na aplicação de uma sanção, surge a necessidade de se buscar, nesta conduta que se avalia, elemento subjetivo diferenciado que justifique tal “sobreapenamento”. A multa de ofício prevista é de 75%, sendo elevada a 150% caso se constate a subsunção às hipóteses agravantes indicadas. Portanto, é razoável supor que a qualificação da multa revistase da natureza de excepcionalidade. Ora, se da interpretação de tais hipóteses agravantes resultar uma situação reconhecidamente Recorrente, ou seja, presente na maioria das situações em que se aplica a sanção, então a qualificação da multa perde a natureza de excepcionalidade, convertendose em regra. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401002.278 S3C4T1 Fl. 1.311 19 Ao se identificar o dolo previsto na legislação fiscal com a mera vontade de se obter o resultado, ocorre exatamente essa ampliação, a qual inverte o entendimento quanto ao caráter excepcional da multa qualificada, transformandoa em regra. De se lembrar que todo ato administrativo das empresas, são, por natureza dolosos, em que tal dolo seja necessariamente fraudulentos. Para que se evite tal inversão, exigese uma interpretação mais restritiva de conduta dolosa, que pode ser obtida ao adicionarlhe – ademais da vontade de se obter o resultado – uma necessária consciência da ilicitude. Sob esse conceito mais restrito, exigemse elementos que comprovem não apenas que a ação do contribuinte estivesse direcionada à obtenção de um resultado específico (redução no pagamento de tributos), mas que, ademais, estivesse presente a consciência do caráter ilícito das ações empreendidas para obtêlo (ou seja, o ardil fraudulento). Assim, tendo por pressuposto que a conduta dolosa é devidamente caracterizada por esses dois elementos (vontade de se obter o resultado e consciência da ilicitude da conduta), constatase que no caso em tela não me parece estar cabalmente comprovado pela autoridade fiscal que a Recorrente conhecesse o caráter ilícito da conduta de outro contribuinte (aquele de quem ele comprava os grãos), que ao tempo das operações que geraram os créditos de PIS e COFINS glosados pela autoridade fiscalizadora, estava fiscalmente apta para o exercício de suas atividades, com CNPJ ativo, com certidões de regularidade fiscal válidas, e contra as quais não poderia ao Recorrente sequer tergiversar, sob pena, inclusive, de negar fé a documento público. Não pode causar espanto o fato de que as empresas atacadistas de café só passaram a ser constituídas, em sua imensa maioria, a partir de 2003, já que foi somente a partir de então que a constituição de sociedades empresárias passou a ensejar vantagens competitivas na comercialização de café em relação aos produtores rurais pessoas físicas. A aparente legalidade das constituições de sociedades empresárias atacadistas de café por pessoas ligadas, de que se vale a Administração para efetivar a autuação aqui guerreada, ocorre há muitos anos no segmento cafeeiro, atrelada à inexistência de qualquer ato fiscal que formalmente declarasse a inaptidão ou irregularidade fiscal de tais atacadistas, o que dá azo à exclusão da consciência da ilicitude dos atos praticados pela Recorrente, que limitou se a aproveitar créditos fiscais de PIS e COFINS expressamente autorizados pela legislação de regência. Na prática, se havia fundamentos para tanto, deveria a Administração cancelar os CNPJ das aludidas empresas fornecedoras antes que causassem mais prejuízos aos compradores de boafé, como a ora Recorrente, e não ao contrário, ou seja, além de quedarse omissa nessa tarefa, ainda age no sentido de agravar a penalidade imputandolhe, por presunção fiscal, conduta de dolo e fraude! Eis porque declaro meu voto no sentido de prover o Recurso Voluntário, excluindo a qualificação da multa prevista no § 1º do art. 44 da Lei n.9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 11.488/07, reduzindoa ao patamar de 75%. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 Eis meu voto. Ângela Sartori Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTOR I, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11065.005554/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO.
É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. Incabível a majoração, entretanto, quando evidenciada dúvida na descrição do produto, quanto a não corresponder àquel objeto da consulta.
Recurso Voluntário Provido em Parte
A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes, mas não em relação aos valores glosados e eventualmente mantidos por meio de auto de infração.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Somente é nulo o acórdão que tenha sido proferido com preterição de direito de defesa, o que não ocorre quando há indeferimento fundamentado de perícia e conclusão coerente com a fundamentação.
Numero da decisão: 3302-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento, exceto com relação à reconstituição da escrita fiscal. Os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó foram vencidos quanto à redução da multa de ofício.
Fez sustentação oral na sessão de abril de 2013 o Dr. Marcos Vinícius Neder.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É indeferida a solicitação de perícia considerada prescindível para a solução do litígio. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Somente é nulo o acórdão que tenha sido proferido com preterição de direito de defesa, o que não ocorre quando há indeferimento fundamentado de perícia e conclusão coerente com a fundamentação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO “SPLIT SYSTEM”. VENDA CONJUNTA DE UNIDADES CONDENSADORA E EVAPORADORA. CARACTERIZAÇÃO DE VENDA DE AR CONDICIONADO COMPLETO. A venda conjunta de unidades condensadora e evaporadora de aparelhos de ar condicionado do tipo “split system”, compatíveis entre si e sempre em situações que indiquem a venda para instalação conjunta, à vista da Regra Geral de Interpretação n. 2a da Nesh, implica a caracterização do produto como ar condicionado, para efeito de classificação fiscal. APARELHOS DE AR CONDICIONADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 55 54 /2 00 8- 21 Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.737 2 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. A reconstituição da escrita fiscal para estornar créditos do IPI discutidos em determinado processo administrativo somente é exigível em ulterior lançamento de crédito tributário mediante decisão administrativa irrecorrível do primeiro litígio. A inexistência de decisão administrativa irrecorrível do primeiro litígio não impede o julgamento do segundo litígio, porém a execução administrativa deste acórdão resta subordinada à solução dada para o estorno de créditos naquele. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes, mas não em relação aos valores glosados e eventualmente mantidos por meio de auto de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. Incabível a majoração, entretanto, quando evidenciada dúvida na descrição do produto, quanto a não corresponder àquel objeto da consulta. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento, exceto com relação à reconstituição da escrita fiscal. Os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó foram vencidos quanto à redução da multa de ofício. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.738 3 Fez sustentação oral na sessão de abril de 2013 o Dr. Marcos Vinícius Neder. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução n. 330200.174, de 09 de novembro de 2011 (fls. 818 a 828), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 768 a 805 (eProcesso)) apresentado em 04 de abril de 2011 contra o Acórdão no 10 29.728, de 27 de janeiro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 716 a 722), cientificado em 04 de março de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2004, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI “Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 “ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. “É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto, por terem sido as infrações descritas e enquadradas com clareza, infrações que foram perfeitamente compreendidas e amplamente contestadas pelo sujeito passivo. “CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. “Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.739 4 combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros. “MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. “É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. “RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. “É legítima a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, por terem sido apurados débitos do IPI, que devem ser deduzidos dos créditos desse mesmo imposto. “CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. “A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes. “SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. “É indeferida a solicitação de perícia considerada prescindível para a solução do litígio. “Impugnação Improcedente” O auto de infração foi lavrado em 08 de dezembro de 2008, de acordo com o termo de fls. 501 a 519. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), por falta (insuficiência) de lançamento do IPI, em razão de erro de classificação fiscal de máquinas e aparelhos de arcondicionado, fabricados pelo estabelecimento, conforme cópias das respectivas notas fiscais nas fls. 43 a 156 (vol. I), e também foi autuado pelo aproveitamento indevido de créditos do mencionado imposto. A exigência, no valor total geral de R$ 4.371.445,72, foi formalizada nos Autos de Infração a seguir discriminados: “a) Auto de Infração das fls. 520 a 527 (vol. III), e anexos, referente aos períodos de apuração quinzenais, que formalizou a exigência do IPI, no valor de R$ 1.431.170,82, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, por falta de lançamento, em alguns casos majorada para 112,5%, multa essa exigida inclusive nos períodos de apuração em que houve cobertura de créditos, somando as citadas parcelas, na data da Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.740 5 autuação, R$ 3.887.819,12; o sujeito passivo também foi intimado, pelo referido Auto de Infração, a estornar na escrita fiscal, no mês de dezembro de 2004, o valor de R$ 1.369.842,74; e “b) Auto de Infração das fls. 546 a 550 (vol. III), e anexos, referente aos períodos de apuração mensais, que formalizou a exigência da multa de 75% sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, multa essa no valor total de R$ 483.626,60. “Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 501 a 519 (vol. III), resumido na sequência. “Erro de classificação fiscal de unidades condensadoras “A fiscalização verificou que o interessado fabricou e realizou “vendas casadas” de unidades evaporadoras e unidades condensadoras, em igual número, no mesmo documento fiscal e para o mesmo cliente. Tais unidades foram classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), pelo interessado, separadamente, como se não formassem um conjunto entre si, com o que a fiscalização não concordou. As unidades evaporadoras foram classificadas, pelo interessado, no código 8415.82.10 da TIPI, com alíquota de 20%, e as unidades condensadoras, no código 8418.69.90, com alíquota de 5% para o IPI. “O tratamento correto para as referidas vendas, segundo o autor do procedimento fiscal, seria o de classificar o conjunto formado por unidade evaporadora e unidade condensadora no código 8415.10.11 da TIPI, próprio para máquinas e aparelhos de ar condicionado do tipo “splitsystem”, código esse instituído a partir da TIPI aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, com alíquota de 20%. “A fiscalização refere que a conduta do contribuinte fez com que o componente de maior valor do conjunto, a unidade condensadora, fosse tributada indevidamente com alíquotas do IPI que variaram de zero a 5%, ressaltando que embora o interessado seja um notório fabricante de sistemas e aparelhos de arcondicionado, dentre eles os do tipo “splitsystem”, não foram identificadas notas fiscais de saída com essa classificação. Acrescenta que, mediante consulta à página do contribuinte na rede mundial de computadores (Internet), é possível ter acesso aos manuais dos equipamentos em causa, com destaque para a descrição dos componentes: unidade interna (evaporadora) e unidade externa (condensadora). “Na planilha intitulada “SAÍDAS DE UNIDADES CONDENSADORAS CASADAS COM EVAPORADORAS (=SPLIT SYSTEM)” das fls. 157 a 159 (vol. I) foram relacionadas as notas fiscais de venda objeto de lançamento de ofício das diferenças do IPI, quanto às referidas unidades condensadoras. Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.741 6 “Erro de classificação fiscal de unidades evaporadoras “Também foi constatado pelo AFRFB que o interessado cometeu erro de classificação fiscal de unidades evaporadoras, sendo que essa irregularidade foi objeto de lançamentos de ofício anteriores, nos Processos nos 11065.004409/200407, 11065.003605/200618 e 11065.002749/200738, além de, sobretudo, ter sido objeto de consulta formulada por Springer Carrier S/A, no Processo no 13002.000205/9787, solucionada pela Decisão/SRRF 10a RF/Diana no 12, de 12 de fevereiro de 1998, publicada no Diário Oficial da União em 8 de maio de 1998. “A decisão mencionada no item precedente classificou as diversas unidades evaporadoras lá mencionadas, mesmo apresentadas isoladamente, nos códigos 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90 da TIPI, informando a fiscalização que as unidades evaporadoras objeto de verificação e lançamento por erro de classificação fiscal neste processo são as mesmas objeto da consulta antes referida, apresentando basicamente as mesmas características técnicas, diferindo apenas em formato, apresentação e capacidade, sendo que todos os modelos prestamse a uma função específica e possuem os mesmos componentes básicos que determinam a sua classificação na posição 8415 da TIPI. As unidades evaporadoras objeto do lançamento de ofício em comento foram indevidamente classificadas pelo interessado no código 8419.50.90 da TIPI, tendo sido tributadas às alíquotas de 2%, 3,5% ou 5%, conforme o caso, em detrimento da alíquota correta de 20%. No lançamento de ofício das diferenças correspondentes, houve a majoração da multa de ofício, de 75% para 112,5%, pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10a RF/Diana no 12, de 1998. “Na planilha intitulada “SAÍDAS DE UNIDADES EVAPORADORAS” das fls. 166 a 176 (vol. I) foram relacionadas as notas fiscais de venda objeto de lançamento de ofício das diferenças do IPI, quanto às referidas unidades. “Erro de classificação fiscal de aparelhos Fan Coil “Na sequência, a fiscalização apurou erro de classificação fiscal de aparelhos de arcondicionado, ou unidades de sistemas de ar condicionado, do tipo Fan Coil, que podem funcionar em corpo único ou em módulos, conforme catálogos respectivos, nas fls. 177 a 180 (vol. I), os quais foram classificados indevidamente no código 8419.50.90 e tributados à alíquota de 5%. Alguns desses equipamentos são montados em um gabinete com acabamento para ficar expostos no ambiente a ser refrigerado e outros com gabinete sem acabamento esmerado, próprios para ficarem em ambientes reservados, mas todos apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.742 7 “A classificação correta para os Fan Coil, segundo o autor do procedimento fiscal, é nos códigos 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 ou 8415.82.90, dependendo da existência de válvula de inversão do ciclo térmico e da capacidade em frigorias/hora [1 frigoria = 3,95 British Thermal Unit (ou Unidade Térmica Britânica) – Btu], todos com alíquota de 20% para o IPI. “Na planilha intitulada “SAÍDAS DE APARELHOS FAN COIL” das fls. 181 a 199 (vol. I) e 202 a 221 (vol. II) foram relacionadas as notas fiscais de venda objeto de lançamento de ofício das diferenças do IPI, quanto aos referidos aparelhos. “Correção monetária indevida de saldos credores do IPI “Sob outra perspectiva, a fiscalização constatou na escrita do estabelecimento a existência de diversos créditos alusivos à correção monetária do saldo credor do IPI, efetivamente reconhecidos em caráter definitivo pela Sentença no 095/96, exarada na Ação Ordinária no 93.00092138, tendo sido indicados os valores correspondentes em planilhas próprias, conforme documentos das fls. 222 a 328 (vol. II). “Ocorre que, após a devida reconstituição da escrita fiscal em função dos erros de classificação fiscal de produtos apurados neste processo, verificouse que os saldos credores do IPI nos períodos de apuração examinados sofreram alterações, implicando o recálculo da correção monetária autorizada em juízo. “Foi então elaborada a planilha “Apuração dos valores a glosar dos créditos de correção monetária do saldo credor do IPI”, das fls. 264 e 265 (vol. II), somando R$ 132.066,12, e os demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal, das fls. 557 a 562 (vol. III), tendo sido formalizada a exigência dos valores indevidamente aproveitados. “Falta de estorno de saldo credor indevido do IPI “Por último, o autor do procedimento fiscal verificou que o sujeito passivo, descumprindo a determinação contida no Processo no 11065.002749/200738, deixou de estornar, no livro Registro de Apuração do IPI o saldo credor apresentado no terceiro decêndio de dezembro de 2003, no valor de R$ 230.225,65, o que levou à falta de declaração e de recolhimento do IPI, tendo sido formalizada neste processo da exigência do valor correspondente. “As infrações anteriormente relatadas foram enquadradas pela fiscalização nos seguintes dispositivos: (a) arts. 15, 16, 17, 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, e 202, III, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, no caso dos erros de classificação fiscal; e (b) arts. 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 164, 199, 200, IV, e 202, III, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470 e 471 do RIPI de 2002, no caso do aproveitamento de créditos indevidos. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.743 8 “Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, ou de 112,5%, nos casos em que não foi observada a Decisão/SRRF 10a RF/Diana no 12, de 1998, conforme art. 80, I, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 69, I, “a”, da referida Lei no 4.502, de 1964, sujeitando ainda o interessado a juros de mora, previstos no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. “Impugnação “O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos de ofício em 8 de dezembro de 2008, conforme consta nas fls. 521 e 547 (vol. III), e impugnou tempestivamente a exigência, em 7 de janeiro de 2009, pelo arrazoado das fls. 568 a 598 (vol. IV), firmado por advogados, credenciados pela procuração da fl. 608 (vol. IV), pelas cópias de documentos de identidade das fls. 609 e 610 (vol. IV) e pelas cópias de documentos societários das fls. 601 a 606 (vol. IV), além de estar instruída a impugnação com os documentos das fls. 611 a 707 (vol. IV). “A impugnação principia com a descrição das atividades do estabelecimento e com o registro de que vem sofrendo constantes fiscalizações, citando processos administrativos anteriores, e dizendo que neste processo foram apuradas supostas infrações, semelhantes ou decorrentes das infrações discutidas nos demais processos a que se refere. “Diz que neste processo existe uma argumentação confusa, sem a devida fundamentação, em prejuízo da defesa. “Discorda da fiscalização, para a qual os produtos objeto do lançamento de ofício teriam uma classificação fiscal quando comercializados individualmente e outra quando comercializados conjuntamente, situação denominada pela fiscalização de “venda casada”. “O impugnante alega que a TIPI possui previsão específica para a industrialização de elementos das máquinas de ar condicionado, quer sejam eles concebidos ou não para serem reunidos em um único corpo, e que esses elementos são excluídos expressamente da classificação na posição 8415 pelas Notas Explicativas (Nesh) do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), quando apresentados separadamente, conforme transcrição efetuada pela defesa, que também se reporta à Regra Geral 1 (RGI 1), para interpretação do SH. “Segue o impugnante dizendo que tem o direito de adequar o seu processo industrial de acordo com a forma que lhe for mais favorável, sob vários aspectos, tanto de mercado, como, inclusive, do ponto de vista fiscal. Alega também que, se a vontade da União fosse tributar as unidades condensadoras com a mesma alíquota prevista para o aparelho de arcondicionado do tipo splitsystem, por exemplo, bastaria aumentar a alíquota Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.744 9 correspondente ao referido aparelho, e não excluir de tal classificação os elementos apresentados separadamente. “Acrescenta ainda que não concorda com a classificação das unidades evaporadoras na posição 8415.82.10 da TIPI, citando o Parecer Técnico no 7.283/98, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, tendo adotado o referido código exclusivamente por força da Decisão SRRF/10ª RF/Diana no 12, de 12 de fevereiro de 1998, no Processo no 13002.000205/9787. “Adiante, a defesa alega que não se pode sustentar a ocorrência de “vendas casadas”, uma vez que não cabe ao impugnante decidir sobre a destinação dos aparelhos que comercializa, os quais não são por ele instalados. “Prossegue o interessado, argumentando que é inadequada a classificação dos aparelhos objeto do Auto de Infração como aparelhos de arcondicionado completos na posição 8415 da TIPI, porque os mesmos não possuem, por si sós, as características mínimas exigidas para os aparelhos de ar condicionado (capacidade de alterar a temperatura e a umidade do ar), podendo, inclusive, ter outras destinações, como, por exemplo, servir de peças de reposição, atuar em conjunto com equipamentos de outros fabricantes, para formar máquinas industriais de refrigeração ou em frigoríficos. “Segue a defesa, dizendo que apesar de algumas notas fiscais analisadas pela fiscalização descreverem a venda de unidades evaporadoras, na verdade todas as notas fiscais em questão dizem respeito a vendas de aparelhos Fan Coil, de tal forma que toda a comercialização de unidades evaporadoras questionada no Auto de Infração impugnado representa, na verdade, a comercialização de equipamentos Fan Coil, porque, em primeiro lugar, não são mais vendidas as unidades evaporadoras com base na posição 8418 da TIPI, em face das autuações anteriores e da Decisão SRRF/10ª RF/Diana no 12, de 12 de fevereiro de 1998, no Processo no 13002.000205/9787. Em segundo lugar, o equívoco pode ser constatado pela análise do código do produto constante das notas fiscais, código esse que se refere a Fan Coil, e não a unidade evaporadora. Em terceiro lugar, os dois aparelhos são constituídos por um trocador de calor do tipo tuboaleta (serpentina) e por um ventilador, sendo que no evaporador circula um líquido refrigerante, que evapora no interior da serpentina, ao passo que, no Fan Coil, circula água. Diz o interessado que as notas fiscais relacionadas na planilha intitulada “SAÍDAS DE UNIDADES EVAPORADORAS” das fls. 166 a 176 (vol. I), contêm invariavelmente códigos de aparelhos Fan Coil, do que se conclui que não se pode falar em erro de classificação fiscal para unidades evaporadoras, ficando prejudicada a majoração da multa de ofício, nesses casos, para 112,5%. “Sobre a glosa dos valores creditados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, o impugnante alega que essa glosa se deu em face da apuração de débitos do IPI, neste Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.745 10 processo, débitos que não se sustentam, pelas razões antes expostas na defesa, motivo pelo qual a glosa da correção deve ser desfeita, sobretudo por ser indevida a reconstituição da escrita fiscal do IPI, com base nas conclusões do Processo no 11065.002749/200738, em tramitação. “A defesa também solicita a realização de perícia técnica, para determinar as características e funções dos produtos que deram causa aos erros de classificação na TIPI, segundo a fiscalização, para o que indica e qualifica assistente técnico e elabora quesitos. O interessado encerra, pedindo a procedência da impugnação. “Na fl. 713 (vol. IV), foi juntada petição do interessado, apresentada em 20 de outubro de 2010, informando a substituição do assistente técnico anteriormente indicado na impugnação.” No recurso, a Interessada inicialmente resumiu as razões da impugnação: “i) ser equivocada a premissa de que a venda conjunta das Unidades Condensadoras e Evaporadoras em questão seria equiparável a venda de um aparelho de arcondicionado; “ii) a possibilidade jurídica, expressamente prevista em lei, de se vender os equipamentos em questão como partes e elementos individuais de aparelhos de refrigeração; “iii) a impropriedade de se classificar um "Fan Coil" como um condicionador de ar; “iv) a necessidade de exclusão das multas, juros de mora e atualização monetária caso mantido o lançamento, por força do disposto no artigo 110, II do CTN; e “v) a necessidade de se produzir prova pericial a fim de identificar com detalhe as reais funcionalidades dos bens que foram objeto da fiscalização e, assim afastar a alegação de que a venda simultânea de determinados equipamentos seria equiparada a de um condicionar de ar.” A seguir, alegou ser nula a decisão de primeira instância, por ter cerceado seu direito de defesa, ao indeferir a realização de perícia. Segundo a Interessada, o Parecer Técnico do IPT juntado aos autos comprovaria “erros crassos e contradições cometidos pela Fiscalização na própria verificação da finalidade dos equipamentos autuados [...]”. No mérito, inicialmente alegou que, do auto de infração, poder seia concluir que a “premissa da d. fiscalização é de que as Unidades Condensadoras comercializadas pela Recorrente teriam uma classificação fiscal quando comercializadas individualmente e outra quando comercializadas conjuntamente”, repetindo, a seguir, os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.746 11 Tratou, também, das disposições da IN RFB no 1.072, de 2010, alegando que, até sua edição, “o ente tributante não desejava dar aos ‘elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente’ o mesmo tratamento dado aos condicionadores de ar completos, resta evidente a improcedência do auto de infração combatido que busca situação contrária.” Contestou, também, a majoração da multa, alegando que, “apesar de algumas das notas fiscais analisadas pela fiscalização, com alíquotas inferiores a 20%, descrevessem a venda de Unidades Evaporadoras, NA VERDADE todas as notas fiscais em questão dizem respeito a operações de venda de aparelhos ‘Fan Coil’”. Finalmente, tratou da reconstituição da escrita e da correção monetária dos saldos credores e requereu a aplicação do art. 100 do CTN, para excluir multa, juros e correção monetária. A diligência foi requerida nos seguintes termos: Do voto do relator, concluiuse o seguinte: 1) Em relação às vendas casadas, está demonstrado nos autos que a questão a ser decidida é de direito e não de fato, uma vez que as vendas efetuadas referiramse aos dois elementos (unidades condensadora e evaporadora), restando saber se, nos termos das regras de classificação de mercadorias, tais vendas são consideradas de ar condicionado completo ou não; 2) Em relação às vendas das unidades evaporadoras com classificação incorreta, restou demonstrado nos autos dúvida relevante em relação aos produtos cujo código iniciase por “42L”, sendo suficiente tal fato para excluir a majoração da multa; 3) Em relação aos “fan coil”, a Fiscalização relatou tratarse, indistintamente, de casos em “que podem funcionar em corpo único ou em módulos”. A Interessada, em resumo, apresentou um quadro demonstrativo dos elementos que faltariam aos produtos objeto do auto de infração para que fossem classificados nas posições pretendidas pela Fiscalização, relativamente a cada item acima: 1) elementos de expansão; 2) elementos de expansão e unidade condensadora; 3) elementos de expansão e módulo compressor. Diante do anteriormente exposto, entretanto, verificase que a perícia requerida pela Interessada é desnecessária em relação ao primeiro item. Já se conhece quais os elementos faltantes e consta dos autos Parecer Técnico esclarecendo a funcionalidade do produto. Em relação ao segundo, embora haja provas ou indícios de que a Interessada tem razão, ao menos em parte, quanto a suas alegações, o Relator considerou que o ônus da prova caberia à Interessada, que deveria apresentar as provas nos autos. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.747 12 No tocante ao terceiro, seriam desnecessários maiores esclarecimentos. Em meu entender, todavia, a questão não é passível de ser solucionada de pronto, são necessários alguns esclarecimentos. Quanto ao item (2) acima mencionado, sou da opinião que não se trata apenas de analisar a majoração da multa, mas se o lançamento foi efetuado corretamente, o que exige saber com clareza se as saídas foram de unidades evaporadoras ou de aparelhos “fan coil”. Neste sentido, tornase imprescindível verificar, juntamente com o controle de estoque, se os bens saídos são “Fan Coil”, o que permitirá, inclusive, analisar adequadamente a alegação do Fisco de afronta à resposta de consulta. Quanto ao item 3, é preciso discriminar as unidades de aparelhos “fan coil” de corpo único ou de módulos e, em relação aos últimos, se foram vendidos os dois módulos ou apenas um deles. Dessa forma, considero necessária a realização de diligência, devendo a Interessada ser intimada para apresentar a documentação necessária às seguintes finalidades: 1) Em relação às unidades evaporadoras, deverá ser verificado o controle de estoque da Interessada, a fim de constatar se reflete o erro na descrição dos produtos vendidos. Para tanto, a autoridade administrativa deverá realizar relatório demonstrativo indicando de forma clara quais aparelhos saíram do estabelecimento, bem como se houve erro na descrição do produto. 2) Verificar, por meio de intimação da Interessada, se há outros elementos, como preços e códigos dos produtos (especialmente aqueles que não se iniciam com os dígitos “42L”), que corroboram suas alegações. Tais informações deverão ser analisadas e consideradas pela fiscalização quando da realização do mencionado relatório. 3) Em relação aos aparelhos “fan coils”, esclarecer, (i) quais/quantos saíram em módulos; (ii) quanto àqueles apresentados em módulos, se as vendas eram efetuadas conjuntamente. Mais uma vez solicitase a elaboração de relatório conclusivo neste sentido. Após intimar a Interessada e analisar a documentação, a Fiscalização lavrou o termo de fls. 1712 a 1717, cuja conclusão foi a seguinte: RESPOSTA AO QUESITO 1 Os aparelhos relacionados na planilha a que se refere o quesito 1, antes transcrito, são unidades evaporadoras. A dúvida surgiu na mente da Conselheira Relatora em decorrência da argumentação da contribuinte interessada de que todas as unidades evaporadoras Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.748 13 existentes nas operações denominadas "vendas casadas" e "Saídas de Unidades Evaporadoras" são, na realidade, vendas de aparelhos Fan Coil: "...apesar de algumas notas fiscais analisadas pela fiscalização descreverem a venda de unidades evaporadoras, na verdade todas as notas fiscais em questão dizem respeito a vendas de aparelhos Fan Coil... " Entretanto, esta declaração não faz o menor sentido, pois na coluna "descrição dos produtos" de todas as notas fiscais constantes da planilha "Vendas Casadas" às fls. 162 a 164 e da planilha "Saídas de Unidades Evaporadoras", às fls. 171 a 181 está escrita a expressão "evaporadora", "evap.", "ev.", e assim por diante. Ora, se a própria contribuinte interessada, ao descrever os seus produtos perante os seus clientes, os classifica como unidades evaporadoras, sendo eles assim desta forma chamados, identificados e vendidos ao longo dos anos, não é possível que ela, agora perante o fisco, venha a querer declarar que aqueles aparelhos não são aquilo do que foram chamados ao longo do tempo, sendo na realidade, outro tipo de aparelho. É necessário manter a lógica e a coerência. Também carece de fundamento o entendimento que está se formando no julgamento deste processo (ver texto do quesito 2, acima) de que os aparelhos cujo código de identificação interna do produto iniciamse com 42L seriam todos aparelhos Fan Coil. Nos livros Registro de Inventário, apresentados pela contribuinte interessada (cópias parciais às lis. 1.664 a 1.694), temos inúmeros exemplos, ao longo de todo o ano em estudo (2004), tanto de aparelhos Fan Coil cujo código começa com 42L, quanto de Unidades Evaporadoras cujo código começa com 42L. Temos também naqueles livros inúmeros exemplos de aparelhos Fan Coil cujo código começa com outros números/letras, bem como Unidades Evaporadoras cujo código começa também com outros números/letras. Assim, salvo melhor juízo, tornase impossível fazer uma distinção para fins tributários de classificação de mercadorias, partindo da informação prestada pela contribuinte interessada em sua resposta apresentada em 02 de julho de 2012, de que a única diferença entre os Aparelhos Fan Coil e as Unidades Evaporadoras consiste na presença de "Conjuntos Coletores" nos Aparelhos Fan Coil e "Conjunto Distribuidor" nas Unidades Evaporadoras. Segundo a alegação da contribuinte, a diferença fundamental entre os dois tipos de aparelho (Aparelhos Fan Coil e Unidades Evaporadoras) é que enquanto circula água na tubulação de um Aparelho Fan Coil, circula gás na tubulação de uma Unidade Evaporadora. Tendo em vista que a própria contribuinte interessada não conseguiu, segundo as suas respostas à nossa intimação, encontrar outras provas de que teria vendido apenas Fan Coil descritos erroneamente como Unidades Evaporadoras, além da diferença que dentro dos tubos (circuito fechado) dos ditos aparelhos há água em um e gás no outro, mantemos a nossa firme convicção de que as notas fiscais Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.749 14 que descrevem vendas de Unidades Evaporadoras referemse, realmente a Unidades Ev, p^ck s. r essaltese que esta diferença de sistema de funcionamento (água em um aparelho c gás ;m outro) não faz a menor diferença para o uso que se dá ao aparelho. Em ambos os tipos de aparelho (refrigerados/aquecidos a água/gás), ao acionálo o usuário liga um ventilador que sopra ar sobre tubos e/ou aletas, mais frios que o ambiente que se quer resfriar ou mais quentes que o ambiente que se quer aquecer. Concluindo, podemos afirmar que a diferenciação dos aparelhos alegada pela contribuinte interessada (água em um e gás cm outro) não faz a menor diferença para o usuário. Por outro lado, as notas fiscais que descrevem vendas de aparelhos Fan Coil referemse, realmente, a aparelhos Fan Coil. RESPOSTA AO QUESITO 2 Conforme as respostas da contribuinte interessada, não há outros elementos, além do já citado no item anterior, para se fazer uma distinção entre uma Unidade Evaporadora de um aparelho condicionador de ar do tipo split system c a parte interna de um Aparelho Fan Coil vendido em módulos. Ainda segundo a interessada, os preços variam muito, sendo comuns aos dois tipos de aparelhos, o que, ao nosso ver, tornaos inadequados para servirem de base para uma nova classificação ou distinção entre aparelhos Fan Coil e Unidades Evaporadoras, desprezando, assim, a descrição dos produtos nas respectivas notas fiscais. Também os livros Registro de Inventário não se prestaram para fazer esta nova separação e identificação dos aparelhos em análise, pois, novamente segundo a própria contribuinte interessada, os livros contém a mesma descrição constante nas notas fiscais. RESPOSTA AO QUESITO 3 Quanto a este quesito, o qual fundamentase no item 3 do Voto Vencedor, redigido pela Redatora Designada, Conselheira Fabíola Cassiano Kcramidas, que referese a vendas de aparelhos Fan Coil tratados por esta fiscalização na planilha de vendas de aparelhos Fan Coil, analisando as respostas prestadas pela contribuinte interessada, bem como os catálogos da linha de produtos da empresa, constatamos que tratamse, realmente de aparelhos do tipo corpo único. Assim, os aparelhos Fan Coil, constantes na planilha "Saídas de Aparelhos Fan Coil", anexa às fls. 186 a 227, são, efetivamente, apresentados em um corpo único, isto é, não são apresentados em módulos. Este fato, ao nosso ver, fortalece inequivocamente a argumentação para a exigência do imposto, pois esta constatação torna ainda mais clara a convicção de que estes aparelhos tratamse, sim, de aparelhos condicionadores de.ar, Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.750 15 cuja única finalidade possível de uso c refrigerar e/ou aquecer os ambientes, para o conforto das pessoas. Tendo assim relatado os procedimentos adotados, os dados colhidos e as conclusões obtidas em diligência determinada pela Resolução n° 330200.174 3 a Câmara / 2 a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF, de 09 de novembro de 201 1, foi lavrado o presente relatório, do qual foi dada ciência à contribuinte interessada, a qual terá, nos termos daquela Resolução do CARF, o prazo de 30 (trinta) dias após a ciência para, querende manifestarse sobre este relatório. Decorrido este prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, este relatório será acostado ao processo I 1065.005554/200821,o qual será remetido novamente ao CARF, para prosseguimento. Em resposta ao termo, a Interessada apresentou a contestação de fls. 1718 a 1733, em que alegou, resumidamente, o seguinte: [...] II. Da resposta ao Quesito 1 Em relação ao Quesito 1, o seguinte foi requisito por esta D. Turma julgadora: "1) Em relação às unidades evaporador as, deverá ser verificado o controle de estoque da Interessada, a fim de constatar se reflete o erro na descrição dos produtos vendidos. Para tanto, a autoridade administrativa deverá realizar relatório demonstrativo indicando de forma clara quais aparelhos saíram do estabelecimento, bem como se houve erro na descrição do produto, "(fl. 828) Conforme já referido acima, a resposta ao presente quesito evidencia que a Autoridade Fiscal não empreendeu o mínimo esforço para realizar a investigação determinada por esta D. Turma julgadora, em que pese tenha permanecido por mais de 45 (quarenta e cinco) dias com todos os livros registros de entrada, de saída e de inventário da Contribuinte. Com efeito, a resposta apresentada limitase a afirmar que o que "vale" é a descrição do produto constante nas notas fiscais, a despeito de todas as provas constantes do processo e, inclusive, das provas que lhe foram apresentadas pela Contribuinte no decorrer da diligência conforme se passa a analisar na resposta ao Quesito 2, conforme segue. III. Da resposta ao Quesito 2 No Quesito 2, esta D. Turma julgadora solicitou para a Autoridade Fiscal: 2) Verificar, por meio de intimação da Interessada, se há outros elementos, como preços e códigos dos produtos (especialmente aqueles que não se iniciam com os dígitos "42L "), que corroboram suas alegações. Tais informações deverão ser analisadas e consideradas pela fiscalização quando da realização do mencionado relatório. " (fl. 828) Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.751 16 Na resposta oferecida ao referido quesito, o Relatório de Diligência se limita a analisar a tentativa de comparação de preços entre as mercadorias em questão, assim como à tentativa de análise do controle de estoque para concluir que não existem outros elementos para comprovar que os aparelhos objeto da planilha "Saídas de Unidades Evaporadoras" se tratam, na verdade de aparelhos FAN COIL e não de Unidades Evaporadoras, conforme equivocadamente registrado na descrição do produto constante nas notas fiscais da Contribuinte. Todavia, a resposta oferecida é tendenciosa e negligente. Com efeito, tendenciosa porque afirma que a Contribuinte teria alegado que os Livros não teriam se prestado para realizar a diferenciação entre os aparelhos porque apresentavam os mesmos erros de descrição. A afirmativa é procedente EM PARTE porque o que a Contribuinte afirmou foi que as descrições dos produtos acabados constantes nos Livros continha os mesmos equívocos das notas fiscais. Entretanto, o mesmo não ocorre se analisados os insumos (componentes) utilizados para a fabricação dos aparelhos objeto da autuação, conforme comprovação realizada através da documentação apresentada ao Fisco no dia 29/06/12 (fls. 927/1.694 do eCAC). Ademais, a Contribuinte entregou à Autoridade Fiscal uma comprovação de que aquelas descrições de produtos que estavam equivocadas no seu sistema foram quase todas retificadas pela empresa, situação que demonstra que efetivamente estavam erradas à época dos fatos objeto do lançamento, conforme petição protocolada no dia 12/06/12. Ocorre, Ilustres Julgadores, que muito estranhamente o Relatório de Diligência SE OMITIU COMPLETAMENTE EM RELAÇÃO ÀS INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS QUE LHE FORAM ENTREGUES NESTE SENTIDO. De fato, verificase que o Relatório de Diligência foi capaz de ignorar completamente as informações prestadas pela Contribuinte, situação que volta a corroborar pela falta de interessa de Autoridade Fiscal em colaborar com o descobrimento da verdade no presente feito, bem como no sentido de violação ao princípio da imparcialidade acima invocado. Por tal razão, diante da completa omissão do Relatório de Diligência, a Contribuinte pede para reiterar brevemente as informações apresentadas à Autoridade Fiscal que comprovam que os produtos objeto das notas fiscais relacionadas na "Saídas de Unidades Evaporadoras" se tratam, na verdade de aparelhos FAN COIL. III. a. Da análise dos insumos (componentes) utilizados para a fabricação dos aparelhos Conforme detalhado através da Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.752 17 petição protocolada em 29/06/12 (fls. 927/931 4 ), é possível rastrear, a partir das informações constantes nas notas fiscais objeto da autuação, quais os insumos foram utilizados para produção de cada produto e, a partir daí, demonstrar que o mesmo é um FAN COIL ou não de acordo com a presença de determinados componentes que o caracterizam. Neste sentido, a Contribuinte apresentou a planilha "IPl_tudo.xlsx" (fls. 1.064/1.694) onde consta a relação de todos os componentes utilizados nas ordens de produção relacionadas aos equipamentos comercializados através das notas fiscais relacionadas pela planilha "Saídas de Unidades Evaporadoras" de fls. 166/176. Através desta relação de componentes, podese verificar que os insumos utilizados na fabricação dos equipamentos em questão são referentes a aparelhos FAN COIL. Com efeito, um exemplo claro para a distinção das Unidades Evaporadoras em relação aos aparelhos FAN COIL é a verificação das peças chamadas "conjunto coletor " e "conjunto distribuidor". Embora realizem funções semelhantes, estas peças diferenciamse pelo fato de a primeira trabalhar com líquidos (água, no caso do FAN COIL) e a segunda trabalhar com gás. Por tais características, podese afirmar que um aparelho FAN COIL deve conter no mínimo 2 (dois) "conjuntos coletores" e nenhum "conjunto distribuidor", enquanto que a Unidade Evaporadora deve conter no mínimo 1 (um) "conjunto distribuidor" e 1 (um) "conjunto coletor”. Portanto, um exemplo claro e incontestável na diferenciação dos componentes utilizados na fabricação destes produtos é a presença do "conjunto distribuidor " ou a presença e 2 (dois) "conjuntos coletores", sendo que: [...] Sendo assim, se analisada a relação dos componentes (vide planilha "IPlJudo.xlsx") utilizados pela Contribuinte para fabricação de cada um dos equipamentos comercializados através das notas fiscais da planilha de fls. 166/176, verificarse á que todos consumiram, no mínimo, 2 (dois) "conjuntos coletores", e, ainda, não consumiram nenhum "conjunto distribuidor", situação que comprova que tais aparelhos tratam se, na verdade, de FAN COIL. Na petição de fls. 927/931, a Contribuinte apresentou exemplos e ainda demonstrou como que cada produto é relacionado às notas fiscais objeto da autuação. Todavia, em que pese a demonstração realizada pela Contribuinte, constatase que o Relatório de Diligência apresentado foi completamente omisso em relação às planilhas e demais evidências apresentadas. Certamente porque a Autoridade Fiscal não teria argumentos contra esta demonstração cabal de que os aparelhos objeto da autuação eram, da fato, aparelhos FAN COIL. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.753 18 III.b. Da análise retificações das descrições dos produtos realizadas no sistema de controle de produção da Contribuinte Também como prova da efetiva ocorrência de equívoco na descrição dos produtos objeto das notas fiscais relacionadas nas "Saídas de Unidades Evaporadoras", a Contribuinte apresentou ao Fisco, através da petição protocolada em 12/06/12 (fls. 848/852 do eCAC), uma de linha e, por isso, não precisarem ter sua descrição retificada nos sistemas da empresa. Tal demonstração encontrase detalhada na petição de fls. 848/852 e documentos anexos, razão pela qual deixase de repetir para evitar tautologia. Infelizmente, Ilustres Julgadores, o Relatório de Diligência furtouse na análise das informações levadas a seu conhecimento, assim como na sua obrigação de levantar novas provas para atender à determinação desta D. Turma julgadora exposta no Quesito 1 acima, razão pela qual o Relatório de Diligência, além de nulo, mostrase imprestável ao fim a que deveria ter se dedicado. O que importa é que foram apresentadas pela Contribuinte novas provas acerca do equívoco das descrições dos produtos objeto das notas fiscais relacionadas na "Saídas de Unidades Evaporadoras". Todas dando suporte às alegações da Contribuinte já apresentadas em sede de impugnação no sentido de que tais produtos tratamse, na verdade, de aparelhos FAN COIL e não Unidades Evaporadoras, razão pela qual, não só a classificação fiscal pretendida pelo Fisco está equivocada, mas também é indevida a aplicação de multa agravada no caso concreto. Isto porque a Contribuinte, tendo em vista a solução de consulta proferida neste sentido, estava obrigada a classificar somente as Unidades Evaporadoras na posição 8415 da TIPI, sob pena de incidência de multa agravada em eventual lançamento de ofício, o que não ocorria, todavia, com os aparelhos de FAN COIL. Logo, a multa agravada não é aplicável quando se trata destes últimos, exatamente como ocorre no caso em tela. Improcedentes, portanto, as alegações da Autoridade Fiscal de que não influi no presente caso diferenciar quais aparelhos são Unidades Evaporadoras e quais são FAN COIL, eis que classificar as mercadorias em um ou outro tipo definirá a aplicação ou não de multa agravada. Aliás, a atitude da Autoridade Fiscal de afirmar que não faz diferença classificar as mercadorias em comento como Unidades Evaporadoras ou FAN COIL, já que supostamente todas seriam condicionadores de ar, revela com clareza, mais uma vez, a parcialidade da mesma, que ao invés de cumprir sua diligência e verificar se as referidas Unidades Evaporadoras devem ser classificadas como FAN COIL, para fins de afastamento da multa agravada, proferiu juízo de mérito sob os fatos discutidos nos autos. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.754 19 IV. Da resposta ao Quesito 3 Por fim, no que tange ao Quesito 3, eis os esclarecimentos solicitados por esta D. Turma julgadora: "3) Em relação aos aparelhos "fan coils", esclarecer, (i) quais/quantos saíram em módulos; (ii) quanto àqueles apresentados em módulos, se as vendas eram efetuadas conjuntamente. Mais uma vez solicitase a elaboração de relatório conclusivo neste sentido. " (fl. 828) Pois bem, não fossem pelos "conceitos" e comentários apresentados ao longo do Relatório de Diligência, poderseia dizer que a resposta apresentada a este quesito é a única correta do relatório, eis que conclui que os aparelhos FAN COIL objeto da autuação são todos do tipo corpo único. Todavia, pecou uma vez mais o Relatório de Diligência quando alega (ainda que sem uma explicação lógica) que a conclusão de que os aparelhos FAN COIL objeto da autuação são todos do tipo corpo único "fortalece a argumentação" do Fisco. Com efeito, a conclusão apresentada no presente quesito apenas demonstra que a Autoridade Fiscal responsável pelo Relatório de Diligência incorreu nos mesmos equívocos do auto de infração, não sabendo identificar o modo de funcionamento dos aparelhos FAN COIL. Conforme já sustentado à exaustão no presente processo, está errado acreditar que um aparelho FAN COIL constitui, por si só, um aparelho condicionador de ar completo. Da mesma forma que está errado querer equiparar um sistema de refrigeração que trabalhe com aparelhos FAN COL "aqueles sistemas mais simples que funcionam com uma Unidade Evaporadora. Isso porque estes sistemas trabalham de formas diferentes e possuem componentes diferentes. Conforme já demonstrado ao longo do presente processo, os aparelhos FAN COIL são destinados a soluções mais complexas de refrigeração que trabalham com água, ao contrário dos condicionadores de ar comuns que trabalham com gás refrigerante. E um equívoco comparar um tipo de sistema com o outro, na medida que os sistemas de refrigeração que utilizam o aparelho FAN COIL (denominado no meio de "Sistema de Água Gelada") funcionam com uma central de refrigeração que envia a água gelada para os trocadores de calor (aparelhos FAN COIL) situados nos ambientes, os quais são responsáveis penas pela troca do calor entre a água e o ambiente em que está situado. Ou seja, o aparelho FAN COIL não produz frio, função essencial de um aparelhos condicionador de ar. Ele pode ser considerado como um instrumento difusor do sistema de refrigeração e, por isso, não pode ser considerado um aparelho de ar condicionado, sobretudo quando apresentado separadamente (ainda que em corpo único), como no caso concreto. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.755 20 Por tal razão, é que os aparelhos FAN COIL podem ser utilizados para diferentes aplicações e, inclusive, são comercializados independentemente dos outros aparelhos que compõem o sistema de refrigeração com água gelada, como é o caso das vendas realizadas pela Contribuinte que sequer fabrica ou comercializa todos os componentes necessários para a composição de um sistema desta natureza. Sendo assim, Ilustres Julgadores, dúvidas não restam de que é indevida a tentativa de classificar os aparelhos FAN COIL como condicionadores de ar completos. Resta suficientemente comprovado que tais aparelhos são apenas elementos de sistemas de refrigeração e, por isso, expressamente excluídos da posição 8415 da TIPI. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. As matérias constantes do recurso são as seguintes: nulidade do auto de infração e do acórdão de primeira instância; realização de perícia; classificação fiscal das unidades condensadoras vendidas em conjunto com as unidades evaporadoras; classificação fiscal das unidades evaporadoras em desacordo com solução de consulta e consequente majoração da multa de ofício; classificação fiscal dos aparelhos “fan coil”; correção monetária do saldo credor reconhecido em ação judicial; reconstituição da escrita fiscal à vista do auto de infração constante do processo administrativo n. 11065.002749/200738; aplicação do art. 100 do CTN. Inicialmente, a Interessada alegou ser nulo o auto de infração, no que não tem razão, pois, conforme esclarecido pela Primeira Instância, a descrição dos fatos foi precisa, não havendo nulidade por cerceamento de defesa ou qualquer outra razão material ou formal. A seguir, a Interessada requereu a produção de prova pericial, “a fim de identificar com detalhe as reais funcionalidades dos bens que foram objeto da fiscalização”. A DRJ denegou a realização da perícia, o que levou a Interessada a alegar nulidade do acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Entretanto, ao mesmo tempo em que requereu a perícia, apresentou explicações sobre tais funcionalidades, cópias de manuais de funcionamento e instalação e laudo técnico do IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas (fls. 1097 e seguintes), tratando da classificação fiscal das unidades evaporadoras (laudo ao qual a Fiscalização já havia se referido no termo de verificação fiscal). Nesse contexto, os quesitos formulados pela Interessada estão direcionados a provar fatos que utiliza em sua defesa e que desejou contrapor aos fatos afirmados pela Fiscalização. Entretanto, ainda que tais fatos sejam conhecidos nos presentes autos, a questão Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.756 21 chave para resolver o presente processo não está na possibilidade de ocorrência de tais fatos, mas, sim, na interpretação da legislação e nas provas que constam dos autos. Ademais, vejase que, se o parecer juntado aos autos e os demais documentos já seriam suficientes para demonstrar os erros e contradições da Fiscalização, não haveria razão para realização de perícia. Por tais razões, o acórdão de primeira instância não é nulo, nem necessária a realização de perícia. É indiscutível que as provas trazidas aos autos trouxeram dúvidas sobre a procedência de mérito do auto de infração, mas somente em relação a algumas questões específicas. Nesse contexto, com a realização da diligência aprovada, considerase que a prova adicional necessário à solução do litígio foi efetuada, muito embora a Interessada não tenha concordado com o resultado, como ficou esclarecido no relatório. Passase ao exame do mérito. Quanto às unidades condensadoras, primeiramente há que se esclarecer que a IN RFB no 1.072, de 30 de setembro de 2010, não inovou propriamente a classificação fiscal dos produtos em questão. O texto de Subposição 8415.90 introduzido pela IN foi o seguinte: Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas.” Vale dizer, diz o referido texto que a mencionada subposição, abaixo reproduzida, compreende as unidades “quando apresentadas separadamente”: 84.15 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. 8415.10 Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados) [...] 8415.8 Outros: 8415.81 Com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis) [...] 8415.81.90 Outros [...] Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.757 22 8415.90.00 Partes A alteração, portanto, referiuse à classificação dos aparelhos “quando apresentados separadamente”. A classificação das unidades condensadoras utilizada pela Interessada foi a de posição 8418.69.90, que se refere a outros “Refrigeradores, congeladores (‘freezers’) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15.” Portanto, é elementar que, seguindo as regras de classificação, máquinas de ar condicionado somente poderiam classificarse na posição 8415 e nunca na 8418. Entretanto, a Interessada argumentou que, anteriormente a essa conclusão, haveria expressa previsão de exclusão “das referidas posições os elementos que compõem os aparelhos de arcondicionado quando apresentados separadamente”, segundo o que segue: Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.). Portanto, temse que a divergência não se refere à modificação efetuada pela IN, uma vez que a Fiscalização entendeu que os produtos, no caso, “não se apresentavam separadamente”, classificandoos como “ar condicionado” e não como “elementos dos grupos de ar condicionados”, à vista do que chamou de “venda casada”. De toda forma, a nota citada somente diz respeito aos elementos que se poderiam classificar nas posições indicadas, sendo que os demais elementos classificamse na respectiva posição. Na posição 8418, classificarseiam os refrigeradores e congeladores, o que não abrange as unidades condensadoras, pela simples aplicação da regra geral de classificação 2a: a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. É sabido que os dois elementos do sistema não foram projetados para funcionar separadamente. Vale dizer, não têm função quando separados. Caso não houvesse a “venda casada”, poderseia discutir a aplicação da regra acima sob algum outro aspecto interpretativo, mas o que importa, portanto, é saber se se trata de “venda casada” ou não; em outras palavras, se a Interessada vendeu “aparelho de ar condicionado” ou “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente”. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.758 23 Isso por que, segundo a regra acima citada, a venda dos elementos principais do ar condicionado deve ter o mesmo tratamento do aparelho completo, para efeito de classificação fiscal. Nesse contexto, a argumentação da Interessada de que há permissão legal para o seu procedimento, contida na própria Tipi, é completamente contraditória com a de que não saberia qual fim seus clientes dariam aos elementos vendidos. A primeira argumentação pressupõe a possibilidade clara de venda de aparelho completo, adotandose a posição menos onerosa por suposta expressa previsão legal, enquanto que a segunda justifica o procedimento pelo fato de supostamente não saber se vende ou não aparelho de ar condicionado ou elementos de ar condicionado. A primeira alegação depende da interpretação do que sejam “elementos apresentados separadamente”; a segunda pressupõe a ignorância do fato. No primeiro caso, a interpretação da Interessada do que seja “apresentados separadamente” é inadmissível. “Apresentar”, aqui, é utilizado como sinônimo de “por à disposição; oferecer”. Quer dizer, se o produto é oferecido separadamente, então se aplica a regra; caso seja oferecido o aparelho de ar condicionado, aplicase a classificação própria. Assim, no entendimento da Interessada, ela poderia vender o aparelho de ar condicionado, ofertando separadamente os elementos, por expressa previsão legal. Entretanto, é óbvio que o fato de haver classificação fiscal para os elementos separados não implica que a discriminação nas notas fiscais de tais elementos implique que, de fato e direito, a oferta tenha sido efetuada separadamente. Caso contrário, terseia que concluir que a classificação fiscal dependeria, unicamente, de uma escolha do contribuinte. Vale dizer, o contribuinte, embora fabrique aparelhos de ar condicionado, poderia simplesmente escolher não os vender, por vender apenas seus elementos separadamente, ainda que na mesma nota fiscal. É esse o teor da argumentação apresentada. É elementar que não é esse o espírito da norma, que pretendeu, na realidade, esclarecer que a venda do aparelho de ar condicionado é diferente da venda dos seus elementos, separadamente. Por isso tem toda razão a Fiscalização ao indagar sobre, quando, então, a Interessada venderia aparelhos de ar condicionado do tipo “split system”. A conclusão lógica, portanto, é que se a Interessada vendeu os aparelhos completos, então ela vendeu aparelhos de ar condicionado e não os seus elementos. Nesse contexto, a referência da Interessada à forma de industrialização do tipo “montagem” também é improcedente, ao sugerir que, para resultar um aparelho de ar condicionado “split”, teria que haver uma industrialização do tipo montagem, que, não ocorreria no caso. A regra geral 2a anteriormente citada afasta essa possibilidade de interpretação. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.759 24 Se assim fosse, qualquer produto que exigisse montagem no local de funcionamento seria um produto intermediário e não um produto acabado. Logicamente, a definição de montagem contida no Regulamento do IPI é mais restrita e específica do que a mencionada pela Interessada, uma vez que um conjunto formado por unidade evaporadora e condensadora forma um aparelho de ar condicionado, ainda que não instalado. Ademais, segundo o regulamento, a “reunião” de produtos, partes e peças, por si só, já representa montagem, o que significa que basta estarem os elementos reunidos e assim comercializados para se falar no produto aparelho de ar condicionado. Dessa forma, não resta dúvida alguma de que a venda do conjunto formado pelas unidades evaporadora e condensadora representa a venda de um aparelho de ar condicionado. Esclareçase ainda que a regra geral n. 2 não é de aplicação sucessiva à regra 1, pois diz respeito a “qualquer referência a um artigo em determinada posição” (2a) da Tipi e, assim, deve ser aplicada em conjunto com a regra n. 1. A outra questão a ser respondida é se seria possível que uma determinada venda específica de duas unidades distintas em uma mesma nota fiscal poderia representar a venda de dois produtos separadamente e não da unidade. Em termos gerais, não se pode afirmar que não é possível, pois determinado cliente poderia ter, por exemplo, dois aparelhos instalados, que sofreram danos concomitantes, um numa unidade e o outro na outra. Então, para reparar os aparelhos instalados, tal cliente poderia muito bem adquirir duas unidades distintas com o objetivo de substituir as unidades danificadas. Qualquer outra hipótese que se imagine é parecida com essa, no sentido de que os dois elementos juntos formam um aparelho de ar condicionado, mas, isoladamente, não tem função para o consumidor final que não tenha o outro elemento. O fato de os produtos serem compatíveis com os de outros fabricantes não muda em nada tal situação. Portanto, é claro que essa não seria uma situação comum e que a “venda casada” dificilmente corresponderia a uma hipótese dessas. Poderseia, então, alegar que a autuação teria ocorrido por presunção, questão que, da forma aqui colocada, não foi alegada pela Interessada, mesmo por que defendeu o direito de “optar” por uma tributação menos onerosa. Entretanto, não se trata de presunção, pois todas as notas fiscais representam o que a Fiscalização chamou de “vendas casadas”. A Interessada, entretanto, para se esquivar à prova específica sobre cada operação, desde logo adiantou que não teria conhecimento da intenção dos clientes que compraram os produtos. Essa alegação não é razoável diante dos numerosos casos em que ocorreu tal situação (fls. 157 a 159) e do fato de as vendas terem sido efetuadas na maioria dos casos, o Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.760 25 que se deduz das notas fiscais constantes dos autos, a revendedores de aparelhos de ar condicionado. Vejase que, se se tratasse de vendas a empresas de assistência técnica, ainda se poderiam admitir as hipóteses anteriormente mencionadas, mas, ainda assim, seria muita coincidência que, em todas as vendas, o número dos dois elementos sempre fosse o mesmo. A alegação da Interessada de que “podem ser utilizados em conjunto com outros aparelhos produzidos por outros fabricantes para a formação de um aparelho de ar condicionado ou, ainda, utilizados para a formação de outros equipamentos que não aparelhos de arcondicionado, como, por exemplo, máquinas industriais (nas quais atua na refrigeração) ou de refrigeração frigorífica”, é absurda para os casos em questão. Se se tratasse de uma venda isolada de um elemento, não haveria o que se questionar, mas não se consegue conceber a possibilidade razoável de uma empresa comprar os dois elementos, que juntos formam um aparelho de ar condicionado, para usálos, cada um, em uma função diferente. Por fim, destaquese que, em muitos casos, as vendas também incluíam “kit de controle térmico” ou de controle remoto, que vários conjuntos foram entregues em canteiros de obra (p. ex., fl. 96), para instalação em construções e que sempre, nos conjuntos, ainda que em notas com maior quantidade como a de fl. 85, as unidades são compatíveis entre si em termos de voltagem e capacidade térmica. Portanto, não restam dúvidas de que as vendas que ocorreram foram dos conjuntos e, assim, de aparelhos completos de ar condicionado. Ainda em relação às unidades evaporadoras, a Interessada apresentou, em memoriais, a alegação de que a classificação fiscal deve seguir a ordem das regras de classificação e, assim, não se poderia aplicar a regra “2” se a regra “1” permitisse classificar os produtos. Nesse contexto, ressalta que a 1ª regra determina a classificação seja efetuada “pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo”. Entretanto, a regra “2a” 1 não se apresenta como solução a uma impossibilidade de classificação pela regra “1”, mas, sim, como um esclarecimento de como deve ser interpretada a “referência a um artigo em determinada posição”. Dessa forma, a referida regra é de observância obrigatória para a interpretação da “referência a um artigo em determinada posição”. Quanto às unidades evaporadoras, primeiramente afirma ser correto o seu critério de classificação e que as soluções de consulta não vinculam o órgão julgador. 1 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.761 26 De fato, em relação ao Carf as soluções de consulta não são vinculativas, embora o sejam em relação às DRJ. Portanto, cabe analisar, em princípio, qual a classificação fiscal das referidas unidades, mas, como a Interessada as classificou na posição 8419, a questão será analisada posteriormente, juntamente com a classificação dos “fan coil.” Ainda em relação às unidades evaporadoras, requereu a aplicação do princípio da verdade material, afirmando que, “apesar de algumas das notas fiscais analisadas pela fiscalização, com alíquotas inferiores a 20%, descrevessem a venda de Unidades Evaporadoras, NA VERDADE todas as notas fiscais em questão dizem respeito a operações de venda de aparelhos ‘Fan Coil’”. Anteriormente à diligência, conduzi meu voto de forma a dar provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo expostos: A Interessada T}eria cometido equívocos ao preencher as notas fiscais, o que poderia ser comprovado pelo “código do produto” delas constantes. A Primeira Instância recusou credibilidade ao argumento, para efeito da desconsideração da majoração da multa, pelo fato de, em dois processos anteriores, a Interessada havêlo apresentado. Nos processos 11065.002749/200738 e 11065.001377/201028 também foi discutida a questão dos “fancoil”. No primeiro processo, considerouse que a questão seria irrelevante, pois os aparelhos “fancoil” teriam a mesma classificação dos “Split systems”. No segundo, a argumento da DRJ foi a mesma apresentada nos presentes autos. Portanto, embora possa faltar credibilidade ao argumento, certamente é cabível a alegação de erro, uma vez que as unidades “fan coil” foram objeto de outro item da autuação, diversamente das unidades evaporadoras, o que significa que a Fiscalização aplicou a majoração da multa apenas às unidades evaporadoras. A tabela de saídas das unidades evaporadoras constou das fls. 166 a 176. Das fls. 470 a 488 constaram as notas fiscais de saídas de unidades evaporadoras e de “fan coils” O que se verifica é que os códigos relativos aos produtos “EV SPL BUILTIN” divergem dos códigos de produtos “FAN COIL”, ao menos em parte. A Interessada apresentou o esquema de denominação dos códigos, em que, pelo dígito de número 9, poderseia concluir que se trata de “fan coil” (“A”). Também apresentou, em anexos, manuais dos produtos e relação dos produtos com descrição incorreta (fls. 671 a 680). Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.762 27 Todas as unidades evaporadoras constantes das notas fiscais em questão têm o código “A”, mas não no 9º e sim no 11º dígito, do mesmo modo que os “fan coils”. Os “fan coils”, entretanto, tem, a seguir, os códigos “W” ou “WB”. Já as unidades evaporadoras seriam identificadas pelo dígito 4 (“C” ou “Q”). Mas as unidades evaporadoras constantes das notas fiscais de “venda casada” trazem os dígitos “B”, “T” ou “Q” e algumas constantes das notas de fls. 470 a 488 trazem também o código “Q”. Alguns parelhos “fan coil” têm, ademais, códigos bastante diversos dos demais aparelhos. Apesar disso, a classificação das unidades evaporadoras das fls. 166 a 176 não coincide com as de fls. 470 a 488, que iniciam com os códigos “42L” e obedecem à regra constante da cópia de manual apresentado pela Interessada. Em relação a tais unidades (de código inicial “42L”), portanto, a Interessada demonstrou haver dúvida sobre se tratar de fato de unidades evaporadoras. Na sequência, concluíase que, pela dúvida, a multa majorada não deveria ser aplicada a tais unidades. Entretanto, resolveu a Turma Julgadora baixar os autos em diligência, em relação a essa matéria e às que se seguiram. Como resultado da diligência, a Fiscalização pressupôs que a dúvida referir seia tanto em relação às “vendas casadas” quanto às vendas de unidades evaporadoras, enquanto que, de fato, somente se refere a essas últimas. Quanto à conclusão acima mencionada, a Fiscalização afirmou que “Nos livros Registro de Inventário, apresentados pela contribuinte interessada (cópias parciais às lis. 1.664 a 1.694), temos inúmeros exemplos, ao longo de todo o ano em estudo (2004), tanto de aparelhos Fan Coil cujo código começa com 42L, quanto de Unidades Evaporadoras cujo código começa com 42L.” Segundo a Interessada, em relação ao segundo item da diligência (que perquiria sobre a existência de outros meios que poderiam provar a alegação), a resposta seria “tendenciosa e negligente”, porque, segundo alegou, somente teria reconhecido que o erro na descrição teria ocorrido também nos livros em relação aos produtos acabados. Entretanto, os componentes utilizados na fabricação dos aparelhos possibilitaria comprovar suas alegações. Acrescentou que tais informações foram apresentadas à Fiscalização e que, ainda, teria sido demonstrada a retificação das informações em seus sistemas de controle de estoque. De fato, a prova a ser efetuada por meio da diligência revelouse muito mais trabalhosa do que se poderia supor. Imaginase que o controle de estoque revelaria, de imediato, o alegado equívoco. Entretanto, a própria Interessada reconheceu que o mesmo erro repetirseia nos controles ou, de outra forma, os erros contidos nas notas derivariam dos controles de estoque. Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.763 28 Num primeiro momento, afirmou que a identificação dos produtos pelo seu código seria a melhor forma de verificar o erro. Entretanto, embora o Relator tenha se convencido da possibilidade de dúvida, conforme trecho reproduzido anteriormente do voto apresentado por ocasião do primeiro julgamento, decidiuse efetuar a diligência para que não restassem dúvidas a respeito da questão. Esperavase, ademais, resolver a dúvida em relação aos demais modelos de produtos (que não continham a indicação “42L” no código). Mas a prova por meio do código revelase muito frágil no âmbito de uma diligência, pois a alegação já era conhecida e tida como insuficiente. A Interessada, no decorrer da diligência, pretendeu apresentar outras provas, pela análise dos componentes das unidades evaporadoras e dos “fan coils” e uma espécie de auditoria de estoque, como já esclarecido. Essa prova não foi aceita pela Fiscalização, tendo a Interessada alegado que a Fiscalização teria sido negligente em relação a suas alegações. Entretanto, não se pode atribuir tal acusação à Fiscalização por que não foi essa a prova requerida na resolução. Ademais, não se sabia de antemão que a prova requerida na resolução poderia ser inútil. Dentro do que foi requerido, a Fiscalização verificou o controle do estoque e concluiu que as notas fiscais estariam de acordo com ele. As outras verificações efetuadas foram relativas à análise dos códigos e os preços. Quanto aos códigos, a Fiscalização considerou que haveria vários casos de unidades evaporadoras com código “42L”. Entretanto, a conclusão a que se chegou anteriormente não era a de que todos os produtos com início de código “42L” seriam “fan coils”, mas, sim, de que, nesses casos, haveria dúvida sobre serem ou não unidades evaporadoras. Não houve, além disso, possibilidade de verificar uma diferença sistemática de preços entre os produtos. Dessa forma, além da considerada diferença de códigos, não haveria outra forma de comprovar as alegações da Interessada a não ser a auditoria de estoques (insumos). Ao menos é o que se deduz das alegações da própria Interessada nos autos. Na informação de fls. 927 a 931, a Interessada relacionou, como exemplo, uma nota fiscal com seu pedido, o pedido com a ordem de produção e a ordem de produção com os insumos, concluindo que o uso de dois coletores e a ausência de distribuidor comprovariam qual foi o produto produzido (“fan coil”). A seguir, apresentou relação de documentos. A verificação das alegações da Interessada, em relação às demais unidades, somente poderia ser efetuada por meio de outra diligência. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.764 29 Portanto, o problema de erro no controle de estoque é grave e de culpa exclusiva da Interessada, de forma que não se poderia afastar, hipoteticamente, a incidência do IPI sobre as referidas unidades por erro em sua identificação pela Fiscalização. De toda forma, nunca se poderia obter a certeza de que houve o referido erro, uma vez que restou confirmado que as notas fiscais foram escrituradas de acordo com a descrição contida no controle de estoque. De fato, os produtos em questão (evaporadoras e “fan coils”) não são compostos somente pelos elementos mencionados pela Interessada, mas por vários outros. Seria preciso, assim, não só verificar o emprego desses dois componentes, mas também de outros, para se confirmar a consistência do controle de estoque. Nesse contexto, considero que a diligência foi realizada corretamente, mas não foi muito além do que se tinha nos autos, especialmente por que a Interessada apresentou como exemplos de suas alegações os mesmos tipos de códigos analisados pelo voto vencido na resolução. Ademais, mantémse a conclusão de que, ainda que se tratasse de unidades “fan coil”, para efeito da exigência do imposto, a questão não se modificaria, uma vez que o mesmo problema de classificação que se apresenta em relação às unidades evaporadoras também se aplica às unidades “fan coil”. Portanto, a conclusão a que se chega é a de que não restou definida tal questão com a diligência, mas, no caso da majoração da multa, o disposto no art. 112 do CTN deve ser aplicado à vista de uma mínima dúvida existente sobre a questão. Resta, ainda, analisar, quanto à classificação fiscal, a alegação da Recorrente de ter havido impropriedade de se classificar um "Fan Coil" como um condicionador de ar. Esclareçase que, embora não sejam especialmente relevantes ao caso, não se podem aceitar como provas em favor do Fisco as declarações acostadas aos autos pela Fiscalização após a diligência, uma vez que se trataria de prova emprestada, que somente seriam admissíveis se tivessem sido apresentadas anteriormente à impugnação de lançamento, à vista do princípio do contraditório. Ainda se deve destacar que a questão da majoração da multa é distinta da presente, uma vez que, lá, discutiuse uma situação agravante, que dependia de se tratar de fato e sem sombra de dúvidas dos mesmos aparelhos objetos da solução de consulta. Ademais, não se aplica aqui a questão da regra geral de classificação “2a”, pois a classificação é feita pelas notas de posição e subposição. A Fiscalização destacou o seguinte em seu relatório (fls. 510 e 511): “3.1.2.14 Fazem parte da linha de produção da fiscalizada também os aparelhos denominados "FanCoil", que são aparelhos condicionadores de ar, ou unidades (partes) de um sistema condicionador de ar, sendo algumas concebidas para funcionar como um corpo único (evaporadora e condensadora) e outras concebidas para funcionar com condensação a ar remoto; algumas montadas em um gabinete com acabamento para ficar Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.765 30 exposto no ambiente a ser refrigerado, e outras com gabinete sem acabamento tão esmerado, próprias para ficarem em ambientes reservados, mas todas apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar, conforme podese ver, resumidamente, nos catálogos colocados pela fiscalizada na internet, referentes aos citados aparelhos, catálogos estes anexos à fls. 177 a 180. Estes aparelhos foram classificados erroneamente pela fiscalizada, no código 8419.50.90, o qual prevê alíquota aplicável de 5%. “3.1.2.15 Analisando a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002, constatamos que a posição 8415 compreende as máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. [...]” No acórdão no 1015.260, da 3ª Turma da DRJ / POA, constante do processo no 11065.002749/200738, a DRJ assim decidiu: 5. Já no que se refere a classificação fiscal do aparelho denominado “FanCoil” descrito, resumidamente, nos itens 2.2. e 2.3 do relatório deste acórdão, as alegações principais do impugnante são de que nesse aparelho circula água por uma serpentina, que não evapora, diferentemente das “unidades evaporadoras” split, nas quais circula um líquido refrigerante, o qual, segundo diz, evapora dentro da serpentina. Além disso, alega que o referido aparelho apresenta a função específica de remover calor do sistema de refrigeração, transferindo esse calor ao meio ambiente, não tendo sido concebidos para modificar, simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, o que impossibilitaria a classificação na posição 8415 atribuída aos aparelhos de arcondicionado. 5.1. O entendimento exposto pelo interessado não pode prosperar, uma vez que o contribuinte insiste na premissa de que um aparelho de arcondicionado só pode ser assim considerado se for concebido para modificar (ou regular), simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, argumento que não se sustenta quando da análise do texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH referente à posição 8415, abaixo transcrito, que não exige tal condição: “Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). São igualmente compreendidos aqui os aparelhos para equipar câmaras frias constituídos por um evaporador de resfriamento e Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.766 31 um ventilador motorizado acondicionados em um mesmo invólucro e as unidades de aquecimento e/ou de refrigeração de um espaço fechado (caminhão, reboque ou contêiner (contentor*)), constituídos por um compressor, um condensador e um motor, montados em um receptáculo situado no exterior do compartimento de mercadorias, bem como um ventilador e um evaporador montados num receptáculo situado no interior deste compartimento. (grifei) 5.2. Ademais, é de conhecimento geral que o ar, quando sofre a ação de aparelhos condicionadores de ar, tem a temperatura alterada e, por consequência, a sua umidade também é alterada, por condensação, razão pela qual é necessário coletar e direcionar a água proveniente dessa condensação, exatamente como ocorre com o aparelho “FanCoil” fabricado pelo interessado, conforme catálogo técnico do produto, de fls. 346 e 389, que indica possuir uma “Bandeja de Dreno”, com as seguintes características: “A bandeja possui uma prolongação para recolhimento de água condensada proveniente das válvulas de controle (2 ou 3 vias). Isso é exatamente o que ocorre no aparelho em questão, até mesmo porque a redução na umidade também contribui para o conforto proporcionado pelo uso desses equipamentos. Desta forma, fica evidente que em seu projeto, a alteração da umidade do ar por condensação também foi considerada, por ser uma consequência natural do processo de condicionamento do ar. A título de ilustração, podemos dizer que o fenômeno da condensação que ocorre no aparelho em análise é o mesmo que acontece com um copo gelado exposto ao meio ambiente, onde a umidade do ambiente é absorvida e condensa nas paredes externas do copo, por elas escorrendo. Por outro lado, caso os aparelhos em análise tivessem sido concebidos para não modificar simultaneamente a temperatura e a umidade, teriam que ter, p. ex., dispositivos para repor a umidade do ar, em quantia equivalente à da água condensada, o que não é o caso dos aparelhos analisados. 5.3. Já a outra alegação do contribuinte, quando menciona que para ser considerada uma “unidade evaporadora” há a necessidade de evaporação do líquido refrigerante, no caso a água, também não se aplica ao presente caso. A diferença entre os aparelhos em questão é que o aparelho “FanCoil” funciona utilizando água, que passa por uma serpentina (fl.389), (e não um gás, como nas “unidades evaporadoras”), onde o ar é resfriado ou aquecido (quando funcionando em ciclo reverso), em nada interferindo na função principal do aparelho, e que realmente interessa para efeitos de classificação fiscal, que é a alteração da temperatura do ar, sofrendo, simultânea e consequentemente, como já se viu, a alteração em sua umidade. 5.4. Desta forma, o aparelho denominado “FanCoil” se enquadra perfeitamente nas exigências das NESH Seção XVI da posição 8415, contendo ventilador motorizado e dispositivos que modificam a temperatura e umidade do ar, nos termos do definido na posição 8415 da TIPI/2001, acima transcrita, e mesma fundamentação utilizada na já mencionada Decisão de Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.767 32 Consulta SRRF/10ªRF/DIANA nº 012, de 1998, conforme transcrição abaixo: "... Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: “ Quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; “ Quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); “ Quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. ..." . (grifo nosso) 5.5. Em razão de tudo o que foi exposto acima resta claro que, tanto as denominadas “unidades evaporadoras” dos aparelhos split, bem assim os aparelhos denominados “FanCoil”, contêm um ventilador motorizado e são destinados a funcionar em conjunto com outras unidades (unidades condensadoras ou torre de resfriamento, conforme já visto), devendo ser classificados de acordo com função principal que caracteriza o conjunto, que é a de modificar, ao mesmo tempo, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas dos aparelhos de arcondicionado, nos exatos termos da definição expressa na posição 8415 da TIPI/2001, com alíquota de 20%. Dessa forma, para efeitos de valor do IPI, é irrelevante verificar se a descrição dos produtos nas notas fiscais foram feitas de forma equivocada, como alegado pelo impugnante, mostrandose, também por esse motivo, desnecessária a realização de perícia técnica, como solicitado. Contra tais argumentos, a Interessada alegou que haveria, à época dos fatos, previsão na Tipi para afastar a classificação como ar condicionado dos elementos que o compõem, quando apresentados separadamente. Afirmou que os aparelhos “fan coil” requereriam, para funcionar como aparelho de ar condicionado, além dos elementos de expansão, também do módulo compressor. No caso dos “fancoil”, dito conforme anteriormente, a Fiscalização esclareceu que se trataria de aparelhos integrados ou em módulos. Portanto, de acordo com a própria Fiscalização, há situações em que os aparelhos são completos ou em que se aplica uma das regras reproduzidas na transcrição acima efetuada do acórdão de primeira instância (acima transcrito). A alegação de que não haveria condensação é incorreta, uma vez que, no contato da água gelada com o ar, ocorre necessariamente condensação do ar, razão pela qual há dutos condutores da água condensada, sendo irrelevante ao caso que não haja dispositivo para controle específico da umidade. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.768 33 Quanto às notas da Tipi, originalmente a redação da Nota de Posição 84.15 dizia o seguinte: “Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.)” A redação dada Pela IN RFB no 1.072, de 2010, foi a seguinte: “De acordo com as disposições da Nota 2 b) da Seção XVI, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem (sistema com elementos separados) desta posição, quando apresentados separadamente classificamse sempre nesta mesma posição. “As outras partes das máquinas e aparelhos de arcondicionado, quer sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.), ou, no caso de a Nota 2 a) não ser aplicável, de acordo com as disposições da Nota 2 b) ou da Nota 2 c) da Seção XVI, conforme sejam ou não reconhecíveis como destinadas exclusiva ou principalmente às máquinas de arcondicionado das quais elas são partes.” Dessa forma, para os “splits”, a nova redação dizia que os elementos classificarseiam na posição 84.15, mas, para as demais partes de aparelhos de ar condicionado, a classificação foi mantida em relação às disposições das Notas 2 a), b) ou c) da Seção XVI: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.769 34 c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. Segundo tais regras, se as partes constituíremse, por si, em artefatos das posições próprias, elas classificamse nestas posições próprias (a). Caso contrário, mas sejam exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina de determinada posição, então se classificam na posição da máquina. De acordo com a Interessada, os referidos aparelhos não poderiam ser classificados na posição 8415, por não representarem aparelhos de ar condicionados, mas tão somente trocadores de calor. Portanto, a questão é saber se um “fan coil”, por si só, é um trocador de calor ou se é exclusiva ou principalmente destinado a ser utilizado com aparelhos de ar condicionado (considerando que não se classificam nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 ou 85.4). Obviamente, por tudo o que consta dos autos, como a descrição dos manuais da máquina, a situação é, de fato, semelhante à das unidades evaporadoras, aplicamse ao caso o raciocínio contido no final do voto proferido no acórdão de primeira instância anteriormente citado. Por fim, devese considerar o que foi decidido no processo administrativo n. 11065.004409/200407. No mencionado processo, decidiuse a respeito da classificação fiscal das unidades evaporadoras, tendo sido o Acórdão n. 310101.118 favorável à Interessada nesse ponto. A Interessada havia adotado a posição 8418.99, enquanto que o Fisco adotou as posições 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90. Concluiu o acórdão o seguinte quanto à referida classificação, no mesmo sentido do que se expôs anteriormente: Por outro lado, apenas perante as disposições das Notas 4 e 2.a da Seção XVI da NCM, a posição NCM 84.15, apontada pela Fazenda Nacional, também não se mostra adequada, porquanto, isoladamente, as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" e as máquinas "self não se identificam com o texto da posição: "MÁQUINAS E APARELHOS DE AR CONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE". O Relatório Técnico ANT 68, de 30 de novembro de 2010 [ 56 ] contém os subsídios técnicos para fundamentar esta conclusão, por exemplo: [...] Avançando na classificação almejada, recorro à Nota 2.b da Seção XVI da NCM, assim redigida: Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.770 35 “2. Ressalvadas as disposições da Nota l da presente Seção [ 57 ] e da Nota l dos Capítulos 84 e 85 [ S8 ], as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: “a) as partes que constituam [ 5<í ] artefatos [ t,ü ] compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31. 84.48. 84.66. 84.73. 84.85. 85.03. 85.22. 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; “b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17;” Ora, é fato que tanto as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" quanto as máquinas "self são artefatos exclusiva ou principalmente destinados para compor máquinas e aparelhos de arcondicionado alcançados pelo texto da posição NCM 84.15MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE". Por conseguinte, a Nota 2.b da Seção XVI da NCM determina o enquadramento das unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" e das máquinas "self na posição NCM 84.15, com quatro subposições de primeiro nível, na vigência da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001 [ 61 ]. [...] Das quatro subposições de primeiro nível, três são sumariamente descartadas, pois os artefatos ora sob exame devem acompanhar a classificação das máquinas com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinados (Nota 2.b da Seção XVI da NCM) e essas máquinas não têm corpo único (8415.1), não são utilizadas em veículos automóveis (8415.2), nem são partes de outras máquinas (8415.9). Resta a subposição residual de primeiro nível 8415.8, desdobrada em três subposições de segundo nível. [...] Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.771 36 Das três subposições de segundo nível, considero uma delas inadequada para as máquinas de arcondicionado com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinadas as unidades evaporadoras dos "splitsystem" e as máquinas "self: 8415.83 Sem dispositivo de refrigeração. A classificação que se busca está restrita a duas subposições de segundo nível: 8415.81 e 8415.82, cada uma delas desdobrada em dois itens: o primeiro deles, para máquinas "com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora"; o residual, para os demais casos. [...] Amparado na denúncia fiscal [ ] e no Relatório Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia [ 6j ], concluo que a ora recorrente, dentre outras atividades, produz e/ou comercializa artefatos que .compõem máquinas e aparelhos de ar condicionado. Também é certo que pelo menos parte dessas maquinas é equipada com válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis), mas essa é uma informação demasiadamente vaga: não há, no lançamento do crédito tributário, separação dos produtos equipados com e sem válvula de inversão do ciclo térmico. Também não consta da denúncia fiscal, por exemplo, se a capacidade dessas máquinas é inferior, igual ou superior a 30.000 frigorias/hora, dado fundamental para a correta classificação desse tipo de mercadorias. Em princípio, na vigência da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001 [ 64 ]. dos códigos NCM adotados pela Fazenda Nacional no lançamento do crédito tributário tomo quatro deles como corretos: 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 e 8415.82.90, porque somente dependem da existência ou não de válvula de inversão do ciclo térmico e da capacidade de refrigeração de cada uma das máquinas cujo conjunto é composto ora pelas unidades evaporadoras ("splitsystem"), ora pelas máquinas "self, temas não litigiosos. Entretanto, perante o ordenamento jurídico então vigente, um dos códigos NCM utilizados pela Fazenda Nacional para a classificação de unidades evaporadoras dos "splitsystem" está incorreto: 8415.10.10 [ 65 ], porque específico para máquinas em "corpo único" e, por força da Nota 2.b da Seção XVI da NCM, as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" devem ser esquadradas na classificação correspondente às máquinas com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinadas, com as quais formam um conjunto com três unidades interligadas (unidade evaporadora, elementos de expansão e unidade condensadora), vale dizer, sistema com elementos separados. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.772 37 Esse código incorreto, por sua vez, contamina toda a parcela do lançamento associado à discutida classificação de mercadorias, pois não há, nos autos deste processo administrativo, detalhamento suficiente para permitir a exclusão da exigência de parcela correspondente ao código NCM 8415.10.10. Nos demonstrativos de débitos apurados do IPI, parte integrante do auto de infração, por exemplo, sequer são indicados os códigos NCM das mercadorias [ 66 ], apenas genericamente mencionados no relatório de verificação fiscal [ 67 ]: o cálculo do crédito tributário lançado foi levado a efeito de forma globalizada, sem individualização dos códigos NCM que a Fazenda Nacional apontou como corretos. Ademais, a denúncia fiscal e o julgamento de primeira instância, fazem remissão à Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 2.092, de 1996, à época dos fatos já revogada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001, que aprovou a TIPI vigente entre I o de abril de 2001 e 31 de dezembro de 2001 [ 68 ]. Entretanto, tal questão não diz respeito ao caso dos autos, que trata de períodos posteriores sob vigência de outra Tipi, além de ter sido objeto de embargos declaratórios contestando a conclusão. Mas a fundamentação demonstra que a classificação correta foi a adotada pelo Fisco. Em relação à correção monetária do saldo credor de IPI, a argumentação da Interessada é de que, “uma vez julgado improcedente o lançamento efetuado no presente auto de infração, restará regularizado o conta corrente da Impugnante”, o que não ocorreu. A Fiscalização concluiu o seguinte: Todavia, após a devida reconstituição da escrita fiscal em função desta fiscalização, verificase que, devido aos lançamentos de ofício efetuados, tanto a título de classificação fiscal erroneamente aplicada quanto a título de glosa de créditos básicos, os saldos credores de IPI da fiscalizada, nos períodos de apuração analisados sofreram alterações. Nesse contexto, o procedimento adotado foi correto, pois, com a redução do saldo credor, a correção monetária sofrerá redução também. A Interessada acrescentou que a diferença de imposto deveria ser recolhida apenas com juros de mora, “não havendo que se falar na incidência de qualquer penalidade, eis que não houve descumprimento da legislação tributária”. Ao contrário do alegado, houve, sim, descumprimento da legislação, caso contrário não seria preciso haver auto de infração, como é elementar. Não há, igualmente, irregularidade na reconstituição da escrita fiscal, que é procedimento decorrente da própria autuação. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.773 38 Entretanto, a apresentação de impugnação de lançamento no outro processo suspende não só a exigibilidade do crédito tributário lá lançado, mas, também, os demais efeitos da atuação sobre o saldo de créditos. Ressaltese o que foi decidido no processo mencionado sobre a mesma matéria: Dito isso, lembro que foi regularmente impugnado o estorno do créditoprêmio no valor de R$ 22.693.369,05, determinado nos autos do processo administrativo 11080.013226/200133. Como consequência desse fato, a definitiva implementação do estorno do créditoprêmio depende do resultado final do julgamento daquele litígio. Por conseguinte, a execução administrativa de eventual crédito tributário exigível diante do julgamento do recurso voluntário ora submetido a este colegiado resta subordinada ao julgamento irrecorrível na via administrativa do estorno, no livro registro de apuração do IPI, do saldo credor no valor de R$ 22.693.369,05, relativo ao terceiro decêndio de abril de 2001, e respectivos ajustes dos períodos de apuração subsequentes. Como o referido processo ainda não foi julgado definitivamente, não se podem aplicar ao presente caso, incondicionalmente, os efeitos da reconstituição da escrita fiscal. Portanto, devese subordinar a execução administrativa deste acórdão, nessa parte, à conclusão do julgamento administrativo do estorno naquele processo. Quanto à exclusão das multas, juros de mora e atualização monetária, caso mantido o lançamento, por força do disposto no artigo 110 do CTN, não é o caso dos autos, pois a classificação adotada pela Interessada não de deveu a qualquer das hipóteses previstas no referido artigo. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a majoração da multa em relação às saídas dos produtos especificados no voto e por subordinar a execução administrativa deste acórdão, na parte relativa à falta de reconstituição da escrita fiscal ordenada no processo n. 11065.002749/200738, à conclusão do julgamento administrativo do estorno naquele processo. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.005554/200821 Acórdão n.º 3302002.117 S3C3T2 Fl. 1.774 39 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000665/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$13.814,60 (treze mil, oitocentos e quatorze reais, sessenta centavos) , nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 14/7/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESCABIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$13.814,60 (treze mil, oitocentos e quatorze reais, sessenta centavos) , nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 14/7/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 06 65 /2 00 8- 44 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Versam os autos sobre Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 01/04, por meio da qual se exige do contribuinte o IRPF Suplementar no valor de R$5.526,40, acrescido de multa de ofício de 75%, mais juros de mora calculado até 30/06/2008, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$11.088,72, apurado em face de glosa de: despesas médicas, no montante de R$ 20.096,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento e não justificação dos tratamentos supostamente prestados pelos profissionais. Gilmara Oliveira Lobato Campos, Jamayra Oliveira Lobato Campos Caetano, Laura Lúcia Herthcl de Araújo,. Everaldo Ferreira Tonussi, Maria de Fátima Vieira de Morais, e Silvio Mandelbaum.. Apresentada Impugnação de fls. 5/11 na qual o contribuinte, consoante o relatório da decisão de primeira instância: 1. inicialmente, comenta os fatos relatados pela autoridade tributária ao justificar o procedimento fiscal adotado; menciona o fato de ter sido quebrado seu sigilo bancário e feita uma devassa nas suas contas correntes e reclama que ainda assim não houve correspondência entre os cheques emitidos e saques efetuados com as despesas médicas pleiteadas como dedução; 2. após. afirma que a conclusão da Fiscalização não se justifica visto ter atendido a exigência fornecendo esclarecimentos e toda a documentação solicitada; que não há obrigatoriedade legal para que os pagamentos sejam feitos com cheques; a falta de compatibilidade de valores e datas dos saques é lógica, pois os saques não foram realizados especificamente para os pagamentos dos recibos; não há necessariamente que os pagamentos sejam efetuados com cheques de igual valor; a legislação não impõe limite de gastos, não competindo à autoridade fiscal perquirir sobre tal aplicação; portanto, o excesso do auditor deve ser repelido; 3. em documento anexo é possível ver que a aposentadoria recebida do INSS foi movimentada no caixa eletrônico, via cartão, vez que não há conta bancária, e o total movimentado supera o montante das despesas médicas: o rendimento bruto do impugnante foi perto de R$184.000.00 anuais, enquanto as despesas médicas glosadas somam R$20.096,00. portanto, a dedução não é exagerada; 4. ao final, se utilizando do art. 112 do CTN. faz uma interpretação dos termos do RIR c da jurisprudência citada pela Fiscalização, comparandoos com as justificativas fiscais, para mostrar que a autoridade tributária foi além do permitido O acórdão de primeira instância tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000665/200844 Acórdão n.º 2802002.397 S2TE02 Fl. 597 3 Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. Restabelecese, no entanto, parte da dedução quando devidamente comprovada a efetividade do pagamento correspondente consoante exigido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nas razões de Voluntário (fls.106/131), o recorrente contesta os fundamentos contidos no acórdão vergastado, com os seguintes argumentos: · Solicita diligência e alega que o órgão julgador de primeira instância ao indeferir o pedido de diligência, afrontou de forma ditatorial as normas do Direito Pátrio e Constitucional que permitem ampla e ilimitada defesa. · Repudia, também a quebra de sigilo bancário, sem previsão legal e sem autorização da autoridade judiciária. · Argumenta que a DRJ/JFA para a Decisão ora hostilizada, se fundamentou em lei que nada tem a ver com o assunto, citando a lei 11.491/2009. · Esclarece que a lei n° 11.491 não é de 2009 e, sim, de 20/06/2007 e versa sobre matéria relativa ao FGTS e, se a pretensão é para confundirlhe, de fato, fez confusão. · Assevera que de outro tanto, dispositivos de 2007 ou de 2009, em matéria tributária não retroagem a 2004/2005 para disciplinar a questão. · Ressalta, por exemplo que a própria DRJ fala em "observância da legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, segundo o artigo 144 caput, do Código Tributário Nacional". · Observa que ao discorrer sobre possíveis presunções, quer afirmar um ponto de vista inaceitável, pregando uma aplicação errônea e inversa do Código de Defesa do Consumidor.Se há presunção, ela é a favor do contribuinte como preconiza o artigo 11, I, par. 1o da Lei n° 8.383/91. · Afirma que em relação ao artigo 80 do RIR/1999, suas exigências estão devidamente superadas pelas informações dos endereços e CPFs e, mesmo porque, não foram objeto para justificar a glosa, pois os profissionais envolvidos prestaram todas as informações necessárias conforme documentos acostados aos autos, ali havendo (ao contrário do que fala o Auditor) os endereços dos beneficiários, que, inclusive foram intimados pessoalmente a prestarem esclarecimentos no curso do processo. E, qualquer falta relativa ao artigo 80 RIR/1999, não pode ser alegada pois, os recibos aceitos conforme relação de folhas 109 verso são os mesmos, idênticos, aos que foram glosados, qualquer tentativa de aceitar alguns recibos e outros não, equivale a dois pesos e duas medidas, o que deve ser repudiado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 · Ressalva que todos os beneficiários dos pagamentos das despesas médicas estão perfeitamente indicados no campo PAGAMENTO E DOAÇÕES EFETUADOS da declaração de renda e, as disposições do inciso III do artigo 80 RIR/1999, necessariamente não precisam estar presentes no texto dos recibos, principalmente porque foi instado a prestar as necessárias informações, o que foi feito nos documentos que foram juntados ao processo. Por outro lado no campo DEPENDENTES nada foi declarado ou registrado e, por conseqüência, se despesas médicas foram deduzidas é porque são relativas ao próprio declarante. · Adverti que único argumento adotado pelo Auditor Fiscal foi exigir que, para os pagamentos, teria de haver a comprovação por meio da movimentação bancária correspondente. E, por esse motivo, somente aceitou como válidos aqueles em cuja data houve saque igual ao superior aos recibos. Ora, tal entendimento dizer onde a lei não diz. É ilegal e imoral, pois não lhe compete dizer onde a lei não diz.. · Destaca que o órgão julgador de primeira instância, para aceitar parte dos pagamentos fez o confronto dos mesmos, mas omitiu de forma propositada, se em dias anteriores houve saques que justificassem os pagamentos. Se para pagar é necessário saque bancário, a análise deveria ser global e não específica em relação a cada pagamento. · Observa que própria decisão da qual ora se recorre é taxativa quando diz não haver obrigatoriedade para que a satisfação de despesas médicas se dê por cheque ou depósito bancário, e, ao mesmo tempo, entende que o pagamento em moeda corrente é de difícil comprovação principalmente perante o fisco. · Argumenta ainda o órgão julgador "a quo" que as fontes pagadoras do contribuinte recorrente são pessoas jurídicas com pagamento via bancária, o que implica em movimentação financeira, mas, em tempo algum, em qualquer dispositivo legal ou constitucional obriga o contribuinte a emitir um cheque para cada pagamento que faz. · Ressalta que se o auditor fiscal e a própria DRJ que julgou o processo fossem diligentes, já que quebraram o sigilo bancário, verificariam que outros saques foram feitos para movimentar mais de R$ 180.000,00 da conta de aposentadoria e da atividade profissional do recorrente.Também, pelo exame da declaração de rendimentos e de bens, é possível constatar que para rendimentos tributáveis e isentos na ordem de R$ 184.068,81, com decréscimo patrimonial de 22.355,05, portanto, com sobra de R$ 161.713,76 para pagamentos de despesas sem necessidade de provar quais foram os cheques que emitiu, ou saques no Caixa Eletrônico, para comprovação. · Afirma que o comprovante de despesas médicas são os recibos e informações posteriores dos profissionais envolvidos como consta do processo e não as instituições financeiras. · Transcreve várias ementas de acórdãos proferidos por este colegiado, para fundamentar suas alegações. Era o essencial a ser relatado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000665/200844 Acórdão n.º 2802002.397 S2TE02 Fl. 598 5 Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Em primeira instância foi acatado a título de despesas médicas o valor de R$6.281.40. Destarte, o litígio trata de comprovação de despesas médicas no valor de RS 13.814,60, em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo dispêndio. Na fundamentação do lançamento, não se aponta qualquer vício nos comprovantes de pagamento trazidos aos autos, limitando se a autoridade a afirmar que o contribuinte não logrou apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. Em primeira instância o lançamento foi parcialmente mantido sob o fundamento de que: “ ... Em assim sendo, a mera apresentação dos recibos, mesmo complementados por declarações dos emitentes ou aduções de que esses registraram os valores em declarações de ajuste anual, e/ou alegações do(a) contribuinte de ter no ano calendário renda suficiente, não tem. na situação em concreto, o dom de suprir a falta de demonstração dos efetivos pagamentos. Vale lembrar, por oportuno, sobre documentos particulares, caso de recibos e declarações, contendo ciência de determinado fato, que estes provam a declaração, mas não o fato declarado, cabendo ao(à) interessado(a) na sua veracidade o ônus de provar o fato (CPC. art. 368). Assim, mesmo que os recibos tragam as informações elencadas na lei tributária, no contorno jurídico, apenas dão notícias do ali relatado c da forma como possivelmente teria ocorrido, devendo o(a) interessado(a). quando exigido, demonstrar por meio de outros documentos a veracidade de sua ocorrência. E, mais. é de se observar que essas declarações presumemse verdadeiras apenas em relação ao signatário (Código Civil, art. 219, a seguir transcrito); quando enunciam o recebimento de um crédito fazem prova apenas contra quem os escreveu (CPC. art. 376): e vale somente entre as partes nele consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil. art. 221), no caso a RFB. Vêse. portanto, que a presunção de verdade alegada do conteúdo dos recibos pode até ser admitida, no entanto, apenas entre as partes ali consignadas: perante terceiros, contestado o fato ali relatado, cabe ao(à) interessado(a) na sua veracidade o ônus de provar a efetividade de sua ocorrência por meio de outras provas. Como visto, e constante da descrição dos fatos à fls. 4, o(a) interessado(a) não logrou confirmar a realização das despesas médicas Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 mediante a comprovação da efetividade do pagamento. A mera exibição de recibos, no presente caso. é insuficiente para demonstrar os correspondentes pagamentos. ....... Não há. por cediço, obrigatoriedade para que a satisfação de despesas médicas se dê por cheque ou depósito bancário; por outro lado. os pagamentos pretensamente realizados afastam a possibilidade da inexistência de suas marcas na movimentação financeira do(a) contribuinte; essas despesas, se verdadeiras, estariam vinculadas a saques com valores e datas compatíveis, cheques, transferências bancárias, depósitos, ordens de pagamento e outros meios comprováveis via extrato e outros documentos emitidos por instituição financeira. Sobre alegação de pagamentos de despesas médicas em moeda corrente, vale observar, a propósito, que o uso dessa forma de pagamento em qualquer tipo de operação é de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco quando este a exige. é certo que uma simples afirmação de ter utilizado moeda corrente para efetuar os pagamentos das despesas médicas questionadas não pode ser acatada como prova cabal de tal fato. Vale lembrar, por oportuno, da máxima do direito: "alegar e não provar c o mesmo que não alegar ". É certo que a dedução e a forma de pagamento das despesas correspondentes lhe são facultados; a primeira, uma vez requerida e sendo questionada, a prova de sua ocorrência lhe incumbe, c deverá ser efetuada de forma inequívoca, seja por simples recibos/declarações, seja, no aprofundamento da investigação, por elementos subsidiários àqueles; a segunda, independentemente da forma de pagamento escolhida o ônus da prova é de quem fez o pagamento, desconsiderados a dificuldade e os gastos que acarretaria. Destaquese que as fontes pagadoras do(a) contribuinte tratamse de pessoas jurídicas, cujos pagamentos realizam por meio bancário; logo. os pagamentos sensibilizariam a sua movimentação financeira. Registrese que dadas as quantias envolvidas (conforme constam dos indigitados recibos), é certo que seriam de fácil identificação em extratos bancários. Logo, bastaria que ele(a) solicitasse às instituições financeiras, nas quais movimentou seus rendimentos, os documentos necessários para comprovação inequívoca de suas despesas médicas. A Fiscalização lhe sugeriu os documentos que poderiam ser utilizados a seu favor, é o que se depreende da intimação de 43, mas poderiam ser outros, ao talante do(a) interessado(a). desde que surtissem os efeitos legais necessários para a comprovação exigida. Apesar de toda a contestação do(a) contribuinte contra a exigência fiscal para apresentação de documentos subsidiários aos recibos, ele apresentou à Fiscalização os extratos bancários de fls. 60/83. os quais foram objeto de análise por parte da autoridade lançadora. Segundo consta a fls. 4, a autoridade lançadora verificou não haver correspondência de datas e quantias constantes nos recibos com as referentes às operações bancárias analisadas. Em que pese o entendimento da Fiscalização, entendese que é dever deste relator realizar novo exame de tal documentação, levando em consideração, no confronto "'recibos x operações bancárias", o entendimento Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000665/200844 Acórdão n.º 2802002.397 S2TE02 Fl. 599 7 pacífico desta turma de julgamento que, em benefício do contribuinte in dúbio o pro réu. seja acatada a operação bancária de saque, cheque descontado no caixa, que tenha proximidade aceitável no máximo, ocorrida em até três dias anteriores à data do recibo, e seu(s) valor(es) supere(m) o(s) pagamento(s); no caso de cheque descontado no caixa posteriormente à data do recibo, este poderia ser admitido como prova de pagamento desde que no exato valor do recibo e mesma data de emissão, esta demonstrada com a apresentação da cópia do cheque; situação análoga à do cheque compensado; todas, smj, poderiam ser consideradas como forte indício de vínculo saque/despesa, haja vista que dificultaria seu questionamento. Ressaltese que o interessado instruiu à sua defesa, fl. 13 frente/verso o extrato dos recebimentos de sua aposentadoria, que deverão também ser confrontados com os recibos em questão. Diante disso, dos recibos de fls.. 22/25 e 28/37, que têm informação completa de data das parcelas pagas, cabem as vinculações "recibo x operação bancária de saque"' no montante de R$6.281,40, consoante a seguir demonstradas, o que impõe o restabelecimento da dedução correspondente. ... A respeito de se ter lastro financeiro suficiente para realizar os pagamentos declarados, isso somente importa quando a autuação faz referência à analise da evolução patrimonial do(a) contribuinte, o que não foi objeto de investigação nos autos. A situação fiscal que ora se apresenta requer prova de forma individualizada dos pagamentos efetuados. Em razão disso, a relação de saques de fl. 59. referente a valores globais mensais, também não serve para a prova pretendida. Destarte, é certo que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e. se a comprovação é possível e o(a) impugnante(a) não a faz porque não pode ou porque não quer . é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Assim, concluise que a utilização, para caracterizar •'despesas medicas", de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Logo, é de se manter a glosa da dedução a título despesas médicas pleiteadas com o(s) profissional(is) médico(s) Gilmayra Oliveira Lobato Campos, .Jamayra Oliveira Lobato Campos Caetano. Laura Lúcia Herthel de Araújo. Everaldo Ferreira Tonussi, Maria Cristina Rodrigues Guilam e Silvio Mandelbaum Voscaboinik. na monta de RS 13.814,60 (R$20.096.00. glosado R$6.281.40, acatado nos autos). Do Pedido de Perícia: Descabe o pedido de perícia quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Passo ao cerne do litígio: a comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Em casos desta natureza, importante ressaltar que extensa discussão se trava no âmbito deste CARF, com relação aos documentos necessários para se comprovar as despesas médicas. Enquanto alguns defendem que o simples recibo faz prova em favor do contribuinte, outros entendem que, havendo dúvidas na efetividade da prestação do serviço, ou em seu pagamento, pode o Fisco exigir provas complementares. Entretanto, tenho me manifestado reiteradamente que a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. No presente caso tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento, e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. É certo que o artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Todavia, segundo entendo, não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Entretanto, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. As despesas em litígio somam RS 13.814,60, e são assim discriminadas: 1. Gilmara Oliveira Lobato Campos, no valor de R$3.435,00 2. Jamayra Oliveira Lobato Campos Caetano, no valor de R$3.442,00 3. Laura Lúcia Herthcl de Araújo, no valor de R$ 1.737,60 4. Everaldo Ferreira Tonussi, no valor de R$4.680,00; 5. Maria de Fátima Vieira de Morais, no valor de R$300,00 6. Silvio Moscaboinik, no valor de R$220,00 Assim, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, especificamente o recibo de fls. 22/37, referentes aos serviços prestados pelos profissionais acima mencionados,no valor total de RS 13.814,60, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas, tendo em vista que esses preenchem os requisitos do Art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000665/200844 Acórdão n.º 2802002.397 S2TE02 Fl. 600 9 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de RS 13.814,60 (treze mil, oitocentos e quatorze reais, sessenta centavos). (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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