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Numero do processo: 35564.005832/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 58 32 /2 00 6- 15 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 35564.005832/200615 Acórdão n.º 2402006.419 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002341/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO.
Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte.
Numero da decisão: 9202-007.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO. Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS SUPOSTAMENTE DE INIDÔNEOS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA PARA APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO. Os recibos, quando supostamente inidôneos, estiverem desacompanhados de documentos especificamente solicitados pelo fisco para o esclarecimento dos fatos, não demonstram, por si, o direito à dedução pleiteada, considerando o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, bem como em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 23 41 /2 00 7- 65 Fl. 157DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202002.107 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 21 de novembro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 85: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Desta forma, a apresentação de recibos, emitidos de acordo com a legislação de regência faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificálos é necessário que a autoridade fiscal indique a existência de algum vicio. Recurso provido. Interposto o Recurso Especial anteriormente referido, fls. 98 a 114, admitido, por meio do Despacho de fls. 135 a 138, para rediscutir a questão atinente aos requisitos para dedução de despesas médicas. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) diante de dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, o que põe em questionamento a própria existência das despesas médicas, o Fisco pode e deve perquirir se os serviços foram efetivamente prestados ao declarante ou a seus dependentes (efetividade dos serviços) e se houve o efetivo dispêndio de recursos pelo declarante para pagamento dessas despesas (efetivo pagamento); b) para fins tributários em termos de Imposto de Renda, a despesa médica somente pode ser acolhida como dedução quando comprovado o efetivo pagamento, isto quando haja um documento que comprove a efetiva entrega do dinheiro ao Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 9202007.183 CSRFT2 Fl. 3 3 prestador do serviço, e o próprio texto legal contém indicação de que atende esse requisito um cheque nominativo; c) quando o pagamento é efetuado em moeda corrente, para fins tributários, o recibo não constitui prova suficiente para no sentido de que seu objeto tenha sido concretizado, justamente porque pode ser emitido em qualquer momento do presente com referência a um fato passado; d) no caso, o interessado foi intimado a apresentar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados e correspondentes pagamentos, não logrando fazêlo; e) documentos particulares, caso de recibos e declarações, que contêm ciência de determinado fato, provam a declaração, mas não o fato declarado, cabendo ao(à) interessado(a) na sua veracidade o ônus de provar o fato; f) cumpre registrar que a jurisprudência administrativa consagra a tese de que, para amparar a dedução pleiteada, não basta a mera apresentação de “recibos”, “declarações” ou “informes” pelo contribuinte, devendo restar devidamente comprovado o efetivo dispêndio direcionado a um fim específico (prestação concreta, efetiva dos serviços discriminados). g) não há elementos nos autos que dê segurança para declarar as deduções como válidas, razão pela qual devem ser mantidas as glosas e acatadas as razões aduzidas pelo julgador de primeira instância. Intimado, o Contribuinte apresentou petição a qual recebo contrarrazões, fls 143, reiterando as alegações de fls. 87 a 91 dos autos, bem como declarando que não teve o propósito de lesar a Receita federal, já que, além do imposto pago, retido na fonte, já pagou um complemento. Além disso, em outra petição, o Contribuinte alega o direito à isenção do imposto de renda, devido ao acometimento de moléstia grave, fls 148. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a matéria controvertida referese aos requisitos para a dedução de despesas médicas. Fl. 159DF CARF MF 4 Como se extrai da Notificação de Lançamento, os fatos foram descritos da seguinte forma: Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento a Intimação, foi glosado o valor de R$ 34.150,03, deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Foi realizada intimação específica pelo Relator da Delegacia de Origem, fls. 53 a 54, essencialmente, sob os seguintes fundamentos: Os documentos apresentados para comprovação dos pagamentos de despesas médicas relativas aos profissionais Mânia Patricia Lopes (dentista), no total de R$ 10.000,00, Victor Hugo Rodrigues (dentista), no total de R$ 7.220,00, Lilian Carla A. Souto (fisioterapeuta), no total de R$ 4.300,00, Juliano Braga de Abreu (fisioterapeuta), no total de R$ 4.090,00 e Aldenise de Freitas Athayde (psicólogo), no total de R$ 3.100,00, não foram suficientes para constituir juizo inconteste sobre a efetividade do direito alegado. Em face do exposto e com base no art. 73 do RIR11999, há a necessidade de elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade do pleito declarado, por serem as despesas médicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Em resposta à intimação,, fls. 58, o Contribuinte dispôs que não teve condições de reunir todos os dados, com a riqueza de detalhes exigidos, pois supunha que os recibos das despesas teriam sido aceitos, levando em conta o tempo decorrido desde a impugnação. Não obstante o meu entendimento sobre utilidade dos recibos como documentos comprobatórios para o fim de dedução de despesas médicas, no presente caso, houve suspeita de inidoneidade dos documentos, considerando o valor das despesas em relação aos rendimentos declarados. Nesse contexto, foi realizada intimação específica ao Recorrido para que houvesse a demonstração das despesas incorridas, por meio de outros documentos que pudessem corroborar o disposto nos recibos. Contudo, não houve a apresentação de um arcabouço probatório mínimo por parte do interessado na demonstração do direito à dedução. Assim, tendo em vista o dever de colaboração do Contribuinte para com a autoridade fiscal, entendo que assiste razão à Fazenda quanto à necessidade de reforma do julgado, diante da ausência de provas suficientes ao reconhecimento do direito à restituição pleiteada, em decorrência do ônus da prova de demonstrar o fato extintivo do direito da fazenda de constituir o crédito, quando o documento apresentado é considerado inapto e, intimado, o Contribuinte queda inerte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10670.002341/200765 Acórdão n.º 9202007.183 CSRFT2 Fl. 4 5 Portanto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000357/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.100
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 57 /2 00 8- 16 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 340301.562, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11686.000357/200816 Acórdão n.º 9303007.100 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000519/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/09/2005 a 02/01/2007
COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DEPÓSITO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA CONSUMIDA PELO IMPORTADOR. PERDIMENTO CONVERTIDO EM MULTA.
Provado, ainda que de forma indiciária, o depósito e a circulação comercial no País de mercadoria importada irregularmente, resta caracterizado o dano ao Erário, sujeitando- se o importador, que consumiu a mercadoria, ao pagamento da multa substitutiva da pena de perdimento.
Tipificação legal adotada de forma genérica não é erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material.
Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e inverossímil, não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País.
Numero da decisão: 3302-005.818
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Recorrente CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/09/2005 a 02/01/2007 COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DEPÓSITO. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA CONSUMIDA PELO IMPORTADOR. PERDIMENTO CONVERTIDO EM MULTA. Provado, ainda que de forma indiciária, o depósito e a circulação comercial no País de mercadoria importada irregularmente, resta caracterizado o dano ao Erário, sujeitando se o importador, que consumiu a mercadoria, ao pagamento da multa substitutiva da pena de perdimento. Tipificação legal adotada de forma genérica não é erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material. Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e inverossímil, não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País. ü Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 05 19 /2 00 8- 04 Fl. 306DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 03/03/2008, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 156.834,99. Em 29/12/2006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 10.1.09.002006001305, de folhas 09 , relativo à Diligência na empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, CNPJ 00.705.010/000122. Em 03/01/2007 a Auxiliar Financeira da empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, Clair Perini, CPF 529.857.84034, informou sobre aquisição de combustível, por parte do estabelecimento, na cidade de Paso de Los Libres/Argentina e declarou que 50% do combustível utilizado pela frota da companhia é de origem estrangeira, conforme Termo de Declaração, de folhas 12 a 13. Considerando as informações prestadas pela Auxiliar Financeira, foi iniciado procedimento de retenção de documentos, conforme Termo de Lacração n° 01, de folhas 14 a 15. Em 08/01/2007 o representante legal da empresa, Joacir Perini, CPF 667,397.56015 tomou ciência do MPF. Nessa data, na presença do representante legal da empresa Joacir Perini e da Auxiliar Financeira Clair Perini, foi emitido o Termo de Abertura de Lacres n° 001, de folhas 16 a 17. Os Cupons Fiscais originais apreendidos, emitidos por empresas argentinas, referentes a aquisições irregulares de combustível, totalizando 138.476,45 litros, no valor total de 218.505,88 pesos argentinos, com Valor Aduaneiro de R$ 156.834,99, adquirido para consumo da frota de veículos da pessoa jurídica, estão detalhados na planilha de folhas 19 a 44. Considerando que não existem despachos de importação para esses combustíveis, visto que a empresa não está habilitada, conforme disposto na IN SRF 650/2006, para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), em 04/06/2007 o interessado foi cientificado, através da Intimação Geana n° 0366/2007, da necessidade de entregar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana as mercadorias (combustíveis) estrangeiras de que tratam os Cupons Fiscais apreendidos, emitidos por empresas argentinas revendedoras de combustíveis, visto que NÃO FORAM IMPORTADAS REGULARMENTE. Os combustíveis adquirido na Argentina, importados irregularmente, estão sujeitos a aplicação da pena de perdimento, com base no Decreto n° 4.543/2002, artigo 618, inciso X, cujo inciso transcrevo abaixo, visto que a empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana nâo procedeu ao despacho de importação desses combustíveis. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 11/06/2007, o representante legal da empresa informou que não possui os combustíveis de que tratam os cupons fiscais, pois já foram consumidos. Considerando a impossibilidade de apreensão das mercadorias sujeitas a pena de perdimento, em razão de seu consumo, fica prejudicada a apuração da infração capitulada como dano ao Erário, sendo assim, é exigida a multa prevista no art. 618, § 1° do Decreto 4.543/02 (DecretoLei n° 1.455/76, art. 23, § 3°, com redação dada pela Lei n° 10.637/02, art. 59 e pelo Decreto 4.765/03). Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 12/03/2008 (fls. 265), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 11/04/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 267 à 271, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü Cumpre salientar que a ora impugnante foi autuada, em processo administrativo n° 11075.001826/200713, apresentou defesa a qual foi julgado nulo o lançamento tributário e surpreendentemente é novamente autuada pelos mesmos fatos; ü Em sede de PRELIMINAR cabe destacar a impossibilidade da " Administração Pública efetuar novo lançamento pelos mesmos fatos quando o primeiro foi anulado por vício material, conforme preceitua a interpretação da ADE n.° 2, de 03/02/99; ü Assim, portanto, por absoluta falta de previsão legal é vedado à Administração Tributária efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior; ü Resta induvidoso o fato de que o vício que resultou na anulação do auto de infração supracitado é de natureza material, pois diz respeito diretamente com a falta de enquadramento da conduta tida como ilícito tributário. Por essa razão o Auto de Infração, que ora se impugna, deverá ser declarado nulo eis que objetiva uma “revisão” de ato eivado de vício material, para o qual há norma impeditiva; ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou taticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. ü Verificase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial; no caso em análise, o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Fl. 308DF CARF MF 4 Libres, ingressou no País de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização. ü Pois o simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem^ nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas. ü A impugnante não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais caberia a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. Diante do Exposto requer: A vista da demonstrada insubsistência do auto de infração requer a declaração de sua NULIDADE diante da impossibilidade legal de efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior e na remota hipótese de superada a preliminar suscitada seja no mérito julgado procedente a presente impugnação, com a consequente desconstituição do auto de infração, afastandose de imediato os seus efeitos. Em 10 de setembro de 2010, através do Acórdão n° 0721.112, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que no caso vertente, de plano, verificase que, realmente, os mesmos fatos que ensejaram a presente autuação já haviam ensejado lançamento anterior, e que foi declarado nulo pela Primeira Turma de Julgamento desta DRJ/FNS, em decisão prolatada através do Acórdão n.° 0711.998, de 15/02/2008. O lançamento anterior não foi anulado por vício material, caso em que haveria de ser julgado improcedente, em razão de algum vício eventualmente verificado durante o exame relacionado à matéria (mérito) tratada no lançamento. O lançamento anterior foi, sim, declarado nulo por vício formal, porquanto o vício apontado dizia respeito à inexatidão na observância da norma procedimental, qual seja, deixar de informar claramente o dispositivo legal referente à infração capitulada como dano ao Erário. Ora, no caso dos autos, o impugnante não nega que adquiriu na Argentina o combustível apontado pela fiscalização e tampouco contesta a declaração prestada pela Sra. Clair Perini (CPF n.° 529.857,84034), auxiliar financeira da empresa autuada, que, reduzida a termo consoante o documento de fm 12 e 13, informa que um motorista da empresa em comento fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 4 5 Com efeito, sendo incontroverso, na espécie, esses fatos, ainda que não se vislumbre que o contribuinte em causa tenha praticado as condutas típicas de expor à venda ou de por em circulação comercial a mercadoria importada, considerouse irrefutável a prática do depósito da mercadoria estrangeira importada irregularmente, ilicitude esta igualmente prevista na norma penal, eis que, confessadamente, o combustível foi comprado para ser consumido por outros veículos de propriedade da empresa autuada, no caso os ônibus de transporte coletivo. Neste mesmo quadro, é bem de ver que a importação de óleo diesel e gasolina, embora permitida, deve seguir os procedimentos regulares, visto que se encontra sujeita à prévia e expressa autorização da ANP, sendo, ademais disso, vedada a importação de gasolina para consumo próprio, nos termos dos artigos 1° das Portarias ANP n.° 313 e 314, ambas do ano de 2001. No caso dos autos, sem que tenha se submetido às normas que disciplinam a importação de combustíveis, resta clara a irregularidade da operação engendrada pelo contribuinte, em nada lhe favorecendo a alegativa de que outras companhias de transporte e taxistas, pretensamente, teriam se valido, de forma costumeira, do mesmo artifício para burlar a fiscalização aduaneira. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 13/10/2010, via Aviso de Recebimento, às folhas 293 do processo digital. Em 12/11/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 294 a 302. Em síntese, foi alegado que: ü Ao contrário do entendimento dos Julgadores que compõe a 2a Turma da DRJ/FNS, resta claro que a declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804, se deu por VÍCIO MATERIAL; ü O VICIO FORMAL, é caracterizado por defeitos no processo, no procedimento, como por exemplo, incompetência da Autoridade, preenchimento com pequena inexatidão ou pouca clareza, ou seja um erro de procedimento, no caso em tela a nulidade foi declarada por VÍCIO MATERIAL, que é caracterizado por erro no objeto do lançamento, ou seja, a falta do pressuposto objetivo, que no caso em tela seria IMPORTAR IRREGULARMENTE, fato que não existe, pois a compra de gasolina ou diesel por Brasileiros na cidade de Passo de Los Libres na Argentina é legal, desde que transportada no próprio tanque do veículo; ü Ainda, a r. Decisão ora atacada justificando seu entendimento a fl. 284, (fl. 4 da Decisão), afirma ou dá a entender que se o resultado do julgamento do recurso anterior foi de declaração de nulidade, sendo “nulo” significa por vício formal e a expressão “improcedente” seria de ocorrência de vicio material. Tal diferenciação não existe, pode ser entendimento pessoal do Douto Relator, mas digase totalmente equivocado; Fl. 310DF CARF MF 6 ü Resta claro que é incabível efetuar novamente o lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior como amplamente demonstrado ter sido por VÍCIO MATERIAL, pois a Legislação Pátria estabeleceu para a revisão do lançamento limites temporais, que não é o caso, e limite objetivo que é o caso em tela, ou seja, é ilegal a Administração Pública efetuar novo lançamento pelos mesmos fatos quando o primeiro foi anulado por vício material, conforme preceitua a interpretação da ADE n.° 2, de 03/02/99, sob pena de ferir os princípios da Legalidade e da Segurança Jurídica evitando que o contribuinte fique e mercê do reexercício ilimitado do poder da Administração Pública de lançar; ü Quanto ao mérito, na remota hipótese de superada a preliminar" deve ser dado provimento ao presente recurso, pois, não ocorreu importação irregular, depósito do combustível ou sequer dano ao erário, pois vejamos: ü O Auto de Infração, relata, que o impugnante realizou aquisição de combustível na cidade vizinha de Paso de Los Libres (Argentina), no período compreendido entre setembro de 2005 a janeiro de 2007, que consumiu o produto passível de perdimento, sendo que foi aplicado a multa. ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. ü Venncase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial; no caso em análise o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Libres, ingressou no1" País de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização; ü O simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório, na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, as empresas de transporte coletivo internacionais também fazem a mesma prática, digase legal, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas e fomentadas pelos dois Governos, ou seja, há incentivo ao comércio entre Uruguaiana e Passo de Los Libres; ü Assim, ao contrário dos fundamentos da r. Decisão ora atacada a Recorrente não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 5 7 RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais cabería a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. Diante do Exposto requer: À vista da demonstrada insubsistência do auto de infração requer a declaração de sua NULIDADE ou IMPROCEDÊNCIA diante da impossibilidade legal de efetuar novo lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior por vício material e na remota hipótese de superada a preliminar suscitada seja no mérito totalmente provido o presente, com a conseqüente desconstituição do auto de infração, afastandose de imediato os seus efeitos. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA foi cientificada do Acórdão n° 0721.112, em 13/10/2010, via Aviso de Recebimento, às folhas 293 do processo digital. A empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE COLETIVO DE URUGUAINA apresentou o seu Recurso Voluntário em 12/11/2010, às folhas 294 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. ü A declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804, se deu por VÍCIO MATERIAL; ü É incabível efetuar novamente o lançamento tributário após ter havido a anulação de lançamento anterior como amplamente demonstrado ter sido por VÍCIO MATERIAL; ü A não ocorrência de importação irregular, depósito do combustível ou sequer dano ao erário; ü O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. Das preliminares. Fl. 312DF CARF MF 8 A declaração de NULIDADE do Auto de Infração n.° 11075.000519/200804 Antes de examinar a questão, é mister delinear os conceitos em testilha. Fabiana Del Padre Tomé vem esclarecer: Os vícios formais dizem respeito ao procedimento de elaboração do administrativo, acarretando defeito na enunciação, isto é, na proposição que relata aspectos inerentes ao sujeito produtor, tempo, local e modo de emissão da norma individual e concreta. Os erros materiais, por sua vez, são verificados no próprio enunciaado introduzido no ordenamento, sendo internos às normas individual e concreta. No primeiro caso, sendo o problema decorrente da aplicação do direito formal, pode ele ser objeto de saneamento, no modo e tempo em que a legislação estabelecer. Na segunda hipótese, porém, os efeitos do vício são diversos, pois, tratatandose de erro que atinge um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta, como é o caso da motivação, o ato será nulo e insusceptível de convalidação. ( in ‘ A prova no Direito Tributário’, pág. 288, Ed. Noeses, 2006.) A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF diferenciou vício formal de vício material no acórdão 9101002.146: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. É de se d4estacar o seguinte trecho do voto do relator demonstrando que o não cumprimento das disposições do artigo 142 do CTN implicam na ocorrência de vício material no lançamento tributário: O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Em 15 de fevereiro de 2008, o Acórdão n° 0711.998 da 1a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópilis/SC por MAIORIA de votos anulou o lançamento. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 6 9 Para tanto, assim decidiu a Turma ( trecho extraído às folhas 275 e 276 do processo digital): Em sede de impugnação a interessada alega, preliminarmente, que a apuração da infração capitulada como dano ao Erário é vital para que esta possa saber exatamente qual foi a conduta tida pela autoridade fiscal como danosa ao Erário e ainda o respectivo enquadramento legal que especifique tal conduta. De fato, observandose os autos, podese claramente constatar que a autoridade fiscal, na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração (fl,02) informou que a apuração da infração capitulada como dano ao Erário ficou prejudica, considerando para tal a impossibilidade de apreensão das mercadorias sujeitas a pena de perdimento, em razão de seu consumo. Como se viu anteriormente, a tipificação legal adotada pela autoridade fiscal foi genérica, enquadrando apenas a infração no § 1°, do artigo 618, do Decreto n° 4.543/2002 e também no §§ 1° e 2°, do artigo 73, da Lei n° 10.833/03, sem contudo especificar em qual inciso de tais artigos, que tipificam efetivamente as condutas como danosas ao Erário, a autuada estaria enquadrada. A transmutação da cominação da penalidade de perdimento por dano ao Erário é perfeitamente possível, porém é preciso que a conduta do autuado esteja perfeitamente enquadrada num dos incisos previstos como danosos ao Erário, é premissa básica, o § 1 °, do artigo 618, do Decreto n° 4.543/2002 claramente diz que a pena de que trata este artigo convertese em multa, logo é condição indispensável que os fatos apurados possam estar enquadrados num dos incisos tipificadores de conduta passível com tal punição. Da mesma forma o § 3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, remete a conversão ao disposto no § 1° do mesmo artigo, que por sua vez diz que o dano ao Erário decorrente das infrações previstas no caput do citado artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias, restando novamente claro que a conversão deve ser feita quando a conduta for passível de punição por pena de perdimento em virtude de fato tido por danoso ao Erário nos termos do caput do artigo, cuja tipificação está disposta nos seus respectivos incisos. A conversão da multa é consequência e, só deve ocorrer se: após a tipificação legal da conduta danosa ao Erário a mercadoria em questão não for localizada ou consumida, ou seja, a conversão tem por objetivo transmutar a pena de perdimento por dano ao Erário em prestação pecuniária, em face da impossibilidade do Estado apreender efetivamente a mercadoria. Não é o consumo em si motivo suficiente para o enquadramento legal como mercadoria Fl. 314DF CARF MF 10 sujeita a pena de perdimento por dano ao Erário, mas sim motivo para eventual conveasão da pena de perdimento por dano ao Erário. Para que reste configurada a disposição legal infringida é de se concluir que a perfeita tipificação na lei da conduta que cause dano ao Erário e o respectivo enquadramento do dispositivo legal precisam estar relacionados com o ilícito correspondente. Ademais, a plena descrição do dispositivo legal infringido e a sua relação com as irregularidades atribuídas à autuada devem estar contidas no auto de infração, sob pena da ausência precisa da tipificação legal macular o contraditório e a ampla defesa. É preciso informar claramente o dispositivo legal referente à infração capitulada como dano ao Erário, pois esta é a premissa básica da possibilidade de conversão da pena de perdimento por dano ao Erário em multa. Em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR NULO O LANÇAMENTO. Pelo que foi exposto, o motivo de se JULGAR NULO O LANÇAMENTO foi a não precisão da tipificação legal da conduta que causou o dano ao Erário. Na toada exposta pelo Acórdão n° 9101002.146, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Para tanto, há a lapidar contribuição da Solução de Consulta Interna Cosit Nº 8/2013. A Cocaj encaminhou a Consulta Interna nº 1, de 2012, questionando sobre a existência ou não de nulidade do lançamento pelo erro na identificação do sujeito passivo. E ocorrendo a nulidade, questiona se é um vício formal ou material. Explorando o assunto, a Solução de Consulta Interna burilou conceitos que nos interessa. (...) 8.4. Em suma, há vício formal quando tenha ocorrido erro de fato na identificação do sujeito passivo, o qual decorre de erro quanto à análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta. Como no último exemplo, se comprovado que o administrador de determinada sociedade deve ser responsabilizado por determinada infração, mas houve erro de quem era o administrador naquela época, houve erro de fato. Situação distinta seria se houvesse erro em identificar que o administrador (independentemente de quem fosse) deveria ou Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 7 11 não ser o responsável, situação em que haveria um erro de direito. 8.5. Quando há erro de fato o vício na identificação do sujeito passivo é formal, o lançamento é anulável e portanto convalidável (ao menos teoricamente). A questão é: necessitase de um novo lançamento? 8.5.1. Se o sujeito passivo correto impugnou o mérito do ato, qualificandose adequadamente e exercendo na totalidade o direito de defesa, não há por que se proceder a um novo lançamento. Basta consignar no processo a correta identificação do sujeito passivo e dar andamento a ele, em prol da instrumentalidade das formas. O ato está convalidado. 8.5.2. Se houver manifestação também do sujeito passivo correto apenas pelo erro na identificação do sujeito passivo quando da impugnação (sem adentrar no seu mérito), o ato não mais é possível de convalidação. Ele poderia ter sido convalidado somente até o momento dessa impugnação. Se ela já ocorreu, é necessário que a autoridade fiscal lançadora efetue novo lançamento com a correta identificação do sujeito passivo, encaminhando a ele novamente o lançamento, reiniciandose o prazo para impugnação. Nessa situação o prazo decadencial para assim proceder contase de acordo com o art. 173, inciso II, do CTN, ou seja, a Fazenda Pública possui cinco anos a partir da decisão definitiva que anulou o auto de infração. 8.5.3. Caso não tenha ocorrido a impugnação administrativa, mas de algum modo houve a anulação do auto de infração por vício formal (erro de fato), mesmo que de ofício ou judicialmente, o prazo decadencial para o novo lançamento é o do art. 173, inciso II, do CTN, a partir de tal decisão. 9. O importante para a análise é que sempre há a possibilidade de convalidação (pelo menos em abstrato) quando o erro da identificação do sujeito passivo é um vício formal, decorrente de erro de fato. Contudo, se houver impugnação, é necessária a anulação do lançamento e a feitura de um novo, consoante disposto no item 8.5.2, tendose o prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. 10. Falta analisar a situação em que o erro na identificação do sujeito passivo é um vício material. Se o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito. No conceito de Paulo de Barros de Carvalho: Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. (...) Fl. 316DF CARF MF 12 Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no consequente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da consequência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regra padrão de incidência. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 486). 10.1. No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regra matriz de incidência, qual seja, o pessoal. Há erro no ato norma. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado. 10.2. Desse modo, o erro na interpretação da regra matriz de incidência no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária (o que inclui tanto o contribuinte como o responsável tributário) gera um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. Conclusão 11. Em decorrência do exposto, concluise que: a) Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. b) A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. c) Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configura erro de direito é vício material. No Acórdão n° 0711.998 da 1a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópilis/SC a tipificação legal adotada pela autoridade fiscal foi genérica; portanto, não se pode falar em erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência, o que afasta o Vício Material. Nesse sentido, adequado o entendimento da autoridade fiscal em proceder um novo lançamento, ora analisado. Do Mérito. A ocorrência de importação irregular Inaugurase a análise DO MÉRITO com a transcrição do artigo em que foi capitulada a conduta infracional. Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002: Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguinte/mpóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 8 13 rí1 37, de 1966, art. 105, e Decretolei rí1 1.455, de 1976, art. 23 e § 1~, com a redação dada pela Lei ri1 10.637, de 2002, art. 59): (...) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; Pinçamse da ação fiscal os seguintes fatos: 1. Em 03/01/2007 a Auxiliar Financeira da empresa Conquistadora Transporte Coletivo de Uruguaiana Ltda, Clair Perini, CPF 529.857.84034, informou sobre aquisição de combustível, por parte do estabelecimento, na cidade de Paso de Los Libres/Argentina e declarou que 50% do combustível utilizado pela frota da companhia é de origem estrangeira, conforme Termo de Declaração, de folhas 12 a 13; 2. Motorista da empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo; 3. Os Cupons Fiscais originais apreendidos, emitidos por empresas argentinas, referentes a aquisições irregulares de combustível, totalizando 138.476,45 litros, no valor total de 218.505,88 pesos argentinos, com Valor Aduaneiro de R$ 156.834,99, adquirido para consumo da frota de veículos da pessoa jurídica, estão detalhados na planilha de folhas 19 a 44; 4. Não existem despachos de importação para esses combustíveis, visto que a empresa não está habilitada, conforme disposto na IN SRF 650/2006, para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). É alegado no RECURSO VOLUNTÁRIO: O enquadramento legal utilizado pelo fisco federal para embasar o Auto de Infração não se verificou faticamente. A análise detalhada do preceito legal prevê de forma clara e objetiva que a pena de perdimento deverá ser aplicada para mercadorias: “exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País”; analisandose o Auto de Infração aqui impugnado o fisco não imputa ao contribuinte quaisquer das condutas elencadas no dispositivo legal, ou seja, a suposta mercadoria não se encontrava exposta, depositada, tampouco em circulação comercial. Verificase, claramente, que a norma deverá ser aplicada quando à mercadoria estrangeira for dada finalidade comercial: Fl. 318DF CARF MF 14 no caso em análise o combustível oriundo da vizinha cidade de Paso de Los Libres, ingressou no Pais de forma legal e foi integralmente utilizado no consumo próprio, JAMAIS a impugnante desenvolveu as condutas referidas no enquadramento atribuído pela fiscalização. Como sabemos em matéria tributária, principalmente quando da imposição de penalidades, a interpretação deverá ser restritiva, a conduta realizada pelo contribuinte deverá enquadrarse em uma das hipóteses legais, tais como a prevista no inciso X, do art. 618 do RA, no caso em tela não há suporte fático, pois a impugnante não desenvolveu as condutas descritas na norma. Pois o simples fato de adquirir combustível para uso próprio na vizinha cidade não constitui infração, pois como é notório, na cidade de Uruguaiana, todos os transportistas de cargas abastecem seus caminhões na Argentina, momentos antes de atravessar a fronteira, as empresas de transporte coletivo internacionais também fazem a mesma prática, digase legal, os taxistas também abastecem seus veículos no vizinho País, pois tais condutas não constituem nenhum tipo de infração, ao contrário são permitidas e fomentadas pelos dois Governos, ou seja, há incentivo ao comércio entre Uruguaiana e Passo de Los Libres. Assim, ao contrário dos fundamentos da r. Decisão ora atacada a Recorrente não desenvolveu os atos previstos no inc. X, do art.618 do RA, quais sejam, não expôs à venda, não manteve em depósito e tampouco comercializou, ademais caberia a Administração Tributária a comprovação de conduta ilícita da impugnante. (Grifo e negrito próprios do original) É imprescindível estabelecer um critério de distinção. Adequada a afirmação de que em localidades limítrofes transeuntes abastecem seu veículo do outro lado da fronteira e usufruam desse combustível em uso próprio. O legislador conhece e permite tal prática, por isso o ato de consumir não integra a conduta infracional descrita no inciso X, do artigo 618, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. E justamente é essa interpretação dos fatos que o Recorrente se alicerça para reclamar a improcedência do lançamento. Contudo, não se está a analisar uma relação de consumo. Consoante os fatos que embasam a presente ação fiscal e pela própria personalidade jurídica da autuada, empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE, os veículos abastecidos na cidade de Paso de Los Libres/Argentina tinham por finalidade o exercício das atividades inerentes ao objeto social da empresa, o que implica em prestação de serviços. A infração tipificada elenca três condutas em relação à mercadoria estrangeira com entrada irregular no território nacional: 1. exposta à venda; Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11075.000519/200804 Acórdão n.º 3302005.818 S3C3T2 Fl. 9 15 2. depositada; ou 3. em circulação comercial no País. Fato não contestado é a informação de que motorista da empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE fazia de dezesseis a dezessete viagens, por semana, até a cidade argentina de Paso de Los Libres, com uma camionete modelo D20 (placa IEE 2986), também pertencente à empresa, para comprar e trazer o combustível que, por sua vez, era consumido pela frota de doze ônibus da companhia de transporte coletivo. Ainda que se alegue dúvidas sobre a ação de depositar, o que é impraticável e, portanto, inverossímil, já que o combustível deveria permanecer estocado para o abastecimento da frota de veículos na medida de sua necessidade; não é desarrazoado entender que o combustível trazido irregularmente também estava em circulação comercial no País, pois ele era elemento essencial para o abastecimento da frota que consequentemente auferia faturamento para a empresa CONQUISTADORA TRANSPORTE. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 320DF CARF MF 16 Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000586/2004-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: APELAÇÃO – EFEITO SUSPENSIVO – EXIGIBILIDADE – A apelação
recebida com duplo efeito nos termos do artigo 520 do CPC tem o condão de suspender a eficácia da decisão judicial e mantém em vigência a tutela antecipada, portanto, suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151 do CTN, para fins de afastar a multa de ofício como trata o artigo 63 da Lei 9.430/96.
LANÇAMENTO VÁLIDO – EXIGIBILIDADE SUSPENSA É plenamente válido o lançamento que atende aos pressupostos do artigo 10 do Decreto
70.235/72 não havendo nulidade, porém, ele deve ser recebido como
lançamento de tributo com exigibilidade suspensa, no regime do citado artigo 63.
Numero da decisão: 1302-000.387
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária, da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que no momento do lançamento o tributo estava com exigibilidade suspensa e exonerar a multa de ofício, nos termos do relatório e do voto vencedor que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrente LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A Recorrida Fazenda Nacional APELAÇÃO – EFEITO SUSPENSIVO – EXIGIBILIDADE – A apelação recebida com duplo efeito nos termos do artigo 520 do CPC tem o condão de suspender a eficácia da decisão judicial e mantém em vigência a tutela antecipada, portanto, suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151 do CTN, para fins de afastar a multa de ofício como trata o artigo 63 da Lei 9.430/96. LANÇAMENTO VÁLIDO – EXIGIBILIDADE SUSPENSA É plenamente válido o lançamento que atende aos pressupostos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 não havendo nulidade, porém, ele deve ser recebido como lançamento de tributo com exigibilidade suspensa, no regime do citado artigo 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária, da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que no momento do lançamento o tributo estava com exigibilidade suspensa e exonerar a multa de ofício, nos termos do relatório e do voto vencedor que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 294 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Edjalmo Antônio da Cruz, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Contra a Liderança Capitalização foi lavrado Auto de Infração em 30/04/2004 (fls. 170 a 172) para exigir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano calendário de 2000 com juros de mora e multa de ofício, em decorrência da glosa da dedução da despesa de CSLL na apuração do lucro real. O contribuinte entrara com medida judicial para discutir referida dedução, tendo recebido tutela antecipada, porém, em 23/9/2003 sobreveio sentença desfavorável. Irresignado, o fiscalizado interpôs recurso junto ao Tribunal, pleiteando a reforma da sentença. Como não havia informações sobre o efeito em que foi recebido esse recurso, o contribuinte foi intimado. Em resposta, afirmou que o recurso estava aguardando o despacho judicial de sua admissão e sustentou que, com base no que dispõe o artigo 520 do CPC, a apelação teria efeitos devolutivo e suspensivo. A autoridade fiscal entendeu que o débito não estava mais suspenso, que o contribuinte não logrou comprovar a suspensão da exigibilidade e efetuou o lançamento com multa de ofício. Em sua impugnação (fls. 174 e seguintes), o interessado alegou em síntese que a autoridade não pode lavrar lançamento com base na mera suposição subjetiva de que o débito não estava com exigibilidade suspensa. O efeito suspensivo e devolutivo da apelação é decorrente de Lei, artigo 520 do Código de Processo Civil (CPC). "Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo." A apelação em questão é protegida por essa regra e tem efeito suspensivo. A situação não se enquadra em nenhuma das exceções dispostas nos incisos I a VI do artigo 520 do CPC, sendo elas únicas: "Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: I homologar a divisão ou a demarcação; II condenar à prestação de alimentos; III julgar a liquidação de sentença; (Revogado pela Lei n°11.232, de 2005) IV decidir o processo cautelar; V rejeitar liminarmente embargos á execução ou julgálos improcedentes; VI julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 295 3 VII confirmar a antecipação dos efeitos da tutela.” No caso em questão, havia antecipação de tutela (favorável à contribuinte) que não foi confirmada pela sentença (desfavorável), então, não se aplica o inciso VII do artigo 520 do CPC. Não se enquadrando a situação em nenhuma outra exceção, a apelação tem efeito suspensivo e devolutivo. Por essa razão, a exigibilidade do débito está suspensa e estão atendidas as condições do artigo 63, da Lei n° 9.430/96. Em 29/08/2007, a Delegacia da Receita de Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ) julgou integralmente procedente o lançamento por maioria de votos (fls. 228 e seguintes). A autoridade entendeu que, no momento do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96 e artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Ficou vencido o relator, que considerou suspensa a exigibilidade do crédito tributário e votou por cancelar a multa de ofício, agregando a seguinte observação: “Às fls. 227 juntei espelho da informação existente no site da Justiça Federal, 1ª. Instância, onde consta a informação de que a apelação foi recebida em seus dois efeitos.” Em apertada síntese, a DRJ explicou, para este caso prático, que só suspende a exigibilidade do crédito tributário a liminar ou a tutela antecipada. Essa tutela antecipada é cassada por decisão desfavorável. A apelação, recebida com efeito suspensivo, não reestabelece a tutela antecipada cassada, apenas impede a execução provisória da sentença. Ciente da decisão em 15/10/2007, o contribuinte apresentou seu Recurso em 09/11/2007 (fls.145 em diante). Reforçou os elementos de sua impugnação. (i) O auditor fiscal, ciente de que a apelação tem efeito suspensivo e devolutivo pelo artigo 520 do CPC, afirmou que não foi possível obter informações sobre esse efeito e supôs que a exigibilidade do crédito não estava suspensa, lavrando o auto de infração com multa. O auditor fiscal não poderia lavrar auto com base em suposição subjetiva ao arrepio da Lei, doutrina e jurisprudência (Lei n°9784/99. art. 2°, parágrafo único, inciso 1). (ii) O Relator vencido da DRJ efetivamente apurou que a primeira instância da justiça federal recebeu a apelação com efeito suspensivo e devolutivo. Nesse sentido, o fundamento do lançamento fiscal ficou prejudicado, devendo ele ser cancelado, ao menos quanto à exigência de multa de ofício. (iii) A DRJ inovou, face ao fundamento do lançamento fiscal, o que não pode prosperar. (iv) Por outro lado, a restrição dos efeitos suspensivos da apelação, como apregoada por alguns dos membros da Turma Julgadora de primeira instancia administrativa, não tem respaldo legal, pois o artigo 520 do CPC não prevê tal hipótese. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 296 4 (v) Ao contrário, dispõe ele que a apelação produz o efeito suspensivo da sentença apelada. À sentença cabe um único recurso de apelação, que diz respeito à integralidade da sentença, não apenas a uma ou outra parte. Se a sentença está suspensa, assim está em sua integralidade, também no tocante à revogação da tutela. Isso implica que essa revogação está suspensa e ainda é válida a tutela antecipada. (vi) A doutrina processualista demonstra que o efeito suspensivo é aplicável à totalidade da sentença e não produz efeitos apenas para evitar a execução provisória, mas sim e antes de mais nada para adiar os efeitos da sentença até julgamento em próxima instância, nas palavras de Hugo de Brito Machado, Barbosa Moreira, Luiz Guilherme Marinoni, Rodrigo Cavalcanti Pessoa de Moraes, Alcides Mendonça Lima, Cassio Scarpinella Bueno, Edson Alvisi Neves, Ovídio Baptista da Silva, dentre outros, Hely Lopes Meirelles. (vii) Tudo bem resumido por Mendonça Lima: "o recurso dirigido contra a sentença denegatória do mandado de segurança deve ser recebido em seu efeito suspensivo, sendo certo que esse efeito suspensivo representa a suspensão, inclusive, da decisão revogatória da liminar". Protesta o contribuinte que a exigência fiscal em comento, agravada pela multa de ofício, é ilegal e ofende o artigo 63 da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O contribuinte teve tutela antecipada para deduzir a CSLL na apuração do lucro real no ano de 2000. Sobreveio decisão desfavorável a respeito da qual foi interposta apelação. Não há dúvida que a apelação goza de efeito suspensivo e devolutivo conforme artigo 520 do novo CPC, tanto que a DRJ assim reconheceu e a justiça assim declarou. O fiscal autuou a empresa com multa de ofício porque teve dúvida quanto a esse efeito, assunto que resta esclarecido, sendo insubsistente o lançamento da multa de ofício. A vasta doutrina processual corrobora o entendimento de que cabe efeito suspensivo, conforme artigo 520 do CPC, para a apelação em mandado de segurança quando a decisão cassa liminar anteriormente concedida, citemse: Hugo de Brito Machado, Barbosa Moreira, Luiz Guilherme Marinoni, Rodrigo Cavalcanti Pessoa de Moraes, Alcides Mendonça Lima, Cassio Scarpinella Bueno, Edson Alvisi Neves, Ovídio Baptista da Silva, dentre outros, Hely Lopes Meirelles Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 297 5 A DRJ, por outro lado, houve por bem inovar no argumento e manter o lançamento fiscal com a multa de ofício por entender que o efeito suspensivo da apelação não tem o condão de devolver eficácia à tutela antecipada outrora concedida. Não se trata de devolver eficácia, pois essa eficácia continua válida para todos os fins. Isso porque a decisão que cassou a tutela antecipada está suspensa, ou seja, não produz efeitos jurídicos até que confirmada, ou não, pela instância superior. Ocorre que, para cada decisão, cabe apenas um recurso, que versa sobre todas as matérias nele combatidas. A apelação, portanto, vale tanto para o mérito da questão decidida quanto para a parte em que a decisão revoga a tutela antecipada. Quando o CPC diz que a apelação suspende a sentença, isso vale para todos os efeitos. Luiz Guilherme Marinoni explica: "é inócua a revogação da liminar quando do proferimento da sentença, eis que a mesma (salvo os casos excepcionais do art. 520 do CPC) está sujeita a recurso a ser recebido e processado com efeito suspensivo." MARINONI, Luiz Guilherme. A antecipação da tutela na reforma do código de processo civil. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 74. As novas normas processuais superam, portanto, e revogam as regras anteriormente vigentes (Súmula STF 405). A nova sistemática recursal do CPC é clara: a apelação em mandado de segurança suspende integralmente a eficácia da decisão que foi contra a decisão liminar anteriormente dada, só nessa hipótese, conforme escreve também, Alcides Mendonça Lima: "(...) o recurso dirigido contra a sentença denegatória do mandado de segurança deve ser recebido em seu efeito suspensivo, sendo certo que esse efeito suspensivo representa a suspensão, inclusive, da decisão revogatória da liminar." LIMA, Alcides Mendonça. Efeitos do agravo de petição no despacho concessivo de medida liminar em mandado de segurança. Revista Forense 178/464. A suspensão integral dos efeitos da decisão que sobreveio desfavorável ao contribuinte fica evidente inclusive pela leitura do artigo 520 do CPC e de suas exceções. O efeito suspensivo não existe para o recurso da Fazenda, se a decisão (favorável ao contribuinte) confirma a liminar (favorável ao contribuinte), mas existe no caso do recurso do Contribuinte em que a decisão (desfavorável) infirma a liminar (favorável). O efeito suspensivo expresso e claro no CPC visa proteger alguma coisa, o que será? Como no mandado de segurança não há que se falar em execução provisória, a garantia que se visa proteger é justamente a tutela jurisdicional, face ao perigo de mora e ao duplo grau de jurisdição. Da decisão denegatória, cabe apelação em busca do segundo grau de jurisdição e, até que ele sobrevenha, os efeitos da decisão a quo ficam integralmente suspensos, adiados para todos os fins de direito, mantendo se válida a tutela conforme ensina Cassio Scarpinella Bueno: “(...)O que sustentamos, inversamente, é que, com a interposição do recurso de apelação ou recurso ordinário nos tribunais (desde que admitida a concessão de efeito suspensivo na hipótese), os efeitos desta revogação estarão suspensos, prevalecendo, destarte, a anterior decisão até julgamento do recurso e até o transito em julgado. Assim, os efeitos passiveis de serem mantidos com a denegação da ordem correspondem, precisamente, à conservação da decisão concessiva da liminar.” BUENO, Cassio Scarpinella. Liminar em mandado de segurança. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997, p. 258259. A eficácia da sentença fica então adiada. No mundo jurídico, é como dizer que a sentença não produz efeitos até que confirmada pela instância seguinte. Se a sentença não produz efeitos, permanece eficaz a tutela antecipada que ela pretendeu cassar observada a jurisprudência cível nesse sentido: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 298 6 EMENTA Sentença que julga simultaneamente lides principais e cautelar, reunidas pela conexão, revogando liminar que fora concedida na última delas, pela qual o agravante entrara na posse de um veículo, alvo das demandas apelação por ele interposta recebida no duplo efeito posterior decisão que, acolhendo pedido da agravada, determinou que se expedisse mandado para a entrega à mesma do aludido veículo inadmissibilidade determinação judicial descabida, de vez que o duplo efeito atribuído ao recurso obsta que tal sentença produza os seus normais efeitos, entre os quais aquele alusivo à revogação da liminar validade do recebimento do apelo nos efeitos devolutivo e suspensivo, por estar em conformidade com a orientação emanada de ponto de vista da jurisprudência, inclusive deste colegiado – decisório reformado agravo de instrumento provido. (TAPR Quinta C.Cível (TA) AI 01604822 São Mateus do Sul Rel.: Des. Duarte Medeiros Unânime J. 30.08.2000) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. LIMINAR SENTENÇA DENEGATÓRIA DE MANDADO DE SEGURANÇA EFEITO SUSPENSIVO DA APELAÇÃO. I A hipótese vertente é de sentença denegatória de mandado de segurança, tendo sido deferida liminar in initio litis obstando desconto de imposto de renda na fonte sobre contratos de hedge firmados através de operações de swap; II A sentença proferida em mandado de segurança tem caráter autoexecutório quando é concessiva da ordem, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 12 da Lei nº 1.533/51; III É de se admitir possibilidade de reforma da sentença, quando aferida liminarmente presença do fumus boni iuris ao fundamento de não decorrer das operações em tela qualquer tipo de renda ou outro acréscimo patrimonial, e do periculum in mora por já ter ocorrido o vencimento dos contratos estando do Banco Pactual na iminência de efetuar a retenção do IRF. Tornase ainda mais iminente o risco de dano com o recebimento da apelação apenas no feito devolutivo; IV Embora o Juiz não tenha cassado expressamente a liminar, com a denegação da segurança a mesma não pode operar seus efeitos, a menos que a apelação seja recebida no efeito suspensivo; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 299 7 V De se considerar que sendo confirmada a sentença denegatória pelo Tribunal, seus efeitos serão ex tunc, retroagindo à data inicial da exigibilidade do tributo em questão, não resultando prejuízo à impetrada. Ao revés, se a sentença for reformada sem que se empreste efeito suspensivo ao recurso e permitido cessarem os efeitos da liminar a empresa impetrante sofrerá o prejuízo de ser descontada do questionado IRF, tendo que se socorrer da morosa via da repetição do indébito e do procedimento de precatório; VI Ademais, a regra geral consagra o duplo efeito da apelação (art. 520, do CPC), sendo regra de hermenêutica jurídica que as exceções devem ser expressamente previstas, o que não sucede na hipótese de ser denegatória a sentença, ao contrário, a execução é da auto executoriedade da sentença concessiva, resultando no efeito meramente devolutivo do respectivo recurso; VII Desarte, em caso de sentença denegatória, é aplicável a regra geral do CPC que consagra o duplo efeito da apelação; VIII Agravo de instrumento provido TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 64823 2000.02.01.052988 0 Relator (a): Desembargador Federal NEY FONSECA Julgamento: 09/04/2001 Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Publicação: DJU Data: 12/06/2001 Assim, quando do lançamento fiscal, a pretensão de exigir o IRPJ sobre a dedução da CSLL no ano de 2000 estava suspensa, sendo improcedente a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96. Assim também segue jurisprudência deste Conselho. CSL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA RECEBIDA NO DUPLO EFEITO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ARTIGO 63 DA LEI 9.430/96 Tendo sido exarado despacho pelo Desembargador relator da apelação no mandado de segurança, decidindo inaplicável a penalidade de ofício, em razão de ter sido o recurso recebido no duplo efeito e da conseqüente permanência dos efeitos de liminar anterior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 300 8 concedida, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário restou configurada, sendo, portanto, inaplicável a penalidade de ofício, a teor do disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96. Recurso negado. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de admissibilidade, e no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. EDISON PEREIRA RODRIGUES PRESIDENTE CLAUDIA DOLORES ROSA Chefe da Câmara Relator: MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0104.588 em 10.06.2003, publicado no DOU em: 13.08.2003 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador 20/12/1995, 20/06/1996, 19/12/1996, 19/06/1997, 17/12/1997 IRF Ano(s): 1996 e 1997 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Não cabe a aplicação de multa de ofício em lançamento para evitar a decadência se o crédito tributário está suspenso por liminar em mandado de segurança, restabelecida por efeito suspensivo conferido a Apelação interposta contra a denegação da segurança. De outro lado, a aplicação dos juros de mora somente é afastada na hipótese de suspensão da exigibilidade decorrente de depósito integral do crédito tributário. Recurso parcialmente provido Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor referente a multa de ofício, porque o lançamento se deu na vigência de medida cautelar. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Relator: Vanessa Pereira Rodrigues 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102 49.122 em 24.06.2008 IPI Assunto: MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DESCABIMENTO. RECURSO DE APELAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO (EFEITOS SUSPENSIVO E DEVOLUTIVO). Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade estiver suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou por sentença proferida em mandado de segurança, ainda que não transitada em julgado, ou pela apelação recebida em seu efeito suspensivo/devolutivo, descabe o lançamento de multa de ofício, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 301 9 consoante disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Resultado: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Esteve presente ao julgamento a Dra. Ana Paola Zonari, OAB/DF nº 1.928/A, advogada da recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 22.10.2008 Relator: MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ 2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 202 19.093 em 04.06.2008, publicado no DOU em: 27.11.2008 Além do cancelamento da multa, a contribuinte pede que seja integralmente cancelado o lançamento fiscal, posto que baseado em mera suposição do fiscal. Não concordo que o lançamento tenha sido feito por suposição, mas sim porque o auditor fiscal não restou convencido da suspensão da exigibilidade, tendo no mais explicado adequadamente o enquadramento legal. O lançamento é válido na medida em que atende aos requisitos do Decreto 70.235/72, não havendo razão para ser integralmente cancelado. Por fim, a contribuinte pede que se reconheça a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Conforme já afirmado, à época da autuação, o crédito tributário gozava de suspensão da exigibilidade por tutela antecipada em Mandado de Segurança logo, o valor objeto do lançamento feito para evitar a decadência não podia ocasionar cobrança administrativa ou judicial nos termos do artigo 151 do CTN e a multa não podia ser aplicada nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96. Esse é o acompanhamento e encaminhamento que deve ser dado pela autoridade preparadora para o lançamento objeto deste processo. Por outro lado, a atual suspensão ou não da exigibilidade do crédito tributário, para fins de cobrança e execução, deve ser acompanhada em razão do andamento do processo judicial, a saber, o tributo passa a ser exigível no momento em que tenha havido ou sobrevenha eventual decisão desfavorável do Tribunal Regional Federal. Nesse sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para (1) cancelar a exigência da multa de ofício e (2) reconhecer que à época o lançamento ele deveria ter sido feito com exigibilidade suspensa nos termos dos artigos 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96, devendo (3) ser promovida a alteração do status do lançamento para “exigibilidade suspensa” para fins de acompanhamento do processo judicial ligado à discussão da dedução da CSLL na base do IRPJ e do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário. No mais, mantenho o lançamento fiscal do valor principal em comento, nos termos do artigo 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 16327.000586/200400 Acórdão n.º 1302000.387 S1C3T2 Fl. 302 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 13657.000456/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 04 56 /2 00 9- 43 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 155 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 136/141, contra o Acórdão nº 2801003.492, de 14/04/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 80/87. Alega o embargante que o acórdão ao cancelar o lançamento fiscal pela falta de aplicação do regime de competência no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente incorreu em omissão e contradição em relação aos valores efetivamente abrangidos pela notificação de lançamento. A ciência do acórdão embargado pelo contribuinte deuse no dia 27/04/2016, que interpôs os embargos de declaração em 28/04/2016, segundo a data da postagem aposta no envelope da remessa do recurso por via postal (fls. 130/134 e 142/145). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção. Os aclaratórios foram admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, determinando a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento dos vícios apontados pelo contribuinte (fls. 149/152). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Pois bem. Na origem, o lançamento fiscal decorreu da constatação de omissão de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 245.392,43, assim distribuídos (fls. 16/17): Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 156 3 1. Banco do Brasil SA, na quantia de R$ 237.448,46, com imposto retido de R$ 7.123,45; e 2. Instituto Nacional do Seguro Social, no montante de R$ 7.943,97. A matéria devolvida a julgamento em segunda instância restringiuse à parcela relativa aos rendimentos recebidos acumuladamente, na importância de R$ 237.448,46. Confirase trecho do acórdão embargado (fls. 83): (...) Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação revisional de benefício previdenciário. (...) Com efeito, não se instaurou o litígio com relação à omissão de rendimentos provenientes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no montante de R$ 7.943,97, conforme destacou a decisão de primeira instância (fls. 52/56). Além de deixar de impugnar expressamente a omissão de rendimentos recebidos do INSS, também não houve contestação específica da matéria no recurso voluntário, em que apenas se verifica o inconformismo do contribuinte com a autuação fiscal, sem contudo estar acompanhado de qualquer argumento para levar à improcedência dessa omissão de rendimentos (fls. 02/04 e 63/69). Quanto ao mérito do recurso voluntário, o acórdão embargado decidiu pelo cancelamento do lançamento fiscal referente à parcela de rendimentos recebidos acumuladamente, em razão do equívoco no critério utilizado pela fiscalização para a apuração do imposto de renda. Contudo, ao referirse ao valor dos rendimentos acumulados, a decisão combatida cometeu um ato falho ao indicar para exclusão o montante de R$ 7.943,97, em vez de R$ 237.448,46. Logo, a fim de extirpar o vício do julgado embargado, a conclusão do voto condutor, de lavra do conselheiro Carlos César Quadros Pierre, é alterada para a seguinte redação: "Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, no montante de R$ 237.448,46." Em consequência, cabe também a alteração do resultado do julgamento, mantendo a harmonia com o restante do acórdão: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 157 4 "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, no montante de R$ 237.448,46, nos termos do voto do Relator." Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2801 003.492, de 14/04/2014, mediante a retificação do montante dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal, que equivale a R$ 237.448,46. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910200/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/05/2007
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 02 00 /2 00 9- 11 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.117 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (IRPJ código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2006 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32 (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 52 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 199.292,45 (cento e noventa e nove mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e cinco centavos), conforme ficha 17 , linha 42 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, linha 54 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 24025.17684.300507.1.3.049891, transmitida em 30/05/2007, a mesma fez a devida compensação do valor de RS 23.930,69 (vinte e três mil, novecentos e trinta reais e sessenta e nove centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, pago a mais em 31/07/2007 no valor de R$23.041,30 (vinte e três mil, quarenta e um reais e trinta centavos), devidamente corrigido e informado na respectiva PER/DCOMP. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 23.041,30, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 23.041,30, assim declarado na DCTF de dezembro de 2006 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 5 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 6 5 não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de dezembro de 2006 e da própria DIPJ/2007, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 7 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2006, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906952/2009-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.
A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte negase a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 52 /2 00 9- 66 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 195 2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.911, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 13.09.2012 (efls. 95 a 102), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: (...) Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 196 3 A Recorrente utilizouse do crédito em questão, devidamente atualizado pela Taxa Selic, como permite a legislação federal, para compensar com inúmeros débitos. A planilha e os demais documentos anexo dão conta do valor original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas correspondentes atualizações para compensação, em momentos distintos, sendo que a mera análise das informações constantes nas DCOMPs, com os acréscimos legais ao crédito da Taxa Selic, dão conta de que o mesmo crédito é suficiente/disponível para a integral quitação/compensação do débito declarado na DCOMP 28818.60453.181104.1.3.042639. Isso indica que a r. decisão de não homologação sobreveio sem que a D. fiscalização checasse a integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito, devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão somente indeferilos (não homologandoos) devido a incongruências de seu sistema. (...) Dessa forma, deve buscar a D. Administração a verdade real, não podendo deixar de homologar a declaração de compensação da Recorrente em razão de incongruências formais no sistema ou por não realizar os batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela Taxa Selic, pois, como se prova com os documentos anexos, a Recorrente tem o direito à compensação e o crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada, e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio sistema da Receita Federal as declarações e recolhimentos feitos pela Recorrente; dever da D. Administração. (...) Assim, requer a Recorrente, fazendo uso do Diploma acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que seja reconhecido como suficiente o crédito, devidamente atualizado, apurado pela Recorrente e por conseguinte homologada a respectiva DCOMPs por ela apresentada, com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos. (...) Com o protocolo desta e até sua final decisão, nos termos do inciso I do § 3º do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (...) (...) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 197 4 Da ementa do acórdão recorrido A 8ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF e em DCOMP. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 116), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com vista a demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que: 1 o crédito em questão, decorrente de pagamento a maior que o devido, referente ao PIS da competência de JUL/2003, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp, cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas indicado, tanto que com relação ao Per/Dcomp em apreço, referido quadro aponta o crédito original de R$ 26,65, resultado obtido da subtração do crédito original com os débitos compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do crédito utilizado para a compensação e a existência de saldo suficiente para a quitação dos débitos apontados em cada Per/Dcomp; 2 seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas, conforme descritas na referida planilha, o que poderia ter dado ensejo a não homologação da presente declaração de compensação; 3 no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma vez que o fisco não confirmou as demais compensações realizadas pelo contribuinte, bem como a origem de seus créditos; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 198 5 4 da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e reapresentada neste recurso voluntário as compensações efetuadas deveriam ter sido homologadas; 5 ainda em respeito ao princípio da verdade material, deveria o fisco ter aprofundado na análise dos apontamentos realizados no intuito de constatar a veracidade das informações e fundamentações trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivandoo de nulidade. Diante do exposto, requer seja reconhecido como suficiente o crédito apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologandose a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para que a autoridade fiscal confira as demais compensações realizadas e a origem do respectivo crédito, e que as futuras intimações sejam efetuadas em nome do contribuinte e também de seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 11.01.2013 (efl. 193), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 07.11.2012, conforme depreendese do carimbo aposto na sua "folha de rosto", depois da ciência ocorrida em 16.10.2012, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 105), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I Sem embargo, antes tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 199 6 pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno deste Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Preâmbulo II Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, tão somente depois da efetiva desconstituição total ou parcial da dívida confessada, pela supressão ou diminuição dos débitos informados no documento de confissão, haveria, ao menos em tese, a possibilidade de a Administração deferir eventual pedido de restituição ou homologar compensação, sujeitandose o contribuinte, todavia, à legislação de regência e aos critérios temporais, atinentes à retificação do documento de confissão DCTF, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Portanto, a questão é que, como a origem do crédito está jungida à necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros, limitandose a apresentar uma mera planilha informativa. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 200 7 não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Como o contribuinte abstevese de produzir, ainda de minimamente, as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia. Preâmbulo III Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Mérito A legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Per/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o despacho decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, o recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 201 8 Com a apresentação da manifestação de inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O recorrente, como relatado, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, limitouse a apresentar uma planilha e as cópias de diversas PER/DComp, além de cópia do comprovante de arrecadação Darf dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada. Reprisando, não procede, também, a alegação trazida no recurso voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos elementos de prova apresentados na manifestação de inconformidade nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha e às cópias de diversas Per/Dcomp. Digase, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo; estando, portanto, longe de conferir a liquidez e certeza necessária, o que confere absoluta razão ao voto condutor do acórdão recorrido quanto este expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade entre os valores confessados em DCTF e aqueles posteriormente indicados no Per/Dcomp e questão. Assim, temse a mesma situação em que se encontrou a DRJ recorrida, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos, deixando, transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 202 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter por seus exatos termos a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720595/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.
Numero da decisão: 1301-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 95 /2 01 1- 17 Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.501 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Os Srs. Eder Luis Lopes, Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0125.416, de 10/08/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, recorrem a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado, no que tange à questão da responsabilidade tributária. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 3.217.027,21; PIS R$ 1.017.103,39; COFINS R$ 4.629.179,69; Contribuição Social R$ 1.511.219,69. Anos calendários 2006 e 2007. A fiscalização efetuou o lançamento dos tributos descritos acima, nos seguintes termos, conforme descrição constante deste processo: apurou o lucro tributável pela sistemática do “Lucro Arbitrado”, conforme textos excertos das folhas 50 a 77 do volume I do presente processo, e o PIS e o COFINS na sistemática da “não cumulatividade”; “...Como o contribuinte, apesar de reiteradas intimações, não apresentou os livros e documentos solicitados pelo fisco, nos valemos, então, das informações fornecidas pela SEFAZ/AM para intimálo em 17/09/2010 (Edital n° 108/2010), a prestar os esclarecimentos relativos aos seguintes fatos, vinculados ao período fiscalizado e devidamente discriminados no Termo de Solicitação de Esclarecimentos, lavrado em 02/09/2010: 1. A falta de apresentação à Receita Federal do Brasil das DIPJ referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, e a constatação de que a empresa fiscalizada auferiu, nesses mesmos anos, receita proveniente das vendas de produção do estabelecimento, conforme declarado à SEFAZ/AM, através dos respectivos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM). Seguem anexos, os Demonstrativos "VENDAS DECLARADAS NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO MENSAL DAM À SEFAZ/AM", referentes ao período janeiro de 2006 a dezembro Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.502 3 de 2007, os quais são partes integrantes e inseparáveis deste Termo. Nesse mesmo Termo, informamos que, até então, o contribuinte não apresentara os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. E acrescentamos que a não apresentação desses elementos implicaria na determinação do IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado, conforme art. 530 do RIR/99…” 3. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E A RECEITA BRUTA CONHECIDA Em consulta ao banco de dados da RFB verificamos, com relação ao ano calendário de 2006, que: • o contribuinte não entregou DIPJ, nem efetuou pagamentos de IRPJ e CSLL. A última DIPJ apresentada é referente ao ano calendário de 2005; • entregou DCTF mas não declarou débitos de IRPJ e CSLL, declarou apenas débitos do PIS e da COFINS; • entregou DACON de acordo com o regime da não cumulatividade para o PIS e a COFINS. E com relação ao ano calendário de 2007 verificamos que: • o contribuinte não entregou DIPJ, DACON nem DCTF; • não efetuou pagamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Portanto, a omissão do contribuinte quanto ao pagamento do IRPJ, significa que ele não optou pelo regime do lucro presumido, em vista do que dispõe a Lei n° 9.430/96, cujo art. 26, § 1º , determina que a opção pelo lucro presumido deva ser exercida com o pagamento do imposto. Transcrevemos: [...] Pela mesma razão (omissão de pagamento do IRPJ), deduzimos também que o contribuinte não recorreu ao regime de lucro arbitrado nos anos sob fiscalização, conforme preceitua a Lei n° 8.981/95, em seu art. 47, § 1º: [...] Sem exercer opção pelo lucro presumido, e sem adotar o regime do lucro arbitrado, concluímos que o contribuinte permaneceu, por exclusão, obrigatoriamente submetido à regra geral de tributação, configurada pela apuração do lucro real trimestral, de acordo com o caput do art. 1º, da Lei n° 9.430/96, reproduzido abaixo: […] Como conseqüência desse regime de apuração do IRPJ (lucro real), o contribuinte ficou obrigado a manter escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. No entanto, tendo em vista que o contribuinte no decorrer do procedimento de fiscalização não apresentou qualquer documento ou livro solicitado, incorreu na situação prevista no art. 530, III, do RIR/99, conforme transcrição abaixo: Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.503 4 [...] Dessa forma, adotamos neste ato de lançamento o regime do lucro arbitrado trimestral. Tomamos como receita bruta conhecida os valores das receitas mensais declarados no DACON, para o ano calendário de 2006. E para o ano calendário de 2007, adotamos como receita bruta conhecida os valores das vendas mensais extraídos das informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (SEFAZ/AM), nos Demonstrativos de Apuração Mensal do ICMS (DAM)...” No tocante ao PIS e à COFINS, a indicação do regime da “não cumulatividade está expressa no texto abaixo, à fl. 63 do volume I: “...Para o ano calendário de 2006, o contribuinte entregou DACON demonstrando a apuração dos valores do PIS e da COFINS de acordo com o regime da não cumulatividade, o que está em conformidade com o regime de apuração do IRPJ pelo lucro real trimestral. Na DCTF correspondente ao mesmo ano foram declarados débitos relacionados às duas contribuições. As diferenças apuradas na ação fiscal foram formalizadas neste ato de lançamento seguindo o regime da não cumulatividade. Com relação ao ano calendário de 2007, o contribuinte não entregou DACON nem DCTF, mas, em decorrência do regime de apuração do lucro real trimestral aplicável ao IRPJ nesse período, seguimos também o regime da não cumulatividade para o cálculo dos valores do PIS e da COFINS...” apurou multa de ofício em sua forma qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) ”, conforme textos excertos das folhas 66 e 67 do volume I do presente processo: “...E as condutas do contribuinte HÉLIOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO LTDA., às quais já nos referimos, subsumemse integralmente ao teor do ilícito fiscal denominado "sonegação", conforme podemos constatar no retrospecto sobre os ilícitos cometidos, feitos a seguir: a) Não entregou a DIPJ referente ao ano de 2006, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; b) Em 2006 entregou DCTF com declarações inexatas de débitos em relação ao PIS e à COFINS, e nada declarou sobre os débitos do IRPJ e CSLL; c) Em 2007 o contribuinte informou à SEFAZ/AM o valor de R$ 20.976.895,72 como receita de vendas, mas, para a RFB, omitiu completamente a receita ao não entregar DIPJ, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.504 5 d) No mesmo ano de 2007 não entregou DACON, omitindo informações tributárias relativas ao PIS e à COFINS; e) Ainda no ano de 2007 não entregou DCTF, omitindo declaração dos débitos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; f) A dissolução irregular da sociedade, comprovada pela inexistência de atividades e de representantes no domicílio da sociedade empresarial, e a consequente falta de apresentação dos livros e documentos solicitados no decorrer da fiscalização; g) A total falta de pagamento de tributos referentes ao ano de 2007, em decorrência dos ilícitos de sonegação. Todas essas infrações estão diretamente vinculados com a intenção de impedir ou retardar que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias principais. Então, como consequência, o conjunto de ilícitos praticados pelo contribuinte, teve como resultado a supressão ou redução do pagamento de tributos federais...” apurou a sujeição passiva além do contribuinte, nos moldes dos arts.135 e 137 do CTN, nas pessoas dos sócios administradores, diretores, mandatários, prepostos e representantes, conforme textos excertos das folhas 68/69, e folhas 73/76, do volume I do presente processo: A impugnação deste Auto de Infração foi apresentada pelos sujeitos passivos: HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804; RAUL FERNANDES MARINHEIRO,CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837. O sujeito passivo HÉLIO EUGÊNIO SACCHI foi representado por NERINGA SACCHI, brasileira, portadora da cédula de identidade n.1.482.5624, inscrita no CPF/MF sob o n. 039.1141.21831, que atua como inventariante de Hélio Eugênio Sacchi, e alegou em sua defesa que: que o autuado em questão, Hélio Eugênio Sacchi, faleceu em 12/11/2010, conforme atesta a certidão de óbito, ou seja, seria insubsistente a lavratura ocorrida em 27/06/2011, sete meses após o falecimento do suposto responsável; a autoridade administrativa incidiu em falha ao não identificar corretamente o sujeito passivo, que jamais seria o de cujus e a massa falida ou o espólio; o Auto de Infração formaliza a responsabilização tributária do autuado pelos débitos da empresa HELIOS DA AMAZONIA IND. E COM. DE MATERIAIS DE ESCRITORIOS LTDA, entretanto a falência de tal empresa foi decretada em 07/06/2011 nos autos do processo n. 022812528.2008.804.0001, em trâmite Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.505 6 perante a 19ª Vara Cível da Comarca de Manaus/AM; assim, a futura e eventual cobrança judicial imporia habilitação como forma de garantir a satisfação do crédito; O sujeito passivo OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, foi representado por Roberto Soares Sacchi, brasileiro, divorciado, engenheiro civil, portador da cédula de identidade RG n°. 6.554.287SSP/ SP e inscrito no C P F / M F sob n°. 006.983.24803, alegando em síntese que: O Requerente foi notificado no dia 13/07/2011, tendo o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar quanto ao conteúdo do assunto em objeto, ou seja, o dia 12/08/2011; Conforme "Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda.", de 31/03/1997, devidamente registrado perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas sob n°. 17781.6, em 19/09/1997, OLAVO SACCHI teria se retirado do quadro de sócios em 31/03/1997; Olavo Sacchi não poderia ser responsabilizado por infrações fiscais que teriam ocorrido nos anos calendário de 2006 e 2007, como pretende a Fiscalização, posto que retirouse da Sociedade muitos anos antes, em 31/03/1997, a partir de quando deixou de manter qualquer relacionamento comercial, profissional ou de qualquer outro tipo com a empresa autuada; Conforme Certidão de Óbito expedida em 22/07/2011 pelo 13°. Cartório de Registro Civil do Butantã, São Paulo, SP, OLAVO SACCHI faleceu em 21/09/1999; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834 alegou: que encaminhou dossiê, via Sedex, com os esclarecimentos que julgou “necessários e suficientes” para excluir seu nome de qualquer tipo de responsabilidade junto à empresa "Hélios da Amazônia", principalmente, aos atos e fatos ocorridos após a minha renúncia em 31/03/1999”; as diversas empresas vinculadas ao nome "HELIOS", foram sempre criadas e administradas (gestão) pelo "clã Sacchi" e os respectivos diretores nas diversas áreas eram nomeados, na maioria das vezes empregados regidos pela CLT; “ No ano de 2003, entrou com um Processo Trabalhista contra a "Hélios Carbex" no Fórum de Barueri São Paulo e desde então não tem nenhum relacionamento com a "Família Sacchi" e as respectivas empresas”; sua renúncia ocorrera em 31/03/1999; Sujeito passivo EDER LUIS LOPES CPF 076.300.64837 alegou que: Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.506 7 é admissível pelas Delegacias de Julgamento os recursos que versem sobre a Responsabilidade Tributária; é nulo o termo de responsabilidade tributária por inexistência de motivação; nulidade pela não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico; não possuía poderes de decisão para assegurar pagamentos tributários; A empresa “PRESTO” deve ser a responsável pelos créditos tributários em virtude de ser a sucessora da HÉLIOS DA AMAZÔNIA; inexistência de sonegação fiscal que não deve ser confundida com inadimplência, assim como a mera “não apresentação” da Declaração Fiscal” não ter força de presunção da existência de sonegação; é necessária a comprovação, pela fiscalização, da conduta ilícita. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA analisou as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos e prolatou o Acórdão nº 0125.416, de 10/08/2012 (fls. 852/865), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A parte dispositiva foi redigida como segue: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação DOS SUJEITOS PASSIVOS HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837, mantendo o crédito tributário exigido e mantendoos na sujeição passiva do mesmo crédito tributário. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente DO SUJEITO PASSIVO OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, excluindoo da sujeição passiva do crédito tributário exigido. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.507 8 Não houve recurso de ofício. A pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda tomou ciência do acórdão de primeira instância mediante o Edital de fl. 873 (afixado em 10/01/2013, ciência em 25/01/2013), após ter falhado a tentativa de ciência por via postal (fls. 871/872). Não encontro nos autos recurso voluntário da pessoa jurídica. O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889. O recurso voluntário se encontra às fls. 1259/1292, e o carimbo de recepção de fl. 1259 registra a data de 25/04/2013 (quintafeira) como protocolo do recurso. O sujeito passivo solidário Sr. Raul Fernandes Marinheiro tomou ciência do acórdão de primeira instância em 26/03/2013, conforme AR à fl. 893. Às fls. 897/1031 encontro recurso apresentado pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do Sr. Raul Fernandes Marinheiro. O espólio do sujeito passivo solidário Sr. Hélio Eugênio Sacchi tomou ciência do acórdão de primeira instância em 25/03/2013, conforme AR à fl. 891. Em 22/04/2013 foi apresentado o recurso voluntário de fls. 1032/1046. Em uma primeira apreciação, este colegiado, embora em outra composição, conhecendo apenas do recurso apresentado pelo espólio do Sr. Hélio, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem adotasse as providências especificadas na Resolução 1301000.407, de 11 de Abril de 2017, com intuito de coletar informações necessárias ao julgamento do recurso voluntário interposto. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo, carreou ao processo os documentos de fls. 1351/1470. Cientificados do resultado da diligência realizada, não houve manifestação por parte dos sujeitos passivos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator A admissibilidade dos recursos apresentados serão alvo de nova apreciação. O Contribuinte Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda já não havia apresentado impugnação e também não apresentou recurso voluntário. O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889, e apresentou recurso voluntário em 25/04/2013, sendo portanto intempestivo. Dele não conheço. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.508 9 O recurso voluntário do Sr. Raul Fernandes Marinheiro foi apresentado pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do responsável tributário Sr. Raul Fernandes Marinheiro. Não identifico nos autos qualquer documento que outorgue poderes de representação à peticionante. Porém, ao invés de intimar o contribuinte para suprir a deficiência de representação, da análise dos documentos e informações trazidos em diligência (fls. 1351/1470), verifico que o aludido senhor retirouse da sociedade antes da data dos fatos geradores. Assim, conheço do recurso e passo a analisar seus fundamentos. O recurso voluntário apresentado pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi é tempestivo e atende aos demais requisitos processuais. Dele conheço, e passo a apreciar seus fundamentos. Da Análise dos Recursos Voluntários Registrese, inicialmente, que os recorrentes aduzem suas razões com o escopo de afastar tão somente suas imputações ao pólo passivo da obrigação jurídicotributária ora discutida. Em momento algum apresentam qualquer questionamento ao auto de infração, em si. É sob esse prisma que serão apreciados os recursos apresentados pelo Sr. Raul Fernandes Marinheiro e pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi. Quanto ao recurso apresentado pelo espólio do Sr. Hélio, em preliminar, a referida recorrente requer sejam juntados aos autos os documentos de fls. 1159/1255, nos termos do art. 16, § 4º, alíneas “a” e “c” do Decreto nº 70.235/1972 e com base no princípio da verdade material. Alega que a apresentação dos documentos dependeria de terceiros e que, considerando que o domicílio fiscal do recorrente é na capital de São Paulo, a obtenção teria sido dificultada. Estes documentos são cópias do Contrato de Constituição da pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria de Materiais de Escritório Ltda., CNPJ 34.503.615/000152, e diversas alterações posteriores, sendo eles admitidos por decisão proferida através da Resolução nº 1301000.407, da lavra do I. Conselheiro Waldir Veiga Rocha (fls. 1336 a 1347) sendo inclusive objeto da diligência. No mérito, alega a defesa a ilegitimidade passiva do Sr. Hélio Eugênio Sacchi, sustentando que esse senhor não poderia ser responsabilizado por fatos geradores tributários ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2007, pois não mais fazia parte do quadro societário da pessoa jurídica, vez que sua retirada teria ocorrido em 23/09/2005, na 14ª Alteração Contratual, registrada na JUCEA em 30/09/2005. Em face dessas alegações, e diante do quanto consta do documento denominado Motivação do Ato de Lançamento, às fls. 73/74, onde o Fisco declina os motivos pelos quais atribuiu responsabilidade tributária, entre outros, ao Sr. Hélio, o julgamento foi convertido em diligência, para solicitar da JUCEA manifestação expressa sobre o registro (ou não) naquele órgão de cada uma das alterações contratuais mencionadas em defesa e, caso tenham sido registradas, em que data isso teria ocorrido: Atendendo ao quanto solicitado, a JUCEA carreou aos autos os documentos de fls. 1352 a 1470, trazendo não só a informação de que as mencionadas alterações contratuais foram arquivadas na junta, como informou os números atribuídos a cada documentos arquivado, além da data dos respectivos registros no órgão. Compulsando estes documentos, encontro às fls. 1427 a 1452, prova cabal de que o Sr. Hélio retirouse da sociedade antes dos Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.509 10 fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2007, o que afasta sua responsabilidade pelo crédito tributário aqui em discussão. De fato, nos termos da 14ª Alteração do Contato Social da empresa autuada, efetivada em 23 de setembro de 2005 e registrada na JUCEA sob o nº 285.091 em 30 de setembro de 2005, o Sr. Hélio e a empresa HELIOS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, retiraram se da empresa autuada. Em decorrência, a autuada passou ter como quotista única e exclusivamente a empresa BEATH PARTICIPAÇÕES LTDA. Acrescentese que antes dos fatos geradores aqui tratados, a empresa BEATH PARTICIPAÇÕES LTDA, promoveu a 15ª Alteração Contratual da empresa autuada, com a cessão de quotas e admissão do sócio Arnaldo Bisoni, sendo tal alteração registrada em 29 de novembro de 2005 na JUCEA sob o nº 287.187, ou seja, antes dos fatos geradores que ocorreram nos anoscalendário de 2006 e 2007. Assim, deve ser afastada a responsabilidade solidária do Sr. Hélio Eugênio Sacchi pelos débitos discutidos nesses autos, vez que restou evidenciado que este senhor, desde 23 de setembro de 2005, não mais figurava no quadro societário da empresa autuada. Com referência ao recurso apresentado pelo Sr. Raul Fernandes, embora haja defeito em sua representação, como dito antes, ao invés de intimar o contribuinte para suprilo, da análise dos documentos e informações trazidos em diligência (fls. 1351/1470), verifico que o aludido senhor também retirouse da sociedade antes da data dos fatos geradores. Com efeito, de acordo com aqueles documentos, o Sr. Raul Fernandes Marinheiro não mais figurava nos quadros sociais nos anoscalendário de 2006 e 2007. Assim, também deve ser afastada a responsabilidade solidária do Sr. Raul Fernandes Marinheiro pelos débitos discutidos nesses autos, vez que restou evidenciado que este senhor não mais figurava no quadro societário da empresa autuada, à época dos fatos geradores do crédito tributário perseguido. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) dar provimento aos recursos, para excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi. . (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.510 11 Fl. 1510DF CARF MF
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Numero do processo: 13886.000690/00-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles.
Numero da decisão: 9303-007.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 06 90 /0 0- 77 Fl. 679DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 14/11/2000, à efl. 02, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores pagos a maior de Cofins, no período de 08/1993 a 06/2000, decorrentes de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A SASIT da DRF em Limeira, no despacho decisório de efls. 287 a 291, em 25/06/2001, indeferiu o pedido de restituição, afirmando que a receita bruta (faturamento) engloba todas as receitas de venda e o ICMS, por integrar o preço de venda das mercadorias, faz parte dela.. Irresignada, em 1º/08/2001, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 301 a 310. Já a 5ª Turma da DRJ/RPO, apreciou a manifestação em 04/03/2005, e, no acórdão nº 7.404, às efls. 520 a 527, indeferiu a solicitação de restituição, afirmando a decadência do direito de pleitear as restituições em prazo superior a cinco anos e a reafirmaddo que o ICMS faz parte da base de cálculo da Cofins. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 530 a 564, em 10/06/2005. No recurso, em síntese, reafirma a legitimidade de afastar o ICMS da base de cálculo da Cofins e a inocorrência de prescrição do pedido de restituição em se tratando de lançamento por homologação. A 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apreciou o recurso na sessão de 04/09/2008, resultando no acórdão de nº 20181.399, às efls. 573 a 578, o qual teve as seguintes ementas: COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extinguese em 5 (cinco). anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT nºs. 678/99 e.1.538/99. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA • EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170A do CTN; 66 da Lei ri 8.383/91; e 74 da Lei n 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts,.156; inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pela Lei 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos. líquidos .e certos,vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda. Pública .(art. 170 do CTN), a lei somente desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos: contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13886.000690/0077 Acórdão n.º 9303007.428 CSRFT3 Fl. 2.853 3 BASE DE .CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE DA ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS incluise nas bases de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica equivaleria, em última análise, a convertêlos em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. O acórdão foi assim lavrado: ACORDAM os Membros .da . PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento parcial para afastar a decadência em razão da tese dos 5. mais 5. Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 582) para ciência do acórdão 20181.399, em 09/02/2009 (efl. 584), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 588 a 605, em 20/02/2009. Arrimou seu recurso nos acórdãos paradigmas de números: 30134.144 e 30133.008, que consagram o entendimento de ser o prazo prescricional para pleito da restituição de tributos sujeitos à lançamento por homologação de cinco anos contados da data da homologação do lançamento, que sendo tácita, só ocorre cinco anos após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante para o cômputo do prazo a causa do indébito. Assim, evidenciariase a divergência com o disposto na ementa do acórdão recorrido ao afirmar que o prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extinguese em cinco. anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido. No despacho de efls. 667 a 669, o Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 14/05/2015, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, apesar de ter apenas analisado a divergência com base no acórdão deu seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. Cientificada do despacho em 25/06/2015 (efl. 670), a Procuradoria da Fazenda Nacional informou que não apresentaria contrarrazões (efl. 671). A recorrente, por sua vez, teve ciência do mesmo despacho e da posição da Procuradoria da Fazenda Nacional em 08/09/2015. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Em que pese a matéria relativa à prescrição do direito de peticionar a restituição só ter sido levantada no acórdão da DRJ, mas não no despacho da DRF que negou o pedido, o enfrentamento desta questão pela contribuinte, em sede de recurso voluntário, acabou fazendo com que houvesse seu prequestionamento no acórdão recorrido. Assim, quando o recurso especial de divergência da contribuinte trouxe paradigmas para essa matéria, seu recurso cumpriu os demais requisitos regimentais e entendo que por isso o Presidente da 3ª Câmara a ele deu seguimento. Apesar de bem caracterizada a divergência quanto ao prazo, os fundamentos para negativa de provimento ao RV foram dois, cada um suficiente para fundamentar a decisão, de per si: a extinção do prazo para repetição de indébito; a inexistência do indébito, pelo fato de a inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins estar de acordo com a lei. Portanto, para que o recurso especial aproveitasse ao recorrente, deveriam ter sido trazidas divergências quanto a ambas as matérias. Contudo, a única matéria em testilha no recurso especial é a prescrição e, ainda que se reconhecesse a sua inexistência, pela adoção da tese dos "cinco mais cinco", o direito material que deu causa à denegação do pedido de restituição continuaria inexistente; a razão original da denegação do pleito: a impossibilidade de afastar o ICMS da base de cálculo, continuaria presente. Com efeito, ainda que fosse afastado o óbice da extinção do prazo para repetição do indébito, a decisão recorrida não seria alterada, por ter sido também reconhecida a inexistência do indébito, pelo fato de a inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins estar de acordo com a lei. Dessa forma, é despiciendo o recurso especial de divergência interposto, por falta de razão de pedir, pois tornouse apenas um iter processual vazio de significado material neste processo. Por essa razão, voto para que não se conheça do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13886.000690/0077 Acórdão n.º 9303007.428 CSRFT3 Fl. 2.854 5 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
