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Numero do processo: 10880.660372/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 72 /2 01 2- 27 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 5 4 pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 6 5 Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660372/201227 Acórdão n.º 3401004.773 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977147/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 47 /2 01 6- 51 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.977147/201651 Acórdão n.º 1401002.626 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/09/2012, no valor de R$ 167.406,52, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977147/201651 Acórdão n.º 1401002.626 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977147/201651 Acórdão n.º 1401002.626 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003418/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA. PRELIMINAR REJEITADA.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32).
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando).
A presunção legal de omissão de receitas, além de inverter o ônus da prova, tem caráter relativo.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - portanto é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova apta, idônea, cabal.
PEDIDO GENÉRICO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICO-CONTÁBIL. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal.
A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
A diligência fiscal, perícia técnico-contábil, não tem o condão de substituir a parte na atividade de produção de prova.
Para afastar a omissão de receitas, infração imputada por presunção legal, o ônus probatório, atividade de produção de provas, é do sujeito passivo, em face do inversão do ônus da prova.
Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25).
A despeito da inversão do ônus de prova realizado pela aplicação da presunção de omissão de receita, permanece o dever da fiscalização de provar quaisquer circunstâncias relativas a condutas dolosas do contribuinte, aptas a justificar a qualificação da multa aplicada.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO. RESP Nº 731.308-MG. INAPLICABILIDADE.
A responsabilidade tributária deve ser comprovada pela fiscalização, mesmo nos casos em que há presunção de ocorrência do fato gerador, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em não havendo a comprovação de conduta dolosa transgressora da lei, do contrato social ou dos estatutos da empresa, não há que se manter a responsabilização do sócio ou administrador.
Inaplicável ao caso o REsp nº 731.308-MG, que estabelece o ônus do responsável de provar que não realizou a conduta dolosa, pois tal precedente é calcado na presunção de liquidez e certeza da Certidão da Dívida Ativa. No procedimento administrativo, cabe à fiscalização realizar tal prova.
Numero da decisão: 1301-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento fiscal e de ilegitimidade passiva, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para 75% e excluir o coobrigado, senhor Jorge Bussab Azzuz, do pólo passivo da obrigação tributária. Vencidos o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso e o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por dar provimento parcial em menor extensão somente para reduzir a multa para 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. PRELIMINAR REJEITADA. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32). NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 34 18 /2 00 9- 14 Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.851 2 A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas, além de inverter o ônus da prova, tem caráter relativo. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas portanto é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova apta, idônea, cabal. PEDIDO GENÉRICO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICO CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência fiscal, perícia técnicocontábil, não tem o condão de substituir a parte na atividade de produção de prova. Para afastar a omissão de receitas, infração imputada por presunção legal, o ônus probatório, atividade de produção de provas, é do sujeito passivo, em face do inversão do ônus da prova. Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25). A despeito da inversão do ônus de prova realizado pela aplicação da presunção de omissão de receita, permanece o dever da fiscalização de provar quaisquer circunstâncias relativas a condutas dolosas do contribuinte, aptas a justificar a qualificação da multa aplicada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO. RESP Nº 731.308MG. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária deve ser comprovada pela fiscalização, mesmo nos casos em que há presunção de ocorrência do fato gerador, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em não havendo a comprovação de conduta dolosa transgressora da lei, do contrato social ou dos estatutos da empresa, não há que se manter a responsabilização do sócio ou administrador. Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.852 3 Inaplicável ao caso o REsp nº 731.308MG, que estabelece o ônus do responsável de provar que não realizou a conduta dolosa, pois tal precedente é calcado na presunção de liquidez e certeza da Certidão da Dívida Ativa. No procedimento administrativo, cabe à fiscalização realizar tal prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento fiscal e de ilegitimidade passiva, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para 75% e excluir o coobrigado, senhor Jorge Bussab Azzuz, do pólo passivo da obrigação tributária. Vencidos o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso e o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por dar provimento parcial em menor extensão somente para reduzir a multa para 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório O autos tratam dos Recursos Voluntários interpostos pela HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA (efls. 2825/287) e pelo responsável solidário JORGE BUSSAB AZZUZ (efls. 2806/2818) na parte que restaram vencidos, em face do Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto (2ª Turma) que julgou impugnação procedente em parte: a) ao manter, em parte, a infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada com multa qualificada de 150%; b) ao manter a sujeição passiva solidária do Sr. Jorge Bussab Azzuz pelo crédito tributário objeto deste processo. Quanto aos fatos, consta dos autos: Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.853 4 que, em 12/11/2009, a fiscalização da DRF/Franca lavrou Autos de Infração dos tributos do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Seguridade Social INSS), quanto ao anocalendário 2005, imputando as seguintes infrações (efls. 02/67): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme Relatório da Fiscalização o qual é parte integrante do presente auto. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei no 9.249/95; arts. 2º, § 2º , 3º , § 1º , alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei n º 9.430/96.; Art. 3º da Lei no 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Relatório da Fiscalização o qual parte integrante do presente auto. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 5º da Lei n º 9.317/96 c/c art. 3 º da Lei no 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) que, ainda, quanto aos fatos, conforme mencionado acima, consta do Relatório da Fiscalização (efls.68/80), in verbis: (...) 2 DO OBJETO DA AUDITORIA E VERIFICAÇÕES EFETUADAS (...) A fiscalização foi iniciada através do Temo de Inicio da Ação Fiscal, tendo a contribuinte cientificada em 07/04/2008. (...) Em 28/04/2008 a contribuinte apresentou cópias do Contrato Social e de procuração pública com amplos poderes ao senhor Jorge Bussab Azzuz, CPF 071.767.63828. (...) Em 21/08/09 através do Termo de Intimação Nº. 273/2008 intimei a contribuinte a apresentar os documentos solicitados no Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.854 5 "Termo de Inicio da Ação Fiscal", documentos estes não apresentados até essa data. (...) Tendo em vista que a contribuinte não apresentou os documentos exigidos no Termo de Inicio, sobretudo os extratos bancários, foi solicitado junto ao Banco do Brasil os extratos de movimentação financeira no período de janeiro a dezembro de 2005, conforme RMF Nº. 2008.000529. O Banco do Brasil apresentou os extratos bancários tempestivamente. Em 11/11/08 através do Termo de Intimação Nº. 420/2008, a contribuinte foi intimada a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados na conta bancária, no período de janeiro a dezembro de 2005. (...). Face ao não atendimento, em 25/09/09, pessoalmente, a contribuinte foi cientificada do Termo de Reintimação Nº. 362/2009. (...) Em 27/10/2009 a contribuinte apresenta à esta fiscalização resposta do Termo de Reintimacdo Nº 362/2009, (...). Ora a contribuinte afirma, através de seu procurador, que a movimentação financeira na conta corrente N° 92363, agência 29912 do Banco do Brasil S/A no período de janeiro a dezembro de 2005 pertence ao Posto de Gasolina, a Loja de Conveniência, a Imobiliária e a outros negócios, no entanto, não tem, como o mesmo diz, como comprovar com a documentação comercial, fiscal e contábil a origem dos créditos. Assim, fica claro que os créditos efetuados na conta corrente foram feitos em dinheiro, cheques e transferência, no entanto, a contribuinte não logrou êxito em comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, as origens dos mesmos. Os créditos em sua totalidade não comprovados pela contribuinte quanto a sua origem configuram omissão de receitas nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 9.481/97. (...) 3 DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Das constatações acima foi lavrado auto de Infração para cobrança do SIMPLES e todos os tributos nele contidos a saber: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.855 6 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição para Seguridade Social —INSS, acrescidos de multas e juros. 4 DA MULTA DE OFÍCIO Já no Demonstrativo de Multa, há a aplicação da multa de 150%, conforme artigo 4°. inciso II, da Lei Nº. 8.212/91; e artigo 44, inciso II, da Lei Nº. 9.430/96 c/c artigo 106, inciso II, alínea "c", da Lei Nº. 5.172/66 que se deve à ocorrência de fato definido, em tese, como crime contra a ordem tributária, conforme definido nos artigos 1º. e 2°. da Lei Nº 8.137/90. A Pessoa Jurídica cedeu e permitiu que terceiros utilizassem sua conta corrente para movimentação financeira, constituindo evidente intuito de fraude, e justifica a aplicação da multa qualificada, tipificada no art. 44, inciso II da Lei No. 9.430/96, em face de prática contumaz das condutas tipificadas nos artigos 71 e 73 da Lei No. 4.502/64. (...) TERMO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL I DA RESPONSABILIDADE 1 DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS A empresa em sua declaração apresentada à Receita Federal do Brasil declara não possuir qualquer tipo de patrimônio fato que não pode ser comprovado dado à impossibilidade de acesso a escrituração contábil. A concentração de patrimônio encontrase na pessoa do procurador Jorge Bussab Azzuz, CPF 071.767.63828, o qual possui procuração pública com amplos poderes para representar a contribuinte, e assim o fez, inclusive utilizou desse poder outorgado para sacar, depositar, transferir, emitir cheques em seu nome e em nome das empresas o qual é sócio: Posto Lago Azul de Franca Ltda. CNPJ 02.912.744/000108 e Jomar Administração de Imóveis Ltda. CNPJ 52.386.653/0001 54, utilizando, no período de janeiro a dezembro de 2005 a conta corrente N° 92363, agência 29912 no Banco do Brasil de titularidade da fiscalizada. A irregularidade tributária praticada pela empresa sujeito passivo desta fiscalização, no anocalendário de 2005, ficando claro no Relatório da Fiscalização que a mesma foi utilizada como interposta pessoa para realizar a sua movimentação financeira do procurador Jorge Bussab Azzuz e suas empresas, fato afirmado pelo próprio. Isto demonstra a intenção dolosa de seus sócios e procurador, preocupados o tempo todo em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse de pagamento de tributo. (...) Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.856 7 Em uma análise sistêmica, os fatos e situações comprovados pela fiscalização adequamse perfeitamente ao tipo legal invocado, que, aliado ao disposto no art. 11, abaixo transcrito, do mesmo diploma (Lei 8.137/90) e ao constante na matéria tributária inerente (art. 137, inciso II do CTN) não nos deixam qualquer dúvida quanto RESPONSABILIZAR PESSOALMENTE OS SÓCIOS E PROCURADOR da pessoa jurídica HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA. — CNPJ n° 03.601.667/000138, pelos créditos tributários apurados no AUTO DE INFRAÇÃO, corroborado pelo MPF 2008.004494. No caso sob comento, tipificase pelo constante no inciso II do art. 137 do CTN, conjugado com o disposto no caput do art 2º e correspondente inciso I da Lei 8.137/90. Obs: Na primeira passagem do processo pelo CARF, os autos foram baixados em diligência conforme Resolução CARF, de 11/06/2013 (efls. 2667/2697 e 2697/2702), no sentido de ouvir a fiscalização, para dirimir dúvida se os sócios da autuada foram responsabilizados solidariamente como mencionado no Relatório de Fiscalização (efls. 68/80). Restou, por fim, esclarecido que, em termos de responsabilidade solidária, apenas o Sr. Jorge Bussab Azzuz foi objeto sujeição passiva solidária pelo crédito tributário lançado de ofício em nome da pessoa jurídica, sujeito passivo objeto dos autos . Nesse sentido consta do relatório do Acórdão do CARF, de 06/05/2014, que anulou a 1ª decisão a quo (efls. 2715/2723), in verbis: (...) Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Franca, São Paulo, produziu a informação de fls. 1.235, abaixo reproduzida. Em atendimento à solicitação de Diligência Fiscal requerida pelo Conselho de Contribuintes, servese a presente a aclarar o quanto solicitado. A unidade de julgamento requereu trabalho fiscal a fim de a fiscalização manifestarse em face da contradição apresentada no item i) constante à fl. 1233. A contradição apontada recai sobre os sujeitos passivos sobre os quais houve atribuição de responsabilidade pessoal. Em verdade, na direção apontada pelo julgador, a responsabilidade recaiu apenas sobre o Sr. Jorge Bussab Azzuz. Isto porque no correr dos trabalhos da auditoria ficou comprovado que apenas este movimentava as empresas envolvidas no ilícito fiscal, bem como constava como único gestor. Não obstante o equívoco apontado que induziu o julgador à dúvida, o fato é que a responsabilização recaiu tãosomente sobre o procurador Jorge Bussab Azzuz. Considerando que não ocorreu a ciência do responsável Jorge Bussab Azzuz, CPF n° 071.767.63828, consoante pretendido pela autoridade julgadora no item ii) do despacho de fl. 1233, encaminhese à SACAT para cientificar o autuado da decisão de primeira instância. (...) Valores tributáveis das infrações imputadas: Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) Difer.Apuradas(R$) Receita Bruta Acumulada (R$) (%) Total SIMPLES 01/2005 379,48 119.620,52 5,00 012005 0,00 582.307,43 7,00 Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.857 8 702.307,43 02/2005 525,00 497.167,57 8,60 02/2005 0,00 123.027,62 10,32 1.323.027,62 03/2005 725,78 734.431,41 2.058.184,81 10,32 04/2005 398,75 652.836,49 2.711.420,05 10,32 05/2005 435,78 788.714,97 3.500.570,80 10,32 06/2005 386,30 826.440,17 4.327.397,27 10,32 07/2005 435,00 639.884,83 4.967.717,10 10,32 08/2005 395,00 901.772,87 5.869.884,97 10,32 09/2005 2.035,78 456.800,97 6.328.721,72 10,32 10/2005 3.025,73 518.410,75 6.850.158,20 10,32 11/2005 4.055,86 313.497,23 7.167.711,29 10,32 12/2005 3.798,45 263.826,29 7.435.336,03 10,32 Obs: No anocalendário 2005, o sujeito passivo informou na Declaração do Simples receita bruta de R$ 15.671,13. Isso significou apenas 2,11% da receita bruta total faturada nesse ano. (i) A Coluna Diferença Apurada corresponde aos valores tributáveis mensalmente Omissão de Receitas Depósitos bancários não escriturados/origem não comprovada; (ii) A Coluna Receita Bruta (Declarada) corresponde a Infração Insuficiência de Recolhimentos (infração reflexa), ajuste das faixas de alíquotas em face da Receita Bruta Acumulada até o respectivo mês. (iii) A multa qualificada foi aplicada apenas para a infração Omissão de Receitas. À infração Insuficiência de Recolhimento foi imputada pela Fiscalização multa de ofício de75%. O Crédito tributário lançado de ofício do Simples (Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS), anocalendário 2005, no montante de R$ 2.217.062,81, assim especificado: AC 2005 Auto de Infração Simples Principal Juros de Mora (calculados até 30/10/2009) Multa de ofício Total IRPJ 55.618,86 29.302,49 83.428,23 168.349,58 PIS 55.618,86 29.302,49 83.428,23 168.349,58 CSLL 86.765,20 45.802,64 130.147,73 262.715,57 Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.858 9 Cofins 173.530,37 91.605,34 260.295,50 525.431,21 Contrib. INSS 361.018,54 189.675,88 541.522,45 1.092.216,87 Total 2.217.062,81 Ciente do lançamento fiscal, a contribuinte e o responsável solidário apresentaram impugnação. Obs: Como já dito anteriormente, a primeira decisão da DRJ/Ribeirão Preto (5ª Turma) (e fls.2414/2429), por cerceamento do direito de defesa, foi anulada pela CARF, conforme Acórdão nº 1301001.497 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL, Sessão de Julgamento de 06/05/2014. (efls. 2715/2723 ), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Na hipótese em que argumentos e documentos a eles relacionados, trazidos em sede de impugnação, não são apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância, resta configurado o cerceamento do direito de defesa, eis que mitigado o contraditório em virtude da supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Ana Cristina Ghedini Carvalho, OAB/SP nº 181614. (...) Retornaram os autos à DRJ/Ribeirão Preto para novo julgmento. Então, a DRJ/Ribeirão Preto (3ª Turma), Sessão de Julgamento de 15/01/2016, enfrentou as questões suscitadas pela contribuinte e pelo responsável sujeição passiva solidária Sr. Jorge Bussab Azzuz, ou seja, decidiu manter, em parte, o lançamento fiscal e manter a responsabilidade sujeição passiva do Sr. Jorge Bussab Azzuz, conforme Acórdão (efls.2751/2776) cuja ementa, parte dispositiva e voto, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.859 10 comprovada pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES A SUBTRAIR DO MONTANTE TRIBUTADO. CHEQUES DEPOSITADOS E DEVOLVIDOS. Os cheques depositados pelo contribuinte, que compõem os montantes mensais dos depósitos tributados a titulo de omissão de receitas, mas foram devolvidos pelos bancos sacados, ou seja, não foram pagos, devem ser excluídos da tributação. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELO SISTEMA SIMPLES: IRPJ, CSL, PIS, COFINS, IPI e INSS. Verificada omissão de receita na pessoa jurídica optante pelo Simples, devem ser lavrados os lançamentos correspondentes aos tributos que o compõem, respeitada a partilha prevista na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJSIMPLES) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração de contribuições sociais e previdenciária, tendo em vista que provêm de receita omitida decorrente de aplicação de presunção legal idêntica, mantendo íntima relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, uma vez demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas em lei, haja vista que se utilizou de contas bancárias de interposta pessoas para ocultar sua movimentação financeira e receitas. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA. São coobrigados os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, comprovada a prática de ilícitos tributários por pessoas físicas e dirigentes de pessoas jurídicas como meio para evadirse tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre aqueles que se beneficiaram desses procedimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação interposta, para excluir o montante de R$ 1.601.852,20 das bases de cálculo tributadas, que corresponde ao valor total de R$ 161.294,21 de tributos, bem assim as respectivas multas de oficio e juros de mora, nos termos do relatório e voto integrantes do presente julgado. (...) Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.860 11 Voto (condutor) (...) Demonstrativo do crédito tributário exonerado: Valor Valor Valor Periodo de Principal Principal Principal Apuração Tributo Lançado Exonerado Mantido Aliquota jan/05 IRPJ 3.785,00 786,45 2.998,55 0,65% fev/05 IRPJ 4.193,43 540,19 3.653,24 0,78% mar/05 IRPJ 5.732,59 1.020,14 4.712,45 0,78% abr/05 IRPJ 5.094,33 1.575,20 3.519,13 0,78% mai/05 IRPJ 6.154,39 1.433,13 4.721,26 0,78% jun/05 IRPJ 6.448,37 1.476,18 4.972,19 0,78% jul/05 IRPJ 4.993,51 695,56 4.297,95 0,78% ago/05 IRPJ 7.036,02 2.505,10 4.530,92 0,78% set/05 IRPJ 3.574,31 418,90 3.155,41 0,78% out/05 IRPJ 4.060,34 888,96 3.171,38 0,78% nov/05 IRPJ 2.467,72 560,02 1.907,70 0,78% dez/05 IRPJ 2.078,87 437,33 1.641,54 0,78% jan/05 PIS/Pasep 3.785,00 786,45 2.998,55 0,65% fev/05 PIS/Pasep 4.193,43 540,19 3.653,24 0,78% mar/05 PIS/Pasep 5.732,59 1.020,14 4.712,45 0,78% abr/05 PIS/Pasep 5.094,33 1.575,20 3.519,13 0,78% mai/05 PIS/Pasep 6.154,39 1.433,13 4.721,26 0,78% jun/05 PIS/Pasep 6.448,37 1.476,18 4.972,19 0,78% jul/05 PIS/Pasep 4.993,51 695,56 4.297,95 0,78% ago/05 PIS/Pasep 7.036,02 2.505,10 4.530,92 0,78% set/05 PIS/Pasep 3.574,31 418,90 3.155,41 0,78% out/05 PIS/Pasep 4.060,34 888,96 3.171,38 0,78% nov/05 PIS/Pasep 2.467,72 560,02 1.907,70 0,78% dez/05 PIS/Pasep 2.078,87 437,33 1.641,54 0,78% jan/05 CSLL 7.020,80 1.209,92 5.810,88 1,00% fev/05 CSLL 6.451,43 831,07 5.620,36 1,20% mar/05 CSLL 8.819,36 1.569,44 7.249,92 1,20% abr/05 CSLL 7.837,43 2.423,38 5.414,05 1,20% mai/05 CSLL 9.468,29 2.204,81 7.263,48 1,20% jun/05 CSLL 9.920,57 2.271,04 7.649,53 1,20% jul/05 CSLL 7.682,32 1.070,09 6.612,23 1,20% ago/05 CSLL 10.824,63 3.853,99 6.970,64 1,20% set/05 CSLL 5.498,94 644,46 4.854,48 1,20% out/05 CSLL 6.246,68 1.367,64 4.879,04 1,20% nov/05 CSLL 3.796,49 861,57 2.934,92 1,20% Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.861 12 dez/05 CSLL 3.198,25 672,82 2.525,43 1,20% jan/05 Cofins 14.041,60 2.419,84 11.621,76 2,00% fev/05 Cofins 12.902,85 1.662,14 11.240,71 2,40% mar/05 Cofins 17.638,71 3.138,88 14.499,83 2,40% abr/05 Cofins 15.674,87 4.846,76 10.828,11 2,40% mai/05 Cofins 18.936,58 4.409,63 14.526,95 2,40% jun/05 Cofins 19.841,14 4.542,09 15.299,05 2,40% jul/05 Cofins 15.364,65 2.140,17 13.224,48 2,40% ago/05 Cofins 21.649,27 7.707,99 13.941,28 2,40% set/05 Cofins 10.997,88 1.288,93 9.708,95 2,40% out/05 Cofins 12.493,37 2.735,28 9.758,09 2,40% nov/05 Cofins 7.592,97 1.723,15 5.869,82 2,40% dez/05 Cofins 6.396,49 1.345,63 5.050,86 2,40% jan/05 CSSINSS 18.117,74 3.266,78 14.850,96 2,70% fev/05 CSSINSS 27.741,12 3.573,60 24.167,52 5,16% mar/05 CSSINSS 37.923,22 6.748,59 31.174,63 5,16% abr/05 CSSINSS 33.700,96 10.420,54 23.280,42 5,16% mai/05 CSSINSS 40.713,63 9.480,70 31.232,93 5,16% jun/05 CSSINSS 42.644,32 9.765,49 32.878,83 5,16% jul/05 CSSINSS 33.033,97 4.601,37 28.432,60 5,16% ago/05 CSSINSS 46.545,94 16.572,18 29.973,76 5,16% set/05 CSSINSS 23.645,44 2.771,20 20.874,24 5,16% out/05 CSSINSS 26.860,73 5.880,84 20.979,89 5,16% nov/05 CSSINSS 16.324,89 3.704,77 12.620,12 5,16% dez/05 CSSINSS 13.752,45 2.893,11 10.859,34 5,16% Total Exonerado 161.294,21 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte as impugnações interpostas pela contribuinte autuada e pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz, tãosomente para excluir o montante de R$ 1.601.852,20 das bases de cálculo tributadas, que corresponde a ao valor total de R$ 161.294,21 de tributos, conforme demonstrativo acima, bem assim as respectivas multas de oficio e juros, mantendose integralmente as demais exigências, em especial a responsabilidade solidária do Sr. Jorge Bussab Azzuz. (...) Cientes dessa decisão, em 05/04/2016 por AR (efl. 2795/2796), o Sr. JORGE BUSSAB AZZUZ e, por Edital em 11/05/2016 (efl. 2822), a HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA apresentaram Recursos Voluntários, respectivamente, em 05/05/2016 e em 10/06/2016 (efls. 2806/2818 e 2825/2837). Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.862 13 A HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA pediu o cancelamento integral do lançamento fiscal, ao aduzir as seguintes razões, em síntese: 1. Quanto à titularidade da conta bancária: que a conta corrente da autuada foi utilizada, movimentada, pelo Sr Jorge Bussab Azzuz, no anocalendário 2005; que os recursos financeiros movimentados seriam do Sr. Jorge Bassab Azzuz (empresas de sua propriedade), tanto que dos valores dos depósitos movimentados, num total de 7 milhões de reais, apenas cerca de 2% pertenceriam a Horizonte Conveniência Ltda; que a fiscalização efetuou diligências (fls.755/1076); que, estranhamente, a fiscalização optou por caminhos mais fáceis e curtos, autuando indevidamente a pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda., modesta loja de conveniência, sem realizar qualquer diligência junto a pessoa física do Sr. Jorge (suas empresas: Posto Lago Azul de Franca Ltda, Jomar Administradora de Imóveis S/C Ltda), envolvidos na movimentação financeira da conta bancária fiscalizada; que na tentativa de fundamentar seu voto, o ilustre o Relator a quo, senhor Antônio José Praga de Souza, às fls. 2770, argumenta: "No que diz respeito à sujeição passiva, inferese do disposto no caput do art.42 da Lei nº 9.430, de 1996, que a titularidade da conta bancária, por si só, implica vínculo entre a pessoa do titular e as importâncias nela creditadas. Portanto, não cabe cogitar que a autoridade fiscal faça prova de que a movimentação financeira pertence ao contribuinte. A este incumbe o ônus de comprovar, de modo específico e individualizado, a origem dos recursos creditados em sua própria conta bancária, mediante documentação hábil e idônea, sob pena de caracterização de omissão de receitas, por incidência de presunção legal. Somente instrução probatória dessa natureza poderia demonstrar a existência de eventuais depósitos de propriedade de terceiros, a serem excluídos do lançamento. No presente caso, a Fiscalização informou em seu relatório (fl.71) ter intimado diversos beneficiários de cheques emitidos no período de janeiro a dezembro de 1995 (sic), e sacados contra a conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil pela autuada, a apresentar as notas fiscais que deram causa aos pagamentos e esclarecer a transação efetivamente realizada. Com base nas respostas obtidas, a autoridade fiscal concluiu que a conta bancária em questão era utilizada para movimentação de recursos decorrentes de transações realizadas tanto pela Horizonte Conveniência Ltda. como pelo Posto Lago Azul de Franca Ltda., Jomar Administradora de Imóveis S/C Ltda. e ainda o Sr. Jorge Bussab Azzuz. Verificase que tal conclusão tem por suporte provas relativas a pagamentos efetuados com utilização de recursos da conta bancária de titularidade da interessada. Ou seja, o exame referese a débitos (saídas de numerário) processados em conta corrente. Relevante, portanto, perquirir se tais informações, atinentes a Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.863 14 débitos em conta bancária, mostramse hábeis a comprovar a origem de cada um dos créditos nela registrados." que, com isso, o Ilustre Relator a quo tenta convencer que a simples titularidade, segundo o art. 42 da Lei 9430/96, já se presume que a movimentação financeira é do próprio titular. Sim, pode ser uma presunção, mas não legal. Tratase de presunção simples que sugere fiscalização, principalmente porque a própria pessoa que movimentava a conta informou que ali continha recursos de terceiros. Então, assim como o autor do procedimento procurou diligenciar as saídas de recursos através dos cheques emitidos, igualmente, poderia ter diligenciado em relação aos cheques depositados a crédito. O Agente Fiscal usou uma dessas alternativas: a saída de dinheiro; como poderia ter usado: a entrada de dinheiro (depósitos), valores ingressados a crédito na conta corrente bancária da pessoa jurídica autuada; que, aliás, toda essa problemática foi extensamente analisada pelo Relator Presidente da decisão de 1ª Instância de 26/04/2010 (que restou anulada pelo CARF), para quem se apresenta, de plano, bastante suficiente para fulminar as exigências tributárias em questão. Assim, não só por abrigar o entendimento defendido pela recorrente, mas, pela sua fidedignidade, imparcialidade, e sabedoria, embora voto vencido, merece aqui ser novamente transcrita a fundamentação de seu voto, às fls.2418/2411: "De plano, passo à análise da alegação de sujeição passiva ilegítima sob o argumento de que o próprio autuante constatou e reconheceu em seu Relatório que os recursos movimentados na conta da pessoa jurídica autuada pertencem a terceiros, razão pela qual deveria o lançamento ter sido realizado em nome dos verdadeiros titulares dos recursos depositados/creditados em conta corrente, tendo em vista o disposto no § 5º do art.42 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, que abaixo transcrevo, verbis: Art. 42 (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (...) que, no presente caso, a autuada, por intermédio de seu procurador Jorge Bussab Azzuz, informou à fl.99 que a conta bancária em questão foi utilizada no ano de 2005 para movimentação de recursos próprios da autuada e pelo procurador Sr. Jorge Bussab Azzuz (suas empresas). que a conta bancária, em questão, foi utilizada para movimentação de recursos decorrentes de transações realizadas tanto pela Horizonte Conveniência Ltda, como pelo procurador Sr. Jorge Bussab Azzuz (suas empresas: Posto Lago Azul de Franca Ltda, Jomar Administradora de Imóveis S/C Ltda). que os recursos movimentados na conta bancária não pertencem, em sua totalidade, à pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda., razão pela qual inexiste o apontado Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.864 15 fato gerador da obrigação tributária unicamente à autuada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; que se torna incabível a realização de lançamento do IRPJ e reflexos em nome da Horizonte Conveniência Ltda com base na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, pois inexiste presunção válida de omissão de receita em nome da Horizonte Conveniência Ltda. 2. Invalidade dos termos assinados pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz: que, conforme se constata do Contrato Social da empresa (doc. fls.106/115), referido senhor não consta do quadro de sócios. Caso constasse, não precisaria da procuração pública com amplos e gerais poderes, que lhe foi outorgada (doc.fls.116/117). Também a procuração não lhe confere qualquer outro poder, mas, tão só para uma movimentação financeira em bancos, instituições financeiras. 3. Termo de Responsabilidade Tributária: que o Relator de primeira Instância fez mais uma alegação leviana, à fl.2773, ao colocar erroneamente o Senhor Jorge na condição de sócio da Horizonte Conveniência Ltda; que o procurador não é sócio da autuada. 4. Multa qualificada: que por todas as razões de defesa até agora expendidas, não há que se cogitar de qualificação da penalidade pecuniária que só teria cabimento na ocorrência de crime contra a ordem tributária. Não há tributo a exigir, portanto, não pode existir crime. Não há evidente intuito de fraude, eis que inexiste proibição legal de se emprestar conta bancária. 5. Da prova pericial. que o julgador a quo entendeu pela não necessidade de diligência; que, por todo o exposto, e especificamente pela inobservância do § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 pela fisco, a recorrente pediu que o lançamento de ofício seja cancelado, diante da evidente e comprovada ilegitimidade passiva da recorrente, bem como cancelado a Responsabilidade pessoal lavrado em face do Sr. Jorge Bussab Azzuz, por inteira medida de justiça. Razões do recurso do Sr. JORGE BUSSAB AZZUZ: que, nas razões do recurso, o responsável pelo débito tributário objeto dos autos, argumenta: que a nova decisão de primeira instância, ora recorrida, reconheceu a incorreção praticada pelo Auto de Infração, no que se refere ao montante de R$ 1.601.852,20 referente aos cheques devolvidos e que não haviam sido expurgados das bases de cálculo até então pela fiscalização, porém manteve o lançamento fiscal em parte e manteve a acusação fiscal de responsabilidade tributária do ora recorrente Sr. JORGE BUSSAB AZZUZ, procurador, da pessoa jurídica; Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.865 16 que essa nova decisão, ora recorrida, também padece de irregularidade que configuram cerceamento do direito de defesa, ou seja, deixou de pronunciar acerca das seguintes questões (omissões) da decisão anterior que fora anulada pelo CARF: a) se os valores depositados no montante de R$ 7.299.118,60 referemse a movimentação financeira pertencentes a terceiros ou se a pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda? b) o tamanho da área de ocupação da pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda? Preliminar de Nulidade do lançamento fiscal: que o procurador da autuada nunca pertenceu aos quadros da empresa; que, diversamente do alegado pelo fisco, não tem procuração pública com amplos poderes e gerais poderes, pois não tem poderes para representar a empresa junto ao fisco; que a procuração foi lhe outorgada apenas para movimentação financeira perante instituições bancárias; que, assim, não podem ser consideradas válidas as notificações de lançamentos efetuadas à Horizonte Conveniência Ltda e que foram assinadas pelo recorrente, pois não é proprietário, não é mandatário e não é preposto. Indevida atribuição de responsabilidade tributária a JORGE BUSSAB AZZUZ: que, primeiro, alega o responsável (objeto da sujeição passiva imputada pelo fisco) da ilegitimidade passiva HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA para figurar no pólo passivo da pretensão do Fisco; que, nas impugnações e recursos já apresentados, tanto a empresa autuada, como o ora recorrente, apontaram as várias irregularidades contidas no processo, que requer sejam novamente analisadas, consistentes nas falhas que convergem para uma só questão: a titularidade dos valores movimentados na conta bancária objeto da fiscalização e das autuações; que, conforme consta à fl. 99, o recorrente, procurador da autuada, informou ao fisco, durante o procedimento de fiscalização, que: (...) 1 No ano de 2005, a conta do Horizonte Conveniência Ltda., foi utilizada pelo procurador, para movimentação bancária de negócios seus, em virtude de que estava, e atualmente continua com problemas tanto em nome de sua pessoa física, de sua esposa, bem como em nome de suas empresas... 2 A vista disto, utilizou a conta em referência para movimentação dos recebimentos e pagamentos de aluguéis de sua imobiliária, de seu posto de gasolina, da loja de Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.866 17 conveniência propriamente dita, e de alguns negócios particulares efetuados com terceiros... (...) 5 Fazendo um apanhado sumário dos depósitos, cheguei a uma conclusão estimada da referida movimentação, a qual descreve abaixo: Posto de Gasolina R$ 1.150.000,00 Loja de Conveniência R$ 160.000,00 Negócios R$ 3.300.000,00 Imobiliária R$ 2.000.000,00 (...) que, argumenta o recorrente (procurador da autuada), a movimentação bancária de titularidade da pessoa jurídica HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA seria insignificante, pois representaria pouco mais de 2% (dois por cento) da movimentação bancária apresentada nestes autos; que os recursos movimentados na conta da empresa Horizonte Conveniência Ltda não eram de sua exclusiva titularidade; que, dessa forma, deveria ter sido aplicado, ao presente caso, a norma do parágrafo 5o do artigo 42 da Lei 9.430/96, com a formalização do lançamento de ofício em nome dos efetivos titulares dos valores creditados na conta bancária objeto de fiscalização, o que não foi observado; que a incorreção (equívocos da peça acusatória), quanto à sujeição passiva considerada nos lançamentos de ofício impugnados foi acertadamente abordada pelo ilustre relator da DRJ/RPTO (voto vencido) da primeira decisão "a quo" anulada pelo CARF, quando assim se pronunciou: (...) "...se o próprio Autuante apurou e reconheceu que foram terceiros que utilizaram a conta bancária aberta em nome de Horizonte Conveniência Ltda. (fl. 74) e que esta cedeu e permitiu que outros utilizassem sua conta (fl. 73), tornase incabível a realização de lançamento do IRPJ em nome de Horizonte Conveniência Ltda. com base na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários não justificados, pois inexiste presunção válida de omissão de receita tanto em nome de Horizonte Conveniência Ltda. como em nome das demais pessoas envolvidas ... (...) que, importa mencionar, o voto condutor do v. acórdão, ora recorrido, foi omisso em relação ao cerne da controvérsia debatida nas impugnações, consistente na ilegitimidade passiva. Na realidade, a questão da ilegitimidade passiva foi agora abordada pelo Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.867 18 relator de forma totalmente equivocada, em total descompasso com a realidade comprovada da ilegitimidade passiva da empresa Horizonte; que o voto em debate (condutor da 2ª decisão da DRJ/Ribeirão Preto), valeuse de uma posição simplista e muito cômoda, segundo a qual: "Conforme entendimento já sedimentado no âmbito desta 5o Turma de Julgamento acerca da presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, já acima transcrito, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta, de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a omissão de receitas. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção.É o que se depreende da leitura do artigo 334 do Código de Processo Civil, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: (...)" que sequer menciona o § 5º do art. 42 da Lei 9.430/96; que o recorrente e a contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, afirmaram categoricamente ao autor do procedimento fiscal que referida conta continha movimentação de terceiros. Tal fato já ensejaria o direcionamento da ação fiscal. A comprovação é de que a movimentação financeira de crédito/débito constante da conta, sob fiscalização em nome da pessoa jurídica Horizonte Ltda., em quase sua totalidade (cerca de 98%) pertencem a terceiros; que a disposição legal invocada criou a presunção da omissão de receita, mas cuidou de mandar verificar, também, o verdadeiro titular da conta. A presunção legal é de omissão de receita e não de titularidade da conta bancária; que a utilização, por terceiros, da conta da empresa autuada, como se denota pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, deveria ter sido aplicado, ao caso, a norma do parágrafo 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 após, evidentemente, a intimação dos titulares dos valores creditados na conta bancária, para esclarecimentos quanto ã sua origem, no âmbito do procedimento de fiscalização; que, ainda que fossem mantidos os autos de infração, o que se considera apenas hipoteticamente, não pode prevalecer a atribuição de responsabilidade tributária ao ora recorrente; que no termo de responsabilidade pessoal (fl. 74), o autor da fiscalização justifica a responsabilização pessoal dos sócios da autuada e do seu procurador com a seguinte fundamentação: Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.868 19 A irregularidade tributária praticada pela empresa sujeito passivo desta fiscalização, no anocalendário de 2005, ficando claro no Relatório da Fiscalização que a mesma foi utilizada como interposta pessoa para realizar a sua movimentação financeira do procurador Jorge Bussab Azzuz e suas empresas, fato afirmado pelo próprio. Isto demonstra a intenção dolosa de seus sócios e procurador, preocupados o tempo todo em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse de pagamento de tributo. que essa conclusão é equivocada, pois, as provas apresentadas pela empresa autuada confirmam a declaração de fl. 99, de que a movimentação de recursos na sua conta, pelo seu procurador (suas empresas: Posto Lago Azul e pela Jomar Administração de Imóveis) não se deu com intenção dolosa, mas unicamente em razão da precária situação financeira dessas pessoas; que a comprovação disso se dá pela própria declaração de fl. 99, bem como pelos documentos abaixo listados: a) relação de cheques emitidos sem provisão de fundos no valor de R$ 2.276.782,45 (fl. 1098/1137); b) consultas ao S.P.C e SERASA (fl. 1164/1169); c) consultas referentes a ações de cobrança (fl. 1170/1178), que provam a precária situação financeira (fl. 99) desde o início da fiscalização, justificando o uso de uma só conta bancária; que, assim, diferentemente do aduzido na decisão recorrida, não houve dolo específico em face de qualquer prática reiterada que, na realidade, inexistiu. Não houve intenção, pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz, de praticar condutas ilícitas no intuito de omitir ou reduzir o pagamento de tributos e contribuições; que também não tem aplicação no caso em tela, os artigos 124, 134 e 135 do CTN. O recorrente não se enquadra em nenhuma situação ali prevista. Não é nenhuma das pessoas citadas no art. 134 e no 135. Não tem o interesse comum de que trata o inciso I do art. 124, e nem é expressamente designado solidário por lei; que, ainda, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) nada poderia sustentála, pelos mesmos elementos de defesa ora apresentados. Ambos, recorrente e contribuinte não têm legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Os dispositivos legais invocados só teriam aplicação no caso de evidente intuito de fraude. Por fim, pediu provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento das nulidades suscitadas, o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa autuada, Horizonte Conveniência Ltda., o cancelamento da sujeição passiva pessoal em face do recorrente, determinandose, por consequência, o cancelamento dos créditos tributários lançados de ofício. É o relatório. Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.869 20 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel Relator. Os Recursos Voluntários, apresentados, respectivamente, pela empresa recorrente e pelo responsável sujeição passiva solidária (CTN, arts. 124, 135 e 137, II) Jorge Bussab Azzuz, são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. A lide versa acerca do crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do Simples Federal), anocalendário 2005, decorrente das seguintes infrações imputadas: a) omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada presunção legal (Lei 9.430/96, art. 42, c/c Lei 9.317/96 e seus artigos) com multa qualificada de 150%; b) insuficiência de recolhimento quanto à receita declarada no Simples (infração reflexa, decorrente da omissão de receitas) com multa de 75%. Ainda, o fisco imputou ao procurador legal Sr. Jorge Bussab Azzuz a sujeição passiva solidária pelo crédito tributário lançado de ofício (CTN, arts. 124, 135 e. 137, II) PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA A recorrente e o responsável sujeição passiva solidária Sr. Jorge Bussab Azzuz, de forma insistente, alegam: que o lançamento não pode prosperar por ilegitimidade passiva da autuada; que a conta corrente bancária da empresa autuada, no anocalendário 2005, foi utilizada, indevidamente, pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz (procurador com procuração pública com amplos e gerais poderes); que o Sr. Jorge Bussab Azzuz, além de movimentar recursos da própria empresa autuada, utilizou a mesma conta corrente bancária da pessoa jurídica autuada para fazer pagamentos e movimentar recursos de seus negócios particulares (suas empresas: Posto Lago Azul e Jomar Administração de Imóveis); que, alegam os recorrentes, do montante de R$ 7.435.336,03 movimentados a crédito na conta corrente da autuada no anocalendário 2005, em torno de 2% seria receita bruta da autuada e o correspondente a 98% seria do Sr. Jorge Bussab Azzuz (suas empresas: Posto Lago Azul e Jomar Administração de Imóveis); que a fiscalização informou em seu relatório (fl. 71) que intimou diversos beneficiários de cheques emitidos pela contribuinte fiscalizada (a autuada) a apresentar as notas Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.870 21 fiscais que deram causa aos pagamentos efetuados (despesas pagas pela autuada) e esclarecer a transação efetivamente realizada e que apenas um (Mário Donizete Machado) afirmou ter mantido transação comercial com a Horizonte Conveniência Ltda e os demais afirmaram que tiveram relações comerciais com o Posto Lago Azul de Franca Ltda ou com a Jomar Administradora de Imóveis S/C Ltda ou ainda com o proprietário destas, o Sr. Jorge Bussab Azzuz; que o fisco, durante do procedimento de fiscalização, como demonstrado, procurou diligenciar as saídas de recursos através dos cheques emitidos pela autuada (pagamentos de despesas) e, igualmente, poderia ter diligenciado em relação aos cheques depositados a crédito nas contas correntes da autuada. A fiscalização usou uma dessas alternativas: a saída de dinheiro, como poderia ter usado a entrada de dinheiro (depósitos). que o fisco deveria ter aplicado, ao caso, a norma do parágrafo 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, in verbis: Art. 42. (...) (...) § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (...) que, dessa forma, deveria ter sido aplicado, ao presente caso, a norma do parágrafo 5o do artigo 42 da Lei 9.430/96, com a formalização do lançamento de ofício em nome dos efetivos titulares dos valores creditados na conta bancária objeto de fiscalização, o que não foi observado. Não procede a irresignação dos recorrentes. Rejeito, peremptoriamente, a preliminar suscitada de ilegitimidade passiva da pessoa jurídica autuada, sujeito passivo. Diversamente do alegado pelos recorrentes, não há vício algum quanto à legitimidade passiva da autuada: a empresa HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA. A autuada e o procurador da autuada não conseguiram comprovar nos autos a origem (a causa) dos depósitos bancários a crédito na conta corrente da autuada, muito menos que os depósitos a crédito seriam de titularidade terceiros e/ou do próprio procurador da autuada. No caso, simplesmente foi apresentada à fiscalização uma declaração da fiscalizada, assinada pelo procurador legal Sr. Jorge Bussab Azzuz (efl. 99), onde alega, sem apresentar provas, que a origem dos depósitos bancários na conta corrente da autuada seriam de terceiros, in verbis: (...) Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.871 22 1 No ano de 2005, a conta do Horizonte Conveniência Ltda., foi utilizada pelo procurador, para movimentação bancária de negócios seus, em virtude de que estava, e atualmente continua com problemas tanto em nome de sua pessoa física, de sua esposa, bem como em nome de suas empresas. 2 A vista disto, utilizou a conta em referência para movimentação dos recebimentos e pagamentos de aluguéis de sua imobiliária, de seu posto de gasolina, da loja de conveniência propriamente dita, e de alguns negócios particulares efetuados com terceiros. (...) 5 Fazendo um apanhado sumário dos depósitos, cheguei a uma conclusão estimada da referida movimentação, a qual descreve abaixo: Posto de Gasolina R$ 1.150.000,00 Loja de Conveniência R$ 160.000,00 Negócios R$ 3.300.000,00 Imobiliária R$ 2.000.000,00 (...) A contribuinte autuada e o Sr. Jorge Bussab Azzuz foram intimados e re intimados a comprovar a origem (a causa) dos recursos depositados na corrente bancária da autuada, quanto aos períodos de apuração dos tributos do Simples do ano calendário 2005, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96 e legislação de regência: Em 29/07/2009, o Termo de Intimação nº 268/2009 e Anexo o Demonstrativo de depósitos, individualizados, um por um, valor, data e Banco, Agência, Conta Corrente (efl. 118/201, 316/403, 404/412), ciência em 04/08/2009 AR (efl.413). Em 25/09/2009, o Termo de Reintimação nº 362/2009 e Anexo o Demonstrativo já citado (efls. 414/502), ciência 25/09/2009 no próprio Termo (efls. 503). Nas intimações do fisco, cada depósito a crédito foi devidamente individualizado pelo valor, data, Banco, Agência e Conta Corrente demonstrativo anexo à intimação para que os intimados pudessem comprovar a origem; porém, os intimados não produziram prova alguma da origem dos recursos. Sequer escrituração contábil foi apresentada à fiscalização da RFB pela autuada e pelo procurador, quanto ao anocalendário 2005, período de apuração objeto do lançamento fiscal. Não foram juntados aos autos cópias de livros e documentos nas oportunidades que se manifestaram no processo Logo, a tentativa dos recorrentes de atribuir os depósitos a crédito na conta corrente da autuada a pessoas jurídicas de titularidade do Sr.Jorge Bussab Azzuz ou ao próprio Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.872 23 Jorge (pessoa física) não se sustenta, pois não há provas nos autos, não há sequer uma nota fiscal que ligue, identifique (determinado faturamento) ao respectivo valor do depósito na conta corrente da autuada. Os depósitos não têm origem (causa). Assim, sem comprovação da origem dos depósitos a crédito (a causa), não há como dizer que determinado valor pertenceria a pessoa física do procurador, ou a esta ou aquela empresa de titularidade do procurador, diversa da autuada. Nessa situação não há como invocar a aplicação do §5º do art. 42 da Lei 9.430/96, pois os recorrentes não demonstraram, com provas hábeis, idôneas, e cabais, um a um, depósito por depósito, quais valores seriam de origem da pessoa física do procurador, ou da empresa X ou da empresa Y, diversa da empresa autuada, para efeito de segregação dos valores e tributação em nome dos respectivos titulares. Alegar sem provas, de que os recursos ingressados na conta corrente da autuada seriam de titularidade de terceiros, significa não alegar. A ninguém dado beneficiarse da própria torpeza. Frise que, no caso de depósitos bancários a crédito não escriturados e de origem não comprovada, não cabe ao fisco substituir a parte (o sujeito passivo) na atividade de produção de prova, pois o art. 42 da Lei 9.430/96 encerra presunção legal de omissão de receitas, ou seja, inverte o ônus da prova, a partir da intimação para comprovação da origem (a causa). O ônus da prova, de que os valores depositados na conta corrente bancária não são da pessoa jurídica autuada, é dos recorrentes. Ainda, como razão de decidir, adoto a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: (...) A meu ver, descabe qualquer reparo ao procedimento fiscal no que tange a forma de autuação. O correto era mesmo constituir os lançamentos de oficio em nome da empresa, responsabilizando pessoalmente o Sr. Jorge Bussab Azzuz pelos tributos devidos, tal qual foi feito. Ora, diante da constatação cabal de que na conta bancária nº 92363, mantida pela empresa junto ao Banco do Brasil, eram movimentadas receitas próprias e de outras empresas e pessoas, sob a responsabilidade do Sr. Jorge Bussad Azzuz, sendo que, regularmente intimados e reitimados, os responsáveis não fizeram comprovação dos valores pertencentes a cada um desses, a única alternativa legal é a exigência integral na forma que foi constituída. Tais fatos estão precisamente narrados no Relatório de Fiscalização, à fl. 70, vejamos: "(...) Ora a contribuinte afirma, através de seu procurador, que a movimentação financeira na conta corrente N° 92363, agência 29912 do Banco do Brasil S/A no período de janeiro a dezembro de 2005 pertence ao Posto de Gasolina, à Loja de Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.873 24 Conveniência, à Imobiliária e a outros negócios, no entanto, não tem, como o mesmo diz, como comprovar com a documentação comercial, fiscal e contábil a origem dos créditos. Assim, fica claro que os créditos efetuados na conta corrente foram feitos em dinheiro, cheques e transferência, no entanto, a contribuinte não logrou êxito em comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, as origens dos mesmos. (...)"Relevante também registrar que nenhuma das peças impugnatórias ou recursais estão instruídas com provas dos valores depositados que seriam pertencentes ao próprio Sr. Jorge Bussad Azzuz ou das outras empresas que ele administrava. (...) Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL O recorrente, Sr. Jorge Bussab Azzuz, alegou: que deve ser declarada a nulidade dos autos de infração lavrados, uma vez que não tinha poderes para representar a pessoa jurídica autuada perante os órgãos públicos; que não podem ser consideradas válidas as “notificações de lançamento“ feitas à pessoa jurídica autuada, por ele assinadas, uma vez que, nos termos da norma processual vigente, a intimação pessoal feita pelo autor do procedimento deve ser assinada pelo sujeito passivo, o seu mandatário ou preposto; que o procurador da autuada nunca pertenceu aos quadros da empresa; que a procuração foi lhe outorgada apenas para movimentação financeira perante instituições bancárias; que, assim, não podem ser consideradas válidas as notificações de lançamentos efetuadas à Horizonte Conveniência Ltda e que foram assinadas pelo recorrente, pois não é proprietário, não é mandatário e não é preposto. Aqui, também, a pretensão do recorrente, Sr. Jorge Bussab Azzuz, não colhe melhor sorte. Diversamente do alegado pelo recorrente, por ser titular de amplos e gerais poderes conferidos pela procuração pública lhe outorgada pela empresa HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA, desde 18/06/2004 (fls. 116/117), tornouse responsável pela empresa administrativa, civil e criminalmente. Por ser procurador legal da autuada, com amplos e gerais poderes, mandato conferido por instrumento público (Procuração), responde pela empresa e pelos atos praticados, Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.874 25 inclusive sendo responsável solidário pelas obrigações tributárias, no período de apuração objeto da autuação. Pela Súmula CARF 09, ainda que o funcionário fosse mero porteiro do prédio, ou funcionário da empresa que exercesse qualquer outra função na empresa, apenas para argumentar, ainda assim as intimações recebidas seriam válidas. A propósito, transcrevo o verbete da Súmula CARF nº 09, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso, o Jorge Bussab Azzuz, no período objeto da autuação, tinha amplos e gerais poderes para representar, gerir e administrar a pessoa jurídica, conforme instrumento público do Mandato (Procuração), podendo abrir, movimentar, fechar conta bancária, firmar recibos, dar quitação, transigir, emitir e assinar cheques, endossar, avalizar etc (efls. 116/117). Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada de nulidade, pela inexistência vício que pudesse macular ou inquinar de nulidade o lançamento fiscal, mormente quanto às intimações fiscais que foram efetuadas conforme legislação de regência. PEDIDO GENÉRICO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PERÍCIA TÉCNICO CONTÁBIL Correta a decisão recorrida que rejeitou o pedido de realização de diligência/perícia. Incabível o pedido genérico de diligência ou perícia, pois o pedido de perícia não veio acompanhado de indicação de perito e de quesitos, requisitos pre vistos no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972. Considerase inexistente o pedido de diligência e/ou perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Os recorrentes argumentaram, nas razões do recurso, que a decisão recorrida excluiu o montante de R$ 1.601.852,20 das bases de cálculo tributadas, que corresponde ao valor total de R$ 161.294,21 de tributos; que essa exclusão corresponde aos cheques devolvidos, estornados e cheques descontados, devolvidos e debitados. Ainda argumentaram que a decisão recorrida quanto ao pedido de diligência fiscal/perícia técnica, entendeu ser incabível realização de diligência/perícia, porém que não teria enfrentado estas questões: a) se os valores depositados no montante de R$ 7.299.118,60 referemse a movimentação financeira pertencentes a terceiros ou se a pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda; Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.875 26 b) o tamanho da área de ocupação da pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda. Alegam os recorrentes, ainda, que isso teria gerado prejuízo à defesa. Não procede a irresignação dos recorrentes. Andou bem a decisão recorrida ao rejeitar a pedido de diligência/perícia, conforme fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Isto posto, indefiro o pedido de perícia, nos termos dos artigos acima transcritos. (...) Ainda consta da fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) A meu ver, descabe qualquer reparo ao procedimento fiscal no que tange a forma de autuação. O correto era mesmo constituir os lançamentos de oficio em nome da empresa, responsabilizando pessoalmente o Sr. Jorge Bussab Azzuz pelos tributos devidos, tal qual foi feito. Ora, diante da constatação cabal de que na conta bancária nº 92363, mantida pela empresa junto ao Banco do Brasil, eram movimentadas receitas próprias e de outras empresas e pessoas, sob a responsabilidade do Sr. Jorge Bussad Azzuz, sendo que, regularmente intimados e reitimados, os responsáveis não fizeram comprovação dos valores pertencentes a cada um desses, a única alternativa legal é a exigência integral na forma que foi constituída. Tais fatos estão precisamente narrados no Relatório de Fiscalização, à fl. 70, vejamos: "(...) Ora a contribuinte afirma, através de seu procurador, que a movimentação financeira na conta corrente N° 92363, agência 29912 do Banco do Brasil S/A no período de janeiro a dezembro de 2005 pertence ao Posto de Gasolina, a Loja de Conveniência, a Imobiliária e a outros negócios, no entanto, não tem, como o mesmo diz, como comprovar com a Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.876 27 documentação comercial, fiscal e contábil a origem dos créditos. Assim, fica claro que os créditos efetuados na conta corrente foram feitos em dinheiro, cheques e transferência, no entanto, a contribuinte não logrou êxito em comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, as origens dos mesmos. (...)" Relevante também registrar que nenhuma das peças impugnatórias ou recursais estão instruídas com provas dos valores depositados que seriam pertencentes ao próprio Sr. Jorge Bussad Azzuz ou das outras empresas que ele administrativa. (...) Como demonstrado pela transcrição acima, diversamente do alegado pelos recorrentes, a decisão recorrida não só excluiu o valor de R$ 1.601.852,20 das bases de cálculo tributadas, que corresponde ao valor total de R$ 161.294,21 de tributos (exclusão que corresponde aos cheques devolvidos, estornados e cheques descontados, devolvidos e debitados), mas também, de forma expressa, frisou que todos os depósitos a crédito na conta corrente são da autuada, pois os recorrentes não conseguiram desincumbirse do ônus probatório de comprovar que a titularidade desses recursos fosse de terceiros (não conseguiram comprovar a origem, a causa desses depósitos na conta corrente bancária da autuada). Portanto, os valores de movimentação financeira na conta corrente bancária a crédito não registrados na escrituração e não informados na declaração do Simples Federal (anocalendário 2005), cuja origem não restou comprovada pelos recorrentes, são de titularidade da autuada, implicando omissão de receitas por presunção legal (Lei 9.430/96). É ônus probatório dos recorrentes provar que não houve omissão de receitas, que os valores depositados a crédito não são de titularidade da autuada. A estrutura física do estabelecimento, área de ocupação, é irrelevante, basta que configure uma unidade econômica ou profissional (CTN, art. 126, III). É um despautério alegação dos recorrentes de prejuízo à defesa o não deferimento de diligência/perícia técnica pela decisão recorrida, pois o ônus probatório, na presunção legal, omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada , é dos recorrentes, e não da fiscalização da RFB. Durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais, conforme Termo de Início de Fiscalização, quanto ao anocalendário 2005, ciência por AR em 07/04/2008 (efl. 82/83). Entretanto, a fiscalizada solicitou várias prorrogações de prazo (efls. 85/87), e não apresentou livros e documentos de sua escrituração à fiscalização. Então, a fiscalização da RFB, novamente, intimou a contribuinte com ciência em 21/08/2008, dando novo prazo, pois até aquela data a contribuinte não havia atendido, em sua totalidade, o "Termo de Inicio da Ação Fiscal" (efls. 88/89). Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.877 28 Nada foi apresentado pela empresa fiscalizada, quanto ao solicitado pela fiscalização da RFB. O fisco intimou e reintimou a fiscalizada para comprovar a origem (a causa) dos depósitos bancários a crédito nas contas correntes bancária, nas seguintes datas: Em 29/07/2009, o Termo de Intimação nº 268/2009 e Anexo o Demonstrativo de depósitos, individualizados, um por um, valor, data e Banco, Agência, Conta Corrente (efl. 118/201, 316/403, 404/412), ciência em 04/08/2009 AR (efl.413). Em 25/09/2009, o Termo de Reintimação nº 362/2009 e Anexo o Demonstrativo já citado (efls. 414/502), ciência 25/09/2009 no próprio Termo (efls. 503). Porém, a fiscalizada não comprovou a origem dos depósitos a crédito em sua conta corrente bancária. Em 27/10/2009, a fiscalização da RFB recebeu da fiscalizada apenas o seguinte expediente assinado pelo procurador Sr. Jorge Bussab Assuz e juntado aos autos (efl. 99/100), in verbis: (...) HORIZONTE CONVENIENCIA LTDA., firma comercial estabelecida nesta cidade de Franca, estado de Sao Paulo, A. Av. Chico Julio, 5050 — Franca/SP, CEP 14400830, CNPJ 03.601.667/000138, neste ato representada por seu procurador, no final assinado, vem perante a V. S.a., prestar informações sobre a reintimação em referencia. 1 No ano de 2005, a conta do Horizonte Conveniência Ltda., foi utilizada pelo procurador, para movimentação bancária de negócios seus, em virtude de que estava, e atualmente continua com problemas tanto em nome de sua pessoa física, de sua esposa, bem como em nome de suas empresas; esta conta leva o n°92363, agência 29912 no Banco do Brasil. 2 A vista disto, utilizou a conta em referência para movimentação dos recebimentos e pagamentos de alugueis de sua imobiliária, de seu posto de gasolina, da loja de conveniência propriamente dita, e de alguns negócios particulares efetuados com terceiros, como troca de cheques com amigos para desconto e sustentação do dia a dia financeiramente, captação de empréstimos de particulares para sobrevivência financeira, visto que estava com insuficiência de caixa diariamente e com o crédito bloqueado tanto em seu nome particular, da esposa, sua imobiliária e seu posto de gasolina. 3 Dado o volume de depósitos e saques efetuados, e não mantendo controle destes depósitos e saques, é humanamente impossível nesta data, identificar a origem dos depósitos tanto do posto, da imobiliária, da loja de conveniência e dos negócios particulares. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.878 29 4 Fazendo uma análise do extrato bancário da conta 92363 Banco do Brasil, verificase fartamente a devolução de cheques creditados nesta conta, ou seja, depositavamse cheques da mesma titularidade nesta conta corrente, pediase o desbloqueio para utilização do crédito, mas verificase que no dia subsequente ao depósito, os cheques eram devolvidos, tratando se nada mais do que cheques "borboleta", ou seja, só eram emitidos pelo desespero momentâneo diário de situação financeira trágica. 5 Fazendo um apanhado sumário dos depósitos, cheguei a uma conclusão estimada da referida movimentação, a qual descreve abaixo: Posto de Gasolina R$ 1.550.000,00 Loja de Conveniência R$ 160.000,00 Negócios R$ 3.300.000,00 Imobiliária R$ 2.000.000,00 Certo de haver cumprido, dentro do possível a reintimacão em referência, aceitem as minhas cordiais saudações. (...) O procedimento de fiscalização, investigação, perdurou por mais de 01 (um) ano e, nesse período, a fiscalizada não forneceu ao fisco livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal, quanto ao anocalendário 2005, período de apuração objeto da autuação. Ainda, na fase processual, na primeira instância, quanto nesta instância recursal, a autuada e seu representante leal Sr Jorge, em todas as vezes que compareceram no processo, não se desincumbiram do ônus probatório. Ora, não cabe pedido de realização de diligência fiscal ou perícia técnico contábil para produção de provas cujo ônus probatório é dos recorrentes, em face da presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96). Por outro lado, o fisco produziu as provas necessárias e suficientes para a imputação válida da omissão de receitas. Assim, os depósitos bancários a crédito na conta corrente da autuada são de titularidade da autuada, pois intimada e reintimada a comprovar a origem (a causa), ela não se desincumbiu desse ônus probatório.. Frise que, no caso de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, não cabe ao fisco e nem ao julgador substituir a parte na atividade de produção de prova, pois o art. 42 da Lei 9.430/96 encerra presunção legal de omissão de receitas e inversão do ônus da prova. Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.879 30 Cabe ao fisco apenas com base nos fatos indiciários (fatos conhecidos), cópia dos extratos bancários da autuada e ausência de escrituração contábil/fiscal, por consequência, presumir a omissão de receitas (fato probando). Destarte, não cabe converter julgamento em diligência para produzir prova cujo ônus probatório é dos recorrentes, para afastar a presunção de omissão de receitas, infração imputada pelo fisco. Portanto, os recursos a crédito, depositados, movimentados na conta corrente bancária foram corretamente tributados na pessoa jurídica titular da conta corrente bancária, ou seja, a HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDA, e ao Sr. Jorge Bussab Azzuz, procurador legal da autuada, gestor da empresa, foi imputada a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário lançado de ofício (CTN, arts. 135 e 137,II). Os precedentes da jurisprudência do CARF são pacíficos, pelo não cabimento de diligência fiscal ou perícia técnicocontábil no caso, conforme ementas de julgados que transcrevo, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.880 31 DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.(Acórdãonº20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA.DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido.A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº1802001.006, sessão de17/10/2011). ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE– A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 107.05810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.881 32 presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. (Acórdão nº 1402003.129–4ª Câmara/2ªTurma Ordinária, sessão de 15/05/2018, Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator). DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERI MENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve o bedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aque las que julgar prescindíveis. (Acórdão 1301002.984– 3ªCâmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 12/04/2018, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). Ainda, como razão de decidir, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) Destarte, sem provas dos valores que seriam pertencentes ao próprio procurador ou das empresas de sua titularidade, devem ser tributados na pessoa jurídica titular da conta bancária que recebera os depósitos, aplicação, inclusive, do entendimento pacífico da Súmula CARF nº 32, cujo verbete transcrevo. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (...) Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida que rejeitou o pedido de realização de diligência/perícia técnica. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Diversamente do entendimento da contribuinte, a infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada está devidamente demonstrada pelo fisco, nos autos. Intimada, diversas vezes, a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos em suas contas correntes bancários não o fez. Por isso, o fisco, por presunção legal, então, imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.882 33 O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 encerra uma presunção legal relativa, que tem a função de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não cometeu a omissão de receitas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) da presunção de omissão de receitas. Vale dizer, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990: "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações." [revogado] Lei n° 9.430/1996 : "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regular mente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.883 34 escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de comprovação de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo (ementas de julgamento), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.884 35 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.885 36 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal. Ainda, apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu desse ônus probatório para elidir a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para afastar essa infração. Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA e a infração reflexa, assim como mantidas pela decisão recorrida. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL. Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.886 37 Os recorrentes argumentaram que o fisco não teria comprovado o dolo de fraude, de sonegação fiscal, na conduta do procurador da empresa Sr. Jorge Bussab Azzuz, que implicara na infração omissão de receitas. que a imputação da multa qualificada pelo fisco e mantida pela decisão recorrida é equivocada, pois a declaração ou informação prestada à fiscalização pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz (fl. 99) de que a movimentação de recursos particulares do próprio procurador (suas empresas: Posto Lago Azul e Jomar Administração de Imóveis) na conta corrente da autuada não se deu com intenção dolosa, mas unicamente em razão da precária situação financeira dessas pessoas; que a comprovação disso se dá pela própria declaração de fl. 99, bem como pelos documentos abaixo listados: a) relação de cheques emitidos sem provisão de fundos no valor de R$ 2.276.782,45 (fl. 1098/1137); b) consultas ao S.P.C e SERASA (fl. 1164/1169); c) consultas referentes a ações de cobrança (fl. 1170/1178), que provam a precária situação financeira (fl. 99) desde o início da fiscalização, justificando o uso de uma só conta bancária; que, assim, diferentemente do aduzido na decisão recorrida, não houve dolo específico em face de qualquer prática reiterada que, na realidade, inexistiu. Não houve intenção, pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz, de praticar condutas ilícitas no intuito de omitir ou reduzir o pagamento de tributos e contribuições. Não procede a alegação dos recorrentes de que não houve dolo, fraude e sonegação fiscal. O dolo de fraude, sonegação fiscal, é intenso na conduta. A empresa do Simples Federal, sua conta corrente bancária, depósitos a crédito não escriturados, não declarados e de origem não comprovada, foi utilizada para burlar o fisco, sonegar tributos. Se o fisco não fosse diligente, tempestivo, todo o crédito tributário teria decaído, em face da fraude perpetrada pelos sócios da empresa e pelo procurador legal, Sr. Jorge Bussab Azzuz, que utilizara empresa do Sistema Simples Federal de Tributação (Lei 9.317/96), a seu belprazer, para ocultar, subtrair tributos. Deixou de oferecer à tributação em torno de 97,89% da receita bruta do anocalendário 2005. Ainda, como razão de decidir, transcrevo a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida: (...) Como se vê, estando caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, a multa deve ser aplicada no percentual de 150%. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.887 38 É o que ocorre na espécie dos autos. Com efeito, restou nos autos comprovado ter a autuada realizado movimentação bancária, ao longo do anocalendário fiscalizado (2005), por expressivos valores, superiores a R$ 7 (sete) milhões de reais, mantidos reiteradamente à margem da contabilidade. E a norma legal é muito clara ao fixar a penalidade: ela alcança todos aqueles que agiram com o evidente intuito de fraude, conforme disposto art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, retrotranscrito. É dizer, ainda que se trate de exação fundada na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez caracterizado evidente intuito de fraude, há que se exigir a multa de ofício por infração qualificada. Assim, estando caracterizado nos autos o evidente intuito de fraude, entendo deva ser mantida a exigência da multa de ofício por infração qualificada, no percentual de 150%. (...) Em face do exposto, devese manter a multa qualificada imputada no lançamento fiscal quanto à infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, conforme decidido pela decisão recorrida. Não cabe fazer reparo à decisão recorrida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nas razões de defesa do seu recurso, o Sr. Jorge Bussab Azzuz, de forma veemente, rechaça a imputação da responsabilidade tributária solidária, com fulcro nos art. 124,I, 134 e 135 e 137,II, do CTN, alegando, em síntese: que, diferentemente do aduzido na decisão recorrida, não houve dolo específico em face de qualquer prática reiterada que, na realidade, inexistiu. Não houve intenção de praticar condutas ilícitas no intuito de omitir ou reduzir o pagamento de tributos e contribuições; que também não tem aplicação no caso em tela, os artigos 124, 134, 135 e 137, II, do CTN. O recorrente não se enquadra em nenhuma situação ali prevista. Não é nenhuma das pessoas citadas no art. 134 e no 135. Não tem o interesse comum de que trata o inciso I do art. 124, e nem é expressamente designado solidário por lei. Data venia, não merecem guarida as alegações do recorrente. Os fatos apurados pela fiscalização, conforme já sobejamente narrados, apresentados e comentados alhures, revelam dolo intenso da conduta fraudulenta, de sonegação fiscal do Sr. Jorge Bussab Azzuz que, de forma ardilosa, utilizou empresa do Sistema Simples Federal, mediante procuração com amplos e gerais poderes, para esconder, omitir, subtrair, da Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.888 39 tributação receita bruta (faturamento), declarando apenas, em torno, de 2,11% do faturamento do anocalendário 2005. A sociedade empresária HORIZONTE CONVENIÊNCIA LTDAME foi adquirida em 01/10/2002 pelo sócios ANTONIO DE PAULA SILVEIRA e MARIA FELINA DE SANTANA SILVEIRA, com capital social de R$ 10.000,00 (Dez mil reais), com sede na Av. Chico Júlio, 5050 — LOJA 01 Vila Imperador — CEP: 14.109241 Município de Franca Estado de São Paulo, CEP: 14.409241, conforme SEGUNDO INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL (fls.106/115). Obs: As assinaturas dos sócios (firmas) não estão reconhecidas em Cartório. Em 18/06/2004, a empresa, por seu sóciogerente ANTÔNIO DE PAULA SILVEIRA (fls. 116/117), outorgou Mandato, instrumento público (Procuração) para JORGE BUSSAB AZZUZ, Administrador de Empresas e MARLI DE PULA SILVEIRA SILVA, Financeira, aos quais conferiu amplos e gerais poderes, nos seguintes termos: (...) a quem confere amplos e gerais poderes, poderes para abrir, movimentar, liquidar, encerrar quaisquer modalidades de contas e cadernetas de poupança em BANCOS em geral e CAIXAS ECONÔMICAS: FEDERAL E ESTADUAL, BANCO DO BRASIL S/A, BANESPA S/A; assinar propostas e contratos; depositar e retirar dinheiro, sacar quaisquer importâncias, desde que contenha saldos; emitir, endossar e avalizar, assinar cheques; fazer contar juros, correções monetárias e outros índices nas épocas próprias; implantar a senha (código), retirar e utilizar o cartão magnético; solicitar saldos, extratos; requisitar talões de cheques; receber quaisquer depósitos mensalmente; firmar recibos e dar quitações, transigir, liquidar e encerrar contas, fazer pedidos, retiradas mediante recibos, autorizar débitos, transferências e pagamentos por intermédio de cartas, movimentar inclusive contas resultantes de depósitos de qualquer origem que tem direito pelos institutos e outros pagadores, bem como as demais vantagens que por ventura venha ter direito futuramente, dando por bom, firme e valioso tudo quanto nesse sentido praticar o (a) procurador (a) e inclusive substabelecer. (...) A fiscalização da RFB, em face dos fatos apurados, conforme Relatório de Fiscalização, parte integrante dos Autos de Infração do Simples (anocalendário 2005), concluiu que a empresa foi utilizada pelo Sr. JORGE BUSSAB AZZUZ (fls.68/80, atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, que implicaram em conduta dolosa, fraudulenta e sonegação fiscal (efls. 67/80), in verbis: (...) Ficou clara a prática de atos que transgridem o contrato social, pois a empresa, em momento algum, beneficiouse dos frutos de sua atividade. Não há que se pensar em uma sociedade empresarial que não tenha como fim último o lucro e conseqüente crescimento. Inimaginável uma empresa que movimentou em instituição financeira, no anocalendário de 2005 valor superior a R$ 7 (sete) milhões de reais e que não tenha sequer um patrimônio, salvo a fato dessa empresa suprir, de forma ilegal, ou seja, sem o correspondente cumprimento da obrigação tributária principal, o fluxo financeiro dirigido aos seus sócios e ao seu procurador. Sobre o tema, oportuno mencionar o posicionamento do STJ no sentido de que o Ônus probandi em execuções fiscais cabe ao(s) Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.889 40 sócio(s). Segundo decisão, o sócio ou o administrador deve comprovar que não agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos situações previstas no Código Tributário Nacional (CTN) que permitem a responsabilização dos administradores por débitos da sociedade empresária. (...) A Lei 8.137/90, no caput do art 2° e correspondente inciso I, tipifica: "Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;". Ora, na presente fiscalização, constatouse a omissão de receitas em praticamente 100% (cem por cento) sendo, portanto, falsa a declaração do Imposto de Renda entregue à Receita Federal do Brasil, caracterizada por apresentar um valor ínfimo se comparada a movimentação financeira tributável. A situação abordada aponta para um único objetivo, qual seja, eximirse de pagamento de tributo. Em uma análise sistêmica, os fatos e situações comprovados pela fiscalização adequamse perfeitamente ao tipo legal invocado, que, aliado ao disposto no art. 11, abaixo transcrito, do mesmo diploma (Lei 8.137/90) e ao constante na matéria tributária inerente (art. 137, inciso II do CTN) (...). No caso sob comento, tipificase pelo constante no inciso II do art. 137 do CTN, conjugado com o disposto no caput do art 2º e correspondente inciso I da Lei 8.137/90. (...) Assim, diversamente do alegado pelo recorrente nas razões do recurso, está demonstrada e comprovada nos autos a sujeição passiva solidária do Sr. Jorge Bussab Azzuz e em consonância com os precedentes jurisprudenciais deste CARF, in verbis: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.890 41 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Relator). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 24/03/2015, Relator João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc). SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3401003.809 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.891 42 3301003.159–3ªCâmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado) Ainda, como razão de decidir, adoto a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) Em relação à responsabilidade pessoal atribuída ao Sr. Jorge Bussab Azzuz, conforme Termo de Responsabilidade Pessoal de fls. 74/79, a Autoridade Fiscal constatou que o patrimônio encontrase concentrado na mencionada pessoa física, que possui procuração pública com amplos poderes para representar a contribuinte, e assim o fez, inclusive utilizou desse poder outorgado para sacar, depositar, transferir, emitir cheques em seu nome e em nome das empresas das quais é sócio (Posto Lago Azul de Franca Ltda e Jomar Administração de Imóveis Ltda), no período de janeiro a dezembro de 2005, da conta nº 92363, mantida no Banco do Brasil, agência 29912, de titularidade da empresa fiscalizada, evidenciando a intenção de ocultar a realidade dos fatos e o intuito de eximirse do pagamento de tributos. O Sr. Jorge Bussab Azzuz, na impugnação de fls. 1086/1095, reconhece a situação acima apontada, e limitase a alegar que a movimentação financeira concentrada na pessoa jurídica Horizonte Conveniência Ltda deveuse a motivos de precária situação financeira em que se encontrariam as demais pessoas jurídicas, (...). No caso presente, ficou evidente o dolo específico em face da prática reiterada, no anocalendário de 2005, das condutas ilícitas já abordadas, com intuito de omitir ou reduzir o pagamento de tributos e contribuições, objeto do presente lançamento de ofício. De se notar que o Sr. Jorge Bussab Azzuz , na condição de sócio e procurador das mencionadas empresas, demonstrou ter interesse comum nos procedimentos em comento, uma vez que deles se beneficiou. Vejamos ainda o que determinam os artigos 124, 134 e 135 do CTN: (...) Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.892 43 Assim, diante dos fatos narrados e das provas contidas nos autos, e à luz dos dispositivos legais acima transcritos, afirmase a responsabilidade pessoal do Sr. Jorge Bussab Azzuz pelo crédito tributário lançado. (...) Portanto, deve ser mantida a responsabilidade sujeição passiva solidária do Sr. Jorge Bussab Azzuz pelo crédito tributário, conforme decidido pela decisão a quo. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar as preliminares de ilegitimidade passiva e de nulidade do lançamento fiscal e, no mérito, negar provimento aos recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Peço vênia ao Ilustre Conselheiro Nelso Kichel, relator do presente caso, para aduzir abaixo as razões da minha divergência parcial com a sua abalizada posição esposada no voto apresentado. A divergência vencedora versará sobre dois pontos especificamente, em havendo o Colegiado acompanhado o relator nas demais matérias: a) Aplicação da qualificação de multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96; b) Responsabilidade solidária do sócio Jorge Bussab Azzuz. É o que será tratado a seguir. I) Da impossibilidade de aplicação da multa qualificada A presente autuação fiscal se baseou, em seu cerne, na presunção legal de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430), que aduz: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.893 44 Durante o procedimento fiscalizatório, verificouse que diversos valores foram depositados na conta corrente da HORIZONTE, bem como diversos cheques foram compensados contra essa conta para o adimplemento de compromissos das demais empresas administradas pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz. O modus operandi pareceme absolutamente claro: as empresas realizam contratos com terceiros, em suas operações usuais, com a determinação dos pagamentos serem realizados diretamente na conta da HORIZONTE, que por sua vez utilizada esses recursos para adimplir compromissos das outras empresas. Friso, todavia, que tal operação não restou plenamente demonstrada nos autos pela Recorrente, pois não se tinham como constatar a origem dos recursos nos contratos feitos pelas demais empresas do grupo, a despeito das declarações dos beneficiários dos cheques emitidos pela Recorrente, que sem dúvida são indícios do fato apontado. A própria fiscalização aponta a utilização da Recorrente como interposta pessoa, para realização da movimentação financeira de terceiros, em fl.74: A irregularidade tributária praticada pela empresa sujeito passivo desta fiscalização, no anocalendário de 2005, ficando claro no Relatório da Fiscalização que a mesma foi utilizada como interposta pessoa para realizar a sua movimentação financeira do procurador Jorge Bussab Azzuz e suas empresas, ato afirmado pelo próprio Entretanto, não há nos autos provas suficientes dessa interposição que de resto tampouco foi o fundamento real da autuação, mas sim a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9430/96. Tal matéria foi fartamente discutida pelo Colegiado, à luz das provas constantes nos autos, para a verificação da aplicação do caput do art. 42 ou do seu §5º (mais adequado para os casos de interposição). Diante desse contexto fático e das provas apresentadas, a Fiscalização quedouse diante de uma escolha: ou fruise da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 e se reconhece a omissão de receita, com a cobrança dos tributos e da multa pelo não recolhimento, ou prosseguese na atividade fiscalizatória, identificando as origens dos depósitos na conta da HORIZONTE e solicitando a documentação fiscal das demais empresas do Sr. Jorge Bussab, visando verificar se houve ou não o recolhimento dos tributos devidos naquelas empresas e analisando, devidamente, não apenas a existência de ausência de pagamento, como também eventual dolo, fraude ou simulação na conduta, aptos a justificar uma punição qualificada. A lógica da presunção legal estabelecida é oferecer um tradeoff à fiscalização: abstémse a fiscalização de uma fiscalização mais custosa em prol de uma facilidade na autuação, prescindindo assim de um conhecimento mais aprofundado da realidade fática, inclusive para fim de imputação de todas as normas tributárias incidentes. No voto vencido, o Conselheiro Relator aduziu as seguintes razões para a qualificação: que a imputação da multa qualificada pelo fisco e mantida pela decisão recorrida é equivocada, pois a declaração ou informação prestada à fiscalização pelo Sr. Jorge Bussab Azzuz (fl. 99) de que a movimentação de recursos particulares do Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.894 45 próprio procurador (suas empresas: Posto Lago Azul e Jomar Administração de Imóveis) na conta corrente da autuada não se deu com intenção dolosa, mas unicamente em razão da precária situação financeira dessas pessoas; que a comprovação disso se dá pela própria declaração de fl. 99, bem como pelos documentos abaixo listados: a) relação de cheques emitidos sem provisão de fundos no valor de R$ 2.276.782,45 (fl. 1098/1137); b) consultas ao S.P.C e SERASA (fl. 1164/1169); c) consultas referentes a ações de cobrança (fl. 1170/1178), que provam a precária situação financeira (fl. 99) desde o início da fiscalização, justificando o uso de uma só conta bancária; A despeito da opinião do relator, nenhuma das condutas indicadas pela fiscalização apresenta características indiciárias quanto ao dolo necessário para a conduta fraudulenta descrita no art. 72 da Lei 4.502/64 pelo contrário, servem como índice de uma fraude, sim, mas não aquela perpetrada contra o Erário, justificadora da qualificação da multa, mas sim contra eventuais credores das demais empresas, que encontrariam maiores óbices na localização de ativos penhoráveis. Não cabe, entretanto, a este Colegiado fazer qualquer juízo positivo ou negativo acerca desse fato, de resto irrelevante para fins de imposição de multa tributária. Aduz o art. 72 da Lei nº 4.502/64: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Os verbos que indicam as condutas fraudulentas são impedir ou retardar o fato gerador, e excluir ou modificar suas características essenciais. No presente caso, não há qualquer conduta do contribuinte nesse sentido, mas simplesmente depósitos bancários de origem não justificada, o que qualifica por presunção a omissão de receitas e, sucessivamente, a incidência dos tributos sobre esses montantes. Deveria a Fiscalização, para poder verificar a presença ou não desta qualificadora, sair das raias de segurança da presunção e prosseguir na atividade fiscalizatória, analisando, por exemplo, se os recursos foram oferecidos à tributação pelas empresas que seriam titulares de tais valores, como afirmado pelo Recorrente, para identificar, com precisão, as condutas relacionadas ao fato gerador. Quedandose apenas nos limites da presunção, o fato gerador é presumido, de modo que seria um disparate imaginar alguém lograr êxito em impedir ou retardar uma ocorrência tributariamente relevante cujo as características e a sua própria existência é presumida pela fiscalização, com base em lei. Ora, se a fiscalização sequer logrou demonstrar o fato gerador dos tributos cobrados, optando por autuar exclusivamente através da presunção de omissão de receitas, Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.895 46 como se poderia considerar provado nos autos a presença de dolo do contribuinte, elemento este que dependeria largamente da verificação efetiva do fato gerador e de atos tendentes a realizar as condutas descritas no art. 72 da Lei nº 4502/64? Nessa linha, o CARF possui súmula de sua jurisprudência, vinculante para os Conselheiros (a súmula CARF nº 25 não foi incluída entre aquelas tornadas vinculantes para toda a administração tributária federal por força da Portaria MF nº 277/2018), que aduz precisamente: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Essa é, também, a interpretação dada por este Colegiado, em composição pretérita, posto que recente, no Acórdão nº 1301002.665, de relatoria do Conselheiro José Eduardo Dornelas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas.Nos casos em que o contribuinte comprovar a exigibilidade por meio de documentação hábil e idônea, estabelecendo o vínculo necessário entre o registro contábil e a operação que lhe deu causa, o valor correspondente deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25). É preciso, pois, que à aplicação da presunção de omissão de receitas se agregue também a comprovação específica esta com ônus probatório recaindo sobre o auditor da RFB relativamente a circunstâncias específicas indiciárias da conduta fraudulenta relativa aos fatos geradores realizados. A redistribuição do ônus da prova quanto à ocorrência do fato gerador através da aplicação de regra de presunção não tem como efeito automático o comprometimento do dever ordinário da fiscalização de comprovar os demais aspectos da autuação. Em razão disto, voto por afastar a qualificadora sobre a multa de ofício aplicada. II) A responsabilidade solidária do sócio Jorge Bussab Azzuz Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.896 47 Quanto à imputação de responsabilidade tributária ao sócio da Recorrente, há dois pontos que merecem destaque. O primeiro é a profusão de dispositivos aplicados pela fiscalização para a imputação da responsabilidade tributária ao administrador: art. 124,I; 134 e 135 do CTN, bem como art. 1080 do Código Civil. Ora, quem em tudo fundamenta, não fundamenta em absolutamente nada, parecendome haver, através do recurso a esse feixe de dispositivos, por um lado a incapacidade da fiscalização de individualização da conduta que gerou a responsabilidade, e por outro, uma oclusão do direito de defesa do contribuinte, por não ter acesso às razões fáticas e jurídicas que materialmente implicaram a responsabilização. Friso que tal observação, entretanto, é de cunho eminentemente pessoal deste redator e não representa o entendimento votado em sessão, que será apontado a seguir. Há que se frisar, também que com todas as vênias ao entendimento proferido pelo Ilustre Relator entendemos que o art. 124, I do CTN não é instrumento apto para a imputação de responsabilidade de sócios e administradores, pois o interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele simplesmente econômico, ligado à geração de valores por parte das atividades da empresa, mas aquele jurídico, ligado a uma cooparticipação na realização do fato gerador do tributo (o exemplo mais básico que consigo pensar é a compra e venda de um imóvel, operação esta sujeita ao ITBI e na qual tanto o comprador quanto o vendedor tem interesse jurídico comum na realização do fato gerador). A interpretação de que o interesse comum seria de cunho econômico tornaria o art. 124, I do CTN, na precisa observação do Conselheiro Caio Nader Quintela, em voto vencedor do Acórdão nº 1402002.958, instrumento de uma desconsideração indireta da personalidade jurídica das empresas, em razão da óbvia ilação de que os sócios e administradores sempre terão interesse no sucesso econômico do negócio. A descrição fática, entretanto, leva a crer que a fiscalização se pautou pelo art. 135 do CTN, como se depreende dos seguintes trechos do TVF (fls. 74 e ss.): Isto demonstra a intenção dolosa de seus sócios e procurador, preocupados o tempo todo em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximirse de pagamento de tributo. Ficou clara a prática de atos que transgridem o contrato social, pois a empresa, em momento algum, beneficiouse dos frutos de sua atividade. Mais ainda, inclusive, aduz a fiscalização que o onus probandi quanto à não atuação do sócio ou administrador com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, seria do próprio responsabilizado, invocando precedente do Superior Tribunal de Justiça versado no REsp nº 731.308. Todavia, o equívoco da fiscalização é patente no texto da ementa da própria decisão mencionada: Esta Corte tem entendimento pacífico no sentido de que não se pode, diante da presunção de certeza e liquidez da Certidão de Dívida Ativa, inverter o ônus probatório para a exclusão dos sócios na execução fiscal. Se o nome do sócio consta da CDA, não há que se falar em violação ao art. 135 do CTN, porquanto Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 13855.003418/200914 Acórdão n.º 1301003.160 S1C3T1 Fl. 2.897 48 a sua responsabilidade se presume, incumbindolhe fazer prova em contrário por meio de embargos à execução." Tratase, pois, de precedente calcado em outra presunção a de liquidez e certeza da CDA cujas condições de aplicação não estão presentes durante o procedimento administrativo fiscal, e muito menos durante a fase fiscalizatória, devendo a RFB produzir provas hábeis e idôneas do dolo do sujeito responsabilizado na realização de condutas subsumíveis à descrição legal do art. 135 do CTN. Em não logrando a fiscalização em produzir tal prova, sobretudo por ter construído a autuação sobre a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e escorado a presunção de responsabilidade do sócio ou administrador em precedente do STJ erroneamente aplicado ao presente caso, há que se afastar a responsabilização pretendida. Desse modo, em razão da ausência de prova do dolo específico do responsabilizado, voto por afastar a responsabilidade tributária do Sr. Jorge Bussab Azzuz. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2897DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.900541/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL REDUZIDO. LEI N° 9.249/1995, ART. 15, §1°, III, A. SERVIÇOS HOSPITALARES.
SERVIÇOS DE NATUREZA INTELECTUAL. DISTINÇÃO.
Para fins de utilização do percentual reduzido de lucro presumido de que trata a Lei n° 9.249/1995, art. 15, §1°, III, a, a atividade de serviços hospitalares é aquela desenvolvida pelo empresário, que tem como traço distintivo a atividade organizada voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços, entre as quais não se enquadram os serviços de natureza intelectual ou científico, que se caracterizam pela pessoalidade de seu exercício, como os serviços médicos.
Numero da decisão: 1001-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (relator), vencido também o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL REDUZIDO. LEI N° 9.249/1995, ART. 15, §1°, III, A. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE NATUREZA INTELECTUAL. DISTINÇÃO. Para fins de utilização do percentual reduzido de lucro presumido de que trata a Lei n° 9.249/1995, art. 15, §1°, III, a, a atividade de serviços hospitalares é aquela desenvolvida pelo empresário, que tem como traço distintivo a atividade organizada voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços, entre as quais não se enquadram os serviços de natureza intelectual ou científico, que se caracterizam pela pessoalidade de seu exercício, como os serviços médicos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (relator), vencido também o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente DENSOMAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL REDUZIDO. LEI N° 9.249/1995, ART. 15, §1°, III, “A”. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE NATUREZA INTELECTUAL. DISTINÇÃO. Para fins de utilização do percentual reduzido de lucro presumido de que trata a Lei n° 9.249/1995, art. 15, §1°, III, “a”, a atividade de serviços hospitalares é aquela desenvolvida pelo empresário, que tem como traço distintivo a atividade organizada voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços, entre as quais não se enquadram os serviços de natureza intelectual ou científico, que se caracterizam pela pessoalidade de seu exercício, como os serviços médicos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (relator), vencido também o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 05 41 /2 00 8- 10 Fl. 203DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão 0632.096, da 2a Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório, pleiteado através da DCOMP 01895.98984.140104.1.3.044554. Por economia processual transcrevo (parcialmente) o voto elaborado pela DRJ: 6. Trata o processo de Declaração de Compensação, às fls. 01/05, em que foram declarados crédito de pagamento indevido de IRPJ do período 12/1999, no valor originário de R$ 1.164,84, e débitos de CSLL (Lucro Presumido) do quarto trimestre de 2003, e de PIS do período 12/2003. 7. Na decisão atacada, à fl. 07, a compensação não foi homologada, sob a justificativa de que o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. 8. O exame do caso revela que o deslinde da lide cingese ao fato de a empresa enquadrarse ou não ao conceito de “serviços hospitalares”, o que lhe conferiria o direito de utilização de percentual reduzido de lucro presumido de 8%. A análise do caso levou à conclusão de que o despacho decisório não merece reforma. 9. Inicialmente, na peça de defesa, a impugnante alega que apresentou, em 15/09/2003, declaração retificadora da DIPJ/99, a fim de informar o valor correto do IRPJ do quarto trimestre, que foi alterado de R$ 1.747,41 para R$ 80,92. Restou verificado que o contribuinte alterou, em todos os trimestres, o percentual de suas receitas (linhas 02 e 04 da ficha 14), que passou de 32% para 8%, o que resultou em redução da base de cálculo do IRPJ, e conseqüentemente, do valor devido. Em DCTF, a empresa apresentou retificadora, em 06/10/2003, reduzindo o IRPJ devido, de R$ 1.465,23 para R$ 198,05, conforme resumos de fls. 174/175. 10. Dado que esta DRJ/Curitiba não dispunha de elementos para analisar se o contribuinte tinha ou não direito ao percentual reduzido, o processo foi baixado em diligência para manifestação da DRF/Maringá. No procedimento de diligência, o contribuinte apresentou cópia de contratos sociais e alterações, e foi intimado a justificar a retificação da DIPJ/99. Na resposta, (fls. 108 a 125), a requerente afirma que é pessoa jurídica inserida na modalidade de prestadores de serviços médico/hospitalares da Lei n° 9.249/95, mais precisamente, pelo contido no art. 15, § 1°, III, "a" da referida lei. 11. Com base nessas informações, e à luz da legislação pertinente, a DRF/Maringá negou o direito à utilização do percentual reduzido de 8%, considerando que, à época dos fatos (12/1999), o contrato social não previa a prestação de serviço hospitalar, o que somente veio a ocorrer a partir de 29/03/2006. Transcrevemse a seguir as razões do indeferimento: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 204 3 • O primeiro subsídio que buscamos está no Contrato Social do interessado. De acordo com a cláusula 2a do contrato social, à fl. 25, a sociedade tem por objetivo o ramo de serviço de DENSITROMETRIA ÓSSEA E EXAMES CORRELATOS. Tal objeto social manteveseinalterado até o registro da 9a alteração contratual no cartório de Registro de Títulos e Documentos (em 29/03/2006), passando, então, para "ATIVIDADE MÉDICO/HOSPITALAR NA ÁREA DE CLÍNICA MÉDICA NA ESPECIALIDADE DE DENSITROMETRIA, RX, MAMOGRAFIA, ULTRASSONOGRAFIA, RESSONÂNCIAMAGNÉTICA E TOMOGRAFIA"; • O crédito utilizado foi apurado em relação ao 4° trimestre de 1999, quando a sociedadeainda estava sob a regência da redação original "DENSITROMETRIA ÓSSEA EEXAMES CORRELATOS"; • Independentemente da análise do novo objeto social, tal atividade (a antiga) enquadrase na alínea "a" do inciso III do § 1° do art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995 prestação de serviços em geral que, no entanto, traz uma ressalva quanto aos serviços hospitalares; na hipótese da prestação de serviços hospitalares o percentual de presunção do lucro tributável seria reduzido a 8% (inciso II do § 2° do art. 3° da IN SRF n° 93, de 1997); • A regulamentação do art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, pela IN SRF n° 93, de 1997, trouxe, ainda, a previsão de, no caso de atividades diversificadas, a aplicação do percentual correspondente a cada atividade (§ 10 do art. 3°). Vale dizer, a tributação seria proporcional a cada atividade, em seus respectivos percentuais de presunção de lucro; • No presente caso, em vista de cláusula contratual (cláusula segunda), não era admitida a prestação de serviços hospitalares, razão esta suficiente para o impedimento da aplicação do percentual de presunção de lucro pleiteado (8%). 12. Ao contestar esse parecer, a interessada buscou interpretar o termo "serviços hospitalares", com auxílio de julgados judiciais e administrativos. Para tanto, trouxe duas soluções de consulta proferidas pela Administração Tributária, no sentido de que a atividade de densitometria enquadrase no conceito de serviços hospitalares: Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT n° 40, de 27/02/2004 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. CLÍNICA DE RADIMAGEM Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, apurado conforme o regime de tributação do lucro presumido, pode ser aplicado o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta relativa à prestação de serviços de radiologia, ultrasonografia, mamografia, DENSITOMETRIA óssea, tomografia computadorizada e ressonância magnética, desde que sejam atendidos os requisitos incluídos no ADI SRF nº 18, de 2003. (Grifouse) Dispositivos Legais: Novo Código Civil, art. 967; Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”; IN SRF nº 306, de 2003, art. 23, incisos II, alínea “i” e V, alínea “b”; ADI SRF nº 18, de 2003, arts. 1º e 2º. ______________________________________________________________ Solução de Consulta SRRF/2ªRF/DISIT n° 7, de 30/01/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. Fl. 205DF CARF MF 4 As prestações de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, nos ramos de medicina nuclear, radiologia, patologia clínica e analogia patológica (cintilografia, ultrassonografia, mamografia, densitometria óssea, hematologia, microbiologia, bioquímica e biópsia), tendo em vista inseriremse no rol das atividades compreendidas na atribuição de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares para fins de determinação do lucro presumido, desde que efetivadas por estabelecimentos assistenciais de saúde, constituídos por empresários ou sociedades empresárias, que possuam estrutura condizente para a execução da atividade. (Grifouse) Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 518, “caput”, 519 § 2º ; Lei nº 9.249, de 1995, § 2º, art. 15; PN/CST nº 36/77; Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 2002 e IN SRF nº 306, de 2003, art. 23. 13. Um exame mais atento às decisões, no entanto, mostra que elas não são assim tão favoráveis ao contribuinte, já que ambas impõem condições para o pretendido enquadramento: atendimento aos requisitos do ADI SRF nº 18, de 2003 e constituição por empresários ou sociedades empresárias. As condições são as mesmas, conforme passo a analisar. 14. A análise requer o exame do art. 518 do RIR/99, que cuida dos percentuais do lucro presumido: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º). I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. § 2º No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput. § 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 2º). § 4º A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 205 5 § 5º O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). § 6º A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o § 5º, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. § 7º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao trimestre em que ocorreu o excesso. 15. A atividade de “DENSITROMETRIA ÓSSEA E EXAMES CORRELATOS”, constante do contrato social original, e vigente em 1999, enquadrase no acima transcrito inciso III , “a” prestação de serviços em geral que, no entanto, traz uma ressalva quanto aos serviços hospitalares. Esta modalidade de serviço foi interpretada pela Administração Tributária, através do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003. Confirase o teor dos dispositivos, que se aplicam a fatos anteriores a sua publicação, alcançando período do crédito (12/1999), em vista do seu caráter interpretativo: Art. 1º Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a'' da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Art. 2º Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. (Grifouse) Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. 16. Inferese, da leitura do enunciado, que a atividade de serviço hospitalar é aquela exercida por sociedade empresária, excluindose as sociedades cujos serviços sejam prestados exclusivamente pelos sócios, ou as que se refiram à atividade de natureza intelectual ou científica. Observase que a abrangência conferida pela Administração Tributária aproximase do conceito de empresário introduzido no novo Código Civil, em seu art. 966: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 207DF CARF MF 6 17. De ambos os dispositivos, extraise a conclusão de que a atividade de serviço hospitalar é restrita àquela desenvolvida pelo empresário, que tem como traço distintivo a atividade organizada voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços. Nesse tipo de atividade não se enquadram os serviços de natureza intelectual ou científico, que se caracterizam pela pessoalidade de seu exercício. A ressalva prevista no parágrafo único do código civil, quanto à configuração de elemento de empresa, referese exatamente à perda do caráter pessoal da prestação do serviço, ou seja, quando prepondera a idéia de atividade econômica organizada de forma empresarial (voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços), sendo o eventual serviço intelectual ou científico mero elemento da empresa. O ADI SRF n° 18/2003 inseriu ainda um critério objetivo excludente do noção de serviço hospitalar: a prestação exclusiva pelos sócios da empresa. 18. É essa a mesma conclusão a que tem chegado os Conselheiros do CARF, que possui jurisprudência na mesma linha de raciocínio: Número do Recurso: 162730 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10183.002149/200418 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrida/Interessado: 2ªTURMA/DRJ CAMPO GRANDE/MS Data da Sessão: 27/05/2008 00:00:00 Relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Decisão: Acórdão 10517003 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENSÁRIO: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENSÁRIO: 1999, 2000. Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ e CSLL SOCIEDADE CONSTITUÍDA SOB A FORMA DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES EXCLUSIVAMENTE PELOS SÓCIOS CARÁTER DECLARATÓRIO DO REGISTRO PERANTE A JUNTA COMERCIAL PERCENTUAL DE 32% NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO O registro na Junta Comercial não é constitutivo da natureza jurídica da sociedade, mas meramente declaratório. O caráter empresarial se observa na verificação da forma de exercício e do objeto da sociedade. Identificado o caráter pessoal da prestação de serviços pelos sócios da sociedade, afastase sua caracterização como sociedade empresária, aplicandose o Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 206 7 percentual de 32% na determinação do lucro presumido para fins de IRPJ, nos termos do art. 2º, I, do ADI SRF nº. 18/2003. Recurso Voluntário negado. (Grifouse) _________________________________________________________ Número do Recurso: 148526 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10735.000157/200193 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrida/Interessado: 6ª TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão: 18/10/2007 01:00:00 Relator: Antonio Carlos Guidoni FIlho Decisão: Acórdão 10323236 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DERAM provimento parcial ao recurso de ofício para considerar devida a alteração do percentual de presunção aplicável na determinação da base de cálculo do IR pela sistemática do lucro presumido para 32% (trinta e dois por cento) Ementa: SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada. (Grifouse) 19. A título de reforço, convém lembrar que a exigência da prestação na forma de sociedade empresária foi recentemente solidificada, com o advento da Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o art. 15, §1o, Inciso III, alínea “a”, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. ............................................................ § 1o ................................................................... ........................................................................... III – .................................................................. Fl. 209DF CARF MF 8 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Grifouse) 20. Uma vez fixadas, portanto, as condições para que determinada empresa possa encaixarse no conceito de “serviços hospitalares”, o próximo passo é verificar se o contribuinte atende a esses requisitos. Nesse sentido, o único documento constante dos autos, vigente em 12/1999, que possa dar alguma pista acerca das atividades do contribuinte, é o contrato social original, cujo objeto social já foi acima comentado. Podese constatar, ainda, à fl. 25, que a sociedade foi originariamente constituída por cinco sócios, todos médicos. Ora, diante da ausência de qualquer indício de que a empresa atua na forma empresarial, e levando em conta que ela foi constituída por sócios, todos profissionais da medicina, a convicção que se forma é que seus serviços são prestados de forma pessoal, o que implica reconhecer que o contribuinte não faz jus à alíquota reduzida de 8%. CONCLUSÃO. À vista do exposto, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório da DRF/Maringá. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A presente lide consiste na interpretação de que a recorrente, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 8%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. A Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 dispõe que: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 207 9 Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Em seu recurso, a recorrente alega que: · Pela natureza de suas atividades, a Recorrente estava efetuando recolhimento a maior do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), vez que, estando inserida na modalidade de prestadores de serviços médicohospitalares da Lei n.° 9.249/95, mais precisamente, pelo contido no art. 15, §1° III, "a" da referida lei, a legislação determinava uma base de cálculo mais vantajosa. · Como a Recorrente é pessoa jurídica que efetua prestação de serviços de natureza médicohospitalar e recolhe o IRPJ na modalidade do lucro presumido, temse que a mesma possuía o direito de ver a sua presunção de lucro tributada, desde a publicação da Lei n.° 9.249/95 até o momento em que ainda fosse optante pela escrituração com base no lucro presumido no importe de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) para o cálculo do IRPJ, de conformidade com a parte final da alínea "a" do inciso III, do parágrafo primeiro, do art. 15 da Lei n.° 9.249/95, o qual define a presunção de lucro para serviços médicohospitalares. · Utilizandose da fundamentação legal supra, houve a redução do IRPJ devido trimestralmente em razão da mudança do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%. Por conseguinte, por força do recolhimento a maior do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao 4° trimestre de 1998, a Manifestante apurou crédito em seu favor. · A partir do surgimento do referido crédito, a Recorrente realizou, posteriormente, compensações com débitos de competência da própria Receita Federal (PIS/Pasep e COFINS), por meio da transmissão da Declaração de Compensação. Como se pode observar, na transcrição do voto, a DRF discordou da conceituação dada pela Recorrente, o que foi mantido pela DRJ, baseando sua decisão no seguinte: Uma vez fixadas, portanto, as condições para que determinada empresa possa encaixarse no conceito de “serviços hospitalares”, o próximo passo é verificar se o contribuinte atende a esses requisitos. Nesse sentido, o único documento constante dos autos, vigente em 12/1999, que possa dar alguma pista acerca das atividades do contribuinte, é o contrato social original, cujo objeto social já foi acima comentado. Podese constatar, ainda, à fl. 25, que a sociedade foi originariamente constituída por cinco sócios, todos médicos. Ora, diante da ausência de qualquer indício de que a empresa atua na forma empresarial, e levando em conta que ela foi constituída por sócios, todos profissionais da medicina, a convicção que se forma é que seus serviços são prestados de forma pessoal, o que implica reconhecer que o contribuinte não faz jus à alíquota reduzida de 8%.(grifei) Fl. 211DF CARF MF 10 Não me parece correto definir se a pessoa jurídica presta serviços hospitalares (ou não) baseandose no contrato social. Ao contrário, entendo que a DRF deveria ter convertido o processo em diligência para confirmação dos fatos. A recorrente, por sua vez, argumenta que: A IN/SRF n.° 539, de 2005, ao alterar a Instrução Normativa SRF n.° 480, dispõe, verbis: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n.° 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n.° 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n.° 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: 1 seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). §1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2° São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Em razão da ausência de conceito determinado, o que importa na aferição do que seja serviço hospitalar, portanto, é a essência da prestação sem consideração de elementos externos, como, por exemplo, local ou subordinação. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 208 11 A seguir, cita algumas decisões judiciais favoráveis ao seu entendimento e, por fim, requer: Diante de todo o exposto, requer se digne Vossas Senhorias em receber o presente Recurso Voluntário, dandolhe total provimento, à fim de reformar a r. decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR e, por conseguinte, reconhecer a atividade desenvolvida pela Recorrente à época ("densitometria óssea") como prestação de serviço hospitalar, possibilitando, assim, a aplicação do percentual de presunção de lucro pleiteado (8%) e a homologação da Declaração de Compensação (DCOMP) n° 01895.98984.140404.1.3.044554. A Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Fl. 213DF CARF MF 12 Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que isso fosse verificado, a DRF deveria ter convertido o processo em diligência, no entanto, apenas intimou o contribuinte a explicar as razões da retificação da DIPJ/99 e apresentar contrato social e alterações. Assim, voto por dar provimento ao recurso, crédito tributário mantido É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor Adiro às razões da decisão recorrida já reproduzida acima, por entender que melhor apreciam os fatos. O recorrente não comprovou atender as condições para encaixarse no conceito de “serviços hospitalares. Isto porque o único documento constante dos autos, vigente em 12/1999, que comprova a atividade então exercida pelo contribuinte, é o contrato social original, cujo objeto social previsto era DENSITROMETRIA ÓSSEA E EXAMES CORRELATOS. Podese constatar (efl. 25) que a sociedade foi originariamente constituída por cinco sócios, todos médicos. Diante da ausência de qualquer indício de que a empresa atuava na forma empresarial, e levando em conta que ela foi constituída por sócios, todos profissionais da medicina, a convicção que se forma é que seus serviços eram prestados de forma pessoal, o que implica reconhecer que o contribuinte não fazia jus à alíquota reduzida de 8%. Entendo contraproducente uma nova diligência. Isto porque a DRJ já efetuou diligência com o mesmo objeto: intimar o contribuinte para apresentar justificativa de sua retificação da DIPJ/99 (Lucro Presumido), em que reduziu o valor do IRPJ devido trimestralmente em razão da mudança do percentual de presunção do lucro de 32% para 8% e apresentar comprovantes (fl. 107). Destaco que os elementos presentes nos autos (contratos sociais) já são suficiente para comprovar que os serviços eram profissionais e pessoais. Adiro à jurisprudência citada pelo Acórdão da DRJ, que analisou as normas legais e casos similares contemporâneos aos presentes autos (AC 1999), como o Acórdão 10517003, e entendeu que se identificado o caráter pessoal da prestação de serviços pelos sócios da sociedade, afastase sua caracterização como sociedade empresária, aplicandose o percentual de 32% na determinação do lucro presumido para fins de IRPJ, nos termos do art. 2º, I, do ADI SRF nº. 18/2003. Infiro pouco producente analisar hoje a estrutura física para decidir a prestação de serviço de 1999. No mérito nego provimento, por comprovação de que os serviços eram prestados de maneira pessoal. Pelo exposto, voto por negar o pedido de diligencia e no mérito negar provimento ao recurso. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10950.900541/200810 Acórdão n.º 1001000.694 S1C0T1 Fl. 209 13 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004813/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/11/2008
MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. CABIMENTO
É cabível a multa por falta de Licença para Importação (LI) quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazê-lo, em razão da não indicação do código devido destaque de NCM.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne (Relatora) e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/11/2008 MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. CABIMENTO É cabível a multa por falta de Licença para Importação (LI) quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazêlo, em razão da não indicação do código devido destaque de NCM. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne (Relatora) e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 48 13 /2 00 8- 46 Fl. 231DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência da multa de controle administrativo por falta de Licença de Importação (L.I.) do art. 169, I, "b" e § 2°, inciso I do DecretoLei n° 37/66 (art. 633, II, 'a', do Regulamento Aduaneiro/2002, aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002) Referida penalidade foi aplicada em razão do equívoco cometido pela empresa quando do preenchimento das informações no SISCOMEX, identificada com o código "999", que não exige licença de importação, quando deveria ser informada no código "555", que exige a licença com a comprovação da ausência de similaridade de produto nacional para o gozo do benefício previsto no inciso V do artigo 4° do Decreto n° 5.171/04, com a redução a zero das alíquotas do PIS/PASEP Importação e COFINSImportação. Nos termos do "Descrição dos fatos e enquadramento legal" do Auto de Infração: "No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme o disposto no item 9, inciso I, da Portaria ALF/VIT n°21/05, lavrei este auto de infração em decorrência de exigências formalizadas no curso de despacho aduaneiro pelo AFRFB Evandro Pereira Correia, matricula n° 64.914, responsável pela verificação documental da DI n° 08/18190978, registrada em 14/11/2008 e parametrizada para o canal amarelo de conferência aduaneira. Em 14/11/2008 a autuada registrou a declaração de importação (DI) n° 08/18190978 para submeter a despacho de importação bens destinados a indústria cinematográfica e audiovisual, com utilização de beneficio fiscal de redução a zero das aliquotas das contribuições, para o PIS/PASEPImportação e COFINS Importação. Para as mercadorias das adições 001 a 009 da DI, não houve licenciamento da importação. Para as mercadorias da adição 010 da DI, foi deferida a Licença de Importação (LI) n° 08/13843399. (...) O DECEX emitiu a Noticia Siscomex Importação n° 30, de 31/08/2004, sob o titulo "REDUCAO A ZERO DAS ALIQUOTAS DO PIS/PASEP E DA CONFINS IMPORTACAO SIMILARIDADE", determinando que os importadores, ao preencherem licenças de importação amparando bens enquadrados no inciso V do artigo 4° do Decreto n° 5.171/2004, deveriam utilizar o destaque "555". Transcrito a seguir o teor da noticia Siscomex: "PARA FINS DE APLICACAO DO ESTATUTO DA SIMILARIDADE NACIONAL, QUE REMETE A OBRIGATORIEDADE DE REGISTRO DE DOCUMENTO DE IMPORTACAO PREVIAMENTE AO EMBARQUE DA MERCADORIA NO EXTERIOR, FOI CRIADO 0 DESTAQUE N° 555 QUE DEVERA SER UTILIZADO NO PREENCHIMENTO DE LICENCAS DE IMPORTACAO AMPARANDO BENS ENQUADRADOS NO INCISO V DO ARTIGO 4° DO DECRETO N° 5.171, DE 6 DE AGOSTO DE 2004, QUE REGULAMENTOU OS PARAGRAFOS 10 E 12 DO. ARTIGO 8° E 0 INCISO IV DO ART. 28 DA LEI N° 10.865, DE 30 DE ABRIL DE 2004."" (efl. 6) As mercadorias das adições 001 a 010 da DI n° 08/18190978 foram classificadas em posições do capitulo 85 da NCM (respectivamente 8543.7099, 8536.5090, 8543.7099, 8517.6277, 8517.6277, 8517.7099, 8543.2000, 8543.7099, 8543.7099 e 8525.5099). Consulta ao Tratamento Administrativo do Siscomex informa a Fl. 232DF CARF MF Processo nº 12466.004813/200846 Acórdão n.º 3402005.479 S3C4T2 Fl. 232 3 necessidade de licenciamento das importações de bens do capitulo 85, quando a importação se der com o beneficio da redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS/PASEPImportação e COFINSImportação (produto amparado pelo inciso V do artigo 4°do Decreto n° 5.171/04). Para mercadoria classificada na NCM 8525.5029 (adição 010), o Tratamento Administrativo do Siscomex informa a necessidade também de licenciamento em razão da NCM. A autuada não requereu o licenciamento das importações das mercadorias das adições 001 a 009. Quanto as mercadorias da adição 010, a autuada havia requerido o licenciamento apenas em função da NCM, pois quando do preenchimento da LI n° 08/13843399, não informou o destaque "555", ou seja, não comunicou ao órgão anuente que a importação estava sendo feita com fruição do beneficio previsto no inciso V do artigo 4° do Decreto n° 5.171/04." (e fl. 69 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa especificamente quanto à adição 010, que possuiu licença de importação anterior, procedendo com o pagamento da penalidade em relação às demais adições. A defesa foi julgada improcedente pelo acórdão abaixo ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/11/2008 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazêlo, em razão da não indicação do devido destaque de NCM. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 192) Intimada desta decisão em 04/08/2018 (efl. 202), a empresa apresentou recurso voluntário em 01/09/2016 (efls. 203228) alegando o descabimento da penalidade aplicada em relação à adição 010 da DI em razão, em síntese: (i) para esta adição, como reconhecido pela fiscalização e pela autoridade julgadora, a mercadoria (NCM 8525.5029) foi objeto de Licença de Importação (LI) n.º 08/13843399 deferida antes da importação. Com isso, a penalidade, especificamente para essa adição, foi aplicada por erro material cometido no preenchimento das informações no SISCOMEX no preenchimento dos códigos, o que não se pode admitir. Indica, ainda, que não houve subsunção do fato a norma. (ii) afirma que não agiu com dolo ou máfé, sendo que a infração não pode ser admitida como de natureza objetiva; (iii) subsidiariamente, requer a aplicação dos artigos 108 e 112 do CTN. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, a fiscalização procedeu com a lavratura do Auto de Infração para a exigência da multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias em razão da ausência de Licença de Importação para as mercadorias, prevista no art. 169, I, 'b' do Decretolei n.º 37/66, reproduzido à época no art. 633, I, 'a' do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002, que expressam: Decretolei n.º 37/66 "Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria." (grifei) Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o);" (grifei) Contudo, o que ocorreu na hipótese especificamente quanto à adição 010, como descrito pela fiscalização e pela autoridade julgadora, não foi a ausência de emissão de Licença de Importação, mas uma emissão incompleta deste documento, que exigiu sua retificação. Com efeito, como indicado pela fiscalização e reiterado na decisão recorrida, foi emitida licença de importação à época, relativa à NCM específica da importação. Contudo, essa licença foi emitida de forma incompleta, sem a indicação do destaque "555", o que implicou em uma ausência do exame de similaridade nacional necessária para o gozo do benefício fiscal de redução das alíquotas do PIS e da COFINS importação à zero, na forma do inciso V do artigo 4° do Decreto n° 5.171/04. Vejamos o relato da autoridade julgadora a quo: "Desta forma, não obstante tenha sido deferida a LI substitutiva, há que se observar que, por ocasião do registro da DI, as mercadorias não se encontravam amparadas pela adequada LI. A licença que amparava as mercadorias importadas referiase a Fl. 234DF CARF MF Processo nº 12466.004813/200846 Acórdão n.º 3402005.479 S3C4T2 Fl. 233 5 apenas um aspecto da operação, qual seja a classificação fiscal. No entanto, o exame de similaridade e, por conseguinte, o cabimento do benefício fiscal pleiteado (redução a zero das alíquotas de PIS/PASEPImportação e COFINSImportação na importação de bens destinados à indústria cinematográfica e audiovisual) só puderam ser verificados a partir da prestação correta da informação do destaque de NCM no Siscomex em momento posterior ao registro da DI." (efl. 197) Assim, a própria fiscalização e a autoridade julgadora reconhecem que a licença de importação foi emitida para a adição 010. O que ocorreu na hipótese foi que a licença foi emitida de forma incompleta, sendo necessária sua complementação. Contudo, esse fato não se subsume à hipótese descrita no tipo legal para a incidência da penalidade, pela falta de emissão da licença. Desta forma, especificamente para a adição 010, houve a emissão da licença de importação, não autorizando a incidência da multa por falta de sua emissão, "pela importação de mercadoria sem licença de importação". Acrescese que, após a retificação da licença para a identificação dos dados completos, a fiscalização não indica que teriam sido acrescidos "quaisquer ônus financeiros ou cambiais", vez que mantida a alíquota zero do PIS e da COFINS Importação trazida pela Recorrente na DI original. Como indicado no relato fiscal: "A autuada registrou novos pedidos de licenciamentos (LI) em 21/11/2008 sob os n°s 08/28953233, 08/28953241, 08/28953250, 08/28953268, 08/28953276, 08/28953284, 08/28953292, 08/28953306 e 08/28953314, obtendo o deferimento dessas LI pelo Decex em 04/12/2008. Para a LI n° 08/13843399, deferida para o critério NCM e utilizada na adição 010 da DI, a autuada solicitou a LI substitutiva n° 08/28990945, incluindo a informação de destaque "555", para anuência do DECEX. o deferimento da LI substitutiva ocorreu em 28/11/2008. A autuada retificou a DI n° 08/18190978 em 10/12/2008 para vincular as novas LI As adições 001 a 009 da DI e a LI substitutiva adição 010 da DI." (efl. 8/9) Nesse sentido, o fato ocorrido no presente caso especificamente quanto à adição 010 da DI n.º n° 08/18190978 (obtenção de licença de importação incompleta) não se subsume ao tipo legal da infração (deixar obter a licença de importação), devendo ser cancelada a autuação neste item. O dispositivo que talvez melhor se enquadrasse com a situação fática tratada acima é o art. 633, III, ‘b’ do RA/20021. 1 “Art. 633 (...) III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: (...) b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e” Fl. 235DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência da penalidade pecuniária correspondente à adição 010 da DI n.º n° 08/18190978. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado. Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, ressalto minha discordância em relação a exigência da multa por infração administrativa ao controle das importações, relativa à importação desamparada de Licença de Importação (LI), prevista no art. 633, inciso II, alínea 'a', do Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro). Como relatado, em 14/11/2008, a Recorrente registrou a Declaração de Importação (DI) n° 08/18190978, para submeter a despacho de importação bens destinados a indústria cinematográfica e audiovisual, com utilização de benefício fiscal de redução a 0 (zero) das alíquotas das contribuições, para o PIS/PASEPImportação e COFINSImportação. Como bem fundamentado pela decisão de piso, ocorre que as mercadorias das adições 001 a 010 da DI n° 08/18190978, foram classificadas em posições do capítulo 85. A Fiscalização, em Consulta ao Tratamento Administrativo do SISCOMEX, verificou a necessidade de licenciamento das importações de bens deste capítulo, quando a importação se der com o benefício da redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS/PASEP Importação e COFINSImportação (produto amparado pelo inciso V do artigo 4° do Decreto n° 5.171/04). Por sua vez, a Recorrente conseguiu registrar a DI sem o licenciamento por ter preenchido na ficha mercadoria das adições 001 a 010 da DI o destaque "999", indicando ao sistema SISCOMEX, informando que a importação estava sendo feita sem a fruição do beneficio. No entanto, se houvesse preenchido corretamente a ficha mercadoria das adições, com o destaque "555", sequer conseguiria registrar a DI sem a vinculação de licenciamento da importação deferido para esse destaque da NCM. Muito embora a Recorrente argumente que o destaque de NCM não é uma criação legal, mas procedimental de controle aduaneiro, a empresa descumpriu a Notícia SISCOMEX Importação n° 30, de 2004. E, por tal razão, por ocasião da análise da LI não automática, o DECEX (MDIC) deixou de efetuar o exame de similaridade definido pela legislação aduaneira, previsto nos arts. 26 e 29 da Portaria SECEX n° 36, de 2007. Ademais, a prestação da informação do destaque NCM para fins de licenciamento, previamente ao embarque da mercadoria no exterior, já estava prevista no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n° 291, de 1996. Verificase nos autos, que ao contrário do que alega a Recorrente, a solicitação da LI substitutiva, incluindo a informação do destaque "555", para anuência do DECEX, ocorreu somente após a intimação da Fiscalização para que providenciasse a Fl. 236DF CARF MF Processo nº 12466.004813/200846 Acórdão n.º 3402005.479 S3C4T2 Fl. 234 7 necessária anuência. E, a posterior retificação da DI, para inclusão da LI substitutiva, não tem o condão de afastar a infração constatada pelo Fisco. Isto posto, mesmo sendo deferida a LI substitutiva, se faz necessário observar que, por ocasião do registro da DI, as mercadorias não se encontravam amparadas pela adequada LI. A licença que amparava as mercadorias importadas referiase a apenas um aspecto da operação, qual seja a classificação fiscal. No entanto, o exame de similaridade e, por conseguinte, o cabimento do benefício fiscal pleiteado (redução das alíquotas) só puderam ser verificados a partir da prestação correta da informação do destaque de NCM no SISCOMEX em momento posterior ao registro da DI. Vejase que o art. 633, inciso II, alínea 'a', do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro), desta forma dispõe: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º ): I (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea b e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º ); (...) Desta forma, quanto ao fato ocorrido, especificamente quanto à adição 010 da DI n.º n° 08/18190978, a referida multa é aplicável e deve ser mantida em razão do simples descumprimento de obrigação acessória, não se cogitando de ter havido, ou não, dolo por parte do sujeito passivo ou prejuízo ao erário. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a exigência da penalidade pecuniária correspondente à adição 010 da DI n° 08/18190978. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 13312.000240/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito à ampla defesa quando a descrição dos fatos, embora sucinta, é suficiente para permitir a compreensão do ocorrido, sendo desnecessária, no caso, a lavratura de termo em separado para tal finalidade. Ademais, os demonstrativos detalham as diferenças apuradas mês a mês e o enquadramento legal foi adequado. Inexiste, pois, a nulidade alegada. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA DE CUSTOS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. No regime do lucro real, as receitas omitidas, apuradas pelo Fisco com base na diferença entre os valores de vendas que constavam do Livro de Registro de Apuração do ICMS e aquelas consignadas na DIPJ, devem ser adicionadas ao resultado tributável. Se o contribuinte alega a existência de outros custos, além daqueles por ele declarados, que não teriam sido levados em conta no lançamento, sobre ele recai o ônus de provar. No caso concreto, o contribuinte não trouxe aos autos prova da efetiva existência desses alegados custos e, durante diligência posterior, afirmou ao Fisco que os livros e documentos do período em questão teriam sido por ele próprio destruídos. Diante disso, o lançamento deve ser considerado procedente.
Numero da decisão: 1301-000.562
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito à ampla defesa quando a descrição dos fatos, embora sucinta, é suficiente para permitir a compreensão do ocorrido, sendo desnecessária, no caso, a lavratura de termo em separado para tal finalidade. Ademais, os demonstrativos detalham as diferenças apuradas mês a mês e o enquadramento legal foi adequado. Inexiste, pois, a nulidade alegada. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA DE CUSTOS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. No regime do lucro real, as receitas omitidas, apuradas pelo Fisco com base na diferença entre os valores de vendas que constavam do Livro de Registro de Apuração do ICMS e aquelas consignadas na DIPJ, devem ser adicionadas ao resultado tributável. Se o contribuinte alega a existência de outros custos, além daqueles por ele declarados, que não teriam sido levados em conta no lançamento, sobre ele recai o ônus de provar. No caso concreto, o contribuinte não trouxe aos autos prova da efetiva existência desses alegados custos e, durante diligência posterior, afirmou ao Fisco que os livros e documentos do período em questão teriam sido por ele próprio destruídos. Diante disso, o lançamento deve ser considerado procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 222DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 192 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório INBRASMA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE MÁRMORES S.A., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0811.617, de 21/09/2007, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fl. 04) e reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – fl. 10), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001. O total da exação alcança R$ 1.128.951,78, aí incluídos multa de ofício de 75% e juros moratórios, conforme discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 03). A ciência do contribuinte se deu pessoalmente, em 02/06/2005. O Fisco apurou omissão de receitas, assim descrita à fl. 05: O contribuinte deixou de oferecer à tributação receita da venda de mercadoria no montante de R$ 1.470.890,92, que apuramos mediante confronto entre os valores declarados na Ficha 6A DIPJ – exercício 2.002 – anocalendário 2.001 e os valores lançados no Livro de Apuração de ICMS, conforme demonstrativos e demais documentos em anexo. Inconformada com as exigências, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 67/77), cujo conteúdo foi assim sintetizado pelo diligente relator do processo em primeira instância: Preliminar de Nulidade. 4.1. o autuante impôs pesado ônus a uma pequena empresa, a título de omissão de receitas, acrescida da multa de ofício e outros, calcado exclusivamente num simplório documento resumo, integrante do Auto de Infração lavrado, denominado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” sem ter se importado de justificar plausivamente seu ato impulsivo, perquirir a verdade dos fatos, principalmente através de um “Termo de Verificação ou Constatação Fiscal”, onde explanasse com clareza os pretensos fatos que teria se valido para tanto, e não somente “de passagem”, na própria peça que se valeu unicamente de respaldo ao Auto de Infração ora vergastado; Fl. 223DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 193 3 4.1.1. afirmando unicamente que a autuada teria deixado de oferecer a tributação, aleatoriamente, “receita de venda de mercadoria”, apurado mediante confronto entre os valores lançados no Livro de Apuração do ICMS”, pasmem os senhores, acumula um valor total de R$ 1.470.890,92, exclusivamente em data de 31/12/2001, para então multar, indistintamente e ao acaso, esse montante como se lucro fosse, sem deixar transparecer, em que meses se verificaram ditas diferenças, quais os exatos valores a que se referem e quais as diferenças havidas; 4.1.2. nesse aspecto, a interessada entende que o Auto de Infração foi lavrado em total desacordo com as normas legais vigentes, cerceando totalmente o direito de defesa, vez que não tem como saber o que realmente o autuante tomou como tendo sido essa esdrúxula pretensão de “omissão de receitas”, contrariando o art. 5º, LV da Constituição Federal do Brasil e demais legislação específica. Tal prática adotada torna nulo o Auto de Infração, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72; 4.1.3. prosseguindo alega que, o auto de infração jamais poderá prosperar, por existir entendimento unânime já pacificado no Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais, por vir de encontro às normas legais vigentes de regência do Processo Administrativo Fiscal; No Mérito 4.2. jamais poderá ser superada a preliminar, por ser de todo insanável, melhor sorte também não lhe aguarda quanto ao mérito da questão, é que urge comprovar a V.Sas., que não se pode utilizar único e exclusivamente de um mero Livro Fiscal, o Livro de Apuração do ICMS, obrigatório apenas para o fisco Estadual, para de plano afirmar que os valores das saídas de mercadorias lá constantes, arroladas pelo total, no fim do exercício social, por não se coadunar com o total dos valores informados na DIPJ, relativa ao período em análise, seria “omissão de receitas”, abandonando os demais livros e documentos legais da empresa, que os lastreiam, todos revestidos das formalidades legais. Com certeza isso é puro desiderato. Restando claro, que meras saídas de mercadorias, jamais poderá ser confundido com vendas e muito menos faturamento de qualquer empresa que seja; 4.2.1. o mais estranho e inusitado nesse caso é o fato do autuante, sem desclassificar a escrita fiscal e contábil ou fazer qualquer comentário contrário e desabonador, arbitrar o que seria os pretensos lucros da autuada, para fins de incidência do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do suposto lucro líquido. Pois a prática utilizada é típica do arbitramento, vez que não poderia abandonar os apontamentos constantes dos livros fiscais e contábeis da empresa que lhe foram entregues, conforme consta da cópia do termo de entrega de documentos em anexo; 4.2.2. a fiscalização se utilizou unicamente do livro de apuração do ICMS para extrair o total das saídas como sendo venda ou faturamento, obrigatoriamente teria que considerar as entradas de mercadorias (aquisição de matérias primas, materiais secundários, etc), como sendo custo ou despesa, em contrapartida para apuração do lucro tributável. Assim, o valor tributável seria apenas de R$ 182.400,78, e não como pretendeu o autuante no estratosférico valor de R$ 1.452.076,96, já que lá se encontra expresso o valor total das compras no exercício que foi da ordem de R$ 1.570.546,11; 4.2.3. foi informado na ficha 4A da DIPJ, erroneamente a ínfima quantia de R$ 282.055,97, restando claro que não foi incluído nos custos dos bens e serviços Fl. 224DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 194 4 vendidos o valor da diferença de R$ 1.288.490,14. conforme cópia do livro de Apuração do ICMS do período fiscalizado 01/01/2001 a 31/12/2001. 4.2.4. ressalta que a fiscalização informou errado no demonstrativo de apuração do Auto de Infração, o períodobase como sendo de 01/10/2001 a 31/12/2001, quando o correto deve ser de 01/01/2001 a 31/12/2001, porque se fosse levado em consideração apenas três meses, os resultados seriam totalmente diferentes do que se apresenta na realidade; 4.2.5. segundo a impugnante foi utilizado base de cálculo incorreta para apuração de suas receitas, pois a fiscalização buscou apurar na aquisição de disponibilidade econômica, elementos que a esta não se amolda. Se na hipótese de incidência o legislador não pode se utilizar de fatos que estejam fora de sua competência tributária, o mesmo ocorre com maior vigor, no que respeita a base de cálculo. No mesmo sentido cita às fls. 73/75, entendimento de alguns doutrinadores; 4..2.6. a esse respeito, conclui que o procedimento utilizado para a apuração da base de cálculo do imposto, em última análise, fere o próprio princípio da legalidade, na medida que inexiste previsão legal para adoção de “Lucro” como base de cálculo sobre saídas de mercadorias para a incidência do Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Neste sentido, existe vasta jurisprudência, firmada pela própria Secretaria da Receita Federal, Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais; 4.2.7. os mesmos argumentos de defesa utilizados para demonstrar a improcedência do Auto de Infração lavrado para o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, por decorrência, também, improcede o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No mesmo sentido, cita acórdãos às fls. 76; 4.3. Diante do exposto, requer que sejam julgados improcedentes os Autos de Infração que trata o presente processo. 5. A impugnante anexou a presente defesa os documentos de fls. 78 a 135. A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0811.617, de 21/09/2007 (fls. 137/145), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001 Rendimentos Tributáveis Restando apurado nos autos receita bruta de vendas não submetidas ao crivo da tributação, deve ser exigida a diferença de imposto correspondente, juntamente com os acréscimos legais. Nulidade do Auto de Infração Não ocorrendo descumprimento das regras previstas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como, do artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Tributação Reflexa Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 195 5 Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Ciente da decisão de primeira instância em 02/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 147, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fazendo registrar no protocolo, em 01/11/2007, o processo administrativo nº 10380.013207/200755, posteriormente juntado ao presente processo por anexação (termo à fl. 149). No recurso interposto (fls. 150/161), a recorrente repete, quase exatamente com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação para, ao final, requerer o provimento de seu recurso e a declaração da insubsistência dos lançamentos. O processo foi levado a julgamento perante a Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Mediante a Resolução nº 130100.020 (fls. 168/170v), de 11/12/2009, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a interessada fosse intimada a apresentar seus livros contábeis e outros livros e documentos considerados necessários e, ainda, fossem adotadas as seguinte providências: 1. Informe se o Livro Diário foi registrado no órgão competente, e em que data. 2. Informe quais foram as receitas registradas na escrituração contábil. 3. Informe quais foram os custos e as despesas registrados na escrituração contábil. 4. Informe se, na escrita contábil, há registro de compras no montante de R$ 1.570.546,11, tal como afirma a interessada, e se há compatibilidade entre essas compras e os valores escriturados como entradas no LRAICMS. 5. Verifique se há comprovação das compras que teriam sido registradas no LRAICMS e não constariam da DIPJ. 6. Faça acostar aos autos cópias das páginas dos livros Diário e Razão e de outros documentos que comprovem as informações dos itens anteriores. Entre essas cópias devem estar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício transcritos no Livro Diário. 7. Acrescente outras informações e/ou documentos que considerar relevantes. A interessada foi intimada (fl. 172), e apresentou sua resposta às fls. 183/184, da qual transcrevo os seguintes excertos: INBRASMA — INDÚSTRIA BRASILEIRA DE MÁRBORES S/A, pessoa jurídica de direito privado, CPNJ n° 06.629.695/000151, estabelecida na Rua Senador José Hermínio de Moraes, 561 — Anexo "A", Coelce — CEP 62020470, Sobral, CE, em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 0310300, por seu Sócio Administrador abaixo assinado, vem dizer a V. Sa. que não tem condições de apresentar os documentos relacionados na citada Intimação, tendo em vista que a norma da empresa é incinerar todos os papeis, inclusive fiscais, após o decurso de seis (06) anos da emissão ou recebimento dos mesmos, para desocupar espaço para outros. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 196 6 Além do mais, os documentos referentes ao "anocalendário de 2001", como não demonstravam mais qualquer utilidade para a Empresa, foram todos destruídos conforme já foi dito acima. E, se para a Empresa não tinha mais qualquer validade, igualmente não tinha para a Fazenda, como entende o signatário. Ora, documentos fiscais só servirão para as Fazendas Públicas levantarem e constituírem seus créditos tributários, desde que os faça dentro do prazo estabelecido na legislação tributária. Portanto, como os documentos solicitados já ultrapassavam o prazo de cinco anos estabelecidos na Constituição Federal e Código Tributário, ou mais precisamente nove (09) anos, não há como a Fazenda pretender lançar seu suposto crédito, posto que já fulminado pela DECADÊNCIA. [...] Portanto, estando o direito da Fazenda fulminado pela decadência, a Contribuinte não está obrigada à apresentação dos documentos solicitados, desobrigandose de qualquer responsabilidade. O AuditorFiscal encarregado da diligência consignou o ocorrido no Termo de Encerramento de Diligência (fl. 185), do qual foi dada ciência à interessada (fl. 186), e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 187/188. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. É de se observar que não foram aduzidas razões recursais específicas contra o acórdão combatido, limitandose a recorrente a repetir, quase com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação, os quais já haviam sido fundamentadamente refutados pela Turma Julgadora em primeira instância. Desta forma, o que cabe é uma revisão do quanto decidido e de seus fundamentos fáticos e de direito, o que passo a fazer. Preliminarmente, a recorrente se queixa de que seu direito à ampla defesa teria sido cerceado, porque a descrição dos fatos teria sido feita de forma resumida, sem um Termo de Verificação Fiscal pormenorizado e, ainda, porque o valor apurado teria sido lançado integralmente em 31/12/2001, sem esclarecimentos sobre a quais meses se referem as diferenças. Não lhe assiste razão. A descrição dos fatos deve acompanhar sua complexidade. Se os fatos são simples, nada mais adequado do que uma descrição sucinta, sem floreios desnecessários, de forma suficiente à sua compreensão. No presente caso, a acusação é de omissão de receitas, apuradas com base nas diferenças verificadas entre os valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ICMS – LRAICMS – e aqueles informados à Receita Federal na DIPJ. Não há qualquer dificuldade na compreensão desta acusação, pelo que desnecessário se faz um termo em separado para descrevêla. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 197 7 No que toca ao detalhamento mensal das diferenças, encontro à fl. 12 o Demonstrativo das Vendas e Devoluções, no qual os autuantes demonstram, mês a mês, os valores extraídos do LRAICMS, nos códigos correspondentes a vendas de mercadorias (5.11 e 5.12) e as respectivas devoluções de vendas (códigos 1.31 e 1.32). Também o enquadramento legal foi correto, conforme demonstrou a autoridade julgadora em primeira instância. Finalmente, ressalto que a interessada se defendeu adequadamente das imputações que lhe foram feitas, o que demonstra que as compreendeu perfeitamente, afastando, em definitivo, qualquer alegação de nulidade por cerceamento ao seu direito à ampla defesa. No mérito, a recorrente reclama que o Fisco terseia baseado unicamente no LRAICMS, “... abandonando todos os demais Livros e a documentação legal que os lastreiam, da Recorrente, todos revestidos das formalidades legais intrínsecas e extrínsecas”. Aponta, ainda, que saídas de mercadorias jamais poderiam ser confundidas com vendas, muito menos com faturamento. É verdade que saídas de mercadorias podem ser decorrentes de vendas ou de outros motivos. No entanto, cabe observar que o Fisco teve o cuidado de selecionar, no LRAICMS, os valores escriturados sob os códigos 5.11 e 5.12, correspondentes a vendas, dentro do Estado, de produtos de fabricação própria e de produtos recebidos ou adquiridos de terceiros, respectivamente, sempre fazendo subtrair as devoluções de vendas escrituradas sob os códigos 1.31 e 1.32. Encontro, à fl. 57, o Termo de Intimação Fiscal nº 001, mediante o qual a então fiscalizada foi intimada a justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, com os mesmos demonstrativos (fls. 59/60) que embasaram o lançamento. Após ver deferido seu pedido de prorrogação de prazo (fl. 61), a pessoa jurídica respondeu que não havia conseguido chegar “à completa identificação dos valores apontados pelos senhores fiscais como diferenças entre as receitas declaradas e as receitas lançadas nos livros fiscais”. Mas deixou de responder, ainda que de forma incompleta, a razão das diferenças questionadas. Melhor sorte não assiste à recorrente no que tange à alegação de que seus livros e documentos teriam sido abandonados pelo Fisco. Se assim fosse, o lançamento teria sido feito com base no lucro arbitrado. Ao contrário, a fiscalização respeitou a opção do contribuinte pelo lucro real anual, e considerou as receitas e custos contabilizados e informados na DIPJ, fazendo o lançamento por diferença. Com a linha de raciocínio acima refutada, a recorrente busca abrir caminho para seu próximo argumento de defesa, qual seja, a tentativa de incluir na base tributável os valores das compras do exercício, montando no ano a R$ 1.570.546,11. Esse total, resultado do somatório das colunas “SubTotais Entradas” do LRAICMS, mês a mês, corresponderia a custos, segundo a ótica da recorrente, que não teriam sido levados em conta pelo Fisco. Afirma que no lançamento somente foram considerados os valores das linhas 02 e 03 da Ficha 04A de sua DIPJ (fl. 16), representativos de compras no valor de R$ 282.055,97. Assim, a diferença de R$ 1.288.490,14 corresponderia a custos não considerados pelo Fisco, que teria utilizado “dois pesos e duas medidas”. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13312.000240/200555 Acórdão n.º 130100.562 S1C3T1 Fl. 198 8 Mais uma vez seu argumento não pode ser aceito. Em primeiro lugar, a interessada faz, aqui, com relação às entradas, o que anteriormente acusou (indevidamente) o Fisco de fazer com as saídas, ou seja, totaliza as entradas e pretende que se trate integralmente de compras. Da mesma forma que saídas não são sinônimo de vendas, nem todo produto ou mercadoria que entra em um estabelecimento decorre de compras destinadas à comercialização ou industrialização. Em segundo lugar, a interessada confunde compras com custos. Não são as compras que devem ser confrontadas com as receitas para que daí se apure o lucro, mas sim os custos. É certo que as compras entram no cômputo dos custos, mas estes não podem ser confundidos com aquelas. No entanto, ainda que os problemas acima pudessem ser superados, a interessada, apesar de reclamar contra o “abandono” de seus livros, também deixa de acostar aos autos elementos que poderiam beneficiála, tais como o tempestivo registro contábil dos custos alegados ou, ainda que não contabilizados, a comprovação de sua efetiva existência. Tendo em vista que, no regime do lucro real, devem ser considerados os custos comprovados, ainda que não contabilizados ou declarados, mas desde que efetivamente comprovados e, ainda, em atenção ao princípio da verdade material, o julgamento foi convertido em diligência, com o resultado que se viu no relatório que antecede a este voto. A contribuinte, ao que parece, não atribuiu importância a sua própria defesa no presente processo, a ponto de destruir livros e documentos os quais, em tese, suportariam seus argumentos, e afirmar que, para ela, “não tinham mais qualquer validade”. Não foi o Fisco quem abandonou seus livros. Foi a própria interessada quem o fez, sem atentar para o litígio ainda em curso. Assim, não há nos autos qualquer comprovação de custos além daqueles que constavam da DIPJ originalmente e que foram contemplados na apuração do resultado tributável. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 229DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10920.902023/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Numero da decisão: 3401-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 23 /2 01 3- 55 Fl. 535DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 2º trimestre de 2011, no valor de R$ 3.035.238,52, tendo sido reconhecido o direito ao montante de R$ 2.908.614,19 em despacho decisório que homologou parcialmente as compensações, tendo o saldo sido reduzido em função de débitos apurados em procedimento fiscal. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 536 3 Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 879 a 891, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos Fl. 537DF CARF MF 4 utilizados na construção, sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação"; e (iv) requereu a realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente". 6. Em 06/01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.991, situado às fls. 437 a 443, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser afastadas as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 11/05/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 447, interpôs, em 27/05/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 448, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 537 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. No decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 10. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em debate no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na Fl. 539DF CARF MF 6 respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 11. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 e a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 12. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 13. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 14. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 538 7 (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 15. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 16. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 17. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 18. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 19. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 20. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 21. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda Fl. 541DF CARF MF 8 afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 22. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 23. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 25. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 26. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 539 9 28. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 29. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 30. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 31. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e procedente restará o recurso voluntário interposto. 32. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "nãorígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 33. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 34. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: Fl. 543DF CARF MF 10 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 35. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 36. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 540 11 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. 37. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 38. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 39. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, eivandoo de carência probatória, uma vez que incumbida está do ônus de provar, não sendo absolutamente aceitável estribar o despacho decisório unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 40. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta Fl. 545DF CARF MF 12 seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 41. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento pleiteado. 42. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 43. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do despacho decisório. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 44. Como se pode perceber, a decisão sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 541 13 (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Fl. 547DF CARF MF 14 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 542 15 https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: Fl. 549DF CARF MF 16 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 543 17 (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Fl. 551DF CARF MF 18 Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 544 19 O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea Fl. 553DF CARF MF 20 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. ... Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 545 21 A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Fl. 555DF CARF MF 22 Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003240/2010-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-006.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 40 /2 01 0- 24 Fl. 421DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.097, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de auto de infração, relativo apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs das competências fevereiro de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008 sem dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constituindo infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei n.° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, regulamentado pelo artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, ocasionando o lançamento no montante de R$ 57.271,60 (cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e um reais e sessenta centavos), valor consolidado em 26 de outubro de 2010. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, às fls. 60/93, restando, porém, julgado improcedente pela DRJ. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 183 e ss. Às fls. 297/313, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.960 CSRFT2 Fl. 10 3 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, às fls. 322/328, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.097, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 401/408, DEU PARCIAL PROVIMENTO, no sentido para que a retroatividade benigna fosse aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Às fls. 410/414, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 418/419 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração, relativo apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs das competências fevereiro de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008 sem dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constituindo infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de Fl. 423DF CARF MF 4 1991, incluído pela Lei n.° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, regulamentado pelo artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, ocasionando o lançamento no montante de R$ 57.271,60 (cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e um reais e sessenta centavos), valor consolidado em 26 de outubro de 2010. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721056/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
Numero da decisão: 9202-006.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 56 /2 00 9- 18 Fl. 187DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento pra cobrança de crédito tributário constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Após o trâmite processual a 1ª Tuma Especial deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte determinando o cancelamento do lançamento, haja vista aplicação, para fins de exigência do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, de critério de cálculo declarado ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Com base no art. 67 do RICARF, então aprovado pela Portaria nº 256/2019, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. Indicando como paradigmas os acórdãos 2102002.806 e 380400.031 a recorrente defende a manutenção do lançamento cuja fundamentação legal era o art. 12 da Lei nº 7.713/88, oportunamente foi requerido ainda o sobrestamento do processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 614.406 e 614.232, recebidos pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática da repercussão geral. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.721056/200918 Acórdão n.º 9202006.849 CSRFT2 Fl. 188 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Antes de analisarmos o mérito do recurso, se faz necessário tecer comentários sobre o juízo de admissibilidade. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente. A Recorrente assim descreve a divergência: A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Com efeito, de acordo com os Colegiados prolatores dos paradigmas, a incidência do IRPF deve ocorrer de uma só vez e sobre a totalidade dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido de acordo com o regime de competência, considerandose os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Cabe observar, inclusive, que o paradigma nº 2102002.806 foi proferido em 2014 e não aplicou o entendimento sedimentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.429/SP. Em termos mais claros, o paradigma não se valeu do disposto no artigo 62 A do RICARF para decidir a questão, nada obstante ter sido proferido em data recente. Comprovada, portanto, a divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 12 da Lei n. 7.713/88. Considerando que o acórdão recorrido aplicou, por força do art. 62A do então regimento interno decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos, o despacho de admissibilidade recebeu o recurso apenas com base no acórdão paradigma de nº 2102002.806, desprezando o segundo que havia sido proferido em contexto fático distinto. Assim temos a seguinte situação: 1) decisão que entendendo que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de competência obedecidas as alíquotas e tabelas vigentes à época do correto recebimento deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o lançamento; e 2) recurso especial baseado em paradigma cuja fundamentação afasta a tese do recorrido e defende a incidência do imposto de renda pelo regime de caixa, com alíquota e tabela do mês do recebimento ou crédito e sobre o total dos rendimentos. Fl. 189DF CARF MF 4 Quando da interposição do recurso ainda não tínhamos decisão definitiva sobre a matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, considerando que o acórdão paradigma afastou expressamente a aplicação ao caso do Resp 1.118.429, a Fazenda Nacional apresentou, em 27.06.2014, recurso defendendo a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, quando da análise da admissibilidade o cenário era outro. Em 09.12.2014, transitou em julgado a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, decisão proferida sob a sistemática da repercussão geral e a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. O Tribunal Superior definiu, de forma definitiva, que o "Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Embora o recurso tenha sido interposto na vigência do antigo regimento interno, o respectivo exame de admissibilidade ocorreu em 30.06.2015, data em que já se encontrava vigente o RICARF aprovado pela Portaria nº 343/2015 publicado em 10.06.2015, razão pela qual, por força do respectivo art. 5º, deveria ter observado a nova regra do §12 do art. 67. Vejamos os dispositivos com a redação válida na época: Art. 5º Os despachos de exame e reexame de admissibilidade dos recursos especiais exarados depois da data de publicação desta Portaria observarão, no que couber, o nela disposto. .. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Assim, aplicando o art. 5º c/c art. 67, §12 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 343/2015, entendo que o acórdão paradigma considerado pelo exame de admissibilidade também não é apto para fundamentar a divergência perseguida pela Recorrente, haja vista que seu entendimento foi superado por decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.721056/200918 Acórdão n.º 9202006.849 CSRFT2 Fl. 189 5 Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000409/2009-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS
Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 9101-003.658
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura.
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ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 04 09 /2 00 9- 60 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 65/72, contra o Acórdão nº 1803001.713, proferido pela Terceira Turma Especial do CARF, em sessão realizada em 11/6/2013, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado por R & S COM E TRANSP DE MAT PARA CONSTRUÇÃO LTDA, para afastar a multa de mora sobre os débitos indicados em compensação em PER/DCOMP após os seus vencimentos (fls. 57/62). Tratase este processo de PER/DCOMP transmitida em 26/7/2005, com o objetivo de quitar, via compensação, débito de CSLL devida sob a sistemática do Lucro Presumido, referente ao 2º trimestre de 2004 Cód. 2372 vencido em 30/7/2004, com direito creditório relativo a pagamento indevido de estimativa de CSLL feito em 29/6/2004 Cód. 2484 (fls. 2/6 do vol.1). O direito creditório foi integralmente reconhecido pelo órgão de origem que homologou, em parte, a compensação, em razão de terem sido acrescidos, ao débito indicado para compensação, os encargos moratórios, em face de o tributo encontrarse vencido (30/7/2004) quando da apresentação do PER/DCOMP (26/7/2005), o que resultou na insuficiência do direito creditório para quitar completamente o débito, conforme Despacho Decisório (fl. 7 do vol.1). Em manifestação de inconformidade a interessada explicou que efetuou pagamentos indevidos de estimativa de CSLL nos meses de maio, junho e julho de 2004, cujos valores perfazem exatamente o montante devido de CSLL na sistemática de apuração do Lucro Presumido relativo ao 2º trimestre de 2004 e, assim, o acréscimo moratório seria indevido por se tratar, o crédito e o débito, de mesmo tributo, mesmo período e mesmo valor. A turma julgadora de 1ª instância indeferiu a manifestação de inconformidade (fls. 36/40), sob o seguinte argumento: No Detalhamento da Compensação (fl.35) integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo A interessada interpôs Recurso Voluntário (fls. 43/54), julgado pela Terceira Turma Especial do CARF, em sessão realizada em 11/6/2013 pelo qual, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para afastar a multa de mora sobre os débitos indicados em compensação em PER/DCOMP após os seus vencimentos (fls. 36/40). No Acórdão nº 1803001.713 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.385 3 Exercício: 2005 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O colegiado a quo assinalou que, de fato, a legislação de regência "determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Contudo, considerou indevidos os acréscimos moratórios no presente caso por entender que, em se tratando de mesmo tributo, atinente a períodos equivalentes recolhidos sob o código 2484 que, somados, correspondem exatamente ao montante devido de CSLL no trimestre correspondente apurado pela sistemática do Lucro Presumido (cód 2372), não se tratava de crédito diverso do débito que se pretende extinguir. A PFN foi cientificada e recorreu à CSRF, apontando divergência jurisprudencial em relação à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos vencidos multa de mora e juros de mora, indicados para compensação em PER/DCOMP. Indicou como paradigma o Acórdão n° 110200.092, que veiculou a seguinte ementa, no que importa à questão: COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. CABIMENTO A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.386 4 forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional, em resumo, tece os seguintes argumentos: a) a homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação; b) dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo, pois, do contrário, resultará em violação ao princípio da legalidade, previsto, para a Administração Pública, no art. 37, caput, da Constituição Federal; c) o débito do contribuinte venceu em 30/7/2004, e a declaração de compensação, que tem o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 2º), somente foi apresentada em 26/07/2005, quase um ano depois de vencido o débito; d) desse modo, em observância ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, nada mais natural do que a incidência de multa de mora, além de juros pela Taxa Selic. Contudo, por não incidir sobre o crédito do contribuinte a multa, que é ato de império exclusivo da Administração Pública, mostrase óbvio que a compensação não poderá ser realizada integralmente. Pede, ao final, que seja acolhido e provido o recurso para reformar o acórdão recorrido e restaurada a decisão da DRJ, com a homologação apenas parcial da compensação. O Recurso Especial interposto foi admitido pelo Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, conforme despacho de fls. 81/83. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 90/96) na qual reproduz seus argumentos de defesa e acrescenta que o tributo devido CSLL apurada pelo Lucro Presumido relativa ao 2º trimestre de 2004, foi recolhida antes de seu vencimento, de forma mensal, razão também pela qual não poderiam ser exigidos os acréscimos moratórios. Invoca, ainda, a denúncia espontânea da infração, de forma que, uma vez reconhecida, devem ser excluídos os encargos moratórios. Faz referência à Nota Técnica COSIT nº 1/2012, a julgados do CARF e do STJ. Pugna, ao final, pelo não provimento do Recurso Especial e a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade de fls.81/83. Quanto ao mérito, inicialmente, há que se esclarecer à recorrida que sua alegação, trazida apenas em contrarrazões, a respeito da aplicação, ao caso, do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN, não pode ser conhecida por este colegiado superior eis que não foi razão de decidir do acórdão recorrido. Feita esta consideração inicial, tratase de apreciar se é devido o acréscimo da multa de mora e dos juros de mora sobre o débito de CSLL apurado pela sistemática do Lucro Presumido, relativo ao 1º trimestre de 2004, declarado na DCOMP tratada nos autos, após seu respectivo vencimento. O colegiado a quo decidiu que tais acréscimos moratórios não seriam devidos porque tanto o direito creditório, quanto o débito indicado para compensação, referemse ao mesmo tributo CSLL mesmo período e mesmo valor. Todavia, essa interpretação não se sustenta diante de uma análise mais detida das normas que regem o sistema tributário nacional. À respeito dos acréscimos moratórios, assim dispõe o art. 161, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. [...] É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação DCOMP foi expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação1. 1 Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Vale lembrar que, anteriormente à alteração legislativa que criou a DCOMP, a compensação entre tributos idênticos não carecia de maiores formalidades, consoante reconhecido na seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. (Acórdão nº 9101002.150 Sessão de 8 de dezembro de 2015). Porém, com a nova redação, a compensação deixa de ser precedida de pedido para ser promovida com efeitos extintivos imediatos, descritos de forma semelhante à extinção prevista no art. 156, VII do CTN, para os casos de pagamento antecipado e homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. Portanto, nos termos da legislação de regência, tanto o direito creditório quanto os débitos indicados para compensação deverão ser valorados a partir da data da entrega da PER/DCOMP, que é o que marca a data da extinção do crédito tributário pela compensação. Dessa forma, sobre os débitos indicados para compensação que, na data de transmissão do PER/DCOMP, já se encontrem vencidos, deverão incidir a multa de mora e os juros de mora calculados com base na taxa Selic. A incidência desses encargos moratórios sobre débitos vencidos independe de previsão em ato normativo, por decorrerem de previsão legal, inserida no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.389 7 Não há exceção a essa regra, como pretendeu reconhecer o acórdão recorrido, e não cabe ao intérprete ir além do que permite a Lei, em face do que dispõe o art. 11, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Ademais, no presente caso notase, no Detalhamento da Compensação à fl. 35, que o direito creditório indicado pela contribuinte foi corrigido. Passou do valor originário de R$ 4.913,53, para R$ 5.768,48 e foi este último o montante utilizado pelo órgão de origem para promover a quitação do débito. E não se pode exigir que seja devida a correção do crédito mas indevidos os acréscimos moratórios decorrentes da indicação a destempo do débito. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, DARlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 105DF CARF MF
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