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Numero do processo: 11065.723833/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS OU DEVOLUÇÃO DE VENDAS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Notas fiscais de vendas emitidas provam a realização de receitas pelo contribuinte. No caso de cancelamento ou de devolução de vendas, cabe ao contribuinte provar esses fatos, apresentando a devida documentação comprobatória. Não apresentadas as provas pertinentes, permanecem válidos os documentos emitidos pelo próprio contribuinte, que atestam a efetiva omissão de receitas não oferecidas à tributação, não se tratando esse fato de mera presunção, já que as notas fiscais comprovam as vendas realizadas.
TRIPLA TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE UM MESMO FATO. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA.
Se o contribuinte não comprova sua alegação de que haveria múltipla incidência tributária sobre um mesmo fato econômico, a alegação deve ser rejeitada.
FALTA DE APROVEITAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS E RETENÇÕES SOFRIDAS NA FONTE. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA.
Não pode prosperar a alegação de que não teriam sido considerados no lançamento os recolhimentos de estimativas mensais e de retenções do imposto sofridas na fonte diante da constatação de que nas DIPJs apresentadas não constam quaisquer dessas rubricas e que a interessada não trouxe aos autos qualquer comprovação da existência dos alegados pagamentos de estimativas e retenções por parte das fontes pagadoras.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. USO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, dado pela utilização de documentação fiscal inidônea vastamente comprovada nos autos, correta a aplicação do percentual de 150%.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Na ausência de argumentos específicos para esses tributos, aplica-se aos lançamentos reflexos o quanto decidido para o principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTIMAÇÃO AO RESPONSÁVEL NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é indispensável a intimação, no curso do procedimento de fiscalização, à pessoa física que adiante viria a ser apontada como responsável tributária no lançamento. O devido processo legal e o direito à ampla defesa e ao contraditório são respeitados com a ciência do lançamento e do Termo de Responsabilidade à pessoa física assim indicada pelo Fisco, sendo-lhe facultados os recursos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. ATO COM INFRAÇÃO DE LEI. AUTORIA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não deve prosperar a responsabilidade tributária imputada pelo Fisco quando ausentes, nos autos, provas do interesse comum distinto da própria situação de sócio da pessoa jurídica, também não sendo suficiente a mera presunção da prática de ato omissivo por parte do sócio administrador.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
PROVAS EMPRESTADAS. RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. OBSERVÂNCIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO.
A utilização de conjunto probatório produzido por órgão público em processos instaurados por autoridades fiscais de outra esfera de poder, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico e não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1301-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Superstar Calçados Ltda. e em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Sr. Rafi Kahtalian para afastar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS OU DEVOLUÇÃO DE VENDAS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Notas fiscais de vendas emitidas provam a realização de receitas pelo contribuinte. No caso de cancelamento ou de devolução de vendas, cabe ao contribuinte provar esses fatos, apresentando a devida documentação comprobatória. Não apresentadas as provas pertinentes, permanecem válidos os documentos emitidos pelo próprio contribuinte, que atestam a efetiva omissão de receitas não oferecidas à tributação, não se tratando esse fato de mera presunção, já que as notas fiscais comprovam as vendas realizadas. TRIPLA TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE UM MESMO FATO. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA. Se o contribuinte não comprova sua alegação de que haveria múltipla incidência tributária sobre um mesmo fato econômico, a alegação deve ser rejeitada. FALTA DE APROVEITAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS E RETENÇÕES SOFRIDAS NA FONTE. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPROCEDÊNCIA. Não pode prosperar a alegação de que não teriam sido considerados no lançamento os recolhimentos de estimativas mensais e de retenções do imposto sofridas na fonte diante da constatação de que nas DIPJs apresentadas não constam quaisquer dessas rubricas e que a interessada não trouxe aos autos qualquer comprovação da existência dos alegados pagamentos de estimativas e retenções por parte das fontes pagadoras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 33 /2 01 3- 37 Fl. 5769DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.769 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. USO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, dado pela utilização de documentação fiscal inidônea vastamente comprovada nos autos, correta a aplicação do percentual de 150%. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Na ausência de argumentos específicos para esses tributos, aplicase aos lançamentos reflexos o quanto decidido para o principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTIMAÇÃO AO RESPONSÁVEL NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é indispensável a intimação, no curso do procedimento de fiscalização, à pessoa física que adiante viria a ser apontada como responsável tributária no lançamento. O devido processo legal e o direito à ampla defesa e ao contraditório são respeitados com a ciência do lançamento e do Termo de Responsabilidade à pessoa física assim indicada pelo Fisco, sendolhe facultados os recursos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. ATO COM INFRAÇÃO DE LEI. AUTORIA. AUSÊNCIA DE PROVA. Não deve prosperar a responsabilidade tributária imputada pelo Fisco quando ausentes, nos autos, provas do interesse comum distinto da própria situação de sócio da pessoa jurídica, também não sendo suficiente a mera presunção da prática de ato omissivo por parte do sócio administrador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 PROVAS EMPRESTADAS. RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. OBSERVÂNCIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO. A utilização de conjunto probatório produzido por órgão público em processos instaurados por autoridades fiscais de outra esfera de poder, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, Fl. 5770DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.770 3 está de acordo com o ordenamento jurídico e não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Superstar Calçados Ltda. e em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Sr. Rafi Kahtalian para afastar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório SUPERSTAR CALÇADOS LTDA (contribuinte) e RAFI KAHTALIAN (responsável tributário), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 16 71.978, de 15/04/2016, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo / SP, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância descreve com detalhes o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo aos anoscalendário de 2009 e de 2010, foram lavrados em 30/01/2014 (Termo de Ciência de Auto de Infração à fl. 5307), o Auto de Infração do Imposto de Renda (fls. 5250 a 5254); o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 5265 a 5269); o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 5279 a 5284); e o Auto de Infração da Contribuição para o PIS (fls. 5292 a 5297). O enquadramento legal encontrase às folhas 5249 a 5305 dos autos. Às fls. 5311 e 5312, encontrase o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” contra Rafi Kahtalian, cuja ciência deuse em 04/02/2014. O crédito tributário total lançado foi de R$ 22.182.446,93 (vinte e dois milhões, cento e oitenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e noventa e três centavos), conforme abaixo demonstrado: [...] Fl. 5771DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.771 4 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no “RELATÓRIO DO PROCEDIMENTO FISCAL” (fls. 5072 a 5248). Por ser extenso e detalhado, a seguir apresentaremos de forma sintética os pontos principais do Relatório. 3. A Autoridade Lançadora informa que iniciou o procedimento fiscal fazendo a verificação da correspondência entre os valores declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais) e DACON (Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais) com os apurados na escrituração contábil e fiscal do Contribuinte. Por amostragem, foi verificada a correção da apuração dos tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativamente ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2010, especificamente dos seguintes itens: a) Base de cálculo da Cofins e PIS/Pasep nãocumulativos; e b) Créditos e Deduções da Cofins e PIS/Pasep nãocumulativos; c) Documentos inidôneos; d) Manutenção no passivo de saldos não comprovados. DO PROCEDIMENTO FISCAL 4. Em 10/07/2012, o Contribuinte foi intimado a demonstrar as bases de cálculo do PIS, da COFINS, a apresentar diversos elementos à Fiscalização, entre eles os arquivos magnéticos correspondentes a sua escrituração fiscal dos anos calendário 2009 e 2010. 5. Apuradas diferenças nos valores referentes à (i) devoluções de vendas e (ii) receitas de vendas, declarados em DACON e na escrita fiscal, o Contribuinte foi então intimado a explicálas. Além disso, ainda foi solicitada a demonstração de quais os bens e valores considerados para o cálculo de créditos das contribuições correspondentes às depreciações, conforme demonstrativos apresentados à Fiscalização em atendimento ao Termo de Inicio do Procedimento Fiscal, para os anoscalendário de 2009 e 2010, com a demonstração da origem dos valores ali constantes e a identificação das contas contábeis de resultado. Por último, o detalhamento e a comprovação dos valores constantes dos DACONs dos anos calendário de 2009 e de 2010 na linha “outros créditos” para as contribuições para o PIS e a COFINS. 6. O Contribuinte apresenta resposta ao solicitado e requer substituição das planilhas anteriormente entregues à Fiscalização, referentes à demonstração da base de cálculo do PIS e da COFINS. 7. Novas intimações foram feitas ao Contribuinte. Entre as solicitações feitas pela Fiscalização, estava a apresentação de notas fiscais emitidas correspondentes ao CFOP 6.109 (saídas a alíquota zero referentes a vendas para ZLC), não oferecidas a tributação; apresentação dos documentos fiscais que perfazem os totais constantes das planilhas de cálculo para as contribuições para o PIS e a COFINS correspondentes aos serviços prestados utilizados como insumos; demonstrar e apresentar os documentos que embasaram os valores constantes na linha 13 das fichas 06A e 16A dos DACON(s) apresentados à RFB; apresentar as notas fiscais das devoluções de vendas recebidas com os correspondentes conhecimentos de transporte respectivos; demonstrar a exclusão na base de cálculo dos créditos para as contribuições para o PIS e a COFINS dos valores Fl. 5772DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.772 5 correspondentes às devoluções de compras efetuadas nos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme CFOP 5.201 e 6.201 constates dos livros fiscais apresentados à fiscalização; 8. Após entrega de documentação, foi lavrado em 06/02/2013 Termo de Intimação Fiscal, no qual foi solicitada explicação sobre a que se referem os valores descritos nas planilhas de apuração das bases de cálculo para apuração dos créditos a deduzir das contribuições devidas para o PIS e a COFINS, no item outras despesas () 227 Descontos Incondicionais. Além disso, solicitouse informar e comprovar a que se referiam os valores que constavam na linha 28 das fichas 15B e 25B do DACON, conforme tabela de fl. 5077 do Relatório. 9. Após apresentação de resposta à intimação de 06/02/2013, a Autoridade Fiscal observa que a afirmação do Contribuinte de que os descontos concedidos seriam incondicionais não se comprova através dos documentos. 10. Em seguida, através de novas intimações, várias informações foram solicitadas do Contribuinte: a comprovação do saldo contábil de diversas contas, mediante apresentação de documentação hábil e idônea; preenchimento de planilha relativa ao Demonstrativo de Composição do Passivo; documentação hábil e idônea para a comprovação dos pagamentos efetuados para a liquidação das obrigações. 11. O Contribuinte apresentou em 01/04/2013 as contas razão de seus fornecedores e solicitou 180 dias para a apresentação das planilhas que demonstravam a composição de seu passivo. 12. Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (de 24/04/2013, ciência em 09/05/2013), a Autoridade Fiscal esclareceu que o Contribuinte não havia atendido integralmente a qualquer das intimações feitas sem que pedidos de prorrogação de prazos tivessem sido apresentados. Nenhum dos pedidos de prorrogação de prazo foi indeferido, quando muito foram concedidos prazos menores que os solicitados. 13. Mesmo assim, a Autoridade Fiscal destaca que, apesar dos prazos concedidos terem sido suficientes para o cumprimento do solicitados, o Contribuinte foi reintimado a apresentar esclarecimentos e documentos, baixo reproduzidos: “1 Comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a composição do saldo contábil das contas a seguir descritas (Conforme saldo constante da escrituração contábil apresentado à Receita Federal do Brasil). A documentação deverá compreender as notas fiscais, duplicatas das referidas obrigações. Devendo comprovar a origem do saldo inicial e demais lançamentos ocorridos no período sob fiscalização (anoscalendário de 2009 e 2010), de cada fornecedor relacionado a seguir na ordem da escrituração contábil. 2 – Apresentar os documentos que comprovam o saldo inicial do ano calendário de 2009 juntamente com os demais documentos do item 1. 1) – Conta Contábil 8636 – MEPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA; 2) – Conta Contábil 1168 – TACOSOLA BORRACHAS LTDA; Fl. 5773DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.773 6 3) – Conta Contábil 9042 – ELITE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE SOLVENTES; 4) – Conta Contábil 9041 – PERGON COMÉRCIO DE MATERIAIS P/CALÇADOS; 5) – Conta Contábil 1023 – MALIBER IND COM TÊXTIL LTDA; 6) – Conta Contábil 711 – CHAILU EDITOR GRAF LTDA; 7) – Conta Contábil 1222 – PAGAMENTOS A CLASSIFICAR; 8) – Conta Contábil 8496 – WRC DO BRASIL COMERCIO E DIST. DE MAT.; 9) – Conta Contábil 526 – AC COSTA REPRESENTAÇÕES LTDA; 10) – Conta Contábil 942 – JBJ ATELIER DE COSTURA LTDA; 11) – Conta contábil 1112 ARCO IND DE COMPONENTES METÁLICOS LTDA; 12) – Conta Contábil 9206 – BECKER & MEDEIROS COMERCIO DE CONFECÇÕES; 13) – Conta Contábil 5623 – AILTON MARTINS; 14) – Conta Contábil 832 – GOTT IND COM COMPON P/CALÇADOS; 15) – Conta Contábil 8791 – CHARLES ADAM DE JESUS BRUNES CALÇADOS; 16) – Conta Contábil 6636 – CORSAL COMÉRCIO DE COUROS LTDA; 17) – Conta contábil 834 – TERMOCOR IND TRANSFER ALTA FREQÜÊNCIA; 18) – Conta Contábil 11824 – LUIS RAMSEIER; 19) – Conta Contábil 7133 – RITZEL COUROS LTDA; 20) – Conta Contábil 8159 – LECOUROS COM DE COUROS LTDA; 21) – Conta Contábil 8164 – SAL COR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA; 22) – Conta Contábil 6635 – CAMPO GRANDE BENEFIC DE COURO LTDA; 23) – Conta Contábil 1330 – CROPLAN IND PALMILHAS LTDA; 24) – Conta Contábil 6409 – SUPERSTAR CALÇADOS LTDA; 25) – Conta Contábil 1755 – MARIBEL GONÇALVES RODRIGUES; 26) – Conta Contábil 7195 – MENNY IMP E EXP ÇTDA; 27) – Conta Contábil 790 – SANTANA TÊXTIL MATO GROSSO AS; 28) – Conta Contábil 1794 – SUGAR SHOES LTDA; Fl. 5774DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.774 7 29) – Conta Contábil 627 – ART PEL COMPONENTES PARA CALÇADOS; 30) Conta Contábil 9031 – SERGIO GOMES DA SILVA E CIA LTDA; Obs.: Outros dados poderão vir a ser solicitados com referência aos seus fornecedores.” 14. A Autoridade Fiscal informa que o Contribuinte deixa de atender o solicitado uma vez mais e solicita nova prorrogação de prazo. 15. Em 04/07/2013, a Autoridade Fiscal lavra o Termo de Intimação Fiscal de fls. 1494 a 1496, no qual intima a fiscalizada a comprovar a origem e o efetivo recebimento dos valores constantes da escrituração contábil nas contas 1306 – RAFI KATHLIAN; 12081 – ELISABETH KATHALIAN; 12082 BERGE KATHALIAN e 14109 – EMPRÉSTIMOS OBTIDOS. 16. O Contribuinte apresenta resposta com alguns poucos documentos, sem a comprovação da origem dos valores constantes da escrituração contábil. Solicitou prorrogações de prazo para apresentação dos documentos, mas isso não ocorreu. Em 26/08/2013, protocolou resposta ao Termo de Intimação de 04/07/2013 (fls. 1546), informando que, apesar de todos os esforços envidados na localização dos documentos solicitados, não conseguiu encontrar documentação nova além daquela já entregue em 29/07/2013. 17. De acordo com o saldo constante da escrituração contábil apresentado à Receita Federal do Brasil, o Contribuinte foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a composição do saldo contábil dessas contas. A documentação deveria compreender as notas fiscais, duplicatas das referidas obrigações, a comprovação da origem do saldo inicial e demais lançamentos ocorridos no período sob fiscalização (anoscalendário de 2009 e 2010) de cada fornecedor. 18. Em 27/08/2013, através do Ofício nº 59/2013/SEFIS/DRFNHO/SRRF10/RFB/MFRS, foi solicitada da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul – RS informação sobre lançamento de ofício contra a pessoa jurídica Superstar Calçados Ltda, CNPJ nº 05.752.515/0001 61, em relação aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2009 a dezembro de 2011 (fl. 1554). 19. Em 30/08/2014, a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul encaminha resposta positiva, com cópia em meio magnético dos Autos de Infração lavrados pela fiscalização estadual contra a contribuinte (fls. 1555 a 1738). 20. Em 14/10/2013, foi lavrado Termo de Intimação no qual o Contribuinte foi intimado a informar os bens imóveis ou veículos que integravam o ativo da empresa. 21. O Contribuinte foi intimado em 17/10/2013, através do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal (fls. 1768 a 1797), a apresentar os conhecimentos de fretes relacionados às notas fiscais constantes de planilha a ele entegue, referentes à devoluções não comprovadas que efetivamente retornaram para o Contribuinte. Foi alertado que caso não fossem apresentados os conhecimentos de fretes que comprovassem a efetiva entrada no estabelecimento da fiscalizada, os respectivos valores (não comprovados) seriam objeto de lançamento de oficio. Fl. 5775DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.775 8 22. Solicitouse do Contribuinte, para o período fiscalizado, o nome do titular e responsável pela administração da empresa, apresentando cópia dos documentos de Identidade, CPF e comprovante de residência. Foi solicitada a relação dos bens imóveis e veículos automotores de propriedade do sócio administrador da empresa, com indicação do valor de cada bem, (com a identificação de cada item, nº registro de imóveis, placas de veículos, etc.) anexando ainda cópia da documentação comprobatória da propriedade (certidão do Registro de Imóveis e Documento Único de Transferência, respectivamente). 23. Em resposta, o Contribuinte informou que o Sr. Rafi Kahtalian foi o administrador da empresa nos anoscalendário de 2009 e 2010. Também informou que o citado sócio Rafi Kahtalian possuia apenas a terça parte ideal do imóvel localizado na Rua Dr. Fausto Ferraz, 61, apto 61, Bairro Bela Vista – São Paulo SP. DAS INFRAÇÕES APURADAS [...] I3 INFRAÇÕES APURADAS DO IRPJ E SEUS REFLEXOS 31. A seguir, no Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 5116 a 5246), a Fiscalização analisa outras infrações por ela apuradas, relativas ao IRPJ e seus lançamentos reflexos. 32. As infrações apuradas pela Autoridade Fiscal são relativas às seguintes rubricas: 1 – Devoluções de Vendas. 2 Manutenção no Passivo de Obrigações já Pagas. 3 Manutenção no Passivo de Obrigações cuja Exigibilidade não foi comprovada – Empréstimos. 4 – Notas Fiscais Inidôneas. 5 – Empréstimos de Sócios. DAS MULTAS DE OFÍCIO APLICADAS 33. A Autoridade Fiscal esclarece que foram aplicadas as multas de 75% e a de 150%, esta para as infrações que decorreram da prática de fraude, de acordo com os fatos descritos no Relatório do Procedimento Fiscal e art. 44, I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96. 34. Diante do exposto, a Fiscalização lavrou os Autos de Infração com a exigência das contribuições para o PIS e da COFINS e do IRPJ e Reflexos nos anoscalendário de 2009 e 2010, com os respectivos demonstrativos, formalizados nos Processos Administrativos Fiscais nº 11065723.832/201392 para as Contribuições para o PIS e a COFINS (item 3.1 deste relatório), e nº 11065 723.833/201337 para o IRPJ e Reflexos (item 3.2 deste relatório), sendo também a Representação Fiscal para Fins Penais formalizada no processo nº 11065 720.244/201488. Fl. 5776DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.776 9 35. O arrolamento de Bens está formalizado no Processo Administrativo Fiscal n º 11065720.242/201499 e arrolamento de bens sócio 10880720.114/201479. DAS IMPUGNAÇÕES 36. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 30/01/2014 (“Termo de Ciência de Auto de Infração”, fl. 5307) e apresentou impugnação às fls. 5378 a 5418 em 28/02/2014 (fl. 5378). Rafi Kahtalian foi responsabilizado pelo crédito tributário em 04/02/2014 (Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 5311 a 5312) e apresentou impugnação às fls. 5323 a 5367 em 28/02/2014 (fl. 5323). A seguir, a síntese das impugnações apresentadas. IMPUGNAÇÃO SUPERSTAR CALÇADOS LTDA PRELIMINAR 37. A Impugnante apresentou defesa contra a autuação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS – Glosa de Despesas e do Passivo não Comprovado. Preliminarmente, defendeu a impossibilidade do lançamento ter sido efetuado com “motivação emprestada”. A acusação de utilização de notas fiscais inidôneas está integralmente lastreada em provas emprestadas, o que é vedado no processo administrativo fiscal. 38. A Autoridade Fiscal enviou o Ofício nº 59/2013/SEFIS/DRF NHO/SRRF10/RFB/MRRS à Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, a qual encaminhou Auto de Infração lavrado contra a Impugnante para a cobrança de ICMS. 39. Ao invés de aprofundar as investigações, a Autoridade Fiscal preferiu tomar emprestadas as provas, o que é vedado pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Não só a acusação de utilização de notas fiscais inidôneas foi emprestada, mas também a motivação (alegações e fundamentações), o que, para a Impugnante, é gravíssimo. 40. O procedimento adotado pela Fiscalização, além de ser vedado pela jurisprudência do CARF, é ainda contrário ao princípio da verdade material, pois é extremamente superficial. 41. A Autoridade Fiscal deve guardar estrita obediência aos princípios que regem os atos da Administração Pública, dentre os quais se destacam o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderia ter formalizado lançamento, muito menos feito qualquer acusação de fraude com a utilização de provas e de motivação emprestadas sem o devido aprofundamento das investigações, o que feriu os princípios citados. 42. Pelas razões apresentadas, a Impugnante requer o cancelamento integral do lançamento, ou, ao menos, da acusação de utilização de notas fiscais inidôneas. MÉRITO NULIDADE DA AUTUAÇÃO – TRIBUTAÇÃO TRIPLA DO MESMO FATO 43. Argumenta a Impugnante que a Autoridade Fiscal não se atentou para o fato de que os insumos adquiridos por meio das supostas notas fiscais Fl. 5777DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.777 10 inidôneas não foram quitados à vista com recursos do caixa da Impugnante, mas pagos a prazo e, por essa razão, tiveram como contrapartida contábil um crédito na conta relativa aos fornecedores, no passivo. 44. De um lado, a Autoridade Fiscal entendeu que a Impugnante não adquiriu efetivamente os insumos, tendo lastreado a sua contabilidade em documentos supostamente inidôneos; de outro lado, concluiu que o passivo com os fornecedores, que só existe porque os insumos foram adquiridos, não teria sido comprovado, também exigindo os tributos, com base em presunção legal de omissão de receitas. 45. Logo, para a Impugnante não há dúvida que, se houve infração, é certo que houve apenas uma infração, pois o passivo com os fornecedores decorre diretamente da aquisição de insumos. Sendo assim, a exigência decorrente das supostas notas inidôneas, concomitante com a exigência decorrente do passivo com os fornecedores configura verdadeiro bis in idem, o que é vedado pelo Direito Tributário. 46. Quando se analisa o passivo relativo aos empréstimos com terceiros ou os empréstimos com os sócios, a situação é a mesma. Tais empréstimos foram tomados pela Impugnante para que ela pudesse quitar suas dívidas com os seus fornecedores, uma vez que estava sem caixa para arcar com os seus débitos. Portanto, esses mútuos são indissociáveis do passivo com os fornecedores, que são indissociáveis das aquisições de insumos. 47. A Impugnante apresenta um exemplo, com dois dos fornecedores cujas notas fiscais foram consideradas inidôneas, no qual entende ser possível perceber que a quitação das aquisições de insumos feitas a prazo coincidem com os empréstimos tomados de terceiros ou de sócios. O empréstimo recebido do sócio Rafi Kahtalian em 22/11/2010, de R$ 970.000,00, foi usado para quitar diversas parcelas de dívidas com esses dois fornecedores, entre outros. 48. Portanto, para a Impugnante, não há dúvida de que as supostas infrações – notas fiscais de insumos inidôneas, passivo com os fornecedores não comprovado e empréstimos não comprovados com terceiros ou com os sócios – decorrem de um único e exclusivo fato: a aquisição de insumos. 49. Portanto, houve erro de aplicação de direito na formalização do lançamento por afronta ao art. 142 do CTN, o que faz surgir a necessidade do cancelamento do Auto de Infração nos termos do art. 149 do CTN. DA INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS EM CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS OU DEVOLUÇÃO DE VENDAS 50. Com relação à devolução de mercadorias, a Impugnante afirma que a Autoridade Fiscal percorreu o cômodo caminho da autuação com base em uma presunção destituída de qualquer base legal, pois não houve qualquer esforço realizado no sentido de se verificar a ocorrência do fato gerador do tributo e em determinar a matéria tributável, nos termos do art. 142 do CTN, limitandose a solicitar a entrega de notas fiscais, com a finalidade de comprovar seu cancelamento e, diante da impossibilidade de entrega por parte da Impugnante, presumiu a omissão de receita, sem qualquer outra verificação. 51. Após tecer considerações sobre a teoria das presunções no Direito Tributário, a Impugnante afirma que elas, tanto as presunções absolutas Fl. 5778DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.778 11 como as relativas, por força do princípio da legalidade, precisam estar previstas em lei e, no caso, a Autoridade Fiscal lançou mão de uma presunção relativa de omissão de receita em operações de cancelamento de notas fiscais e devolução de venda destituída de qualquer fundamento legal. 52. Em outras palavras, a Fiscalização não comprovou, em nenhum momento, que a Impugnante auferiu receitas ou rendimentos decorrentes das notas fiscais canceladas. Ao contrário, presumiu a omissão em razão da não apresentação da cópia física das notas fiscais devidamente escrituradas. 53. O cancelamento de notas fiscais e a devolução de vendas não são objeto de presunção legal de omissão de receita, como ocorre com o saldo credor de caixa, o passivo fictício e os depósitos bancários não justificados. Dessa forma, a Fiscalização não poderia ter procedido à autuação pelo simples fato de não ter recebido as notas fiscais solicitadas, mas deveria ter realizado outras averiguações de forma a determinar cabalmente a matéria tributável. 54. Logo, em razão de não ter havido a demonstração de que o Contribuinte auferiu receitas e da respectiva omissão, resta evidente a inobservância do art. 142 do CTN, pois a Autoridade Fiscal não logrou êxito em verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, nem em determinar a matéria tributável, devendo os autos de infração lavrados serem cancelados. ERRO NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL – EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO NÃO CONSIDERADO 55. Alega a Impugnante que a Autoridade Fiscal não recompôs a apuração feita pela Impugnante, deixando de considerar todas as antecipações pagas (estimativas mensais) e retenções na fonte sofridas durante o período autuado. Os saldos negativos apurados em 2009 e em 2010 não foram considerados pela Fiscalização, razão pela qual, no entender da Impugnante, os lançamentos fiscais devem ser anulados. A Impugnante anexa comprovantes aos autos do processo. 56. Em decorrência de erro no critério jurídico utilizado pela Autoridade Fiscal quando da realização do lançamento fiscal, a Impugnante propugna pela anulação dos autos lavrados. DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA QUALIFICADA – INEXISTÊNCIA DE FRAUDE 57. A Impugnante argumenta que, ainda que as notas fiscais fossem inidôneas, este fato não configuraria, por si só, a hipótese de aplicação da multa qualificada de 150%. 58. Entende a Impugnante que, para que a multa qualificada pudesse ser exigida, seria necessário que a Fiscalização tivesse demonstrado, por intermédio de provas inequívocas, que o Contribuinte tivesse agido com evidente intuito de fraude, conforme previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Tais artigos exigem que se comprove a existência da intenção de se praticar o ato que retarde ou impeça o surgimento da obrigação tributária. 59. Reitera a Impugnante que, além de não demonstrar o dolo, a Fiscalização se baseou única e exclusivamente em provas emprestadas de Auto de Infração lavrado contra a Impugnante para a exigência do ICMS. Fl. 5779DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.779 12 60. Assim, não tendo a Autoridade Fiscal demonstrado qualquer ato fraudulento praticado pela Impugnante, requereu o afastamento da multa aplicada no percentual de 150%. DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 61. Para a Impugnante, não há como se admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles deveriam incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não foi. 62. A cobrança de juros sobre o principal e a multa acarreta verdadeira afronta ao princípio do nãoconfisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. 63. Dessa forma, caso mantido o lançamento ora combatido, não há que se admitir a incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. DO PEDIDO 64. Em vista do exposto, a Impugnante requereu o cancelamento integral dos Autos de Infração contra ela lavrados, bem como o respectivo arquivamento em definitivo do processo. IMPUGNAÇÃO RAFI KAHTALIAN 65. Rafi Kahtalian defende que tanto o Auto de Infração lavrado como a Sujeição Passiva não merecem prosperar, pelas razões a seguir sintetizadas. DA NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DOS AUTOS DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO 66. O Impugnante alega que há no Termo de Sujeição Passiva Solidária um vício que levaria a sua nulidade. Ao longo de todo o procedimento fiscal que antecedeu a lavratura dos autos de infração, não teria havido intimação ao Impugnante para que ele apresentasse esclarecimentos ou documentação. 67. Nos Mandados de Procedimento Fiscal, apenas a SUPERSTAR constava como o “contribuinte/responsável” investigado. E, em quase dois anos de fiscalização, o Impugnante nunca foi incluído no rol dos fiscalizados, nem recebeu qualquer intimação. 68. Assim, alega o Impugnante que não teve a oportunidade de, em procedimento fiscal prévio, prestar esclarecimentos ou apresentar provas que pudessem confirmar ou infirmar as imputações feitas pela Autoridade Fiscal no Relatório do Procedimento Fiscal, que findou com a lavratura dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Tributária. 69. Dessa forma, para a Impugnante houve violação ao princípio constitucional do devido processo legal, garantido no art. 5º, inciso LV, da CF/88. 70. Por conseguinte, diante da violação do direito ao contraditório e à ampla defesa, associada às gravosas imputações feitas, defende o Impugnante a necessidade de decretação da nulidade do Termo de Sujeição Passiva Tributária. Fl. 5780DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.780 13 MÉRITO DA IMPROCEDÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA 71. Discorre o Impugnante que houve uma errônea interpretação e aplicação do art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN e, por essa razão, não pode permanecer no pólo passivo da obrigação tributária na condição de sujeito passivo solidário ou responsável pessoal. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO INTERESSE ECONÔMICO DO IMPUGNANTE 72 Discorre o Impugnante que o “interesse comum” ao qual se refere o inciso I do art. 124 do CTN é o “interesse jurídico” e não o “interesse econômico”, conforme quis a Fiscalização. Nos autos, não há qualquer prova de que o Impugnante tenha tido proveito econômico com as operações objeto da presente autuação, tampouco “interesse comum” nas supostas infrações cometidas pela Superstar. 73. Diante do fato de que não foi provado o interesse econômico do Impugnante com a redução da carga fiscal, bem como a incerteza dos fatos alegados pela Fiscalização, o que fere a legalidade e a verdade material, deve ser rechaçada qualquer tentativa de responsabilizar o Impugnante pelo crédito tributário constituído, razão pela qual o Termo de Sujeição Passiva Solidária deve ser cancelado. CONSIDERAÇÕES RELEVANTES SOBRE O INSTITUTO DA SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA (ART. 124, I, DO CTN) 74. O Impugnante discorre sobre os artigos 124, I, e 135, III, do CTN, citando entendimentos doutrinários, dos quais conclui que para que esteja configurado o “interesse comum” é imprescindível que haja a comprovação de uma situação de “proveito comum”, ou seja, não se pode admitir solidariedade tributária a duas pessoas (com base no art. 124, I, do CTN) sem antes demonstrar que a ocorrência do fato imponível é proveitosa para ambos. 75. Assim, para que haja interesse comum, é necessário que as pessoas participem do fato gerador da mesma forma, que ambos sejam contribuintes. No caso, significaria que o Impugnante deveria ter auferido renda, lucro e receita juntamente com a Superstar, o que está muito longe de estar demonstrado. 76. De forma a embasar o argumento apresentado, o Impugnante cita jurisprudência do STJ, bem como do CARF, para concluir que o “interesse comum” que autoriza a solidariedade prevista no art. 124, I, do CTN, é o interesse jurídico e não o meramente econômico, pelo que só podem ser consideradas as pessoas que efetivamente praticarem o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária. DA AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO 77. A Fiscalização não trouxe aos autos nenhum fato que comprovasse que o Impugnante tenha praticado o fato gerador dos tributos lançados. Portanto, o Impugnante não poderia ter sido incluído no pólo passivo da obrigação tributária, de acordo com o art. 124, I, do CTN. Fl. 5781DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.781 14 78. Além disso, o Impugnante é pessoa física e não poderia ter praticado os critérios materiais das hipóteses de incidência dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), pelo que deve ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE OBRIGAÇÕES RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS 79. Em seguida, o Impugnante diz que também não se encontram presentes no presente caso os pressupostos para a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN. 80. De acordo com o dispositivo legal citado, para haver a responsabilização pessoal, é necessária a “prática de um ato ilícito”; que desse ato ilícito nasça uma obrigação jurídica tributária ou que ele evite ou esconda o surgimento dessa obrigação. 81. No caso, não há qualquer menção da participação do Impugnante nas infrações apuradas pela Fiscalização e somente com essa prova estaria cumprido um dos requisitos para a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN. Haveria, ainda, a necessidade de provar que tais atos resultaram no nascimento ou buscaram ocultar uma obrigação tributária, o que também não foi feito. 82. Portanto, conclui o Impugnante, a responsabilização com base no art. 135, III, do CTN, devido à ausência dos requisitos legais para a aplicação do dispositivo legal, deve ser cancelada. DA RESPONSABILIDADE PESSOAL 83. Continuando, o Impugnante passa a discorrer sobre o instituto da responsabilidade pessoal. Defendeu que a aplicação do art. 135, III, do CTN, implica a responsabilidade exclusiva do diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, não podendo prevalecer quando o próprio contribuinte for considerado responsável e, conseqüentemente, autuado. 84. O Impugnante entende que o art. 135 do CTN disciplina uma responsabilidade que não é subsidiária, mas sim integral e exclusiva das pessoas nele relacionadas. Essa responsabilidade decorre da prática de atos abusivos ou com infringência de lei, contrato social ou estatutos que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre o Fisco e terceiros. A responsabilidade, nas hipóteses do art. 135, é pessoal e exclusiva e não solidária. 85. Cita jurisprudência que entende ser favorável a sua tese, concluindo que, pelo fato da Autoridade Fiscal ter autuado o contribuinte Superstar e não somente os sócios e diretores, que supostamente agiram de forma ilícita, encontrase presente na autuação o vício material de erro na identificação do sujeição passivo, consoante jurisprudência do CARF. 86. Portanto, o Auto de Infração lavrado contra a Superstar deve ser cancelado, em razão da existência de um vício na identificação do sujeito passivo, o qual é material e, portanto, insanável. DA EXTENSÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 5782DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.782 15 87. No entender do Impugnante, o Termo de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado única e exclusivamente em razão da suposta utilização de documentos inidôneos para a redução dos tributos devidos. 88. Desse modo, caso o aludido termo persista, ele deve ser restringido à imputação referente ao item 3.2.4 do Relatório do Procedimento Fiscal, que trata da utilização de notas fiscais inidôneas, afastandose a solidariedade quanto as demais infrações apontadas pela Fiscalização. A SOLIDARIEDADE NÃO SE APLICA ÀS PENALIDADES 89. Para o Impugnante, as multas de ofício aplicadas possuem caráter personalíssimo e ano podem ser cobradas do responsável solidário. Nesse sentido, somente o agente da infração tributária poderá ser apenado com a cobrança da multa de ofício. 90. Logo, seja em razão da ausência de previsão expressa ou de motivação para que tal solidariedade alcance a multa, seja em razão da vedação a que a pena ultrapasse a pessoa de seu infrator, restou demonstrado que as multas de ofício aplicadas não podem ser imputadas ao Impugnante. DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO – ARGUMENTOS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA SUPERSTAR 91. Por último, o Impugnante reitera todos os argumentos desenvolvidos pela Superstar na defesa por ela apresentada. DO PEDIDO 92. Do exposto, o Impugnante requereu o provimento integral da defesa apresentada, cancelandose o Termo de Sujeição Passiva; subsidiariamente, o cancelamento do Auto de Infração e o seu arquivamento em definitivo. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo / SP analisou as impugnações apresentadas pela contribuinte e pelo responsável e, por via do Acórdão nº 1671.978, de 15/04/2016 (fls. 5582/5635), negoulhes provimento em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PROVAS EMPRESTADAS. RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. OBSERVÂNCIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO. A utilização de conjunto probatório produzido por órgão público em processos instaurados por autoridades fiscais de outra esfera de poder, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico e não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal. TRIBUTAÇÃO TRIPLA DO MESMO FATO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não apresentadas provas pelo contribuinte de que um mesmo fato foi tributado mais de uma vez pelo mesmo tributo, corretos Fl. 5783DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.783 16 os lançamentos efetuados pela autoridade fiscal, relativos à infrações distintas, apuradas regularmente e com respeito ao devido processo legal. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA. Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária). OMISSÃO DE RECEITAS. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS OU DEVOLUÇÃO DE VENDAS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Notas fiscais de vendas emitidas provam a realização de receitas pelo contribuinte. No caso de cancelamento ou de devolução de vendas, cabe ao contribuinte provar esses fatos, apresentando a devida documentação comprobatória. Não apresentadas as provas pertinentes, permanecem válidos os documentos emitidos pelo próprio contribuinte, que atestam a efetiva omissão de receitas não oferecidas à tributação, não se tratando esse fato de mera presunção, já que as notas fiscais comprovam as vendas realizadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, dado pela utilização de documentação fiscal inidônea, correta a aplicação do percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. SOLIDARIEDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR DA EMPRESA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE PESSOAL POR INFRAÇÃO À LEI. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Os sócios, diretores, gerentes, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 5784DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.784 17 TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplicase aos lançamentos conexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Ciente da decisão de primeira instância em 18/05/2016, conforme documentos de fls. 5646, 5704 e 5764, a contribuinte SUPERSTAR CALÇADOS LTDA. apresentou recurso voluntário em 08/06/2016 conforme documento à folha 5648. No recurso interposto (fls. 5649/5704), a contribuinte reitera, quase com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. O responsável tributário Sr. RAFI KAHTALIAN tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/05/2016, conforme Aviso de Recebimento à fl. 5647, e apresentou recurso voluntário em 08/06/2016 conforme carimbo de recepção à folha 5648. No recurso interposto (fls. 5707/5762), o Sr. Rafi Kahtalian reitera, quase com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Deles conheço. Na medida em que coincidentes os recursos, a solução adotada para um deles servirá para o outro. Observo, ainda, que os recorrentes não combatem diretamente o acórdão recorrido, limitandose a repetir as razões de impugnação quase com as mesmas palavras. Diante disso, o escopo da presente análise será de revisão geral do quanto decidido em primeira instância e, sendo o caso de concordância com os fundamentos e conclusões ali explanados, adotar as mesmas razões de decidir, com fundamento no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.874/19991. Preliminarmente, alegam os recorrentes a nulidade do lançamento diante do uso de provas emprestadas. A matéria foi corretamente analisada nos §§ 96 a 113 do acórdão recorrido, que transcrevo a seguir, adotandoos desde já como razões de decidir. 96. Preliminarmente, a Impugnante requereu o cancelamento integral do lançamento, ou, ao menos, da acusação de utilização de notas fiscais inidôneas, pois a acusação de utilização de notas fiscais inidôneas está integralmente lastreada em provas emprestadas, o que é vedado no processo administrativo fiscal. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5785DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.785 18 97. Argumentou que a Autoridade Fiscal obteve da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul Auto de Infração lavrado contra a Impugnante para a cobrança de ICMS e, ao invés de aprofundar as investigações, preferiu tomar emprestadas as provas, o que é vedado pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Não só a acusação de utilização de notas fiscais inidôneas foi emprestada, mas também a motivação (alegações e fundamentações). 98. Continuando, a Impugnante disse que o procedimento adotado pela Fiscalização, além de ser vedado pela jurisprudência do CARF, é ainda contrário ao princípio da verdade material, pois é extremamente superficial. 99. Não possui razão a Impugnante. 100. Inicialmente, deve ser observado que, ao contrário da afirmação da Impugnante, não há no processo administrativo fiscal, ou mesmo no ordenamento jurídico, qualquer norma que vede a utilização de “provas emprestadas”. Na realidade, o que se deve respeitar quanto à produção probatória é a obtenção das provas por meios legais e morais, de forma que os fatos apurados possam ser provados. Além disso, ao Contribuinte deve ser assegurado o exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. 101. E conforme veremos, esses requisitos foram respeitados no presente caso. 102. Quanto à vedação legal à utilização de “provas emprestadas”, não só ela inexiste como o CTN – Código Tributário Nacional, em seu art. 199, e a própria Constituição Federal – CF/88, no art. 37, inciso XXII, dispõem sobre a cooperação que os entes públicos fiscais devem ter entre si: CTN “Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio.” CF/88 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) XXII as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.” (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 5786DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.786 19 103. À fl. 1555 dos autos, encontrase cópia do Ofício nº 59/2013/SEFIS/DRFNHO/SRRF10/RFB/MFRS, encaminhado à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, no qual foi solicitada informação acerca de lançamento de ofício contra Superstar Calçados Ltda nos anos de 2009 a 2011, com envio de cópias das peças fiscais em caso afirmativo. 104. Conforme exposto no corpo do ofício, a solicitação foi feita com base no inciso VI da Cláusula Segunda do Convênio de Cooperação Técnica firmado entre a União e o Estado do Rio Grande do Sul em 12/09/2000 (DOU em 15/09/2000). 105. Dessa forma, as informações utilizadas neste processo, referentes aos documentos inidôneos, foram obtidas de acordo com a forma legal prevista no ordenamento jurídico, sendo totalmente improcedente a alegação da Impugnante. 106. Como a própria Autoridade Fiscal consignou nos autos (fl. 1556), os documentos recebidos da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul (Auto de Infração e Relatório Fiscal), do Contribuinte Superstar Calçados Ltda, serviram de subsídio ao procedimento fiscal da Receita Federal e, ao contrário do afirmado pela Impugnante, foi ela intimada a prestar os esclarecimentos devidos, de forma que os documentos pudessem embasar a autuação ora contestada. 107. É importante destacar que a Autoridade Fiscal já estava verificando a correção dos saldos registrados em contas do passivo do Contribuinte, que havia sido intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a composição do saldo contábil de algumas contas de fornecedores, cujos saldos e/ou movimentação não estavam de acordo com as normas comerciais (compras sem pagamentos ou valores de compras vultosos com pagamentos ínfimos). Ou seja, a Fiscalização Federal já possuía indícios de irregularidades e caminhava para a sua apuração. 108. O Contribuinte, em resposta aos termos de intimação lavrados, apresentou cópias de notas fiscais autenticadas pela Fiscalização do ICMS, cujas notas originais haviam sido retidas por serem inidôneas. 109. Por essa razão, isto é, a retenção dos originais das notas fiscais pela Fiscalização do ICMS, é que a Fiscalização da RFB encaminhou o já citado ofício ao Delegado da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, solicitando cópia em meio digital, dos Lançamentos lavrados, bem como dos principais documentos comprobatórios das infrações apuradas no contribuinte Superstar Calçados Ltda. 110. Examinando a produção probatória relativa à inidoneidade das notas fiscais, vêse claramente que a mesma foi elaborada de forma meticulosa, de forma que pouco poderia ser acrescentado ao que já havia sido feito pela Fiscalização Estadual. De qualquer maneira, não se trata de simples cópia da autuação estadual, pois os documentos, fatos, razões, bem como a motivação estão produzidos no presente processo. 111. Outro ponto a se destacar é que a Impugnante ataca o uso de “provas emprestadas”, mas, em momento algum, contradiz ou desqualifica as provas produzidas, não indica qualquer falha, incorreção daquilo que foi provado. Deveria a Impugnante ter exercido o seu direito de defesa explicando e comprovando que a documentação, ao contrário do que consta dos autos, é idônea, mas permaneceu o Fl. 5787DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.787 20 Contribuinte silente quanto ao aspecto mais importante, limitandose a afirmar a vedação ao uso de provas emprestadas, o que, como vimos, não procede. 112. A questão principal não é se as alegações e a fundamentação são emprestadas, como diz a Impugnante, mas sim indagar se o conjunto probatório que se encontra nos autos é procedente e obtido de forma regular, cuja resposta é positiva. No presente caso, não há como se aprofundar na produção probatória, suficientemente exaurida pela Fiscalização Estadual. Ou seja, as notas fiscais são de fato inidôneas e a Impugnante não contestou esse fato, razão pela qual entendemos que este assunto encontrase resolvido de forma definitiva. 113. Concluindo, as provas foram obtidas de forma regulamentar, com respeito ao ordenamento jurídico, são suficientes para provar a infração apurada, o Contribuinte teve assegurado o exercício do seu direito de defesa e ao contraditório, seja na fase do procedimento fiscal ou agora no contencioso fiscal, mas não logrou apresentar qualquer prova contrária aos fatos, limitandose a uma defesa formal, a qual, como se viu, é totalmente improcedente. Não faço reparos ao decidido em primeira instância. Verificada a inexistência de vedação à cooperação e troca de informações entre as administrações tributárias e que os documentos recebidos do Fisco Estadual não foram meramente copiados, mas que os documentos, fatos, razões e motivação estão produzidos no presente processo, além de terem sido ofertadas à interessada todas as oportunidades de contradizer as provas dos autos, não se há de reconhecer a nulidade suscitada. Na sequência, alegam os recorrentes que teria havido tripla tributação sobre o mesmo fato, referindose, aqui, às infrações de glosa de custos (notas fiscais inidôneas), omissão de receitas com base em passivo não comprovado e omissão de receitas com base em suprimentos de sócios e administradores. Também quanto a esta matéria, valhome das razões do julgador a quo, nos §§ 114 a 126, que transcrevo abaixo: 114. A Impugnante argumentou que a Autoridade Fiscal não se atentou para o fato de que os insumos adquiridos por meio das supostas notas fiscais inidôneas não foram quitados à vista com recursos do caixa da Impugnante, mas pagos a prazo. 115. Além disso, a Autoridade Fiscal entendeu que a Impugnante não adquiriu efetivamente os insumos, tendo lastreado a sua contabilidade em documentos supostamente inidôneos; de outro lado, concluiu que o passivo com os fornecedores não teria sido comprovado, também exigindo os tributos, com base em presunção legal de omissão de receitas. 116. E, por último, quanto aos empréstimos com terceiros ou os empréstimos com os sócios, diz a Impugnante que a situação é a mesma. Tais empréstimos foram tomados pela Impugnante para que ela pudesse quitar suas dívidas com os seus fornecedores, uma vez que estava sem caixa para arcar com os seus débitos. 117. Portanto, para a Impugnante, houve erro de aplicação de direito na formalização do lançamento, o que faria surgir a necessidade do cancelamento do Auto de Infração. Fl. 5788DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.788 21 118. Não possui razão a Impugnante e seus argumentos são improcedentes. 119. Neste ponto, é conveniente apresentar as infrações apuradas pela Fiscalização e que fazem parte do presente processo administrativo fiscal (o Relatório do Procedimento Fiscal também descreve infrações do PIS e da COFINS que constituem o objeto de outro processo administrativo fiscal, de nº 11065.723832/201392). Às fls. 5250 a 5304, encontramse os Autos de Infração do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS. Quanto ao IRPJ, foram apuradas as seguintes infrações: fl. 5252: “0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS DEVOLUÇÃO NÃO COMPROVADA DE VENDAS Omissão de receita operacional caracterizada pela não comprovação de devolução de mercadorias vendidas, conforme descrito no Relatório de Procedimento Fiscal, o qual faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração.” fl. 5253: “0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme descrito no Relatório do Procedimento Fiscal, o qual faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração.” fl. 5253: “0003 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIOS E ADMINISTRADORES Omissão de receita caracterizada pela não comprovação da origem e/ou da efetividade da entrega do numerário, conforme descrito no Relatório do Procedimento Fiscal, o qual faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração.” Fl. 5254: “0004 CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE CUSTOS Contabilização de custos com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo.” 120. A infração “0001” – Devolução não Comprovada de Vendas encontrase explicada às fls. 5116 a 5118 do Relatório do Procedimento Fiscal. O Contribuinte havia sido intimado (e reintimado) a apresentar as notas fiscais das devoluções de vendas, acompanhadas dos respectivos conhecimentos de transporte. Após apresentação parcial da documentação, a Autoridade Fiscal considerou as devoluções comprovadas pelo Contribuinte e elaborou planilha (fls. 1874 a 1879) das devoluções de mercadorias pelos seus clientes não comprovadas (não Fl. 5789DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.789 22 apresentação do conhecimento de transporte que efetuou a operação, ou ausência da declaração no verso da 1ª via da nota fiscal de venda, ou não apresentação da nota fiscal de devolução do cliente). 121. Quanto à infração “0002” – Omissão de Receitas por Presunção Legal – Passivo Fictício, de acordo com o Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 5118 a 5138), a então Fiscalizada fora intimada a comprovar os saldos dos fornecedores constantes de sua escrituração contábil, o que, conforme relatado, não aconteceu. 122. Igualmente, quanto à infração “0003” – Omissão de Receitas por Presunção Legal – Suprimento de Caixa por Sócios e Administradores, o Contribuinte não havia demonstrado, através de documentação pertinente (DOCs, TEDs, cópias de cheques, extratos bancários, etc), a origem e o efetivo recebimento dos valores contabilizados em sua escrita fiscal a título de empréstimos. 123. Infração “0004” – Comprovação Inidônea de Custos. Conforme demonstrado de forma exaustiva nos autos, o Contribuinte utilizouse de “notas frias” e “paralelas” em sua contabilidade. As “notas frias” utilizadas possuem AIDF – Autorização de Impressão de Documentos Fiscais, mas a data de emissão é anterior à data de autorização da AIDF pela Secretaria da Fazenda, o que, por óbvio, implica em fraude do documento. As “notas paralelas” utilizadas constituem documentos que sequer tiveram autorização para serem impressos e utilizaramse de numeração existente em outros documentos autorizados. Além disso, diversas notas fiscais continham informações inverídicas, como o transporte através de veículos que não possuíam a capacidade necessária ao transporte ou não eram veículos sequer utilizados comercialmente. Foram juntados aos autos diversas declarações de proprietários de veículos negando o transporte da mercadoria; proprietários de gráficas atestando a utilização de notas “paralelas”; foram apontadas inconsistências em diversos documentos, duplicatas “pagas” sem a devida comprovação do efetivo pagamento; mercadorias que constavam das notas fiscais, mas que não eram negociadas pela empresa; algumas empresas emitentes nas notas fiscais não existiam de fato (comprovados com fotos, ofícios de órgãos públicos, etc); etc. A documentação probatória é extensa (no Relatório do Procedimento Fiscal, estão às fls. 5140 a 5244) e comprova a inidoneidade dos documentos, devendose observar que a Impugnante não demonstrou a improcedência de qualquer desses documentos juntados aos autos. 124. Apresentamos as infrações acima de forma a tornar claro que a Autoridade Fiscal, ainda no curso do procedimento fiscal realizado na empresa autuada, cercouse dos cuidados necessários à apuração das 4 infrações fiscais, apresentando ao Contribuinte planilhas, intimandoo a comprovar/apresentar, para cada uma das infrações, saldos, valores, documentos pertinentes, etc. As infrações são distintas e foram apuradas regularmente. Em momento algum, no curso do procedimento fiscal, o Contribuinte demonstrou (ou tentou demonstrar) que um mesmo fato estaria sendo tributado mais de uma vez. Na realidade, isso tampouco foi demonstrado agora no contencioso, no qual a Impugnante tece considerações genéricas, sem demonstrar de forma efetiva o alegado bis in idem. 125. Os montantes relativos às notas fiscais inidôneas foram glosados corretamente pela Fiscalização. Com relação aos empréstimos, não houve a comprovação da sua origem como também o efetivo recebimento dos valores contabilizados em sua escrita fiscal. Dessa forma, quanto ao “exemplo” que a Impugnante diz apresentar, não há como admitir vínculo ou qualquer possibilidade de quitação de aquisição de “insumos”, os quais teriam como lastro notas fiscais Fl. 5790DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.790 23 inidôneas, quitação essa que teria sido feita com “empréstimos” oriundos de terceiros ou de sócios e que não foram comprovados. 126. Em conclusão, não há qualquer fato apontado pela Impugnante que leve à nulidade do lançamento praticado pela Autoridade Fiscal. [...] Acrescento ao acima exposto que seria possível, em tese, que as infrações de glosa de custos (notas fiscais inidôneas) e omissão de receitas (passivo não comprovado) estivessem incidindo sobre um mesmo fato. Afinal, no momento da aquisição de um insumo, o lançamento contábil que se espera é um registro a débito de conta de estoque e a crédito de conta de passivo (registro da obrigação perante o fornecedor). O passivo, quando ocorrer o pagamento, será baixado contra caixa/bancos, enquanto que o estoque, em outro momento, será levado a custo (resultado). A alegação da recorrente parece ser de que o Fisco teria questionado o mesmo fato por duas vias diferentes, a saber: por um lado, glosa os custos, afirmando a inidoneidade das notas fiscais; por outro lado, afirma a falta de comprovação da exigibilidade do passivo. Ocorre que os recorrentes não lograram demonstrar que os saldos do passivo questionados pelo Fisco são os mesmos que receberam as contrapartidas pelas supostas aquisições acobertadas por notas fiscais inidôneas. E essa demonstração não foi trazida, quer em sede de impugnação, quer agora no recurso voluntário. A alegação da interessada resta, pois, vazia e não pode ser aceita. No que toca à omissão de receitas com base em suprimentos de sócios, não se vislumbra a ligação possível com a glosa por comprovação inidônea de custos, nos termos corretamente expostos pelo julgador de primeira instância. A alegação deve ser rejeitada, portanto. O ponto seguinte diz respeito à infração de omissão de receitas, apurada com base na falta de comprovação do cancelamento de notas fiscais de vendas, emitidas pela própria interessada, ou, ainda, da devolução de vendas. Alega a interessada que o lançamento teria sido feito com base em presunção, para o que inexistiria base legal. Também aqui pouco há a acrescentar à decisão recorrida. Não se trata, em absoluto, de lançamento com base em presunção. As notas fiscais de vendas, emitidas pelo próprio contribuinte, representam para fins fiscais a ocorrência de vendas de mercadorias nos montantes ali expressos. Seu cancelamento implica formalidades (por exemplo, a apresentação de todas as vias das notas canceladas), as quais não foram atendidas pela contribuinte. Diante disso, correto o procedimento do Fisco ao considerar que as vendas foram efetivadas, tal como consta dos documentos fiscais emitidos pela interessada. O mesmo ocorre com as devoluções de vendas: ausente a comprovação de que as mercadorias foram devolvidas (por exemplo, mediante a apresentação da nota fiscal emitida pelo adquirente, que deveria acompanhar as mercadorias devolvidas), deve prevalecer o quanto atestado pelo próprio contribuinte, em notas fiscais de sua emissão. A alegação não pode ser aceita. Na sequência, a recorrente se insurge contra o não aproveitamento dos saldos negativos do imposto apurados em 2009 e 2010, além da falta de consideração das estimativas mensais recolhidas e retenções na fonte sofridas nesses anos. Fl. 5791DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.791 24 A sucinta e objetiva análise feita pelo julgador em primeira instância merece transcrição: 136. [...] Ademais, ao contrário do que alegou, nas declarações apresentadas, referentes aos períodos fiscalizados de 2009 e de 2010, não foi apurado saldo negativo em qualquer desses períodos. 137. Observese que o Contribuinte apresentou DIPJ dos anos 2009 e 2010 com o resultado apurado pelo lucro real anual. Houve apuração de prejuízo fiscal no ano de 2009, de R$ 432.121,52. No ano de 2010, a empresa apresentou lucro real no montante de R$ 575.119,33. 138. Às fls. 5255 a 5256 dos autos, encontrase o Demonstrativo de Apuração do IRPJ do período de apuração 2009. À fl. 5255, podemos verificar que a Autoridade Fiscal compensou não só o prejuízo do próprio período (R$ 432.121,52), o qual consta da declaração apresentada pelo Contribuinte, como também compensou R$ 442.929,30 relativos a prejuízo de períodos anteriores. Na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, o Contribuinte não declarou qualquer dedução do imposto e não foi apurado saldo negativo. 139. Quanto ao período de 2010, foi apurado lucro de R$ 575.119,33. Na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, o Contribuinte não declarou qualquer dedução do imposto e apurou IRPJ a pagar no montante de R$ 119.779,83. Portanto, o Contribuinte não apurou saldo negativo, mas sim imposto a pagar. Como se vê, o lançamento partiu do quanto declarado pelo contribuinte na Ficha 12A de suas declarações de rendimentos (DIPJ) dos anoscalendário 2009 e 2010. Nessas declarações não consta qualquer dedução do imposto, ou seja, não constam recolhimentos de estimativas nem retenções sofridas de imposto na fonte. Também não constam saldos negativos apurados em qualquer dos dois anos. Assim, se alguma incorreção houve nessas declarações, incumbiria à interessada trazer aos autos prova de alguma estimativa recolhida ou de alguma retenção do imposto sofrida na fonte que pudesse conduzir à apuração de saldo negativo, capaz de reduzir o montante do tributo exigido nos presentes lançamentos. Não o fazendo, seu pleito, também aqui, resta vazio, e não pode ser atendido. O próximo ponto a ser apreciado diz respeito à multa qualificada de 150%, aplicada exclusivamente à infração nº 0004 do auto de infração do IRPJ (com reflexo para os demais tributos), intitulada CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE CUSTOS. Os recorrentes argumentam que, ainda que as notas fiscais fossem inidôneas, este fato não configuraria, por si só, a hipótese de aplicação da multa qualificada de 150%. Entendem os recorrentes que, para que a multa qualificada pudesse ser exigida, seria necessário que a Fiscalização tivesse demonstrado, por intermédio de provas inequívocas, que o Contribuinte tivesse agido com evidente intuito de fraude, conforme previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Tais artigos exigem que se comprove a existência da intenção de se praticar o ato que retarde ou impeça o surgimento da obrigação tributária. Reiteram os recorrentes que, além de não demonstrar o dolo, a Fiscalização se baseou única e exclusivamente em provas emprestadas de Auto de Infração lavrado contra a Impugnante para a exigência do ICMS. Fl. 5792DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.792 25 Quanto a este último argumento, atinente a provas emprestadas, já foi exaustivamente examinado e afastado anteriormente, neste voto, sendo despiciendo repetir aqui o quanto dito antes. Quanto à correção da multa de 150%, releva examinar inicialmente o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, base legal para a aplicação da multa (fl. 5247): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Esse dispositivo menciona, entre outros, o art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Ressalto que esse mesmo artigo de lei foi mencionado e reproduzido no Relatório do Procedimento Fiscal, à fl. 5141. Eis o texto legal: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se vê, dúvida inexiste de que, em havendo fraude (ação dolosa tendente a reduzir o montante do imposto devido) cabível a multa qualificada. A fraude, no caso, foi descrita em minúcias no Relatório do Procedimento Fiscal, entre as fls. 5141 a 5247, cabendo ressaltar a reprodução de AIDF (Autorização para Impressão de Documentos Fiscais), notas fiscais, recibos e documentos diversos com o objetivo de demonstrar a adulteração e/ou a falsidade em múltiplos casos. Um bom resumo do que foi constatado se encontra na decisão recorrida, que transcrevo a seguir. 145. De fato, o Contribuinte valeuse de documentação inidônea em sua contabilidade, como “notas frias” e “paralelas”. As primeiras, as “notas frias”, possuem AIDF – Autorização de Impressão de Documentos Fiscais, mas as notas fiscais possuem data de emissão anterior à data de autorização da AIDF pela Secretaria da Fazenda, o que, por óbvio, implica em fraude do documento. As “notas paralelas” constituem documentos que sequer tiveram autorização para serem impressos, utilizandose de numeração existente em documentos autorizados. Além disso, diversas notas fiscais continham informações inverídicas, como o transporte através de veículos que não possuíam a capacidade necessária ao transporte ou não eram veículos sequer utilizados comercialmente. Fl. 5793DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.793 26 146. A documentação que se encontra nos autos é farta e organizada por conjunto de notas fiscais e provam o que se afirma sobre a falta de idoneidade das mesmas. Devido à grande quantidade, não são aqui neste voto reproduzidas. 147. Portanto, o conjunto da documentação e dos fatos que se encontram descritos nos autos do processo não deixa dúvidas de que existiu a intenção do Contribuinte em impedir o Fisco de tomar conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias devidas, razão pela qual a Autoridade Fiscal acertadamente usou o percentual de 150% na multa de ofício aplicada no presente caso. O quadro resumo às fls. 5242/5243 totaliza, por valores e por mês, os custos com comprovação inidônea que envolveram 15 diferentes fornecedores ao longo de 15 meses consecutivos entre julho/2009 e setembro/2010. Tenho me manifestado que o intuito doloso há de ser extraído da situação concreta e da conduta apurada em cada caso. Neste, não pode haver dúvida de que o intuito consciente foi o de reduzir a base tributária e, por consequência, os tributos devidos, mediante a introdução na contabilidade de custos baseados em documentos sabidamente falsos. A enorme quantidade de notas falsas de diferentes fornecedores ao longo do tempo afasta por completo a possibilidade de mero equívoco, ou de ter agido de boa fé, ludibriado por terceiros. Nessa linha, as pretensões dos recorrentes não se sustentam. Comprovada a fraude e afastada a hipótese de mero equívoco não intencional, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. Nego provimento ao recurso, também quanto a este item. O último tópico que é comum aos recursos da contribuinte e do responsável tributário é a reclamação contra a incidência de juros moratórios sobre a multa de oficio. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 5794DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.794 27 Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. Fl. 5795DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.795 28 O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 Fl. 5796DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.796 29 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, nego provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. Na inexistência de argumentos específicos, aplicase aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS o quanto decidido para o principal. Passo, a seguir, à análise dos argumentos que se encontram exclusivamente no recurso voluntário interposto pelo Sr. Rafi Kahtalian, a quem foi imputada responsabilidade pelos crédito tributários dos presentes autos, nos termos dos arts. 124, I e 135, III, ambos do Código Tributário Nacional. Alega o Sr. Rafi Kahtalian que haveria um vício no procedimento que conduziria à nulidade da imputação de responsabilidade tributária. Tal vício consistiria na falta de intimação a ele, Sr. Rafi, para que apresentasse esclarecimentos ou documentação. A fiscalizada seria exclusivamente a pessoa jurídica. Com isso, teria sido violados o devido processo legal e o direito à ampla defesa e ao contraditório, princípios constitucionais. Não assiste razão ao recorrente. O procedimento de fiscalização foi instaurado, de fato, em face da pessoa jurídica Superstar Calçados Ltda. A apuração e a eventual constituição de créditos tributários, como de fato ocorreu, se fez a todo o tempo diante da pessoa jurídica. Em assim sendo, correto que as intimações para esclarecimentos e/ou apresentação de documentos tenham sido dirigidas à pessoa jurídica, representada conforme seus atos constitutivos. O processo legal foi plenamente respeitado. No curso dos procedimentos de fiscalização, em cumprimento do art. 142 do CTN, o Fisco entendeu que a correta identificação do sujeito passivo deveria alcançar não apenas o contribuinte fiscalizado mas também terceiros, por responsabilidade tributária. No caso, o Sr. Rafi Kahtalian. Para tanto, fez lavrar o competente Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 5311/5312). É pacífico que o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitorial, ou seja, é de iniciativa do Fisco, sendo as intimações e termos necessários à reunião de elementos probatórios e para firmar a convicção da fiscalização sobre a ocorrência dos fatos geradores tributários e, no presente caso, sobre a correta identificação do sujeito passivo. O direito à ampla defesa e ao contraditório se faz presente a partir do lançamento, ao se inaugurar a fase contenciosa com a apresentação de impugnação. E também aqui se verifica que não houve Fl. 5797DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.797 30 qualquer violação ao devido processo legal nem ao direito à ampla defesa e ao contraditório. O responsável tomou ciência regular das autuações e da responsabilidade tributária que lhe foi imputada, apresentou impugnação que foi apreciada em primeira instância e, a seguir, o recurso voluntário que agora se examina. Inexistente o vício alegado, não se há de reconhecer nulidade no procedimento do qual resultou a imputação de responsabilidade. Quanto ao mérito da responsabilidade tributária, o Sr. Rafi Kahtalian apresenta as razões pelas quais entende que não seriam aplicáveis nem o art. 124, I, nem o art. 135, III, ambos do CTN. Eis os dispositivos em comento: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A matéria foi tratada, em primeira instância, de modo bastante sintético, nos parágrafos a seguir transcritos: 172. Os argumentos apresentados pelo Impugnante não procedem. Entendo acertada a responsabilidade pelo crédito tributário ter sido atribuída à pessoa indicada, lastreada no art. 124, I, e art 135, III, ambos do CTN. 173. De fato, o comportamento descrito nos autos, ou seja, a utilização de documentação inidônea na contabilidade da empresa, o não oferecimento à tributação de receitas, a entrega de declarações inexatas (DIPJ, DCTF) à Receita Federal do Brasil, comportamento esse que se verificou nos 2 anos fiscalizados, todos esses fatos não poderiam passar despercebidos do sócio administrador da empresa, o qual, além do conhecimento dos fatos, possui interesse na ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias de sua empresa que deixaram de ser adimplidas. A responsabilidade tributária é matéria espinhosa, que comporta mais de uma via interpretativa dos dispositivos legais. No que toca ao art. 124, I, a autoridade julgadora em primeira instância considerou que o interesse comum do Sr. Rafi Kahtalian, no caso, seria o interesse na ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias de sua empresa, que deixaram de ser adimplidas. Devese entender, com isso, que, ao pagar menos tributos, a empresa disporia de mais lucros a serem distribuídos aos sócios, e esse seria o interesse em comum do Sr. Rafi. Fl. 5798DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.798 31 Não é como penso. Em primeiro lugar, tenho me manifestado, em outros casos, no sentido de que o art. 124 do CNT tem por objeto a solidariedade, ou seja, ele fixa as condições para que a obrigação seja solidária. Por si só, o art. 124 seria insuficiente para atribuir responsabilidade tributária que não estivesse prevista em outro dispositivo legal. Sua função seria a de atribuir solidariedade a uma responsabilidade já fixada alhures. A única exceção que faço a esse entendimento é a situação em que os interesses da pessoa jurídica e da pessoa física se confundem, em verdadeira confusão patrimonial. Em outras palavras, quando aquele que detém de fato poderes de administração (sócio ou não) usa seus poderes indiscriminadamente em benefício próprio, desviando recursos da pessoa jurídica para a pessoa física, aumentando seu patrimônio particular ou mediante outras práticas em que os interesses e patrimônios se confundam. Apenas nesses casos tenho admitido a responsabilização solidária com base exclusivamente no art. 124, I, do CTN. Não encontro essa situação nos autos. Toda a extensa descrição atinente às notas fiscais inidôneas (fls. 5141 a 5247) demonstra e comprova que esses documentos fraudulentos foram usados para aumentar indevidamente os custos da empresa, mas nada refere quanto ao destino dos recursos que teriam sido empregados para os pagamentos, se é que pagamentos houve efetivamente. Adicionalmente ao acima exposto, qualquer sócio, administrador ou não, tem interesse nos lucros da empresa da qual participa. Mas daí não se pode concluir que qualquer ato (ainda que lícito) no sentido de aumentar os lucros tenha o condão de caracterizar o interesse comum e, por consequência, atrair a solidariedade. Por mais esse motivo, entendo que o art. 124 tem que estar conjugado a outro dispositivo legal. No caso, esse outro dispositivo legal é o art. 135 do CTN. Conforme o inciso III, as pessoas às quais se pode atribuir responsabilidade são os diretores, gerentes ou representantes. Em outras palavras, os administradores de fato, independentemente de serem ou não sócios. Mas observese que o caput do artigo exige que essas pessoas tenham praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei ou estatuto. Por certo que a majoração fraudulenta de custos, conforme descrito, constitui ato com infração de lei. Mas em toda a extensa e minuciosa descrição do ocorrido (fls. 5141 a 5247), não se encontra uma única menção ao nome do Sr. Rafi Kahtalian, nenhuma referência a sua possível participação nas múltiplas fraudes constatadas. Nem ao menos se afirma, muito menos se comprova, que o Sr. Rafi Kahtalian estivesse à frente da parte lícita dos negócios da empresa. Se assim fosse, e caso se comprovasse que ele participava ativamente das aquisições verdadeiras de insumos e autorizava pessoalmente os pagamentos das compras reais, seria possível firmar posição de que houvesse sido também ele a fazer inserir na contabilidade a parte ilícita, as compras fraudulentas. Mas nada disso encontro nos autos. Diante disso, com todo o respeito, tenho por frágil a afirmação do julgador a quo de que "todos esses fatos não poderiam passar despercebidos do sócio administrador da empresa". Tratase de mera presunção de ato omissivo, que reputo insuficiente para atribuir responsabilidade tributária. Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso do Sr. Rafi Kahtalian, quanto a este ponto, para afastar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Em conclusão, por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Superstar Calçados Ltda. e dar provimento parcial ao recurso voluntário do Sr. Rafi Kahtalian para afastar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Fl. 5799DF CARF MF Processo nº 11065.723833/201337 Acórdão n.º 1301002.271 S1C3T1 Fl. 5.799 32 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5800DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720075/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os senhores Conselheiros, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo no 12585.000565/2010-22, e dos processos referentes às DCOMP no 03433.11224.300910.1.3.10-2584, no 07919.73374.300910.1.7.10-1833, no 40076.75000.300910.1.7.10-0298 e no 30224.33388.301110.1.3.11-2329, prejudiciais à análise do presente processo, juntando aos autos as decisões finais administrativas. Determinada ainda, pelo colegiado, a desapensação do processo.
Rosaldo Trevisan - Presidente
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os senhores Conselheiros, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo no 12585.000565/2010-22, e dos processos referentes às DCOMP no 03433.11224.300910.1.3.10-2584, no 07919.73374.300910.1.7.10-1833, no 40076.75000.300910.1.7.10-0298 e no 30224.33388.301110.1.3.11-2329, prejudiciais à análise do presente processo, juntando aos autos as decisões finais administrativas. Determinada ainda, pelo colegiado, a desapensação do processo. Rosaldo Trevisan - Presidente Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os senhores Conselheiros, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo no 12585.000565/201022, e dos processos referentes às DCOMP no 03433.11224.300910.1.3.102584, no 07919.73374.300910.1.7.101833, no 40076.75000.300910.1.7.100298 e no 30224.33388.301110.1.3.112329, prejudiciais à análise do presente processo, juntando aos autos as decisões finais administrativas. Determinada ainda, pelo colegiado, a desapensação do processo. Rosaldo Trevisan Presidente Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Relator O processo administrativo ora em julgamento decorre da transferência do controle de valores que estavam inicialmente em outro processo administrativo, o de nº 19515.722442/201361, apenso ao presente, valores esses referentes à lavratura de Auto de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 07 5/ 20 14 -4 2 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 216 2 Infração para a constituição de multa isolada em razão de compensação não homologada, com fundamento no artigo 74, parágrafo 17, da Lei nº 9.430/19961, no montante de R$4.989.607,12 (quatro milhões, novecentos e oitenta e nove mil, seiscentos e sete reais e doze centavos) e fatos geradores ocorridos entre 20/09/2010 e 30/11/2010. É possível a verificação dessa transferência do controle dos valores de um processo para outro pelos "extratos do processo", na "relação de créditos tributários do processo" e "DARF" que acompanham a intimação do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro ("DRJ") em cada um dos processos, em que os valores relativos aos autos de infração de PIS e COFINS constam no processo administrativo de nº 19515.722442/201361 e os valores da multa isolada constam no presente processo. Além disso, há menção à transferência no "Termo de Ciência" de fls. 24 desses autos. A penalidade em questão foi lançada sobre a nãohomologação das 28 (vinte e oito) declarações de compensação listadas às fls. 71, no Termo de Verificação Fiscal ("TVF"). Na busca de uma vinculação entre a multa lançada no presente processo e declarações de compensação discutidas em outros processos administrativos de interesse do mesmo contribuinte e também distribuídos a essa relatoria, foi examinado o processo nº 12585.000565/201022. Ao se realizar o cotejo entre a listagem existente no presente processo (fls. 71, no TVF) e a do processo nº 12585.000565/201022, às fls. 1669 daquele processo, verificase que a listagem do presente processo é composta por 24 (vinte e quatro) das 25 (vinte e cinco) declarações de compensação de que trata o processo nº 12585.000565/201022 apenas a declaração de compensação de nº 33650.25147.120209.1.3.111934 não consta neste processo, mais outras 4 (quatro) declarações de compensação (de nº 03433.11224.300910.1.3.102584, 07919.73374.300910.1.7.101833, 40076.75000.300910.1.7.100298 e 30224.33388.301110.1.3.112329), sem qualquer relação com o processo mencionado, de final 201022. Após ter sido cientificada da transferência do controle dos valores lançados no Auto de Infração, a contribuinte apresentou nova Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 26/03/2015, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/09/2010, 30/11/2010 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.CONTAGEM DE PRAZO. Na ocorrência de imprecisão, inexistência ou incompletude do lançamento por homologação (art. 149, V), restará à Autoridade Fiscal a possibilidade de lançar os valores ainda reputados como devidos utilizandose, neste caso, do lançamento de ofício regido, para fins do cômputo decadencial, pelo previsto no art. 173, I, do CTN. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 217 3 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis". Como se verifica pela ementa, a análise na decisão recorrida ficou restrita as matérias de decadência e constitucionalidade da penalidade aplicada, o que é esclarecido em trecho do voto, nos seguintes termos: " O presente processo corresponde a lançamento de 03(três) Autos de Infração referentes: (1) constituição de multa isolada em razão de compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, este vinculado ao processo nº 19515.720075/201442, em apenso, (2) utilização indevida de crédito presumido na venda de medicamentos da contribuição ao PIS, e (3) utilização indevida de crédito presumido na venda de medicamentos da COFINS. Todos os pontos levantados sobre as glosas de crédito e utilização indevida de crédito presumido na venda de medicamentos das contribuições ao PIS e COFINS foram examinados nos Acórdãos nº 1266.746 e 1266.747 17ª Turma da DRJ/RJ1, exarados em 10/07/2014, nos processos administrativos nºs 12585.000565/201022 e 12585.000566/201077, respectivamente, cujas manifestações de inconformidade tratavam do reconhecimento parcial de direito creditório e, conseqüentemente, homologação parcial das compensações declaradas, conforme listagem integrante do Termo de Verificação Fiscal às fl.2.982. (...)Quanto aos argumentos emanados perante ao lançamento em tela, o contribuinte postula pela decadência em relação ao período de apuração de setembro de 2008. (...)Quanto à imposição das multas isoladas sobre o indeferimento das compensações declaradas, o contribuinte, em apertada síntese, postula pela inconstitucionalidade de seu ordenamento jurídico". Além disso, devese observar que o acórdão em questão, de 1274.463, é uma versão revisada do Acórdão nº 1270.010, de 06/11/2014, proferido nos autos do processo nº 19515.722442/201361, ficando, com isso, indicados os lançamentos que são tratados em cada processo administrativo. Dessa decisão, a contribuinte, ora Recorrente, foi cientificada no dia 20/07/2015, conforme documento de fls 153, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 17/08/2015, conforme protocolo de fls. 155, no qual pede a reforma da decisão recorrida, defendendo o afastamento da multa, sob as alegações de que inexiste infração cometida pela Recorrente e que haveria ofensa ao direito constitucional de petição, à proibição de utilizar tributos com efeito de confisco, aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 17/03/2016. Impende, por fim, mencionar os processos que tem alguma relação com o presente processo. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 218 4 Além do processo administrativo de nº 19515.722442/201361, apenso ao presente, que teve origem no Auto de Infração cujo controle de valores foi transferido para este processo e em mais dois Autos de Infração, para cobrança de valores a título de PIS e COFINS por utilização indevida de crédito presumido, existe o processo nº 12585.000565/201022, já mencionado nesse relatório, que decorre do indeferimento parcial de Pedido de Ressarcimento, apresentado em conjunto com 25 (vinte e cinco) Declarações de Compensação, referentes a direito de crédito de COFINS, cujo período de apuração é o 3º Trimestre de 2008. E ainda o processo administrativo nº 12585.000566/201077, que, segundo se depreende do Acórdão nº 1270.010, proferido pela DRJ no julgamento do processo administrativo de nº 19515.722442/201361, decorre do indeferimento de pedido de ressarcimento/declarações de compensação relativo às mesmas aquisições do presente processo, processo nº 12585.000565/201022, porém, diz respeito do direito de crédito de PIS; esse último processo ainda não foi distribuído no CARF, constando como seu último andamento a ocorrência "DISTRIBUIR/SORTEAR MOVEP/SECOJ/CARFE61PIS/PASEP E COFINS", com data 21/09/2015. É o relatório. Voto A questão colocada no Recurso Voluntário ora em julgamento diz respeito unicamente à aplicação da penalidade prevista no fundamento no artigo 74, parágrafo 17, da Lei nº 9.430/1996, em razão da não homologação das declarações de compensação listadas no TVF e indicadas no relatório. De acordo com o dispositivo legal em referência, com redação vigente à época dos fatos geradores: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Após, com a edição da Lei nº 13.097/2015, que revogou a multa isolada que estava prevista no parágrafo 15 do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, aplicada no indeferimento de pedidos de ressarcimento, esse dispositivo passou a ter a seguinte redação: “§ 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 656/2014, que deu origem à Lei nº 13.097/2015, a mudança na redação é justificada da seguinte forma: “12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, fazse necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 219 5 efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013”. Ocorre que não apenas a multa em razão do indeferimento de pedido de ressarcimento foi questionada, por violação ao direito constitucional de petição, dentre outras violações. Também a constitucionalidade da aplicação da multa por não homologação de compensação também vem sendo contestada. Após o reconhecimento de sua inconstitucionalidade pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a matéria chegou ao Supremo Tribunal Federal, com a interposição do Recurso Extraordinário nº 796.939, que teve a repercussão geral reconhecida, em decisão que possui a seguinte ementa: “CONSTITUCIONAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO DE PEDIDOS DE RESSARCIMENTO, RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. MULTAS. INCIDÊNCIA EX LEGE. SUPOSTO CONFLITO COM O ART. 5º, XXXIV. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. I A matéria constitucional versada neste recurso consiste na análise da constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, com redação dada pelo art. 62 da Lei 12.249/2010. II – Questão constitucional que ultrapassa os limites subjetivos ad causa, por possuir relevância econômica e jurídica. III – Repercussão geral reconhecida”. (RE 796939 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 29/05/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe120 DIVULG 20062014 PUBLIC 23062014 ) Esse recurso se encontra pendente de julgamento, porém, a Procuradoria Geral da República já apresentou parecer, opinando por negar provimento ao recurso, por três fundamentos, violação ao direito de petição, ao princípio da proporcionalidade e ao princípio que veda o confisco, consoante as razões a seguir: “O dispositivo legal em estudo, na medida que estipula multa pela simples não homologação da compensação declarada, viola a garantia constitucional mencionada. Isso porque, por mais que não obste por completo o pedido de compensação – corolário do direito de petição – cria relevante obstáculo à sua realização, na Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 220 6 medida em fixa sanção pela mera utilização da referida garantia, sem distinguir a atuação com boafé da atuação com máfé, presumindo que o contribuinte age abusivamente. É inegável, assim, que a imposição da multa, se não impede totalmente a realização da declaração de compensação, produz justo receio ao contribuinte, de forma a desestimulálo a efetivar o pedido a que faz jus. (...) Tal como posta, a sanção tributária em estudo fere também o princípio da proporcionalidade, tendo em vista que sucumbe às três premissas essenciais do preceito (adequação, necessidade e proporcionalidade strictu sensu) quando confrontada ao fim de conferir maior eficiência à análise dos pedidos de compensação. (...) A penalidade em análise não se revela, portanto, (i) a mais adequada à promoção da celeridade do procedimento administrativo fiscal; (ii) necessária, já que há outras medidas viáveis e menos lesivas aos contribuintes para a obtenção da finalidade almejada; e (iii) proporcional em sentido estrito, uma vez que impõe um grave ônus aos contribuintes ao desestimular a proposição de pedidos de ressarcimento de crédito tributário e de declaração de compensação. Por fim, destaquese que a Constituição Federal veda a utilização de tributos com efeito de confisco, estendendose tal proibição às multas fiscais. Na hipótese, a incidência da multa aos pedidos de compensação não homologados acarreta efeitos confiscatórios em razão justamente da desproporcionalidade evidenciada”. A constitucionalidade do dispositivo em comento ainda é objeto da ADI nº 4905, também pendente de apreciação. De qualquer maneira, a par das discussões existentes, não há como prosseguir no julgamento do presente processo nesse momento, em razão da relação de prejudicialidade entre o julgamento do processo nº 12585.000565/201022 e o presente processo. Para examinar se a aplicação da multa se deu em acordo com a legislação de regência, devese aguardar o desfecho dos processos em que se discute a homologação ou não das declarações de compensação apresentadas. Assim, sendo a questão discutida nos autos do processo nº 12585.000565/2010 22 prejudicial ao julgamento da matéria aqui colocada, a providência adequada, a meu ver, seria a conversão do julgamento em diligência para sobrestamento do julgamento, ficando o presente processo aguardando o julgamento do processo nº 12585.000565/201022 na Câmara. Contudo, observem que o presente processo trata da aplicação da multa sobre a não homologação de 28 (vinte e oito) declarações de compensação, sendo 24 (vinte e quatro) delas discutidas no processo nº 12585.000565/201022, porém, em relação às 4 (quatro) restantes, não há informação sobre os processos em que estão sendo discutidas e se, efetivamente, estão sendo discutidas. Assim, não há como se aguardar apenas o julgamento do processo nº 12585.000565/201022, parecendo a medida mais adequada o retorno dos autos à origem, para que se verifique a situação das declarações de compensação de nº 03433.11224.300910.1.3.10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.720075/201442 Resolução nº 3401001.136 S3C4T1 Fl. 221 7 2584, 07919.73374.300910.1.7.101833, 40076.75000.300910.1.7.100298 e 30224.33388.301110.1.3.112329 (se a Recorrente já foi cientificada do despacho decisório, se apresentou manifestação de inconformidade e a identificação e andamento atual dos processos administrativos porventura abertos em razão de apresentação de defesa pela Recorrente) e, após a decisão final não só no processo nº 12585.000565/201022, mas também nos processos em que se discute as declarações de compensação mencionadas, o presente processo seja remetido ao CARF, para prosseguimento do julgamento. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo no 12585.000565/201022, e dos processos referentes às DCOMP no 03433.11224.300910.1.3.102584, no 07919.73374.300910.1.7.101833, no 40076.75000.300910.1.7.100298 e no 30224.33388.301110.1.3.112329, prejudiciais à análise do presente processo, juntando aos autos as respectivas decisões finais administrativas, com a elaboração de relatório circunstanciado a respeito. Após, a Recorrente deverá ser intimada do resultado da diligência para, querendo, apresentar manifestação dentro do prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos ao CARF, para julgamento. Por oportuno, devese determinar a desapensação do presente processo. É como voto. Conselheiro Augusto Fiel Jorge d’Oliveira Relator Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001056/95-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO
Configurada a contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado.
Embargos acolhidos para se reconhecer a contradição apontada.
Numero da decisão: 3402-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional, objetivando sanar os vícios apontados na ementa (quanto a multa de ofício) e na certidão do julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO Configurada a contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado. Embargos acolhidos para se reconhecer a contradição apontada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional, objetivando sanar os vícios apontados na ementa (quanto a multa de ofício) e na certidão do julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 183 1 182 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.001056/9581 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402003.880 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria PIS/Pasep Embargante A AEROJET BRASILEIRA DE FIBERGLASS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO Configurada a contradição na decisão recorrida, acolhemse os embargos de declaração, para suprila com a correspondente retificação do acórdão embargado. Embargos acolhidos para se reconhecer a contradição apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional, objetivando sanar os vícios apontados na ementa (quanto a multa de ofício) e na certidão do julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 10 56 /9 5- 81 Fl. 183DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração, com fulcro nos artigos 65 e seguintes do RICARF, opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 172/173), em face do Acórdão nº 3402002.458, de 20/08/2014 (fls. 151/158). O Acórdão embargado, possui a ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1992, 1993 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. DECADÊNCIA. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991 que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 08 do STF. A determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial depende da existência de pagamento ou de alguma atividade que o substitua ou que autorize o não pagamento. Caso não seja identificada a antecipação do pagamento, o termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Caso contrário, o termo inicial será a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. DEPÓSITO INSUFICIENTE MULTA DE OFÍCIO Havendo insuficiência dos depósitos não ocorre a situação descrita no art. 151, II do CTN, logo, inexistindo causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário é procedente a aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação. A embargante (Fazenda Nacional) alega em seu recurso, após fazer uma síntese dos fatos relacionados com a lide, em específico quanto a multa de ofício, a decisão apresenta vício de contradição entre o conteúdo da ementa e o voto do acórdão condutor do acórdão embargado. Os declaratórios foram, então, admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara/3ª Seção do CARF, consoante despacho de fls. 441/443. É relatório. Voto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13808.001056/9581 Acórdão n.º 3402003.880 S3C4T2 Fl. 184 3 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. É cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. A Procuradoria da Fazenda Nacional acusa a decisão recorrida de ser contraditória na medida em que, consta da parte dispositiva do acórdão (ementa e certidão) que o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário, inclusive quanto à multa de ofício (fls. 152, negritos originais): "ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88, em face da concomitância, e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso". Todavia, aponta que, paradoxalmente, a conclusão do voto foi em sentido contrário. Vejase (grifei): "Ex positis, não conheço da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei n°. 2.445/88 e n°. 2.449/88 em face da concomitância e na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar aplicação da multa de ofício. Pela simples leitura acima, com razão a embargante que houve a contradição no texto do Acórdão embargado. Enquanto a conclusão do voto condutor do Acórdão é por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da multa de lançamento de ofício, o resultado do julgamento constante do acórdão é por negálo, inclusive quanto à penalidade aplicada. Portanto, o defeito prejudica a intelecção da decisão e reclama saneamento. Diante do exposto, requer a Fazenda Nacional que essa Turma se manifeste sobre a alegada contradição, conferindo efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração. Pois bem. Consta da ementa e da certidão de julgamento do Acórdão embargado que a Turma negou provimento ao recurso voluntário, inclusive quanto à multa de ofício. Vejase, respectivamente: “DEPÓSITO INSUFICIENTE MULTA DE OFÍCIO Havendo insuficiência dos depósitos não ocorre a situação descrita no art. 151, II do CTN, logo, inexistindo causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário é procedente a aplicação da multa de ofício. ... ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº Fl. 185DF CARF MF 4 2.449/88, em face da concomitância, e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.” No entanto, verificase que no voto condutor, o Conselheiro Relator concluiu pelo afastamento da incidência da multa de ofício: "(...) Regressando aos autos, de acordo com o despacho de fl. 63 da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle de Crédito SubJudice da DERAT/SP, foram realizados os cálculos dos depósitos efetuados em juízos e foi constatado que para todos os períodos de apuração envolvidos no auto de infração, os depósitos foram insuficientes. Essa afirmação não foi contestada pelo recorrente, fato que a torna incontroversa, sendo assim entendo lícita a aplicação da multa de 75% sobre o valor do tributo, em virtude dos depósitos realizados não serem integrais. Noutro giro, o recorrente possuía antes do início do procedimento fiscal liminar concedendoo direito ao recolhimento do PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70, fato que suspendeu a exigibilidade e inviabilizou a aplicação da multa de 75% sobre os valores dos tributos devidos. Nesta senda, afasto a aplicação da multa de ofício. Ressalto ainda que, em consulta a ATA da Sessão de julgamentos do dia 20 de agosto de 2014 (no site do CARF), constatase que o resultado do julgamento deste processo foi o seguinte: "Por unanimidade de votos, não se conheceu da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei nº. 2.445/88 e nº. 2.449/88 em face da concomitância e na parte conhecida, deuse provimento parcial para afastar aplicação da multa de ofício". Portanto, com base no acima exposto e considerando que o extrato da ATA, que é o documento que registra e retrata com clareza as ocorrências e decisões das sessões e também com base no voto condutor, que desta forma concluiu seu voto (fl. 167): "Ex positis, não conheço da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei nº. 2.445/88 e nº. 2.449/88 em face da concomitância e na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar aplicação da multa de ofício”. Assim, conduzo meu voto no sentido de acolher os Embargos de declaração opostos, para fins de reconhecer a contradição apontada, promovendo as seguintes alterações no Acórdão nº 3402002.458, de 20/08/2014, objetivando a intelecção da decisão: (i) alterar a ementa do Acórdão embargado, especificamente quanto a multa de oficio, para: MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO. EFEITOS. Tendo o Recorrente, antes do início do procedimento fiscal, liminar concedendolhe o direito ao recolhimento do PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70, fato que suspendeu a exigibilidade, tornase inviabilizado a aplicação da multa de 75% sobre os valores dos tributos devidos. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13808.001056/9581 Acórdão n.º 3402003.880 S3C4T2 Fl. 185 5 (ii) alterar, na certidão de julgamento do Acórdão embargado, passando a mesma vigorar com a seguinte redação, conforme constante da ATA de julgamento: "ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não se conhecr da matéria referente à inconstitucionalidade dos Decretoslei nº. 2.445/88 e nº. 2.449/88 em face da concomitância e na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte." É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.010134/2005-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO.
SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1803-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 23/11/2010 Fl. 115DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Trata-se de autos de infração que exigem multa por atraso na entrega das DIPJ`s relativas aos anos calendário de 2002 e 2003, das DCTF`s dos quatro trimestres de 2003, e dos 1° e 2° trimestres de 2004. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Foi enquadrado no Sistema Simples conforme Termo de Opção deferido em 08/04/1997. b) Entregou as Declarações de Imposto de Renda anos-calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, com forma de tributação Simples. Em 2001, no período compreendido de janeiro a agosto de 2001, também com forma de tributação Simples, tendo e efetivado todos os recolhimentos, através do código 6106. c) Em julho de 2001 foi notificado que estaria excluído do Simples, pelo fato de exercer a atividade de manutenção e instalações de equipamentos de telecomunicações. d) Passou a recolher o imposto do período de setembro a dezembro de 2001, sob o lucro presumido, tendo apresentado DIPJ 2002, em 26/06/2002. e) A partir do período de janeiro de 2002, retornou ao regime do Simples, tendo entregue a DIPJ em 29/05/2003. f) Sendo obrigada a apresentar CND, procedeu a entrega das declarações solicitadas. g) Requer o cancelamento dos autos de infração. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Em 23/09/2005 a empresa foi incluída no Simples a partir de 1° de janeiro de 2003, por decisão judicial. b) O contribuinte protocolou pedido de inclusão no Simples retroativo a 01/01/2002, por meio do processo n° 10680.001073/2003-11. c) Contra o desenquadramento da sistemática do Simples a empresa ajuizou ação ordinária, conforme documentos anexados às fls. 41/47, na qual o contribuinte sustenta que é irregular e ilegal o seu desenquadramento do Simples e, mesmo se correta a exclusão, esta só poderia se dar a partir de setembro de 2004 e não retroativo a janeiro de 2003. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.010134/2005-01 Acórdão n.º 1803-00.674 S1-TE03 Fl. 2 3 d) Referida ação judicial concedeu liminar e determinou a reinclusão do contribuinte no regime denominado Simples a partir da data de sua exclusão, restando suspensos os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004. e) No período de 01/01 a 31/12/2002 a empresa não estava incluída na sistemática do Simples, uma qu fora excluída em 1° de agosto de 2001 e a Ação Ordinária ordenou sua reinclusão a partir de 1° de janeiro de 2003. f) Diante da Ação Ordinária n° 2005.38.00.032254-6 interposta pela impugnante contra o desenquadramento da sistemática do Simples e que ordenou a sua reinclusão no regime denominado Simples a partir da data de sua exclusão, restando suspensos os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004, ainda não transitada em julgado, constata-se que para o litígio tratado em relação aos autos de infração de fls. 06, 08 e 09 deve ser observado o Ato Declaratório Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 3, de 14 de novembro de 1996. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A Recorrente propôs Ação Ordinária Tributária com Pedido Declaratório e Condenatório n° 2005.38.00.032524-6, contra a União Federal, a qual foi distribuída para o Juizo da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, com o objetivo de obter a declaração de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos de n°s 75, de 21/06/01, e, 58, de 31/08/2004 que, respectivamente, excluíram a Recorrente da sistemática da Lei n° 9.317/96, condenando-se a Ré (União Federal) a acatar integralmente a opção da Recorrente ao sistema a partir de 01/01/1997. b) A sentença proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2005.38.00.032524-6, além de confirmar a tutela antecipada deferida, ainda estendeu os seus efeitos, ao anular tanto o Ato Declaratório Executivo a° 58, de 31/08/2004, quanto o Ato Declaratorio Executivo anterior, ou seja, o de n° 75. de 21/06/01. Na verdade, desconsiderou ou anulou todos os atos de exclusão da Recorrente do SIMPLES. c) O acórdão recorrido desobedece literalmente os comandos da sentença proferida nos autos da Ação Ordinária 2005.38 00.032524-6, bem como nega vigência ao disposto no art. 151, inciso V. Pelo que deve ser reformado. É o relatório. Voto Conselheiro Selene Ferreira de Moraes Fl. 117DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 15/05/2009 (AR de fls. 59). O recurso foi protocolado em 17/06/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Conforme cópia de sentença acostada às fls. 207/209, o objeto da ação ordinária n° 2005.38.00.032524-6 é a declaração de nulidade dos atos declaratórios executivos n° 75, de 21/06/01, e 58 de 31/08/2004, que excluíram a contribuinte do Simples. A recorrente cumpriu as obrigações acessórias cabíveis no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples (fls. 6, 39). O crédito tributário em litígio é consequência dos atos administrativos de exclusão do Simples. A validade dos atos administrativos e seus efeitos está sendo discutida no Poder Judiciário. No presente caso deve ser aplicada a súmula CARF n° 1, que assim dispõe: “Súmula CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Esta Tuma julgadora não pode conhecer do recurso interposto, uma vez que a propositura da ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas. Ante todo o exposto, não conheço do recurso, em face da propositura de ação judicial com o mesmo objeto. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 118DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10280.001272/99-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1988
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS.
Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC.
REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REGRAS DO CTN.
Tratando-se de pagamentos de cotas de CSLL realizados em 1989, referentes ao período-base de 1988, e considerando que somente com a introdução da Lei n° 8.383/1991, vigente a partir de 01/01/1992, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já é suficiente para afastar a tese dos 10 anos. Mas ainda que se entenda pela aplicação do prazo de prescrição duplicado (10 anos), vale registrar que ele é contado da data do fato gerador do tributo que gerou o indébito (no caso, 31/12/1988). Desse modo, mesmo com o prazo de 10 anos, haveria a prescrição do direito creditório, eis que o pedido de restituição somente foi apresentado em 19/04/1999.
Numero da decisão: 9101-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
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Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1988 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REGRAS DO CTN. Tratando-se de pagamentos de cotas de CSLL realizados em 1989, referentes ao período-base de 1988, e considerando que somente com a introdução da Lei n° 8.383/1991, vigente a partir de 01/01/1992, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já é suficiente para afastar a tese dos 10 anos. Mas ainda que se entenda pela aplicação do prazo de prescrição duplicado (10 anos), vale registrar que ele é contado da data do fato gerador do tributo que gerou o indébito (no caso, 31/12/1988). Desse modo, mesmo com o prazo de 10 anos, haveria a prescrição do direito creditório, eis que o pedido de restituição somente foi apresentado em 19/04/1999.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1988 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REGRAS DO CTN. Tratandose de pagamentos de cotas de CSLL realizados em 1989, referentes ao períodobase de 1988, e considerando que somente com a introdução da Lei n° 8.383/1991, vigente a partir de 01/01/1992, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já é suficiente para afastar a tese dos 10 anos. Mas ainda que se entenda pela aplicação do prazo de prescrição duplicado (10 anos), vale registrar que ele é contado da data do fato gerador do tributo que gerou o indébito (no caso, 31/12/1988). Desse modo, mesmo com o prazo de 10 anos, haveria a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 12 72 /9 9- 95 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 3 2 prescrição do direito creditório, eis que o pedido de restituição somente foi apresentado em 19/04/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à prescrição de direito creditório reivindicado em pedido de restituição de valores pagos a titulo de CSLL durante o ano de 1989. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 180200.672, de 04/11/2010, por meio do qual a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu manter a negativa do direito creditório reivindicado pela contribuinte, em razão de sua prescrição. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/1989, 31/05/1989, 30/06/1989, 31/07/1989, 31/08/1989, 30/09/1989, 31/10/1989 RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS DE ACORDO COM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. LIMITE AO ALCANCE RETROATIVO DO EFEITO "ERGA OMNES". Embora a declaração de inconstitucionalidade produza, em regra, efeitos ex tunc, o alcance retroativo da decisão judicial encontra limites, especialmente Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 4 3 para aqueles contribuintes que não provocaram o controle de constitucionalidade, mas apenas ficaram aguardando o seu desfecho, de modo a usufruir do efeito erga omnes da decisão. Eis um corolário básico do principio da segurança nas relações jurídicas, posto que, se assim não for, a instabilidade seria eterna, porque o STF sempre poderá, no futuro, declarar a inconstitucionalidade de qualquer norma. As decisões do STF, tanto no controle direito, quanto no indireto (com Resolução do Senado Federal), não tem o condão de reabrir os prazos de decadência e prescrição já consumados. Conquanto o pedido de restituição pudesse atender o critério dos cinco anos contados da Resolução do Senado Federal publicada em 11/04/1995, ainda assim, mesmo para aqueles que adotam esse critério, a Resolução não poderia desconstituir as relações jurídicas já blindadas pelo tempo. REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REGRA GERAL. Tratandose de pagamentos de CSLL realizados em 1989, e considerando que somente com a introdução da Lei n° 8.383, em 1991, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já seria suficiente para afastar a tese dos 10 anos. Não obstante, mesmo abstraindo desta questão, o art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN assegura ao Contribuinte o direito de pleitear a restituição de indébitos no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Mesmo no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a extinção ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Ultrapassado esse prazo de cinco anos, tais créditos não podem mais ser restituídos ou compensados, uma vez que o direito à restituição encontrase fulminado pela prescrição. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, especificamente quanto à prescrição do direito creditório reivindicado nestes autos. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos a seguir: o acórdão recorrido é divergente do Acórdão de n° 19700004 (proferido nos autos do processo n° 16327.003394/200285), 20175783 (proferido nos autos do processo n° 10140.001700/0026), 20175785 (proferido nos autos do processo n° 10140.001697/00 13); DO DIREITO: DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. DA 1ª DIVERGÊNCIA. DO PRAZO CONTADO DA DATA DA DECISÃO DO STF COM A RESPECTIVA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO N° 11 DO SENADO FEDERAL, DE 11/04/1995. é sabido que a jurisprudência e a doutrina sustentam a tese de que se deve considerar, quando houver decisão erga omnes do STF e posterior Resolução do Senado, o inicio de contagem do prazo de cinco anos para restituição do pagamento de tudo que foi pago Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 5 4 indevidamente como sendo a partir da data da decisão de inconstitucionalidade da norma, ou então da publicação da Resolução do Senado Federal que a suspendeu, se tiver sido emitida; nesse sentido, primeiro precisase se atentar que o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 146.733/92, pela inconstitucionalidade das letras do art. 8° da Lei n° 7.689/88, que contrariando os preceitos constitucionais tributários, determinou, como período base de apuração do quantum o ano de 1988, dando assim vigência à lei já a partir daquele ano de 1988; dentro da sistemática da Constituição de 1988, art. 52, X, o Senado Federal editou posteriormente a Resolução n° 11, de 11/04/1995, suspendendo a eficácia do aludido art. 8°, com efeito erga omnes, nascendo, portanto, a partir deste momento, em favor de todos os contribuintes, o direito à restituição total dos valores pagos a maior sob a égide dos mencionados decretos, a título de CSLL; quando um órgão judicial emite sentença ou acórdão declaratório, não está criando ou modificando um direito ou uma situação jurídica. Em verdade, o direito ou a situação jurídica preexiste à declaração, que apenas tem o condão de confirmar o que sempre foi verdadeiro. Por isso que as sentenças ou acórdão declaratórios têm eficácia ex tunc; a declaração de inconstitucionalidade é fato inovador da ordem jurídica, justamente por suprimir uma norma que vigorava com força de lei e gozava de presunção de constitucionalidade. Assim, o caráter indevido dos pagamentos, que ensejaria o direito à restituição, só se revelaria a partir da declaração de inconstitucionalidade, sendo este o prazo inicial para exercício do direito; desta forma, caso a declaração de inconstitucionalidade se dê pelo controle concentrado (via de ação erga omnes), então é aí o marco inicial que o tributo considerase indevido. Mas se a declaração de inconstitucionalidade se der pelo controle difuso (via da exceção inter partes), então a contagem se dá desde a edição da Resolução do Senado, momento em que se torna oponível contra todos (erga omnes) o fato de que a lei é inconstitucional e qualquer exigência nela baseada é e foi indevida (ex tunc); portanto, tudo o que for anterior à declaração de inconstitucionalidade pode e deve ser reorganizado no mundo jurídico, de forma a se amoldar à Lex Mater. Ou seja, in casu, tudo o que foi recolhido indevidamente debaixo do artigo 8° da Lei 7.689/88 pode e deve ser objeto de restituição ao contribuinte, pois todos aqueles atos impositivos feitos pelo Fisco com base nas normas ilícitas são natimortos, tendo ilicitude ab ovo. Juridicamente falando, nunca ingressaram na ordem constitucional, tendo de ser desfeito, sob pena de violação da Carta Magna; o prazo prescricional para a ora Recorrente pleitear a integral restituição ou compensação do que foi pago indevidamente a título de CSLL durante a vigência do art. 8° da Lei 7.689/88, teria iniciado com a publicação da Resolução n° 11 do Senado Federal, em 11/04/1995. Então, teria a Recorrente até o mês de abril do ano de 2000 para pleitear a restituição c/c compensação de todas as parcelas recolhidas no período de imposição do ilícito art. 8° da lei 7.689/88, e esse Pedido de Compensação obedeceu ao prazo, pois se deu em abril de 1999; Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 6 5 o v. acórdão recorrido diverge nitidamente de inúmeras decisões proferidas pelas Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se pode observar na transcrição abaixo: Acórdão n° 19700004 INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 8º DA LEI N° 7.689/88. RESTITUIÇÃO. PARECER PGFN/CAT N° 1.538/99, AD SRF N° 96/99. DECADÊNCIA. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em matéria de tributos declarados inconstitucionais, o termo inicial de contagem da decadência não coincide com o dos pagamentos realizados, devendose tomálo, no caso concreto, a partir da Resolução n° 11, de 04 de abril de 1995, do Senado Federal, que deu efeitos "erga omnes" à declaração de inconstitucionalidade dada pela Suprema Corte no controle difuso de constitucionalidade. Acórdão nº 20175783 Ementa: PIS/PASEP TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO Nos pedidos de restituição de PIS/PASEP recolhido com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88 em valores maiores do que os devidos com base na Lei Complementar n° 08/70, o prazo decadencial de 05 (cinco) anos contase a partir da data do ato que concedeu ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução n° 49, de 09.10.95, do Senado Federal, ou seja, 10.10.95. esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento no sentido de que, em se tratando de tributos declarados inconstitucionais, o termo inicial de contagem da decadência começa a partir da Resolução n° 11, de 04 de abril de 1995, do Senado Federal, que deu efeitos "erga omnes" à declaração de inconstitucionalidade dada pela Suprema Corte no controle difuso de constitucionalidade; DA 2ª DIVERGÊNCIA. DO PRAZO PARA APROVEITAMENTO DE CRÉDITO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. "CINCO MAIS CINCO ANOS". caso não se considere o evidente direito de restituição das parcelas nos tópicos anteriores o que se cogita por amor ao debate devese considerar então outro aspecto que merece atenção, que é a questão do lançamento por homologação no qual o tributo a este sujeito tem um prazo de cinco mais cinco para restituição; como amplamente demonstrado nos presentes autos, as contribuições à CSLL que fazem parte do objeto do presente processo são daqueles cujo lançamento ocorre por homologação, desse modo, o contribuinte, verificado o faturamento, a renda ou lucro líquido, calcula ele próprio o montante devido da exação tomando a base de cálculo respectiva, e recolhe o tributo, ainda que de forma parcelada, cabendo à Autoridade Fazendária, posteriormente, homologar ou não o procedimento adotado pelo contribuinte; a homologação deve ser dar de forma expressa no prazo de 5 (cinco) anos do recolhimento do tributo pelo contribuinte, sob pena de ocorrer tacitamente. Durante o lapso Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 7 6 temporal entre o fato gerador e o 5º ano posterior, o pagamento efetuado pelo contribuinte dentro do procedimento do lançamento por homologação, inclusive de forma parcelada, permanece todo esse período sob condição resolutória, conforme o disposto no § 1° do art. 150 do CTN; no procedimento do lançamento por homologação, o crédito não se extingue pelo pagamento (recolhimento do tributo devido), ainda que parcelado, nos termos do art. 156, I do CTN. Diferente disso, por força do art. 150 do CTN, esse pagamento fica sob condição resolutória, só operando o efeito extintivo com a homologação, seja ela expressa (fiscalização) ou tácita (inação do Fisco nos 5 anos seguintes à ocorrência do fato gerador); assim, só após o fim do período de 5 (cinco) anos sem que haja manifestação da Fazenda, considerase homologado o pagamento, perdendo o Estado o direito potestativo de impugnar o "autolançamento" do sujeito passivo (procedimentos preparatórios ao lançamento por homologação, tácita ou expressa, que é atividade privativa da autoridade fiscal), de forma que os valores então apurados pelo contribuinte são legitimados, não sendo mais passíveis de controvérsia; para o Fisco, a partir daí iniciase a contagem do prazo prescricional para a cobrança dos valores declarados pelo contribuinte ("autolançados") e que porventura não tenham sido recolhidos devidamente; já para o contribuinte, sabendose que a extinção do crédito tributário cujo lançamento ocorre sob o modelo do art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só se sucede, no caso de homologação tácita, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, é nesse último momento que surge o direito de pedir a restituição dos pagamentos indevidos que tenha realizado. Isso se coaduna perfeitamente com os arts. 165, I e II, e 168, I, do CTN; assim, a prescrição do direito do contribuinte à restituição tem como dies a quo justamente o dies ad quem da decadência do direito da Fazenda Nacional homologar ou não o crédito a ser restituído, pago (recolhido) indevidamente; o acórdão recorrido divergiu do entendimento esposado pelo Segundo Conselho de Contribuintes onde, por unanimidade de votos, os Conselheiros, ao examinarem de oficio a preliminar de decadência do direito do Fisco lançar tributos que se sujeitam à modalidade de lançamento por homologação, assim expuseram: Acórdão nº 20401.202 PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e, de 5 (cinco) anos a contar da homologação, se esta for expressa. o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento no sentido de que deve ser aplicada a tese dos "cinco mais cinco" nos casos de contagem do prazo prescricional para tributos sujeitos ao lançamento por homologação; diante disso, resta clara a segunda divergência do julgado ora recorrido com o entendimento já consolidado deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 8 7 DOS PEDIDOS a contribuinte REQUER que esta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais reforme o Acórdão n° 180200.672, exarado pela 2ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para: 1 declarar que a prescrição do direito do contribuinte à restituição/compensação da CSLL paga a maior em 1989, tributo cujo lançamento é da modalidade "por homologação", segue a regra da contagem de "cinco mais cinco anos", isto é, cinco anos para homologação pelo Fisco dos pagamentos efetuados, e mais cinco anos para pleitear a restituição; ou 2 declarar que o direito do contribuinte à restituição/compensação da CSLL pago a maior deve ser contado desde a edição da Resolução n° 11 do Senado Federal, momento em que foi atribuído efeito "erga omnes" ao julgado do STF que suspendeu a eficácia do aludido art. 8° da Lei 7.689/88; em seguida, com essas declarações de direito, sejam então deferidos, definitivamente: 1 o direito da Recorrente de que os créditos compensáveis sejam atualizados monetariamente desde a data de cada pagamento indevido utilizandose como indexador, o BTN (período de fevereiro de 1989 a janeiro de 1991), o IPC (de 01/02/01 a 31/12/91) e a UFIR (de 01/01/92 em diante), o ajuste correspondente à variação monetária causada pelo expurgo inflacionário, ocorrido em julho e agosto de 1994, para efeito de reconhecer a parcela de correção monetária decorrente da diferença entre UFIR (apurada segundo a variação do IPCAE) e o IGPM da Fundação Getúlio Vargas, do mesmo período, de forma a que se preserve a modificação do poder de compra da moeda, e finalmente a Taxa SELIC, a partir de 01.01.96 (art. 39 da Lei n° 9.250/95), incluindo os expurgos inflacionários conforme jurisprudência pátria ou, no mínimo, a aplicação das regras da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR/SRF n° 08/97; 2 o direito da Recorrente que sobre os créditos atualizados incida juros legais à Taxa SELIC, conforme art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1201000.096, exarado em 29/04/2013, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência de uma das divergências suscitadas (tese dos "cinco mais cinco"), nos seguintes termos: [...] Do simples confronto das ementas do acórdão recorrido com o acórdão paradigma (acórdão n° 20401.202), é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese à interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição/compensação de indébito tributário. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos (recorrido e paradigma) já é possível caracterizar a divergência, haja Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 9 8 vista que tipifica tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido concluise que tratandose de pagamentos de CSLL realizados em 1989, e considerando que somente com a introdução da Lei nº 8.383, em 1991, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já seria suficiente para afastar a tese dos 10 anos. Não obstante, mesmo abstraindo desta questão, o art. 168, I, do Código Tributário Nacional — CTN assegura ao contribuinte o direito de pleitear a restituição de indébitos no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Mesmo no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a extinção ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Ultrapassado esse prazo de cinco anos, tais créditos não podem mais ser restituídos ou compensados, uma vez que o direito à restituição encontrase fulminado pela prescrição. Por sua vez, o acórdão paradigma conclui, que na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anus a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco".), e de 5 (cinco) anos a contar da homologação, se esta for expressa. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pelo contribuinte, para que seja reapreciada a questão discutida nos autos (contagem do prazo decadencial para restituição/compensação de indébito tributário). O processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e o referido órgão não apresentou contrarrazões. Na seqüência, o processo foi distribuído para relatoria e julgamento do recurso especial, quando se constatou que o despacho de admissibilidade não tinha se manifestado sobre a primeira divergência, que abordava uma matéria específica, distinta da tratada na segunda divergência suscitada pelo REsp. O processo foi devolvido à 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, para que se procedesse à complementação do exame de admissibilidade do REsp. O Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, então, exarou um segundo despacho de exame de admissibilidade, em 23/09/2016, para também dar seguimento ao recurso especial em relação à primeira divergência, nos seguintes termos: [...] O recorrente aponta duas alegadas divergências, a seguir apresentadas. 1. Do prazo contado da data da decisão do STF com a respectiva publicação da Resolução n° 11 do Senado Federal, de 11/04/1995. A primeira divergência apontada pelo recorrente trata da determinação do termo inicial da contagem do prazo de decadência para requerer a compensação em tela. O contribuinte afirma que o pagamento que originou o seu crédito referese a CSLL de 1989, considerada Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 10 9 incosntitucional pelo STF e, em razão disso, o início da contagem da decadência se deu na data em que foi publicada a Resolução nº 11 do Senado Federal, a qual deu efeito erga omnes a essa decisão. [...] O Acórdão nº 19700004 adotou a seguinte ementa: [...] A leitura da ementa dessa acórdão já deixa muito claro o entendimento da respectiva Turma Julgadora no sentido de considerar como termo inicial da contagem da decadência em tela a data da Resolução nº 11 do Senado Federal, o que está em oposição ao entendimento adotado na decisão recorrida. Assim, o paradigma é hábil para demonstrar a divergência alegada. O Acórdão nº 20175783 adotou a seguinte ementa: [...] Apesar de a decisão paradigma não tratar especificamente da inconstitucionalidade do artigo 8º da Lei nº 7.689, de 1988, esta trata do mesmo mecanismo de controle de constitucionalidade, em situação equivalente ao presente processo. Assim como no paradigma anterior, a leitura da ementa do segundo acórdão paradigma também demonstra o entendimento da respectiva Turma Julgadora no sentido de considerar como termo inicial da contagem da decadência a data da Resolução do Senado Federal que deu efeito erga omnes para a decisão do STF que declarou inconstitucional a regra matriz do tributo. Assim, esse paradigma também é hábil para demonstrar a divergência alegada. 2. Do prazo para aproveitamento de crédito sujeito a lançamento por homologação. "cinco mais cinco anos". Essa segunda divergência já foi apreciada no despacho de admissibilidade supracitado (fl. 254), o qual a admitiu para dar seguimento ao recurso especial. Ratificase a referida admissão. Conclusão Desta feita, em razão de ter atendido aos pressupostos de admissibilidade, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, opino no sentido de DAR SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Em 26/09/2016, o processo foi novamente encaminhado à PGFN, para ciência desse segundo despacho de admissibilidade, e em 05/10/2016 o referido órgão apresentou contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 11 10 a matéria ora objeto de debate, concernente à determinação do termo inicial da contagem do prazo de decadência para requerer restituição/compensação de tributo declarado inconstitucional já se encontra pacificada administrativamente; na realidade, a matéria já estava pacificada por ocasião do despacho que examinou primeiramente a admissibilidade do apelo, em 29/04/2013. Isso porque em 2011, o STF, no RE n. 566.621/RS, julgou a matéria sob a sistemática da repercussão geral; considerandose os termos do RICARF, não é possível conhecer de recurso especial que indica como paradigma acórdão que trata de tese já superada, inclusive por julgado com repercussão geral reconhecida emanada do STF; DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ad argumentandum tantum, caso o recurso especial seja conhecido com relação à matéria, cabe consignar os seguintes fundamentos; como se sabe, o STF, ao apreciar a constitucionalidade do art. 4° da Lei Complementar n. 118/05 nos autos do RE n. 566.621/RS, considerouo inconstitucional em sua parte final, no ponto em que determina que o art. 3º da referida LC (que dispõe, em suma, que o prazo para a repetição do indébito de tributos sujeitos a lançamento por homologação conta se da data do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º do CTN) possui natureza interpretativa e, portanto, retroage para alcançar fatos pretéritos. E, ao afastar, em parte, a constitucionalidade desse dispositivo, o STF firmou, quanto à aplicação da referida Lei Complementar no tempo, que a sua incidência deverá se dar em relação às ações de repetição de indébito ajuizadas após ultrapassados os 120 (cento e vinte) dias da sua vacatio legis, ou seja, após a sua entrada em vigor, o que, na linha do art. 8º, § 1º, da LC n. 95/98, ocorreu no dia 8 de junho de 2005; a aplicação prática desse entendimento significa, em suma, que as ações de repetição de indébito tributário ajuizadas após o dia 8 de junho de 2005 (a partir do dia 9 de junho) somente permitem, se for o caso, a devolução de tributos pagos indevidamente nos últimos 5 anos (aplicação da nova regra prevista no art. 3º da LC). Por outro lado, as ações de repetição de indébito ajuizadas até o dia 8 de junho de 2005 submetemse ao entendimento antigo, até então predominante (tese dos “5+5”), de modo que permitem a devolução dos tributos pagos indevidamente, conforme o caso, até os últimos 10 anos; consoante as informações que se extraem do julgamento realizado pelo STF, o RE da Fazenda Nacional foi julgado improcedente (mantidos o resultado e os fundamentos do acórdão recorrido, do TRF da 4ª Região), por seis votos a quatro, uma vez que: (1) os quatro votos favoráveis à Fazenda Nacional foram no sentido da total procedência do RE fazendário, dispensando, portanto, maiores comentários; (2) por outro lado, dos seis votos pela improcedência do RE da Fazenda Nacional, apenas dois (Ministro Celso de Mello e Ministro Luiz Fux) foram no sentido da aplicação da tese que vingou no STJ, enquanto quatro foram parcialmente favoráveis à Fazenda Nacional, inclusive o voto da Ministra Relatora, com relação ao critério de direito intertemporal utilizado para a contagem da prescrição qüinqüenal para repetição do indébito tributário, após a entrada em vigor da LC 118/2005, fixando entendimento diverso do adotado pelo STJ, a saber: 1. STJ: (1) o prazo prescricional de cinco anos para as ações de repetição de indébito tributário, definido na LC 118/2005, incide apenas sobre os pagamentos indevidos Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 12 11 ocorridos após a entrada em vigor de referida lei; (2) relativamente aos pagamentos indevidos realizados anteriormente à vigência da novel LC 118/2005, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (sistemática dos cinco mais cinco) – ainda que não se tenha ajuizado ação de repetição de indébito; 2. STF: (1) o prazo prescricional de cinco anos para as ações de repetição de indébito tributário, definido na LC 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas após a entrada em vigor da nova lei complementar, ainda que estas ações digam respeito a pagamentos indevidos realizados anteriormente à vigência da nova lei. a razão para esse discrimen, para o STF, é o fato de o legislador ter oferecido prazo dilatado de vacatio legis, de 120 (cento e vinte) dias, mais que suficiente para que o contribuinte pudesse fazer valer em juízo sua pretensão de repetição do indébito tributário (uma vacância estendida da nova lei), evitandose, assim, a ocorrência da prescrição; o julgamento pelo STF do RE n. 566.621/RS ocorreu sob a sistemática da repercussão geral. Preenchidos os pressupostos para a incidência do art. 62, §2º, do RICARF/2015, o entendimento sedimentado pelo STF deve ser aplicado tal qual proferido; logo, a Fazenda Nacional requer que o entendimento proclamado pelo STF em repercussão geral seja estritamente observado. Isto é, tratandose de pedido formulado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo prescricional decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito deve ser contado a partir do fato gerador de cada obrigação tributária (e não considerando a data de pagamento), considerandose como termo ad quem a data de apresentação do pedido administrativo de restituição; desse modo, deve ser rejeitada a pretensão do ora recorrente. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial suscitada pela contribuinte em relação à prescrição de direito creditório reivindicado em pedido de restituição de valores pagos a título de CSLL nos meses de abril, maio, junho, julho, setembro e outubro de 1989, referentes às cotas da referida contribuição que foi apurada no períodobase de 1988. O pedido de restituição foi apresentado em 19/04/1999. A questão que se apresenta nestes autos está relacionada com o problema da inconstitucionalidade da exigência da CSLL no seu primeiro ano de vigência (1988), conforme reconhecido pelo STF, em razão de o legislador não ter observado o princípio da anterioridade quando instituiu a referida contribuição. Essa é a motivação do pedido de restituição. O acórdão recorrido entendeu que o direito creditório estava fulminado pela prescrição. Em seu recurso especial, a contribuinte questiona essa decisão a partir de duas divergências jurisprudenciais, cujos argumentos estão apresentados nos seguintes tópicos: III. A DA 1ª DIVERGÊNCIA. DO PRAZO CONTADO DA DATA DA DECISÃO DO STF COM A RESPECTIVA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO N° 11 DO SENADO FEDERAL, DE 11/04/1995. III. B DA 2ª DIVERGÊNCIA. DO PRAZO PARA APROVEITAMENTO DE CRÉDITO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. "CINCO MAIS CINCO ANOS". Em sede de contrarrazões, a PGFN suscita preliminar de não conhecimento do recurso especial da contribuinte, mas essa preliminar deve ser rejeitada. O exame da referida preliminar provoca uma inversão na análise das divergências acima mencionadas. A preliminar de não conhecimento do recurso deve ser rejeitada porque ela envolve, na verdade, questões de mérito relativas à segunda divergência, que dizem respeito à aplicação ao presente caso do que foi decido pelo Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do RE nº 566.621/RS, sob a sistemática da repercussão geral, quando se entendeu que para pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/2005 (09/06/2005), relativamente a indébitos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação do indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador (a conhecida "tese dos 5+5"). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 14 13 Aliás, é importante frisar que as duas partes (recorrente e recorrida) buscam igualmente a aplicação da mesma tese que foi referendada pelo mencionado julgado do STF, mas chegam a conclusões diferentes nessa atividade de subsunção do fato à norma. Realmente, pelo §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF", o que levaria à aplicação do que restou decidido pelo STF, sob a sistemática da repercussão geral. Ocorre que o acórdão recorrido abordou um aspecto importante que não foi refutado no recurso especial da contribuinte, que também não foi considerado pelos paradigmas, e que deve ser levado em conta na aplicação da referida "tese dos 5+5". Cabe novamente observar que somente com a edição da Lei nº 8.383/1991, especificamente em razão dos seus artigos 38 a 44, é que o IRPJ e a CSLL passaram a ser tributos sujeitos a lançamento por homologação, com o regramento dado pelo art 150 do CTN, o que é fundamental para a aplicação da tese dos 10 anos (5+5). É apenas a partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, que o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto (tanto o IRPJ quanto a CSLL), independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, conforme já reconheceu essa mesma 1ª Turma da CSRF em outra oportunidade: Acórdão nº 910100.169 Sessão de 15 de junho de 2009 Assunto: Decadência Anoscalendário: 2000 Ementa: IRPJ DECADÊNCIA: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O Imposto de Renda, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, estava sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houver tributo a ser pago. [...] (grifos acrescidos) Esse aspeto foi destacado inclusive na ementa do acórdão recorrido, mas não foi abordado no recurso especial da contribuinte: Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 15 14 REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REGRA GERAL. Tratandose de pagamentos de CSLL realizados em 1989, e considerando que somente com a introdução da Lei n° 8.383, em 1991, é que esta contribuição ficou submetida ao regime do lançamento por homologação, tal contexto, por si só, já seria suficiente para afastar a tese dos 10 anos. [...] O que é importante perceber é que a tese dos 10 anos (5+5), que foi referendada pelo STF para pedidos de restituição apresentados antes de 09/06/2005, só é aplicável para tributos sujeitos a lançamento por homologação, em razão da própria lógica que leva ao reconhecimento desse prazo ampliado. A própria decisão do STF no acórdão RE nº 566.621/RS deixa bem claro que a tese dos 5+5 é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, e a própria recorrente reconhece expressamente isso. Há também uma súmula do CARF que não deixa dúvidas sobre esse aspecto: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Contudo, a contribuinte não desenvolveu argumentos para afastar o óbice apontado pelo acórdão recorrido em relação ao seu pleito. A conhecida tese dos 10 anos (5+5) só é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, e a CSLL referente ao períodobase de 1988 não se enquadra nessa condição. De qualquer forma, ainda que se entenda pela aplicação do prazo de prescrição duplicado (10 anos), vale registrar que ele é contado da data do fato gerador do tributo que gerou o indébito (no caso, 31/12/1988). Desse modo, mesmo com o prazo de 10 anos, haveria a prescrição do direito creditório, eis que o pedido de restituição somente foi apresentado em 19/04/1999. Assim, em relação à segunda divergência, cabe negar provimento ao recurso especial da contribuinte. A primeira divergência traz questões sobre a contagem do prazo de prescrição nas situações em que o indébito decorre do reconhecimento de inconstitucionalidade da norma tributária, no caso, da inconstitucionalidade da CSLL de 1988 declarada pelo STF, acompanhada da Resolução nº 11 do Senado Federal, de 11/04/1995. Com base nos paradigmas, a contribuinte argumenta que o prazo prescricional de 5 anos para ela pleitear a integral restituição ou compensação do que foi pago indevidamente a título de CSLL durante a vigência do art. 8° da Lei 7.689/88, teria se iniciado com a publicação da Resolução n° 11 do Senado Federal, em 11/04/1995, e que, portanto, ela teria até o mês de abril do ano de 2000 para ingressar com pedido de restituição/compensação. A contribuinte também defende o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade têm eficácia ex tunc e de que tudo o que for anterior à declaração de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 16 15 inconstitucionalidade pode e deve ser reorganizado no mundo jurídico, de modo que tudo o que foi recolhido indevidamente com base no artigo 8° da Lei 7.689/88 pode e deve ser objeto de restituição ao contribuinte, pois todos aqueles atos impositivos feitos pelo Fisco com base nas normas ilícitas são natimortos, tendo ilicitude ab ovo. Percebese que a primeira divergência não traz questões apenas em relação à simples definição do marco temporal para o início da contagem da prescrição. O que também se busca com a definição desse marco temporal é tornar sem efeito os prazos de prescrição previstos no CTN, para que a possibilidade de repetição de indébito se estenda indefinidamente em relação ao passado. No contexto da época em que foi editado, o acórdão recorrido entendeu que o fato de a CSLL do períodobase de 1988 ser tributo submetido a lançamento por declaração, não afetava apenas a matéria tratada na segunda divergência relativa à "tese dos 5+5" (examinada acima), mas também afetava diretamente a matéria tratada na primeira divergência, no que toca às implicações do reconhecimento da inconstitucionalidade no prazo de prescrição do direito creditório. Isto porque na data da Resolução do Senado Federal, em 11/04/1995, já havia ocorrido a prescrição dos alegados pagamentos indevidos de CSLL feitos ao longo de 1989. No caso de tributo sujeito a lançamento por declaração, o prazo de prescrição de indébito é simples (e não duplicado), ou seja, 5 anos contados do pagamento (CTN, art. 168, II). A própria ementa do acórdão recorrido também aborda essa questão, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS DE ACORDO COM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. LIMITE AO ALCANCE RETROATIVO DO EFEITO "ERGA OMNES". Embora a declaração de inconstitucionalidade produza, em regra, efeitos ex tunc, o alcance retroativo da decisão judicial encontra limites, especialmente para aqueles contribuintes que não provocaram o controle de constitucionalidade, mas apenas ficaram aguardando o seu desfecho, de modo a usufruir do efeito erga omnes da decisão. Eis um corolário básico do principio da segurança nas relações jurídicas, posto que, se assim não for, a instabilidade seria eterna, porque o STF sempre poderá, no futuro, declarar a inconstitucionalidade de qualquer norma. As decisões do STF, tanto no controle direito, quanto no indireto (com Resolução do Senado Federal), não tem o condão de reabrir os prazos de decadência e prescrição já consumados. Conquanto o pedido de restituição pudesse atender o critério dos cinco anos contados da Resolução do Senado Federal publicada em 11/04/1995, ainda assim, mesmo para aqueles que adotam esse critério, a Resolução não poderia desconstituir as relações jurídicas já blindadas pelo tempo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por algum tempo, em época anterior à edição do acórdão recorrido, editou decisões que, examinando indébito decorrente de pagamento feito com base em norma declarada inconstitucional, afastavam os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional (p/ ex., REsp nº 534.986SC, de Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 17 16 04/11/2003), o que reforçava a tese defendida pela contribuinte, no sentido de que a possibilidade de repetição de indébito, nesses casos, não tem nenhum limite em relação ao passado. Contudo, o STJ revisou a sua jurisprudência, e passou a entender que, nesse mesmo tipo de situação, os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional devem ser aplicados, tanto no caso de a inconstitucionalidade ser decretada no controle concentrado, quanto no caso de ser decretada no controle difuso. É importante transcrever a ementa e o voto do julgamento do REsp nº 1.110.578SP, exarado em 12/05/2010 na sistemática do art. 543C do CPC: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. [...] Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 18 17 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, preenchidos os requisitos de admissibilidade do presente apelo, impõese o seu conhecimento. Versa a controvérsia acerca do termo inicial de contagem do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativo a tributo instituído por lei municipal declarada inconstitucional, in casu, a lei instituidora da Taxa de Iluminação Pública referente aos exercícios de 1990 a 1994, cuja declaração de inconstitucionalidade, em sede de Ação Civil Pública, transitou em julgado em 09/04/96 (fls. 825). O Tribunal a quo entendeu que não seria hipótese de ocorrência da prescrição em relação aos créditos tributários em tela, porquanto não decorrera mais de um lustro entre o trânsito em julgado da decisão da ACP e a propositura da demanda. Deveras, o presente tema termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativa a tributo declarado inconstitucional sofreu alterações ao longo do tempo, tendo a jurisprudência desta Corte Superior adotado o entendimento de que o prazo prescricional somente se iniciaria a partir do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (controle concentrado) ou da publicação da Resolução do Senado Federal (controle difuso). À guisa de exemplo, os seguintes precedentes: [...] Não obstante, a egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos lançados por homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, sendo despiciendo o fato de haver ou não declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora pelo Supremo Tribunal Federal, nem a suspensão da execução da lei por Resolução expedida pelo Senado Federal (cf. Informativo de Jurisprudência do STJ nº. 203, de 22 a 26 de março de 2004). Confirase a ementa do julgado: [...] Destarte, a partir de então, aplicase a mesma ratio essendi em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, considerandose como início do prazo prescricional a data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. Nesse sentido inúmeros julgados: [...] Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 19 18 Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso especial. Porquanto tratarse de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do art. 543C do Código de Processo Civil, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados, com fins de cumprimento do disposto no parágrafo 7º do artigo 543C do Código de Processo Civil (arts. 5º, II, e 6º, da Resolução 08/2008). (grifos acrescidos) Vêse que o STJ, examinando situação muito semelhante à destes autos, decidiu pela prescrição do direito creditório, em razão do lapso temporal transcorrido entre os pagamentos e o pedido de restituição. O que é importante perceber é que para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito. A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. Desse modo, a inconstitucionalidade da CSLL de 1988 declarada pelo STF, acompanhada da Resolução nº 11 do Senado Federal, de 11/04/1995, são aspectos que não devem influenciar a contagem do prazo prescricional em questão. Os prazos a serem aplicados para a contagem da prescrição são mesmo os previstos no CTN, conforme a referida decisão do STJ, exarada na sistemática do art. 543C do CPC. E conforme já mencionado no tópico anterior deste voto, os reivindicados indébitos estão prescritos tanto pelo prazo simples (5 anos do pagamento), quanto pelo prazo duplicado (10 anos do fato gerador). Desse modo, também cabe negar provimento ao recurso especial no que toca à primeira divergência, que busca fixar o marco temporal para início da contagem da prescrição na data da Resolução nº 11 do Senado Federal, ou seja, em 11/04/1995. Em resumo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, relativamente às duas divergências suscitadas. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10280.001272/9995 Acórdão n.º 9101002.724 CSRFT1 Fl. 20 19 Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003603/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
São cabíveis Embargos de Declaração para suprir omissão do acórdão embargado, hipótese em que o novo acórdão será proferido para integrar o acórdão omisso, sem alterar-lhe na parte já julgada.
Numero da decisão: 2202-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.729, de 12/08/2014, alterar a parte dispositiva do acórdão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em relação à conta nº 6.320-7, mantida perante a agência 3327 do Banco do Brasil, e à conta nº 45.078-2, mantida perante a agência nº 0503-7 do Bradesco, nos termos do relatório e votos que integram esse acórdão".
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. São cabíveis Embargos de Declaração para suprir omissão do acórdão embargado, hipótese em que o novo acórdão será proferido para integrar o acórdão omisso, sem alterar-lhe na parte já julgada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.729, de 12/08/2014, alterar a parte dispositiva do acórdão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em relação à conta nº 6.320-7, mantida perante a agência 3327 do Banco do Brasil, e à conta nº 45.078-2, mantida perante a agência nº 0503-7 do Bradesco, nos termos do relatório e votos que integram esse acórdão". (ASSINADO DIGITALMENTE) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
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OMISSÃO. São cabíveis Embargos de Declaração para suprir omissão do acórdão embargado, hipótese em que o novo acórdão será proferido para integrar o acórdão omisso, sem alterarlhe na parte já julgada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.729, de 12/08/2014, alterar a parte dispositiva do acórdão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em relação à conta nº 6.3207, mantida perante a agência 3327 do Banco do Brasil, e à conta nº 45.0782, mantida perante a agência nº 05037 do Bradesco, nos termos do relatório e votos que integram esse acórdão". (ASSINADO DIGITALMENTE) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 03 /2 00 7- 76 Fl. 394DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF por omissão de rendimento. Intimado, o Contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ. Ainda insatisfeito, interpôs Recurso Voluntário, que foi julgado procedente por este e.CARF. Intimada, a Procuradora da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração ora analisados. Feito o resumo da lide, passo ao relato pormenorizado dos autos. Em 27/11/2007 foi lavrado auto de infração (fls. 337/337) em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF referente ao anocalendário de 2002 no valor de R$ 449.163,73, além de juros e multa de ofício, vez que foi constatada "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA". Conforme o TVF (fls. 330/334), o Contribuinte foi intimado, durante a fiscalização, a comprovar a origem dos créditos efetuados em seu favor perante instituições financeiras. Também, foi identificado que o Contribuinte mantinha contas bancárias em co titularidade. Intimado em 14/12/2007 (fl. 344), o Contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2008 (fls. 345/349 e docs. anexos fls. 350/351), na qual argumentou, em síntese: · Que a conta mantida perante o Banco do Brasil (conta nº 6.3027 / agência nº 3327) e perante o Bradesco (conta nº 45.0782 / agência nº 05037) não podem ser mantidas posto que restou comprovado serem mantidas em cotitularidade com o Sr. Fernando Kiyoshi Ohno e, tendo em vista que o outro cotitular não foi intimado a comprovar a origem dos recursos, o lançamento é nulo; e · Que houve cerceamento do direito de defesa vez que a autoridade lançadora intimou o Contribuinte a comprovar a origem de todos os depósitos efetuados em 2002, 2003, 2004 e 2005, não tendo tido tempo hábil a fazêlo até o final de 2007, quando foi autuada parcialmente, relativamente ao ano de 2002. Levada a julgamento em primeiro grau, a DRJ proferiu o acórdão nº 17 29.814 (fls. 357/362), de 02/02/2009, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202003.685 S2C2T2 Fl. 395 3 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RELAÇÃO PESSOAL COM O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. O contribuinte, detentor dos recursos financeiros de origem não comprovada em conta bancária de sua titularidade, ainda que compartilhada, é sujeito passivo da obrigação tributária emergente, portanto, passível de autuação pelo descumprimento da referida obrigação na forma da legislação em vigor aplicável conforme as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. Art. 121, caput e parágrafo único, do C T N. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa durante a verificação dos fatos, visto ser incabível tal alegação ante a ausência de litígio, na fase inquisitória, ou seja, antes da formalização da exigência fiscal cujo procedimento transcorreu com a regular e exaustiva intimação do contribuinte de todos os atos e ao final forneceu ao contribuinte todos os elementos para impugnação. CF/88 art.5°, LV. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Somente as referidas provas podem refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lançamento Procedente em Parte. Intimado dessa decisão em 13/04/2009 (fl. 367), e ainda irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 369/373 e docs anexos fls. 374/375) em 12/05/2009, no qual repetiu o argumento já trazido na impugnação de que as contas bancárias mantidas em conjunto não podem ser mantidas, haja vista que este não foi intimado durante a fiscalização para comprovar a origem dos recursos depositados. Nesse sentido, concluiu não ser possível simplesmente exonerar 50% da base de cálculo em relação a essas contas, devendose anular o lançamento. Levado a julgamento em segundo grau, foi proferido o acórdão CARF nº 2202002.729 (fls. 377/382), desta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, julgado na sessão de 12 de agosto de 2014, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário na forma da ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE DEPÓSITO BANCÁRIO FALTA DE INTIMAÇÃO DO COTITULAR Fl. 396DF CARF MF 4 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Sumula 29 CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. Intimada a Fazenda Nacional, esta opôs Embargos de Declaração (fls. 385/388), ao argumento de que: · "Conforme a leitura do Termo de Verificação Fiscal, podese observar que foram diversas contas bancárias mantidas pelo contribuinte e objeto da presente autuação" fl. 385; · Que a DRJ já deu provimento parcial à impugnação, para reduzir em 50% a base de cálculo referente às duas contas bancárias mantidas em cotitularidade nas quais o outro cotitular não foi intimado, mas que há contas bancárias que não estão eivadas pelo vício; · Que o acórdão do CARF embargado deu provimento ao fundamento de que não se mostra adequada a redução do montante tributável pelo número de titulares; · Que o Recurso Voluntário pede a "NULIDADE DO LANÇAMENTO"; · Que, da leitura do dispositivo, podese entender que foi declarada a nulidade do lançamento em relação a todas as contas bancárias; · Que há contas bancárias que não estão eivadas do vício, portanto devem persistir na base de cálculo, a despeito da irregularidade reconhecida; e · Que se faz necessário "restringir a abrangência do provimento do Recurso Voluntário, sob pena de tornar contraditório o julgado, uma vez que os fundamentos apresentados pelo colegiado não alcançam todas as contas bancárias objeto da autuação." fl. 387/388. Os Embargos Declaratórios já foram recebidos pelo então presidente da turma, conforme Despacho s/n de 07/04/2015 (fls. 391/392), com base em informações ofertada pelo relator anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202003.685 S2C2T2 Fl. 396 5 Os Embargos são tempestivos e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Embargo de Declaração Como aponta o relatório, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra o acórdão CARF nº 2202002.729 uma vez que o acórdão concluiu por dar provimento ao recurso voluntário nos termos da Súmula CARF nº 29, porém algumas das contas bancárias identificadas não estão eivadas do vício reconhecido. Efetivamente, a forma como foi redigido o acórdão embargado deixa margem à interpretação de que todo o lançamento deve ser anulado, e não somente a parte referente às contas correntes eivadas do vício. Contudo, compulsando os autos, percebese que essa obscuridade pode ser facilmente sanada. Em primeiro lugar, a impugnação delimitou claramente as contas bancárias que estavam eivadas do vício. É o que se extrai do seguinte excerto: "A fiscalização se baseou nos elementos extraídos, na sua quase totalidade, das contas bancárias movimentadas no Banco do Brasil ( conta nº 6.3207,Agência 3327 Juventus) e noBRADESCO (conta nº 45.0782, da Agência 05037) contas essas que o autuado, ora impugnante, manteve e movimentou conjuntamente com o sr. FERNANDO KIYOSHI OHNO CPF 030.324.95873 conforme faz prova, com a documentação anexa (docs: 02 a 04)." fls. 345/346; Nesse sentido, limitou a lide em relação a essa nulidade. Consequentemente, ao reiterar seu pleito em sede de Recurso Voluntário, fêlo em relação a essas duas contas, e não em relação a todas as contas que compunham a base de cálculo. Em segundo lugar, o voto embargado também foi claro em apontar que o vício se referia apenas a duas contas. É o que se extrai do seguinte excerto: "Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, eis que ambas as contas correntes cujos depósitos não (sic) tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares, na esteira da jurisprudência desse Conselho de Contribuintes" fl. 382; Em suma, está claro que o Recurso Voluntário se restringiu às duas contas impugnadas. Por sua vez, correta a decisão embargada, porquanto deu provimento integral ao Recurso Voluntário que, novamente, se limitava às contas impugnadas. Outrossim, fica constatada, efetivamente, a obscuridade apontada pela Embargante, vez que a leitura isolada do acórdão permite interpretação mais abrangente. Por Fl. 398DF CARF MF 6 essa razão, entendo ser conveniente integrar o acórdão embargado para alterar a redação dada à decisão do colegiado, restringindo o provimento às contas impugnadas. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher o Embargo de Declaração, atribuindolhe efeito infringente para dar alterar a redação dada à decisão do colegiado na seguinte forma: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em relação à conta nº 6.3207, mantida perante a agência 3327 do Banco do Brasil, e à conta nº 45.0782, mantida perante a agência nº 05037 do Bradesco, nos termos do relatório e votos que integram esse acórdão. " (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008147/2007-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA QUARTA REGIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 81 47 /2 00 7- 74 Fl. 542DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 230101.841, proferido em 10/02/2011 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa e decisum encontramse a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO DO ART. 173, INCISO I. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, a omissão no recolhimento de contribuições sobre pagamentos de jetons e auxílio alimentação sem inscrição no PAT induz à aplicação da regra do art. 173, inciso I. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10680.008147/200774 Acórdão n.º 9202005.146 CSRFT2 Fl. 244 3 gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da exigência de contribuição sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela exclusão desses valores; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento – devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150, do CTN. Nos termos do acórdão acima referido, o colegiado que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência de alguns dos períodos lançados, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. A ausência de recolhimentos no caso em destaque se deu por omissão da recorrente quanto à sua obrigação de incluir na base de cálculo todos os fatos geradores da contribuição e não por interpretação jurídica diversa do fisco, o que impede a aplicação da regra do dies a quo do art. 150, §4º do CTN. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, no qual alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de Fl. 544DF CARF MF 4 contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Requer que seja afastada a decadência das contribuições da competência de 12/2000. Foi dado seguimento ao recurso especial. Cumpre referir que houve equívocos na cientificação do acórdão 2301 01.841 ao sujeito passivo: inicialmente, em 18/06/2012, houve intimação para ciência do acórdão de n° 240101.759, estranho ao presente processo, conforme se depreende da leitura do termo de intimação de resultado de julgamento, intimação n° 908/2012 somente com o equívoco identificado, é que o sujeito passivo foi novamente intimado, em 03/07/2012, para ciência do acórdão de n° 230101.841, objeto do presente processo, conforme se depreende da leitura do termo de intimação 1733/2012. Ocorre que, na análise de admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo, o equívoco acima não foi percebido e o prazo para interposição do recurso foi contado a partir da primeira (equivocada) intimação, nos termos a seguir reproduzidos: No caso em tela, o Contribuinte foi cientificado do acórdão 230101.841 em 18/06/2012, conforme AR juntado aos autos do processo eletrônico, vindo a interpor o Recurso Especial somente em 18/07/2012, conforme carimbo de protocolo no recurso especial, portanto quando já esgotado o prazo de quinze dias (esgotado em 02/07/2012), estabelecido no dispositivo regimental retro transcrito. Em vista do exposto, o Recurso Especial do Sujeito Passivo não foi conhecido. Do despacho que não conheceu o Recurso Especial do Sujeito Passivo, foi dada a devida ciência ao interessado que, entretanto, quedouse silente quanto à ocorrência de qualquer lapso na decisão. É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10680.008147/200774 Acórdão n.º 9202005.146 CSRFT2 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Antes de adentrar à análise da discussão do Recurso Especial da Fazenda Nacional, entendo serem necessárias algumas considerações quanto ao exame de admissibilidade do Recurso Especial do Sujeito Passivo. Conforme relatado, verificase possível lapso manifesto na análise de admissibilidade do recurso. Ocorre que para lapso manifesto há remédio processual, previsto no art. 66 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF vigente à época (salientese que esse dispositivo se encontra também no atual Regimento Interno). A seguir, para fins de esclarecimento, cumpre reproduzir o referido art. 66: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Assim, como não houve requerimento de nenhum dos legitimados para apreciação de algum lapso manifesto na análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, que não há possibilidade de sua consideração por parte do colegiado. Feitas as necessárias considerações, passo à análise do mérito. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Fl. 546DF CARF MF 6 Não cabe aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, pois, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra parte, na forma estabelecida para o Processo Administrativo Fiscal, deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Realizado o necessário esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 547DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.001218/2003-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Reputam-se homologadas no prazo de 05 (cinco) anos da entrega da
declaração de compensação, as compensações efetuadas sob a égide do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações produzidas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 1803-000.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Reputam-se homologadas no prazo de 05 (cinco) anos da entrega da declaração de compensação, as compensações efetuadas sob a égide do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações produzidas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES - Presidente. (assinado digitalmente) WALTER ADOLFO MARESCH - Relator. EDITADO EM: 23/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório Fl. 584DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES 2 SATIPEL INDUSTRIAL S/A incorporadora de SATIPEL MINAS INDUSTRIAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. A Interessada apresentou, em 10/03/2003, Declaração de Compensação (DCOMP) em que apontou crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 282.863,39, e saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 73.507,92, apurados no ano- calendário (AC) 2002,110 total de R$ 356.371,31 em valores originais, e débitos nos códigos 2362 e 2484, no montante de R$ 366.955,54. 2. O contribuinte foi intimado em 30/01/2008 a apresentar documentos em 10 dias (fls. 118 e 119). Em 07/02/2008, solicitou a dilação do prazo por mais 20 dias. Foram juntados documentos (fls. 123 a 270). 3. Foram juntados Despachos Decisórios referentes aos processos 13804.002996/2001-73 (fls. 271 a 274), 13804.002995/2001-29 (fls. 275 a 280). n 4. Em 28/05/2008, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO, em que RECONHECEU o direito creditório de R$ 356.371,31 (R$ 282.863,39 + R$ 73.507,92) e HOMOLOGOU a DCOMP de fl. 01 até o limite do direito creditório reconhecido, conforme a seguir resumido (fls. 281 a293). 4.1. Como a procedência dos saldos credores reivindicados depende da análise de valores apurados nas DIPJ/2001 e DIPJ/2002, far-se-á, preliminarmente, a análise daquelas declarações da mais antiga para a mais atual, antes de se proceder à análise do direito creditório. 4.2. Ano-calendário 2000 => analisando-se a DIPJ/2001, a DIRF (fls. 38/42) e as DCTF (fls. 33/37), bem como os documentos juntados pelo interessado (fls. 139/270),verifica-se o que segue. 4.2.1. IRPJ. 4.2.1.1. O saldo credor de IRPJ apurado no ano-calendário analisado monta a R$ 153.962,03, foi utilizado no processo n° 13804.002996/2001-73 (cópia do despacho decisório às fls. 271/274) e está demonstrado no quadro a seguir. (...). 4.2.2. CSLL. 4.2.2.1. O saldo de CSLL apurado no ano-calendário monta a R$ 63.636,91, foi utilizado no processo n° 13804.002995/2001-29 (cópia do despacho decisório às fls. 275/278) e está demonstrado no quadro a seguir. (...). 4.3. Ano-calendário 2001 => analisando-se a DIPJ/2002, a DIRF (fls. 55/57) e as DCTF (fls. 58/65), bem como os documentos juntados pelo interessado (fls. 139/270), Fl. 585DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES Processo nº 13804.001218/2003-29 Acórdão n.º 1803-000.657 S1-TE03 Fl. 353 3 I, verifica-se que: 4.3.1. IRPJ. 4.3.1.1. O saldo credor de IRPJ apurado no ano-calendário analisado monta a R$ 94.365,77, e está demonstrado no quadro a seguir. (...). 4.3.2. CSLL. 4.3.2.1. O saldo de CSLL apurado no ano-calendário monta a R$ 30.663,00 e está demonstrado a seguir. (...). 4.3.2 2 Esse saldo foi utilizado para amortizar a maior parte do valor de CSLL apurado por estimativa em janeiro de 2002, conforme extrato DCTF de fl. 93. 4.4. Ano-calendário 2002 => analisando-se a DIPJ/2003, a DIRF (fls. 96/100) e as DCTF (fls. 91/94), bem como os documentos juntados pelo interessado (fls. 139/270), verifica-se que: 4.4.1. IRPJ. 4.4.1.1. Foi atestada a retenção do IRRF no valor de R$ 116.103,05, L conforme extratos DIRF (fls. 96/100). Entretanto, o valor passível de aproveitamento na DIPJ está restrito a R$ 116.035,15, uma vez que não tendo sido submetida à tributação a receita relatii7a à prestação de serviços (linha 08 — fl. 80), o valor do IRRF correspondente (R$ 67,90) deve ser subtraído daquele total. 4.4.1.2. O saldo credor de IRPJ apurado no ano-calendário analisado monta a R$ 282.863,39, e está demonstrado na tabela a seguir. (...). 4.4.2. CSLL. 4.4.21. O saldo de CSLL apurado no ano-calendário monta a R$ 73307,92 e está demonstrado a seguir. (...). 4.5. Assim, considerando que todas as compensações efetuadas sem processo constam das DCTF respectivas (fls. 58/65 e 91/93) e foram submetidas ao crivo do sistema de cálculo denominado SAPO — Sistema de Apoio Operacional, cujos memoriais de cálculo foram juntados às fls. 109/117, e tudo o mais que dos autos consta, a Autoridade Administrativa RECONHECEU o direito creditório total 356.371,31 e HOMOLOGOU a declaração de compensação formulada à fl. 01, até o limite do direito creditório reconhecido. 5. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 28/05/2008 (AR; fl.293-v), e dele recorreu a esta DRJ, em 27/06/2008, por meio de seus advogados (fls. 314 a 321), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 308 a 314). Fl. 586DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES 4 I. DOS FATOS 5.1. Em 09/06/2008, a Manifestante foi intimada a efetuar o recolhimento do saldo devedor que estaria em aberto, no total atualizado de R$14.096,51 referente ao valor, principal de R$ 7.020,53, no prazo de 30 dias. Contudo, a manifestante não se conforma com a presente decisão, posto que nada é devido, conforme restará demonstrado. II. DAS RAZÕES DE INCONFORMISMO 11.1. Da Inexistência de débitos indevidamente compensados 5.2. Cumpre ressaltar que os valores originários, tanto do crédito como dos débitos compensados totalizam a quantia de R$ 356.371,31, sendo que a diferença apontada por esse r. órgão encontra-se pautada na correção monetária, e conforme provaremos abaixo, nada é devido pela manifestante. 11.2. Da correção monetária (taxa selic e juros) 5.3. Consta claramente na decisão em debate que sobre o valor deferido de R$, 356.371,31 incide taxa SELIC a partir de 01/01/2003, conforme quadro explicativo, item "b" das considerações finais da decisão. 5.4. Contudo, analisando os cálculos realizados, constata-se que sobre o valor deferido não foi aplicada a taxa SELIC referente ao mês de janeiro de 2008 sic (1,97%), tendo sido aplicado apenas o juros de 1% relativo ao mês de fevereiro de 2003, mês em que realizada a compensação. Transcreve legislação em defesa de sua tese. 5.5. Verifica-se que o valor que está sendo apontado como pendente de Pagamento se refere exatamente ao valor apurado com a aplicação da taxa SELIC ou seja: R$ 5.572,41 (IRPJ), e R$ 1.448,11 (CSLL), total de R$ 7.020,52. III. DO PEDIDO 5.6. Diante do exposto, requer a reforma da decisão impugnada, a conseqüente homologação total da compensação efetuada, extinguindo-se o débito em cobrança, e a suspensão da presente cobrança, até o julgamento da presente manifestação de inconformidade A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão 16-19.966, de 19 de dezembro de 2008 (fls. 324/333), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO. A compensação objeto de Declaração de Compensação apresentada à RFB até 27 de maio de 2003 será efetuada considerando-se a data do encerramento do período de apuração do débito, quando a data do crédito for anterior a esta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 587DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES Processo nº 13804.001218/2003-29 Acórdão n.º 1803-000.657 S1-TE03 Fl. 354 5 Ano-calendário: 2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. Refoge à competência das Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ciente da decisão em 26/01/2009, conforme Aviso de Recebimento - AR (fl. 334.v), apresentou em 25/02/2009 o recurso voluntário de fls. 335/342, onde reitera os termos da inicial de que tem direito à atualização da taxa SELIC desde janeiro/2003, devendo o direito creditório ser integralmente reconhecido e homologadas as compensações efetuadas. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação decorrente de direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ e CSLL do ano calendário 2002 (apuração anual), com débitos vencidos em 28/02/2003 e apresentada em 10/03/2003. A Administração Tributária da unidade da RFB de origem reconheceu integralmente o direito creditório original, cingindo-se o litígio ao não reconhecimento da atualização da taxa SELIC relativa ao mês de Janeiro/2003 (1,97%), tendo sido reconhecido apenas o percentual de 1%. Antes de adentrarmos ao mérito do litígio, impende reconhecer mesmo não tendo sido argüida pela parte, a matéria relativa a homologação tácita da compensação. Com efeito, conforme se depreende do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a declaração de compensação extingue o débito sob condição resolutória, até sua ulterior homologação (§ 2º). O prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Destarte, considerando que a Declaração de Compensação foi entregue em 10/03/2003 (fl. 01) e a ciência da não homologação ocorreu somente em 28/05/2008 (fl. 293.v), constata-se que a compensação realizada já estava homologada, sendo impertinente a discussão travada no bojo do presente processo administrativo. Ante o exposto, já tendo decaído o direito da Fazenda Nacional em rever as compensações declaradas, reputam-se homologadas as compensações realizadas. Fl. 588DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES 6 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinatura eletrônica) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 589DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MOR AES
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Numero do processo: 12898.000399/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei.
AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §3º, da Lei nº 8.212/91.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 1999.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e anteriores à obrigatoriedade de declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009), e a multa de ofício na novel redação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91 (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).
Numero da decisão: 2301-004.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à impossibilidade de aferição indireta, vencidos o relator e o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Quanto ao aproveitamento dos recolhimentos efetuados constantes das guias GRPS juntadas às fls136, 142, 147, 149, 157, 160, 163, 174, 179 e 181, os quais deverão ser utilizados para reduzir o crédito tributário lançado de ofício, dar provimento , por unanimidade de votos. Quanto às multas previdenciárias (período anterior à GFIP), por maioria de votos, foi dado parcial provimento para aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram pela aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (limite de 20%). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo, em relação às matérias aferição indireta e aplicação da multa.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício e Redatora.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §3º, da Lei nº 8.212/91. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 1999. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e anteriores à obrigatoriedade de declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), aplica se a multa mais benéfica, obtida pela comparação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009), e a multa de ofício na novel redação do art. 35A da Lei nº 8.212/91 (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 99 /2 01 0- 31 Fl. 284DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à impossibilidade de aferição indireta, vencidos o relator e o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Quanto ao aproveitamento dos recolhimentos efetuados constantes das guias GRPS juntadas às fls136, 142, 147, 149, 157, 160, 163, 174, 179 e 181, os quais deverão ser utilizados para reduzir o crédito tributário lançado de ofício, dar provimento , por unanimidade de votos. Quanto às multas previdenciárias (período anterior à GFIP), por maioria de votos, foi dado parcial provimento para aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram pela aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (limite de 20%). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo, em relação às matérias aferição indireta e aplicação da multa. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício e Redatora. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Com fundamento na responsabilidade solidária, a fiscalização de tributos federais lavrou auto de infração DEBCAD nº 37.276.4479 contra a ora Recorrente, objetivando o recolhimento de contribuição previdenciária dos empregados, devida originariamente pela empresa prestadora de serviços de construção civil PROCTOR CONSTRUÇÕES INST. E ENG. LTDA., relativa aos meses de agosto/1998, setembro/1998 e outubro/1998. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 15), a autuação baseiase no fato de a Recorrente não ter apresentado à fiscalização os comprovantes de pagamento dos débitos exigidos, como forma de elidirse da responsabilidade solidária, prevista no art. 30, inc. VI da Lei nº 8.212/91. A base de cálculo do tributo lançado de ofício foi apurada por meio de arbitramento por aferição indireta (40% sobre o valor da nota fiscal, nos termos do art. 336 da Instrução Normativa RFB 971/2009), tendo sido ainda acrescido de multa e de juros. O valor lançado, com os acréscimos, alcançou R$ 19.943,20, em 12/04/2010. É importante frisar que, em nenhum momento dos trabalhos fiscais, a contribuinte PROCTOR foi intimada pela fiscalização para prestar esclarecimentos sobre o Fl. 285DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 285 3 recolhimento das contribuições previdenciárias ora exigidas. Somente depois da conclusão dos trabalhos, uma via do auto de infração foi direcionada pelo correio à contribuinte (fls. 23). O crédito foi inicialmente constituído por meio da NFLD n° 35.442.2383, cuja ciência do sujeito passivo deuse no ano de 2002. Tal NFLD foi julgada nula, por vício formal, pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, por meio do acórdão n° 001330/2005, de 23/09/2005. Novo lançamento de ofício foi então promovido pela fiscalização, o qual foi cientificado à Recorrente e à devedora originária em 19/04/2010 (fls. 22 e 23). Ambas apresentaram impugnações, as quais tiveram seus provimentos negados, em decisão de primeira instância administrativa, pela DRJ/Rio de Janeiro, assim ementada (fls. 193): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CONSTRUÇÃO CIVIL. REVISÃO DE OFÍCIO. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda, não comportando benefício de ordem. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito de qualquer um dos devedores solidários, inteligência do art. 30, VI da Lei 8.212/1991. Verificado algum vício sanável no lançamento, o mesmo pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. A não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização e necessários à verificação do fato gerador enseja o lançamento arbitrado pela técnica da aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 3o da Lei 8212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ainda inconformadas, a Recorrente e a devedora originária apresentaram recurso voluntário a este CARF, argumentando, em síntese, o seguinte: (i) a necessidade da realização de prova pericial; (ii) o decurso do lapso decadencial para o fisco promover o lançamento de ofício; (iii) a nulidade do lançamento, tendo em vista que (iii.1) a responsabilidade solidária não dispensa a autoridade autuante de fiscalizar o prestador de serviços, a fim de confirmar que o tributo exigido não foi quitado espontaneamente; (iii.2) restando verificado a existência do débito, realizar o lançamento em face do prestador, que é o real contribuinte; (iii.3) analisar a escrituração contábil do prestador para determinar a real base de cálculo do tributo, e, apenas no caso da sua total imprestabilidade, lançar por arbitramento (aferição indireta); (iv) a realização do pagamento do débito, mediante a juntada de diversas Fl. 286DF CARF MF 4 guias de recolhimento; e (v) subsidiariamente, defendeu a redução da multa lançada para 20%, com base nas alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 21/10/2011 (sexta feira) e os recursos voluntários foram interpostos em 21/11/2011. Por serem tempestivos e por cumprirem com as formalidades legais, deles tomo conhecimento. Pedido de Realização de Perícia A Recorrente solicita a realização de prova pericial com o intuito de confirmar se a análise das guias de pagamento juntadas aos autos em confronto com a folha de salários da PROCTOR aponta para a existência de qualquer débito em aberto para o período de apuração autuado. Todavia, a folha de salários da PROCTOR sequer foi juntada ao presente processo, não havendo como se realizar a diligência pretendida. Além disso, a existência ou não dos fatos que embasam o lançamento fiscal em julgamento baseiase exclusivamente em provas documentais, cuja produção já foi devidamente oportunizada à Recorrente. A avalição e a qualificação jurídica desse conjunto probatório compete agora ao julgador, não havendo necessidade de esclarecimentos adicionais por perito. Decadência Alegase o transcurso do prazo decadencial para a fiscalização efetuar o lançamento de ofício, uma vez que os fatos geradores ocorreram em 1998, enquanto que o procedimento fiscalizatório somente teria se iniciado somente em 25/03/2015, com um intervalo de 12 anos. No entanto, esquecese de mencionar que, em 2002, houve a emissão da NFLD nº 35.442.2383, cuja nulidade formal foi declarada pelo CRPS no acórdão nº 0001330, de 23/09/2005, interrompendo o fluxo do prazo decadencial, nos termos do art. 173, II do CTN. Tendo a intimação do lançamento corretivo ocorrida em 19/04/2010, constatase que o lapso quinquenal não se completou. Dessa forma, a preliminar de decadência deve ser rejeita. Responsabilidade Solidária Em virtude da relação jurídica existente entre as empresas envolvidas (contratação para execução de obras de construção civil), a Recorrente figurou como responsável solidária da PROCTOR com relação ao cumprimento das obrigações previdenciárias desta, nos termos do art. 30, inc. VI da Lei nº 8.212/91: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 286 5 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) O Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (Decreto nº 356/91 e alterações posteriores), vigente à época dos fatos, esclarecia as atribuições do responsável tributário e a maneira de elidir a responsabilidade tributária (grifamos): Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º. A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º. Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. A imputação de responsabilidade solidária à Recorrente não é um ponto controvertido no presente processo. Arbitramento das Contribuições Previdenciárias por Aferição Indireta O ponto controvertido, a meu ver, referese ao procedimento adotado pela fiscalização para apurar as contribuições previdenciárias supostamente devidas. Fl. 288DF CARF MF 6 A fiscalização entende que, em virtude de a Recorrente não lhe ter apresentado os documentos exigidos pela legislação, estava autorizada a imediatamente arbitrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, mediante a técnica de aferição indireta (art. 33, §§ 3º e 6º, Lei nº 8.212/91), não sendo imperiosa qualquer diligência prévia perante o contribuinte (PROCTOR) com o fito de verificar o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Já a Recorrente defende que a imputação de solidariedade não retira o ônus da fiscalização de promover as competentes averiguações prévias perante o contribuinte (PROCTOR) para que só então, diante da impossibilidade de verificação dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, utilizese do arbitramento. Nessa questão, considero assistir razão à Recorrente. Ora, o instituto da responsabilidade solidária almeja conferir maior proteção ao crédito tributário, atribuindo o dever de adimplemento a mais de um sujeito. A caracterização do disposto no art. 30, inc. VI da Lei nº 8.212/91 (aliada à ausência dos procedimentos elisivos) faz com que o terceiro passe a integrar a relação tributária na qualidade de responsável solidário, mas não de contribuinte. A ampliação da sujeição passiva, por outro lado, não altera os demais critérios da obrigação tributária, especialmente aqueles relacionados à determinação da base de cálculo (remuneração dos segurados). Nessa toada, o Fisco deveria ter procedido ao levantamento da real base de cálculo das contribuições junto à prestadora de serviços (PROCTOR), analisando sua folha de pagamento, seus livros contábeis etc. o que acabou não acontecendo. Somente diante da impossibilidade comprovada de determinar a remuneração dos segurados é que subsidiariamente a autoridade fiscal poderia lançar mão do procedimento de aferição indireta. O próprio § 6º do art. 33 acima transcrito exige da fiscalização o exaurimento das tentativas previamente ao arbitramento da base de cálculo (“Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que...”). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 287 7 Nesse sentido, o procedimento adotado pela fiscalização de arbitrar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias com base no valor das notas fiscais, sem ouvir previamente a prestadora (PROCTOR), tornou a falta de apresentação da documentação pela Recorrente uma presunção absoluta tanto da inadimplência dos tributos quanto da impossibilidade de aferição da base de cálculo original. Esta é a posição reiterada de ambas as turmas da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (os grifos são nossos): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO OU AFERIÇÃO INDIRETA. IMPOSSIBILIDADE. FATO GERADOR ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98. ENTENDIMENTO PACÍFICO DO STJ. 1. Esta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que não é possível o lançamento da contribuição previdenciária por arbitramento ou aferição indireta nas contas da empresa tomadora de serviços, relativamente ao fato gerador ocorrido em data anterior à vigência da Lei 9.711/98, sem que antes tenha o Fisco verificado a contabilidade da empresa prestadora, exigência essa que não afasta a responsabilidade solidária entre o prestador do serviço e o contratante. Precedentes: AgRg no REsp 1142065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/06/2011 e AgRg no REsp 1348395/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 04/12/2012. 2. Na hipótese dos autos, percebese que o lançamento abrange períodos anteriores à vigência da Lei 9.711/98. (STJ, 1ª Turma, AgRg no AREsp 294.150, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 20/02/2014) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212∕91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83∕STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212∕91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83∕STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Fl. 290DF CARF MF 8 Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. (STJ, 2ª Turma, AgRg no Ag 1.348.395, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/11/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EMPRESA CONTRATANTE. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. SOLIDARIEDADE. REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N. 9.711/87 QUE ESTABELECEU A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO / AFERIÇÃO INDIRETA APENAS A PARTIR DA CONTABILIDADE DA EMPRESA CONTRATANTE (DEVEDORA SOLIDÁRIA). ART. 33, § 6º, DA LEI N. 8.212/91 E 148 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O presente caso cuida de situação anterior à Lei n. 9.711/98, hipótese diversa da retratada no acórdão embargado, merecendo, portanto, reforma. Houve omissão quanto à tese de que a responsabilidade da sociedade tomadora somente poderia ter sido invocada se ficasse constatada, mediante verificação da autarquia previdenciária junto à prestadora dos serviços, o inadimplemento da contribuição previdenciária. 2. Não existindo para o contratante, antes da Lei n. 9.711/98, o dever de apurar e reter valores, não era permitido à Fazenda Pública utilizarse da técnica do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 para aferir indiretamente o montante devido a partir do exame da contabilidade da empresa contratante de mão de obra, sem antes buscar a apuração da base de cálculo e de eventuais pagamentos realizados na documentação do contribuinte (executor/cedente). Isso deveria ter ocorrido primeiramente em relação à contabilidade de quem tinha o dever de apurar e pagar o tributo, ou seja, a empresa cedente de mão de obra. 3. Sendo insuficiente a documentação da empresa contribuinte, seria possível ao órgão fazendário buscar na documentação de terceiros, tal como o contratante, os elementos necessários à estipulação do tributo devido mediante arbitramento (art. 148 do CTN). 4. Apenas a partir da Lei n. 9.711/98, quando a empresa contratante de mão de obra passou a ser responsável tributário, se tornou possível aplicar a técnica da aferição indireta do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 diretamente em relação à sua contabilidade, porquanto passou competir a ela o dever de apurar e efetivar retenções em nome da empresa cedente. 5. Dessarte, não se está a negar a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra antes da Lei n. 9.711/98. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é a forma utilizada para apurar o crédito tributário, porquanto se utilizou da aferição indireta a partir do exame da contabilidade do Fl. 291DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 288 9 devedor solidário apenas, deixando de buscar os elementos necessários junto à empresa cedente (contribuinte). 6. Precedentes: AgRg no REsp 840179/SE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24.3.2010; REsp 727.183/SE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 18.5.2009; e REsp 780.029/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 5.11.2008. 7. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes. (STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no Ag 1.043.396/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/10/2010) Por essa razão, entendo que o lançamento fiscal deve ser cancelado. Alegação de Pagamento do Débito Na eventualidade de restar vencido no julgamento das questões anteriores, avanço minha análise sobre a alegação de pagamento da contribuição previdenciária, de acordo com os diversos documentos acostados. O lançamento sob análise abrange as contribuições previdenciárias incidentes somente sobre os serviços relacionados aos contratos elencados na planilha elaborada pela autoridade fiscal para a determinação das bases de cálculo por aferição indireta (fls. 21). A prestadora (PROCTOR) junta diversas guias de recolhimento em que é possível identificar a referência aos contratos mencionados na planilha fiscal. São as GRPS juntadas às fls. 136, 142, 147, 149, 157, 160, 163, 174, 179, 181. Tais recolhimentos servirão, quando menos, para diminuir o valor de principal que foi lançado de ofício pela autoridade fiscal. Multa e Retroatividade Benigna Ainda na eventualidade de restar vencido no julgamento das questões anteriores, analiso derradeiramente a cobrança da multa, a qual foi originalmente aplicada com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97 (fls. 10): Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 292DF CARF MF 10 II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se vê, a redação do art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições sociais em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Dentro desse regime de penalidades, vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Pois bem. A partir da unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, ocorrida em 2007, uma série de modificações foi introduzida na legislação das contribuições previdenciárias, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. Assim, a partir de dezembro/2008, com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a redação do art. 35 foi alterada para prever a aplicação da multa de mora da legislação tributária federal (art. 61 da Lei nº 9.430/96) e um novo dispositivo foi inserido na Lei nº 8.212/91, o art. 35A, para dispor sobre a multa de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96). A apresentação ou não de declaração (GFIP) à autoridade fiscal e o momento da atuação da fiscalização passaram a determinar a aplicação da multa de mora ou da multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do Fl. 293DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 289 11 art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Um tema que tem gerado controvérsia na jurisprudência e que apresenta, ao menos, duas linhas interpretativas referese à aplicação da retroatividade benigna, constante do art. 106 do CTN, do novo art. 35 e do art. 35A em relação ao antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Eventualmente, a fundamentação jurídica dessas duas linhas de interpretação pode variar, mas o resultado alcançado por quaisquer dessas vertentes será o especificado a seguir. A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os rifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Fl. 294DF CARF MF 12 Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 290 13 No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), o art. 112 do CTN retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o acusado com a aplicação da penalidade mais branda. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. Fl. 296DF CARF MF 14 Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, voto por limitar a multa imposta com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (20%), por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e da interpretação mais favorável ao acusado prevista no art. 112 do CTN. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento integral ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, para reconhecer a nulidade do auto de infração e cancelar, desse modo, todo o lançamento de ofício. Subsidiariamente, caso vencido, voto (a) por reconhecer os recolhimentos efetuados constantes das guias GRPS juntadas às fls. 136, 142, 147, 149, 157, 160, 163, 174, 179 e 181, os quais deverão ser utilizados para reduzir o crédito tributário lançado de ofício; e (b) por limitar a multa imposta com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (20%), na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e da interpretação mais favorável ao acusado prevista no art. 112 do CTN. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Voto Vencedor Fl. 297DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 291 15 Conselheira Redatora Andrea Brose Adolfo. Peço vênia para discordar do nobre relator, com relação aos termos do seu voto no que tange à responsabilidade solidária e consequente aferição indireta das contribuições previdenciárias, bem como à redução da multa aplicada. Responsabilidade Solidária. Aferição Indireta. Sobre a responsabilidade solidária, entendo que a recorrente (tomadora dos serviços) se insurge por ter sido chamada a responder pelas contribuições previdenciárias apuradas antes do prestador do serviço, sustentando que a solidariedade entre ambos só ocorreria na falta de pagamento primeiro pelo contribuinte, conforme os seguintes trechos colacionados do recurso: Importante destacar que, apesar de a Lei n° 8.212/91 prever a responsabilidade solidária do tomador em determinados serviços, o fato é que o contribuinte originário das contribuições continua sendo a empresa prestadora do serviço, que é quem efetivamente pratica o fato gerador (pagamento de seus empregados). Assim, praticado o fato gerador pelo contribuinte originário (que é inclusive aquele que detém a capacidade contributiva do evento tributado), compete a ele recolher o tributo devido. Apenas no caso de sua inadimplência é que o devedor solidário poderá ser chamado a pagar o débito, até mesmo porque ele é um garantidor do débito, e não o contribuinte original. ... Transmutando estas lições para o presente caso, vislumbramos que a Proctor Construções e a Recorrente assumem posições diversas perante o fato gerador: o primeiro é empregador e prestador de serviço, a segunda é tomadora do serviço. Ou seja, a Proctor Construções Inst. e Engenharia Ltda. está diretamente ligada ao fato gerador (contribuinte), ao passo que a Recorrente está apenas indiretamente ligada (responsável). ... No presente caso, a RFB limitouse a fiscalizar e autuar a Recorrente. Acertou apenas nesta última etapa, visto que a lei o autoriza a eleger a Impugnante como pagadora do crédito, mas errou ao não constituir este crédito perante o contribuinte, tornando nulas as duas primeiras etapas acima descritas. ... Notese, portanto, que o equívoco cometido na autuação fiscal, ratificado pela DRJ, é imputar à Recorrente, desde o nascimento do fato gerador da contribuição previdenciária, a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação da empresa prestadora de serviço, quando o certo seria verificar primeiro se Fl. 298DF CARF MF 16 houve cumprimento da obrigação pelo contribuinte originário da exação, qual seja a empresa contratada. ... No caso dos autos, como a autoridade fiscal, além de não ter efetuado prévio lançamento contra o devedor original, sequer verificou se o débito havia ou não sido quitado pelo prestador do serviço, fica clara a impossibilidade de se exigir o pagamento diretamente do devedor solidário. Assim, apesar da recorrente não contestar sua responsabilidade solidária com as contribuições previdenciárias lançadas, refuta o modus operandi adotado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste ponto, entendo que não assiste razão à recorrente, prevalecendo o entendimento explanado pela turma julgadora a quo, de que, ao não exigir "da prestadora o comprovante do pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura", a tomadora assumiu o ônus da obrigação tributária por solidariedade, podendo o crédito ser constituído contra qualquer um dos solidários. A solidariedade está prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do mesmo diploma legal dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30. (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das Fl. 299DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 292 17 obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por sua vez, o Decreto nº 2.173, de 5/03/1997, vigente à época do fato gerador, assim dispunha em seu art. 43, verbis: Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Assim, ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, o legislador outorgou à autoridade previdenciária a possibilidade de cobrar a obrigação de qualquer dos solidários. A constituição do crédito tributário pode ocorrer tanto no prestador quanto no tomador de serviços. Tal questão, inclusive, restou submetida à análise pelo Conselho Pleno do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social, que, por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº. 1, de 31 de janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007assim decidiu: Enunciado Nº 30 Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial Nº 1.177.895 RS: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS Fl. 300DF CARF MF 18 EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). (...) 6. A responsabilidade tributária, quanto aos seus efeitos, pode ser solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal (quando o contribuinte ou o responsável figura como único sujeito passivo responsável pelo recolhimento da exação). 7. Por oportuno, forçoso ressaltar que a solidariedade tributária não é forma de inclusão de terceiro na relação jurídica tributária, mas grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam eles contribuintes ou contribuinte e responsável tributário, vale dizer: a responsabilidade de sujeitos passivos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si ou contribuinte e responsável) pode ser solidária ou subsidiária (notas de Mizabel Derzi na atualização da obra "Direito Tributário Brasileiro", de Aliomar Baleeiro, 11ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2000, pág. 729). 8. O artigo 124, do Codex Tributário, ao tratar da solidariedade na seara tributária, fixa que a mesma não comporta benefício de ordem (parágrafo único) quando se estabeleça entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e entre as pessoas expressamente designadas por lei (inciso II), o que importa em evidente tautologia, uma vez que a inaplicabilidade do beneficium excussionis decorre da essência do instituto em tela. 9. Deveras, na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável). Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem in totum et totaliter pela dívida integral. 10. Flagrante ausência de tecnicidade legislativa se verifica no artigo 134, do CTN, em que se indica hipótese de responsabilidade solidária "nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte" , uma vez cediço que o instituto da solidariedade não se coaduna com o benefício de ordem ou de excussão. Em verdade, o aludido preceito normativo cuida de responsabilidade subsidiária. 11. Conseqüentemente, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regeram e que regem as relações jurídicas em comento, a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 293 19 responsabilidade instituído entre os mesmos ou atribuído a um único sujeito passivo (contribuinte ou responsável). 12. É certo que a responsabilidade solidária prevista na legislação previdenciária abrange tanto as contribuições sociais devidas pela empresa (enquanto contribuinte, portanto), como aquelas decorrentes da substituição tributária (contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada), sobressaindo, ao menos, 3 (três) regimes legais que subordinam o thema iudicandum . 13. Destacase, preliminarmente, o período anterior à promulgação da Constituição Federal de 1988, (...) (...) 15. Outrossim, após a entrada em vigor da Constituição Federal, que reconheceu a natureza tributária das contribuições sociais devidas à Seguridade Social, o preceito normativo inserto no artigo 124, do CTN, passou a ser, indubitavelmente, aplicável à espécie, legitimando a interpretação de que era solidária a responsabilidade prescrita na Lei 3.807/60 e no Decreto 89.312/84, que expressamente dispunham sobre a responsabilidade tributária solidária entre os substitutos tributários (dono da obra/proprietário/condômino e executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada e entre o substituto (dono da obra/proprietário/condômino) e o contribuinte (executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela empresa contratante da mão deobra. 16. Forçoso reconhecer que o referido regime sobreviveu à edição das Leis 8.212/91 e 9.528/97 (que enfatizou a inaplicabilidade, em qualquer hipótese, do benefício de ordem), findando com o início da produção dos efeitos da Lei 9.711/98, que se deu em 1º de fevereiro de 1999 (artigo 29). 17. Nesses moldes, multifários precedentes do STJ, que pugnam pela solidariedade da responsabilidade tributária, facultando ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo de seu crédito tributário, observadas as normas referentes ao direito regressivo do contratante contra o executor, a possibilidade de prévia retenção pelo tomador de serviço e a possibilidade de elisão da responsabilidade tributária do prestador ante a comprovação de recolhimento prévio das contribuições, mediante retenção efetuada pela contratante (REsp 376.318/SC, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.02.2002, DJ 18.03.2002; AgRg no Ag 463.744/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 20.05.2003, DJ 02.06.2003; REsp 477.109/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.08.2003, DJ 15.09.2003; AgRg no REsp 186.540/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 15.12.2003; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 24.05.2004; REsp 623.975/RS, Rel. Ministra Fl. 302DF CARF MF 20 Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 23.05.2006, DJ 19.06.2006; REsp 780.703/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 01.06.2006, DJ 16.06.2006; REsp 971.805/PR, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 06.11.2007, DJ 29.11.2007; e AgRg nos EDcl no REsp 375.769/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.12.2007, DJ 14.12.2007). 18. A Lei 9.711/98, entretanto, que introduziu a hodierna redação do artigo 31, da Lei 8.212/91 (terceiro regime legal que se vislumbra), instituiu técnica arrecadatória via substituição tributária (...) (...) 22. Agravo regimental desprovido. Acerca do procedimento de aferição indireta dos salários de contribuição, temse que a legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, incidente sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Portanto, ao deixar de apresentar a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária nas competências 08/1998 a 10/1998, quais sejam, cópia da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento elaborada distintamente pelo executor em relação a cada contratante, a recorrente não conseguiu fazer prova da quitação das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra constante da nota fiscal de prestação de serviços, justificando, assim, a aplicação da aferição indireta pela fiscalização. Desta feita, correto o lançamento do crédito previdenciária constante dos autos. Multa. Retroatividade benigna. Em relação à multa previdenciária aplicada, transcrevo trecho do voto vencedor da lavra da Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis no Acórdão nº 2301004.384, sessão de 08/12/2015, que considero bastante didático: O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/91, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos Fl. 303DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 294 21 incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 ; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o , da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º. Fl. 304DF CARF MF 22 A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991, acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... Portanto, entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. No presente caso, como o período do lançamento é anterior à obrigatoriedade da declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009), e a multa de ofício na novel redação do art. 35A da Lei nº 8.212/91 (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Tal análise deverá ser realizada no momento da liquidação do débito (pagamento ou parcelamento), ou, na sua falta, no momento do ajuizamento da execução fiscal, a teor do disposto no art. 2º, caput e § 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Conclusão Fl. 305DF CARF MF Processo nº 12898.000399/201031 Acórdão n.º 2301004.891 S2C3T1 Fl. 295 23 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, para aplicação da multa mais benéfica. É como voto. Andrea Brose Adolfo Redatora Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722024/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO UTILIZADA NO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Controvérsia sobre a forma de tributação utilizada no lançamento diz respeito ao mérito da exigência, não havendo que se falar em nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. CSLL. SUBVENÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS.
Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Contudo, descaracteriza-se como subvenção para investimento quando se constata que o valor do benefício fiscal, em único ano-calendário, é absolutamente desproporcional aos investimentos comprometidos com o Estado durante todo o período de fruição de tal benefício. Nesse caso, subvenção é tida como de custeio e, como tal, tributada, compondo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE.
Reiteradaeincontroversaéajurisprudênciaadministrativanosentidodeque o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz,émedidaexcepcional,somenteaplicávelquandonoexamedeescritaaFiscalizaçãocomprovaqueasfalhasapontadasseconstituememfatosque,camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros.
BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E JUROS EXIGIDOS DE OFÍCIO. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE APÓS CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A dedução dos valores de tributos e juros exigidos de ofício não segue a regra geral do regime de competência, somente podendo ser efetivada na apuração do resultado referente ao período em que se operar a constituição definitiva do crédito tributário lançado.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, quanto ao mérito da exigência, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a autuação do PIS e da Cofins. Por voto de qualidade, manter a cobrança da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO UTILIZADA NO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Controvérsia sobre a forma de tributação utilizada no lançamento diz respeito ao mérito da exigência, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. CSLL. SUBVENÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Contudo, descaracterizase como subvenção para investimento quando se constata que o valor do benefício fiscal, em único anocalendário, é absolutamente desproporcional aos investimentos comprometidos com o Estado durante todo o período de fruição de tal benefício. Nesse caso, subvenção é tida como de custeio e, como tal, tributada, compondo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiteradaeincontroversaéajurisprudênciaadministrativanosentidodeque o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz,émedidaexcepcional,somenteaplicávelquandonoexamedeescritaaFisca lizaçãocomprovaqueasfalhasapontadasseconstituememfatosque,camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 20 24 /2 01 4- 91 Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 755 2 para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E JUROS EXIGIDOS DE OFÍCIO. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE APÓS CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A dedução dos valores de tributos e juros exigidos de ofício não segue a regra geral do regime de competência, somente podendo ser efetivada na apuração do resultado referente ao período em que se operar a constituição definitiva do crédito tributário lançado. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, quanto ao mérito da exigência, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a autuação do PIS e da Cofins. Por voto de qualidade, manter a cobrança da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 756 3 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 757 4 Relatório NILCATEX TEXTIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1457.894 da 13ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), constantes de fls. 159/252, formalizados no âmbito da DRF Blumenau/SC, referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 13.502.174,42, aí incluídos principal, multa de ofício de 75%, juros de mora, estes últimos calculados até junho de 2014, e multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativa, discriminado por tributo à fl. 288, como segue: Soma ............... .........R$ 13.502.174,42 Nos Autos de IRPJ e CSLL foram descritas as seguintes infrações (fls. 160/161 e 172/173): 1) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro Real. exclusões Indevidas (e da base de cálculo ajustada da CSLL item 002) Valores referentes às subvenções, excluídos indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real [anoscalendário de 2011 e 2012]; 2) Resultados Operacionais não declarados Opção Indevida pelo Lucro Presumido Contribuinte, obrigado a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real, entregou declaração [para o anocalendário de 2012] optando pelo lucro presumido, mas manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. 3) Multa Isolada Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica [e da CSLL], incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução [em alguns períodos mensais de 2011]. E dos Autos de PIS e COFINS (fls. 183/216 e 218/252) constam: Fl. 757DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 758 5 1) Incidência Não Cumulativa Padrão – Insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins Valores referentes à apuração na modalidade nãocumulativa, decorrente da opção indevida pelo lucro presumido [períodos mensais de 2012] 2) Incidência nãocumulativa Padrão. Omissão de receita sujeita à contribuição para o PIS/PASEP [e à Cofins] Valores referentes às subvenções [períodos mensais de 2011 e 2012] 3) Créditos Descontados Indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores O sujeito passivo descontou em sua apuração os créditos da nãocumulatividade demonstrados no quadro Créditos Descontados Indevidamente pelo Sujeito Passivo, os quais foram utilizados de ofício nos meses de maio e junho, ocasionando contribuição a pagar relativamente aos períodos informados abaixo [períodos de julho, agosto e setembro de 2011] As irregularidades constatadas foram contextualizadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 254/280, no qual inicia a Fiscalização descrevendo a abrangência do Termo (procedimento fiscal de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins nos anoscalendário de 2011 e 2012) e identificando a contribuinte fiscalizada como NILCATEX TÊXTIL Ltda., doravante também denominada simplesmente NILCATEX ou FISCALIZADA empresa sediada em Blumenau/SC, cujo objetivo social principal é a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares. Informa a autoridade fiscal que a empresa apresentou DIPJ, para o anocalendário 2011, com base no Lucro Real Anual, com determinação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL com base em balancetes de suspensão/redução, e, para o ano calendário de 2012, com base no Lucro Presumido. No item 3 de seu Termo, sob o Título “Das Subvenções” , a Fiscalização aborda a concessão de benefícios fiscais do ICMS devido ao Estado de Mato Grosso do Sul, por força de acordo firmado entre a unidade federada e a fiscalizada, expondo, de início, que: Da análise da DIPJ da empresa, relativa ao anocalendário 2011, verificouse que foram registrados os seguintes valores relacionados com doações e subvenções: Na sequência, descreve ter iniciado a fiscalização mediante Termo de Início (fls. 02/05), recepcionado em 28/11/2013, por meio do qual foram solicitados: • Relação mensal de todos os valores escriturados a título de “Doações e Subvenções para investimento” nos anos 2011 e 2012; • Cópias, em meio digital, de todos os convênios assinados referentes a subvenções, válidos para os anos 2011 e 2012; • Justificativa para o não preenchimento dos valores referentes às subvenções nas fichas 06A e 07A da DIPJ. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 759 6 E expõe que, em atendimento (fls. 06/07), a empresa apresentou a relação mensal dos valores escriturados, cópia do LALUR e cópia do Termo de acordo nº 605/2005, celebrado entre o Estado de Mato Grosso do Sul e a fiscalizada, e informou também que a ausência de dados nas linhas de subvenções, das fichas 06 e 07 da DIPJ, ocorreu por erro de preenchimento. Apresenta a Fiscalização tabela com um resumo mensal dos valores obtidos com os benefícios fiscais : É esclarecido, então, no Termo de Verificação, a contabilização desses valores a débito da conta do ICMS a recolher e a crédito de uma conta de resultado (conta redutora de custos), conforme resumo abaixo: Débito a: 1192 – ICMS a recuperar (ativo) Crédito a: 3074 – ICMS Cred. Presumido Termo Acordo 605/2005 (resultado) E concluiu a autoridade fiscal que, deste modo, estes valores afetaram a apuração do lucro contábil, mediante uma redução dos custos, porém não fizeram parte da receita bruta operacional. Esses valores foram excluídos da base do Lucro Real, em 2011, mediante lançamentos no LALUR. Com relação ao ano de 2012, os valores das subvenções não fizeram parte da base do lucro presumido. Aborda o Autuante o acordo decorrente da legislação estadual: O acordo foi celebrado em 2005, nos termos da Lei Complementar Estadual nº 93, no qual a NILCATEX se comprometeu a instalar uma unidade industrial em troca da concessão de benefício fiscal. O acordo estipulou a implantação até 2009 da unidade industrial, com os seguintes investimentos previstos: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 760 7 O Estado, como incentivo à instalação do empreendimento, concedeu diversos benefícios fiscais para a fiscalizada, tais como: 67% do saldo devedor do ICMS pelo prazo de 15 anos, 75% do saldo devedor do ICMS nas saídas interestaduais, crédito presumido equivalente a 50% nas saídas interestaduais realizadas com mercadorias importadas, dentre outros. Prossegue o Autuante descrevendo as intimações formuladas após o Termo de Início, as respostas apresentadas e as respectivas análises: A empresa foi intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 01 [fls. 56/58], a apresentar a relação dos valores desembolsados em 2011 e 2012, e que possuíssem alguma relação com a implantação do empreendimento previsto no Acordo nº 605/2005, firmado com o Estado de Mato Grosso do Sul. Esta relação deveria contemplar datas, valores e beneficiários. Em atendimento a esta intimação [fl. 59], a empresa apresentou somente uma listagem do livro razão com as contas do ativo imobilizado da filial. A tabela abaixo contém um resumo dos saldos inicial e final das contas listadas no livro razão da filial: De imediato podemos constatar que o saldo total final é inferior ao saldo total inicial. Somente as contas 1820, 1827 e 1753 tiveram acréscimos nos saldos finais, mesmo assim foram valores muito inferiores ao total dos benefícios obtidos, da ordem de R$ 11 milhões. Além disso, a planilha apresentada não contém a relação dos valores desembolsados que possuíam alguma relação com a implantação ou expansão do empreendimento. A relação apresentada contém somente os lançamentos efetuados no Ativo Imobilizado, sem discriminar quais possuíam efetiva relação com a implantação do empreendimento. Dando prosseguimento, no Termo de Intimação Fiscal nº 02 [fls. 82/86], constatamos para a fiscalizada que os benefícios fiscais obtidos deveriam fazer parte da receita bruta total e que ela teria ultrapassado o limite permitido para opção pelo lucro presumido, sendo assim a empresa foi intimada a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR e a relação de todos os créditos possíveis de aproveitamento na apuração das contribuições PIS e COFINS, para o ano 2012. Em atendimento a esta intimação, a fiscalizada informou que não concordava com a inclusão das subvenções no cômputo das receitas para fins de enquadramento do limite, porém, por cautela, apresentaria os itens solicitados. As receitas auferidas referentes aos benefícios fiscais foram excluídas na apuração do IRPJ e CSLL, e também não fizeram parte da base do lucro presumido e das Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 761 8 contribuições sociais PIS e COFINS. No ponto de vista da fiscalizada, tais benefícios tratamse de subvenções para investimento. No entanto, no entendimento da Receita Federal, à luz da legislação do Imposto de Renda e contribuições sociais, tais receitas têm, claramente, a natureza de subvenção para custeio, conforme veremos a seguir. Passa, então, a Fiscalização, a identificar a base legal da interpretação dada aos fatos, explanando que como bases do presente estudo, a premissa de que os benefícios fiscais de ICMS configuram subvenções correntes recebidas de pessoas jurídicas de direito público e, como tais, integram a receita bruta operacional das pessoas jurídicas beneficiadas, conforme determinado expressamente pelo artigo 44, IV, da Lei nº 4.506, de 1964. Na sequência, expõe a base legal do seu estudo sob a ótica da norma contábil, reportandose: à criação pela Resolução CFC nº 1.055/05 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, cujo objetivo é "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais"; à RESOLUÇÃO CFC nº 1.305/10, de 25/11/2010, do Conselho Federal de Contabilidade que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC TG 07 (Subvenção e Assistência Governamentais), tendo por base o Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1) (IAS 20 do IASB), expedido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, e correlata às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 20 (IASB) e dispondo sobre tratamento contábil a ser aplicado às subvenções e assistências governamentais – matéria que era disciplinada anteriormente pela NBC T 19.4 Subvenção e Assistência Governamentais, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC nº 1.143, de 21/11/2008, contudo os conceitos e orientações transcritos a seguir não sofreram alterações entre as duas normas citadas. ao item 3, da NBC TG 07 que definiu subvenção governamental da seguinte forma: “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade.” ao item 6, da referida norma que dispõe ainda que “a subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc.” aos itens 12, 15 e 21 da NBC TG 07, que dispõem sobre a natureza contábil das subvenções governamentais, onde fica clara a determinação normativa quanto ao seu reconhecimento como receita da entidade: Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 762 9 “12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido”. (...) 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (...) 21. Em determinadas circunstâncias, a subvenção governamental pode ser outorgada mais com o propósito de conceder suporte financeiro imediato a uma entidade do que servir como incentivo para que determinados gastos sejam incorridos. Dita subvenção pode ser outorgada exclusivamente a uma entidade em particular e não ficar disponível para uma classe inteira de beneficiários. Essas circunstâncias podem ensejar o reconhecimento da receita de subvenção na demonstração do resultado do período no qual a entidade qualificarse para seu recebimento, com a divulgação adequada de forma a assegurar que os seus efeitos sejam claramente compreendidos. E conclui depreenderse, das normas acima expostas, que na ótica da norma contábil, amparada pelas normas internacionais de Contabilidade (IAS 20), as SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS devem ser reconhecidas pelas sociedades empresárias como RECEITAS DA ENTIDADE, apropriadas ao longo do período em que forem usufruídas, e confrontadas com as despesas que pretende compensar. Analisa, na sequência, as subvenções sob a ótica do Direito tributário e do Regulamento do Imposto de Renda, expondo que as subvenções recebidas dos entes estatais devem ser tratadas como parte integrante da receita bruta operacional dos Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 763 10 contribuintes, como expressamente determina o art. 44, caput e inciso IV, da lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, verbis: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (grifouse) Também se reporta a Fiscalização à tributação do imposto de renda dos valores recebidos a título de subvenção que está disciplinada nos artigos 392 e 443 do regulamento do imposto de renda, in verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais; (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que: I – registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II – feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizada para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas (grifei). E consigna que: a partir da vigência da Lei nº 11.638/07, o registro das subvenções para investimentos, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, deve ser reconhecido em contas de resultado pelo regime da competência, quando cumpridas todas as exigências para sua obtenção. o procedimento de registrar contabilmente as subvenções e os incentivos fiscais como "receitas" não acarretaria qualquer ônus tributário à empresa, conforme previsto no Regime Tributário de Transição (RTT) estabelecido na MP nº 449/08. de acordo com a legislação acima descrita, as subvenções de custeio fazem parte do lucro operacional, enquanto que as subvenções de investimento deverão ser excluídas do lucro real. O cerne da questão consiste em verificar se os benefícios fiscais recebidos pela empresa enquadramse no conceito de subvenção para investimento ou de custeio. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 764 11 nem sempre os benefícios concedidos pelos Estados Federados podem ser caracterizados como subvenções para investimento, e a qualificação há que ser feita, necessariamente, pela análise cuidadosa dos convênios assinados e da legislação que trata dos benefícios. Aponta que os dispositivos da legislação tributária, acima referidos, exigem que as subvenções, para se caracterizarem como de investimento, precisam apresentar características bem marcantes: a primeira é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, segundo a manifestada intenção do subvencionador, nos mencionados investimentos. Reportase ao exame do assunto efetuado pela Coordenação do Sistema de Tributação da Receita Federal do Brasil que, ao expedir o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, identificou os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como de investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período, e, tomando como referência o PN CST n° 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentende se um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Cita a Fiscalização ementa e excerto de decisão de julgamento recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF /910101.239, sessão de 21/11/2011) em que, analisando caso semelhante, concluiuse no sentido de que é necessário estar estipulado, na lei de concessão do benefício, a garantia de que os recursos sejam efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 765 12 Passa o Autuante a analisar, então, o caso específico do presente processo, abordando a legislação e o convênio firmado entre a fiscalizada e o Estado de Mato Grosso do Sul, como segue: a fundamentação legal para o crédito presumido do ICMS apropriado pela NILCATEX tem fulcro na Lei Complementar Estadual nº 93, a empresa, para obter os benefícios fiscais na forma desta lei, fêlo com base no acordo nº 605/2005, com vigência a partir de 08/2005. esta lei estabeleceu que o benefício somente se aplica às empresas que reinvestirem o valor correspondente ao benefício na implantação, modernização, readequação ou expansão do parque fabril. o convênio também faz menção a essas obrigações, no entanto, ele não estipula critérios quantitativos e qualitativos que garantam que os benefícios foram efetivamente utilizados na implantação ou expansão do empreendimento. tendo em vista que, quando a norma instituiu o benefício não fixou os critérios quantitativos e qualitativos, não há como garantir que os valores subvencionados foram efetivamente aplicados no investimento. Isso ficou claro quando comparamos os valores desembolsados com os benefícios obtidos. No período analisado, de 2011 a 2012, a NILCATEX obteve benefícios fiscais da ordem de 11 milhões, tendo desembolsado somente R$ 39 mil. Daí concluiu restar claro que os benefícios fiscais obtidos deverão ser classificados como subvenções para custeio. Em consequência, no item "c) Das Infrações" de seu Termo, considerando a base legal acima analisada, identifica a Fiscalização as infrações imputadas: (I) opção indevida pelo lucro presumido; (II) exclusões indevidas; (III) não inclusão das subvenções nas bases do PIS e da COFINS; e (IV) multas isoladas, descrevendoas individualizadamente: I. Opção indevida pela tributação com base no lucro presumido A fiscalizada registrou, mensalmente, valores a título de “crédito presumido” na conta contábil de resultado “3074 ICMS Cred. Presumido Termo Acordo 605/2005”. Os valores foram lançados a crédito dessa conta e a débito das contas patrimoniais “1192 ICMS a recuperar” ou “2201 ICMS a recolher”. O valor total creditado na conta 3074 em 2011 foi R$ 5.133.042,12, o qual foi levado ao resultado do exercício e posteriormente transferido para a conta “2825 – Doações para investimento”. A conta 3074 é uma conta de resultado, de natureza credora, pertencente ao grupo “Impostos e contribuições sobre vendas”. Embora o saldo final da conta tenha sido levado ao resultado do exercício, o fato é que esta conta deveria ser classificada como uma conta de receita, e não como uma conta redutora das deduções de vendas, conforme previsão legal acima mencionada. Deste modo, considerando a previsão legal, a empresa deveria contabilizar os valores das subvenções como receitas, e não como conta redutora de custos, afetando assim a base do limite previsto no artigo 516 do Regulamento do Imposto de Renda. O referido artigo estipula, para fatos ocorridos em 2011, que a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00, poderia optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 766 13 É relevante frisar que a classificação de um benefício fiscal como integrante da receita bruta operacional independe se a subvenção é de custeio ou de investimento. Sendo assim, tendo por base os valores informados no balancete de 31/12/2011, apuramos o total da receita bruta total: Tendo em vista que o valor apurado, considerando as subvenções como integrantes da receita bruta operacional, superou o limite permitido para opção pelo regime de tributação do lucro presumido, a empresa estaria assim sujeita ao regime de tributação pelo lucro real em 2012. Além disso, a mudança do regime de tributação do Imposto de Renda teria como reflexo a obrigatoriedade de apuração das contribuições PIS/COFINS no regime da nãocumulatividade. Deste modo, a NILCATEX foi intimada a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, referente ao anocalendário 2012, e também uma planilha com a relação de todos os créditos possíveis de aproveitamento na apuração das contribuições PIS e COFINS, na modalidade nãocumulativa [fl. 84]. Conforme visto anteriormente, a fiscalizada informou que apesar de não concordar com a inclusão dos valores das subvenções no cômputo das receitas para fins de enquadramento do limite do lucro presumido, por cautela, a empresa buscaria as informações solicitadas [fls. 87 e 89 e seguintes]. Assim sendo, a empresa efetuou a escrituração do LALUR do período, bem como apresentou a planilha com a relação dos créditos. Considerando que os livros contábeis e fiscais escriturados em 2012, que serviram de base para a apuração do lucro presumido, estão de acordo com as normas previstas no Regulamento do Imposto de Renda, e considerando também que o Livro de Apuração do Lucro Real apresentado está de acordo com as normas previstas, o valor escriturado neste livro servirá de base para apuração de ofício do lucro real em 2012: Os impostos e contribuições recolhidos e declarados pela fiscalizada serão compensados de ofício na apuração dos tributos devidos. As tabelas a seguir foram apuradas a partir dos valores informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, referentes ao imposto de renda e contribuição social: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 767 14 Conforme visto anteriormente, a empresa fez a apuração das contribuições do PIS e da COFINS na modalidade cumulativa em 2012. A partir do momento que foi comprovado a opção indevida pela apuração do imposto de renda com base no lucro presumido, a empresa estaria sujeita também a apuração dessas contribuições na modalidade não cumulativa. A fiscalizada apresentou planilhas referentes à apuração das contribuições na modalidade nãocumulativa, em atendimento ao Termo de Intimação nº 03, contendo as informações dos cálculos das contribuições a partir das receitas, dos créditos utilizados e dos saldos a pagar, conforme resumo abaixo: Os valores dos saldos a pagar das contribuições, informados pela fiscalizada,foram validados e serão lançados de ofício. Do mesmo modo que no imposto de renda e contribuição social, os valores informados na DCTF, referentes às contribuições PIS e COFINS apurados na modalidade cumulativa, serão compensados de ofício na apuração do saldo devedor a pagar: Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 768 15 Os valores recolhidos para os meses de junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro foram superiores aos valores dos saldos apurados a pagar, conforme tabela abaixo: Deste modo, os saldos dos valores recolhidos a maior nesses meses serão imputados para os demais meses. Serão aplicadas imputações proporcionais, aquelas quando existem pagamentos efetuados em atraso, apropriandose parte do pagamento como quitação do principal, outra parte como pagamento da multa de mora e ainda outra parte como juros de mora, tendo em vista que os meses onde serão efetuadas as imputações são anteriores aos meses dos recolhimentos, conforme tabelas abaixo: Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 769 16 Sendo assim, tendo por base os valores das imputações calculadas mais os valores declarados, obtemos os saldos totais dos valores a serem compensados, conforme tabela abaixo: Finalmente, a partir dos saldos a pagar menos os valores a compensar, obtemos os valores lançados de ofício, conforme tabela abaixo: Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 770 17 II. Exclusões indevidas Conforme visto anteriormente, a NILCATEX efetuou exclusões relativas aos benefícios fiscais na apuração do lucro real em 2011, e após a intimação para apresentação do LALUR referente a 2012, também registrou exclusões neste ano. Deste modo, tendo em vista todo o exposto nos itens acima, os valores dos benefícios fiscais que foram excluídos na apuração do IRPJ e CSLL, serão agora incluídos de ofício. A fiscalizada efetuou exclusões mensais conforme a tabela abaixo: III. Não inclusão das subvenções na base do PIS e da COFINS Conforme visto no item anterior, a empresa contabilizou os benefícios recebidos do convênio em uma conta redutora de custos, sendo assim, esses valores não fizeram parte da base das contribuições. A empresa estava sujeita ao regime não cumulativo dessas contribuições, nos termos das leis que instituíram esse regime de tributação: a) PIS Lei nº 10.637, de 30/12/2002: Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 771 18 ... b) Cofins Lei 10.833 de 29/12/2003: Art. 1º. ... ... Ora, segundo estes dispositivos legais, o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, estão sujeitas ao PIS e à COFINS, quando apuradas pelo regime nãocumulativo, admitidas apenas as exclusões de suas bases de cálculo dos valores das rubricas expressamente elencadas. Questão que importa saber, agora, é se a subvenção obtida a partir da concessão específica dos benefícios fiscais de ICMS é uma receita do subvencionado. Nesse passo, é importante trazer novamente para análise o enfoque contábil do Conselho Federal de Contabilidade, que, por meio da Resolução CFC nº 1.143, de 2008, definiu: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal na demonstração do resultado. Além desse enfoque dado, a Lei nº 6.404, de 15/12/1976, também reconhece que subvenções recebidas constituem receitas ao dispor no seu art. 195A, in verbis: “Art. 195A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei). (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007)” Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 772 19 Ao prever que a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou de subvenções governamentais para investimentos poderá ser excluída da base de cálculo dos dividendos obrigatórios, aquele diploma legal reconheceu a natureza de receitais de tais recursos. Deste modo, ficou demonstrado que as subvenções são receitas, estando sujeitas, portanto, às contribuições para o PIS e COFINS, no regime nãocumulativo, nos termos das leis que instituíram esse regime de tributação. A tabela abaixo apresenta a relação dos valores das subvenções nos anos 2011 e 2012: Da análise do DACON, identificamos que em maio, junho, outubro, novembro e dezembro, de 2011, o total dos créditos apurados foi maior do que o total dos débitos, sendo que este saldo foi transportado para os meses seguintes. Parte do saldo dos meses de maio e junho foi aproveitado nos meses de julho, agosto e setembro desse ano. Já os saldos dos meses de outubro, novembro e dezembro foram aproveitados via pedido de compensação, conforme resposta ao termo de intimação nº 03 [fls. 155/158]. Deste modo, tendo em vista que os valores apurados das infrações para os meses de maio e junho são superiores aos saldos remanescentes dos créditos, os valores desses saldos serão aproveitados de ofício nas apurações dos saldos devidos dos meses subseqüentes, conforme demonstrativo abaixo: Tendo em vista que a empresa utilizou na sua apuração das contribuições os créditos da nãocumulatividade dos meses de maio e junho, demonstrados nos quadros acima, nos meses de julho, agosto e setembro, os quais foram utilizados de ofício em períodos anteriores por meio deste auto de infração, ocasionando assim créditos descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores: Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 773 20 IV. Multas isoladas Dando cumprimento à legislação pertinente à obrigatoriedade do recolhimento mensal do IRPJ, e também, da multa isolada quando do descumprimento da obrigação, foram refeitos por esta fiscalização os balancetes mensais de suspensão, de modo a se computar na base de cálculo do IRPJ e CSLL as exclusões indevidas, em razão do que já foi exposto neste Termo. As diferenças mensais relativas às antecipações das estimativas com base nos balancetes mensais ajustados por esta autoridade tributária geram infrações passíveis de cobrança de multa e juros isolados sobre a diferença da Estimativa mensal não recolhida, conforme determina o artigo 43, § único c/c artigo 61, e §§, e artigo 44, inciso II, alínea “b”, todos da Lei nº 9.430/96. Encerrada a ação fiscal, foi dada ciência dos lançamentos à contribuinte em 26/06/2014 (fls. 289), sendo apresentada, em 25/07/2014, impugnação de fls. 291/334, acompanhada dos documentos de fls. 335/485, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Ao expor os fatos, a Impugnante identifica as infrações que lhe foram imputadas e consigna ter a autuação considerado que os benefícios fiscais concedidos à Requerente, pelo Estado do Mato Grosso do Sul, deveriam ter sido levados a efeito na averiguação do limite da receita bruta total, para fins de opção pelo lucro presumido, e não aceitou que os referidos benefícios fossem caracterizados como subvenções para investimento, considerandoos na base de cálculo dos tributos em questão. Em preliminar argui a nulidade material do lançamento, sob alegação de que os autos de infração foram lavrados de forma incorreta em relação ao anocalendário de 2012, posto que, ao considerar indevida a opção do contribuinte pelo lucro presumido no referido período, a Fiscalização, a teor do art. 530, inciso IV, do RIR/99, deveria determinar o lucro de forma arbitrada. Ressalta que em nenhum momento alterou sua opção (até porque isto seria impossível), nem concordou com tal procedimento. De boafé, apresentou as informações que conseguiu levantar, de forma precária, em relação ao ano de 2012, porque foi intimada pela Receita Federal para proceder desta forma, como demonstra o termo de intimação e a resposta, ambos anexos (doc nº 4). A fim de não ser mais prejudicada, foram prestadas as referidas informações, mesmo que precariamente e com uma série de Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 774 21 limitações (em virtude de ter apurado, como dito, o lucro presumido no ano de 2012), sem contudo concordar com tal procedimento. Reportase a julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e acrescenta que em nenhum momento a empresa agiu de máfé ao optar pelo lucro presumido em 2012. Portanto, não se poderia cogitar da hipótese de que o lucro arbitrado caracterizaria "benefício" por uma suposta atitude insidiosa de sua parte, sendo mais que justo (e jurídico) considerar que, prevalecendo o entendimento fiscal de caracterização das subvenções como receita (...), o lucro em 2012 deveria ser arbitrado. No mérito, como tópico A, intitulado Da Subvenção para Investimento, expõe que, para a Fiscalização, os benefícios fiscais concedidos à Requerente pelo Estado do Mato Grosso do Sul, que são créditos presumidos de ICMS, não se enquadram como subvenção para investimento, mas sim para custeio, e que, portanto, deveriam integrar a base de cálculo do IRPJ, CSLL,PIS e Cofins. Aborda a classificação das subvenções em dois tipos: a) subvenção para custeio e b) subvenção para investimento, e alega que: a primeira (custeio) deve integrar a receita bruta operacional, conforme art. 44 da Lei nº 4.506/64 c/c art. 392, I, do RIR/99; a segunda (investimento) não é computada na determinação do lucro tributável, nem na base de cálculo dos tributos que incidem sobre receitas ou faturamento, desde que seja observados determinados requisitos, nos termos do art. 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77, c/c art. 443, I e II, do RIR/99 e o art. 18 da Lei nº 11.941/09, em especial o registro em reserva de capital ou de lucros sem distribuição aos sócios. Acrescenta que quanto à configuração da subvenção para investimento, a Fiscalização não se insurge contra a contabilização ou destinação dos valores, pois reconhece que a empresa lançou os mesmos em conta patrimonial 2825 (reservas de capital), conforme fl. 13 do Termo de Verificação Fiscal. E alega que, ao final de cada exercício, a Requerente promovia a integralização dos valores que estavam na reserva de capital ao capital social, conforme cópias das contas do razão (doc nº 5) e das alterações contratuais (doc nº 6), em relação aos respectivos anoscalendário atendendo, assim, o objetivo imposto pelo art. 443 do RIR/99 que visa a expansão do empreendimento, com o aumento do capital social da empresa, sem que haja distribuição desses valores aos sócios. Frisa que o valor do capital social nunca foi diminuído, havendo crescentes aportes, em 2011 e 2012, na mesma proporção das subvenções auferidas (docs 5 e 6). Considera que tais fatos acrescidos do intuito de implantação e expansão dos empreendimentos econômicos que moveu o Estado do Mato Grosso do Sul a firmar o Termo de Acordo 605/2005 (doc nº 7) com a Nilcatex, já comprovariam que os benefícios fiscais auferidos configuram subvenções para investimento e que, portanto, não podem ser incluídos na base de cálculo dos tributos exigidos. Passa a abordar a Impugnante, como Tópico A.1, o Parecer Normativo CST nº 112/78 mencionado na autuação, reportandose a seus termos e a requisitos nele previstos como para qualificação de subvenção para investimento, que escreve como: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 775 22 subvenção ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. E alega não prosperarem os motivos apontados pela Fiscalização para classificar as subvenções como sendo de custeio porque: a Fiscalização, ao entender que a Requerente não teria comprovado o reinvestimento dos benefícios fiscais no empreendimento, considerando a contraposição dos valores registrados como subvenção para investimento e dos saldos das contas do ativo imobilizado, menospreza por completo todo o investimento da requerente, no que tange à filial de Campo Grande. não se confirma a suposta omissão da Lei Instituidora dos benefícios, assim como do Termo de Acordo, em relação aos critérios quantitativos e qualitativos que garantissem a efetiva aplicação dos benefícios fiscais na expansão do empreendimento, bastando analisar os acordos formalizados. Defende que: na verdade, a legislação de regência sustenta que para excluir as subvenções para investimento do lucro e da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, é necessário apenas que o Estado conceda o benefício fiscal em virtude do desenvolvimento econômico, como transferência de capital, e que o contribuinte desta forma incorpore os valores ao empreendimento; no caso em tela os benefícios fiscais atendem, além dos requisitos legalmente previstos, os critérios do Parecer Normativo CST nº 112/78, como passa a expor no Tópico A.2 da peça de defesa. Para tanto, reportase a Lei Complementar Estadual nº 93 (doc 8) que instituiu o "Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Trabalho, ao Emprego e à Renda (MS EMPREENDEDOR)", transcrevendo seus art. 34, 18, 20, 21 e 24, objetivando demonstrar que a lei se reporta a interesse econômico social ou fiscal para implantação de determinado empreendimento na região e estabelece procedimentos que visam controlar o investimento na proporção dos benefícios fiscais concedidos e, também, punições, como a suspensão, e até mesmo, o cancelamento do benefício. Transcreve, também, excertos do Termo de Acordo nº 605/2005 (doc nº 7) firmado entre o Estado e a Requerente. Conclui que as disposições citadas (da Lei Complementar e do Termo de Acordo firmado entre o subvencionador e q requerente) não deixam dúvida de que o caráter desenvolvimentista está intimamente ligado à concessão dos benefícios fiscais, atendendo ao primeiro requisito do Parecer CST. Relaciona procedimentos previstos na Lei Complementar 93/05 (93, de 2001, fl. 455), no Decreto 10.804/01 e do Termo de Acordo, objetivando demonstrar que há controle efetivo, por parte do Estado, na aplicação dos valores relativos aos benefícios fiscais na expansão da empresa e no seu aumento de capital Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 776 23 Reportase ao 3º Aditivo ao Termo de Acordo nº 605/05 alegando que, ao postergar os benefícios fiscais até 2020, consignou que a Nilcatex vem cumprindo os seus compromissos com o Estado. Menciona, também, o 4º Aditivo ao Termo de Acordo nº 605/05 que prorroga os benefícios fiscais até 2028, alegando ter sido editado na vigência do Decreto nº 13.606/2013, que vincula a prorrogação de benefícios fiscais concedidos com base na LC nº 93/01 ao cumprimento das condições previstas no Termo de Acordo. Assim, conclui afirmando que o Estado exerce controle efetivo dos valores auferidos a título de benefício fiscal e vertidos ao empreendimento, Acrescenta que, pelos documentos juntados, o capital social da filial específica saltou de R$ 1.311.000,00 em 2007, para R$ 17.971.000,00 em 2012: Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 777 24 Assevera que o acréscimo ao capital social atende, além da Lei Complementar nº 93/2011 e do Termo de Acordo, as disposições do art. 443, I, do RIR/99 e que, assim, o segundo e terceiro requisitos do Parecer CST 112/78 também foram atendidos, pois houve o investimento na filial da empresa, localizada em Campo Grande / MS, na mesma medida em que os benefícios fiscais foram concedidos. E, complementa: a Fiscalização apenas não chegou à mesma conclusão porque não se ateve aos valores vertidos ao empreendimento, levando em consideração somente as contas do ativo imobilizado. Defende não ser possível que a análise dos investimentos realizados se restrinja ao ativo imobilizado e cita ementas de decisões do CARF no sentido de que o aumento de capital configura a subvenção para investimento e de que os benefícios devem ser vertidos para o propósito contratualmente estabelecido. Reitera que todo o valor do benefício fiscal, pelas razões expostas, incorporouse à empresa e foi integralizado no capital social, em relação à filial estabelecida em Campo Grande. Destaca a necessidade de considerar não só o período ora analisado (anoscalendário de 2011 e 2012), mas todos os fatos que ocorreram desde a assinatura do Termo de Acordo e reportase a fotos anexas (doc nº 9) que constituem prova de que o montante foi vertido para a criação e a expansão do empreendimento. Afirma que o Estado está satisfeito com os investimentos realizados, tanto que fez adendos ao Termo de Acordo prorrogando os benefícios fiscais, comprovando que a Requerente deu correta destinação ao capital transferido pelo Poder Público, através dos benefícios fiscais e que, portanto, os créditos e ICMS concedidos pelo Estado do Mato Grosso do Sul são, a toda evidência, subvenções para investimento. No tópico A.3, defende a Impugnante a desnecessidade de vinculação dos investimentos a determinados bens, invocando precedente do CARF (Acórdão 1402001.102) e expondo que: os contribuintes primeiro desembolsam a quantia destinada à realização das obras e inícios das atividades, e só, posteriormente, com a ocorrência das operações mercantis, é que terão acesso efetivamente ao incentivo fiscal (crédito presumido de ICMS); não há benefício, sem a venda de mercadorias/serviços e, por consequência, não há como comercializar sem que haja estrutura apta para que a empresa possa operar. Conclui afirmando que os benefícios fiscais auferidos pela Requerente a) são concedidos pelo Poder Público; b) possuem caráter desenvolvimentista; c) são aplicados comprovadamente na expansão do empreendimento, através do aumento do Fl. 777DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 778 25 capital e instalação/expansão do empreendimento em Campo Grande/MS; d) foram contabilizados; e) foram concedidos sob uma série de procedimentos que visam controlar o efetivo investimento dos valores repassados pelo poder público à empresa e f) foram investidos e o Estado encontrase satisfeito com a contraprestação apresentada pela empresa. E que, em consequência, não podem ser incluídos na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme a legislação aplicável (...). No tópico B da peça de defesa, intitulado Inexistência de Receita, discorda a Impugnante da assertiva fiscal de que "a classificação de um benefício fiscal como integrante da receita bruta operacional independe se a subvenção é de custeio ou de investimento" (fl. 267). E aponta três motivos para tal discordância: Dupla incidência do ICMS na quantificação da receita (lucro presumido) Tópico B.1 (fl. 312); Não há ingresso de recursos (Tópico B.2, fl. 313) e Segundo a legislação tributária subvenção para investimento não é receita (Tópico B.3, fl. 314); Para justificar a alegação de Dupla inclusão do ICMS na quantificação da receita (lucro presumido) expõe a Impugnante no Tópico B.1: O ICMS está contido no preço das mercadorias, e portanto compõe a receita bruta inclusão que é constantemente contestada nas esferas administrativas e judiciais mediante postulação da exclusão desse imposto na consideração da receita, especialmente para fins tributários; uma vez que o ICMS, objeto do crédito presumido, já impactou a receita bruta para fins de enquadramento do lucro presumido, e que o crédito busca anular esse impacto, fica evidente que o crédito presumido não pode fazer parte da receita na pior das interpretações, ao menos para verificação do limite para opção pelo lucro presumido, de modo que a autuação deve ser revista para manter a opção pelo lucro presumido no ano de 2012. No tópico B.2, ao afirmar a que as subvenções, em especial o crédito presumido de ICMS, não caracterizam ingresso de recursos, não representam receita nem faturamento tributáveis, não há recebimento de dinheiro ou bens, invoca a Impugnante julgados do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que créditos de ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento. Acrescenta que tal entendimento deve atingir não só PIS e Cofins, mas também IRPJ e CSLL e que ainda que se considere que o crédito presumido de ICMS represente um ganho tributável para o contribuinte, o respectivo montante não representa receita capaz de impactar o limite para enquadramento no lucro presumido. No tópico B.3 da defesa, a Impugnante argumenta que segundo a legislação tributária, subvenção para investimento não é receita, expondo que as autoridades fiscais dão a entender que, com o advento da Lei nº 11.638/07, as subvenções, para custeio ou investimento, caracterizamse como receitas, para fins tributários. Transcreve excerto do Termo de Verificação (fls. 13 e 14) e acrescenta: para fundamentar seu posicionamento, a Fiscalização utiliza as disposições da Lei nº 11.638/07, que determinou que as subvenções fossem reconhecidas em conta de resultado, mas não se pode confundir lei contábil/societária com lei tributária; a legislação tributária sempre tratou as subvenções para investimento, não como receita, mas como transferência de capital. Tanto que nunca foi permitido distribuir ou reverter tais valores aos sócios; a manutenção em reserva de capital, a capitalização Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 779 26 ou a absorção de prejuízos sempre foi pressuposto para nãotributação de tais subvenções. (cita o art. 44 da Lei nº 4.506/64, o art 38 do Decretolei nº 1.598/77 e o item 2.9 do Parecer CST nº 112/78); a Lei nº 11.638/07 é contábil/societária, não tributária e, havendo disposição específica sobre o assunto na legislação tributária, prevalece esta última, conforme doutrina que transcreve. Reportase à Lei nº 11.941/09 que, entre outras matérias, instituiu regime tributário de transição (RTT), alegando ter previsto expressamente que as subvenções para investimento não devem ser consideradas para efeitos de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (arts. 15 a 18). Destaca que seu art. 17 afasta os efeitos das alterações introduzidas pela Lei nº 11.638/2007 na apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, e que tal regime já era obrigatório nos anos abrangidos pela autuação. Conclui esse tópico reiterando a impossibilidade de considerar as subvenções para investimento como receitas inclusive para considerálas na apuração do limite de receita bruta para apuração do lucro presumido. E acrescenta não serem as mesmas tributáveis pelo IRPJ nem pela CSLL, muito menos por PIS e COFINS. No tópico C da defesa, a Impugnante argumenta que Subvenção para investimento não é tributável. Em suas palavras: visto que os benefícios fiscais são, sem sombra de dúvidas, subvenções para investimento, não são tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por expressa disposição legal independentemente de considerar tais subvenções como receitas ou não. Invoca julgados do CARF para corroborar seu entendimento. Como tópico D da defesa, intitulado "Da compensação de ofício", discorda a Impugnante da forma pela qual a Fiscalização utilizou saldo de crédito de PIS e Cofins, alegando que: a Fiscalização apurou um saldo de crédito no período de maio e junho de 2011 a título de COFINS e PIS, mas, em vez de utilizálo para quitar as competências subsequentes (julho e agosto de 2011) à aferição do mesmo, preferiu utilizálo para compensar parte das parcelas de julho, agosto e setembro de 2011. Tal procedimento onerou a empresa, tendo em vista que, sobre os valores não quitados, a Receita Federal exige multa de 75% (parágrafo 96 e 97 da peça de defesa) como mencionado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, as amortizações realizadas são, de fato, compensações de ofício procedimento que possui regramento específico a ser obedecido pela Fazenda Pública, sendo permitido quando houver pedido de restituição ou ressarcimento e após prévia intimação para manifestação do contribuinte, conforme art. 7º do DecretoLei n° 2.287/86, art. 73 da Lei nº 9.430/96 e art. 61 da IN SRF nº 1.300/2012, condições não observadas no presente caso. Requer que seja afastado o procedimento adotado pela Fiscalização de promover compensações de ofício à revelia dos procedimentos que instruem a matéria. No tópico E da peça de defesa discorre a Impugnante acerca de sua tese de que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, invocando disposições do art. 1º das Leis 10.833/03 e 10.837/02, art. 224 do RIR/99, art. 155, §2º, I e II, da Constituição Federal, art. 2° da LC 70/91, voto proferido no âmbito do STF (RE 240.7852), sentença em Mandado de Segurança da 10ª Vara da Justiça Federal de São Paulo e decisão proferida pelo TRF da 5ª Região em apelação em Mandado de Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 780 27 Segurança, para concluir que o ICMS deve ser excluído da receita bruta para todos os fins tributários, inclusive da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No tópico F, opõese a Impugnante ao lançamento da multa isolada. Defende, inicialmente, no tópico F.1, a precariedade das estimativas, ressaltando que a exigência se dá depois de encerrado o anocalendário, quando o recolhimento da estimativa deixa de ter eficácia, por prevalecer a exigência do tributo efetivamente devido, apurado com base no lucro real. Reportase a julgado do CARF e conclui pela inviabilidade de aplicação da multa isolada, após o término do anocalendário. No tópico F.2, defende a impossibilidade de cumular multa isolada com a proporcional, também invocando julgados do CARF. No tópico G, sob o título "Das deduções relacionadas a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS" destaca que não foram efetuadas as deduções entre os referidos tributos, afetando a base de cálculo utilizada pela fiscalização. Invoca o art. 41 da Lei nº 8.981/95 para defender que devem ser deduzidos, da base de cálculo do IRPJ e CSLL apurados, o PIS e a COFINS, conforme decisões do antigo Conselho de Contribuintes. Também defende a dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ, mencionando o art. 43 do CTN. Finaliza requerendo: a) seja reconhecida a nulidade material dos Autos de Infração, em virtude de erro na determinação do lucro, em relação ao ano de 2012; b) seja reconhecido que as subvenções sob análise não podem ser consideradas como receita (b.1) para aferição do limite de opção pelo lucro presumido, e (b.2) para tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; ou que, por caracterizaremse como subvenções para investimento, não podem de qualquer forma sofrer tributação pelos referidos tributos; c) sejam afastadas as compensações de ofício, promovendose as compensações dos créditos de forma que não restem multa ou juros a serem pagos pela contribuinte; d) sejam excluídos da receita/faturamento, e da base de cálculo dos tributos exigidos, bem como da apuração do limite para opção pelo lucro presumido, os valores relacionados ao ICMS e ao respectivo crédito presumido; e) seja afastada a multa isolada; f) sejam deduzidos o PIS e a COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; bem como sejam efetivadas as deduções entre IRPJ e CSLL, na forma exposta. Ainda, requer que possam ser adotadas providências adicionais para confirmar os fatos, inclusive através de documentos ou diligências, caso considerado necessário e relaciona os documentos que apresenta: Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 781 28 Em análise da impugnação apresentada, a turma julgadora manteve integralmente a exigência em litígio. O contribuinte foi intimado da decisão em 05 de maio de 2015, uma sexta feira (fls. 677678), apresentando em 05 de junho de 2015 o recurso voluntário de fls. 680718. Em apertada síntese, o Recorrente reafirma os termos de sua impugnação, nos seguintes termos: preliminarmente, alega que o lançamento seria nulo, do ponto de vista material, porque a exigência não poderia ter sido realizada considerandose o lucro real como forma de tributação do IRPJ, uma vez que se a autoridade fiscal entendeu que o contribuinte optou indevidamente pelo lucro presumido, o art. 530, inciso IV, do RIR/99 determina o arbitramento de lucros; no mérito, argumenta que: o valor tributado pela autoridade fiscal seria uma subvenção para investimento, e não para custeio; teria cumprido tudo o que fora acordado com o Estado do Mato Grosso do Sul para fins de obtenção do incentivo fiscal, tendo sido submetido ao controle desse ente estatal como forma de comprovar o cumprimento dos requisitos para fruição do benefício fiscal; crédito presumido de ICMS não seria considerado receita, até mesmo porque o ICMS das operações de venda já teria impactado sua receita bruta. Desse modo, tal crédito presumido não poderia ser base de cálculo para IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, bem como não poderia ter sido utilizado para aferição do limite para enquadramento no Lucro Presumido (motivo que teria levado a autoridade fiscal a considerar como impeditivo para manutenção do Lucro Presumido como forma de apuração do IRPJ); crédito presumido seria equiparável a uma recuperação de custo, e não a uma receita; não poderiam ser aplicados os novos métodos e conceitos contábeis trazidos pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009 em razão do chamado Regime Tributário de Transição previsto no art. 17 da Lei nº 11.941/2009; Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 782 29 para fins do conceito de subvenção para investimento não se pode exigir contemporaneidade entre os investimentos e o subsídio governamental, tampouco a estrita vinculação entre os recursos recebidos e os investimentos realizados, tampouco sua vinculação à aplicação em seu ativo imobilizado; não houve a correta compensação de saldos credores de PIS e Cofins apurados pelo Recorrente; fazse necessária a exclusão do ICMS das bases de cálculo de PIS e Cofins; que não seria possível a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL de forma concomitante à multa de ofício por falta de falta de recolhimento desses mesmos tributos; que deveriam ser duzidos das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL o PIS e a Cofins exigidos de ofício. É o relatório. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 783 30 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR Segundo o Recorrente, o lançamento seria nulo, do ponto de vista material, porque a exigência não poderia ter sido realizada considerandose o lucro real como forma de tributação do IRPJ, uma vez que se a autoridade fiscal entendeu que o contribuinte optou indevidamente pelo lucro presumido, o art. 530, inciso IV, do RIR/99 determina o arbitramento de lucros. Para a decisão recorrida, tal matéria diz respeito ao mérito da exigência. De fato, assiste razão ao acórdão de piso, pois eventual declaração de nulidade, por vício formal, implicaria a possibilidade de novo lançamento com base no art. 173, II, do CTN, o que, no caso concreto, ofenderia o art. 146 do CTN em razão da alteração do critério jurídico no lançamento. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. 3 MÉRITO 3.1 SUBVENÇÃO – IRPJ E CSLL As subvenções, espécies do gênero benefícios fiscais, podem ser classificadas em subvenções para custeio ou subvenções para investimentos. A subvenção para custeio foi inicialmente prevista na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, a qual estatuiu normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. È importante ressaltar que tal norma não previa qualquer determinação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. Para as subvenções correntes, o legislador entendeu por tratálas como rendimentos tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, atualmente base legal do art. 392 do RIR/99, verbis: Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 784 31 Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Com a edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), passouse a dar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 1 (grifei). No mesmo sentido, a legislação tributária acompanhou tal entendimento, determinando a não tributação das subvenções para investimento, nos termos do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, assim vazado: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. 1 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 785 32 § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) [grifos nossos] Após a edição de tais normas societárias e tributárias, restou evidente a diferenciação ao tratamento aplicável às subvenções para custeio e para investimento: enquanto esta configura transferência de capital, não sendo tratada como receita (e sim como reserva de capital no patrimônio líquido) e não sujeita à tributação, aquela foi tratada como transferência de renda, e considerada receita tributável. Por outro lado, para que uma transferência de recursos estatais seja tida como subvenção para investimento, diversas condições necessitam ser satisfeitas. Sobre o tema, a Receita Federal há muito editou o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, cujos excertos de interesse transcrevo a seguir: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 [...] No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 786 33 De acordo com a interpretação dada por tal parecer, para que um incentivo fiscal seja considerado subvenção de investimento alguns pressupostos precisam ser cumpridos, e de forma cumulativa, a saber: (i) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não em suas despesas correntes, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (ii) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (iii) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (iv) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Em relação aos itens (i) e (ii), adoto as observações tecidas no Acórdão 9101 002.394 da 1ª Turma da Câmara Superior, de relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura: sobre a aplicação dos recursos: “de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidas na contabilidade”; a respeito do sincronismo na aplicação dos recursos: “[...] a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção2.” Em relação aos demais pontos abordados em tal Parecer Normativo, corroboro o entendimento firmado pelo Conselheiro André Mendes de Moura: os demais itens do Parecer Normativo tão somente [...] consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em 2 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 787 34 cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas3”. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Devese se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Estabelecidas as premissas, passo para a análise do caso concreto. Para o Recorrente, o valor tributado pela autoridade fiscal seria uma subvenção para investimento, e não para custeio. Além disso, teria cumprido tudo o que fora acordado com o Estado do Mato Grosso do Sul para fins de obtenção do incentivo fiscal, tendo sido submetido ao controle desse ente estatal como forma de comprovar o cumprimento dos requisitos para fruição do benefício fiscal. Em primeiro lugar, fazse necessário verificar o que dispõe a norma legal que instituiu o benefício fiscal em questão: 3 Vide nota anterior. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 788 35 LEI COMPLEMENTAR Nº 93, DE 05/11/2001 (DOMS, DE 06/11/2001) Institui o Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Trabalho, ao Emprego e à Renda (MSEMPREENDEDOR) e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar: CAPÍTULO I Disposições Preliminares e Gerais Art. 1º Fica instituído o Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Trabalho, ao Emprego e à Renda, denominado de MSEMPREENDEDOR, em substituição à política de desenvolvimento industrial em vigor no Estado e ao programa "Ações para o Desenvolvimento de Mato Grosso do SulPROAÇÃO". Art. 2º Ao MSEMPREENDEDOR são cabíveis os benefícios ou incentivos, fiscais, financeirofiscais ou extrafiscais, compreendidos nas regras do Capítulo IV (arts. 6º a 14), que possam ser utilizados como instrumentos de política fiscal ou de fomento à industrialização do Estado e à circulação de bens econômicos em seu território, visando ao atingimento dos seguintes objetivos governamentais: I a instalação de novas empresas e a ampliação, modernização, reativação ou relocação das existentes, especialmente no sentido da interiorização dos empreendimentos econômicos produtivos e do aproveitamento das potencialidades econômicas regionais, obedecidos os interesses prioritários e adicionais (art. 3º, I e II) então estabelecidos; II a transformação de produtos primários em produtos industrializados, favorecendo a integração e verticalização das cadeias produtivas e agregando valores a esses bens, observado o disposto no inciso anterior; III a diversificação das bases produtiva e circulatória de bens e serviços, dinamizando a economia e propiciando a geração de novos empregos estáveis, o aumento da renda per capita dos membros da comunidade sulmatogrossense e a melhor distribuição dos bens econômicos, com o conseqüente aumento generalizado da arrecadação de tributos; IV a melhoria aferível das condições de trabalho dos operários, inclusive a implantação de cursos profissionalizantes pelas empresas ou em parceria com estas; V a ampliação ou, no mínimo, a manutenção dos postos de trabalho; VI o estímulo à parceria ou à troca de informações entre empresas e universidades, com ou sem a participação direta de órgãos governamentais nos projetos e atividades, nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e difusão de novas tecnologias, concretamente aplicáveis aos empreendimentos locais, melhorando a produção e a circulação de bens e serviços; VII o fornecimento dos meios ao seu alcance para que as empresas locais possam tornarse competitivas no mercado, tendo em vista, dentre outras causas, os benefícios ou incentivos, fiscais ou financeiro fiscais, inclusive as reduções indiretas da carga tributária, atribuídos por outras Unidades da Federação às suas empresas, ou pela União nas hipóteses a que se refere o art. 151, I, parte final, da Constituição da República; Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 789 36 VIII estímulo e fomento à instalação e desenvolvimento das micro e pequenas empresas instalados no Estado, por meio da concessão de financiamentos de projetos e de benefícios ou incentivos fiscais, inclusive redução indireta de carga tributária; Parágrafo único Observado o disposto no inciso I, fica estabelecido como um dos interesses governamentais o estímulo aos empreendimentos econômicos produtivos (art. 3º, I e II) tecnologicamente avançados, que possam dar efetiva competitividade às empresas situadas no Estado de Mato Grosso do Sul. [...] Art. 7º Tratandose de industrialização de produtos, o benefício ou incentivo terá como base de cálculo o saldo devedor do ICMS, apurado em determinado período, hipótese em que o valor pecuniário do benefício ou incentivo deve ser deduzido do saldo devedor que tenha resultado como efetiva e regularmente devido. § 1º Para os efeitos do disposto no caput: I é considerando saldo devedor do ICMS o valor resultante da escrituração regular dos débitos e créditos de natureza fiscal, na forma da lei e do regulamento, relativamente às operações com os produtos exclusivamente industrializados pela empresa, na etapa ou no processo industrial que tenha sido objeto de aprovação pelo Estado, observada a regra explicitadora do inciso seguinte; II não devem ser incluídos, ou considerados, para o cálculo do benefício ou incentivo, os valores correspondentes às operações antecedentes daquelas ou subseqüentes àquelas realizadas pela empresa com os produtos resultantes da industrialização beneficiada ou incentivada, ficando conseqüentemente excluídos da apuração do imposto os valores então devidos: a) sob o regime de substituição tributária, em que a empresa figure como substituta, relativamente às operações ou prestações antecedentes e subseqüentes; b) a título de responsabilidade atribuída à empresa, por decorrência de obrigação tributária contraída por outra pessoa que não tenha adimplido tal obrigação tempestivamente; c) por decorrência de ação fiscal, em face de ilícitos tributários que os agentes da empresa tenham diretamente praticado por ação ou omissão; d) pela importação de bens ou mercadorias com o diferimento do imposto para etapa posterior àquela do desembaraço aduaneiro, ainda que tais coisas sejam utilizadas como insumos em processo de industrialização; e) a qualquer outro título, nos casos em que a Administração Tributária constante a simulação ou prática efetiva de atos ou negócios jurídicos com a finalidade de aumentar indevidamente o valor pecuniário de benefício ou incentivo fiscal. § 2º Deduzido do valor pecuniário do benefício ou incentivo regularmente apurado, o valor do efetivo saldo devedor remanescente do ICMS deve ser recolhido ao Tesouro Estadual, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação específica. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 790 37 § 3º Do mesmo modo referido no parágrafo anterior, devem se recolhidos os valores pecuniários apurados e então devidos: I ao Fundo de Apoio à IndustrializaçãoFAI/MS (arts. 25 e 26); II ao Tesouro Estadual, nos casos referidos no § 1, II, "a" a "e". § 4º As restrições dispostas no § 1º, II, "a" (substituição tributária), podem deixar de ser aplicadas, mediante autorização governamental solicitada pela Secretaria de Estado de Receita e Controle, às operações com os produtos indicados em lista regulatória específica, hipóteses em que o valor do ICMS incidente sobre as operações antecedentes, com as matériasprimas in natura empregadas nos respectivos processos industriais, pode ser considerado ou desconsiderado, parcial ou totalmente, no cálculo do valor do benefício ou incentivo da empresa. § 5º Nas hipóteses do parágrafo anterior, deve ser observada, no que couber, a alternativa de utilização de crédito fixo ou presumido disposta nas regras do art. 31. SEÇÃO II Do Quantitativo e do Prazo de Fruição dos Benefícios ou Incentivos Art. 8º O benefício ou incentivo previsto no artigo anterior deve ter seus percentual e prazo propostos pelo CDI/MS, devendo observar: I o percentual de até 67% (sessenta e sete por cento) do ICMS então devido e apurado na forma disposta naquele artigo; II o prazo de até 5 (cinco) anos, podendo ser prorrogado por até igual período, desde que sejam cumpridos os deveres jurídicos e solvidas as obrigações tributárias, bem como mantidas as condições do empreendimento aprovado. Destaco excerto da decisão recorrida a respeito dos pactos celebrados: Em função do que foi previsto na Lei Complementar Estadual, foram celebrados: a) Termo de Acordo, de nº 605/2005 (fls 423/431), de 20/01/2005, pelo qual a empresa ora Impugnante teve por principal obrigação, conforme cláusula 1ª, instalar e manter em pleno funcionamento, no Município de Campo Grande, no Estado do Mato Grosso do Sul, uma unidade industrial para produção de artigos de vestuário, objetivo este dividido em duas fases com características especificadas, dentre as quais constam: 1ª Fase: ... ... Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 791 38 ... 2ª Fase ... ... Também, entre outras previsões, estabelece o Termo de Acordo benefício fiscal, como segue: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 792 39 b) Aditivo ao Termo de Acordo nº 605/2005, de 18/07/2007 (fls. 432/435), em que, entre outras, foi prevista alteração nos investimentos da 2ª fase com construção de imóvel próprio e prazo de implantação até junho de 2009: ... ... c) Segundo Aditivo ao Termo de Acordo (fls. 437/438), formalizado em 16/04/2012, com vigência até 20/01/2020 (fl. 438), para inclusão de tipo de produtos a serem fabricados e outorga de crédito de ICMS equivalente a 50% (...) do valor do saldo devedor apurado exclusivamente nas operações de saídas interestaduais, realizadas com as mercadorias adquiridas em outras unidades da Federação. Ainda foram apresentados pela Impugnante Terceiro (fls. 440/442) e Quarto (fls. 444/452) Aditivos ao Termo de Acordo, datados respectivamente de 21/06/2013 e 07/02/2014, ambos posteriores ao períodos abrangidos pela autuação ora em litígio, sendo que o último deles prorroga o benefício até 2028. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 793 40 Como refletem o Acordo e seus Aditivos, foram concedidos, em 2005, benefícios fiscais relacionados ao ICMS, com prazo inicial de 15 (quinze) anos como: redução do saldo devedor, crédito presumido do imposto e diferimento do pagamento, em contrapartida à instalação e manutenção de unidade industrial, com prazo de implantação até junho de 2009. Portanto, conforme se observa, o investimento total previsto para que o Recorrente fizesse jus a tal incentivo fiscal era de R$ 3.760.000,00. Tal investimento deveria ser realizado até junho de 2009. Conforme já explanado, entendo que não há de se exigir perfeito sincronismo entre os investimentos e o benefício fiscal percebido para que esse se configure como subvenção de investimento, mormente quando o benefício fiscal referese à redução de ICMS e o investimento em questão é a instalação e, posteriormente, expansão de empreendimento industrial. Por óbvio, nesses casos, o investimento, ou ao menos boa parte dele, terá que ser realizado antes do início da fruição do benefício. Por outro lado, se o benefício angariado supera, e muito, o investimento realizado, a meu ver, resta descaracterizado seu caráter de investimento, passando a ter claros contornos de subvenção para custeio. No caso concreto, nos períodos de apuração objeto da presente exigência (anoscalendário de 2011 e 2012) o Recorrente obteve benefício fiscal da ordem de R$ 11 milhões, praticamente o triplo do valor total que deveria investir até o ano de 2009. Não consta nos autos qualquer outro investimento futuro que se fizesse necessário para manutenção de tal incentivo fiscal. Tal exegese vai ao encontro do entendimento firmado em inúmeros outros julgados por esta Corte Administrativa. Como exemplo, cito o decidido no Acórdão nº 1102 001.088, de relatoria do i. Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, cujo excerto de interesse transcrevo a seguir: No caso, ao invés de alegar de forma lacônica que “nesse caso, a considerar o Parecer Normativo COSIT 112/1978, tal benefício fiscal enquadrase como SUBVENÇÃO CORRENTE PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO, devendo seus valores integrar o resultado operacional da pessoa jurídica e, por via de conseqüência, submeterse à tributação”, incumbiria à Fiscalização demonstrar, alternativamente, (i) que o benefício fiscal foi utilizado sem a indispensável autorização formal do Estado ou (ii) que os investimentos prometidos ao ente estatal não foram realizados pelo contribuinte beneficiário ou (iii) que o benefício fiscal concedido é bastante desproporcional aos investimentos comprometidos com o Estado, descaracterizando sua natureza originária, conforme exame do projeto submetido à apreciação do Poder Público local. [grifos nossos] No caso concreto, a desproporcionalidade entre o valor do benefício fiscal e os investimentos comprometidos com o Estado do Mato Grosso do Sul é gritante, descaracterizando, pois sua natureza originária de subvenção para investimento, devendo ser dado o tratamento tributário aplicável à subvenção para custeio. O fato de o Recorrente ter atendido aos requisitos subsidiários para não tributação de uma subvenção (contabilização em reservas ou aumento de capital) não tem o condão de transformar valores que puderam ser aplicados livremente pelo Recorrente no Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 794 41 custeio de suas atividades operacionais – em outras palavras, uma verdadeira subvenção para custeio – em uma subvenção para investimento. De igual forma, o cumprimento, por parte do Recorrente, do pactuado entre ela e o entende federativo pouco importa no momento em que resta caracterizado que os benefícios fiscais angariados somente em 2 anos são muito superiores ao investimentos totais pactuados entre o Recorrente e o Estado do Mato Grosso do Sul. Também não há que se falar em interferência da União no pacto firmado entre o Recorrente e o Estado do Mato Grosso do Sul, pois não se questionam aqui os efeitos tributários para fins de incidência de tributos estaduais, no caso, o ICMS. De igual forma, tal pacto não tem o condão de alterar a legislação federal no que concerne ao tratamento tributário dos tributos federais em relação a subvenções: se o Estado do Mato Grosso do Sul considera que a subvenção em questão é uma subvenção para investimento, os efeitos daí advindos devem se restringir aos tributos exigidos no âmbito daquele ente federativo. Para fins de tributos federais, para que determinada subvenção deva ser considerada como subvenção para investimento, não sujeita à incidência de tributos federais, há de se analisar a legislação tributária federal, sob pena de interferência do Estado do Mato Grosso do Sul na competência tributária da União. E, conforme já abordado, no âmbito federal, o benefício fiscal em questão se amolda ao conceito de subvenção para custeio, devendose aplicar, a partir de tal conclusão, as consequências tributárias daí advindas. A respeito do argumento do Recorrente de que os recursos não necessitam ser carimbados, dentro de certos limites, faz sentido, mas os valores investidos, ao longo do tempo, além de ser próximos, devem guardar correlação com a instalação ou expansão do investimento. Se os recursos advindos do benefício fiscal pudessem ser livremente utilizados pelo Recorrente para o custeio de suas despesas operacionais, perguntase: quando restaria caracterizada a subvenção para custeio? Somente no caso de o contribuinte não cumprir os requisitos formais para sua caracterização, tal qual a forma de contabilização? Não me parece razoável tal interpretação. Tratandose de subvenção para custeio, assim dispõe o art. 392 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Pois bem, se as subvenções para custeio compõe o lucro operacional, aumentandoo, possui nítido tratamento de receita operacional. Nesse contexto, correto o procedimento adotado pelo Fisco de incluir a receita advinda das subvenções para custeio na aferição do limite para optarse pelo lucro presumido. Portanto, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal autuante, bem como pela decisão de primeira instância, a respeito das normas contábeis de convergência com os padrões internacionais tratadas nas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, têm somente o condão de reforçar as características de receitas que possuem as subvenções, ou seja, não alteram nem inovam o panorama jurídicotributário já existente nas normas fiscais, até mesmo Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 795 42 em razão da vigência do Regime Tributário de Transição durante os períodos de apuração objeto do presente lançamento (art. 17 da Lei nº 11.941/2009). Por essas razões, todos os argumentos do Recorrente, a respeito de que a subvenção não pode ser caracterizada como receita para fins de IRPJ e de CSLL (inclusive para efeitos de limite de receita bruta para fins de enquadramento no lucro presumido) e de que se trataria de recuperação de custo, caem por terra, mostrandose acertado o procedimento adotado no lançamento fiscal de incluir o benefício fiscal como receita operacional e, consequentemente, sujeito à incidência de IRPJ e de CSLL. 3.2 EXIGÊNCIA DE PIS E DE COFINS Contudo, em relação à incidência de PIS e Cofins sobre as subvenções para custeio, em que pese meu entendimento pessoal sobre o tema, entendo que se mereça respeitar a atual jurisprudência dominante no âmbito da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, até mesmo para se respeitar a competência original da 3ª Seção de Julgamentos em relação à análise dos processos envolvendo as contribuições para o PIS e para a Cofins, somente analisado no presente processo em razão de serem autos de infrações reflexos. Nesse cenário, adoto as razões de decidir do acórdão 9303004.560, julgado na sessão de 07 de dezembro de 2016, reproduzindo parcialmente o voto condutor do aresto4: Após discorrer sobre a admissibilidade do Recurso Especial, passo a analisar o cerne da lide trazida nesse recurso, qual seja, se os mencionados créditos presumido de ICMS (puramente escritural) devem ser considerados ou não como receita para fins de incidência de PIS e de Cofins. Vêse, assim, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra perfeitamente ao presente caso. O que passo forçosamente a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, [...] Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. 4 Esclarecese que o segundo argumento de tal acórdão para cancelar a exigência de PIS e Cofins não se amolda ao presente caso, pois, em tal paradigma, considerouse o benefício fiscal como sendo uma subvenção para investimento, ao contrário da conclusão a que chegou este colegiado. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 796 43 Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois não se trata de riqueza se compreendendo, portanto, ao conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito presumido do ICMS, por seu puramente escritural, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte – devendo ser afastado do conceito de receita. Insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – o que, peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo.” Vêse esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso patrimonial se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe – e se configura como elemento novo positivo. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis: “(...) V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 797 44 Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo,". Cabe trazer que, em consonância com esse entendimento, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC, a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 798 45 “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que a discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS. Para melhor compreensão e por não considerar tal benefício como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 799 46 Consequente: Critério pessoal: autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito presumido do ICMS pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata. Tais créditos presumidos devem ser tratados como mero benefício fiscal concedidos pelos EstadosMembros como meio de estabelecer equilíbrio de mercado. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza. Sendo assim, o crédito presumido do ICMS não ostenta natureza de receita ou faturamento, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Dessa forma, é de se esclarecer que pela essência econômica, a correta classificação contábil dos r. créditos presumido de ICMS deveria considerar seu registro em contas patrimoniais. E, em respeito a Regra Matriz de incidência das contribuição ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Frisese também a jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, inclusive envolvendo a mesma empresa, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “[...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 3403000.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito: “(...) “NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 800 47 Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista de todo o exposto, reconheço que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e da COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107 / RS – pois o crédito de ICMS não se constitui entrada de recursos passível de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS nãocumulativo. [...] A fim de se evitar qualquer questionamento quanto a possível contradição, reforçase que, para fins de IRPJ, há legislação específica que inclui a subvenção para custeio como receita operacional, conforme já discorrido alhures. 3.3 DA TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL O Recorrente apurou originalmente o IRPJ do anocalendário de 2011 com base no lucro real. O lançamento manteve tal forma de tributação para o período. Para o ano calendário de 2012, a contribuinte havia optado pela tributação com base no lucro presumido. Ocorre que, com o cômputo das receitas referentes à subvenção para custeio, entendeu a autoridade fiscal que o contribuinte extrapolou o limite de receita bruta para opção pelo lucro presumido em 2012, estando obrigado à tributação com base no lucro real. Para o Recorrente, se a opção do contribuinte pelo lucro presumido se mostrar incorreta, a teor do que dispõe o inciso IV do art. 530, do RIR/99, a única opção da autoridade fiscal seria arbitrar o lucro, e não fazer a apuração com base no lucro real. Discordo de tal entendimento. A tributação com base no lucro arbitrado sempre foi considerada uma medida extrema, somente aplicável quando não for possível a apuração do IRPJ com base no lucro real. Sendo possível a apuração do lucro real, a jurisprudência administrativa jamais acolheu a tese de arbitramento de lucro. Exemplos não faltam. Mas talvez o mais elucidativo seja a falta de escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real. Segundo o inciso I do art. 530 do RIR/99, dá causa ao arbitramento o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Já o inciso III do art. 530 do RIR/99 elenca outra hipótese de arbitramento: o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 801 48 O Livro de Apuração do Lucro Real, também conhecido pela sigla Lalur, é um livro de escrituração de natureza eminentemente fiscal, criado pelo Decreto Lei nº 1.598, de 1977, conforme previsão do § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e alterações posteriores. A respeito da obrigatoriedade de se escriturar o Lalur, assim dispõe o art. 260, inciso III, do RIR/99, inserto no subtítulo do Regulamento do Imposto de Renda que dispõe sobre o lucro real: Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27): [...] III de Apuração do Lucro Real LALUR; [...] Conforme se observa, sendo o Lalur um livro fiscal obrigatório para os que apuram o IRPJ com base no lucro real, sua ausência implicaria o arbitramento de lucros (art. 530, incisos I e III, do RIR/99). Contudo, a jurisprudência caminhou em sentido diverso, cancelando inúmeras autuações em que o arbitramento se dava por mera falta escrituração do Lalur. Veja se: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCIRUTAÇÃO DO LALUR Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. (Acórdão nº 10196.469) ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL LALUR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A escrituração do LALUR, pela pessoa jurídica, consiste numa obrigação acessória que, uma vez descumprida, pode ensejar aplicação de penalidade pecuniária. O arbitramento do lucro, como forma que é de se tributar o resultado alcançado pelo empreendimento, só pode ser utilizado quando inviável a apuração do lucro real. Insubsistente o lançamento tributário quando, abandonados os registros contábeis e documentos que os lastrearam, a Fiscalização se utilizar do arbitramento para penalizar o contribuinte (Ac. 10188.675, de 22/08/95, da 1ª Câm. do 1º CC DO de 26/02/96) Com o passar do tempo, em situações em que a Fiscalização não procedia ao arbitramento, tornouse corriqueiro que os contribuintes utilizassem como argumento de defesa a obrigatoriedade de arbitramento, por vezes, em total descompasso com a tese há muito firmada de que o arbitramento é uma medida extrema. Em sessão realizada no mês de setembro de 2016, a 1ª Turma Ordinária desta Câmara assim decidiu no Acórdão 1401001.712, de lavra do i. Conselheiro Antônio Bezerra Neto: Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 802 49 [...] IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. [...] Destaco excerto do voto condutor de tal aresto: A Recorrente alega como argumento de defesa que a única possibilidade seria a tributação pelo regime do lucro arbitrado. Não é verdade, a apuração foi feita corretamente pelo fiscal o regime do lucro real. Afinal, o arbitramento do lucro é uma medida extrema e uma prerrogativa do fiscal a ser utilizado nos estritos casos indicados em lei, sendo assim uma salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da Fazenda Pública e não pode ser utilizado pelo contribuinte como mero instrumento de defesa. Nesse contexto, mesmo a Recorrente não tendo apresentado o LALUR, não se pode falar em motivo suficiente para o arbitramento dado que não ocorreu prejuízo para o Fisco conhecer todas as suas receitas, custos, despesas, podendo, assim, apurar com segurança todos os seus resultados. Qualquer interpretação que se afaste desse norte podemos reputar como sendo uma mera interpretação literal da lei. Entendo estarmos diante de situação similar. A autoridade fiscal identificou que o contribuinte possuía escrituração contábil regular que permitia identificar o lucro líquido, intimou o contribuinte a informar quais adições e exclusões deveriam ser feitas para apuração do lucro real, e procedeu ao ajuste de acordo com as informações prestadas pela próprio Recorrente. Vejase excerto do Termo de Verificação Fiscal: Deste modo, a NILCATEX foi intimada a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, referente ao anocalendário 2012, e também uma planilha com a relação de todos os créditos possíveis de aproveitamento na apuração das contribuições PIS e COFINS, na modalidade nãocumulativa. Conforme visto anteriormente, a fiscalizada informou que apesar de não concordar com a inclusão dos valores das subvenções no cômputo das receitas para fins de enquadramento do limite do lucro presumido, por cautela, a empresa buscaria as informações solicitadas. Assim sendo, a empresa efetuou a escrituração do LALUR do período, bem como apresentou a planilha com a relação dos créditos. Considerando que os livros contábeis e fiscais escriturados em 2012, que serviram de base para a apuração do lucro presumido, estão de acordo com as normas previstas no Regulamento do Imposto de Renda, e considerando também que o Livro de Apuração do Lucro Real apresentado está de acordo com as normas previstas, o valor escriturado neste livro servirá de base para apuração de ofício do lucro real em 2012: [...] Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 803 50 Destaco também trecho do acórdão recorrido a respeito da doutrina sobre a matéria: Conforme bem elucidado por Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 137/152, a palavra arbitramento foi utilizada neste contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato. Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que, se caracterizada a imprestabilidade da escrituração, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado) e, nas palavras da autora (p. 138/139): “Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar, ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. ...................................................................................................... ........... A questão da discricionariedade tornase relevante quando nos deparamos com a ocorrência de fato jurídico descritor de evento típico provado de forma direta ou indireta, mas que não permite a identificação da grandeza daquilo que a Lei dispõe como sendo a base de cálculo, ensejando assim a aplicação do atonorma de arbitramento” (destaques incluídos). Nestes termos, a impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo originária é condição necessária para a aplicação do arbitramento. Se presente tal condição, o arbitramento da base de cálculo do tributo, nestes casos, é deverpoder da Administração Tributária, previsto no anteriormente transcrito art. 148 do CTN. Ocorre que, este não é o caso dos autos em que, repitase, intimada, a contribuinte apresentou escrituração relativa ao anocalendário de 2012 a qual foi validada pela Fiscalização. E, na Impugnação, nada apresenta a contribuinte, no sentido de demonstrar que conteria ela vícios que impediriam a apuração do resultado. E no mesmo sentido do raciocínio até aqui desenvolvido, assim consta no Acórdão 1401000.884: 130. Por isso, acima da mera interpretação literal da lei – que implicaria o imediato arbitramento do lucro sempre que a pessoa jurídica optasse indevidamente pelo lucro presumido, duas outras regras de interpretação sistêmica se impõem. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 804 51 131. A primeira é a de que o contribuinte que optou indevidamente pelo lucro presumido só pode ter o seu lucro arbitrado se demonstrada a impossibilidade de apuração do lucro real, porque esta última é a mais condizente com a forma legal de mensuração da base tributável (art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional). 132 . A segunda, mais simples, porém, de maior evidência, é que se a opção pelo lucro presumido foi indevida é porque a pessoa jurídica estava obrigada ao lucro real (e não ao lucro arbitrado). 133. Por isso, a literalidade do dito dispositivo deve ser afastada, de forma a se entender que, na forma do inciso IV do art. 530 do RIR/1999, a pessoa jurídica que optou indevidamente pelo lucro presumido deve ser tributada pelo lucro real (a menos que o autuante concluísse pela absoluta impossibilidade de fazêlo). 134. E mais. Neste caso, como a escrituração apresentada bastou para a apuração do lucro real, o arbitramento seria contrário à lei. 135. Não é demais observar que, diferentemente do que parece crer o interessado, a forma de tributação não é eleita pelo autuante, que não goza de tal discricionariedade, tampouco tem por objetivo aumentar ou diminuir o valor do crédito tributário devido, cujo lançamento só se pode dar na forma da lei, que determina a forma de apuração da base de cálculo do IRPJ. 136. Assim, não assiste direito ao interessado de ter o seu lucro calculado por arbitramento. 137. O interessado não contesta nenhum dos elementos que forneceu ao autuante para a determinação do lucro real. 138. Dessa forma, o lançamento deve ser mantido. No mesmo sentido, assim se decidiu no Acórdão 110200.407: [...] DIFERENÇAS ENTRE A RECEITA DECLARADA E A RECEITA ESCRITURADA. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO INDEVIDA. É cabível o lançamento de oficio com base no lucro real quando verificado que o contribuinte declarou receitas menores do que as auferidas e registradas em sua escrituração contábil e fiscal, e optou indevidamente pela tributação com base no lucro presumido. [grifos nossos] [...] Desse modo, entendo correto o procedimento adotado no lançamento de realizar o lançamento com base no lucro real, e voto por negar provimento ao recurso também em relação a esse ponto. DA INDEDUTIBILIDADE DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO E RESPECTIVOS JUROS DE MORA Alega o Recorrente que os valores lançados de ofício relativos às contribuições PIS e Cofins, e respectivos juros de mora, deveriam ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL já no momento do lançamento. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 805 52 Entendo não assistir razão à Recorrente. É que a despesa para ser considerada incorrida e, portanto, dedutível na apuração do lucro real, deve ser revestida dos atributos de certeza e liquidez. Esse, aliás, o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 07/76 o qual conclui que “a despesa cuja realização está condicionada à ocorrência de evento futuro, indisponível para o beneficiário o correspondente rendimento, não pode ser considerada incorrida, vedada, por conseqüência, sua dedutibilidade na apuração dos resultados anuais”. Desse modo, enquanto perdurar a discussão administrativa sobre a exigência dos tributos lançados de ofício, não há que falar em sua dedutibilidade das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Ressaltase que mesmo antes da impugnação o crédito tributário não se mostrava exigível. Isso porque o art.10 , inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972 dispõe que na lavratura do auto de infração deva constar “a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias”. E, durante tal prazo, o contribuinte já faz jus à certidão positiva com efeito de negativa a que alude o art. 206 do CTN. Nesse sentido, assim dispõe o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 5, de 27/01/1995: “Poderá ser expedida certidão positiva de débitos, com efeitos de certidão negativa (art. 206 do CTN), no decorrer do prazo previsto no art. 31, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235/72, quando requerida por sujeito passivo intimado na forma desse dispositivo”. Conforme se observa, em tal interregno o contribuinte fará jus à certidão positiva com efeito de negativa, o que implica, a teor do que dispõe o art. 206 do estatuto tributário, que ou já haverá penhora, ou o crédito deve se encontrar com exigibilidade suspensa. No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 734, de 2007, determina que: Art. 3º A certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, de que trata o art. 3 º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n º 3, de 2007, será emitida quando não existirem pendências cadastrais em nome do sujeito passivo e constar, em seu nome, somente a existência de débito: [...] II cujo lançamento se encontre no prazo legal para impugnação ou recurso, nos termos do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972. [grifo nosso] Vêse, assim, que a suspensão da exigibilidade do lançamento nos primeiros trinta dias após a ciência do lançamento advém da própria redação do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, o qual determina, na formalização do lançamento, que o contribuinte seja intimado para pagar ou impugnar no prazo de 30 dias. Ora se a administração concede o prazo de 30 dias também para o pagamento, não há outra conclusão a se chegar: durante tal prazo o Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 806 53 crédito não pode ser exigido. Já tendo sido constituído, a única hipótese para não se cobrar tal crédito, de forma imediata, é a suspensão de sua exigibilidade. Destaco ainda que o prazo de prescrição somente se inicia após 30 dias da data do lançamento (o que corrobora a suspensão da exigibilidade em tal período). Nesse sentido, destaco excerto do voto condutor do aresto no RECURSO ESPECIAL Nº 1.399.591: O Código Tributário Nacional, no caput de seu art. 174, dispõe que a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Sobre o termo a quo do prazo prescricional quinquenal para a cobrança dos créditos tributários constituídos e exigíveis na forma do Decreto n. 70.235∕72, não corre a prescrição enquanto não forem constituídos definitivamente tais créditos, ou seja, enquanto não se esgotar o prazo de trinta dias previsto no art. 15 daquele diploma normativo, prazo este fixado para a impugnação da exigência tributária. Desse modo, considero que tributos lançados de ofício estão com exigibilidade suspensa desde a ciência do lançamento. Frisase ainda que, além da impossibilidade de dedução de despesa que ainda dependa de evento futuro para ser considerada incorrida, há dispositivo específico que impede a dedução de tributos com exigibilidade suspensa, excetuandose a regra geral de dedutibilidade com base no regime de competência (art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 base legal do art. 344, § 1º, do RIR de 1999): “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, haja ou não depósito judicial.” [grifos nossos] Com efeito, a partir de janeiro de 1995, a dedução pelo regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo. Nessa situação se inserem os valores objeto de lançamento de ofício. Ressalta se que tal mecanismo não impede que o contribuinte usufrua da dedução dessas despesas. Implica, tão somente, que não será possível deduzilas com base no regime de competência, podendo fazêlo somente quanto efetivamente extinto o débito ou, ainda que assim não ocorra, desde que não mais estejam com a exigibilidade suspensa, logo que contabilizálas. Ora, conforme visto, nos casos de lançamento de ofício, além da suspensão imediata do crédito tributário nos primeiros trinta dias após sua constituição, com a interposição de impugnação tempestiva mantémse tal inexigibilidade, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 807 54 Por decorrência, além de não caracterizar despesa incorrida no momento do lançamento, havendo apresentação de impugnação tempestiva em relação aos tributos lançados de ofício, estes somente são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no momento em que houver a decisão final da lide, e somente na hipótese de ser essa desfavorável ao contribuinte. Tratase, na realidade, de situação idêntica ao que ocorre quando presentes medidas judiciais suspensivas, em que os respectivos tributos contestados deixam de ser dedutíveis pelo regime de competência, permitindose sua influência nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL somente se o contribuinte não obtiver sucesso em sua demanda judicial. Com efeito, caso o contribuinte contabilize tais despesas, deverá adicionálas na parte A do Lalur, mantendoas na parte B até que sobrevenha a decisão final do processo administrativo em que se discute a exigência. Caso o contribuinte seja vencido, a partir de então as despesas com tributos passam a ser dedutíveis, permitindo sua exclusão na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Há de ressaltar, ainda, que no presente caso cancelouse integralmente a exigência de PIS e de Cofins. E ainda que assim não fosse, destaco ainda que não há base legal para "suspensão" ou interrupção do prazo decadencial em caso de reforma do lançamento questionado (por exemplo, excluir determinada infração de omissão de receita, ou reformar parcialmente a exigência de PIS/Cofins em razão de não terem sido considerados eventuais créditos, ou, até mesmo, a exoneração completa da exigência de PIS e Cofins por qualquer outro motivo), o que, por decorrência, diminuiria os valores de PIS e Cofins lançados de ofício e eventualmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ no momento do lançamento. Assim, nas hipóteses em que decorridos mais de cinco anos entre o lançamento e a decisão definitiva que por ventura exonerasse parcela de PIS e Cofins lançados, não teria como o Fisco constituir o crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativo ao PIS e Cofins indevidamente excluídos no momento do lançamento. No tocante a dedutibilidade dos juros de mora, o mesmo entendimento deve ser aplicado, dada sua natureza acessória, que segue a regra aplicada ao principal. Por decorrência, no silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, no que atine à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Isso posto, entendo não ser possível a dedutibilidade, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos tributos e juros de mora exigidos de ofício. DAS MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Em razão da infração principal, a autuada deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. DAS MULTAS ISOLADAS ATÉ O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 808 55 Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." No caso concreto, a exigência diz respeito fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2012, ou seja, após o advento da MP nº 351/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 a que se refere Súmula CARF nº 105, precedente, portanto, não aplicável à presente exigência. Passo à análise desse novo dispositivo legal. DAS MULTAS ISOLADAS APÓS O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. No caso concreto, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 809 56 As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega o Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não Fl. 809DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 810 57 havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pelo Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): [...] Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 811 58 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Desse modo, após o advento da MP nº 351/2007, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos Fl. 811DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 812 59 diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Em complemento, e em especial em relação à suposta aplicação do princípio da consunção, transcrevo o entendimento firmado pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus votos sobre o tema em debate: Manifesteime em outras ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tãosomente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.5. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 6 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. 5 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 6 Idem, Idem Fl. 812DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 813 60 Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. A respeito das questões constitucionais envolvendo a matéria, incluindo o confisco, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que, em regra, não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 13971.722024/201491 Acórdão n.º 1402002.387 S1C4T2 Fl. 814 61 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências de PIS e de Cofins. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 814DF CARF MF
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