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Numero do processo: 15249.000170/2006-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001,2002 PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. No caso em que a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação.
Numero da decisão: 1801-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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TERMO DE INÍCIO. No caso em que a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 180100.718 S1TE01 Fl. 126 2 Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos Restituição (PER) em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados nos anoscalendário de 2000 e 2001 a título de: Tributo Valor Original – R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) 5.426,07 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 963,47 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 528,15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 1.648,63 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 6466, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido o pedido foi alcançado pela prescrição, tendo em vista o decurso do prazo superior a cinco anos (inciso I do art. 165 e inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional). Cientificada em 27.12.2007, fl. 73, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.01.2008, fls. 7886, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Argumenta que o termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data em que o lançamento é homologado tacitamente (§ 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN). Conclui que o prazo é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador para os pedidos formalizados antes da edição da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o princípio da irretroatividade legal. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 27. Diante do exposto, requer: a) seja recebida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, com base, no art. 74, § 11°, da Lei n° 9.430/96,c/c art. 151, III, do CTN, pelos fundamentos trazidos no corpo desta peça; b) no mérito, seja reconhecido que o direito creditório da Manifestante permanece hígido, deferindose a restituição dos créditos objeto da presente Manifestação de Inconformidade. . Nestes termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1018.036, de 22.12.2008, fls. 9697:“Solicitação Indeferida”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 180100.718 S1TE01 Fl. 127 3 Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LC n° 118/2005. Decorridos mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, resta extinto, por decadência, o direito de pleitear à restituição. A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Notificada em 20.01.2009, fl. 99, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.02.2009, fls. 100115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui 33. Diante do exposto, requer: a) seja recebido e provido o presente recurso voluntário com base, no art. 74, § 11°, da Lei n° 9.430/96,c/c art. 151, III, do CTN, pelos fundamentos trazidos no corpo desta peça; b) no mérito, seja reconhecido que o direito creditório da recorrente permanece hígido, deferindose a restituição dos créditos objeto do presente recurso voluntário. Nestes termos, pede deferimento. É o Relatório. Voto A Recorrente afirma que o pedido não foi alcançado pela prescrição. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 09.06.2005. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15249.000170/200652 Acórdão n.º 180100.718 S1TE01 Fl. 128 4 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS1, substituto do paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS2, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. No presente caso, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) foi formalizado em 06.06.2006, fls. 0148, relativamente aos pagamentos a maior efetuados nos anoscalendário de 2000 e 2001. Verificase que a petição de indébito não foi alcançada pela prescrição e por este motivo cabe o exame das demais razões de defesa indicadas na manifestação de inconformidade. Por conseguinte, o presente processo deve ser devolvido à DRJ/POA/RS para que seja proferida nova decisão. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901219/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 12 19 /2 01 3- 15 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10875.901219/201315 Acórdão n.º 1201001.788 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10875.901219/201315 Acórdão n.º 1201001.788 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10875.901219/201315 Acórdão n.º 1201001.788 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001745/2007-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10670.001745/200731 Acórdão n.º 180100.684 S1TE01 Fl. 48 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional em 14.09.2007, fls. 0102, a partir de 01.07.2007, ao argumento de que, por engano, procedeu à exclusão voluntária da sistemática, optando pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Alega que não observou a nova redação do art. 3º da Resolução CGSN nº 5, de 30 de maio de 2007, dada pela Resolução CGSN nº 20, de 15 de agosto de 2007, que prevê que a receita bruta decorrente da atividade econômica de gráfica se submete às alíquotas do Anexo III. Conclui Entendemos que a Justiça só é feita quando é dado a cada um o que lhe é de direito, por tanto de acordo com base a tudo exposto acima é que pedimos que nos seja concedido o enquadramento no sistema SIMPLES NACIONAL com data retroativa a 01.07.2007, para que tenhamos nosso negócio viabilizado novamente e continuemos a. cumprir com as nossas obrigações tributarias rigorosamente em dia como sempre o fizemos. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 1617, as informações relativas à opção com data retroativa pelo Simples Nacional foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que a Recorrente não procedeu à solicitação de inclusão dentro do prazo legal, ou seja, até 20.08.2007, nos termos da do art. 17 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 Cientificada em 05.03.2008, fl. 18 , a Recorrente apresentou a impugnação em 04.04.2008, fls. 1920, reiterando os argumentos apresentados no Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional em 14.09.2007, fls. 0102. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0922.639, de 18.02.2009, fls. 3133: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS 4 CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. PRAZO EXPIRADO. Deixando a pessoa jurídica de fazer a opção para o Simples Nacional na época própria, no período de 01/07/2007 a 20/08/2007, não há como aceitar o pedido de opção com efeito retroativo. Notificada em 10.03.2009, fl. 36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.04.2009, fls. 3739, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge repetindo as razões de defesa indicadas na peça inicial. Conclui Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10670.001745/200731 Acórdão n.º 180100.684 S1TE01 Fl. 49 3 De acordo com todo o exposto acima pedimos que este Conselho analisasse o nosso pedido não somente pelos olhos da lei, mas, também pelos olhos cerrados da justiça e é com base nesta justiça que pedimos que nossa empresa seja mantida no sistema de tributação do SIMPLES NACIONAL afim de que possamos continuar a gerar empregos nos mantendo firmes neste concorrido mercado empresarial brasileiro. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada da decisão de primeira instância em 10.03.2009, fl. 36, e apresentou o recurso voluntário em 20.04.2009, fls. 3739. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10670.001745/200731 Acórdão n.º 180100.684 S1TE01 Fl. 50 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901218/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 12 18 /2 01 3- 71 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10875.901218/201371 Acórdão n.º 1201001.787 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10875.901218/201371 Acórdão n.º 1201001.787 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10875.901218/201371 Acórdão n.º 1201001.787 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000185/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002,2005
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
DECADÊNCIA.
O termo de início da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de não restarem comprovados os pagamentos antecipados, tampouco informação em DCTF.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
JUROS DE MORA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 1801-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Magda Azario Kanaan Polanczyk e Marcos Vinicius Barros Ottoni que acolhiam a decadência do lançamento tributário referente ao ano-calendário de 2001.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. DECADÊNCIA. O termo de início da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de não restarem comprovados os pagamentos antecipados, tampouco informação em DCTF. INEXATIDÕES MATERIAIS. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. JUROS DE MORA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Fl. 470DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 448 2 Magda Azario Kanaan Polanczyk e Marcos Vinicius Barros Ottoni que acolhiam a decadência do lançamento tributário referente ao anocalendário de 2001. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 162/167, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.814,91, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e sem a multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual dos anoscalendário de 2001 e 2004, tendo em vista o Mandado de Segurança nº 98.00146903 impetrado junto à Seção Judiciária de São Paulo/SP da Justiça Federal, fls. 07/157 (inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional). O lançamento se fundamenta na falta de adição da CSLL na base de cálculo do IRPJ. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: incisos art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, bem como inciso I do art. 249 e § 6º do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 13/02/2006, fl. 163, a Recorrente apresentou a impugnação em 15/03/2006, fls. 169/195, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que seus argumentos se referem à matérias diferenciadas daquelas objeto do lançamento e do Mandado de Segurança n° 98.00146903 e por esta razão devem ser conhecidos. Argumenta que o lançamento é nulo nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que é imprescindível o cálculo correto do montante do tributo devido. Suscita que há erro na apuração do IRPJ do anocalendário de 2001 e que o valor correto seria de R$9.556,91, já que do valor devido de R$10.001,26 deveria ter sido deduzida a CSLL no valor de R$444,35. Procura demonstrar que como há pagamento efetuado de tributo calculado pela base estimada, remanesce o valor de R$8.045,63, que está com a exigibilidade suspensa. Suscita ser absolutamente despropositado deduzir desta quantia a Fl. 471DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 449 3 CSLL no valor de R$444,35 e apurar o valor remanescente de R$7.601,28 a título de IRPJ, que foi lançado de ofício. Defende que esta parcela do lançamento foi alcançada pela decadência. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Face às razões expostas, a Impugnante postula o conhecimento da presente Impugnação, com o acolhimento da preliminar de nulidade, a decretação da decadência parcial suscitada e, no mérito a anulação dos juros de mora lançados sobre o total do crédito supostamente devido, em razão do seu depósito judicial. Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA DRJ/SPO I/SP nº 1620.213, de 26/01/2009, fls. 386/393: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2004 IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Tendo o contribuinte optado pela apuração anual do IRPJ, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Como a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo qüinqüenal previsto no CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Não comprovado o alegado erro na apuração do valor tributável, deve ser mantido o lançamento. JUROS DE MORA. DEPOSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios. Porém, em caso de decisão judicial final favorável à Unido, o depósito será transformado em pagamento definitivo considerandose a data da realização do depósito. Notificada em 25/02/2009, fl. 398, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26/03/2009, fls. 399/413, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. Conclui Fl. 472DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 450 4 Face às razões expostas, a Recorrente postula o conhecimento do presente Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma do v. acórdão, a fim de seja reconhecida a preliminar de nulidade do Auto de Infração em comento, tendo em vista a afronta as disposições contidas no artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como no mérito, anular os juros de mora incidentes sobre o total dos créditos supostamente devidos, uma vez que está depositando regularmente o tributo nos autos do Mandado de Segurança n.° 98.00146903, em atendimento ao disposto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Cabe esclarecer que a Recorrente reconhece houve ação judicial com o mesmo objeto do lançamento, ou seja, informando que impetrou contra a Fazenda Nacional o Mandado de Segurança nº 98.00146903 com o escopo de reconhecer a legalidade da dedutibilidade da CSLL da base de cálculo do IRPJ, de modo que esta matéria é não litigiosa. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro real devendo determinar a base de cálculo do tributo nos termos da legislação vigente. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 01, Termo de Início de Fiscalização, fl. 03, com a ciência válida do Auto de Infração em 13/02/2006, fl. 163. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Fl. 473DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 451 5 Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente diz que o lançamento referente ao anocalendário de 2001 foi alcançado pela decadência. Vale ressaltar que a decadência é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento (art. 269 do Código de Processo Civil – CPC). Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional (CTN) assim determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em relação contribuições para o custeio da seguridade social, o Supremo Tribunal Federal assim se pronunciou mediante o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, a saber: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 474DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 452 6 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29/10/2009 (fonte:https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=2007 01769940&sData=20090918&formato=PDF, acesso em 21/01/2011): Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 475DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 453 7 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 901905 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 15 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decadência é a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento pela sua inércia, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. É uma causa de extinção do crédito tributário (inciso V do art. 156 do CTN), bem como é tema que exige lei complementar (art. 146 da CR). Aplicase a regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, no caso em que o sujeito passivo verificando a ocorrência do fato gerador do tributo sujeito ao lançamento por homologação efetive o pagamento antecipado, sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública. Caso não se verifique o pagamento antecipado, o prazo de decadência tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento pode ser expressamente homologado pelo Erário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Findo este prazo o lançamento considerase homologado e o Fl. 476DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 454 8 crédito tributário se extingue, salvo se houver dolo, fraude ou simulação ou não existir pagamento antecipado. Restou esclarecido que o termo de início da contagem do prazo decadencial do tributo em exame se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, uma vez que a Recorrente não antecipou qualquer pagamento no período tampouco apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), uma vez que apurou saldo negativo de IRPJ, fl. 384. O Auto de Infração referente anocalendário de 2001 foi cientificado a Recorrente em 13/02/2006, fl. 163. Portanto, não há que se falar em decadência por falta do decurso do prazo legal. A Recorrente diz que há incorreções no cálculo do montante do IRPJ devido no anocalendário de 2001. A escrituração deve ser mantida com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos (art. 923 do RIR, de 1999). Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados, a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário dedutibilidade indevida da CSLL da base de cálculo do IRPJ no anocalendário de 2001. Analisando a Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da DIPJ, fls. 373/384, temse que a Recorrente apurou o IRPJ a pagar apurado sobre a base de cálculo estimada tãosomente no mês de janeiro de 2001, no montante de RS137.201,95. Na DCTF fl. 385, está informado que este valor foi extinto pela compensação de R$129.156,32 a com saldo negativo do anocalendário de 1998, e pela suspensão da exigibilidade por força do Mandado de Segurança nº 98.0014690 no valor de R$8.045,63. Examinando a Ficha 12B — Cálculo do IR sobre o Lucro Real da DIPJ, fl. 372, verificase que a Recorrente apurou o IRPJ devido no valor de R$10.417,98. Deduzidos os valores de R$416,72 de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e de R$137.201,95, de tributo apurado sobre a base de cálculo estimada, apurouse o saldo negativo IRPJ no montante de R$127.200,69. Por seu turno, fazendo a retificação dos valores com base no Mandado de Segurança nº 98.0014690, ou seja, deduzindo a CSLL no valor de R$444,35, o valor de IRPJ que a Recorrente entende correto seria de R$9.556,91, uma vez que o valor do tributo originalmente apurado é de R$10.417,98. Contudo, refazendo todos estes cálculos de ofício temse que somente podem ser deduzidos do valor do tributo originalmente apurado de R$10.417,98: o incentivo fiscal (PAT) o valor de R$398,20; e o IRPJ a efetivamente pago e apurado sobre a base de cálculo no valor de R$129.156,32 Verificase que o valor de R$8.045,63 considerado como parte do pagamento do montante de R$137.201,95 de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada não pode ser considerado por expressa previsão legal, uma vez que se trata de tributo não efetivamente recolhido (art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 477DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 455 9 Logo, o saldo negativo IRPJ correto do anocalendário de 2001 é no montante de R$119.599,41, conforme abaixo detalhado: Discriminação Dados Informados pela Recorrente – R$ Dados Alterados de Ofício – R$ Lucro Líquido Ante do IRPJ (13.286.256,96) (13.286.256,96) (+) Adições Legais 17.684.336,29 17.679.927,96 () Exclusões Legais (4.298.860,45) (4.298.860,45) () Compensações Prejuízos Fiscais (29.765,66) (28.443,16) = Lucro Real 99.218,88 94.810,55 IRPJ Devido 10.417,98 9.955,11 () PAT (416,72) (398,20) () Pagamentos Efetuados Por Estimativa (137.201,95) (137.201,95) IRPJ Apurado (127.200,69) (119.599,41) Verificase, portanto, que o valor de IRPJ lançado de R$7.601,28 (R$127.200,69R$119.599,41) está correto. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções no lançamento. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic, uma vez que há depósito judicial. O Código Tributário Nacional determina: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória; II – o depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Fl. 478DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 456 10 Em relação à incidência de juros de mora, vale transcrever os enunciados das Súmulas CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) e que assim dispõem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Consta às fls. 155/156 a Certidão de Objeto e Pé que consigna que a Recorrente efetuou o depósito judicial em 28/02/2003 no valor de R$64.437,68 identificado pelo nº 0265.635.002074993. O objeto do Mandado de Segurança nº 98.00146903 se refere à pretensão da dedutibilidade da CSLL da base de cálculo do IRPJ a partir do anocalendário de 1998. Em relação ao anocalendário de 2001 deve a repartição de origem verificar se no depósito judicial no valor de R$ R$64.437,68 está contido o depósito do montante integral do tributo e se caso este fato ficar comprovado que se excluam os juros de mora correspondentes. Pertinente ao anocalendário de 2004 não cabem reparos ao lançamento, uma vez que o depósito judicial no valor de R$ R$64.437,68 foi efetuado em 28/02/2003. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto voto por, em preliminar, por afastar a decadência e no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Cabe esclarecer que em relação ao anocalendário de 2001 deve a repartição de origem verificar se no depósito judicial no valor de R$ R$64.437,68 está contido o depósito Fl. 479DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.000185/200611 Acórdão n.º 180100.607 S1TE01 Fl. 457 11 do montante integral do tributo e se caso este fato ficar comprovado que se excluam os juros de mora correspondentes. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 480DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10835.000397/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 2202-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.192,20.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PRUDENTE COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte trouxer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.192,20. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 03 97 /2 00 3- 21 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10835.000397/200321 Acórdão n.º 2202004.108 S2C2T2 Fl. 429 2 Tratase de pedido de compensação no qual o Recorrente pleiteia a compensação de débitos do IRRF decorrente dos rendimentos pagos a seus cooperados, a partir de créditos do imposto de renda que lhe teriam sido retidos na fonte. A compensação pleiteada foi homologada parcialmente no valor de R$ 14.357,21, de um total requerido de R$ 16.884,52. A diferença não homologada deuse por falta de comprovação quanto ao efetivo pagamento do IRRF pelas fontes pagadoras que retiveram o tributo do Recorrente. Em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente pleiteou a juntada de documentação hábil a comprovar o seu direito à compensação. A decisão de primeira instância desconsiderou todos os documentos juntados pelo Contribuinte na manifestação de inconformidade, por entender que estava precluso esse direito, julgandoa improcedente. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 09/05/2007, por via postal, conforme A.R. de fl. 371, tendo apresentado em 08/06/2007 (envelope de fl. 377) o Recurso Voluntário de fls. 372/376, requerendo a realização de diligência para a apreciação dos referidos documentos. Na sessão de 19/08/2009, os membros da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal apurasse a existência de crédito apto à homologação da compensação pleiteada, considerando todos os documentos já juntados ao processo (fls. 380/382). Tendo em vista a extinção da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o processo foi sorteado para essa turma de julgamento, sob minha relatoria. A autoridade fiscal emitiu o Relatório de Diligência de fls. 401/403, com as conclusões da diligência, porém não constava que o Contribuinte foi intimado desse relatório. Na sessão de 09/02/2017, essa Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência (fls. 404/406), para que a Contribuinte fosse intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência anterior. A Contribuinte foi intimada em 16/03/2017 (A.R. de fl. 410) e apresentou a manifestação de fls. 422/425 em 17/04/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10835.000397/200321 Acórdão n.º 2202004.108 S2C2T2 Fl. 430 3 Observase que a autoridade fiscal, em atendimento à diligência determinada pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Resolução nº 2801 0008, de 19/08/2009 (fls. 380/382), emitiu o Relatório de Diligência de fls. 401/403. A Contribuinte manifestouse sobre a diligência, alegando que os vários equívocos cometidos pelas fontes pagadoras ao prestarem as informações ao Fisco demonstram que não correspondem totalmente à realidade dos fatos. Defende a Recorrente que a documentação acostada aos autos comprova a origem, existência e legitimidade dos créditos suficientes para a homologação da compensação. Sustenta que o fato de a fonte pagadora eventualmente não ter informado em DIRF a respectiva retenção ou têla informado com código de retenção equivocado não pode criar uma obrigação/punição para a Recorrente. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal concluiu o seguinte (fls. 401/403): Pela leitura da planilha verificase que foi glosado o valor de R$ 2.527,31 (R$ 2.474,62 + R$ 52,69). Com a análise dos documentos juntados posteriormente, foi comprovado a retenção adicional de R$ 834,99. Vêse, portanto, que após a análise de toda a documentação acostada aos autos pela Recorrente, a autoridade fiscal reconheceu a comprovação adicional de R$ 834,99, totalizando um valor comprovado de R$ 15.192,20 (R$ 14.357,21 + R$ 834,99). Ressaltese que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dados os requisitos de liquidez e certeza para os valores pleiteados, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos incumbe ao requerente, que deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes, capazes de demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Assim, considerando que o Contribuinte não logrou comprovar o crédito total alegado de R$ 16.884,52, conforme diligência efetuada, deve ser mantida a glosa de R$ 1.692,32. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10835.000397/200321 Acórdão n.º 2202004.108 S2C2T2 Fl. 431 4 Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 15.192,20. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002137/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/05/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO.
Álcool Cetoestearílico industrial, mistura de álcool cetílico e álcool estearílico. Quando o predomínio é do álcool estearílico, correta a classificação mais específica na posição 3823.70.10. Álcool cetílico industrial (álcool cetoestearílico), mistura de álcool cetílico e álcool estearílico. Quando o predomínio é do álcool cetílico, correta a classificação na posição 3823.70.90.
Numero da decisão: 3402-004.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Tais Laurentis Galkowicz, Daniel Diniz de Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO. Álcool Cetoestearílico industrial, mistura de álcool cetílico e álcool estearílico. Quando o predomínio é do álcool estearílico, correta a classificação mais específica na posição 3823.70.10. Álcool cetílico industrial (álcool cetoestearílico), mistura de álcool cetílico e álcool estearílico. Quando o predomínio é do álcool cetílico, correta a classificação na posição 3823.70.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Tais Laurentis Galkowicz, Daniel Diniz de Ribeiro e Pedro Sousa Bispo Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 21 37 /2 01 0- 91 Fl. 1634DF CARF MF 2 Trata o presente de auto de infração lavrado em face da caracterização de erro de classificação fiscal. Conforme relatado no auto de infração, a contribuinte importou, por intermédio das Declarações de Importação relacionadas às fls. 216/220, por conta e ordem de INDÚSTRIA QUÍMICA ANASTÁCIO S.A, CNPJ. 60.874.724/000196, qualificada como DEVEDOR SOLIDÁRIO, Álcool cetoestearílico, descrito desta forma, com classificação tarifária 3823.70.10, destinada a "Álcool Esteárico". Observa a fiscalização que também foram verificadas outras importações do mesmo produto denominado álcool cetoestearílico, através de outros Importadores, sempre tendo como adquirente o mesmo devedor solidário. Laudos técnicos feitos em amostras dos produtos informam tratarse de uma mistura de álcool estearilico e de álcool cetilico, com característica de cera artificial, positiva para álcool graxo, que atua como agente emulsionante nas formulações cosméticas e farmacêuticas, classificação tarifária correta é 3823.70.90, destinada a "Outros álcoois graxos industriais", enquadrandose no Ex001 da mesma subposição, especificamente por tratarse de produto "com características de cera artificial". Em todas as Declarações de Importação consta da descrição da mercadoria a expressão: ALCOOL ESTEARÍLICO. Em todas elas, detalhes da especificação da mercadoria, constantes da descrição, demonstram tratarse do mesmo produto, a saber: "NAFOL" e/ou "1618" e/ou "1618" e/ou "30/70" (referência à proporção da mistura) e/ou a definição de percentual de componentes próximo da mistura encontrada no laudo técnico. Assim, foi lavrado auto de infração de fls. 1 e ss , no valor de R$ 4.772.767,96, com exigência de diferença de tributos e contribuições, acréscimos legais, multa de ofício e multa por classificação incorreta. Cientificados da autuação, a interessada, LOGISTIC NETWORK TECHNOLOGY COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACÃO S/A, e a responsável solidária, INDÚSTRIA QUÍMICA ANASTÁCIO S/A, apresentaram impugnação conjunta às fls. 752 e ss., onde alegam em síntese que: · Cerceamento ao devido processo legal: reclama que não lhe foi dado direito de participar de maneira ativa no processo fiscalizatório, podendo apresentar documentos comprobatórios e elucidativos à atividade fiscalizadora, que afastariam a lavratura do auto de infração. · Ilegalidade da presunção aplicada pela autoridade administrativa à declarações de importação: afirma que no caso em tela, não se poderia usar da presunção, pois a reclassificação exige efetivação de prova pericial química, para cada DI. Nunca poderia ter fundamentado o laudo num único laudo pericial. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 12466.002137/201091 Acórdão n.º 3402004.336 S3C4T2 Fl. 1.635 3 Afirma que o mesmo nome não significa que tenham a mesma composição. · Ressalta que as DI’são datadas de 2005 a 2006. Segundo consta do laudo n° 2365/2007, o produto só foi levado à análise para essa empresa em 24/10/2007, ou seja, mais de 05 (cinco) meses depois de sua importação, o que poderia comprometer as suas propriedades de composição, alterando o resultado. · Reclama que não é possível às interessadas elaborarem quesitos para dirimir dúvidas. Requer nova perícia, informando que posteriormente apresentariam quesitos. · Reclama dos cálculos para a para apuração do débito, afirmando que o critério utilizado para a atualização dos débitos tributários são irregulares, inexatos e arbitrários. · Reclama também da multa de 75%, porque não classificou de forma errônea, voluntariamente ou não, as importações feitas. Afirma que, em respeito ao princípio da isonomia, o percentual máximo da multa seria de 20%, uma vez que a inflação mensal não chega a 1%. · Alega ilegalidade da taxa SELIC e inaplicabilidade dos juros por ela calculados sobre indébitos tributários. Ao final requer a improcedência da ação. Para melhores esclarecimentos esta DRJ/SPO solicitou informações complementares, consubstanciadas na Resolução 16.000.438, de 24/04/2014 (fls. 1441 e ss). Em resposta, a unidade de origem apresentou seus esclarecimentos, juntados às fls. 1445 e ss, que serão melhor explicitados no voto. Cientificadas do teor da diligência, a interessada e a responsável solidária não se manifestaram a respeito. Em ato contínuo, a DRJSÃO PAULO julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/05/2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1636DF CARF MF 4 PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Álcool cetílico industrial (álcool cetoestearílico), mistura de álcool cetílico e álcool estearílico. Quando o predomínio é do álcool cetílico, correta a classificação na posição 3823.70.90. Caso contrário, não cabe classificação nessa posição. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.Cabível multa por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no artigo inciso I do artigo 84 da MP 2.158, de 24/08/2001, pela ocorrência da infração tipificada neste dispositivo legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Uma vez que foi ultrapassado o valor de alçada, foi interposto o recurso de ofício em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo A decisão recorrida cancelou parcialmente o auto de infração de diferenças de tributos na importação e multa por classificação incorreta, decorrentes de erro de classificação fiscal adotada pela empresa em seus produtos, conforme resumo abaixo transcrito: Exigido Mantido Exonerado IPI 2.100.311,56 2.100.311,56 Juros 865.477,18 865.477,18 multa erro classificação 148.674,96 13.264,79 135.410,17 PIS 9.993,26 9.993,26 Juros 4.413,23 4.413,23 COFINS 37.748,10 37.748,10 Juros 16.101,05 16.101,05 Total 4.772.767,97 13.264,79 4.759.503,18 Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 12466.002137/201091 Acórdão n.º 3402004.336 S3C4T2 Fl. 1.636 5 Conhecemos, desta forma, do Recurso de Ofício tendo em vista que o montante exonerado ultrapassou o valor de R$ 1.000.000,00 previsto no Art.1º da Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte não interpôs Recurso Voluntário, conforme Termo de Perempção lavrado. A matéria principal discutida nos autos tratou da classificação fiscal do produto Álcool Cetoestearílico que se apresentou sob diversas denominações e de fornecedores diferentes, conforme tabela resumo extraída dos autos: Fl. 1638DF CARF MF 6 Resumese a demanda, portanto, na classificação adequada para essas misturas de álcoois, se nas posições 3823.70.10 (álcool esteárico) e 3823.70.30 (outras misturas de álcoois alifáticos) como quer a empresa ou na posição 3823.70.90 (Outros álcoois graxos industriais, Ex001Com características de cera artificial, como quer a Autoridade Administrativa. Em suma, a fiscalização reclassificou todos os produtos importados pela empresa para a posição 3823.70.90 (Outro Álcoois Graxos Industriais), EX001 Com Característica de Cera Artificial, o que resultou nas diferenças de tributos lançadas (fls.02 a 198). Constatase que não há nos autos divergência quanto a identificação dos produtos. A fim de facilitar o entendimento, o julgador da DRJ separou a sua análise da classificação fiscal dos produtos em dois itens: Naftol 1618 e demais produtos. Avaliando que essa se constitui na melhor didática, adotase o mesmo modelo na segunda instância. Nafol 1618S Como se pode constatar nos autos, o Nafol 1618S foi o principal produto importado pela empresa. Segundo a sua descrição, esse álcool é constituído de uma mistura de Álcool estearílico e de Álcool cetílico. Por meio do Parecer Técnico 007/2014 (fls.1468 a 1471), chegouse a identificação exata do Nafol 1618S como Álcool Cetoestearílico, com um percentual de 25,8% de Álcool Cetílico (C16) e 74,2% de Álcool Estearílico (C18), com características de cera artificial, um Álcool Estearílico Industrial, Álcool Graxo (Gordo) Industrial. Lendo as conclusões do referido parecer podemos inferir que o produto sob análise têm como característica principal ser um Álcool Graxo Industrial com a predominância do Álcool Estearílico na sua composição. Também no referido Parecer, o responsável informa que nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado consta o Álcool Estearílico especificamente como um dos principais exemplos de Álcool Graxo Industrial: B ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*) INDUSTRIAIS Os álcoois graxos (gordos*) industriais incluídos na presente posição são misturas de álcoois acíclicos obtidos, especialmente, por redução catalítica dos ácidos graxos (gordos*) industriais desta posição (ver o parágrafo A, anterior) ou dos seus ésteres, por saponificação do óleo de cachalote, por reação catalítica entre as olefinas, o óxido de carbono e o hidrogênio (síntese Oxo), por hidratação das olefinas, por oxidação de hidrocarbonetos ou por outros meios. Estes produtos são quase sempre líquidos. Contudo, alguns deles são sólidos. Os principais álcoois graxos (gordos*) industriais da presente posição são os seguintes: Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 12466.002137/201091 Acórdão n.º 3402004.336 S3C4T2 Fl. 1.637 7 1) O álcool laurílico industrial, que é uma mistura de álcoois graxos (gordos*) saturados, obtidos por redução catalítica dos ácidos graxos (gordos*) do óleo de coco. Líquido à temperatura normal, toma uma consistência semisólida a temperaturas mais baixas. 2) O álcool cetílico industrial, que é uma mistura dos álcoois cetílico e estearílico, sendo o primeiro preponderante; obtémse a partir do óleo de cachalote ou do óleo de espermacete. É um sólido cristalino e translúcido à temperatura ambiente. 3) O álcool estearílico industrial, que é uma mistura dos álcoois estearílico e cetílico, obtido por redução da estearina ou de óleos ricos em ácido esteárico ou ainda a partir do óleo de cachalote, por hidrogenação e hidrólise seguida de destilação. Este álcool apresentase sob a forma de um sólido branco cristalino à temperatura ambiente. 4) O álcool oleílico industrial, obtido por redução da oleína ou, por pressão hidráulica, a partir de álcoois derivados do óleo de cacholote. É líquido à temperatura ambiente. 5) As misturas de álcoois primários alifáticos, habitualmente compostas por álcoois com seis a treze átomos de carbono. Tratase de líquidos obtidos geralmente pela síntese Oxo. Os álcoois graxos (gordos*) mencionados nos nºs 1) a 4), acima utilizamse sobretudo para a preparação de derivados sulfonados, cujos sais alcalinos constituem os agentes de superfície orgânicos da posição 34.02. Os álcoois graxos (gordos*) do nº 5) empregamse sobretudo na fabricação de plastificantes para o poli(cloreto de vinila). Os álcoois graxos (gordos*) industriais, que apresentam característica de ceras, são também incluídos nesta posição. A presente posição não compreende os álcoois graxos (gordos*) de constituição química definida com pureza de 90% ou mais (calculada relativamente ao peso do produto no estado seco) (posição 29.05, geralmente).” Os Álcoois Graxos Industriais, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, devem ser classificados na posição e subposição 3823.70. Quanto a isso não há divergência entre a Autuada e a Autoridade Administrativa. Para uma melhor visualização da matéria, apresentase abaixo os itens e subitens que compõem a posição 3823.70 da NCM/SH que originaram as divergências: 3823.70 Álcoois graxos industriais 3823.70.10 Esteárico 0 3823.70.20 Láurico 0 3823.70.30 Outras misturas de álcoois primários alifáticos 0 3823.70.90 Outros 0 Ex 01 Com características de ceras artificiais 15 Fl. 1640DF CARF MF 8 Observase que os Álcoois Esteárico e o Láurico possuem posições específicas na NCM/SH. Como afirmado anteriormente, ficou comprovado nos autos, por meio do Parecer Técnico 007/2014, que o produto Nafol 1618S foi identificado como o Álcool Cetoestearílico, constituído predominantemente do Álcool Estearílico. Com efeito, a fim de encontrarmos a classificação correta do produto, devese aplicar a Terceira Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado para resolver a demanda. A RGI 3a estabelece que “a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”. Havendo posição específica para o produto Nafol 1618S (Álcool com predominância do Estearílico) esta deve ser adotada (3823.70.10Álcool Graxo Industrial Estearíco), afastandose consequentemente a posição mais genérica 3823.70.90 Ex.01, adotada pela Fiscalização. Assim, o produto Nafol 1618S não poderia ser classificado no código 3823.70.90 da TIPIEx.01, uma vez que há código específico e precedente (3823.70.10) que, com a observância da RGI 3a, prevalece sobre código genérico e residual, tornandose irrelevante se o produto tem característica de cera artificial. Demais Produtos Foram identificados ainda outras misturas de álcoois estearílico e cetílico em proporções diferentes do produto anteriormente analisado, conforme a tabela mostrada no início deste voto. Algumas dessas misturas ainda apresentaram o Álcool Estearílico em composição superior ao Cetílico ou na proporção de 50%. Para esses produtos valem as mesmas considerações feitas quanto ao Nafol 1618S anteriormente, também devendo ser classificados na posição 3823.70.10. A outra exceção, o produto denominado Álcool Cetoestearílico C1618 60/40, apresenta na sua composição a predominância de Álcool Cetílico (60%). O produto também se caracteriza como um Álcool Graxo Industrial, conforme já mostrado acima nas notas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Uma vez que não consta posição específica para o Álcool Cetílico, as posições possíveis para o seu enquadramento seriam as 3223.70.90 (Outros) ou nessa mesma posição fazendo parte da exceção, Ex01 (Com características de ceras artificiais). Assim, resta saber, então, se esse produto possui característica de cera artificial ou não para concluirmos sobre a sua correta classificação. Segundo o Parecer Técnico constante nos autos, um produto para ser considerado uma cera artificial deve apresentar as seguintes características: - um ponto de gota superior a 40 °C - uma viscosidade, medida no viscosímetro rotativo, igual ou inferior a 10 Pa.s(ou 10.000 cP), a uma temperatura de 10 °C acima do seu ponto de gota; - tornamse brilhantes quando friccionadas com ligeira pressão; - sua consistência e sua solubilidade dependem grandemente da temperatura. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 12466.002137/201091 Acórdão n.º 3402004.336 S3C4T2 Fl. 1.638 9 No entanto, o Parecer Técnico apenas foi conclusivo sobre ter característica de cera quanto, unicamente, ao Nafol 1618S. Quanto aos demais produtos não há considerações que possam atribuir tal característica a eles, uma vez que não se submeteram a uma análise específica, conforme consta no Termo de Informação Fiscal.. Assim, diante do exposto, o produto Álcool Cetoestearílico C1618 60/40 tem como classificação correta 3823.70.90, sendo que para esse produto a empresa utilizou incorretamente a posição NCM 3823.70.10. Para todos os demais produtos, a NCM correta é a 3823.70.10, sendo que, conforme pesquisas no SISCOMEX, as impugnantes classificaram as mercadorias nesta NCM, com exceção das mercadorias constantes das DI's de nº 05/13012014(adição 001), 05/13297639(adição 002), 05/13898942(adição 001), 06/00096976(adição 001), 06/00198990(adição 001) e 06/00474113(adição 001),onde foi utilizada pelas impugnantes a NCM 3823.70.30 e das DI's de nº06/12520689(adição 001), 06/13195960(adição 001), 06/13196028(adição 001) e 06/13196044(adição 001), onde foi utilizada pelas impugnantes a NCM 2905.17.30. Por falta de Laudo técnico sobre as características dos produtos, também fica prejudicada qualquer discussão acerca do cabimento do “Ex” 01 — Com características de ceras artificiais. Uma vez que todas as NCM's nos dois últimos parágrafos possuíam, à época dos fatos geradores das DI's correspondentes, as alíquotas de 2,00%, 0,00%, 1,65% e 7,60% para o II, o IPI, o PIS e a COFINS, respectivamente, não há que se falar em exigência de diferença de tributos. Nada a reparar, portanto, no Acórdão da DRJSão Paulo. Diante do exposto, conheço e nego provimento ao Recurso de Ofício. assinado digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001382/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
Numero da decisão: 1401-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
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COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 13 82 /2 00 9- 24 Fl. 170DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativo a multa isolada lavrado contra a empresa em razão tem ter apresentado compensações baseadas em obrigações do reaparelhamento que foram consideradas não declaradas pela delegacia de origem em razão de terem contrariado a vedação estabelecida pelo art. 74, § 12, I e II, "a", da Lei nº 9.430/96. O auto de infração foi lavrado pela aplicação do percentual de 75% sobre a totalidade dos débitos cuja compensação foi considerada não declarada, na forma do art. 18, da Lei nº 10.833/2003. Contra a autuação o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 49 em diante. Analisando a Impugnação apresentada, a DRJ/Belo Horizonte decidiu por manter integralmente a autuação, conforme decisão de fls. 121/129. Cientificada da decisão que manteve a autuação o recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 135/164, onde apresenta as seguintes alegações: 1) Da indevida aplicação de Multa e Juros sobre débitos que foram objeto de regular procedimento de compensação; 2) Do efeito de confisco vislumbrado pelo tamanho da autuação em comparação com o capital social da empresa que impossibilitará o seu pagamento futuro; 3) Da inconstitucionalidade de sanções políticas pela imposição de obstáculo ao direito de compensação; 4) Da situação de regularidade fiscal da empresa que pode ser atingida pela irregular imposição desta penalidade. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13839.001382/200924 Acórdão n.º 1401001.929 S1C4T1 Fl. 170 3 De início cumprese informar que o objeto da lide é a análise acerca da legalidade de imposição de multa isolada relativa aos débitos apresentados à compensação de forma tida irregular por basearse tal compensação em créditos de títulos de obrigações do reaparelhamento econômico. As compensações foram consideradas não declaradas e foi realizada representação para lançamento de multa isolada sobre os débitos irregularmente levados à compensação. Em consequência da utilização de prática legalmente vedada, foi lavrado o auto de infração objeto deste processo decorrente da decisão que considerou não declarada a compensação baseada em crédito de terceiros. Do Objeto de Análise no Presente Processo e da Distinção das penalidades. Correta aplicação da Multa Isolada A análise deste processo prendese, apenas e tão somente, à verificação da regularidade do procedimento fiscal que não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração d e Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Na cobrança dos débitos resultado de compensação não homologada estes se sujeitos à imposição de multa de mora, quando já confessados, ou ao lançamento de oficio do próprio crédito tributário, quando ainda não confessados. Ocorre, no entanto, que quando a compensação é considerada não declarada não estamos mais tratando do crédito tributário e sua cobrança, mas sim da infração cometida pela empresa ao violar dispositivos normativos que impediam a compensação de seus débitos com o crédito que foi manejado. Demonstrase essa diferença pela leitura das normas atinentes ao caso. Iniciamos pela MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compen sações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 1 0.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º. Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Fl. 172DF CARF MF 4 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o d isposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensaç ão e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando, no presente caso, não admite um PER/DCOMP tem duas obrigações: A primeira, a de cobrar ou lançar os débitos não compensados conforme seja o caso; A segunda, determinar o lançamento de multa isolada no caso das compensações apresentadas pela empresa quando a compensação apresentada infringir qualquer das normas do art. 74, § 12º, da Lei nº 9.430/96, com alterações pela Lei nº 11.051/2004. Ao contrário do que entende o contribuinte em seu recurso, a cobrança dos débitos indevidamente compensados realizase com a simples aplicação da multa de mora, consoante o previsto no art. 61, da Lei nº 9.430/96. A imposição da multa isolada decorre do procedimento irregular de compensação e não dos débitos que foram extintos com a mesma, por isso a multa de mora aplicada ao pagamento dos débitos não pode em qualquer momento, confundirse com a multa isolada aplicada em punição ao irregular procedimento da empresa É certo na jurisprudência que não pode haver a incidência concomitante da multa de mora com a isolada sobre o tributo. Por isso é que, no presente momento, rebatendo as alegações apresentadas pela empresa quanto a este tópico, é necessário demonstrar que esta multa isolada decorrente da infringência de norma legal não guarda relação com o pagamento/lançamento dos débitos indevidamente compensados. Estes, apenas e tão somente, são utilizados como instrumento para calcular o valor da penalidade. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 1 8 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, dec orre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à l ei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, ma s sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1º d a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do c rédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redaç ão dada pela Lei nº 10.637/2002). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.001382/200924 Acórdão n.º 1401001.929 S1C4T1 Fl. 171 5 A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qu al seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, j á se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálcul o tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor tot al do débito indevidamente compensado. (Excerto do Voto da Conselheira EDELI PEREIRA BESSA) Feita a necessária distinção das penalidades aplicadas aos casos de compensação considerada não declarada, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. Passemos aos demais itens apontados no Recurso Voluntário. Da Inexistência de Efeitos Confiscatórios Quanto ao questionamento do contribuinte acerca dos efeitos confiscatórios da Multa Isolada lançada, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. A consideração acerca de analisar se o percentual de aplicação de uma multa representa ou não efeitos confiscatórios descabe na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à alegação de efeitos confiscatórios não estão estes caracterizados, posto que o percentual aplicado no cálculo da multa de 75% sobre o valor dos créditos tributários objeto de compensação considerada não declarada, está estabelecido pelas normas do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não podendo este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo, devendo ser negado o recurso quanto a isto. Da Inconstitucionalidade da Sanção por vedação do Exercício de Direito à Compensação Quanto ao questionamento do contribuinte acerca da inconstitucionalida da aplicação da sanção por implicar em vedação ao direito à compensação, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. Fl. 174DF CARF MF 6 A consideração acerca de analisar se tal tipo de penalidade implica no cerceamento de direito da empresa, estes efeitos desbordam da competência de análise na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, sendo aplicável a súmula acima destacada, não cabe a este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo. Devendo ser denegado este pedido no recurso. Da situação de regularidade fiscal da empresa que pode ser atingida pela irregular imposição desta penalidade. Quanto a este ponto, a análise do recurso voluntário apresentado não pode basearse na possibilidade de afetação da regularidade fiscal da empresa. A multa imposta decorre da realização de prática legalmente vedada e não guarda qualquer relação com a situação da regularidade fiscal da empresa. Por tal razão considerando que a alegação da empresa de que a imposição de multa pode afetar sua situação de regularidade fiscal não apresenta motivos jurídicos que possam infirmar a regular realização do lançamento levado a efeito contra a empresa, igualmente entendemos por negar provimento ao recurso neste ponto. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento integral ao recurso voluntário, mantendo a autuação em todos os seus termos. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101099/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.101099/200893 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.337 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente CALCADOS MALU LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 99 /2 00 8- 93 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 9303005.337 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.374, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 9303005.337 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 9303005.337 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.101099/200893 Acórdão n.º 9303005.337 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002529/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A retroatividade benigna aplica-se a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar.
Numero da decisão: 2402-005.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A retroatividade benigna aplicase a fato pretérito quando indicado corretamente o dispositivo legal o qual se pretende aproveitar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 29 /2 00 9- 32 Fl. 859DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 19515.002529/200932 Acórdão n.º 2402005.688 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, por meio do Auto de Infração (AI) DEBCAD n.° 37.117.5887, no montante de R$ 22.082.574,16 (vinte e dois milhões, oitenta e dois mil e quinhentos e setenta e quatro reais e dezesseis centavos), consolidado em 30/06/2009, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II, e parágrafo 1° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), relativas a competências de 01/2004 a 13/2007, e a diferença de acréscimos legais (levantamento DAL), apurada nas competências 01/2005, 02/2005 e 02/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 730 a 732, informa que: o débito lançado foi apurado, mediante exame dos seguintes livros e documentos, analisados no decorrer da ação fiscal, apresentados pelo contribuinte à fiscalização, quando para tanto intimado, através do “Termo de Início da Ação Fiscal” TIAF: a) Relação Anual de Informações Sociais RAIS Anos Calendário de 2004 a 2007; b) Folhas de Pagamento de empregados de 01/2004'a 12/2008 e 13° Salário; c) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, de 01/2004 a 12/2008; e, d) Livros Diário dos exercícios de 2004 e 2005; foram realizados trabalhos de verificação e confronto dos valores das contribuições sociais devidas com as efetivamente declaradas e recolhidas, tendo sido apurados débitos, por meio dos levantamentos AJ C e FPA; com relação ao levantamento AJC (Ajuda de Custo) no exame das rubricas constantes das folhas de pagamento, se identificou que, para as filiais localizadas em Fernandópolis/SP (CNPJ 63.054.266/000480) e Descalvado/SP (CNPJ 63.054.266/000641), houve o pagamento de ajuda de custo em mais de uma competência para os mesmos empregados, devendo integrar o salário de contribuição, o que não foi considerado pela empresa; o levantamento FPA (debito não declarado em GFIP) se refere a diferença de valores de remunerações informadas em folhas de pagamento com as declaradas em GFIP, na Matriz (CNPJ 63.054.266/000137) e nas filiais CNPJ 63.054.266/000307, 63.054.266/000480, 63.054.266/000560 e 63.054.266/000641; a não declaração em GFIP constitui omissão de fato gerador, existindo indícios, em tese, de crime de sonegação de contribuições sociais, previsto no art. 337A incisos I e III, do Código Penal DecretoLei n.° 2.848, de 07/12/1940 com redação dada pela Lei n.° 9.983, de 17/07/2000; Fl. 861DF CARF MF 4 constituem fatos geradores das contribuições lançadas: os valores das remunerações pagas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamento e RAIS, abrangendo o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 e não declarados em GFIP, estando estes discriminados no Relatório de Lançamentos; os valores devidos a Previdência Social oriundos de remunerações pagas aos segurados empregados declarados em GFIP's e não recolhidos em época própria não foram considerados nesta ação fiscal, por equivalerem a confissão de divida e sua cobrança estar a cargo da DERAT Delegacia de Arrecadação da Receita Federal do Brasil; a base legal que ensejou o presente lançamento encontrase na legislação constante do relatório FLD ¬ Fundamentos Legais do Débito, que integra este AI. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao AI: IPC » Instruções para o Contribuinte; DAD Discriminativo Analítico de Débito; DSD Discriminativo Sintético de Débito; DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento; RL Relatório de Lançamentos; RDA Relatório de Documentos Apresentados; RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados; FLD Fundamentos Legais do Débito; REPLEG Relatório de Representantes Legais; e, VÍNCULOS Relação de Vínculos. Foram juntados, também, pela fiscalização: MPF Mandado de Procedimento Fiscal; TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal; TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; Termos de Intimação Fiscal; Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal; e, TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Foram juntados, ainda, pela fiscalização, ao presente processo, cópias de alguns documentos da empresa, entre os quais se destacam folhas de pagamento e GFIP's da matriz e das filiais objeto de lançamento por meio deste AI. E, consta, às fls. 736, termo de juntada de processo, segundo o qual, em 30/06/2009, se apensou ao presente processo de n.° 19515002529/200932 os seguintes processos: l9515.002523/200965, l95l5.002524/200918, 19515002525/200954, l95l5.002526/200907, 195l5.002527/200943 e 19515002528/200998. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 30/06/2009 (fls. 03), a empresa apresentou, em 29/07/2009, a impugnação de fls. 740 a 751, com documentos anexos às fls. 752 a 774 (Procuração, e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, de Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 3l/ 10/2007, e do Estatuto Social adaptado às Leis 10.406/2002 e 11.127/2005, aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária de l 1/01/2007), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Das considerações iniciais: Informa a empresa que o relatório fiscal, de forma concisa, descreve que o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 não declaradas em GFIP e destacadamente reembolso de despesas, e que referida exigência não poderia prosperar. Do cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa: Segundo a impugnante, a afirmação de forma unilateral e genérica de que teria deixado de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.002529/200932 Acórdão n.º 2402005.688 S2C4T2 Fl. 4 5 impediria a perfeita identificação da obrigação inadimplida, sendo que o obscurantismo do ato administrativo o inquinaria de nulidade. Sustenta que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar os princípios da legalidade e da motivação, celebrados pelos artigos 37 e 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, e artigos 97, inciso I, e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988. Para ela, a infração cometida, a fundamentação jurídica e a base imponível deveriam estar indicadas de forma precisa, de modo a respaldar a validade da autuação, possibilitando, com sua identificação, o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Alega, então, que houve, no caso, violação aos artigos 2° e 50, inciso II da Lei n.° 9.784, de 29/01/1999, e conclui que padece de vício de nulidade a constituição do crédito sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Da decadência: Afirma a empresa que o lançamento das contribuições previdenciárias é denominado por homologação, aplicável aos tributos em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame do Fisco, dispondo o INSS de cinco anos para homologar o pagamento, e que, findo este prazo sem que o Fisco tenha se manifestado, se operam os efeitos da decadência e se considera tacitamente homologado o pagamento antecipado, feito pelo sujeito passivo, extinguindose, conseqüentemente, o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN). Informa que, nesta modalidade de lançamento, o prazo contase a partir da ocorrência do fato gerador e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que se extinguiu o seu direito de rever e homologar o lançamento, como ocorre nas hipóteses de lançamento direto (art. 173, I do CTN). Segundo ela, a jurisprudência do STJ teria se reorientado, corretamente neste sentido, citando o “Resp 180.879SP, STJ, 2” Turma, unânime, 1552001”, segundo o qual “havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador”. Relata que a natureza tributária das contribuições dos artigos 149 e 195 da Constituição Federal foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e que a Lei Ordinária n.° 8.212/91, em seus artigos 45 e 46, teria fixado o prazo de 10 (dez) anos para a constituição dos créditos oriundos das contribuições sociais e para a sua cobrança, contrariando as regras contidas no CTN. Destaca que a Constituição de 1988 reservou à lei complementar a competência para disciplinar a matéria atinente à decadência tributária; e que a Lei n.° 5.172/66, recepcionada como lei complementar, estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir e cobrar o crédito tributário, sendo que as contribuições sociais são espécies de tributos. Fl. 863DF CARF MF 6 Alega que os dispositivos dos artigos 45 e 46 ferem o princípio da competência legislativa, pois, se o Constituinte outorgou competência ao legislador complementar para regular normas gerais de direito tributário, dentre as quais a decadência, somente o legislador complementar poderia disciplinar tal matéria, sob pena de inconstitucionalidade por inobservância do quorum especial e qualificado. Faz menção, então, à Súmula Vinculante n.° 8, ressaltando os efeitos vinculantes introduzidos pela Emenda Constitucional n° 45 de 30/ 12/2004, ao acrescentar o artigo 103A da Constituição Federal, regulamentada pela Lei n.° 11.417, de 19/ 1 2/2006. E conclui que, no seu entendimento, restariam decadentes as exigências tributárias do período de 01/2004 a 06/2004. Da multa: Destaca, aqui, a empresa, algumas modificações introduzidas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória n.° 449/2008, já convertida em lei, transcrevendo os artigos 32A e 35, em sua nova redação, e informa que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 106, regulamenta os efeitos mais benéficos de forma retroativa. E afirma que restou cristalino que não houve aplicação da penalidade mais benéfica, até mesmo diante dos valores conflitantes consignados no relatório fiscal. Do pedido: Para ela, assim, restaria demonstrada a necessidade de revisão do ato impugnado para declarar a sua nulidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.002529/200932 Acórdão n.º 2402005.688 S2C4T2 Fl. 5 7 MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O cálculo para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparando se a legislação vigente à época dos fatos geradores com os termos da Lei n.° 11.941/2009. Cientificado da decisão de primeira instancia em 01/02/2011 (fl. 844), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 846/852, em 28/02/2011, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: 1. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA A afirmação de forma unilateral e genérica de que a Notificada deixou de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impede a perfeita identificação da obrigação inadimplida. Assim, ante aos princípios da legalidade, a infração cometida deve estar demonstrada e sua fundamentação jurídica, bem como a base imponível de forma precisa, possibilitando com sua identificação o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Logo, aduz que padecem do vicio de nulidade a constituição do crédito previdenciário sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. 2. PENALIDADE MAIS BENÉFICA O Código Tributário Nacional em seu artigo 106 regulamenta os efeitos mais benéficos de forma retroativa. Neste sentido as alteraçoes nos valores das penalidades impostas por descumprimento de obrigações acessórias nos termos da nova redação da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.541/2009 , trouxeram expressivas modificações conforme disposto no artigo 32A da Lei 8.212/91 assim descrito: Assim, defende que restou cristalino que não houve aplicação da penalidade mais benéfica, até mesmo diante dos valores conflitantes consignados no relatório fiscal. Diante do exposto, requer seja decretada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 865DF CARF MF 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 01/02/2011 (fl. 844), interpôs recurso voluntário no dia 28/02/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA Não procede a alegação da Recorrente no sentido de que o presente AI padeceria do vício de nulidade, por falta de identificação da obrigação inadimplida. Primeiramente, cabe observar que o AI foi lavrado tendo em vista a constatação de falta de recolhimento de contribuições (descumprimento de obrigação principal) e não de infração a dispositivo da legislação que estabelece prestações no interesse da sua arrecadação ou fiscalização (descumprimento de obrigação acessória). Merece destaque, aqui, o fato de constar expressamente no Relatório Fiscal do AI: a) que as contribuições lançadas tiveram origem no exame de livros e documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização, quais sejam: Relação Anual de Inforrnações Sociais (RAIS) de 2004 a 2007; Folhas de pagamento (FP) de 01/2004 a 12/2008, e 13° Salário; Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) de 01/2004 a 12/2008; e, Livros Diário de 2004 e 2005; e, b) que os valores lançados foram apurados como resultado dos trabalhos de verificação e confronto das contribuições devidas com as efetivamente declaradas e recolhidas. Ressaltese, ainda, no caso, que a empresa não trouxe aos autos quaisquer elementos comprobatórios no sentido de que as contribuições lançadas teriam valores diversos dos levantados. A seguir, se demonstra, por meio de alguns exemplos, como se deu a apuração da base de cálculo referente ao levantamento FPA, com base na metodologia citada no Relatório Fiscal e nos documentos anexados pela fiscalização nos autos deste AI n.° 37.117.5887, não havendo obscurantismo no lançamento. Quanto à falta de identificação dos segurados, citada pela Recorrente, por sua vez, cabe observar: a) que, para o levantamento AJC, existe às fls. 281 a 317 dos autos este AI n.° 37.117.5887, planilha demonstrativa de base de cálculo e de contribuições individualizada por segurado; e, b) que, para o levantamento FPA, a empresa tem condições de saber a quais segurados se referem os saláriosdecontribuição lançados, tendo em vista que o crédito foi constituído com base em seus próprios documentos, apresentados por ela à fiscalização, entre os quais se destacam as suas folhas de pagamento e as suas GFlP's, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Houve, no caso, a discriminação clara e precisa dos fatos geradores (remuneração de empregados), da natureza das contribuições devidas (contribuições devidas à Seguridade Social correspondente às contribuições da empresa e do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) e do período a que se referem (01/2004 a 13/2007), conforme se pode verificar no AI e seus anexos. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.002529/200932 Acórdão n.º 2402005.688 S2C4T2 Fl. 6 9 Cumpre salientar que o ato administrativo consubstanciado neste Al possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais discriminados no anexo “FLD Fundamentos Legais do Débito”, bem como motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, e estando os fatos imponíveis discriminados no Relatório Fiscal, e no anexo “DAD Discriminativo Analítico de Débito”. O anexo DAD indica os valores das bases de cálculo consideradas e “discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de Auto, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes”, e o anexo FLD “informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores”. Tais anexos, ao indicarem a base de cálculo apurada, as alíquotas aplicadas e as contribuições exigidas por competência, bem como os dispositivos legais aplicados, pela fiscalização, no presente lançamento, discriminados por período, propiciaram o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. Dessa forma, o ato administrativo de lavratura do presente AI não deve ser invalidado, uma vez estando presentes os seus requisitos de validade, e tendo sido atendidos, pela fiscalização, os requisitos previstos nos artigos 2° e 50, inciso II da Lei n.° 9.784/99, entre os quais se destacam a observância aos princípios da legalidade e motivação. DA APLICAÇÃO PENALIDADE MAIS BENÉFICA Não tendo sido indicado claramente o dispositivo legal que se pretende aplicar de forma mais benéfica ao caso em tela, entendo que não procede a alegação da Recorrente neste aspecto. Tendo em vista todo o acima, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 867DF CARF MF
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