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Numero do processo: 10880.000417/2002-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1989, 01/01/1990 a 31/03/1992
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. EXECUÇÃO.
DESISTÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a homologação da desistência judicial do processo executório pelo recorrente, deve ser dado prosseguimento ao feito,
com a análise dos outros requisitos de admissão e mérito do pedido
realizado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.935
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. EXECUÇÃO. DESISTÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovada a homologação da desistência judicial do processo executório pelo recorrente, deve ser dado prosseguimento ao feito, com a análise dos outros requisitos de admissão e mérito do pedido realizado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 15/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O contribuinte acima identificado apresentou manifestação de inconformidade com relação ao Despacho Decisório às fls. 145 a 149 que indeferiu o pedido da interessada visando à compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL referentes aos períodos de outubro a novembro de 1989 e de janeiro de 1990 a fevereiro de 1992, com débitos de IRPJ e de CSLL. 2 O pedido foi indeferido pela DERATSÃO PAULO porque os valores de FINSOCIAL são objeto de discussão judicial em ação proposta pela contribuinte, que não comprovou a desistência em promover a execução da sentença. 3 Na manifestação de inconformidade às fls. 152/155 a contribuinte alega resumidamente que: 3.1 A empresa requerente é credora de diferenças relativas ao FINSOCIAL (processo judicial nº 95.00205793). O acórdão autorizou a compensação, ficando a cargo do Fisco sua análise e deliberação. 3.2 O contribuinte tem direito à restituição/compensação de seu crédito com débitos de autuação fiscal, razão pela qual não se conforma com o indeferimento de seu pleito. 3.3 Obtida a restituição/compensação na esfera administrativa, providenciará a imediata desistência no processo judicial. 3.4 Visando demonstrar que a pretensão é buscar a compensação administrativa de seu crédito, informa que está providenciando o protocolo de petição na qual requer a suspensão do feito até decisão final deste processo administrativo, sendo certo que a cópia protocolizada será oportunamente apresentada. 4 Pede a contribuinte que sejam deferidos os pedidos de restituição e compensação para os fins colimados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI nº 7.535, de 18/07/05, fls. 166/171, assim ementada: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1989, 01/01/1990 a 31/03/1992 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL – São vedadas a restituição e a compensação se o requerente não comprovar a homologação da desistência ou a homologação da renúncia à execução. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10880.000417/200238 Acórdão n.º 3201000.935 S3C2T1 Fl. 2 3 Solicitação Indeferida Às fls. 172/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta recurso voluntário e arrolamento de bens de fls. 174/188. Comprovada a tempestividade, foi dado seguimento ao recurso interposto, fls. 189. Iniciado o julgamento, foi convertido em diligência, para que a recorrente comprovasse a desistência da execução no processo judicial. Realizada a diligência, retornam os autos para julgamento. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Como se verifica da decisão recorrida, o único motivo de indeferimento do pedido da recorrente foi o fato de não ter sido apresentada cópia da decisão judicial que homologou a desistência da execução proferida, fls.: Dentre os procedimentos exigidos pela legislação específica está a comprovação do pedido de desistência do principal, custas e honorários, bem como do comprovante da respectiva homologação judicial, como previsto na IN vigente à época. Como a recorrente comprovou a homologação de sua desistência da execução interposta, com a concordância da União, conforme diligência realizada, o feito deve prosseguir, para que sejam analisados os outros requisitos de admissão e o mérito do pedido realizado. No vinco do exposto, voto no sentido de prover o recurso, para declarar devidamente comprovada a desistência da execução, nos moldes do exigido na decisão recorrida, determinando o retorno do expediente à Delegacia da Receita Federal de origem, onde devem ser analisadas as demais circunstâncias do pedido de restituição/compensação formulado pela Recorrente. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012.21/03/2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 36222.001629/2001-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Os presentes embargos devem ser acolhidos, posto que o voto condutor do acórdão, ao divergir do relator, abordou somente o recurso especial de contrariedade, de maneira que vislumbro, no aresto em comento, omissão quanto ao enfrentamento da admissibilidade do recurso especial dedivergência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, não restando evidenciado porque a empresa foi reenquadrada para o grau de risco grave, que ao meu ver caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
É nulo o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização cessão de mão de obra e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores desta situação.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio
princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-002.091
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão embargado, passando a conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Os presentes embargos devem ser acolhidos, posto que o voto condutor do acórdão, ao divergir do relator, abordou somente o recurso especial de contrariedade, de maneira que vislumbro, no aresto em comento, omissão quanto ao enfrentamento da admissibilidade do recurso especial dedivergência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, não restando evidenciado porque a empresa foi reenquadrada para o grau de risco grave, que ao meu ver caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É nulo o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização cessão de mão de obra e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores desta situação. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Embargos acolhidos.
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Os presentes embargos devem ser acolhidos, posto que o voto condutor do acórdão, ao divergir do relator, abordou somente o recurso especial de contrariedade, de maneira que vislumbro, no aresto em comento, omissão quanto ao enfrentamento da admissibilidade do recurso especial de divergência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, não restando evidenciado porque a empresa foi reenquadrada para o grau de risco grave., que ao meu ver caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É nulo o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização cessão de mão de obra e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores desta situação. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão embargado, passando a conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Júnior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata se de recurso especial de divergência e contrariedade interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Importante registrar que o presente feito referese a pedido de revisão acolhido pelo Conselho de Recursos da Previdência Social em relação a recurso interposto pela Secretaria da Receita Previdenciária contra acórdão que, anteriormente, havia dado provimento ao recurso do contribuinte. Não obstante a decisão anterior ter dado provimento ao recurso do contribuinte, o acórdão objeto do presente recurso especial anulou o lançamento por ter entendido que houve cerceamento de defesa, Acórdão 230100.230, de 05/05/2009, consta a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1991 a 31/12/1998 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920202.091 CSRFT2 Fl. 2 3 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA.NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Processo Anulado” O órgão fazendário recorre sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente os artigos 10, 11, 59 e 60 do Decreto lei nº 70.235, de 1972, tendo em vista a declaração de nulidade no acórdão recorrido ter extrapolado as causas previstas na legislação regente. Também manifesta o órgão fazendário a existência de divergência com decisões proferidas por outros colegiados no tocante a nulidade declarada, inexistindo possibilidade de declarar tal nulidade com argumento de insuficiência na descrição do fato gerador. Ademais, sustenta a Fazenda Nacional também a ocorrência de contrariedade à evidência das provas dos autos, tendo em vista as causas consideradas omissas pela autoridade julgadora estarem presentes no Relatório Fiscal Aditivo às fls. 471/484, condição que afastaria a referida nulidade. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho às fls. 1015/1017. Tendo tomado ciência do Acórdão e do Recurso Especial interposto, o contribuinte, em contrarazões, sustenta, que a decisão de nulidade deve ser mantida tendo em vista a falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores da notificação. Acrescenta que os princípios da legalidade, devido processo legal e segurança jurídica deixaram de ser observados pela autoridade fiscal ensejando a declaração de nulidade por vício formal. Em julgamento neste colegiado o Recurso Especial não foi conhecido, de acordo com o entendimento consubstanciado na seguinte ementa: “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de “decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Quanto a admissibilidade do recurso especial de contrariedade à evidência da prova interposto pela Fazenda Nacional saliento que a decisão do colegiado a quo foi unânime ao concluir pela nulidade do lançamento. A conclusão encaminhado no voto vencido, no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal não descaracteriza a decisão unânime que foi no sentido da existência de nulidade no lançamento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Recurso especial não conhecido.” Ao constatar que, o colegiado e, consequentemente, o voto condutor do acórdão, ao divergir do relator, Conselheiro Francisco de Assis de Oliveira Júnior, abordou somente o recurso especial de contrariedade, de maneira que ao vislumbrar, no aresto em comento, omissão quanto ao enfrentamento da admissibilidade do recurso especial de divergência, apresentei os presentes embargos, que aprovados pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foram incluídos em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Os presentes embargos devem ser acolhidos, posto que o voto condutor do acórdão, ao divergir do relator, abordou somente o recurso especial de contrariedade, de maneira que vislumbro, no aresto em comento, omissão quanto ao enfrentamento da admissibilidade do recurso especial de divergência. O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, acolho os presentes embargos, prestandolhes efeitos modificativos, passando, portanto, a conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Para o deslinde da controvérsia, o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito à natureza do vício que acarretou a nulidade do lançamento. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920202.091 CSRFT2 Fl. 3 5 As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, não restando evidenciado porque a empresa foi reenquadrada para o grau de risco grave, que ao meu ver caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." É nulo o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização cessão de mão de obra e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores desta situação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional, no sentido de que a Câmara prolatora do acórdão recorrido entendeu que a insuficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal é bastante para a nulidade, por vício material, do lançamento. Desconsiderou, no entanto, a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Destaca que o v. acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36222.001629/200107 Acórdão n.º 920202.091 CSRFT2 Fl. 4 7 Ante o exposto voto por acolher os embargos de declaração, prestandolhes efeitos modificativos, para reratificar o Acórdão nº 920201.654, passando a conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000532/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 03/05/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS
ESSENCIAIS.
Constituem-se requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, ser ele primário, não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante e ter formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração, e não ser a multa decorrente de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias ou outras importâncias devidas à Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO. EMPRESA REINCIDENTE. ATENUAÇÃO DA MULTA.
A ocorrência de reincidência, de maneira genérica ou especifica, representa empecilho ao benefício da relevação da multa, mas não impede a sua atenuação, caso a empresa infratora tenha corrigido a falta até o término do prazo para impugnação, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.549
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS. Constituemse requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente e, cumulativamente, ser ele primário, não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante e ter formulado pedido de relevação ainda dentro do prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração, e não ser a multa decorrente de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias ou outras importâncias devidas à Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. EMPRESA REINCIDENTE. ATENUAÇÃO DA MULTA. A ocorrência de reincidência, de maneira genérica ou especifica, representa empecilho ao benefício da relevação da multa, mas não impede a sua atenuação, caso a empresa infratora tenha corrigido a falta até o término do prazo para impugnação, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: janeiro/1999 a dezembro/2001. Data da lavratura da Auto de Infração: 03/05/2002. Data da ciência do Auto de Infração: 10/05/2002. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não terem sido informados em GFIP, no período compreendido entre 01/1999 a 12/2001, os fatos geradores de contribuições previdenciárias consistentes nos valores pagos a título de honorários de diretoria (empresários), remuneração de autônomos e parcelas salariais pagas em razão de processos trabalhistas (conciliação/sentenças), conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 02/03, e anexos: CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 230201.549 S2C3T2 Fl. 624 3 produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa o auditor fiscal autuante que a multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, IV, §5º da Lei n° 8.212/91 c.c. artigos 284, II e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, correspondendo a 100% (cem por cento) das contribuições incidentes sobre o montante relacionado aos fatos geradores omitidos nas GFIP, observado o limite legal. Aduz que os valores dos fatos geradores e das contribuições respectivas estão demonstradas e identificadas nos anexos integrantes do presente auto de infração, assim denominados: 1) DISCRIMINATIVO DE VALORES PAGOS A DIRETORES E MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINIST. (EMPRESARIOS) NAO EM INFORMADOS EM GFIP; 2) PROCESSOS TRABALHISTAS NÃO INSERIDOS NA GFIP; 3) RELACAO DE AUTONOMOS 01 A 12/1999. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 42/44. O feito foi convertido em diligência para que o auditor fiscal autuante examinasse a documentação apresentada juntamente com a impugnação e se manifestasse sobre a eventual correção da falta apurada. Despacho interlocutório, a fl. 560, conclamando a Junta Fiscal notificante a apreciar as provas coligidas aos autos e a se manifestar sobre o pedido de relavação da multa formulado. Informação fiscal a fls. 597/598, concluindo ter havido correção parcial das irregularidades verificadas. Acrescenta que a autuada não faz jus ao benefício da relevação da multa em virtude de não reunir todos os requisitos exigidos pela lei, uma vez que restou comprovada a reincidência. Ao fim, pugna pela atenuação da multa, em consideração às competências em que se promoveu integralmente a correção da falta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Volta Redonda/RJ lavrou Decisão a fls. 608/616, julgando procedente em parte a autuação e atenuando o valor da multa aplicada, recorrendo de ofício de sua decisão. A empresa recebeu, em 24 de setembro de 2009, cópia do presente processo, conforme recibo a fl. 621. Não consta no processo recurso voluntário por parte da autuada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DO CONHECIMENTO DO PROCESSO O sujeito passivo recebeu cópia do processo no dia 29/09/2009, não oferecendo recurso em face da decisão de 1ª instância. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO Não demanda reparos a decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I/RJ. Com efeito, A empresa apresentou requerimento e documentos não autenticados pleiteando relevação da multa aplicada. O processo foi encaminhado ao auditor fiscal autuante para a confirmação da correção da falta, consoante Despacho Interlocutório a fl. 560. Mediante diligência, as cópias das GFIP referentes ao período de 01/1999 a 12/2001 tiveram sua autenticidade confirmada através de consulta ao sistema "CNISA". Por outro eito, as GFIPs juntadas a fls. 127/131, 150/154, 184/186, 200/204 e 286/288 não tiveram confirmação de processamento registrado ao sistema informatizado suso referido. A fiscalização, ao cotejar as informações prestadas pela autuada, constatou que, no que concerne às competências 01 e 02/1999, 04/1999 a 02/2000, 04/2000, 06 e 07/2000, 09/2000, 11/2000 a 01/2001, 04 e 05/2001 e 07 a 12/2001, que a empresa informou, dentro do prazo legal de defesa, todos os fatos geradores apurados pelo presente Autode Infração, corrigindo, dessa forma, a falta imputada a essas competências. Nas competências 03/1999, 03/2000, 05/2000, 08/2000, 10/2000 e 02/2001, todavia, a empresa deixou de informar parcelas dos fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias de que trata o presente Auto de Infração, caracterizando, dessa forma, a ausência de correção total da falta. Já com relação às competências 03 e 06/2001, a empresa regularizou a falha, restando, apenas, diferenças desprezíveis entre os valores apurados e os informados, constantes da extensa lista de empregados beneficiados com pagamentos por meio Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 230201.549 S2C3T2 Fl. 625 5 de processos trabalhistas. Essas diferenças decorrem, provavelmente, de critérios de arredondamento numérico, não acarretando prejuízo à Instituição nem aos próprios segurados. Verificou a fiscalização que a empresa teve contra si lavrados os Autos de Infração n° 35.007.3520 e 35.007.3538, passado em julgado administrativo em 21/08/2000, por decisão homologatória de extinção do crédito pelo pagamento. Tal situação caracteriza reincidência, nos termos do inciso V e parágrafo único do art. 290, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, fato que impede o benefício da relevação da multa, mas não representa empecilho à atenuação, em relação às competências em que promoveu integralmente a correção da falta. Considerando o fato de que as GFIP a fls. 568/588, referentes às competências 06/1999, 08/1999, 10/1999, 11/1999 e 07/2000, não foram localizadas no sistema informatizado da Previdência Social, foi enviado o Oficio a fl. 600, à Caixa Econômica Federal, para que esta confirmasse o recebimento de tais Guias. No entanto, apesar de a CEF ter sido cientificada do Oficio acima mencionado em 24/09/2004 (fls. 601), até a presente data a citada instituição financeira não se pronunciou. Nesse contexto, a multa aplicada no presente Auto de Infração deve ser atenuada em 50% (cinquenta por cento), nos termos do disposto no art. 292, V do RPS, nas competências em que houve a correção integral da falta que motivou a lavratura do vertente Auto de Infração, devendo ser mantida inalterada a multa inicialmente aplicada em relação às competências em que a empresa não comprovou a integral correção do vício em tela, conforme assim decidiu, com sabedoria, o órgão de 1ª Instância. 3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 230201.549 S2C3T2 Fl. 626 7 §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 230201.549 S2C3T2 Fl. 627 9 Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 230201.549 S2C3T2 Fl. 628 11 Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à autuada, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, observada a atenuação a que faz jus a empresa, conforme assim decidido no Acórdão recorrido. É como voto. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Arlindo da Costa e Silva Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10580.000345/2004-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa:
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO/IMUNIDADE. RITO PROCEDIMENTAL.
OBSERVÂNCIA.
Restando comprovado nos autos que a autoridade fiscal, não obstante a utilização de denominações não previstas na legislação de regência, adotou integralmente os procedimentos estabelecidos para a suspensão do benefício, descabe falar em nulidade do feito.
Numero da decisão: 1301-000.920
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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RITO PROCEDIMENTAL. OBSERVÂNCIA. Restando comprovado nos autos que a autoridade fiscal, não obstante a utilização de denominações não previstas na legislação de regência, adotou integralmente os procedimentos estabelecidos para a suspensão do benefício, descabe falar em nulidade do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.529 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.530 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de CETEAD CENTRO EDUCACIONAL DE TECNOLOGIA EM ADMINISTRAÇÃO, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 1998, formalizadas a partir do arbitramento do lucro, vez que a escrituração contábil mantida pela fiscalizada foi considerada imprestável para a determinação do lucro real. Dos autos, extraio as seguintes informações: i) a contribuinte fiscalizada é sociedade civil sem fins lucrativos beneficiária de isenção tributária; ii) diante da constatação de irregularidades, foi elaborado TERMO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO, no qual foram descritos os fatos motivadores da suspensão do benefício; iii) o referido Termo foi objeto do processo nº 10580.012455/200307, que foi juntado ao presente; iv) em sede de impugnação (fls. 1.450/1.472), a contribuinte ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: que já teria ocorrido a decadência dos períodos lançados de oficio, visto que já teriam se passado cinco anos da ocorrência do fato gerador; que a quebra de sigilo bancário feita pela Fiscalização fere dispositivos constitucionais, vez que a Lei Complementar n° 105, de 2001, não poderia ser aplicada para a verificação de fatos pretéritos; que o Auto de Infração não seria claro quanto à descrição das infrações, à demonstração da base de cálculo e à correta indicação da fundamentação legal; que a multa aplicada seria confiscatória e feriria o princípio da capacidade contributiva; que o Estado não poderia cobrar juros de seus contribuintes; que a taxa Selic não foi criada por lei, não podendo ser aplicada para fins tributários; v) por meio de despacho fundamentado (fls. 1.475/1.476), a Delegacia da Receita Federal em Salvador considerou intempestiva a impugnação interposta; v) cientificada, a contribuinte ingressou com petição (fls. 1.480/1.481) solicitando revisão do decidido no despacho referido no item anterior; vi) a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, pronunciouse pela intempestividade da impugnação (acórdão nº 1512.912, de 14 de junho de 2007 – fls. 1.485/1.497); Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.531 4 vii) apreciando o recurso de fls. 1.501/1.506, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do acórdão nº 10517.202 (fls. 1.509/1.512), julgou tempestiva a impugnação apresentada, motivo pelo qual determinou que ela fosse apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância; vi) no processo nº 10580.012455/200307 (como visto, juntado ao presente), foi determinado que a contribuinte fosse cientificada do Parecer nº 309/2003, que tratou da suspensão da isenção; vii) contestando o referido Parecer nº 309/2003, a contribuinte argumentou: que o interstício ocorrido entre a data da conclusão do referido Parecer (22/12/2003) e a data da sua ciência (notificação) 04/02/2009, teria ultrapassado o período de 05 (cinco) anos em que estaria obrigada a guardar os documentos, operandose, no caso em tela, a denominada prescrição intercorrente; que o órgão emissor teria sido extremamente genérico em alguns pontos, exemplificando algumas supostas irregularidades, o que também inviabilizaria, por si só, o exercício da ampla defesa e do contraditório; que seria extreme de dúvidas que a conduta da Receita Federal do Brasil violou o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, fazendo com que o processo em questão ficasse eivado de nulidade absoluta; que, no mérito, nenhuma das alegações da Receita Federal do Brasil, quanto às condutas que teriam sido praticadas e tidas como violadoras do regramento legal para a fruição da isenção, mereceria prosperar, seja porque no plano fático estaria dissonante com a realidade, seja porque o plano jurídico não socorreria a pretensão do Fisco; que impugnava a acusação de não manutenção de escrituração capaz de assegurar a exatidão das receitas e despesas e a não conservação em boa ordem dos documentos, dentro do prazo de cinco anos, referentes aos atos ou operações que modificam a situação patrimonial, por dois motivos: a escrituração teria sido formalizada dentro das regras técnicas de contabilidade, refletindo exatamente as receitas, despesas e sua variação patrimonial, assinada por responsável técnico registrado no órgão competente; e porque só teria obrigação de manter em conservação os documentos por um período de 05 (cinco) anos do fato gerador, tendo tomado ciência em 04/02/2009, quando o anocalendário investigado é 1998; que impugnava as acusações de que a entidade possuía vinte e uma contas correntes no Banco do Brasil, enquanto a contabilidade empregava apenas uma conta por banco para controle e registro contábil, uma vez que as contas em questão retratam as relações contratuais que existiram, o que não quer dizer que continuam em movimentação, e de ter ... a fiscalização anotado que nem todo movimento bancário fora objeto de escrituração, pois, como dito, a escrituração e livros contábeis foram formalizados dentro das regras técnicas contábeis, assinados pelo responsável técnico registrado nos órgãos competentes; que a Receita Federal não teria apontado especificamente qual movimento bancário não teria sido objeto de escrituração, o que violaria a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.532 5 que impugnava a acusação de que os históricos dos registros contábeis são insuficientes, por serem genéricos ou não explícitos, impossibilitando a identificação da operação e por vezes, a localização do documento que lastreou o lançamento contábil, pois também violaria a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal, devendo novamente ser destacado que os referidos registros contábeis foram formalizados dentro das regras técnicas contábeis, assinados pelo responsável técnico registrado nos órgãos competentes; que impugnava a afirmação de que os projetos dos clientes, contabilizados como Receita Diferida, no grupo do passivo, não possuem controles suficientes para identificar os lançamentos próprios para cada projeto e que a remuneração auferida, em que pese ser alocada no percentual de dez por cento, não consta dos contratos apresentados à fiscalização o menciona percentual, uma vez que não informou quais seriam os projetos dos clientes e os contratos que se enquadravam na situação apontada, violando o devido processo legal, pois inviabilizaria o exercício da ampla defesa e do contraditório; que impugnava a afirmação acerca da falta de apresentação de documentos referentes aos lançamentos contábeis, por três motivos: não estava obrigada a apresentar documento quando o período investigado já teria ultrapassado 5 (cinco) anos; os lançamentos contábeis foram formalizados dentro das regras técnicas contábeis, assinados pelo responsável técnico registrado nos órgãos competentes; referida alegação violaria o devido processo legal substancial, o contraditório e a ampla defesa, tendo em vista que não apontou especificamente as supostas irregularidades; que impugnava a declaração de que a contaI 11:01.00130 — Caixa Geral, apresenta saldo credor durante todo o ano de 1998, uma vez que não haveria nenhuma irregularidade no fato de existir saldo credor na referida conta (transcreveu o § 3º do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, concluindo que a norma não vedaria a existência de saldo credor (superávit) na conta, exigindose somente que ela destinasse o resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; que o Fisco deveria ter demonstrado que este superávit não foi utilizado na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; que todo e qualquer resultado positivo da entidade era utilizado, integralmente, na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; que, relativamente à imputação de que a entidade remunera, a título de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, os seguintes sócios..., restaria impugnada, pois tratarseia de remuneração das referidas pessoas, não enquanto sócios, mas, sim, de pagamento por serviços prestados como pessoa física ou reembolso. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, apreciando os argumentos expendidos pela fiscalizada, julgou, por meio do acórdão nº. 15 23.831, de 19 de maio de 2000, improcedentes os lançamentos tributários efetuados. A referida decisão foi assim ementada: SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Sem a emissão do Ato Declaratório de suspensão da imunidade/isenção a pessoa jurídica continua gozando do benefício. A norma legal que instituiu e regula Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.533 6 o procedimento de determinação da suspensão de isenção fiscal não foi diretamente afetada pelo deferido na medida liminar concedida na ação direta de inconstitucionalidade. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.534 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de recurso de ofício, impetrado a partir da exoneração do crédito tributário constituído em desfavor de CETEAD CENTRO EDUCACIONAL DE TECNOLOGIA EM ADMINISTRAÇÃO. O referido crédito tributário foi constituído em razão da lavratura de TERMO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Por relevante, transcrevo excertos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância. Observase que, na forma do § 1°, do art. 32, da Lei n° 9.430, de 1996, a Autoridade Fiscal, ao constatar que a pessoa jurídica não observou os requisitos previstos na legislação para o gozo da isenção do Imposto de Renda e da CSLL, expediu notificação fiscal, consubstanciada no "Termo de Suspensão de Isenção", da qual a Contribuinte tomou ciência em 19/11/2003, entretanto, deixou de apresentar as alegações e provas que entendesse necessárias, dentro do prazo legal. Em 05/01/2004, juntamente com a ciência dos Autos de Infração, a Contribuinte também foi cientificada do Parecer e Decisão n° 309/2003 PJ. Na referida decisão, o Delegado da Receita Federal em Salvador determina a suspensão da isenção da Contribuinte e determina também que seja emitido Ato Declaratório de suspensão da isenção relativa ao ano de 1998, do qual a Contribuinte deveria ser cientificada, na forma estabelecida no art. 32, § 6°, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Todavia, verificase que o referido Ato Declaratório não foi emitido. No Despacho, à fl. 30, do processo n° 10580.012455/200307, datado de 10/12/2008, o SEORT da Delegacia da Receita Federal em Salvador informa que devido ao afastamento da vigência do art. 14 da Lei n° 9.532, de 1997, por decisão liminar do STF, em sede da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 18023 e, por conseqüência, do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, não há que se falar em emissão de Ato Declaratório, sendo a descaracterização da isenção ou da imunidade efetivada quando do procedimento fiscal previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Na referida ADIn 1.8023, são contestados os arts. 12, 13 e 14 da Lei 9.532/1997, por entender a autora serem tais dispositivos ofensivos às determinações constitucionais relativas à imunidade tributária. A ação encontrase pendente de julgamento de mérito, segundo consulta efetuada no site do Supremo Tribunal Federal. O STF deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do § 1° e a alínea "f' do § 2°, ambos do art. 12, do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.535 8 art. 13, caput, e do art. 14, todos da Lei n°. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, conforme se depreende do extrato da seguinte transcrição feita do site do STF: ... A concessão da medida cautelar tem eficácia erga omnis, ex nunc, e efeitos repristinatórios, tornando aplicável a legislação anterior, acaso existente, conforme disposto no artigo 11 da Lei n° 9.868, de 1999. Vale transcrever, parcialmente, os dispositivos que tiveram a vigência suspensa pela já citada liminar: ... Inicialmente, cabe observar que existe uma séria divergência quanto ao beneficio fiscal em análise, se imunidade ou isenção, uma vez que os lançamentos de Pis e Cofins, objeto de outro processo, indicam que a instituição se considerava imune e não isenta. Contudo, em ambos os casos procede a análise da necessidade da emissão do ato declaratório suspensivo. O equívoco do Despacho de folhas 30, exarado pelo SEORT/DRF/Salvador, é entender que a suspensão da vigência do artigo 14 acima transcrito representa aplicação contrária ao nele previsto. Explico: o fato de o artigo sair do mundo normativo não implica interpretar que "não se aplica à suspensão do gozo da imunidade o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996". O que ocorre é simplesmente a retirada do artigo do sistema normativo, como se não existisse a partir da decisão liminar. Jamais se poderia concluir que o artigo 32 da Lei n° 9.430, de 1996, fosse afetado pela decisão apontada. Ele continua intacto na sua vigência e eficácia, apresentando o seguinte teor: ... A Lei n° 9.430, de 1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, determinava a emissão de Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade/Isenção, a partir do qual a fiscalizada estaria oficialmente ciente de que seria tributada desconsiderandose o benefício que desfrutava, por descumprimento de requisito descrito no parecer que lhe dá fundamento. O Ato descrito em lei é essencial à validade da suspensão que veicula, não podendo sua falta ser suprida por qualquer outro instrumento, ainda que apresente os fundamentos e motivos da decisão. Se, hipoteticamente raciocinando, as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997, não tivessem ocorrido, os procedimentos administrativos para determinar a suspensão do gozo de imunidade e isenção fiscal seriam unicamente os definidos na Lei n° 9.430, de 1996, como o eram até o advento daquela lei. É o que se deve entender com a suspensão da vigência trazida pela liminar concedida. Dessa forma, discordo do entendimento do SEORT, acerca da impossibilidade de emissão do Ato Declaratório de Suspensão da Isenção. Isto porque o art. 32, da Lei n° 9.430, de 1996, não foi diretamente afetado pelo deferido na medida liminar concedida na citada ação direta de inconstitucionalidade e o Ato Declaratório de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.536 9 Suspensão deveria ter sido emitido, fundamentado na norma contida no § 3°, acima transcrito. Sem a emissão do Ato Declaratório de Suspensão, a Contribuinte continua gozando do benefício da imunidade/isenção para o anocalendário em questão e, por conseguinte, os Autos de Infração em litígio não devem prosperar, pois, em conformidade com o art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, somente após a efetivação da suspensão da isenção, por meio do competente Ato Declaratório suspensivo do benefício, é que a fiscalização poderia têlos lavrado, ficando prejudicada a análise das questões preliminares e de mérito suscitadas pela Impugnante. Ante o exposto, julgo PROCEDENTE a impugnação apresentada para considerar inválida a suspensão da imunidade/isenção na forma como foi veiculada e, consequentemente, IMPROCEDENTES os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$1.112.565,40 (um milhão cento e doze mil quinhentos e sessenta e cinco reais e quarenta centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$113.656,53 (cento e treze mil seiscentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta e três centavos), acrescidos de multa de oficio e dos juros de mora. Observo, primeiramente, que o motivo que levou a autoridade julgadora de primeira instância a decretar a nulidade do procedimento adotado pela Fiscalização (ausência de emissão de ATO DECLARATÓRIO de suspensão de isenção) não foi ventilado nas peças de defesa apresentadas pela entidade fiscalizada. Em que pese o fato de a Suprema Corte ter suspendido a vigência do art. 14 da Lei nº 9.532/97 (ADIn 1.8023), que exigia a observância do rito previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 para os casos de suspensão de isenção ou imunidade, é certo que, em virtude do disposto no parágrafo 2º do art. 11 da Lei nº 9.868/99, abaixo transcrito, referida suspensão de vigência revelouse inócua (como bem disse a autoridade julgadora de primeira instância), eis que, nesse caso, subsiste a legislação anterior. Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observandose, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo. § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa. § 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário. Nos termos do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, para a suspensão da isenção (ou da imunidade), seriam necessários os seguintes procedimentos: i) expedição de notificação fiscal; ii) estabelecimento de prazo para que o notificado apresente alegações e provas; iii) decisão do Delegado ou Inspetor da Receita Federal, estampada em ATO DECLARATÓRIO SUSPENSIVO DO BENEFÍCIO no caso de improcedência das alegações apresentadas pela notificada ou caso estas não sejam interpostas. No caso vertente, observo que a Fiscalização lavrou TERMO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO (fls. 35/42), que foi devidamente cientificado à entidade como se Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.537 10 notificação fosse, conforme declaração de fls. 42. Noto que referido Termo foi emitido com base no parágrafo 2º do art. 32 da Lei nº 9.430/96, conforme menção ali expressa (fls. 42). A entidade, por sua vez, cientificada do Termo de Suspensão, solicitou prorrogação do prazo para apresentar as suas alegações, que, com fundamento na ausência de previsão legal para a sua concessão, foi indeferida (fls. 45). Adicionalmente, cuidou a Delegacia da Receita Federal em Salvador de emitir PARECER (fls. 46/50), por meio do qual foi ratificada a proposta de suspensão de isenção. Acolhendo os termos do Parecer antes referenciado, o Delegado da Receita Federal em Salvador, decretando a suspensão da isenção da entidade, determinou a emissão de ATO DECLARATÓRIO (fls. 51). Consideradas as intimações tidas como válidas pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes1, destaco que a entidade, ao tomar conhecimento dos autos de infração lavrados, foi também cientificada do TERMO DE INDEFERIMENTO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO (para apresentação de alegações e provas contra o Termo de Suspensão de Isenção) e da DECISÃO (e correspondente PARECER que lhe serviu de base) acerca da suspensão da isenção (avisos de recebimento às fls. 20). Penso, pois, com a devida permissão, que, não obstante a ausência de documento nominado de ATO DECLARATÓRIO, todo o rito procedimental estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, foi observado no presente caso, eis que expedida notificação fiscal (Termo de Suspensão de Isenção), na qual foram relatados os fatos motivadores da suspensão do benefício; cientificou a entidade para que, no prazo de trinta dias, oferecesse alegações e provas; o Delegado da Receita Federal expediu ato suspensivo do benefício (Parecer e Decisão); e o ato suspensivo, os autos de infração e a impugnação foram reunidos em um único processo. A meu ver, estamos diante de situação em que se deve privilegiar a substância dos atos praticados em relação às denominações que lhes são atribuídas pela norma de regência. Assim, sou por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício impetrado para determinar que a autoridade julgadora de primeiro grau, superando a questão da emissão do ato declaratório suspensivo do benefício, aprecie os demais argumentos trazidos pela entidade fiscalizada em sede de impugnação, prolatando nova decisão. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães 1 O Colegiado em referência considerou como válida, apenas, a intimação direcionada para o domicílio fiscal da entidade fiscalizada (Acórdão nº 10517.202, de 17 de setembro de 2008, fls. 1.509/1.512) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10580.000345/200475 Acórdão n.º 130100.920 S1C3T1 Fl. 1.538 11 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003660/2007-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício:2003, 2004
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 29/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 28/05/2009, a Quarta Turma Especial da Terceira Seção do CARF proferiu decisão que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 380400.077: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE – IMPROCEDÊNCIA – Não procedem as argüições de nulidade quando se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no PAF. DESPESAS MÉDICAS – APRESENTAÇÃO DE RECIBOS – SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos,mormente quando desproporcionais aos rendimentos declarados. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Especial sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10249093: 10249093 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10640.003660/200745 Acórdão n.º 920201.995 CSRFT2 Fl. 2 3 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS PRESUNÇÃO DE VALIDADE DOS RECIBOS PRINCÍPIO DA BOA FÉ. Apresentados recibos exigidos pela lei, a mera suspeita de que os serviços não foram prestados, desacompanhada de outros elementos de convicção, não se constitui em meio de prova capaz para afastar a presunção de veracidade dos recibos. A boafé se presume em favor da contribuinte e a máfé deste se prova. Inteligência do artigo 79, § 1°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Recurso provido. Provocado, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial [fls. 184/186]: [...] Assim o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas já caracterizam a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que além da apresentação dos recibos de prestação de serviço e da confirmação da prestação dos serviços pelos profissionais, se faz necessário a comprovação da efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Já, por sua vez, os acórdãos paradigmas entendem, que a apresentação de recibos, cuja prestação de serviços foi confirmada pelo prestador, faz prova efetiva a favor do contribuinte, e para desqualificála é necessário comprovar a existência do vício. Perpassado tal procedimento, o i. representante da Fazenda Nacional foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 189/196]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Contra a contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 a 08, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.159,12, acrescido de multa de oficio qualificada e juros de mora. A autuação decorreu de dedução indevida de despesas médicas (exercícios 2002 e 2003). O contribuinte alega que faz jus a dedução das despesas médicas declaradas porque teria apresentado os recibos preenchidos com todos os requisitos legais, bem como outros elementos de prova (declarações dos profissionais que teriam Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. 4 recebido os valores declarados) demonstrando a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Irresignado com o decisum recorrido, a Contribuinte interpôs Recurso Especial sob o fundamento de que julgado estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10249093: 10249093 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS PRESUNÇÃO DE VALIDADE DOS RECIBOS PRINCÍPIO DA BOA FÉ. Apresentados recibos exigidos pela lei, a mera suspeita de que os serviços não foram prestados, desacompanhada de outros elementos de convicção, não se constitui em meio de prova capaz para afastar a presunção de veracidade dos recibos. A boafé se presume em favor da contribuinte e a máfé deste se prova. Inteligência do artigo 79, § 1°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Recurso provido. Antes de proceder ao exame dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em situações idênticas, verificase a adoção de soluções diversas. É sabido que para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e consolidado pelo RICSRF, fazse necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados. Da análise dos dois julgados (recorrido e paradigma) verificase que não há divergência na interpretação do direito entre os acórdãos, conforme se evidencia abaixo: o recibo de prestação de serviços é documento hábil a comprovar a efetividade de despesas médicas efetuadas pelos contribuintes, desde que dele constem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF do profissional prestador de serviço. Não pode a fiscalização desconsiderar recibos que preencham os requisitos da lei pelo simples fatos de o contribuinte não ter apresentado o comprovante do pagamento do valor objeto do recibo. Entender em sentido diverso (divergência) necessitaria a análise fática – dos documentos – acostados, o que não é permitido nesta instância julgadora. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado. Processo nº 10640.003660/200745 Acórdão n.º 920201.995 CSRFT2 Fl. 3 5 Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por 96351926572 - NI não encont rado.
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Numero do processo: 13643.000475/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2004
VEDAÇÃO À OPÇÃO. SÓCIO PARTICIPANTE TAMBÉM DE OUTRA EMPRESA. LIMITE GLOBAL DA RECEITA BRUTA.
Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte. Irrelevante se a outra empresa, da qual o sócio também participa, é ou não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento.
Numero da decisão: 1301-000.796
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 VEDAÇÃO À OPÇÃO. SÓCIO PARTICIPANTE TAMBÉM DE OUTRA EMPRESA. LIMITE GLOBAL DA RECEITA BRUTA. Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte. Irrelevante se a outra empresa, da qual o sócio também participa, é ou não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 VEDAÇÃO À OPÇÃO. SÓCIO PARTICIPANTE TAMBÉM DE OUTRA EMPRESA. LIMITE GLOBAL DA RECEITA BRUTA. Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte. Irrelevante se a outra empresa, da qual o sócio também participa, é ou não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13643.000475/200414 Acórdão n.º 130100.796 S1C3T1 Fl. 55 2 Relatório SOCIEDADE EDUCACIONAL S & G LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0320.974, de 31/05/2007, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê lo: A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso IX do art. 9º da referida lei. A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão do Simples sob os seguintes argumentos: Há ofensa a princípios constitucionais. Os efeitos da exclusão devem ser a partir do ato excludente. A lei só prevê a exclusão quando sócio participa de outra microempresa e não quando são diferentes. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples. A 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0320.974, de 31/05/2007 (fls. 23/24), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Ciente da decisão de primeira instância em 03/09/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 28, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/09/2007 conforme carimbo de recepção à folha 29. No recurso interposto (fls. 29/36), a interessada repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos na etapa anterior do contencioso. Ao final, apresenta resumo dos pontos de discordância, em suas palavras: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13643.000475/200414 Acórdão n.º 130100.796 S1C3T1 Fl. 56 3 • Necessidade de se interpretar a Lei nº 9.317/96 concomitante com a Lei nº 9.841/99, permitindo, desta forma, a opção pelo SIMPLES, quando a empresa que ultrapassou o limite da receita bruta global não seja microempresa ou empresa de pequeno porte. • Não existe no ordenamento pátrio previsão legal que permite a exclusão do SIMPLES de empresa cujo sócio participe com mais de 10% em outra empresa e sua receita bruta global tenha ultrapassado o limite legal, ou seja, uma vez aceita a opção pelo SIMPLES não pode mais, esta empresa, ser excluída. • Impossibilidade da retroatividade da exclusão por falta e previsão legal e violação do princípio da anterioridade/irretroatividade, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, da doutrina e do Judiciário. Conclui com o pedido de procedência de seu recurso, mantendose o enquadramento da recorrente no SIMPLES. Alternativamente, pede que a exclusão do SIMPLES produza efeitos somente a partir do ano subsequente à data de notificação do ato excludente. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da exclusão da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317/1996. Consta do Ato Declaratório Executivo de fl. 09 que o fundamento legal para a exclusão foi o inciso IX do art. 9º do mesmo diploma legal, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Em seu recurso (e antes, na peça impugnatória), a interessada não contesta a existência de um sócio que possui participação em mais de uma empresa, nem que a receita bruta global ultrapassa o limite legal, mas pretende que tal limitação somente seria impeditiva à opção pelo SIMPLES quando ambas as empresas consideradas recebessem tratamento jurídico diferenciado. Pleiteia a interpretação conjunta do dispositivo legal acima transcrito com o art. 3º da Lei nº 9.841/1999: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13643.000475/200414 Acórdão n.º 130100.796 S1C3T1 Fl. 57 4 Art. 3o Não se inclui no regime desta Lei a pessoa jurídica em que haja participação: [...] II de pessoa física que seja titular de firma mercantil individual ou sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado na forma desta Lei, salvo se a participação não for superior a dez por cento do capital social de outra empresa desde que a receita bruta global anual ultrapasse os limites de que tratam os incisos I e II do art. 2o. A lei aplicável para fins tributários é a Lei nº 9.317/1996, em pleno vigor quando da ocorrência dos fatos geradores aqui discutidos. A revogação expressa de suas disposições somente veio a ocorrer por meio da Lei Complementar nº 123/2006. De se ressaltar que a Lei nº 9.841/1999 reafirma, em seu artigo 1º, sua convivência com a Lei nº 9.317/1996. Também não houve revogação tácita: em que pese a Lei nº 9.841/1999 constituirse no Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, é de se observar que seu conteúdo se dirige a uma vasta gama de assuntos, exceto o sistema simplificado de pagamentos, pelo que permaneceram em pleno vigor as disposições específicas a esse respeito trazidas pela Lei nº 9.317/1996. Diante disso, considero aplicáveis tão somente as disposições da Lei nº 9.317/1996, não cabendo qualquer reparo à decisão de primeira instância. Constatada pelo Fisco e não negada pela interessada a existência de sócio com participação de mais de 10% no capital de outra empresa, e cumulativamente, ultrapassando a receita bruta global o limite legal, correta a exclusão da interessada do sistema simplificado de pagamentos (Simples). Irrelevante se a outra empresa da qual o sócio também participa é ou não optante pelo sistema simplificado, visto que a Lei nº 9.317/1996 não faz essa distinção. No que tange à data a partir da qual se processarão os efeitos da exclusão, sustenta a recorrente a falta de base legal para a exclusão retroativa a 01/01/2003. Também aqui não lhe assiste razão, à vista dos seguintes artigos da Lei nº 9.317/1996, confirase: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13643.000475/200414 Acórdão n.º 130100.796 S1C3T1 Fl. 58 5 [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Desde que a situação excludente constatada pelo Fisco foi incorrida em dezembro de 2002, os efeitos da exclusão devem se fazer a partir do mês subsequente, ou seja, a partir de 1º de janeiro de 2003, tal como consta do Ato Declaratório Executivo, em correta aplicação da lei. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 36802.000296/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8112/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.096
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8112/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8112/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 36802.000296/2005-93 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.096 Fl. 450 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, bem como a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. O lançamento compreende competências entre o período de 01/1994 a 12/1994, incluindo 13° salário, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio das folhas de pagamentos não contabilizadas na forma devida, seja pela não inclusão de segurados em pregados ou contabilização parcial de suas remunerações. No caso, destaca a autoridade fiscal em seu relatório, fls. 80 a 83, que foram lavrados diversos autos de infração, bem como: Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 28/03/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/03/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fis. 231 a247. Restou reaberto prazo de defesa, tendo em vista ter a empresa obtido medida liminar. A empresa manifestou-se às fls. 102 a 103. Tendo o auditor manifestado-se às fls. 127. Para suspensão do prazo, enquanto não ressarcidos os documentos objeto de Termo de Apreensão, lis. 256. A empresa apresentou nova impugnação, fis 269 a 316. O processo foi encaminhado em diligência, para que autoridade fiscal se pronuncie acerca das alegações apresentadas pelo impugnante, fls. 333 a 335. Foi elaborado relatório fiscal complementar, fls. 341 a 342, tendo a empresa notificada se manifestado às fls. 356 a 365, após ter sido novamente cientificada. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 368 a 393. Não concordando com a decisão do órgão julgador de i a instância, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 403 a 447. Em síntese o recorrente alega: A totalidade do crédito encontra-se alcançada pela decadência qüinqüenal, ante a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF.- O lançamento é nulo pela falta do dispositivo legal, que autoriza a aferição indireta. 3 Impossível a utilização dos arquivos magnéticos pessoais da empresa para consubstanciar o lançamento, considerando que não refletem a situação verdadeira, mas apenas são utilizados para gerenciamento pessoal. É necessário que a fiscalização use elementos comprobatorios seguros acerca da tributação, até porque o recorrente desconhece essa quantidade de funcionários. Além de não reconhecer os funcionários, o recorrente entende que existem diversas verbas que não integram salário de contribuição, e sem saber quais seriam os funcionários impossível saber quais as verbas pagas. As contribuições para terceiros são indevidas, sejam elas: salário-educação, SESC, SENAC, INCRA. Incabível a aplicação da taxa SELIC. Não há como aceitar a progressividade da multa aplicada. Requer seja recebido e provido o presente recurso , anulando-se o lançamento em sua totalidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho, sem o oferecimento de contra-razões. Após regular processamento, distribuído o processo à esta Colenda Turma da 4° Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF, o presente recurso fora sorteado a este Conselheiro relator, juntamente com outros pertencentes ao mesmo lote constantes desta pauta de julgamento, os quais foram reunidos na forma de Recursos Repetitivos, nos termos da Portaria CARF n°83/2009. Ressaltamos que deixaremos de elaborar Relatório Complementar, contemplado no § 40 da Portaria encimada, tendo em vista que a matéria de fundo a ser analisada é a decadência total das exigências fiscais lançadas em todos os processos incluídos no lote de recursos repetitivos, questão de ordem pública e prejudicial ao mérito das demandas em apreço, inexistindo razão ao enfrentamento das questões meritórias constantes das peças recursais. É o relatório. ÀS 4 Processo n°36802.000296/2005-93 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-01.096 Fl. 451 Voto Conselheira ElaMe Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 147. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n" 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário-. O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa qficial, terá efeito vinculante em relação aos dentais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta nas esferas federal, estadual e inunicipat bem corno proceder à sua revisão ou cancelamento, na firma estabelecido em lei. Ao declarar a inconstitueionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único, O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.I50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas bem como a existência de pagamento para que só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que no caso em questão, a lavratura da NFLD deu-se em 28/03/2005, 10 tendo a cientifica* ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/0312005. Assim, como os fatos 114 Processo n* 36802.000296/2005-93 S2-C4T1 Acórdão nd 2401-01,096 Fl. 452 geradores ocorreram entre as competências 01/1994 a 12/1994, inclusive 13° salário, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. DO MÉRITO No caso, entendo que a apreciação dos argumentos meritórios apresentados pelo recorrente, encontram-se prejudicados, uma vez que a decadência alcançou a totalidade dos créditos, resultando na provimento integral do recurso. CONCLUSÃO: Face ao exposto, e tudo mais que consta dos autos, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 • ELA RIStINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 7 ‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA ,7.74,5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS k: N' ÊII:-;;# QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO_ .. Processo n°. 36802.000296/2005-93 Recurso n°: 167.248 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01096 iiBraál . i i de março de 2010 Á ELIAS SA 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10410.001163/98-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata
a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164)
Numero da decisão: 9303-001.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez Lopez e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial de Divergência para contraporse, parcialmente, à decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes expressa no Acórdão n° 20307.451. A insurgência fazendária diz respeito à admissão de crédito presumido sobre o valor de aquisições de insumos efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas e foi devidamente comprovada pela juntada de decisão proferida pela segunda câmara do mesmo conselho (acórdão nº 20212.306) em que se negou tal direito. Regularmente intimada, a recorrida não apresentou contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O relatório foi sucinto porquanto as matérias discutidas no presente recurso já se encontram inteiramente pacificadas no âmbito deste Colegiado. Com efeito, elas não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior em razão da inclusão, em seu regimento, do art. 62A, que impôs a reprodução das decisões do Superior Tribunal de Justiça que tenham sido proferidas já na sistemática do art. 543C. Assim foi feito em relação às duas questões sob análise no julgamento do RE 993.164, o qual, em cumprimento da norma regimental, reproduzo a seguir a fim de dar provimento ao recurso do contribuinte. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10410.001163/9855 Acórdão n.º 9303001.946 CSRFT3 Fl. 2 3 SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10410.001163/9855 Acórdão n.º 9303001.946 CSRFT3 Fl. 3 5 contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Comprovado que a a obstaculização da Fazenda pública ao recebimento pelo contribuinte de parte dos valores pleiteados decorreu de ato normativo tido por ilegal pelo e. Superior Tribunal de Justiça, cabível, por aplicação obrigatória do entendimento do mesmo Tribunal, a adição de juros ainda que calculados com base na taxa Selic utilizada aqui como “índice de atualização monetária”. Voto, assim, por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/07/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13839.902442/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa.
Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo
era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria i infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 José Luiz Novo Rossari – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de PER/DCOMP Eletrônico – Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – número 21590. 61464. 021006. 1. 7.040735, com data de transmissão em 02/10/2006 (fls. 21/ss), onde a empresa solicita a compensação de débitos da COFINS (período: outubro/2004, valor atualizado de R$ 1.236,00) com créditos de PIS (período: 30/09/1998; vencimento: 15/10/1998, valor original do DARF: R$ 603,20) supostamente pagos indevidamente ou a maior. A citada PER/DCOMP foi apresentada em substituição ao PER/DCOMP Eletrônico No. 20161.90417.171104.1.3.04 7845, data da transmissão: 17/11/2004 (fl. 9), que já havia sido indeferido pela DRFJundiaí, sem que o Recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade. A DRF – Jundiaí (SP), por meio do DESPACHO DECISÓRIO, datado de 12/08/2008 (fl. 17) indeferiu o pedido da Recorrente. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe. Registrese, que a Recorrente informa em sua Manifestação de Inconformidade que em 02/10/2006 e 03/10/2006 transmitiu PER/DCOMP's para substituir as PER/DCOMP's anteriormente transmitidas em 29/06/2004, 15/07/2004, 30/07/2004, 13/08/2004, 27/08/2004, 13/09/2004, 30/09/2004, 18/10/2004, 29/10/2004, 17/11/2004, 09/12/2004 e 15/12/2004, uma vez que as mesmas apresentavam irregularidades (ver demonstrativos apresentados às folhas 01 a 03). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 603,20. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13839.902442/200847 Acórdão n.º 3202000.464 S3C2T2 Fl. 57 3 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada.” Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Em 2006 recebeu intimação da RFB para sanar divergências constatadas na DCOMP, e procedeu à retificação da declaração. Não obstante ter sanado as divergências, recebeu em 2008 o Despacho Decisório de não homologação da compensação; • Amparam seu direito à compensação o art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/2006, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e ainda a IN SRF 210/02, de 30/09/2002, IN SRF 320, de 11/04/2003, e seguindo o principio "Vacatio Legis" RE 232.8963 Pará — STF (11.03.99) e ADIN 1417— STF (Acórdão Publicado em 23/03/01); • Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial somente começa a correr após decorridos cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos. No mesmo sentido, é o art. 150, §4° do Código tributário Nacional, e artigos 3° e 10° do Decretolei n° 2.052/83. Assim, considerando que o pedido não cogita de indébito datado de mais de dez anos, restam repudiadas as assertivas concernentes à decadência do direito à restituição. É o relatório”. A 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 0531.701 (fls. 27/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. PIS. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PIS passou a ser regulada pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, a partir de março/1996, e pela Lei n° 9.718, de 1998, a partir de fevereiro/1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 17/01/2011 (fls. 30/31). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 08/02/2011 (fls. 32/ss), onde além dos argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade, quanto ao prazo para restituição dos tributos pagos a maior ou indevidamente, faz extensa argumentação sobre a inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445/88 e 2.449/88 (0,65% do faturamento do mês anterior) e valores efetivamente devidos nos termos da Lei Complementar 07/70 (0,75 sobre o faturamento do sexto mês anterior). Por fim, requer o provimento do Recurso Voluntário para o fim de reformar o acórdão da DRJ – Campinas (SP). É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Ab initio, antes de adentrarmos na análise do direito ao crédito pleiteado pela Recorrente (direito à restituição do tributo), devemos verificar a questão relativa ao prazo legal previsto para ser formulado o pedido de restituição de tributos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13839.902442/200847 Acórdão n.º 3202000.464 S3C2T2 Fl. 58 5 Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, como os alegados recolhimentos indevidos ou a maior referemse ao período de apuração de 30/09/1998 (vencimento em 15/10/1998), e o pedido de restituição foi formalizado através do PER/DCOMP número 21590.61464.021006.1.7.040735, com data de transmissão em 02/10/2006 (fls. 21/ss), concluise que já ocorreu a prescrição em relação ao período solicitado, considerandose o prazo de 5 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados após 09/06/2005. Quanto ao PER/DCOMP número 20161.90417.171104.1.3.047845 (“substituído”), uma vez que o mesmo foi indeferido sem que a Recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade, entendo que o objeto do seu pedido restou extinto por perempção, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto No. 70.235/72. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Destarte, diante de tudo o que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005872/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE
OU SIMULAÇÃO.
Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se
homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou
simulação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
O sujeito passivo que, reiteradamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEI Nº 9.430, DE 1996. LEI Nº
11.488, DE 2007.
O lançamento reporta-se
à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se
pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou
revogada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não é nulo o lançamento que se embasa em regulamento, o qual,
consolidando a legislação correspondente, menciona, em cada um de seus dispositivos, o respectivo fundamento legal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2005
LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO
GERADOR. ASPECTO TEMPORAL.
Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador do Pis, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Exercício: 2005
LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO
GERADOR. ASPECTO TEMPORAL.
Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador da Cofins, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais.
Numero da decisão: 1803-001.366
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir as exigências remanescentes relativas ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausentes,justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack
Rodrigues.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O sujeito passivo que, reiteradamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEI Nº 9.430, DE 1996. LEI Nº 11.488, DE 2007. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nulo o lançamento que se embasa em regulamento, o qual, consolidando a legislação correspondente, menciona, em cada um de seus dispositivos, o respectivo fundamento legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005 LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador do Pis, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2005 LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador da Cofins, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. O sujeito passivo que, reiteradamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEI Nº 9.430, DE 1996. LEI Nº 11.488, DE 2007. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não é nulo o lançamento que se embasa em regulamento, o qual, consolidando a legislação correspondente, menciona, em cada um de seus dispositivos, o respectivo fundamento legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005 Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.615 2 LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador do Pis, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2005 LANÇAMENTO TRIMESTRAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. Não procede a autuação fiscal em que tenha havido erro na identificação do fato gerador da Cofins, em seu aspecto temporal, por ter sido lançado por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigências remanescentes relativas ao Pis e à Cofins, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.616 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.525 a 1.542): Trata o presente processo de lançamentos de ofício em razão de omissão de receita ocorrida no anocalendário de 2004, conforme Termo de Verificação de fls. 1071/1072, que resultou nos autos de infração de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica com base no Lucro Presumido (fls. 1123/1127 – R$ 90.887,98), Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 1128/1131 – R$ 32.374,13), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 1132/1135 – R$ 149.419,22) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no Lucro Presumido (fls. 1136/1141 – R$ 53.790,84). Analisando notas fiscais de saídas do anocalendário de 2004, a Fiscalização verificou que muitas delas (fls. 407/1069) tinham valores superiores aos escriturados no livro Registro de Saídas (fls. 112/406). A Fiscalização elaborou o Anexo I (fls. 1073/1122), onde foram comparados os valores reais das notas fiscais de saída e os valores do livro de Registro de Notas Fiscais de Saída, as diferenças apuradas e os totais das receitas operacionais nos trimestres. Na DIPJ (fls. 07/55), os valores eram menores que os encontrados no Anexo I. Os valores apurados foram os que seguem logo abaixo: [...]. Os lançamentos tiveram a multa agravada para 150%, conforme art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão da continuidade dos atos praticados com a evidente intenção de reduzir o pagamento do tributo. A Base Legal apontada foi a seguinte: Art. 528 do RIR/1999, art. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995; art. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002; art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 24 da Lei nº 9.249/1995, art. 29 da Lei nº 9.430/1996, art. 37 da Lei nº 10.637/2002. A empresa tomou ciência das autuações em 14/12/2009, por via postal (Aviso de Recebimento – AR – à fl. 1143), impugnando nos seguintes termos, em síntese: PRELIMINARMENTE – DA DECADÊNCIA Ocorreu a decadência do direito de a Fazenda efetuar os lançamentos de ofício, com relação ao IRPJ e às contribuições cujo fato gerador tenha ocorrido antes de 14/12/2004. Isso porque a modalidade de lançamento, nesses casos, deuse por homologação, cujo prazo decadencial é de cinco anos, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Imperioso salientar que a Impugnante cumpriu com seus deveres formais e instrumentais, bem como efetuou o recolhimento dos tributos informados nas respectivas declarações, razão pela qual não há hipótese de se desconstituir a Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.617 4 modalidade de lançamento por homologação, vez que atendeu aos requisitos da legislação tributária. Por outro giro, a autuação decorreu de erros de escrituração e de interpretação da legislação tributária, o que, em tese, cabe somente ao Poder Judiciário fazer coisa julgada com relação à interpretação dada pela autoridade fiscal e aquela adotada pelo contribuinte, ora Impugnante. Portanto, não há, nem mesmo foi sequer cogitado na autuação, qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual deverá ser aplicada a decadência para os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 14/12/2004. NO MÉRITO Ademais, se ultrapassadas as razões preliminares relativas à ocorrência da decadência para os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 14/12/2004, no mérito o auto de infração não poderá prosperar, senão vejamos por cada espécie de tributo: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Presumido O enquadramento legal constante do Auto de infração foi o art. 528 do RIR/1999. Pois bem, a Constituição Federal estabelece extremo rigor na exigência de tributo, expressando o princípio da estrita legalidade em seu art. 150, inciso I, que veda a exigência ou aumento de tributo sem que lei que o estabeleça. Não obstante, pelo disposto no inciso IV, artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, o Auto de Infração tinha, obrigatoriamente, que trazer a disposição legal infringida, devendose entender a expressão “disposição legal” a lei em sentido estrito. Ou seja, a lei ordinária ou lei complementar, e não legislação tributária, como definida no artigo 96 do CTN. Neste sentido, o Auto de Infração tem erro formal, ao não dispor do fundamento legal que possa dar guarida à pretensão do lançamento, haja vista que faz menção tãosomente de dispositivo do RIR/1999, que é norma jurídica que está dentro do conceito de legislação tributária, e não de dispositivo legal. Ou seja, o Decreto é norma regulamentar que, na espécie, regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do imposto de renda, editado em conformidade com o que estabelece o artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal. Nesta seara, o artigo 99 do CTN dispõe: O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Fica cristalino que há ausência de fundamento legal da exigência do IRPJ – Lucro Presumido para Auto de Infração hostilizado. Não há como, mesmo em amor ao debate, admitir a substituição dos dispositivos de lei em sentido estrito, pelos dispositivos de um decreto regulamentar, que atende ao que preceitua a Carta Política, nem mesmo o Decreto nº 70.235/1972, que versa sobre o processo administrativo fiscal. Assim, fica totalmente impugnado o Auto de Infração e respectivo lançamento tributário do IRPJ, no importe de R$ 90.887,98, por expressa ausência de dispositivo de lei ordinária ou complementar que capitule a violação à autuação praticada pela insigne autoridade administrativa. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.618 5 Contribuição para o Pis/Pasep Excluídos os três primeiros trimestres de 2004, atingidos pelos efeitos da decadência, temse que o quarto trimestre está eivado de vício que culmina com sua nulidade. Ocorre que a contribuição para o Pis/Pasep tem período de apuração mensal, nos termos do art. 74 do Decreto nº 4.524/2002 – de acordo com o que estabelece a Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º. Com efeito, se o período de apuração é mensal, está totalmente equivocado o valor apurado em 31/12/2004 – porque foi calculado trimestralmente, partindo da mesma base de cálculo do IRPJ, que é de R$ 387.917,51, para o 4º Trimestre de 2004. A Autoridade Fiscal tinha todo o conhecimento e informação necessária para desmembrar o valor dos trimestres em meses, é evidente. Não o fazendo, violou expressamente disposição legal, uma vez que os créditos relativos aos fatos geradores encerrados em 31/10/2004 e 30/11/2004, consequentemente, o valor seria reduzido. Não venha dizer que a conduta da Fiscalização em apurar tudo no trimestre encontra guarida no citado art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. O que o dispositivo estabelece é a utilização da receita omitida sim, mas deve ser de acordo com a forma e periodicidade de cada tributo, pois contrariar isso é violar de morte o princípio da legalidade tributária. Neste diapasão, está eivada de vícios a constituição do crédito tributário do Pis/Pasep relativa ao fato gerador constante do Auto de Infração – 31/12/2004 – no valor de R$ 2.521,46, acrescido de encargos, tendo em vista que acumula os fatos geradores ocorridos em 30/10 e 30/11/2004, o que evidencia sua nulidade ou anulabilidade. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS O enquadramento legal constante do Auto de Infração estabelece: Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002. Como já manifestado com afinco na impugnação do IRPJ, verificase que o Auto de Infração em apreço tem erro formal, por não dispor do fundamento legal que possa amparar o lançamento. Não há como, mesmo em amor ao debate, admitir a substituição dos dispositivos de lei em sentido estrito, pelos dispositivos de um decreto regulamentar, que atende ao que preceitua a Carta Política, nem mesmo o Decreto nº 70.235/1972, que versa sobre o processo administrativo fiscal. Assim, fica totalmente impugnado o Auto de Infração e respectivo lançamento do crédito tributário da COFINS, no importe de R$ 149.419,22, por expressa ausência de dispositivo de lei ordinária ou complementar que capitule a violação à autuação praticada pela insigne autoridade administrativa. Por outra vertente, admitase a decadência suscitada em preliminares, impugnase o saldo remanescente, não atingido pelos seus efeitos fulminantes, quer seja, os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.619 6 posteriormente a 14/12/2004, que é o fato gerador de 31/12/2004 – no valor de R$ 11.637,52 de tributo, R$ 17.456,28 de multa e R$ 7.232,71 de juros de mora. Pois bem, excluídos os três primeiros trimestres de 2004, atingidos pelos efeitos da decadência, temse que o quarto trimestre está eivado de vício que culmina com sua nulidade. Ocorre que a contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS – tem período de apuração mensal, nos termos do art. 74 do Decreto nº 4.524/2002 – de acordo com o que estabelece a Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º. Com efeito, se o período de apuração é mensal, está totalmente equivocado o valor apurado em 31/12/2004 – porque foi calculado trimestralmente, partindo da mesma base de cálculo do IRPJ, que é de R$ 387.917,51, para o 4º Trimestre de 2004. A Autoridade Fiscal tinha todo o conhecimento e informação necessária para desmembrar o valor dos trimestres em meses, é evidente. Não o fazendo, violou expressamente disposição legal, uma vez que os créditos relativos aos fatos geradores encerrados em 31/10/2004 e 30/11/2004, consequentemente, o valor seria reduzido. Não venha dizer que a conduta da Fiscalização em apurar tudo no trimestre encontra guarida no citado art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. O que o dispositivo estabelece é a utilização da receita omitida sim, mas deve ser de acordo com a forma e periodicidade de cada tributo, pois contrariar isso é violar de morte o princípio da legalidade tributária. Neste diapasão, está eivada de vícios a constituição do crédito tributário da COFINS relativa ao fato gerador constante do Auto de Infração – 31/12/2004 – no valor de R$ 11.637,52, acrescido de encargos, tendo em vista que acumula os fatos geradores ocorridos em 30/10 e 30/11/2004, o que evidencia sua nulidade ou anulabilidade. MULTA O enquadramento legal catalogado nos Autos de Infração para a multa de 150% é o art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, o qual evidentemente foi derrogado pela Lei nº 11.488/2007, não havendo que se cogitar que o fundamento legal exarado na Auto de Infração possa fazer qualquer exigência de multa, porque a norma não vigora mais no ordenamento jurídico, além de que a norma que a derrogou sequer estabelece o abusivo percentual de 150%, ficando totalmente anulada a exigibilidade das mesmas, por falta de previsão legal constante dos Autos de Infração que, em nenhuma hipótese, poderá ser reformado a fim de prejudicar os direitos suscitados com a presente defesa. Consignese que qualquer alteração de fundamentação permeará a consagração do direito da ampla defesa e do contraditório, abrindose novo prazo de defesa, inclusive decadencial, para exigibilidade do crédito tributário, uma vez que o exigido não pode ser alterado sem se iniciar um novo prazo, sob pena de violação da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório, do devido processo legal, da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. DO PEDIDO Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.620 7 Em vista das razões apontadas em sede de preliminar e meritória, restou evidenciada a insubsistência da Auto de Infração. Desta forma, requer a nulidade do lançamento do crédito tributário integral no importe de R$ 326.472,17, e respectivo cancelamento do Auto de Infração. Requer e protesta, ainda, que: seja carreada aos autos a conta gráfica da Impugnante, especialmente de todo período de 2004, demonstrando os recolhimentos feitos pela mesma a fim de demonstrar e caracterizar o lançamento na modalidade por homologação e demonstrar o cumprimento das obrigações de natureza acessória; não seja admitida a inclusão de qualquer novo documento por parte da autoridade fiscal, tendo em vista que o lançamento do crédito tributário deuse com fulcro nos documentos constantes do processo; sejam observados os efeitos da decadência sobre o lançamento do crédito tributário a partir de qualquer nova ciência que a Impugnante venha a receber; seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, e, por consequência, seja suspensa qualquer pretensão punitiva penal, nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado nos HC 91725/SP, HC 86821/SP, HC 86489/SP, dentre outros; sejam observados pela Insigne Autoridade Julgadora, em suas razões de decidir, todos os elementos materiais possíveis, mesmo que sejam desfavoráveis ao Fisco, bem como os princípios constitucionais aplicáveis à Administração Pública Federal (CF/1988 art. 37; Lei 9.784/1999, art. 2º), principalmente os da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, moralidade, verdade real, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica e interesse público; sejam aproveitados em favor da Impugnante, naquilo que couber, tanto na análise da defesa, quando à eventual alteração da legislação tributária, os benefícios do art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional; O processo foi encaminhado a esta 3ª Turma para julgamento da impugnação interposta, conforme despacho da Autoridade Preparadora às folhas 1416. Por meio da Resolução nº 178, desta 3ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 1417/1420), o processo foi enviado à Delegacia de origem, para que; a) seja apurada mensalmente a receita bruta para fins de cálculo do PIS e da Cofins; b) seja lavrado auto de infração complementar para os meses relativamente aos quais, em razão da apuração trimestral realizada na autuação original, não foram lançados os débitos de PIS e de Cofins. Para os meses relativamente aos quais foram lançados créditos tributários de PIS e Cofins no auto de infração original, elaborar peça informativa indicando: 1 – crédito tributário lançado com base na receita trimestral; 2 – receita bruta exclusivamente do mês relativo ao fato gerador lançado; 3 – alíquota; 4 – crédito tributário remanescente para o mês lançado; c) intimar o contribuinte do lançamento complementar, devolvendolhe o prazo de 30 dias para impugnação, relativamente à matéria modificada. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.621 8 A Fiscalização decompôs os valores mensalmente (Peça Informativa às fls. 1421/1423, tendo os Autos de Infração respectivos sido lavrados no Processo nº 10830.011790/201010, o qual acabou sendo juntado por anexação (fls. 1426/1478) ao presente. Há uma resposta da empresa relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810400.2010002902 (fls. 1449/1451), protocolada em 26/04/2010, nos seguintes termos: I. O MPF em referência decorre de determinação da 3ª Turma da DRJ/SP1, que, no julgamento do processo, face à impugnação apresentada pelo Contribuinte, resolveu converter o julgamento em diligência. Cabe salientar que, minimamente, tratase de conduta contrária à boa fé, bem como aos princípios constitucionais a que deve obediência a Administração Pública, quer seja, de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (art. 37, caput, da CF), isto porque, tendo o contribuinte apresentado o rol de argumentos para sua defesa, procura a Autoridade Julgadora pautarse nas eventuais pechas suscitadas, para, com isso, utilizarse de instrumento coercitivo para lavrar lançamento suplementar. Notase que, a admitirse tal conduta da Autoridade Julgadora, o contribuinte deverá absterse de utilizar a garantia constitucional da mais ampla defesa no momento de sua impugnação, omitindo eventuais pechas cometidas pela Autoridade Fiscal, para talvez, vir a fazêlo judicialmente, ou perante o Conselho de Recursos Fiscais, órgão de composição paritária, o que é totalmente contraditório. Evidente cerceamento ao direito de ampla defesa. Ora, se assim ocorrer, o Fisco sempre poderá rever seus lançamentos com o intuito de ajustar eventuais erros ou incorreções apontados pelo Contribuinte em sua impugnação, o que, somente pode culminar em expressa violação do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. II. Por outro lado, a exigência ora feita decorre de fatos geradores ocorridos em 2004, ou seja, culminados pelos efeitos da decadência de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, e que foram objeto da fiscalização da qual ocorreu o auto de infração objeto deste processo, ou seja, todas as informações foram prestadas naquela oportunidade. Neste sentido, de acordo com o § único do art. 149 do CTN, que estabelece que “a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”, fica cristalino que o objeto do MPF não tem qualquer fundamento legal que lhe ampare, uma vez que os créditos tributários encontramse fulminados pelos efeitos da decadência, razão pela qual, não há que se cogitar qualquer revisão, muito menos, lançamento suplementar. III. Assim, embora encontrase decaído o direito da Administração Tributária em constituir crédito tributário em face de fatos geradores ocorridos em 2004, esclarece que tais documentos já foram objeto de apresentação perante a Administração Tributária, os primeiros, decorrentes do cumprimento das obrigações acessórias, através da entrega de DCTF, bem como no decurso do MPF Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.622 9 que deu origem ao auto de infração. O segundo, foi objeto de juntada com a impugnação ao Auto de Infração que deu origem ao processo em referência. Posteriormente, em 05/08/2010, foi dada ciência dos lançamentos de ofício de PIS e COFINS (fls. 1426/1442 Peça Informativa às fls. 1421/1423 e Termo de Verificação às fls. 1444/1445) ao contribuinte, por meio postal, em 10/08/2010 (Aviso de Recebimento à fl. 1446). A Impugnação a estes lançamentos complementares foi juntada às fls. 1459/1510, sendo seu protocolo datado de 09/09/2010. Nesta ocasião, foram trazidas as alegações abaixo, em síntese: Em expressa violação da segurança jurídica, garantia máxima de um Estado Democrático de Direito, a Impugnante, após apresentar suas razões de impugnação ao auto de infração Processo nº 19515.005872/200939 MPF Nº 0819000/05958/08 DFI SP, entendeu a DD. Autoridade Julgadora rever o lançamento de ofício feito naqueles autos, para que nova autuação, que ora se apresenta, fosse formalizada, violando de morte princípios solenes de nossa Carta Política, tais como os princípios da estrita legalidade tributária, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. O auto de infração, ora hostilizado, contempla a exigência de PIS e COFINS relativos ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004, que se diga, desde já, extintos pelos efeitos da decadência. Após conter a exigência por períodos trimestrais, e ter sido objeto de impugnação no Processo nº 19515.005872/200939, em trâmite perante a Delegacia de Julgamento I de São Paulo, haja vista que os tributos PIS e COFINS têm fato gerador mensal e não trimestral, a Autoridade Fiscal lavrou o auto de infração pela falta / insuficiência de recolhimento, totalizando o crédito tributário em 05/08/2010 de R$ 126.368,45, assim caracterizado: [...]. A multa interposta para os tributos foi de 150% com diferentes fundamentos legais. A presente impugnação será feita entre os tributos em razão preliminar, e tributo por tributo nas razões meritórias. Em que pese a notável sapiência da Autoridade Fiscal que lavrou o Auto de Infração ora hostilizado, razão não assiste para a sua manutenção, conforme ficará demonstrado. II. DO DIREITO (i) PRELIMINARMENTE (ia) DA DECADÊNCIA Os tributos Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, são tributos cuja modalidade de lançamento se dá por homologação, em conformidade com o que estabelece o art. 150 do Código Tributário Nacional, cuja norma recepcionada pela Carta Maior tem status de Lei Complementar, atendendo, aqui, ao preceito do artigo 146, III, “b”. Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.623 10 Desta forma o § 4º do citado dispositivo legal, estabelece que “Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Ocorre que a notificação do lançamento se deu em 11/08/2010, ou seja, todo o crédito tributário exigido sobre fato gerador ocorrido após cinco anos (11/08/2005), estará alcançado pelos efeitos da decadência, ou seja, a perda do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento. No caso dos autos, os lançamentos dos créditos tributários decorrentes de todos os fatos geradores se deram anteriormente a 11/08/2005, ou seja, ocorreram em 31/01, 28/02, 30/04, 31/05, 31/07, 30/08, 31/10 e 30/11/2004, estão decaídos, não podendo ser exigíveis, portanto, devem ser extintos nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. Desta forma, ficam expressamente impugnados os seguintes lançamentos constantes do “Demonstrativo de Apuração” no auto de infração por tributo: [...]. Como já dito, mister salientar que a Impugnante cumpriu com seus deveres formais e instrumentais (obrigações acessórias), bem como efetuou o recolhimento dos tributos informados nas respectivas declarações, razão pela qual, não há hipótese de se desconstituir a modalidade de lançamento por homologação, uma vez que atendeu aos requisitos da legislação tributária. É neste sentido que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 971, de 13/11/2009 publicada no DOU na página nº 35, em 17/11/2009 assim contempla: CAPÍTULO III DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO Art. 443. A extinção do direito de a RFB apurar e constituir os créditos tributários, bem como o prazo de prescrição da ação para cobrança desses créditos obedecerão ao disposto no CTN. (g.n.) Imperioso salientar que a conduta da Impugnante está esmerada dentro da legalidade, da boafé objetiva, não havendo nenhuma intenção, dolosa, fraudulenta ou simulada com o intuito de lesar o Erário Público, fato que é perfeitamente comprovado pela ausência nos autos de prova no sentido de que a Impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação, pois senão vejamos os conceitos do Dicionário Aurélio Eletrônico Século XXI versão 3.0 Novembro de 1999: Dolo 2. Jur. Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir. Fraude 2. Abuso de confiança; ação praticada de máfé. [...] 4. Falsificação, adulteração. Simulação 6. Jur. Declaração enganosa da vontade, com o objetivo de produzir efeito diferente daquele que nela se indica. Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.624 11 À toda evidência, data vênia, não há como subsistir a autuação, tendo em vista que não está caracterizada, por nenhuma forma, conduta ardil da Impugnante, no sentido de ter agido com dolo, fraude ou simulação, nos exatos termos dos conceitos acima esposados. Ademais, sequer consta no auto de infração fundamento legal que possa dar azo a uma possível conduta dolosa da Impugnante, haja vista que não contempla qualquer enquadramento legal que minimamente possa evidenciar conduta voltada para dolo, fraude ou simulação. Com efeito, a autuação decorreu de erros de escrituração e de interpretação da legislação tributária, o que, em tese, cabe somente ao Poder Judiciário fazer coisa julgada com relação à interpretação dada pela autoridade fiscal e aquela adotada pelo contribuinte, ora Impugnante. Portanto, não há, nem mesmo foi sequer cogitado na autuação como já dito, qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual, deverá ser aplicada a decadência para todos os créditos tributários objeto do auto de infração. É o que requer. (i) NO MÉRITO Se ultrapassadas as razões preliminares relativas à ocorrência da decadência para os créditos tributários objeto do auto de infração, no mérito o auto de infração não poderá prosperar, conforme ficará impugnado por tributos, na sequência. Antes porém, imperioso salientar que não há provas nos autos de qualquer omissão de receitas, sequer há fundamento legal que identifique esta possível infração cometida pela Impugnante, haja vista que o crédito apurado está fundado em planilhas com origem em outro auto de infração, do qual não pode servir como prova emprestada para este, sob pena de violar a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório e do devido processo legal. Há de se ressaltar que a lavratura de auto de infração suplementar, extraído em razão das razões de impugnação lançadas pela Impugnante para, eventualmente, corrigir erros cometidos na lavratura daquele outro, minimamente caracteriza conduta contrária à boa fé, bem como aos princípios constitucionais a que deve obediência a Administração Pública, quer seja de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (art. 37, caput, da CF), isto porque, tendo o contribuinte apresentado o rol de argumentos para sua defesa, procura a Autoridade Julgadora pautarse nas eventuais pechas suscitadas, para, com isso, utilizarse de instrumento coercitivo para lavrar lançamento suplementar. É inadmissível tal conduta da Autoridade Julgadora dentro de um Estado Democrático de Direito. Admitila é fazer cercear o direito de ampla defesa e do contraditório, e do devido processo legal, fazendo com que o contribuinte fique impedido de se defender na amplitude do seu direito de defesa e das normas positivadas no ordenamento jurídico, omitindo eventuais pechas cometidas pela Autoridade Fiscal, para, talvez, vir a fazêlo judicialmente, ou perante o Conselho [Administrativo] de Recursos Fiscais, órgão de composição paritária, o que é totalmente contraditório. Evidente cerceamento ao direito de ampla defesa. Ora, se assim ocorrer, o Fisco sempre poderá rever seus lançamentos com o intuito de ajustar eventuais erros ou incorreções apontados pelo Contribuinte em sua impugnação, o que somente pode culminar em expressa violação do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, bem como a garantia máxima de um Estado de Direito, que é a segurança jurídica. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.625 12 Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal que ampara o auto de infração, teve início em expressa violação ao § único do art. 149, do CTN, que estabelece que “a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”, uma vez que, tratandose de fatos geradores ocorridos em 2004, a Fazenda Pública deve se abster de iniciar qualquer exigência fiscal, tendo em vista que não consta caracterizada, nem mesmo fundamentada legalmente, que a Impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS / PASEP O enquadramento legal constante do Auto de Infração dispõe: Arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; Arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. A autuação está eivada de vício na medida em que, ao afirmar que houve omissão de receita, deixou de fundamentar qual artigo de lei violou, ou seja, na espécie, deixou de citar expressamente, no auto de infração, o artigo 24 da Lei nº 9.249/1995 e o artigo 91 do Decreto nº 4.524/2002; portanto, não havendo fundamento legal da infração, não pode prosperar a autuação hostilizada. Diz o artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, (g.n.) Com efeito, o auto de infração viola expressamente o artigo 10, IV, do Decreto nº 70.235/1972, tendo em vista que, se a Autoridade Fiscal entendeu que houve omissão de receitas, tem, obrigatoriamente, por força normativa, que fundamentar o dispositivo legal infringido, o que não consta do auto de infração, portanto, eivado de vício na sua constituição, razão pela qual é nulo ou anulável. Fica expressamente impugnada a exigência do crédito tributário de R$ 6.913,79 e, por consequência, dos juros de mora no importe de R$ 5.219,38 e multa de R$ 10.370,65. MULTA O enquadramento legal da multa está assim caracterizado no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.626 13 Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007 150,00% Art. 86, § 1º, Lei nº 7.450/85; art. 2º da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. O dispositivo legal supracitado art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, teve nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Evidentemente se o dispositivo legal citado foi derrogado pela Lei nº 11.488/2007, não há que se cogitar que o fundamento legal exarado no Auto de Infração possa fazer qualquer exigência de multa, porque a norma não vigora mais no ordenamento jurídico, além de que a norma que a derrogou sequer estabelece o abusivo percentual de 150%, ficando totalmente anulada a exigibilidade das mesmas por falta de previsão legal constante no Auto de Infração que, em nenhuma hipótese, poderá ser reformado, a fim de prejudicar os direitos suscitados com a presente defesa. Ademais, se não há no auto de infração fundamento legal que possa dar guarida à suposta omissão de receitas, menos ainda pode se aplicar a multa punitiva agravada de 150%, porque não está demonstrada, na forma legal, a caracterização para tal agravamento, o que, na espécie, se admitida fosse a multa, ela somente poderia ser de 75%. Fica expressamente impugnada a multa no importe deR$ 10.370,65. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS O enquadramento legal constante do Auto de Infração estabelece: Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10 e 51 do Decreto nº 4.524/02. A Constituição Federal estabelece extremo rigor para exigência de tributo, expressando o princípio da estrita legalidade em seu artigo 150, I, que veda a exigência ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Já o Decreto nº 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, tem como exigência dentre outras em seu artigo 10, a obrigatoriedade da disposição legal infringida, dispondo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. À toda evidência, quando a norma jurídica diz “disposição legal”, ela está se referindo à lei, lei em sentido estrito, ou seja, lei ordinária ou lei complementar, não Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.627 14 está tratando de legislação tributária, como definida no artigo 96 do CTN, que consubstancia: Art. 96 A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, o auto de infração tem erro formal, por não dispor do fundamento legal que possa amparar a pretensão do lançamento, haja vista que corrobora a menção tãosomente de dispositivo do Decreto nº 4.524/02, que regulamenta o PIS e a COFINS para as pessoas jurídicas em geral, que é norma jurídica que está dentro do conceito de legislação tributária, e não de dispositivo legal, ou seja, o Decreto é norma regulamentar que, na espécie, regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração das contribuições para o PIS e a COFINS, editado em conformidade com o que estabelece o artigo 84, IV, da Constituição Federal. Nesta seara, o artigo 99 do Código Tributário Nacional dispõe: O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Conforme os ensinamentos de Hely Lopes MEIRELLES, in Direito Administrativo Brasileiro, 18ª ed., Editora Malheiros, SP, 1993, p. 163, “Os regulamentos são atos administrativos postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo); ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa.” Portanto, fica cristalino que há ausência de fundamento legal da exigência da COFINS para o auto de infração hostilizado. Não há como, mesmo em amor aos debates, admitir a substituição dos dispositivos de lei em sentido estrito, pelos dispositivos de um decreto regulamentar, que não atende ao que preceitua a Carta Política, nem mesmo o Decreto nº 70.235/1972, que versa sobre o processo administrativo fiscal. Por outra vertente, mesmo que assim não seja entendido, a autuação está eivada de vício na medida em que, como já dito na impugnação ao PIS, ao afirmar que houve omissão de receita, deixou de fundamentar qual artigo de lei violou, ou seja, na espécie, deixou de citar expressamente no auto de infração o artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, e o artigo 91 do Decreto nº 4.524/2002, razão pela qual, inexistindo fundamento legal da infração, não [há] exigência fiscal que possa ser sustentada. Como já exaustivamente esposado na impugnação ao PIS, não há qualquer comprovação, nem mesmo fundamento legal no auto de infração, [de] que a Impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação, não sendo minimamente razoável a mantença da autuação guerreada. Assim, fica totalmente impugnado o auto de infração e respectivo lançamento do crédito tributário da COFINS, no importe de contribuição R$ 31.909,97, juros de mora de R$ 24.089,73 e multa de R$ 47.864,93, totalizando R$ 103.864,63, por expressa ausência de dispositivo de lei ordinária ou complementar que capitule a violação à autuação praticada pela insigne autoridade administrativa, bem como, pela ausência de fundamento normativo para a infração que diz o auto de infração, tenha a Impugnante praticado. Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.628 15 MULTA O enquadramento legal catalogado no auto de infração para a multa da COFINS estabelece: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/10/2007 150,00% art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91 e art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Como já assentado na impugnação específica do PIS/Pasep, o dispositivo legal supracitado art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, teve nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007, cujo teor consta no item antecedente. Evidentemente se o dispositivo legal citado foi derrogado pela Lei nº 11.488/2007, não há que se cogitar que o fundamento legal exarado no Auto de Infração possa fazer qualquer exigência de multa, porque a norma não vigora mais no ordenamento jurídico, além de que a norma que a derrogou sequer estabelece o abusivo percentual de 150%, ficando totalmente anulada a exigibilidade das mesmas por falta de previsão legal constante no Auto de Infração que em nenhuma hipótese poderá ser reformado a fim de prejudicar os direitos suscitados com a presente defesa. Por outra vertente, se não há no auto de infração fundamento legal que possa amparar a suposta omissão de receitas, menos ainda pode se aplicar a multa punitiva agravada de 150%, porque não está demonstrada na forma legal, a caracterização para tal agravamento, o que, na espécie, se admitida fosse a multa, ela somente poderia ser de 75%. Fica expressamente impugnada a multa de R$ 47.864,93. III. DO PEDIDO Em vista das razões apontadas em sede de preliminar e meritória, restou evidenciada a insubsistência do Auto de Infração. Desta forma, requer a nulidade do lançamento do crédito tributário integral no importe de R$ 126.368,45, e respectivo cancelamento do Auto de Infração. Requer e protesta, ainda que: ∙ seja carreada aos autos a conta gráfica da Impugnante, especialmente de todo o período de 2004, demonstrando os recolhimentos feitos pela mesma a fim de demonstrar e caracterizar o lançamento na modalidade por homologação e demonstrar o cumprimento das obrigações de natureza acessória; ∙ não seja admita a inclusão de qualquer novo documento por parte da autoridade fiscal, tendo em vista, que o lançamento do crédito tributário se deu com fulcro nos documentos constantes do processo; ∙ sejam observados os efeitos da decadência sobre o lançamento do crédito tributário a partir de qualquer nova ciência que a Impugnante venha a receber; ∙ seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional e, por consequência, seja suspensa Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.629 16 qualquer pretensão punitiva penal, nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no HC 91725/SP, HC 86821/SP, HC 86489/SP, dentre outros. ∙ sejam observados pela Insigne Autoridade Julgadora, em suas razões de decidir, todos os elementos materiais possíveis, mesmo que sejam desfavoráveis ao Fisco, bem como os princípios constitucionais aplicáveis à Administração Pública Federal (CF/1988 art. 37; Lei 9.784/1999, art. 2º), principalmente os da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, moralidade, verdade real, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica e interesse público; ∙ sejam aproveitados, em favor da Impugnante naquilo que couber tanto na análise da defesa, quando à eventual alteração da legislação tributária, os benefícios do art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. Em sequência, a Autoridade Preparadora, considerando a impugnação apresentada tempestiva, bem como os documentos de representação processual de fls. 1479/1482, encaminhou os autos para a DRJ/São Paulo – I/SP. Já na 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, constatouse a necessidade de cadastramento da totalidade dos débitos lançados no presente processo – principal , haja vista que o Processo nº 10830.011790/201010 a ele ter sido juntado por anexação. Esta providência foi tomada a contento, como podese constatar às fls. 1518/1522, com a recepção do crédito tributário. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.524 e 1.525): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. DOLO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. Verificada a prática reiterada de omissão de receita bruta apurada, resta evidenciado dolo e fraude por parte da empresa, implicando na contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS. COFINS. AUTUAÇÃO COMPLEMENTAR. DECADÊNCIA. Dada a lavratura dos autos de infração complementares ter sido realizada fora do prazo previsto na legislação para o Fisco realizar o lançamento, temse por decaídos os valores neles lançados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 AUTOS DE INFRAÇÃO. VALIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há que se dar guarida ao pedido de nulidade da autuação, em razão de erro formal no enquadramento legal apontado, posto que este constou do termo de verificação que é parte integrante dos autos de infração. Ademais, em sendo evidente que a impugnante compreendeu os motivos da autuação, podendo ofertar Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.630 17 defesa, não se verifica cerceamento do direito de defesa, consequentemente, válido o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES DOS LANÇAMENTOS DO PIS. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO. O PIS, cujo dia de fato gerador é o último do mês, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES DOS LANÇAMENTOS DO COFINS. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO A COFINS, cujo dia de fato gerador é o último do mês, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mês. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. 150%. Mantémse a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, sobre os valores mantidos, por ter restado evidenciado o intuito doloso, posto que constatada sistemática omissão de receitas por parte da empresa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 05/05/2011 (fls. 1.560), a tempo, em 02/06/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.584 (numeração digital ND) a 1.606 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o erro no cumprimento de obrigação acessória – escrituração fiscal, não pode ser tido como prática reiterada de dolo e fraude, haja vista que tal configuração deve estar devidamente apontada e caracterizada, o que não se vislumbra na autuação hostilizada; b) que não há, nos autos, a identificação da vontade da Recorrente em omitir receitas, haja vista que cumpriu com as obrigações acessórias e principais decorrentes da legislação tributária, atendeu todas as exigências feitas pela fiscalização, não criando qualquer tipo de embaraço; c) que não há nos autos da autuação fiscal efetiva comprovação do dolo ou fraude, como citado na decisão recorrida; d) que os vícios ditos na decisão recorrida, de dolo e fraude não estão comprovados, sequer caracterizados, o que se faz necessário para a aplicação do art. 173, I, do CTN; Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.631 18 e) que não se está diante de lançamento sem a existência de pagamento antecipado, pois este há efetivamente, cabendo ao Fisco homologar expressa ou tacitamente; f) que toda a parte em que foi vencida a Recorrente na decisão hostilizada quanto aos efeitos da decadência, ou seja, fatos geradores ocorridos anteriormente a 14/12/2004, estaria alcançada pelos efeitos da decadência, haja vista que o lançamento de ofício ocorreu após cinco anos da ocorrência do fato gerador (pagamento antecipado feito pelo contribuinte); g) que o que houve foi erro material na escrituração fiscal, ou seja, não houve omissão de nenhuma nota fiscal da escrituração, mas sim, diferenças de valores lançados; h) que não há como dizer como isso veio a ocorrer, haja vista que tais procedimentos foram praticados por assessoria contábil terceirizada, ou seja, não houve a conduta típica caracterizada pela Recorrente, pois isso pode ter se dado por problemas no sistema de informática, operacional, pessoal, enfim, mas nunca produzido no interesse de omitir receitas, até porque, como já dito, a Recorrente cumpriu com rigor com suas obrigações tributárias principais e acessórias; i) que não se trata de saídas não computadas como aponta a decisão atacada, mas de valores escriturados de forma errônea, o que, por si só, demonstra cabalmente que não houve dolo ou fraude, porque não houve a conduta intencional de lesar o erário público; j) que o cumprimento dos deveres formais e instrumentais exigidos pela legislação tributária são cumpridos por colaboradores da Recorrente, e não por ela própria, e não pode ser imputada como dolosa ou fraudulenta à Recorrente a conduta de um colaborador que efetivou erro no preenchimento da escrituração fiscal, posto que as notas fiscais estão escrituradas, sendo que houve erro em algumas quanto ao valor destacado, o que não pode ser entendido como uma conduta dolosa ou fraudulenta, até porque não lhe pode ser imputada a si a prática cometida por um terceiro, mesmo que este terceiro seja contratado da Recorrente; k) que não há na autuação a acusação de qualquer qualificativa dos vícios de simulação, dolo ou fraude, não podendo ser admitida a interpretação dada pela decisão atacada, até porque viola o que determina por analogia o art. 112 do CTN; l) que, no mérito, o que se combateu não foi o cerceamento do direito de defesa, mas sim, a nulidade da autuação por não contemplar a fundamentação legal, o que é inerente e obrigatório à função pública; m) que o contribuinte, ora Recorrente, possa ter entendido a autuação e ter apresentado defesa, não é o caso, mas sim, que a Administração Pública está alicerçada no princípio da legalidade, ou seja, tem a obrigação de cumprir com a lei, e não cumpriu; Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.632 19 n) que não cabe à autoridade julgadora reparar vícios contidos no auto de infração e que foram atacados na impugnação; o) que ao julgador cabe aplicar a lei, e não foi isso que a autoridade julgadora o fez; p) que, com relação ao Pis e à Cofins, se a autuação foi feita com base em fatos geradores trimestrais, e tal fato foi constatado pela autoridade julgadora, que determinou a conversão do julgamento em diligência para que fosse feita a apuração mensal, o objeto de todo o auto de infração foi derrogado, porque novo lançamento foi feito e que a própria autoridade julgadora reconheceu a decadência; q) que não poderia a autoridade julgadora, no julgamento, reconhecer a decadência em razão do lançamento suplementar, e manter parcialmente aqueles outros decorrentes do lançamento originário, porque aquele refaz o conteúdo deste; e r) que, portanto, não há crédito tributário a ser exigido de Pis e de Cofins. Em mesa para julgamento. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.633 20 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência do lançamento 4. Não procede a preliminar de decadência arguida pela Recorrente, em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), uma vez que – como será visto na sequência , no caso, aplicase a ressalva prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), de seguinte teor (grifouse): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 5. Tendo sido o lançamento relativo aos quatro trimestres do exercício de 2005 (meses de janeiro a dezembro de 2004) cientificado à Recorrente em 14/12/2009 (fls. 1.143), não ocorreu a alegada decadência. Preliminar de nulidade do lançamento 6. Não procede a preliminar de nulidade do lançamento arguida pela Recorrente, em relação ao IRPJ e à Cofins, por suposta falta de enquadramento legal. 7. Sucede que tanto o Regulamento do IRPJ (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), quanto o Regulamento da Cofins (Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) consolidam as normas correspondentes, mencionando, em cada dispositivo, o seu respectivo fundamento legal (destacouse): Art.528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.634 21 correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). [...]. Art. 2º As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos geradores (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 13): [...]; II na hipótese da Cofins, o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado. Parágrafo único. Para efeito do disposto na alínea “a” do inciso I e no inciso II, compreendese como receita a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada para sua escrituração. Art. 3º São contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60, Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º, Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º, e Lei nº 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6º, inciso II). Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). Art. 51. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis sobre o faturamento são de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, e as diferenciadas previstas nos arts. 52 a 59 (Lei nº 9.715, de 1998, art. 8º, Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 1º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º). Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei nº 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3º e 6º, Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei nº 9.715, de 1998, arts. 9º e 11, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.635 22 Mérito 8. Não procede a alegação da Recorrente de que inexistiriam provas nos autos de qualquer omissão de receitas. 9. Foram devidamente juntadas ao processo cópias de folhas do livro Registro de Saídas (fls. 112 a 406) e cópias de notas fiscais de saídas do anocalendário de 2004 (fls. 407 a 1.069), além de ter sido elaborado o Anexo I (fls. 1.073 a 1.122), no qual são comparados os valores reais das notas fiscais de saídas e os valores do livro de Registro do Saídas, as diferenças apuradas, objeto de processo distinto deste (de IPI), e os totais das receitas operacionais nos trimestres. Na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 7 a 55), os valores declarados são menores que os encontrados naquele Anexo I, conforme se observa abaixo (fls. 1.071): 10. Não há que se falar, assim, em “planilha com origem em outro auto de infração” ou em “prova emprestada”. Multa de ofício qualificada 11. Não procede a alegação da Recorrente de que o enquadramento legal para a multa de ofício (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) teria sido derrogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 12. Esclarecese à interessada que a multa qualificada se fundamenta no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 (redação vigente à época da ocorrência dos fatos – art. 144 do CTN1) – correspondente ao art. 44, § 1º, da mesma lei, a partir da vigência da Lei nº 11.488, de 2007. 13. Assim, não há que se falar em cancelamento da multa qualificada por retroatividade benigna. Qualificação da multa de ofício 14. Afirma a Recorrente que a autuação teria decorrido de erros de escrituração e de interpretação da legislação tributária, não havendo qualquer indício de dolo, fraude ou simulação em seu procedimento. 15. Temse que a hipótese de erro escusável fica prejudicada quando há habitualidade na prática da infração. Dessa forma, os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente. 1 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.636 23 16. O sujeito passivo que, reiteradamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. 17. No presente caso, observase que o procedimento da Recorrente, de declarar valores de receita bruta a menor em relação às vendas efetuadas, estendeuse pelos quatro trimestres do anocalendário de 2004, impossibilitando reconhecer a existência de meros “erros de escrituração e de interpretação da legislação tributária” (fls. 1.071): 18. Nesse mesmo sentido, constou da decisão recorrida o seguinte (fls. 1.544 e 1.545): Ora, a omissão foi sistemática, em todos os períodos analisados. A Impugnante alega, em certa altura, que as omissões em discussão decorreriam de divergência na interpretação da legislação, mas nada traz em socorro, nem mesmo conjecturas. Ou seja, é uma alegação desprovida de provas e de argumentos contábeis ou jurídicos que a embasem. Ao proceder assim durante todo o período, de forma consistente, verificase a prática reiterada de omissão de receita por volta de 15% da receita bruta apurada. Não é um caso isolado ou fortuito, mas sim uma prática contínua de omitir parte significativa da receita da empresa. Dado o tipo de procedimento de apuração da Fiscalização tratamse de saídas não computadas na apuração dos tributos e contribuições autuados – e a frequência verificada, não se pode presumir, sem qualquer maior explicação e comprovação da Impugnante, que sua conduta tenha sido pautada na boafé. Resta evidenciado, por outro lado, o dolo e a fraude, aos quais se refere o parágrafo quarto do artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN. 19. Com relação à alegação da Recorrente de que não lhe pode ser imputada, a si, a prática cometida por um terceiro (colaborador), mesmo que este terceiro seja por ela contratado: não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração de sua declaração IRPJ (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando). 20. Mantémse a qualificação da multa de ofício. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.637 24 Pis e Cofins 21. Não procede a autuação fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em vista de ter havido erro na identificação do fato gerador das referidas contribuições, em seu aspecto temporal, já que haviam sido lançadas por períodos de apuração trimestrais em vez de mensais. 22. Não é admissível, por outro lado, o “aproveitamento” proposto pela decisão recorrida, com a “transmutação” de fato gerador trimestral para mensal, para os meses de março, junho, setembro e dezembro de 2004, em face do suposto “acerto na data do fato gerador” (fls. 1.548 e 1.549): Os lançamentos complementares dos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro, foram lavrados a destempo, como [se] viu acima, e seus valores devem ser expurgados dos lançamentos originais, haja vista o equívoco no período de apuração neles apontado. Naquela Peça Informativa, foram demonstrados os valores remanescentes para os meses de março, junho, setembro e dezembro do anocalendário sob análise, documento do qual tomou ciência a Impugnante, juntamente com os autos de infração complementares (AR à fl. 1446). Uma vez que os lançamentos para esses períodos restam hígidos, dado o acerto na data do fato gerador (31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004 e 31/12/2004), devem ser parcialmente mantidos, em decorrência da exclusão já levada a cabo na Peça Informativa (fls. 1421/1423), conforme abaixo reproduzido: 23. Ao se “transmutar” os fatos geradores trimestrais em mensais, estarseá, sem dúvida, a fazer novo lançamento ou a revisar lançamento anterior, o que, decididamente, não é da competência das Delegacias de Julgamento. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para excluir as exigências remanescentes relativas ao Pis e à Cofins. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.005872/200939 Acórdão n.º 180301.366 S1TE03 Fl. 1.638 25 Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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