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Numero do processo: 13811.000969/97-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO
Reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, bem como as respectivas retenções do Imposto de Renda na Fonte, impõe-se, por decorrência, a homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 1101-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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EXISTÊNCIA DE CRÉDITO Reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, bem como as respectivas retenções do Imposto de Renda na Fonte, impõese, por decorrência, a homologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 09 69 /9 7- 01 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela FÁBRICA DE MÁQUINAS WDB LTDA., (fls. 467/472), contra decisão da 10ª Turma da DRJ de São Paulo – SP, consubstanciada no Acórdão nº 05.742, de 18 de agosto de 2004 (fl. 459/464), que indeferiu o pedido de restituição e compensação do saldo credor de IRPJ apurado na declaração de rendimentos entregue em 1997, referente ao anocalendário de 1996, composto pelo imposto de renda retido na fonte e imposto recolhido pela estimativa mensal (fls. 454/464). Ao ser apreciado o pedido da Recorrente, foi deferido parcialmente o valor pleiteado, com atualizações legais, conforme Despacho Decisório da DRF em São Paulo/SP (fls. 125/127), sendo indeferida a diferença pleiteada a título de IRRF, sob o argumento de que as receitas indicadas na DIRPJ serem inferiores aos rendimentos informados pelas fontes pagadores. Cientificada da decisão (fls. 143/144) e não se conformando com a mesma, apresentou manifestação de inconformidade (145/146), informando que as receitas financeiras auferidas no anocalendário de 1996 encontravamse totalmente contabilizadas no balanço patrimonial, e que em nenhum momento, durante o processo em epígrafe, a Receita Federal solicitou a composição das contas da Receita Financeira, discordando do valor do crédito tributário homologado. Ao final, solicitou cópia do extrato IRFCONS do anocalendário 1996, para posteriormente manejar o recurso cabível. As cópias das fls. 114/115 e 123/124 do processo, referentes ao IRF CONSULTA E IRPJ CONS (fls. 152) foram encaminhadas, conforme AR (fls. 192), apresentando, posteriormente, Manifestação de Inconformidade (fls. 235/237), o qual se extrai: a) a divergência entre a receita financeira declarada pela Recorrente e a receita apurada pela SRF resulta do recolhimento de IRRF de código 5232 – Aplicações em Fundos de Investimento Imobiliário, recolhido pelo contribuinte Residence Convenções Serviços Especiais S/C Ltda, inscrito no CNPJ 64.045.651.0000938; b) que adquiriu da Residence Convenções Serviços Especiais S/C Ltda., 02 (duas) unidades imobiliárias em construção, cujo custo de aquisição em seu ativo permanente foi registrado no “subgrupo Investimentos”, conforme instrução contida no art. 179, III e art. 183, IV da Lei 6.404/76; c) em vista disto, discorda do ajuste no valor homologado de crédito tributário conferido no presente processo, haja vista que tais receitas foram contabilizadas como correção monetária do balanço e oferecido a tributação pelo princípio da competência. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 13811.000969/9701 Acórdão n.º 1101000.660 S1C1T1 Fl. 12 3 d) Solicita a revisão do despacho decisório e a homologação do crédito tributário que foi objeto da restituição e compensação, bem como a prorrogação do prazo de manifestação da intimação n° 300, para que possa ser tomada as devidas providências em relação ao valor do crédito tributário homologado. A 10ª Turma da DRJ de São Paulo, ao apreciar o mérito, converteu o julgamento em diligência, por intermédio da Resolução DRJ/SPO 33, de 06 de novembro de 2003, para que a Recorrente: 1) comprove, mediante recibos/comprovantes a aquisição das unidades imobiliárias, de modo a evidenciar o tipo de aplicação efetuada; 2) apresente os registros contábeis efetuados relativos a aquisição imobiliária, com identificação das contas devedora e credora, a saber: Razão Contábil, Balanço e Diário (cópia autenticada por contabilista identificado), indicar o item/ficha/quadro da DIRPJ onde está indicado o valor relativo ao investimento de que trata o item 1, desde o período de aquisição até o anocalendário de 1996; 3) comprove os valores contabilizados a título de Correção Monetária correspondente aos rendimentos cujo IRFON foi glosado, com os informes da fonte retentora, demonstrando, por meio dos registros contábeis analíticos, em que item/ficha/quadro da DIRPJ os valores foram oferecidos à tributação; 4) comprove que o valor do IRFON Código 5232 foi contabilizado em conta de ativo e indique em que item da DIRPJ do anocalendário 1996 está declarado o IRFON, apresentando cópia do respectivo razão contábil; 5) apresentação outros elementos que a Recorrente considerar esclarecedores do seu direito. Intimada às fls 246 a fim de providenciar a documentação requerida, a Recorrente apresentou, às fls. 249/251, os seguintes esclarecimentos: e) ao analisar o extrato de IRCONS do anocalendário de 1996 fornecido pela SRF, imaginou que a divergência apurada no recolhimento de IRRF de código 5232 – Aplicações em Fundos de Investimentos Imobiliários teria sido ocasionado pelo recolhimento realizado pela contribuinte Residence Convenções Serviços Especiais S/C Ltda., inscrita no CNPJ 64.045.651/000938. A conclusão se deu em virtude do IRCONS apresentar somente o CNPJ dos contribuintes e o valor recolhido dos tributos pelo código; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 f) as receitas financeiras auferidas no anocalendário de 1996 encontramse totalmente contabilizadas em balanço patrimonial (às fls. 250 apresenta planilha); g) a diferença entre o extrato IRFCONS e o valor de receita financeira apresentado na planilha de fls. 250, é resultado do recolhimento da receita financeira pelo princípio da competência (§1º do art. 187 da Lei 6.404/76), e a tributação das aplicações financeiras da época (art. 11 da Lei 9.249/95) teve por base o restante das aplicações; h) se uma aplicação financeira teve seu início antes do exercício de 1996 e seu restante no exercício de 1996, sua receita foi reconhecida contabilmente durante o período de sua existência, mas sua tributação só foi gerada no seu resgate. Portanto, o IRF retido no exercício de 1996 tem como base receitas já contabilizadas no exercício de 1995; i) discorda do ajuste no valor homologado de crédito tributário conferido no Despacho Decisório por ter contabilizado como receitas financeiras e oferecido a tributação pelo princípio da competência; j) anexou ao seus esclarecimentos: cópia da Resolução DRJ/SPO 33, de 6 de outubro de 2003; cópia do extrato do IRCONS; Cópia do Informe de Rendimentos da Residence Convenções Serviços Especiais S/C Ltda; Informes de rendimentos da CEF, Itaú, Deutsche Bank, Banco do Brasil, Bradesco, BFB e Cartão de CNPJ. Com o retorno do processo da diligência, a 10ª Turma da DRJ I/SPO verificou a necessidade de converter novamente o julgamento em diligência, a fim da Recorrente (fls. 333/336): 1) tomar ciência dos valores analíticos informados pelas fontes quanto aos rendimentos e IRFON do ano de 1996 (fls. 312/332); 2) apresentar cópia do razão contábil da conta de resultado onde foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras do ano de 1995 e 1996; 3) disponibilizar os demonstrativos apoiados na escrituração contábil do item 2, de modo a comprovar a apropriação pelo regime de competência, quanto aos rendimentos de aplicações feitas em 1995 e cujo IRCFON foi retido em 1996, identificando a provando a aplicação correspondente e; 4) cópia do razão contábil da conta de ativo onde foram contabilizados os valores do IRFON compensado na DIPJ do anocalendário de 1996, do valor controvertido; Em resposta a Intimação (fls. 340/342), a Recorrente informa, em parte, as mesmas razões já lançadas. Adiciona ao argumento que o IRRF demonstrado em planilha de fls. 341, não pode ser comparado com a base de cálculo do IRRF com o valor da Receita Financeira auferida durante o exercício base de 1996, o qual será alvo de explicação. Anexa os seguintes documentos (fls. 343/351): Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 13811.000969/9701 Acórdão n.º 1101000.660 S1C1T1 Fl. 13 5 k) cópia da Intimação 886; l) planilha com explicações analíticas das diferenças apuradas; m) cópia do Razão Contábil das Contas de Resultado das Receitas Financeiras do ano base de 1995 e 1996; n) cópia do Razão Contábil da Conta de Ativo do IRRF compensado na declaração do exercício de 1997; o) cópia do Razão Contábil da conta de Resultado de Alguel de Imóveis; p) cópia dos extratos de aplicações financeiras dos Bancos, comprovando as receitas financeiras do exercício de 1996; q) cópia das planilhas de controle contábil das aplicações financeiras, comprovando seu início anterior há 1996; r) cartão de CNPJ. A 10ª Turma da DRJ I/SPO, ao apreciar o mérito, indeferiu a solicitação, conforme se extrai da ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 1996 Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de registro de receita de aplicação financeira em período anterior, pela observância do regime de competência, requer apresentação de prova contábil acompanhada dos respectivos documentos de aplicação e resgate. Solicitação Indeferida. Cientificada da decisão de primeira instância em 10 de janeiro de 2006, conforme AR anexo ao verso das fls. 465, apresentou Recurso Voluntário (fls. 467/472), no qual, em apertada síntese, argumenta que: s) a DRF alega que as Fontes Pagadores em extrato IRCONS declararam a retenção de IRRF, valor este que confere com a DIRPJ/97 da Recorrente e que este numerário corresponde a receita financeira; t) que o fato decorre da aplicação do art. 11 da Lei 9.249/95, e que reflete a retenção do imposto de renda no montante do resgate de determinadas aplicações financeiras; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 u) já anexou cópias dos extratos de retenção emitidos pelas fontes pagadoras e demonstrou a regularidade das receitas nos informes; v) alega que as receitas refletem a aplicação do disposto no §1º da Lei 6.404/76, que as reconhece pelo princípio da competência; w) juntou cópia dos razões contábeis, demonstrando a efetividade da contabilização das receitas; x) a composição da diferença das receitas financeiras foi apresentada em planilha apartada e juntada aos autos (fls. 473) y) alega que o crédito em questão é do período base de 1996 e os saldos apresentados de 1995 são comprovados pelas cópias dos extratos das fontes pagadores; z) as listagens eletrônicas perfazem o controle interno da empresa das aplicações financeiras e demonstram a evolução das aplicações e suas retenções; aa) entende não ser possível a comparação da base de cálculo do IRRF com o valor da receita financeira auferida durante o exercício base de 1996, já que as mesmas foram contabilizadas e oferecidas a tributação pelo princípio da competência; bb) requerer o provimento de seu recurso, julgando procedente o crédito fiscal com as devidas correções. Submetido o recurso em comento ao julgamento pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho do então Conselho de Contribuintes em 25 de janeiro de 2008, decidiram seus membros, por unanimidade de votos, que a matéria vergastada seria de competência de uma das Câmaras responsáveis em julgar processos de IRPJ. Dessa forma, declinaram a competência. Distribuído o feito a esta Egrégia Turma, passo a sua análise. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 13811.000969/9701 Acórdão n.º 1101000.660 S1C1T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Como visto do relato, tratase de pedido de restituição/compensação do saldo credor do IRPJ apurado na declaração de rendimentos relativa ao exercício de 1997, ano calendário 1996. O pedido inicial foi acolhido em parte, tendo sido indeferida a parcela correspondente ao imposto de renda na fonte sob o argumento de que as receitas financeiras oferecidas à tributação seriam inferiores aos rendimentos informados pelas fontes pagadoras. A turma julgadora de primeira instância baixou o processo em diligência, conforme a Resolução nº 33 (fls. 244/247), para que fosse intimada a contribuinte a apresentar novos documentos. Em atendimento, a contribuinte apresentou respostas às fls. 249/251, com a juntada dos documentos de fls. 256/308. Retornando os autos a DRJ, a turma julgadora novamente baixou o processo em diligência, conforme a Resolução nº 49 (fls. 333/336). Em atendimento a recorrente prestou os esclarecimentos (fls. 340/342), além de apresentar os documentos de fls. 348/450. Em novo julgamento, a turma entendeu que os demonstrativos apresentados pela empresa não são suficientes para fazer prova favorável, motivo pelo qual foi mantida a decisão da DRF. Por seu turno, a recorrente insiste que a divergência entre as receitas constantes na DIPJ (R$ 547.191,17, fls. 114) e aquela informada pelas fontes pagadoras (R$ 764.664,69), decorre da contabilização por parte da contribuinte em atendimento ao regime de competência, visto que as aplicações financeiras em questão teriam sido feitas no ano de 1995, com vencimento no ano de 1996. No Despacho Decisório da DRF/São Paulo (fls. 125/127), mantido pela decisão recorrida consta de forma simplória o seguinte: “Considerando que o valor de R$ 98.961,64, a título de IRRF, que o contribuinte pretende deduzir do resultado do exercício, não condiz com o valor declarado como receita financeira de R$ 547.191,17, e como se verifica que as receitas tiveram diferentes alíquotas, e na impossibilidade de determinar quais receitas não foram declaras, ajustamos proporcionalmente o cálculo da retenção na fonte ao valor de receita declarado, resultando no valor de R$ 70.730,76 a ser deduzido como IRRF na Linha 15 do Quadro 8 – cálculo do Imposto de Renda, significando que o saldo credor compensável do exercício de R$ 203.833,34 passa a ser de R$ 175.602,46.” Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 Destaquese que em momento algum o despacho decisório faz qualquer referência as receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 1995, em atendimento ao regime de competência, fato esse que foi confirmado pela decisão recorrida. Também a fiscalização deixou de manifestarse a respeito dos corretos valores de uma eventual omissão de receita financeira por parte da contribuinte no período em questão (1996). Nas duas oportunidades em que a contribuinte foi intimada, apresentou a documentação solicitada, bem como o razão analítico das receitas contabilizadas nos anos de 1995 e 1996, sem que houvesse qualquer manifestação sobre qualquer irregularidade por parte da fiscalização. Com a devida vênia, ouso discordar da decisão proferida pela turma julgadora de primeira instância, pois não houve qualquer exame, por mais superficial que fosse, nos documentos apresentados pela recorrente, para que fossem rejeitados os documentos por ela apresentados. Entendo que procede seu inconformismo, visto que a mesma não pode ter o seu direito de restituição/compensação negado, simplesmente pelo fato de ter obedecido a norma legal que obriga o reconhecimento das receitas pelo regime de competência. É de conhecimento público que os informes dos rendimentos apresentados pelas instituições financeiras sobre as aplicações financeiras compilam os valores integrais, desde a data da aplicação até o vencimento, independente do prazo da aplicação. De tudo o que consta dos autos, concluise que as receitas correspondentes às aplicações financeiras, foram efetivamente oferecidas a tributação nos respectivos períodos a que competiam, além disso, em nenhum momento a fiscalização demonstrou qualquer divergência, limitandose a rejeitar os documentos apresentados. Vale lembrar que a interessada sustentou desde a primeira manifestação, ter efetuado os registros contábeis em atendimento ao regime de competência, inclusive apresentou cópias do Razão Analítico, bem como os demonstrativos de cálculo os quais, simplesmente foram rejeitados pelos julgadores da DRJ. Entendo que a contabilização efetuada pela recorrente está de acordo com os procedimentos e normas contábeis, com o reconhecimento das receitas financeiras decorrentes das aplicações do numerário no mercado financeiro nas épocas devidas, sem que a fiscalização fizesse qualquer prova ou demonstrativo em contrário, limitandose simplesmente a deixalos de lado, sem qualquer motivação no sentido de descaracterizálos como válidos e suficientes para comprovar as operações. Para desconsiderar os citados documentos, caberia ao fisco infirmar os mesmos, bem como os esclarecimentos prestados pela contribuinte. Por outro lado, se efetivamente tivesse ocorrido omissão de receitas financeiras, cabível seria a lavratura de auto de infração, com as penalidades cabíveis, desde que devidamente demonstrada a irregularidade cometida, o que não foi o caso dos presentes autos. Nessas condições, voto pelo provimento do recurso voluntário. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 13811.000969/9701 Acórdão n.º 1101000.660 S1C1T1 Fl. 15 9 É como voto. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.923061/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira
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INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não abrangendo as demais receitas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 30 61 /2 00 9- 74 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.923061/200974 Acórdão n.º 3803006.138 S3TE03 Fl. 238 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito. Relatório Em 21 de agosto de 2015, a repartição de origem devolveu a este Colegiado os presentes autos em razão da detecção de equívoco na identificação do período de apuração da contribuição sob comento, sendo informado que, enquanto na ementa se registrou o período de apuração de 01/10/2002 a 31/10/2002, no voto se reportou à composição da base de cálculo de dezembro de 2003, sendo que, de acordo com os débitos declarados, não havia, no período, o valor referenciado no montante de R$ 784.190,99. Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Retornaram os autos da unidade de origem para onde foram baixados com a finalidade de certificação dos valores das demais receitas da recorrente que extrapolaram o faturamento, conforme documentos da escrita contábil juntado aos autos pela recorrente, e colacionadas aos mesmos as informações prestadas pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Foi juntada aos autos a informação fiscal e dela foi dado ciência ao Recorrente. Da informação fiscal consta planilha, formatada com base no Razão Analítico, informando que, na composição da base de cálculo da Cofins de outubro/2002, o Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.923061/200974 Acórdão n.º 3803006.138 S3TE03 Fl. 239 3 recorrente adicionara, em observância aos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Constatou a fiscalização que, em consulta realizada na DCTF, o recorrente apurara, para o período de outubro/2002, Cofins no valor de R$ 528.651,44, o quê, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 36.700,87. Compulsando os autos, verificase que consta do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fl. 103verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora de R$ 36.700,87, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. É cediço que o tema sob exame teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal que, por sentença proferida pelo Plenário em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, declarou a inconstitucionalidade do texto contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que transitou em julgado em 12/12/2008. Nesse contexto, devese proceder de acordo com o que dispõe o art. 62A do RICARF/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722464/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 46 4/ 20 13 -9 9 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722464/201399 Resolução nº 3201000.606 S3C2T1 Fl. 310 2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não homologado, que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000.288/201058. O Processo Administrativo nº 12585.000.288/201058, foi julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que manteve o despacho decisório negando os créditos pleiteados pela Recorrente. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recurso voluntário, posteriormente os processos foram desapensados no CARF e distribuídos a este Relator para julgamento. A turma de julgamento ao analisar o Processo Administrativo nº 12585.000288/201058 resolveu converter o processo em diligência, que ainda encontrase pendente de realização pela Unidade de Origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo referese aos créditos constantes do Processo Administrativo nº 12585.000288/201058, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000288/201058. Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo Fl. 310DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722464/201399 Resolução nº 3201000.606 S3C2T1 Fl. 311 3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a apensação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000288/201058. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720065/2011-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE, RELATIVOS A COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENTOS.
Comprovada a condição de portador de moléstia grave do contribuinte e tendo recebido rendimentos acumulados relativos a complementação de aposentadoria é de se reconhecer seu caráter de rendimentos isentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ÚNICOS RENDIMENTOS RECEBIDOS NO ANO-CALENDÁRIO EM PATAMAR INFERIOR AO LIMITE DE ISENÇÃO.
Configurado o recebimento de rendimentos de aluguéis de pessoa jurídica, porém sendo estes os únicos recebidos no ano-calendário e situando-se em patamar inferior ao limite de isenção, desconstitui-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-003.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE, RELATIVOS A COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENTOS. Comprovada a condição de portador de moléstia grave do contribuinte e tendo recebido rendimentos acumulados relativos a complementação de aposentadoria é de se reconhecer seu caráter de rendimentos isentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ÚNICOS RENDIMENTOS RECEBIDOS NO ANO-CALENDÁRIO EM PATAMAR INFERIOR AO LIMITE DE ISENÇÃO. Configurado o recebimento de rendimentos de aluguéis de pessoa jurídica, porém sendo estes os únicos recebidos no ano-calendário e situando-se em patamar inferior ao limite de isenção, desconstitui-se o lançamento. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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ISENTOS. Comprovada a condição de portador de moléstia grave do contribuinte e tendo recebido rendimentos acumulados relativos a complementação de aposentadoria é de se reconhecer seu caráter de rendimentos isentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ÚNICOS RENDIMENTOS RECEBIDOS NO ANOCALENDÁRIO EM PATAMAR INFERIOR AO LIMITE DE ISENÇÃO. Configurado o recebimento de rendimentos de aluguéis de pessoa jurídica, porém sendo estes os únicos recebidos no anocalendário e situandose em patamar inferior ao limite de isenção, desconstituise o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 00 65 /2 01 1- 54 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.720065/201154 Acórdão n.º 2802003.357 S2TE02 Fl. 148 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 145. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl.16 e ss.), o qual apurou supostas irregularidades em virtude da revisão da declaração de rendimento – DIRPF do exercício 2008, anocalendário 2007, por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em virtude de processo judicial trabalhista e omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica. O Contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 02 e ss., alegando que os rendimentos de aluguel foram oferecidos a tributação na DIRPF de seu cônjuge e que os rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista são isentos, por tratarse de rendimentos líquidos, referentes a erro de cálculo em complementação mensal de aposentadoria, declarados na DIRPF como tais, juntando documentos, inclusive relativos a moléstia de que é portador. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/JFA, em sessão realizada no dia 22/12/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que somente se aplica isenção do IR sobre rendimentos acumulados recebidos por portadores de moléstia grave quando ficar comprovado que os valores são relativos a diferenças de aposentadoria ou de complementação de aposentadoria, não tendo o contribuinte se desincumbido de tal prova; que não consta nos registros da RFB entrega de DIRPF relativa ao exercício em questão pelo cônjuge do contribuinte, nem faz o mesmo prova de tal fato. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 73, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário às fls. 75/76, complementado pela petição de fls. 102, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos na impugnação e alegando que os rendimentos de aluguel objeto de lançamento seriam os únicos tributáveis na DIRPF em questão, ficando abaixo do limite de incidência do IR; que quanto aos valores relativos a ação judicial, traz aos autos cópias de documentos com a fim de comprovar sua natureza. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.720065/201154 Acórdão n.º 2802003.357 S2TE02 Fl. 149 3 O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, no que tange a seu objeto, qual seja, a irresignação contra a autuação por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em virtude de processo judicial trabalhista e omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica. Conheço dos documentos trazidos com o recurso, em homenagem ao princípio do formalismo moderado e na esteira da jurisprudência desta Turma. Tenho que os documentos comprovam satisfatoriamente que se trata de ação judicial relativa a verbas de complementação de aposentadoria, razão pela qual, sendo esse o único aspecto que impediu a DRJ de reconhecer seu caráter de valores isentos e não tributáveis, reconheço tal isenção. Observese que, aqui, não é caso de desconstituirse simplesmente o lançamento por tratarse de rendimentos acumulados tributados indevidamente pelo regime de caixa, pois a discussão sobre seu caráter ou não de rendimentos isentos repercute, como se verá, nas demais verbas objeto de autuação. No mais, considerando os comprovantes de fls. 06/08, nos quais constam apenas rendimentos não tributáveis recebidos pelo contribuinte, tenho como verdadeira sua afirmação de que os rendimentos de aluguéis são os únicos rendimentos tributáveis na DIRPF, no valor total de R$ 12.792,74, inferior, portanto, ao montante de R$ 15.764,28, naquele momento o limite para obrigatoriedade de apresentação de declaração de imposto de renda pessoa física. Isto posto, sou pelo provimento do recurso, desconstituindose integralmente o lançamento. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.720065/201154 Acórdão n.º 2802003.357 S2TE02 Fl. 150 4 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000566/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 18/12/2006 a 17/09/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. SANÇÃO ADMINISTRATIVA. IDÊNTICA CONDUTA. ART. 728, § 4o DO RA/2009.
A ausência de lavratura (ou a ausência de menção, no processo referente a crédito tributário, da lavratura) de auto de infração para aplicação da sanção administrativa por idêntica conduta não pode, em hipótese alguma, afastar imediatamente a aplicação da multa, mesmo porque, ao final do § 4o do art. 728 do RA/2009, há expressa ressalva no que se refere a prevenção da decadência.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA HABILITAR-SE OU UTILIZAR REGIME ADUANEIRO. INADIMPLEMENTO. DIFERENÇAS. "DRAWBACK ISENÇÃO".
A multa diária por "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitar-se ou utilizar regime aduaneiro especial", prevista no art. 107 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, não trata de situações de verificação do simples inadimplemento do regime. Para obter um regime, ou para mantê-lo, é necessário cumprir diversas regras (v.g., existência de sistema informatizado de controle, armazenagem em local específico etc.). Entretanto, ao final do período de utilização do regime, a fiscalização tem o poder-dever de fiscalizar se este foi cumprido/adimplido, ou seja, se as mercadorias admitidas no regime tiveram um dos destinos previstos na legislação. E tal verificação sobre o cumprimento/adimplemento do regime não se confunde com a verificação de cumprimento dos requisitos, condições e normas operacionais. Na modalidade de regime conhecida no Brasil como "Drawback Isenção", a falta de pagamento dos tributos devidos por eventual falta de exportação do produto não constitui um descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitar-se ao ou utilizar o regime. Embora a multa por falta de pagamento de tributos possa ser exigida em conjunto com a relativa a descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitar-se ao ou utilizar o regime, cada qual tem nitidamente aplicação a condutas distintas.
DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB).
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
Numero da decisão: 3401-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 18/12/2006 a 17/09/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. SANÇÃO ADMINISTRATIVA. IDÊNTICA CONDUTA. ART. 728, § 4o DO RA/2009. A ausência de lavratura (ou a ausência de menção, no processo referente a crédito tributário, da lavratura) de auto de infração para aplicação da sanção administrativa por idêntica conduta não pode, em hipótese alguma, afastar imediatamente a aplicação da multa, mesmo porque, ao final do § 4o do art. 728 do RA/2009, há expressa ressalva no que se refere a prevenção da decadência. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA HABILITAR-SE OU UTILIZAR REGIME ADUANEIRO. INADIMPLEMENTO. DIFERENÇAS. "DRAWBACK ISENÇÃO". A multa diária por "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitar-se ou utilizar regime aduaneiro especial", prevista no art. 107 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, não trata de situações de verificação do simples inadimplemento do regime. Para obter um regime, ou para mantê-lo, é necessário cumprir diversas regras (v.g., existência de sistema informatizado de controle, armazenagem em local específico etc.). Entretanto, ao final do período de utilização do regime, a fiscalização tem o poder-dever de fiscalizar se este foi cumprido/adimplido, ou seja, se as mercadorias admitidas no regime tiveram um dos destinos previstos na legislação. E tal verificação sobre o cumprimento/adimplemento do regime não se confunde com a verificação de cumprimento dos requisitos, condições e normas operacionais. Na modalidade de regime conhecida no Brasil como "Drawback Isenção", a falta de pagamento dos tributos devidos por eventual falta de exportação do produto não constitui um descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitar-se ao ou utilizar o regime. Embora a multa por falta de pagamento de tributos possa ser exigida em conjunto com a relativa a descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitar-se ao ou utilizar o regime, cada qual tem nitidamente aplicação a condutas distintas. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 833 1 832 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.000566/201011 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401003.071 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria AI/Aduana"DrawbackIsenção" Recorrentes SCHWEITZERMAUDUIT DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA (nova denominação de SCHWEITZERMAUDUIT DO BRASIL S.A.) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 18/12/2006 a 17/09/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. SANÇÃO ADMINISTRATIVA. IDÊNTICA CONDUTA. ART. 728, § 4o DO RA/2009. A ausência de lavratura (ou a ausência de menção, no processo referente a crédito tributário, da lavratura) de auto de infração para aplicação da sanção administrativa por idêntica conduta não pode, em hipótese alguma, afastar imediatamente a aplicação da multa, mesmo porque, ao final do § 4o do art. 728 do RA/2009, há expressa ressalva no que se refere a prevenção da decadência. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA HABILITARSE OU UTILIZAR REGIME ADUANEIRO. INADIMPLEMENTO. DIFERENÇAS. "DRAWBACK ISENÇÃO". A multa diária por "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial", prevista no art. 107 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, não trata de situações de verificação do simples inadimplemento do regime. Para obter um regime, ou para mantêlo, é necessário cumprir diversas regras (v.g., existência de sistema informatizado de controle, armazenagem em local específico etc.). Entretanto, ao final do período de utilização do regime, a fiscalização tem o poderdever de fiscalizar se este foi cumprido/adimplido, ou seja, se as mercadorias admitidas no regime tiveram um dos destinos previstos na legislação. E tal verificação sobre o cumprimento/adimplemento do regime não se confunde com a verificação de cumprimento dos requisitos, condições e normas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 05 66 /2 01 0- 11 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 operacionais. Na modalidade de regime conhecida no Brasil como "Drawback Isenção", a falta de pagamento dos tributos devidos por eventual falta de exportação do produto não constitui um descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitarse ao ou utilizar o regime. Embora a multa por falta de pagamento de tributos possa ser exigida em conjunto com a relativa a descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitarse ao ou utilizar o regime, cada qual tem nitidamente aplicação a condutas distintas. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 351, com ciência à empresa em 29/05/2010 (AR à fl. 612), para exigência de multa por descumprimento de norma para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro (multa diária de R$ 1000,00, totalizando R$ 1.256.000,00), imposto de importação (valor original total de R$ 172.468,41), Contribuição para o PIS/PASEPimportação (valor original total de R$ 59.570,49) e COFINS importação (valor original total de R$ 274.385,73), por descumprimento de obrigações necessárias à fruição do regime de "drawbackisenção", no que se refere ao Ato Concessório no 177806/0000186, conforme Termo de Constatação Fiscal (TCF). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 834DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 834 3 No TCF de fls. 36 a 57, narra a fiscalização que: (a) o "drawbackisenção" é um incentivo por ter a empresa exportado produtos por ela industrializados, nos quais foi utilizada mercadoria importada com incidência normal de tributos, pressupondo a ocorrência prévia de uma importação tributada, com posterior industrialização e exportação, consistindo, em outras palavras, em uma "reposição de estoques", devendo a empresa promover inequívoca vinculação entre a importação beneficiada e a exportação realizada, propiciando o efetivo controle aduaneiro; (b) em procedimento relativo ao Ato Concessório no 177806/0000186, emitido em 09/11/2006 (e aditivos), diante da competência da RFB para fiscalizar o regime, a empresa foi intimada a apresentar documentos comprobatórios do adimplemento do regime, por diversas oportunidades, não logrando êxito em integralmente provar o regular cumprimento de suas obrigações; (c) a decadência, no caso, operouse segundo a regra do art. 138 do Decretolei no 37/1966, não existindo qualquer pagamento de tributo; (d) a interpretação adequada no caso de regimes aduaneiros especiais (nos quais se inclui o "drawbackisenção"), que desonerem a carga tributária, deve ser estrita (literal, na dicção do art. 111 do CTN), para resguardar a finalidade esboçada pelo diploma legal; (e) o lançamento é regido pelas normas vigentes ao tempo da ocorrência do fato gerador (no caso, o Regulamento Aduaneiro de 2002 Decreto no 4.543/2002, e as Portarias SECEX no 14/2004 e no 35/2006; (f) cabe à empresa beneficiária do regime manter controles e registros que permitam a efetiva comprovação utilização dos insumos importados nos produtos exportados, sendo o princípio da vinculação física basilar ao regime, e explicitado no art. 341 do Regulamento Aduaneiro de 2002, afirmando que só se pode importar com isenção após a existência de uma importação prévia, com pagamento de tributos, e uma exportação de produto industrializado contendo a mercadoria importada; (g) no Relatório Unificado de "Drawback" (RUD), a empresa vincula as mercadorias adquiridas por meio de importações especificadas aos produtos resultantes de suas industrializações, posteriormente exportados, exigindo a legislação que no Ato Concessório conste a indicação das declarações de importação e dos correspondentes registros de exportação; (h) em etapa inicial, e com base em dados fornecidos pela empresa (total de exportações e relação insumo/produto), apurouse que, para (h1) "papel para cigarro tipo 1106 NCM 4813.20.00", foram importados, na DI no 07/01963101, 20.570 Kg de "celulose flax 405", possibilitando a fabricação de 44.523,81 Kg do produto final, mas o somatório das importações isentas é de 276.611,70 Kg, tornando clara a utilização indevida do regime para 177.442,05 Kg, e para (h2) "papel base ponteira tipos 2013, 406, 2603, 116A, 537 e 3303 NCM 4813.90.00", foram importados 145.890,50 Kg de "dióxido de titânio", quando a quantidade necessária de tal mercadoria para fabricar o produto que foi exportado seria de 141.174,22 Kg, havendo utilização indevida do regime para 4.716,28 Kg; (i) no que se refere à vinculação física entre os insumos importados com pagamento e o produto final exportado, a empresa apresentou planilha com movimentação de estoque, que permitiu, analisada em conjunto com livros de entrada e saída, a visualização de que (i1) os controles não permitem rastrear o insumo "dióxido de titânio" nas DI no 03/08471770, no 03/11312130 e no 04/02120838, promovendose, então, auditoria de estoque pelo método PEPS, continuando sem comprovação de vinculação as entradas promovidas pelas notas fiscais no 1021 e no 896, e (i2) a auditoria de estoques em relação a importações de "celulose de linho" permitiu verificar que as notas de saída no 88115 e no 88117, e as respectivas exportações, são anteriores às datas de produção informadas para as notas de entrada no 1120 e no 1142, e também que algumas entradas de insumos operadas pelas notas fiscais no 900 e no 988 não puderam ser efetivamente vinculadas às saídas; (j) foi dada à empresa a plena oportunidade de provar as vinculações das entradas às saídas, por quaisquer meios, mas a empresa não logrou êxito nas comprovações, chegandose aos montantes em aberto detalhados na tabela de fl. 52, exigindose os tributos em relação às entradas promovidas ao desamparo do regime; (k) foram lançadas as diferenças em relação ao imposto de importação, IPI (ausente na autuação) e às contribuições (com inclusão Fl. 835DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 de ICMS na base de cálculo), conforme art. 70, I, "b" da Lei no 10.833/2003, com a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/1996; e (l) foi ainda aplicada, da data em que foi verificado o primeiro descumprimento do regime até a data da lavratura da autuação, a multa diária de R$ 1.000,00, por descumprimento de requisito, condição ou norma para utilizar regime aduaneiro especial, prevista na alínea "e" do inciso VII do art. 107 do Decretolei no 37/1966. A empresa apresenta Impugnação em 30/06/2010 (fls. 617 a 648), argumentando, em síntese, que: (a) a empresa dedicase à fabricação de papéis especiais destinados à fabricação de cigarros, tendo importado matériasprimas ("celulose flax" e "dióxido de titânio") tributadas, e que respaldaram posteriores procedimentos de exportação, conforme Ato Concessório obtido junto à Secretaria de Comércio Exterior (SECEX); (b) o Ato Concessório foi deferido em 09/11/2006, tendo sido requerida sua alteração em 02/07/2007; (c) a fiscalização fundouse, basicamente, na desconsideração dos controles de produção, movimentação de estoques e vinculação entre Declarações de Importação (DI) e Registros de Exportação (RE) apresentados pela empresa, sob as premissas equivocadas de necessidade de adoção do método PEPS no controle de estoques, de que houve ausência de vinculação física e suposta realização de importações isentas sem a comprovação das correspondentes exportações; (d) apenas no "drawbacksuspensão" o benefício é antecipado, sendo que nas outras hipóteses, como a de "drawbackisenção", primeiro se verifica a operação de importação tributada com posterior exportação, para depois haver a concessão do regime; (e) no Ato Concessório original, foi permitida a importação, com isenção, de 204,7261 TON de "celulose de linho 405" (NCM 4706.92.00), 108,1467 TON de "celulose de linho 505" (NCM 4706.92.00), e 145,8905 TON de "dióxido de titânio"(NCM 2823.00.10), alteradas as quantidades, posteriormente, em aditivo deferido, dos dois primeiros itens, respectivamente, para 20,570 TON e 292,3027 TON; (f) em relação a "celulose flax 405", não houve importações em montante superior ao exportado, como alega o fisco, mas modificação da composição das importações entre os tipos de "celulose de linho", que possuem mesmo preço e mesma classificação; (g) em relação a "dióxido de titânio", a fiscalização parte da premissa equivocada de que o total das exportações corresponderia a 1.713.651,00 Kg, quando alcançou 1.778.274,00 Kg; (h) havendo adimplemento do Ato Concessório, há que se afastar a multa aplicada; (i) o controle de estoques mantido pela empresa não usa, por razões de qualidade, o método PEPS (que não é obrigatório), pois se os lotes ingressados no estoque não estão adequados a determinadas especificações, são mantidos em estoques até que sejam ultimados testes pela área técnica, sendo os documentos no 6 (fl. 706) e no 7 (fl. 708), apresentados com a impugnação suficientes para afastar a alegação de ausência de controle; (j) a norma que regula o regime exige apenas que sejam observadas quantidades e qualidades equivalentes, não exigindo a efetiva vinculação física, que é inerente ao "drawbacksuspensão", conforme o texto da norma invocada e jurisprudência administrativa; e (k) a multa aplicada apresenta como requisito descumprido o art. 341 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que aplicase unicamente a "drawbacksuspensão". Ao final da impugnação, a empresa apresenta solicitação de diligência com os quesitos que entende necessários para comprovação da regularidade de sua utilização do regime, e pedido subsidiário de redução da multa para adequála os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Em 11/10/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 717 a 727), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência da impugnação, afastandose a multa aplicada, por entender que deve ser precedida de processo de aplicação de sanção administrativa e porque a conduta prevista na multa aplicada não se refere ao cumprimento do regime, em si, mas às atividades que o interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações durante a utilização do regime. Em relação aos demais itens impugnados, a DRJ mantém o lançamento, sob o fundamento de que: (a) a autuação, ao contrário do que alega a empresa, não é com base no art. 341 do RA/2002, mas nos artigos 345 a 348 de tal Fl. 836DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 835 5 regulamento, sendo o artigo 341 utilizado na argumentação para contextualizar o raciocínio; (b) poderiam ser objeto de isenção (em função de anterior importação e industrialização com posterior exportação) as quantidades indicadas pela fiscalização; (c) a empresa não possuía controles que permitissem inferir a vinculação entre os insumos importados e as mercadorias exportadas; e (d) as duas planilhas apresentadas na impugnação (documentos no 6 e no 7) são intempestivamente apresentadas, e estão desacompanhadas de documentos que atestem seu teor. Cientificada do acórdão da DRJ em 22/11/2013 (AR à fl. 732), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 19/12/2013 (fls. 733 a 758), reiterando o exposto em sua impugnação (no que se refere à desnecessidade de vinculação física e à inadequação, ao caso, do art. 341 do RA/2002), e acrescentando que a decisão de piso incorreu em erro manifesto ao dispor que a recorrente teria procedido com importações em patamar superior ao deferido em Ato Concessório, pois não houve importações em montante superior ao exportado, mas modificação da composição das importações entre os tipos de "celulose de linho", que possuem mesmo preço e mesma classificação, como destacado na impugnação. Ao final da peça, reitera a demanda por diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade, e o recurso de ofício resta enquadrado nas hipóteses normativamente previstas para interposição, pelo que se toma conhecimento de ambos. Do Recurso de Ofício Como relatado, a DRJ, ao apreciar a multa aplicada, conclui pelo seu afastamento, basicamente, por dois motivos: (a) porque deveria ser precedida de processo de aplicação de sanção administrativa; e (b) porque a conduta prevista na multa aplicada não se refere ao cumprimento do regime, em si, mas às atividades que o interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações durante a utilização do regime. Em relação à primeira motivação, transcreve o julgador de piso excertos do art. 728 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009), que entende aplicáveis ao caso, por serem normas de cunho processual: "Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI,VII, alínea “a”e“c” a “g”,VIII,IX,X, alíneas “a”e“b”, e XI,com a redação dada pela Lei no10.833, de 2003, art. 77): (...) Fl. 837DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) d) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; (...) §4o Nas hipóteses em que conduta tipificada neste artigo ensejar também a imposição de sanção administrativa referida no art. 735, a lavratura do auto de infração para exigência da multa será efetuada após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir a decadência." (grifo nosso) 2 Com base em tal § 4o, e no art. 735, I, "i" do mesmo RA, que prevê a sanção administrativa de advertência pela conduta de "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial...", o julgador de piso conclui que o lançamento deveria ter aguardado a conclusão do processo referente à sanção administrativa (fl. 726), repetindose tal argumento na ementa do acórdão (fl. 717): "Portanto, para a conduta tipificada no artigo 728, VII, d, também há previsão de sanção administrativa (artigo 735, I, i), a qual deve ser apurada e concluída antes do lançamento da multa, com exceção nos casos em que possa ocorrer a decadência. Não consta nos autos a informação acerca de referida sanção administrativa." (grifo nosso) "DRAWBACK. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO. PRQCESSO PARA APLICAÇAO DE SANÇAO ADMINISTRATIVA PREVIO. A aplicação de multa por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial deve ser antecedida por processo para aplicação de sanção administrativa, quando esta for prevista na legislação de regência." No entanto, entendemos que tal entendimento não revela a correta interpretação dos dispositivos mencionados. A ausência de lavratura (ou a ausência de menção, no processo referente a crédito tributário, da lavratura) de auto de infração para aplicação da sanção administrativa por idêntica conduta não pode, em hipótese alguma, afastar imediatamente a aplicação da multa, mesmo porque, ao final do § 4o do art. 728 do RA/2009, há expressa ressalva no que se refere a prevenção da decadência. Se o julgador de piso tivesse dúvida sobre a existência ou o andamento do processo referente à sanção administrativa, facilmente poderia demandar à unidade fiscalizadora as informações que desejasse. E não, sumariamente, afastar a penalidade. 2 A alínea "d" do inciso VII e o parágrafo 4o do art. 728 do RA/2002 tiveram recente alteração, pelo Decreto n. 8.010/2013, mas que não afeta a substância do tema aqui tratado. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 836 7 A finalidade da inserção do § 4o do art. 728 do RA/2009 é evitar que dois processos que seguem ritos distintos (a sanção administrativa, que segue o estabelecimento no art. 76 da Lei no 10.833/2003, e a multa, que segue o Decreto no 70.235/1972), com apreciação por autoridades diferentes, corram em paralelo de forma a exercerem interferência recíproca, incorrendo em prejuízo para a efetividade de ambos os julgamentos. E elegeu, o redator do RA, um deles para ser analisado inicialmente: o referente à sanção administrativa (caso seja lavrado). Isso, de forma alguma, pode ocasionar a conclusão de que há impedimento à lavratura da autuação, mas somente que esta deveria aguardar o processo referente à sanção administrativa (caso exista), a não ser que haja risco de decadência. No caso em análise, a autuação foi lavrada em meados de 2010, e trata de Ato Concessório de 2006, tendo o TCF dedicado um tópico específico à decadência (fls. 40 a 42), informações que parecem não deixar dúvidas de que a autoridade fiscal não estava disposta a aguardar o término de outro processo (caso ele existisse) para lavrar a autuação destinada à exigência da multa. E, no que se refere à existência (ou não) de tal processo de aplicação de sanção administrativa, cabe observar que: (a) caso ele exista, a autuação para aplicação da multa estaria resguardada pela parte final do § 4o do art. 728 do RA/2009 (prevenção da decadência); e (b) caso ele não exista, a inexistência poderia até ensejar discussão sob o ponto de vista funcional, em relação ao servidor responsável, mas não afetar a autuação referente à multa, porque o próprio § 4o do art. 728 do RA/2009 só trata de hipóteses em que a conduta tipificada enseje "também a imposição de sanção administrativa". Não havendo imposição de sanção administrativa, não há o que esperar para análise do processo referente à multa. Assim, pareceu o julgador de piso equivocadamente entender que estaria obrigado o AFRFB que lavrou a autuação para exigência da multa a também ter lavrado um previamente um auto de infração para aplicação da sanção administrativa pela mesma conduta, e ter comunicado o fato nos autos, sob pena de afastamento imediato da multa lançada. E, como aqui exposto, não está o comando normativo do § 4o do art. 728 do RA/2009 a dizer isso. Pelo exposto, afasto o primeiro argumento que o julgador de piso usou para cancelar a multa aplicada. Mas resta ainda um segundo argumento, de que a conduta prevista na multa aplicada não se refere ao cumprimento do regime, em si, mas às atividades que o interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações durante a utilização do regime. E, em relação a essa, não temos substancial oposição. Vejase que a multa diária é por "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados", e deriva da nova redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003 (a mesma que dispõe sobre cria as sanções administrativas) ao texto do art. 107 do Decretolei no 37/1966. Não se está, no dispositivo, a tratar de adimplemento do regime, mas de requisitos, condições e normas operacionais para habilitação ao ou utilização do regime. E tais atributos não se confundem. Para obter um regime, ou para mantêlo, é necessário cumprir diversas regras (v.g., existência de sistema informatizado de controle, armazenagem em local específico etc.). Entretanto, ao final do período de utilização do regime, a fiscalização tem o poderdever de fiscalizar se este foi cumprido/adimplido, ou seja, se as mercadorias admitidas no regime Fl. 839DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 tiveram um dos destinos previstos na legislação. E é desta última tarefa que está a tratar o presente processo. Na modalidade de regime conhecida no Brasil como "Drawback Isenção", a falta de pagamento dos tributos devidos por eventual falta de exportação do produto não constitui um descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitarse ao ou utilizar o regime. Afinal de contas, só se verifica se o regime foi cumprido ao final de sua vigência, quando já não é adequado falar em "habilitarse" ao ou "manter" o regime. Embora a multa por falta de pagamento de tributos possa ser exigida em conjunto com a relativa a descumprimento de requisito ou condição ou norma operacional para habilitarse ao ou utilizar o regime, cada qual tem nitidamente aplicação a condutas distintas. Até entendo que se a legislação referente ao "drawbackisenção" contivesse previsão expressa de que a empresa devesse manter um sistema informatizado "X", ou um formulário "Y", na forma "Z", para permitir o controle aduaneiro, e a empresa não o possuísse, tal qual estabelecido na norma de regência, cabível seria cogitar da multa aqui ventilada (inclusive cumulada com a multa por falta de pagamento de tributos, caso houvesse efetiva falta de pagamento). Mas, no caso em análise, o TCF deixa nítido que o requisito que a fiscalização entendeu descumprido é exata e unicamente o inadimplemento do regime (fl. 55): "No caso, a situação fática se enquadra como “descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial”, em decorrência de a beneficiária não ter comprovado integralmente o efetivo emprego de mercadorias importadas (com tributação) nos produtos exportados, violando o principio da vinculação física." (grifo nosso) Assim, confundese, na autuação, o inadimplemento, em si, do regime, com o descumprimento de requisito necessário para habilitarse ao ou manterse no/utilizar o regime. E a confusão é endossada pela justificativa para o marco inicial adotado para cômputo da multa ("data de registro da declaração de importação em que primeiro se verificou a utilização indevida do regime"). E também pelo termo final adotado (fl. 57): "Por outro lado, definiuse como termo final a data de lavratura do auto de infração, pois, mesmo depois de expirado o prazo de validade do ato concessório, o beneficiário poderia ter providenciado, até a referida data (de lavratura), a regularização das importações eivadas pelo descumprimento do regime, ou seja, havia a possibilidade, ainda, do pagamento dos tributos, com os devidos acréscimos moratórios." (grifo nosso) Parece entender, assim, o fisco, que para "regularizar as importações" bastaria o "pagamento dos tributos devidos com acréscimos moratórios". Assim, patente a confusão. Se o que estivesse em discussão fosse o descumprimento de um requisito para utilização ou manutenção do regime, o simples pagamento dos tributos com acréscimos moratórios sequer surtiria efeito sobre a penalidade. Aliás, o próprio texto do § 2o do artigo referente à multa aplicada, transcrito no TCF (fl. 55), claramente expressa que a multa aplicada não prejudica a exigência dos impostos incidentes e a aplicação de outras penalidades. Ou seja, a multa aplicada independe de circunstâncias tributárias, refletindo preocupação com controles aduaneiros. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 837 9 Assim, acordamos com segunda motivação suscitada pelo julgador de piso para afastar a aplicação da multa, que foi equivocadamente empregada para situação diversa da que se prescreve no enquadramento legal. O equívoco na aplicação da penalidade não implica, necessariamente, o cumprimento do regime. Esclareceuse, aqui, simplesmente que a multa a que se refere o § 4o do art. 728 do RA/2009 não se aplica pelo simples inadimplemento do regime, havendo que se perscrutar adequadamente qual foi o efetivo requisito, condição ou norma operacional para utilizar ou manter o regime que restou descumprido. A discussão sobre haver ou não adimplemento do Ato Concessório e correta destinação das mercadorias ao final do prazo de aplicação do regime será travada no tópico seguinte, que é iniciado com uma breve explicação sobre o que se denomina, no Brasil, de "drawbackisenção". Do "drawback brasileiro" e do "drawbackisenção" No Brasil, a expressão "drawback" é equivocadamente utilizada. Assim, é preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um “drawback” brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como “drawback”. Internacionalmente, o “drawback” é, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (“drawback”), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Drawback, assim, é “o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback”.3 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.4 3 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Quioto Revisada). A Convenção de Quioto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da Organização Mundial das Aduanas OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Quioto Revisada”, ou "Revista", que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já foram iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 29.nov.2014. Sobre a Convenção de Quioto Revisada, ver ainda: MORINI, Cristiano. A Convenção de Quioto Revisada e a Modernização da Administração Aduaneira. In: TREVISAN, Rosaldo. Temas Atuais de Direito Aduaneiro II. São Paulo: Lex, 2015, p. 163198. 4 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées Fl. 841DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo “remissão”). A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como “remissão”, em seu art. 37, dispondo que seria concedida “remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira”. E o regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs, em seu art. 6o, que “o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos”. Estava “criado” pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: “nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos”. Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).5 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)6 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente7) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. 5 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 6 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). 7 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 838 11 Concordamos com LOPES FILHO, quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.8 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do ex Secretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)9 como tantas outras decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro10; b) o ‘drawbackrestituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações11; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.12 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.13 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de 8 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 9 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 10 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). 11 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições, em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 12 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 13 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback Fl. 843DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. No presente processo se discute aquilo que no Brasil foi denominado de "drawbackisenção", com disciplina legal estabelecida no art. 78 do Decretolei no 37/1966: "Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. A filosofia da isenção é a seguinte: (a) uma empresa importa matériaprima para fabricação de determinado produto, com incidência normal de tributos; (b) após a industrialização, acaba por exportar o produto que fabricou com a matériaprima importada anteriormente; e (c) com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, adquire o direito de importar novamente a matériaprima (em quantidade/qualidade equivalente), agora com isenção, e sem a necessidade de que haja exportação. Daí o nome comumente empregado de "reposição de estoques". E, reparese, que ao invés de repor seu estoque, a empresa que realizou os procedimentos descritos nas letras "a" e "b" deste parágrafo poderia, com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, simplesmente pedir restituição dos tributos pagos (aquilo que no Brasil é conhecido como "drawbackrestituição", e, no resto do mundo, simplesmente como "drawback"). E, no Brasil, o chamado "drawbackisenção" é concedido pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), por meio de Ato Concessório, e fiscalizado pela RFB (Secretaria da Receita FEderal do Brasil, do Ministério da Fazenda). Essa afirmação já é suficiente para que se esclareça outro equívoco existente neste processo, agora por parte da recorrente, quando entende que as documentações emitidas pela SECEX atestam a regularidade do regime. Vejase que a SECEX não detém competência para atestar a regularidade do regime, por manusear apenas documentos, sequer verificando mercadoria ou processo produtivo, competências que são exclusivas da RFB, por meio de seus auditoresfiscais (AFRFB). A matéria já é, inclusive, sumulada no âmbito deste CARF, no que se refere ao "drawback suspensão": Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. E nada muda em relação ao drawback isenção, pois, de forma idêntica, é concedido pela SECEX (apenas com base em documentos, o que resta óbvio, até pela impossibilidade de a SECEX fiscalizar nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, diante de intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). Fl. 844DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 839 13 sua estrutura centralizada) e fiscalizado efetivamente pela RFB, por meio de seus auditores fiscais (AFRFB). Assim, seguese a análise do "drawbackisenção" já sob a premissa de que a autoridade competente para fiscalizar e atestar a regularidade do regime não é a SECEX (encarregada exclusivamente da concessão do regime), mas da RFB. Com isso se afasta a argumentação da recorrente de que suas operações estariam regulares em virtude haver eventual atestado documental por parte da SECEX. O "drawbackisenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: 1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); 2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e 3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Percebese, pelo exposto, que todas as operações realizadas nas diferentes fases são documentadas. Basta à fiscalização, assim, verificar se o teor dos documentos é condizente com a realidade da operação. E, para tanto, deve o fisco analisar as entradas e saídas de mercadorias, e a movimentação do estoque, para saber se houve efetivo cumprimento de cada fase. E foi esse o objetivo do procedimento fiscal iniciado em 13/04/2009, com ciência à empresa no dia 17/09/2009, conforme termo de fls. 213 a 216, e AR de fl. 217, no qual foi solicitado à empresa que apresentasse, entre outros, o Ato Concessório, o Relatório Unificado de Drawback (RUD), as DI relativas às importações tributadas de mercadorias que foram objeto de industrialização para exportação, o registro de entrada e de saída de mercadorias e a descrição do processo produtivo. Do procedimento de fiscalização no caso em análise No Ato Concessório no 177806/0000186, emitido em 09/11/2006 (fl. 227), é autorizada a importação com isenção de 204,7261 TON de "celulose de linho 405" (NCM 4706.92.00), 108,1467 TON de "celulose de linho 505" (NCM 4706.92.00), e 145,8905 TON de "dióxido de titânio" (NCM 2823.00.10), que corresponderiam às mercadorias necessárias para fabricação de 444.401,44 Kg de "papel para cigarro" (NCM 4813.20.00) e 1.778.274,00 Kg de "papel base ponteira" (NCM 4813.90.00). No Aditivo de fl. 228, são alterados apenas valores, e, no Aditivo de fl. 229, passam a ser alteradas as quantidades, da seguinte forma: "celulose de linho 405" (de 204,7261 TON para 20,570 TON, com alteração na descrição, para "celulose de linho baixa porosidade flax 405 ou flax VS") e "celulose de linho 505" (de 108,1467 TON para 292,3017 TON, com alteração na descrição, para "celulose de linho alta porosidade flax 505 ou flax VVS"), sem alteração na quantidade ou na descrição do "dióxido de titânio". Fl. 845DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Em relação a "dióxido de titânio", o RUD (fl. 230) indica cinco importações (DI no 03/08471770, DI no 03/09679405, DI no 03/11312130, DI no 04/02120838 e DI no 04/07007479), totalizando 142.335,06 Kg, portanto, abaixo do volume pleiteado, de 145,8905 TON. E, às fls. 231 a 233, indica o RUD diversos RE, de 02/11/2003 a 25/04/2005, correspondentes às exportações, que totalizam 1.778.274,00 Kg (807.652,00 Kg + 923.179,00 Kg + 47.443,00 Kg) de "papel base ponteira" e equivalentes classificados na NCM 4813.90.00, exatamente o peso registrado no Ato Concessório. No que se refere a "celulose de linho 405", o RUD (fl. 234) indica cinco importações (DI no 04/05819751, DI no 04/07590719, DI no 04/08084531, DI no 04/09283198 e DI no 04/12624472), totalizando 204.726,15 Kg (peso correspondente ao Ato Concessório original, antes da alteração). E, no que tange a "celulose de linho 505", o RUD (fl. 234) indica quatro importações (DI no 03/09786279, DI no 04/05819751, DI no 04/09283198 e DI no 04/13283032), totalizando 108.146,70 Kg (peso também correspondente ao Ato Concessório original, antes da alteração). Os dois tipos de "celulose de linho" juntos compuseram, em termos de exportações, 444.401,44 Kg, conforme os RE, de 10/08/2004 a 23/04/2005, relacionados no RUD à fl. 235, o que também está de acordo com o registrado no Ato Concessório. Pelo Laudo Técnico de fls. 296 a 303, percebese que com o "dióxido de titânio" a empresa fabrica cinco tipos diferentes de "papel base ponteira" (2103, 404C, 406A, 2603 e 116A), com as dosagens indicadas às fls. 299 a 303. O Laudo Técnico de fls. 304 a 308, por sua vez, detalha a utilização de "celulose de fibra de linho (flax)" na fabricação de "papeis para cigarro" (de dois tipos: 1106 e 1120), explicando que, a depender das características do papel, será dosada a quantidade de polpa porosa e não porosa, sendo a "celulose de flax 505L" de alta porosidade, e a "celulose de flax 405" de baixa porosidade, de acordo com as dosagens indicadas às fls. 307/308. Durante o procedimento de fiscalização, intimase a empresa a apresentar uma relação de arquivos digitais na forma do Anexo Único do Ato Declaratório COFIS no 15/2001 (fl. 490 a 492), sendo que a empresa não logra apresentar quatro arquivos (4.1.1 arquivo de lançamentos contábeis, 4.1.2 arquivo de saldos mensais 2016, 4.5.1 arquivo de controle de estoques jul/2004 a dez/2007, e 4.6.1 arquivo de insumos relacionados), alegando que não foi possível gerálos em tempo oportuno em virtude de problemas técnicos (fl. 493). Em 04/03/2010, a fiscalização intima a empresa, entre outros, a (fl. 500): "04) Informar se a empresa possui controle de rastreabilidade de estoques (no caso, insumos) que permita saber em qual produto final (identificado por uma nota _ fiscal de saída) foi utilizado determinado insumo (identificado por uma nota fiscal de entrada). Existindo este controle, explicar como funciona, anexando documentos comprobatórios que complementem os já entregues." (grifo nosso) E a resposta da empresa (fl. 553) vem no seguinte sentido, não havendo mais complementações até a lavratura da autuação: "04) Não é possível ver o demonstrativo da forma solicitada, tendo em vista que desde a entrada da matéria prima até o produto final ficar pronto para venda, a produção de papel se Fl. 846DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 840 15 processa de forma departamentalizada. Essa questão esta relacionada ao comentário apresentado no item 03." (grifo nosso) No TCF de fls. 36 a 57, a fiscalização, após tratar da competência para fiscalizar (tema sob o qual já nos manifestamos, inclusive mencionando súmula CARF) e sobre decadência (tema incontroverso nestes autos), dedicase a sustentar que se aplica ao caso o art. 111 do CTN (o que é uma obviedade, porque se está aqui, recordese, a tratar de isenção), e que o lançamento se rege pela legislação vigente à época do fato gerador (o que é igualmente incontroverso). O contencioso realmente inicia quando a fiscalização (fls. 43 a 52) trata da necessidade de vinculação física e das peculiaridades do caso concreto. A recorrente sustenta que a fiscalização usa como um dos argumentos para defesa da vinculação física no "drawback isenção" o artigo 341 do Regulamento Aduaneiro/2002 que trata de "drawback suspensão". E com isso acordamos, destacando, como fez o julgador de piso, que o contexto aclara que a menção ao art. 341 não foi como pilar, mas como parte da argumentação. Vejase o excerto do TCF que trata do tema (fls. 44/45): "O princípio basilar inerente ao regime aduaneiro especial de drawback isenção é o da vinculação física, previsto de forma explicita no art. 341, do Regulamento Aduaneiro de 2002, nos seguintes termos: "As mercadorias admitidas no regime, na modalidade suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas.” Este princípio compreende a obrigatoriedade dos insumos anteriormente importados (com tributação) terem sido efetivamente utilizados na confecção dos produtos exportados, possibilitando, para fins de reposição de estoques, nova importação com isenção de tributos. Para a plena obediência a este principio, no caso de drawback isenção, é necessário que, partindose de uma declaração de importação de aplicação (em que houve tributação), seja possível determinar a data em que o insumo importado através (sic) desta DI foi efetivamente incorporado ao processo produtivo e o produto resultante exportado. Em poucas palavras, essa é a chamada vinculação física da mercadoria, que já perpassou vários julgados administrativos: o que fora importado sob o Regime de Drawback deve compor o produto final efetivamente destinado ao exterior. (...)" (grifo nosso) Assim, ao mesmo tempo em que reconhecemos como equivocado simplesmente aplicar o princípio da vinculação física ao "drawback isenção", diretamente com base no art. 341 do RA/2002, entendemos que a simples leitura do excerto deixa claro que o art. 341 não foi o único argumento utilizado pelo fisco, que deixou bem claro, na linha argumentativa, quando estava a tratar especificamente do "drawback isenção". Não há, então, prejuízo irreparável à alegação fiscal pelo fato de ser o art. 341 relativo a "drawback Fl. 847DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 suspensão", pois resta delineado de que forma o fisco entende aplicável a vinculação física também ao "drawback isenção", inclusive com menção a jurisprudência específica. Mas antes de demandar a vinculação física, a fiscalização relata no TCF a realização de "investigação inicial", com base nos laudos técnicos e registros de exportações informados no RUD, e planilha apresentada pela empresa. A partir dos pesos das exportações, calculase o quanto de matériaprima foi demandada na industrialização, e, que, por consequência, poderia agora ser importada com isenção na reposição de estoque. Sobre as exportações de "papel base ponteira", conclui o fisco (fl. 47): Mas no RUD (fls. 232 a 234), o peso que consta como exportado é 1.778.274,00, e não o indicado pelo fisco (1.713.651,00 Kg). No mesmo RUD, também as distribuições por tipo são diferentes das apontadas pela fiscalização: 923.179,00 Kg (tipo 406), 807.652,00 Kg (tipo 2603), 13.522,00 Kg (tipo 2103), 8.203,00 Kg (tipo 537), 1.882,00 Kg (tipo 3303) e 23.836,00 (tipo 116A). A alegação do fisco, resulta, assim, incongruente com as fontes que cita. Tentando entender a origem da divergência, observei o Anexo III do TCF (planilhas 14.a.2 e 14.a.3 fls. 171 a 180), verificando que estão relacionadas à fl. 177 as "saídas sem vinculação com as entradas" (em relação a exportações de produtos dos tipos 2603, 3303, 406 e 537). Como não há correspondência alguma entre o que o fisco informa e o que efetivamente está no RUD, nem se descontadas as citadas exportações do Anexo III, fica prejudicada a referida conclusão fiscal. No que se refere às exportações de "papel para cigarro" tipo 1106, conclui o fisco (fl. 47): Fl. 848DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 841 17 Seguindo novamente ao RUD (fl. 235), efetivamente constam como exportados 444.401,44 Kg de "papel para cigarro" (somandose os tipos 1106 e 1120). E, no laudo técnico (fl. 308), percebese a composição dos diferentes tipos de papel: Efetivamente, no Ato Concessório, após os aditivos (fls. 227 a 229), demandase a importação de 20.570,00 Kg de "celulose flax 405", que possibilitariam a produção de 44.523,81 Kg de "papel para cigarro tipo 1106". E, quando consultamos o "papel Fl. 849DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 para cigarro tipo 1106" no RUD (fl. 235), verificamos que abarca a quase totalidade das operações, excetuada uma, de 2.358,72 Kg (de "papel para cigarro do tipo 1120"). Mas a fiscalização acaba por comparar grandezas diferentes. A uma, porque está a se referir somente ao "papel para cigarro tipo 1106" quando trata das importações, mas do total ("papel para cigarro dos tipos 1106 e 1120"), quando trata das exportações. Mas o principal problema é que a quantidade importada não precisa ser deduzida, ela está presente não só no RUD (fl. 234), mas nas próprias declarações de importação ali relacionadas, e presentes nos autos. Como exposto ao início deste tópico, foram efetuadas cinco importações de "celulose de linho 405" (DI no 04/05819751, DI no 04/07590719, DI no 04/08084531, DI no 04/09283198 e DI no 04/12624472), totalizando 204.726,15 Kg. E foram realizadas quatro importações de "celulose de linho 505" (DI no 03/09786279, DI no 04/05819751, DI no 04/09283198 e DI no 04/13283032), totalizando 108.146,70 Kg. E todos os pesos indicados correspondem aos constantes no Ato Concessório original, antes da alteração. Então, não parece compreender a fiscalização o que realmente está a ocorrer no caso concreto: a empresa inequivocamente importou com pagamento de tributos 204.726,15 Kg de "celulose de linho 405" e 108.146,70 Kg de "celulose de linho 505". Isso é incontroverso, pois deriva das próprias declarações de importação desembaraçadas pelo fisco, sintetizadas no RUD (fl. 234). Segundo o laudo técnico, não questionado pelo fisco, para cada tonelada de produto do tipo 1106 são necessários 248 Kg de "celulose flax 505" (20,48%), e 462 Kg de "celulose flax 405" (46,20%). Tal proporção estava de acordo com o Ato Concessório original, que autorizava a importação de 204.726,15 Kg de "celulose de linho 405" e 108.146,70 Kg de "celulose de linho 505". Mas, por óbvio, não está de acordo com o Ato Concessório após o segundo aditivo (fl. 229), de 17/08/2007, que passou a autorizar a importação, para reposição de estoque, de 20.570,00 Kg "celulose de linho 405" e 292.302,70 Kg de "celulose de linho 505". A alteração promovida pelo aditivo afeta nítida e brutalmente a proporção manifestada no laudo técnico, não podendo o fisco usar a proporção do laudo técnico original e aplicála a um a mercadoria com a proporção do segundo aditivo do Ato Concessório. Estáse, no caso, a trabalhar com duas grandezas diferentes. Equivocada, a nosso ver, também nesse item, a conclusão da fiscalização, por usar metodologia inadequada. Para que se possa, assim, compreender o que está em discussão no presente processo, é preciso retroceder ao tratamento nacional do "drawback isenção", que assegura a "isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. E ainda retomar as três fases: E, no presente processo, não se tem dúvida de que na primeira fase (importação com pagamento), temse, 204.726,15 Kg de "celulose de linho 405", 108.146,70 Kg de "celulose de linho 505" e 145.890,50 Kg de "dióxido de titânio". Nenhuma controvérsia em relação a tal etapa. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10073.000566/201011 Acórdão n.º 3401003.071 S3C4T1 Fl. 842 19 O fisco questiona, em relação à segunda fase (comprovação de que na fabricação do produto exportado foram utilizadas as mercadorias importadas), as operações que restaram sem comprovação da vinculação física, por deficiência nos controles da recorrente. Mas a terceira fase (solicitação do benefício para a SECEX) traz um problema novo, que sequer foi tangenciado pela fiscalização (embora suas consequências se alastrem, de forma desigual, por toda a autuação): a empresa está, no Ato Concessório alterado pelo segundo aditivo, demandando "reposição de estoque" de 20.570,00 Kg "celulose de linho 405" e 292.302,70 Kg de "celulose de linho 505", quando importou indiscutivelmente 204.726,15 Kg de "celulose de linho 405" e 108.146,70 Kg de "celulose de linho 505". A discussão central que deveria ser travada neste processo é referente à expressão sublinhada há pouco ("quantidade e qualidade equivalentes à utilizada"). E tal discussão deveria anteceder o trabalho narrado no TCF, que acabou restando prejudicado em função das premissas calcadas em metodologia inadequada, adotadas pelo fisco. As discussões sobre a vinculação física, que acabam ocupando protagonismo em processos do gênero, aqui restam secundárias, porque restariam totalmente prejudicadas pelas premissas distorcidas adotadas no caso. E, no estágio em que se encontra o processo, não entendo que a conversão em diligência para correção de rumo venha a ser possível, porque ocasionaria, em realidade, autuação diversa. Da mesma forma, entendo que não merece acolhida a diligência demandada pela recorrente, por ser incabível a conversão do julgamento em diligência para produção de prova que a própria parte já poderia ter trazido ao processo. Ademais, diante da fragilidade da autuação, desnecessário acrescentar provas em sentido contrário ao processo. Tendo em vista as observações acima, é de se afastar a exigência do crédito tributário, cancelandose totalmente a autuação. Acrescento, por fim, que, diante da proposta de cancelamento do lançamento, entendo desnecessária a análise da base de cálculo das contribuições, em função do Recurso Extraordinário no 559.607/SC, no qual o STF reconheceu em plenário a inconstitucionalidade do acréscimo do ICMS e das próprias contribuições à base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, tendo o processo trânsito em julgado em 24/10/2014, vinculando os julgamentos deste colegiado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 851DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11128.006502/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.214
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA – Redator ad hoc
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. JOEL MIYAZAKI – Presidente atual JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim(presidente à época), Daniel Mariz Gudino, Maria Regina Godinho de Carvalho, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração formalizando a exigência do recolhimento de multa do controle administrativo das importações e de multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da declaração de importação n° 02/0273649-5, registrada em 28/03/2002, cópia de fls. 13 a 19, mercadorias que foram descritas e classificadas na TEC/NCM e TIPI/NCM, conforme mostrado no Quadro I. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 11128.006502/2005-47 Resolução nº 3201-000.214 S3-C2T1 Fl. 92 2 Em ato de conferência física, foram coletadas amostras das mercadorias para análise laboratorial, Pedido de Exame LAB n° 871/GCOF, cópia na fl 22 cujos resultados são mostrados no Quadro II. Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar n° 238105, na fl. 36, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento da multa do controle administrativo das importações, preceituada no art. 169, inciso I, alínea "b" do Decreto-Lei n° 37/66, alterado pelo art. 20 da Lei n° 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, e da muita por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, capitulada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/01, totalizando o valor originário de R$ 12.969,55. Cientificado do auto de infração em 27/12/2005 (fls. 39-verso), o contribuinte, por intermédio de sua advogada e procuradora (Instrumento de Mandato de fls. 57 a 59), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 26/01/2006, de fls. 40 a 46, alegando, resumidamente, que: 1) é impossível a realização de revisão aduaneira quanto à pretendida reclassificação fiscal, porque houve a decadência do direito do Fisco de revisão da classificação tarifária, em face do disposto no inciso I do art. 149 do CTN e art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85; 2) a revisão aduaneira poderá ocorrer no prazo decadencial com a finalidade de apurar-se, tão somente, a suficiência do recolhimento dos tributos federais; a conduta permissiva, preceituada no art. 455 do Regulamento Aduaneiro, não possibilitava à autoridade administrativa a desclassificação tarifária da mercadoria importada quando ultrapassado o prazo previsto na legislação aduaneira, qual seja 5 dias úteis do término da conferência; 3) a pretensão da autoridade administrativa de rever o procedimento efetuado pelo contribuinte, com o qual havia concordado, caracteriza-se revisão por erro de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 11128.006502/2005-47 Resolução nº 3201-000.214 S3-C2T1 Fl. 93 3 direito, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico, por configurar mudança de critério jurídico anteriormente adotado; 4) quanto à multa do controle administrativo das importações, da simples análise do dispositivo legal que ampara a autuação, constata-se que não se aplica ao caso, pois a operação de importação da mercadoria realizada pela impugnante estava amparada pelos documentos exigidos pela legislação em vigor; eventual equivoco na classificação do produto não caracteriza ausência de licença de importação ou documento equivalente a ensejar a aplicação de tal penalidade.” A DRJ-São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento (efls. 67/76), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/03/2002 REVISÃO ADUANEIRA - Por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, que é de cinco anos, a contar da data da infração, após o qual esta extinto o direito da Fazenda de impor penalidade (art. 139 do Decreto-Lei n° 37/66). MULTAS. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, com fulcro na alínea "b" do inciso I do art. 169 do Decreto-Lei n° 37/66, alterado pelo art. 2° da Lei n°6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97. A multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, capitulada no inciso I do artigo 84 da MP 2.158- 35, de 24/08/2001, foi considerada não impugnada por não ter sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n°9532/97). Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 80/87), alegando, em síntese: - que é incabível a realização de revisão aduaneira posto não ter ocorrido nenhuma das hipóteses que ensejariam a revisão, previstas no art. 149 do CTN; - a alteração da classificação fiscal configura alteração de critério jurídico por parte da Fiscalização, em desobediência ao comando do art. 146 do CTN; - que a decisão recorrida dispõe que o prazo de cinco dias disposto no artigo 447 do Regulamento Aduaneiro aplica-se somente para exigência de crédito tributário no transcorrer do despacho. Entretanto, o mencionado artigo dispõe expressamente acerca de divergência de classificação,de forma que não há na legislação expressa autorização legal que determine que o despacho aduaneiro esteja sujeito ao prazo decadencial. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 11128.006502/2005-47 Resolução nº 3201-000.214 S3-C2T1 Fl. 94 4 - com relação à exigência da multa disposta no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que a operação de importação estava amparada pelos documentos exigidos na legislação no momento da ocorrência do fato gerador, o que não ensejaria a aplicação da multa em questão; e - que eventual erro de classificação dos produtos não caracteriza ausência dos documentos ou licença de importação e tampouco causou a Recorrente algum prejuízo ao Fisco. Ao final, requer a improcedência do lançamento. VOTO Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar a Resolução nº. 3201-000.214 , em razão de o relator original deste processo, o ex-conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, não mais integrar nenhum dos Colegiados deste Conselho, de modo que a elaboração deste voto procura refletir a posição adotada pelo relator original. Muito embora a contribuinte, em seu recurso voluntário, nada questione acerca da classificação fiscal das mercadorias em si, não trazendo qualquer argumento que confirme as classificações por ela adotadas, tampouco refute àquelas pretendidas pelo fisco, entende-se que, em relação à mercadoria constante da adição 001, denominada como “Incroquat UV- 283” (identificada como Cloreto de cinarnidopropil trimetil amónio (solução aquosa)), de fato esta não se enquadra na classificação 3402.12.10, adotada pela contribuinte, tendo em vista que, de acordo com o Laudo à efl. 27, a mercadoria, quando misturada com Água na concentração de 0.536 .3 temperatura de 20°C e, em seguida deixada em repouso durante uma hora à mesma temperatura, produz liquido transparente que não reduz a tensão da Água a 45 dinoslam ou menos (61.5 dinas/cm). Desta forma, não resta atendida a condição explicitada na Nota 3 do Capítulo 34 explicitada na NESH, que assim especifica: 3. Na acepção da posição 34.02, os agentes orgânicos de superfície são produtos que quando misturados com água numa concentração de 0,35%, a 20ºC, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduzem a tensão superficial da água a 4,5X102 N/m (45dyn/cm), ou menos.(negritei) Porém, por outro lado, ao relator faltou firmar sua convicção em relação ao enquadramento, de fato, na posição pretendida pelo fisco, no código 2924.29.99, pelo que se faz necessária a resposta às seguintes perguntas: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 11128.006502/2005-47 Resolução nº 3201-000.214 S3-C2T1 Fl. 95 5 a) O produto Interquat UV-283 é um composto de função carboxiamida ou um composto de função amida do ácido carbônico? Sim ou não. Justifique. a.1) Se respondido sim ao item “a”, trata-se de amida (incluídos os carbamatos) acíclicas e seus derivados, ou sais destes produtos (posição 2924.1)? Sim ou não. Justifique. a.2) Se respondido sim ao item “a”, trata-se de amidas (incluídos os carbamatos) cíclicas e seus derivados, ou sais destes produtos (posição 2924.2)? a.3) Se respondido sim ao item a.2, trata-se o produto de meprobamato (2924.11) - uréias e seus derivados, ou sais destes produtos? (2924.21) - ácido 2-acetamidobenzóico (ácido N-acetilantranílico) e seus sais? (2924.23) - etinamato (DCI)? (2924.24) - outros? (2924.29) Por tais razões, decidiu a Turma julgadora CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA , para que a autoridade preparadora providencie a elaboração de laudo a fim de que sejam respondidas as perguntas acima postas. Após, deve ser aberto prazo para a Fiscalização e a contribuinte, respectivamente, para, querendo, manifestarem-se. Saliente-se que as manifestações devem-se limitar à apreciação do resultado da diligência, sendo defeso ao contribuinte revolver questões de defesa já trazidas aos autos, bem como inovar em relação aos argumentos trazidos no recuso voluntário. Finalizada a instrução processual, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. Essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por JOE L MIYAZAKI
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Numero do processo: 10480.901244/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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HIDRO ELÉTRICA RIO SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 01 24 4/ 20 06 -1 1 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 94 2 Relatório Versa o presente litígio sobre compensação de direito creditório de contribuição ao PIS/PASEP, de 2001. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da Delegacia de Julgamento: Cuida o presente processo de 1edido de Restituição/Compensação, PER/DCOMP n° 26467.05971.140803.1.3.044063 (fls. 01/05), de 14/08/2003, cancelada pela Retificadora n° 30741.18674.081106.1.7.047424 dc 08/11/2006, visando Compensação de débito da contribuição PIS, do período de apuração abril e maio de 2003, utilizando crédito do mesmo tributo, relativo ao mês de dezembro de 2001. 2. 0 Despacho Decisório (fl. 16) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife/PE, com fulcro o Termo de Informação Fiscal (fls. 07/15), decidiu NÃO HOMOLOGAR a Compensação do débito da DCOMP admitida sob o n° 30741.18674.081106.1.7.04 7424 e DETERMINAR a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. 3. Cientificada de tal decisão. em 29/07/2008. conforme "AR" (fl. 30), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal. apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 44/55 de 20/08/2008. em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. que nas justificativas apresentadas pela autoridade fazendária, a compensação não deveria ser homologada porque a Chesf teria se utilizado da sistemática introduzida pelo art. 32 da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente e convertida na Lei n° 10.637/2002, na determinação da base de calculo da Cofins, do mês de dezembro de 2001. o que teria acarretado significativa redução do valor do débito em favor da contribuição. Como tais dispositivos legais teriam vigência apenas a partir de 2002, a apuração da base de cálculo da contribuição em tela deveria obedecer ao disposto no art. 3o, § 1o da Lei n°9.718/98, que vigoraria quando da ocorrência do fato gerador; 3.2. apresenta breve resumo das alterações legais pelas quais passou a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, vez que a controvérsia analisada na intimação encaminhada pela Receita Federal do Brasil se prende à definição da base de calculo dessas duas exações; 3.3. assevera que o STF, em decisões dos Recursos Extraordinários n° 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG e 346.0846/PR. consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições apreciadas, promovida pelo art. 1° do artigo 3 0 da Lei n° 9.718/98; 3.4 afirma ser inegável a inconstitucional idade quando da alteração da base de cálculo das duas contribuições, posto que a receita se constitui em algo mais amplo que o faturamento, no entanto, a inconformidade levantada se prende ao que se pode compreender como Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 95 3 Receita nas operações de compra e venda de energia no âmbito do art.7o MAE, hoje CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica; 3.5. que só se sujeitam ao recolhimento cio PIS e da Cofms, numerários que representam aquisição efetiva de ganho econômicofinanceiro e não ganho jurídico, pois a tributação de algo que não seja receita significa extrapolação da base de calculo definida pela legislação. Não havendo ingresso de valores de maneira positiva ao patrimônio da empresa, não há qualquer razão a justificar a interpretação fiscal pela sua inclusão na base de cálculo citadas contribuições; 3.6. que, em razão da sistemática de operação do MAE, o processo de liquidação de energia comercializada pelos geradores hidráulicos no MAE era feito através de um esquema baseado na produção hidráulica total e não apenas nas gerações individuais efetivamente realizadas (o chamado mecanismo de realocagiio de energia — MRE). só podem ser consideradas receitas para fins de base de cálculo do PIS e Cofins, aqueles valores e, ne ingressem definitivamente no caixa da empresa após contabilização de todas as operações realizado no âmbito do AL"; 3.7. de acordo com o Decreto n" 2.655 de 02.07.98, cue regulamenta o MAE, os participantes do MRE — Mecanismo de realocação de Energia são todas as usinas hidráulicas despachadas centralmente e as térmicas rue tenham direito legal à. compensação da CCC (Conta de Consumo de Combustível); 3.8. que a receita de urna usina participante do MRE pode ser decomposta em três parcelas: (i) receitas de contrato; (ii) pagamentos/recebimentos associados à liquidação das diferenças entre o contrato e o crédito de energia; e (iii) os pagamentos/recebimen'os no MRE pela energia realocada; 3.9. que, somente após se conhecer o resultado de todas as operações realizadas noâmbito do MAE e apuração do que efetivamente ingressou no caixa da Chesf, a titulo de receita é que pode ser definida a base de calculo das contribuições PIS e Cofins; 3.10. deste modo, verificada a posteriori pela Chesf que a apuração das contribuições à época do pagamento, tinha se dado de maneira equivocada, a contribuinte reviu sua contabilização e procedeu à nova apuração da receita bruta de acordo com as regras vigentes do MAE e encontrou um valor a maior na base de calculo das contribuições PIS c Co fins; 3.11. ao proceder a retificação utilizandose da base de calculo correta, encontrou o valor que efetivamente deveria ter sido pago nela Chesf restandolhe o direito à diferença resultante. Dessa forma, procedeu com as compensações ora analisadas, com a finalidade de ver retificado um erro cometido anteriormente, de maneira a evitar maiores prejuízos a contribuinte; 3.12. com base nos argumentos aduzidos, pede que seja homologada a compensação do débito constante na presente PER/DCOMP, dom base no art. 156. II do CTN. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 96 4 A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 Ementa: Compensação TRIBUTÁRIA A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN). como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da constitucionalidade das leis. vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar!he execução. Solicitação Indeferida Conforme se depreende da decisão recorrida, o cerne da decisão foi que a Recorrente fez a opção pelo regime especial de apuração de PIS e Cofins no MAE Mercado Atacadista de Energia Elétrica apenas em 27/09/2002, que começou a viger a partir de outubro de 2002. Assim, o mês de dezembro de 2001 seria regido pela Lei 9.718/1998, que determina , de forma expressa, no art.3o, §2o, as exclusões da base de cálculo das contribuições sociais, dentre as quais, não estaria abrangida a matéria relativa a energia elétrica. Conclui a decisão, portanto, que aplicase o art.170 do CTN, pois inexiste liquidez e certeza no direito creditório alegado. Sobre a inconstitucionalidade do art.3o da Lei 9718/1998 manifestase no sentido de que a DRJ não detém competência para sua apreciação, aplicandose ao caso as disposições do Decreto n. 73.259/1974 e do art. 142 do CTN. No recurso voluntário, a Recorrente alega que, em síntese, que a ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP foi apreciada pelo STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.°s 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.° 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, nos quais houve a declaração de sua inconstitucionalidade do § 1°, do artigo 3°, da Lei n.° 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como decorrente da venda de mercadorias e serviços. Nesse contexto, a chave para a solução da controvérsia é o que estaria compreendido no faturamento da Recorrente nas operações de compra e venda de energia no âmbito do antigo Mercado Atacadista de Energia MAE (hoje CCEE). O que se sujeitaria às contribuições, c pondo a sua base de cálculo, seriam numerários que representem aquisição efetiva de ganho econômicofinanceiro e não apenas ganho jurídico. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 97 5 Nesse passo, passase a transcrever o mecanismo de funcionamento do MAE: De fato, a apuração da receita oriunda da compra e venda de energia elétrica no âmbito do MAE se obtém através da soma algébrica dos valores positivos e negativos, e é o resultado dessa soma algébrica, que ingressa definitivamente no caixa da empresa a titulo de receita obtida nas operações de compra e venda de energia, que pode ser considerado como base de cálculo para as contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS, independentemente de sua denominação contábil, a receita só alcança valores que ingressam de maneira positiva no patrimônio de uma empresa. Ora, não havendo o ingresso de valores de maneira positiva ao patrimônio da empresa, não há qualquer razão a justificar a interpretação fiscal pela sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS. [...]Dessa forma, o que ocorre é que em razão do da sistemática de operação do MAE, na qual um pool de vendedores oferecia energia a um pool de compradores, ou seja, o processo de liquidação da energia comercializada pelos geradores hidráulicos no MAE era feito através de um esquema baseado na produção hidráulica total e não apenas nas gerações individuais efetivamente realizadas (o chamado mecanismo de realocação de energia MRE), só podem ser consideradas receitas para fins de base de calculo do PIS/PASEP e da COFINS aqueles valores que ingressem definitivamente no caixa da empresa após a contabilização de todas as operações realizadas no âmbito do MAE. De acordo corn o Decreto n.° 2.655 de 2 de julho de 1998, que regulamenta o MAE em obediência ao disposto na Lei n.° 9.648 de 27 de maio de 1998 (em especial seus arts. 20 a 2e), anteriores, portanto, a Lei n.° 9.718/1998, os participantes do MRE sao todas as usinas hidraulicas despachadas centralmente e as termicas que tenham direito legal a compensação da CCC (Conta de Consumo de Combustível). O princípio utilizado nas regras tem por escopo garantir que cada usina participante do MAE tenha direito a comercializar no MAE uma parcela da geração total dos participantes do MAE independentemente de sua geração real. Esta parcela, denominada creéito de energia, é calculada de forma proporcional a energia assegurada da usina. Em outras palavras, o MAE realoca a energia, transferindo o excedente daqueles que geraram proporcionalmente além de sua energia assegurada (conceitualmente a energia assegurada de uma usina hidrelétrica a igual a sua contribuição para a energia que pode ser suprida pelo sistema hidrotermico com uma confiança de 95%) para aqueles que geraram abaixo dela. Assim, os geradores participantes do MAE tem direito a uma receita proporcional a sua contribuição para a capacidade assegurada de suprimento do sistema, independentemente da sua geração efetiva. Expressando este conceito matematicamente, o credito de energia para uma usina hidrelétrica i, CEi, pode ser calculado para cada período de contabilização no MAE através da seguinte expressão: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 98 6 Salientese que a formula acima é uma simplificação, não considerando os procedimentos de realocação de energia entre subsistemas elétricos, vez que todos os sistemas de todas as usinas do País, e não apenas os da Chesf, se acham interligados. A receita de uma usina participante do MAE pode ser decomposta em três parcelas:receitas de contrato, pagamento/recebimentos associados à liquidação das diferenças entre o contrato e o credito de energia, e os pagamentos/recebimentos no MAE pela energia realocada. A Receita Bruta de uma usina é dada então pela seguinte expressão: Observe que as parcelas RMAEi e RMREi podem ser positivas ou negativas em função do despacho do sistema. Ou seja, somente após se conhecer o resultado de todas as operações realizadas no âmbito do MAE e apuração do que efetivamente ingressou no caixa da Chesf a título de receita é que pode ser definida a base de calculo das contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS. Relembrese que essa forma de apuração de receita se acha prevista na legislação de regência do MAE, anterior a Medida Provisória n.° 66/2002, que veio apenas para explicitar um mecanismo que já se achava estabelecido. Assim, a Recorrente teria verificado que a apuração das contribuições tinha se dado de maneira equivocada, revendo sua contabilização e procedendo a nova apuração, de acordo com as regras vigentes do MAE, encontrando um valor a maior na base de calculo das contribuições sociais do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10480.901244/200611 Resolução nº 3201000.641 S3C2T1 Fl. 99 7 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Primeiramente, deve ser observado que, segundo consta dos autos, a presente Declaração de Compensação, 37041.18674.081106.1704.7424, objeto do presente processo, é também objeto do processo administrativo n. 10.480.9011246/200601, que além dessa declaração, tem como objeto a de número 37511.12089.081106.1704.0935, ambas sendo relacionadas ao suposto pagamento indevido ou maior, referente ao PIS/PASEP, de dezembro de 2001 e ambos de minha relatoria. Destarte, o dispositivo do despacho de decisório que deu origem ao processo administrativo n. 10.480.9011246/200601, que está às fls. 72 e ss., No uso da competência delegada pelo inciso VI do art. 238, da Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, e concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal de fls. 63 a 71 do processo n° 10480.901246/200601, que passa a integrar este ato, conforme o artigo 50, § 1°, da Lei n° 9.784/99: • NÃO HOMOLOGO as compensações de todos os débitos das DCOMP admitidas n°s 24345.28864.150803.1.3.040608 e 30741.18674.081106.1.7.04 7424; Assim, a despeito de o Termo de Informação Fiscal de fls. 63 a 71 do processo administrativo n° 10480.901246/200601 determinar que o julgamento desse e do presente processo, seja feito conjuntamente com o presente, entendo que seja o caso de averiguar se deve ser a extinção do primeiro, pela constatação da duplicidade, isto é, há continência do processo n°.10.480.901244/200611 no de n° 10480.901246/200601, sob pena de bis in idem na cobrança ou na utilização do crédito. Ademais, deve os documentos do presente processo ser juntado ao processo n° 10480.901246/200601, para efeitos de controle. Em face do exposto, voto pela conversão do presente processo em diligência, pela duplicidade de objeto em relação ao processo n° 10480.901246/200601, devendo ser juntada de cópia daquele processo. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 10880.004643/2002-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/09/1997 a 30/09/1997
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não é nulo auto de infração decorrente da revisão eletrônica de DCTF na qual há, comprovadamente, inexatidão corretamente indicada na "descrição dos fatos" constante do lançamento, inexatidão que nem a impugnação nem o recurso voluntário conseguem demonstrar não ter ocorrido.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE CONTEÚDO DE SÚMULA DO CARF.
A teor do art. 72 do Regimento Interno do CARF: as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.
SÚMULA CARF Nº 02
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 05
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator
EDITADO EM: 04/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Augusto Fiel D'oliveira, Eloy Eros Nogueira Da Silva, Waltamir Barreiros, Rosaldo Trevisan e Leonardo Branco
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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NULIDADE. Não é nulo auto de infração decorrente da revisão eletrônica de DCTF na qual há, comprovadamente, inexatidão corretamente indicada na "descrição dos fatos" constante do lançamento, inexatidão que nem a impugnação nem o recurso voluntário conseguem demonstrar não ter ocorrido. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE CONTEÚDO DE SÚMULA DO CARF. A teor do art. 72 do Regimento Interno do CARF: as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. SÚMULA CARF Nº 02 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 05 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 46 43 /2 00 2- 98 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator EDITADO EM: 04/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Augusto Fiel D'oliveira, Eloy Eros Nogueira Da Silva, Waltamir Barreiros, Rosaldo Trevisan e Leonardo Branco Relatório Em decorrência de auditoria de suas DCTF relativas ao segundo e terceiro trimestres de 1997, realizada no ano de 2002, o sujeito passivo acima identificado foi autuado para exigência da contribuição ao PIS dos períodos de apuração abril a setembro de 2007. Os lançamentos referentes aos meses de abril a junho já foram afastados pela Delegacia de Julgamento, não havendo mais lide quanto a eles. Segundo o relatório anexo ao auto de infração (fls. 43 deste processo eletrônico), com respeito aos períodos de apuração julho, agosto e setembro de 1997, o contribuinte declarara estarem com exigibilidade suspensa com base em decisão proferida no processo judicial nº 9600713322. A acusação fiscal aponta "proc. jud. não comprovad". Em tempestiva impugnação, admite a defesa haver a empresa se equivocado quanto ao número do processo judicial que autorizaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido. Nessa primeira peça de defesa, ela afirma que o processo correto teria o número 960071322, ou seja, teria ocorrido mero erro material no indevido acréscimo de um digito, que talvez houvesse impedido a localização do processo. Com relação a tais meses, a DRJ Fortaleza manteve o lançamento do principal e dos juros, mas afastou a multa de ofício exigida por aplicação retroativa do art. 18 da Lei 10.833. No mesmo recurso, insiste: 1. quanto à ocorrência de nulidade dado que o lançamento não considerou as decisões na ação judicial indicada, sem qualquer motivação, bem como sem intimação prévia para esclarecimentos; 2. que a multa de ofício exigida afronta a decisão judicial suspensiva da exigibilidade e o artigo 63 da Lei 9.430/96, dado que o crédito tributário estaria com sua exigibilidade suspensa em face das decisões proferidas no processo 9700566773. Notese que esse número somente no recurso voluntário foi informado. 3. que os juros de mora tampouco são aplicáveis na vigência de causa suspensiva de exigibilidade, ou, ao menos, não podem ser calculados tomando por base a Selic. É o Relatório Voto Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.004643/200298 Acórdão n.º 3401003.081 S3C4T1 Fl. 211 3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Consoante Termo de Abertura de Documento constante dos autos eletrônicos, o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento de primeiro grau em data de 17 de junho de 2014. Tendo apresentado o seu recurso voluntário em 16 de julho daquele ano, é ele tempestivo e deve ser analisado. A teor do relatado, a primeira instância de julgamento já afastou a multa de ofício, embora não tenha reconhecido que o lançamento se encontrava mesmo com sua exigibilidade suspensa. Desse modo, perde sentido o apelo recursal para seu afastamento. Inicio pelo exame do pleito para declaração de nulidade do lançamento. E não o acolho. É que, embora esses autos de infração produzidos em consequência de revisões "eletrônicas" de declarações entregues não venham tendo julgamentos favoráveis neste Conselho, entendo que, neste caso concreto, nada cabia de diferente à Administração. Com efeito, é reconhecido pela própria defesa que a DCTF entregue continha, sim, uma declaração inexata. Consistia ela na incorreta indicação do número do processo que poderia dar azo à suspensão de exigibilidade do crédito tributário nela confessado. De se reiterar que nem mesmo por ocasião da impugnação ofertada conseguiu a empresa apontar o número correto do processo judicial apto a operar tal suspensão; somente em seu recurso voluntário é que traz ela a correta informação. Desse modo, embora lacônica, como são todas as "descrições de fatos" desses famigerados autos "eletrônicos", certo é que ela aponta, a meu sentir, causa correta e suficiente para justificar o lançamento do crédito tributário lá apontado como suspenso: o processo judicial indicado a isso não se prestava e, portanto, "não comprovava" a causa suspensiva pretendida. E, para tais situações, o art. 90 da Medida Provisória 2.15835 era mandatório quanto à obrigatoriedade da exigência por meio de auto de infração com imposição de multa no percentual (mínimo) de 75%. Disponíveis tais informações à Administração tributária, estava ela plenamente apta a produzir o lançamento determinado em lei, nada havendo no disciplinamento legal da matéria que dela exigisse a prévia intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimentos. Vejase que a situação aqui discutida em muito difere de tantas outras por nós repetidamente examinadas. Nelas, comumente, a acusação fiscal simplesmente não subsiste após a apresentação da impugnação. Deveras, na maioria das vezes, o contribuinte traz aí a prova de que o processo judicial informado na DCTF não só existe como, mais importante, produz exatamente o efeito lá apontado, seja a suspensão da exigibilidade, seja a autorização para compensar. Nesses casos, temos reiteradamente repudiado as tentativas das delegacias de julgamento de "salvar" o lançamento apontando uma nova causa para sua constituição, a exemplo da insuficiência dos créditos que dariam suporte à compensação comunicada, ou do trânsito em julgado da decisão autorizativa, quando tais causas sequer haviam sido cogitadas no lançamento original. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Aqui, não: há uma flagrante inexatidão na declaração entregue, da qual resultaria, a princípio, a plena exigibilidade do crédito nela apontado como suspensa. Repita se: o processo judicial informado pelo contribuinte realmente não suspendia a exigibilidade do crédito tributário apontado na DCTF. Estava, portanto, correto o lançamento e inclusive com a multa de ofício, somente afastada pela DRJ por acreditar tratarse o caso de aplicação retroativa do art. 18 da Lei 10.833. Rejeito, por isso, a pretensão de nulidade do lançamento. No que tange ao reconhecimento da suspensão da exigibilidade, no entanto, assiste inteira razão à contribuinte, agora que traz ela aos autos a correta informação acerca do processo judicial em que deferida medida liminar com esse alcance. O efeito imediato de tal reconhecimento, entretanto, já se deu, ainda que por vias tortas: a multa de ofício inicialmente acrescida ao principal já foi excluída pelo julgamento de primeira instância. Cabe aqui, pois, apenas o acatamento de que o crédito tributário somente pode ser exigido quando findo o processo judicial que ampara o contribuinte na sua pretensão de não aplicar as disposições das emendas constitucionais e se a decisão final lá proferida lhe for desfavorável. No que tange a sua pretensão de afastamento dos juros de mora, entendo não haver suporte legal para tanto. Realmente, a norma legal que os disciplina art. 61 da Lei 9.430 não os afastou nem mesmo na hipótese em que o crédito tributário esteja suspenso em face de medida judicial1. Exigíveis os juros de mora, são eles calculados com base na taxa Selic por expressa disposição legal que os conselheiros integrantes deste Conselho não podem afastar sob alegação de inconstitucionalidade. Tratase, aliás, de conteúdo expresso de Súmulas de observância obrigatória pelos seus membros2 3 4. Com essas considerações, sou pelo parcial provimento do recurso do contribuinte apenas para que se reconheça que o crédito tributário ora em discussão tem a sua exigibilidade suspensa por força das decisões proferidas no processo judicial nº 9700566773 juntadas por cópia ao recurso apresentado e ora analisado. É como voto. 1 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10880.004643/200298 Acórdão n.º 3401003.081 S3C4T1 Fl. 212 5 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15504.722038/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DILIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO E FATOS QUE NÃO CARACTERIZAM A INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE PENALIDADE.
Confirma-se a decisão de piso que reduz o valor da penalidade imposta no auto de infração, exonerando o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de valores duplicados e da existência de fatos que não caracterizam a infração.
RETIFICAÇÃO PARCIAL DO LANÇAMENTO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE RAZÕES.
A inconsistência relativamente a determinados fatos, que levaram à retificação significativa do lançamento fiscal, não justifica a decretação da insubsistência integral do auto de infração, mormente quando se trata de fiscalização complexa e com análise de extensa documentação, mantendo-se a procedência das demais infrações devidamente comprovadas e para as quais a empresa não apresenta prova em contrário.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e detalhar os elementos comprobatórios da infração, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
DILIGÊNCIA FISCAL. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
A alteração da questão fática descrita pela fiscalização no lançamento original, que compreende a própria motivação do ato administrativo, quando da realização da diligência fiscal determinada pela autoridade julgadora, equivale a um novo lançamento.
Decorridos mais de cinco anos entre o fato gerador da obrigação acessória e a ciência pelo sujeito passivo do resultado da diligência, contados na forma do inciso I do art. 173 do CTN, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). LAUDO TÉCNICO DE CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO (LTCAT). MULTA FIXA.
Constitui infração à legislação previdenciária a empresa emitir o PPP em desacordo com o respectivo laudo técnico, a qual é punível com multa em valor fixo, prevista na alínea "n" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, independentemente do número de ocorrências.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. ELABORAÇÃO. ENTREGA AO SEGURADO. MULTA POR OCORRÊNCIA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o PPP e de fornecer ao segurado, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.
Cada PPP não emitido ou não entregue por trabalhador exposto aos agentes nocivos representa uma ocorrência, com aplicação da multa capitulada na alínea "h" do inciso I do art. 283 do RPS.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTA DO VALOR. VALOR-BASE VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO.
Aplica-se a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valor-base, reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento; por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa aplicada no AI nº 50.004.051-6, dele excluindo o valor de R$ 123.478,83 (81 x R$ 1.524,43), em expressão monetária original, correspondente a 81 (oitenta e um) ocorrências. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanha o relator pelas conclusões.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). CÓD. FUND. LEGAL 66 E 89 Recorrentes SANKYU S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DILIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO E FATOS QUE NÃO CARACTERIZAM A INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE PENALIDADE. Confirmase a decisão de piso que reduz o valor da penalidade imposta no auto de infração, exonerando o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de valores duplicados e da existência de fatos que não caracterizam a infração. RETIFICAÇÃO PARCIAL DO LANÇAMENTO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE RAZÕES. A inconsistência relativamente a determinados fatos, que levaram à retificação significativa do lançamento fiscal, não justifica a decretação da insubsistência integral do auto de infração, mormente quando se trata de fiscalização complexa e com análise de extensa documentação, mantendose a procedência das demais infrações devidamente comprovadas e para as quais a empresa não apresenta prova em contrário. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e detalhar os elementos comprobatórios da infração, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 20 38 /2 01 1- 02 Fl. 24902DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.903 2 DILIGÊNCIA FISCAL. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). A alteração da questão fática descrita pela fiscalização no lançamento original, que compreende a própria motivação do ato administrativo, quando da realização da diligência fiscal determinada pela autoridade julgadora, equivale a um novo lançamento. Decorridos mais de cinco anos entre o fato gerador da obrigação acessória e a ciência pelo sujeito passivo do resultado da diligência, contados na forma do inciso I do art. 173 do CTN, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). LAUDO TÉCNICO DE CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO (LTCAT). MULTA FIXA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa emitir o PPP em desacordo com o respectivo laudo técnico, a qual é punível com multa em valor fixo, prevista na alínea "n" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, independentemente do número de ocorrências. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. ELABORAÇÃO. ENTREGA AO SEGURADO. MULTA POR OCORRÊNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o PPP e de fornecer ao segurado, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Cada PPP não emitido ou não entregue por trabalhador exposto aos agentes nocivos representa uma ocorrência, com aplicação da multa capitulada na alínea "h" do inciso I do art. 283 do RPS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTA DO VALOR. VALORBASE VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO. Aplicase a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valor base, reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 24903DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.904 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento; por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para reduzir a multa aplicada no AI nº 50.004.0516, dele excluindo o valor de R$ 123.478,83 (81 x R$ 1.524,43), em expressão monetária original, correspondente a 81 (oitenta e um) ocorrências. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanha o relator pelas conclusões. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 24904DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.905 4 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BJE) e de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0254.054, cujo dispositivo julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 24.818/24.835): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REPRESENTAÇÃO FISCAL. SOBRESTAMENTO EX LEGE. O sobrestamento a representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária até a decisão final, na esfera administrativa operase ex lege, independente de pedido. NULIDADE. A nulidade é reconhecida apenas nas hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, dentre outras, quando ocorre preterição do direito à ampla defesa resultante da descrição imprecisa de infrações. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO E FATOS QUE NÃO SE CARACTERIZARAM A INFRAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A comprovação, na fase de defesa e diligência, de lançamentos em duplicidade e da existência de fatos que não caracterizaram a infração determina a retificação do lançamento fiscal, não prejudicando a procedência das demais infrações devidamente comprovadas nos autos e para as quais a empresa não apresentou prova em contrário. PPP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INDIVIDUAL POR TRABALHADOR. MULTA INDIVIDUAL POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. Relativamente ao PPP, a lei estabelece obrigação acessória individual por trabalhador, sendo também individual, por trabalhado, a respectiva multa. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. VALOR REAJUSTADO NA DATA DA AUTUAÇÃO. A multa deve ser aplicada de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, entretanto, o seu reajuste deve ter por base nos valores vigentes à época da autuação. Fl. 24905DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.906 5 2. Extraise do relatório fiscal, acostado às fls. 11/23, que o processo administrativo é composto por 6 (seis) autos de infração (AI), lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias, a saber: i) AI nº 54.004.0460, por ter a empresa deixado de incluir segurado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) (Código de Fundamentação Legal CFL 78); ii) AI nº 50.004.0478, por deixar a empresa de elaborar a folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação (Código de Fundamentação Legal CFL 30); iii) AI nº 50.004.0486, por ter a empresa deixado de contabilizar em título próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária (Código de Fundamentação Legal CFL 34); iv) AI nº 50.004.0494, por deixar a empresa de descontar a contribuição previdenciária de segurado empregado e contribuinte individual a seu serviço (Código de Fundamentação Legal CFL 59); v) AI nº 50.004.0508, por ter a empresa emitido documento de comprovação de exposição de seus trabalhadores a agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho em desacordo com o respectivo laudo técnico (Código de Fundamentação Legal CFL 66); e vi) AI nº 50.004.0516, por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento (Código de Fundamentação Legal CFL 89). 3. Cientificado pessoalmente das autuações em 14/9/2011, às fls. 3/8, o contribuinte apresentou impugnação parcial, instaurandose o litígio apenas quanto às exigências fiscais consubstanciadas nos AIs nº 50.004.0508 e 50.004.0516 (fls. 819/871). 4. Em razão da quantidade de documentos juntados e das matérias fáticas abordadas pela defesa, a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência, por entender necessária para apreciação dos pontos controvertidos, com retorno dos autos à autoridade lançadora para pronunciamento sobre os aspectos listados no respectivo despacho (fls. 1.977/1.978). 4.1 A diligência foi cumprida, conforme Informação Fiscal elaborada pelo agente fiscal às fls. 1.980/2.474. Fl. 24906DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.907 6 4.2 No tocante ao AI nº 50.004.0516, após o exame dos documentos apresentados na impugnação, a autoridade reconheceu a improcedência parcial da autuação fiscal e propôs a revisão do montante da penalidade aplicada. 4.2.1 Para tanto, juntou planilha discriminando o total do auto de infração correspondente ao somatório das multas por documento não emitido ou não entregue por trabalhador devido após o reexame da documentação (fls. 2.475/2.929). 4.3 Devidamente intimado do resultado da diligência, em 18/10/2013, conforme fls. 24.795, o contribuinte aditou a impugnação às fls. 24.762/24.790. 5. Ao apreciar o litígio, a decisão de piso acatou a retificação do crédito tributário, nos termos propostos pelo Fisco. 5.1 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 6. Intimada em 3/4/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 24.840/24.841, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 5/5/2014, cujos argumentos de defesa estão resumidos a seguir (fls. 24.842/24.877): i) manutenção da improcedência da parte da multa exonerada pelo colegiado de primeira instância, em face do suporte documental reconhecido pelo agente fiscal, cuja decisão foi objeto de recurso de ofício; ii) julgamento em conjunto com o Processo nº 15504.722037/201150, em que são exigidas obrigações principais decorrentes da mesma ação fiscal; iii) o valorbase da multa deve corresponder àquele vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no ano de 2007, e não o valor reajustado na data da lavratura do respectivo auto de infração em 2011; iv) AI nº 50.004.0508: a) as divergências apontadas pela fiscalização não existem; b) ausência de descrição fática detalhada, indispensável ao exercício da ampla defesa e contraditório; e c) imprecisão do lançamento, impossibilitando a recorrente compreender se houve mesmo divergência das informações ou se a discordância levantada pela fiscalização foi resultado de variações de nomenclatura das funções exercidas pelos funcionários constantes do laudo técnico e das folhas de pagamento. Fl. 24907DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.908 7 v) AI nº 50.004.0516: a) por conta da insegurança jurídica e dubiedade constatadas, as inconsistências identificadas na diligência fiscal, que motivaram a revisão do débito, justificam a improcedência integral do lançamento; b) no caso de penalidades, a dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias dos fatos, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, implica o cancelamento integral da exigência fiscal, por força do inciso II do art. 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); c) mais uma vez, a recorrente junta provas do cumprimento das obrigações com relação aos segurados empregados Isaias Teodoro Almeida Santos, Erivan de Souza Silva, Guilherme Augusto Candido Ribeiro e Wagner Gouvea Silva; d) para 81 (oitenta e um) trabalhadores, constantes do Anexo "AI89 RETIFICADO", e listados pela recorrente, em que o motivo da autuação fiscal foi a "não elaboração do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP)", a fiscalização alterou os fatos na fase de diligência para justificar a manutenção da autuação, sob a roupagem de "não entrega do PPP" na rescisão ou "não atualização do PPP", estando fulminado o crédito tributário pela decadência; e) com relação a 181 (cento e oitenta e um) segurados, constantes do Anexo "AI89 RETIFICADO", e listados pela recorrente, não estão configuradas as hipóteses da infração, quais sejam: i) não elaboração do PPP; ii) PPP desatualizado e iii) PPP não entregue ao funcionário quando da rescisão do contrato de trabalho ou à fiscalização em caso de solicitação; f) é necessário proceder ao cancelamento da penalidade decorrente da falta de elaboração de PPP para os segurados empregados lotados em setores da empresa para os quais a fiscalização presumiu a presença de agentes nocivos em níveis de ação de que trata o subitem 9.3.6 da NR9 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); e g) é improcedente a fixação da multa com base no critério de uma infração isolada por documento não elaborado, não atualizado ou não entregue quando da rescisão, devendo ser aplicada a multa uma única vez, independentemente do número de segurados. É o relatório. Fl. 24908DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.909 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de Admissibilidade 7. No tocante ao recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 8. Entendo, assim, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. 9. Do mesmo modo, uma vez realizado o juízo de validade do procedimento e satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passase ao exame da pretensão recursal. Recurso de Ofício 10. Antes mencionado, o julgador "a quo" baixou o processo em diligência para que a autoridade lançadora se pronunciasse acerca da matéria fática e dos documentos de defesa acostados na fase de impugnação, tendo em vista a alegação de equívocos no lançamento fiscal, como também de comprovação documental quanto ao cumprimento das obrigações acessórias atinentes ao formulário PPP. 11. Em relação a esse ponto, a decisão de piso simplesmente acatou a proposta de retificação feita pelo agente fiscal. 12. E não poderia ser diferente, pois a fiscalização confeccionou minucioso e detalhado relatório, contendo a análise individual, por segurado empregado, quanto à elaboração e entrega do PPP, excluindo do valor da multa aplicada os casos identificados de comprovação do cumprimento da obrigação instrumental pela empresa, inclusive as hipóteses de duplicidade da autuação (fls. 2.475/2.929). 13. Dessa feita, nenhum reparo merece a decisão recorrida, devendose manter a exoneração do sujeito passivo quanto ao pagamento de crédito tributário, nos moldes proferidos pela instância inicial. Recurso Voluntário a) Julgamento em conjunto com o processo nº 15504.722037/201150 14. Como forma de se evitar decisões despedidas de congruência, a recorrente solicita o julgamento em conjunto com o Processo nº 15504.722037/201150. Porém, resta Fl. 24909DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.910 9 prejudicado o seu pedido, pois optou em desistir de forma integral, irrevogável e irretratável do respectivo recurso voluntário interposto em face da exigência de obrigação principal, renunciando ao direito em que se funda aquele processo, com o propósito da inclusão do respectivo débito em programa de parcelamento especial. 15. A expressa desistência ao contencioso administrativo, formalizada por meio de petição escrita datada de 4/12/2014, consta do processo digital nº 15504.722037/201150, às fls. 11.815. b) Auto de Infração nº 50.004.0508 16. A empresa foi autuada por emitir o documento de comprovação de efetiva exposição dos seus trabalhadores aos agentes nocivos, denominado de formulário PPP, em desacordo com o respectivo laudo técnico de condições ambientais do trabalho1, consoante previsto no § 3º do art. 58 e no art. 133 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, c/c §§ 2º e 4º do art. 68 e alínea "n" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 16.1 A seguir, copiamse os dispositivos supracitados, na redação vigente à época dos fatos geradores: Lei 8.213, de 1991 Art. 58 (...) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (...) Art. 133. A infração a qualquer dispositivo desta Lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, à multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros) (...) RPS, de 1999 Art. 68 (...) § 2º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário denominado perfil profissiográfico previdenciário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social, emitido pela empresa 1 Na hipótese em que o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) é substituído pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), o PPP deverá ser emitido conforme os dados constantes deste último documento. Fl. 24910DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.911 10 ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (...) § 4º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à multa prevista no art. 283. (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) n) deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou de emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo; e (grifouse) (...) 16.2 Como se vê, prescreve a legislação multa única e fixa, embora passível de acréscimo devido a presença de critérios objetivos de agravamento da infração, cujo valor estabelecido em moeda corrente nacional independe do número de documentos emitidos com informações diversas do LTCAT/PPRA. 17. Inicialmente apontava a auditoria fiscal o número de 152 (cento e cinquenta e dois) situações com divergências entre o PPP e o LTCAT/PPRA, as quais foram detalhadas em planilha, composta pelo nome do trabalhador, cargo e local de lotação, data de admissão e, quando fosse o caso, da data de demissão e, ao final, a divergência identificada pela fiscalização (Anexo de fls. 303/312). 17.1 Entretanto, 75 (setenta e cinco) foram descritas de forma imprecisa, prejudicando o direito de defesa do sujeito passivo, com indicações genéricas de "PPP DIV PPRA", "PPP em DESAC PPRA" ou "PPP EM DESACORDO", o que foi prontamente reconhecido pela autoridade julgadora "a quo", tendo sido excluídas tais situações da acusação fiscal. Fl. 24911DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.912 11 18. Diante desse fato, pleiteia a recorrente a generalização da situação de cerceamento de defesa. 19. Sem razão. Nos demais casos, não afastados pela decisão de piso, deveria a recorrente construir um raciocínio consistente para refutar a infração, mediante a produção de provas concretas de que as divergências remanescentes entre os documentos apontadas pela fiscalização são efetivamente inexistentes. 20. É que a fiscalização identificou objetivamente as divergências e permitiu o exercício do direito de defesa pelo fiscalizado, a exemplo dos trabalhadores enumerados em que a autoridade lançadora descreve a situação como valor da medição do agente nocivo divergente dos dados constantes do LTCAT/PPRA. 20.1 Tanto que a recorrente, nas razões de defesa inicial, reiteradas no aditamento à impugnação e no recurso voluntário, produziu uma planilha exemplificativa com o propósito de demonstrar que as divergências de valores quanto a essa medição simplesmente não existiam (fls. 834 e 24.770). 20.2. Tomandose como referência o quadro elaborado pelo engenheiro de segurança da empresa, assim como nos demais documentos colacionados aos autos, o colegiado de primeira instância, em análise também por amostragem de funcionários, detalhou e justificou com clareza que os dados registrados nos PPP para esses trabalhadores eram nitidamente diferentes da intensidade ou concentração do agente nocivo informada no LTCAT/PPRA (fls. 24.829/24.830). 21. Estou convencido, assim, que a recorrente bem compreendeu a acusação fiscal de haver discrepâncias na mediação do agente nocivo presente no ambiente de trabalho, descabendo falarse em violação à ampla defesa e ao contraditório decorrente da insuficiência na descrição fática da infração e das circunstâncias em que foi identificada. 22. De outra banda, é vazia de conteúdo probatório a alegação do sujeito passivo quanto à existência de imprecisão no lançamento, por não possibilitar a unívoca compreensão se havia divergências de informações entre os documentos ou se "por questões de pequenas variações de nomenclatura de funções internamente adotadas pela Recorrente (na folha de pagamentos"), presumiu a fiscalização tais divergências (comparando informações de laudos para funções que, de fato, não eram exercidas pelos funcionários". 22.1 Não há qualquer indício nos autos de que as infrações decorram de mera variação de denominação de funções dos segurados empregados, como busca convencer a peticionante. 23. Nesse cenário, os elementos probatórios demonstram claramente a existência de informações registradas nos PPP em desacordo com o LTCAT/PPRA, Não se perca de vista, como alhures mencionado, que essa infração à legislação tributária independe da quantidade de ocorrências verificadas. 24. Logo, a decisão impugnada não merece reforma, nesse quesito, pois analisou corretamente o conjunto fáticoprobatório dos autos e decidiu, de maneira fundamentada e devidamente consignada no acórdão, pela improcedência das alegações do sujeito passivo, ora repetidas na peça recursal. Fl. 24912DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.913 12 c) Auto de Infração nº 50.004.0516 25. Nesse outro auto de infração, a empresa foi autuada por deixar de elaborar e manter atualizado o PPP, abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador, e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia do documento, conforme estabelecido no § 4º do art. 58 e art. 133 da Lei nº 8.213, de 1991, c/c §§ 2º e 6º do art. 68 e alínea "h" do inciso I do art. 283 do RPS. 25.1 Reproduzo os dispositivos, na redação vigente à época dos fatos geradores: Lei 8.213, de 1991 Art. 58 (...) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (...) Art. 133. A infração a qualquer dispositivo desta Lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, à multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros) (...) RPS, de 1999 Art. 68 (...) § 6º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico previdenciário, abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica deste documento, sob pena da multa prevista no art. 283. (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) Fl. 24913DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.914 13 h) deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento; 25.2 Segundo reconhece a petição recursal, a infração caracterizase mediante a prática de uma das 3 (três) condutas contidas no dispositivo legal, cuja multa é única para o dispositivo com um todo, assim resumida: a) deixar de elaborar PPP; (b) deixar de manter atualizado PPP e; (c) deixar de fornecer ao trabalhador cópia autêntica do PPP quando do seu desligamento da empresa. 25.3 As informações inseridas no PPP têm por finalidade não só auxiliar na comprovação da atividade especial do segurado quando da habilitação a benefícios previdenciários, como também subsidiar a fiscalização na decisão de aplicação do acréscimo das alíquotas da contribuição previdenciária de que trata o § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991. c.1) Aplicação da multa por ocorrência 26. Na redação original do RPS, a infração por falta de elaboração ou entrega do PPP acarretava a sanção pecuniária prevista na alínea ""o" do inciso II do art. 283, equivalente a 10 (dez) vezes o limite mínimo da multa para infrações a dispositivos da legislação para as quais não havia penalidade expressamente cominada. 27. Todavia, essa reprimenda, fixada em grau médio, não atendia satisfatoriamente o propósito de sancionar o descumprimento pela empresa da obrigação instrumental de elaborar, manter atualizado e fornecer ao trabalhador um documento individualizado relativo aos agentes nocivos existentes no seu ambiente de trabalho, o qual contém, entre outras informações, registros ambientais, resultados de monitoração biológicas e dados administrativos. 27.1 Por um lado, levandose em conta o valor estipulado para a multa pelo regulamento, a aplicação da penalidade por segurado para o qual não havia sido elaborado ou entregue o PPP atingiria de forma exarcebada o patrimônio do infrator. 27.2 De outro, a previsão de uma sanção pecuniária idêntica, em valor fixo, tanto para a empresa que deixava de elaborar ou entregar um único PPP, quanto para o empregador que se omitia em relação a dezenas ou centenas de segurados, cujos efeitos da conduta ilícita repercutem de maneira individualizada, era vista como inapropriada para desestimular o não cumprimento da obrigação acessória estabelecida em lei. 28. Com o advento do Decreto nº 4.862, de 21 de outubro de 2003, diploma regulamentar que modificou alguns dispositivos do RPS, foi aberta a possibilidade de corrigir a deficiência sancionatória e deixar de aplicar a penalidade independentemente do número de segurados e documentos relacionados à infração. 28.1 A referida multa passou a ser prevista, em vez do inciso II, na alínea "h" do inciso I do art. 283 do RPS, no seu valor mínimo. 28.2 A partir dessa modificação no Regulamento, cada PPP não emitido ou não entregue por trabalhador exposto aos agentes nocivos passou a representar uma ocorrência, na Fl. 24914DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.915 14 medida em que cada ato omissivo da empresa, ao configurar uma conduta isolada, demanda a aplicação de penalidade pecuniária de forma autônoma. 28.3 Esse critério passou a estar expressamente previsto, desde então, nos atos normativos expedidos pela Administração Tributária, iniciandose com a Instrução Normativa DC/INSS nº 100, de 18 de dezembro de 2003 (art. 674, inciso II), e, sucessivamente, reproduzido na Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de2005 (art. 646, inciso II), e, atualmente, por meio da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 (art. 473, inciso II). 29. Ao contrário do que defende veementemente a recorrente, a minha convicção aponta no sentido de que a disciplina normativa que adota o parâmetro de multiplicar o valor da multabase pelo número de omissões constatadas encontrase em perfeita harmonia com o núcleo material da hipótese de incidência da penalidade prevista em lei e disciplinada no Regulamento, respeitandose os princípios da legalidade e razoabilidade na fixação da sanção pecuniária. 30. Com a devida vênia, absurdo seria incidir a multa uma única vez, independentemente do número de segurados empregados que se encaixam na hipótese da infração, dando um tratamento de igualdade a condutas flagrantemente desiguais e desproporcionais perpetuadas pelas empresas, de maneira a aplicar sanções pecuniárias aos infratores em valores idênticos, sem a necessária diferenciação da nocividade e do alcance das condutas praticadas. c.2) Insubsistência integral do lançamento 31. Prossegue a autuada requerendo o total cancelamento da parcela remanescente da autuação formalizada por intermédio do AI nº 50.004.0516. 32. A revisão significativa da multa originalmente lançada, sugerida pelo agente fiscal na fase de diligência fiscal, em vista da comprovação documental e/ou identificação de equívocos no lançamento da penalidade, não autoriza a insubsistência integral do crédito tributário. 32.1 Segundo as palavras da autoridade lançadora, a execução da auditoria fiscal teve contratempos, decorrentes do considerável volume de documentos manuseados, da desorganização dos arquivos da empresa e das dificuldades em apresentálos, além da própria complexidade da matéria técnica examinada. 32.2 Diante das provas carreadas aos autos na fase de impugnação, o trabalho criterioso e minudente do agente fiscal, propondo a retificação do débito lavrado, longe de evidenciar insegurança do procedimento desenvolvido na fase investigatória, demonstra a sua preocupação com a aplicação da multa no exato montante devido, nem mais nem menos, refletindo a autuação, desse modo, o grau de inobservância pela empresa da obrigação instrumental relacionada ao PPP. 32.3 Mesmo uma ou outra contradição presente na manifestação fiscal de revisão da multa aplicada, em um universo de mais de 2 (dois mil) nomes analisados pela autoridade lançadora, não pode ser levada ao extremo para generalizar a existência de fragilidade e Fl. 24915DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.916 15 incertezas no lançamento fiscal a ponto de justificar a decretação pelo julgador da sua total insubsistência. 32.4 Como já assinalado pela decisão de piso, a desconstituição integral do lançamento somente se justificaria se comprovada a inexistência de todas as infrações lançadas no auto de infração. 32.5 Por essa razão, não há sentido em aplicação do princípio "in dubio pro reo", que informa o preceito codificado no art. 112 do CTN, visto que a situação vivenciada nos autos não acarreta dúvidas generalizada quanto à valorização dos fatos imputados ao autuado, que o dispositivo de lei complementar manda resolver a favor do acusado. 32.6 Em caso de dúvidas sobre fatos, isoladamente considerados, há necessidade de uma análise casuística para decidir pela aplicação do art. 112 do CTN. c.3) Comprovação da entrega do PPP 33. Quanto ao exame específico das inconsistências apontadas pelo sujeito passivo, a peça recursal contém inicialmente a persistência na afirmação de haver nos autos a comprovação inequívoca do cumprimento da obrigação acessória relacionada à entrega de cópia do PPP, quando da rescisão contratual, aos trabalhadores a seguir nominados: Isaias Teodoro Almeida Santos, Erivan de Souza Silva, Guilherme Augusto Candido Ribeiro e Wagner Gouvea Silva. 33.1 Na decisão de piso, suas alegações relativamente aos 4 (quatros) segurados foram apreciadas, decidindose justificadamente pela manutenção das multas aplicadas (fls. 24.832/24.833). 33.2 Ao proceder o reexame das ponderações da parte autuada, verifico que os documentos acostados na fase recursal em relação aos segurados Erivan de Souza Silva e Guilherme Augusto Candido Ribeiro sinalizam a comprovação da entrega do PPP quando da demissão do empregado, pois deles se identifica a assinatura atestando o recebimento na época própria (fls. 24.878/24.883). 33.3 É bem verdade que tais papéis em cópias contêm pequenas alterações quando comparados aos documentos juntados na fase de impugnação, que foram analisados pela autoridade julgadora "a quo" e para os quais não há assinaturas (fls. 972/973 e 1.430/1.431). 33.4 Porém, os dados e as atividades exercidas, bem como os períodos e as datas ali registrados, são condizentes com as informações identificadas pela auditoria no curso da ação fiscal, não havendo elementos concretos para desconsiderar a sua autenticidade, motivo pelo qual entendo que podem ser aceitos como prova das alegações. 33.5 Assim, excluise a multa aplicada no valor de R$ 3.048,86 (2 x R$ 1.524,43), correspondente aos segurados Erivan de Souza Silva e Guilherme Augusto Candido Ribeiro. 33.6 No que toca à documentação relativa aos outros dois segurados, Isaias Teodoro Almeida Santos e Wagner Gouvea Silva, deve ser mantido o teor da decisão de primeira instância, uma vez que ausente a comprovação de que os documentos foram efetivamente entregues aos trabalhadores, como exigido pela legislação. Fl. 24916DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.917 16 33.7 Nesses dois casos, está registrado no documento assinatura de terceiro, sem que haja esclarecimentos a respeito das circunstâncias que envolveu a ciência por outra pessoa e/ou sobre a existência eventual de procuração outorgando poderes à pessoa física identificada para o recebimento do formulário (fls. 24.802/24.806 e 24.814/24.816). c.4) Alteração da acusação fiscal quando da realização da diligência 34. Sustenta a recorrente que a fiscalização promoveu a alteração do lançamento regularmente notificado, com relação a 81 (oitenta e um) trabalhadores, substituindo a acusação de "não elaboração do PPP" para "não entrega do PPP" na rescisão ou "não atualização do PPP", quando na fase de diligência fiscal determinada pela instância julgadora "a quo". 34.1 Prossegue, nesse ponto, destacando que a alteração nas substâncias fáticas que nortearam a autuação inicial foi alcançada pela decadência, tendo em vista referirse a fatos geradores ocorridos em 2007, com revisão do lançamento efetuada em 2013. 35. A decadência é matéria que pode ser reconhecida de ofício pelo julgador, dado que transcende aos interesses das partes. Ao examinar os fatos, penso que assiste razão à recorrente. Explico. 36. Como se observa do lançamento originário, a autoridade lançadora confeccionou planilha detalhando o nome do trabalhador, cargo e local de lotação, datas de admissão e demissão e a divergência identificada relacionada ao cometimento da infração (Anexo de fls. 193/302). 37. Ao confrontar a relação dos 81 nomes indicados pela recorrente, às fls. 24.853/24.856, com esta planilha elaborada inicialmente pelo Fisco, verificase que para a quase totalidade dos trabalhadores o motivo da autuação foi identificado de forma sucinta como "PPP NÃO ELABOROU EPI NÃO ENTREGOU". 37.1 Relativamente a outros poucos nomes, dentre os 81 listados, há menção pela fiscalização de "PPP ELABOROU INCOMPLETO" ou "PPP ELABOROU DESATUALIZADO". 38. Quando da diligência fiscal, o agente fiscal analisou individualmente a situação de cada segurado empregado, em um trabalho exaustivo, conforme evidencia o conteúdo da Informação Fiscal de fls. 1.980/2.474. 38.1 Ao resumir a análise realizada e propor a revisão do crédito tributário, a autoridade fiscal elaborou a planilha de fls. 2.475/2.929, mediante a qual discrimina, por trabalhador, a acusação inicial que dá suporte ao lançamento fiscal (coluna "OBS"), a situação após o exame dos documentos apresentados na impugnação (coluna "SITUAÇÃO APÓS IMPUGNAÇÃO") e a sua conclusão sobre manter ou retificar a autuação (coluna "POSIÇÃO"). 39. Em nova comparação, agora entre os dados da planilha inicial elaborada pela fiscalização e os dados desta última planilha produzida na fase de diligência, percebese uma alteração na motivação do lançamento da penalidade pela autoridade autuante, atrelandoa a Fl. 24917DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.918 17 não entrega do PPP quando da demissão do trabalhador, correspondendo a uma verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos. 40. Para ilustrar o ocorrido, transcrevo os 3 (três) primeiros trabalhadores relacionados na sequência da listagem trazida no recurso voluntário: Trabalhador Divergência que motivou a autuação Motivação para manter a autuação, após a diligência fiscal Justificativa Adriano da Silva Carvalho PPP não elaborado (fls. 2.483) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.483) 416) ADRIANO DA SILVA CARVALHO (docs apresentados meio papel ASO –PPP): no ASO consta a mesma função da folha e do PPP e as mesmas medições do PPRA/LTCAT. Não foi comprovada a entrega do PPP ao empregado, embora sua demissão tenha ocorrido em 21/05/2007, período sob procedimento fiscal. (...) Não ficou comprovada a elaboração do PPP para o período sob procedimento fiscal, deve ser mantida a autuação. (fls. 2.141) Alessandro Maurício Santos PPP não elaborado (fls. 2.492) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.492) 423) ALESSANDRO MAURICIO SANTOS (docs. apresentados meio papel – ASOPPPEPI): no PPP consta o setor de Manutenção, que conforme PPRA/LTCAT é o 12/01, na folha consta o mesmo setor do PPP VR 12/01 (D) VOL, no entanto, existe uma divergência entre a medição apresentada no PPRA/LTCAT 90,2 dB(A) de ruído e a apresentada no PPP 82,9 dB(A), confirmado no PPRA/LTCAT a existência do ruído acima. Embora demitido no período sob procedimento fiscal não foi confirmada a entrega do PPP ao empregado. Assim, como não ficou comprovada a entrega do PPP ao empregado, deve ser mantida a aplicação da multa aplicada. (fls. 2.142/2.143) Alexsandro Ferreira da Costa PPP não elaborado (fls. 2.497) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.497) 429) ALEXSANDRO FERREIRA DA COSTA (docs apresentados em meio papel PPP): no PPP consta que o empregado atuou no setor de Alto Forno de 01/10/05 a 30/04/07 como Supervisor Desenvolvimento assumindo a função de Coordenador Técnico Eletromecânica de 01/05/07 até sua demissão em 13/12/07, em ambas as funções exposto ao ruído em 88,200 dB(A) e poeira respirável em 0,310 mg/m³ sendo que no PPRA/LTCAT consta a exposição ao ruído em 86,100 dB(A) e poeira respirável em 0, 19 mg/m³ e para Coordenador ao ruído em 86,100 dB(A) e poeira respirável em 0, 31 mg/m³. Assim, como não ficou comprovada a entrega do PPP ao empregado, deve ser mantida a aplicação da multa aplicada. (fls. 2.143/2.144) 41. Com relação aos demais nomes listados pela recorrente, a situação repetese, ainda que as vezes com variação na justificativa para manter a autuação, porém sempre, em nosso entendimento, com mudança na situação fática descrita originalmente pela autoridade fiscal, no respectivo auto de infração, para motivar o lançamento da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória. Fl. 24918DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.919 18 42. É certo que tanto a falta de elaboração do PPP quanto o não fornecimento deste ao trabalhador, quando da rescisão do contrato de trabalho, implicam o descumprimento de obrigação acessória, puníveis com a mesma sanção pecuniária. Entretanto, não há como negar que são distintos os fatos da ilicitude constitutivos do nascimento da relação jurídica. 42.1 Se a motivação da acusação fiscal é não elaborar o PPP, a empresa comprova a inocorrência do alegado fato pela fiscalização mediante apresentação dos formulários preparados antes do início da ação fiscal. 42.2 Por sua vez, se o Fisco afirma que não houve a entrega do PPP quando do desligamento do trabalhador, a empresa será obrigada a desconstituir o fato de outra maneira, por meio de prova que lhe forneceu o documento, à vista da assinatura do segurado atestando o recebimento de uma via autêntica do formulário. 43. De mais a mais, no levantamento inicial efetuado pela fiscalização consta a discriminação das datas de desligamento dos segurados empregados, de tal sorte que a acusação fiscal, diante da quantidade de documentos a serem examinados e de possíveis omissões na disponibilização dos papéis pela empresa, poderia ter agido com cautela e, em vez de afirmar simplesmente que não houve a elaboração do PPP, consignar a falta da comprovação da entrega do formulário ao trabalhador quando da extinção do contrato de trabalho. 44. Mesmo que não importe em agravamento da exigência fiscal, a alteração da questão fática descrita pela fiscalização, que compreende a própria motivação do ato administrativo, equivale a um novo lançamento ou, como referese a recorrente, a uma revisão do lançamento de ofício realizado. 44.1 Devolver ao contribuinte o prazo para aditamento à impugnação no concernente à matéria modificada não é medida suficiente, visto que o lançamento há de observar o prazo decadencial. 45. No caso de obrigações acessórias, a contagem do prazo decadencial regese pelo inciso I do art. 173 do CTN, assim redigido: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 46. Tendo as rescisões de contrato de trabalho ocorridas durante o ano de 2007, antes de 31/12/2007, conforme indicam as datas registradas nas planilhas, o lançamento poderia ocorrer somente até o final do ano de 2012, contados os 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do ano de 2008. 46.1 Efetivada a ciência do resultado da diligência fiscal apenas em 18/10/2013, segundo fls. 24.795, resta fulminada pela decadência a cobrança da multa em todos os casos enumerados pela recorrente. Fl. 24919DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.920 19 47. Dessa feita, cabe a exclusão da multa aplicada no valor de R$ 120.429,97 (79 x R$ 1.524,43), correspondente a 79 (setenta e nove) segurados listados pela recorrente (fls. 24.853/24.856). 47.1 A diferença de dois nomes, tendo em conta os 81 trabalhadores listados pela recorrente, diz respeito ao PPP do trabalhador Guilherme Augusto Candido Ribeiro, porque já contemplado com a exclusão da multa quando da análise do subtópico anterior deste voto, e ao PPP de Carlyle Ribeiro de Carvalho, cujo acórdão recorrido já havia procedido à exclusão da multa aplicada (fls. 24.832). 47.2 Ressalto ainda que nessa exclusão, que engloba 79 trabalhadores, estão incluídos os nomes de Isaias Teodoro Almeida Santos e Wagner Gouvea Silva, cujo exame no subtópico anterior deste voto, sob enfoque diverso, é verdade, tinha concluído por negar o afastamento da multa. c.5) Não incidência da multa na hipótese de divergência/incorreção nas informações do PPP 48. Quanto a esse ponto do recurso, o sujeito passivo alega que a existência de divergências e/ou incorreções de informações nos documentos, quando comprovada a elaboração do PPP ou a entrega do PPP ao trabalhador, não materializa a hipótese de incidência da penalidade do AI nº 50.004.0516, por ocorrência, mas sim a multa específica exigida no AI nº 50.004.0508, a qual é cobrada em montante fixo e independente do número de situações verificadas. 48.1 Com essa justificativa, aponta a existência de 184 (cento e oitenta e quatro) nomes, devidamente listados em seu recurso, para os quais a multa individual, equivalente a R$ 1.524,43 por trabalhador, formalizada no AI nº 50.004.0516, em razão da falta de enquadramento das situações em uma das três ocorrências definidas pela fiscalização como passíveis de autuação, deve ser excluída: i ) ''PPP não elaborou", ii) "PPP elaborou desatualizado" e iii) "PPP não entregou" (fls. 24.858/24.862). 49. Pois bem. Em primeiro lugar, a fim de evitar duplicidade de análise, cabe esclarecer que todos os trabalhadores excluídos da autuação até o momento neste voto, que totalizam 81 (oitenta e um) nomes, também fazem parte dessa listagem de 184 trabalhadores apresentada pela recorrente, com uma única exceção: Erivan de Souza Silva. 49.1 Além desses 80 (oitenta) nomes comuns já examinados no voto, para os quais se afastou a aplicação da multa, a recorrente inseriu inadvertidamente na listagem, mais uma vez, o empregado Carlyle Ribeiro de Carvalho, cujo acórdão recorrido de 1ª instância já decidiu pela exclusão da multa (fls. 24.832). 50. Portanto, ao desconsiderar ao todo 81 trabalhadores, sobra examinar a situação dos 103 (cento e três) nomes restantes, nominados pela recorrente, para os quais ainda remanesce a aplicação da sanção pecuniária. Fl. 24920DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.921 20 51. Acontece que para os nomes restantes da listagem, o motivo da autuação está claramente identificado, ora como "PPP não entregou", em quase a totalidade dos casos, e ora como "PPP não elaborou", em percentual minoritário, mantida em qualquer caso a respectiva acusação fiscal após o resultado da diligência fiscal. 52. Notase que os trabalhadores para os quais a fiscalização faz menção a "PPP incompleto" ou "PPP não atendeu período", que são objeto de contestação pela recorrente, já foram excluídos da autuação, devido ao reconhecimento da incidência da decadência quando da "revisão" do lançamento (subtópico anterior). 52.1 Dentre os 103 nomes listados, há apenas ocorrências identificadas pela fiscalização como "PPP não entregou" e "PPP não elaborou", codificações utilizadas que permitem, a nosso ver, à recorrente defenderse da autuação e apresentar comprovação documental para elidir tais infrações. 53. Para melhor visualização, reproduzo uma amostra de 5 (cinco) nomes incluídos na listagem apresentada pela recorrente, escolhidos aleatoriamente daquele universo de 103 trabalhadores: Trabalhador Divergência que motivou a autuação Motivação para manter a autuação, após a diligência fiscal Justificativa Geraldo Magela dos Reis (item 13) PPP não entregou (fls. 2.657) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.657) 590) GERALDO MAGELA DOS REIS (docs. apresentados meio papel – ASOPPP): No ASO emitido em 01/12/06, consta que o empregado exercia a função Eletricista Manutenção no setor Manutenção mesma função e setor especificados na folha digital. No PPP até 18/01/07 consta que o empregado exercia a função Eletricista Manutenção no setor Manutenção, exposto (...) sendo demitido em 10/03/07. Não comprovou a entrega do PPP ao empregado, assim, deve ser mantida a multa aplicada. (fls. 2.171/2.172) Vanderlei Cardoso de Souza (item 37) PPP não entregou (fls. 2.887) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.887) 881) VANDERLEI CARDOSO DE SOUZA (docs apresentados em meio papel ASO – PPPEPI) – demitido em 14/01/2007: no ASO e PPP constam que o empregado atuou no setor Manutenção (Volante Geral), como Mecânico de Manutenção, mesma função e setor da folha digital, exposto a 82,900 dB(A) de ruído, no PPRA/LTCAT 90,200 dB(A). Embora demitido no período sob procedimento fiscal, não comprovou a entrega do PPP ao empregado, assim, deve ser mantida a multa aplicada. (fls. 2.225) Antônio da Silva Vasconcelos (item 59) PPP não elaborou (fls. 2.513) Não comprovada a elaboração do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.513) 1012) ANTONIO DA SILVA VASCONCELOS (docs. apresentados em meio papel PPPEPI): no PPP constam informações até 31/12/2005. Não foi elaborado PPP para o período sob procedimento fiscal, onde na folha digital consta que o empregado atuou (...). Na Ficha de EPI consta a entrega do protetor auditivo, tipo Plug, CA 10370, em 28/09/07. Assim, não comprovou a elaboração do PPP para o período sob procedimento fiscal, deve ser mantida a multa aplicada. (fls. 2.256) Fl. 24921DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.922 21 Trabalhador Divergência que motivou a autuação Motivação para manter a autuação, após a diligência fiscal Justificativa Edimar Fialho da Silva (item 98) PPP não entregou (fls. 2.590) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.590) 105) EDIMAR FIALHO DA SILVA (item 59 da relação apresentada na IMPUG VOL 1 20945702 Pág 22 a 26 e apresentou em meio papel o PPP) – PPP anexado às fls. 228231 da Impugnação VOL. 2 (...) data de demissão 14/03/2007: é necessário esclarecer que o PPP já fora apresentado durante o procedimento fiscal, e trás informações relativas ao período sob procedimento fiscal. Ocorre, que não foi comprovada a sua entrega ao empregado, apesar da demissão ter ocorrido no período sob procedimento fiscal. Assim, não ficou comprovada a entrega do PPP ao empregado para o período abrangido pelo procedimento fiscal, deve ser mantida a autuação e a multa aplicada. (fls. 2.037) Natalício Luiz de Oliveira (item 155) PPP não entregou (fls. 2.809) Não comprovada a entrega do PPP para o período abrangido pelo procedimento fiscal (fls. 2.809) 1737) NATALÍCIO LUIZ DE OLIVEIRA (docs. apresentados em meio papel PPPEPI) demitido em 13/03/2007: no PPP consta que o empregado atuou (...). Embora demitido no período sob procedimento fiscal, não comprovou a entrega do PPP ao empregado, deve ser mantida a multa aplicada. (fls. 2.409) 54. É mister reafirmar que a auditoria fiscal diz respeito a fatos ocorridos especificamente no ano de 2007. Por isso, a alegação recursal de que deficiências "PPP não entregou" e "PPP não elaborou" dizem respeito tão somente a ocorrência de divergências e incorreções nos PPP´s demanda a comprovação por meio de documentos vinculados ao período da fiscalização. 54.1 Vale dizer que a prova de elaboração do PPP para período diferente do auditado não serve para comprovar o cumprimento da obrigação acessória, prevista no 4º do art. 58 da Lei nº 8.213, de 1991, quando a acusação fiscal é "PPP não elaborou", a qual está se referindo, por óbvio, à falta de elaboração do documento com as informações de agentes nocivos no ambiente de trabalho relativamente ao período auditado de 2007. 54.2 Idêntico raciocínio temse para a hipótese da motivação fiscal "PPP não entregou". A prova de entrega de PPP quando da rescisão ocorrida em período diverso do coberto pela ação fiscal, naturalmente, não serve para comprovar que a empresa entregou o documento ao trabalhador quando de rescisão do contrato de trabalho no ano de 2007, na medida em que a fiscalização faz menção expressa na autuação à data de demissão do empregado (fls. 193/302). 54.3 Daí porque não identifiquei a comprovação documental por parte da recorrente da inexistência de tais infrações apontadas pela auditoria fiscal (fls. 2.933/24.756). 55. De mais a mais, a juntada de uma massa de documentos que supostamente atestariam a sua versão dos fatos, sem preocupação em correlacionálos um a um com os trabalhadores listados pela fiscalização, acaba por reduzir a força probante desse material, pois a falta de vinculação nos autos dificulta o convencimento do julgador no que pertine à presença das circunstâncias concretas que invoca o sujeito passivo como fundamento à sua pretensão (fls. 24.776/24.784 e 24.857/24.863). Fl. 24922DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.923 22 55.1 Nesse sentido, resume Fabiana Del Padre Tomé: 2 Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o 'animus' de convencimento. 56. Exposto assim, concluo não assistir razão à recorrente quando sustenta que os nomes listados, num total de 103 trabalhadores, não se enquadram nas hipóteses possíveis de aplicação da multa, por ocorrência, imposta por intermédio do AI nº 50.004.0516. c.6) Impossibilidade de exigência do PPP quando há presunção da existência de agentes nocivos 57. Expõe a recorrente, relativamente a alguns setores de trabalho, que a fiscalização presumiu a existência de agentes nocivos e arbitrou o adicional de 6% (seis por cento) para financiamento da aposentadoria especial dos funcionários (Processo nº 15504.722037/200150). 57.1 Tal procedimento fiscal desqualificaria a exigência de PPP com relação aos agentes químicos e ao agente físico ruído, já que a necessidade da elaboração do documento, segundo a legislação de regência, está condicionada ao alcance dos níveis de ação de que trata o subitem 9.3.6 da NR9 do MTE. 57.2 Em consequência, nessas hipóteses cuja presença e nível de ação de agentes nocivos foi presumida, não poderia a autoridade fiscal autuar a recorrente por não elaborar o respectivo PPP. 58. Da leitura do relatório fiscal que integra o processo nº 15504.722037/200150, na parte referente aos riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, constatase que a contribuição adicional para o financiamento da aposentadoria especial foi lançada por arbitramento no que tange a alguns segurados empregados, considerando a atividade exercida pelo trabalhador e o local da prestação do serviço, tendo em vista a falta da apresentação do LTCAT/PPRA (fls. 1.957/1.958). 59. É importante pontuar que a recorrente presta serviços essencialmente para empresas que atuam na área de siderurgia, onde é notório o exercício de atividades em condições que prejudicam a saúde ou a integridade física do trabalhador, em decorrência de o segurado laborar exposto a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou a associação desses agentes. 60. Diante da flagrante omissão da fiscalizada em apresentar as demonstrações ambientais exigidas pela legislação, não havia como a fiscalização inferir que houve um adequado gerenciamento dos riscos no ambiente do trabalho e concluir que os empregados arrolados no auto de infração não estariam expostos a agentes nocivos em níveis de intolerância. 61. Daí porque, com acerto, não só exigir a contribuição adicional para custeio da aposentadoria especial incidente sobre a remuneração do trabalhador, como também a 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3 ed. São Paulo : Editora Noeses, 2011, p. 369. Fl. 24923DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.924 23 elaboração e atualização do PPP e, se for o caso, a entrega do documento na hipótese de rescisão do contrato de trabalho no período auditado. 62. Ante o desconhecimento dos níveis de exposição a agentes nocivos, devido à falta de apresentação das demonstrações ambientais pela fiscalizada, causame surpresa a sua sugestão de que caberia à fiscalização trazer aos autos "elementos de prova contundentes de que foram satisfeitas as condições para a exigência do PPP". 63. Pelo contrário, compete à recorrente comprovar que os segurados não se encontravam expostos a nenhum agente nocivos ou que a exposição ocupacional, relativamente aos agentes químicos e ao agente ruído, apresentavase abaixo dos níveis de ação de que trata o subitem 9.3.6 da NR9 do MTE. 64. Acontece que a recorrente optou, como antes noticiado, em desistir do contencioso administrativo e incluir, em parcelamento especial, os créditos tributários constantes do Processo nº 15504.722037/200150, dentre eles aqueles referentes ao adicional para financiamento da aposentadoria especial. 64.1 Com tal altitude, mesmo que implicitamente, houve o reconhecimento do acerto do procedimento fiscal quanto à cobrança do adicional para custeio da aposentadoria especial e, por via de consequência, no que tange à presença dos requisitos para a concessão do benefício previdenciário para os segurados, sem prejuízo da implementação das demais condições exigidas a esse direito. 65. Penso inviável neste caso, e até mesmo inconciliável, o cancelamento da multa decorrente da falta de elaboração do PPP, quando este documento individual, entre outras finalidades, destinase a subsidiar a identificação dos trabalhadores expostos a agentes nocivos para os quais deve ser cobrado o correspondente adicional de alíquota da contribuição previdenciária para o custeio do benefício de aposentadoria especial. d) Critério de atualização das multas 66. Finalmente, como último ponto controvertido, a recorrente pleiteia a aplicação do valorbase da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no ano de 2007, e não aquele vigente quando lavrado o auto de infração em 2011. 66.1 Nessa linha de entendimento, salienta que os critérios utilizados pela fiscalização para definição do limite do salário de contribuição aplicável aos fatos geradores de 2007 foram os valores correspondentes à época dos meses a que se referiram. 67. Pois bem. Como sabido, as infrações a que aludem os autos de infração sob análise decorrem de descumprimento de deveres instrumentais previstos na Lei nº 8.213, de 1991, sujeitas à aplicação de multa variável, expressa em moeda corrente, cuja gradação da penalidade foi detalhada no RPS. 68. De acordo com o art. 134 da Lei nº 8.213, de 1991, e o art. 373 do RPS, os valores em moeda corrente serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices dos benefícios previdenciários: Fl. 24924DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.925 24 Lei nº 8.213, de 1991 Art. 134. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos valores dos benefícios. RPS, de 1999 Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. 69. Notese que não cuida o dispositivo de majoração da base de cálculo da penalidade, que a torne mais onerosa, até porque o reajustamento é definido por intermédio de portaria interministerial. 69.1 Tratase apenas de atualização do valor monetário da penalidade, dado que a moeda com o passar do tempo sofre uma depreciação, cujo resultado ao final não representa aumento de valor, mas mero incremento nominal. 70. Mostrase, assim, inapropriado o raciocínio desenvolvido pela recorrente comparando o valorbase da multa e os critérios que são utilizados para as obrigações principais. 71. Isso porque, no caso de obrigação principal, a simples ocorrência do fato gerador previsto em lei faz nascer a obrigação tributária e, consequentemente, instaurase a relação jurídica entre as partes. 71.1 Para se calcular a contribuição do segurado empregado, utilizase as faixas de salário de contribuição vigentes nos meses a que se referem os pagamentos ou créditos da remuneração, porque se confronta grandezas semelhantes no tempo. 71.2 Uma vez não recolhida a contribuição, a partir do vencimento da obrigação tributária incide juros de mora sobre o valor do tributo não pago, independentemente da lavratura de auto de infração. 72. Já na hipótese da obrigação acessória, como ora se cuida, a situação é distinta. Para que se "transforme" em principal, é necessário, além do descumprimento da obrigação acessória pelo infrator, a identificação da irregularidade e aplicação da penalidade pecuniária pelo Fisco. 73. Defende a recorrente o "melhor dos mundos" para o infrator, por assim dizer. Em outras palavras, o sujeito passivo pleiteia a utilização do valorbase da multa para a sanção pecuniária vigente à época dos fatos geradores, ocorridos em 2007, correspondente a um valor monetário defasado, sem correção monetária ou incidência de juros de mora até a data da constatação da infração, no ano de 2011, quando então lavrouse o auto de infração e aplicou se a multa. 74. Em síntese, a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária aplicase de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valorbase, Fl. 24925DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 2401004.187 S2C4T1 Fl. 24.926 25 reajustado na forma prevista na legislação, será aquele vigente na data da lavratura do auto de infração. 75. Logo, inferese que o procedimento de fixar a multa de acordo com o valor reajustado na data da lavratura do auto de infração é legítimo, encontra amparo na lei e não afronta o art. 144 do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por: a) CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO; e b) CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a multa aplicada no AI nº 50.004.0516, dele excluindo o valor de R$ 123.478,83 (81 x R$ 1.524,43), em expressão monetária original, correspondente a 81 (oitenta e um) ocorrências. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 24926DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11065.100991/2007-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 09 91 /2 00 7- 76 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de PER/Dcomp entregue em 30/07/2007 na qual foi indicado crédito do PIS/Pasep não cumulativo a ser ressarcido com fundamento no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, relacionado ao 2º trimestre de 2007, no valor de R$ 207.509,16, cujo reconhecimento pela autoridade fiscal foi apenas parcial, da ordem de R$ 184.095,60. Segundo o Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no período dos valores correspondentes à cessão de crédito do ICMS a terceiros, e pelo aproveitamento de créditos calculados sobre valores constantes da rubrica “Material Auxiliar e de Consumo”. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, que tem como atividade a fabricação de calçados, argumentou, em resumo, que a cessão de créditos do ICMS não gera receitas, haja vista a forma de sua contabilização (como um direito, no ativo) e de sua utilização (pagamento de fornecedores). Assim, segundo ela, conhecimentos elementares de contabilidade ensejariam a percepção de que não se trata de receita. Ainda sobre esse tópico citou várias decisões da então denominada Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e decisão do TRF da 4ª Região na linha de seu entendimento. Por fim, invocando o disposto no § 4º, do art. 39, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, pediu pelo reconhecimento dos juros calculados com base na taxa Selic, desde a data de encerramento do trimestre, ou, alternativamente, desde a data da formalização do pedido. Citou decisão da CSRF, Acórdão nº 0202027, de 17/10/2005, que lhe socorreria. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, todavia, não aceitou a argumentação da Impugnante em acórdão assim ementado: “Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência de alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida” No Recurso Voluntário reiterou os argumentos já postos anteriormente na impugnação, não mais pugnando pela aplicação da taxa Selic aos créditos reconhecidos.” A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 340101.136, de 09/12/2010 (efls. 424/432), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11065.100991/200776 Acórdão n.º 9303003.347 CSRFT3 Fl. 484 3 BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 435/446), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 455/456. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 463/475. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11065.100991/200776 Acórdão n.º 9303003.347 CSRFT3 Fl. 485 5 se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel Miyazaki Relator Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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