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Numero do processo: 19647.010653/2006-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese
a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência,
suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.491
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente Fl. 140DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônicos (fls. 02/11), transmitidos em fevereiro de 2004, pelos quais pretende a interessada a compensação de débitos de estimativas de CSLL do anocalendário 2002 e 2004, de estimativas de IRPJ do anocalendário 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de maio de 2002 (recolhimento em junho/2002), no valor de R$ 362.242,57, baixados para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 16 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; c) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; Fl. 141DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 120 3 d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.242 (fls. 67/76 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso porventura pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do imposto pago a maior em junho de 2002, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em D1PJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 31. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 19/10/2009 (AR à fl. 78) a interessada apresentou, em 17/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 80 a 97. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Nesse sentido, caso se julgue pela independência dos autos, deverá lhe ser reconhecido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 pois, em acatandose o posicionamento adotado pela DRJ de que não existiria qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não poderia ser contraditado pelo julgador administrativo. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em outubro de 2002, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 121 5 Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. Após a leitura do relatório em sessão de julgamento, fez sustentação oral pela empresa a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n°. 21.698. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 122 7 Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Mas, se o próprio Direito é dinâmico, que se dirá a respeito de posições doutrinárias. Assim, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, Fl. 147DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 123 9 acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e Fl. 148DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 124 11 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Fl. 150DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive Fl. 151DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 125 13 adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não Fl. 152DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com Fl. 153DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 126 15 base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de maio de 2002, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 362.242,57, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2002, já que as DCOMP foram formalizadas em fevereiro de 2004. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2002, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 101 a 105: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 362.242,57 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 155DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010653/200623 Acórdão n.º 180100.491 S1TE01 Fl. 127 17 Fl. 156DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003871/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2005
VÍCIO FORMAL MPF INOCORRÊNCIA.
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento..
EMPREITADA TOTAL RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DOCUMENTOS. JUNTADA NA IMPUGNAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL.
Apresentados na impugnação, os documentos juntados importam revisão do lançamento, em obediência ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo.
Empreitada total , a responsabilidade solidária se elide com a adoção dos procedimentos previstos na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Empresas em Geral Recorrente CIA DE ÁGUA E ESGOTO DA PARAÍBA CAGEPA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL MPF INOCORRÊNCIA. A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.. EMPREITADA TOTAL RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DOCUMENTOS. JUNTADA NA IMPUGNAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL. Apresentados na impugnação, os documentos juntados importam revisão do lançamento, em obediência ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Empreitada total , a responsabilidade solidária se elide com a adoção dos procedimentos previstos na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11618.003871/200728 Acórdão n.º 230200.959 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a apresente notificação, lavrada em 27/12/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 03/01/2007, e pelo solidário em 04/01/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de mãodeobra contratada com a empresa COPAL – CONSTRUTORA PARAIBANA LTDA., por empreitada total, em obra de construção civil, uma vez que não foi comprovada a elisão da responsabilidade solidária, nos termos do artigo 220, parágrafo 3 , incisos I, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, nem efetuada a retenção dos 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviço, conforme preceitua o inciso III do citado parágrafo 3 , do mesmo artigo. O relatório fiscal, de fls. 58/61, diz que não foram apresentadas as folhas de pagamento, GFIP’s e Guias de Recolhimento, relativas à obra e os valores foram apurados com base nos contratos e notas fiscais de prestação de serviço. Ambas devedoras apresentaram impugnação e os autos baixaram em diligência para apreciação dos documentos juntados às fls. 80/605, por parte da devedora solidária. Às fls. 637/638, informação fiscal se pronuncia pela retificação parcial do crédito lançado. Do resultado da diligência foi dada ciência aos sujeitos passivos, sendo que somente a devedora solidária apresentou manifestação. Acórdão de fls.653/659, julga o lançamento procedente, discordando da posição fiscal pela retificação. Inconformados, os contribuintes apresentam recurso tempestivo. A notificada alega em síntese: a) a existência de vício formal porque o MPF estava expirado quando foi cientificado da NFLD; b) que as empresas contratadas efetuaram o pagamento das contribuições previdenciárias. Requer o conhecimento do recurso, a suspensão da exigibilidade, a emissão de certidão positiva com efeito de negativa e a desconstituição do ato administrativo de lançamento, eximindoa do pagamento. O devedor solidário alegou em suas razões: a) que a decisão recorrida não examinou os documentos juntados que comprovam o pagamento das contribuições; b) que o julgador ao discordar do auditor fiscal criou uma interpretação prejudicial ao contribuinte; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 c) que na falta de exame da documentação pelo julgador, deveria ter solicitado perícia; d) que os comprovantes de recolhimento devem ser examinados. Requer a reforma da decisão para comprovar a regularidade dos recolhimentos e tornar improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11618.003871/200728 Acórdão n.º 230200.959 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Da Preliminar Esclareço à recorrente que a ciência da notificação fiscal de lançamento de débito ter ocorrido após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não é causa da nulidade do lançamento, eis que o mesmo ocorreu quando o MPF ainda estava válido. De acordo com o documento de fl.44, a vigência do Mandado era até 31/12/2006, sendo que a notificação foi lavrada em 30/12/2006, portanto perfeitamente dentro do prazo. A ciência da notificação ao sujeito passivo, em 03/01/2007, não pode ser confundida com o lançamento do crédito previdenciário, que foi efetuado dentro do prazo estipulado pelo MPF. Com respeito ao entendimento do Conselho de Recursos da Previdência Social, ao qual se refere a requerente, de que a notificação do sujeito passivo fora do prazo de validade do MPF, ensejaria a nulidade do lançamento, reitero que tal entendimento foi revogado pelo Enunciado N. 25, conforme Resolução MPS/CRPS n. 01, que transcrevo: RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006 – DOU de 06/03/2006 Edita o enunciado n. 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado N. 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. Portanto, rejeito a preliminar suscitada e a notificação em questão, deve se manter íntegra sob o aspecto questionado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Do Mérito Quanto ao mérito temos que, efetivamente, houve a prestação de serviço por empreitada total, devendo a contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo 30,inciso VI, proceder de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... Parágrafo 3 A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I – pela comprovação, na forma do parágrafo anterior , do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II – pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, formas e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III – pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do artigo 219. A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que todas as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada como alega na peça recursal. Realmente, o pagamento extingue a obrigação tributária, na forma do art. 125 do Código Tributário Nacional, todavia não foi comprovado, pela notificada, que as contribuições previdenciárias relativas aos contratos de prestação de serviço na construção civil, foram recolhidas na sua totalidade. Para tanto, a recorrente deveria ter anexado as guias de pagamento, que comprovariam os pagamentos, cópias das folhasdepagamento específicas e escrituração contábil, para todas as competências em que houve a prestação do serviço, fato que não ocorreu. Todavia, a devedora solidária acostou aos autos documentos de fls. 80/605, que foram devidamente examinados pela fiscalização, que entendeu por retificar o débito, aproveitando os recolhimentos havidos nas competências a que se referiam, informação de fl.637, planilha de retificação, fl.638. Nesta parte, entendo que a decisão recorrida inovou ao não acatar a posição fiscal pela retificação dos valores lançados frente ao aproveitamento dos recolhimentos comprovados pelos documentos juntados quando da defesa. É importante fazer referência à informação fiscal que aqui transcrevo, em parte, parte para ratificar que o fisco entendeu que os recolhimentos havidos eram pertinentes ao lançamento: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11618.003871/200728 Acórdão n.º 230200.959 S2C3T2 Fl. 4 7 ... 2. Não foram apresentados, no decorrer d ação fiscal os documentos exigíveis para elisão da responsabilidade solidária: 3. O crédito foi constituído com base nos contratos de prestação de serviço e nas notas fiscais emitidas pela COPAL. Estas informações foram: prestadas pela CAGEPA em arquivos digitais. 4. Nos dados fornecidos pela CAGEPA não há' vinculação' entre as notas fiscais emitidas e a matrícula CEI da obra, e sim, com o CNPJ de 'empresa contratada 5. Em sua defesa, a empresa COPAL juntou ao processo a seguinte documentação: Contratos de Prestação de Serviço, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP e Guias da Previdência Social — GPS 6. Não constam, na defesa, cópias das notas fiscais de serviço ou qualquer documento que indique a correlação destas com as folhas de pagamento/GFIP/GPS correspondentes 7. Assim, para retificação dos valores lançados deve ser deduzido do débito o somatório dos recolhimentos 'efetuados (competência da GPS x competência da. NFLD), conforme demonstrado na planilha de fls. 626 8. Ressaltese que a NFLD só envolve as contribuições previdenciárias (Segurados, Empresa e SAT/RAT) e, portanto, só devém ser deduzidos do débito osvalores do "campo 6" das GPS ("Valor do INSS"). Pela leitura da informação fiscal, exame da planilha de fl.638 e documentos acostados, é de se concluir que a fiscalização entendeu que cabia a retificação parcial do crédito lançado frente aos recolhimentos comprovados e que não tinham sido apresentados quando da ação fiscal. A legislação previdenciária, ao prever hipótese de solidariedade, impõe ao tomador de serviço (§§1º e 4º do art. 31) a obrigação de fiscalizar o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo cedente, inclusive com a possibilidade de retenção do valor, exigindo do prestador do serviço cópia autenticada das guias quitadas e folha de pagamento. Assim, tanto a tomadora quanto a cedente têm a documentação necessária para subsidiar a fiscalização pelos meios ordinários, o que somente não ocorrerá em caso de não cumprimento pela tomadora de serviço da obrigação acessória explicitamente imposta de exigir do prestador a comprovação dos respectivos recolhimentos, sendo certo que o descumprimento de sua obrigação legitima a aferição indireta. Com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder ao lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário, porque ambos são solidários em relação a obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional, benefício de ordem. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação a mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 outro crédito. Pode, também, ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Entretanto, que não pode haver é o cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. Por isso, pelo princípio da verdade material, as provas juntadas pelo devedor solidário e que foram devidamente analisadas pelo Fisco, devem ser conhecidas para retificar o crédito lançado, nas competências a que se referem, de acordo com o parecer conclusivo emitido pela fiscalização, fls. 637/638. Por derradeiro, quanto às solicitações finais da recorrente, temos a considerar que a suspensão do crédito tributário a que se refere o artigo 151, do Código Tributário Nacional, diz respeito à exigibilidade do mesmo. Em matéria previdenciária, tal exigibilidade está na esfera da Procuradoria Federal, enquanto a lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, tem por objetivo apenas a constituição do crédito previdenciário devido. Ainda, o inciso III, do artigo 151, do CTN diz que a exigibilidade do crédito fica suspensa com reclamações e recursos interpostos nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. No caso presente, o processo tributário administrativo foi instaurado pelo lançamento do crédito tributário nessa Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, e fica suspenso até que percorra esta esfera administrativa. Com respeito à certidão positiva de débito com efeito de negativa, o contribuinte deve dirigir seu pleito a Delegacia da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para acatar a retificação parcial do lançamento, conforme informação fiscal de fls. 637/638. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 13426.000084/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2006
Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria
recorrente, conforme relatório fiscal.
O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento.
GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. – ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE
NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA.
Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n°
3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados.
A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.878
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2006 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. – ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado
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Recorrente USINA SERRA GRANDE S/A Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/03/2006 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO. – ALEGAÇÃO DO CONTRIBUINTE NÃO CORROBORADA POR MEIO DE PROVA. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Para fins processuais, alegar sem provar é o mesmo que não alegar. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000084/200715 Acórdão n.º 230200.878 S2C3T2 Fl. 455 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, referente ao período compreendido entre as competências dezembro de 2001 a março de 2006, fls. 179 a 186. Também estão sendo cobradas as contribuições relativas aos produtos adquiridos de produtores rurais pessoas físicas. Não concordando com o lançamento foi apresentada impugnação pela autuada, fls. 203 a 214. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 283 a 288, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 291 a 303. Alega em síntese: a) Não há motivação no lançamento por falta de clareza; b) Houve cerceamento do direito de defesa; c) As provas deveriam ter sido produzidas pela fiscalização previdenciária; d) Requer uma revisão do trabalho da fiscalização; e) Deve ser realizada perícia; f) É ilegal a cobrança da taxa Selic; g) Deve ser aplicado o in dubio pro reo. h) Requerendo provimento ao recurso interposto. Contrarazões apresentadas pelo órgão previdenciário, fls. 350 a 353, sugere a manutenção do lançamento fiscal. Por meio do despacho à fl. 360, o CRPS converteu o julgamento em diligência prévia para que o recorrente efetuasse o depósito de 30%. O recorrente obteve decisão judicial favorável autorizando o processamento do recurso administrativo independentemente do implemento do depósito recursal, fl. 391. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 335. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 179 a 186; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 45 a 93; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 29. Parte dos valores foram apurados na GFIP, que são registros elaborados pela própria recorrente, bem como em folhas de pagamento. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: a empresa remunerou segurados, adquiriu produtos rurais de pessoas físicas, bem como comercializou produção própria e não recolheu os valores declarados. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000084/200715 Acórdão n.º 230200.878 S2C3T2 Fl. 456 5 não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Não procede, portanto, o argumento da recorrente de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente, bem como dos registros em folhas de pagamento e contabilidade. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Não cabe portanto o pedido de revisão do trabalho fiscal. A recorrente não colacionou ao menos um indício de que haveria erro na apuração dos valores devidos. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000084/200715 Acórdão n.º 230200.878 S2C3T2 Fl. 457 7 O princípio tributário do in dubio pro infrator, previsto no art. 112 do CTN somente alcança infrações e penalidades, e em caso de dúvida quanto à norma de incidência legal ou aos aspectos materiais da tributação. In casu, não se tratou de aplicar infrações ou penalidade, e além do mais, não há dúvida objetiva quanto à aplicação da norma tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13135.000271/2004-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001
INCENTIVOS FISCAIS. PERC. ANO CALENDÁRIO DE 2001.
REVOGAÇÃO.
As restrições para aplicações em fundos de investimentos proporcionadas pela Medida Provisória 2.145/01 têm aplicação aos fatos geradores do imposto de renda ocorridos a partir da sua edição. A partir do ano calendário de 2001 apenas permanece o incentivo para aqueles que se enquadrarem no art. 9° da Lei n° 8.167/1991.
Numero da decisão: 1803-000.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2001 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. ANO CALENDÁRIO DE 2001. REVOGAÇÃO. As restrições para aplicações em fundos de investimentos proporcionadas pela Medida Provisória 2.145/01 têm aplicação aos fatos geradores do imposto de renda ocorridos a partir da sua edição. A partir do ano calendário de 2001 apenas permanece o incentivo para aqueles que se enquadrarem no art. 9° da Lei n° 8.167/1991.
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PERC. ANO CALENDÁRIO DE 2001. REVOGAÇÃO. As restrições para aplicações em fundos de investimentos proporcionadas pela Medida Provisória 2.145/01 têm aplicação aos fatos geradores do imposto de renda ocorridos a partir da sua edição. A partir do ano calendário de 2001 apenas permanece o incentivo para aqueles que se enquadrarem no art. 9° da Lei n° 8.167/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 291 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Formulada opção via DIPJ/2002 por aplicação em incentivos fiscais (FINOR), a empresa recebeu o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 02), o qual noticia que o total dos incentivos fora reduzido a zero, pelas seguintes ocorrências: 11 — Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais e/ou com irregularidades cadastrais (Lei 9.069/1995, art. 60), e 16 — Sem efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001, para fundo diferente dos previstos no art. 9° da Lei 8.167/1991. Em 24/09/2004, dentro do prazo estipulado (fls. 02), a investidora apresentou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, de fls. 01, acompanhada da documentação fis 03/33. Todavia, a solicitação foi indeferida, nos termos do despacho de fls. 248, nos termos a seguir transcrito: Conforme informação da administração do FINOR/FINAM, o contribuinte, acima identificado, não está enquadrado no art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991, não possuindo, portanto, direito ao incentivo, conforme consta do EXTRATO DEAPLICAÇÕES à fl.2. O contribuinte foi intimado a apresentar declaração, fl. 43, caso possuísse algum projeto no FINOR/FINAM, isto é, caso estivesse enquadrado no art. 9° da Lei 8.167. O contribuinte apresentou documentação fl. 44, contestando alguns, procedimentos, porém não confirma possuir projetos próprios no FINOR/FINAM. Sendo assim, proponho que o processo de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2002 — anocalendário 2001, seja indeferido." Cientificada do indeferimento em 28/11/2008 (fls. 249verso), a empresa ANGLO AMERICAN BRASIL LTDA., sucessora por incorporação da interessada, CODEMIN S/A, apresentou, em 29/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls.250 a 256, por intermédio de procurador (fls. 83 a 116). Após breve resumo dos fatos, a manifestante esclarece que comprovou em seu PERC a inexistência de irregularidade fiscal, Fl. 309DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 292 3 por meio das CND junto aos órgãos federais e sustentou que os fundos de investimentos deferidos até o mês de dezembro de 2.013 só foram extintos, na modalidade de investimentos em projetos de terceiros, a partir da MP n° 2.19914, de 24/08/2001, o que lhe assegurava o direito ao qual optou. Outrossim, salienta que em razão dos fundamentos de indeferimento do pleito não haveria óbice ao reconhecimento do direito da empresa à ocorrência 11. Alega que a modalidade de investimento utilizada, no caso, mediante a opção legal feita na declaração de rendimentos apresentada em 2002, conforme lhe assegurava a lei e a Receita Federal, foi exclusivamente a de "investimento em projetos de terceiros", que só teria sido extinta a partir da MP n° 2.19914, de 24/08/2001. Tanto seria assim, que a própria RFB continuou a divulgar os códigos de receita para os incentivos até o mês de agosto de 2001 (ADE COSAR n° 95, de 10/07/2001), só os extinguindo a partir de setembro de 2001 (ADE COSAR n° 125, de agosto de 2001). Porém, mesmo após a edição da referida MP, deve serlhe assegurado o incentivo ao imposto de renda pago ao longo de todo o ano de 2001, sob pena de ofensa ao direito adquirido e aos princípios da irretroatividade e da anterioridade da lei, pois os contribuintes deixaram de investir em projetos próprios, contando com a possibilidade legal que lhes era deferida até 2013 pelo artigo 3° da MP 2.058/2000 e suas reedições. Confirmando o entendimento acima, no caso concreto, podese, por analogia, utilizarse do disposto no artigo 104, III, do CTN. Ao final, a manifestante requer o reconhecimento do direito ao investimento ao FINOR no ano de 2001, ou, caso assim não se entenda, pelo menos ao IRPJ pago de janeiro a agosto. de 20.01, ou de janeiro a maio de 2001.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 264/267): a) O Manual de Ajuda da DIPJ/2002 orientou da seguinte forma a respeito da opção para aplicação em investimentos regionais: "17.1.6.6. (..) As pessoas jurídicas submetidas à apuração do imposto de renda pelo lucro real, trimestral ou anual, que não se enquadrem no art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991 puderam optar pela aplicação de parte do imposto de renda devido em investimentos regionais destinados ao Finor, Finam e Funres até 2 de maio de 2001, mediante recolhimento por Darf especifico (Medida Provisória n° 2.1289, de 26 de abril de 2001 e MP n° 2.145, de 2 de maio de 2001). Não é possível, para essas pessoas jurídicas, a opção pela aplicação na DIPJ. A partir do dia 2 de maio de 2001, somente é possível a aplicação nesses Fundos pelas pessoas jurídicas ou grupos de empresas detentores, de cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projeto acima referidas.” Fl. 310DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 293 4 b) Não tendo sido formalizada a opção no ato do pagamento, a concessão do incentivo fiscal é uma etapa posterior, sempre condicionada à continuidade de existência do permissivo legal. Outrossim, a renúncia fiscal não se encontra regida pelas normas aplicáveis ao lançamento. c) As alegações de ofensa a princípios constitucionais não podem ser, apreciadas na esfera administrativa por tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional (artigos 97 e 102), ao Poder Judiciário. d) No caso em exame, a interessada não comprovou possuir projeto próprio ou participar de grupo de empresas coligadas de que trata o artigo 9° da Lei n° 8.167/1991, que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos, cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projeto aprovado, de acordo com a MP 2.145/2001, art. 32, XX (atual MP 2.157/2001, art. 32, IV), tendo sido regularmente intimada em 07/07/2005 (intimação n° 1.245, AR em fl. 42v). Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) À época em que a Recorrente entregou sua DIPJ anobase 2001/exercício 2002, vigorava, em matéria de aplicação no FINOR, o texto do art. 4° da 9.532/97, cujo artigo foi inteiramente revogado somente em 24/08/2001, pela MP n. 2199/2001. b) Em momento algum foi estabelecido no texto da MP n. 2199/2001 e consequentemente no art. 9°, Lei n. 8.167/91, que a opção de investimento daquele anobase estariam canceladas, aplicandose retroativamente os termos dessas normas para limitar o exercício desse direito (redução do recolhimento do IRPJ em investimentos regionais, no caso em tela, no FINOR) às opções de investimento do anobase 2000, com data de entrega da respectiva DIPJ a 02/05/2001. c) Ainda que a Recorrida aponte a Súmula n. 01 do Conselho de Contribuintes, não poderá elidir o conteúdo de seu ato decisório — no caso, o julgamento do presente processo, — aos estritos termos da lei, que permitiam à Recorrente, quando da entrega da DIPJ anobase 2001/exercício 2002, sua opção de investimento nos moldes do art. 4°, Lei n. 9.532/97, cujas normas somente foram alteradas em 24/08/2001, com a edição da MP n. 2199/2001. d) Requer seja dado total provimento ao recurso voluntário ora interposto, a fim de conceder a emissão de ordem de incentivos fiscais no FINOR, conforme informado na DIPJ 2001/2002. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 06/08/2009 (AR de fls. 269). O recurso foi protocolado em 08/09/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 294 5 A questão fundamental a ser apreciada no presente recurso é a possibilidade de opção, pelas pessoas jurídicas não enquadradas no art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991, pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido no FINOR, no ano calendário de 2001. A recorrente insurgese contra o entendimento da autoridade administrativa de que apenas as pessoas jurídicas que formalizaram esta opção mediante recolhimento por Darf específico, teriam direito ao benefício no ano calendário de 2001. A Medida Provisória n° 2.145, de 2 de maio de 2001, revogou o inciso I do art 1º da Lei n.º 8.167, de 16 de abril de 1991, que assim dispunha: “Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste FINOR ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo FUNRES (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V);e” Por sua vez, a Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001, revogou o art. 4° da Lei n° 9.532/1997, que permitia a manifestação da opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais, mediante o recolhimento, por meio de Darf específico, in verbis: “Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo Fl. 312DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 295 6 pelo qual houver optado. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 4º A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 9º da Lei n.º 8.167, de 16 de janeiro de 1991, será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 6º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) a) em relação às empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 7º Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 8° Fica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001)” Por conseguinte, não poderia mais haver a opção pelo benefício em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2001, salvo em duas hipóteses: i) a do art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991; ii) nos casos em que a opção foi exercida antes da revogação do benefício, por meio de recolhimento efetuado em Darf específico. Não há controvérsia em relação ao fato de que o contribuinte não está enquadrado no art. 9° da Lei n° 8.167, de 199° da Lei n° 8.167, de 1991, nem tampouco à ausência de manifestação da opção por meio de recolhimento em Darf específico. Contrariamente ao que alega a recorrente, não há que se falar em retroatividade da lei. A recorrente optou pela apuração anual do imposto de renda (extrato de fls. 245, sendo que no momento da ocorrência do fato gerador, em 31/12/2001 já havia sido revogado o benefício. Apenas aqueles que já haviam exercido a opção por meio de recolhimento em Darf específico antes da revogação do benefício é que adquiriram o direito ao seu gozo. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13135.000271/200413 Acórdão n.º 180300.887 S1TE03 Fl. 296 7 Por conseguinte, não há reparos a fazer na decisão recorrida, uma vez, que não restou comprovado nos autos o enquadramento da recorrente na hipótese prevista no art. 9o da Lei n° 8.167/1991, nem tampouco que a contribuinte manifestou a opção antes da revogação do benefício, através de recolhimento por Darf específico. Não há qualquer ilegalidade, nem desrespeito a princípios constitucionais, uma vez que por ocasião da ocorrência do fato gerador, e da entrega da DIPJ/2002, o benefício há havia sido revogado. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso, por ter sido extinto o benefício previsto no inciso I do art 1º da Lei n.º 8.167, de 16 de abril de 1991, pela MP n° 2.145, de 2 de maio de 2001 e MP n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 314DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 16327.000014/00-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ — ano calendário de 1995 e 1996
Processo Administrativo Fiscal
RECURSO DE OFICIO - REMESSA NECESSÁRIA - CONHECIMENTO -
Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ E REFLEXO (CSLL). ERRO MATERIAL - DIVERGÊNCIA QUANTO AO VALOR TRIBUTÁVEL DO ANO-CALENDARIO 1995 - Restando comprovado que na apuração do montante tributável das infrações houve adição indevida do valor constante da. conta retificadora do Ativo - Provisão para Devedores Duvidosos - PDD, quando, na verdade, deveria ter sido adicionado apenas o valor da despesa indedutível com PDD é dever exonerar a parcela excedente.
IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA -
Demonstrado que à época do lançamento da CSLL do ano-calendário 1996 estava a contribuinte albergada por medida judicial que suspendia a exigibilidade deste tributo, correta a exoneração da multa de oficio procedida pela autoridade recorrida.
CSLL - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MATÉRIA OBJETO DE MEDIDA JUDICIAL - Provado por certidão de objeto e pé que a Recorrente à época da lavratura do lançamento para prevenir a decadência se encontrava albergada por medida judicial, deve a multa de oficio ser exonerada.
Numero da decisão: 1102-000.459
Decisão: ACORDAM os Membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.000014/00-18 Recurso n° De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1102-00.459 — 1" Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria PCLD e CSLL FINANCEIRAS Recorrentes 2A.TURMA DRJ BRASÍLIA/DF E BANDEIRANTES S/A - ARRENDAMENTO MERCANTIL IRPJ — ano calendário de 1995 e 1996 Processo Administrativo Fiscal RECURSO DE OFICIO - REMESSA NECESSÁRIA - CONHECIMENTO - Conhece-se de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ E REFLEXO (CSLL). ERRO MATERIAL - DIVERGÊNCIA QUANTO AO VALOR TRIBUTÁVEL DO ANO-CALENDARIO 1995 - Restando comprovado que na apuração do montante tributável das infrações houve adição indevida do valor constante da. conta retificadora do Ativo - Provisão para Devedores Duvidosos - PDD, quando, na verdade, deveria ter sido adicionado apenas o valor da despesa indedutivel com PDD é dever exonerar a parcela excedente. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA - Demonstrado que A. época do lançamento da CSLL do ano-calendário 1996 estava a contribuinte albergada por medida judicial que suspendia a exigibilidade deste tributo, correta a exoneração da multa de oficio procedida pela autoridade recorrida. CSLL - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MATÉRIA OBJETO DE MEDIDA JUDICIAL - Provado por certidão de objeto e pé que a Recorrente A. época da lavratura do lançamento para prevenir a decadência se encontrava albergada por medida judicial, deve a multa de oficio ser exonerada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relator Net-CM EDITADO EM 12/07/20 1 Pessoa Monteiro -Presidente e Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Tunna), João Otavio Oppennan Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Mazuko dos Santos AraUjo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). 2 Processo n° 16327.000014/00-18 St-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.459 H. 2 Relatório Trata-se de exigências para o imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido, nos anos calendários de 1995 e 1996, lavrados em 03/01/2000, no montante de R$ 8.932.445,79, t1s. 01/16, calcado na falta de exclusão dos valores correspondentes aos bens arrendados quando da constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa — PCLD, No Termo de verificação fiscal de fls.17/19, estão descritas as causas de lançar e as diferenças apuradas que , em síntese, se fundaram na ausência da demonstração dos valores abatidos, que se realizaram em desacordo com a legislação tributária vigente, principalmente quanto à exclusão do valor correspondente aos bens arrendados. Segundo o autor da ação, a Contribuinte limitou-se a informar que efetuou a constituição da PCLD bem corno as realizações das baixas, corn base nas normas emitidas pelo Banco Central do Brasil, especialmente a Resolução n'1.748, de 30 de agosto de 1990. Também informou que todos os créditos eram originários de operações de arrendamento mercantil. Aponta, ainda, que nos anos de 95 e 96 não houve no LALUR nenhuma adição ao lucro liquido do período relativa a PCLD ou baixas indedutiveis. As razões impugnatórias, fls. 129/142, em síntese, abordam os seguintes aspectos:1-a) erro de interpretação da norma aplicável (artigo 43 da Lei 8981/91; b) o depósito do montante sob litigio;c) o critério legal aplicável na baixa de créditos considerados incobráveis; II) os efeitos decorrentes da existência de medida judicial, nos termos da INSRF 202, de 12/09/2002 que regulamentou a MP66/02: a) aqui aponta a divergência de valor;b) a desconsideração da existência de depósitos judicial; c) exigência da CSLL em aliquota antisonômica,mesmo ante a vigência de decisão judicial. O acórdão da 2a.Turnia da DRJ/Brasilia-DF, de fls.342/351, n'.10639, de 13/09/2004, acolhe, apenas, o depósito judicial existente para a CSLL e o valor do lançamento que era de R.3.402.145,90, 6. reduzido para RS 1.915.451,89. Resume as exigências na seguinte ordem: Período de Apuração Tributo/Contribuição Valor Lançado Valor Exonerado Valor Mantido 1995 IRPJ 122.297,11 0,00 122.297,11 1995 IRPJ adicional 37.102,62 0,00 37.102,62 1996 IRPJ 0,00 0,00 0,00 1995 CSLL 1.671.150,30 1.486.694,01 184.456,29 1996 CSLL 1.730.995,60 0,00 1.730.995,60 Ciente em 16/11/2004, há recurso voluntario,f1s.367/377, onde aduz, inicialmente que: (i) aderiu à anistia veiculada pela Medida Provisória n° 66/2002 em relação aos débitos objeto do originário auto de infração; e (ii) considerando-se o fato de que, em parte, referidos débitos foram quitados (para os fins da anistia) e, na parte restante, em relação à qual houve divergência de calculo, ela procedeu ao seu deposito administrativo para poder contestá- la nos presentes autos, a teor do disposto em referida medida provisória, motivos da ausência de deposito recursal. 3 Descreve os fatos que levaram à autuação, informa que impugnou tempestivamente a exigência, mas, antes de qualquer pronunciamento do brgdo Julgador a quo ern relação as razões aduzidas em sede de impugnação, acabou por aderir a anistia instituída pelo artigo 22 da Medida •rovisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, procedendo ao recolhimento da parcela devida, à luz de mencionado beneficio. Divergência de cálculos entre o que entendeu devido e o crédito constituído no originário auto de infração, conforme disposições da medida provisória acima identificada, ofereceu nova impugnação, protocolada no dia 30 de setembro de 2002, devidamente acompanhada do depósito administrativo integral do montante objeto de divergência. Reclama da não aceitação dos seus motivos pela autoridade de 1 ° .grau. No mérito(II.a) no tocante a despesa com a PCLD pede atenção para o fato de que, segundo a legislação vigente à época dos supostos fatos geradores estava - como ainda está - obrigada a constituir a cada exercício a provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PCLD"), em valor determinado pelas normas contábeis e fiscais concernentes a matéria. Exemplifica a forma de contabilização utilizada, para comentar que a fiscalização se utilizou do valor da provisão registrada nos exercícios (extraído da conta credora do passivo) para proceder à glosa na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando o correto seria a utilização do valor das despesas com provisão incorridas naqueles períodos (a ser extraído da conta devedora de ativo), o que implicou em erro material. Tece suposições sobre as possíveis causas do procedimento fiscal por contrariar as normas contábeis as quais as instituições financeiras estão submetidas, em seu Plano de Contas (COSIF), baixado pelo Banco Central do Brasil. Conforme aponta no dispositivo seguinte: "1.6.9 — A provisão para .fazer .face as perdas coin créditos de curso anormal, na forma regulamentar, registra-se a débito de DESPESAS DE PROVISO -ES OPERACIONAIS e a crédito de PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA." "1.6.12 — Mensalmente, registra-se o saldo da conta PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDA CÃO DUVIDOSA. No caso de • insuficiência, a débito de DESPESAS COM PROVISOES OPERACIONAIS." Reclama da decisão que afastou sumariamente seus argumentos sem análise das provas juntadas. Pede a revisão do julgado porque o lançamento partiu de uma conta incorreta, conforme documentação que a própria autoridade fiscal juntou durante o procedimento de fiscalização. Ao aderir à anistia veiculada pela Medida Provisória n° 66/2002, elaborou os cálculos do que entendia devido, procedeu ao devido recolhimento e depositou administrativamente a parcela constituída pela Fiscalização, fato novo que obrigaria a revisão do seu procedimento. (II b)Discorre sobre a exigência da CSLL, referindo-se a aliquota anti- isonômica, aplicada, além de juros e multa. Lembra do provimento jurisdicional que a autorizou a recolher a CSLL a mesma alíquota estipulada para as empresas não pertencentes ao segmento financeiro (mandado de segurança n° 95.0059183-9), fato ignorado tanto no lançamento, quanto na decisão recorrida. 4 Processo n° 16327.000014/00-18 S I-CIT2 Fl. 3 Acórdão n.° 1102-00.459 Despacho de fls.382 atesta a tempestividade do recurso e encaminha os autos para o então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Novo despacho de fls.383/388, da DEINF S/PAULO aponta equívocos na decisão da DRJ e manda separar as parcela dos créditos tributários referentes h CSLL - dez/95 e dez/96, nas quais foi reconhecido o direito do contribuinte a anistia prevista na Lei 9779/99 e alterações e MP 38/2002. providência efetivada através do despacho de fls.395. aberto o processo 16327.000940/2006-50, encaminhado à PFN para conversão em renda do depósito judicial e conseqüente liquidação da parcela da CSLL abrangida pela anistia citada.0 processo é devolvido a DRJ/BSB para saneamento. Despacho de fls.396/7, o encaminha ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Acórdão 107-09.199 de 18/10/2007, fls.400/412 anula a decisão de primeiro grau e o devolve a instância anterior, conforme se v6e a partir da ementa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES — É nula a Decisão de Primeiro Grau que não enfrenta os argumentos e não analisa os fatos e documentos trazidos com a impugnação, devendo outra ser proferida em boa e devida forma. Despacho de fls.420 repisa a transferência para o processo 16327.000940/2006-50 dos créditos tributários liquidados pela anistia prevista na Lei 9779/99 e alterações e MP 38/2002, conforme despacho às fls. 383 a 387 e extrato de transferência juntado as fls. 394: E que neste processo estão sendo controlados os créditos tributários impugnados nos termos da MP 66/2002. Despacho de fls.422/25, da DRJ/BSB converte o julgamento em diligência. Resposta as fls.426. Decisão 03-27771, de 07/11/2008, fls.431/453, dá parcial provimento ao recurso para: I) quanto ao IRPJ do ano-calendário 1995, exonerar, integralmente, o respectivo crédito tributário lançado de oficio. 2) quanto a CSLL do ano-calendário 1995 objeto destes autos, reduzir o principal da CSLL de R$ 1.085.482,96 (valor impugnado) para R$ 901.026,67. Vale dizer, manter o valor remanescente do principal da CSLL R$ 901.026,67. juros de mora respectivos e multa de oficio. 3) No que concerne a CSLL do ano-calendário 1996: a) manter o principal impugnado da CSLL de R$ 1.175.367,38, bem como os juros de mora correspondentes; b) afastar a multa de oficio sobre o principal da CSLL de R$ 1.175.367,38, principal controlado nestes autos, pois antes do inicio da fiscalização o crédito tributário já estava coin a exigibilidade suspensa por medida judicial. Recurso voluntário é aviado em 30.04.2008 As fls.466/472, anexos de fls.473/518, onde repete todos os fatos acima narrados , ou seja que a exigência se baseia em duas infrações: a) falta de observância, do art. 43 da Lei n° 8.981/95, na redação dada através da Lei n° 9.065/95, que determina a exclusão, na formação da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD), do valor correspondente ao bem arrendado, no caso de pessoas jurídicas que operam corn arrendamento mercantil; b) baixa de créditos considerados incobráveis, à conta de PCLD, sem observância das restrições impostas na lei tributária, seja por não terem se esgotado os meios de cobrança, seja em face da existência de créditos com garantia. Informa que a época da autuação discutia nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0059183-9 o direito de deduzir, para todos os fins tributários, os encargos correspondentes A PCLD constituída nos termos da Resolução do BACEN n° 1.748/90, mesmo que excedendo aos limites estabelecidos no § 4° do art. 43 da Lei n° 8.981/95. Naqueles autos, havia realizado deposito judicial no valor de R$ 1.486.694,01 referente à CSLL devida no ano- calendário de 1995. Corn a edição da Medida Provisória n° 38, de 14 de maio de 2002 renunciara ao direito de discutir a matéria em juizo, formalizando, para tanto, o pedido de desistência da ação. Em razão disso, o citado deposito judicial foi convertido em renda da Unido e utilizado pela Secretaria da Receita Federal para abater o saldo de CSLL devido nos anos-calendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 585.667,34 e 555.682,22, respectivamente, com juros de mora e multa de oficio. Aponta a nova impugnação, aviada nos termos do art. 22 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que pen -nitiu a contestação de valor constituído de oficio que tivesse sido objeto de pagamento no contexto da anistia veiculada pela MP n° 38/02, caso houvesse divergência a respeito do valor efetivamente devido. Impugnação instruída corn os depósitos extrajudiciais dos valores controversos, no importe de R$ 265.312,10 (IRPJ) e R$ 3.763.061,32 (CSLL). Ali questionou a forma de apuração da matéria tributável que adicionou o valor constante da conta retificadora do ativo — PDD, quando deveria adicionar, apenas, o valor da despesa indedutivel com a PDD. Também abordou a necessidade de consideração do depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0059183-9, inclusive na condição de causa suspensiva da exigibilidade do credito tributário. Outro motivo para revisar o lançamento estaria na inobservância de provimento judicial A, época da autuação, que lhe autorizava calcular e recolher a CSLL conforme as demais empresas não pertencentes ao segmento financeiro, no período de 1° de janeiro a 7 de junho de 1996.(Mandado de Segurança n° 96.0009100-5). 0 restante do período é objeto de Recursos Especial e Extraordinário, ambos pendentes de juizo de admissibilidade perante o E. Tribunal Regional Federal da 3'. Regido, conforme certidão de objeto e pé anexa (doc. 01). Conforme fls. 450 da decisão proferida pela DRJ, no citado Mandado de Segurança há discussão da isonomia da CSLL para os anoscalenddrio de 1995 e 1996, evidenciando a relação de prejudicialidade entre a demanda judicial e o presente feito 6 Processo n° 16327.000014/00-18 SI-CIT2 Accirchio n. ° 1102-00.459 Fl. 4 administrativo quanto ao mérito da exigência, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80. Alia-se a isto o fato de que, conforme já antecipado, efetuou em conta vinculada ao presente processo administrativo depósito a titulo de CSLL no valor controverso de R$ 3.763.061,32, como condição para o regular processamento de sua impugnação, impositivo se torna o sobrestamento do presente feito até o definitivo julgamento do Mandado de Segurança n° 96.0009100-5, valor suficiente para suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II do Código Tributário Nacional. 0 depósito contempla o principal de CSLL nos anos-calendário de 1995 e 1996 no valor de R$ 2.260.850,34, enquanto o Demonstrativo de Debito "A" que instrui a Intimação Dicat/Eqcet n° 149/2009 aponta como saldo remanescente de CSLL nos citados exercícios o valor de R$ 2.076.394,05. Aponta, também que a parcela da multa de oficio cobrada sobre o valor de CSLL devido no ano-calendário de 1995 é objeto deste recurso, o que obriga a suspensão da cobrança do débito enquanto não houver julgamento. Pede o imediato sobrestamento da cobrança dos débitos indicados no Demonstrativo de Débito "A", tendo em vista a pendência de julgamento do Mandado de Segurança n° 96.0009100-5 e do recurso voluntário interposto nos presentes autos, de modo que tais débitos não representem óbice a obtenção de certidão positiva de débitos corn efeitos de negativa. Despacho de fls. 522 encaminha os autos ao CARP e atesta a tempestividade do voluntário. Por sorteio, os recebo para relato. Este é o Relatório. Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço. Cuida-se de lançamentos relativo ao ano-calendário de 1995 e 1996, decon-ente de exigências para o imposto de renda das pessoas jurídicas e contribuição social sobre o lucro liquido, nos anos calendários de 1995 e 1996, lavrados em 03/01/2000, no montante de R$ 8.932.445,79, conforme fls. 01/16. O Termo de verificação fiscal apontou a constituição da Provisão para Credito de Liquidação Duvidosa (PCLD) e realizações das baixas, corn respaldo nas normativas do Banco Central do Brasil, especialmente a Resolução n°1.748, de 30 de agosto de 1990 sendo todos os créditos originários de operações de arrendamento mercantil e, nos anos de 95 e 96 falta de adição no LALUR da PCLD, ou baixas indedutiveis. Conforme anteriormente relatado a decisão da DRJ, objeto da remessa necessária e do recurso voluntário assim decidiu: a) exonerou todo o IRPJ do ano-calendário 1995; b) reduziu o valor principal da CSLL do ano-calendário 1995 de R$ 1.085.482,96 (valor impugnado) para RS 901.026,67(principal).(valor remanescente da exigência do principal da CSLL de R$ 901.026,67 mais juros de mora respectivos e multa de oficio);; b.i)No ano calendário de 1996: b.i.a) manter o principal impugnado da CSLL de R$ 1.175.367,38, bem como os juros de mora correspondentes; b.i.b) afastar a multa de oficio sobre o principal da CSLL de R$ 1.175.367,38, principal controlado nestes autos, pois antes do inicio da fiscalização o crédito tributário já estava com a exigibilidade suspensa por medida judicial. Nesta assentada o i.Julgador Nelson Kischel em suas judiciosas razões assim expôs, conforme fls.444: "Em .face do reconhecimento da anistia fiscal pela DE1NF/São Paulo/8" Região Fiscal, que implicou exoneração de parte dos juros de mora e da multa de oficio respectiva quanto aos débitos da- CSLL dos anos-calendário 1995 e 1996 não impugnados (já quitados pela conversão do valor do depósito judicial em renda da União), o juizo de admissibilidade da impugnação substitutiva quanto aos créditos impugnados, apresentada com base no art 22 da MP 2002 já foi efetuado pela própria DEINF 387), verbis: E quanto aos limites do litígio apontou que do principal da CSLL contestado de R$ 2.260.850,34 dos anoscalenddrio 1995 e 1996 (R$ 1.085.482,96 + R$ 1.175.367,38), 8 $1, Processo n° 16327.000014/00-IS SI-CIT2 Accircido n.° 1102-00.459 Fl. 5 houve depósito extrajudicial desse principal da CSLL impugnado e respectivos juros de mora na quantia de R$ 3.763.061,32, conforme demonstrativo na fl. 310 e Guia de Deposito na fl. 202. Consigna que o valor da multa de oficio respectiva não foi depositado extrajudicialmente, sob argumento de que a multa foi lançada indevidamente, pois seria hipótese de lançamento para prevenir a decadência — crédito tributário suspenso por decisão judicial antes do inicio do procedimento de fiscalização (Lei 9.430/96, art. 63, § No tocante ao principal do 1RPJ impugnado de R$ 159.399,73 do ano- calendário 1995 houve depósito extrajudicial desse principal do IRPJ impugnado e respectivos juros de mora na quantia de R$ 265.312,10, conforme demonstrativo na fl. 310 e Guia de Depósito na fl. 201. A multa de oficio não foi objeto de deposito judicial, pois foi lançada indevidamente, uma vez que o crédito tributário. — antes do inicio da fiscalização —já estava com a exigibilidade suspensa. Ainda, quanto à diferença de valor tributável de R$ 799.310,60, o sujeito passivo alegou que teria havido erro de cálculo, pois o Auditor-Fiscal adicionou o valor constante da conta retificadora do Ativo - PDD, quando, na verdade, deveria ter adicionado apenas o valor da despesa indedutivel corn PDD. Nesse item as razões impugnatórias propugnam pelo cancelamento dessa diferença de valor tributável do IRPJ e reflexo (CS LL). Aqui tem razão o Relator do acórdão recorrido quando aponta o equivoco da fiscalização quanto ao ano-calendário 1995, pois o deveria adicionado ao lucro liquido na apuração do lucro real, apenas a despesa indedutivel de R$ 6.442.340,72, constante do registro contábil — conta de despesa coin PDD —8183040001 (Créd. Arrend Liquid Duvidosa ) no valor de R$ 5.829.314,35 e conta 8183060001 (Outros Créd de Liquid Duvid) no valor de R$ 613.026,37, conforme de documento na f1.119. Por isto correta a revisão do lançamento do 1RPJ e da CSLL do ano calendário 1995 em face da redução do valor tributável das infrações imputadas de R$ 7.241.651,32 para R$ 6.442.340,72, implicando, nessa parte, exoneração do crédito tributário do IRRI c da CSLL, respectivo, conforme demonstrado no voto recorrido. Corno se trata de CITO de fato, correta a exoneração procedida na base de cálculo, pois, comm.) ensina Paulo de Barros Carvalho (In Curso de Direito Tributário - Ed.Saraiva 2000 - fls.324) referindo-se as funções da base de cálculo lembra que sua finalidade é bem mensurar a intensidade das determinações contidas no núcleo do fato jurídico, para, combinando-o a aliquota, definir o valor a ser recolhido. Serve para confirmar, infirmar ou afinnar o critério material expresso na norma criadora do tributo. Instrumento jurídico que se presta para: "a) medir as proporções reais do fato; b) compor a especifica determinação da divida; c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma." Nos autos a base de cálculo atribuída esteve superavaliada,no entanto ajustada pela autoridade de primeiro grau e confirmada nesta instancia. Por todos esses motivos NEGO provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário remanesce o pedido para que seja excluída a multa de oficio da CSLL remanescente, conforme anteriormente apontado. A Recorrente comenta que os lançamentos se realizaram para prevenir a decadência nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96 e que na realização do lançamento estava albergada por medida judicial. Aponta, ainda, a relação de prejudicial idade entre a demanda judicial e o presente feito administrativo quanto ao mérito da exigência, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80, bem como informa que efetuou em conta vinculada ao presente processo administrativo deposito a titulo de CSLL no valor controverso de R$ 3.763.061,32, como condição para o regular processamento de sua impugnação, motivo que obrigaria o sobrestamento do presente feito até o definitivo julgamento do Mandado de Segurança n° 96.0009100-5. Observa, também, que o depósito extrajudicial realizado é mais do que suficiente para satisfazer a obrigação tributária em exame, representando evidente causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos ,do art. 151, II do Código Tributário Nacional. Isso porque, o deposito realizado contempla a titulo de principal de CSLL nos anos-calendário de 1995 e 1996 o valor de R$ 2.260.850,34, enquanto que o Demonstrativo de Débito "A" que instrui a Intimação Dicat/Eqcct n° 149/2009 aponta como saldo remanescente de CSLL nos citados exercícios o valor de R$ 2.076.394,05. Portanto restaria em litígio a parcela da multa de oficio cobrada sobre o valor de CSLL devido no ano-calendário de 1995 contestada em sede de recurso voluntário, o que obriga a suspensão da cobrança desse débito , também pendente de julgamento do Mandado de Segurança n° 96.0009100-5 de modo que tais débitos não representem óbice à obtenção de certidão positiva de débitos com efeitos de negativa. Todavia, compulsando-se os autos , no tocante ao ano calendário de 1995, consta o ajuizamento da ação de mandado de segurança preventivo contra a aplicação do § 4" do art. 43 da Lei 8.981/95 que tratava da formação da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa —PCLD; que essa norma do fisco, de forma restritiva, passou a disciplinar a matéria para fins tributários diversamente da legislação do Banco Central do Brasil; que, por isso, passou a questionar judicialmente a ilegalidade e inconstitucional idade da referida norma tributária. Na primeira instancia judicial, o juizo da 17" Vara Federal/SP, apreciando a petição do citado AMS, concedeu liminar inaudita altera parts, conforme decisão de 12/12/1995 as fls. 162/165. A Recorrente alega que a referida liminar, pelo menos ate a data da protocolização da impugnação, estaria vigente (31/01/2000), pois os autos do processo judicial ainda estariam, apenas, cOnclusos para sentença, conforme extrato do Sistema de Acompanhamento Processual de 24/01/2000 — Sumário das cinco Ultimas fases de movimentação — fls. 167/168. A decisão recorrida apontou que na data de inicio da fiscalização em 10/11/1998 (if 28), não havia provas nos autos de que a referida liminar estivesse em vigor. Todavia, em sede de recurso especial, a Recorrente apresentou a sentença de fls.482 e o andamento processual,f1s.493 que aponta, na data da lavratura do auto de infração, que ela se encontrava albergada por medida judicial, na seguinte cronologia: 1) 07/12/1995 — MS 95.0059183-9 impetrado para deduzir PDD nos moldes das normativas do BACEN; 1 0 Processo n° 16327.000014/00-18 SI-C1T2 Acórdão ri.° 1102-00.459 Fl, 6 2) 12/12/1995 — Liminar autoriza a dedução integral da PDD; 3)23/05/1996 — decisdo autoriza depósito judicial; 4) 14/11/2000 — sentença denega segurança e julga extinto o processo; 5) 18/03/1996 — MS 96.0009100-3 — isonomia CSLL; 6)01/04/1996 — sentença assegura recolhimento da CSLL na aliquota de 18%; 7)04/02/1998 — sentença concede parcialmente a segurança para recolhimento da CSLL a 18% de 01/01/1996 a 07/06/1996; 8) em 03/01/2000 — é lavrado o auto de infração pela irregularidade no PDD. Ou seja, na data da lavratura ao auto de infração vigia a segurança interposta na 2a• medida cautelar impetrada cujos efeitos refletem diretamente no lançamento questionado. Nesta ordem de juizos NEGO provimento ao recursos de oficio e dou provimento ao recursos voluntário. ri p., , ala ias P soa Monteiro Processo IV 16327.000014/00-18 SI-CIT2 Acórd5o n.° 1102-00.459 Fl. 7 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, / /2011. JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1 0 Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas corn ciência; [ ] corn Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração; 13
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000660/2004-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FUNDAMENTO LEGAL.
A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no §1º do artigo 3º da Lei 7.713/88.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Hipótese em que o contribuinte justificou em parte o acréscimo patrimonial.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.040
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 200.000,00, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FUNDAMENTO LEGAL. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no §1º do artigo 3º da Lei 7.713/88. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Hipótese em que o contribuinte justificou em parte o acréscimo patrimonial. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 200.000,00, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13411.000660/200432 Acórdão n.º 210101.040 S2C1T1 Fl. 278 2 Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 228/245) interposto em 6 de janeiro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) (fls. 127/134), do qual o Recorrente teve ciência em 07 de dezembro de 2009 (fl. 211), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/06, lavrado em 25 de agosto de 2004, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos, através de documentos hábeis e idôneos. Lançamento Procedente” (fl. 127). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 228/245, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13411.000660/200432 Acórdão n.º 210101.040 S2C1T1 Fl. 279 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que foi lavrado o auto de infração por acréscimo patrimonial a descoberto, por não existir recursos declarados suficientes para justificar os gastos efetuados para aquisição do apartamento n.º 10 do Edifício Rio Formoso, no valor total de R$ 248.700,00 (duzentos e quarenta e oito mil e setecentos reais). No contrato de compra e venda, verificase que o pagamento se deu da seguinte maneira: R$ 16.233,34 pagos em espécie no dia 25/11/2002; R$ 16.233,34 pagos no dia 25/12/2002; e R$ 16.233,34 pagos no dia 25/01/2003; e mais R$ 200.000,00, por meio de dação em pagamento das lojas n. 21, 23, 24 e 26 do Bloco B do Condomínio Mercado Cidade, todas de propriedade do Auto Posto Ambiental Ltda. Preliminarmente, sustenta o Recorrente a necessidade de suspensão do feito ou a nulidade do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial n.º 2009.83.080006076. Da análise dos documentos juntados referentes à aludida demanda judicial (fls. 214/226 e 263/275), verificase que esta tem por objeto exclusivamente o cancelamento da inscrição em dívida ativa do débito e da respectiva execução fiscal, em razão da alegada nulidade na intimação do contribuinte acerca do julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O Recorrente obteve êxito, até o momento, na referida demanda, por ter entendido o Judiciário que realmente houve cerceamento de defesa em razão da intimação do acórdão da DRJ ter ocorrido em endereço desatualizado do contribuinte, impossibilitando a interposição de recurso voluntário e ocasionando o lançamento do débito em dívida ativa. Assim, a execução fiscal ajuizada foi extinta, conforme restou determinado pelo Poder Judiciário, devendose retomar o processo administrativo a partir do momento em que ocorreu a alegada nulidade. Dessa forma, o presente julgamento nada mais faz do que cumprir a determinação judicial, sanando a alegada nulidade e permitindo ao Recorrente apresentar o recurso voluntário ora em exame, em atenção à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, não havendo que se falar em nova nulidade na intimação ou necessidade da suspensão do processo administrativo até o trânsito em julgado judicial. No que toca ao mérito, convém salientar que o Recorrente apenas recorreu de parte do crédito tributário, qual seja, o valor do imposto de renda lançado com base no acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 200.000,00, decorrente da dação em pagamento dos imóveis situados no bloco B do Condomínio Mercado Cidade, lojas n.º 21, 23, 24 e 26, Petrolina, Pernambuco. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13411.000660/200432 Acórdão n.º 210101.040 S2C1T1 Fl. 280 4 A Lei 7.713/88 estabeleceu que a diferença à maior apurada entre os dispêndios e as origens de recursos cria uma presunção de omissão de receita, cabendo ao próprio contribuinte o dever de comprovar que o referido acréscimo patrimonial encontrase justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva: “Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, de omissão de rendimentos tributáveis no caso de existirem acréscimos patrimoniais não correspondentes ao rendimentos declarados, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita mês a mês, conforme iterativa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: “IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – CRITÉRIO DE APURAÇÃO – A partir do ano calendário de 1989, a omissão de rendimentos revelada através de “Acréscimo Patrimonial a Descoberto”, deve ser apurada mensalmente nos exatos termos do art. 2º. da Lei nº. 7.713, de 1988.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso de Divergência, Acórdão CSRF/0400.415, relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, sessão de 12/12/2006) “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – Sujeitase à tributação, por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.” (1º Conselho de Contribuintes, 2 Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007) “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL APURAÇÃO MENSAL Tendo o imposto de renda tributação à medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13411.000660/200432 Acórdão n.º 210101.040 S2C1T1 Fl. 281 5 atividade do contribuinte, voltarse para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao princípio constitucional tributário da isonomia. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002) Alega o Recorrente que as lojas dadas em pagamento pertenciam ao Auto Posto Ambiental e que a dívida de R$ 200.000,00 com a referida empresa constou na sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF correspondente ao anocalendário de 2003, declaração esta que deve ser aceita, pois foi entregue dentro do prazo determinado pela própria Receita Federal do Brasil, qual seja, 30/04/2004. A DRJ não havia considerado a dação em pagamento pelos seguintes motivos: “Analisandose o Contrato Particular de Compra e Venda firmado entre o contribuinte e o Auto Posto Ambiental Ltda., às fls. 31/33, e relacionada à compra das salas comerciais precitadas, inferese, da leitura da sua cláusula 3ª, que o promissáriocomprador, no caso, o contribuinte, se comprometeu a pagar pelos referidos imóveis, R$ 200.000,00, logo que conseguisse repassar ou vender esses imóveis a terceiros, respeitadas as condições da negociação realizada. Dessa forma podese concluir, de plano, que no momento em que o promissáriocomprador, no caso o contribuinte, realizou a venda dos imóveis traduzida em dação em pagamento desses na compra de um outro imóvel, de acordo com a cláusula acima comentada, houve a realização da operação necessária ao adimplemento do que foi acordado na referida cláusula, ou seja, teria o promissário comprador que efetivar o pagamento do valor relacionado à compra em comento.” (fl. 133) Ocorre, todavia, que o fato de o contribuinte não ter cumprido o contrato com o Auto Posto Ambiental não elide a conclusão de que o pagamento do imóvel que teria dado ensejo ao APD não foi feito em espécie, mas por meio de dação em pagamento de imóveis que teriam sido recebidos do Auto Posto Ambiental, principalmente no presente caso, em que o inadimplemento da obrigação do Recorrente constou nas DIRFS dos anoscalendário de 2003 em diante, inclusive com quitação do Auto Posto Ambiental (fl. 261). A alegação de que era um recibo unilateral não é suficiente para afastar a validade deste, já que seria este o único documento a ser exigido no caso concreto. No presente caso, o Auto Posto Ambiental celebrou escritura pública de dação em pagamento em favor da Construtora (fl. 23). Observese ainda que nada indica que o Posto teria recebido algum valor na data da celebração do instrumento particular de promessa de compra e venda celebrado entre o contribuinte e o Posto, até porque a dação em pagamento foi feita pelo próprio Posto dois dias depois da data da assinatura do instrumento de promessa de compra e venda (23 e 25 de novembro de 2002). Notese ainda que a informação foi dada pelo contribuinte durante a ação fiscal e que os mesmos contratos foram apresentados pela Construtora. De qualquer forma, cumpre observar, ainda, que não foi efetivamente elaborado um demonstrativo de origens e aplicações, pois o “demonstrativo” de fls. 56 e 58 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13411.000660/200432 Acórdão n.º 210101.040 S2C1T1 Fl. 282 6 não considerou nenhuma outra origem ou dispêndio além dos valores pagos para efeitos da compra do imóvel. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 200.000,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 15983.000554/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005, 2006.
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1
(DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de glicídio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005, 2006. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de glicídio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado.
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MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITANCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia às inskinciav administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de glicio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discut entes autos. Acordam os Memb o, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos. o voto da jÇj ra. Giovanni sidente Acácia Stri Wa Felatora EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Ntabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face da contribuinte CARMEN ALVAREZ QUINTO, CPF/MF n° 158.962.808-07, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 18/01/2008, auto de infração (fls. 01 a 14), a partir da revisão de suas declarações de ajuste anual, referente aos anos- calendários 2003, 2004, 2005, 2006, com o lançamento do imposto de renda, multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 173.086,23. Conforme descrição dos fatos, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste rendimentos decorrentes de aposentadoria de anistia, como isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme bem relatado pela DRJ, da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual conferiria o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado politico, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. 0 crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar, da l a Vara Cível da Justiça Federal de Santos, razão pela qual também não foi aplicada a multa de oficio de 75%, em processo tombado sob o n°2002.61.04.011141-4. A 3' Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou por não conhecer da impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-31.697, 06 de maio de 2009 (fls. 80 a 84), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMIT4NCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia as instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 01/06/2009, cujo qual interpôs recurso voluntário em 03/06/2009, no qual assim assevera: 3. Pelo que se percebe, a r. decisão da Primeira Instância Administrativa não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e justiça tributária, ao fundamentar seu decisum, nos seguintes pontos: "No caso em questão o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.61.04.011141-4, com pedido de liminar, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo a anistia política "0 objeto da demanda judicial, portanto, é o mesmo tratado neste processo administrativo. Tal fato demonstra que o contribuinte fez clara opção pela via judicial em detrimento da Processo n° 15983.000554/2008-23 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.259 F l. 90 via administrativa, uma vez viger no Brasil o principio da Unidade de Jurisdição ou Sistema de Jurisdição Unica, segundo o qual a função jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário. (-) 5. DO PROCESSO JUDICIAL — Mesmo com advento da Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002, o pagamento da aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados politicos continuou sendo efetuado pelo INSS. 0 artigo 90 da referida Lei estatuiu que "os valores mencionados não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, as caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias." E, ainda, segundo seu parágrafo único, tais valores, pagos a titulo de indenização a anistiados politicos, são ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA. 6. Ocorre que o artigo 19 da referida lei enseja a interpretações a cerca da anistia política concedida anteriormente a Constituição da República, se seria beneficiada pela isenção, caso da requerente. Entretanto a matéria foi esclarecida pelo Decreto 4.987, de 25 de novembro de 2003, editado pelo Presidente da República, para regulamentar o referido artigo 19, da Lei 10.559/02, expressamente incluiu as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados politicos (§ 1°, do artigo 1°, do Decreto 4987/03). 7. Com efeito, mesmo alcançando os pagamentos de aposentadoria e de pensões de anistiados politicos que trata o artigo 19, da Lei 10.559/02, o INSS não reconhecia a isenção do Imposto de Renda em relação aos benefícios na forma prevista no artigo 90, parágrafo único da Lei 10.559/02, isto porque, era o responsável tributário pelas retenções do IRRF e pelas informações fiscais perante a Receita Federal. 8. Nesse diapasão, o recorrente, para se valer do direito, e para que a Autarquia viesse a obedecer ao principio da legalidade e segurança jurídica (art. 37, caput, da CF), conforme disposto na Constituição e na Lei, impetrou Mandado de Segurança, contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, objetivando a declaração de inexigibilidade do Imposto Sobre a Renda, sobre a indenização recebida a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado. Observa-se no processo judicial que mesmo diante dos apelos do INSS/Gerente Executivo da Autarquia, que arguiram ilegitimidade passiva, ambos foram mantidos no pólo passivo da ação, uma vez que era o responsável pela retenção. A Unido (Fazenda Nacional) foi posteriormente incluída na ação. Portanto, o que objetiva a recorrente na ação judicial é a declaração da inexigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os benefícios pagos pelo INSS, auferidos a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado politico. (..) o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa o recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 2002.61.04.011141-4, sem solução definitiva na instancia judicial. Vê-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação ordinária citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Camara da Segunda Seção do CARP reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. E de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instância. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.'). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento à apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria — v. Informativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepulveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta à garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional. Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege Processo n° 15983.000554/2008-23 S2-C1T2 Acórdão n° 2102-01.259 Fl. 91 tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. RE 233582/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582)— grifou-se - Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. ANTE 0 EXPOSTO, voto no sentido de reconhecer que o objeto do presente feito administrativo está en. e discutido na via judicial, o que implica em NEGAR PROVIMENTO AØ EC ri Wakaugi Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARP serão consubstanciadas em sumula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 5
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Numero do processo: 15521.000299/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE COMPRAS DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS PELO FISCO.
Por presunção legal contida no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Afastam-se da demanda fiscal, contudo, os valores correspondentes às notas fiscais de compras de mercadorias cujos pagamentos não foram comprovados pela fiscalização, em virtude da falta de previsão legal que autorize a presunção.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A prática de não registrar na contabilidade as operações econômicas de compras e seus pagamentos evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de ofício.
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL.
É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, ultrapassou o limite de receita bruta correspondente a R$ 1.200.000,00 no ano-calendário de 2003. Remanescendo concluso que a somatória do valor da receita omitida e a declarada pelo sujeito passivo não ultrapassou o limite anual, impõe-se cancelar o ato administrativo de exclusão do regime simplificado.
Numero da decisão: 1102-000.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento do recurso de ofício para restabelecer as exigências afetas ao mês de maio do ano-calendário de 2003, respeitada a sistemática do SIMPLES, correlatas à base de cálculo na ordem de R$ 13.658,55, ora mantida.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE COMPRAS DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS PELO FISCO. Por presunção legal contida no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Afastam-se da demanda fiscal, contudo, os valores correspondentes às notas fiscais de compras de mercadorias cujos pagamentos não foram comprovados pela fiscalização, em virtude da falta de previsão legal que autorize a presunção. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática de não registrar na contabilidade as operações econômicas de compras e seus pagamentos evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de ofício. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL. É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, ultrapassou o limite de receita bruta correspondente a R$ 1.200.000,00 no ano-calendário de 2003. Remanescendo concluso que a somatória do valor da receita omitida e a declarada pelo sujeito passivo não ultrapassou o limite anual, impõe-se cancelar o ato administrativo de exclusão do regime simplificado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE COMPRAS DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS PELO FISCO. Por presunção legal contida no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Afastamse da demanda fiscal, contudo, os valores correspondentes às notas fiscais de compras de mercadorias cujos pagamentos não foram comprovados pela fiscalização, em virtude da falta de previsão legal que autorize a presunção. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática de não registrar na contabilidade as operações econômicas de compras e seus pagamentos evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL. É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, ultrapassou o limite de receita bruta correspondente a R$ 1.200.000,00 no anocalendário de 2003. Remanescendo concluso que a somatória do valor da receita omitida e a declarada pelo sujeito passivo não ultrapassou o limite anual, impõese cancelar o ato administrativo de exclusão do regime simplificado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.699 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento do recurso de ofício para restabelecer as exigências afetas ao mês de maio do anocalendário de 2003, respeitada a sistemática do SIMPLES, correlatas à base de cálculo na ordem de R$ 13.658,55, ora mantida. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. José Sérgio Gomes Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso de ofício previsto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, interposto pela 8ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ, em face daquele Colegiado ter julgado improcedente os lançamentos efetuados em 28/12/2007 pela Delegacia da Receita Federal em Campos dos GoytacazesRJ com vistas à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social Previdenciária (CSP), acrescidos de multas de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), como também, improcedente a exclusão de ofício da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), efetuada em 26 de setembro de 2007, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2004. A ação fiscal consistiu na tributação, a título de omissão de receitas, dos valores de compras de cimento e argamassas junto a COMPANHIA CIMENTO PORTLAND ITAÚ e CIMENTO RIO BRANCO S/A (grupo Votoran) e por estas informados, cujos recursos para os pagamentos, não registrados na contabilidade, não teve a origem comprovada (Lei nº 9.430/96, artigo 40). No anocalendário de 2003 as exigências fiscais respeitaram o regime de tributação pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), enquanto nos anoscalendário de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.700 3 2004 e 2005 as exigências do IRPJ e CSLL deramse pelo regime de tributação do lucro arbitrado nos quatro trimestres civis dos respectivos anoscalendário e na seara das contribuições ao PIS e COFINS a tributação incidiu sobre as receitas mensais (janeiro a dezembro). A Fiscalização fez constar que a autuada informou compras em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais Simplificadas (DIPJS) dos anoscalendário de 2003 a 2004 na ordem de R$ 160.881,03, R$ 126.522,87 e R$ 119.716,07 enquanto as notas fiscais e relatórios apresentados pelos fornecedores revelaram as cifras de R$ 8.232.783,18, R$ 9.744.592,09 e R$ 6.601.022,92, respectivamente. O ato de exclusão do SIMPLES calcouse na premissa de que a receita bruta no anocalendário de 2003 ultrapassou o limite legal de enquadramento nesse regime incentivado, qual seja, de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Impugnando os lançamentos a contribuinte alegou preliminares de vícios nos lançamentos, seja pela invalidade do arbitramento do lucro sem antes lhe ter sido ofertada a prerrogativa legal de opção pelo regime do lucro presumido e/ou pela equivocada presunção de que tudo o que foi comprado foi revendido. Ainda em preliminar, trouxe a nulidade dos autos de infração em vista da exclusão da empresa do SIMPLES retroagir efeitos a períodos anteriores à edição do Ato Declaratório Executivo nº 21, de 18/09/2007, o qual fora tempestivamente impugnado e pende de julgamento, isto é, não haveria se falar em exclusão definitiva. Pugnou pelo incabimento de multa à ordem de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão do caráter confiscatório. Também, pela improcedência das tributações reflexas quando o regime de tributação do IRPJ deuse pelo lucro arbitrado, consoante, inclusive, Pareceres e Soluções de Divergência editados pela Receita Federal do Brasil. Asseverou que houve erro na apuração da base de cálculo e conseqüente erro de lançamento porque o trabalho fiscal considera como receita omitida a totalidade das compras informadas por terceiros, mas não considera os valores que esses mesmos terceiros informaram que não foram pagos no ano calendário objeto do lançamento. Assim, ocorreu erro na apuração do quantum em razão de não terem sido expurgados os valores dos títulos referentes a compras de 2003 liquidados em 2004; relativos a compras de 2004 liquidados em 2005 e também referentes a compras de 2005 liquidados em 2006, sendo que tais títulos estão relacionados às fls. 1.263 e seguintes, podendo facilmente ser verificado o montante a ser excluído. Além disso, existem informações desencontradas pois o terceiro informante (CNPJ 64.132.236/000103) diz que as compras no anocalendário de 2005 totalizaram R$ 6.017.422,93 (fl. 96) mas também fala (fls. 245 e seguintes) que foram R$ 6.601.022,92, de forma que não se sabe qual a informação correta, ensejando até mesmo dúvida se nenhuma delas o é. Ainda, que a compensação dos pagamentos efetuados com DARF/Simples no ano calendário de 2003 se fez pelo regime de caixa, quando deveria sêlo de competência, de forma que apenas onze pagamentos (fevereiro a dezembro) foram excluídos da exigência, quando o correto seriam doze. Já no tocante aos anoscalendário de 2004 e 2005 foi sugerido à contribuinte que solicitasse a compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.701 4 sugestão esta que não supre a obrigatoriedade da determinação da exigência do valor correto do crédito tributário lançado. Afirmou que houve cerceamento do direito de defesa ante os fatos de que as conclusões da autoridade fiscal no tocante à base de cálculo e valor tributável contêm inconsistências na apuração dos valores, bem assim, por não ter tido acesso aos processos administrativos de representação fiscal para fins penais e de arrolamento de bens, em que pese várias tentativas de vistas. Discutiu a inexistência de dolo, já que não comprovado pela autoridade fiscal, o que torna ilegítima a exigência de multa qualificada. Disse que a autoridade fiscal valeuse do artigo 40 da Lei nº 9.430/96 para enfatizar que a omissão de compras se caracteriza como omissão de receita, porém baseada apenas em informações obtidas de terceiros sem aprofundamento da fiscalização como exigido no artigo 41 da Lei nº 9.250/96, em especial o § 3º, segundo o qual mesmo no caso de mercadorias adquiridas para revenda deve a omissão de receita ser apurada pela diferença entre os estoques do início e final do período de apuração e que, além disso, não haveria falar em vendas à margem da escrituração porque a empresa não estava obrigada escriturar suas operações pelo Lucro Real. Por fim, que em se tratando de omissão de compras o índice de arbitramento do lucro a ser utilizado seria de quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês, consoante inciso V do artigo 535 do RIR/99, mesmo porque a experiência comum mostra que a mercadoria cimento é profundamente afetada por incidentes normais, como perda de estoque provocada por deficiência de embalagem e casos fortuitos como roubo de carga, etc. Requereu, ao final, a decretação de nulidade do lançamento em face das preliminares suscitadas e, no mérito, a improcedência do lançamento e ainda, acaso não acolhidos os pedidos anteriores, seja aplicado o critério de arbitramento do artigo 535, V, do RIR/99, bem como, a redução da multa para o percentual normal de 75%. Em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, originariamente abrigado no processo administrativo fiscal nº 15521.000145/200783, o qual foi juntado por anexação ao presente na forma do termo próprio à fl. 1.670, a impugnação da excluída assevera que o ato administrativo se apoiou em precipitadas conclusões de omissão de receita que, por sua vez, encontrase fundada em mera presunção resultante de informações prestadas por terceiros, sem que a fiscalização se debruçasse na demonstração material delas. Além disso, que seus depósitos foram inundados por diversas enchentes nos últimos anos, resultando perda de estoques e documentos e que apesar dos esforços para recompor a escrituração não se consegue que esta se dê num prazo de apenas dois dias concedidos pelo Fisco. Ainda, que mesmo se confirmando o impedimento à permanência no SIMPLES os efeitos da exclusão somente poderiam produzir efeitos a partir da exclusão definitiva, ou seja, após o trânsito em julgado administrativo ou judicial do procedimento que culminou com a exclusão, jamais retroativamente. Aquela 8ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e refutou a preliminar de nulidade e, no mérito, entendeu improcedentes os lançamentos, deferindo, em conseqüência, a solicitação de cancelamento da exclusão do SIMPLES, assim ementando o Acórdão nº 12 21.701, tomado por unanimidade de votos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.702 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. NÃO ADEQUAÇÃO DOS FATOS APURADOS À NORMA LEGAL. Não constando dos autos a comprovação de que os pagamentos tidos como efetuados não se encontram escriturados, incabível a autuação tendo por base legal o art. 40 da Lei n° 9.430/1996. EXCLUSÃO. SIMPLES. LIMITE RECEITA BRUTA. Não restando comprovado que a interessada, no ano calendário de 2003, ultrapassou o limite legal de receita bruta previsto para as empresas de pequeno porte, deve ser cancelada a exclusão do SIMPLES. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 SIMPLES. EXCLUSÃO REVISTA. IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Constitui condição para o arbitramento do lucro da pessoa jurídica optante pelo SIMPLES a anterior exclusão de oficio da referida sistemática. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA E PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.703 6 Incabível a adoção pelo Fisco de critério que considera como receita bruta conhecida para fins de arbitramento do lucro o valor das compras, constituindo violação, na espécie, do princípio da legalidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Decorrendo as exigências das mesmas imputações que fundamentaram os lançamentos do IRPJ, devem ser adotadas, no mérito, as mesmas decisões proferidas para o Imposto de Renda, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.” A impugnante foi cientificada do decisório em 17 de março de 2009, consoante “aviso de recebimento” de fl. 1.695. Não há contrarazões. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator O valor exonerado de crédito tributário supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual se acolhe o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. No que toca à preliminar de nulidade do lançamento observo que a r. decisão recorrida bem aplicou o direito, pois não incorridas as hipóteses expressamente previstas no artigo 59 da norma processual (Processo Administrativo Fiscal – PAF, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Com efeito, encontrandose os autos de infração, como efetivamente se encontram, lavrados e assinados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil regularmente investido na competência legal atribuída pelo artigo 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002 (com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007), bem assim, ocorrida regular ciência à autuada dos termos lavrados durante o procedimento fiscalizatório, aliado ao fato de que os atos administrativos descrevem e capitulam as infrações imputadas pela autoridade fiscal, descabe cogitar na incompetência da autoridade autuante e/ou em cerceamento do direito de defesa. Ademais, ainda que remanescesse demonstrada a falta de “vistas” dos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.704 7 processos administrativos afetos à representação fiscal para fins penais e ao de arrolamento de bens isso poderia, quando muito, gerar nulidades destes específicos procedimentos, sem o condão, portanto, de contaminar o ato administrativo do lançamento, vez que obediente à norma em foco e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). As demais preliminares se confundem com o mérito. Assim, conjuntamente com este serão apreciadas. A r. decisão recorrida, após transcrever o artigo 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e consignar que partindose de um fato conhecido a não escrituração de pagamentos chegase a um fato conhecido, porém presumido a omissão de receitas , cuja validade ainda requisita a falta de comprovação, por parte do sujeito passivo, da origem dos recursos utilizados nesses pagamentos, entendeu que no caso em julgamento não teria sido observada a legislação, a ver: “Entretanto, no presente caso, quando da apuração do montante tributável não foi observada corretamente a legislação citada anteriormente, conforme se verifica a seguir. Embora a presunção legal verse sobre "a falta de escrituração de pagamentos", não consta dos autos que os pagamentos tidos como efetuados não se encontram devidamente escriturados já que não houve análise da escrituração fiscal/contábil. É fato inconteste que os livros não foram apresentados durante o procedimento de fiscalização. Portanto, não tendo sido corretamente apurado o suporte fático — a não escrituração de pagamentos — fica prejudicada a constatação do fato não conhecido, porém presumido — a omissão de receitas, que seria objeto da presente autuação.” Com todo o respeito, ouso divergir dessa compreensão que indica condicionar, para a implementação da presunção legal, a efetiva presença de escrituração mercantil e/ou fiscal e, uma vez existente, que nela não constem registros de pagamentos. Ora, diz o artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996, que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presunção de omissão de receita. Assim, tenho que a falta desses registros compreendese tanto na hipótese de existência de escrituração efetiva sem os lançamentos contábeis de pagamentos quanto na de inexistência ou negativa de apresentação da própria escrituração. Constatado o implemento do requisito legal, qualquer que seja das duas hipóteses, iniciase o iter para consolidação da presunção prevista pelo legislador, a requerer a necessária intimação do sujeito passivo para demonstrar a origem dos recursos utilizados nos pagamentos crivados pela suspeita. No caso dos autos optou a contribuinte pela não apresentação da escrituração específica que se impõe àqueles que se utilizam de regime de tributação incentivada denominada SIMPLES, a ver: “Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 7° ........................................................................................ . Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.705 8 § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores.” Portanto, não se sustenta o entendimento de que pessoas jurídicas usuárias do regime do SIMPLES não estariam obrigadas à escrituração de pagamentos efetuados, pois contextualizados na definição de movimentação financeira. Dessa forma, a inexistência desses registros legitima a imputação de que mantidos à margem da escrita, afirmação revestida com maior propriedade quando sequer escrita existe ou não é apresentada. Compulsando os autos verifico que a contribuinte tem por atividade econômica o comércio atacadista de cimento, consoante relata seu estatuto social. Igualmente, observo que o Fisco colheu relação de notas fiscais de vendas emitidas pelos fornecedores e ainda cópias de algumas destas, fls. 104/242 e 246/1.122, as quais enunciam condições de pagamento à vista e a prazo, em média de 15 a 18 dias. Nada obstante a contribuinte não ter atendido à intimação fiscal de fl. 1.243 no sentido de efetuar quadro demonstrativo dos pagamentos efetuados, nem tampouco apresentado os comprovantes, não há dizer que ditos pagamentos não teriam sido efetuados, seja porque nem mesmo negativa desses pagamentos fora suscitada pela contribuinte, seja em razão dos pagamentos serem confirmados pelos seguintes fatos: A uma porque não se concebe, ao menos em um regime econômico capitalista, que os fornecedores Cimento Votoran/Votorantim e Cimento Portland Itaú fornecessem a mercadoria cimento durante três longos anos a quem se apresentasse inadimplente. A duas porque a própria autuada confessou os pagamentos quando de sua resposta de fls. 1.241, onde esclareceu que a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras foi seu crédito na empresa fornecedora, a qual oferecia de 10 a 15 dias de para o pagamento, sendo que nesse lapso de tempo conseguia a venda do produto com um ínfimo lucro, que mal atingia as despesas decorrentes do negócio. A três porque Votorantim Cimentos Ltda. relatou os pagamentos que lhe foram efetuados pela autuada, mostrando o número do título, forma de pagamento, situação, data da emissão, data de vencimento, data do pagamento e valor recebido, consoante fls. 1.263 e seguintes. Entendo, assim, que a autoridade autuante realizou o aprofundamento das investigações e esse resultado, aliado ao silêncio da autuada, autoriza, em princípio, a presunção legal de omissão de receita a que alude a primeira parte do artigo 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entendimento pacificado neste Conselho, a ver: “OMISSÃO DE RECEITAS COMPRAS NÃO REGISTRADAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS EXISTÊNCIA DE Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.706 9 PRESUNÇÃO LEGAL EXPRESSA A falta de escrituração de pagamentos efetuados na compra de mercadorias pela pessoa jurídica, as quais também não estão registradas na contabilidade, evidencia que os pagamentos foram efetuados com recursos mantidos à margem da contabilidade, o que autoriza a presunção de omissão de receitas, conforme o disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996.” Acórdão 10515.459, de 08/12/2005. “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE REGISTRO DE COMPRAS Devidamente comprovada pela fiscalização a omissão do registro de compras, bem como o respectivo pagamento das mesmas no próprio anocalendário, deve ser mantido o lançamento de oficio constituído a título de omissão de receitas.” Acórdão 10195.831, de 20/10/2006 Também consignou a r. decisão recorrida que o lançamento seria improcedente porque foram totalizados e tributados valores das compras nos meses correspondentes às respectivas aquisições e não nos meses em que ocorreram os efetivos pagamentos das mesmas, citando, a título exemplificativo, a nota fiscal nº 366.897 com data de emissão de 21/01/2003 e data de vencimento em 05/02/2003 (fl. 354) no valor de R$ 4.503,42, o qual foi considerado receita omitida no mês de janeiro/2003. Depreendese dos autos que a base que serviu de cálculo aos tributos foram os valores mensais extraídos das relações de notas fiscais de fls. 104/118 (Votorantim Cimentos Brasil – Moagem Volta Redonda, em nome de Companhia Cimento Portland Itaú) e de fls. 246/339 (Votorantim Cimentos Brasil – Fábrica Rio Negro), abrangendo as emissões de 02/01/2003 a 30/12/2005. Por sua vez, algumas faturas colacionadas aos autos indicam a condição de pagamento “à vista”, enquanto a maioria delas enunciam o prazo médio de pagamento de 18 (dezoito) dias. Esse acervo documental, portanto, não possibilita afirmar que os pagamentos se deram na mesma data das compras, ou seja, não se faz possível a exata identificação das datas em que os pagamentos foram efetuados, assistindo razão às defesa e decisão recorrida no sentido de que os períodos de apuração, melhor dizendo, o montante tributável em cada trimestre no caso do IRPJ e CSLL e os meses civis em cada anocalendário no caso das demais exigências (PIS, COFINS e CSS) encontramse impactados por essa realidade. Assim, a quantificação dos pagamentos e a conseqüente receita omitida há de ser tomada do relatório de pagamentos fornecido por Votorantim Cimentos Ltda. intitulado “Posição de títulos em aberto e liquidados – CCC Comércio de Cimentos Cambuci Ltda” de fls. 1.263/1.345, o qual indica, entre outros elementos, os valores dos pagamentos e as datas em que realizados, sendo de se descartar os adimplementos havidos em 2006 por envolverem de período estranho aos fiscalizados, muito embora se referiam a compras efetuadas no ano de 2005. Todavia, exsurge circunstância obstativa da exclusão do regime do SIMPLES e, via de conseqüência, impedimento das exigências nos anoscalendário de 2004 e 2005. É que este relatório contém inconsistência, já que lista tão somente 3 (três) pagamentos no anocalendário de 2003, fl. 1.263, perfazendo a quantia global de R$ 13.658,55, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.707 10 nada obstante as compras nesse anocalendário, igualmente informadas por Votorantim Cimentos Ltda, ultrapassarem a cifra dos oito milhões de reais. Assim, no anocalendário de 2003 a contribuinte não teria perecido do direito de fruição do regime de tributação simplificada (SIMPLES), pois, somandose a omissão de receita (R$ 13.658,55) àquela declarada pela contribuinte em sua DIPJSimples (R$ 160.881,03) inocorre o extrapolamento do teto legal de fruição de R$ 1.200.000,00. Considerando que a exclusão do SIMPLES exteriorizada no Ato Declaratório Executivo nº 21, cientificado em 26 de setembro de 2007, deuse unicamente em razão do ultrapasse do teto de receita anual, calcado no equivocado entendimento de que a omissão de receita baseada tãosomente nos valores das notas fiscais de compras seria válida, outro não é o caminho que não reconhecer sua improcedência. Conseqüentemente, perecem as exigências fiscais dos anoscalendário de 2004 e 2005, vez que lastreadas em regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, que só se validariam se plenamente eficaz a exclusão do regime de tributação especial (Lei nº 9.317, de 1996, artigo 16). No que toca à multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) tenho que em se tratando de pessoa jurídica e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela legislação em vigor, bem como, o fato da receita auferida exprimir se na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e CSP, cumpre à contribuinte emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, efetuar o pagamento do tributo e entregar declaração ao Fisco, estes dois últimos não necessariamente nesta ordem. Assim, a conduta fraudulenta só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade, já que a declaração ao Fisco, seja com cunho de confissão de tributo ou de noticiar os fatos econômicos que o geraram, caracteriza um posterius à toda a operação ínsita ao lançamento por homologação. No caso dos autos foi apurada a existência de operações econômicas não levados a registro a registro no livro “Caixa”, de escrituração obrigatória aos optantes pelo regime de tributação do SIMPLES ou no facultativo livro “Razão”, caracterizando, dessa forma, a conduta fraudulenta. Finalmente, no que diz respeito às argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária que prevê a pena de multa e sua graduação, tenho que a matéria foge à alçada das autoridades administrativas julgadoras, por não disporem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Cediço que todas as leis vêm ao mundo jurídico gozando de presunção de constitucionalidade, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. Embora exista a possibilidade de afrontarem a Constituição instituiuse, por esta razão, os controles de constitucionalidade dos atos legais (difuso e concentrado), mas são eles da exclusiva alçada do Poder Judiciário, consoante artigo 102 da Constituição. Contudo, diante do disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, o qual estabelece que “... devem os órgãos julgadores, singulares ou Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 15521.000299/200775 Acórdão n.º 110200.393 S1C1T2 Fl. 1.708 11 coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, resta salientar que inexiste até a presente data decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata da multas de ofício e sua gradação. Registro, ainda, que a Súmula nº 2 deste Conselho assim se expressa: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com tais razões, VOTO pelo parcial provimento do recurso para restabelecer as exigências afetas ao mês de maio do anocalendário de 2003, respeitada a sistemática do SIMPLES, correlatas à base de cálculo na ordem de R$ 13.658,55, ora mantida. José Sérgio Gomes Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 11/07/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO
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Numero do processo: 37193.001349/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/03/2003
CONTRATO DE PARCERIA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não se configura como contrato de parceria rural a contratação de
trabalhadores rurais, por prazo determinado, para a execução de trabalhos agrícolas a terceiros.
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PROCEDÊNCIA.
Constitui infração à obrigação tributária acessória fixada no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. Art. 18, I e §1º do Decreto nº 3.048/99 a não inscrição no Regime Geral de Previdência Social de segurado empregado que lhe preste serviços, ficando o infrator sujeito à penalidade pecuniária prevista no §2º do art. 283 do RPS.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2302-001.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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NÃO CONFIGURAÇÃO. Não se configura como contrato de parceria rural a contratação de trabalhadores rurais, por prazo determinado, para a execução de trabalhos agrícolas a terceiros. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à obrigação tributária acessória fixada no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. Art. 18, I e §1º do Decreto nº 3.048/99 a não inscrição no Regime Geral de Previdência Social de segurado empregado que lhe preste serviços, ficando o infrator sujeito à penalidade pecuniária prevista no §2º do art. 283 do RPS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, Fl. 150DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração MPF: Junho/1998 a Dezembro/2000. Data da lavratura da Auto de Infração: 13/03/2003. Data da ciência do Auto de Infração : 18/03/2003. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c/c art. 18, inciso I e §1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente em razão de ele ter deixado de promover a inscrição no Regime Geral de Previdência Social de 29 segurados obrigatórios, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 02/04. CFL 56 Deixar a empresa de inscrever o segurado empregado. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista §2º do art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/1999, no valor vigente, atualizado pela Portaria MPAS nº 525, de 29 de maio de 2002, de R$ 827,86 por contrato de trabalho não formalizado e segurado empregado não inscrito, perfazendo um montante global de R$ 24.007,94 (vinte e quatro mil, sete reais e noventa e Fl. 151DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 148 3 ,quatro centavos), considerando a ausência de circunstâncias agravantes, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 05. Irresignada com a autuação, a autuada apresentou impugnação administrativa, a fls. 52/53. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva em Araçatuba/SP lavrou DecisãoNotificação, a fls. 56/60, julgando procedente a autuação em destaque e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da DecisãoNotificação em 16/04/2003, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 63. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 64/70, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que nos contratos de parcerias, estes retrataram fielmente a realidade das contratações para prestação de serviços temporários e esporádicos, que tinha por único escopo prover uma necessidade momentânea. Não se tratavam de empregados sem registro; • Alega que os trabalhos eram desenvolvidos em sua grande maioria para usinas de cana de açúcar, que já tinham seus empregados devidamente registrados para o plantio, corte de cana e outros serviços. • Que a empresa apenas fazia o transporte de tais trabalhadores até o local de serviço; • Que nos contratos de locação de veículos, muitas vezes o próprio proprietário assumia a função de motorista ou ajudante, não havendo qualquer responsabilidade trabalhista da empresa, sendo uma contratação temporária e sem intuito empregatício, típica contrato de prestação de serviços; • Que nos contratos de parceria existentes, em determinados serviços, a demanda de mão de obra era maior, necessitando de pessoas para o desenvolvimento do serviço, refletindo uma obra específica apenas para aquele momento. Aduz que não se poderia exigir da empresa que tivessem em seus quadros funcionários registrados quando não havia serviços para eles. Complementa alegando que, quando necessitou de trabalhos esporádicos, fez contratos de parcerias com prazos determinados, já pré determinando o período e os tipos de serviços; • Que, em nenhum momento, deixou de recolher os tributos a que estava obrigada. • Que as alegações da entidade fiscal são baseadas em documentos analisados e fornecidos pelo Recorrente, estando a presente autuação fiscal baseada em elementos hipotéticos, os quais, pela legislação tributária, não podem servir para compelir a exigência do tributo; Fl. 152DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que o marido da Recorrente é, também, proprietário em 50% da empresa, pois já recolhia contribuição individual, nos períodos de contrato esporádico, inclusive para efeitos de aposentadoria futura; • O contribuinte protesta pela produção de todas as provas necessárias, juntando documentos, requerendo também o depoimento testemunhal de pessoas que estavam ligadas diretamente aos serviços prestados. Ao fim, requer o acolhimento da alegação de inexistência de empregados sem registro. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 16/04/2003. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que, nos contratos de locação de veículos, muitas vezes o próprio proprietário assumia a função de motorista ou ajudante, não havendo qualquer responsabilidade trabalhista da empresa, sendo uma contratação temporária e sem intuito empregatício, típica contrato de prestação de serviços. Acrescenta que as alegações da entidade fiscal foram baseadas em documentos analisados e fornecidos pelo Recorrente, estando a presente autuação fiscal baseada em elementos hipotéticos, os quais, pela legislação tributária, não poderiam servir para compelir à exigência de tributo. Foi alegado igualmente que o marido da Recorrente é, também, proprietário em 50% da empresa, pois já recolhia contribuição individual, nos períodos de contrato esporádico, inclusive para efeitos de aposentadoria futura. Compulsando a impugnação ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi aventada pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 149 5 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Por tais razões, as matérias abordadas nos dois primeiros parágrafos deste tópico não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a ausência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO. Cumpre assentar, de plano, que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO OBJETO DOS CONTRATOS Alega o Recorrente que a empresa apenas fazia o transporte de trabalhadores até o local de serviço. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 150 7 Tal alegação não corresponde à realidade. De acordo com os termos fincados nas cláusulas 2ª e 3ª dos contratos de parceria a fls. 11/42, o Recorrente firmou liame com a empresa BENTO DE ABREU AGRÍCOLA LTDA para a prestação de serviços rurais. De acordo com o estabelecido pela empresa tomadora de tais serviços, as tarefas a serem realizadas na área agrícola seriam “distribuídas” pela parceira outorgante, in casu o Recorrente, à parceira outorgada, digase pessoa física trabalhadora braçal, a qual ficaria à disposição do Recorrente para auxiliálo na execução de qualquer tarefa que lhe seja destinada. Após a contabilização das despesas e receitas, os valores seriam destinados a cada parte, outorgante e outorgada, sendo possível que, pelos Serviços de parceria, fosse fechado um adiantamento mensal e, posteriormente, o devido acerto da parceria, para a extinção e finalização do contrato. À vista dos termos colhidos nos contratos acima referidos, vislumbrase que, em realidade, o Recorrente contratou pessoas físicas trabalhadores braçais para realizar quaisquer tarefas na área agrícola à empresa Bento de Abreu Agrícola ltda. 3.2. DA NATUREZA DOS CONTRATOS DE PARCERIA. Alega o Recorrente que nos contratos de parceria existentes, em determinados serviços, a demanda de mão de obra era maior, necessitando de pessoas para o desenvolvimento do serviço, refletindo uma obra específica apenas para aquele momento. Aduz que não se poderia exigir da empresa que tivessem em seus quadros funcionários registrados quando não havia serviços para eles. Complementa alegando que, quando necessitou de trabalhos esporádicos, fez contratos de parcerias com prazos determinados, já pré determinando o período e os tipos de serviços. O Recorrente reitera que, nos contratos de parcerias, estes retrataram fielmente a realidade das contratações para prestação de serviços temporários e esporádicos, que tinha por único escopo prover uma necessidade momentânea. Não se tratavam de empregados sem registro. Assevera que tais trabalhos eram desenvolvidos, em sua grande maioria, para usinas de cana de açúcar, que já tinham seus empregados devidamente registrados para o plantio, corte de cana e outros serviços. As alegações acima plantadas pelo Recorrente não encontra ambiente legislativo adequado para germinar e produzir os frutos pretendidos. Afirma o Recorrente ter efetuado contratos de parceria, na condição de parceiro outorgante, com os obreiros listados a fls. 03/04 do Relatório Fiscal, no papel de parceiros outorgados. Ocorre que o contrato de parceria, na definição legal aviada no art. 4º do Decreto nº 59.566/66, consubstanciase no “contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de partes do mesmo, incluído ou não benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de Fl. 156DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos de caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (art. 96, VI do estatuto da terra)". Por outro viés, o parágrafo único do mesmo art. 4º acima citado define como Parceiro outorgante “o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens”, e parceiro outorgado “a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parceria definidas no art. 5º ”. DECRETO Nº 59.566, de 14/11/1966 Art. 4º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matériasprimas de origem animal, mediante partilha de riscos de caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (Art. 96, VI, do Estatuto da Terra). (grifos nossos) Parágrafo único. Para os fins deste Regulamento denominase parceirooutorgante, o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens; e parceirooutorgado, a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo seu chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parceria definidas no art. 5º. Art. 5º Dáse a parceria: I agrícola, quando o objeto da cessão for o uso de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, com o objetivo de nele ser exercida a atividade de produção vegetal; II pecuária, quando o objeto da cessão forem animais para cria, recria, invernagem ou engorda; III agroindustrial, quando o objeto da cessão for o uso do imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, e ou maquinaria e implementos com o objetivo de ser exercida atividade de transformação de produto agrícolapecuário ou florestal; IV extrativa, quando o objeto da cessão for o uso de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, e ou animais de qualquer espécie com o objetivo de ser exercida atividade extrativa de produto agrícola, animal ou florestal; V mista, quando o objeto da cessão abranger mais de uma das modalidades de parceria definidas nos incisos anteriores. Da análise da legislação mencionada, constatase que o Recorrente não cumpre os requisitos necessários à caracterização de contrato de parceria. Inexiste na espécie qualquer cessão de uso de imóvel rural, de facilidades ou de outros bens. Partindose do método científico dedutivo, adotandose num silogismo jurídico, como premissa maior, as disposições inscritas no art. 443 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, bem como aquelas dispostas nos artigos 4º e 5º do Decreto nº 59.566/66, e Fl. 157DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 151 9 tomandose como premissa menor as disposições tatuadas nas cláusulas dos contratos a fls. 11/42, inadequadamente intitulados pelo Recorrente como Contrato Particular de Parceria, concluise que o liame ali pactuado configurase, em realidade, como contrato individual de trabalho por prazo determinado, nos termos fixados no art. 443 da CLT, não se mostrando despiciendo relembrar que o nomen juris adotado pelas partes contratantes para nominar o instrumento de contrato não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 443 O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado. §1º Considerase como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. (Parágrafo único renumerado pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §2º O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) b) de atividades empresariais de caráter transitório; (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) c) de contrato de experiência. (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Registrese que as cláusulas primeira e segunda fazem menção a uma “parceria de serviços” e não a uma cessão de uso de imóvel rural, facilidades ou outros bens, como exige a legislação de regência , a serem executados (em “parceria”) na empresa BENTO DE ABREU Agrícola Ltda. De outro canto, a duração do contrato de “parceria” é sempre pactuada por tempo determinado. Anotese, por relevante, que a PARCEIRA OUTORGANTE, in casu o Recorrente, “distribui” à PARCEIRA OUTORGADA – pessoa física as tarefas a serem realizadas na área agrícola, ficando tal pessoa física à disposição do Recorrente para auxilialo na execução de qualquer tarefa que lhe seja destinado. Como Remuneração, após a contabilização das despesas e receitas no período, são apurados os valores que se destinam a cada parte, sendo possível que, pelos serviços de parceria, seja fechado um adiantamento mensal, para que, posteriormente, na finalização deste, se faça o devido acerto da parceria para a extinção e finalização do contrato. Para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna Fl. 158DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais apontem para a celebração de Contrato de Parceria, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata de segurados empregados estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, importando na submissão de contratante e contratado às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Mostrase alvissareiro suscitar, igualmente, que, embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada, para fins previdenciários, no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a Fl. 159DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 152 11 necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; (...) II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas, completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 A não eventualidade encontrase patente no período fixo e determinado estabelecido em cada contrato, não sendo demasiado relembrar que o caso em estudo ajustase à hipótese de contrato individual de trabalho por tempo determinado, consoante disciplina legal assentada no art. 443 da CLT. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pela continuidade dos serviços prestados. Nessas circunstâncias, conforme destacado detalhadamente no item 3.1. deste, tratandose o Recorrente de empresa prestadora de serviços temporários de natureza rural, para a execução qualquer tarefa na área agrícola à empresa Bento de Abreu Agrícola ltda, não há como se considerar a atuação de um trabalhador rural braçal como um trabalhador eventual, eis que a sua presença no quadro de profissionais é inerente à atividade econômica em realce. A pessoalidade tem sua caracterização realçada nos contratos individuais firmados pelo Recorrente com os trabalhadores rurais pessoas físicas, os quais se encontram listados, discriminadamente, na planilha acostada a fls. 03/04. A subordinação jurídica, por seu turno, é intrínseca às espécies de serviços prestados. Conforme sublinhado no Relatório Fiscal a fl. 02, entrevista pessoal com os parceiros rurais outorgados revelou que os serviços eram executados à ordem e dependência do “parceiro outorgante”. Tais constatações não conflitam com os termos dos “contratos de parceria”, cuja cláusula 3ª dispõe que os “parceiros outorgados” ficariam à disposição da “parceira outorgante” para auxiliála em qualquer tarefa que lhe fosse destinada. A remuneração foi apurada nos recibos de pagamento a fls. 13/42. Anotese que o Recorrente, em momento algum, fez prova de qualquer contabilização de receitas e despesas nem, tampouco, o devido acerto da parceria, para a extinção e finalização do contrato, conforme expressamente ajustado na cláusula terceira, in fine, do liame laboral. Muito mais do que meros adiantamentos, tais verbas figuram, com efeito, verdadeiros pagamentos quinzenais pagos ao obreiro rural pelos serviços prestados ao Recorrente. Assim parametrizado o caso em espécie, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de trabalhadores rurais para a execução de serviços agrícolas à empresa Bento de Abreu Agrícola ltda. Encontramse presentes, portanto, os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas inscritas no supracitado diploma legal, bem como na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, dentre as quais, a obrigatoriedade de inscrição do segurado no Regime Geral de Previdência Social, conforme determinado pelo art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 18 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo Fl. 161DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 153 13 único, na seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I empregado e trabalhador avulso pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso; (...) §1º A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2º A inscrição do segurado em qualquer categoria mencionada neste artigo exige a idade mínima de dezesseis anos. §3º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social será obrigatoriamente inscrito em relação a cada uma delas. §4º A previdência social poderá emitir identificação específica para o segurado empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, avulso, especial e facultativo, para produzir efeitos exclusivamente perante ela, inclusive com a finalidade de provar a filiação. (...) Art. 19. A anotação na Carteira Profissional ou na Carteira de Trabalho e Previdência Social e, a partir de 1º de julho de 1994, os dados constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS valem para todos os efeitos como prova de filiação à Previdência Social, relação de emprego, tempo de serviço ou de contribuição e salários de contribuição e, quando for o caso, relação de emprego, podendo, em caso de dúvida, ser exigida pelo Instituto Nacional do Seguro Social a apresentação dos documentos que serviram de base à anotação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.079, de 2002) §1º O INSS definirá os critérios para apuração das informações constantes da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP que ainda não tiverem sido processadas. (Incluído pelo Decreto nº 4.079, de 2002) A inobservância objetiva de tal obrigação acessória configurase infração à norma inscrita no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 18 do RPS, sujeitando o infrator à penalidade cominada no parágrafo 2º do artigo 283 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Fl. 162DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) §2º A falta de inscrição do segurado empregado, de acordo com o disposto no inciso I do art. 18, sujeita o responsável à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos), por segurado não inscrito. Como resultado, subsiste inabalada a autuação destacada no Auto de Infração em apreço, a qual não demanda reparos. 3.3. DA PRODUÇÃO DE PROVAS FORA DA CONSTESTAÇÃO. O Recorrente protesta pela produção de todas as provas necessárias, juntando documentos, requerendo também o depoimento testemunhal de pessoas que estavam ligadas diretamente aos serviços prestados. Tal rogativa não encontra ambiente legislativo propício para florescer. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o fórum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 163DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 154 15 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 164DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 165DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37193.001349/200318 Acórdão n.º 230201.017 S2C3T2 Fl. 155 17 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais nem testemunhais no processo administrativo, mas, sim, produzilas em sede de impugnação, colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 166DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10380.019975/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES
PAF: NULIDADE DA DECISÃO/CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — O julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito. (STJ — Resp 652.422 — 2004/0099087-0) RET n 43 — maio/junho/2005, p.136:5691)
PROVA TESTEMUNHAL - As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras, principalmente quando nos depoimentos os próprios Recorrentes prestaram informações a termo, perante autoridade fiscal, confirmando fatos que apontam para ocorrência de crime contra a ordem tributária.
SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA - SOLIDARIEDADE - São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual detinham amplos poderes para agir.
Numero da decisão: 1102-000.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Júnior, que declaravam nulidade do termo de sujeição passiva e não conheciam do recurso interposto pelas pessoas fisicas de Celmo Emany Araújo, Alexandre Gontijo Guerra e Aberto Alves de Souza, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida 3a.TURMA DRJ FOR/CE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES PAF: NULIDADE DA DECISÃO/CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — 0 julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito. (STJ — Resp 652.422 — 2004/0099087-0) RET n 43 — maio/junho/2005, p.136:5691) PROVA TESTEMUNHAL - As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras, principalmente quando nos depoimentos os próprios Recorrentes prestaram informações a termo, perante autoridade fiscal, confirmando fatos que apontam para ocorrência de crime contra a ordem tributária. SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA - SOLIDARIEDADE - São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas fisicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual detinham amplos poderes para agir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Júnior, que declaravam nulidade do termo de sujeição passiva e não conheciam do recurso interposto pelas pessoas fisicas de Celmo Emany Araújo, Alexandre Gontijo Guerra e Aberto Alves de Souza, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IV ( 1MAILAIOWAS PESSOA MONTEIRO — Presidente e Relatora 1 EDITADO EM: .0 6 MAI 2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), Joao Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Jose Sergio Gomes (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) e Joao Carlos Lima Junior (Vice-Presidente). 2 Processo n° 10380.019975/2008-01 si-cl T2 Ace:pi-ciao n.° 1102-00.397 Fl. 500 Relatório Trata de recurso de voluntário interposto contra o acórdão 08-15.260 — da 3' Turma da DRJ/REC, fls.440/446, de 17/04/2009, que julgou procedente o lançamento realizado a partir do arbitramento do lucro, nos anos calendários de 2004 e 2005, para exigência do IRPJ, fls.02/15; PIS, fls.16/26; COFINS fls.27/37; CSLL fls.38/48, conforme consignado em cada ten-no e assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A não apresentação dos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da fiscalização, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA INFORMADA NOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS ESTADUAIS E A DECLARADA AO FISCO FEDERAL (DIPJ). Não logrando o Contribuinte justificar a diferença dos valores dos faturamentos consignados, em relação a idêntico período, nas Declarações de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ versus Livros e Documentos Fiscais Estaduais (Guias de Informação Mensal do ICMS e Declarações de Informações Econômico-Fiscais), procede o lançamento com base nos valores efetivamente levantados pela fiscalização. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Os valores informados e atestados como verídicos ao Fisco Estadual, pelo Contribuinte, mediante declaração firmada no Livro Guias de Informação Mensal do ICMS e Declarações de Informações Econômico-Fiscais, presumem-se verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005 CONSERVAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Os livros e documentos fiscais deverão ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. SIMULA CÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa o intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurando-se, na espécie, o evidente intuito defraude, enquadrável na tipifica cão de simulação da identidade dos verdadeiros responsáveis pela empresa fiscalizada. MULTA QUALIFICADA. Nos casos de lançaniento de oficio deve ser aplicada a multa quaificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito defraude. ATIVIDADE VINCULADA. Não compete c't Autoridade Administrativa apreciar questões relacionadas á situação econômico-financeira do Contribuinte Autuado, quando da constituição do Lançamento previsto pela legislação. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL-PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL-CORNS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO-CSIL. Dada a intima relação de causa e efeito que vincula as exigências, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos lançamentos decorrentes. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 PER/CIA CONTÃBIL E FISC AL. Indefere-se pedido de pericia julgada prescindível. POSICIONAMENTOS DE 1LUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. O Relatório Fiscal aponta que a empresa se constituiu sob titularidade de interpostas pessoas. Ainda, informou, nas Declarações de Rendimentos parcela insignificante da receita auferida por suas atividades, (0,08% para o ano de 2004 e 0,11% para 2005) con forme Termo de Apuração da Matéria Tributável, fls. 63/65. Ante o silêncio da pessoa jurídica, no tocante às intimações enviadas, realizada a ciência da Ação Fiscal, via postal, para a pessoa que figurava como Sócio Gerente no Contrato Social da Fiscalizada, como também para as pessoas que foram apontadas como Sócios de fato da Empresa, conforme relatado no Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, lis. 49/62. Os Sócios de fato da Empresa encaminharam Correspondência à Fiscalização, assinada por Advogada devidamente constituída, na qual informava que os Livros Contábeis e Fiscais da Empresa não estavam em seu poder, razão pela qual não os apresentava a Fiscalização. Da pessoa que figurava como Sócio Gerente no Contrato Social da Empresa, 4 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 501 nenhum retorno ocorreu, a despeito da remessa da intimação devidamente recebida pelo mesmo, conforme faz prova o AR dos Correios. Há o arbitramento do lucro com base na receita bruta, conhecida a partir dos extratos das Guias de Informação Mensal do ICMS, GIM e GIAM, anocalenddrio 2004, e DIEF Declarações de Informações Econômico-Fiscais e GIAM, anocalenddrio de 2005, encaminhados pelas Secretarias da Fazenda do Estado do Ceará e de Tocantins. Nas planilhas 1 e 2, fls. 67/68, estão demonstrados os valores exigidos para o IRPJ e reflexos. E realizada a compensação das parcelas já recolhidas e declaradas em DCTF. Igualmente é qualificada a multa de oficio aplicada, conforme circunstanciado no Termo de Apuração da Matéria Tributável e Termo de Sujeição Passiva Solidária que integram o Auto de Infração, fls. 49/65. Formalizou-se o Termo de Sujeição Passiva solidária, fls. 46/62 para consignar a responsabilização solidária dos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Emany Araújo e Alberto Alves de Sousa, cujos CPFs e endereços foram discriminados nas fls. 49, em relação aos débitos tributários levantados em nome da Empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 02.314.021/0001-07, com fundamento nos arts. 124, 1, e 135, III, do Código Tributário Nacional — CTN. No relatório do acórdão combatido o autuante narra os fatos na seguinte ordem: A Empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. foi constituída como uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, cujo contrato social foi arquivado na Junta Comercial do Estado do Ceará na data de 08 de janeiro de 1998, n" 23200761322. No referido instrumento figura como sóciogerente o senhor Masil Torres Pessoa CPF 516.045.66604 com 95% das cotas de capital, e um outro sócio de nome Sr. Lourival de Jesus C.P.F. 650.617.13753 com os 5% restantes. No entanto, os Srs. Alexandre Gontijo Guerra CPF 485.681.71672, Celmo Ernany Araujo CPF 480.067.85600 e Alberto Alves de Souza CPF 757.648.49853, eram quem, de fato, estavam a frente desse empreendimento comercial e detinham todo o poder para a sua administração, inclusive dispondo da movimentação dos seus recursos financeiros, enquanto os Srs. Masil Torres Pessoa e Lourival de Jesus eram mantidos apenas formalmente no quadro societário da Empresa, sendo pessoas incautas e desprovidas de capacidade patrimonial ou Empresarial para a operacionalização dos negócios realizados pela citada Empresa, ao tempo em que esta sonegava, em larga escala e de forma contumaz, os tributos e contribuições devidos ao Erário Federal. A Empresa declarou a Receita Federal, durante os anos de 2004 e 2005, apenas 0,08% do total faturado no período seu faturamento foi de R$ 117.244,656,00 mas submeteu a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas R$ 104.713,00. A interposição fraudulenta acima referida já havia sido constatada em tuna outra fiscalização concluída nessa Empresa no ano de 2003, cabendo ressaltar que essa conduta perdurou nos exercícios de 2004 e 2005, porquanto nenhuma alteração contratual ocorreu desde então, modificando o quadro societário da Empresa, a qual, de igual modo, continuou coin os mesmos procuradores à frente dos seus negócios e com o mesmo ímpeto sonegatório que vinha de anos anteriores. Convem registrar que o procedimento fiscal a que se referiu foi objeto do processo 10380.003026/200397, submetido a julgamento e considerado procedente em ambas as instâncias administrativas de julgamento. DOS FATOS QUE EVIDENCIARAM A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA: A presença do Sr. Alexandre no comando da administração da Fiscalizada se fez notar no inicio da Ação Fiscal mencionada, quando esse senhor recebeu a Fiscalização no seu escritório o único localizado nas dependências do estabelecimento sede da Empresa , e assinou o respectivo Termo de Inicio, na qualidade de Procurador, justificando motivo de doença para a ausência do sócioadministrador Masil Torres Pessoa. Na ocasião, apresentou uma cópia do instrumento procuratório, através do qual lhe eram outorgados os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar os negócios da Fiscalizada, inclusive no tocante a movimentação de suas contas bancárias. Expirado o prazo, sem atendimento do solicitado no Termo de Inicio de Fiscalização, buscou-se novo contato com os seus representantes e, mais unia vez, não se encontrou nenhum dos sócios para atender. Localizou-se então o Contador da Fiscalizada, que indagado sobre os Livros da escrituração contábil e fiscal da Empresa, informou que os mesmos não ficavam com ele, mas na Empresa, provavelmente sob os cuidados do Sr. Rui Bias Amorinz Marques Gontijo. Contatado, o Sr. Rui compareceu em 22/01/2002 ao Serviço de Fiscalização, munido de instrumento procuratório particular datado de 18/11/2002, em que o sócio oficial da Empresa Masil Torres Pessoa, lhe conferia poderes para representalo perante a Receita Federal. Naquela oportunidade, referido Senhor pediu prorrogação cio prazo para atendimento dos elementos solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização, ao que foi prontamente atendido. Expirado o prazo dessa prorrogacão, retornou o Sr. Rui com uma declaração escrita em que afirmava não ter localizado os Livros da Empresa. Nessa ocasião, o mesmo foi por inquirido, em depoimento reduzido a termo, tendo o referido Senhor afirmado, dentre outras, que o só cio- proprietário da Empresa Sr. Masil, estava residindo no interior de Minas Gerais, na cidade de Bom Despacho e que a administração da Empresa era conduzida pelos senhores Alexandre Gontijo Guerra, Ce/mo Araújo e Alberto de Sousa, conforme se infere do teor de seu depoimento transcrito as fls. 51. Cabe ressaltar que ao final do depoimento, após ler o seu texto impresso, o Declarante, após ausentar-se da sala e fazer uma ligação telefônica, retornou ao recinto recusando-se a assinar o referido Termo, alegando que so o assinaria após mostrá-lo ao seu Advogado, solicitando para isso uma cópia do mesmo, 6 Processo n° 10380.019975/2008-01 S I-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 502 solicitação com a qual não se concordou, orientando-o que poderia retornar coin seu Advogado no outro dia para novo depoimento, ao que ele não atendeu. No decorrer desse depoimento, na presença do Sr. Rui, fez-se uma ligação para um número de celular fornecido pelo Depoente como sendo do Sr. Masil, e que foi atendido por uma pessoa que disse ser o próprio. No diálogo essa pessoa falou que estava na cidade de Nossa Senhora do Bom Despacho MG, para onde se deslocara no final de 2001 e que lá estava em tratamento de saúde não sabendo quando retornaria a Fortaleza. Afirmou que era o Sócio da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos e que a administração dessa Empresa estava a cargo do Sr. Cehno Araújo e Alberto de Sousa, corn a gerência do Alexandre. Perguntado sobre o outro sócio Sr. Lourival de Jesus, o interlocutor disse que há muito tempo não tinha noticias dessa pessoa. Suspeitando tratar-se de Empresa sob a titularidade de interposta pessoa, foram circularizados os Cartórios da Capital e tomou-se conhecimento da existência de três instrumentos procurató rios, todos outorgados pelo Sr. Masil, em nome da Cometa Distribuidora Alimentos Ltda., através dos quais foram conferidos os mais amplos poderes, inclusive no tocante a movimentação bancária dessa Empresa, para as seguintes pessoas: Sr. Alexandre Gontijo Guerra CPF 485.681.71672, Celmo Ernany Araujo, CPF 480.067.85600, Alberto Alves de Sousa, CPF 757.648.49353. De posse dessas informações, providenciaram-se Intimações para que os respectivos outorgados prestassem esclarecimentos acerca de suas participações na administração da Fiscalizada. Inicialmente intimou-se o Sr. Alexandre Gontijo Guerra, pois além de ter sido apontado como Gerente da Firma pelos Senhores Masil e Rui, o Senhor Alexandre, quando da visita pela Fiscalização a Empresa para a entrega do Termo de Inicio de Fiscalizaça o, aparentava ser o responsável pela Mesma, tendo- se apresentado na ocasião como seu Procurador. Tendo comparecido a Repartição na data de 09/04/2002, o Sr. Alexandre prestou declarações a termo, fls. 52, 53, na presença de duas testemunhas, ocasião em que, dentre outras informações, admitiu atuar como Gerente da Empresa Fiscalizada e ser o responsável pelas compras das mercadorias para revenda realizadas em seu nome. Informou já ter sido proprietário de uma Empresa que atuava na mesma rua e no mesmo ramo da Fiscalizada, mas que atualmente não tinha mais firma em seu nome alegando não ser compensatório, dadas as inúmeras responsabilidades e encargos que sobrecarregam o Empresário. Afirmou ainda que não possuía poderes para movimentar as contas bancárias da Empresa, contrariando o teor do instrumento procuratório que possuía para tanto. Após ler o seu depoimento reduzido a termo, o Sr. Alexandre não quis assiná-lo, pedindo que o deixasse levar uma via, pois retornaria no dia seguinte para a assinatura. Obviamente que não se pôde concordar com a solicitação. Embora haja sido orientado a retornar coin o Advogado no outro dia para novo depoimento, não compareceu. Em seguida, foi intimado o Sr. Ce/mo Ernany Araújo, que também prestou declarações reduzidas a termo na presença de testemunhas na data de 07/05/2002,fls. 53, 54. Suas informações se apresentaram ora conflitantes com a dos demais envolvidos na adminis tração da Empresa, ora um tanto fora do razoável, como por exemplo quando disse que sua família e a do Sr. Alexandre residiriam conjuntamente em um mesmo apartamento, ou que possuía Procuração da Empresa para representá-la em todos os sentidos, mas que só a utilizava para fazer cobranças. Afirmou ser o Sr. Rui o Gerente da Empresa e que o Sr. Alexandre seria responsável apenas pelas operações de compra de açúcar revendido pela Empresa. Devidamente intimado, também compareceu a Repartição o Sr. Alberto Alves de Souza, que nas declarações prestadas, fls. 54, 55, afirmou, dentre outras, que exercia a fitnção de "Caixa" na Empresa, e que prestava contas da movimentação financeira do Empreendimento diretamente com o Sr. Masil, através de contatos telefônicos ou pessoalmente, quando ele vinha eventualmente a Fortaleza. Não soube informar quem era o Contador da Empresa e nem tampouco onde ficavam guardados os Livros Fiscais. Foi igualmente intimado o Contador da Empresa Sr. Francisco Gera/do Aires Benevides, que se apresentou ao Serviço de Fiscalização em 02/10/2002, ocasião em que informou, fls. 55, 56, que não era ele nem os funcionários do seu escritório que faziam a escrituração dos Livros Fiscais da Empresa, os quais se encontrariam nas dependências da Fiscalizada. Finalmente, .foranz encetados todos os esforços no sentido de ouvir o Sr. Masil Torres Pessoa, tido formalmente como o Sócio Majoritário e Gerente da Empresa. Tarefa bastante difícil, pois, em que pesassem insistentes Intimações para os diversos endereços da sua residência, fosse o indicado no cadastro do CPF, fosse na Declaração de Rendimentos — IRPF, ou nos histrumentos Procuratórios, o mesmo não atendeu ou deu qualquer satisfação as solicitações. Foi então que se resolveu recorrer ao pessoal da Inteligência Fiscal da Receita Federal, lotado no ESPEI Escritório de Pesquisa e Investigação, que num trabalho investigatório descobriu o paradeiro dessa Pessoa no interior do Estado de Minas Gerais, na cidade de Bom Despacho. Nessa localidade, foi feito contato com o mesmo e colhido seu depoimento acerca do seu envolvimento com a Empresa Fiscalizada. Na ocasião, dentre outras informações, fls. 56, 57, disse o Sr. Masil que se encontrava desempregado, que foi embora de Fortaleza em dezembro de 1998, tendo-se desligado a partir de então dos negócios realizados pela Empresa, cuja administração cedeu integralmente aos Srs. Alexandre Gontijo Guerra e Alberto Alves de Sousa, passando a receber mensalmente do Sr. Alexandre a quantia de mil reais. Que o único bem de valor que possui é um Fusca velho, ano 8 Processo n° 10380.019975/2008-01 Sl-C1.T2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 503 1977, que foi adquirido através de uni empréstimo no Banco Itaã, que até hoje não pagou. Quanto ao outro sócio apontado no Contrato Social da Empresa, de nome Lourival de Jesus, foi também muito difícil contatá-lo, uma vez que, intimado no endereço que constava no cadastro CPF (o mesmo da Empresa), aquele Senhor jamais atendeu , Já no endereço informado no cadastro bancário da Empresa, também não foi possível encontrá-lo, pois no local ali indicado residia uma outra pessoa de nome Eliscingela Silva Andrade, que informou desconhecer completamente o Sr. Lourival de Jesus. Vale ressaltar que nessa busca, não se contou com a cooperação dos Procuradores da Empresa acima citados, nem do seu sócio oficial, pois todos, segundo se infere de seus depoimentos, desconheciam o paradeiro do Sr. Lourival. Diante dessa dificuldade, mais uma vez pediu-se auxilio ao pessoal da Inteligência Fiscal da Receita Federal, que descobriu a residência do Sr. Lourival de Jesus no distrito de Iparana, município de Caucaia/CE. Em diligência a residência desse Senhor, fls. 57, 58, os Auditores da Inteligência foram rispidamente recepcionados pelo mesmo, que nem ao menos abriu o portão para atendê-los, só se acalmando após lhe ser esclarecido que o motivo daquela visita era de seu interesse, pois visava deixar-lhe informado acerca de uma fiscalização que estava sendo desenvolvida na Empresa COMETA, em cujo Contrato Social o seu nome figurava como um dos sócios, ao mesmo tempo para saber sobre sua real participação na referida Empresa. Mais calino, porém ainda relutante, após algumas indagações, o Sr. Lourival respondeu que era sócio da COMETA; que ganhava a vida como caminhoneiro; que o outro sócio da Firma se chamava Masil e residia em Minas Gerais; que o gerenciamento da Empresa ficava a cargo do Sr. Alexandre Gontijo e que não sabia dar nenhuma informação sobre as atividades da Empresa, pois precisava consultar o pessoal da Gerência. Convidado a acompanhar os Auditores até a sede da Receita Federal em Fortaleza, onde poderiam ser tomadas suas declarações por escrito, o Sr. Lourival desconversou e, um pouco irritado, retirou-se do recinto, retornando ao interior de sua residência, não dando mais nenhuma atenção aos Auditores. Na oportunidade, foram colhidas informações na vizinhança de que o Sr. Lourival era unia pessoa pobre e que ganhava a vida como motorista de caminhão, o que devia ser verídico, uma vez que foi visto estacionado no pátio de sua residência um caminhão tipo carreta, no qual o Sr. Lourival saiu dirigindo, tendo sido inclusive alvo de uma foto. A esse respeito, um vizinho seu, de nome Francisco Moreira da Silva, que morava defronte a sua casa, atendendo ao solicitado, se dirigiu até o prédio da Receita Federal em Fortaleza, onde a termo, confirmou que o Sr. Lourival trabalhava COMO caminhoneiro, transportando cargas de cereais e que nunca teve conhecimento de que o Sr. Lourival fosse sócio de alguma Empresa, até porque o Sr. Lourival era pessoa pobre, residindo numa casa construída coni a ajuda de pessoas da comunidade de Iparana em regime de mutirão. Vale registrar que em pesquisa ao sistema RENAVAM, confirmou-se a informação do Sr. Francisco de que o caminhão utilizado pelo Sr. Lourival em seu trabalho, de fato, não era de sua propriedade. Em 22/02/2003 encaminhou-se, via postal, Intimação para o endereço residencial do Sr. Lourival, insistindo no 'sett comparecimento ao Serviço de Fiscalização para que se pudesse tomar por escrito suas declarações relacionadas a sua atividade profissional, ao que não se foi atendido. E111 21/03/2003, o Sr. Alexandre Gontijo Guerra, assistido por seu Advogado, Sr. Leo Marcos Vagner, compareceu Repartição para prestar esclarecimentos acerca de sua participação como Procurador de outra Empresa também sob ação fiscal na Receita Federal. Na ocasião, perguntado que foi sobre suas atividades profissionais, o Sr. Alexandre informou atuar no ramo comercial de géneros alimentícios na Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. fazendo de tudo na referida Empresa, tanto no que tange as operações de compras como nas de vendas, fls. 58, 59. No mesmo dia em que foi tomado o depoimento citado, o Sr. Alexandre, juntamente com seus advogados Leo Marcos Vagner e José Carlos Macieira, insistiram para que fosse tomado o depoimento também do Sr. Lourival de Jesus, que aparece como sendo o outro sócio da COMETA, o qual por três vezes havia sido intimado e não tinha comparecido. Acatou-se pois o Pedido e colheu-se o depoimento prestado pelo referido Senhor, que compareceu a Repartição na data de 24/03/2003, acompanhado do Advogado Marcelo Greechi, também inscrito na OAB de Sao Paulo, fis. 59/61. Na oportunidade, o Sr. Lourival de Jesus, apesar de afirmar ser sócio da Empresa Fiscalizada, demonstrou estar totalmente alheio aos negócios a ela pertinentes, não sabendo informar o seu faturamento nem tampouco setts . fornecedores, aliás nem mesmo o nome correto da Empresa o Declarante sabia, ou mesmo o ano preciso em que a mesma havia iniciado suas atividades. Afirmou ainda ser comerciante e viver desse ramo, fazendo retiradas aleatórias que lhes seriam entregues pelo valor desejado, pelo tesoureiro de nome Alberto. Afirmou ainda que não tinha renda proveniente de serviços de fretes, mas que todo mês realizava viagens dirigindo um caminhão tipo carreta Scánia, transportando carga de géneros alimentícios, porém insistindo em não revelar quem era o proprietário daquele veiculo e nem qual o número de sua placa. 0 Declarante informou ainda que o gerenciamento da Empresa COMETA ficava a cargo do Sr. Alexandre Gontijo. Diante de tudo o que foi apurado, a conclusão a que se chegou é que as pessoas figurantes do quadro societário da Fiscalizada são seus sócios apenas "no papel", não representando a realidade dos fatos. Esses Senhores, ao que tudo indica, apenas emprestaram ou alugaram seus nomes para constarem como sócios 170 Contrato Social da Empresa, com a finalidade escusa de encobrir o nome dos seus verdadeiros proprietários. Esse procedimento é, alias, bastante comum na área em que a Empresa estava instalada Rua Governador Sampaio no centro de Fortaleza onde atuam Empresas do ramo de comércio 1 0 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 504 atacadista de cereais, algumas delas autuadas por idêntica irregularidade pelo Fisco Federal. Os "sócios de lido" atuam em geral, mediante procurações públicas outorgadas pelos "sócios formais", através das quais lhes são conferidos os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a Empresa. Em troca, esses supostos sócios, que em regra são pessoas incautas e sem renda, recebem uma compensação financeira. E dessa maneira, escudada em sócios "laranjas", a Empresa passa a sonegar tributos, prestando declarações falsas a Receita Federal sobre o faturamento obtido, para assim nada ou quase nada recolherem a Fazenda Federal, conforme o que se viu no caso apreciado. Portanto, os fatos relatados e comprovados apontam com toda a clareza para a presença de interpostas pessoas no quadro societário da Fiscalizada, no intento de ocultar da responsabilidade pelos atos cometidos em seu nome aqueles que de fato a administravam e tinham o domínio de seu patrimônio, identificados pela Fiscalização como sendo o Sr. Alexandre Gontijo Guerra, juntamente com os Srs. Cebno Het-natty Araú jo e Alberto Alves de Sousa, devendo essas pessoas, por conseqüência, responderem perante a Fazenda Pública, pelos tributos resultantes das atividades mercantis da referida Empresa, por força do disposto pelo art. 135, III, do • CTN. Com efeito, na Fiscalização que envolveu os anos de 2004 e 2005, foram circularizadas as Instituições Bancárias onde a Empresa mantinha conta e os Cartórios onde as Procurações foram passadas, e nada de novo foi levantado que alterasse a situação constatada pela Fiscalização anterior (encerrada em 2003) no tocante aos responsáveis pelas atividades da Fiscalizada. Ou seja, nesses anos de 2004 e 2005, persistiram no quadro societário da Empresa os mesmos sócios "laranjas" que, conforme restou provado, não tinham a minima capacidade para tocar aquele comércio que, frise-se, continuava de "vento em popa" tendo faturado as expressivas cifras de R$ 81.289.131,00 ern 2004 e R$ 35.955.525,00 em 2005 (dados da Fazenda Estadual do Ceará e do Tocantins), fato este que confirmou a continuidade da mesma Administração que vinha do ano de 2003, até porque outros Mandatários não surgiram depois e nem disso foi cogitado por parte dos responsabilizados. Assim sendo, os Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Ce/mo Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa, considerados coresponsciveis pela Fiscalizada, foram nesta condição intimados nas datas de 12/09/2008, 12/09/2008 e 15/09/2008, respectivamente, acerca da Fiscalização envolvendo os anos de 2004 e 2005, para que apresentassem os correspondentes Livros com a escrituração e outros elementos concernentes ás obrigações tributcirias da Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., conforme consta clos competentes Termos encaminhados e recebidos no endereço de cada uma dessas pessoas, nas datas citadas. A resposta sobreveio através de correspondência, datada de 23/09/2008, subscrita por uma Advogada que representava os três Intimados, através da qual os mesmos se opunham a responsabilização que lhes fora imputada, sob o argumento de que o processo onde esses fatos foram apurados poderia ainda ser alvo de recurso especial a CSRF. Ou seja: nenhum fato novo foi trazido pelos Intimados, capaz de justificar nova discussão acerca da responsabiliza cão solidária a eles atribuida pela Fiscalização eat relação its atividades mercantis realizadas pela Empresa nos anos de 2004 e 2005. Portanto, para os efeitos da responsabilização solidária das Pessoas referidas, em relação aos Autos de Infração resultantes da Ação Fiscal, cabem os mesmos argumentos das Autuações concluidas no ano de 2003, objeto do processo 10380.003026/2003-97, razão pela qual se fez juntada dos elementos de prova colhidos naquela Ação Fiscal, inclusive de copia dos Acórdãos exarados pela I" e 2" Instância Administrativa de Julgamento. Ante o exposto, concluiu-se, por fim, pela caracterização da sujeição passiva solidária dos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Ce/mo Ernany Arctájo e Alberto Alves de Sousa, identificados no preâmbulo, nos termos do artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional). Destarte, .ficaram os Sujeitos Passivos Solidários supramencionados cientificados da Exigéncia Tributária de que trataram os Autos de Infração lavrados contra a citada Empresa. Inconformado com as Exigências Fiscais, de fls. 02/48, das quais consta intimação ocorrida em 05/01/2009, fls. 377, apresentou o Contribuinte Impugnação em 09/01/2009, fls. 392/413, 434/437, com os pedido seguintes: cancelamento do crédito tributário; realização de perícia contábil e fiscal, corn vistas a apurar os impostos e contribuições devidos; exclusão da penalidade agravada, ante a inatividade da Empresa, em virtude de paralisação das suas atividades operacionais. Há impugnação apresentada pelos responsáveis solidários (fls. 392/413), onde apontam supostos vícios que alteraram a realidade dos fatos, porque a fiscalização distorcera informações importantes, para poder acusá-los da pratica de crime doloso de sonegação fiscal contra a Fazenda Pública, linha na qual expende vasto arrazoado, para dizer que o argumento utilizado nas razões de decidir, tomando por empréstimo a decisão proferida no processo 10380.003026/2003-97, seria temerário porque esse processo estaria em sede de embargos. Aduz que a prova da acusação de fraude e sonegação fiscal imputada neste processo é ônus do Fisco. Este deve deixar claro, de forma irrespondível, o evidente intuito de fraude, nos precisos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, porque não se trata de presunção legal, presunção relativa, com simples multa de oficio. Afirma não discutir a ocorrência dos fatos geradores ou possíveis ilícitos fiscais da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., mas se, comprovadamente, houve a participação objetiva dos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Ernany de Araújo e Alberto Alves de Souza; para com isto responderem pela acusação de fraude ao fisco e serem enquadrados como sujeitos passivos e co-responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário lançado de oficio. Lembra que as provas testemunhais são verdadeiros depoimentos e confissões - como aqueles trazidos - obtidos unilateralmente nas unidades da Receita Federal e que 12 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00397 Fl. 505 frequentemente são desconstituidos pelo Poder Judiciário, logo devem ser aceitos com certa reserva e não corno verdades absolutas, uma vez que a Fiscalização só traz aos autos aqueles "depoimentos" que interessa à acusação; aliás, sem qualquer espanto, este é seu mister funcional. Transcreve do livro Processo Administrativo Fiscal, de autoria de Marcos Vinícius Neder de Lima, nos termos seguintes: "...A constatação de um indicio é apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência de uni fato gerador." (grifbs na transcrição) E comenta que no seu caso havia indícios que reclamavam aprofundamento das investigações. Contudo, o Fisco fez do indicio a própria prova; ao se louvar exclusivamente em Termos de Depoimento e algumas débeis provas documentais inconclusivas; na medida em que deixou de demonstrar, de forma irrespondível, onde estava o fenômeno econômico que pudesse ensejar o comprometimento dos Impugnantes por terem aproveitado em nomes próprios ou de terceiros das operações comerciais da Pessoa Jurídica. Afirma que a Fiscalização não esteve preocupada com a busca da verdade material, como dão conta duas intimações (docs. 01/04) - uma em 26.03.2002 e outra em 11.10.02, que foram respondidas em 11.04.2002 e 04.10.2002, respectivamente - dirigidas à Central Paulista de Açúcar e Álcool (USINA ATALLA em São Paulo) que era a principal fornecedora da autuada; solicitando fosse informado o nome da pessoa representante da compradora que mantinha contato com a remetente para negociar contratos de venda de açúcar. Responde que a resposta da Usina foi uma só: era o Sr. Masil Torres Pessoa e, pelo fato disto concorrer em beneficio dos denunciados - em especial do Sr. Alexandre Gontijo Guerra - a Fiscalização não juntou estes expedientes aos autos, o que demonstra de forma irrespondível que sua única intenção era o de tão-somente autuar e não apurar a verdade material. Diz possuir noticias seguras de que outras pessoas também foram chamadas a prestar "informações" e como os resultados militavam contra o Fisco, também passaram a não existir nos autos, ainda que fossem provas subjetivas e indiretas. Pergunta qual seria o valor probante de provas testemunhais, reduzidas a termo, tomadas e trazidas unilateralmente pelos Impugnantes no sentido contrário Aquelas produzidas no interior dos órgãos da SRFB, contra eles? Seguramente o resultado seria NENHUM; porque produção de provas subjetivas é prerrogativa do Fisco sem direito ao contraditório em todos seus termos. Refere-se às provas materiais frente às provas testemunhais constantes dos autos, dizendo que para tentar imputar responsabilidade aos Recorrentes, a Fiscalização decidiu eleger os reais administradores da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., sem qualquer respaldo fático, apenas com base no Termo de Declaração do Sr. Masil Torres Pessoa, fls. 56, do qual transcreveu parte. A fiscalização pretendeu deixar cravado que a partir de dezembro de 1998 a pessoa jurídica autuada passou a ser de fato administrada pelos três Recorrentes, logo, os principais alvos da acusação fiscal. Também como prova indireta, testemunhal, subjetiva, a Fiscalização trouxe aos autos os Termos de Declaração - além dos Recorrentes - do Sr. Lourival de Jesus (sócio cotista minoritário da empresa) e Francisco Geraldo Aires Benevides (contador). Por outro lado, afirma que as provas diretas, materiais, documentais, carreadas aos autos não passaram de: a) instrumentos procuratórios, fls. 193/196 e 204; b) D1RPFs dos Srs. Lottrival de Jesus [2001/2002 e 2004/20051 ffls.275/276 e 212/217), Masil TOITCS Pessoa [2001/2002 e 2004/2005] (fls. 273/274 e 218/220), Celmo Ernany Araújo [2005/2006] ffls.221/227), Alberto Alves c/c Souza [2004/2005 e 2005/2006] (f/s. 228/233), Alexandre Gontijo Guerra [2001/2002; 2004/2005 e 2005/2006] (fls. 270/272 e 234/248); c) Cartões de Assinaturas do Banco Sudameris, de 24.12.2001, como procuradores os Srs. Alberto Alves de Souza e Celmo Ernany de Araújo, abonadas pelo Sr. Masil Torres Pessoa (fls. 287/290) e Ficha Cadastral da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Lida, de 15.02.2002, assinada pelo Sr. Masil Torres Pessoa (f/s. 292/293);d) Cartões de Assinaturas do Banco Bradesco, de 21.06.06, dos Srs. Alberto Alves de Souza, Lottrival de Jesus e Masi! Torres Pessoa (fls. 307/309);e) Três fotos - de pouca nitidez - sendo duas laterais de um "semi-truck" [sent possibilidade de se verificar a chapa] e uma da residência tida como do Sr. Lourival de Jesus, obtidas pelo Setor de Inteligência da SRFB na cidade de Bom Despacho em Minas Gerais." Aponta que urna prova para ser recebida deve apresentar -se com as seguintes características: 1. ser admissivel (não proibida em lei); 2. ser pertinente (adequada a demonstração dos fatos e a estes aplicados e 3. ser concludente (há de trazer esclarecimentos ao ponto controvertido, ou continual- as alegações feitas). E é sob este prisma que se deve valorar as provas juntadas aos autos sob exame. (grifos da peça) No tocante aos Instrumentos Públicos de Procuração, datados de 13/12/2001, onde o Sr. Masil Torres Pessoa outorgou amplos, gerais e irrestritos poderes aos três Recorrentes, são atos jurídicos que se revestem de rigorosa forma prescrita em lei e merecem fé pública - juris et c/c juris - desde que sobre eles não pairem acusação de qualquer vicio de quando o Outorgante [aqui o Sr. Masil Torres Pessoa] OBRIGATORIAMENTE, esteve presente no Tabelião do 2° Oficio de Fortaleza. E que essas procurações fazem prova é só a favor dos Recorrentes, urna vez que cm 13.12.2001 - contrariamente do que foi extraído do depoimento do Sr. Masil Torres Pessoa - o Outorgante esteve "na frente" do Tabelião do 2° Oficio do Cartório de Fortaleza/CE; o que fulmina de morte a assertiva da Fiscalização, que destacou (ora se repisa): "...que não tem noção do volume de faturamento dessas empresas nos últimos três anos; que saiu de Fortaleza em dezembro de 1998..." (destaque e grifo na transcrição). Pergunta como pode se afirmar que o Sr. Masil Torres Pessoa saiu de Fortaleza e não mais retornou desde de dezembro de 1998, se as procurações foram outorgadas em datas bem posteriores (docs. 5/19)? Comenta que as DIRPFs juntadas estão desacompanhadas de qualquer comentário da Fiscalização, sem qualquer valor probante contra os Impugnantes e/ou Sócios da pessoa jurídica, bem corno sem nexo causal entre essas e o que ora se discute, inclusive, no Termo de Sujeição Passiva Solidária elas não receberam sequer uma linha que pudesse por em dúvida qualquer elemento delas constantes. Em reforço aos amplos, gerais e irrestritos poderes concedidos pelos Instrumentos Públicos de Procuração aos Impugnantes, a Autuante traz como prova de tais faculdades dos procuradores as Fichas de Assinaturas dos Bancos Sudameris e Bradesco dos Srs. Celmo Ernany de Araújo e Alberto Alves de Souza. Que fique sob destaque, inexistem tais fichas assinadas do Sr. Alexandre Gontiio Guerra, logo, ainda que quisesse, jamais este poderia 14 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 506 movimentar qualquer valor das contas bancárias em nome da pessoa jurídica, nem tampouco assumir obrigações em nome da mesma. Pediu destaque para o fato das assinaturas - do Sr. Masil Torres Pessoa e Lourival de Jesus - constantes nas fichas de autógrafos e demais documentos fornecidos pelos Bancos Bradesco e Sudameris (fls. 287/288; 290/293 e 308/309) estão datados entre 2001 e 2002, logo, conclusivamente, eles estavam em Fortaleza após dezembro de 1998. (Destaque das razões) No mérito comenta, quanto a solidariedade passiva, com fulcro nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, que a mesma vem sendo rechaçada por este órgão, como seria prova a decisão UNANIME, da 2° Camara do 1 ° Conselho de Contribuintes, fls. 403, ac.102-49245 de 10/09/2008, de cuja ementa transcreve. E não seria apenas a ementa , mas a semelhança dos casos tratados em ambos os processos. Destaca alguns excertos do voto condutor, fls. 403/405, inclusive com citação de Paulo de Barros Carvalho. A evidência, dos institutos do direito penal, a Fiscalização adotou precipitadamente o "crime formal" - aquele que independe do resultado - quando sustenta toda sua acusação sobre a simples existência de tais procurações e fichas de assinaturas bancárias de so dois recorrentes e não sobre seus efeitos (atos praticados) ocorridos in concreto. Foram assacadas levianas acusações desacompanhadas de qualquer prova da materialidade do exercício dos procuradores da pessoa jurídica; que pudessem incriminá-los por terem praticado atos de administração financeira e, por decorrência, fraudar o Fisco. Ainda que tudo isto não bastasse - para comprovar a precariedade da denúncia fiscal - também lembrou uma outra decisão UNANIME da l a Camara do 1 ° Conselho de Contribuintes, onde o Colegiado entendeu que as provas carreadas aos autos eram suficientes para imputar responsabilidade passiva a terceiros, tidos como "sócios de fato". De maior relevância ao juizo de convencimento, a necessidade de provas materiais e diretas quando se discute fraude fiscal, verificado o voto condutor (Ac. 101-96.145, de 23.05.07, Cons. Sandra Maria Faroni), em respeito ao devido valor A. prova material em caso de evidente intuito de fraude, fls. 405, 406. No caso sob exame, a Fiscalização teve acesso a toda movimentação bancária da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. - não só As Fichas de Assinaturas dos sócios e dos Srs. Celmo Ernany de Araújo e Alberto Alves de Souza, como também aos extratos e cheques emitidos - mas não encontrou absolutamente nada; ainda que por amostra apontasse que os Recorrentes eram os efetivos administradores da mesma. Por isto, lavrou o TERMO DE DESTRUIÇÃO DE ARQUIVO EM MEIO MAGNÉTICO, fiS. 376, 407. Afirma que era sobre os dados financeiros que a Fiscalização deveria se debruçar para poder asseverar que os Recorrentes eram os efetivos administradores da Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. Não se pode pensar diferente que a zelosa Autuante deixou de esquadrinhar minuciosamente os extratos, cheques, DOCs, TEDs, Contratos de Abertura de Crédito etc. das contas bancárias sem lograr êxito - em sequer um documento - que autorizasse conclusão, ou melhor, pelo menos a existência de um indicio convergente, que os procuradores movimentavam os recursos da Empresa junto Aquelas instituições financeiras. 15 Também afirma que não há nos autos qualquer comunicação com fornecedores ou clientes - pelo contrário neste momento quem traz esta prova são os Impugnantes - ainda que por amostra pouco representativa no sentido de solicitar informações sobre os negócios de compra e venda de mercadorias; perquirindo sobre atuação dos Impugnantes na administração da Empresa, ainda que fosse tão-somente na parte comercial. Alude que não tem nenhum valor probante o Termo de Declaração do Sr. Lourival de Jesus, alias, além de confuso da conta de manifesta contradição. Aponta ausência de qualquer elemento concreto contra eles, no que respeita A. administração da Empresa; para dizer que o Sr. Lourival de Jesus estava alheio aos negócios, a Autuante serviu-se do pessoal da inteligência fiscal da SRFB que esteve na cidade de Bom Despacho/Minas Gerais, onde tirou fotos de um "semi-truck" e da residência do mesmo. Refere as duas fotos do veiculo constantes nos autos e que não possibilitam identificar sua placa; bem como não se sabe quem estava dirigindo o "semi-truck", seria o Sr. Lourival de Jesus?; depois, tendo a Fiscalização concluído e repetido por várias vezes que o Sr. Lourival de Jesus "ser uma pessoa pobre" a foto tirada da residência não autoriza esta conclusão, uma vez que a mesma tem até porteiro eletrônico com uma residência tipo sobrado no interior do imóvel, e muito menos que tenha sido construída na forma de mutirão, com a ajuda dos vizinhos? Isto faria com que o juizo de pobreza ficasse muito aquém do que se está vendo na foto (fis. 316). Aponta mais contradição, na casa - isto é o sobrado - "construída sob o regime de mutirão da comunidade" (ajuda dos vizinhos), sequer consta das DIRPFs de 2001/2002 c 2004/2005 como sua propriedade. Será que o Sr. Lourival de Jesus também não deixou de prestar outras tantas informações de natureza econômica ao Fisco, com destaque, em quarto lugar, para o que diz em seu depoimento, fis. 60, 61, 409? Alega, por amor ao debate, que se tomadas como verdade tais assertivas, só Sc pode aceitar que o Sr. Lourival de Jesus seja de uma pobreza franciscana, inclusive seu voto de pobreza chega as raias do absurdo de trabalhar para terceiros sem cobrar nada. Como também ficou sem explicação - por parte do pessoal da inteligência fiscal da SRFB - de quem seria o proprietário do "semi-truck" e sua placa, porquanto o Depoente fez questão de não divulgar estes dados e, por outro lado, a Fiscalização diz ter pesquisado no RENAVAM, mas também não trouxe estas informações aos autos. Afirmar que tais contradições impedem que apresentem, sobre esses fatos, urn juizo de valor razoável Quanto ao enquadramento legal: artigos 124, I, e 135, III, do CTN, afirma que por presunção, na melhor das hipóteses, os litisconsortes foram chamados aos autos do Processo Administrativo Fiscal para responderem tanto como sujeitos passivos da obrigação tributária como responsáveis solidários pelo credito tributário, conforme o Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 62, 410. Mas a estrutura legislativa do Código Tributário não admite que se tome uma coisa por outra sujeito passivo da obrigação tributária por terceiro responsável pelo pagamento do crédito tributário uma vez que são institutos diagonalmente diferentes e cada qual com seus pressupostos e efeitos jurídicos próprios. Um é excludente do outro. No Capitulo IV o Código trata do SUJEITO PASSIVO; Seção I das Disposições Gerais [que vai do art. 121 ao art. 123]. Já em sua Seção II trata da Solidariedade 16 Processo n° 10380.019975/2008-01 S I-C IT2 Acórdão n.° 1102-00.397 Fl. 507 [que vai do art. 124 ao art. 125]. As seções III e IV seguintes tratam da Capacidade Tributária e do Domicilio Tributário. É óbvio que neste Capitulo se estuda a RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA; onde ressalta evidente que se vincula o sujeito passivo ao FATO GERADOR. No Capitulo V o Código trata da RESPONSABILIDADE, sendo que as Seções de I e II são da Disposição Geral e Responsabilidade dos sucessores [arts. 128 a 133]. A Seção III dispõe sobre Responsabilidade de Terceiros [arts. 134 e 135]. Esta a questão dentro da estrutura do CTN interpretar a volição do legislador, no sentido que quis dar a cada um dos dispositivos sob exame. Transcreve lição de Washington de Barros Monteiro, fls. 411, "A doutrina e a jurisprudência estabeleceram vários e preciosos critérios interpretativos: ...; c) deve ser afastada a exegese que conduza ao vago, ao inexplicável, ao contraditório e ao absurdo...; h) em matéria fiscal, a interpretação se fará restritiva; i) urge se considere onde esta colocado o dispositivo, cujo sentido deve ser fixado" (grifos na transcrição). No enquadramento legal vincularam os Impugnantes ao FATO GERADOR COM SUJEIÇÃO PASSIVA, como também, ao mesmo tempo, RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA SATISFAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 0 que é contraditório, porquanto os dispositivos legais adotados (art. 124, I, c/c art. 135, II e III) são excludentes entre si. Afirma que não podem prevalecer as duas figuras. 0 "caput" 135 do CTN dispõe sobre a responsabilidade solidária das "obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei, contrato ou estatutos"; a expressão "atos praticados" é o núcleo da norma penal, aplicável a imputação por ato comissivo que é o resultado de uma ação. Refere-se aos três elementos necessários a caracterização de uma norma penal: a) a hipótese tipo do ato ilícito: "atos praticados com excesso de poderes ou infração lei, contrato ou estatutos"; b) os possíveis agentes: elencados, em numerus clausus, nos incisos I a III de seu "caput" e c) a pena: "São pessoalmente responsáveis sobre os créditos correspondentes" (isto é o pagamento). Comenta que a imputação decorre de ação ou omissão e não das duas figuras. E é sob esta única ótica de interpretação da unicidade das normas em todo campo do direito, tanto penal como tributário que devem ser apreciadas a denúncia fiscal e a Impugnação, conforme Seherkerkewitz, ( Iso Chaitz, Presunções e Ficções no Direito Tributário e no Direito Tributário Penal, RENOVAR, 2002,134.175). "Com o apoio de Villegas, cremos que o direito é uno, não, podendo haver contradições ern seu bojo (ou melhor dizendo, as contradições devem ser superadas peio intérprete), sendo que quando a lei, no caso concreto a lei penal tributária emprega conceitos e instituições de direito penal comum e não „ lhe da um conteúdo particularizado, este deve ser interpretado • tal como é definido pelo C6digo Penal por sua doutrina e por... IS sua jurisprudência, tal como existe esse conceito ou essa instituição no direito tronco" (grifos na transcrição) O artigo 142 do CTN, que trata da regularidade da constituição do credito tributário como urn dos elementos essenciais do lançamento, dispõe sobre a responsabilidade funcional o agente que deve "identificar o sujeito Passivo". Todavia não autoriza a interpretação de que deve ou pode identificar o responsável pelo pagamento do crédito tributário. Aponta o inusitado da situação, onde três pessoas são acusadas de fraudar o • fisco, sem restar provado, objetivamente, que tenham beneficiado a si ou a terceiros. Portanto, não pode subsistir a acusação de evidente intuito de fraude, sem prova de manifesto beneficio para alguém em prejuízo de outrem. Aqui, não restando, comprovado o cometimento de evidente'intuito de fraude, o voto de presunção de inocência aproveita aos Impugnantes, urna vez que se tornou vazia a denúncia fiscal. Lembra que urn principio que orienta o Julgador em um processo corn implicações penais: "que a Defesa até pode ser fraca, mas a acusação não pode ser falha". IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA (fls. 434/437): Nesta peça afirma o Contribuinte que os autos foram lavrados corn base em informações coletadas do Fisco Estadual, sem nenhuma prova concreta de que as receitas consideradas nos Autos fossem efetivamente aquelas auferidas pela Empresa nos períodos considerados. Tratando-se de prova emprestada, na linha de vários Acórdãos do Conselho de Contribuintes, esta é falha por não garantir o contraditório, nem a ampla defesa, sendo, no caso concreto, obstáculo oponível a admissão e a valoração de referida prova. Aponta a entrega regular das Declarações de Rendimentos com base no Lucro Presumido, exercícios de 2005 e 2006, anos-calendário de 2004 e 2005 e não compreendeu o procedimento de Fiscalização que lavrou exigências sem observar as disposições do Regulamento do Imposto de Renda, especialmente o art. 904 do Decreto 3.000/1999. Reclama do arbitramento dos lucros com base em informações de terceiros, mais especificamente sobre as bases de cálculos das GIMs informadas à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara. - SEFAZ-CE, que incluía as vendas, mas não consignava os custos, de forma a possibilitar a apuração do real lucro da Empresa. Discorre sobre o arbitramento se contrapondo a esta forma de apuração dos lucros, embora reconheça que o mesmo não é penalidade. E junta que sua manutenção implicará na falência extrajudicial da empresa, ou seja, a bancarrota pelo excesso de exação. Reconhece a divergência entre a receita declarada e a receita contábil, mas a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ seria retificada oportunamente, antes do período decadencial, com base nos registros e nas informações contábeis, mas a Ação Fiscal tirou sua espontaneidade deixando-a engessada, sem possibilidade de retificar ou corrigir qualquer elemento já declarado anteriormente. Não houve intuito de fraudar o Fisco, já que a Empresa mantém sua escrita regular para comprovar o real lucro da Empresa. Aduz que não entregou os livros devido "a ma orientação do pessoal envolvido" e que não houve, sequer, reintimação para entrega da documentação comprobatória. A Fiscal achou melhor se basear em laudos e declarações feitas há mais de 5 (cinco) anos, que envolvia os Sócios e Procuradores. A posição atual diverge das circunstancias inexistentes 18 Processo no 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórclilo n.° 1102-00397 Fl. 508 época dos depoimentos constantes do Auto de Infração, efetivados nos anos de 2002 e 2003. Vale salientar que muitos dos depoimentos não foram assinados pelos possíveis Declarantes. No Auto de Infração, na descrição dos fatos, a Fiscal consignou que as intimações foram feitas "via postal", ou seja, não atenderam ao disposto pelo art. 904 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, que exige que a Ação Fiscal seja feita diretamente no domicilio do Contribuinte. Isso requer uma ação direta e permanente no estabelecimento da Empresa, com o comparecimento do agente no domicilio do Contribuinte, objetivando verificar a exatidão dos rendimentos ou receitas sujeitos a incidência do imposto devido, se for o caso. Reclama da ação fiscal e da forma corno o procedimento ocorreu para dizer que descabe a qualificadora da multa, posto que ausente o intuito de fraude, conluio ou sonegação. Presente mera irregularidade na determinação da base de cálculo. Pede tempo para se organizar contabilmente, visando oferecer ao Fisco os demonstrativos contábeis reais, com apuração dos impostos IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, compatíveis corn os resultados realmente apurados; e que seja sobrestada a representação fiscal para fins penais, da pessoa jurídica e dos sócios, Masil Torres Pessoa, CPF 516.045.666-04, e Lourival de Jesus, CPF 650.617.137-53. A ciência da decisão se da por edital, conforme fls. 510, para a Pessoa Jurídica e o Sr. Masil Torres Pessoa e Celmo Emani Araújo. 0 sr. Celmo Emany Araújo, Alexandre Gontijo Guerra, Aberto Alves de Souza em 31/08/2009, conforme AR de fls. 495, 497, 498, respectivamente. Recurso aviado em 29/09/2009, fls. 499/506, pelos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Emany Araújo e Alberto Alves de Sousa, inicia dizendo reportar-se a integralidade dos argumentos e provas juntados a impugnação. A deck& desafiada: "Para enfrentar a injusta manutenção dos lançamentos de oficio, na essência se extrai e se comenta excertos das razões de decidir lançadas no voto condutor do v. (fresh) recorrido — 110 que aqui interessa é sobre a ilegitimidade passiva dos recorrentes, pessoas .físicas trazidas como responsáveis pela satisfação do crédito tributário — onde restará sobejamente comprovado que a autoridade julgadora fez ouvidos moucos e olhos cegos a toda argumentação e provas documentais trazidas pelos administrados". É o que se /6 no subtítulo sujeição PASSIVA DOS SOCIOS. Resume-se que após a análise da documentação arrecadada sobre a constituição da empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Lida.; tendo tomado conhecimento da existência de procurações públicas outorgadas aos recorrentes e os termos de depoimento de terceiros, a fiscalização concluiu que a empresa foi constituída com o escopo de "ocultar operações realizadas" pelas pessoas físicas; muito embora o ilustre relator do r. decisão recorrida reconheça e dá destaque: "... nem pelo fato de não haver sido esclarecido quem seria o proprietário do caminhão dirigido pelo Sr. Lourival de Jesus, questão invocada pela Defesa." 19 Aqui uma pausa: Escreveu o douto relator sobre o "... caminhão dirigido pelo Sr. Lourival de Jesus, questão invocada pela Defesa.", Afirma que em nenhum momento e em qualquer documento há a informação de que o "semi-truk constante das fotos estava sendo dirigido pelo Sr.Lourival de Jesus. Tanto foi que os impugnantes insurgiram-se contra a nitidez das fotos, das quais ninguém poderia tirar qualquer conclusão, porquanto impossível identificar a chapa e muito menos quem era o condutor cio veiculo naquele momento. Não há esta assertiva no Relatório da Inteligência da Secretaria da Receita Federal nem na denúncia fiscal. Logo, o julgador foi além da verdade processual, para ter (criando) urn elemento de prova que pudesse comprometer os impugnantes. O que é lamentável e isto milita contra dois princípios constitucionais (art. 37) que regem a administração pública: IMPESSOALIDADE e MORALIDADE. Reclama que para suportar o juizo de culpa a relatora do v. aresto atacado transcreve doutrina de Washington de Barros Monteiro, ao tempo ern que nega acolhimento aos seus argumentos, igualmente defendidos pela doutrina, dizendo-os "simples exemplificações da tese defendida pelo impugnante", o que se mostra contraditório e tendencioso. No que toca ao fato de os recorrentes, então impugnantes, argumentarem ser prematura a conclusão da denúncia fiscal — quando disse que no processo anterior do IRPJ (10380.00303612003-07) as decisões de la e 2a instancia administrativa foram desfavoráveis aos mesmos — porque o aresto do então Conselho de Contribuintes ainda estava sendo discutido em sede de embargos de declaração e, estranhamente, permaneciam retidos na repartição fiscal até a data do protocolo da petição impugnativa deste caso. Afirma que a informação do Sistema COMPROT, dando conta que o processo havia sido enviado ao 1° Conselho de Contribuintes em 13.02.09, provaria sua suspeita dc retenção indevida do processo pela DRJ (que só se movera pressionada pela Recorrente). Também dá como correto o enquadramento legal contido no termo de solidariedade passiva — que autorizam trazer ao feito fiscal as pessoas fisicas que seriam os verdadeiros sócios de fato da pessoa juridica — com fulcro nos artigos 124,1 e 135, III, ambos do CTN. Ressalta evidente que o ilustre relator da r. decisão recorrida deu muita importância e fez juizo de valor sobre esta sua conclusão, tanto foi que a levou para a ementa do julgado. No tocante ao enquadramento legal contido no termo de solidariedade passiva — que autorizam trazer ao feito fiscal as pessoas fisicas que seriam os verdadeiros sócios de fato da pessoa juridica — com fulcro nos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN, dados como correto pela decisão, opõe que a alentada argumentação jurídica sobre interpretação e aplicação das normas jurídicas do CTN, oferecida a debate pelos administrados cram (e são) muito importantes para o deslinde da questão, mas, lamentavelmente, não mereceu sequer uma linha no voto condutor do v. aresto atacado; o que expõe a desnuda pobreza franciscana do julgado. Afim-ia que nada favorece mais sua defesa que a tentativa do Fisco acusá-lo atropelando a lei. 0 Direito s6 pode ser achado na lei. Repete os julgados administrativos 20 Processo n° 10380.019975/2008-01 S1-C1T2 Acórclao n.° 1102-00397 Fl. 509 oferecidos em l a instância e junta as ementas dos acórdãos 108-09263 de 28/03/2007; 105- 16.987, de 27.05.08 e 102-47.558, de 24.05.06, Cons. Naury Fragoso Tanaka. E conclui que forte na lei, na doutrina e na jurisprudência não há como manter a ação fiscal que trouxe os recorrentes (pessoas fisicas) como responsáveis tributários, por manifesta ilegitimidade passiva para responder por possíveis irregularidades ocorridas na empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda.. Despacho de fls. 512 dá seguimento ao feito. Recebo os autos, por sorteio, para relato. Este é o relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora 0 recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, no que tange ao conhecimento da responsabilidade solidária imputada aos Senhores Celmo Emany Araújo, Alexandre Gontijo Guerra, Aberto Alves de Souza, tINICA matéria posta no litígio. Matéria que já foi objeto de conhecimento no julgamento proferido no acórdão 108-09.477, de 08/11/2007, processo 10380.003026/2003-97, e está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÉNCIA - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não' pode gerar nulidades no âmbito do pro CeSSO adnzinistrativo PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Rejeita-se preliminar de nulidade quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Deve-se conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo. SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA - SOLIDARIEDADE - São pessoa/mente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas fisicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas-correntes bancárias. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DAS GIMS E A CONTABILIDADE - Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas informadas nas Guias de Informações Mensais (GIM/GIAN) à Secretaria de Fazenda Estadual em confronto com aquele escriturado e lançado nas DIPJ apresentadas ao Fisco Federal, mormente quando elas não são contestadas pela autuada. IRPJ - LUCRO ARBITRADO - FALTA DE . APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contabeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. IRPJ - APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - A conduta da contribuinte de não informal- a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, e de ser achninistrada de fato por terceiros não vinculados a ela oficialmente, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. CSL LANÇAMENTO DECORRENTE - O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no lançamento dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado. (.) Naquela ocasião a decisão confirma a responsabilidade pessoal dessas pessoas pelos créditos constituídos na pessoa jurídica, é verdade, corno bem consignaram as razões oferecidas que o processo ainda não se esgotou na fase administrativa, mas a posição atual é esta. Voltando ao presente, os Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Celrno Emany Araujo c Alberto Alves de Sousa, recorrem do acórdão de 1 0 grau, apresentando, em síntese, os seguintes pontos: a) nulidade da decisão de 1 0 grau, pela singeleza de conteúdo, por não comentar a doutrina e jurisprudência constantes das razões impugnatórias, o que implicara em cerceamento do seu direito de defesa; 22 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórao 0.0 1102-00397 Fl. 510 b) falta de comprovação efetiva da participação das pessoas tisicas na empresa autuada. Corn valoração incorreta das provas oferecidas, supervalorizando aquelas trazidas pelo fisco e desconsiderando as que foram juntadas pela Recorrente; e c) incoerência na capitulação legal. No tocante á. preliminar de nulidade, invocada por entenderem os recorrentes que a autoridade de 10 grau não analisou todos os pontos consignados na inicial, se destaca o fato de que o acórdão abordou todas as matérias trazidas à colação. Também é pacifico neste colegiado que a falta de análise exaustiva dos argumentos oferecidos não é motivo de nulidade da decisão. Além do mais o julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito. (STJ — Resp 652.422 — 2004/0099087-0) RET n 43 — maio/junho/2005, p. 136:5691). Há que se observar, ainda, que a autoridade julgadora é livre para formar a convicção, conforme autorização contida no artigo 29, do Decreto n° 70.235, de 1972; não se necessita especificar questão ou prova na decisão, basta para tanto expor os motivos que permitiram a conclusão e a fundamentação legal. Nessa mesma linha, rejeita-se também o questionamento posto na Impugnação dirigido A. falta de apreciação de motivos fundamentados em documentação fiscal. Quanto ao mérito da instrução processual os Recorrentes afirmam que s6 foram analisados os argumentos que interessavam ao Fisco e que fora trazido aos autos os elementos de outro processo 10380.003026/2003-97, que estaria sendo retido na DRJ, por "mala testa." Diz que a imputação fiscal se dá por presunção, pois não se trata da ocorrência dos fatos geradores ou possíveis ilícitos fiscais da Empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., mas se, comprovadamente, houve a participação objetiva dos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Ernany de Araújo e Alberto Alves de Souza, para com isto responderem pela acusação de fraude ao fisco e serem enquadrados corno sujeitos passivos e co-responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário lançado de oficio. E que sua defesa se sustentaria na aferição das provas com direcionamento na esteira do direito penal; uma vez que os três recorrentes nada podem dizer sobre a matéria tributária corn a qual não concorreram. Continua para dizer que a acusação de evidente intuito de fraude fiscal deve, necessariamente, se sustentar em provas diretas, objetivas, materiais, documentais, não se aceitando tão-somente as provas indiretas, subjetivas, as testemunhais; para fazer o juizo de culpa de quem quer que seja. Nada contra os termos de declaração de terceiros, as provas indiretas, subjetivas, porque se sabe que em alguns casos as provas materiais, diretas e documentais são dificeis de se obter. Lembra que as provas testemunhais são verdadeiros depoimentos e confissões - corno aqueles trazidos - obtidos unilateralmente nas unidades da Receita Federal e que frequentemente são desconstituidos pelo Poder Judiciário, logo devem ser aceitos corn certa reserva e não como verdades absolutas, urna vez que a Fiscalização só traz aos autos 23 • aqueles "depoimentos" que interessa a acusação; alias, sem qualquer espanto, este é seu mister funcional. Embora os Recorrentes ponham em dúvida a validade da prova testemunhal ela é valida e o poder judiciário já aceita frente as provas constantes do processo e o livre convencimento do julgador, também no âmbito tributário. No antigo Conselho de Contribuintes na 8 a Camara, em 09 de novembro de 2000, a matéria foi conhecida e está assim ementada no acórdão 108-06.294. (...) PROVA TESTEMUNHAL - As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras, principalmente quando, nos depoimentos, diversas testemunhas presta/li informações a termo, perante autoridade policial e fiscal, confirmando fatos que apontam para ocorrência de crime quanto a ordem tributaria. No judiciário também não há restrição a esta prova, como se ilustra da transcrição do HC - 75809/SP- Relator Ministro Sepúlveda Pertence — Julgamento de 17/03/1998 - l a Turma: Em emita : I. Sentença condenatória: justa causa conforme finzdamentação idônea, baseada não apenas na confissão depois retratada do paciente, mas também na prova indiciaria colhida e»2 juizo, julgada bastante para elidir a verossimilhança de sua versão dos fatos: juizo de mérito a cuja revisão não se presta o hebeas corpus. Indeferido por unanimidade . E note que nesse caso se trata de pena privativa de liberdade. Ainda, entendo que o argumento de se desconstituir no judiciário a prova testemunhal é falacioso, porque em todo curso do processo não se falou em coação ou qualquer forma de violência na tornada dos depoimentos que abaixo se transcrevem para melhor conhecimento dos fatos. Então, pergunto, por qual motivo seriam desconstituidos? Equivale dizerem os Recorrentes que só caberia atribuir validade apenas prova produzida ern juizo, por ser a única a ensejar crime de falso testemunho. Ao contrario, nos termos do artigo 342 do Código Penal tern-se que: "Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade, como testemunha, perito, tradutor ou intérprete ern processo judicial, policial ou administrativo, ou ern juizo arbitral: Pena — reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos , e multa." Desta forma se pode sustentar relevância probatória para os depoimentos prestados, urna vez que, o crime de falso testemunho também se caracteriza pela afirmação falsa prestada em inquérito policial e processo administrativo. Como afirma o Renomado Professor Damásio E. de Jesus em seu Código Penal Adotado, 6" Edição 1996 — Ed. Saraiva, p. 909, corn relação a natureza do processo que deve ser prestado ao falso testemunho, "A conduta deve ser realizada em processo judicial (criminal, civil ou trabalhista), em inquérito policial, em processo administrativo, juizo arbitral (CPC arts. 1072 a 1102) ou inquérito parlamentar (Lei n.1579/52). 24 Processo n° 10380.019975/2008-01 si-cl T2 Acórao n.° 1102-00397 Fl. 511 Em que pesem os brilhantes e bem articulados argumentos do recurso, sobrepõem-se que a instrução dos autos apontam para um fato tipificado como ilícito frente ao nosso ordenamento jurídico. As provas colhidas ao longo da ação fiscal apontam: a) o procedimento fiscal constante do 10380.003026/2003 -97, que reconheceu a responsabilidade das pessoas fisicas recorrentes, é em tudo semelhante a este, que nada mais representa que outro período fiscal (mas as pessoas são as mesmas e os fatos também); b) as afirmações prestadas no termo de fls. 251/252, pelo Sr. Alexandre Gontijo Guerra, não foram, sequer, tangenciado nas razões oferecidas, e ali afirma este senhor que : 1. é funcionário da empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., na função de gerente, desde o ano de 1999; 2. antes de entrar para a Cometa já aturava no ramo de comercio atacadista de açúcar, na Rua Governador Sampaio, como proprietário de uma firma de nome Organização Esperança, já fechada; 3. é conterrâneo do Sr. Masil Torres Pessoa, da cidade Nossa Senhora do Bom Despacho - MG; 4. que atuava como corretor de compra e venda de açúcar, quando o Sr. Masil o convidou a trabalhar com ele no comércio denominado Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda; 5. o Sr. Mas ii sempre teve residência fixa na cidade de Nossa Senhora do B0111 Despacho, onde mantem fazenda de gado, vindo a Fortaleza de vez em quando, mais ou menos de três em três meses, quando então aqui permanecia por cerca de uma senuana; 6. e responsável pelas compras da empresa, sendo que as vendas no balcão são feitas por três vendedores de nome Jose Flávio Almeida, Cristiana Dias e Rui Amorim Gontilo; 7. o controle do caixa da empresa efeito pelo Rui Gontijo, que diariamente presta conta com o Sr. Masil, via lax; 8. os paganuentos pelas compras realizadas em nome da empresa Cometa, são feitos com cheques que o Sr.Masil já deixa assinado em poder do Rui; 9. referida conta é. mantida no Banco do Brasil —Ag. Praça do Correio — Fortaleza; 10. não possui procuração que lhe dê poderes para movimentar conta bancária c/a empresa; 11. o Sr.Masil vive de sua Fazenda de gado mantida no município de Nossa Senhora do Bom Despacho; 25,11 12. além das pessoas já citadas acima, afirma que não conhece mais nenhuma pessoa que estejam a frente da referida empresa na sua administração; 13. dispõe de total confiança junto ao Sr. Mash, e que recebe,mensalmente como salório a importância de R$ 1.000,00; 14. a empresa funciona graças ao seu serviço de corretagem, realizando as compras, mercadorias para a revenda; 15. não tem mais firma em seu próprio nome por não ser compensatório, dadas as inúmeras responsabilidades e encargos que sobrecarregam o empresário; e 16. não conhece o outro sócio da empresa Cometa. As razões oferecidas tentam, apenas, minimizar a importância dos depoimentos prestados mas não esclarecem sobre o seu conteúdo. Também cabe registrar que o Contribuinte se negou a assinar a declaração, conforme ali consignado (o mesmo foi assinado pela autuante e por duas testemunhas que assistiram ao depoimento). c) Termo de fls. 252/253, que contém o depoimento prestado pelo sr. Alberto Alves de Souza constam as seguintes informações: 1. que é natural de Minas Gerais da cidade de Bom Despacho; 2. que veio para Fortaleza há cerca da cinco anos, com a finalidade de trabalhar no comercio juntamente coin o Sr. Masil Torres Pessoa, na empresa M.T.Pessoa, localizada na Rua Governador Sampaio; 3. que conhece o Sr. Masil de sua cidade natal, do qual é conterrâneo, e que por ele foi convidado a vir para Fortaleza; 4. que, tem C01170 formação profissional a atividade de projetista, mas que nos últimos cinco anos está trabalhando no comércio, tendo inicialmente, como já dito, trabalhado na AJ.T.Pessoa, mas que passou para a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos depois que esta foi constituída; 5. que na empresa Cometa, sempre trabalhou na função de "Caixa"; 6. que sua atividade se resume, basicamente, aos recebimentos no caixa da loja, mas que também emite cheques para os pagamentos da empresa, quando autorizado pelo Sr.Masil, possuindo para tanto, uma procuração da empresa; 7. que a procuração lhe foi outorgada pelo Sr. Masil se deveu ao fato do outorgante está muito ausente de Fortaleza e par ser pessoa de sua confiança; 8. que, pelo que sabe, a administração da empresa Cometa feita ó distância pelo Sr. Mash!; 9. que o Sr. Masil reside no interior de Aall ' Gerais, e que a últinut vez que se recorda de ter tido contato pessoal com ele, aqui em Fortaleza, não sabe ao certo, mas tetra sido ou no .final do ano 26 Processo n° 10380.019975/2008-01 si-ciT2 Acórao rt.' 1102-00397 Fl. 512 passado ou no inicio deste ano, contato este que foi muito rápido; 10. que há alguns anos, o Sr. Masil não se faz presente pessoalmente na empresa Cometa; 11. que presta contas da movimentação do caixa da empresa ao seu proprietário Sr. Masil, sendo que isso é feito através c/c contatos telefônicos ou pessoalmente, quando ele eventualmente vem a Fortaleza; 12. que a documentação fiscal, referente as notas de compras e vencias, são entregues ao Sr. Rui Gontijo, para serem encaminhadas ao contactor; 13. que o Sr. Rui Gontijo passou a trabalhar na empresa Cometa 176 cerca de dois anos e que atua principalmente nas visitas aos Bancos para realização de depósitos e pagamentos; 14. que não sabe informar quem é o contador da empresa e nem tampouco onde ficam guardados os livros fiscais da empresa; 15.que juntamente CM ele(declarante) trabalha na loja da empresa Cometa unia pessoa delnonie Flá rio , cujo sobrenome não sabe qual 6, que atua como vencleclor; 16. que no estabelecimento da referida empresa trabalha ainda uma telefonista de nome Cristiane, cujo sobrenome também não sabe qual é; 1 7. que não conhece e nem sabe quem é o outro sócio da empresa Cometa; 18. que conhece o Sr. Alexandre Gontijo, como uma pessoa que atua no estabelecimento da empresa Cometa, onde possui um espaço reservado cedido pelo Sr.Masil, para realizar os seus negócios de intermediação de compra e venda de açúcar; 19. que nunca ouviu falar do Sr. Newton Gomes de Sousa, que aparece como procurador da empresa Cometa; (..) d) No Termo de fls. 254/255, afirma o Sr. Celmo Ernany Araújo o seguinte: I. que é natural de Cascalho Rico, interior de Minas Gerais e veio para o Ceara em janeiro de 1999, onde fixou residência, época na Rua Tenente Benévolo, 2222, apt. 1001 em Fortaleza- Ce, tendo posteriormente alterado a residência para o apt. 601 desse mestizo prédio, sendo que, atualmente está residindo junto com o Sr. Alexandre Gontijo, seu cunhado, no endereço identificado no preán7bulo deste Termo; 2. que veio para o Ceará através do Alexandre Gontijo Guerra, que já atuava no comercio local e o convidou para com ele trabalhar; 3. que desde então, trabalha auxiliando o Sr. Alexandre Gontijo Guerra que é intermediador no comercio de compra e venda de açúcar; 4. que o seu trabalho consiste na liberação das compras junto á Secretaria de Fazenda do Ceara nos carregamentos que vêm de outro Estado e na entrega do produto aos clientes compradores, atuando ainda na parte de cobrança ; 5. que sua relaçao coin a Cometa Distribuidora de Alimentos Lt da., consiste na prestação de serviços relacionados com cobranças de devedores, mas que também intermedia vendas realizadas em nome da referida empresa; 6. que a prestação de contas do seu trabalho para a empresa Cometa &fella junto ao Sr.Alberto Alves de Souza ou com o Sr. Rui Gontijo; 7. que com a referida empresa não tem vinculo empregaticio; 8. que sua principal fonte de renda provem das comissões nas intermediações comerciais que realiza junto aos comerciantes da Rua Governador Sampaio, nesta cidade, inclusive da parte da empresa Cometa; 9. que a empresa Cometa é de propriedade do Sr. Masil Torres Pessoa; 10. que sabe que a empresa Cometa é uma sociedade, porém t não conhece mais nenhum sócio alem do Sr. Masil; que sabe da existência de um estabelecimento filial da empresa Cometa no Estado do Tocantins, já tendo ouvido .falar de que lá trabalha um Sr. de nome Lourival; 12. que o Sr. Masil é conterrâneo do Sr. Alexandre Gontijo, da cidade Nossa Senhora do Bom-Despacho, em Minas Gerais; onde- reside com sua família, vivendo da pecuária; 13. que não sabe informar qual o endereço exato onde o Sr. Masil reside atualmente só sabe que ele mora no interior de Minas Gerais, como já dito anteriormente; 14. que conheceu o Sr. Masil aqui em Fortaleza que o Sr. Masil, em algumas ocasiões que vinha a Fortaleza, chegou a se hospedar na sua residência (do declarante); 16. que pelo que sabe, o Sr. Masil teve problemas particulares aqui em Fortaleza, tendo ido embora definitivamente para a cicia c/c de Nossa Senhora do Bom Despacho, e que a tiltima vez que teve contato com de foi no carnaval deste (MO; 17. que na ausência cio Sr. Masi!, os negócios da empresa Cometa são conduzidos por diversas pessoas, tais como o Sr. Rui Gontijo, que conhece conto sendo o gerente, SrAlberto, como caixa, Sr. Flávio, como vendedor, e Sr. Alexandre Gontijo, como responsável pelas compras de açúcar; 18. que possui uma procuração que lhe foi outorgada pelo Sr. Masi!, para representar a empresa Cometa, 171aS que o seu uso só 28 Processo n° 10380.019975/2008-01 SI-Cl 12 Accircl5o n.° 1102-00397 Fl. 513 . feito quando das realizações de cobranças de devedores da referida empresa; 19. que pelo que sabe, a parte financeira, relacionada com emissão de cheques e controle de caixa da empresa Cometa é feita pelo Sr.Alberto; 20. que não sabe informal- se a empresa aqui citada possui livros fiscais ou contábeis e nem tampouco com quem os mesmos ficavam; e) Termo de fls. 257/258, corn o depoimento prestado pelo Sr. Mash l Torres Pessoa: que é sócio proprietário da empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda , com 95% de seu Capital Social, e proprietário da M. T Pessoa, firma individual; que conheceu seu sócio Sr. Lourival de Jesus quando este fazia entrega de cargas em uma Kombi na Rua Governador Sampaio; que não tem noção do volume de faturamento dessas empresas nos últimos três anos; que saiu de Fortaleza em dezembro de 1998 quando teve problemas de natureza pessoal; que nessa oportunidade cedeu integralmente ás empresas ao Sr. ALEXANDRE GONTIJO GUERRA e ao Sr. Alberto Alves de Souza recebendo até hoje mil reais por mês do Sr. Alexandre a titulo de aluzuel das empresas; que o contador das empresa era um tal de Sr. Geraldo; que não sabe informar o seu sobrenome; que quem guarda os livros fiscais e contábeis das empresas deve ser o Sr. Geraldo; que desde o inicio das empresas, quem ajudava na administração era o senhor ALEXANDRE GONTIJO GUERRA ,. que as empresas mantinham contas corrente no Banco do Brasil, agência praça clos correios em Fortaleza-Ce; que não tinham desconto de títulos neni aplicações .financeiras, porque movimento era pequeno; que a empresa Con eta inicialmente se instalou no município de Caucaia não sabendo informar o endereço e depois na Rua Governador Sampaio, 270 no município de Fortaleza, não tendo se estabelecido em outro endereço; que a firma individual M.T Pessoa inicialmente se insta/ou à Rua Governador Sampaio, 575, e por algum tempo lla Av. Osório de Paiva, ambos no município de Fortaleza-Ce; que outros endereços onde funcionaram ou funcionam essas empresas não são de seu conhecimento; que sempre funcionaram em instalações locadas; que o primeiro contrato de locação das duas empresas foi assinado pela sua pessoa e os demais não sabe informar quem os assinou; que nos últimos três anos quem controla o caixa das empresas é o Sr. Alexandre; que não sabe como é feita a prestação de contas da tesouraria das empresas; que não sabe quem decide sobre as compras para reposição dos estoques das empresas; que os senhores ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, ALBERTO ALVES DE SOUSA e CELMO ERNANY ARA UJO possuem procuração 29 para administrarem as empresas; que os dois últimos senhores são cunhado do Sr. ALEXANDRE; que abriu uma da empresa Cometa, no município de Araguaina, Estado do Tocantins, a pedido do Sr. GERALDO GONTIJO GUERRA ou GUERRA GONTIJO após ter deixado as empresas com o Sr. ALEXANDRE GONTIJO GUERRA; que deu procuração para o Sr. Marcelo Quirino Costa no 7° oficio de notas de Belo Horizonte para administrar a filial da Cometa em Tocantins; que suas declarações de renda são feitas em Fortaleza; que só assinou e apresentou duas, não sabendo informar a que exercício se referem; que não possui bens imóveis, possuindo tão somente um fusca velho, ano 1977; que ainda deve ao Banco Rau Agencia de Bom Despacho o empréstimo para aquisição do fusca; que chegou em fortaleza em 1997 e retornou a Bom Despacho em dezembro de 1998; que foi para Fortaleza a convite do Sr. GERALDO GONTIJO, irmiio do Sr.Alexandre após trabalhar C0177 ele no Estado do Para, captando leite para o Mesmo que nunca deu procuração para qualquer pessoa representar a sua pessoa física; que possui firma no cartório Martins em Fortaleza, e em outro cartório também de Fortaleza não recordando o nome; que não conhece nenhum outro endereço na Rua Governador Sampaio além dos já mencionados: que seu endereço indicado na procuração dada ao Sr Ce/mo Aratijo é na realidade o endereço do Sr. Ce/mo, pois naquela data já retornara a Bom Despacho e não residia em Fortaleza: que nunca forneceu procuração para o Sr. Ruy Blas Amorim: e perguntado se tinha mais alguma coisa a acrescentar disse que depois que deixou as empresas não tem mais conhecimento sobre o que tem acontecido com as mesmas. f) Depoimento de fls. 257/258, feito pelo sr. Geraldo Aires Benevides: I. que é contador por .formação e profissão, mantendo escritório a Rua Pereira Filgueira, 357, nesta cidade; 2. que presta serviços de assessoria nas areas fiscal e previdenciária a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., desde a sua constituição; 3. que, das pessoas que constant como sócias . da referida empresa, manteve algum contato apenas com o Sr. Masil, por ocasião da abertura da empresa e logo no inicio de suas atividades, quando aquela pessoa estava em Fortaleza; , 4. que o outro sócio que aparece no contrato social dessa empresa, chamado Lourival, só conhece de nome, nunca tendo mantido nenhum contato com o 111eS1710, sabendo também que ele de fato não trabalha nessa empresa; 5. que a sua relação com a empresa, C07710 já dito, limita-se prestação de serviços na area fiscal e previdenciária, não sendo do seu conhecimento que a mesma disponha de escrituração C017kibil; 6. que sabe que a empresa mantém livros fiscais da escrituração relacionada à legislação do if ICMS, livros estes que inclusive já chegou a ver nas visitas que faz à mesma como assessor, 30 Processo n° 10380.0 I 9975/2008-01 Sl-C1T2 Acórddo 0. 0 1102-00397 Fl. 514 porém não é ele(depoente) e nem os seus funcionários que executam n a escrituração desses livros, os quais, pelo que sabe, ficam guardados nas dependências do estabelecimento comercial da empresa acima referida; 7. que não sabe indicar o nome da pessoa que executa a escrituração dos livros fiscais da empresa, pois quando presta suas orientações de ctssessoramento o faz diretamente para o Sr. Alberto de Souza; 8. que sua relação profissional com a empresa é feita através do Sr. Rui Fias, na qualidade de procuradorsendo esta a pessoa que paga os seus honorários; 9. que faz muito tempo que não tem mais nenhum contato coin o Sr. Masil , sabendo apenas que ele mora atualmente em Minas Gerais; 10. que dessa empresa, conhece e tem contato com o Sr. Rui Bias, já referido acima; o Sr.Alberto de Souza, como sendo o responsável administrativo e pessoa que lhe passa as informações para a declaração do imposto de renda ou relacionadas as autuações feitas pela Fazenda Estadual; Sra. Roberta como funcionária atendente da loja e que asstuniu o lugar da funcionária Cristiane que foi demitida; 11. que além dessas pessoas não conhece mais ninguém que possa ser identificado como gerente ou administrador dessa empresa, porém sabe que nas dependências dessa empresa trabalha uma pessoa de nome Alexandre, numa sala aliás bem confortável, como se . fora corretor de compra e venda de mercadorias de várias empresas 12. que nas dependências da empresa, nas visitas que faz como assessor, também tem visto o Sr. Cehno Aran jo ao qual já foi apresentado, porém não sabe informar sobre o grau de seu relacionamento C0771 (is atividades da empresa; g) Termo de fls. 261, Diligência Fiscal realizada na residência do Sr. Lourival de Jestis: Aos 22 clias do mês de fevereiro do ano de dois mil e três, coin a finalidade contatarmos Coin o Sr. Lourival de Jesus - C.P.F 650.617.137-53, que está com seu endereço cadastral (CPF) totalmente desatualizado e por não ter atendido As intimações antes formuladas para prestar esclarecimentos acerca de seu envolvimento com a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda, que se encontra sob fiscalização e de cujo contrato social referida pessoa consta C01110 sócio, comparecemos por volta das 7:30 horas ao endereço onde de fato reside o referido cidadão, sito a Rua Pintor Figueiredo, 519- Iparana, distrito de Caucaia- CE, onde, após anunciarmos que queriamos falar com o Sr. Lourival, essa pessoa, saindo do interior da casa, se &right até o portão que ciá para a calçada onde, cipós nos identificarmos 31 como fiscais da Receita Federal, fornos rispidamente recepcionados pelo dito senhor, que nem z ao menos abriu o portão para nos atender, só se acalmando apôs esclarecermos que o motivo de nossa visita era de seu interesse, pois visava deixar-lhe informado acerca de uma fiscalização que estava sendo desenvolvida na empresa acima mencionada, Cm cujo contrato social o seu nome figurava como um dos sócios, ao mesmo tempo em que desejávamos saber sobre a sua real participação na referida firma, lima vez que nenhum dos responsáveis pelo seu gerenciamento soube informar acerca de seu paradeiro. Mais calmo, porém ainda relutante, após algumas indagações por nós formuladas, o Sr. LOUrival respondeu afirmando que era sócio da citada empresa; que ganhava a vida como caminhoneiro; que trabalha atualmente para a Sra. Maria Santa no caminhão de placa IIX46495, Scania, cor prata; que o outro sócio da firma se chama Masil e reside em Minas Gerais; que o gerenciamento da empresa fica a cargo do SrAlexandre Gontijo e que não sabia dar nenhuma informação sobre as atividades da empresa, tais como o volume de vendas no ano passado e o nome dos seus principais fornecedores, pois precisava antes ir até a empresa para consultar o pessoal da gerência. Convidado a acompanhar-nos até a sede da Receita Federal em Fortaleza, onde poderíamos tomar suas declarações por escrito, o Sr. Lourival, desconversou e, uni pouco irritado, retirou-se do recinto retomando ao interior de sua residência não nos dando mais nenhuma atenção. Na oportunidade, colhemos informações na vizinhança de que o Sr. Lourival é unia pessoa pobre e que ganha a vida como motorista de caminhão. A esse respeito, uni vizinho que mora defronte casa do Sr. Lourivcd, atendendo a nosso convite, se dirigiu até o prédio da Receita Federal eln Fortaleza, onde prestou Win-11140es tomadas por escrito e que constam i de termo próprio. Para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos o presente termo que vai assinado por nos, que realizam, presente OBSERVAÇÃO: Nas fls. 262/263, consta termo de declaração do Sr. Francisco Moreira da Silva, vizinho do Sr. Lourival de Jesús. Nas fls. 192/196, cópias das procurações concedidas aos srs. Celmo Ernany Araújo, Alberto Alves de Souza, Nilton Gomes de Sousa e Alexandre Gontijo Guerra (respectivamente), com plenos e ilimitados poderes. As recorrentes dizem que não há nos autos nenhuma prova que os vincule "diretamente" as operações que culminaram nas omissões de receitas, objeto desta exigência. Ainda, que só são mencionados os depoimentos que interessam ao fisco. Tenho para mim que esta não é a melhor conclusão ante o conjunto de eventos anunciados no processo. juntado pelos Recorrentes a declaração prestada pela Central Paulista Açúcar e Alcool Ltda., de 11/04/2002, 415, onde consta a seguinte informação: CENTRAL PAULISTA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA., com sede On S. Paulo e com estabelecimento industrial no município, de Jaii, na Fazenda Alzira, e com escritório c‘i rua Prudente de Moraes, 552, inscrita no CNP.I. sob n° 61.219.218/0002-07 e Insc. Estadual n° 401.010.699.119, vein respeitosamente C177 32 Process() n° 10380.019975/2008-01 SI-CIT2 Acórao n.° 1102-00397 Fl. 515 atenção a intimação supra, informar aos Senhores Auditores- Fiscais da Receita Federal, que a empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., quando da aquisição de produtos de nossa fabricação, efetuou os pedidos por via telefônica através do sr. Masil Torres Pessoa, que se apresentava como sócio da mesma, constando ainda de nossas anotações, que o mesmo é domiciliado a rua Governador Sampaio n° 270, centro - Fortaleza-CE - 41111 coin telefone (085) 231-9585. Deixamos de anexar pedidos de compra ou outro documento, uma vez - que os negócios foram por via telefónica. Outrossim, esclarecemos que estas informações, já foram prestadas através de nossa correspondência datada de 11.04.2002, en/ atenção a intimação deste órgão, número 0310100100004/2002. Sem mais, esperando ter atendido as solicitações, subscrevemo- nos, colocando-nos a disposição para outros esclarecimentos se necessários. (..) Entendem os Recorrentes que esta declaração deixou de ser juntada pela fiscalização por "mala testa", por se tratar de prova que as beneficiariam. Não posso afirmar o ocorrido em relação a falta da juntada desta declaração, nem me posicionar quanto As insinuações de que estaria a delegacia de julgamento sendo parcial em seu procedimento, tendente a prejudicar os Contribuintes. Mas no meu entender, esta declaração em nada aproveita os Recorrentes. Nela não se afirma que o Sr. Masil é o autor das operações, quando diz "que os negócios foram por via telefônica" motivo pelo qual deixou de "anexar pedidos de compra ou outro documento" que provasse quem efetivamente realizou a operação. E esta declaração, em nada, altera os fatos constantes nos autos. Convém lembrar que a atividade administrativa é vinculada sob pena de responsabilidade funcional. E se os Contribuintes se sentem prejudicados por procedimentos realizados por agentes públicos, tem instrumentos para fazer valer os seus direitos, podendo perfeitamente representar contra quem assim agiu. A situação que extraio deste processo é a materialidade de um esquema, entenda-se conjunto informalmente organizado de pessoas unidas para desenvolvimento de ações A margem da legalidade, destinadas à efetivação de comércio de mercadorias, em âmbito interestadual. Nessa organização, os Recorrentes se apresentam como empregado, prestador de serviço e procurador de um suposto sócio titular de urna pessoa jurídica, da qual ninguém sabe informar nada. 0 suposto dono da empresa (sócio majoritário) não sabe informar o faturamento c/ou as atividades comerciais que ali são desenvolvidas. 0 minoritário, igualmente é de uma inocência completa. Por seu turno, os empregadores e representantes so sabem da (111' i" 33 existência de urn único sócio, (dito afastado e exercendo atividade pecuária, no interior do estado), mas também desconhecem ate quem á. responsável pela Contabilidade e onde os livros fiscais c contábeis encontram-se, corno se viu nas transcrições acima. Todos esses elementos suportam o conjunto probatório indicidrio su ficiente, a presença desses senhores em todas as operações, inclusive fisicamente, em detrimento dos supostos sócios que s6 foram encontrados em outras cidades e após muita peleja. Por esses motivos não avançam as preensões dos Recorrentes da falta de prova das suas efetivas participações no esquema de omissão de receitas apuradas neste processo. Referindo-se h. lógica das provas em matéria criminal, afirma MALATESTA, Nicola Framarino Dei. A Lógica das Provas em Matéria Criminal. Tradução de Paolo Capitanio. 3' Ed. Campinas, Booicseller, 2004, pág. 30: "Quando, partindo de nina verdade sensível diretamente percebida, o intelecto, mediante a reflexão, nos conduz csi afirmação de outra verdade, a certeza que decorre de semelhantes percepçães é certeza mista do físico e da lógica. É certeza física quanto à verdade sensível diretamente percebida; lógica quanto à verdade não percebida pelos sentidos, conduzindo-nos à inteligência; e é, esta última, certeza lógica, embora também tenha por objeto uma realidade .física, pois esta realidade, em nossa hipótese, é percebida pelo espirito imateriahnente, por um trabalho completamente intelectivo." A existência das procurações, das fichas bancárias e dos depoimentos que apontam para a prática reiterada de atos comerciais por estas pessoas, utilizando-se da empresa, apenas como "fachada", conduz aos elementos componentes do conjunto probatório indireto que determina a participação desta pessoa no dito esquema. A titulo de exemplo se repisa o depoimento primeiro prestado pelo Sr. Alexandre Gontijo Guerra, (transcrito acima e constante das fls. 251/252), no recebimento do termo de inicio de fiscalização afirmou que era funcionário da empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., na função de gerente, desde o ano de 1999; (...) que o Sr. Masil sempre teve residência fixa na cidade de Nossa Senhora do Bom Despacho, onde mantém fazenda de gado, vindo a Fortaleza de vez em quando, mais ou menos de três em três meses, quando então aqui permanecia por cerca de uma semana; que o controle do caixa da empresa e feito pelo Rui Gontijo, que diariamente presta conta com o Sr. Masil, via Fax; que os pagamentos pelas compras realizadas em nome da empresa Corneta, são feitos com cheques que o Sr. Masil já deixa assinado em poder do Rui; que não possui procuração que lhe dê poderes para movimentar conta bancária da empresa; que o Sr. Masil vive de sua Fazenda de gado mantida no município de Nossa Senhora do Bom Despacho; que além das pessoas já citadas acima, afirma que não conhece mais nenhuma pessoa que estejam h. frente da referida empresa na sua administração; que dispõe de total confiança junto ao Sr. Masil, e que recebe, mensalmente corno salário a importância de R$ 1.000,00; que a empresa funciona graças ao seu serviço de corretagem, realizando as compras mercadorias para a revenda; que não tern mais firma em seu próprio nome por não ser compensatório, dadas as inúmeras responsabilidades e encargos que sobrecarregam o empresário. Qual é a realidade disso tudo? Na mesma ordem as contradições dos depoimentos prestados pelos outros Recorrentes, o que aponta, no minim, para o falso testemunho dessas pessoas. 34 Processo n° 10380.019975/2008-01 S11-C1T2 Acórao 11." 1102-00397 Fl. 516 O fato do Sr. Masil ter mentido quando disse não mais ter voltado a Fortaleza, após 1998, ante as procurações assinadas, apontam, apenas mais urna desconectada informação. Não se pode dizer quem mente ou quem fala a verdade nesta série de fatos constantes dos autos (aqui não se está diante do direito tributário e sim do direito penal). Quanto ao enquadramento legal as razões de recurso reclamam que o acórdão combatido confirmou a correção do enquadramento legal contido no termo de solidariedade passiva que autorizaram trazer o feito fiscal as pessoas fisicas que seriam os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, nos termos do artigo 124, Te 135,111, ambos do CTN. Na análise deste item louvei-me no brilhante trabalho do i. ex-Conselheiro desta Turma, Frederico de Moura Theophilo, de qual me vali da pesquisa doutrindria que realizou, no acórdão 1102-00371, de 26/01/2011. Parto da transcrição do primeiro dispositivo citado: Art. 124. Sao solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assim a questão reside em saber se o recorrente tem razão em afirmar que não é devedor solidário quanto ao cumprimento da obrigação tributária e o crédito tributário dela decorrente, cabendo a exigência fiscal somente sobre a contribuinte pessoa jurídica. 0 lançamento efetuado está a exigir o tributo e encargos dos sujeitos passivos mencionados: pessoa jurídica em face da solidariedade a que se refere o artigo 124 do CTN ou se deve ser assim considerado por se tratar de caso de responsabilidade pessoal por substituição a que se referem os artigos 13.5, III também do mesmo Código. A questão da solidariedade está inserta na Seção II do Capitulo IV — Sujeito Passivo, do Titulo II — Obrigação Tributária, do Livro Segundo, das Normas Gerais de Direito Tributário, da seguinte forma: Seção I — Disposições Gerais, onde são definidos o contribuinte e o responsável e a Seção II — Solidariedade. A solidariedade a que se refere o artigo 124 do CTN tem significado diferente da responsabilidade de terceiros (Capitulo V — Responsabilidade Tributária) a qual pode ser subsidiária (artigo 134 do CTN) ou pessoal ou por substituição do contribuinte (artigo 135 do CTN) ou, ainda, da responsabilidade por infrações (artigos 136 e 137 do CTN). Renato Lopes Becho l ao abordar recentemente a posição da jurisprudência, notadamente do STJ que vem tendo interpretações conflitantes corn os institutos ora examinados e tratando da solidariedade do artigo 124 do CTN contempla a todos com as seguintes observações: "Como se observa do dispositivo legal há duas hipóteses de solidariedade: entre as pessoas que possuam interesse comum no fato gerador e quando a lei assim o preveja. Que é ter interesse C011111711 no fato gerador? Parece-nos ser quando há mais de tuna pessoa ocupando o mesmo polo de uma relação jurídica (agora „A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem Fundamento Legal?"- RDDT n" 182 — pigs. 107 a 126. 35 não de natureza tributária). Especifiquemos melhor. Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa tuna mesma posição em relação a outras. E o que ocorre na copropriedade, Qttando houver mais de um proprietário (contribuinte), haven't solidariedade entre eles. Suponha-se, por exemplo, que três pessoas adquirem o mesmo imóvel, não importando se por ato entre vivos ou por sucessão causa mortis. Nessa circunstância, todos têm interesse comum cm relação ao bent, pois todos são proprietários. Expondo essa situação em termos de relação jurídica de Direito privado, podemos dizer que no polo ativo da propriedade estão os três proprietários, concomitantemente, enquanto no polo passivo estão todas as demais pessoas. Trazendo essa suposição para a relação jurídico-tributário cio Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana - IPTU, teremos como sujeito ativo o município, enquanto no polo passivo estarão as três pessoas mencionadas. O exemplo é de Rubens Gomes de Sousa, exarado nos seguintes termos: "Solidariedade: é a hipótese em que duas ou mais pessoas sejam simultaneamente obrigadas pela mesma obrigação. No caso de condomínio (imóvel com mais de um proprietário), o Município pode cobrar o imposto predial de qualquer dos proprietários, sua escolha; é claro que aquele que pagou o imposto total terá pago a sua parte e mais as dos outros conck3minos: quando a estas, a obrigação tributária transferiu-se para um dos devedores solidários, que fica coin o direito (chamado regressivo) de recuperá-la dos outros "(Compêndio c/a Legislação Tributária. Edição póstuma. São Paulo: Resenha Tributária. 1975. pp. 92-93.) Observemos que, se as múltiplas pessoas não ocuparem o ineS1770 polo da relação jurídica de Direito privado, não haven't interesse comum. Assim, não reconhecemos interesse COM11117 entre sucessor e sucedido ou entre comprador e vendedor. Nesse segundo exemplo, um quer o bem, o outro quer o preço, Transportando para a sucessão entre vivos, a situação se repete. Também patrão e empregado não têm interesse coin um no fato gerador do Imposto sobre a Renda: um quer o beneficio do es/brço ktborativo alheio, o outro quer receber seu salário. ) Misabel Abreu Machado Derzi 2 adverte que a solidariedade é simples forma de garantia do débito tributário, e não forma de introduzir terceiro no polo passivo da relação jurídica tributária, quando afirma: "A solidariedade não é espécie de sujeição passiva poi- responsabilidade indireta, como querem alguns. 0 Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina ct matéria em seção própria estranha ao Capitulo V, referente responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. (grifado) 2 in "DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO" - Aliomar Baleeiro - Misabel Abreu Machado Derzi Editora Forense, Rio de Janeiro, 1999, 11' edição Pgs.728/729 36 Processo IV 10380.019975/2008-01 SI-C1T2 Acórcliio n.° 1102-00397 Fl. 517 Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas unia pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com beneficio de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, fornia de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo." Rômulo Maya3 , ensina que é possível apurar a distinção da responsabilidade por substituição, na seguinte ordem: "Para Rubens Gomes de Sousa ocorre substituição quando, em virtude de unia disposição expressa de lei, a obrigação tributária surge desde logo contra unia pessoa diferente daquela que esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio tributado. Nesse caso é a própria lei que substitui o sujeito passivo direto por outro indireto. Apenas para relembrar, diga-se que aquele saudoso mestre classificou a sujeição passiva tributária en' direta e indireta. A sujeição passiva direta concretiza-se numa pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador, correspondendo noção de "contribuinte" do art. 121 do CTN. A sujeição passiva indireta se configura na pessoa que não estando diretamente relacionada coin o fato imponivel, ainda assim é. obrigada pela lei a pagar o tributo. A sujeição passiva indireta produz-se por transferência ou por substituição. Por transferência decorrem a solidariedade, a sucessão e a responsabilidade de terceiros. A obrigação nasce contra o sujeito passivo direto e em caso de inadimplemento deste, transfere-se ao indireto. Na substituição, a obriga cão já se constitui diretamente contra o substituto, sem o trfinsito pelo sujeito passivo direto ou contribuinte. Esta é a lição do grande pioneiro dos estudos de Direito Tributário no Brasil. (grifado) Para José Washington Coelho, a posição do substituto diante do fisco é idêntica à do contribuinte. Ao substituto cumpre pawn- o imposto, ocupando o primeiro plano como obrigado. (grifado) Para Giallnini, o substituto tributário 6. figura peculiar do Direito Fiscal, que consiste na obriga cão ex lege de pagar divida que corresponde a terceiro (contribuinte). Assim, quando o substituto paga o imposto cumpre com obrigação própria fixa da em lei e não com obriga cão de outrem. (grifado) Pugliese caracteriza a substituição como unia 'Modalidade de execução contra terceiros". Tesoro, como Giannini, sustenta que a substituição representa tuna sub-rogação ex lege de um sujeito passivo (substituto) a um outro que possui a capacidade contributiva que normalmente faz surgir a obrigação 3 Revista de Direito Tributário — ANO 2 — julho/Setembro de 1978— N" 5— págs. 250 à 260 et) 37 (substituído). Não se trata de solidariedade, pois nesta o credor tem a faculdade de escolher o devedor contra o qual agirá. Isto não se passa na substituição. Pelo contrário, de acordo com o art. 128 do ('NT, o fisco poderá, unia vez esgotado o patrimônio do substituto ou na impossibilidade de obter deste o tributo, ir haver do substituído sua prestação somente se a lei assim o permitir. (grifado) Andlcar Falcão, criador da expressão "substituto legal tributário", foi quem, emu síntese fulgurante, melhor tratou do problema. Porte da concepção dualistica da obrigação tributária, distinguindo o schuld do burning. Para ele o substituto 6, não um simples atingido por efeito econômico do tributo, mas um verdadeiro devedor. 0 legislador pode dissociar inteiramente a relação tributária, atribuindo o debitum ou schuld (dever de prestai) a uma pessoa (contribuinte) e a obligati° ou haftung (responsabilidade pelo débito) a outra (substituto). O substituto é pois aquele terceiro a quem a lei comete, coin exclusividade, o dever de pagar um tributo alheio. E unia figura típica de Direito Tributário como já se disse, sem igual em qualquer outro ramo jurídico. A substituição, em resumo, é. pois, mero critério legal de atribuição do fato imponível, conforme conclui Amilcar Falcão". (grifiulo) Acrescenta ainda que "a diferença fundamental entre o responsável e o substituto, conforme Berlin, está que, no primeiro caso, a lei designa uma terceira pessoa que assume, solidária e subsidiariamente, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, enquanto que, na substituição, o legislador substitui o contribuinte originário pelo substituto, que assume, assim, a posição de contribuinte. Da mesma opinião é Giannini que diz passar o substituto a ocupar o lugar que normalmente estaria reservado ao contribuinte na relação jurídico-tributária. No caso presente, houve o interesse comum das pessoas físicas na consecução de um fim e a inexistência de fato da pessoa jurídica, o que, em última análise aponta para a responsabilidade objetiva e subjetiva dos Recorrentes ante os ilícitos descritos nos autos. Por isto, correto o enquadramento legal. Também, quanto a jurisprudência oferecida nas razões tanto impugnatórias quanto recursais, ac. 102-47558, e 108-09.263 (indevidamente citado nas razões como 106- 09.263), cabe informar o seguinte: a) o acórdão 102-47558 foi reformado na CSRF através do ac. CSRF/04- 00958, de 04/08/2008, assim ementado no que interessa neste processo: IRE - RENDIMENTOS DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA - LEGITIMIDADE PASSIVA. Na transferência da custódia de títulos de renda fixa, de uma instituição financeim para outra, o imposto de renda na fonte deve ser retido por esta instituição, que, embora não seja a fonte pagadora original, fará o pagamento ou crédito das rendimentos ao beneficiário final. 38 Processo n° 10380.019975/2008-01 S1-C1T2 Accird5o n.° 1102-00397 Fl. 518 MULTA QUALIFICADA — SIMULAÇÃO e CONCLUIO. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, mediante a constatação de seus motivos simulatórios e o conclui ocorrido. b) Ac. 108-09.263, foi reformado na CSRF através do ac. CSRF9101-00.286 de 24/08/2009, assim ementado no que interessa neste processo: MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatada a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte,: e seus motivos simulatórios. Se a empresa não existe de fato, servindo tão somente para acobertar as operações praticadas por outra empresa, deve ser mantida multa de oficio qualificada. (...) SOLIDARIEDADE. São pessoahnente responsóveis aqueles que tem interesse c011111112 na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Também, convém ressaltar, no que tange à análise de conjunto probatório que, em geral as jurisprudências administrativas não são oportunas, devido As peculiaridades de cada caso, restando prejudicados seus confrontos. Porque nesta valoração de provas a convicção do Julgador é formada em face do conjunto probatório constante de cada processo, corn todos os seus detalhes e nuances (art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972). Assim, é o contexto de cada processo que induz a tomada de decisão do Colegiado. Nest ortm de juizos Nego provimento ao recurso. / MAL4QUJA PESSOA MONTEIRO 39
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