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Numero do processo: 10880.731574/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO.
A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR. Esta disposição não se aplica aos valores decorrentes da reavaliação de bens, que são controlados na escrituração comercial e possuem regramento próprio.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A conselheira Meigan Sack Rodrigues acompanhou o relator pelas conclusões.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Victor Humberto da Silva Maizman, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR. Esta disposição não se aplica aos valores decorrentes da reavaliação de bens, que são controlados na escrituração comercial e possuem regramento próprio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrente COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Esta disposição não se aplica aos valores decorrentes da reavaliação de bens, que são controlados na escrituração comercial e possuem regramento próprio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A conselheira Meigan Sack Rodrigues acompanhou o relator pelas conclusões. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 15 74 /2 01 1- 80 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Victor Humberto da Silva Maizman, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados (fls. 220 a 230) Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 25.612.626,33, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 416 a 443, colhemse as seguintes informações, que sustentam o lançamento efetuado: Em 30.04.2006, a empresa SATIPEL FLORESTAL LTDA (atual ESTRELA DO SUL PARTICIPAÇÕES LTDA) efetuou cisão parcial da sociedade, com a versão de parte do seu patrimônio, no valor de R$ 210.556.248,00, para a empresa SATIPEL INDUSTRIAL S/A. Os bens transferidos compreendem os terrenos representativos da “Fazenda Monte Carmelo”, cujo custo original corrigido de todos eles corresponde a R$ 3.542.914,07, sendo que o valor da reavaliação (R$ 207.013.333,93) já foi objeto de autuação fiscal em separado (PAF 10880.725757/201166). Na mesma data, a SATIPEL INDUSTRIAL S/A cindiu parte de seu patrimônio, inclusive aquele recebido da SATIPEL FLORESTAL LTDA, para constituição da empresa ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA. Os bens transferidos à ALANDA compreendem os a seguir discriminados: Bens do Ativo Permanente Custo Original Reavaliação Valor Total Fazenda Água Emendada 2.491.143,48 24.542.450,52 27.033.594,00 Matas Taquari 65.902,68 7.616.166,16 7.682.068,84 Todesflor 490.000,00 1.755.383,00 2.245.383,00 Pozza 1.280.877,12 0,00 1.280.877,12 Subtotal 4.327.923,28 33.913.999,68 38.241.922,96 Fazenda Monte Carmelo 3.542.914,07 207.013.333,93 210.556.248,00 Total 7.870.837,35 240.927.333,61 248.798.170,96 Em 29/12/2006, sem ter auferido qualquer resultado operacional ou não operacional neste interregno, a ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA é incorporada pela COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS (recorrente). Assim, os terrenos acima discriminados, que outrora pertenceram às empresas SATIPEL FLORESTAL LTDA e SATIPEL INDUSTRIAL S/A, passaram a integrar o patrimônio da recorrente. Em resposta à intimação fiscal para que apresentasse o Balanço Patrimonial específico referente ao início da atividade da ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA, ocorrida em 30/04/2006, bem como de sua incorporação ocorrida em 29/12/2006, e ainda a discriminação dos bens transferidos à ALANDA, com a indicação dos seus custos originais e Fl. 754DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 4 3 respectivas reservas de reavaliação, bem como indicasse os procedimentos adotados com relação à tributação da Reserva de Reavaliação, que no entender do fisco estava amparada pelo instituto do diferimento até a data da opção, pela ALANDA, pelo Regime de Tributação pelo Lucro Presumido, foi apresentada cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada no dia 29/12/2006 que tratou, entre outros assuntos, da aprovação da incorporação da empresa ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA pela recorrente, ratificando a nomeação dos peritos que procederam à avaliação da parcela patrimonial vertida, e aprovando o Laudo de Avaliação do Patrimônio da ALANDA com vistas à sua incorporação. Foi também apresentado o Balanço Patrimonial da ALANDA com a posição em 30/04/2006, bem como a lista dos bens transferidos por sucessão, com a identificação do Custo Original e Reserva de Reavaliação, o Instrumento Particular de Incorporação da ALANDA pela COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS em 29/12/2006, o Protocolo e Justificativa da referida incorporação, e o Laudo de Avaliação Patrimonial dos bens incorporados. Ainda, na oportunidade, esclareceu o contribuinte o seguinte (sic, fls. 1718): “Os procedimentos adotados foram são os constantes do art. 441 do RIR/99, ou seja, as reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. Os valores da reavaliação foram mantidos em reserva de reavaliação na sociedade resultante da cisão e da incorporação. Durante o período, não houveram depreciações e nem realizações dos bens oriundos da cisão. Sendo que, se ocorressem alguma realização, a parcela da reavaliação não seria considerada na apuração do ganho de capital para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL.” Considerando que a ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA optou pela tributação com base no regime de apuração pelo Lucro Presumido, entendeu a fiscalização que a Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 33.913.999,68 (provenientes de bens que outrora haviam pertencidos à SATIPEL INDUSTRIAL S/A), deveria ter sido objeto de realização e computada na base de cálculo da determinação do lucro presumido no 4o trimestre de 2006, pois foi precisamente no dia 29/12/2006, data da sua incorporação pela COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS, que se materializou a referida opção pela forma de tributação, posteriormente informada na DIPJ Especial entregue em 30/01/2007, relativa ao evento. Especificamente, consignou o fisco que a empresa ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA infringiu o comando legal inserto no art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidado no art. 520 do RIR/99, e que possui a seguinte redação: “Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR.” Fl. 755DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 5 4 O lançamento foi efetuado contra a COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS, sucessora da ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA. O contribuinte contestou o lançamento por meio de impugnação, na qual, após a exposição pormenorizada de seus fundamentos, assim os sintetizou às fls. 468: “a) o art. 54 da Lei n° 9.430/96, reproduzido no art. 520 do RIR/99 que é a base central da autuação —não se aplica ao caso, porque, como demonstrado, os valores correspondentes às reservas de reavaliação dos imóveis em foco não tiveram sua tributação diferida pela SATIPEL INDUSTRIAL S/A, ante a inocorrência de qualquer forma de realização delas, nem, consequentemente, estavam controlados na parte B do Lalur; tais reservas estavam, isto sim, mantidas na conta do patrimônio líquido e destacadas na contabilidade, e, como tais, foram transferidas à ALANDA, recebendo na Impugnante, após a incorporação da ALANDA, o mesmo tratamento (conforme reconhecido no Termo de Verificação Fiscal); b) igualmente deve ser afastada a aplicação, ao caso, do disposto no art. 521, parágrafo 4º, do mesmo Regulamento. Sem embargo, essa disposição pressupõe que tenha havido "ganho de capital" e, no caso, isto não ocorreu, seja porque a disposição do referido art. 520 não tem aqui lugar seja porque somente se poderia falar em ganho de capital se a ALANDA tivesse alienado os referidos bens. No regime de apuração com base no lucro presumido, é no momento em que o bem integrante do ativo permanente é alienado que se apura se houve ou não ganho de capital. E é aí que terá aplicação a regra contida no parágrafo 4o do art. 521 do RIR/99, com o seguinte tratamento: se as reservas já foram anteriormente computadas pelo contribuinte na apuração da base de cálculo do IRPJ, o valor dessas reservas será adicionado ao custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho de capital; se, ao contrário, as reservas não foram anteriormente oferecidas à tributação, seu valor não será computado na apuração do ganho de capital, que, então, corresponderá à diferença positiva, se houver, entre o valor de alienação e o custo de aquisição; c) finalmente, também não se aplica à hipótese a regra contida no art. 235, parágrafo 4o, do RIR/99 (a que se refere o art. 522 do mesmo Regulamento). Sem embargo, referido parágrafo 4o dispõe que "no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto devido e da contribuição social sobre o lucro líquido (9.249, DE 1995, ART. 21, § 22)." (destacamos) Ou seja: essa regra somente tem aplicação quando a empresa optante pela apuração do IRPJ pelo lucro presumido transfere, via cisão, fusão ou incorporação, ou através de alienação, bens de seu patrimônio a valor de mercado, o que não aconteceu aqui. Na operação a que se refere a autuação, a ALANDA não transferiu bens de recebeu patrimônio; ao contrário, recebeu a parcela cindida da SATIPEL INDUSTRIAL S/A.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, em São Paulo/SP decidiu a lide por meio do Acórdão no 1637.007, fls. 703 a 714, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 6 5 Receitas Decorrentes da Mudança de Regime (Valores Diferidos). Saldo da Reserva de Reavaliação Diferida. A mudança da forma de apuração do IRPJ do lucro real para o lucro presumido, acarreta a tributação imediata dos saldos dos valores diferidos. Tributação Reflexa. A decisão proferida no lançamento principal é aplicável ao lançamento decorrente, de CSLL, face à relação de causa e efeito que os vincula.” Cientificada desta decisão em 16.04.2012, conforme AR de fls. 721, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.05.2012, fls. 722 a 744, no qual reprisa e enriquece os argumentos apresentados na inicial. Também pontua que a decisão recorrida assentase nas seguintes premissas: 1. a ALANDA migrou do Lucro Real para o Lucro Presumido; 2. os saldos dos valores relativos à reserva de reavaliação, cuja tributação havia sido diferida, estavam controlados na parte “B” do LALUR; 3. o saldo da Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 33.913.999,68, deveria ter sido objeto de realização. Contesta as premissas adotadas, aduzindo, em síntese, que: a primeira premissa é falsa, pois a ALANDA só existiu no decorrer do ano calendário de 2006, no período entre 30.04.2006 e 29.12.2006, logo não poderia ter alterado o seu regime de apuração do IRPJ; a segunda premissa também é falsa, pois os valores correspondentes à reavaliação não estavam, na SATIPEL INDUSTRIAL S/A, controlados na parte “B” do LALUR, mas sim na sua escrituração comercial; a terceira premissa é contraditória, tendo em vista que a própria decisão recorrida expressamente assevera que “a infração que deu origem ao lançamento não foi a realização da Reserva de Reavaliação sem a respectiva tributação”. Sustenta que tampouco tem sentido a infundada preocupação da decisão recorrida com a possibilidade de que houvesse perda do controle da reavaliação, e de que os bens poderiam vir a ser posteriormente alienados com prejuízo à apuração do ganho de capital, posto que o fisco em nenhum momento ficou sem o controle da reavaliação feita, e, ademais, a tributação pelo IRPJ e CSLL somente pode ter lugar se e quando ocorrer a respectiva realização dos respectivos bens, e não em razão da mera possibilidade de haver prejuízo à apuração do ganho de capital. Conclui pedindo o integral provimento ao recurso, com a reforma da decisão recorrida e a desconstituição dos lançamentos efetuados. É o relatório. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, faço uma breve digressão histórica sobre o tema reavaliação de ativos, destacando algumas observações sobre o tema, extraídas do pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores IBRACON, em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários —CVM, na NPC (Norma e Procedimento Contábil) no 24 (conforme Deliberação CVM n° 183, de 19.06.1995, D.O.U. de 22.06.1995, retificada no D.O.U. de 06.07.1995): “A REAVALIAÇÃO FRENTE AOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS 5 Em vários países a avaliação de ativos pelos valores de mercado não é considerada aceitável como um princípio contábil, por contrariar o conceito de custo como base de valor. Sua permissão no Brasil se deu através da legislação societária, complementada pela legislação fiscal. Sua utilização, todavia, deve ser praticada dentro de critérios técnicos, apurada por parâmetros pautados pela realidade, e devidamente informada nas demonstrações contábeis e notas explicativas quanto a seus valores e reflexos. 6 Assim, a avaliação de ativos pelo custo corrigido monetariamente é o critério preferencial consagrado pelos princípios fundamentais de contabilidade, sendo a reavaliação um critério alternativo, que, se adotada dentro dos parâmetros e critérios técnicos definidos neste Pronunciamento, constituise em prática contábil aceitável.” A legislação fiscal que primeiro tratou do assunto foi o DecretoLei no 1.598/77. Da leitura dos seus dispositivos, constatase estarem todos voltados às empresas que apuram o imposto de renda pela sistemática do lucro real. Confirase: “Reavaliação de Bens Tributação na Realização Art. 35 A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) § 1º O valor da reserva será computado na determinação do lucro real: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...) Reavaliação na Subscrição de Capital ou Valores Mobiliários Fl. 758DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 8 7 Art 36 A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo incorporados ao patrimônio de outra pessoa jurídica, na subscrição em bens de capital social, ou de valores mobiliários emitidos por companhia, não será computada na determinação do lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação. Parágrafo único O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...) Reavaliação na Fusão, Incorporação ou Cisão Art 37 A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão. Parágrafo único O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 35.” Posteriormente, o DecretoLei no 1.978/82 inseriu novo dispositivo, também voltado às empresas do lucro real: “Art 3º A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, em virtude de nova avaliação com base em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não será computada na determinação do lucro real. § 1º O valor da reavaliação incorporado ao capital na forma deste artigo será: (...) b) computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto na letra b do § 1º do artigo 35 ou letras a , c e d do parágrafo único do artigo 36 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, com a redação dada pelos itens VI e VII do artigo 1º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. (...)” Tais artigos encontramse hoje integrados ao RIR/99, artigos 434 a 440. Na análise e interpretação desses dispositivos, há muito consolidouse no CARF o entendimento de que, para fins fiscais, a reavaliação de bens e direitos deveria produzir resultados tributáveis neutros. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 9 8 Neste sentido, vale reproduzir o entendimento exposto no Acórdão no 107 07.739, também colacionado pela recorrente em suas razões de recurso: “Assim é que a legislação permite o diferimento da tributação da mais valia, representado pela contrapartida contábil mantida no patrimônio liquido, sob o titulo de reserva de reavaliação: (...) A neutralidade é mantida exatamente pelo mecanismo previsto no art. 435 do RIR/99: (...) Veja: quando utilizada para aumento de capital, a mais valia se incorpora definitivamente ao patrimônio da empresa, equacionadose com o ativo reavaliado; se alienado o bem reavaliado, o custo de aquisição majorado diminuiu o ganho de capital, por isso a adição da reserva correspondente ao bem reavaliado para neutralizar a redução do ganho tributável; os encargos da depreciação, amortização ou exaustão calculados sobre o bem reavaliado reduzem o resultado tributável do período, por isso a adição do mesmo valor ao resultado, novamente visando a neutralidade: na baixa por perecimento, a perda foi majorada pela mais valia integrada ao ativo perdido, logo a adição da reserva para neutralizar os efeitos no resultado.” De fato, em se tratando de empresa submetida à apuração do lucro real, desde que observadas as disposições legais específicas, de rigor é absolutamente neutra, do ponto de vista fiscal, tanto a constituição quanto a realização da reserva de reavaliação. Neste contexto, justificase a disposição constante do artigo 441 do RIR/99, que possui a seguinte redação: “Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida.” De se observar que, a despeito de não estar assente em base legal efetiva, tal dispositivo encontrase em perfeita consonância com toda a sistemática até aqui delineada. Com base nele, permitese até mesmo a transferência das reservas de reavaliação, de uma empresa do lucro real para outra empresa do lucro real, sua sucessora, a qual pode, assim, continuar a dar à reserva de reavaliação o mesmo tratamento tributário que ela tinha — e continuaria a ter, se permanecesse — na sucedida. Contudo, impende registrar que, até antes da Lei no 9.249/95, inexistiam quaisquer dispositivos específicos tratando da reserva de reavaliação em empresas não submetidas à apuração pelo lucro real. Apenas com a referida lei, veio a lume o primeiro dispositivo mencionando tais empresas, verbis: Fl. 760DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 10 9 “Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 3º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. § 4º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento.” Mais adiante, a Lei no 9.430/96 trouxe nova disposição contemplando, mais uma vez, especificamente as empresas submetidas ao lucro presumido e arbitrado. “Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda.” O artigo 21 da Lei no 9.249/95, acima transcrito, trata, portanto, tão somente de especificar os efeitos fiscais a que devem submeterse as empresas do lucro presumido ou arbitrado, caso tenham parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, e procedam à avaliação dos seus bens a valor de mercado, determinando que, nesses casos, deve ser apurado ganho de capital. Já o artigo 52 da Lei no 9.430/96, acima transcrito, detalha e especifica como deve ser feita a apuração do ganho de capital nessas situações, expondo a racionalidade da sistemática empregada nessa apuração. Assim, se os valores da reavaliação foram computados na base de cálculo do imposto de renda, legítimo que a empresa também os considere como parte integrante do custo, quando da apuração do ganho de capital; por outro lado, se os valores da reavaliação não foram submetidos à tributação, não pode a empresa se beneficiar do custo majorado. O regramento obtido da conjugação desses dispositivos é claro: empresas do lucro presumido ou arbitrado que tenham parte ou todo o patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, e procedam à avaliação de bens a valor de mercado, devem Fl. 761DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 11 10 apurar ganho de capital, e este ganho deve ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos. Na apuração desse ganho, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente podem ser computados no custo se houver comprovação de que eles já tenham sido computados na determinação da base de cálculo dos tributos devidos. Pois bem. Foi precisamente com base neste regramento legal que houve a autuação contra a empresa SATIPEL FLORESTAL LTDA (atual ESTRELA DO SUL PARTICIPAÇÕES LTDA), nos autos do PAF 10880.725757/201166, referente à reserva de reavaliação dos terrenos representativos da “Fazenda Monte Carmelo”, no valor de R$ 207.013.333,93. Este mesmo regramento fiscal é aplicável à ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA quando esta é incorporada pela COMPANHIA LIGNA DE INVESTIMENTOS. Isto porque a Lei no 9.249/95 expressamente determina que a ALANDA PARTICIPAÇÕES LTDA, em face de sua opção pelo lucro presumido, deveria apurar o ganho de capital ocorrido por ocasião da incorporação. Na apuração deste ganho, vez que os valores acrescidos ao custo de aquisição da “Fazenda Monte Carmelo”, por força de reavaliação, já foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda (pela ESTRELA DO SUL PARTICIPAÇÕES LTDA, no PAF 10880.725757/201166), temse que, nos termos da Lei no 9.430/96, aquele valor de R$ 207.013.333,93 pode ser computado como parte integrante dos custos de aquisição. Deste modo, remanesceria somente a exigência de oferecimento à tributação dos restantes R$ 33.913.999,68, referentes aos demais bens transferidos pela ALANDA à recorrente. Ocorre que não foi esta a acusação fiscal. Ainda que nos presentes autos se discuta exatamente idêntico montante (R$ 33.913.999,68), não foram os fundamentos acima expostos, nem tampouco o enquadramento legal acima referido, os utilizados na autuação. O ilícito fiscal e o respectivo enquadramento legal apontados na peça acusatória foram outros, e, conforme se verá a seguir, são incompatíveis com os fatos ocorridos. Segundo a autoridade fiscal, o que determina a realização da reserva de reavaliação não é o evento de incorporação da ALANDA à recorrente, mas sim a alteração na forma de tributação da primeira, que se materializou com sua opção pelo lucro presumido. Considerandose que a ALANDA foi criada em 30.04.2006 e extinta em 29.12.2006, sem ter apresentado qualquer resultado operacional ou não operacional neste período, conforme destacou o próprio fisco, percebese já aí o entrave à sustentação do entendimento de que ela possa ter alterado o seu regime de tributação do IRPJ. Na verdade, a ALANDA apresentou uma única DIPJ, e nela manifestou sua opção pelo lucro presumido. Contudo, ainda que se superasse tal ponto, o cerne da acusação fiscal, que vem a seguir, também não tem aplicação ao caso. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 12 11 Segundo o fisco, ao alterar a sua forma de tributação, teria a ALANDA incidido na regra imposta pelo art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, assim vazado: “Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR.” Portanto, ainda que se superasse a evidente incompatibilidade entre os fatos e a condição imposta na primeira parte do dispositivo transcrito para a sua aplicação, podese facilmente verificar, pela leitura da sua parte final, que o que deve ser oferecido à tributação, nesses casos, são os valores controlados na parte B do LALUR. Ora, os valores lançados pelo fisco, à toda evidência, não estiveram em nenhum momento controlados na parte B do referido livro. Seja porque a ALANDA, por ser optante do lucro presumido, sequer é obrigada a escriturar o referido livro (aliás, nem poderia, em face de sua opção, diferir a tributação de quaisquer valores como se no lucro real estivesse), seja porque a própria legislação fiscal determina que todo o controle da reavaliação seja procedido na escrituração comercial. De fato, de acordo com o regramento legal, tanto o registro da reavaliação dos bens no ativo, e de sua respectiva reserva no patrimônio líquido, quanto o registro das correspondentes realizações, é feito na escrituração comercial, e apenas a parte A do Lalur é que é utilizada, quando a lei assim o determina, para registrar o oferecimento à tributação da parcela realizada, não sendo a parte B do referido livro, via de regra, acionada. A parte B do LALUR é utilizada apenas em situações específicas em que a lei considera realizada a reserva de reavaliação, mas não realizado o próprio bem objeto da reserva (e.g., no caso de incorporação da reserva de reavaliação ao capital), que não é o caso dos autos. Portanto, não tendo sido acionada a parte B do LALUR em nenhum momento, no caso concreto, evidencia se a total inadequação do dispositivo em questão aos fatos aqui tratados. Vale dizer, com outras palavras: ao contrário do que querem fazer crer as autoridades fiscal e julgadora de primeira instância, não há dispositivo legal que determine que a mera opção pelo lucro presumido, de empresa antes tributada pelo lucro real, implique imediata realização da reserva de reavaliação constituída. Para essas empresas do lucro presumido, conforme já ao norte referido, o que há na lei fiscal é a expressa vedação a que elas se utilizem indevidamente do custo majorado dos bens (pela reavaliação feita) na apuração de eventual ganho de capital auferido. Esta questão, porém, passou ao largo da acusação fiscal. Por fim, ainda que os fatos aqui descritos pudessem dar ensejo a outra infração fiscal, não tipificada nos autos, é certo que não pode o julgador administrativo alterar o fundamento jurídico da autuação, pelo que, de rigor, impõese o cancelamento dos lançamentos efetuados. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.731574/201180 Acórdão n.º 1102000.871 S1C1T2 Fl. 13 12 É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 764DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 05/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10675.000903/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 04/07/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 04/07/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 09 03 /2 00 7- 96 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 04/07/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 137/145, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 276.337,19, calculados até 30/03/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: 1. Requer que seja declarada a nulidade do lançamento; 2. O procedimento está eivado de total discordância com os dispositivos legais que versam sobre a matéria. Além de existirem impropriedades materiais, inclusive no que diz respeito ao suporte legal vigente à época, verificamse ainda vícios de ordem formal a macular o Auto de Infração; 3. Transcreve os arts. 42 e 41, I da Lei 9.430/96, que seriam, respectivamente, os dispositivos infringido e punitivo, e argumenta que diante da própria legislação, bem como em consonância com os entendimentos jurisprudenciais administrativos e judiciais acerca do tema, verificase a clara impropriedade do Auto de Infração; 4. Observa que o lançamento fora arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários realizados em contas de titularidade do impugnante, de modo que estes se transformaram em renda tributável; 5. Faz "um passeio à Teoria Geral do Direito", utilizando o entendimento da doutrina, e conclui, também pela dicção do art. 110 do CTN, que a presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir os depósitos bancários; 6. A simples existência de depósito bancário não deve ser considerada renda tributável; é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10675.000903/200796 Acórdão n.º 2201002.164 S2C2T1 Fl. 3 3 evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, mesmo após o advento da Lei 9.430/96. Isto porque, a posse de numerário alheio, como, por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade; 7. Há que se observar que a movimentação existente nas contas correntes em nome do impugnante se justificam porque durante alguns anos o notificado suportou grandes prejuízos financeiros, tendo recorrido a instituições financeiras e agiotas. Além disso, nunca houve saldo credor por mais de 24 ou 48 horas, exatamente pelo repasse aos seus credores; 8. Faz várias alegações sobre os aspectos que devem ser levados em consideração quando da apuração de "sinais exteriores de riqueza" e "acréscimo patrimonial", citando, inclusive, a doutrina; 9. Transcreve algumas ementas de decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes, relacionadas à omissão de rendimentos, a lançamento com base em depósitos bancários; 10. Esclarece, ainda, que o impugnante também exerce a função complementar de vendedor autônomo de insumos agrícolas, cujos pagamentos eram realizados ao notificado, que repassava a quantia ao seu fornecedor; 11. Requer que seja procedente in totum a presente impugnação para anular o Auto de Infração. A 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar nulidade processual, nem nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n° 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Intimado da decisão de primeira instância em 24/11/2009 (fl.163), José Humberto Lourenço Rosa apresenta Recurso Voluntário em 07/12/2009 (fls. 164/179), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria que chega à apreciação deste Colegiado referese, basicamente, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2003. Em sua peça recursal solicita o suplicante provimento ao seu recurso alegando, em síntese, que deve haver prova cabal e robusta de que o depósito foi utilizado como renda consumida. Assevera, ainda, que o Fisco deve analisar a natureza de cada crédito para verificar se realmente se trata de renda ou proventos novos que configurem efetivamente acréscimo patrimonial. Por fim, alega que por ser vendedor autônomo e representante comercial de materiais agrícolas, recebe alguns depósitos provenientes da venda destes produtos, os quais são repassados aos fornecedores, razão pela qual nunca ficou com saldo credor em sua conta bancária por mais de 24 ou 48 horas. Assim, apenas poderia ser autuado sobre as comissões recebidas e não sobre este montante de dinheiro que apenas transitou pelas contas correntes. De início, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: 1 Processo Administrativo Fiscal.; Editora Saraiva, 1993, pág. 311. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10675.000903/200796 Acórdão n.º 2201002.164 S2C2T1 Fl. 4 5 O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Não se pode olvidar que a utilização da figura jurídica da presunção legal, para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do art. 212, IV, do referido Código: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei) Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Assim, diversamente do que faz crer o recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional2. Ademais, a autoridade fiscal não tem que comprovar auferimento de renda incompatível e/ou consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Cabe esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Assim, em que pese alegue o recorrente que por ser vendedor autônomo e representante comercial recebe de cliente e repassa aos fornecedores o produto da venda, sem prova desta ocorrência, não há como acolhêla. Com efeito, deveria o contribuinte, para comprovar suas alegações, vincular os depósitos bancários havidos em suas diversas contas com as vendas de produtos agrícolas, demonstrando, desta feita, qual é a real origem dos depósitos bancários. No caso que aqui se apresenta a contribuinte deve estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 data e valor, não cabendo a comprovação de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento informado em um determinado ano a comprovar um ou vários créditos em conta. Neste caso, se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apurase a omissão com base na presunção. Portanto, a indicação da fonte do recurso, sem outro elemento de prova, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem dos diversos créditos havidos em suas contas bancárias. Ressaltese que o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua defesa, não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Por fim, as decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19311.720308/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
É cabível a incidência de juros em lançamento efetuado para prevenir a decadência.
Numero da decisão: 2401-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer das questões relativas ao indeferimento do pedido de isenção da cota patronal; II) afastar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FATOS GERADORES POSTERIORES A SUA EDIÇÃO. INAPLICABILIDADE. A remissão prevista na Lei n.º 9.429/1996 somente alcança fatos geradores ocorridos entre julho de 1981 e a data de sua edição em dezembro de 1996. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. CRÉDITO LANÇADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DE JUROS. POSSIBILIDADE. É cabível a incidência de juros em lançamento efetuado para prevenir a decadência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 08 /2 01 1- 51 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer das questões relativas ao indeferimento do pedido de isenção da cota patronal; II) afastar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19311.720308/201151 Acórdão n.º 2401003.002 S2C4T1 Fl. 731 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 36.869 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.227.6300. O crédito em destaque, datado de 22/09/2011, foi lavrado para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada. O fisco informa que a entidade autuada se declarava isenta na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, todavia, não apresentou o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. Afirmase que a autuada era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao apreciar a defesa, o órgão de primeira instância não conheceu das questões que envolviam discussão sobre isenção da cota patronal, posto que a empresa teria ingressado no Judiciário visando ao reconhecimento da sua condição de isenta. A DRJ não acolheu a nulidade da lavratura em razão da existência de medida judicial favorecendo o sujeito passivo. Para o órgão a quo, há a possibilidade legal do fisco efetuar o lançamento para prevenir a decadência. Foi afastada a pretendida remissão de créditos com base na Lei n.º 9.429/1996, posto que, segundo a DRJ, o período do crédito não é alcançado pelos ditames do referido diploma legal. A tese de que o art. 40 da MP 446/2009 afastaria a exigência fiscal não encontrou acolhida na DRJ, que conclui que esse diploma legal se refere a pedidos de CEBAS pendentes de julgamento, o que não é o caso da demanda sob destaque. Foi determinada a exclusão da multa em respeito ao que dispõe o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996, que veda a imposição de multa nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência. Quanto aos juros a DRJ entendeu que devem ser mantidos, uma vez que inexiste disposição legal prevendo a sua dispensa. A juntada de novos documentos foi denegada, posto que a empresa não comprovou a ocorrência das hipóteses do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. O sujeito passivo interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) houve instauração de procedimento fiscal, enquanto a recorrente estava amparada por decisão judicial reconhecendo a sua condição de imune, fato que é repelido pelo art. 62 do Decreto n.º 70.235/1972 e leva a nulidade do AI; Fl. 733DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) as contribuições lançadas foram extintas pela remissão prevista no art. 4.º da Lei n.º 9.429/1996; c) a decisão recorrida é contraditória, na medida em que afirma que a matéria discutida passou pelo crivo do Judiciário e, ao mesmo tempo, admite que o fisco promova a autuação do Hospital; d) não pode ser negada ao sujeito passivo a discussão administrativa de matérias tratadas em ação judicial, sob pena de afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; e) a decisão judicial que beneficia a recorrente é prova cabal do cumprimento de todas as exigência normativas necessárias ao reconhecimento da imunidade quanto ao recolhimento das contribuições lançadas; f) a exigência do Ato Declaratório de Isenção é descabido, posto que esse documento inexiste e foi exatamente o indeferimento do seu pedido que motivou a entidade a bater às portas do Judiciário; g) nos termos do art. 40 da MP n.º 446/2009, o CEBAS substitui o Ato Declaratório, assim, falta motivo para a lavratura questionada; h) havendo suspensão da exigibilidade do crédito fiscal, devem ser afastados também os juros moratórios. Ao final, requer a anulação da exigência fiscal ou a declaração de sua improcedência. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19311.720308/201151 Acórdão n.º 2401003.002 S2C4T1 Fl. 732 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Constituição do crédito para prevenir a decadência Alega o sujeito passivo que a constituição do crédito fere o devido processo legal, uma vez que a empresa era detentora de medida judicial reconhecendo a inexigibilidade das exações. Assim, cabível a declaração de nulidade do AI. Nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa com a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Por força de tal dispositivo legal, fica o fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. Acerca dessa questão o entendimento prevalente no Egrégio Superior Tribunal de Justiça é o de que não há impedimento para que a Fazenda, mesmo diante de provimento judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, efetue o lançamento para prevenir a decadência. É o que se pode ver desse julgado: "TRIBUTÁRIO.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005). Assim, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, seja por decisão judicial, seja mediante medida liminar concedida em Mandado de Segurança ou Cautelar, seja por antecipação de tutela em outras espécies de demandas judiciais, inexiste óbice legal para a efetivação da constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência. Não há, portanto, a nulidade do AI suscitada no recurso. Remissão Não há de se acatar o argumento de que o crédito deveria ser cancelado em razão da remissão prevista na Lei n.º 9.429/1996. Este diploma, que trata de prorrogação de prazo para renovação de Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e de recadastramento junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e anulação de atos emanados do Instituto Nacional do Seguro Social INSS contra instituições que gozavam de isenção da contribuição, em seu art. 4.º prevê: Art. 4º São extintos os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas, a partir de 25 de julho de 1981, pelas entidades beneficentes de assistência social que, nesse período, tenham cumprido o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Para a autuada esta remissão alcançaria todos as contribuições cujos fatos tivessem ocorrido a partir de julho de 1981, todavia, esse não é o melhor entendimento. Na verdade, o legislador decidiu extinguir os créditos desde o marco ali fixado até a edição da lei remissiva. Não é razoável que houvesse sido veiculada uma remissão para o futuro, alcançando fatos geradores que ainda nem ocorreram. Nesse sentido a extinção dos créditos previstas na norma acima vale apenas para fatos geradores ocorridos entre 1981 e 1996. Assim, tendose em conta que a lavratura corresponde ao período de 01/2008 a 12/2008, não há de se querer que a remissão prevista na Lei n.º 9.429/1996 venha a alcançar as contribuições lançadas. Decisão Judicial Nos termos do relatório fiscal, 22/29, as contribuições foram lançadas em razão da entidade não apresentar o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, exigência obrigatória para que fosse reconhecida a isenção da cota patronal. Observase que a empresa, por não haver obtido o referido Ato Declaratório, ajuizou, no ano de 2000, ação judicial buscando a declaração da sua condição de isenta, com decisão de primeira instância em seu favor, prolatada em 14/09/2007. Acerca da discussão sobre o direito da entidade à gozar da isenção, devemos nos abster de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 736DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19311.720308/201151 Acórdão n.º 2401003.002 S2C4T1 Fl. 733 7 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Aqui não cabe acolhimento do suscitado prejuízo ao direito de defesa pela não apreciação da matéria coincidente com o tema da ação judicial, posto que, tendo o Judiciário a prerrogativa de decidir a questão definitivamente, perde o sentido a decisão administrativa sobre questão, uma vez que não terá qualquer eficácia frente ao que for resolvido na seara judicial. Não é cabível, todavia, que se queira a imediata aplicação do que ficou decidido pela Justiça em decisão de primeira instância, a qual pode ser alterada nas instâncias superiores. Portanto é falaciosa a afirmação de que a decisão em favor do sujeito passivo, seria um atestado de que a entidade atendia a todos os requisitos legais exigíveis para concessão do Ato Cancelatório de Isenção, posto que a sentença a que se refere a recorrente é precária, sendo passível de reforma. Aplicação do § 1.º do art 55 da Lei n.º 8.212/1991 e MP n.º 446/2008 A MP 446, editada pelo Poder Executivo em 7 de novembro de 2008, dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regulou os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. O ato normativo, que tem eficácia de lei desde a edição, vigorou por três meses, tendo sido rejeitada pela Câmara dos Deputados em 10 de fevereiro de 2009 sob o fundamento de que não atendia aos pressupostos constitucionais de relevância e urgência. A partir da publicação do texto no Diário Oficial da União, a MP inicia sua vigência, com força de lei ordinária. Outra decorrência da publicação da MP é o início de sua análise pelo Congresso Nacional, que pode convertêla em lei ou rejeitála. Na hipótese de rejeição, o texto constitucional prevê que a MP perde sua eficácia desde a edição, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas decorrentes do período de vigência da MP rejeitada. No caso da MP 446, apesar do apelo do Ministério Público Federal, não foi editado o decreto legislativo. Verificase que com a rejeição da MP, voltou a ter plena vigência o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, em relação aos pedidos de renovação de certificados ao CNAS (arts. 37 a 40 da MP), admitese que estes devem ser considerados deferidos se atendidas as exigências previstas naquele ato normativo, por força do que dispõe o § 11 do art. 62 da Constituição Federal, o qual prevê que a não edição do decreto legislativo, no prazo de sessenta dias após a rejeição da MP, torna válidos os atos praticados com base nesta. No caso sob apreciação, o fato de serem válidos os certificados deferidos com fundamento na MP n.º 446/2009 não altera o entendimento quanto à procedência da lavratura, posto que a recorrente não tinha pedido pendente de renovação durante a vigência da referida MP. Ao contrário do que afirmou a entidade, a MP n.º 446/2008 não dá guarida a sua pretensão de ver afastada a exigência de posse do Ato Declaratório de Isenção, uma vez Fl. 737DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 que a sua revogação revigorou a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 até a edição da Lei n.º 12.101, em 27/11/2009. Nos termos do art. 144, “caput”, do CTN, a legislação a ser adotada na confecção do lançamento é aquela vigente quando da ocorrência do fato gerador. Vejase: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Pois bem, com a revogação da MP n.º 449/2008, no período de 01/2008 a 12/2008, considerase vigente o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, que no seu § 1.º previa a necessidade de requerer ao INSS o benefício da isenção. De fato, a empresa tomou esta providência, no entanto, não obteve êxito em seu intento, tendo recorrido ao Poder Judiciário para fazer valer o sua pretensão quanto ao não recolhimento das contribuições patronais. Assim, na época do lançamento se a empresa não detinha o ato de reconhecimento da isenção emitido pelo INSS, faltavalhe uma condição legal exigida para fazer jus ao benefício fiscal. Se é certo que hodiernamente o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 encontrase revogado pela Lei n.º 12.101/2009, não se exigindo mais para gozo da isenção o requerimento à Administração Tributária, também é certo que o dispositivo revogado ainda produz efeitos, para fatos geradores ocorridos durante a sua vigência, em face da ultraatividade da lei tributária. Não cabe, portanto, a recorrente invocar dispositivos de MP e de lei nova para regular os fatos geradores contemplados no lançamento, uma vez que os mesmos se deram na vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, que previa, no § 1.º, a necessidade de emissão de Ato Declaratório de Isenção para que as entidades beneficentes pudessem usufruir do direito de não recolher as contribuições patronais para a Seguridade Social. Juros Moratórios A multa moratória, por aplicação do art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 foi afastada pelo órgão de primeira instância, todavia, quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão destes na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. É esse o entendimento reinante neste órgão de julgamento, como se pode atestar pelo Acórdão, cuja ementa passo a transcrever: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ano calendário: 1996 NULIDADE Não é nula a exigência formalizada em auto de infração, ainda que sem imposição de penalidade, por se tratar de lançamento para prevenir a decadência, em razão de o contribuinte se encontrar acobertado por medida liminar em mandado de segurança. JUROS DE MORA EXIGÊNCIA O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 738DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19311.720308/201151 Acórdão n.º 2401003.002 S2C4T1 Fl. 734 9 de sua falta. JUROS DE MORA SELIC A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negarlhe aplicação. Recurso Voluntário Negado.(Acórdão n.º 10196910, 1.º Conselho de Contribuintes, 1.ª Câmara, Rel. Conselheira Sandra Maria Faroni). Ficam mantidos os juros aplicados ao lançamento, por falta de previsão legal para a sua exclusão. Conclusão Voto por não conhecer das questões relativas ao indeferimento do pedido de isenção da cota patronal, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 739DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10880.961939/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-001.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 19 39 /2 00 8- 01 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório CENTRO ÓTICO COMERCIAL LTDA., insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1629.338, proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 40016.79108.121104.1.3.046841 fls. (01 e 05) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS cód. 2172, no montante de R$ 1.074.184,10, ocorrido em 31/12/2002, com débito de PIS e de COFINS. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 12/11/2004, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 07, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Inconformado, o contribuinte, por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 14 a 25, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Ab initio afirma que não foi homologada a declaração de compensação em questão sob a alegação de inexistência de crédito passível de compensação, mas não foi informada a devida fundamentação legal e motivação, o que eiva de nulidade tal ato administrativo de não homologação. Preliminarmente a Manifestante demonstra a tempestividade de sua manifestação de inconformidade e alega cerceamento de defesa em virtude da ausência de motivação e fundamentação legal. Neste sentido, ressalta que no processo administrativo os atos praticados devem apresentar os requisitos mínimos legalmente elencados e observar os princípios constitucionais do art. 37 da Constituição Federal, discorrendo sobre os mesmos. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961939/200801 Acórdão n.º 3802001.687 S3TE02 Fl. 112 3 Acrescenta o teor do parágrafo 4º do artigo 74 da Lei Federal nº 9.430/1996 que estabelece que “os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelo agente público, são considerados declaração de compensação”, considerando injusto imputar ao contribuinte a tarefa de um agente público, ou seja, tornar a declaração como se ato administrativo fosse. Destaca que não basta que “os princípios sejam seguidos de forma cega”, mas que, sobretudo, a Administração Pública deve garantir ao contribuinte o direito de ampla defesa, constitucionalmente expresso no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, aponta a necessidade de saber qual o motivo da não homologação da Declaração de Compensação e que a simples informação de que não fora verificada a existência de qualquer direito creditório não pode e não deve ser considerada. Aduz doutrina sobre o tema. Retoma seus argumentos, reitera que não foi identificada corretamente a norma na qual o fato se subsume, o que impede que a Manifestante de conhecer claramente as razões da não homologação de sua Declaração de Compensação, bem com qual legislação é baseada. Ainda, reafirma que a lacônica e infundada justificativa de que “não se verificou a existência de direito de crédito”, não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa da Manifestante. Traz à colação doutrina e jurisprudência sobre a questão de motivação. Conclui o tópico entendendo que como não houve a descrição correta das razões que lavaram à não homologação da Declaração de Compensação, não merece prevalecer tal ato administrativo, devendo o mesmo ser revisto para, ao final, se não cancelado, ser homologada a declaração. Mais uma vez, retoma a argumentação no sentido de ato administrativo inválido, agora pela inobservância do art. 37 da Constituição Federal, por ausência de requisitos para validarem a prática do ato administrativo; acrescenta o que dispõe o art. 142 do CTN e afirma a ocorrência de supressão da via administrativa – apuração do crédito – o que entende ter sido prejudicial à Manifestante, pois, além de ter sido imputada a simples declaração ao Fisco como débito, ainda não restou atendida a exigência legal de necessidade de agente público competente para efetuar o ato administrativo e, consequentemente, foi desrespeitado o regramento constitucional. Por outro lado, a Requerente alerta que, supostamente, se a decisão não homologar seu requerimento porque fora feito através de petição, salienta que, mais uma vez, estará caracterizada a afronta à Constituição Federal, na propalada ampla defesa garantida no âmbito judicial e administrativo. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Afirma que não há razão para que a petição não seja aceita, em detrimento da via eletrônica. Acrescenta que entende ser vedada ao agente público exigir forma diversa dentre aquelas possibilidades que o contribuinte tem para se manifestar. Aduz que não se trata de dever de declarar pelo meio eletrônico e sim faculdade do contribuinte em escolher por qual o meio a legislação lhe faculta formular o aludido pedido. Salienta que de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 600/2005 – artigo 26, §1º para os créditos datados ou anteriores a 2004 de determinados tributos, é facultado ao contribuinte, a formulação do pedido de declaração de compensação por requerimento escrito (petição). Conclui que, se esta for a fundamentação, é desarrazoada a não homologação do pedido de compensação, uma vez que a ora Manifestante formulou o aludido pedido em meio que melhor o conveio (petição), conforme facultado pela legislação atinente ao caso. Em seu pedido requer que sua manifestação de inconformidade seja conhecida e recebida para anular o Despacho Decisório e que, ato contínuo, seja homologada a Declaração de compensação levada a termo pelo contribuinte. Acompanham a impugnação os seguintes documentos: procuração; alterações do contrato social e petição acompanhada de substabelecimento do Patrono do Contribuinte. Cópia do Despacho Decisório e respectiva intimação. É o relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 13ª Turma da DRJ/SP1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedência da Manifestação de Inconformidade. Vejase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação, seja por conta da vinculação total do pagamento a débito próprio interessado ou pela não confirmação da existência do documento de arrecadação informado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961939/200801 Acórdão n.º 3802001.687 S3TE02 Fl. 113 5 É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações e notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o §4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como se verifica do relatório que acompanha o presente voto, a defesa da Recorrente se funda unicamente em alegações de nulidade do Despacho Decisório. De acordo com o entendimento esposado na peça recursal ora analisada: “A incorreção praticada pelo Sr. Auditor Fiscal ao não identificar corretamente a norma a qual o fato se subsume impede que o Recorrente conheça claramente as razões da não homologação de sua declaração de compensação e em qual legislação é baseada. A lacônica e infundada justificativa de que “não se observou a existência de crédito” não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa do Recorrente. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Notese que a inobservância de um dos direitos fundamentais do contribuinte. Desta feita, para que um desses direitos não seja desrespeitado se faz necessário que o despacho decisório seja revisto, aclarando quais as razões que não justificam a homologação da declaração de compensação e, por fim, para que seja concedida a compensação e sua posterior homologação.” Nas palavras da Recorrente devese “anular o r. despacho decisório que não homologou a declaração de compensação e a r. decisão recorrida, em afronta evidente ao artigo 37 da Constituição Federal, ante à falta de fundamentação legal e motivação da decisão”. O vício de nulidade suscitado pela Recorrente não merece ser acolhido, na medida em que não se verificam na espécie quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa. Da análise do referido despacho é possível verificar o apontamento não só a capitulação legal correlata (arts. 165 e 170, CTN e art. 74, Lei nº 9.430/96), como também a justificação da não homologação da compensação declarada (não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal). É válido mencionar, inclusive, que a Recorrente foi intimida pela autoridade fiscalizadora antes mesmo do Despacho Decisório para que sanasse quaisquer divergências causadoras da não localização do DARF em questão (Termo de Intimação fl. 7 e Aviso de Recebimento fl. 13), o que foi solenemente ignorado pelo sujeito passivo. Resta claro, portanto, a inocorrência da preterição do direito de defesa da contribuinte, que teve oportunidade de esclarecer os fatos em momento anterior à instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal que, como se sabe, se inicia com a apresentação da Impugnação e, no caso de processos envolvendo compensação, com a Manifestação de Inconformidade (art. 14, Decreto nº 70.235/72). Considerando o exposto, deve ser afastada a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente quanto ao Despacho Decisório nº 811459372. Outrossim, no que tange ao instituto da compensação, insta salientar que é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, observese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento do DARF indicado na PER/DCOMP. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961939/200801 Acórdão n.º 3802001.687 S3TE02 Fl. 114 7 Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, pelo que deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.014200/2007-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário
Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.242
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TEREZINHA MOURA ANDRADE ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 11+22.662 da 7ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Temse em pauta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) para a exigência de contribuições destinadas à Seguridade Social (parte dos segurados e parte da empresa, inclusive SAT/RAT) e contribuições destinadas a terceiros (salárioeducação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos empregados que • prestaram serviços ao Notificado, no período de 01/97 a 12/97. Para a constituição do crédito foi emitida a presente NFLD DEBCAD 37.113.4188, no valor de R$17.497,38, protocolada no Ministério da Fazenda sob 19647.014200/200757, conforme consta no cabeçalho deste Acórdão. No relatório fiscal, registrouse que as bases de cálculo foram apuradas no Livro Caixa, conforme cópias anexas (fls. 35/47). Os valores apurados estão apresentados no Relatório de Lançamentos (fls. 10/11). Cientificado da NFLD em 30/11/2007 (f 1), o Notificado apresentou impugnação (fls. 57/64), requerendo o fim do processo administrativo, argumentando, em síntese, que os créditos foram atingidos pela decadência qüinqüenal, nos termos do art 173 e art. 150, §49 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que ocorreu a decadência. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.014200/200757 Acórdão n.º 2403001.242 S2C4T3 Fl. 170 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O acórdão recorrido seguiu o estabelecido no artigo 45 da Lei 8.212/91, isto é, prazo decadencial de 10 anos. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando ainda não transcorrido o prazo legal de dez anos para a, Seguridade Social constituir seus créditos. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.014200/200757 Acórdão n.º 2403001.242 S2C4T3 Fl. 171 5 aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Ocorre que, no caso em questão, a ciência do lançamento ocorreu em 30/11/2007 e os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1997 a 21/1997, portanto tornase irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal por qualquer das regras do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000012/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO.
INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o
interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 3 2 FIAÇÃO ESPÍRITO SANTO S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata este processo de lançamento efetuado através de auto de infração de IRPJ, desacompanhado de qualquer multa, efetuado pelo SEFIS da DRF – VITÓRIA – ES, em função de o interessado ter se utilizado de benefício fiscal de redução do IRPJ sobre o lucro de exploração e adicionais não restituíveis, nos anoscalendário 2003 e 2004, benefício este que foi definitivamente cancelado em 2005, com efeitos ex tunc. Os valores do auto são os seguintes: R$ 13.633,21 apurado ao final do ano calendário 2003 e R$ 181.751,29 apurado ao final do anocalendário 2004. Os dois totais são acompanhados de juros moratórios incidentes até a data do efetivo pagamento. O procedimento fiscal está descrito no Termo de Verificação de Infração juntado às fls. 155 a 165 (Vol I) e o auto de infração consta às folhas 166 a 171. A seguir um resumo do termo. TERMO DE VERIFICAÇÃO Em 29/08/2003, o interessado requereu, nos termos do Decreto nº 4.213/2002, o reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro de exploração, conforme disposto na IN SRF nº 267/2002, originando o processo administrativo nº 13770.000558/200377 (fl. 03). De acordo com o Parecer SEORT nº 1.228 (fls. 09/11) exarado em 21/10/2003 pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, foi reconhecido o direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro de exploração, conforme determinado na Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. O Despacho Decisório favorável foi emitido com base no Laudo Constitutivo 0112/2003 expedido pelo Ministério da Integração Nacional em 31/03/2003 (fl. 05/08). No entanto, em 08/12/2003, o Ministério da Integração Nacional, emitiu o Parecer CONJUR/MI nº 1756/2003 (fls.13/15), cancelando o Laudo supracitado, por não ter amparo legal. Com base no fato da empresa não estar localizada em área de atuação da extinta SUDENE, foi emitido um novo Parecer SEORT de nº 585/2004 (fls. 16/17), em 26/04/2004, cancelando o de nº 1.228/2003. Ou seja, a concessão do benefício foi cancelada. O contribuinte foi cientificado da decisão em 21/05/2004 (fl.18). Quando o Interessado apresentou a manifestação de inconformidade junto à Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJRJO 1) em relação ao decidido no Parecer SEORT nº 585/2004, a decisão administrativa do recurso a respeito da anulação do Laudo Constitutivo nº 0112/2003 ainda não tinha sido proferida pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE. No entanto, em 23/12/2004, este órgão, através do Ofício nº 1.182 (fl. 52), comunicou à DRF/Vitória/ES que o recurso do Interessado foi julgado improcedente, sendo então mantida a anulação do Laudo Constitutivo nº 0112/2003. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 4 3 Em 13/10/2005 a DRJ/RJO 1 proferiu o Acórdão nº 8.614/2005 (fls. 55 a 63) indeferindo a manifestação de inconformidade do interessado, ou seja, mantendo o decidido no Parecer SEORT nº 585/2004, que não reconheceu o direito à redução do IRPJ pleiteada pelo mesmo. Em 17/11/2005, o interessado foi notificado da decisão irrecorrível na esfera administrativa (AR de fl. 64). Em razão do indeferimento do pedido de redução, a Delegada da Receita Federal em Vitória/ES expediu o MPF nº 07201002006005713, com a finalidade de verificar se o interessado havia procedido ao recolhimento das parcelas do IRPJ a título do benefício em questão. O interessado foi regularmente intimado em 11/01/2006 e, em 16/01/2006, apresentou a seguinte resposta ao Termo de Início de Fiscalização: A empresa não efetuou qualquer recolhimento dos valores reduzidos do IRPJ a título do benefício denegado, nem efetuou qualquer ajuste contábil em seus livros dos anoscalendário 2003 e 2004. As parcelas referentes ao benefício de redução do IRPJ com base no Lucro de Exploração, utilizadas pelo interessado nos anoscalendário 2003 e 2004, foram assim consolidadas, em função das informações prestadas nas DIPJ 2004 e 2005: Ano Calendário 2003 (fl. 120) 2004 (fl. 141) Lucro de Exploração 121.184,10 1.065.340,20 Imposto de Renda sobre o LE 18.177,62 159.801,03 Adicional do IRPJ 0,00 82.534,02 Redução Indevida do IRPJ 13.633,22 181.751,29 Os valores da redução indevida foram lançados sem multa. Cientificado do auto de infração em 31/01/2006 (fl. 166), o interessado apresentou, em 20/02/2006, a impugnação de folhas 173 a 182 (Vol. I), resumida a seguir. IMPUGNAÇÃO Quanto ao cancelamento do direito à redução do IRPJ. A presente impugnação visa manifestar o desacordo do interessado, antes isentado, por ato da Administração, com prazo de fruição determinado e sob condições onerosas cumpridas, e, atualmente, destituído de seus direitos adquiridos, cobrado, de forma retroativa, de créditos legalmente excluídos de seu patrimônio jurídico. A partir da folha 175 até a 182 traz aos autos fundamentos jurídicos com a intenção de mostrar que houve mudança no critério para a concessão do benefício fiscal, anteriormente concedido, e posteriormente cancelado por “erro de fato” da administração pública”. Argumenta que o erro não foi de fato, mas de direito. Argumenta, também, que mesmo que esse tipo de isenção fosse do tipo incondicionado, somente seria aplicado o novo critério de seleção dos beneficiários, que acabaria por retirálo de tal “status”, em relação a fatos geradores futuros, ou seja, só poderiam alcançar o interessado quanto a fatos geradores a partir de 2005. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 5 4 E continua, até a folha 182, a argumentar que seu direito à redução do IRPJ não poderia ter sido cancelado. Não questiona qualquer dos valores lançados. Solicita a improcedência do auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Não cabe, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado, quanto ao não reconhecimento, já definitivamente julgado na esfera administrativa, de seu direito à redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. DIREITO À REDUÇÃO NÃO COMPROVADO. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO REAL APURADO. Comprovado nos autos que a empresa usufruía irregularmente do benefício fiscal de isenção, correto o procedimento da fiscalização com vista a tributar o lucro real apurado pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de litígio quanto a isenção do imposto de renda sobre lucro da exploração de empreendimento na área da antiga SUDENE. A contribuinte reitera a alegação de que pleiteou o beneficio na forma correta e que os órgãos demoraram mais de 120 dias na apreciação, portanto, passou a fazer jus a redução até que fosse indeferida. Descabe razão à empresa. Isso porque após o indeferimento, o contribuinte teve prazo suficiente para recolher o tributo devido sem a multa de oficio, mas insistiu na tese que naquele período a isenção vigorou a seu favor. Pois bem, a meu ver não cabe razão à recorrente, conforme já fundamentado na decisão de 1a. instancia, a seguir transcrita: (...) QUANTO AO PRAZO PARA EMISSÃO DO PARECER SEORT Nº 1.115/2003. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o Decreto nº 4.213/2002. Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 7 6 § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Já que o interessado afirma que a Delegacia da Receita Federal de Vitória demorou mais de 120 dias para analisar seu pedido de redução, vejamos, em primeiro lugar, o cronograma dos acontecimentos. O Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ foi apresentado em 02/05/2003, acompanhado do Laudo Constitutivo nº 0135/2003 datado de 01/03/2003. Conforme exposto no Parecer SEORT nº 1.115/2003 (fl. 12), “em função do laudo apresentado pelo interessado não estar em conformidade com o contido no § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 1.564/77, pois não esclarece por que tipo de modernização passou o empreendimento, se parcial ou total, e nem atesta o percentual de aumento da capacidade instalada do empreendimento, o interessado foi intimado a apresentar um NOVO LAUDO constitutivo, no qual fossem contempladas as demais informações necessárias à análise do pleito. O interessado, então, apresentou o Laudo Constitutivo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11), emitido em 26/08/2003, o qual atesta a modernização total do empreendimento industrial e a equivalência percentual em relação à modernização em 100%”. A cópia da Solicitação de Documentos nº 166/2003, que comprova que antes do prazo de 120 dias para o parecer definitivo da Delegacia de Vitória, este órgão já havia analisado o pedido e verificado que o laudo constitutivo estava incompleto, foi juntada à folha 227. A solicitação em referência foi recebida em 28/07/2003 – portanto, menos de 90 dias do pedido de redução. O laudo complementar foi solicitado, pelo próprio interessado, à Inventariança Extrajudicial da SUDENE em 15/08/2003, conforme comprova a cópia de folha 11. Assim dispôs o laudo complementar em referência: Em face da solicitação dessa empresa datada de 15/08/2003, com vistas ao atendimento da Solicitação de Documentos da Delegacia da Receita Federal de nº 166/2003, o Grupo de Trabalho no preâmbulo qualificado considera o pleito procedente e com base legal e resolve: a) os itens 7 e 10 do Laudo Constitutivo nº 0135/2003, de 31/03/2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) O Laudo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11) foi emitido em 26/08/2003. Portanto, só em 26/08/2003, o interessado cumpriu as formalidades legais para solicitar a redução do IRPJ, já que o laudo inicialmente apresentado estava incompleto. O Parecer SEORT nº 1.115/2003, que analisou o pleito e os laudos, foi emitido em 16/09/2003, com ciência do interessado em 07/10/2003 (fl. 15), ou seja, menos de um mês após a apresentação do laudo complementar. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 8 7 Dessa forma, vêse que o interessado tenta, utilizandose de uma omissão de acontecimentos, responsabilizar a Receita Federal pela emissão do parecer em mais de 120 dias do pedido de reconhecimento. Pelo que se relatou acima, vêse claramente que a Receita Federal se posicionou acerca da irregularidade do laudo inicialmente apresentado (nº 0135/2003) antes de 90 dias – prazo inferior ao determinado pelo Decreto nº 4.213/2002 e menos de 30 dias após a apresentação do laudo complementar. Assim, cai por terra a afirmação do interessado de que usufruía do direito de redução, em função do § 2º do art. 3º do Decreto nº 4.213/2002, pelo prazo de 01/01/2003 a 08/09/2005 (data da ciência do Acórdão DRJ/RJ 01 nº 8.221, de 11/08/2005). DO CANCELAMENTO DO DIREITO À REDUÇÃO DO IRPJ E ADICIONAL CALCULADO SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. O interessado efetuou reduções do IRPJ no ano calendário 2003, com base no direito que entendia possuir de reduzir o IRPJ e adicional concedido a empresas situadas na área da extinta SUDENE. O Auditor Fiscal glosou as exclusões, pelo fato de este direito, inicialmente concedido de forma indevida pela Receita Federal, ter sido cancelado, conforme decisão administrativa definitiva prolatada no processo 11543.001409/200383 (Acórdão DRJ/RJOI nº 8.221, de 11/08/2005). Da folha 175 à 186 o interessado se atém a levantar quesitos quanto à matéria definitivamente julgada no processo administrativo citado no parágrafo anterior através do acórdão prolatado pela 6ª Turma desta Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro. Conforme visto anteriormente, o Decreto nº 4.213/2002 dispõe que o direito à redução será reconhecido pela unidade da Receita federal de jurisdição do interessado e que é irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. A IN SRF nº 267, de 23/12/2002, também dispõe em seu artigo 60: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1º O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2º Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. § 3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 9 8 § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5º Na hipótese do § 4º, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. Conforme se conclui da leitura dos textos legais acima, do Acórdão 8.221, prolatado em 11/08/2005, não cabe mais recurso administrativo. E, de fato, o interessado respeitou o dispositivo legal, não recorrendo do referido julgado. O processo 11543.001409/200383 encontrase parado, para consulta, na Delegacia da Receita Federal de Vitória. O que o interessado tenta fazer agora, através da impugnação apresentada, é burlar o impedimento legal de recorrer da decisão que lhe negou o direito à redução, apresentando alegações quanto às áreas de jurisdição da ADENE e da Extinta SUDENE. O benefício de redução do IRPJ, pleiteado pelo interessado, só é dirigido, conforme art. 1º da MP 2.19914, aos empreendimentos instalados na área da Extinta SUDENE e não nas áreas sob administração da ADENE, como tenta fazer entender o interessado. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Posteriormente à criação da SUDENE, a área de sua atuação foi ampliada pela Lei nº 9.690, de 15/07/1998, que listou, de forma taxativa, alguns municípios do Estado de Minas Gerais e da região norte do Estado do Espírito Santo. Entre eles, não se encontra o município de Serra (ES), onde está localizado o empreendimento do interessado. Senão, vejamos: Art. 1o Para os efeitos da Lei no 3.692, de 15 de dezembro de 1959, é o Poder Executivo autorizado a incluir na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, os Municípios de Almenara, Araçuaí, Bandeira, Berilo, Cachoeira do Pajeú, Capelinha, Caraí, Carbonita, Chapada do Norte, Comercinho, Coronel Murta, Couto Magalhães de Minas, Datas, Diamantina, Divisópolis, Felício dos Santos, Felisburgo, Francisco Badaró, Itamarandiba, Itaobim, Itinga, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Jordânia, Malacacheta, Mata Verde, Medina, Minas Novas, Montezuma, Novo Cruzeiro, Padre Paraíso, Palmópolis, Pedra Azul, Rio do Prado, Rio Vermelho, Rubim, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio Jacinto, Senador Modestino Gonçalves, São Gonçalo do Rio Preto, Serro, Turmalina, Virgem da Lapa, da região do Vale do Jequitinhonha, no Estado de Minas Gerais; e os Municípios de Baixo Guandu, Colatina, Linhares, Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 10 9 Marilândia, Rio Bananal, São Domingos do Norte, Pancas, Sooretama, Alto Rio Novo, Águia Branca, São Gabriel da Palha, Vila Valério, Jaguaré, Mantenópolis, Barra de São Francisco, Vila Pavão, Água Doce do Norte, Nova Venécia, São Mateus, Conceição da Barra, Boa Esperança, Pinheiros, Ecoporanga, Ponto Belo, Montanha, Mucurici e Pedro Canário, da região norte do Estado do Espírito Santo. Por meio da Medida Provisória 2.145, de 02/05/2001, e reedições, foi extinta a SUDENE (art. 41) e criada a ADENE, cuja área de jurisdição abrange todo o Estado do Espírito Santo (art. 31 e § 2º). No entanto, a legislação relativa ao benefício fiscal pleiteado pelo interessado, posterior à extinção da SUDENE, sempre deixou claro que os mesmos eram restritos à área de abrangência da extinta autarquia, conforme se vê do disposto no artigo 1º da MP 2.19914. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Além do mais, o benefício da redução questionado já não é mais passível de discussão neste processo, em virtude de o assunto, conforme esclarecido anteriormente, já estar definitivamente julgado na esfera administrativa. Os principais pontos do Acórdão 8.221/2005 que negou o pedido de redução do interessado (fls 50 a 56) são os seguintes. Ementa: INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. CANCELAMENTO. A todo tempo, a autoridade poderá cancelar de ofício o despacho concessivo se apurar que o beneficiário não satisfazia as condições iniciais ou deixou de satisfazêlas, não cumprindo os requisitos da lei. Solicitação Indeferida Quando a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade em relação ao Parecer SEORT nº 388/2004, a decisão administrativa do recurso a respeito da anulação dos Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003 ainda não tinha sido proferida pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE. No entanto, em 23/12/2004, este órgão, através do Ofício nº 1.189 (fl. 85), comunicou à DRF/Vitória/ES que o recurso da Interessada foi julgado improcedente, sendo então mantida a anulação dos Laudos Constitutivo nº 0135 e Constitutivo Complementar 0269/2003. Ao ANULAR os Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003, a ADENE/MIN justificou o ato pelo não atendimento aos requisitos legais exigidos no que tange à abrangência espacial de concessão do benefício. Esta abrangência espacial está definida, relativamente ao Estado do Espírito Santo, onde está localizada a empresa, na Lei nº 9.690/98 que não inclui, na área da SUDENE, o município de Serra. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 11 10 Conforme o art. 60 da IN nº 267/2002 a competência para reconhecer o direito à redução do IRPJ será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. Logicamente, a falta deste laudo impede a concessão do benefício. ... para obtenção de uma isenção individual (e não geral), há necessidade de prova, pelo interessado, de que preenche determinados requisitos e condições previstos em lei. No caso em discussão, uma das condições para auferir o benefício fiscal pleiteado seria a apresentação do Laudo repetidamente citado. O documento, inicialmente emitido, foi posteriormente anulado, exatamente porque a empresa não preenchia, desde a origem do pedido, um dos requisitos necessários – a localização. Por este motivo, as condições acessórias previstas em lei passaram a não ser atendidas. Conseqüentemente, o benefício fiscal deve ser também cancelado desde a data inicial de sua concessão, sem que haja qualquer obrigação da União para com o contribuinte. Face ao exposto e por tudo o mais que dos autos consta, INDEFIRO a solicitação efetuada, e mantenho o decidido no Parecer SEORT nº 388/2004 de 15/03/2004. O interessado perdeu nos recursos apresentados junto à ADENE (processo nº 59301.001847/200230 – fl. 49) e junto à Receita Federal (processo 11543.001409/200386 – acórdão acima) e agora tenta levantar outras questões sobre seu direito à obtenção do benefício fiscal, com a intenção clara de conseguir, através deste processo de auto de infração, chegar a um veredito do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais que, no entanto, pelo Decreto nº 4.213/2002, está impedido de se pronunciar quanto a este assunto específico, em virtude do disposto no § 4º do art. 3º. Resumindo; o interessado teve seu direito à redução do IRPJ, originalmente concedido por engano, cancelado, tanto pela ADENE (através dos seus laudos constitutivos), quanto pela SRFB (através do processo 11543.001409/200383), pelo fato de sua modernização industrial ser efetuada em empreendimento localizado no município de Serra (ES), não localizado em área de atuação da extinta SUDENE, que só abrange os municípios do norte do Espírito Santo. Portanto, não cabe a esta DRJ/RJO 1, nesta oportunidade, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado quanto à denegação, já definitivamente julgada em instâncias administrativas através do processo 11543.001409/200383, de seu pedido de redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração, conforme pretendido pelo mesmo. Em função de todo o exposto, concluo que são indevidas as reduções do IRPJ efetuadas com base em benefícios fiscais indevidamente concedidos a empresas que não estão situadas na área da SUDENE, devendo ser mantido o lançamento de ofício destas diferenças de imposto relativas ao ano calendário de 2003. O lançamento do IRPJ, referente às glosas destas deduções, foi efetuado sem qualquer aplicação de multa, mas com juros moratórios. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000012/200671 Acórdão n.º 140201.044 S1C4T2 Fl. 12 11 Sobre isso lembremos que o direito do interessado à redução do IRPJ foi definitivamente revogado em 2005 porque ele não satisfazia, desde o pedido inicial, as condições para a obtenção do benefício. Houve erros iniciais, por parte da Inventariança Extrajudicial da SUDENE e da Delegacia da Receita Federal de Vitória, ao emitirem os Laudos Constitutivos 0135/2003 e 0269/2003 e o Parecer SEORT 1.115/2003 concedendolhe ilegalmente o benefício da redução. Os erros foram corrigidos e os laudos e o parecer inicial foram cancelados, com efeitos extunc. No entanto, não houve dolo por parte do interessado. Ele não omitiu, ou mentiu, quanto à localização do seu empreendimento, com a finalidade de obter o benefício fiscal em questão, e é exatamente por isto que a multa de ofício de 75% (ou qualquer outra multa) não foi aplicada, em obediência ao disposto no inciso II do artigo 155 do CTN. (..) Conclusão Aos fundamentos acima transcritos nada mais merece ser acrescentado. Em verdade, a pretensão do contribuinte é beneficiarse temporariamente de uma isenção que jamais fez jus. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002276/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido pelo contribuinte, há que ser aceita a dedução por ele efetuada. Não tendo sido efetuado o recolhimento do tributo, porém, é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.185
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido pelo contribuinte, há que ser aceita a dedução por ele efetuada. Não tendo sido efetuado o recolhimento do tributo, porém, é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 22 76 /2 01 0- 08 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.002276/201008 Acórdão n.º 2101002.185 S2C1T1 Fl. 121 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 102/105 – numeração digital) interposto em 13 de julho de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 86/93), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de junho de 2012 (fl. 99), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 06/11, lavrado em 17 de fevereiro de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física e de compensação indevida de imposto de renda na fonte, verificadas no anocalendário de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS DE ALUGUEL. COMISSÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Para efeitos de tributação, podem ser excluídos do rendimento de aluguel as despesas de administração imobiliária pagas para cobrança ou recebimento do rendimento. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. ERRO DE PREENCHIMENTO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado o erro de preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, com base nas informações e documentos constantes no processo e nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, impõese a revisão do lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a retenção pela fonte pagadora do Imposto no valor informado na Declaração, tem direito o contribuinte à compensação do valor retido que foi comprovado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 86). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.002276/201008 Acórdão n.º 2101002.185 S2C1T1 Fl. 122 3 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, cumpre destacar que o acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação para excluir omissões de rendimentos, de pessoa física e de pessoa jurídica, apontadas no auto de infração, e para restabelecer compensações de IRRF realizadas pelas seguintes pessoas: Global Village Telecom Ltda., no valor de R$ 3.003,72, Nelson Paschoalotto, no valor de R$ 2.400,25, e Banco Sofisa S.A., no valor de R$ 183,35, questões essas já devidamente solucionadas, portanto. A insurgência do Recorrente cingese, assim, apenas com relação às compensações dos valores retidos pelas empresas BVA Empreendimentos e Nexus Consultoria, que são locatárias de imóveis de propriedade daquele. Isso porque o acórdão recorrido não aceitou a DIMOB emitida pela empresa administradora desses imóveis como prova da retenção do imposto, perante a ausência de emissão de DIRF pelas empresas, as fontes pagadoras do Recorrente. Ora, apesar de o artigo 87, § 2.º do RIR prever que o IRRF somente será deduzido na declaração se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, claro está que ele não poderá ser prejudicado caso a fonte pagadora se omita na apresentação desse documento. Com efeito, seria impossível o Recorrente conseguir a DIRF das fontes pagadoras, documento exigido pelo acórdão recorrido para aceitação da compensação, se tais fontes não o emitiram. O Recorrente, nesse caso, apesar de não possuir as DIRFs das empresas, juntou aos autos os documentos que possui, como a DIMOB (fls. 12 e 16) e o comprovante de rendimentos (fls. 107 e 108 – numeração digital), emitidos, ambos, em seu nome, pela empresa administradora dos imóveis. Tais documentos indicam minuciosamente os valores que foram ou que deveriam ter sido retidos em cada um dos casos e que, portanto, poderiam ser compensados pelo Recorrente em sua declaração. Exigir do contribuinte a apresentação da DIRF da fonte pagadora quando esta não emitiu tal documento seria punilo por uma falta da empresa, o que entendo não ser razoável. Ademais, ainda que a retenção tenha sido feita, mas não repassada aos cofres públicos, essa é uma falta da fonte pagadora, que reteve e não recolheu os respectivos valores, não podendo o contribuinte sofrer as consequências das infrações cometidas pela empresa. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.002276/201008 Acórdão n.º 2101002.185 S2C1T1 Fl. 123 4 As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do CTN, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora, consoante o Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal do Brasil. A partir da leitura do mencionado parecer, depreendese que, em situações como a ora em análise, em que há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigura se a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, in verbis: “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Sendo efetivamente comprovada a retenção dos valores pela fonte pagadora “Companhia Brasileira Adm. e Participação S/A”, bem como considerando que eles constaram da declaração do contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento é exclusiva da fonte. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 14/05/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10845.001745/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/05/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO.
A legislação de regência permite a retificação de compensação declarada para corrigir erro de fato, inclusive quando envolve o valor integral do débito declarado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/05/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência permite a retificação de compensação declarada para corrigir erro de fato, inclusive quando envolve o valor integral do débito declarado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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EXPORTADORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/05/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência permite a retificação de compensação declarada para corrigir erro de fato, inclusive quando envolve o valor integral do débito declarado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 17 45 /2 00 5- 21 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001745/200521 Acórdão n.º 3302002.166 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS na exportação, relativo ao 4º trimestre de 2003, combinado com declaração de compensação posteriormente retificada. A DRF de origem reconheceu parcialmente o valor do crédito pleiteado e não aceitou a retificação de Declaração de Compensação que aumentou o valor dos débitos compensados e excluiu o valor de débitos declarados originalmente. No Relatório da Análise Efetuada da Declaração de Compensação o Auditor Fiscal opinou por aceitar a declaração retificadora na parte que excluiu o valor de débitos compensados indevidamente, posto que houve erro de fato quando da apresentação e compensação dos valores dos débitos dos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, na qual não contesta as glosas realizadas pela DRF no crédito pleiteado, insurgindose contra a decisão de não aceitar a exclusão de débitos pela DCOMP retificadora e a inclusão de novos débitos com os acréscimos legais calculados até a data da apresentação da declaração retificadora, conforme alegações resumidas no relatório da decisão recorrida. A DRJ em Campinas SP indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0534.813, de 22/08/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. CANCELAMENTO. ADMISSIBILIDADE. É vedada a retificação de declaração de compensação cujo objeto for a inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado. A exclusão de débitos declarados demanda a apresentação de documento de cancelamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. Consolidase administrativamente as glosas impostas à apuração e/ou aproveitamento de créditos que não forem objeto de contestação por meio de Manifestação de Inconformidade. Ciente desta decisão em 14/11/2011, a interessada ingressou, no dia 09/12/2011, com recurso voluntário alegando que: 1 os débitos declarados anteriormente inexistem e não é necessário excluir todos os débitos da DCOMP retificada para se concretizar a exclusão; 2 os débitos novos foram incluídos na DCOMP retificadora acrescidos de multa e juros calculados até a data da retificação. Ciente deste erro, apresentou nova DCOMP que não foi homologada em razão da homologação da compensação dos débitos inexistentes aqui discutidos; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001745/200521 Acórdão n.º 3302002.166 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre a possibilidade de retificar Declaração de Compensação para excluir débitos inexistentes de fato e declarados indevidamente, sendo que na mesma declaração retificadora foi aumentado o valor de débito declarado anteriormente. Quanto ao débito retificado para aumentar o seu valor, houve decisão formal indeferindo o pleito da Recorrente e ela aceitou a decisão da autoridade e apresentou nova declaração de compensação com a parcela acrescida à declarada anteriormente. O que ela não se conforma é com a decisão da autoridade competente para apreciar e decidir seu pleito que, diversamente do proposto pelo Agente Fiscal que realizou as verificações do crédito pleiteado, não aceitou a DCOMP retificadora na parte que excluiu os débitos inexistentes, sob o argumento de que deveria ter sido apresentado uma declaração cancelando a anterior. Com razão a Recorrente. Os débitos considerados inexistentes pela Recorrente foram atestados pelo Auditor Fiscal que realizou a diligência para apurar a legitimidade do crédito pleiteado. Sobre este fato não há questionamento. A Recorrente apresentou DCOMP retificadora para: 1º) reduzir a zero o valor de débitos dos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004, declarados indevidamente em face de não existirem de fato; 2º) aumentar o valor do débito da Cofins de outubro de 2004, de R$ 122.997,13 para 151.486,22; 3º) incluir um novo débito no valor de R$ 94.866,56 Não há reparos a fazer na decisão da DRF que indeferiu a retificação de DCOMP para aumentar débito declarado anteriormente e para incluir novos débitos. Esta é a inteligência do art. 59 da IN SRF nº 600/2005. No entanto, entendo que tem razão o Auditor Fiscal que realizou a diligência ao admitir a retificação de débito declarado para alterar o seu valor para zero, posto que fora constatado a existência de inexatidão material da DCOMP original, conforme autoriza o art. 58 da mesma IN SRF nº 600/2005. Por ser esclarecedora, abaixo se transcreve a opinião do Auditor Fiscal sobre a aceitação da DCOMP retificadora, na parte que excluiu débitos declarados indevidamente: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001745/200521 Acórdão n.º 3302002.166 S3C3T2 Fl. 5 4 as incorreções nos cálculos dos débitos constantes da Declaração de Compensação (código 2372), relativamente aos períodos, de apuração abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004 (fl. 01), foram motivo de apresentação de Declaração de Compensação Retificadora, às fls. 63/68 do Processo 10845.000086/200513. Esta DCOMP foi indeferida, .conforme Despacho Decisório DRF/STS n°197, de 01 de dezembro de 2006, porém deve ser acatada a pretensão da empresa no sentido de excluir os débitos acima mencionados, manifestada pela não inclusão destes na DCOMP Retificadora, em razão de tratarse de inexatidão material, portanto, ao amparo das disposições dos artigos 56 a 59 da IN/SRF 600/2005. Das alterações pretendidas pela empresa restou a ser compensado neste processo o débito no valor original de R$122.997,13, relativo à CSLL do período de apuração outubro de 2004, conforme consta do "Extrato de Processo" ás fls. 71 daquele processo; (destaquei). A decisão recorrida argumenta, para sustentar a decisão da DRF, o fato de existir vedação legal para a DCOMP retificadora incluir novo débito ou aumentar o valor de débito declarado e que o Despacho Decisório DRF/STS nº 197/2006 decidiu pela não admissão da retificadora. Não tem razão a decisão recorrida porque os débitos objeto da lide não foram incluídos ou aumentados pela DCOMP retificadora: foram excluídos, diminuído para zero. Por seu turno, o Despacho Decisório DRF/STS nº 197/2006 só tratou dos débitos que foram incluídos ou tiveram seu valor aumentado. Não tratou dos débitos cujos valores foram reduzidos para zero. Portanto, não há que se falar em necessidade de revogar este ato porque o mesmo não tratou da matéria em discussão nestes autos. Mais a mais, não é racional homologar a compensação de débitos declaradamente inexistentes para, imediatamente processarse a sua restituição. Isto posto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar inexistes os débitos objeto desta lide, relativos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2004, bem como retificar a DCOMP apresentada para excluir o seus valores. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.001745/200521 Acórdão n.º 3302002.166 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003067/2004-11
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 38.942,93.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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materia_s : IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.
turma_s : Quarta Câmara
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 38.942,93. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003067/200411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.294 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria IRRF Recorrente ACINDAR DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 30 67 /2 00 4- 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 38.942,93. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.003067/200411 Acórdão n.º 2202002.294 S2‐C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ACINDAR DO BRASIL LTDA., foi lavrado, com ciência em 17/12/2004, auto de infração pertinentes ao IRRF. Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 84/86: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 1. A empresa contribuinte foi intimada em 09/11/2004 (fls.55 a 55) a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores que comprovasse os pagamentos discriminados na tabela constante da referida intimação, bem como a apresentar, para cada valor discriminado, a respectiva contrapartida no Livro Razão. A empresa contribuinte atendeu parte da solicitação em 26/11/2004 (fls. 69/71) e parte em 10/12/2004 (fls. 82). Feita a devida análise dos documentos enviados em confronto com as correspondentes contas no razão, apurouse o seguinte: Data Histórico conforme Valores conforme Irregularidades constatadas. intimação de intimação de 09/11/2004. 09/11/2004. 07/05/99 Pagto Forn. ffffffffforforrF 119.196,25 Não há contabilização, nem documentação de parte do valor de R$ 59.679,80, na cont a 11102001 do Banco Itaú S/A C/C 480818. 17/06/99 Ch. Comp. 700658 84.000,00 Não há contabilização, nem documentação desse valor na conta 11102004 do Banco Itaú S/A C/C 506695 09/08/99 Ch. Avulso 38.942,93 Não há contabilização, nem documentação desse valor na conta 11102005 do Banco do Brasil S/A C/C 190804. 03/11/99 Ch. Comp. 698229 177.070,19 Ch. Contabilizado a débito da conta 21202002Chs. não compensados Itaú, porém consta do extrato do Banco Itaú S/A C/C 506695, como compensado. Tendo em vista as irregularidades apontadas no demonstrativo acima deverá ser constituído o crédito tributário discriminado no quadro abaixo, uma vez que essas irregularidades caracterizam infração à legislação tributária identificadas como "Pagamento a Beneficiário não Identificado e/ou Pagamento sem Causa". Para tanto foi reajustada a base de acordo com a orientação da IN SRF 04/80, cuja fórmula transcrevemos a seguir: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Irresignado, o interessado apresentou, em 18/05/2005, a impugnação de fls. 109/122. Em sua peça de defesa, alega, em síntese, que: As razões da autuação seriam ininteligíveis, razão pela qual haveria de se reconhecer, de plano, o cerceamento do direito de defesa. Quanto ao pagamento de R$ 119.196,25, apontado pela fiscalização como não contabilizado, bem como sem a correspondente documentação de suporte, saído da conta corrente n° 48.0818, agência n° 1.145, Banco Itaú S/A (conta contábil n° 11102001), em 07/05/99, conforme extrato (fi. 93), pondera que: Há contabilização (fis. 156/157) a crédito da conta contábil "Bancos c/ Movimento, Banco Itaú S/A 48.0818" nos seguintes valores: R$ 59.516.45, em 06/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. Fat's 11459/60/61/66, Importação Antonio Lemes SISPAG"; ~ 50.000,00, 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG AÇOMAX"; R$1.058,00, em 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG Country"; R$ 8.621,80, em 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG a Normativa (Consultoria)". Todos, somados, montam R$ 119.196,25. Como documentação de suporte para o pagamento de R$ 59.516,45, colaciona (fls. 1611238), em cópias autenticadas: [1] notas de despesas emitidas por Antônio Lemes Assessoria e Despachos Aduaneiros Ltda., apresentadas em 04/05/99,06/05/99 (duas delas), 07/05/99, que se referem às faturas de n° 000700011459, n° 000700011460, n° 0007 00011461, n° 000700011466, por prestação de serviço relacionado à importação de produtos tais "fios de máquina de aço não ligados", que reclamam da Acindar do Brasil Ltda. os valores de R$ 16.318,70, R$ 13.730,05, R$ 13.909,60 e R$ 15.558,10, cuja soma monta R$ 59.516,45; [2] respectivas faturas emitidas por "Acindar Industria Argentina de Aceros S.A." em 03/05/99; [3] respectivos extratos de declaração de importação e comprovantes de importação, com registro da DI em 06/05/99, 07/05/99; [4] respectivos "certificados de origen de Mercosul carta de porte internacional por carretera" datados de 04/05/99; [5] respectivas guias de recolhimento de tributos estatuais que apontam maio/99 como período de referência; [6] respectivas notas fiscais de entrada emitidas em 08/05/99. Como documentação de suporte para o pagamento de R$ 50.000,00, colaciona (fis. 2401241), em cópia autenticada, extrato da contacorrente n° 0678130009572, Banco Banespa S/A, de titularidade de Açomax S/A, em que consta crédito nessa contacorrente no importe de R$ 50.000,00, em 07/05/99, sob o histórico "CRD DOC ELET 953396". Como documentação de suporte para o pagamento de R$ 8.621,80, colaciona (fis. 243/284), em cópia simples: [1] correspondência eletrônica havida entre a pessoa jurídica Normativa International Avaliações e Consultoria Ltda. e a Acindar do Brasil Ltda. sobre tratativas acerca de prestação de serviço, da primeira para a segunda; [2] atestes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tendentes a Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.003067/200411 Acórdão n.º 2202002.294 S2‐C2T2 Fl. 4 5 reconhecer a inexistência de similar nacional ao equipamento que se pretendia importar; [3] contrato de prestação de serviço por parte da pessoa jurídica Normativa International Avaliações e Consultoria Ltda. Quanto ao pagamento de R$ 84.000,00, apontado pela fiscalização como não contabilizado, bem como sem a correspondente documentação de suporte, saído da conta corrente n° 50.6695, agência n° 1.145, Banco Itaú S/A (conta contábil n° 11102004), em 17/06/99, conforme extrato (fi. 94), pondera que: Há contabilização (fi. 303) a crédito da contacontábil "Bancos c/ Movimento, Banco Itaú S/A 50.6695" no valor de R$ 84.000,00, em 17/06/99, com o histórico "Pagto. Ref. Ch. 700658 Aluguel (Fábrica Malhas)". Como documentação de suporte para o pagamento de R$ 84.000,00, colaciona (fis. 287/293), em cópia simples, "Contrato de Locação de Imóvel Comerciar', que anota como locadora a pessoa jurídica Inimo Participações Ltda. e como locatária a pessoa jurídica Acindar do Brasil Ltda. A duração da indigitada avença seria "pelo prazo de 05 (cinco) anos a contar de 17/06/1999 e término em 16/0612004", com "aluguel mensal inicial de R$ 28.000,00", certo que "no ato de assinatura" a locatária deveria adiantar à locadora "o valor de R$ 84.000,00 (oitenta e quatro mil reais), equivalente a três alugueres" (fi. 287, 290). Quanto ao pagamento de R$ 38.942,93, apontado pela fiscalização como não contabilizado, bem como sem a correspondente documentação de suporte, saído da conta corrente na 190.8049, agência na 1.821, Banco do Brasil (contacontábil na 11102005), em 09/08/99, conforme extrato (fi. 95), pondera que tal valor é resultante da soma de R$ 18.983,20 e R$ 19.959,73, recolhidos conforme guias nacionais de recolhimento de tributos estaduais GNRE (fis. 311/312). Quanto ao cheque na 698229, de R$ 177.070,19, que consta do extrato da contacorrente na 50.6695, agência na 1.145, Banco Itaú S/A, como compensado em 03/11/99, explica que tal cheque houvera sido emitido em 29/10/99 para fazer face a pagamento por serviços prestados por Eudmarco S/A Serviços e Comércio Internacional (fi. 314). Porém, porque não foi, efetivamente, compensado em outubro de 1999, teria sido levado para a conta contábil "Cheques não Compensado/ltaú" que, a sua vez e em novembro/99, teria sido debitada. Junta a este propósito cópia autenticada de recibo emitido por Eudmarco S/A Serviços e Comércio Internacional em 03/11199 no valor de R$ 177.070,19. Julga que a fiscalização não teria dedicado tempo suficiente para a análise dos documentos então entregues, em 10/12/2004, já que o auto de infração foi lavrado em 16/1212004. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 A multa fixada no patamar de 75% não teria base legal, certo que, presentemente, não haveria justificativa para o lançamento de ofício, hipótese contemplada na Lei na 9.430/96, art. 44, inciso I. Além disso, uma tal multa teria caráter confiscatório. O máximo admissível seria o estatuído no art. 61 da Lei na 9.430/96 (multa moratória de 20%). Seria dever da autoridade administrativa apreciar "todos os pontos ventilados pela impugnante, inclusive aquele de cunho constitucional." (fi. 119; destaques do original) Em 3 de maio de 2005, os membros da 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas proferiram o Acórdão No. 9.293 que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1999 Ementa: DEVIDO PROCESSO LEGAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Se o contribuinte contraataca precisamente todos os pontos da razão de autuação, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. Se o contribuinte identifica o beneficiário e a causa do pagamento, não subsiste a incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor (isto é, com força vinculante), sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos (validade da norma jurídica). Lançamento Procedente em Parte Após a decisão da autoridade recorrida remanesceram, apenas, os fatos geradores supostamente ocorridos em 07/05/99 e 09/08/99, sendo que o recurso voluntário cinge—se a demonstrar a impertinência de tais lançamentos, face à comprovação da contabilização e do registro do destinatário dos respectivos pagamentos. Cientificado em 15/09/2005, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 13/10/2005, o Recurso Voluntário, de fls. 369/103, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, adicionando os seguintes argumentos: No que tange ao fato gerador de 07/05/99, a fiscalização apurou que não houve contabilização, nem documentação, de parte do valor de R$ 59.679,80, na conta n.º 11102001 (Tabela de correlação de Conta Contábil — ANEXO II da impugnacao), do banco itaú, na Conta Corrente n.º 48081—8. Ocorre que, do livro razão, constam os seguintes lançamentos: — Em 06/05/99 — pagamento referente às Faturas 11459/60/61/66, no valor de R$ 59.516,45, tendo como favorecido Antônio Lemes Assessoria e Despachos Aduaneiros Ltda., relativas a despesas de importação; — Em 07.05.99 — pagto ref. Sispag — Açomax, no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). O valor foi creditado na Conta Corrente da Açomax S/A, no Banco do Estado de São Paulo S/A, na conta corrente n.° 0678130009572, conforme extrato. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.003067/200411 Acórdão n.º 2202002.294 S2‐C2T2 Fl. 5 7 — Em 07/05/99 — pagamento Sispag Country, no valor de R$ 1.058,00, relativo à antecipação de despesas de importação; — Em 07/05/99 — pagamento Sispag A Normativa, no valor de R$ 8.621,80, referente ao contrato para execução de serviços de avaliação internacional de equipamentos industriais. Tais valores estão registrados no livro razão de 06/05/99 e no extrato bancário de 07/05/99, o que demonstra a devida contabilização e os destinatários dos recursos. No que se refere ao fato gerador de 09/08/99, houve a alegação de ausência de contabilização e apresentação de documentos no valor de R$ 38.942,93. Ocorre que tal valor refere—se ao pagamento de icms no desembaraço aduaneiro, pago através das guias nacionais de recolhimento de tributos estaduais — gnre, nos importes de R$ 18.983,20 e R$ 19.959,73, o que totaliza, efetivamente, o valor de R$ 38.942,93. Da multa indevida e abusiva de 75%; Da indevida aplicação da taxa selic como indexador; Do dever da apreciação das alegações de cunho constitucional em sede administrativa; Em 08/10/2008, foi dado provimento ao recurso pela antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para reconhecer a decadência do lançamento. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial questionando a decisão tomada. Em 10/05/2012, a Câmara Superior de Recursos Especiais, deu provimento ao recurso determinando o retorno do processo a está Câmara para análise das questões de Mérito. É o relatório. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Neste momento atendose apenas os valores mantidos pela DRJ, revisamos o lançamento: Do Pagamento sem causa/ operação não comprovada Da documentação referente a operação em 07/05/99: De acordo com a autoridade recorrida: 7. Quanto ao pagamento de R$ 119.196,25, apontado pela fiscalização como não contabilizado, bem como sem a correspondente documentação de suporte, saído da conta corrente n° 48.0818, agência n° 1.145, Banco hall S/A (conta contábil n° 11102001), em 07/05/99, conforme extrato (fl. 93), de fato, há a sua contabilização (fls. 156/157) a crédito da conta contábil "Bancos c/ Movimento, Banco had S/A 48.0818" nos seguintes valores: R$ 59.516,45, em 06/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. Fat's 11459/60/61/66, Importação Antonio Lemes — SISPAG"; R$ 50.000,00, 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG AÇOMAX"; R$1.058,00, em 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG Country"; R$ 8.621 80, em 07/05/99, com o histórico "Pagto. Ref. SISPAG a Normativa (Consultoria)".Todos, somados, montam R$ 119.196,25. 8. Por outro lado, a documentação de suporte para o pagamento de R$ 59.516,45 então colacionada (fls. 161/238), em cópias autenticadas, demonstram: [1] notas de despesas emitidas por Antônio Lemes — Assessoria e Despachos Aduaneiros Ltda., apresentadas em 04/05/99, 06/05/99 (duas . delas), 07/05/99, que se referem às faturas de n° 0007 00011459, n° 000700011460, n° 000700011461, n° 0007 00011466, por prestação de serviço relacionado à importação de produtos tais “fios de máquina de aço não ligados", que reclamam da Acindar do Brasil Ltda. os valores de R$ 16.318,70, R$ 13.730,05, R$ 13.909,60 e R$ 15.558,10, cuja soma monta R$ 59.516,45; [2] respectivas faturas emitidas por "Acindar Industria Argentina de Aceros S.A." em 03/05/99; [3] respectivos extratos de declaração de importação e comprovantes de importação, com registro da DI em 06/05/99, 07/05/99; [4] respectivos "certificados de origen del Mercosur"/"carta de porte internacional por carretera" datados de 04/05/99; [5] respectivas guias de recolhimento de tributos estatuais que apontam maio/99 como período de referência; [6] respectivas notas fiscais de entrada emitidas em 08/05/99. Disto, bem afasta o contribuinte o pressuposto para a Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.003067/200411 Acórdão n.º 2202002.294 S2‐C2T2 Fl. 6 9 incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95 (art. 674 do RER199) — pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa. 9. Quanto à documentação de suporte para o pagamento de R$ 50.000,00 então colacionada (fls. 240/241), em cópia autenticada, consistente no extrato da contacorrente n° 0678 130009572, Banco Banespa S/A, de titularidade de Açomax S/A, no qual consta crédito nessa contacorrente no importe de R$ 50.000,00, em 07/05/99, sob o histórico "CRD DOC ELET 953396", segue a assertiva da fiscalização, certo que um tal documento não demonstra a causa do pagamento. 10. Quanto à documentação de suporte para o pagamento de R$ 8.621,80 então colacionada (fls. 243/284), em cópia simples, demonstrativas de [1] correspondência eletrônica havida entre a pessoa jurídica Normativa International Avaliações e Consultoria Ltda. e a Acindar do Brasil Ltda. sobre tratativas acerca de prestação de serviço, da primeira para a segunda, [2] atestes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tendentes a reconhecer a inexistência de similar nacional ao equipamento que se pretendia importar, e [3] contrato de prestação de serviço por parte da pessoa jurídica Normativa International Avaliações e Consultoria Ltda, segue a assertiva da fiscalização, já que, do rol de documentos juntados, não se vislumbra, ali, documento especifico que aponte para o pagamento,de R$ 8.621,80. 11. De se notar que o contribuinte não apresenta qualquer documento tendente a provar destinatário/causa da parcela de R$1.058,00, componente do valor de R$ 119.196,25, conforme sumariado no parágrafo 7°. Disto, também segue a assertiva da fiscalização. 12. Ao todo, portanto, do total originalmente questionado, isto 6, R$ 119.196,25, o contribuinte afasta a incidência do art. 61 da Lei n°8.981/95 (RIR/99, art. 674) sobre R$ 59.516,45. Valor, inclusive, já desconsiderado pela fiscalização, que laborou com a diferença entre R$ 119.196,25 e R$ 59.516,45, ou seja, autuou como pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa o valor de R$ 59.679,80 (R$ 50.000,00 + R$ 8.621,80 + R$ 1.058,00). Da documentação referente a operação em 09/08/99: 15. Quanto ao pagamento de R$ 38.942,93, apontado pela fiscalização como não contabilizado, bem como sem a correspondente documentação de suporte, saído da conta corrente n° 190.8049, agência n° 1.821, Banco do Brasil (contacontábil n° 11102005), em 09/08/99, conforme extrato (fl. 95), segue a assertiva da fiscalização, certo que um tal documento, por si só, não demonstra a causa do pagamento. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 Em seu recurso o recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida. Entretanto. o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. No que toca a documentação referente a 07/05/99, de sua análise se mantém o entendimento exarado pela autoridade recorrida. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Porém na análise da documentação referente a 09/08/99, há que se reconhecer, que além do movimentação bancária, o recorrente trouxe ao processo os valores efetivamente recolhidos mediante Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais, tal como se atesta os documentos de fls. 311 e 312. Isto posto é de se dar provimento ao recurso no que toca ao pagamento sem causa lançado em 09/08/99, no valor de R$ 38.942,93. Da Multa de 75% – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.003067/200411 Acórdão n.º 2202002.294 S2‐C2T2 Fl. 7 11 Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 38.942,93. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13900.000195/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003
DECADÊNCIA PARCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
PELO CONTRIBUINTE. APURAÇÃO DO DÉBITO POR AFERIÇÃO
INDIRETA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a
existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha
de salários da empresa recorrente.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição
indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer
documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o
débito que imputar devido, invertendo-se
o ônus da prova ao contribuinte,
com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do
Regulamento da Previdência Social.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001 devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELO CONTRIBUINTE. APURAÇÃO DO DÉBITO POR AFERIÇÃO INDIRETA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001 devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ASM FUTURA DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE E COMÉRCIO LTDA em face da decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente ao período 01/1996 a 06/2003. 2. Narra o relatório fiscal que o levantamento do crédito fiscal se deu por aferição indireta: “Considerando que a empresa não apresentou Folhas de Pagamento, Livros Diários, Razão etc, com as informações relativas à Remuneração percebida por seus empregados no período de 01/1996 a 13/1996, 08/1997 a 13/1997, 12/1998, sendo através do AI DEBCAD n. 35.658.0377, procedeuse a aferição indireta da Remuneração percebida com base em RAIS entregues em época própria pela empresa, constantes no sistema da Receita Previdenciária. Demonstrativo por competência, individualizado conforme Anexos I e II. (...) Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13900.000195/200771 Acórdão n.º 2301002.603 S2C3T1 Fl. 482 3 Aferição de Remuneração com base em RAIS, constantes nos sistemas da Receita Previdenciária não declaradas em GFIP conforme demonstrativo anexo III; (...) Foram apresentadas a esta fiscalização folhas de pagamento relativo a trabalhadores denominados pela empresa como ‘colaboradores’, onde constatamos as seguintes informações: pagamento de Salário, Admissão junto a empresa, descontos de plano de seguro saúde, desconto de adiantamento, seguro invalidez, poupança etc, bem como a atividade exercida junto a empresa; Verificouse através das folhas analíticas apresentadas relativa ao período de 01/1998 a 11/1998, 01/2002 e 06/2003, que a remuneração destes trabalhadores não era considerada pela empresa, como incidente de contribuições previdenciárias; (...) Baseado nestas informações considerouse estes trabalhadores como empregados, sujeitos as contribuições previdenciárias (...).” (ff. 113 a 114) 3. Os autos foram baixados em diligência devido a divergências encontradas na classificação do débito, bem como na natureza dos levantamentos feitos por aferição indireta: “Assim sendo, o processo deverá ser baixado em diligência para que o AFPS notificante se manifeste sobre as divergências apontadas nos quadros acima, pelos seguintes motivos: a) O erro na classificação do débito (Declaração em GFIP, Não Declarado em GFIP, Período anterior etc) influi na aplicação da multa; b) As contribuições apuradas com base em Folhas de Pagamento (Anexo IV) apresentadas pelo contribuinte durante a ação fiscal, ainda que de empregados sem registro, não se constitui em aferição indireta e, dessa forma, deverão ser excluídos do presente lançamento em face da impossibilidade de alteração da fundamentação legal para esses Levantamentos, especificamente. c) Os lançamentos efetuados por meio de aferição indireta em face da não apresentação de documentos, deverá ser precedido do competente Auto de Infração;” (ff. 363 e 364) 4. Em atendimento à diligência solicitada a auditora fiscal responsável pelo procedimento juntou aos autos as seguintes informações: “a. que a empresa foi autuada através do AI Debcad n. 35.658.0377 por não apresentação de documentos. b. que a empresa foi autuada por fatos geradores não declarados em GFIP, fundamentação legal 68, DEBCAD N 35.658.0407; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 c. que foi emitido também AI Debcad n. 35.658.0399 relativo a empregados sem registro – fl 56. d. que o levantamento 007 – Folha Empregados sem registro, relativo ao período de 01/96 a 13/97, referente a folhas de pagamento apresentadas de empregados sem registro foi incluído indevidamente nesta notificação. e. que em folhas 218 a 273, foram anexados cópias destas folhas. f. que a competência 10/2002 constou indevidamente no levantamento 003 – com base RAIS em período anterior à implantação da GFIP. Deveria constar no levantamento 005 apurado em RAIS/GFIP – não declarado em GFIP; g. que o levantamento 008 – com base folha sem registro – período 01/2002 a 06/2003 – foi classificado indevidamente como período anterior à implantação da GFIP. O correto é não declarado em GFIP;” (f. 366) 5. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS A SEGURADOS EMPREGADOS. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Incumbe à empresa promover o recolhimento das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros, incidentes sobre as remunerações que pagou aos segurados empregados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO. LEVANTAMENTO INCLUÍDO EM NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, COM ERRO NA RESPECTIVA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE. Impõese a nulidade de levantamento incluído em notificação fiscal de lançamento de débito, cujo erro na respectiva classificação provoca indevida alteração no percentual da multa automática aplicada sobre o principal. Lançamento Procedente” (f. 407) 6. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte apresentou suas razões requerendo a reforma da decisão de primeiro grau, tendo em vista a extinção do crédito lançado pela aplicação da decadência quinquenal fixado pelo CTN. 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13900.000195/200771 Acórdão n.º 2301002.603 S2C3T1 Fl. 483 5 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13900.000195/200771 Acórdão n.º 2301002.603 S2C3T1 Fl. 484 7 abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, juntado às ff. 111 e 112, que foram analisados os seguintes documentos: Livro de Registro de Empregados; folhas de pagamento; GFIPs – Guia de Recolhimento do FGTS e comprovantes de recolhimento. Além disso, consta do Relatório Fiscal, ff. 113 a 115, que a fiscalização foi realizada com base em folhas de pagamento e GFIP’s. Assim, entendendo que houve recolhimento parcial do débito, considerada a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 9. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 02/08/2006, referente às contribuições do período de 01/01/1996 a 30/06/2003 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/1996 a 07/2001, restando mantidas as competências 08/2001 a 06/2003. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 10. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO FISCAL 11. Antes de adentrar no mérito propriamente dito, tonase importante que sejam feitas algumas considerações sobre o processo. 12. Conforme narrado no relatório fiscal, o lançamento do débito previdenciário se deu pelo método de aferição indireta, devido a não apresentação de alguns dos documentos solicitados. 13. Compulsando os autos, verificase que a Seção do Contencioso Administrativo (SJCAMPOS) constou a existência de divergências na classificação do débito, bem como na natureza dos levantamentos, no que se refere ao método de levantamento utilizado aferição indireta, razão pela qual os autos foram baixados em diligência, para que fossem excluídas do lançamento as rubricas que não foram constituídas pelo referido método (aferição indireta). 14. Com base no resultado da diligência, o julgador de primeira instância decidiu pela supressão da rubrica 008 (Folha de Pagamento de empregados sem registro relativo ao período sujeito a entrega de GFIP – período: 01/2002 e 06/2003) e da competência 10/2002 da rubrica 003 (Com base RAIS – Período anterior a obrigação de entrega de GFIP). 15. Dessa forma, restou configurada a exclusão da rubrica 008 (Folha de Pagamento de empregados sem registro relativo ao período sujeito a entrega de GFIP – período: 01/2002 e 06/2003) e da competência 10/2002 da rubrica 003 (Com base RAIS – Período anterior a obrigação de entrega de GFIP) do lançamento fiscal, fato com o qual corroboro. 16. E no que se refere ao procedimento de aferição indireta adotado pela fiscalização para o levantamento do débito, venho me posicionando no sentido de que configurado que o contribuinte não atendeu à solicitação do fisco para a apresentação da documentação exigida, aplicase o método de aferição, respeitado o princípio da razoabilidade. 17. No caso concreto, foram emitidos três Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (ff. 106 a 110), datados respectivamente de 02/05/2006, 20/06/2006 e 11/07/2006, sendo que a empresa atendeu apenas parcialmente à solicitação, apresentando alguns dos documentos que foram requeridos, sendo o débitos apurado com base na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, entregues em época própria. 18. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade do representante da empresa em cumprir o exigido pelo fisco. 19. Dessa forma, devido à inércia do contribuinte, o fisco procedeu à confecção dos cálculos com base em valores aferidos indiretamente, os quais resultaram em débito para o recorrente, conforme demonstrado nos autos. 20. E o procedimento indireto adotado encontra respaldo na Legislação Previdenciária (como se pode verificar da combinação do disposto na Lei n.º 8.212/91, com o Regulamento da Previdência Social, aprovada pelo Decreto n.º 3.048/99), na qual se encontra disposto que na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo de sua contabilidade regular, deverá ser aferida, de forma indireta, a mãodeobra mínima a ser considerada na execução dos serviços para cálculo da contribuição a ser recolhida. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13900.000195/200771 Acórdão n.º 2301002.603 S2C3T1 Fl. 485 9 21. Os parágrafos 3º e 4º, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social, trazem em seu texto: “Art. 33 (...). § 3 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. ” (g.n.) 22. Nesse sentido, artigos 232 a 234 do Regulamento da Previdência Social, dispõem: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” (g.n.) 23. O débito levantado em relação à empresa é patente, notadamente porque baseouse nas folhas de pagamento dos empregados nominados pela empresa de “colaboradores”, dos quais não foram descontadas contribuições previdenciárias. Das folhas de pagamento analisadas constavam as seguintes informações: “pagamento de salários, admissão junto a empresa, descontos de plano de seguro saúde, desconto de adiantamento, seguro invalidez, poupança etc, bem como a atividade exercida junto a empresa”. (f. 114) Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 24. Dessa forma, não tendo a empresa colacionado aos autos a documentação comprobatória de sua regularidade contábil e dos termos alegados, e tendo sido configurado que a mesma está em débito para com o fisco acerca das contribuições arroladas no lançamento fiscal, uma vez que não recolheu o valor devido, mantenho a decisão recorrida. DA MULTA APLICADA 25. No que se refere à multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 26. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 27. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 28. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 29. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13900.000195/200771 Acórdão n.º 2301002.603 S2C3T1 Fl. 486 11 30. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, mais benéfica ao contribuinte, e para decotar do lançamento o período abrangido pela decadência, qual seja 01/1996 a 07/2001. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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