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Numero do processo: 11040.720215/2012-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
A multa isolada de 150% somente é cabível quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos referentes a verbas que sequer integraram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias ou, quando a integraram, não há qualquer justificativa para que sejam consideradas como valores passíveis de restituição.
Recurso Especial do Procurador provido em parte
Numero da decisão: 9202-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa referente às rubricas "1/3 de férias - Rescisão", "férias proporcionais", "diferença das horas extras 100% sobre FDC" e "diferença das horas extras 50% sobre o FDC", relativamente aos recolhimentos posteriores a 16/09/2005. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que davam provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. A multa isolada de 150% somente é cabível quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos referentes a verbas que sequer integraram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias ou, quando a integraram, não há qualquer justificativa para que sejam consideradas como valores passíveis de restituição. Recurso Especial do Procurador provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa referente às rubricas "1/3 de férias Rescisão", "férias proporcionais", "diferença das horas extras 100% sobre FDC" e "diferença das horas extras 50% sobre o FDC", relativamente aos recolhimentos posteriores a 16/09/2005. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que davam provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 02 15 /2 01 2- 32 Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase das seguintes exigências: Auto de Infração nº 51.016.3068, referente a glosas de valores indevidamente compensados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Auto de Infração nº 51.016.3076, referente a aplicação de multa isolada de 150%, em razão de falsidade na declaração de compensação com créditos inexistentes. Sobre a compensação indevida, estas decorreriam de contribuições indevidamente recolhidas sobre subsídios dos agentes políticos, no período de 02/1998 a 09/2004, em razão da declaração de inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I, do art. 12, da Lei n.º 8.212, de 1991. O fisco aponta as seguintes irregularidades no processo compensatório: prescrição do direito de compensar; falta de retificação nas GFIP para excluir os exercentes de mandatos eletivos; inexistência de legitimidade da Prefeitura para compensar valores decorrentes de recolhimentos indevidos de contribuições incidentes sobre a remuneração dos vereadores. Ademais, foram glosadas compensações relativas a parcelas que o Contribuinte entendeu não serem integrantes do salário de contribuição, no período de 12/1999 a 13/2000. A esse respeito, a autoridade lançadora asseverou que os recolhimentos efetuados até 16/09/2005 já se encontravam prescritos em 17/09/2010, data da efetivação da compensação declarada na GFIP da competência 08/2010. Com relação aos recolhimentos efetuados posteriormente a 16/09/2005, o fisco advoga que sobre as rubricas “151 – 1/3 férias rescisão” e “150 – férias proporcionais” não haveria valores a compensar, já que o Contribuinte não as considerou como integrantes da base de cálculo. Já as rubricas “411 – dif. horas extras 100% s/ FDC” e “410 dif. horas extras 50% s/ FDC”, por se referirem ao pagamento de horas extraordinárias, comporiam o salário de contribuição, portanto não teria havido recolhimento indevido. Quanto à contribuição para o RAT, esta foi feita pela alíquota de 2%, todavia posteriormente o Contribuinte passou a entender que teria direito a recuperar 1%, porém a alíquota correta seria de 2% até 12/2009 e, após a implantação do Fator Acidentário de Prevenção, no período de 01/2010 a 12/2010, a alíquota teria sido fixada em 3,1226%. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 9202003.779 CSRFT2 Fl. 2.066 3 Em sessão plenária de 19/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2401003.083, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente. COMPENSAÇÃO PELA PREFEITURA DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS EM NOME DA CÂMARA MUNICIPAL. POSSIBILIDADE. As contribuições indevidas sobre a remuneração dos agentes políticos (vereadores) podem ser compensadas no CNPJ da Prefeitura. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS GFIP. IMPEDIMENTO PARA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A falta de retificação da GFIP representa descumprimento de dever instrumental a ser punido com aplicação de multa, não podendo ser utilizado como barreira para compensação de créditos pertencentes ao sujeito passivo. HORAS EXTRAORDINÁRIAS. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Incidem contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de horas extraordinárias, posto que representam remuneração pelo trabalho. Não cabe, portanto, compensação de recolhimentos sobre essa parcela, posto que inexistiu pagamento indevido. FÉRIAS INDENIZADAS. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. O sujeito passivo não tem direito a efetuar compensação com recolhimentos sobre férias indenizadas, posto que não comprovou haver incluído tal parcela na base de cálculo das contribuições. Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo, que é aquela que engloba o maior número de segurados empregados e avulsos, só se considerando nesse cômputo os trabalhadores que atuam nas atividades fim da empresa. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: I) reconhecer o direito à compensação referente às contribuições pagas aos agentes políticos, desde que não tenham sido alcançadas pela prescrição qüinqüenal; e II) afastar a multa isolada. O processo foi encaminhado à PGFN em 09/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.972). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 23/09/2013, o que foi feito em 19/09/2013 (fls. 1.973 a 1.988), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 2.047. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes matérias: no que tange à compensação referente às contribuições pagas aos agentes políticos, exigência de retificação da GFIP; e aplicação da multa isolada no percentual de 150%. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade nº 2400549, de 14/07/2014 (fls. 2.049 a 2.053). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: Quanto à exigência de retificação da GFIP de acordo com o art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, é obrigação do Município informar mensalmente ao Fisco, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da RFB; Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 9202003.779 CSRFT2 Fl. 2.067 5 para operacionalizar tal obrigação, foi criada a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, sendo que sua exigência deuse a partir de janeiro de 1999; tal Guia tem como finalidade precípua alimentar o banco de dados do INSS, de modo que seja possível determinarse, corretamente, por exemplo, quem seriam eventuais beneficiários, qual o valor recolhido etc. na presente hipótese, como visto, o contribuinte pretende a compensação em GFIP de créditos oriundos das contribuições previdenciárias alegadamente indevidas sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo, em face da decisão definitiva proferida no Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, declarando a inconstitucionalidade das referidas contribuições, bem como em face da Resolução nº 26/2005, do Senado Federal, que deu efeito erga omnes a tal decisão; diante da Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, a então Receita Previdenciária editou a Instrução Normativa nº 15/2005, estatuindo a obrigatoriedade de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados. Observe o teor do referido ato normativo: Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 "Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. [...] Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; (grifos nossos) II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea 'h' do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: [...] §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do entefederativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do entefederativo, independentemente de efetivação da compensação. (grifos nossos) §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no incisoIII do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro". Do mesmo modo, em 02/05/2006 foi editada pelo Ministro da Previdência Social a Portaria nº 133/2006, que determina: "(...) Considerando a Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, que suspende a execução da alínea 'h' do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171Paraná, e considerando que a suspensão da execução determinada pela Resolução nº 26 do Senado Federal produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, de acordo com o § 2º do art. 1º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Art. 1º A Secretaria da Receita Previdenciária não promoverá a constituição de créditos com fundamento na alínea 'h' do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997. Art. 2º Deverão ser cancelados ou retificados, conforme o caso, todos os débitos oriundos das contribuições referidas nesta Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 9202003.779 CSRFT2 Fl. 2.068 7 Portaria, independente da fase em que se encontram, observadas as disposições referentes às contribuições descontadas. Art. 3º São devidas as contribuições decorrentes de valores pagos, devidos ou creditados ao exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com a alínea 'j' do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pela Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, publicada em 21 de junho de 2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004. Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP; II quando envolver valores descontados, ser necessariamente precedido de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito de benefícios de Regime Geral de Previdência Social, bem como da comprovação de devolução dos recursos ao segurado ou de autorização deste; e III obedecerá ao prazo prescricional previsto em lei." não se pode aceitar que continue constando no banco de dados do Fisco, como contribuintes, pessoas que tiveram suas contribuições repetidas em determinado período; prevalecendo as informações até então apresentadas pelo Município, serão computados aos exercentes de cargos eletivos, para fins de benefícios, inclusive com relação à aposentadoria por tempo de contribuição, períodos nos quais eles efetivamente não teriam contribuído; como muito bem asseverado pela decisão ora apontada como paradigma, constando o nome tais exercentes de mandato eletivo nas GFIP em que foram oferecidas suas respectivas remunerações à tributação, tornase necessário que esses agentes políticos sejam excluídos da base de dados da Seguridade Social, nesse período, mediante a entrega de GFIP retificadora (promovendo tal exclusão); caso tal exclusão não seja efetuada, os agentes políticos acima referidos continuarão figurando na base de dados da seguridade social, no período ora em destaque, como segurados empregados, qualificação essa que o STF declarou inconstitucional; a previdência social, diferentemente da saúde e da assistência social, é sistema contributivo, ou seja, somente faz jus aos seus benefícios aqueles que efetivamente contribuem com o referido sistema, portanto quem não contribui, ou, como in casu, quer ter contribuição devolvida, deverá suportar o ônus de verse excluído do sistema durante o lapso em que não contribuiu, com os devidos consectários legais de tal atitude. e repisese que, a partir de janeiro de 1999, passou a ser ônus do Município prestar tais informações ao INSS, posteriormente à RFB. Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 diante do exposto, assentado que o contribuinte não promoveu a devida e indispensável retificação das GFIP e considerando que tal retificação mostrase como condição sine qua non para a compensação, foi correta a glosa efetivada pela Fiscalização. Da aplicação da multa isolada a aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996: Lei nº 8.212, de 1991 "Art. 89 (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." Lei nº 9.430, de 1996 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (Destaque nosso) a análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150%; nesse sentido, segue a jurisprudência administrativa: Acórdão nº 2403001.294 "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 31/05/2010 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTOS EM UM MESMO PROCESSO. Na forma do § I do artigo 9º do Decreto 70.235/72, admitese a formalização de processo único, para mais de um auto de infração lavrados contra o mesmo sujeito passivo, se a comprovação do ilícito depender dos mesmos elementos de prova. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 9202003.779 CSRFT2 Fl. 2.069 9 indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. (Grifos nossos) no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza e, nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais; uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que, repitase, não exige dolo do agente; ressaltese que o Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) assim, ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade (cita doutrina de Alexandre de Moraes). Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e mantendose o lançamento em sua integralidade. Cientificado em 13/08/2014 (AR de fls. 2.056), o Contribuinte ofereceu, em 29/08/2014, as Contrarrazões de fls. 2.058 a 2.061. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Por outro lado, as Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 Contrarrazões oferecidas pelo Contribuinte são intempestivas, portanto não podem ser conhecidas. Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a restauração da glosa da compensação referente às contribuições pagas aos agentes políticos não alcançadas pela prescrição, que havia sido aceita no acórdão recorrido. Ademais, pede a manutenção da multa de 150%, por falsidade na declaração. No que tange à compensação referente às contribuições pagas aos agentes políticos não alcançadas pela prescrição, o argumento da Recorrente é no sentido de que não foi apresentada GFIP retificadora, o que no entender desta Conselheira não constitui argumento suficiente a desautorizar a compensação, eis que os recolhimentos foram efetivamente considerados indevidos. Nesse sentido é o acórdão recorrido, cujos argumentos ora são reiterados e incluídos como razões de decidir: "Retificação da GFIP O fisco impôs outro obstáculo para compensação das contribuições relativas a recolhimento indevido sobre a remuneração dos agentes políticos: a retificação das GFIP. Não podemos concordar com esse posicionamento. Na verdade, a retificação das guias declaratórias representa mero descumprimento de obrigação acessória, cujo castigo já é aplicado com a imposição de multa administrativa, assim, não deve ser tomado como empecilho ao aproveitamento dos créditos que porventura detenha o sujeito passivo." Relativamente à aplicação da multa de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado." O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, assim dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 9202003.779 CSRFT2 Fl. 2.070 11 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Destarte, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou de qualquer uma das figuras penais descritas no §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracteriza a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual teria sido a situação que ensejou a glosa das compensações. Com estas considerações, verificase que, relativamente às glosas de compensação mantidas no acórdão recorrido, cuja multa é objeto do Recurso Especial, o relatório fiscal de fls. 123 a 166 assim fundamenta a aplicação da penalidade: subsídios dos agentes políticos teria ocorrido a prescrição dos créditos; não houve retificação da GFIP; não titularidade dos direitos, relativamente ao salário dos vereadores; verbas indenizatórias os recolhimentos das respectivas Contribuições, efetuados até 16/09/2005, de forma genérica, já se encontravam prescritos em 17/09/2010, data da efetivação da compensação declarada na GFIP da competência 08/2010; quanto aos recolhimentos efetuados posteriormente a 16/09/2005, sobre as rubricas de "1/3 férias rescisão” e “férias proporcionais”, não haveria valores a compensar, já que o Contribuinte não as considerou como integrantes da base de cálculo; já as rubricas “dif. horas extras 100% s/ FDC” e “dif. horas extras 50% s/ FDC”, por se referirem ao pagamento de horas extraordinárias, comporiam o salário de contribuição, portanto não teria havido recolhimento indevido; e diferença de alíquota do Gilrat o recolhimento foi feito pela alíquota de 2%, porém o Contribuinte passou a entender que teria direito a recuperar 1%; entretanto, porém a alíquota correta seria de 2% até 12/2009 e, após a implantação do Fator Acidentário de Prevenção, no período de 01/2010 a 12/2010, de 3,1226%. Quanto aos subsídios dos agentes políticos, a simples ocorrência de prescrição impede a utilização dos créditos, porém não é suficiente para aplicação da penalidade, atribuindose o caráter de falsidade na declaração. Com efeito, se os créditos efetivamente existiam, o fato de serem utilizados a destempo não justifica a imposição da multa. Esclareçase que, relativamente à ausência de GFIP retificadora, a questão já foi enfrentada na primeira parte deste voto, quando foi referendada a aceitação da compensação relativa aos agentes políticos não atingida pela prescrição. Na oportunidade, esta Conselheira concordou com o posicionamento do acórdão recorrido, no sentido de aceitar a compensação, o que obviamente descarta a aplicação da multa, nesta parte. Finalmente, no que tange à suposta ilegitimidade do Município, esta não foi objeto do Recurso Especial, restando a esta Conselheira concordar com os argumentos do julgado guerreado, que aceitou a respectiva compensação, desde que não atingida pela prescrição. Relativamente à diferença de alíquota do Gilrat, no entender desta Conselheira tratase de mero erro na interpretação da legislação, o que levou o Contribuinte a entender que seria cabível uma alíquota menor que a devida, porém tal lapso não constitui motivação suficiente à aplicação da multa de 150%. Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 No que tange às verbas que o Contribuinte classificou como indenizatórias, cujos recolhimentos das Contribuições foram efetuados até 16/09/2005, a Fiscalização aplicou a penalidade de forma genérica, pelo fato de estarem prescritos, o que, no entender desta Conselheira, não é motivo suficiente para a imposição da multa de 150%. Com efeito, em momento algum a autuação demonstra que tais créditos seriam inexistentes, ou mesmo identifica esses créditos, de sorte que não há como aferir acerca de eventual falsidade na declaração. Relativamente às verbas classificadas pelo Contribuinte como indenizatórias, cujos recolhimentos das Contribuições seriam posteriores a 16/09/2005, tratase de rubricas de "1/3 férias rescisão”, “férias proporcionais”, “dif. horas extras 100% s/ FDC” e “dif. horas extras 50% s/ FDC”. Quanto às duas primeiras "1/3 férias rescisão” e “férias proporcionais” o Contribuinte não as incluiu na base de cálculo das Contribuições, portanto os alegados créditos são obviamente inexistentes, o que não deixa dúvidas acerca da aplicabilidade da multa de 150%. Quanto às duas últimas “dif. horas extras 100% s/ FDC” e “dif. horas extras 50% s/ FDC” tratase de pagamento de horas extras, verba que figura expressamente na legislação como integrante do salário de contribuição, sem que o Contribuinte traga qualquer justificativa plausível para a sua inclusão como crédito passível de restituição, a não ser o intuito de compensar crédito inexistente, o que torna inafastável a imputação de falsidade na declaração. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a multa isolada de 150% sobre as compensações indevidas referentes às rubricas de "1/3 férias rescisão”, “férias proporcionais”, “dif. horas extras 100% s/ FDC” e “dif. horas extras 50% s/ FDC”, cujos alegados recolhimentos sejam posteriores a 16/09/2005. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10380.014870/2002-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ementa: DECADÊNCIA
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. Precedentes da CSRF.
IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - TRANSFERÊNCIAS BANCARIAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Anteriormente h. instituição da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 era, sim, possível tributar omissão de receitas com base em movimentação bancária de origem não comprovada, desde que a fiscalização aprofundasse suas investigações e colhesse elementos probantes suficientes
sua caracterização, conforme ocorreu no presente caso, porquanto a presunção legal deve ser entendida como sendo uma autorização para que o lançamento de oficio seja efetuado com base apenas em prova indiciária, significando dizer que o ônus de apresentá-la passa a ser do sujeito passivo e não mais da fiscalização.
Numero da decisão: 9101-000.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, quanto ao item 1 do auto de infração (saldo credor de caixa): por unanimidade de votos, não conhecer em parte, do recurso da Fazenda Nacional, relativamente à multa qualificada e à decadência do IRPJ e do PIS. Na parte
conhecida, negar provimento ao recurso, por maioria de votos, no que se refere à decadência da COFINS e da CSL, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal
Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto. Quanto ao item 2 do auto de infração (omissão de receitas): por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando-se o retorno dos autos para a Câmara a quo para que sejam analisadas as demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator) e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor neste tópico o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : NORMAS GERIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. Precedentes da CSRF. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - TRANSFERÊNCIAS BANCARIAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Anteriormente h. instituição da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 era, sim, possível tributar omissão de receitas com base em movimentação bancária de origem não comprovada, desde que a fiscalização aprofundasse suas investigações e colhesse elementos probantes suficientes sua caracterização, conforme ocorreu no presente caso, porquanto a presunção legal deve ser entendida como sendo uma autorização para que o lançamento de oficio seja efetuado com base apenas em prova indiciária, significando dizer que o ônus de apresentá-la passa a ser do sujeito passivo e não mais da fiscalização.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-27T13:30:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-27T13:30:14Z; Last-Modified: 2011-06-27T13:30:14Z; dcterms:modified: 2011-06-27T13:30:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:41503a6e-04fd-430e-a7e7-b58867b1443e; Last-Save-Date: 2011-06-27T13:30:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-27T13:30:14Z; meta:save-date: 2011-06-27T13:30:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-27T13:30:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-27T13:30:14Z; created: 2011-06-27T13:30:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2011-06-27T13:30:14Z; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-27T13:30:14Z | Conteúdo => • CSRF-Tl FL I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10380.014870/2002-62 Recurso n° 138.189 Especial do Procurador Acórdão no 9101-00.625 — 1' Turma Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ACCARD ADMINISTRADORA DE CARTÕES E SERVIÇOS S/A Assunto: NORMAS GERIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qiiinqiienal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 40 do CTN. Precedentes da CSRF. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - TRANSFERÊNCIAS BANCARIAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Anteriormente h. instituição da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 era, sim, possível tributar omissão de receitas com base em movimentação bancária de origem não comprovada, desde que a fiscalização aprofundasse suas investigações e colhesse elementos probantes suficientes sua caracterização, conforme ocorreu no presente caso, porquanto a presunção legal deve ser entendida como sendo uma autorização para que o lançamento de oficio seja efetuado com base apenas em prova indiciária, significando dizer que o ônus de apresentá-la passa a ser do sujeito passivo e não mais da fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao item 1 do auto de infração redor de caixa): por unanimidade de votos, não conhecer em parte, do recurso da Fazenda Nacional, relativamente h. multa qualificada e à decadência do IRPJ e do PIS. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso, por maioria de votos, no que se refere à decadência da COFINS e da CSL, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto. Quanto ao item 2 do auto de infração (omissão de receitas): por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando-se o retomo dos autos para a Câmara a quo para que sejam analisadas as demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator) e Valmir Francisc e Sales Ri e Queiroz - Redator Designado. EDITADO EM: 25 MAI 2011 4.; 1:; 1• • c ,413. V • . , • .t,'i ,, 4- 1 :: • ' • . ' :. .. , . t . . Sandn. Designado para redigir o voto vencedor neste tópico o Conselheiro Francisco de ,Sales . „:. . Ribeiro de Queiroz. • »: • ,t»." Caio Marcos -'rite Substituto. Antonio Cdrlo idoi Filho - Relator. ' „ Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeii0 .'' de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Kar‘ • Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane ' Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. • ;"'. = 2 » .3 Processo n° 10380.014870/2002-62 Acórdão n.° 9101-00.625 CSRF-T1 FL 2 Relatório Com base no permissivo do art. 15, §§ 1° e 2° do Regimento interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n, 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta ia Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE — IMPROCEDÊNCIA — Não há que se falar em nulidade do auto de infraçã6 quando o mesmo possui todos os elementos necessários a compreensão inequívoca das exigência e dos fatos que o motivaram, encontrando-se ainda, com o correto enquadramento legal da infra cão fiscal. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — MULTA QUALIFICADA — Uma vez tipificada a conduta irregular prevista no § 4° do art. 150 do CTN, aplica-se a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IREI — OMISSÃO DE RECEITA — RECEBIMENTOS DE TERCEIROS VIA TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS — Caracteriza a hipótese de omissão de receitas a existência de recebimentos de terceiros, via depósitos em conta bancária, aos quais a contribuinte deixa de comprovar por meio de documentos hábeis, tendo ainda realizado registros contábeis de forma incorreta. - OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA — A ocorrência de saldo credor da conta caixa autoriza a presunção legal de omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova em contrário. MULTA QUALIFICADA - Se as provas carreadas aos autos pelo fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, cabe a aplicação da multa qualificada. Porém, não é cabível a penalidade exasperada em relação a omissão de receita com base em saldo credor de caixa, por se tratar de uma presunção legal, não existindo nos autos as evidências que justifiquem sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS - COFINS — CSLL. Em se tratando de contribuições lançadas corn base nos mesmos fatos apurados no lançamento relativo ao Imposto de Renda, a exigência para sua cobrança é decorrente e, assim, a decisão de mérito prolatada no procedimento matriz constitui prejulgado na decisão dos créditos tributários relativos its citadas contribuições. JUROS DE MORA - SELIC - Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 10/04/95 os juros d e mora sera° equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: ACCARD ADMINISTRADORA DE CART ÕES DE SERVIÇOS S/A, já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 1313/1349, do Acórdão n° 3.134, de 13/06/2003, prolatado pela e. 3" Turma de Julgamento da DRI em Fortaleza - CE, que julgou procedente o crédito tributário constituído nos autos de infração de IRPJ, fls. 17; PIS, fls. 23; CSLL, fls. 29; e COFINS, fls. 65. As infrações fiscais apuradas encontram-se relatadas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 41/109), conforme abaixo: I) omissão de receitas caracterizada pelas transferências de numercirio, pela empresa Hannover, Comércio, Representação e Marketing Ltda., a recorrente, sem* que esta tenha logrado comprovar, de forma hábil e idônea, a natureza das operações que originaram essas transferencias, cujos valores encontram-se arrolados no Demonstrativo I; 2) omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, uma vez que o sujeito passivo não logrou conygrovar, de forma hábil e idônea, a efetiva natureza das operações que importaram em ingresso fictício de caixa nos meses de julho e agosto de 1996, conforme discriminado no Demonstrativo II. Diante das irregularidades apuradas, os autuantes procederam a aplicação da multa qualificada de 150%. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, nos termos da impugnação de fis. 1200/1241. A Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela procedência do lançamento, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: IRPJ Ano-calendário: 1996 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados ern conta bancária para os quais a contribuinte, titular da conta, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Processo n° 10380.014870 12002-62 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 Fl. 3 A existência de saldo credor de caixa ocasionado pelo expurgo de valores que nele não ingressaram caracteriza, furls tantum, omissão no registro de receita. CUSTOS DE RECEITAS OMITIDAS. Quando se apuram receitas não escrituradas, não cabe cogitar de cursos correspondentes. 0 cotejo de receitas e custos determina a apuração de resultados que, numa pessoa jurídica, são apurados se houver escrituração das receitas e despesas ou custos correspondentes. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O qüinqüênio decadencial, para homologar, com o dies e quo fixado na data da ocorrência do fato gerador da obrigação, só opera quando houve pagamento de boa-fé. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS — COFTIVS - CSLL Em se tratando de bases de cálculo on gincirias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para as contribuições sociais, a decadência ocorre após dez anos do primeiro dia seguinte do exercício seguinte àquele ern que o crédito poderia ter sido constituído. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fica configurado evidente intuito de fraude, implicando a qualificação da multa de oficio, se o contribuinte dolosamente retarda o conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do auferimento de receita, provada pela movimentação em contas bancárias, cuja identifica cão (e, portanto, exame) tentou esconder, encobrindo a verdadeira natureza da operagiio bancária. JUROS DE MORA. TAXA SELIG. A partir de abril de 1995, o crédito tribuzário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes ci taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o CTN, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determinam. Lançamento procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 13/10/03 (fls. 1305); a contribuinte interpôs tempestivo recurso 5 voluntário em 10/11/03 aIs.• 1311), sob os seguintes fundamentos: a) que a decisão de primeira instância pretende impor urna nova regra para a decadência, qual seja, "se tributo for o IRPJ e o contribuinte apurar lucro, a regra de decadência para tal tributo será a que estipula o art. 150 do CTN. Entretanto, se a contribuinte apurar prejuízo, a regra desloca-separa o art. 173 do Mes1710 Código". Esta tese não passa de ilusionismo, pois tributos sujeitos a homologação, nada tem a ver com lucro ou prejuízo. Homologar é a atividade exercida pela autoridade administrativa de confirmar a realização de todos os procedimentos atribuidos ao sujeito passivo com relação a um determinado tributo; b) que, o que se homologa não é o pagamento, pois deve ser homologada a atividade exercida pelo sujeito passivo. 0 pagamento do tributo nada mais é do que uma das etapas da atividade a que se refere o art. 150 do CTN. 0 Conselho de Contribuintes já firmou jurisprudência sobre o assunto, conforme o Acórdão CSRF n° 01-04.410, de 08/08/2003; c) que o art. 150 do CTN prevê de maneira expressa• que o prazo conferido a Fazenda para a constituição do crédito tributário, relativo aos impostos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário; d) que os lançamentos decorrentes, de PIS, COFINS e CSLL também tern como regra de decadência ci que determina o art. 150 do GIN, ou seja, tais tributos são da modalidade por homologação, e o Fisco tem cinco anos, a contar do fato _ gerador, para efetuar qualquer lançamento de oficio; e) que o enquadramento legal aplicado (arts. 6° e 8° da Lei 8.841/94), relativo a omissão de receitas não condiz com a descrição dos fatos apresentados — omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Caso os depósitos não tivessem sua origem justificada e afastada a decadência, o lançamento não teria base legal, já que a suposta omissão de receitas com base em depósitos não justificados só veio fazer parte do mundo jurídico com o advento da Lei 9430/96, produzindo efeitos a partir de 01/01/97, portanto, posteriormente aos fatos geradores do pretenso lançamento, tornando o auto de infração nulo; fi que a decisão recorrida deixou de apreciar a preliminar de nulidade, alegando simplesmente que o dispositivo legal aplicado não constava no enquadramento legal. Porém, consta no Termo de Constatação e Ve rificação Fiscal a capitulação legal coin base nos artigos 193; 195, inciso II; Processo n° 10380.014870/2002-62 Acórdão n.° 9101-00.625 197; 225,- 226 e 277 do RIR/94, combinado com os artigos 6° e 8° da Lei 8.846/94. Assim, ilegal tal enquadramento, o que torna nulo o auto de infração; g) que, apresentou it fiscalização, todos os documentos que deram suporte a todos os lançamentos na conta Caixa, bem como todos os extratos bancários que confirmaram as contrapartidas dos ditos saques e depósitos/transferencias bancários, e os respectivos livros fiscais onde foram registradas as operações. Essa documentação foi devidamente analisada pelos fiscais e, não foi encontrado urna só movimentação bancária sem que houvesse a sua correspondência na contabilidade da empresa. Os fiscais cruzaram todos os registros contábeis com os documentos comprobatórios, tais como.- cópias dos cheques fornecidos pelas instituições financeiras, cópias dos DOCs, dos recibos de depósitos, extratos bancários e razões contábeis de cada conta bancária. Nada de irregular foi encontrado; h) que, com relação às inúmeras operações financeiras, envolvendo valores diários, em moeda corrente de grande monta (R$ 1.000.000,00), detalhou et fiscalização, que arrecada numerd rios junto aos seus inúmeros clientes, mais de 1.200 ci época, valores estes destinados ao pagamentos de folhas de salários, e a conseqüente distribuição destes recursos em máquinas eletrônicas de auto-atendimento, por volta de 100 máquinas distribuídas em vários pontos das cidades onde atua, utilizada pelos funcionários (mais de 100.000) de seus clientes para saques diários (24 horas) com a utilização e cartões magnéticos. Enfim, a mercadoria da recorrente é dinheiro vivo, e são milhares de reais movimentados mensalmente nestas máquinas. Isto se comprova ao se verificar a movimentação da conta Caixa, anexada ao processo; z) que, na necessidade de efetuar saque ou de depositar altos valores em dinheiro, teve de recorrer ajuda de sua coligada (Lock Segurança e Transportes e Valores Ltda), empresa que tem como objetivo social, entre outros, o serviço de transportes de valores de terceiros. Ao prestar este tipo de serviço, a Lock Segurança recolhia, diariamente, grande volumes de dinheiro, em espécie, permitindo, assim, que a recorrente efetuasse troca de cheques por dinheiro e vice- versa. Este tipo de opera cão foi também, muitas vezes, realizada com terceiros, por trazer grande vantagem empresa, tendo em vista que o custo de "dormir" com dinheiro, especialmente o seguro pago contra roubo, demasiadamente alto; j) que, uma operação de troca de dinheiro, em espécie, por uma transferência de fundos realizada no mesmo dia, era altamente vantajosa para a recorrente, mesmo que não fosse cobrado um só centavo por esta operação, já que o beneficio da empresa estaria, além do atendimento dos seus clientes, na economia dos custos operacionais em manter o CSRF-T1 FL. 4 7 8 dinheiro em caixa. Nestas operações, a entrega do numerário pela recorrente, contra a comprovação da transferência bancária, realizada, inúmeras vezes, corn cheques de terceiros, impossibilita a identificação dos cheques depositados. Na verdade, o importante para a empresa era saber se havia ocorrido um crédito bancário em sua conta, no mesmo valor do fornecimento de dinheiro a ser realizado. Por outro lado, quando havia a neCessidade de dinheiro, em espécie, para alimentar seus caixas eletrônicos, e na impossibilidade de sacar o valor em uma instituição financeira, a recorrente trocava cheque de sua emissão com terceiros que detinham disponibilidade financeira no momento, inúmeras vezes antes do inicio do horário bancário normal; k) que não há no processo nenhuma manifestação por parte do Fisco, que indique qualquer negócio efetuado pela recorrente, a margem da contabilidade. A partir de urna dúvida, os fiscais concluíram que houve irregularidade, e mais, consideraram que houve dolo, fraude e simulação, sem qualquer prova concreta. Os autuantes afirmam que houve conluio, com a finalidade de encobrir a verdadeira natureza da opera çcio de transferência bancária, porém, no processo não há nenhuma indicação sobre ta l assunto; I) que todos os valores questionados pelo Fisco estão devidamente registrados na contabilidade da recorrente e nos extratos bancários correspondentes. As decisões do Conselho de Contribuintes é de que até mesmo os depósitos bancários não contabilizados (o que não é o caso da recorrente), não devem ser tidos como omissão de receitas; in) que, com relação aos pagamentos sem causa, em que a fiscalização, com base nas fitas de caixa dos bancos fornecidas pelo BACEN, estornaram da conta Caixa, cinco cheques lançados como saque da recorrente, alegando que tais cheques foram utilizados para outros fins —pagamentos de obrigações/transferências bancárias para terceiros — que não o saque na "boca" do caixa dos bancos, provocando, por decorrência, saldo credor de caixa. Pergunta-se: a) os cheques foram emitidos contra o Banco emitente das fitas de caixa fornecidas pelo BACEN? Resposta: Sim; b) Havia fundos nas contas-correntes bancárias contra as quais foram emitidos os cheques? Resposta: Sim; c) Os cheques foram pagos pelo caixa dos Bancos ou foram compensados pela câmara de compensação de documentos bancários? Resposta: Foram pagos; d) Os pagamentos/transferências bancórias apresentados nas mesmas fitas de caixa dos bancos, apresentadas pelo BACE1V, estão relacionados com qualquer obrigação e/ou operações mantidas na escrituração contábil da recorrente? Resposta: Não; e) A contabilização dos cheques emitidos pela recorrente foi: Débito: Caixa; Crédito: Banco Conta Movimento: Resposta: Sim. Então, onde está a contabilização indevida? Melhor explicando. Se a empresa tivesse a intenção de transferir para terceiros recursos à margem da contabilidade, não seria mais fácil utilizar estes recursos na liquidação de obrigações, também, a margem da contabilidade? 9 Processo n° 10380.014870/2002-62 Acórdão n.° 9101-00.625 n) que, tivessem os agentes fiscais investigado sobre atividade social da contribuinte, inclusive em relação determinação de suas receitas, não teríamos neste processo mais uma afirmação esdrúxula, agora, por parte da turma julgadora de la instáncia: "É absolutamente improvável que uma empresa tenha, em um único banco, o BIG Banco, movimentado cerca de R$ 150_000.000,00 no ano de 1996 e só tenha auferido, neste mesmo ano, receita bruta total de R$ 10(1239,37, conforme declarado a SRF". Com esse raciocínio, os julgadores estão admitindo que toda a movimentação financeira corresponde a lucros. Os R$ 150 milhões movimentados são na verdade 150 depósitos de R$ 1.00(1000,00, efetuados diariamente e devidamente contabilizados. Nenhum mágico seria capaz de fazer negócios que gerassem, diariamente, urn lucro de exatos R$ 1_000.000,00; o) que tanto a recorrente, como outras empresas que administram recursos de terceiros, tais como: instituições financeiras, administradora de consórcios, etc., têm movimentação bancária inúmeras vezes superiores (Is suas receitas, e nem por isso, suas receitas podem ser consideradas incompatíveis ou simplesmente receitas omitidas. As receitas destas empresas decorrem dos serviços prestados aos seus clientes, que transferem recursos financeiros para que, tanto a contribuinte, como qualquer outra empresa do exemplo, faça pagamentos à sua ordem. Arrecadar centenas de milhões de reais junto a centenas de empresas para pagamento, através de máquinas eletrônicas, para mais de 100.000 funcionários, jamais pode ser considerado receita e muito menos receita omitida. Pergunta-se por que, após análise das movimentações da conta Caixa, em todo o ano de 1996, somente os depósitos realizados nos meses de julho e agosto foram considerados omissão de receitas, já que os demais depósitos diários dos outros meses, eram também em valores de R$ 1.000.000,00? Seriam estes últimos valores oriundos de operações normais e aqueles não? p) que, pergunta-se ainda, qual a diferença entre os demais cheques emitidos para saque nos meses de julho e agosto de 1996, assim como nos demais meses do ano, também em valores iguais ou próximos de R$ .000.000,00, e os cinco cheques considerados indevidos pelo Fisco? Não teriam, também, estes demais cheques sido utilizados para pagamentos sem causa? Ou estes cheques foram realmente sacados na -boca" do caixa? Não há uma só linha nos autos sobre os demais cheques. Será que não foram investigados? Duvidamos.0 mais provável, é que se algumas centenas de cheques de mesmo valor de R$ 1.000.000,00 estão corretamente contabilizados é porque esses cinco cheques era discussão, também esteio; q) que, em relação à multa qualificada, a fiscaliza cão não apresentou nenhum nexo causal relacionando os depósitos, CSRF-T1 Fl. 5 ditos sem origem, com urna pretensa receita omitida. Que receita é esta? Esta é a pergunta que ficou sem resposta nos autos. A contribuinte não pode ser penalizada por "intuito de fraude" ou por "encobrir a verdadeira natureza da operação de transferência bancária", sem que se saiba que receita foi omitida. Presungão,. e apenas suposições depois de quatro anos de fiscalização, não podem ser levados enz consideração para imposição de tamanha penalidade sem qualquer prova; r) que a cobrança de juros de moratórios corn base na taxa SELIG' é ilegal. Às fls. 1383, o despacho da DRF em Fortaleza - CE, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo." • No que interessa a esta instancia recursal, o acórdão recorrido du provimento ao recurso voluntário da Interessada para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS fundamentados em acusação de omissão de receita consubstanciada em depósitos bancários de alegada origem não comprovada. Entendeu o Colegiado a quo, por maioria de votos, que o Fisco não reuniu elementos suficientes para demonstrar que referidos depósitos de fato se tratavam de receitas não contabilizadas pela Interessada decorrentes de eventual prestação de serviços desta em favor de Hannover Comércio, Representação e Marketing Ltda.. Segundo o acórdão recorrido, "apesar de a escrita da recorrente e da HANNOVER haver sido submetida a rigorosa fiscalização por mais de dois anos, quando foram examinadas todas as operações, tendo em vista que o sigilo fiscal desta última, inclusive, já havia sido quebrado e repassado à autoridade fiscal por uma CPI do Congresso, NÃO FOI APURADA nenhuma prestação de serviço da Recorrente com a HANNOVER que pudesse dar ensejo ao valor que a Fiscalização supôs dar origem a emissão dos DOCs, onde constou como remetente e destinatária a recorrente. Do mesmo modo, examinada a escrita da HANNOVER também o Fisco não arrolou qualquer obrigação por operação ou prestação de serviço daquela para corn a recorrente. Acrescente -se que, ad argumentandum, evidentemente embora fosse admitido que a origem dos recursos que deram lastro a emissão dos referidos DOCs tivesse origem com recursos da HA1VNOVER, a tal conclusão se contraporia o fato de que não pode ficar oculta uma prestação de serviços que teria dado origem ao pagamento de R$ 3.075.000,00, no intervalo de urn No mínimo que se pode dizer é que se alguma prestação de serviços desse montante ocorreu, o Fisco, mesmo de posse de um indicio que considerou relevante a ponto de utilizá-lo para fazer uma acusação tão grave de sonegação fiscal, com todas as suas implicações, não se aprofundou o necessário no exame da escrita de duas empresas." lirocesso n° 10380.014870/2002-62 CSRF-T1 Acórdão n." 9101-00.625 FL 6 Com base em tais premissas, o acórdão recorrido reconheceu a improcedência do lançamento sob o fundamento de que, anteriormente à edição da Lei n. .9.430/96, inexistia fundamento legal para presumir omissão de receita em face da mera existência de depósitos bancários, mormente quando o contribuinte apresenta escrituração regular de suas contas bancárias. Contra referido acórdão foram apresentados embargos de declaração pelo ilustre Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, sob o fundamento de que a matéria relativa A. omissão no registro de receitas em decorrência do saldo credor de caixa não foi objeto de decisão do Colegiado, limitando-se este a enfrentar o tema relacionado à omissão no registro de receitas por depósitos bancários. Referidos embargos foram conhecidos e providos para sanar a citada omissão do acórdão recorrido. Em síntese, entendeu-se, por unanimidade de votos, que não seria cabível a exasperação da penalidade em caso de irregularidade fiscal calcada em presunção legal; e, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência suscitada pelo Contribuinte. Divergiu-se, nesse particular, apenas em relação As contribuições da COFINS e CSLL, em vista do disposto no art. 45 da Lei n. 8.212/91. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta contrariedade do acórdão recorrido A. lei e A. prova nos autos, pois: (i) quanto A omissão de receitas por depósitos bancários, haveria provas contundentes de que a Contribuinte teria omitido receitas (embora em seu recurso a Fazenda Nacional não as tenha apontado); (ii) quanto à omissão de receitas por saldo credor de caixa, não haveria decadência porquanto não teria ocorrido pagamento de tributos pela Contribuinte no período em referencia (já que ela teria apurado prejuízo no período — fls. 894/918), o que levaria A aplicação do disposto no at 173, Ido CTN. 0 recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 101-119/2006 (fl. 1455/1456)), ante a sua tempestividade e a demonstração da potencial contrariedade A lei e à prova nos autos. Intimada por edital, a Contribuinte não apresentou contra-razões. o relatório. 11 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Peço vênia para divergir em parte do r. despacho de admissibilidade de fls. 1455/1456. Conforme se depreende do acórdão proferido em sede de embargos 'de declaração, o Colegiado a quo, por unanimidade de votos de seus membros, afastou a qualificação da multa de oficio e acolheu a decadência do IRPJ e do PIS em relação ao item "omissão de receitas por saldo credor de caixa". Veja-se, no particular, a parte dispositiva do acórdão, verbis: "ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de rerratificar o Acórdão nr. 101 -94.883, de 16.03.05, para suprir a omissão em relação ao item omissão de receita por saldo credor de caixa, para, no ponto, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que rejeitaram esta preliminar quanto a COFINS e à CSL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Nada obstante, a Fazenda Nacional deixou de se insurgir contra essa parte do acórdão mediante a demonstração de divergência jurisprudencial, tal como seria de rigor nos expressos termos do art. 15, § 2° do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n. 147/2007. Em sede de recurso especial, limitou-se a Fazenda Nacional a requerer o afastamento da decadência e o restabelecimento da multa qualificada tal como lançada sob a alegação de afronta a lei e a prova dos autos, o que não se admite em vista da ausência de divergência de votos no julgamento dessas matérias. Por tal fundamento, não conheço do recurso especial nessa parte. Passo ao exame das demais questões de mérito. (i) Item 2 do Auto de Infração de IRPJ — Omissão de Receitas Conforme salientado em sede de relatório, a autuação está fundamentada em acusação de suposta omissão de receitas caracterizada pela não apropriação em contas de resultado, dos valores recebidos da empresa Hannover Comércio, Representação e Marketing Ltda., nos meses de julho e agosto do ano-calendário de 1996, cujos valores encontram-se informados nos Termos de Intimação de n. 13 e 14 (fls. 493 e seguintes). Tal como já ocorrera em caso análogo ao presente (Processo n. 10380.006289/2002-77), do qual fui Relator, o lançamento foi lavrado após longo período de fiscalização na Interessada (03.02.1999 a 13.11.2002) e tomou por base documentos remetidos pela CPI dos títulos públicos relativos a quebra de sigilo bancário da empresa Hannover Comércio, Representação e Marketing Ltda. Processo n° 10380.014870/2002-62 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 FL 7 Dentre tais documentos, a Fiscalização localizou cheques emitidos pela Hannover em cujos versos constavam números de DOCs bancários cuja beneficiária era a Interessada. Em tais DOCs, a Interessava constava como remetente e beneficiária dos recursos respectivos. Com base nessas informações, a Interessada foi intimada a esclarecer a natureza das operações que deram origem aos referidos depósitos, conforme transcrição contida nas fls. 66 e seguintes (Termo de Constatação e Verificação Fiscal). Das intimações acima referidas e do trecho do termo de verificação acima transcrito, verifica-se que a Fiscalização preocupou-se em buscar indícios que indicassem a Hannover como a verdadeira remetente dos valores depositados na conta-corrente da Interessada. Contudo, a Fiscalização não apresentou nenhum outro indicio de omissão de receita que não fosse a própria existência de depósitos bancários cuja origem não tinham sido adequadamente comproyada pela Contribuinte, apesar de regularmente intimada para essa finalidade. A Fiscalização não trouxe outros elementos aos autos que pudessem demonstrar a preexistência de prestação de serviços ou de operação comercial entre as partes que justificasse o aferimento de receita pela Interessada. Em síntese, não houve a apresentação de indícios pelo Fisco que pudessem indicar que tais depósitos significavam, de fato, um acréscimo patrimonial omitido pela Interessada. No particular, merece ser transcrito o trecho do acórdão recorrido sobre o tema, verbis: "Como dito anteriormente, a exigência tern como único suporte a anotação constante no verso daqueles. Apesar de a escrita da recorrente e da H141VNOVER haver sido subirtetida a rigorosa fiscaliza cão por mais de dois anos, quando foram examinadas todas as operações, tendo em vista que o sigilo fiscal desta última, inclusive, já havia sido quebrado e repassado à autoridade fiscal por uma CPI do Congresso, NÃO FOI APURADA nenhuma prestação de serviço da Recorrente corn a HANNOVER que pudesse dar ensejo ao valor que a Fiscalização supôs dar origem à emissão dos DOCs, onde constou como remetente e destinatária a recorrente. Do mesmo modo, examinada a escrita da HAIVNOVER também o Fisco não arrolou qualquer obrigação por operação ou prestação de serviço daquela para com a recorrente. Acrescente-se que, ad argumentandum, evidentemente embora fosse admitido que a origem dos recursos que deram lastro a emissão dos referidos DOCs tivesse origem com recursos da HANNOVER, a tal conclusão se contraporia o fato de que não poderia ficar oculta uma prestação de serviços que teria dado origem ao pagamento de R$ 3.075.000,00, no intervalo de um mês No mínimo que se pode dizer é que se alguma prestação de serviços desse montante ocorreu, o Fisco, mesmo de posse de um indicio que considerou tão importante aponto de utilizá-lo para fazer uma acusação tão grave de sonegação fiscal, com todas as suas implicações, não se aprofundou o necessário no exame da escrita das duas empresas." 13 Não tendo sido demonstrado pela Fiscalização correlação entre os depósitos bancários e outros elementos internos e externos relativos a uma possível operação comercial entre a Interessada e a Hannover, ou quaisquer outros indicias (além do próprio depósito bancário) que pudessem evidenciar a omissão de receitas, é incabível o lançamento efetuado com suporte exclusivamente em valores de depósitos bancários, por não caracterizarem, por si sós, disponibilidade econômica de renda em períodos anteriores A. vigência da Lei n. 9.430/96. A jurisprudência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacifica neste sentido, verbis: "Número do Recurso: 107-128839 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.030245/97-21 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA. Data da Sessão: 21/09/2005 15:30:00 Relator(a): Dorival Padovan Acórdão: CSRF/01-05.312 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Senhor Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Junior. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITO BANCÁRIO — LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO — PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO — O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Recurso especial negado." No mesmo sentido: "Número do Recurso: 108-111309 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10480.001171/95-34 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: BRA CICLO COMERCIO REPRESENTACA -0 IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Interessado (a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 14/10/2002 15:30:00 Relator(a): Victor Luis de Salles Freire Acórdão: CSRF/01-04.198 Decisão: NPM - NEGADO PROVIAIENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos tennos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. Ausentes 14 Processo n° 10380.0 1 487012002-62 CS1RF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 Fl. 8 temporariamente os Conselheiros Edison Pereira Rodrigues, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Wilfrid° Augusto Marques. Ementa: OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITO BANCÁRIO — Não merece prosperar o lançamento calcado em depósitos exclusivamente bancários em face da jurisprudência assente no Colegiado." Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional nessa parte. (ii) Item 1 do Auto de Infração de IRPJ — Saldo Credor de Caixa Cinge-se a discussão em saber se resta caracterizada a decadência do direito do Fisco de lançar créditos tributários relativos à CSLL e COFINS quanto á. infração citada, cuja constituição(em 13.11.2002) ocorreu há mais de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador respectivo, quais sejam: 31.12.1996 (CSLL) e 31.07.1996 e 31.08.1996 (COFINS). Em sede recursal, alega a Fazenda Nacional que os prazos de decadência deveriam ser considerados nos termos do art. 173, Ido CIN e do art. 45 da Lei n. 8.212/91. A insurgência não procede. O tema em referencia não comporta divagações, em vista da edição da Súmula Vinculante de n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal [que reconhece, com efeitos erga °times, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8212/91] e da remansosa jurisprudência deste Colegiado sobre o tema [segundo a qual se reconhece a decadência do direito de o Fisco constituir créditos referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 5 (cinco) anos contados da ciência do respectivo lançamento (C'TN, artigo 150, § 4°), independentemente de ter sido realizado (ou não) o pagamento antecipado do tributo, mormente nos casos em que o Contribuinte apura prejuízo ao final do ano-calendário)]. Verbis: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5 0 DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO." CSLL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - A omissão no acórdão de ponto sobre o qual se deveria pronunciar a Turma justifica, nos termos do artigo 27 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o acolhimento dos embargos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. CSLL - DECADENCL4 - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO -Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere ez decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 15 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE IV° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica no observância, dentre outras, as regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendiiria se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo. Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de deciaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada e ratificar o Acórdão n .° CSRF/ 01-04.556, de 18 de agosto de 2003. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF Primeira Turma / ACORDÃO CSRF/ 01-05.533 em 19.09.2006, DOU 07.08.2007, Relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes — grifos nossos No mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTARIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CT N: A Contribuição social sobre o lucro liquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, ás regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Linux, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF7 01-05.530 em 19.09.2006, DOU 07.08.2007, Relator: José Carlos Passuello — grifos nossos) No mesmo sentido: CSL - Ex: 1993. CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI AT' 8.212/91. 1NAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, §40, DO CTN COM RESPALDO NO ARTIGO 146,111, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CT1S1 para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese ern que os cinco anos têm como termo inicial a data da 16 Processo n° 10380.014870/2002-62 Acórdão n.° 9101 -00.625 ocorrência do fato gerador. É inaplicável et hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido assegura a aplicação do § 40, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal_ Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Ctimara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.489 em 20.06.2006, DOU 06.08_2007, Relator: José Carlos Passuello — grifos nossos). No mesmo sentido: IRPJ - DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A classificação do lançamento, se por homologação e portanto com o prazo de decadência fixado pelo art. 150, parágrafo 40, do CTN, ado depende do recolhimento do tributo. Tributo sujeito por homologação é aquae em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.464 em 19.06.2006, DOU 06.08_2007, Relator: José Henrique Longo — grifos nossos) No mesmo sentido: DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA - TRIBUTOS ADMINISTRATIVOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. 0 inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. (STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS - SESSÃO DE 27-10-2004). Recurso especial provido Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mario Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF .7 Primeira Turma ACORDA -0 CSRF/ 01-05.540 ern 19.09.2006, DOU 07.08.2007, Relator: José Clóvis Alves — grifos nossos) No mesmo sentido: CSRF-T1 Fl. 9 18 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Constatada a omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração para supri-ló. DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - A regra decadencial prevista no art. 45 da Lei 8.212/91 confronta corn a. regra do art. 150, § 4'do Código Tributário Nacional e, assim, dentro do principio da hierarquia das leis e sendo aquela ordinária e esta complementar, não pode prevalecer. Embargos acolhidos. Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada no Acórdão n CSRF/ 01-04.555, de 09 de junho de 2003 e ratificar a decisão nele consubstanciada. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.438 em 21.03.2006, DOU 07.08.2007, Relator: Victor Luis de Salles Freire — grifos nossos) No mesmo sentido: CSL - DECADÊNCIA - ART. 45 DA LEI N° 8212/91 - INAPLICABILIDADE - Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. Recurso especial negado Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.523 em 18.09.2006, DOU 07.08.2007, Relator: Dorival Padovan — grifos nossos) No mesmo sentido: CSL - DECADÊNCIA - ART 45 DA LEI N° 8212/91 - INAPLICABILIDADE - Por forgo do Art. 146, HI, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CTIV, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador, ressalvado, porém, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em que o prazo se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (C77V: Art. 173, I). Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Nede r de Lima, José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.462 em 19.06.2006, DOU 07.08.2007, Relator: Dorival Padovan — grifos nossos) No mesmo sentido: LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - CONTAGEM - Na vigência da Lei 8383/91 o lançamento se opera sob a forma de homologação e assim a regra para verificação de sua preclusdo conta-se da forma do art. 150, § 40 do CTN, ou seja, do decurso do prazo de 5(cinco) anos da ocorrência do fato gerador. Processo ri° 10380.014870/2002-62 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 Fl. 10 Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Marcos Vinicius Neder de Lima que deram provimento ao recurso. (Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.421 em 21.03.2006, Publicado no DOU em: 07.08.2007, Relator: Victor Luis de SaIles Freire — grifos nossos) No mesmo sentido: IRPJ - DECADÊNCIA - Resta pacificado pela CSRF o entendimento de que o lançamento do IRPJ, após a edição da Lei 8.383, conforma-se aos ditames do artigo 150, § 4°, do CTN, tendo o prazo decadencial, como dia "a quo", a data de ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.498 em 20.06.2006, DOU 06.08.2007, Relator: Mario Junqueira Franco Júnior — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - IRPJ - 0 imposto de renda pessoa jurídica se submete ei modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4 0 do artigo 150 do CTIV. A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. Recurso especial negado Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Marcos Vinícius Neder de Lima que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.427 em 21.03.2006, DOU 06.08.2007, Relator: José Carlos Passuello — grifos nossos). No mesmo sentido: IRPJ - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A partir do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da Lei n° 8.383, de 30/12191, o contribuinte do Imposto de Renda passou a ter a obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendo-lhe verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o 19 montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CT1V art. 150, § 4°). Amoldou-se, assim, à natureza dos impostos sujeitos a lançamento por homologação a ser feita, expressamente ou por decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Na caso concreto, a empresa declarou o imposto referente ao ano calendário de 1996 pelo lucro real anual, e o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 31/12/96 e, como a ciência do auto de infração que lançou o tributo se fez em 19/02/2002, decaiu o direito da Fazenda Nacional. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, e Cândido Rodrigues Neuber que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDA -.0 CSRF/ 01-05.410 em 20.03.2006, Publicado no DOU em: 16.07.2007, Relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes — grifos nossos). No mesmo sentido: 1RPJ - DECADÊNCIA - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma disciplinada no sç 4° do artigo 150 do CTN, hzpótese em que os cinco anos tern como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado.Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.446 em 21.03.2006, Publicado no DOU em: 16.07.2007, Relator: Dorival Padovan — grifos nossos). (iii) Conclusão Diante do expost entido de conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, para, a, negar-lhe provimento. / ANTONIO CA LO GUI ONI FILHO Processo n° 10380.014870/2002-62 Acórdão n.° 9101-00.625 CSRF-TI Fl. 11 Voto Vencedor Conselheiro FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Com a devida vênia, relativamente ao item 2 do auto de infração (omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da natureza das operações que ensejaram pagamentos efetuados A. recorrente), discordei do i. relator no que diz respeito à forma e ao contexto em que o lançamento fiscal foi levado a efeito, pontualmente sobre o necessário aprofundamento da investigação fiscal corn vistas a torná-lo possível, em face de incidir sobre fatos geradores ocorridos anteriormente A. existência da presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei ri° 9.430/1996. Isto porque, naquela época, a jurisprudência administrativa não admitia a tributação de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada", quando os valores eram extraídos, pura e simplesmente, dos extratos bancários, sem qualquer outra verificação na escrituração da empresa, ou sem que o fisco envidasse esforços com vistas a collier junto ao fiscalizado as informações necessárias à elucidação das dúvidas porventura existentes quanto A. natureza da operação. Faz-se importante ressaltar que naquele tempo era, sim, possível tributar omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, isto para que não haja a impressão de que tal possibilidade somente teria sido respaldada legalmente a partir da presunção instituída pelo dispositivo do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Essa tributação sempre foi permitida, desde que a fiscalização aprofundasse suas investigações da forma como acima foi posta. Oportuno também ressaltar que a presunção legal um instrumento utilizado como forma de agilização do trabalho fiscal, pois sua instituição faz -se oportuna diante da evidência de uma correlação lógica e natural do fato conhecido com aquele que se pretende conhecer. Dessa forma, se supera longos e custosos levantamentos, envolvendo reiteradas intimações em que são solicitadas informações e documentos comprobatórios quase sempre não atendidas, seja porque a Constituição desobriga o acusado da produção de prova contra si próprio, seja porque elas simplesmente não existem. Entretanto, par tratar-se de presunção juris tantum permite a utilização de Prova em contrário para ilidi-la. A argüida ausência de base legal para a tributação em causa somente se cogitaria se estivéssemos diante de situação em que a autoridade fiscal tivesse se utilizado da pura e simples extração de valores registrados nos extratos bancários da fiscalizada para, sem mais qualquer verificação na contabilidade ou sem a solicitação de esclarecimentos e de documentos, tivesse se valido de uma presunção simples, não autorizada em lei, para efetuar o lançamento de oficio. A propósito, trago à baila aresto de decisão que teve como objeto autuação envolvendo situação Mica idêntica A. que ora se discute, sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 1995 e 1996, portanto anteriores à vigência da Lei ne* 9.430/1996, de cujo julgado transcrevo excertos do seu voto condutor, da lavra do i. Conselheiro Luiz Gonzaga Medeiros Nobrega, que muito bem se amolda ao caso em pauta, e que está assim ementado: 21 AC. 105-14.132, de 11/06/2003 IREi - OMISSÃO DE RECEITAS - RECEBIMENTO DE CHEQUES DEPOSITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS MANTIDAS PELA PESSOA JURÍDICA - ORIGEM DO RECURSO - A não comproVagão da origem dos recursos representados por cheques recebidos de terceiros, depositados em contas-correntes tituladas pela pessoa jurídica, aliada impossibilidade de identificação das correspondentes operações na escrita contábil por ela mantida, autoriza a presunção de que tais recursos se originaram de receitas mantidas a margem da escrituração, e o seu conseqüente arrolamento para fins de tributação. VOTO No Termo de Inicio de fls. 278, a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados, bem como, informar por escrito e apresentar a documentação relativa às saídas do numerário, identificando os beneficiários dos cheques emitidos, listados às fls. 264 a 277, tendo em vista a sua escrituração contábil haver registrado tais operações, sem especificaglio que permitisse a referida identificação. A intimação não foi atendida. Na impugnação apresentada na instância inferior, a Contribuinte contesta a acusação fiscal, asseverando que os valores recebidos da SPLIT não constituem receitas, mas sim, empréstimos de um dia, os quais eram quitados nos dias imediatos ao depósito realizado, conforme a relação apresentada no curso da fiscalização; o argumento de defesa, constante de uma lauda apenas, não se fez acompanhar de qualquer elemento probatório. No recurso voluntário interposto contra a decisão de primeiro grau, que rejeitou a tese apresentada, a Contribuinte reitera a alegação, afirmando que as operações destinaram-se a aumentar o seu giro e o saldo médio bancário, tendo recebido os recursos da SPLIT, empresa com quern passou a operar no fechamento de câmbio e remessa de recursos para o exterior, devolvendo-os em seguida, fatos regularmente registrados em seu livro Diário, cujas cópias junta na oportunidade. (.). .t sabido que, ordinariamente, o ingresso de recursos na pessoa jurídica deriva de receitas de sua atividade operacional (e, eventualmente, não operacional), e de aportes realizados por seus sócios, mediante integralização de capital ou empréstimos, além de financiamentos obtidos junto a terceiros. No entanto, uma serie de outros fatos econômicos justifica, também, o referido ingresso, devendo os assentamentos contábeis da empresa permitir ao seu analista, verificar a natureza da opera cão, adequadamente documentada. Processo n° 10380.014870/2002-62 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 FL 12 No caso presente, não se questiona que a autuada recebeu os recursos noticiados pelos cheques de emissão da SPLIT, nem que estes foram depositados em contas bancárias por ela maniidas em instituições financeiras, embora a metodologia adotada no registro contábil das operações não proporcione meios para concluir acerca da natureza de tais operações, tendo em vista o já mencionado lançamento global, por totais mensais. Assim, afigura-se absolutamente legitimo o procedimento fiscal de intimar a Contribuinte a comprovai- a origem dos aludidos recursos, bem como da destinagão a ele dada a seguir, conforme já mencionado, cabendo ao fiscalizado, por força de lei (artigos 963 e 964, do RIR/94), o atendimento à intimação, a qual se justifica plenamente diante do principio ontológico da prova (de que "o ordinário se deduz e o extraordinário se comprovai O procedimento buscou, na verdade, oportunizar à fiscalizada demonstrar que o ingresso de numerário aqui tratado teve origem em fatos econômicos não caracterizadores de receita, visando evitar a lavratura de auto de infração improcedente. O que configura o extraordinário na espécie dos autos: o contribuinte recebe diversos cheques de emissão de empresa investigada por CPI instaurada no Congresso Nacional, os deposita em contas bancárias de sua titularidade e, no dia seguinte, pulveriza o valor recebido em vários cheques destinados a beneficiários não identificados, registrando essas opera cães em seus assentamentos contábeis, por partidas globais e mensais, sem identificar quer a origem, quer a destinaçclo dada ao recursó Em sua defesa, totalmente desprovida de elementos probatórios, alega tratar-se de empréstimos ou de meras operações de débito e crédito, sem efeitos no resultado tributável do período, e destinadas a aumento de giro e de saldo médio bancário. Com a devida vênia da I. Conselheira relatora do recurso — e dos demais membros do Colegiado que a acompanharam em seu voto — entendo que a solução proposta para o litígio contraria o brocardo jurídica enunciador de que "a ninguém é dado se beneficiar de sua própria torpeza 'Ç uma vez que não é crivei a tese da defesa, no sentido de que recebeu dezenas de cheques de valores elevados de unia terceira pessoa jurídica, com a qual não demonstrou ligação societária, sem que fosse exibido contrato, ou quaisquer outras garantias de pagamento, sem que fosse demonstrada qualquer forma de remuneração pelo período em que deteve o capital (mesmo que somente de um dia), considerando-se, ainda, que a sua devolução teria se dado de forma pulverizada, com a emissão de diversos cheques para beneficiários não identificados, totalizando cada valor recebido. A análise até aqui procedida demonstra que as exigências não se basearam exclusivamente em depósitos e/ou extratos bancários — como, de oficio, argumentou o voto vencido — embora a Fiscalização tenha partido desses elementos para tentar identificar as operações que teriam dado azo ao recebimento dos 23 recursos em questão (e os utilizado para quantificar a base imponivel a ser lançada). No entanto, essa tentativa restou obstaculada pela omissão da Fiscalizada, tanto no exame de seus assentamentos contábeis, registrados de tal forma, que impediu a verificação da natureza dos ingressos, quanto pelo desatendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade lançadora, para que fosse comprovada a origem do numerário, não sendo aceitável que o Fisco, diante do comportamento desidioso da Contribuinte, ficasse inerte no cumprimento de seu mister constitucional. Dessa forma, considero legitimo o arrolamento dos valores ingressados no Caixa da pessoa jurídica, como receita tributável, tendo em vista que a ora Recorrente não demonstrou — porque não pode ou porque não quis revelar a verdadeira natureza das transações que lhe deram causa — que eles derivaram de operações não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, rejeitando a tese da defesa em sentido contrário. Reportando-me aos presentes autos, devo ressaltar que, por coincidência ou não, o fato concreto é que o nascedouro da ação fiscal que ensejou a lavratura do auto de infração em causa foi o mesmo que também conduziu à autuação cujo julgamento foi proferido no Acórdão n° 105-14.132, acima referido, ou seja, a CPI dos Títulos Públicos, também conhecida como CPI dos Precatórios, levada a efeito pelo Senado Federal no transcorrer do ano de 1997, que investigou irregularidades relaciouadas à autorização, emissão e negociação de títulos públicos, estaduais e municipais, nos exercícios de 1995 e 1996, cujo esquema consistia em simular dividas judiciais para emitir títulos públicos, para o pagamento de outras contas, não decorrentes das condenações judiciais. Além disso, os processos eram feitos Sem licitação, e intermediadas por instituições financeiras, que depois adquiriam os títulos com deságio, ou seja, muito abaixo do valor de mercado. Pois bem. No bojo desses nebulosos acontecimentos, investigados através do aludido inquérito parlamentar, a empresa HANNO VER COMÉRCIO, REPRESENTAÇÕES E MARKETING LTDA. foi também averiguada, tendo seu sigilo bancário, a semelhança do que ocorrrera no paradigmático caso acima citado, sido transferido para a Secretaria da Receita Federal, conforme Oficio n° 544/97 – CPI – TitulosPb, datado de 07/07/1997, onde foram encaminhados diversos documentos bancários, incluindo extratos das contas-correntes de sua titularidade n°050.617-9, Agência 0049, do Banco de Fortaleza S/A (Banfort) e no 0300074- 8, Agencia 1888, da Caixa Econômica Federal – CEF, acostados as fls. 1.399. Da análise dessa documentação bancária, verificou-se que a empresa HANNO VER efetuara diversos pagamentos A. empresa autuada, a .ACCARD ADMINISTRADORA DE CARTÕES E SERVIÇOS S/A (vide fls. 20, 110 e 1.401), nos seguintes meses e valores: mês de julho de 1996: R$9.000.000,00, mês de julho de 1996: R$10.000.000,00, e mês de agosto de 1996: R$9.965.500,00. /124 Processo no 10380.014870/2002-62 CSRF-11 Acórdão n.° 9101-00.625 FL 13 Verificou-se ainda que esses valores foram movimentados através da emissão de DOC's nos quais a empresa ACCARD aparece, ao mesmo tempo, como remetente e como beneficiária dessas vultosas transferências bancárias, fazendo-se constar no verso de alguns cheques anotações de que parte de seus valores seriam destinados A emissão de DOC's em favor da autuada. Os valores recebidos pela autuada foram contabilizados a débito de "Bancos" e a crédito da conta "Caixa". Intimada a comprovar a natureza das operações que justificassem tais depósitos, consoante Intimações nos. 13 e 14, foram apresentadas as justificativas de que a empresa possuia elevadas disponibilidades em razao da sua atividade de administradora de folha de pagamentos de ' seus clientes e que, por vezes, descontava cheques ou efetuava empréstimos relâmpagos para clientes e terceiros, que eram devolvidos no mesmo dia, em razão do que essas operações não eram contabilizadas. Entendeu a autoridade fiscal que as informações prestadas pela autuada não seriam suficientes para a comprovação da origem desses recursos, autuando-a por omissão de receitas. Oportuna a leitura de excertos extraídos do voto vencido no aresto guerreado, conforme seguem: (fls. 1.399) "Intimada em várias oportunidades a respeito da movimentação financeira realizada, a contribuinte insistia em afirmar que todos os depósitos eram realiz-ados em espécie, conforme comprovam as autenticaOes mecânicas feitas nas máquinas de caixa dos bancos. Dizia ela que os recursos disponíveis em caixa eram originários de contratos de empréstimos em Conta Corrente Garantida firmados com o BicBanco, caracterizando a movimentação como sendo de recursos de terceiros vinculados ás atividades da empresa." (negritei) Ns. 1.400) "Posteriormente, foi solicitado ao Banco Central do Brasil o detalhamento da movimentação financeira envolvendo as empresas acima. Dos documentos fornecidos pelo BACEIV, constatou-se que, efetivamente a Hannover efetuou pagamentos a recorrente nos meses de julho e agosto de 1996, conforme consta dos Termos de Intimação n°13 e n°14. Novamente intimada e diante das evidências e dos fatos expostos de forma detalhada pelo Fisco, nos termos da Intimação de n°13 (fls. 493/504), bem como dos documentos a ela fornecidos (lis. 507/560), e na intimação de n° 14, a contribuinte informou (17s. 765/767) o que segue: Ao longo desses vários anos de fiscalização, efetuou-se aos diligentes AFRF todo tipo de documentação e livros contábeis, os quais foram, exaustivamente, periciados. As receitas operacionais da empresa foram contabilizadas de forma clara, assim como sua inter-relação com a movimentação financeira. Todas as explicações sobre depósitos e saques, devidamente contabilizados, foranz prestadas a essa DRF-Fortaleza, através do atendimento dos diversos Termos de Intimação anteriores. (..). (negritei) (lis. 1.401) "Registre-se que nos documentos bancários e contábeis da recorrente não consta qualquer menção à empresa remetente do numerário (Hannover), e mais, das intimações anteriormente realizadas, a empresa sempre informou tratar-se de empréstimos bancários, sendo que na escrituração contábil tais movimentos não eram devidamente rigistrados." 02egritei) (lis. 1.402/1.403) "Diante dessa resposta, novamente a fiscalização intimou a fiscalizada, para que essa informasse a identidade dos clientes com os quais praticou os empréstimos citados e apresentar os documentos correspondentes. (negritei) ) Em decorrência da não comprovação dos valores recebidos da empresa Hannover, a fiscalização procedeu a lavratura do auto de infração a titulo de omissao de receitas, com a aplicação da multa qualificada de 150%. Como visto acima, os motivos que levaram ao lançamento fiscal referem-se a falta de comprovação da efetiva existência de empréstimos (denominados empréstimos relâmpagos peka recorrente) realizados com a empresa Hannover. (negritei) No presente caso, não há como interpretar o lançamento fiscal como sendo depósitos bancários não indentificados (ou mesmo não comprovados), como quer a recorrente, pois, na verdade, trata-se de pagamentos efetuados pela citada empresa Hannover, via depósitos bancários, cujas transações deixaram de ser demonstradas pela fiscalizada. Da mesma forma, não há que se falar em lançamento exclusivamente coin base em extratos bancários, mas sim, em procedimento fiscal baseado em documentos que não espelham a realidade dos fatos e com os registros contábeis imprecisos. " (negritei) (lIs. 1.404) "Deve-se reconhecer que as provas necessárias para o lançamento foram produzidas pela autoridade autuante, e estas não se confundem com simples presunções como quer fazer crer a impugnante. Verifica-se que cada um dos ingressos de recursos na conta bancária foi inquirido minudentemente pela fiscalização e possibilitado ci contribuinte menifestar-se a respeito da origem do mesmo, bem como apresentar a documentação correspondente. (negritei) Das respostas fornecidas pela recorrente à fiscalização, não sobreveio nenhum elemento de prova convincente, de forma a respaldar suas afirmações, apesar de intimada em várias oportunidades a comprovar as operações que deram origem aos depósitos. 0 mesmo fato ocorreu com a peça impugnatória, e agora, por ocasião do recurso, tampouco trouxe a contribuinte, - elementos comprobatórios que pudessem elidir a tributação." (negrite0 Da leitura do excertos acima transcritos, tem-se a exata dimensão que, de fato, o lançamento não careceu de aprofundamento no curso da investigação fiscal, tampouco de oportunidade para a pessoa jurídica, na fase de fiscalização e, posteriormente, nas instancias do contencioso administrativo, infirmar a acusação fiscal mediante a apresentação de 26 Processo n° 10380.0148702002-62 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.625 Fl. 14 elementos comprobatórios quanto à natureza desses inquestionáveis pagamentos que lhe foram efetuados pela empresa HANNOVER, sendo incabíveis, portanto, as alegações de que o lançamento se dera com base em presunção simples sem o devido aprofundamento dos trabalhos desenvolvidos pela fiscalização. Tanto é assim que, se fosse para aplicar a presunção que somente passara a ser autorizada a partir da Lei n° 9.430/1996, não teria sido necessário que a autoridade de fiscalização fizesse tão grande número de intimações e re-intimações, sempre na busca de explicações convicentes, chegando até mesmo a requerer a intervenção do Banco Central do Brasil para que se pronunciasse acerca da real transferência bancária dos volumosos recursos financeiros, da HANNOVER para a autuada, cujas transferências foram prontamente confirmadas por aquele órgão oficial de controle do sistema financeiro nacional. Está, assim, mais do que demonstrado que a autuação não se deu com base em mera presunção simples, não acompanhada do aprofundamento necessário para solidificar o lançamento, tampouco que o mesmo se processou pegando carona em presunção leal que somente passou a viger com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/1966. Por essas razões é que votei por DAR provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN, quanto à infração fiscal descrita no item 002 — OMISSÃO DE RECEITAS do Auto de Infração (fls. 20), determinando-se o retorno dos autos câmara a quo para análise das demais questões de mérito. como voto. Sala das Sessões, 06 de julho de 2010. FRANCIS DE SA EIRO DE QUEIROZ - Redator designado 27
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Numero do processo: 13971.000655/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007
EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. DISPENSA LEGAL.
A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, encontra-se legalmente dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical de que trata o artigo 240 da Constituição Federal, e demais entidades de serviço social autônomas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, em razão da manutenção da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. DISPENSA LEGAL. A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, encontrase legalmente dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical de que trata o artigo 240 da Constituição Federal, e demais entidades de serviço social autônomas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, em razão da manutenção da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 55 /2 01 0- 22 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000655/201022 Acórdão n.º 2401004.139 S2‐C4T1 Fl. 213 3 Relatório Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/02/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.246.4688, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 21/25. Informa a fiscalização que a empresa declarava ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, apesar de já haver sido excluída de tal Sistema Simplificado, desde 01/01/2002, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 27, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. A omissão de forma sistemática pela empresa da contribuição patronal a Outras Entidades e Fundos, em consequência da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, cujo programa gerador deixa de calcular as referidas contribuições, constituise, em tese, crime contra a ordem tributária, de acordo com o artigo 1º, alínea ‘a’ da Lei nº 8.137/90, uma vez que não foi informado o valor correto na GFIP, razão pela qual se houve por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 34/56. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0339.071 – 5ª Turma da DRJ/Brasília/DF, a fls. 116/136, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 138. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 139/160, requerendo preliminarmente a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13971.001650/200550, no qual se discute a exclusão, ou não, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302344 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 04/11/2014, a fls. 180/183. Acórdão nº 1302000.975 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 12/09/2012, a fls. 199/208, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela BNN Sistemas de Informática ltda – EPP, afastando os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 45, de 23 de abril de 2009, mantendo a empresa Recorrente na sistemática do Simples Nacional. Em face de tal decisão administrativa, a Fazenda Nacional decidiu não interpor Recurso Especial, conforme Despacho a fls. 279 do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000655/201022 Acórdão n.º 2401004.139 S2‐C4T1 Fl. 214 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Com efeito, dessai do Relatório Fiscal do Auto de Infração em debate que a empresa autuada houvese por excluída do SIMPLES conforme o Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 27, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. Ocorre que o Autuado ofereceu impugnação administrativa em face do Ato Declaratório Executivo acima citado, sobrevindo naquele Processo Administrativo Fiscal Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1302000.975 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 12/09/2012, a fls. 199/208, favorável à empresa interessada, cancelando o ADE n° 045/2009, e ratificando a manutenção da empresa em tela na sistemática do SIMPLES. Tal decisão já transitou em julgado administrativamente. Diante de tal quadro, resulta que a Autuada, estando ainda amparada pela sistemática do SIMPLES, encontrase legalmente dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical de que trata o artigo 240 da Constituição Federal, e demais entidades de serviço social autônomas, tradicionalmente tratadas como contribuições para terceiros, as quais constituem o vertente Auto de Infração. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) §1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...) f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) (...) §4° A inscrição no SIMPLES dispensa a pessoa jurídica do pagamento das demais contribuições instituídas pela União. Nesse contexto, havendo sido o presente Auto de Infração lavrado, exclusivamente, em razão de a Empresa fiscalizada ter sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, não persistindo mais a motivação do lançamento, indevido é o crédito tributário nele consignado, razão pela qual se dá provimento ao Recurso Voluntário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10865.001848/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.722
Decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1996 a 28/02/1999
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Jorge Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1996 a 28/02/1999 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim Presidente Jorge Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Jorge Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O Município de Limeira/SP compensou supostos indébitos de PASEP relativos aos períodos de apuração de agosto de 1996 a fevereiro de 1999, com seus débitos relativos a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 84 8/ 20 06 -3 3 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10865.001848/200633 Resolução nº 3402000.722 S3C4T2 Fl. 517 2 outros tributos, administrados pela RFB, vencidos e vincendos. O fundamento, à época, do alegado indébito seria de que a partir da edição da Medida Provisória (MP) 1212/95 foram editadas Medidas Provisórias subsequentes após o decurso do prazo de vigência da MP imediatamente anterior, deixando de observar o trintídio previsto pelo artigo 62 da CF. O valor original do indébito, consoante demonstrativo apresentado pelo peticionante, montava em RS 1.948.680,94. Em 02 de agosto de 2007, foi editado Despacho Decisório (fls. 62 processo papel digitalizado) da unidade local da RFB (DRF Limeira/SP), o qual considerou não declarada a primeira Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 01 a 13 (protocolada em 29/09/2006) pelo fato de ter sido feito em formulário, enquanto a IN SRF 460/2004 (art 31, § 1º, II, d) determinava que fosse feito eletronicamente. As demais DCOMP não foram homologadas ao fundamento de que não haveria indébito (crédito) a ser compensado, uma vez decaído seu direito à repetição do postulado indébito e também pelo motivo de que as normas insertas na MP 1.215/95 até sua última reedição foram válidas até a edição da Lei 9.715/98, acrescendo que o art. 17 desta Lei convalidou os atos praticados com base na última reedição daquela MP, o que se deu pela MP 1.67637/98. Em 07/12/2007, foi deferido pedido de liminar em mandado de segurança (nº 2007.61.09.0109899 3ª Vara Federal de Piracicaba/SP fls. 148/154 do processo papel digitalizado), determinando a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados neste processo e a expedição de Certidão Positiva de Débito com efeito de negativa, caso não houvesse outros débitos em aberto (inicial desse mandamus às fls. 160/180). A decisão, de 30/05/2008, no referido writ (fls. 353/363) manteve os termos da liminar em relação os débitos deste processo "até a decisão final a ser proferida em sede administrativa, no julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela impetrante...". Em 20/07/2007, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho da unidade local da RFB (fls. 74/119), sendo aquela, por meio do Acórdão 1435.412, da 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP (fls. 225/232), de 29/09/2011, julgada improcedente. Em 06/12/2011, foi interposto o presente recurso voluntário, onde, em suma, entende que seu direito à repetição não decaiu, e no mérito, argui que houve vacatio legis entre algumas das medidas provisórias que vieram a resultar na Lei 9.715/98, que deu novo regramento à cobrança do PIS/PASEP. Às fls. 236 a 244, foi inserto aos autos, sem qualquer despacho circunstanciado, decisão em Agravo de Instrumento proferida pelo TRF3 em que consta como agravante o município de Limeira e como agravada a União, no qual a agravante insurgese "contra decisão que indeferiu o pedido de antecipação de tutela, em ação de conhecimento processada sob o rito comum ordinário com o objetivo de suspender a exigibilidade da contribuição destinada ao PASEP do período que indica". Nessa peça decisória monocrática, de 10/10/2011, o julgador enfrentou a questão da decadência do direito à repetição do indébito e o alcance do art. 3º da LC 118/2005, vazando a parte dispositiva do julgado nos seguintes termos: "Ante o exposto, defiro em parte o efeito suspensivo pleiteado, suspendendo a cobrança do tributo discutido na ação de origem até seu julgamento, num plano de cognição exauriente, pelo Juízo de origem." Não há no recurso da municipalidade (interposto em 06/12/2011, portanto posterior à referida decisão em sede de agravo) qualquer menção a esse fato. É o relatório. Voto Dessumese do relatado que o contribuinte, ao que tudo indica, ajuizou em 2011 uma ação declaratória cujos termos se tem notícia nos autos de forma incidental pelo julgamento do Agravo de Instrumento ao qual me referi no relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10865.001848/200633 Resolução nº 3402000.722 S3C4T2 Fl. 518 3 Em pesquisa ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, relativamente ao processo nº 2011.03.00.0296437/SP, referido no cabeçalho do Agravo, não obtive maiores informações, exceto que a data de autuação do mesmo operouse em 29/09/2011, portanto em data anterior ao protocolo do recurso sob análise. Pelo que depreendi, este nº de processo se refere à autuação daquele Agravo. Contudo, a recorrente omitiu em seu recurso qualquer menção a qualquer processo judicial, o qual, ao que tudo indica, conectase com a matéria deste processo administrativo. Em consequência, para sabermos se aplicase ao caso a Súmula nº 1 do CARF, mister que identifiquemos se o contribuinte ajuizou ação judicial que tenha mérito conexo com o deste autos. Diante do exposto, Voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que o órgão local intime o contribuinte para que este, no prazo de 30 (trinta) dias, informe o processo judicial que deu azo à decisão em agravo de instrumento de fls. 236/244, assim como para que apresente cópia da petição inicial, cópia de eventuais decisões nesse processo, bem como Certidão de Objeto e Pé do mesmo. Jorge Lock Freire Fl. 518DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13839.722797/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. OPÇÃO PELA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE OU NO AJUSTE ANUAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL.
A opção por declarar os rendimentos acumulados no ajuste anual ou submetê-los à nova sistemática (tributação exclusiva na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, mediante utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito) é irretratável.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA. OMISSÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO.
Estando demonstrado que o valor da omissão apontado pela fiscalização foi oferecido à tributação, ainda que de forma equivocada, deve ser cancelado o lançamento, por inexistência do suporte fático que lhe deu supedâneo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. OPÇÃO PELA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE OU NO AJUSTE ANUAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. A opção por declarar os rendimentos acumulados no ajuste anual ou submetê-los à nova sistemática (tributação exclusiva na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, mediante utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito) é irretratável. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA. OMISSÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. Estando demonstrado que o valor da omissão apontado pela fiscalização foi oferecido à tributação, ainda que de forma equivocada, deve ser cancelado o lançamento, por inexistência do suporte fático que lhe deu supedâneo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RRA. Recorrente LAIZ MARIA BORTOLOTTI SANTINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. OPÇÃO PELA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE OU NO AJUSTE ANUAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. A opção por declarar os rendimentos acumulados no ajuste anual ou submetê los à nova sistemática (tributação exclusiva na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, mediante utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito) é irretratável. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA. OMISSÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. Estando demonstrado que o valor da omissão apontado pela fiscalização foi oferecido à tributação, ainda que de forma equivocada, deve ser cancelado o lançamento, por inexistência do suporte fático que lhe deu supedâneo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 27 97 /2 01 3- 11 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13839.722797/201311 Acórdão n.º 2402005.072 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da DRJ/BEL, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, para manter o crédito tributário no valor total de R$ 5.516,97, constituído através de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2012, anocalendário 2011. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria omitido rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 11.542,82. Os rendimentos recebidos do Banco do Brasil teriam integrado a base de cálculo do imposto na DIRPF, pois teriam sido declarados na ficha Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, mas teria havido a citada omissão de R$ 11.542,82 (rendimentos tributáveis R$ 55.736,67 honorários advocatícios R$ 13.934,19 valor declarado R$ 30.259,66). Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que: a) não teria havido omissão, pois, se tivesse consignado os rendimentos em campo apropriado, teria imposto a restituir, e não imposto a pagar; b) prova cabal de que não teria havido omissão, é que o seu valor (R$ 11.542,82) teria sido declarado na coluna 13º salário, pois acreditava que os RRA ali se declaravam entre o valor mensal e o 13º; c) o auditor deveria ter indicado que os RRA deveriam ser declarados conforme determina o art. 12A da Lei nº 7.713/88; d) conforme simulação, teria pago, indevidamente, imposto no valor de R$ 5.049,61. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: e) os RRA poderiam, à opção do contribuinte, serem declarados como tributados exclusivamente na fonte ou como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual; f) a opção como rendimentos na DAA seria considerada irrevogável e irretratável, conforme §5º do art 12A da Lei nº 7.713/88. Notificada da decisão em 29/07/2015, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/08/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: g) no tocante aos RRA, a intenção da lei seria não onerar a pessoa física mais do que seria em situação normal de recebimento se comparada ao regime anterior; Fl. 63DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 h) ao não permitir que a recorrente pudesse corrigir seu erro, o dispositivo legal estaria fazendo incidir a mesma injustiça que se queria corrigir com o art. 12A. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13839.722797/201311 Acórdão n.º 2402005.072 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da omissão de rendimentos Conforme preceitua o § 5º do art. 12A da Lei nº 7.713/88, a opção por declarar os rendimentos acumulados no ajuste anual ou submetêlos à nova sistemática (tributação exclusiva na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, mediante utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito) é irretratável. Nessa toada, não pode ser guarida a argumentação da contribuinte, no sentido fazer incidir injustiça, pois ela deveria ter optado, de forma igualmente irretratável, por utilizar o novo regime instituído pela Lei nº 12.350/10, valendose, por conseguinte, da sistemática que lhe propiciasse maior economia tributária. Nas instruções de preenchimento do programa "Declaração de Ajuste Anual do IRPF 2012", menu "Ajuda", consta textualmente o seguinte: Opção pela forma e tributação Ajuste Anual No caso de opção pela forma de tributação "Ajuste Anual", à opção irretratável do contribuinte, os valores relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente podem integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário do recebimento. Neste caso, o imposto decorrente da tributação "Exclusiva na Fonte" é considerado antecipação do imposto devido apurado na referida DAA. Logo, tanto a lei, quanto as instruções de preenchimento da DIRPF são claras aos preverem que a opção pela tributação no ajuste anual é irretratável, não se podendo acolher a argumentação constante do recurso. Significar dizer, ainda, que nem mesmo se pode dizer que o equívoco da recorrente seja escusável. Evidentemente que isso não exclui o procedimento de revisão de que cuida o art. 149 do CTN, observandose que nele (procedimento) devem ser feitas as retificações cabíveis em função da legislação tributária, mas sempre preservando a opção do contribuinte (ex.: opção pelas deduções legais ou pelo desconto simplificado; tributação dos RRA no ajuste anual ou exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito). A revisão é decorrente exclusivamente da lei e somente pode ser feita se presentes uma ou mais das hipóteses previstas no art. 149. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 Para afastar o comando do § 5º supra mencionado para o caso in concreto, este Conselho teria que declarar a sua inconstitucionalidade, o que lhe é defeso por força do verbete sumular CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contudo, vêse à fl. 15 que a recorrente de fato declarou a omissão apontada pela fiscalização na coluna 13º SALÁRIO da ficha RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR da DECLARAÇÃO RETIFICADORA Nº 2. Ao se somar os valores declarados como recebidos da pessoa jurídica, do 13º e os honorários, efetivamente se chega ao montante total dos rendimentos tributáveis recebidos (R$ 55.736,67). Isto é, não houve omissão de rendimentos, mas sim sua classificação indevida. A DRJ sequer se dignou de enfrentar essa questão, muito embora devesse ter feito, vez que essa diferença foi classificada como rendimento tributável, ainda que em coluna inapropriada. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para darlhe PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que seja cancelado o lançamento. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 11516.720658/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/01/2012 a 30/08/2012, 01/11/2012 a 30/11/2012
PIS/PASEP E COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DACON. LEGITIMIDADE.
Legítima a constituição do crédito tributário pelo lançamento da COFINS e do PIS/Pasep não declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, baseado em informações prestadas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais - DACON, já que os valores declarados nesta são meramente informativos, não se revestindo, pois, em instrumento de confissão de dívida, como ocorre na DCTF.
Uma vez demonstrada a necessidade de formalização do lançamento de ofício, devida, também, a multa de 75% capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/01/2012 a 30/08/2012, 01/11/2012 a 30/11/2012 PIS/PASEP E COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DACON. LEGITIMIDADE. Legítima a constituição do crédito tributário pelo lançamento da COFINS e do PIS/Pasep não declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, baseado em informações prestadas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, já que os valores declarados nesta são meramente informativos, não se revestindo, pois, em instrumento de confissão de dívida, como ocorre na DCTF. Uma vez demonstrada a necessidade de formalização do lançamento de ofício, devida, também, a multa de 75% capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 58 /2 01 4- 51 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Recife (fls. 459/463 da cópia digitalizada no eprocesso doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/01/2012 a 30/08/2012, 01/11/2012 a 30/11/2012 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO NO DACON. As diferenças apuradas nos registros contábeis e nos valores informados no DACON, que não tem caráter de confissão de dívida, devem ser lançadas de ofício, sendo considerados no levantamento dos créditos tributários os valores devidamente confessados em DCTF e os recolhimentos devidamente comprovados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO EM DCTF. Não logrando o contribuinte justificar a discrepância existente entre a receita registrada na Contabilidade e a declarada na DCTF, mantémse o lançamento sobre a diferença constatada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/01/2012 a 30/08/2012, 01/11/2012 a 30/11/2012 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO NO DACON. As diferenças apuradas nos registros contábeis e nos valores informados no DACON, que não tem caráter de confissão de dívida, devem ser lançadas de ofício, sendo considerados no levantamento dos créditos tributários os valores devidamente confessados em DCTF e os recolhimentos devidamente comprovados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO EM DCTF. Não logrando o contribuinte justificar a discrepância existente entre a receita registrada na Contabilidade e a declarada na DCTF, mantémse o lançamento sobre a diferença constatada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão em tela manteve em parte o crédito tributário lançado, conforme item 10 do voto condutor da decisão recorrida, abaixo transcrito: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720658/201451 Acórdão n.º 3301002.716 S3C3T1 Fl. 483 3 Da conclusão 10. Ante o exposto, VOTO pela procedência parcial da impugnação e por manter em parte o crédito tributário lançado, conforme a seguir: 10.1. Exonerar o lançamento do PIS e da Cofins efetuado em relação à janeiro/2012. 10.2. Alterar o valor do PIS a ser exigido dos meses de fevereiro, abril junho/2012, conforme coluna "PIS mantido neste VOTO" do demonstrativo constante no item 8 deste Voto. 10.3. Alterar o valor da Cofins a ser exigida dos meses de fevereiro, abril junho/2012, conforme coluna "COFINS mantida neste VOTO" do demonstrativo constante no item 8 deste Voto. 10.4. Manter as demais exigências do PIS e da Cofins lançadas. 10.5. Manter a exigência dos encargos legais nos débitos dos itens 10.2, 10.3 e 10.4 deste Voto. A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em desfavor do contribuinte acima identificado foram lavrados os Autos de Infração para cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), relativamente aos períodos supra especificados, para exigência dos créditos tributários a seguir detalhados: COFINS PIS Contribuição 60.315,78 13.068,41 Juros de Mora 9.105,64 1.972,88 Multa 45.236,86 9.801,32 Total 114.658,28 24.842,61 2. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração, e no Termo Verificação de Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal, está descrito o contexto da autuação, sendo possível verificar que o sujeito passivo foi enquadrado nas seguintes infrações: (i) diferenças apuradas em relação aos valores do PIS e da Cofins informados no DACON e declarados na DCTF; (ii) divergências apuradas em relação aos registros contábeis e os valores informados no DACON. 3. Devidamente cientificado dos lançamentos em 27/03/2014, o contribuinte apresentou tempestivamente sua impugnação em 28/04/2014, para alegar, em síntese que: 3.1. Em relação aos débitos que foram informados no DACON , sem a correlata informação na DCTF, no caso, dezembro de 2011 e novembro de 2012, disse que: 3.2. A declaração espontânea em DACON seria suficiente para se considerar o crédito tributário devidamente constituído, dispensando qualquer providência formal ou material por parte da Administração Tributária. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 3.3. Atribui caráter de confissão de dívida aos valores prestados no DACON, o que tornaria desnecessária a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Assim, pede a exclusão dos valores lançados, com a anulação do presente procedimento administrativo. 3.4. No que se refere à multa, sustenta que, sendo desnecessária a exigência do crédito pelo lançamento, por já estarem os débitos previamente confessados no DACON, deve ser afastada a multa de ofício de 75%. 3.5. Havendo a manutenção da cobrança administrativa do débito, justifica que a penalidade a ser aplicada deverá ser a multa prevista no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 17/11/2014 (conf. AR de fls. 470). Inconformada, a mesma apresentou, em 15/12/2014 (fls. 471), o recurso voluntário de fls. 471/479, onde aduz que a DACON, e não apenas a DCTF, possui natureza de confissão de dívida, sendo o auto de infração, portanto, prescindível. Consequentemente, pleiteia seja afastada a multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a qual deveria ser reduzida para 20%, a teor do disposto no artigo 61, § 2º, da mesma lei. Diante do exposto, requer seja declarada "a nulidade/insubsistência do presente procedimento administrativo e do AUTO DE INFRAÇÃO, ante a constituição dos créditos tributários lançados em DACON", ou, alternativamente, "seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e REDUZIR a multa aplicada de 75% para 20% sobre o valor exigido". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, constatase que a lide se restringe ao exame quanto à legitimidade ou não do lançamento de ofício diante de débitos declarados em DACON, mas não em DCTF. Segundo defende a recorrente, a DACON também teria natureza de confissão de dívida, sendo o auto de infração, consequentemente, prescindível. Não obstante, a tese sustentada pela interessada não merece ser acolhida, uma vez que a DACON, hoje extinta1, não possuía natureza de confissão de dívida, servindo unicamente como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, aliás, como se depreende do significado de sua própria denominação. 1 A IN RFB nº 1.441, de 2014, extinguiu o demonstrativo em comento em relação “aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014” (artigo 1º). A extinção do DACON a partir de 1º de janeiro de 2014 foi motivada pela implantação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita – EFD Contribuições, no âmbito do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. Tal implantação vem ocorrendo de forma paulatina desde de 1º de janeiro de 2012, seguindo o cronograma traçado pela IN RFB nº 1.252, de 1º/03/2012. Na EFD Contribuições passaram a ser detalhadas as informações que outrora eram disponibilizadas no DACON, tornando esta obsoleta a partir de então. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720658/201451 Acórdão n.º 3301002.716 S3C3T1 Fl. 484 5 Diferentemente, a DCTF representa, sim, confissão de dívida, de sorte que, a teor do disposto no § 1º do artigo 7º da IN SRF nº 126, de 30/10/1998, § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. (grifo nosso) Essa é a mesma regra adotada pela IN RFB nº 1.110, de 24/12/2010, atualmente em vigor: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) com os acréscimos moratórios devidos. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) (grifei) Interessante observar que, na mesma data em que foi instituída a DCTF como instrumento de confissão de dívida, foi editada a IN SRF nº 127, de 30/10/1998, que criou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, em substituição à DIRPJ. Assim, permaneceu unicamente a DCTF como instrumento de confissão de dívida. Vale lembrar que a instituição da DCTF como instrumento de confissão de dívida está alicerçada no artigo 5º, caput e parágrafo primeiro, do Decretolei nº 2.124, de 13/06/19842, verbis: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Na linha de que a DACON não possuía natureza de confissão de dívida, os seguintes julgados do CARF: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 2 O Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 118, de 28/06/1984, delegou a competência que lhe foi atribuída pelo artigo 5º do Decretolei nº 2.124/84 para o Secretário da Receita Federal. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 PIS E COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As inconsistências de informações apresentadas nas DIPJs e DACONs, em que as primeiras apresentavam declarações de crédito tributário maiores do que constou das DCTFs do período, aliado ao fato de não localização dos respectivos pagamentos, dá ensejo ao lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. [...] (Terceira Seção de Julgamento. Primeira Turma Ordinária. Processo nº 19515.007494/200847. Acórdão nº 3201001.758, de 18/12/2014. Relatora: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006, 01/03/2007 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Terceira Seção de Julgamento. Terceira Turma Ordinária. Processo nº 18471.001056/200785. Acórdão nº 3403003.329, de 15/10/2014. Relator: Alexandre Kern) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005 FALTA DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. Diante da ausência de declaração via DCTF, que constitui instrumento hábil à exigência do crédito tributário declarado, correto o lançamento com base nos débitos informados em DIPJ ou DACON, os quais só podem ser afastados mediante prova inconteste pela Contribuinte. [...] (Terceira Seção de Julgamento. Primeira Turma Ordinária. Processo nº 19515.002293/200853. Acórdão nº 3301002.107, de 24/10/2013. Relator: Antônio Lisboa Cardoso) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 487DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720658/201451 Acórdão n.º 3301002.716 S3C3T1 Fl. 485 7 Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos da Cofins omitidos na DCTF, mesmo que conste do DACON ou de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte e considerada não declarada em face do crédito utilizado na compensação referirse a títulos da dívida pública federal. [...] (Terceira Seção de Julgamento. Segunda Turma Ordinária. Processo nº 10855.720939/201310. Acórdão nº 3302002.863, de 25/02/2015. Relator: Walber José da Silva) (Grifos nossos) Por fim, no que diz respeito à multa de ofício, a mesma também é devida, uma vez demonstrada a necessidade de formalização do lançamento de ofício, com fundamento no disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10845.004376/2003-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco.
LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE. A Lei n°10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. BIS IN IDEAI. INOCORRÊNCIA. É correta a aplicação, nos termos da lei, de multa de oficio, de natureza sancionatória pela infração cometida, concomitantemente à exigência de juros de mora, de caráter compensatório pela retenção indevida de capital alheio. Não ocorre, no caso, o alegado bis in idem.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula n° 4 do CARF.
Numero da decisão: 1301-000.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1998, nos ten-nos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta-corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE. A Lei n°10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. •°`') MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. BIS IN IDEAI. INOCORRÊNCIA. É correta a aplicação, nos termos da lei, de multa de oficio, de natureza sancionatória pela infração cometida, concomitantemente à exigência de juros de mora, de caráter compensatório pela retenção indevida de capital alheio. Não ocorre, no caso, o alegado bis in idem. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula n° 4 do CARF. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1998, nos ten-nos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo. LEONARDO DEDE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEI A OCHA - Relator EDITADO EM: es ' O B A r.A.J Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Thiago D'Avila Melo Fernandes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório ROSA BAFFA CASTIGLIA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-15.480, de 14/11/2007, da 5 a Tiniria da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pela Autoridade Julgadora em primeira instância, a seguir transcrito: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF n° 0816100-2003-00625-0 (fl. 01), foram lavrados Autos de Infração relativos ao ano-calendário de 1998 de Imposto de Renda da 2 Processo n° 10845.004376/2003-66 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 2 Pessoa Jurídica - IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. O crédito tributário constituído totaliza R$30.602,01, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2003. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração de ERPJ (fls. 26), no tocante à omissão de receitas apuradas em razão de depósitos bancários não escriturados e pela insuficiência de recolhimentos, assim se desenvolveu a ação fiscal: "Valor apurado em trabalhos de fiscalização externa, decorrente do cruzamento de informações obtidas no extrato de conta corrente bancária sob n° 0038826-2, junto à agência n° 0280-1, de Praia Grande 9SP), do Banco Bradesco S/A, em confronto com os valores declarados na Declaração Anual Simplificada PJ/99-S1MPLES, ND 6385444, relativa ao ano-calendário de 1998. O presente trabalho fiscal teve seu início na fiscalização do contribuinte CLAUDIO CASTIGLL4 CPF 667.405.258-20, através do MPF-Fiscalização n° 0810600/2002/163, cópia de documento anexos, na Operação "03713 Movimentação Financeira Incompatível x Renda Declarada". A conta corrente bancária acima identificada está aberta em nome dos dois cônjuges, porém, a movimentação financeira é exclusiva das atividades comerciais da Sra. Rosa Baffa Castiglia, conforme declaração firmada pelo contribuinte. Mediante intimação regular, os extratos bancários .foram fornecidos à esta fiscalização, documentos anexos, e foi elaborada a planilha "Resumo das Operações Constantes no Extrato" para os meses do ano-calendário de 1998. Com o expurgo de créditos decorrentes de estornos e/ou resgates de aplicações financeiras, obtivemos os valores mensais dos créditos verificados na conta corrente, tratando-se estes de depósitos, transferências de crédito e produto de cobrança, os quais foram objeto de nova intimação afim de elucidação de sua origem, pois os valores são em montante superior à movimentação financeira escriturada no seu LIVRO CAIXA N°2, de cópia anexa. Sem qualquer esclarecimento por parte da contribuinte, providenciamos o Mapa "DEMONSTRATIVO DA OMISSÃO DE RECEITAS", onde estão apurados os valores correspondentes aos meses do ano de 1998." Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros calculados até 31/10/2003, discriminados nos respectivos autos de infração em fls. 13/48. • O contribuinte foi cientificado, em 11/11/2003, nos próprios autos de infração e apresentou as impugnações de fls. 155/206, 223/273, 285/335 e 349/399, em 10/12/2003, nas quais apresenta as alegações abaixo sintetizadas. Is 'À) 3 Teria decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito que ora lhe está sendo exigido, tendo em vista que a notificação bem como a lavratura dos autos de infração foram em 11/11/2003, ocorrendo assim o lapso qüinqüenal, para os períodos de 31/01/1998 a 31/12/1998, conforme o art. 150, parágrafo 4° do CTN. Não haveria no auto de infração prova alguma da infração. Não teria sido juntada planilha demonstrativa dos cálculos. Apenas teriam sido informados valores globais de cada competência, valores estes que quando confrontados com os extratos bancários do impugnante, não conferem com os descritos no auto de infração. Não teria sido possível verificar se a base de cálculo eleita referir-se-ia a valores depositados que estariam imunes ou isentos de tributação. O ônus probatório seria todo do autuante não caberia ao autuado advinha,- porque estaria sendo autuado. A Lei 9.311/1996, em seu art. 11, §3°, vedava a utilização da CPMF para fins de fiscalização, assim não deveria prevalecer o presente auto, pois foi lavrado com base em extratos bancários o que não seria aplicável na época da ocorrência dos fatos geradores. O auto de infração seria nulo pois fundado em informações acerca da conta bancária do contribuinte sem autorização judicial o que afrontaria indubitavelmente a CF/1988. O lançamento do IRPJ, com base exclusivamente em depósitos bancários, seria ilegítimo de acordo com a súmula 182 do TFR. A multa de 75% seria extorsiva, chegando a configurar verdadeiro confisco ao patrimônio do contribuinte. A cobrança concomitante de multa e juros de mora seria um "bis in idem". A taxa SELIC seria inapropriada para o cômputo dos juros de mora. A 5' Turma da DRJ em São Paulo - 1/ SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-15.480, de 14/11/2007 (fls. 483/495), considerou procedente o lançamento com .a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. QUEBRA DO SIGILO BANCA' RIO. A prestação de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários sobre movimentações financeiras fornecida pelo próprio contribuinte, não constitui quebra do sigilo bancário. INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. Perfeitamente aplicável ao lançamento a norma procedimental editada após a ocorrência do fato gerador, quando tenha tão-somente criado novos critérios de apuração e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. 4 Processo n° 10845.004376/2003-66 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 3 Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa .fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu. JURO DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o Imposto sobre a Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes. Ciente da decisão de primeira instância em 16/01/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 500, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/02/2008 conforme carimbo de recepção à folha 501. No recurso interposto (fls. 502/539), em preliminares, aduz os argumentos a seguir sintetizados: > Reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, seus argumentos acerca da decadência. > Discorre acerca da ação flscalizadora, a qual deve "atuar e proferir seus atos em absoluta consonância com as normas legais". > Afirma que a instrução probatória deve ser ampla, regular e pertinente, em busca da verdade material. > Sustenta que seu sigilo bancário teria sido quebrado sem autorização judicial, com infração ao art. 5 a, incisos X e XII, e art. 60, § 4°, inciso IV, todos da Constituição Federal de 1988. Também teriam sido ofendidos "os princípios da separação orgânica dos poderes e indelegabilidade de atribuições consubstanciados no art. 2°, art, 60, 5S. 4°, III, c/c a inteligência do art. 68 da CF/88". Transcreve doutrina e jurisprudência que entende favoráveis à sua tese. > Argumenta que a Lei Complementar n° 105/2001 não poderia retroagir, de tal forma a permitir o acesso a extratos bancários de períodos anteriores a 2001. O mesmo diz acerca da Lei n° 10.174/2001, ao alterar dispositivo da Lei n° 9.311/1996. No mérito, seus questionamentos podem ser assim resumidos: > O lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos bancários seria ilegítimo, à luz da súmula 182 do TFR. 5 > Não teria ocorrido a hipótese de incidência do imposto de renda, que seria "a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica, asism entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (CTN, art. 43, I)". Não bastaria identificar valores, mas a origem destes valores, bem corno a sua natureza jurídica. > Não teria ocorrido a hipótese de incidência da CSLL, que seria "o lucro das pessoas jurídicas [..] . Assim, não basta identificar valores constantes nos extratos da Recorrente para servir de base de cálculo da CSLL, tem que se verificar se estes valores são receitas". > Não teria ocorrido a hipótese de incidência da Cofins, que seria "o faturamento das pessoas jurídicas [..] Assim, não basta identificar diferenças entre o valor escriturado e o declarado para servir de base de cálculo da Cofias, tem que se verificar se estes valores aumentaram o seu patrimônio". > Não teria ocon-ido a hipótese de incidência do PIS/PASEP, que seria "o faturamento das pessoas [..J. Assim, não basta identificar diferenças entre o valor escriturado e o declarado para servir de base de cálculo do Pis-Pasep, tem que se verificar se estes valores aumentaram o seu patrimônio". • > Insiste em seus argumentos contrários, à aplicação de multas exorbitantes, no percentual "absurdo e inaceitável" de 75%, com ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal! 1988. > Reafirma que a cobrança concomitante de multa e juros de mora constituiria bis ia idem, por possuírem ambas a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias. > Finalmente, sustenta a impossibilidade de aplicação da Taxa Selic como taxa de juros moratórios, seja por sua natureza de juros remuneratórios, seja por não ter sido criada por lei. •É o Relatório. • 6 Processo n° 10845.004376/2003-66 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 4 Voto • Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINARES Preliminarmente, a recorrente argúi que o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários teria sido alcançada pela decadência, com base no art. 150, § 4°, do CTN, e diante do fato de que tomou ciência dos lançamentos em 11/11/2003. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [.1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras especificas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto aos tributos exigidos no presente processo, entendo submeterem-se ao lançamento por homologação, corno, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir , se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e 7 notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. - - _ O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Em primeira instância, a Tun-na Julgadora entendeu que, em se tratando de lançamento de oficio, o dispositivo aplicável seria o inciso I do art. 173. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir. Assim, aos tributos aqui discutidos devem ser aplicadas as disposições do art: 150, § 40, do CTN, o que implica a necessidade de rever a decisão a quo. No ano-calendário 1998, o lançamento foi feito por períodos de apuração mensais (critério aplicável ao SIMPLES). Consumando-se os fatos geradores tributários no último dia de cada mês, e tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 11/11/2003 (fl. 13), constato que a decadência atingiu os créditos tributários correspondentes aos meses de janeiro a outubro de 1998. Ainda em preliminares, encontro as considerações da recorrente acerca da ação fiscalizadora, a qual deve "atuar e proferir seus atos em absoluta consonância com as normas legais", e sua afiimação de que a instrução probatória deve ser ampla, regular e pertinente, em busca da verdade material. Não há como discordar, mas a interessada não aponta especificamente algum descumprimento de normas legais nem insuficiência ou irregularidade na instrução probatória, de tal sorte que não vislumbro qual seria seu pedido daí decorrente. A menos que se trate de introdução aos argumentos aduzidos na seqüência, os quais passo a apreciar. Sustenta a recorrente que seu sigilo bancário teria sido quebrado sem autorização judicial, com infração ao art. 5', incisos X e XII, e art. 60, § 4°, inciso IV, todos da Constituição Federal de 1988. Também teriam sido ofendidos "os princípios da separação orgânica dos poderes e indelegabilidade de atribuições consubstanciados no art. 2°, art, 60, ,sç 4°, III, c/c a inteligência do art. 68 da CF/88". Reclama, ainda, que a Lei Complementar n° 105/2001 não poderia retroagir, de tal forma a permitir o acesso a extratos bancários de períodos anteriores a 2001. O mesmo diz acerca da Lei n° 10.174/2001, ao alterar dispositivo da Lei n°9.311/1996. Compulsando os autos, verifico que os extratos bancários da conta-corrente n° 38.862-2, mantida no Banco Bradesco em nome do Sr. Cláudio Castiglia e Sra. Rosa Baffa Castiglia, foram apresentados por esses contribuintes em atendimento a intimação específica, em 17/09/2002, cf. fl. 70. Ainda, mediante correspondência (fl. 68) datada de 26/08/2003 e subscrita pelas duas pessoas fisicas acima referidas, os titulares da conta-corrente identificam, de foima genérica, a "origem dos créditos lançados na conta [...], durante o ano de 1998: São provenientes da firma individual ROSA BAFFA CASTIGLIA, CNPJ 54.342.647/0001-20". Constato, assim, que o Fisco não se utilizou do instrumento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, instituído pelo Decreto n° 3.724/2001, ao regulamentar as disposições do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. Os 8 Processo 11° 10845.004376/2003-66 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 5 - extratos bancários utilizados no presente processo não foram fornecidos pela instituição financeira mas, ao contrário, foram apresentados ao Fisco pelos próprios titulares da conta- corrente, em cumprimento do dever de prestar informações, consignado, entre outros, no art. 927 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR199): Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n 2 2.354, de 1954, art. 72). Assim, as reclamações da recorrente contra o que considera a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, com ofensa a princípios constitucionais, perde força pois, como visto, quebra de sigilo não ocorreu. No que tange às reclamações acerca da utilização retroativa da Lei n° 10.174/2001, necessáriose faz breve retrospecto das alterações legislativas ocorridas. A Lei Federal n° 9.311, de 24/10/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), disciplinou também a fiscalização e a utilização dos dados relativos à arrecadação dessa contribuição social em seu artigo 11, a seguir transcrito (grifo não consta do original): Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1 0 No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. § 4° Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. Posterion-nente, outra Lei Federal, a de n° 10.174, de 09/01/2001, deu nova redação ao parágrafo 3° acima, que passou a vigorar da seguinte felina (grifo não consta do original): O-1 9 5Ç 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, ocultada sua utiliza ão sara instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário _ . porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Observa-se que a alteração passou a permitir à Receita Federal a utilização de informações decorrentes da fiscalização e arrecadação da CPMF com o fim de instauração de procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais créditos tributários de outros tributos, como, por exemplo; o imposto sobre a renda. Em outras palavras, as informações da CPMF passaram a servir como parâmetro para a fiscalização de outros tributos. De pronto, o órgão fiscalizador começou a utilizar tão valioso instrumento para procedimentos fiscais abrangendo os períodos ainda não atingidos pelo prazo decadencial, vale dizer, períodos anteriores à alteração legislativa introduzida pela citada Lei n° 10.174/2001. Seu entendimento foi de que se tratava de norma procedimental ou formal, de aplicabilidade imediata, nos termos do artigo 144, § 1°, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Sua aplicação se fez, na maior parte dos casos, de forma conjugada com as disposições do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, embora no presente caso isto não tenha ocorrido. Muitas foram as vozes que se levantaram contra a aplicação da Lei n° 10.174/2001 para apuração de crédito tributário referente a períodos anteriores à sua vigência, atribuindo-lhe conteúdo material e não meramente procedimental. Em assim sendo, não se aplicaria o disposto no art. 144, § 1°, do CTN, mas sim o art. 105 do mesmo diploma legal, o qual veda a aplicação retroativa. Essas vozes se materializaram em ações judiciais, que foram, afinal, apreciadas pelo ST5. A partir do inicio de 2004, aquela corte vem decidindo de forma reiterada, com o conteúdo a seguir transcrito (os grifos não constam do original): 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. A exegese do art. 144, 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para -fins de constituição de crédito tributário relativo a .outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributo cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Ine.xiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do io Processo n 0 10845.004376/2003-66 S1-C3T1 Acórdão 1:1." 1301-00.289 Fl. 6 lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. O trecho transcrito é da ementa de acórdão prolatado pelo STJ no Recurso Especial n° 623.929-PR (DJ 30/08/2004). Com idêntico teor, acórdãos nos seguintes processos, entre muitos outros: RESP n° 498.354-SC (DJ 16/02/2004); RESP O 506.232-PR (DJ 16/02/2004); RESP n° 576.304-PR (DJ 22/03/2004); RESP n° 608.274-PR (DJ 31/05/2004); RESP n° 617.092-PR (DJ 22/11/2004). Relator: Min. Luiz Fux. Embora o foco da discussão no STJ tenha sido a possibilidade de aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001, e não propriamente a constitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 (nem poderia ser, pois a competência para tal é deferida ao STF), o ponto 7 da ementa acima transcrita admite a aplicação conjunta dos dois dispositivos, sem qualquer restrição ou ressalva. Exatamente esse é o meu entendimento: por se tratar de norma de caráter procedimental, a qual amplia os poderes de investigação das autoridades administrativas, a aplicação da Lei 1-1° 10.174/2001, conjuntamente ou não com a Lei Complementar n° 105/2001, é imediata ao lançamento. De se observar que é outra a lei material que autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Trata-se do art. 42 da Lei if 9.430/1996, com vigência a partir de 1997, da qual se tratará adiante. No âmbito administrativo, a matéria já se encontra pacificada, a tal ponto de resultar na edição da Súmula CARF N 35 1 , a seguir transcrita: • Súmula CARF 77 0 35: O art. 11, § 32, da Lei N2 9.311/96, com a redação dada pela Lei N2 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Pelo exposto, rejeito os argumentos contrários à aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, e não reconheço qualquer irregularidade no lançamento, sob esse aspecto. No mérito, o principal reclamo da recorrente é de que o lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos bancários seria ilegítimo, à luz da súmula 182 do TFR. Sustenta, ainda, que não teria ocorrido a hipótese de incidência do IR, da CSLL, da COFINS nem do PIS, e que seria necessário identificar a origem e a natureza jurídica dos valores que constavam dos extratos bancários, a verificar se de fato seriam receitas e se teriam aumentado o patrimônio da interessada. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por , depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Anexo III da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009). rA1 11 § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2 0 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostoS e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às __ - normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3 0 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não sei-à- o considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Trata-se, corno é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas-correntes. Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, situação da interessada, a obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista no art. 70, § 1 0, da Lei n° 9.317/1996, a seguir transcrito: Art. 70 A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano- calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3 0 e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estai- escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano- calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Ao descumprir essa obrigação, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por sua conta-corrente. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e 12 • Processo n° 10845.004376/2003-66 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 7 risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção . legal de omissão de receitas, nos estritos teinios da lei, conforme anteriormente mencionado. Também não é demais registrar que a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem assim a jurisprudência colacionada pela recorrente, se referem à legislação pretérita, anterior à vigência da Lei n° 9.430/1996, e se encontram superadas. Sobre as alegações de que não teria ocorrido a hipótese de incidência dos diversos tributos objeto de lançamento, melhor sorte não assiste à recorrente. Configurada, por presunção legal, a omissão de receitas, essas receitas devem, por imposição legal, integrar as bases de cálculo dos tributos abrangidos pelo SIMPLES, tal como consta do lançamento. • No que toca aos acréscimos legais, a recorrente insiste em seus argumentos contrários à aplicação de multas exorbitantes, no percentual "absurdo e inaceitável" de 75%, com ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal/l988. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I.--] IV - utilizar tributo com efeito de confisco; .f..1 Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3° da Lei n° 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 30 Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação . constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula n° 2 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF te 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. . A interessada reafirma, ainda, o argumento trazido em primeira instância, de que a cobrança concomitante de multa e juros de mora constituiria bis in idem, por possuírem ambas a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias. 2 Anexo III da Portaria CAR_F n° 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009). n, ,, 13 Não lhe assiste razão. Ensina a doutrina que a multa de oficio tem natureza punitiva, tendente a coibir a prática de infrações à legislação tributária. Segundo Leandro Paulsen3 , "as multas de oficio são aquelas aplicadas pela própria autoridade através de auto de infração quando apurado tributo devido que não apenas não tenha sido pago pelo contribuinte, total ou parcialmente; mas que sequer tenha sido declarado ou confessado pelo mesmo. [...] A infração extrapola a simples mora, havendo ao menos omissão do contribuinte quanto a outros deveres inerentes à verificação da ocorrência do fato gerador e à apuração do débito". Ao contrário, os juros moratórios representam uma indenização pela utilização de um capital indevidamente retido em mãos alheias, e sua natureza é sempre compensatória, nunca de punição. Ademais, a aplicação concomitante da multa de oficio e dos juros de mora resulta de expressa deteiminação legal, pelo que o argumento da recorrente não merece acolhida. Finalmente, sustenta a impossibilidade de aplicação da Taxa Selic como taxa de juros moratórios, seja por sua natureza de juros remuneratórios, seja por não ter sido criada por lei. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula IV 44, a seguir reproduzida: Súmula CARF n° 4: A partir de 12 de abril de 1995, os juros moratários incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1°, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação, de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 5S 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3°, conjugado com o art. 50, § 3°, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 50 O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1°, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. 3 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12 Ed. - Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora: ESMAFE, 2010, p. 1106. 4 Anexo III da Portaria CARE n° 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009). 14 Processo n° 10845.004376/2003-66 sl-cm Acórdão n.° 1301-00.289 Fl. 8 [-/ § 3° As quotas - do imposto serão acrescidas de juros eqüil Yidentes - à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [-] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 0 de janeiro de • 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5 0, a partir do primeiro dia do 17lêS subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, os argumentos contrários à aplicação da taxa SELIC. Em conclusão, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários por fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1998. U1) WALDIR VEIGA ROCHA - Relator • 15
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010969/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a contradição apontada no julgado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess Relator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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VALE TRANSPORTE Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ROBERTO BOSCH LIMITADA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a contradição apontada no julgado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess – Relator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 09 69 /2 00 8- 35 Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2401004.180 S2C4T1 Fl. 4.630 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 4.603/4.605, contra o Acórdão nº 2301004.129, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 4.555/4.601. 2. A embargante aponta contradição entre fundamentação e conclusão do voto condutor do Acórdão, de lavra do Conselheiro Mauro José Silva, na parte referente à incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte. Transcrevo o respectivo trecho da ementa do Acórdão: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA INDENIZATÓRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União (AGU). 3. Em síntese, a petição da embargante contém as seguintes alegações quanto à existência de vício de contradição no julgado: a) no que tange ao valetransporte, o relatório fiscal da autuação afirma que a "empresa não efetuou o desconto da parcela devida pelo trabalhador, arcando sozinha, com totalidade dos gastos, ou efetuou um desconto bem abaixo do previsto, implicando em aumento do salário de contribuição dos trabalhadores, referente à parcela não descontada;" b) por sua vez, o votocondutor asseverou que "se o empregador não descontar do empregado os 6% a que este estaria obrigado a arcar a título de valetransporte, tratarseia de nova parcela salarial, e então sobre essa liberalidade de 6% deveria incidir a contribuição previdenciária."; c) porém, a conclusão do ato embargado foi no sentido de que ""(...) tendo o valetransporte caráter indenizatório, não deve incidir a contribuição previdenciária."; e d) destarte, em que pese o votocondutor reconhecer a natureza salarial para uma parcela do valetransporte, a conclusão foi "de que não deveria incidir a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de valetransporte em sua totalidade, em razão de seu caráter indenizatório, em clara contradição com o desenvolvido na fundamentação acima transcrita." Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2401004.180 S2C4T1 Fl. 4.631 3 4. Designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 4.608 e 4.617/4.618, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2401004.180 S2C4T1 Fl. 4.632 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 5. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 6. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 6.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 2301004.129, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 7. Pois bem. No que diz respeito ao vício apontado pela Fazenda Nacional, após ler e reler atentamente o acórdão embargado, em confronto com os argumentos deduzidos pela embargante, não consegui visualizar a presença de proposições entre si inconciliáveis contidas no julgado, isto é, que a fundamentação esteja em desalinho com a conclusão do acórdão (fls. 4.581/4.583). 8. Explico. Na parte inicial do seu voto, o Conselheiro Mauro José Silva discorreu sobre o valetransporte no âmbito da legislação ordinária, referindose expressamente aos arts. 2º e 4º da Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, diploma que instituiu o valetransporte, e à alínea "f" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que contém a previsão de isenção das contribuições previdenciárias, desde que o pagamento do valetransporte obedeça a legislação própria. 8.1 Para melhor compreensão desse último texto de lei, reproduzo a alínea "f" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...) 9. Com base na Lei nº 7.418, de 1985, o relator expôs que a parte custeada pelo empregador, consistente na parcela do valetransporte excedente a 6% (seis por cento) do salário básico do empregado, não teria natureza salarial. Por sua vez, caberia ao empregado participar do custeio em até 6% do próprio salário, mediante o correspondente desconto pelo empregador. Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2401004.180 S2C4T1 Fl. 4.633 5 9.1 Ainda de acordo com o ponto de vista do relator, a exigência do desconto de 6% do salário base do empregado não seria requisito para desfrutar da isenção, e sim apenas uma delimitação daquilo que deveria ser custeado pelo empregador e pelo trabalhador. 9.2 Contudo, caso a participação do empregado não ocorresse da maneira determinada pela legislação do valetransporte, resolvendo o empregador nada descontar do trabalhador, tal liberalidade equivaleria à concessão de uma nova parcela salarial, no montante de até 6¨% do salário base, pois esta seria a parte que o empregado deveria suportar. 10. Ao prosseguir o voto, o relator enumerou os requisitos para a fruição da isenção, segundo a disciplina da Lei nº 7.418, de 1985, ressaltando, dentre as exigências para o benefício, que estaria vedada a entrega de valetransporte em pecúnia ao trabalhador. 11. É quando, deixando de lado o seu entendimento pessoal, o Conselheiro transcreve a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 478.410/SP, em que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), na assentada de 10/3/2010, decidiu que o valetransporte, mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, não se constituindo a parcela em base de incidência da contribuição previdenciária. 11.1 Nessa linha de raciocínio, destacou o relator também, no parágrafo seguinte, o verbete da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União (AGU):2 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". 12. Daí, na sequência, sua conclusão registrada no votocondutor, posteriormente reproduzida na ementa do Acórdão nº 2301004.129, abaixo copiada: Logo, tendo o vale transporte caráter indenizatório, não deve incidir a contribuição previdenciária. 13. Dessa feita, pareceme evidente que, a despeito do posicionamento inicial do relator sobre a isenção do valetransporte, tendo em conta a disciplina contida na lei, suas conclusões estão alicerçadas unicamente na natureza jurídica de tal verba, que se reveste de natureza indenizatória, segundo a jurisprudência atual da Corte Suprema e das súmulas mencionadas. 14. Assim como não há modificação da natureza do benefício pelo pagamento em dinheiro, também não haverá transmudação da natureza jurídica em razão de o empregador não efetuar o desconto determinado por lei, ou efetuálo a menor. Permanece o caráter indenizatório da parcela devida. 15. Exposto nestes termos, entendo não haver premissas contraditórias no ato recorrido. A conclusão do voto no sentido de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de valetransporte, em sua totalidade, decorre claramente da utilização da fundamentação contida no RE nº 478.410/SP e no enunciado da 2 Embora o relator tenha deixado de citálo, há também sobre a matéria o enunciado da Súmula nº 89 deste Conselho Administrativo, aprovada em 10/12/2012, assim vazada: "Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia." Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2401004.180 S2C4T1 Fl. 4.634 6 Súmula nº 60 da AGU, segundo os quais o pagamento de valetransporte revestese de caráter indenizatório, Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir o vício apontado pela Fazenda Nacional. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011545/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando há nos autos decisão judicial autorizando a obtenção das movimentações financeiras do contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES.
Pessoas jurídicas que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto realizarem negócios entre si, terem os mesmos sócios efetivos, explorarem o mesmo patrimônio, coexistirem no mesmo local, e valerem-se do mesmo fundo de comércio, respondem solidariamente pelo crédito tributário lançado.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN.
No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (laranjas) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. ÔNUS DA PROVA DA NATUREZA DAS RECEITAS.
A apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei. Não há que se falar em aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da extensão da base de cálculo prevista no art. 3o da Lei n. 9.718/98 quando o contribuinte não faz prova de que haveria tributação de receitas financeiras ou de quaisquer outras receitas que não se relacionassem à sua atividade econômica.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1102-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) não conhecer do recurso voluntário interposto por NOROESTE AGRICULTURA S/A, SS AGROINDUSTRIAL LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA; (ii) conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte e demais responsáveis solidários para rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando há nos autos decisão judicial autorizando a obtenção das movimentações financeiras do contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES. Pessoas jurídicas que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto realizarem negócios entre si, terem os mesmos sócios efetivos, explorarem o mesmo patrimônio, coexistirem no mesmo local, e valerem-se do mesmo fundo de comércio, respondem solidariamente pelo crédito tributário lançado. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (laranjas) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. ÔNUS DA PROVA DA NATUREZA DAS RECEITAS. A apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei. Não há que se falar em aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da extensão da base de cálculo prevista no art. 3o da Lei n. 9.718/98 quando o contribuinte não faz prova de que haveria tributação de receitas financeiras ou de quaisquer outras receitas que não se relacionassem à sua atividade econômica. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF no 72) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso dos responsáveis tributários, o Termo de CoResponsabilidade Fiscal por Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária tem justamente a finalidade de garantir a ciência prévia da indicação dos responsáveis solidários e subsidiários e possibilitar a estes o total exercício do seu direito de defesa. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. A ausência de impugnação ao auto lavrado encerra o contencioso administrativo. O devedor solidário que não se manifestou no prazo devido, impugnando o auto lavrado, carece de legitimidade para atuar apenas em fase recursal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 15 45 /2 00 8- 98 Fl. 6973DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 3 2 Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando há nos autos decisão judicial autorizando a obtenção das movimentações financeiras do contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES. Pessoas jurídicas que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto realizarem negócios entre si, terem os mesmos sócios efetivos, explorarem o mesmo patrimônio, coexistirem no mesmo local, e valeremse do mesmo fundo de comércio, respondem solidariamente pelo crédito tributário lançado. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. ÔNUS DA PROVA DA NATUREZA DAS RECEITAS. A apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei. Não há que se falar em aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da extensão da base de cálculo prevista no art. 3o da Lei n. 9.718/98 quando o contribuinte não faz prova de que haveria tributação de receitas financeiras ou de quaisquer outras receitas que não se relacionassem à sua atividade econômica. Fl. 6974DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) não conhecer do recurso voluntário interposto por NOROESTE AGRICULTURA S/A, SS AGROINDUSTRIAL LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA; (ii) conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte e demais responsáveis solidários para rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos pela Contribuinte e pelos Responsáveis Solidários contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Fl. 6975DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 5 4 DECADÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDARIA RESPONSABILIDADE DOS GERENTES E ADMINISTRADORES Nos casos em que for constatada a ocorrência de infração dolosa, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996, presumese que houve omissão de receitas quando o contribuinte, intimado a tanto, não comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias. A autoridade administrativa não tem competência para apreciar a legações de inconstitucionalidade de lei. Em caso de prática de infração dolosa a multa deve ser qualificada. É cabível a imputação de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária lançada, conforme prescreve o art. 124, 1, do CTN. São responsáveis pelos créditos tributários os diretores e gerentes pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005. AUTO REFLEXO INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.718/1998 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegação de inconstitucionalidade da Lei 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, Fl. 6976DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 6 5 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30106/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005. AUTO REFLEXO 1NCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.718/1998 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegação de inconstitucionalidade da Lei 9.718/1998. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado apurouse, para os quatro trimestres do ano de 2003, que o contribuinte informou receitas em DIPJ que não foram tributadas pelo IRPJ e pela CSLL, pelo PIS e pela COFINS, já que não foram consideradas nos débitos informados nas DCTFs ou nos recolhimentos efetuados. Além disso, apurouse omissão de receitas decorrentes de vendas acompanhadas de notas fiscais "frias". Apurouse, ainda, omissão de receitas constatadas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada para os dois primeiros trimestres de 2003 e para os quatro trimestres dos anos de 2004 e 2005. Em conseqüência, foram lavrados autos de infração de IRPJ (fls. 692699), PIS (fls. 708716), CSLL (fls. 725733) e COFINS (fls. 742750). Conforme descrito no "Relatório de Ação Fiscal n° 00093/08/009" de fls. 526 558, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", envolvendo a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que desbaratou uma organização criminosa que praticou diversas fraudes à administração tributária. Dentre os envolvidos no esquema, está o grupo CAMPBOI, de propriedade de Pedro Alves Dias, César Furlan Pereira, Cláudia Cristina Dias Pereira e Cássia Maria Belmonte Saltes Pereira. O grupo CAMPBOI é integrado por diversas empresas constituídas em nome de "laranjas" para a consecução de seus negócios. A PARNAÍBA REPRESENTAÇÕES LTDA (nova razão social de SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA), doravante apenas PARNAÍBA, tem por objeto social a criação de bovinos e suínos e a comercialização de carnes e dos derivados de seu abate e está registrada em nome dos sócios "laranjas" Helenice Hyelmager Gongora (98% das quotas) e Leandro Belmonte Pinto (2% das quotas). Os sócios de fato, porém, são Pedro Alves Dias, César Furlan Pereira, Cláudia Cristina Dias Pereira e Cássia Maria Belmonte Saltes Pereira. Para o anocalendário de 2003, a PARNAÍBA apresentou DIPJ optando pelo lucro real. Para o anocalendário de 2004 não apresentou DIPJ e, para o ano calendário de 2005, apresentou DIPJ com opção pelo lucro presumido, com todos os valores zerados. Não apresentou DCTF para os anos de 2003 a 2005 e não efetuou recolhimentos a título de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL para os períodos de apuração compreendidos entre os meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. Fl. 6977DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 7 6 Conforme apurado no curso da ação fiscal, a PARNAÍBA, a despeito de haver indicado como endereço cadastral a Rua Euclides da Cunha, 257, sala 25, Centro, Osasco/SP, não tem a sede ou suas operações localizadas neste endereço. Com efeito, ao dirigirse a este endereço, constatou a autoridade que ele estava fechado, tendo o vizinho da frente (sala 24) informado que geralmente há apenas uma funcionária que abre o escritório às 9h até mais ou menos meiodia e que desconhece outra pessoa que trabalhe no local. A autoridade compareceu também, em 13/03/2007, à Estrada Municipal Monte Carlo, S/N, Conjunto 01, Zona Rural, Guapiaçú/SP, local em que a PARNAÍBA notoriamente exerceu de fato suas atividades. Neste local, encontrou em funcionamento a empresa NOROESTE AGROINDUSTRIAL S/A, tendo sido recebido pelo Sr. Soélis Luiz Medeiros Sanches, diretor administrativofinanceiro. Esta empresa foi constituída em 22/12/2003, como resultado da transformação da empresa ENQUIST PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, a qual foi adquirida nessa mesma data pelas empresas HIGH FEATHER HOLDINGS LTD e WHITE SHELL HOLDINGS LYD, ambas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A primeira tem como procurador e representante no Brasil precisamente o Sr. Soélis, enquanto o procurador da segunda é o Sr. Waslen dos Santos Elias. A NOROESTE AGROINDUSTRIAL S/A outorgou procuração a esses dois senhores. Em 03/09/2007, a autoridade compareceu à Rua Silvana, 326, Jardim Lede, Fazendinha — Santana do Parnaíba/SP, local eleito para ser a matriz da PARNAÍBA, tendo constatado que o imóvel se encontrava fechado, com placa indicando que o contribuinte havia mudado de endereço para a Rua Tarauaka n° 50 D, Sala 3, Jardim Cumbica, Guarulhos/SP. Verificouse que o imóvel faz fundos com o estabelecimento cuja entrada se dá pela Rua Florianópolis, n° 796, e, neste local, o Sr. Marco Antonio de Lima identificouse como funcionário administrativo da atual ocupante do imóvel, a EMPRESA PRODUTORA DE CHARQUE CAMPEÃO LTDA. Este senhor esclareceu que no endereço funcionava a SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA, que há pelo menos 18 meses deixou o local. Informou, ainda, que o estabelecimento poderia ser acessado também pela Rua Silvana, 326, e que os imóveis são do mesmo proprietário, Sr. Álvaro Cruz. O Sr. Marco Antonio de Lima informou que desde 1992 trabalha no local, que só é trocado o nome da empresa, mas continuam os mesmos funcionários, esclarecendo que o responsável pela empresa é o Sr. João Carlos. Em consulta ao CNPJ, constatou a autoridade que a SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA alterou seu endereço, em 29/07/2004, para a Rua Florianópolis, 796, e, em 17/07/2005, para a Rua Silvana 326, não havendo alteração cadastral para a Rua Tarauaka, n° 50D, Sala 3, Jardim Cumbica, Guarulhos/SP. Diante disso, concluiu a autoridade que a PARNAÍBA alterou sua sede do local de seu efetivo funcionamento (Estrada Municipal Monte Carlo, S/N, Conjunto 01 — Zona Rural — Guapiaçú/SP) para a cidade de Osasco, com o fim de fraudar os deveres tributários da empresa, dificultando sua fiscalização. A autoridade compareceu à Rua Alberto Sarmento Rodrigues, 70, Jardim Profa. Tarsília, Campinas/SP, endereço residencial da Sra. Helenice Hyelmager Gongora, que figura como responsável pelas empresas SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA e SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA. No local, constatouse que a Sra. Helenice é pessoa destituída de posses, com estilo de vida humilde e despojado de extravagâncias, sem conhecimentos econômicos, contábeis, financeiros, comerciais e gerenciais necessários à consecução de negócios que movimentam milhões de Reais, como ocorre com as empresas referidas. Ao ser Fl. 6978DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 8 7 indagada acerca dos reais proprietários das empresas, a Sra. Helenice negouse a fazer qualquer declaração, alegando que se revelasse tal informação estaria colocando em risco a própria vida e de sua família e que estava sofrendo pressões por parte de diversas pessoas para que ficasse calada quanto a quaisquer informações sobre as empresas. O Sr. Fernando, também residente no local e cônjuge da Sra. Helenice, é tio da Sra. Cássia Maria Belmonte Saltes Pereira, esposa do Sr. César Furlan Pereira, proprietário do Grupo CAMPBOI juntamente com o Sr. Pedro Alves Dias Em 14/06/2007, o Sr. Leandro Belmonte Pinto, outro sócio das empresas SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA e SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA, declarou Formalmente que não sabe onde ficam nem nunca esteve nas sedes destas empresas e que recebia R$ 1.000,00 mensais para figurar como sócio. A despeito de reiterados pedidos de prorrogação de prazo, o contribuinte não apresentou resposta alguma aos Termos de Intimação n° 00093/08/001, n° 00093/08/002, n° 00093/08/003, n° 00093/08/0004, n° 00093/08/005 e n° 00093/08/006. Por meio da quebra do sigilo bancário da PARNAÍBA, autorizada por decisão judicial, constatou a autoridade que o contribuinte movimentou, nos anos de 2003 a 2005, milhões de Reais em 29 contas bancárias. O contribuinte foi intimado diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários identificados nessas contas, mas as intimações ficaram sem qualquer resposta formal. É curioso notar que, no ano de 2003, a despeito de haver movimentação financeira nos meses de janeiro a maio, o contribuinte informou em DIPJ receitas que integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS apenas para o segundo semestre. Para o ano de 2004 não apresentou DIPJ e, para o ano de 2005, apresentou DIPJ com valores zerados. A análise dos extratos bancários revelou que as contas da PARNAÍBA receberam diversos créditos provenientes de outras empresas integrantes do grupo CAMPBOI. Em sentido inverso, constatouse que saíram recursos das contas da PARNAÍBA para outras empresas do grupo. Intimada a esclarecer tais movimentações financeiras, o contribuinte quedouse inerte. A escrituração do contribuinte não foi apresentada, apesar das reiteradas intimações. Diante desses fatos, concluiu a autoridade autuante que os depósitos bancários de origem não comprovada configuramse receitas omitidas, com base no disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. As receitas informadas pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2003 foram tributados como faturamento proveniente da venda de mercadorias de fabricação própria declarado em DIPJ e não tributado, por força do disposto no § 2° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, excluindose tais valores dos depósitos de origem não comprovada apurados. Constatou a autoridade que a PARNAÍBA utilizou notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas DISTRIBUIDORA) para ocultar suas vendas de carnes. A DISTRIBUIDORA atuava no esquema como "noteira", neologismo criado pelas autoridades policiais para descrever as empresas que, na operação Grandes Lagos, vendiam notas fiscais "frias" a terceiros, a fim de que estes ocultassem suas operações. Tais notas eram inclusive impressas em diversos locais que compunham Fl. 6979DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 9 8 os escritórios do grupo CAMPBOI, endereços nos quais foram apreendidos milhares de formulários de notas fiscais em branco da DISTRIBUIDORA. Tal ilícito foi confirmado inclusive pela Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante, funcionária da DISTRIBUIDORA. Apurouse, ainda, que grande parte das notas fiscais "frias" emitidas e fornecidas pela PARNAÍBA eram acompanhadas de boletos de pagamento de terceiros, dentre os quais outras empresas do grupo CAMPBOI, como a SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e a MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA. Em suma, as vendas eram efetuadas, de fato, pela PARNAÍBA, com a utilização de notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA, e os valores eram recebidos pela MEAT CENTER e pela SANTA ESMERALDA ALIMENTOS. Tais recebimentos foram confirmados pelos próprios bancos. Os valores decorrentes de vendas acompanhadas de notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA não transitavam, portanto, pelas contas bancárias da PARNAÍBA. Somente foi possível obter a listagem das notas fiscais "frias" utilizadas para o mês de fevereiro de 2004. Esses valores foram tributados como receitas omitidas. O lucro do contribuinte foi arbitrado, tendo em vista que não foi apresentada escrituração contábil e fiscal necessária à apuração de suas receitas e à identificação da efetiva movimentação financeira da empresa. O arbitramento se deu sobre a receita bruta conhecida. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada e agravada. A qualificação, prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, devese ao fato de que ficou caracterizado o dolo do contribuinte na prática das infrações apuradas, pois houve a utilização de "laranjas" na constituição da sociedade, foram utilizadas notas fiscais "frias" e as receitas omitidas apuradas a partir. de depósitos bancários de origem não comprovada não foram escrituradas, já que o contribuinte sequer apresentou os livros. O agravamento da multa, por sua vez, previsto no art. 959, I, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR), decorre do atraso nas respostas às intimações, na falta de esclarecimentos sobre os fatos e na falta de entrega de livros e documentos diversas vezes solicitados. No "Termo de CoResponsabilidade por Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária" (fls. 305366), a autoridade identifica os sujeitos passivos solidários, quais sejam: FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA; VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA; NOROESTE AGROINDUSTRIAL S/A; SS AGROINDUSTRIAL LTDA; SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA; MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA; SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA; PEDRO ALVES DIAS; CÉSAR FURLAN PEREIRA; CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES; CLAUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA. Neste "Termo são descritos os fatos que ensejaram a atribuição de responsabilidade pelos créditos tributários lançados. Conforme descrito, as empresas que compõem o grupo CAMPBOI podem ser divididas em três subgrupos. No primeiro, encontramse as empresas que desenvolveram atividades ostensivamente, capitaneado pela VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, sucedida em suas atividades operacionais e de mão deobra pela NOROESTE AGROINDUSTRIAL S/A e pela SS AGROINDUSTRIAL LTDA. O segundo subgrupo é composto pela FRIGORIFICO SANTA ESMERALDA e por sua sucessora, a PARNAÍBA. Estas empresas existiram e operaram de fato e foram criadas paralelamente ao primeiro grupo com a finalidade de praticar ilícitos tributários de grandes proporções. Por meio delas era Fl. 6980DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 10 9 escoada grande parte da produção do grupo sem o recolhimento dos tributos devidos. Finalmente, o terceiro subgrupo é composto pela SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, por sua sucessora SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA e também pela MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA. Estas empresas também existiram e operaram de fato, praticando infrações tributárias em menores proporções. Foram criadas paralelamente ao primeiro subgrupo com a finalidade de descentralizar os negócios do grupo, sempre possibilitando alternativas de faturamento e de movimentação financeira. O interesse comum entre as empresas e as pessoas físicas já referidas foi revelado no curso da ação fiscal por diversos elementos. Resumidamente, constatou se que as empresas, em sua maioria, foram assessoradas na sua formação e na confecção de sua escrituração contábil e fiscal pelo Escritório Contábil Jurkovich Ltda. As empresas contam com os mesmos proprietários e exploram a mesma atividade social. Exploram o mesmo patrimônio e exercem suas operações nos mesmos espaços físicos e geográficos, valendose do mesmo fundo de comércio. Seus sócios de fato possuem poderes de gerência e administração em todas as empresas do grupo CAMPBOI. Há intensa movimentação financeira entre as contas bancárias dessas empresas, não justificada no curso da ação fiscal. Documentos apreendidos pela Polícia Federal demonstram que as empresas eram geridas financeiramente a partir dos mesmos locais e pelas mesmas pessoas. Quanto às pessoas físicas que de fato controlam as empresas, constatou a autoridade que o grupo CAMPBOI é capitaneado pelo Sr. Pedro Alves Dias e por seu sócio, Sr. César Furlan Pereira. Em 24/04/2003, bem próximo à data de falência do FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA, com a finalidade de manter seu patrimônio afastado de possíveis pendengas judiciais causadas pela gestão fraudulenta da empresa, o Sr. Pedro Alves Dias transferiu a seus filhos, Cláudia Cristina Dias Pereira e Cristiane M. Dias, a quase totalidade de seus bens imóveis e direitos, passando estes a participar da gestão deles. Na mesma data, o Sr. César Furlan Pereira adotou o mesmo procedimento, transferindo parte de seus bens pessoais imóveis e direitos a estas mesmas pessoas físicas. Assessorando o grupo nas grandes decisões e na fase efetivamente operacional atuaram a Sra. Claudia Cristina Dias Pereiram, filha do Sr. Pedro Alves Dias, e Cássia Maria Belmonte Saltes, esposa do Sr. César Furlan Pereira. O rastreamento das movimentações financeiras do grupo permitiu constatar a transferência de valores das contas bancárias das empresas para as senhoras Cláudia Cristina Dias Pereira e Cássia Maria Belmonte Sanes. O contribuinte e os sujeitos passivos solidários e subsidiários foram intimados dos autos de infração lavrados. Apresentaram impugnações a PARNAÍBA (fls. 986 1065), a SERRA DO JAPI IND. E COM. DE CARNES LTDA (fls. 939984), a SANTA ESMERALDO ALIMENTOS LTDA (fls. 10671112), o Sr. César Furlan Pereira (fls. 774815), o Sr. Pedro Alves Dias (fls. 898937), a Sra. Cássia Maria Belmonte Saltes (fls. 817856) e a Sra. Claudia Cristina Dias Pereira (fls. 858897). Em seu recurso, a PARNAÍBA apresenta as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Tece o contribuinte extensas considerações acerca dos princípios constitucionais, da hierarquia das normas e dos princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa, com fartas citações doutrinárias, para concluir que houve cerceamento ao direito de defesa, pois não foi apresentada uma planilha com Fl. 6981DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 11 10 as contas correntes e os depósitos bancários utilizados na aplicação da presunção de omissão de receitas. A simples identificação no lançamento dos valores totais mensais não possibilita a defesa plena. O contribuinte apresenta um demonstrativo de créditos bancários que, segundo alega, não representam acréscimo patrimonial, por representarem operações de crédito e transferências entre contas da mesma titularidade ou por terem sido estornados das contas correntes. Conclui o contribuinte que a inclusão de tais valores na apuração macula de nulidade os autos de infração lavrados, cabendo, caso assim não se entenda, a realização de diligência para a correta análise deles. As informações bancárias são protegidas pela garantia constitucional do sigilo de dados, prevista no art. 50 XII, da Constituição Federal e também pelos incisos X e XII deste mesmo artigo. A época dos fatos, não havia previsão legal que autorizasse o acesso a tais dados. Os extratos bancários foram obtidos pela autoridade diretamente junto às instituições financeiras, sem ordem judicial. Traz o contribuinte extensas citações doutrinárias sobre o sigilo bancário para concluir que tal garantia não pode ser afastada por lei, ordinária ou complementar. Afirma que a ordem judicial é o único instrumento legítimo para ensejar uma possível quebra do sigilo bancário, de modo que a Lei Complementar n° 105/2001 não pode conferir tal poder à autoridade administrativa, sob pena de violar a Constituição. A Lei Maior não confere à Secretaria da Receita Federal o status de órgão equiparado ao Poder Judiciário, razão pela qual é descabida a quebra do sigilo bancário sem a interferência de um juiz. O mandado de busca e apreensão não compreende poderes para a Receita Federal do Brasil utilizar os extratos bancários. Diante disso, conclui que o procedimento fiscal é nulo de pleno direito, por haver utilização de prova ilícita. Ocorreu a decadência do direito de lançar os tributos para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, pois houve o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4°, do CTN. O ônus de demonstrar os elementos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador é do Poder Público. A autoridade administrativa, porém, lavrou o auto de infração apenas com base em presunção, sem demonstrar os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Deve o Fisco buscar a verdade material. Na apuração da renda, devem ser confrontadas entradas e despesas, confronto esse que não ocorre em autuações lavradas apenas com base em depósitos bancários. Movimentação financeira não se confunde com renda. Cita o contribuinte vários julgados em abono a sua tese. Pede o contribuinte que seja feita nova intimação, com o encaminhamento de planilha onde se discriminam os depósitos bancários que foram utilizados na lavratura dos autos de infração, ou a realização de diligência para que sejam discriminados tais depósitos, possibilitando a posterior apresentação de justificativas. Alega o impugnante que sempre atendeu a fiscalização e apresentou os livros obrigatórios que dão suporte aos lançamentos contábeis. Sustenta que o simples fato de realizar lançamentos mensais e não diários não caracteriza razão para o arbitramento do lucro. Conclui que o arbitramento deve ser considerado ilegal. A base de cálculo da COFINS, à época da ocorrência dos fatos geradores, encontravase definida no art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Contudo, em face da inteligência do Sistema Tributário Nacional, não se pode admitir a existência de Fl. 6982DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 12 11 tributo com efeito cumulativo, já que tal não foi permitido sequer para o IPI e para o ICMS. Assim, a base de cálculo da COFINS devem compreender somente o valor efetivamente agregado ao preço para efeito de posterior revenda, pois este é o montante correspondente à receita efetiva. Esta, aliás, é a regra aplicável às pessoas jurídicas que comercializam veículos usados, nos termos do art. 5° da Lei n° 9.716/1998. O mesmo se passa com as empresas de fomento comercial, nos termos do Ato Declaratório Normativo n° 31/1997. O art. 3°, § 2°, III, e § 4° da Lei n° 9.718/1998 corrobora tal raciocínio, que também se aplica ao PIS, sob pena de violação ao princípio da isonomia tributária, plçv,..to no art. 150, II, da Constituição Federal. Destarte, deve ser reconhecido o direito à exclusão dos valores referentes ao custo de aquisição e/ou produção na apuração da base cálculo da COFINS e do PIS. Antes da edição da Emenda Constitucional n° 20/1998, o art. 195, I, da Constituição Federal autorizava a instituição de contribuição à seguridade social incidente, estriamente, sobre o faturamento, o lucro e a folha de salários. Faturamento, tal como previsto ia legislação do imposto de renda, é o resultado o produto da venda de mercadorias e/ou de serviços. Tal conceito foi adotado pelo STF em vários julgados. Assim, é inconstitucional o art. 3° da Lei n° 9.718/1998 ao tentar fazer a COFINS incidir sobre a totalidade das receitas operacionais. Esta Lei é anterior à Emenda Constitucional n° 20/1998, de modo que esta não validou aquela. A definição de receita bruta prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/1998 configura nova fonte de custeio da seguridade social e, como tal, deveria ocorrer via lei complementar, nos termos do art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal. O art. 110 do CTN veda a ampliação da definição, do conteúdo ou do alcance de institutos de direito privado utilizados pela Lei Maior na atribuição de competências tributárias, razão pela qual é descabida a ampliação do conceito de faturamento. Tal entendimento foi acolhido pelo STF no julgamento do RE 357.950/RS e do RE 346.084/PR. Também é inconstitucional a majoração da alíquota da COFINS para 3%, promovida pelo art. 8° da Lei n° 9.718/1998, por ofensa ao princípio da isonomia, pois o contribuinte que não apurar lucro ficará submetido á alíquota de 3%, enquanto o contribuinte que auferir lucro estará sujeito à alíquota de 2%, dada a possibilidade de compensação de 1% com a CSLL. Tal discriminação não possui qualquer pertinência lógica. Finalmente, pelo princípio da hierarquia das leis, não pode a Lei n° 9.718/1998 revogar a Lei Complementar n° 70/1991. Alega o contribuinte que tampouco o ICMS pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, pois não configura faturamento e não tem relação com o conceito de receita. Há inclusive decisões judiciais acolhendo tal entendimento. Em matéria tributária, os juros moratórios têm natureza indenizatória, pois recompõem o patrimônio do Estado pela mora do devedor. A taxa Selic tem natureza remuneratória, de modo que é descabida sua utilização para fins de cálculo de juros moratórios. A Lei n° 9.065/1995 não pode alterar a natureza das coisas, pois tal desiderato é vedado pelo art. 110 do CTN. O art. 161, § 1°, do CTN autoriza a definição de taxa de juros diversa de 1% ao mês, desde que tenha natureza moratória. Esta norma deve ser interpretada como limite máximo para as taxas de juros moratórios, tendo em vista a situação econômica atual. Esta norma, ademais, não pode ser interpretada no sentido de que a lei que regulamente a matéria pode delegar a quantificação dos juros a órgão da administração federal, que é parte interessada na cobrança do tributo. As multas aplicadas, no montante de 225% do tributo apurado, ofendem os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal, razão pela qual devem ser reduzidas, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. Ao menos, há que se reduzilas para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de Fl. 6983DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 13 12 multa qualificada por força de omissão de receitas relativas aos depósitos bancários. Não houve dolo, apenas omissão de receitas apuradas a parti de depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade afirma que os sócios do contribuinte são "laranjas" e que a empresa foi constituída para a consecução de negócios do grupo CAMPBOI. Afirma, ainda, que as contas bancárias da empresa foram utilizadas pelo referido grupo, tendo em vista as inúmeras transferências sem justificativa contábil. Portanto, a própria autoridade reconhece que a PARNAÍBA é uma interposta pessoa do grupo CAMPBOI. Diante disso, com base no art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/1996, o lançamento deveria ser efetuado contra a VITORIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA. Portanto, o lançamento está viciado pela ilegitimidade do sujeito passivo, devendo ser reconhecida sua nulidade. Por fim, pede o contribuinte que seja julgado improcedente o lançamento. O Sr. César Furlan Pereira apresenta, em seu recurso, as seguintes alegações: Foi apresentada defesa ao "Termo de CoResponsabilidade por Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária", refutando completamente as imputações. Porém, não houve regular julgamento do recurso, ensejando a nulidade do auto de infração lavrado. Tece o impugnante extensas considerações acerca dos princípios constitucionais, da hierarquia das normas e dos princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa, com fartas citações doutrinárias, para concluir que houve cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista a inexistência de ato administrativo explicitando os motivos para a imputação realizada e a ausência de julgamento da defesa apresentada ao termo de responsabilidade solidária. O impugnante discorre sobre a regulação dada pelo CTN à responsabilidade solidária, especialmente quanto ao disposto no art. 124, I, asseverando que cabe à Fazenda Nacional o ônus da prova do interesse comum quanto ao fato gerador para que se possa imputar responsabilidade tributária, prova esta que não pode se pautar por meros indícios ou presunções. Invoca jurisprudência em abono a sua tese. Afirma que no presente processo administrativo não houve prova ou justificativa capaz de dar suporte à imposição responsabilidade tributária solidária. Somente é possível impor responsabilidade tributária solidária, com base no art. 124, I, do CTN, aos participantes do fato jurídico tributário, pois somente neste caso poderse á falar em interesse comum, entendido como interesse jurídico e não meramente fático, econômico ou social. Ademais, os partícipes do fato gerador não podem estar em situação oposta no ato, fato ou relação negocial. Cita decisões judiciais que corroboram seus argumentos. Conclui que, no presente caso, não ficaram caracterizados os requisitos legais para a atribuição de responsabilidade solidária, pois nunca teve qualquer relação com a devedora principal, desconhecendo totalmente o teor da dívida. A solidariedade, se eventualmente existisse, poderia ocorrer entre a PARNAÍBA e a empresa na qual o Sr. César seja sócio, nunca quanto à pessoa física deste. Não ficou caracterizada, nos fatos geradores apurados, uma relação de interesse jurídico comum, na qual as pessoas sejam partícipes no mesmo pólo da relação jurídica. Também é descabido pretender, com base no art. 135, III, do CTN, atribuir responsabilidade solidária ao sócio de uma pessoa jurídica por débito apurado em outra pessoa jurídica. Ainda que se atribua condição de sócio ao Sr. César, não é aplicável a norma referida, pois o simples inadimplemento de obrigação tributária não caracteriza infração à lei, sob pena de se usurpar a distinção entre os sócios e a Fl. 6984DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 14 13 pessoa jurídica. Para a aplicação do art. 135, III, do CTN é necessário que a infração à lei seja qualificada pela máfé, pelo conluio, pela fraude ou pelo dolo, cuja prova cabe ao Fisco. Cita jurisprudência que confirma sua argumentação. A autoridade afirma que a PARNAÍBA é interposta pessoa de outra pessoa jurídica e que as contas daquela eram utilizadas pelos controladores do grupo. Portanto, a própria autoridade reconhece que a PARNAÍBA é uma interposta pessoa, de modo que, com base no art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/1996, o lançamento deveria ser efetuado contra o efetivo titular. Portanto, o lançamento está viciado pela ilegitimidade do sujeito passivo, devendo ser reconhecida sua nulidade. Ocorreu a decadência do direito de lançar os tributos para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, pois houve o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4°, do CTN. Quanto à utilização da taxa Selic para fins de cálculo de juros moratórios, são reproduzidos os mesmos argumentos constantes da impugnação da PARNAÍBA. O mesmo se passa no tocante à multa aplicada. Por fim, pede o contribuinte que seja julgado improcedente o lançamento. Sucessivamente, requer a redução da multa para 75%. Pede, ainda, que seu patrono seja intimado para, quando do julgamento, sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 5°, LV, da Constituição Federal. As impugnações apresentadas pela Sra. Cássia Maria Belmonte Sailes, pelo Sra. Cláudia Cristina Dias Pereira e pelo Sr. Pedro Alves Dias reproduzem os mesmos argumentos trazidos no recurso do Sr. César Furlan Pereira, sem nada acrescentar. Na impugnação apresentada por SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMERCIO DE CARNES LTDA são reproduzidos os argumentos constantes do recurso do Sr. César Furlan Pereira, sendo acrescidas as seguintes alegações: Foi apresentada defesa ao "Termo de CoResponsabilidade por Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária", refutando completamente as imputações. Porém, não houve regular julgamento do recurso, ensejando a nulidade do auto de infração lavrado. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212/1991 não é aplicável à situação de que trata o presente processo administrativo, pois esta norma autoriza a atribuição de responsabilidade solidária a empresas que integram grupo econômico apenas no caso de lançamento de contribuições previdenciárias, como aquelas incidentes sobre a folha de salários, o que não é o caso dos autos. Ademais, a simples constatação da existência de grupo econômico não impõe a atribuição de responsabilidade tributária, devendo ser comprovados os requisitos do art. 124, I, do CTN para tanto. Trás citações doutrinárias e jurisprudência em abono a sua argumentação. Caberia ao Fisco, em ato fundamentado e com provas, demonstrar, cumulativamente: I a existência de uma ou mais empresas; II direção, controle ou administração de outra; III seja qual for a atividade; IV — existência de uma empresa principal, que diretamente participa e determina a condução das atividades das empresas acessórias; V eventualmente, sócios em comum; VI confusão patrimonial. Conclui que não ficou caracterizada a existência de grupo econômico e que a eventual existência deste não impõe, por si só, solidariedade tributária. Fl. 6985DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 15 14 O recurso apresentado por SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA reproduz os mesmos argumentos já trazidos na impugnação de SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMERCIO DE CARNES LTDA. O acórdão recorrido julgou improcedentes as impugnações apresentadas pela Contribuinte e pelos responsáveis solidários pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos por: (i) cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de planilha contendo os depósitos bancários que ensejaram os lançamentos; (ii) obtenção de prova ilícita por violação de seu sigilo bancário; (iii) decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2003 e 30/11/2013; (iv) impossibilidade da presunção de omissão de receitas; (v) impossibilidade de arbitramento do lucro, em razão da apresentação de todos os livros contábeis obrigatórios; (vi) reconhecimento da aplicação da sistemática da não cumulatividade para o PIS e a COFINS no cálculo dos tributos devidos; (vii) inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo e do aumento de alíquota, em relação ao PIS e à COFINS, pela Lei nº 9.718/98, assim como inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo de tais contribuições; (viii) inaplicabilidade da taxa SELIC como juros moratórios; (ix) redução da multa aplicada, por ausência de elementos para o seu agravamento e por ser confiscatória. Os responsáveis solidários NOROESTE AGRICULTURA S/A, SS AGROINDUSTRIAL LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA, em recurso voluntário único, alegam (i) nulidade do acórdão recorrido por ausência de fundamentação no tocante à responsabilidade solidária e (ii) ilegitimidade passiva por ausência de vínculo com a Contribuinte. As responsáveis SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, em sede de recurso voluntário, reproduzem suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos por: (i) nulidade do auto de infração por ausência de julgamento da defesa apresentada em face do Termo de Responsabilidade Solidária; (ii) ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum e por estar configurada a interposição de pessoa da Contribuinte em relação a outras empresas; (iii) decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro/2003 a novembro/2003; (iv) inaplicabilidade da taxa SELIC como juros moratórios; (v) inaplicabilidade de multa de 225% por ausência de elementos para o seu agravamento e por ser confiscatória. Os responsáveis CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA em sede de recurso voluntário, reproduzem suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos por: (i) nulidade do auto de infração por ausência de julgamento da defesa apresentada em face do Termo de Responsabilidade Solidária; (ii) ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum, por ausência de dolo ou fraude e por estar configurada a interposição de pessoa da Contribuinte em relação a outras pessoas jurídicas; (iii) decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro/2003 a novembro/2003; (iv) inaplicabilidade da taxa SELIC como juros moratórios; (v) inaplicabilidade de multa de 225% por ausência de elementos para o seu agravamento e por ser confiscatória. Fl. 6986DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 16 15 É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do acórdão pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizado pelo relator minuta do voto proferido. Tendo efetuado a sua revisão para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a proferir a decisão consubstanciada no resultado transcrito ao norte. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. O recurso voluntário interposto pelos responsáveis NOROESTE AGRICULTURA S/A, SS AGROINDUSTRIAL LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA não merecem ser conhecidos, por não preencherem requisito formal de admissibilidade. Conforme salientado em sede de Relatório, os responsáveis solidários acima mencionados não apresentaram impugnação ao auto de infração lavrado, não se iniciando, portanto, para tais sujeitos, o contencioso administrativo no que tange à imputação da responsabilidade solidária. Carecem, pois, de interesse em atuar na fase recursal. Nesse sentido, confirase jurisprudência deste Órgão Colegiado: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/1997 NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. ILEGITIMIDADE RECURSAL. A ausência de impugnação ao auto lavrado encerra o contencioso administrativo. O devedor solidário que não se manifestou no prazo devido, impugnando o auto lavrado, carece de legitimidade para atuar apenas em fase recursal. Recurso Voluntário não Conhecido. (Acórdão 2803002.027, 2ª Seção, 3ª Turma Especial, 24.01.2013) No mesmo sentido: “Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPUGNAÇÃO DO COOBRIGADO QUE VERSA SOMENTE SOBRE RESPONSABILIDADE Fl. 6987DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 17 16 TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A ausência de impugnação tempestiva não permite o conhecimento de eventual recurso voluntário interposto.” (Acórdão 1402001.591, 1ª Seção, 4ª Turma, 2ª Câmara, 11.03.2014) Os recursos voluntários interpostos pela Contribuinte e pelos demais Responsáveis Solidários são tempestivos, assim como foram interpostos por parte legítima (Súmula CARF n. 71), pelo que deles se toma conhecimento. I. DAS PRELIMINARES (i) Nulidade por cerceamento de defesa Os responsáveis SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, SERRA DO JAPI INDÚSTRIA, COMÉRCIO DE CARNES LTDA CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA sustentam, em sede preliminar, que o lançamento tributário seria nulo, porquanto a autoridade fiscal não teria examinado as razões de discordância por eles apresentados quando da intimação do “Termo de CoResponsabilidade Fiscal por Sujeição Passiva Solidária e Subsidiária” (Termo), de fls. 492 a 553. Não assiste razão aos Recorrentes. Conforme bem fundamentado pelo acórdão recorrido (fls. 1.475/1476), referido termo tinha a finalidade de garantir a ciência prévia da indicação de responsáveis solidários e subsidiários e possibilitar o total exercício de defesa aos intimados. O cabimento do questionamento acerca da atribuição de responsabilidade aos Recorrentes ocorre em momento posterior, isto é, em sede de impugnação, a qual foi devidamente oferecida pelos Recorrentes. Assim, garantida a possibilidade dos Recorrentes em se defender das alegações relativas à responsabilidade, não há que se falar em prejuízo à defesa ou tampouco em nulidade do lançamento tributário. (ii) Nulidade em razão da falta de apresentação de planilhas com indicação dos depósitos bancários Alega a Contribuinte que teve seu direito de defesa cerceado em razão da não apresentação, pela autoridade fiscal, das planilhas contendo as receitas tidas como omitidas e que deram ensejo ao lançamento fiscal em questão. A alegação da Contribuinte não procede. Encontramse anexas ao relatório de ação fiscal, entre as fls. 760 e 983 dos autos, as planilhas por meio das quais a autoridade fiscal obteve os valores das receitas não declaradas e que serviram de base para os lançamentos. Ademais, anteriormente à intimação Fl. 6988DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 18 17 dos lançamentos, a Contribuinte foi intimada a manifestarse sobre o teor das receitas de origem não comprovada, e, para tanto, a Fiscalização forneceu as planilhas respectivas (fls. 36 a 410). Rejeitase, pois, a preliminar de nulidade suscitada (iii) Decadência Alegam os Recorrentes, em sua totalidade, que estaria decaído o direito do Fisco constituir crédito tributário referente ao período de janeiro de 2003 a novembro de 2003. O acórdão recorrido manteve o lançamento, sob o seguinte fundamento (fls. 1.464): “Quanto à alegação de decadência do direito de lançar os tributos para os fatos geradores relativos aos meses de janeiro a novembro de 2003, em razão do transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4°, do CTN, cabe esclarecer que na situação de que trata o presente processo administrativo a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN. Isso porque foi constatada a ocorrência de dolo na prática das infrações tributárias apuradas, de modo que o art. 150, § 4°, do CTN não se aplica, conforme ressalva constante de sua redação. Assim, o prazo de cinco anos contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Para os fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro e novembro de 2003, o prazo decadencial começa a transcorrer em 1° de janeiro de 2004, encerrandose apenas em 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu antes do término do prazo, não procede a alegação de decadência.” O acórdão recorrido não merece reparos. A contagem do prazo decadencial iniciase, de fato, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o artigo 173, I do CTN, tendo em vista a constatação de dolo e fraude na prática das infrações tributárias por parte dos sujeitos passivos, adiante tratada. Neste sentido é a Súmula CARF nº 72. Confirase: “Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Verificase, assim, que o prazo para constituição do crédito tributário se iniciou, efetivamente, em 01.01.2004, e se encerrou em 31.12.2008. Os Avisos de Recebimento (“ARs”) acostados aos autos nas fls. 1.421/1.435 demonstram que os sujeitos passivos foram intimados do auto de infração, no mais tardar, em 04.12.2008. Rejeitase, pois, a preliminar de decadência. (iv) A sujeição passiva por responsabilidade solidária e pessoal a. SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA. Fl. 6989DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 19 18 Conforme salientado em sede de relatório, as Recorrentes SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA impugnam o termo de responsabilidade tributária solidária, acostado às fls. 492 a 553 (“Termo”) sob o fundamento de que as provas colhidas pela Fiscalização seriam insuficientes para caracterização de tal responsabilidade. Nesse ponto, procede a pretensão da Fiscalização de atribuir responsabilidade solidária entre a Contribuinte e tais Recorrentes à luz do art. 124, I do CTN. Confirase tal artigo: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;”. Inicialmente, cabe dizer que, dada a amplitude e generalidade da expressão “interesse comum”, esta (expressão) não pode ser tomada em acepção vulgar ou identificada em situações em que se aponte popularmente a existência de “interesse comum”. Fosse admitida, por exemplo, a responsabilidade de sócios/administradores apenas por alegado “interesse comum no fato gerador”, seria desnecessária a previsão do art. 135 do CTN, por exemplo, pois se desconhece hipótese em que sócios ou administradores não tenham “interesse” nas operações realizadas pelas empresas por eles administradas. A expressão “interesse comum” há de ser considerada somente nas situações em que existente a comunhão da posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária, tal como ocorre, por exemplo, entre condôminos em relação aos tributos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade ou entre herdeiros em relação aos tributos devidos pela sucessão causa mortis. Em outros termos, somente pode ser responsabilizado solidariamente com base na lei o participante do fato gerador que tenha ocupado o mesmo polo ou exercido a mesma atividade efetivada pelo contribuinte eleito pela lei. Nesse sentido, é o entendimento do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO1 sobre o conceito de “interesse comum”, verbis: “O interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores. A expressão empregada, sobre ser vaga, não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária. Basta refletirmos na hipótese do imposto que onera as transmissões imobiliárias. No Estado de São Paulo, a lei indica o comprador como o sujeito passivo do gravame. Entretanto, quer ele quer o vendedor estão diretamente ligados à efetivação do negócio, havendo indiscutível interesse comum. (...) Aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método 1 “Curso de Direito Tributário”, 12ª ed., São Paulo: Saraiva, 1999, p. 309/310, grifamos. Fl. 6990DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 20 19 preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.” Compartilhando deste entendimento, LUIZ ANTONIO CALDEIRA MIRETTI2 afirma: “Cabe ressaltar que a disposição genérica, ‘interesse comum’, adotada pelo legislador do CTN, não é suficientemente, adequada para revelar com precisão e segurança a exata medida da condição em que figuram os participantes da concretização do fato gerador, já que existem hipóteses nas quais pessoas com interesse comum estão presentes e contribuem para a ocorrência do fato jurídico tributário, mas apenas uma delas é o sujeito passivo da obrigação. Exemplo dessa situação ocorre na prestação de serviços em que haja incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, sendo o prestador e o tomador dos serviços partícipes do correspondente fato gerador, com evidente interesse comum na realização e obtenção dos serviços, respectivamente, e assim mesmo o sujeito passivo está somente na pessoa do prestador de serviços. Portanto, há interesse comum na situação que constitui o fato gerador, mas não há solidariedade passiva, visto que não existe mais de um sujeito passivo na relação tributária. Feita essa breve ressalva quanto à imprecisão da utilização da expressão ‘interesse comum’, fazse necessário abordar situação em que fica configurada a solidariedade passiva. Também em relação ao próprio ISS, há situação que evidencia a solidariedade, consubstanciada na existência de uma ou mais pessoas na qualidade de prestadoras de um único serviço para o mesmo tomador, ficando nítida nesse caso a presença de vários sujeitos passivos na mesma relação tributária, solidariamente obrigados em relação ao cumprimento da prestação tributária.” Na mesma linha de entendimento, o Prof. SACHA CALMON DE NAVARRO COELHO3, ao comentar o art. 124, I do CTN, ensina, verbis: 2 “Comentários ao Código Tributário Nacional”, São Paulo: Saraiva, 1998, p. 203, grifamos. 3 “Comentários ao Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25.10.66)”, Rio de Janeiro: Forense, 1997,p. 285, grifamos. Fl. 6991DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 21 20 “Em direito tributário, têmse dois tipos de solidariedade. O inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso dos dois irmãos que são coproprietários ‘proindiviso’ de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” LUCIANO AMARO4 também é taxativo em relação às situações que importam no reconhecimento do interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, verbis: “(...) o fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex., a alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão em lei (já agora nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição.” (...) O interesse comum no fato gerador põe os devedores solidários numa posição também comum. Se, em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seria qualificável como terceiro, pois ambos estariam ocupando, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar do contribuinte).” O Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”, conforme julgado abaixo, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as 4 “Direito Tributário Brasileiro”, 3ª edição, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 295, grifamos. Fl. 6992DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 22 21 pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC Fl. 6993DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 23 22 (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, DJe 18/02/2009 – grifos nossos). Para justificar a manutenção das Recorrentes no polo passivo da presente relação jurídica tributária, o acórdão recorrido afirma (fls. 1.478): A responsabilização das empresas acima mencionadas, nesse contexto, pode ser feita sob a justificação de que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto que realizam negócios entre si, tem os mesmos sócios efetivos, exploram o mesmo patrimônio, coexiste no mesmo local e valemse do mesmo fundo de comércio. Tais informações encontramse devidamente constatadas no Relatório de Ação Fiscal, de fls. 727 a 759, e nos documentos apreendidos no escritório sede da VITÓRIA AGRO INDUSTRIAL LTDA, como (i) notas fiscais de entrada e de saída em nome de tal empresa e também da SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA (fls. 1.918); procurações outorgadas pela SERRA DO JAPI em nome dos sócios de fato CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA e CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA (1.919); (ii) procurações em que as Recorrentes CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA e CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA outorgam plenos e ilimitados poderes a CÉSAR FURLAN PEREIRA E PEDRO ALVES DIAS(fls. 1.921); Com efeito, não se trata de simples constatação de grupo econômico existente entre a Contribuinte e as empresas SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, mas sim da comprovação de que, na realidade, tais empresas constituem a prática de uma só atividade, sendo empresa única e, portanto, realizando conjuntamente o fato gerador dos tributos em questão. Entre as empresas SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA e SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA e a Contribuinte há clara confusão patrimonial, financeira e operacional visto que, a despeito do endereço diverso indicado, existiam, de fato, no mesmo local, usufruíam do mesmo patrimônio e possuíam os mesmos administradores. Tratase, nesse sentido, de grupo econômico de fato, sob comando único, fato esse embasado por farta documentação contida nos autos. Em situações análogas, essa Corte já se manifestou no sentido de estender a responsabilidade solidaria às demais empresa do grupo. Confirase: Fl. 6994DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 24 23 “Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 11/11/2009 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2401 002.814, 2ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, 01.03.2013) Assim, cabível a colocação dos responsáveis tributários arrolados pelo fisco na condição devedores solidários. b. CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA A atribuição de responsabilidade subsidiária pessoal aos sócios de fato CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA foi feita pela autoridade fiscal com base nos documentos colhidos durante a investigação do grupo econômico “CAMPBOI”, na qual constatouse que tais indivíduos seriam os sócios de fato da empresa VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, SERRA DO JAPI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, PARNAÍBA REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA e as demais empresas aqui arroladas como responsáveis pela prática das infrações tributárias. Nesse ponto, assevera o acórdão recorrido: Assim, tratase da atribuição de responsabilidade pessoal a tais indivíduos nos termos do artigo 135, III, do CTN. Fl. 6995DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 25 24 A existência de procurações outorgando poderes plenos e ilimitados de administração e gerência a tais indivíduos em todas as empresas investigadas (conforme consta do Auto de Deslacração, constatação, análise e relacração de material apreendido fls. 1.916 a 1.925) , cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro (comprovada por meio do Termo de Constatação e Termo de Declaração – fls. 481 a 488) permitem que CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA sejam inseridos no pólo passivo desse processo administrativo, em razão da prática de atos contrários à lei tributária. Nesses termos, legítima a imposição de responsabilidade pessoal de CÁSSIA MARIA BELMONTE SALLES PEREIRA, PEDRO ALVES DIAS, CÉSAR FURLAN PEREIRA e CLÁUDIA CRISTINA DIAS PEREIRA, por constatação da prática de abuso de poder e infração à lei. II. DO MÉRITO a. Violação do sigilo bancário Alega a Contribuinte que teve seu sigilo bancário indevidamente violado, motivo pelo qual o auto de infração seria nulo. A alegação da Contribuinte também não procede. Para a obtenção das movimentações financeiras da Contribuinte que deram ensejo aos lançamentos, as autoridades fiscais tiveram a autorização do Poder Judiciário, conforme se verifica da análise da decisão judicial constante nas fls. 3.367 a 3.385. Ora, havendo decisão judicial que autorize a quebra de sigilo bancário da Contribuinte, não há que se falar em nulidade do auto de infração. b. Presunção da omissão de receitas Insurgese a Contribuinte contra a presunção de omissão de receitas com base unicamente nos extratos bancários obtidos pela Fiscalização. Acerca desse ponto, confirase o seguinte trecho do acórdão recorrido: “Argumenta o contribuinte que o auto de infração foi lavrado apenas com base em presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada. Aduz que movimentação financeira não se confunde com renda. Pede que seja feita nova intimação, com o encaminhamento de planilha onde se discriminam os depósitos bancários que foram utilizados na lavratura dos autos de infração, ou a realização de diligência para que sejam discriminados tais depósitos, possibilitando a posterior apresentação de justificativas. A propósito da discriminação dos depósitos bancários utilizados na lavratura dos autos de infração, foi observado anteriormente que tais informações constam dos demonstrativos de fls. 571664, de modo que é desnecessária a diligência requerida. Cabe ponderar, ademais, que o contribuinte já teve oportunidade de manifestarse acerca desses dados quando da apresentação de sua impugnação. Fl. 6996DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 26 25 No tocante à alegação de que a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada não é legítimo presumirse omissão de receitas, convém tecer algumas considerações acerca da utilização de presunções no Direito Tributário. A norma de Direito Tributário material é elaborada por meio da abstração de fatos que se situam no âmbito do estado e da atividade econômica do contribuinte e que são aptos a revelar sua capacidade contributiva. A hipótese de incidência, especialmente no que se refere aos impostos, contempla fatos relativos à economia interna do contribuinte, de maneira que a Administração não concorre para formação do fato que se subsume a esta norma. Contudo, a aplicação desta norma exige que estes fatos cheguem, de alguma forma, ao conhecimento da Administração. Só assim a obrigação tributária poderá tomar o curso prescrito pelo ordenamento jurídico. Se tais fatos, por qualquer razão, fogem ao conhecimento da Administração, verificase o fenômeno da evasão fiscal, ilícito contra o qual os sistemas tributários modernos adotam diversos tipos de sanções (pecuniárias, regimes especiais de fiscalização etc.). O conhecimento do fato jurídico tributário pela Administração pode se dar por diversos meios. Há, porém, uma clara tendência dos ordenamentos jurídicos modernos a valorizar a colaboração do contribuinte neste sentido, tendo em vista que as normas tributárias são normas de aplicação em massa, de modo que a Administração, isoladamente, não teria os meios e recursos necessários para conhecer a vida econômica de todos os contribuintes. Sem embargo, por vezes a Administração tem necessidade de enfrentar o desafio de buscar de ofício o conhecimento dos fatos que autorizam o lançamento do crédito tributário. Neste momento, a regulação da prova adquire especial importância e no âmbito destas regras deve a Administração buscar os caminhos que o ordenamento jurídico admite para a fixação dos fatos no procedimento administrativo tributário. Considerando o distanciamento da Administração relativamente à vida econômica do contribuinte no momento da ocorrência do fato jurídico tributário, a regulação da prova no procedimento administrativo destinado ao seu conhecimento assume contornos específicos, de modo a tornar mais equilibrada a relação fisco contribuinte. As presunções são uma das técnicas jurídicas fundamentais para atingir este fim. Essa é a razão pela qual se observa nos ordenamentos jurídicos modernos a utilização cada vez mais freqüente desse instrumento para facilitar à Administração a prova dos fatos jurídicos tributários, de modo a dar efetividade à norma de Direito Tributário material. As presunções, que se classificam em simples (criadas pelo aplicador da lei) e legais (criadas pelo legislador), subdividindose estas últimas em presunções relativas (admitem prova em contrário) e presunções absolutas (não admitem prova. em contrário), são normas especiais que mudam o fato que ordinariamente deve ser provado, vale dizer, são normas que, diante da prova de um fato conhecido, admitem a existência ou ocorrência de um fato desconhecido, que guarda com aquele um nexo lógico de intensidade variável (a depender da espécie de presunção e da legitimidade do interesse que se pretende proteger), de modo que as conseqüências legais imputadas ao fato desconhecido passam a ser aplicáveis mesmo na ausência de sua prova. Portanto, o objeto da prova, que ordinariamente seria o fato desconhecido, passa a ser o fato conhecido. Tratandose de presunção legal, o legislador pode se guiar, ao elaborála, por um juízo deontológico, vale dizer, a presunção pode ser criada com o objetivo de proteger um interesse na relação jurídica. Para tanto, o legislador, diante da prova de Fl. 6997DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 27 26 um fato (fatobase da presunção), admite a fixação no processo de outro fato (fato presumido), até que se prove o contrário, de modo que no âmbito do processo o interesse especialmente valorado é protegido. No caso de que trata os autos, foi aplicada a presunção legal de omissão de recatas, prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O impugnante se insurge contra a utilização de presunções no Direito Tributário e, especialmente, contra a presunção de omissão de receitas baseada na constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. A propósito de sua inconformidade contra o art. 42 da Lei 9.430/96, cabe esclarecera que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Em verdade, a autoridade encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinalese que tal é a determinação do art. 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pelo art. 25 da Lei 11.941/2009: Art. 25. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." As planilhas referentes aos extratos bancários já foram colocadas a disposição da Contribuinte, razão pela qual a diligência requerida é desnecessária. A Lei no. 9.430/96, em seu artigo 42, permite que a autoridade fiscal trate os depósitos bancários cuja origem não possa ser comprovada como omissão de receitas. Tratase de presunção relativa, passível de ser desconstituída pelo contribuinte mediante a apresentação dos documentos pertinentes. A Contribuinte, no decorrer do processo administrativo, não trouxe aos autos documentos hábeis a comprovar a origem de seus diversos depósitos bancários, os quais superam as centenas de milhões por anocalendário. Fl. 6998DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 28 27 Logo, devese atribuir a tais depósitos presumidamente a natureza de receita omitida, conforme a mencionada lei autoriza. Essa é a jurisprudência dessa Corte, verbis: “ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2009 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA AGRAVADA A majoração da multa de ofício não pode prosperar no arbitramento de lucros justificado na falta de apresentação dos livros e documentos por ter sido exatamente esta a razão da medida extrema. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da CSLL, PIS e da COFINS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ” (Acórdão 1301001.460, 1ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma, 08.04.2014) No mesmo sentido: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio contribuinte fornece parte dos extratos bancários e apresenta autorização para que a fiscalização solicite os Fl. 6999DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 29 28 extratos faltantes diretamente às instituições financeiras. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e inexistindo qualquer preterição do direito de defesa, rejeitase a preliminar argüida pela impugnante. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Comprovada parcialmente a origem de tais depósitos, o base de cálculo do lançamento deve ser reduzida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Diante de fatos que fazem presumir omissão de receitas, é transferido ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Procedente a autuação por omissão de receitas, em face de a contribuinte não trazer aos autos provas capazes de elidila. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso voluntário parcialmente provido.” (Acórdão 1402001.638, 1ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma, 09.04.2014) c. Arbitramento do lucro Alega a Contribuinte que o arbitramento do lucro, conforme procedido pela Fiscalização, é ilegal, porquanto aquela teria apresentado os livros obrigatórios solicitados. Devese analisar, assim a possibilidade ou não da aplicação do arbitramento do lucro, previsto no art. 50, II do RIR/99, o qual dispõe que: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros e ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Depreendese da leitura da referido dispositivo que é fundamental que, para a aplicação da sistemática do lucro arbitrado, reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante para o presente caso, determinar o lucro real. Compulsandose os autos, verificase que a Fiscalização solicitou, por diversas vezes, documentos e livros fiscais contábeis à Contribuinte. Em resposta, a Fl. 7000DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 30 29 Contribuinte apenas formulava pedido de dilação dos prazos respectivos (fls. 30/31, 412, 413, 478). Não houve a apresentação de livros contábeis, razão da lavratura dos lançamentos pelo regime do arbitramento. d. PIS e COFINS – regime não cumulativo e inconstitucionalidades Sustenta a Contribuinte que os lançamentos de PIS e de COFINS seriam nulos por erro no regime de apuração respectivo. Segundo a Contribuinte, a Fiscalização deveria ter aplicado ao caso o regime não cumulativo do PIS e da COFINS, possibilitandose à Contribuinte o creditamento de eventuais despesas em sua produção. A submissão da Contribuinte ao regime cumulativo ocorre em função de expresso dispositivo legal, contido no artigo 10, II da Lei no. 10.833/03, verbis: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; (...)” Da mesma maneira dispõe a Lei no. 10.637/02, em seu artigo 8º, inciso II. Por sua vez, não há que se falar em aplicação ao caso da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da extensão da base de cálculo prevista no art. 3o da Lei n. 9.718/98, pois a Contribuinte não fez prova de que há tributação de receitas financeiras ou quaisquer outras receitas que não se relacionem à sua atividade econômica. e. Da aplicabilidade da taxa SELIC Alegam os Recorrentes que a taxa SELIC seria inaplicável ao caso, por consistir em taxa de natureza remuneratória, ao passo que os juros aplicáveis tem natureza moratória. A alegação dos Recorrentes encontram óbice no entendimento firmado por essa Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF no. 4, verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 7001DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 31 30 f. Exacerbação e falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa aplicada em vistas ao princípio do não confisco; Por sua índole constitucional, o conhecimento das razões dos Recorrentes relativas à violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco também encontram óbice na Súmula n. 2 do CARF, que assim dispõe, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. g. Da imputação de multa agravada e qualificada Filieime no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” ou exageradamente minimizada pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anoscalendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, temse que a prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. No caso, constatouse a apresentação de DIPJ, referente ao ano calendário de 2003, com omissão de receitas em excesso de R$ 35.000.000,00, enquanto para os anos calendário de 2004 sequer foi apresentada DIPJ. Já para o ano calendário de 2005, a Contribuinte optou pelo Lucro Presumido, mas não ofereceu à tributação receita alguma. Ademais, constatouse a existência de grupo econômico de fato, utilização de interposição de pessoas (“laranjas”) e confusão patrimonial, operacional e financeira. Citada conduta conduziu a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, deslocase do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entendese por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o anocalendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as Fl. 7002DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 32 31 exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia se 1º de janeiro de 2001. CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO VALIDADE É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PATENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.” Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. O agravamento da multa de ofício – estabelecido no art. 44, § 2º da Lei n. 9.430/96 – também merece ser mantido, pois presentes os requisitos previstos na citada legislação para sua aplicação, quais sejam: (i) ausência de resposta às intimações da Fiscalização e (ii) prejuízo ao procedimento de fiscalização causado em decorrência da falta de resposta referida. No ponto, digase que os lançamentos apenas puderam ser lavrados por força de informações prestadas por terceiros, inclusive instituições financeiras. (v) Conclusões Fl. 7003DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10830.011545/200898 Acórdão n.º 1102001.320 S1C1T2 Fl. 33 32 Por todo o exposto, orientase voto no sentido de (i) não conhecer do recurso voluntário interposto por NOROESTE AGRICULTURA S/A, SS AGROINDUSTRIAL LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA; (ii) conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte e demais responsáveis solidários para rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 7004DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 10930.907116/2011-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/09/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 16 /2 01 1- 95 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 88), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.500, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 22391.49564.300605.1.2.043690, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472406). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 1.056,58, referente ao pagamento efetuado em 15/09/2003, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 170.790,45. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907116/201195 Acórdão n.º 3802004.177 S3TE02 Fl. 90 3 período de apuração de 31/08/2003, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/09/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 88), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907116/201195 Acórdão n.º 3802004.177 S3TE02 Fl. 91 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907116/201195 Acórdão n.º 3802004.177 S3TE02 Fl. 92 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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