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4703868 #
Numero do processo: 13117.000126/00-10
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2003
Ementa: RENDIMENTO TRIBUTÁVEL - TRANSPORTE DE CARGA - Comprovado, que o contribuinte prestou pessoalmente o serviço de transporte de carga em veículo próprio, o valor a ser oferecido à tributação é, no mínimo, 40% dos rendimentos auferidos. Recurso provido.
Numero da decisão: 106-13368
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto

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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HOSIEL SOUZA MENDES. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORIVPL ah AN PRES E TE S A 1 it E BRITTO r LAT* 272. FORMALIZADO EM: t U JUL 2043 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, LUIZ ANTONIO DE PAULA e EDISON CARLOS FERNANDES. Ausente o Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13117.000126/00-10 Acórdão n° : 106-13.368 Recurso n° : 134.464 Recorrente : NOSIEL SOUZA MENDES RELATÓRIO Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de fl. 18, que reduziu o saldo do imposto a restituir de R$ 8.893,11 para R$ 606,83. A irregularidade apurada está descritas à fl. 20 nos seguintes termos: Omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de São Feliz do Xingu, CNPJ 05.425300/0001-68, a diferença entre o apurado na análise da declaração, conforme informações constantes na DIRF, e o declarado pelo contribuinte em sua declaração resultou em R$ 30.659,40. Dentro do prazo legal, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 1/3. A 48 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília manteve a exigência em decisão de fls. 26/29, que contém a seguinte ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1999. TRANSPORTE DE CARGA. Para fazer jus ao benefício de tributação reduzida, o contribuinte deve comprovar que prestou pessoalmente o serviço de transporte de carga em veículo próprio, locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária. Não ficou demonstrado nos autos que o rendimento refere-se a serviço de transporte de carga, assim como que o serviço foi prestado pelo contribuinte em veículo próprio. 2 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13117.000126/00-10 Acórdão n° : 106-13.368 Dessa decisão o contribuinte tomou ciência (f1.33) e, na guarda do prazo legal, protocolou o recurso de fls. 26/29, instruído pelos documentos de fls. 38/57 alegando, em síntese: • O contribuinte se enquadra no dispositivo do Art. 48 do RIR/80, pois utilizou o veículo de sua propriedade, onde o certificado de registro e licenciamento de veículo expedido pelo DETRAN — TO, n° 9800922640 esta em seu nome, trabalho exclusivamente na execução do serviço, • Com as provas documentais de 1/20, em anexo, está evidenciado que o contribuinte se enquadra como prestador de serviço de transporte de carga com os benefícios do RIR/94 havendo um desconto de 60% (sessenta por cento) do rendimento bruto. É o relatório. ‘•1, e 11 \i ji 3 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13117.000126/00-10 Acórdão n° : 106-13.368 VOTO Conselheira Relatora - SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria a ser aqui examinada prende-se apenas a questão de prova. O contribuinte afirma que o valor de R$ 20.439,60, registrado na Declaração de Ajuste Anual, exercício 1999 (fls.13116) é pertinente a 40% do valor de R$ 51.099,00, recebido por prestação de serviço de transporte de carga a Prefeitura Municipal de São Felix do Xingu (fl. 5). Para comprovar o alegado trouxe: a) Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (fl.38), comprovando que no ano de 1998 era proprietário de um caminhão Mercedez Benzi L 1113; b) Declaração assinada por Francisco Pereira do Nascimento, Secretário de obra do Município de São Feliz do Xingu-PA, atestando que no ano de 1998 o contribuinte trabalhou como motorista de seu caminhão para a Secretária de Obra do município já citado. c) Cópias de notas de empenho e recibos de fls. 40/57, provando a prestação de serviço de transporte de cargas para a Prefeitura Municipal de São Felix do Xingu. 114 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13117.000126/00-10 Acórdão n° : 106-13.368 VOTO Conselheira Relatora - SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria a ser aqui examinada prende-se apenas a questão de prova. O contribuinte afirma que o valor de R$ 20.439,60, registrado na Declaração de Ajuste Anual, exercício 1999, (fls.13/16) é pertinente a 40% do valor de R$ 51.099,00, recebido por prestação de serviço de transporte de carga a Prefeitura Municipal de São Feliz do Xingu (fl. 5). Para comprovar o alegado trouxe: a) Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (f138), comprovando que no ano de 1998 era proprietário de um caminhão Mercedez Benzi L 1113; b) Declaração assinada por Francisco Pereira do Nascimento, Secretário de obra do Município de São Felix do Xingu-PA, atestando que no ano de 1998 o contribuinte trabalhou como motorista de seu caminhão para a Secretária de Obra do município já citado. c) Cópias de notas de empenho e recibos de fls. 40/57, provando a prestação de serviço de transporte de cargas para a Prefeitura Municipal de São Felix do Xingu. 4 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13117.000126/00-10 Acórdão n° : 106-13.368 Dessa forma, restou comprovado que o valor de R$ 51.099,00, teve origem na prestação de serviço de transporte de cargas, com isso o recorrente readquire o direito de tributar apenas R$ 20.439,60 (40%). Assim sendo, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer os valores consignados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual, exercício 1999. Sala das Sessões - DF, em 12 de junho de 2003. 4 ' 0, BRITTOS n 1 11 t 7 5 Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1

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4707193 #
Numero do processo: 13603.001917/2001-73
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PRAZO DE CONTAGEM – A partir da vigência da Lei 8383/91 o lançamento é por homologação, contando-se a preclusão do direito ao lançamento a partir do fato gerador e observado o qüinqüênio, valendo tal regra para o PIS e COFINS. OMISSÃO DE RECEITA – RECEITA ABSTRAÍDA DA CONTABILIDADE – É procedente a acusação de omissão de receita quando há descompasso entre o valor das notas fiscais emitidas e o valor constante da Declaração de Rendimentos objeto da DIRPJ. Publicado no D.O.U. nº 129 de 07/07/05.
Numero da decisão: 103-21966
Decisão: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente às contribuições ao PIS e COFINS, correspondentes aos fatos geradores dos meses de janeiro a novembro de 1996, vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Flávio Franco Corrêa que não acolheram a preliminar.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Victor Luís de Salles Freire

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LTDA Recorrida : 4° TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Sessão de :19 de maio de 2005 Acórdão n.° :103-21.966 DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — PRAZO DE CONTAGEM — A partir da vigência da Lei 8383/91 o lançamento é por homologação, contando-se a preclusão do direito ao lançamento a partir do fato gerador e observado o qüinqüênio, valendo tal regra para o PIS e COFINS. OMISSÃO DE RECEITA — RECEITA ABSTRAÍDA DA CONTABILIDADE — É procedente a acusação de omissão de receita quando há descompasso entre o valor das notas fiscais emitidas e o valor constante da Declaração de Rendimentos objeto da DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto pela INBRAEL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente às contribuições ao PIS e COFINS, correspondentes aos fatos geradores dos meses de janeiro a novembro de 1996, vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Flávio Franco Corrêa que não acolheram a preliminar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. gi}rs". "Cirwr---ár'9'rr. — L'BD O RODRIIJBER • R DENTE .1 VICTOR L DE SALLES FREIRE RELATOR FORMALIZADO EM: 1 5 JU N 2005 Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e PAULO JACINTO DO NASCIMENTO. Mas-02/08/05 'hr • j; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e TERCEIRA CÂMARA Processo n.° :13603.001917/2001-73 Acórdão n.° :103-21.966 Recurso n.° :140.592 Recorrente : INBRAEL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS. LTDA RELATÓRIO Trata o presente procedimento de autos de infração de IRPJ, Contribuição Social, PIS e COFINS lavrados em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte referentemente ao ano de 1996 e que apurou certa omissão de receita "caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização em seu Livro Razão". Devidamente cientificado o contribuinte apresentou sua impugnação a fls. 103/106. A r. decisão pluricrática de fls. 186/190, emanada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte entendeu de manter totalmente o lançamento. No particular, rejeitando a preliminar argüida de decadência, o veredicto entendeu que as alegações do impugnante não vieram acompanhadas de "comprovação robusta", fazendo, assim, prevalecer o lançamento. Inconformado, interpõe o sujeito passivo, tempestivamente, o seu apelo de fls. 195/200 e fls. 213/214 onde, preliminarmente, (i) reforça a tese da decadência, (ii) esclarece que os livros juntados à defesa inaugural foram formalizados com o "nome de fantasia da autuada" e (iii) requer a realização de diligências. No mérito, repisando os seus argumentos de defesa, insiste que "ofereceu todas as receitas à tributação" e que "o total das receitas de vendas e serviços discriminadas nas notas fiscais" destacadas pela fiscalização "correspondem 2 g)11()\ e h:4. - 2-; • . K, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;‘,:lt.;::°> TERCEIRA CÂMARA Processo n.° :13603.001917/2001-73 Acórdão n.° :103-21.966 ao total contabilizado". No mais, identificou todas as notas fiscais, assinalando a conta de sua contabilização e a página correspondente no Livro Razão. Foi oferecido depósito recursal. É o relatório.• 3 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA '‘.:)"n-;:i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n.° :13603.001917/2001-73 Acórdão n.° :103-21.966 VOTO Conselheiro Victor Luis de Salles Freire, Relator O recurso é tempestivo e o contribuinte atendeu ao depósito premonitório. Em face do lançamento vestibular não há crédito tributário de IRPJ e CSLL pela absorção do prejuízo, remanescendo exigência de PIS e COFINS. No âmbito da prejudicial de decadência, não é procedente a assertiva do sujeito passivo de que teria tomado ciência do auto em 2 de janeiro de 2002. Ao contrário, os autos denotam a ciência em 27 de dezembro de 2001, mas atendida esta circunstância estão prescritos os lançamentos de PIS e COFINS nos fatos geradores de janeiro a novembro de 1996 pela aplicação da regra do art. 150, 40 do CTN, e considerando não ter sido a penalidade agravada, ou seja, inexistir a acusação de prática dolosa. Este é o primeiro provimento que se impõe, para prover o recurso. A seguir, remanescido o fato gerador do mês de dezembro de 1996, tenho que razão não assiste ao sujeito passivo e consagro a apontada omissão de receita para assim negar provimento ao recurso neste aspecto. Faço-o diferentemente dos fundamentos do acórdão guerreado porque ele comparou, para confirmar a acusação, omissão de receita de prestação de serviços com omissão de receita de vendas, fatos perfeitamente distintos na declaração de rendimentos apresentada, não logrando o sujeito passivo infirmar a acusação. Ainda que possuísse diário acessório, não o trouxe aos autos e o cotejo das notas fiscais com os valores lançados da DIRPJ são suficientes para tornar absoluta a acusação, ao invés do fundamento do acórdão guerreado que deu-a como passível da não existência, ainda que negando acolhimento à acusação. 4 r 4s,, nz 4z MINISTÉRIO DA FAZENDA ,_:::, 4 wP- . , •Or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -, •=2-, --,?: •1 TERCEIRA CÂMARA Processo n.° :13603.001917/2001-73 Acórdão n.° :103-21.966 Em face do exposto, e do mais que dos autos consta, dou provimento parcial ao recurso para acolher a prejudicial de decadência nos fatos geradores de janeiro a novembro de 1996, no que tange ao PIS e COFINS, havendo que se recompor os prejuízos que foram utilizados no âmbito do IRPJ e da CSSL para não apurar crédito tributário. É como voto. Sal da Sess - es-DF , em 19 de maio de 2005 - . - _ VICTOR LUI E SALLES FREIRE $ 5 Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1

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4707722 #
Numero do processo: 13609.000267/95-80
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO - Os suprimentos de caixa feitos pelos sócios à pessoa jurídica, devem ser comprovados com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, cuja falta torna legítima a presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IRRF- PIS- COFINS- CSSL - Aplica-se a exigência dita reflexa, o que foi decidido quanto a exigência matriz pela íntima relação de causa e efeito existente. JUROS DE MORA – TAXA SELIC – Consoante art.161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros e multa. Por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%; a partir de 01/04/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Recurso negado.
Numero da decisão: 108-06981
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcia Maria Loria Meira (Relatora), Luiz Alberto Cava Maceira e José Henrique Longo que proveram parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Luiz Cláudio Lage Cerqueira, OAB 59.986/MG.
Nome do relator: Marcia Maria Loria Meira

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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO - Os suprimentos de caixa feitos pelos sócios à pessoa jurídica, devem ser comprovados com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, cuja falta torna legítima a presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IRRF- PIS- COFINS- CSSL - Aplica-se a exigência dita reflexa, o que foi decidido quanto a exigência matriz pela íntima relação de causa e efeito existente. JUROS DE MORA – TAXA SELIC – Consoante art.161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros e multa. Por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%; a partir de 01/04/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Recurso negado.

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decisao_txt : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcia Maria Loria Meira (Relatora), Luiz Alberto Cava Maceira e José Henrique Longo que proveram parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Luiz Cláudio Lage Cerqueira, OAB 59.986/MG.

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TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IRRF- PIS- COFINS- CSSL - Aplica-se a exigência dita reflexa, o que foi decidido quanto a exigência matriz pela íntima relação de causa e efeito existente. JUROS DE MORA — TAXA SELIC — Consoante art.161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros e multa. Por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%; a partir de 01/04/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela CERÂMICA SÃO SEBASTIÃO LTDA., ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcia Maria Lona Meira (Relatora), Luiz Alberto Cava Maceira e José Henrique Longo que proveram parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. (»a MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE Processo n° :.13609.000267195-80 Acórdão n° :108-06.981 IV —; 5 IAS PESSOA MONTEIRO RE OR • ¡DESIGNADA FORMALIZADO EM: 26 Pa) 2002 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, TÂNIA KOETZ MOREIRA e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 Recurso n° : 129.258 Recorrente : CERÂMICA SÃO SEBASTIÃO LTDA RELATÓRIO Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 03/20, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, em virtude da constatação de suprimento de numerário, caracterizado pela não comprovação da origem e efetividade da entrega, nos anos-calendários de 1989 a 1994. Em decorrência foram formalizados os Autos de Infração relativos ao PIS (fis.21/29), FINSOCIAL (fis.30/35), Contribuição para a Seguridade Social — COFINS (fis.36/40), Imposto de Renda na Fonte — IRRF (fls.41/51) e Contribuição Social sobre o Lucro — CSL (fis.52/61). Tempestivamente, a autuada impugnou os lançamentos, em cujo arrazoado de fls. 290/300 e 417/428 alegou, em breve síntese, que: 1- o Fisco baseou-se apenas em aportes de numerário para efetuar o lançamento, embora tenha examinado os livros contábeis e fiscais; 2- o procedimento fiscal está baseado em mera presunção; 3- as informações constantes dos demonstrativos de fls.71/82 contém erros que invalidam o auto de infração; 4- os suprimentos detectados pelo autuante são legítimos e oriundos de empréstimos feitos pelos sócios, tendo sido pagos posteriormente. n 3 -Ptia. • Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 Às fls.449/459, foi proferido o Acórdão DRJ/BHE N°147, de 23/10/2001, julgando procedentes em parte os lançamentos objeto da presente lide, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA Arbitra-se a receita omitida correspondente aos suprimentos de caixa cuja origem e efetividade não foram demonstradas. LANÇAMENTOS REFLEXOS Alteram-se os lançamentos que forem realizados sobre a mesma base imponível, na mesma proporção em que esta for retificada em sede de julgamento administrativos. IRRF Incabível a cobrança de IRRF sobre lucro líquido quando este não estivesse de imediato disponível. MULTA PROPORCIONAL As multas iguais a 100% devem ser reduzidas a 75% em respeito ao princípio da retroatividade benigna da norma que ameniza a penalidade. MULTA NÃO PASSÍVEL DE REDUÇÃO Esta penalidade não pode coexistir com a multa proporcional, por terem essencialmente o mesmo fato gerador, TRD Subtraem-se os efeitos da TRD entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991. UFIR A lei que instituiu a UFIR não agride os princípios constitucionais de legalidade e anterioridade. PERÍCIA chvi% 4 Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 A perícia somente deve ser realizada quando o livre convencimento do julgador for obstado por obscuridade de razão técnica percebidas. Lançamento Procedente em Parte". Irresignada com a decisão singular, interpôs recurso a este Colegiado, fls.481/490, alegando em breve síntese: 1- a autoridade "a quo" equivocou-se ao afirmar que não constam dos autos provas da origem e aplicação dos recursos entregues pelos sócios; 2- consta dos autos farta documentação comprovando que os sócios dispunham das quantias supridas e que estas foram inequivocamente entregues a empresa; 3- os extratos bancários e os comprovantes de depósitos constantes dos autos demonstram, que a maioria dos recursos supridos foram retirados da conta bancária da recorrente, no Banco AGRIMISA S/A . Os demais suprimentos são perfeitamente identificados no Caixa da empresa, porquanto eram entregues em espécie e assim utilizados para pagamentos diversos; anexa cópias do livro movimento diário; 4- é incabível a incidência do IRRF, vez que a empresa é constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada e seu contrato social não prevê a distribuição automática de resultados. Em virtude do arrolamento de bens do ativo imobilizado, fls.500/501, em substituição ao depósito recursal, os autos foram enviados a este E. Conselho, conforme dispõe a Medida Provisória n°1.973/00 e reedições. É o relatório. Nal& 5 Processo n° :13609.000267195-80 Acórdão n° :108-06.981 VOTO VENCIDO Conselheira: MARCIA MARIA LORIA MEIRA - Relatora O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Em litígio a presunção de Omissão de Receitas, caracterizada por suprimento de numerário, cuja origem e efetividade da entrega não restou comprovados, nos anos-calendários de 1989 a 1994, com reflexos no FINSOCIAL (fls.30/35), COFINS (36/40), IRFON (fls.41/51) e CSL (fls.52/61). Conforme descrição dos fatos de fls.04/05, a empresa utilizava-se do artifício de tomar empréstimos aos sócios, principalmente, do sócio-diretor Sr. Taft Alves Ferreira, com o objetivo de suprir o Caixa da empresa. Afirma, o autor do feito, que sem os suprimentos relacionados no auto de infração, o caixa da empresa estouraria. Na fase impugnativa, a autuada anexou os demonstrativos e documentos de fls.302/416, que não foram aceitos pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte. Na fase recursal; defende-se alegando que o lançamento está baseado em mera presunção, anexando os demonstrativos de fls..491/492. A análise dos demonstrativos e documentos anexados aos autos revelam que alguns valores merecem ser acolhidos, vez que a recorrente comprova, s.m.j, a origem e a efetividade da entrega, conforme abaixo relacionados: cin 6 694 Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 Data Valor Cheque Documentos de fls. 08/05/89 24.000, 000221 303, 304 24/12/90 200.000, 085455 332,333 (verso), 338 19/07/91 500.000, 730338 341, 346, 357 26/12/91 4.500.000, 836730 306,342, 347, 360 04/03/92 6.000.000, 916113 362, 365, 370 07/01/94 2.000.000, 000060 384, 388, 405 07/02/94 3.300.000, 000068 385, 389, 408 16/02/94 ) 3.000.000, 000073 385, 389, 410 06/04/94 3.000.000, 000090 386, 390, 411 04/05/94 8.000.000, 000101 387, 390, 412. Quanto às demais parcelas, como não ficou comprovada a origem nem a efetividade da entrega coincidente em datas e valores deve ser mantida a exigência. Consoante art.181 do RIR/80, provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por sócios, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Sobre presunção, assim leciona Gilberto Ulhôa Canto: "2.3. As presunções podem ser segundo a sua origem, a) simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de direito, quando estabelecidas em lei. Em ambos os casos terá de haver nexo causal entre as duas situações ( a atual e a sua conseqüente); a diferença entre elas consiste apenas em que no segundo é a lei que recorre à presunção, enquanto que no primeiro é o seu aplicador ou intérprete que a formula. Dal, a conseqüente distinção entre as duas figuras possíveis da presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito substantivo) e a que constitui modalidade probatória (direito subjetivo). (grifei) 2.4. Segundo a sua força, as presunções podem ser a) relativas Guris tantum) ou absolutas Guris et de jure). Nas do primeiro tipo a norma é formulada de tal maneira que a verdade legal enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade, Nas do segundo tipo, pelo contrário, tem-se como certo aquilo que a norma previu, até mesmo em face da eventual prova de que na realidade a previsão deixou de materializar-se." ( In Presunções do Direito Tributário — SP — 1991 — pag.3 e 4) gift, 7 Processo n° :13609.000267195-80 Acórdão n° :108-06.981 Também, assim se pronuncia o Douto José Bulhões Pedreira (In Imposto sobre a Renda — Pessoas Jurídicas —JUSTEC — RJ —1979, PAG.806): "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que no negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção ( se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (grifei) Pois bem, a matéria posta em discussão nos presentes autos é um dos casos em que a legislação tributária inverte o ônus da prova para o contribuinte. Vale lembrar que a jurisprudência deste Conselho é no sentido que a omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva, com base em fortes indícios, sendo livre a convicção do julgador. Assim, devem ser excluídas as importâncias de Cr$24.000,00, Cr$200.000,00, Cr$5.000.000,00, Cr$6.000.000,00, Cr$19.300.000,00, relativas aos anos de 1989, 1990, 1991, 1992 e 1994, respectivamente. Em decorrência, foram formalizados os Autos de Infração relativos ao FINSOCIAL (fls.30/35), COFINS (fls.36140), IRRF (fls.41/51) e CSL (fls.52/61), conforme enquadramento legal discriminado a seguir FINSOCIAL — art.1°, parágrafo 1°, do DL n°1.940/82, e art. 16, 80, e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, nos anos de 1990 a 1992. COFINS - artigos.1° a 5° da Lei Complementar n°70, de 30/12/91, no período de outubro de 1992 a junho de 1994. IRFON — artigo 44 da Lei n°8.541/92 c/c artigo 3° da Lei n°9.064/95, nos anos de 1993 e 1994. 04 8 (1) Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 CSL - artigos 38, 39 e 43 da Lei n°8.541/92 com as alterações do art. 3° da Lei 9.064/95; art. 2°, e seus parágrafos, da Lei n°7.689/88, no período de 1990 a 1994. Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida, no que couber, ao lançamento relativo ao imposto de renda pessoa jurídica é aplicável aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A recorrente questiona, ainda, a aplicação da multa de lançamento de oficio e da utilização de juros de mora SELIC. Referente a multa, verifica-se que foi aplicado o percentual 75%, com base no art.44, inciso I, da Lei n°9.430/96, não havendo, portanto, o que retificar na decisão recorrida. Quanto a utilização dos juros de mora no percentual equivalente a taxa referencial SELIC, aplicado com base no art. 13 da lei n°9.065/95, não há nenhum impedimento na legislação que impeça a sua utilização. Por todo o exposto, voto no sentido de Dar provimento parcial ao recurso, para afastar da incidência do IRPJ e decorrentes as importâncias de Cr$24.000,00, Cr$200.000,00, Cr$5.000.000,00, Cr$6.000.000,00, Cr$19.300.000,00, correspondentes aos anos de 1989, 1990, 1991, 1992 e 1994, respectivamente. Sala de Sessões(DF) em, 22 de maio de 2.002. '3/42111-tt Marcia Maria Lo e Meira 9 Processo n° :13609.000267195-80 Acórdão n° :108-06.981 VOTO VENCEDOR Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora Inicio pedindo vênia a ilustre relatora do voto vencido, para discordar das conclusões ali esposadas. A matéria do lançamento decorre de presunção legal, válida, reconhecida e pacificada neste tribunal administrativo. A omissão de receitas, é o resultado de um procedimento adotado pelo sujeito passivo, que é quem conhece os fatos, possui toda documentação relacionada com o evento e está apto a esclarecê-lo. As provas que ratificariam o acerto nos argumentos discursivos apresentados, não foram bastante para ilidir as conclusões do juízo de primeiro grau, uma vez que, não foram afastadas as presunções legais originárias do lançamento. A ocorrência de omissão de receita por não comprovação da origem e/ou efetividade da entrega de numerário feita pela sócio, é presunção legal, válida no mundo jurídico. O seu afastamento dependeria da comprovação das condições cumulativas da origem e da efetiva entrega dos numerários. Isto poderia ser feito, por exemplo, em cheques nominais que tivessem sido compensados. Assim, a operação produziria os efeitos válidos no mundo jurídico tributário. Os assentamentos contábeis e a disponibilidade financeira do supridor não são bastantes para ilidir a presunção legal de omissão de receitas. Matéria pacificada neste Colegiado, espelhada nas ementas seguintes: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - SUPRIMENTO DE CAIXA. Os suprimentos de caixa efetuados pelos sócios da empresa devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos, ro gik Processo n° :13609.000267/95-80 Acórdão n° :108-06.981 coincidentes em datas e valores, de forma tal que comprovem a transferência dos numerários das contas dos sócios para as contas das empresas. À falta destes documentos é licito ao fisco tributar referidos ingressos como receitas omitidas. (Acórdão 107-03.452 de 16/10/1996) SUPRIMENTO DE CAIXA - OMISSÃO DE RECEITAS - CARACTERIZAÇÃO - Os recursos fornecidos à empresa pelos sócios sem a devida comprovação caracteriza omissão de receitas. (Acórdão 107-04.314 de 1910811997) IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTOS DE CAIXA — A falta de comprovação pela empresa da efetividade do suprimento de caixa realizado por sócio e que ele dispunha na mesma data, de recursos suficientes , de fonte comprovada, admite a presunção de que os valores supridos têm origem em receitas omitidas do giro comercial da própria empresa. (Ac.108-06.186 de 15/08/2000) Entendimento deste Colegiado, à falta de razões de direito diferenciadas, é de se estender a decisão proferida no processo principal, aos lançamentos decorrentes, por se respaldarem nos mesmos pressupostos de fato e de direito. Neste sentido, as ementas seguintes: LANÇAMENTOS DECORRENTES - tratando-se da mesma matéria fática do lançamento do IRPJ e não havendo fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa, mantém-se o lançamento reflexivo, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula (Ac.103-20014 de 09.06.1999)"; TRIBUTAÇÃO REFLEXIVA - PIS - IRRF - COFINS- CSLL - dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos lançamentos reflexivos (Ac. 105-12973 de 21/10/1999)". Por todo exposto, Nego Provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2002 IVET ALAQUIAS PESSOA MONTEIRO II Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1

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Numero do processo: 13509.000218/99-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/95, encerrando-se em 30/08/2000. Não havendo análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 303-31.229
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por iinanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a argüição de decadência do direito de a recorrente pleitear a restituição e determinar a devolução do processo à Repartição de Origem para que se digne apreciar as demais questões de mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO ASSIS

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ementa_s : FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/95, encerrando-se em 30/08/2000. Não havendo análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T13:27:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T13:27:41Z; Last-Modified: 2009-08-07T13:27:43Z; dcterms:modified: 2009-08-07T13:27:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T13:27:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T13:27:43Z; meta:save-date: 2009-08-07T13:27:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T13:27:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T13:27:41Z; created: 2009-08-07T13:27:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2009-08-07T13:27:41Z; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T13:27:41Z | Conteúdo => :;1 .-Y'f• 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 13509.000218/99-16 SESSÃO DE : 19 de fevereiro de 2004 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 RECURSO N° : 125.659 RECORRENTE : RIBEIRO E GALVÃO LTDA. RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA FINSOCIAL PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória n° 1.110, de 31/08/95 encenando-se em 30/08/2000. Não havendo análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por iinanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a argüição de decadência do direito de a recorrente pleitear a restituição e determinar a devolução do processo à Repartição de Origem para que se digne apreciar as demais questões de mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 JOÃO' L • DA COSTA Presi. te PAUL DE ASSIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, NILTON LUIZ BARTOLI e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ausente o Conselheiro CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA 'CARLA FERRAZ. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 RECORRENTE : RIBEIRO E GALVÃO LTDA. RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA RELATOR(A) : PAULO DE ASSIS RELATÓRIO O recorrente, FIRMA INDIVIDUAL, insurge-se contra a Decisão DRJ/SDR n° 1.366, de 29 de junho de 2001, que indeferiu o pleito que apresentou em 15/09/99, objetivando a restituição/compensação de contribuições efetuadas ao 111 FINSOCIAL, em aliquota superior a 0,5%. A base da Decisão recorrida está expressa na seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano- calendário: 1989, 1990, 1991, 1992. Ementa: FINSOCIAL. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REQUERER A RESTITUIÇÃO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição e, por conseguinte, a compensação, extingue-se no prazo de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO No caso do lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado do tributo é o termo inicial para a contagem do prazo em 111 que se extingue o direito de requerer a restituição. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA Nas razões de recurso, o contribuinte alega que o prazo para requerer a restituição deve ser contado a partir da homologação tácita ou expressa - 5 anos, acrescido de mais 5 anos. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 VOTO O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência deste Colegiado, portanto dele tomo conhecimento. A matéria foi objeto de estudos efetuados por diversos Conselheiros deste Colegiado. Por concordar com os argumentos apresentados, reproduzo a seguir o VOTO proferido pelo ilustre Conselheiro desta Terceira Câmara, Dr. Nilton Luiz Bartoli, proferido no Processo n.° 13688.000049/00 -32, Recurso n° 125.540, que conclui pelo início da contagem do prazo decadencial, a partir da edição da MP 1.110, de 30/08/1995. • "Conheço do recurso, por ser tempestivo e conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. O pedido de restituição/compensação formulado pelo recorrente tem fundamento na inconstitucionalidade das normas que majoraram a alíquota do FINSOCIAL, Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n° 150.764-PE ocorrido em 16/12/1992, tendo o acórdão sido publicado em 02/03/1993, e cuja decisão transitou em julgado em 04/05/1993. A controvérsia trazida aos autos cinge-se à ocorrência (ou não) da decadência (prescrição) do direito do recorrente de pleitear a restituição dos valores que pagou a mais em razão do aumento reputado inconstitucional. 1111 Antes, porém, de adentrarmos na análise do caso concreto, cumpre uma advertência. Levantou-se no âmbito deste Conselho, sob o fundamento do Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002, o entendimento de ser impossível a este Colegiado deferir pedidos de restituição/compensação dos valores pagos a título de FINSOCIAL, em razão das conclusões elencadas naquele arrazoado, endossadas pelo Ministro de Estado da Fazenda quando de sua aprovação. Com a devida vênia de seus seguidores, tal entendimento revela-se equivocado, destoando do que prevê a legislação aplicável. Inicialmente, cumpre destacar que a citação ou transcrição de excertos isolados e fora de contexto do mencionado Parecer podem 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 realmente conduzir à conclusão de que o tema relativo à compensação/restituição do FINSOCIAL teria sido plenamente esgotado na peça elaborada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, vinculando toda a Administração Federal àquelas conclusões. Sucede que o Parecer versa especificamente sobre os pedidos de restituição/compensação do FINSOCIAL referentes a créditos que tenham sido objeto de ação judicial, com decisão fmal favorável à Fazenda Nacional já transitada em julgado. A questão efetivamente tratada no Parecer é: "os contribuintes que já tenham contra si uma decisão judicial final desfavorável atinente • ao FINSOCIAL, transitada em julgado, podem requerer administrativamente a restituição/compensação daqueles créditos?" É o que se depreende do despacho do Exmo. Ministro da Fazenda, quando da aprovação do Parecer: "Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CRJ N° 3.401/2002, de 31 de outubro de 2002, pelo qual ficou esclarecido que: 1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda Nacional transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma aplicada vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória n° 2.176-79/2002, convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Publique-se o presente despacho, com o referido Parecer." (grifos acrescentados) Na mesma linha, a ementa do Parecer: "Declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso. Não-suspensão da execução da lei pelo Senado Federal. Irreversibilidade das sentenças transitadas em julgado em favor da União (Fazenda Nacional), a não ser em procedimento 'DOU de 2 de janeiro de 2003, Seção I, p. 5. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 revisional rescisório, quando cabível. Necessidade de provimento judicial para repetição ou compensação em relação à terceiro eventualmente prejudicado."2 (grifos acrescentados) A conclusão do mencionado Parecer é ainda mais eloqüente, somente confirmando nosso entendimento: CONCLUSÃO 43. Diante do exposto, a síntese do entendimento doutrinário acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos da • decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE (na via de defesa) não têm o condão de alcançar as situações jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode-se concluir que a questão submetida a esta Procuradoria-Geral deve ser harmonizada no sentido de que: a) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE não tem o condão de afetar a eficácia das decisões transitadas em julgado, as quais determinaram a conversão dos depósitos efetuados em renda da União; b) repetindo, a decisão do STF que fulminou a norma no controle difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o fim de automática e imediatamente desfazer situações • jurídicas concretas e direitos subjetivos, porque não foram o objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade; (•••) 3 (nossos destaques) Ora, percebe-se claramente que a questão ventilada no Parecer refere-se àqueles créditos de FINSOCIAL que tenham sido objeto de ação judicial, julgada em favor da Fazenda Nacional e já transitada em julgado. O ponto central do Parecer reside em saber se um posterior reconhecimento da inconstitucionalidade de um tributo teria o condão de desfazer a coisa julgada. 2 Idem, p. 5. 3 Idem, p. 5/6. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Esse não é o caso dos autos. Bem por isso, a transcrição isolada da alínea "c" do item 43 do Parecer poderia levar à conclusão de que o Parecer teria esgotado o tema referente à restituição/compensação do FINSOCIAL em todas as suas variáveis, o que jamais ocorreu. Com efeito, essa é a redação da citada alínea "c": "c) os contribuintes que porventura efetuaram pagamento espontâneo, ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União, sob a vigência de norma cuja eficácia tenha vindo a • ser, posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede administrativa, à restituição, compensação ou qualquer outro expediente que resulte em renúncia de crédito da União;"4 Ocorre que a alínea "c" está inserida no item 43 do Parecer, cujo caput remete unicamente às "situações jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional)". Como se não bastasse, afora a inaplicabilidade das conclusões do mencionado Parecer ao caso concreto, outras razões autorizam este Conselho a examinar pedidos como o que ora se julga. A existência e a competência dos Conselhos de Contribuintes estão previstas em lei, notadamente no Decreto n° 70.235/72 com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93. • Os Conselhos de Contribuintes são segunda instância de julgamento dos processos administrativos relativos a tributos de competência da União, garantindo, na sede administrativa, a existência do duplo grau de jurisdição previsto constitucionalmente. O processo administrativo fiscal rege-se pelo já citado Decreto n° 70.235/72, e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. A atividade jurisdicional, quer a administrativa, quer a judicial, tem como princípio basilar o livre convencimento do juiz, segundo o qual o julgador decidirá livremente a causa, apreciando a lei e as provas constantes dos autos, fundamentando sua decisão. 4 Idem. 6 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 O direito à restituição/compensação de valores pagos indevidamente a título de tributo se encontra há muito previsto no Código Tributário Nacional e legislação correlata. No âmbito administrativo, a matéria encontra-se atualmente regulada pela Instrução Normativa SRF n° 210/2002. Assim dispõe o seu artigo 2°, verbis: Art. r Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: • I — cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. • Mais adiante, a norma prevê a compensação: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. (-..) Nos casos onde haja o indeferimento administrativo do pedido de compensação/restituição, o contribuinte poderá interpor recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. É o que dispõe o artigo 35 da mesma Instrução: 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de oficio ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o não-reconhecimento de seu direito creditório. § 1 Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 2' A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § lreger-se-ão pelo disposto no Decreto n 2 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. § 3O disposto no capuz' não se aplica às hipóteses de lançamento de oficio de que trata o art. 23. Já o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF n° 55, prevê em seu artigo 9° que: Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: (...) Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: I - apreciação de direito creditério dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002) (...) Ora, como restou amplamente demonstrado no cotejo da legislação em destaque, este Conselho encontra-se plena e legalmente habilitado a apreciar, em sede recursal, pedidos de restituição/compensação de valores pagos indevidamente a título de tributos de sua competência, dentre eles, o FINSOCIAL. Dessa forma, ainda que o prestigioso Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 discorresse sobre toda a gama de pedidos de 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 restituição/compensação atinentes ao FINSOCIAL - o que não se verificou, como já foi sublinhado -, suas conclusões não poderiam restringir a apreciação do tema por este Colegiado, incumbido por Lei deste mister sem qualquer restrição. Na mesma esteira, as conclusões ali enumeradas jamais poderiam vincular as decisões deste Conselho. Como é notório, ainda não há no direito pátrio a chamada súmula de efeito vinculante, estando as Cortes julgadoras livres em seu convencimento. Finalmente, mas não menos digno de citação o artigo 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF n° 103, autoriza expressamente, a contrario sensu, os • Conselhos de Contribuintes a afastar, por vicio de inconstitucionalidade, a aplicação de lei "que embase a constituição de crédito tributário, cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal" (parágrafo único, inciso III, "a"). Como será melhor detalhado mais adiante, em 31/08/1995 foi editada a Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/1995, de autoria do Exmo. Ministro da Fazenda, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19/07/2002 Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Divida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso III). Tendo havido ato normativo formal que dispensou a constituição de créditos tributários oriundos do FINSOCIAL, este Conselho fica automaticamente investido da competência de afastar a aplicação de lei reputada inconstitucional, por força do previsto no art. 22A, parágrafo único, inciso III, "a" de seu Regimento Interno. Superado o óbice, passemos à análise do caso concreto. De inicio, julgo conveniente nos debruçarmos sobre os institutos da decadência e prescrição. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Embora ainda haja alguma controvérsia acerca dos elementos que diferenciam a decadência da prescrição, o certo é que ambos os institutos foram introduzidos há muito no direito pátrio objetivando disciplinar as relações jurídicas no tempo. Com efeito, a falta de um termo final para o exercício de um direito poderia desestabilizar as relações sociais, ao deixar indefinidas certas situações, gerando insegurança jurídica. Bem por isso o legislador houve por estabelecer regras para o exercício de direitos, delimitando sua extensão no tempo e seus S termos inicial e final. No que toca ao início do prazo prescricional para o exercício de um direito, é de lógica elementar ser o dies a quo aquele em que o direito passou a ser exercitável. Afinal, não prescreve o direito que ainda não nasceu. Essa foi a linha adotada pelo legislador no Código Civil de 1916, recentemente revogado. Assim dispunha o seu artigo 177, verbis: Art. 177. As ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as reais em 10 (dez), entre presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas. (grifos nossos) • 0 novo Código Civil, da lavra de ninguém menos do que o aclamado jurista e filósofo Miguel Reale, adotando a mesma lógica, dispõe que: Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. (destaques acrescentados) Nesse diapasão, o precioso magistério de Paulo Pimentas "A pretensão, na lição inesgotável de Pontes de Miranda, 'é a posição subjetiva de poder exigir de outrem alguma prestação 5 A Restituição dos Tributos Inconstitucionais, o Novo Código Civil e a Jurisprudência do STF e do STJ, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 91, Editora Dialética, 2003, p. 90/91. 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 positiva ou negativa' 6, ou seja, é a faculdade de exigir o cumprimento de uma prestação, seja a de dar, fazer, ou de não fazer. Além disso o dispositivo inovador consagra expressamente o princípio da action nata — cuja existência era admitida com tranqüilidade pela doutrina civilista na vigência do Código de 1916 - por força do qual o prazo de prescrição começa fluir no momento em que ocorre a violação do direito material. Vale dizer, o prazo prescricional surge no momento da ocorrência de determinado fato que modifica uma determinada situação jurídica, tornando-a desconforme com o sistema jurídico. Nem sempre esse fato corresponde a um ato do devedor, podendo ser praticado, também, por terceiros, pode consistir num evento imprevisível (caso fortuito ou força maior), ou até mesmo ser decorrente de provimento jurisdicional que atribua nova qualificação, jurídica a um determinado evento." Na seara tributária, o termo a quo do prazo prescricional do direito do contribuinte de repetir o que pagou indevidamente possui algumas singularidades. De início, há que se perquirir a natureza do pagamento indevido, que comumente ocorre em uma de três modalidades. No primeiro caso, o contribuinte paga espontaneamente tributo que não devia ou além do que devia. No segundo caso, o contribuinte sofre cobrança indevida ou maior do que a devida. No terceiro caso, o contribuinte paga tributo que era devido à época do pagamento, e que posteriormente, por força de um fato que modifica a situação jurídica então vigente, torna-se indevido. Nos dois primeiros casos, o pagamento sempre foi indevido, daí porque o prazo prescricional para o contribuinte reaver o indébito tem início na data do próprio pagamento (C'TN, art. 168, I), malgrado a redação imprópria do parágrafo I, já que não há se falar em crédito tributário a ser extinto quando o pagamento é integralmente indevido. 6 Tratado de Direito Privado, t. 5, atual. Por Vision Rodrigues, Campinas, Bookseller, 2000, p. 503. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Já na terceira hipótese, a situação é diametralmente distinta. O que foi pago pelo contribuinte era efetivamente devido à época do pagamento. Não havia, naquele instante, o caráter indevido no recolhimento efetuado, que só viria a adquirir essa feição após o advento de uma inovação na realidade jurídica em vigor. Na esteira do que já foi declinado acerca da prescrição e decadência, a violação do direito que faz nascer a pretensão, in casu, a do contribuinte, só ocorre quando o pagamento que era devido se toma indevido. Decisões recentes e seguidas das mais altas Cortes do país, judiciais e administrativas, arrimadas na melhor doutrina, vêm elencando três ocorrências que têm o condão de tornar, a posteriori, indevido o pagamento até então tido como devido. São elas: (i) declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle concentrado de constitucionalidade, como as ADINs, de efeito erga omnes; (ii) declaração incidental de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle difuso de constitucionalidade, irradiando efeitos erga omnes a partir da publicação de resolução do Senado Federal que suspenda a execução da lei declarada inconstitucional; e (iii) lei ou ato administrativo que reconheça, implícita ou expressamente, o caráter indevido da exação. O que há de comum nesses três casos é a modificação da ordem jurídico-tributária após o pagamento do tributo. Como não é dificil de intuir, somente após se tomar indevido é que surge para o contribuinte o correspondente direito de reaver aquilo que pagou. No tocante às hipóteses "i" e "ii" acima citadas, é pacífico o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade de uma norma tributária produz efeitos ex tunc, tomando inválidos os atos praticados sob sua vigência. Eventual exceção a essa regra só poderia ocorrer se viesse expressamente consignada na declaração de inconstitucionalidade da norma, para que, por exemplo, emanasse somente efeitos ex nunc. Não havendo ressalva, a inconstitucionalidade da norma retroage ao momento em que entrou no ordenamento jurídico. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Assim, tributos declarados inconstitucionais conferem ao contribuinte, a partir da indigitada declaração de inconstitucionalidade, o direito de repetir o que foi pago indevidamente. O Colendo Superior Tribunal de Justiça, arauto máximo na uniformização da aplicação do direito federal, vem decidindo reiteradamente que, no caso de tributo declarado inconstitucional, o prazo para repetição do que foi pago indevidamente só se inicia com o trânsito em julgado do acórdão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade da exação. 111 Tal entendimento vem sendo sufragado, inclusive, nos casos relativos ao FINSOCIAL, onde, como se sabe, não houve declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. Nesse sentido, decisão recente proferida por aquela Corte: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROVIMENTO NEGADO (...) A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal não elide a presunção de constitucionalidade das normas, razão pela qual não estava o contribuinte obrigado a suscitar a sua inconstitucionalidade sem o pronunciamento da Excelsa Corte, cabendo-lhe, pelo contrário, o dever de cumprir a determinação nela contida. A tese que fixa como termo a quo para a repetição do indébito o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo deverá prevalecer, pois não é justo ou razoável permitir que o contribuinte, até então desconhecedor da inconstitucionalidade da exação recolhida, seja lesado pelo Fisco. Ainda que não previsto expressamente em lei que o prazo prescricional/decadencial para restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal é contado após cinco anos do trânsito em julgado daquela decisão, a interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio leva a essa conclusão. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Cabível a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência/prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o suposto tributo. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ-2a Turma, AGRESP n° 414.130-MG, rel. Min. Franciulli Netto, j. 3.9.2002, negaram provimento. v.u., DJU 19.5.2003, p. 184) Com efeito, mesmo nos casos onde a declaração de inconstitucionalidade tenha ocorrido em sede incidental, o 111, contribuinte passa a ter ciência da lesão a seu direito. E na esteira no que já dissemos antes, a contagem do prazo de prescrição somente pode ter início a partir de uma lesão a um direito. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de direito de que se trata, pelo decurso de prazo fixado em lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para exigir a eficácia do objeto do direito subjetivo. O decurso do prazo convalesce esta lesão, como na lição de SANTIAGO DANTAS, desde que se entenda adequadamente o direito de ação como o de agir manifestando exigibilidade ou pretensão dirigida à obtenção da eficácia substantiva do objeto do direito: "Tenho eu um direito subjetivo e podem passar os anos sem que o tempo tenha a mínima influência sobre o meu direito. Mas eis que, de repente, o meu direito entra em lesão, isto é, o dever jurídico que • a ele corresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce dalesão do direito o dever de ressarcir e, para mim, o direito de propor uma ação para obter ressarcimento. Se, porém, deixo que passe o tempo sem fazer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito se cura, convalesce, a situação antijurídica torna-se jurídica, o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceituação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria."7 SANTIAGO DANTAS esclarece que "a prescrição conta-se sempre da data em que se verificou a lesão", pois, na verdade, só com esta surge a denominada "actio nata", que sustenta o direito à reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um 7 Programa de Direito Civil, Editora Forense, 3' Edição, 2001, p. 345. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 direito pelo recolhimento de um tributo posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que em controle incidental? Estará tal lesão configurada na data em que recolhido o tributo, muito embora a norma, à época do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconstitucionalidade? As lições dos mestres MARCO AURÉLIO GRECO e HELENILSON CUNHA PONTES em obra integralmente dedicada ao tema em apreço, merecem ser destacadas: "O exercício de um direito, submetido a prazo prescricional, pressupõe a violação deste direito, apto a configurar a 'actio nata', isto é, o momento de caracterização da lesão de um direito. Câmara Leal lembra que não basta que o direito tenha existência atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasce a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento, isto é, desde a data em que a violação se verificou. Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluir que antes da pronúncia (ou da extensão) da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte não possui efetivamente um 'direito a uma prestação', apto a gerar contra si um prazo prescricional que o fulmine pela sua inércia. Não pode haver inércia a ser fulminada pela prescrição se não há direito exercitável, isto é, se não há 'actio nata'."8 Alguns dirão: mas com o recolhimento "indevido" (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção de constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de suscitar a declaração de inconstitucionalidade da norma e cumulativamente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança jurídica, que demanda a imutabilidade de situações que perduram ao longo do tempo, ainda que irregulares. Os mesmos autores da obra já citada prontamente refutam esta argumentação, afirmando que: a) os artigos que tratam de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de 8 Inconstitucionalidade da Lei Tributária — Repetição do Indébito, Editora Dialética, 2002, p. 48. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 inconstitucionalidade da norma; e b) o princípio da segurança jurídica deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata aplicação das normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfunção sistêmica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN: "Nas hipóteses contempladas no artigo 165 do CTN, como a qualificação jurídica a ser aferida é aquela que resulta da legislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a simples realização de um pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal disciplina, reúne condições que fazem nascer para o contribuinte o direito de obter a restituição do que indevidamente pagou. Ou seja, nestes casos, existe uma qualificação certa (a da lei) e urna conduta que dela se distancia (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTN quando atrelou a tais eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos termos iniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, I) ou na data em que se tomar definitiva a decisão que reformar a decisão condenatória (artigo 168, II). Em suma, nas hipóteses reguladas pelo CTN, a qualificação jurídica é certa e está definida antes da ocorrência do evento concreto. E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente na qualificação jurídica preexistente, é que o contribuinte tem direito à restituição do indevido. O indevido, nestes casos, é aferido mediante cotejo entre um fato e a respectiva previsão normativa, sendo que o fato é posterior a esta."9 Agora a matéria dos princípios (vale dizer o confronto entre a segurança jurídica e a segurança sistêmica pelo respeito à presunção de constitucionalidade das leis), na página 74: "Nesse passo, estamos perante duas posições. De um lado, os que sustentam que o prazo prescricional se inicia com o pagamento feito (com base nas normas do CTN) e que, 9 Ob. Cit., p. 50. 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 passados cinco anos, não cabe mais pedido de repetição de indébito, ainda que, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, no sentido de que, tendo havido inequívoca decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de uma norma tributária, o contribuinte, no prazo de 5 (cinco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de cinco anos da propositura da ação, pleiteando a repetição de todo o tributo pago com fundamento na lei declarada inconstitucional. Entendem os primeiros que sua posição deve prevalecer, pois assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós, porém, que a posição que sustentamos é a que melhor resguarda tais valores e, mais do que isso, é a que preserva o ordenamento jurídico e sua eficácia. Com efeito, se a contagem do prazo de prescrição tiver por termo inicial a data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN), esta é melhor forma para induzir os contribuintes a questionarem toda e qualquer exigência antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de segurança e estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele momento), como medida de cautela para evitar o perecimento do seu direito de pleitear judicialmente a restituição. Em suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN) é negar o valor segurança, pois elimina a presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurídicas), além de provocar desconfiança no ordenamento e induzir seu descumprimento, no sentido de que os contribuintes são levados a impugnar tudo, pois tudo precisa ser questionado para evitar a prescrição. Não se pode deixar de mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato normativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento sadio entre Fisco e contribuinte, se o 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevido, seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex officio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exigência." A jurisprudência do Poder Judiciário, fundada nos mesmos princípios, vem por consolidar o entendimento de que somente se conta o prazo para a repetição do indébito quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, através de pronúncia de invalidade por inconstitucionalidade, ainda que no controle difuso. Nos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43995/RS, o Eminente Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, assim se pronunciou, citando HUGO DE BRITO MACHADO: "Ocorre que a presunção de constitucionalidade das leis não permite que se afirme a existência do direito à restituição do indébito, antes de declarada a inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. É certo que o contribuinte pode promover a ação de restituição, pedindo seja incidentalmente declarada a inconstitucionalidade. Tal ação, todavia, é diversa daquela que tem o contribuinte, diante da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. Na primeira, o contribuinte enfrenta, como questão prejudicial, a questão da inconstitucionalidade. Na segunda, essa questão encontra-se previamente resolvida. me. Não é razoável considerar-se que ocorreu inércia do contribuinte que não quis enfrentar a questão da constitucionalidade. Ele aceitou a lei, fundado na presunção de constitucionalidade desta. Uma vez declarada a inconstitucionalidade, surge, então, para o contribuinte, o direito à repetição, afastada que está aquela presunção." Importantíssimo anotar que, no caso apreciado pelo Egrégio STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis, conforme RE 121.336. Exatamente como no caso da cota do IBC. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Além disso, na data em que concluído o julgamento em destaque, não havia sido editada qualquer resolução senatorial. Pode-se também mencionar o acerto da decisão alcançada pelo mesmo Tribunal no REsp 200909/RS, aliás, como se faz acontecer nos pronunciamentos do Eminente Ministro JOSÉ DELGADO: •"Tributário. Prescrição. Repetição de Indébito. Lei Inconstitucional. Atende ao princípio da ética tributária e o de não se permitir a apropriação indevida, pelo Fisco, de valores recolhidos a título de tributo, por ter sido declarada inconstitucional a lei que o exige, considerar-se o início do prazo prescricional de indébito a partir da data em que o colendo Supremo Tribunal Federal declarou a referida ofensa à Carta Magna." E para quebrantar quaisquer resistências, o Ministro SEPULVEDA PERTENCE, no RE 136.883-RI, indicando o precedente no RE 121.336, declarou que o direito à repetição surge com a decisão que declara a inconstitucionalidade. Assim a ementa: "Empréstimo compulsório (Decreto-Lei n° 2.288/86, art. 10): incidência na aquisição de automóveis, com resgate em quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento: inconstitucionalidade não apenas da sua cobrança no ano da lei que a criou, mas também da sua própria instituição, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 121.336, Plenário, 11-10-90, Pertence): direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento indevido." Do voto de S. Exa. extrai-se passagem decisiva: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque feita a título de cobrança de empréstimo compulsório -, segue-se o direito do contribuinte à repetição do que se pagou (Código Tributário Nacional, art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." Pelas lições que se pode absorver do aresto, é que o Superior Tribunal de Justiça, como não poderia deixar de ser, continua a se manifestar pela contagem da prescrição a partir da declaração de inconstitucionalidade em sessão plenária do STF, conforme REsp 217195/PB: 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 "A iterativa jurisprudência desta Corte consagrou entendimento no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição de indébito tributário inicia-se com a publicação da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação (11/10/90)". (a referência de data é a do RE 121.336). De qualquer forma, há ainda a terceira modalidade de fato jurídico apto a tomar indevida uma determinada exação, deflagrando nesse instante o direito à sua repetição. Trata-se de manifestação inequívoca da própria Administração, através de lei ou ato administrativo, que reconhece expressa ou 01, tacitamente a inconstitucionalidade de um determinado tributo. Esse reconhecimento pode se exteriorizar de diferentes formas, como na dispensa da cobrança ou pagamento do tributo, na dispensa da constituição do crédito tributário a ele referente, na revogação total ou parcial na norma tributária inconstitucional, dentre outras. A partir da edição desse ato, o contribuinte passa a ter ciência indubitável da ocorrência da violação de seu direito, dando início à fluência do prazo prescricional para que pleiteie a devolução do que pagou indevidamente. É mais uma vez a regra encampada pelo direito pátrio atinente à prescrição, segundo a qual o prazo prescricional só tem início no dia em que o exercício do direito passou a ser possível. Feitas essas considerações gerais, aplicáveis a qualquer tributo reputado inconstitucional, cumpre analisarmos o que se verificou com o FINSOCIAL. O paradigma na matéria foi o acórdão proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n° 150.764-PE, de relatoria do eminente Ministro Marco Aurélio, que considerou inconstitucionais os sucessivos aumentos na alíquota desse tributo, veiculados pelo artigo 9 0 da Lei 7.689/88, artigo 70 da Lei 7.787/89, artigo 1° da Lei 7.894/89, e artigo 1° da Lei 8.147/90. Como se tratou de decisão incidental, proferida em controle difuso de constitucionalidade, a Corte Suprema remeteu o julgado ao Senado Federal, para que fossem tomadas as providências no sentido de se suspender a eficácia das normas declaradas inconstitucionais. 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Contrariando seu mister constitucional, aquele órgão legislativo não editou a resolução correspondente. Indigitada omissão se configura inconstitucional no entender deste relator. Com efeito, o órgão incumbido pela Carta Magna de promover o controle de constitucionalidade das normas já em vigor é exclusivamente o Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I "a" e III e Somente antes de ingressarem no ordenamento jurídico é que os 110 projetos de lei sofrem controle de constitucionalidade das respectivas Casas Legislativas por onde tramitam, através das Comissões de Constituição e Justiça. Por conta disso, a declaração de inconstitucionalidade de uma determinada norma, quer em sede de controle concentrado (efeito erga omnes) quer em sede incidental (efeito entre as partes), proferida pelo Supremo Tribunal Federal prescinde de qualquer referendo, de qualquer órgão, para produzir efeitos. O Senado Federal não é instância revisional de decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A eficácia da norma inconstitucional já foi invalidada pelo STF. À Corte Suprema, porém, não cabe inovar no campo legislativo, competência privativa do Congresso Nacional (CF, art. 44). aia ner A resolução do Senado Federal (CF, art. 52, X) tem como missão unicamente retirar do ordenamento jurídico o que já foi declarado inválido. É ato vinculado, não cabendo àquele órgão legislativo questionar as razões que conduziram à declaração de inconstitucionalidade. Bem por isso, o entendimento externado pelo senador Amir Lando, quando da recusa em editar a resolução senatorial decorrente no julgamento da inconstitucionalidade do FINSOCIAL, reproduzido no Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 é absolutamente inconstitucional, sobre ser fundado em argumentos meta-jurídicos que não têm o condão de "revisar" o mérito de decisão proferida pela Corte Suprema. 21 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 De fato, a prevalecer o entendimento do cioso Senador, um projeto de lei aprovado por apertada maioria no Congresso Nacional não poderia ser convertido em lei; de igual forma, um projeto de lei, legitimamente aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República, não se tornaria lei por trazer "profunda repercussão na vida econômica do País". Juristas de escol têm considerado, atualmente, a previsão de edição de resolução do Senado Federal, visando a suspender a eficácia de normas já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, uma herança histórica e ultrapassada, incompatível com o moderno sistema de controle da constitucionalidade de normas. Com efeito, devemos ter presente que o instituto de conferir ao Senado o poder discricionário de estender efeitos erga omnes às declarações de inconstitucionalidade em controle incidental sofreu, após a Carta de 1988, críticas pela sua ineficiência diante do modelo de controle abstrato adotado, pois é irracional que de um mesmo Plenário surjam decisões com efeitos distintos, quando tomadas com fulcro na inconstitucionalidade de certa norma. Nesse sentido, o precioso magistério do jurista e Ministro do STF GILMAR FERREIRA MENDES, que bem definiu a inconsistência do instituto: "A amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de que se suspenda, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, contribuíram, certamente, para que se quebrantasse a crença na própria justificativa desse instituto, que se inspirava diretamente numa concepção de separação de Poderes - hoje necessária e inevitavelmente ultrapassada. Se oler Supremo Tribunal Federal pode, em ação direta de inconstitucionalidade, suspender, liminarmente, a eficácia de uma lei, até mesmo de uma Emenda Constitucional, por que haveria a declaração de inconstitucionalidade, proferida no controle incidental, valer tão-somente para as partes? A única resposta plausível indica que o instituto da suspensão pelo Senado de execução da lei declarada inconstitucional pelo Supremo assenta-se hoje em razão de índole exclusivamente histórica. Deve-se observar, outrossim, que o instituto da suspensão da execução da lei pelo Senado mostra-se inadequado para assegurar eficácia geral ou efeito vinculante às decisões do Supremo Tribunal que não declaram a inconstitucionalidade de uma lei, limitando-se a 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 fixar a orientação constitucionalmente adequada ou correta. Isto se verifica quando o Supremo Tribunal afirma que dada disposição há de ser interpretada desta ou daquela forma, superando, assim, entendimento adotado pelos Tribunais ordinários ou pela própria Administração. A decisão do Supremo Tribunal não tem efeito vinculante, valendo nos estritos limites da relação processual subjetiva. Como não se cuida de declaração de inconstitucionalidade de lei, não há que se cogitar aqui de qualquer intervenção do Senado, restando o tema aberto para inúmeras controvérsias. Situação semelhante ocorre quando o Supremo Tribunal Federal adota uma interpretação conforme a Constituição, restringindo o significado de uma dada expressão literal ou colmatando uma lacuna contida no regramento ordinário. Aqui o Supremo Tribunal não afirma propriamente a ilegitimidade da lei, limitando-se a ressaltar que uma dada interpretação é compatível com a Constituição, ou, ainda que, para ser considerada constitucional, determinada norma necessita de um complemento (lacuna aberta) ou restrição (lacuna oculta — redução teleológica). Todos esses casos de decisão com base em uma interpretação conforme a Constituição não podem ter a sua eficácia ampliada com o recurso ao instituto da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. Finalmente, mencionem-se os casos de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, nos quais se explicitam que de um dado significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal sofra qualquer alteração. Também nessas hipóteses, a suspensão de execução da lei ou ato ãlà normativo pelo Senado revela-se problemática, porque não se cuida new de afastar a incidência de disposições do ato impugnado, mas tão- somente de um de seus significados normativos. Todas essas razões demonstram a inadequação, o caráter obsoleto mesmo, do instituto de suspensão de execução pelo Senado no atual estágio do nosso sistema de controle de constitucionalidade."10 10 Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade, Celso Bastos Editor, 1998, p. 376: 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 No caso do FINSOCIAL, entretanto, não se faz necessário perquirir se a declaração incidental de sua inconstitucionalidade teria ou não deflagrado o prazo prescricional para a sua repetição. Em 31/08/1995 foi editada a Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19/07/2002 Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Dívida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso III). Ao dispensar a constituição de créditos, a inscrição na Dívida Ativa, o ajuizamento de execução fiscal, cancelando o lançamento e a inscrição relativos ao que foi exigido a título de FINSOCIAL na alíquota acima de 0,5%, com fundamento nas Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, a Medida Provisória reconheceu expressamente a declaração de inconstitucionalidade das citadas normas proferida pelo STF no julgamento do RE n° 150.764-PE. E não se diga que o fato de a majoração das alíquotas do FINSOCIAL estar no rol do artigo 17 não significa necessariamente o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, já que todos os ner demais tributos elencados no artigo 17 já tinham, ao tempo da edição da MP, sido declarados inconstitucionais, inclusive com efeito erga omnes. É o caso da Contribuição instituída pelo artigo 8° da Lei 7.689/88 (art. 17, I), suspensa pela Resolução n° 11 do Senado Federal, de 4.4.95; do Empréstimo Compulsório, instituído pelo Decreto-lei 2.288/86 (at. 17, II), suspenso pela Resolução n° 50 do Senado Federal, de 9.10.95; o IPMF, criado pela Lei Complementar n° 77/93 (art. 17, IV), declarado inconstitucional em parte pelo STF na ADIN 939-DF, acórdão publicado em 18/03/94. Estando o FINSOCIAL em tão boa companhia, é inegável que a Fazenda Nacional, quando da edição da indigitada MP, reconheceu 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 expressamente a sua inconstitucionalidade ao arrolá-lo ao lado de outros tributos já reconhecidamente inconstitucionais, conferindo- lhe igual tratamento (dispensa de constituição de crédito, inscrição, etc.). Da mesma forma, não procede o argumento segundo o qual a Medida Provisória 1.110/95 teria se restringido unicamente aos créditos ainda não extintos, nada dispondo sobre aquilo que foi pago indevidamente. Ora, como foi visto, ao reconhecer a inconstitucionalidade do FINSOCIAL, dispensando a Administração Tributária de procedimentos arrecadatórios nesse particular, a Fazenda Nacional admitiu a violação do direito do contribuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie sua restituição. Nesse sentido, respaldado pela doutrina de Ricardo Lobo Torres, ensina com sua habitual propriedade Gabriel Lacerda Troianellill: "Há que se considerar, entretanto, que nem a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, nem a resolução do Senado Federal suspensiva de ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a Jurisprudência do Superior Tribunal de justiça vem hoje, pacificamente, admitindo como sendo causas de fluências de novo prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributo indevidamente pago, encontram-se previstos na legislação como tais. INL A jurisprudência, na verdade, teve como fundamento não a lei, mas a doutrina, que, especialmente após as lições de Ricardo Lobo Torres12 :, vem defendendo a existência de causas supervenientes de abertura de prazo para o contribuinte reaver tributo indevidamente pago, entre as quais a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado e a resolução do Senado Federal, hoje pacificamente admitidas pelos Tribunais. Mas não são apenas estas as duas causas supervenientes admitidas pela Doutrina, como bem demonstra Ricardo Lobo Torres, nos trechos a seguir transcritos: 11 Lei Interpretativa e Prescrição do Direito de Repetir: Novo Prazo para a Contribuição ao PIS, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 71, Editora Dialética, 2001, p. 73. 12 TORRES, Ricardo Lobo. Restituição dos Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 167/170. 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 'A restituição do indébito a causa superveniente apresenta o esquema que pode ser desdobrado em vários procedimentos ou atos distintos: (..); 2°) um ato intermediário que transforma em ilegal o pagamento até então legal, e que pode ser proferido em ação judicial (decretação de nulidade e da ineficácia do negócio jurídico; declaração de inconstitucionalidade da lei em ação direta), em resolução do Senado Federal (que suspende a execução da lei declarada inconstitucional incidenter pelo STF), em lei de natureza interpretativa ou em ato ou procedimento administrativo (-). (.) Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF. Até aquela data o contribuinte só poderia exercitar o seu direito se, Esse, entretanto, seria outro tipo de processo de restituição, sujeito às regras do CTN, como vimos no Título II, inconfundível com o que decorre de uma decretação de inconstitucionalidade com eficácia erga omnes. Na hipótese de que se cuida já existe a prejudicialidade da questão da inconstitucionalidade. Logo, a partir da data em que se adquiriu eficácia erga omnes a declaração é que se contará o prazo da decadência. Nem haverá justificativa para restringir o direito do contribuinte, contando o prazo a partir do pagamento (legal e devido), pois serviria de estímulo à multiplicação de repetitórias dirigidas, concomitantemente, contra a constitucionalidade da lei. O mesmo argumento e a mesmíssima conclusão se impõe para os nu, casos de lei interpretativa. Também ai, a nosso ver o prazo de decadência se inicia da data da publicação da lei que incorporou, em texto formal, os julgados' ". No mesmo sentido, é copiosa a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Conselho de Contribuintes: Número do Recurso: 119471 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10183.002651/99-73 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente: ELÉTRICA CUIABANA LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPO GRANDE/MS 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Data da Sessão: 05/12/2002 08:00:00 Relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro Decisão: ACÓRDÃO 202-14475 Resultado: NPQ — NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: I) Acolheu-se a preliminar para afastar decadência; II) no mérito: a) por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade; e b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso, quanto aos expurgos inflacionários. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco)anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga °nines, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma V declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Decadência — Pedido de Restituição — Termo Inicial Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. (CSRF-P Turma, Acórdão n° CSRF/01-03.491, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 17.9.2001, DOU 30.10.2002, p. 62); (CSRF-P Turma, Acórdão n° CSRF/01-03.239, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 19.3.2001, DOU 2.10.2001, p. 19) Número do Recurso: 128622 Câmara: SEXTA CÂMARA• Número do Processo: 13678.000008/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: ILL Recorrente: CIA. AGRO PASTORIL DO RIO GRANDE Recorrida/Interessado: DRJ-JUIZ DE FORA/MG Data da Sessão: 11/07/2002 00:00:00 Relator: Wilfrido Augusto Marques Decisão: Acórdão 106-12786 Resultado: OUTROS — OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à repartição de origem para apreciação do mérito. Ementa: DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO vir INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Decadência afastada. Merece ainda ser transcrito o voto proferido no Acórdão CSRF/01- 03.225, de 19/03/2001, de relatoria do preclaro Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Presidente da 2.° Câmara do 1. 0 Conselho de Contribuintes: 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 "Em que momento houve a extinção do crédito tributário? A resposta mais óbvia seria — no mês que o imposto passou a indevido As regras definidas pelos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172 de 25/10/66 — Código Tributário Nacional, pelas características próprias do caso em pauta, não podem ser literalmente aplicadas não há como aplicar a regra inserida no inciso I do art. 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos da extinção do crédito tributário. Primeiro, porque na época era incabível qualquer pedido de restituição uma vez que, até então, esta espécie de rendimento era considerada tributável, tanto na esfera administrativa como na judiciária. Segundo, em nome do princípio de segurança jurídica não se pode admitir a hipótese de que a 110 contagem para o exercício de um direito TENHA INÍCIO antes da data de sua AQUISIÇÃO. Como é que o contribuinte poderia pedir RESTITUIÇÃO daquilo que legalmente foi retido e recolhido? O contribuinte só adquire o direito de requerer a devolução daquele imposto, que num dado momento foi considerado indevido, por um novo ato legal ou decisão judicial transitada em julgado. No caso aqui enfocado, aplica—se a norma inserida no inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional .... No momento que o pagamento do imposto foi considerado indevido, cabe à administração por dever de ofício, devolve-lo. A regra é a administração devolver o que sabe que não lhe pertence, a exceção partir do momento que adquiriu o direito de pedir a devolução 29 Por fim, ainda em referência ao Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cumpre esclarecer que não há elementos nos autos que permitam concluir ter • o contribuinte se utilizado da via judicial para questionar aincidência do FINSOCIAL, tendo obtido desfecho desfavorável passado em julgado, a obstar seu pedido de restituição/compensação na sede administrativa, razão pela qual são inaplicáveis ao caso concreto as digressões nesse sentido. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional (decadencial para alguns) se iniciado na data da publicação da MP n° 1.110/95, qual seja, 31/08/95, é tempestivo o pedido de restituição/compensação formulado pelo Contribuinte, devendo ser reformadas as decisões anteriores. Embora a matéria que ora se conhece seja de mérito, é inegável não terem sido examinadas, pela primeira instância, outras questões de igual relevo ao deferimento do pedido formulado nestes autos. 29 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.659 ACÓRDÃO N° : 303-31.229 Desta forma, em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, conheço do recurso e a ele dou provimento para afastar a prescrição (sic "decadência") do direito do recorrente de pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, devendo seu pedido ser remetido à primeira instância administrativa para análise dos demais pressupostos formais que devem embasar tais requerimentos, tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do RE n° 150.764-PE, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre 110 outros. É como voto." Nessas condições, fixada a data de 31 de agosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000, enquanto o pedido data de 15/01/1999. Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que VOTO no sentido de anular o processo a partir do Acórdão recorrido, inclusive, determinando que seja examinado o pedido, apurando-se a existência ou não dos alegados créditos, bem como, em se apurando a existência dos mesmos, se já foram utilizados pela contribuinte e/ou se foram objeto de anterior apreciação judicial. 111 Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2004 ,....‘6; -, PA E ASSIS - Relator 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA_ Processo n. 0:13509.000218/99-16 Recurso n.° 125.659 .TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Acórdão n° 303-31.229. • Brasília - DF 14 de abril de 2004 Joã • olan a Costa Preside te da Terceira Câmara Ciente em: SI O -ti 01/4-( Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1

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Numero do processo: 13603.001467/95-55
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF - Comprovada a legalidade do lançamento fiscal, motivos de ordem pessoal não são suficientes para a exclusão do imposto devidamente apurado. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-42710
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Cláudia Brito Leal Ivo

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• ) SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13603 001467/95-55 Recurso n° 12.458 Matéria IRPF - EX.. 1995 Recorrente ATAÍDE ALVES Recorrida DRJ em BELO HORIZONTE - MG Sessão de 18 DE FEVEREIRO DE 1998 Acórdão n° 102-42.710 IRPF - Comprovada a legalidade do lançamento fiscal, motivos de ordem pessoal não são suficientes para a exclusão do imposto devidamente apurado Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATAÍDE ALVES ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ANTONIO DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE CLÁUDIA BRITO LEAL IVO RELATORA FORMALIZADO EM -2- 9 JAN 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros URSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI e JÚLIO CÉSAR GOMES - DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA .. L. .. 4t-0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA - nr* Processo n° 13603 001467/95-55 Acórdão n° 102-42.710 Recurso n° 12.458 Recorrente ATAíDE ALVES RELATÓRIO ATAíDE ALVES, nos autos qualificada, recorre a este colegiado da decisão de fls 17 a 18, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, que manteve o lançamento de 306,60 UFIR de saldo de imposto de renda a pagar, referente ao ano calendário de 1994, exercício 1995 Impugnado o lançamento, alega o contribuinte não possuir condições para recolher o imposto lançado, pelo considerado dispêndio mensal que efetua na condição de aposentado, tendo sob sua dependência um filho casado, pai de três filhos, alcoólatra, que se encontra doente e desempregado desde 1991 Esclarece que as 1 982,06 UFIR lançadas na declaração como Contribuição e Doações se referem ao aluguel pago em 1994 Decidiu a autoridade monocrãtica julgadora pela manutenção do lançamento fiscal, destacando que a legislação vigente não autoriza dedução de despesas com aluguel, pleiteada pelo contribuinte, estando o lançamento de acordo com legislação tributária pertinente, não podendo a autoridade administrativa por seu caráter vinculado deixar de cumpri-la Irresignado com o teor da decisão, interpôs o contribuinte, recurso voluntário, afirmando não estar questionando os trabalhos processadores da fiscalização e esclarecendo não existir nenhuma possibilidade para o pagamento do imposto apurado, face as dificuldades financeiras que passa no momento, bem como por razões de ordem pessoal que expõe em sua peça recursal 2 C.5//11W MINISTÉRIO DA FAZENDA !'9i, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13603 001467/95-55 Acórdão n° 102-42710 À fl 27, consta contra-razões da Procuradoria da Fazenda Nacional manifestando-se pela manutenção da decisão recorrida É o Relatório 2/11tLL) 3 k:..4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES) • ; 17/ SEGUNDA CÂMARA ars Processo n° 13603 001467/95-55 Acórdão n° 102-42,710 VOTO Conselheiro CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, Relatora Conhece-se do recurso por preencher os requisitos da lei Versa o presente recurso sobre revisão da declaração de rendimentos referente ao ano-calendário de 1994, exercício 1995, que apurou saldo de imposto de renda a pagar de 306,60 UFIR, fl.. 02 Destaca a autoridade monocrática julgadora que o contribuinte pleiteou a dedução de 1 982,06 UFIR como despesas com aluguel, tendo sido o referido valor lançado na linha 13 da página do rosto da declaração, referente ao "Total das Deduções" Esclarece a DRJ em Belo Horizonte que "a legislação vigente não autoriza dedução de despesas com aluguel, tais despesas, que eram objeto de abatimento da renda bruta do declarante até o exercício de 1988, deixaram de ser dedutíveis com o advento da Lei n° 7 713, de 22 de dezembro de 1988 " Em grau de recurso, alega o contribuinte não estar questionando os trabalhos processadores da fiscalização e esclarecendo não existir nenhuma possibilidade para o pagamento do imposto apurado, face as dificuldades financeiras que passa no momento, bem como por razões de ordem pessoal que expõe em sua peça fC<- 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13603 001467/95-55 Acórdão n° 102-42,710 Considerando a legalidade do lançamento fiscal e atividade vinculada da administração pública, não logrando o contribuinte comprovar motivos justificadores para exclusão da exigência fiscal, e por tudo mais que nos autos constam, voto no sentido de negar provimento ao recurso Sala das Sessões - DF, em 18 de fevereiro de 1998 CL a 4IIA BRITO LEAL IVO 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1

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4707805 #
Numero do processo: 13609.000664/2004-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: MULTA DE OFÍCIO – LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS PERDA DE EFICÁCIA DE MEDIDA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – CABIMENTO – Nos casos de lançamento de ofício são aplicáveis as penalidades pertinentes a este procedimento. A exceção prevista no artigo 63 da Lei 9.430/96 só é aplicável se ainda eficaz, à época do lançamento de ofício, medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, na forma dos incisos IV e V do artigo 151, do Código Tributário Nacional. JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC – O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1º do art. 161.
Numero da decisão: 101-95.516
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Sebastião Rodrigues Cabral que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Junior

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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MZ,-4:X:z PRIMEI RA CÂMARA Processo n 2. : 13609.000664/2004-11 Recurso n 2 . : 142.804 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL — Ex: 1997 Recorrente : TÁXI AÉREO SINUELO LTDA. (SOEICOM S/A — SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E MINERAÇÃO — INCORPORADORA) Recorrida : 2a TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE - MG Sessão de : 28 de abril de 2006 Acórdão n2 . : 101-95.516 MULTA DE OFÍCIO — LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS PERDA DE EFICÁCIA DE MEDIDA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — CABIMENTO — Nos casos de lançamento de ofício são aplicáveis as penalidades pertinentes a este procedimento. A exceção prevista no artigo 63 da Lei 9.430/96 só é aplicável se ainda eficaz, à época do lançamento de ofício, medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, na forma dos incisos IV e V do artigo 151, do Código Tributário Nacional. JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC — O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1 2 do art. 161. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por TÁXI AÉREO SINUEL LTDA. (SOEICOM S/A — SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E MINERAÇÃO — INCORPORADORA). ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Sebastião Rodrigues Cabral que deram provimento ao recurso. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ,,, ,, PROCESSO N. : 13609.00066412004-11 , ACÓRDÃO N. :101-95.516 , MÁRIO J No' RANCO JÚNIOR RELAT R , ,, FORMALIZADO EM: i ,,,,,, . 4 , 5 j" -k,,J1,16 , , Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros PAULO ROBERTO , CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI e CAIO MARCOS CÂNDIDO. Ausente o , Conselheiro HÉLCIO HONDA. , 72 ,,, ,, ,, ,, , , , , ,,, , ,,, , , , ,, ,, , , ,,, , , ,,, , , ,,,, , ,,,, , ,, 2 PROCESSO N. :13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 RECURSO N 2 . :142.804 RECORRENTE :TÁXI AÉREO SINU ELO LTDA. (SOEICOM S/A — SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E MINERAÇÃO — INCORPORADORA) RELATÓRIO TÁXI AÉREO SINUEL LTDA. (SOEICOM S/A — SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E MINERAÇÃO — INCORPORADORA), já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, por meio da petição de fls. 142/158, do Acórdão n 2 2.595, de 18/12/2002, prolatado pela Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte - MG, fls. 128/135, que julgou procedente o crédito tributário constituído no auto de infração de CSLL, fls. 03. Ao examinar os procedimentos adotados pela contribuinte em relação ao ano-calendário de 1996, a fiscalização constatou que a mesma havia compensado a base de cálculo negativa da contribuição social em montante superior ao limite previsto no art. 58 da Lei n 2 8.981/95. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação, ao argumento de que obteve medida liminar em 07/03/1995, autorizando a compensar integralmente a base de cálculo negativa acumulada até 31/12/1994 e inclusive a dos anos subseqüentes. A e. 22 Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte - MG, decidiu, por unanimidade de votos, manter integralmente a exigência nos termos do aresto acima citado, cuja ementa tem a seguinte redação: CSLL Exercício: 1997 COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional de ação judicial — por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a 3 PROCESSO N. : 13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando-se definitiva a exigência discutida. MULTA DE OFÍCIO O autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre a contribuição devida, nos percentuais definidos na legislação de regência. JUROS DE MORA — TAXA SELIC É cabível a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de abril de 1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa SELIC. Lançamento Procedente. Tempestivamente a contribuinte interpôs recurso voluntário, tendo sido apartado o processo administrativo original n 2 13609.000628/2001-05, o qual permaneceu com a exigência fiscal relativa à matéria discutida na esfera judicial (valor do principal), remetido à PFN/MG para prosseguimento na cobrança, sendo que ao presente processo foi alocado o valor correspondente à multa de ofício e aos juros moratórios, contra os quais a recorrente insurgiu-se. Em síntese, os argumentos apresentados pela contribuinte na peça recursal são os seguintes: a) que houve cerceamento do direito de defesa, pois a recorrente não concorda com a autuação fiscal, tendo apresentado a impugnação de fls. 70/77, onde sustentou ter realizado a compensação integral da base negativa de CSLL, sem se ater ao limite de 30%, por estar amparada por liminar em Mandado de Segurança (Processo n 2 95.0003509-0) e por se a limitação imposta pela Lei n 2 8.981/95, ilegal e inconstitucional. Ademais, também sustentou que a taxa SELIC não pode ser utilizada como juros de mora e que a multa de ofício é indevida; b) que não pode prevalecer o argumento da turma julgadora quanto ao ADN n 2 03/96, face ao princípio constitucional de ampla defesa, pois, uma vez deixando de analisar os fundamentos lançados na impugnação, comprovado está o cerceamento do direito de defesa; c) que é nula a autuação, visto que foi lavrada ao arrepio do que determina o art. 151, IV, do CTN, ou seja, foi lavrada quando a operação — compensação da base de cálculo negativa da CSLL, foi realizada sob medida liminar e em face à ilegalidade e a inconstitucionalidade da Lei 8981/95. Ademais, não há 4 PROCESSO N 2. :13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 decisão definitiva transitada em julgado nos respectivos autos de mandado de segurança, onde discute-se a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da limitação imposta pela Lei 8981/95, e, nesse caso, estando ainda suspensa a exigibilidade do crédito, não poderia a recorrente deixar de proceder a compensação da base de cálculo negativa da CSLL no exercício apontado pela fiscalização; d) que, mesmo tendo a autoridade julgadora declarado definitiva a exigência fiscal, em virtude da compensação da base negativa estar sendo discutida judicialmente, não pode esse Conselho também fechar os olhos e deixar de apreciar as razões da recorrente no que tange à ilegalidade e à inconstitucionalidade da Lei 8981/95 e da Lei 9.065/95, em face ao princípio constitucional previsto na CF/88, e) que a decisão recorrida entendeu manter a multa de ofício e os juros de mora. Ora, não há que se falar em multa de ofício, quanto mais em juros de mora, quando ainda se encontra a recorrente sob a proteção liminar concedida no Mandado de Segurança n2 95.000.3509-0, visto que o art. 63 da Lei 9.430/96, exclui da aplicação da multa de ofício créditos, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 do CTN. No caso, o Mandado de Segurança impetrado pela recorrente foi em fevereiro de 1995, antes da autuação fiscal. Após o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo, conforme despacho de fls. 242, da DRF em Sete Lagoas - MG, foram os presentes autos encaminhados para este Primeiro Conselho de Contribuintes para a apreciação do recurso voluntário interposto pela contribuinte. É o Relatório. i j,k 5 PROCESSO N. :13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. : 101-95.516 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso é tempestivo, portanto, deve ser conhecido. Como visto do relatório, a presente lide restringe-se tão-somente à apreciação do lançamento de ofício em relação à multa de ofício e aos juros moratórios exigidos com base na taxa SELIC. A recorrente obteve liminar em Mandado de Segurança para a compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL em fevereiro de 1995. Posteriormente, em 17/09/1997, o provimento cautelar for reformado pela Quarta Turma do Egrégio Tribunal Federal da 1 2 Região (fls. 17/19), sendo que a ciência do auto de infração ocorreu em 07/12/2001. Diante disso, tendo a contribuinte ingressado com ação perante o Poder Judiciário para discutir especificamente a matéria de mérito objeto do auto de infração, nesse particular, há concomitância na defesa, ou seja, a busca da tutela do Poder Judiciário, bem como o recurso à instância administrativa. A opção da discussão da matéria perante o Poder Judiciário foi da recorrente, e o auto de infração lavrado, fundamentalmente, objetivou a constituição do crédito tributário como medida preventiva dos efeitos da decadência. Correta, portanto, a decisão de primeira instância, que não tomou conhecimento da matéria objeto da concomitância, não sendo cabível também, conhecê-la na presente instância. MULTA DE OFÍCIO Com relação à multa de ofício, o artigo 63 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplica-se tão-somente aos débitos que estejam com exigibilidade 6 a PROCESSO N. :13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 suspensa, na forma como a própria Lei intitula o dispositivo. Aliás, é somente quando suspensa estiver a exigibilidade que se concebe lançamento para prevenir a decadência, pois, ao reverso, nada impediria a imediata inscrição em dívida e a cobrança judicial, ainda que o contribuinte já tivesse obtido, e perdido, a suspensão da exigibilidade. Ademais, se houver identidade de causa de pedir, como sói acontecer nesses casos, a concomitância impede a apreciação de razões de mérito no âmbito administrativo, prevalecendo o decidido pelo Judiciário. Ora, se antes de qualquer decisão judicial, única possível no mérito da demanda, está o contribuinte desprotegido por medida liminar ou cautelar, possível a cobrança. Apegam-se alguns doutos Conselheiros na expressão "houver sido suspensa", constante do caput do citado artigo, como a dizer que por interpretação literal não se necessita estar acobertado por liminar no momento do lançamento, mas bastaria ter sido em algum período passado agraciado por decisão judicial de caráter preventivo. Não posso concordar, permissa maxima venia. Todos sabem que a linguagem é necessária, mas insuficiente para se alcançar a melhor interpretação jurídica. Caso contrário, bastaria sermos letrados para descobrir os anseios da norma. Em verdade, a interpretação jurídica exige outros elementos, que não só a interpretação literal, para se vislumbrar a mens legis. Ab initio, deve ser considerado um critério sistemático. E com ele retorno ao caput, onde está prevista a hipótese de lançamento para prevenir a decadência, e como já ressaltei, esta hipótese só se opera se ainda eficaz uma medida de cunho cautelar a proteger o contribuinte com a suspensão da exigibilidade. Inexistente essa, não mais seria caso de lançamento para prevenir a decadência, mas sim lançamento com automática exigência. Mas há mais. A leitura do § 2 2 do próprio artigo 63 nos leva a entender que o contribuinte tem até o trigésimo dia após a cassação da liminar, ou publicação de qualquer outra decisão judicial que considerar devido o tributo o 7 (-0 PROCESSO N 2. : 13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 contribuição, sem que sobre ela exista qualquer recurso com efeito suspensivo, para proceder ao pagamento sem multa de mora, ou seja, apenas com os juros. Significa dizer que, após trinta dias sem o correspondente pagamento, perde o contribuinte esta condição especial, retornando a uma situação jurídica idêntica a de qualquer contribuinte em débito com a Fazenda nacional, sujeito aos acréscimos legais em procedimento espontâneo, ou seja, multa de mora e juros de mora. Por outro lado, não vejo como extrair da norma em questão qualquer imposição limitativa a multa de mora, exclusivamente, para todo e sempre. Não é isso que a lei consigna. Se o contribuinte deixar de recolher sem multa de mora nos trinta dias após a cassação da liminar ou com multa de mora posteriormente, haverá um procedimento de ofício, para o qual a legislação expressamente prevê a multa ex officio, ex vi do artigo 44 da mesma Lei 9.430/96. Nem se diga, outrossim, que haveria situações antiisonômicas nos casos em que contribuintes, litigando a mesma causa, e com as mesmas vicissitudes processuais, acabariam com lançamentos distintos, dependendo do momento no qual tais atos de ofício ocorressem. Tal fato é possível, e adrede me fez votar em sentido oposto ao que agora faço. No entanto, essas circunstâncias, mormente em questões processuais ou de validade do ato no tempo, ocorrem com freqüência, sem que se possa vislumbrar um efeito vinculante em atos de ofício com sujeitos passivos distintos, ainda que em situações análogas ou até mesmo idênticas. Se assim o fosse, bastaria, v.g., ter deixado o fisco de lançar um contribuinte, pelo decurso do prazo decadencial, para que todos os demais, com a mesma situação, ainda que já constituído crédito tributário, pudessem usufruir desta "imunidade", sob pena de se criar uma antiisonomia. Fatos diversos com contribuintes diversos ocorrem a toda hora, sem efeitos vinculatórios. Por fim, também não se pode alegar que tendo o contribuinte provocado o Poder Judiciário, e conseqüentemente cientificado o fisco de sua demanda, já não mais se poderia falar em procedimento de ofício por parte deste 8 PROCESSO N. : 13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 último. Se esta assertiva fosse verdadeira, ou seja, se todo aquele que demanda judicialmente estivesse imune a procedimentos de ofício na mesma questão, não seria então condição, para afastar a penalidade, a suspensão da exigibilidade na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, pois bastaria a própria proposição da ação judicial, com liminar ou não, tornando absolutamente despiciendo o próprio artigo 63 da Lei 9.430/96. Na constituição do crédito tributário só não caberia lançamento de multa de ofício se, na data da lavratura do auto, o contribuinte estivesse amparado por liminar em mandado de segurança ou tivesse depositado o seu montante integral, de acordo com a legislação vigente à época do lançamento (Lei ng 9.430/96, art. 63 (redação original); CTN, art. 151, incisos II e IV). A retroação dos efeitos da decisão contrária em mandado de segurança foi abordada pela Súmula 405 do STF: Denegado o Mandado de Segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária Assim, sou pela manutenção da multa de ofício. JUROS DE MORA—TAXA SELIC Os juros de mora lançados no auto de infração também correspondem àqueles previstos na legislação de regência. Senão vejamos: O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê: "Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês." (grifei) 9 PROCESSO N. :13609.000664/2004-11 ACÓRDÃO N. :101-95.516 No caso em tela, os juros moratórios foram lançados com base no disposto no artigo 13 da Lei n 2 9.065/95 e artigo 61, parágrafo 3 2 da Lei n2 9.430/96, conforme demonstrativo anexo ao auto de infração (fls. 05). Assim, não houve desobediência ao CTN, pois o mesmo estabelece que os juros de mora serão cobrados à taxa de 1% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o que veio a ocorrer a partir de janeiro de 1995, quando a legislação que trata da matéria determinou a cobrança com base na taxa SELIC. Dessa forma, e ainda, considerando-se que os juros moratórios tratam-se de matéria de execução, a sua cobrança deverá ser realizada após decidida a lide no Poder Judiciário, caso este decida pela manutenção da exigibilidade dos tributos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 28 de abril de 2006 44.4,0 MÁRIO JU Q A F NCO JÚNIOR 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1

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Numero do processo: 13605.000484/99-89
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. ISONOMIA DE TRATAMENTO. CONTAGEM DE PRAZO. TERMO INICIAL. PRESCRIÇÃO. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF julgou a inconstitucionalidade do art. 9º da Lei nº 7.689/88, que majorou a alíquota do FINSOCIAL, pela via incidental. ISONOMIA DE TRATAMENTO. O Dec. 2.346/97 estabeleceu que cabe aos órgãos julgadores singulares ou coletivos da administração tributária afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional. CONTAGEM DE PRAZO. Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: - da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; - da Resolução do Senado que confere efeito “erga omnes” à decisão proferida ‘inter partes’ em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; - da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. - Igual decisão prolatada no Ac. CSRF/01-03.239. TERMO INICIAL. Ante a falta de outro ato específico, a data de publicação da MP nº 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem. PRESCRIÇÃO. A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.
Numero da decisão: 301-30.872
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ, para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Roberta Maria Ribeiro Aragão. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Sérgio Fonseca Soares e José Lence Carluci votaram pela conclusão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros

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RECORRIDA : DRJ/JUIZ DE FORA/MG FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALiQUOTA. NCONSTITUCIONALIDADE. ISONOMIA DE TRATAMENTO. CONTAGEM DE PRAZO. TERMO INICIAL PRESCRIÇÃO. MAJORAÇÃO DE ALiQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE O STF julgou a inconstitucionalidade do art. 9° da Lei n" 7.689/88, que majorou a afiquota do FINSOCIAL, pela via incidental. ISONOMIA DE TRATAMENTO. 1114 O Dec. 2.346/97 estabeleceu que cabe aos órgãos julgado= singulares ou coletivos da administração tributária afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional. CONTAGEM DE PRAZO. Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: - da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; - da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; - da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. - Igual decisão prolatada no Ac. CSRF/01-03.239. TERMO INICIAL. Ante a falta de outro ato especifico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem. PRESCRIÇÃO. A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ, para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Roberta Maria Ribeiro Aragão. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Sérgio Fonseca Soares e José Lence Carluci votaram pela conclusão. Brasilia-DF, em 07 de novembro de 2003 INUMO"— MOACYR - • 0.---4"."-DEIR• 17 FEV 2004 Presiden ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. tinc . , à MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.937 ACÓRDÃO N° : 301-30.872 RECORRENTE : CODISMAQ - COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA. RECORRIDA : DRJ/JUIZ DE FORA/MG RELATOR(A) : MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO O contribuinte já qualificado, em 29/12/99, formulou (fls. 01 e 26/32) pedidos para compensação de indébito tributário de R$ 29.739,49, com PIS, COFINS, CSSL e IRPJ vencidos e vincendos, junto à unidade local da SRF, em razão de haver recolhido a contribuição para o F1NSOCIAL, com alíquota excedente a 0,5%, no período de 10/89 a 03/92. Instruiu o pedido com planilha contábil (fl. 04), DARF's (fls. 10/21), nos termos do art. 1° do Dec. 2.194/97, do art. 66 da Lei n° 8.383/91, dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, das IN/SRF ns° 21/97 e 31/97. Relativamente ao pedido, a decisão prolatada através do Acórdão DRJ/JFA n°3.281/03 (fls. 65/68), encontra-se adiante ementada: "DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Solicitação indeferida." O entendimento esposado na decisão fundamenta-se no ADN/SRF • n° 96/99 (arts. 150 § 1°, 165-1 e 168-1 do CTN), segundo o qual o pagamento antecipado do tributo extingue o crédito sob condição resolutória, não impedindo, entretanto, que o contribuinte possa pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, antecipadamente, antes que ocorra a homologação. Logo decaiu o direito ao pleito. Insurgindo-se, tempestivamente, contra a decisão ora guerreada, o contribuinte reitera os termos contidos na exordial, não trazendo fato superveniente aos autos. É o relatório. n- n1n1011...".- 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.937 ACÓRDÃO N° : 301-30.872 VOTO O contribuinte já qualificado, em 29/12/99, formulou (fls. 01 e 26/32) pedidos para compensação de indébito tributário de R$ 29.739,49, com PIS, COFINS, CSSL e IRPJ vencidos e vincendos, junto à unidade local da SRF, em razão de haver recolhido a contribuição para o FINSOCIAL, com alíquota excedente a 0,5%, no período de 10/89 a 03/92. Instruiu o pedido com planilha contábil (fl. 04), DARF's (fls. 10/21), nos termos do art. 1° do Dec. 2.194/97, do art. 66 da Lei n° 8.383/91, dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, das IN/SRF ns° 21/97 e 31/97. Atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, tendo em vista o princípio do livre convencimento (art. 131, CPC), passa este Julgador à sua apreciação. A matéria versa sobre o direito creditório do contribuinte ao indébito tributário em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. Preliminarmente, o ADN/SRF n.° 96/99 reconheceu o direito creditório do contribuinte nos termos do art. 165 do CTN e, na medida em que o referido Ato foi adotado pelo Juízo a quo como argumento decisório, entendo que sobre esta matéria nada mais há que se tratar. Logo, restringiu-se o cerne da querela ao acerto do marco inicial da contagem do prazo prescricional, ou seja, do prazo para o contribuinte exigir o 41, ressarcimento do indébito tributário. Registre-se que, no entendimento esposado na tese constante da decisão de primeira instância, o direito do contribuinte em pleitear a restituição/compensação extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, eis que o mesmo constitui-se condição resolutiva que permite a eficácia imediata do ato jurídico. Que, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, sendo imediata a extinção definitiva do crédito. Este Julgador, considerando que o FINSOCIAL é um tributo cujo lançamento dá-se por homologação e que os pressupostos para a extinção do crédito nesta modalidade encontram-se condicionados ao pagamento antecipado e à homologação do lançamento (CTN, art. 156-VII) e que a homologação, expressa por ato da autoridade administrativa (CTN, art. 150) ou tacitamente, ocorre com prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (C'TN, art. 150 -§ 4"), desde que a lei não fixe um prazo, ou quando não se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conclui que: 3 J MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.937 ACÓRDÃO N° : 301-30.872 - o ato de constituir o crédito tributário é privativo da autoridade administrativa nos termos do art. 142 do CTN, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; - sendo a homologação um ato de iniciativa exclusiva da autoridade administrativa, que pode ser expressa ou tácita, a sua constituição definitiva dá-se em cinco anos contado da ocorrência do fato gerador e, que por ser um ato potestativo, não poderia no mesmo incluir-se o contribuinte. No caso em comento, a autoridade fiscal não se pronunciou em tampo hábil, provocando a decadência. A partir desse momento, materializando-se o direito do contribuinte, nos termos do art. 174 do CTN, adiante transcrito, dispõe o mesmo de cinco anos para promover a cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. "Art. 174— A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva." Contrário senso, a autoridade administrativa condicionou, equivocadamente, a extinção do crédito simplesmente ao pagamento (ADN/SRF n.° 96/98), não procedendo à competente homologação. Nesse caso, pagamento e homologação são pressupostos que espelham a relação contribuinte-fisco ou vice- versa, não devendo existir a preterição de um ou de outro. Corroboram com a nossa tese, os julgados adiante mencionados, quais sejam: No âmbito dos Conselhos de Contribuintes Ac. CSRF/01-03.239/01 e Ac. 302-34.812. No âmbito do STF, Tribunal Pleno o RE n° 150764-PE, Ementário n° 1698-08, DJ 02.04.93. Ademais, o Dec. n.° 3.138/97, em seu Art. 6.°, autoriza a realização da compensação de oficio pela SRF, nos termos do art. 7.° do DL n.° 2.287/86, quando constatado o direito à restituição ou ao ressarcimento de débitos, relativamente a qualquer tributo ou contribuição sob a sua administração. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos à sua admissibilidade, para, no mérito, dar-lhe provimento, a fim de que seja reformada a decisão a quo, no que concerne à prescrição. É assim que voto. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2003 -- .0n1101.111 MOAC • OY DE MEDEIROS - Relator 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 13605.000484/99-89 Recurso n°: 127.937 • TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301-30.872. Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2004. Atenciosamente, 110 . loy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Ciente em: 1-W 2 c9"...)1/À /4g e ' dr, "dipe", uno »i N F (ACIONL Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1

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Numero do processo: 13333.000092/91-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 1998
Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS - REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE: Somente são admissíveis como dedutíveis, despesas que além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação através de comentos hábeis e idôneos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO: Insubsistente a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro relativo ao resultado apurado no período-base encerrado em 31/12/88, por força da Resolução n.a 11 de 1995 do Senado Federal e da Medida Provisória nr. 1.110/95 e reedições. PIS FATURAMENTO: Com a Decisão n.a 148.754-2 da Suprema Corte adotada pela Resolução n.a 49/95 do Senado Federal, fixou-se o entendimento de que é ilegítima a exigência dessa contribuição com fundamento nos Decretos-leis n0s. 2.445/88 e 2.449/88, prevalecendo a disciplina instituída pela Lei Complementar n.0 07170. TAXA REFERENCIAL DIÁRIA - TRD: É de ser subtraída no período compreendido entre 04/02/91 a 29/07/91, a aplicação do disposto no art. 30 da Lei nr. 8.218, de 29/08/91, resultante da conversão da Medida Provisória n.o 298, de 29/07/91, por força do disposto no art. ia da Instrução Normativa n.o 32, de 09/04/97.
Numero da decisão: 101-92127
Decisão: DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . 'n)j, PRIMEIRA CÂMARA Processo n.°. : 13333.000 092/91-82 Recurso n.°. 115.963 Matéria: : IRPJ - EXS: 1988 e 1989 Recorrente : IMPERAFERTIL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida : DRF em Fortaleza - SP. Sessão de : 04 de junho de 1998 Acórdão n.°. : 101-92.127 DESPESA OPERACIONAIS - REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE: Somente são admissíveis como dedutíveis, despesas que além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação através de comentos hábeis e idôneos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Insubsistente a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro relativo ao resultado apurado no período-base encerrado em 31/12/88, por força da Resolução n.° 11 de 1995 do Senado Federal e da Medida Provisória n.° 1,110/95 e reedições. PIS FATURAMENTO: Com a Decisão n.° 148.754-2 da Suprema Corte adotada pela Resolução n.° 49/95 do Senado Federal, fixou-se o entendimento de que é ilegítima a exigência dessa contribuição com fundamento nos Decretos-lei n°s. 2.445/88 e 22449/88, prevalecendo a disciplina instituída pela Lei Complementar n.° 07/70. TAXA REFERENCIAL DIÁRIA - TRD: É de ser subtraída no período compreendido entre 04/02/91 a 29/07/91, a aplicação do disposto no art. 30 da Lei n.° 8.218, de 29/08/91, resultante da conversão da Medida Provisória n.° 298, de 29/07/91, por força do disposto no art. 1° da Instrução Normativa n.° 32, de 09/04/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto por IMPERAFERTIL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (AP1 LADS Processo n.°. . 13333.000092/91-82 2 Acórdão n.°. : 101-92.127 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. yers,"9,....- ----_ -- ,---- ISON .'5 IRA RODRIGUES PRESIDENTE ,..------------\ ( ----) N ei, 0 h-------CX-4-." c-7 FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RELATOR É"") -7 A r:P 1 () n9FORMALIZADO EM: f,. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: KAZUKI SH1OBARA, RAUL PIMENTEL, SANDRA MARIA FARONI, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente, justificadamente o Conselheiro JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO. RCS Processo n.°. : 13333 000 092/91-82 3 Acórdão n.°. : 101-92.127 Recurso n °. : 115.963 Recorrente IMPERAFERTIL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. RELATÓRIO IMPERAFERTIL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., qualificada nos autos, foi alvo da ação fiscal a que aludem os Autos de Infração de lavrados em 13.12.91, nos quais é exigido o recolhimento do IRPJ; do I.R. FONTE; da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, FINSOCIAL SOBRE O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO; PIS/DEDUÇÃO; PIS/REPIQUE; PIS/FATURAMENTO e FINSOCIAUFATURAMENTO, em conseqüência dos seguintes fatos assim descritos no Auto de Infração relativo ao IRPJ: EXERCÍCIO DE 1988 - PERÍODO BASE DE 1987 1 - Postergação no pagamento do Imposto de Renda constatado pelo registro, no ano-base de 1988, da Nota Fiscal de Prestação de Serviços número 008 de 19/12/87 Valor da receita postergada CZ$ 1.065.523,04 2 - Compensação do prejuízo fiscal apurada na Declaração de Imposto de Renda Pessoa jurídica em virtude da irregularidade acima. Valor compensado CZ$ 43.440,00 EXERCÍCIO DE 1989 - PERÍODO BASE DE 1988 1 - Omissão de receitas operacionais pelo não registro das Notas Fiscais de Prestação de Serviços número 0024 e 0034, nos valores de CZ$ 403 000,00 e CZ$ 2.432.170-40, respectivamente. 1 - Valor da receita omitida CZ$ 2.835.170,40 RCS Processo n °. : 13333.000 092/91-82 4 Acórdão n.°. : 101-92.127 2 - Omissão de receitas operacionais caracterizada pela manutenção no passivo da empresa, em 31/12/88, da duplicata n.° 015/88 da empresa RODOMAQ - CGC 07.732.274/0001-14, liquidada em 18/12/88. Valor do passivo fictício CZ$ 103.412,40 3 - Não dedutibilidade das despesas com telefons por ser,o direito de uso da linha telefônica, da empresa BONSUCESSO DIESEL COM. I A PEÇAS LTDA., estranha, pois, a empresa. Valor da despesa glosada CZ$ 252.307,87 4 - Não dedutibilidade de parte das despesas com combustíveis e lubrificantes - referente a álcool e gasolina - por não haver registro de veículos movidos com estes combustíveis mas, tão somente, um caminhão basculante D-60, Placas IZ 7300 - MA, movido a óleo diesel. A relação das notas fiscais apresentadas com valores totais e glosados constam em anexo, no Quadro Demonstrativo n.° 01, parte integrante do presente Auto de Infração. Valor da despesa glosada CZ$ 940.436,00 5 - Não dedutibilidade de parte das despesa com veículos por indicações, na documentação apresentada, de veículos estranhos ao de propriedade da empresa, conforme Quadro Demonstrativo n.° 02, parte integrante do presente Auto de Infração. Valor da despesa glosada CZ$ 4.174.599,75 6 - Não dedutibilidade de despesas com alimentação por serem particulares de terceiros ou não constituírem gastos com alimentação e, sim, caracterizarem liberalidade da administração da empresa, conforme Quadro Demonstrativo n.° 03, parte integrante do presente Auto de Infração. Valor da despesa glosada CZ$ 81.248,50 RCS Processo n.°. : 13333.000092/91-82 5 Acórdão n.°. : 101-92.127 7 - Despesas com telefones sem documentação hábil comprobatória conforme abaixo. Valor constante da contabilidade CZ$ 278 633,71 Documentação apresentada CZ$ 252.307,87 Montante não comprovado CZ$ 26.325,84 8 - Despesas com combustíveis e lubrificantes sem documentação hábil comprobatória, conforme Quadro Demonstrativo n.° 01 e abaixo: Valor constante da contabilidade CZ$ 4.173.369,53 Valor constante da contabilidade CZ$ 2.836.373,38 Montante não comprovado CZ$ 1.336.996,15 9 - Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado no exercício de 1988 em virtude de irregularidades naquele exercício e já demonstrado. Valor da compensação de prejuízo fiscal indevida CZ$ 397.936,00 Na impugnação de fls. 25/37, a autuada questionou os itens 4, 5, 6, 7 e 8 do Auto de Infração, relativamente ao exercício de 1989, não impugnando os demais itens e bem assim a exigência do PIS/Faturamento e FINSOCIAL/Faturamento, não decorrentes do IRPJ. Pela decisão de fls. 274/289, o julgador monocromático julgou procedente, em parte, a impugnação, para excluir da tributação o passivo fictício detectado no exercício de 1989, no valor de CZ$ 103.412,40 bem como o valor de CZ$ 252.307,87, referente a despesas com telefone, glosadas pelo fisco. Manteve a glosa das despesas com alimentação, das despesas com veículos e despesas com combustíveis e lubrificantes, permanecendo ainda a tributação dos itens não impugnados. st/vv\ RCS Processo n.°. : 13333.000092/91-82 6 Acórdão n °. : 101-92.127 Nas razões de recurso de fls. 291/292, a recorrente se insurge contra a decisão monocromática no ponto em que: 1. Considerou indedutíveis as despesas com combustíveis e lubrificantes, bem como as demais despesas de manutenção de veículos; 2. Não admitiu a dedutibilidade das despesas com alimentação; 3 . Manteve a exigência relativamente ao PIS/Faturamento e ao FINSOCIAL/Faturamento, não decorrentes do IRPJ; 4. Manteve a exigência referente a Contribuição Social do ano-base de 1988. Fundamentou-se o recurso nos seguintes argumentos: " Não se pode desconhecer, que o fato gerador das despesas dedutíveis com combustíveis e lubrificantes, bem como as despesas com manutenção de veículos, sejam simplistas pois, as documentações dos veículos estão nominal a empresa e pertencem a empresa. Ora, se a atividade da empresa é, e sempre fora, Prestação de Serviços de desmatamento, em grandes áreas, é lógico dizer, que obrigatoriamente, tais, despesas no mínimo a empresa terá que efetuar, pois, está dentro de sua atividade operacional. Observando a legislação, essa diz que as despesas devem estar diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa. Logo é lícito afirmar que tais despesas pertencem a empresa, e consequentemente podem, ser dedutíveis porque a lei assim fala. Além do mais, é de se ressaltar, que as despesas, são comprovadas com notas fiscais idôneas, fazendo cair por terra toda e qualquer glosa. //;‘) RCS Processo n.°. : 13333.000092/91-82 7 Acórdão n.°. . 101-92.127 Logo achar que tais,y/ despesas são estranhas, a atividade da recorrente é mera presunção fictícia. E para não ser prolixo e conhecendo-se a conduta desse Egrégio Tribunal de Jurisdição Administrativa, que não ampara lançamento tributário simplesmente por fatos de presunção, cai, qualquer forma de crédito tributário, até aqui apurado. Quanto as despesas com alimentação, se percebem que todas são notas fiscais idôneas, levantadas pelo fisco, cuja, a atividade a empresa é na zona rural, e os empregados, solicitam dos diretores, tais artigos, para seu consumo, onde serão no futuro acertado este ônus, com a empresa. Logo é lícito que a empresa se habilite dessas despesas, por uma questão de justiça. O não recolhimento do PIS/Faturamento não decorrente do IRPJ, deu-se por motivo de legalidade, pois, a Lei Complementar 7/70, que o instituiu, não alcançou as empresas prestadoras de serviços. Assim como o PIS, a Contribuição Social ano-base 1988, foi julgada pelo STF, como inconstitucional somente para este exercício, portanto, inviabilizado esta o recolhimento dessa exação fiscal. Já o FINSOCIAL, este tributo, encontrava-se em litígio, com o fisco, aguardando uma posição definitiva dos tribunais, pela sua legalidade ou não" É o Relatório. RCS Processo n.°. : 13333.000092/91-82 8 Acórdão n.°. : 101-92.127 VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida ao manter a glosa de despesas com combustíveis e lubrificantes esclarece que não levou em consideração o contrato de Comodato celebrado com o Sr. Paulo Renato Gritti, porque referido senhor., em diligência realizada, não logrou comprovar a propriedade dos veículos dados em Comodato, não constando os mesmos de suas declarações de bens. Nessas condições, não tendo a recorrente comprovado que as despesas em questão foram efetuadas em veículos de sua propriedade, nem em veículo de seu representante legal em regime de Comodato, não há porque reformar a decisão recorrida nesse particular, devendo ser mantida a glosa. No tocante as despesas com alimentação, verificou o fisco que as mesmas não se enquadram como tais, mas sim como gastos particulares caracterizáveis como liberalidade da empresa, eis que foram suportadas com cigarros, uísque e com terceiros. Somente são dedutíveis as despesas comprovadas através de documentos revestidos dos requisitos legais e que guardem estrito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, conforme dispõe o art. 191 do RIR/80, requisitos estes não preenchidos na espécie tratada neste item. r/v14 RCS Processo n °. 13333.000092/91-82 9 Acórdão n.°. : 101-92.127 IMPOSTO DE FONTE - DECORRÊNCIA DO IRPJ - Foram aplicadas as disposições do art. 8° do Decreto-lei n.° 2.065/33. Por se tratar de fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1987 e 1988. Não há reparos a fazer, eis que somente a Lei 7.713/88, através de seu art. 35, veio revogar referido dispositivo, o que se aplica a fatos geradores ocorridos somente a partir do período-base 1989. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO: Esta contribuição foi calculada mediante aplicação do coeficiente de 8% em decorrência do que foi apurado no Auto de Infração relativo ao IRPJ, que resultou na indevida redução do lucro líquido A mesma se refere ao exercício de 1989, período-base de 1988. Inexiste base legal para cobrança da Contribuição no exercício de 1989, período-base de 1988, face o julgamento do Supremo Tribunal Federal que acolheu a argüição de inconstitucionalidade do art. 8° da Lei n.° 7.689, de 15/12/88, por ferido o princípio da anterioridade consagrado na Constituição Federal e por força da Resolução n.° 11, de 1995, do Senado Federal e da Medida Provisória n.° 1.110/95 e reedições. Nesse passo é de ser cancelada a exigência dessa contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL SOBRE O I.R. DEVIDO: Aplicadas as disposições do art. 1°, § 2° do Decreto-lei n.° 1.940/82 e art. 23, §1° do Regulamento do Finsocial aprovado pelo Decreto n.° 92.698/86. Por se tratar de uma decorrência, a decisão proferida em relação ao IRPJ, se estende a esta contribuição, ante o nexo causal existente. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/DEDUÇÃO - I.R. DEVIDO: Aplicadas as disposições do art. 3°, letra "a", § 1° da Lei Complementar n.° 7/70, e art. 480 do RCS Processo n.°. • 13333.000 092/91-82 10 Acórdão n.°. : 101-92.127 RIR/80. Por se tratar de decorrência, a decisão proferida em relação ao IRPJ, se estende a esta contribuição, por presente a relação causa e efeito. PIS/REPIQUE - I.R. DEVIDO: Aplicadas as disposições do art. 3°, § 2° da Lei Complementar n.° 07/70 e Regulamento do PIS/PASEP aprovado pela Portaria MF n.° 142/82. Também se trata de uma decorrência, aplicando-se aqui a decisão proferida em relação ao IRPJ. PIS/FATURAMENTO: Aplicadas as disposições do art. 3°, letra "b" da Lei Complementar n.° 07/70, art. 10 da Lei Complementar 17/73; art. 1° do Decreto-lei n.° 2.445/88 c/c o art. 10 do Decreto-lei n.° 2.449/88. É de ser cancelada a exigência, eis que contaminada ficou pela aplicação das disposições dos Decretos-lei n.°s. 2.445/88 e 2449/88, considerados inconstitucionais pela Suprema Corte e por força da Resolução n.° 49/95 do Senado Federal. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para cancelar a exigência relativa aContribuiç,ão Social sobre o Lucro e bem assim a referente ao PIS/Faturamento. No que tange aos juros de mora calculados com base na Taxa Referencial Diária - TRD, devem ser cancelados no período de fevereiro a julho de 1991, por força do disposto no art. 1° da Instrucção Normativa n.° 32, de 09/04/97 k FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA RCS Processo n.°. : 13333.000 092/91-82 11 Acórdão n ° . 101-92.127 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 40, do Regimento Interno, com a redação dada pelo artigo 3° da Portaria Ministerial n.°. 260, de 24/10/95 (D.O.U. de 30/10/95). Brasília-DF, em 2 7 AGO 1998 S°: P EIRA RODRIGUESPRESIDENTE ,,, //Ciente ern1;//' 4 SET RO') -IG , r5 - A DE MELLO 1998 PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL RCS Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1

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4705319 #
Numero do processo: 13402.000027/97-91
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 1999
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO - IMPOSTO DE RENDA-PESSOA JURÍDICA - Não cabe o lançamento com base em Omissão de Receitas de Revenda de Mercadorias, quando o sujeito passivo, comprova que apresentou declaração de rendimentos retificadora, anterior a ação fiscal, alterando os valores originalmente lançados a este título. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 108-05569
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, ao recurso de OFÍCIO.
Nome do relator: Márcia Maria Lória Meira

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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 13402.000027/97-91 Recurso n°. : 118.547 - EX OFFIC/0 Matéria : IRPJ e Outros - Ex: 1995 Recorrente : DRJ EM RECIFE - PE Interessada : T. M. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Sessão de : 23 de fevereiro de 1999 Acórdão n°. : 108-05.569 RECURSO DE OFÍCIO - IMPOSTO DE RENDA-PESSOA JURÍDICA - Não cabe o lançamento com base em Omissão de Receitas de Revenda de Mercadorias, quando o sujeito passivo comprova que apresentou declaração de rendimentos retificadora, anterior a ação fiscal, alterando os valores originalmente lançados a este título. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto por DRJ EM RECIFE - PE, • ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS - Presidente Chg MARCIA MAR I t9M A LORt EIRA - Relatora FORMALIZADO EM: 1 9 tY))) R. 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOSÉ ANTONIO MINATEL, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, NELSON LÓSSO FILHO, TÂNIA KOETZ MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE LONGO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. •MHSA PROCESSO N°. 13402.000027/97-91 ACÓRDÃO N°. 108-05.569 RECURSO N°. : 118.547 RECORRENTE : DRJ EM RECIFE - PE INTERESSADA : T. M. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. RELATÓRIO O Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE., dando cumprimento ao artigo 34, inciso I, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n°8.748, de 09.12.93, recorre de ofício a este Colegiado de sua decisão de fls.159/162, que julgou improcedente os lançamentos consubstanciados nos autos de infração de fls.04110, 11/6, 17/22, 23/29, 31/35, relativos ao IRPJ, Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para a Seguridade Social - COFINS, Contribuição Social, Imposto de Renda na Fonte - IRF, respectivamente, referentes ao ano - calendário de 1995. Conforme descrição do fatos contida às fls.09, do auto de infração do IRPJ, o lançamento teve como origem a apuração de Omissão de Receitas, em função do contribuinte ter omitido em sua Declaração de Rendimentos - Pessoa Jurídica - DIRPJ, as vendas de mercadorias adquiridas para revenda, em todos os meses do ano-calendário de 1995. Inconformada ingressa, tempestivamente, a recorrente com a impugnação de fls.103/110, anexando os documentos de fls.111/150, alegando a total improcedência dos lançamentos, tendo em vista que o autor do feito, não examinou sua escrituração contábil. Ao chegarem os autos a DRJ em Recife, constatou-se que a autuada anexou cópia da DIRPJ/96 - Retificadora, sendo encaminhado o pedido de diligência DRF/Recife, fls.153/154. Chia MHSA 2 " . PROCESSO No . 13402.000027197-91 ACÓRDÃO N°. 108-05.569 Às fls.157, verso, o fiscal diligenciante apresentou informações imprescindíveis à solução do litígio. Às lis. 159/162, a autoridade julgadora de primeira instância proferiu a Decisão DRJ/RCE n°951/98, julgando improcedente os lançamentos do IRPJ e decorrentes. É o relatório. Ofra PROCESSO N°. 13402.000027/97-91 ACÓRDÃO N°. 108-05.569 VOTO Conselheira, MARCIA MARIA LORIA MEIRA, Relatora O recurso de oficio deve ser conhecido, porque interposto dentro das formalidades legais. Da exame dos autos, verifica-se que a autoridade monocrática com base na DIRPJ/96 - Retificadora, que alterou os valores correspondentes a receita de revenda de mercadorias, elaborou o quadro demonstrativo de fls.161, concluindo pela improcedência do lançamento. Com efeito, constata-se que os valores lançados na DIRPJ/Retificadora a titulo de receita de revenda de mercadorias, totalizam o valor de R$416.689,09, enquanto a da DIRPJ original era de apenas R$285.396,10, ficando, assim, comprovada a improcedência do feito fiscal. Por todo o exposto e tendo em vista que a autoridade recorrente interpretou corretamente a legislação especifica, não havendo, portanto, o que reformar da decisão recorrida, Voto no sentido de que se negue provimento ao recurso "ex officio". Sala das Sessões (DF), 23 de fevereiro de 1999. etAl'ule MARCIA MARIA LO MEIRA - RELATORA (6) MUSA 4 Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1

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4707816 #
Numero do processo: 13609.000764/00-53
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO - TRANCAMENTO DA VIA ADMINISTRATIVA INSTAURADA -IMUNIDADE PREVISTA NO REVOGADO ART. 153, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL - DECISÃO JUDICIAL EM DESFAVOR DA PRETENSÃO DO CONTRIBUINTE - A discussão da imunidade do imposto de renda que incidiria sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão pagos pela previdência oficial à pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos de trabalho, foi submetida à apreciação judicial, que, inclusive, decidiu de forma definitiva em desfavor da pretensão do contribuinte. Impossível renovar ou manter a discussão sobre tal matéria no rito do processo administrativo fiscal. Na espécie, incide a Súmula 1ºCC nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. COBRANÇA DA EXAÇÃO AO INVENTARIANTE - ENCERRAMENTO DO ESPÓLIO - DESCONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE JULGADORA DE 1º GRAU - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - Quando da protocolização da impugnação, ainda vivia o contribuinte. Na conversão do julgamento em diligência pela DRJ, quando se determinou que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a trazer ao processo laudo pericial oficial confirmatório de doença especificada na lei tributária como causa isentiva do imposto de renda, a mandatária constituída nos autos informou do falecimento do contribuinte, porém nada discorreu sobre o término do inventário. Com espeque no art. 131, II, do Código Tributário Nacional - CTN, são pessoalmente responsáveis o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da partilha, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. Havendo espólio, aqui com base no art. 131, III, do CTN, esse é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, quando do julgamento da impugnação, a Turma de Julgamento não tinha ciência do término do inventário do contribuinte. Nessa linha, andou bem quando determinou a intimação da inventariante do teor da decisão de 1º grau, pois entendeu, com base nas informações dos autos, que a responsabilidade cabia ao espólio. Ressalte-se, entretanto, que a exação mantida nesta instância será cobrada dos sucessores, até as forças da herança, como, inclusive, já informado no Parecer PFN-MG/DIJUD nº 228 DAP/2005 acostados aos autos. REFORMA PARCIAL DO LANÇAMENTO PELA DECISÃO DE 1º GRAU - INEXISTÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA EXAÇÃO - PROCEDIMENTO ESCORREITO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - A decisão recorrida, dando razão em parte à inconformidade do contribuinte, reduziu os valores do lançamento fiscal. Inexistência de qualquer nulidade. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS APÓS O RECONHECIMENTO DA DOENÇA GRAVE - DUPLO REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1996 DECADÊNCIA - IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL NOS LIMITES DO ART. 150, § 4º, DO CTN - APENAS HAVENDO DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL DO LANÇAMENTO, O PRAZO DECADENCIAL DEVE SER CONTADO NA FORMA DO ART. 173, II, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Em relação ao ano-calendário 1994, a infração foi objeto de notificação de lançamento declarada primeiramente nula por vício formal, o que reabriu o prazo qüinqüenal para a Fazenda Nacional refazer o lançamento na boa e devida forma, com espeque no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, inocorreu o fenômeno extintivo em relação ao ano-calendário 1994. Entretanto, em relação ao ano-calendário 1995, quando da ciência do lançamento em 08/01/2001, considerando que o fato gerador se aperfeiçoou em 31/12/1995, fluíra o prazo para a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda deste ano, devendo ser reconhecido que a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1995. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-16.928
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à matéria relativa à imunidade em razão da concomitância com a via judicial e, no tocante à parte conhecida, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à matéria relativa à imunidade em razão da concomitância com a via judicial e, no tocante à parte conhecida, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO - TRANCAMENTO DA VIA ADMINISTRATIVA INSTAURADA -IMUNIDADE PREVISTA NO REVOGADO ART. 153, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL - DECISÃO JUDICIAL EM DESFAVOR DA PRETENSÃO DO CONTRIBUINTE - A discussão da imunidade do imposto de renda que incidiria sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão pagos pela previdência oficial à pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos de trabalho, foi submetida à apreciação judicial, que, inclusive, decidiu de forma definitiva em desfavor da pretensão do contribuinte. Impossível renovar ou manter a discussão sobre tal matéria no rito do processo administrativo fiscal. Na espécie, incide a Súmula 1ºCC nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. COBRANÇA DA EXAÇÃO AO INVENTARIANTE - ENCERRAMENTO DO ESPÓLIO - DESCONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE JULGADORA DE 1º GRAU - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - Quando da protocolização da impugnação, ainda vivia o contribuinte. Na conversão do julgamento em diligência pela DRJ, quando se determinou que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a trazer ao processo laudo pericial oficial confirmatório de doença especificada na lei tributária como causa isentiva do imposto de renda, a mandatária constituída nos autos informou do falecimento do contribuinte, porém nada discorreu sobre o término do inventário. Com espeque no art. 131, II, do Código Tributário Nacional - CTN, são pessoalmente responsáveis o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da partilha, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. Havendo espólio, aqui com base no art. 131, III, do CTN, esse é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, quando do julgamento da impugnação, a Turma de Julgamento não tinha ciência do término do inventário do contribuinte. Nessa linha, andou bem quando determinou a intimação da inventariante do teor da decisão de 1º grau, pois entendeu, com base nas informações dos autos, que a responsabilidade cabia ao espólio. Ressalte-se, entretanto, que a exação mantida nesta instância será cobrada dos sucessores, até as forças da herança, como, inclusive, já informado no Parecer PFN-MG/DIJUD nº 228 DAP/2005 acostados aos autos. REFORMA PARCIAL DO LANÇAMENTO PELA DECISÃO DE 1º GRAU - INEXISTÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA EXAÇÃO - PROCEDIMENTO ESCORREITO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - A decisão recorrida, dando razão em parte à inconformidade do contribuinte, reduziu os valores do lançamento fiscal. Inexistência de qualquer nulidade. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS APÓS O RECONHECIMENTO DA DOENÇA GRAVE - DUPLO REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1996 DECADÊNCIA - IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL NOS LIMITES DO ART. 150, § 4º, DO CTN - APENAS HAVENDO DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL DO LANÇAMENTO, O PRAZO DECADENCIAL DEVE SER CONTADO NA FORMA DO ART. 173, II, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Em relação ao ano-calendário 1994, a infração foi objeto de notificação de lançamento declarada primeiramente nula por vício formal, o que reabriu o prazo qüinqüenal para a Fazenda Nacional refazer o lançamento na boa e devida forma, com espeque no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, inocorreu o fenômeno extintivo em relação ao ano-calendário 1994. Entretanto, em relação ao ano-calendário 1995, quando da ciência do lançamento em 08/01/2001, considerando que o fato gerador se aperfeiçoou em 31/12/1995, fluíra o prazo para a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda deste ano, devendo ser reconhecido que a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1995. Recurso voluntário parcialmente provido.

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Impossível renovar ou manter a discussão sobre tal matéria no rito do processo administrativo fiscal. Na espécie, incide a Súmula 1°CC n° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". COBRANÇA DA EXAÇÃO AO INVENTARIANTE - ENCERRAMENTO DO ESPÓLIO - DESCONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE JULGADORA DE 1° GRAU - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - Quando da protocolização da impugnação, ainda vivia o contribuinte. Na conversão do julgamento em diligência pela DRJ, quando se determinou que a . autoridade preparadora intimasse o contribuinte a trazer ao),/, processo laudo pericial oficial confirmatório de doença 1 . . Processo n° 13609.000764100-53 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.928 Fls. 452 especificada na lei tributária como causa isentiva do imposto de renda, a mandatária constituída nos autos informou do falecimento do contribuinte, porém nada discorreu sobre o término do inventário. Com espeque no art. 131, II, do Código Tributário Nacional - CTN, são pessoalmente responsáveis o sucessor a qualquer titulo e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da partilha, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. Havendo espólio, aqui com base no art. 131, III, do CTN, esse é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, quando do julgamento da impugnação, a Turma de Julgamento não tinha ciência do término do inventário do contribuinte. Nessa linha, andou bem quando determinou a intimação da inventariante do teor da decisão de 1° grau, pois entendeu, com base nas informações dos autos, que a responsabilidade cabia ao espólio. Ressalte-se, entretanto, que a exação mantida nesta instância será cobrada dos sucessores, até as forças da herança, como, inclusive, já informado no Parecer PFN-MG/DIJUD n° 228 DAP/2005 acostados aos autos. REFORMA PARCIAL DO LANÇAMENTO PELA DECISÃO DE 1° GRAU - INEXISTÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA EXAÇÃO - PROCEDIMENTO ESCORREITO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - A decisão recorrida, dando razão em parte à inconformidade do contribuinte, reduziu os valores do lançamento fiscal. Inexistência de qualquer nulidade. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS APÓS O RECONHECIMENTO DA DOENÇA GRAVE - DUPLO REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o beneficio da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico ys(particular, mesmo que contemporâneoAo período da autuação, também não atende os requisitos legais. • Processo n° 13609.000764/00-53 CC0I/C06 Acórdão n.° 106-16.928 Fls. 453 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 DECADÊNCIA - IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL NOS LIMITES DO ART. 150, § 4°, DO CTN - APENAS HAVENDO DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VICIO FORMAL DO LANÇAMENTO, O PRAZO DECADENCIAL DEVE SER CONTADO NA FORMA DO ART. 173, II, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Em relação ao ano-calendário 1994, a infração foi objeto de notificação de lançamento declarada primeiramente nula por vício formal, o que reabriu o prazo qüinqüenal para a Fazenda Nacional refazer o lançamento na boa e devida forma, com espeque no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, inocorreu o fenômeno extintivo em relação ao ano- calendário 1994. Entretanto, em relação ao ano-calendário 1995, quando da ciência do lançamento em 08/01/2001, considerando que o fato gerador se aperfeiçoou em 31/12/1995, fluíra o prazo para a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda deste ano, devendo ser reconhecido que a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1995. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROBERTO VICTOR FOUREAUX. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à matéria relativa à imunidade em razão da concomitância com a via judicial e, no tocante à parte conhecida, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. IL0 e ANMRTAVB : 85 REIS Presidente GIOV • I CHRI • 'UNES CA -OS Relate 3 . . Processo n°13609.000764/00-53 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.928 Fls. 454 FORMALIZADO EM: 01 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (suplente convocada), Janaína Mesquita Lourenço e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face do contribuinte Roberto Victor Foureaux, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 3 a 14) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1995 a 2000, formalizando a exigência a seguir discriminada (valores em reais — R$): IMPOSTO 202.103,16 MULTA DE OFÍCIO 0,00 JUROS DE MORA (calculados até 11/2000) 119.634,44 TOTAL 321.737,60 O lançamento decorre da omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, CNPJ n° 17.516.113/0001-47, tendo em vista que o contribuinte detinha uma medida liminar judicial que afastava a incidência do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados e dos Municípios a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos de trabalho, com fulcro na imunidade prevista no revogado art. 153, §.2°, da Constituição Federal. Dessa forma, o auto de infração objetivou prevenir os direitos da Fazenda Nacional em face da decadência, como permitido pelo art. 63 da Lei n° 9.430/96. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 134a 170. Tendo em vista a alegação de que o impugnante é portador de câncer — CID 154-2, conforme atestado médico emitido pelo Dr. Alcino Lázaro da Silva — CRM/MG 2.689 (fls. 204), o julgamento foi convertido em diligência (fls. 276 a 279), pela Resolução DRJ/BHE n°485, de 14 de janeiro de 2005, devendo a autoridade preparadora intimar o impugnante para que fosse acostado aos autos laudo pericial emitido por serviço médico oficial, reconhecendo a existência e o início da moléstia especificada em lei. Atendendo a intimação acima, por intermédio da mandatária do impugnante, foram juntadas aos autos a certidão de óbito do contribuinte e cópia do mesmo atestado médico antes descrito. O óbito ocorreu em 17/04/2002, em conseqüência de insuficiência renal/carcinomatose Metastático de reto (fls. 285). Dando prosseguimento ao julgamento, a 5' Turma de Julgamento da DRJ-Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade invocada, 4.,rejeitou o pedido de perícia e, no mérito, julgou procedente em parte o lançamento em relação ,4. à matéria diferenciada e declarou definitiva a exigência na esfera administrativa, em decisão d 4 . . Processo n° 13609.000764100-53 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-16.928 Els. 455 fls. 292 a 304. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 8.515, de 19 de maio de 2005, que foi assim ementado: AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instáncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Na fórmula final do julgamento acima, a autoridade julgadora determinou que a inventariante fosse cientificada do Acórdão, bem como intimada a pagar a exação mantida, facultando-lhe a interposição de recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes. A decisão a quo, em 10/06/2005 (fls. 307), foi recepcionada no endereço do espólio que constava nos cadastros da Receita Federal. Irresignado, seu cônjuge, a antiga inventariante, interpôs recurso voluntário em 07/07/2005 (fls. 429). No voluntário, o recorrente deduz os seguintes argumentos: I. informa que o espólio, cuja inventariante era a viúva do contribuinte, atual recorrente, encerrou-se em 27/04/2004, com expedição de formal de partilha. Assim, é nula a decisão recorrida, bem como o auto de infração respectivo, pois a inventariante, após o encerramento do espólio, é totalmente incompetente para figurar no pólo passivo da cobrança; 2. a matéria tributável em discussão neste processo administrativo encontra-se sob o pálio das decisões judiciais proferidas na ação cautelar n° 93.023434-0 e na ação declaratória n° 94.3360-5. Considerando a inexistência de decisão trânsita em julgado em desfavor do contribuinte morto, é nula cobrança determinada pela decisão recorrida; 3. traz laudo pericial emitido pelo corpo de saúde da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na qual se atesta que o contribuinte era portador de neoplasia maligna; 4. o acessório cobrado, no caso os juros de mora, é maior que o valor do principal. Ademais, a Delegacia de Julgamento utilizou a peça impugnatória para rever o lançamento, o que é irregular, sendo causa de nulidade, aumentando, inclusive, o crédito tributário em cerca de R$ 9.000,00 no ano-calendário 1999; 5. a Turma de Julgamento agiu com abuso de poder quando utilizou o Ato Declaratório Cosit n° 03/1996 para desconsiderar a impugnação apresentada. De lembrar que o contribuinte havia acionado o poder judiciário 10 anos antes da protocolização da impugnação; 6. requer, ainda, que este Conselho de Contribuintes se digne a considerar )1prescritos os 7 os de 1998 a 1996 (sic), pelos fundamentos apontados na impugnação. • Processo n° 13609.000764/00-53 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-18.928 Fls. 456 Ainda, no bojo do recurso voluntário, a antiga inventariante acostou aos autos a seguinte documentação: 1. formal de partilha extraído dos autos de inventário/arrolamento do Sr. Roberto Victor Foureaux. A sentença do juiz de direito que fez a partilha é datada de 20/04/2004 e transitou em julgado (fls. 378); 2. laudo assinado por 03 médicos da Coordenação de Saúde e Assistência (fls. 428), datado de 16 de maio de 2001, com o seguinte teor: 0(a) servidor)(a) Roberto Victor Foureaux, matr. 00226-7 é portador(a) de patologia identificada na Classificação Internacional de Doenças (CID) pelo(s) n°(s) C20 e C61. Este laudo foi elaborado para atender ao que dispõe o Inciso XIV do Art. 6° da Lei n° 7713 de 22/12/88, modificada pelo Art. 47 da Lei n° 8541 de 23/12/92 e pelo Art. 30 da Lei n°9.250 de 26.12.95 e tem validade de 05 anos, em prorrogação, a partir de 01.04.2001. Coordenação de Saúde e Assistência aos 16 de maio de 2001 Em aditamento às razões recursais, em 27/09/2006, a advogada da peticionária trouxe decisão do Min. Sepúlveda Pertence, no RE 363.790, que afastou a imunidade então prevista no art. 153, § 2°, II, da Constituição Federal somente após a publicação da Emenda Constitucional n°20/1998. A mandatária entendeu que se trata de direito superveniente ou fato constitutivo, modiflcativo capaz de influenciar no resultado do julgamento do presente processo administrativo. Distribuído o processo a este Conselheiro, veio numerado até às folhas 448 (última). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que a representante do contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 10/06/2005 (fls. 307) e interpôs o recurso voluntário em 07/07/2005 (fls. 429), dentro do trintídio legal. O recurso voluntário foi interposto por mandatária, constituída pelo cônjuge do recorrente (e inventariante do espólio do contribuinte falecido), conforme mandato de fls. 311. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais do recurso, dele tomo conhecimento. Com objetivo de infirmar o auto de infração em debate, bem como a decisão a recorrida, a representante do contribuinte traz as seguintes defesas: Processo n° 13609.000764/00-53 CCO I /C06 Acórdão n.° 108-18.928 Fls. 457 I. informa que o espólio, cuja inventariante era a viúva do contribuinte, atual recorrente, encerrou-se em 27/04/2004, com expedição do formal de partilha. Assim, é nula a decisão recorrida, bem como o auto de infração respectivo, pois a inventariante, após o encerramento do espólio, é totalmente incompetente para figurar no pólo passivo da cobrança; II. a Delegacia de Julgamento utilizou a peça impugnatória para rever o lançamento, o que é irregular, sendo causa de nulidade, aumentando, inclusive, o crédito tributário em cerca de R$ 9.000,00 no ano-calendário 1999; III. requer, ainda, que este Conselho de Contribuintes se digne a considerar prescritos os anos de 1998 a 1996 (sic), pelos fundamentos apontados na impugnação; IV. traz laudo pericial emitido pelo corpo de saúde da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na qual se atesta que o contribuinte era portador de neoplasia maligna; V. a matéria tributável em discussão neste processo administrativo encontra-se sob o pálio das decisões judiciais proferidas na ação cautelar n° 93.023434-0 e na ação declaratória n° 94.3360-5. Considerando a inexistência de decisão tránsita em julgado em desfavor do contribuinte morto, é nula cobrança determinada pela decisão recorrida; VI. a Turma de Julgamento agiu com abuso de poder quando utilizou o Ato Declaratório Cosit n°03/1996 para desconsiderar a impugnação apresentada. De lembrar que o contribuinte havia acionado o poder judiciário 10 anos antes da protocolização da impugnação; VII. a decisão do Min. Sepúlveda Pertence, no RE 363.790, que afastou a imunidade então prevista no art. 153, § 2°, II, da Constituição Federal, somente após a publicação da Emenda Constitucional n°20/1998, é direito superveniente e deve afastar a decisão lançada até o ano-calendário 1998. VIII. o acessório cobrado, no caso os juros de mora, é maior que o valor do principal. No item I, pugna-se pela declaração de nulidade da decisão recorrida, pois se imputou a exação a inventariante de espólio já encerrado. Inicialmente, deve-se esclarecer que, quando da protocolização da impugnação, em 16/01/2001 (fls. 134), ainda vivia o contribuinte. Em 19/09/2001, o presente processo foi enviado para julgamento na Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Belo Horizonte (MG). Os autos permaneceram naquela unidade julgadora até 14/01/2005, quando, então, converteu-se o julgamento em diligência, pela Resolução n° 485, de 14 de janeiro de 2005 (fls. 276), determinando que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a trazer ao processo laudo pericial oficial confirmatório de doença especificada na lei tributária como causa isentiva do imposto de renda. A. 7 Processo n° 13609.000764/00-53 CO 1 /CO6 Acórdão n.° 106-16.928 Fls. 458 Atendendo a intimação de 15/02/2005 (fls. 280), a mandatária constituída nos autos informou o falecimento do contribuinte. Nada discorreu sobre o término do inventário (fls. 282 a 288). Com espeque no art. 131, II, do Código Tributário Nacional - CTN, é de se ressaltar que são pessoalmente responsáveis o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da partilha, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. Havendo espólio, aqui com base no art. 131, III, do CTN, aquele é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, quando do julgamento da impugnação, a Turma de Julgamento não tinha ciência do término do inventário do contribuinte. Nessa linha, andou bem quando determinou a intimação da inventariante do teor da decisão aqui recorrida (fls. 292), pois entendeu, com base nas informações dos autos, que a responsabilidade cabia ao espólio. Nessa linha, não há qualquer nulidade na decisão recorrida. Ressalte-se, entretanto, que eventual exação mantida nesta instância será cobrada dos sucessores, até as forças da herança, como, inclusive, já informado no Parecer PFN-MG/DIJUD n° 228 DAP/2005 acostados aos autos (fls. 433 a 437). No item II, pugna-se pelo reconhecimento de nova nulidade. A Delegacia de Julgamento utilizou a peça impugnatória para rever o lançamento, o que é irregular, sendo causa de nulidade, aumentando, inclusive, o crédito tributário em cerca de R$ 9.000,00 no ano- calendário 1999. A decisão recorrida, dando razão em parte à inconformidade do contribuinte, reduziu os valores do lançamento fiscal. A impugnação, expurgando a parte indevida do lançamento, atingiu, parcialmente, seu desiderato. Observe que a decisão recorrida aumentou as deduções nos exercícios 1996 a 1999 e reduziu os rendimentos tributáveis do exercício 1997. A decisão recorrida alterou a base de cálculo do lançamento de cada ano- calendário, dentro da competência regular da autoridade julgadora. Quando ao exercício 2000 (ano-calendário 1999), a decisão recorrida aumentou o imposto retido na fonte de R$ 10.059,28 para R$ 18.322,83, levando o contribuinte a afirmar que o crédito tributário havia aumentado em quase R$ 9.000,00. Na verdade, reduziu o imposto lançado em R$ 8.263,55. Percebe-se, então, que a decisão recorrida expurgou parte do lançamento, reduzindo a exação lançada (compare as fls. 12,301 e 306). Aqui, não há qualquer nulidade. Superado o item II, mister apreciar a questão aventada no item III. Pelo pedido recursal, percebe-se que houve um equívoco por parte da representante do contribuinte (requer, ainda, que este Conselho de Contribuintes se digne a • considerar prescritos os anos de 1998 a 1996 (sic), pelos fundamentos apontados na impugnação). Processo n° 13609.000764/00-53 CCO1 10)6 Acórdão n.° 106-18.926 Fls. 459 Analisando a impugnação, vê-se que o contribuinte pugnou pela prescrição e decadência dos anos-calendário 1994 e 1995 (fls. 20). Em relação ao ano-calendário 1994, percebe-se que a infração foi objeto de notificação de lançamento (fls. 90), declarada nula pela decisão n° 1.926, de 28 de setembro de 2000, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 123 a 125). O contribuinte foi intimado dessa decisão em 17/10/2000 (fls. 127). Assim, nos termos do art. 173, II, do Código Tributário Nacional, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, a Fazenda Nacional terá 05 anos para constituir o crédito tributário anulado. No caso aqui em debate, quando da ciência da presente autuação (fls. 131), o prazo acima começava a fluir. Dessa forma, afasta-se a alegação de decadência do exercício 1995. Entretanto, como se pode ver pelo Aviso de Recebimento - AR de fls. 131, no qual não consta a data do recebimento pelo recorrente, postado em 22/12/2000, é de se reconhecer, na espécie, que incide a norma legal do art. 23, § 2°, 11 (parte final), do Decreto n° 70.235/72. Este dispositivo legal informa que, no caso de intimação postal, havendo omissão da data de recebimento, o prazo da ciência será de quinze dias após a data da expedição da intimação. Assim, como no AR de fls. 131 não há a data de recebimento, e como a correspondência foi postada em 22/12/2000, é de se reconhecer que a ciência do lançamento ocorreu 15 dias após o dia 22/12/2000, ou seja, em 08/01/2001 (segunda-feira). Dessa forma, considerando a jurisprudência dominante no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, a qual entende que fato gerador do imposto de renda é complexivo, aperfeiçoando-se no último dia do ano-calendário, com termo de início do prazo decadencial na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 40, do CTN, depreende-se que a decadência alcançou o imposto do ano-calendário 1995. O imposto do ano-calendário 1995, com fato gerador em 31/12/1995, teve seu termo final decadencial em 31/12/2000. Assim, quando da ciência do lançamento (08/01/2001), havia fluído o qüinqüênio decadencial. Para melhor aclarar a questão, discorremos sobre tal jurisprudência. Entende-se pacificamente que, desde o Decreto-Lei n° 1.968/1982, o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica passou a ser por homologação. A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. O fato de não haver o pagamento não transmuda a natureza do lançamento. O lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, amolda-se ao prazo decadencial do art. 150, § 4°, do CTN, exceto nos casos de dolo, fraude ou simulação. Nestes últimos casos, aplica-se a regra decadencial do art. 173, 1, do CTN. A omissão de rendimento do caso em debate nestes autos sequer foi apenada com multa de oficio ordinária de 75%, pois o lançamento foi feito para prevenir a decadência. 9 . . Processo n• 13609.000764/00-53 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.928 Fls. 460 Por óbvio, o IRPF lançado e aqui discutido, com auto de infração lavrado para prevenir a decadência do crédito tributário, não há que falar na incidência das qualificadoras do dolo, fraude ou simulação, a justificar a imposição do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. O entendimento esposado por este relator, no tocante à decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, atualmente é uníssono no âmbito do Primeiro e Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, citamos: acórdão n° 101-95026, relatora a conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; acórdão n° 103-23170, relator o conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; acórdão n° 108-09230, relator do voto vencedor Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; acórdão n°203-10853, relator a conselheira Maria Teresa Martínez López, sessão de 28/03/2006; acórdão n° CSRF/01- 05.628, relator o conselheiro José Henrique Longo; acórdão n° CSRF/04-00.213, relator o conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. Recentemente, igualmente, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para julgar os feitos de pessoa fisica, assentou: Turma: QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Número do Processo: l0680.003066/2001-92 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPF Recorrente: VERGNIAUD LASSI LOPES Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 19/06/2007 15:30:00 Relator(a): Maria Helena Coita Cardozo Acórdão: CSRF/04-00.586 Decisão: DEU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, para reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário de 1995. DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Na mesma linha dos arestos acima, mais recentemente, decidiu esta Sexta Câmara: Câmara: SEXTA CÂMARA Número do Processo: 10735.001856/2002-31 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPF Recorrente: GUSTAVO DE CARVALHO MERES Recorrida/Interessado:0 TURM,ATDRJ-JUIZ DE FORA/MG Data da Sessão: 08/11/2007 00:00:00 Relator:Lumy Miyano Mizukawa Decisão: Acórdão 106-16610 Resultado: DEU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE IRPF - DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tendo em vista que o procedimento administrativo tributário )se ....... pauta pela legalidade e pela verdade material, ainda que não alegaria pelo contribuinte a decadência deve sei or . . Processo n° 13609.000764/00-53 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.928 F. 461 declarada em sede de julgamento. O prazo decadencial para lançamento do crédito tributário extingue-se em 5 (cinco) anos a contar da data de ocorrência do fato gerador. Ainda, colacionamos excerto de ementa do Acórdão n° 106-16.793, de nossa lavra, exarada na sessão de 06 de março de 2008, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 IRPF - FATO GERADOR COMPLEXIVO - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - QÜINQÜÊNIO DECADENCIAL CONTADO A PARTIR DO FATO GERADOR QUE SE APERFEIÇOOU EM 31/12/1993 - LANÇAMENTO EFETUADO APÓS CINCO ANOS DO FATO GERADOR - CADUCIDADE - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Os rendimentos do trabalho com vinculo emprega/feio recebidos de pessoa jurídica estão sujeitós à incidência do imposto de renda da pessoa física e ao ajuste anual na declaração de rendimentos. Na espécie, o fato gerador é considerado ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Tal imposto se enquadra na moldura do lançamento por homologação. Para esse, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto, pois a ciência do lançamento se deu em 27/04/1999, e o fato gerador se aperfeiçoou em 31/12/1993. (.) (grifei) Pelo acima exposto, afastando o reconhecimento da decadência no tocante ao ano-calendário 1994, é de se reconhecer que o fenômeno extintivo temporal da caducidade fulminou o crédito tributário do ano-calendário seguinte de 1995. Passa-se a analisar a defesa trazida no item IV (laudo pericial emitido pelo corpo de saúde da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na qual se atesta que o contribuinte era portador de neoplasia maligna). Na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial acostado aos autos (fls. 428) atende aos requisitos legais acima. Entretanto, não fixa o termo de início da doença. Ademais, foi emitido em 16 de maio de 2001, período posterior aos anos-calendário aqui em debate. De outro banda, o laudo particular de fls. 287, emitido em 22/11/1999, que I. atesta que o contribuinte foi operado no dia 11 de agosto de 1997 de CID 154.2 e que estava em uso de quimioterapia e já se submeteu à radioterapia, não atende aos requisitos da lei. fr Processo n° 13609.000764100-53 CC01 /CO6 Acórdão n.° 106-16.928 ns. 462 Dessa maneira, não logrou o contribuinte ou seu representante legal juntar a documentação necessária ao reconhecimento da isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia especificada em lei. As defesas dos itens V a VII versam sobre a possibilidade da administração apreciar um litígio que já se encontra sob o pálio do poder judiciário. Ocorre que o Brasil adotou o modelo da unicidade de jurisdição, com a supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário. Assim, somente cabe a esta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acatar a decisão proferida na ação declaratória informada nos autos, declarando a concomitância das instâncias, e, na forma do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, reconhecer que o recorrente desistiu do recurso na esfera administrativa, na matéria identicamente discutida no Poder Judiciário e neste recurso voluntário. Aqui, deve-se ser afastada qualquer discussão sobre a inconstitucionalidade do art. 153, §2°, II, da CF88, litígio que será decidido pelo Poder Judiciário. No tocante à solução deste litígio, pugnada pela recorrente, reconhece-se a concomitância das instâncias e tranca-se a presente via administrativa. No caso antes em debate, incide a Súmula 1°CC e 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. É de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, como se pode ver na transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto."). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento à apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria — v. Informativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepúlveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não Processo n° 13609.000764/00-53 CCOI/C06 Acórdão n." 106-16.928 Eis. 463 implica afronta à garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional Afastou, também, a alegado ofensa ao direito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. 1W 2335821RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, reL p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582) —grifei - Dessa forma, mantém-se, in totum, o imposto lançado nos anos-calendário 1994, 1996, 1997, 1998 e 1999, afastando as defesas dos itens V a VII. Por fim, no item VIII, a inventariante insurge-se contra o acessório cobrado, no caso os juros de mora à taxa Selic, que seria maior que o valor do principal. Essa matéria foi pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, quando da edição da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 19951 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais". Com espeque art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes', aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, o enunciado sumular é de aplicação obrigatória no âmbito dos julgamentos de 2° grau. Igualmente, não pode prosperar a irresignação da recorrente. I Art. 53. As decisões unânimes, reiteradas e uniformes dos Conselhos serão consubstanciadas em súmula, de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. § 1° A súmula será publicada no Diário Oficial da União, entrando em vigor na data de sua publicação. § 2° Será indeferido pelo Presidente da Câmara, ou por proposta do relator e despacho do Presidente, o recurso que contrarie súmula em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso. 13 Processo n° 13609.000764100-53 CCO1 /CO6 Acórdão n.°106-16.928 ns. 464 Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso quanto à matéria relativa à imunidade em razão da concomitância com a via judicial e, no tocante à parte conhecida, afastar as preliminares e DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento relativo ao ano-calendário de 1995. Sala das Sessões, em 29 de • *e 2008 ' Giovanni C stian NuneiTs SÍ 14 Page 1 _0042400.PDF Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042600.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042800.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043000.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043200.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043400.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043600.PDF Page 1

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