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Numero do processo: 11020.000767/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/03/2010
APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA.
Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.396
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o
voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.269.5248, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 80 a 81 em seu relatório, de acordo com o parágrafo único do art. 233 daquele Regulamento, " considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais , bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda , que omita informação verdadeira " , estando entre as formalidades extrínsecas a que sujeitos os instrumentos de escrituração notadamente o Livro Diário a autenticação no registro público competente. Não obstante, os Livros Diário n° 09, 10, 11 e 12, respectivamente de janeiro a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006, janeiro a dezembro de 2007 e janeiro a dezembro de 2008, apresentados pela empresa em 19 de fevereiro de 2010, só foram registrados no órgão competente, Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Farroupilha RS, em 10 de fevereiro de 2010. depois da ciência do início do procedimento fiscal, ciência ocorrida em 02 de fevereiro de 2010. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 102 a 106. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 137 a 148. Vejamos ementa da referida decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/03/2010 AUTO DE INFRAÇÃO . OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO . DOCUMENTOS RELACIONADOS COM A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS EXTRÍNSECAS . Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, bem como sua apresentação deficiente, sem atender as formalidades legais exigidas, tal como o registro no órgão competente em data posterior ao início do procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 186 a 190. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Afirma que não ocorreu a infração objeto desta autuação, eis que a verificação de sua irregularidade só poderia se dar quando da sua apresentação ao fisco, considerando que os livros Diário apresentados à fiscalização foram registrados após o início da ação fiscal, mas antes de sua exibição ao fiscal. Assim, quando da efetiva apresentação encontravam se regulares e legais. 2. Entende que da leitura da lei o contribuinte tem oportunidade de regularizar sua contabilidade até o momento em que a fiscalização estabelece o prazo para a sua apresentação, o qual não se extingue em nenhum outro momento anterior. A legislação diz que os Livros Diário devem estar regularizados quando de sua apresentação ao fisco, e não quando do início do procedimento fiscal. 3. A multa não está correta quanto à sua quantificação, por não atender aos limites estabelecidos no art. 283, II do RPS. O contribuinte não praticou qualquer ato capaz de provocar a agravante, nem com intuito de prejudicar a ação da fiscalização, nunca antes tendo sido multado. A dosagem da multa está acima dos limites legais. 4. Requer seja declarado nulo ou totalmente improcedente o auto, ou, alternativamente, seja limitado o valor da multa ao estabelecido no artigo 283, I I , c/c artigo 292 do RPS..^ A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, irrelevantes os argumentos de que em sendo associação estaria desobrigada de efetuar as devidas retenções quando da contratação de cooperativas. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Requereu a autoridade fiscal os livros diários porém ao apreciálos identificou que o mesmos foram registrados após o procedimento fiscal, o que tira do recorrente a espontaneidade. Contudo, dito argumento não é suficiente para afastar a autuação, posto que o fato que configura a infração restou configurado, qual seja “apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido.” Notese que os argumentos trazidos pelo recorrente são exatamente os mesmos já apresentados na IMPUGNAÇÃO, onde quando do julgamento de primeira instância apreciou o julgador os argumentos ali contidos, não tendo o recorrente contraposto qualquer novo argumentos capaz de alterar aquele julgado. Portanto, transcrevo trecho da referida decisão. Da Penalidade por Descumprimento de Obrigação Acessória 8. Inicialmente, destacase que a autuação ora sob exame foi imposta à impugnante pelo seu próprio descumprimento de uma obrigação acessória prevista em lei, qual seja, a de apresentar livros obrigatórios na forma exigida pela legislação. 9. Pelas leis civis, o empresário e a sociedade empresária estão obrigados a manter escrituração contábil idônea, consubstanciada no Livro Diário, cuja exigibilidade está prevista no artigo 1.180 do Código Civil (lei n.° 10.406/2002), o qual deve ser autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Como se segue: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 4 7 Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (...) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis, (g. n.) 10. O livro Diário deve observar, portanto, certas formalidades extrínsecas e intrínsecas (artigos 1.183 e 1.184 do Código Civil), sob pena de autuação própria, nos termos da legislação tributária previdenciária. Vejase a Lei n.° 8.212/91: Art. 33. [omissis] (...) § 2° A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). § 3â Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). 11. Há ainda a previsão, no Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.° 3.048/99, de que a escrituração contábil seja exigida após noventa dias da ocorrência dos fatos geradores. Citase: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 12. Além disto, a Instrução Normativa SRF n. 16/1984 estabelece como prazo para registro e autenticação dos Livros Diário o último dia determinado para a entrega da DIPJ. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 13. Deste modo, verificando que o livro Diário, exigível de qualquer empresa nos termos da lei, não se encontrava registrado no órgão competente no início do procedimento fiscal, ficou caracterizada, pela fiscalização, a sua apresentação de modo deficiente, isto é, sem o registro em tempo hábil. Há, sim, infração, na medida em que as formalidades legais não foram atendidas no momento determinado pelas normas em vigor. 14. Não é somente a falta de apresentação de livro obrigatório que é capaz de ensejar a infração em tela. A sua apresentação deficiente, sem observância de formalidades legais exigidas, tal como o registro ou autenticação, também o é. Ora, sem a observância das formalidades, dentre as quais se inclui o registro contemporâneo dos livros contábeis, não se pode falar em regularidade na documentação da empresa, a qual deve merecer confiabilidade exatamente por se verificar ter atendido todos os requisitos estabelecidos nos normativos vigentes. Assim, fica estabelecida a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal para autuar a empresa, nos termos do artigo 33, § 2 o e 3o da Lei 8.212/91. 15. Portanto, a situação fática encontrada pela fiscalização quando do início da ação fiscal foi a de uma escrita contábil desprovida de registro, ou seja, sem regularidade. O inicio da fiscalização deuse em 02/02/2010, conforme AR que comprava o recebimento do TIPF, de fls. 72. Os livros Diário apresentados, de 2005 a 2008, contêm como datas de registro 10/02/2010; após portanto o inicio da auditoriafiscal, conforme documentos de fls. 82/99. O registro operado pela Autuada foi, assim, extemporâneo, desatendendo o que preconiza a legislação de regência, e imputando a sua escrita contábil o atributo da irregularidade. De nada adianta a empresa sob procedimento fiscal cumprir um dever instrumental somente após o termo inicial desse procedimento. 16. Isto porque o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade para os fins de retificar ou sanar infrações referentes às contribuições sociais e previdenciárias objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Tudo nos termos do art. 138 e parágrafo único do CTN e art. 7.° e § 1.° do Decreto n.° 70.235/72. 17. Por outro lado, a jurisprudência assinala a impossibiliade desse aplicar o instituto da denúncia espontânea nas obrigações acessórias, puramente formais, como é o caso do Auto de Infração em tela. 18. O entendimento é corroborado na CSRF Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da transcrição abaixo, em que foi recorrida a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (julgado em 21.05.2001 do RD/2020.363, DOU, Seção I, p. 19, de 23/10/2002): "Acórdão CSRF/02.01,029. DCTF ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 5 9 A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138, do CTN.Precedentes do STJ. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Cons.Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva" 19. Nesse contexto, ao verificar o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, § 2o da Lei n° 8.212/91, c/c art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, lavrouse corretamente o correspondente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 283, inciso I I , " j " do RPS, valor esse atualizado pela Portaria Ministerial vigente à época. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/MF n. 350/2009 reajustou os valores da multa: Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Ademais, a alegação de que não tinha a intenção de praticar qualquer falta, também não afeta o lançamento, uma vez que a intenção do agente não interfere, ou seja o fato de ter agido com dolo ou culpa não interfere no lançamento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 6 11 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, data vênia, vou dar razão à recorrente no que diz respeito à inocorrência da infração. Inicio por transcrever os termos do dispositivo legal que fundamentou a lavratura: Lei n.º 8.212/1991 Art.33.(...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Observe que fiz questão de grifar os vocábulos que encerram o núcleo da obrigação acessória supostamente desrespeitada. Sem maiores digressões, é de se notar que a conduta desejada do sujeito passivo é a apresentação de livros/documentos, sendo considerada infração a falta de exibição ou mesmo a sua apresentação deficiente, conforme se extrai do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Indo ao caso concreto, temse que o sujeito passivo, tendo sido intimado a apresentar os Livros Diário relativos os exercícios de 2005 a 2008 em 02/02/2010, registrouos no órgão competente em 10/02/2010, tendo feito a exibição dos mesmos ao fisco em 19/02/2010. Para a Auditoria, o registro dos livros em momento posterior ao início do procedimento fiscal, retiraria a espontaneidade do contribuinte, justificando, assim, a lavratura. Não vejo dessa forma. É que a infração sob cuidado somente se perfectibiliza no momento da exibição dos elementos. A conduta omissiva tem lugar quando da falta de apresentação dos elementos ou a sua apresentação deficiente. Na espécie, não há o que se cogitar da falta de apresentação, posto que os livros foram entregues, então, perguntase: os Livros Diário foram apresentados de forma Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 7 13 deficiente? A resposta é negativa, posto que o fisco recebeu os elementos com todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas cumpridas, conforme narrado no seu relato. Quanto à possível exclusão da denúncia espontânea em razão do registro dos livros haver sido efetuado somente após o início da auditoria, devese ter em conta que esta raciocínio poderia ser utilizado nas situações em que a obrigação consistisse em “registrar os livros contábeis em data X”, mas não é essa a obrigação que suposta mente foi descumprida, a qual, não custa reprisar, diz respeito à “exibição de documentos e livros”. Nesse sentido, tendo os livros sido entregues na data fixada pela Auditoria e estando os mesmos em conformidade com as normas aplicáveis, não há que se falar em ocorrência de infração à norma insculpida no § 2.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11065.905337/2011-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 53 37 /2 01 1- 38 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de março de 2004, no valor de R$ 2.088,42, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 16/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 48/64, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.905337/201138 Acórdão n.º 3802001.697 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 19515.000981/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE.
A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admiti-la no sentido inverso.
PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO.
Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico - e pelos respectivos valores constantes na contabilidade - para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o benefício a ser auferido pela apontada pessoa ligada, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie.
Numero da decisão: 1301-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar os lançamentos constantes dos autos de infração, nos termos do voto Vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier.
(Assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS - Relator.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE. A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admitila no sentido inverso. PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO. Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico e pelos respectivos valores constantes na contabilidade para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o “benefício” a ser auferido pela apontada “pessoa ligada”, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar os lançamentos constantes dos autos de infração, nos termos do voto Vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. (Assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 81 /2 00 9- 60 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 (Assinado digitalmente) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Relator. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo versa acerca de autos de infração lavrados em 02/04/2009 (fls. 158/167), atinentes: (I) ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), relativo a fato gerador do anocalendário de 2004, com crédito tributário total de R$ 470.747.409,90 composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 31/03/2009; e, MULTA ISOLADA constituída em face da configuração da falta de pagamento de antecipação mensal do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurada no mês de agosto do anocalendário de 2004, correspondendo ao importe de R$ 66.134.612,61. Apurada em verificação fiscal obrigatória (1) falta de adição ao lucro liquido do exercício de montante pertinente à diferença entre o valor de mercado e o de alienação realizadas entre pessoas ligadas, apurada no montante de R$ 601.539.851,77 decorrente de operação de integralização de ações transferidas do patrimônio da empresa CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A, CNPJ n° 62.258.8841000136, cuja transação denotouse dentro do campo das hipóteses de presunção legal para caracterização de ocorrência de distribuição disfarçada de lucros (DDL), consoante descrito no aludido termo de verificação, demandando a tributação do IRPJ e CSLL sobre a base imponível apurada no encerramento do ano calendário de 2004, bem como o ajuste dos saldos de Prejuízos Fiscais e Compensação de Bases Negativas de CSLL (fls. 168/169 e 171/174); 2) Falta de pagamento da antecipação mensal do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao mês de agosto do anocalendário de 2004, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, face a inocorrência de adição da base imponível pertinente à distribuição disfarçada de lucros (DDL) acima circunstanciada; ensejando a constituição de multa isolada na proporção de 50% (cinqüenta por cento) da base tributável mensal apurada na forma redação atual do art. 44, inciso II, alínea b da Lei n° 9.430, de 1996, dada pelo art. 14 da Lei n°11.488, de 2007. 3) Certificação e glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais, no valor de R$ 533.128,46 ante a constatação de que o contribuinte manteve um estoque atinente a períodos anteriores no montante de R$ 2.898.789,24, conforme apurado em Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (fl. 149), enquanto que, por outro lado, o contribuinte procedeu um abatimento no Lucro Real do ano de 2004, na importância de R$ 3.431.917,70, segundo revelado pela Ficha 09A Linha 44 da DIPJ/2005. Vale registrar, por oportuno, que a multa isolada decorrente da falta de pagamento da antecipação mensal da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) referente ao mês de agosto do anocalendário de 2004, calculada nos moldes da sanção imputada sobre a estimativa apurada em relação ao IRPJ, embora oriundo de resultado do encerramento dos trabalhos amparados por intermédio do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF n° 08.1.90.002007028791), encontrase controlada,em separado, através do Processo Administrativo 19515.000982/200912. Apresenta impugnação com os seguintes argumentos: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, antecipa juízo no sentido de reclamar que as exigências fiscais são de todo incorretas e desprovidas de respaldo legal ou jurídico, devendo ser objeto de apreciação na qual sejam declaradas integralmente improcedentes pelo órgão julgador de primeira instância; 2) Assim, em caráter preliminar, reivindica que ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional realizar a glosa de compensação de prejuízos fiscais, ajustados no importe de R$ 533.128,46, bem como contesta a legitimidade das providências adotadas pela autoridade fiscal que ensejaram a alteração de oficio do saldo de computados em períodos anteriores; 3) Neste sentido, atesta que o procedimento efetuado pela Fiscalização não encontra base legal, visto que ajustou o resultado fiscal da entidade, atinente ao anocalendário de 2001, alterando a condição originária de Prejuízo Fiscal apurado no valor de R$ 7.542,85, consoante registrado na DIPJ e no LALUR do período base, para uma situação de Lucro Real no montante de R$ 1.751.952,05, cuja composição da base tributável inclui a compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, no importe de R$ 525.585,61. 4) Assinala que a glosa de R$ 533.128,46 corresponde ao somatório dos valores de R$ 7.452,85 e R$ 525.585,61, constante do demonstrativo elaborado no encerramento dos trabalhos de fiscalização. Subseqüentemente, reclama que, de acordo com os fundamentos fixados pelo art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, com a nova redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, o procedimento deveria estar amparado por meio de auto de infração ou notificação de lançamento a fim de resguardar a oportunidade de a empresa exercer seu direito a ampla defesa mediante impugnação e recurso administrativo. 5) No intuito de sustentar suas argüições, finda a discussão preliminar, mediante citação de ementas proferidas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes que intenta reafirmar a inconsistência do procedimento realizado pela autoridade fiscal, como a ocorrência de decadência do direito da RFB promover revisão alteração do saldo de prejuízo fiscal; 6) No campo do mérito, inicia suas explanações sobre a autuação vinculada à Distribuição Disfarçada de Lucros, assegurando que no caso das empresas Camargo Corrêa S/A (CCSA), Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) e Participações Morro Vermelho Ltda. (PMV), as participações societárias apresentamse arranjados conforme assinalados nas Fichas 49 da DIPJ/2004 (fls. 248/251), assim demonstrando que a PMV detém 99,96% do capital da CCSA que, por sua vez, possui 86,97% do capital da CCC; 7) Ante a configuração elencada, assevera que a alienação da da ITAUSA e da USIMINAS, a valores contábeis, realizada pela CCSA para a sua controlada CCC, para fins de integralização de capital social, não caracteriza a ocorrência da DDL, haja vista que a empresa CCC não se enquadra no conceito de pessoa ligada A empresa CCSA, em conformidade com os preceitos firmados pelos arts. 464, inciso I e 465, inciso do RIR/99, pelo simples motivo de que a primeira não é acionista da segunda, mas, sim, o inverso, circunstância que descaracteriza por completo a ocorrência da infração; 8) Acentua que o dispositivo legal estabelecido no art. 466 do RIR/99, reportado no enquadramento legal da autuação, aplicase a situações distintas daquela enquadrada pela Fiscalização, conforme exemplifica e ilustra às fls. 190/191; 9) Remata a fase inaugural da discussão de mérito, acentuando que as razões indicadas demonstram a insubsistência do auto de infração pautado na caracterização da Fl. 886DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 4 5 ocorrência de DDL, tendo em vista a desarmonia com a legislação de regência e sua incompatibilidade com os fatos descritos nos autos; 10) Dando seqüência às argumentações, afirma que a transação realizada entre as pessoas jurídicas não se destinou a transferir lucro para a CCC, na medida em que esses supostos lucros nunca foram realizados e que as ações incitadas na autuação permanecem, até hoje, intactas no ativo permanente da empresa controlada; 11) Sob este aspecto, reiterando a assertiva que visa refutar a qualificação das pessoas jurídicas na condição de empresas ligadas, faz citação de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes para fins de enfatizar que a jurisprudência em voga é incisiva em concluir pela imprescindibilidade da comprovação pela autoridade lançadora acerca da ocorrência de favorecimento do acionista controlador, objetivando evidenciar a infração que caracteriza a presença da DDL; 12) Completa que, não bastasse o referido erro, o Termo de Verificação Fiscal apresenta outra incongruência quando afirma que o beneficiário da suposta DDL teria sido a empresa Participações Morro Vermelho (PMV), sociedade que sequer tomou parte na transação, bem como não obteve qualquer beneficio da operação; 13) De toda sorte, atesta que a pretensão de tributar o negócio jurídico não se sustenta seja qual for o angulo sob o qual se enfoque a questão, visto que, em primeiro lugar, a suposta DDL seria irrealizável em face da inexistência de objeto (transferência de lucros imaginários) e, em segundo lugar, conforme sustentam conceitos assentados pela doutrina tributária, porque o caráter vinculado da atividade do lançamento não tolera simples ficções ou presunções, mas, sim, a atuação pautada em provas concretas, sendo vedada à Administração Tributária transferir o Onus probandi dos fatos alegados ao contribuinte; 14) Agrega que, diante do fato da operação ter sido concretizada em 13/08/2004, a Administração Tributária não poderia ter tomado como parâmetro para cotação das ações, valores unitários praticados em negociações posteriores àquela data, em desacordo com o art. 465, inciso III, §.3° do RIR/99, segundo o qual determina que a utilização de preço praticado em negociações anteriores e recente do mesmo bem; 15) Superadas as ilações anteriores, reclama que os lançamentos de oficio restaram prejudicados quanto a efetiva demonstração do valor de mercado da quantidade das ações da ITAUSA e da USIMINAS transferidas do patrimônio da impugnante (CCSA) para sua controlada (CCC), porquanto o quantitativo de ações transacionadas denotase extremamente superior ao acervo negociado na BOVESPA nos dias pesquisados pela autoridade fiscal, circunstância que indica descumprimento do dispositivo prescrito no art. 465, § 2° do RIR/99, cujo termos exigem que as quantidades comparadas sejam semelhantes; 16) Nesse sentido, relata que o Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiram inúmeras decisões nas quais estabelece que, para os casos de DDL presumida nos negócios de que trata o art. 464, inciso I do RIR/99, cabe ao Fisco a prova do valor de mercado do bem, para, então, demonstrar a inferioridade do preço da alienação em relação àquele importe, e eventual determinação da receita tributável; 17) Na seqüência, amparado em conceito definido pelo Parecer Normativo CST n° 449, de 1971 e em interpretação obtida de doutrina tributária, atesta que não há nos autos qualquer elemento que evidencie esforço do AFRFB na qual se perceba sua inclinação Fl. 887DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 em comprovar o valor das ações que se caracterizou notoriamente inferior de mercado, aliás, ao contrário, limitouse a proceder a juntada de cópia de pesquisa obtida no site Yahoo Finanças, realizada em 02/04/2009, abrangendo o período de transações na BOVESPA concernente ao interstício de 10 a 20 de agosto de 2004, visando embasar os preços de mercado informados no Termo de Verificação Fiscal, cujo procedimento não se coaduna com o disposto no art. 465, § 2° do RIR/99, bem como não respalda a atribuição da presunção legal pretendida nos autos de infração. Reforça que, diante do fato da entrega das ações para aumento de capital ter ocorrido em 13/08/2004, nos termos da legislação de regência, as negociações posteriores relacionadas ao mesmo bem não servem de parâmetro para aferir a existência de DDL, devendo, sim verificar o preço praticado nas negociações anteriores; 18) Reclama que a Administração Tributária não pode, à margem do quanto lhe é facultado pelo Regulamento do Imposto de Renda e pela própria Constituição Federal, criar conceitos e parâmetros próprios que não tem qualquer amparo na lei ou suporte na prova dos autos para definir o "valor de mercado" da transação no caso especifico, uma vez que o RIR/99 diz que o parâmetro a ser utilizado é o preço exercido nas negociações anteriores e, não, das transações posteriores; 19) Atesta a plena normalidade do ato praticado sob o prisma objetivo, haja vista que restou comprovado, no caso vertente, que as ações em causa não foram conferidas para aumento de capital por valor subavaliado, mas, sim, pelo seu valor patrimonial, qual seja, pelo seu valor contábil, enquanto que o parâmetro utilizado pela autoridade fiscal não tem amparo em lei, uma vez que negociações posteriores não servem para fins de comparação. Sustenta seus argumentos com base em jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes e cita o art. 189 do Decreto n° 85.450, de 1980; 20) Enfim, salienta que a tradição do Conselho de Contribuintes tem aceito a confirmação da DDL em alienações de bens por valores notoriamente inferiores aos de mercado, quando não é respeitado o valor patrimonial desses ativos, o que na espécie não ocorreu, tendo em conta que os valores de custo contábil e patrimonial foram rigorosamente atendidos; 21) Corroborado em ementa do Câmara Superior de Recursos Fiscais, assevera que o autuante incorreu em grave erro, capaz de invalidar o lançamento, pois, conforme se depreende da conclusão do procedimento, não observou a imprescindibilidade de instauração da avaliação contraditória, nos termos do art. 148 do CTN, visto que, tendo o Fisco estimado o valor das ações, tomando por base o preço de um número infinitamente menor de ações negociadas na Bolsa de Valores, pautandose em datas anteriores e posteriores A operação, caberia envidar providências a fim de apurar valor compatível para as ações questionadas, bem como viabilizar a constituição de oposição ao importe integralizado para aumento de capital na empresa controlada; 22) Ressalta, ainda, que, não bastassem as razões anteriores, as transações denotam falta de realização do lucro distribuído e inexistência de prejuízo ao erário público, haja vista que as ações conferidas pela impugnante (CCSA) ao patrimônio da empresa controlada (CCC), permaneceram no ativo permanente da CCC até a presente data, razão pela qual depreende inexistir qualquer circunstância que indique evidências acerca de lucro distribuído às pessoas jurídicas envolvidas, pois não foram objeto de qualquer alienação ou outra operação que importasse em realização de lucro ou lucros a distribuir; 23) Reitera, por mais esta oportunidade, que a PMV não obteve qualquer beneficio ou vantagem decorrente da alienação das ações da ITAUSA e da USIMINAS, mediante transferência do ativo permanente da CCSA para a CCC; Fl. 888DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 5 7 24) Fazendo menção a jurisprudência especifica prolatada no STJ, a qual entende aplicável à natureza da operação pertinente ao caso concreto, ressalta que a transação caracterizase em alienação que não se traduz valores em espécie, mas em ações correspondentes ao valor daqueles bens, hipótese que afasta a idéia de lucro. Assim, deduz imprestável a caracterização de DDL e convalida interpretação na qual a conferência de bens por valor inferior ao verdadeiros não importa em diminuição de ativo da empresa, mas, apenas, em aumento de capital, com eventual prejuízo dos acionistas não conferentes; 25) No que concerne à glosa dos prejuízos fiscais no valor R$ 533.128,46, renova a ocorrência de erro de apuração na apuração do resultado da empresa, cujo equivoco pode ser observado mediante observância das informações extraídas do LALUR e de cópia da DIPJ/2002, conforme detalhado nas preliminares do impugnação; 26) No tocante à multa isolada apurada em função de falta de pagamento base estimada do IRPJ e CSLL, apresentada em função do acréscimo de valor de pretensos lucros distribuídos disfarçadamente no mês de agosto de 2004, argumenta que a referida multa não se constitui em sanção tributária, mas em penalidade administrativa que visa garantir a incidência ou a integralidade da sistemática legal de apuração da base de cálculo do imposto e da contribuição; 27) Assevera que a apuração em períodos mensais com ajuste anual em 31 de dezembro é uma alternativa oferecida ao contribuinte, já que a legislação estabelece como regra a apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. Assim, afirma que não faz nenhum sentido lógico ou jurídico a cominação da cobrança da multa sobre variações apuradas após o encerramento do período, em procedimento de revisão de lançamento após o encerramento do períodobase. Assegura, porém, que somente se admitiria a exigência da penalidade sobre as diferenças que porventura tivesse deixado de recolher, cuja constatação houvesse ocorrido durante o ano da autuação, circunstância que não se aplica em relação ao impugnante; 28) Contesta que a imposição de multa isolada somente teria lugar no caso de pagamento a menor do imposto ou contribuição durante o ano da autuação, sendo certo que, após o encerramento do período de apuração, a sanção não tem qualquer razão de ser, seja porque não atende sua finalidade, seja pelo motivo de acabar apenando duplamente o sujeito passivo defronte o descumprimento do regime de estimativa, configurando, assim, em autêntico bis in idem; 29) Sustentado em jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atesta a improcedência das autuações de multas isoladas correspondentes, ante a evidente constituição ao arrepio da legislação tributária, denotando afronta aos princípios dos atos administrativos, da legalidade, vedação ao confisco e, sobretudo, razoabilidade e proporcionalidade; 30) Em relação a tributação reflexa, baseado nas assertivas ligadas ao IRPJ, assegura que nada restara a ser cobrado nos procedimentos dele originários, por uma relação de causa e efeito; 31) Finalmente, protesta a juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos que venham demonstrar necessários à comprovação das alegações articuladas, especialmente a realização de perícia ou diligência. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPOI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1622.585, de 21/08/2009 (fls. 308 e s.s.), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. INOCORRENCIA. Comprovada a inexatidão da apuração da base imponível do imposto de renda, ante a redução indevida de prejuízo fiscal, outrora ajustado em procedimento de revisão de oficio regularmente constituído por autoridade fiscal competente, devidamente executado em simetria com o prazo decadencial previsto pela legislação de regência, inferese manter inalterada a autuação decorrente dos efeitos do ajuste do saldo de Prejuízos Fiscais acumulados. PRESUNÇÃO LEGAL. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIO REALIZADO POR INTERMÉDIO DE TERCEIRO OU SÓCIO CONTROLADOR DETENTOR DE CONTROLE DIREITO OU INDIRETO. Presumirseá distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, ainda que a transação seja firmada com esta por intermédio de outrem, ou mediante sociedade na qual a pessoa ligada tenha controle direto ou indireto. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL OBRIGATÓRIA. Constatada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa, cabe imputação de multa isolada prevista na legislação de regência, cuja incidência será apurada na proporção de 50% do montante do imposto não recolhido pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFICIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRENCIA. Descabe a alegação de existência de aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento das antecipações mensais obrigatórias e multa de oficio incidente sobre a base imponível do imposto apurado no ajuste anual, porquanto se tratarem de sanções de caráter distinto, passíveis de serem exigidas em conjunto ou separadamente, consoante preceitua a legislação tributária atinente às matérias. PEDIDO DE DILIGENCIA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos legais e impõese indeferir a solicitação que verse exclusivamente à busca e análise de documentação probatória, cuja anexação caberia ao próprio impugnante e deveriam constar dos autos no ato da interposição da defesa, independentemente de permissão da autoridade julgadora. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 6 9 DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão pertinente ao lançamento principal deve nortear as inferências correlatas ao auto de infração reflexivo, tendo em vista que provêm de infração legal análoga, mantendo intima relação de causa e efeito. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como se vê do relatório fiscal trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e tributação reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), bem como da Multa Isolada que decorreram de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) a autoridade fiscal descreve ter apurado que a ora Recorrente integralizou, em 13/08/2004, o aumento de capital na sua controlada Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) através da transferência da titularidade de ações da Itaúsa e da Usiminas, empresas de capital aberto, pelo valor contábil total de R$126.643.893,87. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 10 Descreve, ainda, que o valor de mercado das ações transferidas pela Recorrente para a CCC, em 13/08/2004, data da Ata da Assembléia Extraordinária (AGE) que autorizou o aumento do capital da controlada, era de R$ 728.183.745,64. A diferença entre esses dois valores, contábil e de mercado, no montante de R$ 601.539.851,77, foi tributada como Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), com fundamento nos artigos 464 a 469 do RIR/99. Para melhor elucidação da matéria transcrevo os seguintes excertos do TVF: “Fica claro, portanto, que o negócio jurídico efetuado tratase de uma das hipóteses que a legislação presume como de ocorrência de D.D.L., que se dá quando uma pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a sociedade, na qual a pessoa ligada tem interesse. No caso real a Camargo Corrêa S/A (Pessoa Jurídica) alienou, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo (ações da Usiminas e da Itausa) a Camargo Corrêa Cimentos S/A (sociedade), na qual a Participações Morro Vermelho (pessoa ligada) tem interesse. MULTA ISOLADA. Ao deixar de adicionar a "distribuição disfarçada de lucros" na apuração de suas bases de cálculo, tanto do IRPJ por estimativa, quanto da CSLL por estimativa, no período de 08/2004, o Contribuinte reduziu indevidamente os valores a recolher dessas estimativas, sujeitandose, dessa forma a multa isolada prevista no art. 44, inciso I e parágrafo único, inciso IV da Lei n° 9.430 de 1996, alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Embora o contribuinte possuísse, no ano calendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor de R$ 3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$ 533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período.” No recurso apresentado, em apertada síntese, alega a contribuinte que (I) na subscrição e integralização do aumento do capital social da empresa Camargo Correa Cimentos S/A, com ações subavaliadas que pertenciam ao seu ativo, não houve nenhum beneficio ou favorecimento à empresa ligada (Participações Morro Vermelho); (II) que o estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores declarado na DIPJ do ano calendário de 2004 está correto e, (III) que não é possível a aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada. Passo a apreciar as questões suscitadas na mesma ordem das matérias apresentadas na peça recursal. Primeiro Ponto: DA DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS (DDL). Alegações da recorrente: A DDL representa um ganho patrimonial oculto para a empresa controladora ou para a pessoa ligada, contudo, no caso em tela, não houve esse ganho, conforme ficará demonstrado a seguir. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 7 11 14. A Recorrente passará a demonstrar que, no caso concreto, a integralização de capital realizada pelo valor contábil das ações, mesmo inferior ao valor de mercado, não gerou contudo, qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada. 15. A r. Decisão recorrida transcreve o artigo 466, do RIR, de 1999, assim como fez o Termo de Verificação Fiscal, visto que foi este o dispositivo legal utilizado para fundamentar a lavratura dos autos de infração. 16. No TVF (v. fls. 132) a Fiscalização definiu que: i) a Participações Morro Vermelho S/A (PMV) é a pessoa ligada; ii) a Camargo Corrêa S.A. (CCSA) é a pessoa jurídica; iii) a Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC) a sociedade. 17. 0 artigo 466 do RIR/99 utilizado pelo Fisco para caracterizar a ocorrência da DDL e efetuar os lançamentos de oficio, somente é aplicável em negócios em que comprovadamente ocorra o favorecimento à pessoa ligada ou à empresa controladora. 18. É o que afirma o Parecer Normativo CST no. 43, de 01/11/1981, parcialmente transcrito na r. Decisão recorrida (v. Fls. 321 a 322). (...) 24. Portanto, não restam dúvidas que se o aumento de capital realizado pela CCSA na sua controlada CCC houvesse propiciado qualquer favorecimento, direto ou indireto, para a PMV (pessoa ligada), estaria comprovada a presunção legal da DDL prevista no citado artigo 466 do RIR/99. 25. Diante do acima exposto, admitindose, somente para fins de argumentação, que o valor de mercado fixado pela Fiscalização (R$ 728.183.745,64) esteja correto, concluise que a discussão acerca da caracterização ou não da DDL depende de saber se houve ou/não favorecimento à pessoa ligada (PMV). 26. Neste ponto reside a discordância entre a Recorrente e a r. Decisão recorrida: se a operação examinada pela d. Fiscalização gerou ou não favorecimento à pessoa ligada (PMV). 27. Para dirimir a mencionada controvérsia, que é o âmago deste contencioso administrativo, a Recorrente demonstrará, de forma inequívoca, que na operação examinada pelo Fisco não ocorreu qualquer favorecimento à pessoa ligada (PMV). 28. Após o aumento de capital social realizado na CCC, através da integralização das ações da Itausa e da Usiminas até então detidas pela CCSA, as participações societárias em 13/08/2004 se apresentavam como segue: A PMV possuía 99,99% do capital da CCSA; A CCSA possuía (diretamente 89,81% indiretamente 9,92%) 99,73% do capital da CCC (vide fls. 38); Conseqüentemente, a PMV detinha, indiretamente, 99,72% do capital da CCC (ou seja, 99,99% de 99,73%). Fl. 893DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 12 Supondo que a CCSA houvesse vendido as ações da Itausa e da Usiminas pelo valor de mercado (R$728.183.745,64) fixado pela Fiscalização, no dia 13/08/2004, mas antes do aumento de capital realizado na CCC, teria realizado um ganho de capital no montante de R$601.539.851,77, tendo em vista o valor contábil de R$126.643.893,87. Dessa forma, a PMV, via método de equivalência patrimonial (MEP), teria obtido um resultado positivo R$601.479.697,78, calculado como segue: 99,99% de R$601.539.851,77 = R$601.479.697,78. Por outro lado, supondo que a CCC houvesse vendido as ações da Itausa e da Usiminas pelo valor de mercado (R$728.183.745,64) fixado pela Fiscalização, no dia 13/08/2004, após o aumento do seu capital social, teria realizado um ganho de capital no montante de R$601.539.851,77, tendo em vista o valor contábil de R$126.643.893,87. 33. Dessa forma, a PMV, via método de equivalência patrimonial (MEP), teria obtido um resultado positivo de R$599.855.540,18, calculado como segue: 99,99% de 99,73% = 99,72% 99,72% de R$601.539.851,77 = R$599.855.540,18 34. Isso comprova que a PMV poderia ter obtido, em 13/08/2004, um resultado financeiro maior com a venda das ações pela CCSA do que com a venda das mesmas pela CCC. 35. Essa é a prova matemática de que a transferência das ações analisada pela d. Fiscalização não resultou em qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada (PMV). Ao contrário, essa transferência gerou para à mesma um desfavorecimento que, se calculado na data da operação em 13/08/2004, seria de R$1.624.157,60, a saber: R$601.479.697,78 R$599.855.5401 18 = R$1.624.157,60 A Recorrente salienta que, na hipótese da venda das ações por parte da CCC, em qualquer data após 13/08/2004, a pessoa ligada (PMV) sofreria desfavorecimento no resultado da venda de 0,27%, tendo em vista que a participação da PMV no resultado (MEP) obtido seria de: (+) Em caso de venda pela CCSA 99,99% () Em caso de venda pela CCC (99,99% de 99,73%) = 99,72% = Desfavorecimento da PMV 0,27% Esse percentual de desfavorecimento da PMV de 0,27% corresponde, na realidade, ao percentual de participação dos acionistas minoritários no capital da CCC (vide linha Outros no quadro "Após o Aumento de Capital" às fls. 38). Além disso, após a operação de integralização de capital realizada, a PMV sofreu desfavorecimento de fato no que tange aos dividendos e juros sobre o capital próprio, distribuídos pela Itaúsa e Usiminas para a CCC, a partir de 13/08/2004. Em suma, até 13/08/2004, a PMV tinha direito (via MEP) a 99,99% dos dividendos e juros sobre o capital próprio, distribuídos pela Itausa e pela Usiminas. Entretanto, após 13/08/2004, a PMV passou a ter direito, via MEP, a um percentual menor (99,72%) desses dividendos e juros sobre o capital próprio, ou seja, um desfavorecimento efetivo nesses rendimentos de 0,27%. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 8 13 Na realidade, se tratando, no caso concreto, de controle acionário vertical (vide quadro no item 29), não haveria favorecimento nem desfavorecimento à pessoa ligada (PMV) somente numa única hipótese : quando o percentual de participação da PMV na CCSA fosse de 100%, e da CCSA na CCC fosse de 100%. Nesse único caso, o resultado na venda das ações e nos rendimentos de dividendos e juros sobre o capital próprio, via MEP, seria o mesmo para a pessoa ligada (PMV). Entretanto, haveria sempre desfavorecimento à pessoa ligada (PMV) em qualquer hipótese de percentual de participação da PMV na CCSA inferior á 100%, e a CCSA na CCC inferior a 100%. Assim sendo, está demonstrado, de forma objetiva e incontestável, que não houve favorecimento à pessoa ligada (PMV) na operação examinada pela d. Fiscalização, relativa à integralização de capital na CCC, realizada pela Recorrente, através da transferência das ações da Itausa e da Usiminas. Consequentemente, constata se, de forma irrefutável, que não ocorreu a alegada DDL. (...) À vista dos inatacáveis fundamentos consignados no Acórdão do E. Superior Tribunal de Justiça supra transcritos, requer e espera a Recorrente que os doutos Julgadores ad quem reformem a Decisão recorrida e, em conseqüência, julguem improcedentes os lançamentos de oficio, porquanto tal como se verifica no caso lá examinado, também aqui se trata de conferência de bens para aumento de capital realizado pela lmpugnante (CCSA) em empresa por ela controlada (CCC), fato que, por não se traduzir em dinheiro, mas em ações correspondentes ao valor daqueles bens, resta afastada a idéia de lucro, sendo imprestável, por isso, para caracterizar a Distribuição Disfarçada de Lucros. Pois bem. No dizer da própria recorrente, no caso concreto, a integralização de capital realizada pelo valor contábil das ações, mesmo inferior ao valor de mercado, não gerou contudo, qualquer beneficio ou favorecimento à pessoa ligada. Diz mais, “Da mesma forma, a Recorrente está completamente de acordo com a d. Fiscalização e com a r. Decisão recorrida quando estas afirmam que a empresa Participações Morro Vermelho S/A (PMV) é controladora direta da empresa Camargo Corrêa S/A (CCSA), ora Recorrente, e controladora indireta da empresa Camargo Corrêa Cimentos S/A (CCC), razão pela qual é incontestável que a PMV tem interesse significativo (indireto) na CCC. A Recorrente também concorda com a Fiscalização e com a r. Decisão recorrida quando estas asseveram que a PMV é pessoa ligada da CCSA.” A recorrente, também afirma que com base no art. 466 do RIR/1999, a seguir transcrito e utilizado pelo Fisco para caracterizar a ocorrência da DDL, que o mesmo somente é aplicável em negócios em que comprovadamente ocorra o favorecimento à pessoa ligada ou à empresa controladora. Aqui subsiste a controvérsia. A distribuição disfarçada de lucros está prevista nos arts. 60 a 62 do Decreto lei n. 1.598/77 e nos arts. 20 e 21 do Decretolei n. 2.065/83, consolidada nos arts. 464 e seguintes do RIR/99, a saber: "Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I — aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; Fl. 895DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 14 II— adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III — perde, em decorrência do nãoexercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV — transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V — paga a pessoa ligada, aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI — realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. § 1o. O disposto nos incisos I a V não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei 9.249/95, art. 22); § 2°. A hipótese prevista no inciso II não se aplica quando a pessoa física transferir a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante na respectiva declaração de bens (Lei 9.249/95, art. 23); § 3°. A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (Decretolei n. 1.598/77, art. 60, § 2°.). Art. 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): I o sócio ou acionista desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; II o administrador ou o titular da pessoa jurídica; III o cônjuge e os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física de que trata o inciso I e das demais pessoas mencionadas no inciso II. § 1º Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 4º). § 2º O valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 5º). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 9 15 § 3º O valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 6º). § 4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§ 2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 7º). Distribuição a Sócio ou Acionista Controlador por Intermédio de Terceiros Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI).” Como visto, o art. 464 do RIR/99, presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada. Tratase de presunção legal, por meio da qual há inversão do ônus da prova. Ou seja, cabe ao contribuinte a prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou nas mesmas condições que contrataria com terceiros, nos termos do § 3° daquele artigo. O inciso VI do mesmo artigo traz a mesma presunção quando a pessoa jurídica realiza negócio com pessoa ligada em condições de favorecimento. Já o art. 466 do mesmo regulamento presume, também, ocorrida a distribuição disfarçada de lucros se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse. Cristalino, portanto, que além das pessoas ligadas expressamente indicadas pela legislação, a distribuição disfarçada de lucros também se materializa quando o negócio em condições de favorecimento é realizado com interposta pessoa ou com sociedade (CCC) na qual o sócio ou acionista controlador (PMV) da pessoa jurídica que distribui o lucro (CCSA) tenha interesse direto ou indireto (art. 466 do RIR/99). Fl. 897DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 16 Quando o negócio é realizado com uma sociedade, a distribuição simulada dos lucros se pauta no interesse da pessoa ligada nessa sociedade que recebe o benefício. Nesta situação, o lucro distribuído disfarçadamente não é entregue diretamente à pessoa ligada, mas sim à sociedade na qual ela tem interesse. Seria como se a pessoa ligada recebesse disfarçadamente o lucro e, logo em seguida, o repassasse à sociedade onde tem interesse. Ao invés desse procedimento, a pessoa jurídica entrega o lucro diretamente à sociedade. Pois bem, como bem explicitou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, o caso concreto se amolda ao disposto no citado artigo 466. Para melhor compreensão transcrevo excerto da fl. 137: “Dessa forma, no caso de alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado, a legislação presume que há Distribuição Disfarçada de Lucros, por parte da pessoa jurídica, tanto no caso do bem ser alienado diretamente a pessoa ligada da alienante, como no caso de ser alienado a qualquer outra sociedade, desde que a pessoa ligada possua interesse nessa sociedade. A norma vai além, presume a D.D.L. inclusive quando esse interesse ocorre de forma indireta.” Nesta hipótese o legislador buscou através do art. 61 do DecretoLei no. 1.598, de 1977, aplicar a doutrina da desconsideração da personalidade jurídica, ou seja, mesmo naqueles casos em que a parte beneficiária com o negócio não é sócia ou acionista da pessoa jurídica, mas ambas possuem sócio controlador comum, presumese a DDL. Outro ponto a ser analisado diz respeito ao valor notoriamente inferior ao de mercado das ações negociadas. A autoridade fiscal afirma ainda no TVF: "No decorrer dos trabalhos de fiscalização, realizados junto a CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A (C.C.Cimentos), CNPJ. n° 62.258.884/000136, verificamos que, conforme Ata de sua Assembléia Geral Extraordinária (AGE), realizada em 13 de agosto de 2004 e protocolizada na JUCESP em 20/08/2004, seus acionistas aprovaram, entre outras coisas, o aumento de seu capital social no valor de R$ 127.000.000,00 (...), passando de R$ 356.400.000,00 (...) para R$ 483.400.000,00 (...). Esse aumento foi realizado mediante a emissão de 17.7873 15 (...) novas ações, sem valor nominal e pelo preço de emissão de R$ 7,14 (..) cada uma, totalmente subscritas e integralizadas por sua sócia CAMARGO CORRÊA S/A (C.C), CNPJ no 01.098.905/000109 da seguinte forma: • R$ 356.106,13 em dinheiro e • R$ 126.643.893,87 mediante conferência de bens avaliados a valor contábil. Conforme Laudo de Avaliação, elaborado por Sanches & Carvalho Assuntos Contábeis S/C Ltda., os bens conferidos ao capital social da "C.C. Cimentos" constituíamse de 124.595.121 (...) ações escriturais da ITAUSA INVESTIMENTOS ITAU S/A, sendo 121.460.741 ordinárias e 3.134.380 preferenciais e 8.138.017 (.) ações ordinárias da USIMINAS USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A., avaliadas a valores contábeis apurados no balanço patrimonial da "C.C." em 31/07/2004. Ocorre que a época dessa integralização os valores de mercado dessas ações eram substancialmente superiores aos valores contábeis apurados através do referido Laudo de Avaliação. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 10 17 Conforme pesquisa junto a sítios eletrônicos especializados na Internet, encontramos os seguintes preços de venda para esses papéis no dia 13/08/2004: Itausa Ordinária R$ 3,64 e, preferencial R$ 3,51 por ação; Usiminas ordinária R$ 33,80 por ação. Dessa forma, os bens entregues pelo Contribuinte CC Cimento em 13/08/2004, que a valores contábeis somavam R$ 126.643.893,87 estavam cotados a valor de mercado em R$ 728.183.745,64. À época da operação a empresa "C. C. Cimentos" era controlada pelo contribuinte "C.C." que por sua vez era controlado por PARTICIPAÇÃO MORRO VERMELHO LTDA., CNPJ n° 43.080.228/000108 (P.M.V.). Ocorre que, ao subscrever essas ações por seu valor contábil, inferior ao valor de mercado, o Contribuinte, conforme se demonstrará a seguir, promoveu Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), tributável conforme legislação em vigor.” De se ressaltar que as informações obtidas pela autoridade fiscal retratam expressamente o valor de mercado das ações da ITAUSA e da USIMINAS na data de fechamento da negociação em Bolsa de Valores e na mesma data de formalização do negócio jurídico em discussão, ou seja, na ocasião em que se configurou a realização da operação firmada entre a empresa autuada e a adquirente (13 de agosto de 2004), conforme se pode depreender das informações acostadas às fls. 305/307. Isto é, no que se refere a notória diferença entre o preço praticado e aquele de mercado, exigida no caso pelo inciso I do artigo 464, ela foi cabalmente demonstrada pela Fiscalização por meio da pesquisa do preço de mercado das ações da ITAUSA e USIMINAS anônimas de capital aberto. Ainda do voto condutor, cumpre esclarecer que, ante a situação evidenciada nos autos, o sujeito passivo deveria ter realizado os devidos ajustes da base imponível do ano base, objetivando estabelecer a tributação resultante da diferença oriunda do cotejo do valor de mercado e o valor patrimonial do ativo transacionado. Dessa forma, para não incorrer na configuração da infração legal, antes de alienar os investimentos permanentes, a autuada deveria ter procedido a sua avaliação, não ao preço preestabelecido pelos interessados, mas, sim, ao valor de mercado apurado pela cotação da negociação das ações em Bolsa de Valores. Ato continuo, caberia apurar a diferença entre o valor de mercado e aquele objeto da alienação, considerado disfarçadamente distribuído, e promover a adição ao lucro liquido do período, atendendo, assim, as premissas firmadas pelo art. 467, inciso I do RIR/99. Dessa forma, a presunção de distribuição de lucros implica na existência concomitante das situações: a) alienação por valor notoriamente inferior ao de mercado e, b) alienação para pessoa ligada ou se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse. No caso concreto, resta claro que a operação conforme descrita favoreceu diretamente a CCC a qual adquiriu ações sub avaliadas e incorporou ao seu capital social por valor notoriamente inferior ao de mercado, tanto é que o lançamento ora discutido não Fl. 899DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 18 decorreu do beneficio auferido diretamente pela pessoa ligada identificada (PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA), mas, sim, configura como legitima beneficiaria no negocio a CAMARGO CORREA CIMENTO S/A (CCC). Neste passo, concordo plenamente com a afirmação da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contra razões oferecidas ao presente recurso, a qual transcrevo: “Tal como aduz o recorrente em sua peça, realmente é indispensável que o lançamento demonstre inequivocamente o favorecimento decorrente do negócio que parece ser uma distribuição disfarçada de lucros. Tal favorecimento é caracterizado exclusivamente pela diferença entre o valor da operação realizada e aquele praticado no mercado. Por meio dessa diferença é que a pessoa ligada, ou a interposta pessoa, ou a sociedade na qual a pessoa ligada tenha interesse, recebe o lucro de forma disfarçada. No presente processo, o lançamento identificou de forma hábil e idônea o benefício conseqüente do negócio fiscalizado, porém esse benefício fora reconhecido como recebido pela CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, não pela PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA Ao embasar o lançamento no artigo 466 do RIR/99, o Auditor indicou que o favorecimento da alienação de bens subavaliados fora recebido pela sociedade na qual a acionista controladora do contribuinte fiscalizado (pessoa ligada) possuía interesse indireto. Não cabia, assim, a prova do benefício efetivamente recebido pela pessoa ligada. Esta é devida somente quando a pessoa ligada participa diretamente do negócio. O que não é o caso dos presentes autos. Em situações como a do presente processo, onde o negócio em condições de favorecimento é realizado com uma sociedade na qual o acionista controlador da pessoa jurídica que distribui o lucro (pessoa ligada) tem interesse, o artigo 466 do RIR/99, o qual repete o artigo 61 do DecretoLei nº 1.698/1977, prevê um caso excepcionalíssimo de presunção de distribuição disfarçada de lucros. Aqui, como se considera que o lucro é distribuído disfarçadamente à sociedade, basta que o Auditor comprove o interesse da pessoa ligada, como sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, na sociedade, o que no caso em questão é inegável (anuído pelo recorrente). O favorecimento direto da pessoa ligada não precisa ser provado, ele é presumido em face da configuração do interesse. Ao analisar a venda das ações realizada, notase que o contribuinte fiscalizado também não auferiu qualquer benefício com o negócio. Com a venda subvalorizada das ações da ITAÚSA e USIMINAS para integralizar o aumento de capital social da empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, o contribuinte em epígrafe deixou de auferir o lucro decorrente da valorização das ações, reduziu sua participação nos resultados advindos delas, e, por fim, obteve como troca da conversão das ações porcentagem do capital social em montante inferior àquele a que realmente correspondia. Em suma, o contribuinte trocou R$ 728.183.745,64 em ações da ITAÚSA e USIMINAS por R$ 126.643.893,87 em ações da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A. Sendo constatados apenas prejuízos ao sujeito passivo fiscalizado, claro se mostra que o negócio realizado visava satisfazer apenas o interesse oculto da empresa PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA de capitalizar a empresa CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, em detrimento do contribuinte em epígrafe (CAMARGO CORREA S/A). Tal capitalização pode apresentar inúmeras finalidades à sociedade que adquiriu as ações subavaliadas, dentre elas: propiciar a expansão da atividade empresarial, aumentar a garantia perante eventuais credores, sanear obrigações já adquiridas, ajustar a realidade patrimonial da empresa.” Fl. 900DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 11 19 Evidente, portanto, que o prejuízo auferido pela PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA com a alienação das ações, alegada em cálculos matemático pela recorrente é irrelevante no caso, em nada afeta o lançamento. O favorecimento identificado pela Fiscalização fora recebido pela CAMARGO CORREA CIMENTOS S/A, a qual se capitalizou com bens por valor notoriamente inferior ao de mercado e, é claro, no interesse da sócia majoritária (PARTICIPAÇÕES MORRO VERMELHO LTDA) conforme já demonstrado. Concluindo, estou convicto que a uma: o fato indício está plenamente provado nos autos, não só quanto às características do negócio realizado, mas também quanto à condição de pessoa ligada conforme definido na lei; a duas: não restou, pois, comprovado que o negócio foi realizado em condições estritamente comutativas, ou em que a Recorrente realizaria com terceiros E essa circunstância é relevante, dada a ligação indireta entre os contratantes e, por fim, por força da inversão do ônus da prova, cumpria ao autuado demonstrar que a operação, pelas suas peculiaridades, está de acordo com a prática reiterada do mercado, ou que suas condições são idênticas às que pratica com outras pessoas jurídicas estranhas ao grupo. O que não logrou fazer. Finalizando, neste ponto, com relação a citada jurisprudência do STJ entendo não se aplicar ao presente processo. A situação enfrentada pela jurisprudência do STJ citada diz respeito a pessoa ligada que negocia diretamente com a pessoa jurídica distribuidora de lucros. Aqui, a Fiscalização averiguou o beneficio recebido pela sociedade cujo capital fora integralizado, o adquirente. Da mesma forma, os acórdãos do CARF citados pelo recorrente também não se aplicam ao caso em apreço. Compulsando os referidos julgados, vêse que neles não foram comprovadas pela Fiscalização as condições de favorecimento do negócio realizado, ou seja, a diferença entre o valor da operação fiscalizada e o que seria utilizado no mercado. Daí porque o favorecimento não teria sido demonstrado. Nos presentes autos, como já ressaltado, o favorecimento decorrente da diferença entre o valor de venda das ações e o de mercado é incontestável. À vista do exposto até aqui, entendo que não merece qualquer reforma a bem fundamentada decisão recorrida, a qual peço vênia para adotála como fundamentos de decidir. Segundo ponto: DA TRIBUTACÃO REFLEXA (CSLL) A recorrente assenta sua indignação com relação a tributação reflexa, nos seguintes termos: “baseado nas assertivas ligadas ao IRPJ, assegura que nada restara a ser cobrado nos procedimentos dele originários, por uma relação de causa e efeito” Sem dúvida com relação à tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), segue o decidido da autuação do IRPJ. Insta ressaltar que, a partir da vigência do artigo 60 da Lei n° 9.532, de 1997, restou estabelecido expressamente que “o valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do DecretoLei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro liquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido”. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 20 Terceiro ponto: DAS MULTAS ISOLADAS (IRPJ e CSLL) Insurgese a recorrente ao lançamento da multa isolada imputada em face de falta de pagamento de antecipação mensal obrigatória apurada em agosto do ano calendário de 2004, em função do acréscimo do valor do pretenso lucro distribuído disfarçadamente, reiterando as suas razões de fato e de direito arroladas na impugnação, citando decisões favoráveis a sua tese da CSRF. De se ressaltar que a multa isolada referente a CSLL é tratada em processo administrativo distinto de n°. 19515.000982/200912, (nesta data pendente de sorteio e distribuição nesta Corte Administrativa). Tratase de multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal, ao saber do art. 44, inciso II, e § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96, com a redação modificada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, estabelece: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 902DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 12 21 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.” Vêse, portanto, que o art. 44, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor, no caso, da estimativa mensal. Neste sentido, com relação a alegada impossibilidade da aplicação da penalidade em comento, ao meu ver, não merece provimento tendo em conta que a multa de oficio e a multa isolada apresentam fundamentações jurídicas distintas, logo, não havendo que se cogitar de bis in idem. Neste panorama, compete elucidar que a primeira é aplicada em razão da falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ devido no encerramento do ano base, enquanto que a segunda é atribuída pela falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais do imposto, independentemente de ter havido ou não pagamento integral do IRPJ devido no final do anocalendário. À luz das disposições do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 acima transcritas, sempre que não ocorrer o recolhimento do IRPJ devido por estimativa mensal, é induvidoso que o contribuinte faltoso estará sujeito, no caso de lançamento de oficio, à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o montante inadimplido. Portanto, a multa isolada foi aplicada rigorosamente de acordo com a lei. Quarto e último ponto consignado no recurso voluntário: DA GLOSA DOS PREJUÍZOS FISCAIS DITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. A autuada recorre neste ponto aduzindo que a Fiscalização procedeu à glosa de parte dos prejuízos compensados em 31/12/2004, no montante de R$ 533.128,46, de forma equivocada. Alega que o valor dos prejuízos por ela apurado no ano calendário de 2001 e objeto da glosa, estava correto. A retificação da apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2001, por meio do processo administrativo fiscal no. 19515.000543/200659, decorreu de erro cometido pela própria Receita Federal, a qual não poderia ter compensado novamente o mesmo saldo de estoque de prejuízos fiscais já utilizado por ele. Compulsando os autos do presente processo extraio as seguintes informações: "Embora o contribuinte possuísse, no ano calendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor de R$3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 22 A Delegacia de Julgamento manteve na r. Decisão recorrida a glosa de prejuízos fiscais compensados em 31/12/2004, sob a alegação de que a redução de prejuízos fiscais inerentes ao ano calendário de 2001 foi legitimamente levada a efeito perante o estoque de Prejuízos Fiscais da Recorrente, mediante autuação formalizada através do Processo Administrativo n°. 19515.000543/200659, consoante se depreende das informações consignadas às fls. 280/289.” Neste passo, constatase que a discussão a respeito do prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 2001 encontrase no PAF no.19515.000543/200659, o qual fora instaurado em razão das infrações constatadas pela Fiscalização à época, e que segundo relatório de fl. 280, envolve basicamente a dedução indevida de despesas pelo sujeito passivo na apuração do lucro real. Ressaltese, por pertinente, que o citado processo administrativo encontrase, atualmente, arquivado na Procuradoria da Fazenda Nacional/SP. Assim, se o recorrente discordasse do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à retificação do lucro real apurado no ano calendário de 2001, deveria ele ter apresentado as correspondentes razões de sua insurgência naquele processo (19515.000543/200659). Neste, o que se discute é o reflexo da autuação fiscal promovida naquele primeiro processo. Constatase do Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI — de fls. 140/154, que a autoridade fiscal aferiu o estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores a 2004 desde o ano de 1996, transferindo de um ano para outro o saldo de prejuízo a compensar até o ano calendário de 2004. Analisando o demonstrativo de fl. 289 e o extrato do PAF no. 19515.000543/200659 de fls. 280/281, concluise que o lucro real do ano calendário de 2001 apurado pelo contribuinte à época (prejuízo fiscal de R$ 7.542,85) fora alterado pela Autoridade Fiscal em outubro de 2008 (para lucro real de R$ 1.751.952,05). Tal alteração decorreu do fato de parte das glosas discutidas naquele processo ter se tornado definitiva no âmbito fiscal (trânsito em julgado administrativo). Portanto, correta a adoção dos valores nele estipulados pelo lançamento. Ao contrario do que aduzido pelo recorrente, o prejuízo fiscal acumulado no ano calendário de 2004 adotado pelo fiscal não decorreu da primeira glosa efetuada pela Receita Federal no PAF no. 19515.000543/200659, assim como não fora compensado qualquer saldo em duplicidade. 0 Auditor Fiscal calculou corretamente o prejuízo acumulado até o ano de 2004 com base no lucro real do ano de 2001 determinado definitivamente por meio de outro processo administrativo fiscal. Neste ponto, pelos motivos acima e calcados nos documentos citados, demonstrase que o recorrente efetivamente compensou no ano calendário de 2004 estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior ao devido. Em conseqüência mantémse a glosa do valor compensado a maior. Por fim, registrese, como já assinalado, que a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu suas contra razões ao recurso voluntário apresentado, postulando pela manutenção integral dos lançamentos efetuados (doc. de fls. 393/418). A vista do todo acima exposto conduzo meu voto por negar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 904DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.178 S1C3T1 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. A questão central discutida nos autos, pelo que se verifica dos elementos aqui antes apresentados, referese à aplicação da presunção de Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL prevista nos artigos 464 a 466 do RIR/99 , à hipótese tratada na operação realizada, que é representada, conforme lucidamente demonstrado pelo ilustre Sr. Relator, pela integralização de capital feita pela autuada (Camargo Correa S/A – CCSA) em sua controlada Camargo Correa Cimentos – CCC, a partir da transferência de participações acionárias por ela mantida nas empresas ITAÚSA e USIMINAS, pelo valor contábil dos referidos direitos e não pelo seu respectivo valor de mercado. A caracterização da DDL, conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal, decorreria do fato de que, o valor do registro contábil das referidas participações seria substancialmente inferior ao valor de mercado, o que acarretaria, então, segundo a visão da fiscalização, um “favorecimento” da empresa Participações Morro Vermelho – PMV (sócia majoritária da CCSA), na aplicação da hipótese apontada pelo Art. 466 do RIR/99. Em que pese os fundamentos adotados pelo ilustre Sr. Relator, com a devida vênia ouso discordar, sobretudo porque, a meu sentir, ao contrário do que apontado pelos ilustres agentes da fiscalização, a hipótese de Distribuição Disfarçada de Lucros somente se mostra possível – ao menos em tese , no sentido único que é o da transmissão de bens e/ou direitos da investida a seus investidores, especificamente, e não no sentido reverso (do investidor para a investida). A situação desenhada na hipótese aqui apresentada é curiosa, especificamente porque, conforme se verifica, com a utilização da presunção apontada, acabase por configurar uma ilicitude formada, exclusivamente, a partir de atos perfeitamente lícitos e admitidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Ora, as participações mantidas pela empresa CCSA nas investidas ITAUSA e USIMINAS configuramse como bens e direitos componentes de seu patrimônio, cuja utilização, para fins de integralização e/ou aumento de capital em empresas por ela controladas (Ex: CCC), pode, perfeitamente, ser realizada pelo seu valor contábil OU pelo seu respectivo valor de mercado. A empresa Camargo Correa Cimentos CCC, é empresa controlada pela Camargo Correa S/A, tendo dela recebido, como se verifica, a transferência – para fins de acréscimo patrimonial – das participações acionárias acima referenciadas, operação que, para a manutenção de sua completa e total neutralidade, foi realizada pelo seu exclusivo valor contábil, não possuindo, por isso, qualquer efeito fiscal. O ponto de fundamental destaque é que, sendo presunção, a configuração da Distribuição “Disfarçada” de Lucros somente seria possível como destacado , nas hipóteses em que a distribuição regular de lucros se mostrasse ao menos abstratamente possível, sendo presumida ante a verificação e o afastamento dos ardis legal e objetivamente apontados. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 24 Ora, nessa linha, a empresa Camargo Correa S/A – CCSA nunca “distribuiria lucros” à Camargo Correa Cimentos – CCC, o que, como destacado, somente poderia ser verificado no sentido especificamente contrário, que seria a CCC para a CCSA, não se verificando, com esse cenário, qualquer possibilidade de configuração da hipótese legal da DDL, da forma como apontada pela fiscalização. Apenas a título de destaque, não se pode supor que a “beneficiada” pelas operações apontadas fosse a empresa Participações Morro Vermelho – PMV, uma vez que sendo ela controladora da Camargo Correa S/A – CCSA, e esta, como demonstrado, controladora de Camargo Correa Cimentos CCC, as referidas participações acionárias, pelos valores a elas atribuídos, já se encontrava perfeitamente integrado ao seu patrimônio respectivo, não havendo, com a transferência realizada, qualquer vantagem objetivamente auferida e apontada. Ademais, todo o tributo eventualmente devido nas referidas operações seria então integralmente devido e pago pela empresa titular das apontadas participações no momento quem elas sejam/forem então devida e regularmente liquidadas, apurandose com isso o respectivo ganho de capital, com a diferença entre o valor de registro (valor contábil) e o respectivo valor da alienação, o que, entretanto, em momento algum restara aqui então especificamente demonstrado e/ou apontado pela fiscalização. Diante dessas considerações, com a devida e necessária vênia ao ilustre Sr. Relator, entendo inviabilizada a possibilidade de configuração das hipóteses da Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL de que tratam os art. 464 a 466 do RIR/99 na hipótese apresentada nos presentes autos, razão porque DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, com isso, a completa e total insubsistência do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Redator designado. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 02/05/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAK SON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10665.720359/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004, 01/01/2005 a 31/03/2006
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO OPOSTA NA ESFERA JUDICIAL As matérias não opostas na esfera judicial e suscitadas apenas na instância administrativa, juntamente com as discutidas naquela esfera, devem ser apreciadas e julgadas administrativamente.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RESSARCIMENTO.
O crédito presumido do IPI apurado com base nos custos dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados no processo produtivo dos produtos industrializados e exportados, é passível de ressarcimento. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC.
Em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do IPI aproveitado extemporaneamente por óbice do Fisco, calculados a partir da data de protocolo do respectivo pedido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3301-001.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004, 01/01/2005 a 31/03/2006 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO OPOSTA NA ESFERA JUDICIAL As matérias não opostas na esfera judicial e suscitadas apenas na instância administrativa, juntamente com as discutidas naquela esfera, devem ser apreciadas e julgadas administrativamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido do IPI apurado com base nos custos dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados no processo produtivo dos produtos industrializados e exportados, é passível de ressarcimento. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do Fl. 849DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 IPI aproveitado extemporaneamente por óbice do Fisco, calculados a partir da data de protocolo do respectivo pedido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andreá Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos presumido de IPI, às fls. 09/72, transmitido em 27/11/2006, e, conseqüentemente, não homologou as compensações dos débitos declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 704/707. A DRF em Divinópolis reconheceu parcialmente o direito de a recorrente se ressarcir de parte do valor pleiteado, contudo indeferiu o pedido e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados, em face da opção da recorrente, pela vai judicial, para discutir os mesmos créditos, mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, conforme Despacho Decisório às fls. 708/710. Inconformada com essa decisão, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 715/746), insistindo no ressarcimento e na homologação da compensação dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “(...) O despacho decisório remete ao artigo 20 da IN SRF n° 600/2005, em vigor à época do protocolo do pedido de ressarcimento, atualmente em vigor pelo artigo 25 da IN SRF n ° 900/2008... ...a norma referese à inexistência de processo judicial ou administrativo na data do requerimento do crédito, situação atendida pela Recorrente. Ainda, a norma não aplica ao caso em discussão, porque o processo judicial não está discutindo o crédito em si, mas a sua análise e, vale dizer, sua correta análise, sem qualquer das restrições impostas pela INs da Receita Federal que em Fl. 850DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 850 3 suas interpretações quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas e quanto às exportações de produtos NT extrapolam as determinações das Leis 9.363/96 e 10.276/2001. Assim, o crédito já reconhecido no processo deverá ser disponibilizado à Recorrente em espécie ou para compensação de débitos administrados pela RFB conforme prevê a legislação. (...). CORREÇÃO PELA SELIC A recorrente já poderia ter acessado ao benefício já que se passaram mais de dois anos contados da data em que protocolou seu pedido de ressarcimento, qual seja, 27.11.2006, restringindonos sempre à prescrição qüinqüenal, de tal sorte que o deferimento do beneficio ou sua restituição em valores nominais representa enriquecimento da Fazenda Pública em concorrente empobrecimento da Recorrente. O obstáculo posto pelo Fisco Federal, impedindo a impetrante, via IN, de acessar, de se creditar e verse ressarcida em valores deferidos pela lei ocasionou e ocasiona lesão ao seu patrimônio, que, por justiça merece ser recomposto com a pronta atualização monetária plena, sob pena da União valerse da própria torpeza e em beneficio próprio. O exposto já suficiente para garantir à Recorrente a correção dos créditos pleiteados a partir de cada período de apuração protocolado. No entanto, cabe ainda evidenciar os preceitos fixados pelo Decreto n" 2.138/97 que equipara os institutos da restituição ao do ressarcimento e autoriza, portanto, a aplicação da laxa SELIC.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0934.521, datado de 15/04/2011, às fls. 752/758, sob a seguinte ementa: “IPI. RESSARCIMENTO. AÇÃO JUDICIAL INTERFERENTE. E vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 768/802), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento/ compensação do valor pleiteado, homologue as compensações dos débitos fiscais declarados e o saldo ressarcido, alegando, em síntese, que a Lei nº 10.276, de 2001, não veda a apuração de créditopresumido do IPI sobre aquisições insumos de pessoas físicas, utilizados na produção de mercadorias exportadas nem veda sua aplicação aos produtos classificados na TIPI como NT. Alegou, ainda, que as matérias discutidas nos processos, administrativo e judicial, são diferentes. Naquele não está discutindo o crédito, mas sua análise, sem quaisquer restrições impostas pela Receita Federal, via instruções normativas, quanto às aquisições de pessoas físicas e exportações de produtos NT; neste discute o ressarcimento do crédito. Defendeu também a incidência de juros compensatórios calculados à taxa Selic. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I) Das Razões de Reforma do Despacho Decisório; II) Da Ilegítima Exclusão de Insumos Adquiridos de Pessoa Física do Cálculo do Crédito Presumido; III) Exclusão da Receita de Exportação dos Valores Referentes à Venda para o Exterior de Produtos Classificados como não Tributados (NT) pelo IPI – Ilegalidade; IV) Discussão Judicial – Vedação de Ressarcimento e não Homologação de Compensação – Ilegalidade; e, V) Do Direito à Atualização dos Créditos Pleiteados à Taxa Selic, concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento dos créditos pleiteados, acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic a partir do pedido de apuração do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, as questões de mérito se restringem a: I) concomitância entre este processo administrativo e o judicial; II) apuração de créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas físicas e de suas aplicações aos produtos classificados na TIPI como não tributados (NT); III) juros compensatórios sobre o ressarcimento, calculados desde o período de apuração; e, IV) homologação da compensação dos débitos declarados. I) concomitância entre este processo administrativo e o judicial Neste processo administrativo, a recorrente pleiteia o ressarcimento de créditos presumidos de IPI, apurados sobre aquisições de insumos de pessoas jurídicas, inclusive cooperativas e, principalmente de pessoas físicas, bem como sobre receitas de exportações de produtos, inclusive produtos não tributados (NT) por esse imposto, acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic. No mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, cópia às fls. 803/844, a recorrente, requereu, dentre outros pedidos, que se determine à autoridade coatora que no cálculo dos créditos presumidos do IPI sejam computados os insumos adquiridos de pessoas físicas e as receitas de exportação de produtos classificadas na TIPI como NT e, ainda, a incidência de juros compensatórios à taxa Selic sobre os valores apurados. Portanto, há matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e não concomitante. As matérias concomitantes envolvem o direito de se apurar créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas, receitas decorrentes de exportação de produtos NT e juros compensatórios à taxa Selic. Já a matéria não concomitante se refere aos créditos presumidos de IPI sobre aquisições de pessoas jurídicas, excluídas as cooperativas, utilizados na fabricação de produtos exportados e classificados na TIPI industrializados. Quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, a opção da recorrente por esta via implicou renúncia ao poder de questionálas administrativamente, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 851 5 Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, não se toma conhecimento das razões de mérito expendidas quanto ao direito de a recorrente se ressarcir dos valores de créditos presumidos do IPI sobre aquisições de insumos de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas e sobre receitas de exportações de produtos NT, bem como a incidência de juros compensatórios sobre os valores apurados, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial assim que transitar em julgado. Já a matéria oposta somente na instância administrativa deve ser conhecida nesta instância. I créditos presumidos do IPI. Com base no Termo de Verificação Fiscal às fls. 678/383, a DRF em Divinópolis reconheceu à recorrente o direito ao ressarcimento/compensação de créditos presumidos de IPI, apurados sobre aquisições de insumos adquiridos de pessoas jurídicas, excluídas as cooperativas, aplicados no processo de fabricação de produtos industrializados e exportados, nos termos da Lei nº 10.276, de 10/09/2001, ou seja, utilizou como base de cálculo somente os custos de aquisições de insumos de pessoas jurídicas e as receitas de exportação dos produtos classificados na TIPI como industrializados, excluindo, portanto, as receitas de exportação de produtos NT e de mercadorias adquiridas para revenda. No entanto, equivocadamente, aquela DRF não autorizou o ressarcimento nem homologou as compensações dos débitos fiscais declarados até o limite do ressarcimento reconhecido por ela, sob o argumento de que os créditos eram objeto de discussão judicial, mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288. Também, a autoridade julgadora de primeira instância incorreu em equívoco, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que o total do ressarcimento pleiteado não pode ser fracionado por decorrer de somatório de saldos credores trimestrais. Este entendimento é equivocado. Tanto na instância administrativa como na judicial podem ser reconhecidos créditos sobre todos os custos dos insumos ou apenas sobre parte deles. Por exemplo, podeser reconhecer sobre aquisições de cooperativas e não reconhecer sobre aquisições de pessoas físicas; reconhecer ou não o direito de apurar o crédito presumido levandose em conta as receias de exportações de produtos NT. Caso a decisão, no mandado de segurança nº 2008.38.11.0025288, seja contrária à recorrente, os créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas não serão ressarcidos e/ ou compensados, assim como em seu cálculo não será computada a receita de exportação de produtos NT. A parte do ressarcimento apurado e Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 reconhecido pela DRF deverá ser ressarcido/compensado ainda que a decisão judicial transitada em julgado seja contrária à recorrente. Dessa forma, a parte do crédito presumido reconhecido à recorrente, nos termos do Despacho Decisório às fls. 708/710 (fls. 547/548), no total de R$17.362,74 (dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos), deverá ser ressarcido. II) homologação das compensações dos débitos declarados. A apreciação e julgamento desta matéria ficaram prejudicada, tendo em vista que a recorrente protocolou o requerimento às fls. 763, datado de 12/06/2011, requerendo a exclusão dos débitos da Dcomp nº 29879.79204.221208.1.3.01.0610 e informando que foram declarados em duplicidade na DCTF e naquela Dcomp e que os mesmos já foram liquidados. Consta também daquele requerimento que a DRF providenciou a alteração no Profisc. IV) Juros compensatórios Embora esta matéria tenha sido objeto da ação judicial, levandose em conta que parte do ressarcimento pleiteado sendo deferido nesta fase recursal, tornase necessário o julgamento da incidência ou não dos juros compensatórios sobre o valor deferido. O ressarcimento de créditopresumido de IPI, por ser benefício fiscal e não repetição de indébito, não está sujeito a juros compensatórios por atrasos decorrentes de análise dos respectivos pedidos por parte da autoridade administrativa competente. Assim, não se aplicaria ao ressarcimento ora reconhecido e deferido, as normas aplicadas à repetição de indébitos tributários, previstas na Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art. 39, §4º, c/c a Lei nº 9.532, de 10/12/1997, art. 73. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Carf, art. 62A, em face de óbice do Fisco ao aproveitamento extemporâneo do crédito presumido do IPI, são devidos juros compensatórios à taxa Selic, desde a data de protocolo do respectivo pedido de ressarcimento. A decisão do STJ naquele RESP foi prolatada nos seguintes termos: “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...). A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.720359/200801 Acórdão n.º 330101.408 S3C3T1 Fl. 852 7 partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. RESP 993164, Min. Luiz Fux.” Já o Regimento Interno do Carf, determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço das matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, ou seja, o direito de a recorrente se ressarcir dos valores de créditos presumidos do IPI sobre aquisições de insumos de pessoas físicas e, conseqüentemente, de cooperativas e sobre receitas de exportações de produtos NT, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer e deferirlhe o crédito presumido do IPI, no valor de R$ 17.362,74 (dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos), apurado nos termos do Despacho Decisório às fls. 708/710 (fls. 547/548), acrescido de juros compensatórios, à taxa Selic, calculados a partir de 27/11/2006, data de protocolo do pedido de ressarcimento. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10380.014169/00-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poder-dever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazê-lo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos constitutivos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento.PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
O pedido de restituição de IRRF em valor que impacta o saldo negativo de IRPJ pode ser considerado como pedido de restituição do saldo negativo, parcial ou total. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poderdever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazêlo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos constitutivos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O pedido de restituição de IRRF em valor que impacta o saldo negativo de IRPJ pode ser considerado como pedido de restituição do saldo negativo, parcial ou total. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez acompanha pelas conclusões. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. . Relatório O presente litígio já foi objeto de exame desta turma julgadora e o julgamento foi convertido na realização de diligências para apuração dos fatos. Aproveito, por oportuno, o relatório da Resolução nº 180100.015 para resumir o histórico dos autos – fls. 571 e ss: “Tratase de pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ de 31/12/1999, no valor de R$ 126.859,32. Este valor foi atualizado pelo contribuinte para R$ 140.623,56, na data de protocolização do pedido em 03.08.2000. Foi juntado por anexação o processo de n° 10380.014648/0027, que trata de pedido de compensação, fls. 73, vinculado ao crédito em análise. Por meio do Despacho Decisório de fls. 339/341, proferido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza CE (SEORT/DRF/Fortaleza) foi indeferida a solicitação da Recorrente, haja vista que o Sefis emitiu o relatório de fls. 121 a 126, concluindo ser indevido o saldo de imposto de renda a restituir declarado no valor de R$ 126.859,32 (Linha 18/Ficha 13A) na DIPJ 2000. Ressaltando que em vez de restituição, resultou após a diligência saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 31.100,51, não exigido em razão da decadência do direito do fisco promover o lançamento do crédito tributário. O interessado, em 26/09/2005, manifestou sua inconformidade às fls. 348/366. O acórdão da 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza indeferiu o Pedido de Restituição, bem como não homologou o Pedido de Compensação, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: JUROS PASSIVOS E CORREÇÃO MONETÁRIA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS É correta a alteração do valor do saldo negativo de IRPJ, quando se constatam parcelas não dedutíveis, a título de juros passivos e correção monetária, cuja realização está pendente de evento futuro. Juros e Correção Monetária somente podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ se assim a lei expressamente o autorizar. Classificamse como tais os elementos do passivo cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. DÉBITOS OBJETO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. REGULARIDADE DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 915 3 A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO: CINCO ANOS. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não tenha sido objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado do protocolo do pedido. Incomprovada a procedência do crédito, não remanesceu direito creditório em favor do contribuinte, e, portanto, não se homologam os demais pedidos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS. JUROS E MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário mediante compensação efetivada em Declaração de Compensação é ato do contribuinte, sobre quem recaem os ônus advindos da não homologação daquele ato, entre os quais os juros e multa de mora relativos ao débito indevidamente compensado. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei n." 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. NULIDADE. Somente considerase nulo Despacho Decisório de autoridade local que, ao examinar pleito de restituição/compensação, deixou de levar em conta documentos e elementos necessários e suficientes à solução do pedido formulado, implicando preterição do direito de defesa do contribuinte a ausência de sua consideração. Quando a decisão recorrida for lavrada por servidor competente e não houver preterição do direito de defesa, eis que presentes os fundamentos legais da referida decisão com ciência do contribuinte, não ocorrem as nulidades mencionadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA " Intimada da decisão em 05.04.2009, a empresa interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, fls. 43 a 45, com os seguintes argumentos: nulidade da autuação fiscal, ofensa ao direito à ampla defesa e ao contraditório, descrição deficiente dos fatos; decadência em relação ao valor de R$ 31.100,51 supostamente devido; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 realizou contrato de mútuo com o Banco do Estado do Ceará, que previa mensalmente juros pela Recorrente, que foram oferecidos à tributação; mesmo que houvesse valores deduzidos dos rendimentos tributáveis, seriam relativos à atualização dos valores devidos e calculados, nos termos do contrato de mútuo firmado, com base na Taxa Referencial, após Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP; a TJLP é um indexador referente à taxa de juros; possibilidade de dedução dos juros; não deve prosperar a multa exigida visto que não é devido nenhum tributo ou contribuição pela Recorrente; a desconsideração da SELIC nos juros de mora; É o relatório.” Em sessão de julgamento, realizada em 08 de dezembro de 2009, aquela turma resolveu solicitar a realização de diligências. Reproduzo o votocondutor: “Discutidos os autos, por voto de qualidade, restou decidido, em preliminar, a necessidade da realização de diligência junto à recorrente, no sentido que os autos retornem ao Sefis de origem para o cumprimento dos itens 7.b.3 e 7.c.2 da diligência anteriormente solicitada, fls. 116 e 117. Isto porque é de suma importância para o julgamento da lide, a autoridade designada a diligenciar verificar: a) se houve oferecimento à tributação das receitas financeiras correlatas ao IRRF informado na DIRPJ pertinente, período objeto do litígio; b) se houve o efetivo pagamento das estimativas que compuseram o saldo negativo do IRPJ/CSLL naquele anocalendário; c) na contabilidade da recorrente, se os saldos negativos de IRPJ e CSLL ora discutidos não foram aproveitados posteriormente, com os tributos devidos em exercícios futuros (para quitação de futuras estimativas etc).” Em resposta à diligência solicitada, a autoridade fiscal intimou a recorrente às fls. 609 para: “01. Livros Razão e Diário (gerais e auxiliares) referentes aos anoscalendário de 1999 e de 2000. 02. A indicação das contas e dos lançamentos contábeis relativos à contabilização das receitas auferidas de que decorreu o montante de R$ 126.859,32, informado na linha 13/ficha 13A (Imposto de renda retido na Fonte) da DIPJ/2000. 03, Identificar na ficha 07A (Demonstração do Resultado) da DIPJ/2000, a(s) linha(s) em que foram informadas as receitas suprarreferidas, promovendo, caso necessário, a abertura de valor(es) informados nesta ficha para identificação das contas contábeis correspondentes. 04. Indicar a conta que recebeu os lançamentos referentes ao IRRF acima referido, ao longo do ano de 1999, bem como identificar a destinação do saldo final desta conta. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 916 5 05. Identificar os lançamentos contábeis referentes à constituição das obrigações referentes à contribuição ao PIS e à COFINS do período de apuração 31/08/2000, bem como eventuais lançamentos referentes à baixa dessas obrigações.” A recorrente apresentou a resposta às fls. 620 a 622: apresentou à fiscalização os Livros Razão e Diário (gerais e auxiliares) referentes aos anos de 1999 e 2000; indicou as contas e lançamentos contábeis relativos à contabilização das receitas correlatas ao IRRF pleiteado, que resultou no saldo negativo de IRPJ – linha 13/ficha 13A, DIPJ/2000; discriminou analiticamente, por conta contábil, os valores que compuseram o valor de R$ 790.779,56 informado na ficha 7A, linha 24 da DIPJ/2000 – “outras receitas financeiras”; indicou as contas contábeis onde estavam escrituradas os valores que compuseram o IRRF informado na DIPJ/2000, bem como a destinação do saldo final desta conta; indicou a contabilização da baixa do PIS e COFINS, nos valores informados no Pedido de Compensação. Foram juntados aos autos todos os registros contábeis em que se fundamentaram as respostas acima, bem como planilhas de valores analíticas, entre outros documentos – fls. 626 a 876. Às fls. 877 foi lavrado o Termo de Encerramento de diligências e, com fulcro em toda a documentação e livros apresentados, a autoridade fiscal elaborou o Relatório Fiscal juntado às fls. 605 a 608. Em suma: “Do acima exposto e da documentação apresentada pelo diligenciado verificase, relativamente ao requerido pelo CARF que: a) as receitas financeiras de onde se originou o IRRF correspondente ao saldo negativo de IRPJ objeto do presente processo foram contabilizadas e oferecidas à tributação; b) no caso sob exame não houve recolhimento de estimativas de IRPJ, sendo o valor sob discussão decorrente somente de IRRF incidente sobre receitas financeiras; c) o valor sob exame foi contabilizado inicialmente em conta de 1RF a compensar, posteriormente transferido para conta de IRPJ a compensar e finalmente baixado em 30/10/2000 quando do pedido de compensação com débitos de PIS e COFINS.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No presente litígio constatase que a autoridade a quo ao analisar os pedidos de restituição e compensação protocolizados pela recorrente não se restringiu a verificar junto à sua contabilidade se as receitas financeiras que implicaram nas retenções de imposto de renda pelas fontes foram efetivamente oferecidas à tributação na DIPJ/00, nem com a efetiva contabilização dos impostos retidos (IRRF) que importaram no saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/00. A autoridade a quo foi muito além. Ordenou verdadeira fiscalização à empresa, como se depreende do Despacho de fls. 115 e 116 – solicitou ao setor de fiscalização que verificasse na contabilidade da contribuinte a lisura dos benefícios fiscais com exame da portaria que os concederam, verificação das atividades não beneficiadas da empresa, excesso de produção em relação a benefício concedido, vendas de produtos de outras firmas, verificação da conta “custos” da empresa e sua composição, de igual forma com o valor informado a título de “despesas operacionais” etc Ocorre que, além de fugir ao escopo dos pedidos protocolizados, a fiscalização ordenada ofendeu o prazo decadencial para verificar a contabilidade da recorrente e modificar a apuração do IRPJ devido, relativo ao anocalendário de 1999. Tal procedimento ofende o princípio da segurança jurídica protegido pelos artigos 150, §4º ou 173 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelecem o prazo de cinco anos para que a Administração Tributária altere a apuração do IRPJ devido pelos contribuintes (dependendo de qual termo de início para contar este prazo se enquadra aquele contribuinte diante da modalidade do lançamento). Ainda que haja impropriedades na contabilidade dos contribuintes, é necessário que haja um ato administrativo que modifique os resultados contabilizados pela empresa para que as modificações possam surtir efeito no mundo jurídico. Na Administração Tributária, o Estado, na qualidade de agente fiscal, deve emitir este ato pelo lançamento fiscal, assim definido pelo artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), cuida das formas de formalização do lançamento fiscal em seus artigos 9, 10 e 11, de acordo com o determinado no artigo 142 do CTN: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Fl. 919DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 917 7 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Assim, sem a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento não há como modificar o resultado da contabilidade dos contribuintes por procedimento de fiscalização exercido a destempo. Sem dúvida, a apuração de infrações tributárias espelhadas em glosas fiscais ou adição de receitas omitidas devem ser veiculadas mediante os atos administrativos próprios do lançamento fiscal – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento – para serem devida e regularmente formalizadas. E o Estado fiscalização tem cinco anos a contar do fato gerador, ou do primeiro dia do exercício seguinte (dependendo da situação de cada contribuinte), para exercer o seu poderdever de fiscalização, sob pena de irremediável ofensa aos princípios da segurança jurídica, e, indiretamente, do contraditório e da ampla defesa – os despachos não são regulados pelo PAF para o fim de o que devem observar para o contribuinte exercer estes direitos constitucionais. Se assim não se interpretasse a legislação tributária, de forma sistemática, ficariam os contribuintes ad eternum sob o risco de sofrer uma fiscalização e ter seus resultados modificados ex officio. No presente caso a fiscalização foi ordenada em 30 de julho de 2004 e as constatações fiscais foram apuradas em “Relatório de Diligência” firmado em 02 de setembro de 2005, ressaltando o autor fiscal do procedimento de diligência que não formalizaria o lançamento fiscal em virtude da decadência operada – fls. 116 e 121 a 126. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Esta turma julgadora adotou este entendimento na sessão anterior realizada, ainda que por voto de qualidade, vencidos os conselheiros que entenderam desprover o recurso, de plano. Daí a deliberação de converter o julgamento na realização de diligências porque justamente o objeto do Pedido de Restituição em questão não fora verificado na diligência, embora solicitado nos itens “7.b.3” e “7.c.1 e 2”: “7. Assim, da análise detalhada da DIPJ/2000 do contribuinte, identificase a necessidade de uma verificação mais aprofundada na escrita contábil e fiscal dos seguintes pontos: [...] b.3) Receitas financeiras Merece exame a contabilização e comprovação das receitas financeiras e das respectivas importâncias retidas a título de imposto de renda na fonte, relativamente aos valores informados pelo contribuinte. [...] c) Outros aspectos referentes ao direito creditório pleiteado c.1) Contabilização do crédito pleiteado Verificar se consta nos Livros Diário e Razão os lançamentos contábeis referentes aos registros em conta do Ativo dos valores correspondentes aos créditos pleiteados. c.2) Imposto de renda retido na fonte (IRRF) Visando confirmar os valores que influenciam na composição do saldo negativo, convém cotejar as importâncias referentes ao IRRF, bem como suas receitas correspondentes, nos livros Diário e Razão, nas DIRPJ e DIPJ, nas informações constantes das DIRF, exigindo a apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras.” A autoridade fiscal procedeu às verificações solicitadas e no bem elaborado “Relatório de Diligência” juntado às fls. 605 a 608, em vista de toda documentação contábil apresentada pela recorrente, cujas cópias fez constar dos autos, concluiu que: “Do acima exposto e da documentação apresentada pelo diligenciado verificase, relativamente ao requerido pelo CARF que: a) as receitas financeiras de onde se originou o IRRF correspondente ao saldo negativo de IRPJ objeto do presente processo foram contabilizadas e oferecidas à tributação; b) no caso sob exame não houve recolhimento de estimativas de IRPJ, sendo o valor sob discussão decorrente somente de IRRF incidente sobre receitas financeiras; c) o valor sob exame foi contabilizado inicialmente em conta de 1RF a compensar, posteriormente transferido para conta de IRPJ a compensar e finalmente baixado em 30/10/2000 quando do pedido de compensação com débitos de PIS e COFINS.” Diante do exposto, não há como não dar provimento ao recurso interposto e reformar o aresto de primeira instância. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.014169/0074 Acórdão n.º 180101.024 S1TE01 Fl. 918 9 Voto em dar provimento ao recurso para reconhecer o crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999, no valor original de R$ 126.859,32, com os acréscimos devidos – formalizado no pedido de fl. 01 – e homologar a compensação pleiteada no pedido de fls. 73, até o limite do crédito ora reconhecido. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 922DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.720965/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PASSÍVEL DE UTILIZAÇÃO NO SISTEMA NÃO-CUMULATIVO.
No âmbito do sistema não-cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos em relação aos custos dos bens adquiridos para revenda, sujeitos a tributação concentrada nos fabricantes e importadores destes bens.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PASSÍVEL DE UTILIZAÇÃO NO SISTEMA NÃOCUMULATIVO. No âmbito do sistema nãocumulativo de apuração das Contribuições para o PIS, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos em relação aos custos dos bens adquiridos para revenda, sujeitos a tributação concentrada nos fabricantes e importadores destes bens. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 65 /2 01 0- 57 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 145 a 168) apresentado em 18 de janeiro de 2012 contra o Acórdão no 0121.975, 06 de junho de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 129 a 135), cientificado em 22 de dezembro de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins Não Cumulativa do 4ª trimestre de 2005, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração de compensação foi transmitida em 25 de outubro de 2010 (???) e apreciada inicialmente pelo despacho de fls. 97 e 98. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de Cofins Não Cumulativa Mercado Interno (de que tratam o art. 3.° da Lei n.° 10.833/2003 c/c art. 17 da Lei n.° 11.033/2004), período de apuração (PA) 4.° trimestre de 2005, formalizado por meio do PER/DCOMP n.° 11965.51370.250110.1.1.114439, no valor de R$ 364.432,89; cumulado com as seguintes Declarações de Compensação (DCOMP) derivadas: 25401.12461.221010.1.3.119498, 11931.13017.241110.1.3.119012 e 14925.88230.281210.1.3.114024 (fls 29/32). A Delegacia de origem, mediante Despacho Decisório (fl. 99), com base no Parecer/SEFIS (fls. 80/83) e no Parecer Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720965/201057 Acórdão n.º 3302002.033 S3C3T2 Fl. 175 3 SEORT/DRF/BEL n° 0186/2011 (fls. 97/98), decidiu: INDEFERIR o pedido de ressarcimento de Cofins Não Cumulativa– Mercado Interno, PA 4.° trimestre de 2005, suscitado por meio do PER/DCOMP n.° 11965.51370.250110.1.1.114439; e NÃO HOMOLOGAR os PER/DCOMP n.°s 25401.12461.221010.1.3.119498, 11931.13017.241110.1.3.119012 e 14925.88230.281210.1.3.114024; Cientificada em 15/03/2011, a interessada apresentou, tempestivamente, em 12/04/2011, manifestação de inconformidade (fls. 108/126), na qual alega, em síntese que: “(...) “A decisão administrativa exarada pela Secretaria da Receita Federal que indeferiu os pedidos de ressarcimento e a homologação de compensações efetuadas por meio do PER/DCOMP acima referenciado, para promover a extinção do crédito tributário aqui discutido, padecem de evidente negativa de vigência de lei federal, pelo que devem, ponderase, ser revistas, sob pena de imposição do ônus ilegal de ""bis in idem"" ao contribuinte, conforme melhor exporseá a seguir. “(...) “Diante da clareza do art. 17, da Lei n° 11.033/04, não há como negar aos atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, determinadas máquinas e veículos, autopeças, pneus e câmaras de ar etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos. “(...) “A vedação aos créditos nos casos de incidência monofásica, bem como dos produtos constantes da Lei n° 10.485/02, apenas prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03, em especial incisos III e IV, do § 3 o , do art. Io: “(...) “No que tange as vendas dos produtos e mercadorias arrolados no § 1º , do art. 2º , da Lei n° 10.833/03, somente os produtores e importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias e produtos. “Ou seja, no que diz respeito às vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, máquinas e veículos classificados nos código 84.29.8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20. 8433.30.00. 8433.40.00. 8433.5, 87.01, 87.02.87.03. 87.04. 87.05 e 87.06. da TIPI (art. l o da Lei no 10.4851. somente os produtores e importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias adquiridas no mercado interno. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “(...) “E mesmo que se entenda que a restrição do § 1° , do art. 2° , da Lei n° 10.833/03 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, também após as alterações perpetradas pela Lei n° 10.865/04, o que se admite por mera hipótese, tal restrição restou afastada pelo art. 17, da Lei n° 11.033/04. “O referido art. 17, da Lei n° 11.033/04, a claras luzes, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3°. I, b, da Lei n° 10.833/03. que negava o aludido direito ao crédito, nos termos do art. 2 o , § Io , da Lei de Introdução ao Código Civil, que prevê: “(...) “3. DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IGUALDADE TRIBUTÁRIA. “Apesar dos argumentos acima delineados a RFB passou a partir de 2007 a adotar entendimento contrário à possibilidade de manutenção dos créditos aqui discutidos, de forma que além de negar vigência à Lei Federal, passou a Constituição Federal, ao desrespeitar o princípio da igualdade tributária previsto em seu art. 150, II, conforme passaremos a expor. “A Autoridade Fiscal aduz como argumento para negar o direito à manutenção dos créditos, que o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 é meramente interpretativo e tem por objetivo tão somente evidenciar que o contribuinte que se dedique a atividades em que ocorre a suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não está impedido de aproveitar os créditos auferidos naquelas operações expressamente autorizadas pela legislação. “(...) “Com efeito, o entendimento da Autoridade Fiscal não tem sustentação jurídica pelos fundamentos a seguir: “1) Primeiramente, como já demonstrado em linhas atrás somente os regimes previstos nas Leis n° 11.116/2005 (biodiesel) e a Lei n° 10.560/2002 (querosene de aviação) podem ser realmente considerados monofásicos, ou seja, com incidência única. Todos os demais, inclusive o da Lei n° 10.485/2002 (automóveis e autopeças) são regimes de tributação plurifásicos ou polifásicos com alíquotas diferentes: majoradas ao fabricante/importador e alíquota zero aos distribuidores, atacadistas e varejistas. Assim, uma vez que esses produtos não são, por essência, monofásicos, mas somente chamados assim a eles não se aplica a restrição contida no art. 3º , I, "" b "" da Lei n° 10.833/2003, alterada pela Lei n° 10.865/2004. “(...) “2) O segundo fundamento diz respeito à aplicação dos efeitos do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 nos regimes apelidados de ""monofásicos"". O citado dispositivo legal revogou todas as disposições em sentido contrário contidas na legislação anterior, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720965/201057 Acórdão n.º 3302002.033 S3C3T2 Fl. 176 5 uma vez que expressamente autoriza o desconto dos créditos, já que os contribuintes que revendem bens sujeitos à tributação ""monofásica"" foram incluídos no regime não cumulativo de contribuição ao PIS e Cofins, por expressa determinação legal contida na Lei n° 10.865/2004. “(...) “3) O terceiro fundamento que deve impedir a Autoridade Fiscal de negar ao contribuinte o direito de manutenção e aproveitamento dos créditos da contribuição ao PIS e Cofins sobre os bens adquiridos para revenda no regime ""monofásico"" é o respeito ao princípio da igualdade tributária. “(...) “Assim, não pode a Autoridade Fiscal interpretar o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 de forma a restringir a aplicação das regras e benefícios do sistema não cumulativo a uma parte dos contribuintes, haja vista que os mesmos estão, por opção única do legislador, no sistema não cumulativo, sob pena de configurar desigualdade injustificada para os contribuintes que possuem saída tributada à alíquota zero, o que representa violação direta ao princípio da igualdade tributária. “(...) “A desigualdade está manifestada no momento em que os contribuintes sujeitos ao mesmo sistema de não cumulatividade (que gera direito a créditos em relação ao PIS e Cofins dos bens adquiridos) são, posteriormente, submetidos a regras diferentes, nas quais alguns contribuintes têm direito ao crédito e outros não o têm, sem que haja qualquer justificativa para o tratamento desigual. “(...) “Desta forma, concluise que qualquer limitação à manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime ""monofásico"", estando o contribuinte vinculado à sistemática da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. “4. DA CONCLUSÃO. “Ante o exposto, os contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação ""monofásica"" tem o direito ao desconto dos créditos em razão dos produtos adquiridos para revenda, nas mesmas condições dos contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação não monofásica. “Esteado na legislação pátria, especificamente nos artigos 150, II da Constituição Federal, art. 17 da Lei n° 11.033/94, art. Io da Lei n° 10.865/04, 156 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei n° 9.430/96, pugna o contribuinte pela reforma total da decisão exarada que indeferiu os pedidos de ressarcimento para que mesmos sejam julgados procedentes e, por consequência, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 homologadas as compensações efetuadas por meio dos PER/DCOMPs acima referenciados, em respeito à legislação pátria, e, sob pena de violação ao principio da igualdade em razão da distinção estar centrada no tipo de atividade exercida.”" No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação, citando soluções de consulta que seriam favoráveis ao seu entendimento É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Antes de iniciar o exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720965/201057 Acórdão n.º 3302002.033 S3C3T2 Fl. 177 7 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Em relação ao mérito da questão, a inclusão do § 1º no art. 2º da Lei nº 10.637/2002, e da Lei nº 10.833/2003, pela Lei nº 10.865/2004, não colocou no campo de incidência das alíquotas comuns de 1,65% e de 7,6%, respectivamente a receita auferida pelos produtores e importadores de determinados bens, sendo as alíquotas aplicáveis mais elevadas que as comuns (conforme dispositivos legais mencionados nos inciso do parágrafo incluído): “Lei nº 10.637/2002 “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). “§ 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 [...]III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “Lei nº 10.833/2003 “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). “§ 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “[...] Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 “III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifei) Conforme acima demonstrado, as próprias leis das contribuições não cumulativas vedam a comunicação entre os regimes de tributação, que coexistem separadamente. Em seu recurso, a Interessada requer a aplicação do disposto no art. 17 da Lei n. 11.033, de 2004. Nessa matéria, para se falar em “manutenção de créditos”, haverseia que se pressupor sua prévia existência, cuja glosa seria determinada pela legislação. Com o dispositivo acima citado, a glosa não seria mais necessária, sendo possível a manutenção do crédito. De fato, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente, pois se refere à manutenção de créditos pelo contribuinte que der saída aos produtos desonerados, tendo adquirido produtos tributados a alíquota positiva e registrado os respectivos créditos. Ademais, referese ao crédito de produtos de que trata a referida lei e não a todos os casos de incidência de PIS e Cofins. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17 prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720965/201057 Acórdão n.º 3302002.033 S3C3T2 Fl. 178 9 Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11686.000356/2008-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 56 /2 00 8- 63 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao primeiro trimestre de 2006, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 3403002.002 S3C4T3 Fl. 11 3 Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 3403002.002 S3C4T3 Fl. 12 5 cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 3403002.002 S3C4T3 Fl. 13 7 Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 3403002.002 S3C4T3 Fl. 14 9 posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10735.902278/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DOS DADOS. ELEMENTOS QUE PERMITEM AO FISCO AFERIR A MATERIALIDADE DO CRÉDITO INDICADO. Em sede de processo administrativo fiscal que vise a homologação de compensação declarada, na qual o direito creditório se possa aferir pelos demais elementos e documentos fiscais apresentados, seria desarrazoado pensar que a preclusão para retificação do PERD/COMP, imponha consequências tais que acabem por negar ao contribuinte o direito de reaver o que pagou indevidamente.
Numero da decisão: 1301-000.949
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, para que se manifeste quanto à materialidade da composição do crédito pleiteado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DOS DADOS. ELEMENTOS QUE PERMITEM AO FISCO AFERIR A MATERIALIDADE DO CRÉDITO INDICADO. Em sede de processo administrativo fiscal que vise a homologação de compensação declarada, na qual o direito creditório se possa aferir pelos demais elementos e documentos fiscais apresentados, seria desarrazoado pensar que a preclusão para retificação do PERD/COMP, imponha consequências tais que acabem por negar ao contribuinte o direito de reaver o que pagou indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, para que se manifeste quanto à materialidade da composição do crédito pleiteado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase do presente processo administrativo que a recorrente apresentou PER/DCOMP (fls. 01 – 06), pretendendo a compensação de débitos próprios com base negativa de CSLL apurada no anocalendário 2005. A DRF/Nova Iguaçu, por meio do Despacho Decisório nº 781145951 (fl. 13), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, assentando para tanto que “... analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP.” Assentouse ainda que o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito correspondia a R$ 36.040,94 e o valor do crédito na DIPJ era igual a R$ 0,00. Cinte da decisão desfavorável (fl. 16), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 17 35), alegando em síntese que o despacho decisório estaria eivado de nulidade, com base em presunção infundada, afirmando ter havido mero erro formal no preenchimento da DIPJ, mas o crédito existiria e protestando por todas as provas em direito admitidas. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 89 a 92, indeferiu a solicitação, assetando para tanto que não se verificaria qualquer nulidade no Despacho Decisório em questão e rejeitando a produção de provas posteriores, porquanto o artigo 170 do Código Tributário Nacional estatui que na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher os requisitos de liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito, e o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Quanto ao mérito da não homologação, manifestouse a decisão recorrida que as informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o contribuinte tenha prestado ao Fisco em outros documentos (DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, etc), sendo certo que a DRF ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero). Salientouse ainda, que a na Manifestação de Inconformidade, a recorrente não elidiu os fatos apontados no Despacho Decisório, limitandose a reconhecer ter havido erro no preenchimento da DIPJ, de sorte que a DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP ou antes do Despacho Decisório, registrando que a recorrente foi cientificada das inconsistências apuradas pela DRF e, naquela data, lhe foi dada a oportunidade de efetuar a retificação na DIPJ antes da emissão do Despacho Decisório, rejeitando, portanto, a Manifestação de Inconformidade. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10735.902278/200848 Acórdão n.º 130100.949 S1C3T1 Fl. 2 3 Devidamente notificada (fl. 95), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 96 – 101), sustentando a existência do crédito, afirmando para tanto que por mero equívoco no preenchimento da DIPJ não foi lançado o correspondente saldo negativo na Ficha 17 da correspondente DIPJ, porém, fora escriturado na Ficha 16 as antecipações mensais correspondentes, devendose aplicar o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como visto do relatório acima, tanto a autoridade administrativa que analisou primitivamente a declaração de compensação da recorrente, quanto a decisão proferida pela DRJ no Rio de Janeiro, verificaram ausentes os requisitos de certeza e liquidez porquanto a DIPJ não estampava a base negativa de CSLL tal como pretendido no PER/DCOMP. Diante de tais fatos, convém registrar que a recorrente formulou declaração de compensação indicando como crédito “saldo negativo de CSLL” atinente aos períodos de apuração compreendidos entre 31/07/2005 a 31/11/2005, tendo em vista os pagamentos realizados a título de estimativas. Tendo em vista a pretensão da recorrente, manifestada no PER/DCOMP de folhas 01 a 06, de fato não se pode deixar de dar razão à decisão recorrida ao afirmar que a compensação tributária reclama sejam verificáveis os requisitos de certeza e liquidez estabelecidos no artigo 170 do Código Tributário Nacional, como também não se pode olvidar, que em princípio, a incongruência entre o valor apurado na DIPJ e aquele contido na declaração de compensação, obstaculize a homologação da compensação. O caso dos autos, no entanto, comporta algumas peculiaridades que merecem ser enfrentadas no cotejo dos requisitos do artigo 170, do CTN. Com efeito, malgrado a recorrente não tenha lançado na Ficha 17 da DIPJ correspondente (fls. 113 – 147) a base negativa de CSLL em questão, é fato que na Ficha 16 (fls. 124 em diante), apurou mensalmente a CSLL indicando os meses em que a base fora negativa e aqueles em que houve CSLL a pagar, a demonstrar, com a devida venia da decisão recorrida, que os valores atinentes às estimativas compuseram sim a escrituração da DIPJ. Com maior razão, tal como argumentado pela recorrente, vêse que a contribuinte apurou saldo negativo de CSLL e os escriturou contabilmente, conforme se vê na cópia do Livro Razão juntada às folhas 148 a 153, cujos lançamentos (circulados) coincidem com os valores recolhidos a título de estimativas e correspondem aos pagamentos realizados por meio dos DARF juntados às folhas 154 a 158, bem como à DCTF encartada às folhas 160 a 163. Assim sendo, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para assegurar que o contribuinte, obtenha um enfretamento de mérito quanto ao seu direito creditório e, para tanto, visando conferir ao feito isonomia e evitar supressão de instâncias, encaminho meu voto no sentido de prover o Recurso Voluntário, para determinar que a Autoridade Administrativa de origem se manifeste quantos aos aspectos materiais da formulação do direito creditório. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10735.902278/200848 Acórdão n.º 130100.949 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.923858/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do me´rito.
(assinado eletronicamente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado eletronicamente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 38 58 /2 00 9- 58 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado eletronicamente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 28): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 29): Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 13/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº o2344.94952.140307.1.7.047000, nos termos do despacho decisório emitido em 22/06/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento nº 842577493). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 14/03/2007 para retificar a Dcomp nº 12863.44016.130906.1.3.049005, de 13/09/2006, a contribuinte indicou um crédito de R$ 1.826,77 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 14/12/2001, sob o código 8109, o valor de R$ 16.335,02), e um débito de PIS Fl. 43DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923858/200958 Acórdão n.º 3802001.611 S3TE02 Fl. 43 3 (8109), do período de julho de 2006, vencido em 15/09/2006, no valor original de R$ 969,23. Segundo o despacho decisório, cientificado em 29/06/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de PIS de novembro de 2001, no valor de R$ 16.335,02. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 3539, sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 14/05/2012 (fls. 34), interpondo recurso tempestivo em 28/05/2012 (fls. 35). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência da nãocumulatividade do PIS, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 45DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923858/200958 Acórdão n.º 3802001.611 S3TE02 Fl. 44 5 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, reproduzido anteriormente, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à DRJ para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10980.005855/98-44
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1988 a 31/07/1992
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 13/05/1998, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação no que se refere à totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais são relativos ao período de apuração de dezembro de 1988 a julho de 1992.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1988 a 31/07/1992 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 13/05/1998, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação no que se refere à totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais são relativos ao período de apuração de dezembro de 1988 a julho de 1992. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 55 /9 8- 44 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0203.589, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 13/05/1998, restituição/compensação de valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre dezembro de 1988 e julho de 1992. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação, em 09/10/1995, da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, conforme ementa a seguir: “PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL. TERMO INICIAL. O termo inicial do prazo para pedido de restituição relativamente a contribuição exigida com base em lei posteriormente declarada inconstitucional é a data de publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal, com efeito erga omnes, que considerou a norma inconstitucional, do ato administrativo que determinou a não aplicação da norma ou da Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.005855/9844 Acórdão n.º 9900000.768 CSRFPL Fl. 290 3 resolução do Senado Federal que suspendeu sua execução, em face de decisão do STF no sistema difuso. Recurso especial negado.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 368/393 requerendo não fosse conhecido o recurso extraordinário da Fazenda Nacional ou que, na remota hipótese de o mesmo ser conhecido, que lhe fosse negado provimento. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre dezembro de 1988 e julho de 1992, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 13/05/1998, já estaria prescrito. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.005855/9844 Acórdão n.º 9900000.768 CSRFPL Fl. 291 5 Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado em 13/05/1998, no que se refere a totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais são relativos ao período de apuração de dezembro de 1988 e julho de 1992. Nanci Gama Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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