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Numero do processo: 10245.000077/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 05/01/2004 a 05/12/2005
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal; assim recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracteriza ou suscitada a tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 05/01/2004 a 05/12/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal; assim recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracteriza ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 05/01/2004 a 05/12/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal; assim recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracteriza ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 00 77 /2 00 9- 15 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que não conheceu da impugnação apresentada contra o lançamento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência janeiro de 2004 a dezembro de 2005. O lançamento decorreu da falta de declaração/pagamento do imposto devido naquele período sobre operações de mútuo realizadas com outras pessoas jurídicas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 164/166 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 155/161. Inconformada com o lançamento, a recorrente impugnouo (fls. 182/196), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1. apresenta tempestivamente a impugnação; 2. o MPF irregular configura vício de procedimento que acarreta a inviabilidade do lançamento, não realizada a prorrogação do MPF a autoridade fiscal conduzia o procedimento a descoberto, ferindo a princípios constitucionais; 3. a impugnante foi notificada do lançamento que trata esta defesa juntamente com mais três notificações referentes a processos em trâmite nesta Delegacia, ferindo garantias constitucionais da ampla defesa; 4. multas elevadíssimas como a apresentada configurase confiscatórias e punitivas, vedadas por nosso ordenamento jurídico.” Analisada a impugnação, aquela DRJ não conheceu das razões de mérito nela expendidas e a julgou improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme acórdão nº 0122.280, datado de 06/07/2011, às fls. 214/217, sob a seguinte ementa: “IMPUGNAÇÃO. CONTESTAÇÃO INTEMPESTIVA. A petição contestatória apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 230/234), requerendo a nulidade do auto de infração (procedimento administrativo fiscal) e, conseqüentemente, do lançamento, sob o argumento de que foi lavrado por autoridade administrativa incompetente. Para fundamentar seu recurso, expendeu, às fls. 231/234, extenso arrazoado sobre “2.1, Ato Praticado por autoridade incompetente”, concluindo, ao final que o lançamento é nulo. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.000077/200915 Acórdão n.º 3301001.794 S3C3T1 Fl. 241 3 O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No entanto questão preliminar prejudica o conhecimento das questões de mérito nele expendidas e, conseqüentemente, seu julgamento nesta fase recursal. A autoridade julgadora de primeira instância não conheceu das razões de mérito da impugnação, com fundamento no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, c/c os arts. 5º e 23, pelo fato de aquela ter sido interposta a destempo, ou seja, depois de decorridos mais de 30 trinta dias, contados da data em que a recorrente foi cientificada do lançamento em discussão. Segundo a decisão recorrida, a ciência do lançamento se deu na data de 30 de janeiro de 2009 [fls. 176 (fls. 173)] e a impugnação foi protocolada na data de 4 de março de 2009 [fls. 182 (fls. 173)]. Em seu recurso voluntário, a recorrente não discordou dessa alegação nem do fundamento da decisão recorrida, se limitando à alegação de que o lançamento é nulo por ter sido praticado por autoridade administrativa competente. Assim sendo, a apreciação e julgamento do mérito da matéria, expendida no recurso voluntário, ficou prejudicada nesta fase recursal. O recurso voluntário somente teria cabimento quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade decidida em primeira instância, contudo esta não foi suscitada. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado anteriormente, a recorrente não contestou a perempção decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000021/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO. COMPRA DE LEITE IN NATURA. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO.
Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presume-se normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico.
CRÉDITO. CONDIÇÕES.
As despesas com direito ao crédito da Cofins são aquelas relativas a insumos e serviços empregados na fabricação dos produtos vendidos pela recorrente, nos termos do que dispõe o art. 3° da Lei da Lei nº 10.833/2003.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Fábia Regina Freitas, que reconheciam o direito ao crédito nas despesas com agenciamento de leite. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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COMPRA DE LEITE IN NATURA. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presumese normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. CRÉDITO. CONDIÇÕES. As despesas com direito ao crédito da Cofins são aquelas relativas a insumos e serviços empregados na fabricação dos produtos vendidos pela recorrente, nos termos do que dispõe o art. 3° da Lei da Lei nº 10.833/2003. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Fábia Regina Freitas, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 21 /2 00 9- 26 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 3 2 reconheciam o direito ao crédito nas despesas com agenciamento de leite. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 3º trimestre de 2007, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas dos seguintes créditos: (i) créditos relativos as despesas com agenciamento de leite junto a fornecedores; (ii) créditos relativos as despesas com comissões pagas a representantes comerciais; (iii) créditos relativos a encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004; e (iv) créditos normais nas aquisições de leite in natura que a Fiscalização entende serem créditos presumidos sem direito ao ressarcimento. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que é inconstitucional as disposições do art. 31 da Lei no 10.865/2004 e, consequentemente, tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. Especificamente quanto ao crédito presumido sustenta que não é empresa agroindustrial e que nas notas fiscais de aquisição não havia indicação de que as mercadorias tinham sido adquiridas com suspensão das contribuições, levando a conclusão de que o crédito deveria ser calculado pela regra do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, dando direito ao ressarcimento pleiteado. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.349, de 13/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 geram créditos de PIS e de Cofins, respectivamente, pela sistemática da não cumulatividade. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 4 3 VENDA DE LEITE "IN NATURA" SUSPENSÃO CRÉDITO PRESUMIDO Comprovado que a venda de leite "in natura" ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 240), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 241/272, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida ignorou argumentos seus relativos as condições de emissão da nota fiscal com exigibilidade suspensa e sua condição de empresa não agroindustrial. Na sessão do dia 03/06/2011 o julgamento foi convertido em diligência à RFB para as seguintes providências, conforme Resolução nº 3302000.133: 1 intimar a recorrente para informar, no período objeto do pedido de ressarcimento, para quais fornecedores seus, pessoas jurídicas, entregou a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e para quais fornecedores deixou de entregar a referida declaração. 2 intimar a recorrente a demonstrar o valor das aquisições de leite in natura junto a pessoas jurídicas, segregando o valor dessas compras, por mês e por fornecedor, nas seguintes categorias: 2.1 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.2 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este deixou de consignar na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.3 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.4 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este não consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 3 efetuar a conferência, por amostragem, das respostas da recorrente aos itens 1 e 2, juntando cópia, também por amostragem, das notas fiscais de aquisição de leite in natura para cada categoria acima referida; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 5 4 4 intimar os fornecedores a que se refere o subitem 2.3 a apresentar a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, emitida pela recorrente em data anterior à da emissão das notas fiscais de venda. Se a intimação não for atendida no prazo marcado, a diligência pode ser encerrada sem essa informação, subentendose ratificada a informação prestada pela recorrente. 5 prestar as informações que julgar necessário ao deslinde da questão; 6 elaborar relatório circunstanciado da diligência (Termo de Encerramento de Diligência), dele dando ciência à recorrente, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. 7 dar ciência desta resolução junto com o termo de início da diligência. Realizado a diligência, foi elaborado o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 435/436 no qual a autoridade administrativa informa o atendimento, pela recorrente, dos quesitos formulados e renova as razões da Informação Fiscal de fls. 121/133. Ciente do resultado da diligência, a empresa interessa se manifestou às fls. 401/410 para, basicamente, repetir alegações do recurso voluntário. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O julgamento do presente recurso voluntário teve início na sessão do dia 03/06/2011, quando foi convertido em diligência. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito da Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus, com a representação comercial de seus produtos e, também, sobre as despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 6 5 Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as compras foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não provou suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Baixado em diligência, a empresa recorrente juntou cópia das notas fiscais de aquisição de lei in natura e informou que, para as empresas cujos créditos foram glosados, não forneceu a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. Não há nenhuma dúvida de que nas operações de aquisição de leite in natura realizadas pela recorrente, objeto da glosa, ocorreu um delito tributário. No entanto, está provado que a recorrente não o praticou. Ela recorrente não entregou a seus fornecedores de leite in natura a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. No entanto, seus fornecedores de leite in natura declararam à RFB que deram saída no leite in natura com suspensão do PIS e da Cofins sem, contudo, consignar tal fato na nota fiscal de venda e também não apresentaram declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, desrespeitando o disposto nos arts. 2º e 4º da IN SRF nº 660/06, abaixo reproduzidos. Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 7 6 III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. [...] Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Em razão da improcedência da glosa relatada no item 3 Aquisição de Leite “in natura” cujos fornecedores utilizaramse do benefício da suspensão da contribuição para a Cofins da INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 121/133, tem a recorrente o direito ao ressarcimento do crédito da Cofins abaixo demonstrado. Descrição Julho/07 Agosto/07 Setembro/07 Crédito Glosado Indevidamente 289.118,53 268.377,29 238.425,41 % Receita com alíquota zero 77,43% 74,76% 68,75% Crédito Adicional a Ressarcir 223.864,47 200.638,86 163.917,46 Valor Adicional a Ressarcir no 3º TRI 588.420,79 Com relação ao crédito sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não há reparos a fazer na decisão recorrida que ratificou a decisão da RFB, cujos fundamentos adoto integralmente. Com propriedade, a RFB não reconheceu o direito ao crédito sobre encargos de depreciação de bens não utilizados na atividade produtiva da recorrente e de bens adquiridos até 30/04/2004 (Lei 10.865/04). Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 8 7 Também adoto integralmente os fundamento da decisão recorrida que não reconheceu o direito ao crédito sobre os valores dos serviços de agenciamento de leite e de representação comercial pagos pela recorrente. Tais serviços, pelas razões consignadas na decisão recorrida, não são insumos utilizados na fabricação dos produtos vendidos pela recorrente. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de diversos dispositivos da legislação tributária, trazidos pela recorrente, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente ao ressarcimento da Cofins do 3º trimestre de 2007, no valor adicional de R$ 588.420,79. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 9 8 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhor me inteirar acerca dos fatos incorridos. Conforme bem esclarecido pelo d. Conselheiro Relator a lide resumese em dois prontos: “A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito da Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus, com a representação comercial de seus produtos e, também, sobre as despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento.” Em resume discutese acerca do conceito de insumo para as contribuições não cumulativas do PIS e COFINS, e matéria específica referente à tomada de crédito decorrente da aquisição de leite in natura. No que se refere aos insumos, a primeira questão trazida pela Recorrente é a diferenciação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e do PIS e Cofins. Defende a Recorrente que a análise dos créditos neste último sistema deve considerar o conceito de receita, o que justifica a concessão integral do crédito pleiteado neste particular. A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 10 9 alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei3 (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei4; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica5; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; 3 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 4 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 5 Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: "III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica" Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 11 10 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor6: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; 6 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "§1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:" Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 12 11 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes7, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. 7 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 13 12 ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita8 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. 8 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 14 13 Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco9: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário10. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. 9 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 10 Lei nº 10.833/03, art. 3º, Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 15 14 Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29011 e 29912 do RIR/99 – tese defendida pela Recorrente. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. 11 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 12 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 16 15 Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 13 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita14, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. 13 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei 14 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 17 16 Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins. Pretende a Recorrente crédito sobre (i) as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus e (ii) com a representação comercial de seus produtos. Dos créditos requeridos, entendo que atende o único que é UTILIZADO na produção é o referente às despesas incorridas com o agenciamento de leite, sendo que as despesas com representação comercial não podem ser entendidas como incorridas na fase de produção. Neste particular, portanto, divirjo do ilustre Conselheiro Relator. Em relação às despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004, com razão a fiscalização. A alegação de inconstitucionalidade apensa pode ser argüida no foro competente, in casu, no judiciário. Por último resta a alegação de direito ao crédito em vista da compra do insumo “leite in natura”. Neste ponto a Recorrente traz diversas alegações, desde a garantia ao crédito porque na nota fiscal não restou consignado que a operação ocorreu com suspensão de Pis e Cofins, o que justificaria a tomada integral do crédito; até o fato de que in casu a operação não deveria estar com a exigibilidade suspensa. Já expressei meu posicionamento no sentido de que o simples fato de a observação de “tributação suspensa” não estar consignada na nota não é suficiente para justificar a concessão integral do crédito tributário. E realmente acho A função das instruções normativas no sistema tributário é complementar as demais normas, para fim de adequação aos fatos concretos. Este caráter de complementaridade está previsto no próprio Código Tributário Nacional CTN o artigo 96, combinado com o inciso I, do artigo 100, a saber: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. (...) Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (destaquei) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000021/200926 Acórdão n.º 3302001.989 S3C3T2 Fl. 18 17 É indiscutível que a Lei determina, expressamente, a função das Instruções Normativas como normas complementares do ordenamento jurídico, devendo ser desta forma consideradas. E, se a Instrução Normativa é norma complementar, significa que não pode inovar o ordenamento jurídico, menos ainda alterar qualquer aspecto da regra matriz de incidência tributária. Consectário lógico, portanto, que a Instrução Normativa também não cria direito, o que significa, in casu, que o simples fato de o vendedor do insumo desobedecer um IN não é suficiente para criar um direito de ressarcimento para a Recorrente. Todavia, conforme anotado pelo d. Conselheiro Relator, o caso em apreço detém uma particularidade. Não se trata de operação sujeita à suspensão de crédito tributário que não foi desta forma registrada na nota fiscal pelo vendedor, mas, conforme comprovado em diligência, exatamente o contrário. Operação que deveria ter sido tributada e não foi. Neste sentido, a Recorrente atuou corretamente, de acordo com as regras à ela aplicáveis, razão pela qual acompanho o d. Relator. Ante o exposto, acompanho o voto do Relator no sentido de PROVIMENTO PARCIAL, divergindo apenas no que se refere a considerar como insumo o custo incorrido com o agenciamento de leite. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19515.003185/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/10/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AFERIÇÃO INDIRETA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO
Não tendo o recorrente durante o procedimento fiscal apresentado todas as folhas de pagamento e documentos contábeis relacionados aos fatos geradores, possível ao fisco efetivar o lançamento por meio de aferição indireta, utilizando-se outros documentos que indiquem a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, observou a autoridade fiscal, a aplicação da multa mais benéfico ao contribuinte, adotando o comparativo entre disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Observou a autoridade fiscal, por competência, qual a multa mostrou-se mais favorável ao recorrente, adotando a antiga sistemática quando essa demonstrou valor inferior ao proposto pela lei 11.941/2008.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de exclusão dos corresponsáveis; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) rejeitar a arguição de decadência; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/10/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AFERIÇÃO INDIRETA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO Não tendo o recorrente durante o procedimento fiscal apresentado todas as folhas de pagamento e documentos contábeis relacionados aos fatos geradores, possível ao fisco efetivar o lançamento por meio de aferição indireta, utilizando-se outros documentos que indiquem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, observou a autoridade fiscal, a aplicação da multa mais benéfico ao contribuinte, adotando o comparativo entre disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Observou a autoridade fiscal, por competência, qual a multa mostrou-se mais favorável ao recorrente, adotando a antiga sistemática quando essa demonstrou valor inferior ao proposto pela lei 11.941/2008. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003185/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.929 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente EMPRESA AUTO VIAÇÃO TABOÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/10/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/10/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 85 /2 01 0- 12 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO Não tendo o recorrente durante o procedimento fiscal apresentado todas as folhas de pagamento e documentos contábeis relacionados aos fatos geradores, possível ao fisco efetivar o lançamento por meio de aferição indireta, utilizandose outros documentos que indiquem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, observou a autoridade fiscal, a aplicação da multa mais benéfico ao contribuinte, adotando o comparativo entre disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Observou a autoridade fiscal, por competência, qual a multa mostrouse mais favorável ao recorrente, adotando a antiga sistemática quando essa demonstrou valor inferior ao proposto pela lei 11.941/2008. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de exclusão dos corresponsáveis; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) rejeitar a arguição de decadência; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.171.5415, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 27 a .32, o Auto de Infração foi lavrado em decorrência da constatação que a mesma elaborou e apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não foram informados na GFIPs no período de 06/2005 a 11/2008, os pagamentos feitos a segurados empregados e contribuintes individuais, sendo autuada por infração à Lei n° 8.212/91, artigo 32, inciso I V e parágrafo 5o, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 combinado com artigo 225, IV, parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, Aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Em síntese os fatos geradores omitidos de GFIP foram os seguintes: Remuneração de empregados 06/2005 a 11/2008; remuneração de contribuintes individuais 06/2005 a 03/2008. Os valores omitidos foram apurados por aferição indireta com fundamento no artigo 33, §§ 2° e 3 o da Lei 8.212/91 c /c os artigos 232 e 233 do RPS, tendo em vista a recusa por parte do contribuinte em apresentar quaisquer dos documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, nos Termos de Intimação Fiscal de 13/04/2010, 26/06/2010, 24/08/2010 e 06/09/2010 e no Termo de Reintimação de 24/09/2010. O crédito tributário correspondente foi lançado nos autos de infração n°19515.003189/201009 e n° 19515.003190/201025, cujos relatórios apresentam em detalhes todas as circunstâncias relacionadas aos fatos geradores, aos fundamentos legais e ao cálculo das contribuições devidas e não declarados em GFIP. A multa foi aplicada no valor de R$ 980.776,15 (Novecentos e Oitenta Mil, Setecentos e Setenta e Seis Reais e Quinze Centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite equivalente a um multiplicador estabelecido em função do número de segurados da empresa e aplicado sobre o valor mínimo, de acordo com o art. 32, inciso I V , §5° da Lei 8.212/91 e art.284, inciso I I , do Decreto 3.048/99. O valor mínimo utilizado para aplicação da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 333 de 29/06/2010, publicada no Diário Oficial de 30/06/2010. O cálculo da multa encontrase no planilha constante do CD entregue ao recorrente ao termino da fiscalização: “Cálculo do AI 68"(CalcAI68l e CalcAI682), onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela omissão de fatos geradores em GFIP, sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. 6. Neste Auto de Infração constam as competências em que a aplicação das multas conforme legislação anterior a entrada em vigor da Medida Provisória 449/08 restou mais benéfica. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 07/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 08/10/2010. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 4 5 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 44 a 62. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do parcial do lançamento, conforme fls. 136 a 156. Vejamos ementa da referida decisão: A S S U N T O : O B R I G A Ç Õ E S A C E S S Ó R I AS Período de apuração: 07/10/2010 a 07/10/2010 Ementa: O B R I G A Ç Ã O ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO C O R R E S P O N D E N T E S A O S F A T O S G E R A D O R E S D E T O D A S AS C O N T R I B U I Ç Õ E S P R E V I D E N C I Á R I A S . Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. C O N T R I B U I Ç Õ E S DA EMPRESA. O B R I G A Ç Ã O DO R E C O L H I M E N T O . D E C L A R A Ç Ã O E M G F I P . A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e declarar as referidas remunerações em GFIP. B A S E D E C Á L C U L O . A R B I T R A M E N T O . R A I S . É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição com base nas informações prestadas na RAIS, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. M U L T A D E M O R A . I N A P L I C A B I L I D A D E . Não se aplica a multa de mora aos Autos de Infração de obrigação acessória. R E L A T Ó R I O D E C O R E S P O N S Á V E I S . F I N A L I D A D E . O Relatório de Vínculos tem por finalidade tão somente listar as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. J U L G A M E N T O S I M U L T Â N E O . A U S Ê N C I A DE P R E V I S ÃO L E G A L . Inexiste mandamento legal determinando julgamento simultâneo das impugnações, devendo a decisão de primeira instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 188 a 224. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, trazendo os mesmos argumentos dos recursos dos autos de infração de obrigação principal, senão vejamos: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 1. Preliminarmente a documentação fiscal folhas de pagamento e livros Diário e Razão sempre esteve à disposição do Auditor Fiscal a partir da emissão do termo de intimação. Entretanto, o recorrente foi surpreendida com o arbitramento de contribuições por não apresentação de documentos A ação fiscal foi concluída com o envio do Auto de Infração por via postalbaseando que sequer houve a comunicação de encerramento da mesma. 2. Parte do lançamento foi alcançado pela decadência. 3. Após descrição dos fatos, afirma que o Auto de Infração foi elaborado com vícios e equívocos que pretende demonstrar. 4. Da Notificação Fiscal O Relatório Fiscal informa que o lançamento referese à remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarada integralmente em GFIP, tendo como elementos de base os valores informados na RAIS e deduzidos os valores informados em GFIP do período fiscalizado. Informa ainda que foram considerados como crédito os valores recolhidos pela empresa através de GPS com códigos de recolhimento 2100, obtidos do conta corrente da empresa, e que não foram considerados valores informados em GFIP como compensação ou retenção de valores retidos, por não ter sido possível a validação dos valores. 5. Levantamentos Cl e CI1 Contribuinte Individual Não existe pagamento de autônomos. Os valores informados em DIRF dizem respeito a pagamento de aluguéis, com incidência apenas de IRPF Fonte, não se tratando de serviços prestados. 6. Levantamentos GL1 e GL2 Glosa de valores compensados que dizem respeito a créditos advindos de atuação da Impugnante junto a São Paulo Transportes S/A, empresa pública municipal detentora da gestão de transporte coletivo da capital, e que procede a retenção de valores juntos aos seus prestadores de serviços. 7. Levantamento MI Multa isolada período de 02/2009 a 05/2009, por compensação supostamente indevida. Multa acessória vinculada aos levantamentos GL1 e GL2. Ausente o principal, não há que se falar em acessório. As multas não estão devidamente lançadas, tendo sido feito inversão de valores nas competências. 8. Levantamentos RA e RA1 O Auditor Fiscal informa que fez um cruzamento entre a massa salarial informada na RAIS e aquela informada em GFIP, sendo possível identificar, por NIT e competência, os empregados que foram declarados em RAIS e deixaram de ser informados em GFIP. No entanto, o relatório não aponta se foram arbitrados os valores das diferenças entre RAIS e GFIP ou somente os segurados não informados em GFIP. 9. A Impugnante está juntando cópias do protocolo de entrega de GFIP e resumo com bases de cálculo de remuneração informadas, que não estão de acordo com o noticiado no relatório fiscal. Em todas as competências informadas como não remetidas ou como diferentes da RAIS, demonstra a remessa regular da GFIP, inclusive com o depósito fundiário de todos os segurados empregados. 10. Levantamento SA Os valores devidos a título de SAT também foram objeto de compensação já informada em GFIP e não consideradas 11. Discorre sobre a chamada Regra Matriz de Incidência RMI para concluir que não estão presentes nesta Autuação os fatos jurídicos indispensáveis à existência da contribuição do art. 31 da Lei n.° 8212/91. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 5 7 12. No Mérito o recorrente já havia informado em GFIP todos os segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços. O lançamento diz respeito a diferenças não vinculadas, pelo Auditor Fiscal, a nenhuma rubrica determinada (participação nos lucros, prêmios, horas extras, insalubridade, vale transporte, alimentação etc). 13. O Auditor Fiscal arbitrou o saláriodecontribuição pela suposta massa salarial informada em RAIS, sem deduzir as verbas rescisórias nem atentar para o pagamento adiantado de parcelas do décimoterceiro salário. 14. A autuação é totalmente improcedente, vez que a Autuada recolheu todas as contribuições previdenciárias de forma correta, conforme comprovam as folhas de pagamento e as guias de recolhimento juntadas, utilizandose da compensação de valores retidos nos moldes do art. 31 da Lei n.° 8.212/91. 15. Inexistem diferenças a serem recolhidas, a não ser que se queiram exigir os pagamentos em duplicidade, com o que ocorreria o "bis in idem", ou excesso de exação fiscal. A pretensão do Auditor Fiscal em exigir que sejam reconhecidos como saláriode contribuição valores apontados nos sistemas próprios do INSS, com fundamento em Ordens de Serviço e Instruções Normativas, afronta o princípio da legalidade e diversos dispositivos da Constituição Federal. 16. Não há suporte legal para a exigência de diferença de contribuições previdenciárias além daquelas previstas no inciso I, "a", do art. 195 da Constituição Federal. 17. Discorre sobre presunções legais, concluindo que diante de eventuais indícios de omissão de remuneração é obrigação da fiscalização a comprovação da irregularidade. 18. A Instrução Normativa 100/2003 vem consolidar os procedimentos fiscais. Referida IN foi substituída pela IN n° 03/2005, que basicamente com a mesma redação, estabelece o procedimento de aferição indireta em seu artigo 614 e seguintes. 19. O Auditor Fiscal ignorou o fato de ser a Autuada prestadora de serviços com contabilidade regular, formalizada e apuração de imposto por lucro real, pelo que o arbitramento de contribuições previdenciárias com base em RAIS pressupõe a desconsideração da contabilidade. 20. O arbitramento representa bis in idem e excesso de exação, porque as contribuições foram quitadas por meio da compensação de valores retidos. 21. A não discriminação mensal dos segurados empregados e de sua remuneração impede o exercício do contraditório. 22. O arbitramento no caso presente violou os princípios constitucionais, informadores da função administrativa: finalidade, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva. 23. Invoca o art. 620 do Código de Processo Civil e os art. 112, II e IV, e 108 do CTN para pedir a interpretação benévola na esfera da ilicitude tributária. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 24. A recorrente opera junto à São Paulo Transportes, sendo que a Procuradoria Geral Federal entende que este serviço se enquadra no art. 31 da lei 8212/91 e cabe a São Pulo Transportes proceder a retenção e recolhimento. 25. A autuação é nula, por ter sido utilizado o arbitramento mesmo com existência de contabilidade regular, que foi examinada anteriormente, sem que fosse comprovado registro indevido nem falsidade, erro, dolo, fraude, simulação, conforme exigência do art. 149 do CTN, que trata da revisão de lançamento. 26. A base de RAIS e FGTS apontada como saláriodecontribuição não foi informada naqueles termos pela recorrente que não pode ser intimada a apresentar os relatórios nos termos de intimação recebidos. 27. O recorrente já havia entregue tempestivamente todas as GFIP's do período fiscalizado, com informação de todos os segurados e compensação de todas as contribuições, dado o crédito que dispunha em relação a seu tomador de serviços com cessão de mãodeobra. No entanto, em atendimento a determinação do Judiciário trabalhista, foi obrigada a informar GFIP de reclamantes de dissídios individuais, com recolhimento de verbas determinadas em sentença, ocasionando a substituição da GFIP com todos os segurados pela GFIP com segurado único. 28. Não houve intenção de sonegar informações, o que ocorreu foi somente o cumprimento da decisão judicial, pelo que improcede o lançamento por arbitramento de contribuições pela RAIS, posto que a GFIP foi entregue a tempo e modo, na forma do Manual da mesma. 29. O recorrente é coparticipante de um Consórcio junto com a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda., prestando serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo, gerenciados pela São Paulo Transportes S/A. 30. Entretanto, o contrato não é de verdadeira concessão porque não atende ao disposto na Lei n.° 8666/93, tratandose de verdadeira prestação de serviços nas condições previstas no art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Aponta que esse é o entendimento exarado pela Procuradoria Federal Especializada do INSS. 31. A Prova Relativa aos Créditos da Retenção pela São Paulo Transportes S/A Remete aos documentos extraídos do processo Mandado de Segurança n.° 2007.61.00.0199560 para afirmar que as empresas cedentes de mão de obra não se sujeitam à contribuição patronal e sim à retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviço. ^ 32. Conforme se verifica no anexo ao Relatório Fiscal, o Auditor deixou de apropriar como crédito da Impugnante no presente lançamento os valores retidos sobre as notas fiscais, independente de estabelecimento, com fundamento no art. 31 da Lei n.° 8212/91 na redação dada pela Lei n.° 11.941/09. 33. O Contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê na Cláusula 19.1.25 o desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS. O Valor das Retenções Mensais Informa que o valor do faturamento das prestadoras de serviço à SPTRANS é público e pode ser obtido no endereço eletrônico que indica. 34. Com base na tabela do item anterior, conclui que somente no período de 08/2005 a 12/2007 tem um crédito a compensar de R$ 11.073.255,33, em valor histórico, e que os lançamentos de créditos previdenciários no mês a mês são inferiores aos valores que a Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 6 9 Impugnante tem o direito de compensar, sendo que sempre existe sobra de créditos para utilização no pagamento de 13° salário e inclusive Terceiros. 35. Do descabimento na aplicação da multa de mora Afirma que caracteriza confisco a multa e os juros aplicados. 36. Requer a redução da multa para 2%, e ainda caso a contribuição que está sendo lançada esteja declarada em GFIP, a multa de mora deverá ser reduzida em 50%, conforme disposto no art. 35, §4o, da Lei n.° 8.212/91. 37. Da Incorreta Identificação dos Responsáveis pelo Pagamento do Eventual Credito Tributário Inexistência de Responsabilidade Tributária Requer a exclusão da responsabilidade dos sócios e procuradores, alegando a não ocorrência das hipóteses dos art. 134 e 135 do CTN e a revogação, pela Lei n.° 11.941/09, do art. 13 da Lei n.° 8.620/93. 38. Considerações Finais Deverão ser considerados como créditos da Impugnante os valores demonstrados como relativos à retenção que não foram considerados pelo Auditor, apesar de informados em GFIP, e ser consideradas inclusive aquelas GFIP's que foram substituídas por GFIP's emitidas com base em decisão judicial, restabelecendo a GFIP anterior com todos os segurados empregados. 39. A nulidade do lançamento deve ser declarada ainda pela ausência de fundamentos legais do débito relativo a arbitramento de contribuições previdenciárias, informações do fato gerador de contribuições descontadas dos segurados. 40. O fato gerador dos lançamentos não foi obtido por informações em GFIP da recorrente, mas buscado em informações processadas pela Previdência Social, através de seus sistemas corporativos. Requerse a apresentação nominal dos segurados e valores de remuneração e desconto de segurados. 41. A Impugnante tem créditos a compensar decorrentes da retenção de 11 % do tomador de serviços conforme demonstrado. 42. O INSS, através da Procuradora Geral Federal já vem procedendo a cobrança da São Paulo Transportes S/A dos valores de retenção de 11% incidente sobre o faturamento das prestadoras de serviço. 43. Diante do exposto, requer: 44. o não reconhecimento do arbitramento com base na RAIS porque todos os fatos geradores de contribuições foram declarados em GFIP, conforme documentos em anexo; 45. o reconhecimento do direito à compensação de créditos decorrentes da retenção de 11% do valor do faturamento pela tomadora de serviço, independente de declaração em GFIP, com base em declaração da Procuradoria; 46. ajuntada, nos termos do art. 36 da Lei n° 9.784/99, do processo integral de apuração de débitos na SPTRANS, com fundamento nos princípios do contraditório e da ampla defesa previstos no art. 5 o da Constituição Federal; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 47. a apresentação da relação nominal dos segurados constantes da massa salarial apontada na RAIS e FGTS, mês a mês; 48. a compensação com créditos relativos aos Terceiros, caso não sejam os créditos previdenciários inteiramente absorvidos pelas retenções de 11%, em vista do disposto no art. 3 o e parágrafos da Lei n° 11.457/07. 49. o julgamento em conjunto, por conexão, dos lançamentos formalizados na mesma ação fiscal, com os seguintes Autos de Infração: 37.171.5415, 37.171.5423, 37.171.5431, 37.171.5458, 37.171.5466, 37.171.5474 e 37.171.5482. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 255. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO VALIDADE DO PROCEDIMENTO Destacase, preliminarmente, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, desobediência aos principais basilares do direito, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal do arbitramento, conforme descrito pelo recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Notese que o contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar os documentos para comprovação não só das compensações realizadas, bem como do recolhimento das contribuições pertinentes a sua folha de pagamento seja referente aos segurados empregados ou mesmo das pessoas físicas (contribuintes individuais) que lhe prestaram serviços. Contudo, nem durante o procedimento fiscal, nem tampouco na fase impugnatória, ou mesmo no recurso, apresentou o recorrente os documentos pertinentes a comprovação de suas alegações. Compete ao fisco realmente, o dever de fundamentar seus atos e oportunizar ao recorrente durante o procedimento fiscal, ser intimado a apresentar todos os documentos que serviram para comprovar sua regularidade fiscal. Conforme descrito acima, e claramente identificado no relatório fiscal, procedeu a autoridade fiscal o cumprimento do seu dever, intimando o contribuinte de forma reiterada a apresentar os documentos que a legislação lhe obriga a manter a disposição das autoridades fiscais dentro do prazo decadencial. Optou o contribuinte por não apresentalos alegando que já haviam sido vistos em outra fiscalização. Ora, se o próprio contribuinte, não entrega os documentos para comprovar o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, que se utilizou dos documentos constantes dos seus sistemas informatizados para apurar os fatos geradores da obrigação, bem como a base de cálculo. Neste caso, invertese o ônus da prova competindo ao recorrente comprovar sua alegações com documentos que possibilitem aos órgãos julgadores determinar a improcedência do lançamento. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Porém simplesmente alegar ser indevida a contribuição, ou mesmo que procedeu as devidas compensações, face retenções sofridas pela prestação de serviços não tem o condão de desconstituir o lançamento, muito menos provocar sua nulidade. No relatório fiscal, detalhou o recorrente, inclusive o procedimento adotado para cada fato gerador, com o fornecimento inclusive da relação dos segurados apurados entre o cruzamento da RAIS e da GFIP, o que permitiria ao recorrente impugnar todos os fatos geradores apurados. Ainda com relação a nulidade arguida, importante observar que a autuação ocorreu dentro do prazo autorizado pelo referido MPF, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AIOP ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal foi suficientemente fundamentado, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição do lançamento, bem como o relatório DAD – descreve mensalmente e por competência os fatos geradores, e ainda o relatório de Documentos Apresentados – descreve todos os recolhimentos apropriados. Quanto a alegação de que o procedimento não foi devidamente encerrado pela fiscalização, entendo que a autoridade julgadora já afastou referido argumento, esclarecendo ao recorrente que o encaminhamento do Termo de Encerramento do procedimento fiscal junto com o AI via postal não fere a legislação. Não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, nem tampouco no fato de a autoridade fiscal, ter se baseado na RAIS para apuração da massa salarial para os meses em que não houve por parte da empresa a apresentação de folhas de pagamento. Dessa forma, o procedimento adotado pela autoridade fiscal seguiu o tramite correto, não existindo nulidade a ser declarada. Ao contrário do que argumentou o recorrente, o mesmo teria plena condição de indicar erros nas bases de cálculo por competência, guias não apropriadas, tendo em vista restar claro o procedimento adotado.. Dessa forma, bastaria a apresentação das folhas e contabilidade para descrever erros na base de cálculo apurada. Contudo, não identifiquei nos presentes autos, documentos hábeis a desconstituir o lançamento. Aliás, mesmo após ter a autoridade julgadora enfatizado o fato de inexistir cerceamento do direito de defesa, ou mesmo a inexistência de comprovação das alegações, não trouxe o recorrente qualquer fato novo, capaz de alterar aquele julgado: Vejamos trecho Conforme se observa na planilha RAIS X GFIP1, com 1567 páginas e constante do CD recebido pela Impugnante, o Auditor Fiscal discriminou por competência, todos os segurados incluídos nos levantamentos RA e RAl, com a identificação do NIT, nome do trabalhador, base de cálculo da GFIP, base de cálculo da RAIS, base de cálculo total e diferença entre a base de cálculo da RAIS e da GFIP, sendo possível, portanto, identificar quais foram os segurados empregados envolvidos no lançamento, e o procedimento utilizado pelo Auditor Fiscal para apurar a base de cálculo arbitrada para cada um dos segurados. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 8 13 Também em relação aos contribuintes individuais envolvidos nos levantamentos Cl e CI1 consta do CD recebido pela empresa cópias das telas extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, informando por competência, o nome do prestador de serviço, o CPF e a remuneração recebida (LEVCIDIRF). Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, insculpido no art. 5o , inciso LV da Constituição Federal de 1988, tem por finalidade possibilitar aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa e ao contraditório. Portanto, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, concluise que não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, sendo o presente Auto de Infração lavrado em obediência ao princípio da estrita legalidade, informando com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todas as normatizações sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. NULIDADE PELO ENCAMINHAMENTO do TEAF POR AR Ainda no que pertine a nulidade, por ter o Termo de Encerramento da Ação Fiscal sido encaminhado pelo correio juntamente com o AI, sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, razão também não confiro ao recorrente. Tendo a o AI sido encaminhada por via postal, junto com o TEAF não há qualquer nulidade. No mesmo sentido, posicionase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o auto de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECADÊNCIA Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponho a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 9 15 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Porém, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 07/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 08/10/2010, os fatos geradores não excluídos pela julgador a quo envolvem o período a partir de 11/2001, razão porque entendo correto o posicionamento adotado pelo julgador de primeira instância, não havendo decadência a ser declarada para os períodos subsequentes. No lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 07/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 08/10/2010, os fatos geradores ocorreram Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 entre as competências 06/2005 a 11/2008, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, não há decadência a ser declarada. Superadas as preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que restando comprovado serem devidas as contribuições pela procedência do AIOP, por consequência o mesmo encaminhamento deve ser dado ao AIOA. Por fim, os AIOP (PROCESSO 19515.003189/201009 PATRONAL, DEBCAD N. 37.171.5466), e 19515.003190/201025 – SEGURADOS, DEBCAD 37.171.5474), lavrados em relação aos mesmos fatos geradores, encontramse em julgamento nessa mesma sessão, sendo que a procedência dos mesmos, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória. Transcrevo abaixo a ementa do acordão referente a parcela patronal: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/05/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM RAIS Não tendo o recorrente durante o procedimento fiscal apresentado todas as folhas de pagamento e documentos contábeis relacionados aos fatos geradores, possível ao fisco efetivar o lançamento por meio de aferição indireta, utilizandose outros documentos que indiquem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo. ENCAMINHAMENTO DO TEAF E AI POR AR POSSIBILIDADE LEGAL Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 10 17 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. COMPENSAÇÃO – ALEGAÇÃO DE VALORES RETIDOS POR TOMADORA – AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Para que seja demonstrada a prestação de serviços não basta a apresentação de contrato de formação de consórcio para prestação de serviços, devendo a recorrente comprovar a efetiva prestação de serviços e retenção por meio da apresentação de registros contábeis. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA – APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 – APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL – RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 31/05/2009 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARGUMENTAÇÃO DESPROVIDA DE PROVAS IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSTITUIR O LANÇAMENTO.. A mera alegação de que os valores foram recolhidos de forma globalizada não possui o condão de desconstituir o lançamento, se o recorrente não demonstra suas alegações, muito menos faz prova por meio de apresentação de documentos. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Sendo constatado que o lançamento referese a diferença de contribuições apuradas por meio de aferição indireta pela não entrega de documentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Processo n. 19515.003190/201025 – SEGURADOS, DEBCAD 37.171.547 4), contribuições dos segurados empregados. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM RAIS Não tendo o recorrente durante o procedimento fiscal apresentado todas as folhas de pagamento e documentos contábeis relacionados aos fatos geradores, possível ao fisco efetivar o lançamento por meio de aferição indireta, utilizandose outros documentos que indiquem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 11 19 A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo. ENCAMINHAMENTO DO TEAF E AI POR AR POSSIBILIDADE LEGAL É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. COMPENSAÇÃO – ALEGAÇÃO DE VALORES RETIDOS POR TOMADORA – AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Para que seja demonstrada a prestação de serviços não basta a apresentação de contrato de formação de consórcio para prestação de serviços, devendo a recorrente comprovar a efetiva prestação de serviços e retenção por meio da apresentação de registros contábeis. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA – APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 – APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL – RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/11/2008 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARGUMENTAÇÃO DESPROVIDA DE PROVAS IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSTITUIR O LANÇAMENTO.. A mera alegação de que os valores foram recolhidos de forma globalizada não possui o condão de desconstituir o lançamento, se o recorrente não demonstra suas alegações, muito menos faz prova por meio de apresentação de documentos. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Sendo constatado que o lançamento referese a diferença de contribuições apuradas por meio de aferição indireta pela não entrega de documentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 12 21 Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. DO MÉRITO No recurso apresentado pelo recorrente, apesar de extenso, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal (em especial quanto ao arbitramento), argumentando que procedeu ao regular recolhimento de todas as contribuições devidas, tendo informado em GFIP todos os fatos geradores e que não foram considerados todos os créditos , tendo em vista ter prestado serviços de cessão de mão de obra, sujeita a retenção de 11%. Primeiramente, simplesmente alegar, ou mesmo repetir os argumentos já afastados pela autoridade julgadora não desconstitui o lançamento. Analisando detidamente o recurso apresentado, podemos dizer que o mesmo repete 95% das alegações da impugnação e digase, sem considerar que alguns parágrafos estão repetidos dentro do próprio recurso, apenas em tópicos diferentes trazidos pelo recorrente. No que pertine a entrega das GFIP, a autoridade fiscal deixou claro em seu relatório que a partir da versão 8.0 da GFIP a entrega de novos documentos apaga os documentos anteriores, só permanecendo no sistema a última GFIP encaminhada. Dessa forma, a autoridade fiscal não dispunha dos valores declarados anteriormente quando os fatos geradores foram apurados em documentos do próprio recorrente. Porém de posse da mesma, em confronto com a folha de pagamento e da RAIS (já que não apresentou documentos durante o procedimento fiscal), poderia o recorrente planilhar segurado a segurado, apontado erros seja da base de cálculo ou na própria indicação do fato gerador, o que não o fez. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Destacase aqui, que o contribuinte não rebateu os pontos trazidos na decisão de primeira instância para manutenção do lançamento, e em especial a incorreta entrega da GFIP que acabou ensejando a ausência de informações nos sistemas, gerando a presente autuação. No presente caso, ao entregar diversas GFIP com a mesma chave em uma mesma competência, o contribuinte excluiu aquelas entregues anteriormente, permanecendo no sistema informatizado apenas as informações da última GFIP entregue. Conforme informado no Relatório Fiscal, foram consideradas as informações das GFIP's constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil em 17/12/2009, data do início da ação fiscal, todas relacionadas em planilhas anexas ao Relatório Fiscal, constantes do CD entregue ao contribuinte. A empresa alega que entregou diversas GFIP's em atendimento a determinações do Judiciário Trabalhista, para informar valores relativos a reclamatórias trabalhistas, o que ocasionou a substituição das GFIP's nas quais havia informado todos os segurados. Notase, no entanto, que se a empresa tivesse entregue GFIP's de reclamatórias trabalhistas na forma estabelecida pelo Manual da GFIP, informando o código de recolhimento 650, e não 115 como fez, não haveria substituição de GFIP entregue anteriormente. Alega ainda a empresa que de acordo com as folhas de pagamento e guias de recolhimento juntadas à impugnação, comprova ter efetuado o recolhimento de todas as contribuições previdenciárias de forma correta, no entanto, não anexou aos autos, sequer por amostragem, qualquer folha de pagamento ou GPS por ela recolhida. Não cabe à Impugnante falar em violação ao princípio constitucional da legalidade, eis que o Relatório fiscal apresenta a situação fática e a fundamentação legal que sustenta o lançamento. Ressaltase que a não apresentação ou apresentação deficiente de documentos inverteu o ônus da prova, o que significa que é a Impugnante quem tem que comprovar e documentar seus argumentos naquilo que contradizem o Relatório Fiscal. QUANTO A MULTA IMPOSTA A multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias, assim, como a multa de ofício pela não comprovação do direito de compensação em GFIP. . Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Não há como reduzir a multa considerando os valores informados em GFIP, pois se assim os considerássemos não procederíamos nem mesmo ao lançamento, considerando que os valores declarados em GFIP, quando inexiste recolhimento integral geram uma cobrança automática. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 13 23 A autoridade fiscal não aplicou simplesmente multa mais gravosa em relação aos fatos geradores, posto que procedeu a comparativo da multa em relação a obrigação acessória e a principal nos termos da lei 11.941. Vejamos trecho do relatório fiscal: A multa foi aplicada no valor de R$ 980.776,15 (Novecentos e Oitenta Mil, Setecentos e Setenta e Seis Reais e Quinze Centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite equivalente a um multiplicador estabelecido em função do número de segurados da empresa e aplicado sobre o valor mínimo, de acordo com o art. 32, inciso I V , §5° da Lei 8.212/91 e art.284, inciso I I , do Decreto 3.048/99. O valor mínimo utilizado para aplicação da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 333 de 29/06/2010, publicada no Diário Oficial de 30/06/2010. O cálculo da multa encontrase no planilha constante do CD entregue ao recorrente ao termino da fiscalização: “Cálculo do AI 68"(CalcAI68l e CalcAI682), onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela omissão de fatos geradores em GFIP, sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. 6. Neste Auto de Infração constam as competências em que a aplicação das multas conforme legislação anterior a entrada em vigor da Medida Provisória 449/08 restou mais benéfica. Vejamos, como apreciou a autoridade julgadora os argumento quanto ao efeito confiscatório da multa. A multa foi corretamente aplicada, de acordo com o previsto no artigo 32, parágrafo 5o da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, acima transcrito, combinado com os artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com o valor mínimo atualizado pelo art. 8o , inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, publicada no DOU em 30/06/2010, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea " c " do CTN, conforme demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 29/32 e Planilha Cálculo AI 68, fls. 33/36: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 2003) (...) Art. 3 73. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, Portaria Interministerial MPS/MF n° 333/2010 Art. 8° A partir de Io de janeiro de 2010: (...) VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 14.317,78 (quatorze mil trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos); Da Multa de Mora Não aplicabilidade Não podem ser conhecidas as alegações da Impugnante referentes a multa de mora aplicada no presente lançamento. Conforme exposto no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foi aplicada penalidade prevista no art. 32, §5° da Lei n° 8.212/91 e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, não se tratando de multa de mora. Da mesma forma, quando identificamos no relatório fiscal a aplicação da multa, podemos verificar que procedeu a autoridade fiscal ao comparativo, aplicando não apenas no auto de infração de obrigação principal a multa mais benéfica, bem como procedendo a aplicação dos autos de infração pela omissão em GFIP – COD 68, 69 e 78, considerando competência a competência o cálculo da multa mais benéfica. A comparação se fará por competência nos seguintes termos: Legislação anteriora MP Multa CFL 68 (declarar GFIP com omissão e fatos geradores) e Multa de Mora de 24% (pelo não recolhimento) Legislação atual Multa de Oficio de 75% (art. 32 A da Lei no. 8.212/91, com redação alterada pela MP no.449/2009, convertida na Lei no. 11.941/2009, e artigo 44, inciso I, da Lei no. 9.430 de 27/12/1996) Segue anexo a este Auto de Infração CD contendo as seguintes planilhas que subsidiaram os levantamentos constantes deste Auto de Infração e dos demais que resultaram da fiscalização: "Comparativo Multa mais benéfica"(CompMulta1) e "Comparativo Multa mais benéfica Discriminado por Levantamento(CompMulta2)" , nas quais são demonstradas a multa mais benéfica a ser aplicada em cada competência. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 14 25 "Cálculo do Al 68"(CalcAI681 e CalcAI682), onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela omissão de fatos geradores em GFIP, sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. "Cálculo do Al 69(CalcAI69)", onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela informação inexata em GFIP não relacionada a fatos geradores de contribuições previdenciárias", sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. "Planilhas Levantamento RAIS(LEVRAI1 e LEVRAI2)", onde é possível verificar as bases de calculo levantadas e o respectivo desconto do segurado empregado, este último utilizado como base para levantamento no Auto de Infração relativo a parte descontada dos segurados; Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 15 27 Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, ou mesmo descumprimento dos princípios basilares do direito ao aplicalas na forma como fez o auditor, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja legalidade ou mesmo constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os dispositivos da Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência ou mesmo multa acessória pela não informação em GFIP, conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003185/201012 Acórdão n.º 2401002.929 S2C4T1 Fl. 16 29 não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SOBRE EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Quanto a exclusão dos corresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Corresponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, (exceto em relação a decadência) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.006760/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2004
CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS.
O Princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não há valor algum a ser creditado.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS.
Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento, material de consumo e de limpeza.
CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do dos combustíveis e da energia elétrica.
REFRATÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO.
O material refratário contido em revestimento de fornos desgasta-se de forma direta na produção, gerando direito ao crédito do imposto. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
PERFIS DE AÇO LAMINADOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os perfis de aço brutos, simplesmente laminados, não perfurados, ajustados ou reunidos por meio de rebites ou de pernos ou pinos, ou por soldadura autógena ou elétrica, ou seja, não trabalhados devem ser classificados na posição 72.16.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termo do voto do redator designado. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o Conselheiro Walber José da Silva, relator, que negava provimento. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios declarou-se impedida de votar. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado
EDITADO EM: 04/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia técnica que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2004 CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS. O Princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não há valor algum a ser creditado. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 67 60 /2 00 7- 57 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 357 2 Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento, material de consumo e de limpeza. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do dos combustíveis e da energia elétrica. REFRATÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. O material refratário contido em revestimento de fornos desgastase de forma direta na produção, gerando direito ao crédito do imposto. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. PERFIS DE AÇO LAMINADOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os perfis de aço brutos, simplesmente laminados, não perfurados, ajustados ou reunidos por meio de rebites ou de pernos ou pinos, ou por soldadura autógena ou elétrica, ou seja, não trabalhados devem ser classificados na posição 72.16. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termo do voto do redator designado. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o Conselheiro Walber José da Silva, relator, que negava provimento. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios declarouse impedida de votar. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado EDITADO EM: 04/03/2013 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 358 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa GERDAU AÇOMINAS S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre maio de 2002 e setembro de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a empresa: (i) deu saída a produtos com erro de classificação fiscal e de alíquota; (ii) lançou e utilizou crédito básico de insumos isentos e de alíquota zero de IPI; (iii) lançou e utilizou crédito na aquisição de produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem; (iv) incluiu no cálculo do crédito presumido o valor dos dispêndios com energia elétrica, combustíveis, GLP e outros produtos que não se enquadram no conceito de MP, PI e ME a que se refere a legislação do IPI. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: Intimado dos autos de infração em 30/05/2007 (fls. 09, 54 e 70), a autuada apresentou em 29/06/2007 a sua defesa, alegando inicialmente que, no que diz respeito à classificação dos perfis, reconhece parte do valor lançado. No que toca á glosa de créditos relativos a produtos adquiridos com alíquota zero, vem dizer que concorda com tal situação e aceita uma parte das glosas referentes ao materiais que efetivamente não se caracterizam como intermediários, tanto para efeito de crédito básico quanto do crédito presumido. Seu primeiro ponto de discordância se refere à classificação dos perfis de aço que produz. Alega que os perfis que produz não podem ser enquadrados na posição 7308, pois não são construções metálicas incompletas ou partes de construções metálicas. Vem dizendo ainda que: "Portanto, podese dizer que são PERFIS BRUTOS, que tal conto são vendidos pela Impugnante, SEMPRE NECESSARIAMENTE TERÃO QUE RECEBER UM PRÉVIO TRATAMENTO DE "INDUSTRIALIZAÇÃO" PARA SOMENTE ENTÃO PODEREM FAZER PARTE DE UMA CONSTRUÇÃO METÁLICA; TRATAMENTO ESTE, REPETESE, QUE NÃO É FEITO PELA IMPUGNANTE. Portanto, percebese desde já que os perfis da Impugnante NÃO são próprios para construções, dentro do conceito trazido pela própria Nota Explicativa da 73.08. E' dizer, da forma como são vendidos os perfis pela Impugnante, estes NÃO podem ser inseridos e nem fazem Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 359 4 parte de quaisquer construções metálicas, o que somente acontece após o recebimento de uma prévia industrialização que importante dizer é sempre feita na cadeia POSTERIOR à venda pela Impugnante, também sempre por outras indústrias, contratadas pelos clientes da Impugnante." Na intenção de reforçar seu posicionamento acerca da classificação de seus perfis, a Impugnante apresentou jurisprudência administrativa e um Parecer Técnico elaborado pela FUNDEP FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DE PESQUISA, da UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS/UFMG, que conclui pela não aplicabilidade da posição 73.08 aos perfis vendidos pela empresa, e sim da posição 72.16. Como a classificação fiscal adotada pela fiscalização decorreu da classificação adotada pela própria impugnante, quando da emissão das notas de saída, vem apresentado em sua defesa a seguinte justificativa: "Neste momento cumpre que seja dito que a classificação fiscal utilizada pela própria Impugnante nas notas fiscais de venda de seus perfis (qual seja, não a do Ex. 01 da posição 7308.9010, mas a da posição 7308.9010 propriamente dita) foi igualmente INDEVIDA, o que é justificado pelo fato de terem sido as primeiras vendas de perfis feitas pela Impugnante, cuja produção de perfis iniciouse exatamente no período objeto da autuação (2° semestre do ano de 2002)." Assim, vem argumentando que, na busca da verdade material, deve o órgão julgador apreciar as razões e provas trazidas aos autos, reparando o erro que ela própria cometeu ao classificar seus produtos no código 73.08 e acatar as conclusões do Parecer Técnico para classificar seus perfis na posição 72.16. Informa que a posição 72.16 tinha alíquota de 5%, à época do período autuado e como o EX 01 da posição 73.08 tinha alíquota de 10%, promoveu a reconstituição da escrita e o pagamento dos débitos resultantes considerando a diferença (5%), estando a controvérsia limitada a esta diferença. O segundo ponto de discordância se refere às glosas de crédito relativas às aquisições de produtos isentos. A discordância da impugnante é totalmente fundamentada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como na jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes , sobre o tema. Cita especialmente o resultado do julgamento, no Supremo, do RE n° 212.4842/RS que reconheceu o direito dos contribuintes de creditaremse do IPI relativos à insumos adquiridos com isenção. Como ocorreram glosas relativas a insumos isentos tanto no crédito básico quanto no presumido, utiliza os mesmos argumentos para atacar as duas glosas. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 360 5 A seguir vem trazer seus argumentos contrários as glosas de produtos que a fiscalização entendeu por não considerar como intermediários, no que se refere ao crédito básico. Inicia, neste ponto, sua defesa com extensa argumentação no sentido de afastar a aplicação das "limitações" impostas pelo Parecer Normativo CST n° 65/79 por considerálo ilegal e inconstitucional, já que cria obrigações que extrapolam o teor da lei e da Constituição. Continua sua argumentação informando que mesmo sob a ótica do Parecer Normativo CST n° 65/79 existem produtos, dentre aqueles que tiveram os créditos glosados, que respeitam o seu conteúdo, se enquadrando no conceito de material intermediário. Afirma que a fiscalização não levou em conta que a empresa produz e comercializa outros produtos, além do aço. Cita como exemplo o alcatrão, amônia, benzemo, coque e etc. Tal fato, no seu entender, teria provocado a glosa indevida de produtos que entram em contato físico com o alcatrão, amônia, benzemo, coque, etc e outros que não entrem em contato físico mas sofrem alterações como desgaste, dano ou perda de propriedade física ou química. Alega que a fiscalização não esteve na usina para verificar, de maneira direta e específica, a utilização dos produtos, sendo realizada apenas a análise de planilhas enviadas pela Impugnante. Ao final informa que está apresentando planilha dos itens impugnados, contendo a sua descrição e utilização no processo produtivo, o que, no seu entendimento, comprova a sua condição de material intermediário nos termos do Parecer Normativo n° 65/79. Arrematando pede a realização de perícia técnica com a finalidade de comprovar suas alegações, indicando assistente técnico e quesitos a serem respondidos. Dando continuidade a sua peça de impugnação passa a impugnante a se rebelar contra algumas das glosas que afetaram os cálculos do crédito presumido. Novamente inicia sua argumentação atacando o conteúdo do Parecer Normativo CST n° 65/79, querendo afastálo por considerálo ilegal e inconstitucional. No tocante a energia elétrica, GLP e combustíveis, traz argumentos específicos a estes itens de glosa, defendendo a sua caracterização como produto intermediário. Traz diversos julgados administrativos e judiciais como fundamento para a sua tese de defesa. Alega que os combustíveis são utilizados para geração de calor, sem o qual estaria inviabilizado todo o seu processo produtivo e Fl. 360DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 361 6 a energia elétrica é utilizada como força motriz, sendo também essencial ao processo industrial. No que tange ao GLP, vem alegando que este é utilizado para realizar cortes nos tarugos produzidos, assim como é utilizado para a retirada de defeitos antes do envio aos clientes das placas produzidas na laminação. Assim , conclui que este produto tem contato direto com o produto em fabricação, o que o caracteriza como produto intermediário definido no Parecer Normativo n° 65/79. Por fim, no intuito de demonstrar a incorreção das demais glosas realizadas no cálculo do crédito presumido, traz as mesmas alegações feitas quando intencionava demonstrar que os produtos excluídos pela fiscalização do crédito básico se enquadravam nos ditames do Parecer Normativo n° 65/79, pedindo ao final a realização de perícia para confirmação de suas alegações. Encerrada sua argumentação defensiva vem a impugnante requerer a desconstituição do crédito tributário impugnado, em face: "1) da correta classificação fiscal dos perfis da Impugnante ser a da posição 72.16: 2) de ser legitimo o creditamento extemporâneo presumido de IPI por aquisições de insumos ISENTOS; 3) de ser legitimo o creditamento extemporâneo de IPI crédito básico por aquisições dos produtos intermediários ora impugnados consumidos no processo produtivo da Impugnante; 4) de ser legitimo o creditamento de IPI crédito presumido de para ressarcimento de PIS/COFINS por aquisições dos produtos intermediários ora impugnados consumidos no processo produtivo da Impugnante." A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG julgou parcialmente procedente o lançamento, para classificar os perfis na Posição 7216, com alíquota de 5%, nos termos do Acórdão no 0932.669, de 19/01/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO DO IMPOSTO. INSUMOS ISENTOS. Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a não cumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos (ou não tributados, ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTO DE PRODUÇÃO. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 362 7 As aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo e combustíveis não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363/96, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. Não basta o "contato físico" com o produto em fabricação, ou com a matéria prima, para garantir o direito ao crédito do IPI. É preciso que ocorra o contato físico e, cumulativamente, que o consumo ou desgaste do insumo decorra de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, consumo ou desgaste esses indispensáveis ao processo produtivo (e não como circunstância acidental, ou, mais apropriadamente, incidental). PERFIS DE AÇO LAMINADOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os perfis de aço brutos, simplesmente laminados, não perfurados, ajustados ou reunidos por meio de rebites ou de pernos ou pinos, ou por soldadura autógena ou elétrica, ou seja, não trabalhados devem ser classificados na posição 72.16. PERÍCIA. DILIGENCIA. INDEFERIMENTO. Indeferemse os pedidos de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento â. legislação vigente. Ciente desta decisão em 03/01/2011 (AR de fl. 258), a interessada ingressou, no dia 31/01/2011, com o recurso voluntário de fls. 261/324, no qual renova os argumentos da impugnação quanto aos créditos de insumos isentos e de produtos intermediários e a inclusão no cálculo do crédito presumidos destes produtos, além do GLP, combustíveis e energia elétrica. Ainda no recurso voluntário levanta a preliminar de nulidade do acórdão recorrido por ter indeferido seu pedido de realização de perícia o que, no seu entender, caracteriza cerceamento do direito de defesa por ser peça fundamental para a apuração da verdade material. A recorrente apresenta suas contrarrazões ao recurso de ofício, que são as mesmas razões argüidas na impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 363 8 O recurso voluntário merece ser conhecido posto que tempestivo e atende aos demais requisitos legais. No recurso de ofício a lide versa sobre a classificação fiscal do produto fabricado pela recorrente (perfil), que ela deu saída com o código 7308.90.10 (alíquota 0%) e a Fiscalização entendeu que a classificação seria no “EX 01” do mesmo código 7308.90.10 (alíquota 10%). No acórdão recorrido a Turma de Julgamento acatou o argumento da recorrente de que o produto classificase na posição 7216, com alíquota de 5% (cinco por cento). O mérito do recurso voluntário versa sobre os seguintes temas: 1 creditamento de IPI, referente à aquisição de insumos isentos; 2 creditamento de IPI, referente à aquisição de produtos intermediários utilizados no processo produtivo créditos básicos; e 3 creditamento presumido de IPI/ressarcimento de PIS/COFINS, referente a produtos intermediários utilizados no processo produtivo (dentre eles GLP, combustíveis e energia elétrica). Preliminarmente, a recorrente defende a nulidade do acórdão recorrido por ter indeferido seu pedido de realização de perícia o que, no seu entendimento, caracteriza cerceamento do direito de defesa por ser a perícia requerida prova fundamental do direito alegado. Não merece prosperar a alegação da recorrente de que houve cerceamento do direto de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. A autoridade julgadora, para formar sua convicção, entendeu prescindível a realização da perícia solicitada pela recorrente, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto nº 70.235/72. Pelas mesmas razões e com os mesmos fundamentos da decisão recorrida, abaixo reproduzidos, entendo prescindível, para o deslinde da questão, a realização da perícia solicitada pela recorrente, acrescentado que no curso da fiscalização a recorrente teve a oportunidade de descrever seu processo produtivo e, tanto na impugnação como no recurso voluntário, poderia ter juntado a prova pericial que entende importante para o deslinde da questão. Ficou claro, então, que a impugnante não foi capaz de trazer ao processo um único elemento sequer que pudesse afastar de modo veemente a informação contida no auto de infração e em seus documentos anexos ou, ao menos, que possuísse um grau de veracidade a suscitar no julgador dúvida capaz de justificar a realização de perícia. Pelo exposto, é de se indeferir o pedido para realização de perícia, tendo em vista que os elementos constantes dos autos são capazes de formar a convicção do julgador. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 364 9 Voto, portanto, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada pela recorrente, e rejeito o pedido de realização de perícia, por prescindível ao deslinde da questão. Antes de adentrar no mérito da lide, devese registrar que falece competência legal ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para manifestarse sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Este entendimento está pacificado pela Súmula CARF no 2, abaixo reproduzida, razão pela qual não se conhece dos argumentos de ilegalidade ou inconstitucionalidade suscitados pela recorrente em sua contestação. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dito isto, examinase agora o mérito do recurso voluntário. Pelo relato, vêse que a recorrente está pleiteando o cancelamento do lançamento porque entende legítima a escrituração e o aproveitamento de crédito básico de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos. Portanto, a solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem isentos do IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a interpretação do princípio constitucional da não cumulatividade do imposto. A não cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, verbis: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;”. (grifo não constante do original) Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 365 10 Para atender à Constituição, o CTN estabelece, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI acrescido ao preço do insumo e destacado na nota fiscal de sua aquisição) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da não cumulatividade do IPI, prevista nos arts. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e 163 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial (ou equiparado) o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos adquiridos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei no 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;”. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem que não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, porquanto o sujeito passivo não arcou com ônus algum. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 366 11 o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (sequer lançamento houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. O crédito pleiteado pela recorrente é um crédito ficto, presumido, posto que ele não existe de fato. O mesmo não foi lançado nas notas fiscais de aquisição. Tanto é que a recorrente teve de “inventar” uma alíquota para calcular o total do crédito pleiteado. Comprovadamente, não há lei específica que autorize a recorrente a utilizar os créditos pleiteados e a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, ficto ou estimado, sem lei que autorize, conforme comando contido no § 6o do art. 150, que reproduzo: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (grifei) A utilização de crédito presumido, ficto ou estimado, que não foi lançado e nem cobrado na operação anterior, não é incompatível com a sistemática da não cumulatividade do IPI. Tanto é que na legislação do imposto, em harmonia com o preceito constitucional acima reproduzido, existe autorização para os contribuintes creditaremse de determinado valor que não é, de fato, imposto cobrado na operação anterior, a exemplo do previsto no art. 165 do RIPI/20021 A glosa do crédito efetuado pela autoridade lançadora, mantida pela decisão recorrida, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluindo o julgamento dos REs acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. 1 “Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto lei nº 400, de 1968, art. 6º).” Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 367 12 Como bem disse a recorrente, a matéria foi reconhecida pelo STF como de repercussão geral no RE 590.809/RS, que está pendente de julgamento do mérito que, quando acontecer e somente quando acontecer, vinculará as decisões deste Colegiado. Até lá, ante a ausência de sobrestamento de recursos sobre a matéria no próprio STF, tem o CARF obrigação de julgar os recursos dos contribuintes que tratam do crédito básico de IPI nas aquisições de insumos isentos do imposto. Quanto à jurisprudência trazida à colação pela defendente, além de superada, não dá respaldo à autoridade administrativa divorciarse da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. Não há, portanto, razões para reformar a decisão recorrida, nesta parte. É pacífico neste Colegiado2 o entendimento de que a aquisição de peças e partes de máquinas e equipamentos, material de consumo, de limpeza ou de manutenção de equipamentos não geram direito ao crédito básico do IPI. E não geram porque o art. 147 do RIPI/98 (art. 164 do RIPI/2002) ao dispor que se inclui no conceito de matériaprima e produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao produto novo, sejam consumidos no processo produtivo, salvo se se tratar de ativo permanente, na verdade, está admitindo como tal somente aqueles produtos que, ou se integram ao novo produto ou são consumidos no processo produtivo, o que não significa dizer que basta o produto não ser ativo permanente e ser consumido dentro da instalação industrial para ser incluído no conceito de produto intermediário. Além disto, este artigo corresponde ao art. 66 do RIPI/79, que, por sua vez, foi interpretado pelo Parecer Normativo CST nº 65/79, citado na decisão recorrida, segundo o qual: “... geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, ´strictosensu´, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Portanto, adotando o entendimento do referido parecer, que, aliás, é pacífico na jurisprudência deste Colegiado, não vislumbro que partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos e material de consumo, de limpeza ou de manutenção de instalações possam ser considerados matériaprima ou produtos intermediários, porque não exercem qualquer ação direta sobre o produto final ou integram máquinas ou equipamentos. No caso de peças de reposição, o contato eventualmente existente é da máquina ou do equipamento e não da peça que a integra. Esta não tem existência útil autônoma. 2 Recurso Voluntário nº 123.576 Acórdão nº 20177.675, de 16/06/2004 Recurso Voluntário nº 127.047 Acórdão nº 20178.510, de 06/07/2005 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 368 13 Vêse, portanto, que não há reparos a fazer no procedimento da Fiscalização que, à luz das informações prestadas pela recorrente sobre os produtos de sua fabricação, relacionou os produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, dos quais se destacam: MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: Correias transportadoras, bombas de líquidos, ventiladores, talhas, perfuratrizes, furadeiras, maçaricos, motores, caixas, lanternas manuais, luminárias, aparelhos de iluminação, rotor britador, filtro de ar; PRODUTOS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES: Kurita, dispersantes, coagulantes, anti espumantes; MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: Óleos, graxas, lubrificantes; MATERIAL ELÉTRICO DIVERSIFICADO: Lâmpadas, eletrodos, bobinas, fusíveis, disjuntores, relés, tomadas, fios e cabos elétricos, sensores, conduletes, conduítes, conectores, contatores; FERRAGENS: Brocas, parafusos, porcas, braçadeiras, correntes, grampos, acoplamentos, chapas de aço, trilhos, cantoneiras, discos, pinos cunhas, perfis, braçadeiras, cabos, arruelas, chavetas, estropos, buchas, alavanca de câmbio; PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: Mangueiras, pneus, rolamentos variados, amortecedores, engrenagens, juntas, buchas, mancais, retentores, pastilhas de freios, baterias, eixos, válvulas variadas, ventoinhas, ventiladores, adaptadores, anéis de borracha, calços, chavetas, filtros, gaxetas, grades, tubos, uniões, cunhas, discos, engates. Por óbvio, tais produtos não são MP, PI ou ME destinados à fabricação de perfil, alcatrão, amônia, benzemo ou coque a que se refere a legislação do IPI. Estes são os fundamentos que julgo oportuno acrescentar aos do acórdão recorrido, que ratifico e adoto como se aqui estivessem escritos, para manter a glosa dos créditos básicos e excluir do cálculo do crédito presumido feitos pela autoridade lançadora. Relativamente aos dispêndios com energia elétrica e combustível (incluindo o GLP), este Colegiado tem reiteradamente decidido no sentido de que a energia elétrica e os combustíveis não podem compor o cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, porque, legalmente, tais dispêndios não se classificam como matériasprimas ou produtos intermediários. Por esta razão, este CARF firmou jurisprudência no sentido de que os dispêndios com energia elétrica e combustíveis não integram o cálculo do crédito presumido do IPI, nos termos da Súmula CARF nº 19, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 369 14 em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Portanto, nesta parte não merece reforma a decisão recorrida. Sobre o recurso de ofício, também não vejo reparos na decisão recorrida porque, de fato, os perfis fabricados pela recorrente não são partes ou peças de construção metálica prontas para uso. Na posição 7308 estão os perfis próprios para construções de ferro e suas partes. Na posição 7216 classificamse os perfis de ferro de diversos tipos, simplesmente laminados, como é o caso do fabricado pela recorrente. Pelas informações técnicas do produto (perfil), constante do Laudo Técnico emitido pela FUNDEP, não há dúvidas de que a classificação correta dos perfis fabricados pela recorrente é na posição 7216, onde todas as alíquotas dos códigos desta posição são de 5% (cinco por cento). Portanto, também não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Apenas discordo do voto do eminente Relator em relação ao material refratário utilizado em fornos, pelas razões abaixo expostas. A Primeira Instância considerou que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 370 15 incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 371 16 Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 372 17 incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. No caso, os refratários que compõem os fornos e entram em contato com o produto fabricado desgastamse de forma direta e integral na produção e, ainda que acidentalmente, incorporamse ao produto fabricado. Notese que o desgaste de forma imediata deve ser considerado o desgaste direto, conforme antes esclarecido, e que o desgaste integral pode referirse a vários ciclos de produção e ainda não necessariamente implicar o desaparecimento por completo do material, mas sua redução a um estado em que não possa mais ser utilizado. Portanto, nos termos da jurisprudência antiga do Supremo Tribunal Federal acima citada e da adoção recente de sua base teórica pelo Superior Tribunal de Justiça, tais insumos classificamse como produtos intermediários e, portanto, geram direito de crédito. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito gerado por material refratário componente dos fornos, acompanhando o relator quanto às demais matérias (preliminares, demais matérias do recurso voluntário e recurso de ofício). (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.006760/200757 Acórdão n.º 3302001.954 S3C3T2 Fl. 373 18 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15563.000394/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Ano-calendário: 2003 a 2006 Ementa: DECADÊNCIA. CONFISSÃO PARCIAL DO DÉBITO EM DCTF. PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. Aplica-se o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN aos débitos relativos a períodos de apuração para os quais o contribuinte confessou, parcialmente, a existência de passivos a serem antecipadamente pagos, desde que inexistentes provas de fraude, dolo ou simulação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na imprestabilidade da escrita para apuração do lucro real, correta a exigência com amparo no lucro arbitrado. Conhecida a receita bruta, esta servirá à mensuração da base imponível, a teor do artigo 532 do Decreto nº 3.000/1999. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Hipótese excepcional não verificada no caso concreto.
Numero da decisão: 1101-000.812
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota Fonseca, e o Conselheiro José Ricardo da Silva, substituído pelo Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anocalendário: 2003 a 2006 Ementa: DECADÊNCIA. CONFISSÃO PARCIAL DO DÉBITO EM DCTF. PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. Aplicase o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN aos débitos relativos a períodos de apuração para os quais o contribuinte confessou, parcialmente, a existência de passivos a serem antecipadamente pagos, desde que inexistentes provas de fraude, dolo ou simulação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na imprestabilidade da escrita para apuração do lucro real, correta a exigência com amparo no lucro arbitrado. Conhecida a receita bruta, esta servirá à mensuração da base imponível, a teor do artigo 532 do Decreto nº 3.000/1999. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Hipótese excepcional não verificada no caso concreto. Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota Fonseca, e o Conselheiro José Ricardo da Silva, substituído pelo Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Manoel Mota Fonseca e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório O presente processo trata de autos de infração lavrados pela DRF de Nova Iguaçu/RJ (fls. 1563/1630), referentes a fatos geradores ocorridos entre 31.01.2003 e 31.12.2006. O crédito tributário formalizado, acrescido de encargos moratórios, compreende: TRIBUTO PRINCIPAL (R$) MULTA (%) FLS. Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 15563.000394/200863 Acórdão n.º 110100.812 S1C1T1 Fl. 2 3 IRPJ 2.043.671,23 75 1572 PIS 567.979,40 75 1588 COFINS 2.640.816,68 75 1624 CSLL 962.852,06 75 1607 Os lançamentos se basearam, basicamente, em omissões de vendas. A escrituração comercial (Livros Diário nº 002 a 006 e Razão nº 002 a 009) do contribuinte foi, inicialmente, cotejada com a fiscal (Livros Registro de Saídas nº 01 a 03 e Registro de Apuração do IPI nº 01 e 02), constatandose, com isso, diferenças substanciais entre os valores das receitas brutas declinadas, conforme demonstrativos de fls. 688/702 (fl. 1516, § 8 do Termo de Verificação Fiscal TVF). A interessada foi intimada a justificar ou a sanar as diferenças encontradas, mas não logrou fazêlo em tempo razoável, apesar de a Fiscalização ter consentido em prorrogar, por várias vezes, o prazo inicial. Pisese, nesse sentido, que a peticionária, embora notificada, originalmente, em 28.02.2008 (fls. 647/654), solicitou, já em 30.06.2008, a prorrogação do prazo, por mais 60 (sessenta) dias (fls. 703/707, §§ 9/15 do TVF). Considerandose a falta de justificativa ou de saneamento, em prazo hábil, e as expressivas omissões de receita constatadas – de 94,21% (noventa e quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento), 91,08% (noventa e um inteiros e oito centésimos por cento), 77,15% (setenta e sete inteiros e quinze centésimos por cento) e 38,96% (trinta e oito inteiros e noventa e seis centésimos por cento), nos anos calendário de 2003 a 2006, respectivamente –, a escrituração comercial foi considerada imprestável para a determinação do lucro real. (§§ 20/21 do TVF). O arbitramento foi feito com base na receita bruta conhecida, ou seja, aquela constante dos livros fiscais, compatível com a movimentação financeira do interessado e condizente com as informações de compras prestadas, por clientes, em suas respectivas DIPJ’s. (§ 22 do TVF). A interessada tomou ciência dos autos de infração em 11.07.2008 (fls. 1574, 1591, 1609 e 1626) e, em 11.08.2008, apresentou impugnações e documentos contra os lançamentos de IRPJ (fls. 1655/1678), COFINS (fls. 1679/1702), CSLL (fls. 1703/1726 e PIS (fls. 1727/1750), alegando, em síntese, o que segue: i) “o PERÍODO e o IMPOSTO FISCALIZADO NA MPF ORIGINAL FOI EXTRAPOLADO pelo Sr. Auditor, razão pela qual a exibição dos COMPLEMENTARES junto com o auto se fazia NECESSÁRIO. Tais documentos fazem parte do conjunto para POSSIBILITAR UMA DEFESA CORRETA (...). Sua ausência, portanto, provoca falha formal do documento e, por conseqüência, A SUA nulidade”; Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 ii) Não há demonstrativo de apuração, mas mera planilha sintética de valores entendidos como “imposto a lançar”; iii) Ao desconsiderar totalmente a contabilidade da empresa, aplicou o Fisco alíquota impositiva sobre base de cálculo inexistente; iv) A alegada base imponível foi identificada por meio de procedimento indireto. Tal fato deveria ter sido indicado, bem como sob qual fundamento legal, evitandose prejuízo à defesa, conforme artigos 614/617 da IN nº 100 do INSS; v) É ilegal a aplicação de juros SELIC para correção de créditos tributários. Sobre eventual valor mantido, deverseia aplicar juros legais de 1% (um por cento) ao mês; vi) Requerse, em tal cenário: a. a redução da multa punitiva, de 75% (setenta e cinco por cento) para 10% (dez por cento); b. a realização de prova pericial contábil; e c. a autorização para exibição ulterior de documentos. As impugnações contra os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS repetiram as alegações e os pedidos já apresentados na de IRPJ. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro / RJ I, ao analisar as peças impugnatórias, deu por deferilas em parte, reconhecendo de ofício a decadência dos lançamentos de IRPJ e de CSLL pertinentes ao 1º trimestre do anobase de 2003, de um lado, e das exigências de PIS e de COFINS atinentes aos meses de janeiro a maio do mesmo anocalendário, de outro. Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 15563.000394/200863 Acórdão n.º 110100.812 S1C1T1 Fl. 3 5 Assim restou ementado dito decisum: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE JUNTADA AOS AUTOS DOS MPF COMPLEMENTARES. A ausência, nos autos, dos MPF complementares não restringe o direito de defesa do interessado, uma vez que a motivação do lançamento encontrase nos próprios autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal que os acompanha. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS. Inexiste cerceamento de defesa quando se verifica que consta dos autos farto material em que se demonstra, detalhadamente, a forma de apuração dos tributos lançados. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE QUESITOS E DE QUALIFICAÇÃO DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de mencionar os quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA EXIBIR DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. Em regra, toda a prova documental deve acompanhar a impugnação, entretanto, caso o interessado pretenda apresentála posteriormente, deve observar o disposto no art. 16, §§ 4° ao 6°, do Decreto n° 70.23 972, com redação dada pela Lei n° 9.532/1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 Se não houver pagamento, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 BASE DE CÁLCULO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL IMPRESTÁVEL. Se o interessado, mesmo após receber prazo razoável, não atende intimação para sanar ou justificar diferenças expressivas de receita bruta registradas em sua escrituração fiscal e comercial, correta é a decisão de arbitrar o lucro com base na receita bruta conhecida. TAXA SELIC. VALIDADE DE SUA APLICAÇÃO NO CÁLCULO DOS JUROS MORATÓRIOS. Além de ter base legal e apoio jurisprudencial, a aplicação da taxa Selic obedece ao principio da isonomia. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins devem receber o mesmo tratamento dispensado ao lançamento de IRPJ, exceto se presente elemento relevante que justifique análise diversa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado desse aresto em 24.08.2009 (fl. 1871), o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1873/1883, mediante o qual se aduziram ilações similares às expostas nas impugnações pretéritas. É o relatório. Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 15563.000394/200863 Acórdão n.º 110100.812 S1C1T1 Fl. 4 7 Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele conheço. A fim de melhor expormos nosso voto, dividiloemos em tópicos temáticos, como segue: (i) Da decadência parcial dos lançamentos remanescentes Como relatado, o colegiado julgador de primeira instância declarou, de ofício, a decadência dos valores de IRPJ e de CSLL tocantes ao 1º trimestre de 2003, banda uma, e das cifras de PIS e de COFINS respeitantes aos meses de janeiro a maio de 2003, banda outra. Para alcançar essa conclusão, aplicaram aqueles delegados, escorreitamente, critério sedimentado por nossos tribunais judiciais superiores, segundo o qual deve ser cominado o critério do artigo 150, § 4º, do CTN aos casos em que o contribuinte tenha efetuado recolhimentos antecipados parciais de tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que inexistentes circunstâncias denotativas de dolo, fraude ou simulação. Baseado na constatação, no entanto, de que não procedera o sujeito passivo a qualquer recolhimento atrelado a períodos de apuração findos em 30.06.2003, consoante informações da correlata DCTF, transcrita à fl. 1843, a autoridade recorrida não estendeu os efeitos da caducidade ao IRPJ e à CSLL do 2º trimestre de 2003, primeiramente, e à PIS e à COFINS do mês de junho de 2003, segundamente, não obstante a ciência do AII tenha acontecido em 11.07.2008. Pois bem. É verdade que a ausência de pagamento antecipado impende à impingência do dies a quo estipulado pelo artigo 173, inciso I, do CTN, e não daquele previsto no artigo 150, § 4º, do mesmo diploma. Sucede, porém, que a DCTF do contribuinte, pesquisada pelos juízes recorridos, indicava, sim, dentre os débitos confessados, cifras tangentes à COFINS cumulativa (código de receita 2172) do mês de junho de 2003, equivalente a R$ 2.556,32 (dois mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e trinta e dois centavos). Não parece, portanto, existir a possibilidade de se deixar de reconhecer a caducidade do lançamento de COFINS referente ao citado período. A confissão de débito Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 parcial, passível de ser homologado ou não pela Fazenda, cumpre, a nosso ver, com o requisito essencial à aplicação do artigo 150, § 4º, do Codex. No que toca aos demais valores remanescentes, em todo caso, não tenho dúvidas do cabimento do mais gravoso cômputo de caducidade esculpido pela legislação complementar. Por isso, mantêlosei. (ii) Da nulidade decorrente da não juntada de MPF complementar Ainda em sede preliminar, a recorrente aduz suposta nulidade do auto infracional, derivada da ausência, nos autos, do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 07.1.03.00.2006009181, de índole complementar. Disso teria redundado, no entender da autuada, cerceamento de seu direito de defesa, haja vista o desconhecimento dos instrumentos que balizaram a fiscalização. Sobre o tema, a despeito dos contrários argumentos recursais, é cediço o entendimento, neste colegiado, de que o MPF constitui instrumento de controle gerencial da Receita Federal do Brasil. Noutros termos, referido Mandado nada mais é do que documento que formaliza, interna corporis, os trabalhos de fiscalização desenvolvidos pelo órgão fazendário. Desse modo, eventuais falhas ou omissões verificáveis, embora indesejáveis, não afetam a validade das autuações. Não se há de falar, ademais, em cerceamento de defesa, porquanto todos os elementos indispensáveis à compreensão dos lançamentos foram encartados aos autos. Vejamse, por pedagógicos, os seguintes julgados do CARF sobre a temática: “IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF AUSÊNCIA DE NULIDADE O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.” (Ac. nº 10516.209/2006) “NULIDADE DO LANÇAMENTO AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Eventual vício no MPF, ato administrativo de natureza interna da Secretaria da Receita Federal orientador das ações da fiscalização, não pode suprimir a competência outorgada, em face da lei, ao agente de fiscalização não tendo tal eventual vício, então, o condão Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 15563.000394/200863 Acórdão n.º 110100.812 S1C1T1 Fl. 5 9 de invalidar o ato de lançamento.” (Ac. nº 107 08.776/2006) Vale recordar, outrossim, que as hipóteses de reconhecimento de nulidade dos autos infracionais são estritas e específicas, forte nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada. Passemos ao mérito. (iii) Do arbitramento do lucro tributável No mais, a recorrente se insurge contra o procedimento arbitral posto a funcionar, tendente a mensurar o lucro tributável. Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 10 A eleição do mecanismo de arbitramento se deu, segundo consta do TVF de fls. 1515/1523, em função de os livros Diário e Razão do período denotarem valores de receitas brutas agudamente menores do que os importes consignados nos livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do IPI, conforme planilhas de fls. 688/702. A perscrutação da movimentação bancária da autuada, em conjunto com o estudo das DIPJ’s de seus fornecedores, levou à conclusão de que as importâncias dos últimos livros fiscais eram, de fato, as reais, em prejuízo daquelas indicadas pela escrituração eminentemente comercial. Por esse motivo, entendeu o i. fiscal lançador pela imprestabilidade dos livros Diário e Razão, subsumindo a situação fática à hipótese do artigo 530, inciso II, alínea ‘b’, do Decreto nº 3.000/1999: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real;” Ora, temos para nós que a conclusão fazendária é irretocável. Os indícios coligidos levaram à inquestionável apuração da inservibilidade dos livros comerciais, de utilização imperiosa na determinação do lucro real. Tudo o que pôde ser conhecido, a partir dos demais escritos fiscais, foi a receita bruta da autuada, informada pelos livros de apuração do IPI. O arbitramento, como se sabe, é medida extrema, que só tem espaço quando o Fisco não puder apurar o lucro real sob qualquer outra forma. In casu, a irrealidade dos dados encartados aos livros Diário e Razão, refletidas no LALUR e nos demais escritos fiscais, parece ser suficiente à caracterização dessa hipótese. Notese que a peça de Recurso Voluntário se limitou a tecer considerações genéricas acerca da irrealidade do lucro arbitrado. Buscouse, de mais a mais, descaracterizar o cabimento do procedimento de lançamento, sob a falsa premissa de que ele se calcara no instituto da “aferição indireta”, preconizada pelos artigos 614 e 615 da Instrução Normativa INSS nº 100/2003. Por impertinentes, devem esses argumentos ser afastados sumariamente. Pisado deve ser que o equívoco da recorrente é apenas a ela atribuído, uma vez que o artigo 530, inciso II, alínea ‘b’, do Decreto nº 3.000/1999 foi expressamente mencionado no TVF (fl. 1519) e nos AII’s (fl. 1575, dentre outras). Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 15563.000394/200863 Acórdão n.º 110100.812 S1C1T1 Fl. 6 11 (iv) Da apresentação intempestiva de documentos Por fim, batese a postulante pela possibilidade de apresentar, extemporaneamente, documentos que, alegadamente, debelariam os lançamentos. O pedido em foco se arrimaria, a princípio, no artigo 16, §§ 4º, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 16. Omissis. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1 997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluido pela Lei no 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida a autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997)" (grifo nosso).” Não nos parece, porém, que seja o caso. Como bem explanou o i. agente lançador, mais de 04 (quatro) meses se passaram entre o recebimento do Termo de Intimação Fiscal de fls. 647/654, entregue em 28.02.2008, responsável por perquirir explanações acerca das inconsistências escriturais noticiadas, e a resposta de fls. 703/707, datada de 30.06.2008, mediante a qual requereu a peticionária nova prorrogação de prazo, por mais 60 (sessenta) dias. Notório, ademais, é o fato de que, mais de 04 (quatro) anos depois, nada trouxe a recorrente a ilidir as autuações, embora pudesse ter adotado essa providência (mesmo que, eventualmente, pudessem os documentos não ser conhecidos). De toda maneira, é certo que os elementos instrutórios que o contribuinte poderia juntar não são de natureza tal que se fizesse impossível sua apresentação pretérita. Afinal, era dever do sujeito passivo manter, em ordem, a escrituração comercial, denotativa do lucro real tributável. Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 12 Frisese, outrossim, ser inadmissível a figura do chamado “arbitramento condicional”, consoante o qual poderseia tentar defenestrar o mecanismo arbitral por intermédio da entrega extemporânea dos livros e dos documentos contábilfiscais competentes. Assim já se posicionou esse conselho, em inúmeras situações: “ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos da escrituração contábil fiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex oficiou, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional.” (Ac. nº 180300.690/2010) “ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. A não apresentação de livro obrigatório é hipótese legal de arbitramento do lucro, para fins de incidência do IRPJ. A sua posterior apresentação, no curso do processo administrativo, não afasta a aplicação do regime de arbitramento, conforme reconhecido por pacífica jurisprudência administrativa.” (Ac. nº 180200.607/2010) Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, a fim de declarar a decadência da exigência de COFINS tocante ao mês de junho do anocalendário de 2003. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 10840.901148/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. LIMITES. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n. 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica-se, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 73 1 72 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.901148/200891 Recurso nº 502.268 Voluntário Acórdão nº 330201.629 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria Cofins Declaração de Compensação Recorrente SOCIL EVIALIS NUTRIÇÃO ANIMAL INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. LIMITES. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 74 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 43 a 67) apresentado em 25 de agosto de 2009 contra o Acórdão no 1424.561, de 15 de junho de 2009, da 1ª Turma da DRJ/RPO (fls. 35 a 40), cientificado em 17 de agosto de 2009, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins do período de 31 de maio de 2004, julgou a solicitação indeferida, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Inexistente o indébito tributário, não se homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo. ISENÇÃO. RECEITAS DE VENDAS. COFINS. A isenção prevista no art. 14 da MP n. 2.03725, de 2000, atual MP n. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Solicitação Indeferida A declaração de compensação foi transmitida em 22 de setembro de 2006 e inicialmente apreciada pelo despacho eletrônico decisório de fl. 4, que considerou não haver saldo para compensação. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) formalizada por intermédio do PGD PER/DCOMP, na qual o sujeito passivo utilizou crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins para extinguir débito da mesma contribuição, relativo ao período de apuração junho de 2004. Analisada referida DCOMP, foi expedido o Despacho Decisório de fl. 04 não homologando a compensação por inexistência do crédito, em razão de o pagamento efetuado em 15/06/2004, no valor de R$ 238.169,09, estar integralmente utilizado para quitação de débito da Cofins informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) pelo próprio sujeito passivo, conforme demonstrado no quadro 3 do referido despacho decisório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 75 3 Cientificado do despacho de não homologação, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que efetua vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para a Área de Livre Comércio, e que essas vendas seriam isentas da incidência da Cofins, em razão de tais operações, do ponto de vista fiscal, equivalerem a uma exportação para o estrangeiro. Argumentou que, estando referidas vendas isentas da Cofins, tem direito ao crédito decorrente dos pagamentos efetuados a essa contribuição, devidamente corrigido a partir do pagamento indevido, assim como sua utilização em compensação com débitos de demais tributos administrados pela RFB. Ao final, requereu o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação declarada. A primeira instância considerou, conforme ementa anteriormente reproduzida, que as saídas alegadas pela Interessada não seriam isentas. No recurso, a Interessada explanou a história dos benefícios fiscais concedidos às empresas na Zona Franca de Manaus ZFM, citando entendimento do STF e requerendo a atualização monetária dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A única matéria tratada no recurso é a isenção da Cofins das vendas efetuadas a empresas situadas na ZFM, causa do alegado recolhimento a maior em questão. Inicialmente, esclareçase que a falta de retificação de DCTF não é impedimento para a transmissão da DCOMP. Portanto, ainda que não tenha sido verificada a correta apuração dos valores pela Interessada, passase à análise do direito em tese. Em relação à matéria, adoto o entendimento do acórdão de primeira instância e os fundamentos do Acórdão 20308.988, RV 122.018, de lavra da Ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, cujo teor foi o seguinte: No que se refere às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 76 4 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, estabeleceu as condições para a concessão de isenção, assim dispondo: “Art.1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único . A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (...)”(grifouse) Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, em seu art. 1º alterou a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, para isentar da Cofins as receitas provenientes das hipóteses adiante mencionadas, determinando ainda no seu art. 2º que seus efeitos retroagissem aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 77 5 início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. “Art.1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1o de abril de 1992.” (grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, redefiniu no seu art. 14 as regras de desoneração da contribuição em tela nas hipóteses especificadas e revogou expressamente todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999. A respeito do instituto da isenção, deve ser lembrado que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 111, que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Não procede a argumentação da recorrente de que, para fins de isenção da Cofins, teria o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 78 6 exportação brasileira para o exterior. O referido dispositivo estabelece: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifouse) Sobre o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado que abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta no dispositivo suso transcrito, verbalizada na expressão seguinte: constante da legislação em vigor. De outro lado, essa equiparação não é absoluta, podendo ser mitigada para não alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda estender exclusivamente às exportações efetivas para o exterior. Para que não paire dúvida do aqui afirmado, basta dar uma espiada na norma inserta no artigo 7º do DecretoLei nº 1.435/1975, que se transcreve abaixo: “Art. 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do DecretoLei n o 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos DecretosLeis nº s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “drawback”. Vejase que o legislador, no dispositivo legal acima transcrito, restringiu o alcance da equiparação em comento para evitar que os incentivos específicos para a exportação, previstos nos diplomas legais enumerados nesse artigo 7º, fossem estendidos às remessas para a Zona Franca de Manaus. Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessa contribuição, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica da Cofins, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que a isenção não alcança as vendas efetuadas a empresas estabelecidas nessa área de livre comércio, como disposto no parágrafo único do artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Por seu turno, a discussão a respeito do art. 40 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, conforme dito preliminarmente, não será realizada por considerar que o contencioso administrativo não é o foro próprio e adequado para questionamentos de natureza constitucional. Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 79 7 Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Acatando a liminar concedida pelo STF, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14 que constava de suas edições anteriores. Assim, enquanto não julgada definitivamente, a ADIN apenas suspende a eficácia da incidência de Cofins sobre as receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus a partir da concessão de liminar pelo STF. Vale observar que o § 1º do art. 11 da Lei nº 9.868, de 1999 determina que “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa.” Para complementação do voto, adoto o entendimento do Acórdão 20401806, de lavra da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta: Portanto, os efeitos da liminar concedida não se aplicam aos períodos compreendidos entre janeiro a dezembro/97, primeiro em virtude dos efeitos ex nunc concedidos pelo Tribunal, e segundo porque a alteração normativa incidiu sobre a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Quanto à aplicação do disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 às vendas à ZFM, é de se observar que o referido dispositivo legal contempla apenas as operações de exportação e o CTN no seu art. 111, inciso II determina que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção. Assim sendo, não se pode estender os efeitos do disposto no referido art. 7º, bem como do disposto no DecretoLei nº 288/67, uma vez que naquele dispositivo consta expressamente que só diz respeito à legislação em vigor quando da sua edição, o que não é o caso dos autos. No que diz respeito ao PIS, mantémse as mesmas considerações tecidas para a Cofins sobre os efeitos da liminar concedida pelo STF em sede do ADIN nº 23489 e sobre a modificação normativa trazida pela Medida Provisória nº 203724, de 2000, bem como quanto à impossibilidade de se estender os efeitos do disposto no DecretoLei nº 288/67 ao caso dos autos. Alem disto é de se observar que a partir da edição da Lei nº 7714/88, as vendas efetuadas a empresas estabelecidas na ZFM não estavam isentas desta contribuição, pelo que dispôs literalmente o art. 5º, §2º, alínea “a” do referido dispositivo legal. “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10840.901148/200891 Acórdão n.º 330201.629 S3C3T2 Fl. 80 8 para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. “§ 1º Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) § “2º A Exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas:(Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Levre Comércio;” À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11020.002490/2005-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. - INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. PERCENTUAL
A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido sobre estoques de produtos destinados à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico e que não geraram crédito na aquisição, em razão de limitação legal, é de 1,65%.
CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA - VALORAÇÃO DO ESTOQUE - LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. RATEIOS. COMPROVAÇÃO.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da Cofins apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a comprovação efetiva dos rateios de absorção.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. COMPROVAÇÃO.
O direito de descontar créditos da contribui Cofins no regime não cumulativo está condicionada a efetiva comprovação de que os serviços foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais.
NORMAS PROCESSUAIS: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO
Na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento de matéria não suscitada na impugnação, quando se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, por preclusa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de estabelecer que no cálculo do crédito presumido sobre estoque, a alíquota a ser aplicada é de 1,65%.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. - INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. PERCENTUAL A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido sobre estoques de produtos destinados à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico e que não geraram crédito na aquisição, em razão de limitação legal, é de 1,65%. CRÉDITO PRESUMIDO - ESTOQUE DE ABERTURA - VALORAÇÃO DO ESTOQUE - LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. RATEIOS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da Cofins apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a comprovação efetiva dos rateios de absorção. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos da contribui Cofins no regime não cumulativo está condicionada a efetiva comprovação de que os serviços foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais. NORMAS PROCESSUAIS: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO Na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento de matéria não suscitada na impugnação, quando se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, por preclusa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002490/200580 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.793 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PIS NÃOCUMULATIVA RESSARCIMENTO Recorrente SAN MARINO ÔNIBUS E IMPLEMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. PERCENTUAL A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido sobre estoques de produtos destinados à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico e que não geraram crédito na aquisição, em razão de limitação legal, é de 1,65%. CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. RATEIOS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da Cofins apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a comprovação efetiva dos rateios de absorção. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos da contribui Cofins no regime não cumulativo está condicionada a efetiva comprovação de que os serviços foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais. NORMAS PROCESSUAIS: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 90 /2 00 5- 80 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 11 2 Na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento de matéria não suscitada na impugnação, quando se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, por preclusa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de estabelecer que no cálculo do crédito presumido sobre estoque, a alíquota a ser aplicada é de 1,65%. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho Decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos do mercado externo de PIS e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. O processo inicialmente continha pedidos de ressarcimento de créditos do mercado externo de PIS e de Cofins do 2º trimestre de 2005, entretanto de acordo com a informação de fls. 127, o pedido de ressarcimento de Cofins foi transferido para outro processo (11020.721178/200831), que se encontra a este apensado, permanecendo no presente apenas o pedido referente ao PIS. De acordo com o Relatório Fiscal, constatouse a existência de irregularidades na escrituração da empresa, a qual não oferecia suporte para o valor solicitado. Com relação ao cálculo de crédito presumido sobre o estoque de abertura, entende a fiscalização que “Quando da transição da incidência monofásica da contribuição para o ingresso no regime não cumulativo da Lei 10.865/04 em 01/08/2004, não houve mudança no limite previsto nos textos legais analisado” (sic). Inicialmente, a empresa aplicou os percentuais de 3% e 0,65% sobre o valor dos estoques existentes em 30/04/2004, apropriando os valores a partir de maio de 2004. Após estudo efetuado por empresa de auditoria contratada apropriouse do diferencial de alíquota de 7,6% e 1,65% respectivamente para Cofins e para o PIS. A interessada apurou também crédito presumido sobre o valor do ICMS que compunha o estoque de abertura em 30/04/2004. Ressaltou ainda a fiscalização que “os créditos presumidos de estoque de abertura não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação pois o art. 6º da 10.8333 dispõe que os créditos do art. 3º poderão ser passíveis de ressarcimento, mas não menciona os créditos do art. 12”. A fiscalização glosou ainda créditos sobre despesas com combustível, onde a empresa utilizou o rateio de “20% sobre o montante total dos gastos supostamente utilizados no processo produtivo”. Também não foram aceitos créditos oriundos de fretes internacionais indiretamente contratados. A empresa ao apresentar justificativa para apropriação deste direito indicou prestadores de serviços caracterizados como agenciadores meros prepostos dos armadores, estes os efetivos prestadores de serviços. Intimada a identificar o transportador e seu domicílio fiscal com indicação do CNPJ não apresentou elementos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 13 4 fundamentais para a qualificação deste direito, mesmo após prorrogação de prazo. A fiscalização apurou divergências nas informações referentes às receitas de exportação, o que resultou na elaboração de demonstrativo (fls. 101/102 do processo 11020.002490/200580) com recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno e externo. Confeccionou o demonstrativo de fls. 107 (processo 11020.002490/200580), onde especifica os valores que não são passíveis de creditamento e o valor passível de ressarcimento com base no art. 6º da Lei 10.833/2003. A interessada insurgese tempestivamente contra o deferimento parcial de seu pleito. Defende a possibilidade de creditamento dos valores referentes ao crédito presumido do estoque de abertura. Relata que com o advento das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, por força de disposições contidas nos referidos dispositivos legais, receitas sujeitas ao regime monofásico restaram excluídas da apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a Cofins. Acredita que a Lei nº 10.865/2004 teria extinguido o regime monofásico e instituído o regime não cumulativo das contribuições, com aplicação de alíquotas diferenciadas para o cálculo do crédito presumido do estoque de abertura. Afirma que por opção exercida desde 1º de maio de 2004, deixou de apurar a contribuição pelo regime monofásico e ingressou na sistemática da não cumulatividade. Defenda a aplicação dos percentuais de 7,6% e 1,65% no cálculo do crédito presumido sobre estoques respectivamente para o Cofins e para o PIS, citando como fundamento legal os §7º e §9º do art. 12 da Lei nº 10.833/2003 e os §7º e§9º do art. 11 da lei 10.637/2002. Alega ser passível o cálculo de crédito presumido sobre o montante do ICMS que compunha o valor dos estoques de abertura. Cita a IN SRF nº 404/2004 a qual teria determinado em seu art. 8º que o ICMS pode ser computado no cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura. Argumenta não existir legislação vedando o ressarcimento do crédito presumido sobre o estoque de abertura. No que tange ao crédito sobre despesas com combustíveis relata ser pessoa jurídica que se dedica a atividades de transporte, comprando combustíveis que servem a diversas finalidades, entre elas, a utilização na produção no teste dos ônibus antes de saírem da empresa. Afirma que 20% dos combustíveis adquiridos são utilizados no processo produtivo, como insumos. Defende a possibilidade de creditamento dos valores pagos a título de transporte internacional, afirmando que são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e que são indispensáveis à perfectibilização da venda dos produtos por ela industrializados. Acredita que não se aplicaria no caso presente a vedação ao creditamento imposta pelo legislador ordinário no §2º, II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, haja Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 14 5 vista que tal proibição cingese aos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Transcreve ementas de Soluções de Consulta proferidas pela DISIT da 6ª E 10ª Regiões Fiscais. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, considerando definitiva na esfera administrativa a matéria não expressamente contestada, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA – TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA – POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO – PERCENTUAL – As empresas que fabricam produtos sujeitos a incidência monofásica e ingressaram na sistemática da não cumulatividade têm direito ao cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura. Como regra geral deve ser aplicado o percentual de 0,65% para o PIS e 3,0% para a Cofins. Entretanto, se a pessoa jurídica já apurava essas contribuições no regime da não cumulatividade em relação a parte de suas receitas, deve calcular créditos sobre o valor da parcela de seu estoque relativa aos insumos que não geraram créditos na aquisição, por serem destinados à fabricação de produtos sujeito à incidência monofásica e, nesse caso, o percentual a ser plicado no cálculo do crédito presumido será de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO – ESTOQUE DE ABERTURA O valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido previsto no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002. COMBUSTÍVEL – TESTE DE VEÍCULO – INSUMO – IMPOSSIBILIDADE O combustível utilizado para o teste de veículos prontos não caracteriza insumo do processo produtivo não sendo possível o crédito sobre essa despesa. CRÉDITOS – REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO – NÃO ATENDIMENTO Necessário que sejam atendidos todos os requisitos estabelecidos pela legislação para que seja concedido o crédito solicitado pela empresa. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA – A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que não merece prosperar o entendimento da decisão recorrida. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 15 6 Quanto ao crédito presumido sobre o estoque de abertura, relata que no acórdão recorrido consta que quando do ingresso da sistemática da não cumulatividade, como regra geral o percentual a ser aplicado sobre o valor do estoque de abertura é de 0,65% para o PIS e 3% para Cofins. Entretanto, caso a pessoa jurídica já apurasse parte de suas receitas pela sistemática da não cumulatividade anteriormente a 31/07/2004 ou 30/04/2004, caso da opção antecipada, o percentual a ser aplicado sobre a parcela do seu estoque relativa a insumos seria de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins. Discorda dessa tese do acórdão recorrido, pois o regime não cumulativo já existe para o PIS desde dezembro de 2002 e para a Cofins desde fevereiro de 2004, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. E a partir de então os fornecedores de insumos da ora recorrente passaram para esse regime, consequetemente, a recorrente já adquiria insumos com as alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins, ou seja, os insumos adquiridos já foram tributados nas etapas anteriores pelas alíquotas já vigentes da não cumulatividade. Além do mais, o parágrafo 9º do artigo 12 da Lei nº 10.833/03 para a Cofins e o artigo 11 da Lei nº 10.637/02 já dispunham pela aplicação da alíquota de 7,6% e 1,65% na abertura do estoque, mesmo que de aquisições de produtos que não geraram crédito na entrada por serem destinados, originalmente, para o regime monofásico. No que se refere a inclusão do ICMS que compunha o valor dos estoques de abertura, não merece subsistir a alegação da fiscalização, segundo a qual tais valores não devem compor o cálculo do crédito presumido. Traz como suporte legal ao seu direito a Instrução Normativa SRF nº 404/04. Em relação aos créditos sobre despesas com combustíveis, sustenta que eles devem ser enquadrados no conceito de insumos, pois durante o processo de produção até a comercialização e exportação dos reboques, semireboques, ônibus, caçambas para acoplagem em caminhões, peças e acessórios para veículos, entre outros, a empresa utilizase de combustíveis para testes em todos os ônibus e demais veículos, antes destes saírem da empresa, ou seja, antes de encerrado o processo produtivo. Informa que os testes realizados pela empresa são exigências feitas por lei. No sentido de que os citados combustíveis se enquadram no conceito de insumo, cita Leis, Solução de Consulta, Instrução Normativa, Constituição Federal e jurisprudências administrativa e judicial. No que tange as glosas trazidas pela fiscalização referentes aos créditos provenientes das despesas com Fretes Internacionais sustenta que tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e estão isentos das Contribuições ao PIS e Cofins por força do disposto na Medida Provisória nº 2.15835/2001 em seu art. 14, §1º, inc. VII. Reafirma que o “Armador” (gerenciador de frete) é figura essencial nas atividades exportadoras da empresa. Aduz que segundo o disposto no §3º do art. 3º da Lei 10.833/03 “as despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoas jurídicas domiciliadas no País” ensejam direito ao creditamento de Cofins calculado “em relação ao frete nas operações de venda”. Sustenta a inaplicabilidade da vedação ao creditamento trazida pelo legislador ordinário no §2º, II, do art. 3º nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 – por meio dos quais a Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 16 7 possibilidade de desconto de créditos restringese aos casos em que ocorra o efetivo pagamento das Contribuições ao PIS/Cofins – haja vista que referida proibição cingese aos bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços, na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Colaciona doutrina e Soluções de Consulta sobre essa matéria. Em relação ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno e externo, discorda do entendimento do acórdão recorrido que considerou essa matéria não impugnada. Ressalta que ao apresentar a manifestação de inconformidade, impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, conforme a parte final do pedido. De forma genérica, sem questionar de forma específica os cálculos, com base no princípio da verdade material, requer a reapreciação deste ponto pela instância superior. Por fim, requer que fosse dado provimento ao seu recurso voluntário para reconhecer a legitimidade do crédito presumido sobre o estoque de abertura, crédito sobre despesas com combustíveis e fretes internacionais, considerado como impugnado o recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno e externo. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as matérias serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Crédito presumido do estoque de abertura Esta controvérsia tem por objeto o valor do percentual a ser aplicado sobre o estoque de abertura. A decisão “a quo” entendeu que este percentual é de 0,65% para a contribuição PIS, tendo em vista que não há nos autos prova de que a autuada já estivesse submetida ao regime da não cumulatividade para parcela de suas receitas anteriormente a 01/05/2004. Por seu turno, a recorrente sustenta que já adquiria insumos com as alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins, ou seja, os insumos adquiridos já foram tributados nas etapas anteriores pelas alíquotas já vigentes da não cumulatividade. Além disso, argumenta que o parágrafo 7º do artigo 11 da Lei nº 10.833/03 para a contribuição PIS já dispunha pela aplicação da alíquota de 1,65% na abertura do estoque, mesmo que de aquisições de produtos que não geraram crédito na entrada por serem destinados, originalmente, para o regime monofásico. Nesta matéria, também assiste razão à recorrente O art. 11 da Lei nº 10.637/2002 (e alterações) disciplina o direito de desconto correspondente ao estoque de abertura: Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo o § 1o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 18 9 § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o e 7o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 4o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 5o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 6o As disposições do § 5o não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 7o O montante de crédito presumido de que trata o § 5o deste artigo será igual ao resultado da aplicação do percentual de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque, inclusive para as pessoas jurídicas fabricantes dos produtos referidos no parágrafo único do art. 56 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Como visto, o § 5º reconhece que o direito ao crédito aplicase aos estoques de produtos destinados, que não geraram crédito na aquisição em razão de limitação legal (§§ 7° a 9°do art. 3° da Lei n° 10.637/2002), à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico. A partir de uma interpretação sistemática com outros dispositivos, em especial o princípio da não cumulatividade, e do exame dos elementos comprobatórios, verificase que sobre o estoque de abertura a empresa não havia descontado créditos porque grande parte de suas receitas estavam submetidas ao regime de incidência monofásica. Com efeito, a recorrente não pode ser prejudicada pelo fato de que não é possível apurar o valor exato das receitas que estavam submetidas ao regime monofásico. Esta apuração se mostrou inviável em razão de que a autoridade fiscal não juntou aos autos administrativos os respectivos DACONs. Destarte, no caso vertente aplicase o §7º do art. 11 da Lei nº 10.833/2003 que estabelece o percentual de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. De sorte que não se compartilha com o entendimento da decisão de primeira instância de que o percentual deverá ser de 0,65%, tendo em vista que não há nos autos prova Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 19 10 de que a autuada já estivesse submetida ao regime da não cumulatividade para parcela de suas receitas anteriormente a 01/05/2004. O ônus da prova neste caso é da administração fazendária, que por ocasião da glosa não mencionou este requisito. Não se pode inovar no julgamento. Em suma, no cálculo do crédito presumido sobre estoque, a alíquota a ser aplicada é de 1,65%. 2 Inclusão do ICMS no valor do estoque de abertura Essa matéria têm como ponto controvertido o direito de incluir o ICMS no valor de estoque de abertura. Com razão a autoridade fiscal no sentido de que os valores de ICMS quando recuperáveis não integram os valores do estoque, conforme será demonstrado. Em oposição a essa tese, a recorrente sustenta o direito ao crédito presumido com base no art. 8º, § 3º da Instrução Normativa SRF nº 404/04, que dispõe: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. (...)(grifouse) Este dispositivo tem que ser interpretado restritivamente, isto é aplicase somente as aquisições efetuadas no mês, não abrangendo a apuração do crédito presumido da contribuição PIS calculado sobre o valor do estoque de abertura. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 20 11 O cálculo do crédito presumido tem regramento próprio, a exemplo do artigo 69 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, e suas alterações, e art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 404/04, abaixo transcritos: Art. 69. A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido que adotar o regime de tributação com base no lucro real, na hipótese de, em decorrência dessa opção, sujeitarse à incidência não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens, quando adquiridos para revenda ou utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços que geram direito ao aproveitamento de crédito, na forma do art. 66. § 1º Para calcular o valor do crédito presumido de que trata o caput, devese: I apurar o valor dos estoques de mercadorias, matériasprimas e de produtos acabados ou em elaboração, bem assim dos serviços utilizados, na forma do inciso I do art. 66; e (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II – aplicar ao valor apurado, na forma do inciso I deste parágrafo, o percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento). § 2º O crédito presumido calculado segundo o § 1º será utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data em que adotado o lucro real. § 3º Para efeitos deste artigo, a pessoa jurídica deverá realizar o inventário e valorar o estoque segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda, fazendo os devidos lançamentos contábeis, na data em que adotar o regime de tributação com base no lucro real. (...) Art. 26. A pessoa jurídica sujeita a incidência da Cofins não cumulativa, tem direito aos créditos previstos no art. 8º, referentes ao estoque de bens de que trata o seu inciso I, existentes em 1º de fevereiro de 2004, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado na forma do disposto no § 1º será utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir de 1º de fevereiro de 2004. § 3º O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 21 12 Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolado os limites traçados na respectiva lei. A norma é explícita no sentido de que o estoque deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda. Assim, como bem assentado pela decisão recorrida, a glosa da fiscalização é procedente, visto que não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal, conforme o disposto no art. 289 do Decreto 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. Em outras palavras, as instruções normativas acima delimitaram o crédito presumido, de sorte que o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o custo do estoque, segundo a Legislação do Imposto de Renda acima citada. Não se pode perder de vista que a administração fazendária deu ampla publicidade a essa tese, conforme consta nas instruções para preenchimento do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Mensal, versão 1.0 (Dacon Mensal 1.0), aprovadas pela Instrução Normativa SRF n° 669, de 11 de agosto de 2006: Linha 16A/19 Crédito Presumido Relativo a Estoque de Abertura... Atenção: ... e) Os valores do ICMS e do IPl, quando recuperáveis, não integram o valor dos estoques a ser utilizado como Base de Cálculo do Crédito Presumido, em observância à Legislação do Imposto de Penda”. (grifouse) Em suma, em relação a essa matéria, não merece reparo a decisão recorrida. 4 Créditos sobre despesas com combustíveis A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos sobre despesas com combustíveis e lubrificantes. Nesta matéria a primeira controvérsia é se os combustíveis utilizados para testes enquadramse no conceito de insumo. A decisão a quo entendeu que o combustível utilizado no teste de veículos não obedece ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, uma vez que foi aplicado ou consumido após o processo de fabricação. A legislação de regência, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações posteriores, estabelecia: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 22 13 a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) (grifouse) Deste modo, para descontar créditos, é necessário que os insumos adquiridos sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que, de fato, os combustíveis e lubrificantes são aplicados no processo produtivo. O veículo somente está pronto para o consumo após os testes exigidos por lei, in casu, o Código de Trânsito Brasileiro. Em síntese, os combustíveis e lubrificantes utilizados nos testes dos veículos configuram insumos, visto que são consumidos diretamente no processo fabril. Superada essa controvérsia, examinase os elementos comprobatórios. A propósito, constatase que não há discussão em relação ao direito de descontar créditos com as aquisições de combustíveis. A fiscalização tãosomente não aceitou Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 23 14 o critério de rateio de custos utilizado pela recorrente. Confirase o posicionamento da autoridade fiscal: Entretanto no que pesem a argumentação legal ou a existência efetiva dos gastos à forma sugerida e acolhida pela empresa para efetuar o cálculo do encargo, não é alcançada pela legislação que rege a matéria, bem como, não obedece aos princípios contábeis normalmente aceitos. Apropriações de créditos por meios de rateios de custos, neste caso, “20% sobre o montante total dos gastos supostamente utilizados no processo produtivo”, dos insumos utilizados tanto na produção como em outras atividades não ligadas diretamente ao processo produtivo e a constatação de utilização deste produto por mais de uma empresa, são elementos suficientes para desconsideração dos créditos a que o contribuinte faria jus. (grifo do original) Neste aspecto, a autoridade fiscal tem razão, a recorrente não comprovou de forma satisfatória que 20 % das aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizados nos testes dos veículos. Não existe a contabilização dessas aquisições como custo de produção. Os rateios de absorção devem ser efetivamente comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis por veículos etc. É importante ressaltar que, quanto à comprovação do direito de descontar créditos, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na manifestação de inconformidade, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito de descontar créditos, todavia limitouse a invocar seu direito. Destarte, além de não apresentar a efetiva contabilização como custos, verificase que a recorrente não colacionou tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário sequer um demonstrativo de cálculo do percentual de gastos de combustíveis com testes. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 24 15 Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que tem o direito de descontar créditos, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Não se pode perder de vista que a contabilização como custo de produção ou despesa repercute na apuração de outros tributos, especialmente na apuração do IRPJ e da CSLL. Em remate, mantémse a glosa da fiscalização porque a recorrente não comprovou de forma adequada o percentual das aquisições de combustíveis e lubrificantes que são utilizadas no processo produtivo. 4 Fretes Internacionais A recorrente não se conforma com a glosa da autoridade fiscal em relação aos créditos decorrentes das despesas com fretes internacionais. Nesta matéria as alegações da recorrente são insubsistentes. Como bem assentado pela decisão da DRJ, não se discute o direito a créditos decorrentes de fretes internacionais. A questão se resume na comprovação dos fretes. Sobre esta matéria, confirase o relato da fiscalização: Solicitada à empresa justificativa para apropriação deste direito, esta apresentou inicialmente relatório com identificação dos prestadores dos serviços caracterizados como agenciadores meros prepostos dos armadores, estes os efetivos prestadores dos serviços, conforme doc. anexo à folha nº 95, valores oriundos e componentes do estudo “DELOITTE”, conforme planilha anexa (fl. 96). Intimada à empresa em 28/12/2007 (doc. fl.54/55), para a identificação do transportador e seu domicílio fiscal, com indicação do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) em atendimento ao Art. 3º, § 3º, II, após pedido de prorrogação em 04/01/2008 (doc. fl.58/59), esta não apresentou os elementos fundamentais para qualificação deste direito, e, portanto excluídos da base para apuração dos créditos nos respectivos períodos de competência. Enquanto a recorrente sustenta que os fretes internacionais não se constituem em insumos, a legislação dispõe ao contrário, pois há impossibilidade de creditamento em face do disposto no parágrafo §3º, inciso I, do art. 3º da Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) Fl. 286DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 25 16 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Ademais, colhese do recurso que a recorrente cita duas soluções de consulta que respaldam o entendimento acima. Na Solução de Consulta 101/2007 não é aplicável a vedação ao direito de crédito prevista no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/03, ou seja, dispositivo distinto do apresentado neste voto condutor. Por outro lado, a Solução de Consulta 28/2007 é explicita no sentido de que não há previsão legal para descontar créditos sobre despesas com frete internacional quando o transporte for contratado e pago a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Desta forma, o requisito essencial para se ter o direito de descontar créditos com fretes internacionais é a comprovação de que os serviços foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais. Embora intimada a comprovar este fato, a recorrente em diversas oportunidades, durante a ação fiscal, na apresentação da manifestação de inconformidade e na interposição do recurso voluntário, deixou de apresentar os documentos comprobatórios hábeis e idôneos que sustentariam o seu direito. Não há nos autos quaisquer documentos que respaldam a tese da recorrente de que os fretes foram pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País. Pelo contrário, o relato da autoridade fiscal sinaliza de que somente o agente do transportador tem domicílio no País. Em suma, mantémse a glosa da fiscalização. 5 Recálculo de índices Em relação ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno e externo, a interessada, com fundamento no princípio da verdade material, discorda do entendimento do acórdão recorrido que considerou essa matéria não impugnada. Ressalta que ao apresentar a manifestação de inconformidade impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, conforme a parte final do pedido. Ocorre, todavia, que essa alegação não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio e que não foi suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade. De fato, na manifestação de inconformidade não há qualquer questionamento em relação ao rateio utilizado pela autoridade fiscal. Neste sentido, a decisão recorrida de forma acertada considerou que a recorrente não se manifestou expressamente a respeito desse ponto e considerou a matéria definitiva na esfera administrativa, nos termos do 17 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, o cálculo de índices relativos de receitas de mercado interno e externo não foi enfrentado em primeira instância. Assim sendo, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento desta matéria por preclusa, nos termos do art. 16, inciso III e art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002490/200580 Acórdão n.º 3801001.793 S3TE01 Fl. 26 17 Além do mais, no recurso voluntário apresentou alegações genéricas, isto é, não apontou eventuais erros nos cálculos dos índices. Desta forma, as alegações genéricas sem maiores fundamentos ou demonstração de equívocos nos cálculos, não merecem acolhidas por essa instância julgadora. 6 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial para estabelecer que no cálculo do crédito presumido sobre estoque, a alíquota a ser aplicada é de 1,65%. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901239/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 01 23 9/ 20 09 -1 9 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.901239/200919 Resolução nº 3801000.490 S3TE01 Fl. 134 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A interessada contesta a decisão administrativa alegando que no Despacho Decisório os valores pagos pelo DARF foram alocados para os valores informados em DCTF como devidos do tributo, não havendo valores para serem utilizado para a compensação pleiteada, mas que estes valores informados em DCTF estariam errados e foram retificados após a ciência do ato decisório, estando mencionado também na DIPJ, devendo a retificação da DCTF ser aceita e homologada a compensação pleiteada. A DRJ em Porto Alegre (RS), às fls. 23/25, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 32/34, no qual alega , na essência, que o valor declarado como crédito no PERDCOMP, no montante de R$ 17.991,04, não seria um pagamento indevido ou a maior mas sim, o total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2004. Alega ainda ter declarado em sua DIPJ 2005, original, a compensação deste valor em dezembro/2004, que apresenta o valor de R$ 94.555,68 como líquido de COFINS devido para esta competência, cujo pagamento efetuado em 14/01/2005 foi de R$ 112.546,72. Tal fato restaria configurado a partir dos respectivos lançamentos contábeis e da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.901239/200919 Resolução nº 3801000.490 S3TE01 Fl. 135 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2004 e deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2004. Tal crédito teria sido mencionado na DIPJ 2005, ficha 25 linha 35 e no Dacon do 4° trimestre de 2004, ficha 07 linha 29.Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/04. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou ao Recurso Voluntário cópia dos lançamentos contábeis no Livro Razão e cópia da DIPJ 2005 anocalendário 2004 com recibo de entrega de n° 34.05.33.49.14 datado de 15/06/2005. Segundo consta, houve um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de dezembro/2004, recolhido em 14/01/2005, no montante de R$ 112.546,72, quando o valor devido seria de R$ 94.555,68, gerando um crédito de R$ 17.991,04. Este valor teria sido declarado na DCTF do 4° trimestre de 2004, retificada posteriormente à ciência do Despacho Decisório, gerando o recibo de entrega n° 19.47.25.36.2230, conforme informação da recorrente à fl. 02. Esta diferença seria equivalente ao total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2004 e que foram deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2004. Tal informação é ainda corroborada pela DIPJ 2005, transmitida em 15/06/2005, conforme consta na Ficha 25, com cópia à fl. 114 e pelos lançamentos contábeis na Ficha Razão da conta contábil código reduzido 906 classificação 01.1.3.7.08COFINS A RECUPERARLEI 9430/96 às fls.588 do Livro Razão Ativo Janeiro a Junho de 2005, com cópia à fl. 51. O art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata da retenção na fonte de valores relativos aos pagamentos feitos por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, dispõe que tais valores retidos seriam considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação as respectivas contribuições, podendo ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições de mesma espécie, devidas relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. Numa analise perfunctória, em face do que consta dos autos, o contribuinte efetuou o recolhimento dos valores sem considerar as deduções, que foram informadas na DIPJ, caracterizandose assim um pagamento a maior. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.901239/200919 Resolução nº 3801000.490 S3TE01 Fl. 136 4 Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar das alegações da recorrente terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Verifico ainda que não consta nos autos alguns dos documentos citados pela recorrente para embasar seu direito, tais como DCTF retificadora e DACON referentes ao período de apuração em discussão, mas que, por se tratarem de documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo e não se vislumbrando prejuízo para o curso normal do mesmo, podem ser providos de ofício, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99. Desse modo, deve ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa e da DACON referente ao 4º trimestre de 2004 e do comprovante de pagamento da COFINS cód 5856 PA 31/12/2004; b) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de Dez/2004, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.901239/200919 Resolução nº 3801000.490 S3TE01 Fl. 137 5 Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10920.002564/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 2000
IRPJ. DEDUÇÃO INDEVIDA. MULTAS E JUROS NO ÂMBITO DO REFIS.
Por se tratar de um benefício concedido no âmbito do Refis, os juros podiam ser deduzidas no momento da opção no referido programa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato que originou as exigências
reflexas se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência da exigência principal, as conclusões quanto a este aplicarseão
aos lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1301-000.712
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2000 IRPJ. DEDUÇÃO INDEVIDA. MULTAS E JUROS NO ÂMBITO DO REFIS. Por se tratar de um benefício concedido no âmbito do Refis, os juros podiam ser deduzidas no momento da opção no referido programa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato que originou as exigências reflexas se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência da exigência principal, as conclusões quanto a este aplicarseão aos lançamentos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Verificase pela análise do presente processo que em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. O auto de infração de IRPJ está encartado às folhas 102 a 106 e exige o recolhimento de R$ 861.965,30 a título de imposto e R$ 646.473,97 de multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, além dos acréscimos legais. Assentouse no presente processo que o lançamento fiscal, com base no lucro real, decorreu em vista das infrações descritas no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 90 101), consistente na glosa de despesas com multas de lançamento de ofício contabilizadas na conta 332950020 — Variação Monetária TJLP e incidentes sobre débitos de IRPJ e CSLL incluídos no REFIS, com infração ao disposto nos artigo 41, § 5°, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e artigos 249, 1,251, parágrafo único, 299, 300 e 344, § 5°, do Regulamento do Imposto de RendaRIR de 1999 (Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999). Outro item da mencionada infração relacionouse à glosa de despesas de juros de exercícios anteriores contabilizados na conta 332950020 — Variação Monetária TJLP, com infração ao disposto nos artigos 247 e §§ 1° a 3", 249, 1, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR de 1999. O Auto de Infração de CSLL, por seu turno, está encartado às folhas 107 a 111 e exige o recolhimento de R$ 275.828,89 a título de contribuição e R$ 206.871,66 de multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei no 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais pertinentes. Depreendese que o lançamento referese às mesmas infrações que deram causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 219 222), com infração ao disposto no art. 2" e §§ da Lei n°7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei n°9.249, de26 de dezembro de 1995, art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições. Devidamente notificada da autuação, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 113 – 137), instruída com os documentos de folhas 139 a 155, alegando em preliminar a nulidade do lançamento fiscal, ao argumento de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, porquanto a autoridade fiscal limitouse a fazer uma interpretação Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10920.002564/200571 Acórdão n.º 1301.000.712 S1C3T1 Fl. 2 3 superficial e unilateral, sem se preocupar com os esclarecimentos e os efeitos fiscais da situação “in concreto”, aduzindo que mesmo dispondo de todos os meios para conferir tais efeitos, temse que o Fisco presumiu a impropriedade de escrituração, ferindo também o princípio da verdade material e da justiça fiscal e que a operação efetivada deuse na forma da lei e que nenhuma impropriedade paira sobre a escrituração da aquisição dos prejuízos fiscais e bases negativas, e nem da dedutibilidade da multa e dos juros inseridos no Refis. Adiante, argumentou pela inadmissibilidade da multa de ofício de 75%, ao argumento de ser ela exorbitante e ter nítido caráter confiscatório, atentando contra o direito de propriedade (art. 5°, XXII, da Constituição Federal) e a vedação ao confisco (art. 150, IV, da C.F.), sendo cediço e muito enfatizado no novo Código Civil que a empresa é um organismo vivo, com reconhecida função social na circulação da riqueza, produção de bens e serviços e geração de empregos e que a multa tem finalidade punitiva, a fim de inibir a reincidência da infração supostamente cometida, mas quando fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida, tem natureza confiscatória e o ato administrativo punitivo tornase viciado por desvio de finalidade, impondose sua anulação. Seguiu arrazoando ser empresa optante pelo Refis e utilizandose da faculdade prevista no artigo 2º, II, § 7º, da Lei n" 9.964, de 2000, adquiriu créditos de prejuízos fiscais de outras empresas para compensar com os acréscimos legais de débitos tributários federais parcelados no Refis e que adquiriu por R$ 2.157.518,85 créditos de prejuízos e bases negativas no montante de R$ 15.044.582,72, sendo R$ 11.912.978,67 utilizados no Refis, amortizando R$ 3.930.322,76 de multas e R$ 7.982.655,93 de juros de mora e que a autoridade fiscal entendeu que a multa e os juros relativos a exercícios anteriores incluídos no Refis não poderiam ser deduzidos para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Argumentou ainda, que em função da oportunidade de regularização de débitos oferecida pelo Refis, entendeu por bem ajustar algumas pendências perante o fisco federal, sendo certo que por determinação legal (Resolução nº 4, de 28/04/2000, do Comitê Gestor), a pessoa jurídica optante do Refis pôde saldar os débitos relativos à multa, de mora ou de oficio, e aos juros moratórios com créditos próprios e prejuízos fiscais/bases negativas de CSLL próprios ou de terceiros e, em consequência, adquiriu de terceiros, mediante cessão de direitos, de forma irrevogável e irretratável, saldos de prejuízos fiscais e bases negativas para fazer frente à multa e aos juros de mora incluídos no Refis, respeitandose os redutores de, respectivamente, 15% e 8% e que após os corretos trâmites legais e a análise do fisco federal, as compensações foram levadas a efeito e o valor total do parcelamento foi enfim consolidado. Seguiu argumentando que foram liquidados todos os valores relativos aos juros e às multas existentes até 01/03/2000, e toda operação fora contabilizada dentro dos princípios geralmente aceitos, destacando que parte da multa e dos juros compensados no Refis, com prejuízos fiscais e bases negativas de terceiros, decorreu de matéria à época discutida judicialmente e que diante da possibilidade de saldar tais débitos, entendeu oportuno o ingresso no Refis em face de tal parcelamento se mostrar muito vantajoso, mas não poderia esperar que passados cinco anos, a Receita Federal encontrasse um meio de tomar o beneficio fiscal nulo pois se soubesse que o fisco federal tomaria tal atitude, jamais teria adquirido os prejuízos e bases negativas de terceiros, pois seria menos tributada pelo IRPJ e CSLL caso não tivesse assim procedido. Na mesma toada aduziu ter incluído no Refis o débito de R$ 2.739.620,63 de IRPJ e CSLL (conta 3.3.47.40.012) e a multa de R$ 1.232.829,29 e os juros de R$ Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 2.350.917,14 na conta variação monetária TJLP (conta 3.3.29.50.020). Afirmando ser permitida a dedução dos juros após o período de sua incorrência, desde que não implique em prejuízo ao fisco, ou seja, desde que não produza efeito diverso daquele que seria obtido caso os contabilizasse na data oportuna, em conformidade com o artigo 26 da IN SRF n° 51, de 1995. Asseverou ser ela uma companhia aberta e que por conta da Lei das Sociedades por Ações, estaria impossibilitada de utilizar no lucro líquido do período valores cujos efeitos não pertençam ao exercício e que os valores relativos a ajustes de exercícios anteriores deverão ser contabilizados diretamente na conta de lucros ou prejuízos acumulados, sem transitar pelas receitas ou despesas do exercício (art. 186, § 1°, da Lei n° 6.404, de 1976), argumentando que a Lei das Sociedades por Ações determina que deverão ser tratados como ajustes de exercícios anteriores somente os casos de efeitos de mudança de critério contábil e retificação de erro, sendo certo que o caso in concreto não se enquadraria em nenhuma dessas hipóteses, porquanto discutiu judicialmente o chamado “Plano Verão” (Ação Declaratória n° 94.01030316) justamente por não reconhecer como devidos os valores exigidos (principal, multa e juros). Sendo assim, alegou que com a lavratura dos autos de infração n° 10920.000417/0081 (CSLL) e 10920.00418/0044 (IRPJ) e diante dos benefícios oferecidos pela legislação do Refis, incluiu os valores exigidos no referido programa de parcelamento de sorte que reconheceu os juros somente após a adesão ao Refis (agosto/2000), adicionandoo à base tributável do IRPJ e da CSLL, ou seja, apenas levou à tributação os juros no momento em que o débito foi reconhecido para fins contábeis/fiscais, argumentando que o procedimento adotado seria legítimo, não se enquadrando em nenhum dos casos de ajustes de exercícios anteriores previstos na Lei n° 6.404, de 1976 e que o fisco alega indedutibilidade da multa no valor de R$ 1.232.829,28, mas os efeitos fiscais dessa dedutibilidade, bem como dos juros, não acarretariam nenhum prejuízo ao Erário, afirmando que o crédito de RS 3.046.337,79 utilizado na compensação com a multa e os juros incluídos no Refis, descontado o custo de aquisição no valor de R$ 537.408,60, foi oferecido à tributação. Arguiu ainda, que se não houvesse a aquisição desses créditos e consequente compensação com a multa e juros incluídos no Refis, o resultado tributável por ela declarado seria reduzido em R$ 3.046.337,79, ou seja, o saldo devedor da conta do Refis passaria de R$ 537.408,64 para R$ 3.583.746,43 em dezembro de 2000 e que em valores aproximados, teria sobre o deságio de R$ 3.046.337,79 o montante de R$ 1.035.754,85 de carga tributária (IRPJ e CSLL) oferecida ao fisco em decorrência da aquisição dos créditos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de terceiros. Aduziu por fim, que mesmo que a multa inserida no Refis não pudesse ser deduzida do lucro real e da base de cálculo da CSLL do período, as bases tributáveis seriam menores do que as verificadas com a aquisição dos prejuízos fiscais e bases negativas, evidenciando, sobremaneira, que a autuação fiscal estaria desvirtuando os benefícios trazidos pela legislação do Refis e que se isto não bastasse, temse que não há previsão legal para tal adição na base de cálculo da CSLL, pois o artigo 344 do RIR de 1999 dispõe acerca da indedutibilidade da multa especificamente para o lucro real, o que não foi previsto na legislação que trata da base de cálculo da CSLL, sendo certo que se as multas em questão são plenamente dedutíveis para fins de apuração do lucro real, e com muito mais razão para a CSLL. A 2ª Turma da DRJ de Curitiba, nos termos do acórdão e voto de folhas 157 a 172, julgou o lançamento procedente, assentando tratarse de exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de encargos com multas de lançamento de ofício (R$ 1.232.829,28) e Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10920.002564/200571 Acórdão n.º 1301.000.712 S1C3T1 Fl. 3 5 juros de mora (RS 2.215.031,96) de exercícios anteriores contabilizados em 31/08/2000 na conta 3.329.50.020Variação Monetária TJ LP (fl. 87), conforme descrito no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 90 101). Registou a decisão recorrida que os valores glosados referemse aos encargos incidentes sobre débitos de IRPJ e CSLL exigidos nos lançamentos fiscais tratados nos processos n° 10920.000418/0044 e 10920.000417/0081 e incluídos no Programa de Recuperação Fiscal — Refis e que a recorrente informou no Refis que esses encargos com multa de ofício e juros de mora seriam compensados com créditos tributários oriundos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL adquiridos de terceiros (fls. 6584), no montante de RS 3.583.746,39. No entender da decisão recorrida, contudo, dos créditos tributários adquiridos pela recorrente, alguns saldos de prejuízos fiscais/bases de negativas de CSLL restaram “não confirmados” pela Receita Federal (fl. 64), quais sejam: Posthaus Ltda. (CNPJ 80.462.138/000141) R$ 140.809,36; Circulo Comércio Exterior Ltda. (CNPJ 76.569.532/000106) R$ 150.154,46; Total R$ 290.963,82. Diante disso, afirmouse na decisão recorrida que a Fiscalização constatou que o crédito tributário adquirido e confirmado pela Receita Federal, no montante de R$ 3.292.682,57 (fl. 61) foi suficiente para amortizar no Refis a parcela de R$ 1.150.937,76 de multa de ofício e R$ 2.141.744,82 de juros de mora e a recorrente contabilizou na conta 3.3.29.50.020Variação Monetária TJLP (11. 87) tanto os encargos com multa de ofício (R$ 1.232.829,29) e juros de juros de mora (R$ 2.350.917,14) decorrentes dos autos de infração de IRPJ e CSLL (processos n° 10920.000418/0044 e 10920.000417/0081), assim como o valor do crédito tributário adquirido de terceiros (R$ 3.583.746,39), verificase que a receita com o deságio de RS 3.046.337,79 obtido na operação de aquisição de crédito tributário teria sido integralmente anulada pela apropriação na mesma conta do valor dos acréscimos legais incluídos no Refis. Dito isso, asseverouse na decisão recorrida que para melhor compreensão da matéria em litígio, seria conveniente relembrar os procedimentos relativos à utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, próprios e de terceiros, para liquidação da multa, de mora ou de ofício, e dos juros moratórios incidentes sobre débitos incluídos no Refis, instituído pela Lei n" 9.974, de 10 de abril de 2000. Nesse propósito, registouse que o Refis destinavase a promover a regularização de créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF e pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, constituídos ou não, inscritos ou não em divida ativa, ajuizados ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os retidos e não recolhidos, com vencimento até 29 de fevereiro de 2000 e que tal consistiuse em um regime especial de parcelamento de débitos fiscais, os quais foram consolidados no dia 1º de março de 2000 ou na data da formalização do pedido, se feito antes de março de 2000. Relacionouse ainda, que a consolidação abrangeu todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos à multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, salientando que o ingresso no Refis davase mediante opção da pessoa jurídica e o débito consolidado devia ser pago em parcelas mensais e sucessivas, vencíveis no último dia Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 6 útil de cada mês, sendo o valor de cada parcela determinado em função de percentual da receita bruta do mês imediatamente anterior, apurada na forma do artigo 31 e parágrafo único da Lei no 8.981/95. Seguiu a decisão recorrida afirmando que os valores correspondentes à multa, de mora ou de ofício e os juros moratórios, inclusive os relativos a débitos inscritos em Dívida Ativa, podiam ser liquidados, mediante solicitação expressa e irrevogável da pessoa jurídica optante e observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e às partilhas de receitas, mediante (art. 2°, § 7 0, da Lei IV 9.964, de 2000, art. 5 0, § 5', do Decreto n° 3.431, de 2000, art. 2° da Resolução CG/Refis n° 1, de 2000, e art. 6" da IN SRF n°44, de 2000), compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis, de conformidade com as normas estabelecidas pela SRF e INSS, no âmbito de suas competências ou a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, próprios e de terceiros, desde que devidamente declarados ou informados à Receita Federal. Dito isso, sustentou a decisão recorrida que os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL próprios passíveis de compensação, na data da opção, na forma da legislação vigente, eram os relativos a períodos de apuração encerrados até 31/12/1999 e devidamente declarados ou informados à SRF até a data da opção, salvo em relação ao período de apuração correspondente ao ano calendário 1999, que devia ter sido informado na DIPJ correspondente ao exercício financeiro de 2000, no prazo estabelecido para sua apresentação (Decreto n° 3.431, de 2000, art. 5º, § 6°, I, e IN SRF n°44, de 2000, art. 6º). Ainda recapitulando a sistemática, assentouse que na hipótese de créditos tributários decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa adquiridos de terceiros somente puderam ser utilizados os valores que, na data da opção, fossem passíveis de compensação pela pessoa jurídica cedente, na forma da legislação vigente, e desde que devidamente declarados ou informados à SRF até 31/10/1999 e que a cessão somente podia ser efetuada do detentor originário do direito à pessoa jurídica optante pelo Refis, sendo definitiva, ainda que o adquirente fosse, por qualquer motivo, excluído do Refis, relembrando que o valor a ser utilizado devia ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa, das alíquotas de 15% e de 8%, respectivamente e para fins de utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa, não se aplicava o limite de 30% do lucro liquido ajustado, da cedente ou da cessionária. Por fim, relembrou a decisão recorrida que a opção pelo Refis era homologada, mediante ato do Comitê Gestor, nos termos da Resolução CG/Refis n" 14/2001, com redação dada pela Resolução CG/Refis no 25/2002, após verificação do cumprimento, pela pessoa jurídica optante, das seguintes condições: confissão irrevogável e irretratável dos débitos incluídos no Refis; autorização de acesso irrestrito, pela Secretaria da Receita Federal, às informações relativas à sua movimentação financeira, ocorrida a partir da data da opção pelo Refis; indicação da garantia prestada ou de bens destinados ao arrolamento, quando exigidos. Transpostas essas recapitulações, a decisão recorrida passou ao enfretamento do caso concreto, afastando as alegações de nulidade, registrando quanto ao mérito, em que pesem as alegações de defesa, que a forma de quitação da multa de ofício e dos juros de mora, seja em espécie, seja mediante compensação com créditos próprios ou de terceiros, estejam incluídos ou não no Refis, não altera as regras de dedutibilidade aplicáveis às despesas operacionais e aos custos dos produtos vendidos. Nessa toada, afirmouse que tal fato não se altera pelo devido oferecimento à tributação do deságio de R$ 3.046.337,79 auferido na aquisição de créditos decorrentes de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de CSLL de terceiros, utilizados na liquidação de Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10920.002564/200571 Acórdão n.º 1301.000.712 S1C3T1 Fl. 4 7 multa de ofício e dos juros de mora consolidados no Refis, eis que esse deságio decorreu do fato de haver adquirido créditos com valor de face (R$ 3.583.746,39) maior do que o valor por eles pago (R$ 537.408,60), obtendo um ganho patrimonial, um deságio, que deveria ser reconhecido e tributado pelo IRPJ na data da aquisição da disponibilidade. Frisouse ainda, que, por conseguinte, o fato de ter oferecido à tributação o ganho auferido com o deságio na aquisição de créditos tributários decorrentes de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL de terceiros não tem o condão de tornar dedutíveis os encargos com multa de ofício e juros de mora incidentes sobre débitos de IRPJ e CSLL incluídos no Refis. No que tange à glosa de encargos com juros de mora de exercícios anteriores, incidentes sobre débitos de IRPJ e CSLL incluídos no Refis, também contabilizados na conta 332950020 — Variação Monetária TJLP, relembrou a decisão recorrida que a autoridade fiscal entendeu que tais encargos não poderiam afetar o resultado tributável do ano calendário de 2000 em face de constituírem encargos de períodos anteriores e que realmente, estando as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real submetidas à apuração do resultado pelo regime de competência, os encargos com juros de mora deveriam ter sido apropriados nos anos calendário 1995 a 1999. Afirmouse, contudo, que conforme disposto no artigo 273, II, do RIR de 1999, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesa somente constitui fundamento para lançamento de imposto quando dela resultar redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração e que o § 2° do artigo 247 do mesmo regulamento determina que os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro liquido ou a ele adicionados, respectivamente. Após citar a disciplina regulamentar acerca da matéria, a decisão recorrida afirmou que no caso em exame, verificase que a precitada postergação no registro de juros de mora sobre débitos incluídos no Refis não teria relevância fiscal e configuraria mera inexatidão contábil, porquanto a contabilização posterior de despesa não ocasiona, via de regra, prejuízo para o Fisco, podendo ter havido, ao contrário, antecipação no pagamento do imposto devido, acrescentandose que, tratandose de encargo incidente sobre diferença de IRPJ e CSLL dos anos calendário de 1995 e 1996 (processos n° 10920.000418/0044 e 10920.000417/0081), não havia necessidade alguma de criação de resultado positivo necessário ao aproveitamento de prejuízo fiscal cujo direito à compensação caducaria, porquanto não havia mais prazo para compensação de prejuízos fiscais desde a edição das Leis 8.981 e 9.065, de 1995 (que estabeleceram um limite de 30% para redução do lucro líquido ajustado pela absorção de prejuízo fiscal/base negativa pendente de compensação). A despeito dessas considerações, afirmou a decisão recorrida que a exigência em litígio, sem óbice de lançada a menor (eis que a glosa deveria ter sido no valor de RS 2.350.917,14), seria devida ao se analisar outro aspecto relevante da matéria tributária, porquanto no seu entender os juros de mora integram o crédito tributário, tanto é que os autos de infração de IRPJ (fl. 104) e CSLL (fl. 109) indicam corno valor do crédito tributário apurado o somatório do tributo/contribuição com os juros de mora e a multa de ofício. Ademais, registouse que com relativa frequência, o valor dos juros de mora, ou mesmo o índice utilizado para a apuração de seu montante, é objeto de contestação Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 8 administrativa por parte dos contribuintes, contestação esta, dirigida ao crédito tributário lançado de ofício e formalizado segundo o Decreto n° 70.235/72. Sendo assim, firmouse entendimento de que tendo em vista que os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições não pagos no vencimento têm natureza tributária, e considerando a máxima de que "o acessório segue o principal", caberia consignar que os juros de mora, porquanto acessórios, deveriam seguir a regra de dedutibilidade dos tributos sobre os quais incidem, ou seja, a regra de dedutibilidade dos tributos e contribuições abarca também os correspondentes juros de mora, uma vez que estes são calculados (existem) em função daqueles. Dessa forma, como o valor do principal do IRPJ não pode ser reduzido como custo ou despesa na determinação do lucro real, conforme disposto no artigo 41, § 2°, da Lei n° 8.981/95, e considerando que o artigo 2º da Lei n° 7.689/88, dispõe que a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício antes da provisão de IRPJ, se verificaria que os encargos com juros de mora incidentes sobre débitos de IRPJ também seriam indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No entender da decisão recorrida, de igual forma, tendo em vista que o artigo 10 da Lei n° 9.316, de 1996, dispõe que o valor da CSLL no poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo, igual tratamento deve ser dado aos encargos com juros de mora incidentes sobre os débitos de CSLL. Dando sequência à fundamentação, registrou a decisão recorrida que independentemente do ano calendário em que tenham sido contabilizados, os encargos com multas de ofício incidentes sobre os débitos de IRPJ e CSLL tratados nos processos nº 10920.000418/0044 e 10920.000417/0081 e incluídos no Refis são sempre indedutíveis na apuração do lucro real, conforme disposto no art. 344, § 5º, do RIR de 1999. Com relação à dedutibilidade dessas multas fiscais da base de cálculo da CSLL, destacouse que o “caput” do artigo 13 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, faz ressalva ao disposto no artigo 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, quando elenca várias despesas indedutíveis para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Logo, mesmo não estando nominalmente citada no rol constante do artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1996, as multas fiscais não atendem as condições de dedutibilidade previstas no artigo 47 e §§ da Lei n° 4.506, de 1964, quais sejam, serem despesas necessárias, usuais e normais. Ademais, a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, em seu artigo 57, determinou que se aplica à CSLL as mesmas regras de apuração estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. No mais, afastouse as alegações de abusividade da multa e rejeitouse a ulterior produção de provas, mantendose, na integralidade, os autos de infração. Regularmente cientificada da decisão desfavorável (fl. 175), alegado em síntese ter havido alteração da motivação inicial do auto de infração, tendo em vista que inicialmente, no termo de verificação fiscal, o Auditor Fiscal atribui infração no sentido de que a recorrente não teria observado o período de competência para os lançamentos de multa e juros incluídos no REFIS e que tais valores deveriam ter sido lançados dentro do período de competência. Argumentou, destarte, que sobrevindo sua manifestação e posterior decisão da DRJ de Curitiba, alterouse a motivação inicial do auto de infração, uma vez que se reconheceu que o lançamento fora do período de competência não gera prejuízos para o fisco, já que a multa e os juros incluídos no REFIS devem respeitar a máxima de que "o acessório Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10920.002564/200571 Acórdão n.º 1301.000.712 S1C3T1 Fl. 5 9 segue o principal" e com tais argumentos, manteve a exação, alterando a subsistência da motivação inicial do auto de infração. Quanto ao mérito, sustentou a recorrente ser dedutível na apuração do Lucro Real, os juros e multas incluídos no REFIS, refutando a multa e aplicação da Taxa Selic. Por meio do Despacho de folha 191 a DRF de Joinville/SC, encaminhou o feito ao CARF e em 25 de fevereiro de 2010 a recorrente apresentou petição (fls. 192 – 197), requerendo a parcial desistência, afirmando que seria mantida a discussão perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em relação ao IRPJ e CSLL apurados em virtude da exclusão indevida pelo fisco da dedutibilidade dos juros de períodos anteriores. Em 18 de agosto do corrente ano a recorrente fez juntar aos autos petição que nominou de “ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO”, reafirmando a regularidade do procedimento por ela empreendido, requerendo a juntada de precedente que entende favorável, planilha contendo o cálculo dos juros por competência, planilha comparativa e cópias das DIPJ’s de 1995 a 2000. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 10 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Não conheço dos documentos apresentados extemporaneamente por meio de “aditamento ao Recurso Voluntário”, porquanto a recorrente não demonstrou qualquer razão que não justificasse sua juntada à época, mesmo porque os considero desnecessários ao deslinde do caso concreto. Como se observa da parte final do relatório, a recorrente mantem seu inconformismo unicamente em relação ao item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 90 – 101), relativo à dedução indevida de juros referentes a períodos anteriores e, precisamente sobre esse viés o Recurso Voluntário será analisado. De início é conveniente relembrar as constatações da Fiscalização por ocasião da lavratura do auto de infração e, nesse propósito, colho oportuno trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 100), in verbis: (...) O valor de juros apropriados como despesas, referentes a exercícios anteriores deveria ter sido lançados diretamente com contrapartida da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, não interferindo a apuração do Lucro Real do anocalendário de 2000, conforme determina o § 4° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/77, matriz legal do § 2° do art. 247 do Decreto n° 3000/99. Isto posto e tendo em vista que o contribuinte apropriou em conta de resultados conta 332950020 VARIAÇÃO MONETARIA TJLP o valor de R$ 2.215.031,96, e considerando que este valor é referente a exercícios anteriores e conforme dispõe o § 2° do art. 247 do decreto n° 3000/99, portanto indedutível para o anocalendário de 2000 para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. (...) Sustenta a recorrente, por seu turno, que optou pelo REFIS (parcelamento especial concedido por meio da Lei nº 9.964/2000) e a partir daí, utilizandose da faculdade prevista no inciso II, do § 7º, do artigo 2º da citada Lei, adquiriu créditos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de terceiros para serem utilizados na compensação com acréscimos legais dos débitos tributários federais consolidados e parcelados no REFIS, em especial de dois autos de infração referentes aos processos administrativos 10920.00418/0044 e 10920.000417/0081. A autuação se pautou, portanto, no entendimento do Fisco de que os encargos referentes à multa e juros de mora incidentes sobre os débitos de IRPJ e CSLL dos processos administrativos citados (10920.000418/0044 e 10920.000417/0081) incluídos no REFIS e compensados com prejuízos fiscais e bases negativas adquiridos de terceiros não poderiam ter sido deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do período. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10920.002564/200571 Acórdão n.º 1301.000.712 S1C3T1 Fl. 6 11 Observase que a recorrente, à época da lavratura dos autos de infração incluídos no REFIS, discutia judicialmente o chamado "Plano Verão", ou seja, questionava a matéria e, em momento posterior é que se teve a lavratura dos autos de infração, motivo que ao meu sentir, justifica o não lançamento de tais valores em sua contabilidade, para fins de dedução, na época da ocorrência dos fatos. Sustenta com acerto a recorrente, que os referidos autos de infração de IRPJ e CSLL, aqueles incluídos no REFIS, foram lavrados em 14/04/2000, ano em que a recorrente efetuou sua adesão ao parcelamento e somente a partir desse evento, para a regularização de seus débitos, desistiu das discussões judiciais e administrativas referente aos créditos tributários e valores pleiteados. Contemplada essa situação fática, temse que de acordo com o disposto no §1°, do art. 41 da Lei nº 8.981/95, a dedutibilidade de despesas pelo regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 do CTN, independentemente de haver ou não depósito judicial. Ora, se a dedutibilidade de despesas não se aplica aos tributos com exigibilidade suspensa, sem grande esforço interpretativo podese concluir que se a recorrente questionava os tais autos de infração até a superveniência do REFIS, também os juros relativos a esse tributo, porquanto se constituía em mero acessório, submetese às mesmas regras de dedutibilidade impostas ao principal, devendo, por isso, ser adicionados ao lucro líquido do período de apuração para fins de determinação do lucro real. Assim verificado, a despeito de a decisão recorrida entender que não há falar em valores vinculados a períodos anteriores, ou de ajustes de exercícios anteriores passíveis de dedutibilidade, porque o crédito somente passou a integrar o patrimônio da contribuinte após sua aquisição de terceiros, com a devida venia, entendo não ser possível manterse a glosa efetuada, porquanto o momento oportuno para reconhecer as despesas de juros e multas discutidas/questionadas administrativa ou judicialmente, se dá no momento em que o contribuinte confessa, mediante solicitação expressa e irrevogável da importância questionada. Não é por outro motivo, que a liquidação dos valores correspondentes aos juros, nos termos do inciso II, § 5° do artigo 5° do Decreto 3.431/2000, será definitiva, ainda que a pessoa jurídica seja excluída do Refis, significando dizer que para esses acessórios, na hipótese dos créditos fiscais utilizados para a sua liquidação terem sido homologados pelo Fisco, não há mais discussão, eis que atingiram sua definitividade. Cito, por oportuno e a título meramente exemplificativo, precedente da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, obtido no julgamento do Recurso nº 152.459 e que restou assim ementado, in verbis: (...) IRPJ DEDUTIBILIDADE DE MULTAS E JUROS NO ÂMBITO DO REFIS — Por tratarse de acessórios de exigências questionadas administrativamente, as multas e juros só poderiam ser deduzidas, na determinação do lucro real, por ocasião do transito em julgado do principal, se desfavorável ao contribuinte. Entretanto, por se tratar de um beneficio concedido no âmbito do Refis, as multas e juros podem ser deduzidas no Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 12 momento da opção no referido programa, até o montante da importância homologada pelo fisco. (...) Feitas essas considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 35464.000800/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.202
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relatdr. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: LIÉGE LACROIX THOMASI
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Fl. 220 MINISTÉRIO DA FAZENDA 1.(•In. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISSEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo re 35464.000800/2006-51 Recurso n° 143.270 Voluntário Acórdão n° 2301-00.202 — 3' Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2009 Matéria Decadência Recorrente SUS DO BRASIL LTDA. Recorrida DRP/SÃO PAULO-SUL/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido• Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , • . • Processo n°35464.00080012006-SI S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.202 Fl. 221 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relatdr. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4 do •# . \ %A JULIO CÇA N IEIRA GOMES Presidentdj a •• LIÉGE LA ROIX THOMASI Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 35464.000800/2006-51 S2-C3T 1 Acórdão n.° 2301-00.202 Fl. 222 Relatório Trata a notificação de contribuições apuradas por responsabilidade solidária - entre o tomador e a empresa MELO SERV. DE DATILOGRAFIA S/C LTDA. em decorrência da execução de serviços com cessão de mão de obra, no período de 06/1995 a 0211996. A notificação foi emitida em 14/04/2005, cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 06/05/2005 e o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido em 14/02/2005, sem a ciência do contribuinte, fl 34. A devedora solidária também foi cientificada através de Registro Postal em 06/05/2005. O relatório fiscal de fls. 17/22, traz que esta NFLD foi lavrada para substituir a de n.° DEBCAD N.° 35.620.186-4, que o crédito foi apurado por aferição indireta com base no percentual de 40% sobre o valor mensalmente declarado na DIRF e/ou Informe de Rendimentos, para as empresas prestadoras de serviços e no percentual de 50%, para as empresas de trabalho temporário, pois não foram apresentadas todas as notas fiscais de serviço e a contabilidade não identifica o nome e o número da nota fiscal e que não houve a elisão da responsabilidade solidária. Após a apresentação da impugnação, Decisão-Notificação pugnou pela procedência do lançamento. Inconformada a notificada interpôs recurso tempestivo, onde argúi em síntese: que a decisão notificação é nula porque não intimou todos os interessados, na forma do artigo 28 da Lei n.° 9.784/99, acarretando cerceamento de defesa; que deve ser verificada a existência do crédito junto ao prestador de serviço, segundo entendimento da 2' CaJ/CRPS; que não foi demonstrada a cessão de mão de obra na prestação dos serviços. Requer o processamento do recurso e a Subsistência da Notificação. A empresa prestadora também apresentou recurso onde argúi que recolheu as contribuições previdenciárias sobre as notas fiscais/ faturas emitidas, devendo ser declarada insubsistente a NFLD. Acórdão proferido pela 2' Cal /CRPS às fls. 161/163, converteu o julgamento em diligência para que o órgão previdenciário faça prova de que a tomadora foi devidamente cientificada do Mandado de Procedimento Fiscal emitido nos termos da legislação vigente, Decreto n.° 3.969/2001, sob pena de anulação da NFLD , por falta de requisito formal. Também deveria ser informado se houve recusa por parte da tomadora em apresentar os contratos de prestação de serviços, conforme solicitados no TIAD de fl. 24. E, em 3 Processo n°35464.000800/2006-51 S2C3T1 Acórdão n.° 2301-00.202 Fl. 223 caso positivo, informar acerca de eventual lavratura de auto de infração e da situação processual do mesmo. Em atendimento ao Acórdão, a DRP informa às fis. 166/168: - que esta NFLD substituiu a de n.° DEBCAD 35.620.186-4, tomada nula por vício formal; - que a empresa recebeu Decisão-Notificação informando do cancelamento da NFLD e sua imediata substituição por outra; - que a NFLD anulada foi decorrente de ação fiscal ocorrida entre 03/03/2004 e 15/09/2004, abrangendo o período de 01/1994 a 12/1998, conforme MPF n.° 09130645 à fi.3 O; - que a empresa já havia tomado ciência de que a NFLD anulada seria substituída por outra; - que as empresas tomadora e prestadora tomaram ciência desta notificação; - que a tomadora apresentou recurso e inclusive efetuou o depósito recursal; que a solidária interpôs recurso; - que o MPF n.° 09220585 de 14/02/2005 foi emitido apenas para permitir a geração de carga de fiscalização e a alocação do procedimento fiscal no sistema informatizado da Previdência Social, sendo específico para "análise de processos de débito e emissão de Notificações Fiscais de Lançamento de Débito Substitutivas" e não para o inicio de procedimento fiscal em uma empresa ainda não fiscalizada; - que não houve deslocamento até a empresa; - que o sujeito passivo tinha plena ciência do procedimento fiscal desenvolvido, inclusive a respeito da NFLD substitutiva, considerando todas as suas manifestações perante a DRP. Por fim, aduz que a tomadora alegou não possuir os documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, inclusive o contrato de prestação de serviço e que não foi lavrado nenhum auto de infração. As empresas solidárias foram cientificadas do Acórdão e do resultado da diligência, lhes sendo concedido prazo para manifestação. A empresa prestadora ofereceu suas razões, tempestivamente às fis. 179/215. A tomadora não se manifestou. É o relatório. 4 Processo n° 35464.000800/2006-51 S2-C3T1 Acórdão n.° 7301-00102 Fl. 224 Voto Conselheira LIÉGE LACRODC THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares De acordo com os elementos constantes do processo, esta NFLD lavrada em 14/04/2005 compreende o período de 06/1995 a 02/1996 e substituiu outra lavrada em ação fiscal anterior em 13/09/2004, conforme TEAF — Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 25/26. Muito embora não conste dos autos a data em que a primitiva notificação foi anulada, posso aferir que o atual lançamento se encontra dentro do prazo disposto pelo art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional, pois a NFLD lavrada em 13/09/2004, somente poderia ser anulada após esta data e o novo lançamento ocorreu em 14/04/2005: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (grifez) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, há de ser examinada de oficio matéria de ordem pública como a decadência. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Ermo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantem-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de 5 14 Processo n° 35464.000800/2006-51 S2-C3TI Acórdão n.• 2301-00.202 Fl. 225 suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n°1.569/77. frente ao § I° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei ti' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vincula nte pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a 6 • Processo n• 35464.000800/2006-51 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.202 Fl. 226 administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, embora a presente NFLD substitua outra anulada por vício formal, é de se atentar que quando da lavratura daquela em 13/09/2004, as competências constantes do lançamento de 06/1995 a 02/1996, já estavam alcançadas pela decadência exposta no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, conforme a tese jurídica exposta na Súmula Vinculante n° 08. Conquanto a preliminar de decadência, uma vez conhecida, não comportaria maiores discussões, é de se atentar que o presente lançamento está eivado de nulidade em vista da não ciência por parte do sujeito passivo do Mandado de Procedimento Fiscal de fl.34. A resposta à diligência solicitada deixa cristalino que o MPF não foi cientificado ao sujeito passivo e não comungo das razões expostas na informação. Desta forma, quando da lavratura da NFLD em 14/04/2005, não havia Mandado de Procedimento Fiscal válido para respaldar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento. Além dessa precipua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para inicio do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação. O MPF constitui requisito de validade do lançamento fiscal ou da autuação e sua ausência no inicio da fiscalização constitui-se vicio gerador de nulidade. Essa nulidade decorre de ausência de requisito formal indispensável para a sua prática, qual seja, a habilitação do agente para o exercício da competência. À • 7 Processo n" 35464.000800/2006-51 S2-C3T1 Acórdão n.°2301-00.202 Fl. 227 A emissão e ciência do MPF é exigência da Legislação. Decreto 3.969/2001: Art. 2' Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal - MPF Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização (MPF-F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal- Diligência (MPF-D). Art.3 Para os fins deste Decreto, entende-se por procedimento I - de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por pane do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; Art. 4-2 O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscaL Portanto, resta claro que a instauração do procedimento de fiscalização e a ciência, no inicio do procedimento fiscal, da emissão do MPF são exigências da Legislação. É totalmente improcedente a alegação da fiscalização à fl.167, de que não se trata de um novo procedimento fiscal, mas apenas uma substituição de NFLD, eis que o procedimento fiscal anterior respaldado nos MPF's de fls.30133, com validade até 15/09/2004, foi encerrado nesta mesma data, conforme atesta o TEAF de fls. 25/26. Um novo procedimento fiscal foi instaurado com a emissão do MPF de fl. 34, visando a lavratura de notificações substitutivas, mas o contribuinte não teve ciência do mesmo tomando nulas as notificações lançadas. José Antônio Minatel, reportando-se a Celso Bandeira de Mello, afirma: "Nos procedimentos administrativos, os atos previstos como anteriores são condições indispensáveis à produção dos subseqüentes, de tal modo que estes últimos não podem validamente ser expedidos sem antes completar-se a fase precedente. Além disso, o vício jurídico de um ato anterior contamina o posterior, na medida em que haja entre ambos um relacionamento lógico incidível." Nesse sentido, o lançamento efetuado com ausência de MPF possui vicio formal que acarreta sua nulidade. 8 • • Processo n°35464.000800/2006-SI 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.202 Fl. 228 Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. são nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do procesSo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diférentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que o procedimento fiscal possui vicio, onde se demonstra preterido o direito de defesa da recorrente, decidiria pela nulidade do processo, não fosse a preliminar de decadência. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 05 de maio de 2009 AVat-e^" LIÉGE LACROIX THOMASI - Relatora 9 Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052600.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1 _0052800.PDF Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053000.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1
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