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Numero do processo: 11516.002953/2006-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
ARTIGO 158, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. FUNDAÇÃO QUE DEVE SER MANTIDA PELO MUNICÍPIO. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA QUE NÃO EXISTE.
Somente incide o artigo 158, inciso I, da Constituição Federal, se, para além da comprovação da instituição da fundação pelo Município, aquela também é mantida por este. Repasse de valor que se limita a cerca de 5% da receita total da Fundação não configura a relação de manutenção, de dependência exigida pela Constituição Federal.
Numero da decisão: 9202-001.868
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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FUNDAÇÃO QUE DEVE SER MANTIDA PELO MUNICÍPIO. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA QUE NÃO EXISTE. Somente incide o artigo 158, inciso I, da Constituição Federal, se, para além da comprovação da instituição da fundação pelo Município, aquela também é mantida por este. Repasse de valor que se limita a cerca de 5% da receita total da Fundação não configura a relação de manutenção, de dependência exigida pela Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 2 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a constituição de crédito tributário no valor de R$ 8.216.905,20, relativo ao IRRF concernente aos fatos geradores ocorridos em entre maio de 1997 e fevereiro de 2002. Entendeu, em suma, a autoridade fiscal, que a UNISUL não é instituição mantida, mas apenas instituída pelo município de Tubarão, tendo em vista que o valor total do repasse do município à UNISUL representa mais de 5% do total da receita. O contribuinte apresentou impugnação 381/404. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 752/766) julgou procedente o lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSENTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. Compete ao fisco federal, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal, constituir o crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, independentemente da destinação do produto da arrecadação do imposto. FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS E MANTIDAS POR MUNICÍPIO. CONDIÇÕES. DESTINAÇÃO DO. IRRF. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, retido na fonte por fundação municipal em decorrência dos pagamentos que efetua, somente pertencerá ao Município se a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 3 3 referida fundação for não só instituída como também mantida por esse ente político. Considerase que a fundação é mantida pelo Município, quando este lhe destina os recursos necessários à sua subsistência. Caso não se verifique esta condição, o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os rendimentos pagos, a qualquer titulo, pela fundação, pertence à União e não ao Município. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 776/802). Apresentouse, juntamente com o recurso, parecer da lavra do ilustre professor Ives Gandra da Silva Martins (fls. 927/1051). A antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 820/839) negou provimento ao recurso do contribuinte, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRRF LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA INSTITUIR, FISCALIZAR ARRECADAR E ADMINISTRAR O IMPOSTO DE RENDA IMPOSSIBILIDADE DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SER INSTITUÍDA PELOS ESTADOS E MUNICÍPIOS Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável. A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União, cujo lançamento é atribuido por lei aos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil. Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União para Estados e Municípios, como no caso do imposto de renda, a União é a entidade que detém competência para instituir, fiscalizar, arrecadar e administrar o IRRF, mesmo que se trate do IRRF incidente na fonte„ sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelos municípios, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA Na forma da Constituição Federal, apenas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 4 4 os tributos são informados pelo princípio do não confisco. Não há que se falar em princípio do não confisco quando versamos sobre multa pecuniária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INSTITUIÇÃO OFICIAL DE ENSINO MUNICIPAL FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO AUSÊNCIA DE AI ADESÃO AO REGIME ADMINISTRATIVO Não ha qualquer registro nos autos de que o recorrente cumpra os ditames do regime administrativo, pois sequer é auditado pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina. INSTITUIÇÃO OFICIAL DE ENSINO MUNICIPAL FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO AUSÊNCIA DE CONTROLE DA SUBVENÇÃO REPRESENTADA PELA IRRF POR PARTE DA MUNICIPALIDADE IRRF QUE REPRESENTA DIMINUTA PARCELA DO CUSTEIO DO RECORRENTE O município de Tubarão (SC), instituidor da UNISUL, não tem nenhum controle da subvenção representada pelo IRRF pagos pela UNISUL, em sua contabilidade pública, indicando que tais recursos sequer são considerados como fundos públicos. Percebese que esse IRRF á uma diminuta parcela dos recursos de custeio e investimento da UNISUL INSTITUIÇÃO OFICIAL DE ENSINO MUNICIPAL FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO ATUAÇÃO ALÉM DOS LIMITES GEOGRÁFICOS DO MUNICÍPIO INSTITUIDOR — IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DA FINALIDADE PÚBLICA A UNISUL tem uma ação que transcende os limites geográficos do município de Tubarão (SC), a indicar que é uma pessoa jurídica privada dissociada das políticas públicas educacionais da municipalidade instituidora, pois não se pode conceber que urna entidade instituída por determinado poder público municipal tenha uma atuação em outras municipalidades, com vulneração ao princípio da separação das pessoas políticas instituídas na Constituição da República. Vê se, pelos inúmeros campi, em diversas cidades, e pelo ensino pago, que não se diferencia das demais instituições de ensino sem fins lucrativos. IRRF FUNDAÇÃO INSTITUÍDA PELO MUNICÍPIO INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO – FINANCIAMENTO MAJORITÁRIO COM RECURSOS PRIVADOS DESTINAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO – UNIÃO FEDERAL Considerase fundação mantida pelo poder público aquela que efetivamente recebe majoritária subvenção municipal para financiamento de seus fins sociais. Fundação municipal que é financiada marginalmente por recursos públicos, com mais de 90% de recursos oriundos do pagamento de mensalidades em contraprestação a serviços educacionais, não pode ser enquadrada no conceito de fundação mantida pelo poder público Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 5 5 na forma do art. 158, I, da CF88. Assim, o IRRF incidente na atividade eco à municipalidade. Recurso voluntário negado. O contribuinte interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 851/888). A divergência jurisprudencial suscitada referese à interpretação e aplicação do artigo 158, inciso I, da Constituição Federal. Salientou que o Recurso Especial “não se refere a critérios de manutenção, apenas e tãosó a diferenciação entre sujeição ativa e tributária e disponibilidade pelos municípios dos recursos que lhe pertencem”. Alegou que há divergência entre o entendimento fixado no acórdão recorrido e posicionamentos, sobre o tema do STJ e do STF, “pois sendo a UNISUL fundação mantida e instituída pelo Município de Tubarão, pode este por lei de sua esfera, dispensar o recolhimento do IRRF dos funcionários”. Por outro lado, sustentou que: “Assim, ao entender que a sujeição ativa é da União, ainda que se admita a fundação como mantida pelo Município de Tubarão, há que se render atenção quanto aos critérios para definir a manutenção em si, pois há forte confronto com o acórdão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferido no processo n° 1009.003073/200334, no Recurso Ex officio e voluntário. Alegou que a Fundação Universidade do Vale do Itajaí tem a mesma estrutura da Unisul. Transcreveu parte do acórdão paradigma, segundo o qual: “Restando devidamente comprovado que a Fundação de ensino foi instituída e é mantida pelo Município, inclusive pela incorporação contábil do produto da arrecadação do Imposto de Renda incidente na fonte sobre rendimentos pagos a qualquer título, a falta de recolhimento desse imposto não se constitui em conduta inadequada da recorrente”. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 1707/1713). Defendeu, em primeiro lugar, a não caracterização da divergência jurisprudencial alegada pelo contribuinte, porque a decisão apontada como paradigma veio a ser reformada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n°0401.063). Argumentou, também, que a matéria trazida à tona é de ordem fática, consistente em averiguarse, em cada caso, se o município mantém ou não a fundação por ele instituída com recursos próprios, de sorte a fazer jus “a se apoderar do IRF pertencente à União”. Sustentou que, conforme o artigo 158, inciso I, da Constituição Federal, o produto da arrecadação do IRRF somente pertencerá ao município se preenchidos dois requisitos cumulativos: que a fundação tenha sido instituída pelo município e que a instituição Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 6 6 seja mantida pelo município. Não se tem a sua incidência, portanto, tendo em vista que nos autos restou comprovado que a contribuinte (UNISUL) era mantida pelo município. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O dissídio jurisprudencial concerne aos critérios para o preenchimento dos requisitos de instituição e manutenção da fundação pelo Município, com vistas à incidência do artigo 158, inciso I, da Constituição Federal. No acórdão recorrido, entendeuse não configurar o requisito da manutenção o repasse, por parte do Município de Tubarão, à Unisul, corresponde a 5% da sua receita total. O artigo 158, inciso I, da Constituição Federal, estabelece que: Art. 158. Pertencem aos Municípios: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; Vêse, destarte, que o dispositivo constitucional estabelece que o produto da arrecadação, pela União, do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, pertence aos Municípios, no que se refere aos rendimentos pagos pelas fundações que aqueles instituírem e mantiverem. Nos presentes autos, a discussão concerne, especificamente, à incidência de tal dispositivo, isto é, ao preenchimento dos requisitos relativos à instituição e manutenção da fundação (Unisul) pelo Município de Tubarão/SC. Dúvida não há, nos autos, que a Fundação foi instituída pelo Município. O cerne da celeuma diz respeito à configuração, ou não, da sua manutenção. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 7 7 A Unisul foi autuada, porque entendeu, a autoridade fiscal, que não se trata de instituição mantida, mas tãosomente instituída pelo Município de Tubarão, pois que o valor total do repasse do município à Unisul representa apenas cerca de 5% do total da receita. Este tribunal administrativo já se inclinou sobre o tema em algumas ocasiões. Inclusive no processo no qual se proferiu a decisão paradigma, esta acabou sendo reformada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PAF ADMISSIBILIDADE FALTA DE JUNTADA DO INTEIRO TEOR DO ACÓRDÃO JUSTIFICATIVA DA DIVERGÊNCIA O principio do formalismo moderado admite seguimento do recurso quando demonstrada a divergência apontada em acórdão proferido pelas Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, quando junte as ementas dos acórdão oferecidos ao confronto. DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. IRRF IRF FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS E MANTIDAS PELO MUNICÍPIO DESTINAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO Considerase que a Fundação é mantida pelo Município quando o custeio de suas atividades dependa, preponderantemente, de recursos providos pelo Poder Público Municipal, ainda que haja contribuição de fontes privadas. Se esta condição não é verificada, o produto do IRRF incidente sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, pela Fundação pertence à União e não ao Município. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Citando passagem do acórdão proferido pela mesma turma julgadora (acórdão n° 10422.179, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad), transcreveuse que: “No presente caso, conforme relatório de atividade fiscal e documentos de fls. 194 a 291, não se discute que a Recorrente é fundação instituída pelo Município de Joaçaba através da Lei Municipal n°545 de 1968, sendo pessoa jurídica de direito privado, com patrimônio próprio, participação de recursos privados e sem fins lucrativos (Lei Municipal 1.637/1990). O Município participa da gestão da entidade, com indicação de membros de seu quadro de gestão. Entendeu a fiscalização, entretanto, que a Recorrente não é fundação "mantida" pelo Município, na medida em que, como demonstrado no quadro de fls. 63, menos de 5% de suas receitas, nos períodos objeto da autuação, decorreu de contribuições do Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 8 8 Município, sendo o restante advindo de recursos privados, nomeadamente a cobrança de mensalidades dos alunos. O (sic) solução da questão passa que exame do que seria necessário para caracterizar que o Município de Joaçaba é responsável pela manutenção de determinada fundação municipal por ele instituída (no caso, a Recorrente). Entendo que o verbo "manter", como utilizado pelo legislador constitucional, deve ser entendido no sentido substancial de "prover do necessário à subsistência" ou, no caso de uma pessoa jurídica como a Recorrente, de prover dos recursos necessários ao seu funcionamento. O sentido sistemático da previsão constitucional parece ser o de que se o Município mantém a fundação, provendo dos recursos para seu funcionamento, faz sentido que a fundação seja tratada, para os fins de repartição do produto da arrecadação do IRFonte, como se fosse o próprio Município, cabendo a este a titularidade dos recursos por ela retidos. Não há, de fato, qualquer óbice à participação de recursos privados no custeio da fundação, como mensalidades, doações, etc. Não obstante, para a aplicação do art. 158, I da CF é necessário que a contribuição do Município seja ainda assim substancial, preponderante, sob pena de se subverter a ratio do dispositivo constitucional.” Ressaltese que a reforma do acórdão paradigma ocorreu posteriormente à interposição do presente recurso especial. No mesmo sentido, diversos outros julgados podem ser encontrados no âmbito do CARF, como se pode ver no seguinte acórdão, em que figura como sujeito passivo a própria Unisul: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRFON — LANÇAMENTO DE OFICIO COMPETÊNCIA — Sempre que apurarem infração das disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda, os AuditoresFiscais da Receita Federal lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. PARECER ADMINISTRATIVO EFICÁCIA O parecer exarado em relação a uma situação concreta, mas mutável, e que contempla um período determinado, só terá eficácia em relação ao caso a que se refere e no período considerado. IRF FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS E MANTIDAS PELO MUNICÍPIO DESTINAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO Considerase que a Fundação é mantida pelo Município, quando este destina recursos necessários à subsistência daquela. Se esta condição não é verificada, o produto do IRRF incidente sobre os Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 9 9 rendimentos pagos, a qualquer título, pela Fundação pertence à União e não ao Município. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA É inaplicável às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. Recurso negado. (Processo n° 13964.000215/9933; Recurso n° 122.054; acórdão 10417.724; Relator Cons. Nelson Mallmann). Citese, no mesmo sentido, os acórdãos n° 10420.382; e n° 10419.182, proferidos contra a própria Unisul. Partilho do entendimento fixado nestes julgados. Com efeito, a Constituição Federal estabelece que, para além da instituição, o município deve manter financeiramente a Fundação. O artigo 158 não fixa, é verdade, o que se entende pelo vocábulo “mantiverem”. Neste passo, cabe ao intérprete fazêlo, interpretando o texto constitucional (artigo 158, inciso I, CF) de acordo com a finalidade mesmo da Carta Magna, e conforme o sistema constitucional em que se encontra inserido o dispositivo. Como se vê, em direito, não se pode ter interpretação que desborde do sentido razoável da norma. Neste passo, quando a Constituição exige, para a incidência do artigo 158, inciso I, que a fundação tenha sido instituída e seja mantida pelo Município, neste último aspecto, a Carta Magna não se satisfaz com todo e qualquer repasse de verba do Município para a fundação. A exigência constitucional da manutenção da Fundação pelo Município quer revelar que, sem a participação orçamentária ou financeira deste, aquela não pode subsistir por si só. Se a Fundação pode manterse por si própria, em vista da diminuta participação do município, obviamente não se revela presente aquela vinculação, aquela ligação entre fundação e município a ensejar o repasse do produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, sobre rendimentos pagos por aquela Fundação. De fato, devese ressaltar que entre Fundação e Município deve haver, necessariamente, para a incidência da norma constitucional, uma verdadeira relação de dependência, no sentido de que, sem a participação do Município, a Fundação não poderia subsistir. O argumento de que a Constituição Federal não especifica parâmetros objetivos para a aferição do que se entenda por “mantiverem” não pode levar à conclusão de que todo e qualquer repasse de verbas promovido pelo Município implica em manutenção da Fundação. Tal entendimento levaria à possibilidade de aplicação do dispositivo constitucional em situações absurdas. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11516.002953/200612 Acórdão n.º 9202001.868 CSRFT2 Fl. 10 10 Notese que, quando a Constituição determina que a Fundação deve ser mantida pelo Município, ela não exclui a possibilidade de aquela possua outras fontes de receita. A Fundação pode ter outras fontes de receita; o que não pode é que tais fontes sejam responsáveis pela sua manutenção, e não o repasse promovido pelo Município. No presente caso, como já mencionado, o valor total do repasse do Município de Tubarão à Unisul representa apenas cerca de 5% do total da sua receita. Não se pode dizer, portanto, que a Unisul é mantida pelo Município de Tubarão. A hipotética ausência do repasse promovido pelo Município não importaria a derrocada da Unisul, porque, justamente, não se vislumbra aquela relação de dependência, de manutenção entre o Município de Tubarão e a Unisul. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pelo Contribuinte. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 201128 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13603.002323/2004-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
Ano-calendário: 2003
ATIVIDADE DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE TRANSFORMADORES, INDUTORES, CONVERSORES, SINCRONIZADORES E SEMELHANTES. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO AO SIMPLES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 57 DO CARF.
Conforme enunciado n° 57 do CARF, “A prestação de serviços de
manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal”.
Numero da decisão: 9101-001.106
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. Anocalendário: 2003 ATIVIDADE DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE TRANSFORMADORES, INDUTORES, CONVERSORES, SINCRONIZADORES E SEMELHANTES. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO AO SIMPLES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 57 DO CARF. Conforme enunciado n° 57 do CARF, “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 121DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte. O contribuinte foi excluído do Simples por exercício de atividade vedada, conforme o Ato Declaratório, com base na prestação dos seguintes serviços: “instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 34/37), a qual restou julgada intempestiva (documento de fls. 43). O contribuinte interpôs recurso (fls. 44/47). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação (fls. 57/62). O contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes (fls. 70/74). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Anocalendário: 2003 Ementa: Simples. Exclusão. Atividade Econômica não vedada. Retroatividade da lei superveniente. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 3 3 Instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes não está citada dentre as atividades econômicas da seção que trata das vedações ao ingresso no Simples Nacional, fato com repercussão pretérita por força do princípio da retroatividade benigna prevista no Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 90/101), com fundamento em violação à legislação tributária. Discorreu no sentido da irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, salientando que a atividade desempenhada pelo contribuinte encontravase vedada pelo artigo 9°, inciso XIII, vigente à época da exclusão do contribuinte do Simples. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados. Devese definir, em primeiro lugar, se a Lei Complementar n° 123/06, que inaugurou o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, retroage, no que se refere às hipóteses de vedação de opção pelo Simples, para beneficiar o contribuinte que, excluído com base na Lei n° 9.317/96, não mais o seria com base naquela Lei Complementar. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo (recurso especial n° 1.021.263), analisou tema semelhante, referente à irretroatividade da Lei n° 10.034/2000, exteriorizando o entendimento da Corte no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. 1. A Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Fl. 123DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 4 4 Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9º, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)" 3. A constitucionalidade do inciso XIII, do artigo 9º, da Lei 9.317/96, uma vez não vislumbrada ofensa ao princípio da isonomia tributária, restou assentada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, quando do julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643DF, oportunidade em que asseverou: "... a lei tributária esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e os profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º, do art. 145, da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto, é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo." (ADIMC 1643/UF, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgado em 30.10.1997, DJ 19.12.1997) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental ." 5. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu artigo 24, assim dispôs: Fl. 124DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 5 5 "Art. 24. Os arts. 1o e 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – (VETADO) VII – (VETADO)' (NR) (...)" 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1056956/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no REsp 1043154/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 16/02/2009; AgRg no REsp 611.294/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 19/12/2008; REsp 1.042.793/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ Fl. 125DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 6 6 07.02.2008; e REsp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ 19.09.2005). 8. In casu, à data da impetração do mandado de segurança (07/07/1999), bem assim da prolatação da sentença (11/10/1999), não estava em vigor a Lei 10.034/2000, cuja irretroatividade reveste de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Aliás, neste sentido, tem decidido, recentemente, a 1° Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da seguinte ementa: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.338 em 02/09/2010 SIMPLES EXCLUSÃO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EMENTA Anocalendário: 1997 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Conforme dispõe o item XIII do artigo 9° da Lei IV 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados.LEI COMPLEMENTAR N° 123/2006. RETROATIVIDADE. BENIGNA IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96. Tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 14.03.2011 Recorrente: W BLUMENAU SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA ME Recorrida: FAZENDA NACIONAL Fl. 126DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 7 7 Com efeito, no caso não se vislumbra hipótese cabível de retroatividade da Lei Complementar n° 123. Isto porque, também aqui, tanto quanto na hipótese discutida no recurso repetitivo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, não se caracteriza quaisquer dos casos previstos de retroatividade, conforme estabelecido no artigo 106 do Código tributário Nacional, que dispõe nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática De fato, em primeiro lugar, temse que a Lei Complementar não é expressamente interpretativa. Pelo contrário, os seus artigos 88 e 89 estabelecem que: Art. 88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1o de julho de 2007. Art. 89. Ficam revogadas, a partir de 1o de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. Não faz, destarte, a lei, qualquer menção à sua aplicabilidade retroativa, sobre os dispositivos constantes da Lei n° 9.317/96. Pelo contrário, prevê, de forma expressa, a revogação desta lei. Ora, como poderia uma norma ser interpretativa da norma que revoga? Ademais, lei expressamente interpretativa, por sua própria natureza, não inova no ordenamento jurídico, senão que se refere apenas e tãosomente ao ordenamento já existente quando do seu surgimento. Não é, sem dúvida, o que se dá com a Lei Complementar n° 123. Por outro lado, não incidem, outrossim, as demais hipóteses de retroatividade da lei, conforme previsto no artigo 106, inciso II, do CTN. Este dispositivo referese, exclusivamente, à superveniência de lei mais branda, mais benigna, em se tratando de matéria concernente, tãosomente, às infrações tributárias. Neste sentido, Eduardo Sabbag, ao cuidar do artigo 106, inciso II, do CTN, esclarece que: “O supracitado dispositivo, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 8 8 (...) Nessa medida, o dispositivo protetor dá azo à retrooperância da lei mais branda, intitulada Lex mitior, na esteira da retroatividade benéfica ou benigna em Direito Tributário, exclusivamente para as infrações”. 1 Inequivocamente, não pertence, a matéria ora em julgamento, à seara infracional do direito tributário. As normas que a integram, assim como no Direito Penal, atendem a uma estrutura característica, composta pelo preceito primário, na qual se prevê a conduta proibida, o fato típico; e pelo preceito secundário, consistente na sanção conseqüente à prática do fato descrito no tipo. No presente caso, cuidase apenas de rol de atividades, antes previstas na Lei n° 9.317/96, e hoje na Lei Complementar n° 123/06, proibidas de serem exercidas pelo contribuinte que pretende optar pelo Simples. Tratase, pois, tãosomente de condições à participação do contribuinte no Simples. Neste sentido: “Quanto à segunda exceção legal, também se entremostra impossível a sua configuração. Isso porque as leis em cotejo não versam, absolutamente, sobre infrações ou penalidades. Em termos mais claros: a opção do contribuinte pelo Simples em desacordo com a Lei n° 9.317/96 não é tipicamente uma infração, nem tampouco a sua exclusão da sistemática simplificada pode ser admitida como uma penalidade. A retroatividade benigna contemplada pela regra em comento deita raízes no Direito Penal, fonte na qual se deve buscar inspiração para interpretação em análise. Nesse cenário, a infração tributária deve ser entendida como o descumprimento de uma ordem emanada da norma, o cometimento de um ato ilícito, uma afronta a um fazer ou não fazer expressamente ditado pelo legislador. A penalidade, por sua vez, é uma decorrência dessa inobservância, e tem caráter nitidamente punitivo, sancionador a exemplo de aplicação de multa. A par disso, o que se tem na hipótese ora debatida não é infração, nem penalidade, mas, isto sim, um programa governamental de incentivo previsto em lei, no qual se delimitam condições aos pretensos participantes para que nele possam ingressar. Aqueles que preenchem os requisitos podem ser inseridos no Simples; caso contrário não será autorizado o ingresso ou a permanência no regime simplificado. Se os dispositivos das normas em apreço versam particularmente sobre requisitos de acesso a um regime tributário especial voltado a determinadas empresas, é inconcebível rotulálos como veículos legislativos que estabelecem infrações”. 2 1 SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 158/159. 2 JÚNIOR, Bernardo Alves da Silva. A Injuricidade da Aplicação Retroativa da Lei Complementarn° 123/06 para a Reinclusão de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Regime do Simples. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169. Outubro de 2009. p. 21. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 9 9 Diante disso, tendo em vista não se enquadrar, a Lei Complementar n° 123, em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, não há como se aquiescer com a sua aplicação retroativa. Desta forma, acertado que a Lei Complementar n° 123/06 não poderia, ao contrário do que prevaleceu no órgão julgador a quo, ser aplicada à hipótese fática em análise, em princípio, esta turma, com vistas a evitar eventual supressão de instância, deveria fazer retornarem os autos àquele órgão, a fim de que aferisse a possibilidade de o contribuinte optar pelo Simples consoante o sistema vigente à época da sua exclusão (Lei n° 9.317/96). Contudo, cabenos, aqui, com respaldo nos princípios da economia e da celeridade processual, neste caso concreto específico, julgálo já, pois que, como se verá, a querela já se encontra pacificamente assentada neste Tribunal Administrativo. Com efeito, conforme se depreende dos autos, o contribuinte tem como objeto de atividade “prestação de serviços elétricos de instalação, montagens e manutenção de potência em equipamentos de uso industriais, comerciais e de prestação de serviços e de recuperação estrutural”.Com isso, a sua exclusão deuse com fundamento no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, por equiparar aquela atividade a de engenheiro. No entanto, a súmula n° 57 do CARF, estabelece que: Súmula CARF n° 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Deste modo, superada a questão da aplicação da Lei Complementar n° 123, ainda assim, a atividade do contribuinte não pode ser considerada vedada pela Lei n° 9317/96, com fundamento na súmula acima. Pelo exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 29 de junho de 201129 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 129DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002323/200422 Acórdão n.º 9101001.106 CSRFT1 Fl. 10 10 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.928216/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser
objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3403-001.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.@
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos de pagamento a maior da COFINS. Em auditoria eletrônica, o pedido não foi homologado em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho, alegando que refez os cálculos após registrar a DCTF e verificou erro na apuração da contribuição para o período, existindo erro no preenchimento da DCTF, que estaria registrado em valor superior ao devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho por ausência de comprovação do indébito alegado. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial A comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação e afirmando a nulidade do ato em razão da falta de diligência promovida pelo Fisco, que no caso de dúvida do direito creditório, estaria obrigado a proceder às buscas necessárias no sentido de esclarecer as dúvidas existentes. Alteração da motivação do despacho da autoridade a quo, visto o despacho da Unidade de Origem não homologar o pedido de compensação em razão do DARF estar totalmente utilizado e a decisão de primeira instância, afirmar a falta de comprovação de liquidez e certeza dos créditos. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11080.928216/200951 Acórdão n.º 340301.163 S3C4T3 Fl. 2 3 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente cabe a análise do pedido de nulidade em razão da obrigação do Fisco em proceder à diligência para verificar o crédito alegado pela Recorrente. Entendo não existir nenhum obste legal ou equivoco no procedimento de auditoria interna, adotado pela Receita Federal, que consiste na revisão de declarações de forma eletrônica. A compensação prevista no Código Tributário Nacional CTN atribui à autoridade administrativa, a prerrogativa de autorização para efetivação da compensação de créditos tributários. A Receita Federal, na posição de órgão administrador tributário, determina as formas de compensação e as exigências necessárias. Nesse diapasão, o despacho foi exarado por pessoa competente e seguiu os procedimentos administrativos pertinentes. Sendo o contribuinte intimado do teor da decisão, apresentando impugnação e posteriormente recurso voluntário, portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou qualquer vício que ensejaria a nulidade do procedimento. Alega ainda a Recorrente a nulidade do ato em razão da modificação da motivação do despacho pela decisão de primeira instância. Também nesta matéria não procedem as alegações. A decisão de primeira instância foi no mesmo sentido do despacho decisório. Ao afirmar que não existe a comprovação do indébito alegado, reafirma o fato constante do despacho decisório de que não existindo fatos a comprovar o erro no preenchimento da DCTF, o valor ali declarado deverá ser utilizado como valor devido e sendo o recolhimento da contribuição no mesmo valor constante da Declaração, fica confirmada a motivação constante do despacho decisório de que o indébito tributário não existe, visto o pagamento estar totalmente alocado ao débito declarado. Quanto ao mérito, a Recorrente alega o direito à restituição, sob o argumento que refez os cálculos referentes à contribuição devida para o período e verificou que o valor declarado em DCTF estaria em valor superior. Em que pese os argumentos apresentados pela Recorrente, à época do indeferimento do pedido, a DCTF original registrava a utilização integral do pagamento, não existindo nenhum direito creditório. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente. Caso exista algum erro nestas informações, conforme alegado na impugnação e posteriormente no recurso voluntário, caberia a comprovação do fato pela Recorrente. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a Fl. 70DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumenta o equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, por ausência de provas da existência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11080.928216/200951 Acórdão n.º 340301.163 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10932.000790/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2006
Ementa:
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
A prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho é fato gerador de contribuição previdenciária.
AUTODEINFRAÇÃO.
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º8.212 de 1991. Também foi reconhecida a fluência do prazo decadencial em parte.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2006 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. A prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho é fato gerador de contribuição previdenciária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2006 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. A prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho é fato gerador de contribuição previdenciária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º8.212 de 1991. Também foi reconhecida a fluência do prazo decadencial em parte. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 283DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10932.000790/200741 Acórdão n.º 230201.280 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 27/11/2007, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 28/11/2007, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 03/2000 a 10/2006, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais e às cooperativas de trabalho, conforme discriminativo de fls. 23 a 46. A recorrente impugnou parcialmente a autuação, insurgindose apenas quanto às cooperativas de trabalho. Acórdão de fls. 231/234, julgou o lançamento procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) que recolheu parte da penalidade imposta, insurgindose apenas quanto à exação relativa às cooperativas; b) a decadência qüinqüenal; c) a conexão do auto de infração com a notificação fiscal de lançamento de débito, onde discute a inconstitucionalidade da contribuição para as cooperativas de trabalho; d) a inconstitucionalidade da contribuição exposta no artigo 22, Iv da Lei n.º 8.212/91; e) que não incide contribuição sobre as cooperativas de produção, as quais contratou. Requer o acolhimento do recurso para cancelar as exigências mantidas pela decisão recorrida e a realização de sustentação oral. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A autuação referese ao período de 03/2000 a 10/2006 e o auto de infração foi lavrado em 27/11/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 28/11/2007. A recorrente alega a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10932.000790/200741 Acórdão n.º 230201.280 S2C3T2 Fl. 3 5 § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em tela, por se tratar de auto de infração, não há que se falar em recolhimentos antecipados, devendo ser acatado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I e excluídas as competências até 11/2001: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de todos os valores pagos aos contribuintes individuais e aos cooperados que prestaram serviço à empresa, através de cooperativa de trabalho. Todavia, quanto aos contribuintes individuais, a recorrente não impugnou a exação, optando por recolher a multa imposta, sendo que veio a julgamento apenas os fatos geradores relativos às cooperativas de trabalho. Quanto à solicitada conexão entre a presente autuação e a NFLD que lhe é correspondente e que trata da obrigação principal relativa à contribuição sobre os valores pagos à cooperativa de trabalho, entendo que apesar de realmente existir, não há prejudicialidade no Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 julgamento deste auto de infração por falta de informação em GFIP dos fatos geradores, pois a recorrente não impugna as bases de cálculo, se limitando a argüir matéria de direito acerca do conceito de cooperativa de trabalho e a inconstitucionalidade da exação. Quanto às contribuições relativas aos valores pagos à cooperativa de trabalho, tenho a dizer que a mesma está determinada em Lei. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. São improcedentes as argumentações sobre a inconstitucionalidade da Lei n.º 9.876/99, pois a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10932.000790/200741 Acórdão n.º 230201.280 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É inócua a discussão trazida pelo contribuinte quanto à Cooperativa de Trabalho Médico –UNIMED do ABC e à Cooperativa dos Transportadores de Veículos e de Cargas em Geral – CTV, se referirem a cooperativas de produção e por isso não se enquadrarem nas disposições do artigo 22, IV da Lei n.º 8.212/91, pois o alcance que a recorrente quer dar ao conceito de cooperativa de produção exposto na Instrução Normativa SRP N.º 03/2005, não se coaduna com os serviços médicos prestados, tampouco com os serviços de transporte executados. A citada instrução normativa conceitua no seu artigo 281, cooperativa de trabalho e no artigo 282, cooperativa de produção: Art. 281. Cooperativa de trabalho, espécie de cooperativa também denominada cooperativa de mãodeobra, é a sociedade formada por operários, artífices, ou pessoas da mesma profissão ou ofício ou de vários ofícios de uma mesma classe, que, na qualidade de associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio. Parágrafo único. A cooperativa de trabalho intermedeia a prestação de serviços de seus cooperados, expressos em forma de tarefa, obra ou serviço, com os seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, não produzindo bens ou serviços próprios. Art. 282. Cooperativa de produção, espécie de cooperativa, é a sociedade que, por qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens ou serviços. Portanto, da leitura dos dispositivos, resta evidente que os serviços médicos e de transporte prestados à recorrente, o foram através das cooperativas de trabalho, que intermediaram a prestação de serviços de seus cooperados, expressos em forma de tarefa ou serviço, com os seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, não produzindo bens ou serviços próprios. Já a cooperativa de produção é aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção, conforme o disposto no parágrafo 3º, do art. 1º, da Lei 10.666/2003, o que não se verificou no caso em tela, na contratação dos serviços prestados por cooperados através da UNIMED do ABC e da CTV – Cooperativa dos Transportadores de Veículos e de Cargas em Geral. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Assim, ao contratar serviços através de cooperativa de trabalho, recorrente se sujeitou ao cumprimento da obrigação acessória de informar os valores dos serviços prestados em GFIP. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos às cooperativas, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10932.000790/200741 Acórdão n.º 230201.280 S2C3T2 Fl. 5 9 do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. Embora já conste do relatório fiscal que a MP 449 foi observada para algumas competências, o cálculo da multa deve obedecer ao disposto no artigo 32 A, I da Lei n.º 11.941/2009. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, e a multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10932.000790/200741 Acórdão n.º 230201.280 S2C3T2 Fl. 6 11 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10283.000813/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2005
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos sócios da empresa na Relação de Vínculos não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Possui apenas caráter informativo, listando todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito
passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não lhes sendo imputada qualquer responsabilidade direta pelo crédito tributário em constituição.
CIÊNCIA DO MPF PELO PREPOSTO DO SUJEITO PASSIVO
É válida a ciência pessoal do MPF e suas prorrogações por meio de preposto do sujeito passivo, mesmo que este não possua poderes de gestão administrativa.
LANÇAMENTO DE DÉBITO CONFESSADO. PARCELAMENTO.
IRRETRATABILIDADE.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.467
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios da empresa na Relação de Vínculos não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Possui apenas caráter informativo, listando todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não lhes sendo imputada qualquer responsabilidade direta pelo crédito tributário em constituição. CIÊNCIA DO MPF PELO PREPOSTO DO SUJEITO PASSIVO É válida a ciência pessoal do MPF e suas prorrogações por meio de preposto do sujeito passivo, mesmo que este não possua poderes de gestão administrativa. LANÇAMENTO DE DÉBITO CONFESSADO. PARCELAMENTO. IRRETRATABILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 186 3 Relatório Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2005 Data de lavratura da NFLD: 13/12/2007 Data da Ciência da NFLD: 13/12/2007 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições a cargo da empresa destinadas ao FNDE (Salário Educação 2,5%), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 42/44. Informa a Autoridade Lançadora que o presente crédito tributário referese a diferenças apuradas com relação às folhas de pagamento apresentadas pelo Contribuinte, e que os fatos geradores foram colhidos a partir das informações registradas nas folhas de pagamento da empresa, e não declaradas em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 92/119. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 145/154, julgando procedente em parte o presente lançamento, retificando o crédito tributário na forma moldada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fl. 155. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 157. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 158/181, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: § Que o procedimento de cientificação do Mandado de Procedimento Fiscal bem como o de suas prorrogações, teriam ocorrido de modo irregular, uma vez que a encarregada do Departamento de Pessoal, não possuía poderes de gestão administrativa, de competência reservada aos sócios diretores da empresa; § Questiona a falta de identificação do chefe do órgão expedidor da NFLD; § Que, em razão da decadência reconhecida pelo órgão de 1ª instância, deveria ser excluído da Relação de Vínculos o exsócio que se retirou do quadro societário em data anterior a agosto de 2003; § Que não existiria a diferença relativa ao mês de 08/2003, a qual teria resultado de compensação efetuada pela empresa e não observada pelo Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Auditor Fiscal, quando da fiscalização, em razão de confissão de débito a maior efetuada nas competências 05/2003, 06/2003 e 07/2003. Ao fim, requer a declaração de nulidade do lançamento em debate, ou, alternativamente, a sua insubsistência. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 1º/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 28 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA CIÊNCIA DO MPF. Alega o Recorrente que o procedimento de cientificação do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como o de suas prorrogações, teriam ocorrido de modo irregular, uma vez que a encarregada do Departamento de Pessoal, não possuía poderes de gestão administrativa, de competência reservada aos sócios diretores da empresa. O apelo do Recorrente não encontra ambiente jurídico propício ao seu sucesso. O Decreto nº 3.969, de 15 de outubro de 2001, ao estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal e para a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários, assim dispôs em seu art. 4º, ipsis litteris: DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.(Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 188 7 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) No Capítulo reservado à regulamentação dos prazos do MPF, o art. 13 do citado Dec. 3.969/2001 estatui que o MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, mediante a emissão do MPF Complementar. DECRETO nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nossos) Da análise da legislação mencionada, deflui que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal – deve ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal, e dele ser dada a devida ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, de forma pessoal ou por via postal, conforme o regramento fixado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, podendo ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias ao cumprimento da ação fiscal. Salientese que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte, ao qual apenas deve ser dada a ciência de que a Administração Fazendária incumbiu o auditor ali consignado a comparecer ao seu estabelecimento para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela administração tributária emissora do documento em realce. Dessarte, a ciência do sujeito passivo representa, apenas, um feed back ao Órgão Fazendário de que o contribuinte encontrase conhecedor da oficialidade, do escopo e do alcance da ação fiscalizatória a ser desenvolvida na sua empresa, assegurando ao contribuinte a lisura, a isenção, a impessoalidade e a idoneidade da Ação fiscal, além de representar um marco jurídico/temporal de exclusão da espontaneidade do sujeito passivo. Em reforço a tal assertiva, notese que o art. 4º do mencionado Dec. 3.969/2001 apenas prevê a ciência do MPF pelo sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”. Tanto é assim que somente o MPF primário é constituído por campo específico e próprio para a ciência do contribuinte, mas, não, os demonstrativos de emissão e prorrogação de MPF. Ademais, citese que, mesmo que o MPF complementar houvesse sido emitido após o decurso do prazo do MPF anterior, o que não é o caso presente, tal fato não implicaria nulidade do procedimento, eis que o art. 16 do já mencionado Dec. 3.969/2001 estabelece, de maneira expressa, que a autoridade responsável pela emissão do MPF, mesmo extinto, pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. O exame do formulário típico do MPF revela existir, no campo destinado à "Ciência do Contribuinte/Responsável", a alternativa de o citado mandado ser conhecido tanto pelo sujeito passivo, como pelo responsável, como ainda, pelo preposto. No caso concreto sobre o qual nos debruçamos, do inicio do procedimento fiscal foi dada ciência à Encarregada do Departamento Pessoal, conforme consignado no MPF, a fl. 33, restando cumprida assim a exigência legal. Diante desse panorama, não procede a alegação de irregularidade levantada pelo Recorrente fundada no fato de a Sra. Darcileia Ferreira de Andrade não possuir poderes de gestão administrativa. A uma, porque a lei não determina que a ciência do ato em tela seja dada única e exclusivamente aos seus representantes legais, mas, sim, à pessoa jurídica. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 189 9 A duas, porque a legislação previdenciária determina a ciência do sujeito passivo, in casu a pessoa jurídica de direito privado ora recorrente, a qual pode se dar na pessoa do preposto. A três, porque do MPF em voga foi dada ciência à Sra. Darcileia Ferreira de Andrade, ocupante do cargo de “Encarregada do Departamento Pessoal”. Revelandose o Recorrente um apreciador das definições léxicas, temos que por encarregado, na definição constante no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, entendese a “Pessoa que dirige um trabalho ou uma exploração na ausência do patrão, do empreiteiro, do mestre, etc.”, cumprindose assim a exigência encartada no inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Mutatis mutandis, perfilando semelhante entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 9, de observância vinculante, exorta ser válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que ele não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Tivesse o Recorrente alguma dúvida sobre a continuidade da ação fiscal, bastaria acessar o site do Ministério da Previdência Social, mediante o Código de Acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal, fornecido no próprio documento inaugural, conforme orientação encartada nos itens 2 e 3 do campo Observações do MPF a fl. 33. Inexiste, portanto, qualquer vício formal a macular o Mandado de Procedimento Fiscal ora em debate. Improcedente também se revela a alegação de nulidade por falta de identificação do chefe do órgão, seção ou equipe de fiscalização na NFLD. Logo de plano mostrase valioso ressaltar que os Processos Administrativos Fiscais de natureza previdenciária somente passaram a ser regidos pelo Decreto nº 70.235/72 a contar de 1º de abril de 2008, conforme determinação expressa constante no artigos 16, §1º e 25, I da Lei nº 11.457/2007. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 16. A partir do 1º (primeiro) dia do 2º (segundo) mês subsequente ao da publicação desta Lei, o débito original e seus acréscimos legais, além de outras multas previstas em lei, relativos às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei, constituem dívida ativa da União. §1º A partir do 1º (primeiro) dia do 13º (décimo terceiro) mês subsequente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; Nesse panorama, havendo sido a Notificação Fiscal em debate lavrada aos 13 dias do mês de dezembro de 2007, decorre que o ato jurídico administrativo do lançamento não se encontrava ainda sujeito às determinações inscritas no citado Decreto. Por outro lado, mas capítulo de outro livro, a competência para o lançamento de contribuições previdenciárias encontrase assentada no art. 6º da Lei nº 10.593/2002, a qual outorgou ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil a atribuição para constituir, em caráter privativo, mediante o lançamento, o crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 190 11 II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Diante de tal panorama, no exercício da competência que lhe fora atribuída em caráter privativo pelo Documento Legal referido no parágrafo precedente, havendo sido constatado atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização, por intermédio de seus auditores fiscais, lavrou notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, não exigindo a lei que o documento de formalização do lançamento seja assinado pelo chefe do órgão, seção ou equipe de fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. 18 Conforme demonstrado, não verificamos qualquer vício de ordem formal ou material que comprometa a legalidade do lançamento em apreço. Vencidas a preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RELAÇÃO DE VÍNCULOS Propugna o Recorrente que, em razão da decadência reconhecida pelo órgão de 1ª instância, deveria ser excluído da Relação de Vínculos o exsócio que se retirou do quadro societário em data anterior a agosto de 2003; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes do vertente Auto de Infração é da empresa, não dos diretores arrolados no relatório intitulado "RELAÇÃO DE VÍNCULOS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Vínculos", a fl. 32, possui apenas caráter informativo, listando todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não lhes sendo imputada qualquer responsabilidade direta pelo crédito tributário em constituição. Cumpre salientar que a relação de vínculos referese ao período de cobertura da ação fiscal, previsto expressamente no MPF, digase, de Janeiro/2001 a Dezembro/2005, e não às competências abrangidas pelo crédito constituído. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da Notificação Fiscal em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (..) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Vínculos, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 3.2. DA COMPENSAÇÃO Pondera o Recorrente não existir a diferença relativa ao mês de 08/2003, a qual teria resultado de compensação efetuada pela empresa, no valor de R$ 309,86 (trezentos e nove reais e oitenta e seis centavos), e não observada pelo Auditor Fiscal quando da fiscalização, em razão de confissão de débito a maior efetuada nas competências 05/2003, 06/2003 e 07/2003. Tal insurgência não merece o sucesso pretendido. A uma, eis que a adesão ao Parcelamento importa em confissão extrajudicial irretratável da dívida, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil, Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000813/200890 Acórdão n.º 230201.467 S2C3T2 Fl. 191 13 conforme expressamente consignado no Pedido de Parcelamento, a fl. 46, o qual foi assinado pelos Srs. Francisco Carlos Ferraz Feitoza e Alcimar Leão de Oliveira, sócios da empresa, sendo incabível, nessas circunstâncias, se alegar ter ocorrido confissão a maior, dada ao seu atributo de irretratabilidade. A duas, porque o parcelamento decorre de um Lançamento de Débito Confessado, mediante o qual o sujeito passivo, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, reconhecendo assim, de modo irretratável, a ocorrência do fato gerador nos termos confessados. Nesse contexto, nos termos do §1º do art. 147 do CTN, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento. Código Tributário Nacional CTN Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No caso presente, a alegação de confissão de dívida a maior não se encontra escoltada por qualquer indício de prova material, escorandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, nada mais, as quais se revelam insuficientes para ilidir o lançamento que ora se opera. Além disso, busca o Recorrente alegar erro nos valores confessados em momento posterior ao lançamento que resultou no parcelamento suso referido e, mesmo assim, em um Processo Administrativo Fiscal totalmente diverso daquele associado ao Lançamento de Débito Confessado. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nessas circunstâncias, não havendo o Recorrente produzido provas materiais de suas alegações, estas relegadas ao ostracismo ficam, não adquirindo poderio bélico suficiente para abalar os sólidos fundamentos do lançamento que ora se edifica, ficando por tais razões, este Colegiado, impossibilitado de reformar a decisão hostilizada. Como é cediço, alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004284/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/12/2005
Ementa:DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. – RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.941.
A empresa em débito com o sistema de Seguridade Social não pode distribuir lucros. Caso haja tal distribuição a empresa fica responsabilizada pela penalidade de 50% das quantias que houverem sido distribuídas.
A Lei n 11.941 alterou o regime de aplicação da multa, sendo mais benéfico. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo
como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.507
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa
deve ser calculada considerando as disposições do art. 32, parágrafo 2º da Lei 4.357 de 1964.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente SERVIMARC CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida DRJ SÃO PAULO SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/12/2005 Ementa:DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ESTANDO EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. – RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.941. A empresa em débito com o sistema de Seguridade Social não pode distribuir lucros. Caso haja tal distribuição a empresa fica responsabilizada pela penalidade de 50% das quantias que houverem sido distribuídas. A Lei n 11.941 alterou o regime de aplicação da multa, sendo mais benéfico. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 32, parágrafo 2º da Lei 4.357 de 1964. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 184DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.004284/200553 Acórdão n.º 230201.507 S2C3T2 Fl. 186 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 52, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 285 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente distribuiu lucros aos sócios, apesar de a empresa estar em débito com a Seguridade Social, fls. 04 a 08. Não conformada com o lançamento, a autuada apresentou impugnação, fls. 63 a 64. O julgamento foi convertido em diligência, fls. 80 a 83. Foi elaborado relatório fiscal substitutivo, fls. 98 a 110. Cientificada do novo relatório, a autuada apresentou defesa administrativa, fls. 129 a 138. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a decisão de fls. 145 a 153, mantendo a autuação em sua integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 159 a 172. Em síntese alega o seguinte: • Não consta o TEAF; • Deveria ter sido remetida uma cópia ao contribuinte; • Deve ser anulado o auto de infração; • Não há comprovação nos autos da circunstância agravante; • Não há clareza e precisão no relatório fiscal; • Não há indicação dos passivos existentes; • É necessária a confirmação de que as NFLD transitaram em julgado; • Requerendo o cancelamento da autuação. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 177. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A afirmação recursal de que houve irregularidade na ciência do TEAF não condiz com as provas dos autos. A prova contida nos autos é de que efetivamente foi elaborado o TEAF, conforme cópia às fls. 59 e 60, inclusive foi firmado pelo representante do autuado que teria recebido a segunda via do documento fl. 60. Assim, ao contrário do afirmado, foi remetida uma cópia ao contribuinte. Nesse ponto não reconheço a nulidade alegada pela recorrente. A recorrente alega que não há comprovação nos autos da circunstância agravante. Contudo, a agravante não afeta o valor da multa aplicada, conforme já informado no relatório fiscal. É verdade que poderia implicar na relevação da multa, entretanto essa somente tem aplicação na hipótese de correção da falta, o que não aconteceu. Assim, a eventual ausência da discriminação da agravante não causou qualquer prejuízo à recorrente. Como princípio processual, não se reconhece da nulidade se não houver prejuízo. Mesmo que se considerasse irregular a caracterização da agravante, tal irregularidade não nulificaria o lançamento, mas apenas resultaria no afastamento da circunstância. Quanto ao argumento de que o auto de infração deve ser declarado nulo, não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 98 a 110; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos, bem como a forma para se apurar o quantum devido. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 98 a 110: a empresa distribuiu lucros estando em débito com o sistema dde Seguridade Social. Conforme era previsto no art. 52 da Lei n ° 8.212, com redação vigente à época da autuação, a empresa em débito com o sistema de Seguridade Social não pode distribuir lucros. Caso haja tal distribuição a empresa fica responsabilizada pela penalidade de 50% das quantias que houverem sido distribuídas (parágrafo único do art. 52 da Lei n ° 8.212) Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; Fl. 187DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.004284/200553 Acórdão n.º 230201.507 S2C3T2 Fl. 187 5 II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34. Restou comprovado que a empresa estava em débito com a Seguridade Social, conforme registros contábeis e GFIP (relatório fiscal às fls. 98 a 110). Apesar de possuir débito previdenciário, confessado pela própria recorrente em sua contabilidade e em GFIP, a sociedade empresária distribuiu lucros aos sócios; portanto restou caracterizada a infração à legislação previdenciária. Não procede o argumento recursal de que não haveria indicação dos passivos existentes. Conforme anexos do relatório fiscal é possível verificar os débitos existentes que ensejaram a autuação, fls. 108 e 109 e Anexos II e III. Os valores foram declarados em GFIP, que é um termo de confissão, bem como constaram nos registros contábeis da autuada. Não é necessária a confirmação de que as NFLD transitaram em julgado; ao contrário do afirmado pela recorrente. A simples declaração em GFIP já é suficiente para caracterizar o débito, assim como o registro contábil do reconhecimento do débito. A NFLD que necessitava o trânsito em julgado, são as que englobam fatos não reconhecidos pela autuada como parcelas integrantes da contribuição previdenciária, diferentemente dos casos já confessados em GFIP. Uma vez caracterizada a infração, cabe a imputação da penalidade, que no caso era de 50% dos valores distribuídos. O cálculo da multa era considerado em relação ao lucro distribuído e não em relação aos débitos existentes, conforme expressamente previsto na Lei n ° 8.212. Contudo, houve alteração do ato legal por meio da Lei n 11.941 de 2009. De acordo com essa Lei houve alteração do art. 52 da Lei n 8.212 de 1991, nestas palavras: Art. 52. Às empresas, enquanto estiverem em débito não garantido com a União, aplicase o disposto no art. 32 da Lei no 4.357, de 16 de julho de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). I – (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). II – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como visto, o novo diploma remete à aplicação do art. 32 da Lei n 4.357 de 1964, que possui a seguinte redação: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: Fl. 188DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Dessa forma, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. O parágrafo 2 do art. 32 da Lei 4.357 limita o valor da multa a cinquenta por cento do total do débito, o que não foi observado no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 32, parágrafo 2º da Lei 4.357 de 1964. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 189DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.004284/200553 Acórdão n.º 230201.507 S2C3T2 Fl. 188 7 Fl. 190DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10909.003029/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 01/01/2000, 31/12/2004
PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional pertinente às contribuições para a Seguridade Social são os de cinco anos previstos nos artigos 150, § 4º ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula Vinculante no 8 do STF que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91 que estabelecia o prazo de dez anos.
TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. ENTENDIMENTO DO STJ. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA REJEITADA.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62-A do Regimento Interno do CARF).
No que respeita à matéria sob exame, e em julgamento realizado na sistemática do art. 543-C do CPC, o STJ entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não revê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, como no caso em exame. Verificado que o lançamento foi efetuado nesse prazo, há que se rejeitar a preliminar de decadência.
PIS CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL (ART. 543-B DO CPC).
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos arts. 543-B
e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF art. 62-A do Regimento Interno do CARF).
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1o do
art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e restringindo a base de cálculo da contribuição do PIS ao faturamento, qual seja, a receita bruta da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e da prestação de serviços, bem como reconheceu, posteriormente, a existência de repercussão geral da questão através do RE 585.235/MG.
COMERCIANTE VAREJISTA CONCESSIONÁRIO DE VEÍCULOS. DESCABIDA A EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS NÃO CUMULATIVO DE VALORES RECEBIDOS DO FABRICANTE A TÍTULO DE INCENTIVOS DE VENDA.
Créditos efetuados por fabricante de veículos em favor de comerciante varejista, no âmbito de programa de incentivo de vendas, não se enquadram como "receitas de venda" e não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000, 31/12/2004 PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional pertinente às contribuições para a Seguridade Social são os de cinco anos previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula Vinculante no 8 do STF que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91 que estabelecia o prazo de dez anos. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. ENTENDIMENTO DO STJ. RECURSO REPETITIVO (ART. 543C DO CPC). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA REJEITADA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF). No que respeita à matéria sob exame, e em julgamento realizado na sistemática do art. 543C do CPC, o STJ entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, como no caso em exame. Verificado que o lançamento foi efetuado nesse prazo, há que se rejeitar a preliminar de decadência. PIS CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL (ART. 543B DO CPC). As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 649 2 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF). O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e restringindo a base de cálculo da contribuição do PIS ao faturamento, qual seja, a receita bruta da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e da prestação de serviços, bem como reconheceu, posteriormente, a existência de repercussão geral da questão através do RE 585.235/MG. COMERCIANTE VAREJISTA CONCESSIONÁRIO DE VEÍCULOS. DESCABIDA A EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS NÃO CUMULATIVO DE VALORES RECEBIDOS DO FABRICANTE A TÍTULO DE INCENTIVOS DE VENDA. Créditos efetuados por fabricante de veículos em favor de comerciante varejista, no âmbito de programa de incentivo de vendas, não se enquadram como "receitas de venda" e não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Correa. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloI/SP, que considerou procedente o lançamento por falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente a fatos geradores de 1o/1/2000 a 31/12/2004. Por bem historiar os fatos adoto e transcrevo o relatório constante do acórdão do órgão julgador de primeira instância, verbis: “Cuida o presente processo da lavratura de auto de infração (fls. 476 a 480) – incluindo respectivos termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados (fls. 465 a 475, 482 a 493) –, contra o sujeito passivo em epígrafe, cuja ciência se deu em 29/9/2005 (fl. 476), sendo constituído crédito tributário relativamente à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), relativamente ao código Receita 2986 (PIS – LANÇAMENTO DE OFÍCIO), no valor de R$147.303,68, juros de mora (calculados até 31/8/2005) no valor de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 650 3 R$47.848,03, multa de ofício no valor de R$110.477,55 (fl. 476), cujos fatos geradores se referem a 31/1 a 31/12/2000, 31/1 a 31/12/2001, 31/1 a 30/12/2002, 31/1 a 31/12/2003, 31/1 a 31/12/2004; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam discriminados, respectivamente, às fls. 477 a 480. 2. Consta às fls. 90 que, em 8/6/2005, teve início a respectiva ação fiscal. E é relatado às fls. 481 a 493 que foi lavrado Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, parte integrante do referido auto de infração, cuja ciência se deu em 29/9/2005 (fl. 481 e 493). 3. Irresignado com o lançamento de que teve ciência em 29/9/2005 (fl. 476), o contribuinte apresentou, em 31/10/2005 (fl. 507), impugnação que consta às fls. 507 a 525, acompanhada dos documentos às fls. 526 a 565, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, ipsis verbis: 3.1. Inicialmente, a impugnante alega à fl. 515 decadência no que toca ao lançamento da contribuição para o PIS no período de 31/1/2000 a 31/8/2000: [...] é de clareza solar as disposições legais que determinam a ocorrência da decadência do direito do Fisco lançar nos casos de lançamentos sujeitos a homologação – como o presente – contados 05 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador. [...] Nem se alegue [...] que no que diz respeito às contribuições sociais tal prazo seria de 10 anos. [...] [...] Adotar tal entendimento corresponde a interpretar que a disposição do artigo 45 da Lei Ordinária 8.212/91 e o artigo 95 do Decreto 4.524/2002 tiveram o condão de ab rogar o texto expresso do artigo 150 do CTN norma admitida no sistema como Lei Complementar, o que evidentemente não se pode admitir Diante disso, requerse preliminarmente o reconhecimento da decadência do Fisco lançar créditos tributários relativos aos períodos de 31/01/2000 a 31/08/2000, uma vez que o Auto de Infração ora contestado foi lavrado posteriormente o transcurso do prazo legalmente estabelecido para tal direito. 3.2. Consta às fls. 516 e 517 arrazoado relativo à alegada inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 que serviu de fundamento à lavratura do auto de infração: [...] a Lei Ordinária nº 9.718/98 não tem sustentação constitucional e não pode prevalecer – como quer fazer valer o Auto – para as operações que não são estritamente reconhecidas como “faturamento”. [...] tal lei estipulou base de cálculo de PIS, extrapolando o conceito técnico de "faturamento", tal como previsto no artigo 195, 1, da CF/88, por considerar não apenas a receita da venda de bens e serviços, mas também todas as demais receitas, inclusive as financeiras, que não são nem podem ser equiparadas a faturamento.. [...] Há, pois, lei complementar explicitando o conteúdo e alcance do termo "faturamento" para efeitos do inciso I. do art. 195 da CF/88. [...] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 651 4 Não obstante, sobreveio a Lei nº 9.718/98, que embora estabeleça, em seu artigo 2, que PIS será calculada com base no faturamento das pessoas jurídicas de direito privado, equipara aquele conceito ao de receita bruta [...]. Essa definição legal abrange, pois, as mais valias, as receitas financeiras e outras, que não se inserem na noção própria de faturamento. [...] não há dúvida alguma de que a lei [nº 9.718/98] promoveu inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS, extravasando seu âmbito de competência constitucional, que autoriza sua instituição, apenas, com base no conceito estrito de faturamento. Por isso, é flagrantemente inconstitucional a cobrança a título da contribuição, tomandose por base o conceito alargado de faturamento veiculado pelo artigo 3 da Lei nº 9.718/98 ("a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica"), por ser este incompatível com a noção constitucional consolidada pelo STF. [...] Diante disso esse i. órgão julgador há que reconhecer a inconstitucionalidade de tal alargamento para deixar de exigir PIS sobre receitas que não se enquadram na definição legal de faturamento. 3.3. Consta às fls. 519 e 520, quanto ao recolhimento a menor da contribuição para o PIS no regime cumulativo, o seguinte: [...] há que se verificar uma peculiaridade do sistema de tributação do setor automotivo. [...] ficou estabelecido [por conta do disposto no art. 44 da Medida Provisória (MP) nº 1.991/2000, regulamentado pela Instrução Normativa (IN) nº 54/2000] que a base de cálculo será o montante cobrado do concessionário na nota fiscal de venda, exceto os valores de ICMS "retido" pelo regime de substituição tributária, de seguro e transporte. Temse, portanto, que a base de cálculo foi fixada tendo como pressuposto o pagamento a ser efetuado pelo Contribuinte Substituto que são as pessoas jurídicas fabricantes ou importadores dos produtos mencionados na legislação. [...] as receitas obtidas com a venda dos produtos e a devolução de parte do valor pago assim o é não deve integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS. Esse raciocínio reforçase pela simples verificação de que no parágrafo único do artigo 6° da IN 54, está vetada a exclusão da base de cálculo dos valores pagos a produtos não sujeitos ao regime de Substituição Tributária. Ora, se está vetada a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores não sujeitos ao regime de substituição tributária, é correto o entendimento que o legislador deixou de mencionar – por óbvio que é – que as operações sujeitas a tal regime não deveriam integrar a base, sob pena de se estar tributando duas vezes o mesmo valor! 3.3.1. Relativamente aos anoscalendários 2000 e 2001, constam as seguintes afirmações: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 652 5 3.3.1.1. Consta à fl. 520 que: [...] [a autoridade fiscal a quo] entendeu que a Impugnante deixou de recolher a contribuição em operações registradas na contabilidade como "Outras Receitas Administrativas" e "Incentivos de Vendas" (contas 745 e 746 respectivamente). Não procede a autuação uma vez que a operação com automóveis estava submetida ao regime de substituição tributária [...], sendo que as contribuições eram calculadas nos termos da IN 54/00. Conforme o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento de Fiscalização, em outras receitas administrativas há a rubrica de "notas de crédito Ford", "depósito FORD formação de plano" e "comissão de corretagem". Em incentivos de vendas há a rubrica "nota de crédito Ford". 3.3.1.2. Consta à fl. 521 e 522 esclarecimentos relativos às seguintes rubricas: "Das notas de crédito Ford" As notas de crédito Ford registradas na conta outras receitas administrativas compreendem operações decorrentes de incentivos de vendas, comissão de vendas diretas, subvenção de juros. As operações de incentivos de vendas são muito comuns e recorrentes no mercado, quando determinada montadora decide incrementar sua participação no mercado, lançando mão de campanhas de marketing e afins. Assim, os créditos efetuados o são como redução do custo do automóvel, consistente portanto em desconto "a posteriori" concedido sobre a operação anterior de venda do veículo ao concessionário. No aspecto técnico contábil, para o concessionário um tal desconto melhor se classifica como Reajuste de Custo, ou seja o preço de compra desse veículo passou a ser menor. Assim entendendo, o valor creditado pela FORD ao concessionário não consiste em uma receita, mas uma diminuição do preço de pago pelo último à FORD. [...] não constitui receita para o concessionário. Não havendo receita, não há que se falar em incidência das contribuições PIS e COFINS. [...] [...] no período aplicavase a substituição tributária, significando que os valores dos créditos já haviam sido tributados. "Da formação do plano " [...] registrada na conta outras receitas administrativas referem se a quota parte da montadora de quantia colocada à disposição da concessionária como forma de lastrear operações de financiamento de venda de automóveis. Não se trata de receita de venda de bens ou serviços e como já visto não podem integrar a base de cálculo da PIS, [...] uma vez que não se coaduna com o conceito constitucionalmente previsto (art. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 653 6 195, I CF) para faturamento considerando que a Lei 9.718/98 carece de eficácia. “Da comissão de corretagem” [...] são receitas que geraram autuação e estão sendo quitadas no ato da interposição da presente impugnação. 3.3.2. Quanto ao anocalendário 2002, há, ainda, à fl. 522, relativamente ao regime cumulativo, as seguintes afirmações: [...] quando a incidência da COFINS se dava de forma cumulativa e em parte pelo regime monofásico (a partir de 01.11.2002 – o i. agente fiscal entendeu que a Impugnante deixou de recolher a contribuição em operações registradas na contabilidade como "Incentivos de Vendas" (conta 3.1.1.03) e "Juros Recebidos" (conta 3.2.1.02); "Outras Receitas Administrativas" (conta 3.2.2.02) "Outras Receitas Operacionais" (3.2.2.04). Como já dito receitas de incentivo de vendas não integram a base de cálculo da COFINS, nos termos do quanto já exposto. 3.4. Quanto ao recolhimento a menor da contribuição para o PIS a partir de 2002, temse o que segue: 3.4.1. Quanto ao anocalendário 2002, consta à fl. 523 que: No período relativo a dezembro de 2002, o i. agente fiscal entendeu que a Impugnante deixou de recolher a contribuição em operações registradas na contabilidade como "Incentivos de venda". A teor do quanto já exposto, os créditos da Ford citados nas contas do período são, na verdade, reajuste do custo. São descontos "a posteriori" concedidos pela montadora e que não integram a base de cálculo da PIS, como já explicitado. [...] [haveria de ser reconhecido] que tal “desconto” tratavase de receita meramente financeira. Por ser assim, não há incidência do PIS uma vez que receitas financeiras são tributadas à alíquota 0. Além disso, há que se destacar que a partir 01.11.2002 a incidência da PIS se dava de forma monofásica. As receitas de venda da concessionária eram tributadas pela saída e sendo assim, não há que se falar nessa exigência no período em questão uma vez que os créditos da montadora para a concessionária referemse a valores que já foram tributados. 3.4.2. Quanto aos anoscalendários 2003 e 2004, consta à fl. 523 e 524 que: No período de 2003 e 2004, o i. agente fiscal entendeu que a Impugnante deixou de recolher a contribuição em operações registradas na contabilidade como "Outras receitas administrativas" . A teor do quanto já exposto, os créditos da Ford citados nas contas do período são, na verdade, reajuste do custo. Decorrem de descontos concedidos "a posteriori" pela montadora e que não integram a base de cálculo da PIS, como já explicitado. [...] [haveria de ser reconhecido] que tal “desconto” tratavase de receita meramente financeira. Por ser assim, não há incidência do PIS uma vez que receitas financeiras são tributadas à alíquota 0. 3.4.3. Quanto ao anocalendário 2005, consta à fl. 524 que: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 654 7 No período relativo ao ano calendário 2005, o i. agente fiscal entendeu que a Impugnante deixou de recolher a contribuição em operações registradas na contabilidade como "Incentivos de Vendas” e “Incentivos de Vendas Coqueiro” . A teor do quanto já exposto, os créditos da Ford registrados como outras receitas financeiras são, na verdade, reajuste do custo. São descontos “a posteriori” concedidos pela montadora e que não integram a base de cálculo da PIS. [...] [haveria de ser reconhecido] que tal “desconto” tratavase de receita meramente financeira. Por ser assim, não há incidência do PIS uma vez que receitas financeiras são tributadas à alíquota 0. 3.5. Ainda à fl. 524 a impugnante esclarece que: [...] em razão do reduzido prazo para apresentação desta defesa (se comparado à enorme quantidade de notas fiscais envolvidas), parte dos documentos ainda está sendo providenciada pela Defendente e também solicitados à Montadora, e será apresentada oportunamente. 3.6. Relativamente ao pedido da impugnante, consta à fl. 525 que: [...] evidenciada a total falta de fundamento da acusação fiscal, a Defendente [...] requer seja o auto de infração julgado improcedente. cancelandose a incabível exigência fiscal formulada por seu intermédio, ao menos a parte em que comprovadamente não ocorreu nenhuma omissão de receita determinando seja recalculado os valores autuados, tudo por ser medida de inteira JUSTIÇA! 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 566. 5. É o relatório.” O julgamento de primeira instância foi realizado pela 9ª Turma da DRJ em São PauloI/SP, que, por unanimidade de votos, concluiu pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SPOI no 1622.674, de 27/8/2009 (fls. 567/589), cuja ementa assim dispôs: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. SÚMULA DO STF No 8/2008. LEI COMPLEMENTAR No 128/2008 . Em obediência ao expresso na Súmula do STF no 8/2008, por força de seu efeito vinculante, para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do inciso I, art. 173 do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lei Complementar no 128/2008 revogou expressamente o disposto no art. 45 da Lei no 8.212/91. COMERCIANTE VAREJISTA (CONCESSIONÁRIO DE VEÍCULOS). HIPÓTESES DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCENTIVOS DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. A ocorrência de incentivos de vendas que são concedidos por fornecedor a concessionário de veículos não autoriza a sua exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS. (Art. 44 da MP no 1.99115/2000 e, posteriormente, no art. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 655 8 43 da MP no 2.15835/2001; IN SRF no 54/2000 e IN SRF no 247/2002; inciso I do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/98; alínea “a” do inciso V do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637/2002.) RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. INOCORRÊNCIA. Os efeitos da redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que trata o Decreto no 5.164/2002 passaram a ser percebidos apenas a partir de 2/8/2004. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para apreciar inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio. FASE LITIGIOSA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/72 e alterações posteriores. Lançamento Procedente” O órgão julgador decidiu, quanto à preliminar, que não há que falarse de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito em relação a fatos geradores ocorridos no ano de 2000, visto que não houve o pagamento da contribuição e o Auto de Infração foi lavrado em 29/9/2005, sendo cabível a aplicação do art. 173, I do CTN. No mérito, no que respeita à alegação de inconstitucionalidade do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, que serviu de fundamento à lavratura do auto de infração, o órgão julgador concluiu pela sua falta de competência para apreciar a alegação, por se tratar de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, tratandose de matéria cuja apreciação é reservada ao STF. Quanto aos fatos geradores ocorridos entre 11/6/2000 a 31/10/2002, assentou que a substituição tributária é dirigida apenas ao fornecedor, que deve recolher a contribuição para o PIS devida pelo concessionário de veículos, calculada sobre o preço de venda do fabricante dos veículos relacionados no art. 44 da MP no 1.99115/2000 e no art. 43 da MP no 2.15835/2001; e que em observância ao disposto no caput do art. 6o e seu parágrafo único, da IN SRF no 54/2000, apenas é cabível ao concessionário de veículos excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS, por ele devida na condição de contribuinte, o valor que corresponder às receitas de venda dos veículos que tenham sido faturados pelo próprio concessionário; daí que eventuais créditos conferidos por fabricante em favor de concessionário de veículos, a título de incentivos de venda, não podem receber tratamento similar às receitas de venda, nos termos do caput do art. 6o dessa IN, não devendo ser, por consequência, excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS nos registros contábeis do concessionário de veículos. No que respeita aos fatos geradores ocorridos entre 1/11/2002 e 31/12/2004, acrescentou que: ● quanto ao período de dezembro/2002, e no que respeita aos fatos relacionados ao incentivo de vendas, é válido o acima consignado, vez que tem validade o disposto no art. 43 da MP no 2.15835/2001, com a inclusão de seu § 2o por meio do art. 64 da Lei no 10.637/2002. Além disso, considerandose o disposto no caput do art. 39 da IN SRF no 247/2002, vale para esse período, a exclusão antes referida, da base de cálculo por parte do concessionário, da contribuição para o PIS por ele devida na condição de contribuinte. Visto que créditos conferidos a título de incentivos de venda, por sua natureza, não podem ser considerados receitas financeiras, não cabe invocar, para esse período, o disposto no Decreto no Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 656 9 5.164/2004, cujos efeitos foram percebidos apenas partir de 2/8/2004, devendose, então, aplicar o disposto no art. 1o e seu § 1o da Lei no 10.637/2002; ● quanto ao período de janeiro a dezembro/2003, e para os valores havidos como receitas financeiras, não cabe invocar o disposto no Decreto no 5.164/2002, cujos efeitos foram percebidos somente partir de 2/8/2004; para os valores havidos como créditos de incentivos de vendas, valese do afirmado nos itens anteriores, sendo que ambos os casos são alcançados pelo disposto no art. 1o e seu §1o da Lei no 10.637/2002; ● quanto ao período de janeiro a dezembro/2004, tendo em vista que foram feitos registros contábeis que refletem operações relacionadas a incentivos de vendas, cabe ser dado o mesmo entendimento antes assentado, devendo aplicarse o disposto no art. 1o e seu §1o da Lei no 10.637/2002. Consta dos autos o Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. 495/501, com informação nesse Termo de que em 1o/12/2005 os débitos de PIS ali discriminados (no montante de R$ 17.638,04), bem como as multas de ofício correspondentes, foram transferidos para o processo no 10909003281/200503, de 31/10/2005, referente a Pedido de Parcelamento de Débitos (fls. 502/506). A contribuinte apresenta recurso às fls. 595/619 e documentos anexos (fls. 620/641), ratificando em sua integralidade as alegações já formuladas por ocasião de sua impugnação e constantes do relatório da decisão recorrida. Pelo exposto, requer o provimento do recurso voluntário, e que seja considerado o recolhimento parcial do PIS referente a parcelas de efetiva receita bruta de venda de serviços, recebidas como "comissão de corretagem", que foram objeto de parcelamento, de forma a modificar o entendimento da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Cumpre observar, inicialmente, que não mais faz parte do contencioso o lançamento pertinente a parcelas contabilmente registradas a título de “comissão/seguro Unibanco”, tendo em vista que a contribuinte requereu o parcelamento dos débitos correspondentes, conforme informado ao final do relatório deste acórdão, restando a inexistência de objeto a ser litigado. Preliminar de decadência. A questão pertinente à decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento do PIS, suscitada em preliminar pela recorrente, respeita diretamente à vigência do art. 45 da Lei no 8.212, de 1991, verbis: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 657 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada.” Verificase que a matéria foi objeto de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias ocorridas em 11 e 12/6/2008, tendo sido negado provimento aos Recursos Extraordinários nos 560626, 556664, 559882 e 559943 interpostos pela Fazenda Nacional e declarada, em votação unânime, a inconstitucionalidade dos dispositivos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/91 e no parágrafo único do art. 5o do Decretolei no 1569/77, do que decorreu a edição da Súmula Vinculante no 8 da Corte Maior. Na esteira dessa decisão, os Ministros do STF sumularam em 12/6/2008 o entendimento de que os dispositivos que tratam dos prazos de prescrição e decadência em matéria tributária são inconstitucionais, aprovando a Súmula Vinculante no 8, que assim dispôs, verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A aprovação dessa Súmula implica a vinculação do seu entendimento por parte dos demais órgãos do Poder Judiciário e da administração pública. Nesse sentido foi o pronunciamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, quando instada a manifestarse acerca de diversos aspectos jurídicos atinentes à repercussão desses novos comandos sobre a atividade de cobrança administrativa e judicial dos créditos tributários por parte da União. Esse órgão pronunciouse através do Parecer PGFN no 1437, de 11/7/2008, aduzindo inicialmente, quanto aos efeitos das súmulas vinculantes, que, verbis: “16. Constitui a súmula vinculante um enunciado geral, abstrato, impessoal e, sobretudo, obrigatório, cuja carga eficacial se projeta com força cogente sobre os seus destinatários diretos, quais sejam, todos os órgãos jurisdicionais e da Administração Pública direta e indireta, nas esferas, federal, estadual e municipal. Reflexamente, no entanto, é possível admitirse que o enunciado vinculativo acabe por alcançar as demais pessoas físicas ou jurídicas, nas interações com o Poder Público. 17. Como decorrência dessa força obrigatória, a inobservância do preceito vinculativo por parte dos órgãos judicantes e da Administração Pública franqueia ao interessado a possibilidade de manejar reclamação constitucional perante o Supremo Tribunal Federal, prevista no art. 102, inciso I, “l”, da Carta de 1988, como mecanismo de garantia da autoridade das decisões do Excelso Pretório, sem prejuízo da responsabilização nas esferas civil, administrativa e penal.” Complementarmente, esse entendimento teve seguimento com o Parecer PGFN/CAT no 1617, de 1o/8/2008, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, justamente a respeito da Súmula Vinculante no 8 do STF, e que foi aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 18/8/2008. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 658 11 Considerando a jurisprudência citada, tenho que a matéria já foi examinada com toda suficiência, cumprindo ressaltar que a questão encontrase pacificada no âmbito do CARF, no sentido de adotar o prazo de cinco anos estabelecido no CTN, em face da retrocitada Súmula Vinculante. Em decorrência, há que se concluir que os prazos para constituir os créditos decorrentes de contribuições à Seguridade Social são os de cinco anos previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I do CTN. Destarte, afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212, de 1991, resta decidir o termo inicial dos cinco anos previstos no CTN. Contagem do prazo decadencial Verificase que com a alteração regimental procedida pela Portaria MF no 586, de 21/12/2010, que acrescentou o art. 62A1 ao Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos (art. 543C da Lei no 5.869/1973 – CPC, acrescido pelo art. 1o da Lei no 11.672/2008), devem ser observadas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Colegiado. E em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, o STJ decidiu que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento (art. 150, 4o do CTN), e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, do CTN), como se verifica dos decisórios do STJ que seguem, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 659 12 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. [sic] In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Recurso Especial no 973.733/SC – 1ª Seção – Rel. Ministro Luiz Fux, 12/8/2009) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS). 1. Em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 660 13 fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). 2. Precedente representativo da controvérsia: REsp n. 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009. 3. Na espécie, os tributos são referentes ao período de 31.1.1993 a 31.12.1993 e a União Federal somente lavrou auto de infração contra a empresa recorrida em 29.11.1999, evidenciandose, assim, o transcurso do lapso decadencial. 4. Agravo regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR – 2ª Turma – Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, 20/8/2009) A matéria é exatamente a mesma. Apenas que, no caso em exame, verificase que o lançamento referese a fatos geradores do PIS ocorridos entre 31/1 e 31/8/2000, e que o Auto de Infração foi perfectibilizado em 29/9/2005, data em que dele a autuada tomou ciência. Tendo em vista que no Auto de Infração não constam pagamentos em relação aos fatos geradores apurados, considerase estar diante de hipótese em que o prazo para lançamento está vinculado ao art. 173, I, do CTN, de forma que o prazo decadencial passou a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 1o/1/2001, tendo findado em 31/12/2005. Decorre, daí, que o lançamento foi efetuado dentro do prazo permitido à Fazenda Nacional para que formalizasse a exigência da obrigação tributária, razão pela qual é de se rejeitar a preliminar suscitada. Base de cálculo do PIS período de 1o/1/2000 a 30/11/2002 A recorrente alega que a inclusão na base de cálculo do PIS de valores classificados como “notas de crédito” e “incentivos de venda”, recebidos da Ford, não tem sustentação constitucional, em vista de o Fisco se ter valido do alargamento do conceito de faturamento estabelecido no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, conforme jurisprudência trazida em seu recurso. Tratase de alegação em relação à qual há de se dar razão à recorrente, visto que essa norma foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento dos Recursos Extraordinários nos 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em que restou decidido que as receitas passíveis de tributação pelas contribuições aqui tratadas são apenas as decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O Excelso Pretório resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer ao tema a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmando a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, através do RE 585.235/MG, Relator o Ministro Cezar Peluso, em acórdão assim ementado (DJ 28/11/2008), verbis: “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE no 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1o.9.2006; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 661 14 REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98.” Como já referido no tópico anterior, e nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF antes transcrito, as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre tema com repercussão geral (art. 543B do CPC, incluído pela Lei no 11.418/2006), devem ser observadas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Colegiado. Em face da repercussão geral decorrente da decisão do STF, há que afastar da base de cálculo do PIS as exigências fiscais consideradas como receitas que não se caracterizem como de faturamento, por ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. Isso implica o provimento do recurso nesta parte, com exclusão das parcelas incluídas pelo Fisco a título de “notas de créditos” e “incentivos de vendas”, referentes a fatos geradores ocorridos de 01/01/2000 até 30/11/2002. PIS não cumulativo período de 1o/12/2002 a 31/12/2004 A partir de 1o/12/2002 passou a viger a Lei no 10.637/2002 que instituiu o PIS no sistema nãocumulativo. Dispôs o seu art. 8o, verbis: “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: (...) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; (...)” (destaquei) As receitas dos produtos vendidos pela recorrente enquadramse no disposto no inciso VII, “b”, retrotranscrito, devendo ser deixado claro que essa substituição é destinada ao fornecedor dos produtos, que deve recolher a contribuição ao PIS devida pelos concessionários de veículos, calculada sobre o preço de venda do fabricante. A respeito desse sistema assim dispuseram os arts. 5o e 38 do Decreto no 4.524/2002, que regulamentou as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, vigente a partir de 18/12/2002, verbis: Art. 5º Os fabricantes e os importadores dos veículos classificados nos códigos 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03 e 87.11, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, são responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento das contribuições devidas pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 48 deste Decreto (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43, e Medida Provisória nº 75, de 24 de outubro de 2002, art. 18). § 1º O disposto neste artigo não exime o fabricante ou importador da obrigação do pagamento das contribuições na condição de contribuinte. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 662 15 (...) Art. 38. Os comerciantes varejistas de veículos sujeitos ao regime de substituição na forma do caput do art. 5º, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor das vendas desses produtos, desde que a substituição tenha sido efetuada na aquisição. § 1º O valor a ser excluído da base cálculo não compreende o preço de vendas das peças, acessórios e serviços incorporados aos produtos pelo comerciante varejista. (...)” (destaquei) Como destacado no art. 38 acima transcrito, a exclusão da base de cálculo da contribuição limitase exclusivamente à receita da venda dos produtos indicados no art. 5o do Decreto. Tal receita é representada pela quantia paga pelo comprador e recebida pelo comerciante varejista, constante da nota fiscal de venda ao consumidor. Daí que não cabe excluir da base de cálculo do PIS as receitas estranhas a essa venda, como se verifica do caso em exame, em que foi apurado o recebimento de valores da Ford, sob denominações de “CRED. ADM. FORD” e “SUBVENÇÃO DE JUROS FLOOR PLAN”, que nada mais são do que incentivos de venda. Sobre a matéria já existe consulta específica, respondida pela Solução de Consulta no 2/2003 da SRRF/5ª RF/Disit, cuja ementa dispôs, verbis: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. VEÍCULOS. COMERCIANTE VAREJISTA. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO DE VENDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Créditos efetuados por fabricante de veículos em favor de comerciante varejista, no âmbito de programa de incentivo de vendas, não se enquadram como "receitas de venda", para efeito do disposto no art. 6o da IN SRF no 54, de 2000, e não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: art. 43 da MP no 2.15835, de 2001, art. 64 da Lei no 10.637, de 2002, art. 6o da IN SRF no 54, de 2000, e art. 1o da IN SRF no 112, de 2000.” Destarte, e conforme a legislação indicada, resta claro que esses créditos não podem ser classificados como receitas de venda, devendo ser normalmente tributados pelo PIS. De outra parte, também não tem fundamento a pretensão da recorrente de classificar tais créditos como receitas financeiras, com vistas à incidência da contribuição mediante redução para alíquota zero. Tal redução, aplicável às receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição ao PIS, passou a vigorar apenas com a vigência do Decreto no 5.164/2004, com efeitos a partir de 2/8/20042. 2 “Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 663 16 No caso em exame, como tais créditos não podem ser classificados como receitas financeiras, devem ser tributados com base no disposto no art. 1o, § 1o da Lei no 10.637/2002, verbis: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...)” Em face aos elementos contidos nos autos, há que se considerar correto o tratamento adotado pelo Fisco no que respeita à tributação desses valores, pertinentes aos fatos geradores de 1o/12/2002 a 31/12/2004. Diante do exposto, voto por que seja rejeitada a preliminar de decadência, e no mérito, seja dado provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as exigências do PIS correspondentes ao período de 1o/1/2000 a 30/11/2002. José Luiz Novo Rossari Art. 2º O disposto no art. 1º aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004.” Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.003029/200596 Acórdão n.º 320200.387 S3C2T2 Fl. 664 17 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10240.000697/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão/contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão/contradição apontada, dando-lhe efeitos infringentes na parte em que o saneamento da omissão necessariamente conduzir a alteração no resultado do julgamento.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.992
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente os embargos de declaração para reratificar o Acórdão no 240101.672, passando a: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as competências 12/2002 e 01 a 03/2003.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 385 1 384 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.000697/200813 Recurso nº 000.000 Embargos Acórdão nº 240101.992 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DOESTADO DE RONDÔNIA EMATER/RO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão/contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão/contradição apontada, dandolhe efeitos infringentes na parte em que o saneamento da omissão necessariamente conduzir a alteração no resultado do julgamento. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para reratificar o Acórdão no 240101.672, passando a: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as competências 12/2002 e 01 a 03/2003. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 385DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.992 S2C4T1 Fl. 386 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 382/383, apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 240101.672 de Lavra da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. No decisum embargado, decidiuse: ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de oficio, para restabelecer as competências 01 a 03/2003.Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que negavam provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. O processo em questão diz respeito a NFLD n.º 37.116.8759, na qual foram lançadas contribuições patronais para a Seguridade Social, em razão da perda pela notificada da isenção da cota patronal, motivada pelo descumprimento de requisitos legais exigidos para fruição do benefício. Órgão de julgamento de primeira instância decidiu reconhecer a decadência para as competências até 03/2003 e recorreu de ofício de sua decisão com arrimo no art. 366, inciso, §§ 2.º e 3.º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu restabelecer as competências de 01 a 03/2003, por entender que na espécie inexistiu pagamento antecipado, posto que a instituição, por se considerar isenta, recolhia apenas a contribuição dos segurados, aplicou para a contagem do lapso decadencial o art. 173, I, do CTN. Contra esse decisum a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, sob a alegação de que o prazo decadencial somente teria começado a fluir, na situação sob análise, a partir da data do cancelamento da isenção, ou seja, após a emissão do Ato Cancelatório n.º 001/2005, de 21/02/2005. Nesse sentido, o acórdão embargado, ao não tratar dessa particularidade, incorreu em omissão. Por outro lado, entende a embargante que ocorreu erro material no acórdão do CARF, posto que para a competência 12/2002, pela aplicação do art. 173, I, do CTN, não haveria o que se falar em decadência, haja vista que o termo inicial para a contagem somente se daria em 01/01/2004. Afirma que na data da ciência do lançamento, em 22/04/2008, não houvera transcorrido o prazo decadencial. Por fim, suscita uma contradição no voto condutor do acórdão, que mencionou ter sido atingido pela decadência o período de 04 a 12/2003 por existirem Fl. 387DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 recolhimentos antecipados para tais competências. Alega que para essas competências, nem com a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, se poderia reconhecer a decadência. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.992 S2C4T1 Fl. 387 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Embora não reconheça a suscitada omissão acerca da não consideração da data da emissão do Ato Cancelatório de Isenção como dies a quo para a contagem do lapso decadencial, posto que esse Conselheiro entende ser irrelevante essa questão, devo considerar que houve, no mínimo, omissão quanto ao reconhecimento da decadência para a competência 12/2002, posto que não ficou assentado no acórdão a justificativa para tal conclusão. Também não tenho como esconder que a menção a ocorrência da decadência para as competências de 04 a 12/2003 representa contradição entre os fundamentos da decisão e as conclusões. Esses fatos levamme a entender que os embargos são cabíveis, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Também reconheço que a PFN possui legitimidade para apresentar o recurso, além de que o fez dentro do prazo regimental. Merecem conhecimento os embargos. Da decadência Um primeiro aspecto ventilado pelo órgão embargante é a correlação entre termo inicial do prazo de decadência e a data de prolação do ato cancelatório de isenção. Entende a PFN que, somente após a emissão do ato cancelatório, teria início a contagem do prazo decadencial, uma vez que o Fisco até aquele momento estaria impedido de constituir o crédito tributário. A primeira vista essa tese é tentadora, todavia, um estudo mais aprofundado do tema leva a conclusão em sentido contrário. A razão de existir do instituto da decadência é impedir que as relações jurídicas se prolonguem indefinidamente no tempo. A sua aplicação no direito tributário visa à estabelecer um prazo limite para que o Fisco possa exercer o seu direito de efetuar o lançamento. Se o direito não é exercido dentro do prazo previsto na legislação, o qual para as contribuições sociais passou a ser de cinco anos com a edição da Súmula Vinculante STF n.º 08, de 12/06/2008, o contribuinte livrase da obrigação de pagar o tributo relativo ao período que caducou. Fl. 389DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Verificase que, no caso das entidades que detinham o direito à isenção do recolhimento da cota patronal reconhecido pela Administração Tributária, de fato o lançamento somente poderia ser efetuado após o cancelamento da benesse fiscal. Todavia, há de se levar em conta que a prerrogativa de cancelar a isenção era da próprio Fisco, caso a empresa incorresse em descumprimento de algum dos requisitos necessários à manutenção da sua condição de isenta. Diante dessa constatação, não devo admitir que o dies a quo para a fluência do prazo decadencial seja estabelecido em função da data de prolação do ato cancelatório, uma vez que esse estaria a depender de providência da Administração Tributária. A prevalecer o entendimento da embargante, poderseia cair na seguinte situação, que considero absolutamente absurda: após o quinto ano da ocorrência dos fatos geradores, o Fisco emite ato cancelatório de isenção e a partir desse marco passaria a se contar os cinco anos do prazo quinquenal, levando a possibilidade de se exigir o tributo para fatos geradores ocorridos há dez anos. Assim, por entender que na aplicação do art. 173, I, do CTN1 o primeiro dia seguinte do exercício em que o lançamento poderia ser efetuado, mesmo para as entidades que gozavam da isenção, deve ser contado a partir da data do vencimento do prazo para recolhimento do tributo, não devo alterar o meu posicionamento quanto a essa questão, tendo esse arrazoado sido articulado apenas para esclarecer uma possível obscuridade cometida em meu voto. Quanto à exclusão da competência 12/2002, reportome às minhas considerações no parágrafo anterior para concluir que efetivamente não houvera transcorrido o prazo decadencial na data da ciência do lançamento para essa competência, uma vez que o vencimento da mesma deuse no início de janeiro do ano seguinte, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde ao primeiro dia do ano de 2004. Como a ciência do lançamento ocorreu em 22/04/2008, não há como se reconhecer a decadência quinquenal para a mesma. Nesse sentido, devem ser dados efeitos infringentes aos embargos, eis que a alteração da decisão embargada surge como consequência natural do próprio saneamento da omissão. Também não tenho como esconder que a menção a ocorrência da decadência para as competências de 04 a 12/2003 representa contradição entre os fundamentos da decisão e as conclusões. Assim, onde no corpo do voto se lê: Quanto ao período de 04 a 12/2003, o Discriminativo Analítico do Débito DAD está a mostrar que houve recolhimentos além daqueles relativos a contribuição dos segurados, ver fls. 08/09, pelo que se conclui que transcorreu o prazo decadencial para as mesmas, nos termos do art. 150, § 4. , do CTN. Passese a entender da seguinte maneira: Quanto ao período de 04 a 12/2003, sequer houve o transcurso do prazo pela contagem prevista na regra do art. 150, § 4. , do CTN, portanto, não há o que se falar em decadência. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 390DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.992 S2C4T1 Fl. 388 7 Diante de todos exposto, voto por conhecer dos embargos e acolhêlos parcialmente de modo que se reratifique o Acórdão n.º 240101.672 passando a: a) seja dado provimento ao recurso de ofício restabelecendo as competências 12/2002 e 01 a 03/2003. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 391DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10640.003235/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2008 a 22/09/2010
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser
objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3403-001.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2008 a 22/09/2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que passo a transcrever. “A contribuinte aqui identificada requereu em 23/12/2008 junto à Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora/MG, a restituição de valores recolhidos a título de PIS e de Cofins nos períodos compreendido entre 04/09/2007 e 21/11/2008, totalizando em valores corrigidos R$ 69.623,22 e R$ 15.115,51, alegando se constituir em consumidora final de combustível e fazendo referência à Lei 9.990/2000 (fls. 01/02). A DRFJFA/MG. por intermédio do Despacho Decisório de fls. 16/17, indeferiu o pedido de restituição da contribuinte (fls. 01/04) e não homologou as compensações vinculadas ao presente processo (fls. 14/15). O processo n° 10640.720545/201034 foi formalizado para controle manual das DCOMP n° 33794.40260.300910.1.3.04 3490 e n° 26515.64806.22101 P.1.3.04 3590 apresentadas com vinculação ao direito creditório que não foi reconhecido. Cientificada da decisão em 02/02/2010 (fl. 27), a contribuinte manifestou sua inconformidade, às fls. 28/42, em 09/12/2010, alegando, em síntese: . apresentou pedido de restituição relativo ao pagamento indevido ou a maior, a título de PIS incidente sobre combustível adquirido por consumidor final, no período de setembro/2007 até novembro/2008, sendo esse crédito utilizado nas declarações de compensação formuladas eletronicamente, sob o n° 33794.40260.300910.1.3.043490 e 26515.64806.221010.1.3.04 3590; . com as mudanças havidas na legislação, embora nem as distribuidoras e tampouco as refinarias se submetessem mais às regras da substituição tributária do PIS e da Cofins, o certo é que a carga tributária foi mantida inalterada; . sob o regime da substituição tributária, a Instrução Normativa SRF n° 6, de 1999, permitia a imediata restituição dos valores de PIS e Cofins pagos em substituição tributária pela ausência de operação no varejo, ex vi artigo 150, § 7°, da Constituição Federal; Fl. 82DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10640.003235/201051 Acórdão n.º 340301.188 S3C4T3 Fl. 2 3 . a partir do momento em que se extinguiu o regime de substituição tributária da Cofins e do PIS e se manteve a mesma carga tributária, passando ó encargo tributário a ser exigido embutido no preço praticado pelas refinarias e repassado veladamente aos contribuintes, que não mais puderam requerer o ressarcimento com base na IN SRF n° 6, de 1999, desrespeitouse o artigo 150, § 7 °, da Constituição Federal; . subsiste o direito de restituição dos valores de PIS e Cofins pagos nas aquisições de combustíveis diretamente das distribuidoras, pelo encargo tributário veladamente embutido em uma operação inexistente (operação de varejo), em respeito ao preceito contido no § 7º do artigo 150 da Constituição; . foi igualmente violado o artigo 110 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; . a extinção da substituição tributária pelas MP n° 1.99115, de 20 2.15835, de 2001, não encontra amparo legal, porque afronta o disposto no artigo, 246 da Constituição que impede que medidas provisórias regulamentem texto da Constituição que tenha sido alterado por emendas constitucionais datadas a partir de janeiro de 1995 até setembro de 2001; . sobre os valores requeridos há de ser acrescida a devida atualização monetária, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, retroativa à data de apuração dos valores; . a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma do artigo 151 do CTN.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve a decisão da Autoridade Administrativa. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/09/2007 a 21/11/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 04/09/2007 a 21/11/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Cofins. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Buscando um melhor deslinde da questão é necessário relembrar os ditames normativos que disciplinam a substituição tributária referente às vendas realizadas pelas refinarias de petróleo. O art. 4°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, instituiu a substituição tributária. “Art. 4° As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2°, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.” Em fevereiro de 1999 entrou em vigor a Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999 que retirou o GLP Gás Liquefeito de Petróleo do art. 4° da Lei nº 9.718 , de 27 de novembro de 1998: “Art. 4° O disposto no art. 4° da Lei n° 9.718, de 1998, aplica se, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10640.003235/201051 Acórdão n.º 340301.188 S3C4T3 Fl. 3 5 Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1° de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4° da Lei n°9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos. Posteriormente, com a edição da Medida Provisória n.°1.8586, de 29 de junho de 1999, o Gás Liquefeito de Petróleo voltou a ser tratado pelo art. 4° da Lei 9.718/98: “Art. 40 O disposto no art. 4° da Lei n° 9.718, de 1998, aplica se, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1° de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 40 da Lei n°9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos.” Apesar de todo o histórico normativo e suas idas e vindas, a lide da questão se prende as definições da IN SRF nº 006, de 29 de janeiro de 1999 que trouxe a possibilidade da restituição pelos consumidores finais Pessoa Jurídica, dos valores da Cofins retidos pelas refinarias de petróleo, na condição de substituto tributário. “Art. 6º Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 021, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7º a 14 desta Instrução Normativa.” Essa sistemática de substituição tributária perdurou até 30 de junho de 2000, conforme disposto pela Medida Provisória n° 1.99115, de 10 de março de 2000: Fl. 85DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 “Art 2° Os artigos 3°, 4°, 5°e 6° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 4° As contribuições para os Programas de Integração Social e Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: 1 três inteiros e vinte e cinco centésimos por cento e quinze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva e de gás liquefeito de petróleo GLP; II dois inteiros e oito décimos por cento e treze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (...) Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: 1 gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas. (...) Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: II no que se refere à nova redação dos arts. 4° a 6' da Lei n°9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4° a 6° da Lei n° 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4° e 5° desta Medida Provisória. Com a edição da MP n° 1.99115 foi extinta a substituição tributária prevista no art. 4° da Lei nº 9.718/98. Assim a restituição aos consumidores finais da COFINS retida pelas refinarias, prevista na Lei nº 9.718/98, vigorou no período de 01 de fevereiro de 1999 a 30 de junho de 2000. A exigência do pagamento da Cofins pelas refinarias na condição de substituto tributário está prevista no art. 4º da Lei nº 9.718/98, fato inconteste, sendo a retenção e o recolhimento pela refinaria, legal e obrigatório. A administração tributária decidiu por Instrução Normativa, que o valor recolhido de Cofins na comercialização pelas refinarias de gasolina e óleo diesel, diretamente para os consumidores finais poderia ser restituída. Entretanto, esta possibilidade ficou restrita ao período de 01/02/1999 a 30/06/2000. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10640.003235/201051 Acórdão n.º 340301.188 S3C4T3 Fl. 4 7 No caso em tela a Recorrente quer ver restituído valores recolhidos de COFINS no período de 04/09/2007 a 21/11/2008, período em que não mais existia a apuração no regime de substituição tributária. Também para o período solicitado a restituição prevista na IN SRF nº 006/99 também não existia, visto a sua revogação pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. In Verbis. “Art. 108. Ficam formalmente revogados, sem interrupção de sua força normativa: (...) IV – as Instruções Normativas SRF no 62/89, de 22 de junho de 1989, no 26/94, de 14 de abril de 1994, no 6/99, de 29 de janeiro de 1999, no 24/99, de 25 de fevereiro de 1999, no 37/99, de 5 de abril de 1999, no 47/99, de 28 de abril de 1999, no 145/99, de 9 de dezembro de 1999, no 54/00, de 19 de maio de 2000, nº 112/00, de 19 de dezembro de 2000, nº 40, de 25 de abril de 2001, nº 75, de 13 de setembro de 2001, nº98, de 5 de dezembro de 2001, nº 199, de 12 de setembro de 2002, nº 209, de 27 de setembro de 2002, e nº 215, de 7 de outubro de 2002; e V – o disposto nas Instruções Normativas SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, e nº 152, de 16 de dezembro de 1998, quanto à determinação das bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.” No Recurso são feitas diversas alegações de ofensa a princípios constitucionais e questionamentos sobre a constitucionalidade das alterações promovidas pela MP 1.99115 na sistemática de substituição tributária criada pela Lei nº 9.718/98. Em que pese as alegações da Recorrente, as turmas do CARF estão impedidas de manifestação sobre inconstitucionalidade de legislação tributária, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto a discussão sobre o pedido de correção monetária dos créditos da PER/DCOMP, entendo estar prejudicada, em razão da não homologação dos créditos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/ 2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13738.001965/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
NATUREZA DOS RENDIMENTOS. VERIFICAÇÃO EM LANÇAMENTO DE GLOSA DE DEDUÇÕES. POSSIBILIDADE.
A base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas compreende tanto os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário quanto as deduções permitidas pela legislação, e o lançamento desse tributo envolve a mensuração de sua base de cálculo.
Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado.
Assim, é possível se analisar pedido de isenção de rendimentos, mesmo que o lançamento não envolva essa matéria.
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63.
Hipótese em que a isenção foi reconhecida a partir de ano-calendário posterior ao do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.359
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. O Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos votou pelas conclusões.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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VERIFICAÇÃO EM LANÇAMENTO DE GLOSA DE DEDUÇÕES. POSSIBILIDADE. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas compreende tanto os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário quanto as deduções permitidas pela legislação, e o lançamento desse tributo envolve a mensuração de sua base de cálculo. Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado. Assim, é possível se analisar pedido de isenção de rendimentos, mesmo que o lançamento não envolva essa matéria. RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63. Hipótese em que a isenção foi reconhecida a partir de anocalendário posterior ao do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13738.001965/200811 Acórdão n.º 210101.359 S2C1T1 Fl. 47 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio De Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 3 a 5, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, para glosar dedução indevida de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.680,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde afirma que é portador de nefropatia grave (insuficiência renal crônica), em tratamento de hemodiálise, e que só agora ficou sabendo do direito de usufruir da isenção do Imposto de Renda, e que por isso fez declarações retificadoras em 28 de julho de 2008 e pediu a restituição dos valores pagos em 17 de agosto de 2008. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 26): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13738.001965/200811 Acórdão n.º 210101.359 S2C1T1 Fl. 48 3 Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira: Inicialmente, destaquese que a impugnante não questiona a dedução indevida de despesas médicas, mas apenas alega que é portadora de moléstia grave. Assim, pela não impugnação, nos termos do art. 17, caput, do Decreto n° 70.235, adiante transcrito, considero incontroverso o assunto. (...) Cumpre observar que no presente caso a impugnante apenas solicitou a retificação do lançamento para a exclusão dos rendimentos declarados em sua DAA. Com relação ao solicitado pela contribuinte cabe esclarecer que a matéria referente aos rendimentos não pertence a presente lide não cabendo a esta instância julgadora pronunciarse a respeito. Além disso, tal procedimento configuraria uma revisão de ofício de declaração de rendimentos que não pertence à competência da Delegacia de Julgamento. Portanto, deixase de analisar se a contribuinte é portadora de moléstia grave e se os rendimentos possuem a natureza de aposentadoria, pensão ou reforma. Destarte, em face de todo o exposto supra, voto no sentido de não conhecer a impugnação. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 26/8/2010 (fl. 30), o contribuinte apresentou, em 9/9/2010, o recurso de fls. 31 a 43, onde solicita a isenção do Imposto de Renda por ser portador de nefropatia grave (insuficiência renal crônica), em tratamento de hemodiálise, anexando documentação comprobatória. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 44, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 45, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13738.001965/200811 Acórdão n.º 210101.359 S2C1T1 Fl. 49 4 Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte teve suas deduções de despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste do exercício de 2006 glosadas por falta de comprovação. Em sua impugnação, ao invés de contestar a glosa, optou por alegar que era isento do imposto de renda e que equivocadamente declarou seus rendimentos como tributáveis. O julgador a quo não conheceu do recurso por falta de contestação da matéria tributável, alegando que lhe falecia competência para apreciar a isenção dos rendimentos, pois isso configuraria verdadeira revisão do lançamento. Discordo da decisão recorrida. Se o imposto de renda das pessoas físicas é um tributo de fato gerador complexivo, composto por uma série de atos de aquisição de rendas que se aperfeiçoam no dia 31 de dezembro do ano calendário, o lançamento desse tributo engloba todos esses atos considerados na apuração da sua base de cálculo. E a base de cálculo do imposto de renda da pessoas físicas é diferença entre a soma dos rendimentos tributáveis recebidos durante o ano calendário e as deduções permitidas pela legislação, nos termos do art. 8o da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Ora, como o art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, pareceme claro a possibilidade do julgador administrativo analisar a natureza dos rendimentos declarados, mesmo que não estes não façam parte do lançamento, passando a integrar a lide nesse momento. Além disso, após o lançamento o contribuinte está impossibilitado de efetuar a retificação da declaração de ajuste do exercício autuado, mesmo para as matérias não inclusas na autuação. Pela interpretação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, só lhe restaria esperar que o processo retornasse à unidade de origem para solicitar a revisão de ofício. Mas se tivesse passado o prazo decadencial, a revisão de ofício não poderia ser realizada e o direito pereceria. É por isso que conheço do pedido e passo a analisar a natureza dos rendimentos declarados. O impugnante sustenta que os rendimentos declarados como tributáveis são, na verdade, isentos por ser portador de moléstia grave. Os incisos XXXI e XXXIII, e parágrafo 4°, do art. 39, do Decreto n° 3.000, de 26 de março 1999 – Regulamento do Imposto de Renda, determinam: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente Fl. 58DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13738.001965/200811 Acórdão n.º 210101.359 S2C1T1 Fl. 50 5 de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); Nesse sentido, foi publicada a Súmula CARF no 63 com o seguinte conteúdo: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, para o gozo da isenção, existem três condições cumulativas: os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, eles devem ser percebidos por portador de moléstia grave enumerada na legislação, e a doença deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Os documentos acostados aos autos (fls. 37 a 43), apesar de mencionarem que o paciente está em tratamento ambulatorial desde 1997, deferem a isenção do imposto de renda apenas a partir de 18/08/2006 (fl. 40). Como o presente lançamento se refere ao anocalendário de 2005, os rendimentos nele declarados continuam com sua natureza tributável. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13738.001965/200811 Acórdão n.º 210101.359 S2C1T1 Fl. 51 6 Fl. 60DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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